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Jo] L U 1"ncndo. , rnal Pessoal I F L i I O P I Nr T O Quempaa O 4. 1.fl .UINZENA DEABL. .conta do s a (PAc. 5) 1L-1.-7C.\( ) Jader contra Almir 0 e S6 um lance de bastidores ou um acontecimento imprevistopoderd impedir que a decisdo sobre quem sera opr6ximo governador do Pard seja feita entire Almir Gabriel eJader Barbalbo. 0 atual governadorpassou a frente na pesquisa do Ibope e conta cor aprovagao a sua administracao. Mas enfrentard uma coligagdo liderada por fader e Hflio Gueiros ? iro e o future seguir o roteiro Sdos fatos tragado pelos acontecimentos publicos, o senador Jader Barbalho Sestara como uma pedra no meio do caminho para a reeleicio do governador Almir Gabri- el, uma pedra sem o encanto daquela co- locada no famoso poema com o qual Car- los Drummond de Andrade assinalou as ousadias do modernismo literario no Bra- sil. mas, talvez, cor alguma dose de mis- terio. Por que misterio? Porque o senador, mesmoja tendo declarado para seus prin- cipais interlocutores que sera candidate ao governor do Estado em outubro, ainda nao oficializou essa decisao. O que o esta impedindo de assumir publicamente a opdao? Atribuia-se a pendencia a um lance final que o president Fernando Henrique Cardoso ainda faria para pos- sibilitar a composiao entire um de seus principals aliados no congress national (vital para o PMDB desistir de apresen- tar candidate concorrente contra FHC) e o governador do seu partido, o PSDB, no Para. Quais seriam as peas desse acerto de contas? Aparentemente, muito sim- ples: Jader iria para o minist6rio de Fer- nando Henrique e indicaria nome para um dos cargos pendentes da dispute majoritaria (vice-governador ou sena- dor). O problema e que s6 um ministerio disponivel interessaria ao lider do PMDB, o dos Transportes. Mas o ministry Eli- seu Padilha continuara no cargo, segun- do fontes oficiais a convite do presiden- te da Republica. As mesmas fontes atri- buem ao Palacio do Planalto um "sopro" que teria reavivado na imprensa a asso- ciacao do nome de Jader a corrupmCo, uma maneira de incompatibiliza-la cor o outro posto ao qual o PMDB teria di- reito, o da Justica. Mas se houve essa manobra (o que e pouco crivel), ela foi in6cua. Jader des- carta o ministerio da Justica, que Ihe cus- taria politicamente e renderia pouco po- der efetivo, al6m do que ja ter, para anular a political clientelista do governa- dor, que pode arrasar suas bases eleito- rais. Mas se Jader nao sera ministry, de 03 O JORNALISMO E AS MAFIAS (PAG. 4) 2 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE ABRIL / 1998 que valeu Almir Gabriel assumir publi- camente que havia sugerido a Fernando Henrique o nome do seu ex-quase-futu- ro aliado um mrs antes das atuais cogi- taqes para o minist6rio? Se o senador nunca declarou-se pre- tendente ao cargo, nio obt6-lo nao o afe- ta. Mas e o governador, jejuno at6 agora no preenchimento de qualquer dos pos- tos da administracao federal no Pari (ocupados por Jader e por alguns dos par- tidos aliados do president, exceto o PSDB), tem peso para avalizar minis- tro? Almir, como devem ter percebido os mais atentos, quando e recebido pelo president, tem que ir a resid6ncia ofici- al, nao ao palacio de despachos. E hi muito tempo nao consegue fotografar- se ao lado do seu correligiontrio FHC, que ha muito tamb6m deixou de vir ao Para, mesmo quando passa por sobre o seu territ6rio no rumo de Estados vizi- nhos, como Amazonas e Amapa. Essa distincia, criada pelo massacre de Eldorado de Carajas, sera reavivada pelas duas mortes de dirigentes do Mo- vimento dos Trabalhadores Rurais Sem- Terra, na semana passada. Elas ocor- rem justamente quando o primeiro epi- sodio ira completar dois anos,justifican- do atos publicos de protest, a serem reforcados pela circunstfncia nada fe- liz para o governor de alguns dos mes- mos policiais militares reaparecerem no novo assassinate, livres, soltos e desem- baragados. A tal ponto que nem mesmo official era a missao: faziam um "bico" quando os dois lideres do MST foram liquidados, provavelmente a mando de fazendeiros (e executados por um de- les). Avaliando a conjuntura, o governador acabou desistindo de viajar para Mara- ba, dois dias depois da morte dos dois lavradores. Pode ser que Almir Gabriel se tenha poupado de situaq6es embara- cosas, mas reforrou sua imagem de in- seguranga, de que 6 "frouxo", expres- sao mais pesada que o ex-deputado fe- deral Valdir Ganzer (prestes a deixar a secretaria de economic de Bel6m) teria usado em Parauapebas. O governador pode at6 achar que o caminho para a reeleigio 6 s6 flores. Essa falsa expectativa 6 criada pela mais massive campanha publicitaria pr6-elei- toral ja desencadeada no Para, que per- mitiu a Almir ficar um ponto a frente de Jader Barbalho na ultima pesquisa do Ibope, ainda a ser divulgada. Enquanto o senador peemedebista baixou de 37 para 34% desde a fltima pesquisa (e de 42% na primeira), o governador conti- nuou subindo, indo de 33 para 35% (ap6s ter comegado cor 16%), deixando para tras os outros nomes sondados (Hl6io Gueiros cor 12%, Ademir Andrade comr 9% e Ana Julia com 5%). A maioria dos entrevistados (69%) tamb6m aprova a administracao pessedebista. Esse desempenho nio 6 exatamente uma novidade (ver, a prop6sito, Jor- nal Pessoal no 178). O govemador esta quase falando sozinho, sem oposigio e, sobretudo, sem combat. Fatura tamb6m os beneficios de obras que tanto ele (por ter formado um fundo de reserve) quan- to o governor federal estao realizando neste period estrat6gico, mas tambem de favors especiais desta quadra pr6- eleitoral (como a renegociacao da divi- da estadual) e da circunstincia de poder arrecadar dinheiro extra com a privati- zaqio da Celpa. Mas, se a tendEncia se mantiver, Al- mir Gabriel deve ter chegado proximo do topo, o que significa que, se Jader for mesmo candidate, vencer ja no primeiro turno estara fora de suas possibilidades. Podera chegar em primeiro, dependen- do de algumas variaveis, como a evolu- qao de fatos explosives no sul do Para, a possibilidade de garantir o fornecimento de energia no Oeste do Estado, as obras de ressonancia na capital e a posicao que Fernando Henrique Cardoso assu- mir (ele pr6prio condicionado pelo Piano Real). Jader Barbalho parece ter feito o pos- sivel para nao sair candidate ao governor e, ao mesmo tempo, preservar suas mi- nas de voto no interior. Mas parece bem pr6ximo de sair para a terceira dispute por nao conseguir conciliar as duas con- diq6es. Encontra-se numa situag~o que nao 6 tao desfavoravel quanto a da se- gunda eleic o, mas nao tio c6moda quan- to a da primeira (e em ambas venceu por pequena diferenca de votos, menor na ultima eleicao). A grande novidade agora 6 que o governador pode, pela pri- meira vez, tentar a reeleigio usando a seu favor (e nao de um aliado) a miqui- na official do Estado (tinha que ser sob os tucanos?). Esse 6 um fator de enorme peso em um Estado pobre como o Para, no qual hi mais votos a venda no mercado. Por isso, provavelmente Jader Barbalho vai ter que se aplicar muito mais se quiser bater o record de retornos ao gover- no estadual (igualando-se a Gilberto Mestrinho neste outro lado do pais). Mas ele pode continuar contando com o apoio nao-declarado do president (agora mais explicit) e os favors da alianca corn H61io Gueiros, que na 6l- tima dispute atirava suas bombas do outro lado. E uma dupla perigosa, principalmente para um politico sem carisma como Al- mir e que, em situacges fora do seu con- trole, costuma recuar, como ocorreu em 1992, quando renunciou a candidatura a prefeitura de Bel6m, e na semana pas- sada, quando desistiu de enfrentar a re- ag9o de parte da opiniao p6blica do sul do Para e cumprir compromisso anteci- padamente assumido cor outra parcela dessa mesma sociedade. O governador ter dinheiro, ter reali- zac6es e tem disposicgo para disputar sua reeleig~o, mas tera tutano suficiente para tanto? A agressividade de Valdir Ganzer 6 de quem aposta numa respos- ta negative. Os assessores mais proxi- mos do governador garantem que agora ele ira para a luta, contando cor Jader Barbalho ou para enfrenta-lo. Mas por enquanto, num moment em que todos preferem manter-se num limbo, ainda esta aguardando o senador peemedebis- ta marcar um novo encontro entire am- bos, quando responderia a mao estendi- da pelo governador. Como os (e)leitores ainda devem lem- brar-se, o governador tomou a iniciativa de chamar duas vezes seu ex-aliado para conversarem sobre a possibilidade de um novo acordo. Jader marcou para o ulti- mo dia 16 a data da defini9Co, quando reuniria a bancada estadual do PMDB e decidiria se sairia candidate ou apoiaria Almir. Nesse dia Jader inventou um cha- mado urgente do Palacio do Planalto, foi para Brasilia, de laja voltou duas vezes, mas nio realizou o ato que definiria sua resposta a proposta do governador: a consult as suas "bases eleitorais". Nem se dignou a mandar dizer a Almir quan- do e se voltarao a ver-se. Talvez o governador fique sabendo por terceiros, se nao for pela imprensa, que costume nao ler. O pr6ximo pass para a definiqao da sucessao estadual vira da 16gica dos fa- tos, colocando em confront Almir Ga- briel e Jader Barbalho na dispute pelo governor do Para, ou de algum lance migico do bolso do colete? A unica coi- sa certa pode ser de que os paraenses nao precisarao esperar at6 30 de junho, ultima data estabelecida no calendario eleitoral, como diz o governador, para saber, enfim, quem vai estar na cedula do principal cargo eleitoral a ser escolhi- do entire 4 de outubro e 15 de novembro. A definicgo vira muito antes, quem sabe ja neste m6s. JORNALPESSOAL 1 QUINZENADEABRIL/ 1998 3 A praga do fogo Pode-se escolher o titulo: o maior de- sastre ecol6gico ja consumado na Ama- z6nia, o maior incendio na hist6ria do Brasil ou uma das mais devastadoras quei- madas que ja ocorreram no planet. O fogo que perdura ha mais de tres meses em Roraima pode ter destruido de sete mil a 52 mil quil6metros quadrados, se- gundo as varias estimativas que foram apresentadas ate agora a menor, pelo governor federal (preocupado com a re- percussao international), e a mais exage- rada, pelo governor estadual (de olho nas indenizaq6es aos seus clients eleitorais e econ6micos). Provavelmente a verdade deve estar en- tre esses limits extremes, mas, numa 6poca de informacgo via satellite em tem- po real, a imprecisao da uma ideia do des- preparo da administra9ao public para enfrentar situagbes novas na Amaz6nia, como o incendio que irrompeu em um dos limits extremes e menos conhecidos do pais. As avaliag6es desencontradas, visi- velmente afetadas pelos interesses envol- vidos, tmr um indiscutivel ponto em co- mum: poucas vezes na hist6ria da huma- nidade houve queima tao rdpida e tao ex- tensa de vegetagAo. O record negative esta sendo jogado sobre as costas largas do El Nifio. E cla- ro que o fen6meno climatico, prolongan- do a estiagem e provocando uma excep- cional queda na umidade tipica da regiAo, favoreceu a propagagao do fogo. Mas, ao que parece, nAo o desencadeou em com- bustao espontinea. A hip6tese sobre a qual as autoridades estio trabalhando 6 a do inc6ndio criminoso. Segundo essa hip6tese, lavradores en- dividados teriam posto fogo em suas cul- turas e pastos para nao pagar o que devi- am ou serem ressarcidos pelo seguro. Nao contavam 6 que os fortes ventos, que varrem corn velocidade incomum as pra- darias roraimenses, deixassem o incen- dio fora de control. Se a hip6tese da inten~go criminosa ain- da carece de confirmacao, a impericia no trato cor o fogo 6 fora de duvida. Nao s6 por parte dos que o utilizam como ins- trumento de trabalho no campo, mas tam- bem dos que deveriam controlar essa ati- vidade de risco o 6rgaos do governor. Limpar o terreno e prepara-lo para a quei- mada sempre foi uma rotina na agrope- cuaria na Amaz6nia como nas regi6es brasileiras de mais antiga ocupagao. O pro- blema 6 que a paisagem natural amaz6ni- ca vem sendo crescentemente alterada pela a~go humana. Alguns pesquisadores pioneiros tem alertado para o agravamento do potential de fogo nas areas desarrumadas pelo ho- mem. Al6m do esquentamento do solo e ressecamento das drenagens, um fator de risco sao os restos de floresta deixados ap6s a intervengao do fazendeiro, do co- lono e, em niveis cada vez mais acentua- dos, dos extratores de madeira. Roraima 6 uma das regioes mais ex- postas na Amaz6nia a um grande incen- dio, tanto por causa das caracteristicas geografias de parte do seu territ6rio (cam- pos naturais, savanas, estiagens mais ri- gorosas), como pelo incremento da pre- senca humana, menos orientada por cri- t6rios 16gicos ou racionais de ocupagao do que por um fantasma geopolitico que continue pairando, insepulto, por aquela paragem remota, um sitio que os milita- res consideram sempre ameagado pela indormida cobiga international. Mas o pr6prio governor consider que um "arco de desmatamento" (o novo jar- gao da praga), corn extensao de 2,5 mi- 1hMes de hectares, em pontos de transi- qao do planalto central para a floresta amaz6nica (uma pr6-Amaz6nia em con- tinua expansao, transformando tudo em sertao), tamb6m esta exposto a riscos semelhantes aos de Roraima pela combi- nag o de vegetapao rala, terra arida e de- sarrumagao ambiental. A ameaga, entretanto, 6 ainda mais s6- ria e extensa. Uns poucos pesquisadores ja constataram que alguns lugares aparen- temente "arrumados", cor copas fecha- das e aparente integridade botanica, na verdade estao sendo sutilmente pilhados, sofrendo uma extracdo seletiva, mas igual- mente predat6ria. Essa alteragio, verifi- cavel por excurs6es em terra, mas rara- mente visivel atrav6s de satlite, pode tam- b6m estar criando uma condigao propicia a incendios (sem falar nos prejuizos eco- 16gicos que acarreta a biodiversidade). Sob esse prisma, o dado que langa fu- maga negra sobre o future da floresta ama- z6nica foi apresentado pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz6nia), a mais important instituiuao cientifica na metade ocidental da regiao. Dos 37 mil quil6metros quadrados que o Inpa calcula ja terem sido queimados em Roraima, 1.800 km2 sao de mata virgem. Teoricamente (e conforme sentenciavam os manuais at6 algum tempo atras), areas de hil6ia tipica jamais entrariam em combustao, exceto se fossem devidamente preparadas para tal (o que implicaria em derrubadas pr6vias e uma s6rie de procedimentos). Depois de ter se expandido sobre pas- tagens, areas de cultivo e campos naturals do Norte e do Centro do Estado, o fogo ja estaria lambendo as primeiras florestas na- tivas ao Sul e Oeste de Roraima. A area que o Inpa diz ter sido atingida em apenas tres meses represent quase o dobro da area que as miquinas e os milhares de pe- bes contratados por Daniel Ludwig colo- caram abaixo no Jari, no mais extensive e intensive desmatamento mecanizado que o home ja realizou na Amaz6nia. Isso, ao long de 15 anos. A qual ameaa a Amaz6nia nao estara exposta em future imediato, independente- mente da recorr8ncia do azar de coincidi- rem fen6menos naturais desfavoraveis (como o do El Nifio)? A miquina da admi- nistragao piblica brasileira dificilmente po- dera dar uma resposta nesse curto period de tempo. Nesse campo, como em various outros, precisa da cooperagao interacio- nal. Nao 6 menos claro, tambem, que mui- tos programs internacionais desse tipo nio sio propriamente altruistas, mas a socieda- de brasileira tem que preparar-se para en- frenta-los. Comegando por exp6-los ao co- nhecimento e ao debate public, sem medo da controversial que puderem provocar. Apesar da mitologia manejada pelos eter- nos geopoliticos (hoje cor menos destre- za, ja que ha mais luz gerada pela razao e menos sombras repressoras ou intimidado- ras), o Brasil nao se lembrou de invocar a onipresente doutrina de seguranga national para firmar acordos internacionais que es- tao francamente em curso, sem a garantia de que nao estarao acarretando os perigos que as Forcas Armadas viram em Roraima por trash da participagAo da ONU no com- bate ao incendio. Falou-se em risco de pro- tetorado international, de soberania limita- da, de balcanizagao e outros jarg6es refra- tarios a demonstracio inteligente. A Indon6sia foi assolada por um incen- dio equiparavel e teve que aceitar a partici- pagio international, embora cor a mesma relutincia e a mesma demora do Brasil. Mas o que a deixou exposta a iterfer8ncia ex- terna foi o golpe branco do general Suharto e os efeitos colaterais das aplicae6es espe- culativas de capital. Os grupos anti-incen- dio que a ONU pode mobilizar nao sao da mesma natureza de varios outros, que, mes- mo perigosos, sao recebidos com festas no territ6rio national e nAo precisam contra- riar as leis para saquea-lo, causando-lhes um mal que os geopoliticos, com a aten- cio concentrada no boi de piranha, slo in- capazes de perceber ou nao querem a manada que passa ao largo. O incendio que continue a lavrar em Ro- raima 6 grande demais, forte demais, in- candescente demais para que o Brasil con- tinue a ver fantasmas ao meio-dia. 0 4 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE ABRIL / 1998 Ha lugar para jornalismo num mercado de mafias? Dois fatos registraram, na semana passada, a expectativa da opiniao piblica em relaCqo a uma maior pluralidade da imprensa local. A Gazeta Mercantil lanqou no dia 23 a sua edi- Cao paraense diaria, que circula desde segun- da-feirajunto cor a ediqio national. Sao seis paginas em condiq6es de fornecer ao leitor umn noticiario mais isento, sobretudo nos stores de financas. economic e neg6cios, mas tam- bem de political. Ja A Provincia do Pari con- seguiu colocar nas nias, no dia 25, una ediio de 70 paginas para comemorar seus 122 anos de vida, das quais 32 paginas extras, adiciona- das ao tamanho normal dojomal em funCto da data festival, cor os anincios comemorativos de praxe. um feito para period de vacas ma- gras. Da edicio local da Gazeta espera-se que, seguindo o padrao da publicacio. nMo condi- cione o noticiirio As conveni8ncias comerciais ou political. No caso paraense. nZo deixa de ser um m6rito a conferir no future diante da macica publicidade official que recheou os pri- meiros numeros, garantindo-lhes a sustenta- c~o publicitria. Talvez a primeira semana da edico paraense tenha deixado uma impressio de oficialismo que ojornal podera desfazer no future, quando o tom inaugural tiver que ser substituido pela cobertura rotineira. Depois que a grande imprensa national se dissociou de una cobertura mais comprometi- da com os temas ainaz6nicos, mesmo cor a ret6rica em contrArio, a iniciativa da Gazeta deve ser recebida cor todo o entusiasmo. Se nMo der errado, ou, se para dar certo, precisar recor- rer aos mesmos m6todos mercadol6gicos da praga. ojornalismo s6 tera perdido. Se for bern sucedida, todos ganharemos. Provincia do Par6 ter conseguido pro- duzir, em margo, uma edico de aniversario com- paravel a de 0 Liberal em novembro, apesar da distdncia que separa os doisjorais no mer- cado, tambdm e umavit6ria da opiniao pfiblica. Principalmente agora que o antigo journal de Antonio Lemos vive tunafase de enonnes difi- culdades e incertezas. Nio apenas na empresa, alias: tambem na cabeqa dos seus leitores. Quando Gengis Freire substituiu. 15 meses atras. os Diarios Associados no comando da quartafase da hist6ria dojornal, todos se per- guntavam sobre quem estaria atras do dono da Cejup e do Graficentro. Falou-se muito no ex-prefeito Hdlio Gueiros. Tudo o que se disse a respeito, entretanto, nio passava de especu- laco. Gengis estava s6 na empreitada. Tinha capital suficiente para isso? Nern pre- cisava: Paulo Cabral, em nome do condominio formado por Assis Chateaubriand para gerir seu imperio (hoje minguado). passaria em fren- te ojornal e a radio ao primeiro que assunisse o passive das empresas, avaliado entire cinco e sete milh6es de reals, a maior parte formado por dividas junto ao governor. Gengis n5o teria precisado de nada mais do que 500 mil ou um milhao de reais cash. Consultado sobre a transaqHo, o advogado Santana Pereira desaconselhou-a. Com acom- pra, Gengis ganharia "apenas um nome secu- lar", garante o advogado, especialista na co- branga de ddbitos, em artigo publicado na edi- c~o de aniversario. Com bom humor, ele diz que Gengis, ao inves de pagar por A Provin- cia, deveria era receber dos Associados "pela coragem de enfrentar o desaflo". Ao fechar o acerto com Cabral em Brasilia (surpreendendo os Maiorana, que em Bel6m reagiram imediatamente atrav6s de uma nota furiosa na coluna Rep6rter 70, acusando o novo concorrente de ser caloteiro), Gengis "mante- ve o mesmo inconseqiiente ideal dojovem con- tista que conheci na redaq~ o de A Provincia do Para", escreveu o advogado. Se Santana Pereira mant6m suas incurs6es artisticas, es- crevendo livros e compondo muisicas, Gengis ter, hoje. com a cultural apenas a relaao for- mal de membro da Academia Paraense de Le- tras. Suas fontes de poder eram a secretaria do Tribunal de Justiqa do Estado, a editor, a grd- fica e uma rede de livrarias, incapazes de permi- tir a materializaqio dos ideas apontados por seu advogado ou objetivos de outra dimen- sao. Mas, evidentemente, Gengis teria neg6ci- os muito melhores ao seu alcance do que as- sumir mnjomal praticamente inviabilizado por suas dividas. Aos tropeCos, a empresa tern atravessado as dificuldades de custeio (os salaries trm atra- sado), mas seu maior problema sao os debitos acumulados, que foram assumidos mas nio estio sendo honrados, podendo faze-la retor- nar ao agbnico status quo anterior. A opiniao public ter todos os motives para nao desejar tal desfecho, mas ele d ditado pelas condiqces de mercado ou os novos dirigentes do mais antigojomal da Amaz6nia nito tem sido suces- sores melhores do que os Diarios Associados? A Provincia rompeu con a prefeitura petis- ta, um inconveniente para quem precisa de fon- te official para a composiqAo do seu faturamen- to. A prefeitura queixa-se de que Gengis ten- tou forgar recebimento de contas, fazendo con- fundir as de A Provincia cor as da Cejup, anuincios no journal embaralhados corn a conta da imprensa official do municipio. Os mdtodos de cobranca do mais recent boss sao ja conhecidos na praga, mas tam- b6m avulta a diferenCa de tratamento que a PMB dA a A Provincia em relacqo a 0 Libe- ral, quando, para garantir a pluralidade e pensar em democracia, os petistas deveriam usar a isonomia ou mesmo tratar desigual- mente os desiguais (ao inv6s de torar mais iguais os poderosos). Sem enfrentar o dono de uma fatia tao vas- ta do mercado que o torna virtual monopo- lista, A Provincia tem buscado caminhos tan- genciais (nMo a melhor alternative, 6 claro), que, se usados corretamente, poderiam abrir- Ihe novas perspectives. Se s6ria. a pesquisa que apontou os lideres empresariais, no mes passado. pode significar a valorizacqo da competencia e o incentive a criatividade dos homes de neg6cio locais, em onda pessi- mista ha tempos. E produto que falta num universe marcado pela picaretagem e o opor- tunismo. Na edic~o de aniversario a empresa langou, cor o apoio de Miro Gomes, um dos dirigen- tes da Cata, uma premiaq~ o joralistica para estudantes que pode tambem tirar o journal do estado de semi-obscuridade a que ficou rele- gado no meio dajuventude. Um suplemento melhor acabado, o Gi-bi, complete essa ofen- siva de future. A Provincia precisa demonstrar, porem. que esta agindo com correqao e compet6ncia quando busca criar seu espaCo e que, se nro se viabilizar, esse resultado tera sido provo- cado pelas regras viciadas impostas ao mer- cado pelo grupo Liberal. Do tratamento des- respeitoso dos Maiorana todos se queixam, mas raros ten a disposiqio de enfrentar aber- ta e concretamente a situacio, como fez Miro Gomes em artigo assinado em A Provincia, preferindo. ao invds disso, acomodar conve- niencias. Cor isso, ojomalismo empresarial tornou-se apenas um instrument do nego- cio mercantil, no qual vende-se tudo, ate mes- mo a opniao. Sintomaticamente, as edic6es da semana de aniversario de A Provincia podem ter abalado um pouco a confianca nesse lerceiro caminho entiree o poder mercantil do grupo Liberal e as vinculaq6es political do Didrio do Pard). A Provincia deu a impressao de ter embarcado na carreata eleitoral do govenmador Alnir Ga- briel, assumindo com a administracao estadual um compromisso que deveria ser finnado corn a opiniao pfblica, talvez para contrabalancar a mA vontade do prefeito Edmilson Rodrigues. que, quando confrontado, parece preferir rea- gir cor todos os mfsculos do corpo, exceto o c6rebro. A Provincia, que ressurgiu para alimnentar a esperanga nun destiny melhor para ojomalis- mo paraense, vai ter que provar, agora, que tudo n5o passou de um sonho de verao, um mau neg6cio que nio chegou a se tomar um bom desafio, para usar os terms do advoga- do, compositor e ficcionista Santana Pereira, porque os terms desse desafio nunca foram claros, nem leais. 0 JORNALPESSOAL 1 QUINZENADEABRIL/ 1998 5 Quem pagara esta conta astronomica? A president do Banco da Amazonia. Flora Valladares, compareceu, no mes pas- sado, ao gabinete do desembargador Ro- mao Amoodo Neto conversar corn os di- rigentes da justica estadual sobre o pro- cesso no qual o Basa foi condenado a pa- gar 81 bilh6es de reais de indenizacao A Sabim Sociedade Anonima Brasileira de Inditstria Madeireira (ver Jornal Pessoal n" 183). A decisao da juiza Ivete Pinhei- ro. da 8a vara civel de Bel6m, foi conside- rada pelo banco tao inusitada que Vallada- res achou necessario informar o presiden- te. o vice-presidente e o corregedor-geral do TJE sobre a demand. Mas nao ado- tou nenhuma provid6ncia formal contra a magistrada, limitando-se a uma queixa ver- bal, que tambem nao prosperous por al- gum dos escaninhos competentes do ju- diciario. Um brocado do meio juridico diz que contra decisao judicial nao se protest: re- corre-se dela. O Basa e a Uniao, que tenta intervir no litigio ou desloca-lo para a ju- risdicao federal, ja usaram o recurso que Ihes competia, o da contestaqao (se bern que. a prevalecer o entendimento da jui- za. o banco se tornou revel por haver per- dido prazo no encadeamento processual). Mas a dimensao assumida pela causa pode restringir-se as manifestac6es nos autos. fluindo ao largo da participaiao da opi- niao public, como se s6 dissesse respei- to aos litigantes? Na contestac5o por escrito, assim como nas entrevistas dadas A imprensa, o Basa sustenta que houve um grosseiro erro de oficio. Mais do que isso: insinua que nao esta havendo imparcialidade na apreciaqCo da questao. sempre com favorecimento A parte contriria (que nunca teria sequer pe- dido indenizaqAo por conta da alegada de- sidia do Basa como sindico da massa fali- da, passando a ter direito a astron6mica soma por haver a juiza decidido al6m do que estava suscitado ou extra petita, como diz o jargao dos advogados). O advogado do banco, Deusdedith Bra- sil, aponta vicios e irregularidades que, em seu entendimento, tornam nulo todo o pro- cesso. Cobra o desaparecimento dos au- tos de uma nota promiss6ria no valor (atu- alizado) de 57 milh6es dc reais, justamente o meio que permitiu o ingresso do Basa na lide. Protesta contra a aplicacAo de uma multa de nada menos do que 800 milhoes de reals aplicada pela juiza, que considerou meramente protelat6rios dois embargos de- clarat6rios apresentados pelo banco e de- cidiu puni-lo por tumultuar o process comn uma pena que equivale a tun m6s inteiro de arrecadaqAo do Estado do Para.. Acusa ainda o cart6rio dojuizo de. atra- v6s de certidao incorreta, haver propicia- do negociac6es realizadas pela Sabim com terceiros no sul do pais, negociando part do cr6dito a que teria direito, quando e se a sentence transitar definitivamente em julgado, o que ainda nao 6 o caso. "A maior evidencia de irregularidade 6 a afirmaqao constant das Escrituras de que o Banco fora condenado, em senten- ca judicial, quando na ocasiao da cessao de cr6ditos e transferencia de direitos (de- zembro/96 e janeiro/97), a sentenca ante- rior estava anulada pelo Supremo Tribu- nal Federal desde 1981 e ainda nao havia sido prolatada nova sentenqa, que s6 veio a ocorrer em 1998", argument a apela- qAo do Basa, observando que na lavratura das escrituras, feita no Parana, a empresa "foi representada por acionistas e nao pelo Sindico da massa (falida)". E claro que o contradit6rio tera que ser desenvolvido estritamente dentro dos au- tos do process, cujo pr6ximo pass sera subir para a segunda instancia de aprecia- gao, o colegiado do Tribunal de Justica. Mas a questao tornou-se grande demais, (por ser de justica, por impericia ou por ma f6, conforme as 6ticas em confron- to), para ser ignorada pelo judiciario, como se dissesse respeito apenas a uma con- tenda, ou pela sociedade. O silencio geral 6 tao acusador quanto o valor astron6mi- co que a demand alcancou. 0 Interesse public Um meio elogio para a Secre- taria da Fazenda do Estado: ela reduziu o prego do contrato de locacao de veiculo cor a Bis, que agora e de 23 mil reals. Mas nao esclareceu qual o valor da redu- gco. E se essa reduqao deveu-se a renovacAo da frota, cujo nil- mero de carros tambem nao foi especificado. Para completar a outra metade do elogio inconclu- so. bastaria fornecer o valor do contrato original, apresentar a razao dos seis aditivos anterio- res e dizer em que consiste a re- novaqao da frota. A Sefa tamb6m poderia nos dar o prazer de esclarecer uma duvida: como e que uma empre- sa de vale-refeicio fornece-lhe "bilhetes combustivel". confor- me o contrato 001, publicado no Diario Oficial de 12 de feverei- ro!? Ja a Celpa poderia esclarecer o que 6 abrangido pela "redu- cAo de 25/%" no termo aditivo ao contrato corn a Art Servigos e Tecnologia, publicado no DO de 29 de janeiro. A reduqCo foi no valor do contrato, no prazo ou na prestacao do serving'? E a re- fer8ncia ao 960 termo aditivo en- globa todos os contratos da empresa on refere-se especifica- mente ao aqui citado? A nesma Celpa pergunta-se: CV significa carta-convite. a for- ma de licitagao que parece ser a mais adotada pela empresa? E uma nomenclatura sancionada pelas normas legais ou foi incor- porada para uso interno? O DO de 9 de fevereiro divul- gou contrato de empreitada da Secretaria de Transportes do Estado coin a Construmec Agri- cultura Mecanizada, no valor de mais de 360 mil reais, para obras na PA-150. Mas nao diz qual a forma de contratacao: se concor- rencia, carta-convite ou com dis- pensa de licitaqgo. Da para su- prir essa omissao? O Banco do Estado do Para poderia esclarecer ha quanto tempo vem aditando e quais os motives dos aditamentos ao contrato para a locacqo de equi- pamentos fac-simile com a Mar- cos Marcelino? O iltimo. o 120. foi publicado no DO de 12 de fe- vereiro, no valor mensal de R$ 6,7 mil. O 30 termo aditivo (DO do ul- timo dia 26) assinado entire a Se- cretaria de Planejamento e a pre- feitura de Rondon do ParA, corn recursos do Fundo de Desenvol- vimento do Estado, simplesmen- te mudou todo o contrato origi- nal. Houve acr6scimo de valor, alteracqo do piano de aplicacao e prorrogaqCo do prazo de vigen- cia do contrato, no valor de R$ 32 mil (6 o atual ou o anterior?). Pode, TCE? A ediqio do DO de 25 de fe- vereiro trouxe varios contratos assinados pela Secretaria de Educaqao cor a rede particular de ensino para o Programa AquisiqAo de Vagas. As infor- maaqes trazidas sao insuficien- tes. Os terms aditivos nao es- tao numerados. Nao hA referen- cia. nos aditamentos, a quanti- dade anterior de alunos e ao valor contratado, o que permiti- ria comparar a evoluCao do pro- grama. Certamente tais informa- c6es nao sao legalmente obri- gat6rias. mas representam uma prestacqo de contas a socieda- de. Buscando-a, continuaremos esta secao, mesmo que os leito- res nao apresentem suas ques- toes. nem as autoridades as res- pondam. Ao contrario delas, te- mos compromisso cor o povo. * 6 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENADE ABRIL/ 1998 Imagem e semelhanga O professor Meirevaldo Paiva 6 um pro- fissional de competencia estabelecida na pra- Ca. Conquistou respeito social pelo que fez e pelo que 6. Aposentado, hoje sua principal fungqo pfiblica 6 a de coordenador de edu- cacao e cultural do projeto "O Liberal na Es- cola". Nao deve estar nessa empreitada por oportunismo, fisiologismo ou qualquer for- ma menor de interesse pessoal. Poderia at6 conseguir por essa via um grande destaque nos veiculos do mais poderoso grupo de comunicaqCo do Estado, mas seria gl6ria efe- mera, mesmo que repetida ad nauseam em um livro depois do outro. S6 quem nao tem biografia, nao tendo, por isso, o que perder, se arriscaria em arrivismo desse tipo: servir a um slogan, sem o menor compromisso com o seu contefido. Em tese, a iniciativa de levar a leitura de jornais para a rede piblica de ensino 6 lou- vivel. Ela ajuda a former cidadaos melhor do que simplesmente o ensino conventional. Mas seria esse o caso de O Liberal? Ele 6 bem escrito? Seus erros sao apenas circuns- tanciais, atingindo o que 6 acess6rio? Quan- do erra, corrige-se de pfiblico (uma das se- q6es mais interessantes da Folha de S. Pau- lo 6 a erramos)? Acolhe a manifestag o dos seus leitores? Faz a cobertura eficiente, ho- nesta e imparcial dos fatos? Espelha realmen- te o que esta acontecendo na sua area de atuaqio? E 6tico? Tem autonomia e indepen- d6ncia? Condiciona o neg6cio mercantil ao compromisso com a opiniio pfiblica? Pode, enfim; servir de pardmetro e exemplo para os jovens que o recebem em suas escolas? Gostaria que esses jovens, sem qualquer tutela, pudessem confrontar O Liberal conm outrojornal local, corn este JP e com publi- caq9es de fora do Estado para avaliar a qua- lidade do produto que Ihes esta sendo leva- do sob o fascinio de uma campanha publici- thria e um nome de respeito, com mal-disfar- cado endosso official, vital para a penetragmo nas escolas pfiblicas. Outro dia, quando chegou aParagominas, o journal abrigou na prestigiada pigina trss, ao lado do Rep6rter 70, uma noticia que ti- nha este lide: "Cinco coldgios de Paragomi- nas (PA) sao os novos parceiros do projeto 'O LIBERAL naEscola', colocando o muni- cipio na lista de interiorizaqco do program. Da area public, a Escola Municipal An6sia da Costa Chaves; Escola Municipal Santo Ant6nio e Escola Estadual Presidente Cas- telo Branco. As duas privadas sao o Col6gio Impacto e a Escola Nova de Paragominas" (grifei). HA segunda inteng~o valorativa na qualificagqo das duas escolas privadas? Tal- vez nao, nem mesmo na "interdisciplinarie- dade" grafada em seguida (no lugar de inter- disciplinaridade). Ja 6 chegado o moment de perguntar ao professor Meirevelado se o journal que ele leva para os jovens estudantes nas salas de aula vai mesmo ajuda-los a escrever melhor, pensar melhor, ter uma visdo critical da reali- dade e se tornarem cidadaos mais conscien- tes e atuantes, capazes de intervir na hist6- ria e faz8-la conforme sua expressao. A per- gunta ajuda a esclarecer se algu6m estA usan- do alguim e quem 6 quem. r Em abril do ano passado participei, como de- batedor, do I SeminArio Internacional de Solidari- edade para GeracAo de Emprego e Renda, promo- vido pela Prefeitura de Bel6m, corn o apoio da Sudam. Havia recepcionistas contratadas, coffee- break, material de divulgaglo e outras mumunhas caracteristicas desse tipo de eventto, quando ele ter dinheiro para montar a sua retaguarda. Nada recebi, embora tenha gastado meu fosfa- to. meu tempo e algum dinheirinho no transport. Tudo pela causa, e o que digo de mim para mim nesses moments (na tal conversa com os bo- t6es). sempre duvidando que a causa valha a pena, ou que a minha causa seja a mesma dos que ao fim e ao cabo, como dizia o Isaac Paes acabam mesmo 6 me explorando. Uma vez fui chamado para fazer a palestra de abertura e orientaaio para equipes de pesquisa- dores e fot6grafos que iriam inventariar a situagao da infancia na Amaz6nia. Cada um dos quatro fotografos mobilizados receberia quatro mil d61a- res (me disse um deles, pouco antes da palestra). Falei de graqa durante algumas horas. Uma moca do Amazonas e outra de Mato Grosso, que compunham o auditorio, reclama- ram: com a minha exposicao (pessimista, diz a amiga Jimena BeltrAo), eu destruira todas as cer- tezas de que elas tinham estado armadas at6 aque- le moment e com as quais haviam chegado para realizar o trabalho, E agora? Expliquei-lhes que, quando me pagam, eu for- nego novas verdades. Quando nao me pagam, apenas destruo velhas e precArias verdades. Foi a maneira que pretend ir6nica de fazer o pro- motor do eventto, ali present em (pouca) came e (muito) espirito, lembrar-se da mAxima de Sta- nislaw Ponte Preta, ditada pela boca da vov6 Zulmira: ou todos nos locupletemos, ou restaure- se a moral. No caso: ou exija-se amor A causa de todos, ou respeite-se o trabalho professional dos outros (mesmo daqueles que, como eu, sao ina- beis em mat6ria de dinheiro, devendo ser punidos por essa falha). Na semana passada, quase um ano depois, re- cebi o certificado official do tal seminArio da PMB. Fui debatedor, mas aparego no papel "colaboran- do no Painel Ag6ncias e Programas de Apoio ao Desenvolvimento Social" (servi caf6? "fiz" a se- guranga? recepcionei os convidados?). Tecnicamente esta errado: estive na mesa e fui um dos que IA mais chiou, se nio me engano o inico sem vinculagdo institutional. Mas moral- mente estA certo: como nao remuneraram o meu trabalho, privando-me de renda (apesar da con- tradig o com os prop6sitos em abstrato do "even- to"), teria que ser mesmo colaboragCo. Mas custava ser exato na certificaiao da mi- nha participa.ao? Ou ha agora veto a esse prosai- co reconhecimento na jurisdigao da PMB do al- caide mau humorado? 0 PM de novo? HA um boato em curso sobre a substi- tuigCo de Joao Marques pelo coronel Raimundo Nonato no Detran. Se acontecer, sera uma involucio. Nem 6 precise entrar no m6rito de cada um dos personagens para ter essa 6bvia conclusao. O Detran ja foi um dos feudos de oficiais da Policia Military na administrag~o pfiblica, uma pritica desencadeada pelo fascinio do tenente-coronel (da reserve do Exercito) Alacid Nunes, mantida por Jader Barbalho e multiplicada por Helio Gueiros. Alacid comegou transformando os oficiais superiores da PM em interventores municipals natos. Era a enviesada visao castrense sobre a capacidade saneadora dos militares na corrompida seara dos civis. Se isso era verdade, ela desapareceu quando uma elevada fungao political ou administrative passou a ser extensao natural da carreira military, independent de seus m6ritos especificos (o exemplo mais gritante foi a indicaqao do obscure general Garrastazu M6dici para a presid6ncia da Repiiblica). Os bons militares nem sempre se sairam bem no desempenho de tarefas para as quais nao foram adestrados nos centros de formaqio. E os maus militares tiveram campo liberado para realizar interesses subalternos. O resultado disso 6 que formou-se uma casta de oficiais da PM A distAncia dos quart6is e ao lado dos principals bastidores do poder, militares cuja maestria operacional se circunscrevia as ardilosidades do jogo politico e da busca de rendimentos. Uma geragco foi para a reserve com um inusitado acfimulo desses dois componen- tes afrodisiacos: poder e dinheiro. Crescen- do as demands por rancho, fardamento, diarias da tropa, verbas de custeio e outros itens pesados do orgamento, nao surpreen- de que o patrim6nio desses curingas do poder civil tenha crescido tanto despro- porcionalmente em relaqio aos seus colegas das Forqas Armadas, alias. Embora a estrutura do poder pfiblico voltada para o transito esteja desequili- brada nesse pdssimo trip formado por um Detran rico (porque especializado em arrecadacao), um Bptran sujeito a corrup- qio pelo contrast entire os salArios dos guards e os cheques em aberto das multas, e uma Ctbel afogada em seus pr6prios problems (e isolada pela idiossincrasia crescente entire as adminis- traq6es estadual e municipal em Beldm), devolver o Detran a um official da PM 6 um erro crasso. Ainda mais porque praticado por um governor que tem oscilado pendu- larmente entire exagerar na puniqao indistinta A corporaqio e obsequia-la irrefletidamente, corn favorecimento restrito, nem reprimindo seusterros, muito menos premiando eventuais acertos. Ou seja: um modo tipico de gestao tucana. * Suor alheio .JORNALPESSOAL 1 QUINZENADEABRIL / 1998 7 Vivendo entire livros: uma vida multiplicada dos bairros mais feios, .j mais in6spitos e mais violentos de Sdo Paulo. Uma via expres- v is. de 6nibus cortando o espinhaco central do bairro o desfigurou, dando-lhe a feicqo arida das paisagens fer- roviarias. Mas saindo-se dessa art6ria po- luida, pode-se chegar a lugares isolados, arborizados, agradaveis (embora cada vez mais inseguros, requerendo protecao paga). Num desses oasis afluentes esta instala- da uma das mais preciosas bibliotecas parti- culares do mundo. Quem a alcanCa, ap6s veneer a loucura do trinsito, 6 um privilegi- ado. dentre os quais me incluo, gracas A in- terveniencia de Betty, uma das filhas de Josd Mindlin (autora de dois belissimos livros so- bre os indios Surui, de Rond6nia). t ele o dono dessa maravilhosa biblioteca, cuja his- toria e anatomia traqou em Umna vida entire livros (Edusp/Companhia das Letras, 231 paginas, 1997). O livro era esperado ha muito tempo pe- los amigos de Mindlin e bibli6filos em ge- ral. Autorizadas e morando em Sao Paulo, algumas pessoas tornaram-se ainda mais privilegiadas pelo poder de usar e consul- tar sistematicamente a biblioteca, uma for- tuna para o conhecimento e uma alegria para todos os sentidos dos amantes dos livros. Mas a maioria teve corn ela um contato muito rapido, que provocou paix6es, semr realizA-las. Eu pr6prio, que tive pouco tem- po. prefer nao ficar mais para nao desper- tar a cobica fugidia. Fui premiado, alias, corn uma edicao original de Os Franceses no Pard. de Henri Coudreau, duplicate saca- da do acervo e presenteada corn despren- dimento encantador. Todos, portanto, esperavamos por este livro, que, enfim, Jose Mindlin escreveu. E uma preciosidade. Deve ser guardado corn carinho para ser relido. E, quando nao reli- do. visto tantas vezes quantas exigir o appetite bibli6filo. Nao 6, pordm, o melhor li- vro que a biblioteca de Mindlin poderia ren- der. Apesar do empenho e da capacidade da filha Diana. o projeto grafico nao 6 satisfa- toriamente realizado, como convinha a um verdadeiro livro de arte. A tipologia foi mal escolhida, o papel 6 fosco, nao rende em qualidade, as reproduq6es sao deficientes, a diagramacao e boa apenas na capa. A ri- queza do material primirio recomendava a produqco de um album para que a obra pas- sasse a ser de refernncia, como lhe convi- nha ser. O maior problema., entretanto, esta no contefdo. As reminisc8ncias de Mindlin de- veriam ocupar apenas uma parte do livro. Um editor ou um entrevistador ficariam res- ponsaveis pela parcela mais substantial, a ser montada sobre testemunho do dono da biblioteca. A aventura que esta por tras da formacao desse invejAvel acervo foi ape- nas sumarizada por Mindlin. Faltam infor- maq6es capazes de reconstituir a montagem da biblioteca e, sobretudo, uma listagem ex- plicativa de cada uma de suas maiores pre- ciosidades. Se a gargonnihre de Oswald de Andrade rendeu aquele trabalho primoroso da Ex-Libris, just seria esperar muito mais dessa matdria prima incomparavelmente su- perior. Mesmo cor essas visiveis defici8ncias, entretanto, o livro 6 muito util. Mindlin 6 um dos raros membros da mais alta elite brasilei- ra que contribuiu de fato para a cultural do seu pais, sem dela tirar mais do que p6s, como de regra nas fundacqes que brotam como ervas daninhas no terreno dos inves- timentos incentivados (a Fundaqgo Romulo Maiorana esta ai mesmo como exemplo). Ele gastou alguns milh6es de d6lares para reu- nir no Brasil raridades que estavam espalha- das pelo mundo. A facanha do coleciona- dor, em acqo desde os 13 anos, nao pode ser minimizada. Mas ele mostra que um empresirio, como acabou se tornando (depois de ter sido jor- nalista e advogado), no commando de uma das mais respeitadas indilstrias nacionais, a Metal Leve, ao long de 45 anos, nao s6 tern um compromisso social indescartavel (que o levou a criar a Fundagqt Vitae), como pode ele pr6prio ser um agent de cultural. Mind- lin leu de quatro a cinco mil livros, various deles relidos atW cinco vezes (como aconte- ceu com a monumental Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, em sete volumes na ediqao brasileira). Leu, portanto, apenas parte dos livros que comprou. Mas leu muito mais do que a es- Smagadora maioria dos membros da elite national, demonstrando que o ato de ler nao exclui o de ganhar dinheiro, uma desculpa esfarrapa- da a que sempre recorrem os empresirios bra- sileiros para justificar sua incultura (As ve- zes camuflada pelo cosmopolitismo viajan- te). Outros ate podem ter lido mais do que Mindlin, mas neles fica bem nitida a distin- cao entire quantidade e qualidade. Montaigne, author do melhor livre-pensar que a humanidade gerou at6 agora, leu mui- to menos do que algumas posudas figures da aristocracia paulistana (a funica plutocra- cia para valer deste Pindorama). Mas hA com- paraqCo possivel? Ler muito 6 bom se signi- fica multiplicar urn prazer que a durac o da vida naturalmente restringe (prazer que mas- tod6nticas bibliografias de acad8micos nao assegura). Mas sem prazer, de que vale ler tanto? Mindlin vai buscar a resposta em Mon- ,- taigne, mais de 400 anos atris: 'Quando encontro dificuldades na leitura, nao me preocu- po demais, pois se insistisse perder-me-ia e o meu tempo; meu espirito 6 de compre- enslo imediata. O que nao entendo a pri- meira vista, entendo menos me obstinan- do. Nao faco nada sem alegria", observou o sabio author dos Ensaios, cuja primeira ediqAo complete, de 1588, esta nas prate- leiras de Mindlin. HA quase 70 anos ele compra livros para regalar-se em contemplA-los, manusea-los, ler uns por inteiro, outros parcialmente, reler os que sao de formacqo, oferec-los aos inte- ressados ou deliciar-se em contemplar-lhes o espanto, permitindo-se ainda editar obras de dificil aceitaqo pelo mercado. Como nao espantar-se encontrando na- quela bela casa, acolhedora e confortAvel, mas discreta, como seu dono, um manuscri- to de 1566, no qual o entAo rei de Portugal, cardeal dom Henrique, determine a equipa- gem de uma expediiao rumo ao Brasil, ou ter nas maos a primeira obra sobre o Amazonas, o relate do padre Cristobal de Acufia, publi- cado em Madrid, em 1641 (ou ElMaraiony Amazonas, dojesuita Manuel Rodriguez, de 1648)? Livros, incunabulos e manuscritos as centenas sao pr6prios de uma rica biblio- teca pfiblica de primeiro mundo, mas estao la na casa de Mindlin, acessiveis aos seus amigos ou aos que conseguirem demons- trar-lhe que fazem parte da confraria dos amantes de livros, que podem estar con- denados ao fim previsto por Ray Bradbury (em Farenheit 451) ou, talvez, alcancem a renascenca, para a qual, cumprindo um papel multissecular de seus antepassados, o muito leal e correto Jos6 Mindlin dA seu exemplo. Assim, a sociedade havera de reconciliar- se com o valor de seus livros, provando o gosto superior do qual este escrito pelo em- presario da apenas uma pequena amostra, o suficiente, por6m, para despertar o desejo pelas outras que ainda poderao vir. 0 Divida A Universidade Federal do Pard bem que podia quitar um ddbito que ficou pendente da cultural brasileira para cor Carlos Alberto Nunes. O centenario do seu nascimento, ocorrido no ano passado, foi uma data completamente ignorada. Ja neste ano complete um quarto de s6culo que sua traduqco da obra complete de PlatAo, a primeira versao integral em portugu6s de uma das maiores realiza- 4ces do espirito humane, comecou a ser publicada pela UFPA. A ediiao nao fezjustica a faganha do medico maranhense, escon- dendo graficamente um trabalho que pode ser nivelado aos melhores produzidos em outras linguas. Uma revisao dessas obras completes ja foi realizada e entregue a direcio da UFPA para que se proceda a uma editoraqio digna. Ter um Platao integral e transposto com fideli- dade do grego classico para a nossa lingua corrente 6 um atestado de civilidade. NAo podemos desperdicar esse patrimbnio, perdendo os direitos sobre a obra, que ficaram com a UFPA pela circunstAncia feliz de Carlos Alberto Nunes ser tio de Benedito Nunes. Se nossa Universidade nao for mais expedida, espera-se ao me- nos que uma instituicao consciente da divida que todos nos temos para com Carlos Alberto tome a si a tarefa de remir o pecado coletivo que cometemos em relacio A atuaqiao dele. Com devoqao iluminista, ele traduziu todo Shakeapeare e, em versos, a Iliada e a Odisscia, de Homero, permitindo-nos chegar ao nirvana da apreciacqo estCtica e da compreensao cognitiva. Repassar esse prazer superior 6 o minimo que se pode cobrar come retribui~go. A n6s cabe harmonizar a apresentacao grAfica e editorial das obras completes de Platao ao significado do seu con- teido. E quase nada para uma instituicAo que, a despeito de todas as suas dificuldades, costuma publicar tanta tolice enfeitada por ador- nos que faltaram A edicqo plat6nica, nesta nunca deixando de ser apenas adorno. Efici ncia Em entrevis a OLhberal. Caetana Ferreira. president do Sindicalo dos Jornahstas do Par. declara nao ler pro- blema nenhum" corn as em- presas de comumcaio do Estado Como ndo for o que me disse numa conversa in- formal que tivemos na sede do sndicato. fico feliz por sa- ber que aqueles problemias foram resolvidos tio rapida- mente Padrao Sudam A Cia. Agro-Pecuaria e In- dustrial MaringA-Capim 6 um dos mais antigos projetos agropecuarios aprovados pela Sudam. que mant6m-se ainda em atividade. O ultimo balan- co da empresa, o de 1996, di- vulgado em fevereiro, mostra que ela teve um faturamento operacional bruto de 133 mil reais para umna receita nao ope- racional de quase 1,5 milhao de reais. Trata-se de uma compa- nhia de bois ou de papCis? Nao se pode elogiar Ja que a prefeitura anuncia uma blitz contra os prCdios que estao sendo construidos ou reformados sem dispor do habite-se munici- pal, sugiro incluir na lista a nova farmacia Big-Ben da rua Santo Antbnio, ao lado da loja Paris N'Am6rica. Quando a obra comegou, atW fiquei esperancosamente feliz. Parecia que o pr6dio seria adequa- damente restaurado, fugindo ao padrAo de mau gosto da rede. Mas a boa reconstituiqao de fachada nao prosseguiu no interior do velho prddio commercial, maltratado pelos antigos donos. O telha- do foi substituido por uma estrutura metilica em policarbonato trans- licido, uma agressAo As caracteristicas da edificaqio. Tubos metAli- cos amarelo-berrante agridem a paisagem para levar o ar condiciona- do. Para arrematar, um toldo de plastico da mesma cor amarela com- promete a restauraqao, agredida pelo amrelo, escandalo caracteristi- co da empresa. Assim, o que parecia uma saudivel excecio no arra- sado com6rcio acabou se transformando num supermercado de re- m6dios desconexo, o que esta la dentro e no alto nada tendo a ver cor as laterals. Sera que esse cometimento sera liberado pela PMB exatamente quando se tenta salvar o velho centro commercial de BelCm? Resposta de quem de direito. In6rcia A editor Record comprou uma pAgina inteira dejornal para anunciar o lancamento da obra complete de N61ida Pifion. SAo 10 volumes de romances e contos, que o distinto leitor podera adquirir pela m6dica soma de 200 reais, aproveitando a enxurrada que a circunstancia de a autora ocupar a presidencia da vetusta Academia Brasileira de Letras (a primeira mulher nesse cargo em toda a hist6ria da casa de Machado de Assis) propiciou. No material publicitArio de sustentaqao, a Record citou trecho de uma critical da Publishers Weekly. 0 critic americano elogiou a "dimensao amaz6nica da imaginacAo" da escritora- acaddmica. E provAvel que ele nunca tenha vindo A regiao, mas seu imaginArio (como dizem os critics) foi tocado pela grandiosidade amaz6nica, mesmo sem o governor deste pais e dos Estados amaz6nicos ter feito coisa alguma para influenciar pessoas d'alem- mar. O que nlo se poderia fazer na Amaz6nia se aqui as coisas, como o turismo, fossem levadas a sCrio. CorreCao As chamadas de primeira pi- gina da edicqo anterior sairam corn a numeraqgo da ediiao pre- cedente por uma falha compu- tacional. Da mesma maneira, destaques no texto desaparece- ram durante a conversao de um program para outro, fenbmeno tecnol6gico que trocou algumas letras. PerdAo, leitores, Como casti- go, nosso computador foi obri- gado a memorizar uma ediqgo inteira de 0 Liberal. Materia prima O descompromisso do gru- po Liberal com a verdade nio ter mais limits. A TV Liberal esta divulgando um anincio para comemorar o recebimen- to do Grande PrCmio Ayrton Senna de Jornalismo na cate- goria Televisao. A reportagem premiada foi sobre uma crian- Ca que vende carvio em Para- gominas. A participacAo da Liberal consistiu em oferecer o cAmera e a produgAo. A pau- ta e o reporter. Marcelo Cane- lHas, vieram da TV Globo, como ter acontecido em quase to- dos os grandes assuntos e naquelas mat6rias criadas so- bre temas mal aproveitados localmente. Nao C que falte capacidade A equipe da TV Liberal. Falta- Ihe apoio e estrutura. A dire- cAo da empresa, como ja e tra- diiao na casa, s6 pensa em equipamentos, quando os dis- poniveis se tornam inserviveis ou quando a corporacAo do doutor Roberto Marinho co- bra (como aconteceu na digi- talizaqAo da imagem, depois de tr6s anos de pressao do Rio de Janeiro, enquanto outras emissoras afiliadas passavam A frente). Comemorar a premiaqAo, nesses terms, 6 reconhecer que falta a TV Liberal o que 6 a essencia do jornalismo: in- teligencia. Mulheres As mulheres ainda ocupam apenas 15% das cadeiras da CA- mara Municipal de Bel6m, mas nesta legislature bateram o recor- de de todos os tempos, o dobro da legislature anterior (quatro agora contra duas vereadoras antes). Desde a 11a legislature (ha tres legislatures, portanto), ha mulheres na vereanqa da ca- pital, ap6s umjejum de 13 anos. Parece que chegaram de vez. Nao era sem tempo. Talvez s6 nio estejam numa boa safra political. Joral Pessoal Editor: Lucio FlBvio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 053-020 Fone: 223-1929, 241-7626 e 241-7924(fax) Contato: Try. Benjamin Constant, 845/203 1 66 063-020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert.com.br EditoragAo de arte: Luizp6 / 241-1859 |
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