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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00148

Full Text


Governador


Journal Pessoal respos
.......... (PAG. 3
L C I 0 F L A V I P I N T Tem politico
anovo no
mercado
CARAJA Co -5


Pirotecnia ocobre

Um capitulo importantepara ofuturo d omia paraense estd sendo
escrito em Carajds, corn a definigdo sobre d o das jazidas de
cobre. A opinido pablica, entretanto, vem sendo mantida ao largo do que
efetivamente acontece. Ou porque as informap&es sao sonegadas, ou
porque sdo manipuladas. Como chegar a verdade? Este e um desafio que
todos devem procurar responder.


a o dia 31 de outubro o jor
x nal 0 Liberal anunciou na
sua primeira pagina: "Usi
na do Salobo ficara em
Maraba". O texto da cha
.'- mada confirmava: "A usi
na metalirgica do Projeto
Salobo, que deverA beneficiary 200 mil tone-
ladas de cobre por ano, serd mesmo instala-
da no municipio de MarabA. t o que informa
relat6rio de atualizagao do projeto, protoco-
lado no Departamento Nacional de Produ-
ao Mineral (DNPM), em Bel6m. A empre-
sa Salobo Metais S/A pede prorrogag9o do
direito de andlise de lavra por tres anos".
Seria a noticia do ano, se fosse verdadei-
ra. Mas, infelizmente, nao 6. Contra todos os
fatos e evidencias, O Liberal quis provocar
efeito positive junto a opiniao pdblica, em
beneficio do seu grande aliado politico-co-
mercial, o goverador Almir Gabriel, dando
como certa uma decisao que ainda nao foi
tomada. O relat6rio de atualizagao foi apre-
sentado ao DNPM apenas para impedir que
os direitos de lavra da empresa sobre ajazi-
da do Salobo caducassem. Sem essa atuali-
zaCao, o departamento teria que declarar a


acabar escolhendo Parauapebas ou Rosdrio do
Oeste, ou, inversamente, indicar qualquer des-
sas duas cidades e ficar mesmo corn Marabd.
Depois de haver anunciado sua decisao em
favor de Maraba, chegando a assinar, solene-
mente, um protocolo de inteng9es corn o go-
vemo para construir a fibrica no distrito in-
dustrial daquela cidade, quando o control da


mais importantes atados na economic para-
ense. Em primeiro lugar, 6 precise saber se
apenas uma das trs jazidas identificadas em
Carajds (Salobo, Sossego/Liberdade e Cor-
po Alemao) serA explorada ou se todas elas
poderao ser desenvolvidas, simultaneamen-
te ou em progressao (ver, a prop6sito, Jor-
nal Pessoal nO 180 e 181). Hd bastante con-


caducidade e colocar novamente em dispute Companhia Vale do Rio Doce era estatal, a trov6rsia a respeito.
o dep6sito mineral. A renovagao atendeu um Salobo voltou atris, suspendendo ou cance- Segundo algumas fontes, a CVRD priva-
formalismo legal. lando todas as decisoes anteriores. tizada dd prioridade a Sossego/Liberdade, o
No document, a Salobo Metais nao adu- E claro que, diante do litigio aberto cor o dep6sito mais recentemente conhecido, por
ziu nenhuma informagao nova capaz de as- governor do Para, declaradamente pr6-Mara- causa das qualidades do min6rio af identifi-
segurar que ela realmente vai optar por Ma- bA, a empresa prefer manter quando nada, cado. Elas sto consideradas superiores as do
rabd como local da instalaago da usina meta- por tatica a altemativa de preferencia jA Salobo, que 6 a mais antiga das jazidas, mas
lIrgica, deixando de lado as duas outras al- manifestada por Almir Gabriel. Maraba, en- cuja viabilidade vem sendo contestada.
ternativas, que sao Parauapebas, no Para, e tretanto, 6 apenas uma hip6tese de trabalho. No entanto, a Vale nao pretend abrir mao
Rosario do Oeste, no Maranhao. Nein mes- O tema foi colocado completamente em aber- de nenhuma das tres dreas sob o seu contro-
mo antecipou se vai implantar o projeto cori- to desde que a CVRD, a principal controlado- le, mesmo que uma delas seja flagrantemen-
pleto, da mineraqao A metalurgia. ra das jazidas de CarajAs, foi privatizada. S6 te a de maior atrativo. Em fungao disso, nao
Conforme alertou o pr6prio chefe do O Liberal, dando aos fatos uma interpretagao estaria descartada de todo a possibilidade de
DNPM no ParA, Sebastiao Pereira, o contei- fantasiosa, acha que a questso estA resolvida. que tente dar uso econ6mico atodas elas, caso
do do relat6rio ter valor apenas information. Na verdade, ela se torou muito comple- encontre s6cios dispostos. A perspective mais
t declaragao de intengao. Nao demonstra vi- xa. Exige um sdrio e conseqtiente esforgo de forte, contudo, seria de que Sossego/Liber-
abilidade. A Salobo pode apontar MarabA e anAlise e entendimento, por ser um dos n6s dade saisse na frente do Salobo.
'39.3

IRA *REN A B A: A AN 3A93 & *0. 7






2 JOURNAL PESSOAL 1- QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998


) Essaprefer8ncia decorreria do fato de que
a exploragao dajazida de Sossego/Liberda-
de exige menos investimento (exatamente
metade: 800 milh6es de d6lares contra US$
1,6 bilhao na hip6tese mais otimista de custo
para Salobo), produzindo 50% mais cobre
(300 mil toneladas de metal contra 200 mil
em Salobo) e quase tanto a mais de ouro (15
toneladas contra 8 toneladas), empregando
um pouco menos de gente e podendo entrar
mais cedo em operago (2001 contra 2002).
Se 6 tAo flagrante assim a vantage fisi-
ca, econ6mica e financeira de Sossego/Liber-
dade, favorecendo uma opqao mais facil por
MarabA como a sede da industrializaRlo do
cobre, por que essa decisao nao 6 logo anun-
ciada? Provavelmente porque hM um intrin-
cado jogo de presses e contrapress6es sen-
do travado nos bastidores. Pouca coisa flui
desses ambientes superprotegidos e nada
flui espontaneamente. Haveria mais informa-
o9es se o governor comjurisdigao sobre o ter-
rit6rio das minas fosse mais competent, aca-
tado e respeitado pelos contendores o que
nao 6 exatamente o caso da administra9ao
Almir Gabriel.
Parece fora de d6vida que a CVRD e a
Anglo American estao mal-acomodadas na
sociedade que formaram para explorer a ja-
zida do Salobo. A Vale tern procurado atrair
uma empresa mais especializada em cobre
do que sua parceira sul-africana, cuja maior


competencia 6 na Area de ouro (d a maior do
mundo nesse setor). A mitua desconfianga,
que tern bloqueado o entendimento entire os
s6cios, parece estar sendo superada legalmen-
te atravds de nova forma de parceria, ainda
nao revelada ao distinto pfblico (mas conte-
ria clAusulas propicias ao desfazimento do
neg6cio, com compensa9ges monetArias).
Vale e Anglo definiram nfimeros comuns
em tomo do empreendimento e admitiram
que se uma parte prejudicar o desenvolvimen-
to do projeto podera ser eliminada. Mas esse
acordo poderia se restringir ao Salobo, sem
se estender as duas outras minas? Como se-
ria a acomoda9go de tantos competidores
num territ6rio restrito, caso a Vale conseguis-
se atrair outras empresas para CarajAs, o que
parece ser seu intent (mas nao o da Anglo),
a fim de poupar seu pr6prio capital e aumen-
tar a rentabilidade do neg6cio?
Esses problems especificos precisam de
uma contextualizagao, que contribua para es-
clarece-los. O prego do cobre esta muito bai-
xo, ha estoques excedentes acumulados, no-
vos investimentos foram sustados e algumas
fabricas opera abaixo da capacidade nomi-
nal de produ9ao. Dizem algumas fontes que
essa estagnaao tern uma explicagao: espera-
se para qualquer moment o surgimento de
uma tecnologia revolucionAria para o refino
do cobre, que deixard obsoletos os atuais smel-
ters. Seri mais barato e mais simples do que


hoje chegar ao metal de cobre, o segundo mais
eletrointensivo dos produtos industrials (o pri-
meiro 6 o aluminio, que o ParAjA produz).
Cor essa perspective, nenhum grupo se
arrisca a investor em fabrica nova at6 que se
defina a nova tecnologia, que estd sendo tes-
tada em plants experimentais. Exatamente
por isso, entretanto, quem nao investor bem
nesse segment do mercado em reestrutura-
go, o mais cedo que for possivel, serA mar-
ginalizado ou ficara reduzido a sat6lite dos
empreendimentos integrados.
Nesse context, a defini9lo do uso das ja-
zidas de cobre de Carajas torna-se ainda mais
relevant. Talvez, como acreditam os mais
pessimistas, acabe-se concluindo que Salobo
perdeu sua capacidade de competiao por cau-
sa das caracteristicas desfavoraveis do min6-
rio (muito duro, demandando mais gastos na
concentracao, tAo custosa quanto a pr6pria
metalurgia). Esse fator desfavordvel pode in-
fluir no arranj o econ6mico e societArio para a
exploragao das outras areas.
Mas at6 que isso acontega, o govemo e a
opiniao pdblica precisam ser informados mais
satisfatoriamente sobre a conduqAo dos en-
tendimentos, coisa que nem a atual adminis-
tracao do Estado e seu principal porta-voz, o
grupo Liberal, estao permitindo. O cobre de
Carajas d um assunto complex e grave de-
mais para ser tratado com a pirotecnia a que
ambos se acostumaram. *


A mais recent versao


de Jarbas Passarinho


Em todas as eleicoes de que participou em
sua longa vida p4blica, o ex-senador Jarbas
Passarinho s6 teve pela frente "um contender
polido e civilizado: o senador Moura Palha".
Na carta que enviou a este jomal (ver Jornal
Pessoal n* 198), por exclusao, Passarinho si-
tuou o govemador Almir Gabriel entire os maus
adversfrios que precisou enfrentar nas quatro
eleigoes diretas que disputou.
Por dedugao, conclui-se tamb6m que o ex-
ministro nao aceita a versao, apresentada pelo
pr6prio Almir, de que o future goverador ndo
sabia das agress~es cometidas por seus prin-
cipais assessores de campanha contra Passa-
rinho na eleigao de 1994 (versao jA requenta-
da para ser usada agora em relacio a Jader
Barbalho). Aldm da instituiqao de uma Ordem
da Baladeira, responsivel por ataques politi-
cos ao passado de Passarinho como integran-
te dos governos militares, umafita cassette corn
a "mel6 do Xex6u" e panfletos grosseiros, por-
nogrAficos mesmo, sobre a vida pessoal do ex-
ministro foram distribuidos durante a campa-
nha por homes de confianga de Almir (pre-
miados, depois, corn cargos e sinecuras).
Findo o ardor da dispute, os dois politicos
se reaproximaram. O governador indicou o
sobrinho preferido do ex-adversirio (jA en-
tao aliado), Ronaldo Passarinho, para o Tri-
bunal de Contas dos Municipios. Jarbas per-
mitiu-se endossar de ptblico, cor sentido
utilitArio, a desculpa esfarrapada de Almir
Gabriel, de que seus marqueteiros e "luas-


pretas" agiram A sua revelia, contrariando seu
prop6sito de travar o bom combat. Na carta
ao JP, entretanto, o ex-senador limitou-se a
citar o advogado Pedro de Moura Palha, jA
falecido (e por ele massacrado eleitoralmen-
te na dispute senatorial de 1966), como o
inico contenderr polido e civilizado" que
teve pela frente. Ato falho?
Talvez. Mas tSo esclarecedor quanto outra
omissao de Passarinho. Ele arrolou 13 nomes
de pessoas que assumiram cargos pfiblicos no
Para por sua indicaoo, deixando de fora Elias
Sefer, colocado em dois dos mais importantes
6rgaos do govemo federal na Amazonia (o In-
cra e a Sudam, aldm da FCAP). Sefer nAo pode
fazer companhia aos homes sem "comprome-
timento moral", aqueles que Passarinho consi-
dera protegidos da acusagao de bajuladores ou
desonestos?
EstA certo que varios dos nomes arrolados
(mas nao todos) pairam acima de qualquer sus-
peita de corrupao, mas podem ser apontados
como exemplos de independ8ncia, lisura e com-
petencia? Quantos, ao final de uma apuragao
isenta e rigorosa, sobreviverao com todas es-
sas virtudes, ou pelo menos uma delas? Serd
positive ou negative o balango das contas de
Passarinho como preenchedor de cargos na ad-
ministragao piblica?
No auxilio dessaavaliaao, o ex-ministro
costume ser enfitico tanto pelo que diz quanto
pelo que insinua ou omite. Essa caracteristica,
se complica a tarefa dos historiadores, fascina


os que cultivam os efeitos de estilo. Principal-
mente a ironia e o sarcasmo.
Como se ve, cada vez que se manifest sobre
suabiografia, Passarinhoprovocamaisperguntas
do que respostas, suscitando novas quest6es. Em
parte, essa caracteristica result da pr6pria natu-
rezapolmicada atuaco do ex-ministro. Mas em
parte 6 tamb6m derivada do fato de que, a cada
revisao de sua hist6ria, ele acrescenta um ponto,
como se fosse um daqueles contadores de hist6-
ria (causeurs?) trabalhando sobre racontos.
E o que se observe, por exemplo, ao v8-lo ir
buscar no passado as razes insuspeitadamente
vigorosasparao grandep6blico-deuma amizade
com o rec6m-eleito senador Luiz Otavio Campos.
"Honra-me ter a amizade passada de pai a filho",
nos informa o ex-senador sobre as origens de sua
relaggo cor o pai do novo representante do ParA
na Camara Alta, plantadas na jd legendria Vila
Amaz6nia. Passarinho estaria agora colhendo "a
altarecompensa" de ver eleito o "filho de um ami-
gojAfalecido, que ao long de suavidame dispen-
sou sua amizade consolidada na inflncia".
Sempre surpreendente, portanto, o nosso ad-
mirAvel Jarbas Gonoalves Passarinho. Deus o
conserve por long tempo, ajudando-o arecons-
tituir em vida uma hist6ria que parece distant
de ter sido encerrada, mesmo que com a chave
de ouro por ele arquitetada: "O meu poente po-
litico, eu o determinei, garante o ex-govera-
dor, seguro de poder retificar minha reconstitui-
cao dos acontecimentos. Como diriam os lusita-
nos antepassados comuns: pois sim, ora pois.@





JOURNAL PESSOAL 1I QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 3




Debate electoral:



feitico e feiticeiro


Um dos mist6rios que restou da cam-
panha eleitoral de outubro foi a primei-
ra pergunta feita pelo governador Al-
mir Gabriel ao senador Jader Barbalho
no segundo debate travado pelos dois
candidates, na TV Liberal. Almir pediu
a opiniao do opositor sobre vArios no-
mes que foi citando, indo do procura-
dor-geral da Repiblica, Geraldo Brin-
deiro, ao ex-ministro da Justiga, Nelson
Jobim, agora ministry do Supremo Tri-
bunal Federal. Jader nao fez reparo al-
gum a esses nomes, titubeando nos elo-
gios (o escrit6rio de advocacia de Jo-
bim, alias, recebeu 50 mil reais do Es-
tado, no segundo governor de Jader, para
dar um parecer sobre as terras indige-
nas estabelecidas pela UniAo em terri-
t6rio paraense).
Nenhum telespectador entendeu a ra-
zao daquela inusitada pergunta, que fi-
cou isolada, sem desdobramento, e nao
era auto-explicativa. Orly Bezerra, che-
fe do marketing do governador, em en-
trevista a 0 Liberal depois da reeleigao,
disse que apenas uma pessoa tinha que
entender as palavras de Almir: era o pr6-
prio Jader Barbalho.
Se a entendeu no intimo, ao respon-
der a provocagao do governador o sena-
dor peemedebista foi um excelente ator:
transmitiu ao pdblico a impresslo de que
nao conseguira captar o significado da-
quela colocagao. E depois, em entrevis-
ta, reafirmou que a sua impressao foi
mesmo de espanto, incredulidade e per-
plexidade.
Talvez nem tanto. Numa pasta, Jader
tinha certid6es negatives de todas as ins-
tnncias dajustiga federal, do STF ao STJ,
provando nao ter sido condenado por
qualquer crime. Teria at6 mesmo certi-
dies atestando o arquivamento de ages
propostas contra ele por crimes que foi
acusado de cometer na sua passage
pelo governor do Para e pelos minist6ri-
os da Reforma Agrdria e da Previd6ncia
Social, na administragAo Jos6 Sarney.
Jader estava preparado para repelir
incursies que o governador fizesse por
essas searas. Seria o contra-ataque A in-
vestida que mais desarticula Almir Ga-
briel: ser chamado de assassino e respon-


sabilizado diretamente pelo assassinate
dos 19 sem-terra que morreram no con-
flito corn a Policia Militar, em Eldorado
de CarajAs. No auge da discussao no pri-
meiro debate, Jader dissera, em resposta
a insinuagaes de corrupgao, que nao bai-
xaria o tom da discussao chamando Al-
mir Gabriel de assassino. Disse, assim,
o que disse que n&o ia dizer.
.Prevenindo a descida em alguns pata-
mares do nfvel do debate at6 o subsolo,
tratou de mandar recado de corpo pre-
sente para a assessoria do govemador,
instalada no audit6rio da RBA. Lembrou
que o alter-ego do goverador, Simao
Jatene, comandante da campanha da re-
eleiglo, fora seu assessor no Mirad, res-
ponsavel pelo cadastramento e avaliagio
de terras desapropriadas, desapropria-
9ces estas questionadas judicialmente.
Jatene ainda o acompanhara nos primei-
ros tempos como ministry da previdan-
cia social, s6 entao deixando a compa-
nhia a que chegara bem antes, como se-
cretario de planejamento no primeiro
governor de Jader Barbalho.
Se a intengao do governador corn sua
rocambolesca pergunta era mesmo ata-
car o opositor num flanco desprotegi-
do, por que nao completou a manobra?
Depois de ter conseguido a aprovaglo
de Jader para os nomes que citou, a ini-
ciativa seguinte seria mostrar que todos
esses homes impolutos teriamjulgado
o senador culpado de crimes argUidos
em diversas a98es protocoladas em Bra-
silia. Era o xeque-mate planejado. Por
que ele nao veio?
Segundo a 16gica do marqueteiro, o
prop6sito nio era deixar mal o adverst-
rio perante a opiniio piblica, mas amea-
9A-lo, na presunglo de que a melhor de-
fesa 6 o ataque (desde que o confront
fique protegido do entendimento pibli-
co por linguagem cifrada). Se por acaso
Jader voltasse a acusar o governador de
assassino, receberia no meio do peito o
arrolamento dos processes em que foi
indiciado como r6u por ma gestlo de re-
cursos pIblicos.
Como a refer6ncia a Eldorado de Ca-
rajAs nAo foi bisada, o governador guar-
dou o trunfo. Privando, por6m, a opinilo


pfblica de ser informada sobre relevan-
tes quest6es que Ihe dizem respeito. E
deixando de levar em consideragao que
tamb6m foi atacado por nao ser honest
no govero e nem leal nas rela96es polf-
ticas ("detalhes" irrelevantes, ao que pa-
rece).
Ha uma explicagAo variante para a
official. Os homes pfblicos citados e
referendados por Jader seriam os mes-
mos que excluiram o governador da res-
ponsabilidade pelos assassinatos em El-
dorado de Caraj s. Logo, a imputag9o do
crime a Almir Gabriel era leviandade.
Esta 6 uma alternative menos plausivel.
Ainda que procedente, nao altera em
nada a substincia do raciocinio: a per-
gunta nao seria usada para o esclareci-
mento pfiblico, mas como um instrumen-
to de retaliagio, de ameaga e, como aca-
bou vindo a ser, de chantagem.
Calando por perplexidade ou malicia,
o senador Jader Barbalho deixou o go-
vemador numa situagao bizarre e o te-
lespectador no ar. Se o tema nAo tivesse
a gravidade que tem, seria uma repeti-
9ao assemelhado daquele famoso epis6-
dio de Garrincha na v6spera dojogo corn
a temida UniAo Sovi6tica, na Copa do
Mundo de 1958.
O treinador Vicente Feola chamou o
endiabrado ponta-direita da selegao bra-
sileira e orientou-o a driblar seu marca-
dor e o zagueiro de cobertura pela late-
ral do campo. Naturalmente, quando o
lateral-esquerdo fosse driblado, o zaguei-
ro-central iria se deslocar de sua posiglo
para bloquear a progressio de Garrincha.
Ele se aproveitaria desse fato para lan-
gar a bola para a Area, no ponto em que o
centro-avante VavA se posicionaria, no
vAcuo criado pela ausencia do zagueirao.
Garrincha ouviu, cogou a cabega, ma-
tutou e perguntou para o treinador:
"Seu" Feola, os russos jA foram
avisados?
Pois 6: como nao avisaram o oponente
para cair na armadilha preparada pelo
goverador, Almir Gabriel, tendo direito
A replica, nao complementou a pergunta
que estava engatilhada para desmascarar
Jader Barbalho. Desta vez, seu silencio
nao preencheu uma lacuna. Abriu-a. *





4 JOURNAL PESSOAL * 1 QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998





Governo e imprensa:



a relacao promiscua


Um anfncio em cores, ocupando tr6s quar-
tos de pagina, assinalou, em O Liberal e A
Provincia do Pard, a vit6ria do govemador
Almir Gabriel na eleigao deste ano. O anin-
cio nao trouxe o nome da agencia que o ela-
borou, como 6 praxe (quem sabe, para difi-
cultar um pouco mais a identificagao do res-
ponsavel pelo pagamento da conta da publi-
cidade). O Didrio do Pard foi excluido da
primeira midia official (extra-oficial ou para-
oficial) depois do segundo turn. Sinai de
que, contrariando as afirmativas eleitoreiras
do govemador, haverd a partir de agora dis-
criminagao na veiculaqao da propaganda do
Estado?
No debate pela television, Almir Gabriel
assegurou que distribui eqititativamente a
verba publicitiria estadual, incluindo os vef-
culos de comunicagao do seu adversArio, o
senador Jader Barbalho. De fato, como fez
antes H6lio Gueiros atd a und6cima hora, o
journal, a emissora de televisAo e as rAdios do
president do PMDB receberam publicida-
de do govemo. Mas nao de uma formajusta,
reclamam seus dirigentes.
Eles admitem que nem o Didrio do Pard
e nem a TV RBA merecem receber verba
equivalent A destinada a 0 Liberal e TV
Liberal, lideres disparados nesses segments.
Sustentam, contudo, que nao ha uma exata
proporcionalidade entire os recursos aplica-
dos e as tiragens e indices de audiencia de
cada um dos veiculos, desequilibrio em fa-
vor da familia Maiorana.
Suas queixas se tornam mais enfAticas em


rela lo ao tratamento dispensado As radios,
setor dominado pelas emissoras do grupo
Barbalho. Mesmo nesse segment, pordm, o
grupo Liberal fica com a preferencia. Ou seja:
o critdrio nao 6 tccnico, como proclama o
govemador. t, sobretudo, politico.
Essa nao 6 uma political criada pela admi-
nistrag o Almir Gabriel: vem de muito tem-
po, praticamente sem excegao entire os go-
vernadores que se sucedem hA tantos anos.
O ordenador da conta de piblicidade usa-a
para tirar proveito politico, preferencialmente
para comprar a conivencia ou a ate a opiniao
do veiculo. Dos tres maiores grupos de co-
municagao do Para, o do senador Jader Bar-
balho 6 o mais explibitamente politico. De-
veria, por isso, preparar-se para estar em con-
di98es de enfrentar condigSes adversas sem-
pre que seu proprietArio estivesse fora do
poder (e, mais do que isso, hostilizado pelo
inquilino do poder).
Um porta-voz da diregao do grupo garan-
te que agora as empresas estao mais inde-
pendentes da verba official do que em qual-
quer outro moment anterior. "Sentimos a
falta desses recursos, mas podemos viver sem
eles", diz a fonte. No entanto, todos os esfor-
gos da corporagao para encontrar o caminho
adequado, que seria a efetiva profissionali-
zagao, tem sido frustrados pelas temporadas
eleitorais.
No auge das disputes political, o senador-
proprietArio costuma exigir que seus veicu-
los voltem a ser instruments de panfletagem,
deixando de lado os critdrios jornalisticos


para apimentar os ataques aos adversArios.
Esse onus nao 6 nem compensado por inves-
timentos, ja que Jader Barbalho parece saber
fazer apenas o movimento de recolher ren-
das e nao o de aplicar capital.
Para dar vida pr6pria, identidade e credi-
bilidade ao seu complex de comunicag o,
ele deveria afastar-se legalmente do grupo e
fazer-se substituir por uma fundagao, colo-
cando em seu conselho curador pessoas que
Ihe sao fiis e, ao mesmo tempo (numa con-
ciliag o dificil), disp6em de uma image
socialmente reconhecida, como Gileno Cha-
ves, Jolo Roberto Cavaleiro de Macedo e
Angela Salles.
Como essa salutar iniciativa nunca 6 ado-
tada, o critdrio politico de condescendencia
do rei 6 retribuldo corn o critdrio politico de
recebimento da verba de publicidade. t o que
explica o Didrio do Pard ter evitado critics
a administraago Almir Gabriel at6 o momen-
to em que, baldados os esforgos para um acor-
do, o governador e o senador se apresenta-
ram na arena como adversarios. AijA era tar-
de para o Didrio e todo o grupo tentarem
desfazer a image de eficiencia e correqao
que eles, com seu silencio remunerado, ha-
viam contribuido para criar junto A opinilo
ptblica (exatamente como aconteceu em re-
la lo a Hl6io Gueiros).
Grande imprensa realmente independent e
govemo efetivamente honest na distribuigao
da verba publicitAria official ainda vAo continu-
ar a ser matdria para utopias no Para. Utopias
cor o gosto de ilusAo e amargura. *


Os humores do rei (o azar dos rep6rteres)


O governador Almir Gabriel nao 18
jornais. Isso todo mundo ja sabia. Tam-
b6m nao v8 televisao. Isso soube-se re-
centemente (ver Jornal Pessoal n 197).
E nao gosta nem um pouco de jornalis-
tas. Admite apenas aqueles que Ihe fa-
zem as perguntas aprovadas e se satisfa-
zem corn as respostas convenientes, se-
guindo, quando possivel, um script adre-
demente acertado entire a assessoria e a
redaglo.
Desde que assumiu, o governador j i
deu safanoes verbais emjornalistas que
ainda resisted ao compromisso de ser
verdadeiros rep6rteres. Se conseguem
lembrar-se, osjornalistas sabem que per-
guntar nao ofende (desde que a pergun-


ta, por mais inc6moda e agressiva que
precise ser, seja formulada corn educa-
9ao e civilidade, tirando do entrevistado
a legitimidade para reagir corn maus
modos). Mas vai se tornando cada vez
mais dificil confrontar o govemador corn
a realidade, retocada de r6seo para con-
sumo pessoal dele por seus assessores.
Na primeira coletiva ap6s o segundo
turno da eleigio, no dia 26 de outubro,
travou-se o seguiete diAlogo entire uma
reporter da Gazeta Mercantil e sua ex-
celencia:
Rep6rter O senador Jader Barbalho
coloca em d6vida sua honestidade, "da
qual tanto o senhor se gaba". O sr. vai
colocar A disposigSo da imprensa quem


foram os doadores de campanha, porque
ele o acusa de gastar o dinheiro da Celpa
corn os respectivos doadores?
Governador Em primeiro lugar, o
senador Jader nao tem moral para discu-
tir honestidade ponto. Ponto. Nao quero
aprofundar para nao criar um problema
para voc8.
Reporter Pra mim?
O prenunciado confront 6 evitado por
um outro reporter, que interfere no dii-
logo, refazendo a pergunta de outra ma-
neira e em outros terms. No dia seguin-
te, 0 Liberal, dizendo reproduzir a inte-
gra da entrevista, suprimiu exatamente
esse trecho.
Ficou a dtivida: o que pretendia o go-





JOURNAL PESSOAL 1* QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 5
i1


vernador quando disse que nao iria apro-
fundar o exame da moral do seu adver-
sArio para "nao criar um problema" para
ajornalista que suscitou a questAo? Duas
pessoas consultadas, uma ainda traba-
lhando cor Almir Gabriel e outra queji
deixou sua assessoria, ensaiaram a mes-
ma explicagao: o governador nao fez
nenhuma ameaga especifica, apenas ten-
tou se desvencilhar de uma situagao in-
desejavel. JA fez isso outras vezes. Pode
ser uma maneira desajeitada de agir, ad-
mitiram. Mas nao 6 intimidagio.
Jornalistas que trabalham ao mesmo
tempo na imprensa e em um 6rgAo ofici-
al, entretanto, jA experimentaram na car-
ne (e no bolso) os azares de incomodar
sua excel8ncia cor perguntas conside-
radas impertinentes: perderam seu car-


go no governor, ou foram deslocados de
onde estavam. Sera que o m6dico Almir
Gabriel 6 tAo pouco democrat na reali-
dade quanto se proclama no discurso?
Os mais caridosos (ou esperan9osos)
atribuem o vezo autoritirio do governa-
dor mais A corte do.que a impulses natu-
rais do personagem. Os menos idealis-
tas dizem que uma caracteristica da per-
sonalidade se acentuou com o servilis-
mo dos aulicos. Por causa da relacao pro-
miscua entire imprensa e.governo, sua
excel8ncia foi acostumada a s6 entrar em
campo para receber bolas levantadas com
aqucar (muito) e afeto (nem tanto).
O excess de marketing fez corn que
o jomalismo independent se tornasse
algo patol6gico, doentio, merecedor de
interven9ao cirdrgica. Criticar passou a


ser identificado cor destruir. A critical 6
respondida com o inimo alterado e ate
mesmo a intelig8ncia obnubilada. Dai a
linguagem da resposta, cifrada, servir
mais de ruido do que de argumentagao,
trocando o diAlogo civilizado pelo con-
fronto neolitico. O barulho traduziria ain-
da uma mensagem meteorol6gica; de que
podem estar vindo do c6u os raios de
Jupiter (ou seria Zeus?).
Nao 6, decididamente, uma situagao
confortavel para os pobres e morais jor-
nalistas plantados c embaixo. JA esta mais
do que na hora, porem, de alguns deixa-
rem de dobrar tanto a espinha. De hAbito
an6malo, pode virar prAtica rotineira, sem
que os vassalos percebam o que acarreta
curvar tanto assim o corpo, como adverte
um precise ditado popular. 0


Nilson: um comeGo


em ninho de tucano


Nao 6 todo dia que um ex-reitor entra
na political no Pard. NEo 6 comum nem
mesmo em terms nacionais. Por isso, de-
veria ser recebido como um saudAvel si-
nal dos tempos o ingresso de Nilson Pinto
de Oliveira na atividade politico-partidi-
ria. Titular de um doutorado em geoflsica
na Alemanha, ele foi reitor da Universi-
dade Federal do Pard e secretario de cien-
cia, tecnologia e meio ambiente do Esta-
do antes de tentar pular o balcao, em cima
do qual muito ne6fito costuma se esbor-
rachar, apesar do suporte em bom prepa-
ro academico ou na melhor das intengces.
Nilson 6 o segundo professional da
Area de geologia que conquista uma de-
puta9ao em um Estado caracterizado pela
enorme riqueza mineral do seu subsolo.
Ele pode vir a frustrar seus eleitores, o
que nao seria exatamente uma novidade.
Mas ter vencido os obsticulos da corrida
eleitoral jA 6 um fato auspicioso.
Se Nilson nao for bem sucedido no de-
sempenho do seu mandate, o in'sucesso
nao terA decorrido da falta de qualidades
pessoais, mas talvez de seu mau uso on
do sufocamento desses atributos em be-
neficio de compromissos fisiol6gicos ou
clientelistas. que abreviam o caminho
para o poder, mas, em compensaa&o, tri-
turam os ideals e, com eles, as espe-
rancas em mudangas qualitativas na po-
litica paraense.
O primeiro dos obstaculos Nilson pre-
cisou transport ainda dentro do seu parti-
do, o PSDB. Alguem tratou de desviar a
papelada necessaria ao registro da sua can-
didatura, que foi promovido A Altima hora,
quase no desespero. Depois, ele teve que


bater com energia sobre algumas mesas da
burocracia estadual para conseguir manter
sua secretaria, mobilizada em seu favor.
t precise sublinhar, desde logo, que Nil-
son Pinto nao foi um ne6fito qualquer. Ele
contou cor a rentavel estrutura da Sectam
para multiplicar os efeitos da sua campa-
nha eleitoral. Desde que assumiu a secre-
taria, combinou o desempenho da afao ad-
ministrativa que o cargo impunha cor seu
projeto politico. Desde que nao tenha des-
viado para isso verba public, nem desna-
turado sua funago, nada ha de imoral nes-
sa serventia, embora nao seja a imaculada
materializagao dos ideas de eugenia polf-
tica que muitos apregoam antes de "meter
a mao na massa" (travestida geralmente
para lama pela invertida alquimia a que a
political costuma se reduzir).
Em sua primeira dispute eleitoral, Nil-
son obteve a invejavel soma de 40.600 vo-
tos, deixando para trAs muito veteran -
desprovido de uma Sectam, claro. Mas su-
perou tamb6m, pela bagatela de 209 vo-
tos, seu mais pr6ximo concorrente pela 6l-
tima das quatro vagas conquistadas pelo
PSDB do Para na Camara Federal. O can-
didato ultrapassado, Haroldo Bezerra, nab
era ne6fito (ja tinha sido prefeito de Mara-
ba e deputado estadual). Mais do que uma
Sectam, teve ao seu dispor uma Secretaria
de Obras. E se Nilson tinha o beneplAcito
direto do governador, Haroldo usufrula das
benlaos do guru do rei (tamb6m chamado,
cabalisticamente, de "o namero 2"), o li-
cenciado secretario de planejamento Simao
Jatene (do qual 6 cunhado).
O ideal, que talvez estivesse tragado pre-
viamente nas estrelas do patuanan, era ele-


ger os dois. Mas um imprevisto nas ma-
quiavl6icas proje96es dos tucanos, a elei-
9ao do suspeito (mas competent popu-
lista) Nicias Ribeiro, freqientemente ci-
tado como quinta-coluna jaderista em
ninho tucano, deixou um s6 espago para
dois corpos ocuparem.
Prevalecendo a fisica, um dos corpos
sobraria. No comity de campanha foi ten-
tada uma solugao alquimica, atrav6s da re-
contagem de votos de uras is quais foi
atribuida uma fraude inconsistent. Dias
de tensgo numa guerra de guerrilha des-
gastante deram no que jA se sabia: Nilson
teve mesmo mais votos do que Haroldo.
At6 esse resultado ser proclamado, en-
tretanto, danos foram causados. Nilson
Pinto foi o inico dos eleitos a nao com-
parecer A churrascada comemorativa da
vit6ria, depois de ter manifestado (ou ex-
ternalizado, como se prefer dizer na aca-
demia) suas mAgoas corn o procedimen-
to anti-6tico de correligiontrios.
Sua ausencia nao significa necessari-
amente rompimento com o governor ou
o governador, que nao parece haver in-
terferido em favor de nenhum dos con-
tendores nesse caso. Mas foi, ao menos,
uma mensagem cifrada para bom enten-
dedor, se o principal dos destinatarios
puder entender, raciocinando por sua
pr6pria cabega coroada e nao pela do
grAo-vizir (ou, considerando-se os per-
sonagens, nao seria mais apropriado fa-
lar em sheik?).
Nilson Pinto de Oliveira comega as-
sim, singularmente, sua carreira political.
Como irA prossegui-la? Ele 6 quem vai
escrever o pr6ximo capitulo.





() JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998





Salao de Arte Liberal.


A mais recent versdo do Arte Para,
encerrada a 31 de outubro, quis home-
nagear Eduardo Falesi e S6nia Renda. Da
intengao a realizagdo a distancia foi aca-
brunhante: o pintor e a dama da socieda-
de ficaram numa posigao inc6moda na
exposigao. NTo foram louvados, a rigor,
como mereciam, mas sutil e inadverti-
damente insultados.
Apenas quatro trabalhos, s6 dois de-
les realmente representatives, nao podi-
am dar ao piblico a exata dimensAo do
valor de Falesi, um criador de vitrais sem
concorrente na terra. A nota biografica,
ao lado dos trabalhos, era burocratica. O
salIo poderia ser a feliz oportunidade de
recuperar o mais brilhante dos Falesi para
a sociedade paraense.
Esse objetivo s6 poderia ter sido al-
cangado, entretanto, se sua inclusao ti-
vesse resultado de uma atenta e pacien-
te coleta de suas telas, espalhadas prin-
cipalmente entire uns poucos coleciona-
dores particulares. Sua exposigao, ao
contrArio, parece ter sido feita relaxa-
damente, As pressas. Mais para preen-
cher as paredes de uma galeria pobre
de individualidades e compor o portfd-
lio de um neg6cio corn patrocinadores


do que para cumprir os
curadoria de arte.
Fotos da encantadora
velavam apenas um pri
dosc6pica personalidad
important. A beleza ni
blema para a inteligenci
de de S6nia. Ela combii
tural (em geral, de efeit
mulheres da sua 6poca)
95o de vontade e comp
as amigas e companheira
Ela foi a alma da Fu
Maiorana, enquanto vi
grupo empresarial, e do
melhor homenagem (m
gem, reconhecimento)
teria sido mant&-la no p
va. Lembra-la p6s-mor
album de familiar deve ti
visado visitante, a imi
diante de uma mulher f
m6rito nao tera tido em
bonita. Trata-se de cras
da que involuntAria. Ma
cometida pela casa.
Os Maiorana desta g
pelo ambiente cultural
s6es remotas dos legitir


(De arte?


Reminiscencia dos anos negros


Cantagao, uma antologia reunindo
jovens poetas paraenses, seria langada
na semana do natal de 1968, 30 anos
atras. O livro foi impress e uma mis-
sa campal, que seria rezada no final da
tarde, no Largo da Trindade, foi enco-
mendada pelo promoter do aconteci-
mento, o Diret6rio Acad6mico da Fa-
culdade de Direito.
Agentes da Policia Federal chegaram
antes: mesmo sem convite, ficaram com
todos os exemplares do livro, recolhidos
na grAfica. Nao houve festa, nem poesia.
Os poetas, como sempre alertou S6cra-
tes atrav6s da pena de Platdo (ou este,
usando a mem6ria de S6crates), sao pe-
rigosos. Eles sonham. Os ditadores, so-
fisticados ou nao, detestam quem sonha.
Os federais, que provavelmente nao le-
ram nenhum dos dois fil6sofos, deram-
Ihes razao com seus atos.


O livro foi formado com poesias de
Carlos Queiroz (hoje o cronista-m6r da
noite popular nas piginas do Didrio do
Pard), Fernando Jares Martins (assessor
da AlbrAs), Jos6 Arthur Bog6a (profes-
sor de literature e critic literario), Jos6
Maria Villar (se aposentou da Secretaria
de Agriculture?), Rosenildo Franco (pu-
blicitario, rec6m-retornado da Bahia),
S6rgio Darwich (continuara advogando
em Rond6nia?), Walter Pinheiro (vete-
rano t6cnico na delegacia do MEC) e este
recalcitrant reporter (poeta e socialist
6 precise ser na juventude, sem que a
maturidade imponha o cinismo at6 a ve-
Ihice, fazendo os "convertidos" atraves-
sar os anos negando o que foram).
Quando a PF fez seu arrastao anti-li-
terario euja estava morando em Sdo Pau-
lo. Soube por carta da apreensao. VArios
anos depois, ja de volta a Bel6m, vi um


6nico exemplar do livro, nas maos da
Elanir Gomes da Silva, a nossa Lana.
Tentei convenc6-la a me presentear corn
a raridade. Nao tive sucesso. Ela prome-
teu tirar uma c6pia xerox, mas ficou na
palavra. O livro perdeu-se nas pratelei-
ras, 6 sua justificativa. Comprometi-me
a ir ajudd-la a procurar, mas a expedicgo
tem sido transferida para um future in-
certo e nao sabido.
E melhor que seja assim? Talvez. Pelo
menos no meu caso, as tres poesias que os
organizadores do livro incluiram na anto-
logia tem apenas valor sentimental (uma
das quais descaradamente nerudiana). Res-
ta o console desta nota para registrar o 300
aniversirio do nosso Cantaqdo, o mais in6-
dito dos livros de poesia j publicados no
ParA, gragas aos critics literarios muito
bem armados, alids, para a tarefa- dos tem-
pos do obscurantismo. 0


Liberal?)

s rigores de uma terra do pai (os Mddicis de Florenga, por
exemplo), o que proclamam ser, mas
S6nia Renda re- como macacos em loja de louca. Mesmo
sma da sua calei- cor boa intengao, produzem resultado
e e nao o mais desastroso. Como o pr6prio salao, cujo
unca foi um pro- valor foi se diluindo a cada nova edi9go
a e a sensibilida- (ja deveria ter se transformado em bie-
iou esse dom na- nal, nao fora a insistencia dos puxa-saco).
o congelante nas Nesta ultima edi9go, dando o maior
cor uma aplica- premio a uma mera imitagao e mal fei-
etencia rara entire ta em relagao As matrizes originals. Ar-
is da sua geragao. tistas premiados do passado, que conti-
Indag9o Romulo nuam a fazer o mesmo trabalho, desta
io o fundador do vez foram excluidos da mostra (qual o
pr6prio salao. A crit6rio?). Nao por acaso, a pintura e a
ais que homena- escultura sao superadas pela fotografia,
ao seu trabalho uma arte menor, apesar de tudo.
osto que ocupa- A premiagao 6 definida por bwanas do
te com fotos do Sul Maravilha, que aqui descem dispos-
er dado, ao desa- tos a destacar bizarrias da jungle, olhan-
pressao de estar do a arte que Ihes 6 submetida corn a con-
rivola, que outro descendencia dos que s6 admitem exotis-
vida do que ser mo entire os natives primitives, natives.
sa injustiga, ain- Essa combinagao faz do Arte Para algo
is nao a primeira kitsch, sintomaticamente isolado nos fun-
dos do que foi, em melhores dias, a sede
eragAo circulam do governor estadual e 6, hoje, um dep6-
nro como exten- sito de arte incaracteristica e opaca, A ima-
mos mecenas da gem e semelhanca dos criadores. *





JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 7
.. .


0 triste record



do nosso Para


O Pard 6 recordista brasileiro em abs-
tengCo ha vdrias eleig9es. Esse jai um
dado preocupante. Mais grave ainda 6
que o indice vem crescendo a cada nova
eleiqAo. Entre 1994 e 1998 passou de
32% para 40%. Se, numa hip6tese im-
provavel, essa tend6ncia se mantiver em
2002, o nimero de cidadaos que deixara
de votar podera ser maior do que o de
efetivos eleitores. A eleig~o perdera sua
razao de ser no Para, aquilo que osjuris-
tas chamam de legitimidade.
E quase impossivel que isso venha a
ocorrer, mesmo que daqui a quatro anos
continue a crescer a abstengao. O percen-
tual de desistencia, ainda que persistin-
do, sera menor. Mas isso nao servirA de
console: a abstengao no Estado j corres-
ponde A registrada em paises onde o voto
nao 6 obrigat6rio. Alguns, alias, atribu-
em A amena multa imposta aos ausentes a
causa maior desse indice constrangedor.
Situados principalmente nojudicidrio, os
defensores dessa tese querem que o valor
da multa seja substancialmente elevado
para inibir os recalcitrantes fujoes do as-
sim chamado dever civico.
Mas hA outros fatores em considera-
9Ao: o medo do eleitor mais inibido de
enfrentar a urna eletr8nica, o desnivel
entire o padrao politico nas regimes mais
desenvolvidas e nas mais atrasadas (e
tamb6m entire as cidades e o meio ru-
ral), a supressao dos debates pela tele-
visio no primeiro turno e, no nosso caso


com maior inclemEncia, as grandes dis-
tAncias.
Nosso governador aposta tudo neste
filtimo fator. Ele diz que as dificuldades
de acesso ao local da votagao abocanham
40% do universe dos eleitores cadastra-
dos pelo TRE. Assim, de 3,2 milh6es de
cidadaos considerados aptos a votar, mais
de um milhao nAo vao as suas respecti-
vas seq9es eleitorais porque 6 dificil che-
gar at6 elas e a legislagao impede que os
interessados nos votos se responsabili-
zem pelo transport de toda essa massa.
O factor 6 ponderavel de fato, mas 6
pouquissimo provAvel que esse percentu-
al seja verdadeiro. E mais uma das bom-
basticas estatisticas geradas empiricamen-
te, sem uma base demonstradora. Deve
ser muito inferior ao que calcula o gover-
nador (de olho na legitimifdade da pr6-
pria eleig9o), mas nao pode ser maior.
Se o ato de votar pode causar constran-
gimento e intimidar o cidadao inseguro
quanto A sua capacidade de "fazer boni-
to" diante do p6blico reunido na segao
eleitoral (e nao se pode ignorar que 43%
do col6gio eleitoral do Para 6 formado por
analfabetos funcionais), por outro lado
esse 6 um program que o cidadao do in-
terior faz tudo para nio perder. Veste o
seu melhor traje para ir votar. Portanto,
nao desiste com facilidade.
Se os candidates a cargos proporcionais
n~o repetiram no segundo tumo o empenhio
aplicado no primeiro turn para atrair elei-


stores, contribuindo para a elevago da abs-
tenaio entire as duas vota95es, deverse per-
guntar pelas razies dessa desmotivaao. Foi
apenas porque a batalhaja havia se encerra-
do para esses candidates e eles lavaram as
maos (se 6 possivel tal assepsia)? Foi por-
que nao receberam o dinheiro que queriam?
Ou, por esses dois motives e mais alguns
outros, foi tamb6m porque nao hA outro in-
teresse mais nobre envolvido, reduzindo-se
o fisiologismo com o cabega de chapa?
t muito c6modo inventor estatisticas
para atenuar o impact da abstenglo re-
corde paraense sobre a legitimidade da
eleigao aqui realizada. Para evitar que no
future uma crise derrube todas as des-
culpas e coloque o Estado de cara corn a
falencia do process eleitoral, 6 precise
ver a realidade com os olhos da verdade
e utilizar todos os mecanismos capazes
de reverter a situagao.
O combalido e abfilico TRE tern que
atualizar o seu cadastro, dando-lhe confi-
abilidade plena, reestudar a configura9So
e distribuigio espacial de zonas e seqfes
eleitorais, e adequar a estruturajuridico-
legal a realidade especifica do Para, Par.
tidos e politicos, de sua parte, tmr que
analisar os problems de transport e for-
magao de eleitores. E a sociedade precisa
incluir esse item na sua agenda de ques,
t6es vitais. Sem o que todos ficamos ame-
agados de nos expor, na pr6xima eleiqlo
geral, a um vexame ainda maior, entran-
do num beco sem said. 0


Contas da

temporada
Pelo segundo mrs consecu-
tive, o Estado fechou o seu ba-
lango de setembro com prejuf-
zo. A receita foi de 210 milh6es
de reais, mas a despesa alcan-
gou R$ 257 milh6es, com um
buraco, portanto, de R$ 47 mi-
lhoes. Em agosto o deficit foi
de R$ 60 milh6es. Nos dois
meses o govemo retirou R$ 117
milh6es da sua reserve (equi-
valente ao lucro nas empresas
privadas) para cobrir suas des-
pesas crescentes. Emjulho elas
foram de R$ 211 milhoes. Em


agosto pularam para R$ 347
milhoes, caindo em setembro
para R$ 257 milh6es, ainda as-
sim acima da m6dia do perio-
do anterior. Gragas A venda da
Celpa, o Estado fechou agosto
com R$ 512 milh6es em caixa.
Em setembro esse saldo baixou
para R$ 456 milhoes.

Epidemia
Um reporter escreveu
que, quando praticado, o cri-
me de James Vita Lopes,
condenado por envolvimen-
to no assassinate do ex-de-
putado Paulo Fonteles de
Lima, "nao estava no holl


dos hediondos". Certamen-
te quis escrever rol.
Este 6 apenas um dos muitos
exemplos diarios, talvez o mais
bizarre desse dia, das gralhas
que cada vez mais se multipli-
cam nas paginas dos jomais. O
regime massacrante de trabalho,
a baixa remuneragao, os diver-
sos fatores de desestimulo e o
pr6prio regime ultra-acelerado
de produg9o das publicag6es di-
Arias servem de causa para tan-
tos erros, nem todos podendo
ser transferidos para os largos e
abstratos costados "da impren-
sa". Seguramente o fim do re-
visor, sem a contrapartida de
uma melhor qualificaglo do re-


dator das mat6riasjornalisticas,
tamb6m influi nessa perda de
qualidade.
Independentemente das cau-
sas, por6m, providencias tem
que ser adotadas para manter a
proporcgo de erros e falhas da
imprensa cotidiana numa mar-
gem aceitAvel, a da excecao.
Esse percentual pode estar atin-
gindo o nivel de calamidade, do
erro como regra. E contribuin-
do para agravar um dos mais
s6rios problems do jornalisno
atual: a perda de credibilidade
junto a opinion pTblica.
A responsabilidade 6 de to-
dos, dos que erram mais e tam-
b6m dos que acertam mais.


I









A administrag9o pfi-
.Jal adual tera que se-
guir, a partir de agora, um
novo modelo para a publi-
cacAo de extratos de ter-
mos aditivos a contratos
que assinar. O novo ,mo-
delo, adotado na semana
passada pelo Tribunal de
Contas do Estado, contri-
buiri para dar mais clare-
za aos atos do governor.
Todos os extratos precisa-
rdo center o n6mero do
termo aditivo e do contra-
to originArio, o objeto do
contrato originario e seu
valor, a modalidade utili-
zada (licitacao, dispensa
ou inexigibilidade de con-
correncia), as parties, o ob-
jeto, justificativa, valor e
vigencia do aditamento, a
dotagAo orgamentaria, o
'ordenador responsavel e
referencia a aditivos ante-
riores (se houver, corn
data e valor).
Em 1995 o TCEji ha-
via elaborado um mode-
lo para os aditamentos
contratuais, mas a prAti-
ca mostrou que os itens
por ele exigidos nAo eram
suficientes para dar ao
piblico as informag9es
necessArias ao entendi-
mento dos atos do gover-
no. Seguidamente esta
segao apontou falhas, uti-
lizadas' por maus admi-
nistradores pfblicos para
sonegar informa96es ao
cidadlo. Surgiu uma es-
p6cie de ind6stria da
prorrogagio de contratos,
desaconselhAvel, moral-
mente condenavel e ate
legalmente duvidosa, que
precisava ser contida.
A iniciativa do tribu-
nal, aprovada pelo plena-
rio atrav6s de resolugAo,
sana essas deficiencias,
permitindo ao leitor do
Diirio Oficial passar a
dispor de refer8ncias para
compreender o que o adi-
tamento contratual signi-
fica. A iniciativa do TCE,
por isso, merece elogios:


fica do lado do cidadao (e
contribuinte), ao mesmo
tempo que contribui para
dar major visibilidade A
ag~d lcial. Com a provi-
denicia, s6 saem perdendo
os que querem lesar o in-
teresse pfblico. E bom
que, mesmo de vez em
quando, percam.

A Secretaria de Cul-
tura tem sido contumaz
em sonegar informagfes
na sua documentaqdo ofi-
cial. 0 Didrio Oficial do
dia 5 publicou o extrato
do contrato da Fundacdo
Tancredo Neves cor a
Valeverde Turismo para
"o fornecimento de pas-
sagens areas Nacionais
e Internacionais para
tender a II Feira Pan-
AmazOnica do Livro",
cor vigencia de dois me-
ses. Nao indica a modali-
dade do contrato (se de-
rivado de concorrdncia,
carta-convite, dispensa
ou inexigibilidade de lici-
tavao), nem o seu valor.

Pelo terceiro mes se-
guido melhorou a apre-
sentaggo do demonstrati-
vo da receita e despesa do
Estado. O quadro de se-
tembro tornou-se perfeita-
mente legivel, assumindo
a feigao dos balangos das
empresas privadas. Para-
bens A equipe da Secreta-
ria da Fazenda, responsi-
vel pelo trabalho. Ficou
provado que a matriz do
Siafem nao era mesmo fa-
tor impeditivo.

0 Didrio Oficial dos
dias 4 e 5 publicou os ex-
tratos de tres contratos de
@ prestacdo de services en-
tre a Secretaria de Sazde
e clinicasparticulares, no
valor total de atd 114 mil
reals, por um ano. Nenhum
dos contratos identifica o
ato que os originou (algu-
ma forma de licitagdo ou
sua dispensa).


TCE abre o olho


sugerindo tratar-se de uma
montagem. Mas nao era.
Constrangido, Parsifal es-
creveu uma carta e passou-a
por fax para Jader. Explicou
que na 6poca era imaturo e
estava mal informado sobre
o politico do qual viria a ser
companheiro de chapa. Ja-
der nao responded, nem to-
cou no assunto. Sua expec-
tativa era de uma explicaglo
pessoal, nao por carta. E,
acompanhando-a, a renin-
cia.
Mas se essa era sua posi-
glo intima, o senador peeme-
debista guardou-a para o seu
circulo mais pr6ximos. Para
o piblico externo, elogiou o
comportamento de Parsifal,
que atuou intensamente na
i campanha e at6 aplicou nela
S400 mil reais de recursos pr6-
i prios (ao contrario do vice da
!. chapa anterior, Carlos San-
S.tos), al6m de ressaltar o acer-
to da escolha do ex-prefeito.
Mas provavelmente a par-
Sceria entire os dois chegou ao


dade, a empresa poderia con-
tribuir para o Estado com o
pagamento dos impostos que
o Minist6rio Piblico a acusa
de estar sonegando (ver JP n"
194). O rombo, segundo o
MP, seria de 41 milhbes de
reais. Numa das fraudes de-
nunciadas, a empresa abate o
ICMS da conta dos distribui-
dores dos seus produtos, mas
nao o recolhe aos cofres pi-
blicos, naquilo que se conven-
cionou chamar de apropriagao
ind6bita.
Os outros 12 anunciantes
foram: Soc6co, Cesep/Una-
ma, grupo Rede (que comprou
a Celpa), Multifrios, Copala
(para quem o Estado interme-
diou um acordo muy amigo),
Aspin Eletro Center, Associ-
agAo Comercial do Para, Fe-
derag9o do Comrrcio e insti-
tuiqges associadas, Bel6m
Importados, Macedo Seguros
e as prefeituras de Braganga
e Ananindeua.
Por enquanto, registrar.
Depois, conferir.


Vt .19 ":ii

^ No fig 41 93 \' ,j c eo'eir, iseia

Dons ataques eq e 15. ATIN
Dos ataques rq~~ei ressifini t ooutro supe-
durante a campanha elito rasse o constrangimento, de-
p senador Jader Barbalho safios formidiveis mesmo
lentiu profundamente um para politicos de est6mago
golpe: a exibi9go de um vi- forrado com o couro de mui-
VMeo-tape com o discurso de tos sapos deglutidos.
Si eu vice-governador, Parsifal
y ontes. A fita fora gravada
bm 1990, quando Parsifal, Na ferradura
;,prefeito de Tucurui, empe- A Cerpasa comemorou, a
ihado na campanha de Sahid 31 de outubro, com um anin-
Xerfan, que disputava o go- cio de meia pigina, o maior
Sverno com Jader Barbalho, dentre os 13 que assinalaram,
profetizou que se seu future nas piginas de O Liberal, a
aliado retornasse ao cargo reeleigio do governador Al-
roubaria 10 vezes mais do mir Gabriel. A empresa ma-
que antes, no mandate de nifestava "a certeza de que os
1983/87. pr6ximos 4 anos serio, nova-
Ai Ainica resposta do sena- mente, de muito trabalho e
dor do PMDB, quando pro- agio para o desenvolvimento
vocado a respeito, foi ques- do Para".
tionar a integridade da fita, Mais do que com publici-


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