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Governador Journal Pessoal respos .......... (PAG. 3 L C I 0 F L A V I P I N T Tem politico anovo no mercado CARAJA Co -5 Pirotecnia ocobre Um capitulo importantepara ofuturo d omia paraense estd sendo escrito em Carajds, corn a definigdo sobre d o das jazidas de cobre. A opinido pablica, entretanto, vem sendo mantida ao largo do que efetivamente acontece. Ou porque as informap&es sao sonegadas, ou porque sdo manipuladas. Como chegar a verdade? Este e um desafio que todos devem procurar responder. a o dia 31 de outubro o jor x nal 0 Liberal anunciou na sua primeira pagina: "Usi na do Salobo ficara em Maraba". O texto da cha .'- mada confirmava: "A usi na metalirgica do Projeto Salobo, que deverA beneficiary 200 mil tone- ladas de cobre por ano, serd mesmo instala- da no municipio de MarabA. t o que informa relat6rio de atualizagao do projeto, protoco- lado no Departamento Nacional de Produ- ao Mineral (DNPM), em Bel6m. A empre- sa Salobo Metais S/A pede prorrogag9o do direito de andlise de lavra por tres anos". Seria a noticia do ano, se fosse verdadei- ra. Mas, infelizmente, nao 6. Contra todos os fatos e evidencias, O Liberal quis provocar efeito positive junto a opiniao pdblica, em beneficio do seu grande aliado politico-co- mercial, o goverador Almir Gabriel, dando como certa uma decisao que ainda nao foi tomada. O relat6rio de atualizagao foi apre- sentado ao DNPM apenas para impedir que os direitos de lavra da empresa sobre ajazi- da do Salobo caducassem. Sem essa atuali- zaCao, o departamento teria que declarar a acabar escolhendo Parauapebas ou Rosdrio do Oeste, ou, inversamente, indicar qualquer des- sas duas cidades e ficar mesmo corn Marabd. Depois de haver anunciado sua decisao em favor de Maraba, chegando a assinar, solene- mente, um protocolo de inteng9es corn o go- vemo para construir a fibrica no distrito in- dustrial daquela cidade, quando o control da mais importantes atados na economic para- ense. Em primeiro lugar, 6 precise saber se apenas uma das trs jazidas identificadas em Carajds (Salobo, Sossego/Liberdade e Cor- po Alemao) serA explorada ou se todas elas poderao ser desenvolvidas, simultaneamen- te ou em progressao (ver, a prop6sito, Jor- nal Pessoal nO 180 e 181). Hd bastante con- caducidade e colocar novamente em dispute Companhia Vale do Rio Doce era estatal, a trov6rsia a respeito. o dep6sito mineral. A renovagao atendeu um Salobo voltou atris, suspendendo ou cance- Segundo algumas fontes, a CVRD priva- formalismo legal. lando todas as decisoes anteriores. tizada dd prioridade a Sossego/Liberdade, o No document, a Salobo Metais nao adu- E claro que, diante do litigio aberto cor o dep6sito mais recentemente conhecido, por ziu nenhuma informagao nova capaz de as- governor do Para, declaradamente pr6-Mara- causa das qualidades do min6rio af identifi- segurar que ela realmente vai optar por Ma- bA, a empresa prefer manter quando nada, cado. Elas sto consideradas superiores as do rabd como local da instalaago da usina meta- por tatica a altemativa de preferencia jA Salobo, que 6 a mais antiga das jazidas, mas lIrgica, deixando de lado as duas outras al- manifestada por Almir Gabriel. Maraba, en- cuja viabilidade vem sendo contestada. ternativas, que sao Parauapebas, no Para, e tretanto, 6 apenas uma hip6tese de trabalho. No entanto, a Vale nao pretend abrir mao Rosario do Oeste, no Maranhao. Nein mes- O tema foi colocado completamente em aber- de nenhuma das tres dreas sob o seu contro- mo antecipou se vai implantar o projeto cori- to desde que a CVRD, a principal controlado- le, mesmo que uma delas seja flagrantemen- pleto, da mineraqao A metalurgia. ra das jazidas de CarajAs, foi privatizada. S6 te a de maior atrativo. Em fungao disso, nao Conforme alertou o pr6prio chefe do O Liberal, dando aos fatos uma interpretagao estaria descartada de todo a possibilidade de DNPM no ParA, Sebastiao Pereira, o contei- fantasiosa, acha que a questso estA resolvida. que tente dar uso econ6mico atodas elas, caso do do relat6rio ter valor apenas information. Na verdade, ela se torou muito comple- encontre s6cios dispostos. A perspective mais t declaragao de intengao. Nao demonstra vi- xa. Exige um sdrio e conseqtiente esforgo de forte, contudo, seria de que Sossego/Liber- abilidade. A Salobo pode apontar MarabA e anAlise e entendimento, por ser um dos n6s dade saisse na frente do Salobo. '39.3 IRA *REN A B A: A AN 3A93 & *0. 7 2 JOURNAL PESSOAL 1- QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 ) Essaprefer8ncia decorreria do fato de que a exploragao dajazida de Sossego/Liberda- de exige menos investimento (exatamente metade: 800 milh6es de d6lares contra US$ 1,6 bilhao na hip6tese mais otimista de custo para Salobo), produzindo 50% mais cobre (300 mil toneladas de metal contra 200 mil em Salobo) e quase tanto a mais de ouro (15 toneladas contra 8 toneladas), empregando um pouco menos de gente e podendo entrar mais cedo em operago (2001 contra 2002). Se 6 tAo flagrante assim a vantage fisi- ca, econ6mica e financeira de Sossego/Liber- dade, favorecendo uma opqao mais facil por MarabA como a sede da industrializaRlo do cobre, por que essa decisao nao 6 logo anun- ciada? Provavelmente porque hM um intrin- cado jogo de presses e contrapress6es sen- do travado nos bastidores. Pouca coisa flui desses ambientes superprotegidos e nada flui espontaneamente. Haveria mais informa- o9es se o governor comjurisdigao sobre o ter- rit6rio das minas fosse mais competent, aca- tado e respeitado pelos contendores o que nao 6 exatamente o caso da administra9ao Almir Gabriel. Parece fora de d6vida que a CVRD e a Anglo American estao mal-acomodadas na sociedade que formaram para explorer a ja- zida do Salobo. A Vale tern procurado atrair uma empresa mais especializada em cobre do que sua parceira sul-africana, cuja maior competencia 6 na Area de ouro (d a maior do mundo nesse setor). A mitua desconfianga, que tern bloqueado o entendimento entire os s6cios, parece estar sendo superada legalmen- te atravds de nova forma de parceria, ainda nao revelada ao distinto pfblico (mas conte- ria clAusulas propicias ao desfazimento do neg6cio, com compensa9ges monetArias). Vale e Anglo definiram nfimeros comuns em tomo do empreendimento e admitiram que se uma parte prejudicar o desenvolvimen- to do projeto podera ser eliminada. Mas esse acordo poderia se restringir ao Salobo, sem se estender as duas outras minas? Como se- ria a acomoda9go de tantos competidores num territ6rio restrito, caso a Vale conseguis- se atrair outras empresas para CarajAs, o que parece ser seu intent (mas nao o da Anglo), a fim de poupar seu pr6prio capital e aumen- tar a rentabilidade do neg6cio? Esses problems especificos precisam de uma contextualizagao, que contribua para es- clarece-los. O prego do cobre esta muito bai- xo, ha estoques excedentes acumulados, no- vos investimentos foram sustados e algumas fabricas opera abaixo da capacidade nomi- nal de produ9ao. Dizem algumas fontes que essa estagnaao tern uma explicagao: espera- se para qualquer moment o surgimento de uma tecnologia revolucionAria para o refino do cobre, que deixard obsoletos os atuais smel- ters. Seri mais barato e mais simples do que hoje chegar ao metal de cobre, o segundo mais eletrointensivo dos produtos industrials (o pri- meiro 6 o aluminio, que o ParAjA produz). Cor essa perspective, nenhum grupo se arrisca a investor em fabrica nova at6 que se defina a nova tecnologia, que estd sendo tes- tada em plants experimentais. Exatamente por isso, entretanto, quem nao investor bem nesse segment do mercado em reestrutura- go, o mais cedo que for possivel, serA mar- ginalizado ou ficara reduzido a sat6lite dos empreendimentos integrados. Nesse context, a defini9lo do uso das ja- zidas de cobre de Carajas torna-se ainda mais relevant. Talvez, como acreditam os mais pessimistas, acabe-se concluindo que Salobo perdeu sua capacidade de competiao por cau- sa das caracteristicas desfavoraveis do min6- rio (muito duro, demandando mais gastos na concentracao, tAo custosa quanto a pr6pria metalurgia). Esse fator desfavordvel pode in- fluir no arranj o econ6mico e societArio para a exploragao das outras areas. Mas at6 que isso acontega, o govemo e a opiniao pdblica precisam ser informados mais satisfatoriamente sobre a conduqAo dos en- tendimentos, coisa que nem a atual adminis- tracao do Estado e seu principal porta-voz, o grupo Liberal, estao permitindo. O cobre de Carajas d um assunto complex e grave de- mais para ser tratado com a pirotecnia a que ambos se acostumaram. * A mais recent versao de Jarbas Passarinho Em todas as eleicoes de que participou em sua longa vida p4blica, o ex-senador Jarbas Passarinho s6 teve pela frente "um contender polido e civilizado: o senador Moura Palha". Na carta que enviou a este jomal (ver Jornal Pessoal n* 198), por exclusao, Passarinho si- tuou o govemador Almir Gabriel entire os maus adversfrios que precisou enfrentar nas quatro eleigoes diretas que disputou. Por dedugao, conclui-se tamb6m que o ex- ministro nao aceita a versao, apresentada pelo pr6prio Almir, de que o future goverador ndo sabia das agress~es cometidas por seus prin- cipais assessores de campanha contra Passa- rinho na eleigao de 1994 (versao jA requenta- da para ser usada agora em relacio a Jader Barbalho). Aldm da instituiqao de uma Ordem da Baladeira, responsivel por ataques politi- cos ao passado de Passarinho como integran- te dos governos militares, umafita cassette corn a "mel6 do Xex6u" e panfletos grosseiros, por- nogrAficos mesmo, sobre a vida pessoal do ex- ministro foram distribuidos durante a campa- nha por homes de confianga de Almir (pre- miados, depois, corn cargos e sinecuras). Findo o ardor da dispute, os dois politicos se reaproximaram. O governador indicou o sobrinho preferido do ex-adversirio (jA en- tao aliado), Ronaldo Passarinho, para o Tri- bunal de Contas dos Municipios. Jarbas per- mitiu-se endossar de ptblico, cor sentido utilitArio, a desculpa esfarrapada de Almir Gabriel, de que seus marqueteiros e "luas- pretas" agiram A sua revelia, contrariando seu prop6sito de travar o bom combat. Na carta ao JP, entretanto, o ex-senador limitou-se a citar o advogado Pedro de Moura Palha, jA falecido (e por ele massacrado eleitoralmen- te na dispute senatorial de 1966), como o inico contenderr polido e civilizado" que teve pela frente. Ato falho? Talvez. Mas tSo esclarecedor quanto outra omissao de Passarinho. Ele arrolou 13 nomes de pessoas que assumiram cargos pfiblicos no Para por sua indicaoo, deixando de fora Elias Sefer, colocado em dois dos mais importantes 6rgaos do govemo federal na Amazonia (o In- cra e a Sudam, aldm da FCAP). Sefer nAo pode fazer companhia aos homes sem "comprome- timento moral", aqueles que Passarinho consi- dera protegidos da acusagao de bajuladores ou desonestos? EstA certo que varios dos nomes arrolados (mas nao todos) pairam acima de qualquer sus- peita de corrupao, mas podem ser apontados como exemplos de independ8ncia, lisura e com- petencia? Quantos, ao final de uma apuragao isenta e rigorosa, sobreviverao com todas es- sas virtudes, ou pelo menos uma delas? Serd positive ou negative o balango das contas de Passarinho como preenchedor de cargos na ad- ministragao piblica? No auxilio dessaavaliaao, o ex-ministro costume ser enfitico tanto pelo que diz quanto pelo que insinua ou omite. Essa caracteristica, se complica a tarefa dos historiadores, fascina os que cultivam os efeitos de estilo. Principal- mente a ironia e o sarcasmo. Como se ve, cada vez que se manifest sobre suabiografia, Passarinhoprovocamaisperguntas do que respostas, suscitando novas quest6es. Em parte, essa caracteristica result da pr6pria natu- rezapolmicada atuaco do ex-ministro. Mas em parte 6 tamb6m derivada do fato de que, a cada revisao de sua hist6ria, ele acrescenta um ponto, como se fosse um daqueles contadores de hist6- ria (causeurs?) trabalhando sobre racontos. E o que se observe, por exemplo, ao v8-lo ir buscar no passado as razes insuspeitadamente vigorosasparao grandep6blico-deuma amizade com o rec6m-eleito senador Luiz Otavio Campos. "Honra-me ter a amizade passada de pai a filho", nos informa o ex-senador sobre as origens de sua relaggo cor o pai do novo representante do ParA na Camara Alta, plantadas na jd legendria Vila Amaz6nia. Passarinho estaria agora colhendo "a altarecompensa" de ver eleito o "filho de um ami- gojAfalecido, que ao long de suavidame dispen- sou sua amizade consolidada na inflncia". Sempre surpreendente, portanto, o nosso ad- mirAvel Jarbas Gonoalves Passarinho. Deus o conserve por long tempo, ajudando-o arecons- tituir em vida uma hist6ria que parece distant de ter sido encerrada, mesmo que com a chave de ouro por ele arquitetada: "O meu poente po- litico, eu o determinei, garante o ex-govera- dor, seguro de poder retificar minha reconstitui- cao dos acontecimentos. Como diriam os lusita- nos antepassados comuns: pois sim, ora pois.@ JOURNAL PESSOAL 1I QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 3 Debate electoral: feitico e feiticeiro Um dos mist6rios que restou da cam- panha eleitoral de outubro foi a primei- ra pergunta feita pelo governador Al- mir Gabriel ao senador Jader Barbalho no segundo debate travado pelos dois candidates, na TV Liberal. Almir pediu a opiniao do opositor sobre vArios no- mes que foi citando, indo do procura- dor-geral da Repiblica, Geraldo Brin- deiro, ao ex-ministro da Justiga, Nelson Jobim, agora ministry do Supremo Tri- bunal Federal. Jader nao fez reparo al- gum a esses nomes, titubeando nos elo- gios (o escrit6rio de advocacia de Jo- bim, alias, recebeu 50 mil reais do Es- tado, no segundo governor de Jader, para dar um parecer sobre as terras indige- nas estabelecidas pela UniAo em terri- t6rio paraense). Nenhum telespectador entendeu a ra- zao daquela inusitada pergunta, que fi- cou isolada, sem desdobramento, e nao era auto-explicativa. Orly Bezerra, che- fe do marketing do governador, em en- trevista a 0 Liberal depois da reeleigao, disse que apenas uma pessoa tinha que entender as palavras de Almir: era o pr6- prio Jader Barbalho. Se a entendeu no intimo, ao respon- der a provocagao do governador o sena- dor peemedebista foi um excelente ator: transmitiu ao pdblico a impresslo de que nao conseguira captar o significado da- quela colocagao. E depois, em entrevis- ta, reafirmou que a sua impressao foi mesmo de espanto, incredulidade e per- plexidade. Talvez nem tanto. Numa pasta, Jader tinha certid6es negatives de todas as ins- tnncias dajustiga federal, do STF ao STJ, provando nao ter sido condenado por qualquer crime. Teria at6 mesmo certi- dies atestando o arquivamento de ages propostas contra ele por crimes que foi acusado de cometer na sua passage pelo governor do Para e pelos minist6ri- os da Reforma Agrdria e da Previd6ncia Social, na administragAo Jos6 Sarney. Jader estava preparado para repelir incursies que o governador fizesse por essas searas. Seria o contra-ataque A in- vestida que mais desarticula Almir Ga- briel: ser chamado de assassino e respon- sabilizado diretamente pelo assassinate dos 19 sem-terra que morreram no con- flito corn a Policia Militar, em Eldorado de CarajAs. No auge da discussao no pri- meiro debate, Jader dissera, em resposta a insinuagaes de corrupgao, que nao bai- xaria o tom da discussao chamando Al- mir Gabriel de assassino. Disse, assim, o que disse que n&o ia dizer. .Prevenindo a descida em alguns pata- mares do nfvel do debate at6 o subsolo, tratou de mandar recado de corpo pre- sente para a assessoria do govemador, instalada no audit6rio da RBA. Lembrou que o alter-ego do goverador, Simao Jatene, comandante da campanha da re- eleiglo, fora seu assessor no Mirad, res- ponsavel pelo cadastramento e avaliagio de terras desapropriadas, desapropria- 9ces estas questionadas judicialmente. Jatene ainda o acompanhara nos primei- ros tempos como ministry da previdan- cia social, s6 entao deixando a compa- nhia a que chegara bem antes, como se- cretario de planejamento no primeiro governor de Jader Barbalho. Se a intengao do governador corn sua rocambolesca pergunta era mesmo ata- car o opositor num flanco desprotegi- do, por que nao completou a manobra? Depois de ter conseguido a aprovaglo de Jader para os nomes que citou, a ini- ciativa seguinte seria mostrar que todos esses homes impolutos teriamjulgado o senador culpado de crimes argUidos em diversas a98es protocoladas em Bra- silia. Era o xeque-mate planejado. Por que ele nao veio? Segundo a 16gica do marqueteiro, o prop6sito nio era deixar mal o adverst- rio perante a opiniio piblica, mas amea- 9A-lo, na presunglo de que a melhor de- fesa 6 o ataque (desde que o confront fique protegido do entendimento pibli- co por linguagem cifrada). Se por acaso Jader voltasse a acusar o governador de assassino, receberia no meio do peito o arrolamento dos processes em que foi indiciado como r6u por ma gestlo de re- cursos pIblicos. Como a refer6ncia a Eldorado de Ca- rajAs nAo foi bisada, o governador guar- dou o trunfo. Privando, por6m, a opinilo pfblica de ser informada sobre relevan- tes quest6es que Ihe dizem respeito. E deixando de levar em consideragao que tamb6m foi atacado por nao ser honest no govero e nem leal nas rela96es polf- ticas ("detalhes" irrelevantes, ao que pa- rece). Ha uma explicagAo variante para a official. Os homes pfblicos citados e referendados por Jader seriam os mes- mos que excluiram o governador da res- ponsabilidade pelos assassinatos em El- dorado de Caraj s. Logo, a imputag9o do crime a Almir Gabriel era leviandade. Esta 6 uma alternative menos plausivel. Ainda que procedente, nao altera em nada a substincia do raciocinio: a per- gunta nao seria usada para o esclareci- mento pfiblico, mas como um instrumen- to de retaliagio, de ameaga e, como aca- bou vindo a ser, de chantagem. Calando por perplexidade ou malicia, o senador Jader Barbalho deixou o go- vemador numa situagao bizarre e o te- lespectador no ar. Se o tema nAo tivesse a gravidade que tem, seria uma repeti- 9ao assemelhado daquele famoso epis6- dio de Garrincha na v6spera dojogo corn a temida UniAo Sovi6tica, na Copa do Mundo de 1958. O treinador Vicente Feola chamou o endiabrado ponta-direita da selegao bra- sileira e orientou-o a driblar seu marca- dor e o zagueiro de cobertura pela late- ral do campo. Naturalmente, quando o lateral-esquerdo fosse driblado, o zaguei- ro-central iria se deslocar de sua posiglo para bloquear a progressio de Garrincha. Ele se aproveitaria desse fato para lan- gar a bola para a Area, no ponto em que o centro-avante VavA se posicionaria, no vAcuo criado pela ausencia do zagueirao. Garrincha ouviu, cogou a cabega, ma- tutou e perguntou para o treinador: "Seu" Feola, os russos jA foram avisados? Pois 6: como nao avisaram o oponente para cair na armadilha preparada pelo goverador, Almir Gabriel, tendo direito A replica, nao complementou a pergunta que estava engatilhada para desmascarar Jader Barbalho. Desta vez, seu silencio nao preencheu uma lacuna. Abriu-a. * 4 JOURNAL PESSOAL * 1 QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 Governo e imprensa: a relacao promiscua Um anfncio em cores, ocupando tr6s quar- tos de pagina, assinalou, em O Liberal e A Provincia do Pard, a vit6ria do govemador Almir Gabriel na eleigao deste ano. O anin- cio nao trouxe o nome da agencia que o ela- borou, como 6 praxe (quem sabe, para difi- cultar um pouco mais a identificagao do res- ponsavel pelo pagamento da conta da publi- cidade). O Didrio do Pard foi excluido da primeira midia official (extra-oficial ou para- oficial) depois do segundo turn. Sinai de que, contrariando as afirmativas eleitoreiras do govemador, haverd a partir de agora dis- criminagao na veiculaqao da propaganda do Estado? No debate pela television, Almir Gabriel assegurou que distribui eqititativamente a verba publicitiria estadual, incluindo os vef- culos de comunicagao do seu adversArio, o senador Jader Barbalho. De fato, como fez antes H6lio Gueiros atd a und6cima hora, o journal, a emissora de televisAo e as rAdios do president do PMDB receberam publicida- de do govemo. Mas nao de uma formajusta, reclamam seus dirigentes. Eles admitem que nem o Didrio do Pard e nem a TV RBA merecem receber verba equivalent A destinada a 0 Liberal e TV Liberal, lideres disparados nesses segments. Sustentam, contudo, que nao ha uma exata proporcionalidade entire os recursos aplica- dos e as tiragens e indices de audiencia de cada um dos veiculos, desequilibrio em fa- vor da familia Maiorana. Suas queixas se tornam mais enfAticas em rela lo ao tratamento dispensado As radios, setor dominado pelas emissoras do grupo Barbalho. Mesmo nesse segment, pordm, o grupo Liberal fica com a preferencia. Ou seja: o critdrio nao 6 tccnico, como proclama o govemador. t, sobretudo, politico. Essa nao 6 uma political criada pela admi- nistrag o Almir Gabriel: vem de muito tem- po, praticamente sem excegao entire os go- vernadores que se sucedem hA tantos anos. O ordenador da conta de piblicidade usa-a para tirar proveito politico, preferencialmente para comprar a conivencia ou a ate a opiniao do veiculo. Dos tres maiores grupos de co- municagao do Para, o do senador Jader Bar- balho 6 o mais explibitamente politico. De- veria, por isso, preparar-se para estar em con- di98es de enfrentar condigSes adversas sem- pre que seu proprietArio estivesse fora do poder (e, mais do que isso, hostilizado pelo inquilino do poder). Um porta-voz da diregao do grupo garan- te que agora as empresas estao mais inde- pendentes da verba official do que em qual- quer outro moment anterior. "Sentimos a falta desses recursos, mas podemos viver sem eles", diz a fonte. No entanto, todos os esfor- gos da corporagao para encontrar o caminho adequado, que seria a efetiva profissionali- zagao, tem sido frustrados pelas temporadas eleitorais. No auge das disputes political, o senador- proprietArio costuma exigir que seus veicu- los voltem a ser instruments de panfletagem, deixando de lado os critdrios jornalisticos para apimentar os ataques aos adversArios. Esse onus nao 6 nem compensado por inves- timentos, ja que Jader Barbalho parece saber fazer apenas o movimento de recolher ren- das e nao o de aplicar capital. Para dar vida pr6pria, identidade e credi- bilidade ao seu complex de comunicag o, ele deveria afastar-se legalmente do grupo e fazer-se substituir por uma fundagao, colo- cando em seu conselho curador pessoas que Ihe sao fiis e, ao mesmo tempo (numa con- ciliag o dificil), disp6em de uma image socialmente reconhecida, como Gileno Cha- ves, Jolo Roberto Cavaleiro de Macedo e Angela Salles. Como essa salutar iniciativa nunca 6 ado- tada, o critdrio politico de condescendencia do rei 6 retribuldo corn o critdrio politico de recebimento da verba de publicidade. t o que explica o Didrio do Pard ter evitado critics a administraago Almir Gabriel at6 o momen- to em que, baldados os esforgos para um acor- do, o governador e o senador se apresenta- ram na arena como adversarios. AijA era tar- de para o Didrio e todo o grupo tentarem desfazer a image de eficiencia e correqao que eles, com seu silencio remunerado, ha- viam contribuido para criar junto A opinilo ptblica (exatamente como aconteceu em re- la lo a Hl6io Gueiros). Grande imprensa realmente independent e govemo efetivamente honest na distribuigao da verba publicitAria official ainda vAo continu- ar a ser matdria para utopias no Para. Utopias cor o gosto de ilusAo e amargura. * Os humores do rei (o azar dos rep6rteres) O governador Almir Gabriel nao 18 jornais. Isso todo mundo ja sabia. Tam- b6m nao v8 televisao. Isso soube-se re- centemente (ver Jornal Pessoal n 197). E nao gosta nem um pouco de jornalis- tas. Admite apenas aqueles que Ihe fa- zem as perguntas aprovadas e se satisfa- zem corn as respostas convenientes, se- guindo, quando possivel, um script adre- demente acertado entire a assessoria e a redaglo. Desde que assumiu, o governador j i deu safanoes verbais emjornalistas que ainda resisted ao compromisso de ser verdadeiros rep6rteres. Se conseguem lembrar-se, osjornalistas sabem que per- guntar nao ofende (desde que a pergun- ta, por mais inc6moda e agressiva que precise ser, seja formulada corn educa- 9ao e civilidade, tirando do entrevistado a legitimidade para reagir corn maus modos). Mas vai se tornando cada vez mais dificil confrontar o govemador corn a realidade, retocada de r6seo para con- sumo pessoal dele por seus assessores. Na primeira coletiva ap6s o segundo turno da eleigio, no dia 26 de outubro, travou-se o seguiete diAlogo entire uma reporter da Gazeta Mercantil e sua ex- celencia: Rep6rter O senador Jader Barbalho coloca em d6vida sua honestidade, "da qual tanto o senhor se gaba". O sr. vai colocar A disposigSo da imprensa quem foram os doadores de campanha, porque ele o acusa de gastar o dinheiro da Celpa corn os respectivos doadores? Governador Em primeiro lugar, o senador Jader nao tem moral para discu- tir honestidade ponto. Ponto. Nao quero aprofundar para nao criar um problema para voc8. Reporter Pra mim? O prenunciado confront 6 evitado por um outro reporter, que interfere no dii- logo, refazendo a pergunta de outra ma- neira e em outros terms. No dia seguin- te, 0 Liberal, dizendo reproduzir a inte- gra da entrevista, suprimiu exatamente esse trecho. Ficou a dtivida: o que pretendia o go- JOURNAL PESSOAL 1* QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 5 i1 vernador quando disse que nao iria apro- fundar o exame da moral do seu adver- sArio para "nao criar um problema" para ajornalista que suscitou a questAo? Duas pessoas consultadas, uma ainda traba- lhando cor Almir Gabriel e outra queji deixou sua assessoria, ensaiaram a mes- ma explicagao: o governador nao fez nenhuma ameaga especifica, apenas ten- tou se desvencilhar de uma situagao in- desejavel. JA fez isso outras vezes. Pode ser uma maneira desajeitada de agir, ad- mitiram. Mas nao 6 intimidagio. Jornalistas que trabalham ao mesmo tempo na imprensa e em um 6rgAo ofici- al, entretanto, jA experimentaram na car- ne (e no bolso) os azares de incomodar sua excel8ncia cor perguntas conside- radas impertinentes: perderam seu car- go no governor, ou foram deslocados de onde estavam. Sera que o m6dico Almir Gabriel 6 tAo pouco democrat na reali- dade quanto se proclama no discurso? Os mais caridosos (ou esperan9osos) atribuem o vezo autoritirio do governa- dor mais A corte do.que a impulses natu- rais do personagem. Os menos idealis- tas dizem que uma caracteristica da per- sonalidade se acentuou com o servilis- mo dos aulicos. Por causa da relacao pro- miscua entire imprensa e.governo, sua excel8ncia foi acostumada a s6 entrar em campo para receber bolas levantadas com aqucar (muito) e afeto (nem tanto). O excess de marketing fez corn que o jomalismo independent se tornasse algo patol6gico, doentio, merecedor de interven9ao cirdrgica. Criticar passou a ser identificado cor destruir. A critical 6 respondida com o inimo alterado e ate mesmo a intelig8ncia obnubilada. Dai a linguagem da resposta, cifrada, servir mais de ruido do que de argumentagao, trocando o diAlogo civilizado pelo con- fronto neolitico. O barulho traduziria ain- da uma mensagem meteorol6gica; de que podem estar vindo do c6u os raios de Jupiter (ou seria Zeus?). Nao 6, decididamente, uma situagao confortavel para os pobres e morais jor- nalistas plantados c embaixo. JA esta mais do que na hora, porem, de alguns deixa- rem de dobrar tanto a espinha. De hAbito an6malo, pode virar prAtica rotineira, sem que os vassalos percebam o que acarreta curvar tanto assim o corpo, como adverte um precise ditado popular. 0 Nilson: um comeGo em ninho de tucano Nao 6 todo dia que um ex-reitor entra na political no Pard. NEo 6 comum nem mesmo em terms nacionais. Por isso, de- veria ser recebido como um saudAvel si- nal dos tempos o ingresso de Nilson Pinto de Oliveira na atividade politico-partidi- ria. Titular de um doutorado em geoflsica na Alemanha, ele foi reitor da Universi- dade Federal do Pard e secretario de cien- cia, tecnologia e meio ambiente do Esta- do antes de tentar pular o balcao, em cima do qual muito ne6fito costuma se esbor- rachar, apesar do suporte em bom prepa- ro academico ou na melhor das intengces. Nilson 6 o segundo professional da Area de geologia que conquista uma de- puta9ao em um Estado caracterizado pela enorme riqueza mineral do seu subsolo. Ele pode vir a frustrar seus eleitores, o que nao seria exatamente uma novidade. Mas ter vencido os obsticulos da corrida eleitoral jA 6 um fato auspicioso. Se Nilson nao for bem sucedido no de- sempenho do seu mandate, o in'sucesso nao terA decorrido da falta de qualidades pessoais, mas talvez de seu mau uso on do sufocamento desses atributos em be- neficio de compromissos fisiol6gicos ou clientelistas. que abreviam o caminho para o poder, mas, em compensaa&o, tri- turam os ideals e, com eles, as espe- rancas em mudangas qualitativas na po- litica paraense. O primeiro dos obstaculos Nilson pre- cisou transport ainda dentro do seu parti- do, o PSDB. Alguem tratou de desviar a papelada necessaria ao registro da sua can- didatura, que foi promovido A Altima hora, quase no desespero. Depois, ele teve que bater com energia sobre algumas mesas da burocracia estadual para conseguir manter sua secretaria, mobilizada em seu favor. t precise sublinhar, desde logo, que Nil- son Pinto nao foi um ne6fito qualquer. Ele contou cor a rentavel estrutura da Sectam para multiplicar os efeitos da sua campa- nha eleitoral. Desde que assumiu a secre- taria, combinou o desempenho da afao ad- ministrativa que o cargo impunha cor seu projeto politico. Desde que nao tenha des- viado para isso verba public, nem desna- turado sua funago, nada ha de imoral nes- sa serventia, embora nao seja a imaculada materializagao dos ideas de eugenia polf- tica que muitos apregoam antes de "meter a mao na massa" (travestida geralmente para lama pela invertida alquimia a que a political costuma se reduzir). Em sua primeira dispute eleitoral, Nil- son obteve a invejavel soma de 40.600 vo- tos, deixando para trAs muito veteran - desprovido de uma Sectam, claro. Mas su- perou tamb6m, pela bagatela de 209 vo- tos, seu mais pr6ximo concorrente pela 6l- tima das quatro vagas conquistadas pelo PSDB do Para na Camara Federal. O can- didato ultrapassado, Haroldo Bezerra, nab era ne6fito (ja tinha sido prefeito de Mara- ba e deputado estadual). Mais do que uma Sectam, teve ao seu dispor uma Secretaria de Obras. E se Nilson tinha o beneplAcito direto do governador, Haroldo usufrula das benlaos do guru do rei (tamb6m chamado, cabalisticamente, de "o namero 2"), o li- cenciado secretario de planejamento Simao Jatene (do qual 6 cunhado). O ideal, que talvez estivesse tragado pre- viamente nas estrelas do patuanan, era ele- ger os dois. Mas um imprevisto nas ma- quiavl6icas proje96es dos tucanos, a elei- 9ao do suspeito (mas competent popu- lista) Nicias Ribeiro, freqientemente ci- tado como quinta-coluna jaderista em ninho tucano, deixou um s6 espago para dois corpos ocuparem. Prevalecendo a fisica, um dos corpos sobraria. No comity de campanha foi ten- tada uma solugao alquimica, atrav6s da re- contagem de votos de uras is quais foi atribuida uma fraude inconsistent. Dias de tensgo numa guerra de guerrilha des- gastante deram no que jA se sabia: Nilson teve mesmo mais votos do que Haroldo. At6 esse resultado ser proclamado, en- tretanto, danos foram causados. Nilson Pinto foi o inico dos eleitos a nao com- parecer A churrascada comemorativa da vit6ria, depois de ter manifestado (ou ex- ternalizado, como se prefer dizer na aca- demia) suas mAgoas corn o procedimen- to anti-6tico de correligiontrios. Sua ausencia nao significa necessari- amente rompimento com o governor ou o governador, que nao parece haver in- terferido em favor de nenhum dos con- tendores nesse caso. Mas foi, ao menos, uma mensagem cifrada para bom enten- dedor, se o principal dos destinatarios puder entender, raciocinando por sua pr6pria cabega coroada e nao pela do grAo-vizir (ou, considerando-se os per- sonagens, nao seria mais apropriado fa- lar em sheik?). Nilson Pinto de Oliveira comega as- sim, singularmente, sua carreira political. Como irA prossegui-la? Ele 6 quem vai escrever o pr6ximo capitulo. () JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 Salao de Arte Liberal. A mais recent versdo do Arte Para, encerrada a 31 de outubro, quis home- nagear Eduardo Falesi e S6nia Renda. Da intengao a realizagdo a distancia foi aca- brunhante: o pintor e a dama da socieda- de ficaram numa posigao inc6moda na exposigao. NTo foram louvados, a rigor, como mereciam, mas sutil e inadverti- damente insultados. Apenas quatro trabalhos, s6 dois de- les realmente representatives, nao podi- am dar ao piblico a exata dimensAo do valor de Falesi, um criador de vitrais sem concorrente na terra. A nota biografica, ao lado dos trabalhos, era burocratica. O salIo poderia ser a feliz oportunidade de recuperar o mais brilhante dos Falesi para a sociedade paraense. Esse objetivo s6 poderia ter sido al- cangado, entretanto, se sua inclusao ti- vesse resultado de uma atenta e pacien- te coleta de suas telas, espalhadas prin- cipalmente entire uns poucos coleciona- dores particulares. Sua exposigao, ao contrArio, parece ter sido feita relaxa- damente, As pressas. Mais para preen- cher as paredes de uma galeria pobre de individualidades e compor o portfd- lio de um neg6cio corn patrocinadores do que para cumprir os curadoria de arte. Fotos da encantadora velavam apenas um pri dosc6pica personalidad important. A beleza ni blema para a inteligenci de de S6nia. Ela combii tural (em geral, de efeit mulheres da sua 6poca) 95o de vontade e comp as amigas e companheira Ela foi a alma da Fu Maiorana, enquanto vi grupo empresarial, e do melhor homenagem (m gem, reconhecimento) teria sido mant&-la no p va. Lembra-la p6s-mor album de familiar deve ti visado visitante, a imi diante de uma mulher f m6rito nao tera tido em bonita. Trata-se de cras da que involuntAria. Ma cometida pela casa. Os Maiorana desta g pelo ambiente cultural s6es remotas dos legitir (De arte? Reminiscencia dos anos negros Cantagao, uma antologia reunindo jovens poetas paraenses, seria langada na semana do natal de 1968, 30 anos atras. O livro foi impress e uma mis- sa campal, que seria rezada no final da tarde, no Largo da Trindade, foi enco- mendada pelo promoter do aconteci- mento, o Diret6rio Acad6mico da Fa- culdade de Direito. Agentes da Policia Federal chegaram antes: mesmo sem convite, ficaram com todos os exemplares do livro, recolhidos na grAfica. Nao houve festa, nem poesia. Os poetas, como sempre alertou S6cra- tes atrav6s da pena de Platdo (ou este, usando a mem6ria de S6crates), sao pe- rigosos. Eles sonham. Os ditadores, so- fisticados ou nao, detestam quem sonha. Os federais, que provavelmente nao le- ram nenhum dos dois fil6sofos, deram- Ihes razao com seus atos. O livro foi formado com poesias de Carlos Queiroz (hoje o cronista-m6r da noite popular nas piginas do Didrio do Pard), Fernando Jares Martins (assessor da AlbrAs), Jos6 Arthur Bog6a (profes- sor de literature e critic literario), Jos6 Maria Villar (se aposentou da Secretaria de Agriculture?), Rosenildo Franco (pu- blicitario, rec6m-retornado da Bahia), S6rgio Darwich (continuara advogando em Rond6nia?), Walter Pinheiro (vete- rano t6cnico na delegacia do MEC) e este recalcitrant reporter (poeta e socialist 6 precise ser na juventude, sem que a maturidade imponha o cinismo at6 a ve- Ihice, fazendo os "convertidos" atraves- sar os anos negando o que foram). Quando a PF fez seu arrastao anti-li- terario euja estava morando em Sdo Pau- lo. Soube por carta da apreensao. VArios anos depois, ja de volta a Bel6m, vi um 6nico exemplar do livro, nas maos da Elanir Gomes da Silva, a nossa Lana. Tentei convenc6-la a me presentear corn a raridade. Nao tive sucesso. Ela prome- teu tirar uma c6pia xerox, mas ficou na palavra. O livro perdeu-se nas pratelei- ras, 6 sua justificativa. Comprometi-me a ir ajudd-la a procurar, mas a expedicgo tem sido transferida para um future in- certo e nao sabido. E melhor que seja assim? Talvez. Pelo menos no meu caso, as tres poesias que os organizadores do livro incluiram na anto- logia tem apenas valor sentimental (uma das quais descaradamente nerudiana). Res- ta o console desta nota para registrar o 300 aniversirio do nosso Cantaqdo, o mais in6- dito dos livros de poesia j publicados no ParA, gragas aos critics literarios muito bem armados, alids, para a tarefa- dos tem- pos do obscurantismo. 0 Liberal?) s rigores de uma terra do pai (os Mddicis de Florenga, por exemplo), o que proclamam ser, mas S6nia Renda re- como macacos em loja de louca. Mesmo sma da sua calei- cor boa intengao, produzem resultado e e nao o mais desastroso. Como o pr6prio salao, cujo unca foi um pro- valor foi se diluindo a cada nova edi9go a e a sensibilida- (ja deveria ter se transformado em bie- iou esse dom na- nal, nao fora a insistencia dos puxa-saco). o congelante nas Nesta ultima edi9go, dando o maior cor uma aplica- premio a uma mera imitagao e mal fei- etencia rara entire ta em relagao As matrizes originals. Ar- is da sua geragao. tistas premiados do passado, que conti- Indag9o Romulo nuam a fazer o mesmo trabalho, desta io o fundador do vez foram excluidos da mostra (qual o pr6prio salao. A crit6rio?). Nao por acaso, a pintura e a ais que homena- escultura sao superadas pela fotografia, ao seu trabalho uma arte menor, apesar de tudo. osto que ocupa- A premiagao 6 definida por bwanas do te com fotos do Sul Maravilha, que aqui descem dispos- er dado, ao desa- tos a destacar bizarrias da jungle, olhan- pressao de estar do a arte que Ihes 6 submetida corn a con- rivola, que outro descendencia dos que s6 admitem exotis- vida do que ser mo entire os natives primitives, natives. sa injustiga, ain- Essa combinagao faz do Arte Para algo is nao a primeira kitsch, sintomaticamente isolado nos fun- dos do que foi, em melhores dias, a sede eragAo circulam do governor estadual e 6, hoje, um dep6- nro como exten- sito de arte incaracteristica e opaca, A ima- mos mecenas da gem e semelhanca dos criadores. * JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 7 .. . 0 triste record do nosso Para O Pard 6 recordista brasileiro em abs- tengCo ha vdrias eleig9es. Esse jai um dado preocupante. Mais grave ainda 6 que o indice vem crescendo a cada nova eleiqAo. Entre 1994 e 1998 passou de 32% para 40%. Se, numa hip6tese im- provavel, essa tend6ncia se mantiver em 2002, o nimero de cidadaos que deixara de votar podera ser maior do que o de efetivos eleitores. A eleig~o perdera sua razao de ser no Para, aquilo que osjuris- tas chamam de legitimidade. E quase impossivel que isso venha a ocorrer, mesmo que daqui a quatro anos continue a crescer a abstengao. O percen- tual de desistencia, ainda que persistin- do, sera menor. Mas isso nao servirA de console: a abstengao no Estado j corres- ponde A registrada em paises onde o voto nao 6 obrigat6rio. Alguns, alias, atribu- em A amena multa imposta aos ausentes a causa maior desse indice constrangedor. Situados principalmente nojudicidrio, os defensores dessa tese querem que o valor da multa seja substancialmente elevado para inibir os recalcitrantes fujoes do as- sim chamado dever civico. Mas hA outros fatores em considera- 9Ao: o medo do eleitor mais inibido de enfrentar a urna eletr8nica, o desnivel entire o padrao politico nas regimes mais desenvolvidas e nas mais atrasadas (e tamb6m entire as cidades e o meio ru- ral), a supressao dos debates pela tele- visio no primeiro turno e, no nosso caso com maior inclemEncia, as grandes dis- tAncias. Nosso governador aposta tudo neste filtimo fator. Ele diz que as dificuldades de acesso ao local da votagao abocanham 40% do universe dos eleitores cadastra- dos pelo TRE. Assim, de 3,2 milh6es de cidadaos considerados aptos a votar, mais de um milhao nAo vao as suas respecti- vas seq9es eleitorais porque 6 dificil che- gar at6 elas e a legislagao impede que os interessados nos votos se responsabili- zem pelo transport de toda essa massa. O factor 6 ponderavel de fato, mas 6 pouquissimo provAvel que esse percentu- al seja verdadeiro. E mais uma das bom- basticas estatisticas geradas empiricamen- te, sem uma base demonstradora. Deve ser muito inferior ao que calcula o gover- nador (de olho na legitimifdade da pr6- pria eleig9o), mas nao pode ser maior. Se o ato de votar pode causar constran- gimento e intimidar o cidadao inseguro quanto A sua capacidade de "fazer boni- to" diante do p6blico reunido na segao eleitoral (e nao se pode ignorar que 43% do col6gio eleitoral do Para 6 formado por analfabetos funcionais), por outro lado esse 6 um program que o cidadao do in- terior faz tudo para nio perder. Veste o seu melhor traje para ir votar. Portanto, nao desiste com facilidade. Se os candidates a cargos proporcionais n~o repetiram no segundo tumo o empenhio aplicado no primeiro turn para atrair elei- stores, contribuindo para a elevago da abs- tenaio entire as duas vota95es, deverse per- guntar pelas razies dessa desmotivaao. Foi apenas porque a batalhaja havia se encerra- do para esses candidates e eles lavaram as maos (se 6 possivel tal assepsia)? Foi por- que nao receberam o dinheiro que queriam? Ou, por esses dois motives e mais alguns outros, foi tamb6m porque nao hA outro in- teresse mais nobre envolvido, reduzindo-se o fisiologismo com o cabega de chapa? t muito c6modo inventor estatisticas para atenuar o impact da abstenglo re- corde paraense sobre a legitimidade da eleigao aqui realizada. Para evitar que no future uma crise derrube todas as des- culpas e coloque o Estado de cara corn a falencia do process eleitoral, 6 precise ver a realidade com os olhos da verdade e utilizar todos os mecanismos capazes de reverter a situagao. O combalido e abfilico TRE tern que atualizar o seu cadastro, dando-lhe confi- abilidade plena, reestudar a configura9So e distribuigio espacial de zonas e seqfes eleitorais, e adequar a estruturajuridico- legal a realidade especifica do Para, Par. tidos e politicos, de sua parte, tmr que analisar os problems de transport e for- magao de eleitores. E a sociedade precisa incluir esse item na sua agenda de ques, t6es vitais. Sem o que todos ficamos ame- agados de nos expor, na pr6xima eleiqlo geral, a um vexame ainda maior, entran- do num beco sem said. 0 Contas da temporada Pelo segundo mrs consecu- tive, o Estado fechou o seu ba- lango de setembro com prejuf- zo. A receita foi de 210 milh6es de reais, mas a despesa alcan- gou R$ 257 milh6es, com um buraco, portanto, de R$ 47 mi- lhoes. Em agosto o deficit foi de R$ 60 milh6es. Nos dois meses o govemo retirou R$ 117 milh6es da sua reserve (equi- valente ao lucro nas empresas privadas) para cobrir suas des- pesas crescentes. Emjulho elas foram de R$ 211 milhoes. Em agosto pularam para R$ 347 milhoes, caindo em setembro para R$ 257 milh6es, ainda as- sim acima da m6dia do perio- do anterior. Gragas A venda da Celpa, o Estado fechou agosto com R$ 512 milh6es em caixa. Em setembro esse saldo baixou para R$ 456 milhoes. Epidemia Um reporter escreveu que, quando praticado, o cri- me de James Vita Lopes, condenado por envolvimen- to no assassinate do ex-de- putado Paulo Fonteles de Lima, "nao estava no holl dos hediondos". Certamen- te quis escrever rol. Este 6 apenas um dos muitos exemplos diarios, talvez o mais bizarre desse dia, das gralhas que cada vez mais se multipli- cam nas paginas dos jomais. O regime massacrante de trabalho, a baixa remuneragao, os diver- sos fatores de desestimulo e o pr6prio regime ultra-acelerado de produg9o das publicag6es di- Arias servem de causa para tan- tos erros, nem todos podendo ser transferidos para os largos e abstratos costados "da impren- sa". Seguramente o fim do re- visor, sem a contrapartida de uma melhor qualificaglo do re- dator das mat6riasjornalisticas, tamb6m influi nessa perda de qualidade. Independentemente das cau- sas, por6m, providencias tem que ser adotadas para manter a proporcgo de erros e falhas da imprensa cotidiana numa mar- gem aceitAvel, a da excecao. Esse percentual pode estar atin- gindo o nivel de calamidade, do erro como regra. E contribuin- do para agravar um dos mais s6rios problems do jornalisno atual: a perda de credibilidade junto a opinion pTblica. A responsabilidade 6 de to- dos, dos que erram mais e tam- b6m dos que acertam mais. I A administrag9o pfi- .Jal adual tera que se- guir, a partir de agora, um novo modelo para a publi- cacAo de extratos de ter- mos aditivos a contratos que assinar. O novo ,mo- delo, adotado na semana passada pelo Tribunal de Contas do Estado, contri- buiri para dar mais clare- za aos atos do governor. Todos os extratos precisa- rdo center o n6mero do termo aditivo e do contra- to originArio, o objeto do contrato originario e seu valor, a modalidade utili- zada (licitacao, dispensa ou inexigibilidade de con- correncia), as parties, o ob- jeto, justificativa, valor e vigencia do aditamento, a dotagAo orgamentaria, o 'ordenador responsavel e referencia a aditivos ante- riores (se houver, corn data e valor). Em 1995 o TCEji ha- via elaborado um mode- lo para os aditamentos contratuais, mas a prAti- ca mostrou que os itens por ele exigidos nAo eram suficientes para dar ao piblico as informag9es necessArias ao entendi- mento dos atos do gover- no. Seguidamente esta segao apontou falhas, uti- lizadas' por maus admi- nistradores pfblicos para sonegar informa96es ao cidadlo. Surgiu uma es- p6cie de ind6stria da prorrogagio de contratos, desaconselhAvel, moral- mente condenavel e ate legalmente duvidosa, que precisava ser contida. A iniciativa do tribu- nal, aprovada pelo plena- rio atrav6s de resolugAo, sana essas deficiencias, permitindo ao leitor do Diirio Oficial passar a dispor de refer8ncias para compreender o que o adi- tamento contratual signi- fica. A iniciativa do TCE, por isso, merece elogios: fica do lado do cidadao (e contribuinte), ao mesmo tempo que contribui para dar major visibilidade A ag~d lcial. Com a provi- denicia, s6 saem perdendo os que querem lesar o in- teresse pfblico. E bom que, mesmo de vez em quando, percam. A Secretaria de Cul- tura tem sido contumaz em sonegar informagfes na sua documentaqdo ofi- cial. 0 Didrio Oficial do dia 5 publicou o extrato do contrato da Fundacdo Tancredo Neves cor a Valeverde Turismo para "o fornecimento de pas- sagens areas Nacionais e Internacionais para tender a II Feira Pan- AmazOnica do Livro", cor vigencia de dois me- ses. Nao indica a modali- dade do contrato (se de- rivado de concorrdncia, carta-convite, dispensa ou inexigibilidade de lici- tavao), nem o seu valor. Pelo terceiro mes se- guido melhorou a apre- sentaggo do demonstrati- vo da receita e despesa do Estado. O quadro de se- tembro tornou-se perfeita- mente legivel, assumindo a feigao dos balangos das empresas privadas. Para- bens A equipe da Secreta- ria da Fazenda, responsi- vel pelo trabalho. Ficou provado que a matriz do Siafem nao era mesmo fa- tor impeditivo. 0 Didrio Oficial dos dias 4 e 5 publicou os ex- tratos de tres contratos de @ prestacdo de services en- tre a Secretaria de Sazde e clinicasparticulares, no valor total de atd 114 mil reals, por um ano. Nenhum dos contratos identifica o ato que os originou (algu- ma forma de licitagdo ou sua dispensa). TCE abre o olho sugerindo tratar-se de uma montagem. Mas nao era. Constrangido, Parsifal es- creveu uma carta e passou-a por fax para Jader. Explicou que na 6poca era imaturo e estava mal informado sobre o politico do qual viria a ser companheiro de chapa. Ja- der nao responded, nem to- cou no assunto. Sua expec- tativa era de uma explicaglo pessoal, nao por carta. E, acompanhando-a, a renin- cia. Mas se essa era sua posi- glo intima, o senador peeme- debista guardou-a para o seu circulo mais pr6ximos. Para o piblico externo, elogiou o comportamento de Parsifal, que atuou intensamente na i campanha e at6 aplicou nela S400 mil reais de recursos pr6- i prios (ao contrario do vice da !. chapa anterior, Carlos San- S.tos), al6m de ressaltar o acer- to da escolha do ex-prefeito. Mas provavelmente a par- Sceria entire os dois chegou ao dade, a empresa poderia con- tribuir para o Estado com o pagamento dos impostos que o Minist6rio Piblico a acusa de estar sonegando (ver JP n" 194). O rombo, segundo o MP, seria de 41 milhbes de reais. Numa das fraudes de- nunciadas, a empresa abate o ICMS da conta dos distribui- dores dos seus produtos, mas nao o recolhe aos cofres pi- blicos, naquilo que se conven- cionou chamar de apropriagao ind6bita. Os outros 12 anunciantes foram: Soc6co, Cesep/Una- ma, grupo Rede (que comprou a Celpa), Multifrios, Copala (para quem o Estado interme- diou um acordo muy amigo), Aspin Eletro Center, Associ- agAo Comercial do Para, Fe- derag9o do Comrrcio e insti- tuiqges associadas, Bel6m Importados, Macedo Seguros e as prefeituras de Braganga e Ananindeua. Por enquanto, registrar. Depois, conferir. Vt .19 ":ii ^ No fig 41 93 \' ,j c eo'eir, iseia Dons ataques eq e 15. ATIN Dos ataques rq~~ei ressifini t ooutro supe- durante a campanha elito rasse o constrangimento, de- p senador Jader Barbalho safios formidiveis mesmo lentiu profundamente um para politicos de est6mago golpe: a exibi9go de um vi- forrado com o couro de mui- VMeo-tape com o discurso de tos sapos deglutidos. Si eu vice-governador, Parsifal y ontes. A fita fora gravada bm 1990, quando Parsifal, Na ferradura ;,prefeito de Tucurui, empe- A Cerpasa comemorou, a ihado na campanha de Sahid 31 de outubro, com um anin- Xerfan, que disputava o go- cio de meia pigina, o maior Sverno com Jader Barbalho, dentre os 13 que assinalaram, profetizou que se seu future nas piginas de O Liberal, a aliado retornasse ao cargo reeleigio do governador Al- roubaria 10 vezes mais do mir Gabriel. A empresa ma- que antes, no mandate de nifestava "a certeza de que os 1983/87. pr6ximos 4 anos serio, nova- Ai Ainica resposta do sena- mente, de muito trabalho e dor do PMDB, quando pro- agio para o desenvolvimento vocado a respeito, foi ques- do Para". tionar a integridade da fita, Mais do que com publici- 7 |
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