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JP chega Jornal Pessoal a n2 L 0 C I 0 F L A V I 0 P I N T U Pn alco" I ANO XII N2 200 19 QUINZENA DE DEZEMBRO DE 1998 R$ 2,00 de aluguel POLITICAL (G.3 Vem confront A poeira eleitoral de outubro ainda ndo sentou e a arena political jd estd sendo montada para as disputes de 2000 e 2002. E pouco provdvel que baja con-fe .do ou acordo entire Almir Gabriel e Jader Barbalbo. Os doisivao se co5i ptar e estardo de volta, talvez em posigoes alteradas, pardyestar quem manda na provfncia. . r m mes depois do segundo turn da eleigao de 1998, as principals forqas political do Para parecem estar assumindo posig6es anta- g6nicas visando as novas dispu- tas que serao travadas no ano 2000, em esca- la municipal, e em 2002, em amplitude geral. As possibilidades de concilia9ao e de acor- do, que apareciam em perspective logo ap6s o encerramento da apuragao dos votos, estao sendo substituidas pelo confront. 0 horizon- te do Estado apresenta indicadores de chuvas e trovoadas. Como de habito, o governador Almir Ga- briel ataca nos bastidores: empenha-se em deslocar a influencia do senador Jader Bar- balho junto ao Palacio do Planalto, que di- minuiu depois da derrota, mas ainda 6 visi- vel. Ao inv6s de recorrer aos pr6stimos do president national do PMDB, um caminho que obrigaria ambos a sentar diante de uma mesa de negociagao, o governador esta que- rendo estabelecer um canal direto de comu- nicagdo com o president da Repfiblica. Apesar de pertencer ao mesmo partido do governador, o PSDB, Fernando Henrique Cardoso tem dado mais atengao a Jader do que a Almir naturalmente, porque a politi- ca paraense 6 um nada diante da estrat6gia national do president. Como defended a tese de que a defesa 6 o melhor ataque, o govemador busca se creden- ciar atravds do sildncio soliddrio. Disp6e-se a engolir os sapos despejados de Brasilia at6 ser reconhecido por sua fidelidade (al6m de seu est6mago). Essa estrat6gia explica o puxao de orelhas que o governador deu no secretario interino de agriculture. Irval Lobato ousou critical a administragao federal diante de Almir. Foi obrigado a ouvir, sem mugir nem tossir, que nao se critical aliado em piblico (e, agora, nem mais ao telefone). 0 governador nao s6 quer que o Planalto note sua fidelidade e aceite premiA-la: esta disposto a criar um pais das maravilhas, como aquele da Alice de Lewis Carroll. Ap6s en- gendrar estatisticas e rankings, Almir Gabri- ' !LzLL:u LL/-4; ",4 :(L:-ULLU-Z -H..= **.*." -': .l.....U --."' '"' 1 f h -"~ .' / i" ^ i-:- l :^' ^' /' '" *1^ ^ ^ ,^ ^. ,'' 3&5 ., ~b.K.^-~A bG 2 JOURNAL PESSOAL 1A QUINZENA DE DEZEMBRO / 1998 Sel urde situacges. Dois dias depois que 0 Li- beral, rendendo-se A realidade, deu em man- chete de primeira pagina que o Pari foi o quar- to Estado mais sacrificado pelo program de ajuste fiscal do governor federal, exigido pelo FMI, o governador disse aos interlocutores que "a presid8ncia" (assim, em abstrato) Ihe havia garantido que o Pard nao sera prejudi- cado. 0 rasgar profundo na came anunciado na semana anterior, que suprimiu mais de dois tergos das verbas atd entao orgadas para o Estado, serA recomposto quern sabe, cirur- gicamente, a especialidade t6cnica do gover- nador (mas nao a do presidente. Tudo, tal- vez, porque Almir Gabriel quer ser o amigo do rei. Provavelmente pressentindo essa tenden- cia, Jader Barbalho resolve medir forgas corn seu opositor na arena federal, quando nada para defender a inica posigao real de poder que Ihe restou ap6s a eleiqao de outubro. Tr8s petardos foram desferidos da cidadela do li- der peemedebista: a obstrug5o A tramitagao do refinanciamento da divida do Estado no senado, um vigoroso discurso da deputada Elcione Barbalho e um torn mais contunden- te nas paginas do Didrio do Pard. Seriam esses os sinais de que, ao contrArio do que aconteceu no primeiro mandato, Ja- der quer ser oposigao a Almir imediatamen- te, sem um interregno de estudo e avaliaqao. Espera capitalizar as dificuldades que o go- vernador deverA enfrentar no seu segundo mandato, ja sem a possibilidade de reeleiqao e sem um nome de grande apelo eleitoral neste moment para transformar em seu successor, ou num competitor A altura de Jader se ele trocar a renovagao no senado por uma nova investida ao govemo. Os atropelos realmente nao serao poucos. A folgada reserve de recursos corn que con- tava o erArio estadual esta desaparecendo. Adiantamentos feitos por conta do governor federal (como os 14 milh6es de reais para a BR-222) poderao nao ser ressarcidos. Obras cujo cronograma e mesmo viabilidade depen- diam da contrapartida federal estAo compro- metidas ou terao que seguir em ritmo muito mais lento. Para evitar desfecho desfavorA- vel, o govemo terA que fazer adiantamentos temerarios, como ja anunciou que fara para dar prosseguimento ao elevado do entronca- mento e A algaviaria (duas obras que, por suas origens nebulosas e compulsoriedade volun- tariosa, se tornaram verdadeiras cabeqas de burro, literalmente). Realizaq6es de impact, como a hidrovia do Araguaia e a transposi- qao da barrage de Tucurui, cairam pela la- deira do incerto e nao sabido. Como o governador nao quer, de pfiblico e diretamente, assumir o confront corn o p61o oposto, que esta se reconstituindo precocemen- te em tomo de Jader, quern aponta a langa 6 0 Liberal, que esta crescendo no espectro de ali- anqas de Almir Gabriel. Ojornal partiu para o ataque frontal ao senador do PMDB, procu- rando logo caracterizA-lo como o grande ini- migo dos interesses do Estado por haver for- gado a derrubada do regime de urgencia para a tramitagdo do process da divida paraense. A intenqao political do senador 6 evidence e- pode ser tomada como ressentimento de derrotado. Mas as raz6es t6cnicas que ele apresentou sao mais do que plausiveis. A for- ma do encaminhamento da renegociacao da divida e da capitalizagdo do Banco do Esta- do do Para, em mao dupla e sem que toda a documentagao tenha sido juntada em ambos os processes, nao permitia ver as consequtn- cias cruzadas do acordo. De fato, o sanea- mento do banco, combinado corn as facilida- des dadas pelo governor federal para o alon- gamento do perfil da divida, suavizando o 6nus para o Estado, levam A conclusao de que o segundo moment, coerente comr essa pri- meira etapa, poderia ser a privatizagio do Banpara. Este fim talvez ate seja o desejAvel, diante do passado ruinoso do banco e do future in- certo, mesmo corn todos os corretivos adota- dos. 0 problema 6 que essa questao nao 6 apre- sentada, corn clareza e honestidade. 0 gover- no Almir Gabriel continue tentando induzir o entendimento da opiniao pfblica e exigindo que ela Ihe dM como aval um cheque embran- co, confiando em sua competencia e boa f6. A privatizagAo da Celpa recomenda menos credulidade. Os cuidados e atencges tornados na preparagao da venda foram atropelados e contraditados pela fixaqao do prego final. A decisao de rebaixa-lo de R$ 800 milh6es para R$ 456 milhoes (nao computado o desconto por conta do adiantamento federal) nao signi- fica que o prego de cada aqao diminuiu, como explicou o governador. 0 prego unitArio per- maneceu o mesmo. A quantidade oferecida de aq6es 6 que foi reduzida. E, ao se reduzir em tais proporqbes, alimentou as suspeitas de que esse encolhimento atendeu ao tamanho da dis- ponibilidade de caixa do arrematante. Como agora todos estdo fartos de saber, tucano aceita fazer concorr8ncia pfblica, mas tem uma incontrolAvel tentagao de ajeitar o resultado. Tudo corn competencia, alto espi- rito pfiblico e honestidade, naturalmente. Manipula as informag6es para que o melhor ganhe, 6 claro. Por "melhor", entenda-se: os enturmados corn essa gente olimpica, aque- les que ja escolheu como os mais capazes. Agora que perguntas inc6modas de jorna- listas, ou atW mesmo palavras desconfortaveis de auxiliares e aliados, sao tomadas como agressao, o governor fecha-se em copas e rea- ge agressivamente. Nao se julga obrigado a responder as critics, esclarecer as dilvidas ou contribuir para o aprendizado geral. Pairando acima dobem e do mal, quer que todos tomemr suas palavras como dogma e tenham f6. Por isso, ainda nao detalhou a aplicagao dos recursos apurados corn a venda da Cel- pa, nem forneceu a lista dos que contribui- ram para o substancioso fundo de campanha, ou o arrolamento das notas de empenho emi- tidas no period eleitoral. E possivel que to- dos esses documents atestem a lisura do-go- vemo. Sequer estA dito que houve desonesti- dade nesses casos. Mas essas sao informaq6es. que deveriam ser prestadas A sociedade. Ate Cristo teve um Sao Tom6. Por que nao Almnir, apesar de Gabriel? Talvez estas questOes sejam tomadas como impertinentes e ultrapassadas. JA se pensa na campanha daquele que irA ocu- par o palAcio Ant6nio Lemos em 2000 e o palAcio dos despachos (se atd lI um secre- tario nao inventar ali um parque ou mu- seu) em 2002. Para a primeira casa do po- der jA ha um candidate em campanha: o prefeito Edmilson Rodrigues. Corn quem ele se aliard? Ainda 6 um pouco cedo para definir um nome, mas as iniciativas estao sendo tomadas. Nfio por mera cortesia, nem por coincidencia, o alcaide compareceupelaprimeiravez, no dia 24, ao ritual do almoco (e beija-miAo) com Romulo Maiorana Junior na sede de 0 Libe- ral. 0 lnico personagem externo present ao chamado Agape era o empresario Lutfalla Bi- tar, genro de Ronaldo, irmno de Rominho, hoje o principal empreiteiro daprefeitura e de volta aos primeiros lugares no Estado. 0 grupo Liberal nao deixa duvida: nao quer recomposigio corn Jader e quer maior fatia de poder na base governista. Romulo Jr. nao fez seu nome retornar ao expediente do seujornal, de onde saiu no prazo de de- sincompatibilizagio que se impunha aos can- didatos reais ou potenciais da eleigao passada. Sinai de que Rominho quer uma das duas vagas senatoriais que serao oferecidas em 2002, costurando o maximo possivel de alianqas para compensar, com os intermedi- Arios cabos-eleitorais, as evidentes limita- 96es do candidate, lui-meme? Essa alongada parceria poderia incluir o companheiro Edmilson, numa nova e surpre- endente colcha de retalhos politicos? t uma hip6tese e bem forte. Nesse caso, fecha-se a porta do entendimento corn o deputado Vic Pires Franco, a maior alternative para a pre- feitura fora do PT? Se for verdade, Vic terA que forgar a manutengio da alianga Jader Barbalho-Hl61io Gueiros, preservando o ll- timo na recomendAvel hibernagio etilica p6s- desastre e o primeiro mais uma vez sem can- didato pr6prio na capital. Outras variag6es podem surgir em torno desse eixo central, atd com reviravoltas sur- preendentes, conforme evoluir a hip6tese de reelei9do, o achatamento nos orgamentos pu- blicos e o jogo de manipulagio junto A mas- sa da populagao. A vice-prefeita Ana Julia Carepa pode nao se conformar corn a sua marginalizagio e tentar virar o jogo, dentro do PT ou fora do partido. Um populismo A direita pode tirar vantagens da pauperizagao de uma cidade que se transformou em Cal- cuta, mas 6 vista pelos novos tecnocratas (pode-se arriscar um neologismo: tecnauto- cratas) como a capital das luzes. Mantido o eixo principal, entretanto, ja se sabe que as mesmas forgas que se confrontaram no segundo turno deste ano estarao de volta, corn novos aderegos e um remanejamento de alia- dos, em 2002. 0 script pode ate nao vir a ser o mesmo, mas, feito o reembaralhamento dos car- gos, os homes serao os mesmos. & JOURNAL PESSOAL 1P QUINZENA DE DEZEMBRO / 1998 5 A torre de marfim da justiga paraense Os concursos pfiblicos do Tribunal de Justiqa do Estado tern se caracterizado por nao conseguir preencher as vagas ofereci- das, protests dos candidates em relagao A qualidade do teste, denincias sobre a lisura da sele9go e uma sdrie de outros inci- dentes. Todos eles seriam prevenidos ou devidamente remedia- dos se o TJE tivesse adotado a providencia recomendada para esses casos: a terceirizagao dos concursos. Uma instituicgo sdria, de prefer8ncia de fora, assumiria to- dos os encargos, usando para isso a sua competencia especifi- ca. Provavelmente nao faltariam recursos para a contratagao. S6 com o atual concurso, o TJE deve ter arrecadado mais de 80 mil reais. Se precisasse complementary, seria dinheiro bem em- pregado, forma de aplicacgo nao muito frequente na casa. 0 tribunal apenas fiscalizaria a atuagao do contratado, deixando de se envolver corn quest6es que s6 fazem desgasta-lo, princi- palmente ligadas a nepotismo e incompetencia. Por que, entao, insisted em manter as redeas todas nas suas maos? Uma resposta para essa pergunta ajudara tamb6m a res- ponder a uma outra: por que o TJE resisted A total informati- zaqao do Diario da Justiga (como ja havia resistido a infor- matizagao da distribuigdo de processes)? NMo ha um argu- mento sdrio em favor dessa recalcitrant ma vontade, que permitiria poupar papel, reduzir custos, encurtar o intervalo de tempo entire as decis6es judiciais e sua publicaqao, alem de estabelecer um fluxo rotineiro refratario a interferencias subjetivas. Interferencia, aliAs, 6 a palavra-chave para a elu- cidaqdo desse mistdrio. Corn quest6es maiores ou menores, o TJE revela para a opi- niao pfiblica seu descompasso corn os novos tempos e as de- mandas sociais, um anacronismo que se mantdm porque a ins- tituig5o continue sem control externo. No entanto, todas as vezes em que ela 6 obrigada a sair do seu casulo para enfren- tar as luzes externas, comporta-se mal, deixa ma impressao. Como durante os debates na Assembldia Legislativa sobre a lei complementary de organizagao judiciAria, um catatau des- conexo, remendado, corn desordenados 500 artigos, alguns francamente inconstitucionais, que atende pelo nome de C6- digo Judiciario. A inadequagao do document deixou os deputados em duvi- da: poderiam voltar a remenda-lo, incorporando emendas capa- zes de sanar suas mais gritantes falhas, ou simplesmente deve- riam arquiva-lo, forgando a apresentagao de um substitutivo que tivesse pelo menos a clarividencia elementary de considerar as transformag6es introduzidas em 1988 pela constituiqao. Embora a lei se destine explicitamente a organizer o judicid- rio, o projeto elaborado pelo TJE aborda assuntos administrati- vos que nao Ihe dizem respeito. A boa tdcnica recomenda que tais quest6es sejam tratadas em lei especifica. 0 c6digo ignora que os vencimentos dos servidores pfiblicos foram unificados, eliminando os penduricalhos onerosos que incham a folha de pessoal, promovendo a desigualdade de salArios, e que o tema requer lei especifica, envolvendo os tres poderes. Privilegios que se tornaram inaceitaveis, como as fdrias coletivas em ju- Iho, permanecem no projeto enviado ao legislative. Tudo como se a justiqa vivesse num mundo A parte, e, estan- do tao enquistada, se julgasse acima do bem e do mal. Ou ela desce voluntariamente atd a sociedade, ou, mais cedo ou mais tarde, sera arrastada para o meio dos homes, que a buscam e dela necessitam, nao como quer ser, mas como precisa ser. * Belem nao 6 Weimar (e tucano nao e aguia) Nao posso dizer, A maneira de Oswald de Andrade, que nao vi e nao gostei. Nao vi e nao vou falar sobre a pega "Galvez, o imperador do Acre", transposta do romance (ou seria novela?) de MArcio Souza para o palco do Teatro da Paz pelo director Amir Haddad. Direi duas on tries coisas que penso saber sobre o "antes" da encenagao. Algo sobre political cultural, o teatro como parte da sempre problemAtica intervengao do Estado em assunto de cultural. Corn um orgamento previsto de 200 mil reais, que pode ter chega- do na execugao direta a R$ 300 mil, envolvendo 130 pessoas, ao long de oito meses, "Galvez" foi uma produgao cara. Mas nao o suficiente para permitir ao criador realizar suas audaciosas preten- s6es, nem para garantir ao espetAculo as caracteristicas que um publi- co pagante teria o direito de exigir, ou seja, um padrao professional compativel. JA ai hA um erro de concep9ao, um impasse dificilmente resolfvel. "Galvez" seria ao mesmo tempo laborat6rio (oficina?) e "o aconteci- mento teatral do ano", compondo pedagogia corn comercialismo, aca- demia corn mercado. Talvez essa "obra-em-progresso" fosse viavel se vivessemos num ducado e dom Paulo fosse realmente um mecenas (ou o rei Almir, o Gabriel, quiqA). Assim, o director poderia peregrinar A vontade atras de vocag6es na- turais para as artes cenicas, mantendo-as por meses A custa de tiquetes de transport e refeicgo, al6m da in6dita oportunidade de desfrutarem das coxias dos brancos. Corn a matriz de um espetaculo da Broadway nas maos, o diretorjuntaria esse exercito Brancaleone a umavanguarda de bons profissionais, desse amalgama, corn a mais legitima alquimia, obtendo um espetaculo verdadeiramentefelliniano, construindo a obra enquanto a pr6pria obra fosse sendo apresentada, sem precisar se pa- gar, nem mesmo minorar o reles prejuizo material. Naturalmente, as burras do tesouro pfiblico estariam abertas para financial esse experiment vanguardista e garantir o livre acesso dos espectadores. De outra maneira, como conceber que algudm tire o vil metal do pr6prio bolso para assistir num dia a uma peca que estarA substancialmente modificada no espetaculo seguinte, presumindo-se que, um dia depois do outro, o espetaculo estara cada vez melhor, at6 que, em data nao previamente estabelecida, chegara A sua plena matu- ridade (quando, na evolugao real que teve a peca, indo de 10 reais o ingresso mais caro A gratuidade, no curso de meia ddzia de apresenta- 96es, os espectadores acabariam pagos para assistir). Estamos a ver, como diria qualquer elementary observador, que tal empreitada nao 6 possivel em nossos dias e nesta terra, se 6 exe- qiiivel fora de herdades reais dominadas por um imico senhor de baraqo e cutelo. Amir Haddad props para si mesmo uma equagao sem soluqao, transferindo para os objetivos e determinados limits do palco a irrisao sem fronteiras de seus happenings de rua do pr6- Cirio ou esquecendo que o tempo passa, passando por cima dos que ignoram esse passar. Mas corn um prego, que algu6m precisou e ainda precisarA pagar. Chega de cabegas coroadas conceberempara si espetAculos que exi- bem para regalo pr6prio, A prova de qualquer critical, mas corn dinheiro do erArio. Se era para former palco e plat6ia, faria melhor o govemo usando essa mesma verba para financial bolsas de estudo em beneficio de voca ies espontAneas, como as que "Galvez" talvez tenha espasmo- dicamente despertado (e que abandonara a partir de agora), custear cur- sos dados por bons profissionais, restabelecer manifestaq6es da arte popular (como os "passaros" originals) e promover concursos de dra- maturgia e espetAculo. Talvez haja mais anonimato do que notoriedade nesse projeto, o que nao deve atrair o interesse dos genios. Mas certa- mente sera maior e mais profundo o beneficio. 0 4 JOURNAL PESSOAL* 1" QUINZENA DE DEZEMBRO / 1998 A cultural de orelha segundo o padrao Veja A revista Vejavem se superando. Na edi- qjo 1.573 gastou quase duas pAginas e meia corn um texto (artigo? cr6nica? ensaio?) es- crito a quatro maos por Carlos Graieb e JoAo Gabriel de Lima. A pretexto de ensinar as pessoas a "ganhar verniz" cultural para im- pressionar em encontros sociais e assim ad- quirir status, a revista dos Civita talvez haja prestado algum serviqo aos carreiristas. Mas fulmina a pr6pria cultural que utiliza como mat6ria prima, descarnando-a como se fora um animal qualquer de couro duro (ou cuja finica serventia estA na pr6pria cobertura, sem nada por dentro que valha a pena). Os dois jornalistas (que Trotsky chama- ria de "desnatadores da cultural ) asseguram: ler os 14 livros por eles indicados, mesmo sem chegar ao final, 6 garantia para "nao fa- zer feio em sociedade" e igualar-se "Aquele colega carreirista que, esperto, ja enveredou por esse caminho". Caminho segundo o qual, para aparentar erudiqAo, "nao 6 precise tan- ta leitura assim". De fato, como observa a dupla criadora do manual, muita gente costuma falar do contefido de livros que jamais leu sem o menor constrangimento e, freqiientemente, sem deixar marcas da fraude. SerA o crime perfeito sempre que essa mistificagAo for consumada apenas entire fraudadores: al- gu6m corn cultural real percebera e revelara o engodo, por mais que isso demand tempo (e mesmo que nao consiga evitar os danos do artificialismo). HA um exemplo extremado. Gerag6es universitArias foram obrigadas, por maus professors ou estrabicos guias de leitura, a penetrar no marxismo atrav6s do fil6sofo francs Louis Althusser. Nao foram poucos os que restringiram seu contato corn as id6i- as de Karl Marx a esse vulgarizador. S6 quem tivesse bebido na fonte original podia perceber que o pensamento de Marx exposto por Althusser perdia tanto em au- tenticidade quanto em clareza, virando umn patois tipicamente parisiense. Mesmo essas pessoas, entretanto, seriam incapazes de imaginar o que Althusser viria a confessar em suas mem6rias pr6-ag6nicas (sugestiva- mente intituladas "Antes que me esquega"): jamais lera Marx no original, valendo-se dos int6rpretes. 0 marxismo que receitava era de terceira mAo. As vezes a participagco do intermediA- rio 6 fundamental. The Waste Land (A Ter- ra Devastada) era uma coisa antes da revi- sao de Ezra Pound e ficou outra depois. E claro que, na essencia, o poema continuous o mesmo, assegurando a grandeza de T. S. Elliot. Mas Pound lhe deu refinado acaba- mento, ajudando a eleva-lo A condigao de um dos grandes poemas deste s6culo e de todos os tempos. Essa d umna exceqAo e um caso muitissi- mo especial. 0 int6rprete, o divulgador, o re- visor e o responsavel pela finalizagAo s6 nos ajudam quando conhecemos a matriz sobre a qual eles trabalharam. Por isso, 6 indispensi- vel ir ao original. A nao ser que, como em muitas das "transcriaq6es" dos irmaos Harol- do e Augusto de Campos, o original sirva de escadapara a realizagao do que o tradutor nio consegue alcangar enquanto poeta. Ler essas obras primas apenas para citi- las, apenas para impressionar terceiros e conquistar vantagens pessoais? 0 fim-de- s6culo tecnicista e cientificista repete o mo- vimento de rever8ncia ao humanista, Aquele que tern uma ampla visao da cultural huma- na, que Ihe permit ir As suas raizes e, ao mesmo tempo, sintetizA-la, lanqando luzes para tras e tamb6m para frente, tornando-se uma refer6ncia de 6poca. Quantos nao gostariam de ser isso? Ao inv6s de buscar a tal da "inteligencia emoci- onal" nos manuais de auto-ajuda ou nos fe- tiches, racionais e irracionais, podemos nos situar diante de arqu6tipos perenes e defini- tivos, engendrados por cabecas unicas na his- t6ria da humanidade, por artists, intelectu- ais e g8nios, inteligEncias que captaram (sabe-se 1a por qual process cognitive) as- pectos da nossa estrutura que nos acompa- nharao enquanto formos homo sapiens. Aprendi mais sobre o comego da civili- zaqAo lendo a Iliada de Homero do que todos os manuais de hist6ria. Jamais se conseguira discernir o que era realidade do que foi modificado oun inventado pela imaginaqao do grande poeta, que dava o mesmo tratamento a personagens tao de- siguais quanto homes e deuses. Mas a realidade nunca foi tao viva, muita mais "realista" na imaginaqco do que as recons- tituig6es de dpoca feitas pelos estfidios ci- nematograficos de Cinecittd. Nenhum relato de batalha se iguala ao que Homero fez do cerco de Tr6ia. E nao ha malhagao em academia ou badalagdo cos- mopolita em torno do mundo capaz de criar uma mulher como a Ana Karenina de Tols- t6i. Quantas gera96esja nao se apaixonaram por ela? Quantas ainda virao a se apaixonar, conhecendo-a por inteiro? As 14 leituras indicadas por Veja sao 6leo denso e nao verniz de superficie o que, talvez, seja o mAximo que a revista possa oferecer corn sua versao pastiche. En- ganadores que dao a esses clAssicos o uso oportunista os ha aos milhares, mas eles sao um element bizarro, uma anomalia, uma deformidade da cultural. t triste ver uma revista do porte de Veja se prestar A consolidagAo dessa distorgao, ainda que se escorando nas costas largas de uma suposta ironia que os autores do texto podem ter tentado fazer no manual. Esse dis- tanciamento critic, contudo, inexiste. A ma- tdria iguala-se As situac6es que pode ter pre- tendido satirizar. Tamb6m os autores pare- cem ter, corn as 14 obras que relacionaram, contato superficial, atravds de orelhas de li- vros, de trechos lidos aos saltos ou de inter- mediArios. A critical de Virginia Woolf ao Ulysses, de James Joyce, por exemplo, 6 bastante aci- da, mas recomendar apenas a leitura de Dublinenses, os contos mais "inteligiveis" do escritor irland8s, 6 ignorar que, sem sua pretensao, Joyce nao teria dado A sua obra mais famosa (e, 6 claro, menos lida) o posi- tivo papel de vanguard que ela legitimamen- te desempenhou. Ulysses nao 6 propriamente para enten- der (ao menos conforme parametros cartesi- anos), mas para sentir, ainda que nao corn o coraqdo. S6 sentira quem, antes de chegar ao caos irlandes de Joyce, tiver passado pela literature que ele absorveu, negou e tentou destruir (sobretudo o romance). Sem essa preparaqao pr6via, nao sentira nada, nerm entenderA (academicamente falando). Seu c6rebro nao estarA preparado para escapar As armadilhas racionalistas do pensamento. 0 mesmo pode-se dizer do conselho que Graieb & Lima dao aos leitores de fancaria diante de Guimaraes Rosa: ao inv6s de subir As alturas de Grande Sertdo: Veredas, ficar na linha de superficie de A Terceira AMar- gem do Rio. Sim, este 6 um dos mais belos contos jA escritos em todos os tempos. Mas sempre que algu6m for colocado diante de uma armadilha parecida, pode sair-se corn este paralelismo mais concrete: 6 melhor ter um inico chocolate delicioso para comer ou uma caixa cheia deles? Grande Sertao 6 uma caixa de terceiras margens, dando maior prazer por mais tem- po. E me pergunto: em qual outro texto o sertAo brasileiro estA mais vivo, mais cheio de sons, de visagens, de terra, de animals e de homes, sem a necessidade de um redu- cionismo (sociol6gico, econ6mico, antropo- 16gico ou politico) explicativo ou analitico, empobrecendo algo tao complex? Ningudm chega a esses 14 monumentos humans, feitos de coisas imateriais, para extrair citaq6es. Antes de mais nada, chegar tarde a esses livros pode prejudicar ou inuti- lizar seu pleno uso. Fico furioso corn toda esse lixo para-didAtico, essa an6dina para- literatura, que desvia as criangas e osjovens das fontes e das matrizes. E uma homena- JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE DEZEMBRO / 1998 5 gem A estultice, da qual o texto de Veja faz parte, encomendarvers6es adaptadas ou "re- contadas" dos originals, reduzindo urn Swift, umr Delfoe ou um Melville a roteiro de pro- grama de Xuxa. Como condensar Homero, Shakespeare, Dante ou Prosut? Como destacar apenas uma parte da obra, supondo que, depois, ojovem sera estimulado a ir ao texto integral? E a mesma visao amputadora que vicia o uni- versitario nas apostilas e nos capitulos de livros, indicados por professors obtusos, que querem fichamentos, mas nao compre- ensao, adesao e nao controversial (que e a verdadeira gestadora de id6ias), uma chapa e nao o rolo complete do filme. Formaqgo desse tipo ird bitolar as pes- soas, empobrecendo sua percepqdo e en- tendimento, quase impossibilitando-as como agents criadores. Graieb & Lima as- seguram que seus discipulos impressiona- rao em qualquer roda quando disserem ser "impossivel precisar em que inseto o per- sonagem Gregor Samsa [de A Metamor- fose, famosa novela de Fanz Kafka] se transformou. Quem ler sabe que nao ha nenhuma mendo a baratas no livro". 0 que e verdade, sem ser a verdade. Kafka nao precisou escrever a palavra barata para nos fazer perceber, atrav6s da descriqao da sufocante metamorfose, a qual inseto es- tava se referindo. Boa literature nao 6 al- manaque Capivarol. Afinal, que criatura Veja quer engendrar corn essa formula falsa? Algu6m capaz de concordar de imediato com o catecismo in- quisitorial dos dois jornalistas, segundo o qual Lolita, de Nabokov, e "o melhor texto escrito no sdculo", assim, de bate-pronto e olhos fechados para algumas dezenas de al- ternativas (A altura ou melhores); ou de que Edipo Rei, de S6focles, 6 a maior pega tea- tral, nessa mania classificat6ria que, abso- lutizando, imbeciliza o leitor, incapacitan- do-o para perceber a diversidade no tempo e no espaqo. Para ser culto nao e necessario ter um ta- ximetro no c6rebro, medindo o saber pela quantidade de bandeiradas que sao dadas a cada novo livro lido (ou "visualizado", A maneira de Graieb & Silva). 0 fil6sofo ale- mao Immanuel Kant s6 tinha 300 livros na sua biblioteca e ainda assim foi um sAbio. Saber se relaciona harmoniosamente com qualidade, nao necessAriamente cornm quan- tidade. 0 livro ainda 6 o melhor veiculo do conhecimento, mas seus bons frutos sao con- seguidos com paciencia, atencAo, dedicacao, aplicaqao, raciocinio, entusiasmo, afeigao - tudo, enfim, que favorece o entendimento. Talvez Veja esteja mais pr6xima do ajuste A realidade dos nossos dias, mas ainda temos fd que estes tempos de in- cultura sejam passageiros e, se nao o forem, 6 melhor se isolar em comunida- des, como no Farenheit 451, de Arthur Clarke, do que nessa mistificaqao de par- venu da revista, na massificaqAo sempre nivelada por baixo. A revista pode ser mais cinicamente rea- lista, mas nao consegue nem mesmo cum- prir um dos primeiros mandamentos do jor- nalismo, que e o da submissao aos fatos, da rendiqgo A verdade quando ela for incontro- versa. Para quem quiser ler a poesia Jose (re- batizada para E agora, Jose?), de Carlos Drummond de Andrade, a revista indica a Antologia Poetica, da Editora Record. An- tes, deveria esclarecer que esse belo poema veio ao mundo no livro Jose, depois inclui- Os 6rgaos da administragao p6blica es- tadual ji se ajustaram ao novo modelo esta- belecido pelo Tribunal de Contas do Esta- do para os extratos de terms aditivos con- tratuais (ver Jornal Pessoal n 199), pu- blicados agora corn mais informag6es. Mas em terms. O Diario Oficial circulou no dia 12 de no- vembro corn sete extratos de terms aditivos do Ipasep, prorrogando por mais um ano con- tratos corn prestadores de servigos clinics, no valor de 660 mil reais (calculados para 12 meses, embora os aditivos tenham vali- dade semestral). Nada e dito sobre os con- tratos originals, nem sobre a origem dos se- gundos terms aditivos. Nao fica claro se os valores sao sobras do contrato original ou se foram realmente aditados, constituindo di- nheiro novo. Convinha esclarecer. A Secretaria de Administragdo nao es- pecificou por quanto tempo prorrogou o con- trato de seguranga, no valor original de 27,8 mil reais, corn a Blitz. Limitou-se a dizer que a prorrogaqdo foi decidida "conformrne pre- visto no contrato origindrio ", cujo inteiro teor o distinto piublico desconhece, e claro. JA a Secretaria de Agricultura nao in- dicou as origens dos dois contratos de se- guranga que tiveram seus extratos tamb6m publicados no DO do dia 12, ambos corn a Vigia Eletr6nico e Equipamentos de Segu- ran9a, para monitorizagao eletr6nica e com- putadorizada, cada contrato no valor de R$ 3 mil. A Junta Comercial do Estado publi- cou no DO de 18 de novembro o extrato de um contrato corn P F B. Frade para ofor- necimento de 530 refeicSes, no valor de R$ 1,8 mil. Mas ndo identificou a origem do contrato. A prop6sito das indaga9ges feitas por este journal (ver edicgo 198) em relagao aos terms aditivos aos contratos da Estagao das Docas, o secretirio de obras do Estado, em exercicio, Jose Olivio Figueiredo CAmara, es- clarece o seguinte: "A publicagio dos extratos contratuais e terms aditivos no Di6rio Oficial do Estado s6o feitos rigorosamente de acordo corn o modelo estabelecido pela Resolucio n 801 do TCE, de 28/04/95, e contem todos os ele- mentos indicadores do ajuste ptiblico, pro- va disso e que a materia publicada em seu editorial identificou perfeitamente a contra- taqao, dai a insubsist&ncia do term 'suma- rissimo extrato' utilizado no noticidrio. AtM a present data, foram firmados 4 (quatro) terms aditivos ao contrato e ape- do numa antologia (que, evidentemente, nao 6 o titulo original). Sinal de que os autores do receituario s6 conhecem Drummond por essa via? Se essa matdria for lida e seguida tal como recomenda a revista, dentro de alguns anos bem que Ieja podia fazer um concurso para selecionar quem consegue mistificar melhor pelo receituario. 0 premio seria publicar uma nova versao desta "coisa" que Graieb & Sil- va perpetraram. E dispensar ambos. 0 nas no terceiro houve acrescimo de services no valor de R$ 851.004,35 (oitocentos e cin- qiienta e urn mil, quatro reais e trinta e cin- co centavos), portanto muito abaixo do li- mite legal, que nesses casos especificos, por se tratar de Reforma, admite acrescimos de ate 50% (cinqiienta por cento), a teor do art. 65 parcgrafo 1 in fine da Lei Federal n' 8.666/93. A Re-Ratificaqdo de verba, prevista no primeiro e quarto terms aditivos ao con- trato ndo significam nem alteragdo de va- lor, nem acrescimo de services, mas tio so- mente a substituigdo de uma dota9do orpa- mentdria por outra, ou complementa9do de recursos em outros casos, que ndo o especi- fico para aquela obra. Assim sendo, o valor de R$ 2.000.000 (dois milhoes de reais) foi alterado apenas na suafuncionalprogramd- tica, ou seja, este valor, que anteriormente seria pago cornm determinados recursos pre- vistos inicialmente no comtrato, a partir do 40 (quarto aditivo) serc pago corn outros re- cursos, permitindo desta forma a aplicaqao dos recursos substituidos em outras obras, sem onerar o Estado ". Como o secrettrio conclui sua carta dis- pondo-se a prestar "outros esclarecimentos complementares" em atendimento "ao prin- cipio da publicidade de todos os atos da Ad- ministragdo Pitblica ", este journal ihe pede novas informacges, mantendo-sefiel ao com- promisso desta seqdo, que e travar de publi- co didlogo corn as autoridades a propdsito dos atos publicados no Didrio Oficial, vi- sando o esclarecimento de todos e a forma- fdo do cidaddo. 1 Os dois milhoes de reais a que se refe- re o engenheiro Jose Cdmara representam a totalidade dos recursos previstos pelo Esta- do para a Estagdo das Docas? Qual a con- trapartida dos demais parceiros do projeto? Qual o saldo das aplicag5es efetuadas ate agora, (discriminando as origens)? Qual a posiqdo do cronogramafisico-financeiro, em valor absolutos e relatives? 2 Datas ejustificativas de cada um dos quatro terms aditivos. 3 Qual a justificativa para o acrescimo dos 851 mil reais? Corn esse aditivo, fecha- se de vez o orgamento da obra? 4 Qual a razdo da mudanga das dota- q5es orgamentdrias? Qual rubrica substituiu a anterior? De que maneira essa alteragdo ird desonerar o Estado? Desde jd sensibilizado pelo espirito pu- blico do secretdrio, aguardo seus esclareci- mentos complementares. Interesse publico (0 JOURNAL PESSOAL 1I QUINZENA DE DEZEMBRO / 1998 0 Liberal que o PT He A arvore Nao faltam ao journal 0 Liberal motives para comemorar nos seus 52 anos de vida, completa- dos no 61timo dia 15: tern o dominion absolute do jornalismo impresso, disp5e de uma invejAvel es- trutura industrial e estA no nivel de atualizacao da imprensa national de primeira linha. Nao preci- sava ter incluido na sua edicgo de aniversArio os elogios indevidos que lhe foram feitos (quem di- ria) pelo pessoal do PT. Egydic Salles Filho, secretario de administra- 9a.o da prefeitura de Belem, declara que 0 Liberal conquistou credibilidade "por trabalhar o conteu-- do da informagao, mostrando-a de modo isento, dando ao leitor os elements para que este faja a critical daquilo que 16". Diz ainda que o journal "for- nece as diversas 6ticas pelas quais pode ser visto o fato noticiado", garantindo assim "a expressAo do pluralismo de id6ias, que marca a condig9o humana". E, em defesa do journal, invested contra os politicos, "que insisted em querer calar a boca dos jornalistas porque querem o retorno da cen- sura, das algemas", como se perseguidos por po- derosos intolerantes estivessem os Maiorana (os grifos nas citag5es sdo meus). Qual 0 Liberal Egydinho estara lendo? Deve ser alguma edigao especial produzida para os olhos da prefeitura petista. Nao vamos lembrar n casos relatados por este journal de questbes manipula- das, ocultadas, omitidas e sabotadas pelo journal dos Maiorana em passado recent (da morte de Paulo Fonteles ao projeto Salobo ver Jornal Pessoal 1 a 199). 0 pr6prio affaire do atual pre- feito de Bel6m atesta exatamente o contrario do que seu secretArio proclama. Edmilson Rodrigues se elegeu a despeito de toda a campanha feita pelo journal dos Maiorana em favor do candidate da casa, Ramiro Bentes. Vencedor da eleigao, Edmilson sumiu do noticia- rio de 0 Liberal. Mesmo como prefeito empossa- do, ficou seis meses na geladeira neolitica dos funds do Bosque. Quando o journal era obrigado a tratar de algum tema da administragco munici- pal, o fazia com ma vontade, atropelando ou dis- torcendo os fatos. Nao reconhecia o direito de res- posta. Omitia o nome do prefeito. Tudo comecou a mudar quando a prefeitura aceitou compor o pagamento da divida da admi- nistrailo passada, comeqando a quitA-la. Nao ape- nas isso: autorizou novas insergoes publicitarias nos veiculos do grupo. Al6m disso: praticamente restabeleceu a programagio anterior, que chegou ao paroxismo desvairado em 1996, o ano da elei- cao (deixando restos a pagar de 1,2 milhao de re- ais s6 com o grupo Liberal, dos quais o entAo se- cretArio de finangas, Geraldo Lima, s6 reconhecia um tergo do valor como legitimos). E foi al6m de toda a imaginagio: deu 100 mil reais para aumen- tar o lucro do journal na venda de fitas de video, parceria in6dita em todo o mundo nesse tipo de promogao tipicamente commercial (nenhum jomal foi buscar subsidio official porque a rentabilidade do neg6cio 6 satisfat6ria). NAo foi, portanto, nem volunttiria e nem gra- tuitamente que 0 Liberal cumpriu o que seria seu dever: cobrir jomalisticamente as atividades da principal prefeitura do Estado. Nem mesmo pro- fissionalmente se tem comportado: a mi f6 anteri- or das critics foi substituida pela condescenden- cia interesseira das veiculaqbes de hoje. A opiniao piblica, mal informada no primeiro moment pelo sectarismo do journal, continue mal informada hoje pelo adesismo oficialesco. 0 Li- beral nao mudou de posigco por se haver conven- cido de seu pr6prio erro e do acerto do prefeito, num confront de id6ias ou num diAlogo de alto nivel. Mudou ao ouvir o som de moedas no cofre. Se o secretirio acha que isso 6 political editorial, eu nao sei mais o que 6 chantagem. Egydinho jA leu nas paginas de 0 Liberal al- guma critical aos Maiorana? JA viu nesses pap6is retintados alguma denincia contra a empresa? Tem lembranga de alguma polemica sobre a li- nha editorial da empresa? EstA seguro de que o index foi abolido e todos os personagens p6bli- cos podem ser citados, bastando para isso que sejam noticia? Pode assegurar que 0 Liberal desistiu de tentar manobrar a vontade da socie- dade e nao mais utilizara a divulgagao tendenci- osa de pesquisas eleitorais, como fez nesta ulti- ma, com suas cinzas ainda vivas? A vice-prefeita Ana Julia Carepa, que tamb6m participou das comemoragSes de aniversario, e antes se proclamou vitima desse tipo de manobra, jogou seus confetes corn mais comedimento e par- cim6nia. 0 inquestionAvel poderio econ8mico- industrial da corporagao, ressaltou Ana Jilia, au- menta a responsabilidade da empresa "com umrn jornalismo serio, impartial, que seja capaz de in- formar A sociedade as diversas matizes, verses e anAlises de cada fato reportado". A quase-senadora tem a elogiAvel cautela de, contrariamente ao seu companheiro, nao afir- mar que esse 6 o jornalismo praticado por 0 Liberal. Todos, inclusive desafetos, gostaria- mos, no fundo do coraglo, que assim fosse. Mas assim, de fato, nao 6 e estA muito distant de se-lo. Pelo contrario, 0 Liberal vem desempe- nhando o triste papel de responsAvel pelo en- fraquecimento da opiniao p6blica, pelo distan- ciamento entire a percepeao e a realidade, entire a agenda dos cidadbos e a pauta dos persona- gens decis6rios, entire o que 6 revelado ao dis- tinto p6blico e o que 6 concebido, urdido e exe- cutado nos bastidores (e escondido ate a incon- fidencia utilitaria), entire os acontecimentos re- ais e os noticiados pela imprensa. Nao se pretend que uma prefeitura democrA- tica e altiva ignore o principal grupo de comuni- cagaes ou invista contra ele. Deve tratA-lo corn respeito, na media do seu merecimento. Mas curvar demais a espinha deixa ao desabrigo par- te mais intima do corpo, que o pudor (e mesmo o erotismo) deveriam manter agasalhada. Quando nada, para evitar o escarnio dos contempordneos mais atentos e o desprezo dos p6steros melhor informados. Alem de nao permitir que a honra de todos se nivele pelo desprezo que uns poucos poderosos dedicam A honra alheia, achando que para manter essa submissao 6 suficiente deixar A mesa as 30 moedas. 0 dos Ayres Quero fazer umn registro bemn pesso- al de BioEstat Aplicagges estatisti- cas nas dreas das ciOncias bioldgicas e medicas, o livro (acompanhado de CD-Rom) escrito por Manuel Ayres, Manuel Ayres Jr., Daniel Lima Ayres e Alex dos Santos (Sociedade Civil Ma- miraud, 193 piginas, 1998). Nao tenho a menor capacidade para avaliar o livro, destinado especialmente aos estudantes de graduagao e p6s-gra- duaqao nas Areas mddica e biol6gica, corn conhecimentos bisicos de estatis- tica. Mas fiquei imensamente feliz ao mero contato corn a obra, por virios motives. Em primeiro lugar, por verificar que o principal autor, Manuel Ayres, um dos mestres que honraram a Universi- dade Federal do Pari, nao foi aposen- tado pelo desvio de carreira como con- selheiro do Tribunal de Contas do Es- tado. 0 BioEstat 6 uma versao enrique- cida de um trabalho de 10 anos antes, as Aplicagoes Estatisticas em Basic. Significa que as qualidades de pesqui- sador do mddico Manuel Ayres nao fo- ram anuladas, nem mesmo comprome- tidas pelas engrenagens burocriticas do TCE. Em segundo lugar, por poder teste- munhar o trabalho de uma rara familiar no Pard: o livro mobilize tres geracqes de Ayres combinando suas especialida- des e competencias. 0 patriarca, corn hist6ria consolidada; seu filho, o Jr., doutor em engenharia civil, e o neto, Daniel, que, corn apenas 15 anos, ji foi responsivel pelo desenvolvimento do aplicativo e a diagramaqgo do livro, junto com Alex, um parceiro do grupo familiar. Jos6 Marcio, outro Ayres, nao apa- rece na autoria, mas 6 o responsivel pela introdugao, al6m de c6rebro e ani- mador de uma grande empreitada eco- 16gica da Amaz6nia, o Projeto Mami- raua. Por tris de todos, separados em seus extremes por mais de meio s6culo de vida, uma grande mulher, dona Iza, que agita todos os projetos. Participei de alguns mementos da formaqao dessa academia familiar de cidncia enquanto estudava com Ana Rita na casa do doutor Manuel Ayres, no Largo da Trindade, vendo os primei- ros passes de Jose MArcio. E um pre- sente valioso para esta terra que uma familiar tao fortemente estruturada em torno desse compromisso corn a ci8n- cia esteja em plena produqao, espalhan- do frutos por galhos tao frondosos. JOURNAL PESSOAL Il QUINZENA DE DEZEMBRO / 1998 7 JP: 200 numerous depois, continuar e uma incognita De quase 160 jomais que pesquisou para o maior levantamentojA realizado sobre a impren- sa altemativa no Brasil (Jornalistas e Revoluci- ondrios: nos tempos da imprensa alternative, Scritta Editorial, SP, 1991), Bemardo Kucinsld verificou que "um em cada dois nao chegava a completar um ano de existencia. Varios ficaram apenas nos dois ou tres nfmeros". Apenas uns 25 desses pequenosjomais "tiveram vida relati- vamente longa, de at6 cinco anos", diz o chefe do Departamento de Jomalismo e Editorag9o da Escola de Comunicag~o e Arte da Universidade de Sao Paulo (USP), ele pr6prio participate da hist6ria que documentou. Mesmo corn duas interrupg6es, o JornalPes- soal esta no seu 120 ano de vida. Nesta quinze- na, chega a sua 200T edi9ao, sem qualquer falha desde maio de 1995. Na atualizagao que fez nes- te ano do levantamento sobre o period 1964/85 (incluida em A Sindrome daAntenaParab6lica - Etica no Jornalismo Brasileiro, Editora Fun- dagao Perseu Abramo, SP, 200 pdginas, 1998), Kucinski cita apenas duas publica95es que so- brevivem, mantendo essa tradigao do jornalis- mo independent nos nossos dias: Cams Ami- gos, um mensario langado em S3o Paulo no ano passado, e este quinzenArio, que nasceu em 1987. "A imprensa altemativa dos anos 70 desa- pareceu como fen8meno social e de midia, mas jornais altemativos movidos pelo mesmo ima- ginArio daqueles tempos continual a surgir iso- ladamente, em geral langados pelos mesmos cri- adores de antes, movidos por teimosia, por con- vicgao ou por falta de alternative", observa Ber- nardo Kucinski. Para ser absolutamente correto, o diagn6sti- co teria que admitir altemativas combinadas: o ou e o e, uma explicagao sucedendo a outra, ou todas em conjunto. Pois este JP tern sobrevivi- do por teimosia, convicqlo e falta de altemativa ao mesmo tempo. Miller Fernandes, hoje urn proscrito da grande imprensa, dizia do seu Pif- Paf, o primeiro alternative ap6s o golpe military de 1964 (e inspiraao para os que viriam a se- guir), que cada exemplar era um nfmero e que cada numero era um exemplar, no sentido da excelnocia do que produzia. No caso deste JP, cada edigao realizada pode ter sido a fltima e a future, incerta e nro sabida. Vive-se o present. O future 6 decorrencia. Sinal dos tempos. Este jomal nIo 6 e nem pretend ser her6ico. E, tao-somente, uma forma necessaria de fazer jomalismo. Nao se reduziu ajornal-de-um-sozi- nho por vontade, mas por necessidade. A o ta- manho viAvel para seus recursos. Nao tenho um tostao para pagar a outros jomalistas colabora- dores. Nao disponho da menor reserve de capi- tal para investor numa estruturagto empresarial, por mais singela que fosse. Inexiste um fundo de caixa para pemnnitir ao seu predator viajar ou mesmo recorrer ainterurbanos corn a freqt8ncia exigida pela checagem de informna95es. A maior aspirag9o do faturamento tern sido a de cobrir as despesas industrials e de distribui- 9So. Como nem isso term sido possivel na maior parte das edi96es recentes, este journal estA con- denado ao cadafalso. Esse destiny inexorAvel vinha send adiado pela mobilizag9o de outras fontes de renda, mas elas desapareceram. Hoje sou apenas urnfree lancer. Sem uma renda fixa, haverA urn moment em que o buraco nas con- tas no poderA ser mais tapado. Algu6mntera que ser sacrificado. Espero nSo ser eu. Nao fago esse registry para que algum mece- nas, entire lagrimas, made sua contribuigao an6- nima. Assim como deixei de acreditar na cego- nha e no Papai Noel, tamb6mjfi faz bastante tem- po que perdi as esperancas na criaqAo, entire n6s, comao existenos paises anglo-sax6es, deuma cans- ci6ncia civic sobre a necessidade de ura impren- sa independent para valer e nro apenas para ser usada como frase de efeito pela propaganda. Sern essa consciAncia, capaz de forjar fun- dos, pnblicos ou privados, sujeitos ao contro- le de qualquer cidadao, administrados segun- do crit6rios de qualidade, mecenato vai conti- nuar a ser uma a9go entire amigos. Mesmo quando os amigos forem bern intencionados e regularmente organizados, o prego da parce- ria sera a pr6pria independencia que se apre- goa defender. VArios 6rgaos da imprensa alter- nativa estudados por Bernardo deixaram de ser verdadeiras altemativas porque se tornaramr porta-vozes do chefe, mesmo quando o chefe se mantinha invisivel para o grande pfblico. A fnica ajuda que tenho solicitado de quern consider positive a existencia deste jomal 6 comprA-lo e propagA-lo. Numa sociedade ama- durecida, essa relag9o seria delimitada no mer- cado pelo interesse de quern compra e o valor do produto adquirido. A quase o natural numa sociedade econ6mica, mas entire n6s envolve um component voluntarista, subjetivo, de um valor marginal A formagao do pr6prio valor atra- v6s do cAlculo. De outra maneira, eu teria que concluir pela falencia deste projeto e aceitar a morte do JP por causes econ6micas naturals, mandando ce- lebrar ocompetenter6quiem. Afinal, o jomal nAo consegue se tomar auto-sustentAvel, subsistindo de uma cota de vontade que um dia (pode ser amanha mesmo) se irA exaurir. Aprimeira causa do sufocamento da impren- sa altemativa, ironicamente (mas tamb6m su- gestivamente) intensificado a partir de 1985, com a redemocratizag9o do pals, 6 econ6mica. A conta dos custos para colocar nas bancas umrn journal verdadeiramente independent 6 maior do que a das receitas. Poderia nao ser assim se, por exemplo, este JP aceitasse publicidade. t possivel conciliar independencia corn publici- dade, nao toda ela, mas um segment dos anun- ciantes. S6 que, no meu caso, tendo em vista a sociedade que conhego, prefer aboli-la. Pou- pa-me saliva e dor de oabega. Frequentemente a renda da circulag9o mal dci para cobrir os customs industrials diretos, mas se o leitor tivesse que remunerar todos os fato- res de composi9go do prego da publicagao, ela se tomaria proibitiva. E a venda de anuncios que possibility baixar o prego de capa. Em m6- dia, 80% da receita da grande imprensa prov6m da publicidade. 0 problema 6 que, uma vez criada essa dependencia, 6 impossivel sobrevi- ver sem ela. Al6m disso, 6 preciso criar uma estrutura para tender a conta publicitAria. Nao 6 raro que essa estrutura se superponha As de- mais na organizagao jomalistica. Preferi que o JP vivesse exclusivamente do seu leitor. 0 pre9o de capa, o mesmo desde maio de 1995, seria suficiente se a tiragem atual, de dois mil exemplares, pudesse chegar a cinco mil. Meta exagerada? Nao: o Bandeira 3, em 1975, tirava os mesmos dois mil exemplares de hoje, que, ajustados ao crescimento demogrAfico do period, result num decr6scimo real de tira- gem significativo. Escrever, entao, para quem? Para que? A res- posta seria mais fAcil e categ6rica se a grande im- prensa, dispondo de today a margem de liberdade possivel, nao estivesse sonegando A opiniao pt- blica informag9es, anAlises e perspectives vitais. Por que faz isso se nao hA um censor nas reda95es e o clima favorece a controversial? Faz isso por- que a decisao de publicar as inforna95es apura- das sobre quest5es polemicas ou explosives es- barra no interesse econ6mico e na alianga politi- ca. Ao avaliar o alcance desse comprometimento, a imprensa, como s6i acontecer corn os Aulicos, toma-se mais realist do que o rei. Num dos trechos maisreveladores da sua con- versa grampeada corn o president Femando Henrique Cardoso, o entio ministry das comu- nica96es, Mendonga de Barros, observa que o clima era propicio As privatiza95es: "A impren- sa estA muito favorAvel, corn editorials", obser- va do outro lado da linha. O president, que sem- pre diz certo quando diz o que nao devia, acres- centa: "Esta demais, n6? EstAo exagerando ate". Pois 6: ate o rei reclama dos seus puxa-saco. 0 atestado da mediocridade da grande impren- sa brasileira foipassado por quem mais se be- neficia desse encolhimento, desse esconder de garras que faz do necessdrio leao um melan- c6lico gato. Olho para a trajet6ria deste jomal e encontro, em varios mementos importantes da vida do Es- tado nessa estagao das penitencias, umn branco acusador em suas pAginas, um sil6ncio devasta- dor em suas emissoras. O que se fez aqui, durante estes 12 anos, re- presenta apenas uma diminuta parcela do que a imprensa deveria e poderia fazer, usando os re- cursos humans e tecnol6gicas ao seu alcance. Mas semrn este minAsculo jomal a omissao seria ainda mais gravemente criminosa, os poderosos seriam mais poderosos e nem um leve rumor de consciancias e indigna9ges se faria registrar. Saber disso nos angustia. Mas saber disso nos faz levantar a cabega a cadamanha- erecome9ar. Nao importa ate quando. 0 que importa: sempre corn dignidade e coragem em busca da verdade. 0 Direito divino Se conseguir se aposentar, como pretend, Monica Regina Machado Mescouto, atual secre- taria-geral do Ministerio Pibli- co junto ao Tribunal de Contas do Estado, se transformarA num caso exemplar: ela receberd qua- se oito mil reais mensais por uma aposentadoria proporcional, sem sofrer qualquer tipo de invalidez, aos 39 anos, depois de ter traba- lhado por 23 anos em apenas dois lugares, um na esfera pdbli- ca e outro na privada. 0 process da aposentadoria tramita ha quase um ano no TCE, provocando intense debate em fungao do seu conteudo, mais nos bastidores do que propria- mente nos autos. Nao 6 de estra- nhar. Para somar os 23 anos de servigo que usa para se aposen- tar proporcionalmente, Monica alega que comegou a trabalhar aos 16 anos, em margo de 1975, num escrit6rio particular de ad- vocacia. Ali teria permanecido por sete anos e seis meses como auxiliar de escrit6rio, sem car- teira assinada. Duas testemunhas atestaram o vinculo empregaticio e essajus- tificagao judicial foi aceita sem ressalvas pelos 6rgos tecnicos do TCE. Mas, at6 o pedido de vista do conselheiro Fernando Coutinho Jorge, Monica nao ha- via apresentado qualquer tipo de document comprobat6rio (como carteira professional, con- trato de trabalho ou recibo de salArio). Comenta-se que alguns papeis foram juntados recente- mente aos autos, mas s6 quando eles retomarem, ap6s a solicita- gao de vista da conselheira Eva Andersen Pinheiro, 6 que se sa- berA da natureza desses docu- mentos. Entre eles, de qualquer maneira, nao haverA nenhum atestado do INSS, jA que Moni- ca nao contribuiu para a previ- dencia enquanto foi empregada de empresa privada. Em fevereiro de 1982, quan- do tinha 23 anos de idade, Mo- nica foi nomeada para exercer o cargo em comissao de secretA- ria do MP junto ao Tribunal de Contas. Quem a nomeou foi o pr6prio pai, Jose Octavio Dias Mescouto, ao long dos iltimos 33 anos procurador-chefe do 6r- gao, em carAter de perpetuidade ate uma alteragao que o obrigou a eleger-se para o cargo, said de emergencia sacramentada pelo governador Almir Gabriel, para mais um mandate ou, quem sabe, dois (ver, a prop6- Tres dos oito membros da familiar Canuto o pai, Joao, e dois dos filhos, Paulo e Jose - foram assassinados sucessi- vamente em Rio Maria, no sul do ParA, entire 1985 e 1990, por questoes political e fundi- arias. Mas a familiar nao se ren- deu. Orlando, umn outro filho, escapou milagrosamente do atentado que matou seus ir- maos. 0 cunhado, Carlos, tam- bemjA foi alvejado. Todos fo- ram ameagados. Ningudm es- moreceu: a familiar continue no mesmo lugar, defendendo as mesmas iddias. Nao partilho de muitas que eles sustentam, fidis ao dog- matismo do partido que repre- sentam, o PC do B, corn tanta devocqo que parecem umrn ex6rcito de militants e nio uns poucos gatos pingados. Mas os respeito e admiro. Sectarismo ou rigidez nao se combat com repressao e vi- olencia. Em democracia, as sito, Jornal Pessoal 176 e 182). Aldm de colocar a filha na secretaria-geral, Mescouto de- signou, sempre sem concurso e por ato de impdrio, mais dois fi- Ihos para cargos de confianca. Os rendimentos da familiar soma- riam quase 40 mil reais por mes. E deverao se estender do servi- go ativo (mas sem fanatismo) A inatividade dourada. Assim, sem ter tido relagao regular formalizada enquanto foi empregada de empresa privada, Monica Mescouto receberA uma regia aposentadoria, se seu pe- dido for aprovado (corn parecer favorAvel do seu 6rgao, o MP, assinado pelo substitute interino do pai, Pedro Rosario Crispino, tambem seu procurador legal no processo, sem jamais ter pres- tado concurso para a admissio iddias sao testadas com outras iddias e determinadas praticas com outras praticas. Os Ca- nuto term pago corn o sangue a fidelidade e a coer8ncia aos seus principios, umr prego ab- surdamente alto e estupido. Espera-se que a conces- sao a Luiza Canuto Pereira, pelo governor frances, de um dos premios comemorativos dos 50 anos da Declaragao Universal dos Direitos do Homem, funcione como uma especie de habeas cor- pus preventive em favor dos Canuto. E, ao mesmo tem- po, um impulso para que a justiga conclua, finalmente, a apuragao dos fatos e o in- diciamento dos responsAveis pelos crimes. Talvez assim o violent sul do Para con- siga descobrir que o cin- qilentenArio document da dignidade do cidadao existe para valer e aplica-se a to- dos os povos da terra. ao servigo p6blico e trabalhan- do em cargo bem remunerado, durante 16 anos, sob a chefia do pai, ao lado de irmAos. E uma boa li9ao moral para estes tempos de moralizacgo do servigo pdblico? Se for, 6 melhor passar a tratar Monica como Maria Antonieta. Parametro Luciano Szafir, o esperma de aluguel da Xuxa, disse, em en- trevista dada durante sua mete- 6rica passage por Beldm, que quando sai do Rio de Janeiro fica cobrando "o tempo todo" noti- cias de sua filha Sasha. "Hoje ja liguei mais de duas vezes para la", enumerou ele, num esforgo supremo. Mais de dois, para Lu- ciano, 6 o infinite. Jornal Pessoal Editor: L0cio FlIvio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871/66 053-040 Fones: 223-1929, 241-7626 e 241-7924 (fax). Contato: Tv.Benjamin Constant 845/201WV--y , Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazQn.c-& fiT . Edigio de Arte: Luiz Pinto/241-185 'i) 0 0- 0 direito a vida em Rio Maria Falha dele Nosso computador continue impossivel. Datou a edigao an- terior como sendo da primeira quinzena de novembro; era da segunda, evidentemente. E re- tornou ao antigo e-mail, j a mu- dado. Se a distinta e sinistra maquina nao aprontar mais uma, os equivocos nao se re- petirdo. Caso contrario, mais uma vez, perdao, leitores. Recado Meu caro professor Jos6 Carneiro: infelizmente, nao me permit publicar sua car- ta sobre o Jornal Pessoal. Se o fizesse, iam me acusar de cabotino ou dizer que acer- tamos o contedido. Eu nao conseguiria fazer elogio me- Ihor deste nosso jornalzinho. Guardarei a sua carta corn grande carinho. Sempre que precisar de um pouco de oxi- genio, irei rel8-la, fazendo forga para me tornar merece- dor dos generosos elogios que ali voce faz, elogios mo- tivados mais por seu enorme coragdo de amigo do que exa- tamente por seu exigente ce- rebro de companheiro. No palanque A prefeitura de Belem inseriu quatro anuncios, cada um de quase meia pAgina (normalmente, custariam uns 70 mil reais no conjunto), A edigao de aniversArio de 0 Liberal de 15 de novembro. No domingo seguinte repetiu a dose no jomal dos Maiorana, estendendo-a ao Didrio do Pard. A Provincia do Pard foi excluida da midia. Duas questSes para os companheiros. Uma: por que s6 A Provincia ficou de fora? Seria punigao por critical a PMB, com ou sem razao? A outra: por que o PT faz tanta propaganda? Nao seria melhor destinar mais recursos para realizar obras, ao inves de propagandea-las? Ha agora mais rigor na aplicaqAo dos recursos municipals do que na administraggo anterior, de Helio Gueiros. Em quase todos os stores, menos na relagao corn a inmprepa>.0 compteiro Edmilnon tId igues ainda nap\desceu do pEia que'1 86, Eja subiu rino0d ano 200. -';'" '*-, ,""-;"'v^" |
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