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(rNlV Y
Jorna Pessoat C 1 F L A o P I TO0 ANO XII NP 203 21 QUINZENA DE JANEIRO DE 1999 R$ 2,00 POLITICAL A cruise de verdade " Num dia o senador Luiz Otdvio Campos ameaga romper cor o governor do qual e aliado por ndo aceitar que SimdoJatene seja o segundo homem maispoderoso. Num outro dia indica Jatene para a principal das sete secretaries especiais criadas do segundo mandate, que ocupara no lugar de mesmoJatene. Foi uma crise para valer ou uma pantomima? C, So dia 29 de dezembro o governador Almir Gabriel parou em duas das mesas de jomalistas que cor ele faziam a confratemizagao de fim- de-ano na residencia official, na Granja do Icui. Deixou duas informag9es preci- osas, nao repassadas A opiniao p6blica: nao ia aceitar interferencias na formagao da linha de frente do governor, "mesmo de quem tenha cen- tenas de milhares de votos"; e que a principal das novas secretaries especiais, a da produg9o, ficaria com seu brago-direito, Simao Jatene. O goverador estava mandando recado para outro dos convivas, o senador Luiz OtAvio Campos. O "senador do governador", desde que se antecipara ao seu padrinho (ou patro- no?), anunciando que haveria uma taxa de re- novago de 70 a 80% na composigao da equi- pe govemamental para o segundo mandate, vinha desagradando Almir Gabriel. O gover- nador nao tolera partilhar aquela parcela do poder que consider pessoal. Mas continuava a receber as ressonAncias das iniciativas do senador aliado, que "vaza- va" parajornalistas nomes do primeiro escalao, al- gunsjA convidados ou son- dados, outros nada al6m do que bales de ensaio. O recado se materializou no dia seguinte, quando, ex- tra-oficialmente, foram re- velados os nomes dos sete secretArios especiais. Jate- ne estava na produgfo e seu lugar-tenente, S6rgio Leao, na gestao, dois postos-cha- ve. O ex-chefe do Minist6rio Piblico, Manoel Santino, fora colocado na ante-sala do gover- nador, que preencheu os outros postos corn no- mes do seu circulo mais intimo. Nada de politi- cos. Nenhumna tintura de Luiz OtAvio. Enfurecido, o senador abandonou as su- tilezas e as vias obliquas. Convocou O Li- beral para uma entrevista bombastica, pra- ticamente anunciando o rompimento com Almir, e disparou misseis verbais no rumo do Icui. Acabou sendo chamado para uma conversa dificil e longa cor o governador (ver Jornal Pessoal n" 202), que terminou sem um final feliz. O empresArio Fernando Flexa Ribeiro, president regional do PSDB, que tentou apaziguar, foi repelido por Luiz OtAvio com um palavrdo e um bater de apa- relho telef6nico. \ L 1LK L-/-(uLL L U LPLLK (I U ) 2 JOURNAL PESSOAL 2` QUINZENA DE JANEIRO / 1999 O quase-secretario Jatene teve sucesso, nao para uma conversa imediata, como pre- tendia. O encontro ficou para a manha do dia seguinte, moments antes do anincio do hepta-secretariado especial, corn sua forma- Cio "vazada" na vespera. Num impulso pro- vocativo, Jatene colocou o cargo a disposi- Cio de Luiz Ot6vio, que o agarrou na unha. O govemador teve entdo que mudar seus pia- nos e anunciar o senador como super-secre- tario. enquanto Jatene virava um todo po- deroso ad-hoc. No dia 5, provbcado pelos rep6rteres que fazem a cobertura do governor a adian- tar o perfil do home que o substituiria quando (e se) assumisse o senado, Luiz Otavio surpreendeu a todos: "' uma pes- soa suprapartidaria. Tem competencia, a confianca pessoal do governador e sensi- bilidade political. Ja coordenou pelo menos uma campanha political. Aldm de ter a mi- nha confianqa, 6 claro" Quem 6 o indigi- tado? Sinmio Jatene, companheiro de en- trevista do senador, ex-desafeto. Estupefactos, os rep6rteres tentaram re- cuperar a sanidade e o fio da meada, pressi- onando o ex-quase-futuro-super-secretario a dar uma explicaqco mais racional para o enredo do sai-e-entra, do diz-e-ouve que atordoou os bastidores do governor, corn a minima repercussao na imprensa, durante quase uma semana. Jatene, corn seu silogismo inconcluso (sempre fica faltando o terceiro elemento, apresentou seu argument. Nao houve cri- se. O que houve foi divergencia internal. Dessa diverg6ncia nio resultou dano algum porque nenhum dos envolvidos na contro- versia defended projeto pessoal. Todos que- rem o melhor para o Para. Sabem que es- tio promovendo uma revoluqco no Esta- do. Todos tamb6m sao pessoas civilizadas: nao foi dita qualquer palavra mais rude nos diilogos que travaram. E naquele exato moment, num prazo bem mais curto do que se poderia imaginar, a dissidencia es- tava resolvida e o governor retomava o seu caminho normal. A explicacqo teria alguma coisa aver corn a realidade se pelo menos um dos rep6rte- res que ouviam embasbacados a ladainha do secretirio tambem nao tivesse recebido as duas infornma6es deixadas de bandeja pelo governador na confraternizaq5o (mas nao publicadas). Ou seja: Jatene seria sagrado super-secretario, junto com os outros seis especiais, se Luiz Otavio nao tivesse virado a mesa. E por que o senador do PPB entor- nou o caldo? Porque Jatene, al6m de super- secretario, colocou mais um home de sua confianqa entire os sete cortesaos, enquanto Almir fechou o circulo com sua mIo-de-fer- ro, deixando de fora a representaq~o que o senador aliado ali quis estabelecer, no cora- qao do poder, para dele nao ser afastado. Toda a manobra desencadeada por Luiz Otavio desde sua eleiqgo visava caracterizar o ex-secretario de planejamento como um tecnico. Sendo um tecnico, nao podia repre- sentar a classes political, sem a qual Almirja- mais teria conquistado seu tao almejado se- gundo mandate. Nao sendo o porta-voz da coligaqio eleitoral, Jatene, mesmo corn todo o poder que o governador lhe transfer, nao poderia ser trabalhado como candidate a su- cessor do chefe. Nem avalista de um novo acordo politico. Teria que se contentar corn seu imenso papel de eminnricia parda. O fiador desse novo pacto seria o sena- dor, diretamente, se convenient, ou, indi- retamente, atravds de um representante acei- to no mais alto colegiado, que o governa- dor, solitariamente, formou. Mesmo em Bra- silia, ele manteria sua fatia de poder local, garantindo um lugar para si ou para quemn venha a indicar para os cargos politicos que serao colocados em dispute em 2000 e 2002. O "senador do governador", portanto, tern seu pr6prio projeto politico, coincidente ou nao corn o do governador, dependendo dos movimentos da gangorra do poder. Luiz Otivio comeqou a construir sua autonomia, um element necessario para sua estratdgia de abrir caminhos a partir de Brasilia, in- clusive, se necessario, atrav6s do senator Jader Barbalho. Almir detectou essa movimentagao inde- sejavel, reprimindo-a no nascedouro. De- pois da conversa conflituosa do dia 30, ele voltou a ter mais dois exauslivos encontros corn seu senador atd poder fechar sua equi- pe. O que ele fez para que, sob o risco da desmoralizagao (s6 nao complete por causa do silencio ciumplice da imprensa), Luiz Ot~vio engolisse tudo o que havia dito e aceitar a volta ao status quo ante'? Alguns fatores. Em primeiro, a reduqgo do topete de um politico que conquistou uma important posiqgo contra todas as expec- tativas, derrotando e humilhando um ex- campeao de votos, seu ex-chefe Hdlio Guei- ros. Luiz Otavio ji parecia convencido de que sua empatia pessoal fora a razio nume- ro um da vit6ria, mas deve ter-se resignado a admitir que nio se elegeu "senador do governador" por acaso. Sem a miquina ofi- cial ele jamais chegaria a tanto. Afastar-se ostensivamente dela agora, alem disso, pode resultar na abreviacbo da sua carreira poll- tica, mesmo coin o guarda-chuva de oito anos de mandate que recebeu. Em segundo lugar, por compensaFoes pela renincia ao direito que reivindicava de partilhar corn o governador a caneta de no- meaaqes para o primeiro escalio. Aparen- temente, a fnica indicacdo do senador foi a de Ramiro Bentes para a presidencia da Cosanpa, cargo esvaziado pela criaq~o das secretaries de urbanismo e de infra-estrutu- ra (e, principalmente, com o deslocamento da jurisdig~o sobre as obras de macrodre- nagem). Ramiro, embora do PDT, tern sido o coordenador firanceiro das campanhas de Luiz Otavio. Esse seria um preqo muito baixo para tan- to grito. Corn o tempo, podem aparecer ou- tras concess6es feitas a ele, diretamente na esfera piblica como em seus satelites. Se nao surgir, sera a confirmagr o de que, tam- b6m no grito, o governador conseguiu mi- nimizar o preqo da quase rebeldia do seu senador, reduzindo-o a uma posigio subal- terna e mostrando, mesmo para os que nio querem ver, quemn manda no governor, comno disse a seus convidadosjornalistas (embora o poder de mnando custe a descaracteriza- cao programatica). Almir acabou criando, para o seu segun- do mandate consecutive, um aparato biso- nho, nada condizente cor sua promessa de realizar profundas transformaa6es no Esta- do. Estabelecida sua cidadela no primeiro escaldo, combinou elements antagBnicos na inspiragao para o segundo e o terceiro circulo do poder, numa colcha de retalhos que parece condenada a ter vida curta, jun- tando elements desiguais e tentando con- ciliar sua base eleitoral com o tilintar da seducgo. Havera seqiielas desse imbroglio (ou ope- ra-bufa)? Mais uma vez o tempo 6 que res- ponderb, conforme se formarem ou sumni- rem as nuvens que costumam mudar bmsca e radicalmente o ceu da political. Ha ainda varias alternatives emjogo. Almir Gabriel pode decidir permanecer no governor ate o fim do novo mandate, garantindo o seu su- cessor, embora expondo-se as incertezas de ficar ao desamparo. Nio parece ser a hip6tese mais prova- vel, mas, se ela se concretizar, dificilmen- te seu candidate sera aquele que jA foi o "seu" senador. Corn a chave do cofre nas pr6prias mios, ele podera escolher entire Jatene (apesar do perfil desfavoravel, qua- se inverossimil para a political Hildegar- do Nunes e, como um "azario", o secreti- rio de governor, Manoel Santino, corn mais lastro no interior graqas A estrutura do Mi- nisterio Ptiblico. Se desincompatibilizar-se para concorrer a um mandate de senador, e possivel que Almir arraste consigo o vice, Hildegardo Nunes, maltratado corn luva de pelica nas tratativas para a constituiqio da equipe. mas corn est6mago de camelo para absorver lo- tes de batraquios. No governor ficaria o fu- turo president da Assembleia Legislativa. lugar reservado para Martinho Carmona. O primeiro indicio nessa diregio poderia ser a indicai5o do irmao do vice, Ricardo Nunes, para a vaga que permanece aberta no Tribu- nal de Contas dos Municipios (do qual 6 fun- cionbrio nato, por assim dizer). O segundo indicador seria um decidido apoio para que o pai de ambos, o ex-governador Alacid Nunes, finalmente alcance uma vit6ria elei- toral, nos confins de Salinas (o que naio sera nada facil, muito pelo contrario). Cada um pode imaginar suas hip6teses e jogar corn elas ad infinitum (ou ad nause- am), sem qualquer empecilho. Ao contririo do que recitou o secretario Jatene, o que nio hi nessa queda de brago e projeto coletivo, mas apenas interesse pessoal, variando e se acomodando conforme e atendido (o que nao envolve nada almn de assinar papeis c mandar ordens para o erdrio). Nao seria injusto dizer que um home como Almir Gabriel e irmio-de-langa de Luiz Otavio Campos, tamb6m conhecido como "Pepeca", com iddias algo equivalen- tes? Ou nio estaria mais pr6ximo da verda- de quem dissesse que a fnica coisa que os aproxima 6 a seducno fanatica pelo poder? Foi poder pessoal o que esteve em jogo nessa crise, que supostamente nio houve, en- tre o apagar e o acender (de fato?) da nova (nova?) luz do poder. Para bem descrevi-la, s6 alguem corn o talent de Lewis Carrol. Se cle inventou o "desaniversario" cerlamente nao teria dificuldades em retratar a "descrise" de um "desgoverno" que desceu um degrau i mais na escala da seriedade, arrastando consi- go para esse subsolo toda a sociedade. 0 JOURNAL PESSOAL 24 QUINZENA DE JANEIRO /1999 5 Em sen filtimo nimnero, a revista I eja deu oito paiginas e a capa ao empresario Cecilio Rego de Almeida, prometendo contar como o dono da Construtora C. R. Alneida prati- cou um Assalto a Amaz6ni; transforman- do-se no "maior latifundiArio do pais ocu- pando terra alheia no Pard" Mas a materia. fartamente ilustrada, niio cumpriu o que pro- meteu. Editorializada, parece ser nais um capitulo da ja longa refrega cor o emprei- teiro. paraense de origem, mas estabelecido ha mais de quatro decadas no Parana. Nio esclarece a opinioo p6blica national como e tl;o ficil e rentlvel grilar terras na fronteira amaz6nica. O reporter Policarpo Jinior se esforgou, durante um mis, para tentar "entender como um empresario pode ser capaz de se apossar de iuma area maior que a de muitos paises da Europa nas barbas de um poder pilblico iner- te" segundo a "carta ao leitor" do editor da revisma paulista. Nao parece haver consegui- do. Nem mesmo perceber que esta nio e 6poca de poucas chuvas, muito pelo contra- rio. Os temas amazonicos que escapam ao ex6tico tornam-se aridos, desinteressantes e primitivos para a grande imprensa national. Componentes de um residue de capitalism ou de um capitalism ainda embrionario (pri- mitivo?) ao qual nao compensa dedicar mais tempo e fosfato. Nao fosse assim, a revista teria entendido como nio 6 muito diferente, em sua mecanica, grilar mil ou um milhao de hectares numa regiao fundiariamente fri- gil como a nossa. Indefesa tanto pela incon- sistencia de suas instituiaqes, como pelo des- compasso da sua economic relativamente as mais adiantadas, no pais e no exterior. A di- ferenga de valor entire um hectare na Ama- z6nia e o equivalent em Sao Paulo ajuda a entender. Os supostos documents utilizados por Cecilio Rego de Almeida para reivindicar para si propriedade corn 7 milhies de hecta- res em um s6 Estado, o Para (que tem 120 milh6es de hectares), sao declarados no re- gistro cartorial como "titulos hibeis" que teriam sido expedidos pela Diretoria de Obras, Terras e Viaq~o do Estado, sendo re- gistrados em Altamira a partir de 1923. Es- ses titulos nunca foram exibidos publicamen- te. jamais foram identificados. Nao ha refe- rencia ao ano em que teriam sido expedi- dos. Evidente a grosseira fraude, advogados da C. R. Almeida procuraram "esquentar" os pap6is. encaixando-os em talonfrios exis- lentes nos arquivos do Iterpa ou vinculan- do-os a antigas cartas de data de sesmaria. Mas a manobra nao deu certo. Ainda. O cancelamento dos registros imobiliiri- os 6 unna quest;o de tcmpo. Infelizmente, por6im. de muito tempo. muito mais do que a gravidadc da questao requer. Essa lenti- dio se deve ai morosidade dajustica (e tam- bem A sua insensibilidade) e a leniancia do governor. O problema fundiario continue a ser figure de ret6rica para a administra~iao Almir Gabriel. que se afastou do seu com- promisso desde o epis6dio de Eldorado de Caraj;is. Quanto a gestilo FHC, depois que formal e abstratamente devolveu o dominio das terras federais ao Estado. em 1996, corn fanfarra e fantasia, lavou as miros. Nio quer saber de se envolver com esse rabo de fo- guete, mesmo que o foguete esteja provo- cando um rombo medonho no patrim6nio p6blico. pillando o erArio e multiplicando ilicitamente fortunas pessoais. Enquanto o caso permanece sub-judice, a C. R. Almeida, que no maiximo poderia requerer a legitimagio da area efetivamente ocupada pela empresa, como qualquer pos- seiro, vai montando um vasto dominion terri- torial no vale do Xingu. Para isso, utiliza todos os tipos de manobra. Desde a triste- mente traditional nesse tipo de empreitada, que e a violencia, ate as mais sutis e inteli- gentes, como seduzir os indios Xipaias e fa- zer relaq6es pfiblicas junto a personagens influentes. Atraves desse estratagema, a empresa ja exerce um real poder de policia na area, alem de violar a exigencia legal de se abster de fazer transformaq6es no im6vel litigioso. Ela desencadeou (ensoes e ativou conflitos que se transformarlo em sdrios problems de seguranca pfblica se o governor continuar assistindo impavidamente ao desenrolar des- sa novela de mau gosto, como se o enredo nio fosse constituido pela apropriaq~o ilici- ta de patrim6nio plblico. 0 assalto as terras do Para, que Veja deixou de explicar Estilo Uma nota do Reporter 70, de O Liberal, do dia 22 de dezembro, revela o estilo da empresa de se manifestar sobre assuntos polemicos quando ja nao hi aneira de evitar que ele se infiltre nas pAginas, imagens e ondas hertzeanas do grupo de comunicai5o. Diz a nota, a prop6sito da punicao da capital da Policia Mflitar Vanessa Vasconcelos: "A capital Vanessa est6 de volta a propaganda bem comportada, o que um leitor diz ser o que preferia: torcia para va-la nas telinhas e nao em uniform de PM. So torcia. porem, por entender que a capiti mesmo sendojornalista diplomada e re- gistrada no Sindicato, nao exercia funqao jornalistica. Era apresentadora de tele- jornal ou de propaganda eleitoral. Portanto, radialista sem a protecao, dada ao jornalismo, de ser compativel corn qualquer outra funqgo, mesmo political. O problema e que, na pratica, alguns sio menos compativeis, como a capital, do que outros, como os seguranqas" Quem se atrcve a seguir por esse labirinto de palavras? Ha esperanca de che- gar a alguma definii-o sobre o problema? Ou, como no inferno de Dante, e pre- ciso deixar la fora a esperanqa? O leitor referido foi claro: quer a capital de volta A televisilo como simples apresentador; sem as complicaqoes e interferencias dojornalismo. Ji o journal. gostaria de censurar Vanessa, mas nio quer chegar; lanto. Por isso, deu mais uma de madame Natasha. a personagem criada por Elio GAspari. que pensa tao mal quanto escreve. Do ponto de vista fundiario, o principal event do primeiro quatrianio do governor Almir Gabriel foi ter-se mantido indiferente a ocupacio fraudulent, desordenada e pre- dat6ria do-6ltimo grande vale da margem esquerda do Amazonas em territorio para- ense. Especuladores de terra, grileiros, ex- tratores de madeira e outros personagens estlo se apoderando dessa regido, enquanto o suposto proprietario, fiscal e gerente, o Estado, mantern-se congelado. Cecilio Rego de Almeida e apenas o mais audacioso, esperto e articulado desses pira- tas fundiirios. Dele pode-se dizer que tanto pode ter planejado pilhar a principal reserve florestal do Xingu, como usa-la enquanto decoraqgo e pano de fundo para ficticios pro- jetos ecol6gicos, cor os quais percorren instituicoes estrangeiras suscetiveis a discur- so ambientalista supostamente elnpresarial e executive. Algo. em forma mais rapida e rasteira, como o que a dona da rede Body Shop fez coin os indios Kayap6. Apesar da farta ilustraCgo e da pororoca de adjetivos, a matdria de Teja nio e demons- trativa da pilhagem das terras amaz6nicas. Nem poderia explicar o que parece nio ha- ver entendido, tantos sao os erros de infor- maiao e tantas as omissoes sobre pontos es- senciais da questAo. Pode, talvez, bloquear a circulagfo de Cecilio Almeida por gabine- tes governamentais e particulares de various paises, onde algum caixa poderia ser suges- tionado a aderir ao seu Amazon Dream de pessima extrago. Ieja produziu mais um editorial contra um de seus ininmigos favori- tos, mas n5o prestou a causa amazOnica a valiosa ajuda que estaria ao seu alcance se equiparasse a tematica Amazonia aos assun- tos que Ihe sao mais cars e pr6ximos. Ouso sugerir ao distinto leitor vArias edicqes deste journal entire maio e dezem- bro de 1996, nos quais essa mesma ques- tao foi examinada a partir de uma perspec- tiva mais amaz6nica (e, quem sabe, mais correta) do que a 6tica tutelar da imprensa do sul-maravilha. 0 4 JOURNAL PESSOAL 2s QUINZENA DE JANEIRO / 1999 A universidade sem cultural A Universidade Federal do Para deveria mandar imprimir o discurso que Benedito Nu- nes leu ao receber o titulo de professor emerito da institui- glo, no final do ano passado, e oferec8-lo como tema de re- - flexao para toda a comunida- de academica. Trata-se de uma manifestaq o corajosa, al6m de sabia. Mas, talvez por isso mesmo, quase expurgada dos camp paraenses. Indiferente as honrarias da concessao, mas fiel a um com- promisso de vida, o mestre de tantas gerac6es teve a coragem de declarar: "fago questio de dizer que pouco ou nada devo a Universidade. Escrevi sem- pre em casa, em geral consul- tando os meus pr6prios livros, a maioria dos quais a institui- 9ao nao tinha" Acrescentou: "Nos iultimos tempos que la passed, antes de aposentar-me, pugnei contra o populismo reinante, a contra- faqco internal da democracia (quando nlo se ter democra- cia na sociedade, tenta-se re- cupera-la intramuros), o novo didatismo, muitas vezes disfar- qando a incompetencia e a ne- ga Ao do elitismo pr6prio as Universidades. Nao pode a ins- tituigio universitaria abdicar da escolha seletiva dos melho- res; nesse sentido ela 6 elitist e s8-lo-a enquanto subsistir como Universidade" Encerrando o balanqo de uma longa carreira no magis- terio, Benedito se orgulha de haver ensinado aos estudantes "a boa arte do cepticismo: a duvidar de tudo, a tudo inter- rogar adequadamente com co- nhecimento de causa. Nao me limited a sentar praga numa fi- losofia determinada, ao som do clarim da especialidade. Serei c6ptico? Sim, enquanto critic de ideologias, crengas Visao rasa Ninguem pode dizer que conhece o folclore bra- sileiro sem pelo menos passar pelo Diciondrio do Folclore, de Luis da Cimara Cascudo (minha edi- gio, a segunda, revista e aumentada, 6 de 1962, do Institute Nacional do Livro, com 795 paginas; hA uma mais nova, mas nio hI uma ediqAo recent, como seria necessArio). E uma das indispensAveis obras de referencia da cultural national, um monu- mento de amor e devogio as coisas brasileiras. Todos os que tanto estimam Cnmara Cascudo devem ter ficado chocados com uma das materials da flltima ediiao do ano de \Mais!, o suplemento cultu- ral da Folia de S. Paulo. A reportagem acusou o grande intellectual potiguar de ser "simpatizante do nazismo" por sua vinculacao ao integralismo. Um dos filhos dele, Fernando CAmara Cascu- do, procurado pelo reporter da Folha, deu-lhe "to- dos os esclarecimentos" sobre a questao, mas suas informagoes foram ignoradas. 0 journal publicou uma carta de Fernando protestando contra a "infa- mia" cometida, mas nio se dignou a responder. Quem cala, consent. Mas journal que cala sobre um error desse tamanho perde, tambem, um pouco da sua grandeza, se a possuia. Quanto a de Camara Cascudo, ela permanece intacta. Nio 6 precise nem aprofundar o paralelis- mo coin Heidegger, nazista de carteirinha que so- breviveu corn sua obra nAo-datada a esse terrivel crro. Basta lembrar que grandes personagens, como d. Hdlder Camara e San Tiago Dantas, tambdm fo- lamn integralistas num moment de opcqes radicals contra a velha ordem liberal, A esquerda e A direita dela. O moment hist6rico explica o que entao fi- zeram. A mesma hist6ria que se encarregou de re- conhecer-lhes os mdritos. A despeito de avaliaqoes apressadas e equivocadas, como a da Folha. Poesia escondida Paul Heiinqucs Brilo e uin boin iradulor e um razo\ el po- cia No caderno hieta., de 2 de laneiro do furnal di.. Jra.sl dA umia coclulada que nao coindz coui sua inteligencia Diz ,le que in.itca de Lim,l7,a i experiencia do irlandes Janies Jo ce corn os ersos no period de sulI fornijiio Iteraria. agorn traduzida para o pornigues do Brasil ijia ha unla \ersio lusuiana. n5o refe- nda por Brillo). 6 obr,.i deu wn escrlirr lqute jaJll.as coniseguii. i se realizar pleniajente 11o erso Compara-o a acliado de Assis. outro grande prosador e poeia mediocre Brnio poderia ter ido uin ponLo alien Gujinar.ies Rosa nios- so equity alente de Jolce. era umn inm.j poeta Al/iwma. seu i\t ro de esircia cm \ersos icoino Jovce. preinnado pela Acadeinia Brasileira de Letras. Leml interesse apenas biograiico Rosa coin toda ra;.io. nlo o queria imnpresso A public:qio pos-inorte foi uma lraii'ao. Dessas coisas bem anlericaniis, de ir a dispersao na inais bi.,anlina ninullcia p.lrai 11o en:itedr o odo A prosa foi a forini correct de e\prcssiio para RosJ. omino para Josce e Michlado Queniit itra em Graii. SI-c.'i, li el._la njo lemn qu:ilquer du ida, ajndi na prinicira pagina wi ale na prilmera pala ra do roniance. o ianoso nonada i. de c ar dian- te da nuis pura poesia. combinada com irorua e liwnor refina- dos So que fornialniente cpressa 1r;m1 es de prosa Ncsle cas,. nada mais do que deralbe A sensaio c a mnesma em quise lodo o Uhses de .loyce le nenos cm Machado par causa da exireuna concts.o ate .1 arldez do quebra-cabeg a psicologico que mnonia seni errar na exprcssjo ocabular que os inui.IesI.ta Se a frase csi interroinpida por urua queslio de meuica, ruiL. ninio ou Msuabdade. ou se \ai linear- Inenie a a margem da pigina d detallie irreleva\ne laimbl.i. Logo. a resiriqio que faz Paulo Henrques Brito e improce- dente Porque obtusa. polilicas e religiosas Pelo menos. no acariciei as ilus6es intelectuais dos estudantes. nao Ihes adulei os preconcei- tos" O "ganho da vida" do professor sao os seus melho- res alunos, alguns deles hoje professors tambem. Homem cordial, tolerante e educado, de uma simplicida- de excepcional para quem sabe tanto, Benedito agrade- ceu a outorga do titulo. efeti- vada dois anos depois da con- cessao (e logo ap6s haver ele recebido o Pr6mio Multicul- tural do journal O Estado de S. Paulo). Quem meditou sobre suas palavras, entretanto, deve ter percebido nelas um tom de certo desalento. A Universidade populista, miopemente iluminista, dei- xou de ser um centro de cul- tura e de acumulagio de saber por excelincia. Essa incultu- ra explica por que, ate hoje, aguarde-se a reedigio da obra complete de Platao, traduzida por Carlos Alberto Nunes, tio de Benedito. Ele nao s6 trans- feriu sem 6nus a UFPA os di- reitos da ilnica traducio com- pleta da maior de todas as obras filos6ficas do Ocidente. como doou uma rica platoni- ana, formada por livros de e sobre Platio em varias lin- guas, principalmente o ale- mao. Os 11 volumes dos Dii- logos foram publicados ao long de sete anos e de tres administra96es university, rias. Mas corn tal displicencia que exigiram uma revisao exaus- tiva e cuidadosa para a elimi- nagao de numerosas falhas. Concluido o trabalho, o material estava pronto para uma reedigo digna. "Mas dc- pois disso nao mais se ouviu falar no Platio. embora tives- se chegado a Universidade vantajosa proposta de co-edi- 9io. Ignora-se, at6, o paradei- ro dos volumes" disse Bene- dito Nunes em seu contido la- mento, um contraponto numa solenidade que deveria ser o moment de louvaqio a inte- ligencia, i rara intelig6ncia de um grande paracnse. Que agradeceu a lembranga do seu nonm, mas denuncion o es- quecimento do que o fez gran- de: a cultural. 0 lig 1M1 M I lil 1iig 111 ~wrs~siab~ JOURNAL PESSOAL 24 QUINZENA DE JANEIRO / 1999 5 A lista de livros da Folha: casa de ferreiro sem espeto Todos os recursos capazes de mo- tivar as pessoas para a leitura sao bem-vindos. Elogiavel, por isso, a iniciativa da Folha de S. Paulo de re- servar boa parte do seu caderno cul- tural de domingo, o Mais!, edigdo do dia 3, para divulgar duas listas dos 100 melhores romances do seculo e dos 30 principals do Brasil de todos os tempos. Normalmente esses arrolamentos tem a importancia de um Guine. mais para a cultural initial do que para o sa- ber. Ninguem precisa mais consultar critic algum para saber quais os mais importantes romances surgidos neste planet desde 1900. Ha suficientes le- vantamentos realizados, impossibili- tando novidades, como n~o as hi nas indica96es dos 10 intelectuais brasilei- ros consultados pelo Folhao 0 6bvio estampado nos 10 livros dispensaria tanto trabalho e tanto espago. 0 original (ou, pelo menos, o mais estimulante) teria sido se o journal dos Frias tivesse perguntado aos mesmos intelectuais quais os romances cuja leitura mais prazer lhes deu, ou que mais os influenciaram. Duvido que Walnice Nogueira Galvao tivesse apontado Finnegans Wake, o labirin- tico experiment de James Joyce, como sua segunda preferencia, abai- xo de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust. Nas varias vezes em que tentei avan- gar nesse livro, fiquei cor a sensagao de estar lendo em hebraico, apesar de nao ser tao iletrado assim na lingua do irlandes. Na uiltima tentative, tive o bom senso de dar minha edigao a Be- nedito Nunes. E me esqueci de pergun- tar-lhe se foi bem sucedido. E claro que nao li o Ulisses no ori- ginal. Meu ingles nao chega a tanto. Mas cotejar o original cor tradug9es mais acessiveis me permitiu ter uma ideia melhor da grandeza de Joyce, perceptivel mesmo tendo Ant6nio Houaiss como mediador. No Finne- gans jamais fui alem de cego em ti- roteio, e sem guia ou cajado, mesmo tendo i mto o exercicio fragmenta- rio dos Campos cor seu "Panaroma" Acredito que ninguem que nao tenha o ingles como lingua de origem e capaz de tirar prazer desse suadouro lingiiistico. E, dentre os que nasce- ram falando ingles, uma minoria equivalent ao grao de area de uma praia pode dizer o que significa a al- garavia joyceana sem uma bispada em algum critic autorizado. Portanto, a maioria dos critics re- pete o que ja se sabia, num mimetismo que nem mesmo os express enquanto critics. Para os leitores contumazes, as listas servirao apenas para checar seus indices de leitura. Para quem nun- ca leu, elas dificilmente servirao de incentive. A propria redagao do suple- mento nao esteve a altura do signifi- cado pedag6gico e cultural que sua ta- refa deveria ter. O editor, ao que parece, nao sabe que O Deserto dos Tartaros, do italia- no Dino Buzzati (290 melhor livro), tern traduao no Brasil (da Nova Fron- teira), recomendando o original da Mondadori. Duvido que seja mais fa- cil (sem falar em mais barato) encon- trar a ediaio italiana do que a nossa, mesmo ela sendo mais antiga. Ja en- contrei o livro em varias promo96es de "ponta-de-estoque" e em sehos A re- fernncia a traducao em portugues, alem disso, era obrigat6ria. O erro se repete em relacao a Umna Tragedia Americana (540 da lista), do americano Theodore Dreiser. A indi- cacao e a da New America Library, mas ha traduqao brasileira (patrocina- da, alias, pela embaixada dos EUA), nao tao facil de achar, mas freqilente em sehos 0 mesmo acontece cor O0 Imoralista, do frances Andre Gide, cor ediqgo da Gallimard (quando ha, uma infelizmente encalhada edi- gao da Nova Fronteira). Cabe ainda questioner o crit6rio do editor de citar verses lusitanas de ro- mances traduzidos (e varios deles me- lhor traduzidos) no Brasil, como, entire muitos exemplos, O Grande Gatsby, de F Scott Fitzgerald, America, de Franz Kafka, Passagem para a India, de E. M. Forster, A Sangue Frio, de Truman Capote, Absalao, Absalao, de William Faulkner, Fogo P6lido, de Vladimir Na- bokov, e Herzog, de Saul Bellow e isso para nao enfastiar o leitor. Essas falhas sugerem que, recebidas as indicaq6es dos critics, alguem do suplemento, nao muito versado (ou prosado, para tender Paulo Henriques Britto) no assunto, percorreu trss livra- rias da cidade de Sao Paulo (Sicilia- no, Shopping Atica e Saraiva) atras das informag6es usadas na edigao. Como nao encontrou as edicdes nacionais de various romances nessas livrarias, re- correu as estrangeiras. Julgando prestar relevant servigo ao leitor, o journal indicou onde com- prar as edicges em inglss, frances, es- panhol e italiano. Esqueceu de dizer onde o leitor da Folha deve encomen- dar as numerosas ediC6es em portugu- es de Portugal. Ainda que nio tivesse cometido essa omissao, entretanto, di- ficilmente o journal estaria bem servin- do os leitores menos iniciados. As tra- du9ces lusitanas, em geral, sao mais convencionais, raramente permitindo- se inovag6es linguisticas. t o portu- gues correto, mas basico. No caso de alguns autores, como Joyce, Kafka e Faulkner, para ficar s6 nos tres, e uma diferenga que faz falta. Alem disso, os livros de Portugal sao bem mais caros. O que parece e que, entregue o aba- caxi para os critics convidados des- cascarem, a editoria do journal se limi- tou ao menor dos trabalhos, o mais bu- rocratico e superficial. A ponto de in- dicar a traduiao inglesa de O Tambor do alemao Ginter Grass, ao inves de recomendar o original ou a tradudao em lingua portuguesa feita no Brasil, que mereceu uma publicacao de alta tiragem, a prego popular, pela Rio Gra- fica Editora, em 1987 Ai o resultado ja e uma conjuminagao de preguiga corn incultura, revelando que o recei- tuario de bons livros do Mais! nao ter uso interno. O que faz a diferenga, nessas ho- ras, e a cultural. Quem nao a possui, nao consegue disfarcar, ao contrario do que acredita a revista Veja (ver Journal Pessoal n 200). 0 home culto pode esquecer nomes, n6meros ou mesmo enredos. Mas nunca reco- mega do zero. Como na hist6ria de Joao e Maria, em versao inteligente, deixa em seu rastro as pedras que vao servir-lhe de referencia se precisar voltar a trilhar o caminho ja percorri- do na vida, nao como algo imaginat- rio, mas muito vivo. Se livro e vida foram igualmente vividos. 0 6 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE JANEIRO / 1999 4 A prop6sito de nota publicada nesta se o., na edicgio anterior, a nova secretaria de educaqao (que ainda assinou seu oficio, datado do dia 7, colno adjunta), Rosineli Guer- reiro Salame, enviou ao journal os se- guintes esclarecimentos, tendo a gentileza de anexar a documentaygo comprobat6ria de suas afirmativas e se colocar a disposigio para "quais- quer esclarecimentos adicionais, caso haja novidade" Diz o oficio: "1 Ha umr equivoco de interpre- tacao quando 6 dito que os aditivos ao Contrato de Vigillncia adiciona- ram nada menos que RS 640.000,00 (seiscentos e quarenta mil reais) nos sucessivos aditamentos' visto que os aditamentos nao sao para prorrogar a pennan6ncia dos services. 2 Esses aditamentos tern sido imprescindiveis, considerando-se que o process licitat6rio, na moda- lidade Tomada de Prego, que levou o nrumero 037/97 SEDUC, perma- nece 'sub-judice', ressaltando-se, na ocasilo, que as publicapaes no Dia- rio Oficial do Estado, evidenciam, expressamente, a origem do Contra- to original, bern como as razdes do termo aditivo, conform se demons- tra em c6pia anexa. 3 Vale ressaltar, ainda, que a Lei numero 8.666/93, no seu Artigo 57, inciso II, prev&: 'A prestagio de servios a serem executados de for- ma continue, que poderao Ter sua duragAo prorrogada por iguais e su- cessivos periods corn vistas a ob- teng~o de prego e condi9ges mais vantajosas para a Administraggo, li- mitada a sessenta meses' NAo po- deremos, portanto, ultrapassar a ses- senta meses, no entanto, lembramos, esta Secretaria providenciou o pro- cesso licitat6rio em tempo hAbil. fal- tando, apenas, a decision judicial. 4 Quanto ao 15 termo de acres- cimo de mais 02 (dois) postos, o mes- mo represent uma situaqao tempora- ria, apenas 03 (trds) meses, paraa guar- da de galpio onde estao annazenados materials desta SEDUC. para distri- buigao, at6 a conclusao da entrega. Os documents em anexo compro- vam as nossas afirmativas, inclusive, o Contrato initial, lembrando-se que o mesmo se refere a valores mensais e que os unicos aumentos ocorridos di- zem respeito aos dissidios da catego- ria, o que esta previsto no Contrato" 4 Agradego os prontos esclare- cimentos prestados por Nilo Alves de Almeida, president, e Othon Garcia Damasceno, director adminis- trativo. da Empresa Piblica Ofir Loyola. a prop6sito de observaggo feita nesta secao na edigco anterior do JP No caso do contrato de vigi- lancia assinado coin a Puma, os re- ajustes se deveram aos dissidios co- letivos dos funcionarios da empre- sa determinados pela justiga do tra- balho e pela crialao de mais dois postos de servigo. para tender A ampliaqAio fisica da inslituicio, "comno facil de constatar" Como o valor mensal pago a Puma pulou de 12,7 mil reais por mes em 1995 para RS 29.5 mil no 9 term aditivo. assinado para vi- gorar neste ano ate ser definida unma nova licitagiao. ultrapassando assimn o limited legal de 25% para acresci- mo do valor do contrato original, sem a necessidade de ser feita nova concorr&ncia, pergunto: o valor de- corrente dos dissidios judiciais nao i incluido nessa margem. o que te- ria possibilitado ultrapassa-la? Em relagco ao contrato para ser- vigos de limpeza, esclarecem os dois dirigentes do Ofir Loyola que o va- lor de RS 89,7 mil se refere aos 45 dias finais do exercicio de 1995, en- quanto os RS 915 mil abrangem um period de 12 meses em 1999 ou atd ser concluido "o process licitat6rio deflagrado" O pagamnento mensal, portanto, passou de RS 59,8 mil em 1995 para RS 76,3 mil neste ano, ainda dentro do limited de 25%. Embora a lei das licitac6es pui- blicas (a 8.666, de 1993) admit que contratos de prestagao de servigos podem ser prorrogados por ate cin- co anos sucessivos, "com vistas a obtenqao de pregos e condig6es mais vantajosas para a Administra- g o", a diregio do Otir Loyola "re- solveu aditar a prorrogagao ate a conclus'o do process licitat6rio que serA realizado ap6s aprovaglo do orgamento para 1999" Uma questao final: o orgamento ji nao deveria ter sido aprovado? E comum iniciar o exercicio sem or- gamento definido? 4 A antiga Secretaria de Admi- nistragqo, que deveria dar o exem- plopositivo, pode star dando exenm- plo negative. 0 Diario Oficial de 30 de dezembro trouxe o termo aditivo n 028/98 ao contrato n 012/97 da SEAD, de servigo de vigildncia pres- tado pela Blitz. Logo vent a ddtvida: esse e o 280 aditamento a esse con- trato especifico, ou a secretaria ado- eraldo MArtires Coelho, presi- dente do Instituto Histbrico e Geografico do Para, enviou a seguinte carta: "A prop6sito da nota 'Diferenga', said neste niumero [202] do Jornal, poderiamos conversar horas. Afinal, tambem pelo IHGB, desde a sua fun- dagAo, passaram s6cios que nao es- creveram nada durante o tempo que la estiveram e antes tamb6m! Como instincia cultural atrelada ao nocleo do poder e a representagao political, quase sempre chegava-se ao Institu- to ao Brasileiro e aos estaduais - por conta do lugar ocupado na teia do Estado ou da sua corresponden- cia, em terms de sociedade. Quanto ao nosso Instituto, quando assumi a Presidencia, ano passado, vindo de uma tambnm Presid6ncia na Junta Governativa que iniciou o tra- balho de reorganizaqio da Casa. o I-GP vinha de una cruise que se arras- tava por mais de vinte anos. Das suas quarenta Cadeiras, dezesseis estavam vagas. Em pouco mais de um ano, eji refletindo um novo moment da vida da associacio, as Cadeiras foram no- vamente preenchidas. Da safra nova, alinham, por exemplo, Heraldo Mau- es, Roberto Santos. Marcio Meira. Anaiza Vergolino-Henri, Jussara De- ta nurneracao corrida para os ter- mos aditivos de todos os contratos? Observando corn mais atengo, ve- rifica-se que a Segunda hipolese e a verdadeira ja que esse TA i 028faz remissdo aos aditivos anteriores. de numeeragdo 013 e 025, amibos bai- xados em 1998. A primeira sugest/o e para que a SEAD incorpore o procedimento geral. Ou seja: amarre a lnmera- qao dos aditivos aos respectivos con- tralos a que se referent. Se assim ti- vessefeito, esse TA seria o de n 03 e nao 028. Os atos da secretariat po- deriant ser melhor acompanhados. 0 tal aditivo eleva os recursos financeiros "para cobrir as despe- sas do contrato" que era, original- mente, de 27,8 mil reals efoi eleva- do, em janeiro do anopassado, para nada nienos que R$ 153,1 iil (coimo esse aumento foi promovido sent contrariar a restrig o legal, acima citada, e algo a esclarecer). 0 aditi- vo, porem, nio faz qualquer referin- cia a valor? Foi o contrato nova- mente aumentado? Isso e possivel? 4 A Secretaria de Cultura tanmb6m nio esta seguindo rigorosamente o modelo de aditivos estabelecido pelo Tribunal de Contas do Estado em novembro do ano passado (ve;r a prop6sito, Jornal Pessoal no 199), do que da prova o extrato publicado no DO do iltimo dia 6, assinado coin a Norauto Rent a Car. E4 gratuitamente que a Yo Bu- ffetfornece refeiges e lanchespara os servidores da Governadoria do Estado? E o que sugere ato da Casa Civil publicado no DO do dia 7 Tanto o contrato original, de 1997, quanto os Itrs aditamentos (dois deles sent data especificada, o iti/i- renji, Ruth Burlamaqui de Moraes, Ubiratan Rosario, dentre outros. Agora, a question: a tunna, reconhe- cidamente, escreve, mas somente agora estd sendo possivel pensar em relan- gar a Revista. As dificuldades sao exemplares, inclusive as sempre finan- ceiras, o que eu comecei a contomar com a cobranga de anuidade dois s6- cios (para tal, mudamos o Estatuto). Agora, you buscar apoio financeiro junto ao poder piblico, inclusive para tornar realidade um Protocolo. nesse sentido tinnado entire a PMB e o IHGP Bern, uma outra noticia: em no- vembro passado, no Rio de Janeiro, na reunilo dos Institutos Brasileiros, foi aprovada uma Carta do Rio de Ja- neiro, reclamando, dentre outras coi- sas, uma maior participa;iio do poder p6blico c da sociedade em geral, no apoio a essas instituiobes. Aprovou- se. tambemn, que a reuniao do ano 2000 sera feita em BelCm, no "centenirio" do IHGP, fundado em 1900. Gra;as a um trabalho que envolveu boa dose de diplomacia (Mario Barata, Victorino Chermont) e que contou corn o empe- nho do Presidente do --IGB, colega meu de vclha data, Amo Wehling. con- seguimos urma estupenda faganha: des- bancamos a Bahia, que tambem prc- Interesse pdblico nto do proprio dia 7), nido eni vu- lor Foi um lapso? Ja o contrato coin a Uirapuru para o fornecinmento de passages areas, que come ou em 1997 no valor de R$ 60 mil, foi elevado (ern data nldo indicada, nmas qe sit- pve ser de 1998) prineiro para RS 80 mril e. agora, para RS 90 rail, mini reajuste de 50%. Esti legal? Encontra-se na niesima situacdo o contrato de prestagdo de setrvios de treinamento e consultoria assina- do com a Fundagdo Christiano Ot- toni, que conmeqou em 1997 corn va- lor deR$ 414 mil, foi adiado em RS 150 nil (1998?) e RS 185 mil ago- ra? Aguarda-se esclarecimentos. 4 Em 1995 a Casa Civil da Go- vernadoria assinou um contrato de prestasao de servigos de publicida- de corn a Galvao Propaganda. Para o period de 14 de novembro a 31 de dezembro daquele ano, o valor foi deRS 150 mil. De 1996 para ci foram assinados 11 aditivos, o ulti- mo dos quais publicado no DO do dia 8. O valor acumulado 6 de RS 5,6 milh6es. Se admite-se que o valor annual do contrato e em torno de RS 1,2 milhalo, o limited legal ja estourou algumas vezes. Como, en- tao, foi mantido o contrato original? 4 0 DO do dia 4 republicou o contrato n35, para a prestagdo de servigos de vigildncia para os pre- dios do Parque da Residencia e do Museum de Arte Sacra, assinado en- tre a Secretaria de Cultura e a em- presa Progresso, no valor de RS 68,2 mil, para ter vigincia apenas durante o m&s de dezembro do ano passado, e que teria sido assinado pelo secretario Paulo Chaves no dia 1 Duasperguntas: o valor ndo e alto para 30 dias? Por que a re- publicaqgo? 0 tendia fazer 1d a reuniao, como umn event a mais da agenda dos 500 anos. Fica por aqui, pois ja parece um relat6rio. Segue o abrago afetuoso do Geraldo" N. da R. 0 que no institute brasilei- ro era umra excegdo, ossdcios que ndo escreviam, no paraense era uma re- gra. Mas havia uma outra diferenfa: alem de nada escreverem sobre listo- ria, muitos dos sdcios do assim clia- mado silogeu sequer tinlarn irn ca- coete da material. Podia-se observar em algumas das raras reunites corn tematica historica, que opinides alli apresentadas eram de merospalpitei- ros, neofitos em questoes que deveri- am ser tomnadas como premissas en- tre membros de um institute historico. Mas espero que os compromiissos aqui apresentadospor Geraldo, tin verda- deiro historiador; corno os que ele ii atraiu para o IHGP iransforenem-se em realidade. Se remons imstituifoes como essa, elas precisam fincionar No passado fuicionou o Consellho Estadual de Cultura, hoje ,e sono profuido, leldrgico. Continia a fim- cionat; a sua maneira, a Academia Paraense de Letras. Que o instituito listdrico, portanto, reionie ao mnln- do dos vivos. Que est(o Ninito caren- tes de produiFo hisltrica. c JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE JANEIRO / 1999 7 acaso fizeram coin que o langamen- to de Querido Ivan, o mais novo li vro de Haroldo Maranhko (Ediyqo Journal Pessoal/Grafisa, 118 paginas, 15 re- ais), acontecesse na estadao do 383 aniver- sArio de Beldm. A cidade nao poderia ter como present um livro melhor. Nenhum paraense alcangou dominio tao complete sobre a lingua brasileira como Haroldo. Poucos brasileiros chegaram a tan- to. Dos vivos, conta-se nos dedos quem pos- sui maestria igual (um estudo comparado cor Osman Lins, por exemplo, engrande- cera ainda mais o iltimo dos Maranho jor- nalistas). Por isso, antes de mais nada, o livro e um prazer imenso para quem gosta de ler. Os paraenses estao tendo esse privi- legio por miopia (ou estrabismo) das gran- des editors. Mas elas acabarao se subme- tendo ao valor excepcional de um escritor que nio faz parte de igrejinhas, nem culti- va a reverencia subserviente ao establish- ment cultural. Em segundo lugar, e a melhor descriCgo que a cidade ja teve. A Beldm das d6cadas de 20 a 40 emerge viva, gostosa, contradit6- ria, fnica. E um mundo que desapareceu e nio deixaria registro fiel se Haroldo, ao es- Parecia chegada a hora da vinganqa contra a natureza (ou deus), tao generosa cor Chico Buarque de Holanda e sovina cor todos n6s. O filho do professor Sdr- gio levou cinco anos para lancar um novo disco. Para As Cidades, pordm, s6 conse- guiu criar 11 mfisicas (uma delays ja gra- vada), dividindo quatro cor parceiros, nenhuma composiqao cor sabor de ver- dadeira novidade. Vozes e novos sons foram acrescenta- dos para dar sustentacgo ao compositor. Cor isso, o arranjador, regente e princi- pal instrumentista, Luis Carlos Ramos, a alma do disco, ganhou um destaque ex- cepcional. Tudo e mais alguma coisa - reforqando a convicqyo de que, enfim, Chico avanpa na decadencia. Ja nio seria merecedor de tanta inveja de todos n6s, distantes dele na beleza, na inspiragbo e na aplicaqyo, que multiplica os dons na- turais. E atd na voz limitada, mas encan- tadora, como a de Nara Lero. O Chico que provoca os sentiments maternos das mulheres, no que ji se torna covardia to- tal contra os menos favorecidos na com- petigio. Mas na segunda audigbo qualquer sen- timento menos nobre se esfuma, como diz aquele bolero interpretado por Ndlson crever, do Rio de Janeiro, 21 cartas ao ir- mao Ivan, que morria em Beldm, nio tives- se retornado ao tempo de origem de ambos, indo e vindo cor sua prosa solta, livre, pi- cando aqui, soprando ali, mas a tudo tocan- do cor sua sensibilidade, seu modo todo pr6prio de ver e de expressar, corn literature de qualidade universal. HA tamb6m a valiosa iconografia nas pi- ginas finals do livro, mostrando por dentro o legendario pr6dio da Folha do Norte, a residencia dos Maranhio, bastilha e tfimulo do incendiArio Paulo d'Albuquerque Mara- nhao, um dos maioresjornalistas da hist6ria brasileira. Algumas dessas fotografias che- gam ao pfiblico pela primeira vez. Se as circunstbncias fizeram o livro ir para bancas e livrarias no just moment em que a cidade avanqa mais um pouco no tempo, para se tornar quatrocentona, elas tambem me tornaram o feliz intermediArio entire os distinguidos leitores e o grande criador. Es- pero que faqamos jus a esse sopro de felici- dade que soprou do alto como sopra o vento camarada no geral dos fins-de-tarde, desvi- ado do seu rumo natural pelo traqado verti- cal de uma cidade que ainda nao se reencon- trou cor o seu espaqo e o seu tempo, apesar de toda a propaganda corrente. * Gonqalves, e la estamos de novo, contra toda a nossa resistencia, nos enternecen- do cor Chico Buarque de Holanda. E um privildgio ter crescido junto cor ele, pre- sente em tantos moments das nossas vi- das nessas quase quatro d6cadas, referin- cia para does e alegrias, nostalgias e en- tusiasmos. Mesmo quando nos oferece um disco menor, como esse filtimo, Aos derretemos corn o lirismo de Cecilia, um novo pris- ma na aproximacyo buarqueana do tema feminine, ou partilhamos uma forma mais densa de expressio (na roseana Assenta- mento, sem-terra no nome, de porteira aberta ao indistinto mundo do sertAo na sintaxe). Num universe de ritmos mon6tonos e pobres, ainda dispor de Chico Buarque 6 um luxo s6, como diria Ary Barroso. E relaxar, esquecer impulses de revanche e curtir, como nos velhos tempos e sempre. que o bom nio tem data, embora tenha autoria certa. PS Mas, no fundo, quem criou esse Chico nao foi deus, nem o professor Sdrgio: foi o capeta. Para nos envenenar de raiva e de paixao, sem distinqao. Vade retro. Corn rima e tudo, quc soluqio nao hi. U leitura dos Mara nh Entre artists Para retomar o mote lanpado pelo principle FHC, agora o 2, ano pas- sado: a diferenga entire Chico Buar- que de Holanda e Caetano Veloso 6 que o baiano continue revolucionan- do, nos surpreendendo quase a cada disco, depois daquele congelamento em odaras e dangaras, desfeito pelo hino dos anos 90, o Haiti. Ainda nao ouvi o iultimo disco de Caetano, mas Livro, o anterior, e uma preciosidade. Ten duas faixas ruins e uma fraca. Sao concess6es bem bai- anas aos ritmistas da "boa terra" e ao filho Moreno. Mas qual ritmista teria feito Onde o Rio e mais baiano, fe- chando com o achado de que a Man- gueira "d onde o Rio 6 mais baiano"? Qual jovem compositor e capaz de transformar O Navio Negreiro, de Castro Alves, num rap'? A hist6ria de Alexandre Magno, culta e polifonica, 6 uma esp6cie de samba-enredo que nenhum outro com- positor da MPB poderia criar. No seu melhor estilo, Caetano revisita Na Baixa do Sapateiro, um dos clAssicos de Ary Barroso (que a gente aprecia melhor ao sair do Brasil), descolando a milsica do seu arranjo traditional e estabelecendo uma relacdo de canto e contracanto entire letra e mfisica. Re- visita ele pr6prio em Voc& & linda. Nao enche, forte e bela, e o qua? Marcha? Hino? Manhata atesta a enorme capacidade que Caetano ter de lidar com as palavras e tornar mu- sical qualquer construqgo vocabular (como em Pra Ninguem). Minha voz, minha vida d poesia de alto nivel: "Meu amor, acredite/ Que se pode crescer assim pra n6s/ Uma flor sem limited/ E somente porque eu trago a vida aqui na voz" (em Mamde Cora- gem ele j dissera ter "um beijo pre- so na garganta"). Se muita gente boa, que hoje olha Caetano cor certo desd6m, levar a s6rio a mmisica-titulo, Livros, poderi prestar um grande servigo A cultural humana, considerando a advertencia do compositor baiano aos que plane- jam escrever livros: "Ou o que 6 muito pior por odiarmo-los/ Pode- mos simplesmente escrever um:/ En- cher de vas palavras muitas pAginas/ E de mais confuses as prateleiras". Caetano, que ainda le, escreveu s6 um, autobiografico. Chico decidiu tentar varios, de ficqco (umna compe- ti(ao inconsciente cor o pai?). A cada novo livro nos convince de que deveria mesmo continuar apenas a compor miisicas, sua arte divina. Como a de Caetano. Cada um na sua, felizmente. Que o c6u 6 ilimitado. Chico, sempre Coisa boa O Minist6rio Pfiblico do Es- tado produziu um calendArio de extreme bom gosto, talvez o melhor ja feito por aqui, com antol6gicas fotos de Bel6m sai- das da lente de Luiz Braga. Um primor realmente. JA o Arquivo Publico montou seu calendario com exemplares da preciosa in- conografia setecentista e oitocen- tista ali existente, amostra gratis do catAlogo iconografico que o Arquivo fara publicar em breve, revelando para o grande piblico elements importantes da hist6- ria da Amaz6nia. Quem nao conseguiu o seu exemplar desses dois catalogos, deve correr para busca-los. Alem de 6timo present, 6 material para guardar e usar sempre, como devem ser as obras resultantes de dinheiro pdblico bem emprega- do. Origem O coronel-aviador Luis Rodri- gues Rodriguez disse que o aci- dente no novo aeroporto de Be- 16m foi provocado por sabota- gem. Noo apresentou as provas dessa gra \e den ncia. Pela respon- sabilidade do ^ seu cargo, devia faze-lo. Ea i hip6tese me- - nos crivel den- tre todas as que foram apresentadas are agora para exph- car o desabamen- to de parte da co-bertura do terminal de passageiros. Os mais cdticos podem achar que o ofici- al, ex-chefe do SNI em Bel6m, continue agindo como se ainda estivesse nesse cargo e nada ti- vesse mudado desde aquela dpo- ca. O que restava Cunha Coimbra, lambe-botas do general Magalhaes Barata, atacou Paulo Maranhao, inimigo figadal do chefe. Admirou-se de alguem tao menor critical um home da estatura de Barata, a quem estaria disposto a tudo dar. No dia seguinte foi tratado pelo panfletario da Folha do Norte cono Nha Imbra. Explicou-se Maranhao: era o que restara de Cunha Coimbra depois que ele deu para Barata aquelas silabas iniciais suprimidas do seu nome. Este nao 6 o meu estilojorna- listico. Mas, de qualquer manei- ra, 6um estilo. O pior a impren- sa nto ter estilo algum, como agora. Nem mesmo dentes cor- porativos, que intimidam e con- Errata Como o leitor deve ter observado, o qdestrador do nosso endiabrado computador mais uma vez aprontou das suas. A ediado anterior foi datada com erro. Evidentemente, ela abrangia a primeira quinzena de janeiro de 1999, corn o numero 202, e ndo a 2a quinzena de dezembro de 1998, como saiu. Espero que o leitor tenha observado a correJo feita as pressas, para diminuir o vexame. Mas, como diz a musica, perddo foi feito pra gente pedir. II dI . ferem respeito A sua fun9to de guardian da sociedade. Nossa imprensa se reduziu a balcao de neg6cios, marca im- pressa pelos que a controlam monopolisticamente. Porque nao inspira mais respeito, nem de lon- ge algo como o temor que a pena incendidria de Paulo Maranhao provocava entire seus desafetos, os pr6-homens do poder fizeram o que fizeram nestes dias. Nao s6 desrespeitando a verdade: in- sultando a inteligencia coletiva, que tem ou, por aqui, tinha - como seu delegado a imprensa. A inteligencia era a tltima sustentacgo antes da queda no precipicio da desmoraliza- .'io Era. Agora estabeleceu- se, de vez e *o completamen- Sd or m e, o padrno SLiberal de r t jornalismo, um subpro- Si duto, dimi- o nuido, em- pobrecido e at iltado, de algo maior, que o mantem: o pa- drao Globo. Temos o que merecemos? Verdade Agora comeqou um diAlogo mais verdadeiro. A Rede, nova dona da Celpa, diz que o grupo Joeo Santos nio colocou em fun- cionamento sua fdbrica de ci- mento de Itaituba porque ndo quer mudar as peas do cartel que control no Norte do pais a par- tir de Capanema, na Amaz6nia Oriental, e de Manaus, na part Ocidental. Energia ndo falta. Fal- ta 6 vontade ao grupo empresa- rial. E vergonha ao governor para obrigd-lo a cumprir um compro- misso que jogou na lata de lixo de suas convenifncias. Goleada Apresentando comojustifica- tiva a recessio no mercado inter- nacional de mindrio de ferro e de ago, a Companhia Vale do Rio Doce suspended a execuCqo de dois projetos que estavam em andamento no Sistema Norte: a ampliagao da produgqo da mina de Carajas (para a qual obteve os incentives da Sudam) e a cons- trugdo de uma usina de pelotiza- 9ao em Sao Luis, no Maranhao. O president do centro corpo- rativo da empresa, Gabriel Sto- liar, que anunciou essas mAs no- vidades, disse ainda que o proje- to de cobre da Salobo Metals continuarA "em revisdo" Nada disse a respeito de pianos mais remotos (se considerada a visao de estrito curto prazo dos atuais proprietarios da ex-estatal), como a industrializagao do mi- n6rio de CarajAs no Para mesmo, promessa que demoveu o repre- sentante do Estado da posigao contrAria A reduqao ou isencgo do imposto de renda da CVRD (ver Jornal Pessoal n 202). O governador Almir Gabriel continue apanhando de goleada no seujogo corn a Vale. 0 placar se dilatou ainda mais depois da privatizacgo. Biblica punigao pela omissao? Valor Objetam-me, a prop6sito da nota sobre a vaga em aberto de Irawaldyr Rocha no Tribunal de Contas dos Municipios (ver Jornal Pessoal n 202), que essa ausdncia em nada prejudi- cou o funcionamento da corte. Um auditor foi convocado para substituir o conselheiro e exer- ceu todos os poderes do cargo. E verdade. Se cabe uma retifi- cagqo, ela aqui estA feita. Mas nada altera, nem na substancia nem no significado, a observa- 9ao que fiz. Por media de economic, se- ria melhor, entao, que ds con- selheiros fossem substituidos pelos auditors, mudando-se (talvez corn melhor definigao t6cnica) a designaqao para Au- ditoria de Contas dos Munici- pios (e Auditoria de Contas do Estado), sem o penduricalho de um Ministdrio Puiblico que e apenas intermediario entire as deliberagbes da corte e o ver- dadeiro locus das denuncias, o MP tout court, com seus promo- tores e procuradores, que sfo os fiscals da lei para valer. Assim, a sociedade ganha- ria uma instancia de auditagem independent e efetivamente externa a administration publi- ca, amplamente necessaria, ao invds de continuar a manter um 6rgao de semi-tons, mais politico do que tecnico. De valor tao pouco convincente que Carlos Kayath refugou sua indicagao, alegando ainda nao estar em idade de ser arquiva- do num mausolku de ouro. Os que IA se encontram, sentem- se arquivados? Brasileirissimo Poucas pessoas tnm feito tanto pela cultural brasileira na Franga quanto Michel Riaudel. HA 15 anos ele comanda, em Paris, uma equipe de franceses e brasileiros que edita o Infos Bresil, um boletim mensal de atualidade que alcanqou seu 1400 ncmero em novembro, a ltima edi9ao que chega As mi- nhas maos. Riaudel e desses estrangeiros no qual a paixao pelo Brasil 6 tao avassaladora que deixa envergonhados os nacionais. Tenho conhecido pessoas assim nas andancas pelo exte- rior. Pessoas que nao perdem o senso critic sobre o nosso pais, mas veem-no sempre por uma 6tica otimista, positive, sem ser estreitamente naciona- lista, nem reducionista ao fol- clore. Seu entusiasmo 6 com- binado cor uma perspective ampla da cultural, vendo-lhe as manifesta96es sem desliga-las de suas origens e evolugdo his- t6rica. Pessoas vitais, como foi Pierre Verger na sua incorpo- rag.o baiana. E continue a ser o parisiense Riaudel com seus amaveis guerreiros do Infos Bresil. A despeito da falta de reconhecimento ao seu traba- Iho her6ico pelas autoridades brasileiras. Journal Pessoal Editor: Llcio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871/66 053-040 Fones: 223-1929, 241-7626 e 241-7924 (fax). Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040. Fone: 223-7690 e-mail: lucio@expert.com.br Edigio de Arte: Luiz Pinto/241-1859 |
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