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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00131

Full Text








Journal Pessoal


L U L I U


I- L A V I U


P I N TI


HISTORLA


entregou a Amazonia

Documentos in6ditos do s6culo 19 do Ministerio das Relaq6es Exteriores da Inglaterra
revelam oplano do chefe do governor brasileiro, o regente Feij6, de trazer tropas
estrangeiraspara reprimir a Cabanagem no Pard. Soldados ingleses, franceses e
portugueses matariam os rebeldesparaenses, sob as bOnqdos do imp6rio, que esconderia
sua responsabilidade agindo clandestinamente. Sefoi assim, permanece assim? 0 que


mudou do Rio imperial

Sin dezembro de 1835 o paulista
Diogo Antonio Feij6 comanda-
va o governor brasileiro. Era o
regente, em nome do imperador
Pedro II, ainda sem idade para
assumir a administraqao. Feij6
convocou nesse.mds os embaixadores da In-
glaterra e da Franqa no Rio de Janeiro para
uma audiencia secreta e confidencial".
Disse-lhes que esperava poder reunir no
Para, at6 abril do ano seguinte, uma forca de
aproximadamente tr6s mil homes, que seria
suficiente para retomar o control da capital
e das areas pr6ximas, em poder dos rebel-
des. os cabanos.
Nesse contingent Feijo incluia mil ho-
mens que ali poderiam ser colocados pela
Inglaterra, a Franca e Portugal, 300 ou 400,
em m6dia, de cada pais. As forcas estrangei-
ras atuariam ao largo de Beldm, a pedido ou
sob a direiao das autoridades civis e milita-
res brasileiras. Os pontos de maior interesse
para essa aqCo seriam a ilha do Maraj6, Ca-
meta e outros lugares mais proximos A capi-
tal.
A participaCgo estrangeira seriajustifica-
da em fun~io de interesses humanitarios e
. ivilizat6rios, tanto quanto pela proteio das
vidas e das propriedades dos cidadaos es-
trangeiros estabelecidos na provincia do Para,
"sem que fosse divulgado que as medidas
haviam sido adotadas a pedido do governor
brasileiro", como queria Feijo.
Cinco meses antes, o novo president
nomeado para a provincia, mas sem forca
para tomar posse, Manuel Jorge Rodrigues,
jA havia recorrido ao c6nsul ingles em Be-


lpara a Brasilia republican em relaqdo d Amaz6nia?





'-4 /: MA" R 17


SI/ -
lem, pedindo-lhe para mobilizar "as forcas
aqui existentes de sua Naqo, para que uni-
das as deste Governo, se salve esta malfada-
da Provincia dos horrores da carnificina",
solicitacao que fazia "pela longetude em que
existe o Governo Central".
Mas nem o inabil marechal Rodrigues
poderia imaginar a que ponto chegaria Feij6.
Surpresos e chocados cor a solicitaqio do
regente, os embaixadores ingls e frances (o
encontro com o representante de Portugal
foi promovido em outra ocasiAo) ressalta-
ram logo que qualquer providencia s6 pode-


ria ser adotada depois de uma comunicaqAo
por escrito e fundamentada do imperio bra-
sileiro, dentro das regras constitucionais do
pais. Feij6 disse que esse pedido por escrito
era impossivel. Explicou que a Constituiqgo
do Impdrio vedava categoricamente o ingres-
so de tropas estrangeiras no territ6rio do
Brasil sem a autorizaCio da Assembl6ia Ge-
ral, que nao poderia ser obtida a tempo (a
assembl6ia estava em recesso, s6 voltando
a reunir-se em maio).
Aldm dessa circunstAncia, uma solicita-
9io de tal natureza desacreditaria de ptiblico


ANO XI NW 182 1- QUINZENA DE MARCO DE 1998 RS 2,00


Quando o Brasil


>


/ 0


I


I


I








2 JOURNAL PESSOAL I QUINZENADEMAR(O/ 1998


o governor, que estaria admitindo sua inca-
pacidade de. sem auxilio externo, "sufocar
um punhado de desgracados insurgentes".
Dai porque convocara aquele encontro pes-
soal e confidencial corn os embaixadores para
fazer-lhes verbalmente o pedido.
O frances Pontois e o ingl8s Henry Ste-
phen Fox concordaram, final, em repassar
aos seus governor o teor da conversa, corn
o cuidado de evitar que dela tivessem co-
nhecimento os embaixadores brasileiros na
Franca e na Inglaterra, alem do Marques de
Barbacena, que era o ministry plenipotenci-
ario em Londres (masque divergia de Feij6).
Ao fazer seu comunicado, pordm, Fox tra-
tou de observer que a proposta do regente,
vaga enquanto operagao military, era uma vi-
olaAo direta as leis e A constituicqo do Bra-
sil. "O emprego no Para de ingles e frances,
em conjunqAo corn uma forca portuguesa, se
tornaria um procedimento ainda mais questi-
onavel, considerando-se a peculiar animosi-
dade A infludncia e designios de Portugal
que ainda existe neste pais", observou o di-
plomata britAnico no seu despacho a Lon-
dres.
Este document 6 um dentre varios outros
armazenados no Public Records Office, em
Londres. que pode ajudar a reescrever a his-
toria da Cabanagem. Microfilmes corn algu-
mas dezenas desses documents ja se en-
contram no Arquivo Publico do ParA, gragas
ao espirito puiblico do pesquisador inglas
David Cleary. Estudioso da hist6ria contem-
poranea da Amazonia, particularmente dos
garimpos de ouro (tema de um de seus livros),
Cleary deparou corn a correspond6ncia diplo-
matica inglesa do sdculo 19, quejulgou rele-
vante. Mesmo sem dizer-lhe respeito direta-
mente, resolve copia-la e manda-la para Be-
1Im, fazendo-o anonima e gratuitamente..
Prestou um serviqo inestimavel A nossa
hist6ria. Nos microfilmes ha documents
suficientes para rescrever epis6dios ja co-
nhecidos e introduzir entire os moments mais
importantes da Cabanagem (c da hutl6ria bra-
sileira do seculo passado) o encontro de Feij6
corn Fox e Pontois. O relato do epis6dio, fei-
to pelo embaixador ingles no dia 17 de de-
zembro de 1835, revela que, para sufocar a
rebeliAo que estourara 11 meses antes na
provincia mais setentrional do nascente im-
perio. o chefe do governor estava disposto a
abrir mao da soberania national.
Arquitetou uma manobra secret, A mar-
gem das regulamentaq6es legais do pais, para
que a sediqfo fosse esmagada o mais rapida-
mente possivel, ainda que para isso brasilei-
ros tivessem que ser mortos por militares
estrangeiros colocados dentro do pais pelas
pr6prias autoridades brasileiras, mas atrav6s
de maos invisiveis.
Era uma tal monstruosidade, beirando a
insanidade, que tanto o representante ingles
quanto o Foreign Office recusaram partici-
par da trama urdida por Feij6. Essa manobra
de bastidores se sucedia enquanto o embai-
xador brasileiro em Londres, no desconheci-
mento da trama, protestava formalmente con-


tra a presenca de navios da esquadra ingle- um exemplo que traria funestas consequiin-
sa em Aguas do Para (e seu protest foi de- cias".
volvido por Lord Palmestron, que estava Mesmo ao reconhecer que o Para ji havia
sabendo de tudo). Ou seja, para combater a so submetido ao governor legal, retomando
Cabanagem, o governor imperial brasileiro as atividades na agriculture e no comercio, o
entrou na clandestinidade, expondo-se peri- regente ainda acreditava que seria necessa-
gosamente em um epis6dio que s6 agora 6 rio "por algum tempo naquela provincia a
revelado de piTblico. presence de grandes forcas, que exigem con-
Ao assumir a regencia, Feij6 enfrentou siderAveis despesas". E pedia que ao gover-
duas rebeli6es, eclodidas simultaneamente no provincial restabelecido fosse conccdida
nos extremes de um vasto pais said de uma toda a forca constitucionalmente prevista
autentica guerra civil: a cabanagem no Para "para poder restabelecer completamenic e
e a farroupilha no Rio Grande do Sul. Nao consolidar a tranqiiilidade e a seguranca
podendo combate-las ao mesmo tempo. por piblica'
faltademeios materials ede uma visAo unica .'" Por P que tanto contrast na acao
nopoder central, Feij6 escolheu inici:.r re- do L'O\ r no diante de problems sc-
pressao no Para. Por qua? nic- "Imlli.ncl ri em duas provincias do
Os historiadores apresentam algu- 'I" icslii',o inmpdrio? A cabanagem ame-
mas explicaq6es. A cabanagem co- i ,. '. ;ia .in ,us a unidade do imprio ain-
mecou emjaneiro e a revolucAo far- .d i imati ro e que o regent coin
roupilha em setembro, apenas um m- .incs in (.no11 emipenho procurou assegu-
da posse do regent. Mas sua decisi,. n1.i0o r:t do que a farroupilha? Havia
obedeceu apenas a uma determinagao cro- uma intena5o. explicit ou suben-
nol6gica: se nao estivesse no governor, Fei- tendida, dos cabanos de sair da nova naco,
j6 estaria ao lado dos rebeldes gauchos. Eles formando um outro pais?
queriam primeiro fortalecer uma federaco em Diogo Feij6, um dos fundadores da na-
SAo Pedro do Rio Grande antes de uni-lo ao qgo brasileira, interpretou dessa mancira a
Brasil. Assim, garantiriam um mesmo status, rebeliao dos nortistas nos (poucos, alias)
como no caso das col6nias anglo-america- documents oficiais sobre o assunto. Num
nas (o livro de cabeceira do regente tinha os oficio escrito "no calor da hora". em 25 de
discursos de William Pitt. exigindo de Lon- janeiro de 1835 (18 dias depois da ocupacao
dres reconhecimento a nova nacqo). de Belem pelos cabanos), o vice-consul in-
Feij6 achava que o movimento dos gau- gl&s. John Hosketh (que daria origem a uma
chos tinha ideias semelhantes as dele pr6- prole em terra paraense) express esse pon-
prio, enquanto o que ocorria no Para era tuna to de vista da regencia: se o governor nio
selvageria, coisa de indios, negros e mesti- reprimisse energicamente esses atos de in-
cos contra os senhores brancos naquela dis- subordinacqo. "a separaqao das diferentes
tante paragem, desconhecida para os mora- Provincias do Brasil e um event que podera
does do Rio de Janeiro. Por isso, enquanto ser observado em um period nao muito dis-
conversava corn os rebeldes gauchos, que- tante".
ria esmagar logo os da Amazbnia, recorren- Os documcntos do governor ingl6s, agora
do se necessario a tropas estrangeiras. como revelados, entretanto, reforqam a convicqao
agora se revela. em contrArio: os cabanos queriam libertar-se
Na fala de abertura das sess6es da as- do dominio opressor dos portugueses (sim-
sembldia national, a 3 de maio de 1836 (quan- bolizados nos brancos em geral, donos de
do ja haviam fracassado suas gestles para tudo, inclusive da gente mais humilde, domi-
envolver ingleses, franceses e portugueses nando-a atraves da escravidAo aberta ou da
na repressao aos cabanos), Feij6 lamentou a submissAo compuls6ria do trabalho). mas
situacqo internal do pais, em contrast corn queriam fazer tambem part do Brasil.
os sucessos obtidos no exterior. "Do Para Um oficio de 20 de dezembro de 1835 de
faltam noticias modernas, porem A vista dos Everard Home. comandante de um dos bar-
esforcos e provid6ncias do governor e pro- cos de guerra da Inglaterra que andaram pe-
vAvel que, se ja nao esta, brevemente seja las aguas do Para atras de reparaqao para os
restituida a cidade de Beldm A provincia e ao interesses do pais, cita o manifesto de 29 de
Impdrio. Por bem ou por mal serd ela arranca- outubro de Eduardo Angelim. O fltimo pre-
da as feras que a dominam". sidente cabano declarava que ele e as pes-
O tratamento dado a sedicqo de Porto soas sob seu comando se consideravam "su-
Alegre era bem outro: "Obem do estado acon- jeitas ao Imperio Brasileiro". Home acrescen-
selhou medidas conciliadoras, e ati hoje tem tava, porem, que "eles nunca se submeterdo
elas obstado que atos de ferocidade se mul- a um president que nao seja um native da
tipliquem, como e de costume em tais cir- Provincia ou de sua pr6pria escolha".
cunstancias", relatou aos parlamentares. O Na primeira resposta que deu A esquadra
governor deixava "entrever aos sediciosos" inglesa, deslocada para o ParA corn a missao
que seu desejo "de nao sacrificar Brasileiros de apoiar os residents no pais e exigir a
ao estado de guerra tern feito dar espaqo a apuraao do ataque ao navio mercante "Clio"
reflexao". S6 em ultimo caso "pora em movi- em Salinas (toda a tripulagao foi morta, exce-
mento todos os recursos do Estado para to um marinheiro, e a carga pilhada), o presi-
sujeitA-los a obediencias, nao romper-se a dente Angelim declarou em oficio de 18 de
integridade do Imperio, e na~o deixar passar marco de 1836 que a indenizagao deveria ser








JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE MAR(O / 1998 3


cobrada do governor central, "ji que o Para Se essa era a visao de um embaixador en-
nao existe desmembrado do Imp6rio". Mas castelado no Rio de Janeiro, a rica correspon-
se por acaso o Rio de Janeiro se recusasse a d6ncia entire os integrantes da esquadra des-
atender o governor britanico, assegurava ao locada para o Para permit combinar os pre-
comandante ingles que "esta Provincia to- conceitos e aversoes colonials (os "cafusos"
mara para si tal indenizaqco". estao entire "as mais infiteis variedades das
O Rio de Janeiro simplesmente nao con- esp6cies humans" para o embaixador Fox)
seguiu entender ou nao quis, por ser-lhe corn a acuidade do imp6rio britAnico. Na pri-
indiferente a voz que vinha da distant meira refernncia ao epis6dio, Fox ja se per-
Amaz6nia. Nem mesmo a situacio military, da guntara se o que acabava de acontecer no
correlaqAo de forgas e do estado belico, con- extreme norte do Brasil "era uma sanguinaria
seguiu avaliar. A Inglaterra, com homes ex- sediiao ou, mais exatamente, uma revoluQao".
perimentados operando diretamente na area Cor pertinencia, ele lembra que o Lobo
e observando corn menos preconceito, via de Souza que se destacara como deputado
por outro prisma. O capitao Strong, que co- na Assembl6ia Geral por suas "violentas
mandava a Belvidera. achava que cor um opini6es republicanss. ao refluir nessas
esquadrAo poderia tomar a cidade, ocupada concepcqes, quando assumiu a presidencia
por pouco mais de mil homes, em hora e da provincia, contribuiu, corn seus atos de
meia, embora tivesse o cuidado de precaver- violincia, como as pris6es, para o instiga-
se contra a lideranga de Angelim ( "um mero mento e a organizaqAo da "mais ampla insur-
rapaz"). cujo nome parecia provocar "um ter- reiqAo das classes mais baixas da populacqo
rivel efeito" entire os cabanos. e da soldadesca".
Navios de guerra do Comando das For- Os enviados do impdrio britAnico aplica-
qas Navais de Sua Majestade nas Indias ram ao que viram os seus pr6prios interes-
Ocidentais, fundeados na Jamaica e em Bar- ses, mas nunca deixaram de observer objeti-
bados, foram deslocados para o Pard nao s6 vamente, mesmo quando as conclus6es de
por causa da pilhagem e mortes no "Clio", suas analises nAo se ajustavam com o que
das ameacas aos cidadios ingleses estabe- sugeria os dados por eles mesmos coleta-
lecidos em Belem (pelo menos 18, que assi- dos, o que Ihes garante excepcional relevan-
nariam um memorial de protest, acusando o cia enquanto fontes de refer8ncia.
governor brasileiro de ter sido negligente ao Gracas a esses relates pode-se adicionar A
inicio do movimento, quando, se agisse, po- cr6nica da cabanagem fatos at6 entao omiti-
deria td-lo sufocado), com um com6rcio de dos, como uma tentative de morte contra
100 mil a 150 mil libras, mas para investigar Angelim, documents indditos (como uma
se naquele lugar estratdgico poderia estar se confissao de Francisco Vinagre, provavelmen-
rcpetindo um motim semelhante ao de Santo te obtida sob tortura) e registros novos, que
Domingo. avivam a narrative sobre as violEncias e atro-
A Inglaterra temia que a evoluq~o do mo- cidades de uma repressao mais sangrenta do
tim levasse a uma uniao de negros escravos e ue a ueo pr6prio movimento rebelde que
indios. ambos procurando a libertacio contra aensejou Em20dedezembro de 183
os senhores comuns, os brancos, identifica- ..i por exemplo, Everard Home anotou
dos como o grande inimigo a ser elimina- para o vice-almirante Cockburn o qua-
do, como observou o embaixador H. S. X..;. dro de baixas dos dois lados ao largo
Fox ao premier Palmerston em oficio de Belem. Dos 1.400 fugitives que no
de 10 de novembro de 1835: "os indi- .. inicio de setembro desembarcaram
os (...) nunca foram apanhados, legalmente, na ilha deTatuoca, 450 haviam mor-
na escravidao; mas eles trm sido, talvez, mais rido atd entao. Do fim de agosto atd
cruelmente oprimidos". Dai avioln&cia em sen- 9 de dezembro, morreram na ilha e a
tido contrario, que poderia dar curso tambem bordo da corveta Campista 660 pessoas; dos
A libertaq~ o dos escravos africanos e p6r fim 280 prisioneiras levados para a corveta De-
ao mundo criado pelos brancos: fensora, 196 ja haviam morrido e a tend6n-
"A perda do Pard prossegue o embaixa- cia era de incremento.
dor na correspondancia ao Foreign Office -, Desiludidos por decadas de incompreen-
sob qualquer circunstancia, poderia ser um sio e viol6ncia, que se mantinham na admi-
golpe severe a prosperidade do Brasil; mas o nistracio da nova naq~o, os rebeldes fize-
exemplo, para o restante das provincias, do ram uma identificaqCo racial de todos os pro-
sucesso de uma insurreiqao como essa atual, blemas, dos sociais aos politicos, declaran-
tera a mais terrivel conseqiiencia. Nao havera do "uma guerra de exterminio aos habitan-
cntlo nenhuma possibilidade de que tanto tes brancos", como relataram tres comerci-
indios quanto negros estabelecam alguma antes ingleses estabelecidos em Bel6m ao
coisa semelhante a um governor, ou uma for- consul Hesketh em 27 dejulho de 1835.
ma regular de sociedade: eles sio, acredito, Os europeus e os americanos com inte-
muito menos avancados em relaq~o a civiliza- resses na region se assustaram cor a explo-
cao do que os negros de Sao Domingos fo- sio social e mandaram observadores. Sete
ram, quando eles por primeiro se tornaram li- navios de guerra de tris bandeiras (inglesa,
vres: se a revoluqio nao for agora sufocada, a francesa e americana) singravam as Aguas
extensa e fdrtil provincia do Pard podera ser pr6ximas a capital paraense quando os ca-
considerada como perdida para o mundo civi- banos estabeleceram seu governor em Belem,
lizado". a primeira administraqC o popular ap6s s6cu-


los de dominio metropolitan, primeiro em
Lisboa e depois no Rio de Janeiro, das clas-
ses dominantes, os brancos.
Negros, indios e cafuzos tomaram o po-
der, mas nio tinham um projeto de governor
para executar. Jamais Ihes passou pela cabe-
ca dar inicio a um novo pais. Queriam inte-
grar-se ao impdrio brasileiro em formac~go.
mas a prova dos nove para eles era a quali-
dade do president que a capital national
mandaria para Belem. Infelizmente aqui che-
gou gente da mesma natureza dos que go-
vernaram no period colonial portugums. A
revolta tinha que ser maior. Quando perce-
beu que a revoluq~o o sufocaria em sangue,
como acontecera com seus dois antecesso-
res, Angelim, o president que mais tempo
ocupou o governor popular, desistiu. Um se-
cretArio particular dele tentou garantir fuga
na Belvidera, mas o capitao do navio ingles.
Strong, fez ouvidos de mercador a insinua-
~go. Ele tamb6m classificava os cabanos
como barbaros.
S6 agora estao sendo recuperados os
documents produzidos por esse sagaz in-
teresse estrangeiro. A amostra que David
Cleary mandou de Londres atesta que ainda
estA por ser escrita uma hist6ria satisfat6ria
da cabanagem. Muitas perguntas permane-
cem sem resposta, mas uma aproxima~io mais
exata do tema comega a surgir.
Parece fora de dfivida que a Inglaterra, ao
contririo de uma lenda disseminada pela his-
toriografia local, nao teve a menor solidarie-
dade para cor os rebeldes, mesmo tendo se
recusado a entrar na aventura proposta por
Feij6. Os ingleses perceberam que era me-
Ihor atuar na regiao atrav6s de um governor
titere, mas national, do que enredar-se nos
tr6picos amaz6nicos, tendo ja tantas dificul-
dades do outro lado tropical do mundo.
Quando surgiu, anos depois, uma ativi-
dade produtiva de interesse commercial para
o mundo, a borracha, os ingleses estavam
cor suas raizes financeiras fincadas em solo
da Amaz6nia. Mas o governor central ainda
era uma abstragao para os amaz6nidas, dis-
tAncia que percebera, ao seu estilo, o mare-
chal Jorge Rodrigues, um dos muitos sitra-
pas que o Rio mandou e, ainda hoje, Brasilia
nos envia. Ad aeternum?
Para auxiliar na resposta, espera-se que o
governor rapidamente conceda ao Arquivo
Pfiblico os recursos necessarios para tradu-
zir e publicar toda a documentaqco do Mi-
nistdrio das Relaq6es Exteriores da Inglater-
ra que David Cleary teve a clarivid8ncia (sem
trocadilho) de nos mandar, conferindo-se a
este a medalha que seus benem6ritos servi-
qos recomendam. Como ainda hA papeis es-
condidos em Londres, Paris, Washington,
Roma e ate mesmo Amsterdam, espera-
se que as pr6ximas expedic6es de historia-
dores A cata de documentagdo primaria seja
mais produtiva e de maior utilidade social do
que as atd aqui empreendidas. Ou que haja
mais estrangeiros sensiveis nessas capitals
metropolitanas, como Londres, Paris on Bra-
silia.







4 JOURNAL PESSOAL I QUINZENA DE MARCO / 1998


A banda dos


tucanos vai passar


No intervalo de quatro meses, o governa-
dor Almir Gabriel mostrou que 6 um home
de sorte. Em outubro superou uma situaqAo
de risco e sobreviveu ate a ameaqa de impe-
ricia m6dica. Sua recuperacqo pos-operat6-
ria tem sido surpreendente. Agora, embar-
cou numa nau que parecia condenada a fa-
zer agua no samb6dromo do Rio de Janeiro e
acabou dividindo com a Beija-Flor de Nil6-
polls- e a Mangueira, homenageada em seus
gloriosos 70 anos, intencionalmente ou nao
o campeonato das escolas de samba de
1998.
Se a lisura da pontuaqAo dos jurados pode
ate ser questionada, no apaixonado clima
pos-carnavalesco, num moment em que a
escola dos AbraAo sobe contra um pano de
fundo de puniqco a Viradouro, do inc6modo
Joaosinho 30, nao ha dfivida que uma estre-
la brilhou para os lados do governador do
Para, mesmo que atraida pelo magnetismo
dos Aruana.
Mas tera o Estado, que 6 quem paga a
conta, se beneficiado dessa vit6ria tanto
quanto o governador? Ou, dito de outra for-
ma: o governor visou mesmo o bem do povo
paraense quando empenhou verbas explici-
tas e apoios implicitos ou mal-disfarcados
na escola de samba de Nil6polis? Ou apenas
fez o alquimismo eleitoral que contaminatudo
em safras de votos, indo dos campos de fu-
tebol as passarelas do samba?
Proclamam o governador e seus porta-vo-
zes, assumidos ou escondidos, que a sim-
ples exibiqio dos motives paraenses no Rio
de Janeiro ja seria o suficiente para promo-
ver o ParA. Corn a vitbria, os efeitos promoci-
onais serao multiplicados, compensando to-
dos os gastos, contabilizados ou nao. Proje-
tado para o pais e o mundo atrav6s do folco-
re e da mitolologia marajoaras, o Pard sera
chamariz de turistas e investidores. Mesmo
despojados de serpentinas e confetes, eles
guardarao na mem6ria consciente ou su-
bliminarmente a mensagem do convite.
Virao.
Deixando o espirito carnavalesco de lado,
agora que nos cobrimos com as cinzas da
quarta-feira, raciocinemos. 0 comparecimen-
to de convidados aos camarotes paraoaras
foi minimo e pouco representative. O lobby
entire um e outro ziriguidum nio deve ter fun-
cionado e os mais realistas j deviam saber
disso. Um secretArio de agriculture vai para
o camarote da Marques de Sapucai colher
abobrinhas? E necessArio que um secretArio
de assuntos estrat6gicos chegue ao Rio
numa sexta-feira gorda para um encontro no
BNDES na quinta-feira seguinte e declare
que foi fazer estrat6gia e nao sambar?
Os frutos das sementes que o secretario
de agriculture levou para o samb6dromo,


se aparecerem, s6 virao com o tempo. Os
resultados concretos da maciQa campanha
em torno da associaqio Pard-Beija Flor, po-
r6m, ja sao fatos preteritos. O principal:
Beldm teve o mais triste e bisonho dos car-
navais em muitos tempos (ou em todos os
tempos?). Uma parte menor desse fracasso
pode ser creditada a prefeitura. Mas a ina-
bilidade do PT na Doca foi residue diante
do esvaziamento (deliberado?) que o go-
verno provocou com sua campanha publi-
citAria, que transferiu de vez o chamado
imaginario do paraense para a Cidade Ma-
ravilhosa. Feriu de morte um carnaval que a
miopia e a indrcia tmr feito agonizarja ha
algum tempo, sufocando um dos momen-
tos mais favoraveis a este povo alegre e
festeiro, que j teve carnavais a sua altura.
Era quando acreditava mais em si, tomando
a iniciativa, ao inv6s de ficar esperando
por presents do soba encastelado em sua
torre (sem minarete).
Mais um lance dessa briguinha provinci-
ana e nefasta entire prefeitura petista de Be-
16m e governor tucano do Estado, que se agra-
va a cada dia, envolvendo alunos sem esco-
la, mosquitos sem combat adequado e bai-
xadas a espera de paternidade. Vai chegar
num ponto em que, reeditando o mal-a-mor-
te de Jarbas Passarinho e Alacid Nunes, Al-
mir Gabriel e Edmilson Rodrigues nem pode-
rao se encontrar em public.
O cons6rcio corn a Beija-Flor foi um pre-
texto publicitArio para promover o candida-
to A reeleiqco (que, demonstrando falta de
traquejo para o ato, beijou o estandarte da
escola de samba para o plantao da TV Libe-
ral documentary desinteressadamente, 6
claro), tomando o Pard como mote de cam-
panha. Houve algum cuidado em dissimu-
lar esse prop6sito, mas nao tanto. O princi-
pal filmete propagandistico esqueceu a ce-
ramica marajoara, o museu do padre Gallo,
o sahir6 (prefiro a qair6) e Alter-do-Chao.
Como promover turismo no ParA sem esses
itens? Criando fantasias e retocando a rea-
lidade, como ver o Ver-o-Peso apenas do
alto. sem descer A sujeira dominant, como
no dito filmete.
O governador Almir Gabriel estA de para-
b6ns, juntamente com seus marqueteiros.
Mas o Para ter motives reais para comemo-
rar? Mesmo certos sucessos, entretanto, de-
vem ser levados na devida conta. JoAo Gou-
lart foi campeao do mundo de futebol como
vice-presidente em 1958 e bi-campeao, ja
como president, em 1962. Mas caiu menos
de dois anos depois de ter levantado a Jules
Rimet
As fantasias e libaq6es do carnaval sao
um mand para a alma e para o corpo. Mas se
prosseguem depois da quarta-feira passam


Gestao


tucana
O governor do Esiado proclama que
o Para foi o pnmetro no pais a fechar
um acordo sobre a sua divida corn o
governor federal. NAo e verdade.
segundo os dados da Secretaria do
Tesouro Nacional. o Para foi o sexto.
Anles dele firmaram protocol de
Iutenq6es Minas Gerais. Mato Grosso
do Sul Rond6nia. Rio Grande do Sul e
Santa Catarnna. Ae agora o Para ndo
assmou o contrao de refi nanciamenio.
o que I Estados.a fizeram.
Esse retardanento. que de e-se a
pendeucias como a do Banco do
Estado do Para. pode ait ser favora-el
O Para acettou refinanciar sua d tada
corn a Uniao. de 223 ntilhes de reals.
em 15 anos. Apenas mats cinco
Esiados ficaram nessa condicjo.
eniquanlo 15 receberam 30 anosde
prazo para quitar scus debitos De
todos sera cobrado juros de 6"-
(exceio de Minas Gerais, que por ter
recebido mats beneficto. pagara 7.5%'o
ao anoi
Como nao fot bor renegocador da
divida jurorss igual para amonizaq o em
penodo nuas curtoi. o Paia
comprometera corn o pagamento dessw
debito 15'1 ; de sua recela. a proportAo
mndxnma, a que ficaram su.eitos apenas
tries Estados (Mato Grosso e Malo
Grosso do Sul. alem de no6) entre os
22 que acenaram suas contas em
Brasilia- A inaiona compromclera de
1 I.5?o a 13" n do que arrecada.
Resia saber se o successor de Alnir
Gabriel dra dele. ale corn mats razio. o
que Alinir disse de Jader Barbalho
quando assumiu o go\erno. aulcando
uu cendoi idamento que recebeii e que
Iransferra. se nao for reeleilo. em
condides ainda mais insatislarorias
do que as estabelecidas quando
ocupou o cargo Se for reeleito. tera
mais quatro anos para mudar esse
perfiI desfaN ora cl
Ah. sim: o goernador edo mesmo
parndo do president da Republica


a ter um gosto travo, de festa pela qual paga-
remos mais caro do que seria razoavel espe-
rar, como essas esdrnxulas micaretas, o mico
que picaretas passam em frente para um povo
que busca no excess de fantasias a com-
pensaqio pelas carincias reals. Elas, no en-
tanto, continuam a existir. E, como adverte
uma bela mftsica carnavalesca, obra do com-
positor merecidamente homenageado pela
vencedora Mangueira, tambem 6 precise se
preparar "pra quando o carnaval passar".







JORNALPESSOAI. 2- QUINZENADEMAR(O /1998 5


Interesse public


Tem havido uma
S. .. ,..' profuslo de
aditivos
contratuais na administraio Almir
Gabriel. Aditar contratos pode ser
legal, mas e impossivel, pelo
acompanhamento do Diario Oficial,
dizer se os terms aditivos estio
perfeitamente dentro das normas legais
ou nao. Os extratos simplesmente nio
se referee ao contrato original, seja
em relacgo ao valor contratual como
quanto aos itens que sao modificados
(alguns extratos sao sumarios ate
demais, como os da Superintend6ncia
do Sistema Penal, arrolando contratos
diversos conforme os itens
equivalentes).
Para prevenir que da duvida result
a desconfianca ou mesmo a acusacio
infundada, todos os resumes dos
aditivos deveriam trazer referencias
esclarecedoras sobre os contratos
originals, permitindo confrontar as
condicoes anteriores cor as que foram
alteradas. Dessa maneira o distinto
public estaria melhor servido e nao
ficaria imaginando besteira. Podem ser
tomados como models quase ideals o
extrato contratual e o termo aditivo que
o Tribunal de Contas dos Municipios
publicou no Diario Oficial de 11 de
fevereiro (caderno 2, pagina 7).
A Secretaria de Trabalho e
Promogao Social, por exemplo, aditou
em nada menos de 52 mil reais um
contrato cor a COP (Centrais de
Operaq6es e Vigilancias), sem dizer
qual era o valor original, ou quantos
postos de vigilancia havia antes
(apenas um foi adicionado). Nem
mesmo indicou a vig6ncia do aditivo.
Em um dos aditamentos, a
Secretaria de Educaaio acrescentou
ao contrato com a Puma Servicos
Especializados de Vigilancia e
Transporte de Valores dois postos de
vigilincia na EE Ibifam, no valor de 8,4
mil reais, pagos entire 13 de fevereiro e
31 de marco deste ano (um m6s e
meio, portanto).
S6 por curiosidade, gostaria de ver a
planilha de custo desses dois postos
para ter uma informagao segura sobre
a formac.o de prego nessa area de


terceirizacgo cada vez mais ampliada
na administraq~o p6blica, que 6 o da
vigilancia particular.
Mas gostaria tamb6m de proper
outra questao a Seduc e a opiniio
public. A escola que a Ibifam
mantinha no quil6metro 11 da rodovia
Augusto Montenegro era exemplar,
certamente a melhor no ambito das
empresas paraenses e daquelas poucas
de linha de frente em todo o ensino no
Estado. O recrutamento dos alunos era
feito entire os funcionarios da industria,
admitindo tambem candidates
externos.

-. "A-..: Emmuitos
. ... inicios de manha
cruzei corn o 6nibus escolar, rodando
pela cidade para recolher alunos.
Atrav6s de alguns pais, colhi
depoimentos sobre a excel6ncia do
ensino que ali se ministrava, ao menos
para os padres paraenses, e da
administration escolar satisfat6ria.
Mas a Ibifam faliu, arrastando sua
modelar escola. Os pais tentaram
manter a autonomia da escolinha
atrav6s da Funda9ao Ibifam.
Acompanhei a pol6mica de inc6moda
distancia, torcendo (mesmo nao tio
bem informado como deveria) para
que a experiencia pudesse prosseguir
como vinha se desenvolvendo.
Mas o governor, em duas canetadas
fulminantes, iniciou e consumou a
desapropriacao, transformando o que
era uma joia encravada ao lado da
industria nessa EE Ibifam que recebeu
os dois postos de vigilancia atrav6s do
termo aditivo da Seduc corn a Puma.
Os promotores dessa media
deverao alegar que, incorporada a rede
public, a escola estara
democraticamente acessivel a todos e
protegida do naufragio industrial (que
se seguiu ao apogeu alcancado pela
Ibifam durante a produaio de
hipocloritos para o combat ao cholera .
Como os pais dos alunos estavam
dispostos a sustentar a escola,
pergunto se nao valeria a pena esperar
pelo desenvolvimento desse desafio,
tratando de separar ojoio do trigo para
que os necessarios acertos comerciais


que a situaiao da empresa impunha
nao se transferissem, ainda que
invisivelmente, para o lado da escola.
Nao tera sido precipitada e artificial a
desapropriacio feita pela Seduc?

S'.'i., E de se lamentar
que a grande
imprensa, depois de ligeiro interesse
pelo assunto, quando a industria faliu, o
haja expurgado de sua agenda em
seguida, privando a sociedade de
avaliar corretamente as decis6es que a
Seduc tomou, um tanto
autoritariamente, sem maior discussao.
Dai as duvidas que manifesto, receoso
de que uma boa experi6ncia tenha sido
agodadamente eliminada, sem
garantias seguras de que uma nova
fase tenha vindo para valer e para
melhorar as condia6es de ensino da
escola da Ibifam.
A Secretaria de Planejamento esta
publicando portarias de viagens de seus
servidores sem indicar o valor. E
contra as normas. Os atos t6m que ser
retificados. Um exemplo esta na
pagina sete do 1 cadero do DO de 18
de fevereiro.

0; O Fundo de
Desenvolvimento
Econ6mico do Para nasceu cor uma
inspiragao, de fomento official a
atividade produtiva, mas sempre
funcionou como um recurso politico ou
eleitoreiro para o governor. Foi assim
desde o inicio. Permanece assim at6
hoje. Qual o sentido desenvolvimentista
de dar 20 mil reals para a conclusao do
pr6dio da Camara Municipal de Peixe-
Boi, R$ 30 mil para a conclusao do
pr6dio da prefeitura de Quatipuru, 15
mil para a construcio de uma praqa
em Novo Mirinzal (localidade tambem
dessa criacio eleitoral, o municipio de
Quatipuru)?
Alguns conv6nios do FDE
especificam quais sao as obras de
"apoio ao desenvolvimento do
municipio". Outras, nao: declaram
apenas essa destinacio gen6rica, que
pulveriza recursos em obras de apelo
local mas sem qualquer efeito
germinativo desenvolvimentista.







6 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE MARCO / 1998



A interpret ao utilitarian


Nos ultimos tempos o ex-senador Jar-
bas Passarinho ter sustentado que as
calinias que alega ter sofrido na campa-
nha electoral de 1994 foram concebidas
e executadas pelos marqueteiros do seu
adversario "sem pr6vio conhecimento"
do proprio Almir Gabriel. A principal
calunia consistiu em envolver o ex-mi-
nistro em um escandalo, o maior pratica-
do pela administracio Collor no Para: a
aplicaco (e, por conseqiincia, o des-
perdicio) do equivalent a quatro milhoes
de d6lares em uma penitenciaria de se-
guranqa maxima em Santa Izabel (mas
que nao passou do muro).
Como fez desde o primeiro moment,
Passarinho continue a sustentar que nada
teve a ver com a dilapidagio do dinheiro
p6blico. Enquanto foi ministry dajustica
de Collor, agiu corretamente, nada tendo
a ver com esse ato vergonhoso. Cobra
as responsabilidades ate hoje. Na sua
ultima manifestagco, em artigo para 0
Liberal, estranha o "silncio tumular"
que se estabeleceu e persiste "desde que
a desonestidade foi constatada".
Os donos de O Liberal deveriam abrir
uma excecao na regra de ouro de alhea-
mento que sustentam e, de vez em quan-
do, dar mais do que uma olhada em seu
journal. Seu ilustre colaborador, embora
de uma forma nao muito acessivel para
o entendimento de seus anfitri6es, esta
sugerindo que o journal seja coerente. Se
fez um barulho danado em torno do as-
sunto durante a campanha, deixando so-
brar farpas na diregao do entao candi-
dato ao govemo, que estava do outro lado
(num desses moments do eterno movi-
mento pendular da political paraense), o
journal poderia quebrar esse "silencio tu-
mular" (muito ao gosto da casa, quando
de seu interesse) e apurar ate onde che-
gou essa cadeia de desonestidade. Seria
a unica maneira de evitar o desfecho
imoral antevisto pelo ex-senador: "E os
ladr6es locals ficarao impunes". Quais
ladr6es? Os que o deputado Cipriano
Sabino (do mesmo PPB de Passarinho)
parecia vislumbrar na epoca da campa-
nha, quando investiu contra eles?
Se persistir essa omissao, bem que
Passarinho, com seus privilegiados con-
tatos em Brasilia, poderia trazer o as-
sunto a opinimo public, agregando toda
a comprovagao documental que o seu
artigo apenas sugere, ainda que deves-
se ser uma sugestao compuls6ria se os
donos da empresa levassem a serio o
que sai em seu instrument de neg6ci-


os, o journal. Afinal, apesar de o ex-mi- sadas e mais sistematicamente utili-
nistro ressalvar que "menos de 1/ [do zadas da campanha electoral de 1994?
dinheiro] foi liberado durante minha ges- As pessoas mais bem informadas sa-
tao", esse "menos" soma quase um bem muito bem que Passarinho 6 vul-
milhio de d6lares, muito mais do que o neravel a esse tipo de estocada. Ate
dinheiro efetivamente gasto naquele ali- hoje ele perde um pouco o control
nhamento de tijolos apelidado de muro quando algu6m Ihe imputa a declaraqgo
- quem sabe, proporcionalmente o muro sobre o salario minimo, que garantiria
mais caro da hist6ria da humanidade, ao trabalhador brasileiro um padrao dig-
capaz de ser arrolado simultaneamente no de vida, alguma poupanga e uma cer-
como uma das maiores vergonheiras do vejinha nos finais-de-semana.
pais e fazer parte do Guiness, o livro O medico Almir Gabriel, mesmo nao
dos records. sendo um atento observador da cena pa-
Para nao dizerem que sou pessimis- raense, nao deconhece esse epis6dio. Di-
ta e causo depressao, vou tentar enca- gamos que seus marqueteiros (que Pas-
rar esse epis6dio pegonhento por um in- sarinho prefer nao identificar, mesmo
gulo mais r6seo: os quatro milh6es sabendo quem sao, um deles, ao
enterrados nas fundagoes e no que parece, expurgado do ramo
enfileiramento de tijolos reprc- ., ornitol6gico de uma das famili-
sentam o preqo que paga- ,.: as Chaves entroncada na oli-
mos para nao ter uma pe- garquia local, como se pro-
nitenciaria de seguranga clamava no velho e sau-
maxima em Santa Izabel. /" doso Corujao) tivessem
Ela pouco significaria
Ela pouco significaria :.. surpreendido Almir na pri-
como fator de redu9ao e .. meira veicula0o da peca
iniao da delinquincia en- sobre o "murinho". Mas ela
d6gena. Na verdade, funci- .. to repetida diversas vezes, pro-
onaria como centro de turis- ./ .. \ocando, em represalia, referEn-
mo criminal, trazendo para ca cias no horario de Passarinho a "co-
alguns dos principals bandidos do pais laboragao" que o senador tucano teria
(os daqui ainda estao em estagio atra- recebido da construtora Odebrecht (mal-
sado), corn a marginalia delituosa que dade tao grande quanto a que provocou
sempre os acompanha. Nao foi para isso o troco).
que o governador Almir Gabriel e seus Nem mesmo Almir Gabriel poderia
operosos secretarios submeteram-se a ignorar a tal calunia, alegando, como de
bailar o carnaval na avenida carioca. habito, que nao leu osjornais ou nao viu
Eles querem um turismo mais saudavel a televisao. Os marqueteiros que institu-
nas aguas do patu-anu. iram a "Ordem da Baladeira" para p6r o
Aguardemos um pr6ximo artigo do ex- coronel Xexeu para correr, gravando fita
senador. Se ele preferir nao se manifes- cassette e espalhando faixas pela cidade,
tar tao em profundidade sobre a ques- alem de produzir panfletos, nao s6 conti-
tao, por nela estar envolvido diretamen- nuaram a frente da campanha: alguns dos
te (ainda que como Pilatos no credo), audazes cavaleiros do anonimato foram
ofereco-me para abrigar o assunto, se premiados com cargos no govero, no
ele quiser me presentear corn a integra qual permanecem ate hoje, enaltecidos
da sindicincia, inquerito administrative ou e fortalecidos, um deles at6 apontado
process judicial, se ja instaurado, ou como eminencia parda (hoje mais ama-
quaisquer outros documents, que algu- rela do que propriamente parda).
mas fontes acionadas em Brasilia nao As coisas da campanha fluiram tao
conseguiram providenciar (estejomal, ao naturalmente para a administragao do
contrario de O Liberal, nao tem recur- candidate vitorioso em 1994 que o pro-
sos para ir a Brasilia garimpar informa- prio Passarinho p6de observer no seu
96es na origem ou acionar uma sucursal artigo dominical para 0 Liberal: "Os
na capital federal). Esta feito de public maldosos marqueteiros devem estar
o oferecimento. prontos para repetir facanha semelhan-
Mas sera que alguem consegue in- te no ganha-pao havido com indignida-
corporar a convic9ao que o ex-ministro de, em proximas campanhas".
comegou a manifestar nos ultimos tem- Se a pr6xima encontrar Passarinho
pos sobre o desconhecimento do atual e Almir em um mesmo palanque, como
governador de uma das ac6es mais pe- sera a concatenagio dos marqueteiros?








JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE MAR(O / 1998 7


Como impedir surpresas tao desagra-
daveis como as que Passarinho sofreu
no ano passado se o governador per-
sistir no "desconhecimento pr6vio" do
quc fazem seus indignos marqueteiros?
Eles serao excluidos do pr6ximo em-
bate, em reparagao da honra ultrajada
do ex-ministro? Ou este, mantendo a
credulidade da interpretagao corrente
que ter dado aos incidents de 1994,


O que 6 reportagem? Rusticamente: 6 um
textojornalistico mais long, produzido a par-
tir de apuralo de campo ou levantamento de
arquivo (ou as duas coisas combinadas). Se
essa defini~io 6 verdadeira, estio no lugar
errado varios dos livros classificados para
concorrer ao Prinio Jabuti deste ano no gi-
nero reportagem.
Por exemplo: Calandra 6 um depoimento -
aqui mesmo teve o seu valor questionado de
Perv Cota, assim como o proprio nome esta
dizendo (Testemunho Politico) o que 6 que
esta dentro do livro deMuriloMello Filho (nes-
te JP igualmente resenhado). Tamb6m critiquei
a superficialidade e a press de 0 Sequestro
Dia-a-Dia, de Alberto Berqu6, outro livro que
ficou entire os 10 classificados para a final.
Mas tudo bem: todos (mais Jos6 Maria
"abello. que contou a hist6ria do seu valente
journal, o BRino)lio. deBelo Horizonte) siojor-
nalistas. O que nio entendi mesmo foi a inclu-
sao do livro da minha amiga Violeta Refskale-
fsky Loureiro entire os trabalhos de reporta-
gem. Violeta nilo 6joralista. nem teve a in-
tenc~o de fazerjornalismo. Maxime Haubert,
uma das apresentadoras do livro. diz que Es-
tado, Bandidos e Her6is e "uma otima combi-
naCgo de diferentes disciplines: sociologia,
hist6ria, political e economic". Nio incluiujor-
nalismo. Ja Christian Gros sauda o livro como
"urna contribuicio marcante para a sociolo-
gia da revolta no meio rural".
A partir do livro de Violeta pode-se fazer 6ti-
mojornalismo, mas rescrevendo a hist6ria para
enquadra-la na abordagem especificamentejor-
nalistica e dando-lhe umnadimensio mais apro-
priada a um usurio da imprensa. 0 livro estaria
na categoria certa se a Cejup, que o editou, o
tivesse inscrito entire as obras de ciencias hu-
manas ou mesmo na de ensaio e biografia. Nun-
ca na de reportagem. Violeta merece ganhar un
prnmio certo, nIo por vias e travessas.
Academicismo? Nio. A reportagem e uma
instituiclo em decad6ncia no jornalismo e
mesmo fora dele. O legista alagoano George
Sanguinetli transformou seu laudo sobre a
morte de PC Farias em um livro que concorre
ao Jabuti de reportagem. Mas, como no caso
de Violeta. sem os mesmos m6ritos dela. en-


acreditard, como o rei Roberto Carlos,
que, daqui pra frente, tudo vai ser di-
ferente?
A opiniao ptiblica nao restart a pos-
sibilidade de cultivar tamanha ingenui-
dade. Mesmo porque nao tera um pre-
9o de consolag~o por esse faz-de-con-
ta utilitario. E quando a fantasia nao
compensa, nada melhor do que encarar
a verdade de frente. D6i, mas educa


tretanto, Sanguinetti esta fomecendo dados
para uma reportagem. E diferente de chegar
ao produto final.
Nio-jornalistas podem escrever belas re-
portagens, de que temos exemplos permanen-
tes em publicac6es como New Yorker, New
York Review of Books ou The Nation. Mas 6
precise que escrevam coin a clareza, a limpi-
dez, a flucncia e a forqa de um born texto de
reportagem.
O que se denomina muitas vezes de repor-
tagem e ensaio ou cr6nica. Nio quer dizer que
sejam g6neros inferiores e freqiientemente
nio o saio. muito pelo contrario. Simplesmen-
te slo diferentes. Todos merecem o seu lugar
ao sol. Hi um sol especifico para cada um dos
tipos, sem os efeitos colaterais da exposiQio
em hora errada.
Protest contra essa tend6ncia de trans-
formar a reportagem na posta-restante dos
textos porque ela 6 o moment miximo do
jornalismo, expressando a plenitude da aqio
do reporter, que 6 a alma da imprensa (serm ele
as redac6es seriam uma academia de proces-
samento de informaq6es).
Uma boa reportagem exige, em geral, acui-
dade, coragem, instinto, perspicacia, iniciati-
va, seleq o de fontes, paci6ncia, aplicacio -
enfim, 6 uma reuniio de qualidades e condi-
cqes que habilitam um professional a se con-
siderar born jornalista. Ocorre de uma repor-
tagem se alongar em extenslo e se aprofun-
dar tanto em qualidade (por redobrada elabo-
raCio ou inspiragio de genio) que acaba vi-
rando um livro e inscrevendo-se como marco
da expressio humana. Apenas dois exemplos
distintos, mas inquestionAveis: Os Sertoes,
de Euclides da Cunha. e A sangue Frio, de
Truman Capote.
Uma revista elevou entire n6s o g6nero a
uma altura que, coletivamente, nenhuma ou-
tra publicapio depois dela alcancou. O segre-
do do sucesso de Realidade foi, sob o co-
mando de um imensojornalista, Paulo Patar-
ra, abrigar rep6rteres de igual envergadura,
mesmo que nern todos tivessem a plena cons-
cidncia de sua condiqio de rep6rteres (fric-
cio cututral que acabou beneficiando a to-
dos, jornalistas e escritores).


Deus salve a


reportagem


O texto jornalistico, levado ao seu extremo
de qualidade, beira os limits da ambigiida-
de, esta, caracteristica do texto de valor inde-
pendentemente de sua classificaoo formal (a
ambigiiidade permit multiplas leituras e in-
terpretaq6es, sem perder em virilidade). Len-
do-se escritores como Norman Mailer, Gay
Talese ou Ant6nio Callado nao se sabe se
sio escritores na funqlo dejornalistas oujor-
nalistas que se tornam escritores. Tornaram-
se criadores plenos.
Mas em todos hi um traco comum: sao
escritores de rua, da observacio externa, do
estar com outros, da conversa. os elements
da reportagem (por isso diferem em tudo de
gente como GuimarSes Rosa ou Samuel Be-
ckett). O livro de Mailer sobre Lee Oswald
pode ser lido como romance, mas 6 uma re-
portagem de dar inveja. Bastou o escritor ame-
ricano ir a R6ssia para levantar um enredo
sobre o qual nenhum outro ousou escrever,
de tlo claro e s6lido -e redundante (so Oliver
Stone ainda deve insistir que a CIA puxou o
gatilho do fuzil de Oswald). A imaginaiao atua
para dar ao produto de uma s6lida investiga-
,io a combinac~o de atracBo e prazer da qual
ficqco ejornalismo sao tutores.
Mas observe-se a diferenca que existe en-
tre Realidade e (aros Amigos. Alguns dos
jornalistas envolvidos na primeira empreitada
reapareceram na outra, quase 30 anos depois.
Seu texto surpreende as novas gerac6es. em-
paredadas porjornalistas sem criatividade, ou
de criatividade padronizada, programada (para
usar expressio cara a cultural informatica- e
que talvez a defina).
Mas Caros Amigos nio sustenta a quali-
dade de Realidade. Nio ter pauta, nio utiliza
preferencialmente a rua como matriz dos seus
produtos e os maravilhososs jornalistas que
nela voltaram a se reunir estio cansados. Re-
aproveitam o que viram e ainda tmr estocado,
numa memorabilia recondicionada, mas rara-
mente produzem textos de impact, trazidos
de viagens pelo pais e o mundo, como foi
possivel nos anos de ouro (1966/68) de Rea-
lidade, que pulsava literalmente realidade.
Nio sendo exatamente uma nova Realida-
de, CarosAmigospoderia buscar identidade corn
a velha Senhor (1959/64). onde poesias, con-
tos, novelas e ensaios mais se aproximaram do
jornalismo. Mas 6 ai que o desnivel se acentua.
O grupo que Carlos Scliar, Nahum Sirotsky, Pau-
lo Francis, Reynaldo Jardim e Luiz Lobo patroci-
naram formou sua cultural em livros, ra, via-
gens e alcohol (nem sempre nessa ordem, mas
corn todos os itens). Certo tipo de cultural so
cabe em livros e uma combinalo equilibrada
desse tipo 6 imbativel, como at6 mesmo Bill Ga-
tes sabe (ele diz colocar primeiro um livro na
miio do filho antes de Ihe dar um computador).
Algumas reportagens imprimiram conhe-
cimentos. sensagoes e impresses eternas e
indeleveis dentro de n6s. E uma via de acesso
unica. Por isso devemos preserva-la e garan-
tir-lhe a identidade, mesmo quando e pratica-
da corn tao pouca constincia e tao grande
desrespeito como agora. A despeito disso,
sobrevive e sobreviveri sempre.








r ----.------ mmm- m
Liberalicidio
0 L['eral deu pagina inteira a um ataque do vereador
Gern isio NMorgado. uin dos protegidos dacasa. contra a \Va-
rig. Algumiias das quei\as do edil podem ser endossadas por
qualquer passageiroi areo Mas neni o loin. nem inuilas in-
fornm:ic_.o do parlaineniar do PL (fiscal de rcndas iceLncia-
do), uniilo menois a or gein dos alaques. escapain de susper-
cao.
Conforme foi publicado no prtpno jornal contranramente
ao que declarou o %ereador a \%rieg control inenos da Iiekta-
dc duo I anspornc ,rco io Para Nio e portanlo. unia mono-
polista cruel e insensi\el. que massacre scus passageiros
(eniborid retqueielnieclte os inaltraie e irate coni discrilmlina-
qaio). Gcn~isio 6 cesperncou por inmeresse conirarado. por-
quc pretend o que nnhiiim cliciic icii direio a icr citigindo
Mn.is do que [he pernitein as clausulas contrauuis e nale
querendo pagar pelo que c\gL F o j.ornal so lhl deii unia
iniportancia deelllsurada porquc se trata de unl negocio dc
jrlinlia Sc fizessv.e ornalisino. no dia _sgi'nil a diL\tdgaio
de uiInd Ildlerlad ho dcstacada lera ou\ ido o ouiro lado e
clKcado inforinaoes lornecidas por un1a uniica fonte NMas
I jorn.lisino i midcria secundarii ail pelos liundos do Bosque


Amem
Pronto: foi
republicanizado o reinado
de Jose Octdvio Dias
Mescouto no cargo de
procurador-chefe do
Ministerio Publico junto ao
Tribunal de Contas do
Estado, que jd dura
mais de 32 anos. S'eus
pares colocaram-no
como cabega da lista O
triplice submetida ao
governador e Almir
Gabriel sancionou a
escolha feita pelo voto
no privilegiado
colegiado. Como at
entao a vitaliciedade
do chefe do AMP era indireta,
a nova escolha pode ate ser
interpretada como primeira
eleigdo, credenciando-o a
uma reconduqao no future,
corn o que estard habilitado
a alcangar a aposentadoria
sem ter sua presid6ncia
vitalicia interrompida por
essas normas mais
inferiormente republicans
(ver, a prop6sito, Jornal
Pessoal n0 176).
Nem Manuel Scorza
imaginaria latino-
americanice semelhante (ver,
a prop6sito, Bom Dia para os
Defuntos).


Rescaldo
Mal este journal chegou as
bancas eja o S6rgio Vallinoto li-
gava para corrigir os erros nos
sambas melanc61licos de carna-
val. A mfisica do Chico Buarque
e o Baile dos Mascarados e nio


La e ca
hrusiterio Publico do Amnazonas multo
270 mil reaisporque a empresa nao cur
ue assinou. pronmetendo suspender em
racionainentos de energia imposios a
IP do Para sabe de t'alos semelhantes q
utardm. niste Para mesmo" Ou so sabe
pela propaganda official?


a Noite dos Mascarados. E As
Pastorinhas d do Joao de Barro
corn o Noel Rosa e nao do La-
martine Babo. Equivocos de umn
fechamento de edigao ca6tico,
que fez a nota sobre o encontro
intellectual do Shamir Peres corn
o Paulo Coelho ser bisada em
moto-continuo. Mas o telefone
do S6rgio foi providencial, inclu-
sive para lembrar que o pai dele
tambdm gostava do Anda, Lu-
zia, do maravilhoso Joao de Bar-
ro. E que a cada novo carnaval,
corn esses an6dinos sambas-en-
redo das escolas de samba, mais
gostamos do que passou. Evoe,
Baco. Perdao, leitores.


Sugestao

Sera se corn barba o sapo do out-dor da campanha da
prefeitura contra a dengue nao ficaria mais eficiente?


Justiga
0 descompasso entire os ven-
cimentos dos servidores do exe-
cutivo e do judiciario 6 brutal.
Exceto pelos ocupantes de car-
gos de confianga ou que conse-
guem se aposentar no topo do
servico pfiblico, como os secre-
thrios, a esmagadora maioria dos
barnabds do governor vai para a
inatividade coin aposentadorias
que nao permitem o farniente
justificado pelo outuno da vida.
Precisam complementary o rendi-
mnento. JA no judiciario uma apo-
sentadoria decent estA ao alcan-
ce de muito mais gente. As ulti-
mas aposentadorias de pretores
e juizes do interior tin variado
entire sete mil e 10 mil reais.
Nern todos se fizeram mere-
cedores desse reconhecimento,
mas a aposentadoria result do
tempo de serviqo e nao da quali-
dade do servico (que precisa ser
avaliada, mas sempre no tempo
devido). Ao menos em relaqgo a
justiqa, a opiniao public tern mo-
tivos fundamentados para cobrar
melhores serviqos dos que es-
tao ativos nos escal6es superio-
res e m6dios (os inferiores ainda
estao mantidos A margem, em
funqgo da desproporqgo entire o
maior e o me-
nor salario
que persiste
a Ero navida plbli-
u rilctronore ca brasileira).
npri ocontralo A socie-
dezembro os dade estA pa-
Manaus gando relati-
uc ocorrem en] vamente carol
o que acoinec para que eles
tenham con-
diqOes de ser


melhores (alguns servidores,
como secretario do tribunal, se-
cretario das cimaras criminals
reunidas, escrivAo do tribunal e
t&cnico judiciario II, jA passaramr
dos dois digitos de vencimen-
tos). Se nao estao sendo eficien-
tes, a razao nio deve ser busca-
da nos vencimentos.
Por isso, o cidadao deve olhar
corn mais rigor ojudiciArio, dei-
xando de viciar sua perspective


no runo do executive. Como esse
acompanhamento atento nao
tern havido, justifica-se o pedi-
do de control externo, necessi-
rio para que a funqao arbitral da
justina seja mais do que figure
de ret6rica no universe forense.

Rainha
demode
Que tal acabar corn essa
coisa anacr6nica
chamada rainha das
rainhas? Motivos nao
faltam. Ossiam Brito se /.i.
0 traditional tfido
musical nno e mais tocado.
E nem os Maiorana
comparecem mais a festa,
no que tem toda a razao.


Posidao
0 Para foi reprovado no ge-
renciamento de safide no ano
passado. Corn nota 4,8, ficou no
uiltimo bloco, dos tr6s em que
foram divididos os Estados bra-
sileiros pelo Minist6rio da Sail-
de, conforme o Relat6rio de Ges-
taode 1997.
A melhor nota, 8,4, foi obtida
pelo Parana, liderando um grupo
de 10 Estados que tiraram acima
de sete (incluindo, por ordem
decrescente, Mato Grosso, Mi-
nas Gerais, Rio Grande do Norte,
Mato Grosso do Sul, Distrito
Federal, Pernambuco, Santa Ca-
tarina e CearA.
No grupo intermediario, corn
notas acima de cinco e abaixo de
sete, ficaram, hierarquicamente,
Sergipe, Bahia, Tocantins, Rio de
Janeiro, Piaui e Rondonia (que
tirou 5,1 c lidera na Amaz6nia
Classica).
O Para esta no ultimo bloco,
corn nota abaixo de cinco. atris
de Sdo Paulo e Espirito Santo e
acima apenas de Amazonas (corn
4,5), GoiAs, Maranhao. Alagoas,
Acre, Amapi e Roraima. Ou seja:
o Pard ficou em 190 lugar entire 27
concorrentes.
O governador do Para, como
se sabe, 6 um mddico.


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