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parou Jooal Pessoal O.'Par, 4 L C O FL A VIO PINT O Passarinho ANO XII N= 198 1 QUINZENA DE NOVEMBRO DE 1998 R$ 2,00 responded PO CA (PAG. 6) POLITICAL Em caminho paralelo Passada a eleigdo, o caminho das elites paraenses segue em paralelo cor as grandes quest&es econ6micas e socials do Pard. Hdperdedores e vencedores, mas a distdncia entire a vida political e a realidade ndo diminuiu. Nem a relagdo de nomes disponfveis apresenta esperanp.qaratp future. A political continuard a ser invertebrada e volfuvel na Asi o e m sdculopara outro. ser 'v C, -Ntat . t+ I-" +-- ' S vida political pode ter se dis- tanciado um pouco mais da vida econ6mica e social no Pard na eleigAo deste ano. A /i conseqiiUncia l6gica desse di- v6rcio 6 que um dos Estados cor maior potential de desenvolvimento do Brasil poderi continuar sem sucesso por mais tempo na busca da conciliagco, sem a perspective de realizi-la. Falta-lhe lide- rangas adequadas para essa tarefa. Os tr6s principals grupos politicos que se formaram para disputar a eleigdo geral de 1998 tem vit6rias e derrotas a contabi- lizar, sem que de sua apuragdo dos fatos, sujeita a inevitiveis perturbac6es subje- tivas pela euforia dos que ganharam mais e o rancor dos que perderam mais, result em avango real para o Estado. Inegavelmente, o maior dos vencedo- res foi o grupo do governador Almir Gabriel. No entanto, s6 a cegueira da euforia imediata A vit6ria explica os exa- geros da comemoragao por causa de uma "goleada de cinco a zero". Recorrendo A linguagem futebolistica, que nao 6 exa- tamente o seu forte, o governador enu- merou as vit6rias (a principal, no primei- ro e no segundo turno, para o senado, a cAmara federal e a assembldia legislati- va) como se tivessem sido um "passeio". Transtornado por uma visao muito particular da realidade, o governador I' '" *v-jLv L t i Lr ; LAZL .,,.A!"U K , / " 'F'" **t '.*L "- t t---"--. - .. .. ..,; , ., ",, ,. .+ ,.'. _. .: -, y+. : .t,:' tI +_ . ..' + : ("f f..> 2 JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 )garantiu ter eleito 13 dos 17 deputa- dos federais, como se considerasse fora do seu redil apenas a bancada de qua- tro deputados eleita pelo PMDB. Ele "esqueceu" os tres parlamentares do PFL e os tres do PT, que, pelo menos formalmente, estabelecem a relagao de sete para 10, desfavoravel a ele. O placar imediatamente p6s-eleito- ral costuma ser alterado assim que o ungido pelas urnas p6e a mao nos ins- trumentos do poder, principalmente na chave do cofre pfbli- co (o que, no caso pa- raense, significa con- tinuar com "a m.o na massa", conforme a linguagem de geral de - estadio que Almir Ga- briel incorporou ao seu vocabulario duran- . te a campanha eleito- ral). Ele pr6prio assumiu o governor com nao mais do que seis deputados estaduais e terminou cor toda a casa fazendo-lhe coro, exceto os quatro mosqueteiros petistas (o mais atuante dos quais atirado a rua da amargura por capricho do capo do partido). Nao 6 dificil comprar a adesdo de adversarios e at6 inimigos quando a ne- gociagao ocorre num mercado de fran- co fisiologismo e a opinilo p6blica 6 mantida A distancia dos entendimertos de bastidores. Esses dois components da ma political estdo cada vez mais pre- sentes e dominantes na cena paraense. O eleitor at6 que faz a sua parte, den- tro das limitagces que lhe sdo impos- tas, mas os resultados finals sao desa- nimadores depois dojogo das traig6es e conveniencias. A Assembl6ia Legislativa que emer- giu das urnas deu A coligag~o gover- nista 26 das 41 cadeiras. Nao houve, portanto, exatamente uma goleada. Mas, al6m da maioria confortavel, Al- mir Gabriel vai dispor de um audit6rio ainda mais receptive do que o da atual legislature para propostas que seriam classificados de indecorosas por pa- dr6es 6ticos e morais postos fora de moda, mas que, na fraseologia corren- te, passaram a ser classificadas de "pragmaticas". O legislative eleito reproduz a fisi- onomia (ou o perfil, se preferirem) de um Estado que ter a maior proporcgo de populagao rural do pais, pulveriza- da em um vasto territ6rio, penetrada por alta taxa de imigragdo, nucleada em fontes de renda atomizadas em alguns pontos da sua extensdo (o que os t6c- nicos chamam de enclaves) e desvin- culada de qualquer projeto unificador, capaz de reunir identidades. Al6m disso, varios politicos, at6 mesmo por forga dos custos crescen- tes impostos As campanhas eleitorais para torna-las eficazes nas condig6es do Estado, deixaram de ser interme- diarios de empresarios e de interesses econ6micos para se tornarem, eles pr6prios, tamb6m empresarios. E, em geral, atuando como V 1 _V empreiteiros, conces- sionarios ou fornece- dores do poder pfbli- co, dependendo dos humores e disposicges do ordenador das des- pesas publicas. Em Spare por isso, os de- bates no legislative se despolitizaram, assumindo mais as fei9ges de uma bolsa de neg6cios. E esse o tom geral da political para- ense, que perdeu virilidade e consis- tencia, consolidando a posigao de um politico como Almir Gabriel. Ap6s a votagao mediocre quando foi candida- to pela primeira vez ao governor do Estado e da renfincia desconcertante A dispute pela prefeitura de Beldm, em 1992, ele conseguiu voltar A linha de frente aproveitando-se de uma conjun- tura especialmente favoravel, em 1994, em pouca media produzida por seus m6ritos pessoais. A partir dai, As qualidades do efici- ente organizador da administragao se superpuseram as habilidades do poli- tico que nao v8 obstaculos para alcan- gar seus prop6sitos. Isso nao seria ne- gativo se o governador Almir Gabriel tivesse um plano para o Para, se me- tesse a mao na inevitAvel lama da poli- tica paraense disposto a moldar essa mi argila num bom molde, produzindo uma cerimica de valor artistic. Mas a nenhum dos seus interlocutores o go- vernador apresentou um piano, um pro- grama, um projeto ou uma propostav de ag~o para o Estado. A interlocugdo foi sempre em torno dos mecanismos de poder, do depravado franciscanis- mo do "toma la, dA ca". Os aliados que se incorporaram a nau governmental tiveram logo direi- to a assessorias especiais, em quanti- dade proporcional ao seu volume de votos, voltando a inchar essa excres- cencia da administragdo p6blica, que engole 500 mil reais todo m8s, nive- lando servidores que efetivamente tra- balham aos que s6 passam no caixa para recolher dinheiro, resguardados pelo clientelismo de ocasiao. Antes de conquistar o direito de nomear asses- sores, Almir Gabriel prometera sanear esse covil de fisiologismo, aumentado A elefantiase no segundo governor Ja- der Barbalho. Mas quase igualou ao record do antecessor. NTo se ter uma s6 noticia de enten- dimento em torno de um program ou de um dialogo tematico para a tal "uniao pelo Para". Todas as cartas co- locadas A mesa diziam respeito A ree- leigao de Almir Gabriel. Diante dele, nos dois debates pela televisAo ja no 20 turno, o senador do PMDB disse, sem ser contestado, que o governador Ihe oferecera parte do secretariado, os cargos de vice-governador e senador em caso de alianga e at6 ajuda finan- ceira (que seria de 10 milhaes de re- ais) para eleger candidates do PMDB as deputag6es. Tudo isso para nao ba- ter chapa cor Almir Gabriel, que se disporia a engolir as acusagces de cor- rup~io que assacaria, sem muito jeito e competencia, contra o ex-quase-fu- turo aliado nos moments finals do confront eleitoral, mais como arma de intimidagao do que como meio de es- clarecimento plblico. A stores maioria dos elei- que deram a vitd- ria ao governador deve estar convencida de quefez a melhor opqdo em favor do Estado. I provavel que, no final das contas, haja alguma razdo pragmatica nessa es- colha. Cor mais quatro anos de man- dato, podendo, em 1989, finalmente inaugurar obras que lhe renderao gran- des dividends, 6 possivel que Almir Gabriel rapidamente busque um novo entendimento com Jader Barbalho, aproveitando o poder que ele ter como influence senador da Rep6blica e pre- sidente national do PMDB para se re- forgar junto A corte brasiliense. Pode- se esperar do retorno dessa alianga um ganho real para o Estado, ou ela vai tender apenas aos interesses pessoais e grupais de cada um, ja que discussao JOURNAL PESSOAL Ia QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 3 programitica foi a grande lacuna da campanha eleitoral e de todo o primei- ro quatrianio de Almir Gabriel? Essa 6, pelo menos, uma poderosa hip6tese a considerar. O governador nao tem as qualidades de um grande lider politico. E avesso ao contato pes- soal, tem uma postura distant, impae sua carranca ao interlocutor e seu vezo autoritArio compromete o sucesso da negociagco que faz pessoalmente. Ele jamais disputaria para valer uma elei- 9ao majoritAria sem uma ajuda inten- siva da propaganda e do marketing, al6m do suporte da maquina official. Contando com essas ferramentas, sua eficAcia se multiplica porque ele maneja como poucos as engrenagens do poder. Almir nao mede esforgos nem seleciona meios para conseguir o que pretend. Por isso, contou corn o apoio de 37 dos 41 deputados esta- duais, incluidos os do PMDB ate a un- d6cima hora, sem jamais ter reunido coletivamente com eles, sem nunca haver-lhes proposto a discussao dos grandes temas econ8micos e sociais do present e do future do Para. Rea- lizou essa facanha 6nica na hist6ria political estadual oferecendo vanta- gens, trocando favors, seduzindo, agindo como um monarca ou ao menos como um prestidigitador (ou, quem sabe, como aqueles sertanistas que atraem indios arredios oferecen- do-lhes bugigangas). O governador executou a political do soba. Ao encon- trar resistencias ou A T-Wfy, vislumbrar diver- 7 gencias, contornou o alvo, mesmo ao cus- EM MII to de causar prejui- zo ao Estado. Foi as- sim que relegou A marginalidade a bancada federal, com a qual reuniu i uma inica vez, em setembro de 1995, nove meses depois / de ter assumido o governor. Mas n.o se pejou em capi- talizar monopolisticamente as obras federais viabilizadas por emendas e presses parlamentares sobre o orga- mento da Unio, quando, A falta de realizag9es pr6prias, precisou im- pressionar o eleitorado. t bem ilustrativo o fato de que as pesquisas encomendadas pelo gover- no mostrassem um politico fraco na pele de um administrator aprovado. Os resultados apurados das sondagens feitas at6 meados do ano passado re- velavam m6dias altas de reconheci- mento As obras de Almir por entrevis- tados que nio votariam nele. A forma de resolver esse impasse foi a inten- sificaggo da propaganda e da alianga com a midia poderosa, a partir de se- tembro de 1997, com o "conv6nio" Funtelpa/TV Liberal. Mas, paradoxal- mente, enquanto os indices de popu- laridade do governador cresciam, a aprovagdo ao seu governor declinava. Nao era a mensagem que estava rece- bendo endosso, mas o meio utilizado que revelava sua eficAcia. Foi a vit6- ria da manipulagdo de massa. O prego da vitoria de Almir Gabriel, apu- rado no recondito dos gabinetes corn seus mais intimos colaboradores, terd sido alto como nunca antes na hist6- ria political do Para. A denuncia de Jader Barbalho, de que 300 milh6es dos 456 milhoes de reais ar- recadados com a venda da Celpa fo- ram gastos nos tres meses anteriores A eleiCgo 6 muito gra- ve para ser colocada de lado com a res- posta superficial !. dada do governador. Provocado por uma jornalista para expli- car melhor a situa- 9ao, ele justificou- se, nao sem antes intimida-la grossei- ramente: "eu nao disse que ia pegar o dinheiro e ficar sentado em cima dele". Nao seria de esperar e muito me- nos de desejar que o governador con- gelasse numa conta bancAria essa apreciAvel soma de dinheiro para in- vestimento, obtida em 6poca para lI de propicia, gragas A precipitagao da privatizagAo da Celpa, sem melhor avaliacgo. Mas ele deveria vincular es- ses recursos a um piano de aplicagao especifico, expondo-o perante a opi- niao pfiblica, ao inv6s de transformi- lo numa conta especial vinculada ex- clusivamente ao chefe. Teria evitado a suspei9ao suscitada pelo adversArio e se poupado da resposta insatisfat6- ria e carrancudada dada A reporter. Ao contrArio, pode ser acusado de ter agi- do exatamente igual, no uso de uma conta de R$ 456 milhoes, ao que fez Jader com o diferimento da Alunorte (numa conta de R$ 16 milh6es). No calor natural da vit6ria e sob os aplausos ardorosos dos aulicos corte- saos, o governador pode ser tentado a achar que tudo pode a partir de agora e que seus m6todos estao consagrados. Mas, para o bem da coletividade e a salutar corregao do rumo seguido no primeiro mandate, ele poderia atentar para varios fatores relativizantes. Em primeiro lugar, para os meios desproporcionalmente superiores de que disp6s em relagIo aos seus adver- sArios. Alguns parceiros saberao co- brar os valiosos favors que prestaram ao governador, com juros de agiota e corregao monetiria de inflacionista, como o grupo Liberal. Em segundo lu- gar, sua vit6ria no segundo turno foi inferior A do primeiro turno, bem abaixo da pesquisa de boca de urna do Ibope e muito aqu6m da previsdo feita por ele mesmo logo depois da votagdo. Em terceiro lugar, o indice de abstengao record, de quase 40%, engolindo mais votos do que os con- feridos ao vitorioso, minam a legimi- dade da vit6ria. Mas sera que Almir de Oliveira Ga- briel ainda consegue ouvir qualquer voz divergente da sua? Ou pior: que nao seja a sua? Quem viu e ouviu o discurso que ele fez no comicio final de Castanhal deve ter ficado perplexo cor o elogio que fez dos m6ritos de Almir Gabriel, tratando-o na terceira pessoa do singular, sem poupar-lhe elogios. Talvez esta seja uma amostra do distanciamento generalizado em que se mant6m a classes political da realidade econ6mica e social do Para, uma dissociagao a que os psicanalis- tas dao o nome de esquizofrenia e que, em dimensAo coletiva, costuma-se chamar de alienagio. O ParA saiu da elei9ao como entrou: sua elite aliena- da do seu grande drama. * 4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 No Para, a realidade nao consegue ter vez O ParA ter o pior IDH (indice de Desen- volvimento Humano) da Amaz6nia e o 180 do pais. Segundo a atualizaqao feita pelo PNUD, 6rgao t6cnico das NaqSes Unidas (a ONU) para este ano, com dados de 1995, em relat6- rio divulgado em setembro, o IDH do Pard 6 de 0,703 (numa escalapossivel de zero a um), situando-se no nivel m6dio de desenvolvimen- to. Se fosse uma nagao, o Pard equivaleria ao Paraguai, ficando em 92 lugar no ranking mundial. O Brasil encontra-se agora em 62 lugar, tendo ingressado pela primeira vez, no levantamento deste ano, no bloco dos 64 pai- ses classificados pelo PNUD como tendo alto desenvolvimento human, no conjunto das 174 na96es existentes no planet. No relat6- rio anterior, o Brasil estava em 68 lugar, ain- da entire os paises de mddio desenvolvimento. O IDH paraense s6 6 maior do que os de oito Estados nordestinos e o do Tocantins, que nao faz parte da Amaz6nia ClAssica, mas, para efeito da political de incentives fiscais, integra a Amaz6nia Legal. Eles compSem o Brasil mais pobre. Todos os outros Estados amaz6- nicos, incluindo o Acre, que at6 1980 esteve abaixo do Pard, tnm indices superiores. A melhor posi9ao 6 a de Rond6nia, em 10 lugar, com indice de 0,820. A colocagAo ime- diatamente seguinte pertence a Roraima, corn indice 0,818. As posic6es seguintes sio todas da regiao: o Amapa em 130 lugar (0,786), o Amazonas em 14 (0,775), Mato Grosso em 150 (0,767) e o Acre em 16 (0,754). O ParA estA em posig6es menos desfavo- raveis em dois dos tres indicadores que for- mam o IDH. Em relagao A esperanga de vida 6 o 14 (a expectativa de vida de cada habi- tante seu ao nascer 6 de 67,56 anos). Quanto Staxa de alfabetizagao 6 o 160. Mas cai para 180 em PIB (Produto Interno Bruto), que 6 de 4.268 d61ares per capital. Isto quer dizer que o que mais falta ao seu habitante 6 uma cota de dinheiro suficiente para melhorar suas condig9es de vida, decorrente da concentra- gao da renda (ver, a prop6sito, a edigio anterior do Jornal Pessoal). E, portanto, inteiramente improcedente o quadro r6seo pintado pelo governador Almir Gabriel na campanha eleitoral, querendo con- vencer os paraenses de que seu Estado 6 o quinto melhor do pais. O que tem havido, ao long das iltimas tres d6cadas, 6 uma pro- gressiva deteriorag9o da posigqo do Estado na federaaqo brasileira em fungao das dis- tor9qes do seu crescimento econ6mico. Em 1970 o ParA estava em 140 lugar, descendo para 16 em 1980, 170 em 1991 e 18a partir de 1995, mantendo-se nessa posigao no in- ventario do PNUD deste ano. No debate com Jader Barbalho, o govema- dor atribuiu os problems do Estado a sua alta taxa de imigragio, fazendo-o absorver milha- res de pessoas trazidas pela abertura da fron- teira. O incremento demogrAfico atrav6s da colonizagao realmente pode constituir uma di- ficuldade s6ria, mas Rond6nia, recebendo pro- -Interesse piblico- porcionalmente muito mais imigrantes do que o ParA, registrou melhor desempenho no mes- mo period, apenas descendo um posto, do 90 para o 100 lugar. Deixou o ParA bem para trAs. O "grande projeto", apresentado como soluqao para desenvolver o Para, tem sido, na verdade, o responsAvel pelo agravamento das distorq9es visiveis que apresenta, entire as quais a de atrair muito mais gente do que 6 capaz de empregar, e de gerar localmente muito menos renda do que a multiplica na terra do comprador dos produtos desses gran- des empreendimentos. Esse 6 o aspect pa- tol6gico do "modelo" de ocupagao referen- dado pelo governor federal. Evidentemente, essa situaqao nao foi cri- ada pelo atual governor do Estado. E produto de vArios deles. Mas a atual administraqao pode estar perpetuando ou multiplicando os efeitos indesejaveis desse "modelo", apesar da ret6rica em contrArio. O patrocinio da expansao agricola com a cultural da soja, por exemplo, 6 um dos equivocos que contribui- ra ainda mais para agravar a concentraqao fundiAria, a migrag9o rural/urbana e a degra- dagqo do solo. Ja a incapacidade do govemo em forqar a expansao de cadeias produtivas a partir dos mastodontes de exportaqao res- ponde pelo reduzido ou quase nulo efeito multiplicador desses imensos ativos encra- vados no territ6rio paraense. Tudo bastante diferente do que apregoa a propaganda do govero. 0 N Alegando uma"situagao emergen- cial", o procurador geral do Estado, Joao de Miranda Leao Filho, aprovou a dispensa de licitaygo e a contratagio direta para a execuaio de tres servigos na sede pr6pria da Procuradoria, re- c6m-concluida: fotografia do prddio, pintura e remanejamento de piso, al6m de limpeza, e instalaqao de aparelhos de ar condicionado. Por que a emergencia? Porque e precise inaugurar logo o pr6dio? Ndo seria necesskrio apresentar publica- mente as justificativas do director de administraqao da Procuradoria sobre a "emerg6ncia", referendadas por seu chefe? Os servigos contratados sem concorrencia nAo podiam ter sido pre- vistos a partir do inicio das obras no local onde funcionou o Col6gio Abraham Levy (que deveria ter sido preservado, mas acabou sendo com- pletamente substituido)? Aldm disso, o procurador geral nao deveria ter informado, em suas tres portarias emergenciais, qual o valor de cada um dos contratos? Ou a emergin- cia tomou irrelevantes tais detalhes? 0 quarto termo aditivo ao con- trato n22/97 da Secretaria de Obras cor a Marko Engenharia aumentou em mais dois milhoes de reais o va- lor da obra. 0 sumarissimo extrato, publicado no Didrio Oficial do ilti- mo dia 16, nao esclarece, mas pro- vavelmente trata-se da Estagdo das Docas, cuja execuqo foi iniciada no ano passado. Se o valor daplaca da obra confere, estabelecendo seu va- lor orqamentdrio em RS 6,2 milhoes, o acrscimo desse quarto aditamen- topode ter sido superior aos 25% au- torizadospela legislagqo como limi- te tolerdvelpara a elevaqio do custo sem a necessidade de nova concor- rencia piblica. Em beneficio do interesse pzibli- co, a Seop poderia informar qual o valor de cada um 4cs aditamentos feitos ao contrato original e qual a suajustificativa. 0 4 aditamento li- mita-se a dizer que se trata de uma "re-ratificaido de verba ". 0que isso significa? Afalta de informaqfo cla- ra e suficiente faz cor que prolife- rem verses informais sobre o custo final da obra, que poderia estarpas- sando de R$ 10 milhoes. Se esse nl- meroforprocedente, a obrapode vir a ser inquinada de irregular M O DO do dia 19 publicou o ex- trato de um contrato, no valor de R$ 78 mil, vAlido por dois anos, entire a Assemblia Legislativa e a Batik Equipamentos, para a instalaFgo e manutenao de uma central telef6- nica, al6m de treinamento de pesso- al. 0 document, entretanto, omite uma informanao essencial: qual a modalidade da relafto (se concor- rdncia, convite ou tomada de preqo, se nao houve dispensa ou declarada a inexigibilidade de licitagao). E 0 DO do mesmo dia 19 publi- cou oitoportarias assinadaspelo se- cretirio de cultural, Paulo Chaves Fernandes, entire janeiro e feverei- ro, ou seja, ate oito meses antes. Tres delas autorizaram o assessor da Se- cult Alexis do Carmo a ir nada me- nos do que tres vezes ao Rio de Ja- neiro em fevereiro, Id permanecen- do por quase duas semanas alter- nadamente, para tratar "assuntos referente (sic) ao Projeto o Pari e Beja-Flor, no Rio de Janeiro ". * 0 DO do dia 23 abrigou a rese- nha de 42 extratos de contratos de servidores temporarios contratados pela Fundaqao da Crianga e do Ado- lescente do Part. Mas nada informa sobre o period de contratagao e o valor dos salArios. Deveria. * DO ainda desse diapublica oex- trato do l" aditivo de acriscimo de valor a um contrato de empreitada entire a Secretaria de Transportes e a Construfox, no valor de R$ 211 mil para a conservagao de 120 quil6- metros de estrada em Parauapebas. Faltou informar a data e o valor do contrato original. * Hamilton de Oliveira e Silva, moto- rista da Seicom (Secretaria de Indfs- tria, Comdrcio e Mineraqao). Rece- beu cinco didrias para viajar para Bar- carena, Abaetetuba, Moju e Mocaju- ba, "a servigo" da secretariat. Nessas ocasiSes, todos os 6rgaos da admi- nistra io puiblica teriam que especi- ficar o motivo da viagem e nao se referir a ela genericamente. * JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 5 Acabou o baratismo? As derrotas de Jader Barbalho e Hl6io Gueiros terao tid o condo de sepultar os iltimos remanescentes de uma forma de po- pulismo que no Pard foi batizada de baratis- mo, em homenagem ao caudilho Magalhaes Barata, que a fundou? Sao poucas as d6vi- das sobre o final da carreira de Hl6io Guei- ros, o mais antigo dos dois politicos (ceticis- mo que as imprevisiveis surpresas do passa- do devem relativizar). Mas ainda nao 6 o fim de Jader Barbalho. Ele tem mais quatro anos como senador e um bienio pela frente como president nacio- nal do PMDB. Ainda 6 interlocutor credencia- do do president da Repiiblica. Estara cor 57 anos na eleigao de 2002. Chegara a ela, por isso, com um poder politico consideravel. Nao mais, por6m, como o imbativel e surpreenden- te politico que enfrentou a eleigao de 1998. O grande m6rito de Jader neste ano foi ter tomado a decisao certa para si, mesmo contra seus mais intimos desejos, e nao ter fraquejado diante da op9ao compuls6ria, corroendo-se por dentro, como sucedeu com Jarbas Passarinho em 1994. Se tivesse acei- tado a alianca cor Almir Gabriel, teria aber- to um flanco para que o governador tentas- se, durante os pr6ximos quatro anos, redu- zir o PMDB a uma extensao despersonali- zada do PSDB. Ignorar a dispute governa- mental equivaleria a uma renincia a condi- 95o de chefe politico. Se nao fosse ele o adversArio, 6 quase cer- to que Almir Gabriel teria vencido ja no 1 turno. Mesmo sofrendo a primeira derrota da sua carreira political de 32 anos, Jader pulou de 36% para 46% dos votos vAlidos entire o 1 e o 2 turnos, com um incremento ligeiramente superior ao do governador nes- se period. A margem favorAvel a Almir, por isso, caiu de 8,2% para 7,7%. O Ibope pre- via 12% a mais para o governador no 20 tur- no. Dos 38% de votos consolidados que as pesquisas qualitativas Ihe davam, Jader che- gou bem mais long com seus 46%. Nao 6 pouco para algu6m tao estigmatizado. Mas tamb6m ja nao 6 pouco obstAculo para suas qualidades de lider. Esse resultado mostra que, niuma dispute bipolarizada, ele teria sucumbido no 1 tur- no. Seu um terqo de voto cativo 6 contraba- langado por pouco mais do que isso entiree 36 e 38%) de voto plebiscitArio contra ele. A associaqao da sua image a dilapidacqo do patrim6nio publico ainda 6 muito forte, a ponto de consagrar, pela mera justaposigao, aquele que se apresenta como anti-Jader. Por derivagao, uma parte consideravel da opiniao p6blica 6 levada a concluir, sem exi- gir provas, que o candidate oposto 6 padrao de decencia e honestidade, dois requisitos for- tes para a escolha do nome a votar. Isto quer dizer que um possivel retorno do president do PMDB ao governor do Pard tera que ser precedido de uma avaliaggo correta da con- juntura e de uma estrat6gia eficaz, sem o que esse caminho Ihe poderA estar interditado a partir de agora. E evidence que ele preferiria nao ter said de Brasilia nesta elei9go, mas, junto com a primeira derrota, volta para a capital federal cor a mesma quantidade de deputados fe- derais e deputados estaduais sob a legend do seu partido. Quantos lideres peemedebis- tas conseguiram tal resultado? Do seu desem- penho no piano national e como forem con- duzidas as diverg&ncias abertas ou agrava- das na campanha eleitoral dependerA a re- composiiao de sua forga. Mas dificilmente ela voltarA ao nivel em que estava antes da eleigao deste ano. Seu Quais serao os protagonistas da prin- cipal batalha da pr6xima guerra eleito- ral, marcada para o cabalistico ano 2000, pela dispute da prefeitura de Bel6m? O principal, por enquanto, 6 o prefeito Edmilson Rodrigues. Mas at6 18 conti- nuara a haver reeleiqao? Os chefes do executive poderao concorrer sem se de- sincompatibilizar do cargo? Da resposta a essas duas quest8es, que o congress national discutirA e tentara re- solver desde o inicio da pr6xima legisla- tura, dependera a forga do atual prefeito. Sua indicaqao pelo PT sera pacifica, ou Ana Julia baterA chapa cor ele na con- vengao? Esta 6 uma outra inc6gnita a ser avaliada quando a correlagao de forgas entire os dois for posta a prova ou com- posta atrav6s de acordo interno. O outro pretendente declarado ao pos- to 6 Vic Pires Franco. Do alto da maior votagao entire os deputados federais, ele aparece como o nome mais forte do PFL. Sua confirmaq9o significara automatica- mente o afastamento forgado ou a renfn- cia voluntaria de Hl6io Gueiros a essa pretensao, que ele nao escondia antes do desastre senatorial. Candidate, Vic con- tinuara integrando as forcas gueiristas ou procurara novo alinhamento? Na segunda hip6tese, ja estaria em an- damento uma leaproximacao com o gru- po Liberal, que ficou privado de um re- presentante em Brasilia com a nAo elei- qao de Gervasio Morgado, o milionario candidate da casa. Se esse reatamento vier a acontecer (hip6tese hoje desconsi- derada pelas duas parties, ao menos para consume externo), haverA dois desdobra- mentos: o grupo Liberal tera que voltar a carisma e sua habilidade, que tantos dividen- dos Ihe renderam ao long do tempo, conti- nuam distinguindo-o dos concorrentes, mas ja nao sao o suficiente para anular ou sequer diminuir substancialmente os pontos negati- vos da sua biografia. Por isso, ele desceu ao nivel dos principals competidores. Seria essa diminuicao suficiente para a decretagqo do fim do populismo? A eleigao deste ano, quando muito, trouxe uma nova forma de baratismo, acrescida do moralis- mo utilitArio dos antigos udenistas, combi- naqio antes impossivel no. campo de batalha de pessedistas e coligados, mas agora unifi- cada sob a roupagem dos neodemocratas tu- canos, muito formalmente neos, muito apa- rentemente democrats. 0 se afastar do prefeito Edmilson Rodri- gues, caso ele va tentar a reeleigio, e Vic tera que romper cor Helio Gueiros (se um novo pacto cor o ex-prefeito nao for tirado do terreno do desvario). Quem poderA ser o candidate do go- vernador Almir Gabriel? As opp9es po- liticas poderiam ser Zenaldo Coutinho dentro do PSDB e Cipriano Sabino, do PPB, no reduto da coligagao, diante do recomendavel acautelamento cor Nil- son Pinto, o deputado federal do gover- nador, e o flamejante senador Luiz OtA- vio Campos (que talvez venham a ser tra- balhados como alternatives para 2002). Uma composigao do governador com o atual prefeito de Bel6m desafia at6 a in- ventiva dos mais criativos orAculos. Nao deve ser possivel. Mas um entendimento entire Almir e Jader 6 tao consideravel quanto a de Jader corn Edmilson Rodri- gues. Pelo simples fato de que, nao se per- mitindo cultivar sombras em seu partido, o senador peemedebista nao ter nomes fortes para disputar a PMB (como nao ter para cargos majoritArios em geral, eterno feitigo a criar embaragos ao feiticeiro). Qual sera a tendencia mais forte: Jader com Almir ou com Edmilson? Uma res- posta s6 poderd comegar a ser dada quan- do, fechadas as feridas e recomposto o cenario desta iltima guerra, o pragmatis- mo dos lideres e a conveniencia de seus interesses ditar os primeiros movimentos. Mais uma vez, o observador externo que retomar A taba paraense ficara estupefac- to ao contemplar a composigao dos exdr- citos antag6nicos, feitas as rearrumages de praxe. Coisa da political invertebrada de um Estado pobre como o ParA. A pr6xima batalha 0 JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 CARTA A*' -W law A 0 ex-senador Jarbas Passarinho en- viou a seguinte carta: Prezado LUcio Flavio Somente agora li o Jornal Pessoal de agosto, corn que me brinda corn sua analise, na qual encontro equivocos, erros surpreendentes a par de genero- sidades. Nao discutireijuizos de valor, masjuizos de fato, quando nao corres- pondentes verdade. No primeiro caso, figure a insistencia corn que voce me consider um desmedido vaidoso. O bom julgador julga os outros por si... Quanto ao resto, peco guarida em seu peri6dico, o que, de resto, e habitual em voce e nem tanto na imprensa em geral. Vamos, pois, aos fatos. As eleiqdes de 82. Voce diz que sofri "ampla derrota eleitoral". A verdade 6 que ap6s a de- fecq o do sr. Alacid Nunes, ele coman- dou a mais violent e virulenta campa- nha de que fui alvo. Contra mim soma- ram-se tres candidates ao Senado. Per- di por estreita diferenga para a soma dos votos a eles dados. O dr. Hdlio Gueiros, que me sucedeu no Senado, teve a metade dos votos que recebi. Isso 6 uma "ampla derrota"? De resto, os rumors de fraudes confinnaram-se. O Pleito de 86. Nunca desmereci a importancia de- cisiva do govemador Jader na minha eleiqAo em 86. Sempre a proclamei. Mas 6 bom lembrar que Magalhaes Barata, no auge do seu prestigio, malo- grou na tentative de eleger seu antigo desafeto Agostinho Monteiro para o Senado. No meu caso, levei a vanta- gem de o govemador ter cooptado qua- se todos os meus antigos correligiona- rios do PSD. Isso seguramente contri- buiu para a facilidade corn que meu nome foi recebido. Ganhei sozinho (vaidade?) por mais de 50 mil votos a soma dos meus concorrentes: Alacid, Aziz Mutran e Cl6vis Ferro Costa. Nao precise somar os votos das sublegen- das ocupadas por Oziel e Baim. Como sou dos poucos que do gran- de valor A gratidAo, logo depois dei tes- temunho disso. O govemador que ele- geramos na alianca, o dr. Hdlio Guei- ros, desaviera-se corn o dr. JAder, que, sem mandate, corria risco de ver sua lideranca abalada. Morto em acidente adreo, o ministry Marcos Freire, liguei o telefone para o president da Repii- blica, Josd Samey, meu amigo. Lem- brei-lhe o nome do dr. Jader para a Pasta da Reforma AgrAria. Autorizou-me a fazer o convite, mas cor a condiao de que se aceitasse perderia o IBDF, que ele indicara. Atravds de Ronaldo Passarinho e Jair Bemardino fiz saber o resultado da minha conversa com o President. O dr. Jader veio a Brasilia, foi recebido pelo Presidente, e foi con- firmado como ministry. E com o IBDF.. Entrementes, ainda foi essen- cial que eu tivesse a prop6sito uma con- versa intima corn o general Ivan de Souza Mendes, meu velho amigo, que chefiava o SNI. Fui A posse do minis- tro Jader no Palacio do Planalto. Agra- deci ao Presidente e recebi o agradeci- mento da hoje ilustre deputada Elcione Barbalho, que l estava com seus filhos. Eleigaes de 94 Voce diz, corn indisfargAvel menos- prezo por idosos, que "septuagenario, jA era tarde demais para eu, amoldado As cortesias da corte, regressar A arena desgastante do sertao paraense, da sel- va selvaggia dantesca". Homem nascido no interior, estra- nho essa contunddncia ao retratar in- devida e exageradamente nossas cida- des e povoados do hinterland paraen- se. Nao os percorri todos, preso erro- neamente As grava6es pata TV e ra- dio, em Beldm, por confiar na aparen- temente esmagadora alianga que me langara. Espero que voce chegue perto dos oitenta anos, como eu mesmo, jo- gando ainda voleibol, com os filhos e netos. Desculpe-me a vaidade... Resistir muito ao convite reiterado do dr. Jader para concorrer ao gover- no. Desde 67, passed a residir em Bra- silia. Aqui tenho meus cinco filhos, catorze netos e o timulo de minha Ruth. Deixa-los ser-me-ia muito penoso. Eu perdera, sim, a intimidade corn o coti- diano paraense. Os minist6rios que geri succionaram-me para o centro do po- der national onde as lutas eram trava- das. Foram todos desafios e nio pre- bendas. O dr. Jader mostrou-me suces- sivas do Gallup, enfatizando que s6 eu aparecia nelas cor possibilidade de vencer o prefeito Hdlio Gueiros. Dis- se-me cor certa dose de humildade: O senhor no moment estA me- Ihor do que eu no Baixo Amazonas e no Sul do Pard. Nao tenho no PMDB ninguem que venga o prefeito. O mais bern colocado nas pesquisas 6 o sena- dor Coutinho Jorge, mas esti em 60 lugar. O candidate a govemador 6 quem puxa os votos. Se nao tivermos um bom nome como o seu, n6s dois poderemos ser derrotados. Mas voce acha que eujA era "mol- dura vazia no ParA". Eu vinha de pre- sidir a CPI dos "anies" do Orgamen- to. Estava na televisao national e na imprensa em geral por tres meses a fio, aplaudido pela conduqao da CPI (Des- culpe a vaidade). Se me tivesse candi- datado ao Senado as pesquisas a que me referi indicavam alta possibilida- de de vit6ria e teria, hoje, ainda qua- tro anos de mandate. Ao contrario do seujulgamento, o meu partido sondou- me para ser candidate A Presidencia da Repdblica. Concomitantemente, o govemador de Brasilia por varias ve- zes visitou-me pedindo que transferis- se o domicilio eleitoral para ser candi- dato a goverador do Distrito Fede- ral. Disse-lhe da honra corn que rece- bi o convite, mas jamais transferiria meu domicilio de Bel6m. Finalmente, acha voce que o dr. Jader, pragmftico como ele 6, procuraria um aliado sem prestigio, que ele nao quis arriscar corn um correligionArio do PMDB porachi- lo fraco para veneer Hdlio Gueiros? Fui um mau candidate. Desmotiva- do, "contra meus desejos intimos", como corretamente voce escreveu. Aldm da desmotivaqao, enjoava-me a campanha s6rdida que me agredia de onde esperava ilusoriamente compor- tamento 6tico. Calinias na TV, radio e atd panfletos obscenos, deles fui alvo. Voce testemunhou isso e "diagnosti- cou" depressao. Era nojo, Licio, dian- te dos que RuiBarbosachamou de"ma- garefes da honra alheia". Lembre-se de que ainda assim ven- ci no 1 tumo por algo em tomo de 25 mil votos, uma vez reparada a fraude do interior contra mim, desmascarada no Sul do Pard. Sem desmerecer os md- ritos do dr. Almir, o Piano Real, a pre- senca de Femando Henrique por duas vezes em comicios, em Beldm e Santa- r6m, e a vit6ria dele logo no 10 tumo, foram determinantes para a fragorosa derrota a que voc8 se report. Cumpri as duras penas um ever de gratidao e voltava ao seio dos meus, em Brasilia. Nao logrei a vit6ria que eu mes- mo nao buscava corn afa, mas tive a alegria particular. Tive-a com a der- rota, acredite ou nao. Injustigas dejulgamento de terceiros Voce diz que me cerquei de bajula- dores, cultivando falsas amizades. NAo 6 a primeira vez que atribui, aos que indiquei para funoao de relevo na ad- ministraqio federal do ParA, compro- metimento moral. Rogo que retifique seu injusto julgamento, deles e meu. Jamais cultivei aduladores ou tolerei corruptos. Posso ter sido iludido que tardiamente identifiquei faltando A mi- nha confianga. A parte os integrantes da minha equipe de govemo do Para, todos honrados, reporto-me aos que indiquei ja ministry ou senador, para funqOes p6blicas federal. Cito nome de mortos e vivos. Nunca foram baju- ladores. Nunca desonestos: Femando Guilhon (CDP e Govemo do Para), Ndlio Lobato (CDP e Prefeito de Be- 16m), Oziel Cameiro (Diretor do Ban- co do Brasil, Presidente do BASA, Se- crethrio Executivo do Projeto Carajas, candidate a goverador), Lamartine Nogueira (Presidente do Basa), Ajax Oliveira (INCRA e INPS), Geraldo Pal- meira (BNH), Graziela Gabriel (Dele- gada do MEC), Raul Moreira (CDP), Edvan Capucho (INSS), Gleydson Fi- gueiredo (IPASE), Raynero Maroja(De- legado do M. Saide), Nelson Chaves (DNOS) e DArio Pinheiro (Telepara). Voc8 6 injusto, igualmente, corn Almir Gabriel e me retrata como um pobre diabo, submetido A humilhagao da "pa de cal", preterido para o Sena- do. Em Brasilia, onde o govemador me visitou, muitos meses antes da compo- siqAo da chapa, ofereceu-me o Senado. Expus-lhe raz6es pessoais que contra- indicavam a minha participagao na campanha eleitoral. Isso nada obstan- te, mais tarde, perto da decisao em face dos prazos de lei, voltou a consultar- me. Deixou ao meu inteiro alvedrio a decislo. Minhas raz6es nao se haviam alterado. Nao aceitei novamente. Acho que voce louvou-se em fonte inconfiA- vel, levando-o A leviandade de que o govemador "despejou em mim a ilti- ma pa de cal politico". Dupla agressao A verdade. Nem eu postulei o Senado nem ele deixou de insistir para que acei- tasse a indicaao. Devo-lhe ajustica de nao considerd-lo capaz de inventar fa- tos, para denegrir quem quer que seja. Por isso, insist, voce foi vitima de fon- tes nada fidedignas. Colho aaltarecom- pensa de ver eleito para o Senado Luiz Otivio Campos, filho de ur amigo j falecido, que ao long de sua vidasem- pre me dispensou sua amizade conso- lidada na infancia passada na modest "Vila Amaz6nia". Honra-me ter a ami- zade passada de pal a filho. Poderia ter disputado a Cimara dos Deputados, sem precisar de apoio po- litico, voce o reconhece, cor alta pos- sibilidade de exito. Pesquisa do Ibope, dava-me cor 16% da preferencia, em- patado tecnicamente com a prezada deputada Elcione Barbalho. Quem vi- nha depois nfo passava de 4%. E ara poblico que eu nAo seria candidate a nenhum posto eletivo! Mas estava de- cidido inabalavelmente em encerrar a carreira political. Quem pbs a"pA de cal" fui eu mes- mo, meu caro, muito antes. Nao quei- xoso dos paraenses, ou vitima da mi- goa que Camoes cantou, decepciona- do com a patria, no Canto X dos Lusi- adas: "no mais, musa, no mais, que a lira tenho/ destemperada e a voz enrou- quecida/ E nao do canto/ mas de ver JOURNAL PESSOAL I- QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 7 que venho cantar a gente surda e endu- recida". O povo paraense nao me foi surdo. Devo-lhe gratidao. Sozinho, ele- gi-me duas vezes senador, corn amplas vit6rias. Em todas as refregas, pordm, s6 tive um contender polido e civiliza- do: o senador Moura Palha. Aliado ao dr. Jader, obtive o terceiro mandate de senador. Sacrifiquei o quarto, eleigao certa, em nome de uma gratidao. 0 meu poente politico eu o determine. Finalmente, acho que s6 de brinca- deira ou sincope de inteligencia, voce pode admitir omissAo minha no caso de escoamento do mindrio de ferro de Carajas pelo MaranhAo. Prefiro reler o que voce escreveu outrora a respeito, sem aliar-se ao "inconsciente coletivo". Agradeco-lhe ao encerrar esta lon- ga carta, as referencias simpiticas que, por forga de seu carAter, fez ao adver- sArio ideol6gico que sempre Ihe fui. Minha resposta As varias cartas do ex-senador Jar- bas Passarinho ornam a coleqao deste jomal como preciosos documents his- t6ricos. Sempre 6 bom receber mais uma. Como esta me chegou com atra- so, j no dia de fechamento da edigo, deixarei de aduzir-lhe as observagaes quejulgo necessArio fazer. Ficarao para uma pr6xima vez, em proveito do di- reito de resposta do ex-ministro e dian- te da exigiiidade de espaco numa edi- gfo que precise reformular para abri- gar sua carta (o silencio obsequioso, de qualquer maneira, nao me fard mal). Apenas uns telegrificos esclarecimen- tos. mesmo porque muitas coisasjA fo- ram ditas e repisadas em nosso inter- minivel (mas produtivo) contencioso. 1. Nao tenho o menor dos de- sapreqo por septuagenarios. Ape- nas registrei o fato de que, para uma pessoa cor essa idade, per- correr o vasto interior paraense torna-se um sacrificio. NAo s6 pe- las dificuldades fisicas como pe- las desgastantes imposiqoes da pra- tica political paroquial, que nao e a mesma em Brasilia. Basta compa- rar Bel6m com as menores cidades do Estado para ter escancarado o desnivel brutal que as separa, sem precisar fazer discurso demag6gi- co a respeito. Sou amigo de mui- tas pessoas idosas. Respeito e ad- miro varias delas. Invejo a vitali- dade de algumas, como o ex-sena- dor. Sera uma bengAo chegar a ida- de que ele tem com sua safde. Nes- te ponto, trata-se de inveja sauddvel, que nao faz mal a ningu6m. 2. Sempre sustentei, por escrito e oralmente, de piTblico ou informal- mente, que Jarbas Passarinho ndo teve culpa por ter sido escoada pelo No debate.com Jader Barbalho, o gover nador Almir Gabriel defended o "con vAnio" (no rigor da lei, contrato admi nistrativo) assinado em setembro do ano passado diretamente cor a TV Liberal recorrendo a mais um de seus caracteristicos sofismas. Alegou que 93% dos telespectadores consultados em uma pesquisa do Ibope, encomendada pelo grupo Maiorana, "aprovam a transmissao da programacao da TV Liberal para todo o estado do Para". Esse dado mostraria que seu govemo agiu corretamen- te ao ceder as instala6oes terrestres da Funtelpa (Funda- qao de Telecomunicagoes do ParA) para o recebimento das imagens da TV Liberal, transmitidas para o interior atra- v6s do sat6lite Brasilsat, mesmo sem fazer para isso con- correncia p6blica. O contrato, de cinco anos, 6 no valor de 12 milhoes de reais. A Liberal recebe 200 mil reais a cada mAs (R$ 2,8 milhoes embolsados at6 agora) para usar a rede da Funtelpa, cedendo em troca espago na sua progra- maqAo para as insercBes da propaganda official. Em primeiro lugar, como sempre, a pesquisa do Ibo- pe esta sujeita a alguma distorcgo. Os questiondrios fo- ram aplicados exatamente ap6s a transmissao do Cirio de Nazard. Como seria de se esperar, nesse period a receptividade do telespectador A emissora dos Maiorana deveria estar mais acentuada do que em uma 6poca nor- mal, rotineira, em funcdo da transmissao da grande festa religiosa dos paraenses, com recursos tecnol6gicos no- vos e atingindo um p6blico nunca antes alcancado. Mesmo que o indice tenha sido inflacionado pelo oportunismo na definicfo da data da pesquisa, ningu6m contestara o desejo da populagao de ter acesso A pro- gramaqao da TV Globo, retransmitida pela TV Liberal (que, cada vez mais, se limita a essa funqao de ventrilo- qua do big brother dos Marinho). Foi justamente em fungao dessa pressao que, mais de 20 anos atrAs, o go- vernador Aloysio Chaves estabeleceu a primeira rela- 9Ao cor a TV Liberal. Desde entAo, entretanto, nenhum dos governadores, incluido Jader Barbalho, que beneficiou sua emissora de television, a RBA, foi tAo leonino em favor da afiliada da Globo quanto Almir Gabriel. Nem se agrediu tanto o in- teresse do Estado como no mal-disfargado "convenio" de setembro do ano passado (ver, a prop6sito, ediV5es 173, 174, 176, 177 e 178 do Jornal Pessoal). Se era para ter um transponder no satdlite, a Funtelpa poderia entrar na fila dos interessados e esperar pela sua vez, formando um fundo para investor na rede terrestre e montar a estrutura para uma boa programarn o pr6pria, capaz de refletir a cultural e a hi"t6ria paraense. Estaria, dessa maneira, aplicando em seu pr6prio patrim6nio, ao inves de engordar capital alheio, aldm de cumprir a fina- Maranhdo a produq~o mineral de Carajds. Na ultima vez, numa pales- tra feita em Marabd, diante de um grande audit6rio, que seria receptive a critics demagdgicas a ele. Uma leitura atenta do pardgrafo do meu artigo citado por Passarinho afasta- lidade da sua criagAo. No mAximo, se essa saudavel op- iao nao fosse a escolhida e tivesse que recorrer a tercei- ros, poderia afastar as sombras da d6vida e abrir concor- rAncia publica para estabelecer um contrato com a parte habilitada. Um contrato que nao Ihe fosse tAo desfavorA- vel quanto o que acabou sendo assinado. O governador, contudo, preferiu impor as pressas seu interesse politico, escancarando os cofres pnblicos e tan- genciando as normas legais, eticas e morals para refor- Car ainda mais sua alianga corn os Maiorana para a bata- lha eleitoral que travaria na busca de mais um mandate. O prego dessa decisao ainda sera cobrado. No mo- mento, os fatos e as responsabilidades estao sendo sub- metidas a duas apuragbes. Najustiga, atraves de uma agao popular do deputado federal Vic Pires Franco, que havia intermediado a obtengho do transponder para o grupo Liberal e, depois do rompimento cor os Maiorana, pas- sou a combate-los. E, administrativamente, por uma de- n6ncia apresentada pelo Departamento de Controle Ex- terno do Tribunal de Contas do Estado, que considerou illegal e ilegitima a relagao. Espera-se que as duas apura- 9 es prossigam ate o esclarecimento complete da ques- tao e a penalizag o dos responsAveis, caso caracterizado o delito suscitado. Mas uma outra via de cobranga tern que ser estabele- cida pela sociedade. Os paraenses precisam se interessar mais por sua fundafao de telecomunicagOes e seus apen- dices, a televisAo e a radio Cultura. Ao long do tempo, essa estrutura de comunicaado tem sido utilizada como instrument de agao pessoal dos govemadores, para fins politicos, direta ou indiretamente alcanqados, ou mesmo para outros tipos de serventias, ainda mais esplrias. Tem que permanecer assim? Em alguns lugares essas estruturas foram amoldadas a verdadeiras fundagces p6blicas, dotadas de grande mar- gem de autonomia e personalidade pr6pria. O modelo mAximo 6 a BBC de Londres. Entre n6s, uma realidade mais pr6xima da desejavel 6 a TV Cultura, de Sao Pau- lo. Outras estruturas seguiram caminhos inovadores, tor- nando-se organizagoes sociais, conforme a instituigao proposta nos iltimos anos. Em qualquer dos casos, o objetivo d livrar a televisAo e a radio p6blicas, educati- vas ou para-educativas, dos tentaculos dos governado- res (em varios casos, garras), aproximando-as do povo. Bem que os parlamentares eleitos poderiam comegar a nova legislature criando uma comissao especial incum- bida de diagnosticar a verdadeira situagao da Funtelpa e conceber uma nova forma de organizagio para ela. Tal- vez ela pudesse se incorporar ao grupo dos sistemas pu- blicos de comunicagto que buscam a identificaago com a sociedade, ao inves de se reduzirem a espelho maqui- lado do governante de plantao. atribuir-lhe a culpa. NJo significa que me incorporei a esse inconsciente. PS- Caro Ronaldo: veja se manda mais rapido o JP para Brasilia. Todos ganha- remos se o senador reagir de imediato ao que aqui escrevo a respeito dele. Ja ha mat6ria vencida no posta-restante. e rd qualquer imputacgo de contradi- qo. Apenas disse que ele se creden- ciou "a receber em seus largos costa- dos muita culpa que ndo e objetiva- mente dele ", trecho queprecede opor ele destacado. Fiz referencia ao in- consciente coletivo, que insisted em A PESSaOL 1 Q UINAEN B e ~ ~ os soimsd gvra La e ca Por que, tendo chegado aos mesmos resultados nas pesquisas de boca-de-uma que realizou em Sao Paulo e no Park, o Ibope acertou em cheio ld e errou frago- rosamente aqui? Por que o Ibope fez cin- co pesquisas no Pard na semana final da campanha do 20 turno e apenas tres em Sao Paulo, que tem seis vezes mais elei- tores e 6 15 vezes mais poderoso do que o Pard? Por que a margem de erro admi- tida na pesquisa chegou, no Park ao do- bro do padrio at6 entio usual, tendo sido a maior permitida pelo institute em sua nova safra de sondagens em todo o pais? E por que, apesar dessa exceptional margem (nos Estados Unidos, em ques- t6es political, ela jamais ultrapassa 2%), ainda assim os 12% previstos es- tiveram aldm da tolerdncia em relagao aos 7,2% que efetivamente ocorreram na diferenga entire Almir e Jader? E por que a contratagio simultAnea de Ibope e Vox Populi foi suprimida na passa- gem do 1 para o 20 tumo? O fiasco cometido em Brasilia foi atribuido pelo Ibope ao senso de hu- mor dos insondiveis brasilienses. E a surpresa dos paraenses, sera ela pro- duto de uma disfun9go c6smica das emiss6es dos caruanas? Sem admiragao A pesquisa do Ibope que a TV Liberal divulgou logo depois do Cf- rio, mesmo que possa center algum vies, deve ser lida com atengao (ao menos os resultados divulgados numa campanha de auto-promogao). Os n6meros tabulados pelo Ibope real- mente justificam a badalacao dos Maiorana. Dos telespectadores entre- vistados pelo institute (a amostragem nao foi revelada), 86% disseram que a Liberal "6 a emissora que melhor transmite a procissao do C!rio"; 85% declararam que a emissora 6 tamb6m a que"transmite as melhores imagens do Cirio"; 81% acharam que ela 6 tamb6m a que "faz o melhor trabalho jomalistico no Cirio". Mas apenas 74% admitiram que a TV Liberal "6 a emissora que o p6blico mais admi- ra", apesar de todo o poder de sedu- gAo e manipulag o que a TV Globo coloca nas maos dos Maiorana. Maquiavel foi um grande intelec- tual. Apesar de italiano, os descen- dentes de Romulo jamais o leram (a prop6sito: leram o que na vida?). Se tivessem se dado a esse estafante tra- balho, pensariam melhor no contras- te desses indices. Raramente os po- derosos bajulados sao amados ou ad- mirados. Basta mudar a diregAo do vento para mudar o aprego que, exa- geradamente (mas tamb6m apenas superficialmente), Ihes d dedicado. m exe pl d- _--__ -_ - O moment mais emocionante da cerimonia de entrega dos quatro premios Colombe d'Oro per la Pace, no ano passado, em Roma, foi quando o pre- sidente da Archivio Disarmo, o senador Luigi Ar- derlini, comunicou ao piblico que os embaixado- res da Inglaterra e da Irlanda do Norte estavam ali, sentados lado a lado, para prestigiar o deputado federal John Hume, um dos agraciados. As pesso- as se levantaram e aplaudiram intensamente. Era a manifestagao do sincere desejo dos bons europeus de ver as duas facq6es religiosas da Irlanda do Norte superarem sua beligerancia, que em tr6s d6cadas ji causou a morte de mais de 3.500 pessoas. E pouco provavel que esse entendimento paci- fico tenha sido alcangado, mas no dia 16 mais um pass nesse sentido foi dado: o cat61ico Hume e o protestante David Trimble receberam o Premio Nobel da Paz de 1998 pela contribuicao que tem dado para o fim do sangrento conflito na Irlanda do Norte. Apesar das reclanmages dos radicals e das imperfeicBes que os esforgos mais recentes car- regam consigo, nunca os irlandeses estiveram tao pr6ximos de uma conciliagao. Na distant Bel6m do Par, a noticia da premiacao de Jol nt l u in eixouei feliz. F nei impressionado com seu jeito tranqiilo e seguro de se manifestar so- bre o grave problema que sangra seu pais nas horas em que estivemosjuntos em Roma (ver Jornal Pes- soal n 166). Conversamos animadamente durante mais de meia hora corn o president Italiano, Oscar Scalfaro, durante uma audiencia descontraida no Pa- lacio Quirinal. A confirmagao dos mdritos de Hume pela comissao do Nobel mostra que a pequena mas prestigiosa ONG do senador Anderlini acertou ao premiA-lo corn mais de um ano de anteced6ncia. Ja naquele moment senti-me imensamente hon- rado por acompanhar Hume e o albands Fatos Lu- bonja na divisao da honraria. De todos os quatro que receberam o Colombe no ano passado, ele e o escritor da Albania eram os verdadeiramente me- recedores. O que eu e a jornalista italiana Laura Becherelli realizamos para receber aquela bela es- tatueta em ouro nao tern qualquer comparagao corn o que fizeram esses dois grandes homes pfblicos. Mas estar ao lado deles na escolha da Archivio Disarmo serviu de poderoso estimulo para fazer- mos ainda mais, apesar de todas as dificuldades e desestimulos em nossa pr6pria terra. Lacuna Desde 1988 a Funda~ao Get~lio Vargas, com o apoio da Fundaqao Ford, seleciona e premia os projetos pablicos brasileiros que contribuem para melhorar as condi98es de vida da populagdo. Difundindo esses projetos, espera estimular todos os governor a aprimorar sua contribuigao nesse setor com mais inovagao e melhores resultados. Dos 631 projetos que se inscreveram neste ano, 17 foram selecionados. Tres deles se localizam na Amaz6nia. No Amapa, o escolhido foi o projeto "parteiras tradicionais". No Acre, o "Projeto CidadSo". E no \mazonas, o "Trienal de Medicina Tradicional do Povo Baniva e Curipaco". Do Para, nada. Exemplo O Centro Cultural Brasil-Es- tados Unidos estA realizando uma empreitada digna de todos os elo- gios: a formagao de um acervo pr6prio de artes plasticas. Ndo s6 de pintura: tamb6m o que cons- titui ineditismo, mesmo em ter- mos nacionais de fotografia. A mostra que o CCBEU exibe na sua excelente galeria (dotada in- clusive de oficina) 6 do mais alto nivel. Inclui fotografias doadas e adquiridas (com investimento de 145 mil reais) de alguns dos maiores profissionais do setor. Nenhuma galeria conhecida dispoe de tal acervo permanen- te no pais. Para nosso prazer e orgulho, esperamos que o Mu- seu de Arte Brasil-Estados Uni- dos prossiga na sua luminosa trajet6ria como a mais importan- te instituigao particular do Pard nesse setor. Journal Pessoal Editor: L0cio Fldvio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871/66 053-040 Fones: 223-1929, 241-7626 e 241-7924 (fax) Contato: Tv Benjamin Constant 845/203/66.053-040. Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br EdiiAo de Arte: Luiz Pinto/241-1859 S6 papel Em outubro de 1997 o Diario Official publicou, meses depois da assinatura dos documents, duas resolug(es do Conselho Estadual de Political AgrAria e Fundidria do Estado. Atravds delas o conselho reconhecia o "crescente esteliona- to fundiArio" que vinha sendo pra- ticado no Estado. Para combat8-lo, recomenda- va ao governor que adotasse vAri- as providencias, principalmente contra os cart6rios de registro de im6veis do interior, usados para a consumag~o de grilagens. Tam- b6m pedia a anulagao de titulos de terra considerados impresta- veis. Ou seja: o conselho queria que o governor agisse para valer contra o crescente esbulho do pa- trim6nio fundiArio do ParA. Mesmo tendo sido publicadas no DO ha um ano, as duas resolugces, assinadas pelo president do con- selho, Hildegardo Nunes (na 6poca secretArio de agriculture, agora vice-govemador eleito), nao gera- ram qualquer efeito at6 hoje. Sim- plesmente porque o govemador Al- mir Gabriel nao as aprovou. Elas continuam a ser apenas uma pro- posta perdida entire pap6is, enquan- to o problema fundiario se agrava. Por que o governador se re- cusou a referendar as resolu96es? A disposiglo que anunciou de en- frentar as agressoes cometidas contra as terras paraenses ficou na ret6rica dos comicios para o primeiro mandate? |
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| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 26 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |