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Musculo e Journal Pessoal A 2) EclusaG. L U C I 0O F L A VIO PI N T O proeto ANO XI N 188 1 QUINZENA DE JUNHO DE 1998 R$ 2,00 desconfecido ELEIAO (PAG. 5) ELEICAO Farinha do mesmo saco A political brasileira costuma mudar como as nuvens no ceu, subita e radicalmente. Mas empoucos lugares ela e tdo volhvel e inconsistent quanto no Pard. As vesperas da oficializaqdo das principals candidaturas, todos aguardampela definiqdo do sena- dor Jader Barbalho. 0 aliadopoderd se tornar inimigo, dependendQ dopronuncia- mento do ex-governador Os discursos taytbhm mudardo. 't I *,,,kx. Oss iltimos movimentos para definir a dispute pelo gover- no do Para dependem exclu- sivamente do senador Jader Barbalho, admitiu, na semana passada, o ex-senador Jarbas Passarinho. O pr6prio destine de Passari- nho reforca essa posicao. O ex-ministro po- derA ser o candidate situacionista ao sena- do, corn forte cotagao, caso o lider do PMDB aceite integrar a coligaqao que tentarA reele- ger o governador Almir Gabriel. Mas se Ja- der ficar de fora, talvez Passarinho se satis- faga em ser o representante do seu partido, o PPB, no comit6 que coordenarA a campanha do president Fernando Henrique Cardoso. EncerrarA, assim, sua carreira parlamentar. Ainda permanecera na vida pfiblica, pordm, na expectativa do segundo mandate de FHC. Na primeira hip6tese, a alianca eleitoral vitoriosa em 1994 se ampliarA, unindo exata- mente os antagonistas principals de quatro anos atrAs e excluindo dessa composiqAo o ex-governador Hl1io Gueiros, o maior eleitor de 1994, que agora ficaria isolado na tentati- va de voltar ao senado. Na segunda hip6te- se, a recomposiqao de forgas reembaralharia todas as peas political: Jarbas, o grande ). ,_ aliado de Jader em 1994, passaria para o lado do seu ex-contendor, Almir Gabriel, enquan- to os dois grandes rivals na eleiqao passada (Jarbas e Hdlio) estariamjuntos em outubro. Tao subitas quanto imprevistas, essas alternatives estao na dependencia de que Jader Barbalho dcida comunicar ao distinto piblico se sera ou nao candidate do PMDB ao governor do Estado. Ele tem atd o dia 28, data da convenqao do PMDB, para manter ou quebrar o suspense. Depois de todos os sinais de uma definiqao negative atd o final do ano passado, estimulando o governador a procurd-lo para negociarem um acordo, ele agora emite indicadores cada vez mais posi- tives de que se colocara no meio do cami- nho de um novo mandate de Almir Gabriel. Nao como uma pedra qualquer, mas como toda uma pedreira de dificil transposiqco. O dado mais forte nesse sentido foi a s6- rie de encontros secrets por ele mantidos com seu ex-aqui-inimigo Hdlio Gueiros. Du- rante seis meses os dois conversaram sigi- losamente sobre a conveniencia de esque- cerem um passado recent de violentas reta- liaq6es e retomarem o pacto politico cor ra- izes no antigo baratismo, a origem comum da combinaqao de autoritarismo corn popu- lismo que os fez ocupar o topo da political estadual. Ao long desse period, os dois travaram longas conversas, em Beldm e em Brasilia, sem qualquer vazamento para seus pr6prios correligionArios e para a imprensa. O segredo fazia parte dessa estratdgia perigosa, assim como sua revelaao parece mostrar que a uniao dois dois d produto de suas convenidncias political, muito mais do que de suas inclina6es pessoais. Se o go- vernador nao tivesse estabelecido de forma tao categ6rica o seu projeto de reeleicqo, tal- vez uma ampla alianqa tivesse sido possivel. Mas como o pressuposto das conversas de Almir Gabriel 6 a sua candidatura, Jader e Hdlio buscaram um territ6rio sigiloso para compor uma estrategia comum sem o conhe- cimento do governador (que s6 ficou saben- do atrav6s da mat6ria que publiquei em A Provincia do Pard). A tarefa nunca foi ficil e pode atd nao ter sido plenamente realizada, explicando a resistencia de Jader em ceder As presses do seu partido para oficializar sua decisao antes de ter a seguranga de po- der enfrentar Almir em condi6es equivalen- tes. Uma derrota ser-lhe-ia fatal. Uma chapa corn o senador na cabeca, um representante do PFL como vice-governador ) PARA SEM USINA DE COBRE (Pag.s) 2 JOURNAL PESSOAL I 1A QUINZENA DE JUNHO / 1998 )e H1lio Gueiros como candidate ao senado estA muito mais pr6xima de materializar-se do que todos os demais arranjos especulados. S6 um candidate ao governor se disporia a investor uma boa soma de dinheiro para ter um aviao como o turbo-hdlice KingAir, que per- mite deslocamentos mais rapidos e seguros por um territ6rio cor as dimens6es do Estado do Para, e, ao mesmo tempo, serve para via- gens sfbitas a Brasilia, com a menor perda de tempo possivel. Jader sabe que objetivos mais amplos do que sua satisfagao pessoal precisam mante- lo numa frente no Para e outra no Distrito Fe- deral. A primeira definirA a sobrevivencia do seu esquema eleitoral, o mais forte A margem do uso da mAquina official (que cor ela se multiplica). A segunda servirA para assegurar o pacto cor o governor federal, ou ao menos neutralizar a solidariedade que o correligiond- rio estadual (Almir) poderia cobrar do repre- sentante mAximo do seu partido, o PSDB (no caso, o president da Repiblica). No mcximo, Fernando Henrique dividirA o palanque. A presence do senador como representante do PMDB na coordenaqio de campanha de FHC nio significa necessariamente que ele tenha renunciado A candidatura ao governor, como muitos logo deduziram. Pode servir exa- tamente ao oposto: imobilizaro Palcio do Pla- nalto, impedindo que de la saiam apoios para uma campanha estadual de hostilizacAo a um politico aliado do president. Um tanto disfarada, elaja faz parte da agen- da de Almir Gabriel. Cor certa cautela, ele comecou a enfatizar o discurso sobre a ho- nestidade do seu govemo e carregar nas tin- tas da image de corrupcilo associada ao seu antecessor, o que virA a ser o principal mote no seu palanque se houver o confront. Mas comojustificar, para um eleitorado ao alcance do program eleitoral gratuito, que Almir Gabriel procurou esse mau administra- dor e esperou tanto tempo por uma resposta dele a um acordo que conteria, nos desvaos dos gabinetes, a violencia verbal que comega a extravasar para o publico s6 porque as in- tenQ6es nAo se concretizaram? O Jader Bar- balho aliado 6 para o governador uma pes- soa. O Jader adversArio 6 outra. E bem provavel que criar esse constrangi- mento tenha sido o principal objetivo da es- trat6gia do senador peemedebista. HA quase cinco meses ele deve uma resposta A oferta de acordo que o governador lhe apresentou emjaneiro, no segundo encontro promovido por Almir Gabriel. Ainda havera uma nova reuniAo corn essa pauta? Apostando nessa remota possibilidade, o governador chegou a se referir a um encontro em Brasilia entire os dois, como prova de que as pontes para o entendimento nio foram eli- minadas. Esqueceu de esclarecer aos rep6r- teres que o encontro foi meramente casual e protocolar, durante o vel6rio do deputado Luis Eduardo MagalhAes. Por que essa notAvel capacidade de engolir sapos e sufocar opini6es pessoais? Todos os politicos, atd mesmo os tucanos que nibo sio luas-pretas, sabem que corn Almir e Jader na parada a definig~o da sucessio estadual s6 vird no segundo turn; e que, nesta, a dispute pelos votos sera violent, de desfecho sem previsio segura. O governador, que nao 6 do- tado de carisma politico e de vibracio, quer poupar-se de tal via crucis. Mas para alcanci- la levard o observador mais atento da cena lo- cal a concluir que sobre o teto de zinco quente da alta political paraense todos os gatos sio pretos, inclusive os pardos. Ou seja: os meios sio sempre mais importantes do que os fins, quando os sagazes manipuladores dos meios tem alguma finalidade para a political que prati- cam aldm do interesse pessoal e grupal. Houve uma dpoca em que a political estadu- al se dividia inconciliavelmente entire baratis- tas e anti-baratistas (ou coligados). JA um pou- co antes, entire carcomidos e revolucionarios. Quando nao havia um projeto ou uma visio ideol6gica, restava a fidelidade A pessoa e ao que se imaginava que ela representava. Hoje, a simples definiqio de um dos contendores tern o poder de mudar radicalmente a posicio dos outros principals no tabuleiro, sem que essa evolugdo malabaristica sofra qualquer inibiqio de ordem political, ideol6gica, filos6fica ou ou- tra forma de expressio que nao seja a busca do poder. A politicaparaense ficou mediocre como nunca. Se isso 6 possivel. * Prefeitura do PT serve a 0 Liberal Permitir que o O Liberal venda, a partir do dia 6, fitas de video ao leitor do journal que se dispuser a pagar mais qua- tro reais (teoricamente, R$ 3,99) sobre o prego de cada exemplar, 6 um dos "interes- ses fundamentals do Governo do Povo". Por isso, Edmilson Rodrigues tornou a prefeitura de Beldm patrocinadora da promoclo "Cinema em Casa", do Sistema Romulo Maiorana de Comunicaglo. Em entrevista dada ao jor- nal, o prefeito do PT disse, em um patois caracteristico, que a promocqo realize "mudangas ao nivel da cultural criando "a possibilidade do povo ter acesso A cultural Assim, cria "mudangas reais ao nivel da qualidade de vida, porque nio 6 possivel pensar em boa qua- lidade de vida, em um povo fe- liz, se esse povo vive em uma cidade sem alma. E cultural 6 alma". Entre as "almas" que o gru- po Liberal pretend inocular no infeliz povo paraense du- rante os pr6ximos 24 cabalisticos sAbados, estlo "Robocop" e "Exterminador do Futuro", dois sanguinArios fil- mes que devem melhorar a cul- tura do belenense. Se todas as fitas fossem vendidas, os Maiorana faturariam quase um milhilo de reals. MasjA iniciam a promoqaio com a verba de pa- trocinio da prefeitura, que seria de 100 mil reais, o suficiente para poupd-los do custo direto da iniciativa. Normalmente, esse tipo de encarte nio passa de transagao commercial. Por isso, result da iniciativa da pr6pria corporaqflo que o langa ou de um patrocina- dor particular. Beldm inovou nesse tipo de marketing para- jornalistico: a municipalidade 6 que vai apoiar a operagio. A parceria com os Maiorana e he- r6is do celul6ide, como o mus- culoso (m6sculo d cultural ) Arnold Scchwazenegger, irao, segundo o alcaide, "incentivar a reflexAo critical e aumentar a capacidade de sentir, a sensibi- lidade do povo e a sua disposi- glo de lutar por uma sociedade mais solidaria e feliz". Mas enquanto esses tao ele- vados objetivos nAo sao alcan- qados, o resultado da parceria PMB-ORM d a inclusao da logomarca da prefeitura na cam- panha promocional do "Cinema em Casa" e o aparecimento do prefeito como mecenas da cul- tura, talvez conquistando um naco de simpatia da empresa para os interesses eleitorais do PT. O passado recent de amea- cas reciprocas e de antipatia mfitua foi deletado para a lixeira da mem6ria, de onde s6 retornara se a insuspeitada afi- nidade entire Edmilson Rodrigues e os Maiorana ficar os arguments sonantes que a sustentam. Quanto ao prefeito, a ret6ri- ca de defensor da transparen- cia e da verdade na conduqlo do neg6cio pfiblico foi definiti- vamente apagada. Ele nao se dignou responder a um questi- onArio que entreguei em seu gabinete no iltimo dia 25, a ma- neira de ouvi-lo antes de escre- ver sobre os assuntos suscita- dos, j que sua assessoria de co- municailo social, A maneira de H6lio Gueiros, foi transformada em 6rgdo de relac6es puiblicas e negociaqio cor a imprensa, nio um interlocutor official para jornalistas honestos e inde- pendentes. O questiondrio ignorado pelo alcaide 6 o seguinte: "1. Qual o valor da contri- buigio da Prefeitura Munici- pal de Beldm para a Coleqio Cinema em Casa, das Organi- zaq6es Romulo Maiorana, que comeqara a ser distribuida no pr6ximo dia 6 de junho? Qual ajustificativa para a participa- qAo da PMB em tal iniciativa? Favor anexar c6pia do contra- to ou convenio, e do proces- so do qual resultou. 2. Qual a posiqco da divida da PMB em relaqio aos veicu- los sob o control das Orga- nizaq6es Romulo Maiorana? Favor indicar datas de paga- mento e valor das respectivas parcelas amortizadas. 3. Qual a posiqio da divida do Para Folia [de Ronaldo Maiorana] junto A PMB? JA foi paga? Comprovar o paga- mento, se A vista ou parcela- do, corn datas e valores". O prefeito de Bel6m, quem diria, virou parceiro dos Maiorana. * JOURNAL PESSOAL I 1 QUINZENA DE JUNHO / 1998 3 Ainda e estrategica a CVRD privatizada? O principal resultado da Companhia Vale do Rio Doce no seu primeiro ano como em- presa privada foi o lucro record de 1997, de 756 milh6es de reais, 46% superior ao de 1996 (que foi de R$ 517 milhoes), quando ainda era estatal. Preve-se para 1998 um novo re- corde: o lucro poderia ficar entire um bilhao e R$ 1,4 bilhao, faqanha que seria impossivel de obter sob a gestAo do Estado. Roj6es ver- bais da grande imprensa, sacramentando a venda daj6ia da coroa brasileira, saudaram a alienagio da CVRD como sAbia decisao do govero. Sem lucratividade, nenhuma empresa so- brevive ou merece sobreviver na sociedade econ6mica, qualquer que ela seja. As esta- tais, quando saqueiam o erario por patina- rem no prejuizo cronico, tnm mesmo 6 que ser passadas em frente. Maximizar o lucro, entretanto, n~o 6 o objetivo mais nobre de uma empresa estratdgica. E exatamente o fato de ela haver alcanqado a dificil e superior condicqo de entidade estratdgica. Se a sua taxa de lucro 6 suficiente para compor taxas desejadas de investimento e reinvestimen- to, a partir dai ela pode pensar em metas mais amplas, numa estratdgia capaz de combinar seus interesses cor os do pais. Verificando a destinacao da receita da empresa (o valor adicionado bruto, que 6 a sua contribuicqo para o PIB national), tem- se um indicador para andlises mais esclare- cedoras. No iltimo exercicio da Vale estatal, 12% do resultado de suas atividades foram aplicados no pagamento de dividends aos acionistas. Na CVRD privada, esse indice pulou para 22%, na mais significativa de to- das as mudanqas realizadas (cresceu de R$ 259 milh6es para R$ 515 milh6es, o equiva- lente a todo o lucro de 1986). A taxa de rein- vestimento baixou de 27% para 25%. A con- tribuiqao para a receita tributAria (com o re- colhimento de impostos), que havia sido de 15% em 1996, caiu para 12% no ano passa- do. Os demais itens (empregados e juros) mantiveram-se estaveis. Ora, os funds estrangeiros e os ADR, do mercado norte-americano de ac6es, de- tem 52% das ac6es preferenciais da empre- sa. Logo, tnm prioridade no recebimento dos dividends, mesmo que n~o controlem (ain- da ou nao formalmente) a administrag~o da ex-estatal. Explica-se por que o pagamento de dividends por aqao duplicou entire 1996 e 1997 (de 67 centavos para R$ 1,33). Em con- trapartida, os ativos totais da Vale foram re- duzidos de R$ 14,1 bilh6es para R$ 13,9 bi- lh6es, enquanto o patrim6nio liquid sofreu contrag~o ainda maior: de R$ 10,2 bilhoes para R$ 9,4 bilhoes. Assim, o valor patrimo- nial de cada aqao, que era de R$ 26,33, ficou em R$ 24,46. A Vale remunerou melhor seus s6cios, mas encolheu um pouco. Seguira por essa trilha? O braqo financeiro dentro da empresa 6 mais extenso do que a simples soma dos fun- dos estrangeiros corn os ADR. Incluidos os funds nacionais e o clube dos funcionari- os, os s6cios que opera mais e melhor (com mais expertise, para usar uma expressAo ao gosto do client) com pap6is do que com produg~ o t&m 85% das ages preferenciais. E um dado que deve ser levado na devida conta quando os n(meros sobre a destina- qCo da renda intema da Vale sao apresenta- dos (o que a grande imprensa nao faz). Prin- cipalmente quando a nova estrutura admi- nistrativa, com todos os poderes ao conse- Iho de administraqao, e, por referendo, ao seu president, Benjamin Steinbruch, faz pensar sobre o control efetivo da empresa. Isso nao quer dizer, evidentemente, que haja uma conspiragao para implodir a Vale. Alguns dos resultados relatados pela dire- toria (o relat6rio annual traz, pela primeira vez, fotos dos executives, destacando-se Stein- Tucurui: cavalo troiano de energia no Para "E dramaticamente important parao Esta- do duplicar Tucurui", dramatizou o govema- dor Almir Gabriel, em Brasilia, depois de uma audiencia corn Fernando Henrique Cardoso, na semana passada, quando o president pro- meteu vir ao Pari, no dia 15, para assinar a ordem de service para iniciar a obra. Para o Pard, na verdade, nio hA nenhuma necessida- de dramatica em executar a segunda etapa da hidreldtrica. Toda a energia a ser adicionada A capacidade da usina de Tucurui sera transferi- da para o Nordeste e o Sudeste, consolidando oPard como a grande provincial energ6tica bra- sileira. E naio serA nem tanta energia quanto se anuncia. Teoricamente, as 11 miquinas que serao acrescentadas as 12 ji em funcionamento po- derao gerar 4,2 mil megawatts de energia, a mesma capacidade nominal atual (porque cada um dos novos geradores serA ligeiramente mais potente do que cada um dos atuais). Mas a potencia firme (isto 6, a energia que a usina garante fornecer o ano inteiro, independente- mente do regime do rio) sera de 1,1 mil mega- watts, muito menos da metade da potncia fir- me atual da usina, que 6 de 2,8 mil mw. A dife- renca decorre da indisponibilidade de Agua no reservat6rio. Essa enorme diferenca de geraCgo entire o regime normal e o pique da estiagem desesti- mulou os grandes consumidores de energia da regiao de assumir a duplicacao de Tucurui. Eles chegaram a former o GEN (Grupo Executi- vo do Norte) para arrematar a usina no leilio de privatizaiao, mas precisavam de pelo me- nos 1,7 mil mw firmes, o que a duplicacio da usina nao lhes poderia assegurar. O governor teve que assumir o custo da obra, no valor de US$ 1,3 bilhlo de d6lares, deixando a privati- zaqao para uma segunda etapa, quando as empresas privadas podem vir a se interessar pelo neg6cio. As novas mAquinas tnm importAncia dra- matica d para o Nordeste e o Sudeste. Faiscas de energia ficarao no Park, um Estado no qual um (nico consumidor, a Albris (o segundo maior consumidor individual de energia do pais), absorve dois tergos de toda a demand energdtica estadual. Incluindo-se mais dois grandes consumidores (Companhia Vale do Rio Doce e Camargo Correa Metals), o percentual sobe para 71% do consume paraense. O Plano 2000, da Eletrobris (substituidopelo Plano 2015), ja previa que da energia que viesse a ser obtida nas bacias dos rios Tocantins/Ara- guaia, XingueBaixo Tapaj6s, 3.800 mwficariam no Norte (concentrados nos p6los de aluminio de Beldm e de Sao Luis), 4.900 iriampara o Nor- deste e 12.000 para o Sudeste. Os nfimeros ab- solutos podemvariar, mas aproporAo seraman- tida. O governador comemoraporque quer: Tu- curui continuari a ser um maravilhoso cavalo de Tr6ia encravado no nosso territ6rio. * bruch) merecem mesmo aplausos (cada em- pregado rendeu mais 20% em vendas, estan- do enxutissimo o quadro de pessoal; na mes- ma proporqAo foi contraido o volume de pa- gamentos a terceiros; os conhecidos canais de vazamento foram tampados). Mas pergun- ta-se: qual passou a ser a dimensao estratd- gica da CVRD? A atual diretoria assegura que ao long de 1998 se completara "a restruturaqao es- tratdgica de todos os neg6cios da compa- nhia". Diz que, atravds das bases de um pla- no de expansio da produqio de bauxita pela Mineragdo Rio do Norte,ji lancadas, abrem- se perspectivess para a redefinic~o de todo o setor de aluminio no Norte do pais". Pelo jeito, essas perspectives consisted em expandir a producqo ao mAximo possivel, cor reducao de custos, para obter receitas brutas maiores, independentemente de pre- qos de venda rebaixados (ou para compen- si-los). E por isso que records na minera- cAo e transport de ferro e na produq~o de alumina e aluminio foram batidos no ano pas- sado, numa conjuntura de modest recupe- racqo de preqos. O modelo sera aplicado a "todos os neg6cios da companhia"? Lucros crescentes sempre contituem un bom motive para comemorar, mas nito devem ser o suficiente para a opiniao piiblica es- quecer que a CVRD, uma verdadeira empre- sa estratdgica quando essa expresso nao era tao usada assim, pode ter perdido grande parte dessa dimensao, agora que se procla- ma como tal. Os fatos estao demonstrando que a sociedade precisa buscar, fora da gran- de imprensa e da pr6pria empresa, una nova maneira de estabelecer a prova dos nove. A comemorac o do 10 ano da nova Vale foi para ingles ver. Os brasileiros ainda tem que con- ferir, antes de crer. Sao eles que costumam pagar o pato do banquet, para o qual rara- mente sao convidados. 0 4 JOURNAL PESSOAL I 1" QUINZENA DE JUNHO / 1998 A alma das redao6es Nem sempre quem admite que o reporter 6 a alma da empresa jornalistica estA dis- posto a levar esse principio fundamental As suas iiltimas conseqiiencias. Por conside- rA-lo apenas para fins ret6ricos, muito dono de journal e revista cometeu erros desastro- sos. Na d6cada de 70, por exemplo, O Esta- do de S. Paulo achou que os "engenhei- ros" tinham o segredo do sucesso. Embora criticando em seus editorials a tecnocracia do governor, o journal paulista deixou que seus pianos de expansfo e mesmo sua ati- vidade rotineira fossem conduzidos pelos administradores, mortais pelo ti- tulo de "enge- nheiros". Por pouco o mais traditional jor- nal brasileiro nAo naufragou, A semelhanqa do pais. Muitos conti- nuam seguindo na mesma dire- Co: em momen- tos de crise de- legamcartabran- ca aos responsa- veis pelo tom de pragmatismo da organizaqio, contrastando com o romantis- mo e a irrespon- sabilidade atri- buidos aos jor- nalistas. E claro que um e outro element da em- distinguidos dos pobres preitada jornalistica se completam. Os ho- mens da redago precisam adequar-se s im- posicOes do cAlculo econ6mico, mas o pro- duto da empresa s6 terA qualidade se for tra- balhado pelos profissionais da informagAo. E o principal deles 6 o reporter. Essa polmica figure, ora supervaloriza- da, ora (o que 6 mais comum) desprezada, di o tempero sem o qual jornais, revistas, tele- jornais e rAdiojornais se transformariam em boletins burocratizados. Poderiam talvez al- cancar atd uma qualidade formal inatacAvel, mas nAo teriam vibraqo. NSo reproduziriam a vida que pretended relatar, noticiar. O verdadeiro reporter 6 un professional da rua, um home de mifltiplos contatos, ata- vicamente voltado para encarar de frente os fatos, mobilizando todos os seus instintos (que se fortalecem quando exercitados so- bre uma vasta quantidade de situaq6es) para ver, sentir, tocar, testar. Um bom reporter de- pende de reportagens de rua para sua forma- qfo. Ter que possuir ligacqo gravitacional corn os acontecimentos, sendo atraido por eles (por isso tem que estar se deslocando sempre da redag~o para as ruas) e atraindo- os (sem o que a sorte nao o encontrard nos locais e moments oportunos). A ferramenta de poder mais preciosa de um reporter 6 a malicia. Mas um tipo espe- cial de malicia, baseada no uso intensive da experidncia, aplicada a uma multiplici- dade de acontecimentos, que nenhuma outra profissao encara em seu oficio (em escala pr6xima, policia e mddicos se apro- ximam) e que o leva a contrapor uma boa pergunta a cada resposta que recebe, for- qando a eluci- daqio de qual- quer assunto. Esse 6 o princi- pio da investi- gagio jornalis- ta. Logo, por definigio, o ini- co jornalismo que conta 6 o investigative, jA que o reporter 6 So auditor popu- lar ad-hoc, semr precisar de su- porte institucio- nal. Para louvar e abrir alas para esse profissio- nal, AudAlio Dantas organi- zou um livro, que a Editor Senac, de Sso Paulo, estA langando (un primeiro mo- mento foi na Bienal do Livro, outro no dia 26, na Livraria Cultura, e o iltimo seri neste mes, na sede do Sindicato dos Jornalistas de Slo Paulo). Em Repdrteres, 10jornalistas selecionados por Audalio marcam presenga corn depoimentos: Caco Barcelos, Carlos Wagner, Domingos Meirelles, Joel Silveira, Josd Hamilton Ribeiro, Luiz Fernando Mer- cadante, Marcos Faerman, Mauro Santaya- na, Ricardo Kotscho e eu, o 6nico de fora do eixo hegemrnico do pais (minha indicaggo apenas atesta a importancia da Amaz6nia como tema). O 11 reporter 6 o pr6prio Au- dalio, autor de reportagens antol6gicas pu- blicadas no lugar onde elas foram melhor pro- duzidas em toda a hist6ria da imprensa bra- sileira, a revista Realidade, da Editora Abril (*1966+1974). O livro j esta na praga. Pode at6 nao en- sinar como ser reporter. Confirma, por6m, o que todos sabem nas redacqes, mas nem todos estlo empenhados em aplicar: o cora- 9qo dojoralismo 6 a reportagem. * Uma hist6ria nao-convencional HA escritores que magnetizam: uma vez iniciada a leitura de seus livros, vai-se de um s6 impulso atd o fim. Escrevem bem, a trama que montam 6 atraente, nos enriquecem, mas nao conseguem fazer parte daquele seleto clube dos verdadeiros criadores, conforme a classificagqo de Ezra Pound. Quem 18 Ana Karenina, de Tolstoi, 6 arrebatadojA na pri- meira frase do romance, equagqo fundamen- tal para a qual as centenas de paginas do livro irao servir de demonstraqco: "Todas as families felizes se parecem, as families infeli- zes sio infelizes cada qual ao seu modo". Ou pelo"Nonada" que inaugura, neologicamen- te, o Grande Sertdo: Veredas, de Guimaraes Rosa. E um prazer e uma experi8ncia valiosa ler Gore Vidal. Mas a cada novo livro que nos oferece, terminamos corn a sensacgo de que ele esteve bem perto de ter escrito uma obra de primeiro time, sem ter realmente chegado hi. Qualquer pessoa aprendera mais sobre a hist6ria dos Estados Unidos lendo os cinco volumes da sua "crbnica americana". Toda a estrutura ficcional, contudo, serve apenas de instrument para ele colocar a historio- grafia official de cabega para baixo, desnu- dando os mitos para ver a sua grande nacqo como ela foi e continue a ser e nao como a versao utilitAria corrente pretend que tenha sido, d e serA. E o caso de 1876, o 6ltimo dos cinco ro- mances (nao me atrevo a escrever pentalogia) a ser traduzido e publicado no Brasil (Editora Rocco, 1997, 466 piginas), mas o segundo na ordem cronol6gica. Ainda falta para o publi- co brasileiro o primeiro romance, sabe-se 1i por qual critdrio pendente de iniciativa edito- rial. Esse zigue-zague impede o leitor de acom- panhar a evolucio dos personagens que pas- sam de um livro para o outro e a pr6pria cro- nologia dos EUA. Mas se algudm quiser to- mar o pulso da naqio mais poderosa do mun- do, sem se submeter a notas de pd de pd de pagina, bibliografias massacrantes, estilos enfadonhos e narrativas sem brilho, o recei- tuario 6 simples: ler Vidal. * Prestigio 0 bailarino Carlinhos de Jesus tem mes- mo muito prestigio junto ao grupo Liberal. Ele se apresentou no late Clube no dia 16 de maio. Exatamente uma semana depois, a 23, ojornal publicou uma matdria (mais promo- cional do quejornalistica) a respeito, finali- zando o texto corn este primor de marketing: "Quem perdeu a noite animada no late s6 pode esperar e torcer para que os pianos do dancarino se concretizem [uma nova apre- sentaago]". Uma das regras de ouro do jornalismo diz que as matdrias precisam ter um gancho. Ou seja: um acontecimento tern que ser noticia- do o mais pr6ximo possivel de sua realiza- qAo. Mas para os "amigos da casa", uma se- mana 6 pouco. Nos funds do Bosque, quan- do nao d neg6cio, jornalismo 6 uma aCLo entire amigos. * JOURNAL PESSOAL I 1 QUINZENA DE JUNHO / 1998 5 Para ficara mesmo sem usina de cobre Os novos pianos para o aproveitamento dasjazidas de cobre de Carajas nao incluem mais a instalaqio de uma usina metalirgica no Para, apenas a concentraqdo do mindrio. Essa foi a principal informaqC o filtrada de um conjunto de dados, as vezes desencontra- dos, que tem circulado nos bastidores do setor mineral, dentro e fora do pais. Segundo uma versao, a Companhia Vale do Rio Doce e seus s6cios nao pretendem implantar uma metalurgia de cobre nos pr6ximos anos por- que aguarda-se profundas modificaq6es tec- nol6gicas no beneficiamento do metal. Assim, nao seria propriamente porque a usina foi cancelada no Pard e remanejada para outro ponto do territ6rio national (Ma- ranhao e Bahia eram as alternatives admiti- das), mas porque uma usina, montada pelos padres atuais, estaria ameaqada de tornar- se completamente obsoleta nos pr6ximos anos se novas tecnologias em experimenta- ocio se mostrarem viaveis economicamente. Os t6cnicos estariam recomendando aguar- dar pelos resultados das pesquisas em an- damento, embora nao se tenha conseguido apurar em que consiste exatamente essa anunciada inovaqio tecnol6gica, ameaqan- do sucatear as atuais usinas de cobre. Outras fontes manifestam ceticismo em relacao a essa explicaqco. Elas dizem que a inexistdncia de novos projetos de cobre deve- se A queda nos preqos da commodity, ao suprimento de energia, ao menor consume mundial e a um excess de oferta, que avolu- ma os estoques. Mas acham que hA espaqo para o surgimento de novas minas, desde que elas desloquem concorrentes. Para isso, precisam dispor de boas jazidas, de custos de producAo inferiores e de infra-estrutura mais barata. Carajas reuniria essas condicoes para abrir uma cunha no topo do mercado, despejando de 1I alguns dos atuais lideres. Por isso, produziu impact um despacho de Santiago do Chile, capital do pais que mais produz cobre, o Chile. A agencia inter- nacional de noticias Bloomberg News anun- ciou que a CVRD esta pretendendo abrir nao uma, mas nada menos do que tres minas de cobre em Carajds, caso consiga obter, entire 1999 e 2001, 2,5 bilh6es de d6lares para in- vestir nessas tres frentes. Com isso, a em- presa estaria em condiq6es de produzir 500 mil toneladas de cobre metalico por ano (o dobro do que vem sendo anunciado), a par- tir das minas de Salobo, Sossego e Alemao, onde haveria 529 milh6es de toneladas de cobre contido. As informaq6es foram atribuidas ao dire- tor da divisao de metais nao ferrosos da Vale, Jose Viveiros, mas ele negou at6 que tivesse dado entrevista a qualquerjornalista. Tam- b6m desautorizou as revelaqces, consideran- do-as despropositadas. Ha erros fiticos no despacho da ag6ncia e ele colide com os dados at6 entAo disponiveis. Mas parece-se a fumaqa indicadora da presenqa de fogo no ambiente. A realidade pode nao ser exata- mente como o que esti dizendo, mas alguma coisa do que esta dizendo tem algum fundo de verdade. A Vale tern s6cios diferentes no dominio dasjazidas de Salobo e de Sossego/Liberda- de. Na primeira, a sul-africana Anglo Ameri- can, atrav6s de sua subsidiiria brasileira, a Minorco. Na segunda, a norte-americana Phelps Dodge. A CVRD ji esta atris de um terceiro s6cio para o projeto Salobo, recru- tando-o entire os maiores produtores de co- bre. Os interessados ji receberam os dados basicos do projeto e agora vAo aprofundar a analise do empreendimento. Seria a maneira de suprir a falta de conhecimento especifico do setor, tanto da Vale quanto da Anglo (ou tirar poder do parceiro). Mas um empreendi- mento independent para uma terceirajazida constitui absolute novidade. Se isso acon- tecer, CarajAs subira para o segundo posto no ranking do cobre, atris apenas do Chile. Viveiros diz que essa noticia n~o ter fun- damento. Mesmo assim, produzida em Santi- ago, nos bastidores de um encontro interna- cional sobre cobre, ela mostra que hi muita coisa sendo negociada por baixo dos panos, sem a minima participaqao do Estado que guard essa riqueza em seu subsolo. Se por acaso a Vale iniciar a exploraq~o do cobre em tres ou mesmo duas frentes, tudo o que a atual administracqo j disse da anterior per- derA sua validade. Por que, entao, os com- promissos assumidos anteriormente deixa- ram de ter validade? De qualquer maneira, uma coisa 6 certa: a producio de cobre no ParA sera feita pelo mesmo padrio da extraao do mindrio de fer- ro. Ou seja: exportaremos apenas materia pri- ma e insumo bAsico, perdendo o direito de realizar a transformaqio industrial, a niica capaz de dar efeito multiplicador a uma ativi- dade de baixo valor agregado. Continuare- mos a ser uma mera col6nia, mesmo no caso do cobre, quando chegou-se a assinar con- venio estabelecendo cronograma para a im- plantaqAo da metalurgia, que gem mais ren- da, mais emprego e abre perspectives de ver- ticalizaqio da produIo. Qual a situagao real no meio desses ditos e nao-ditos, vais-e-vens? Nao sabemos. Nao nos preparamos para saber. Nio somos in- terlocutores autorizados e categorizados dos verdadeiros protagonistas de uma hist6ria que, de n6s, leva apenas o nosso nome, abrin- do buracos na nossa geografia, na nossa hist6ria e nas nossas contas. * Eclusa: checar antes de soltar foguetes O governor federal modificou o projeto basico da hidreldtrica de Tucurui para que as obras da barrage fossem realizadas si- multaneamente corn as do siste- ma de transposigao, que, pelo or- camento da dpoca, representaria 10% do custo total. As eclusas, que inicialmente seriam constru- idas na margem direita do rio Tocantins, foram remanejadas para a margem esquerda e por isso o projeto da represa sofreu adaptaq6es. Mas apenas o "en- cabegamento" de montante, in- crustrado na estrutura de con- creto que bloqueou o rio, foi construido. A Eletronorte foi desobrigada de responsabilida- de sobre as eclusas e as obras ficaram paralisadas. Calcula-se que uns 180 milh6es de d6lares foram gastos apenas na porta de entrada do canal de navegaq~o. Para ser concluido, o sistema de transposiqAo do desnivel de 70 metros que a barragem criou no Tocantins exigiria R$ 300 mi- lhoes. O Ministdrio dos Transpor- tes garante que a obra sera reali- zada por R$ 210 milh6es. A dife- renca viria tanto de altera6es no projeto quanto de desconto de 20% que a Construtora Camargo Correa daria. Enquanto a Eletro- norte constr6i a segunda casa de maquinas da usina, o ministdrio toca as eclusas com dinheiro do orgamento federal, concluindo o serviqo em dois anos. No meio da euforia geral pela possibilidade de, finalmente, se conseguir transport o Tocantins em Tucurui, cabem algumas quest6es. Por que a Camargo Correa assumirA sem licitacFo as obras das eclusas (e, pelo que se deduz, da 2a etapa da pr6pria hidreldtrica, seis vezes mais cara)? 0 contrato original vai ser simplesmente aditado, mesmo envolvendo tanto dinheiro? E para conseguir esse prosaico aditamento que a empresaestA oferecendo o tal desconto? E um esquema do interesse national? Pode ate ser, mas 6 precise, an- tes, demonstri-lo o que nin- gu6m, atd agora, se dignou fazer. Outra iniciativa preliminary ne- cessaria 6 apresentar o projeto bAsico das eclusas. Se elejA esta concluido (o que nunca chegou a ser feito na primeira etapa da obra), os responsaveis tmn que apresentA-lo A sociedade. Seria atd a forma de suprir a falta de uma audiencia p6blica conven- cional. Esse debate prdvio 6 fun- damental para que tecnicos e re- presentantes de entidades inde- pendentes possam avaliar as "simplificacges" que parecem ter sido feitas para diminuir o custo do sistema de transposic~o. Corn a aprovago do novo pro- jeto, poderemos soltar foguetes e comemorar a realizaio da obra, sabendo que ela nos seri provei- tosa e nao o contrArio. 0 6 JOURNAL PESSOAL I 1A QUINZENA DE JUNHO / 1998 Aurelio Meira teve, algum tempo atrAs, a id6ia de um projeto de recuperaqio da area do Reduto. A iddia era boa, mas sua execugao exigia muito al6m do que estava ao alcance da equipe que o arquiteto po- deria liderar. Ficou no papel. Outro dia pensei numa iniciativa bem menor, mas tambdm relevant: por que nAo se faz um projeto para o "Ferro de Engomar", o tri- Angulo formado pela Veiga Cabral, Arci- preste Manoel Teodoro e Padre Eutiquio? O ponto alto desse perimetro 6 a resi- dncia da familiar do ex-deputado (ja fale- cido) Paulo Itaguahy. Mas hA outros pr6- dios valiosos e o conjunto ainda estA razo- Avel e surpreendentemente preservado. O local 6 quase um refigio idilico, apesar da presenga massacrante do Shopping Igua- temi na vizinhanga. Deve-se, com urgen- cia, fazer um projeto urbanistico para a Area, especializando seu uso commercial e estimulando a manutengio dos tragos ar- quitet6nicos das residencias. E um dos raros conjuntos integrados do perimetro central de Bel6m. Os cursos de arquitetura das duas uni- versidades paraenses, a UFPA e a Unama, bem que poderiam destinar bolsas para os alunos do filtimo ano fazerem projetos completes (urbanistico, arquitet6nico, eco- n6mico, fiscal, tributArio) para proprieti- rios de im6veis que, mesmo nio estando tombados e nio figurando na listagem das edificacqes mais notAveis da cidade, tnm valor incontestavel para sua hist6ria. Refiro-me nIo s6 a pr6dios coloniais, nem principalmente a eles. O alvo prefe- rencial sao as edificacoes levantadas entire o final do s6culo passado e as primeiras d6cadas do atual, espalhados pela cidade. As vezes o que falta 6 um estimulo e uma orientagao t6cnica, que os estudantes es- pecializados podem dar, eles pr6prios am- parados por bolsas de iniciaqio cientifica, Nogao d Em margo de 1988 Aquilon Bezerra ape- lou ao Tribunal de Justica do Estado para ser reintegrado A CAmara Municipal de Be- 16m, depois da rejeicgo de um mandado de seguranga que impetrara contra seu afasta- mento das funq6es de vereador e a convo- caqAo do suplente. Na semana passada, o Didrio da Justiga publicou o voto da juiza convocada Marta Inds Antunes Lima decla- rando extinto o process. Nesse period de 10 anos exauriu-se o mandate para o qual Aquilon foi eleito pelo voto popular. Como, em sua agao, ele ndo props nenhuma indenizago, ainda penden- te de apreciaco, mesmo que viesse a ter ganho de causa, o prazo do seu mandate jA se exauriu. O recurso perdeu o objeto. ao inv6s de serem obrigados a trabalhar de graqa. A prefeitura poderia prover esse fundo. Por sinal, esta 6 uma linha de baixo in- vestimento com alto significado. A pre- feitura multiplicaria o efeito do dinheiro com um projeto de sinalizaq~o e orienta- cAo da cidade. Em conv6nio cor o Se- brae, poderia dar um curso sobre urba- nismo, voltado especificamente para a si- nalizagao e indicagao gr6fica e visual. Os freqiientadores teriam apoio do Sebrae para organizer firmas e se habilitariam para construir places de ruas e indicadores de orientag~o. Os recursos alocados nesse program seriam divididos por lotes, segundo valo- res compativeis cor a proporgao dessas firms. S6 aquelas habilitadas no curso pr6vio teriam acesso, a partir de um ter- mo de refer6ncia bem elaborado. Muita gente capaz poderia liderar pequenos em- preendimentos, garantindo-se a qualidade do serving e gerando efeito em cascata sobre a renda. Todos sairiam ganhando, a comegar do cidadao. Este, aliAs, ter sido o grande mudo des- de que, no numero 178, institui uma se- 95o para absorver comentarios e suges- tWes do morador de Bel6m sobre a sua ci- dade. O mestre Roberto La Roque Soares fez uma 6tima observaqao por telefone, mas nao chegou a formaliza-la por escri- to. JA estA na hora de n6s, belenenses, fa- zermos alguma coisa pela cidade que tan- to amamos sem esperar por iniciativas ins- titucionais. Podemos acabar como o Pe- dro Penseiro, de Chico Buarque de Ho- llanda, ou esperando Godot, como na pega de Samuel Becket. Esperando em bergo esplendido pelo que vird, sem nunca vir, A maneira da malandragem national ou do surrealismo europeu. * e tempo Mas, independentemente do m6rito da questao suscitada (o entao vereador esta long de poder se apresentar como injusti- cado), o que impression 6 a morosidade pro- cessual da justica. Em fevereiro de 1989 o representante do Ministdrio PAblico opinou pelo nao conhecimento do apelo por falta de objeto. Desde entao o process hibernou em cart6rio. Com a morte do relator, desembargador Calixtrato Alves de Mattos, os autos foram redistribuidos at6 chegar As maos da juiza convocada para auxiliar o TJE. Ela reconhe- ceu o que ja era mais do que 6bvio. Mais desconfortAvel, por6m, 6 a lentidao dajusti- ca para decidir, atd o quejA o tempo, supleti- vamente, decidiu por ela. 0 Fazer por Belem: a nossa parte A listagem do TRE Apesar de ja terem morrido, Guilher- me de La Penha, ex-secretario de cultu- ra do Estado, e o advogado Edgar Con- tente continuam integrando a lista de fili- ados do PMDB, cujo registry foi deferi- do pelajustica no dia 12 do mes passado e publicado no Didrio Oficial uma se- mana depois. Essas listagens de militan- tes continuam a ser sancionadas com erros flagrantes, colocando sob reserve sua validade como pega informative e mesmo document legal. O ex-secretario de agriculture Joao Batista Bastos, por exemplo, aparece si- multaneamente filiado ao PMDB e ao PT. No primeiro partido ele ingressou em novembro de 1981. No segundo, em maio de 1988. E dupla filiaCio, vetada legal- mente, ou apenas nao houve a baixa do desligamento? Da mesma maneira, An- tonio Fontelles de Lima ainda aparece como filiado do PMDB, embora ja este- ja no PPS. A relagio divulgada pela justiga elei- toral permit algumas observag6es inte- ressantes: Apesar de ter se colocado ao lado de Hlio Gueiros, quando ele rom- peu com Jader Barbalho, o ex-govema- dor Aurelio do Carmo se filiou ao PMDB em 1993, quando Jader era govemador. m O empresArio Dl6io Mutran se filiou ao PMDB em setembro do ano pas- sado. Estara pretendendo fazer carreira political? m Joercio Barbalho, irmao de Ja- der, voltou ao PMDB em outubro do ano passado. Apesar de ter sido um dos prin- cipais auxiliares de Jader no primeiro go- verno, Hamilton Guedes, ex-diretor do BanparA, s6 se tornou peemedebista em abril do ano passado. m Paulo Erico Moraes Gueiros, fi- Iho mais velho de H6lio Gueiros, 6 dado como ainda pertencendo ao PMDB, ao qual se filiou em 1984. O empresArio Fernando Flexa Ribeiro desceu de para-quedas no PSDB: tornou-se president do partido pouco depois de ter-se filiado, em janei- ro de 1994 (cinco anos depois da exis- tencia do tucanato). O secretario de educagao, Joao de Jesus Paes Loureiro, s6 incorporou- se ao PSDB em outubro do ano passa- do, provavelmente pensando em candi- datar-se neste ano. A secretaria de administraqao, Rosa Freitas, acompanhou a iniciativa de Jesus na mesma data. 0 JOURNAL PESSOAL I 1" QUINZENA DE JUNHO / 1998 7 Interesse public A Assembl6ia Legislativa do Estado contratou diretamente com a Editora Ce- jup a publicacao de 10 mil exemplares do novo C6digo de Trinsito Brasileiro. A ine- xigibilidade de licitagio foi adotada com base em um parecer da procuradoria do legislative. Para que nio pairem duividas sobre a operago, pede-se ao president da AL, deputado Luiz Otavio Campos, que fomega copia desse parecer e de todo o process. Ha muitas graficas em Bel6m, o texto do codigo 6 de dominio public e sua edi- cao nao constitui qualquer desafio. A ofer- ta feita pela Cejup 6 tao vantajosa que dis- pensa qualquer modalidade licitat6ria, at6 mesmo a tomada de preco? A ideia de edi- tar os 10 mil volumes do c6digo foi inici- ativa do poder legislative ou da empresa? A Secretaria de Planejamento do Estado considerou desnecessaria lici- tacAo piiblica para a contratacgo da Treide Apoio Empresarial Ltda, que realizara um curso sobre oraamento program e execulio orqamentAria, "conforme parecer da assessoria juri- dica" da Seplan. Tanto a declaracio de inexigibilidade como a ratificacao do ato, publicadas no Diario Oficial de 18 de maio, foram datadas de um mes de- pois, 18 de junho. Um lapso? Quando retificcd-lo, a Seplan poderia explicar ao distinto publico de quemfoi a id6ia desse curso: da Treide ou daprOpria Fernando Henrique Cardoso poderia ter entrado para a his- t6ria brasileira como o presiden- te que reconciliou o Brasil com um padrao monetirio sdrio. Ne- nhuma naqio 6 respeitada se sua moeda 6 um buracb sem fundo, como a nossa foi ate Itamar Fran- co. O Piano Real conquistou re- putaqto como um dos mais s6- lidos esquemas anti-inflaqAoja concebidos em todos os tempos por qualquer povo. Era o sufici- ente para glorificar um estadis- ta. Foijusto que elegesse o can- didato do PSDB ji no 10 turno, em 1990. Mas Fernando Henrique quis mais um mandate, violan- do a constituicqo quejurou res- peitar. Poderia atW proper e co- mandaruma reform que inovas- se corn a possibilidade da ree- leiqio (para mim, nociva), mas teria feito um enorme bem A na- cio (e a ele mesmo) se o dispo- sitivo s6 entrasse vigor a partir do mandate do novo presiden- te. Fernando Henrique nao pre- secretaria? Serd que ria dar esse curso? nem ao menos uma to prop6sito: qual o va Treide? Qualfoi opa juridica? AliAs, a Seplan (lo1 ponsavel pelo planej 6 exageradamente gistros que envia p mesma edicio, por do 2 termo aditivo prefeitura de Soure que o aditamento vis de AplicacAo e Prorr Viggncia", sem dize E exigir demais a es jeto original do con se existente? A Celpa precisa a padrdo na administrc v&s de adotar uma nu os aditivos que assina tamentos por cada u norma atual impossib tas vezes um determine tado. Pode-se saber a tamentos em geral a C ponto important: se, contratofor aditado. cionado. e necessdrio que o valor original exemplo: em 18 de m nou 145 mil reais a Espelho cisaria amputar os dedos que garantiam o compromisso soci- al de sua mao empalmada na campanha de quatro anos atras, mantendo apenas os dedos da alianga conservadora que, nio tendo sido a responsivel por sua eleiggo, garantiu-lhe, no entanto, a maioria em um con- gresso majoritariamente fisiol6- gico para poder governor FHC poderia atd estar encer- rando seu mandate como um verdadeiro reformador social. Ao contrArio, anulou as melho- res propostas do seu projeto e chega A fase critical da negocia- cqo political com um deficit pii- blico alarmante, um indice de desemprego sem igual e tendo abdicado ao poder de corrigir as distorq6es deste pais disforme e injusto. Cor um mandate de quatro anos, Fernando Henrique teria os quatro anos seguintes para avaliar seu desempenho, defi- nir os rumos de sua vida e cre- denciar-se na mem6ria do povo para voltar (com direito a mais ningudm maispode- Phase Projetos e Servicos de Engenharia, Por que ndo houve mas ndo diz qual eraovalor original. Com imada depreqos? A os dois dados 6possivel ter-se uma id6ia lor da proposta da correta da alteragao. recer da assessoria A Secretaria de Justica esqueceu de declarar o valor do contrato assinado go a secretaria res- cor a Sucesso Comercio Servioes e Re- amento do Estado) presenta ces para o fornecimento de economica nos re- Agua mineral durante um ano. Aguar- sara o DO. Nessa da-se a informaclo, que k essential. exemplo, o extrato A Secretaria de EducagVo aditoupela ao conv8nio corn a s6tima vez dois diferentes contratos de lo- Sse limita a dizer cacao com o Col6giolndependencia, so- sa alterar "o Piano mando quase oito mil reais por m&s. 0 ogagio do Prazo de contratofoi assinado com dispensa de li- r a que se refere. citacdo. Ajustificativa seriaporque os dois pecificagao do ob- im6veis se localizam no interior do Esta- ivenio e seu valor, do, ndo havendo outros disponiveis ou com as caracteristicas requeridaspara o dotar a convengao funcionamento de uma escola? iaopuzblica: ao in- A mesma Seduc aditou pela terceira neracaopara todos vez o contrato assinado no ano passado , especificar os adi- com a Uirapuru Turismo para o forneci- m dos contratos. A mento de passagens. O aditamento tor- 'ilita de saber quan- nou-se necessArio para a empresa poder ado contratofoi adi- fomecer mais passagens requisitadas pela rpenas quantos adi- secretaria, em viagens nacionais e inter- elpajd fez. Um outro nacionais, at6 o limited de 35 mil reals (se- mpre que o valor do ria de R$ 303 mil o valor original do con- al6m do valor adi- trato?), entire oito de maio e 6 de novem- que a empresa indi- bro deste ano. Pergunta-se: por que au- l do contrato. Por mentou o quantitative de viagens? Para aio a Celpa adicio- que pais se imagine ser necessario enviar um contrato com a gente da Seduc? * viciado um quatri6nio suplementar), caso seu successor, que s6 se tornaria possivel gracas ao es- pirito superior de FHC, come- tesse os erros que Fernando Henrique esti praticando, seja em beneficio da elite predadora, seja fazendo clientelismo popu- lista corn o povo. Ao invds dis- so, a vaidade isolou o presiden- te na corte e a vontade de mais poder a qualquer custo tirou-lhe a sintonia corn o pais. Nao ha outra maneira de en- tender o que o president tem dito e feito. As vezes age com menos tirocinio que um verea- dor de aldeia, incapaz de enten- der o alcance dos seus atos. Ningu6m causou mais danos politicos ao president do que ele mesmo, o maior dos prejui- zos resultando do seu mais re- cente destempero verbal. Um politico professional jamais cha- maria de vagabundos cidadaos que se aposentam aos 50 anos. Digamos que nao haja qual- quer mdrito e apenas oportunis- mo no silencio que a maioria dos politicos cultivaria em tal cir- cunstincia. Admitamos que, ao inv6s de ser cinico e sonso, o president optou por ser since- ro. Mas uma sinceridade conta pouco quando serve a um des- prop6sito. Ningudm pode ser acusado de vagabundo por usar um dispositivo legal em plena vig6ncia, que garante aposen- tadoria aos 50 anos aos que, desde cedo, contribuiram para a previdencia. Como pode um home tao inteligente e vivido como Fer- nando Henrique Cardoso ser tao parvo, al6m de insensivel? Talvez porque o hAbito do ca- chimbo entorte a boca, tomar a imagem refletida no espelho como representative de todo o universe tambdm 6 capaz de gerar esse despautdrio. O pre- sidente chega ao limiar da dis- puta por um novo mandate como um p6ssimo personagem de sua pr6pria criaqao, do que nela havia de saudAvel e posi- tivo. Recoloca o pals A beira de um novo abismo. * Jogo escondido 0 Centro Social Vicente Maria prestaria um inestimA- vel serving de utilidade pu- blica se informasse qual o valor da sua participag~o na promono "Ligue ou Pague", do Sistema Romulo Maiora- na de Comunica&ao. Por lei, esse tipo de jogo s6 pode ser realizado se uma instituiclo de caridade on benemer&n- cia dele participar. Ao final da promogao, o responsivel tern que apresentar un balan- co complete dos resultados e destinarparcela do lucro ao beneficiario. Para evitar que essa prAtica se transform numa burla, a instituiqco social que viabilizou o sor- teio (ver Jornal Pessoal 186) deveria dar acesso pfi- blico a esses dados, possi- bilitando uma fiscalizacAo adequada. Ou 6 mesmo s6 para ingles ver? Cultura global Cica Ribeiro estava "cantan- do" o resultado do sorteio de carros no program do FaustAo, na TV Globe, domingo passado. Saiu um numero para Vilhena. O letreiro trouxe a sigla do Estado: RO. Cica proclamou: saiu para Roraima. Ningu6m corrigiu. RO, qualquer (ex)ginasiano sabe, 6 Rond6nia. Roraima fica nooutro extreme do Brasil e atende pela sigla RR. Cica nlo parece parti- cularmente informada a respeito de Brasil ou de siglas. Mas isso nao ter importancia: os dois Es- tados ficam no "outro Brasil". Logo, nao existem para o padrao Globe de cultural. E Cica nem C loura. Opgao S6 o nosso president impe- rial para comprar o sertao nor- destine a uma paisagem lunar. A intengio pode ter sido poctica, numa nada adequada est6tica da fome, mas nenhuma licenca au- toriza o desbaratinado paralelo. Mas s6 o nosso lider opera- rio para interpreter a frase como se o president tivesse se referi- do a "paisagem lunAtica". Ou ha um microcosmo de ironia meta- lurgica no palavreado de Lula? Na duivida, "desacredite" e enfie-se no pais das maravillas de Lewis Carroll. Sedugao O Journal Pssoal, quem diria, acabou na Sexy. Por re d seu editor, Palmerio Vasconcelos, o iltimo nfimero pbi paulistana trouxe o registro sentimental de um amigo que s atrAs, na mais antiga das amizades fora do mais intimo circulo famili- ar, e que as conting6ncias da vida fizeram ir para long. Nao sei como os leitores-atletas da Sexy irao entendd-la, mas a nota, publicada sob o titulo "Ex6rcito de urn home s6", escrita cor diab6lico poder de sedugfo, que transcrevo para partilhar o gozo da leitura (usando verbo apropriado ao caso) 6 a seguinte: "Na adolescencia, Lfcio Flivio Pinto se destacava entire a mole- cada do Reduto, bairro de Bel6m do ParA, pelas cabeqadas descon- certantes que dava no gol a gol da Vila Leticia. Hoje continue dando belas cabecadas em outros campos. Licio, que brilhou em boa parte da imprensa no Sul Maravilha, 6 ojornalista mais alterativo do mundo. Dirige na capital paraense o 'Jornal Pessoal', onde joga em todas as posiqces, compra todas as brigas que ningudm quer comprar e vai firmando a sua reputacao de intellectual mais respeitado da Amazonia. Um Asterix movido a tucupi". Alerta, leitores: o Bode da Vila Leticia estA querendo me comprar. Diregao torta Houve 6poca em que o professional do guidom nao era apenas o trabalhador que tirava seu sustento da conduqao de um carro de aluguel. Era tambrm o que melhor dirigia. Esses tempos passaram. Qualquer um pode relatar numerosos casos testemunhados (ou so- fridos) de impericia e imprudencia de motorists de taxi (sem falar dos de inibus, respaldado no tamanho e no peso dos veiculos, que manobram como se fossem verdadeiros carros de combate. Esta situaqgo deve-se A enxurrada de places de tAxi, distribuidas segundo critdrios politicos e nao por diretriz tccnica. O nimero de taxis em circula Ao 6 excessive, provavelmente mais do que o dobro do suportAvel pela cidade. O assalariamento e a pauperizaqao do professional do volante, corn a reducao da quantidade de profissio- nais aut6nomos enquanto se ampliam as frotas, tambdm sao eviden- tes. Mas nao inevitAveis. Deixando de lado uma visso tacanha de corporativismo, o sindi- cato da categoria deveria liderar uma campanha de ajuste da frota e de valorizaqo do professional para que a relaqao atual, sufocando os bons motorists que hi na praca. seja invertida. S6 assim os maus exemplos poderao ser contados nos dedos, isolados e eliminados, ao invds da classes sofrer o estigma social. O problemaja 6 suficien- temente grave para merecer, dos chamados canals competentes, mais do que discurso eleitoral. Transparencia Quem quiser analisar o Quadro de Detalhamento da Quota Tri- mestral (QDQT) da despesa do executive estadual para o segundo trimestre do ano vai precisar de lupa, paciencia e boa vontade. Pri- meiro, porque o trimestre 6, na verdade, bimestre (maio e junho). Abril foi publicado a parte. Segundo, porque o document original foi fotografado para reproduqio, em escala reduzida, no Diario Ofici- al (de 12 de maio). Terceiro, porque nao houve a menor preocupaio em facilitar a consult, muito pelo contrArio (a continuago do qua- dro, na pigina seguinte, perdeu as referdncias). Foi a pior divulga- ao do QDQT que pude constatar at6 agora. SMera coincidencia? lSA ic6 ionil rtstimo de 800 miles de d6lares, em maio do ano passado, para poder li- derar a compra da Companhia Vale do Rio Doce, sobrepujando o cons6rcio comandado pel grupo Votorantim. 0 emprstimn um autentico mega-papagaio venceu no mes passado, mas CSN s6 conseguiu reunir US 300 milhSes. Para completar i quitago, fez um novo emprdsti mo, de US$ 500 milhoes, con vencimento em dois anos. No! dois casos. quem organizou sindicato de bancos foi o Nati onsBank, dos Estados Unidos que estA cor um p6 dentro outro pd fora da CVRD, mas ga nhando nas duas posic6es. O que motiva refazer a per gunta: quem 6, de fato, o done daCVRD? Idiotia rural Como acontece com os livroi do Paulo Coelho, por quatro o cinco vezes tentei, sem suces so, me ligar A novela "Po Amor", que encerrou seu reina do no horArio das oito (do coi- to, segundo Agammenon Mend des Pedreira). Dizem que pes, soas como eu nlo veem novel por puro preconceito. Que a te- ledramaturgia ter valor, que ex- pressa um "modo brasileiro" de criacqo e que as novelas sao a versao mais adequada ao gostq national do que as peas de te- atro. Tudo pela causa. Armei-mn de algo para comer (ejustificar o imobilismo diante do video) fiz esforgo para me incorporar a trama. Mas nao mais do que 10 minutes depois jA estava ente- diado e atd irritado com o prima. rismo e o artificialismo da hist6- ria. Nao faz parte do mundo, vivo, nem da salutar imaginaao criadora, que uma mae substi- tua o filho natimorto da filha pelo seu pr6prio filho, nascido A mesma Cpoca, assim agindo para poupar a filha de tal dissa- bor. Atraves da caricature gros- seira e inverossimil, a central de ideologia da Globo projeta seu telespectador para um mundo de prostracao, de imobilismo e de tudo aquilo que fez Marx cha- mar de "idiotia rural". Esta nova maneira de agir cor os mesmos prop6sitos ter uma velha denominacao: 6 lava- gem cerebral. Journal Pessoal Editor: L6cio FI6vio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 063-020 Fone: 223-1929, 241-7626 e 241-7924(fax) * Contato: Try. Benjamin Constant, 846/203 / 66 063.020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert.com.br Editoragio de arte: Luizp6 I 241-1869 |
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| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 67 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |