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Os donatarios Journal Pes (Pas 7) ........ .., . L I C I 0 F L A V I 0 N luminismo ANO XII 195 2 QUINZENA DE SETEMBRO DE/ RSOO '-\ retardatario ELEJ.A f Nada de wvo A menos de tres semanas do 1 turno da eleigdo para governador, a perspective era de que o candidate corn mais recursos materials deveria vencer. Porque teve mais poder de manipulagdo, cor a mdquina official sob seu control. A decisdo para valerpodeficarpara o 2 turno, dependendo de umfato novo na reta de chegada. Para o Pard, entretanto, ndo import muito quem chegard em primeiro. uase 40 anos atrds, quando o marketing politico fez a sua estr6ia mundial, John Kennedy con- seguiu reverter o fa- voritismo do seu ad- versArio na dispute pela presid8ncia dos Estados Unidos, o experience Ri- chard Nixon, gragas ao seu desem- penho no debate que travaram, "ao vivo", pela television. Cuidados cor a aparEncia e um en- saio temAtico pr6vio foram fundamen- tais para a vit6ria de Kennedy no con- fronto. Mas as dicas dos marqueteiros tiveram que se ajustar ao cenArio do debate, funcionando como element adicional decisive, ji que Kennedy ganhou por uma diferenga minima de votos populares, abaixo de 1%. A assessoria de t6cnicos de marke- ting politico cresceu de importancia desde entdo, mas eleiqCo ndo 6 ape- nas uma relagdo mercadol6gi- ca, um process de com- pra e venda de imagem - e discurso. E o ele- mento decisive de afirmagao e confirma- 9lo da democracia. Por isso, mesmo sendo cada vez mais decisivos, os assessores sdo coadju- vantes, nao atores principals da hist6- ria. Vota-se em candidates, nao em bruxos de bastidores, com suas feiti- qarias 16gicas e tecnol6gicas. O debate 6 o item fundamental da campanha eleitoral, desde a democra- cia direta dos gregos at6 as formas re- presentativas modernas. Mesmo com toda a maquilagem providenciada 4 pelos If' conselheiros, com o arsenal de ferra- mentas que o conhecimento atual lhes proporciona, os candidates, em con- frontos realizados "ao vivo" pela te- levisao, estao o mais pr6ximo da rea- lidade que 6 possivel numa sociedade balizada pela cultural de massa. o sucedAneo da praga p6blica, que prevalecia nas origens da democra- v cia, quando 2 a clientele era incom- S; ,. 2 paravelmen- Ste menor, e o complement S necessirio aos comicios de rua, de reduzido po- 0 der de fogo para candidates desprovi- dos de funds de financi- amento compativeis com a amplitude do universe a alcangar. Apresenta problems, desde fisicos (como abranger tantos candidates? Todos eles tem direito a participar do debate?) at6 conceituais e legais (o de- bate deveria ser obrigat6rio?). Mas s6 se pode resolver esses problems en- frentando-os. PA" Es8 sA .A 2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1998 , Na eleicao deste ano, o debate nao apareceu nem como hip6tese de pro- posta. Nao foi pedido ou sugerido por nenhum dos personagens da trama: a imprensa, os candidates, a justica, o parlamento e, por in6rcia, a pr6pria opiniao ptblica. Parece ter havido um acerto ticito de que o melhor seria nio expor os candidates a um event que poderia romper os limits de um enre- do preestabelecido pelas assessorias, ameagando as imagens e comprome- tendo as estrat6gias, tao cuidadosa- mente montadas. O objetivo foi reduzir ao maximo as margens de risco e os fatores de surpresa, evitando aproximar perigo- samente o produto mercadologica- mente preparado de uma realidade mais complex do que a mensagem publicitaria pode center. A political perdeu o seu conteddo finalistico em beneficio do instrument de manipu- lagdo. Esse 6 um component perigoso na eleigao deste ano. Nao porque seja novo, mas porque amplia ainda mais o artificialismo do process. A mao do eleitor rumo A urna nunca foi tao conduzida como agora, exatamente porque ele foi bitolado por imagens falsas e mensagens artificiais. Seu grau de arbitrio foi reduzido extraordinari- amente pela sofisticaao do marketing politico e a omisslo dos meios de ar- bitragem (e auditagem) independen- tes. Af avulta o papel negative da im- prensa. Poucos 6rgaos da imprensa nacio- nal utilizaram seus vastos recursos para colocar ao alcance do leitor/elei- tor o volume de informaq6es que Ihes permitisse uma decisao ponderada, consciente. O vacuo 6 particularmen- te brutal no Pard. O maximo a que nossos jornais se tem permitido 6 pu- blicar a agenda dos candidates, trans- crever press-releases de suas campa- nhas, reproduzir sumariamente o que dizem no horario do TRE e infiltrar mat6rias tendenciosas em favor dos que apoiam. Nenhuma investigation pr6pria, nada de controversial. Quan- do muito, sdo justapostas, mas nio analisadas, as propostas dos virios candidates. Eles foram advertidos por seus as- sessores, com base nas pesquisas qua- litativas (mantidas em segredo), que o povo quer propostas. Simularam entao programs de governor, costu- rando metas fisicas com diretrizes de ag9o, numa frouxa e desconexa col- cha de retalhos. Quanto mais precisas e detalhadas sdo as metas, mais sur- preende o cinismo do seu autor. Ne- nhum dos candidates tem atris de si um trabalho pr6vio compativel com suas propostas. Esse vazio 6 ainda mais significati- vo no caso do governador Almir Ga- briel. O home forte da sua adminis- tracgo (informalmente tratado como o governador n6mero dois), foi o secre- tario de planejamento, Simdo Jatene, hoje coordenando a campanha (deve- r6 voltar A Seplan se Almir ganhar). Mas um padrdo minimamente s6rio de planejamento foi para espago ao lon- go do quatrienio gabrielesco. Tome-se apenas um exemplo, o mais relevant que existe. Ao long dos 61timos anos o economist Paulo Haddad, que foi ministry do planeja- mento da administracqo Itamar Fran- co, coordenou um esforco comum governo/Companhia Vale do Rio Doce para tentar repetir aqui a emprei- tada realizada em Minas Gerais e no Ceard, que dinamizou as duas econo- mias estaduais. Sem conseguir estabelecer uma in- terlocuq~o eficaz, Haddad acabou se afastando. Mas o governor finalmente apresentou, no semestre passado, sua minutea de proposta para definiq~o de ages de interesse comum entire o Governo do Estado do Para e a Com- panhia Vale do Rio Doce CVRD". E um r6stico document de cinco pagi- nas e meia (cor letras bem grandes), duas delas contextualizando a econo- mia paraense. Como projeto de con- clusio de curso universitario, 6 acei- tavel. Como document pr6-operaci- onal entire um governor e uma grande corporaqCo, 6 risivel, desmoralizante. Da a nitida sensaqgo de que, como muitos TCCs na universidade, foi pre- parado nas coxas, tomando de em- pr6stimo at6 material de journal (sem citar a fonte, claro). Os tais programs que os marque- teiros prepararam para os candidates tem a mesma aparencia. Elaborados as pressas, apesar dos ndmeros pteci- sos que manejam, alcangaram uma facanha: a equipe do governador criou o primeiro program de governor ex- clusivamente eletr6nico, que saiu da mente dos idealizadores diretamente para as telas dos computadores e da televisao. Ou seja: o primeiro progra- ma bi6nico da political paraense (o oraamento participativo do PT 6 qua- se s6 detalhe e varejo, mas ao menos tem calor humano. Nao se privilege os bi-marquetei- ros pelo feito. O program do gover- nador 6 tao crivel quanto o que a equi- pe do senador Jader Barbalho prepa- rou em suas reunites, mandando im- primir em papel o resultado. Nao exa- tamente, nesse caso, por faltar conhe- cimento t6cnico aos pais da crianqa, mas por incompatibilidade entire o can- didato e o planejamento para valer. Jader personalize as suas aq6es e cen- traliza tudo, como um autocrata caris- matico e populista. Nlfio deve serpor mera coincidencia que seupri- meiro secretdrio de pla- nejamento foi o mesmo Simdo Jatene do plane- jamento tucano de hoje (e que acompanhou Jader na febre mercantil implantada no minist6rio en- carregado de fazer a reform agraria). Pessoas, pianos, programs, proje- tos e ret6rica migram de um candida- to para outro, de um tempo para ou- tro, cor pouca ou nenhuma adapta- gao. Ajustes sao feitos mais para ade- quar a linguagem As modas ou As situ- ag6es, mas nao para inovar, para per- mitir ao Estado tomar as r6deas da sua hist6ria, ser capaz de se antecipar aos fatos consumados, que consumam sua situaqgo esquizofranica (ser ou nao ser rico, tirar ou nao tirar proveito dessa riqueza) porque os elements decis6- rias, os instruments que realmente contam, nao estao ao seu alcance (nao poderiam estar?). Outro exemplo ilustrativo 6 dado pelo program da macrodrenagem das baixadas de Bel6m. Desde que, quase 20 anos atras, o entao ministry do in- terior, Mario Andreazza, veio lanqar aqui o Promorar, tenta-se vencer as duas barreiras estruturais para a me- lhoria da condi9go de vida em Bel6m: a existencia de suas areas alagaveis e, vivendo nelas, uma populaqao pobre se espraiando para a mis6ria absolute. JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE SETEMBRO / 19983 O program da macrodrenagem, tal como foi aprovado em Washington pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), 6 um nada des- prezivel esforco para sanear uma ci- dade localizada num pantano sem transformar esse saneamento numa causa de exclusao ainda maior dos beneficios da urbanizaqao dos seus habitantes menos favorecidos. O m6- rito desse enquadramento inovador 6 tripartite: da comunidade afetada, que p6de se manifestar como nunca an- tes (mesmo tendo que forqar resisten- cias), da administraqao piblica e do banco international. O candidate Jader Barbalho pode- ria tirar partido dessa partilha meri- t6ria, mas nao o fez. Falha de cam- panha ou receio de tocar em outro ponto da questao: a incapacidade que manifestou de iniciar a execucao do projeto? Qual foi a causa real dessa hesitaqao? Quando o governador Almir Gabri- el assumiu, garantiu-se que as obras estavam superfaturadas. O orqamen- to da obra seria reduzido. O prazo en- curtaria. Houve troca imediata de con- sultoria (saiu a Rede Engenharia, en- trou a Leme), com a indenizagqo de- vida (um milhao de reais adicionais). Mas o custo final do projeto cresceu, o cronograma foi estendido e respon- sabilizaq6es nao apareceram. Nem cobrou-se explicac6es. Nao seria melhor, entao, tocar com cuidado em temas pol8micos para nao transfor- mar feridas nao cicatrizadas em san- gria desatada? A eleigao de dois anos atris em Bel6m ensinou que o eleitorado quer um limited para as agressbes pessoais, para a tal da baixaria (que, mesmo lentamente, acaba sempre aparecen- do). Mas isso nao significa dissociar as pessoas da political que praticam, fazer da arena political um convento para novigos. Um dos maiores trunfos prelimina- res a campanha da equipe de Jader Barbalho foi conseguir o veto judici- al ao uso da image do senador e do seu agora aliado, H61io Gueiros, pe- los adversarios. Como reagiria o elei- tor vendo Gueiros desancar seu at6 pouco tempo inimigo, tratado at6 como demonfaco? Nada sobraria para Almir Gabriel, porque o desgaste se limitaria aos dois companheiros de chapa, cuja reconciliagdo era consi- derada impossivel at6 pelos que nao poem em divida a possibilidade de boi voar na political parae'nse. Mas como tamb6m reagiria o elei- torado ao verificar que a image de austeridade e honestidade do gover- nador poderia ser arranhada por pa- rentes, aderentes e auxiliares? Que a conjuga9ao de competancia e hones- tidade, marca da aprovaqdo dada pela opiniao puiblica a administragao Ga- briel, ter tantas exceq9es? Ou que a harmonia entire o governador e o pre- sidente nao passa de hist6ria para boi dormir, tantas vezes posta abaixo em epis6dios como o massacre de Eldo- rado de Carajis, lei Kandir, privati- za~ao da CVRD, suspensao do pro- jeto Salobo? A cautela maliciosa dos principals contendores, protegidos pela omissio da imprensa (ou contan- do corn sua conivencia), eliminou a suposta "ter- ceira via" do senador Ademir Andrade. Ele jamais conseguiu ser uma opqo real. Primeiro porque, efetivamente, nao 6. E tamb6m porque nao sobrou espaqo para se infiltrar entire os gi- gantes da manipulaqao. A dispute esti sendo travada exatamente entire os que disp6em dos melhores recur- sos para esse fim. Nao ha mais dd- vida, menos de tr8s semanas antes da eleiqgo, que o mais bem dotado 6 o governador. A falta de carisma, empatia e de- senvoltura popular de Almir Gabri- el nao 6 grave pela ausencia de de- bate ou de um confront mais ace- so, que atearia fogo nos temas in- c6modos (mas sem qualquer segu- ro contra um inc8ndio generaliza- do, que favoreceria os oposicionis- tas). Cor a maquina official usada com intensidade nunca antes regis- trada (o que nao 6 surpresa, com a primeira reeleiqgo) e diante da in- ferioridade do seu mais pr6ximo contender (tanto em arguments manipulaveis quanto em dinheiro), o governador devera ser o mais vo- tado no primeiro turno. No dia 15, data do fechamento desta ediqgo, antes da divulgagao da iltima pesquisa do grupo Liberal, a hip6tese em questao comeqava a dei- xar de ser quem vencera no 1 tur- no, mas se o governador definira a eleiq~o ja a 4 de outubro. Essa hip6- tese ainda era considerada improvi- vel, inclusive porque uma nova va- riivel entraria no jogo eleitoral nes- ta semana: a ascensao de Jader Bar- balho a presid8ncia national do PMDB. Esse pode vir a ser um fator capaz de interferir a favor ou contra a can- didatura do senador, conforme for usado na campanha dele e do candi- dato do PSDB. Reforgado na alianga federal. Jader pode aumentar seu po- der de pressao sobre produtores de voto no interior, trazendo-os de volta ao seu redil e sobre provedores de funds financeiros. Nlas o cargo da polftica national poderia ser interpre- tado como sinal de que ele teria reto- mado os seus projetos originals. man- tendo-se em Brasilia ao inves de vol- tar ao Para. JA ningu6m tem dti' ida de que ele s6 confirmou sua candi- datura ao governor estadual quando a presid8ncia do PMDB escapou de suas mdos, cinco meses atras. De li para ca, a conjuntura political mudou como as nuvens no c6u. Este 6 um dado que pode alterar as projeg6es feitas no moment. Tal- vez nao seja suficiente para elimi- nar o favoritismo que o governador passou a ter, gragas ao mecanismo da reeleigao sem desincompatibili- zagdo. Mas jogaria a decisao para o 2 turno, quando Jader tirard muito mais vantage do que Almir da mi- gragao dos votos do PT e de Ademir Andrade, superando a vantage de votos do governador no 1 turno, se ela n2o for grande, e sua exuberan- cia de meios materials (fala-se numa reserve de dinheiro mantida pelo senador peemedebista para esse moment decisive). Qualquer que venha a ser o novo governador, entretanto, o eleitor nao tenha divida, mesmo se nao tiver certeza: nada hA de verdadeiramen- te novo no horizonte do imenso e desprotegido Estado do Pard. Que continuara atras (ou A espera) do bom lfder. 0 4 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1998 Belem dos mecenas, despotas (muitos) esclarecidos (poucos) Muitos paraenses costumam achar que a mais va- liosa das suas igrejas 6 a Basilica de Nazar6. Cons- truida em homenagem a padroeira da terra, quando havia sobras de capital para gastar, 6 rica, luxuosa e imponente. Mas ter pouco valor enquanto testeriu- nho de 6poca ou de estilo. Combinando tantos estilos, num maneirismo fora de 6poca, essa igreja tem sua important funcao utilitdria para os moradores da cidade, mas nao 6 capaz de atrair visitantes de fora, nem de representar um marco da capital dos paraenses. Corresponderia ao que os paulistas tentaram fazer em Sdo Paulo, com sua S6 neog6tica (com retardo de seis s6culos), que- rida pelos fi6is, mas rejeitadaspor estetas, como MariodeAndrade. Os cagadores dej6ias arquitet6nicas verdadeiras - e n~o bijuterias bem produzidas podem escolher entire as igrejas de Landi (a minha preferida 6 a do Carmo) ou uma autentica raridade, de incontestivel valor universal incontestavel: a igreja de Santo Ale- xandre, exemplar de um barrocojesuitico missiond- rio que se v bastante na Am6rica espanhola, mas nio no Brasil. Olhando meio de lado a Catedral da S6, a igreja de quase 300 anos emociona mesmo aqueles que estlo acostumados a passar desatentamente em frente a ela. Poucos paraenses, entretanto, a conhecem por dentro. Para vdrias gerac6es, ela tem sido um temple fechado, hi algumas d6cadas padecendo estoicamente cor obras que pareciam inspiradas em Santa Engri- cia e nao exatamente no compromisso hist6rico e cul- tural da cidade. Quando lance meu livro sobre o projeto Jari, em 1984, algumas pessoas (da elite local) confessaram que estavam entrando pela primeira vez em Santo Ale- xandre para participar do langamento do livro. Esco- lhi aquele local, convencendo domAlberto Ramos a abrir a igreja, exatamente para tentar sensibilizar os paraenses para sua p6rola abandonada e ignorada. As obras avangavam, entao, a passes de cigado, se os distintos leitores nio me permitem deslocar o acen- to na palavra para melhor expressar a situaqao dos trabalhos naquele moment. Quando a noite de aut6grafos terminou, nao tive a plena sensagao do dever cumprido. Nao senti, des- de entao, que a opiniao pdblica tivesse aumentado sua atenqgo e carinho por aquele estupendo conjunto arquitet6nico, que resistia a dilapidalao praticada na praga frei Caetano Branddo. Como acreditar em evoluqo diante do estado em que "modemizacfes" e demoliq6es deixaram o restante dos pr6dios, in- clusive e sobretudo o Forte do Castelo? O sitio inaugural de Bel6m sempre funcionou mais como um atestado da inciria dos moradores da cidade, desli- gados de sua hist6ria, condenados a farsas e garatu- jes por amnesia e carencia de avaliaqao critical. Mas agora, finalmente, as coisas estao mudando - 6 o que anunciam os responsiveis pela reinauguramao de SantoAlexandre e dos demais components do pro- jeto Feliz Lusitinia, marcada para o dia 28. De fato, ao contrdrio de goveros anteriores, que passaram entire si bastbes de promessas, a atual administradao reali- zou uma obra concrete. Muitos irio aplaudi-la. Em pri- meiro lugar, porque de fato existe. Em segundo, por- que se tomard um program a mais nesta cidade ane- mica de altemativas. Em terceiro, porque ter~ atraqes de impressionar, como os objetos de arte sacra, ilumi- nados cor fibra 6tica importada. Mas a igrejateri fi- cado um pouco mais pr6xima do carter espetaculoso da basilica e bem mais distant de si pr6pria, meio rdstica (e bastante original) e dnica. Pessoas que tiveram o privil6gio (e tamb6m atris- teza) de transitar desde a mais tenra idade por Santo Alexandre e o contfguo col6gio dos jesuitas, trans- formado em sede do bispado quando Pombal expul- sou a ordem daqui, na metade do s6culo 18, prova- velmente sofrerio um impact negative quando con- templarem o conjunto ap6s obras de mais de cinco milh6es de reals (o orqamento final ainda nao foi di- vulgado). A igreja j nao 6 mais exatamente umaigreja. Ser- vird de espaqo c8nico, dizem os formu- ladores do novo projeto. Como cat6li- co e como pessoa atraida pela originali- dade de cada 6poca, por sua especifici- dade, e pelo compromisso cor a moti- va~io de cada obrahumana, gostaria que Santo Alexandre continuasse sendo um temple religioso (sem me deixar imo- -0 bilizar pelo preciosismo de algumas mentes estratificadas, nem me deixar le- var pela sussurrante discussao intra corporis da Igreja, que precisa ecoar para se iluminar). Acessori- amente, quando fosse o caso, poderia ter outro uso, compativel cor suas caracteristicas. Pode parecer purismo e 6, realmente, mas da- quele tipo de purismo essencial, nao simplesmente formalista. SantoAlexandre tem uma alma, se pode- mos estender a aplicagdo dessa expressed a objetos supostamente inanimados, como um pr6dio. Tern hist6ria. A igreja foi construida de acordo com uma multiplicidade de intencqes e inspiraqbes, combi- nando espago e luz, criando perspective, estabelecen- do uma ligacao cor a natureza em volta e os homes pr6ximos (inclusive, numa attitude bem jesuitica, cor os indios, expostos a escravizacqo e ao massa- cre do colonizador). Por que a igreja tem que ser "climatizada"? Por que, para permitir a refrigeracao artificial, fecha-se suas arcadas superiores com vidro fume? Nao sao isolantes t6rmicos eficazes aquelas grossas paredes de pedra, mesmo para o exigente home deste final de s6culo? Ainda que nao fossem, essa "adaptaaio" nao represent uma agressao ao temple, agressao que se estende ao pr6dio vizinho, contaminado por bos- sas modemas que extrapolam sua fungao acess6ria de element de conforto e comodidade? Chega-se a essencia da critica. O que essa parte da Feliz LusitAnia sofreu nao foi uma restauragao, mas uma reconstituiao maneirista. 0 maneirismo talvez tenha sido, de todos os estilos, aquele que mais expressou o ego de seu realizador. O trabalho realizado em Santo Alexandre (como no Parque da Resid6ncia, outra das inauguracges festival neste de- cisivo m6s eleitoral) reflete o ego latifundigrio de Paulo Chaves Fernandes e seu maneirismo mal posto ao objeto em causa. Paulo Chaves esta perfeitamente enquadrado en- tre as pessoas inteligentes, sensiveis e criativas, al6m de um agradavel papo. Quando recebe encomenda de uma empresa ou de uma pessoa fisica, consegue di- rigir o desejo do client para uma obra que esse cli- ente nao seria capaz de conceber (e muito menos re- alizar), elevando-o e satisfazendo-o. E, portanto, um bom professional quando o trabalho requer uma re- lacao pessoal e privada entire o projeto e sua execu- 9ao. E quando mais a arquitetura se aproxima da de- coraq5o (e, de certa forma, se reduz a ela) que Paulo Chaves mostra ser um mestre. Mas quando se trata de realizar para um p6blico mais amplo e para a sociedade como um todo, o des- mesurado ego de Paulo Chaves Fernandes 6 um es- torvo, quase uma barreira intrans- ponivel, deixando a mostra suas limitaCBes criativas. Vendo a si pr6prio antes de tudo (ou quase como tudo), o que v6 6, quase sem- pre, reflexo de si. A paisagem hu- mana e a intrincada tessitura soci- al sao abstraf9es para esse tipo de artist. Mesmo quando ele tenta buscar a funq~o social do que esta realizando, o resultado desse esforgo 6 o maneiris- mo, nao um produto historicamente e socialmente determinado, cor expressed pr6pria, mas uma ex- tensao de Paulo Chaves. E o que define a "restaura- gao" de Santo Alexandre. Paulo Chaves bem que tenta, mas o saldo de sua obra 6 negative. Ele concebeu um palacio de meia- sola como sede do Tribunal de Contas do Estado, talvez imaginando-o nas Tulherias. O que sobrou foi um pr6dio funcionalmente mininalista, labirintico, no qual 6 impossivel trabalhar quando falta energia para os aparelhos de ar condicionado (h 6poca ainda nao se usava o termo "climatiza5io", surgido depois, talvez produto da afluenciados fabricantes e dos que intermediam seu uso). A cascata 16 fora, descendo pelos vidros, 6 uma ironiade mau gosto, queji virou mesmo piada cabocla. Ah, se Paulo tivesse o g6nio de Gaudi! O pr6dio do Idesp, um pouco adiante, na mesma avenida Nazar6, obedece a essa mesma conceplao, atestando identica incompatibilidade. Mas 6 no con- junto do Ver-o-Peso criado na administraqao de Al- mir Gabriel na prefeitura de Bel6m, que essa visao miopemente elitista 6 mais evidence. O que restou do Solar da Beira, do Mascate, da Ladeira do Castelo, da Feira do Aqaf? Cada um dos pr6dios restaurados apresentava tragos de bom gos- to e maestria, mas era precise inventar usuarios para eles naquele local. Se o povo nao corresponde a ima- gem que dele Paulo Chaves projeta, a partir do seu espelho de Narciso, pior para o povo. Castigo para a o y JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE SETEMBRO / 19985 natureza, por nao ter concebido milhares de Paulo Chaves para que essas maravilhas arquitet6nicas pu- dessem ser adequadamente usufruidas. Em boa parte a culpa nao 6 dele, claro. A paupe- rizagao crescente embrutece Bel6m, trazendo con- sigo sua ampla decadencia. Mesmo que a mis6ria seja avassaladora, por6m, o governante, no topo da elite, fiel a fungo pedag6gica do lider, nao deve se submeter a ela. Tem que projetar para o future e para um padrdo de qualidade melhor. S6 nao pode esque- cer que, sendo o dinheiro do povo, a obra precisa servir a coletividade. 0 Ver-o-Peso dos d6spotas esclarecidos comandados pelo m6dico Almir Ga- briel nada tinha a ver corn a paisagem social em volta. Por isso sucumbiu. Nem os iluministas (varios deles de fancaria ou Hora H Graqas A venda da Celpa, o governor fechou seu balancete de julho acumu- lando nos sete meses 1,7 bilhAo de reais de recena para RS 1,2 bilhao de despesa. Sob a rubrica de "alicnajho de bens", cntraram em julho nos cofres pdblicos R$ 368 milh6es, dinheiro livre para in- vestir As v6speras de elei9ao. Simbolica- mente, conforme a aplicaqio que tiver sido dada a esses recursos a partir de en- tij. eles podem vir a ser conhecidos comu trinia dinheiros. PS- 12 Na sofreguiddo do fechamento da edi- qao anterior, nao houve nem tempo para reg iirar que. na primeira quinzena de se- tembro. esLC journal completou 11 anos de \ ida. Entramos num estigio ao qual raras publica~gis alhernati asda imprensa bra- silcira li\eram acesso. comeqando o 12 ano e nos aproximando da 200a edi9do, ap6s duas intcrrupO'cs. Hi o que come- morar, caro leitor? O tilimo quadro com o demonstrative resu- mido da receira e despesa orqamentiria do Es- tado. reference a julho, saiu no Dinrlo Oficial do inicio deste m.s. Como jA existe o Siafem (Sistema Integrado de Administraq5o Financei- ra para os Estados e Municipios), inteiramente informatizado, talvez esse balancete mensal das conmas publicas de responsabilidade da Se- cretaria da Fazenda possa vir a sair corn me- nor atraso do que o actual. Mas nio e essa a principal quesrio. lMesmo para as pessoas afeitas 6 Inguagem contibil, a andlise do demonstration 6 dificultada por sua apresentaqgo grifica. Os titulos de receila e des- pesa aparecem na tabela sem qualquer distin- qio. enfileirados linearmente. Nem mesmo hd negritos ou itilicos para separar os elements da demonstraCao, obrigando quem quiser ava- de orelha de livro) se empenharam na indispensivel reform social. 0 povo continuou a admirar os pal- cios de Paulo Chaves como naquela velha parAbola: sem sentir-se dentro, sem identificar-se corn a obra. E ela ficou abandonada a pr6pria sorte, corroendo por dentro, tornando ocioso tanto bom gosto, e oneran- do o erdrio. Qual a raiz desse desajuste? Como raramente so- mos originals e poucas vezes avangamos de fato no process hist6rico, talvez esteja no excess de des- potismo e na escassez de racionalidade iluminista. Talvez porque esses projetos, que da hist6ria apenas emprestam a denominacao, sejam nada mais do que projetos pessoais, personalistas, egocentricos. Corn sua obsessao pela originalidade e o inedi- tismo, Paulo Chaves quer inscrever o seu nome na hist6ria do Pard. E um prop6sito nobre, que deve- mos respeitar e admirar. As obris exuberantes que espalhou pela cidade j Ihe garantem esse lugar. Ele sera para Bel6m o que os Barberini foram para Roma. Corn sua alegria, que sobreviveu a tudo, inclusive a democracia-crist, de hoje, responsivel pelas mais graves desfigurag6es da cidade, os romanos garan- tem que nem os birbaros conseguiram tanto. Quem percorre a cidade etema apenas com olhar de turista (alguns declaradamente apressados), ficar extasia- do corn os palicios dos Barberini. Porque nada sabe- r de suas hist6rias, do que havia antes e do que pas- sou a haver depois deles e de seus sucessores. Entre os mais distantes talvez esteja, em Santa Maria de Bel6m do Grio Pard, o muy simpdtico e valeroso Paulo Chaves Femandes. 0 Hoje, amanh A Simonsen Associados cometeu um erro brutal na anilise que fez sobre os Es- tados brasileiro, para o iltimo ndmero da revista Amanhj. que esi nas bancas. Auri- buiu do Para e\portag;es de 8.2 bilhOes de dolares. quase quairo w ezes o \alor real, colocando o nosso Estado em segundo lu- gar no ranking national Assim, o Para es- taria exportando quase metade do seu PIB a cada ano (44,3% na falsa conta exata da re% ista, quando ess, proporgqo d de apro- ximadamecne 15cc. Nlesmo assim.jad, pro- porcionalmente, o segundo maior Estado exportador brasileiro. abaixo apenas do Espirito Santo (em lermos absolutos. esti em selimo lugar'i. Fiel ao nome. a rcvista de econorraa. edl- tada em Sio Paulo, antecipou. sem querer. como fhcari o Pari nos prdximos anos. uma base de lancamento de rquezas para o ex- terior ic de cmpobrecimento interno), se o modelo economic que ihe foi impoito a partir da capatazia de Brasilia ndo for alte- rado. Mas. por enquanto, 6 ainda ameaga. Boa idea Vicente Salles, com uma paci8ncia franciscana e uma aplicag~o beneditina, mandou para 20 privilegiados amigos mais uma "MicroEdicao do Autor" (que, embora datada de 1995, s6 agora recebi}. Trata-se das Lambadas de Cachaga (A fala papa-xibd dos amantes da cachaga), uma esp6cie de dicionario da igua ardente dos nossos antepassados. com errbetes bem informados e muito bom humor. Entre uma e outra. ale a pena ler. E o capitulo regional, ampliado e enriquecido, do Diciondrio Folcldrico da Cachafa. que MNrio Souto Maior organizou hd 25 anos. com contribuioqes do pr6prio Vicene. Interesse piblico O Diario Oficial do dia .oito publicou o quarto adi- tvo de um contrato entire j Cosanpa e a Engeplan. Houve aumento de quanti- tativo (no declarado)e va- lor (453 mil reals). Nao po- deria o Tribunal de Conas do Estado, em cases como esse, exigir que seja indi- cada a destnmaqgo do con- tralo, seu valor original, data da assinatura e as ale- raq6es feitas no aditamen- to? Meio milhbo a mais de recursos oficiais nio 6 ra- zio suficiente para mais in- formaq6es? liar o desempenho do governor a refazer o qua- dro para decompo-lo. Quem manda o document para o DO nao estd cumprnndo o compromisso anunciado pelo go- verno jai ha baslante tempo, 6 certo, de tornar cristalinas as contas plblicas. Duvido que um burocrata official aprovasse essas contas se elas fossem de responsabilidade de uma pessoa fisica ou juridica de direito privado. Teria lodo o direi- to de exigir que elas viessem mais didaticamente apresentadas. Recursos visuals tambim seriam cobrados. Du ido mais ainda que um minimo de respeito ao cidadio, o dono do dinheiro usado pelo governor, seja compativel cor a forma de .apresentar esse document ao piblico. Se nao dd para melhorar o trabalho, dd ao menos para cancelar a propaganda da "transparencia"? Clareza tucana 6 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE SETEMBRO / 1998 UFPA: ser a segunda maior pode serpouco mais que nada Com 20 mil alunos, a Universidade Fede- ral do Para 6 a segunda maior do pais. Fica atris apenas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas essa grandeza tem.uma di- mensdo estreitamente quantitativa. Qualitati- vamente, a UFPA 6 um trago no panorama do ensino superior brasileiro. Nossa universidade aparece apenas em uma das 41 areas de ensino em que foram dividi- dos os estabelecimentos academicos classifi- cados no XVII Ranking da revista Playboy, que estA nas bancas: conquistou o 8" lugar entire os cursos de graduacqo em geologia. Outra posigao de destaque de um curso supe- rior do Pard foi o 10 lugar em que a Faculdade de Ciencias Agrdrias (FCAP) ficou na drea de engenharia florestal. E foi s6. Ndo vou dar-me ao trabalho de comparar a posiqlo atual paraense com os ranqueamen- tos anteriores de Playboy. Sem essa preocupa- qao com a precisao, acho que ji estivemos melhor no passado. O curso de graduagao em geologia chegou a ocupar um dos primeiros lugares. Foi rebaixado. Ja a p6s-graduaqdo em geoci8ncias, que foi refer8ncia international, nem aparece mais entire os cinco melhores cur- sos apontados pela revista. Isto, apesar de sermos o segundo maior Estado minerador do Brasil. E a UnB que tem, hoje, os melhores cursos nessa area, em- bora a relaqio do Distrito Federal com pedras esteja mais para a simbologia do c6lebre po- ema de Carlos Drummond de Andrade, sobre os pedregulhos que surgem no meio do ca- minho, do que propriamente com a explora- 9ao do subsolo. A FCAP, estabelecimento isolado e especi- alizado, cor jurisdig9o (ou, pelo menos, di- reito a prefer&ncia) sobre a maior fronteira de recursos naturais do planet, obteve raquitico 10" lugar em engenharia florestal, mesmo ten- do ao seu alcance a maior floresta tropical do mundo. Sendo tambdm da Amaz6nia (ainda que em suas bordas), mas nao sendo especi- alizada, a Universidade Federal de Mato Gros- so ficou tres posiq6es A frente. O panorama 6 mediocre. E claro que nao sao pequenas nem poucas as pedras que obs- truem o caminho da qualidade para uma insti- tuiqao de ensino superior enquistada na Ama- z6nia. Mas quando os promotores do projeto tiveram interesse pessoal envolvido na em- preitada, conseguiram apoio externo para fa- zer crescer uma area como a de geologia e geoci8ncias. A Amaz6nia pode ser um bom abre-te-s6samo. Basta que o grito nao seja dado apenas pelo bando de Ali Babd, como tern sido, quase sempre. Nio 6 mais aceitdvel que a UFPA esteja completamente marginalizada de excel8ncia em Areas (seguindo a ordem da revista) como engenharia de alimentos, engenharia metaldr- gica, engenharia quimica, geologia, agrono- mia, engenharia florestal, medicine veterini- ria, zootecnia, biologia, nutriqao, arquitetura/ urbanismo e geografia. t o minimo para que nossa universidade usufrua de vantage competitive (ou mesmo comparative), tirando proveito da sua localiza- 9do geogrifica sob este aspect privilegia- da. Investindo nessas dreas, contaria cor um toque concretamente amaz6nico, distinguin- do-se das demais e assumindo o desafio da ino- vaqao, ao inv6s de marcar pass nessa pobre grandeza quantitativa, escorada em corporati- vismo, fisiologismo e prAticas politiqueiras (al6m de um burocratismo bem remunerado). Conquistar tal posicqo 6 tarefa de m6dio e long prazo, se for iniciada ji. Como dificil- mente a UFPA conseguird cumprir essas me- tas, vencendo a barreira das universidades li- deres (ainda mais porque os raros lobistas de origem local limitam-se a defender projetos pessoais), tem que pelo menos liderar uma es- trat6gia bem mais ampla. Em primeiro lugar, atraindo as outras unida- des estabelecidas na regiao para um empreen- dimento comum, buscando associar suas com- plementaridades, atrav6s de um planejamento regional, mesmo A margem do MEC (para isso deve servir a autonomia). A UFPA pode e deve ser lider em algumas areas, mas deve aceitar e estimular outras lideranqas regionais. Em segundo lugar, combinando seus pla- nos com os de instituiqBes de pesquisa, como o "Goeldi" e o Inpa, intercambiando ao inv6s de se fechar numa ficticia auto-suficiencia. Em terceiro lugar, atraindo os govemos locais para convenios. Se faltam recursos federal e nao existem fontes internacionais, deve-se mos- trar a um governor estadual e a uma prefeitura de capital que investor em programs comuns com a universidade pode resultar em vanta- gens surpreendentes. Se o campus da Universidade Federal do Pard tirar pleno proveito de sua micro e macro localizagqo (A beira do GuamA, no melhor sftio universitario do pais, e na porta dajungle ama- z6nica), o municipio de Bel6m obterA muito mais vantage desse potential de turismo in- teligente do que com a tal da Estagao das Do- cas do governor estadual. Por que nao agregar forgas, financiando bolsas de iniciaqo cienti- fica e funds de pesquisa? Com isso, al6m de atrair um tipo especial de turista, qualificarA a inteligEncia local para en- tender e transformar o universe que estA ao seu alcance. E para isso que vale o conhecimento e o saber, nao apenas para garantir um emprego pdblico q uma aposentadoria certa. Sem exce- 18ncia, a universidade 6, parafraseando Drum- mond, apenas um doloroso retrato na parede, ou um indtil diploma na moldura. 0 A ln u e incu l-ta e bea ai n O professor Pasquale Cipro veio iazer palestra em Beldm no final do mes passado e se surpreendeu corn o nosso "rutear". o mais pr6ximo da matriz lusirana que ainda pode-se encontrar no Brasil. Acostumado I balbdrdia no emprego das pessoas gramaticais em outras plagas brasi- leiras (de que slo exemplo singula- res a conjugaqio de pe trocado dos gadchos e a assimetria dos cariocas), o professor saudou a harmonica dos belenenses quando usam o verbo na segunda pessoa do singular. Na \erdade, 6 maravilhoso que ainda exista essa correq o. Ela ja foi muto mais categ6nca no passado. Hoje, a concordancia claudica cada vez mais. Nao chegamos ao "u vis- se" dos gatichos, mas avolumam-se os "tu viu" dos cariocas, sepultando uma das fortunes do nosso lingua- jar: o'"tu viste" exalo. Como sempre, buscando inspi- raqco nas letras de mdsica para com- paraq6es demonstrativas, Pasquale mostrou como o poeta Ruy Barata escreveu certo para o filho, o com- positor Paulo Andrd (s6 que, na cita- vco, o professor trocou o primeiro verso de "foi assim" por "beira de mar"), mas a cantora Fafj de Belmm. jA long da terrnha do Edwaldo Martins, sapecou um "s" no "foste", acarocando-o ao passar da segun- da do singular para a segunda pes- soa do plural. AtC algum tempo atras, admitfa- mos derrola grammatical apenas para os maranhenses, mais rigorosos nas regras, e invejavamos tlo-somente a entonaqao dos cariocas (talvez por extensro da mitologia da"cidade ma- ravilhosa", a capital federal at6 JK). Belm era a mais lusitana das cidades tropicais, da arquitetura fala. Se entLo o preqo a pagar por essa lusofilia era engolir o salazarismo, hoje. que Salazarse foi e a ditadura 6 coisa do passado, deveriamos estar em condig~es de tirar proveito desse patrim6mo inico. Mas ele est roto Nio nos cansamos de destruir o que resia desse acervo e, em matnria de linguagem, a cada dia que passa a TV Globo se encarrega de colocar mais uma paidecal na homogeneiza- qAo por baixo. Se um marinheiro de primeira viagem a Belem como o professor Pasquale se encanta ao descobrir nosso "lutear", aos mais viajados essa observagao soacomo um do- bre de finados pelo ParS que fo mos, sem permitir ante'er o Parj que poderemos ser de no o algurm dia O rei morreu. Mas nao ha rei para saudar. JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE SETEMBRO / 19987 A praga do povo (e os padrinhos da praga) O sitio que abriga (ainda abriga?) a praa Kennedy 6 um dos dep6sitos de caveira de boi lon de Bel6m. Nada deu certo por muito tempo ali nen e, em tendencia crescente, na area em volta. Foi tes justamente nessa drea que se cometeu um dos che] crimes contra a cidade: o igarap6 do Reduto, em hoje reaberto no format conventional dos ca- pod nais de aguas pluviais e esgoto, foi aterrado, a vell mando de Magalhaes Barata, d6spota nada es- tico clarecido em mat6ria de urbanismo (e em mui- lauc tos outros temas). O que era uma bela paisa- gem, agora restrita aos postais, transformou-se der em terra de ningu6m. nao Depois do congress eucaristico national, na de metade da d6cada de 50, os belenenses usaram o Clin espaqo como arena para lutas. A famosa Maloca pr6i tambdm encontrou ali abrigo. A "urbanizagqo" revi da Area na forma de praaa, com penduricalhos lent virios, nao lhe deu destinaqgo mais nobre. Con- Her tinuou servindo de estacionamento e locus sa- qao zonal para promoq6es de gosto duvidoso, al6m algu de iniciativas de suspeita legalidade. de r Esse rosdrio de infelicidades esti ganhando t mais uma conta: a troca de nome da praqa para da c maestro Waldemar Henrique, corn uma maqui- to d lagem caracteristica da atual administraqao (ou- at tro exemplo 6 a Praca do Operdrio). Nao vou um; entrar nem nos detalhes legais ji apresentados mur em torno da operaclo, tornando-a suscetivel de siml questionamento judicial sem o cumprimento to a das formalidades exigiveis no caso. Os advo- ou gados que se encarreguem dessa esgrima. I Mesmo que a iniciativa tenha amparo, ela rein- os q cide num velho, desgastado e repudiado ato dos tern] poderosos de ocasiao: mudar a denominaqgo das sou, vias e logradouros piblicos que ja tem nome. Leo Esse descaso pelo clamor piblico, invariavelmente che\ contrdrio A "feliz iddia" de que os potentados M6d costumam ser acometidos, se alimenta de uma be*< constataqao cinica: cor o tempo, qualquer mu- sa n danqa acaba sendo absorvida, por mais que seja dem de mau gosto e il6gica. Basta que surja uma osp nova geraqco formada sob o novo status quo. xa d Mais uma Hd alguns anos circula uma tese nos mejos academicos: o primeiro contato do colonizador europeu com o continenle brasileiro ocorreu na costa do Pard. em 1498. Duarte Pacheco antece- deu de dois anos corn sua expedicio a de Pedro Al areas Cabral (da qual tambem partcipou to- mada oficialmente como rcferencia para o des- cobrimento do Brail e para as comemoraqoes dos 5)00 anos. no ano 2000 Jd hi alguns liiros desenmolkendo esse argu- menro, o mais celebre dos quais 6 o de Jorge Certas transiqBes, entretanto, costumam ser Neste gas, al6m de desnecessdrias. Muitos bele- tunidade ses pensam primeiro em Sao Jeronimo an- turistico) de falar na avenida governador Jos6 Mal- arquivos r. 0 mesmo acontece com a Independ8ncia press q relacqo A Magalhaes Barata. O rebatizado seus pr6p e tamb6m ter efeitos desastrosos, como no tade taml 1o centro commercial, que tinha nomes po6- z6nica, li s e foi enquadrado na toponfmia official, Em L lat6ria e azeda. bre a Bel ) populismo do alcaide petista deveria ce- 1dm do e ao elementary bom senso. John E Kennedy quando c foi um tirano. Sua presidencia, com lances tes intere enrubescer um concorrente caipira como (sem imt iton em matdria de seduqdo e attitudess im- cos fisic prias", tem sido submetida a uma intense pouca cc sao hist6rica, que Ihe afixou critics vio- (antiga P as, como as de Noam Chomsky e Seymour sibilidad sch. Mas nem a mais contundente avalia- ral da no classificard o president Kenendy como A are. dm destituido de qualidades merecedoras que ser re espeito e, at6, de admiraqao. se diz ag Ademais, seu nome numa praca maltratada de ver o idade de Bel6m do Pard registra o momen- nio 6, a r Le alta popularidade de que ele desfrutou mos a in morrer, em 1963, tendo sido um idolo para Ele j 6 n SgeragAo que pretendia descomprimir o cer em ui ido. Kennedy, nesse aspect, de imagem e sa manei: bologia, 6 tdo important como contrapon- cia, para um mundo carrancudo quanto os Beatles Maltr rwiggy. 6 monop .s revises hist6ricas sao perigosas quando mar Hen: ue as promovem nao respeitam a nogqo de sala que po. Sempre sao tentados a retocar o que pas- jetos pes: como fez Josef Stalin quando expurgou or de toi n Trotsky da iconografia da revoluqao bol- Pard. Fez vique (al6m de ter mandado um estafeta ao acontece xico para abrir literalmente a inc6moda ca- foi lentar i do fundador do ex6rcito vermelho). A nos- pre acont laneira, fizemos o mesmo ao aceitarmos a da cult ioliao de preciosos registros de dpoca, como n o ve radios do Grande Hotel, da Palmeira, da cai- sua estr 'Agua e, mais recentemente, da Booth Line. brilhar. Couto, A Consiruado do Brasil. Mas, A falia de Inlciaivas oficiais, ambrnm jd parecern surgir algumas investidas bem oporlunistas. Se nem o governor e nem a sociedade paraense conseguem sair da letargia, espiritos aventureiros podem se apossar do emrna. Sujento a coniroversias. ele de- %eria ser-ir de suporte para deslocarmos ali nos o foco das atenq6es do descobrimento. que se des% lam para daqui a dois anos e para o litoral baiano Seri que ainda da para fazer alguma coisa sd- na ati terminar o anode 1998' Ou precisaremos esperar mals um siculo' iltimo caso, perdemos a rara opor- de entrarmos no roteiro hist6rico (e do imp6rio britanico. GuardiAes de londrinos ficam agradavelmente sur- uando sao levados a descobrir, em rios pap6is, que o sol de sua majes- b6m brilhou najungle tropical ama- igar que nao 6 referido nos manuais. ondres, hA muitas informaqoes so- 6m do apogeu da borracha e a Be- sforqo da segunda guerra mundial, )s ingleses aqui estabeleceram for- sses. Podiamos faze-los voltar aqui )erialismos, 6 claro) para ver mar- os dessa presence, mas agora resta )isa, como a atual sede da Enasa ort of Pard). Jogamos fora uma pos- e a mais de encorpar o perfil cultu- ssa raquitica capital. a em torno da praqa Kennedy ter desenhada (ou "revitalizada", como ora), integrada a uma nova maneira Reduto, mas a substituicqo do nome igor, a homenagern que todos deve- iportancia de Waldemar Henrique. ome de um teatro e pode vir a apare- n logradouro piblico, mas nao des- ra, imaginada atd cor deselegnn- ndo dizer impericia pela PMB. atrar quem se quer homenagear nao 61io municipal no caso de Walde- rique. O Estado continue a dever a deveria substituir o museu corn ob- soais e material de arquivo do mai- dos os compositores nascidos no -se alvoroqo meses atras, mas, como u cor Magalhaes Barata, a questao hente esvaziada. E assim que sem- ece quando os assumidos padrinhos ira em a v l ela Toil ln aoo bi5 lgl aa pc elioal ovrao Ali abilnono A aquma osnme num Sr s de S a Quem leu a manchete de primeira pigina da iltima edicao dominical de O Liberal (e, como muitos leitores costumam fazer, ficou s6 no titulo e na chamada da mat6ria) deve ter ficado satisfeito. Talvez inconsciente- mente, associou essa satisfaqao A imagem do governador Almir Gabriel, que busca a reeleigqo declarando que o Pard evoluiu e que precisa de um segundo mandate para continuar estimulando a melhoria do Estado, que sem ele regrediria. Se a comunicaqao entire os dois raciocinios ocor- reu, o objetivo subliminar do journal foi alcanqado. Mas nao a verdade. Estampava a manchete da ediqIo do dia 13 do jomal dos Maiorana: "Onu aponta: paraense estA vivendo mais e melhor hoje". Dizia a cha- mada abaixo do titulo: "Relat6rio do Programa das Naq~es Unidas para o Desenvolvimento revela que o indice de Desenvolvimento Humano (IDH) cresceu 63,1% e tornou a vida melhor, no Para, nos fltimos 26 anos. Enquanto a expectativa de vida era de 54 anos, em 1970, hoje 6 de 67 anos a mesma da m6dia brasileira -, fazendo do Pari o 13 em longevidade. A rendaper capital do paraense, hoje, 6 de US$ 4,268, a 18a do Pais, enquanto a m6dia brasileira 6 de US$ 6.491,00. Mas apenas 30% das crianqas freqilentam a escola". Haveri mesmo motivo para satisfaqao e comemoraqao? De fato, a expectativa de vida do paraense em 1996 (refernncia mais recent da pesquisa do PNUD) era maior do que um quarto de s6culo antes. Mas, relativamente, o paraense vivia menos do que os brasileiros melhor situ- ados na escala desse indice. Pois se em 1970 o Pard era o 10" em longe- vidade, em 1996 caira para o 13" lugar. Ou seja, a melhoria das condiqces de vida se tornaram melhores mais intensamente nos Estados lideres da Federagqo do que no Pard. Essa, alias, 6 a principal conclusao a tirar da atualizaio feita pelo PNUD em relaqao ao levantamento do ano anterior. Entre 1997 e 1998 o Brasil evoluiu da 68' para a 62' colocagqo entire as 174 naqpes avaliadas conforme o IDH (que combine expectativa de vida, indice de escolarida- de e renda per capital subindo um degrau na escala da qualidade de vida. Ou seja: no conjunto intemacional, o Brasil cresceu mais do que o Pard na unidade national. Esse descompasso significa que o desenvolvi- mento foi melhor em outros Estados do que no Pard. Melhoramos em terms absolutos, mas nao proporcionalmente, muito pelo contririo. Ainda que os paraenses vivam mais, eles nao vivem melhor no tempo adicional de vida que conquistaram. De 13" em longevidade, o Pard despenca para 18 em renda per capital (a renda gerada no Estado dividi- da por sua populagdo). A sua frente encontram-se todos os Estados da Ar m iaRo *a (7), Roraima (10"), Acre, Amazonas eAmapa. o 6.ue o 0 nao tenha crescido: entire 1990 e 1997 registrou o 6" mswcrescitri' o ul-is. de novo, de Rond6nia, Acre, Roraima e Ama- pi c irt n\ddi il annual (5,77) superior a do crescimento demogrifi- co ,q, islF erescimento econ6mico real. O PIB (Produto Interno Brt)d do Parad~ US$ 18 bilhies, 6 o 11" do pais, quase corresponden- doi-su a dimetis demogrifica (6 o 9 em populaqao). A Simonsen ApsciadQosclassiS ou o Para em 14" lugar, combinando os indicadores de ,iezat infreStrutura. rPjai--niJo 'a mais dinamica das novas fronteiras nacionais, que se deslocaramai~ltro daAmaz6nia, mas ainda assim os investimentos fede- rais, muito superiores aos estaduais, criaram uma certa infra-estrutura, principalmente de energia e transport, que Ihe permitiu crescer econo- micamente acima da m6dia national. Mas, como foi mostrado na mat6ria de capa do ntmero anterior (ver Journal Pessoal 194), essa renda esti demasiadamente concentrada, 6 sugada para fora e, quando reinvestida, 6 mal aplicada. Com um cres- cente PIB que nao 6 redistribuido, a renda per capital paraense nao chega a 70% da m6dia national. O quadro social 6 ultrajante. Um dos indicadores mais dolorosos esti na pr6pria reportagem de O Liberal: apenas 30% das criancas vao A aula. Outros indices, na ediq~o do JP da quinzena passada. O pior, para a tdo exaustivamente trabalhada image do govera- dor Almir Gabriel: o IDH de 1996 (de 0,703, numa escala de 0 a 1) foi menor do que o de 1995 (0,709), quando o terrivel Anhanga (Jader) ji havia sido substituido pelo querubinico Caruana (Almir). O teto da renda per capital tamb6m foi atingido em 1995 (US$ 4.281), caindo em 1996 (US$ 4.268). Deduzir desse confront que Jader Barbalho administra melhor do que Almir Gabriel 6 o mesmo que concluir da maliciosa manchete de O Liberal que o Pari esta melhor porque o nosso tucano-m6r 6 o governa- dor (e por isso tern direito a reprise). Ambos se equivalem no que ao caso interessa: sao caudatArios da intervengao federal, que se faz incisivamente no Pard para gerar renda de exportacao, num modelo de enclave que nto permit aos paraenses ter acesso a renda obtida com a exploraao de suas riquezas. Vivemos prostrados, ou de c6coras. S6 nao v8em isso os piores cegos, aqueles que nao querem ver, ou que nao conseguem ver porque veem pela 6tica viciada de um veiculo mercantil como O Liberal. Nosso museum Poucas pessoas atenderam A convocaqio: faltou n6mero para abracar o parque zoobotinico do Museu Paraense Emilio Goeldi, que fez aniversirio no dia 13. Nove anos atrds o comparecimen- to foi muito maior e o ato teve maiores conseqii8ncias. Como console para os integrantes do Movimento Pr6-Conservagio do "Goeldi" ficou a esperanga de que a ameaga sobre o parque 6 menos grave do que antes. Agora o entorno esta prote- gido de espig6es, que bloque- iam a ac~o dos ventos e do sol. O trifego de veiculos pesados, que podia ser restabelecido, foi novamente suspense. Mas esta bem claro que os muros em tor- no daquela quadra nio sdo sufi- cientes para assegurar a pereni- dade do que resta de floresta native na area central da cidade. Que ela ainda esteja de pd 6 qua- se um milagre. Mas nao serd por simples prorroga qo miraculo- sa que se perpetuard para as pr6- ximas gerag6es. O museu em si 6 uma anoma- lia na estrutura do 6rgao respon- savel pela sua manuteng~o, o CNPq. Embora sob gestdo fede- ral, boa parte do acervo da insti- tui9~o pertence ao Estado, que a cedeu atravds de comodato, qua- se 45- anos atrds. Ja o parque 6 quase um estorvo para dirigentes que s6 gostariam de tratar de pes- quisa. Visitado por meio milhdo de pessoas a cada ano, por6m, ele 6 important exatamente por essa dimensao pdblica, que precisa ser dinamizada e ampliada. No pr6ximo aniversario, talvez fosse convenient abrir a estratd- gia em duas. Continuar buscando o apoio popular, mas tamb6m montar uma estrutura de suporte permanent. Os animadores do movimento poderiam comegar a subscriqao entire pessoas amigas da instituicao e dispostas a pagar uma mensalidade (com diferen- tes valores) pararealizar o que nao vird do governor. S6 assim o mu- seu poderi se tornar realmente nosso, como desejamos, e s6lido, conforme for profundo o nosso compromisso cor ele. Jornal Pessoal Editor: Lacio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871/66 053-040 Fones: 223-1929, 241-7626 e 241-7924 (fax). Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040. Fone: 223-7690 e-mail: lucio@expert.com.br Edig o de Arte: Luiz Pinto/241-1859 |
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