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FHC melhor no seguSdo Jomal Pessoal mandate (PAG. 4) LU C IO F L AV O PIN TO '" ..... Reeleiao: ...... ANO XI N9 192 1" QUINZENA DE AGOSTO DE 1998 R$ 2,00 SO esta (Po. 5) PASSARINHO Fim de carreira Jarbas Passarinho foi o politico paraense que esteve mais pr6ximo de se tornar president da Republica. Trds vezes senador, quatro vezes ministry, uma vez governador, teve gldrias como nenhum outro no Estado. Mas terminou sofrendo coIto .castigo ficar de fora de uma eleicdo que ihe teria possibilitado aposentar-se / ...<.- .no exercicio de um cargo politico. Fim imerecido? * "''1.^,^$ N\U 25 01 i ,1 ~9' )r .-jf--* -* / I 1. - Kkt ,r ~J ` .-:.. uas regras ndo escritas ful minaram a carreira de Jarbas Gongalves Passarinho, o mais ... brilhante dos politicos que che S garam ao poder no Para de- pois do ciclo de Magalhdes Barata (1930/ 59). Passarinho foi o paraense, embora apenas de fato (de direito 6 acreano), que mais perto chegou da presidencia da Republica, mas esta encerrando uma carreira eclipsado, melancolicamente. Perdeu fragorosamente a l6tima eleig9o que disputou, em 1994, para o governor '38, do Estado (que ocupou por 19 meses, entire 1964 e 1966). Deveu a anterior, a de 1986, para o senado, ao maior adver- sArio da oposicgo, o hoje senador Jader Barbalho. A ultima possivel, a deste ano, nem vai poder disputar, mesmo tendo a perspective de eleger-se sem dificulda- des deputado federal. As v6speras dos 79 anos, Jarbas Pas- sarinho ja ndo tem mais cacife eleitoral pr6prio para elei9oes majoritarias. Che- ga ao fim de uma trajet6ria que se es- tendeu por alguns dos mais importantes cargos politicos da vida national ao Ion- go de quatro d6cadas. Melancolicamen- te. Os maisjovens eleitores deste ano j nao t6m sequer uma palida id6ia do que ele foi. Cotadissimo para ser candidate a pre- sidente da Repfiblica na d6cada de 70, Passarinho foi fulminado por uma nor- ma nao escrita imposta pelos chefes mi- litares que ocuparam o poder em 1964, recrutando na casera as vocao9es para a nova modalidade de political que esta- beleceram. Nenhum dos lideres transp6s 4 N.11 fli. FER V A w I Pv ; R! 2 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE AGOSTO / 1998 com mais compet6ncia os limits dos es- tabelecimentos militares, passando para a chefia de cargos politicos e os parla- mentos, do que Passarinho. Foi o mais agil dos "anfibios", milita- res que viraram politicos sem se desfa- zer de suas forma96es originals. Tinha boa orat6ria, excelente mem6ria, inteli- gencia viva e carisma. Mas nao era ge- neral de quatro estrelas. Todos os cinco presidents militares foram generals de quatro estrelas. Albuquerque Lima era general quando teve tudo para ser presi- dente, mas s6 ostentava tres estrelas. Tamb6m foi excluido daquele que pas- sou a ser considerado o iltimo posto da carreira dos generals, nenhum deles be- neficiado, como Passarinho, pelo conjun- to de dotes que qualificam um politico. A pergunta que se deveria fazer, na ocasiao, era: por que o coronel Jarbas Passarinho nao chegou a general? Uma resposta estritamente cronol6gica atro- pela qualquer outra consideragao de va- lor: ele estava cor 44 anos e era tenen- te-coronel baseado no Estado-Maior da 88 Regiao Militar, em Bel6m, quando foi convocado para substituir o cassado Aurelio do Carmo no governor do Para. Passarinho iniciara 28 anos antes a car- reira military. Certamente chegaria a ge- neral de brigada, mas nao a general de exercito. Como um home tao brilhante ficara aquem do topo, enquanto muitos outros, bem menos dota- dos bastaa lembrar dois presidents, Costa e Sil- va e Jodo Figueiredo), chegaram ao generalato? Cada caso ter sua hist6ria especifica, mas todas elas confluem para uma mo- ral: nem sempre (ou, pelo contrario, mui- to raramente) os primeiros de turma sao os melhores. Tamb6m nem todos os pri- meiros sao os piores. Num e noutro sen- tido, recorde-se que Cordeiro de Farias chegou a marechal, enquanto Golbery do Couto e Silva s6 alcangou a primeira eta- pa do generalato (e isso porque, na 6po- ca, quem era reformado subia um posto ao passar para a reserve). Por que, em 1964, Passarinho renun- ciou A carreira political em favor da ativi- dade political? Provavelmente porque havia ji muito tempo a vida castrense nao conseguia comportar a dimensao political do seu interesse. O hibridismo forgado causava prejuizos ao nome de Passarinho dentro e fora dos quart6is, gerando desconfiangas dos dois lados do balcao, mesmo quando os civis eterna- mente golpistas da UDN agiam como sedutoras vivandeiras junto aos "anfibi- os". Para equilibrar a situagao, Passarinho era obrigado a malabarismos nas diver- sas situacoes e diante dos diferentes gru- pos com que se envolveu. A decisao adotada em 1964, portanto, estava coe- rente cor a tendencia mais forte das suas atividades. Sejamais viria a ser um grande chefe military, poderia destacar- se como chefe politico. Passarinho se destacou tanto que ocu- pou tr8s ministdrios distintos (Trabalho e Previd6ncia Social, Educagao e Cultura e Previd6ncia e Assistencia Social) em tr6s diferentes governor militares (Cos- ta e Silva, M6dici e Figueiredo). Foi ain- da, por dois anos, ministry da Justiga do primeiro president da Rep6blica eleito pelo voto popular desde Janio Quadros, com intervalo de 30 anos, no traumatico governor Collor de Mello. Eleito senador tres vezes, presidiu o senado no bienio 1981/82. Nenhum dos militares catapultados para a mais elevada fungao p6blica dis- punha de tal curriculo. Se seus dados pessoais fossem colocados numa matriz para selecionar o mais apto A presid6n- cia, considerando as atribuig9es ineren- tes a fungao de governante do pais, Pas- sarinho teria todas as condigoes de ven- cer. Mas os generals que estabeleceram as diretrizes da presidencia sob o regi- me autoritario instaurado em 1964 se recusavam a bater contin6ncia a um co- lega de farda cor patente inferior. Pas- sarinho jamais ganharia essa dispute. Mas teve-a bem pr6xima de si. Chegou a sonhar cor ela. Outra norma consuetudinaria tamb6m Ihe foi fatal: de que nao ha politico sem voto, exceto quando formulas engenho- sas dispensam a consult ao povo gra- cas a golpes de mao (manu military, geralmente). Politico federal, Passarinho brilhou na corte brasiliense p6s-64 como poucos. Seus duelos orat6rios com Pau- lo Brossard no senado sao dos poucos moments em que essa t6cnica (ou arte) do didlogo, muito pr6xima do espetdculo teatral, ressuscitou nos espiritos compa- ragao com as freqilentes sess6es anto- 16gicas do parlamento at6 o congress ser reduzido a caixa de ressonancia da vontade do chefe, estimulando a medio- cridade. A unanimidade obtida era tao ampla que Passarinho julgou possivel manter- se na linha de frente parlamentar sem precisar descer ao inferno dantesco da provincia. Bastavam rdpidos retornos as bases para avivar as brasas dos votos, delegando a autenticos pr6-c6nsules a tarefa de representa-lo, ocupando os cargos que Ihe eram conferidos pelos parceiros federais e intermediando a re- lagao com os eleitores. Como todos os homes de vaidade desmedida, Passarinho sempre escolheu mal esses delegados. Sabendo do tama- nho do ego do chefe, seus subordinados, dependents ou aderentes faziam da ba- julad9o e do elogio facil a formula para conseguir seus favors. Por isso, Pas- sarinho cometeu erros terriveis, cultivan- do falsas amizades e lealdades, que re- duziam seus verdadeiros adversarios ou inimigos a inocentes ameagas. Passari- nho foi um contender de respeito para seus antagonistas, mas inoperante dian- te dos aliados de ocasiao. Esvaziou seu poder por dentro. Ningudm fez-lhe mal maior do que ele a si mesmo. Em 1982, se o brilho reflexo do pla- nalto Ihe tivesse permitido ver fora do espelho, ele teria percebido na ampla derrota electoral daquele ano uma grave advertEncia. O conceito que o senador obtivera na capital da rep6blica estava se tornando uma moldura vazia em seu Estado, na sua mina de votos. Esse es- vaziamento foi maquilado pelo abrigo que Passarinho conseguiu nos tr6s anos se- guintes, como ministry da Previd6ncia e Assistencia Social do general Figueire- do, e com a volta ao senado em 1986, quando ele nem precisou fazer campa- nha (Jader, como governador, garantiu- Ihe a eleigao, mandando-o cuidar da es- posa doente, que viria a falecer). Em 1994 Passarinho deveria ter sai- do novamente candidate a senador, ou mesmo deputado federal. Mas Jader Barbalho cobrou-lhe a divida e ele se sub- meteu: contra seus desejos mais intimos, disputou o governor do Para com Almir Gabriel. Ja era tarde demais, entretanto, para um septuagendrio, amoldado As cor- tesias da corte, regressar A arena des- gastante do sertao paraense, da selva selvaggia dantesca. Em tres moments tive longas conver- sas com Jarbas Passarinho, a s6s, a ulti- ma delas a mais reveladora de todas, quando ja nao havia mais ratos na nau e na proa contava-se nos dedos de uma s6 mao a quantidade de acompanhantes. Nao precisaria ser m6dico ou analista para diagnosticar sua depressao profun- da, que imobilizara sua iniciativa, conge- lara sua intelig6ncia e enrijecera seu rosto. A prostragao denunciava a contrarieda- de extremada a que se expusera. Sofreu uma derrota que s6 nao foi totalmente desmoralizadora porque nao resultara dos mdritos do vencedor, mas dos de- meritos do perdedor. Se pudesse penetrar no espelho vi- ciado e superar as miragens que seu ostracismo do Para fizeram surgir em seu horizonte, Passarinho teria cons- JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE AGOSTO / 1998 3 Statado ali que sua fonte de votos se reduzira ao minimo. Ela ainda poderia Ihe assegurar um cargo proporcional. Nao mais, por6m, uma posigdo majori- tdria. Deixara de ser um dos eixos de poder, o principal deles entire 1964-82, para ser apenas um personagem famo- so, uma estampa, celebre pelo que foi, mas esvaziado de densidade eleitoral, de vitalidade. Passarinho e seu companheiro de ar- mas (depois, feroz inimigo), o tenente- coronel Alacid Nunes, por seus erros e sua incompet6ncia, contribuiram pode- rosamente para devolver o poder, a par- tir de 1982, aos inimigos que declaravam haver derrotado: o populismo de origem baratista. Sem Alacid, Jader nao seria governa- dor em 82. Como cor Alacid nio con- seguiria governor, Jader se descartou dele poucos meses depois de ter chega- do ao poder, mostrando que a verdadei- ra ast6cia political nao se aprende em es- cola, nem mesmo em academia. E deu a mio salvadora a Jarbas quatro anos de- pois, usando-o para alcangar uma posi- 9ao federal que estaria fora de suas pos- sibilidades por causa da ma fama que estabeleceu ao long do primeiro man- dato como governador. Ao mesmo tem- po, agravou o antagonismo entire os dois principals politicos militares, apressando e onerando o fim deles. E um castigo que Jarbas Passarinho tenha esse fim, mas nao 6 de todo ime- recido. Prendendo-se a Brasilia, ele foi perdendo seus vinculos reais cor o Para, credenciando-se a receber em seus lar- gos costados muita culpa que nao 6 ob- jetivamente dele, que nao resultou de sua agdo, mas tem alguma coisa a ver corn sua omissao (como o escoamento dos min6rios de Carajis pelo litoral do Ma- ranhdo, decisAo dosjaponeses que o in- consciente coletivo paraense, espicaga- do pelo sentiment de trai9go, colocou nos ombros do seu mais brilhante politi- co, transferindo os louros para os cr6di- tos de Jos6 Sarney). Procurando um impossivel ponto de equilibrio desde a eleigdo de 1994, Pas- sarinho foi se passando do lado do seu aliado para o do seu algoz, evitando rom- per, medindo as palavras, sondando o terreno, mas fadado a fracassar nesse jogo complicado e nervoso. Quando, ao final dessa via crucis, foi chamado para os atos derradeiros antes da batalha, cou- be-lhe apenas ouvir que nada mais Ihe restava. Ao contririo at6: a vaga de se- nador fora imperialmente destinada pelo governador para um candidate que s6 nominalmente pertence ao PPB (o ex- gueirista Luiz Otavio Campos), enquan- to a de vice-governador, reservada ao PTB, seria ocupada pelo filho daquele a quem Passarinho dedicou o desprezo que cabe aos traidores. Ou seja: de certa maneira, os (llti- mos vestigios de fogo no reduto de Alacid eram obtidos das cinzas de Pas- sarinho. Encerrado o ato, como nas tra- g6dias shakespeareanas, o resto, para Jarbas Gongalves Passarinho, passa- ria a ser sombra e sil6ncio, numa apo- sentadoria precipitada pelos fatos e nao pela vontade dele mesmo. Veio de Bra- silia ja sem peso e voltou como peso morto. Supremo escarnio: caberia a Almir Gabriel despejar sobre ele a (ilti- ma pd de cal politico. Tamb6m a vida pfiblica de Passarinho estara encerrada? Nao. Ele ainda tem seu espago como conselheiro na Confe- deraqgo Nacional da Ind6stria e na Fun- dagdo Milton Campos, do PPB. Em ca- rater honorifico, 6 o representante do seu partido no comit6 da reeleigco de Fer- nando Henrique Cardoso. Tamb6m nao perdeu todos os seus muitos dotes pes- soais, que tornavam proveitoso divergir dele e enfrenta-lo, temendo-o e respei- tando-o como um home experience, inteligente, culto, que fala e 16 em outras linguas al6m da sua e 16 al6m do que o oficio exigia. Olhando-se ao redor, pode-se perce- ber que a vida pfiblica paraense esta des- tituida de personagens corn tais qualifica- tivos. Por isso, a ausencia de Passarinho vai empobrec6-la ainda mais, amesqui- nhando a political estadual abaixo do nivel em que ja desceu. Se cabe fazer esse la- mento, 6 tamb6m dever observer que em alguma media a passage de Jarbas Passarinho pela vida political do Para con- tribuiu para esse resultado. Ao fim de uma prolifica carreira, ele experiment os efeitos de um feitigo que n~o Ihe 6 estranho. Nao deve ser uma sensagCo agradavel, mas ao menos deve ficar com o ex-senador, ex-ministro e ex- governador a convic9do de que o saldo de sua vida piblica 6 altamente supera- vitario. E que seus critics sinceros ja sentem sua falta. Estes publicitarios... O filmete publicitario produzido para o grupo Y. Yamada, na minha opinido, 6 infeliz e de mau gosto. Seu 6nico m6rito 6 ser pol6mico. Atrair a ateng9o a qual- quer prego tem um nome, que deve ser escrito cor todas as letras: sensaciona- lismo (ou apelagao). Pode dar resulta- dos, como esta dando. Mas tem um pre- 9o 6tico e moral. E ruim, em primeiro lugar, por nao ser original. Todos os que o viram associa- ram-no imediatamente A sua inspiragao, as peas da Benetton. Quando os filmes desse grupo italiano foram exibidos, pro- vocaram natural impact porque estavam inaugurando uma nova maneira de fazer publicidade (seria p6s-modernismo?). A meu ver, ultrapassando o estreito limited entire a inovacgo e a falta de escripulo. Trazer para ca esse modusfaciendi nio eleva e nem chega a ser atualizagao, tan- to tempo jA se passou da ousadia (diluida e mal copiada). Em segundo lugar, o efei- to criado pelo home gravido 6 bizarre em seu realismo r6stico. Nesse caso, o trago e a caricature alcangariam um re- sultado melhor, salpicando um tom de humor saudavel onde, se hA humor, 6 de negrissimo sentido. Duvido que Y. Ya- mada tenha atraido os pais e estes se sintam homenageados. Ja a campanha do Formosa 6 boa, mas hi um descompasso entire a situagao ar- mada na sala de aula, corn um aluno fla- grado colando, e sua associagdo A es- perteza de fazer compra no supermer- cado (a professor nio se deixar enrolar pela conversa engenhosa do colador). E uma liga9go forgada entire a premissa e sua conseqiiencia, produto, talvez, de uma aula mal assimilada de 16gica for- mal. PS Tr6s dias depois que escrevi esta nota, a Y. Yamada cancelou a veicula- gao do filme, por nao ter sido "do agrado de alguns clientss. Em meia pagina nos jornais dominicais, Yamada sejustificou como "uma empresa que faz uma pro- paganda objetiva, que nao esquece de sua parcela de responsabilidade corn a sociedade e que, acima de tudo, respeita o consumidor em sua intelig6ncia e pre- fer6ncia". Como, entao, a empresa aprovou a campanha, retirando-a do ar poucos dias depois? Seu compromisso sera tao fu- gaz que nao Ihe permitiu antever a rea- g9o negative entire clients de uma tipi- ca empresa de varejo, cor forte apelo popular? E como 6 que uma agencia nao menos conservadora e conventional, como a Borges, arriscou um salto ao vanguardismo tao de s6bito, sem maior prepare? O saldo de uma desastrada tentative de inovagio foi esse ins6lito recuo. De- pois de um paso A frente, 10 atras. Tao sem-jeito que o anincio dominical ficou sem a identificacgo de quem, ao produ- zi-lo, deu umas cochiladas no verniculo - e, quem sabe, para usarjargao do meio, na transpar6ncia. 4 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENADE AGOSTO/ 1998 Um autor em busca do seu personagem Um amigo envolvido na campanha de reelei9o de Fernando Henrique Cardoso me prop6e a seguinte questao para refle- xao: no seu segundo mandate, o president sera um reformador social. Tendo promovi- do boa parte da reform do Estado, segun- do os pardmetros de um projeto possivel de modemizagCo do capitalism brasileiro, po- dera conciliar suas biografias de intellectual e politico, assegurando-se a perenidade de estadista. JI nio precisara limitar-se pelos arranjos cor seus aliados conservadores. Sua vaidade, se nao for por nenhum outro motive, Ihe import apagar as n6doas visi- veis de sua presid8ncia, concentradas na area social. "FHC quer ficar na hist6ria como um president tio marcante quanto Getilio ou JK", diz o amigo jomalista, numa conversa que a coincidEncia de ficarmos no mesmo hotel, em Vitoria, nos permitiu. 0 que ainda me faz nao rejeitar de todo e de imediato essa hip6tese 6 o livro O President visto pelo soci6logo, com a transcrigao da mais longa entrevista ja concedida pelo president, a Roberto Pom- peu de Toledo, parcialmente publicada em Veja no final do ano passado. O livro e agradavel e muito instrutivo, nao apenas por causa das perguntas de Roberto Pom- peu, representante (em declinio) do jor- nalista culto. Fernando Henrique 6 um eficiente apresentador da hist6ria e da conjuntu- ra brasileiras. Exp5e com brilho, viva- cidade e acuidade suas opinibes, finca- das em bases informativas bastante s6- lidas. Parece um livro promocional, uma acao entire amigos (editor-jornalista-au- toridade). Pode at6 ser, mas qualquer leitor aprendera mais lendo-o do que consultando a maioria dos textos supos- tamente independents e critics dispo- niveis nas prateleiras. Mas por que um intellectual tao bem informado e mais bem formado ainda - sobre este pais compete erros tao pri- marios e desastrosos no exercicio da mais important fungao public do pais? E a duvida shakespeareana que me fica do confront do livro cor minha pr6- pria avaliacgo do mandate de FHC e da conversa cor meu querido amigo (tambem paulistano). Nao penso ape- nas em grandes decis6es, como o pro- grama de privatizagao (nao por ele em si, mas pela sua opqao de implementa- cao). Consider ate mesmo comporta- mentos menores, que revelam mais so- bre o dedo do gigante. Uma pessoa inteligente permitir-se- ia declarar o que FHC disse dos apo- sentados? Algubm sensato pode, no meio de uma palestra academica, bus- car inspiracao para um exemplo como o que o president deu, apresentando uma viagem de sua empregada dom6s- tica a Europa como testemunho da me- Ihoria das condigSes de vida do povo brasileiro? A mesma vaidade que meu amigo apresentou como a razao para Fernan- do Henrique poder vir a ser um presi- dente completamente diferente no se- gundo mandate (um pouco a maneira de Getiilio Vargas, entire 1930/45 e 1951/ 54) 6 o element oculto que me leva z buscar explicagao para o descompasso entire tudo o que FHC pode e o que esta efetivamente realizando no Brasil. Os analistas mais rigorosos descar- tarao esse element como delet6rio, pro- curando raizes mais profundas e, a meu juizo, convencionais para o di- v6rcio entire o que o intellectual promete ser e o que o politico 6. Minha cabega, feita pela literature, prefer nao despre- zar esses components subjetivos, tio fortes em personagens como Hamlet que se tornaram (se tal 6 possivel) ar- quetipicos do comportamento human. Ha o moment em que as brumas da solidao se dissipam e as paredes dos ambientes intimistas se abrem para o palco. E quando a hist6ria se realize. Ela dira qual a hip6tese verdadeira e se as mudanqas, previstas, possiveis ou de- sejadas, se realizar~o. Mas bem que a hist6ria poderia se conciliar com a lite- ratura. O saldo haveria de ser positive. Em frente ao espelho Gastei 20 horas dentro de avibes e aeroportos num ir-e-vir de 36 horas a Vit6ria, seguindo roteiros de Alice no pais das maravilhas (na volta, por exemplo: Vit6ria-Belo Horizonte-Sao Paulo-Bra- silia-Bel6m, quase uma viagem a Euro- pa em duracao, em poltronas cano-cur- to da terrivel Vasp). Mas como valeu a pena. Revi na capital capixaba amigos que foram ficando pelo meio do cami- nho, sem nunca terem said da mem6ria e do coragao. Eles estavam no caf6-da- manha promovido pelo Banco de Desen- volvimento do Espirito Santo, uma inici- ativa inusitada. Varios desses encontros ja foram re- alizados pelo Bandes desde a posse de Vitor Buaiz, quase quatro anos atras. Re- finem mensalmente alguns dos principals formadores de opiniao do Estado e colo- cam-nos em contato corn algu6m de fora capaz de Ihes trazer uma mensagem util. Minha missao, reiniciando a ativida- de, na sua iltima etapa, at6 o final do mandate de Buaiz (os pr6ximos convi- dados, tambemjornalistas, serao Frank- lin Martins e Luis Nassif), foi estabele- cer paralelos entire o Para e o Espirito Santo, terra que um dos mais nobres ca- pixabas, Rog6rio Medeiros (jornalista que assumiu o pesado 6nus de ser se- cretario da Fazenda), me fez amar 26 anos atras. Fomos, ambos, "vocacionados" a pro- duzir semi-manufaturados. Por isso a "lei Kandir" nos garfou, aos capixabas mais pesadamente porque o governa- dor Buaiz (que nao se candidatou a re- eleicio) nao 6 par do principle (ja o nos- so tucano governador parece, na ver- dade, mais impar do que exatamente par). Vocagdo imposta 6 caracteristica de uma relagao colonial. Para e Espirito Santo sofrem-na, no passado como hoje. Nao conseguem as- sumir o comando de sua hist6ria. Sao surpreendidos por decisbes prontas, que visam a exploragao (em sentido literal) de seus abundantes recursos naturals. Em alguns casos, como em materia fun- diaria e florestal, hist6ria flui em cadeia: a floresta amaz6nica foi alcangada ap6s a pilhagem do vale do rio Doce, um dos lugares paradisiacos do planet. Perso- nagens-chave e algozes ha iguais, la e ca, como a Companhia Vale do Rio Doce, que sequer um interlocutor autorizado mant6m em territ6rio capixaba. La, ain- da nao p6s seus preciosos p6s o dr. Stein- bruch (doutor mesmo, como diria H6lio Fernandes). Temos que intensificar esse inter- cfmbio, tirando o maximo de li96es que o paralelismo proporciona e poupando- nos de tristes situaq5es que a condicao de Estados-enclave nos tem acarreta- do. Senti, na reuniao patrocinada pelo Bandes, um vasto e fertil terreno, que se podera adubar atrav6s de um pro- grama de intercambio cor o Espirito Santo. Nao podemos, por enquanto, apresentar contrapartida a uma iniciati- va como a do governor capixaba, que invested na conscientizaqao de uma elite organicamente comprometida com um projeto melhor para o seu Estado. Mas ja esta na hora de pensarmos nessa pos- sibilidade. Nada temos a perder, exceto a letargia do atraso. Pelo menos esta 6 uma perda que podemos comemorar. Nao seria sem tempo. JORNALPESSOAL 1 QUINZENADE AGOSTO /1998 5 Carajas: ferrovia ainda e segura? Cada trem que sai de Carajds para o litoral do Maranhao, a quase 900 quil6- metros de distancia, carrega em minerio de ferro, nos seus 200 vag6es, o equiva- lente a 300 mil d1lares. A cada dia, 40 trens circulam nas duas direc6es, movi- Smentando, ao final do ano, mais de US$ 600 milh6es. Sao 58 locomotives, corn 3.200 vag6es, operadas por 400 maqui- nistas, no segundo maior eixo ferroviario de exportagao do pais. No mes passado, o mais grave acidente ocorrido nessa ferrovia desde 1984, quando ela entrou em atividade commercial, mostrou que sua concessionaria, a Companhia Vale do Rio Doce, pode estar operando em con- dicses distantes do ideal, ou mesmo de um padrao aceitavel para a complexidade da linha. E provavel que a colisio de dois trens de minrio, que causou a morte de tr8s fun- cionarios, tenha decorrido de falha huma- na. Mas o que provocou essa falha: imperi- cia dos maquinistas ou condi6es inadequa- das de trabalho? Uma deficiencia foi implicitamente reco- nhecida pela CVRD, quando decidiu, na semana passada, recontratar os 150 auxili- ares de maquinistas que, por media de eco- nomia ditada pela privatizac2o da estatal, haviam sido demitidos. O acidente pode ter mostrado que eles nao eram dispensiveis para secundar os titulares na condugao de um comboio tao grande por uma ferrovia cuja sinalizaqio esta inconclusa (o que se prev6 apenas para o pr6ximo ano). A ferrovia de Carajfs foi concebida ori- ginalmente para transportar at6 35 milh6es de toneladas de minerio de ferro, alem de um volume infinitamente inferior de carga geral e passageiros. Hoje, escoa quase 50 milh6es de toneladas de minerio. Para isso foram feitos desvios e patios de manobra, mas sera que esse arranjo 6 conveniente- mente complementado por um suficiente control de trifego? Sera possivel reduzir o grau de dominio manual da linha, sem uma retaguarda suficientemente sofisticada para isso? Sera queja nio ha um volume de car- gaimpondo a complete duplicaco da linha? Sao quest6es a serem apuradas. Mas, ao inves de ir a fundo nos problems, a im- prensa resolve tratar sensacionalisticamen- te o acidente, enquanto a diregCo da Vale procurava manter todos a distincia, com uma arrogdncia que sempre provoca rea- qco em contrario, as vezes de forma passi- onal. Os incidents, alcangando os familia- res dos mortos, mostraram que faltou matu- ridade e responsabilidade as duas parties. O que era important, a reconstituido do gra- ve acidente, com suas vitimas humans, e a avaliagco da operacio da ferrovia, ficou de lado. Como quase sempre nesse tipo de acontecimento na fronteira. Reeleicao: go home Na revisao constitutional, as pessoas dotadas de bom senso e boa fe, mesmo se insistirem na defesa da reeleig~o dos detentores de mandates politicos no exe- cutivo, haverao de aceitar uma pondera- 9co: para subsistirem as instituic6es, os bi-candidatos terao que se licenciar do cargo para participar da campanha elei- toral (quatro ou seis meses antes do 1 tumo eleitoral). Mais do que igualar as condi96es entire todos os candidates, essa elementary providencia de profilaxia 6tico- moral, ajustada a realidade brasileira, e indispensavel para a safude do moment mais important do process politico, a eleiqao. Qual seria a cotagao do governador Almir Gabriel se ele tivesse que se desin- compatibilizar para concorrer a reeleigdo? Concretamente, ele poderia acabar abai- xo do senador Ademir Andrade, ja que seu vice (e desafeto), Helio Gueiros Jr., poderia posicionar-se explicitamente (o que seria legal) e at6 usar a maquina (o que seria illegal) em favor da coligagao integrada pelo pai, sem expor-se ao risco da infidelidade partidaria (a coligacgo do PFL corn o PMDB foi aprovada em con- vengao, gerando todos os efeitos legais). Teriamos uma cena inusitada: o gover- nador licenciado acionando najustiga seu substitute por uso irregular da maquina public estadual. Nessa circunstfncia, Almir Gabriel iria fiscalizar o governador interino para que ele permanecesse o mais isento possivel em relaGao a dispute. Ha- veria ainda um outro component interes- sante: para substituir o titular, Helinho (hoje candidate a suplente de senador corn o pai) nao poderia participar da eleigco. Se decidisse o contrario, o lugar deveria ser ocupado pelo president da Assem- bleia Legislativa.- 0 impasse seria, entao, transferido para Luiz Otavio Campos (atual candidate a senador na coligagao situacionista) e, su- cessivamente, a todos na linha sucess6- ria. Provavelmente o president do Tribu- nal de Justiga do Estado acabaria tendo que ser o governador durante a eleigio, sendo desafiado a estabelecer principios mais justos para vigir durante a tempora- da. Ou, o que seria mais provavel, Almir Gabriel nao se exporia a tao alto risco e ficaria no cargo at6 o final do seu manda- to. Em alguns Estados, como no Rio Gran- de do Sul e em Sao Paulo, mesmo poden- do permanecer no cargo, os govemado- res se licenciaram, ambos por estrat6gia political. Mario Covas, numa inc6moda terceira posicao nas pr6vias paulistas, bem abaixo dos primeiros colocados, ofereceu a interinidade como compensagao para segurar seu vice na coligag~o e poder usar mais intensamente seu carisma pessoal no tal do corpo-a-corpo. Ja o ga-icho An- t6nio Brito precisou levar as uiltimas con- seqiincias seu recurso de marketing, de- monstrando coerencia na oposicgo ao principio da reeleigao. Isso, naturalmen- te, por confiar na sua capacidade de ge- rar votos de moto pr6prio, independente- mente do calor da maquina. Qualquer que seja a motivacao, en- tretanto, nos dois casos o process elei- toral 6 que saiu ganhando. Tornou-se menos viciado, deixando os candidates mais expostos ao sol e a chuva a que a conquista da simpatia popular sujeita os pretendentes aos votos. Pode nao ser o melhor dos caminhos para a chegada ao poder, mas excede em muito o que esta- mos vendo aqui no Para, a ostensiva ou mal-disfarcada utilizacao dos mecanis- mos oficiais para favorecer a candidatu- ra do goverador, que esta no pleno exer- cicio do cargo. Sempre foi mais ou menos assim no Estado, mas agora 6 "mais assim" do que antes, quando o satrapa pedia votos para si e nao para terceiros. Por mais que pro- tegido pelo guarda-chuva govemamen- tal da inclemrncia do sol e da chuva elei- torais, o terceiro precisava veneer o va- cuo da transferencia de votos, menos automatic do que na atual situacio, na qual o medico 6 tamb6m o monstro, nao permitindo a opiniao piblica saber onde comega um e terminal o outro. No cenario paraense, essa alegoria do m6dico e do monstro 6 mais realista ain- da, por motives mais do que 6bvios. Jus- tamente por isso, serve como nenhuma outra como muniao para os que miram essa excrescencia que o nosso principe- presidente apadrinhou. Que esta seja sua estr6ia e, ao mesmo tempo, sua iiltima apresentagao numa eleigao no Brasil. Para o bem de todos e felicidade geral da naqdo. 6 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE AGOSTO / 1998 Cartas Para que serve os tribunais? Em tua mat6riada edico dejulho/98, primei- ra quinzena, sob o titulo "A Vontade do Rei", relatas a hist6ria das 17 ressalvas sobre as contas p6blicas do exercicio de 1997 da gestao Almir Gabriel, feitas pelo TCE, sob o aconselhamento de um not6rio, e circunstancial (pois assim 6 a political no Brasil), inimigo politico do governa- dor. Parece 6bvio, pelo carAter das ressalvas, que o event 6 eleitoreiro. Tal fato foi o estopim de ameaqas de retalia- iao por parte do governor do Estado Aquele 6rgAo, num braseiro de vaidades tecnocriticas, muito comuns no poder publico dos paises cor frageis instituic6es democraticas. Ora, mais A frente, em outro texto (Uma Idiia para Salvar o Umbigo desta Cidade), elogias a "democracia" como a maior das invenq6es da or- ganizag o humana sem entretanto distinguir a "democracia burguesa" de outras formas, tam- b6m democrAticas de organizacio social, histori- camente determinadas, sequer das distorcoes que modernamente este fen6meno politico apresen- ta, especialmente nas Areas mais pobres do pla- neta, em particular, no terceiro mundo. Sob esse argument, a meu juizo, o TCE esta long de ser um organismo de control clAssico dos direitos democraticos, muito pelo contrario, sempre foi um avalista, em iltima instancia, das attitudes autoritarias dos nossos governantes. Nao tenho registro de algum governador ter sido acu- sado de corruppfes cor o dinheiro piblico por esse 6rgio. Pero, las hay! Trata-se de um 6rgao que apenas verifica a coerAncia dos registros contAbeis, numa avalia- cao essencialmente tecno-burocrAtica, sem qual- quer base metodol6gica para acompanhar "de- mocraticamente" as contas p6blicas, sob o es- pectro de uma political de receitas e gastos que respeite os principios da cidadania. Meu amigo, nao existe cidadania no Brasil. Sequer o governor, por motives 6bvios, tem preo- cupaqOes cor essa ausdncia. Assim te pergunto: tem o Estado uma political para as contas publicas, political esta que possa ser tomada como instrugao para avalialio dos numeros? Resposta: nao! Qual o crit6rio que de- termina que 1 milhio de reais devam ser entre- gues a ricos madeireiros, ao inv6s de serem usa- dos na construaio de escolas ou na formacio de professors? Quem sabe qual 6 o montante da nossa divida p6blica? Todos sabemos, caro L:cio, que a SEFA orde- na o dinheiro p6blico como faz um caixa de mer- cearia. E 6 at6 ai que vai a nossa cidadania. Somos capazes de espancar um ladrio de biscoitos de um supermercado, mas o que ojudiciArio, o legis- lativo e o executive fazem com o nosso dinheiro, ningu6m se toca. Nao parece que somos lesados, e o pior, num pais com uma estrutura tributaria regressiva e indireta, o que faz com que o 6nus da tributagao recaia fundamentalmente sobre o tra- balho. Meu amigo, sem cidadania, a democracia 6 s6 uma farsa para mascarar um sistema de privil6gi- os e confundir a political cor trafico de influinci- as e mercenarismo deslavado. Antonio Ponte Souza Professor de Macroeconomia do DMM/UFPa. Minha resposta A democracia, como sabemos, A inven~ao dos antigos gregos. Mas a forma representative mo- derna 6 uma criagao da burguesia revolucionaria do s6culo 18 (ou evolucionAria e um pouco mais antiga, se pensamos no movimento constitucio- nalista ingles). De 1 para ca ela vem se aperfeigo- ando, mesmo quando not6rios vicios de origem se mantem. As rupturas feitas em nome de uma democracia revolucionAria do povo, como tam- bdm sabemos, nao deram certo. Acabaram em tirania. Das promessas da ditadura do proletari- ado ficaram apenas as promessas e a ditadura. Aproximar o regime democratic do ideal expres- so por seus fundadores 6 uma tarefa que ainda consumird geraq6es. Mas provavelmente seu sucesso dependera da capacidade de cada segment ou instituicao social controlar o outro (ou a outra), no duplo movimento de vir de cima para baixo e ir de baixo para cima. O fio condutor dessa fluencia 6 a in- formacao. Ela precisa estar ao alcance de todo cidaddo para que ele, intervindo no process, saiba cobrar resultados. De fato, todo o castelo de interdependencias e controls torna-se mera- mente formal quando sua essencia e vazia. E o caso dos tribunais de contas. Enquanto eles se limitarem A analise contAbil-financeira, vai ser possivel, como no caso dos remddios, forjar fraudes. Basta relacionar verbas aplicadas a ru- bricas disponiveis e arranjar papdis comproba- t6rios. E certo que, em casos numerosos, nem isso os administradores p6blicos fazem. Os mais espertos, porem, ja escapam a esse frouxo con- trole: podem roubar e ter suas contas aprovadas, a despeito da variagao patrimonial inexplicavel em suas declaragOes de rendimentos. O caso do TCE 6 muito grave. Acumula todos os exemplos de vicios que o desnaturam: interfe- rAncia political, falta de independencia dos servi- dores p6blicos responsaveis, em iltima instan- cia, pela exagao das contas p6blicas, reagao a con- vivencia democratic, manipulaa.o do poder, etc. E, arrematando tudo, o silencio da imprensa, que trai o seu compromisso com a opiniao piblica ao deixar de fornecer as informag6es e avaliac6es sobre a questao, desinteressando-se pelo assun- to depois de tratA-lo superficialmente, quando o trata. Felizmente, porem, os cidadaos estao co- meeando a cumprir sua parte, como o professor Ant6nio nesta carta questionadora. As eternas obras que nunca acabam E grande o clamor popular quando acontece algum tipo de acidente cor a estrutura de um edificio de apartamentos, o que, alias, 6 compre- ensivel, levando-se em consideragao que, nao ra- ras vezes, vidas sao ceifadas, economies de mui- tos anos v8m abaixo, levando engenheiros e cons- trutoras a execraqio piblica. A imprensa acom- panha o caso A exaustao, mostrando a opiniao de tdcnicos e peritos nem sempre tao peritos. E evi- dente que nao se deseja aqui minimizar a culpa de quem quer que seja; final, edificios nao foram feitos para desabar. O que se quer 6 levantar uma questao: por que nao 6 dado o mesmo tratamento para a qualidade da construgao em nossas estra- das e vias piblicas? Esta pergunta me veio a prop6sito da entre- vista concedida pelo president da Construtora Andrade Gutierrez para o jornalista Elio GAspa- ri, quando afirmou serjusto que o governor fede- ral assumisse as dividas dos Estados junto as empreiteiras. Afinal, ponderou ele, se a nagao assumiu, atravds do Proer, o passive de grandes bancos, algo de certa maneira bastante abstrato, por que nao assumir o d6bito de Estados oriundo de algo tao palpAvel quanto as estradas, que es- tao ai para todo mundo ver, aproveitando para citar 900 kms. de estradas contratadas em 1986, no governor do atual senador Jader Barbalho, di- vida no valor de 125 milh6es de reais, que, segun- do ele, o governor Almir Gabriel reconhece, mas nao ter como pagar. Aqui, algumas sugest6es. Primeiro: onde es- tao os tais 900 kms. de estradas para se ver? Se for a PA-150, nao vale, porque o Governo do Estado esta mandando construir de novo. Segun- do: como 6 que uma empresa executa uma obra deste porte sem recebe-la? Por que sera que a construcao de nossas estra- das e vias p6blicas nAo apresentam qualidade que Ihes permitam uma duracio razoAvel? Como es- tao equipados nossos 6rgaos que fiscalizam os projetos e as construg6es? Como se chegou ao prego? Que tribunal e que rigor usa parajulgar estas contas? Exemplificando cor uma pergunta imperti- nente: onde estA a tal Rodovia dos Trabalhado- res, tao falada, tao concluida? Pergunta de facil resposta: uma pequena parte dela se transformou na Estrada do Mangueirao (quejA precisa de re- forma). Outra parte foi literalmente roubada. Melhor explicando: pa mecnica e cagambas le- varam o aterro correspondent As pistas conti- guas ao Cj. Catalina. O restante, que nao 6 pouco, esta inacabado e praticamente abandonado, se tor- nando um emblema do desperdicio de dinheiro pablico. A situadao 6 grave e o problema aumenta de proporgio porque as estradas nao tem dono para Ihes fiscalizar a qualidade e a duraiao, o que nao acontece cor os edificios residenciais, cujos vici- os de construgao dao mais Ibope. A verdade 6 que os contratos para constru go de estradas (con- tradizendo o president da Andrade Gutierrez) tern valores, volumes e especifica6oes tao abstra- tos quanto a fiscalizaAgo de sua execucio. "O Brasil 6 imenso e nele tudo ainda esta para construir. Nossa meta urgente 6 ocupA-lo e levar o progress as Areas abandonadas". Sabias as pa- lavras de Oscar Niemeyer, por6m dificeis de se- rem colocadas em pratica. E facil constatar que apesar de estar sendo construido hA quase 500 anos, o Brasil nao tem jeito de ficar "pronto", atW porque nossos parcos recursos sao mal aprovei- tados, entire muitas outras coisas refazendo a cada quatro anos estradas j construidas ou construin- do estradas ja executadas... nos bern produzidos relat6rios anuais dos governor. Josd Otdvio Figueiredo Engenheiro Civil Minha resposta Refletindo sobre justas ponderagoes, como a do engenheiro Jos6 Otavio Figueiredo, a vov6 Zulmira, criagao de Stanislaw Ponte Preta (por sua vez, produto de Sdrgio Porto), concluia bibli- camente: ou restaure-se a moral, ou todos nos locupletemos. De minha parte, defend uma raz- zia sobre todas essas ilegalidades, irregularida- des e imoralidades que, de per si e por vez, As vezes expressando visoes parciais e interesses corporativos, pessoas como Jos6 Otavio susci- tam cor carradas de razoes (para usar expressgo do setor, que invariavelmente result em super- faturamento). Que qualquer governor precisaria intervir no setor financeiro de sua economic para evitar o desmoronamento das contas nacionais, intrinca- damente conexas cor as contas interacionais, 6 ponto fora de questao. Mas se agiu no tempo certo, com as medidas corretas e foi ate o limited do demonstrAvel para punir os fraudadores, sao pontos a serem devidamente apurados, raramen- te o sendo no Brasil. Ganhariamos todos na con- dugao de investigaq es do mais alto interesse p6blico se os profissionais de cada um dos seto- res envolvidos tivesse a iniciativa de revelar o que sabe, de orientar os investigadores, de escla- recer debates nem sempre bem conduzidos pela midia. JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE AGOSTO / 1998 7 Cartas como a do engenheiro Jose Otavio de- veriam se multiplicar, aprofundando-se e ampli- ando-se. S6 assim poder-se-ia evoluir da consta- tag.o do dano para sua prevencao, reparaqAo e punic.o dos responsaveis. Na carta sao apresen- tados dois exemplos: a PA-150 e a Rodovia dos Trabalhadores. A primeira 6 um projeto que co- menou a ser executado hA um quarto de s6culo, na administragao Fernando Guilhon (sem falar no seu antepassado, a Bel-Can, iniciada no governor Aurdlio do Carmo, na metade da ddcada de 60, resultando na PA-70, hoje BR-222). Quanto ja se gastou nessa declarada estrada de integragao estadual? Quanto ela acarretou de endividamento (ponto de origem das diverg6nci- as que levaram ao rompimento de Jader Barbalho corn H6lio Gueiros, hoje novamente aliados, sem deslindar o passado)? Quantos quil8metros de asfalto foram sobrepostos aos 1.100 quil6metros da rodovia, evaporando-se essa cobertura asfalti- ca antes de terminar o mandate do governor que a realizou? Por que um governor retoma a obra de Santa EngrAcia sem auditar o acervo maldito do antecessor? Por que hA muita retdrica e pouca aago pratica em torno dessa estrada e de obras semelhantes? Quanto a Rodovia dos Trabalhadores, perfei- tamente enquadrAvel em todas essas perguntas sem resposta, o que espanta 6 ela situar-se na capital e nao no remote sertio, como a PA-150. O governador Almir Gabriel, que tanto criticou a acao anterior de JAder entiree intervalos de conve- niente silencio, como de seu estilo), reinaugurou parte do que havia sem a menor refernncia a essa mula rodoviaria sem cabeca, talvez porque qui- sesse faturar o velho requentado como sendo novo (um dos tracos do seu marketing). Para nao ocupar muito espago, que espero ver preenchido por outros profissionais do setor, capazes de langar mais luzes sobre essas nebulo- sas questOes, lembro minha pr6pria experiencia a respeito. ia num inicio de noite de Colinas de Goias para Conceigao do Araguaia. JA no cami- nho, o bom senso me recomendou voltar, dormir ali mesmo e prosseguir s6 cor o dia claro. A decisao foi tomada quando o nosso carro estava sobre uma esplendida e extensa ponte de concre- to, passando sobre um c6rrego situado bem em- baixo. No dia seguinte voltamos A ponte para descobrir, corn calafrio, que, mesmo sendo bela obra de arte, ela terminava no vacuo. Entre sua extremidade e o outro lado haviam bem dois me- tros A espera de conclusao. Morreriamos caindo naquele buraco. Aquele era um simples ramal iniciado e, ento, inconcluso. Apesar da con- diFgo de pista primAria, tinha ponte de concrete de primeiro nivel para os padres locais. Por que o absurd? Fiz a mesma pergunta na primeira visit a Santos. Ao lado das pistas de rolamento havia um viaduto de concrete, come- qando no nada e terminando no nada. Obra de Adhemar de Barros, me explicaram. Monumento A pilantragem bem sucedida neste pais de pilan- tras rapaces, mas simpAticos. Nao estA na hora de ajustar as contas com todos eles? Cor a pala- vra (e o voto), a opiniao public. Corre0ao Pensando em Rolando Boldrin, escrevi Ricardo Boldrin. E o cansaqo. Agradego a vigildncia dos amigos leitores. Vamos ficar s/ulIprc atentos para errar menos. Mas convenhamos: pior do que Rolando ser chamado de Ricardo e nosso aqai virar suco. Imprensa chinfrim Talvez os leitores possam apresentar, em relagAo a estejornal, queixa semelhante A que fago sobre a maioria da grande imprensa bra- sileira: como ela anda chata e como estao escrevendo mal muitos dos colegas. Se nao sou excefio, perdao, leitores: baixem o ma- Iho. Para ler as mais not6rias publica6Aes do pais 6 precise fazer um enorme esforgo. A menor desatengAo, nos desligamos do tex- to. Compreende-lo requer um permanent tra- balho de analogia, de associagao de id6ias, de complementagao, de auto-motivagao. Na 6poca da censura, lia-se nas entrelinhas. Hoje, para entender, 6 imprescindivel ir alem das linhas. Houve uma 6poca em que se combatia o cliche burocratico. Ele consistia na repeti- gdo de formulas prontas, de solucges pa- dronizadas, que dispensavam o raciocinio e a inventive. A armagAo do texto estava pron- ta para center qualquer enredo. Uma vez, na redagao de Veja, em seu aptote6tico inicio, Raimundo Rodrigues Pereira, entao no fres- cor do seu anarquismo (que mofaria algum tempo depois, na gaveta do doutrinarismo), aproximou-se de um redator que quebrava a cabeca em busca da abertura certa para sua mat6ria: "Abra aquele armArio e pegue 1 um dos mil tides da revista", recomendou o ir6- nico Raimundo. Hoje, ha uma outra matriz em acao: a da criatividade em sdrie. Todos querem ser ori- ginais, inovadores. Mas falta substancia para criar. O resultado sAo produtos extrava- gantes. Uma originalidade estandardizada. Texto representative desse estilo: "Aborre- cido. Foi assim que fulano reagiu ao antn- cio...". Leio o perfil da cantora Marina Lima tra- gado por Apoenan Rodrigues, editor de cul- tura de Istoe. Ele fala em "liquidificador de emogoes apertado no botao nimero dois" e em "eletro-samba". Diz que os arranjos do filtimo disco de Marina "deram-lhe um carA- ter antropofAgico, bem ao jeito de a cantora tecer seu pop cor griffe". Nao consigo en- tender nada disso, nem vejo luz nessas me- taforas (serao mesmo metAforas, meu Deus?). Escreve-se essas coisas porque deixou- se de ler? Quando se 1l, o que se 1e sao ore- lhas ou trechos de livros, a cultural da apos- tila? Os livros que se le sao de divulgacgo, obras rapidas e rasteiras, como as de vArios jornalistas? Ou o que se conhece 6 obtido nos interminaveis "papos-cabega" de bares e botequins, onde gente que ainda nao vi- veu o suficiente (As vezes sequer o minimo necessArio) receita sobre a arte de viver. A sempre limitada sabedoria oral, as vezes bri- lhante, quase sempre superficial, 6 a matriz finica do saber. Nao sei se sei a resposta certa. Mas como ficou insipida a grande imprensa brasileira! Sera porque vendeu a alma, expurgou ajusta e fundamentada indignagao, trota com ar- reio curto, seguindo um roteiro pr6-determi- nado, buscando o glamour a qualquer pre- go como se fosse o Santo Graal? Fica a pergunta e o protest de um in- veterado leitor dejornais e revistas, que quer voltar a fazer corn prazer uma atividade trans- formada em oficio sofrido. Aos bons e jo- vens profissionais, desejosos de aprender para valer, sugiro que leiam Imperium, um relate de Capuszinsky sobre o fim da Uniao Sovidtica, enquanto buscam sua pr6pria res- posta. O melhor que ojornalisnlo pode pro- duzir esta nas paginas desse livro. Tomem- no como espelho, um bom reflexo, nit o o oa-- sis que a TelebrAs esta criando. Quem for capaz de escrever como o jornalista polo- nes, apresentando testemunhos como os que ele enfileira no livro e associando suas leitu- ras A hist6ria conjuntural, 6 mesmo jomalis- ta. Dos bons. Parab6ns. Segao Liberal A seg5o, corn vArios titulos ("Aconteceu na hist6ria" e "Efemdrides" eram as mais co- muns), foi uma coqueluche na imprensa ate duas d6cadas atras, ficando atras em popu- laridade para os folhetins e as colunas mun- danas da "vida social". Perdeu fascinio, mas vArios jomais ainda a mantnm como compro- misso corn a mem6ria hist6rica. O problema e que nem sempre os responsaveis pela cro- nologia contam cor os meios ou os auxilia- res exigidos por um trabalho de qualidade e consistencia, ainda mais quando diArio. Em drops, a hist6ria se torna bizarre ou vira com- pleto bestial6gico. 0 Liberal tem a sua secao, Hoje na vida do Pard, assinada por Jose Valente. Na mai- or parte, sao reprodugbes de outros autores e pesquisa em manuals e nas colecges de jomais, a sintetizaqio em poucas linhas de acontecimentos complexes nem sempre sen- do feita com equilibrio, ou a inexistencia de event merecedor de registry em determina- da data (por nao haver mesmo, ou por inves- tigagdo insuficiente) forgando a inclusao de fatos absolutamente sem valor hist6rico, quando nao totalmente sem valor mnem6ni- co. Como na edigco de 27 julho. Valente en- cerrou a segao daquele dia com um registro de 1940, provavelmente obtido na permanen- cia da Central pelo setorista joralistico de entao: "Foi preso o 'chauffeur' Odon Fran- cisco dos Santos, de 48 anos, natural da Pa- raiba, por ter agredido a socos e a pontapes o portugues Francisco Fernandes Chipelo, no Bar Ultramarino, onde Chipelo trabalha- va". Sim, e dai?, perguntara um Her6doto ao tucupi, talvez procurando na resposta aque- la popular image que associa a calla Aque- la determinada parte do corpo que a indu- mentaria cobre, no limited da cintura, como se ousa argumentar, cor linguagem chula, in- felizmente, em bares como esse em que o lu- sitano empregado sofreu bordoadas do cho- fer paraibano e atd ai Ines continuou mor- ta, nem o leite parou de derramar. Coisa de p6s-modernismo arretado, tal- vez, quem sabe. Colonialismo 0 Piano Decenal de Ex- pansdo 1998/2007, entregue no final do mis passado pela Eletrobris ao Minist6rio de Minas e Energia, prev6 que nesse peiiodo estara conclui- da a interligaggo da regiAo Norte corn o Nordeste e o Sul do pais. O Para chegara ao final dessas obras como o mai- or exportador de energia do pais, desbancando das primei- ras posi9ces o Parana e Mi- nas Gerais. Quem soltar foguetes para comemorar 6 porque nio sabe das coisas. Estilo 0 Dicrio Oficial de 27 de julho publicou o QDQT que detalha as quotas do terceiro trimestre do ano (de julho a setembro). E um desrespeito A opinido piblica. As letras do texto sdo diminutas. Quem possui problema de vista nao conseguira ler. Quem ler, es- tara favorecendo futuras com- plicagces de visio. A totali- zagdo feita dos valores orga- mentarios 6 setorial. Quem quiser saber qual a totalidade dos recursos a serem aplica- dos no trimestre tem que fa- zer a soma geral. Nao ha um quadro identificando as fon- tes dos recursos, citadas em c6digo. Sete milh6es de reais brotam na conta de setembro da Secretaria de Educagio e nao ha uma nota explicativa. O governor Almir Gabriel 6 o pior que apareceu nos ilti- mos tempos em mat6ria de prestagdo de contas. Cor re- t6rica social-democrata, ocul- ta o que pode, sonega infor- macges. Justifica a mAxima de Buffon: o estilo 6 o home. Proposta Aos amigos que se ofere- cem para ajudar este journal, dou uma sugestao. Os que tam condiG6es para isso, po- deriam comprar uma quanti- dade maior de exemplares e mandar distribui-los na peri- feria da cidade, gratuitamen- te. Tenho andado pelos subfir- bios nos finals de semana e acho que essa seria a f6rmu- la capaz de ultrapassar o fos- so que separa o Jornal Pes- soal do grande p6blico, insu- perAvel pelos meios pr6prios, e testar como seria a recep- 9go a uma publicag9o dirigida como esta pela massa da po- pulagao. As observa96es fei- tas nessas semanas de cami- nhada me t6m crer que nao hi incompatibilidade entire o JP e o grande pufblico, apesar do prego, da linguagem, do format e dos temas deste tipo dejornalismo, mais elitista. Assim, se alguem quer aju- dar o nossojornal, a nossa su- gestao 6 esta: compare uma certa quantidade de exempla- res, design uma pessoa para fazer a distribuigdo e escolha um setor da cidade para meta. Numeros atrasados do enca- Ihe podem ser comprados a pregos rebaixados e distribui- dos nas escolas. Pode at6 nao dar certo, mas s6 tentar que- brar a incomunicabilidade ja seria uma faganha. Linhas tortas O marketing politico 6 mais ou menos como a p61- vora: uma vez inventado, nio pode ser desinventado, como diria o Ant6nio Ma- gri. Usa-lo para o bem ou para o mal passa a ser a opC9o dos homes. Desde que bons conselhos ajuda- ram John Kennedy a ven- eer Richard Nixon na dis- puta pela presid6ncia dos Estados Unidos, trabalhan- do melhor sua imagem di- ante da televisio, quatro d6cadas atras, o marketing 6 recurso indissociAvel da dispute political. Quando os candidates estdo empare- lhados, faz a diferenga. E quando um candidate nao tem outra qualidade indis- pensAvel (como o carisma, a orat6ria, o prepare inte- lectual), ajuda a arrasta-lo. O marketing s6 faz mal A democracia, virando bruxa- ria ou ilusionismo, quando praticA-lo cor sigilo ou mis- t6rio 6 a condi9go para o seu sucesso. Por isso, 6 lamentavel que no debate convocado pelo Sindicato dos Jornalis- tas, no m6s passado, para discutir o marketing politi- co na eleicgo deste ano, to- dos os cinco marqueteiros convidados tenham faltado. Pode ter sido mera coinci- d6ncia a impossibilidade de todos eles poderem compa- recer. Mas sinas como es- sas tamb6m podem ser to- mados por maus pressagi- os. No caso, de que 6 muito mais para manipular do que para esclarecer que o ma- rketing politico esta sendo usado na eleigdo deste ano no ParA. Nos textos biblicos a omissdo 6 considerada o pior dos pecados. Na Divi- na Comeedia, de Dante, tamb6m. Cofre aberto A Funtelpa acrescentou 400 mil reais ao rumoroso "conv6nio" que assinou no ano passado cor a TV Li- beral, atrav6s do qual paga- ri a emissora dos Maiora- na 12 milh6es de reais ao long de cinco anos. Como aconteceu no "conv6nio" original, o Diario Oficial do dia 30 de julho limitou-se a publicar um minusculo ex- trato, permitindo-se informar ao distinto pfblico apenas que os R$ 400 mil sao um "aditamento dos recursos fi- nanceiros". Sera que os R$ 250 mil que a Funtelpa repassa todo mrs A TV Liberal, para que a emissora utilize sua rede para a captag9o de sinal de sat6lite pelo interior do Es- tado, serAo engordados por mais R$ 400 mil mensais. Ou esse 6 um valor a ser di- luido no trimestre? 1 preci- so investigar, ji que o gover- no Almir Gabriel sonega esse tipo de informag9o. Ou en- tdo esperar que o vice, H6- lio Gueiros Jr., publique a in- tegra do aditamento ao as- sumir a titularidade, por qualquer acidente de percur- so, como aconteceu no "im- broglio" do ano passado. Triste sina. A falta de serie- dade e respeitabilidade na condug9o dos neg6cios pu- blicos, dependemos das es- caramugas dos poderosos para dispor do que 6 abun- dante apenas na ret6rica de- les: a tal da transpar6ncia. Sepulcral Agora que a Copa do Mundo ja acabou e que o veraneio dejulho se foi, pre- sume-se que a Ordem dos Advogados do Brasil, Sec- 9ao do Para, tera tempo e motivagao para se interes- sar pelo grave precedent aberto dois meses atras no Tribunal de Justiga do Esta- do, quando os desembarga- dores foram convocados para deliberar, secretamen- te, se uma sentenga de juiz singular seria ou nao publi- cada, diante da ameaga do prejudicado (o grupo Libe- ral) de retaliar contra ojudi- ciario caso esse moment sagrado do process fosse respeitado (ver Jornal Pes- soal n 189 e 190). Se essa mat6ria nao inte- ressa a OAB, deve-se enten- der entao que o compromisso da entidade cor a administra- g9o da justiga aplica-se ape- nas quando a ameaga 6 feita por fracos e deserdados da terra, nao pelos poderosos lo- cais? E isso, Avelina, Ophyr, Angela e demais amigos, cu- jos nomes tinha-se como ga- rantia de seriedade, indepen- dancia e coragem na condu- 9ao da Ordem? Se nao forem capazes de uma attitude, ao menos que deem uma resposta. JI serve para alguma coisa. Jomal Pessoal Editor: Licio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871 1 CEP: 66 053-020 Fone: 223-1929, 241-7626 e 241-7924(fax).- Contato; Trv. Benjamin Constant, 84A 3 / 66 053-020 Fone: 223-7690 e. ma:ltrcio@expert. com. br |
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