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Jornal pessoal
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00147
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00147

Full Text



parou
Jooal Pessoal O.'Par, 4
L C O FL A VIO PINT O Passarinho
ANO XII N= 198 1 QUINZENA DE NOVEMBRO DE 1998 R$ 2,00 responded
PO CA (PAG. 6)
POLITICAL



Em caminho paralelo
Passada a eleigdo, o caminho das elites paraenses segue em paralelo cor as
grandes quest&es econ6micas e socials do Pard. Hdperdedores e vencedores, mas
a distdncia entire a vida political e a realidade ndo diminuiu. Nem a relagdo de
nomes disponfveis apresenta esperanp.qaratp future. A political continuard a
ser invertebrada e volfuvel na Asi o e m sdculopara outro.
ser 'v C, -Ntat .
t+ I-" +-- '


S vida political pode ter se dis-
tanciado um pouco mais da
vida econ6mica e social no
Pard na eleigAo deste ano. A
/i conseqiiUncia l6gica desse di-
v6rcio 6 que um dos Estados cor maior
potential de desenvolvimento do Brasil
poderi continuar sem sucesso por mais
tempo na busca da conciliagco, sem a
perspective de realizi-la. Falta-lhe lide-
rangas adequadas para essa tarefa.


Os tr6s principals grupos politicos que
se formaram para disputar a eleigdo geral
de 1998 tem vit6rias e derrotas a contabi-
lizar, sem que de sua apuragdo dos fatos,
sujeita a inevitiveis perturbac6es subje-
tivas pela euforia dos que ganharam mais
e o rancor dos que perderam mais, result
em avango real para o Estado.
Inegavelmente, o maior dos vencedo-
res foi o grupo do governador Almir
Gabriel. No entanto, s6 a cegueira da


euforia imediata A vit6ria explica os exa-
geros da comemoragao por causa de uma
"goleada de cinco a zero". Recorrendo A
linguagem futebolistica, que nao 6 exa-
tamente o seu forte, o governador enu-
merou as vit6rias (a principal, no primei-
ro e no segundo turno, para o senado, a
cAmara federal e a assembldia legislati-
va) como se tivessem sido um "passeio".
Transtornado por uma visao muito
particular da realidade, o governador


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2 JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998


)garantiu ter eleito 13 dos 17 deputa-
dos federais, como se considerasse fora
do seu redil apenas a bancada de qua-
tro deputados eleita pelo PMDB. Ele
"esqueceu" os tres parlamentares do
PFL e os tres do PT, que, pelo menos
formalmente, estabelecem a relagao de
sete para 10, desfavoravel a ele.
O placar imediatamente p6s-eleito-
ral costuma ser alterado assim que o
ungido pelas urnas p6e a mao nos ins-
trumentos do poder, principalmente na
chave do cofre pfbli-
co (o que, no caso pa-
raense, significa con-
tinuar com "a m.o na
massa", conforme a
linguagem de geral de -
estadio que Almir Ga-
briel incorporou ao
seu vocabulario duran- .
te a campanha eleito-
ral). Ele pr6prio assumiu o governor
com nao mais do que seis deputados
estaduais e terminou cor toda a casa
fazendo-lhe coro, exceto os quatro
mosqueteiros petistas (o mais atuante
dos quais atirado a rua da amargura
por capricho do capo do partido).
Nao 6 dificil comprar a adesdo de
adversarios e at6 inimigos quando a ne-
gociagao ocorre num mercado de fran-
co fisiologismo e a opinilo p6blica 6
mantida A distancia dos entendimertos
de bastidores. Esses dois components
da ma political estdo cada vez mais pre-
sentes e dominantes na cena paraense.
O eleitor at6 que faz a sua parte, den-
tro das limitagces que lhe sdo impos-
tas, mas os resultados finals sao desa-
nimadores depois dojogo das traig6es
e conveniencias.
A Assembl6ia Legislativa que emer-
giu das urnas deu A coligag~o gover-
nista 26 das 41 cadeiras. Nao houve,
portanto, exatamente uma goleada.
Mas, al6m da maioria confortavel, Al-
mir Gabriel vai dispor de um audit6rio
ainda mais receptive do que o da atual
legislature para propostas que seriam
classificados de indecorosas por pa-
dr6es 6ticos e morais postos fora de
moda, mas que, na fraseologia corren-
te, passaram a ser classificadas de
"pragmaticas".
O legislative eleito reproduz a fisi-
onomia (ou o perfil, se preferirem) de
um Estado que ter a maior proporcgo
de populagao rural do pais, pulveriza-
da em um vasto territ6rio, penetrada
por alta taxa de imigragdo, nucleada em
fontes de renda atomizadas em alguns


pontos da sua extensdo (o que os t6c-
nicos chamam de enclaves) e desvin-
culada de qualquer projeto unificador,
capaz de reunir identidades.
Al6m disso, varios politicos, at6
mesmo por forga dos custos crescen-
tes impostos As campanhas eleitorais
para torna-las eficazes nas condig6es
do Estado, deixaram de ser interme-
diarios de empresarios e de interesses
econ6micos para se tornarem, eles
pr6prios, tamb6m empresarios. E, em
geral, atuando como
V 1 _V empreiteiros, conces-
sionarios ou fornece-
dores do poder pfbli-
co, dependendo dos
humores e disposicges
do ordenador das des-
pesas publicas. Em
Spare por isso, os de-
bates no legislative se
despolitizaram, assumindo mais as
fei9ges de uma bolsa de neg6cios.
E esse o tom geral da political para-
ense, que perdeu virilidade e consis-
tencia, consolidando a posigao de um
politico como Almir Gabriel. Ap6s a
votagao mediocre quando foi candida-
to pela primeira vez ao governor do
Estado e da renfincia desconcertante A
dispute pela prefeitura de Beldm, em
1992, ele conseguiu voltar A linha de
frente aproveitando-se de uma conjun-
tura especialmente favoravel, em 1994,
em pouca media produzida por seus
m6ritos pessoais.
A partir dai, As qualidades do efici-
ente organizador da administragao se
superpuseram as habilidades do poli-
tico que nao v8 obstaculos para alcan-
gar seus prop6sitos. Isso nao seria ne-
gativo se o governador Almir Gabriel
tivesse um plano para o Para, se me-
tesse a mao na inevitAvel lama da poli-
tica paraense disposto a moldar essa mi
argila num bom molde, produzindo
uma cerimica de valor artistic. Mas a
nenhum dos seus interlocutores o go-
vernador apresentou um piano, um pro-
grama, um projeto ou uma propostav
de ag~o para o Estado. A interlocugdo
foi sempre em torno dos mecanismos
de poder, do depravado franciscanis-
mo do "toma la, dA ca".
Os aliados que se incorporaram a
nau governmental tiveram logo direi-
to a assessorias especiais, em quanti-
dade proporcional ao seu volume de
votos, voltando a inchar essa excres-
cencia da administragdo p6blica, que
engole 500 mil reais todo m8s, nive-


lando servidores que efetivamente tra-
balham aos que s6 passam no caixa
para recolher dinheiro, resguardados
pelo clientelismo de ocasiao. Antes de
conquistar o direito de nomear asses-
sores, Almir Gabriel prometera sanear
esse covil de fisiologismo, aumentado
A elefantiase no segundo governor Ja-
der Barbalho. Mas quase igualou ao
record do antecessor.
NTo se ter uma s6 noticia de enten-
dimento em torno de um program ou
de um dialogo tematico para a tal
"uniao pelo Para". Todas as cartas co-
locadas A mesa diziam respeito A ree-
leigao de Almir Gabriel. Diante dele,
nos dois debates pela televisAo ja no
20 turno, o senador do PMDB disse,
sem ser contestado, que o governador
Ihe oferecera parte do secretariado, os
cargos de vice-governador e senador
em caso de alianga e at6 ajuda finan-
ceira (que seria de 10 milhaes de re-
ais) para eleger candidates do PMDB
as deputag6es. Tudo isso para nao ba-
ter chapa cor Almir Gabriel, que se
disporia a engolir as acusagces de cor-
rup~io que assacaria, sem muito jeito
e competencia, contra o ex-quase-fu-
turo aliado nos moments finals do
confront eleitoral, mais como arma de
intimidagao do que como meio de es-
clarecimento plblico.


A
stores


maioria dos elei-

que deram a vitd-


ria ao governador deve

estar convencida de

quefez a melhor opqdo

em favor do Estado.
I provavel que, no final das contas,
haja alguma razdo pragmatica nessa es-
colha. Cor mais quatro anos de man-
dato, podendo, em 1989, finalmente
inaugurar obras que lhe renderao gran-
des dividends, 6 possivel que Almir
Gabriel rapidamente busque um novo
entendimento com Jader Barbalho,
aproveitando o poder que ele ter como
influence senador da Rep6blica e pre-
sidente national do PMDB para se re-
forgar junto A corte brasiliense. Pode-
se esperar do retorno dessa alianga um
ganho real para o Estado, ou ela vai
tender apenas aos interesses pessoais
e grupais de cada um, ja que discussao





JOURNAL PESSOAL Ia QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 3


programitica foi a grande lacuna da
campanha eleitoral e de todo o primei-
ro quatrianio de Almir Gabriel?
Essa 6, pelo menos, uma poderosa
hip6tese a considerar. O governador
nao tem as qualidades de um grande
lider politico. E avesso ao contato pes-
soal, tem uma postura distant, impae
sua carranca ao interlocutor e seu vezo
autoritArio compromete o sucesso da
negociagco que faz pessoalmente. Ele
jamais disputaria para valer uma elei-
9ao majoritAria sem uma ajuda inten-
siva da propaganda e do marketing,
al6m do suporte da maquina official.
Contando com essas ferramentas,
sua eficAcia se multiplica porque ele
maneja como poucos as engrenagens
do poder. Almir nao mede esforgos
nem seleciona meios para conseguir
o que pretend. Por isso, contou corn
o apoio de 37 dos 41 deputados esta-
duais, incluidos os do PMDB ate a un-
d6cima hora, sem jamais ter reunido
coletivamente com eles, sem nunca
haver-lhes proposto a discussao dos
grandes temas econ8micos e sociais
do present e do future do Para. Rea-
lizou essa facanha 6nica na hist6ria
political estadual oferecendo vanta-
gens, trocando favors, seduzindo,
agindo como um monarca ou ao
menos como um prestidigitador (ou,
quem sabe, como aqueles sertanistas
que atraem indios arredios oferecen-
do-lhes bugigangas).
O governador
executou a political
do soba. Ao encon-
trar resistencias ou A T-Wfy,
vislumbrar diver- 7
gencias, contornou o
alvo, mesmo ao cus- EM MII
to de causar prejui-
zo ao Estado. Foi as-
sim que relegou A
marginalidade a
bancada federal,
com a qual reuniu i
uma inica vez, em
setembro de 1995,
nove meses depois /
de ter assumido o
governor. Mas n.o se pejou em capi-
talizar monopolisticamente as obras
federais viabilizadas por emendas e
presses parlamentares sobre o orga-
mento da Unio, quando, A falta de
realizag9es pr6prias, precisou im-
pressionar o eleitorado.
t bem ilustrativo o fato de que as
pesquisas encomendadas pelo gover-


no mostrassem um politico fraco na
pele de um administrator aprovado.
Os resultados apurados das sondagens
feitas at6 meados do ano passado re-
velavam m6dias altas de reconheci-
mento As obras de Almir por entrevis-
tados que nio votariam nele. A forma
de resolver esse impasse foi a inten-
sificaggo da propaganda e da alianga
com a midia poderosa, a partir de se-
tembro de 1997, com o "conv6nio"
Funtelpa/TV Liberal. Mas, paradoxal-
mente, enquanto os indices de popu-
laridade do governador cresciam, a
aprovagdo ao seu governor declinava.
Nao era a mensagem que estava rece-
bendo endosso, mas o meio utilizado
que revelava sua eficAcia. Foi a vit6-
ria da manipulagdo de massa.


O prego da vitoria

de Almir Gabriel, apu-

rado no recondito dos

gabinetes corn seus mais

intimos colaboradores,

terd sido alto como

nunca antes na hist6-

ria political do Para.
A denuncia de Jader
Barbalho, de que
300 milh6es dos 456
milhoes de reais ar-
recadados com a
venda da Celpa fo-
ram gastos nos tres
meses anteriores A
eleiCgo 6 muito gra-
ve para ser colocada
de lado com a res-
posta superficial
!. dada do governador.
Provocado por uma
jornalista para expli-
car melhor a situa-
9ao, ele justificou-
se, nao sem antes intimida-la grossei-
ramente: "eu nao disse que ia pegar o
dinheiro e ficar sentado em cima
dele".
Nao seria de esperar e muito me-
nos de desejar que o governador con-
gelasse numa conta bancAria essa
apreciAvel soma de dinheiro para in-
vestimento, obtida em 6poca para lI


de propicia, gragas A precipitagao da
privatizagAo da Celpa, sem melhor
avaliacgo. Mas ele deveria vincular es-
ses recursos a um piano de aplicagao
especifico, expondo-o perante a opi-
niao pfiblica, ao inv6s de transformi-
lo numa conta especial vinculada ex-
clusivamente ao chefe. Teria evitado
a suspei9ao suscitada pelo adversArio
e se poupado da resposta insatisfat6-
ria e carrancudada dada A reporter. Ao
contrArio, pode ser acusado de ter agi-
do exatamente igual, no uso de uma
conta de R$ 456 milhoes, ao que fez
Jader com o diferimento da Alunorte
(numa conta de R$ 16 milh6es).
No calor natural da vit6ria e sob os
aplausos ardorosos dos aulicos corte-
saos, o governador pode ser tentado a
achar que tudo pode a partir de agora
e que seus m6todos estao consagrados.
Mas, para o bem da coletividade e a
salutar corregao do rumo seguido no
primeiro mandate, ele poderia atentar
para varios fatores relativizantes.
Em primeiro lugar, para os meios
desproporcionalmente superiores de
que disp6s em relagIo aos seus adver-
sArios. Alguns parceiros saberao co-
brar os valiosos favors que prestaram
ao governador, com juros de agiota e
corregao monetiria de inflacionista,
como o grupo Liberal. Em segundo lu-
gar, sua vit6ria no segundo turno foi
inferior A do primeiro turno, bem
abaixo da pesquisa de boca de urna
do Ibope e muito aqu6m da previsdo
feita por ele mesmo logo depois da
votagdo. Em terceiro lugar, o indice
de abstengao record, de quase 40%,
engolindo mais votos do que os con-
feridos ao vitorioso, minam a legimi-
dade da vit6ria.
Mas sera que Almir de Oliveira Ga-
briel ainda consegue ouvir qualquer
voz divergente da sua? Ou pior: que
nao seja a sua? Quem viu e ouviu o
discurso que ele fez no comicio final
de Castanhal deve ter ficado perplexo
cor o elogio que fez dos m6ritos de
Almir Gabriel, tratando-o na terceira
pessoa do singular, sem poupar-lhe
elogios. Talvez esta seja uma amostra
do distanciamento generalizado em
que se mant6m a classes political da
realidade econ6mica e social do Para,
uma dissociagao a que os psicanalis-
tas dao o nome de esquizofrenia e que,
em dimensAo coletiva, costuma-se
chamar de alienagio. O ParA saiu da
elei9ao como entrou: sua elite aliena-
da do seu grande drama. *





4 JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998




No Para, a realidade nao consegue ter vez


O ParA ter o pior IDH (indice de Desen-
volvimento Humano) da Amaz6nia e o 180 do
pais. Segundo a atualizaqao feita pelo PNUD,
6rgao t6cnico das NaqSes Unidas (a ONU)
para este ano, com dados de 1995, em relat6-
rio divulgado em setembro, o IDH do Pard 6
de 0,703 (numa escalapossivel de zero a um),
situando-se no nivel m6dio de desenvolvimen-
to. Se fosse uma nagao, o Pard equivaleria ao
Paraguai, ficando em 92 lugar no ranking
mundial. O Brasil encontra-se agora em 62
lugar, tendo ingressado pela primeira vez, no
levantamento deste ano, no bloco dos 64 pai-
ses classificados pelo PNUD como tendo alto
desenvolvimento human, no conjunto das
174 na96es existentes no planet. No relat6-
rio anterior, o Brasil estava em 68 lugar, ain-
da entire os paises de mddio desenvolvimento.
O IDH paraense s6 6 maior do que os de
oito Estados nordestinos e o do Tocantins, que
nao faz parte da Amaz6nia ClAssica, mas, para
efeito da political de incentives fiscais, integra
a Amaz6nia Legal. Eles compSem o Brasil
mais pobre. Todos os outros Estados amaz6-
nicos, incluindo o Acre, que at6 1980 esteve
abaixo do Pard, tnm indices superiores.
A melhor posi9ao 6 a de Rond6nia, em 10
lugar, com indice de 0,820. A colocagAo ime-
diatamente seguinte pertence a Roraima, corn
indice 0,818. As posic6es seguintes sio todas
da regiao: o Amapa em 130 lugar (0,786), o
Amazonas em 14 (0,775), Mato Grosso em
150 (0,767) e o Acre em 16 (0,754).


O ParA estA em posig6es menos desfavo-
raveis em dois dos tres indicadores que for-
mam o IDH. Em relagao A esperanga de vida
6 o 14 (a expectativa de vida de cada habi-
tante seu ao nascer 6 de 67,56 anos). Quanto
Staxa de alfabetizagao 6 o 160. Mas cai para
180 em PIB (Produto Interno Bruto), que 6
de 4.268 d61ares per capital. Isto quer dizer
que o que mais falta ao seu habitante 6 uma
cota de dinheiro suficiente para melhorar suas
condig9es de vida, decorrente da concentra-
gao da renda (ver, a prop6sito, a edigio
anterior do Jornal Pessoal).
E, portanto, inteiramente improcedente o
quadro r6seo pintado pelo governador Almir
Gabriel na campanha eleitoral, querendo con-
vencer os paraenses de que seu Estado 6 o
quinto melhor do pais. O que tem havido, ao
long das iltimas tres d6cadas, 6 uma pro-
gressiva deteriorag9o da posigqo do Estado
na federaaqo brasileira em fungao das dis-
tor9qes do seu crescimento econ6mico. Em
1970 o ParA estava em 140 lugar, descendo
para 16 em 1980, 170 em 1991 e 18a partir
de 1995, mantendo-se nessa posigao no in-
ventario do PNUD deste ano.
No debate com Jader Barbalho, o govema-
dor atribuiu os problems do Estado a sua alta
taxa de imigragio, fazendo-o absorver milha-
res de pessoas trazidas pela abertura da fron-
teira. O incremento demogrAfico atrav6s da
colonizagao realmente pode constituir uma di-
ficuldade s6ria, mas Rond6nia, recebendo pro-


-Interesse piblico-


porcionalmente muito mais imigrantes do que
o ParA, registrou melhor desempenho no mes-
mo period, apenas descendo um posto, do 90
para o 100 lugar. Deixou o ParA bem para trAs.
O "grande projeto", apresentado como
soluqao para desenvolver o Para, tem sido,
na verdade, o responsAvel pelo agravamento
das distorq9es visiveis que apresenta, entire
as quais a de atrair muito mais gente do que
6 capaz de empregar, e de gerar localmente
muito menos renda do que a multiplica na
terra do comprador dos produtos desses gran-
des empreendimentos. Esse 6 o aspect pa-
tol6gico do "modelo" de ocupagao referen-
dado pelo governor federal.
Evidentemente, essa situaqao nao foi cri-
ada pelo atual governor do Estado. E produto
de vArios deles. Mas a atual administraqao
pode estar perpetuando ou multiplicando os
efeitos indesejaveis desse "modelo", apesar
da ret6rica em contrArio. O patrocinio da
expansao agricola com a cultural da soja, por
exemplo, 6 um dos equivocos que contribui-
ra ainda mais para agravar a concentraqao
fundiAria, a migrag9o rural/urbana e a degra-
dagqo do solo. Ja a incapacidade do govemo
em forqar a expansao de cadeias produtivas
a partir dos mastodontes de exportaqao res-
ponde pelo reduzido ou quase nulo efeito
multiplicador desses imensos ativos encra-
vados no territ6rio paraense.
Tudo bastante diferente do que apregoa a
propaganda do govero. 0


N Alegando uma"situagao emergen-
cial", o procurador geral do Estado,
Joao de Miranda Leao Filho, aprovou
a dispensa de licitaygo e a contratagio
direta para a execuaio de tres servigos
na sede pr6pria da Procuradoria, re-
c6m-concluida: fotografia do prddio,
pintura e remanejamento de piso, al6m
de limpeza, e instalaqao de aparelhos
de ar condicionado.
Por que a emergencia? Porque e
precise inaugurar logo o pr6dio? Ndo
seria necesskrio apresentar publica-
mente as justificativas do director de
administraqao da Procuradoria sobre
a "emerg6ncia", referendadas por seu
chefe? Os servigos contratados sem
concorrencia nAo podiam ter sido pre-
vistos a partir do inicio das obras no
local onde funcionou o Col6gio
Abraham Levy (que deveria ter sido
preservado, mas acabou sendo com-
pletamente substituido)?
Aldm disso, o procurador geral nao
deveria ter informado, em suas tres
portarias emergenciais, qual o valor de
cada um dos contratos? Ou a emergin-
cia tomou irrelevantes tais detalhes?


0 quarto termo aditivo ao con-
trato n22/97 da Secretaria de Obras
cor a Marko Engenharia aumentou
em mais dois milhoes de reais o va-
lor da obra. 0 sumarissimo extrato,
publicado no Didrio Oficial do ilti-
mo dia 16, nao esclarece, mas pro-
vavelmente trata-se da Estagdo das
Docas, cuja execuqo foi iniciada no
ano passado. Se o valor daplaca da
obra confere, estabelecendo seu va-
lor orqamentdrio em RS 6,2 milhoes,
o acrscimo desse quarto aditamen-
topode ter sido superior aos 25% au-
torizadospela legislagqo como limi-
te tolerdvelpara a elevaqio do custo
sem a necessidade de nova concor-
rencia piblica.
Em beneficio do interesse pzibli-
co, a Seop poderia informar qual o
valor de cada um 4cs aditamentos
feitos ao contrato original e qual a
suajustificativa. 0 4 aditamento li-
mita-se a dizer que se trata de uma
"re-ratificaido de verba ". 0que isso
significa? Afalta de informaqfo cla-
ra e suficiente faz cor que prolife-
rem verses informais sobre o custo


final da obra, que poderia estarpas-
sando de R$ 10 milhoes. Se esse nl-
meroforprocedente, a obrapode vir
a ser inquinada de irregular
M O DO do dia 19 publicou o ex-
trato de um contrato, no valor de R$
78 mil, vAlido por dois anos, entire a
Assemblia Legislativa e a Batik
Equipamentos, para a instalaFgo e
manutenao de uma central telef6-
nica, al6m de treinamento de pesso-
al. 0 document, entretanto, omite
uma informanao essencial: qual a
modalidade da relafto (se concor-
rdncia, convite ou tomada de preqo,
se nao houve dispensa ou declarada
a inexigibilidade de licitagao).
E 0 DO do mesmo dia 19 publi-
cou oitoportarias assinadaspelo se-
cretirio de cultural, Paulo Chaves
Fernandes, entire janeiro e feverei-
ro, ou seja, ate oito meses antes. Tres
delas autorizaram o assessor da Se-
cult Alexis do Carmo a ir nada me-
nos do que tres vezes ao Rio de Ja-
neiro em fevereiro, Id permanecen-
do por quase duas semanas alter-
nadamente, para tratar "assuntos


referente (sic) ao Projeto o Pari e
Beja-Flor, no Rio de Janeiro ".
* 0 DO do dia 23 abrigou a rese-
nha de 42 extratos de contratos de
servidores temporarios contratados
pela Fundaqao da Crianga e do Ado-
lescente do Part. Mas nada informa
sobre o period de contratagao e o
valor dos salArios. Deveria.
* DO ainda desse diapublica oex-
trato do l" aditivo de acriscimo de
valor a um contrato de empreitada
entire a Secretaria de Transportes e
a Construfox, no valor de R$ 211 mil
para a conservagao de 120 quil6-
metros de estrada em Parauapebas.
Faltou informar a data e o valor do
contrato original.
* Hamilton de Oliveira e Silva, moto-
rista da Seicom (Secretaria de Indfs-
tria, Comdrcio e Mineraqao). Rece-
beu cinco didrias para viajar para Bar-
carena, Abaetetuba, Moju e Mocaju-
ba, "a servigo" da secretariat. Nessas
ocasiSes, todos os 6rgaos da admi-
nistra io puiblica teriam que especi-
ficar o motivo da viagem e nao se
referir a ela genericamente. *





JOURNAL PESSOAL la QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 5


Acabou o baratismo?


As derrotas de Jader Barbalho e Hl6io
Gueiros terao tid o condo de sepultar os
iltimos remanescentes de uma forma de po-
pulismo que no Pard foi batizada de baratis-
mo, em homenagem ao caudilho Magalhaes
Barata, que a fundou? Sao poucas as d6vi-
das sobre o final da carreira de Hl6io Guei-
ros, o mais antigo dos dois politicos (ceticis-
mo que as imprevisiveis surpresas do passa-
do devem relativizar). Mas ainda nao 6 o fim
de Jader Barbalho.
Ele tem mais quatro anos como senador e
um bienio pela frente como president nacio-
nal do PMDB. Ainda 6 interlocutor credencia-
do do president da Repiiblica. Estara cor 57
anos na eleigao de 2002. Chegara a ela, por
isso, com um poder politico consideravel. Nao
mais, por6m, como o imbativel e surpreenden-
te politico que enfrentou a eleigao de 1998.
O grande m6rito de Jader neste ano foi
ter tomado a decisao certa para si, mesmo
contra seus mais intimos desejos, e nao ter
fraquejado diante da op9ao compuls6ria,
corroendo-se por dentro, como sucedeu com
Jarbas Passarinho em 1994. Se tivesse acei-
tado a alianca cor Almir Gabriel, teria aber-
to um flanco para que o governador tentas-
se, durante os pr6ximos quatro anos, redu-
zir o PMDB a uma extensao despersonali-
zada do PSDB. Ignorar a dispute governa-
mental equivaleria a uma renincia a condi-
95o de chefe politico.
Se nao fosse ele o adversArio, 6 quase cer-
to que Almir Gabriel teria vencido ja no 1
turno. Mesmo sofrendo a primeira derrota
da sua carreira political de 32 anos, Jader
pulou de 36% para 46% dos votos vAlidos
entire o 1 e o 2 turnos, com um incremento
ligeiramente superior ao do governador nes-
se period. A margem favorAvel a Almir, por
isso, caiu de 8,2% para 7,7%. O Ibope pre-
via 12% a mais para o governador no 20 tur-
no. Dos 38% de votos consolidados que as
pesquisas qualitativas Ihe davam, Jader che-
gou bem mais long com seus 46%. Nao 6
pouco para algu6m tao estigmatizado. Mas
tamb6m ja nao 6 pouco obstAculo para suas
qualidades de lider.
Esse resultado mostra que, niuma dispute
bipolarizada, ele teria sucumbido no 1 tur-
no. Seu um terqo de voto cativo 6 contraba-
langado por pouco mais do que isso entiree
36 e 38%) de voto plebiscitArio contra ele. A
associaqao da sua image a dilapidacqo do
patrim6nio publico ainda 6 muito forte, a
ponto de consagrar, pela mera justaposigao,
aquele que se apresenta como anti-Jader.
Por derivagao, uma parte consideravel da
opiniao p6blica 6 levada a concluir, sem exi-
gir provas, que o candidate oposto 6 padrao
de decencia e honestidade, dois requisitos for-
tes para a escolha do nome a votar. Isto quer
dizer que um possivel retorno do president
do PMDB ao governor do Pard tera que ser


precedido de uma avaliaggo correta da con-
juntura e de uma estrat6gia eficaz, sem o que
esse caminho Ihe poderA estar interditado a
partir de agora.
E evidence que ele preferiria nao ter said
de Brasilia nesta elei9go, mas, junto com a
primeira derrota, volta para a capital federal
cor a mesma quantidade de deputados fe-
derais e deputados estaduais sob a legend
do seu partido. Quantos lideres peemedebis-
tas conseguiram tal resultado? Do seu desem-
penho no piano national e como forem con-
duzidas as diverg&ncias abertas ou agrava-
das na campanha eleitoral dependerA a re-
composiiao de sua forga.
Mas dificilmente ela voltarA ao nivel em
que estava antes da eleigao deste ano. Seu


Quais serao os protagonistas da prin-
cipal batalha da pr6xima guerra eleito-
ral, marcada para o cabalistico ano 2000,
pela dispute da prefeitura de Bel6m? O
principal, por enquanto, 6 o prefeito
Edmilson Rodrigues. Mas at6 18 conti-
nuara a haver reeleiqao? Os chefes do
executive poderao concorrer sem se de-
sincompatibilizar do cargo?
Da resposta a essas duas quest8es, que
o congress national discutirA e tentara re-
solver desde o inicio da pr6xima legisla-
tura, dependera a forga do atual prefeito.
Sua indicaqao pelo PT sera pacifica, ou
Ana Julia baterA chapa cor ele na con-
vengao? Esta 6 uma outra inc6gnita a ser
avaliada quando a correlagao de forgas
entire os dois for posta a prova ou com-
posta atrav6s de acordo interno.
O outro pretendente declarado ao pos-
to 6 Vic Pires Franco. Do alto da maior
votagao entire os deputados federais, ele
aparece como o nome mais forte do PFL.
Sua confirmaq9o significara automatica-
mente o afastamento forgado ou a renfn-
cia voluntaria de Hl6io Gueiros a essa
pretensao, que ele nao escondia antes do
desastre senatorial. Candidate, Vic con-
tinuara integrando as forcas gueiristas
ou procurara novo alinhamento?
Na segunda hip6tese, ja estaria em an-
damento uma leaproximacao com o gru-
po Liberal, que ficou privado de um re-
presentante em Brasilia com a nAo elei-
qao de Gervasio Morgado, o milionario
candidate da casa. Se esse reatamento
vier a acontecer (hip6tese hoje desconsi-
derada pelas duas parties, ao menos para
consume externo), haverA dois desdobra-
mentos: o grupo Liberal tera que voltar a


carisma e sua habilidade, que tantos dividen-
dos Ihe renderam ao long do tempo, conti-
nuam distinguindo-o dos concorrentes, mas
ja nao sao o suficiente para anular ou sequer
diminuir substancialmente os pontos negati-
vos da sua biografia. Por isso, ele desceu ao
nivel dos principals competidores.
Seria essa diminuicao suficiente para a
decretagqo do fim do populismo? A eleigao
deste ano, quando muito, trouxe uma nova
forma de baratismo, acrescida do moralis-
mo utilitArio dos antigos udenistas, combi-
naqio antes impossivel no. campo de batalha
de pessedistas e coligados, mas agora unifi-
cada sob a roupagem dos neodemocratas tu-
canos, muito formalmente neos, muito apa-
rentemente democrats. 0


se afastar do prefeito Edmilson Rodri-
gues, caso ele va tentar a reeleigio, e Vic
tera que romper cor Helio Gueiros (se
um novo pacto cor o ex-prefeito nao for
tirado do terreno do desvario).
Quem poderA ser o candidate do go-
vernador Almir Gabriel? As opp9es po-
liticas poderiam ser Zenaldo Coutinho
dentro do PSDB e Cipriano Sabino, do
PPB, no reduto da coligagao, diante do
recomendavel acautelamento cor Nil-
son Pinto, o deputado federal do gover-
nador, e o flamejante senador Luiz OtA-
vio Campos (que talvez venham a ser tra-
balhados como alternatives para 2002).
Uma composigao do governador com
o atual prefeito de Bel6m desafia at6 a in-
ventiva dos mais criativos orAculos. Nao
deve ser possivel. Mas um entendimento
entire Almir e Jader 6 tao consideravel
quanto a de Jader corn Edmilson Rodri-
gues. Pelo simples fato de que, nao se per-
mitindo cultivar sombras em seu partido,
o senador peemedebista nao ter nomes
fortes para disputar a PMB (como nao ter
para cargos majoritArios em geral, eterno
feitigo a criar embaragos ao feiticeiro).
Qual sera a tendencia mais forte: Jader
com Almir ou com Edmilson? Uma res-
posta s6 poderd comegar a ser dada quan-
do, fechadas as feridas e recomposto o
cenario desta iltima guerra, o pragmatis-
mo dos lideres e a conveniencia de seus
interesses ditar os primeiros movimentos.
Mais uma vez, o observador externo que
retomar A taba paraense ficara estupefac-
to ao contemplar a composigao dos exdr-
citos antag6nicos, feitas as rearrumages
de praxe. Coisa da political invertebrada
de um Estado pobre como o ParA.


A pr6xima batalha





0 JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998


CARTA


A*' -W law A


0 ex-senador Jarbas Passarinho en-
viou a seguinte carta:

Prezado LUcio Flavio
Somente agora li o Jornal Pessoal
de agosto, corn que me brinda corn sua
analise, na qual encontro equivocos,
erros surpreendentes a par de genero-
sidades. Nao discutireijuizos de valor,
masjuizos de fato, quando nao corres-
pondentes verdade. No primeiro caso,
figure a insistencia corn que voce me
consider um desmedido vaidoso. O
bom julgador julga os outros por si...
Quanto ao resto, peco guarida em seu
peri6dico, o que, de resto, e habitual em
voce e nem tanto na imprensa em geral.
Vamos, pois, aos fatos.
As eleiqdes de 82.
Voce diz que sofri "ampla derrota
eleitoral". A verdade 6 que ap6s a de-
fecq o do sr. Alacid Nunes, ele coman-
dou a mais violent e virulenta campa-
nha de que fui alvo. Contra mim soma-
ram-se tres candidates ao Senado. Per-
di por estreita diferenga para a soma
dos votos a eles dados. O dr. Hdlio
Gueiros, que me sucedeu no Senado,
teve a metade dos votos que recebi.
Isso 6 uma "ampla derrota"? De resto,
os rumors de fraudes confinnaram-se.
O Pleito de 86.
Nunca desmereci a importancia de-
cisiva do govemador Jader na minha
eleiqAo em 86. Sempre a proclamei.
Mas 6 bom lembrar que Magalhaes
Barata, no auge do seu prestigio, malo-
grou na tentative de eleger seu antigo
desafeto Agostinho Monteiro para o
Senado. No meu caso, levei a vanta-
gem de o govemador ter cooptado qua-
se todos os meus antigos correligiona-
rios do PSD. Isso seguramente contri-
buiu para a facilidade corn que meu
nome foi recebido. Ganhei sozinho
(vaidade?) por mais de 50 mil votos a
soma dos meus concorrentes: Alacid,
Aziz Mutran e Cl6vis Ferro Costa. Nao
precise somar os votos das sublegen-
das ocupadas por Oziel e Baim.
Como sou dos poucos que do gran-
de valor A gratidAo, logo depois dei tes-
temunho disso. O govemador que ele-
geramos na alianca, o dr. Hdlio Guei-
ros, desaviera-se corn o dr. JAder, que,
sem mandate, corria risco de ver sua
lideranca abalada. Morto em acidente
adreo, o ministry Marcos Freire, liguei
o telefone para o president da Repii-
blica, Josd Samey, meu amigo. Lem-
brei-lhe o nome do dr. Jader para a Pasta
da Reforma AgrAria. Autorizou-me a
fazer o convite, mas cor a condiao
de que se aceitasse perderia o IBDF,
que ele indicara. Atravds de Ronaldo
Passarinho e Jair Bemardino fiz saber


o resultado da minha conversa com o
President. O dr. Jader veio a Brasilia,
foi recebido pelo Presidente, e foi con-
firmado como ministry. E com o
IBDF.. Entrementes, ainda foi essen-
cial que eu tivesse a prop6sito uma con-
versa intima corn o general Ivan de
Souza Mendes, meu velho amigo, que
chefiava o SNI. Fui A posse do minis-
tro Jader no Palacio do Planalto. Agra-
deci ao Presidente e recebi o agradeci-
mento da hoje ilustre deputada Elcione
Barbalho, que l estava com seus filhos.
Eleigaes de 94
Voce diz, corn indisfargAvel menos-
prezo por idosos, que "septuagenario,
jA era tarde demais para eu, amoldado
As cortesias da corte, regressar A arena
desgastante do sertao paraense, da sel-
va selvaggia dantesca".
Homem nascido no interior, estra-
nho essa contunddncia ao retratar in-
devida e exageradamente nossas cida-
des e povoados do hinterland paraen-
se. Nao os percorri todos, preso erro-
neamente As grava6es pata TV e ra-
dio, em Beldm, por confiar na aparen-
temente esmagadora alianga que me
langara. Espero que voce chegue perto
dos oitenta anos, como eu mesmo, jo-
gando ainda voleibol, com os filhos e
netos. Desculpe-me a vaidade...
Resistir muito ao convite reiterado
do dr. Jader para concorrer ao gover-
no. Desde 67, passed a residir em Bra-
silia. Aqui tenho meus cinco filhos,
catorze netos e o timulo de minha Ruth.
Deixa-los ser-me-ia muito penoso. Eu
perdera, sim, a intimidade corn o coti-
diano paraense. Os minist6rios que geri
succionaram-me para o centro do po-
der national onde as lutas eram trava-
das. Foram todos desafios e nio pre-
bendas. O dr. Jader mostrou-me suces-
sivas do Gallup, enfatizando que s6 eu
aparecia nelas cor possibilidade de
vencer o prefeito Hdlio Gueiros. Dis-
se-me cor certa dose de humildade:
O senhor no moment estA me-
Ihor do que eu no Baixo Amazonas e
no Sul do Pard. Nao tenho no PMDB
ninguem que venga o prefeito. O mais
bern colocado nas pesquisas 6 o sena-
dor Coutinho Jorge, mas esti em 60
lugar. O candidate a govemador 6
quem puxa os votos. Se nao tivermos
um bom nome como o seu, n6s dois
poderemos ser derrotados.
Mas voce acha que eujA era "mol-
dura vazia no ParA". Eu vinha de pre-
sidir a CPI dos "anies" do Orgamen-
to. Estava na televisao national e na
imprensa em geral por tres meses a fio,
aplaudido pela conduqao da CPI (Des-
culpe a vaidade). Se me tivesse candi-
datado ao Senado as pesquisas a que


me referi indicavam alta possibilida-
de de vit6ria e teria, hoje, ainda qua-
tro anos de mandate. Ao contrario do
seujulgamento, o meu partido sondou-
me para ser candidate A Presidencia
da Repdblica. Concomitantemente, o
govemador de Brasilia por varias ve-
zes visitou-me pedindo que transferis-
se o domicilio eleitoral para ser candi-
dato a goverador do Distrito Fede-
ral. Disse-lhe da honra corn que rece-
bi o convite, mas jamais transferiria
meu domicilio de Bel6m. Finalmente,
acha voce que o dr. Jader, pragmftico
como ele 6, procuraria um aliado sem
prestigio, que ele nao quis arriscar corn
um correligionArio do PMDB porachi-
lo fraco para veneer Hdlio Gueiros?
Fui um mau candidate. Desmotiva-
do, "contra meus desejos intimos",
como corretamente voce escreveu.
Aldm da desmotivaqao, enjoava-me a
campanha s6rdida que me agredia de
onde esperava ilusoriamente compor-
tamento 6tico. Calinias na TV, radio e
atd panfletos obscenos, deles fui alvo.
Voce testemunhou isso e "diagnosti-
cou" depressao. Era nojo, Licio, dian-
te dos que RuiBarbosachamou de"ma-
garefes da honra alheia".
Lembre-se de que ainda assim ven-
ci no 1 tumo por algo em tomo de 25
mil votos, uma vez reparada a fraude
do interior contra mim, desmascarada
no Sul do Pard. Sem desmerecer os md-
ritos do dr. Almir, o Piano Real, a pre-
senca de Femando Henrique por duas
vezes em comicios, em Beldm e Santa-
r6m, e a vit6ria dele logo no 10 tumo,
foram determinantes para a fragorosa
derrota a que voc8 se report. Cumpri
as duras penas um ever de gratidao e
voltava ao seio dos meus, em Brasilia.
Nao logrei a vit6ria que eu mes-
mo nao buscava corn afa, mas tive a
alegria particular. Tive-a com a der-
rota, acredite ou nao.
Injustigas dejulgamento de terceiros
Voce diz que me cerquei de bajula-
dores, cultivando falsas amizades. NAo
6 a primeira vez que atribui, aos que
indiquei para funoao de relevo na ad-
ministraqio federal do ParA, compro-
metimento moral. Rogo que retifique
seu injusto julgamento, deles e meu.
Jamais cultivei aduladores ou tolerei
corruptos. Posso ter sido iludido que
tardiamente identifiquei faltando A mi-
nha confianga. A parte os integrantes
da minha equipe de govemo do Para,
todos honrados, reporto-me aos que
indiquei ja ministry ou senador, para
funqOes p6blicas federal. Cito nome
de mortos e vivos. Nunca foram baju-
ladores. Nunca desonestos: Femando
Guilhon (CDP e Govemo do Para),


Ndlio Lobato (CDP e Prefeito de Be-
16m), Oziel Cameiro (Diretor do Ban-
co do Brasil, Presidente do BASA, Se-
crethrio Executivo do Projeto Carajas,
candidate a goverador), Lamartine
Nogueira (Presidente do Basa), Ajax
Oliveira (INCRA e INPS), Geraldo Pal-
meira (BNH), Graziela Gabriel (Dele-
gada do MEC), Raul Moreira (CDP),
Edvan Capucho (INSS), Gleydson Fi-
gueiredo (IPASE), Raynero Maroja(De-
legado do M. Saide), Nelson Chaves
(DNOS) e DArio Pinheiro (Telepara).
Voc8 6 injusto, igualmente, corn
Almir Gabriel e me retrata como um
pobre diabo, submetido A humilhagao
da "pa de cal", preterido para o Sena-
do. Em Brasilia, onde o govemador me
visitou, muitos meses antes da compo-
siqAo da chapa, ofereceu-me o Senado.
Expus-lhe raz6es pessoais que contra-
indicavam a minha participagao na
campanha eleitoral. Isso nada obstan-
te, mais tarde, perto da decisao em face
dos prazos de lei, voltou a consultar-
me. Deixou ao meu inteiro alvedrio a
decislo. Minhas raz6es nao se haviam
alterado. Nao aceitei novamente. Acho
que voce louvou-se em fonte inconfiA-
vel, levando-o A leviandade de que o
govemador "despejou em mim a ilti-
ma pa de cal politico". Dupla agressao
A verdade. Nem eu postulei o Senado
nem ele deixou de insistir para que acei-
tasse a indicaao. Devo-lhe ajustica de
nao considerd-lo capaz de inventar fa-
tos, para denegrir quem quer que seja.
Por isso, insist, voce foi vitima de fon-
tes nada fidedignas. Colho aaltarecom-
pensa de ver eleito para o Senado Luiz
Otivio Campos, filho de ur amigo j
falecido, que ao long de sua vidasem-
pre me dispensou sua amizade conso-
lidada na infancia passada na modest
"Vila Amaz6nia". Honra-me ter a ami-
zade passada de pal a filho.
Poderia ter disputado a Cimara dos
Deputados, sem precisar de apoio po-
litico, voce o reconhece, cor alta pos-
sibilidade de exito. Pesquisa do Ibope,
dava-me cor 16% da preferencia, em-
patado tecnicamente com a prezada
deputada Elcione Barbalho. Quem vi-
nha depois nfo passava de 4%. E ara
poblico que eu nAo seria candidate a
nenhum posto eletivo! Mas estava de-
cidido inabalavelmente em encerrar a
carreira political.
Quem pbs a"pA de cal" fui eu mes-
mo, meu caro, muito antes. Nao quei-
xoso dos paraenses, ou vitima da mi-
goa que Camoes cantou, decepciona-
do com a patria, no Canto X dos Lusi-
adas: "no mais, musa, no mais, que a
lira tenho/ destemperada e a voz enrou-
quecida/ E nao do canto/ mas de ver






JOURNAL PESSOAL I- QUINZENA DE NOVEMBRO / 1998 7


que venho cantar a gente surda e endu-
recida". O povo paraense nao me foi
surdo. Devo-lhe gratidao. Sozinho, ele-
gi-me duas vezes senador, corn amplas
vit6rias. Em todas as refregas, pordm,
s6 tive um contender polido e civiliza-
do: o senador Moura Palha. Aliado ao
dr. Jader, obtive o terceiro mandate de
senador. Sacrifiquei o quarto, eleigao
certa, em nome de uma gratidao. 0 meu
poente politico eu o determine.
Finalmente, acho que s6 de brinca-
deira ou sincope de inteligencia, voce
pode admitir omissAo minha no caso
de escoamento do mindrio de ferro de
Carajas pelo MaranhAo. Prefiro reler o
que voce escreveu outrora a respeito,
sem aliar-se ao "inconsciente coletivo".
Agradeco-lhe ao encerrar esta lon-
ga carta, as referencias simpiticas que,
por forga de seu carAter, fez ao adver-
sArio ideol6gico que sempre Ihe fui.

Minha resposta
As varias cartas do ex-senador Jar-
bas Passarinho ornam a coleqao deste
jomal como preciosos documents his-
t6ricos. Sempre 6 bom receber mais
uma. Como esta me chegou com atra-
so, j no dia de fechamento da edigo,
deixarei de aduzir-lhe as observagaes
quejulgo necessArio fazer. Ficarao para
uma pr6xima vez, em proveito do di-
reito de resposta do ex-ministro e dian-
te da exigiiidade de espaco numa edi-
gfo que precise reformular para abri-
gar sua carta (o silencio obsequioso, de
qualquer maneira, nao me fard mal).
Apenas uns telegrificos esclarecimen-
tos. mesmo porque muitas coisasjA fo-
ram ditas e repisadas em nosso inter-
minivel (mas produtivo) contencioso.
1. Nao tenho o menor dos de-
sapreqo por septuagenarios. Ape-
nas registrei o fato de que, para
uma pessoa cor essa idade, per-
correr o vasto interior paraense
torna-se um sacrificio. NAo s6 pe-
las dificuldades fisicas como pe-
las desgastantes imposiqoes da pra-
tica political paroquial, que nao e a
mesma em Brasilia. Basta compa-
rar Bel6m com as menores cidades
do Estado para ter escancarado o
desnivel brutal que as separa, sem
precisar fazer discurso demag6gi-
co a respeito. Sou amigo de mui-
tas pessoas idosas. Respeito e ad-
miro varias delas. Invejo a vitali-
dade de algumas, como o ex-sena-
dor. Sera uma bengAo chegar a ida-
de que ele tem com sua safde. Nes-
te ponto, trata-se de inveja sauddvel,
que nao faz mal a ningu6m.
2. Sempre sustentei, por escrito e
oralmente, de piTblico ou informal-
mente, que Jarbas Passarinho ndo
teve culpa por ter sido escoada pelo


No debate.com Jader Barbalho, o gover
nador Almir Gabriel defended o "con
vAnio" (no rigor da lei, contrato admi
nistrativo) assinado em setembro do ano
passado diretamente cor a TV Liberal
recorrendo a mais um de seus caracteristicos sofismas.
Alegou que 93% dos telespectadores consultados em uma
pesquisa do Ibope, encomendada pelo grupo Maiorana,
"aprovam a transmissao da programacao da TV Liberal
para todo o estado do Para".
Esse dado mostraria que seu govemo agiu corretamen-
te ao ceder as instala6oes terrestres da Funtelpa (Funda-
qao de Telecomunicagoes do ParA) para o recebimento das
imagens da TV Liberal, transmitidas para o interior atra-
v6s do sat6lite Brasilsat, mesmo sem fazer para isso con-
correncia p6blica. O contrato, de cinco anos, 6 no valor de
12 milhoes de reais. A Liberal recebe 200 mil reais a cada
mAs (R$ 2,8 milhoes embolsados at6 agora) para usar a
rede da Funtelpa, cedendo em troca espago na sua progra-
maqAo para as insercBes da propaganda official.
Em primeiro lugar, como sempre, a pesquisa do Ibo-
pe esta sujeita a alguma distorcgo. Os questiondrios fo-
ram aplicados exatamente ap6s a transmissao do Cirio
de Nazard. Como seria de se esperar, nesse period a
receptividade do telespectador A emissora dos Maiorana
deveria estar mais acentuada do que em uma 6poca nor-
mal, rotineira, em funcdo da transmissao da grande festa
religiosa dos paraenses, com recursos tecnol6gicos no-
vos e atingindo um p6blico nunca antes alcancado.
Mesmo que o indice tenha sido inflacionado pelo
oportunismo na definicfo da data da pesquisa, ningu6m
contestara o desejo da populagao de ter acesso A pro-
gramaqao da TV Globo, retransmitida pela TV Liberal
(que, cada vez mais, se limita a essa funqao de ventrilo-
qua do big brother dos Marinho). Foi justamente em
fungao dessa pressao que, mais de 20 anos atrAs, o go-
vernador Aloysio Chaves estabeleceu a primeira rela-
9Ao cor a TV Liberal.
Desde entAo, entretanto, nenhum dos governadores,
incluido Jader Barbalho, que beneficiou sua emissora de
television, a RBA, foi tAo leonino em favor da afiliada da
Globo quanto Almir Gabriel. Nem se agrediu tanto o in-
teresse do Estado como no mal-disfargado "convenio"
de setembro do ano passado (ver, a prop6sito, ediV5es
173, 174, 176, 177 e 178 do Jornal Pessoal).
Se era para ter um transponder no satdlite, a Funtelpa
poderia entrar na fila dos interessados e esperar pela sua
vez, formando um fundo para investor na rede terrestre e
montar a estrutura para uma boa programarn o pr6pria,
capaz de refletir a cultural e a hi"t6ria paraense. Estaria,
dessa maneira, aplicando em seu pr6prio patrim6nio, ao
inves de engordar capital alheio, aldm de cumprir a fina-


Maranhdo a produq~o mineral de
Carajds. Na ultima vez, numa pales-
tra feita em Marabd, diante de um
grande audit6rio, que seria receptive
a critics demagdgicas a ele. Uma
leitura atenta do pardgrafo do meu
artigo citado por Passarinho afasta-


lidade da sua criagAo. No mAximo, se essa saudavel op-
iao nao fosse a escolhida e tivesse que recorrer a tercei-
ros, poderia afastar as sombras da d6vida e abrir concor-
rAncia publica para estabelecer um contrato com a parte
habilitada. Um contrato que nao Ihe fosse tAo desfavorA-
vel quanto o que acabou sendo assinado.
O governador, contudo, preferiu impor as pressas seu
interesse politico, escancarando os cofres pnblicos e tan-
genciando as normas legais, eticas e morals para refor-
Car ainda mais sua alianga corn os Maiorana para a bata-
lha eleitoral que travaria na busca de mais um mandate.
O prego dessa decisao ainda sera cobrado. No mo-
mento, os fatos e as responsabilidades estao sendo sub-
metidas a duas apuragbes. Najustiga, atraves de uma agao
popular do deputado federal Vic Pires Franco, que havia
intermediado a obtengho do transponder para o grupo
Liberal e, depois do rompimento cor os Maiorana, pas-
sou a combate-los. E, administrativamente, por uma de-
n6ncia apresentada pelo Departamento de Controle Ex-
terno do Tribunal de Contas do Estado, que considerou
illegal e ilegitima a relagao. Espera-se que as duas apura-
9 es prossigam ate o esclarecimento complete da ques-
tao e a penalizag o dos responsAveis, caso caracterizado
o delito suscitado.
Mas uma outra via de cobranga tern que ser estabele-
cida pela sociedade. Os paraenses precisam se interessar
mais por sua fundafao de telecomunicagOes e seus apen-
dices, a televisAo e a radio Cultura. Ao long do tempo,
essa estrutura de comunicaado tem sido utilizada como
instrument de agao pessoal dos govemadores, para fins
politicos, direta ou indiretamente alcanqados, ou mesmo
para outros tipos de serventias, ainda mais esplrias. Tem
que permanecer assim?
Em alguns lugares essas estruturas foram amoldadas
a verdadeiras fundagces p6blicas, dotadas de grande mar-
gem de autonomia e personalidade pr6pria. O modelo
mAximo 6 a BBC de Londres. Entre n6s, uma realidade
mais pr6xima da desejavel 6 a TV Cultura, de Sao Pau-
lo. Outras estruturas seguiram caminhos inovadores, tor-
nando-se organizagoes sociais, conforme a instituigao
proposta nos iltimos anos. Em qualquer dos casos, o
objetivo d livrar a televisAo e a radio p6blicas, educati-
vas ou para-educativas, dos tentaculos dos governado-
res (em varios casos, garras), aproximando-as do povo.
Bem que os parlamentares eleitos poderiam comegar
a nova legislature criando uma comissao especial incum-
bida de diagnosticar a verdadeira situagao da Funtelpa e
conceber uma nova forma de organizagio para ela. Tal-
vez ela pudesse se incorporar ao grupo dos sistemas pu-
blicos de comunicagto que buscam a identificaago com
a sociedade, ao inves de se reduzirem a espelho maqui-
lado do governante de plantao.


atribuir-lhe a culpa. NJo significa que
me incorporei a esse inconsciente.
PS- Caro Ronaldo: veja se manda mais
rapido o JP para Brasilia. Todos ganha-
remos se o senador reagir de imediato
ao que aqui escrevo a respeito dele. Ja
ha mat6ria vencida no posta-restante. e


rd qualquer imputacgo de contradi-
qo. Apenas disse que ele se creden-
ciou "a receber em seus largos costa-
dos muita culpa que ndo e objetiva-
mente dele ", trecho queprecede opor
ele destacado. Fiz referencia ao in-
consciente coletivo, que insisted em


A PESSaOL 1 Q UINAEN B


e ~ ~ os soimsd gvra







La e ca
Por que, tendo chegado aos mesmos
resultados nas pesquisas de boca-de-uma
que realizou em Sao Paulo e no Park, o
Ibope acertou em cheio ld e errou frago-
rosamente aqui? Por que o Ibope fez cin-
co pesquisas no Pard na semana final da
campanha do 20 turno e apenas tres em
Sao Paulo, que tem seis vezes mais elei-
tores e 6 15 vezes mais poderoso do que
o Pard? Por que a margem de erro admi-
tida na pesquisa chegou, no Park ao do-
bro do padrio at6 entio usual, tendo sido
a maior permitida pelo institute em sua
nova safra de sondagens em todo o pais?
E por que, apesar dessa exceptional
margem (nos Estados Unidos, em ques-
t6es political, ela jamais ultrapassa
2%), ainda assim os 12% previstos es-
tiveram aldm da tolerdncia em relagao
aos 7,2% que efetivamente ocorreram
na diferenga entire Almir e Jader? E por
que a contratagio simultAnea de Ibope
e Vox Populi foi suprimida na passa-
gem do 1 para o 20 tumo?
O fiasco cometido em Brasilia foi
atribuido pelo Ibope ao senso de hu-
mor dos insondiveis brasilienses. E a
surpresa dos paraenses, sera ela pro-
duto de uma disfun9go c6smica das
emiss6es dos caruanas?


Sem admiragao
A pesquisa do Ibope que a TV
Liberal divulgou logo depois do Cf-
rio, mesmo que possa center algum
vies, deve ser lida com atengao (ao
menos os resultados divulgados numa
campanha de auto-promogao). Os
n6meros tabulados pelo Ibope real-
mente justificam a badalacao dos
Maiorana. Dos telespectadores entre-
vistados pelo institute (a amostragem
nao foi revelada), 86% disseram que
a Liberal "6 a emissora que melhor
transmite a procissao do C!rio"; 85%
declararam que a emissora 6 tamb6m
a que"transmite as melhores imagens
do Cirio"; 81% acharam que ela 6
tamb6m a que "faz o melhor trabalho
jomalistico no Cirio". Mas apenas
74% admitiram que a TV Liberal "6
a emissora que o p6blico mais admi-
ra", apesar de todo o poder de sedu-
gAo e manipulag o que a TV Globo
coloca nas maos dos Maiorana.
Maquiavel foi um grande intelec-
tual. Apesar de italiano, os descen-
dentes de Romulo jamais o leram (a
prop6sito: leram o que na vida?). Se
tivessem se dado a esse estafante tra-
balho, pensariam melhor no contras-
te desses indices. Raramente os po-
derosos bajulados sao amados ou ad-
mirados. Basta mudar a diregAo do
vento para mudar o aprego que, exa-
geradamente (mas tamb6m apenas
superficialmente), Ihes d dedicado.


m exe pl d- _--__ -_ -


O moment mais emocionante da cerimonia de
entrega dos quatro premios Colombe d'Oro per la
Pace, no ano passado, em Roma, foi quando o pre-
sidente da Archivio Disarmo, o senador Luigi Ar-
derlini, comunicou ao piblico que os embaixado-
res da Inglaterra e da Irlanda do Norte estavam ali,
sentados lado a lado, para prestigiar o deputado
federal John Hume, um dos agraciados. As pesso-
as se levantaram e aplaudiram intensamente. Era a
manifestagao do sincere desejo dos bons europeus
de ver as duas facq6es religiosas da Irlanda do Norte
superarem sua beligerancia, que em tr6s d6cadas
ji causou a morte de mais de 3.500 pessoas.
E pouco provavel que esse entendimento paci-
fico tenha sido alcangado, mas no dia 16 mais um
pass nesse sentido foi dado: o cat61ico Hume e o
protestante David Trimble receberam o Premio
Nobel da Paz de 1998 pela contribuicao que tem
dado para o fim do sangrento conflito na Irlanda
do Norte. Apesar das reclanmages dos radicals e
das imperfeicBes que os esforgos mais recentes car-
regam consigo, nunca os irlandeses estiveram tao
pr6ximos de uma conciliagao.
Na distant Bel6m do Par, a noticia da premiacao


de Jol nt l u in eixouei feliz. F nei impressionado
com seu jeito tranqiilo e seguro de se manifestar so-
bre o grave problema que sangra seu pais nas horas
em que estivemosjuntos em Roma (ver Jornal Pes-
soal n 166). Conversamos animadamente durante
mais de meia hora corn o president Italiano, Oscar
Scalfaro, durante uma audiencia descontraida no Pa-
lacio Quirinal. A confirmagao dos mdritos de Hume
pela comissao do Nobel mostra que a pequena mas
prestigiosa ONG do senador Anderlini acertou ao
premiA-lo corn mais de um ano de anteced6ncia.
Ja naquele moment senti-me imensamente hon-
rado por acompanhar Hume e o albands Fatos Lu-
bonja na divisao da honraria. De todos os quatro
que receberam o Colombe no ano passado, ele e o
escritor da Albania eram os verdadeiramente me-
recedores. O que eu e a jornalista italiana Laura
Becherelli realizamos para receber aquela bela es-
tatueta em ouro nao tern qualquer comparagao corn
o que fizeram esses dois grandes homes pfblicos.
Mas estar ao lado deles na escolha da Archivio
Disarmo serviu de poderoso estimulo para fazer-
mos ainda mais, apesar de todas as dificuldades e
desestimulos em nossa pr6pria terra.


Lacuna
Desde 1988 a Funda~ao Get~lio Vargas, com o apoio da
Fundaqao Ford, seleciona e premia os projetos pablicos
brasileiros que contribuem para melhorar as condi98es de vida da
populagdo. Difundindo esses projetos, espera estimular todos os
governor a aprimorar sua contribuigao nesse setor com mais
inovagao e melhores resultados.
Dos 631 projetos que se inscreveram neste ano, 17 foram
selecionados. Tres deles se localizam na Amaz6nia. No Amapa, o
escolhido foi o projeto "parteiras tradicionais". No Acre, o
"Projeto CidadSo". E no \mazonas, o "Trienal de Medicina
Tradicional do Povo Baniva e Curipaco". Do Para, nada.


Exemplo


O Centro Cultural Brasil-Es-
tados Unidos estA realizando uma
empreitada digna de todos os elo-
gios: a formagao de um acervo
pr6prio de artes plasticas. Ndo s6
de pintura: tamb6m o que cons-
titui ineditismo, mesmo em ter-
mos nacionais de fotografia. A
mostra que o CCBEU exibe na
sua excelente galeria (dotada in-
clusive de oficina) 6 do mais alto
nivel. Inclui fotografias doadas


e adquiridas (com investimento
de 145 mil reais) de alguns dos
maiores profissionais do setor.
Nenhuma galeria conhecida
dispoe de tal acervo permanen-
te no pais. Para nosso prazer e
orgulho, esperamos que o Mu-
seu de Arte Brasil-Estados Uni-
dos prossiga na sua luminosa
trajet6ria como a mais importan-
te instituigao particular do Pard
nesse setor.


Journal Pessoal
Editor: L0cio Fldvio Pinto
Sede: Rua Aristides Lobo, 871/66 053-040
Fones: 223-1929, 241-7626 e 241-7924 (fax)
Contato: Tv Benjamin Constant 845/203/66.053-040.
Fone: 223-7690 e-mail: jornal@amazon.com.br
EdiiAo de Arte: Luiz Pinto/241-1859


S6 papel
Em outubro de 1997 o Diario
Official publicou, meses depois da
assinatura dos documents, duas
resolug(es do Conselho Estadual
de Political AgrAria e Fundidria do
Estado. Atravds delas o conselho
reconhecia o "crescente esteliona-
to fundiArio" que vinha sendo pra-
ticado no Estado.
Para combat8-lo, recomenda-
va ao governor que adotasse vAri-
as providencias, principalmente
contra os cart6rios de registro de
im6veis do interior, usados para a
consumag~o de grilagens. Tam-
b6m pedia a anulagao de titulos
de terra considerados impresta-
veis. Ou seja: o conselho queria
que o governor agisse para valer
contra o crescente esbulho do pa-
trim6nio fundiArio do ParA.
Mesmo tendo sido publicadas no
DO ha um ano, as duas resolugces,
assinadas pelo president do con-
selho, Hildegardo Nunes (na 6poca
secretArio de agriculture, agora
vice-govemador eleito), nao gera-
ram qualquer efeito at6 hoje. Sim-
plesmente porque o govemador Al-
mir Gabriel nao as aprovou. Elas
continuam a ser apenas uma pro-
posta perdida entire pap6is, enquan-
to o problema fundiario se agrava.
Por que o governador se re-
cusou a referendar as resolu96es?
A disposiglo que anunciou de en-
frentar as agressoes cometidas
contra as terras paraenses ficou
na ret6rica dos comicios para o
primeiro mandate?