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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00156

Full Text






L C I 0


Multinacion


papel


Hd 10 anos a Companhia Vale do Rio Doce estd autorizada a iniciar o Projeto Salobo, o
mais important investimento produtivo do Pard e do pais, de 1,5 bilhdo de reais. Mas
protela a iniciativa. Hd uma complicada teia de fatores por trds dessa indefinigdo. Ela
mostra que os brasileiros perderam o domfnio sobre a mais estratigica das suas empresas.
Ela j, agora, a usina de d6lares de Benjamin Steinbruch.


aw o ano passado
o Brasil gastou
S l 600 milh6es de
Sd6lares impor-
S tando concen-
trado de cobre, principal-
mente do Chile e da Boli-
via. Esse gastou represen-
tou um peso de 10% sobre
o deficit da balanga comer-
cial brasileira em 1998. O
pais ja poderia ter reduzi-
do ou eliminado essa conta
se estivesse explorando as
jazidas de Carajas, no sul
do Pard. Desde 1989,
quando foi autorizada pelo
DNPM (Departamento
Nacional da Produg9o Mi-
neral) a iniciar a lavra da
jazida de Salobo, a Compa-
nhia Vale do Rio Doce vem
retardando a abertura des-
sa mina. O atraso comple-
ta agora uma d6cada, 22
anos depois da descoberta
da ocorrencia mineral.
Dois anos atras, no seu
iiltimo ato important, a di-
regdo da CVRD se com-
prometeu com o governor
do Estado a dar partida A
implantaggo do projeto no
prazo de tres meses. Mas
a privatizagAo da Vale tor-
nou letra morta o protoco-
lo de inten96es solenemen-
te assinado em Maraba, onde a empre-
sa iria implantar a usina metalirgica, a
K segunda do pais. Corn investimento glo-
. : .. 3


bal de R$ 1,5 bilhao, 6 o maior previsto
para uma atividade produtiva em todo
o Brasil para os pr6ximos anos.


No final do m8s passado,
em outra solenidade, desta vez
na Serra de CarajAs, cenario
para a inauguragao de um
memorial registrando a con-
quista de certificagAo ecol6-
gica (o ISO 14001), o presi-
dente do Conselho de Admi-
nistracao da CVRD privada,
Benjamin Steinbruch, evitou
assumir compromisso de data
para a retomada do empreen-
dimento, apesar dos insisten-
tes e at6 incisivos pedidos fei-
tos publicamente pelo gover-
nador do Estado.
Almir Gabriel tinha seus
motives para tentar arrancar
algo mais concrete na ocasiao
do que meras palavras, ao
menos como moeda de troca
pela sua decisdo de aceitar,
ap6s muita relutancia, compa-
recer A solenidade para a qual
era o principal convidado. E
que o Projeto Salobo, tema
recorrente em sua gestdo, di-
ficilmente entrard em execu-
9do at6 o final do seu segun-
do mand'ato, abrindo uma la-
S cuna irreparavel na hist6ria da
sua longa passage pelo go-
verno do Para.
Embora o cancelamento de
gastos tio pesados em divisas
(todo o faturamento annual da
produgdo de min6rio de ferro
de Carajas serve apenas para pagar a conta
da importagdo do concentrado de cobre,
insumo para a produgao do cobre metiAli->


F L A


Pessoal





Z JOURNAL PESSOAL 2i QUINZENA DE MARCO / 1999


co) seja um argument forte, nao faltam
razoes para as explicacOes retardatarias
de Steinbruch. As v6speras da montage
da mina do Salobo, a Vale descobriu ou-
tras duas jazidas (Sossego/Liberdade e
Corpo Alemao), provavelmente mais ricas
e mais fAceis de utilizar do que a jazida
mais antiga e mais bem conhecida.
Os investimentos na prospec9ao des-
sas Areas, como todas as aplicag6es da
Vale steinbrucheana em neg6cios sem
retomo imediato, nao sao coerentes com
o seu valor estrat6gico. Por isso, os re-
sultados tem evoluido lentamente, deixan-
do no rastro um vendaval de especula-
c9es. Al6m disso, ha complicadores as-
sociativos. No Salobo, a sociedade da
Vale e cor a Anglo American, o gigante
sul-africano do ouro que vem ampliando
sua participag~o no mercado de cobre.
A Anglo esta arrematando um pro-
cesso de reestruturacgo administrative,
deslocando-se da Africa do Sul para a
Inglaterra e compactando os seus neg6-
cios. No caso especifico do cobre, segun-
do item da sua receita mundial, seu com-
prometimento imediato 6 com a viabiliza-
cao de um investimento de dois bilh6es
de d6lares na mina de cobre de Collah-
nasi, no Chile, uma das maiores do mun-
do, de onde vai extrair 300 mil toneladas
anuais de metal. Dobrar essa aplicacao
pode ser, no moment, desinteressante.
Talvez a empresa queira ajustar o crono-
grama do Salobo a essa contingencia, um
prop6sito que casa com a intenCgo da
CVRD de tambem sobrestar o projeto.
A Vale, ajustada a diretriz de Stein-
bruch de gerar o maximo de liquidez para
cumprir os urgentes e significativos com-
promissos financeiros e politicos assumi-
dos, no afa de superar o cons6rcio con-
corrente de Ant6nio Ermirio de Moraes
na arrematacao da estatal, conduz os ou-
tros alvos na cadencia desse cenario par-
ticular. Sossego/Liberdade (com a multi-
nacional canadense Phelps Dodge) e
Corpo Alemao (ainda sem associacio
consolidada) evoluem na depend8ncia das
inovag6es tecnol6gicas esperadas a qual-
quer moment para a producgo de cobre
(sobretudo reduzindo o brutal consume de
energia), no jogo das parcerias possiveis,
e no movimento do prego do metal no
mercado international. Ele bateu no fun-
do do polo, em fundio da crise internaci-
onal: o cobre chegou em fevereiro A sua
mais baixa cotag~o real nos iltimos 50
anos e ao menor prego, em terms nomi-
nais, desde fevereiro de 1987 (61,553 cen-
tavos de d6lar por libra-peso em Londres).
Vai se recuperar? Apesar do panora-
ma lugubre, a maioria das apostas 6 posi-
tiva. Mas o mercado passara por uma cru-
el varredura. Previs6es feitas a partir do
Chile, principal produtor mundial, corn


40% do mercado, garantem que devem
ser riscadas neste ano das linhas de pro-
dugdo das usinas 250 mil toneladas (o
equivalent a um Salobo). No ano passa-
doja haviam sido desativadas outras 250
mil toneladas. Os estoques, pordm, conti-
nuam enormes. Com os pregos pratica-
dos atualmente, s6 65% da induistria mun-
dial sobreviveria, justamente aquelas em-
presas que dispeem de mindrio bom e po-
dem produzi-lo a custo final abaixo de 60
centavos de d6lar por libra em qualquer
circunstincia de procura.
Embora esses numeros devam ser
encarados com alguma reserve (numa
competicao feroz a informaago costume
ser uma das armas de combat e despis-
tamento preferenciais), 6 o parimetro
para definir a viabilidade da produCgo de
cobre em CarajAs, independentemente da
jazida a ser inicialmente utilizada. Os va-
rios complicadores envolvidos na matu-
raqio dos projetos, portanto, sustentam a
cautela da Vale.
Apesar deles, entretanto, ha uma ou-
tra variAvel que recomendaria aos gover-
nos federal e estadual uma attitude mais
firme (e tamb6m mais competent, a que
mais tem faltado) para resolver uma
equagao aparentemente tao 6bvia, a da
eliminaggo do peso cambial negative do
cobre na balanga commercial. Essa varia-
vel diz respeito h natureza da CVRD ap6s
a privatizacao, tema que tern passado ao
largo das reflexes e discusses serias e
conseqiientes.
A Vale estatal, que, a despeito de to-
das as suas limitaqes e vicios, desem-
penhava uma salutar fungao estrat6gica
na (intemamente) e para (no com6rcio
exterior) a economic brasileira desapa-
receu. Em seu lugar ha, agora, um bura-
co inc6modo.
A nova Vale nao esta nem ai para
essa onerosa lacuna. O condottiere (se-
ria de todo impr6prio denomina-lo de
kaiser?) Benjamin Steinbruch modelou
a sua Vale como uma empresa capaz de
esmagar custos para deixar passar pelo
filtro maiores quantidades de lucro liqui-
do, a ser drenado por duas direcqes: di-
videndos para acionistas ejuros para os
financiadores da operagao de compra (e
desestatizagao, o que implica em gastos
anteriores e posteriores ao leilao, sem-
pre fora do circuit no qual o ato foi con-
sumado, em alguns casos muito longin-
quamente dele).
Os glorificados numeros do balango
de 1998, saudados com fanfarras pela
grande imprensa, deveriam acautelar os
espiritos menos agodados (e tamb6m
menos impatri6ticos). Todos induzem a
aprovagao da privatizagao pelos resul-
tados operacionais. O lucro da empresa
evoluiu de R$ 517 milh5es no uiltimo


exercicio inteiramente estatal, o de 1996,
para R$ 735 milh6es na gestao quase
mista (quatro meses integralmente es-
tatais, uma fase de transigao e um se-
mestre privatizado) e R$ 1,149 bilhao no
ano passado (crescimento nominal de
quase 100%).
Esse ultimo lucro liquid, superando
em frag6es o do Bradesco, o maior ate
entao anunciado na atual temporada de
divulgagao de balancos, e record nacio-
nal. Os pregoeiros de press-releases,
porem, esquecem que quando os japone-
ses formalizaram sua participagco na Al-
bras, a fabrica de aluminio de Barcarena,
aquela era a maior aplicagco de capital
de risco estrangeiro de toda a hist6ria do
Brasil. O que ganhamos com isso, em 14
anos de operaqio da fabrica? Em calcu-
lo inteligente, perdemos, na melhor das
hip6teses, mais de 10 vezes o que entrou
como capital por causa de relagbes de
troca desfavoraveis consolidadas pela
Albras, acrescidas dos subsidies.
No esmagamento de custos a Vale foi
brilhante ao cortar em mais de 20% as
despesas cor pessoal no ano passado (isso
depois que, no ultimo period estatal, a di-
retoriacortou quase 4.700 empregados, um
tergo de todo o efetivo de entao, adoci-
cando a privatizagao). Efetivamente em
fun9go de ter-se livrado das amarras do
governor e da sua legislag o burocratiza-
da, a empresa continuou a reduzir o custo
dos produtos e servings, mas numa pro-
porc~ o (9,1%) inferior a da redugco das
despesas com pessoal (estas, de R$ 538
milhoes, cairam para R$ 416 milhoes). To-
dos os investimentos sem retomo imedia-
to emagreceram ate a complete inanicao.
Basta lembrar que os R$ 31,7 milh6es de-
finidos no orcamento de 1997 para o Salo-
bo evaporaram por complete.
Deste ponto de vista, a CVRD 6, hoje,
uma empresa dilapidada, reduzida ao ele-
mentar naquilo que a definira em meio
seculo de percurso acidentado ate o mais
elevado patamar da sua hist6ria, no tria-
nio que antecedeu a privatizagao. Toda a
retaguarda de informa95es, conhecimento
e saber foi drasticamente erodida junto
cor o melhor material human que dava
consistincia a sua cultural.
E ironicamente verdadeira uma obser-
vagao feita quatro anos atras pelo home
mais important da hist6ria da Vale. Elie-
zer Batista explicou a mistica da empre-
sa, um component material mas essen-
cial de sua eficiencia, atribuindo-a ao fato
de a CVRD trabalhar como uma familiar,
cada empregado acreditando na seguran-
Ca de que seu future estaria assegurado
por ele trabalhar "na construqao de uma
cathedral Mas advertiu que esse salutar
esprit de corps poderia ser colocado a
perder por uma diretoria que nao o incor-





JOURNAL PESSOAL 21 QUINZENA DE MARCO / 1999 3


porasse. A diretoria que finalmente des-
truiu essa mistica aglutinadora e mobili-
zadora foi a mesma que, no final do m8s
passado, homenageou Eliezer Batista em
Carajas. Quem mudou?
0 fil6sofo-empresario Steinbruch diz
que a meta 6 transformar a Vale na mai-
or multinational brasileira, um desvio de
rota que substitui a associagao cor o
poder public pela incorporagao de per-
sonagens privados ainda nao bem identi-
ficados (nem na fisionomia, nem na loca-
lizag~o), corn toda a cadeia de efeitos que
tal mudan9a acarreta. No caso do cobre,
eliminando a possibilidade de a CVRD
continuar a ser um instrument da politi-
ca national para center essa sangria annual
de 600 milhoes de d6lares e, no lugar dela,
estabelecer cadeias produtivas cor efei-
tos ben6ficos sobre uma ampla camada
da economic national comerando pela
paraense, de prefer6ncia. De escora e ca-
tapulta da political mineral brasileira, a
Vale pode se tomar em uma de suas ame-
acas, talvez a maior delas, se continuar
agindo livremente como instrument dos
interesses plantados no seu c6rebro.
Aparentemente, o centralismo stein-
brucheano e essa political de rapinagem
de curto prazo estariam se modificando
com o novo modelo de gestao da empre-
sa. Ao invds da divisao segmentadora em
vice-presid6ncias por quatro areas agru-
padas de neg6cios, agora esta de volta a
presid6ncia executive, capaz de ver os
segments como um todo, aproveitando
ou criando sinergias. O risco do retalha-
mento do conglomerado, cor o enfraque-
cimento ainda maior da sua posig~o no
mercado mundial, estaria afastado.
Nao exatamente. Muita gente acha
que o retorno de um comando global, ti-
rando do Conselho de Administra9go fun-
c6es executives que nao Ihe s2o pr6pri-
as, e a indicagao do embaixador J6rio
Dauster para a presidencia, constituem
sagaz manobra continuista de Steinbru-
ch, aceitando as critics dos seus parcei-
ros, mas retirando-lhes as armas.
Assim, ele poderia prosseguir guian-
do a companhia conforme seus objetivos
prioritArios, que o balango de 1998 retra-
ta: crescimento exponencial (43%) dos
dividends dos acionistas e reinvestimento
cada vez menor, apesar de agora se pre-
tender elevar ainda mais a taxa de retor-
no, de 10% para 12% (e sobre um patri-
m6nio liquid de R$ 10 bilhoes).
De empresa estrat6gica national, a
Companhia Vale do Rio Doce, a multina-
cional que Benjamin Steinbruch foi en-
carregado de criar, estA se tornando o que
os sacerdotes do mercado global chamam
de company paper. Nao 6 nossa, nem
nos reflete. E 6 assim que tem que ser
encarada. Para nao ser aceita como 6.0


Uma amiga, na livraria Ponto & Vir-
gula, confessou: nao havia lido o Jornal
Pessoal com o Projeto Jari na capa. "E
um tema muito arido", explicou. "Nio
me interessa". Nem tentei contra-argu-
mentar. Ela tem o direito de nao ler.
Como muitas outras pessoas tambem
trm. Sempre que uma questao mais "se-
ria" vai para a 1a pagina, a venda do jor-
nal diminui. Quando coincide de ele sair
na 2a quinzena do mes e fora do fim-de-
semana, o encalhe aumenta. O da edi-
9ao do Jari foi record porque todas es-
sas condiges, mais o inacreditAvel em-
pobrecimento do povo brasileiro (o go-
vemo ja estA extraindo agua de pedra),
se combinaram.
O que fazer? Deixar-se convencer
de que este empreendimento perdeu a
validade? Tentar empreitada de outra
natureza? Desistir dojornalismo indepen-
dente? Desistir de todo e qualquer jor-
nalismo? Pular por sobre o balcao da pro-
fissao? Optar pela outra qualificacdo, a
de soci6logo? Tentar uma nova aproxi-
maiao da Amaz6nia, a partir de fora, das
metr6poles (as nacionais, Brasilia e Sao
Paulo, ou as internacionais)? Escapar ao
destiny colonial que vem sendo tragado
e que se import nao s6 a terra, mas ao
seu povo tamb6m?
Como naquele poema de Brecht, sao
muitas perguntas para poucas respostas.
Percebo, no meu caso, que toda a liber-
dade, conquistada A custa de tantos sa-
crificios e privag6es, nao 6 realmente
toda, nem tudo. Sei como fazer um jor-
nal mais ao gosto do client, fracionado
em pequenas notas, personalizado, api-
mentado (como nesta edigao?). Mas
essa 6 tamb6m a formula do trivial vari-
ado (o fait-divers dos franceses). Tal-
vez encante o cidadao que compra quin-
zenalmente o seu journal atras de moti-
vagC o imediata, mas nao o ajuda a se
empenhar numa altemativa mais nobre
para o nosso "destino" colonial manifes-
to. De potin em potin o cidadio enche
o papo, nao a cabega.
E precise combinar um pouco de con-
cessao ao gosto dominant (mesmo num
segment elitizado como o do ptblico des-
te journal, infelizmente selecionado ja a
partir do prego) cor os compromissos
editorials de uma publicaqio como esta.
Sem essa mistura, o fracasso commercial
6 certo. E este journal, que nio aceita pu-
blicidade, depend do leitor como nenhum


outro exatamente por viver exclusiva-
mente de-e-para ele. S6 nao pode con-
ceder os compromissos que o fizeram
surgir e o mant6m at6 hoje. Deixaria de
ser o que 6. E preferivel morrer sendo
assim sempre. Ao menos tera sido um
acontecimento original.
Umjornal a s6rio, na grande impren-
sa como neste arranjo alternative, tem
uma fungao pedag6gica, political, civili-
zat6ria. Deve introduzir na agenda dos
cidadaos temas que Ihe sao vitais, ain-
da que ele pr6prio nao tenha conscien-
cia disso. E o caso dos assuntos geral-
mente apelidados de Aridos ou s6rios.
Podem nao ter o glamour de uma nota
sobre um artist da Globo, mas preci-
sam ser apresentados. Em linguagem
clara, fluente e acessivel, 6 claro. Corn
uma concisao que nao comprometa a
complexidade da mat6ria. E aparecer
na capa para causar impact, desafi-
ando a reacgo do leitor comum e o im-
pulso professional de ser-lhe um servo
domesticado (uma fungao bem menos
nobre, mas ainda assim important, 6 a
de enriquecer o vocabulario m6dio, es-
timulando os leitores a um dos maiores
prazeres do conhecimento: a relagao
com bons dicionarios).
E claro que este jogo de ceder e im-
por tem um risco elevado: o da inviabi-
lizagio pratica da publicaago. Mas
quem assume um desafio como este
nao tem a ilusao de escapar ao risco
permanent do desaparecimento do
fenecimento, melhor dizendo. E preci-
so morrer de p6, sem falso heroism,
mas por imposigco de uma dignidade
gestada na consci8ncia.
Ela at6 oferece consolos: como o de
se poder constatar que, anos atras, era
muito maior a proporgco dos que, vendo
na capa do jomal um assunto dito indi-
gesto (e, sobretudo, amaz6nico, sem
qualquer fascinio hollywoodiano), desis-
tiam da leitura. A minoria que resisted na
attitude de iluminar o caminho present
como perspective de future que vale a
pena cresce lentamente, mas cresce. HA,
na vida, castigos piores do que esse e
vit6rias muito mais mediocres do que
essa aparente derrota, mesmo se ela nao
for tio aparente quanto insisted em defi-
ni-la nosso entusiasmo operacional.
Como naquele inuitil program de per-
guntas da television de muitos anos atrAs,
"O c6u 6 o limited continuamos. 0


E, no entanto,


prosseguimos





4 JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE MARCO / 1999


dmundo Gallo pode ter dado
motives mais do que suficien
tes para ser afastado da Se-
cretaria Municipal de Saude. Mas nao
foi exatamente por esses motives que o
prefeito Edmilson Rodrigues o exonerou,
de uma maneira tao drastica e unilateral
que parecesse mesmo uma punicgo.
A cronologia do ato explica melhor
sua motivagao do que qualquer argumen-
taiao das parties envolvidas. No dia 1
Gallo exonerou Kelly Jansen, ordenado-
ra de despesas da Sesma. No dia se-
guinte foi demitido sumariamente, sem
direito a explicaqao pr6via. Na semana
anterior, atropelando a hierarquia, Kelly
fora ao gabinete do prefeito, juntamente
com outros dois subordinados do secre-
tario (o sub-secretario Pedro Anaisse e
o coordenador de planejamento Israel
Correa), denunciar o chefe.
A boa 6tica administrative reco-
mendaria a Edmilson Rodrigues trazer
Gallo para o col6quio e ali acertar as
contas em conjunto. Ao inv6s disso,
recebeu o trio e ouviu-lhe as acusa-
c9es, algumas suficientemente pesa-
das para o chamamento do responsa-
vel a ordem. Mas, aparentemente,
nada fez al6m de quebrar a autoridade
do secretario e manter a espada pen-
dente sobre a cabega dele. Isso pode
ser political, embora de ma qualidade,
mas nao 6 gestao administrative.
Interpretando ao seu modo essa am-
bigiiidade, Gallo demitiu Kelly, ja entao
desprovida de sua delegagao de pode-
res para ocupar cargo de confianqa na
Sesma. O prefeito reagiu de pronto de-
mitindo-o. Autorizou ou pelo menos
deixou no ar a interpretagao de que
seu ato draconiano teve mais motiva-
iao pessoal do que public.
Sua assessoria de imprensa, alias,
reforqou essa impressao. A coordena-
dora de comunicagao social, Ruth Vi-
eira, disse que a exoneracao de Gallo
era questao "de foro intimo" do pre-
feito. Ora, nenhum ato que se reflete,
sobre a administraqao public pode ser
albergado pela privacidade do adminis-
trador, a nao ser que ele tenha agido
mesmo por impulse meramente pesso-
al. Mas, nesse caso, 6 melhor ficar em
casa do que ir para um pr6dio public.
Assim, Edmundo Gallo foi punido me-
nos por errar na condugio da Sesma do
que por entrar na 6rbita do dominion pes-
soal de Edmilson Rodrigues. Todos os
claros erros que o secretario cometeu,
atenuados pelos evidentes acertos pra-
ticados, vinham sendo considerados pe-


cados veniais pelo home que o havia
colocado no cargo e la o mantinha como
reserve de mercado. Tanto que nem pro-
vocara a traditional reuniao coletiva para
acertar e unificar as political, como se-
ria de esperar entire petistas. Demitir
Kelly Jansen, porem, foi pecado mortal.
Punido com um solitario ato de imp6rio
de sua excelencia, o alcaide.
E este o modelo petista de gestao
em Bel6m?



Confronto


desigual

Em seus 18 anos de existencia, a
Unimed-Para jamais fez uma campa-
nha publicitaria tao intensive, osten-
siva e cara como a que vem sendo
promovida na imprensa por sua atual
diretoria, desde que a definicio da sua
sucessao, por ela pr6pria ou por uma
chapa de oposigao, foi levada as bar-
ras do tribunal de justiga do Estado.
E evidence o prop6sito de influir por
todos os meios sobre o colegio eleito-
ral, convocado a se manifestar nova-
mente no dia 31, se a ultima decisao
judicial, que cancelou a primeira elei-
c0o, do dia 4 de janeiro (vencida pela
situagao), nao for revogada de novo
(ja houve um precedent na violent
arenga travada nos bastidores do f6-
rum de Bel6m).
O problema 6 que a comunicagao
da chapa situacionista corn o public
do seu interesse esta send feita a
custa dos interesses maiores da coo-
perativa. Em primeiro lugar, o meio nao
6 o adequado: ao inv6s de veicular as
abundantes peas publicitarias atrav6s
de um meio de alcance muito mais
amplo e, por isso, incomparavelmente
mais caro, a diretoria deveria ter usa-
do instrument compativel, como a
mala direta. Em segundo lugar, ha um
desprop6sito entire os objetivos de uma
campanha orientada por criterios co-
merciais ou institucionais e a finalida-
de eleitoreira dos gastos.
Quanto essa campanha publicita-
ria ji consumiu do caixa da Unimed?
E um dado que a chapa de oposicao,
se eleita, devera se empenhar em ve-
rificar. Mas, independentemente do
resultado da eleigao, e bem acima
dela, o Ministerio Publico deveria in-


Ofensa pessoal


teressar-se por apurar a lisura dos
procedimentos no tocante aos recur-
sos utilizados e as iniciativas que por
acaso vierem a prejudicar os interes-
ses da comunidade de cooperados e
associados, envolvendo mais de 100
mil pessoas e um faturamento mensal
de sete milh6es de reais.
A campanha e as mensagens trans-
mitidas pela atual diretoria podem ter
efeito contrario do esperado, como, de
certa forma, ja estdo tendo: a reagao
das entidades de classes dos medicos
tern sido unanimemente contraria at6
aqui a uma das peas, na qual a Uni-
med listou como os melhores medicos
da praga apenas 600 nomes. Esse con-
tingente constitui mais da metade do
colegio eleitoral, o que poderia asse-
gurar desde ja a reeleigo. Mas, ao
excluir todos os demais integrantes de
um universe de seis mil mddicos, pelo
menos 500 deles cooperados da Uni-
med que cometeram o pecado de nao
aceitar a reeleicao, a atual diretoria -
que tem muitas realizao6es administra-
tivas para credenciar sua gestao e sua
postulagdo eleitoral habilitou-se a
uma primeira derrota antes do confron-
to do dia 31: a derrota moral. 0




Uma questao


de carter

Em 1992 o entao deputado estadu-
al (PT) Edmilson Rodrigues denunciou
ao Minist6rio Pfblico e ao Tribunal de
Contas o superintendent do Sistema
Penal do Estado. Acusou Oswaldo
Coelho de comprar generos alimenti-
cios sem a devida licitacgo e com pre-
9os superfaturados; fracionar despe-
sas para fugir da licitagao; favorecer
duas empresas, com as quais teria li-
ga96es; pagar a prestadores de servi-
sos fantasmas; permitir trafico de in-
fluEncia na administration public; pra-
ticar nepotismo; descontar sem reco-
lher a contribuicao previdenciaria dos
empregados; utilizar sem remunerar os
servigos de press; e contratar indevi-
damente pessoal.
As denincias ecoaram na Assem-
bl6ia Legislativa e foram noticiadas
amplamente na imprensa, principal-
mente em O Liberal, a epoca ainda
combatendo Jader Barbalho, governa-
dor do Estado (o entendimento, sem-
pre condicionado por $$$, viria a se-
guir). Em 1996 o TCE aprovou por





JOURNAL PESSOAL 29 QUINZENA DE MARQO / 1999 5


unanimidade a ultima prestagao de
contas de Oswaldo Coelho pendente
naquela corte, fazendo uma ressalva
por conta de uma falha de natureza
formal. Em setembro do ano passado
o Ministerio Publico, tamb6m a unani-
midade, arquivou o inqu6rito civil que
instaurara para apurar as denuncias.
O relator concluiu que nao fora "de-
monstrada a veracidade" das alega-
96es contidas na representagao de
Edmilson, nao send possivel, por isso,
promover "qualquer media judicial"
contra Coelho "pela pratica de crime
ou ato de improbidade administrative".
Al6m de se apoiar na inspecgo re-
alizada pelo Tribunal de Contas, o pro-
motor de justiga que presidiu o inqu6-
rito civil fez apurag6es pr6prias "por-
que os indicios que levaram ao proce-
dimento administrative eram bastante
fortes". Mas nao conseguiu demons-
trar que a acusagao procedia e que
cabia uma acgo judicial contra o de-
nunciado. Seis anos depois, Oswaldo
Coelho foi inocentado.
Ele agora esta distribuindo um dos-
si ("Memorial de uma infamia") na
defesa da sua honra. E provavel que,
em fungdo do tempo decorrido, ja nao
caiba nenhuma acgo regressiva con-
tra o atual prefeito. Se for assim, ele
estara resguardado das responsabilida-
des penais e civeis do seu ato. Mas
nao das sanc6es morais. Em defesa de
sua pr6pria credibilidade, o ex-depu-
tado tem a opcgo de duas attitudes. A
primeira seria demonstrar que tanto o
TCE quanto o Minist6rio Publico fo-
ram incompetentes na verificagao dos
fatos que denunciara, acobertando um
criminoso. A segunda seria pedir des-
culpa public A vitima de sua iniciativa
e se retratar diante da sociedade. A
definigao do seu carter estara, em
alguma media, pendente de qualquer
iniciativa desse tipo.
Ha ainda uma li9ao para todos nes-
se epis6dio. O promoter de justiga res-
ponsAvel pelo inqu6rito no MP admitiu
que a denuncia continha indicios de ir-
regularidades "bastante fortes". Nao
s6 politicos, mas freqtientemente tam-
b6m jornalistas, recebem documents
ou dossies "provando" a culpabilidade
de alguma personalidade public, par-
ticularmente na gestao de recursos do
governor. Convem sempre apurar os
fatos com rigor e seriedade antes de
alardea-los como verdades. Nao s6 em
respeito a dignidade de terceiros: tam-
bem em defesa da pr6pria credibilida-
de. Uma vez arranhada em profundi-
dade, ela jamais sera recomposta in-
tegralmente. O caso Edmilson-Oswal-
do 6 uma prova disso. 0


Srigor, qual a novidade profunda
ou mesmo significativa que o
11projeto premiado para a "revi-
talizagao" do Ver-o-Peso traz para a abor-
dagem do traditional cartao-postal de
Bel6m? Precisaria a prefeitura gastar os
300 mil reais ja aplicados ou ainda a apli-
car na fase de projeto apenas para colo-
rir com algumas boas id6ias (ou nao mais
do que palpites) o que ja se sabe ser ne-
cessario fazer para evitar a continue de-
terioracgo dessa area vital da cidade?
Meros encontros com pessoas interessa-
das ou capazes a respeito da questao, tra-
zendo-se alguns convidados, nao teria sido
o bastante para iluminar melhor o pro-
blema e encontrar uma destinagao para
o local mais eficaz do que a atual?
Nao precisaria o colunista Edwaldo
Martins antecipar de 48 horas o anuncio
official do resultado do concurso da PMB
(vencido pelo arquiteto carioca FlAvio de
Oliveira Ferreira), fazendo a Gazeta
Mercantil acompanha-lo no firo no dia
seguinte, para se langar suspeita sobre
a iniciativa. Mesmo que nao tenha havi-
do um jogo de cartas marcadas, ficou,
em varios dos que acompanharam o en-
contro de apresentagao das propostas,
dois meses atras, a impressao de que o
lugar do vencedor ja estava reservado.
Mais do que isso, por6m: de que a pre-
feitura ja definira exatamente o que que-
ria antes que Ihe fosse dito o que deve-
ria fazer. Ainda que o prego do projeto
nao seja caro, seu significado pratico sera
post em questao.
A prefeitura do PT pode estar co-
metendo um erro de procedimento equi-
paravel ao da prefeitura do Almir Ga-
briel ainda peemedebista, mesmo extir-
pando suas marcas. 0 Caf6 Chic vai ser
post abaixo. E um destiny merecido que
se da as concep96es elitistas e manei-
rista que Paulo Chaves tem sobre Be-
16m, embora a viuva e nao o genial
artist 6 quem va pagar a conta, como
de praxe. Mas qual a efetiva novidade
que traz o projeto escolhido no aspect
das obras fisicas se nao redecorar a Area
do Ver-o-Peso?
O arquiteto vencedor mostra o que um
bom arquiteto pode proper com apenas
duas visits ao local, provando que nossa
visao se viciou na contemplagco de uma
paisagem "mesmificada". Mas nao ha-
vera diferenga de substfncia na reorga-
nizacao das atividades do mais antigo e
famoso entreposto de Bel6m quando (e
se) as sugest6es forem executadas. De
principio, pode-se at6 duvidar da capaci-
dade fisica de reacomodar os usuarios


permanentes no espago disponivel. Mais
ainda, do condo que um bom desenho
arquitet6nico pode ter de alterar a ativi-
dade humana no sentido de fazer refluir
a crise econ6mica e funcional que carco-
me as entranhas do Ver-o-Peso.
Esta 6 a defici8ncia basica: o desli-
gamento do tal "conjunto do Ver-o-
Peso" do conjunto da cidade e do cen-
tro hist6rico de Belem em particular.
Apesar dos 25 milh6es de reais previs-
tos para aplicagao na Area diretamente
afetada pelos mercados populares (20
milh6es do poder public e 5 milhoes
de particulares), nao 6 o suficiente para
dar A area a categoria de conjunto his-
t6rico-urbanistico dentro dos requisitos
hoje exigidos pela Unesco para patro-
cina-la como patrim8nio da humanida-
de, a meta buscada obsessivamente pelo
prefeito (cuja obsessividade, alias, a
falta de clarividEncia, constitui seu cal-
canhar de Aquiles).
E certo que paralelamente a "revita-
lizacgo" do Ver-o-Peso j caminha a em-
preitada maior de revitalizar todo o cen-
tro (e at6 mesmo a transformango da "pe-
dra do peixe", numa das margens da
doca, em entreposto pesqueiro, tenden-
cia A antecipagao inexplicavel de que ja
foi exemplo a Praca do Pescador). Mas
por que sera que evolui numa paralela, a
se encontrar com a outra reta no infini-
to? Se s6 para o conjunto dos mercados
a estimativa 6 de R$ 25 milhoes, quanto
o nucleo original da cidade absorvera?
E por que essa compartimentagao? Em
que favorece a administragco public
municipal delegar e terceirizar neste evi-
dente caso de political public?
A visao restritiva provoca a duplica-
cao de iniciativas que se superpoem, o
governor do Estado cego para o munici-
pal e vice-versa. O projeto vencedor
prev6 terminals fluviais na aparente ig-
norancia de que ali ao lado, na fara6nica
Estagao das Docas, ha o compromisso
assumido (mas sobrestado) com a ins-
talagao de um terminal fluvial. Serdo as
duas propostas incompativeis? Pode-se
tornm-las complementares?
Qualquer que seja a resposta, antes
de autorizar o gasto official 6 precise ques-
tionar ajustaposicqo de duas obras pibli-
cas corn serventia possivelmente id6nti-
ca em um espago tao exiguo. Ou este nao
6 o tipo de beijo a que os bicudos tucano
e petista se permitem, por ambos terem
um espelho viciado diante de si?
Chega de proper perfumaria para o
fedorento Ver-o-Peso. Por melhor que
seja o perfume. *


Perfume na lama





) JOURNAL PESSOAL 29 QUINZENA DE MARCO / 1999


Interesse public


Prioridade


* Pelo jeito, ningu6m se interessa em for-
necer passagens areas nacionais para a Se-
cretaria de Sauide do Estado. Uma concor-
rencia aberta no ano passado com esse ob-
jetivo, para valer por um ano, foi desert. Por
isso, ao inv6s de fazer nova concorrencia, a
Sespa optou pela altemativa mais fficil e ba-
rata: a dispensa de licitaiao. A ratificacao
do ato pelo secretirio Valry Ferreira foi pu-
blicada no Diario Oficial do dia 1. Fica a
curiosidade: seri a Sespa ma pagadom? O
servi~o 6 pequeno demais pam interessar as
empresas do setor (embora eles enfrentem
uma estag~ o de vacas magras)? N~o 6 ren-
tavel? Quem puder que esclareca.
* 0 balango da Companhia de Habita-
io do Estado, publicado no DO do dia
2, mostra que a Cohab voltou a existir.
At6 algum tempo atrAs, sua presenca
era meramente decorative. Agora, ela
parece estar empenhada em dar uma
contribuicao positive para enfrentar o
terrivel problema habitacional do Para,
com deficit se acumulando nos ultimos
anos. A empresa, entretanto, esta des-
capitalizada, com dificuldades quase ago-
nicas. O dinheiro que o governor estai
colocando nela 6 claramente insuficien-
te e incapaz de permitir-lhe uma respos-
ta a altura do desafio. Embora o patri-
m6nio liquid da Cohab tenha dobrado
entire 1997 e 1998, no ano passado ela
teve prejuizo liquid de um milhfo de
reais (depois de um vermelho R$ 226
mil no exercicio anterior), acumulando
R$ 23,3 milh6es de deficit total. O capi-
tal circulante liquid desmoronou de R$
32 milh6es em 1997 para 10 vezes me-
nos no ano passado (R$ 3,1 milh6es).
Sem um compromisso de capital para
valer por parte do governor, a Cohab fi-
cara sem oxigenio para a exigente tra-
vessia habitacional do Estado, punido
por anos de incuria no setor. A pers-
pectiva nWo e favoriavel.
Quanto ao balanco em si, foi bem fei-
to e 6 s6rio. Mas deve-se lamentar a
incapacidade da assessoria juridica da
Cohab de avaliar o montante.dos encar-
gos envolvidos nas ac6es civeis ajuiza-.
das contra a companhia. Dependendo da
decision e do arbitramento de valor, esse
contencioso podera afetar sua safide
econ6mico-financeira. Os numeros, em
funaio desse condicionante, poderio
ser significativamente alterados no fu-
turo. E uma lacuna que a direiAo da Co-
hab, comandada pela competEncia de
Cicerino Cabral do Nascimento, deve-
ria sanar ja no pr6ximo balanco, acaban-
do de vez cor sujeira contAbil colocada
debaixo do tapete aritm6tico.
* Merece louvor a Secretaria de Obras do


Estado pela correcio na prestagfo de infor-
maces sobre os terms aditivos que assina.
Os publicados no DO do dia 5 deveriam ser-
vir de modelo para as demais instincias da
administracdo puiblica estadual, ainda recal-
citrantes em se ajustar as normas baixadas
no ano passado pelo Tribunal de Contas do
Estado, fazendo-as publicar ajustificativa dos
aditamentos e o valor envolvido, duas lacu-
nas sistematicas (espera-se que o TCE, para
reforcar essa salutar iniciativa do entao pre-
sidente, Nelson Chaves, seja rigoroso na ve-
rificacao do cumprimento do ato quando for
examiner as prestaqes anuais de contas).
A riqueza de informagces dos extratos
da Seop nos possibility questioner um desses
documents, referente ao contrato com a
Nipon Engenharia para a reform e amplia-
cio da Academia de Seguranga Publica, na
BR-316 (que passara a abrigar varios seto-
res da Segup). Ao valor original (do inicio do
ano passado, data nao referida), de R$ 1,7
milhao, foram acrescidos, em cinco aditamen-
tos, R$ 787 mil, a partir do final de outubro.
Embora essa suplementaqio esteja dentro
do limited legal estabelecido para esse tipo de
service, que 6 de 50% (se fosse para obra
nova o limited seria de 25%), nao 6 um cres-
cimento acentuado em tao pouco tempo?
Qual a sua justificativa t6cnica?
* Ao adotar a inexigibilidade de licita-
cao para fazer alguma contratagao, todo
6rgao public deveria fornecer mais de-
talhes t6cnicos sobre o process que
dispensou esse procedimento legal cau-
telar. Em geral, a publicaoo se restrin-
ge a dar ci&ncia do ato. Cor mais infor-
mag6es, pouparia o cidadio de ter que
indagar, por exemplo, o que permitiu ao
Detran contratar a empresa Strat6gia
Planejamento, Projetos e Consultoria
para a implantagao dos "sistemas de di-
reago e planejamento estrat6gico" do
6rgio, sem adotar qualquer modalida-
de licitat6ria. Por tras meses de servi-
go, a firma receberi R$ 48,4 mil.
* Para registrar: a Prodepa, a polemica em-
presa de processamento de dados do Esta-
do, conseguiu reduzir de R$ 18,4mil para R$
15,8 mil mensais o contrato de vigilancia e
seguranga cor a Bertillon, que esta em vi-
gor desde 1995 e vai permanecer ativo por
mais oito meses, aproveitando que a lei das
licitaqces permit a prorrogac~o, a interesse
do servigo puiblico, por atd cinco anos. Como
o extrato nio diz se houve alguma reducgo
de servico para compensar o abatimento no
preco, at6 prova em contrario fica em sus-
penso (mas desde ja consignado, embora
sujeito a retificaaio) o elogio A Prodepa por
essa media de economic, rara para os pa-
dries de um servico pfiblico geralmente per-
dulirio e insensivel ao caixa da viiva. *


equivocada

Por que o govemo decidiu gastar 5,5
milh5es de cruzeiros numa nova sede
para o Detran, na rodovia Augusto Mon-
tenegro, exatamente quando o transito
e municipalizado? Os atormentados usu-
arios do departamento devem fazer-se
a pergunta enquanto enfrentam o rosa-
rio de buracos da via de acesso a atual
sede do Detran. Desespero partilhado
por quem 6 obrigado a freqiientar a
Ceasa e nao entende por que, ha tantos
anos, o poder public mantdm-se insen-
sivel a torrente de apelos para ao me-
nos melhorar as condi9ges de trafego.
As duas administra95es p6blicas, a
estadual e a municipal, tem preferido dar
de ombros e tirar os seus da responsabi-
lidade, jogando-a sobre o de quem con-
sideram a autoridade competent. At6
mesmo quando, no inicio do mrs, um pro-
testo interrompeu a circulagao na estra-
da da Ceasa, numa tentative de quebrar
esse paredao de indiferenca.
Resta o console de, em alguns me-
ses, o que restar dos que precisam re-
correr aos services do Detran, princi-
palmente para obter a carteira de ha-
bilitaago serviceo em saudavel proces-
so de descentralizacgo) passar a con-
tar com uma sede quase luxuosa, que
devera ficar ociosa se nao for ignora-
do o ajuste entire a demand de traba-
Iho e a quantidade de mao-de-obra para
executa-lo. Mas nao interessa: quem
construiu a sede do 6rgao ja tera fatu-
rado a sua parte. Ao que parece, 6 o
que mais interessa.
Fago refer8ncia ao valor de R$ 5,5
milh6es porque 6 o citado em press-re-
lease do gabinete do governador distri-
buido A imprensa. No DiArio Oficial do
dia 5, entretanto, o valor originArio do con-
trato (assinado com a Montemil, a mes-
ma do Parque da Resid8ncia, obra esta
que saltou de R$ 1,9 milhao para R$ 4
milh6es em dois anos) se refere a R$
3,9 milhoes, acrescidos em aditamento
(de margo do ano passado) de R$ 338
mil. O total, assim, seria de aproximada-
mente R$ 4,4 milhoes, ji que em seis
terms aditivos assinados posteriormente
entire a Secretaria de Obras e a empre-
sa nao teria havido reajuste de prego.
Quem, entao, esta com a razao: a
assessoria de imprensa ou a Seop? Ou
sera que a assessoria se refere a valor
future, ainda nao alcangado pelos aditi-
vos at6 agora publicados? Quem puder
esclarecer, que o faga. 0





JOURNAL PESSOAL 21 QUINZENA DE MARCO / 1999 7







O adeus de Eduardo


Na 6poca do romantismo morria-
se, simbolicamente, de amor e,
concretamente, de tuberculose, o
bacilo da boemia. Nos nossos tem-
pos de globalizagdo, morre-se de
stress, o insidioso virus da tensao.
Prosaicamente, pordm, busca-se
uma causa organica, inteligivel, ra-
cional para aplacar a d6vida. E a
morte sibita que queria para si o
poeta Bertolt Brecht, a melhor. Mas
As vezes ela vem cedo demais. Para
Brecht, aos 58 anos. Para Eduardo
Abdelnor, aos 59.
Mais quatro meses e ele teria po-
dido comemorar os 60 anos, numa
festa bem arabe, como gostava: mui-
tos amigos, abundante comida da sua
terra ancestral e conversa inteligen-
te varando a madrugada. Eduardo
foi-se para long de n6s, na semana
passada, deixando-nos perplexidade,
tristeza, melancolia e saudade. Se ti-
vesse podido organizer sua morte,
daria adeus no meio da alegria e da
fraternidade, dois tragos da sua alma
generosa, que vai continuar muito
viva na mem6ria e no afeto dos que
premiou com sua amizade.
Num mercado francamente selva-
gem, o imobiliario, Eduardo Abdel-
nor sustentou a vida toda hones-
tidade, competEncia, civilidade e 6ti-
ca, este um nome que caiu como luva
em sua empresa para o batismo co-
erente. E ainda a transformou em li-
der do setor, muito a frente das con-
correntes. Dupla ligao: pode-se ser
honest, mesmo enfrentando concor-


rencia acirrada, atW desleal; honesti-
dade nao 6 incompativel com ganhar
dinheiro. Mas tambem nao hi mist6-
rio na trilha do saudivel sucesso: a
de Eduardo foi construida cor doses
cavalares de trabalho, certamente
excessivas, aplicadas cor inteligen-
cia e sensibilidade.
Tinha dessas duas virtudes em
abundancia, tanto que extrapolava o
campo estritamente professional. Jor-
nalista que precisasse de uma infor-
magdo segura sobre a cidade ou de
uma avaliacao criteriosa sobre qual-
quer tema tinha em Eduardo uma fon-
te preciosa, desde que tamb6m fosse
um professional confiavel. Ele se tor-
nou empresario, mas jamais deixou
de ser cidadao militant.
Mesmo quando nao podia se ma-
nifestar publicamente, tomava a ini-
ciativa de expressar informalmente
suas preocupag6es sobre o future da
sua amada cidade e do Estado que
acolheu seus antepassados, mas por
eles enriquecido. Queria fornecer ele-
mentos aos que formal a opiniao
pfblica, empenhado em melhora-la.
Tamb6m manteve seus vinculos
com o mundo da cultural, especial-
mente das artes plisticas. Seu olho
clinic Ihe permitia ver al6m dos ob-
servadores desinteressados. Seu
imenso corag~o o impulsionava na
luta pela defesa dos artists que o
emocionavam. Entre os que adotou
estava Augusto Morbach, da sua
mais do que querida Marabi, onde
deixou o umbigo.


Eduardo Abdelnor era daquelas
pessoas iluminadas, que t6m o poder
de agir por magnetismo, atraindo os
bons, repelindo os maus, mesmo sem
precisar dizer uma inica palavra e
nem magoar nesse process sele-
tivo. Gragas a esse m6todo sutil mas
eficaz, acabou criando um mundo A
sua image e semelhanga, em torno
da sua tenda de sheik paraoara.
Dele, minha mais remota lembran-
9a tem 40 anos, eu fazendo o (ji ex-
tinto) admissao ao ginasio no Col6-
gio do Carmo, e ele, s6 10 anos mais
velho, antecipando o amadurecimento
pelos encargos familiares assumidos
(que sempre constituiram o eixo cen-
tral da sua vida), como professor de
portugues. Em dia de prova, aquele
jovem comprido e agitado subia na
sua escrivaninha e de lA, de p6, como
gostam de dizer os radialistas, fisca-
lizava os alunos para evitar a "cola".
Talvez aquela ins6lita attitude de
vigilancia se tornasse infitil se a to-
mdssemos como desafio. Mas era
um rompante tao sincere que esque-
ciamos qualquer ardil e tratavamos
de responder conforme queria o pro-
fessor. Jamais o esqueceriamos por
aquilo. Menos ainda pelo muito que,
em seguida, Eduardo Abdelnor fa-
ria em sua intense e curta vida, con-
quistando seu lugar na hist6ria con-
creta do seu tempo e na mem6ria
dos seus contemporaneos. Um eter-
no oAsis de decencia e dignidade a
nos reconfortar nos moments de in-
certeza e desanimo. *


Sentenga modelar


HA uma enxurrada de
TDAs (Titulos da Divida
Agraria) no mercado. Quem
precisa pagar o governor re-
corre a esses pap6is po-
dres, que acabaram conta-
minando a intermediagao,
para d1 de podre. Muitas
vezes os documents nao
passam de "uma folha de
papel que 6, no mAximo, o
compromisso de algu6m em
entregar TDAs", como diz
ajuiza Eliana Abufaiad, ao


defenestrar uma a9ao cau-
telar que chegou A 16a vara
civel do f6rum de Bel6m
escorada nos tais papeis.
Ajuiza integra a corren-
te que nao aceita indiscri-
minadamente TDAs, que se
resume a ser "escrituras
de supostas cess6es de ces-
soes de cess6es... de direi-
tos a emissao de TDAs em
process de desapropria-
g9o". Racionalmente, argu-
menta a magistrada que


"somente se estes TDAs
forem emitidos e se todos
os components da cadeia
(se 6 que estes integrantes
existem...) 6 que o atual
concessionario receberA al-
gum TDA...".
Para a titular da 1 6avara
esse tipo de escritura "nada
vale, vez que, ainda que ver-
dadeiros os fatos constan-
tes da escritura, o que exis-
te, na verdade, 6 uma fragil
cadeia de cessoes de direi-


tos a indeniza9~o nos autos
de uma desapropriag~o,
promovido pelo Incra".
Embora a sentenga da
juiza admit recurso, ela
deveria ser tomada como
modelo, caso ojudiciario
se empenhe mesmo em
sanear o mercado dos as-
sim chamados titulos po-
des, cor seus parasitas
acompanhantes, que o fa-
zem apodrecer mais rapi-
damente. *






Eco
A nova mesa diretora da
Assembl6ia Legislativa pro-
meteu, como uma das neces-
sarias medidas moralizadoras
da casa, chamar de volta os
funcionarios cedidos a outros
6rgaos publicos ou que traba-
lham fora das depend6ncias do
Palacio da Cabanagem. Dois
deles, alias, estao bem long
dali: recebem em Tom&-Au,
onde moram. Nao vao nem
buscar o pagamento.


A PM
Os especialistas continuam
a divergir sobre a convenian-
cia de manter ou a extinguir a
Policia Militar. Ha poderosos
arguments nos dois lados da
questAo. Mas se a PM conti-
nua a existir, enquanto a dis-
cussao nio ter um desfecho
pratico, o absurdo 6 aloja-la nas
delegacias de policia. Os PMs
quase sumiram das ruas. Ago-
ra, sao mais encontraveis no
servico burocratico da policia
civil. Seria esse um pass para
incorpora-los progressivamen-
te, ou se trata apenas de ma
diretriz operacional?
Um comego de resposta
poderia ser a convocagco, de
volta ao quartel (quando nada,
para um recenseamento), de
todos os militares cedidos,
agregados ou que, por um mis-
terio de acomodagdo legal, se
tornaram guarda-costas de
empresarios privados (um, que
brilha no setor de comunica-
vco, conta cor a protegao de
dois militares ha vtrios anos).
Ou levar a serio o servigo pfu-
blico nao pode?
Quanto aos policiais civis, o
novo regime de trabalho, que
aboliu o descanso de 36 horas
depois de cada plantao (agora
e de apenas 24 horas) e estA
obrigando os escrivaes a se
desdobrarem, vai sobrecarre-
gar a todos, piorando as condi-
Oces operacionais a pretexto de
aumentar a produtividade. A
orientago seria correta se a
policia fosse integrada por gen-
te bem preparada, motivada e
razoavelmente paga. Sem es-
ses pressupostos, o sucesso vai
defender de um empurrao di-
vino. Talvez venha dai a osten-
siva religiosidade do delegado
geral. Suspeita-se, contudo, que
Deus entire nessa parceria
como pilatos no credo.


Sentido
Ao contrario do que foi di-
vulgado pela grande impren-
sa, a Codem (Companhia de
Desenvolvimento e Adminis-
tracao da Area Metropolitana
de Bel6m) nro teve lucro no
ano passado. Mas conseguiu
diminuir ligeiramente o prejui-
zo, que foi de 1,1 milhao de
reais em 1997
e caiu para
R$ 945 mil
em 1998. O
prejuizo acu- Not
mulado pela empt
empresa ja 6 ranj
de R$ 9,8 mi- agora tem
Ihoes, muito da policia
significativo de pagamn
para quem soal. A req
movimentou bal, foi fe
R$ 12 milhoes deste mOs e
ao long do balmente,
ano (mas seu de imedial
patrim6nio li- mente sem
quido cres- beneficidri
ceu no perio- ria de Segz
do: de R$ 6,9 ca poderia
milh 5 es fazer um
para R$ 7,5 contas e ai
milhies). dessa ins
0 dado Gdo de ser
positive do que o Est
balango da empresa,
Codem, di- para garc
vulgado no predios pz
inicio do mes,
6 que a rubri-
ca dos projetos saltou de R$
351 mil em 1997 para R$ 4,6
milh6es em 1998. Nio se sabe,
por6m, o que faz a Codem. E
tema que, com informagaes,
pode motivar boas reflexes.
Se a propaganda pessoal do
prefeito permitir, a assessoria
de imprensa da PMB poderia
abrir uma brecha para a divul-
gaqao. Esta, efetivamente do
interesse piublico.

Duvida
O governor esti investin-
do 11 milh6es de reais para
levar energia em alta tensio
(138 KV) de Xinguard a Tu-
cumi e de Tucuma s Sao F6-
lix do Xingu. Outros cinco
milh6es estao sendo gastos
na implantagao da rede de
energia el6trica de Piqarra
e de Sao Geraldo do Ara-
guaia. Quando a Celpa era
empresa estatal, ningu6m se
perguntava pela razao des-
se investimento.
Mas agora que a Rede/


Celpa 6 privada, a pergun-
ta 6 inevitavel: essa nao e
uma aplicacao de capital
que se impoe a empresa? 0
Estado seri compensado
desse dispendio em infra-
estrutura que beneficiary o
faturamento da ex-estatal
(como, por exemplo, abati-
mento nas tarifas cobradas
do publico?


rsergl. unia
resa de secu-
;a pri vada,
a cobertura
civil nos dias
ento de pes-
]uisig7o, ver-
ita no inicio
, tambem ver-
foi deferida
to, aparente-
6nus para o
o. A Secreta-
uranga Publi-
pelo menos
encontro de
bater o valor
ilita presta-
vigo do valor
ado paga a
contratada
intir v6rios
blicos.


Moral
No dia 14
de dezembro
do ano passa-
do a Secreta-
ria de Obras
Publicas do
Estado assi-
nou um con-
trato no valor
de 71 mil re-
ais com a
Construtora
Hamad para
a reform de
uma escola
em Obidos.
No dia 26 de
fevereiro des-
te ano, menos
de um mis
antes do final
do prazo con-
tratual, um
aditamento
acresceu R$
35 mil a obra.


0 reajuste estA dentro da lei
(o limited 6 de 50% do valor
original), mas nao sera um tan-
to exagerado para um contra-
to de apenas tres meses. Qual
a motivag~o t6cnica dessa cor-
re9~o orgamentaria?
A construtora 6 do suplen-
te de senador do PSDB, que
conseguiu o cargo na eleigAo
de outubro, representando o
Baixo-Amazonas na coligagio
que elegeu Luiz OtAvio Cam-
pos. Naturalmente, deve ter-
se desincompatibilizado da fir-
ma para nao criar-lhe entra-
ves formais na relaqao com o
poder piblico. Que pode ter-
se estreitado.


Principio
O vice-governador Hil-
degardo Nunes levou consi-
go sua esposa, Zinda, que 6
servidora public estadual,
para trabalhar em seu gabi-
nete. Tudo dentro da lei.
Mas talvez o bom senso re-
comendasse deixa-la onde
estava. O Diario Oficial do
dia 3 publicou a concessao
de diaria para ela ir a Brasi-
lia, naturalmente acompa-
nhando o marido.
A impessoalidade costu-
ma fazer tao bem a admi-
nistracao public quanto aos
neg6cios pessoais.

Anomslia
Os mais recentes
niimeros do Di6rio Oficial
registraram intense
movimentagdo de pessoal
no feerico gabinete do
governador do Estado,
tridngulo das Bermudas do
servigo p~blico. Felizmente
para o erdrio houve mais
demissoes do que
admissOes, contrariando
(mas jd seria mesmo um
movimento inverso?) a
tendOncia dominant atr o
period prd-eleitoral.
Ndo e esse, porem, o
fato mais important: o que
impression mesmo e o
anonimato geral, tanto dos
que saem como dos que
entram. Fica-se sem saber
o que tornou especiais
esses assessores, por que
eles deixaram de ser
necesscrios e qual a causa
da contratagdo dos novos
integrantes dessa elite da
burocracia. Mas pode-se
arriscar um palpite forte:
trata-se de ajuste electoral.
Pre ou p6s-eleitoral,
conform a ocasido se
apresenta.
A assessoria especial
corresponde, para o
fisiologismo politico-
eleitoral, a um harem.


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