Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00142

Full Text



Veja: Como
Vender a alma
omrna Pesso edera
L U C O F L A V O PI N Ii
/^y 4 nte a
ANOXI N- 193 2 QUINZENADEAGOSTODE1998 R$2,00 / COncr incia
rPAG. 6)
ELEIAO SE.


A moral dos i is
0 enviado especial de um grande journal carioca vem ao ampanha
eleitoral e volta convencido de que a political e apenas uma moeda de troca no
Estado. Seus lideres ndo tem program, apenas interesses e conveniencias. Mudam
de posigdo conforme suas estratigias de poder, sem qualquer embaraco. Em 1982
Jader Barbalho foi uma esperanga de renovagdo. Em 1994, foi Almir Gabriel. Todas
as esperancas se frustraram. E ofuturo. hadfuturo?


Jornal do Brasil reser-
vou quase uma pdgina e
meia da sua edigio domi-
nical do dia 9 para mat6ria
do seu enviado especial,
C6sar Felicio, sobre a
campanha eleitoral no Pari. O titulo da
reportagem ("Ningu6m 6 de ningu6m no
Para") sugere, em linguagem chula, uma
definiggo nada dignificante para o que
tern sido a dispute pelo poder no Estado
nos iltimos 16 anos. Fazer political em
terra paraense (mas ndo s6 nela, 6 cla-
ro) seria quase sin6nimo de prostituir-se,
numa relagao promiscua, com troca de
posi9oes e de parceiros, a ponto de virar
cor perdio da palavra, mas, autoriza-
do pela ousadia do JB, dizendo as coisas
sem subterffigio um bacanal.
g DA nojo concluir da sucessao de pac-
i


tos e trai9oes relatados pelo reporter do
journal carioca que nossos lideres sao pes-
soas sem principios e sem convicg6es,
obcecados pela busca do poder a qual-
quer prego (as vezes, prego pago para
cumprir um program que o candidate
tinha na cabega antes de se eleger, mas
que se desfez e acabou sumindo duran-
te o exercicio do poder, exatamente para
mant6-lo poderoso). Essa hist6ria nao
chega a ser novidade para o paraense,
mas, reconstituida a partir de um obser-
vador de fora, sem qualquer cerim6nia
no trato cor os autores desse enredo
indecoroso, choca e revolta porque vi-
rou cinismo e porque revela total des-
respeito pela opinido piblica local.
Sem pejo, o governador Almir Ga-
briel admite para ojornalista: "Traba-
lhamos at6 o final em cima de trds hi-


p6teses: ttoos [Almir, Jader Barba-
lho e Helio Gueiros] juntos, eu e um
dos dois ou eu sem nenhum dos dois".
Enquanto raciocinio abstrato, nada a
opor: os politicos agem como se esti-
vessem em guerra, incorporando a t6c-
nica de examiner todas as situagbes,
inclusive as imaginrias, que os milita-
res desenvolveram como estrat6gia de
campanha de estado-maior.
No entanto, uma coisa 6 considerar,
em tese, todas as variag6es possiveis em
torno de uma dispute para nao ser sur-
preendido por hip6teses nao considera-
das e, por impreviddncia, perder. Outra
6 suprimir as valorag9es de cada hip6te-
se, ignorando quem 6 aliado e quem 6
adversario, quem pode ser identificado
com determinado program e quem de
maneira alguma pode fazer parte dele, )


JJJJ""Y..- -.JA!.:ir*
'-. 4 ic Y





2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE AGOSTO / 1998


)por nega-lo na ess6ncia e no pressupos-
to, por principio. E essa a raiz da promis-
cuidade political no Para.
Enquanto dizia para o enviado do JB
a Bel6m que tentou, at6 a und6cima hora,
fechar um acordo com Jader e H6lio, o
governador declarava em Maraba, em
entrevista a doisjornalistas locals (Jolo
Salame e Milton Faria), que o balango
do seu antecessor era "extremamente
negative" e que "desonrava o ParB".
Relatou danos que, somados, represen-
tariam nada menos que 2,1 bilh6es de
reais de 6nus ao erario deixado pelo go-
vernador anterior, al6m de um passive
que abocanhava dois tergos do orgamento
de 1995, com o qual foi obrigado a tra-
balhar em seu primeiro ano de mandate,
pagando mais de R$ 100 milh6es de di-
vidas exigiveis em 120 dias.
Almir fez questao de esclarecer que
o prejuizo "nao foi apenas na 6poca do
Carlos Santos", porque em nove meses
nao seria possivel "esburacar quatro mil
quil8metros de estradas, destruir 660 es-
colas em todo o Estado, destruir 300 mil
carteiras". Assim, transferir a culpa para
os cabalisticos nove meses da interini-
dade do vice de Jader 6 sofismar e des-
viar o tiro do alvo certo.
Mas o culpado nao 6 apenas o segun-
do governor Barbalho (1991/95), acusa o
governador: "Durante dez anos teve gen-
te que fez pose em cima de patrol, em
cima de trator, foi filmado, fotografado e
nao fez nada", uma indireta que cai como
luva sobre a biografia de Gueiros.
O Para estagnou porque ficou preso
ao "projeto de uma pessoa, projeto de
uma familiar, de duas families". Mas ago-
ra o Estado tern um verdadeiro projeto,
coletivo, que traz renovag9o, por acaso
liderado pelo author da revelagco, que, com
toda a razao, indaga: "Por que temos que
ficar sempre na condi9ao de ficar preso
a familiar A ou B?"
A resposta 6 simples de dar. E preci-
so substituir esses governor corruptos
e incompetentes ("6 bom honestidade,
mas 6 fundamental compet6ncia") por
administra96es s6rias e honradas. "Se-
riedade, honradez que a gente traz de
casa", diz o governador, sentindo-se
obrigado a complementary, cor didatis-
mo: "A gente traz essa ligao de nossos
pais; 6 essa a ligco, que quando eu cha-
mo de nossos pais, 6 meu e de minha
equipe", diz em sua sintaxe pr6pria, tal-
vez sugerindo que a purgagao decorre-
ria da proximidade do chefe.
Ora, se os governadores que se suce-
deram nos 10 anos anteriores a Almir
(Jader, Hl6io e Carlos Santos) eram cor-
ruptos e incompetentes, nao propriamente
por terem se tornado corruptos nesse pe-
riodo, mas at6 por origem (quando nada,
uma gritante injustiga em relagao ao hon-
rado pastor Ant6nio Teixeira Gueiros, que


nao pode ser imputado pelo que nao afi-
na com seu modo de ser, mesmo sendo
um produto filial), por que o honrado e
competent Almir Gabriel s6 desistiu da
alianga com os mesmos Jader e HWlio
quando os dois rejeitaram as propostas
- ou seria mais correto falar em alicia-
mento do governador?
Se os dois tivessem aceitado, Almir
estaria dizendo o que diz agora, ou ter-
se-ia calado at6 o moment em que a
traigao poderia ser consumada sem o ris-
co de provocar uma confrontagdo dire-
ta, aberta e leal, declarada e assumida,
como a categ6rica bipolaridade definida
pelo governador exigiria que fosse?
Nao, nada disso, tao anti-tucana e
anti-social-democrata (A brasileira) 6 a
clareza e a firmeza, ainda que, para in-
terlocutores de gabinete (se possivel re-
frigerado), o governador busque sofre-
gamente eliminar a image auto-colan-
te de frouxura. E que nossos tucanos sao
feitos de um barro diferente daquele corn
o qual foram modelados os outros po-
bres mortais, corruptos ou honestos, in-
competentes ou competentes, mas nao
social-democratas gerados A sombra da
casa-grande em floor.


por isso que o nos-

so purpureo gover-

nador vai atrds de

politicos em relaqdo aos

quais ter conceitos tdo

depreciativos, ndo sejul-

gando em falta ou con-

tradiqdo nessa attitude.
Enquanto o comum dos mortais tem a
marca do pecado original, derivado de
Adao e Eva na mitologiajudaico-crista,
Almir Gabriel, livre dessa peia (embora
agora se apresente atado a ela diante do
chamado puiblico externo), ter a absol-
vigao primAria, preexistente.
O governador nao esta insinuando sua
condigao semi-divina (ao menos enquanto
ela nao puder derivar da presungao prin-
cipesca emanada do Planalto). Mas pa-
rece penetrado por uma forga moral que,
como o Omo, dA brilho As maiores sujei-
ras. Tanto que agora ele aparece no
mesmo out-door ao lado de Luiz Otavio
Campos, o polemico ex-secretArio de
Transporte de Gueiros e candidate da
Unido pelo Pard ao senado, ter como
lider no legislative Mario Couto e conta
corn o apoio do filho de Josiel Martins,
Z6 Neto, alguns dos politicos que, antes,
ele dizia que jamais entrariam em seu


gabinete (um outro, Ronaldo Passarinho,
atacado violentamente pelos tucanos na
campanha de 1994, foi indicado pelo go-
vernador para ser conselheiro do Tribu-
nal de Contas dos Municipios, nao sem
que antes o supremo mandatario do Es-
tado, como fez de pronto corn o coronel
Pantoja no sangrento epis6dio de Eldo-
rado de CarajAs, escondesse a mao,
transferindo in limine a responsabilida-
de sobre as baixarias da campanha para
os marqueteiros, said a francesa logo
endossada pelo "outro lado").
Por isso, nao ha desfa9atez quando,
na entrevista dada em Maraba, Almir diz
em relagao aos aliados pecadores: "Que
a lideranga A ou lideranga B possa estar
conosco, tudo bem, nao contamina. N6s
temos imunidade total, somos totalmen-
te vacinados".
Todos os lazaros da political paraense
(e nao sao poucos) cabem na nau tuca-
na, sem o risco de contaminagao, por-
que Almir Gabriel e seus amigos (aque-
les que aprenderam com pais ilibados e
nao esqueceram a ligao) controlam as
finangas, guardam o dinheiro puiblico
como anjos escolhidos a dedo pelojuiz
supremo (e, justamente por isso, de ori-
gem insondavel, metafisica, teol6gica,
"imperquirivel", como quiserem).
"Entao, eu estendo os bragos, sim,
para PFL, PMDB, mas com a chave do
cofre na minha mao. Essa 6 uma condi-
9ao essential e nao abro mao disso",
declara o novo Mois6s (reconhecida-
mente um mao-fechada), atravessando
o Mar Vermelho dos maus costumes
atrav6s, talvez, do Elevado do Entron-
camento, feliz criagao do arquiteto Al-
cyr Meira (oficializada sem licitagao
piblica, claro, e, no future, quem sabe,
aditada no valor, ou negociada lateral-
mente entire executores corn taxa de
ocupagao e reserve, um saindo corm Agio,
como um flanelinha de obras civis e ou-
tro entrando sem grito).
Se nao tiver sido exatamente assim,
de fato, como diz o guardiao monopolis-
ta da moralidade public, nao ha proble-
ma: Almir Gabriel reescreve a hist6ria,
como fez, embora sem o sucesso mere-
cido, cor sua famosa fuga de 1992.
Depois de tantos meses do anfincio em
manchete da Gazeta Mercantil que ele
indicara o senador Jader Barbalho para
ser ministry dajusti9a do president Fer-
nando Henrique Cardoso (autentico pre-
sente de grego para um politico que gos-
ta dos cargos muito bem sonantes, como
Jader), o governador sentencia, provo-
cado pelo reporter de MarabA sobre o
aparente paradox de indicar para mi-
nistro do pais um politico que consider
nao servir para ser governador do seu
Estado: "nao 6 que eu tenha indicado.
Quando me foi solicitado, eu disse que
nao oporia veto. E diferente, bem dife-





JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DEAGOSTO / 1998 3


rente". Tdo diferente que nenhum 6rgio
da imprensa registrou tal diferenga ate o
governador, cessada a utilidade da am-
bigilidade, suscita-la.
Em political, nessa political miseravel
que se pratica num Estado pobre como
o nosso, mas sempre sujeita a lampejos
artisticos, Almir Gabriel 6 um autoritario
e vaidoso aprendiz de feiticeiro, daque-
les sabios que nada aprendem, mas nao
esquecem o que aprenderam. O gover-
nador estava absolutamente convencido
de que Jader Barbalho, seu superior em
political (a relagco 6 francamente psica-
nalitica, como pode ser constatado atra-
v6s de exame atento da fotografia de
ambos na diplomagdo, em 1995, estam-
pada na primeira pigina de A Provincia
do Pard), nao viria disputar o governor.
De onde ele tirou essa conviccao sem
base s6lida? De informac6es "de cochei-
ra" recolhidas no meio da plumagem bra-
siliense, do aconselhamento dos seus 12
pares carolingios, ou "almirelingios" (que
t6m uma unica cabega, hipertrofiada), e
de sua inata sapi6ncia. Somente na un-
d6cima hora o governador permitiu-se ver
que Jader viria mesmo disputar o gover-
no (o que detonou um mecanismo sub-
consciente de panico, produto de inse-
guranga intima, mas e por isso mesmo
- profunda). Achou ardiloso o estrata-
gema de Romulo Maiorana Jr., atraindo
Jader para um encontro secret no qual
the ofereceria a maga do pecado: a pos-
sibilidade de trair o acordo cor o ex-
traidor (j na nova 6tica performatica de
Jader, revista e atualizada) Hl6io Guei-
ros. Para ganhar o que? A promessa de
nao vir a arder no fogo eterno reservado
pelos tucanos aos impuros e pecadores?
Essa conversa pode ser boa para so-
ci6logo dormir, nao para seduzir politico
pragmatico e experience. Desde que sen-
tou-se no trono paraense e uma emenda
constitutional introduziu a arma da ree-
leigao dos chefes do executive, Almir
Gabriel tem tido uma coerencia: para ele,
s6 existe a sua pr6pria candidatura (a
redundancia nao 6 excessive no caso).
Como s6 ele conhece o c6digo que da
acesso as virtudes do dirigente p6blico,
a pr6-condi9ao para qualquer alianga
sempre foi a reelei~io do governador,
nosso profeta tabagista.
Fosse outra a pessoa e o pacto deve-
ria estabelecer-se em torno de um pro-
grama, que desse continuidade e melho-
rasse o auto-declarado padrao de ges-
tao p6blica introduzido por Almir Gabri-
el. Se fosse possivel, essa uniao se reali-
zaria em toro da pessoa do governador.
Inviabilizada a alianga nesses terms, os
lideres procurariam um tertius enquadra-
vel no modelo de gestdo. Juntos, Almir,
Jader e H6lio elegeriam quem quisessem,
desde que nao fosse um deles, nem Luiz
OtAvio Campos, Hildegardo Nunes ou


personagens assemelhados (nem 6 a fi-
gurinha carimbada de Ademir Andrade).
Algu6m efetivamente novo, competen-
te, honest, comprometido cor um pro-
jeto de renovagdo. Era a oportunidade
de realmente se comportarem como es-
tadistas que a hist6ria Ihes deu, atrav6s
da ren6ncia ao esgoismo (ou A gula).
Mas, como naquela hist6ria do escorpiao
que picou no meio do rio o animal que o
carregava na travessia, a natureza de
cada um foi mais forte.


abe, no entanto,

perguntar. Helio

Gueiros e Jader

Barbalho seriampassa-

geiros admissiveis nes-

sa nau comissionada

para atravessar o rubi-

cdo da indigencia para-

ense, inclusive a mental?
Um rigoroso analista da hist6ria diria que
nao. Os doisja tiveram suas oportunida-
des hist6ricas e desperdigaram-nas (ojo-
vem tribune Jader Barbalho quando ti-
nha um future diante de si para escre-
ver, o sexagenArio H6lio Gueiros quan-
do tinha a possibilidade de reescrever o
passado pela pauta do dia), descreden-
ciando-se de vez para a tarefa de tirar o
Para do estado de prostra9go em que
(ainda) se encontra. Pela idade o primeiro
e pela conjuntura o segundo, eles acei-
tariam agora ojogo arriscado (o primei-
ro para ter um arrimo de poder tempo-
rario para a eventualidade de uma nova
eleiygo em dois anos, o segundo para
ganhar tr6gua e impulse para v6os mais
altos na political national) de apoiar um
terceiro nome se o candidate nao fosse,
compulsoriamente, Almir Gabriel.
0 governador, fazendo jus ao reivin-
dicado titulo de estadista, renunciaria
aos prop6sitos continuistas. O Estado
nao avangaria nos pr6ximos anos tanto
quanto se no timno estivesse o ilumina-
do Almir Gabriel, mas, ainda assim, con-
tinuaria avangando, ao inv6s de retro-
ceder, como acontecera se houver o
terceiro capitulo (com o quarto engati-
lhado) da novela Jader Barbalho (pro-
messas de renovag9o tendo, em con-
traste, a volta da parceria cor Hl6io
Gueiros), cada vez mais ameagadora
gracas ao pr6prio Almir.
A outa alterativa seria a da autono-
mia do governador, que, firme na mira
do future e na consistencia do seu idei-


rio, ignoraria as barreiras do present
para tudo arriscar: o poder com progra-
ma ou nada. Mas essa hip6tese nunca
existiu. Se em 1992 Almir Gabriel gelou
corn a perspective de um combat aber-
to contra H6lio Gueiros, fugindo deson-
rosamente (para nao se macular, inven-
tou uma hist6ria da carochinha, na qual
s6 ele e seus escolhidos pares disseram
acreditar), para encarar 1998 ele sem-
pre andou atras de uma escora.
O prego para contar cor os bons
pr6stimos de Almir Gabriel 6 sagra-lo
ditador, submetendo-se ao seu refinado
autoritarismo, a um maquiavelismo ce-
rebral que s6 tem eficacia quando utiliza
todos os mecanismos do poder. E o risco
de seguir messias e profetas, risco em si
que se agrava quando nao ha a garantia
de que sejam cria9Oes aut6nticas (cor
o marketing dos nossos dias, podem ser
ilusionismo).
E inquestionavel, numa avaliaggo isen-
ta, que, administrativamente, Almir Ga-
briel represent um avango em relagco
aos goveros de Jader Barbalho e H61io
Gueiros. Mas nao 6 tdo fora de d6vida
que represent uma alternative aos 12
anos de neobaratismo, que seja diferen-
te em ess6ncia ou substancia. O m6dico
Almir Gabriel 6 um competent arruma-
dor de casa, mas tem, em relagIo A con-
di9do de estadista, a perspective de um
contador que age orientado pelo livro do
deve e do haver.
Nenhuma de suas grandes obras 6
criagao dele. Nem mesmo o privil6gio
de t6-las iniciado, a rigor, ele pode exigir
para si (a gl6ria de conclui-las, em mui-
tos casos, ficara para um segundo man-
dato ou o successor Tern a prerrogativa
de argumentar que executou-as corn
maior exagco, mas nao 6 dono da prova
dos nove, mesmo porque eliminou ou
anestesiou os mecanismos de compro-
vagdo isenta dos atos do governor, distri-
buindo A larga dinheiro pfiblico aos 6r-
gdos da imprensa e inundando-os de pro-
paganda, uma droga que vicia a vontade
e afeta o discernimento (nesse ponto, seu
grau de traigao aos compromissos de
campanha s6 6 menor do que o do pre-
feito Edmilson Rodrigues).
O governador desestimulou ou supri-
miu o contradit6rio piblico no Pard, ou
se valeu de uma acomodagdo de inte-
resses (quando ainda havia possibilidade
de acerto corn Jader e H61io) para evitar
a controversial. Comegando sob dificil
condigao de inferioridade no parlamen-
to, conquistou adesoes A base do mais
deslavado fisiologismo (a assessoria es-
pecial, inchada como as de Jader e H6-
lio, 6 apenas a gota d'agua, ou o dedo do
gigante), que resultou, como por milagre,
no maior apoio cor que ja contou um
governor estadual em tempos de demo-
cracia formal no Para. Nao foi um pro-)





4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DEAGOSTO / 1998


Sgrama de governor que cimentou essa
coesao, mas o projeto pessoal de um
governador, ja que discussao programa-
tica simplesmente inexistiu, exceto pela
ret6rica recorrente e vazia da reformu-
lagco da base produtiva do Estado.
A nao ser, talvez, por diferengas nos
custos de obras p6blicas (varias delas
sendo as mesmas, retomadas, revistas
e, As vezes, melhoradas e ampliadas),
cuja contabilidade permanece por fazer,
gragas, entire outros motives, A omissdo
conivente da imprensa, o que o governor
Almir Gabriel representou, prometeu e
realizou pode ser comparado ao que foi
e fez o governor Jader Barbalho, talvez
com mais economic e celeridade.


jovem Jader Bar-

balho de 1982,

prometendo nao

ser o ultimo dos "baratis-

tas mas o primeiro dos

"pos-baratistas ", frus-

trou as melhores esperan-

qas em torno do seu nome,

devolvendo o Pard a uma

epocajd entdo em vias de

superagdo, na qual o seu

envolvimento era apenas

familiar, mas acabou

se tornando vivencial.
Nem cor toda a sua simpatia Jader con-
seguira apagar essa n6doa que deixou
na hist6ria do Para, o que ficarA quando
tudo o mais ter-se-A evaporado cor a
inexoravel a9go do tempo, como o per-
fume barato da propaganda political.
Almir encarnou a mesma ansia de re-
novagdo em um Estado carente de me-
Ihor adequaFgo de seus merecimentos
As suas realiza6oes. Mas se Jader s6 se
tornou governador gragas A alianga corn
Alacid Nunes, o poder chegou ao alcan-
ce de Almir porque, carregando a ban-
deja, estava o Gueiros pai, levando na
salva de prata o nome do Gueiros filho,
cuja indicagdo o entdo candidate a go-
vernador incorporou. O m6dico Gabriel
nao podia prever, naquele moment, que
viria a desancar, quatro anos depois, as
families B(arbalho) ou G(ueiros) da car-
comida oligarquia paraense.
Almir engoliu todas as "gueirices" atW


a und6cima hora, o que, para um tuca-
no, significa a hora em que cai o muro.
Nao bastassem todas as ofensas, regis-
tradas, engolidas e digeridas enquanto
parecia possivel colar os cacos da ali-
anga com o patriarca dos Gueiros vivos
(vivissimos, por sinal), nao fosse sufici-
ente a frustrada engenhosidade do en-
contro entire Jader e Rominho Maiora-
na, Almir ainda foi buscar Hdlio Guei-
ros (aquele mesmo cuja crucificagao foi
proposta a Jader, 24 horas antes) para
o derradeiro encontro, em busca de um
acordo do qual o ex-prefeito de Bel6m
ja debochava, como de costume. Tanta
humilhagAo e desmoralizagao para co-
locar em pratica um program de mu-
danga, que ninguem conhece?
Ultrapassando o limited em que o sen-
so de dignidade recomenda respeitar,
estancando nele, o governador aplai-
nou o caminho pelo qual os "baratistas"
de duas gera96es fazem trafegar seu
raciocinio de p6ssima extragdo. Culti-
vador da desmem6ria como m6todo de
manipulagao, Helio Gueiros recorre a
paralelismo de doutor Pangloss parajus-
tificar a recomposiggo com Jader, apa-
gando os violentos ataques que fez at6
recentemente ao ex-"irmdo" mais novo:
"Tudo na vida sdo moments. Quando
a gente se casa, nao jura fidelidade e
depois trai? Marido e mulher podem di-
zer desaforos um do outro e o tempo
apaga tudo", sentenciou o psic6logo de
almanaque capivarol.
Marido e mulher se ofendem quando
nao se respeitam. Sem respeito nao ha
relagAo que valha a pena entire pessoas
dotadas de civilidade e que tamb6m exi-
gem respeito dos outros para si, que con-
sideram em suas vidas as no9ges de 6ti-
ca e moral expressess deletadas de ha
muito do arquivo etilico-mental de Helio
Gueiros). Uma sociedade sem um pa-
drdo de dignidade baseado no respeito
m6tuo entire os que a integram esta con-
denada a uma vida selvagem, vencida
pelo mais forte porque a lei, o instrument
de relagao social, vira potoca.
O Para exige respeito. Nem sempre,
por6m, quem se diz interprete dessa exi-
gencia ter autoridade moral para assumir
a fungao de porta-voz, como ficou prova-
do na eleigao de 1990, na qual o grito dado
por um dos candidates foi apenas um de-
mag6gico mote de campanha. Como na-
quela famosa pega teatral, o grito continue
parade no ar, ou na garganta. At6 quando,
nem uma Catilina ao tucupi saberi respon-
der. De qualquer maneira, nenhum dos
candidates que tentara ser o governador
neste ano traz uma proposta de resposta
na qual se possa acreditar porque nio a
buscaram ou simplesmente porque nao a
trn. O povo precisa, urgentemente, encon-
trar um novo lider, se nao consegue fazer
sua hist6ria sem intermediarios. 9


Fantasia

ret6rica
A suiga Passi AG esta passando em
frente sua fabrica de concentrado de ma-
racuja, instalada em Benevides, que com-
prou cinco anos atris da Amafruta. Diz
que 6 por falta de produgco, enquanto os
plantadores se queixam dos precos que
Ihe sao pagos. Todos sabem que se ha
uma relagao de mercado entire os dois
protagonistas, um ponto qualquer de equi-
librio entire prego e produgco se havera
de encontrar. Se os pr6prios atores nao
sao capazes desse entendimento, convo-
ca-se o governor para media
Os produtores estao preferindo en-
tregar a fruta a quem a compra "in na-
tura", mas pagando bem mais do que a
Passi, do que participar do process de
verticalizagao da producgo, agregando-
Ihe valor e dando sustentabilidade ao cul-
tivo agricola (o faturamento da fabrica
baixou R$ 700 mil entire 1996 e 1997).
Ao inv6s de subir na rampa da industri-
alizagco, que abre um horizonte para o
process produtivo, os produtores so-
bem na montanha russa da sazonalida-
de, que podera desembocar no vacuo,
impondo ao maracuja como destino a
decadencia que tem assolado outras cul-
turas mal estruturadas.
Depois o governor quer que se acre-
dite em prioridade A agriculture e em
verticalizagyo (e modificagao) da base
produtiva. Quando diretrizes de politi-
cas publicas nao se aplicam a casos con-
cretos e nao resolve problems reais,
nao passam de ret6rica de gabinete, vi-
rando fantasia de tecnocrata e dema-
gogia de politico.

Feitigo
As hist6rias tnm tudo para nao passar
de fantasia, mas o povo as repete basea-
do na mAxima de que onde tem fumaga
ter fogo. Uma: o buraco aberto para a
sondagem da galeria pluvial vai ficar aber-
to em frente A antiga residencia official do
Estado (hoje o camale6nico Parque da
Residencia, made by Paulo Chaves Fer-
nandes) at6 a sua inauguragao e inicio de
funcionamento. Seria para criar inc6mo-
dos, tanto pelo buraco em si, como pela
propaganda do PT, que o adorna.
Duas: os 6nibus foram desviados da
avenida Nazar6 para evitar que seus pas-
sageiros vissem o cinemasc6pico out-
door da dupla Almir-Pepeca, fincado ao
lado da sede do comite eleitoral da
Unido pelo Pard (o out-door Barba-
lho-Gueiros esta mais adiante).
E invengao. Mas Edmilson Rodrigues
tem feito tudo para tornd-la aceitavel.





JOURNAL PESSOAL 2D QUINZENA DE AGOSTO / 1998 5




Jornalismo catartico



na corte brasiliense


Um problema no comit6 de campa-
nha do president Fernando Henrique
Cardoso mereceu quatro pdginas, a prin-
cipal mat6ria da secao Brasil e uma cha-
mada de capa de Veja (a quinta mais
important revista semanal de informa-
9go do mundo) que esta nas bancas. Nao
pense o leitor, entretanto, que a campa-
nha em si do president va mal. Muito
pelo contririo, atesta o semanArio da
Editora Abril, apropriando-se da funcgo
de auditor independent (ou de cart6rio
do jornalismo): a campanha "vai as mil
maravilhas e tem uma estrutura eficien-
te em Brasilia". O unico problema, que
mereceu tanta atengdo da
revista, "reflete estritamen-
te a situagao pessoal" de
Eduardo Jorge Caldas
Pereira, 55 anos, "co- l
mandante-em-chefe"
da campanha de ree-
leico de FHC, respon-
savel por tanta efici6ncia.
O nunca exagerada-
mente elogiado brago direito
do president enfrenta
uma crise psicol6gica: tem
tudo para aproveitar a vida
(aposentadoria, sobra de di-
nheiro, poder) e participar
mais na formagdo da sua fa-
milia, menos tempo. Cansado
de "ser escravo", dedicado
full-time ao projeto de poder de
Fernando Henrique ha 15 anos, :
desde que o soci6logo paulista
fez-se senador, Eduardo Jorge
ameaga jogar tudo para o alto e con-
quistar a liberdade.
Mas, como Santo Agostinho antes de
trocar a bo6mia pela santidade, nAo de
imediato, s6 na hora oportuna. Isto 6:
depois que estiver confirmado o segun-
do mandate presidential do patrAo, quan-
do o stressado (ma non troppo) Eduar-
do Jorge saira do governor, "por bem ou
por mal", contudo com a possibilidade
de ressalva: "Se tiver de sair brigade, saio
brigade, mas acho que sairei bem", pre-
vi ele. Ou nao saira. Ou... (as ineviti-
veis alternatives tucanas, tao intermini-
veis quanto a lamina da Gillette).
Essa 6 uma das mat6rias mais no-
jentas e anti-profissionais que jA li em
Veja. Ora, se o problema 6 de foro inti-
mo do tal comandante-em-chefe (foi o
Anico tucano federal que aceitou o con-
vite do governador Almir Gabriel para


ver o desfile dos caruanas da Beija-Flor
no animado camarote chapa branca do
Estado, no samb6dromo do Rio de Ja-
neiro), nio merece uma mat6ria. Mas
se ela vale, teria que ir para a segao de
comportamento, gente ou variedades.
Nunca para Brasil, que abre as repor-
tagens da revista.
Para enfiA-la c6rebro a dentro dos lei-
tores em espago nobre, Veja produziu nao
uma reportagem, mas um editorial, ou,
para ser formalmente rigoroso, uma
mat6ria paga (mesmo que nao em dinhei-
ro, talvez em cortesia, nao exatamente
gratuita, por certo, nem desinteressada).
0 gancho (c6digojornalistico que de-
signa o ponto de sustentagao da mat6-
ria) 6 um desabafo, supostamente
*1; feito a quatro paredes, de
S Eduardo Jorge a "um ami-
go" (nao identificado)
num caf6 da manhd
de sexta-feira (ou
seja, no mesmo dia do
S fechamento da edi9ao
^ e seu envio para a
S grfica). Ainda as-
sim a noticia che-
gou imediatamen-
Ste ao conheci-
mento dos che-
f es de Veja e
conseguiu
Socupar sua
principal se-
,9o, uma fa-
ganha para os tensos
crit6rios de edi9go da revista.
Ficam varias dilvidas: o "comandan-
te-em-chefe" falou a um amigo ou a um
representante da revista? O tal jorna-
lista 6 reporter e ao mesmo tempo ami-
go de Eduardo Jorge? Quem prevalece
entire duas condig9es? O alegado fato
aconteceu mesmo na sexta-feira ou foi
informagdo p6s-datada? Houve toda
aquela mise-en-schne (o personagem
lacrimeja ao desabafar, vai ao banhei-
ro, lava o rosto e volta recomposto,
como determine o enredo padrdo dos
romances policiais)? Ou tudo nio pas-
sou de um arranjo (a duas, quatro, seis
mros?) para recolocar o brago direito
do president no tabuleiro do poder, ou
rearrumar peas?
Veja garante que seu her6i 6 "discre-
tissimo, nao gosta de aparecer e 6 do
tipo que trabalha para o chefe, e nao para
se promover ou fazer prevalecer seus


interesses politicos, como ocorre com
outros auxiliares de FHC". No entanto,
Eduardo Jorge aparece numa foto cui-
dadosamente posada para o veteran
Ricardo Stuckert, batida provavelmente
na semana em que a reportagem foi -
literalmente produzida. Parece mais
ficil de ser fotografado do que Elio Gas-
pari, ex-redator-chefe de Veja.
O texto, do inicio ao fim, bate na te-
cla de que o exaurido Eduardo Jorge
esta disposto a larger tudo para olimpi-
camente voltar a ser bom pai e a ler os
classicos da literature (e "em francss,
faz questgo de destacar, provavelmen-
te cobrando rever6ncia a condi9go de
poliglota, nao tao poli quanto o patrdo,
mas o suficiente para querer sua cota
de status numa sociedade em que, atW
alguns anos atras, falar mais uma lin-
gua al6m da sua conferia passaporte
para o grupo de elite).
Mas terminal proclamando o inverso:
"Disciplinado, ele certamente nao aban-
donara a campanha eleitoral. FicarA at6
o 61timo minute, mas, caso venha a ree-
leigdo, Fernando Henrique terA perdido
um auxiliar de peso, daquele tipo que
atua na cozinha do palAcio, mexe nos
cordaes nos bastidores e se comporta
como um tumulo. Fidelissimo, nao Ihe
escapa uma palavra que possa prejudi-
car o presidente.
Veja incorpora com tal perfeicgo a
atormentada intimidade psicol6gica do
seu her6i que, na hora de tamb6m ates-
tar sua inatacavel honorabilidade de ser-
vidor que tem muito poder e control
muito dinheiro, mas nao permit que des-
sas premissas result a menor n6doa em
sua conduta, diz sobre os bens de Eduar-
do Jorge: "Seu patrim6nio, avalia, 6 ape-
nas razoAvel", transferindo ao persona-
gem competEncia que deveria ser prer-
rogativa exclusive do author do texto.
Alias, s6 nao acho ter sido o pr6prio
"comandante-em-chefe" quem escre-
veu a reportagem porque nem ele, ne6-
fito nas bruxarias dojornalismo, conse-
guiria ser tao realista ou, melhor di-
zendo, vice-realista, para manter a ab-
soluta lealdade ao chefe trombeteada
pela revista dos Civita.
Recomenda-se um Engov ao final da
leitura, que diz mais sobre a indigencia
em mat6ria de 6tica e moral da grande
imprensa brasileira do que mil editorials.
Ao menos para os que, ainda sabendo
ler, nao desaprenderam a se indignar. n






6 JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE AGOSTO / 1998


nova A Provincia do
Pard, em circula~go
ht duas semanas, re
Imente repercutiu.
Um verdadeiro projeto grifi-
co, criado por consultores trazidos do Rio
Grande do Sul, deu-lhe cara nova e agra-
davel (ainda que, particularmente, ques-
tione algumas das solu96es encontradas,
inclusive para a logomarca).
O principal, por6m, foram os pregos.
Todos os dias da semana o journal custa-
ra 50 centavos, metade do prego dos
concorrentes nos dias uteis e um quarto
de O Liberal aos domingos. Foi a mais
audaciosa investida de marketing dos
iltimos anos. A empresa tamb6m ado-
tou uma "assinatura permanente, corn
a qual o leitor renovara a sua a cada mes
pagando R$ 9,90. O apelo dessa promo-


)xigenio n


mercado


9go 6 forte, abrindo um flanco na con-
correncia ao lider do mercado, que tern
um baixissimo percentual de assinantes
sobre a tiragem total (ao contrario dos
grandes jornais, no Brasil e no mundo,
que entregam a assinantes de 80 a 90%
dosjornais que imprimem).
A consolida9go dessa engenhosa ini-
ciativa commercial dependera em grande
media do projeto editorial propriamen-
te dito, ou seja, do conteldo do journal,
agora mais bem emoldurado graficamen-
te e melhor trabalhado comercialmente
(o que pode ate vir a ser ruim, se desta-
car um vacuo interior).

Cartas


Os bons ventos da concor-
rencia sopram no exato mo-
mento em que o dominion de 0
Liberal comega a enfraque-
cer. O journal, que ji teve a oi-
tava maior tiragem do pais, agora esta
em 16 lugar, recorrendo a vArios estra-
tagemas para nao continuar a perder lei-
tores, a partir de uma descoberta que tern,
para os mercantis Maiorana, o sabor de
novidade revolucionaria: que o leitor exis-
te e merece respeito.
Assinantes que fizeram aniversario e
foram pela primeira vez lembrados, re-
cebendo um cartdo de felicita9ges, ja
sabem dessa mudanga, embora nao pos-
sam ainda garantir se ela veio para du-
rar ou 6 tdo passageira quanto a aten-
9ao dada aos eleitores por politicos em
campanha por votos. 0


Ainda

Passarinho
Como de costume li o iltimo
ntimero do Jornal Pessoal (192),
incluindo o espaqo dedicado ao
"hibrido" Passarinho, que voce
chamou de "anfibio", mas bem que
poderiamos alcunha-lo de "caba-
lista", para ficar consentdneo com
a atividade que sempre desempe-
nhou, na casera e fora dela. Con-
forme escrevi na nota que Ihe pas-
sei via fax, em 03.08.98, nao vislum-
bro nenhuma ligagao desse lumi-
nar corn a repfiblica paraense, ate
porque nao tivemos esse tipo de
govemo. Aqui, alguns oligarcas se
instalaram e comandam, a seu gos-
to, os viventes da "terrinha", para
usar o termo de um conhecido co-
lunista. O pessoal da chamada
"etera vigilancia" da UDN apren-
deu a conspirar cor os militares e
nao como voce colocou. Nao con-
cordo que eles (Alacid e Jarbas)
tenham derrotado o populismo
"baratista"; ao contrario, ao sejun-
tarem aos remanescentes da d6ca-
da de 50, permitiram a continuida-
de dessa n6doa indeldvel na hist6-
riado Par. Outracoisa, a"ma fama"
do coronel nao parece-me ser uma
tendencia adquirida, seria algo con-
genito, ou como se diz vulgarmen-
te, coisa do pr6prio sangue.
Finalizando, acho que ele ainda
foi bem aquinhoado politicamente,
porque quem se liga a paredros mal
intencionados, nao deve ter a pre-
tensao de sair-se inc6lume da re-
frega.
Rodolfo Lisboa Cerveira


Minha resposta

Sobre a questdo de saber
quem d o ovo e quem d a galinha
na inspiragdo golpista, se os mi-
litares ou a UDN, recomendo a
leitura do cldssico trabalho de
Maria Victdria Benevides sobre
a Unido Democrdtica Nacional,
que responded a dzivida, jd ade-
quadamente eliminada da histo-
riografia national.
Respeito o direito do leitor de
ndo partilhar as minhas opini5es,
ou variar de enfase. Sd um ponto
da sua carta gostaria de destacar:
os tracos de continuidade napas-
sagem do governor Aurlio do Car-
mo, destituido pelos militares em
junho de 1964, e o governor Jar-
bas Passarinho, que o sucedeu.
Passarinho seria o governador
de qualquer maneira. Os milita-
res o escolheram no coldgio que
tinha entaofora para impor suas
decisoes, inter pares. Mesmo que
o carddpio fosse indigesto, a As-
sembldia Legislativa engoliria o
prato (ou o sapo) recomendado,
de qualquer maneira, corn espada
e tudo (no que foi poupada pelo
atavismo legalista dessa geracdo
de militares, eliminado a seguir).
Passarinho ndo queria apenas
ser eleito: desejava unanimidade,
que equivaleria a sagragdo. Por
isso, tratou de negociar secreta-
mente a adesdo ao seu nome do
PSD "baratista" na eleiqgo indi-
reta, como, alids, fizera o mare-
chal Castelo Branco cor os pes-
sedistas liderados por Juscelino
Kubitscheck (Castelo era um ude-
nista defarda; Passarinho, qua-
se). Em ambos os casos, os interlo-


cutores destituidos depoder manu
military se declararam traidos.
Esse duplo movimento afor-
qa num nivel, de quem deu um gol-
pe de estado e venceu; e a negoci-
agdo em outro nivel, de quem ain-
da pretendia continuar uma or-
dem political anterior devidamen-
te retocada gerou contradicges,
enfraquecendo a posicdo dos mi-
litares quando chegou a hora de
restabelecer a plenitude constitu-
cional. Eram golpistas aspirando
a uma legitimidade que s6 as re-
voluqges concede.
Como no Par6 ndo havia pro-
grama algum em questdo, esse en-
tendimento degenerou emfisiolo-
gismo e negociacdo mercantile. 0
inimigo declarado, ds claras, era
o mesmoparceiro dos bastidores,
na "calada da noite", ao menos
enquanto foi 0til uma relaqdo
de "Belle deJour", quem sabe? 0
vildo tambim podia ser chamado
para contribuir cor a verba "dos
bois (eles viraram mesmo chur-
rasco ou foram parar no past,
como sugeriu Passarinho, numa
carta sigilosa mandada, anos de-
pois, aos chefes militares lo-
cais?), a maneira do pacto entire
Gilberto Mestrinho (cassado na
vdspera) e Alacid Nunes (da tur-
ma dos cassadores).
Dois elements sdo constantes
napoliticaparaense. Um a aspi-
raqo a unanimidade, quefaz de
qualquer eleiqgo um plebiscite (e
do grupo no poder um bando de
assaltantes que busca esmagar os
antecessores, ainda que a frente
do grupo possa estar um home
honrado, como Magalhdes Bara-
ta). 0 outro d a traigqo. Quanto a


esta, geralmente encarada a par-
tir de uma dtica negative, um ami-
go diz que acaba tendofungdopo-
sitiva. Ao menos possibility a al-
terndncia de oligarquias (ao in-
vis de perenizar apenas uma) e
dd ao povo informao(es sobre
quadrilhas epilhagens. Mas, con-
venhamos, ndo e umaforma muito
saud6vel defazer histdria.

Cidadania

Leao Stiliandi Sobrinho, cumpri-
mentando este journal por sua "in-
formag~o correta e opiniao con-
sistente sobre as coisas amaz6ni-
cas", pede divulgacgo para a im-
plantagao de "empresas cidadas",
entendendo-as como uma solugao
para as prefeituras do interior, ca-
rentes de recursos.
Explica ele: "Conceitualmente,
uma 'EmpresaCidada' seriaaquela
que, sob convenio cor a Prefeitu-
ra, obteria favors fiscais e licenga
para propaganda pr6pria gratuita
em troca de investimentos e/ou
servings em areas-alvo municipals
de interesse pfiblico". Entre os
exemplos, cita: construao e/ou ma-
nutengao de pragas ejardins; cons-
trugdo e/ou manutengao de ruas
de lazer; conservaqio de pr6dios
hist6ricos e monumentos; e sinali-
zagao de ruas e trAfego (como se-
maforos inteligentes e places).
A propaganda, a custo zero
para a empresa, "seria aprovada
por 6rgao pr6prio da Prefeitura e,
em muito pouco tempo, os muni-
cipes usufruiriam dos beneficios
do empreendimento", destacando-
se publicamente o responsavel
pelo patrocinio.





JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE AGOSTO / 1998 7



Political precipitou



e complicou inversao


A Ctbel s6 iria iniciar em dezembro
a reformulagdo do transito em Bel6m,
centrada na inversao de duas das prin-
cipais vias de escoamento de trafego
(Nazar6/Magalhdes Barata e Governa-
dor Jos6 Malcher). O prefeito Edmil-
son Rodrigues, por6m, mandou anteci-
par para a ultima semana de julho as
provid6ncias que estavam em andamen-
to. O sentido? Aproveitar, a (ltima hora,
o final do veraneio, antes da volta dos
estudantes as aulas, a derradeirajanela
que havia no calendArio at6 a elei9~o
de outubro.
Corn a inversao de sentido nos prin-
cipais elos de ligagdo dos bairros com o
centro da cidade, o prefeito queria pro-
vocar impact na opinido puiblica, ca-
paz de dar rendimentos eleitorais aos
candidates majoritarios apoiados pelo
PT, o senador Ademir Andrade (do
PSB) ao governor e a vice-prefeita Ana
Julia Carepa ao senado. Sem ter um
ativo de realiza96es concretas para con-
trapor A maquina estadual, mobilizada
para reeleger Almir Gabriel, o prefeito
de Bel6m quer multiplicar, pela propa-
ganda, os efeitos do pouco que pode
apresentar diante do eleitorado.
Agindo assim, o prefeito se benefi-
cia do impedimento imposto pela legis-
lagdo electoral A at6 entao abundante
propaganda de Almir. Pretende, dessa
maneira, inverter a relagao desfavord-
vel a Ademir no confront corn o go-
vernador e de Ana Jilia face a Helio
Gueiros, uma relagao que traduziria uma


avaliagao popular negative da pr6pria
administragao Edmilson Rodrigues.
Mas os resultados eleitorais dessa
manobra sao tdo incertos quanto o su-
cesso da inversao de mAos nas duas vias
de trafego. Um balango isento mostrara
que a Ctbel acertou muito mais do que
errou com as mudangas. Mas tamb6m
ficou claro que boa parte dos problems
poderia ser evitada ou atenuada se a
companhia municipal houvesse tido mais
tempo para planejar as altera95es e pre-
parar a popula9go para colaborar corn
sua iniciativa.
Essa inversao e outras provid6ncias,
complementares, paralelas, cruzadas ou
de muito maior f6lego, sao necessArias
para desviar o transito belenense de sua
rota rumo ao caos complete, que ja se
pode vislumbrar no horizonte.
A Ctbel esta provando ter uma com-
petencia que faltou a todas as anteceden-
tes autoridades do setor. Mas o sucesso
da empreitada depend tanto da eficacia
das medidas e da lucidez dos gestores
quanto da mudanga de habitos e costu-
mes dos paraenses, incivilizados no trato
dos problems do transito. Os moradores
da cidade precisam se dispor a recorrer
mais ao transport coletivo, a se despren-
der de seus vestes metAlicas imantadas
sobre rodas, a andar mais a p6, a buscar
caminhos alternatives e a adaptar-se mais
inteligentemente As condi96es naturais do
sitio urban. Para isso, entretanto, preci-
sam das complementag6es que s6 o apoio
official pode proporcionar.


Algumas delas a Ctbel ja esta criando,
como os micro-6nibus, a nova programa-
9ao visual e os novos itinerarios. Outras
estdo esbogadas, como os pontos de inte-
grag9o. Mas todo o esforgo feito para en-
frentar o diab6lico problema da circula-
co de pessoas e veiculos numa cidade
tdo ingratamente localizada para sua situ-
agqo atual se choca corn o voluntarismo
politiqueiro do alcaide.
A improvisag9o do piano ficou A mos-
tra na via Nazar6/Magalhaes Barata, de
onde o trafego de 6nibus (um dos gran-
des objetivos da inversao) foi deslocado
(saturando a avenida Gentil Bittencourt)
porque somente agora a prefeitura esta
verificando o estado das velhas galerias
construidas ha muitas d6cadas pelos in-
gleses nessas art6rias. Saber se essas
galerias poderiam suportar ou no o tra-
fego pesado, que passara de uma lateral
para a outra das duas avenidas, execu-
tando as obras necessArias para reforgi-
las, seria provid6ncia preliminary.
Mas o impetuoso prefeito petista atro-
pelou tudo, inclusive seus t6cnicos, na
insia dos votos. Pode at6 ganha-los de
imediato, gragas a malabarismo publicita-
rio, mas vai perde-los depois, quando as
chuvas chegarem e, corn elas, uma refle-
xdo mais atenta dos cidadaos. E se nao
perder os votos, terA perdido a oportuni-
dade de resolver um grave problema da
cidade com menos trauma, menor preju-
izo e mais inteligencia. Mas aijA seria exigir
do soba municipal o que Ihe tem faltado:
ponderacao e discernimento. 0


Liberal, sim, ma non troppo


Os Icitores de OLiberal
foran pri\vados de saber, na
senmana passada. que a se-
gunda cirurgia cardiac re-
alizada no Estado. no Hos-
pital Ophir Lo\ Iola (a pri-
mcira corn sucesso), de
acordo coin a ticnica cria-
da recentemente pelo m6-
dico paranaense Randas
Batista, s6 foi possivel por-
que os profissionais da ins-
tiluiqiCo de-considerarain
parecer em sentido contri-
rio dado pelo auditor medi-
co da Unimed.


Segundo o parecer, corn
base no exame de cateteris-
mo, o motorist de taxi Ed-
milson Martins, de 48 anos,
associado do plano, n3o de-
veria ser submetido a cirur-
gia, apesar de sofrer de mio-
cardioplatia dilatada, o au-
mento dilatado do coragAo
que o povo trata como "co-
ragdo de boi", porque essa
tdcnica ainda nao teria sido
reconhecida pela \AMB (As-
sociag9o M6dica Brasileira).
Nemi meismo pelo transplan-
te Edmilson deveria passar,


porque seu caso nao seria ci-
rurgico.
Mas os m6dicos que tra-
taram dele no hospital esta-
dual consideraram gra~e o
seucaso, e\igindo tratamen-
to de urgcncia. Trouxeram do
Parana o proprio Randas Ba-
tista, que fez a cirurgia sc-
gundo seu m6todo (com o
corte de metade do corag~o),
no dia seguinte A da interna-
9do do paciente. O motoris-
ta sobreviveu, saiu da CTI e
passava bern no final da se-
mana passada, ao contr6rio


de um doente que pioneira-
mente foi submetido acirur-
gia no ano passado em Be-
lem e nio resistiu.
0 Liberal registrou a opL-
raqio hem sucedida. mas su-
primiu do seu noticiario que
a Unimned foi denunciada ao
Procon pela familiar do mo-
torista. disposta a recorrer a
justiga contra o piano de sail-
de, acusado de negliniicia.
A United e um dos patroci-
nadores do Arte Pard, a ex-
posiqAo de aries plisticas do
grupo Liberal. *






0 perigo
Ao menos no Para, as pesqui-
sas de opiniao estao sendo usa-
das na campanha eleitoral deste
ano mais como instrument de ma-
nipulagao da vontade do eleitor do
que do seu registro. Mas nao pare-
ce. 0 Liberal reservou mais de meia
pagina da sua iltima edigao domi-
nical para protestar contra o que
seria uma violagao A tutela dada
pela constituicio A plena liberdade
de informagao. Ajustica eleitoral,
deferindo pedido do PMDB, amea-
cou punir oj omal (at6 corn a prison
do seu editor responsavel) caso ele
divulgasse pesquisa realizada pelo
institute Vox Populi entire os dias 9
e 12. A primeira pagina do cademo
Painel, na qual a pesquisa sairia,
teve que ser refeita A Altima hora,
retardando a impressao dojomal.
Teria sido mesmo um cercea-
mento illegal, como, furtivamente,
alegou O Liberal? Na verdade, o
Vox Populi 6 quem vem transgre-
dindo as normas legais. At6 hoje,
mais de um mes depois de provo-
cado, o institute ainda nao apre-
sentou os dados exigidos pelo TRE
para a avaliagao da sua pesquisa
eleitoral anterior, tambr m questio-
nada pelo PMDB. Na v6spera da
divulgagao da nova pesquisa, ain-
da nao juntara os dados t6cnicos
que devem acompanhar o pedido
de registro, embora eles devam es-
tar acessiveis aos representantes
dos partidos pelo menos cinco
dias antes de serem apresentados
ao piblico.
Essa 6 uma cautela elementary
para prevenir que pesquisas de
encomenda, viciadamente conce-


mora nas pesquisas
bidas, sejam divulgadas atrav6s ca, se livre de vicios que a contami-
da imprensa e ganhem os contor- nam. Alguns dos atores envolvi-
nos de fato legitimo. O PMDB tam- dos no drama eleitoral encomen-
b6m impugnou a iltima pesquisa dam pesquisas que nao divulgam.
do Ibope porque o institute igual- Elas sao usadas tao somente para
mente nao apresentou o piano orientar a estrat6gia de campanha.
amostral, e a ponderaqao sobre a Logo, ha a presungao de que sao
Area fisica da pesquisa depois de s6rias. Outros fazem uma divulga-
ter pedido seu registro, no dia 7. 9ao tao mesquinha e tacanha das
Mas o Ibope protocolou os docu- pesquisas que fica a suspeita de
mentos no TRE horas antes da di- terem sido produzidas para enga-
vulgacio dos resultados pela TV nar o "pfblico externo".
Liberal e o PMDB abriu mao do E o caso de O Liberal, que faz
intersticio de cinco dias que a lei um estardalhago sobre o principal
imppe entire o pedido de registro e resultado, mas sonega dados fun-
a divulgacgo da pesquisa. damentais para aferir a credibilida-
Segundo fontes bem informa- de da sondagem, ou submete os
das, a pesquisa da Vox Populi pra- dados a uma edigio truncada, como
ticamente repete (40% para Almir aconteceu na quinta-feira da sema-
Gabriel e 39% para Jader Barba- na passada corn a pesquisa do Ibo-
Iho) o resultado da sondagem do pe. Ojomal nao publicou a relagao
Ibope (empate em39%). Mas dei- dos municipios onde os questio-
xa mal sua pesquisa anterior, que nArios foram aplicados, seu agru-
dera uma vantage de 14% para o pamento por regiao, a ponderaiao
governador, sem que no intervalo que cada um recebeu e muitas ou-
entre as duas aferi95es possa ser tras informacges. Colocadas fora
citado um fato que justifique mo- do acesso do leitor, geram uma des-
dificagao desse porte. Persiste ain- confianqa: como 6 que uma empre-
da uma d6vida irrespondida: como sa, depois de ter gasto tanto numa
6 que Hdlio Gueiros, sem ter seu pesquisa, deixa de dar-lhe pleno
nome incluido no disco utilizado aproveitamento, tirando dela o mai-
pelo pesquisador, apareceu entire orrendimentojomalistico possivel?
os candidates a governador cita- Assim, ao contrArio do que
dos pelo eleitor na votagao esti- proclama ojornal no seu an6ncio,
mulada. Ou comojustificar o peso nao 6 a plena liberdade de infor-
eleitoral desproporcional A sua maq9o que foi ameagada pela de-
expressao demografica conferido ciso judicial, mas o uso indevido
A Grande Bel6m,justamente o co- desse direito, indispensavel numa
lCgio eleitoral onde o governador sociedade democratic. Ao inv6s
esta mais bem votado. de dar armas civicas ao cidadao
A pesquisa pr6via 6 um instru- para bem votar, pretende-se mani-
mentodeanAliseprecioso para can- pulA-lo As vezes em troca das
didatos, partidos e opiniao pfibli- classicas 30 moedas.


Ligao errada


S6 os leitores de O Liberal fi-
caram sabendo que 6 defensor de
A Provincia do Pard o advogado
Ophir Cavalcante Jinior, envolvi-
do num litigio com ojuiz trabalhis-
ta Paulo Henrique Azar que trans-
bordou de umajunta do TRT para
os 6rgaos de classes e a opiniao
pfblica. Cada uma das parties tern
suas pr6prias alegag6es de defe-
sa e de denincia, que precisam ser
apuradas adequadamente at6 o
complete esclarecimento da situ-
agao. Ela combine components
diversos, que dizem respeito aos
oficios dajustiga e da advocacia,
mas afetam profundamente o inte-
resse coletivo, servindo de adver-
tencia para as falhas que existem
no process judicial.
Os leitores dos grandesjomais,
no entanto, ainda nao foram brin-
dados com um adequado relate
jomalistico do caso, incluindo o
que esta por tras dos discursos
oficiais. 0 Liberal limitou-se a pu-
blicar uma notaa ptiblica" da As-
sociagao dos Magistrados da Jus-


tiga do Trabalho da 8a Regiao, que
cita ojomal concorrente e acusa-
o de tentar exercer pressess ile-
gitimas" sobre ojuiz. Mas nao da
tratamento jomalistico ao assun-
to. Usa mao alheia para golpear o
concorrente que esta se tornando
mais inc6modo.
A Provincia deu A questgo o
espago fisico proporcional, mas,
al6m de apenas defender uma tese
(o desrespeito aos direitos do ad-
vogado por um juiz atrabiliario,
excessive em sua sentenga ao
mandar desligar linhas telef6nicas
que garantem uma divida), deixou
de esclarecer que o advogado nao
defended abstratamente "uma em-
presa", mas justamente o jomal
que estava publicando aquela
mat6ria. Se tudo de relevant fos-
se dito, a partir da consult As par-
tes em conflito, talvez at6 o leitor
concluisse que ojomal tem razao,
pesando os pr6s e os contras lim-
pamente expostos. Mas assim,
quando for se informar melhor do
que Ihe permit a reportagem, aca-


bara concluindo que foi logrado.
NAo 6 um bo recomer o para
um jomal que pretend desfazer
um monop6lio virtual que se es-
tabeleceu na imprensa paraense
com base justamente no desres-
peito pela intelig6ncia de quem 1W
jomal, como tem feito O Liberal
corn sistemitico cinismo. E preci-
so ter a coragem de nAo ser igual
para conquistar ou reconquis-
tar a confianca do leitor na in-
dependdncia da imprensa, que O
Liberal seqtiestrou com base em
balangandas tecnol6gicos e tru-
ques variados.


Em series
A Funtelpa teve que fazer um
novo aditamento ao "convenio"
com a TV Liberal (ver Jornal Pes-
soal 192), no valor de 400 mil re-
ais, porque os recursos progra-
mados pela Secretaria de Planeja-
mento do Estado para essa des-
pesa em 1998 s6 alcangardo ou-
tubro. Era precise alocar verba
complementary para novembro e
dezembro, fechando o exercicio,
segundo a explica9ao apresenta-
da pela diregio da Fundagao de
Telecomunicagbes do Para, aten-
dendo consult deste journal. Esse
foi o segundo aditamento ao po-
lmico "conv6nio", que, at6 o seu
final, em quatro anos, recebera
outros terms aditivos. Se for
mantido at6 l8, naturalmente.


Charada
Quem tinha tudo para ven-
cer ficil, esta cada vez mais
complicado. Quem ganhou to-
das at6 agora, pode ser derro-
tado. E mais ou menos essa a
principal charada da eleigao
deste ano. Primeiro governador
a poder disputar a reeleigAo
sem ser obrigado a se afastar
do cargo, dispondo de um cai-
xa recheado de grana para in-
vestir, Almir Gabriel nao con-
seguiu conquistar o lugar de fa-
vorito quando corria sozinho.
Jd o seu maior adversArio, o
senador Jader Barbalho, nao
convenceu ainda o piblico so-
bre a sua sina de eterno vitori-
oso, de que nao seguira o des-
tino do amigo paulista Orestes
Qu6rcia, um ex-imbativel em
eleigao. E Ademir Andrade ain-
da nAo tern a pinta de zebra.

Sina
Eu, se fosse o doutor Al-
mir, pediria aos aliados Maio-
rana para nao serem tao par-
ciais no noticiArio sobre os
candidates, procurando ao
menos maquilar a tendencio-
sidade. JA vi gente condoida
de Jader Barbalho, colocando-
o no altar de vitima.
Todas as vezes em que fez
campanha, o grupo Liberal per-
deu. Nao 6 urucubaca, nao. E
antipatia mesmo. Acredite, dr.
Almir: a hist6ria recent ensina.


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