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Jornalistas e Poderosos Journal Pessoal LU C I 0 F L V I P I NT Os her6is ANOX1-i I187'- 2dQUINZENA DE MAO DE 1998 R$ 2,00 do sertio (PAGs. 4/5) ENERGIA De novo do rio A reagdo international aos danos ecoldgicos das bidreldtrikbqpgb u o go.Iemo a suspender as grades obras nos rios da Amazonia, iniciaa m Ti cunn. isse ciclopode estar de volta cor a duplicaado da grande usina ai'TocantiUI.e o aquecimento do mega-projeto do Xingu. Mas operigo j passou mesmo? a no final deste mes a Eletronorte podera receber da Sectam (Secreta- ria de Ciencia, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado) a Licenga de Operagdo para a duplicacgo da hi- dreldtrica de Tucurui. Simultaneamente, esta- ra em condig6es de poder instalar um canteiro provis6rio de obras em Altamira para construir, no Xingu, a maior de todas as hidreldtricas, a de . Belo Monte. Os dois empreendimentos movimentarao qua- se 12 bilhoes de re- ais e parecem indicar que a era dos gran- des aproveitamen- tos hidrenerg6ticos foi retomada no Pard. Por enquanto, a usina de Belo Mon- te, s6 inferior a de Itaipu, superando-a, entretanto, por ser inteiramente national (me- tade de Itaipu 6 paraguaia), ainda 6 mat6ria especulativa. Mas ji nao 6 tao abstrata quan- to em passado recent. No pr6ximo mes, a energia de Tucurui estara chegando a Altami- ra, na tensgo e na quantidade necessArias para garantir aquele que deverA ser o maior de to- dos os canteiros de obras do pais. Os dirigen- tes da Eletronorte tratam do projeto como se ele estivesse prestes a ser desencadeado, a despeito da reacio international aos impac- tos ecol6gicos causados pelos grandes re- presamentos de rios amazonicos para a gera- qao de energia. Se o projeto do Xingu, por ser novo, pode reacender a chama das paix6es ambientalis- tas, a finalizag~o da hidrel6trica de Tucurui esta passando ao largo da ateng~ o da opiniao pfblica. A Eletronorte nio estA obrigada a apresentar um Relat6rio de Impacto Ambien- tal (Rima) porque a usina comeqou a operar (em novembro de 1984) antes que entrasse em vigor essa exigencia legal entiree 1986 e 1987). A empresa apenas teve que submeter a Sec- tam os estudos que realizou at6 agora em rela- cao aos efeitos da barragem sobre o meio am- biente e sua populag~o, al6m de estabelecer uma relagao de compromissos que assumird no sentido de minimizar ou mitigar os efeitos negatives da nova obra. A Eletronorte faz questao de esclarecer que as repercuss6es da duplicagdo de Tucurui serao minimas comparativamente aos efeitos do barramento do rio, s6 se fazendo sentir a partir de 2002. As obras consistirao em im- plantar uma segunda casa de forga, com 11 geradores (cadaumde 375 megawatts, 375 mil quilowatts, mais do que o suficiente para aten- der todo o consume de Bel6m), e em uma bar- ragem que complementary o eixo da represa principal, fechando o vo que atualmente exis- te entire o local da segunda casa de forga e a barrage da margem esquerda do Tocantins. Com isso, assegura a empresa, o vasto lago artificial formado pela barragem nao sera alte- rado, mantendo seus limits atuais. Nao sera precise desmatar mais nada, nem deslocar pessoas. Nenhuma nova parcela da floresta serA atingida. Nao se repetirao os danos ecol6gicos e sociais que deram motivo a um intense debate que antecedeu e su- cedeu o fechamento do rio e o enchimento do reservat6rio, al- guns deles ainda nao reparados. Nao se trata de uma obra qualquer ,-'., de engenharia, po- r6m. Ela exigira 1,5 .. bilhlo de reals, qua- se tanto quanto o in- vestimento recalcu- lado para extrair co- bre de Caraj s, que viria a ser a maior ativi- dade produtiva em territ6rio paraense. Pelo menos quatro mil trabalhadores terao que ser contratados, 3.200 deles na pr6pria re- giao. Pelo cronograma aprovado, ja cor certa defasagem, a primeira das 13 novas maquinas a serem instaladas comeqara a funcionar no iltimo dia de 2001, seguindo- se a partir dai uma nova unidade a cada qua- tro meses. Para isso, a concretagem teria que ser iniciada em novembro deste ano. As es- cabvaq6es ja deveriam estar em curso. Colocar em funcionamento outros 13 enormes geradores naquela impressionan- te estrutura de concrete (corn at 100 me- tros de altura, o equivalent a um prddio de 30 andares) erguida sobre o leito do Tocan-) ELI jOES: DEFINIeOES SO NO FIM '(Pa 3) 2 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE MAIO /1998 )tins, no entanto, 6 uma tarefa mais comple- xa, delicada e pol6mica do que sugere o dis- curso official. Efetivamente, seu maior impacto in situ, que seria afogar mais Areas do que as j inunda- das, nao ocorrerA. Mas algo bem expressive ja aconteceu, sem que ningu6m, ate agora, haja registrado essa mudanga fora de um restrito circulo de especialistas envolvidos na emprei- tada, que geralmente nao falam (As vezes, pard nao perder o precioso emprego). At6 recentemente, todos os documents oficiais diziam que a represa de Tucurui criara um reservat6rio cor Area de 2.430 quil6me- tros quadrados (o segundo maior lago artifici- al do Brasil, superado apenas por Sobradi- nho), acumulando 45,8 trilh6es de litros de Agua (ou 45,8 bilh6es de metros c6bicos), com- preendendo um perimetro de 5.400 quil6me- tros. Esses nmueros mudaram significativa- mente: agora, a rea 6 de 2.875 km2 (acrscimo de 445 km2, ou 18%), o volume de Aguaalcan- Ca 50,3 trilhoes de litros de Agua (quase cinco trilh6es a mais, ou 10%) e o perimetro pulou mais de 40%, para nada menos que 7.700 qui- 16metros (tres vezes e meia o percurso de Be- 16m a Brasilia). Esses cAlculos consideraram o nivel mAximo normal de operagao, na cota de 72 metros. Mas o mAximo maximorum de pro- jeto chega A cota 75,3 (embora seja quase im- possivel que venha a ser atingida). Naturalmente, os m6todos de observagqo e andlise se sofisticaram e hA mais informa- q6es de campo. Mas desde o inicio a avolu- mac~ o das conseqiiencias do fechamento do Tocantins vem numa espiral, crescente e mal explicada. A primeira defini~ o do lago refe- ria-se praticamente a metade da Area agora re- conhecida, isso quando o rio ja tinha sido desviado e estava sendo represado. Campa- nhas topogrdficas permitiram corrigir em terra medig6es obtidas por m6todos indiretos, mas a margem de erro ter sido grande demais para que a explicalo metodol6gica seja conside- rada satisfat6ria. AliAs, margens de erro inaceitAveis (a co- megar pelo orgamento financeiro, que ultra- passou em tres vezes o que estava previsto) e a necessidade de recorrer a simulaCaes, mo- delagens, extrapolac6es, infer8ncias e outros mdtodos indiretos, A falta de pesquisa empiri- ca e dados reais, ter sido uma caracteristica marcante ao long da hist6ria de Tucurui e que talvez expliquem melhor seus erros e de- sacertos. As sensiveis alteragqes nas dimens6es e na composiclo do reservat6rio, por moti- vos ainda nio satisfatoriamente explicados, podem estar influindo sobre o pr6prio lago, desencadeando processes ainda nao co- nhecidos ou fora de control. A operagco do reservat6rio pode estar sendo feita em padres variantes em relaqAo aos declara- dos. Ou, dito em linguagem mais simples: a Eletronorte pode tanto nao estar dando con- ta dos problems que estao surgindo no lago em conseqiiuncia de sua pr6pria for- magio, nem tendo dominio sobre o manejo das Aguas para a geragilo de energia. Da Agua que chega A parede de concrete quebarra orio, umaparte, a menor(uns 15%), 6 "engolida" pelas turbines para gerar energia. Cada uma das 12 turbines hoje em funciona- mento "engole" ate 600 mil litros de Agua por segundo (ou 600 metros cfbicos). Cada uma das 11 novas turbines, mais potentes, absor- verA quase 700 mil litros por segundo. Atual- mente, a vazAo turbinada esta em torno de seis milh6es de litros por segundo. Cor a usina concluida, ultrapassarA 12 milh6es de litros. A outra parte da Agua que nao 6 levada para a casa de forga (em torno de 85% do to- tal) passa pelo vertedouro para jusante da barrage, fluindo Tocantins abaixo. Na pri- meira etapa da usina, estava previsto um ver- tedouro de fundo, dotado de oito comportas, para manter o fluxo constant do rio, que aca- bou cancelado. Para a segunda etapa, que co- mega agora, ficou de ser construido um verte- douro complementary, acrescentando 10% A ca- pacidade atual de vertimento da barragem, garantindo-lhe uma vazao de 110 milh6es de litros de Agua por segundo. Essa margem de seguranca reforcaria ain- da mais a operac o do reservat6rio. O Tocan- tins, cor sua vasta bacia, de 780 mil quil6me- tros quadrados (cobrindo quase 10% do terri- t6rio national), tem sido uma fonte de surpre- sas, que vnm se amiudando nos iltimos tem- pos. Em 1980, uma vazao record, nao previs- ta, de quase 70 milh6es de litros de Agua por segundo, quase arrastou a ensecadeira prin- cipal, por pouco n5o obrigando a Eletronorte a comegar tudo de novo para o desvio do To- cantins. Entre 1978 e 1980 ocorreram tres dos quatro maiores picos de cheia registrados en- tre 1949 e 1980. Esses fatos obrigaram a Eletronorte a em- preender uma revisgo do projeto corn as obras em pleno andamento. Concluidos os novos estudos, que acarretaram adaptaq6es estru- turais, a vazao de projeto, que era original- mente de 100 milhoes de litros por segundo, foi elevada em mais 10 milh6es, enquanto o nivel mAximo maximorum da represa passou de 72 para 75,3 metros. Como a barrage ja estava praticamente concluida e para nAo atra- sar o enchimento do reservat6rio e o inicio da geraqao, foi decidido que esse vertedouro complementary s6 seria construido na segun- da etapa, de duplica~io da usina. Acolhendo sugestio dos consultores, a Eletronorte decidiu eliminar o vertedouro com- plementar. Os tAcnicos asseguraram que a atual capacidade de vertimento 6 suficiente para assegurar a operaiao, livre de surpresas. Aldm disso, o orgamento da segunda etapa teria que ser acrescido de R$ 200 milh6es, um investi- mento a mais considerado desnecessArio. E pesado, numa conjuntura desfavorAvel A ob- tengdo de financiamento para esse tipo de pro- jeto. Essa supressao foi realizada cor toda a tranqiiilidade, mas ha um dado que preocupa um leigo. Durante 10 anos, a partir do inicio do funcionamento do primeiro gerador, em novembro de 1984, a Eletronorte operou o re- servat6rio de Tucurui entire a cota mAxima de 72 metros e a minima de 65. Apartir de 1995a depleclo (retirada de Agua) do reservat6rio baixou para at6 60 metros, segundo a empresa "devido a fatores hidroclimiticos adversos e ao aumento da demand de energia". Ou seja: o aumento da deplelio ate niveis minimos operacionais records seria um fenomeno ape- nas sazonal, por causa de fortes estiagens e porque hA mais consume de energia. Entretanto, um relat6rio de abril do ano passado de uma comissao interministerial, cri- ada para tratar das 1.660 ilhas que se forma- ram com o enchimento do lago (geralmente o topo dos morros que permaneceram desco- bertos), admitiu: "Atualmente se desconhece os problems relacionados com o depleciona- mento do reservat6rio, bem como sua exten- sao". Nao s6 neste aspect desconhece-se a dinamica da Area: s6 agora serao desenvolvi- dos estudos de modelagem matemAtica para verificar as alteracqes na qualidade da Agua no reservat6rio e abaixo da barragem. Tambdm ainda nao foi definida uma alter- nativa satisfat6ria para ter um control ade- quado do lago. Os satelites cujas imagens tnm sido usadas apresentam o inconvenient de nao poderem ser produzidas durante boa par- te do ano, quando ha muitas nuvens. O satd- lite canadense Radarsat nao 6 afetado por nuvens, mas os resultados das imagens obti- das atrav6s dele em novembro de 1996 nio foram considerados satisfat6rios por causa da grande quantidade de troncos e Arvores mor- tas (mais conhecidos como paliteiros) exis- tentes acima do nivel da Agua e na Area expos- ta, uma chaga ainda hoje a impressionar nega- tivamente os visitantes. Sao dados fundamentals para saber como sera o abastecimento de Agua para as popula- q6es situadas a jusante da represa e qual a repercussao sobre o ambiente e os moradores em torno do lago. Com mais miquinas "engo- lindo" Agua, o reservat6rio sera mais exigido. A variaC5o entire as cotas sera menor entiree 72 e 62 metros, cor 10 metros de deplegao), mas o deplecionamento sera mais frequente e mais duradouro. Em funoio do nivel permanecer mais baixo do rio mais freqiientemente e por periods mais prolongados, os tecnicos preveem dificulda- des de acesso a alguns trechos das margens do lago e das ilhas, formacAo de ambientes propicios A proliferagdo de insetos (alguns deles vetores de doencas) e aprisionamento de peixes em pogas e "lagoas marginais". Os moradores ajusante terio menos Agua, de qua- lidade inferior, menos oxigenada. Pode estar acabando a fase de suprimento de Agua po- tavel pelo rio. Alem das alteracqes de quali- dade, poderi haver tamb6m um desequilibrio hidrico. Sera que esses pontos est~o suficientemente esclarecidos, na posiqao atual em que se en- contra o projeto, para que ele possa entrar numa nova etapa? E uma das perguntas que se faz. H ainda muitas outras a responder antes que a Sectam possa expedir a Licenga de Operag o para Tucurui dar o largo pass que fechard o segundo ciclo da sua hist6ria. JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE MAIO/ 1998 3 Eleiao: definicoes apenas a ultima hora O quadro sucess6rio no Para s6 sera definido no final de junho, no derradeiro prazo estabelecido pela legislaqFo elei- toral para a oficializacio das candidatu- ras. At6 la, as especulaces se multipli- car2o e se intensificarao, mas an6ncios bombisticos podem n~o passar de balio de ensaio. Como acontece em um jogo como o poquer, havera ainda espago para o blefe. E antes que os nomes indicados para disputar o govemo do Estado e o senado possam ser sacramentados pelas convenqoes partidArias, muitas negocia- 96es de bastidores (al6m de ameagas veladas) ainda se desenrolarao. Como ningu6m, sozinho, esti seguro da vit6ria, os candidates mais cotados tentam re- forgar seus esquemas antes de partir para a campanha aberta. Os ultimos movimentos mais signifi- cativos estao sendo dados por Romulo Maiorana Jr. No pr6ximo domingo, corn todo o estardalhaco possivel, O Liberal divulgara pesquisa encomendada a Vox Populi mostrando que Rominho jad o terceiro nome mais apontado para o se- nado, atras apenas de H6lio Gueiros e Jarbas Passarinho. Havia tanta certeza de um bom resultado, gracas a divulga- 9io mais intense do nome do principal executive do grupo Liberal nos veiculos da empresa (ate como patrono de fute- bol ele apareceu), que, pela primeira vez, uma pesquisa encomendada pelos Maio- rana foi devidamente registrada no TRE. As anteriores haviam sido pagas, mas nio registradas. Por isso, nao podiam ser divulgadas. Tomando public que nenhuma outra candidatura cresceu tanto quanto a dele, Romulo Jr. acredita estar estabelecendo uma posicio fortificada na linha de fren- te eleitoral. Sua candidatura deixa de ser um mero capricho para se torar uma hip6tese viAvel, apesar do risco de im- pugnacdo (ver, a prop6sito, Jornal Pessoal n0 166). Mas ele quer mesmo ser candidate ou criou essa possibilidade apenas para impedir o acordo entire Al- mir Gabriel e Jader Barbalho? As fontes mais pr6ximas ao empresa- rio garantem que ele quer mesmo ser senador, mas admitem que a conseqiidn- cia natural dessa disposicgo 6 anular a aproximaqgo entire o govemador e o se- nador peemedebista, alem de criar uma variavel antes impensavel: a derrota de Hlio Gueiros. Um terceiro efeito seria o de fechar o caminho de volta de Jar- bas Passarinho ao senado, como candi- dato da coalizao PSDB-PMDB, apesar do apoio que Dea Maiorana, a principal controladora da empresa (tem 51% das acoes), vinha dando a Passarinho. Quem, no entanto, pode assegurar que vantagens empresariais nao podem esti- mular a desistEncia de Rominho a ultima hora? Numa etapa do calendario em que o povo, a fonte da decisao final com o seu voto, ainda 6 apenas detalhe, tudo 6 possivel. Muitos deduziram automatica- mente da participac~o do senador Jader Barbalho no ultimo program do PMDB, duas semanas atris, que ele ja e, de fato, novamente candidate ao governor, empur- rado por uma relag~o de 45% a 31% sobre Almir Gabriel na prefer8ncia dos entrevistados pela filtima pesquisa do Ibo- pe, realizada por encomenda da CNI (Confederacgo Nacional da Indfistria). Mas a sondagem da Vox Populi devera restabelecer uma correlaao mais com- pativel corn a situac~o de fato: um em- pate tdcnico entire os dois principals con- tendores pelo govemo. Este ultimo resultado volta a animar a equipe do governador, mas nao 6 o bas- tante para faz8-lo tomar uma decisao antes de esgotar todas as possibilidades de manifestaao de Jader Barbalho so- bre um acordo. Almir ainda pretend veneer no 10 tumo. Isso s6 sera possivel com o lider peemedebista no mesmo pa- lanque. As iltimas esperancas estao sen- do depositadas na funmco de represen- tante do PMDB no comity de reeleigio de Fernando Henrique Cardoso que Ja- der passou a desempenhar. Por ter de- sistido de candidatar-se, o govemador do Rio de Janeiro, Marcelo Allencar, pas- sou a integrar esse comite. As duas atu- aq6es seriam inconciliaveis. Teoricamente, sim, inclusive porque essa posicgo estrat6gica tornaria o se- nador paraense credor de muitos favo- res junto ao president da Repiblica, podendo cobrar-lhe como poucos politi- cos. Mas Jader acredita realmente nes- se seguro contra traices na political bra- sileira? No minimo, ele continue manten- do uma pema em Brasilia e outra no Para, um equilibrismo condenado a du- rar pouco e nao gerar efeitos duradouros em nenhum dos p6los. Equilibrismo cos- tuma ser a maior virtude dos politicos brasileiros. Em muitos casos, a ulnica. Todos esses protagonistas sabem que tomar uma decisao agora, sem todas as altemativas amadurecidas e o jogo mais adiantado, pode implicar ser blefado ou pagar caro por uma ousadia precipitada. A novela continue, corn enredo de quinta ca- tegoria e efeitos especiais de primeira. * Pesquisar a pesquisa O descompasso entire as iltimas pesquisas eleitorais realizadas no Para pode ser a oportunidade de ouro para a sociedade fazer o teste de con- sistencia dessas sondagens, hoje moeda de ouro no mer- cado do voto. Sera que as empresas de pesquisa estio permitindo aos clients inter- ferir na selegio dos municipi- os nos quais sao aplicados os questiondrios, quando a sonda- gem tem amplitude estadual? Indicar determinados munici- pios e excluir outros pode equi- valer a viciar o resultado. O mesmo se aplica a bairros. Sem falar na definicio do per- fil dos entrevistados. Um outro ponto polemico 6 o das amostragens. Num in- tervalo de duas semanas o Ibo- pe ouviu 1,200 pessoas para uma pesquisa e 800 para ou- tra pesquisa, ambas abrangen- do todo o Estado, basicamen- te corn o mesmo objetivo. Havia rigoroso control da amostra, ou ela esticou e en- colheu conforme a vontade do client? O pr6prio institute deveria tomar a iniciativa de realizar, com recursos pr6prios, uma nova pesquisa, tratando de re- gistra-la no TRE, oferecen- do-a a todos os partidos poli- ticos, gratuitamente, como uma espdcie de prova dos nove. Evitaria mas interpre- tag6es ou dedug6es equivo- cadas em funcgo dos desen- contros dos resultados, que vazaram para a opinion pf- blica aos pedagos. Assim, seria restabelecido um nivel aceitavel de credibilidade e confianga, essencial para que a eleiiao seja o moment mais nobre do process poli- tico e nao apenas um produto de arranjos mercadol6gicos e mercantis. Se ninguem se mexer, que tal o Ministerio Publico, en- quanto fiscal da lei, requisitar todas as pesquisas e subme- t8-las a uma pericia compe- tente, evitando que o eleitor, o cidadAo e o consumidor se- jam fraudados? Nao seria exigir demais. Ou seria? Cor a palavra, o MP. * 4 JOURNAL PESSOAL 2! QUINZENA DE MAIO /1998 Pr6ximo dos 85 anos, Orlan- do Villas Boas 0 o maior ser- tanista do Brasil. Durante 35 anos seguidos, de 1943 a 1978, andou pela selva aju- dando o sertao a crescer, alcangando seus limits mais a Oeste num pais de dimens6es continentais e com a maior das fronteiras tropicais do planet. Colecio- nou mais de 200 malArias nesse period, sem seqiielas aparentes. Mesmo aposen- tado, nao se afastou das Areas interiores, nem das populag6es indias e sertanejas: tem escrito livros, proferido palestras, ajudado misses e partilhado sua sabe- doria sobre essa estranha e brava gente brasileira. Orlando 6 o mais velho e o inico dos irmios Villas BWas ainda vivo. Claudio morreu em fevereiro, com 81 anos. Leo- nardo, o maisjovem, se foi em 1961, com apenas 33. S6 os 18 anos de atuacio conjunta do trio (seguidos por outros 17 anos da dupla Orlando-ClAudio de quase confinamento na floresta) Ihes garantiria uma biografia poucas vezes igualada em qualquer outro lugar do mundo. Mas os brasileiros desconhecem a hist6ria des- ses tres paulistas, que trocaram a vida urbana na mais desenvolvida unidade federativa do pais por uma das mais no- tAveis facanhas de devassamento deste s6culo, entire Goias, Mato Grosso e Para. Um documentario cinematografico sobre os Villas B6as foi anunciado na semana passada, para estar concluido em agosto. E patrocinado pela Forga A6rea Brasileira, que os irmaos (atrav6s do Correio A6reo Nacional) tanto ajudaram e da qual tanto se valeram. Os critics dos Villas BWas verio nessa circunstin- cia mais um estimulo para atacar o ofici- alismo que sempre marcou a mentalida- de dos irmios, sobretudo de Orlando, e particularmente durante a convivEncia com o regime military, ao qual serviram com a boca nem sempre justificadamen- te fechada. Nao s6 essa critical procede. O indivi- dualismo, o personalismo, algumas vezes o oportunismo e a demagogia de Orlan- do, espraiando-se pelos irmios e provo- cando conflitos na personalidade de ClAu- dio, os graves erros que cometeram, tudo isso e mais alguns itens sao passiveis de critical. Nada disso, entretanto, diminui a grandiosidade da obra e o fascinio de cada um dos Villas BWas. Como todos os que realizaram uma grande obra, eles erraram muito. O sal- do, entretanto, 6 amplamente superavi- tArio. Garante-lhes um lugar elevado e unico na hist6ria brasileira. Foram os bandeirantes redivivos e redimidos, numa versao a favor dos indios e nio contra eles, na intend o e na prAtica, ainda quan- do a conta de chegar n~o tenha indicado um saldo compensador para os indios. Bastava estar ao lado de um dos Vi- las-B6as para sentir a forca e o magne- tismo caracteristicos dos tipos hist6ricos, daqueles que se tornam hist6ricos ainda em vida, conscientes desse privil6gio, sem se deixarem imobilizar numa estAtua de came e osso. Se fossem ingleses, os Vi- llas B8as seriam her6is nacionais. A di- mensao mundial de sua importdncia ex- plica terem recebido mais honrarias fora de seu pais, para alguns um trago de exo- tismo cosmopolita. Na verdade, esse re- conhecimento intemacional express a exata percepaio de que eles se situavam no nivel de exploradores como o brithni- co Sir Richard Burton (nio 6 o ator que foi marido de Elizabeth Taylor, esclare- ca-se). A Marcha para o Oeste, livro que reconstitui a epop6ia da expedigao Ron- cador-Xingu, publicado em 1994 pela Editora Globo, 6 um relate t~o apaixo- nante quanto o de Burton. Deveria ser leitura obrigat6ria nas escolas, apesar de (ou sobretudo por) suas 600 paginas (ler, ainda na escola primaria, Os Sete Pila- res da Sabedoria, de T. E. Lawrence, mais volumoso do que o livro dos Villas- B6as, foi um present dos c6us para ati- car meu interesse pela geografia e as aventuras, que nunca poderei pagar). Orlando e ClAudio contam causess" inacreditAveis, escrevem fluentemente (nao 6 identificado um ghost-writer) e registram um moment decisive da for- ma io do pais, com honestidade sufici- ente para fomecer informaqnes aos que critical os resultados da expedicao da qual participaram. Pode-se especular sobre o que seria essa parte do territ6rio national, justa- mente o centro geografico brasileiro (al- guns dizem ser o corag~o, outros o rite- ro, conforme o paralelismo mitol6gico que tragam), mas o que os Villas B8as reali- zaram 6 notavel. Entre outras faganhas que Orlando sempre relata cor embe- vecimento estAo os mil quil6metros de picadas que abriram a muque, vencendo diversos tipos de solos e vegetagbes, cri- ando uma intimidade rara com a terra devassada (mas nao exatamente conquis- tada: o que se seguiu escapou ao contro- le dos irmaos e contrariou suas expecta- tivas; com algum exagero, pode-se dizer que a obra realizada virou feitigo, ferin- do o silEncio amargurado e depressive de ClAudio). ClAudio e Orlando se aposentaram em 1978, mas continuaram ligados a Funai, dela recebendo uma renda. As novas ge- raqces foram cultivando em relagdo a dupla um misto de desconfianga e nega- 0ao, sentiment disfargado de ficiao que Antonio Callado colocou na pele de um personagem de Quarup, romance (ou- tro exigindo inclusao obrigat6ria no cur- riculo escolar) que ter no Parque Naci- onal do Xingu, a maior das realiza69es dos Villas-B6as, um dos seus cenarios (ou estagdo, para usar a martirizadora image biblica). Chico Fontoura (na verdade, Francis- co Meirelles, outro grande sertanista) se irrita com o legalismo dos Vilaverde (na verdade, Villas B6as) e delira com um fim mais nobre para os guerreiros indi- genas: descer no Rio de Janeiro, entio capital federal, e flechar todo mundo, at6 o iltimo guerreiro ser morto, mas numa guerra, nao esvaindo-se em fezes e san- gue pelo ataque de uma virose civilizada. Criar um escindalo para denunciar um genocidio lento e formalmente nao ca- A epopeia do sertao dos irmaos Villas-Boas JOURNAL PESSOAL 22 QUINZENA DE MAIO /1998 5 racterizado, e que por isso incomo- da pouco os algozes civilizados, mas efetivo. O tempo se encarregou de mos- trar que os Villas B6as foram su- cedidos pelas predat6rias frentes de expansio da economic na- cional (de que 6 exemplo Nova Floresta, em Mato Gros- mas rn a s sem eles teria sido muito pior, nem haveria muitas hist6rias para contar e testemunhos vivos para conti- nuar a fazd-la, ainda que cor limitaqoes, nas dreas indigenas. Empenhados e ho- nestos na realizagio de suas id6ias, a eles cabe o mais autEntico relato sobre os 55 anos de hist6ria que viveram desde que se incorporaram 6 expedigio que iria ao centro do Brasil. Orlando tem afastado as cobrangas da consciencia com seu modo exuberante de viver, alegre e generoso. Quando o cumprimentei, um pouco antes do langa- mento do livro sobre os Panari (ver Jor- nal Pessoal 185), em Sdo Paulo, ndo me reconheceu. No moment em que en- cerrei minha breve intervened na sole- nidade, ele fez questao de pegar o mi- crofone de volta e dizer para a plateia que "agora, sim, estou me lembran- do de vocF". Em seguida me abracou especialistas, de antrop6logos ajornalis- com aquela efusdo bem caracteristica tas, nio saldaram essa enorme divida. dele. Era muito desprendimento da parte Infelizmente, o mais apaixonante dos ir- de algu6m tao important para com o jo- mios, Claudio, ja morreu. vem e obscurojornalista que cor ele con- Espero que alguem mais intimo, com versou entire 1969 e 1974, conversas vi- vissimas contrastando com o cenario da recem-inaugurada Praga Roosevelt, com seu pombal de concrete armado, diante do apartamento. Naquela 6poca eu me perguntava por que nao se fazia um filme ou nao se es- crevia um livro mais denso do que as bre- ves e superficiais biografias sobre os Vi- llas B6as. O tempo passou e os diversos acesso a seus preciosos diarios e anota- c9es, consiga transformar esse material bruto num livro a altura do personagem. E que o primeiro documentario cinematogrA- fico tenha a qualidade necessAria para dar a Orlando, o iltimo, nio dos moicanos, mas dos txukarramie, ou suya, oujuruna, o re- conhecimento a que ele e seus irmaos fi- zeram jus. Um agradecimento do tamanho do Brasil que tio bem amaram. * Fale. leitor O Jornal Pessoal completou tres anos com o mesmo prego. Para atu- alizar-se pela inflaggo,jA deveria cus- tar 2,50 reais. Um amigo sugere R$ 3. O prego de capa, por6m, sera man- tido. Por quanto tempo, nao sei. Pra- ticamente toda a imprensa vem sus- tentando seus pregos de venda avul- sa desde a estabilizacgo da moeda. Hoje, um jomal brasileiro acompa- nha os valores da imprensa interna- cional, embora diversos grandes jor- nais de outros paises ainda estejam mais baratos do que os nossos. A equa2io de sucesso no mundo do jornalismo impresso busca um prego de custo para o exemplar uni- tirio, suficiente apenas para cobrir o custo industrial. Dentro desse li- mite, torna-se possivel alargar o uni- verso de leitores. Com mais jomais (ou revistas) vendidos, melhor sera a cotagIo da publicagAo na progra- maaio das agencias de publicidade. Quando o veiculo concorre num mer- cado segmentado (e principalmente quando o segment 6 de alto poder de compra), a credibilidade que al- canca cria uma relagio direta com o faturamento, deslocando para segun- do piano a tiragem. Isso explica o triunfo de publica 6es de tiragem restrita, mas de notoriedade, como New Yorker ou New York Review of Books. Em todos os casos, a receita de publicidade 6, no minimo, tres vezes superior A da venda avulsa. E ela que responded pelos custos indiretos de produqAo da publicacgo, administra- tivos e financeiros, e pelo lucro. A proporgao de jomais e revistas so- brevivendo apenas da vendagem de seus exemplares junto ao p6blico e cada vez menor; no Brasil, insignifi- cante. Os que se mantAm passam a ter circula~lo dirigida, apenas entire assinantes, a um prego bem mais alto do que o deste JP (aldm de contarem - no chamado Primeiro Mundo - com funds nao-reversiveis). t por isso que o mesmo amigo garante a possibilidade de o leitor suportar os R$ 3 que se viesse a cobrar pelo Jor- nal Pessoal. Chegar a esse valor, entretanto, significaria excluir mais leitores do aceso ao journal. Seu prego ja o torna uma publicaaio de elite (sem que a elite assuma para valer, no piano moral e dtico, o papel corresponden- te is imposi96es da sua renda). E um valor relativamente alto para o for- mato grafico da publicagio, compa- rada aos jornalies. Mas 6 um prego insuficiente para compensar a dire- triz editorial de nao incorporar As suas contas a vital receita de publi- cidade. Como resolver o impasse? Atrav6s de um inico caminho: tra- zendo mais leitores. Um ponto de equilibrio seria al- cangado com uma tiragem de cinco mil exemplares. Essa meta parece ut6pica, passadas duas ddcadas. Em 1975, a tiragem do Bandeira 3 foi de dois mil exemplares, a mesma do JP de hoje (com 20 a 30% de encalhe e cortesias). Pode-se creditar parte desse congelamento a deficiencias empresariais da publicagao, mais do que evidentes. Mas outra parcel diz respeito ao p6blico. Expandir o universe de leitores nao 6 uma tarefa que se impre apenas aos jomalistas: 6 um desafio para toda a sociedade. Ela necessita de mais pes- soas realmente alfabetizadas e de ci- dadaos plenos. Sem uma imprensa in- dependente isso 6 impossivel. Sem pessoas conscientes, continuaremos expostos a uma meteorologia political instavel: a trajet6ria de um nascente sol democrAtico pode ser interrompi- da de sibito por uma borrasca do mais negro autoritarismo. Nenhuma das alternatives con- vencionais, como mecenato (su- postamente iluminista) ou funds p6blicos (sempre dirigidos para os objetivos do concedente de verba), sao saudAveis. A inica soluglo tem que vir do p6blico. O mesmo ami- go que conversou comigo sobre o impasse do JP sugeriu a distribui- 9Ao do journal em escolas. Nesse caso, os leitores com renda maior comprariam vArios exemplares e os fariam chegar a alunos da rede de ensino, acertando com a diregpo ou professors a entrega em sala de aula. Eventualmente a leitura po- deria ser complementada por um debate com os estudantes. Assim, tambdm nao se deixaria a 0 Libe- ral o monop6lio da disseminagdo entire os jovens de um jornalismo de resultados, mercantil, oportu- nista apenas, apesar da presenga do professor Meirevaldo Paiva na comissio de frente. No JP, defender exclusivamente do leitor nao 6 uma frase de efeito. t a verdade absolute. A necessidade de mais leitores chegou ao seu mo- mento critic. Esse 6 um rito de pas- sagem ao qual nao pode faltar os que nos leem. A resposta virA deles. 0 6 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE MAIO /1998 Dois dos mais influentesjornalistas bra- sileiros da atualidade, Arnaldo Jabor e Elio Gaspari, foram apanhados em falta grave. O primeiro foi denunciado. O segundo apontou e corrigiu o erro de moto pr6- prio. Tornados p6blicos os fatos, a vida prosseguiu como se nada tivesse aconte- cido. Nem penitmncia foi exigida. Ojorna- lismo, vitimado nos dois cometimentos, continuou a ser o que 6, o que 6 cada vez mais distant do que deveria ser. O pecado de Jabor foi mortal. Ele pe- gou um artigo que havia escrito em 23 de janeiro de 1996 e republicou-o, como se fora novo, nas mesmas paginas da Folha de S. Paulo, em 21 de abril deste ano, mudando apenas um tergo do texto, que continha 1.018 palavras. Nao foram os editors de Jabor que descobriram a fraude: foi uma professor de hist6ria de Sao Paulo, leitora assidua do jornalista e sua admiradora. Ela des- confiou que o novo texto era o antigo re- fundido porque utilizara em sala de aula o artigo original. Ligou para o ombudsman da Folha, Renata Lo Prete, que verificou e atestou a reprodu9go alterada, um caso in6dito na hist6ria do journal dos Frias. Ningu6m esta proibido de citar-se, mes- mo porque 6 o que mais faz agora o nosso president. Mas todos estgo moral e etica- mente obrigados a alertar o leitor para a auto-citacao, se o pudor autorizar o uso desse perigoso recurso (hA autores de li- vros cuja bibliografia quase se reduz is pr6prias obras). Em nenhum moment Arnaldo Jabor indicou que reutilizava seu pr6prio texto, atualizando-o e adaptando-o. Esse erro re- velaria que ele 6 daqueles profissionais capazes de usar qualquer recurso para pre- encher um espago em branco quando fal- ta tempo ou criatividade. E uma tentaqco para todos os profissionais da imprensa diAria. S6 os jornalistas s6rios resisted a essa tentagAo. Mas este nAo 6 o aspect mais impor- tante, ao contrario do que assinalou o om- budsman, cor o vies estatistico dos bu- rocratas e a pratica taxidermista dos aca- demicos. O principal 6 que observagoes incluidas no primeiro artigo como se ti- vessem sido feitas durante uma caminha- da pela 5a Avenida, em Nova York, passa- ram a ter como sitio a Broadway, em ou- tra circunstincia. E a conversa que o jor- nalista afirmou haver travado com um motorist de taxi em janeiro de 1996 foi colocada na boca de um vendedor de ca- chorro-quente no m6s passado. Esse erro revela que Arnaldo Jabor 6 daqueles jor- nalistas que, quando nao disp6e de fatos, inventa-os. Todo cuidado 6 pouco corn esse tipo de professional. Nao 6 segredo. Arnaldo Jabor tudo tem feito para ser o successor de Paulo Francis - em histrionismo, em suposto cosmopo- litismo, em cultural, em efeitos especiais, em pretense aristocratismo e naquilo que, fora do futebol, .nao tern valor algum: o "chute", acrescido de aspas extra-campo. Mas em tudo Jabor 6 uma reproduqAo de mA qualidade do modelo, que nunca foi exatamente original. Depois da identifica- cAo dessa fraude, quem continuar ouvin- do e lendo Jabor vai se tornar personagem daquele samba que ter como refrAo "me engana que eu gosto". Elio Gaspari nAo 6 feito do mesmo bar- ro, mas o erro que cometeu 6 simplesmente inacreditAvel. Na quarta-feira da semana passada, 6, dia no qual brinda leitores es- palhados por todo o pais cor sua segun- da coluna da semana (a primeira, maior, 6 publicada aos domingos), aqui reproduzi- da em O Liberal, GAspari flagrou o presi- dente Fernando Henrique Cardoso num erro de citag~o. Mais at6 do que erro: frau- dando Maquiavel. Falando tr6s dias antes para destacados integrantes do Interaction Council, reuni- dos no Rio de Janeiro, o president disse a seguinte frase: No moment das reforms, o politico deve ser muito cuidadoso, porque os que melhor vAo se beneficiary com as reforms ainda nIo sabem disso. E os que come- 9am a perder sabem de imediato. Isso 6 Maquiavel. Nao, isso nIo 6 Maquiavel, contraditou Gaspari. O verdadeiro Maquiavel, segun- do o jornalista, disse foi o seguinte: "As ofensas devem se fazer todas de uma vez, a fun de que, tomando-se-lhes menos o gosto, ofendam menos. E os be- neficios precisam ser realizados pouco a pouco, para serem mais bem saboreados". GAspari acusou o president, a quem trata pela sigla onomatopaica FFHH, de fazer citagbes tortuosas e apropriagdes in- d6bitas de pensamento alheio para legiti- mar seus pr6prios atos e intimidar os ad- Maquiaveis, principles e jornalistas versrios: contrariar o ex-soci6logo, em tal circunstfncia, "significa chafurdar na ignorincia, por nao entender o que ele diz e por n2o saber o que Maquiavel escre- veu". Mas ao mimosear tAo ilustre plat6ia com um falso Maquiavel, o president es- taria dando razto ao Machado de Assis que Gaspari foi buscar em reforgo de seu ata- que, corn esta citagao do bruxo do Cosme Velho: "Talvez a ci8ncia economic e fmancei- ra seja isto mesmo, o avesso do que di- zem os discutidores de bonds. Quantas verdades escondidas em frases trocadas! (...) Grande consolaqAo 6 persuadir-se de que os outros sao asnos". Gaspari nem esperou pelo domingo: logo no dia seguinte, quinta-feira, surpreendeu seus leitores com uma retificacao bombbs- tica, nmica nos anais da imprensa brasilei- ra. Admitindo ter sido vitima de uma pes- quisa "profissionalmente inepta", feita por ele mesmo, s6 faltou sintetizar o que viria a seguir cor uma frase: onde se 16 esta errado, leia-se esta certo. "O president nao s6 citou cor felici- dade e correIAo, como dentro do contex- to. Melhor: falando de improvise, repro- duziu cor fidelidade a id6ia exposta pelo fil6sofo", atestou o jornalista. A tal id6ia nao estava contida na citacao de Maquia- vel que GAspari apresentara, mas em ou- tro trecho, por ele nao detectado, que se- ria o seguinte: "Deve-se lembrar que nada hA de mais dificil para se fazer, mais perigoso para se conduzir, do que liderar a construgAo de uma nova ordem de coisas. Isso porque o inovador tem como inimigos aqueles que tiraram proveito das velhas condigces e como defensores timidos aqueles que po- dem tirar proveito da nova ordem. Essa frieza deriva, em parte, do medo dos ad- versbrios, que t6m a lei do seu lado, e em parte da incredulidade dos homes, que nao estao propensos a acreditar logo em coisas novas, at6 que as tenham experi- mentado por bom tempo". Na retificacao, GAspari flagelou-se por ter dado aos leitores "informag9es desqua- lificadas" e por ter sido mal leitor de Ma- quiavel, cometendo uma "asneira, sem qualquer consolagao possivel, visto que tinha todos os meios para preveni-la". Nao content com esse martiriol6gico de cau- sar inveja ao mais sofredor dos masoquis- tas, GAspari proclama: o president, por ser "ur governante que absorve as criti- cas corn elegincia", nao merecia tamanho desrespeito. Hi duas maneiras, nio-excludentes, de ver o epis6dio. Pode-se louvar a coragem e a honestidade do jornalista: colocado di- ante do seu flagrante equivoco (talvez por um colega, talvez pelo pr6prio FFHH), nao hesitou em fazer o mea culpa, batendo no peito (nio tera sido no rosto?) ate com exagerada viol&ncia. A contrigao foi um JOURNAL PESSOAL 2? QUINZENA DE MAIO/ 1998 7 tanto medieval, mas deveria servir de mo- delo para jornalistas afeigoados a desres- peitar fatos, fontes e leitores. Nao 6 o corretivo, entretanto, o que mais impression: 6 a natureza da falha. Gaspa- ri faz seus leitores suspeitarem de jamais ter lido Maquiavel, ou ter ficado numa an- tologia, ou ter pulado entire cita9ges, ou de ser vitima de uma dessas apostilas que fazem os estudantes tomar a parte pelo todo e nunca encarar a totalidade. Realmente, era tio ficil nao ter errado que o desastrado impulso de um experience e consagrado jornalista causa perplexida- de. Nao sendo intimo do bardo florentino, apesar da origem italiana, Gispari ousou dar uma de especialista sendo tao-somente um observador de orelha, coisa comum quan- do o ultimo grito 6 produto da audacia de quem ouviu apenas o galo cantar. E um trago da nossa 6poca e, especifi- camente, da nossa profissAo. Um sem-nui- mero de obras de refernncia, o auxilio com- putadorizado, a inteligencia agil do autor e uma incultura generalizada na plat6ia favo- recem esse tipo de embuste. No caso de Maquiavel, mesmo no Brasil, nem ha moti- vos para primarismo: no inicio da d6cada de 30, com pouco mais de 20 anos, OctA- vio de Faria escreveu um livro pequeno e primoroso (Maquiavel e o Brasil), tragan- do program para um principle (Getulio Vargas) que o atual quer enterrar de vez, detetando o Estado no 6ter privatizante. Basta lembrar como exemplo desse ir- racionalismo que um dos mais notaveis int6rpretes do marxismo, Louis Althus- ser, adotado em todos os curriculos uni- versitirios de esquerda entire as d6cadas de 60 e 70, admitiu em suas mem6rias jamais ter lido Karl Marx. Interpretou in- tdrpretes e sugou fontes secundarias, uma praga que se espraia do mundo aca- demico para a liga jornalistica cor a in- clemencia de um virus tecnol6gico que se alimenta do saber inconsolidado e da cultural postiqa. No seu discurso, pronunciado como se fora uma aula magna, o president nao fez propriamente uma citacAo de Maquiavel. Atribuiu aos seus atos o valor pedag6gico que Maquiavel exigia do politico enquanto reformador social. Mas se o principle vira tirano, a responsabilidade nao 6 do pre- ceptor. Este teve o cuidado de tamb6m alertar os cidadaos sobre a tirania e a li- vrar-se dos tiranos. Ao inv6s de Maquia- vel, aliAs, o president estaria em melhor companhia, na organiza9io da sua repu- blica, se fosse busca-la em S6crates. Quanto a Elio Gispari, se ele pretendeu credenciar-se ainda mais na estima do prin- cipe, nao poderia ter engendrado estrata- gema mais sagaz. Foi tremendamente ma- quiav6lico, para usar a nogqo de maquia- velismo que esti ao alcance dele. * O prefeito do PT, o que 6 ? Infelizmente a carta do economis- ta Marco Antonio Baeta de Moura extraviou-se. So agora, com grande atraso, publico-a. Ei-la, talcomofoi escrita: Li no JP n 179 a matdria de pri- meira pAgina "A maldicao do sal" cujo teor gtrata da relag~o do nosso Pre- feito cor seus comandados e o que se estA fazendo a nivel estratdgico para se ter uma administragao que coloque nossa cidade preparada para um future que gere emprego e renda, e no que concede ao turismo inteli- gente. t eviddente que voce saiu em defesa dos m6dicos do Pronto So- corro e contra o Prefeito, reclaman- do-lhe uma postura mais urbana quando a eles se referisse. Existem moments de urbanidade e outros em que se deve agir energicamente, mas poderia-se achar expresses menos rotundas, o que nao desvirtuaria a classificag o original, pois faltar a planties, faltar com o dever que se reconhece em salvar vidas evidencia- se em ato que poderia dizer "crimi- noso". Existiria uma just denomi- nacao para uma falta desse tipo? Passou-se um ano e no seu en- tender pouca coisa foi feita pela Ad- ministralao Municipal, situa9ao na- tural pelos 51 milhaes de reais de dividas e dos n6s e bombas de efeito retardado, como admits no teu jor- nal. Ressalte-se que um ano 6 muito pouco tempo para se fazer obras de grande envergadura, mas um gover- no que pode trazer resultados para sua populagao nao 6 apenas aquele que faz obras, tambbm 6 o que am- plia a participagao popular, 6 o que toma a iniciativa em projetos nao conservadores, como por exemplo: Orgamento Participativo; Banco do Povo; Bolsa Escola; etc; V8-se que o poder estatal muni- cipal ficou mais pr6ximo das pes- soas, mais aberto A participag~o po- pular, mais auscultador da socie- dade, e isso faz evoluir liderancas e a comunidade fica mais conscien- te de seus deveres e direitos. Te- nho certeza de que essa postura render bons frutos a nossa cida- de. Me pareceu que voc& nao acis- ta nenhuma oportunidade de ver- mos nossa cidade mudar. Muito pelo contrArio, a ansiedade de so- lu~5es (contraditoriamente "A ma- neira hollywoodiana" proposta no trecjho "tinha 6 que resolver o pro- blema") causou-me um desagrado que pareceu torcida do contra. O nosso municipio precisa de lideres honestos, pois os grandes estadistas da nossa terra nao fize- ram-na merecer os loiros das suas renomadas inteligencias estrat6gi- cas, pelo menos para a grande mai- oria da populagao. Beldm encon- tra-se numa posiqAo delicada, to- talmente importadora de seus bens consumiveis e necessita de meca- nismos fomentadores (dinheiro) e capacidade gerencial para mover political que gerem renda e empre- go. As perspectives de long pra- zo deverao basear-se em estudos qualitativos das nossas potenciali- dades e devem ser realizadas a fim de se incentivar nao s6 o turismo, mas outras fontes de recursos na- turais implementadoras do nosso desenvolvimento. Como cidadao comum, acredito que o nosso Prefeito vislumbre nossa cidade num process de cres- cimento corn obras que sejam es- trat6gicas tanto do ponto de vista do saneamento, como no do indus- trial, e no do turismo. Tenho espe- ranga neste horizonte que se agi- ganta. Minha resposta Nao torgo para que o prefeito Edmilson Rodriguesfracasse. Por muitas razaes civicas, dticas ou pessoais esperava justamente o contrdrio. Afinal, ele se elegeu con- tra o desejo de Hdlio Gueiros, seu antecessor E poderiafechar o vai- e-vem da porta municipal as ve- lhas lideranqas political do Para, impedindo o retorno desse entulho de anacronismo que socobrou do geral baratista. Mastanto isso ndo estd acontecendo que Gueiros jd se alvoroqa no rumo do erdrio be- lenense, certo de que no ano 2000 poderd retomar a chave do cofre, gastissima por tanto uso. Ningudm de bom senso espe- raria resultados hollywoodianos de quem veio apds a Familia Guei- ros Ltda. Edmilson ndo se trans- forma em capitao marvel cor o raio do shazam, embora parera convencido de tal poder. Mas um ano e o bastante para imprimir uma marca administrative, higie- nizar os mecanismos de aqro e, quando nada, fazer pequenas e boas obras fertilizadoras. 0 lei- tor s6 consegue se lembrar das peas moldadas na linha de mon- tagem petista. A trade orfamento participativo-banco do povo-bol- sa-escola, segue-se um "etc. bem sugestivo. Em essincia, excluindo as sau- ddiveis excev6es, o governor de Ed- milson tem sido uma administraFio de etcitereas. Hd muita espuma para pouca dgua. Como sua con- trafafdo, o governador Helio Guei- ros, elejd se comunica mais atra- vs da propaganda do quepormeio de um didlogo corajoso e produti- vo, sem o qual sua boa-fe deixard de ser presumida. Quer avaliaF6es conduzidas, mesmo que compradas cor as 30 moedas religiosamente pagas ao grupo Liberal. Os criti- cos jd sdo mantidos a distancia, como personas non gratas, &s quais ate o cumprimento e negado. A in- formagao jjd d sonegada. Transpa- rincia d apenasfigura de retorica para quem s6 parece ter aprendido a ser baladeira. Nao sai em defesa dos mddi- cos, mesmo porque o crime que Ihesfoi imputado nao foiprovado pelo acusador. Crime se caracte- riza e se tipifica. Ndo d cor inci- vilidade e md-educaado. Ndo se mede energia em decibdis, nem seriedade corn cara feia. Sefosse assim, os Gueiros, prolificos nos dois itens, seriam donos atdvicos da verdade. Acostumado dspasseatas epa- lanques, Edmilson parece que li- mitou-se a esse agitprop ao tucu- pi. Sem eles (passeata epalanque), parecepeixefora da dgua. Embo- ra, como o alcaide que o antece- deu, tambem se diga intimo dos textos biblicos, nao hd de querer exigir de seus municipes a f da- queles que, ndo vendo, ainda as- sim acreditam. Receando contra- rid-lo, devo dizer-lhe que ele ndo e um deus para dispor de tanta fd. Precisa dizer para que veio, sem elevar a voz, sem esticar o brago, sem apontar o dedo, sem ordens tonitruantes, proclamadas como se fora um Jeovd sibilante - e nao s6 criando processes su- postamente democrdticos, mas produtos concretes, saindo dos meios para os fins, do discurso para a realidade. E, por Deus do cdu, descendo de uma vezpor to- das do palanque. Nao sendo da torcida do contra, muitopelo con- trario, espero, com muitafd, que o milagre venha. 4 Interesse public No nimero 185 estranhou-se que o 60 termo aditivo ao contrato entire a Seduc e a Vale Refeicao tivesse sido tornado sem efeito um mes depois da sua assinatura. Em correspondencia ao journal, acompanhada da documentaiao comprobat6ria, a secretaria em exercicio da Secretaria de Educacao, Rosineli Guerreiro Salame, explica que, ao fim de cada exercicio financeiro, "todos os Convenios e Contratos que ultrapassem esse exercicio sao, obrigatoriamente, aditados com o objetivo de alteraaio da fonte de recursos. Este fato se deu com, aproximadamente, 40 documents e, por um lapso, o Contrato da Vale Refei~io tamb6m foi aditado para tal fim". Detectada a falha, o extrato imediatamente foi tornado sem efeito. Antes mesmo dessa providencia, entretanto, ja havia sido homologada a tomada de preqos para a contratagao da nova firma fornecedora de tiquete- alimentagao, que 6 a Amazon Cards. Acreditando ter esclarecido devidamente "a falha detectada por V. Sa.", a secretaria em exercicio agradece "a atengio e a oportunidade que nos for dada para aclarar a natureza dos nossos atos, lembrando que o lapso nao ocasionou qualquer esp6cie de transtorno functional e nem, tampouco, prejuizos ao erario pfblico" (na verdade, erario). A atencgo de Rosineli Salame, que mais uma vez presta as devidas informa96es, dd-nos a sensadao de estar lidando com uma administraqao piiblica s6ria e democratic. Renova o empenho desta se9go. Apesar do desinteresse dos leitores e do ditos servidores piiblicos. Escravizagao ainda Ao comemorar, no mes passado, os 150 anos da abo- ligio da escravatura nas co- 18nias francesas de ultramar (que se antecipou em 40 anos a nossa "libertaqgo" assinada pela princess Isa- bel), o Le Monde dedicou suas pdginas aos remanes- centes do trabalho escravo. O Brasil foi escolhido como o modelo dessa forma de ex- ploracio do home expurga- da do horizonte civilizado. O alvo principal do influence journal europeu sao os pedes da Amaz6nia, submetidos, atrav6s dos gatos, a uma su- cessao de agents produti- vos. Nao hi nada, na mat6ria do Le Monde, que a maioria dos jornais brasileiros ji nio tenha publicado. Nao falta informagqo: o que falta as pessoas 6 a capacidade de se indignar e a indignaao descaso da maioria dos desencadear as providnci- as definitivas de corregao. O journal parisiense constatou que quatro em cada cinco processes abertos para apu- rar trabalho escravo sao ar- quivados ou se perdem nos desvaosjudiciais. Tamb6m isso sabemos. Mas 6 constrangedor ver a situacgo a partir de fora: isso nos da a exata percepdao do nosso atraso e da impotdn- cia dos homes de bern para modificar estruturas injustas que perduram ao long do tempo. Alem de terms abo- lido muito tarde a escravidao, nio a expurgamos por intei- ro. E nada indica que o fare- mos tao cedo. Principescamente O deputado federal Rai- mundo Santos, do PFL. seri "castigado" por Brasilia porque votou con- tra o projeto official da reform da pre- videncia social. Isso nao surpreen- Tc de. O que espanta as p e o parlamentar ter mas merecido premios adeu ao long de mais de ha d tr8s anos de man- porti dato do president ~io, Fernando Henrique ta, c Cardoso. Entre m6ri eles, o de transfor- pess mar a Fundacao das r National de Saide, quai, so9obrada da estru- gum tura administrative mo s anterior, em casa hertz da mae Joana, mas fala tao Joana que co- tulo meteu o absurdo da nal P propaganda na lista para telef6nica, denun- encia ciado no numero que passado deste jor- Cass nal (alguem tomara Edyr alguma provid8ncia co. NI a respeito). H( Ah, o principle: tiplic quando acerta, ji 6 pai. tarde. vivio mais Premonig o vida de ca O dono da sigla xoes JB devia jogar nao ma d no bicho, mas numa em t dessas loterias mi- sua lionirias. Ficaria bom. corn o grande pre- Ed mio. Como outros bicheiros, acertou na mosca anteci- pando-se aos parlamentares que estao liberando o jogo e instalando-se escancara- damente, apesar de sua ati- vidade ainda ser contraven- Nco penal. Isto 6 o que se pode cha- mar, com toda propriedade, de formagio de mentalida- de, Q esito e \\eberianisio aqucarado. Ldeus, Edyr )das as cores ideol6gicas, todas )sic6es political, todas as for- de expressao se reuniram no s a Edyr Proenga, que morreu tas semanas. Ele foi locutor es- vo, empresario da comunica- compositor, violonista, cronis- antor, torcedor fanatico, a me- a viva do radio paraense e uma oa que enriqueceu cada uma nilhares de outras pessoas as Sfoi dado o privil6gio de ter al- tipo de contato corn ele, mes- se apenas atrav6s das ondas eanas da PRC-5, "a voz que e canta para a planicie" (subti- que dei ao meu primeiro Jor- 'essoal, mandado de Sao Paulo Bel6m, reconhecendo a influ- da "Aldeia do Radio"). Dizem Sc6lebre homem cordial" de iano Ricardo nao existe, mas ProenCa foi esse ser mitol6gi- ao na literature: na vida real. erdeiro de Edgar ProenCa, mul- ou o patrim6nio deixado pelo Ao despedir-se do nosso con- ,deixou com sua familiar o ben valioso que construiu numa alegre e prolifica: a dignidade irater, irrepreensivel entire pai- e bonomias, que fez dele, aci- .e tudo e congregando a todos rno do seu nome (e, agora, de nem6ria), um grande home lyr nao foi-se. Foi para outra. Record 0 prego de compra da Celpa ningu6m pode dizer, agora, qual sera. Mas inde- pendentemente de como foi o leilao da nossa empresa de energia, o governor Almir Ga- briel ja assinalou um marco no process de privatizagao: foi o que mais adiou a ven- da, sem precisar enfrentar oposigao judicial e resistdn- cia a porta da Bolsa de Va- lores do Rio de Janeiro. Tu- canear e o verbo. Journal Pessoal Editor: Lucio FI6vio Pinto Sede: Rua Aristides Lobb, 871 / CEP: 66 053-020 Fone: 223-1929, 241-7626 e 241-7924(fax). Contato: Try. Benjamin Constant, 845/203 / 66 053-020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert.com.br Editoragio de arte: Luizpe / 241-1859 Il~r~l IIC1IIIIIIF IIICllllll~sll |
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