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Parasitas Oas cont.as ornal Pessoal (.... 5) SC F L A V I 0 4 'l0 Aq macrodrena ANO XII No 196 l QUINZENA DE OUTUBRO DEf RS 2,00 i P doarqui"tfo _(PAG. 4) EDITOR Em que \votar? No dia 4 o eleitor votard no menos ruim, no quepode ganhar, no que ndo (epadrdo de lisura mas trabalbha, no quejd estd no comando, no quefez a melhor propaganda, no certo e ndo no duvidoso. Mas ndo votard nofuturo, na mudangapara valer das atuais regras do jogo. 0 future continue a ser apenas uma esperanga. "': empre encarei cor um mis- to de inveja e melancolia a .. posigdo adotada por grandes : jornais americanos e euro- peus diante da dispute elei- '' toral: manifestam em edito- rial suas op96es e procuram se manter o mais independents que po- dem. E salutar que esses poderosos for- madores de opinido revelem e justifi- quem sua decision, ao inv6s de camu- fla-la, impedindo que extravase de seus limits naturais para contaminar suas func6es profissionais, manipulando a sociedade. Sabendo quais candidates (ou qual par- tido) ojornal esta apoiando, o leitor pode fiscalizar melhor se nao esta havendo ten- - denciosidade no noticiirio e em todos os espagos nao destinados A expressed da opinion da publicago. O inico espago 5-3.-3 L:L LLL L adequado, como todos sabem, 6 a pigina de editorial, a legitima voz do dono. Desde que fundei o Jornal Pessoal, em 1987, sempre desejei seguir a ori- entado editorial da grande imprensa li- beral. Duas eleig6es gerais se realiza- ram desde entdo, mas nao consegui es- crever um editorial recomendando um cabega de chapa de eleig9o majoritiria (em relagdo As disputes proporcionais, acho que a imprensa nao deve se defi- nir). Simplesmente por nao acreditar em seus projetos de governor, quando os apresentaram. Limitei-me a votar no que me pareceu mais ajustado para aquele moment da vida national, ou, A falta dessa alternative, no menos ruim. Minha consci6ncia, entretanto, nao me autorizou indicar nenhum. Desta vez, sequer como eleitor sinto- me em condi96es de dar meu voto se- creto aos candidates que disputam a pre- sidencia da rep6blica e o governor do Estado. O voto 6 secret, aliAs, para pou- par o eleitor de constrangimentos pes- soais, de presses familiares, da perse- gui9ao de chefes e poderosos em geral, de represalias paroquiais. Deveria ser aberto e pfiblico, permitindo que cada eleitor amadurecesse seu voto, em did- logo corn seu circulo de relacionamen- to, at6 uma decisao ponderada, amadu- recida. O didlogo possibilitaria a ampli- agco e o adensamento do nivel de cons- ciencia do eleitorado, ao inv6s de fazer do sigilo um instrument de neg6cio e de deseducaggo civica. Mas algu6m que pode fazer ecoar sua escolha para muito al6m do seu alcance face-to-face precisa ser discrete e caute- loso. Forgado pelas circunstdncias, pen- so ter conseguido separar o meu ato de m ,, ."~ L'. -" '' 2 JOURNAL PESSOAL Pa QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 > votar da produ9go de um jomal, procu- rando avaliar o process politico, com seu apice eleitoral (infelizmente, de duragdo espasm6dica, para beneficio dos dema- gogos e oportunistas), com o maximo de isengao e compet8ncia ao meu alcance - e deixando a oppgo editorial para um tem- po mais propicio as boas liderangas. Espero que, em todas as elei96es at6 aqui realizadas, este journal tenha contri- buido para dar consistencia ao voto dos eleitores que o l8em e combater, ainda que numa escala muito limitada, os currais eleitorais, infelizmente ainda a principal fonte de votos num Estado grande e po- bre como o Pari. Apesar do tom permanentemente cri- tico e, as vezes, aparentemente pessimis- ta deste JP, creio que o Brasil continue evoluindo, mesmo nestes nossos dias des- norteadores. Tamb6m vejo o future com tinturas de esperanga. NSo 6 por terms perdido o bonde da hist6ria que nos sen- timos sem rumo, incapazes de nos juntar numa empreitada comum, sem entusias- mo, sem aquela confianga profunda que tinhamos quando entramos na vida cons- ciente, na segunda metade da d6cada de 50, cor a seguranga do pleno emprego (real ou imagindrio). O mundo todo per- deu suas utopias, sem as quais somos ape- nas animals, certamente com alta tecno- logia, imensamente produtivos, mas con- denados a obter a sobrevivencia nos pa- rametros da lei do mais forte. A atual crise financeira revela a corro- sio das estruturas do nosso mundo, peri- gosamente rotas. Nao 6 uma sinistrose moral, como vem proclamando os falsos profetas (saindo agora em bando dos seus templos catdrticos para a dispute por car- gos eletivos, certamente com um projeto comum de poder, em relagao ao qual, por desatengao, ainda estamos desprotegidos). Um mundo no qual a economic finan- ceira excede de 20 a 50 vezes o tamanho da economic real, podendo girar bilh6es de d6lares incorp6reos em fra9ges de segundos, sem qualquer tipo de control legal efetivo, 6 uma bomba de efeito re- tardado com o mecanismo do tempo ja acionado. S6 nao pensa em explosao quem nao quer ver. Ou quem esta comr a mAo no detonador (e na botija). Institui95es multilaterais ou mundiais, como o FMI e o Banco Mundial, ou os bancos centrais, sem falar nos govemos nacionais, estao falidas. Uma agencia de avaliagao de riscos, criag~o derivada dos mastod6nticos funds de aplicagao, pode liquidar um pais do tamanho do Brasil (8,5 milh6es de quil6metros quadrados, 160 milhoes de habitantes, 700 bilhaes de d6lares de PIB). Basta fazer o que fez: expedir um boletim de andlise elevando o grau de risco dos pap6is brasileiros em poder dos aplicadores (grande parte de- les meros especuladores). Nao importa que a avaliagao da Moody 's nao resista a uma rigorosa ana- lise de ciencia econ6mica. De fato, o d6- ficit p6blico brasileiro esta numa situa- 9ao de anomia e o cambio tem sido sus- tentado artificiosamente. Mas os indica- dores doentios de uma economic agora efetivamente estabilizada s6 podem au- torizar intranqiiilidade em aplicadores de curto prazo, naquelas criaturas patol6gi- cas que todos os dias se pesam, e1em ho- r6scopo, acompanham a meteorologia, absorvem todos os indicadores economi- cos. O Brasil esta sendo sangrado em d6lares para garantir o butim desses bu- caneiros de Wall Street e arredores. Constatar essa evidencia nao 6 fazer arenga socialist. Wall Street mesmo tern fornecido ao mundo a diagnose desse vi- rus. Para quem quer ler um texto fluen- te, fascinante e exato, sugiro a vasta re- portagem (quase um romance) de James Stewart, do Wall Street Journal, devas- sando esses ninhos de ratos e viboras do mercado financeiro (nosso Ivan Sant'Ana seguiu muito bem a trilha nos meandros nacionais). Nosso president Fernando Henrique Cardoso nao desconhecia o alto risco de ancorar a estabilizagio da economic bra- sileira numa avenida de fluxos de capital com o exterior. Nao devia ter baseado tdo fortemente o real nessa ancora cambial. Mas, se o fez, deveria ter-se desgarrado dela bem antes, quando varios sinais vi- gorosos apareceram no horizonte cinzen- to. Este foi um dos seus erros imperdoi- veis, porque consciente. O outro foi o patrocinio da inoportuna emenda da reeleicgo. Parater quatro anos mais em um segundo mandate ilegitimo (exceto se a emenda constitutional tives- se sido precedida de plebiscito), o presi- dente amputou grande parte do tempo, do compromisso e da vitalidade do mandate que o povo lhe deu em 1994 (e foi um finico mandate de quatro anos). O esta- dista para contatos extemos tornou-se um varejista intramuros, cercando-se de chi- caneiros do voto dos conhecidos bele- guins do cabresto eleitoral Mecanicamente, mais uma vez, o seu maior adversario, Luiz Inicio Lula da Silva, teima em seguir o catecismo da demonologia, despejando nos largos costados do president uma responsa- bilidade que nao 6 s6 dele, nem adv6m inteiramente de seus graves erros. O mundo todo e nao s6 o Brasil afun- dara numa crise crescente, com efeito domin6, se os paises ricos resistirem A inica media capaz de evitar uma que- bradeira geral: combater a concentra- 9do da renda mundial. Os congressistas americanos se recu- saram a colocar mais US$ 18 bilh6es no FMI por caipirice pura (diplomacia parece uma percepcao congenita exclu- ida do universe de Tio Sam). Mas ain- da que tivessem liberado esse dinheiro, ele nada resolveria. Seria mais combus- tivel no fogo. Uma id6ia que antes en- carava com desconfianga hoje me pa- rece cada vez mais inevitAvel (e dese- jivel): uma nova forma de governor mundial, corn autoridade e meios para um planejamento econ6mico em esca- la planetAria. Seria o antidote A globa- liza9go selvagem atrav6s dos canais fi- nanceiros invisiveis e do dominio pri- vilegiado do saber. HA dinheiro e recursos suficientes para o mundo lamber suas feridas e reparar os danos antes que o desemprego estrutural e a diAspora do capital sintonizado com as Moody's da vida engendrem uma guer- ra em escala mundial. A esmagadora parcela pobre do plane- ta tem que cobrar seus direitos, colocan- do a parcela rica minoritaria na parede, antes que a parede desabe com todos nela escorados. Mas precisa escolher melhor seus lideres e fiscalizA-los corn rigor. Corn os governor atuais 6 inviavel reformer essa parte do globo na qual hA tantos e tio vastos ladrbes drenando os recursos acumulados nos tanques de dinheiro (na- turalmente, uso a image hidrdulica). Fernando Henrique Cardoso 6 um dos raros politicos brasileiros com visao pa- norimica, um lider preparado para esse novo mundo que tenta quebrar a casca grossa que o imobiliza para nascer. Mas 6 tamb6m um personagem que nos causa perplexidade. Como um home tao inte- ligente pode dizer tantas besteiras? Como um lider tAo excepcionalmente reforgado pela confianga da opiniao pfblica pode trair sua fungao no conciliabulo da cor- te? O desalento se traduz melhor cor ex- plica9~o em latim: vanitas, vanitatis. E claro que esses erros e distor96es nao se reduzem a uma questAo de vaidade. Mas se o president 6 pessoalmente honest e se seu acervo intellectual nAo se embotou, a incapacidade que manifesta de ver a rea- lidade ter a ver corn a hipertrofia do ego, que os Aulicos se encarregam de transfor- JOURNAL PESSOAL 1P QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 3 mar em viseira. S6 esse tipo de bloqueio explica a cegueira do president diante dos livros que escreveu, em alguns dos quais chegou pr6ximo da verdade, incapaz de utilizA-los como instrument de ado no trono do Palicio do Planalto. E o que dizer do nosso Almir Gabriel? O algapdo da reeleigio, que tantos instin- tos liberou, fez o governador entregar-se inteiramente A politicagem, tudo sejusti- ficando para manter o poder, inclusive a renfincia e a trai9ao aos ideas de um pas- sado ainda recent. O uso da maquina official atingiu uma escala record nos iltimos anos. Sem ela, o governador nao chegaria ao primeiro turno como o mais cotado para a vit6ria. Provavelmente seria derrotado. O cresci- mento de sua posicao nas por aqui cada vez mais suspeitas e desaforadas pes- quisas pr6vias nao 6 produto do carisma pessoal, do reconhecimento A obra reali- zada, mas dos instruments de poder que um govemador tem quando busca a ree- leigco sem sequer ser obrigado a se de- sincompatibilizar. Um outro dado impressionante da cam- panha foi a estabiliza9~o do indice de pre- fer8ncia do senador Jader Barbalho. A despeito de sua imagem desgastada, o candidate do PMDB manteve uma opqao consolidada acima da que teve em 1882 e 1990, quando concorreu ao governor do Estado e venceu. Ou seja: ha mais pesso- as votando nele independentemente do que dele dizem ou venham a dizer. As denfincias sobre desvio de recursos piblicos para seu pr6prio patrim6nio tem sido menos convincentes em relag~o a Ja- der do que a esperanga, principalmente nas camadas mais pobres da populag~o. Pare- ce prevalecer apresungao desses eleitores de que Jader rouba, mas faz, distribuindo apartilha do saque entire muito mais gente do que qualquer outro controlador do te- souro piblico seria capaz. Nao sendo provada, em filtimo grau judicial (quando se aplica a pena), sua pilhagem do erArio, Jader assume a fi- gura do Robin Hood. N~o chega a admi- tir que rouba, 6 claro, mas, quando ga- rante que faz, 6 isso que fica implicito. Para camadas ainda mais expressivas do povo, 6 o que conta. S6 quem nunca andou pelo interior do Estado ou pela periferia da capital nao reconhece o efeito magnetizador do nome e da figure de Jader. Mesmo fora da quadra eleitoral, pode-se encontrar com alguma facilidade, na sala ou na entrada de casas humildes, o retrato do senador peemedebista, imponente corn a faixa de goverador, sozinha ou ilus- trando calendario ja fora de 6poca. Nenhum politico no Pari pode incluir esse feito no seu curriculo. Mas Jader Bar- balho tem desperdicado e dilapidado esse precioso capital, cuja conquista muitas vezes independe da vontade dos preten- dentes a ela, por mais que tenham poder e dinheiro para consegui-la, como 6 o caso do nosso governador recandidato. H6lio Gueiros abusou da sua pr6pria empatia popular, apenas inferior A de Ja- der junto a um eleitorado cor 43% de analfabetismo funcional e dois tergos de desemprego e bico, quase comprometen- do uma eleigao que parecia folgada. Em- bora disputando a finica vaga para o se- nado, tentou apresentar-se como o con- traditor de Almir, recorrendo a uma lin- guagem, que parece ter perdido definiti- vamente seu glamour, para repetir des- gastados bordbes. H6lio imaginava poder vir a cobrar di- videndos de Jader, credenciando-se como seu principal eleitor, mas quase seus er- ros levaram a um desastre. O resultado afetara seus plans de disputar a prefei- tura de Bel6m no ano 2000 (Ana Julia Carepa e Edmilson Rodrigues, corn pro- p6sitos divergentes, safaram-se do nau- fragio da nau de Ademir Andrade, aumen- tando suas cotac6es em Bel6m). Ja o lider do PMDB manteve-se numa postura olimpica, novidade na sua biogra- fia, nao aceitando provocages. Convenceu- se de que assim seu desconfortAvel passa- do n~o seria revolvido, para tirar-lhe votos, nem seu adversArio conseguiria impor van- tagem suficiente para evitar que no 2 turno as posi95es sejam zeradas, como 6 possi- vel, dependendo da porcentagem dos elei- stores do PT que o escolherem (e de algu- mas mudan9as de camisa que vai provocar, negociando com prefeitos e politicos elei- tos) Uma margem a favor de Almir at6 sete ou oito pontos seria o bastante para que a defminio do 2 tumo passe a defender mais das qualidades pessoais dos candidates do que dos seus aparatos b6licos. Ai estaria a vantagem de Jader. Mas ha um outro component: a posi- 9ao de FHC na eleigio do Para, caso ele pr6prio garanta seu cargo no dia 4, como se preve. Amigos de Jader Barbalho di- zem que ele vai pressionar o president, ja entAo reeleito, usando sua posigao de president national do PMDB, para ter mais calor federal a seu favor e atrair aqueles que, como os ratos, n~o querem ficar no barco ameagado ou se guiam pe- los indicadores das mudangas da mar6. Dizem ainda que Jader deseja ardente- mente ter'a oportunidade de fazer um governor diferente, como n~o foi capaz nas duas vezes anteriores em que ocupou o cargo. Quem acredita? Mas quem acredita tamb6m em Almir Gabriel? Se ele vencer, provavelmente se compora com Jader tio facilmente como fez cor Jarbas Passarinho, indiferente as baixarias de seus lugar-tenentes (comba- tendo o imaginario anhanga cor a mes- ma inconseqiiencia da turma da Ordem da Baladeira, gragas ao Alibi pr6vio que futuramente o chefe apresentara). Mas seria mesmo uma "unido pelo Pari", cara-palida? Com qual progra- ma? Se havia uma bandeira, ela ficou pelo meio do caminho. Havera apenas projetos de poder em jogo na eleigao do dia 4. O Pard vai continuar esperan- do por opcao melhor. 0 Globo bolou uma grande jogada de marketing. Antecipando-se a todos. concebeu rel6gios para serem instalados em todo o pais. marcando o tempo at6 a chegada do dia 22 de abril de 2000, quando se ira comemorar os 500 anos da descoberta do Brasil. Para disfarar a autopromoqAo publicitaria, embutiu-a num enorme rel6gio. instalado em pontos nobres das capitals brasileiras, sem nada pagar, muito pelo contrdrio. Faz-se festas, divulga-se A larga, contribuindo-se, assim. para reforcar o dominio de midia da Rede Globo, um dos n6dulos malignos da democracia brasileira. Os criadores da jogada estAo de parabens, muito "na deles". Mas. e as autoridades puiblicas: estarao elas tamb6m "na sua", isto 6, intermediando a iniciativa particular com o interesse coletivo? Nao perceberam o golpe publicitario ou aderiram a ele? Gratuitamente? A historia lembra decadas.atras,.quando Assis Chateaubriand, o Roberto MariNh, da 6poca, dono dos Diarios e Einis0orsAssociados, patrocinava a criago de aero- clubes para vender avi6es "Paulistinha", que representava comercialmente, ou estimulava o surgimento de postos de.puericultura, que iriam consumer produtos do seu laborat6rio farmaceutico., bbres aservigo de fins nem tanto assim. A hist6ria muda, no Brasi tinmui'ianmesma. .'*_ -,: . . 4 JOURNAL PESSOAL 1P QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 Mecenato a moda do chefe Quando comegaram, os tres projetos com os quais Paulo Chaves Fernandes pretend embelezar e enriquecer Beldm a EstaqAo das Docas, o Parque da Residencia e a pri- meira etapa da Feliz Lusitania representa- vam investimento de 13 milhoes de reais. Agora que os dois iltimos estao inaugura- dos, o orgamento atualizado passou de R$ 22 milh6es, podendo continuar a crescer, de- pendendo da tal da janela climatizada que estA sendo aberta para o rio no cais do por- to. Sao R$ 9 milh6es de acrescimo (70% a mais) em apenas tres obras, num espago de dois anos, dinheiro legalmente enquadrado em aditamentos contratuais, mas tecnicamen- te pendente de explica9ao. Assim, o governor Almir Gabriel aplicou nessas tres obras decorativas mais da me- tade do dinheiro jA consumido pelo maior projeto da hist6ria recent da capital para- ense, a macrodrenagem das baixadas, feita para beneficiary com saneamento, drenagem e pavimentagao 500 mil pessoas. Nao hd um desajuste de prioridades nesse plano de A Onica norma finalista do direito america- no sobre imprensa esta na pr6pria constituiqao do pais. Thomas Jefferson redigiu a primeira emenda constitutional, mais de dois seculos atrAs, apenas para reforgar que a imprensa 6 uma instituigao mais valiosa para a democracia made in USA do que o pr6prio governor. Por aqui, nosso direito 6 copioso em matdria de imprensa- e repressive, quase sempre. O pri- meiro ato legal visou censurar a imprensa antes mesmo que ela se tivesse estabelecido nesta par- te do entao impdrio portugues. Hoje, comparan- do as legisla~Bes de varios paises, estou conven- cido de que o direito penal 6 suficiente para fixar responsabilidades criminals quando excesses sao cometidos, exceto quanto ao direito de resposta. A melhor contribuigao a respeito foi dada pelos franceses, que transformaram em delito a recusa da imprensa em garantir o direito de resposta aos que se consideram atingidos por ela. Se essa obrigaqao ji existisse, questOes como a que o Tribunal Regional Eleitoral apreciou na semana passada nem existiriam. Hlio Gueiros sentiu-se injuriado porque O Liberal publicou denfncias do deputado estadual Josd Carlos Lima, do PT, contra o candidate do PFL ao se- nado, quando ele ainda era prefeito de Beldm. O TRE decidiu corretamente ao argumentar que o recurso de Gueiros para obter direito de resposta nas pAginas dojornal deveria ser apre- sentado Ajustia comum, enquadrando-se na lei de imprensa e nao no direito eleitoral. Mas se- guramente, se seguir esse caminho, o ex-pre- feito nada conseguirA. O tempo transcorrerA at6 a prescrigao (se antes nao houver a sucumbdn- cia). Se algum magistrado se dispuser a apreci- ar a matdria, escapando a vala comum da sus- peiglo ou do impedimento, que tem acobertado os covardes ou os ineptos, dificilmente deixarA de dar ganho de causa aojornal. investimento? NAo esta havendo um des- leixo da opiniao pfiblica no acompanhamen- to dessas obras? Pode-se tender a uma aspira9ao nobre de uma forma perdulAria e irracional, como esta sendo feito no caso do suprimento de energia ao Oeste paraense. A demand per- manecejusta e necessiria, mas deve-se dis- tinguir seu atendimento em tese dos meios utilizados para realizA-la. Como todos es- tao cansados de saber, nem sempre os fins justificam os meios. Um primeiro ponto a critical 6 a im- previdencia orgamentAria. No caso do Parque da Residencia, o estouro foi de 100%, embora seja o de menor expres- sao em valores absolutos. De menos de R$ 2 milh6es que se imaginou gastar, che- gou-se a R$ 4 milh6es. E claro que isso deveu-se ao crescimento do projeto em rela9do As suas dimens6es originals, mas seria o caso de discutir esses acrdscimos e ajustes com a populag9o (alias, esse trip- tico urban by Chaves ignorou qualquer O problema 6 que veiculos da imprensa, como O Liberal, nao se imp6em procedimen- tos dticos, o principal dos quais sendo o de ou- vir a outra parte ao noticiar assunto controver- so. Ou, nao ouvindo o outro lado, acolher sua manifestagao quando ele recorre ao direito de resposta. Nao interessa o conte6do dessa res- posta: ela, em si, constitui um direito sagrado. Nao acolhe-la 6 crime na Franca desde 1991, independentemente da apreciagao de merito. Se, em 48 horas, umjornal ou uma emis- sora de radio e televisao deixasse de publi- car ou divulgar uma carta que comprovadamen- te Ihe foi enviada, deveria ser imediatamente multado em dinheiro, cor acrdscimo diArio e todas as sangoes do rito sumarissimo, at6 mes- mo o bloqueio de bens e a quebra do sigilo bancArio. Se o que foi dito na resposta 6 inji- ria, cal6nia, difamagao ou retorsao, a aprecia- 9ao judicial de mdrito 6 que definiria o delito, podendo tambdm sancionar a indenizaqao com- pensat6ria. Um cidadao, independentemete de seus md- ritos e qualificagces, nao ficaria exposto ao dano causado pelo noticidrio da imprensa, A espera de uma reparaqao, que costuma nao vir ou vir a pass de cAgado, quando do outro lado estA uma corporagao poderosa como o grupo Liberal, ao qual se curvam mesmo servidores piblicos dotados de todas as garantias, como os magistrados. Qualquerjornalista conscencioso e s6rio ad- mitird essa norma. Jamais verA nela uma ame- aqa A liberdade de imprensa, que todos sabe- mos dependent do respeito aos direitos civis. S6 os inescrupulosos preferem manter a situa- 9fo atual. Infelizmente para o jornalismo e a sociedade, ainda sao eles que ditam as normas, atemorizando os que deveriam provocar uma evoluqao, como o legislative e o judiciArio.@ apreciacgo externa, inclusive a da emu- decida prefeitura). O secretArio de cultural, mesmo nao ten- do responsabilidade direta sobre a engenha- ria, ao encargo da Secretaria de Obras (um Pilatos nesse credo, na verdade), devia usar sua experiencia a respeito. Afinal, foi Paulo Chaves com a ajuda solitaria deste journal - que combateu a impericia da Montemil na restauragao (restauro, segundo o jargao dos especialistas) do PalAcio Lauro Sodr6 (a mesma Montemil que agora surpreende ao liderar o cons6rcio international para a ban- da B cellular Mas aprovou-a no Parque da Residencia, certamente porque agora o che- fe 6 o rei, lui-mgme. Vou deixar minhas observag9es sobre a antiga residEncia dos governadores para ou- tra ocasiao, quando a tiver conhecido bem. Mas quero ressaltar que a solidao das mi- nhas critics, mais do que identificar um cri- tico ranheta, que s6 v8 o lado ruim das coi- sas, um espirito destruidor e maligno, revela a ablilica apatia da opiniao piblica. Paulo Chaves preparou um espetAculo pirot6cnico para suas inaugurag9es. Elas contem muitos pontos positives, que merecem elogios. Mas nao devem ser executadas sob a unanimida- de silent, que 6 burra, como alertava Nel- son Rodrigues. E imprevidente. Nao se pode aplicar tanto dinheiro em tAo poucas obras sem uma avaliagao do seu sig- nificado (e sem questioner se tanto dinheiro era assim necessario). Passamos a ter um museu sacro up-to-date em equipamentos e servigos da mesma maneira como jA temos tantos espagos fisicos culturais inanimados, sem organismos culturais vivos, ou restau- raq6es do passado contrastando com a mi- s6ria do present, As vezes num mesmo e exi- guo espago, como se verA quando o ecran se desfizer e a rotina cotidiana devolver as cha- gas do chamado largo da Sd, numa mard se- melhante A do Ver-o-Peso almirifico. Question a concep9ao dessas restau- rag6es, o maneirismo do estilo de Paulo Chaves Fernandes, maneirismo que adqui- re uma expressao mais ambigua e vulne- rAvel quando seus orcamentos estouram e ele invested tao pesadamente naquilo que 6 meio e nao fim e nem 6 meio just, como a exageradamente cara climatizaglo da EstaqAo das Docas e a profanadora clima- tizagao de Santo Alexandre (tudo pela ar- tificial frescura ambiente), fazendo da re- composiqao da arquitetura original do bar- roco tardio aderego para as quinquilharias tecnol6gicas que Paulo, por ser ele, sejul- ga autorizado a entronizar. Quando o silencio reverencial 6 o que se exige para o usufruto dessas maravilhas do engenho & arte do mecenas, ou 6 porque estamos muito ricos materialmente, ou 6 porque estamos muito pobres espiritualmen- te. Qual 6 o nosso caso, ilustrado leitor? * Diet de im 0 e ns JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 5 Interesse public * Ponto positive para a Secretaria de Transportes do Estado, que incluiu o valor e a data original do contrato no extrato do termo aditivo a esse contrato, assinado com a Construtora Leal J6nior (e publicado no Diario Oficial de 15 de setembro), informag6es geralmente ex- cluidas desses documents. Mas deixou de citar o objeto contratual, num adita- mento que acresceu um quarto (R$ 140 mil) ao valor inicial (R$ 565 mil) pouco depois de iniciada a obra. * Ficou quase ilegivel o demonstrati- vo de remuneracdo depessoal do Tribu- nal de Contas dos Municipios, publica- do no DO do dia 18. 0 tamanho da letra estd abaixo do padrdo minimo desejd- velpara que todos, inclusive os defici- entes visuais, possam ler documents oficiais. A direado do DO ndo deveria mais permitir a publicado com letras em tal corpo. Verifica-se, por esse demonstrative, que cada conselheiro do TCM estd ga- nhando, em mddia, mais de R$ 15 mil por mds. Como sdo seis os conselheiros, o custopara o erdrio d de quase R$ 100 mil mensais. A folha do tribunal, corn seus 408 funciondrios (incluindo 159 contratados sem vinculo administrati- vo), d de R$ 1,2 milhdo. A mddia salari- al e de R$ 3 mil. Jd o demonstrative do Tribunal de Contas do Estado, embora cor corpo de letra adequado, d confuso na apre- sentaqdo, subdividindo os quadros de tal maneira que exige atengdo e cuidado na leitura. Por que o TCE ndo toma como modelo a organizacdo de dados do TCM, este, por sua vez, tratando de copiar o tamanho das letras do seu irmao mais velho? Legibilidade, inteligibilidade, clareza e last but not least transpa- rdncia s6 ganhariam cor tal iniciativa. 0 TCE chegou em agosto cor 591 funciondrios em umafolha de R$ 2,1 milhoes, numa mddia um pouco inferi- or ao seu equivalent municipal (R$ 3,5 mil) e padrdo semelhante para a sua czipula. Quantas empresas tdm esse porte no Pard? * No dia 18 o DO publicou dois de- cretos do governador Almir Gabriel au- torizando Ana Val6ria de Almeida e Pau- lo Fernando Machado, ambos da Secre- taria da Fazenda, a viajarem para Wa- shington e 16 permanecerem entire 19 e 28 do mes passado, "a fim de participar da reuniao/semindrio sobre o tema 'Tec- nologia da InformAtica Aplicada A Ad- ministragao TributAria: Experiencia e Tendencias'". A cada um dos t6cnicos foram destinadas 10 didrias de 300 d6- lares (US$ 6 mil no total). No dia 21 os dois decretos foram re- publicados por alegada incorrecgo. To- dos os terms dos documents anterio- res foram repetidos, exceto a referencia As diarias. Ficou a duvida: as diarias fo- ram canceladas ou alteradas? Se as dia- rias nao haviam sido definidas no valor correto, por que nao aproveitar a corre- 9do para revelar o novo valor? Ou tudo permaneceu como estava, menos a dis- posiggo de prestar contas A opinido p6- blica, impedindo-a de saber quanto di- nheiro do erario os dois t6cnicos leva- ram consigo para os 10 dias na capital dos Estados Unidos Saber disso 6 tao important agora quanto cobrar, depois, os resultados des- se investimento na qualificagao dos dois profissionais. * 0 secretdrio de cultural, Paulo Cha- ves Fernandes, dispensou a licitagdo para a compra de um "lustre antigo ", de propriedade de sua amiga Ivone Melo Queiroz, por 30 mil reais. 0 valor da aquisigdo permit legalmente a dispen- sa do process licitat6rio. Mas qual a importdncia desse lustre? Onde ele serd instalado? Quem fez a avaliaio? E uma compra prioritdria? E moralmente de- fensdvel? Em casos como esse, serial re- comenddvel pelo menos apresentar a justificativa para o ato. * O DO do dia 22 publicou os extra- tos de dois terms aditivos a contratos assinados pela Secretaria de Obras Pi- blicas do Estado com a Construtora Hammad, prorrogando seus prazos (nao diz o objeto dos contratos, seus valores e a modalidade da contratagdo). A em- presa pertence ao candidate a suplente de senador na chapa do deputado Luiz Otivio Campos, da coligagdo Uniao pelo Pard? O sobrenome, pelo menos, 6 o mesmo. Mera coincid8ncia? Se nao, 6 precise saber se Hammad se afastou da empresa no prazo exigido pela le- gislagao eleitoral. 0 A m evenn Spielberg nfo e apenas um criador de efeitos especiais holl\%\oodianos. A ca- pital do cinema estA cheia desses artesaos ele- tr6nicos. mas o moto continue que conseguem arrancar do computador nao tem alma. nem mensagem. Spielberg esti mandando sua mensagem a milhOes de pessoas em todo a mundo arraTds de "O Resgate do soldado Ryan", ainda em exi- biqao nas telas de Beldm Como todo arista. Spielberg nao se contenia em reconstiruir uma hist6ria(a que conta nunca existiu como a apre- senta) ou compor um enredo qualquer: no seu mais recent filme, manda uma mensagem am- bigua, ou dubia. Os menos adestrados menralmenie (ou mnte- lectualmente, para nao ser causlicamenie anti- hollywoodiano) poderSo ser tocados pelo ape- lo patri6tico: os Estados Unidos sao um pals ensagem do artist tbo poderoso e essential que a rudo pode resis- lir e a rudo absorber Suas crenqas. opinlmes. normal e instituitoes funcionam como um mala-borrao, incorporando ao tecido medio national qualquer ripo de mancha que nele tor langada. Nesse ponto. Sipelberg contribul corn seu bom quinhao para uma osipolink que nos- sos irmfos do Norte nunca foram capazes de conceber ou executar. NMas ha uma outra mnensagem no filme Uim general. no alto do commando das forqas arma- das. recorre ao prelexto de urma missao bizar- ra que determine para inscre\er seu nome na hist6ria Spielberg chegou bem prCoimo da final ironia dos europeus (dos antepassados in- gleses, para ser mais especifico) quando. na sucessao %ertiginosa de quadros, justap0e A Image do general lendo embevecido carta de Abraham Lincoln a mae de um soldado morno na guerra de secessio sua propria carta ende- reqada a outro soldado morto. um sdculo de- pois. usando um trecho do texto de Lincoln como parafrase. Sipelberg quase parafraseou lambem aquele \elho duio da sabedoria. de que as guerras sao coisa seria demais para serem deixadas a cargo dos millares. Quando o general Marshall 1, em- be% ecido. sua pr6pria carta, esra com os olhos ru6ilos na hist6ria. antewendo o lugar destacado que nela irai ocupar Ignora os danos materials e humans que o seu capricho pro\ocou A guerra 6 feita por homes, que tambem podcm ser mesquinhos e insensatos, nao por deuses olimpicos 6 o que a ambigiidade de Spielberg quase diz KMas arte (lambim) d isso. Deixem os "Titanic" de lado. Vao ver"Ores- gate do soldado R)an". Descobrirao que iddias nao sao incomparlveis cor efeilos especiais. - - 6 JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 A Casa Branca de Clinton: uma casa da mae Joana Depois da pachorra de ver o testemu- nho do president Bill Clinton e ler a trans- criclo de suas declarag6es, a sensacgo que fica nAo 6 moral, mas fisica de enj6o, de repulsa. Clinton 6 um home jovem e de boa estampa. Comanda a nagao mais po- derosa do planet. E um super-homem de fato. Tem mundos e funds ao seu dispor. Como 6 que se envolve em aventuras com mulheres jecas, tao calculistas que a tal de Lewinsky guardou por um tempo sua rou- pa manchada de semen para usa-la como prova contra o president no future? A par- ceira escolhida reflete o client que a es- colheu. Clinton foi incapaz de seguir um prin- cipio elementary, respeitado por cidadaos Idguas abaixo dele na escala social, con- trolando seus instintos: nao se envolver com colegas de trabalho, nao usar o lugar de trabalho como sede de atos clandesti- nos, respeitando a si, aos outros e ao am- biente. Ele nao 6 s6 um porco, a condenagao moral que soa como farisaismo na boca dos seus juizes p6blicos. t um insensato, um mediocre, algu6m incapaz de fazer jus ao poder que lhe foi delegado. Se uma mu- lher calculista e inescrupulosa como Lewinsky (antes de ser estagidria ela pa- rece bem enquadrada na mais antiga pro- fissao conhecida pela humanidade) enga- na facilmente o lider n6mero um do mun- do globalizado, como nao serA sua inter- locugao com os batalhSes da alta adminis- traqAo americana e os outros lideres que com ele tnm contato? O aspect moral 6 o que menos impor- ta. Muitos, antes de Clinton, tiveram con- duta semelhante, semjamais se expor a um impeachment (embora, com a midia neu- roticamente no ar hoje nos Estados Uni- dos, os tempos sejam outros). Basta lem- brar, entire os presidents americanos mais recentes, Eisenhower e Kennedy. Mas es- tes conseguiram projetar um perfil no qual outros aspects, mais relevantes, se desta- caram, nao suas mazelas, idiossincrasias, fantasias ou bestialidades, como diriam os amigos lusitanos. O epis6dio com a estagiaria 6 como o dedo do gigante, a ponta do iceberg. Ates- ta a acao mortifera de uma gendtica politi- ca, que vem degenerando as c6lulas dos inquilinos do salao oval da Casa Branca, escolhidos cada vez mais como o pepino no supermercado, gragas as t6cnicas de manipulaqAo em nossa sociedade de mas- sas, apascentada por pastores eletr6nicos do bando do Big Brother. Minha geragao encarou Richard Nixon como o grande inimigo, sem nunca nos pre- ocuparmos cor quem ele levava para a cama. Tinha-se uma face do president, o dirty Dick, o politico sujo, cheio de truques, inescrupuloso, capaz de todos os golpes para vencer, o home que instalou uma quadrilha de "encanadores" na Casa Bran- ca. Mas havia moments em que viamos o estadista, abrindo a cortina de bambu chi- nesa, tentando o desarmamento, amplian- do as fronteiras e investindo contra sua par- ceira preferida at6 entao: a guerra fria. Depois do drama hamletiano de Lyndon Johnson, perguntando pelo future as ca- veiras de milhares de jovens americanos, entire goles voluptuosos de uisque, o 61ti- mo grande drama vivido por um presiden- te americano antes de Nixon (nao a cari- catura que de Nixon Oliver Stone mode- lou em celul6ide sobre o rosto de Anthony Hopkins), S6 tivemos farsa no picadeiro de Washington. O mais bem intencionado de todos, Jimmy Carter, fez de sua luta pelos direi- tos humans uma 6pera bufa, culminan- do com a desastrosa operaglo de resgate de prisioneiros americanos no Ira. Clin- ton parece encarnar o ponto nodal dessa escala de antoninos made in USA no rumo da decad6ncia do imp6rio. Um imprrio que impression por sua potencia internal de na9ao vital tanto quanto por sua inca- pacidade de compreender o mundo sob sua influencia. Incapacidade de proper a esse mundo algo capaz de anestesiar nosso desejo de ir 1A fora atrAs de ar depois do acesso direto a irrelevancia caipira do sr. Bill Clinton, sem saudades (mas com respeito) do iltimo im- p6rio autentico, o dos ingleses, que os ame- ricanos tao pragmaticamente tentam imitar. Agora ja sem sem sucesso, como se ve atra- v6s da fechadura arrombada do gabinete de Clinton na Casa Branca. 0 A prop6sito da nota "Si- lencio sepulcral" (Jornal Pessoal 194), a president da OAB/Pari, Maria Avelina Hesketh, enviou por carta os seguintes comentarios: "1 A OAB s6 tomou co- nhecimento do fato denunci- ado pelo ilustre jornalista atrav6s de seu Jornal, nao po- dendo, antes disso, manifes- tar-se sobre o tema. 2 A OAB 6 contraria a qualquer tipo de procedi- mento que desrespeite a or- demjuridica em vigor ou que vise retirar a autonomia e in- dependencia dos integrantes do Poder JudiciArio, embora defend o direito de ampla defesa dos envolvidos. 3 Como referido na no- ticia, o pr6prio TJE respei- tando essa visao teria de- sautorizado o procedimen- to de cancelamento da pu- blicagao de resenha, nao havendo, portanto, prejuizo aos interessados". 0 fato a que se refere a president da Ordem dos Ad- vogados e a interfergncia do president do Tribunal de Justiqa do Estado sobre o poder monocrdtico de um juiz singular titular de vara, ao suspender a publicaqao de sentenga por ele proferi- da e enviada regularmente 2a resenha. A suspensao se manteve por nove dias, ate que o colegiado dos desem- bargadores, reunido infor- malmente, decidiu ndo ceder as ameagas do grupo Libe- ral, atingidopela decisdo do juiz, mantendo o curso regu- lar da sentenqa, que mandou a empresa indenizar materi- almente um desembargador ofendido por matiria publi- cada nojornal 0 Liberal. Se concretamente o dano foi reparado antes de cau- sar uma lesao maior, em tese houve o desrespeito & ordemjuridica e a violagao da autonomia e da integri- dade de um magistrado, algo que a reparaco nao anula, como qualquerpena- lista reconhecerd. Aldm de salvaguardarpessoas e bens materials, presume-se que a OAB defended principios. E que quando um caso grave Ihe e indicado atravis de in- formacdo de terceiros, terd a disposicao de apurd-lo por conta prdpria, nao..se deixando imobilizar par meroformalismo. ; : Jb W. I I II. I I I 1~A~T~AT)WI~IPi~t~~iP1~L 'b 8L ~ JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO / 1998 7 Alice no pals da Fiepa, o lugar da "desindustria" A composigao da recem-empossa direto- ria da Federagao das Indfistrias do Pard re- flete o process de desindustrializagao que tem havido no Para nas iltimas d6cadas. O peso do setor secundario na formagao do produto interno 6 cada vez menor. As prin- cipais indfistrias sobreviventes, aquelas que se mantem em stores de exportag~o e de enclave, nao fazem parte ou nao participam das atividades da Fiepa. O maior exemplo 6 o grupo CVRD. Sem a Companhia Vale do Rio Doce em suas fileiras, a Fiepa tem re- presentatividade? O problema 6 real diante da redugRo e decadencia do setor industrial, mas foi agravado pela sucessao de administra96es mais preocupada com seus interesses pes- soais, corporativos ou politicos do que com a causa industrial. A Fiepa foi se fechan- do sobre si mesma, criando um mundo ar- tificial como cenArio da sua cfpula e abrin- do um fosso em relagao ao mundo real. En- tre seus diretores ha industrials aposenta- dos, executives e mesmo pessoas que com a indfistria tnm apenas a ligagao de uma carreira feita dentro da pr6pria Fiepa. Nun- ca produziram uma lImpada queimada, como diz um dito popular muito usado por tlio Gaspari. Feudos e quistos surgiram na estrutura inflada da Fiepa, sem qualquer crit6rio de racionalidade, eficAcia ou relevancia para medir sua utilidade e significado para a so- ciedade paraense como um todo e a cate- goria dos industrials em particular. At6 mesmo uma instituigao internal dinamica, como o Centro das Indfistrias (com 32 anos de vida comemorados na semana passada), foi anulada porque o president da Fiepa passou a ser, automaticamente, o presiden- te do CIP. Assim, um 6rgao criado para ser o ide6logo do pensamento da industria, em condicges de entestar-se com a mAquina pt- blica, tornou-se caudatario das dependen- cias de um setor de pires na mao, vergado pelos favors oficiais. O pior 6 que essa estrutura anacr6nica e disfuncional recebeu como arremate ser assumida por representantes do setor ma- deireiro associado ao capital estrangeiro identificado com a predagao dos recursos florestais, o malaio. Esse detalhe reforga diante do pfblico externo uma image de colonialismo e de "impropriedade" ecol6- gica (tomando de empr6stimo jargao de Clinton aplicado a sexologia), que com- promete ainda mais a credibilidade e a res- peitabilidade da Fiepa. Essa n6doa pode limitar-se A image, sem corresponder A essencia da instituigao e sem significar dem6rito para o president que assumiu agora o cargo, Danilo Remor, o prin- cipal empresArio local do setor madeireiro. Mas 6 um complicador significativo, que contribui para deteriorar ainda mais o con- ceito da Fiepa junto A opiniAo pfiblica. A entidade pode continuar optando por se enclausurar (ou "encausular") e ir le- vando na flauta, gragas as generosas con- tribui96es compuls6rias que a mantdm e lhe permitem ampliar sua exuberante base fisica. Mas todos ganhariam se levasse na devida conta as critics e parasse para dis- cutir o que elas dizem, abandonando a pre- sungosa e initil attitude de Maria Antonie- ta As v6speras da Revolu9go Francesa. Quem nao cuida da hist6ria real acaba ten- do a sua Bastilha. 0 Fim das esperangas A grande esperanca que os amigos ou ad- miradores de Almir Gabriel tinham quando ele assumiu o govemo do Estado, em 1995, era que ampliasse o horizonte dos projetos de de- senvolvimento do Estado. Alguns desses sim- patizantes ja havia sofrido alguma decepqlo acompanhando a gestao dele na prefeitura de Belem, marcada pela recuperagao de pragas, o pol8mico embelezamento do Ver-o-Peso e outras quinquilharias. Mas inegavelmente ele ajeitou a estrutura administrative da PMB e deixou o cargo sem as manchas que costumam colar na image dos ordenadores das despe- sas pfiblicas no Para. A visao de future do govemador Almir Ga- briel, contudo, revelou-se quase tAo curta e mf- ope quanto a de seus antecessores. De fato, ele imp6s, em geral, mais racionalidade A execu- cao de obras do que nos 12 anos anteriores de Jader Barbalho e Hdlio Gueiros, racionando as perdas e desperdicios. Mas, em essencia, o ParA continuou o mesmo, bitolado por um caminho que vem deslocando-o dos eixos mais dinaimi- cos do desenvolvimento, at6 mesmo regional, e rebaixando-o no ranking national (nao adianta a propaganda eleitoral do govemador classifi- ca-lo em quinto lugar: ele 6 o 18 pelo indice de Desenvolvimento Humano). O Estado nao apenas vem perdendo f5le- go: vai se distanciando cada vez mais do do- minio das principals frentes em atividade no seu interior, das quais tem resultado a crescen- te dissociagao dos indices quantitativos em relaao aos indicadores qualitativos, al6m de vesguices fatais, como esse entusiasmo corn o p61o de soja, fonte de degrada9Ao do solo e migraqao rural/urbana. Temos um Estado que registra expansAo fisica das atividades produ- tivas sem melhorar as condigSes de vida do seu povo, cheio de vazamentos e desvios. A combina ao de autoritarismo, vaidade e presungao de genialidade tem sido fatal para o discernimento do govemador: deixa-o s6, ex- poe-no As maquinag6es dos aulicos, fulmina sua capacidade de controlar os mais vorazes integrantes da maquina piblica e compromete sua compreensao dos fatos, confinando-o no varejo das iddias. Por estrat6gia e fraqueza, Almir Gabriel manteve-se A margem de uma das polemi- cas que mais repercutird sobre o Para nos pr6ximos anos: a privatizagao da Compa- nhia Vale do Rio Doce. Pagou caro por isso ao cobrar o principal dividend desse si- lencio obsequioso: os novos controladores rasgaram o protocolo de intenoes que ele havia solenemente assinado cor os respon- sAveis pela empresa estatal para que o in- vestimento de 1,5 bilhao de d61ares fosse realizado o mais rapidamente possivel no Estado (a exploragao das jazidas de cobre de Carajas). Em escala muito menor, outro exemplo des- sa mentalidade estreitamente domrstica acon- teceu em relaago A 6nica indfstria siderirgica de Bel6m, a modest Copala, vizinha do cam- pus da Universidade Federal do Para. O gover- nador mandou sustar a cobranga de uma conta de energia em aberto cor a Celpa (hoje, de 1,3 milhao de reais) para montar um acordo entire patrao e empregados, salvando a empresa de um e o emprego de outros, que exigiria uma solidariedade no control e gestao do neg6cio. Mas s6 20% das aq6es sairam das mlos do dono para as dos empregados (o que nada sig- nifica quando nao ha dividends a distribuir para compensar a falta de acesso As decisoes) e a gerencia nAo melhorou. Agora os arrema- tantes da Celpa estao cobrando a divida e ame- agando p6r abaixo o castelo de cartas monta- do pelo govemador. Tendo estimulado tanto a propaganda, ele parece acreditar no ilusionis- mo dos marqueteiros. Perdeu a marca do rea- lismo que fez atrair sobre ele, quando secretA- rio de sadde do Estado, as aten9oes dos que btiscavam uma lideranqa positive, capaz de renovar-lhes as esperangas. O tempo desfez ilusoes e fantasias. O governador consumiu, sem saldo positive, o capital de cr6dito que tinha em sua conta. 0 Front jornalistico Todos os que t8m conscien- cia dos males do monop61io e do oligop61io na economic ca- pitalista, principalmente quan- do exercidos sobre a informa- ~ao, torcem para que A Pro- vincia do Pard tenha sucesso no seu esforgo para ocupar um segundo lugar mais empare- lhado com O Liberal do que agora. Torcer, no entanto, nao significa silenciar sobre os problems e defeitos do pro- jeto iniciado recentemente por Gengis Freire de Souza para dividir o mercado de journal impresso, sem, no entanto, mudar seu atual perfil. A cardncia de substancia em A Provincia d a principal lacu- na do journal. O conteddo conti- nua a se distanciar da qualida- de industrial, milagrosamente arrancada dos equipamentos grdficos atuais enquanto nao chegam as novas mAquinas. O descuido pelo que dizem as mat6rias 6 acrescido da inobser- vancia pela relaqao entire espa- go redacional e de publicidade quando, excepcionalmente, os anfincios crescem, como acon- teceu na ediqao do dia 24. Ai, o slogan adotado sob o cabegalho ("Umjornal que nao toma o seu tempo") pode parecer autocriti- ca. Simplesmente passa-se ajato na leitura dojomal, sem a recom- pensa de parar em mat6rias nas quais vale a pena aplicar o tem- po como investimento. Jd o Didrio do Par6 mais uma vez encalacrou-se nos in- teresses eleitorais do seu propri- etArio, o senador Jader Barba- lho, desperdigando grande par- te do avaro capital de credibili- dade que vinha acumulando na busca da profissionalizagao. A parcialidade dojomal afasta das suas paginas os leitores mais exigentes, justamente os que podem apreciar melhor a diver- sidade de colunas e se9 es com- pradas de outrosjornais do Sul. 0 Di6rio volta a defender do sucesso do politico que o di- rige para obter, artificialmen- te, uma consolidag o que s6 a competencia no mercado ofe- rece como conquista perene. Deixa, assim, espago para A Provincia ser mais conseqifen- te e professional na busca de um segundo lugar que nao seja apenas para disfargar o domi- nio do grupo Liberal. Advertencia A policia, com o reforgo dqo judiciario e do Ministerio Pfibli- co, precisa reforgar urgentemen7 te o setor de combr~at organizado e aos assassinatos de encomenda. Os sensors maig bem dotados estAo registrando o crescimento da afludncia de pis- toleiros para o Pard e, especifi- camente, para Bel6m. E sinal de que os criminosos estao estimt- lados pela expectativa de impu- nidade ou conivencia, escolhen- do resolver seus problems A margem dos caminhos legais. Nao prevenir implicarA em re- mediagdo onerosa. Podemos ter, nos pr6ximos meses, uma violen- ta safra de crimes no Estado, com destaque para a capital. Anonimato Bern que o redator da Pri- meira Coluna, de A Provin- cia do Pard, podia dizer cla- ramente que se referia ao grupo Liberal quando denun- ciou que um veiculo de co- munica9ao da praga cobrara (30% do valor de cada in- gresso vendido) para divul- gar a Festa de San Gennaro, a ja traditional comemora- cdo que a colonia italiana re- aliza em Bel6m. Assim, teria que compro- var a informag9o e explicar a contradigio de uma ex- c6nsul honoraria nao conse- guir impor o mecenato a sua corporagao, plantada sobre origens italianas. 3aai s o uor-tc A Upasp (UniLo Paraense padrao de dignidade no servi- dos Servidores Publicos) pediu go piiblico. Barnab6s humildes que a Uniao governoro federal) caem nas garras de agiotas por- intervenha no Estado para for- que nao conseguem harmoni- gar o governor paraense a pa- zar o desembolso com as obri- gar-lhe d6bito de 600 mil re- gagoes, por mais que sejam ais, acrescido de corregco mo- econ6micos. 0 dinheiro costu- netiria. E dinheiro reivindica- ma acabar antes de consuma- do pela empresa najustiga, que da a primeira quinzena do mes. ja lhe deu ganho de causa. A O desespero os projeta na in- a9Co transitou em julgado, mas sensatez. a decisao nao foi cumprida. A administragao Almir Ga- Os cr6ditos da Upasp decor- briel fez interveno9es ciruirgi- rem de empr6stimos feitos a cas na folha de pessoal, mas servidores publicos estaduais. nao cicatrizou as feridas aber- Durante anos as operac6es fo- tas com o produto adequado: ram coonestadas pelas admi- uma carreira decent. A base nistrag6es estaduais, que san- foi achatada, massacrada. E o cionavam o desconto em folha saneamento da cfpula sangrou em beneficio das institui96es com a espliria contratagao de credenciadas.Acabou-se crian- assessores, al6m dos penduri- do um monstro, mal disfargan- calhos que conferem a uns pou- do a verdadeira agiotagem pra- cos mais igualdade do que a ticada, que gerou subprodutos quaisquer outros. num mercado soturno, de mil- O corpo funcional do Esta- tiplo aproveitamento (j denun- do continue inchado e mal es- ciados diversas vezes nestejor- truturado. Iniciativas como a da nal). O feiti9oag6ioa-,evira Upasp, a despeito do tom col6- contra o feitieir-o:. ,, rico do seu libelo, atestam a S6 hAumjaib de 6itar 'sja permanencia do mal, nao a ir- cadeia de prd4ao: iinpoi rupgao da cura. __ \.R'- // ------ < ^'~-~f-------~ -'-, = .., 'b Pessoat . "-a~' ~ if'diclo FI vio Pinto.. , Sei Rua Aris s Lobo, 871/66 053-046 Fon 223 929, 41L7626 e 241-7924 (fax). Contat BFT 2.Blamp constantt 845/203/66.053-040. Fon 23 760 pil: lucio@expert.com.br "&diaoTde-Ate: .uiz Pinto/241-1859 'I ,- .. 1 ____*I - Chute a larga O maior comicio da cam- panha pela presidEncia da Repiblica, o de Fernando Henrique Cardoso na baixa- da fluminense, reuniu 70 mil pessoas, segundo os aulicos do principle. O bi- candidato devia recorrer aos estrategistas eleitorais do Para em busca de know- how. Os propagandistas das duas mais ricas coligac9es, as de Almir Gabriel e Jader Barbalho, conseguiram atrair quase toda a popula- gao das cidades que percor- reram no interior dos Esta- do para os comicios de seus lideres. Alguns nfmeros de pla- t6ias fornecidos A impren- sa pelos comites eleitorais: 28 mil pessoas em Parago- minas, 20 mil em Altamira, 20 mil em OriximinA, 15 mil em Rondon do Para, 10 mil em Santa Maria do Pard, 6 mil em Irituia, 3,5 mil em AurorA do Para. Estas mentiras fluem em abundancia quando nao ha imprensa independent para checar os dados e co- locar nariz comprido nos Pin6quios da propaganda. Originalidade En6as acabou. O apopl6- tico candidate fixou seu ca- risma dando uso explosive ao seu mete6rico tempo na propaganda eleitoral gratui- ta. Era como o grito de sha- zam, transformando Billy Batson no Capitao Marvel. Agora, ao tonitruante "Meu nome 6 En6as", o candidate do Prona viu-se obrigado a acrescentar o nfmero 56, sem o qual seu carisma 6 fu!- minado pela kriptonita da urna eletr6nica. A essa adaptagoo desmora- lizadora, En6as deveria acres- centar outras duas: trocar a barba pelo bigodinho e trove- jar em alemao, a lingua com a qual melhor se expressam os fil6sofos e os ditadores (ou os fil6sofos-ditadores). |
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