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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00138

Full Text




Na Political a

jomal Pessoal erde
L U C O F L A VI O PI N T O Santarem
ANO XI N 189 2' QUINZENA DE JUNHO DE 1998 R$ 2,00 exorcisa 0
Passado ,P,. 7
JUSTICE



Precedente perigoso

0 grupo Liberal ameagou retaliar a justiga paraense para impedir a publicapdo da
sentenga do juiz Enivaldo Gama, que obriga o joral a pagar 100 mil reais de
indenizagdo por danos morals causados ao desembargador Benedito Alvarenga. Uma
reunido reservada apreciou a ameapa, mas o colegiado acabou decidindo resistir.


uinze desembargadores se
reuniram no ultimo dia 29 no
gabinete do president do
Tribunal de Justiga do Es-
tado, Romdo Amo6do.
Tema desse encontro reser-
vado: a ameaga que a dire-
cgo dojornal 0 Liberal havia feito, dias
antes, de retaliar o TJE caso o Didrio da
Justiga publicasse sentenga do juiz Eni-
valdo da Gama Ferreira, da 5a vara civel
do f6rum de Bel6m, proferida no dia 22.
A sentenga condenou a Delta Publicida-
de, do Sistema Romulo Maiorana de Co-
municagAo, a pagar 100 mil reais ao de-
sembargador Benedito de Miranda Alva-
renga como indenizag9o por danos mo-
rais de uma noticia publicada em OLibe-
ral, considerada ofensiva ao magistrado.
No mesmo dia em que datou sua sen-
tenga, ojuiz a enviou ao setor de resenha
para publicagqo. Mas quando o documen-
toja estava pronto, sua publicagco foi sus-
tada por ordem do president do Tribunal,
encaminhada atraves do Corregedor Ge-
ral de Justiga. O mal-estar provocado por
essa decis.o, in6dita nos anais dojudicia-
rio, forgou a convocaggo informal dos de-
sembargadores, entire os quais o pr6prio
Alvarenga, que protestou energicamente
contra a iniciativa.
Um dos desembargadores presents
levantou a possibilidade de uma composi-
9do: ojornal faria uma retratagao pilblica
e Alvarenga desistiria da agco. O desem-
bargador ndo aceitou. Disse que antes de
proper a agdo de indenizag~o, ha dois anos,
atd admitira essa possibilidade. Chegou a
procurar a diregdo do journal para acertar
a publicaggo de uma nota retificando duas
noticias que sairam, em margo de 1996,


Gb
,jo 4a


na coluna dojornalista Luiz Paulo Freitas,
e que motivaram sua agao. Mas durante
dois meses nao teve resposta. Temendo
que tudo nao passasse de uma manobra
para faz&-lo perder o direito de agir (que
sucumbiria tres meses depois da publica-
9ao da noticia considerada ofensiva), re-
solveu ajuizA-la.
Depois de alguma discussio, os de-
sembargadores concluiram que nada
havia a fazer: a sentenga teria que ser
publicada, mesmo acarretando uma cam-


panha do grupo Liberal contra ojudicia-
rio paraense. A edigdo do Didrio da Jus-
tiga do dia 2 trouxe, finalmente, a deci-
sao dojuiz Enivaldo Gama. Cor um de-
talhe: apesar do carimbo de urgencia,
passaram-se nove dias entire a data ofi-
cial da resenha (25 de maio) e sua divul-
gagao. Para recorrer, a Delta Publicida-
de teria que depositar os R$ 100 mil da
condenagdo, mais R$ 15 mil de honord-
rios, al6m das custas do process.
Nos dias 3 e 26 de margo de 1996 a)


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"' ', -.S ,* I ., . : ? .,'y tit:,,iS , ,...,,, .' ,1 ,* :*







2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENADE JUNHO / 1998


,coluna Zing, de O Liberal, publicou duas
notas que o desembargador Benedito Alva-
renga considerou ofensivas. A primeira di-
zia: "A mulher de um recem-desembarga-
dor, que nio deve ser confundida como ra-
inha da Inglaterra, reina absolute no Tribu-
nal. As mulheres dos seus pares 6 que nio
estao gostando. Nem o velho compare esta
infenso a trajet6ria de traquinagens".
A segunda nota era mais explicit:
"Toma um novo rumo as traquinagens da
Elizabeth, que nao e a rainha da Inglaterra,
As esposas dos magistrados reuniram-se
e fecharam questao: nao devera haver tra-
quinagem entire os pares do tribunal. Eliza-
beth pode at6 negociar decis6es como fa-
zia cor os pareceres do traquinado, mas
devera respeitar o decor familiar dos
membros do tribunal. A decisao s6 nao foi
unanime por causa da existEncia de rela-
c5es de compadrio que admite e aceitatra-
quinagens de comadre".
Apesar de nao ser referido pessoalmente
nas notas, Alvarenga identificou-se como o


alvo delas. Era o mais novo dos desembar-
gadores. Oriundo do Ministerio Publico, em
sua atividade anterior emitia pareceres, en-
quanto na nova 6 encarregado de tomar
decis6es. O nome de sua esposa e Elizabe-
th. O entao president do TJE, desembar-
gador Manoel Clristo Alves (hoje aposen-
tado), e seu compare.
Alvarenga ajuizou duas ac6es. Uma,
penal, contra ojomalista Luiz Paulo Freitas,
responsavel pela coluna (mas nao o verda-
deiro redator das duas notas, introduzidas a
sua revelia), que acabou condenado na pri-
meira instincia. Outra, civel, contra a Delta
Publicidade, cobrando R$ 100 mil de inde-
nizag~o por danos morais.
Em novembro do ano passado o juiz
Enivaldo Gama encerrou a instruno do pro-
cesso, um ano e meio depois de hav6-lo ini-
ciado. Um representante legal e um porta-
voz do grupo Liberal procuraram, na segun-
da quinzena de abril, estabelecer um enten-
dimento que evitasse o sentenciamento da
acgo. Nao sendo bem sucedidos, apesar de


presses feitas sobre a cipula dojudiciario,
tentaram uma ultima manobra: no dia 22 de
maio arguiram a suspeicgo de Enivaldo
Gama.
Mas quando o advogado Jorge Borba
mostroupara ojuiz apetigio, ja protocolada,
pedindo seu afastamento do process, Gama
explodiu: fazia quatro meses que ele prepa-
rava sua decisao, depois de ter passado un
ano a frente do process, cuja instrugAo foi
encerrada em novembro do ano passado; nio
admitia que s6 no instant final, corn a sen-
tengaja pronta, fosse questionada sua impar-
cialidade. Mandou a esposa buscar a sen-
tenga, que estava em sua residencia, a espe-
ra apenas de ser datada e assinada, assinou-
a e remeteu-a para a resenha, onde o enca-
minhamento regular foi sustado por causa
das ameaas do grupo Liberal.
Durante duas semanas ojudiciario para-
ense tentou encontrar uma said para acal-
mar os poderosos Maiorana. Nao a encon-
trando, cedeu ao seu dever: fazerjustiga, in-
dependentemente de suas conseqiiencias. *


0 dominio da mediocridade


O Sistema Romulo Maiorana de
Comunicaqco transformou-se num pe-
rigoso super-poder no Pard. Inventan-
do suas pr6prias regras, ameaga os
poderes estabelecidos constitucional-
mente, colocando-se acima deles.
Como nao cncontra resistancia nas
normas legais e nas autoridades pii-
blicas, ousa cada vez mais. Age como
se fosse um senhor feudal, com direi-
to de vida e de morte, ou, para usar
uma expressao mais ao gosto da nos-
sa hist6ria, senhor de barago e cute-
lo. Pode destruir a reputagio e mes-
mo a vida de qualquer cidadao que se
coloque contra seus interesses, ou
mesmo caprichos.
A ameaga feita a justiga paraense
pelo grupo Liberal exemplifica a pa-
roxia desse poder, exercido sem co-
medimento ou mesmo pudor. Ao acei-
tar a pressao e tentar uma solugao ne-
gociada para o litigio entire a familiar
Maiorana e o desembargador Bene-
dito Alvarenga, a dire9do do TJE acei-
tou, como se fora pressao legitima, o
que, em linguagem nao muito polida,
mas exata, ter uma designacgo cer-
ta: chantagem.
Um dos mais cultivados brocados
do mundo juridico assegura que ajus-
tiga s6 interessa o que faz parte do
process: "o que nao esta nos autos,
nio esta no mundo", diz o principio.
No entanto, o president do Tribunal


decidiu reunir seus pares para tentar
encontrar uma formula que nao pro-
vocasse a ira dos donos da opiniao pLi-
blica. Publicada a sentenca condena-
t6ria da empresa, que represalia po-
deria adotar o Sistema Romulo Maio-
rana de Comunicaqao? Publicar mais
algumas notas cavilosas contra magis-
trados? Ou desencadear uma campa-
nha de reportagens sobre a morosi-
dade ou a impericia do judiciario,
como a que saiu na edigao dominical
do dia 7 (sintomaticamente, citando o
cart6rio pelo qual tramitou a aago in-
denizat6ria)?
Na primeira hip6tese, cabe a cada
juiz ou desembargador, quando atin-
gido, procurar seus direitos enquanto
cidadao, como o fez o desembarga-
dor Benedito Alvarenga. Alguns cri-
ticaram o pedido de indenizagao que
ele fez, achando que bastaria uma
sangao moral para reparar o dano ale-
gado. Mas a lei resguarda o direito a
indenizaago e, ao busca-la, o desem-
bargador pode ter procurado atingir os
Maiorana em seu ponto mais sensi-
vel: o bolso.
Na segunda hip6tese, sendo a jus-
tiga uma instituicao permanent e se-
cular, seus erros, por mais graves que
sejam (e sao realmente), nao elimina-
riam a necessidade da sua existencia.
Mesmo que viesse a sofrer os mais
violentos ataques, justos ou injustos,


sobreviveria. O pior foi o tribunal le-
var em considerag~o uma ameaga que
deveria ser rejeitada de pronto, in li-
mine, como dizem os advogados, por-
que ofende a dignidade intrinseca da
instituigo.
Ainda bem que o bom senso aca-
bou prevalecendo, mas sobrestar o en-
caminhamento regular do process
abriu um precedent nocivo. Parece-
ra ao usuario da justiga que sempre
ha a possibilidade de barganha, mes-
mo quando envolvendo apenas o cum-
primento do rito processual, que de-
veria ser automatic. O juiz senten-
ciou a a9ao e mandou publicar sua
decisdo. Durante duas semanas, en-
tretanto, uma mao invisivel interrom-
peu a administracao da justica, en-
quanto moments nao previstos em
nenhum c6digo eram criados para uma
negociagao que nao poderia vir aos au-
tos, nem mesmo a luz do dia.
Ao observador atento, por outro
lado, parecera que uma organizaago
empresarial de grande dimensao soci-
al e political, por lidar com a informa-
cao, nao respeita qualquer tipo de res-
tricao ou pudor quando seu interesse
nao 6 acolhido. Ao inv6s de guiar-se
por parametros coletivos, legitimando
sua existencia, o grupo Liberal desce
aos niveis mais mesquinhos para atin-
gir os que, num crime equiparado ao
de lesa-majestade, ousam contraria-lo.







JOURNAL PESSOAL 29 QUINZENA DE JUNHO / 1998 3


E o que aconteceu cor o desem-
bargador Benedito Alvarenga. Quan-
do ainda era procurador de justica, ele
teve a audacia de dar um parecer con-
tra as pretens6es de Rosangela Maio-
rana Kzan. Nao importa que, antes,
agindo de acordo cor sua convic0ao,
tenha emitido um parecer contrario as
minhas pretensoes, em uma das mui-
tas movimentag9es havidas nas quatro
ac6es penais contra mim propostas pela
s6cia-diretora do grupo Liberal.
De minha parte, aceitei a decisao
do entao procurador (quando nao se
aceita, recorre-se, diz outra maxima
processual). Mas ao reconhecer mi-
nha legitima pretensao, de argfiir a sus-
peigao da juiza que me condenou, Al-
varenga tornou-se persona non gra-
ta (todo reporter setorista de O Libe-
ral no TJE recebe uma lista corn os
nomes dos "indesejaveis", que jamais
devem aparecer no noticiario, exceto
para serem criticados). Acabou alcan-
cado por duas notas s6rdidas.
A sordidez nao esta no ataque ao
desembargador, que o direito de criti-
ca autoriza, mas na forma pela qual
ele foi atacado. Se o desembargador
realmente vende pareceres e deci-
s6es, caberia ao journal prestar um ver-
dadeiro service de utilidade piblica,
sustentando a denuncia corn provas ou
indicios veementes. Se houve uma reu-
niao das esposas de outros desembar-
gadores, a nota teria que dizer quais
foram essas senhoras, ou qualtas ti-
veram essa iniciativa, quando ela cor-
reu, onde, o temario e uma tal riqueza
de detalhes suficiente para demons-
trar sua veracidade. Se houve quebra
de decoro familiar, em que consistiu?
Ao inv6s de informac6es, O Libe-
ral publicou apenas insinuagoes ve-
nenosas, sem qualquer consistencia.
O responsavel pelas notas diz, na lin-
guagem tortuosa dos que escondem
a verdade, que elas "ocorreram ten-
do em vista seu carter folcl6rico".
Sustenta ainda que essas notas tinham
carterr informative", "ainda que
contivessem conteudo indicative de
duvida". Corrupado no Minist6rio
Pfiblico e no judiciario 6 folclore?
Honra pessoal e folclore? Na divi-
da, contra o reu? Sao esses os axio-
mas do jornalismo nas empresas da
familiar Maiorana?
Alguma tempo atras a desembar-
gadora Maria de Nazar6 Brabo de
Souza sofreu o mesmo enxovalhamen-
to. No exercicio de seu oficio, ela acei-
tou um pedido de pericia que fiz (para


verificar se foi a juiza Ruth do Couto
Gurjio quem produziu sentenga que
assinou contra mim). Foi o que bas-
tou para a coluna Rep6rter 70 ataca-
la, pretextando vinculago da magis-
trada ao senador Jader Barbalho no
exercicio da presid6ncia do TRE.
Escrevi uma nota mostrando o ver-
dadeiro motivo do ataque e a falsida-
de dos arguments de O Liberal. Nao
consegui publicar essa nota nem como
mat6ria paga na grande imprensa lo-
cal. inclusive nos concorrentes. Ficou


Salomao Laredo escreveu um livro
provavelmente inico na hist6ria da hu-
manidade. Ouvindo Histdrias do Ima-
gindrio Amaz6nico, em agradavel pe-
queno format, da (por que nao?) Salo-
mao Laredo Editora, tem 115 paginas.
Quatro delas repetem a capa, em su-
cessivas e ineditas paginas de rosto. O
livro acaba tendo como se fossem cin-
co capas, exatamente iguais, cor o ti-
tulo e o nome do autor, que realize ou-
tra facanha, at6 entao jamais perpetra-
da em in-folios: inclui na edicgo duas
fotografias suas, ambas coloridas, na-
turalmente (mais as da mae, do pai e do
tio).
Alem de ter seu nome reluzindo nas
cinco quase-capas, o autor assina uma
esp6cie de introdugao e grava suas ini-
ciais no que poderia ser torado como
parafrase, alem de comparecer, corn sua
inspiragao e assinatura (rides again), no
epilogo. O texto propriamente dito do li-
vro s6 emerge na pagina 29. Dai, ate a
pagina 68, sempre em adequado peque-
no format, seria o que James Joyce
chamaria, se a tanto se atrevesse, de
retrato do artist quando jovem: uma
composigao em eu-maior de como o au-
tor se tornou esse grande intellectual que
ele pr6prio tanto admira. Nove paginas
fmais repetem "dados bio-bibliograficos"
do autor e sua prolifica obra, que 6 para
ninguem se meter a besta de esquecer
quem produziu esse livro singular.
Corn modstia, Laredo confessa: "Na


apenas a "verdade" de O Liberal, uma
dentre as muitas que costuma impor a
opiniao public porque todos, temen-
do-o, se acachapam e se encolhem.
Deixam que um anao se transform
em gigante simplesmente por vestir
uma roupagem tecnol6gica de impres-
sionar. Permitem este vasto e medio-
cre monop6lio, que exerce sua acao
nefasta sobre este rico e infeliz Esta-
do, fazendo-o a sua imagem e seme-
lhanga. E o castigo merecido? Quem
tiver culpa que o receba. *


minha cabega, os livros todos estao pron-
tos e sempre ha centenas deles queren-
do sair, ganhar vida pr6pria e correr mun-
do". Em pouco mais de 30 anos, 14 ja
escaparam do redil mental, um latiffindio
de inspiracao, sete apenas nesta d6ca-
da. A central de livros ameaca com no-
vos cometimentos ainda para este ano.
Salomao Laredo, que ja integra varias
academias, inclusive a dos imortais das
letras, vai acabar entrando no Guiness,
o livro dos records. Como o autor que
mais falou de si mesmo. Fora dessa es-
pecialidade, 6 um conselheiro Acacio ao
tucupi, didaticamente ensinando aos can-
didatos a sumidades, que nem ele, o cul-
tivo de abobrinhas.
Dos seus muitos e festejados livros,
ponho f6 no primeiro, publicado em 1972,
que atende pelo titulo alias, muito ori-
ginal de "C~nticos do Amor Amado",
uma edigio mimeografada de 30 exem-
plares, todos esgotados, da qual o autor
"nao ter nenhum exemplar". Razao ti-
nha o pai do escritor quando, inspirado
na sabedoria popular, vivia repetindo o -
como ele diz axioma: "O tempo per-
guntou ao tempo/ qual 6 o tempo que o
tempo/ tem. E o tempo responded ao/
tempo, que s6 corn o tempo se/ sabe o
tempo que o tempo tem". O brilhante
author ben que poderia, do tempo, apren-
der a li~go que Ihe foi dada logo no pri-
meiro livro e, aos poucos, tamb6m dar
um sumigo nos demais. A literature bra-
sileira, penhorada, agradeceria. *


0 grande artist,


por ninguem


menos do que


ele mesmo







4 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE JUNHO / 1998




A viciada bolsa de


Como quem tivesse vencido uma
aposta, o empresario abriu um sorriso ao
declarar:
Nao te disse que o Jader nao vinha
ser governador?
E verdade: disse. Mas nao havia ain-
da, na semana passada, nenhuma con-
firmacio de que o senador do PMDB
disputara o govemo do Estado. O pr6-
prio nao assumira sua candidatura, nem
a negara. Continuava mudo e trabalhan-
do ativamente nos bastidores. De Il, gre-
gos e troianos vinham para proclamar em
ambientes publicos, dizendo-se capazes
de decifrar o grande enigma do momen-
to pr-eleitoral no Para. Enquanto o gran-
de empresario estava seguro da confir-
ma9ao de sua previsao, um dos politicos
mais pr6ximos de Jader, depois de muita
insistencia, revelava:
Ele ja nos disse que sera candidate.
Sussurrando, o politico informava:
milhares de cartazes e camisas de cam-
panha ja estao prontos e sao espalhados
por todo o Estado. O anincio official, se-
gundo uma versao, sera feito ainda nes-
ta semana, logo depois que a diredao do
PMDB national decidir se continue com
o deputado Paes de Andrade ou se ira
procurar novo president. O candidate
natural para o cargo, que ja foi de Ulys-
ses Guimaraes, seria Jader Barbalho.
Nesse caso, ele desistiria de baixar a
rinha estadual e continuaria tentando al-
Car v6o national. Teria a presid8ncia
national do PMDB como argument
compensat6rio para calar seus correligi-
onArios paraenses, ansiosos por seu re-
torno ao govemo estadual. Evitaria a di-
aspora que essa frustragdo desencadea-
ria.
Outra versao, entretanto, nao conce-
de: a confirmagao da candidatura ficara
mesmo para o dia 30, quando o PMDB
local escolhera em convengao se vai
enfrentar o govemador Almir Gabriel ou
embarcar na sua esquadra. Se depen-
der da maioria esmagadora do partido,
Jader pode voltar a Granja do Icui e di-
zer ao seu ilustre inquilino que nao have-
ra fusao de palanques. Consultar as ba-
ses antes de uma definicao foi a condi-
cionante que o senador estabeleceu an-
tes de responder ao convite que, em dose
dupla, o govemador Ihe fez para que se
coligassem. As bases nao querem acor-
do. Mas o PMDB e urma ficcao sem Ja-
der Barbalho. Ele ouve a si pr6prio, con-
, encido de ser a voz de uma multidao.


Ele sempre quis isso, mas, pela pri-
meira vez, sofre os efeitos do feitico. Se
tivesse um nome para colocar a frente
de uma candidatura pr6pria cor possi-
bilidade de amealhar votos em todo o
Estado e enfrentar o discurso tucano, nao
estaria tendo que armar e desarmar es-
quemas conforme aceita ou rejeita a tese
do seu retorno a chefia do executive es-
tadual, sem poder realizar seu desejo
mais intimo: permanecer como parlamen-
tar em Brasilia, sem perder sua base de
poder no Para.
Fernando Coutinho Jorge 6 a pega
que faltou ao esquema dos sonhos de
Jader. Em todas as ocasi6es semelhan-
tes no passado, Coutinho confiou cega-
mente em Jader e o resultado foi uma
frustrago. O lider Ihe prometia uma
coisa (ou ao menos aquilo que Coutinho
interpretava como prometido) e fazia
outra. A carreira do ex-peemedebista
rumo ao topo do poder sofria um embar-
go. No ultimo confront, Coutinho resol-
veu nao esperar mais por Jader. Pulou
para o barco do PSDB. Mas onde havia
um banco esperando-o apareceu um bu-
raco e ele afundou (embora com sinecu-
ra vitalicia). A vaga pela qual tanto es-
perou finalmente abriu-se, mas ele nio
estava mais la para ser o escolhido. Sem-
pre houve uma falta de sincronia entire a
hist6ria e o ex-senador e future conse-
Iheiro Coutinho Jorge.
Se nao for Jader, o PMDB fica sem
altemativa para a dispute do govero.
Tera mesmo que apoiar Almir Gabriel,
mesmo que uma parte consideravel do
partido acabe optando pelo chamado voto
camarao (nao votando no cabega de cha-
pa), fluindo para H6lio Gueiros.
O PMDB nao nem mesmo um can-
didato de expressao para o senado, cir-
cunstincia que alimenta uma especula-
cio meio delirante: Jader esqueceria os
quatro anos que ainda tem como sena-
dor para vir disputar novamente a vaga,
colocando o pai, Laercio Barbalho, em
seu lugar. Em favor dessa tese ha a cir-
cunstancia, nada desprezivel para a cor-
rida presidential de 2002, de que ficaria
como dono de duas vagas no senado,
reforgando seu cacife national.
Mas se 6 para especular, outros ima-
ginam que Jader simplesmente mante-
nha-se a margem da dispute local, pou-
pando-se dos desgastes inevitaveis de
uma campanha eleitoral. Nao apoiaria
ninguem, preservando-se para os pr6xi-


mos quatro anos, ou seria o avalista de
uma ampla composicgo para reeleger
Almir Gabriel e colocar H61io Gueiros
no senado, trazendo o president Fernan-
do Henrique Cardoso para um acerto:
todos os cargos federais ficariam sob o
seu control.
As variantes nesses raciocinios sao
infinitesimais. Todo o despistamento fei-
to por Jader serviria a um xeque-mate
contra H61io Gueiros: no final, o senador
do PMDB coligaria com o goverador e
deixaria seu ex-quase-futuro amigo ao
relento. Gueiros teria que escolher: con-
correr ao senado, sem candidate a go-
vemador, tendo que enfrentar Jader (na
hip6tese de ele candidatar-se outra vez)
e deixando 6rfao o PFL, ou arriscar-se a
enfrentar Almir Gabriel, com possibilida-
des ainda menores de vit6ria.
Imaginar situag6es a partir de dedu-
95es 16gicas, qualquer um pode fazer -
e 6 at6 um exercicio saudavel para a
mente, se em abstrato (em carter apli-
cado, vira fonte de angustia). Mas acom-
panhar todos os passes de uns poucos
personagens, sondar seus interlocutores,
apurar seus movimentos reais e decifrar
o que esta em suas mentes exige um
esforgo muito grande, e nada compen-
sador para quem quer mais do que "es-
tar por dentro". Ainda mais porque e
extremamente reduzido o nimero dos
que decide. No moment, alias, a equa-
cao esta pendente de uma unica inc6g-
nita: a definiaio de Jader Barbalho.
E constrangedor que num regime de-
mocratico de massas a decisao esteja tao
concentrada assim, condicionada a ma-
nobras de sagacidade, a movimentos que
nada tnm a ver com o mundo real. Nes-
te, os atores tem que produzir objetos,
gastar energies, consumer seu capital in-
telectual, mobilizar muita gente. No mun-
do politico, uma pega mexida tem as ve-
zes uma importancia que nao se pode
imaginar diante de sua aparente singele-
za. E o imaginario que cria o real e nao o
contrArio.
Todas as especula96es sobre o que
ocorrera nos pr6ximos dias deveriam ba-
lizar-se por alguns fatos. Sem seqilncia
cronol6gica, nem peso relative, pode-se
lembrar alguns. O ex-senador Jarbas Pas-
sarinho, por exemplo, esta a beira do rom-
pimento com seu ex-aliado em 1994. No
iltimo dos seus artigos para 0 Liberal,
Passarinho responded a "um amigo", que
o acusou de apego exagerado ao poder,







JOURNAL PESSOAL 2E QUINZENA DEJUNHO / 1998 5




apostas da eleicao


independentemente de quem seja o pode-
roso (Collor, Almir, FHC), a ponto de nio
manter a menor das coer8ncias.
O Amigoo", Jader Barbalho, ainda
nao foi identificado, mas o tom do arti-
go ja saiu do comedimento em que Pas-
sarinho se manteve depois da derrota
de quatro anos atras. Os dois politicos
estao a caminho de uma separagco de-
finitiva e nao de uma recomposiCgo num
grande acordo, como o que O Liberal
anunciou no "Rep6rter 70", sem a me-
nor relagao cor a realidade.
E pouco provavel tambem que H1lio
Gueiros e Almir Gabriel venham a es-
tar juntos nessa arca de No6 estilizada.
O ex-prefeito aproveitou uma replica,
bem ao estilo do Velho Testamento, dada
ao deputado tucano Martinho Carmo-
na, para sapecar no governador o titulo
de "herege", ignorando os recentes es-
forgos de Almir Gabriel para parecer
mais crente do que o ex-ateu Fernando
Henrique.
Tambrm 6 fantasia de verao que o
empresario Romulo Maiorana Jr. esteja
levando a serio sua candidatura ao se-
nado. Enquanto os correligionarios do


PL se esgoelavam em pr6-convencgo
louvando seu nome at6 nao mais poder,
Rominho voava para uma temporada
de quase duas semanas nos Estados
Unidos. Bisa o feito com uma excursao
a Copa do Mundo na Franca, no exato
moment em que se fecham as alian-
cas. Sua candidatura serve apenas para
elevar o cacife sonante dos seus veicu-
los de comunicagco na bolsa, enquanto
sacia a fome de prestigio de um ego in-
flado (ou inflacionado).
Nao se pode subestimar a relevan-
cia desses components num moment
em que a corrida ao poder esquenta.
Talvez o president da Republica nao
tivesse avocado o direito de assinar as
ordens de servigo em Tucurui e presidir
a inaugurauao em Altamira se sua van-
tagem sobre seu concorrente direto nao
se tivesse evaporado. Agora ele ate
volta a posar em public junto ao nada
querido correligionario do Para, mas
sem permitir que ele monopolize o usu-
fruto do epis6dio.
Ber que a assessoria do governa-
dor tentou aplicar um golpe de mestre
em Jader Barbalho, esvaziando os efei-


tos da sua presenga na comitiva presi-
dencial desde a partida, de Brasilia.
Para isso, convocou os ex-governado-
res para a solenidade, transportando-os
de Belem. Vivo, H6lio Gueiros excluiu-
se da caravana, evitando sacramentar
a "uniao pelo Para" em torno de Almir
e minimizar a presenga de Jader.
Tantas manobras e volteios, com tan-
tas possibilidades de mudangas bruscas,
s6 sao possiveis, alias, porque nao ha
program algum, nem qualquer visao de
mundo a ser discutida em tomo dessa
coligag~o. Ela envolve apenas pessoas
e esquemas de poder. Por isso, a con-
juntura da vespera podera tornar-se
outra no dia seguinte ao da candidatura
de Jader Barbalho ou de um acerto de
todos os coroneis da political paraense.
At6 que eles decidam como se posicio-
nar no tabuleiro, os espectadores, mais
pr6ximos ou mais distantes deles, po-
dem continuar com suas especula96es
ou suas "informaaoes de primeira", di-
zendo que sim ou que nao, ganhando ou
perdendo numa aposta viciada. Viciada
porque quem perde, perde. E quem ga-
nha, nao leva. *


O Para enterrou na semana passada
um grande home. Mas as homenagens
prestadas a Daniel Queima Coelho de
Souza nao estiveram a altura do reco-
nhecimento de que se fez merecedor dos
seus conterraneos em seus quase 82
anos de vida (que completaria em no-
vembro). Foi um home digno, honest,
brilhante, culto, competent adjetivos
que nao costumam associar-se numa
unica biografia.
Foi um professor excepcional, o pen-
sador que melhor refletiu entire n6s so-
bre a teoria do direito, um fil6sofo do
mundojuridico como poucos houve e ha
neste pais, um advogado brilhante. Fez
uma longa caminhada pela vida pfiblica
sem um incident que a enodoasse. Mor-
reu discretamente, como viveu. Mas
quando sua vontade ja nao mais podia
prevalecer, faltou ao adeus dos paraen-
ses a marca da grande perda. Era a hora
de dizer aos sucessores quanta falta fara
Daniel Coelho de Souza por sua singula-
ridade.
Outros bi6grafos mais preparados
certamente surgirao para fazer o balan-


Mestre imortal


co dessa vida que se encerrou. Gostaria
de registrar aqui, entretanto, a grandeza
do personagem, mesmo para quem o
acompanhou a distfncia.
O "doutor Daniel", como todos o tra-
tavam, menos pelo formalismo de sua
qualificaqco do que pela sua essencia de
ser, deixou muitas lic6es. Algumas delas
estao registradas em uns poucos textos
que produziu a margem de suas exem-
plares peas de advogado, concisas e
precisas, claras e fluentes. A licao de
que a dignidade 6 um atributo pessoal
que nao pode ser reduzido pelas circuns-
tancias.
Daniel Coelho de Souza formou-se
advogado quando as teorias autoritarias
estavam em ascensao, no mundo e no
Brasil, cobrindo-os de tensao. Mas as
primeiras manifestac5es do seu pensa-
mento visavam a democracia e o huma-
nismo. Nunca foi um tribune, como vari-
os de seus contemporaneos, nem se ca-
racterizou pela contundencia da manifes-
tagao, como outros. Discreto e sistema-
tico, nas salas de aula como nos gabine-
tes, ocupou cargos de confianga durante


o regime military, sem, entretanto, subme-
ter-se a voz do dono.
Nao traiu seus ideas de liberdade e
humanismo, embora acomodando-os aos
compromissos das fun95es exercidas por
delegagco de um governor mais que au-
toritario. Pode-se continuar a exercer
cargos publicos, mesmo nesses periods
de trevas, sem baixar a cabega, curvar a
coluna ou tapar os olhos, os ouvidos e a
boca. Sem heroismos, mas tamb6m sem
indignidade. Altivo como Daniel Coelho
de Souza. E uns poucos que nao se avil-
taram numa epoca propicia ao carter
menor.
Como um mestre socratico, ele dei-
xou seus ensinamentos guardados na
mem6ria dos que tiveram o privil6gio de
receb6-los, ditados como se fossem a
coisa mais natural do mundo, da manei-
ra limpida e definitive como s6 os sabios
sabem usar. Por isso, ainda que as ho-
menagens formais nao tenham estado a
altura do que Ihe cabia, ele se foi corn o
maior dos elogios: permanecendo vivo na
mem6ria dos que o conheceram e jamais
deixarao de admira-lo. *







6 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE JUNHO / 1998



Entre baratistas e tucanos,


a memorial e que fica na pior


O secretario de Cultura do Estado,
Paulo Chaves Femandes, foi atropelado
quando seu projeto de mudar a destina-
qao do Memorial Magalhaes Barata ja
estava em andamento ha quatro meses.
Bastou Lucid6a Batista Maiorana assi-
nar um "suelto" (ou pequeno editorial)
em seu jomal, fundado por seu tio-av6,
para o governor providenciar uma desas-
trada errata, desdizendo tudo o que ha-
via declarado e desfazendo tudo o que
havia realizado. O resultado 6 que Joa-
quim Cardoso de Magalhaes Barata, de
destronado, passara a ter dois templos: o
ex-quase-ameagado memorial e uma
nova sala toda sua no Museu do Estado,
ex-Palacio Lauro Sodrd. O tucanato nio
volta atras: volta alem.
Nao paira a menor duivida sobre as
inten95es originals do secretario de Cul-
tura. Paulo Chaves mandou evacuar do
polemico pr6dio do memorial os 3.500
itens do acervo, entire os quais uma es-
cova de dentes, da raramente visitada
exposiaio permanent (mesmo porque
o im6vel nao disp5e de paredes nas quais
se possa armar pain6is ou telas).
Essas peas foram levadas para o
Museu do Estado, onde ficariam de vez,
numa future sala (talvez tao future quanto
a reservada para o maestro e composi-
tor Waldemar Henrique). O esvaziado
memorial seria usado para a apresenta-
9co de muisica popular e folcl6rica, se tal
atividade couber realmente no local.
O desapreco do secretario e da ad-
ministraq~o tucana pelo memorial sem-
pre foi flagrantemente visivel. Nos seis
anos em que dois goveradores "bara-
tistas" o administraram, o memorial foi
mantido como um baluarte inexpugnavel.
Bem que os grafiteiros e pichadores ten-
tavam suja-lo, mas uma guard, constant
e atenta, os manteve a distancia. Aquele
chapeu colonial ingles de concrete, de
alguma serventia para contemplacgo
exterior, de nenhuma para uso interno,
permaneceu limpo.
Alguns meses depois da chegada do
doutor Almir Gabriel, o predio ficou ao
alcance dos bandos de desajustados que
sujam a cidade. Nao s6 foi pichado,
como depredado e saqueado. Vidragas
foram quebradas, luminArias roubadas e
o lixo se acumulou. O pr6dio esta na-
quele ponto geralmente buscado pelas


administracges publicas para justificar
custosas obras de reform ou restaura-
Vco (como o palacete residential da -
outra vez -avenida Magalhaes Barata,
os palacetes Bolonha e Pinho, etc, &
etc.). Ou, no caso, para sepultar, ainda
que simbolicamente, o baratismo, que
deve atazanar a mem6ria e as estrategi-
as conjunturais do nosso "coligado" go-
vernador, as voltas com os dois princi-
pais remanescentes da escola do coro-
nel Barata (os agora reconciliados Hlio
Gueiros e Jader Barbalho).
Na pele de dona Dea Maiorana, teria
feito a mesma coisa, protestando contra
o atentado a obra realizada e defenden-
do a mem6ria da pessoa querida. Legiti-
ma a posiCao dela, surpreendendo os
bocejantes leitores da edi9ao dominical
de seujomalao com seu suelto bem pos-
to. Magalhaes Barata continue provocan-
do paix6es ainda hoje, quatro d6cadas
depois de ter morrido (eu, menino de
menos de 10 anos, o vi pessoalmente, de
perto, um pouco antes de sua morte, ao
dar posse ao meu pai na comissao de
planejamento da SPVEA, hoje Sudam,
numa de suas ultimas aparig9es publi-
cas).
Tenho opiniao extremamente critical
sobre o home, que s6 significou a mu-
danga e o progress por pouco tempo
(apenas enquanto foi verdadeiramente
tenente). O melhor que fez foi meio, ple-
no de populismo, e nao fim. Desperdi-
cou um talent invejavel para abrir ca-
minhos e conquistar simpatia, com seu
forte carisma.
Mas s6 um parvo ignorara que Bara-
ta foi o principal politico da Republica
paraense, que girou em torno dele du-
rante 20 anos. Nao sou contra qualquer
homenagem que se queira fazer a ele.
Apenas acho que se homenageia quase
sempre mal nesta terra. Imobiliza-se o
personagem num sarc6fago de concre-
to, Barata naquele disco-voador estiliza-
do e a Cabanagem naquele simulacro de
simbolismo.
Barata estaria melhor servido se ti-
vesse inspirado uma Fundag~o, como a
Joaquim Nabuco em Recife ou a Rui
Barbosa no Rio de Janeiro, ou mesmo
uma institugiao como a Casa Jorge Ama-
do, em Salvador. Afinal, ele lia livros (uma
raridade entire politicos) e gastava seu


francs colonial, aprendido em Caiena.
Mas como paraense quer ver a hist6ria
de costa, trata de isolar a vida sob con-
creto armado. Incensa um her6i que nao
entende, nem mesmo conhece.
Se quisesse levar as iltimas conse-
qiuncias a intengao original, Paulo Cha-
ves at6 poderia criar um projeto melhor.
O acervo tem que ser organizado tecni-
camente e o memorial precisaria de ati-
vidade inteligente, ao inves de ser um
dep6sito sem vida e sem atracao, que de
memorial virara sarc6fago. Mas se mu-
dou tao bruscamente de id6ia, das duas,
uma: ou se comportava apenas para in-
gles ver ou nao levava a serio as pr6pri-
as ideias.
O just protest de dona D6a foi se-
guido por uma debandada sem ordem e
sem pejo do tucanato. O secretario que
desencadeou o imbroglio tirou o sono
do goverador enquanto aprontava uma
nota official que s6 alcancou os jornais
num fim de noite, certamente mal-dor-
mida. A maneira de um Lewis Carrol
tropicalizado, vinha o secretario esclare-
cer ao distinto public que onde se lia
"desomenagem", dever-se-ia passar a ler
"homenagem dobrada".
Gastando sua parca semiologia, Pau-
lo Chaves jurou, de p6s provavelmente
juntos, que estava mesmo era empenha-
do em preservar o her6i "enquanto sig-
no", dando tratamento t6cnico ao acer-
vo que registra o "percurso lendario" do
"insigne politico" (ja agora descendo para
a ret6rica de solenidade official .
Convencido de ter produzido uma
nota energica (algum tempo atras dir-se-
ia miscula), o secretario terminava com
uma advertdncia em tom biblico: "espe-
ro que se desfagam quaisquer especula-
96es que nao sejam pertinentes a me-
m6ria cultural do Estado e que possam
servir a desdobramentos de outra natu-
reza e outros interesses". S6 faltou acres-
centar: publique-se e cumpra-se.
Reforcando a nota official, o govema-
dor foi aldm: garantiu que tudo o que se
vinha fazendo era para valorizar a me-
m6ria de Barata. Nao explicou como se
valoriza quando se tira de todo um pre-
dio a condigao de memorial do persona-
gem para acomodar seu questionavel
acervo numa hipotetica sala em edifica-
0ao de uso miultiplo.







JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENADE JUNHO / 1998 7


Mas isso 6 detalhe. Ansioso por apre-
sentar-se intimo do her6i, Almir Gabriel
lembrou que, ao receber das maos do
pr6prio Barata um pr8mio por seu bom
desempenho como academico de medi-
cina, ouviu dele a recomendacao para
que "utilizasse o dinheiro para comprar
livros e nao para gastar em farra".
O governador nao esclareceu se se-
guiu o conselho. Mas devia. Pode ser
mais um detalhe, mas teria fungio eluci-
dativa. Como o enredo de mais esse epi-
s6dio de trapalhadas e faz-de-conta, no
qual o que acaba se saindo pior e justa-
mente quem se quer tanto engrandecer.
A mem6ria 6 o que menos ganha, ao fim
e ao cabo, como costumam dizer nossos
basicos antepassados.


Santarem:

exorcizando

os males do

passado

0 hino de Santarem, criado pelo
maestro Wilson (Isoca) Fonseca, faz
um orgulhoso inventario das belas prai-
as que recebiam, a epoca, o limpido rio
Tapaj6s ao long de toda a orla fluvial
da cidade. O cais de arrimo, construi-
do numa extensao de tr8s quil6metros,
tornou algumas dessas praias apenas
presenga na mem6ria dos seus mais an-
tigos habitantes.
Projetada originalmente para proteger
a cidade do movimento das aguas, a mu-
rada passou a ser usada como se fosse
um ancoradouro. Todos os dias dezenas
de embarcag6es ali atracam, ou desa-
tracam, quase sem control, recebendo
ou despejando cargas e passageiros. Diz-
se que a qualquer moment o muro, sem
condi9ges de suportar o uso intense e
nao previsto, pode ruir. O jeito e cons-
truir um verdadeiro pier para tender
adequadamente a intense navegacgo flu-
vial centralizada em Santar6m.
Ja ha dinheiro do govemo federal alo-
cado para os quase mil metros da obra e
mais dinheiro previsto para os outros ser-
vigos que ampliarao o porto santareno
(no total, 11 milh6es de reais), para que,
finalmente, ele escoe os grandes volu-
mes de carga, previstos e nunca materi-
alizados.
Mas a execucgo do projeto esta de-
pendendo da resolugdo de um impasse.
ONGs denunciaram ao Minist6rio Publi-


co que uma das fltimas praias louvadas
pelo hino do mestre Isoca, a Vera Paz,
vai ser aterrada pelo pier. Achando ina-
ceitavel esse custo ecol6gico, querem o
embargo das obras.
Na manhazinha de um domingo, duas
semanas atras, percorri a pe toda a area
do porto e uma grande parte da cidade
que foi meu dominion em tempos juve-
nis. Da Vera Paz havia apenas uma
nesga de 100 metros que o Tapaj6s, no
maximo da cheia, ainda nao cobrira.
Toda a sobra de areia, entire o rio e a
vegetagdo remanescente, esta ocupa-
da por 30 barracas.
Quando por la passava, uns poucos
barraqueiros estavam acordados, to-
mando um banho matinal ou fazendo um
levantamento de estoque para tender
a demand dominical. Barracas de ma-
deira e palha, precarias. Ambiente po-
bre e sujo, nao o suficiente, contudo,
para eliminar de todo a beleza buc6lica
da paisagem, a mais bonita da frente da
cidade quando a unica marca humana
fincada em suas areas era o trapiche
da Prainha.
E possivel salvar a Vera Paz? E sal-
va-la para que? Se ainda e possivel pre-
servar as palmeiras e o capim ciliar ou
recuperar a alvura da areia, a agua esta
definitivamente contaminada. E para
que salvar uma praia enquistada entire
um cais de arrimo e um porto? Como
reliquia? Para adocicar a mem6ria, man-
tendo uma amostra do que foi a Santa-
rem de outrora? Tudo isso e mais os
riscos para a saude de quem freqUienta
a praia, a uiltima em uso como tal no
perimetro urban? Vale a pena?
Sio apenas perguntas. Os defenso-
res do projeto oferecem uma compen-
sag o: com a construgao de um novo
cais de arrimo, projetado com essa fi-
nalidade, o atual poderia ser desativa-
do, permitindo a volta da praia, mesmo
que seja apenas como cartdo postal (a
agua continuara contaminada pelos des-
pejos dos esgotos), as tais janelas para
o rio com as quais Bel6m vive sonhan-
do.
Fazer as perguntas e buscar hones-
tamente as respostas 6 muito mais po-
sitivo do que simplesmente impor o pro-
jeto, como seus executores vinham fa-
zendo. E claro que a abertura do deba-
te traz consigo alguma besteira e mui-
tas impropriedades, mas isso e melhor
do que um sil6ncio conivente ou desin-
formado. Poucas cidades sofreram tanto
os males do autoritarismo quanto San-
tarem, um centro de inquietagio e cria-
tividade progressivamente sufocado pelo


intervencionismo federal, aliado a mA f6
de varios natives.
Foi justamente em Santar6m que o
regime military mais investiu fora de Be-
16m. Durante esse period foram reali-
zadas as tris obras mais cobradas pe-
los anseios locais: a hidreletrica de Cu-
ruA-Una, a rodovia Santar6m-Cuiaba e
um porto modern. A despeito da mon-
tagem dessa infra-estrutura, o munici-
pio nao alcangou a redeng~o, nem mes-
mo o desenvolvimento. O garimpo de
ouro continuou a ter maior influencia.
Sua decadencia afetou mais para mal
do que as tr8s obras para bem.
Os militares e seus prepostos nao
consultaram ninguem quando decidiram
incorporar Santarem ao Brasil Grande.
Areia da praia de Maria Jos6 foi retira-
da irracionalmente para ajudar a cons-
truir o novo aeroporto. As praias da
frente da cidade eram apenas um deta-
Ihe no tragado que a cidade passou a
ter em sua orla. Escolheu-se o que pa-
recia ser o melhor sitio para o porto, ig-
norando-se alternatives menos conven-
cionais, e nada mais foi levado em con-
sideraqao.
O governor realizou a trade tAo de-
sejada e achou que bastava. A estrutu-
ra portuaria era pequena, mas a area
transferida para a CDP, de 62 hectares,
atenderia as ampliac6es que o cresci-
mento econ6mico iria exigir. Mas hoje
apenas um tergo dessa Area esta em
uso. Dentro dela ha campos de futebol,
pastagem e recantos que poderiam at6
ser aproveitados para o turismo. Talvez
por isso a diregao da companhia tenha
aceitado a presenga dos barraqueiros,
que hoje sao a inspiragio para a resis-
tencia aos pianos oficiais. Santar6m foi
ficando para tras porque o beneficiador
extirpou-lhe o que era essencial para
ampliar os efeitos positives de obras fi-
sicas: a vontade.
Qualquer que venha a ser o desfe-
cho da atual controversial, elaja tem esse
saldo positive: 6 mais um pass para re-
tirar de Santar6m a mordaga autoritaria
que lhe foi imposta desde que perdeu sua
autonomia, tomando-se municipio de se-
guranca national, sem o direito de esco-
Iher o seu principal administrator. Ago-
ra, pelo menos, ha a possibilidade de dis-
cutir a compatibilidade que deve haver
entire os meios necessarios para o bem
estar material e os anseios espirituais da
coletividade, aqueles que nao se esgo-
tam em indicadores econ6micos. Essa
conciliacgo 6 que permit o desenvolvi-
mento. E que alimentava os melhores
sonhos de Santar6m. *








Prefeitura e grupo Liberal:

enfim, o ponto em comum


Os leitores de O Liberal
que se dispuseram a pagar 3,99
reais al6m do prego de capa
dojoral puderam comprar, na
semana passada, o segundo vi-
deo (de uma sdrie de 24) da
promogao "Cinema em Casa",
do Sistema Romulo Maiorana
de Comunicacgo. Depois de
"O Exterminador do Futuro",
o filme oferecido foi "Plato-
on", juntamente com o que os
promotores chamam de uma
"revista-p6ster". Duas carac-
teristicas comuns neles: a vio-
lIncia e a linguagem comerci-
al. Nao por acaso, como res-
saltam os realizadores da pro-
mogao sem meias-palavras,
sao best-sellers.
A primeira pergunta que se
faz a prop6sito da adeslo da
prefeitura de Bel6m a essa ini-
ciativa: sem a verba municipal,
de 100 mil reais, os donos do
jomal, que control quase como
monop6lio esse segment do
mercado, nao teriam podido
realizar o "Cinema em Casa"?
Ou o prego cobrado do leitorja
6 mais do que suficiente para
cobrir todos os custos e ainda
dar lucro, entrando o poder pi-
blico municipal no arranjo para
aumentar essa taxa de lucro?
Para ajudar a responder a
essa primeira pergunta, basta
comparar a promocgo de O
Liberal A da Folha de S. Pau-
lo, que esta oferecendo um CD
e uma revista (e nao um mero
poster) sobre um g&nero musi-
cal brasileiro por R$ 3,90 adici-
onais, sem precisar recorrer ao
erario (como nenhum outrojor-
nal ou revista havia feito em
todo o mundo at6 a in6dita par-
ceria da prefeitura do PT corn
o grupo Liberal).
A outra pergunta 6 a seguin-
te: constitui uma justificavel
political cultural do govemo Ed-
milson Rodrigues apoiar a co-
mercializagao de fitas de video
de filmes comerciais, plena-
mente acessiveis no mercado
e que constituem um tipico ne-
g6cio commercial? Os 24 filmes
fazem parte de um pacote que
6 oferecido, em todo o pais e
em muitos outros lugares do


mundo, por empresas interes-
sadas apenas em ganhar di-
nheiro. O pacote reune filmes
de viol6ncia, de sexo e roman-
ticos que nao estdo preocupa-
dos com ganhos culturais, com
algo que nao integre o circuit
de venda em massa, mas com
retorno ampliado do investi-
mento.
No mesmo moment em
que a PMB se associa aos
Maiorana nessa empreitada, o
governor do Estado traz a Be-
16m o bale Kirov. O espetaculo
da companhia russajamais che-
garia por aqui sem apoio ofici-
al. Nao se pagaria apenas com
a venda de ingressos ao p6bli-
co. Ningu6m, na iniciativa pri-
vada, ousaria bancar a iniciati-
va sem a garantia de que o ine-
vitivel buraco nas contas fos-
se preenchido pelo govemo.
Pode-se questioner o elitis-
mo dessa political cultural, mas
nao se pode acusa-la de incon-
sistente, ou de ser um mero
ca9a-niqueis. Dificilmente um
ser human deixara de se emo-
cionar ao assistir a um espeta-
culo do Kirov. A beleza da
apresentagao toca todos os gos-
tos e penetra todas as resisten-
cias. Aos que nunca viram bald
classico bastarA que aceitem
enfrentar a experiencia para
sairem recompensados. O po-
der public poderia permitir-se
oferecer essa oportunidade a
um grupo de cidadaos, mesmo
que venha a ser um event ini-
co em suas vidas. Se a prefei-
tura gastasse os 100 mil reais
que deu aos Maiorana com-
prando ingressos e distribuindo-
os entire os alunos mais desta-
cados da rede municipal de en-
sino de 2 grau, por exemplo,
aplicaria melhor o dinheiro.
Muitas outras alternatives


para a destinag9o dessa verba
seriam mais proveitosas do que
aditar a lucratividade de uma
empresa ja tdo rentavel. No
entanto, somas cada vez mais
expressivas do orgamento mu-
nicipal sao gastas com propa-
ganda de interesse pessoal, po-
litico ou institutional, que pou-
co tem a ver cor a necessAria
comunicagao entire goveran-
te e govemados, mas cor os
projetos de poder do primeiro
que requerem a manipulagao
dos segundos (a prop6sito: nio
esta na hora de o Minist6rio
Publico sair do sono bem re-
munerado e verificar se hA pro-
paganda enganosa na abundan-
te publicidade official, tanto do
municipio quanto do Estado?).
Edmilson Rodrigues quarter
mais espago e boa vontade (ou
seja: propaganda e nao jorna-
lismo) nos veiculos do Sistema
Romulo Maiorana de Comuni-
cagao. Tendo desistido de com-
bater a oligarquia, que atacava
em seus discursos de candida-
to e prefeito recdm-empossa-
do, ilude-se de poder se associ-
ar a ela. O pudor inicial aca-
bou: o prefeito nao apenas qui-
tou a divida ardilosamente for-
mada por seu antecessor, como
deu outras vantagens, jA cria-
9~o sua, ao grupo Liberal.
Perdida a inocencia, resta o
que mant6m essa alianga: ver-
bas piblicas. Nem H4lio Guei-
ros programou os veiculos do
SRM com essa combinagao de
generosidade desbragada e cri-
atividade sem limits, aldm de
cinismo deslavado. O prefeito
do PT mant6m integral a pro-
gramag o publicitiria que rece-
beu (e que criticava quando era
baladeira). Trata de inventar
motives para estar todos os dias
natelevisao, e endossa propos-
tas indecorosas, colno essa do
"Cinema em Casa", com an-
gelicais arguments, que tem o
peso de isopor.


O prefeito faz de conta nao
perceber que, estabelecida essa
moeda de troca, s6 se mantera
como figurante incensado nos
veiculos do grupo Liberal en-
quanto mantiver escancaradas
as burras do erario municipal.
Quando isso deixar de aconte-
cer, voltara a ser, para os Mai-
orana, o que, no intimo, nunca
deixou de ser para eles (e vice-
versa): um estorvo ou, quan-
do muito, um mal necessario.
As parties, enfim, encontraram
um denominador comum que
as aproxima e define. *


Novidade
Nao se pode dizer que a
nova revista semanal de infor-
macges, a Epoca, da Globo,
nao tenha inovado. Inovou: o
texto virou ilustragao para as
abundantes fotos, graficos,
tabelas e outros recursos en-
genhosos do computador, que
se transformaram no princi-
pal. Se o computador 6 um
instrument burro, Epoca 6 o
seu profeta.


Turismo

ecol6gico
Vi o anincio de pagina in-
teira com o qual o grupo Rei-
con anunciou a inauguragao
do seu Maraj6 Park Resort, o
maior investimento do genero
no Estado. Fico emocionado
de ver seus empreendedores
enumerarem as dificuldades
que precisaram enfrentar e
superar para realizar o proje-
to, inaugurando-o cor um
encontro international sobre
direito ambiental. Mas vendo
a fotografia da sede do proje-
to nao pude reprimir uma ob-
servacao: para construi-la foi
necessirio desbastar toda a
vegetag~o em volta, ou ali nao
havia uma inica Arvore para
compor com a floresta que
aparece ao fundo? Sera que
os turistas nao vao notar essa
aussncia?
Espero que a Reicon, cor
esta observagco, nao me in-
clua entire os "olhares contrA-
rios" ao sucesso de seu em-
preendimento. Esta nota deve
ser tomada, no minimo, como
uma critical construtiva.


Jomal Pessoal
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