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Veja: Como Vender a alma omrna Pesso edera L U C O F L A V O PI N Ii /^y _ 4 nte a ANOXI N- 193 2 QUINZENADEAGOSTODE1998 R$2,00 / COncr incia rPAG. 6) ELEIAO SE. A moral dos i is 0 enviado especial de um grande journal carioca vem ao ampanha eleitoral e volta convencido de que a political e apenas uma moeda de troca no Estado. Seus lideres ndo tem program, apenas interesses e conveniencias. Mudam de posigdo conforme suas estratigias de poder, sem qualquer embaraco. Em 1982 Jader Barbalho foi uma esperanga de renovagdo. Em 1994, foi Almir Gabriel. Todas as esperancas se frustraram. E ofuturo. hadfuturo? Jornal do Brasil reser- vou quase uma pdgina e meia da sua edigio domi- nical do dia 9 para mat6ria do seu enviado especial, C6sar Felicio, sobre a campanha eleitoral no Pari. O titulo da reportagem ("Ningu6m 6 de ningu6m no Para") sugere, em linguagem chula, uma definiggo nada dignificante para o que tern sido a dispute pelo poder no Estado nos iltimos 16 anos. Fazer political em terra paraense (mas ndo s6 nela, 6 cla- ro) seria quase sin6nimo de prostituir-se, numa relagao promiscua, com troca de posi9oes e de parceiros, a ponto de virar cor perdio da palavra, mas, autoriza- do pela ousadia do JB, dizendo as coisas sem subterffigio um bacanal. g DA nojo concluir da sucessao de pac- i tos e trai9oes relatados pelo reporter do journal carioca que nossos lideres sao pes- soas sem principios e sem convicg6es, obcecados pela busca do poder a qual- quer prego (as vezes, prego pago para cumprir um program que o candidate tinha na cabega antes de se eleger, mas que se desfez e acabou sumindo duran- te o exercicio do poder, exatamente para mant6-lo poderoso). Essa hist6ria nao chega a ser novidade para o paraense, mas, reconstituida a partir de um obser- vador de fora, sem qualquer cerim6nia no trato cor os autores desse enredo indecoroso, choca e revolta porque vi- rou cinismo e porque revela total des- respeito pela opinido piblica local. Sem pejo, o governador Almir Ga- briel admite para ojornalista: "Traba- lhamos at6 o final em cima de trds hi- p6teses: ttoos [Almir, Jader Barba- lho e Helio Gueiros] juntos, eu e um dos dois ou eu sem nenhum dos dois". Enquanto raciocinio abstrato, nada a opor: os politicos agem como se esti- vessem em guerra, incorporando a t6c- nica de examiner todas as situagbes, inclusive as imaginrias, que os milita- res desenvolveram como estrat6gia de campanha de estado-maior. No entanto, uma coisa 6 considerar, em tese, todas as variag6es possiveis em torno de uma dispute para nao ser sur- preendido por hip6teses nao considera- das e, por impreviddncia, perder. Outra 6 suprimir as valorag9es de cada hip6te- se, ignorando quem 6 aliado e quem 6 adversario, quem pode ser identificado com determinado program e quem de maneira alguma pode fazer parte dele, ) JJJJ""Y..- -.JA!.:ir* '-. 4 ic Y 2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE AGOSTO / 1998 )por nega-lo na ess6ncia e no pressupos- to, por principio. E essa a raiz da promis- cuidade political no Para. Enquanto dizia para o enviado do JB a Bel6m que tentou, at6 a und6cima hora, fechar um acordo com Jader e H6lio, o governador declarava em Maraba, em entrevista a doisjornalistas locals (Jolo Salame e Milton Faria), que o balango do seu antecessor era "extremamente negative" e que "desonrava o ParB". Relatou danos que, somados, represen- tariam nada menos que 2,1 bilh6es de reais de 6nus ao erario deixado pelo go- vernador anterior, al6m de um passive que abocanhava dois tergos do orgamento de 1995, com o qual foi obrigado a tra- balhar em seu primeiro ano de mandate, pagando mais de R$ 100 milh6es de di- vidas exigiveis em 120 dias. Almir fez questao de esclarecer que o prejuizo "nao foi apenas na 6poca do Carlos Santos", porque em nove meses nao seria possivel "esburacar quatro mil quil8metros de estradas, destruir 660 es- colas em todo o Estado, destruir 300 mil carteiras". Assim, transferir a culpa para os cabalisticos nove meses da interini- dade do vice de Jader 6 sofismar e des- viar o tiro do alvo certo. Mas o culpado nao 6 apenas o segun- do governor Barbalho (1991/95), acusa o governador: "Durante dez anos teve gen- te que fez pose em cima de patrol, em cima de trator, foi filmado, fotografado e nao fez nada", uma indireta que cai como luva sobre a biografia de Gueiros. O Para estagnou porque ficou preso ao "projeto de uma pessoa, projeto de uma familiar, de duas families". Mas ago- ra o Estado tern um verdadeiro projeto, coletivo, que traz renovag9o, por acaso liderado pelo author da revelagco, que, com toda a razao, indaga: "Por que temos que ficar sempre na condi9ao de ficar preso a familiar A ou B?" A resposta 6 simples de dar. E preci- so substituir esses governor corruptos e incompetentes ("6 bom honestidade, mas 6 fundamental compet6ncia") por administra96es s6rias e honradas. "Se- riedade, honradez que a gente traz de casa", diz o governador, sentindo-se obrigado a complementary, cor didatis- mo: "A gente traz essa ligao de nossos pais; 6 essa a ligco, que quando eu cha- mo de nossos pais, 6 meu e de minha equipe", diz em sua sintaxe pr6pria, tal- vez sugerindo que a purgagao decorre- ria da proximidade do chefe. Ora, se os governadores que se suce- deram nos 10 anos anteriores a Almir (Jader, Hl6io e Carlos Santos) eram cor- ruptos e incompetentes, nao propriamente por terem se tornado corruptos nesse pe- riodo, mas at6 por origem (quando nada, uma gritante injustiga em relagao ao hon- rado pastor Ant6nio Teixeira Gueiros, que nao pode ser imputado pelo que nao afi- na com seu modo de ser, mesmo sendo um produto filial), por que o honrado e competent Almir Gabriel s6 desistiu da alianga com os mesmos Jader e HWlio quando os dois rejeitaram as propostas - ou seria mais correto falar em alicia- mento do governador? Se os dois tivessem aceitado, Almir estaria dizendo o que diz agora, ou ter- se-ia calado at6 o moment em que a traigao poderia ser consumada sem o ris- co de provocar uma confrontagdo dire- ta, aberta e leal, declarada e assumida, como a categ6rica bipolaridade definida pelo governador exigiria que fosse? Nao, nada disso, tao anti-tucana e anti-social-democrata (A brasileira) 6 a clareza e a firmeza, ainda que, para in- terlocutores de gabinete (se possivel re- frigerado), o governador busque sofre- gamente eliminar a image auto-colan- te de frouxura. E que nossos tucanos sao feitos de um barro diferente daquele corn o qual foram modelados os outros po- bres mortais, corruptos ou honestos, in- competentes ou competentes, mas nao social-democratas gerados A sombra da casa-grande em floor. por isso que o nos- so purpureo gover- nador vai atrds de politicos em relaqdo aos quais ter conceitos tdo depreciativos, ndo sejul- gando em falta ou con- tradiqdo nessa attitude. Enquanto o comum dos mortais tem a marca do pecado original, derivado de Adao e Eva na mitologiajudaico-crista, Almir Gabriel, livre dessa peia (embora agora se apresente atado a ela diante do chamado puiblico externo), ter a absol- vigao primAria, preexistente. O governador nao esta insinuando sua condigao semi-divina (ao menos enquanto ela nao puder derivar da presungao prin- cipesca emanada do Planalto). Mas pa- rece penetrado por uma forga moral que, como o Omo, dA brilho As maiores sujei- ras. Tanto que agora ele aparece no mesmo out-door ao lado de Luiz Otavio Campos, o polemico ex-secretArio de Transporte de Gueiros e candidate da Unido pelo Pard ao senado, ter como lider no legislative Mario Couto e conta corn o apoio do filho de Josiel Martins, Z6 Neto, alguns dos politicos que, antes, ele dizia que jamais entrariam em seu gabinete (um outro, Ronaldo Passarinho, atacado violentamente pelos tucanos na campanha de 1994, foi indicado pelo go- vernador para ser conselheiro do Tribu- nal de Contas dos Municipios, nao sem que antes o supremo mandatario do Es- tado, como fez de pronto corn o coronel Pantoja no sangrento epis6dio de Eldo- rado de CarajAs, escondesse a mao, transferindo in limine a responsabilida- de sobre as baixarias da campanha para os marqueteiros, said a francesa logo endossada pelo "outro lado"). Por isso, nao ha desfa9atez quando, na entrevista dada em Maraba, Almir diz em relagao aos aliados pecadores: "Que a lideranga A ou lideranga B possa estar conosco, tudo bem, nao contamina. N6s temos imunidade total, somos totalmen- te vacinados". Todos os lazaros da political paraense (e nao sao poucos) cabem na nau tuca- na, sem o risco de contaminagao, por- que Almir Gabriel e seus amigos (aque- les que aprenderam com pais ilibados e nao esqueceram a ligao) controlam as finangas, guardam o dinheiro puiblico como anjos escolhidos a dedo pelojuiz supremo (e, justamente por isso, de ori- gem insondavel, metafisica, teol6gica, "imperquirivel", como quiserem). "Entao, eu estendo os bragos, sim, para PFL, PMDB, mas com a chave do cofre na minha mao. Essa 6 uma condi- 9ao essential e nao abro mao disso", declara o novo Mois6s (reconhecida- mente um mao-fechada), atravessando o Mar Vermelho dos maus costumes atrav6s, talvez, do Elevado do Entron- camento, feliz criagao do arquiteto Al- cyr Meira (oficializada sem licitagao piblica, claro, e, no future, quem sabe, aditada no valor, ou negociada lateral- mente entire executores corn taxa de ocupagao e reserve, um saindo corm Agio, como um flanelinha de obras civis e ou- tro entrando sem grito). Se nao tiver sido exatamente assim, de fato, como diz o guardiao monopolis- ta da moralidade public, nao ha proble- ma: Almir Gabriel reescreve a hist6ria, como fez, embora sem o sucesso mere- cido, cor sua famosa fuga de 1992. Depois de tantos meses do anfincio em manchete da Gazeta Mercantil que ele indicara o senador Jader Barbalho para ser ministry dajusti9a do president Fer- nando Henrique Cardoso (autentico pre- sente de grego para um politico que gos- ta dos cargos muito bem sonantes, como Jader), o governador sentencia, provo- cado pelo reporter de MarabA sobre o aparente paradox de indicar para mi- nistro do pais um politico que consider nao servir para ser governador do seu Estado: "nao 6 que eu tenha indicado. Quando me foi solicitado, eu disse que nao oporia veto. E diferente, bem dife- JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DEAGOSTO / 1998 3 rente". Tdo diferente que nenhum 6rgio da imprensa registrou tal diferenga ate o governador, cessada a utilidade da am- bigilidade, suscita-la. Em political, nessa political miseravel que se pratica num Estado pobre como o nosso, mas sempre sujeita a lampejos artisticos, Almir Gabriel 6 um autoritario e vaidoso aprendiz de feiticeiro, daque- les sabios que nada aprendem, mas nao esquecem o que aprenderam. O gover- nador estava absolutamente convencido de que Jader Barbalho, seu superior em political (a relagco 6 francamente psica- nalitica, como pode ser constatado atra- v6s de exame atento da fotografia de ambos na diplomagdo, em 1995, estam- pada na primeira pigina de A Provincia do Pard), nao viria disputar o governor. De onde ele tirou essa conviccao sem base s6lida? De informac6es "de cochei- ra" recolhidas no meio da plumagem bra- siliense, do aconselhamento dos seus 12 pares carolingios, ou "almirelingios" (que t6m uma unica cabega, hipertrofiada), e de sua inata sapi6ncia. Somente na un- d6cima hora o governador permitiu-se ver que Jader viria mesmo disputar o gover- no (o que detonou um mecanismo sub- consciente de panico, produto de inse- guranga intima, mas e por isso mesmo - profunda). Achou ardiloso o estrata- gema de Romulo Maiorana Jr., atraindo Jader para um encontro secret no qual the ofereceria a maga do pecado: a pos- sibilidade de trair o acordo cor o ex- traidor (j na nova 6tica performatica de Jader, revista e atualizada) Hl6io Guei- ros. Para ganhar o que? A promessa de nao vir a arder no fogo eterno reservado pelos tucanos aos impuros e pecadores? Essa conversa pode ser boa para so- ci6logo dormir, nao para seduzir politico pragmatico e experience. Desde que sen- tou-se no trono paraense e uma emenda constitutional introduziu a arma da ree- leigao dos chefes do executive, Almir Gabriel tem tido uma coerencia: para ele, s6 existe a sua pr6pria candidatura (a redundancia nao 6 excessive no caso). Como s6 ele conhece o c6digo que da acesso as virtudes do dirigente p6blico, a pr6-condi9ao para qualquer alianga sempre foi a reelei~io do governador, nosso profeta tabagista. Fosse outra a pessoa e o pacto deve- ria estabelecer-se em torno de um pro- grama, que desse continuidade e melho- rasse o auto-declarado padrao de ges- tao p6blica introduzido por Almir Gabri- el. Se fosse possivel, essa uniao se reali- zaria em toro da pessoa do governador. Inviabilizada a alianga nesses terms, os lideres procurariam um tertius enquadra- vel no modelo de gestdo. Juntos, Almir, Jader e H6lio elegeriam quem quisessem, desde que nao fosse um deles, nem Luiz OtAvio Campos, Hildegardo Nunes ou personagens assemelhados (nem 6 a fi- gurinha carimbada de Ademir Andrade). Algu6m efetivamente novo, competen- te, honest, comprometido cor um pro- jeto de renovagdo. Era a oportunidade de realmente se comportarem como es- tadistas que a hist6ria Ihes deu, atrav6s da ren6ncia ao esgoismo (ou A gula). Mas, como naquela hist6ria do escorpiao que picou no meio do rio o animal que o carregava na travessia, a natureza de cada um foi mais forte. abe, no entanto, perguntar. Helio Gueiros e Jader Barbalho seriampassa- geiros admissiveis nes- sa nau comissionada para atravessar o rubi- cdo da indigencia para- ense, inclusive a mental? Um rigoroso analista da hist6ria diria que nao. Os doisja tiveram suas oportunida- des hist6ricas e desperdigaram-nas (ojo- vem tribune Jader Barbalho quando ti- nha um future diante de si para escre- ver, o sexagenArio H6lio Gueiros quan- do tinha a possibilidade de reescrever o passado pela pauta do dia), descreden- ciando-se de vez para a tarefa de tirar o Para do estado de prostra9go em que (ainda) se encontra. Pela idade o primeiro e pela conjuntura o segundo, eles acei- tariam agora ojogo arriscado (o primei- ro para ter um arrimo de poder tempo- rario para a eventualidade de uma nova eleiygo em dois anos, o segundo para ganhar tr6gua e impulse para v6os mais altos na political national) de apoiar um terceiro nome se o candidate nao fosse, compulsoriamente, Almir Gabriel. 0 governador, fazendo jus ao reivin- dicado titulo de estadista, renunciaria aos prop6sitos continuistas. O Estado nao avangaria nos pr6ximos anos tanto quanto se no timno estivesse o ilumina- do Almir Gabriel, mas, ainda assim, con- tinuaria avangando, ao inv6s de retro- ceder, como acontecera se houver o terceiro capitulo (com o quarto engati- lhado) da novela Jader Barbalho (pro- messas de renovag9o tendo, em con- traste, a volta da parceria cor Hl6io Gueiros), cada vez mais ameagadora gracas ao pr6prio Almir. A outa alterativa seria a da autono- mia do governador, que, firme na mira do future e na consistencia do seu idei- rio, ignoraria as barreiras do present para tudo arriscar: o poder com progra- ma ou nada. Mas essa hip6tese nunca existiu. Se em 1992 Almir Gabriel gelou corn a perspective de um combat aber- to contra H6lio Gueiros, fugindo deson- rosamente (para nao se macular, inven- tou uma hist6ria da carochinha, na qual s6 ele e seus escolhidos pares disseram acreditar), para encarar 1998 ele sem- pre andou atras de uma escora. O prego para contar cor os bons pr6stimos de Almir Gabriel 6 sagra-lo ditador, submetendo-se ao seu refinado autoritarismo, a um maquiavelismo ce- rebral que s6 tem eficacia quando utiliza todos os mecanismos do poder. E o risco de seguir messias e profetas, risco em si que se agrava quando nao ha a garantia de que sejam cria9Oes aut6nticas (cor o marketing dos nossos dias, podem ser ilusionismo). E inquestionavel, numa avaliaggo isen- ta, que, administrativamente, Almir Ga- briel represent um avango em relagco aos goveros de Jader Barbalho e H61io Gueiros. Mas nao 6 tdo fora de d6vida que represent uma alternative aos 12 anos de neobaratismo, que seja diferen- te em ess6ncia ou substancia. O m6dico Almir Gabriel 6 um competent arruma- dor de casa, mas tem, em relagIo A con- di9do de estadista, a perspective de um contador que age orientado pelo livro do deve e do haver. Nenhuma de suas grandes obras 6 criagao dele. Nem mesmo o privil6gio de t6-las iniciado, a rigor, ele pode exigir para si (a gl6ria de conclui-las, em mui- tos casos, ficara para um segundo man- dato ou o successor Tern a prerrogativa de argumentar que executou-as corn maior exagco, mas nao 6 dono da prova dos nove, mesmo porque eliminou ou anestesiou os mecanismos de compro- vagdo isenta dos atos do governor, distri- buindo A larga dinheiro pfiblico aos 6r- gdos da imprensa e inundando-os de pro- paganda, uma droga que vicia a vontade e afeta o discernimento (nesse ponto, seu grau de traigao aos compromissos de campanha s6 6 menor do que o do pre- feito Edmilson Rodrigues). O governador desestimulou ou supri- miu o contradit6rio piblico no Pard, ou se valeu de uma acomodagdo de inte- resses (quando ainda havia possibilidade de acerto corn Jader e H61io) para evitar a controversial. Comegando sob dificil condigao de inferioridade no parlamen- to, conquistou adesoes A base do mais deslavado fisiologismo (a assessoria es- pecial, inchada como as de Jader e H6- lio, 6 apenas a gota d'agua, ou o dedo do gigante), que resultou, como por milagre, no maior apoio cor que ja contou um governor estadual em tempos de demo- cracia formal no Para. Nao foi um pro-) 4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DEAGOSTO / 1998 Sgrama de governor que cimentou essa coesao, mas o projeto pessoal de um governador, ja que discussao programa- tica simplesmente inexistiu, exceto pela ret6rica recorrente e vazia da reformu- lagco da base produtiva do Estado. A nao ser, talvez, por diferengas nos custos de obras p6blicas (varias delas sendo as mesmas, retomadas, revistas e, As vezes, melhoradas e ampliadas), cuja contabilidade permanece por fazer, gragas, entire outros motives, A omissdo conivente da imprensa, o que o governor Almir Gabriel representou, prometeu e realizou pode ser comparado ao que foi e fez o governor Jader Barbalho, talvez com mais economic e celeridade. jovem Jader Bar- balho de 1982, prometendo nao ser o ultimo dos "baratis- tas mas o primeiro dos "pos-baratistas ", frus- trou as melhores esperan- qas em torno do seu nome, devolvendo o Pard a uma epocajd entdo em vias de superagdo, na qual o seu envolvimento era apenas familiar, mas acabou se tornando vivencial. Nem cor toda a sua simpatia Jader con- seguira apagar essa n6doa que deixou na hist6ria do Para, o que ficarA quando tudo o mais ter-se-A evaporado cor a inexoravel a9go do tempo, como o per- fume barato da propaganda political. Almir encarnou a mesma ansia de re- novagdo em um Estado carente de me- Ihor adequaFgo de seus merecimentos As suas realiza6oes. Mas se Jader s6 se tornou governador gragas A alianga corn Alacid Nunes, o poder chegou ao alcan- ce de Almir porque, carregando a ban- deja, estava o Gueiros pai, levando na salva de prata o nome do Gueiros filho, cuja indicagdo o entdo candidate a go- vernador incorporou. O m6dico Gabriel nao podia prever, naquele moment, que viria a desancar, quatro anos depois, as families B(arbalho) ou G(ueiros) da car- comida oligarquia paraense. Almir engoliu todas as "gueirices" atW a und6cima hora, o que, para um tuca- no, significa a hora em que cai o muro. Nao bastassem todas as ofensas, regis- tradas, engolidas e digeridas enquanto parecia possivel colar os cacos da ali- anga com o patriarca dos Gueiros vivos (vivissimos, por sinal), nao fosse sufici- ente a frustrada engenhosidade do en- contro entire Jader e Rominho Maiora- na, Almir ainda foi buscar Hdlio Guei- ros (aquele mesmo cuja crucificagao foi proposta a Jader, 24 horas antes) para o derradeiro encontro, em busca de um acordo do qual o ex-prefeito de Bel6m ja debochava, como de costume. Tanta humilhagAo e desmoralizagao para co- locar em pratica um program de mu- danga, que ninguem conhece? Ultrapassando o limited em que o sen- so de dignidade recomenda respeitar, estancando nele, o governador aplai- nou o caminho pelo qual os "baratistas" de duas gera96es fazem trafegar seu raciocinio de p6ssima extragdo. Culti- vador da desmem6ria como m6todo de manipulagao, Helio Gueiros recorre a paralelismo de doutor Pangloss parajus- tificar a recomposiggo com Jader, apa- gando os violentos ataques que fez at6 recentemente ao ex-"irmdo" mais novo: "Tudo na vida sdo moments. Quando a gente se casa, nao jura fidelidade e depois trai? Marido e mulher podem di- zer desaforos um do outro e o tempo apaga tudo", sentenciou o psic6logo de almanaque capivarol. Marido e mulher se ofendem quando nao se respeitam. Sem respeito nao ha relagAo que valha a pena entire pessoas dotadas de civilidade e que tamb6m exi- gem respeito dos outros para si, que con- sideram em suas vidas as no9ges de 6ti- ca e moral expressess deletadas de ha muito do arquivo etilico-mental de Helio Gueiros). Uma sociedade sem um pa- drdo de dignidade baseado no respeito m6tuo entire os que a integram esta con- denada a uma vida selvagem, vencida pelo mais forte porque a lei, o instrument de relagao social, vira potoca. O Para exige respeito. Nem sempre, por6m, quem se diz interprete dessa exi- gencia ter autoridade moral para assumir a fungao de porta-voz, como ficou prova- do na eleigao de 1990, na qual o grito dado por um dos candidates foi apenas um de- mag6gico mote de campanha. Como na- quela famosa pega teatral, o grito continue parade no ar, ou na garganta. At6 quando, nem uma Catilina ao tucupi saberi respon- der. De qualquer maneira, nenhum dos candidates que tentara ser o governador neste ano traz uma proposta de resposta na qual se possa acreditar porque nio a buscaram ou simplesmente porque nao a trn. O povo precisa, urgentemente, encon- trar um novo lider, se nao consegue fazer sua hist6ria sem intermediarios. 9 Fantasia ret6rica A suiga Passi AG esta passando em frente sua fabrica de concentrado de ma- racuja, instalada em Benevides, que com- prou cinco anos atris da Amafruta. Diz que 6 por falta de produgco, enquanto os plantadores se queixam dos precos que Ihe sao pagos. Todos sabem que se ha uma relagao de mercado entire os dois protagonistas, um ponto qualquer de equi- librio entire prego e produgco se havera de encontrar. Se os pr6prios atores nao sao capazes desse entendimento, convo- ca-se o governor para media Os produtores estao preferindo en- tregar a fruta a quem a compra "in na- tura", mas pagando bem mais do que a Passi, do que participar do process de verticalizagao da producgo, agregando- Ihe valor e dando sustentabilidade ao cul- tivo agricola (o faturamento da fabrica baixou R$ 700 mil entire 1996 e 1997). Ao inv6s de subir na rampa da industri- alizagco, que abre um horizonte para o process produtivo, os produtores so- bem na montanha russa da sazonalida- de, que podera desembocar no vacuo, impondo ao maracuja como destino a decadencia que tem assolado outras cul- turas mal estruturadas. Depois o governor quer que se acre- dite em prioridade A agriculture e em verticalizagyo (e modificagao) da base produtiva. Quando diretrizes de politi- cas publicas nao se aplicam a casos con- cretos e nao resolve problems reais, nao passam de ret6rica de gabinete, vi- rando fantasia de tecnocrata e dema- gogia de politico. Feitigo As hist6rias tnm tudo para nao passar de fantasia, mas o povo as repete basea- do na mAxima de que onde tem fumaga ter fogo. Uma: o buraco aberto para a sondagem da galeria pluvial vai ficar aber- to em frente A antiga residencia official do Estado (hoje o camale6nico Parque da Residencia, made by Paulo Chaves Fer- nandes) at6 a sua inauguragao e inicio de funcionamento. Seria para criar inc6mo- dos, tanto pelo buraco em si, como pela propaganda do PT, que o adorna. Duas: os 6nibus foram desviados da avenida Nazar6 para evitar que seus pas- sageiros vissem o cinemasc6pico out- door da dupla Almir-Pepeca, fincado ao lado da sede do comite eleitoral da Unido pelo Pard (o out-door Barba- lho-Gueiros esta mais adiante). E invengao. Mas Edmilson Rodrigues tem feito tudo para tornd-la aceitavel. JOURNAL PESSOAL 2D QUINZENA DE AGOSTO / 1998 5 Jornalismo catartico na corte brasiliense Um problema no comit6 de campa- nha do president Fernando Henrique Cardoso mereceu quatro pdginas, a prin- cipal mat6ria da secao Brasil e uma cha- mada de capa de Veja (a quinta mais important revista semanal de informa- 9go do mundo) que esta nas bancas. Nao pense o leitor, entretanto, que a campa- nha em si do president va mal. Muito pelo contririo, atesta o semanArio da Editora Abril, apropriando-se da funcgo de auditor independent (ou de cart6rio do jornalismo): a campanha "vai as mil maravilhas e tem uma estrutura eficien- te em Brasilia". O unico problema, que mereceu tanta atengdo da revista, "reflete estritamen- te a situagao pessoal" de Eduardo Jorge Caldas Pereira, 55 anos, "co- l mandante-em-chefe" da campanha de ree- leico de FHC, respon- savel por tanta efici6ncia. O nunca exagerada- mente elogiado brago direito do president enfrenta uma crise psicol6gica: tem tudo para aproveitar a vida (aposentadoria, sobra de di- nheiro, poder) e participar mais na formagdo da sua fa- milia, menos tempo. Cansado de "ser escravo", dedicado full-time ao projeto de poder de Fernando Henrique ha 15 anos, : desde que o soci6logo paulista fez-se senador, Eduardo Jorge ameaga jogar tudo para o alto e con- quistar a liberdade. Mas, como Santo Agostinho antes de trocar a bo6mia pela santidade, nAo de imediato, s6 na hora oportuna. Isto 6: depois que estiver confirmado o segun- do mandate presidential do patrAo, quan- do o stressado (ma non troppo) Eduar- do Jorge saira do governor, "por bem ou por mal", contudo com a possibilidade de ressalva: "Se tiver de sair brigade, saio brigade, mas acho que sairei bem", pre- vi ele. Ou nao saira. Ou... (as ineviti- veis alternatives tucanas, tao intermini- veis quanto a lamina da Gillette). Essa 6 uma das mat6rias mais no- jentas e anti-profissionais que jA li em Veja. Ora, se o problema 6 de foro inti- mo do tal comandante-em-chefe (foi o Anico tucano federal que aceitou o con- vite do governador Almir Gabriel para ver o desfile dos caruanas da Beija-Flor no animado camarote chapa branca do Estado, no samb6dromo do Rio de Ja- neiro), nio merece uma mat6ria. Mas se ela vale, teria que ir para a segao de comportamento, gente ou variedades. Nunca para Brasil, que abre as repor- tagens da revista. Para enfiA-la c6rebro a dentro dos lei- tores em espago nobre, Veja produziu nao uma reportagem, mas um editorial, ou, para ser formalmente rigoroso, uma mat6ria paga (mesmo que nao em dinhei- ro, talvez em cortesia, nao exatamente gratuita, por certo, nem desinteressada). 0 gancho (c6digojornalistico que de- signa o ponto de sustentagao da mat6- ria) 6 um desabafo, supostamente *1; feito a quatro paredes, de S Eduardo Jorge a "um ami- go" (nao identificado) num caf6 da manhd de sexta-feira (ou seja, no mesmo dia do S fechamento da edi9ao ^ e seu envio para a S grfica). Ainda as- sim a noticia che- gou imediatamen- Ste ao conheci- mento dos che- f es de Veja e conseguiu Socupar sua principal se- ,9o, uma fa- ganha para os tensos crit6rios de edi9go da revista. Ficam varias dilvidas: o "comandan- te-em-chefe" falou a um amigo ou a um representante da revista? O tal jorna- lista 6 reporter e ao mesmo tempo ami- go de Eduardo Jorge? Quem prevalece entire duas condig9es? O alegado fato aconteceu mesmo na sexta-feira ou foi informagdo p6s-datada? Houve toda aquela mise-en-schne (o personagem lacrimeja ao desabafar, vai ao banhei- ro, lava o rosto e volta recomposto, como determine o enredo padrdo dos romances policiais)? Ou tudo nio pas- sou de um arranjo (a duas, quatro, seis mros?) para recolocar o brago direito do president no tabuleiro do poder, ou rearrumar peas? Veja garante que seu her6i 6 "discre- tissimo, nao gosta de aparecer e 6 do tipo que trabalha para o chefe, e nao para se promover ou fazer prevalecer seus interesses politicos, como ocorre com outros auxiliares de FHC". No entanto, Eduardo Jorge aparece numa foto cui- dadosamente posada para o veteran Ricardo Stuckert, batida provavelmente na semana em que a reportagem foi - literalmente produzida. Parece mais ficil de ser fotografado do que Elio Gas- pari, ex-redator-chefe de Veja. O texto, do inicio ao fim, bate na te- cla de que o exaurido Eduardo Jorge esta disposto a larger tudo para olimpi- camente voltar a ser bom pai e a ler os classicos da literature (e "em francss, faz questgo de destacar, provavelmen- te cobrando rever6ncia a condi9go de poliglota, nao tao poli quanto o patrdo, mas o suficiente para querer sua cota de status numa sociedade em que, atW alguns anos atras, falar mais uma lin- gua al6m da sua conferia passaporte para o grupo de elite). Mas terminal proclamando o inverso: "Disciplinado, ele certamente nao aban- donara a campanha eleitoral. FicarA at6 o 61timo minute, mas, caso venha a ree- leigdo, Fernando Henrique terA perdido um auxiliar de peso, daquele tipo que atua na cozinha do palAcio, mexe nos cordaes nos bastidores e se comporta como um tumulo. Fidelissimo, nao Ihe escapa uma palavra que possa prejudi- car o presidente. Veja incorpora com tal perfeicgo a atormentada intimidade psicol6gica do seu her6i que, na hora de tamb6m ates- tar sua inatacavel honorabilidade de ser- vidor que tem muito poder e control muito dinheiro, mas nao permit que des- sas premissas result a menor n6doa em sua conduta, diz sobre os bens de Eduar- do Jorge: "Seu patrim6nio, avalia, 6 ape- nas razoAvel", transferindo ao persona- gem competEncia que deveria ser prer- rogativa exclusive do author do texto. Alias, s6 nao acho ter sido o pr6prio "comandante-em-chefe" quem escre- veu a reportagem porque nem ele, ne6- fito nas bruxarias dojornalismo, conse- guiria ser tao realista ou, melhor di- zendo, vice-realista, para manter a ab- soluta lealdade ao chefe trombeteada pela revista dos Civita. Recomenda-se um Engov ao final da leitura, que diz mais sobre a indigencia em mat6ria de 6tica e moral da grande imprensa brasileira do que mil editorials. Ao menos para os que, ainda sabendo ler, nao desaprenderam a se indignar. n 6 JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE AGOSTO / 1998 nova A Provincia do Pard, em circula~go ht duas semanas, re Imente repercutiu. Um verdadeiro projeto grifi- co, criado por consultores trazidos do Rio Grande do Sul, deu-lhe cara nova e agra- davel (ainda que, particularmente, ques- tione algumas das solu96es encontradas, inclusive para a logomarca). O principal, por6m, foram os pregos. Todos os dias da semana o journal custa- ra 50 centavos, metade do prego dos concorrentes nos dias uteis e um quarto de O Liberal aos domingos. Foi a mais audaciosa investida de marketing dos iltimos anos. A empresa tamb6m ado- tou uma "assinatura permanente, corn a qual o leitor renovara a sua a cada mes pagando R$ 9,90. O apelo dessa promo- )xigenio n mercado 9go 6 forte, abrindo um flanco na con- correncia ao lider do mercado, que tern um baixissimo percentual de assinantes sobre a tiragem total (ao contrario dos grandes jornais, no Brasil e no mundo, que entregam a assinantes de 80 a 90% dosjornais que imprimem). A consolida9go dessa engenhosa ini- ciativa commercial dependera em grande media do projeto editorial propriamen- te dito, ou seja, do conteldo do journal, agora mais bem emoldurado graficamen- te e melhor trabalhado comercialmente (o que pode ate vir a ser ruim, se desta- car um vacuo interior). Cartas Os bons ventos da concor- rencia sopram no exato mo- mento em que o dominion de 0 Liberal comega a enfraque- cer. O journal, que ji teve a oi- tava maior tiragem do pais, agora esta em 16 lugar, recorrendo a vArios estra- tagemas para nao continuar a perder lei- tores, a partir de uma descoberta que tern, para os mercantis Maiorana, o sabor de novidade revolucionaria: que o leitor exis- te e merece respeito. Assinantes que fizeram aniversario e foram pela primeira vez lembrados, re- cebendo um cartdo de felicita9ges, ja sabem dessa mudanga, embora nao pos- sam ainda garantir se ela veio para du- rar ou 6 tdo passageira quanto a aten- 9ao dada aos eleitores por politicos em campanha por votos. 0 Ainda Passarinho Como de costume li o iltimo ntimero do Jornal Pessoal (192), incluindo o espaqo dedicado ao "hibrido" Passarinho, que voce chamou de "anfibio", mas bem que poderiamos alcunha-lo de "caba- lista", para ficar consentdneo com a atividade que sempre desempe- nhou, na casera e fora dela. Con- forme escrevi na nota que Ihe pas- sei via fax, em 03.08.98, nao vislum- bro nenhuma ligagao desse lumi- nar corn a repfiblica paraense, ate porque nao tivemos esse tipo de govemo. Aqui, alguns oligarcas se instalaram e comandam, a seu gos- to, os viventes da "terrinha", para usar o termo de um conhecido co- lunista. O pessoal da chamada "etera vigilancia" da UDN apren- deu a conspirar cor os militares e nao como voce colocou. Nao con- cordo que eles (Alacid e Jarbas) tenham derrotado o populismo "baratista"; ao contrario, ao sejun- tarem aos remanescentes da d6ca- da de 50, permitiram a continuida- de dessa n6doa indeldvel na hist6- riado Par. Outracoisa, a"ma fama" do coronel nao parece-me ser uma tendencia adquirida, seria algo con- genito, ou como se diz vulgarmen- te, coisa do pr6prio sangue. Finalizando, acho que ele ainda foi bem aquinhoado politicamente, porque quem se liga a paredros mal intencionados, nao deve ter a pre- tensao de sair-se inc6lume da re- frega. Rodolfo Lisboa Cerveira Minha resposta Sobre a questdo de saber quem d o ovo e quem d a galinha na inspiragdo golpista, se os mi- litares ou a UDN, recomendo a leitura do cldssico trabalho de Maria Victdria Benevides sobre a Unido Democrdtica Nacional, que responded a dzivida, jd ade- quadamente eliminada da histo- riografia national. Respeito o direito do leitor de ndo partilhar as minhas opini5es, ou variar de enfase. Sd um ponto da sua carta gostaria de destacar: os tracos de continuidade napas- sagem do governor Aurlio do Car- mo, destituido pelos militares em junho de 1964, e o governor Jar- bas Passarinho, que o sucedeu. Passarinho seria o governador de qualquer maneira. Os milita- res o escolheram no coldgio que tinha entaofora para impor suas decisoes, inter pares. Mesmo que o carddpio fosse indigesto, a As- sembldia Legislativa engoliria o prato (ou o sapo) recomendado, de qualquer maneira, corn espada e tudo (no que foi poupada pelo atavismo legalista dessa geracdo de militares, eliminado a seguir). Passarinho ndo queria apenas ser eleito: desejava unanimidade, que equivaleria a sagragdo. Por isso, tratou de negociar secreta- mente a adesdo ao seu nome do PSD "baratista" na eleiqgo indi- reta, como, alids, fizera o mare- chal Castelo Branco cor os pes- sedistas liderados por Juscelino Kubitscheck (Castelo era um ude- nista defarda; Passarinho, qua- se). Em ambos os casos, os interlo- cutores destituidos depoder manu military se declararam traidos. Esse duplo movimento afor- qa num nivel, de quem deu um gol- pe de estado e venceu; e a negoci- agdo em outro nivel, de quem ain- da pretendia continuar uma or- dem political anterior devidamen- te retocada gerou contradicges, enfraquecendo a posicdo dos mi- litares quando chegou a hora de restabelecer a plenitude constitu- cional. Eram golpistas aspirando a uma legitimidade que s6 as re- voluqges concede. Como no Par6 ndo havia pro- grama algum em questdo, esse en- tendimento degenerou emfisiolo- gismo e negociacdo mercantile. 0 inimigo declarado, ds claras, era o mesmoparceiro dos bastidores, na "calada da noite", ao menos enquanto foi 0til uma relaqdo de "Belle deJour", quem sabe? 0 vildo tambim podia ser chamado para contribuir cor a verba "dos bois (eles viraram mesmo chur- rasco ou foram parar no past, como sugeriu Passarinho, numa carta sigilosa mandada, anos de- pois, aos chefes militares lo- cais?), a maneira do pacto entire Gilberto Mestrinho (cassado na vdspera) e Alacid Nunes (da tur- ma dos cassadores). Dois elements sdo constantes napoliticaparaense. Um a aspi- raqo a unanimidade, quefaz de qualquer eleiqgo um plebiscite (e do grupo no poder um bando de assaltantes que busca esmagar os antecessores, ainda que a frente do grupo possa estar um home honrado, como Magalhdes Bara- ta). 0 outro d a traigqo. Quanto a esta, geralmente encarada a par- tir de uma dtica negative, um ami- go diz que acaba tendofungdopo- sitiva. Ao menos possibility a al- terndncia de oligarquias (ao in- vis de perenizar apenas uma) e dd ao povo informao(es sobre quadrilhas epilhagens. Mas, con- venhamos, ndo e umaforma muito saud6vel defazer histdria. Cidadania Leao Stiliandi Sobrinho, cumpri- mentando este journal por sua "in- formag~o correta e opiniao con- sistente sobre as coisas amaz6ni- cas", pede divulgacgo para a im- plantagao de "empresas cidadas", entendendo-as como uma solugao para as prefeituras do interior, ca- rentes de recursos. Explica ele: "Conceitualmente, uma 'EmpresaCidada' seriaaquela que, sob convenio cor a Prefeitu- ra, obteria favors fiscais e licenga para propaganda pr6pria gratuita em troca de investimentos e/ou servings em areas-alvo municipals de interesse pfiblico". Entre os exemplos, cita: construao e/ou ma- nutengao de pragas ejardins; cons- trugdo e/ou manutengao de ruas de lazer; conservaqio de pr6dios hist6ricos e monumentos; e sinali- zagao de ruas e trAfego (como se- maforos inteligentes e places). A propaganda, a custo zero para a empresa, "seria aprovada por 6rgao pr6prio da Prefeitura e, em muito pouco tempo, os muni- cipes usufruiriam dos beneficios do empreendimento", destacando- se publicamente o responsavel pelo patrocinio. JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE AGOSTO / 1998 7 Political precipitou e complicou inversao A Ctbel s6 iria iniciar em dezembro a reformulagdo do transito em Bel6m, centrada na inversao de duas das prin- cipais vias de escoamento de trafego (Nazar6/Magalhdes Barata e Governa- dor Jos6 Malcher). O prefeito Edmil- son Rodrigues, por6m, mandou anteci- par para a ultima semana de julho as provid6ncias que estavam em andamen- to. O sentido? Aproveitar, a (ltima hora, o final do veraneio, antes da volta dos estudantes as aulas, a derradeirajanela que havia no calendArio at6 a elei9~o de outubro. Corn a inversao de sentido nos prin- cipais elos de ligagdo dos bairros com o centro da cidade, o prefeito queria pro- vocar impact na opinido puiblica, ca- paz de dar rendimentos eleitorais aos candidates majoritarios apoiados pelo PT, o senador Ademir Andrade (do PSB) ao governor e a vice-prefeita Ana Julia Carepa ao senado. Sem ter um ativo de realiza96es concretas para con- trapor A maquina estadual, mobilizada para reeleger Almir Gabriel, o prefeito de Bel6m quer multiplicar, pela propa- ganda, os efeitos do pouco que pode apresentar diante do eleitorado. Agindo assim, o prefeito se benefi- cia do impedimento imposto pela legis- lagdo electoral A at6 entao abundante propaganda de Almir. Pretende, dessa maneira, inverter a relagao desfavord- vel a Ademir no confront corn o go- vernador e de Ana Jilia face a Helio Gueiros, uma relagao que traduziria uma avaliagao popular negative da pr6pria administragao Edmilson Rodrigues. Mas os resultados eleitorais dessa manobra sao tdo incertos quanto o su- cesso da inversao de mAos nas duas vias de trafego. Um balango isento mostrara que a Ctbel acertou muito mais do que errou com as mudangas. Mas tamb6m ficou claro que boa parte dos problems poderia ser evitada ou atenuada se a companhia municipal houvesse tido mais tempo para planejar as altera95es e pre- parar a popula9go para colaborar corn sua iniciativa. Essa inversao e outras provid6ncias, complementares, paralelas, cruzadas ou de muito maior f6lego, sao necessArias para desviar o transito belenense de sua rota rumo ao caos complete, que ja se pode vislumbrar no horizonte. A Ctbel esta provando ter uma com- petencia que faltou a todas as anteceden- tes autoridades do setor. Mas o sucesso da empreitada depend tanto da eficacia das medidas e da lucidez dos gestores quanto da mudanga de habitos e costu- mes dos paraenses, incivilizados no trato dos problems do transito. Os moradores da cidade precisam se dispor a recorrer mais ao transport coletivo, a se despren- der de seus vestes metAlicas imantadas sobre rodas, a andar mais a p6, a buscar caminhos alternatives e a adaptar-se mais inteligentemente As condi96es naturais do sitio urban. Para isso, entretanto, preci- sam das complementag6es que s6 o apoio official pode proporcionar. Algumas delas a Ctbel ja esta criando, como os micro-6nibus, a nova programa- 9ao visual e os novos itinerarios. Outras estdo esbogadas, como os pontos de inte- grag9o. Mas todo o esforgo feito para en- frentar o diab6lico problema da circula- co de pessoas e veiculos numa cidade tdo ingratamente localizada para sua situ- agqo atual se choca corn o voluntarismo politiqueiro do alcaide. A improvisag9o do piano ficou A mos- tra na via Nazar6/Magalhaes Barata, de onde o trafego de 6nibus (um dos gran- des objetivos da inversao) foi deslocado (saturando a avenida Gentil Bittencourt) porque somente agora a prefeitura esta verificando o estado das velhas galerias construidas ha muitas d6cadas pelos in- gleses nessas art6rias. Saber se essas galerias poderiam suportar ou no o tra- fego pesado, que passara de uma lateral para a outra das duas avenidas, execu- tando as obras necessArias para reforgi- las, seria provid6ncia preliminary. Mas o impetuoso prefeito petista atro- pelou tudo, inclusive seus t6cnicos, na insia dos votos. Pode at6 ganha-los de imediato, gragas a malabarismo publicita- rio, mas vai perde-los depois, quando as chuvas chegarem e, corn elas, uma refle- xdo mais atenta dos cidadaos. E se nao perder os votos, terA perdido a oportuni- dade de resolver um grave problema da cidade com menos trauma, menor preju- izo e mais inteligencia. Mas aijA seria exigir do soba municipal o que Ihe tem faltado: ponderacao e discernimento. 0 Liberal, sim, ma non troppo Os Icitores de OLiberal foran pri\vados de saber, na senmana passada. que a se- gunda cirurgia cardiac re- alizada no Estado. no Hos- pital Ophir Lo\ Iola (a pri- mcira corn sucesso), de acordo coin a ticnica cria- da recentemente pelo m6- dico paranaense Randas Batista, s6 foi possivel por- que os profissionais da ins- tiluiqiCo de-considerarain parecer em sentido contri- rio dado pelo auditor medi- co da Unimed. Segundo o parecer, corn base no exame de cateteris- mo, o motorist de taxi Ed- milson Martins, de 48 anos, associado do plano, n3o de- veria ser submetido a cirur- gia, apesar de sofrer de mio- cardioplatia dilatada, o au- mento dilatado do coragAo que o povo trata como "co- ragdo de boi", porque essa tdcnica ainda nao teria sido reconhecida pela \AMB (As- sociag9o M6dica Brasileira). Nemi meismo pelo transplan- te Edmilson deveria passar, porque seu caso nao seria ci- rurgico. Mas os m6dicos que tra- taram dele no hospital esta- dual consideraram gra~e o seucaso, e\igindo tratamen- to de urgcncia. Trouxeram do Parana o proprio Randas Ba- tista, que fez a cirurgia sc- gundo seu m6todo (com o corte de metade do corag~o), no dia seguinte A da interna- 9do do paciente. O motoris- ta sobreviveu, saiu da CTI e passava bern no final da se- mana passada, ao contr6rio de um doente que pioneira- mente foi submetido acirur- gia no ano passado em Be- lem e nio resistiu. 0 Liberal registrou a opL- raqio hem sucedida. mas su- primiu do seu noticiario que a Unimned foi denunciada ao Procon pela familiar do mo- torista. disposta a recorrer a justiga contra o piano de sail- de, acusado de negliniicia. A United e um dos patroci- nadores do Arte Pard, a ex- posiqAo de aries plisticas do grupo Liberal. * 0 perigo Ao menos no Para, as pesqui- sas de opiniao estao sendo usa- das na campanha eleitoral deste ano mais como instrument de ma- nipulagao da vontade do eleitor do que do seu registro. Mas nao pare- ce. 0 Liberal reservou mais de meia pagina da sua iltima edigao domi- nical para protestar contra o que seria uma violagao A tutela dada pela constituicio A plena liberdade de informagao. Ajustica eleitoral, deferindo pedido do PMDB, amea- cou punir oj omal (at6 corn a prison do seu editor responsavel) caso ele divulgasse pesquisa realizada pelo institute Vox Populi entire os dias 9 e 12. A primeira pagina do cademo Painel, na qual a pesquisa sairia, teve que ser refeita A Altima hora, retardando a impressao dojomal. Teria sido mesmo um cercea- mento illegal, como, furtivamente, alegou O Liberal? Na verdade, o Vox Populi 6 quem vem transgre- dindo as normas legais. At6 hoje, mais de um mes depois de provo- cado, o institute ainda nao apre- sentou os dados exigidos pelo TRE para a avaliagao da sua pesquisa eleitoral anterior, tambr m questio- nada pelo PMDB. Na v6spera da divulgagao da nova pesquisa, ain- da nao juntara os dados t6cnicos que devem acompanhar o pedido de registro, embora eles devam es- tar acessiveis aos representantes dos partidos pelo menos cinco dias antes de serem apresentados ao piblico. Essa 6 uma cautela elementary para prevenir que pesquisas de encomenda, viciadamente conce- mora nas pesquisas bidas, sejam divulgadas atrav6s ca, se livre de vicios que a contami- da imprensa e ganhem os contor- nam. Alguns dos atores envolvi- nos de fato legitimo. O PMDB tam- dos no drama eleitoral encomen- b6m impugnou a iltima pesquisa dam pesquisas que nao divulgam. do Ibope porque o institute igual- Elas sao usadas tao somente para mente nao apresentou o piano orientar a estrat6gia de campanha. amostral, e a ponderaqao sobre a Logo, ha a presungao de que sao Area fisica da pesquisa depois de s6rias. Outros fazem uma divulga- ter pedido seu registro, no dia 7. 9ao tao mesquinha e tacanha das Mas o Ibope protocolou os docu- pesquisas que fica a suspeita de mentos no TRE horas antes da di- terem sido produzidas para enga- vulgacio dos resultados pela TV nar o "pfblico externo". Liberal e o PMDB abriu mao do E o caso de O Liberal, que faz intersticio de cinco dias que a lei um estardalhago sobre o principal imppe entire o pedido de registro e resultado, mas sonega dados fun- a divulgacgo da pesquisa. damentais para aferir a credibilida- Segundo fontes bem informa- de da sondagem, ou submete os das, a pesquisa da Vox Populi pra- dados a uma edigio truncada, como ticamente repete (40% para Almir aconteceu na quinta-feira da sema- Gabriel e 39% para Jader Barba- na passada corn a pesquisa do Ibo- Iho) o resultado da sondagem do pe. Ojomal nao publicou a relagao Ibope (empate em39%). Mas dei- dos municipios onde os questio- xa mal sua pesquisa anterior, que nArios foram aplicados, seu agru- dera uma vantage de 14% para o pamento por regiao, a ponderaiao governador, sem que no intervalo que cada um recebeu e muitas ou- entre as duas aferi95es possa ser tras informacges. Colocadas fora citado um fato que justifique mo- do acesso do leitor, geram uma des- dificagao desse porte. Persiste ain- confianqa: como 6 que uma empre- da uma d6vida irrespondida: como sa, depois de ter gasto tanto numa 6 que Hdlio Gueiros, sem ter seu pesquisa, deixa de dar-lhe pleno nome incluido no disco utilizado aproveitamento, tirando dela o mai- pelo pesquisador, apareceu entire orrendimentojomalistico possivel? os candidates a governador cita- Assim, ao contrArio do que dos pelo eleitor na votagao esti- proclama ojornal no seu an6ncio, mulada. Ou comojustificar o peso nao 6 a plena liberdade de infor- eleitoral desproporcional A sua maq9o que foi ameagada pela de- expressao demografica conferido ciso judicial, mas o uso indevido A Grande Bel6m,justamente o co- desse direito, indispensavel numa lCgio eleitoral onde o governador sociedade democratic. Ao inv6s esta mais bem votado. de dar armas civicas ao cidadao A pesquisa pr6via 6 um instru- para bem votar, pretende-se mani- mentodeanAliseprecioso para can- pulA-lo As vezes em troca das didatos, partidos e opiniao pfibli- classicas 30 moedas. Ligao errada S6 os leitores de O Liberal fi- caram sabendo que 6 defensor de A Provincia do Pard o advogado Ophir Cavalcante Jinior, envolvi- do num litigio com ojuiz trabalhis- ta Paulo Henrique Azar que trans- bordou de umajunta do TRT para os 6rgaos de classes e a opiniao pfblica. Cada uma das parties tern suas pr6prias alegag6es de defe- sa e de denincia, que precisam ser apuradas adequadamente at6 o complete esclarecimento da situ- agao. Ela combine components diversos, que dizem respeito aos oficios dajustiga e da advocacia, mas afetam profundamente o inte- resse coletivo, servindo de adver- tencia para as falhas que existem no process judicial. Os leitores dos grandesjomais, no entanto, ainda nao foram brin- dados com um adequado relate jomalistico do caso, incluindo o que esta por tras dos discursos oficiais. 0 Liberal limitou-se a pu- blicar uma notaa ptiblica" da As- sociagao dos Magistrados da Jus- tiga do Trabalho da 8a Regiao, que cita ojomal concorrente e acusa- o de tentar exercer pressess ile- gitimas" sobre ojuiz. Mas nao da tratamento jomalistico ao assun- to. Usa mao alheia para golpear o concorrente que esta se tornando mais inc6modo. A Provincia deu A questgo o espago fisico proporcional, mas, al6m de apenas defender uma tese (o desrespeito aos direitos do ad- vogado por um juiz atrabiliario, excessive em sua sentenga ao mandar desligar linhas telef6nicas que garantem uma divida), deixou de esclarecer que o advogado nao defended abstratamente "uma em- presa", mas justamente o jomal que estava publicando aquela mat6ria. Se tudo de relevant fos- se dito, a partir da consult As par- tes em conflito, talvez at6 o leitor concluisse que ojomal tem razao, pesando os pr6s e os contras lim- pamente expostos. Mas assim, quando for se informar melhor do que Ihe permit a reportagem, aca- bara concluindo que foi logrado. NAo 6 um bo recomer o para um jomal que pretend desfazer um monop6lio virtual que se es- tabeleceu na imprensa paraense com base justamente no desres- peito pela intelig6ncia de quem 1W jomal, como tem feito O Liberal corn sistemitico cinismo. E preci- so ter a coragem de nAo ser igual para conquistar ou reconquis- tar a confianca do leitor na in- dependdncia da imprensa, que O Liberal seqtiestrou com base em balangandas tecnol6gicos e tru- ques variados. Em series A Funtelpa teve que fazer um novo aditamento ao "convenio" com a TV Liberal (ver Jornal Pes- soal 192), no valor de 400 mil re- ais, porque os recursos progra- mados pela Secretaria de Planeja- mento do Estado para essa des- pesa em 1998 s6 alcangardo ou- tubro. Era precise alocar verba complementary para novembro e dezembro, fechando o exercicio, segundo a explica9ao apresenta- da pela diregio da Fundagao de Telecomunicagbes do Para, aten- dendo consult deste journal. Esse foi o segundo aditamento ao po- lmico "conv6nio", que, at6 o seu final, em quatro anos, recebera outros terms aditivos. Se for mantido at6 l8, naturalmente. Charada Quem tinha tudo para ven- cer ficil, esta cada vez mais complicado. Quem ganhou to- das at6 agora, pode ser derro- tado. E mais ou menos essa a principal charada da eleigao deste ano. Primeiro governador a poder disputar a reeleigAo sem ser obrigado a se afastar do cargo, dispondo de um cai- xa recheado de grana para in- vestir, Almir Gabriel nao con- seguiu conquistar o lugar de fa- vorito quando corria sozinho. Jd o seu maior adversArio, o senador Jader Barbalho, nao convenceu ainda o piblico so- bre a sua sina de eterno vitori- oso, de que nao seguira o des- tino do amigo paulista Orestes Qu6rcia, um ex-imbativel em eleigao. E Ademir Andrade ain- da nAo tern a pinta de zebra. Sina Eu, se fosse o doutor Al- mir, pediria aos aliados Maio- rana para nao serem tao par- ciais no noticiArio sobre os candidates, procurando ao menos maquilar a tendencio- sidade. JA vi gente condoida de Jader Barbalho, colocando- o no altar de vitima. Todas as vezes em que fez campanha, o grupo Liberal per- deu. Nao 6 urucubaca, nao. E antipatia mesmo. Acredite, dr. Almir: a hist6ria recent ensina. Jornal Pessoal Editor: L0cio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871/66 053-040 Fones: 223-1929, 241-7626 e 241-7924 (fax). Contato: Tv.Benjamin Constant 845/203/66.053-040. Fone: 223-7690* e-mail: lucio@expert.com.br EdigAo de Arte: Luiz Pinto/241-1859 |
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