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T rumo Jornal Pessoal ...r... L U C I 0 F L A V I 0 P I N T 0 Os Gueiros ANO XII NO 197 21 QUINZENA DE OUTUBRO DE 1998 R$ 2,00 acabaram? ELEI(AO A democracia perdeu 0 resultado da eleigdo do dia 25 ainda ( imprevisivel. 0 governador Almir Gabriel 7 sai corn > e as projegies feitas pelos insti- tutos de pesquisa para o 1 0 turno se confirmarem, o governador Almir Gabriel derrotara o sena- dor Jader Barbalho no segundo round elei- toral por uma diferenga entire 2% e 5% in- ferior, portanto, A vantage estabelecida no dia 4, que foi de 8,2%. Como a margem ad- mitida de erro d de 3%, para um ou para outro lado, a conclusao possivel, corn base nesses progn6sticos, 6 de que a dispute sera acirra- da e seu resultado estara sujeito as chuvas e trovoadas que se formarem de surpresa no horizonte. Em linguagem mais direta: tudo sera possivel no dia 25, dependendo do an- damento da certamente curta e provavel- fiente grossa campanha que at6 IA sera de- senvolvida pelos contendores. A primeira questAo 6 preliminary: quern ainda estA acreditando em pesquisas eleito- rais no pais? E claro que o livre chorar e o ranger de dentes dos candidates derrotados comprometeu a isengao na anAlise do papel das pesquisas na temporada pr&-eleitoral. Nem todas falharam ou revelaram mA f6 na sua produgao. Mas sobre elas pesou um dado vantagem e pode chegar aofim corn vit6ria por margem inferior a do 1- turno. A primeira derrota poderd iniciar o declinio da carreira dejader Barbalbo, quebrando sua mistica de invencibilidade. A curta campana electoral poderd reservar surpresas. Mas uma coisa e certa: a democracia saiu perdendo em 1998. constrangedor: todos os erros, sem excegio, prejudicaram a oposicao, particularmente o PT. E o jA traditional ajuste de fim de tem- porada, que aproxima os resultados apura- dos ate entAo da realidade, foi perigosamen- te retardado para o moment derradeiro, su- jeitando ate a aferido de boca de urna a fa- lhas. Desta vez, o Ibope pode ter exagerado na mao ao exagerar o personalismo do seu principal dirigente. Mas nao basta critical ou processar o ins- tituto. E preciso agir concretamente, aprovei- tando a comogqo p6blica para expurgar das pesquisas o seu component de manipulaiao, que favorece os clients com maior poder de fogo. Os partidos necessitam se aparelhar para fazer a critical das pesquisas no moment mes- mo em que elas estao sendo executadas. 0 Ministdrio Piblico tern que criar uma ouvi- doria eleitoral permanent, tecnicamente em condiqes de impugnar os trabalhos viciados. Mas tambdm 6 fundamental atacar um elo vi- tal do process: a imprensa. Nem sempre 6 a pesquisa que estA viciada, mas a sua divulgaqao. Jornais que estao en- volvidos diretamente (e partidariamente) na c LzLA,.. L/ L L L- 0, L:L.L LUL/.L 12 L ( C 4) 2 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 dispute eleitoral, camuflando essa vinculagao, e que agem fora do control da opiniAo pa- blica, s6 divulgam o que querem e como que- rem. 0 Liberal, nesta campanha, deu todos os exemplos de como se faz divulgagfo ten- denciosa de pesquisa. Tendo contratado dois institutes, ao custo expressive de um milhao de reais, usou os resultados ora de um, ora de outro, ou simultaneamente, conforme objeti- vo previamente definido. Tambdm omitiu o que nao Ihe interessa- va, embora sendo component indescartavel do trabalho, como a proje9go do resultado do 2 turno As v6speras da primeira votagao. Este 6 um tipo de manobra que compromete a lisura do process eleitoral, mas tern sido praticada corn desenvoltura de estarrecer. NAo pode permanecer assim. Para iluminar ou langar penumbras na cena eleitoral, as pesquisas continuarao a ser element de poderosa influencia sobre a votagdo. A tarefa urgente das instituicqes political 6 sanea-las. S6 assim contribuirao para fortalecer e nfo para minar o pro- cesso democratic. Nesta eleigao, elas ser- viram aos interesses da situagio, do esta- blishment e dos que dispunham de recursos para financiA-las A exaustao, seguindo aque- le velho conselho de Joseph Goebbels, o ide- 6logo da propaganda nazista (a mentira vira verdade se repetida mil vezes). O outro component important sAo os debates. Infelizmente, eles foram travados numa fragAo minoritAria dos Estados brasi- leiros durante a campanha para o 1 turno. Mesmo nesses poucos locals, houve muito menos debate do que se poderia esperar de uma eleigio num pais democratic. Onde o dinheiro nao foi o element decis6rio, com- prando diretamente os votos, prevaleceu a agfo do marketing politico, interferindo so- bre a livre manifestagao do cidadao. Os candidates ao governor do Para pro- vavelmente s6 se defrontarao uma inica vez, no 61timo dia do program eleitoral gratuito. Sera no audit6rio da TV Liberal, que, espertamente, adiou a data do dia 22 para 23, impedindo que flashes desse de- bate possam ser exibidos durante o horario do TRE. AtrAs do prejuizo, a RBA, a emis- sora de televisao de Jader Barbalho, tenta- rd realizar antes um outro debate, mas o governador nao aceitarA o convite que Ihe foi formulado. Usa como escora a li9ao dos marketeiros, competentes nas t6cnicas de manipulagAo, mas nem sempre convencidos das vantagens da democracia, de que can- didato em vantage nao debate corn can- didato inferiorizado (as normas legais te- rao que ser mais categ6ricas a respeito). Nesses terms, o debate, sujeito a regras inibidoras da controversial e do confront aberto entire os candidates, nao poderA ter o efeito que seria possivel num quadro verda- deiramente democratic. Seu peso relative sera menor, o que significa uma desvanta- gem para Jader Barbalho, muito mais efici- ente em tais ocasibes do que Almir Gabriel. Um outro ponderador do resultado 6 o destino dos votos que foram dados A coliga- Ao PT-PSB. Oficialmente, a orientagAo dos dois partidos 6 pelo votos branco e nulo. A simples recomendagao do voto em branco jA mostra que nem mesmo os lideres politi- cos sabem com o que estao lidando, se 6 que nao estao agindo com sagaz malicia. 0 voto branco ou nulo pode servir de protest, des- de que antecedido por uma campanha capaz de distingui-lo do prosaico erro de votagao ou da mera omissao. Uma grande margemrn de votos nulos ou brancos tiraria a legitimi- dade da eleigao. Essa possibilidade nAo estA ao alcance do voto em branco. Mas o voto nulo, com palavras de ordem, 6 o mais pro- picio a essa campanha. Mesmo havendo uma determinaqao ofi- cial de rep6dio aos dois candidates do 20 turno, diversas correntes buscam informal- mente um e outro. Se alguns grupos petistas apresentam arguments doutrinArios para apoiar o governador, outros sao pragmati- cos: acham que serA mais fAcil compor um acordo corn o PMDB para a eleigao em Be- 16m dentro de dois anos, reforgando a posi- 9ao de Edmilson Rodrigues, candidate na- tural A reeleigAo. Jader nao tem nenhum nome para o cargo e poderia continuar sem candidate pr6prio, impondo mais uma vez essa decisao ao seu partido. 0 senador pe- ebista assu- miu imediatamen- te a identifica9ao com a oposiao ao governador, pro- curando sensi- bilizar possiveis aliados no PT, que tem travado uma guerra de guerrillas corn a administra9ao estadual na capital. Um outro reduto a ser trabalhado intensi- vamente 6 o funcionalismo puiblico, onde estA o maior indice de rejeigao a Almir. 0 governador, por sua vez, continuarA a bater forte na corruppgo, associada ao seu adversArio, para reforgar, quase pavlovi- anamente (sem precisar comprovA-la), a auto-identificagAo corn a honestidade e a lisura. E uma ret6rica eficaz junto A clas- se media e aos maiores col6gios eleito- rais, onde Almir estabeleceu sua maior vantage. Ambos os grupos, pordm, vao redobrar os investimentos na fiscalizagAo da votagao no interior e no aliciamento de eleitores. As maiores fraudes foram praticadas nesses re- dutos, os que ainda funcionam como currais de votos A moda antiga. As irregularidades foram espantosamente enormes, desde pre- sidentes de juntas que guardaram as urnas em suas casas durante dois dias, ate um escanca- rado comdrcio de compra e venda. 0 reforgo a ser feito para repetir ou com- bater as fraudes, que ocorreram num ambien- te de facilidades no 1 turno, torna previsivel um climatenso e conflituoso na segunda vota- 9ao nos coldgios eleitorais mais distantes e iso- lados. A aparente tranqUilidade do dia 4 deve- se apenas ao fato de que as oposi95es nao ti- veram estrutura para acompanhar a maquina usada em favor dos candidates oficiais, gra- gas d possibilidade de reeleiao sem desincom- patibilizagao (o que nao significa que as opo- si9oes tambdm nao fraudaram). Esse desequilibrio de meios deixara de existir no 20 turno? Alguns peemedebis- tas garantem que o senador Jader Barba- lho guardou a maior parte do seu fundo de campanha para esse moment decisi- vo, assim como algumas armas nao usa- das no dia 4, como uma pressAo mais for- te sobre os politicos do interior usando a sombra de Brasilia. Mas outros admitem que a coleta de recursos nao foi satisfa- t6ria, ao contrario de outros anos, tornan- do a campanha de Jader pobre para os pa- dr6es de 1990 (embora ele tenha adqui- rido um aviao caro, recurso estratdgico que Ihe permitiu cobrir quase tantos mu- nicipios quanto o governador). Correligionarios e adversArios do se- nador sustentam que sua campanha light indica que ele nao esta muito empenha- do em ser governador, preferindo voltar ao cargo de senador em Brasilia. Uns apresentam esse argument para justifi- car previamente uma derrota. Outros, para induzi-la mais ainda. Mas os indici- os mais fortes sao de que Jader nao par- ticipa de um faz-de-conta. Ele esta fazendo o maximo pela vit6ria. Nao s6 para garantir sua invencibilidade eleitoral, element poderoso na manutengao da sua mistica. Tambmr porque a trilha do seu future pestA no Para e nao em Brasilia. O fascinio da capital federal pode parecer imediatamente mais forte, mas trata-se de miragem. 0 future do senador 6 mais curto e limitado do que aparenta. Comega e ter- mina no Para, recomegando com uma vit6- ria no dia 25 e podendo desencadear o de- clinio corn uma derrota. Esta resposta o povo vai poder dar no 2 turno. Mas as principals respostas ficario adiadas para um future ain- da incerto e nao sabido, tanto mais incerto e nao sabido quanto mais a democracia for contaminada pelo virus da manipulagio, como ocorreu na epidemia de 1998. 0 JOURNAL PESSOAL 21 QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 3 Omissao Luis Ercilio do Carmo Faria, ex-secretA- rio do Tribunal de Justiqa do Estado, impe- trou mandado de seguranqa contra ato do president do TJE, que aplicou o redutor constitutional A sua aposentadoria. Todos os desembargadores que atuam nas caimaras ci- veis do tribunal, competentes para apreciar o pedido, se declararam impedidos de fun- cionar no feito. 0 process teve que ser re- distribuido para a Area criminal. Sorteado relator, o desembargador Ary Motta da Silveira, que estA prestes a se apo- sentar, recebeu e indeferiu o mandado. Agora cabe recurso. Mas os autos s6 poderao subir a instaincia superior se metade mais um do colegio de desembargadores se manifestar. Os observadores dos bastidores do TJE acham dificil reunir as manifestacoes de 14 desembargadores. Um brocado do mundo juridico diz que pior do que uma mA decisao 6 nao haver de- cisAo alguma. Do erro cometido pode-se re- correr. Da falta de decisAo nao cabe recurso, senao forqando os magistrados a tomar uma, que a fungao e o dever lhes impbem. Mas sem- pre que hA um caso delicado, parece crescer a quantidade dos juizes que preferem escon- der sua omissao atrAs das costas largas da declaragao de impedimento ou suspeigao, usada tao sem critdrio quanto esquecida em momrnentos recomendados. Pior para quemr ainda confia najustiga. E para a dita cuja. S Para: na apura ao, o vexame de sempre injustiga, na etnoc6ntrica avaliagao da magis- 0 Pard foi o 61timo Estado brasileira a trada, "pois somos indios decentes". Mais de- concluir a apuraqao dos votos do primeiro centers, naverdade, sao os outros indios, os que, turno eleitoral. Manteve, assim, uma triste ao contrArio de n6s, nao se aculturaram, man- tradigio de muitos anos. Desta vez, o atraso tendo-se A distancia desse bizarre potlatch dos incomodou tanto que o Tribunal Superior civilizados eleitores. Mas essa 6 outra questao Eleitoral sentiu-se obrigado a descer das suas e_ para outra ocasiao. tamancas brasilienses para puxar as vastas A enervante lentidfao corn que o TRE para- orelhas do TRE paraense, que comprometia ense acostumou-se a contar votos tern servido, todo o esforgo da alta corte eleitoral de pro- mesmo que involuntariamente, ao mapismo, clamar o mais rapidamente possivel o resul- um tipo de fraude que subsiste A decadencia tado da votaqao, assegurando ao mundo (e do emprenhamento de urnas, o metodo mais particularmente A comunidade financeira grosseiro, atingido pela votagao eletronica e a international) que o president Fernando melhoria dos meios de comunicagAo no interi- Henrique Cardoso teria mais quatro anos de or. HA de ser uma parceria involuntAria, mas mandato. Era a senha para o FMI, o Banco inegavelmente a relaqAo existed. Ela poderia ter Mundial e o BID avalizarem o program de sido eliminada ou, pelo menos, minimizada ajuste fiscal e compromissar a contrapartida bastante se o TRE adotasse uma estrat6gia pro- de financiamentos para o Brasil se enqua- porcional A amplitude do desafio de realizar drar no modelo de ientervengao ortodoxa. 0 eleigbes gerais num Estado com o tamanho e Para se tomou um estorvo desproporcional- as peculiaridades do Para. mente grande para seu peso politico (e demo- Nao e s6 uma questao territorial, contudo. grAfico) relative. No final do segundo dia de apuraiao, quando A desembargadora Yvonne Santiago Mari- Estados de tamanho equiparavel ao Para jA nho, president da comissao apuradora esta- haviam contado dois tercos dos seus votos (o dual e corregcdora eleitoral, protestou contra Amazonas, maior, e o Mato Grosso, menor), a o destaque dado pela imprensa national ao proporgAo por aqui era de apenas 42%, mais Pard. Considerou-o injusto. 0 ParA estaria sen- retardada at6 do que a do Piaui (que era, entao, do criticado por ser urn Estado de indios, uma de 50%). Ai existe uma outra ponderagao: a m S . Nem tres tenores juntos Pavarotti, Carreras & Domingo convencem sobre a vantagem de cantores de m6sica clAssica incursiona- rem pelo cancioneiro popular. Eles nao conseguem se livrar da empostagao de voz e de ou- tros cacoetes do chamado bel canto, soando inade- quadamente (exceto quando disp6em de um estilo mais aproximado do deles, como o italiano) quando tentam ajustar seus poderosos recursos vocais aos li- mites de uma estrutura mais simples e diferente. E melhor sempre ouvir um bom intdrprete popular do que essas grandes vozes estilizadas. A nfo ser que se esteja diante de uma poderosa excegfo A regra, como Kiri Te Kanawa. Ela 6 uma das raras cantoras liricas que soa natural ao passar para a m6sica popular. Sebastiana Moraes 6 uma outra excefio, numa escala mais pr6xima de n6s. Acho que uns 12 anos atrAs, quando ela era ainda "de menor", eu a ouvi cantar pela primeira vez. Impressionava tanto pela limpidez da sua voz de meio-soprano quanto por sua sensibilidade e cultural musical, excepcionais para sua idade (e para qualquer idade, aliAs). A dpoca, ainda manejava o violino e pensava numa carreira lirica, inspirada por sua grande mestra, Marina Monarcha. Ao se transferir para Sao Pau- lo, Sebastiana (jA batizada artisticamente como SabA) entrou no circuit alternative da m6sica popular junto corn o marido, o compositor, m6si- co e instrumentista homem de verso e cantoria) Ney Couteiro. Ney j lanqou seu primeiro CD, Concertoria, uma combinagao de sertAo & salao para agradar aos ou- vidos populares e eruditos. 0 de Saba deve sair em maio da longa gestaqfo imposta aos artists que nao fazem parte do establishment (o disco dela e do ma- rido 6 produzido pelo Centro Popular de Cultura da Uniao Metropolitana dos Estudantes de Sao Paulo). Mas pela amostra que ela apresentou na semana pas- sada, no audit6rio do CCBEU, da para prever para breve um lugar especial para ela no firmamento das melhores intdrpretes musicais j surgidas no Para corn qualidade national. A safra atual, com Jane Duboc, Leila Pinheiro e FafA de Beldm (aldm de vArias outras ainda restritas ao universe local), jai de primeira. Mas quando Se- bastiana puder mostrar sua voz para um p6blico mais amplo e exigente, certamente assumirA uma posiqfo especial. Alem da qualidade que aplica na interpre- tagao, ela lidera uma maneira nova e muito origi- nal de passar em revista m6sicas ja bem conheci- das, ou mesmo clAssicos da produgao amaz6nica. Nao se deixa limitar, pordm, pela abordagem folcl6rica. Saba tem tudo para ser uma poderosa criadora. A confirmagao dessa previsto 6 apenas uma questao de tempo. E de oportunidade. Torcemos para que o tempo e a oportunidade se abreviem. 0 da populagao. At6 o Al- timo dado censitArio, o Pard era o Estado da fe- deraAo com maior pro- porcao da populagao na Area rural. Beldm s6 tern um quarto da populagao total do Estado, enquan- to Manaus concentra mais da metade. 0 planejamento elei- toral do Estado precisa estar atento a essa pecu- liaridade da grande dis- persao populacional de seis milh6es de habitan- tes por um territ6rio de 1,2 milhao de quil6me- tros quadrados. Sem ata- car o problema corn a se- riedade e a competencia que ele requer, elei9ao ap6s eleigAo o TRE pa- raense dara vexame na- cional e servirA de ino- cente 6til (presumida a inocencia, provada a uti- lidade) para a sobrevida da fraude eleitoral inter- na. Ver a realidade 6 mais eficiente- e decen- te do que arriscar teo- rias de pd quebrado. * 4 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 0 Para do discurso, o Para da realidade O governador Almir Gabriel proclamou, durante a campanha eleitoral para o 1 tur- no, que o Parad o 50 maior Estado da Fede- raqAo Nao citou a fonte da informagao, nem identificou a grandeza a que se referiu. 0 quinto lugar que o Pard ocupa 6 o da gera- qAo de energia do Brasil. Sobe para terceiro em exportagao de energia. Isto significa que a maior parte da energia gerada em seu ter- rit6rio 6 mandada para fora. Nao 6 uma attitude inteligente, nem sen- sata. Deve-se exportar as sobras, os exces- sos. Ainda ha 40% de paraenses A espera de energia eldtrica, da abundante e confid- vel at6 uma ragao capaz de durar as 24 ho- ras do dia, ainda que para tender um con- sumo de subsistencia. 0 Pard produz cau- lim e celulose, mas nao papel. Exporta mi- n6rio de ferro, manganes e ferro-gusa, mas nao produz ago. Tern a energia necessAria para essa transformaqao industrial, que po- deria agregar valor ao bem produzido, mas se restringe ao comego do ciclo produtivo. 0 Pard e o 2 em territ6rio, o 9 em popula- qao e o 100 em eleitores do pais. E o 2 em mineragao, o 70 em exportacao e o 3 em saldo de divisas do com6rcio exterior. I o 11 de acordo corn o PIB (Produto Interno Bruto) e igualmente o 11' em arrecadagAo de ICMS. Ai comega a outro lado da moeda: o Pard 6 o 180 em IDH (Indice de Desenvolvimen- to Humano), o segundo pior por esse critd- rio na Amaz6nia (onde ganha apenas do Acre). E o 170 por renda familiar per capital (de R$ 200, contra R$ 401 de Roraima) e o 180 por renda per capital individual. Sua taxa de escolaridade 6 a 2 la: apenas 3,2% de seus estudantes tem 12 anos ou mais de estudo (o que significa elevada evasao escolar). A pro- porcgo de analfabetos funcionais (aqueles alunos que s6 chegaram A 4a s6rie do ensino fundamental), de 43%, 6 a 11a mais elevada em todo o pais. E o Estado que tern a 8a pior taxa de mortalidade infantil (de 60 por mil). A renda gerada estA mais concentrada no Para do que na maioria dos Estados brasi- leiros. Os 40% mais pobres so det6m 8,89% da renda estadual, o que da ao Para a 100 pior posigio na federaqao. Nosso Estado tamb6m 6 o 100 por outra perspective da di- visao do bolo: aqui, os 10% mais ricos de- tem 5,6 vezes mais renda do que os 40% mais pobres e, no total, abocanham 49,47% da renda estadual (reservando ao ParA a 8a pior posigao no conjunto national). Almir Gabriel quer mais quatro anos para continuar maquilando a realidade atrav6s de uma imprensa comprada a prego de ouro, que reproduz tudo o que recebe (contanto que o press release venha acompanhado do cha- mado vil metal). ou para realizar algo que nao fez em seu quatrianio regulamentar: mudar essa triste realidade? Se 6 para essa segunda e merit6ria tarefa, precisa mostrar uma capacidade que permaneceu congelada at6 agora. Se 6 que existe. * A historia bate a porta Belem costuma ser definida como uma cidade de muros baixos. Nela, nenhuma pro- tegao garante a privacidade das pessoas. Nem os muros. A fofoca consegue vencer todas as barreiras. Em si, essa propensao ao mexerico nao chega a ser exatamente um mal. Mesmo corn uma dosagem de maledi- cencia e molecagem, seria a maneira de fu- rar o circulo do sil8ncio conivente imposto pelos que dominam as informaq6es e usam- nas conforme seus pr6prios interesses exclu- sivistas, deixando o restante da populagao (a maioria silenciada) "por fora". S6 6 da- nosa quando fica tao emparedada quanto a informaqfo para a qual seria a alternative. Sem informaqao nao ha acesso ao poder. Por isso, quando uma informaqao valiosa nao chega aos veiculos de comunicagao, o seu vertedouro natural, para ser registrada e fi- car publicamente disponivel, o povo a faz circular pelos canais informais, As vezes cha- mados de "rAdio cip6". Em ondas concen- tricas, essa pressao, indicando a ansia de "saber das coisas" do anonimo home das ruas, acaba forqando algum tipo de registro, mesmo codificado. Freqtilentemente torna- se a 6nica referencia para o trabalho poste- rior dos historiadores, os garis que varrem e juntam a poeira dos fatos cotidianos. Pensando no enorme fosso que costume separar a mem6ria oral da hist6ria escrita, o que se ouviu falar daquilo que foi reconheci- damente comprovado; considerando tamb6m o lado ruim e o lado saudavel dos muros bai- xos de Belem, foi que me empenhei na edigao do diario intimo que Aloysio Chaves escreveu enquanto participava da corrida A indicaqgo como candidate ao govemo do ParA, em 1974. Nesse diario, metodicamente anotado numa agenda e mantido inddito at6 a morte do ex-govemador, ha registros, observa96es e avalia9ges at6 agora in6ditos em letra de forma, que poderiam ter ficado perdidos para a hist6ria, num terreno baldio ao alcance apenas da especulaqao e do murmtrio. E o document mais revelador da hist6ria poli- tica recent do Para. Certamente nao sera a palavra final para definir algumas questbes, mas todas elas nAo poderAo mais prescindi- lo em sua elucidag9o. 0 Didrio intimo (ja nas principals livrari- as e bancas de jornais da cidade) tern sido Ademir Andrade teve, como candidate a go- vernador neste ano, pouco mais da metade dos votos que conseguiu em 1994 como senador e dos que foram dados a Ana Jilia Carepa, sua companheira de coligagao que disputou a 6ni- ca vaga para o senado. Enquanto Ademir fica- va com 296 mil votos na corrida governamen- tal, Ana Julia chegava a 567 mil na raia sena- torial, ela em segundo lugar com 34% dos vo- tos validos em sua faixa e ele em terceiro, corn apenas 17% em sua pr6pria raia. Foi um desempenho desastroso para o lider do PSB. Ademir comprometeu sua image de tema polemico em muitas rodas de pessoas que sao personagens dessas e de muitas ou- tras hist6rias no Estado. Tenho tomado co- nhecimento das observaq9es verbais. 0 que me espanta 6 o sil8ncio p6blico. VArios des- ses personagens parecem acreditar que culti- vando a indiferenga para efeito externo, mes- mo quando suscitam acaloradas discusses intramuros (apesar de tudo, baixos), sufoca- rao a cobranga que o tempo j faz sobre mo- mentos decisivos desse period. Cobranga que o precioso document deixado por Aloy- sio Chaves reaviva. Como nas melhores tra- g6dias teatrais, ele alerta a sociedade: os mor- tos permanecem insepultos, mesmo aqueles cultivados com o pedestal reservado aos he- r6is. Mas feito de argila fraca. 0 lider de uma ala de centro-esquerda, ao mesmo tempo que perdeu a posigao de postulante a cargo majoritario. Ficou demonstrado que os petistas nao confiam nele, mesmo quando lide- res do partido avalizam o acordo eleitoral. E ainda que se comprometam de p6blico a apoid- lo, na pratica irao abandona-lo. Ademir pagou um prego muito alto para comprovar o que ja sabia: afastou do seu raio de agao a possibilida- de de ser novamente senador ou ainda poder postular o governor do Estado. Quanto ao PT, mostrou que nao sabe ou nao quer fazer alianga. 0 Prego caro JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 . As razoes do adeus Amigos e correligiondrios sempre criti- caram o hibito que o ex-senador Jarbas Pas- sarinho foi cultivando ao long da sua car- reira, de fazer viagens cada vez mais curtas e espaqadas ao Pard. Embora o melhor pal- co para o desempenho brilhante da sua inte- ligencia fosse Brasilia, o seu reduto eleito- ral estava montado em terras paraenses. Como nunca transferiu essa base de votos para a capital federal, apesar de sucessivas ameagas nesse sentido, eleiq.o ap6s eleic.o, Passarinho tinha que retornar A provincia para renovar seu mandado eletivo. Por duas vezes essa renovaqgo Ihe foi negada, apesar das credenciais trazidas do Distrito Federal. Nao admira que o ex-mi- nistro comegasse a encarar a gleba como seu inferno zodiacal, nern surpreende uma certa maigoa turvando a biografia do personagem na sua pr6pria terra adotiva. Santo de casa costuma nao fazer milagre, mas, se nao ten- tar, como se sabera da sua santidade? Como j de habito, para o 10 turno da elei- cao deste ano o ex-senador chegou a Bel6m num dia e foi embora no dia seguinte, de- pois de votar. Agora que encerrou sua car- reira political, ele pode passar olimpicamen- te por sobre as queixas de seus amigos e cor- religionArios. Mas nao indiferentemente por sobre a hist6ria. Numa entrevista a 0 Libe- ral, Passarinho explicou porque desistiu de se candidatar na eleigao deste ano: "Voce faz aliangas, e a cada alianga que voce faz voc8 perde um pouco da sua pr6pria identidade. Voce comeqa a fazer exame de consciencia e chega A conclusao de que, para ter certas aliangas, voc6 tern que abandonar, As vezes, coisas que voce teve na sua vida como into- caveis. E eu teria que fazer mais uma alian- 9a para participar disso". 0 process de descaracterizaao, em fun- 9fao das aliangas, remonta a 1986, diz Passa- rinho. De IA at6 achar, agora, que chegou ao limited suportAvel da renmncia aos principios (que, em tese, sao intocAveis), Passarinho transitou entire todos os grupos que se alia- ram e se digladiaram no Para, indo com uns ou ficando com outros. Se o ex-senador ain- da tinha alguma coisa a preservar, que mais uma alianga consumiria, ele fez bem em nao sacrificar esse derradeiro principio. Mas conv6m que nAo esquega um fato: nao precisaria fazer alianga alguma para ser candidate a deputado federal. Certamente o partido do qual 6 president honorArio, o PPB, nao lhe negaria uma vaga (nem o elei- torado votos suficientes para confirmar o mandate). Sem precisar subir em palanque majoritario, depois de duas eleicges em que foi carregado por outros titulares de votos, o ex-ministro provaria finalmente ao povo paraense que pode se eleger sem se desfazer de seus principios (como se desfez dos es- crupulos ao assinar o AI-5). Passarinho assumiria um mandate devendo abstratamente ao eleitor e nao a um senhor medieval de currais eleitorais, cheio de vicios e baixezas, mas que ao menos permaneceu na terra travando o combat pelos votos comezi- nhos, pedagos de lama, talvez, mas sem os quais os castelos que se pode construir na political sao ilus6rios. Seria um fim de carreira decent para algudm que influiu tanto na hist6ria re- cente do ParA, sem que juntar-se a outros de- putados pudesse desmerec&-lo. Na Camara, o ex-govemador, ex-senador e ex-ministro en- contraria, entire vArios outros, um seu colega de poder, atd mais poderoso do que ele, o ex- czar da economic Delfim Neto. Ao inv6s de encarar esse legitimo desa- fio, Jarbas Passarinho deixou-se levar pela armadilha das velhas e viciadas aliangas, que sempre arrastam consigo principios e cren- gas, da mesma maneira como tenta apresen- tar ao distinto p6blico, a posteriori, uma versao em desacordo com a trama real da hist6ria. Em verdade, nao saiu voluntaria- mente dela, da maneira mais compativel corn sua indiscutivel importancia. Foi forgado a sair e pela porta dos funds por causa de um golpe astuto dos seus ex-quase-futuros aliados. Eles ficaram, Passarinho se foi. E a political ficou mais pobre. 0 que o tempo engoliu Impassivel A minha frente, o director de reda- qo de A Provincia do Pard, ClAudio SA Leal, era categ6rico: nao iria me adiantar o pagamen- to do mas. Insisti com arguments nobres para tentar demov6-lo: precisava viajar para defen- der "a causa". Ele naro se deixava convencer: aquilo era uma loucura, nAo uma causa. "Aqui- lo" era minha viagem a Sao Paulo para partici- par do XXX Congresso Nacional da UNE, em Ibitna, como delegado do Para. Mas s6 pode- ria viajar se o journal me antecipasse o salario para eu poder comprar a passage e custear as despesas de praxe. Naquela dpoca nem se pen- sava em ajuda de custo. Tudo tinha que sair do pr6prio bolso. Por causa da teimosia do Leal, que no mo- mento me provocou furor, nao fui. Vanilson Hesketh (hoje juiz do trabalho e marido da ad- vogada Avelina Heskeh, president da OAB), o outro delegado, viajou sozinho. Seria preso, a 12 de outubro de 1968, juntamente corn outros 705 estudantes (536 homes e 170 mulheres) reunidos no congress clandestine da UNE, a tltima ofensiva do movimento estudantil antes das trevas baixarem definitivamente no horizon- te politico brasileiro corn o AI-5 (Ato Instituci- onal n 5, o mais violent da genealogia "legal" do terror official Os militares chegaram antes do fim da reuniao, intrusos no baile. E acaba- ram com ele. Foi em Epoca, a televisao impressa do grupo Roberto Marinho, que li o inico registro na im- prensa national sobre esse traumatico epis6dio de 30 anos atras. Parece que nossosjornais e re- vistas incorporaram a versao do regime de que aquele congress, realizado num sitio de um pa- cato municipio paulista, era "porra-louquice", como entao se dizia. Pretexto para sexo livre, fumo, Alcool e hedonismo selvagem. Foi a hist6- ria forjada no inqudrito policial, que parece ter sido inoculada no inconsciente coletivo. Ibitna foi precedido das ocupagqes das uni- versidades, uma reaqao A reform educational que se imaginava escondida no acordo MEC- USAID para privatizar o ensino superior brasi- leiro. As aulas foram substituidas pelo trabalho de grupos paritarios que tentavam oferecer uma alternative ao projeto official. Lembro-me de ter passado tres dias insones discutindo e redigin- do no meu grupo, na Filosofia, um document para ser entregue ao candidate que seria sagra- do president da Rep6blica, o general Arthur da Costa e Silva, ex-ministro da Guerra, em vi- sita mete6rica de campanha eleitoral (sic) por terra paraense. Minutos depois de ter sido rece- bido por um assessor presidential, em nome do chefe, o papel ornava uma lata de lixo. Muitas horas de trabalho sincere jogadas fora. Namoros surgiram e se desenvolveram nes- ses longos dias de ocupacao, mas eram uma nota lateral ao texto principal. Comegando corn a re- forma do ensino, as discusses evoluiam para a ontologia, a fenomenologia e outros escaninhos do pensamento, colocando as correntes politi- cas do movimento estudantil em confront. Era a verdadeira universidade e a melhor escola de lideres. Muitos dos que passaram das ocupaqoes e passeatas para aquele encontro de Ibiina tor- naram-se lideres da nossa precAria Rep6blica. Insondaveis e surpreendentes ficaram os ca- minhos quando a via legal foi obstruida e, em se- guida, definitivamente fechada. Ibitna gerou Cd- sar Maia e Jose Dirceu, Vladimir Palmeira e Jos6 de Abreu. 0 melhor indicador da mudanga que iria ocorrer no period, por6m, 6 a trajet6ria de Ant6nio Nunes de Carvalho, reconstituida pelo reporter de Epoca, Fabio Altman. Preso em Ibii- na quando tinha 20 anos, Carvalho tomou-se mi- litante do MR-8, vereador do PMDB e secretario de Estado de Moreira Franco no govemo do Rio de Janeiro, numa carreira finalizada aos 45 anos, quando morreu de Aids, com seis filhos e dois casamentos na biografia. Os tempos ja eram ou- tros e Ibiina virou um byte na mem6ria. 6 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 Cartas Paulo Fernando Machado enviou a estejornal a seguinte carta: "Caro Lucio, Dirijo-me a voce para esclarecer mat6ria publicada no JP n 196. Para minha surpre- sa, um fato tio corriqueiro, uma viagem de t6cnicos para um encontro t6cnico, chamou tanta ateng o da imprensa, haja vista que tam- bem o Didrio do Pard, nas suas edigbes de 19 e 21/10, fez uma "cobertura" jocosa da via- gem. Quanto a esse pasquim, ventriloquo de seu dono, nada tenho a responder, haja vista que nao merece meu minimo esforqo. Ja a ti, L6cio, seja pelo aprego que tenho por voce seja pela credibilidade que goza teu journal, envio esta carta para esclarecer os fatos. A republicacto dos decretos autorizando minha viagem e da t6cnica Ana Valdria Al- meida corn a supressao das diarias deveu-se ao fato de que as custas de nosso desloca- mento nao seriam bancadas diretamente pelo Tesouro Estadual, mas sim pelos recursos que o BID vem repassando aos estados atrav6s do Program Nacional de Apoio a Administra- gdo Fiscal dos Estados Brasileiros (PNAFE). 0 Estado do Para, sob minha coordena- q.o, apresentou junto ao BID um projeto para captacao de U$ 15,3 mi- lhoes para modemizacqo da fazenda estadual. 0 proje- to foi aprovado no inicio de 1997 e, corn os recursos do banco, mais a contraparti- da estadual, iniciamos um trabalho de recuperayao do abandon e desmantela- mento que as administra- 9qes Barbalho-Gueiros ha- viam jogado a maquina fazenddria estadual. 0 trabalho, apesar de dificil e ainda recent, ja apresenta resultados significativos. Desta- cam-se entire eles a criaqio da Escola Fazen- daria e o investimento maci9o em capacita- q6o do corpo funcional, a crescent informa- tizagdo da secretaria (somente neste ano es- taremos entregando 200 microcoputadores pentium As unidades da fazenda), a renova- gfo de 70 veiculos, de uma frota de 108. Alem disto. implementamos a GIEF e o DAE em disquete para dar mais autonomia e comodi- dade ao contribuinte. Implantamos, corn re- cursos da contrapartida, o SIAFEM e pela primeira vez na sua hist6ria o Pard passou a contar corn um sistema integrado e transpa- rente de gestao da despesa p6blica. Outros exemplos poderiam ser ainda citados, mas para nao ficar enfadonho pararei por aqui. Pois bem, corn o intuito de dar maior efi- ciencia e transparencia a administraqgo do projeto, a SEFA contratou o Programa das Na- qoes Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para apoia-la na gestao dos recursos. E o PNUD, portanto, quem operacionaliza a uti- lizagfo dos recursos em d61lar provenientes do BID. Como o event em Washington era uma iniciativa do pr6prio BID, ele autorizou que fossem utilizados recursos do program. Corn isso o PNUD emitiu passagens e diarias para mim e para a t6cnica Ana Valdria. As diarias foram em n6mero de 7 (e nao dez) para cada um, perfazendo um total per capital de I US$ 1.785 (US$ 255 por dia). Neste sentido, a retificacao do decreto foi para evitar a du- pla percepqio de diarias, uma vez que, corn os recursos ji garantidos para a viagem, s6 necessitivamos da autorizafio do Excelentis- simo Sr. Governador para nos ausentarmos do pais. Quanto aos resultados futuros deste inves- timento nao tenho divida que serdo promis- sores. Caso a populaqgo do Pard faqa a me- lhor opcqo e, conseqUientemente, a SEFA pos- sa continuar corn a gestio t6cnica e compe- tente que vem tendo pelas mros do Dr. Paulo Ribeiro e da Dra. Teresa Cativo, o aperfeico- amento do uso da informAtica na SEFA serd uma realidade, tanto para aperfeiqoar os pro- cessos de arrecadafio quanto para aprimorar o control sobre o gasto". Minha resposta A seado Interesse P6blicofoi criada corn duplo objetivo: estimular os cidaddos a ler o Dicrio Oficial efazer dessa leitura umna rela- qdo proveitosa entire a administragdo publi- ca e a sociedade. As observagbes feitas na segdo ndo significant necessariamente criti- ca on denzincia. Como no caso referido por Paulo Machado, foi um pedido de esclareci- mento, jd que os atos ofici- ais nao eram auto-explica- tivos (como costumam ndo ser muitos documents re- produzidos no DO). Agin- do como um verdadeiro servidor ptiblico, Paulo fez os esclarecimentos, peifei- tamente satisfat6rios. Infe- lizmnente, poucos servidores agemn assim. E raros cida- ddos fazem do Dierio Oficial um instrumen- to de acompanhamento, checagem e audita- gem dos atos da administraqdo priblica. Es- pero que o exemplo de Paulo, por quem tam- bim tenho apreno, frutifique. A setdo conti- nuari sua semeadura. Juntamente comr documents sobre as atividades da Universidade Federal do Pari, "todos eles elements relevantes para a re- flexdo acerca do Ensino Superior, P6s-Gra- duaqdo e Pesquisa e da melhoria da quali- dade a que se referee em seu artigo" (ver Jor- nal Pessoal n' 195), o reitor Cristovam Di- niz mandou uma atenciosa carta a prop6sito da avaliafoi que fiz da UFPA. Diz a carta: "A n6s importa especialmente suas opini- oes pela admiraqfio que guardamos todos por si e o seu trabalho, denso e sistemdtico em defesa da Amazonia e do seu desenvolvimento econ6mico e human. Suas reflexes sobre a nossa Universidade encoraja-nos a reparar uma falta que 6 a de nao dividir de forma sis- temsitica cor os nossos professors de m ais s61ida formaq2io, os trabalhos, programs e projetos construidos coletivamente corn nos- sos pares das outras Instituiq6es de Ensino Superior da Amaz6nia, visando o desenvol- vimento da qualidade e expansdo do ensino superior em vigor". Prometo me manifestar depois de concluir a leitura de todos os documents enviados pelo reitor da UFPA. Reeleigao? Talvez. Mas qual, cara-palida? 0 advogado Jos6 Carlos Castro escreveu judicioso artigo em 0 Liberal, um pouco antes do 1 turno, de- fendendo o institute da reeleigio. Mostrou que, exis- tente na Gr6cia ha 2.500 anos e em paises mais moder- nos, como os Estados Unidos, desde a promulga;io d:i primeira e at6 agora Onica constituig6o americana. a re- eleicio nao 6 incompativel corn a democracia, nerm uma novidade em textos legais brasileiros anteriores A emen- da constitutional de 4 dejunho do ano passado. Muito menos pode ser considerada como um fator de induaio automitica de corrupcqo, tornando-se amoral para os brasileiros enquanto 6 saudivel para os americanos. Segundo Jos6 Carlos, os que se op6em a experi- incia francamente democritica da reeleicio "ja sdo conhecidos pela resistencia a qualquer reforma, con- tando corn "a adesio de militants esquerdistas ju- rissicos que, mesmo se dizendo modernos, apenas pensam no comeqo do mundo e nas suas ilusoes". Por isso, tais personagens antediluvianos se espan- tam corn uma palavra como reform, "mesmo para melhorar a democracia". Parte da verdade esti ai diagnosticada. Nao toda, pordm. Nem a principal, talvez. Como o pr6prio Jos6 Carlos admite, a democracia "nao 6 um regime aca- bado e concluido", aprimorando-se corn o tempo e o ac6mulo de experiencias. Justamente por isso, con- vinha se convenient de fato implantar gradual- mente a reeleicao para os detentores de cargos eleti- vos no executive. Ser president brasileiro ou governador estadual e ser quase um imperador republican, como notou o diplomat britdnico Halmbloch e, por haver tocado na ferida, "convidado" a deixar o pais, enquanto seu livro ia para o index national. A situaqAo mudou bas- tante desde entio, sete d6cadas atrAs, principalmente por causa da hibrida e confusa Constituicao-cidadi de 1998, que fez do destaque parlamentar um instru- mento de neg6cio. A elei.Ao deste ano mostrou, entretanto, como al- guns ja previarn (mesmo que modestamente, sem o titulo de juristas), que a experiencia teria sido mais positive se a lei obrigasse os candidates A reeleigao a se desincompatibilizar de seus cargos, ao inv6s de (em dois 6nicos casos, dentre 24 possiveis) adotarem a ini- ciativa por mera liberalidade (ou necessidade de es- trat6gia eleitoral). Ao inv6s de fazer a ponderaqfo que a aplicacqo concrete da reeleiafo ao Brasil exigiria, Jos& Carlos foi demasiadamente categ6rico na recomendayio do institute, unificando sob classificaafo arbitraria e fal- sa um espectro tao distinto quanto desigual de criti- cos da emenda constitutional, tal como ela foi arran- cada (nao corn pregacao political ou filos6fica, mas corn rudes golpes de clientelismo) pelo PalAcio do Pla- nalto ao congress. Mais Otil para avaliar o acerto dessa mudanqa 6e o ceti- cismo multissecular de Shakespeare, que viu o fosso entire a realidade terrena e o discurso celestial da va filosofia, esta funcionando como cortina de fumaqa para os apetites daquela. Entao como agora. Corn ou sem intengqo. 0 JOURNAL PESSOAL 29 QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 7 Ana Julia: uma derrota gloriosa O que Ana Julia Carepa fara com seu in- vejAvel capital de 567 mil votos, maior do que o conseguido por Jader Barbalho e Ade- mir Andrade, eleitos senadores em 1994, enquanto ela ficou 2,5% abaixo do vence- dor deste ano? ElajA disse que voltara a ser vice-prefeita e secretaria municipal nos pr6- ximos dois anos, mas nao continuarA na cha- pa de Edmilson Rodrigues se ele, como tudo indica, for candidate A reeleiqfao no ano 2000. O outro cargo disponivel 6 o de vereador, mas esse nao deve mais atrai-la (a alternati- va, improvavel, seria bater chapa com Ed- milson na convengfio partidAria). 0 que fara Ana Jilia nos dois anos antes da nova elei- cao geral, de 2002? FicarA ao relento? Talvez ela se sinta bastante fortalecida para enfrentar esse bienio sem mandate. Mesmo nao tendo conseguido cobrir a mai- oria dos municipios paraenses e dispondo do menor orgamento de campanha, foi a gran- de surpresa do 19 turno. Encarnou a oposi- 9ao e atraiu parte do voto de protest, que se desviava de H61io Gueiros (ou o rejeita- va) para Luiz Otavio Campos, gracas ao po- deroso marketing usado para identificar a imagem do candidate do governador corn o novo e a mudanga. E evidence que a maior parcela da votagao de Ana Julia nao 6 cativa do PT, mas passou a ter alguma identidade corn a candidate em funqAo da sua agressi- vidade ret6rica, da sua postura de palanque e da sua imagem agradavel. Essas caracteristicas dao consistencia A figure de Ana Jllia, desde que ela possa rechear essa ossatura superficial corn en- chimento mais denso do que o apresenta- do at6 agora. A rigor, nAo cumpriu nenhum mandate por inteiro, nem realizou nenhu- ma obra complete. Conseguiu varias dele- ga96es de poder e promete muito, mas sua capacidade para algo mais do que arranjar votos (capacidade que nAo pode ser subes- timada) ainda nao foi testada. Ela se beneficia da transitoriedade, que gera no eleitor expectativa favord- vel e boa vontade. JA 6 o bastante para dar-lhe autoridade de tribune. Mas pode nao ser suficiente para sustenta-la como alternative de poder. Apesar de ter sido politico de outra ordem, Sahid Xerfan percorreu um caminho algo semelhante. Pulando de uma funqAo para outra, foi para uma eleigao municipal como mes- sias, obtendo a maior vit6ria que um pre- feito ja teve em Bel6m. Quando preci- sou mostrar as qualidades de chefe da ad- ministragao ptblica e lider politico, Xer- fan eclipsou. E sumiu. Nao 6 necessariamente esse o future de Ana Julia depois de uma derrota quase tao consagradora quanto seria a vit6ria, se a tivesse obtido. Mas o exemplo pode ser- vir-lhe de advertencia. Pelo menos ela tera tempo para refletir e preparar um fu- turo diferente. 0 Chega ao fim a dinastia Gueiros O que aconteceu corn Hdlio Gueiros? Ele co- megou a campanha eleitoral como imbativel para o senado, sobre 51% das preferencias do eleitor, apuradas em pesquisa previa. Terminou, no voto, corn mediocres 27,09%, no ultimo lugar entire os tres candidates que disputavam para valer a Oni- ca vaga senatorial deste ano, quase 15 pontos percentuais (e 120 mil votos) atras de Ana JOlia Carepa, do PT. a segunda colocada. Pode ter acontecido um fen6meno semelhan- te ao que fez Fernando Henrique Cardoso posar para uma foto sentado na cadeira do prefeito de Sao Paulo, considerando-se eleito de v6spera para o cargo, e amanhecer derrotado por JAnio Qua- dros. De tao favorite, Gueiros achou que pode- ria flanar pela campanha A espera do dia de ser empossado, enquanto acumulava crdditos corn seu parceiro Jader Barbalho. Tao indiferente manteve-se A vontade dos ci- dadaos que concedeu-se a prerrogativa de indi- car o atribulado filho vice-governador para sua suplencia, sem esconder seu projeto de trocar o senado pela prefeitura de Bel6m dois anos de- pois, abrindo a ala senatorial para o JOnior, mal comparando um Incitatus corn direito a voz, in- comodamente fina, como fez questao de recla- mar no seu catartico livro da campanha de 1994 (vira uma nova versao?). Foi o calcanhar de Aquiles do ex-prefeito. Seu ex-secretario de transport (e home de confi- ania no governor do Estado entire 1987 e 1991), Luiz Otavio Campos, agora seu oponente radi- cal, fez questao de ressaltar esse ponto, como um boxeador batendo insistentemente sobre uma fe- rida aberta no rosto do adversArio: os paraenses iriam querer colocar Helinho num palco mais des- tacado do que o estadual para ele desenvolver seus recursos histri6nicos e envergonhar ainda mais a taba no cenario national? A representa- afo senatorial do Para poderia reduzir-se a bemrn de heranga de uma familiar? Seria dificil center esse sangramento, mas o experience politico poderia ter ao menos tenta- do, depois de cair em si diante dos efeitos desas- trosos do monumental erro que cometeu, movi- do pelo excess de confianga. Hdlio Gueiros po- deria ter argumentado que o Jfnior foi ridicula- rizado pela grande imprensa national nao pelos bizarros motives que deu para o hildrio espanto do Sul maravilha (o que nao aconteceu na pri- meira interinidade, quando o governador flanou durante um mes pela Malisia guiado por Flexa Ribeiro), mas por ter atingido interesses da po- derosa Companhia Vale do Rio Doce, em mo- mento crucial para o establishment, quando a empresa estatal era privatizada, A moda da plu- tocracia brasileira. Ao inv6s disso, Hdlio Gueiros continuou a desfiar piadas amanhecidas e a arengar o go- vernador de uma maneira bisonha, como se es- tivesse disputando o lugar de Almir Gabriel e nao a cadeira que apressadamente Coutinho Jorge abandonou (trocando-a pelo arquivo dou- rado no Tribunal de Contas do Estado). De as- tuto manipulador do gosto popular, Gueiros se transformou na figure folcl6rica da esquina. Provocava algum riso e simpatia, mas a reaqlao dominant passou a ser de estupor, perplexida- de e repudio. Abusou da prerrogativa de con- templar o pr6prio umbigo, imaginando-o o imu- tAvel centro do mundo. Onde antes havia mali- cia, esperteza, habilidade verbal e ousadia pa- recia restar o vacuo. Hl1io Mota Gueiros cami- nhou impavido para o precipicio, corn a indife- renqa dos que ja nao se encontram deste lado da vida, imaginando que estao onde pensam estar. Entrou para a hist6ria, embora nao, certa- mente, pela porta da frente. Virou p6 de esti- tua, desejando ser a pr6pria. Jader Barbalho contribuiu para esse desfecho melanc61lico? Os comandantes da campanha do governador sustentam que sim, de olho nas ali- anias do 2o turno, mas os nimeros nao confir- mam. Helio teve 71% dos votos de Jader Barba- Iho. Luiz Otavio alcaniou 78% dos votos de Al- mir Gabriel. A fnica relagao reveladora de falta de sintonia (para nao usar a rude expressao de traia.o) ficou entire Ana Julia e Ademir Andra- de. A candidate ao senado teve o dobro dos vo- tos do candidate ao governor pela alianga eleito- ral de ambos. Se algum reduto nao seguiu a ori- entaiao dos cabeqas da coligaqao "Caminhando com o Trabalho", foi excegao. Nao foi Jader quem deu uma rasteira no alia- do, mas ele que abriu a pr6pria cava. E claro que o senador do PMDB vertera lagrimas de croco- dilo sobre essa florida tumba, que Ihe chega em salva de prata, no moment certo. Mas se tiver que apontar um culpado por seu eclipse, Hilio Mota Gueiros tera que colocar-se diante do es- pelho. Finalmente encontrara ai motives mais do que justos para sua arenga. Tudo o que puder dizer contra a figure espelhada, buscando inspi- raiao no seu ba6 de sandices, terA sido bem apli- cado. E merecido. 0 Ideia musical Enquanto Sebastiana cantava uma das musicas folcl6ricas de Wilson Fonseca, na apresentacao de sexta-feira passada no CCBEU (um dia de muitos events pr6-cirianos, infelizmente), fiquei a imaginar um CD exclusivamente corn as peas de mrnsica clAssica do grande compositor santareno. Maestro Isoca, aos 86 anos, tern sido relativamente feliz para um artist local. Quatro volumes corn transcrig5es de suas misicas ja foram publicados. Ainda nao deu para abarcar nemrn metade da sua produgdo, mas ja 6 algo digno de nota. Discos convencionais e CDs foram dedicados a ele. Mas sempre dando mais destaque a misicas ji exaustivamente tocadas, como a "Cangio da minha saudade", do que As preciosas peas classicas que Isoca produziu em Santardm, como se fora um Brahms deslocado de 6poca e de lugar. Para sermnnos reconhecidos a essa excepcional felicidade de terem sido produzidas aqui essas pequenas maravilhas, falta s6 umrn CD exclusivamente dedicado a elas. Desatenqco No ano passado o governador do Amapa, Jodo Alberto Capiberibe, mandou uma carta ao seu vizinho Almir Gabriel propondo que os dois se unissem para forgar o BNDES a liberar os 46 milh6es de reais considerados necessArios pela Companhia do Jari para regularizar o funcionamento da sua fabrica de celulose de Monte Dourado, prejudicada por urn grande acidente. Atd hoje Capiberibe nao recebeu qualquer resposta, como testemunhou na semana passada Jos6 Manoel Picango, morador de Laranjal do Jari, em carta a 0 Liberal. 0 antigo imperio de Daniel Ludwig possui terras no ParA e no Amapa. Mas ficam do lado paraense a fibrica de celulose e a usina de beneficiamento de caulim. Talvez o governador amapaense tenha esquecido de sublinhar esse detalhe em seu oficio. Devia. 'i '- :' . Novo PT O PT 6 o unico partido ver- dadeiramente de oposigao corn perspective de powder no Parl. Essa condigao amadure- ceu na eleigao do dia 4. Alem de quase eleger o candidate A inica vaga do senado em dis- puta, fez uma bancada de tres deputados federais (corn o 50 e o 6 deputados mais vota- dos) e manteve seus quatro lugares na Assembldia Legis- lativa, mesmo enfrentando a hostilidade aberta do gover- no estadual. Mais do que revelar o po- der eleitoral dos seus politi- cos, esses resultados revelam que o PT j dispbe de uma es- trutura de poder (no caso, a prefeitura de Bel6m) para usar como ima de atracao de votos, que ja nao se incorporam A le- genda apenas em virtude de identificacao doutrindria. E porque ela ja oferece uma al- ternativa de poder. Essa novidade nao chega a ser ruim, pelo contrario. Mas demonstra que o PT estA mu- dando. No que esse process vai dar, 6 questAo de acompa- nhar para ver. Sintonia official 0 governador Almir Gabriel ja disse e repetiu vArias vezes que nao l1 jornais. Ao que pare- ce, quando muito ele da uma olhada pelo clipping (seleg9o de recortes) preparado pela sua as- sessoria. Agora, gragas a urnma venenosa nota do Rep6rter 70, publicada na semana passada em 0 Liberal. ficou-se sabendo que o governador tamb6m nao v& te- levisao. Ao menos nao v6 a tele- visao que estA sob a sua jurisdi- gao, a TV Cultura. Diz a nota que s6 dois meses depois da suspensao da progra- magao pr6pria da emissora, que nesse period retransmitiu pro- gramagao alheia, porque suas instalag6es fisicas estavam sen- do reformadas, 6 que o governa- dor ficou sabendo do fato. Al- mir Gabriel teria ficado furioso, determinando o apressamento das obras e o restabelecimento da programaqao local. Vai ver que o aparelho de te- levisao do governador (talvez sua unica via de acesso A infor- mago jornalistica) tern sintonia fixa (tambdm conhecida como sintonia burra) na TV Liberal. E uma explicafao possivel. Interesse public JA da para ler melhor o de- monstrativo resumido da receita e despesa orgamentAria do Esta- do. 0 quadro referente a agosto, publicado no DiArio Oficial do dia 6, trouxe algumas pequenas mas significativas alteraqbes, melhorando a visualizagao dos ntmeros e a identification das rubricas. Sinai de que o secreti- rio da Fazenda, Paulo Ribeiro, acatou as observag6es feitas por este JP (ver edigao 195). Ape- sar das dificuldades impostas pela base de dados do Siafem (Sistema Integrado de Adminis- tra9ao para os Estados e Muni- cipios), vale a pena continuar tra- balhando na melhoria do quadro. Pelo iltimo verifica-se que em agosto o governor ja estava gastando mais (350 milh6es de reais) do que arrecadando (290 milhoes), apesar de ter engorda- do ainda sua receita de capital corn R$ 81 milhoes da alienagao de bens (mais uma parcela da Celpa?), item que sustenta seus investimentos. Influencia eleito- ral? E os mecenas? 0 palacete Faciola, na esqui- na da avenida Nazard corn a Doutor Moraes, estA a venda. E uma construcao valiosa- e, pelo prego que me informaram, sai barata. Induzir o poder ptblico a fazer mais essa aquisigao, des- tinando-a a um novo museu na- timorto, nao tem prop6sito, mes- mo que fosse para salvar o pr6- dio. JA 6 o caso de alguma em- presa local menos sufocada pe- los problems da quadra atual ter a iniciativa de assumir esse in- vestimento em nome da coleti- vidade. Poderia ser a sede insti- tucional da empresa. LA, seu president despacha- ria ou realizaria os atos de mai- or importancia, transformando o local numa vitrine para a promo- Ao da firma, al6m de devolver alguma coisa A cidade da qual tira faturamento. Tres funciond- rios seria um custeio suportAvel. Os gastos corn a restauragao po- deriam ser abatidos pela prefei- tura no IPTU. E salvariamos umrn testemunho arquitet6nico de 6poca. Enquanto 6 tempo. Cor local 0 Didrio do Pard regionaliza: aos sibados, sai o Macaco Simao e entra o Bode Palm6rio. Muito pelo contrario Quando o reporter de 0 Liberal, "muito objetivamente", pediu para Jarbas Passarinho identificar os fatores determinantes "para que seu candidate, o governador Almir Gabriel, ganhe no segundo turno", o ex-senador, do alto de 35 anos de carreira political, saiu-se corn este primor de udenismo-pessedista-castrense: "0 fator determinante, para mim, 6 a continuidade daquilo que o Almir fez ao long dos seus quatro anos de mandate. Agora, a colocacgo do nome do doutor Jader num segundo turno faz tomar temeririo um aviso desde logo de vit6ria". A esfinge adorou. Journal Pessoal Editor: Lkicio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871/66 053-040 Fones: 223-1929, 241-7626 e 241-7924 (fax) Cor Gj: i tCO.. t 84, ,3-040. Fn -23- e -nkfa @amazon.con\br FdrAa- L 0rir to/20tt081i9 | I ___ i t, -j U >- j __ __ ._ |
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