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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00126

Full Text






-L (P g. 8) I1


POLITICAL


A vez de Jader e Almir
A uiltima pesquisa do Ibope mostra que Hilio Gueirosficou defora da

dispute que decidird quem serd o pr6ximo governador do Estado. Nem
senador ele conseguird se eleger. Mas ndo e cartafora do baralho. Pode
voltar a contar se Almir Gabriel eJader Barbalho ndofecharem um
acordo. Essa possibilidade ainda ndo estd descartada.


"vice-governador H61io
17 Gueiros Jr. bateu com es-
trondo, no domingo passa-
do, a porta de comunica9,o
com o governador Almir
Gabriel, que o pai ainda deixara entrea-
berta em sua 61tima manifestagio p6bli-
ca, uma semana antes. Agora a guerra
estA declarada formalmente entire os dois
principals aliados na coligagdo que ven-
ceu a eleiqAo de 1994.


O afastamento vinha ocorrendo pro-
gressivamente. Na media em que se
aprofundava, HWlio Gueiros ia deixando
de falar atrav6s do filho, passando a as-
sumir as declara6oes hostisao governa-
dor. Apesar do tom cada vez mais agres-
sivo, fazia questAo de manter como na
ultima entrevista a A Provincia do Pard
- uma possibilidade de recomposigAo.
Mas o troco que o deputado Zenaldo
Coutinho deu a essa entrevista foi consi-


derado excessive no reduto do ex-gover-
nador. Helinho foi liberado para retru-
car na mesma moeda e, agora, procla-
mar o estado de beligerfncia total.
A entrevista, publicada no dia 14 pelo
Didrio do Pard, do senador Jader Bar-
balho, atingiu fundo o convalescent go-
vernador. Al6m de chamar Almir Gabri-
el de nazista, Helinho espalhou acusa-
96es contra o filho do governador, Mar-
celo Gabriel, e amigos pr6ximos, que


GOS INO DIAA TU URUI 00T 8)








)estariam fazendo trafico de influencia e
se favorecendo em contratos dirigidos
junto A administragco p6blica.
O acusador nAo apresentou provas,
mas fez refer6ncias corn o nitido objeti-
vo de torni-las equivalentes a documen-
tos, ou insinuando que pode voltar ao
tema (e certamente o farA, na campanha
eleitoral). "O Marcelo Gabriel tem vAri-
as empresas de fachada, As vezes usa
como test de ferro o capitao Osmar, e
fica ganhando licitagAo", disse o vice-
goverador, reforgando a insinuanlo corn
"urn caso concrete", o do "Hospital do
Ex6rcito" (na verdade, da Policia Mili-
tar), na praga Batista Campos.
Apesar das refer6ncias a casos espe-
cificos, nenhuma delas foi acompanha-
da de documents comprobat6rios. Lo-
calizA-los erao que o vice buscou quan-
do assumiu pela fltima vez a interinida-
de. Mas, ao que parece, apenas reforcou
suas pistas, sem conseguir chegar ao ob-
jetivo. Ou porque tudo nao passa mes-
mo de indicios, corn circulagPo crescen-
te nas chamadas rodas bem informadas,
ou porque nio disp6s de tempo sufici-
ente para a apura9~o, que exigiria abrir
vArias caixas pretas bern instaladas na
administra9C o p6blica (dai a investida
sobre a empresa de processamento de
dados do Estado, Prodepa, que teve im-
portincia estrat6gica na administragAo
Gueiros).
Suscitar casos de corrupgAo no gover-
no Almir Gabriel, relacionando-os ao
filho do governador e a personagens in-
fluentes na administration e na political
situacionista, deverA ser a linha de corn-
bate dos Gueiros, especialistas na mat&-
ria, caso eles partam para o confront
corn o PSDB na eleigFo do pr6ximo ano.
E uma attitude ditada tanto pela arg6cia
como pelo desespero.
A ltima pesquisa do Ibope, encomen-
dada pelo grupo Liberal (mas nao divul-
gada), mostra que o indice eleitoral do
goverador dobrou, o de Jader declinou
ligeiramente e o de H6lio Gueiros desa-
bou. No inicio de dezembro, 37% dos
entrevistados pelo institute votariam em
Jader (42% antes) e 33% em Almir (an-
tes 16%). Apenas 13% optaram por
Gueiros, que na primeira pesquisa visan-
do 98 estava apenas ligeiramente abaixo
do senador do PMDB. Para arrematar, o
ex-governador perde por 22% a 38%
para Jarbas Passarinho na dispute pela
mnica vaga de senador que estarA em dis-
puta no pr6ximo ano (Coutinho Jorge
tem 16% e Valdir Ganzer, do PT, 8%).
Se a eleigAo fosse hoje, Jarbas Passa-
rinho, mesmo concorrendo ao senado,
ainda teria mais votos para o governor do
que Jader Barbalho. Como entender isso
"e tr6s anos atrAs Passarinho sofreu, no


segundo turo, a mais arrasadora derro-
ta em uma dispute para o governor do
Estado em muitos anos? Que aconteci-
mento teria permitido ao ex-ministro re-
cuperar prestigio entire o eleitorado pa-
raense?
Um palpite de resposta, A falta de in-
forma9ges mais completes sobre a pes-
quisa do Ibope, cuja integra, como de
regra, 6 mantida sob sete chaves: o povo
quer eleger dirigentes que possam traba-
Ihar em beneficio do Estado, de prefe-
rencia aplicando a maior parte do dinhei-
ro nas obras e services (mas a corrupgAo
6 considerada inevitavel; o que se busca
6 baixar o percentual de desvio de recur-
sos piblicos).
O grande problema 6 estabelecer o in-
dice aceitAvel de corrupiAo pelo eleitora-
do. Jader, realisticamente, s6 se preocupa
corn a questao quando ela extravasa seu
pr6prio cAlculo, que toma como base sua
inquestionavel experiencia political (per-
correndo modestas residencias pelo inte-
rior, pode-se flagrar na sala o retrato de
Jader con a faixa de goverador, tirado
de um calendArio que ele nao se cansa de
redistribuir). Ele vinha insistindo no lema
que Ihe 6 mais caro: a associa9ao do seu
nome ao trabalho. E, por decorrencia, cri-
ando o contrast entire ele e Almir, como
jA havia feito em oposigao ao esquema
Gueiros-Xerfan em 1990.
Mas o governador, corn obras suas
(que finalmente comegam a aparecer), de
terceiros, reais ou simplesmente propa-
gandeadas (na intensidade que mestre
Goebbels recomendava para transfonnar
uma mentira em uma verdade), foi ate-
nuando esse contrast, livrando-se da
pecha de pregui9oso ou inerte que Jader
Ihe langava. Ao mesmo tempo, mais comn
presdigitagCo publicitAria do que corn
realidade, combateu a image de inde-
ciso e frouxo, que tambem Ihe era afixa-
da. Ainda faturou a imagem de vitima,
que Gueiros Jr. Ihe permitiu incorporar
durante o period de afastamento do
governor, para fazer seus indices dispa-
rarem nesta fase decisive de pr6-campa-
nha eleitoral (assim como Passarinho se
beneficiou do recesso no qual entrou
depois da derrota, que estimula o saudo-
sismo).
Os n6meros favorAveis animaram o
governador a attitudes inimaginaveis para
o padrdo anterior do seu comportamen-
to politico. Numa ousadia incomum,
demitiu o chefe da casa military do vice-
governador, sem avisi-lo antes. O coro-
nel da PM Heitor Watrin 6ra aquele que,
de farda, apesar de estar reformado, foi
pessoalmente comunicar a MArio Ribei-
ro que ele estava demitido da presiddn-
cia interina do Banco do Estado do ParA
pelo tamb6m interino governador.


O deslize era flagrante, como outros
pequenos atos de impaciencia que o Ji-
nior dos Gueiros cometeu, desrespeitan'-
do normas e ritos A maneira autocritica
do pai (e criando pretexto para uma CPI
mais political do que tecnica). Ficou pro-
vado que esse tipo de involu9ao formal
s6 6 possivel quando todos coonestam a
irrever6ncia do soba.
Bastou a grande imprensa national
assumir as dores da privatizada Compa-
nhia Vale do Rio Doce, incomodada pela
supressio de beneficios burocriticos
concedidos sem maior rigor, o grupo
Liberal nao estar sendo favorecido, ou
os cargos laterals ao trono nao estarem
sendo monoliticamente ocupados pelo
mesmo grupo politico, para que se des-
fizesse a unanimidade.
Ao long dos anos, elatem sido a cau-
sa dos maus habitos politicos do Para,
da sua sujeicao ao risco constant de re-
trocessos, ao revigoramento do velhissi-
mo e carcomido principio de que lei, por
aqui, e potoca, cujos rigores s6 aos ini-
mgos interessa aplicar. Mesmo que seja
conjunturalmeemente, em fun9~o de uma
realidade que pouco tem a ver corn os
discursos, a situagAo mudou e s6 os
Gueiros nAo viram.
Eles estAo pagando caro por esse erro
de 6tica e de instintos. Se a elei9Ao fosse
hoje, Hl6io Gueiros estaria fora do se-
gundo turn para o governor e derrotado
para o senado. Amargaria o mais long
period de exilio do poder em 16 anos,
desde que foi eleito senador e voltou A
vida political. Ainda teria mais uma opor-
tunidade de reconquistar posigao na elei-
9ao para a prefeitura de Belem, no ano
2000. Mas bem mais velho e com me-
nos poder do que agora. Mais suscetivel
a nova derrota, portanto.
Podem ser alteradas as tendancias re-
gistradas na iltima pesquisa do Ibope,
de crescimento acelerado do governador,
declinio ainda indefinido de Jader e que-
da vertiginosa de Gueiros? Fatos novos
de impact podem modificar essa confi-
gura9to, mas essa possibiliodade estA ao
alcance dos Gueiros?
Eles nao dispoem de nenhum veiculo
de comunicacgo e enfrentam a ira do go-
vernador, que ainda nio colocou-os ex-
plicitamente sob a carapuga de traidores
que langada ao ar na segunda-feira, mas
ja se referiu a ela um dia depois da entre-
vista de Helinho. Mais um pouco de adre-
nalina e talvez Almir chegue ao extreme
de nominar os traidores e exibir-lhes o
m6vel da traigio, consumando o que s6
ameagou fazer quando denunciou os "es-
pertos" e renunciou sorumbaticamente A
candidatura A prefeitura de Bel6m, em
1992, levando mala e cuia e nao deixan-
do explicayao mais convincente.







JOURNAL PESSOAL 21 QUINZENA DE DEZEMBRO / 1997 j


) As inicas ferramentas de poder que
H61io Gueiros pode usar estao sob o do-
minio do seu ex-arqui-inimigo Jader
Barbalho. Sem essa alianca, Gueiros s6
tem uma garantia: de ser um imbativel
candidate a deputado federal. Voltari a
uma carreira solo, sem a Familia S/A.
Jader sempre teve essa percep9ao.
Mesmo sem conversar corn HWlio para
acertar os terms de um novo acordo (o
que atW agora nao aconteceu), foi libe-
rando espago para o ex-adversArio em
seus veiculos de comunicagiio e nas ins-
tincias de poder que ainda estao sob o
seu control.
Essa estrat6gia tanto leva a um cami-
nhar seguro e cumulative rumo ao acor-
do, como A destruigdo do esquema de
poder de Gueiros. Conduzido ao limited
do labirinto, o ex-prefeito s6 pode es-
colher entire o rompimento definitiva-
mente aberto com seus aliados anterio-
res e a adesao a Jader em condig6es fa-
voraveis ao lider do PMDB. Afinal, o
que restaria a Hl6io se Jader aderisse a
Almir?
Esta hip6tese parece virtualmente im-
possivel, mas, nos terms da political
paraense (e national mesmo), o que a
impede de ocorrer? Um acerto com o
senador peemedebista significaria, para
Almir Gabriel, a certeza da reeleig9o.
Mesmo que consiga apenas metade dos
votos de Jader, ji seria o bastante para
vencer no primeiro turno, sem risco real



ra r



A Zona Franca de Manaus foi uma
mAgica que o govero federal inventou
para tirar a capital amazonense da pros-
traqAo em que ela se manteve desde a de-
cadencia da borracha. A cada moment
em que a manutendlo desse artificialis-
mo foi questionado ou teve seu prazo de
validade alcangado, ao inv6s de resolver
de vez o problema, o govemo o transfe-
riu para o future. A ZF completou agora
30 anos e o problema s6 fez crescer.
Alguns nimeros impressionam. O go-
verno federal deixou de arrecadar 2,2 bi-
lhoes de reais em impostos no ano passa-
do para incentivar as 517 indfistrias apro-
vadas pela Suframa, cujas importagoes
chegaram a R$ 3,1 bilhOes. Em troca, elas
geraram um faturamento de R$ 10,4 bi-
lhoes, mas s6 exportaram R$ 104 milhSes.


de perder para o que sobrasse no espec-
tro politico (Ademir Andrade, a dissiden-
cia do PT e o pr6prio Gueiros).
O que inviabiliza um acordo Almir-
Jader? Ou, dito de outra maneira: qual
seria o prego do senador para assumir o
risco de deixar seu rebanho ao relento
por mais quatro anos e incorporar-se A
tenda do lider tucano?
Jader sempre disse que nao se expo-
ria ao risco assumido pelo senador Pas-
sarinho, que fez uma invejivel carreira
federal em Brasilia, mas perdeu seus re-
dutos eleitorais no ParA, ficando cor o
pincel na mao. Os confidentes, por6m,
juram ter ouvido do lider do PMDB no
senado que ele nao quer ser candidate
ao governor. Pretenderia continuar apos-
tando na possibilidade de ir mais long
na trajet6ria national, sem perder as ba-
ses de sustentaggo no Pard, mas sem dei-
xar-se prender por elas.
Que garantias o governador Almir
Gabriel poderA Ihe dar, sem reduzir a
faixa de poder que o segundo mandate
consecutive Ihe concederA? A principal
consequencia da reelei9go 6 a de conso-
lidar um novo projeto politico, j envol-
vendo um grupo bem constituido, que
ocuparA os escaninhos mais valiosos do
poder. Onde se encaixara a facq9o do
senador Jader Barbalho nesse projeto?
Uma alternative nao exclui a outra, ou
ainda e possivel fazer uma composigao
factivel e crivel?


Os resultados positives alcangados
nas ultimas pesquisas de opiniao podem
estimular os almiristas a continuar em
frente, descartando um acordo com Ja-
der (nem tanto corn o PMDB). Essa ati-
tude acarretari a alianga Jader-H61io, o
que pode significar a necessidade de se-
gundo turno e o risco de derrota, numa
campanha que se anuncia desde jA como
violent, em estilo muito pouco favo-
rAvel ao espirito tucano.
At6 um certo limited, a Jader interessa
continuar estimulando o antagonism
entire os ex-aliados. O limited 6 a possi-
bilidade, a despeito de tudo, de uma re-
composig o de interesses com o gover-
no, que os jaderistas ainda nAo ultra-
passaram. Mas os gueiristas jA estao do
outro lado. Ou eles conseguem trazer
os antigos parceiros para sua compa-
nhia, ou ficarAo sozinhos e eliminados
da faixa de decisao eleitoral.
A sua maneira, com muita violen-
cia verbal e pantomima, os Gueiros
deixaram o centro do tablado e foram
deslocados para os bastidores. Nao
estao mortos, mas s6 voltarao A cena
se algu6m os trousser de li, oferecen-
do-lhes um veiculo de comunica9go,
recursos de campanha ou uma fatia de
poder. Agora, 6 precise acompanhar
o jogo que estarao fazendo o gover-
nador Almir Gabriel e o senador Ja-
der Barbalho. O pr6ximo lance deci-
sivo 6 deles. *


JIL..~. -


E uma relagio de troca desvantajosa, com
um balango de pagamentos deficitario.
Argumentava-se e ainda se continue
a argumentar que 6 o prego a pagar para
interiorizar ind6strias naquele desert
econ6mico e human tao distant dos
grandes mercados. Mas as ind6strias, apa-
nhadas no contrapasso da globalizaao,
estio reduzindo cada vez mais a absor-
qAo de mao-de-obra (hoje sao apenas 35
mil empregos diretos) e reduzindo os cus-
tos, enquanto o govemo nao pode mais
manter-se na posig o de avestruz, que nao
v6 os arranjos das multinacionais e o des-
gaste cambial por eles provocado.
Mas serA que algum dia o Amazonas
nao terA que ser confrontado com sua re-
alidade, sem artificios como esse (tao fa-
laciosos quanto o suposto monop61io na-
tural da borracha)? Premido por suas di-
ficuldades, o governor quis eliminar os
incentives da ZF. Acabou tendo que se
contentar com o corte de 50%, a ser apli-
cado apenas aos novos projetos aprova-


dos pela Suframa, deixando de lado a ra-
cionalidade econbmica em troca do rea-
lismo politico (a bancada amazonense, li-
derada pelo senador Gilberto Miranda,
um lobbista manauara que d paulista nlo
por acaso e s6cio de multinacionais nao
por coincidencia).
Essa fantasia sobreviverA at6 2013,
quando fecha-se o guarda-chuva consti-
tucional que protege a Zona Franca com
esse manto de subsidies e olhos fechados,
ou o governor conseguirA apresentar no
pr6ximo ano (como promete) uma lei
complementary trazendo a Zona Franca
para mais pr6ximo da realidade, sem ati-
rar o Amazonas na rua da amargura?
Um primeiro pass seria acabar cor
as zonas obscures que possibilitam a mul-
tipliagao de personagens como Miranda
e submeter a ZF ao teste da verdade, en-
contrando para o Amazonas uma alterna-
tiva definitive e saudAvel, nao esse aluci-
n6geno fiscal que um dia, quando passar,
custard muito caro a todos. *


P'3 ~ ~ ~ ~4~f~;~goi gftnw;!~'
-Imm"










Belem: a que podia ter sido,



mas ja nao pode mais ser


Belem comegou o s6culo como a ter-
ceira principal cidade do pais. Era a por-
ta de entrada de uma regiao que forne-
cia toda a borracha consumida pela nas-
cente ind6stria. Tinha a fisionomia de
uma cidade integralmente portuguesa,
adapatada aos tr6picos, que incorporou
o luxo neoclAssico financiado pela se-
ringueira. Ocupava uma posigdo n(ica
no mundo. Poderia continuar singular
atW hoje. Mas perdeu essa posicgo pri-
vilegiada.
O titulo de a mais representative ci-
dade colonial portuguesa no hemisf6-
rio sul, que Sio Luis recebeu da Unes-
co no dia 3, caberia corn maior proprie-
dade a Bel6m se a capital paraense nio
tivesse sofrido, a partir da segunda me-
tade da d6cada de 60, um terrivel pro-
cesso de descaracterizacio arquitet6ni-
ca. A "Bel6m da Saudade", retratada
corn esse nome no precioso ilbum que
a Secretaria de Cultura editou no ano
passado, nao ter paralelo entire as ci-
dades ultramarinas de Portugal.
Ela estava solidamente preservada,
maravilhosa e inica, quando os ameri-
canos recolocaram-na no mundo para o
esforgo aliado na Segunda Guerra Mun-
dial. E permanecia ainda bem caracte-
rizada quando o Brasil a ela se integrou
a partir da Bel6m-Brasilia (na verdade,
Brasilia-Bel6m: o eixo dominant ser-
viu aos interesses do resto do pais mais
do que A sua ultima fronteira). A partir
dai, instalou-se o barbarismo, a dilapi-
dag o, a pilhagem.
Ainda hA sobras de beleza espalha-
das pela cidade, mas ela perdeu sua
identidade. Uma ameba de descaso e in-
sensibilidade alastra-se por seu organis-
mo, a tudo contaminando com esse ar-
rivismo de novo-quase-subitamente-
rico que seccionou os elos de vida en-
tre a cidade e os seus moradores. A pe-
rola barroca inscrutrada entire a floresta
e o pAntano virou um acampamento de
neg6cios que nao se peja em descartar
sua hist6ria.
Desde 1985, quando comegou o Pro-
jeto Renascer, Sio Luis superou a letar-
gia (produto da decaddncia, que em
grande parte poupou-a da "moderniza-
gao") e tratou de recuperar sua mem6-
ria arquitetonica, o trago mais impor-
tante da hist6ria em uma cidade. Hoje,
investidos quase 24 milh5es de reais, os
60 hectares do seu sitio hist6rico, corn


900 expressivos testemunhos (mais
3.500 no entorno), constituem um con-
junto arquitet6nico dotado de homoge-
neidade e harmonia suficientes parajus-
tificar sua selegAo pela Unesco como
patrim6nio da humanidade.
Veja andou fazendo restrig6es A qua-
lidade desse trabalho, mas uma 6poca
da hist6ria da capital maranhense pode
ser sentida e apreendida por quem per-
corre seus casarnes azulejados, alguns
corn at6 quatro andares. A degradagio
nAo chegou a um ponto tal que inviabi-
lizasse a reconstituigao da edificagdo
original e do ambiente ao redor. Nunca
se via nessa Area, por exemplo, carta-
zes em acrilico como os que prolifera-
ram em Belem. Mais do que tudo: con-
junto inteiros sobreviveram durante o
largo period em que houve abandon,
mas nem tanto agressao, como em Be-
lem.
O chocante, na capital paraense, 6 a
inciria generalizada, a aus6ncia de um
padrAo minimo de exig&ncia e de qua-
lidade. Nao era inevitAvel tanta destrui-
9io. Ao contririo: era perfeitamente
possivel conciliar o passado com as de-
mandas presents, ainda mais porque a
obra que sucedeu o prddio anterior era,
invariavelmente, um monstrengo, se-
quer mais funcional.
Quem vai a Ferrara, no Norte da Iti-
lia, nlo pode deixar de se surpreender
corn a conviv6ncia das tres cidades que


a formam: a medieval, a renascentista
(a primeira da Europa) e a modern.
Elas se sucedem no espago sem confli-
to. Seus moradores 6 que transitam en-
tre elas, podendo morar tanto na part
medieval quanto na modern sem sacri-
ficios ou ren(incia As comodidades atu-
ais. A cidade medieval nio sofreu qual-
quer adaptagAo descaracterizadora para
poder funcionar. Bastou bom senso e
consciencia, elements inexistentes na
hist6ria recent de Bel6m. Ela 6 como
uma cobra, que para ter couro novo pre-
cisa desfazer-se do que a recobria at6
entIo.
Pode-se admirar a Belem colonial,
lusotropical, em Albuns como o da Se-
cult, mas cada vez menos no pr6prio te-
cido urban. O trabalho de restauraqao
que se tenta fazer alcanga apenas uma
parcela minima do todo, sem refazer
conjuntos como o do centro hist6rico
de SRo Luis, a primeira cidade deste
outro Brasil (aquele onde foi mais du-
radoura a presenga portuguesa) prote-
gida pela Unesco. E talvez a unica.
A revitalizaqao hist6rica que agora a
prefeitura pretend fazer concentra-se,
de novo, na JoAo Alfredo. O "Belocen-
tro" tem sido um investimento ciclico,
que nIo se consolida. A administration
Coutinho Jorge fez ali um bor traba-
lho, mas os comerciantes nao cumpri-
ram a sua parte no trato, a restauragio
das fachadas (exceto por raras exce95es,









entire as quais 6 precise citar, mais lon-
ginquamente, Carlinhos Xerfan e, mais
recentemente, a familiar Mattar).
A media que as melhorias fisicas in-
troduzidas pela prefeitura se deterioram,
foi-se afirmando uma selvageria sem
fronteiras, que culminou com a invasdo
dos camels. Hoje a situagAo 6 melhor,
mas dA uma tristeza profunda observer
a depredagio de pr6dios como o da cen-
tenaria Fanrmcia Cesar Santos, hoje um
submercado de mau gosto. Como a ne-
glig6ncia chegou ao limited extreme, a
reconstituigao da paisagem demandard
mais temepo e dinheiro, sem garantia
de poder restabelecer o status quo ante.
A revitalizagIo proposta pela prefei-
tura 6 necessaria, mas 6 o lugar comurm.
O mais expressive conjunto arquitet6-
nico do centro commercial, capaz de re-
constituir um ambient colonial, estd
na rua Leao XIII, quase intacto. E pre-
ciso salva-lo urgentemente, ja que nao
se teve a mesma iniciativa em relacao
ao conjunto Pombo, na Campos Sales
(ainda a merecer todo o cuidado e aten-
C'o).
Mas sem d6vida a perola de Bel6m 6
a Cidade Velha. Por isso, 6 de cortar o
coraqao percorr6-la de olhos bem aber-


tos para ver sua selvagem destruigio,
produto mais da ignorincia e do como-
dismo do que propriamente da venali-
dade. A prefeitura esti dnando um so-
pro de esperanga cor a anunciada res-
tauraqio do Palacete Pinho. Al6m do
seu valor intrinseco superior, esse pr6-
dio possui tamb6m um significado sim-
b6lico. Evitar que ele prossiga na sua
rota de desaparecimento pode contribuir
para elevar de novo o moral e a auto-
estima dos belenenses.
Por melhor que venha a se realizar a
obra de restauragdo (nAo 6, entretanto,
o que assegura o at6 agora minguado
orgamento disponivel), vai ser uma nova
atrac o isolada se a prefeitura nao apro-
veitar para dar inicio a um projeto mais
amplo. O Palacete Pinho com o brilho
original poderia servir de chamariz para
a atragdo de 6rgdos da administragao
p6blica com fungao compativel corn o
bairro. E tamb6m de moradores que,
atrav6s do uso do IPTU e do ISS, e de
projetos orientados pela prefeitura, to-
mem a iniciativa de restaurar as edifi-
cagces arquitetonicamente ainda de in-
teresse hist6rico (proporgAo cada vez
menor). Deve-se tentar salvar a Cidade
Velha enquanto ha o que salvar.


Chega, por6m, da mera agao locali-
zada e da simples obra fisica. Quanto
se gastou (e se perdeu) com restaura-
coes como as da Jodo Alfredo e do Ver-
o-Peso? Agora mesmo o governor esta
investindo uma soma nada desprezivel
(R$ 13 milhbes) em tr6s obras que, in-
dividualmente, t6m seu valor, mas per-
manecem sendo pontos isolados na ci-
dade.
Ademais, a resid6ncia do governador
(em obras pela en6sima vez, embora a
mais cara e com o melhor titulo), a Feliz
Lusitinia e a Estagdo da Doca podem ser
important para os belemenses, destitui-
dos de alternatives, mas nao serAo ins-
trumentos eficientes de uma political de
turismo. Quem se deslocara de sua terra
(especialmente no exterior) por essas
atracoes? Bel6m poderA ficar no vacuo
entire a colonial Sao Luis e a ecol6gica
Manaus, vendo os charters passarem so-
bre o seu melhorado aeroporto.
E claro: nem tudo esta perdido. Mas
o que ja estA perdido 6 muito. Novos
atrasos no que fazer e mais erros de con-
ceppqo sobre como fazer podem ser fa-
tais para esta ainda resistente mas
muito sofredora Santa Maria de Be-
16m do GrAo Para. 0


A revista Veja se orgu-
Iha de ser o quinto sema-
nArio de informag9es em
circulagCo no mundo. Nao
e exatamente assim, mas
admita-se que seja. E um
titulo de exceptional va-
lor. Tanto mais porque
Veja nunca recorreu a pen-
duricalhos (como encartar
enciclopedias, dicionarios
e livros, ou sortear aparta-
mentos), que permitem a
elevagao temporAria e ar-
tificial da circulagco das
publica95es que apelam
para esse estratagema de
venda.
Basta, pordm, elas dei-
xarem de oferecer a van-
tagem para rapidamente
perderem os leitores oca-
sionais que essas fantasi-
as atraem. A tiragem da
Folha de S. Paulo domi-
nical, por exemplo, que
chegou a ultrapassar a bar-
reira de 1,5 milhAo de


exemplares, encontra-se
atualmente abaixo do mi-
lhao.
Veja, entretanto, noo 6
mais a mesma hA muitos
anos. Ainda corro para a
caixa de correspond6ncia
aos domingos, quando
pressinto a chegada do en-
tregador. Mas A ansiedade
quase atavica da busca
pela publicacao cheirando
a tinta, quente como um
pIo fresco, tem correspon-
dido a frustragRo da leitu-
ra. Veja ficou relaxada,
imprecisa, impressionist,
passional, falsamente eli-
tista, metida a besta, em
suma, como se diria por
aqui. Um urubu fantasia-
do de pavAo (nada contra
o urubu, muito pelo con-
trArio, nosso higienizador
natural que Antonio Car-
los Jobim valorizou com
seu melhor disco; no caso,
a reacgo 6 A presunc o).


No seu filtimo n6mero,
Veja chega com sete pAgi-
nas de Xuxa e quatro de
international. Nenhum re-
paro ao destaque dado
pela revista A apresentado-
ra de televisio, assunto de
trAs entire tres rodas, na
quadratura temAtica do
pais. Mas jornalismo de
respeito significa, no mi-
nimo, pao e circo. Uma
parte da edigiao pode ser
ditada pelo mercado, mas
outra parte ter que resul-
tar dos criterios estrita-
mente profissionais da pu-
blicaq o. Quem jA nAo
consegue equilibrar mat6-
rias circenses corn o for-
necimento de substAncia
informative que gera ver-
dadeira opiniAo p6blica,
nio pode exigir respeito.
Veja tem abandonado
principios editorials. A
edi9co em circulagao traz
87 pAginas de publicidade


num total de 148. Ja hou-
ve 6poca em que a revista
garantia que nunca have-
ria mais publicidade do
que mat6ria redacional.
Agora, talvez para atenu-
ar essa renincia, deixa de
contar algumas das pAgi-
nas de anmncio, subtrain-
do-as da numeragao (sem
incluir o encarte de auto-
promogao da Editora
Abril).
Mas nem precise fazer
um meticuloso levanta-
mento para constatar que a
Veja de Mario Sergio Con-
ti tem pouco a ver corn a
Veja de Mino Carta e Elio
GAspari. Se ficou mais bo-
nitinha, confirmando o fa-
moso titulo de Nelson Ro-
drigues, a revista tornou-se
tamb6m mais ordinaria.
Cor ela, quase como re-
gra, toda a imprensa brasi-
leira. Ficou parecida ao
pncipe que incensa.


1
.n . . . .










Salobo: a escolha da multinational


A Companhia Vale do Rio Doce e a
Anglo American estao mesmo unidas em
torno do Projeto Salobo, para a explora-
9,0 do cobre de CarajAs? Formalmente
associadas em parties iguais no empre-
endimento elas de fato se acham, mas a
privatizagdo da Vale parece ter agravado
as divergencias internal.
A nova CVRD parece cada vez mais
interessada em produzir apenas concen-
trado em CarajAs, uma atividade que s6
pode ser realizada ali mesmo. Mas relu-
ta em implantar uma nova fAbrica na irea.
O concentrado seria transferido para a
Bahia e processado nas instala96es da
Caraiba Metais, a niica metalurgica de
cobre existente no pais.
A Caraiba 6 da Paranapanema, con-
trolada, por sua vez, pelos principals
donos da CVRD. A Paranapanema, que
se consolidou como o grande cartel do
setor de nAo-ferrosos, 6 uma empresa em
agonia financeira. Estava a um pass do
colapso quando, na semana passada, os
funds estatais, A frente o Previ, decidi-
ram injetar-lhe dinheiro. Mas nao basta
ajuda extema. E precise reformular suas
parties, reduzindo custos e aumentando a


rentabilidade atrav6s de maior raciona-
lidade.
Em nome dessa racionalizagao, a Vale
privatizada consider mais neg6cio aco-
plar a mina de CarajAs A metalurgia da
Bahia. O investimento necessArio pode-
ria ficar em um terqo dos 2,1 bilh6es de
d61ares que um novo projeto complete
exigiria (da extraqao do min6rio ao me-
tal). Ao inv6s de importar do Chile ou
do Peru 85% do concentrado que bene-
ficia, a Caraiba ficaria inteiramente abas-
tecida no mercado interno, atrav6s de
uma coligada, gastando em reais e nAo
em d6lar, al6m de faturar na outra ponta
da linha. E poderia at6 expandir sua ca-
pacidade de produg9o de catodos de co-
bre, confirmando o dominion absolute do
mercado.
Mas esse esquema apresenta inconve-
nientes outros al6m do monop6lio. A
Salobo se tornaria fomecedora cativa da
Caraiba. A fAbrica baiana faria a adapta-
9ao das suas instala95es industrials para
utilizar o cobre de CarajAs, que apresen-
ta um excepcional teor de flior. Que
outro consumidor international estaria
disposto a investors US$ 300 milh6es na


adaptagio do lay-out industrial para se-
parar o flior do cobre, quando hA outros
fornecedores com min6rio standard?
Em consequ6ncia, qual seria a atrati-
bilidade da Salobo para outros s6cios,
se a empresa ficar tAo dependent desse
consumidor privilegiado? Qualquer ou-
tra solucao que nao seja um projeto com-
pleto s6 interessa A CVRD de Benjamin
Steinbruch e seus parceiros na Caraiba.
Por isso, a Anglo tem buscado caminhos
distintos do s6cio, nao propriamente por
ter colocado os interesses do Para acima
de tudo, mas em defesa do seu neg6cio.
Chegando A industrializagao, a Salobo
recuperarA ouro e prata, al6m de agregar
valor e entrar estrepitosamente no fecha-
do mercado do cobre, uma benvinda
novidade para a Naglo.
Assim, por incrivel que possa parecer,
a posigAo da multinational sul-africana
tornou-se mais interessante para o Esta-
do do que a da nova multinational bra-
sileira, privatizada corn a omissao con-
veniente de gente como o governador
Almir Gabriel. Espera-se que, agora, ele
esteja mais A altura do moment do que
antes. 0


Novela a moda da burocracia


Ultima forma na novela
que estejornal acompanha
hd tras nzimeros atravis
dessa sensational
publicacdo do ocultismo
paraense que e o Didrio
Official.
Recapitulando a novela
e reescrevendo os
capitulos para ver se
todos, finalmente,
entendemos. Se ndo, que
os canais competentes
dcem as devidas
explicaoies & opinido
piblica para ndo pairar
dztvidas e ndo suscitar
desconfianqas indevidas e
incabiveis.
Capitulo um. 0 Didrio
Official de 12 de novembro
public os extratos de
dois contratos assinados
no dia 7 pela sub-
secretdria de educacdo,
Rosineli Guerreiro
Salame, cor dispensa de
licitaqdo. Ambos tmr o
mesmo objetivo:
"fornecimento de


passagens areas para
vdos nacionais e
internacionais, bemn como
quaisquer trechos do
territ6rio national e
international", conforme
as necessidades da Seduc.
O primeiro contrato, no
valor de 303 mil reais, e
cor a Uirapurzi Turismo.
0 segundo, de R$ 323 mil,
com a Dinastur Dinastia
Viagens e Turismo.
Capitulo dois. 0 D. O.
de 17 de novembro public
os extratos de rescisdo de
dois contratos de
fornecimento, assinados
naquele mesmo dia 7, mas
pelo prdprio secretdrio de
educago, Jodo de Jesus
Paes Loureiro, com as
mesmas empresas
(Uirapuri e Dinastia). S6
que esses contratos eram
de 1996, rescindidos,
presume-se, para que os
novos pudessem passar a
vigorar.
Capitulo trOs. 0 D. 0.


de 20 de novembro
esclarece, atravds de
errata, que o ordenador da
despesa do novo contrato
corn a Uirapuru Turismo e
o secret6rio e ndo a sub-
secretdria (ndo localized
errata sobre o outro
contrato).
Capitulo quatro. 0 D.
O. de 4 de dezembro
public os primeiros
aditivos aos novos
contratos, assinados no
dia 2 (menos de um mrs,
portanto, do inicio de sua
vigOncia) pelo secretdrio.
For "convenifncia
administrative", o da
Uirapurzi e aditado em R$
11,9 mil. Jd os R$ 10 mil
aditados ao contrato da
Dinastur tnm justificacdo
mais seca: "corn o objetivo
de acrescer o quantitative
do instrument original".
Deduz-se deste enredo
que, por algum motivo, os
novos contratosforam
assinados para saldar


dibitos acumulados nos
contratos anteriores, que,
talvez, ndo pudessem se
prestar a essefim. Mas s6
quando os iltimos jd
estavam publicados e que
se percebeu a necessidade
de rescindir os anteriores,
fazendo-o cor data
atrasada, pr6tica comum
nos atos oficiais. Para
todos os efeitos legais,
pordm, entire 12 e 17 de
novembro a Seduc
manteve dois contratos,
corn os mesmosfins, cor
as duas agincias de
turismo.
Mesmo que ndo seja
nenhum exemplo de
ilicitude, essa hist6ria ndo
demonstra a necessidade
de regularizar e
normatizar melhor os atos
da administraqo pziblica?
Ao menos para poupar os
fosfatos do leitor que o
Didrio Oficial deixa na
orfandade do
entendimento. 0







JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE DEZEMBRO / 1997 7


Lembrangas de 20 anos


entire o 1 e o 70 livro


Lancei meu primeiro livro ha 20
anos. Foi Amazdnia, o anteato da des-
truiqdo, uma selegAo de artigos e re-
portagens. Naquele 1977 navegavamos
nas ondas da abertura lenta, segura e
gradual do general Geisel, sem um
rumo certo, sem um projeto hegem6-
nico. Os "bols6es radicais, mas since-
ros" do regime (extremamente radicals
e nem tAo sinceros) travavam uma
guerra feroz cor os radicals (e nem tao
iluminados como pensavam) do outro
lado, consumindo qualquer espago in-
termediario.
Ainda estAvamos no meio da traves-
sia, entire a escuridAo plena baixada pelo
AI-5, em dezembro de 1968 (o ano que
nao terminou), e o bruxuleio furta-cor
da Nova Rep6blica de Jos6 Sarney, o
continuador de uma sucessao de vices
traumaticos na nossa Rep6blica de mui-
ta conciliaCao e pouca reform, como a
definiu Jos6 Hon6rio Rodrigues (para
confirmar sua tese, maravilhoso no in-
terpretar da hist6ria, desastroso ao de-
finir-se politicamente, como fez, em fa-
vor de Chagas Freitas).
Prop6s ao Romulo Maiorana fazer o
langamento na oficina de O Liberal,
onde entao eu trabalhava, com as mi-
quinas em pleno funcionamento. Ele
achou 6tima a id6ia e fez a sua parte:
uma maciga divulgagAo nos seus veicu-
los, reforgada pela concorr6ncia amiga,
e um lauto coquetel. Todos, da esquer-
da, direita e centro, confraternizavam e
mantinham-se ordeiramente na fila dos
aut6grafos, enquanto era impresso o
Liberalzinho. Pelo menos original o lan-
gamento foi.
Oliveira Bastos at6 observou, no O
Estado do Pard, fase Avertano Rocha,
que havia a subversive intenggo de su-
jar a fina roupa da society no 6leo das
miquinas e fazi-la irmanar-se no mes-
mo ambiente aos rudes grificos, absor-
vidos na sua faina o suficiente para nao
poder observer a distancia social e
eventuais regras de etiqueta. Na ver-
dade, foi uma festa democritica, algo
raro na 6poca.
Vinte anos depois, muitos amigos se
foram e outros nao puderam ir ao dis-
tante, escuro e pouco ativo campus do
Guami. Romulo estd morto e, com ele,
um jeito mais 16dico de patronato. NAo
conhego as novas oficinas de 0 Libe-
ral, certamente mais grandiosas do que
as de 77, mas talvez sem o mesmo ca-


lor, incluido o human. A Grafisa de
Altino Pinheiro, que produziu o Antea-
to da Destruiqdo, 6 a mesma do Ama-
z6nia, o future perdido, gerado a qua-
tro mAos por mim e pelo Luis at6 a fi-
nalizagao em disquete (a grande novi-
dade tecnol6gica do periodo. Altino e
eu envelhecemos esses 20 anos, mas nao
perdemos a sintonia e, apesar de tudo,
nem o entusiasmo.
Era a jungao dos opostos e o prima-
do da tolerancia que eu quis louvar na
noite de aut6grafos do primeiro livro.
A saudagao foi do mestre OtAvio Men-
donga, cor quem tenho esgrimido mi-
nhas diverg6ncias sem por ele nunca
deixar de perder o respeito e a admira-
9ao, porque discordar dele sempre me
possibilitou aprender mais. Se eu tives-
se naquela ocasiAo feito uma auto-sau-
dag o, o resultado nAo teria sido me-
Ihor.
Ja agora o que quis ressaltar foi o
desafio A intelig6ncia. O Pari disp6e
de bons c6rebros e tem razoaveis cen-
tros de saber, mas nao consegue apli-
ci-los a realidade, modificando-a
como 6 necessario. E uma intelectuali-
dade dispersiva, metropolitan, ainda
presa mentalmente ao extrativismo do
passado (e, talvez por isso, incapaz de
opor-se ao extrativismo do present,


Uma pesquisa conduzida pelo Vox
Populi em Curitiba, no final do mes
passado, apresentou alguns resultados
que a grande imprensa nao destacou.
Por exemplo: 21% dos entrevistados
disseram que confiam sempre em jor-
nalistas e 18% nos empresirios da co-
municagio; 38% confiam nosjornalis-
tas na maioria das vezes, contra 34%
nos donos das empresas de comunica-
qIo; 34% confiam pouco nos profissi-
onais e 37% nos empresarios: e 6%
nunca confiam nos profissionais. en-
quanto 8% nunca nos empresArios.
Conclusoes desses dados: os profis-
sionais ainda t6m mais credibilidade
pi6blica do que os patries, mas sAo
poucos os profissionais que nio fazem
o que o patrAo manda. Em geral, o que
ojornalista public 6, no minimo, o que


mais mineral do que vegetal). Escolhi
um audit6rio de um ermo campus uni-
versitario (ainda assim, o sitio privile-
giado da cidade) porque, apesar de
tudo, sem coquetel e em local exclui-
do do roteiro dos points, a intengao de
discutir o future deste terrivel Pard es-
taria melhor aplicada. O livro era ape-
nas um pretexto, embora, por forga da
timidez do audit6rio, tenha acabado
por ser o centro do event.
Nio sei se os presents sairam satis-
feitos, compensados do sacrificio. Mas
eu tive um retrato da situagAo atual, em
preto e branco, tao field quanto, em
c6res, foi o flagrante de 1977, embora
hoje vivamos numa democracia e, 20
anos atrAs, numa ditadura de meia-sola.
O desafio que a hist6ria nos imp6e
e maior e mais desconcertante do que
n6s pr6prios imaginamos. Mas nao esta
determinado que ele 6 impossivel de
ser respondido. Os amigos que foram
ao campus no dia 11 e os que, ausen-
tes, mandaram suas atenciosas mensa-
gens a este outsider dojornalismo, re-
forgam o compromisso com a nossa
missAo e a esperanga em relagao ao
future, mas um future que resultar da
nossa presence na hist6ria e nao ape-
nas do empr6stimo do nosso nome.
Afinal, o dia nao nasce feito. 0


o patrAo permit. Entretanto, quanto
mais a empresa de comunicaigo vei-
cula o que seus profissionais produzem,
tanto maior 6 a sua credibilidade.
Para nao criar euforia. contudo, hA
um dado complicador: 43% dos entre-
vistados consideram a TV a mais dig-
na de cr6dito, enquanto 24% aponta-
ram ojoral, 13% a revista e 8% o rd-
dio.
Ou seja: ojornalista ter que dar sua
contribuicgo de cidadio, a margem e
alem do mero exercicio professional,
para que a opinilo public disponha de
melhores elements de analise para
avaliar a melhor fonte de credibilida-
de. Nlo 6 risonha e franca a profissAo
de jornalista, mas nao precisa ser ne-
cessariamente a iltima antecAmara do
inferno de Dante.


Jornalismo a serio









Funtelpa aprensenta

defesa no fim do mes.
A Funtelpa terb ati o final do mes para contraditar o pa-
recer do analista de control extemo do Tribunal de Contas
do Estado. Amarildo da Silva Guerra. que considerou ile-
gal e moral o convenio assinado pela Fundacgo de Teleco-
municagces do Estado cor a TV Liberal (verJornal Pes-
soal n" 176). O prazo normal para a defesa 6 de cinco dias,
a partir da notificag&o sobre o process, que ocorreu no dia
9. Mas como a Funtelpa pediu prorrogaqAo desse prazo, o
TCE, como de praxe, atendeu a solicitacAo para possibili-
tar a mais ampla defesa ao acusado.
Quando a Funtelpa apresentar seus arguments, o pro-
cesso sera encaminhado ao Departamento do Controle Ex-
terno do tribunal. Em seguida, ira para a assessoriajuridica
e o Ministirio P6blico. Concluida a instruqao, o relator,
que seri designado s6 nesse moment, pedira data para sub-
meter a question ao plenirio do TCE. Esse moment s6 de-
veri acontecer em marqo do pr6ximo ano, segundo fontes
do tribunal. Pelojeito, ate I& ningudm mais se manifestarA a
respeito do pol6mico assunto, nem mesmo os adversfrios
do governador Almir Gabriel, cor receio de enfrentar o
poderoso grupo Liberal, o maior beneficiArio da armacio
montada em torno da Funtelpa.


Como dantes
O governor federal decidiu:
vai ele pr6prio dar partida A
duplicagco da hidrel6trica de
Tucurui, um investimento de
2,5 bilhoes de dl6ares. S6 de-
pois 6 que privatizara a res-
ponsivel pela usina, a Eletro-
norte, cor leil2o previsto para
o segundo semestre de 1999.
Ou seja: quem comprar a Ele-
tronorte nilo precisard fazer a
pesada imobilizagio na usina,
podendo, quem sabe, depre-
ciar o investimento na conta
de chegada, sem pagar o pre-
90 devido.
O esquema de terceirizaalo
da segunda etapa da usina, ao
que parece, nao atraiu os di-
nimicos investidores priva-
dos, embora eles necessitem
de muita energia. Aplica-se o
modelo que, quando falha a
globalizaiao, serve de alavan-
ca: o Estado faz e depois pas-
sa em frente. Modelo ao ve-
Iho estilo mesmo: a Eletronor-
te dobra a capacidade de ge-
rag~o da hidrel6trica, mas as
obras do sistema de transpo-
sigio da barrage s~o dele-
gadas a outro escaninho go-
vernamental. No caso, extin-
ta a Portobris, passa a ser o
Minist6rio dos Transportes.
O governor promote que,


desta vez, motorizagio e
transposig9o, ao contrArio do
que aconteceu na primeira
etapa, vao ser realizadas si-
multaneamente. Nem a pro-
messa 6 nova.


Ato falho (ou
falhado?)
Marlene Mattos (cor o
nobilidrquico direito a letra
dobrada), empresAria de
Xuxa, que muito mais tempo
fica ao lado da apresentadora
do que seu reprodutor (digo,
namorado), disse A l6tima
Veja a prop6sito da mais ba-
dalada e ins6lita gravidez da
temporada: "Estamos todos
nos sentido grAvidos. Todo
mundo aqui ter recebido os
parab6ns". A concordancia,
no caso, foi diretamente ao in-
consciente, sem censura. Ou
a libido?


Escraviddo
No final do m&s passado
o governor aplicou pela
primeira vez o institute da
desapropriaqdo para punir
umafazenda na qualfoi
constatado o trabalho
escravo. Foi contra a Flor
da Mata, propriedade de 12
mil hectares localizada em
Sdo Filix do Xingu. Em
setembro a Policia Federal
retirou dafazenda 220
trabalhadores que all
estavam sendo mantidos sob
confinamento.
E inconcebivel que, as
portas de um novo suculo,
cidadaos ainda sejam
obrigados a trabalhar como
sefossem escravos. A
apuragdo dosfatos e a
caracterizaqdo dessaforma
de exploraqdo devem ser
conduzidas cor a mdxima
seriedade e competencia,
ndo permitindo dtividas
como as que o dono da Flor
da Mata estd suscitando.
Reforqada essa estrutura
administrative, o governor
deveria equiparar esse
crime ao trdfico de drogas.
Assim, ao inv&s de a
fazenda na qual a
escraviddo tiver sido
caracterizada ser
desapropriada, a pena sera
a doperdimento, sem
direito a qualquer
indenizacdo. Passard ao
dominio de uma instituicdo
social.


Sem legend
Duas semanas depois do
seu parceiro no Projeto Salo-
bo, a Anglo American seguiu
o caminho da CVRD e man-
dou emissdrios a Almir Gabri-
el em Belem. Dois dirigentes
da Minorco, que represent a
Anglo no Brasil, conversaram
por uma hora corn o gover-
nador. O encontro foi a por-
tas fechadas.


Sobre o que ali foi dito, a
assessoria de imprensa do
governor distribuiu um comu-
nicado. Os jorais se limita-
ram a reproduzi-lo. Ao que
parece, ninguem tentou falar
diretamente cor os dois di-
retores da Minorco, ao menos
para lhes fazer uma pergunta:
por que Anglo e CVRD nao
fizeram uma visit em conjun-
to ao governador, se sAo s6ci-
as na Salobo Metais?
Chapa branca irradia o vi-
rus do comodismo.

Historia de
6poca
Inacreditavel: cor 12 anos
de funcionamento, a hidrel6-
trica de Balbina, no Amazo-
nas, cor capacidade instala-
da para 250 megawatts, s6
esta gerando 50 MW. Uma
parte desse enorme deficit 6
atribuida A excepcional estia-
gem do El Nifio. Mas s6 uma
parte. A outra result da his-
t6ria escabrosa dessa usina,
que custou um bilhio de d6-
lares, nao conseguiu resolver
nem o problema do suprimen-
to de Manaus e terA vida cur-
tissima. Antes que desapare-
ga nas brumas da memoria,
convinha registrar essa hist6-
ria. Ao menos para que dela
fique uma moral a usar.

Prioridade
Ate o final do pr6ximo
ano, a energia de Tucurui
seguird por mais dois
caminhos parafora do
Pard. A partir de
Imperatriz, no Maranhdo,
um ramal de 1.250
quildmetros ird ati
Brasilia. Outro, menor,
chegard ao porto de
Pecim, prdximo a
Fortaleza, alimentando o
p6lo industrial que ali est6
nascendo. Nas duas linhas,
o governofederal investird
mais de 1,2 bilhdo de
ddlares. Assim, quando a
duplicaqdo chegar, jd
haverd bocasfamintas
para engolir a oferta.
Bocas abertasfora do
Pard.
4ee hS4Pvque se
t iifesta c ieresse dos
uwa ahwjL[ta iienses pelo
KsiPdo, e or que nos
essFr .


Jomal Pessoal
Editor: LOcio FIAvio Pinto
Sede: Rua Aristides Lobo, 871 I CPP: 66 053-020
Fone: 223-1929 s 241-7626 Contat(rirv. 5 pJn
Constant, 845/203 16 053-020 Fde: 22 T0 -'
e.mail: lucio@expert.copnr. s
Edltorag odea : Lulzp6 I24i-18 .. / .
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