<%BANNER%>
Jornal pessoal
ALL VOLUMES CITATION THUMBNAILS PAGE IMAGE ZOOMABLE
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00133
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00133

Full Text





Jo]
L U


1"ncndo. ,

rnal Pessoal
I F L i I O P I Nr T O Quempaa O
4. 1.fl .UINZENA DEABL. .conta do s a
(PAc. 5)
1L-1.-7C.\( )


Jader contra Almir
0 e


S6 um lance de bastidores ou um
acontecimento imprevistopoderd impedir que
a decisdo sobre quem sera opr6ximo
governador do Pard seja feita entire
Almir Gabriel eJader
Barbalbo. 0 atual
governadorpassou a
frente na pesquisa do
Ibope e conta cor
aprovagao a sua
administracao.
Mas enfrentard
uma coligagdo
liderada por
fader e Hflio
Gueiros ? iro


e o future seguir o roteiro
Sdos fatos tragado pelos
acontecimentos publicos,
o senador Jader Barbalho
Sestara como uma pedra
no meio do caminho para
a reeleicio do governador Almir Gabri-
el, uma pedra sem o encanto daquela co-
locada no famoso poema com o qual Car-
los Drummond de Andrade assinalou as
ousadias do modernismo literario no Bra-
sil. mas, talvez, cor alguma dose de mis-
terio.
Por que misterio? Porque o senador,
mesmoja tendo declarado para seus prin-
cipais interlocutores que sera candidate
ao governor do Estado em outubro, ainda
nao oficializou essa decisao. O que o esta


impedindo de assumir publicamente a
opdao? Atribuia-se a pendencia a um
lance final que o president Fernando
Henrique Cardoso ainda faria para pos-
sibilitar a composiao entire um de seus
principals aliados no congress national
(vital para o PMDB desistir de apresen-
tar candidate concorrente contra FHC)
e o governador do seu partido, o PSDB,
no Para.
Quais seriam as peas desse acerto
de contas? Aparentemente, muito sim-
ples: Jader iria para o minist6rio de Fer-
nando Henrique e indicaria nome para
um dos cargos pendentes da dispute
majoritaria (vice-governador ou sena-
dor). O problema e que s6 um ministerio
disponivel interessaria ao lider do PMDB,


o dos Transportes. Mas o ministry Eli-
seu Padilha continuara no cargo, segun-
do fontes oficiais a convite do presiden-
te da Republica. As mesmas fontes atri-
buem ao Palacio do Planalto um "sopro"
que teria reavivado na imprensa a asso-
ciacao do nome de Jader a corrupmCo,
uma maneira de incompatibiliza-la cor
o outro posto ao qual o PMDB teria di-
reito, o da Justica.
Mas se houve essa manobra (o que e
pouco crivel), ela foi in6cua. Jader des-
carta o ministerio da Justica, que Ihe cus-
taria politicamente e renderia pouco po-
der efetivo, al6m do que ja ter, para
anular a political clientelista do governa-
dor, que pode arrasar suas bases eleito-
rais. Mas se Jader nao sera ministry, de


03 O JORNALISMO E AS MAFIAS (PAG. 4)







2 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE ABRIL / 1998


que valeu Almir Gabriel assumir publi-
camente que havia sugerido a Fernando
Henrique o nome do seu ex-quase-futu-
ro aliado um mrs antes das atuais cogi-
taqes para o minist6rio?
Se o senador nunca declarou-se pre-
tendente ao cargo, nio obt6-lo nao o afe-
ta. Mas e o governador, jejuno at6 agora
no preenchimento de qualquer dos pos-
tos da administracao federal no Pari
(ocupados por Jader e por alguns dos par-
tidos aliados do president, exceto o
PSDB), tem peso para avalizar minis-
tro? Almir, como devem ter percebido
os mais atentos, quando e recebido pelo
president, tem que ir a resid6ncia ofici-
al, nao ao palacio de despachos. E hi
muito tempo nao consegue fotografar-
se ao lado do seu correligiontrio FHC,
que ha muito tamb6m deixou de vir ao
Para, mesmo quando passa por sobre o
seu territ6rio no rumo de Estados vizi-
nhos, como Amazonas e Amapa.
Essa distincia, criada pelo massacre
de Eldorado de Carajas, sera reavivada
pelas duas mortes de dirigentes do Mo-
vimento dos Trabalhadores Rurais Sem-
Terra, na semana passada. Elas ocor-
rem justamente quando o primeiro epi-
sodio ira completar dois anos,justifican-
do atos publicos de protest, a serem
reforcados pela circunstfncia nada fe-
liz para o governor de alguns dos mes-
mos policiais militares reaparecerem no
novo assassinate, livres, soltos e desem-
baragados. A tal ponto que nem mesmo
official era a missao: faziam um "bico"
quando os dois lideres do MST foram
liquidados, provavelmente a mando de
fazendeiros (e executados por um de-
les).
Avaliando a conjuntura, o governador
acabou desistindo de viajar para Mara-
ba, dois dias depois da morte dos dois
lavradores. Pode ser que Almir Gabriel
se tenha poupado de situaq6es embara-
cosas, mas reforrou sua imagem de in-
seguranga, de que 6 "frouxo", expres-
sao mais pesada que o ex-deputado fe-
deral Valdir Ganzer (prestes a deixar a
secretaria de economic de Bel6m) teria
usado em Parauapebas.
O governador pode at6 achar que o
caminho para a reeleigio 6 s6 flores.
Essa falsa expectativa 6 criada pela mais
massive campanha publicitaria pr6-elei-
toral ja desencadeada no Para, que per-
mitiu a Almir ficar um ponto a frente de
Jader Barbalho na ultima pesquisa do
Ibope, ainda a ser divulgada. Enquanto
o senador peemedebista baixou de 37
para 34% desde a fltima pesquisa (e de
42% na primeira), o governador conti-


nuou subindo, indo de 33 para 35% (ap6s
ter comegado cor 16%), deixando para
tras os outros nomes sondados (Hl6io
Gueiros cor 12%, Ademir Andrade comr
9% e Ana Julia com 5%). A maioria dos
entrevistados (69%) tamb6m aprova a
administracao pessedebista.
Esse desempenho nio 6 exatamente
uma novidade (ver, a prop6sito, Jor-
nal Pessoal no 178). O govemador esta
quase falando sozinho, sem oposigio e,
sobretudo, sem combat. Fatura tamb6m
os beneficios de obras que tanto ele (por
ter formado um fundo de reserve) quan-
to o governor federal estao realizando
neste period estrat6gico, mas tambem
de favors especiais desta quadra pr6-
eleitoral (como a renegociacao da divi-
da estadual) e da circunstincia de poder
arrecadar dinheiro extra com a privati-
zaqio da Celpa.
Mas, se a tendEncia se mantiver, Al-
mir Gabriel deve ter chegado proximo
do topo, o que significa que, se Jader for
mesmo candidate, vencer ja no primeiro
turno estara fora de suas possibilidades.
Podera chegar em primeiro, dependen-
do de algumas variaveis, como a evolu-
qao de fatos explosives no sul do Para, a
possibilidade de garantir o fornecimento
de energia no Oeste do Estado, as obras
de ressonancia na capital e a posicao
que Fernando Henrique Cardoso assu-
mir (ele pr6prio condicionado pelo Piano
Real).
Jader Barbalho parece ter feito o pos-
sivel para nao sair candidate ao governor
e, ao mesmo tempo, preservar suas mi-
nas de voto no interior. Mas parece bem
pr6ximo de sair para a terceira dispute
por nao conseguir conciliar as duas con-
diq6es. Encontra-se numa situag~o que
nao 6 tao desfavoravel quanto a da se-
gunda eleic o, mas nao tio c6moda quan-
to a da primeira (e em ambas venceu
por pequena diferenca de votos, menor
na ultima eleicao). A grande novidade
agora 6 que o governador pode, pela pri-
meira vez, tentar a reeleigio usando a
seu favor (e nao de um aliado) a miqui-
na official do Estado (tinha que ser sob
os tucanos?).
Esse 6 um fator de enorme peso em
um Estado pobre como o Para, no qual
hi mais votos a venda no mercado. Por
isso, provavelmente Jader Barbalho vai
ter que se aplicar muito mais se quiser
bater o record de retornos ao gover-
no estadual (igualando-se a Gilberto
Mestrinho neste outro lado do pais).
Mas ele pode continuar contando com
o apoio nao-declarado do president
(agora mais explicit) e os favors da


alianca corn H61io Gueiros, que na 6l-
tima dispute atirava suas bombas do
outro lado.
E uma dupla perigosa, principalmente
para um politico sem carisma como Al-
mir e que, em situacges fora do seu con-
trole, costuma recuar, como ocorreu em
1992, quando renunciou a candidatura a
prefeitura de Bel6m, e na semana pas-
sada, quando desistiu de enfrentar a re-
ag9o de parte da opiniao p6blica do sul
do Para e cumprir compromisso anteci-
padamente assumido cor outra parcela
dessa mesma sociedade.
O governador ter dinheiro, ter reali-
zac6es e tem disposicgo para disputar
sua reeleig~o, mas tera tutano suficiente
para tanto? A agressividade de Valdir
Ganzer 6 de quem aposta numa respos-
ta negative. Os assessores mais proxi-
mos do governador garantem que agora
ele ira para a luta, contando cor Jader
Barbalho ou para enfrenta-lo. Mas por
enquanto, num moment em que todos
preferem manter-se num limbo, ainda
esta aguardando o senador peemedebis-
ta marcar um novo encontro entire am-
bos, quando responderia a mao estendi-
da pelo governador.
Como os (e)leitores ainda devem lem-
brar-se, o governador tomou a iniciativa
de chamar duas vezes seu ex-aliado para
conversarem sobre a possibilidade de um
novo acordo. Jader marcou para o ulti-
mo dia 16 a data da defini9Co, quando
reuniria a bancada estadual do PMDB e
decidiria se sairia candidate ou apoiaria
Almir. Nesse dia Jader inventou um cha-
mado urgente do Palacio do Planalto, foi
para Brasilia, de laja voltou duas vezes,
mas nio realizou o ato que definiria sua
resposta a proposta do governador: a
consult as suas "bases eleitorais". Nem
se dignou a mandar dizer a Almir quan-
do e se voltarao a ver-se. Talvez o
governador fique sabendo por terceiros,
se nao for pela imprensa, que costume
nao ler.
O pr6ximo pass para a definiqao da
sucessao estadual vira da 16gica dos fa-
tos, colocando em confront Almir Ga-
briel e Jader Barbalho na dispute pelo
governor do Para, ou de algum lance
migico do bolso do colete? A unica coi-
sa certa pode ser de que os paraenses
nao precisarao esperar at6 30 de junho,
ultima data estabelecida no calendario
eleitoral, como diz o governador, para
saber, enfim, quem vai estar na cedula
do principal cargo eleitoral a ser escolhi-
do entire 4 de outubro e 15 de novembro.
A definicgo vira muito antes, quem sabe
ja neste m6s.








JORNALPESSOAL 1 QUINZENADEABRIL/ 1998 3


A praga do fogo


Pode-se escolher o titulo: o maior de-
sastre ecol6gico ja consumado na Ama-
z6nia, o maior incendio na hist6ria do
Brasil ou uma das mais devastadoras quei-
madas que ja ocorreram no planet. O
fogo que perdura ha mais de tres meses
em Roraima pode ter destruido de sete
mil a 52 mil quil6metros quadrados, se-
gundo as varias estimativas que foram
apresentadas ate agora a menor, pelo
governor federal (preocupado com a re-
percussao international), e a mais exage-
rada, pelo governor estadual (de olho nas
indenizaq6es aos seus clients eleitorais e
econ6micos).
Provavelmente a verdade deve estar en-
tre esses limits extremes, mas, numa
6poca de informacgo via satellite em tem-
po real, a imprecisao da uma ideia do des-
preparo da administra9ao public para
enfrentar situagbes novas na Amaz6nia,
como o incendio que irrompeu em um dos
limits extremes e menos conhecidos do
pais. As avaliag6es desencontradas, visi-
velmente afetadas pelos interesses envol-
vidos, tmr um indiscutivel ponto em co-
mum: poucas vezes na hist6ria da huma-
nidade houve queima tao rdpida e tao ex-
tensa de vegetagAo.
O record negative esta sendo jogado
sobre as costas largas do El Nifio. E cla-
ro que o fen6meno climatico, prolongan-
do a estiagem e provocando uma excep-
cional queda na umidade tipica da regiAo,
favoreceu a propagagao do fogo. Mas, ao
que parece, nAo o desencadeou em com-
bustao espontinea. A hip6tese sobre a qual
as autoridades estio trabalhando 6 a do
inc6ndio criminoso.
Segundo essa hip6tese, lavradores en-
dividados teriam posto fogo em suas cul-
turas e pastos para nao pagar o que devi-
am ou serem ressarcidos pelo seguro. Nao
contavam 6 que os fortes ventos, que
varrem corn velocidade incomum as pra-
darias roraimenses, deixassem o incen-
dio fora de control.
Se a hip6tese da inten~go criminosa ain-
da carece de confirmacao, a impericia no
trato cor o fogo 6 fora de duvida. Nao
s6 por parte dos que o utilizam como ins-
trumento de trabalho no campo, mas tam-
bem dos que deveriam controlar essa ati-
vidade de risco o 6rgaos do governor.
Limpar o terreno e prepara-lo para a quei-
mada sempre foi uma rotina na agrope-
cuaria na Amaz6nia como nas regi6es
brasileiras de mais antiga ocupagao. O pro-
blema 6 que a paisagem natural amaz6ni-
ca vem sendo crescentemente alterada
pela a~go humana.


Alguns pesquisadores pioneiros tem
alertado para o agravamento do potential
de fogo nas areas desarrumadas pelo ho-
mem. Al6m do esquentamento do solo e
ressecamento das drenagens, um fator de
risco sao os restos de floresta deixados
ap6s a intervengao do fazendeiro, do co-
lono e, em niveis cada vez mais acentua-
dos, dos extratores de madeira.
Roraima 6 uma das regioes mais ex-
postas na Amaz6nia a um grande incen-
dio, tanto por causa das caracteristicas
geografias de parte do seu territ6rio (cam-
pos naturais, savanas, estiagens mais ri-
gorosas), como pelo incremento da pre-
senca humana, menos orientada por cri-
t6rios 16gicos ou racionais de ocupagao
do que por um fantasma geopolitico que
continue pairando, insepulto, por aquela
paragem remota, um sitio que os milita-
res consideram sempre ameagado pela
indormida cobiga international.
Mas o pr6prio governor consider que
um "arco de desmatamento" (o novo jar-
gao da praga), corn extensao de 2,5 mi-
1hMes de hectares, em pontos de transi-
qao do planalto central para a floresta
amaz6nica (uma pr6-Amaz6nia em con-
tinua expansao, transformando tudo em
sertao), tamb6m esta exposto a riscos
semelhantes aos de Roraima pela combi-
nag o de vegetapao rala, terra arida e de-
sarrumagao ambiental.
A ameaga, entretanto, 6 ainda mais s6-
ria e extensa. Uns poucos pesquisadores
ja constataram que alguns lugares aparen-
temente "arrumados", cor copas fecha-
das e aparente integridade botanica, na
verdade estao sendo sutilmente pilhados,
sofrendo uma extracdo seletiva, mas igual-
mente predat6ria. Essa alteragio, verifi-
cavel por excurs6es em terra, mas rara-
mente visivel atrav6s de satlite, pode tam-
b6m estar criando uma condigao propicia
a incendios (sem falar nos prejuizos eco-
16gicos que acarreta a biodiversidade).
Sob esse prisma, o dado que langa fu-
maga negra sobre o future da floresta ama-
z6nica foi apresentado pelo Inpa (Instituto
Nacional de Pesquisas da Amaz6nia), a
mais important instituiuao cientifica na
metade ocidental da regiao. Dos 37 mil
quil6metros quadrados que o Inpa calcula
ja terem sido queimados em Roraima, 1.800
km2 sao de mata virgem. Teoricamente (e
conforme sentenciavam os manuais at6
algum tempo atras), areas de hil6ia tipica
jamais entrariam em combustao, exceto se
fossem devidamente preparadas para tal (o
que implicaria em derrubadas pr6vias e uma
s6rie de procedimentos).


Depois de ter se expandido sobre pas-
tagens, areas de cultivo e campos naturals
do Norte e do Centro do Estado, o fogo ja
estaria lambendo as primeiras florestas na-
tivas ao Sul e Oeste de Roraima. A area
que o Inpa diz ter sido atingida em apenas
tres meses represent quase o dobro da
area que as miquinas e os milhares de pe-
bes contratados por Daniel Ludwig colo-
caram abaixo no Jari, no mais extensive e
intensive desmatamento mecanizado que
o home ja realizou na Amaz6nia. Isso,
ao long de 15 anos.
A qual ameaa a Amaz6nia nao estara
exposta em future imediato, independente-
mente da recorr8ncia do azar de coincidi-
rem fen6menos naturais desfavoraveis
(como o do El Nifio)? A miquina da admi-
nistragao piblica brasileira dificilmente po-
dera dar uma resposta nesse curto period
de tempo. Nesse campo, como em various
outros, precisa da cooperagao interacio-
nal. Nao 6 menos claro, tambem, que mui-
tos programs internacionais desse tipo nio
sio propriamente altruistas, mas a socieda-
de brasileira tem que preparar-se para en-
frenta-los. Comegando por exp6-los ao co-
nhecimento e ao debate public, sem medo
da controversial que puderem provocar.
Apesar da mitologia manejada pelos eter-
nos geopoliticos (hoje cor menos destre-
za, ja que ha mais luz gerada pela razao e
menos sombras repressoras ou intimidado-
ras), o Brasil nao se lembrou de invocar a
onipresente doutrina de seguranga national
para firmar acordos internacionais que es-
tao francamente em curso, sem a garantia
de que nao estarao acarretando os perigos
que as Forcas Armadas viram em Roraima
por trash da participagAo da ONU no com-
bate ao incendio. Falou-se em risco de pro-
tetorado international, de soberania limita-
da, de balcanizagao e outros jarg6es refra-
tarios a demonstracio inteligente.
A Indon6sia foi assolada por um incen-
dio equiparavel e teve que aceitar a partici-
pagio international, embora cor a mesma
relutincia e a mesma demora do Brasil. Mas
o que a deixou exposta a iterfer8ncia ex-
terna foi o golpe branco do general Suharto
e os efeitos colaterais das aplicae6es espe-
culativas de capital. Os grupos anti-incen-
dio que a ONU pode mobilizar nao sao da
mesma natureza de varios outros, que, mes-
mo perigosos, sao recebidos com festas no
territ6rio national e nAo precisam contra-
riar as leis para saquea-lo, causando-lhes
um mal que os geopoliticos, com a aten-
cio concentrada no boi de piranha, slo in-
capazes de perceber ou nao querem a
manada que passa ao largo.
O incendio que continue a lavrar em Ro-
raima 6 grande demais, forte demais, in-
candescente demais para que o Brasil con-
tinue a ver fantasmas ao meio-dia. 0








4 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE ABRIL / 1998




Ha lugar para jornalismo



num mercado de mafias?


Dois fatos registraram, na semana passada,
a expectativa da opiniao piblica em relaCqo a
uma maior pluralidade da imprensa local. A
Gazeta Mercantil lanqou no dia 23 a sua edi-
Cao paraense diaria, que circula desde segun-
da-feirajunto cor a ediqio national. Sao seis
paginas em condiq6es de fornecer ao leitor umn
noticiario mais isento, sobretudo nos stores
de financas. economic e neg6cios, mas tam-
bem de political. Ja A Provincia do Pari con-
seguiu colocar nas nias, no dia 25, una ediio
de 70 paginas para comemorar seus 122 anos
de vida, das quais 32 paginas extras, adiciona-
das ao tamanho normal dojomal em funCto da
data festival, cor os anincios comemorativos
de praxe. um feito para period de vacas ma-
gras.
Da edicio local da Gazeta espera-se que,
seguindo o padrao da publicacio. nMo condi-
cione o noticiirio As conveni8ncias comerciais
ou political. No caso paraense. nZo deixa de
ser um m6rito a conferir no future diante da
macica publicidade official que recheou os pri-
meiros numeros, garantindo-lhes a sustenta-
c~o publicitria. Talvez a primeira semana da
edico paraense tenha deixado uma impressio
de oficialismo que ojornal podera desfazer no
future, quando o tom inaugural tiver que ser
substituido pela cobertura rotineira.
Depois que a grande imprensa national se
dissociou de una cobertura mais comprometi-
da com os temas ainaz6nicos, mesmo cor a
ret6rica em contrArio, a iniciativa da Gazeta deve
ser recebida cor todo o entusiasmo. Se nMo
der errado, ou, se para dar certo, precisar recor-
rer aos mesmos m6todos mercadol6gicos da
praga. ojornalismo s6 tera perdido. Se for bern
sucedida, todos ganharemos.
Provincia do Par6 ter conseguido pro-
duzir, em margo, uma edico de aniversario com-
paravel a de 0 Liberal em novembro, apesar
da distdncia que separa os doisjorais no mer-
cado, tambdm e umavit6ria da opiniao pfiblica.
Principalmente agora que o antigo journal de
Antonio Lemos vive tunafase de enonnes difi-
culdades e incertezas. Nio apenas na empresa,
alias: tambem na cabeqa dos seus leitores.
Quando Gengis Freire substituiu. 15 meses
atras. os Diarios Associados no comando da
quartafase da hist6ria dojornal, todos se per-
guntavam sobre quem estaria atras do dono
da Cejup e do Graficentro. Falou-se muito no
ex-prefeito Hdlio Gueiros. Tudo o que se disse
a respeito, entretanto, nio passava de especu-
laco. Gengis estava s6 na empreitada.
Tinha capital suficiente para isso? Nern pre-
cisava: Paulo Cabral, em nome do condominio
formado por Assis Chateaubriand para gerir
seu imperio (hoje minguado). passaria em fren-
te ojornal e a radio ao primeiro que assunisse
o passive das empresas, avaliado entire cinco e


sete milh6es de reals, a maior parte formado
por dividas junto ao governor. Gengis n5o teria
precisado de nada mais do que 500 mil ou um
milhao de reais cash.
Consultado sobre a transaqHo, o advogado
Santana Pereira desaconselhou-a. Com acom-
pra, Gengis ganharia "apenas um nome secu-
lar", garante o advogado, especialista na co-
branga de ddbitos, em artigo publicado na edi-
c~o de aniversario. Com bom humor, ele diz
que Gengis, ao inves de pagar por A Provin-
cia, deveria era receber dos Associados "pela
coragem de enfrentar o desaflo".
Ao fechar o acerto com Cabral em Brasilia
(surpreendendo os Maiorana, que em Bel6m
reagiram imediatamente atrav6s de uma nota
furiosa na coluna Rep6rter 70, acusando o novo
concorrente de ser caloteiro), Gengis "mante-
ve o mesmo inconseqiiente ideal dojovem con-
tista que conheci na redaq~ o de A Provincia
do Para", escreveu o advogado. Se Santana
Pereira mant6m suas incurs6es artisticas, es-
crevendo livros e compondo muisicas, Gengis
ter, hoje. com a cultural apenas a relaao for-
mal de membro da Academia Paraense de Le-
tras.
Suas fontes de poder eram a secretaria do
Tribunal de Justiqa do Estado, a editor, a grd-
fica e uma rede de livrarias, incapazes de permi-
tir a materializaqio dos ideas apontados por
seu advogado ou objetivos de outra dimen-
sao. Mas, evidentemente, Gengis teria neg6ci-
os muito melhores ao seu alcance do que as-
sumir mnjomal praticamente inviabilizado por
suas dividas.
Aos tropeCos, a empresa tern atravessado
as dificuldades de custeio (os salaries trm atra-
sado), mas seu maior problema sao os debitos
acumulados, que foram assumidos mas nio
estio sendo honrados, podendo faze-la retor-
nar ao agbnico status quo anterior. A opiniao
public ter todos os motives para nao desejar
tal desfecho, mas ele d ditado pelas condiqces
de mercado ou os novos dirigentes do mais
antigojomal da Amaz6nia nito tem sido suces-
sores melhores do que os Diarios Associados?
A Provincia rompeu con a prefeitura petis-
ta, um inconveniente para quem precisa de fon-
te official para a composiqAo do seu faturamen-
to. A prefeitura queixa-se de que Gengis ten-
tou forgar recebimento de contas, fazendo con-
fundir as de A Provincia cor as da Cejup,
anuincios no journal embaralhados corn a conta
da imprensa official do municipio.
Os mdtodos de cobranca do mais recent
boss sao ja conhecidos na praga, mas tam-
b6m avulta a diferenCa de tratamento que a
PMB dA a A Provincia em relacqo a 0 Libe-
ral, quando, para garantir a pluralidade e
pensar em democracia, os petistas deveriam
usar a isonomia ou mesmo tratar desigual-


mente os desiguais (ao inv6s de torar mais
iguais os poderosos).
Sem enfrentar o dono de uma fatia tao vas-
ta do mercado que o torna virtual monopo-
lista, A Provincia tem buscado caminhos tan-
genciais (nMo a melhor alternative, 6 claro),
que, se usados corretamente, poderiam abrir-
Ihe novas perspectives. Se s6ria. a pesquisa
que apontou os lideres empresariais, no mes
passado. pode significar a valorizacqo da
competencia e o incentive a criatividade dos
homes de neg6cio locais, em onda pessi-
mista ha tempos. E produto que falta num
universe marcado pela picaretagem e o opor-
tunismo.
Na edic~o de aniversario a empresa langou,
cor o apoio de Miro Gomes, um dos dirigen-
tes da Cata, uma premiaq~ o joralistica para
estudantes que pode tambem tirar o journal do
estado de semi-obscuridade a que ficou rele-
gado no meio dajuventude. Um suplemento
melhor acabado, o Gi-bi, complete essa ofen-
siva de future.
A Provincia precisa demonstrar, porem.
que esta agindo com correqao e compet6ncia
quando busca criar seu espaCo e que, se nro
se viabilizar, esse resultado tera sido provo-
cado pelas regras viciadas impostas ao mer-
cado pelo grupo Liberal. Do tratamento des-
respeitoso dos Maiorana todos se queixam,
mas raros ten a disposiqio de enfrentar aber-
ta e concretamente a situacio, como fez Miro
Gomes em artigo assinado em A Provincia,
preferindo. ao invds disso, acomodar conve-
niencias. Cor isso, ojomalismo empresarial
tornou-se apenas um instrument do nego-
cio mercantil, no qual vende-se tudo, ate mes-
mo a opniao.
Sintomaticamente, as edic6es da semana de
aniversario de A Provincia podem ter abalado
um pouco a confianca nesse lerceiro caminho
entiree o poder mercantil do grupo Liberal e as
vinculaq6es political do Didrio do Pard). A
Provincia deu a impressao de ter embarcado
na carreata eleitoral do govenmador Alnir Ga-
briel, assumindo com a administracao estadual
um compromisso que deveria ser finnado corn
a opiniao pfblica, talvez para contrabalancar a
mA vontade do prefeito Edmilson Rodrigues.
que, quando confrontado, parece preferir rea-
gir cor todos os mfsculos do corpo, exceto o
c6rebro.
A Provincia, que ressurgiu para alimnentar a
esperanga nun destiny melhor para ojomalis-
mo paraense, vai ter que provar, agora, que
tudo n5o passou de um sonho de verao, um
mau neg6cio que nio chegou a se tomar um
bom desafio, para usar os terms do advoga-
do, compositor e ficcionista Santana Pereira,
porque os terms desse desafio nunca foram
claros, nem leais. 0








JORNALPESSOAL 1 QUINZENADEABRIL/ 1998 5


Quem pagara esta



conta astronomica?


A president do Banco da Amazonia.
Flora Valladares, compareceu, no mes pas-
sado, ao gabinete do desembargador Ro-
mao Amoodo Neto conversar corn os di-
rigentes da justica estadual sobre o pro-
cesso no qual o Basa foi condenado a pa-
gar 81 bilh6es de reais de indenizacao A
Sabim Sociedade Anonima Brasileira de
Inditstria Madeireira (ver Jornal Pessoal
n" 183). A decisao da juiza Ivete Pinhei-
ro. da 8a vara civel de Bel6m, foi conside-
rada pelo banco tao inusitada que Vallada-
res achou necessario informar o presiden-
te. o vice-presidente e o corregedor-geral
do TJE sobre a demand. Mas nao ado-
tou nenhuma provid6ncia formal contra a
magistrada, limitando-se a uma queixa ver-
bal, que tambem nao prosperous por al-
gum dos escaninhos competentes do ju-
diciario.
Um brocado do meio juridico diz que
contra decisao judicial nao se protest: re-
corre-se dela. O Basa e a Uniao, que tenta
intervir no litigio ou desloca-lo para a ju-
risdicao federal, ja usaram o recurso que
Ihes competia, o da contestaqao (se bern
que. a prevalecer o entendimento da jui-
za. o banco se tornou revel por haver per-
dido prazo no encadeamento processual).
Mas a dimensao assumida pela causa pode
restringir-se as manifestac6es nos autos.
fluindo ao largo da participaiao da opi-


niao public, como se s6 dissesse respei-
to aos litigantes?
Na contestac5o por escrito, assim como
nas entrevistas dadas A imprensa, o Basa
sustenta que houve um grosseiro erro de
oficio. Mais do que isso: insinua que nao
esta havendo imparcialidade na apreciaqCo
da questao. sempre com favorecimento A
parte contriria (que nunca teria sequer pe-
dido indenizaqAo por conta da alegada de-
sidia do Basa como sindico da massa fali-
da, passando a ter direito a astron6mica
soma por haver a juiza decidido al6m do
que estava suscitado ou extra petita,
como diz o jargao dos advogados).
O advogado do banco, Deusdedith Bra-
sil, aponta vicios e irregularidades que, em
seu entendimento, tornam nulo todo o pro-
cesso. Cobra o desaparecimento dos au-
tos de uma nota promiss6ria no valor (atu-
alizado) de 57 milh6es dc reais, justamente
o meio que permitiu o ingresso do Basa na
lide. Protesta contra a aplicacAo de uma
multa de nada menos do que 800 milhoes
de reals aplicada pela juiza, que considerou
meramente protelat6rios dois embargos de-
clarat6rios apresentados pelo banco e de-
cidiu puni-lo por tumultuar o process comn
uma pena que equivale a tun m6s inteiro de
arrecadaqAo do Estado do Para..
Acusa ainda o cart6rio dojuizo de. atra-
v6s de certidao incorreta, haver propicia-


do negociac6es realizadas pela Sabim com
terceiros no sul do pais, negociando part
do cr6dito a que teria direito, quando e
se a sentence transitar definitivamente
em julgado, o que ainda nao 6 o caso.
"A maior evidencia de irregularidade 6
a afirmaqao constant das Escrituras de
que o Banco fora condenado, em senten-
ca judicial, quando na ocasiao da cessao
de cr6ditos e transferencia de direitos (de-
zembro/96 e janeiro/97), a sentenca ante-
rior estava anulada pelo Supremo Tribu-
nal Federal desde 1981 e ainda nao havia
sido prolatada nova sentenqa, que s6 veio
a ocorrer em 1998", argument a apela-
qAo do Basa, observando que na lavratura
das escrituras, feita no Parana, a empresa
"foi representada por acionistas e nao pelo
Sindico da massa (falida)".
E claro que o contradit6rio tera que ser
desenvolvido estritamente dentro dos au-
tos do process, cujo pr6ximo pass sera
subir para a segunda instancia de aprecia-
gao, o colegiado do Tribunal de Justica.
Mas a questao tornou-se grande demais,
(por ser de justica, por impericia ou por
ma f6, conforme as 6ticas em confron-
to), para ser ignorada pelo judiciario, como
se dissesse respeito apenas a uma con-
tenda, ou pela sociedade. O silencio geral
6 tao acusador quanto o valor astron6mi-
co que a demand alcancou. 0


Interesse public


Um meio elogio para a Secre-
taria da Fazenda do Estado: ela
reduziu o prego do contrato de
locacao de veiculo cor a Bis, que
agora e de 23 mil reals. Mas nao
esclareceu qual o valor da redu-
gco. E se essa reduqao deveu-se
a renovacAo da frota, cujo nil-
mero de carros tambem nao foi
especificado. Para completar a
outra metade do elogio inconclu-
so. bastaria fornecer o valor do
contrato original, apresentar a
razao dos seis aditivos anterio-
res e dizer em que consiste a re-
novaqao da frota.
A Sefa tamb6m poderia nos
dar o prazer de esclarecer uma
duvida: como e que uma empre-
sa de vale-refeicio fornece-lhe
"bilhetes combustivel". confor-
me o contrato 001, publicado no
Diario Oficial de 12 de feverei-
ro!?
Ja a Celpa poderia esclarecer


o que 6 abrangido pela "redu-
cAo de 25/%" no termo aditivo ao
contrato corn a Art Servigos e
Tecnologia, publicado no DO de
29 de janeiro. A reduqCo foi no
valor do contrato, no prazo ou
na prestacao do serving'? E a re-
fer8ncia ao 960 termo aditivo en-
globa todos os contratos da
empresa on refere-se especifica-
mente ao aqui citado?
A nesma Celpa pergunta-se:
CV significa carta-convite. a for-
ma de licitagao que parece ser a
mais adotada pela empresa? E
uma nomenclatura sancionada
pelas normas legais ou foi incor-
porada para uso interno?
O DO de 9 de fevereiro divul-
gou contrato de empreitada da
Secretaria de Transportes do
Estado coin a Construmec Agri-
cultura Mecanizada, no valor de
mais de 360 mil reais, para obras
na PA-150. Mas nao diz qual a


forma de contratacao: se concor-
rencia, carta-convite ou com dis-
pensa de licitaqgo. Da para su-
prir essa omissao?
O Banco do Estado do Para
poderia esclarecer ha quanto
tempo vem aditando e quais os
motives dos aditamentos ao
contrato para a locacqo de equi-
pamentos fac-simile com a Mar-
cos Marcelino? O iltimo. o 120.
foi publicado no DO de 12 de fe-
vereiro, no valor mensal de R$
6,7 mil.
O 30 termo aditivo (DO do ul-
timo dia 26) assinado entire a Se-
cretaria de Planejamento e a pre-
feitura de Rondon do ParA, corn
recursos do Fundo de Desenvol-
vimento do Estado, simplesmen-
te mudou todo o contrato origi-
nal. Houve acr6scimo de valor,
alteracqo do piano de aplicacao
e prorrogaqCo do prazo de vigen-
cia do contrato, no valor de R$


32 mil (6 o atual ou o anterior?).
Pode, TCE?
A ediqio do DO de 25 de fe-
vereiro trouxe varios contratos
assinados pela Secretaria de
Educaqao cor a rede particular
de ensino para o Programa
AquisiqAo de Vagas. As infor-
maaqes trazidas sao insuficien-
tes. Os terms aditivos nao es-
tao numerados. Nao hA referen-
cia. nos aditamentos, a quanti-
dade anterior de alunos e ao
valor contratado, o que permiti-
ria comparar a evoluCao do pro-
grama. Certamente tais informa-
c6es nao sao legalmente obri-
gat6rias. mas representam uma
prestacqo de contas a socieda-
de. Buscando-a, continuaremos
esta secao, mesmo que os leito-
res nao apresentem suas ques-
toes. nem as autoridades as res-
pondam. Ao contrario delas, te-
mos compromisso cor o povo. *








6 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENADE ABRIL/ 1998


Imagem e semelhanga


O professor Meirevaldo Paiva 6 um pro-
fissional de competencia estabelecida na pra-
Ca. Conquistou respeito social pelo que fez e
pelo que 6. Aposentado, hoje sua principal
fungqo pfiblica 6 a de coordenador de edu-
cacao e cultural do projeto "O Liberal na Es-
cola". Nao deve estar nessa empreitada por
oportunismo, fisiologismo ou qualquer for-
ma menor de interesse pessoal. Poderia at6
conseguir por essa via um grande destaque
nos veiculos do mais poderoso grupo de
comunicaqCo do Estado, mas seria gl6ria efe-
mera, mesmo que repetida ad nauseam em
um livro depois do outro. S6 quem nao tem
biografia, nao tendo, por isso, o que perder,
se arriscaria em arrivismo desse tipo: servir a
um slogan, sem o menor compromisso com
o seu contefido.
Em tese, a iniciativa de levar a leitura de
jornais para a rede piblica de ensino 6 lou-
vivel. Ela ajuda a former cidadaos melhor do
que simplesmente o ensino conventional.
Mas seria esse o caso de O Liberal? Ele 6
bem escrito? Seus erros sao apenas circuns-
tanciais, atingindo o que 6 acess6rio? Quan-
do erra, corrige-se de pfiblico (uma das se-
q6es mais interessantes da Folha de S. Pau-
lo 6 a erramos)? Acolhe a manifestag o dos
seus leitores? Faz a cobertura eficiente, ho-
nesta e imparcial dos fatos? Espelha realmen-
te o que esta acontecendo na sua area de
atuaqio? E 6tico? Tem autonomia e indepen-
d6ncia? Condiciona o neg6cio mercantil ao
compromisso com a opiniio pfiblica? Pode,
enfim; servir de pardmetro e exemplo para os
jovens que o recebem em suas escolas?


Gostaria que esses jovens, sem qualquer
tutela, pudessem confrontar O Liberal conm
outrojornal local, corn este JP e com publi-
caq9es de fora do Estado para avaliar a qua-
lidade do produto que Ihes esta sendo leva-
do sob o fascinio de uma campanha publici-
thria e um nome de respeito, com mal-disfar-
cado endosso official, vital para a penetragmo
nas escolas pfiblicas.
Outro dia, quando chegou aParagominas,
o journal abrigou na prestigiada pigina trss,
ao lado do Rep6rter 70, uma noticia que ti-
nha este lide: "Cinco coldgios de Paragomi-
nas (PA) sao os novos parceiros do projeto
'O LIBERAL naEscola', colocando o muni-
cipio na lista de interiorizaqco do program.
Da area public, a Escola Municipal An6sia
da Costa Chaves; Escola Municipal Santo
Ant6nio e Escola Estadual Presidente Cas-
telo Branco. As duas privadas sao o Col6gio
Impacto e a Escola Nova de Paragominas"
(grifei). HA segunda inteng~o valorativa na
qualificagqo das duas escolas privadas? Tal-
vez nao, nem mesmo na "interdisciplinarie-
dade" grafada em seguida (no lugar de inter-
disciplinaridade).
Ja 6 chegado o moment de perguntar ao
professor Meirevelado se o journal que ele
leva para os jovens estudantes nas salas de
aula vai mesmo ajuda-los a escrever melhor,
pensar melhor, ter uma visdo critical da reali-
dade e se tornarem cidadaos mais conscien-
tes e atuantes, capazes de intervir na hist6-
ria e faz8-la conforme sua expressao. A per-
gunta ajuda a esclarecer se algu6m estA usan-
do alguim e quem 6 quem. r


Em abril do ano passado participei, como de-
batedor, do I SeminArio Internacional de Solidari-
edade para GeracAo de Emprego e Renda, promo-
vido pela Prefeitura de Bel6m, corn o apoio da
Sudam. Havia recepcionistas contratadas, coffee-
break, material de divulgaglo e outras mumunhas
caracteristicas desse tipo de eventto, quando ele
ter dinheiro para montar a sua retaguarda.
Nada recebi, embora tenha gastado meu fosfa-
to. meu tempo e algum dinheirinho no transport.
Tudo pela causa, e o que digo de mim para mim
nesses moments (na tal conversa com os bo-
t6es). sempre duvidando que a causa valha a pena,
ou que a minha causa seja a mesma dos que ao
fim e ao cabo, como dizia o Isaac Paes acabam
mesmo 6 me explorando.
Uma vez fui chamado para fazer a palestra de
abertura e orientaaio para equipes de pesquisa-
dores e fot6grafos que iriam inventariar a situagao
da infancia na Amaz6nia. Cada um dos quatro
fotografos mobilizados receberia quatro mil d61a-
res (me disse um deles, pouco antes da palestra).
Falei de graqa durante algumas horas.
Uma moca do Amazonas e outra de Mato
Grosso, que compunham o auditorio, reclama-
ram: com a minha exposicao (pessimista, diz a
amiga Jimena BeltrAo), eu destruira todas as cer-
tezas de que elas tinham estado armadas at6 aque-
le moment e com as quais haviam chegado para
realizar o trabalho, E agora?


Expliquei-lhes que, quando me pagam, eu for-
nego novas verdades. Quando nao me pagam,
apenas destruo velhas e precArias verdades. Foi a
maneira que pretend ir6nica de fazer o pro-
motor do eventto, ali present em (pouca) came
e (muito) espirito, lembrar-se da mAxima de Sta-
nislaw Ponte Preta, ditada pela boca da vov6
Zulmira: ou todos nos locupletemos, ou restaure-
se a moral. No caso: ou exija-se amor A causa de
todos, ou respeite-se o trabalho professional dos
outros (mesmo daqueles que, como eu, sao ina-
beis em mat6ria de dinheiro, devendo ser punidos
por essa falha).
Na semana passada, quase um ano depois, re-
cebi o certificado official do tal seminArio da PMB.
Fui debatedor, mas aparego no papel "colaboran-
do no Painel Ag6ncias e Programas de Apoio ao
Desenvolvimento Social" (servi caf6? "fiz" a se-
guranga? recepcionei os convidados?).
Tecnicamente esta errado: estive na mesa e fui
um dos que IA mais chiou, se nio me engano o
inico sem vinculagdo institutional. Mas moral-
mente estA certo: como nao remuneraram o meu
trabalho, privando-me de renda (apesar da con-
tradig o com os prop6sitos em abstrato do "even-
to"), teria que ser mesmo colaboragCo.
Mas custava ser exato na certificaiao da mi-
nha participa.ao? Ou ha agora veto a esse prosai-
co reconhecimento na jurisdigao da PMB do al-
caide mau humorado? 0


PM de novo?
HA um boato em curso sobre a substi-
tuigCo de Joao Marques pelo coronel
Raimundo Nonato no Detran. Se acontecer,
sera uma involucio. Nem 6 precise entrar
no m6rito de cada um dos personagens
para ter essa 6bvia conclusao. O Detran ja
foi um dos feudos de oficiais da Policia
Military na administrag~o pfiblica, uma
pritica desencadeada pelo fascinio do
tenente-coronel (da reserve do Exercito)
Alacid Nunes, mantida por Jader Barbalho
e multiplicada por Helio Gueiros.
Alacid comegou transformando os
oficiais superiores da PM em interventores
municipals natos. Era a enviesada visao
castrense sobre a capacidade saneadora
dos militares na corrompida seara dos
civis. Se isso era verdade, ela desapareceu
quando uma elevada fungao political ou
administrative passou a ser extensao
natural da carreira military, independent de
seus m6ritos especificos (o exemplo mais
gritante foi a indicaqao do obscure general
Garrastazu M6dici para a presid6ncia da
Repiiblica).
Os bons militares nem sempre se sairam
bem no desempenho de tarefas para as
quais nao foram adestrados nos centros de
formaqio. E os maus militares tiveram
campo liberado para realizar interesses
subalternos.
O resultado disso 6 que formou-se uma
casta de oficiais da PM A distAncia dos
quart6is e ao lado dos principals bastidores
do poder, militares cuja maestria operacional
se circunscrevia as ardilosidades do jogo
politico e da busca de rendimentos.
Uma geragco foi para a reserve com um
inusitado acfimulo desses dois componen-
tes afrodisiacos: poder e dinheiro. Crescen-
do as demands por rancho, fardamento,
diarias da tropa, verbas de custeio e outros
itens pesados do orgamento, nao surpreen-
de que o patrim6nio desses curingas do
poder civil tenha crescido tanto despro-
porcionalmente em relaqio aos seus
colegas das Forqas Armadas, alias.
Embora a estrutura do poder pfiblico
voltada para o transito esteja desequili-
brada nesse pdssimo trip formado por um
Detran rico (porque especializado em
arrecadacao), um Bptran sujeito a corrup-
qio pelo contrast entire os salArios dos
guards e os cheques em aberto das
multas, e uma Ctbel afogada em seus
pr6prios problems (e isolada pela
idiossincrasia crescente entire as adminis-
traq6es estadual e municipal em Beldm),
devolver o Detran a um official da PM 6 um
erro crasso. Ainda mais porque praticado
por um governor que tem oscilado pendu-
larmente entire exagerar na puniqao
indistinta A corporaqio e obsequia-la
irrefletidamente, corn favorecimento
restrito, nem reprimindo seusterros, muito
menos premiando eventuais acertos. Ou
seja: um modo tipico de gestao tucana. *


Suor alheio








.JORNALPESSOAL 1 QUINZENADEABRIL / 1998 7


Vivendo entire livros:



uma vida multiplicada


dos bairros mais feios,
.j mais in6spitos e mais
violentos de Sdo
Paulo. Uma via expres-
v is. de 6nibus cortando o
espinhaco central do bairro o desfigurou,
dando-lhe a feicqo arida das paisagens fer-
roviarias. Mas saindo-se dessa art6ria po-
luida, pode-se chegar a lugares isolados,
arborizados, agradaveis (embora cada vez
mais inseguros, requerendo protecao
paga).
Num desses oasis afluentes esta instala-
da uma das mais preciosas bibliotecas parti-
culares do mundo. Quem a alcanCa, ap6s
veneer a loucura do trinsito, 6 um privilegi-
ado. dentre os quais me incluo, gracas A in-
terveniencia de Betty, uma das filhas de Josd
Mindlin (autora de dois belissimos livros so-
bre os indios Surui, de Rond6nia). t ele o
dono dessa maravilhosa biblioteca, cuja his-
toria e anatomia traqou em Umna vida entire
livros (Edusp/Companhia das Letras, 231
paginas, 1997).
O livro era esperado ha muito tempo pe-
los amigos de Mindlin e bibli6filos em ge-
ral. Autorizadas e morando em Sao Paulo,
algumas pessoas tornaram-se ainda mais
privilegiadas pelo poder de usar e consul-
tar sistematicamente a biblioteca, uma for-
tuna para o conhecimento e uma alegria para
todos os sentidos dos amantes dos livros.
Mas a maioria teve corn ela um contato
muito rapido, que provocou paix6es, semr
realizA-las. Eu pr6prio, que tive pouco tem-
po. prefer nao ficar mais para nao desper-
tar a cobica fugidia. Fui premiado, alias, corn
uma edicao original de Os Franceses no
Pard. de Henri Coudreau, duplicate saca-
da do acervo e presenteada corn despren-
dimento encantador.
Todos, portanto, esperavamos por este
livro, que, enfim, Jose Mindlin escreveu. E
uma preciosidade. Deve ser guardado corn
carinho para ser relido. E, quando nao reli-
do. visto tantas vezes quantas exigir o
appetite bibli6filo. Nao 6, pordm, o melhor li-
vro que a biblioteca de Mindlin poderia ren-
der.
Apesar do empenho e da capacidade da
filha Diana. o projeto grafico nao 6 satisfa-
toriamente realizado, como convinha a um
verdadeiro livro de arte. A tipologia foi mal
escolhida, o papel 6 fosco, nao rende em
qualidade, as reproduq6es sao deficientes,
a diagramacao e boa apenas na capa. A ri-
queza do material primirio recomendava a
produqco de um album para que a obra pas-
sasse a ser de refernncia, como lhe convi-
nha ser.


O maior problema., entretanto, esta no
contefdo. As reminisc8ncias de Mindlin de-
veriam ocupar apenas uma parte do livro.
Um editor ou um entrevistador ficariam res-
ponsaveis pela parcela mais substantial, a
ser montada sobre testemunho do dono da
biblioteca. A aventura que esta por tras da
formacao desse invejAvel acervo foi ape-
nas sumarizada por Mindlin. Faltam infor-
maq6es capazes de reconstituir a montagem
da biblioteca e, sobretudo, uma listagem ex-
plicativa de cada uma de suas maiores pre-
ciosidades. Se a gargonnihre de Oswald de
Andrade rendeu aquele trabalho primoroso
da Ex-Libris, just seria esperar muito mais
dessa matdria prima incomparavelmente su-
perior.
Mesmo cor essas visiveis defici8ncias,
entretanto, o livro 6 muito util. Mindlin 6 um
dos raros membros da mais alta elite brasilei-
ra que contribuiu de fato para a cultural do
seu pais, sem dela tirar mais do que p6s,
como de regra nas fundacqes que brotam
como ervas daninhas no terreno dos inves-
timentos incentivados (a Fundaqgo Romulo
Maiorana esta ai mesmo como exemplo). Ele
gastou alguns milh6es de d6lares para reu-
nir no Brasil raridades que estavam espalha-
das pelo mundo. A facanha do coleciona-
dor, em acqo desde os 13 anos, nao pode ser
minimizada.
Mas ele mostra que um empresirio, como
acabou se tornando (depois de ter sido jor-
nalista e advogado), no commando de uma das
mais respeitadas indilstrias nacionais, a
Metal Leve, ao long de 45 anos, nao s6 tern
um compromisso social indescartavel (que o
levou a criar a Fundagqt Vitae), como pode
ele pr6prio ser um agent de cultural. Mind-
lin leu de quatro a cinco mil livros, various
deles relidos atW cinco vezes (como aconte-
ceu com a monumental Em Busca do Tempo
Perdido, de Marcel Proust, em sete volumes
na ediqao brasileira).

Leu, portanto, apenas
parte dos livros que
comprou. Mas leu
muito mais do que a es-
Smagadora maioria dos
membros da elite national,
demonstrando que o ato de ler nao exclui o
de ganhar dinheiro, uma desculpa esfarrapa-
da a que sempre recorrem os empresirios bra-
sileiros para justificar sua incultura (As ve-
zes camuflada pelo cosmopolitismo viajan-
te). Outros ate podem ter lido mais do que
Mindlin, mas neles fica bem nitida a distin-
cao entire quantidade e qualidade.
Montaigne, author do melhor livre-pensar
que a humanidade gerou at6 agora, leu mui-


to menos do que algumas posudas figures
da aristocracia paulistana (a funica plutocra-
cia para valer deste Pindorama). Mas hA com-
paraqCo possivel? Ler muito 6 bom se signi-
fica multiplicar urn prazer que a durac o da
vida naturalmente restringe (prazer que mas-
tod6nticas bibliografias de acad8micos nao
assegura). Mas sem prazer, de que vale ler
tanto?

Mindlin vai buscar a
resposta em Mon-
,- taigne, mais de 400
anos atris: 'Quando
encontro dificuldades
na leitura, nao me preocu-
po demais, pois se insistisse perder-me-ia
e o meu tempo; meu espirito 6 de compre-
enslo imediata. O que nao entendo a pri-
meira vista, entendo menos me obstinan-
do. Nao faco nada sem alegria", observou
o sabio author dos Ensaios, cuja primeira
ediqAo complete, de 1588, esta nas prate-
leiras de Mindlin.
HA quase 70 anos ele compra livros para
regalar-se em contemplA-los, manusea-los, ler
uns por inteiro, outros parcialmente, reler os
que sao de formacqo, oferec-los aos inte-
ressados ou deliciar-se em contemplar-lhes
o espanto, permitindo-se ainda editar obras
de dificil aceitaqo pelo mercado.
Como nao espantar-se encontrando na-
quela bela casa, acolhedora e confortAvel,
mas discreta, como seu dono, um manuscri-
to de 1566, no qual o entAo rei de Portugal,
cardeal dom Henrique, determine a equipa-
gem de uma expediiao rumo ao Brasil, ou ter
nas maos a primeira obra sobre o Amazonas,
o relate do padre Cristobal de Acufia, publi-
cado em Madrid, em 1641 (ou ElMaraiony
Amazonas, dojesuita Manuel Rodriguez, de
1648)?
Livros, incunabulos e manuscritos as
centenas sao pr6prios de uma rica biblio-
teca pfiblica de primeiro mundo, mas estao
la na casa de Mindlin, acessiveis aos seus
amigos ou aos que conseguirem demons-
trar-lhe que fazem parte da confraria dos
amantes de livros, que podem estar con-
denados ao fim previsto por Ray Bradbury
(em Farenheit 451) ou, talvez, alcancem a
renascenca, para a qual, cumprindo um
papel multissecular de seus antepassados,
o muito leal e correto Jos6 Mindlin dA seu
exemplo.
Assim, a sociedade havera de reconciliar-
se com o valor de seus livros, provando o
gosto superior do qual este escrito pelo em-
presario da apenas uma pequena amostra, o
suficiente, por6m, para despertar o desejo
pelas outras que ainda poderao vir. 0








Divida
A Universidade Federal do Pard bem que podia quitar um ddbito
que ficou pendente da cultural brasileira para cor Carlos Alberto
Nunes. O centenario do seu nascimento, ocorrido no ano passado,
foi uma data completamente ignorada. Ja neste ano complete um
quarto de s6culo que sua traduqco da obra complete de PlatAo, a
primeira versao integral em portugu6s de uma das maiores realiza-
4ces do espirito humane, comecou a ser publicada pela UFPA.
A ediiao nao fezjustica a faganha do medico maranhense, escon-
dendo graficamente um trabalho que pode ser nivelado aos melhores
produzidos em outras linguas. Uma revisao dessas obras completes
ja foi realizada e entregue a direcio da UFPA para que se proceda a
uma editoraqio digna. Ter um Platao integral e transposto com fideli-
dade do grego classico para a nossa lingua corrente 6 um atestado de
civilidade. NAo podemos desperdicar esse patrimbnio, perdendo os
direitos sobre a obra, que ficaram com a UFPA pela circunstAncia feliz
de Carlos Alberto Nunes ser tio de Benedito Nunes.
Se nossa Universidade nao for mais expedida, espera-se ao me-
nos que uma instituicao consciente da divida que todos nos temos
para com Carlos Alberto tome a si a tarefa de remir o pecado coletivo
que cometemos em relacio A atuaqiao dele. Com devoqao iluminista,
ele traduziu todo Shakeapeare e, em versos, a Iliada e a Odisscia, de
Homero, permitindo-nos chegar ao nirvana da apreciacqo estCtica e
da compreensao cognitiva.
Repassar esse prazer superior 6 o minimo que se pode cobrar
come retribui~go. A n6s cabe harmonizar a apresentacao grAfica e
editorial das obras completes de Platao ao significado do seu con-
teido. E quase nada para uma instituicAo que, a despeito de todas as
suas dificuldades, costuma publicar tanta tolice enfeitada por ador-
nos que faltaram A edicqo plat6nica, nesta nunca deixando de ser
apenas adorno.


Efici ncia
Em entrevis a OLhberal.
Caetana Ferreira. president
do Sindicalo dos Jornahstas
do Par. declara nao ler pro-
blema nenhum" corn as em-
presas de comumcaio do
Estado Como ndo for o que
me disse numa conversa in-
formal que tivemos na sede
do sndicato. fico feliz por sa-
ber que aqueles problemias
foram resolvidos tio rapida-
mente


Padrao Sudam
A Cia. Agro-Pecuaria e In-
dustrial MaringA-Capim 6 um
dos mais antigos projetos
agropecuarios aprovados pela
Sudam. que mant6m-se ainda
em atividade. O ultimo balan-
co da empresa, o de 1996, di-
vulgado em fevereiro, mostra
que ela teve um faturamento
operacional bruto de 133 mil
reais para umna receita nao ope-
racional de quase 1,5 milhao de
reais. Trata-se de uma compa-
nhia de bois ou de papCis?


Nao se pode elogiar
Ja que a prefeitura anuncia uma blitz contra os prCdios que estao
sendo construidos ou reformados sem dispor do habite-se munici-
pal, sugiro incluir na lista a nova farmacia Big-Ben da rua Santo
Antbnio, ao lado da loja Paris N'Am6rica. Quando a obra comegou,
atW fiquei esperancosamente feliz. Parecia que o pr6dio seria adequa-
damente restaurado, fugindo ao padrAo de mau gosto da rede.
Mas a boa reconstituiqao de fachada nao prosseguiu no interior
do velho prddio commercial, maltratado pelos antigos donos. O telha-
do foi substituido por uma estrutura metilica em policarbonato trans-
licido, uma agressAo As caracteristicas da edificaqio. Tubos metAli-
cos amarelo-berrante agridem a paisagem para levar o ar condiciona-
do. Para arrematar, um toldo de plastico da mesma cor amarela com-
promete a restauraqao, agredida pelo amrelo, escandalo caracteristi-
co da empresa. Assim, o que parecia uma saudivel excecio no arra-
sado com6rcio acabou se transformando num supermercado de re-
m6dios desconexo, o que esta la dentro e no alto nada tendo a ver
cor as laterals.
Sera que esse cometimento sera liberado pela PMB exatamente
quando se tenta salvar o velho centro commercial de BelCm? Resposta
de quem de direito.


In6rcia
A editor Record
comprou uma pAgina inteira
dejornal para anunciar o
lancamento da obra
complete de N61ida Pifion.
SAo 10 volumes de romances
e contos, que o distinto
leitor podera adquirir pela
m6dica soma de 200 reais,
aproveitando a enxurrada
que a circunstancia de a
autora ocupar a presidencia
da vetusta Academia
Brasileira de Letras (a
primeira mulher nesse cargo
em toda a hist6ria da casa
de Machado de Assis)
propiciou.
No material publicitArio
de sustentaqao, a Record
citou trecho de uma critical
da Publishers Weekly. 0
critic americano elogiou a
"dimensao amaz6nica da
imaginacAo" da escritora-
acaddmica. E provAvel que
ele nunca tenha vindo A
regiao, mas seu imaginArio
(como dizem os critics) foi
tocado pela grandiosidade
amaz6nica, mesmo sem o
governor deste pais e dos
Estados amaz6nicos ter feito
coisa alguma para
influenciar pessoas d'alem-
mar.
O que nlo se poderia
fazer na Amaz6nia se aqui as
coisas, como o turismo,
fossem levadas a sCrio.


CorreCao
As chamadas de primeira pi-
gina da edicqo anterior sairam
corn a numeraqgo da ediiao pre-
cedente por uma falha compu-
tacional. Da mesma maneira,
destaques no texto desaparece-
ram durante a conversao de um
program para outro, fenbmeno
tecnol6gico que trocou algumas
letras.
PerdAo, leitores, Como casti-
go, nosso computador foi obri-
gado a memorizar uma ediqgo
inteira de 0 Liberal.


Materia prima
O descompromisso do gru-
po Liberal com a verdade nio
ter mais limits. A TV Liberal
esta divulgando um anincio
para comemorar o recebimen-
to do Grande PrCmio Ayrton
Senna de Jornalismo na cate-
goria Televisao. A reportagem
premiada foi sobre uma crian-
Ca que vende carvio em Para-
gominas. A participacAo da
Liberal consistiu em oferecer
o cAmera e a produgAo. A pau-
ta e o reporter. Marcelo Cane-
lHas, vieram da TV Globo, como
ter acontecido em quase to-
dos os grandes assuntos e
naquelas mat6rias criadas so-
bre temas mal aproveitados
localmente.
Nao C que falte capacidade
A equipe da TV Liberal. Falta-
Ihe apoio e estrutura. A dire-
cAo da empresa, como ja e tra-
diiao na casa, s6 pensa em
equipamentos, quando os dis-
poniveis se tornam inserviveis
ou quando a corporacAo do
doutor Roberto Marinho co-
bra (como aconteceu na digi-
talizaqAo da imagem, depois de
tr6s anos de pressao do Rio
de Janeiro, enquanto outras
emissoras afiliadas passavam
A frente).
Comemorar a premiaqAo,
nesses terms, 6 reconhecer
que falta a TV Liberal o que 6
a essencia do jornalismo: in-
teligencia.


Mulheres
As mulheres ainda ocupam
apenas 15% das cadeiras da CA-
mara Municipal de Bel6m, mas
nesta legislature bateram o recor-
de de todos os tempos, o dobro
da legislature anterior (quatro
agora contra duas vereadoras
antes). Desde a 11a legislature
(ha tres legislatures, portanto),
ha mulheres na vereanqa da ca-
pital, ap6s umjejum de 13 anos.
Parece que chegaram de vez.
Nao era sem tempo. Talvez s6 nio
estejam numa boa safra political.


Joral Pessoal
Editor: Lucio FlBvio Pinto
Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 053-020
Fone: 223-1929, 241-7626 e 241-7924(fax) Contato: Try. Benjamin
Constant, 845/203 1 66 063-020 Fone: 223-7690
e.mail: lucio@expert.com.br
EditoragAo de arte: Luizp6 / 241-1859