|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Journal Pessoal L U L I U I- L A V I U P I N TI HISTORLA entregou a Amazonia Documentos in6ditos do s6culo 19 do Ministerio das Relaq6es Exteriores da Inglaterra revelam oplano do chefe do governor brasileiro, o regente Feij6, de trazer tropas estrangeiraspara reprimir a Cabanagem no Pard. Soldados ingleses, franceses e portugueses matariam os rebeldesparaenses, sob as bOnqdos do imp6rio, que esconderia sua responsabilidade agindo clandestinamente. Sefoi assim, permanece assim? 0 que mudou do Rio imperial Sin dezembro de 1835 o paulista Diogo Antonio Feij6 comanda- va o governor brasileiro. Era o regente, em nome do imperador Pedro II, ainda sem idade para assumir a administraqao. Feij6 convocou nesse.mds os embaixadores da In- glaterra e da Franqa no Rio de Janeiro para uma audiencia secreta e confidencial". Disse-lhes que esperava poder reunir no Para, at6 abril do ano seguinte, uma forca de aproximadamente tr6s mil homes, que seria suficiente para retomar o control da capital e das areas pr6ximas, em poder dos rebel- des. os cabanos. Nesse contingent Feijo incluia mil ho- mens que ali poderiam ser colocados pela Inglaterra, a Franca e Portugal, 300 ou 400, em m6dia, de cada pais. As forcas estrangei- ras atuariam ao largo de Beldm, a pedido ou sob a direiao das autoridades civis e milita- res brasileiras. Os pontos de maior interesse para essa aqCo seriam a ilha do Maraj6, Ca- meta e outros lugares mais proximos A capi- tal. A participaCgo estrangeira seriajustifica- da em fun~io de interesses humanitarios e . ivilizat6rios, tanto quanto pela proteio das vidas e das propriedades dos cidadaos es- trangeiros estabelecidos na provincia do Para, "sem que fosse divulgado que as medidas haviam sido adotadas a pedido do governor brasileiro", como queria Feijo. Cinco meses antes, o novo president nomeado para a provincia, mas sem forca para tomar posse, Manuel Jorge Rodrigues, jA havia recorrido ao c6nsul ingles em Be- lpara a Brasilia republican em relaqdo d Amaz6nia? '-4 /: MA" R 17 SI/ - lem, pedindo-lhe para mobilizar "as forcas aqui existentes de sua Naqo, para que uni- das as deste Governo, se salve esta malfada- da Provincia dos horrores da carnificina", solicitacao que fazia "pela longetude em que existe o Governo Central". Mas nem o inabil marechal Rodrigues poderia imaginar a que ponto chegaria Feij6. Surpresos e chocados cor a solicitaqio do regente, os embaixadores ingls e frances (o encontro com o representante de Portugal foi promovido em outra ocasiAo) ressalta- ram logo que qualquer providencia s6 pode- ria ser adotada depois de uma comunicaqAo por escrito e fundamentada do imperio bra- sileiro, dentro das regras constitucionais do pais. Feij6 disse que esse pedido por escrito era impossivel. Explicou que a Constituiqgo do Impdrio vedava categoricamente o ingres- so de tropas estrangeiras no territ6rio do Brasil sem a autorizaCio da Assembl6ia Ge- ral, que nao poderia ser obtida a tempo (a assembl6ia estava em recesso, s6 voltando a reunir-se em maio). Aldm dessa circunstAncia, uma solicita- 9io de tal natureza desacreditaria de ptiblico ANO XI NW 182 1- QUINZENA DE MARCO DE 1998 RS 2,00 Quando o Brasil > / 0 I I I 2 JOURNAL PESSOAL I QUINZENADEMAR(O/ 1998 o governor, que estaria admitindo sua inca- pacidade de. sem auxilio externo, "sufocar um punhado de desgracados insurgentes". Dai porque convocara aquele encontro pes- soal e confidencial corn os embaixadores para fazer-lhes verbalmente o pedido. O frances Pontois e o ingl8s Henry Ste- phen Fox concordaram, final, em repassar aos seus governor o teor da conversa, corn o cuidado de evitar que dela tivessem co- nhecimento os embaixadores brasileiros na Franca e na Inglaterra, alem do Marques de Barbacena, que era o ministry plenipotenci- ario em Londres (masque divergia de Feij6). Ao fazer seu comunicado, pordm, Fox tra- tou de observer que a proposta do regente, vaga enquanto operagao military, era uma vi- olaAo direta as leis e A constituicqo do Bra- sil. "O emprego no Para de ingles e frances, em conjunqAo corn uma forca portuguesa, se tornaria um procedimento ainda mais questi- onavel, considerando-se a peculiar animosi- dade A infludncia e designios de Portugal que ainda existe neste pais", observou o di- plomata britAnico no seu despacho a Lon- dres. Este document 6 um dentre varios outros armazenados no Public Records Office, em Londres. que pode ajudar a reescrever a his- toria da Cabanagem. Microfilmes corn algu- mas dezenas desses documents ja se en- contram no Arquivo Publico do ParA, gragas ao espirito puiblico do pesquisador inglas David Cleary. Estudioso da hist6ria contem- poranea da Amazonia, particularmente dos garimpos de ouro (tema de um de seus livros), Cleary deparou corn a correspond6ncia diplo- matica inglesa do sdculo 19, quejulgou rele- vante. Mesmo sem dizer-lhe respeito direta- mente, resolve copia-la e manda-la para Be- 1Im, fazendo-o anonima e gratuitamente.. Prestou um serviqo inestimavel A nossa hist6ria. Nos microfilmes ha documents suficientes para rescrever epis6dios ja co- nhecidos e introduzir entire os moments mais importantes da Cabanagem (c da hutl6ria bra- sileira do seculo passado) o encontro de Feij6 corn Fox e Pontois. O relato do epis6dio, fei- to pelo embaixador ingles no dia 17 de de- zembro de 1835, revela que, para sufocar a rebeliAo que estourara 11 meses antes na provincia mais setentrional do nascente im- perio. o chefe do governor estava disposto a abrir mao da soberania national. Arquitetou uma manobra secret, A mar- gem das regulamentaq6es legais do pais, para que a sediqfo fosse esmagada o mais rapida- mente possivel, ainda que para isso brasilei- ros tivessem que ser mortos por militares estrangeiros colocados dentro do pais pelas pr6prias autoridades brasileiras, mas atrav6s de maos invisiveis. Era uma tal monstruosidade, beirando a insanidade, que tanto o representante ingles quanto o Foreign Office recusaram partici- par da trama urdida por Feij6. Essa manobra de bastidores se sucedia enquanto o embai- xador brasileiro em Londres, no desconheci- mento da trama, protestava formalmente con- tra a presenca de navios da esquadra ingle- um exemplo que traria funestas consequiin- sa em Aguas do Para (e seu protest foi de- cias". volvido por Lord Palmestron, que estava Mesmo ao reconhecer que o Para ji havia sabendo de tudo). Ou seja, para combater a so submetido ao governor legal, retomando Cabanagem, o governor imperial brasileiro as atividades na agriculture e no comercio, o entrou na clandestinidade, expondo-se peri- regente ainda acreditava que seria necessa- gosamente em um epis6dio que s6 agora 6 rio "por algum tempo naquela provincia a revelado de piTblico. presence de grandes forcas, que exigem con- Ao assumir a regencia, Feij6 enfrentou siderAveis despesas". E pedia que ao gover- duas rebeli6es, eclodidas simultaneamente no provincial restabelecido fosse conccdida nos extremes de um vasto pais said de uma toda a forca constitucionalmente prevista autentica guerra civil: a cabanagem no Para "para poder restabelecer completamenic e e a farroupilha no Rio Grande do Sul. Nao consolidar a tranqiiilidade e a seguranca podendo combate-las ao mesmo tempo. por piblica' faltademeios materials ede uma visAo unica .'" Por P que tanto contrast na acao nopoder central, Feij6 escolheu inici:.r re- do L'O\ r no diante de problems sc- pressao no Para. Por qua? nic- "Imlli.ncl ri em duas provincias do Os historiadores apresentam algu- 'I" icslii',o inmpdrio? A cabanagem ame- mas explicaq6es. A cabanagem co- i ,. '. ;ia .in ,us a unidade do imprio ain- mecou emjaneiro e a revolucAo far- .d i imati ro e que o regent coin roupilha em setembro, apenas um m- .incs in (.no11 emipenho procurou assegu- da posse do regent. Mas sua decisi,. n1.i0o r:t do que a farroupilha? Havia obedeceu apenas a uma determinagao cro- uma intena5o. explicit ou suben- nol6gica: se nao estivesse no governor, Fei- tendida, dos cabanos de sair da nova naco, j6 estaria ao lado dos rebeldes gauchos. Eles formando um outro pais? queriam primeiro fortalecer uma federaco em Diogo Feij6, um dos fundadores da na- SAo Pedro do Rio Grande antes de uni-lo ao qgo brasileira, interpretou dessa mancira a Brasil. Assim, garantiriam um mesmo status, rebeliao dos nortistas nos (poucos, alias) como no caso das col6nias anglo-america- documents oficiais sobre o assunto. Num nas (o livro de cabeceira do regente tinha os oficio escrito "no calor da hora". em 25 de discursos de William Pitt. exigindo de Lon- janeiro de 1835 (18 dias depois da ocupacao dres reconhecimento a nova nacqo). de Belem pelos cabanos), o vice-consul in- Feij6 achava que o movimento dos gau- gl&s. John Hosketh (que daria origem a uma chos tinha ideias semelhantes as dele pr6- prole em terra paraense) express esse pon- prio, enquanto o que ocorria no Para era tuna to de vista da regencia: se o governor nio selvageria, coisa de indios, negros e mesti- reprimisse energicamente esses atos de in- cos contra os senhores brancos naquela dis- subordinacqo. "a separaqao das diferentes tante paragem, desconhecida para os mora- Provincias do Brasil e um event que podera does do Rio de Janeiro. Por isso, enquanto ser observado em um period nao muito dis- conversava corn os rebeldes gauchos, que- tante". ria esmagar logo os da Amazbnia, recorren- Os documcntos do governor ingl6s, agora do se necessario a tropas estrangeiras. como revelados, entretanto, reforqam a convicqao agora se revela. em contrArio: os cabanos queriam libertar-se Na fala de abertura das sess6es da as- do dominio opressor dos portugueses (sim- sembldia national, a 3 de maio de 1836 (quan- bolizados nos brancos em geral, donos de do ja haviam fracassado suas gestles para tudo, inclusive da gente mais humilde, domi- envolver ingleses, franceses e portugueses nando-a atraves da escravidAo aberta ou da na repressao aos cabanos), Feij6 lamentou a submissAo compuls6ria do trabalho). mas situacqo internal do pais, em contrast corn queriam fazer tambem part do Brasil. os sucessos obtidos no exterior. "Do Para Um oficio de 20 de dezembro de 1835 de faltam noticias modernas, porem A vista dos Everard Home. comandante de um dos bar- esforcos e provid6ncias do governor e pro- cos de guerra da Inglaterra que andaram pe- vAvel que, se ja nao esta, brevemente seja las aguas do Para atras de reparaqao para os restituida a cidade de Beldm A provincia e ao interesses do pais, cita o manifesto de 29 de Impdrio. Por bem ou por mal serd ela arranca- outubro de Eduardo Angelim. O fltimo pre- da as feras que a dominam". sidente cabano declarava que ele e as pes- O tratamento dado a sedicqo de Porto soas sob seu comando se consideravam "su- Alegre era bem outro: "Obem do estado acon- jeitas ao Imperio Brasileiro". Home acrescen- selhou medidas conciliadoras, e ati hoje tem tava, porem, que "eles nunca se submeterdo elas obstado que atos de ferocidade se mul- a um president que nao seja um native da tipliquem, como e de costume em tais cir- Provincia ou de sua pr6pria escolha". cunstancias", relatou aos parlamentares. O Na primeira resposta que deu A esquadra governor deixava "entrever aos sediciosos" inglesa, deslocada para o ParA corn a missao que seu desejo "de nao sacrificar Brasileiros de apoiar os residents no pais e exigir a ao estado de guerra tern feito dar espaqo a apuraao do ataque ao navio mercante "Clio" reflexao". S6 em ultimo caso "pora em movi- em Salinas (toda a tripulagao foi morta, exce- mento todos os recursos do Estado para to um marinheiro, e a carga pilhada), o presi- sujeitA-los a obediencias, nao romper-se a dente Angelim declarou em oficio de 18 de integridade do Imperio, e na~o deixar passar marco de 1836 que a indenizagao deveria ser JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE MAR(O / 1998 3 cobrada do governor central, "ji que o Para Se essa era a visao de um embaixador en- nao existe desmembrado do Imp6rio". Mas castelado no Rio de Janeiro, a rica correspon- se por acaso o Rio de Janeiro se recusasse a d6ncia entire os integrantes da esquadra des- atender o governor britanico, assegurava ao locada para o Para permit combinar os pre- comandante ingles que "esta Provincia to- conceitos e aversoes colonials (os "cafusos" mara para si tal indenizaqco". estao entire "as mais infiteis variedades das O Rio de Janeiro simplesmente nao con- esp6cies humans" para o embaixador Fox) seguiu entender ou nao quis, por ser-lhe corn a acuidade do imp6rio britAnico. Na pri- indiferente a voz que vinha da distant meira refernncia ao epis6dio, Fox ja se per- Amaz6nia. Nem mesmo a situacio military, da guntara se o que acabava de acontecer no correlaqAo de forgas e do estado belico, con- extreme norte do Brasil "era uma sanguinaria seguiu avaliar. A Inglaterra, com homes ex- sediiao ou, mais exatamente, uma revoluQao". perimentados operando diretamente na area Cor pertinencia, ele lembra que o Lobo e observando corn menos preconceito, via de Souza que se destacara como deputado por outro prisma. O capitao Strong, que co- na Assembl6ia Geral por suas "violentas mandava a Belvidera. achava que cor um opini6es republicanss. ao refluir nessas esquadrAo poderia tomar a cidade, ocupada concepcqes, quando assumiu a presidencia por pouco mais de mil homes, em hora e da provincia, contribuiu, corn seus atos de meia, embora tivesse o cuidado de precaver- violincia, como as pris6es, para o instiga- se contra a lideranga de Angelim ( "um mero mento e a organizaqAo da "mais ampla insur- rapaz"). cujo nome parecia provocar "um ter- reiqAo das classes mais baixas da populacqo rivel efeito" entire os cabanos. e da soldadesca". Navios de guerra do Comando das For- Os enviados do impdrio britAnico aplica- qas Navais de Sua Majestade nas Indias ram ao que viram os seus pr6prios interes- Ocidentais, fundeados na Jamaica e em Bar- ses, mas nunca deixaram de observer objeti- bados, foram deslocados para o Pard nao s6 vamente, mesmo quando as conclus6es de por causa da pilhagem e mortes no "Clio", suas analises nAo se ajustavam com o que das ameacas aos cidadios ingleses estabe- sugeria os dados por eles mesmos coleta- lecidos em Belem (pelo menos 18, que assi- dos, o que Ihes garante excepcional relevan- nariam um memorial de protest, acusando o cia enquanto fontes de refer8ncia. governor brasileiro de ter sido negligente ao Gracas a esses relates pode-se adicionar A inicio do movimento, quando, se agisse, po- cr6nica da cabanagem fatos at6 entao omiti- deria td-lo sufocado), com um com6rcio de dos, como uma tentative de morte contra 100 mil a 150 mil libras, mas para investigar Angelim, documents indditos (como uma se naquele lugar estratdgico poderia estar se confissao de Francisco Vinagre, provavelmen- rcpetindo um motim semelhante ao de Santo te obtida sob tortura) e registros novos, que Domingo. avivam a narrative sobre as violEncias e atro- A Inglaterra temia que a evoluq~o do mo- cidades de uma repressao mais sangrenta do tim levasse a uma uniao de negros escravos e ue a ueo pr6prio movimento rebelde que indios. ambos procurando a libertacio contra aensejou Em20dedezembro de 183 os senhores comuns, os brancos, identifica- ..i por exemplo, Everard Home anotou dos como o grande inimigo a ser elimina- para o vice-almirante Cockburn o qua- do, como observou o embaixador H. S. X..;. dro de baixas dos dois lados ao largo Fox ao premier Palmerston em oficio de Belem. Dos 1.400 fugitives que no de 10 de novembro de 1835: "os indi- .. inicio de setembro desembarcaram os (...) nunca foram apanhados, legalmente, na ilha deTatuoca, 450 haviam mor- na escravidao; mas eles trm sido, talvez, mais rido atd entao. Do fim de agosto atd cruelmente oprimidos". Dai avioln&cia em sen- 9 de dezembro, morreram na ilha e a tido contrario, que poderia dar curso tambem bordo da corveta Campista 660 pessoas; dos A libertaq~ o dos escravos africanos e p6r fim 280 prisioneiras levados para a corveta De- ao mundo criado pelos brancos: fensora, 196 ja haviam morrido e a tend6n- "A perda do Pard prossegue o embaixa- cia era de incremento. dor na correspondancia ao Foreign Office -, Desiludidos por decadas de incompreen- sob qualquer circunstancia, poderia ser um sio e viol6ncia, que se mantinham na admi- golpe severe a prosperidade do Brasil; mas o nistracio da nova naq~o, os rebeldes fize- exemplo, para o restante das provincias, do ram uma identificaqCo racial de todos os pro- sucesso de uma insurreiqao como essa atual, blemas, dos sociais aos politicos, declaran- tera a mais terrivel conseqiiencia. Nao havera do "uma guerra de exterminio aos habitan- cntlo nenhuma possibilidade de que tanto tes brancos", como relataram tres comerci- indios quanto negros estabelecam alguma antes ingleses estabelecidos em Bel6m ao coisa semelhante a um governor, ou uma for- consul Hesketh em 27 dejulho de 1835. ma regular de sociedade: eles sio, acredito, Os europeus e os americanos com inte- muito menos avancados em relaq~o a civiliza- resses na region se assustaram cor a explo- cao do que os negros de Sao Domingos fo- sio social e mandaram observadores. Sete ram, quando eles por primeiro se tornaram li- navios de guerra de tris bandeiras (inglesa, vres: se a revoluqio nao for agora sufocada, a francesa e americana) singravam as Aguas extensa e fdrtil provincia do Pard podera ser pr6ximas a capital paraense quando os ca- considerada como perdida para o mundo civi- banos estabeleceram seu governor em Belem, lizado". a primeira administraqC o popular ap6s s6cu- los de dominio metropolitan, primeiro em Lisboa e depois no Rio de Janeiro, das clas- ses dominantes, os brancos. Negros, indios e cafuzos tomaram o po- der, mas nio tinham um projeto de governor para executar. Jamais Ihes passou pela cabe- ca dar inicio a um novo pais. Queriam inte- grar-se ao impdrio brasileiro em formac~go. mas a prova dos nove para eles era a quali- dade do president que a capital national mandaria para Belem. Infelizmente aqui che- gou gente da mesma natureza dos que go- vernaram no period colonial portugums. A revolta tinha que ser maior. Quando perce- beu que a revoluq~o o sufocaria em sangue, como acontecera com seus dois antecesso- res, Angelim, o president que mais tempo ocupou o governor popular, desistiu. Um se- cretArio particular dele tentou garantir fuga na Belvidera, mas o capitao do navio ingles. Strong, fez ouvidos de mercador a insinua- ~go. Ele tamb6m classificava os cabanos como barbaros. S6 agora estao sendo recuperados os documents produzidos por esse sagaz in- teresse estrangeiro. A amostra que David Cleary mandou de Londres atesta que ainda estA por ser escrita uma hist6ria satisfat6ria da cabanagem. Muitas perguntas permane- cem sem resposta, mas uma aproxima~io mais exata do tema comega a surgir. Parece fora de dfivida que a Inglaterra, ao contririo de uma lenda disseminada pela his- toriografia local, nao teve a menor solidarie- dade para cor os rebeldes, mesmo tendo se recusado a entrar na aventura proposta por Feij6. Os ingleses perceberam que era me- Ihor atuar na regiao atrav6s de um governor titere, mas national, do que enredar-se nos tr6picos amaz6nicos, tendo ja tantas dificul- dades do outro lado tropical do mundo. Quando surgiu, anos depois, uma ativi- dade produtiva de interesse commercial para o mundo, a borracha, os ingleses estavam cor suas raizes financeiras fincadas em solo da Amaz6nia. Mas o governor central ainda era uma abstragao para os amaz6nidas, dis- tAncia que percebera, ao seu estilo, o mare- chal Jorge Rodrigues, um dos muitos sitra- pas que o Rio mandou e, ainda hoje, Brasilia nos envia. Ad aeternum? Para auxiliar na resposta, espera-se que o governor rapidamente conceda ao Arquivo Pfiblico os recursos necessarios para tradu- zir e publicar toda a documentaqco do Mi- nistdrio das Relaq6es Exteriores da Inglater- ra que David Cleary teve a clarivid8ncia (sem trocadilho) de nos mandar, conferindo-se a este a medalha que seus benem6ritos servi- qos recomendam. Como ainda hA papeis es- condidos em Londres, Paris, Washington, Roma e ate mesmo Amsterdam, espera- se que as pr6ximas expedic6es de historia- dores A cata de documentagdo primaria seja mais produtiva e de maior utilidade social do que as atd aqui empreendidas. Ou que haja mais estrangeiros sensiveis nessas capitals metropolitanas, como Londres, Paris on Bra- silia. 4 JOURNAL PESSOAL I QUINZENA DE MARCO / 1998 A banda dos tucanos vai passar No intervalo de quatro meses, o governa- dor Almir Gabriel mostrou que 6 um home de sorte. Em outubro superou uma situaqAo de risco e sobreviveu ate a ameaqa de impe- ricia m6dica. Sua recuperacqo pos-operat6- ria tem sido surpreendente. Agora, embar- cou numa nau que parecia condenada a fa- zer agua no samb6dromo do Rio de Janeiro e acabou dividindo com a Beija-Flor de Nil6- polls- e a Mangueira, homenageada em seus gloriosos 70 anos, intencionalmente ou nao o campeonato das escolas de samba de 1998. Se a lisura da pontuaqAo dos jurados pode ate ser questionada, no apaixonado clima pos-carnavalesco, num moment em que a escola dos AbraAo sobe contra um pano de fundo de puniqco a Viradouro, do inc6modo Joaosinho 30, nao ha dfivida que uma estre- la brilhou para os lados do governador do Para, mesmo que atraida pelo magnetismo dos Aruana. Mas tera o Estado, que 6 quem paga a conta, se beneficiado dessa vit6ria tanto quanto o governador? Ou, dito de outra for- ma: o governor visou mesmo o bem do povo paraense quando empenhou verbas explici- tas e apoios implicitos ou mal-disfarcados na escola de samba de Nil6polis? Ou apenas fez o alquimismo eleitoral que contaminatudo em safras de votos, indo dos campos de fu- tebol as passarelas do samba? Proclamam o governador e seus porta-vo- zes, assumidos ou escondidos, que a sim- ples exibiqio dos motives paraenses no Rio de Janeiro ja seria o suficiente para promo- ver o ParA. Corn a vitbria, os efeitos promoci- onais serao multiplicados, compensando to- dos os gastos, contabilizados ou nao. Proje- tado para o pais e o mundo atrav6s do folco- re e da mitolologia marajoaras, o Pard sera chamariz de turistas e investidores. Mesmo despojados de serpentinas e confetes, eles guardarao na mem6ria consciente ou su- bliminarmente a mensagem do convite. Virao. Deixando o espirito carnavalesco de lado, agora que nos cobrimos com as cinzas da quarta-feira, raciocinemos. 0 comparecimen- to de convidados aos camarotes paraoaras foi minimo e pouco representative. O lobby entire um e outro ziriguidum nio deve ter fun- cionado e os mais realistas j deviam saber disso. Um secretArio de agriculture vai para o camarote da Marques de Sapucai colher abobrinhas? E necessArio que um secretArio de assuntos estrat6gicos chegue ao Rio numa sexta-feira gorda para um encontro no BNDES na quinta-feira seguinte e declare que foi fazer estrat6gia e nao sambar? Os frutos das sementes que o secretario de agriculture levou para o samb6dromo, se aparecerem, s6 virao com o tempo. Os resultados concretos da maciQa campanha em torno da associaqio Pard-Beija Flor, po- r6m, ja sao fatos preteritos. O principal: Beldm teve o mais triste e bisonho dos car- navais em muitos tempos (ou em todos os tempos?). Uma parte menor desse fracasso pode ser creditada a prefeitura. Mas a ina- bilidade do PT na Doca foi residue diante do esvaziamento (deliberado?) que o go- verno provocou com sua campanha publi- citAria, que transferiu de vez o chamado imaginario do paraense para a Cidade Ma- ravilhosa. Feriu de morte um carnaval que a miopia e a indrcia tmr feito agonizarja ha algum tempo, sufocando um dos momen- tos mais favoraveis a este povo alegre e festeiro, que j teve carnavais a sua altura. Era quando acreditava mais em si, tomando a iniciativa, ao inv6s de ficar esperando por presents do soba encastelado em sua torre (sem minarete). Mais um lance dessa briguinha provinci- ana e nefasta entire prefeitura petista de Be- 16m e governor tucano do Estado, que se agra- va a cada dia, envolvendo alunos sem esco- la, mosquitos sem combat adequado e bai- xadas a espera de paternidade. Vai chegar num ponto em que, reeditando o mal-a-mor- te de Jarbas Passarinho e Alacid Nunes, Al- mir Gabriel e Edmilson Rodrigues nem pode- rao se encontrar em public. O cons6rcio corn a Beija-Flor foi um pre- texto publicitArio para promover o candida- to A reeleiqco (que, demonstrando falta de traquejo para o ato, beijou o estandarte da escola de samba para o plantao da TV Libe- ral documentary desinteressadamente, 6 claro), tomando o Pard como mote de cam- panha. Houve algum cuidado em dissimu- lar esse prop6sito, mas nao tanto. O princi- pal filmete propagandistico esqueceu a ce- ramica marajoara, o museu do padre Gallo, o sahir6 (prefiro a qair6) e Alter-do-Chao. Como promover turismo no ParA sem esses itens? Criando fantasias e retocando a rea- lidade, como ver o Ver-o-Peso apenas do alto. sem descer A sujeira dominant, como no dito filmete. O governador Almir Gabriel estA de para- b6ns, juntamente com seus marqueteiros. Mas o Para ter motives reais para comemo- rar? Mesmo certos sucessos, entretanto, de- vem ser levados na devida conta. JoAo Gou- lart foi campeao do mundo de futebol como vice-presidente em 1958 e bi-campeao, ja como president, em 1962. Mas caiu menos de dois anos depois de ter levantado a Jules Rimet As fantasias e libaq6es do carnaval sao um mand para a alma e para o corpo. Mas se prosseguem depois da quarta-feira passam Gestao tucana O governor do Esiado proclama que o Para foi o pnmetro no pais a fechar um acordo sobre a sua divida corn o governor federal. NAo e verdade. segundo os dados da Secretaria do Tesouro Nacional. o Para foi o sexto. Anles dele firmaram protocol de Iutenq6es Minas Gerais. Mato Grosso do Sul Rond6nia. Rio Grande do Sul e Santa Catarnna. Ae agora o Para ndo assmou o contrao de refi nanciamenio. o que I Estados.a fizeram. Esse retardanento. que de e-se a pendeucias como a do Banco do Estado do Para. pode ait ser favora-el O Para acettou refinanciar sua d tada corn a Uniao. de 223 ntilhes de reals. em 15 anos. Apenas mats cinco Esiados ficaram nessa condicjo. eniquanlo 15 receberam 30 anosde prazo para quitar scus debitos De todos sera cobrado juros de 6"- (exceio de Minas Gerais, que por ter recebido mats beneficto. pagara 7.5%'o ao anoi Como nao fot bor renegocador da divida jurorss igual para amonizaq o em penodo nuas curtoi. o Paia comprometera corn o pagamento dessw debito 15'1 ; de sua recela. a proportAo mndxnma, a que ficaram su.eitos apenas tries Estados (Mato Grosso e Malo Grosso do Sul. alem de no6) entre os 22 que acenaram suas contas em Brasilia- A inaiona compromclera de 1 I.5?o a 13" n do que arrecada. Resia saber se o successor de Alnir Gabriel dra dele. ale corn mats razio. o que Alinir disse de Jader Barbalho quando assumiu o go\erno. aulcando uu cendoi idamento que recebeii e que Iransferra. se nao for reeleilo. em condides ainda mais insatislarorias do que as estabelecidas quando ocupou o cargo Se for reeleito. tera mais quatro anos para mudar esse perfiI desfaN ora cl Ah. sim: o goernador edo mesmo parndo do president da Republica a ter um gosto travo, de festa pela qual paga- remos mais caro do que seria razoavel espe- rar, como essas esdrnxulas micaretas, o mico que picaretas passam em frente para um povo que busca no excess de fantasias a com- pensaqio pelas carincias reals. Elas, no en- tanto, continuam a existir. E, como adverte uma bela mftsica carnavalesca, obra do com- positor merecidamente homenageado pela vencedora Mangueira, tambem 6 precise se preparar "pra quando o carnaval passar". JORNALPESSOAI. 2- QUINZENADEMAR(O /1998 5 Interesse public Tem havido uma S. .. ,..' profuslo de aditivos contratuais na administraio Almir Gabriel. Aditar contratos pode ser legal, mas e impossivel, pelo acompanhamento do Diario Oficial, dizer se os terms aditivos estio perfeitamente dentro das normas legais ou nao. Os extratos simplesmente nio se referee ao contrato original, seja em relacgo ao valor contratual como quanto aos itens que sao modificados (alguns extratos sao sumarios ate demais, como os da Superintend6ncia do Sistema Penal, arrolando contratos diversos conforme os itens equivalentes). Para prevenir que da duvida result a desconfianca ou mesmo a acusacio infundada, todos os resumes dos aditivos deveriam trazer referencias esclarecedoras sobre os contratos originals, permitindo confrontar as condicoes anteriores cor as que foram alteradas. Dessa maneira o distinto public estaria melhor servido e nao ficaria imaginando besteira. Podem ser tomados como models quase ideals o extrato contratual e o termo aditivo que o Tribunal de Contas dos Municipios publicou no Diario Oficial de 11 de fevereiro (caderno 2, pagina 7). A Secretaria de Trabalho e Promogao Social, por exemplo, aditou em nada menos de 52 mil reais um contrato cor a COP (Centrais de Operaq6es e Vigilancias), sem dizer qual era o valor original, ou quantos postos de vigilancia havia antes (apenas um foi adicionado). Nem mesmo indicou a vig6ncia do aditivo. Em um dos aditamentos, a Secretaria de Educaaio acrescentou ao contrato com a Puma Servicos Especializados de Vigilancia e Transporte de Valores dois postos de vigilincia na EE Ibifam, no valor de 8,4 mil reais, pagos entire 13 de fevereiro e 31 de marco deste ano (um m6s e meio, portanto). S6 por curiosidade, gostaria de ver a planilha de custo desses dois postos para ter uma informagao segura sobre a formac.o de prego nessa area de terceirizacgo cada vez mais ampliada na administraq~o p6blica, que 6 o da vigilancia particular. Mas gostaria tamb6m de proper outra questao a Seduc e a opiniio public. A escola que a Ibifam mantinha no quil6metro 11 da rodovia Augusto Montenegro era exemplar, certamente a melhor no ambito das empresas paraenses e daquelas poucas de linha de frente em todo o ensino no Estado. O recrutamento dos alunos era feito entire os funcionarios da industria, admitindo tambem candidates externos. -. "A-..: Emmuitos . ... inicios de manha cruzei corn o 6nibus escolar, rodando pela cidade para recolher alunos. Atrav6s de alguns pais, colhi depoimentos sobre a excel6ncia do ensino que ali se ministrava, ao menos para os padres paraenses, e da administration escolar satisfat6ria. Mas a Ibifam faliu, arrastando sua modelar escola. Os pais tentaram manter a autonomia da escolinha atrav6s da Funda9ao Ibifam. Acompanhei a pol6mica de inc6moda distancia, torcendo (mesmo nao tio bem informado como deveria) para que a experiencia pudesse prosseguir como vinha se desenvolvendo. Mas o governor, em duas canetadas fulminantes, iniciou e consumou a desapropriacao, transformando o que era uma joia encravada ao lado da industria nessa EE Ibifam que recebeu os dois postos de vigilancia atrav6s do termo aditivo da Seduc corn a Puma. Os promotores dessa media deverao alegar que, incorporada a rede public, a escola estara democraticamente acessivel a todos e protegida do naufragio industrial (que se seguiu ao apogeu alcancado pela Ibifam durante a produaio de hipocloritos para o combat ao cholera . Como os pais dos alunos estavam dispostos a sustentar a escola, pergunto se nao valeria a pena esperar pelo desenvolvimento desse desafio, tratando de separar ojoio do trigo para que os necessarios acertos comerciais que a situaiao da empresa impunha nao se transferissem, ainda que invisivelmente, para o lado da escola. Nao tera sido precipitada e artificial a desapropriacio feita pela Seduc? S'.'i., E de se lamentar que a grande imprensa, depois de ligeiro interesse pelo assunto, quando a industria faliu, o haja expurgado de sua agenda em seguida, privando a sociedade de avaliar corretamente as decis6es que a Seduc tomou, um tanto autoritariamente, sem maior discussao. Dai as duvidas que manifesto, receoso de que uma boa experi6ncia tenha sido agodadamente eliminada, sem garantias seguras de que uma nova fase tenha vindo para valer e para melhorar as condia6es de ensino da escola da Ibifam. A Secretaria de Planejamento esta publicando portarias de viagens de seus servidores sem indicar o valor. E contra as normas. Os atos t6m que ser retificados. Um exemplo esta na pagina sete do 1 cadero do DO de 18 de fevereiro. 0; O Fundo de Desenvolvimento Econ6mico do Para nasceu cor uma inspiragao, de fomento official a atividade produtiva, mas sempre funcionou como um recurso politico ou eleitoreiro para o governor. Foi assim desde o inicio. Permanece assim at6 hoje. Qual o sentido desenvolvimentista de dar 20 mil reals para a conclusao do pr6dio da Camara Municipal de Peixe- Boi, R$ 30 mil para a conclusao do pr6dio da prefeitura de Quatipuru, 15 mil para a construcio de uma praqa em Novo Mirinzal (localidade tambem dessa criacio eleitoral, o municipio de Quatipuru)? Alguns conv6nios do FDE especificam quais sao as obras de "apoio ao desenvolvimento do municipio". Outras, nao: declaram apenas essa destinacio gen6rica, que pulveriza recursos em obras de apelo local mas sem qualquer efeito germinativo desenvolvimentista. 6 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE MARCO / 1998 A interpret ao utilitarian Nos ultimos tempos o ex-senador Jar- bas Passarinho ter sustentado que as calinias que alega ter sofrido na campa- nha electoral de 1994 foram concebidas e executadas pelos marqueteiros do seu adversario "sem pr6vio conhecimento" do proprio Almir Gabriel. A principal calunia consistiu em envolver o ex-mi- nistro em um escandalo, o maior pratica- do pela administracio Collor no Para: a aplicaco (e, por conseqiincia, o des- perdicio) do equivalent a quatro milhoes de d6lares em uma penitenciaria de se- guranqa maxima em Santa Izabel (mas que nao passou do muro). Como fez desde o primeiro moment, Passarinho continue a sustentar que nada teve a ver com a dilapidagio do dinheiro p6blico. Enquanto foi ministry dajustica de Collor, agiu corretamente, nada tendo a ver com esse ato vergonhoso. Cobra as responsabilidades ate hoje. Na sua ultima manifestagco, em artigo para 0 Liberal, estranha o "silncio tumular" que se estabeleceu e persiste "desde que a desonestidade foi constatada". Os donos de O Liberal deveriam abrir uma excecao na regra de ouro de alhea- mento que sustentam e, de vez em quan- do, dar mais do que uma olhada em seu journal. Seu ilustre colaborador, embora de uma forma nao muito acessivel para o entendimento de seus anfitri6es, esta sugerindo que o journal seja coerente. Se fez um barulho danado em torno do as- sunto durante a campanha, deixando so- brar farpas na diregao do entao candi- dato ao govemo, que estava do outro lado (num desses moments do eterno movi- mento pendular da political paraense), o journal poderia quebrar esse "silencio tu- mular" (muito ao gosto da casa, quando de seu interesse) e apurar ate onde che- gou essa cadeia de desonestidade. Seria a unica maneira de evitar o desfecho imoral antevisto pelo ex-senador: "E os ladr6es locals ficarao impunes". Quais ladr6es? Os que o deputado Cipriano Sabino (do mesmo PPB de Passarinho) parecia vislumbrar na epoca da campa- nha, quando investiu contra eles? Se persistir essa omissao, bem que Passarinho, com seus privilegiados con- tatos em Brasilia, poderia trazer o as- sunto a opinimo public, agregando toda a comprovagao documental que o seu artigo apenas sugere, ainda que deves- se ser uma sugestao compuls6ria se os donos da empresa levassem a serio o que sai em seu instrument de neg6ci- os, o journal. Afinal, apesar de o ex-mi- sadas e mais sistematicamente utili- nistro ressalvar que "menos de 1/ [do zadas da campanha electoral de 1994? dinheiro] foi liberado durante minha ges- As pessoas mais bem informadas sa- tao", esse "menos" soma quase um bem muito bem que Passarinho 6 vul- milhio de d6lares, muito mais do que o neravel a esse tipo de estocada. Ate dinheiro efetivamente gasto naquele ali- hoje ele perde um pouco o control nhamento de tijolos apelidado de muro quando algu6m Ihe imputa a declaraqgo - quem sabe, proporcionalmente o muro sobre o salario minimo, que garantiria mais caro da hist6ria da humanidade, ao trabalhador brasileiro um padrao dig- capaz de ser arrolado simultaneamente no de vida, alguma poupanga e uma cer- como uma das maiores vergonheiras do vejinha nos finais-de-semana. pais e fazer parte do Guiness, o livro O medico Almir Gabriel, mesmo nao dos records. sendo um atento observador da cena pa- Para nao dizerem que sou pessimis- raense, nao deconhece esse epis6dio. Di- ta e causo depressao, vou tentar enca- gamos que seus marqueteiros (que Pas- rar esse epis6dio pegonhento por um in- sarinho prefer nao identificar, mesmo gulo mais r6seo: os quatro milh6es sabendo quem sao, um deles, ao enterrados nas fundagoes e no que parece, expurgado do ramo enfileiramento de tijolos reprc- ., ornitol6gico de uma das famili- sentam o preqo que paga- ,.: as Chaves entroncada na oli- mos para nao ter uma pe- garquia local, como se pro- nitenciaria de seguranga clamava no velho e sau- maxima em Santa Izabel. /" doso Corujao) tivessem Ela pouco significaria Ela pouco significaria :.. surpreendido Almir na pri- como fator de redu9ao e .. meira veicula0o da peca iniao da delinquincia en- sobre o "murinho". Mas ela d6gena. Na verdade, funci- .. to repetida diversas vezes, pro- onaria como centro de turis- ./ .. \ocando, em represalia, referEn- mo criminal, trazendo para ca cias no horario de Passarinho a "co- alguns dos principals bandidos do pais laboragao" que o senador tucano teria (os daqui ainda estao em estagio atra- recebido da construtora Odebrecht (mal- sado), corn a marginalia delituosa que dade tao grande quanto a que provocou sempre os acompanha. Nao foi para isso o troco). que o governador Almir Gabriel e seus Nem mesmo Almir Gabriel poderia operosos secretarios submeteram-se a ignorar a tal calunia, alegando, como de bailar o carnaval na avenida carioca. habito, que nao leu osjornais ou nao viu Eles querem um turismo mais saudavel a televisao. Os marqueteiros que institu- nas aguas do patu-anu. iram a "Ordem da Baladeira" para p6r o Aguardemos um pr6ximo artigo do ex- coronel Xexeu para correr, gravando fita senador. Se ele preferir nao se manifes- cassette e espalhando faixas pela cidade, tar tao em profundidade sobre a ques- alem de produzir panfletos, nao s6 conti- tao, por nela estar envolvido diretamen- nuaram a frente da campanha: alguns dos te (ainda que como Pilatos no credo), audazes cavaleiros do anonimato foram ofereco-me para abrigar o assunto, se premiados com cargos no govero, no ele quiser me presentear corn a integra qual permanecem ate hoje, enaltecidos da sindicincia, inquerito administrative ou e fortalecidos, um deles at6 apontado process judicial, se ja instaurado, ou como eminencia parda (hoje mais ama- quaisquer outros documents, que algu- rela do que propriamente parda). mas fontes acionadas em Brasilia nao As coisas da campanha fluiram tao conseguiram providenciar (estejomal, ao naturalmente para a administragao do contrario de O Liberal, nao tem recur- candidate vitorioso em 1994 que o pro- sos para ir a Brasilia garimpar informa- prio Passarinho p6de observer no seu 96es na origem ou acionar uma sucursal artigo dominical para 0 Liberal: "Os na capital federal). Esta feito de public maldosos marqueteiros devem estar o oferecimento. prontos para repetir facanha semelhan- Mas sera que alguem consegue in- te no ganha-pao havido com indignida- corporar a convic9ao que o ex-ministro de, em proximas campanhas". comegou a manifestar nos ultimos tem- Se a pr6xima encontrar Passarinho pos sobre o desconhecimento do atual e Almir em um mesmo palanque, como governador de uma das ac6es mais pe- sera a concatenagio dos marqueteiros? JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE MAR(O / 1998 7 Como impedir surpresas tao desagra- daveis como as que Passarinho sofreu no ano passado se o governador per- sistir no "desconhecimento pr6vio" do quc fazem seus indignos marqueteiros? Eles serao excluidos do pr6ximo em- bate, em reparagao da honra ultrajada do ex-ministro? Ou este, mantendo a credulidade da interpretagao corrente que ter dado aos incidents de 1994, O que 6 reportagem? Rusticamente: 6 um textojornalistico mais long, produzido a par- tir de apuralo de campo ou levantamento de arquivo (ou as duas coisas combinadas). Se essa defini~io 6 verdadeira, estio no lugar errado varios dos livros classificados para concorrer ao Prinio Jabuti deste ano no gi- nero reportagem. Por exemplo: Calandra 6 um depoimento - aqui mesmo teve o seu valor questionado de Perv Cota, assim como o proprio nome esta dizendo (Testemunho Politico) o que 6 que esta dentro do livro deMuriloMello Filho (nes- te JP igualmente resenhado). Tamb6m critiquei a superficialidade e a press de 0 Sequestro Dia-a-Dia, de Alberto Berqu6, outro livro que ficou entire os 10 classificados para a final. Mas tudo bem: todos (mais Jos6 Maria "abello. que contou a hist6ria do seu valente journal, o BRino)lio. deBelo Horizonte) siojor- nalistas. O que nio entendi mesmo foi a inclu- sao do livro da minha amiga Violeta Refskale- fsky Loureiro entire os trabalhos de reporta- gem. Violeta nilo 6joralista. nem teve a in- tenc~o de fazerjornalismo. Maxime Haubert, uma das apresentadoras do livro. diz que Es- tado, Bandidos e Her6is e "uma otima combi- naCgo de diferentes disciplines: sociologia, hist6ria, political e economic". Nio incluiujor- nalismo. Ja Christian Gros sauda o livro como "urna contribuicio marcante para a sociolo- gia da revolta no meio rural". A partir do livro de Violeta pode-se fazer 6ti- mojornalismo, mas rescrevendo a hist6ria para enquadra-la na abordagem especificamentejor- nalistica e dando-lhe umnadimensio mais apro- priada a um usurio da imprensa. 0 livro estaria na categoria certa se a Cejup, que o editou, o tivesse inscrito entire as obras de ciencias hu- manas ou mesmo na de ensaio e biografia. Nun- ca na de reportagem. Violeta merece ganhar un prnmio certo, nIo por vias e travessas. Academicismo? Nio. A reportagem e uma instituiclo em decad6ncia no jornalismo e mesmo fora dele. O legista alagoano George Sanguinetli transformou seu laudo sobre a morte de PC Farias em um livro que concorre ao Jabuti de reportagem. Mas, como no caso de Violeta. sem os mesmos m6ritos dela. en- acreditard, como o rei Roberto Carlos, que, daqui pra frente, tudo vai ser di- ferente? A opiniao ptiblica nao restart a pos- sibilidade de cultivar tamanha ingenui- dade. Mesmo porque nao tera um pre- 9o de consolag~o por esse faz-de-con- ta utilitario. E quando a fantasia nao compensa, nada melhor do que encarar a verdade de frente. D6i, mas educa tretanto, Sanguinetti esta fomecendo dados para uma reportagem. E diferente de chegar ao produto final. Nio-jornalistas podem escrever belas re- portagens, de que temos exemplos permanen- tes em publicac6es como New Yorker, New York Review of Books ou The Nation. Mas 6 precise que escrevam coin a clareza, a limpi- dez, a flucncia e a forqa de um born texto de reportagem. O que se denomina muitas vezes de repor- tagem e ensaio ou cr6nica. Nio quer dizer que sejam g6neros inferiores e freqiientemente nio o saio. muito pelo contrario. Simplesmen- te slo diferentes. Todos merecem o seu lugar ao sol. Hi um sol especifico para cada um dos tipos, sem os efeitos colaterais da exposiQio em hora errada. Protest contra essa tend6ncia de trans- formar a reportagem na posta-restante dos textos porque ela 6 o moment miximo do jornalismo, expressando a plenitude da aqio do reporter, que 6 a alma da imprensa (serm ele as redac6es seriam uma academia de proces- samento de informaq6es). Uma boa reportagem exige, em geral, acui- dade, coragem, instinto, perspicacia, iniciati- va, seleq o de fontes, paci6ncia, aplicacio - enfim, 6 uma reuniio de qualidades e condi- cqes que habilitam um professional a se con- siderar born jornalista. Ocorre de uma repor- tagem se alongar em extenslo e se aprofun- dar tanto em qualidade (por redobrada elabo- raCio ou inspiragio de genio) que acaba vi- rando um livro e inscrevendo-se como marco da expressio humana. Apenas dois exemplos distintos, mas inquestionAveis: Os Sertoes, de Euclides da Cunha. e A sangue Frio, de Truman Capote. Uma revista elevou entire n6s o g6nero a uma altura que, coletivamente, nenhuma ou- tra publicapio depois dela alcancou. O segre- do do sucesso de Realidade foi, sob o co- mando de um imensojornalista, Paulo Patar- ra, abrigar rep6rteres de igual envergadura, mesmo que nern todos tivessem a plena cons- cidncia de sua condiqio de rep6rteres (fric- cio cututral que acabou beneficiando a to- dos, jornalistas e escritores). Deus salve a reportagem O texto jornalistico, levado ao seu extremo de qualidade, beira os limits da ambigiida- de, esta, caracteristica do texto de valor inde- pendentemente de sua classificaoo formal (a ambigiiidade permit multiplas leituras e in- terpretaq6es, sem perder em virilidade). Len- do-se escritores como Norman Mailer, Gay Talese ou Ant6nio Callado nao se sabe se sio escritores na funqlo dejornalistas oujor- nalistas que se tornam escritores. Tornaram- se criadores plenos. Mas em todos hi um traco comum: sao escritores de rua, da observacio externa, do estar com outros, da conversa. os elements da reportagem (por isso diferem em tudo de gente como GuimarSes Rosa ou Samuel Be- ckett). O livro de Mailer sobre Lee Oswald pode ser lido como romance, mas 6 uma re- portagem de dar inveja. Bastou o escritor ame- ricano ir a R6ssia para levantar um enredo sobre o qual nenhum outro ousou escrever, de tlo claro e s6lido -e redundante (so Oliver Stone ainda deve insistir que a CIA puxou o gatilho do fuzil de Oswald). A imaginaiao atua para dar ao produto de uma s6lida investiga- ,io a combinac~o de atracBo e prazer da qual ficqco ejornalismo sao tutores. Mas observe-se a diferenca que existe en- tre Realidade e (aros Amigos. Alguns dos jornalistas envolvidos na primeira empreitada reapareceram na outra, quase 30 anos depois. Seu texto surpreende as novas gerac6es. em- paredadas porjornalistas sem criatividade, ou de criatividade padronizada, programada (para usar expressio cara a cultural informatica- e que talvez a defina). Mas Caros Amigos nio sustenta a quali- dade de Realidade. Nio ter pauta, nio utiliza preferencialmente a rua como matriz dos seus produtos e os maravilhososs jornalistas que nela voltaram a se reunir estio cansados. Re- aproveitam o que viram e ainda tmr estocado, numa memorabilia recondicionada, mas rara- mente produzem textos de impact, trazidos de viagens pelo pais e o mundo, como foi possivel nos anos de ouro (1966/68) de Rea- lidade, que pulsava literalmente realidade. Nio sendo exatamente uma nova Realida- de, CarosAmigospoderia buscar identidade corn a velha Senhor (1959/64). onde poesias, con- tos, novelas e ensaios mais se aproximaram do jornalismo. Mas 6 ai que o desnivel se acentua. O grupo que Carlos Scliar, Nahum Sirotsky, Pau- lo Francis, Reynaldo Jardim e Luiz Lobo patroci- naram formou sua cultural em livros, ra, via- gens e alcohol (nem sempre nessa ordem, mas corn todos os itens). Certo tipo de cultural so cabe em livros e uma combinalo equilibrada desse tipo 6 imbativel, como at6 mesmo Bill Ga- tes sabe (ele diz colocar primeiro um livro na miio do filho antes de Ihe dar um computador). Algumas reportagens imprimiram conhe- cimentos. sensagoes e impresses eternas e indeleveis dentro de n6s. E uma via de acesso unica. Por isso devemos preserva-la e garan- tir-lhe a identidade, mesmo quando e pratica- da corn tao pouca constincia e tao grande desrespeito como agora. A despeito disso, sobrevive e sobreviveri sempre. r ----.------ mmm- m Liberalicidio 0 L['eral deu pagina inteira a um ataque do vereador Gern isio NMorgado. uin dos protegidos dacasa. contra a \Va- rig. Algumiias das quei\as do edil podem ser endossadas por qualquer passageiroi areo Mas neni o loin. nem inuilas in- fornm:ic_.o do parlaineniar do PL (fiscal de rcndas iceLncia- do), uniilo menois a or gein dos alaques. escapain de susper- cao. Conforme foi publicado no prtpno jornal contranramente ao que declarou o %ereador a \%rieg control inenos da Iiekta- dc duo I anspornc ,rco io Para Nio e portanlo. unia mono- polista cruel e insensi\el. que massacre scus passageiros (eniborid retqueielnieclte os inaltraie e irate coni discrilmlina- qaio). Gcn~isio 6 cesperncou por inmeresse conirarado. por- quc pretend o que nnhiiim cliciic icii direio a icr citigindo Mn.is do que [he pernitein as clausulas contrauuis e nale querendo pagar pelo que c\gL F o j.ornal so lhl deii unia iniportancia deelllsurada porquc se trata de unl negocio dc jrlinlia Sc fizessv.e ornalisino. no dia _sgi'nil a diL\tdgaio de uiInd Ildlerlad ho dcstacada lera ou\ ido o ouiro lado e clKcado inforinaoes lornecidas por un1a uniica fonte NMas I jorn.lisino i midcria secundarii ail pelos liundos do Bosque Amem Pronto: foi republicanizado o reinado de Jose Octdvio Dias Mescouto no cargo de procurador-chefe do Ministerio Publico junto ao Tribunal de Contas do Estado, que jd dura mais de 32 anos. S'eus pares colocaram-no como cabega da lista O triplice submetida ao governador e Almir Gabriel sancionou a escolha feita pelo voto no privilegiado colegiado. Como at entao a vitaliciedade do chefe do AMP era indireta, a nova escolha pode ate ser interpretada como primeira eleigdo, credenciando-o a uma reconduqao no future, corn o que estard habilitado a alcangar a aposentadoria sem ter sua presid6ncia vitalicia interrompida por essas normas mais inferiormente republicans (ver, a prop6sito, Jornal Pessoal n0 176). Nem Manuel Scorza imaginaria latino- americanice semelhante (ver, a prop6sito, Bom Dia para os Defuntos). Rescaldo Mal este journal chegou as bancas eja o S6rgio Vallinoto li- gava para corrigir os erros nos sambas melanc61licos de carna- val. A mfisica do Chico Buarque e o Baile dos Mascarados e nio La e ca hrusiterio Publico do Amnazonas multo 270 mil reaisporque a empresa nao cur ue assinou. pronmetendo suspender em racionainentos de energia imposios a IP do Para sabe de t'alos semelhantes q utardm. niste Para mesmo" Ou so sabe pela propaganda official? a Noite dos Mascarados. E As Pastorinhas d do Joao de Barro corn o Noel Rosa e nao do La- martine Babo. Equivocos de umn fechamento de edigao ca6tico, que fez a nota sobre o encontro intellectual do Shamir Peres corn o Paulo Coelho ser bisada em moto-continuo. Mas o telefone do S6rgio foi providencial, inclu- sive para lembrar que o pai dele tambdm gostava do Anda, Lu- zia, do maravilhoso Joao de Bar- ro. E que a cada novo carnaval, corn esses an6dinos sambas-en- redo das escolas de samba, mais gostamos do que passou. Evoe, Baco. Perdao, leitores. Sugestao Sera se corn barba o sapo do out-dor da campanha da prefeitura contra a dengue nao ficaria mais eficiente? Justiga 0 descompasso entire os ven- cimentos dos servidores do exe- cutivo e do judiciario 6 brutal. Exceto pelos ocupantes de car- gos de confianga ou que conse- guem se aposentar no topo do servico pfiblico, como os secre- thrios, a esmagadora maioria dos barnabds do governor vai para a inatividade coin aposentadorias que nao permitem o farniente justificado pelo outuno da vida. Precisam complementary o rendi- mnento. JA no judiciario uma apo- sentadoria decent estA ao alcan- ce de muito mais gente. As ulti- mas aposentadorias de pretores e juizes do interior tin variado entire sete mil e 10 mil reais. Nern todos se fizeram mere- cedores desse reconhecimento, mas a aposentadoria result do tempo de serviqo e nao da quali- dade do servico (que precisa ser avaliada, mas sempre no tempo devido). Ao menos em relaqgo a justiqa, a opiniao public tern mo- tivos fundamentados para cobrar melhores serviqos dos que es- tao ativos nos escal6es superio- res e m6dios (os inferiores ainda estao mantidos A margem, em funqgo da desproporqgo entire o maior e o me- nor salario que persiste a Ero navida plbli- u rilctronore ca brasileira). npri ocontralo A socie- dezembro os dade estA pa- Manaus gando relati- uc ocorrem en] vamente carol o que acoinec para que eles tenham con- diqOes de ser melhores (alguns servidores, como secretario do tribunal, se- cretario das cimaras criminals reunidas, escrivAo do tribunal e t&cnico judiciario II, jA passaramr dos dois digitos de vencimen- tos). Se nao estao sendo eficien- tes, a razao nio deve ser busca- da nos vencimentos. Por isso, o cidadao deve olhar corn mais rigor ojudiciArio, dei- xando de viciar sua perspective no runo do executive. Como esse acompanhamento atento nao tern havido, justifica-se o pedi- do de control externo, necessi- rio para que a funqao arbitral da justina seja mais do que figure de ret6rica no universe forense. Rainha demode Que tal acabar corn essa coisa anacr6nica chamada rainha das rainhas? Motivos nao faltam. Ossiam Brito se /.i. 0 traditional tfido musical nno e mais tocado. E nem os Maiorana comparecem mais a festa, no que tem toda a razao. Posidao 0 Para foi reprovado no ge- renciamento de safide no ano passado. Corn nota 4,8, ficou no uiltimo bloco, dos tr6s em que foram divididos os Estados bra- sileiros pelo Minist6rio da Sail- de, conforme o Relat6rio de Ges- taode 1997. A melhor nota, 8,4, foi obtida pelo Parana, liderando um grupo de 10 Estados que tiraram acima de sete (incluindo, por ordem decrescente, Mato Grosso, Mi- nas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Pernambuco, Santa Ca- tarina e CearA. No grupo intermediario, corn notas acima de cinco e abaixo de sete, ficaram, hierarquicamente, Sergipe, Bahia, Tocantins, Rio de Janeiro, Piaui e Rondonia (que tirou 5,1 c lidera na Amaz6nia Classica). O Para esta no ultimo bloco, corn nota abaixo de cinco. atris de Sdo Paulo e Espirito Santo e acima apenas de Amazonas (corn 4,5), GoiAs, Maranhao. Alagoas, Acre, Amapi e Roraima. Ou seja: o Pard ficou em 190 lugar entire 27 concorrentes. O governador do Para, como se sabe, 6 um mddico. Jomal Pessoal Editor: LUicio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 053-020 Fone: 223-1929, 241-7626 e 241-7924(fax) Contato: Try. Benjamin Constant, 845/203 / 66 053-020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert.com.br Editorai;Ao de arte: Luizpe 1 241-1859 |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 73 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |