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Jornal pessoal
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00129
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00129

Full Text





Journal PessQa, :m
L CI 0 F LAVI O P IILNT 0 a
nla Anaeel

COBRE (:Eg ,)


Salobo perde p iade

0 Projeto Salobo deixou de ser o mais interessantepara a Vale do Rio Doce em Carajds.
Agora a empresapretende ativar o Projeto Sossego/Liberdade, emparceria com o segundo
produtor mundial de cobre, a PhilipsDodge. Maspor trds da luta com a Anglo American,
s6cia no Salobo, hd umjogo de interesses mais amplo. S6 o Pard ndo sabe de nada.


in\estimento prioritario tados pela CVRD recomendam-lhe tro- bre 50% maior (300 mil toneladas de


Spara a produgao de cobre
em Carajas deixou de ser,
pa ra a Companhia Vale do
Rio Doce, o Projeto Salo-
bo. E, agora, o Projeto Sossego/Liber-
dade, localizado no mesmo distrito mi-
neral, no Para. Embora este novo empre-
endimento s6 tenha comegado a existir
em dezembro de 1996, 20 anos depois
da descoberta dajazida do Salobo, a pri-
meira grande ocorrencia de cobre no Bra-
sil, os indicadores que esto sendo levan-
*^ ^


car o Salobo pelo Sossego/Liberdade.
No primeiro, para um investimento de
1,6 bilhao de dolares, seria possivel pro-
duzir, a partir de 2002, 200 mil tonela-
das anuais de cobre metalico e oito tone-
ladas de ouro, criando cor a operagao
1.300 empregos diretos e 2.500 empre-
gos temporarios.
Ja o segundo projeto, exigindo metade
do investimento previsto para o Salobo
(ou US$ 800 milhoes), possibilitaria uma
capacidade nominal de producio de co-


metal) e quase o dobro de ouro (15 tone-
ladas). A mdo-de-obra requerida pelo
empreendimento seria relativamente me-
nor: 1.600 empregados diretos e 1.200
temporarios. Sossego/Liberdade poderia
entrar em operaaio em 2001, um ano
mais cedo do que o Salobo, perdendo
menos tempo na implantagdo, comegan-
do a pagar-se antes e quitando-se mais
rapidamente, gracas a uma melhor taxa
de retomo do capital.
No Salobo a CVRD esta associada a







Z JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE FEVEREIRO / 1998


maior mirieradora de ouro do mundo, a
Anglo American (atraves de sua subsidi-
iria brasileira, a Minorco). No Sossego/
Liberdade a parceria e com a Phelps
Dodge, a segunda produtora mundial de
:obre. Os dois projetos tnm sido condu-
sidos independentemente um do outro e,
loje, a Vale parece ter decidido acelerar
) mais novo, enquanto revC a empreitada
nais antiga, na analise de seus t6cnicos
nenos atraente como investimento.
A principal razao para a perda relati-
/a de interesse pelo Salobo seriam os
:ustos para a concentracao do minerio,
le teor mais baixo e de qualidadcs fisi-
;as que dificultam sua operacio. O in-
restimento necessario para concentrar
:ada tonelada de cobre do Salobo, em
orno de cinco mil d6lares. scria bem
naior do que a media mundial. quc varia
ntre US$ 4 mil e 4,5 mil.
Por ser um min6rio mais duro. o co-
re do Salobo exigiria na moagem mais
nergia do que o padrao, de 18 a 23 me-
;awatts por tonelada (contra 11 a 13 MW
to Chile, o grande produtor mundial). Por
sso, seria necessario investor mais em
quipamentos, como moinhos dcspropor-
ionalmente grandes, e em encgia. Ha
inda problems na flotacao, quando e
eita a separagco do cobre dos outros
iin6rios contidos na rocha. A flotabili-
ade do cobre do Salobo e co.nsiderada
uim, requerendo equipamcnto'-. -iaiores.
lem de maior consume de crergla e rea-
entes quimicos.
Os desafios tecnol6gicos e os custos
con6micos decorrentes da extracgo e
oncentragao do cobre do Salobo teriam
ido minimizados ou nao adequadamen-
Sexaminados.na fase em que o empre-
ndimento foi conduzido pela Anglo
Lmerican e a CVRD estatal, segundo a
Ivisao que os novos controladores da


Vale empreenderam. A empresa sul-afri-
cana estaria disposta a pagar esse custo
adicional por causa de seus interesses
estrategicos, de estabelecer no Brasil uma
nova base operational capaz de substi-
tuir a Africa do Sul, se os problems ra-
ciais nesse pais africano a obrigarem a
deslocar-se dali. Ja a estatal estaria utili-
zando criterios politicos acima dos eco-
n6mico-financeiros.
O que os novos donos da CVRD relu-
tam em aceitar e que a antiga diretoria
houvesse dado partida oficialmente a
implantagao do projeto, em abril do ano
passado, com base apenas em um estudo
de engenharia conceptual, sem ter sequer
iniciado a engenharia basica do empre-
endimento (que define a engenharia de
detalhe, ja na implantacgo). Esta defici-
encia explicaria a grande variaqao no
orgamento previsto do projeto, que co-
mecou em 400 milhies de d6lares e che-
gou a US$ 2,1 bilh6es, na ultima estima-
tiva, para uma produgao maior, de 250
mil toneladas.
No moment de detalhar a extragao e
a concentracio do cobre, os tecnicos vis-
lumbraram as dificuldades tecnol6gicas
e a decorrente elevagio dos custos. Se-
gundo algumas fontes, a principal resis-
tencia a aceitagao do projeto veio da parte
dos agents financeiros internacionais,
que nao se sentiam seguros diante do lay-
out apresentado.
A Vale passou entao a procurar um
novo parceiro, com dominio sobre a pro-
ducao de cobre (ja que nem a CVRD e
nem a Anglo tnm tradicgo nesse setor),
para tentar melhorar o perfil do projeto
e, assim, reapresenta-lo aos financiado-
res em potential. O principal objetivo
seria reduzir os custos necessarios para
realizar a concentragao, que exigiria ate
mais (US$ 440 milhies) do que o pro-


prio smelter (US$ 395 milhbes), para um
nivel de produgco de 200 mil toneladas
de metal.
A nova diregao da Vale submeteu o
projeto de engenharia conceitual do Sa-
lobo a 10 empresas de cobre, todas com
posiq~o no ranking mundial, e esta em
entendimento direto com quatro delas
(mantendo os nomes sob sigilo). Mas
enfrenta a resistencia da Anglo, que pa-
rece inclinada a manter o projeto origi-
nal em andamento, sem aceitar o ingres-
so de novo s6cio. Essa fragmnentagao
enfraqueceria a posigio estrategica que
parece querer estabelecer mundialmente
cor base em Carajas. A partir dai de-
sencadeou-se uma guerra fria entire os
dois parceiros, que tentam resolver suas
diferengas atraves de negociagco, cada
um dos quais, entretanto, agindo a mar-
gem para impor sua posicgo.
Esse fator tornou ainda mais atraente
para a Vale incrementar a condugao do
projeto Sossego/Liberdade cor a Phelps
Dodge, convencida de que ele entrara em
operacgo primeiro, tera um rendimento
maior, exigindo muito menor investimen-
to, e podera ser bancado mais facilmente
pelos financiadores internacionais.
S6 dentro de dois meses, quando esti-
ver sido concluida a geologia da nova
jazida, a CVRD devera anunciar que
Sossego/Liberdade passara a frente do
Salobo como o investimento priritario
para a exploracgo das grandes jazidas de
cobre de Carajas. Cor isso, o arranjo de
forgas em Caraja sofrera nova modifica-
rCo e muitos dos temas colocados agora
na mesa de discussao terao que ser re-
vistos e submetidos a nova ponderagdo
valorativa. Quando entrar nesse jogo, o
Estado sera o tiltimo a ser incorporado -
e provavelmente todo o roteiro do em-
preendimento ja estara escrito.


A maneira dos liberals
() I beral esta cada t.' mats imnpagdcil [lnIeIto urna president do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 8'
errata foiografica na tqual a itoo a corr~ir c publicada em Regiao. Vicente Jose l Malheiros da Fonseca. quc cxterua
amarnlo nmuiro Inaioi do qu.e o0 nrinal errado Grapas a isso. oplniao sobre os iuwzes classistas que atuain nas Juntas de
Antonio Braya ioluIntaliunLl.ntc quase \irou pustcLr Tudo Conciliad' o e Julganento da JtslIlqa do Trabalho


porquc os Mlaorina tknm grande iint:resse nu area em quc o
correto Brara c director. a T'lpara. em \ las de pr ati"zaqao
Nio cnc enic. a eldiiSao Jo ultinmu dia 27 Jo iornal perpe-
trou errata unica no ana il .s do lornalismo Na \ c'spcra. uima
fbto do juiz traballiisa \ ICcent Malhciros da Fonseca rece-
beu a seLumntc IcLcida 'FASCISMO \ ientc Malheiros.
\ice-presidcutc do TRT I le ,o inmcicazes A corrigen-
da do dia seguintne r.e'iAW L ,j Na pagma 3 des'c cademo.
edlqao de ontlem iindlc .- I" cJ ...ni Ic ia-se CLASSISTA
como a pala% ra que micia a Icgenda dc uina ftlo do vice-


Ora. como na entire\ vista i no corrigda I Viccnri aparece
observando que o cargo de \ogal ft:o cnado pelo c\-presi-
denre Getulio Vargas. "que copiou o model tascisa ~talia-
no para amonecer as rei indicac es italianas a neccsst-
dadc de fazer a errata decorre daqucl imnpcto dos aulicos
de ser nais realistas do que o rtc Ou dC cxa.grar nj dcfesa
de seus mteresses No primciro caso o ollo gordo sobre a
Telepara No segundo. quercndo agradar a justIla traba-
liista O que. em IInguagem Lulgar. seria possiel classifi-
car dc puxa-saquismo Suen errata







JOURNAL PESSOAL 1P QUINZENA DE FEVEREIRO / 19983


Atras da


banda,


como


sempre

O govemo, se quiser evitar sempre ser
atropelado pelos fatos que estao na li-
nha de frente da hist6ria mineral do
Para, precisa urgentemente criar um gru-
po executive para acompanhar a con-
dugdo dos empreendimentos nesse setor
vital para o Estado. Um grupo integra-
do por representantes do governor e da
sociedade, pessoas que ja tenham de-
monstrado aptidao e conhecimento su-
ficientes para funcionar como vanguar-
da na formarao da cultural mineral no
Para e interlocutores eficazes dos inte-
resses do Estado diante das empresas
privadas.
A estrutura institutional que existe e
desproporcionalmente minuscula dian-
te das quest6es, que exigem resposta
pronta, capaz e antecipadora. A parte
da mineracio na Seicom 6 a menor na-
quela secretaria, que ter comercio e in-
dustria na frente. E quem decide sobre
a estrutura produtiva 6 a Seplan, que
disp6e apenas de uns poucos abnegados.
A Paraminerios virou uma ficcao. A
Sectam tern uma visada muito lateral,
de ciincia e tecnologia marcadamente
ambientalista.
Ou seja: a acao governmental 6 pul-
verizada, sem forca. Um grupo executi-
vo ou um conselho, com autonomia ad-
ministrativa e fonte pr6pria de recursos,
diretamente ligado ao governador, pode-
ria ser o embrido de uma secretaria espe-
cializada, se essa estruturaqco fosse con-
siderada a melhor opcao (muitas vezes,
para evitar o burocratismo, nao 6).
O que nao pode 6 o Estado agir sem-
pre a reboque dos fatos criados pelos
condutores dos projetos produtivos na
mineraqao, como tem ocorrido at6 aqui.
O caso do cobre de Carajas 6 exemplifi-
cativo. Originalmente a CVRD previa
apenas a concentragco do min6rio ao
lado da propria mina. Depois, trouxe
para perto dela a metalurgia, nao por
causa de pressdo dos paraenses (que ine-
xistiu), mas pelas caracteristicas fisico-
quimicas do minerio, que tiravam o in-
teresse dos beneficiadores.


Agora, quando todos discutem se e
quando o Projeto Salobo vai comegar a
ser implantado, descobre-se que a pen-
d&ncia fundamental 6 de outra nature-
za. Sera mesmo? At6 que a resposta seja
suficientemente amadurecida, 6 precise
acreditar na palavra dos interlocutores.
O problema 6 que fontes distintas nem
sempre dizem a mesma coisa. Frequen-
temente se contradizem, entram em con-
flito. Nao tmr interlocutores a altura.
Abusam da supremacia.
Nenhum dirigente da CVRD estatal
se referiu aos problems tecnol6gicos (e
seus custos) criados pela concentracao
do cobre do Salobo, que os novos con-
troladoresagora revelamA definiiao do
orcamento do empreendimento e a bati-
da de martelo feita oficialmente no ano
passado sugeriam que se desafios havia,
eles estavam equacionados. A dificul-


dade maior era na metalurgia, com o tra-
tamento adicional do fluor.
Na nova situa9~o, que aqui se noticia
pela primeira vez, 6 precise refazer os
raciocinios e reexaminar as variaveis.
Falta-nos familiaridade cor o tema. Te-
mos que aprender pelo claudicante m6-
todo do ensaio-e-erro, avangando arit-
meticamente, enquanto os donos da bola
evoluem geometricamente, n6s calculan-
do com abaco, eles com computadores
de ultima geracgo. Tudo isso porque um
Estado minerador teima em ndo encarar
essa realidade, cor seus pr6s e contras,
maximizando aqueles, minimizando es-
tes. Ao inves disso, prefer deitar no ber-
go esplendido da retorica.
Esse filme n6s estamos cansados de
ver. Nao 6 o mocinho quem sai ganhan-
do no fim. Se 6 que mocinho foi inclui-
do nesse enredo.


Os efeitos

da segmentag o

Esperava-se da segmentacgo da imprensa uma maior confiabilidade e densidade
das publicac6es especializadas. Nao 6 o que tem ocorrido em alguns casos. Perma-
nece uma generalidade e uma superficialidade tipicas dos veiculos ndo-segmentados.
Um exemplo pode ser apontado no iltimo numero da Carta Capital, o mais recent
empreendimento de Mina Carta (irregular: nunca da dois bons nimeros seguidos).
Uma das principals mat6rias da revista, com chamada de capa, 6 sobre o empresa-
rio Alain Belda, marroquino naturalizado brasileiro, de 54 anos, que chegou a dire-
Cio mundial da Alcoa, a multinacional americana que lidera o mercado de aluminio,
ap6s uma carreira de mais de 20 anos na empresa.
A autora da reportagem, Maria Helena Passos, 6 veteran. Mas parece ter escrito
cor displicencia. E relaxadamente seu texto foi editado. No intimo, nao deve ter agra-
dado nem ao pr6prio Belda, mesmo nao poupando elogios a ele. Ninguem que acompa-
nha a trajetoria da Alcoa no Brasil saiu da leitura enriquecido. Muito pelo contrario: ha
uma sucessio de erros e desinformac6es, apesar da importincia do tema.
Maria Helena diz que a Camargo Corr6a construiu a hidrel6trica de Tucurui no
Maranhao. Fisicamente, pelo menos, a usina esta no nosso territ6rio (ou sera que
nao captei a sutil ironia da reporter?). Logo acrescenta que a construtora se tornou
acionista da Alcoa Aluminio (o que nao 6 correto: a parceria 6 com a Alumar, a
fabrica de aluminio instalada em Sao Luis). Segundo Maria Helena, alias a Alcoa
seria "a primeira grande indfistria do projeto Carajas" (quando projeto 6 apenas a
mineracao de ferro; ela queria se referir ao Programa Grande Carajas, que deu uma
montanha de vantagens para o surgimento da associacao Alcoa/Billiton/Camargo).
A desatencgo pode ser detectada em varios trechos da material. Ela diz que um dos
organizadores da Alcominas, embrido da Alcoa no Brasil, foi o "entao future gover-
nador paulista Paulo Egydio Martins genro da familiar Byngton". "Entao" (1965),
Paulo Egydio nao era future: "entao", poderia vir a s8-lo. Ninguem 6 genro de uma
familiar inteira, mas do cabega da familiar da qual origia-se a esposa do personagem.
Maria Helena declara ainda que "a intermedia9ao com a classes political era feita por
intermedio do ex-ministro Delfim Neto", redundincia intermediadora que talvez sirva
para carregar nas tintas da responsabilidade do economista-m6r de governor militares
(ele tamb6m esteve por tras do financiamento para Tucurui como embaixador em Pa-
ris). Mas, num texto que utiliza expresses como "tento" e "de lambuja", 6 um pouco
demais para crer nos efeitos positives da segmentacao editorial no Brasil.







4 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE FEVEREIRO /1998




Almir vai a Jader, que vai a FHC, que...

(E assim caminha a political)


O pr6ximo lance dos esquemas politicos
visando a eleiqao de outubro no Pard viri
de Brasilia. E la que o senador Jader Bar-
balho ird buscar os elements para apresen-
tar a resposta ao convite que Almir Gabriel
Ihe fez, no dia 26, num encontro sigiloso,
para apoiar a reeleiqoo do governador, em-
bora tenha dito que iria consultar suas ba-
ses regionais.
Nenhuma das alternatives oferecidas pelo
proprio Almir a vaga de senador ou a de
vice-governador 6 suficientemente atra-
ente para fazer o senador desistir de sua
pr6pria candidatura, ou de algum outro pla-
no que guard na cabeqa, sem nele incluir a
reeleicao de Almir.
O terceiro retorno de Jader ao governor,
que intimamente e de moto pr6prio ele
nao parece disposto a tentar agora, e recla-
mada pelo seu grupo politico. Os peemede-
bistas, sobretudo do interior, reclamam de
perseguiqio e maus-tratos sofridos da part
dos tucanos, apesar do acordo informal fei-
to com o governador pela bancada do parti-
do na Assembl6ia Legislativa. Estdo con-
vencidos de que mais quatro anos de Almir
Gabriel significarao a destruicio do esque-
ma de sustentacao do lider peemedebista.
Embora Jader e Almir troquem gentile-
zas, ambos sabem que essa de.niontagem:
esta acontecendo. Um porquc e o autor. O
outro, por ser a vitima. O primciro encon-
tro entire os dois foi armado pelos teoricos
do PSDB como uma armadifha para esva-
ziar o esquema de campanha de Jader. Dada
a impressed de que a aproximaCgol estava
feita e o acordo seria apenas questAo for-
mal, os que resisted ao lado de Jader se des-
mobilizariam e o governador rasparia tudo.
Sagazmente, mesmo sem recusar os ace-
nos dos tucanos, Jader tratou de mandar
cartazes de campanha para o interior, con-
vocou politicos interioranos a Brasilia, co-
mandou pessoalmente a distribuicao de di-
nheiro para prefeitos na Sudam, atraiu o
grupo do ex-prefeito Helio Gueiros e man-
dou por tudo o que 6 pombo-correio a men-
sagem de que 6 candidate ao governor. Imo-
bilizou assim o adesismo latente no PMDB,
renovando as fontes de seu carisma pessoal
com o cimento das verbas pfblicas e o calor
dos dos favors oficiais. No caso, federal.
Tudo o que Almir puder oferecer como
seguro contra o solapamento das bases ja-
deristas terd o valor de um niquel furado.
Contra um poder de fato, s6 outro, sabe
muito bem o ex-governador. O que ele pre-
tende, antes de voltar a Almir corn uma res-
posta, 6 conquistar os crdditos junto ao pre-
sidente Fernando Henrique Cardoso.
Derrubando o grupo de Paes de Andrade
da presiddncia national do PMDB e invia-
bilizando a candidatura pr6pria do partido,


Jader se credenciaria ainda mais para ser o
representante do president no Para. A ban-
cada do Parad a sexta corn mais votos na
convencqo do PMDB e, centre as que apoi-
am a reeleigAo de FHC. a quarta mais im-
portante.
Garantindo a maquina federal sob seu
comando direto e total, Jader poderia acei-
tar indicar o vice-governador e opinar so-
bre a indicaqAo do senador, sem se expor
demasiadamente aos riscos da traicao (com-
ponente inevitavel de uma political privada
de ideias e ideass. Mesmo corn a gratidao
de FHC, porem, nao csta na mesa de nego-
ciacao corn o president que Jader deixe de
candidatar-se ao governor. Essa d uma op-
gqo pessoal que o president admite c acei-
ta. Mas nao todos os tucanos.
O ministry das comunicaqces, por exem-
plo, nao ter a menor simpatia pelo sena-
dor paraense. S6rgio Motta convenceu Fer-
nando Henrique a receber Almir Gabriel em
Brasilia para um encontro reservado. Mas
a principal mensagem dcssa reuniao foi de
que o governador ganharia mais acertando
suas contas no Estado do que tentando tra-
zer para si a maquina federal comandada
por seu correligionario de partido, que esta
cedida ao lider do PMDB no senado.
Fernando Henrique dcpende mais de Ja-
der agora do que de Paulo Malufe tern mais
compromissos corn Covas do que con Al-
mir. A conclusao dessas premissas 6 de que
a melhor maneira de Almir assegurar a par-
ceria partidaria do governor federal 6 con-
quistando a adesao de Jadcr. E que o sena-
dor peedemebista esta mais pr6ximo do Pla-
nalto do que o governador tucano.
Sco para assegurar sua rccleiiao, o prag-
mAtico FHC exibiu sua proximidade corn
Maluf, mesmo correndo o nsco de ficar na
mira do mau-humor de Covas. apesar de
quer6-lo como candidate do PSDB em Sao
Paulo, o que nao 6 capaz do conceder a Ja-
der em terms paroquiais?
Nao tendo obtido a cumplicidade de Bra-
silia, nem conseguido os efcitos esperados
da repercussao do primeiro encontro, o go-
vernador Almir Gabriel resignou-se a tele-
fonar pela segunda vez para o seu ex-aliado
e ex-adversario, convidando-o para uma
segunda reuniao, desta vez coin agenda mais
objetiva do que os circunl6quios em torno
da primeira pessoa que marcaram o encon-
tro do ano passado. Jader, que havia ficado
rouco de tanto ouvir na primeira sessao, fez
logo uma exigdncia: ningu6m mais estaria
na sala al6m dos dois lideres.
Nada de Simro Jatene era o que estava
implicito na condicao. O secretario de pla-
nejamento fora a testemunha privilegiada
da primeira rodada. Jader, chefe de Simao
no primeiro mandate como governador e no


Minist6rio da Reforma e do Desenvolvimen-
to Agrario, nio aceita ser equiparado a ele
politicamente, agora que Jatene pulou a cer-
ca (e nao o muro. ja que, deste, tucano nao
costuma dcscer). Esperava que o pr6prio
Almir excluisse seu auxiliar, quando nada
para nao confirmar a versio corrente do que
Jatene 6 o primeiro-ministro (o que sugere
considerar-se Almir a rainha da Inglater-
ra). Como nIo houve a auto-correcao. tra-
tou logo de prop6-la.
Um novo encontro antes da definicao
sobrc as aliancas eleitorais para a presiden-
cia da Rcplmblica nao parecia star nos pia-
nos de Jader, que, por isso, nio tem qual-
quer pressa em dar o pr6ximo pass. Mas
como cle nao descarta a hip6tese de fazer
um acordo corn o governador, nao viu mo-
tivos para procurar uma desculpa e nio vir
a Belem. Ao contrario. 6 mais um element
de sondagem da opiniao plblica e, para o
pfblico, como troco involuntario. ajuda a
trazer dos bastidores para o proscinio a mo-
vimnntaclao dos politicos rumo ao poder.
Jader nao pretendia revelar o fato, ape-
sar de ter seujornal. So quando procurado
pela imprensa 6 que decidiu repassar a in-
fornmaqio. Mas o Diario do Para limitou-se
a dar umna pequena chamada de primeira
pagina. Dentro. a tinica refercncia foi uma
nota da coluna Reporter Diario, ditada de
Brasilia pelo senador.
A intencqo 6 clara: minimizar o episo-
dio. A decisao sobre umna alianca PSDB/
PMDB para o governor do Para nao depcn-
de mais do governador Almir Gabricl. mas
do president Fernando Henrique Cardoso
- e a deducao logica do comportamento de
Jader. Se nio houvcr esse accrto maior, o
lider peemedebista vira disputar o governor 1
contra Almir ou adotara qualquer outra al- I
ternaliva que as circunstancias Ihe ditarem
(inclusive um acerto corn Hlio Gueiros).
Outro fato sugestivo foi a rccusa de Ja-
der de falar a 0 Liberal. 0 senador conver-
sou amavelmente corn os outros jornalistas
que o procuraram, mas nao retornou a liga-
iao do journal dos Maiorana, quo deram ao
fato um tratamento semelhante ao do Dia-
rio: titulo discrete na capa e material den-
tro. em pagina par (menos destacada do que
a impar). A maior repercussao na imprensa
foi dada por A Provincia do Pari, o journal
corn menos envolvimento no jogo eleitoral.
Desta vez, ao inv6s de sofismar em torno
do lema da uniao pelo Para (hoje sin6nimo
de Almir Gabriel), o governador foi direto
ao que interessa: quer o apoio do senador
do PMDB. Caberia perguntar: Almir nao
se elegeria ou pelo menos nto seria elegi-
vel se partisse para a dispute corn os apoi-
os queja tern? Afinal, ele nao se elegeu corn
a promessa de criar um "novo Para" (slo-







JOURNAL PESSOAL P QUINZENA DE FEVEREIRO / 19985.


gan que os seus marqueteiros ja esquece-
ram)? At6 muito recentemente, seu discur-
so e de todo o tucanato local nao era o
da recuperaQio da credibilidade e da gover-
nabilidade, que se haviam desfeito nas ad-
ministra6ces anteriores, inclusive e sobre-
tudo na de Jader Barbalho (a lnica repri-
sada no period referido)?
Parafraseando Machado de Assis, seria
de perguntar: mudou Jader ou mudou Al-
mir? Na verdade, o que mudou foi o discur-
so, o que mudou foi a ret6rica, o que mudou
foi a cobertura verbal que oculta os caci-
ques politicos paraenses. Eles nao t6m prin-
cipios ou programs. Tmr mesmo 6 inte-
resses e conveni8ncias. Raramente escrevem
o que pensam (ao contrario do presidente-
soci6logo), mas o que dizem e como o mio-
lo de pao usado por JoAo e Maria para ten-
tar marcar o caminho de volta.
Qualquer passarinho, mesmo um nao tri-
coroado, acaba facilmente corn essa trilha.
O que passou, passou. NAo hA nenhum com-
promisso de coerEncia. Reescreve-se a mes-
ma hist6ria com todas as variacqes possi-
veis de tramas para ter o mesmo final: nada
de relevant para o Estado; o mAximo para
os que o assaltam. Nao 6 ensinamento ca-
paz de estabelecer seriedade na conducqo
da coisa public

Se o senador Jader Barbalho

nAo embarcar na nau de Almir Ga-

briel, o que o governador dira con-

tra seu adversario caso ele venha

a ocupar o palanque contrario?
Que assaltou os cofres publicos, desorgani-
zou a administracAo estadual e disseminou
o fisiologismo? Almir ja disse algo pareci-
do numa und6cima hora anterior, quando
nao havia outra retorica disponivel. Mas ao
omar a iniciativa de convidar duas vezes o
oelzebu da political paraense para uma ten-
tativa de acerto intramuros no Icui, cobrin-
do-o de confetes, podera ainda repetir essa
ladainha coin algum grau de credibilidade
(aquela que ia restaurar)?
Como todo tucano que se preza, o gover-
nador so se senate seguro para entrar no cam-
po depois de tentar todas as maracutaias no
tapetio. Ele sabe que se tirar Jader do pa-
reo, H6lio Gueiros, sua maior preocupaqao
no moment, so terA uma alternative vali-
da: disputar o senado. Para desfazer os in-
dices que lhe sao desfavoraveis no momen-
to, Gueiros precisara bater duro, no seu es-
tilo pesporrento, em Jarbas Passarinho. Este
que se livre da guerra suja. O governador
podera caminhar livre para a sonhada ree-
leicao, rezando (se ja aprendeu) para nao
surgir no horizonte uma zebra como a que
elegeu Edmilson Rodrigues (ou tera sido
uma mula listrada?).
Nenhum dos caciques quer enfrentar o
desafio de mudar a estrutura viciada do Para.


Jader Barbalho em 1982 e Almir Gabriel
em 1994 tiveram o aval popular para reali-
zar essa tarefa saneadora. Jader s6 fez res-
suscitar o baratismo, em versao ampliada e
atualizada. JA Almir 6 um coronel sem far-
da e sem carisma, mas corn disposicqo para
compensar essa falta de empatia com tudo
o que a maquina official pode comprar (no
bom sentido, 6 claro: o convenio Funtelpa/
TV Liberal esta ai para demonstrar o que 6
a 6tica tucana).
Mesmo quando ha ou se hi uma sin-
cera intencgo reformista, o reformador estA
contaminado pela concepcqo jesuitico-leni-
nista de poder (para quem nao acredita nis-
so, sugiro ler o duelo Naphta-Settembrini
na Montanha Migica, o romance seminal
de Thomas Mann). S6 6 possivel reformar
a sociedade tendo o control do aparelho de
Estado, que seria a quintess6ncia do instru-
mento pedag6gico (a pedagogia da coerqao,
naturalmente). A hegemonia A maneira de
Gramsci, pelo convencimento, 6 firula de
intellectual para os nossos caciques. O que
eles querem 6 a chave do cofre, a caneta que
assina as nomeaq6es e as demiss6es (al6m
dos contratos, inflacionados em 6poca pre-
eleitoral). Distancia do Estado, jamais.
Dai porque o senador Fernando Couti-
nho Jorge esta encerrando melancolicamen-
te a sua carreira political. Primeiro ele se
declarou dono da candidatura nata ao sena-
do. Cometeu mais um erro t6cnico: nao ten-
do sido eleito pelo PSDB, mas pelo PMDB
(de onde migrou), nao seria candidate nato.
Mesmo que o fosse, s6 poderia usar o titulo
se garantisse a pr6pria eleiqao, independen-
temente do calor official. Isto 6: seria eleito
senador mesmo que o governador nao o
quisesse. Senao, seria um natemorto.
S6 os grandes lideres politicos. quaisquer
que sejam nossos conceitos pessoais a res-
peito deles, sao capazes de lancar desafio
desse porte. Nao 6 o caso do senador Couti-
nho. Logo, ele poderia ter que desistir de
voltar ao senado para possibilitar composi-
o6es interpartidArias. Nao deveria arvorar-
se o paladino que nao 6. Mas ninguem po-
deria impedi-lo de candidatar-se a deputa-
do federal.
O home que lancou Coutinho na poli-
tica, Aloysio Chaves, foi deputado federal
depois de ter sido governador e senador. E
tinha todo o direito de cultivar um ego mai-
or do que o do seu secretario de planeja-
mento. Disputando democraticamente um
lugar na Camara Federal, Coutinho mos-
traria que 6 politico para valer, que anda
corn as pr6prias pernas, mesmo se finas.
Ao inv6s disso, contentou-se corn a sine-
cura no Tribunal de Contas do Estado, apo-
sentando-se da political. Nada a obstar a essa
indicaqao, mas a vez 6 da Assembl6ia Le-
gislativa. Sera que os deputados se diminu-
iram tanto que nem prestam mais atenc~o a
esse detalhe, que ainda tem o agravante de
reduzir o TCE a instrument delet6rio de
acomodaqao de interesses? O governador
ignorou-os quando, atropelando a ret6rica


do seu correligionario sem a menor comi-
seraaio, mandou-o desistir do senado e ofer-
tou-lhe a vaga vitalicia de conselheiro, cor
direito a uns 15 mil reais mensais, compro-
metendo-se a adocicar a ma vontade dos
deputados na aprovagao do nome.
Para culminar a humilhacio, Coutinho
teve que ir pedir o apoio de Jader, contra o
qual se insurgiu na recusa ao lancamento
de Jarbas Passarinho como candidate ao
governor (o mesmo Jarbas que podera ficar
com o lugar de Coutinho na dispute pelo
senado, quatro anos depois). A attitude coe-
rente de agora poderia ser o rompimento
corn o PSDB, mas Coutinho alongou tanto
suas convenientes ilus6es que perdeu o pra-
zo para a troca de partido.
Abandonada a candidatura dissidente, a
unica said honrosa seria a de desistir da
eleiqao, denunciando a traiiao. O senador,
entretanto, preferiu homisiar-se em Brasi-
lia, largando de subito os correligionarios
que at6 entao vinha empolgando para a cam-
panha e deixando at6 de tender aos telefo-
nemas. Nenhuma novidade: tamb6m o ca-
cique Almir Gabriel agiu assim quando fu-
giu da dispute pela prefeitura de Bel6m, em
1992.
Deixar voluntariamente o poder para
honrar a biografia, A falta de alternative
mais nobre, 6 algo que nao figure no cate-
cismo dos nossos caciques. Tamb6m desse
principio (ou, dito melhor, dessa falta de
principio) da mostras o ex-ministro Jarbas
Passarinho. Sua iltima eleiq~o vitoriosa, ele
a deveu ao entao governador Jader Barba-
lho. Na dispute de 1982 os dois haviam se
atacado ferozmente, at6 em terms pesso-
ais. Jarbas disse que a campanha de Jader
estava sendo favorecida por Maluf. Jader
retrucou que Jarbas era um sexagenario, que
deveria star dizendo besteira. O senador
argumentou que o entao deputado entendia
do assunto: tinha um sexgendrio (o pai,
Laercio) em casa.
Mas quando a mulher de Passarinho fi-
cou gravemente doente, Jader disse-lhe para
dedicar-se a dona Ruth que ele, Jader, cui-
daria da eleicio para o senado. Isso de fato
aconteceu. Voltamos, nesse aspect, A Repu-
blica Velha, quando os senadores tomavam
ci6ncia de sua elei~io no Rio de Janeiro, que
era a capital do pais, sem a penitancia da
peregrinagao pelos votos no in6spito sertao.
Mais do que um gesto de amizade ou fi-
dalguia, Jader visava usar a image de li-
sura pessoal no trato da verba pfiblica asso-
ciada a Passarinho (um biombo util para
muitos de seus protegidos, distanciados des-
se padrao de honestidade). Passarinho nio
deve ter contabilizado esse cr6dito, que im-
plicaria o reconhecimento tAcito de que se
aliara a um politico sem o mesmo jaez (a
tal da parabola do saco de farinha). Por isso,
ainda se considerando em d6bito, aceitou o
sacrificio de concorrer ao governor do Esta-
do em 1994.
Enquanto os indices de prefer6ncia re-
gistrados pelas pesquisas de opiniAo esti-







6 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE FEVEREIRO / 1998


veram altos, Passarinho manteve o 6lan.
Bastou comecar a haver uma inversao para
a depressao profunda tomar conta dele e der-
rota-lo antes que seu competitor o fizesse.
Foi um caso raro de candidate que destruiu-
se a si mesmo.
Jarbas percebeu que seu aliado estava
mais preocupado em usar o colega de dis-
puta majoritaria como boi de piranha do que
carrega-lo para eleg6-lo. Desta vez, Passa-
rinho teria que descer aos grot6es se qui-
sesse eleger-se e ele estava long de dese-
jar isso. depois de tantos anos pairando
como unanimidade no planalto.
Os inimigos ate colaboraram (sem que-
rer?) no esquema de Jader. ressuscitando uma
entonacqo ideol6gica fora de dpoca para fus-
tigar o coronel Xex6o ("um membro da fa-
milia Klautau" comandou os ataques, quei-
xou-se Passarinho, sem dar o devido nome
ao boi nal acomodado no anonimato), en-
quanto o tema da corrupqdo se evaporava
rapidamente, como os perfumes baratos.
Mesmo ciente do ardil maquiav6lico (0
Principe e uma das not6rias e singulares lei-
turas de Jader), Passarinho nio podia mais
reagir. Entregou-se a derrota, para jibilo do
senador Almir, que s6 precisou empurrar o
cadaver politico para a tumba na mais humi-
lhante derrota eleitoral dos ultimos tempos.
Mas o fez corn rudeza e selvageria, como se
enfrentasse o antigo e perigoso Passarinho,
contra o qual valia a pena entestar-se.
Agora vem o coronel, as v6speras dos 80
anos. outra vez dependent de escora alheia
para retomar um cargo majoritario (um car-
go proporcional ele pode conquistar cor a
estatica do seu proprio nome), readaptando
verses para adequa-las ao moment. Em
entrevista a A Provincia, emendada em se-
guida com uma nota enviada ao colunista
Rubens Silva, Passarinho abona as faltas de
Almir, v6 identidade programatica corn o
atual governador, passa a borracha sobre o
comportamento de Jader e levita num lim-
bo do qual pode ser retirado para servir ao
acerto politico de ocasiao. Nao teria sido
melhor ir para casa com os pr6prios pes,
como recomendaria a inegavel intelig6ncia
que Passarinho usou em sua vida pfblica
(nao corn a constancia devida, entretanto)?
Nesse ponto, um animal de excelente
mem6ria, como o elefante, serve de exem-
plo para paquidermes de menor volume e
memoria utilitaria, como os humans. Na
historia desses remasnescentes antediluvi-
anos (como os politicos honrados), a hora
de aposentar-se 6 tIo ou mais sagrada do
que a da vida ativa. Se o Para tivesse a me-
m6ria dos elefantes poderia forqar os caci-
ques a adotar a attitude que, pela via volun-
taria, eles rejeitam. Assim talvez a repre-
sentacqo political do Estado pudesse reno-
var-se e o embate pelo poder incorporaria
as iddias que nao ter. Boa moral a hist6ria
entao teria. Para o begin de todos e felicida-
de geral da naqco, ao inves do fico, seria a
vez do vou-me. E ja nao seria tarde, muito
pelo contrArio.


Carlos Monforte ia anunciar a proxi-
ma atragao do Bom Dia, Brasil da TV
Globo, numa das edigbes do final do mes
passado:
Romario faz o seu sexages... o seu
sexagesi... e ficou por ai, sem conse-
guir acertar o numeral ordinario.
Entrou o intervalo atropelado: o edi-
tor cortou a image quando Monforte,
visivelmente constrangido, ja sem o au-
dio, gesticulava para algu6m ao lado, nio
captado no video.
Na volta do commercial, Mauricio Tor-
res, o reporter esportivo do program, foi
mais pragmatico:
Romario marca o gol numero seis-
centos.
No fecho do Bom Dia, sem poder es-
conder sua tonalidade amarela finala, a
TV e em cores), Monforte final esclare-
ceu: queria dizer sexcent6simo, palavra
aplicada aquele que ocupa o ultimo lu-
gar numa s6rie de 600, como alguma
alma caridosa deve ter tratado de escla-
recer no primeiro dicionario a mao (os
neobrasileiros escrevem, hoje, a mao e
eu ja nao entendo mais nada), para dimi-
nuir o vexame.
Vexame de Monforte? Nao so, nem
principalmente. Trabalhei com ele na re-
dagCo paulistana de O Estado de S. Pau-
lo. Era um copy, ou reescrevedor de ma-
terias. Aplicado e eficiente, mas timido,
introvertido. Se tivessem me dito naque-
la 6poca que Monforte seria um dncora
de televisao (e especificamente da TV
Globo), eu nao acreditaria.
Mas ele superou suas defici8ncias
(para a televisao, esclarega-se) e ade-
quou-se a chamada telinha. Grande m6-
rito dele. A press e a instantaneidade,
contudo, fizeram-no perder a possibili-
dade de combinar improvise com racio-
cinio (o que 6 quase impossivel diante de
um teleprompter, instrument traigoeiro,
que enfeitica a ateniao e entorpece a in-
telig8ncia).
O epis6dio do Monforte, em escala
ampliada, me lembrou contratempo vi-
vido por um locutor de radio na porta do
TRE, que documentava a chegada das
umas eleitorais, em dia de votagco.


Acaba de chegar a urna da setc...
sete... da segao 72 acabou falando.
Ninguem e obrigado a ter esses pala-
vroes na ponta da lingua, mas e melhor
prevenir-se do que se levantar depois de
um tombo desmoralizador. Quem sabe
mais do que o trivial variado improvisa
facil, se tem raciocinio mais rapido do
que o de um mortal acad6mico. Quem
nao sabe, deve seguir o roteiro.
No script exibido para Monforte atra-
ves da camera pelo teleprompter devia
estar escrito 600 gol. Trata-se de uma
armadilha adredemente arquitetada ou de
erro primario para redator de TV ou ra-
dio. O correto seria escrever o numeral
por inteiro: sexcentesimo gol. Mas o re-
dator talvez se tenha deixado trair pelo
habito ja contumaz no program do
improvise. Terminou por expor o apre-
sentador ao pior inc6modo que ja vi no
Bom Dia.
Alguem mais bem preparado para o
domirrio do vernmculo, mesmo que tives-
se sofrido uma amnesia temporaria pela
surpresa diante da situacao normalmen-
te inadmissivel, poderia ir buscar inspi-
ragao no latim, matriz do nosso sofrido
portugues. O antepassado latino atende
por sexcentesimus, mais encaixante no
palatal do que o derivado, apesar de tao
pouca diferenga na grafia.
Exibicionismo fora de moda? Nao pro-
priamente. Lembro de um colega de gi-
nasio no Col6gio do Carmo, bom aluno,
mas que nao conseguia escrever silvico-
la. Saia sempre selvicola, talvez por ata-
vismo corn a selva e incompatibilidade
cor silves. Mas era facil corrigi-lo. Bas-
tava apenas provocar sua memorial lati-
na. A raiz nao admitia duvida. Ele logo
se reconciliava com a etimologia (mais
um motive para report o latim no curri-
culo escolar, do qual jamais deveria ter
saido.
Digo tudo isso provocado pelo proprio
Bom Dia, Brasil. 0 program ganhou em
glamour justamente por causa das im-
provisac6es feitas por seus dncoras so-
bre o texto dos redatores. Em linguagem
oral, na televisao ou nas tribunas parla-
mentares, o improvise depend da com-


Em jornalismo,


improvisa-se o que


realmente se sabe







JOURNAL PESSOAL 1- QUINZENA DE FEVEREIRO / 19987


binadao de cultural geral com raciocinio
rapido.
Pessoas de muita cultural podem ficar
con a resposta presa no cerebro por fal-
ta de comunicaCio entire a cabeca e a
boca. E pessoas de raciocinio rapido tam-
bem podem perder a hora certa de res-
ponder por inexistencia de produto para
remeter do cerebro para a boca (como,
talvez, tenha ocorrido no Bom Dia).
O maior simbolo do toque de exclusi-
vidade do atraente program da TV Glo-
bo talvez seja Ricardo Boechat. Profis-
sional corn tres d6cadas de experiencia
na coleta de informagces para uma colu-
na diaria dejornal (primeiro a de Ibrahim
Sued, depois a do Swann, agora que ele
mesmo assina), Boechat domina um vasto
espectro de temas e pessoas. Logo, & bem
informado. Mas 6 igualmente engragado
e brilhante nas tiradas de efeito. Apesar
das orelhas grandes, que a careca desta-
ca ainda mais, supera Renato Machado
na capacidade de impressionar o teles-
pectador. Merece o sucesso.
Relative, porem. Quem se der ao tra-
balho de registrar as "exclusivas" de
Boechat, na TV ou nas paginas de O
Globo, verificara um numero surpreen-


dentemente alto de informacges que nao
foram dadas por ele em prIimeira mao,
ao contrario do que apregoa, nem se con-
firmaram depois, quando eram antecipa-
c9es ou an6ncios. Explica-se: o princi-
pal e frequentemente unico meio de
informag~~o utilizado pelo colunista e o
telefone, como ele admitiu a revista Re-
publica (a pr6pria revista 6 um exemplo
da neocultura em voga no pais).
S6 os rep6rteres de coluna se satisfa-
zem em saber das coisas por telefone. O
bom reporter acaba aprendendo que jor-
nalismo para valer s6 se pratica olho-no-
olho, observando o cenario, encarando as
pessoas, analisando as circunstincias,
prestando ateng~o aos detalhes. Sem isso,
jomalismo se reduz a sociologia, ciencia
political, psicologia ou colunismo social,
bem ou mal disfarcado (quando evita as-
sumir-se). E a rua a ontologia do joma-
lismo, nao o gabinete, ou mesmo o livro.
E por isso que Tutty Vasques pratica
nas paginas do Jornal do Brasil, uma vez
por semana, um jornalismo caustico que
muitos imitam pela imprensa national
afora sem uma fracio do brilho tuttyva-
seqano. Ele 6 ferino, caustico, impiedo-
so, cruel. Muitos outros imitadores tam-


bem o sao, ou julgam-se ser. A diferenga
e que o colunista do JB freqiienta tanto
as ruas quanto os in-folios. Conhece, ao
menos sumariamente, as personalidades
das celebridades, o que nem sempre 6
publicado nas folhas, mas e soprado aos
jornalistas de retaguarda pelos da linha
de frente, os reporters.

-uem nunca foi reporter,

ou deixou de se-lo ha tanto

tempo que a mem6ria perdeu

o hibito, naio conseguira rea-

lizar em sua pr6pria coluna o

que na de Tutty e um primor

da picardia dos faits-divers,
que os franceses, proustianos como eles
s6, tao bem batizaram e patentearam.
Serao sempre pastiches.
Os jomalistas mais jovens e aqueles
que se formaram na universidade pode-
rao chocar-se com a afirmativa. Nao por-
que ela carece de verdade: 6 porque os
profissionais de formacao acad8mica es-
tao academicamente deformados. Tanto
que profissionais mais antigos, surgidos
espontaneamente (ou por m6todo empi-
rico), destacam-se nas improvisag5es,
sem as quais todos se tornarlo Cid Mo-
reira, produtos padronizados do tele-
prompter (ou dos enquadramentos da
camera, quando em missao external .
-a o Rolex e o Bolex. Este, o Rolex de
bobo, pode ser vendido numa feira para-
guaia (ou novaiorquina, faganha ultrama-
rina dos nosos sacoleiros de classes media)
como se fosse aquele ao comprador menos
exigente. Com o tempo, por6m, qualquer
um percebera qual e a verdadeiraj6ia.
Como sempre, o tempo e o melhor ins-
trumento para separar o joio do trigo.
Para o jornalista, a parabola quer dizer
que e precise interessar-se por tudo, apri-
morar a curiosidade, exercita-la sempre,
ler e ler sem deixar de procurar na rua o
lugar ideal para a gnoseologia do conhe-
cimento da atualidade e da conjuntura.
S6 assim o jornalismo tera valor heuris-
tico, para usar (pela ultima vez) mais uma
palavra dificil, raramente exigida, mas
que, nesse moment uinico, nao pode nos
encontrar desprevenidos. Ou exibiremos
nosso desconforto via satelite para o pais
e o mundo, como o locutor pernambuca-
no, molde para reproduc6es que o mer-
cado sempre recebe de braros abertos (e
mente congelada).


Colonizados
Das rres agencias que o go\emro federal crlou para acompanhar as con-
cess6es de scri.qos pbibhcos e licitar contratos, uma afeta mais diretamente
o Para e a Ancel (Agncia Nacional de Energia Eletnca O motlo o6b io
somos o quinto malor Estado gerador e o tercetro que mais e.porta energia
no pais No inrulo da proxima decade de\ eremos estar no segundo lugar. em
ambos os casos N:o podiamos ficar completamente de fora da organizaqaio
da Anacel
A rigor. c coin nmuio boa ontade. n5o ficamos. ao menos em tese Lim
dos diretores da agincia. Eduardo Henrique Ellerv Filho. foi funcionano da
Eletronorte Mas tanto na Eletronore quanto na Anaeel. seu padnnho cha-
ma-sc Antonio Carlos Magalhaes. que esteve por tras do preechimento de
trcs das cinco dirctorias da nova agencia. inclumdo o diretor-geral. Jose
Mario Miranda Abdo. que tambem for funcionario da Eletronorte Na Ele-
tronorte. por snal. todos mandam (ja foi o maranhense Same\. agora e o
baiano ACM). nmeos o Para. responsacel por 90% da energla gerada pela
empresa Ate Ihoie. 25 anos depois de haver sido cnada. cla permanece corn
sua sede em Brasilia fora de sua area jurisdicional (e a inica nessa cond,-
,io entire todas as subsidianas regionals da Eletrobras)
A Anacel conimca scu prmIeiro ano de funclonamento corn oramecnro
proprio de 129 nmillihcs de reais e control sobre mvestimentos de RS 7
bilhes
Depois chorcm
Ah. sim entire umna e ourra lagnma. e bom o Estado se mo\ imentar por-
que ja esta em organiuzaeio a quarta agincia federal, a ANM (Agencia Na-
cional de lMineraedo), substituindo o esxazlado DNPM (Departamento
Nacional da Produqio Mineral) O Para e o segundo Estado mnerador da
federaao. niesmo que nc o se di conta disso.


0111ON M -- ---- N E






Explicag o
Claudio de La Rocque
Leal explica: o trecho "com
um T granitico", usado para
classificar a obra de Clari-
ce Lispecto no suplemento
que O Liberal dedicou a
escritora (ver Jornal Poes-
soal 179), foi retirado de
Agua Viva, da pr6pria Cla-
rice, que para ele tern um
grande significado. Fora de
seu context, por6m, a fra-
se me soou incompreensi-
vel. Mesmo no context,
nao me parece um achado.
Clarice tinha essa irregula-
ridade, alias. Mesmo tendo
lido Agua Viva, nao identi-
fiquei a origem. Porque nao
ficou na memoria, nem ha
motivo para ficar. A meu
ver, e uma image sem for-
ga.
Mas 6 important para La
Rocque, ajuda-o a refletir
sobre a noggo de tempo. Ele
promete, alias, mais cader-
nos especiais, um sobre
Dalcidio Jurandir, outro
dedicado a Paulo Plinio
Abreu, um dos maiores po-
etas que esta terra ja teve,
injustamente esquecido.
Morreu tao cedo quanto
Mario Faustino, que viria
depois, ambos num patamar
invejavel e pouco frequen-
tado das letras locais.
Que o exemplo frutifi-
que, 6 a minha expectativa.


Interesse public
O leitor Lucivaldo Barros percebeu, ao ler o Diario
Official, que "de uns tempos para ca tem havido mudan-
gas no 'Demonstrativo de Remunerag~o de Pessoal', que
6 publicado regularmente". Como prova, cita o demons-
trativo publicado no DO de 20 de janeiro deste ano, re-
ferente aos meses de novembro/dezembro de 1997. "Per-
cebi que no campo 'vantagens sem incid6ncia', os valo-
res estao, em alguns casos, altissimos. E em outros, muito
interessante".
Lucivaldo exemplifica: o director da Junta Comercial
do Para (s6 o cargo 6 identificado no document, sem
nominaqao do ocupante) esta recebendo simplesmente
zero de salario e "vantagens pecuniarias", mas embolsa
mais de sete mil reais de "vantagens sem incid8ncia". O
mesmo acontece com o director da Loteria do Estado do
Para. Ja na Procuradoria Geral do Estado, o procura-
dor-chefe recebe mais de R$ 10 mil de "vantagens sem
incid6ncia". Ele e alguns outros sub-procuradores e fun-
cionarios graduados.

As perguntas de Lucivaldo (e de todos n6s):
1. Por que os diretores citados estio com seus
salaries zerados?
2. Por que as vantagens sem incidencia na
Procuradoria do Estado estao tao altas?
3. O que significa "vantagens sem incid6ncia"? Seria
sem incidencia do imposto de renda ou imune ao
redutor constitutional (que reduz todos os salaries a
um valor inferior ao que ganha o president da
Repuiblica)?
Cor a palavra os assim chamados canais
competentes.
Ja para o secretario de Seguranga Publica 6 feito o se-
guinte questionamento: qual a razao de a policia civil co-
locar a disposigio da Assembl6ia Legislativa o medico
legista Carlos Mauricio Gonzaga Alcintara, corm nus para
o 6rgao de origem, segundo o DO de 19 de janeiro? O
que ele fara no legislative, se hi uma bern conhecida ca-
rencia de legista no IML, onde, ao menos feoricamente,
um m6dico dessa especialidade estaria bern empregado?


Caminh6es & tickets
Deve estar tudo certinho,
mas nao pude sufocar meu
espanto ao verificar que a
Secretaria de Educagco de-
cidiu comprar da Cobras,
com dispensa de licitagdo
(por se tratar de concessio-
nario exclusive, provavel-
mente), chassis de caminhao
Ford, a razao de 72,6 mil
reais a unidade. Como foram
tr6s os chassis adquiridos, a
despesa somou R$ 218 mil.
Naturalmente, os caminh6es
nao vao circular s6 cor
chassis, acarretando mais
gastos com carroceria. Nao
6 dinheiro demais, nao? Ou
eu estou defasado em mat6-
ria de valor de caminhao?
Outra despesa da Seduc
que tamb6m me impressio-
nou foi a dos vales-alimen-
tagco. A secretaria compra-
ra da Amazon Card's 99 mil
tickets ao long de seis me-
ses, totalizando R$ 396 mil.
Cada ticket 6 de quatro re-
ais. A media e de 660 tickets
por dia. Como a compra visa
tender apenas os funciona-
rios da Seduc que trabalham
em regime de horas extras
(na capital, presume-se), nao
6 muito, nao, ou eu estou me
impressionando a toa?
Agradeceria, penhorado,
um esclarecimento. S6 para
economizar sobressaltos
sem fundamento.


*.oo o ooo *o..S.. agS a.saeoooooo oo g So Soa eeo.oo


Localizagao
A meia quadra que o prefeito Edmilson Rodrigues
inaugurou na Mauriti, comemorando seus 12 meses de
PMB, ficajd na Sacramenta e ndo mais no Marco, como
aquifoi dito. Mas continue meia quadra em qualquer
bairro. Nao dai para fazerfesta por obra de meia sola.



Jomal Pessoal
Editor: LOcio Flvio Pinto
Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 063-020
Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Try. Benjamin

e.mail- lucio@expert.com.br
Editoraglo de arte: Luiz~ e 241-1859


Exclusividade
0 Liberal 6 a 6nica entidade na face da terra que ainda insis-
te que o primeiro encontro entire Almir Gabriel e Jader Barba-
Iho aconteceu ap6s o retomo do govemador de Sao Paulo, onde
se operou de um aneurisma na aorta abdominal. E o que diz
mat6ria dojomal noticiando, corn 48 horas de atraso, no dia 28,
o segundo encontro dos dois politicos: "O primeiro, cercado de
rigoroso sigilo, aconteceu no final do ano passado, depois do
govemador ter retomado de Sao Paulo, onde fora submetido a
uma cirurgia".
De castigo, o redator-chefe do jomal vai ter que escrever mil
vezes: Almir e Jader se encontraram pela primeira vez 10 dias
antes da viagem do govemador para Sao Paulo, em outubro de
1997.
Se i r no erro cra ss u r v e er obrigado a ler
todo oal tlralae unaereviive sereindultado.

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