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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00145

Full Text


Parasitas
Oas cont.as
ornal Pessoal (.... 5)
SC F L A V I 0 4 'l0 Aq macrodrena
ANO XII No 196 l QUINZENA DE OUTUBRO DEf RS 2,00 i P doarqui"tfo
_(PAG. 4)
EDITOR



Em que \votar?

No dia 4 o eleitor votard no menos ruim, no quepode ganhar,
no que ndo (epadrdo de lisura mas trabalbha, no quejd estd
no comando, no quefez a


melhor propaganda,
no certo e ndo no
duvidoso. Mas ndo
votard nofuturo,
na mudangapara
valer das atuais
regras do jogo. 0
future continue a
ser apenas uma
esperanga.

"': empre encarei cor um mis-
to de inveja e melancolia a
.. posigdo adotada por grandes
: jornais americanos e euro-
peus diante da dispute elei-
'' toral: manifestam em edito-
rial suas op96es e procuram
se manter o mais independents que po-
dem. E salutar que esses poderosos for-
madores de opinido revelem e justifi-
quem sua decision, ao inv6s de camu-
fla-la, impedindo que extravase de seus
limits naturais para contaminar suas
func6es profissionais, manipulando a
sociedade.
Sabendo quais candidates (ou qual par-
tido) ojornal esta apoiando, o leitor pode
fiscalizar melhor se nao esta havendo ten-
- denciosidade no noticiirio e em todos os
espagos nao destinados A expressed da
opinion da publicago. O inico espago
5-3.-3
L:L LLL L


adequado, como todos sabem, 6 a pigina
de editorial, a legitima voz do dono.
Desde que fundei o Jornal Pessoal,
em 1987, sempre desejei seguir a ori-
entado editorial da grande imprensa li-
beral. Duas eleig6es gerais se realiza-
ram desde entdo, mas nao consegui es-
crever um editorial recomendando um
cabega de chapa de eleig9o majoritiria
(em relagdo As disputes proporcionais,
acho que a imprensa nao deve se defi-
nir). Simplesmente por nao acreditar em
seus projetos de governor, quando os
apresentaram. Limitei-me a votar no
que me pareceu mais ajustado para
aquele moment da vida national, ou,
A falta dessa alternative, no menos ruim.
Minha consci6ncia, entretanto, nao me
autorizou indicar nenhum.
Desta vez, sequer como eleitor sinto-
me em condi96es de dar meu voto se-


creto aos candidates que disputam a pre-
sidencia da rep6blica e o governor do
Estado. O voto 6 secret, aliAs, para pou-
par o eleitor de constrangimentos pes-
soais, de presses familiares, da perse-
gui9ao de chefes e poderosos em geral,
de represalias paroquiais. Deveria ser
aberto e pfiblico, permitindo que cada
eleitor amadurecesse seu voto, em did-
logo corn seu circulo de relacionamen-
to, at6 uma decisao ponderada, amadu-
recida. O didlogo possibilitaria a ampli-
agco e o adensamento do nivel de cons-
ciencia do eleitorado, ao inv6s de fazer
do sigilo um instrument de neg6cio e
de deseducaggo civica.
Mas algu6m que pode fazer ecoar sua
escolha para muito al6m do seu alcance
face-to-face precisa ser discrete e caute-
loso. Forgado pelas circunstdncias, pen-
so ter conseguido separar o meu ato de


m ,, ."~ L'. -" ''






2 JOURNAL PESSOAL Pa QUINZENA DE OUTUBRO / 1998


> votar da produ9go de um jomal, procu-
rando avaliar o process politico, com seu
apice eleitoral (infelizmente, de duragdo
espasm6dica, para beneficio dos dema-
gogos e oportunistas), com o maximo de
isengao e compet8ncia ao meu alcance -
e deixando a oppgo editorial para um tem-
po mais propicio as boas liderangas.
Espero que, em todas as elei96es at6
aqui realizadas, este journal tenha contri-
buido para dar consistencia ao voto dos
eleitores que o l8em e combater, ainda que
numa escala muito limitada, os currais
eleitorais, infelizmente ainda a principal
fonte de votos num Estado grande e po-
bre como o Pari.
Apesar do tom permanentemente cri-
tico e, as vezes, aparentemente pessimis-
ta deste JP, creio que o Brasil continue
evoluindo, mesmo nestes nossos dias des-
norteadores. Tamb6m vejo o future com
tinturas de esperanga. NSo 6 por terms
perdido o bonde da hist6ria que nos sen-
timos sem rumo, incapazes de nos juntar
numa empreitada comum, sem entusias-
mo, sem aquela confianga profunda que
tinhamos quando entramos na vida cons-
ciente, na segunda metade da d6cada de
50, cor a seguranga do pleno emprego
(real ou imagindrio). O mundo todo per-
deu suas utopias, sem as quais somos ape-
nas animals, certamente com alta tecno-
logia, imensamente produtivos, mas con-
denados a obter a sobrevivencia nos pa-
rametros da lei do mais forte.
A atual crise financeira revela a corro-
sio das estruturas do nosso mundo, peri-
gosamente rotas. Nao 6 uma sinistrose
moral, como vem proclamando os falsos
profetas (saindo agora em bando dos seus
templos catdrticos para a dispute por car-
gos eletivos, certamente com um projeto
comum de poder, em relagao ao qual, por
desatengao, ainda estamos desprotegidos).
Um mundo no qual a economic finan-
ceira excede de 20 a 50 vezes o tamanho
da economic real, podendo girar bilh6es
de d6lares incorp6reos em fra9ges de
segundos, sem qualquer tipo de control
legal efetivo, 6 uma bomba de efeito re-
tardado com o mecanismo do tempo ja
acionado. S6 nao pensa em explosao
quem nao quer ver. Ou quem esta comr a
mAo no detonador (e na botija).
Institui95es multilaterais ou mundiais,
como o FMI e o Banco Mundial, ou os
bancos centrais, sem falar nos govemos
nacionais, estao falidas. Uma agencia de
avaliagao de riscos, criag~o derivada dos
mastod6nticos funds de aplicagao, pode
liquidar um pais do tamanho do Brasil
(8,5 milh6es de quil6metros quadrados,


160 milhoes de habitantes, 700 bilhaes
de d6lares de PIB). Basta fazer o que fez:
expedir um boletim de andlise elevando
o grau de risco dos pap6is brasileiros em
poder dos aplicadores (grande parte de-
les meros especuladores).
Nao importa que a avaliagao da
Moody 's nao resista a uma rigorosa ana-
lise de ciencia econ6mica. De fato, o d6-
ficit p6blico brasileiro esta numa situa-
9ao de anomia e o cambio tem sido sus-
tentado artificiosamente. Mas os indica-
dores doentios de uma economic agora
efetivamente estabilizada s6 podem au-
torizar intranqiiilidade em aplicadores de
curto prazo, naquelas criaturas patol6gi-
cas que todos os dias se pesam, e1em ho-
r6scopo, acompanham a meteorologia,
absorvem todos os indicadores economi-
cos. O Brasil esta sendo sangrado em
d6lares para garantir o butim desses bu-
caneiros de Wall Street e arredores.
Constatar essa evidencia nao 6 fazer
arenga socialist. Wall Street mesmo tern
fornecido ao mundo a diagnose desse vi-
rus. Para quem quer ler um texto fluen-
te, fascinante e exato, sugiro a vasta re-
portagem (quase um romance) de James
Stewart, do Wall Street Journal, devas-
sando esses ninhos de ratos e viboras do
mercado financeiro (nosso Ivan
Sant'Ana seguiu muito bem a trilha nos
meandros nacionais).
Nosso president Fernando Henrique
Cardoso nao desconhecia o alto risco de
ancorar a estabilizagio da economic bra-
sileira numa avenida de fluxos de capital
com o exterior. Nao devia ter baseado tdo
fortemente o real nessa ancora cambial.
Mas, se o fez, deveria ter-se desgarrado
dela bem antes, quando varios sinais vi-
gorosos apareceram no horizonte cinzen-
to. Este foi um dos seus erros imperdoi-
veis, porque consciente.
O outro foi o patrocinio da inoportuna
emenda da reeleicgo. Parater quatro anos
mais em um segundo mandate ilegitimo
(exceto se a emenda constitutional tives-
se sido precedida de plebiscito), o presi-
dente amputou grande parte do tempo, do
compromisso e da vitalidade do mandate
que o povo lhe deu em 1994 (e foi um
finico mandate de quatro anos). O esta-
dista para contatos extemos tornou-se um
varejista intramuros, cercando-se de chi-
caneiros do voto dos conhecidos bele-
guins do cabresto eleitoral
Mecanicamente, mais uma vez, o seu
maior adversario, Luiz Inicio Lula da
Silva, teima em seguir o catecismo da
demonologia, despejando nos largos
costados do president uma responsa-


bilidade que nao 6 s6 dele, nem adv6m
inteiramente de seus graves erros. O
mundo todo e nao s6 o Brasil afun-
dara numa crise crescente, com efeito
domin6, se os paises ricos resistirem A
inica media capaz de evitar uma que-
bradeira geral: combater a concentra-
9do da renda mundial.
Os congressistas americanos se recu-
saram a colocar mais US$ 18 bilh6es
no FMI por caipirice pura (diplomacia
parece uma percepcao congenita exclu-
ida do universe de Tio Sam). Mas ain-
da que tivessem liberado esse dinheiro,
ele nada resolveria. Seria mais combus-
tivel no fogo. Uma id6ia que antes en-
carava com desconfianga hoje me pa-
rece cada vez mais inevitAvel (e dese-
jivel): uma nova forma de governor
mundial, corn autoridade e meios para
um planejamento econ6mico em esca-
la planetAria. Seria o antidote A globa-
liza9go selvagem atrav6s dos canais fi-
nanceiros invisiveis e do dominio pri-
vilegiado do saber.
HA dinheiro e recursos suficientes para
o mundo lamber suas feridas e reparar os
danos antes que o desemprego estrutural
e a diAspora do capital sintonizado com
as Moody's da vida engendrem uma guer-
ra em escala mundial.
A esmagadora parcela pobre do plane-
ta tem que cobrar seus direitos, colocan-
do a parcela rica minoritaria na parede,
antes que a parede desabe com todos nela
escorados. Mas precisa escolher melhor
seus lideres e fiscalizA-los corn rigor. Corn
os governor atuais 6 inviavel reformer
essa parte do globo na qual hA tantos e
tio vastos ladrbes drenando os recursos
acumulados nos tanques de dinheiro (na-
turalmente, uso a image hidrdulica).
Fernando Henrique Cardoso 6 um dos
raros politicos brasileiros com visao pa-
norimica, um lider preparado para esse
novo mundo que tenta quebrar a casca
grossa que o imobiliza para nascer. Mas
6 tamb6m um personagem que nos causa
perplexidade. Como um home tao inte-
ligente pode dizer tantas besteiras? Como
um lider tAo excepcionalmente reforgado
pela confianga da opiniao pfblica pode
trair sua fungao no conciliabulo da cor-
te? O desalento se traduz melhor cor ex-
plica9~o em latim: vanitas, vanitatis.
E claro que esses erros e distor96es nao
se reduzem a uma questAo de vaidade. Mas
se o president 6 pessoalmente honest e
se seu acervo intellectual nAo se embotou,
a incapacidade que manifesta de ver a rea-
lidade ter a ver corn a hipertrofia do ego,
que os Aulicos se encarregam de transfor-






JOURNAL PESSOAL 1P QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 3


mar em viseira. S6 esse tipo de bloqueio
explica a cegueira do president diante dos
livros que escreveu, em alguns dos quais
chegou pr6ximo da verdade, incapaz de
utilizA-los como instrument de ado no
trono do Palicio do Planalto.
E o que dizer do nosso Almir Gabriel?
O algapdo da reeleigio, que tantos instin-
tos liberou, fez o governador entregar-se
inteiramente A politicagem, tudo sejusti-
ficando para manter o poder, inclusive a
renfincia e a trai9ao aos ideas de um pas-
sado ainda recent.
O uso da maquina official atingiu uma
escala record nos iltimos anos. Sem ela,
o governador nao chegaria ao primeiro
turno como o mais cotado para a vit6ria.
Provavelmente seria derrotado. O cresci-
mento de sua posicao nas por aqui cada
vez mais suspeitas e desaforadas pes-
quisas pr6vias nao 6 produto do carisma
pessoal, do reconhecimento A obra reali-
zada, mas dos instruments de poder que
um govemador tem quando busca a ree-
leigco sem sequer ser obrigado a se de-
sincompatibilizar.
Um outro dado impressionante da cam-
panha foi a estabiliza9~o do indice de pre-
fer8ncia do senador Jader Barbalho. A
despeito de sua imagem desgastada, o
candidate do PMDB manteve uma opqao
consolidada acima da que teve em 1882
e 1990, quando concorreu ao governor do
Estado e venceu. Ou seja: ha mais pesso-
as votando nele independentemente do
que dele dizem ou venham a dizer.
As denfincias sobre desvio de recursos
piblicos para seu pr6prio patrim6nio tem
sido menos convincentes em relag~o a Ja-
der do que a esperanga, principalmente nas
camadas mais pobres da populag~o. Pare-
ce prevalecer apresungao desses eleitores
de que Jader rouba, mas faz, distribuindo
apartilha do saque entire muito mais gente
do que qualquer outro controlador do te-
souro piblico seria capaz.
Nao sendo provada, em filtimo grau
judicial (quando se aplica a pena), sua
pilhagem do erArio, Jader assume a fi-
gura do Robin Hood. N~o chega a admi-
tir que rouba, 6 claro, mas, quando ga-
rante que faz, 6 isso que fica implicito.
Para camadas ainda mais expressivas do
povo, 6 o que conta.
S6 quem nunca andou pelo interior do
Estado ou pela periferia da capital nao
reconhece o efeito magnetizador do
nome e da figure de Jader. Mesmo fora
da quadra eleitoral, pode-se encontrar
com alguma facilidade, na sala ou na
entrada de casas humildes, o retrato do
senador peemedebista, imponente corn


a faixa de goverador, sozinha ou ilus-
trando calendario ja fora de 6poca.
Nenhum politico no Pari pode incluir
esse feito no seu curriculo. Mas Jader Bar-
balho tem desperdicado e dilapidado esse
precioso capital, cuja conquista muitas
vezes independe da vontade dos preten-
dentes a ela, por mais que tenham poder
e dinheiro para consegui-la, como 6 o caso
do nosso governador recandidato.
H6lio Gueiros abusou da sua pr6pria
empatia popular, apenas inferior A de Ja-
der junto a um eleitorado cor 43% de
analfabetismo funcional e dois tergos de
desemprego e bico, quase comprometen-
do uma eleigao que parecia folgada. Em-
bora disputando a finica vaga para o se-
nado, tentou apresentar-se como o con-
traditor de Almir, recorrendo a uma lin-
guagem, que parece ter perdido definiti-
vamente seu glamour, para repetir des-
gastados bordbes.
H6lio imaginava poder vir a cobrar di-
videndos de Jader, credenciando-se como
seu principal eleitor, mas quase seus er-
ros levaram a um desastre. O resultado
afetara seus plans de disputar a prefei-
tura de Bel6m no ano 2000 (Ana Julia
Carepa e Edmilson Rodrigues, corn pro-
p6sitos divergentes, safaram-se do nau-
fragio da nau de Ademir Andrade, aumen-
tando suas cotac6es em Bel6m).
Ja o lider do PMDB manteve-se numa
postura olimpica, novidade na sua biogra-
fia, nao aceitando provocages. Convenceu-
se de que assim seu desconfortAvel passa-
do n~o seria revolvido, para tirar-lhe votos,
nem seu adversArio conseguiria impor van-
tagem suficiente para evitar que no 2 turno
as posi95es sejam zeradas, como 6 possi-
vel, dependendo da porcentagem dos elei-


stores do PT que o escolherem (e de algu-
mas mudan9as de camisa que vai provocar,
negociando com prefeitos e politicos elei-
tos) Uma margem a favor de Almir at6 sete
ou oito pontos seria o bastante para que a
defminio do 2 tumo passe a defender mais
das qualidades pessoais dos candidates do
que dos seus aparatos b6licos. Ai estaria a
vantagem de Jader.
Mas ha um outro component: a posi-
9ao de FHC na eleigio do Para, caso ele
pr6prio garanta seu cargo no dia 4, como
se preve. Amigos de Jader Barbalho di-
zem que ele vai pressionar o president,
ja entAo reeleito, usando sua posigao de
president national do PMDB, para ter
mais calor federal a seu favor e atrair
aqueles que, como os ratos, n~o querem
ficar no barco ameagado ou se guiam pe-
los indicadores das mudangas da mar6.
Dizem ainda que Jader deseja ardente-
mente ter'a oportunidade de fazer um
governor diferente, como n~o foi capaz nas
duas vezes anteriores em que ocupou o
cargo. Quem acredita?
Mas quem acredita tamb6m em Almir
Gabriel? Se ele vencer, provavelmente se
compora com Jader tio facilmente como
fez cor Jarbas Passarinho, indiferente as
baixarias de seus lugar-tenentes (comba-
tendo o imaginario anhanga cor a mes-
ma inconseqiiencia da turma da Ordem
da Baladeira, gragas ao Alibi pr6vio que
futuramente o chefe apresentara).
Mas seria mesmo uma "unido pelo
Pari", cara-palida? Com qual progra-
ma? Se havia uma bandeira, ela ficou
pelo meio do caminho. Havera apenas
projetos de poder em jogo na eleigao
do dia 4. O Pard vai continuar esperan-
do por opcao melhor. 0


Globo bolou uma grande jogada de marketing. Antecipando-se
a todos. concebeu rel6gios para serem instalados em todo o pais. marcando o
tempo at6 a chegada do dia 22 de abril de 2000, quando se ira comemorar
os 500 anos da descoberta do Brasil.
Para disfarar a autopromoqAo publicitaria, embutiu-a num enorme rel6gio.
instalado em pontos nobres das capitals brasileiras, sem nada pagar, muito pelo
contrdrio. Faz-se festas, divulga-se A larga, contribuindo-se, assim. para reforcar o
dominio de midia da Rede Globo, um dos n6dulos malignos da democracia brasileira.
Os criadores da jogada estAo de parabens, muito "na deles". Mas. e as
autoridades puiblicas: estarao elas tamb6m "na sua", isto 6, intermediando a
iniciativa particular com o interesse coletivo? Nao perceberam o golpe
publicitario ou aderiram a ele? Gratuitamente?
A historia lembra decadas.atras,.quando Assis Chateaubriand, o Roberto MariNh,
da 6poca, dono dos Diarios e Einis0orsAssociados, patrocinava a criago de aero-
clubes para vender avi6es "Paulistinha", que representava comercialmente, ou
estimulava o surgimento de postos de.puericultura, que iriam consumer produtos do
seu laborat6rio farmaceutico., bbres aservigo de fins nem tanto assim.
A hist6ria muda, no Brasi tinmui'ianmesma.
.'*_ -,: . .






4 JOURNAL PESSOAL 1P QUINZENA DE OUTUBRO / 1998





Mecenato a moda do chefe


Quando comegaram, os tres projetos com
os quais Paulo Chaves Fernandes pretend
embelezar e enriquecer Beldm a EstaqAo
das Docas, o Parque da Residencia e a pri-
meira etapa da Feliz Lusitania representa-
vam investimento de 13 milhoes de reais.
Agora que os dois iltimos estao inaugura-
dos, o orgamento atualizado passou de R$
22 milh6es, podendo continuar a crescer, de-
pendendo da tal da janela climatizada que
estA sendo aberta para o rio no cais do por-
to. Sao R$ 9 milh6es de acrescimo (70% a
mais) em apenas tres obras, num espago de
dois anos, dinheiro legalmente enquadrado
em aditamentos contratuais, mas tecnicamen-
te pendente de explica9ao.
Assim, o governor Almir Gabriel aplicou
nessas tres obras decorativas mais da me-
tade do dinheiro jA consumido pelo maior
projeto da hist6ria recent da capital para-
ense, a macrodrenagem das baixadas, feita
para beneficiary com saneamento, drenagem
e pavimentagao 500 mil pessoas. Nao hd
um desajuste de prioridades nesse plano de


A Onica norma finalista do direito america-
no sobre imprensa esta na pr6pria constituiqao
do pais. Thomas Jefferson redigiu a primeira
emenda constitutional, mais de dois seculos
atrAs, apenas para reforgar que a imprensa 6 uma
instituigao mais valiosa para a democracia made
in USA do que o pr6prio governor.
Por aqui, nosso direito 6 copioso em matdria
de imprensa- e repressive, quase sempre. O pri-
meiro ato legal visou censurar a imprensa antes
mesmo que ela se tivesse estabelecido nesta par-
te do entao impdrio portugues. Hoje, comparan-
do as legisla~Bes de varios paises, estou conven-
cido de que o direito penal 6 suficiente para fixar
responsabilidades criminals quando excesses sao
cometidos, exceto quanto ao direito de resposta.
A melhor contribuigao a respeito foi dada pelos
franceses, que transformaram em delito a recusa
da imprensa em garantir o direito de resposta aos
que se consideram atingidos por ela.
Se essa obrigaqao ji existisse, questOes como
a que o Tribunal Regional Eleitoral apreciou na
semana passada nem existiriam. Hlio Gueiros
sentiu-se injuriado porque O Liberal publicou
denfncias do deputado estadual Josd Carlos
Lima, do PT, contra o candidate do PFL ao se-
nado, quando ele ainda era prefeito de Beldm.
O TRE decidiu corretamente ao argumentar
que o recurso de Gueiros para obter direito de
resposta nas pAginas dojornal deveria ser apre-
sentado Ajustia comum, enquadrando-se na lei
de imprensa e nao no direito eleitoral. Mas se-
guramente, se seguir esse caminho, o ex-pre-
feito nada conseguirA. O tempo transcorrerA at6
a prescrigao (se antes nao houver a sucumbdn-
cia). Se algum magistrado se dispuser a apreci-
ar a matdria, escapando a vala comum da sus-
peiglo ou do impedimento, que tem acobertado
os covardes ou os ineptos, dificilmente deixarA
de dar ganho de causa aojornal.


investimento? NAo esta havendo um des-
leixo da opiniao pfiblica no acompanhamen-
to dessas obras?
Pode-se tender a uma aspira9ao nobre
de uma forma perdulAria e irracional, como
esta sendo feito no caso do suprimento de
energia ao Oeste paraense. A demand per-
manecejusta e necessiria, mas deve-se dis-
tinguir seu atendimento em tese dos meios
utilizados para realizA-la. Como todos es-
tao cansados de saber, nem sempre os fins
justificam os meios.
Um primeiro ponto a critical 6 a im-
previdencia orgamentAria. No caso do
Parque da Residencia, o estouro foi de
100%, embora seja o de menor expres-
sao em valores absolutos. De menos de
R$ 2 milh6es que se imaginou gastar, che-
gou-se a R$ 4 milh6es. E claro que isso
deveu-se ao crescimento do projeto em
rela9do As suas dimens6es originals, mas
seria o caso de discutir esses acrdscimos
e ajustes com a populag9o (alias, esse trip-
tico urban by Chaves ignorou qualquer


O problema 6 que veiculos da imprensa,
como O Liberal, nao se imp6em procedimen-
tos dticos, o principal dos quais sendo o de ou-
vir a outra parte ao noticiar assunto controver-
so. Ou, nao ouvindo o outro lado, acolher sua
manifestagao quando ele recorre ao direito de
resposta. Nao interessa o conte6do dessa res-
posta: ela, em si, constitui um direito sagrado.
Nao acolhe-la 6 crime na Franca desde 1991,
independentemente da apreciagao de merito.
Se, em 48 horas, umjornal ou uma emis-
sora de radio e televisao deixasse de publi-
car ou divulgar uma carta que comprovadamen-
te Ihe foi enviada, deveria ser imediatamente
multado em dinheiro, cor acrdscimo diArio e
todas as sangoes do rito sumarissimo, at6 mes-
mo o bloqueio de bens e a quebra do sigilo
bancArio. Se o que foi dito na resposta 6 inji-
ria, cal6nia, difamagao ou retorsao, a aprecia-
9ao judicial de mdrito 6 que definiria o delito,
podendo tambdm sancionar a indenizaqao com-
pensat6ria.
Um cidadao, independentemete de seus md-
ritos e qualificagces, nao ficaria exposto ao
dano causado pelo noticidrio da imprensa, A
espera de uma reparaqao, que costuma nao vir
ou vir a pass de cAgado, quando do outro lado
estA uma corporagao poderosa como o grupo
Liberal, ao qual se curvam mesmo servidores
piblicos dotados de todas as garantias, como
os magistrados.
Qualquerjornalista conscencioso e s6rio ad-
mitird essa norma. Jamais verA nela uma ame-
aqa A liberdade de imprensa, que todos sabe-
mos dependent do respeito aos direitos civis.
S6 os inescrupulosos preferem manter a situa-
9fo atual. Infelizmente para o jornalismo e a
sociedade, ainda sao eles que ditam as normas,
atemorizando os que deveriam provocar uma
evoluqao, como o legislative e o judiciArio.@


apreciacgo externa, inclusive a da emu-
decida prefeitura).
O secretArio de cultural, mesmo nao ten-
do responsabilidade direta sobre a engenha-
ria, ao encargo da Secretaria de Obras (um
Pilatos nesse credo, na verdade), devia usar
sua experiencia a respeito. Afinal, foi Paulo
Chaves com a ajuda solitaria deste journal
- que combateu a impericia da Montemil na
restauragao (restauro, segundo o jargao dos
especialistas) do PalAcio Lauro Sodr6 (a
mesma Montemil que agora surpreende ao
liderar o cons6rcio international para a ban-
da B cellular Mas aprovou-a no Parque da
Residencia, certamente porque agora o che-
fe 6 o rei, lui-mgme.
Vou deixar minhas observag9es sobre a
antiga residEncia dos governadores para ou-
tra ocasiao, quando a tiver conhecido bem.
Mas quero ressaltar que a solidao das mi-
nhas critics, mais do que identificar um cri-
tico ranheta, que s6 v8 o lado ruim das coi-
sas, um espirito destruidor e maligno, revela
a ablilica apatia da opiniao piblica. Paulo
Chaves preparou um espetAculo pirot6cnico
para suas inaugurag9es. Elas contem muitos
pontos positives, que merecem elogios. Mas
nao devem ser executadas sob a unanimida-
de silent, que 6 burra, como alertava Nel-
son Rodrigues. E imprevidente.
Nao se pode aplicar tanto dinheiro em tAo
poucas obras sem uma avaliagao do seu sig-
nificado (e sem questioner se tanto dinheiro
era assim necessario). Passamos a ter um
museu sacro up-to-date em equipamentos e
servigos da mesma maneira como jA temos
tantos espagos fisicos culturais inanimados,
sem organismos culturais vivos, ou restau-
raq6es do passado contrastando com a mi-
s6ria do present, As vezes num mesmo e exi-
guo espago, como se verA quando o ecran se
desfizer e a rotina cotidiana devolver as cha-
gas do chamado largo da Sd, numa mard se-
melhante A do Ver-o-Peso almirifico.
Question a concep9ao dessas restau-
rag6es, o maneirismo do estilo de Paulo
Chaves Fernandes, maneirismo que adqui-
re uma expressao mais ambigua e vulne-
rAvel quando seus orcamentos estouram e
ele invested tao pesadamente naquilo que 6
meio e nao fim e nem 6 meio just, como
a exageradamente cara climatizaglo da
EstaqAo das Docas e a profanadora clima-
tizagao de Santo Alexandre (tudo pela ar-
tificial frescura ambiente), fazendo da re-
composiqao da arquitetura original do bar-
roco tardio aderego para as quinquilharias
tecnol6gicas que Paulo, por ser ele, sejul-
ga autorizado a entronizar.
Quando o silencio reverencial 6 o que se
exige para o usufruto dessas maravilhas do
engenho & arte do mecenas, ou 6 porque
estamos muito ricos materialmente, ou 6
porque estamos muito pobres espiritualmen-
te. Qual 6 o nosso caso, ilustrado leitor? *


Diet de im 0 e ns






JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 5


Interesse public


* Ponto positive para a Secretaria de
Transportes do Estado, que incluiu o
valor e a data original do contrato no
extrato do termo aditivo a esse contrato,
assinado com a Construtora Leal J6nior
(e publicado no Diario Oficial de 15 de
setembro), informag6es geralmente ex-
cluidas desses documents. Mas deixou
de citar o objeto contratual, num adita-
mento que acresceu um quarto (R$ 140
mil) ao valor inicial (R$ 565 mil) pouco
depois de iniciada a obra.
* Ficou quase ilegivel o demonstrati-
vo de remuneracdo depessoal do Tribu-
nal de Contas dos Municipios, publica-
do no DO do dia 18. 0 tamanho da letra
estd abaixo do padrdo minimo desejd-
velpara que todos, inclusive os defici-
entes visuais, possam ler documents
oficiais. A direado do DO ndo deveria
mais permitir a publicado com letras
em tal corpo.
Verifica-se, por esse demonstrative,
que cada conselheiro do TCM estd ga-
nhando, em mddia, mais de R$ 15 mil
por mds. Como sdo seis os conselheiros,
o custopara o erdrio d de quase R$ 100
mil mensais. A folha do tribunal, corn
seus 408 funciondrios (incluindo 159
contratados sem vinculo administrati-
vo), d de R$ 1,2 milhdo. A mddia salari-
al e de R$ 3 mil.
Jd o demonstrative do Tribunal de
Contas do Estado, embora cor corpo
de letra adequado, d confuso na apre-
sentaqdo, subdividindo os quadros de tal
maneira que exige atengdo e cuidado na


leitura. Por que o TCE ndo toma como
modelo a organizacdo de dados do TCM,
este, por sua vez, tratando de copiar o
tamanho das letras do seu irmao mais
velho? Legibilidade, inteligibilidade,
clareza e last but not least transpa-
rdncia s6 ganhariam cor tal iniciativa.
0 TCE chegou em agosto cor 591
funciondrios em umafolha de R$ 2,1
milhoes, numa mddia um pouco inferi-
or ao seu equivalent municipal (R$ 3,5
mil) e padrdo semelhante para a sua
czipula. Quantas empresas tdm esse
porte no Pard?
* No dia 18 o DO publicou dois de-
cretos do governador Almir Gabriel au-
torizando Ana Val6ria de Almeida e Pau-
lo Fernando Machado, ambos da Secre-
taria da Fazenda, a viajarem para Wa-
shington e 16 permanecerem entire 19 e
28 do mes passado, "a fim de participar
da reuniao/semindrio sobre o tema 'Tec-
nologia da InformAtica Aplicada A Ad-
ministragao TributAria: Experiencia e
Tendencias'". A cada um dos t6cnicos
foram destinadas 10 didrias de 300 d6-
lares (US$ 6 mil no total).
No dia 21 os dois decretos foram re-
publicados por alegada incorrecgo. To-
dos os terms dos documents anterio-
res foram repetidos, exceto a referencia
As diarias. Ficou a duvida: as diarias fo-
ram canceladas ou alteradas? Se as dia-
rias nao haviam sido definidas no valor
correto, por que nao aproveitar a corre-
9do para revelar o novo valor? Ou tudo
permaneceu como estava, menos a dis-


posiggo de prestar contas A opinido p6-
blica, impedindo-a de saber quanto di-
nheiro do erario os dois t6cnicos leva-
ram consigo para os 10 dias na capital
dos Estados Unidos
Saber disso 6 tao important agora
quanto cobrar, depois, os resultados des-
se investimento na qualificagao dos dois
profissionais.
* 0 secretdrio de cultural, Paulo Cha-
ves Fernandes, dispensou a licitagdo
para a compra de um "lustre antigo ",
de propriedade de sua amiga Ivone Melo
Queiroz, por 30 mil reais. 0 valor da
aquisigdo permit legalmente a dispen-
sa do process licitat6rio. Mas qual a
importdncia desse lustre? Onde ele serd
instalado? Quem fez a avaliaio? E uma
compra prioritdria? E moralmente de-
fensdvel? Em casos como esse, serial re-
comenddvel pelo menos apresentar a
justificativa para o ato.
* O DO do dia 22 publicou os extra-
tos de dois terms aditivos a contratos
assinados pela Secretaria de Obras Pi-
blicas do Estado com a Construtora
Hammad, prorrogando seus prazos (nao
diz o objeto dos contratos, seus valores
e a modalidade da contratagdo). A em-
presa pertence ao candidate a suplente
de senador na chapa do deputado Luiz
Otivio Campos, da coligagdo Uniao
pelo Pard? O sobrenome, pelo menos,
6 o mesmo. Mera coincid8ncia? Se nao,
6 precise saber se Hammad se afastou
da empresa no prazo exigido pela le-
gislagao eleitoral. 0


A m
evenn Spielberg nfo e apenas um criador
de efeitos especiais holl\%\oodianos. A ca-
pital do cinema estA cheia desses artesaos ele-
tr6nicos. mas o moto continue que conseguem
arrancar do computador nao tem alma. nem
mensagem.
Spielberg esti mandando sua mensagem a
milhOes de pessoas em todo a mundo arraTds
de "O Resgate do soldado Ryan", ainda em exi-
biqao nas telas de Beldm Como todo arista.
Spielberg nao se contenia em reconstiruir uma
hist6ria(a que conta nunca existiu como a apre-
senta) ou compor um enredo qualquer: no seu
mais recent filme, manda uma mensagem am-
bigua, ou dubia.
Os menos adestrados menralmenie (ou mnte-
lectualmente, para nao ser causlicamenie anti-
hollywoodiano) poderSo ser tocados pelo ape-
lo patri6tico: os Estados Unidos sao um pals


ensagem do artist


tbo poderoso e essential que a rudo pode resis-
lir e a rudo absorber Suas crenqas. opinlmes.
normal e instituitoes funcionam como um
mala-borrao, incorporando ao tecido medio
national qualquer ripo de mancha que nele tor
langada. Nesse ponto. Sipelberg contribul corn
seu bom quinhao para uma osipolink que nos-
sos irmfos do Norte nunca foram capazes de
conceber ou executar.
NMas ha uma outra mnensagem no filme Uim
general. no alto do commando das forqas arma-
das. recorre ao prelexto de urma missao bizar-
ra que determine para inscre\er seu nome na
hist6ria Spielberg chegou bem prCoimo da
final ironia dos europeus (dos antepassados in-
gleses, para ser mais especifico) quando. na
sucessao %ertiginosa de quadros, justap0e A
Image do general lendo embevecido carta de
Abraham Lincoln a mae de um soldado morno


na guerra de secessio sua propria carta ende-
reqada a outro soldado morto. um sdculo de-
pois. usando um trecho do texto de Lincoln
como parafrase.
Sipelberg quase parafraseou lambem aquele
\elho duio da sabedoria. de que as guerras sao
coisa seria demais para serem deixadas a cargo
dos millares. Quando o general Marshall 1, em-
be% ecido. sua pr6pria carta, esra com os olhos
ru6ilos na hist6ria. antewendo o lugar destacado
que nela irai ocupar Ignora os danos materials e
humans que o seu capricho pro\ocou
A guerra 6 feita por homes, que tambem
podcm ser mesquinhos e insensatos, nao por
deuses olimpicos 6 o que a ambigiidade de
Spielberg quase diz KMas arte (lambim) d isso.
Deixem os "Titanic" de lado. Vao ver"Ores-
gate do soldado R)an". Descobrirao que iddias
nao sao incomparlveis cor efeilos especiais.


- -






6 JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO / 1998


A Casa Branca de Clinton:



uma casa da mae Joana


Depois da pachorra de ver o testemu-
nho do president Bill Clinton e ler a trans-
criclo de suas declarag6es, a sensacgo que
fica nAo 6 moral, mas fisica de enj6o, de
repulsa. Clinton 6 um home jovem e de
boa estampa. Comanda a nagao mais po-
derosa do planet. E um super-homem de
fato. Tem mundos e funds ao seu dispor.
Como 6 que se envolve em aventuras com
mulheres jecas, tao calculistas que a tal de
Lewinsky guardou por um tempo sua rou-
pa manchada de semen para usa-la como
prova contra o president no future? A par-
ceira escolhida reflete o client que a es-
colheu.
Clinton foi incapaz de seguir um prin-
cipio elementary, respeitado por cidadaos
Idguas abaixo dele na escala social, con-
trolando seus instintos: nao se envolver
com colegas de trabalho, nao usar o lugar
de trabalho como sede de atos clandesti-
nos, respeitando a si, aos outros e ao am-
biente.
Ele nao 6 s6 um porco, a condenagao
moral que soa como farisaismo na boca dos
seus juizes p6blicos. t um insensato, um
mediocre, algu6m incapaz de fazer jus ao
poder que lhe foi delegado. Se uma mu-
lher calculista e inescrupulosa como
Lewinsky (antes de ser estagidria ela pa-
rece bem enquadrada na mais antiga pro-
fissao conhecida pela humanidade) enga-
na facilmente o lider n6mero um do mun-
do globalizado, como nao serA sua inter-
locugao com os batalhSes da alta adminis-


traqAo americana e os outros lideres que
com ele tnm contato?
O aspect moral 6 o que menos impor-
ta. Muitos, antes de Clinton, tiveram con-
duta semelhante, semjamais se expor a um
impeachment (embora, com a midia neu-
roticamente no ar hoje nos Estados Uni-
dos, os tempos sejam outros). Basta lem-
brar, entire os presidents americanos mais
recentes, Eisenhower e Kennedy. Mas es-
tes conseguiram projetar um perfil no qual
outros aspects, mais relevantes, se desta-
caram, nao suas mazelas, idiossincrasias,
fantasias ou bestialidades, como diriam os
amigos lusitanos.
O epis6dio com a estagiaria 6 como o
dedo do gigante, a ponta do iceberg. Ates-
ta a acao mortifera de uma gendtica politi-
ca, que vem degenerando as c6lulas dos
inquilinos do salao oval da Casa Branca,
escolhidos cada vez mais como o pepino
no supermercado, gragas as t6cnicas de
manipulaqAo em nossa sociedade de mas-
sas, apascentada por pastores eletr6nicos
do bando do Big Brother.
Minha geragao encarou Richard Nixon
como o grande inimigo, sem nunca nos pre-
ocuparmos cor quem ele levava para a
cama. Tinha-se uma face do president, o
dirty Dick, o politico sujo, cheio de truques,
inescrupuloso, capaz de todos os golpes
para vencer, o home que instalou uma
quadrilha de "encanadores" na Casa Bran-
ca. Mas havia moments em que viamos o
estadista, abrindo a cortina de bambu chi-


nesa, tentando o desarmamento, amplian-
do as fronteiras e investindo contra sua par-
ceira preferida at6 entao: a guerra fria.
Depois do drama hamletiano de Lyndon
Johnson, perguntando pelo future as ca-
veiras de milhares de jovens americanos,
entire goles voluptuosos de uisque, o 61ti-
mo grande drama vivido por um presiden-
te americano antes de Nixon (nao a cari-
catura que de Nixon Oliver Stone mode-
lou em celul6ide sobre o rosto de Anthony
Hopkins), S6 tivemos farsa no picadeiro de
Washington.
O mais bem intencionado de todos,
Jimmy Carter, fez de sua luta pelos direi-
tos humans uma 6pera bufa, culminan-
do com a desastrosa operaglo de resgate
de prisioneiros americanos no Ira. Clin-
ton parece encarnar o ponto nodal dessa
escala de antoninos made in USA no rumo
da decad6ncia do imp6rio. Um imprrio
que impression por sua potencia internal
de na9ao vital tanto quanto por sua inca-
pacidade de compreender o mundo sob
sua influencia.
Incapacidade de proper a esse mundo
algo capaz de anestesiar nosso desejo de ir
1A fora atrAs de ar depois do acesso direto a
irrelevancia caipira do sr. Bill Clinton, sem
saudades (mas com respeito) do iltimo im-
p6rio autentico, o dos ingleses, que os ame-
ricanos tao pragmaticamente tentam imitar.
Agora ja sem sem sucesso, como se ve atra-
v6s da fechadura arrombada do gabinete de
Clinton na Casa Branca. 0


A prop6sito da nota "Si-
lencio sepulcral" (Jornal
Pessoal 194), a president da
OAB/Pari, Maria Avelina
Hesketh, enviou por carta os
seguintes comentarios:
"1 A OAB s6 tomou co-
nhecimento do fato denunci-
ado pelo ilustre jornalista
atrav6s de seu Jornal, nao po-
dendo, antes disso, manifes-
tar-se sobre o tema.
2 A OAB 6 contraria a
qualquer tipo de procedi-
mento que desrespeite a or-
demjuridica em vigor ou que
vise retirar a autonomia e in-
dependencia dos integrantes


do Poder JudiciArio, embora
defend o direito de ampla
defesa dos envolvidos.
3 Como referido na no-
ticia, o pr6prio TJE respei-
tando essa visao teria de-
sautorizado o procedimen-
to de cancelamento da pu-
blicagao de resenha, nao
havendo, portanto, prejuizo
aos interessados".
0 fato a que se refere a
president da Ordem dos Ad-
vogados e a interfergncia do
president do Tribunal de
Justiqa do Estado sobre o
poder monocrdtico de um
juiz singular titular de vara,


ao suspender a publicaqao
de sentenga por ele proferi-
da e enviada regularmente 2a
resenha. A suspensao se
manteve por nove dias, ate
que o colegiado dos desem-
bargadores, reunido infor-
malmente, decidiu ndo ceder
as ameagas do grupo Libe-
ral, atingidopela decisdo do
juiz, mantendo o curso regu-
lar da sentenqa, que mandou
a empresa indenizar materi-
almente um desembargador
ofendido por matiria publi-
cada nojornal 0 Liberal.
Se concretamente o dano
foi reparado antes de cau-


sar uma lesao maior, em
tese houve o desrespeito &
ordemjuridica e a violagao
da autonomia e da integri-
dade de um magistrado,
algo que a reparaco nao
anula, como qualquerpena-
lista reconhecerd. Aldm de
salvaguardarpessoas e bens
materials, presume-se que a
OAB defended principios. E
que quando um caso grave
Ihe e indicado atravis de in-
formacdo de terceiros, terd
a disposicao de apurd-lo
por conta prdpria, nao..se
deixando imobilizar par
meroformalismo.


; : Jb W. I I II. I I I 1~A~T~AT)WI~IPi~t~~iP1~L 'b 8L ~






JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 7




Alice no pals da Fiepa,



o lugar da "desindustria"


A composigao da recem-empossa direto-
ria da Federagao das Indfistrias do Pard re-
flete o process de desindustrializagao que
tem havido no Para nas iltimas d6cadas. O
peso do setor secundario na formagao do
produto interno 6 cada vez menor. As prin-
cipais indfistrias sobreviventes, aquelas que
se mantem em stores de exportag~o e de
enclave, nao fazem parte ou nao participam
das atividades da Fiepa. O maior exemplo 6
o grupo CVRD. Sem a Companhia Vale do
Rio Doce em suas fileiras, a Fiepa tem re-
presentatividade?
O problema 6 real diante da redugRo e
decadencia do setor industrial, mas foi
agravado pela sucessao de administra96es
mais preocupada com seus interesses pes-
soais, corporativos ou politicos do que com
a causa industrial. A Fiepa foi se fechan-
do sobre si mesma, criando um mundo ar-
tificial como cenArio da sua cfpula e abrin-
do um fosso em relagao ao mundo real. En-
tre seus diretores ha industrials aposenta-
dos, executives e mesmo pessoas que com
a indfistria tnm apenas a ligagao de uma
carreira feita dentro da pr6pria Fiepa. Nun-


ca produziram uma lImpada queimada,
como diz um dito popular muito usado por
tlio Gaspari.
Feudos e quistos surgiram na estrutura
inflada da Fiepa, sem qualquer crit6rio de
racionalidade, eficAcia ou relevancia para
medir sua utilidade e significado para a so-
ciedade paraense como um todo e a cate-
goria dos industrials em particular. At6
mesmo uma instituigao internal dinamica,
como o Centro das Indfistrias (com 32 anos
de vida comemorados na semana passada),
foi anulada porque o president da Fiepa
passou a ser, automaticamente, o presiden-
te do CIP. Assim, um 6rgao criado para ser
o ide6logo do pensamento da industria, em
condicges de entestar-se com a mAquina pt-
blica, tornou-se caudatario das dependen-
cias de um setor de pires na mao, vergado
pelos favors oficiais.
O pior 6 que essa estrutura anacr6nica
e disfuncional recebeu como arremate ser
assumida por representantes do setor ma-
deireiro associado ao capital estrangeiro
identificado com a predagao dos recursos
florestais, o malaio. Esse detalhe reforga


diante do pfblico externo uma image de
colonialismo e de "impropriedade" ecol6-
gica (tomando de empr6stimo jargao de
Clinton aplicado a sexologia), que com-
promete ainda mais a credibilidade e a res-
peitabilidade da Fiepa.
Essa n6doa pode limitar-se A image, sem
corresponder A essencia da instituigao e sem
significar dem6rito para o president que
assumiu agora o cargo, Danilo Remor, o prin-
cipal empresArio local do setor madeireiro.
Mas 6 um complicador significativo, que
contribui para deteriorar ainda mais o con-
ceito da Fiepa junto A opiniAo pfiblica.
A entidade pode continuar optando por
se enclausurar (ou "encausular") e ir le-
vando na flauta, gragas as generosas con-
tribui96es compuls6rias que a mantdm e
lhe permitem ampliar sua exuberante base
fisica. Mas todos ganhariam se levasse na
devida conta as critics e parasse para dis-
cutir o que elas dizem, abandonando a pre-
sungosa e initil attitude de Maria Antonie-
ta As v6speras da Revolu9go Francesa.
Quem nao cuida da hist6ria real acaba ten-
do a sua Bastilha. 0


Fim das esperangas


A grande esperanca que os amigos ou ad-
miradores de Almir Gabriel tinham quando ele
assumiu o govemo do Estado, em 1995, era
que ampliasse o horizonte dos projetos de de-
senvolvimento do Estado. Alguns desses sim-
patizantes ja havia sofrido alguma decepqlo
acompanhando a gestao dele na prefeitura de
Belem, marcada pela recuperagao de pragas, o
pol8mico embelezamento do Ver-o-Peso e
outras quinquilharias. Mas inegavelmente ele
ajeitou a estrutura administrative da PMB e
deixou o cargo sem as manchas que costumam
colar na image dos ordenadores das despe-
sas pfiblicas no Para.
A visao de future do govemador Almir Ga-
briel, contudo, revelou-se quase tAo curta e mf-
ope quanto a de seus antecessores. De fato, ele
imp6s, em geral, mais racionalidade A execu-
cao de obras do que nos 12 anos anteriores de
Jader Barbalho e Hdlio Gueiros, racionando as
perdas e desperdicios. Mas, em essencia, o ParA
continuou o mesmo, bitolado por um caminho
que vem deslocando-o dos eixos mais dinaimi-
cos do desenvolvimento, at6 mesmo regional, e
rebaixando-o no ranking national (nao adianta
a propaganda eleitoral do govemador classifi-
ca-lo em quinto lugar: ele 6 o 18 pelo indice de
Desenvolvimento Humano).
O Estado nao apenas vem perdendo f5le-
go: vai se distanciando cada vez mais do do-


minio das principals frentes em atividade no
seu interior, das quais tem resultado a crescen-
te dissociagao dos indices quantitativos em
relaao aos indicadores qualitativos, al6m de
vesguices fatais, como esse entusiasmo corn o
p61o de soja, fonte de degrada9Ao do solo e
migraqao rural/urbana. Temos um Estado que
registra expansAo fisica das atividades produ-
tivas sem melhorar as condigSes de vida do
seu povo, cheio de vazamentos e desvios.
A combina ao de autoritarismo, vaidade e
presungao de genialidade tem sido fatal para o
discernimento do govemador: deixa-o s6, ex-
poe-no As maquinag6es dos aulicos, fulmina
sua capacidade de controlar os mais vorazes
integrantes da maquina piblica e compromete
sua compreensao dos fatos, confinando-o no
varejo das iddias.
Por estrat6gia e fraqueza, Almir Gabriel
manteve-se A margem de uma das polemi-
cas que mais repercutird sobre o Para nos
pr6ximos anos: a privatizagao da Compa-
nhia Vale do Rio Doce. Pagou caro por isso
ao cobrar o principal dividend desse si-
lencio obsequioso: os novos controladores
rasgaram o protocolo de intenoes que ele
havia solenemente assinado cor os respon-
sAveis pela empresa estatal para que o in-
vestimento de 1,5 bilhao de d61ares fosse
realizado o mais rapidamente possivel no


Estado (a exploragao das jazidas de cobre
de Carajas).
Em escala muito menor, outro exemplo des-
sa mentalidade estreitamente domrstica acon-
teceu em relaago A 6nica indfstria siderirgica
de Bel6m, a modest Copala, vizinha do cam-
pus da Universidade Federal do Para. O gover-
nador mandou sustar a cobranga de uma conta
de energia em aberto cor a Celpa (hoje, de 1,3
milhao de reais) para montar um acordo entire
patrao e empregados, salvando a empresa de
um e o emprego de outros, que exigiria uma
solidariedade no control e gestao do neg6cio.
Mas s6 20% das aq6es sairam das mlos do
dono para as dos empregados (o que nada sig-
nifica quando nao ha dividends a distribuir
para compensar a falta de acesso As decisoes)
e a gerencia nAo melhorou. Agora os arrema-
tantes da Celpa estao cobrando a divida e ame-
agando p6r abaixo o castelo de cartas monta-
do pelo govemador. Tendo estimulado tanto a
propaganda, ele parece acreditar no ilusionis-
mo dos marqueteiros. Perdeu a marca do rea-
lismo que fez atrair sobre ele, quando secretA-
rio de sadde do Estado, as aten9oes dos que
btiscavam uma lideranqa positive, capaz de
renovar-lhes as esperangas. O tempo desfez
ilusoes e fantasias. O governador consumiu,
sem saldo positive, o capital de cr6dito que
tinha em sua conta. 0






Front

jornalistico
Todos os que t8m conscien-
cia dos males do monop61io e
do oligop61io na economic ca-
pitalista, principalmente quan-
do exercidos sobre a informa-
~ao, torcem para que A Pro-
vincia do Pard tenha sucesso
no seu esforgo para ocupar um
segundo lugar mais empare-
lhado com O Liberal do que
agora. Torcer, no entanto, nao
significa silenciar sobre os
problems e defeitos do pro-
jeto iniciado recentemente por
Gengis Freire de Souza para
dividir o mercado de journal
impresso, sem, no entanto,
mudar seu atual perfil.
A cardncia de substancia em
A Provincia d a principal lacu-
na do journal. O conteddo conti-
nua a se distanciar da qualida-
de industrial, milagrosamente
arrancada dos equipamentos
grdficos atuais enquanto nao
chegam as novas mAquinas. O
descuido pelo que dizem as
mat6rias 6 acrescido da inobser-
vancia pela relaqao entire espa-
go redacional e de publicidade
quando, excepcionalmente, os
anfincios crescem, como acon-
teceu na ediqao do dia 24. Ai, o
slogan adotado sob o cabegalho
("Umjornal que nao toma o seu
tempo") pode parecer autocriti-
ca. Simplesmente passa-se ajato
na leitura dojomal, sem a recom-
pensa de parar em mat6rias nas
quais vale a pena aplicar o tem-
po como investimento.
Jd o Didrio do Par6 mais
uma vez encalacrou-se nos in-
teresses eleitorais do seu propri-
etArio, o senador Jader Barba-
lho, desperdigando grande par-
te do avaro capital de credibili-
dade que vinha acumulando na
busca da profissionalizagao. A
parcialidade dojomal afasta das
suas paginas os leitores mais
exigentes, justamente os que
podem apreciar melhor a diver-
sidade de colunas e se9 es com-
pradas de outrosjornais do Sul.
0 Di6rio volta a defender
do sucesso do politico que o di-
rige para obter, artificialmen-
te, uma consolidag o que s6 a
competencia no mercado ofe-
rece como conquista perene.
Deixa, assim, espago para A
Provincia ser mais conseqifen-
te e professional na busca de
um segundo lugar que nao seja
apenas para disfargar o domi-
nio do grupo Liberal.


Advertencia
A policia, com o reforgo dqo
judiciario e do Ministerio Pfibli-
co, precisa reforgar urgentemen7
te o setor de combr~at
organizado e aos assassinatos de
encomenda. Os sensors maig
bem dotados estAo registrando o
crescimento da afludncia de pis-
toleiros para o Pard e, especifi-
camente, para Bel6m. E sinal de
que os criminosos estao estimt-
lados pela expectativa de impu-
nidade ou conivencia, escolhen-
do resolver seus problems A
margem dos caminhos legais.
Nao prevenir implicarA em re-
mediagdo onerosa. Podemos ter,
nos pr6ximos meses, uma violen-
ta safra de crimes no Estado, com
destaque para a capital.


Anonimato
Bern que o redator da Pri-
meira Coluna, de A Provin-
cia do Pard, podia dizer cla-
ramente que se referia ao
grupo Liberal quando denun-
ciou que um veiculo de co-
munica9ao da praga cobrara
(30% do valor de cada in-
gresso vendido) para divul-
gar a Festa de San Gennaro,
a ja traditional comemora-
cdo que a colonia italiana re-
aliza em Bel6m.
Assim, teria que compro-
var a informag9o e explicar
a contradigio de uma ex-
c6nsul honoraria nao conse-
guir impor o mecenato a sua
corporagao, plantada sobre
origens italianas.


3aai s o uor-tc


A Upasp (UniLo Paraense padrao de dignidade no servi-
dos Servidores Publicos) pediu go piiblico. Barnab6s humildes
que a Uniao governoro federal) caem nas garras de agiotas por-
intervenha no Estado para for- que nao conseguem harmoni-
gar o governor paraense a pa- zar o desembolso com as obri-
gar-lhe d6bito de 600 mil re- gagoes, por mais que sejam
ais, acrescido de corregco mo- econ6micos. 0 dinheiro costu-
netiria. E dinheiro reivindica- ma acabar antes de consuma-
do pela empresa najustiga, que da a primeira quinzena do mes.
ja lhe deu ganho de causa. A O desespero os projeta na in-
a9Co transitou em julgado, mas sensatez.
a decisao nao foi cumprida. A administragao Almir Ga-
Os cr6ditos da Upasp decor- briel fez interveno9es ciruirgi-
rem de empr6stimos feitos a cas na folha de pessoal, mas
servidores publicos estaduais. nao cicatrizou as feridas aber-
Durante anos as operac6es fo- tas com o produto adequado:
ram coonestadas pelas admi- uma carreira decent. A base
nistrag6es estaduais, que san- foi achatada, massacrada. E o
cionavam o desconto em folha saneamento da cfpula sangrou
em beneficio das institui96es com a espliria contratagao de
credenciadas.Acabou-se crian- assessores, al6m dos penduri-
do um monstro, mal disfargan- calhos que conferem a uns pou-
do a verdadeira agiotagem pra- cos mais igualdade do que a
ticada, que gerou subprodutos quaisquer outros.
num mercado soturno, de mil- O corpo funcional do Esta-
tiplo aproveitamento (j denun- do continue inchado e mal es-
ciados diversas vezes nestejor- truturado. Iniciativas como a da
nal). O feiti9oag6ioa-,evira Upasp, a despeito do tom col6-
contra o feitieir-o:. ,, rico do seu libelo, atestam a
S6 hAumjaib de 6itar 'sja permanencia do mal, nao a ir-
cadeia de prd4ao: iinpoi rupgao da cura.
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'b Pessoat .
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Chute

a larga
O maior comicio da cam-
panha pela presidEncia da
Repiblica, o de Fernando
Henrique Cardoso na baixa-
da fluminense, reuniu 70
mil pessoas, segundo os
aulicos do principle. O bi-
candidato devia recorrer
aos estrategistas eleitorais
do Para em busca de know-
how. Os propagandistas das
duas mais ricas coligac9es,
as de Almir Gabriel e Jader
Barbalho, conseguiram
atrair quase toda a popula-
gao das cidades que percor-
reram no interior dos Esta-
do para os comicios de seus
lideres.
Alguns nfmeros de pla-
t6ias fornecidos A impren-
sa pelos comites eleitorais:
28 mil pessoas em Parago-
minas, 20 mil em Altamira,
20 mil em OriximinA, 15
mil em Rondon do Para, 10
mil em Santa Maria do
Pard, 6 mil em Irituia, 3,5
mil em AurorA do Para.
Estas mentiras fluem em
abundancia quando nao ha
imprensa independent
para checar os dados e co-
locar nariz comprido nos
Pin6quios da propaganda.


Originalidade
En6as acabou. O apopl6-
tico candidate fixou seu ca-
risma dando uso explosive
ao seu mete6rico tempo na
propaganda eleitoral gratui-
ta. Era como o grito de sha-
zam, transformando Billy
Batson no Capitao Marvel.
Agora, ao tonitruante "Meu
nome 6 En6as", o candidate
do Prona viu-se obrigado a
acrescentar o nfmero 56,
sem o qual seu carisma 6 fu!-
minado pela kriptonita da
urna eletr6nica.
A essa adaptagoo desmora-
lizadora, En6as deveria acres-
centar outras duas: trocar a
barba pelo bigodinho e trove-
jar em alemao, a lingua com
a qual melhor se expressam
os fil6sofos e os ditadores (ou
os fil6sofos-ditadores).