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Journal Pessoal L 0 C I F L A V I 0 P I N T O S :~1+m m :om a.~.1.~111 FUNTELPAGATE Seduc anula os contratos (ping. 8) Tribunal apura escandalo 0 Tribunal de Contas do Estado instaurou process para investigar o convenio entire a Funtelpa e a TVLiberal, no valor de 12 milh&es de reais. Uma representagdo encaminhada pelo Departamento do Controle Externo diz que o ajuste e illegal e imoral. A Funtelpa terd que se defender. 0 grande esquema eleitoral do governador Almir Gabriel pode ser desfeito. E a TVLiberal poderd perder o mais leonino de todos os contratos do sector de comunicagoes da histdria do Pard. Funtelpa foi denunciada pe- rante o Tribunal de Contas do Estado por ter assinado um convenio illegal com a TV Li- beral, cor validade de cinco anos, no valor de 12 milh6es de reais (tr8s vezes mais do que tudo o que o govemo gastou com propaganda e publicidade nos nove primeiros meses deste ano). A Fundacao de Telecomunicagces do Para tera que se defender no process instaurado na semana passada no TCE, que podera resultar no cancelamento do convenio e na penalizagao do seu respon- savel. O procedimento ter como base uma representago do Departamento de Control Externo do pr6prio tribunal, acolhido pela presidencia ap6s parecer favoravel da consultoria juridica. Amarildo da Silva Guerra, analista de control externo, diz em seu parecer, apresentado no iltimo dia 13, ter ficado convencido da "ilegalidade do ajuste ce-. lebrado pela Funtelpa cor a TV Libe- ral", ap6s examiner detidamente cada clausula do document assinado entire as parties a 23 de setembro (e s6 divulgado mais de um mes depois, quando HWlio Gueiros Jr. era governador interino).. O t6cnico constata, inicialmente a impropriedade de o Estado, no exrci- cio de seu direito originario sobre o ser- vigo de radiodifusio de sons e imagens, que deveria "limitar-se unicamente aos crit6rios de conveniencia e oportunida- de do interesse piblico", subordinar-se "aos objetivos financeiros da delegata- ria, sociedade commercial de natureza pri- vada". 2 JOURNAL PESSOAL 1P QUINZENA DE DEZEMBRO / 1997 SApesar de dispor de uma emissora, a TV Cultura, criada "especificamente para a tarefa de integragao da comunidade paraense, quanto a seus problems e as- piracges, inclusive corn a veiculagao de mensagens de interesse da sociedade paraense", a Funtelpa decidiu associar- se a TV Liberal para alcangar um obj eti- vo que "confunde-se corn o motivo de criagao do sistema estadual de retransa- missao de sinais de televisao (TV Cultu- ra do Pard), bem como pode ser imple- mentado, de forma gratuita para os co- fres do Estado". Bastaria para isso o govero utilizar o artigo 303 da constituigao estadual, que obriga a TV Cultura a destinar 30 minu- tos da sua programagio diaria, exceto aos domingos, "para divulgacio dos atos e mat6rias de interesse dos Poderes Legis- lativo, Executivo e Judiciario, proporci- onalmente a cada poder". Observa o t6cnico que, ao impor a Funtelpa o pagamento mensal de 200 mil reals a TV Liberal "por um servigo cuja titularidade pertence ao pr6prio Estado", o convenio "constitui-se em ato ilegiti- mo e anti-econ6mico, atentando contra o principio da moralidade administrati- va". O artigo 37 da constituigio federal prev8, para os atos de improbidade ad- ministrativa, penas de suspensao dos di- reitos politicos, perda da fungfo piTbli- ca, indisponibilidade dos bens e ressar- cimento ao erario, sem prejuizo da a9go penal cabivel. O analista tamb6m consider illegal a clausula segundo a qual a TV Liberal, independente de qualquer aviso pr6vio ou notificacgo, podera descontinuar a disponibilizagCo" do uso do sat6lite Li- bsat, que utilizara para remeter as ima- gens da sua programaaio para todo o Estado, atrav6s da rede terrestre da Fun- telpa, e at6 rescindir o conv6nio, se qui- ser, caso a Funtelpa deixe de pagar a pres- tagao mensal de 200 mil reais. "Esta condigao 6 illegal e vai de en- contro ao principio da perman8ncia ou continuidade da pestagco do servico pi- blico", diz o t6cnico. Em primeiro lugar, ao permitir a interrupqco imediata da prestaaio do servigo, por contrariar a lei das licitac6es piiblicas. Um dos disposi- tivos da lei 8.666, de 1993, estabelece que somente um atraso de 90 dias dos pagamentos devidos pela administragqo pfblica constitui motivo de rescis o con- tratual. Alem disso, a disposicao cumulative da clausula, "verdadeiramente protesta- tiva em favor da sociedade privada, aten- ta contra o principio da continuidade na prestagao dos servigos puiblicos", que, uma vez iniciados, nao mais poderao ser interrompidos. Amarildo da Silva Guerra ataca outro dispositivo do acerto, que possibility a TV Liberal retirar livremente os equipamen- tos que instalar nas esta9oes terrestres da Funtelpa, para o recebimento da imageiii do sat6lite, no caso de denfincia ou expi- ragao do conv8nio, "a seu crit6rio, inde- pendentemente de pr6vio aviso e sem quaisquer encargos ou responsabilidades perante a outra parte ou terceiros". Ele diz que essa condicao 6 illegal, "de vez que submete o interesse puiblico ao exclusive crit6rio do particular, condigao inadmissivel em tratando-se de ajuste administrative, uma vez que a exorbitmn- cia em relagco ao direito comum, em ajustes de tal natureza, 6 sempre em be- neficio do interesse pfiblico, representa- do no ato pela Administragao convenen- te, e nunca em desfavor desta", como foi estabelecido na clausula questionada. Outro dispositivo do convenio impug- nado 6 o que prev8 que a TV Liberal, ou a empresa por ela credencidada, devera instalar os equipamentos necessarios a transmissao das imagens, nos locals ajus- tados entire as parties, no prazo de 120 dias a partir da assinatura do documen- to, "sendo essas atividades de instalacgo ja de execucao deste ajuste". O t6cnico declara que a clausula "6 abusiva em relag~o ao interesse puibli- co". E explica: mesmo tendo prazo at6 20 de janeiro do pr6ximo ano para ins- talar todos os equipamentos, ja nesse period a TV Liberal recebera a parcela mensal de 200 mil reais. Ou seja: a TV Liberal embolsara R$ 600 mil reais (ou- tros R$ 200 mil estarao prestes a ser re- cebidos no final dejaneiro de 1998) an- tes de cumprir o objeto do ajuste, no pe- riodo de montagem da rede de captagao do sinal do sat6lite. "Esta condi9go 6 leonina em favor do particular, de vez que possibility o enri- quecimento deste, mesmo sem a efetiva contra-prestacgo de sua parte, em preju- izo do erario estadual", diz Guerra. Ele rejeita a designaggo de conv6nio ao acerto entire a Funtelpa e a TV Libe- ral, que "possui a natureza juridica de contrato administrative". Cita o concei- to estabelecido pela lei das licitag6es: contrato e "todo e qualquer ajuste entire 6rgaos ou entidades da Administragao Publica e particulares, em que haja um acordo de vontades para a formacao do vinculo e a estipulagio de obriga5oes reciprocas, seja qual for a denominagao utilizada". Por isso, o t6cnico diz que a contrata- co direta de uma sociedade commercial como a TV Liberal, "sem a justificativa da ausincia de procedimento licitat6rio, razao da escolha do executante ou justi- ficativa do prego", contraria a mesma lei 8.666/93, "cujo procedimento all previs- to constitui-se em condigao necessaria para eficacia de contratagao nos moldes celebrados pelo 6rgdo". Ele classifica ainda de "prejudicial ao interesse pfiblico" a clausula do conve- nio (na verdade, contrato) sobre o exer- cicio do direito de denfincia. Segundo o dispositivo, a parte que der causa a res- cisao contractual antes do prazo estipula- do, "por qualquer motivo, devera ressar- cir a outra parte dos prejuizos causados, como obrigagdo liquid e certa, exigivel executivamente". Ao impedir a administragao piiblica, mesmo motivadamente, de exercer o di- reito de dentncia, a clausula constitui-se "ern violagao ao principio da suprema- cia do Poder PAblico nos contratos ad- ministrativos", diz o analista do contro- le extero do TCE. Ele ressalta que a lei das licita~6es prev6 as hip6teses legais de rescisao contratual por ato da admi- nistrag9o puiblica. O tribunal ja abriu prazo de cinco dias para a Funtelpa se manifestar sobre a re- presentaGio. Devidamente instruido, o process sera entao submetido ao plena- rio da corte para deliberagco. Caso o parecer, endossado pelo Departamento do Control Extemo, seja aprovado pe- los conselheiros, o conv6nio tera que ser cancelado, independentemente da apu- ragio das responsabilidades. Resta saber qual sera a attitude do go- verno a partir da instauragao do proces- so. Nesta semana a Funtelpa deve pagar a segunda parcela de 200 mil reais ao grupo Liberal, mesmo ainda nao estan- do concluida a rede de 173 unidades do sistema estadual de retransmissio. A pro- pria Funtelpa devera realizar investimen- tos nas bases em terra, alem de arcar corn os custos de manutengao. Se o TCE impugnar o convenio, atra- v6s do qual o govemo Almir Gabriel se prop6e a pagar 12 milh6es de reais a TV Liberal em cinco anos, os respon- saveis terao que ressarcir os prejuizos e ainda pagar multas, alkm de outras san- gces legais. 0 ~41I I ~ F~'u ill 11A Para receber em casa o sen Jornal Pessoal escreva para a iua Aristdes Lobo, 8'71. CEP 66 053-020, ou entire em contado atraves do teleftne 241- 7626. A asmanura trimnstral custa 15 reais. JOURNAL PESSOAL 1' QUINZENA DE DEZEMBRO / 1997 J Quase meio por cento de toda a arrecada- gco estadual vaipara o Minist6rio Piblicojun- to ao Tribunal de Contas do Estado, cor seus 41 funcionArios (0,4% para ser precise). Isto significou mais de seis milh6es de reals em 1996. Mas atd o ano passado pouca gente se aperce- bia da existencia desse 6rgao, que se abrigava numa das alas de um dos andares do prtdio central do TCE. S6 quando a luxuosa sede pr6- pria da instituigCo foi inaugurada, na avenida Nazar6, 6 que a opiniao plblica se interessou por esse aplndice burocrAtico, que reservava para si instalaq6es tao bem dotadas. Descobriu-se entio que esse Minist6rio Pfiblico 6 chefiado, hA 32 anos seguidos, por uma mesma pessoa, o procurador Jos6 OctA- vio Dias Mescouto. Ao long de tanto tem- po, ele resistiu e sobreviveu as novas disposi- c6es legais, inclusive constitucionais, e ao ro- dizio realizado em todos os outros escaninhos oficiais assemelhados (inclusive o MP esta- dual, do qual deveria ser derivado), porque o president se diz nomeado vitaliciamente para o cargo. Num continent como o nosso, mui- to propenso A busca a qualquer prego da pe- renidade no poder, ainda assim essapresiddn- cia vitalicia e inica. Na semana passada o president perp6tuo foi a televisao (no program Argumento, da RBA) defender a sua sinecura, enquanto co- mecava a tramitar na Assembl6ia Legislativa um projeto do lider do PT, Joao Batista Oli- veira de Arafijo, mais conhecido como Baba. O projeto 6 simpl6rio: tem apenas quatro ar- tigos. Prevy a extinct~ o do mandate do atual procurador-chefe do MPjunto ao TCE 30 dias depois de sancionada a lei que propoe. No mesmo prazo deveri ser realizada eleigAo para a escolha do novo dirigente do 6rgao, corn mandate definido na lei organica do MP. A partir dai, o prenchimento do cargo sera feito "rigorosa- mente com as normas cons- titucionais e legais que regem a mat6ria" (como se isso nao fosse jA compuls6rio). O Diario O0 Aparentemente, nada de urn conUratc mais simples ejusto, at6mes- aido e o escnti mo tautol6gico. Mas, talvez, Metra. no valo nao tao facil quanto se po- de 120 dias. O deria imaginar. O que o de- liciacao por in putado Baba esta propondo Tudo come 6 uma lei complementary. tana, propond( Para ser aprovada, exigir conflueacia da quorum qualificado de tres gro. avenidas quintos dos 41 deputados es- bral to Entron taduais. O problema 6 que o complementary president vitalicio poderi a proposta fina contar com um lobby na AL tudos prelimin para evitar o quorum. Um 310 mil para dos filhos de um influence A Setran ap deputado 6 funcionario gra- te tcnica, par duado do MP, que an msma f Por que nao, simplesmen- adeq~ da seqt te, uma lei ordinAria? Final, por entender q nada hA, nas atuais constitui- tados de accord qges, tanto a estadual quan- prazos de exec to a federal, dispondo sobre tes corn o nive a chefia do Ministdrio Pfibli- A secrelana co junto ao TCE, e a mate- ria em questao foi estabelecida com base em decretos e portarias. A origem 6 confusa, mas nao tAo maluca que noo possa ser destrincha- da por uma iniciativa de 16gica e bom senso, que talvez devesse comeqar pela pr6pria ne- cessidade desses Ministdrios Pfblicos an6di- nos. Em decreto de 21 de dezembro de 1964, o entao governador Jarbas Passarinho nomeou Josa Mescouto "para exercer, efetivamente, o cargo de Sub-Procurador do Minist6rio Pflblicojunto ao Tribunal de Contas, vago corn a aposentadoria do sr. Flavio Nunes Bezer- ra". Na mesma ediqao do DiArio Oficial (de 23 de dezembro daquele ano) saiu uma por- taria do governador designando o rec6m-efe- tivado Mescouto "para responder pela Pro- curadoria do aludido Minist6rio Pfblico du- rante o impediment de seu titular". Ou seja: Mescouto virou sub-procurador efetivo e che- fe interino do MP no mesmo dia. 0 Diario Oficial de 13 de fevereiro de 1965 (menos de dois meses depois, portanto) brin- dou o distinto leitor com um primor de tortu- osidade burocratica. Por motive nao explici- tamente declarado, primeiro Mescouto foi exonerado do cargo de sub-procurador e, em seguida, nomeado de novo, enquanto para o seu lugar foi nomeado o hoje deputado fede- ral Asdrubal Bentes. Cinco dias depois, a 18 de fevereiro, Mescouto era novamente desig- nado para responder pela chefia do MP. Em dezembro de 1965, Passarinho exone- rou Mescouto outra vez do cargo de sub-pro- curador, mas, no mesmo DiArio Oficial, no- meou-o "para exercer, efetivamente, o cargo de Procurador do Minist6rio Plblico junto ao Tribunal de Contas, vago com a aposentado- ria do Dr. Lourengo do Vale Paiva". DecifraqAo da novela: primeiro Mescouto Inedito: o Para tem president vitalicio Notoriedade icial do ulumo dia 28 publicou o extnto entire a Secretaria de Transporte do Es- "no de arqmwetura e urbanismo de Alcyr r de 633 mil reaus, coi prazo de iag&nci Scontrdao foi assinado com dispensea de exigibilidade". ;ou quando a empresa procurou a secre- A-lhe um piano urbanistico para a area de s rodovias BR-316 e Augusto Montene- Almirante Barroso e Pedro Alvares Ca- icamento, atraves de elevados e obras es Junto com a proposal t&nica veio logo j cetra. prevendo R$ 143 mil para os es- ares, RS 179 mil para o anteprojeto e R$ projeto executive. rovou integralmente rudo Quanto par- nao ter nada a obstar, "considerando-se xi elaborada de maneira consistente e corn etncia de eapas". Em relagio ao valor. ue a proposal esava "com os preos ofer- o com os praticados no mercado" Ja os aiqao preiistos encontravar-se "coeren- I de detalhamento de ad c etapa". Sconsiderou desnecessrio fazer bcitaio para a execuio dos ser Mos propostos por iniciativa do escntorio parucular por trtar-se "de servios tecti- cos professionals especializados (.. ). ate porque envol- verr erapas relatives a projetos de urbanizafto e paisa- gismo". que, taz. interprerando-se a lac6mca avalia- ,&o, so a referida empresa tenha condiqFo de realizar no Para Ou, como reforga o parecer da Diretona de Trans- pores Terresres: "Os diversos atestados de execuGao de sentios I&cnicos apresenlados pela empress propo- nente demonsaram, realmeqte. a sua elevada quahfica- Ao tecnmca. inclusive com infase para as aspecaos de arbaninza;io e paisagismo" Nao tem dwida alguma o depanamento que o engenhbiroarqmteto Alcyr Meira. "titular da empresa ora proponents, goza de elevado concerto camo exvcuior de rabalhos ecnicos asseme- lhados' Por ser tdo notria a especiali/zago, depois de ter le.ado A secretaria-a proposal, ele racebeu o contra- to de R$ 63 mil sem se submeter a concorr&ncia com outros profissionais e emnpresas, mesmo porque inexis- terses. e claro, coQo ates1 a Secan Sena esse urnm assunto para o arguto CREA ou deve competir a escaninbo posicionado menos elevadaren- te na hierarquia burocritaca? foi efetivado, sem concurso, como sub-pro- curador no lugar de FlAvio Bezerra, que se aposentara; quando Mescouto assumiu a che- fia interina, substituindo o titular, Lourenco Paiva, que adoecera, Asdrubal entrou pela mesmajanela para ocupar provisoriamente o lugar de Mescouto na sub-procuradoria; apo- sentado Lourenco Paiva, Mescouto tornou- se chefe efetivo e Asdrubal assegurou para si a sub-procuradoria. Tudo assim, tumultuada e categoricamente, porque Passarinho era o primeiro governador military p6s-64; logo, podia fazer e acontecer. Nada, nos papdis oficiais e na chamada hermeneutica, autorizaria Mescouto a dedu- zir da sua efetivag~o na presidencia avitalici- edade do cargo, mas o fato 6 que ele perma- neceu esses 32 anos como chefe dessa polS- mica extensao obliqua do MP, que tem fun- cAo meramente informative. A ostentagao de poder, tirando a institui- gco das sombras, nas quais vivera at6 ali, pode custar ao chefe perpdtuo a permanencia na sinecura at6 a compuls6ria (se 6 que a alega- da vitaliciedade nao pode ser estendida atW a morte). A simples apresentagao do projeto do deputado Baba, entretanto, ainda nao 6 a ga- rantia de que tal anomalia estA corn seus dias contados. A mobilizagao contra a manuten- gao desse entulho juridico precisa ser mais ampla. Fiel a seu modo peculiar de interpreter os atos oficiais, Mescouto nao se importou em admitir na television que trs filhos seus ocu- pam cargos de confianga (chefia de gabinete, secretaria-geral e diretoria financeira) no MP, o que denominou de "nepotismo legal". Che- gando o salArio do pai a 22 mil reals, a soma da retirada da familiar deve beirar os R$ 40 mil, uma renda per capital (R$ 10 mil) de pa- drao escandinavo ou canadense, sustentado por una administrago piiblica que remunera 70% do seu pessoal com um a tr8s salArios minimos. O espanto que a revelagio desses dados deve estar causando A opiniAo pfiblica pode ser o primeiro pass para por tim a essa faga- nha de gl6ria duvidosa. * 4 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE DEZEMBRO / 1997 Maquiavelismo tucano O govemador Almir Gabriel nlo 6 propri- amente um especialista em firmeza, mas sao inegAveis seus m6ritos nessa forma sagaz de political A qual se deu o nome (impropriamen- te) de maquiavelismo. Ele assumiu o governor com o apoio de apenas dois deputados esta- duals. Hoje, explicit ou sutilmente, conta corn 37 dos 41 deputados (abertamente de foraestA apenas a bancada do PT). Conseguiu essa surpreendente reviravol- ta, que Ihe dd no legislative uma forca que nao esteve ao alcance de nenhum outro go- vernador antes dele, inclusive os do regime military, com filosofia? Claro que nao: corn doses maciqas de clientelismo, que consagra- ram a legislature de mais baixo nivel no Pard em muitos anos. O cardapio de favors in- clui tres nomes na governadoria que cada parlamentar aderente pode nomear. Outro exemplo de sagacidade. Almir foi eleito cor o decisive apoio do PFL de HWlio Gueiros. A alianga passou da campanha elei- toral para o inicio da administragAo. O PFL 6 mais forte no ParA do que o PPB. Por que Almir trocou uma alianga ja existente corn os pefelistas pelo incerto caminhar com os pepebistas, menos de tr8s anos depois de ter atirado pesadamente contra o entao senador Jarbas Passarinho? Nao foi, evidentemente, para ganhar mais votos (e talvez nem seja necessariamente para chegar cor Passarinho ao palanque no pr6- ximo ano). Tinha dois objetivos. Em primei- ro lugar, mandar para Hdlio Gueiros um re- cado ostensivo: a alianga s6 se mAnteria se o ex-goverador aceitasse sair senador em 1998, compondo cor o projeto de reeleigao do soba tucano. As mensagens mais sutis vinham sendo mandadas atravds de Alacid Nunes, mas Gueiros relutava. Queria ser governador (uma exigencia da Familia S/A). Assim sendo, nao haveria acordo. O segundo objetivo foi forgar Gueiros a assumir o rompimento. Como zagueiro de Area botinador, Hdlio mostrou as travas de chuteira logo no inicio da administraqgo tu- cana, atrav6s do filho, durante a viagem de Almir A Malasia. Ao retornar, o goverador fez de conta que seu aliado nao estava por tras das traquinagens do Jinior. Ainda acre- ditava na viabilidade do acordo. A partir dai, apesar das firulas e salamale- ques, usou Alacid para solapar os Gueiros no PFL. Por necessidade tatica, o ex-prefei- to nao podia passar recibo ao cavalo de Tr6ia, no qual Alacid se tornou. Diante do acerto do governador corn Passarinho, sobre o qual nao foi ouvido e nem cheirado, teve que co- locar a cabega de fora e tomar a iniciativa de sequestrar o control partidArio de Alacid, ao mesmo tempo que monitorava as arrua- cas do filho. Apesar de tudo, nenhum dos lideres, in- clusive Jader Barbalho, assume um caminho sem volta. Hdlio Gueiros ter feito pesadas critics, as mais contundentes na edi9io de domingo passado de A Provincia do Pard. Entre outras bordoadas, insistiu na impossi- bilidade fisica de Almir exercer efetivamente o governor. Se ela inexiste, Gueiros pode es- tar contribuindo para que, estressando o go- vemador, o impedimento se materialize, tra- zendo de novo El Junior. Assim como era impensavel um acordo Almir/Passarinho, outras surpresas podem estar sendo prepa- radas para a opiniao pfiblica. As aparEncias indicam que, em 98, Almir e Jarbas estarao juntos de um lado e Jader e Hdlio do outro. No domingo passado o Did- rio do Pard publicou mais um teleprompter impresso do deputadq Vic Pires Franco sau- dando a lideranga saudAvel de Jader, enquan- to Gueiros elogiava a fidalguia do seu atd ha pouco inimigo figadal. Mas as cartas podem ser reembaralhadas de novo, confor- me os lances feitos A mesa de negociaqdes - ou debaixo dela, o que e mais provAvel. 6 Vale privatizada acusa antecessores de levianos Os enviados da metropolitan Companhia Vale do Rio Doce ao sertao paraense fizeram, nas duas escalas da excursao empreendida atd a semana passada, em Bel6m e Maraba, gra- ves declarag9es. Elas nio podem ficar impu- nes, como tem permanecido at6 aqui gragas A contumaz in6rcia da sociedade local. Os diretores Mozart Litwinski, Juarez Sali- ba e Andr& Luiz de Oliveira acusaram a dire- cao anteriorda empresa, quando ainda estatal, de ter agido politicamente quando, em abril deste ano, assinou um protocolo de intend6es com o govemo de Estado para implantar a re- fmaria de cobre em Maraba. O ato teria sido de absolute irresponsabili- dade, apenas para agradar o govemador Almir Gabriel. Mas deixava para os sucessores no control da CVRD, ja ai privatizada, uma he- ranga maldita Segundo os novos donos, nao existe estudo de viabilidade concluido sobre o Projeto Salobo e indicar um valor como a di- ferenga entire as alternatives de localizagao da metalurgica seria quase como um crime. Bem que os antigos gestores da Vale, lide- rados por Francisco Schettino, poderiam vir a piiblico prestar os esclarecimentos necessari- os. Presume-se que o Brasil alcangou um esti- gio de seriedade na condugao de assuntos da magnitude do projeto de cobre que uma decla- raggo dessa gravidade nao pode subir aos c6us em brancas nuvens. Como o govemo Almir Gabriel nao se tocou para a acusacao frontal, naturalmente por achar que ela nao Ihe diz res- peito, caberia aos responsaveis anteriores pela CVRD falar. Nao s6 eles, por6m. A poderosa Anglo American 6 a parceira da Vale no empreendi- mento. A Anglo 6 a maior produtora mundial de ouro. Em CarajAs estA entrando numa nova fase da sua hist6ria, justamente quando sua base operational, a Africa do Sul, atravessa instabi- lidade ainda mais profunda. Entraria a multi- national sul-africana numa aventura de olhos fechados, apenas para agradar o govemador? Ao que se sabe, CVRD e Anglo conduzi- ram estudos paralelos em tomo do cobre de Carajas. Os resultados desses estudos nao teri- am sido coincidentes. A pressao political e so- cial por uma definiAo sobre o projeto teria feito as duas parties aproximar os resultados diver- gentes de um denominador comum, uma me- dia nao muito t6cnica, mas que estA long de ser fundada em metafisica. Diz algo a respeito da conciliagao de interesses entire uma eficien- te empresa estatal e uma tipica multinational numa joint-venture (nada diz, entretanto, so- bre acordos entire uma multinational do pais e outra do exterior, como acontece agora). As informag6es sao repassadas no condicio- nal porque o acesso As fontes ficou ainda mais dificil depois da privatizagao da Vale. As infor- maa6es tnm que ser checadas sucessivamente para nTo se reduzirem a bales de ensaio, hoje feericamente langados no horizonte da grande imprensa national, torado por arco-iris. O as- sunto, de qualquer forma, nao esta convenien- temente colocado A mesa da negociagao. Dados essenciais continuam send sonegados. Um que impression 6 o inflacionamento do custo do Projeto Salobo. Ele mais do que do- brou desde a apresentagdo do primeiro estudo da Vale, sobre o impact ambiental do empre- endimento. A iltima cifra 6 de 2,1 bilhles de d6lares. Esse crescimento 6 atribuido aos agen- tes fmanceiros intemacionais, chamados a en- trar cor dois ter9os da forma9ao de capital. Ao examiner os prospects, eles teriam identi- ficado uma sub-avaliacao nas dimensoes do projeto, forgando a aproximaco do orgamen- to A realidade. Com isso, os encargos teriam ficado insupor- tAveis para os dois s6cios privados, Anglo e Vale, e para o BNDES, que estaria interessado em assumir uma participago societAria, ao invds de ficar apenas como agent financeiro. Dois no- vos s6cios, do setor mundial do cobre, jA estari- am na agulha para se incorporar A iniciativa. Cor o tamanho e a profundidade desses desdobramentos, o que cabe ao ParA fazer? Agir como o comite de Maraba se comportou na semana passada, forgando a obtengao de informagoes confiAveis para poder exercer pressao eficaz e devida, sem impropriedades, mas tambem sem titubeios. A imprensa pode dar contribuigao relevant para conscientizar a opiniao pfblica (menos de 20% dos paraen- ses sabem que o Salobo existe, segundo o Ibo- pe), mas precisa estar habilitada para isso. Cor razao, os enviados da CVRD rejeita- ram a participag~o da imprensa na reuniao de Maraba. Dias antes O Liberal publicara que a Vale iria estudar a viabilidade da implantacao de duas fAbricas, de adubo e calcdreo, inde- pendentemente do Salobo, quando a depen- dEncia 6 total (sem o Acido sulffirio, subpro- duto do cobre, nao pode haver fertilizantes). A iniciativa pelas duas fabricas foi atribui- da A empresa, que na verdade assumiu o com- promisso de fazer os estudos a pedido do go- verno. A material do journal disse tudo ao con- trArio, o que levou os empresArios a ter mais cautela em Maraba. A imprensa, dessa vez, ficou A espera do comunicado posterior por- que o comite aceitou a exig6ncia da Vale. O case mostra que as parties envolvidas pre- cisam star minimamente bem informadas so- bre o andamento do projeto para que possam se posicionar corretamente a respeito dele. Sem isso, s6 os personagens em posigao privilegia- da saberao de fato o que acontece, podendo manipular ou conduzir o process. Enquanto uns serAo coadjuvantes, outros nao passarao de figurantes e a maioria ficard na inc6moda posigdo de assistente passive, incapaz de en- tender o enredo do que se sucede A sua frente. E ele 6 grandiose. * JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE DEZEMBRO / 1997 5 Helinho tirou 1,5 milhao da Vale para o governor At6 hoje, o inico ato da interinidade de H6lio Gueiros Jr. que o governador Almir Gabriel nao revogou foi o que suspended alguns beneficios concedidos a Companhia Vale do Rio Doce. Todos os membros do governor que se manifestaram sobre essa iniciativa do vice, durante a ausncia do titular, garantiram que ela 6 inocua. No entanto, foi a de maior repercussao. Se o Jinior nao tivesse atingido a empre- sa-icone dos tempos das privatiza96es a FHC, certamente a grande imprensa nem teria se importado corn ele, como das ou- tras vezes, e o pai nao estaria pagando o prego do desgaste justamente em fungao da campanha da midia. Por que, entao, se nada represent, aquele decreto de Helio Jr. continue a ser o inico em vigor, mesmo com a pressao dos parceiros do governor para sua revogagao? Os interlocutores do governor justifica- ram para os enviados da Vale que a medi- da teve forte apoio popular. Revoga-la, por ^s~iornaista ha 50 anos e frequentador dos bastido- res da political national ha 40, al6m de testemunha de alguns dos epis6dios mais traumaticos da vida do pais desde a d6cada de 50, Muri- lo Melo Filho tinha tudo para nos propor- cionar mem6rias vitais desse period. Seu Testemunho Politico (Bloch, 1997, 436 paginas, R$ 30) pode ser lido corn flun- cia e interesse at6 o fim. Mas Murilo des- perdigou o belo capital que acumulou, transformando boa parte do seu livro (de ma qualidade grdfica, como de praxe na Bloch) em nada mais do que anedotdrio, a maneira de Sebastiao Nery. Em alguns moments sua visada parti- cular de events consagrados pela abor- dagem estratificante da ci6ncia political ou da sociologia 6 iluminadora. Mas seu fo- lego para processar e avaliar o que esteve diante de seus olhos 6 curtissimo. Sugere corretamente, por exemplo, a importan- cia decisive que teve D. Carmela (ou D. Santinha, como era mais conhecida) so- bre a desastrosa gestao do marido, o ma- rechal Eurico Gaspar Dutra, na presiden- cia da Repiblica que estabeleceu um in- tervalo entire o Gethlio Vargas ditador e o president legitimado pelo voto popular. Mas fica apenas na mete6rica referEncia. Talvez se tivesse feito apontamentos mais ricos e sistemiticos, Murilo poderia nos apresentar agora um verdadeiro tes- temunho, capaz de contribuir para uma isso, acarretaria perda de prestigio ao go- verno. N0o 6 verdade: embora a popula- cio paraense esteja revoltada com a CVRD (m'ais ainda na sua versdo_steinbrucheana atual), desaprovou a adogao da media quando o governador se encontrava hos- pitalizado, entire a vida e a morte. Falou mais alto o sentimentalismo national. E, ao menos, o que diz a pesquisa do Ibope encomendada pelo pr6prio governor. Na verdade, o ato de Helinho nao 6 tao inocuo quanto os almiristas estao dizen- do da boca para fora. Embora sejam faci- lidades burocraticas, que nao tocam nas isen96es e diferimentos de tributes conce- didos atrav6s de lei (e que s6 outra lei pode revogar), nem possam penetrar nas deso- nerag6es federals, eles t6m um valor eco- n6mico bem definido. Segundo um calculo de fonte creden- ciada, a prorrogagao de prazo para a qui- tagao de impostos, sobretudo o referente a energia, e outros desembaragos buro- craticos, vinham proporcionando a Vale uma economic de 1,5 milhlo de reals ao m6s. O cancelamento dessas vantagens, por consequ6ncia, esta proporcionando ao Estado ter acesso a esse R$ 1,5 mi- Ihao. E quase o dobro do recolhimento tri- butario mensal da CVRD ap6s a vig6ncia da Lei Kandir. Da mesma maneira como provocou, sem querer, um milagroso renascimento do governador, ao tocar no emocionalis- mo do povo e permitir a Almir Gabriel faturar a image de vitima, Helinho con- tribuiu para suprir o combalido caixa do Estado, devolvendo num mes dois tergos do dinheiro (R$ 2,1 milh6es) que desti- nou ao seu correligionario de Santar6m. Foi o mais bem feito dos atos oficiais que assinou, mas nao o favoreceu. Muito pelo contrario: acabou colocando azeitona na inodora empada do tucanato local, para o qual 6 lei esconder a mao depois de atirar a pedra. * : ..: : : : *. . .. ...: .... ...... i ........iii reelaborag o dos epis6dios aos quais se re- fere. Mas qual e realmente a consistencia testemunhal de suas mem6rias? A considerar por um epi- s6dio que nos diz respeito, minima. Diz ele, ao se referir a fatos finals da vida de Haroldo Veloso, um military da Aeronautica que participou de duas ten- tativas de golpe military contra o president Juscelino Kubitscheck, a primeira delas em Jacareacanga, aqui no Para, e outra em Aragargas, em Goias, na segunda me- tade da d6cada de 50: "Certa noite, onze anos depois, em 1967, o Coronel Veloso procurou Adol- pho Bloch e a mim, no Edificio Manche- te, onde JK, que nao era mais president e ja estava cassado, mantinha um gabi- nete de trabalho. Bastante constrangido, o coronel queria pedir-lhe perdao e des- culpas pelo levante de Jacareacanga. Nunca tinha falado corn ele e chegara o moment oportuno de faz6-lo. JK per- cebeu o nervosismo de Veloso, abragou- o fraternalmente e disse-lhe o seguinte: Meu caro coronel, o senhor nao tern de pedir perdao nem desculpa. Se naque- la 6poca fosse da sua idade, teria proce- dido da mesma forma como o senhor agiu. Nove anos ap6s, em 1976, durante o vel6rio de JK, no saguao do Edificio Man- chete, im cidadao derramava-se em lagri- mas junto ao caixao. Era o Coronel Ha- roldo Veloso". Os fatos. Em 1967 Veloso j havia pas- sado para a reserve, como brigadeiro, e assumido mandate de deputado federal pela Arena do Para. O encontro dele cor JK, nas circunstincias descritas por Mu- rilo, 6 surpreendente, para nAo dizer in- verossimel mas nao sepode simplesmen- te desmenti-lo. De todos os personagens envolvidos, o inico ainda vivo 6 o pr6- prio jornalista. Mas Veloso nao poderia estar chorando ao lado do caixao de Juscelino em 1976. E que havia morrido sete anos antes, em ou- tubro de 1969, em consequ6ncia de um tiro de fuzil disparado pela tropa da PM que o entao governador Alacid Nunes mandou para Santar6m para impedir o prefeito mu- nicipal de reassumir o cargo com base em um mandado de reintegragao de posse con- cedido pelo entao juiz Christo Alves (que foi recentemente president do Tribunal de Justiga do Estado). Se Murilo viu alguma coisa haquele triste dia de 1976, foi uma visagem, a mesma que assustou Alacid oito anos an- tes (e talvez ainda aparega em seus pesa- delos at6 hoje). * Para os jornalistas, sobretudo os mais novos, fica uma li9ao: anotar, anotar, ano- tar. E guardar, guardar, guardar. Para evi- tar que depois, confiando apenas da me- m6ria e abusando da imaginagao, nao cau- sem vexame. * X. x. . *m 6 JOURNAL PESSOAL 1A QUINZENA DE DEZEMBRO / 1997 Por causa da crise de energia desencade- ada a partir de 1973, tendo apenas como epi- centro a elevagio brusca dos pregos do pe- tr6leo pela Opep, os paises mais ricos do mundo comegaram a descartar a producao de eletrointensivos de baixo valor agrega- do. Transferiram a tarefa (ou o abacaxi) para os paises deles dependents. Ao inv6s de produtores desses bens, tornaram-se seus compradores, interessados a partir de entAo, obviamente, em preqos mais baixos. Para nenhum outro pais esse dilema foi mais ag6nico do que para o Japao. Sem fon- tes pr6prias de energia e expostos a um custo de importaq~o oneroso, os japoneses trata- ram de reciclar seuparque industrial. Ou era isso, ou deixariam de ser superpotencia (ame- aga que agora se renova, pelo lado financei- ro). Em 1973 mesmo, ja plenamente ciente da gravidade da situa~io, o Japao comecou a fechar suas fabricas do mais eletrointensivo dos produtos industrials, o aluminio. Toda a produgC o japonesa, de 1,2 milhao de toneladas do metal, foi deslocada para outros paises. E notAvel que os japoneses tenham realizado essa transferencia indus- trial, a maior de toda a hist6ria contempora- nea, em tao curto espago de tempo e crian- do para si condig6es mais vantajosas do que as anteriores. Mais espantoso 6 terem insta- lado a maior de todas as suas fAbricas a 20 mil quilbmetros do seu territ6rio, com a qual atendem 15% do seu consume. Nao por acaso, essa fabrica a Albris - fica no Para, a 40 quil6metros de Be- 16m. O Para ter a terceira maior jazida de bauxita e a maior reserve de energia hidrau- lica do planet. Essas condiq6es naturals haveriam de tornm-lo um p6lo important de aluminio. Mas esse p6lo teria inevita- velmente que apresentar o perfil de hoje, caracterizado por pesada imobilizacao de capital, endividamento ruinoso, operagao deficitAria e subsidies pfiblicos gravosos? E o que 6 ainda pior: tudo isso sem im- pedir, antes facilitando, a reproduqgo dos esquemas olipolisticos. Um produtor novo signiticativo como o Brasil deveria era ter quebrado o cartel das seiss irmis", para nao se tornar vitima dessa nova divisao inter- nacional do trabalho. A hist6ria da implantagao do complex de bauxita, alumina e aluminio no ParA 6 uma das mais elucidativas e dilacerantes das relag6es entire centro e periferia na eco- nomia atual. Reconstitui-la como ela real- mente foi neste quarto de saculo de dura- cgo 6 o meu prop6sito no livro Amaz6nia, o future perdido (A batalha do aluminio e outras derrotas da globalizagIo), que langarei no dia 11 e estara disponivel nas principals bancas e livrarias. Espero que o livro cumpra duas misses. A primeira 6 mostrar que a incorporagao da AmazBnia A economic international, profunda e definitivamente, 6 conseqii8n- cia da crise da energia. A Amazonia pas- sou a contar para o mundo pela possilida- de de gerar bens eletrointensivos, que a valorizagao da energia inviabilizou na mai- oria dos paises ricos. Mas sem incorporar o novo valor ao preqo de venda do produ- to. A Amaz6nia, por isso, estaria condena- da a assumir os custos do subsidio da ener- gia, proibida de transferi-los ao preco do produto final. E uma imposigao tipicamente colonial que fazem os autores desse "modelo". Se ele for aplicado tal como concebido, nio ha escapat6ria: a AmazBnia tera sempre relacqes de troca desfavoriveis com os compradores dos seus produtos. Mas sera que essa 6 mesmo uma fatalidade? O des- tino colonial da Amaz6nia ja estara escrito nas estrelas? Nao acredito nisso, mesmo sem mini- mizar a forqa dos esquemas coloniais de exploraCgo. Confio na possibilidade de meu livro sugerir uma outra moral da hist6ria, litil num moment em que iniciamos uma nova hist6ria, ainda mais relevant do que a do aluminio. Essa hist6ria a do cobre, ter suas raizes faticas plantadas no subsolo de Carajas e suas conex6es menos visiveis (as financei- ras e as econ6micas) estabelecidas em al- gum lugar privilegiado, que o capenga mo- delo de privatizaqAo made by Fernando Henrique Cardoso ainda nao permitiu di- visar. O Para nao pode chegar ao final da d6cada e do milAnio com a mesma insensi- bilidade registrada a partir dos anos 70. Nem ser comandado como manada por li- deres que o conduzem a lugar nenhum. A outra missao jornalistica. Jornalis- mo nao 6 sociologia ou cidncia political, nem antropologia ou psicologia. Pode e deve ser interpretative ou analitico sem perder a especificidade da via de acesso ao conhecimento que represent para o cida- dao. Essa originalidade vem do contato sis- tematico e privilegiado com o cotidiano, sempre orientado pelos fatos, pela dimen- sio da hist6ria que abriga pessoas de came e osso, nao apenas cicl6picos her6is. Por conjunturas ricas em paradoxos e contra- di;6es e nao apenas por superestruturas compactas e determinantes. O jornalismo nao precisa adotar postu- ra reducionista para ser mais valioso do que esse bric-a-brac tecnol6gico da grande im- prensa vulgar, massacrantemente comerci- al, escrava do marketing de opiniao. Basta que se deixe conduzir pelo fio condutor da investigagao, formulando as perguntas cer- tas e procurando responda-las junto As fon- tes adequadas e no meio da sociedade. E publicando o que apura, sem disfarce. O jornalismo que pratiquei em centenas de artigos, escritos ao long de 15 anos de acompanhamento mais permanent do complex Trombetas-Albras-Alunorte, se- Um livro e um debate em busca da esperanga lecionados para o livro, 6 o jomalismo ca- paz de fornecer A opiniao public as infor- mac6es necessarias as decis6es nas ocasi- 6es certas. Nao 6 tao dificil praticar esse tipo de jornalismo. Basta que a organiza- qao political seja pluralista e os profissio- nais se disponham a cumprir sua missao. A principal delas 6 municiar a agenda dos cidadaos para que eles saibam 6 que esta acontecendo, identifiquem seus inte- resses e sintam-se estimulados a assumir uma posigao ativa na vida social. Por isso mesmo, o lancamento do meu livro sera feito em meio a um debate. Junto cor os amigos e interessados, quero discutir o future do Para. Sera mes- mo que a possibilidade de conciliarmos nosso potential de riqueza com a realida- de, invariavelmente de pobreza, esta aber- ta diante de n6s? Ou estamos condenados a esse paradoxo, que devasta nosso futu- ro? E indescartAvel terms a elite predado- ra que temos? Por que foi obstruida a val- vula de oxigenaqao de iddias e lideranqas? O debate e o lanqamento do livro serao no dia 11, a partir das 18 horas, no audit6rio do setorial bAsico, no campus da Universi- dade Federal do Para, no Guama (fica pr6- ximo ao ginAsio de esportes, cor entrada antes da ponte sobre o igarapA do Tucundu- ba). Dizem os amigos que fica long. Mais long, pordm, esta a universidade, o principal centro do saber organizado, da agonizante realidade regional, que tanto ne- cessita de intelig6ncia militant. Escolhi o local por seu valor simb6lico. Espero la os leitores do Jornal Pessoal e as pessoas de boa vontade. Todos sabemos que apenas vontade nao 6 o bastante. Mas sem ela nao ha ponto de partida. JA estA mais do que na hora de a universidade ter participaqio mais ativa na tarefa de ao menos permitir divisar o ponto de chegada. Corn meu livro, espero contri- buir para que ele nao seja nada mais do que a mirage da porta de said, o locus de toda a nossa riqueza, sugada para fora do nosso territ6rio e do alcance das nossas m os. 0 e (A belaah do aluminio s nutas deryoaas dO yO1b&1iEaf,) JOURNAL PESSOAL 1A QUINZENA DE DEZEMBRO / 1997 / 0 blecaute na provincia energetic: a quem serve? Quinto maior produtor e terceiro maior exportador de energia do pais, o Para traga a sua political energ6tica A luz de vela. A su- cessao de improvisacqes amadoristicas, que se alternam a cada crise, voltou a se mani- festar na semana passada, em meio A mais grave crise dos filtimos anos. As pressas, o governor tomou uma iniciativa, cedendo A pressao de Santar6m, o segundo mais popu- loso municipio do Estado, ha quase um ano vitima de racionamento crescente, que hoje s6 garante fornecimento em rodizio a 190 mil moradores durante um terco do dia. Mesmo na onda de protests em cascata, que t6m levado milhares de pessoas As ruas de Santar6m, o governor ainda encontrou f6- lego para fazer politicagem. Antes do anin- cio da solugao de emergencia, que promete evitar o colapso total de energia e a previsi- vel explosao social, atrav6s da compra de seis grupos geradores nos Estados Unidos, os re- presentantes do govemo ainda travaram uma queda-de-braco com o prefeito Joaquim Lira Maia. Na Celpa e na Secretaria de Planejamen- to, os chefes nao quiseram mostrar o con- trato ao prefeito e aos 26 cidadaos que se deslocaram de Santar6m para acompanhA-lo, como representantes da comunidade no co- mite que se formou no local. Enquanto Lira Maia e seus acompanhantes batiam boca com os interlocutores oficiais, a imprensa publi- cava na integra o contrato sonegado, que, depois, representantes do governor levariam em maos a Santar6m. Tudo isso para que Maia, do grupo do ex-governador Hl6io Gueiros, atualmente o maior inimigo politi- co de Almir Gabriel, nao faturasse os bene- 0 Daurlo Ofcial t[ad;', Lquase today sie- niana. iiiri cdpilulo no% o de unli noelki quic corins:ra os mats costuniie na ad- mlnislrago plblica a iadmiissio de nia ss fluncionarilos para o gabincle do go\er- ludor do Estado No dii 21 de outubro ali esijam a irrnilhadas 52' pcsso.is das qu.us 321 cni careo'_ coniussioiudos de dssis,.ir!,. .Ibsor. ndio X21 inl reiis por incs do ltrrio Para os p.idroes da ecoionii.i p.irain- se es._a l'gi'.io equiv:llerla a tina1 cmpre- sa prl\ ada de grande porte. ums irno obe- decc a qiilliquer padtio. Nada tem a ver corn a qualidade total qcu o go erno diz que lenla imiplanlar no terntono da ad- nuinislr:i.io public lbora natiuraimenie. do latfundio d; go% ernadoru i Essi se- ]qulno inclils senr idor's niodesto dc dois s;alinIos niininio3 qule if lil\Lnienlc traj- balhia. e ;ascs.,orcs quc chiganim a ga- ficios da soluqio encontrada para o iminente blecaute. A solugbo encontrada, por6m, 6 de curto prazo e pode sair muito cara. Na melhor das hip6teses, se tudo ocorrer como o governor quer, ela pode reduzir o racionamento de 60% para 20% at6 o natal. Para uma popu- lagdo levada ao desespero, 6 uma grande coisa. Se isso se materializar, os santarenos poderao esquecer os martirios e deixar de lado os arranjos feitos para tira-los do sufo- co. Mas o epis6dio apenas enriquece o nivel de desidia da political energetica do Estado. No dia 5, quando os geradores forem co- locados no porto de Miami para serem em- barcados, o governor do Estado pagarA 2,3 milhies de reals (o equivalent em d6lares) A Machinery Co., que os forneceu. Outros R$ 1,3 milhao serao gastos no transport at6 Santar6m e nas despesas de importagao. As- sim, tudo o que se buscou economizar atra- v6s das concorrencias abertas em novembro do ano passado e margo deste ano, que nao atrairam interessados, segundo a Celpa, sera gasto em excess por causa do carAter emer- gencial do problema (o que justificou a dis- pensa de licitacAo plublica). Observe-se que a Celpa decidiu fazer o neg6cio um dia ap6s a apresentagao, a 18, da proposta pela Machinery, atrav6s de sua representante em Bel6m, a Sotreq. Se numa situaQAo normal 15 possiveis interessados acabaram desistindo da concorrencia, numa anormalidade uma empresa estabelecida em Miami, de pronto, conseguiu aprova~io para sua proposta. Esse e outros detalhes importantes serao esquecidos em fungo do bem coletivo se as liar imn:is do Ite o gocvrnador iemi sem- pre sdltindo-se por onde andani e o que fL- 701cni 0 goLrn:ador Almir Gabric checoii coLn a proiness.a de p6r uni fin a essai gekli. Lg''- r:il. inlSiliuda no prlil niro Lovcrl Jider Beirb lliho p i[ ja.ollod:lr intc'rssk e patro- cinir fililoolgisio Eli prosperou 0onm3 ajnreb.1i .idnirilslraS:ao Helto Gueiros c C\- plodlu coluo cainccr no setiindo go elrno de Jader No impeto mioralihador inicial. iio to- nutroante quajnlo sem conin cq Ao. Ainirr Ga- briel redtuzit a Lor\ mnadorni a umn lam.nhiiio nimas acei;it\ l Nlus depois. reperlimdo tudo o quie anes coiind. nadi. \ ollotdi i irtliciion.-l Lu Tanio pior p.ira a parccl;i iin,:rintarna dos ser idIor' s al! loi.idosqLiee'e-\jiinnic ci.,ii- prein o scu deer e [enliaml esuabclcer win pariundro proissionlal de sern l A o\ L r- nadorla nao e niuito alim do que unia icira liN re. on. pard aproxiuia-la das orieins do chefhjo um bazar pcrsa. Recebein n:3 rol011 d. goer\Lciiidonra ;.ibos-eleior:iis iicccss.ir- os do Lovernador (fru i- ni a :iadinusisrdnio publicai plinucs qe 11.1hi se eclgeran_ bar- n:.Jbes delo:;cidos d uSI.LIS chlul..i inis.s qpiC nrio podcint lic.ir do relontio. afilhados poli- agruras da escuridco, que levaram Santar6m ao estado de calamidade pfliblica, decretado na semana passada, ficarem para tras. Mas as perspectives de solucao definitive come- Cam a se tornar mais opacas. O govemo federal acaba de cortar R$ 12 milh6es dos R$ 280 milh6es exigidos pelo sistema de transmissao de Tucurui at6 a Rur6polis Presidente M6dici, a part da Ele- tronorte no Tramoeste. Outros cortes virao ou este 6 suficiente e nao vai causar danos ao cronograma da obra (seria apenas um "ajuste" nas contas, geralmente inflaciona- das, do setor el6trico?). O governor estadual disse que vai garantir R$ 12 milh6es para as obras de Rur6polis at6 Santar6m. Nesse trecho, de responsabili- dade da Celpa, s6 a linha custard R$ 28 mi- lh6es. A conta de chegada nao 6 precisa para garantir que, finalmente, em outubro do pr6- ximo ano, Santar6m saia do racionamento. Se o "linhAo" alternativea combatida por va- rios t6cnicos) ficar a meio caminho, outra dispensa de licitaqdo e outra compra apres- sada vao surgir dentro de um ano, no atro- pelo de mais uma crise. E ningu6m vai perguntar o que se devera fazer com os seis geradores que foram "re- manufaturados" (a expressao civilizada para miquinas usadas recondicionadas) em Miami quando a energia de Tucurui chegar, em es- cala de transferEncia quejustifique tao exten- sa e cara linha de transmissao, aposentando o parque termico e, quem sabe, Curua-Una. Deixar como reserve ou remanejar para ou- tro brejo? Que o vento leve quest6es tao in- c8modas, talvez seja a soluq~o, como agora - e sempre nesta provincia energ6tica. 0 rics e apa mULiados fainliari:s enfill. unma posta restaite humnaiia lustientad-a pelo eririo Podendo ou nio esiar trabalhando. sen- do ou n.io liiLi-ielns se~n idorcs publicos. Illerecedores ou nijo da flun.jo l: se cn- Laonirani dnionlodos s s -~-secrct.rlos Frederico NMonieiro. Brnvaljd So-ires e .Adla ide Soares. o ex-deptuudo k ci-s.- ic tcinlo .ldir \ jlna. os e\-preleuos Jo.o Chliron Nclo. Carlos Estacio Niljon Pi- nhciro c lose Waldoli Valenie. os ex--e- rcadnrcs Carlos Augusto Barbos.i e Vic- bor Hugo Cunlia. os e\-dcpuladdos Brabo di Carsalho c Windcnkolk Gonial\ s. .1 csposa do sencador F rnarido Cot-illiiiii JorIeC. Rosi-. e do \ ercdor Gcn rtn 1o MAlr- L.'id': Manria n .iLlia e porj.. eii drint- O')s boiis prolissioaiils jacib:Iii precIudi- cados pelos :icertos de convei&'enllc c a assessona do go~ rnador. lqu d\ceri:i scr iorniada pl:a elite do senrio public. d-i 1uni ate.i:.do de priinnl isiuo que Irlra do go\crnmo.iqucle iiinllno de respc'iribilida- de clsp.. d I.i.ezr o cidadao coinum Icl .ir .i seno sina p,il.a\r; 0 bonl eC\Tiiipl. coniio alcena o dii:ldo bern popular. icliu qu co- nieia erm ci isl Depois que eu recusei as propostas ante- nores que ele me havia apresentado. Jader Barbalho na ,poca governador eleito pela primeira vez. formando sua equipe num cli- ma de esperanqa coletiva me ofereceu lugar no Conselho Superior de Desenvolvi- mento do Esiado. Prometeu que o CDE seria a mais im- portante instrncia do seu govemo Nada faria sem a aprovaqo do coleglado, que ficaria responsavel pela gest5o do FDE (Fundo de Desenvol\imento Econrmico do Estado). a principal fonic de nvestimen- to public. Recusei de novo Prefera con- tinuar fiscahzando o powder atravrs dojor- nalismo. De fato, o primeiro goxerno de Jader co- meCou com uma pronussora reuniio solene do conselho Mas ficou nisso Nunca mais nerm foi lembrado. O gocemo foi-se perso- nalizando integralnente. caminhando no sentido contnirio do que e a melhor con- quisa adminisrativa da democracia go\ er- nos atuando sob control da sociedade. em circulos concrntricos de intensidade na par- ticipaco. Desde entao. mudam os governos, mas permanece esse modo autocratico de gerir a coisa public Helio Gueiros foi um mo- narca. Jader volou nmais forte no segundo mandate Almir Gabriel nio discrepa Teor da CPI A mal-batizada CPI do Helinho, da Assembl6ia Le- gislativa, se nao terminar em pizza, vai comemorar a io- cuidade com uma boa 51. Merece o dia seguinte. Equivalentes H6lio Gueiros disse a A Provincia que O Liberal e cara-de-pau e que nio 18 mais o journal, tantas sao as falsida- des que public. HWlio ja fez, no passado, critics mais cru- as e cru6is do que essa, moti- vada pelas cutiladas do journal no Junior, quando interino no governor do Estado. Os Maiorana, depois de ouvir tantos improperios, se reconciliaram com ele e o apoiaram atd perceberem, um pouco antes de Gueiros deixar a prefeitura de Bel6m, que ele nio pagaria uma grande divi- da de publicidadejunto ao gru- po empresarial. Os xingamentos pessoais nao foram capazes de provocar o O primeiro-ministro da autocracia tucana, Simlo Jatene, quer de volta o dnheiro que o intermo. Helio Gueiros Jr. mandou para o correligionano em Santarem. Alega que o re- passe nao obedeceu as normnas legais Pode are ter razao. mas nao tern legitimidade A difercn(a e de matizes. Na essencia. tudo se equivale. O FDE vira instrumento do piuga- recursos na mao de prefeitos e politicos, que traz como resultado o beija-mio do podero- so liberador de verbas. A programacio do FDE para 1997 foi aproiada. atra.ves da primeira resoluqdo do ano. baixada (como de praxe) "ad referen- dum" do CDE. a 5 de junho, j na merade do exercicio financeiro A publicaqdo no Diario Official ocorreu a II de agosto. dois meses depots. O que de eria ser annual % irou quadri- mesiral. E ati agora. na pratica, o colegiado permanece arquinado em algum escamnho Enquanto isso, o dinheiro e repassado con- fonne os influxos politicos e eleitorais (quan- do muito. interrompidos por algum ato real- mente planejado) O proprio Jatene. que e o secretdrio-executnvo do CDE. parece tao es- quecido do 6rgio coleti\o quanto Jader. a quem serviu. alias. na mesma Seplan, corn a mesma desen oltura de hoqe. ainda que comn outra retorica No Para. rudo inuda para tudo contmuar scrnpre igual. que a falta do tilintar de moetis ocasionou. A moral dessa his- t6ria nao & nada edificante. Retrato da casa Duas iniciativas recentes do deputado Baba, do PT, con- trastam com sua imagem de ferrabrds da esquerda: corrigiu o projeto de Aloisio Chaves sobre a substituic~o do gover- nador e esta tentando acabar com a vitaliciedade na chefia do Minist6rio Piblicojunto ao TCE. Quando a galeria nao esta tomada por militants, Baba, engenheiro por forma- gco acad8mica, costume ser um parlamentar arguto e efi- ciente. Seu aditivo e a multi- dao. Paira, pendular, entire as faces de Dr. Jekyll e Mr. Hyke, conforme o audit6rio. Potin O mar paraense acolheu, surpreso, duas aliangas muito pouco convencionais que Ihe foram atiradas do alto da pi- rnmide social. Como diria o inacreditavel Janio Quadros: devolv&-las-a outra vez? Parabens Enfim, um pouco de inte- ligEncia do outro lado: retor- nou a artigos semanais em O Liberal o advogado Octavio Mendonga. Discordar dele 6 sempre uma forma eficiente de aprender. Journal Pessoal Editor: Lucio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871 1 CEP: 66 053-020 Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato:Trv. Benjamin Constant, 845/203 1 66 053-020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert.com.br Editoragao de arte- Luizpe I 241-1869 Despotismo paraense Licenga , burocritica (ou licenciosidade?) Estranhei aqui, na semana passada, que a Secretaria de Educagdo comprometesse nada menos que 626 mil reals (dinheiro remanejado de outras rubricas orgamentdrias) em dois contratos cor agOncias de turismo para o fornecimento de passagens areas, cor dispensa de licitayao, quando o que ndo falta e agencia de turismo em Belm (mas faltam contratos com esses valores). Depois de editor o fornal, li no Didrio Oficial do tltimo dia 17 os extratos da rescisdo dos dois contratos. Passados tres dias, o DO trouxe uma errata da Seduc, esclarecendo que o ordenador daquela despesa ndo fora a subsecretaria Rosineli Guerreiro Salame, como havia sido publicado anteriormente, mas o pr6prio secretdrio, Jodo de Jesus Paes Loureiro. As duas rescisoes, publicadas no dia 17, foram datadas do dia 7- de 10 dias antes, portanto. A questao e que os contratos originals, em seguida rescindidos, tambdm foram datados do dia 7 e publicados no DO do dia 12. Ou seja: no mesmo dia o secretdrio (e nao a subsecretdria, como, final, se esclareceu) assinou e desassinou os contratos, mas a rescisdo s6 foi publicada cinco dias depois da publicagdo do contrato, quebrando a assimetria incongruente que teria sido estabelecida pelo faz e desfaz contratual, ambos feitos e desfeitos sem qualquer explicaGo. Bem que, agora, essa explicacdo poderia ser prestada ao distinto ptblico, evitando que ele seja levado a duvidar da seriedade dos documents oficiais. |
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