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Jornal pessoal
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/AA00005008/00124
 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00124

Full Text



J^-j 1.173


Jorna Pessoal
L 0 C I 0 F L A V I O P I N T O
ANOX N 7 V'U EA3 DENVMR E19 -e R$ 2*,00


POLITICAL


Belem.90:
Chicago-20
(Pag. 3)


Almir sobe, Helio cai

Jader Barbalho continue o mais forte candidate ao governor do Estado
em 1998, mas Almir Gabriel desloca Helio Gueiros do segundo lugar. E
uma mudanpa a mais, emfungdo da cruisee da interinidade", um pouco
antes da definiCdo dos esquemas de capulapara a eleipdo do proximo

ano. Pode-se esperar mais novidades?


6lio Gueiros ja nao e a
segunda forga political no
Para. Este 6 o principal
resultado da cruisee da in-
terinidade", o period de
10 dias em que H6lio
Gueiros Jr. substituiu Almir Gabriel no go-
vemo do Estado. Beneficiado pela condi-
45o de vitima e pela reacio negative da
maioria da populacgo aos atos do vice,
Almir Gabriel deslocou H61io Gueiros do
segundo lugar na preferencia do eleitora-
do, segundo a verificaco feita pelo Ibope.
O ex-govemador, superestimando a
empatia que tem com a massa dos paraen-
i F


ses, pode ter exagerado na dosagem recei-
tada ao filho. E o que pode explicar sua
primeira derrota na utilizaio da opinion
pilblica. Tudo o que Almir ganhou foi con-
quistado sobre o acervo de Gueiros.
Helio Gueiros julgou que poderia fa-
zer mais uma demonstragCo de forga sem
dar atenago a queda de prestigio ja de-
tectavel nas duas pesquisas de opinion
realizadas anteriormente. Tambem igno-
rou a nova conjuntura national e a cor-
relagio de forcas a partir da privatizaaio
da Companhia Vale do Rio Doce, expon-
do-se a torar-se saco de pancadas da
grande imprensa national.


Jader Barbalho, ainda o primeiro nas
prefer8ncias, escapou praticamente inc6-
lume aos estilhacos do tiroteio entire o
vice e o titular do governor. A manuten-
9co do seu indice em torno dos 40%, com
variacgo incluida na margem de erro,
mostra que apenas um fato novo de gran-
de impact podera derruba-lo da lideran-
ca na fase pre-eleitoral. Tudo indica que
uma nova onda de denmncias de corrup-
9go contra o lider do PMDB no senado,
duas vezes indiciado perante o Supremo
Tribunal Federal (em maio e outubro
deste ano), por atos praticados quando
era ministry da Reforma Agrdria de JoseC


UR Lm O '.







2 JOURNAL PESSOAL 2* QUINZENA DE VOVEMBRO / 1997


)Sarey, pode estar em formagao, mas
sera que essa investida terA o poder de
abalar seu concerto perante a populagco?
As pesquisas mostram que mais da
metade dos paraenses consider Jader
desonesto, mas ao mesmo tempo com-
petente e o melhor preparado para go-
verar o Estado, mais ainda do que Al-
mir Gabriel. O governador 6 destacado
por nao cumprir o que promete e por sua
indecisao, conceitos que explicam ainda
estar abaixo do senador do PMDB. O
indice de aprovagao A atual administra-
co estadual 6 alto, mas nao superior A
anterior de Jader, ambas ganhando con-
fianga por obras fisicas que realizam (re-
cuperacio de escolas e de estradas), jus-
tamente colocadas sob suspeigao por
superfaturamento e comiss6es paralelas
indevidas.
Num Estado tao pobre como o Para,
dispor de acesso ao tesouro piblico 6 um
fator cuja importincia nao pode ser su-
bestimada. A honestidade, que em Almir
contrast diante de Jader, nao 6 o sufici-
ente, entretanto, para provocar uma tra-
dugAo eleitoral equivalent. Os ganhos
para o Estado de uma eventual melhor
gestao dos recursos publicos que agora
se faz, nIo vai fazer a diferenga no con-
fronto entire Almir e Jader porque o se-
gundo 6 muito mais lider do que o pri-
meiro. Essa vantage se mede por caris-
ma, sagacidade, poder de iniciativa e pe-
netragao no Estado, elements que exce-
dem em Jader e escasseiam em Almir.
Provavelmente conscientes dessa rea-
lidade, os responsaveis pela candidatura
do govemador estio promovendo a mai-
or campanha publicitaria de que se tern
noticia no Para. Querem desfazer a im-
pressao dada por Almir ao eleitorado de
que nao cumpre o que promote e de que
nio 6 home de decision, as principals
deficiencias da sua imagem, conforme as
pesquisas. Naturalmente, o queestiverdis-
ponivel no cofre sera raspado para atrair a
adesao de politicos e cabos eleitorais, almn
de criar uma base de realidade para a in-
tensa mensagem publicitiria, que ja conta
corn a decidida (e reconhecida) adesao do
grupo Liberal, hoje o principal instrumen-
to de marketing da maquina official.
Sao esses os trunfos corn que contain


os almiristas para tentar tirar o primeiro
lugar de Jader. A duvida, porem, perma-
nece no ar: eles partirao mesmo para um
confront aberto ou ainda tentargo uma
composigio com o lider peemedebista?
A pergunta pode tamb6m ser feita em sen-
tido inverso. O que mais interessa a Ja-
der: compor com Almir ou enfrenta-lo?
Essas questoes slo postas como preli-
minares porque nenhum dos antagonistas,
sozinho, tern condices de veneer a elei-
4ao. E porque, provavelmente, nao haveri
definio no primeiro turno. Pelos errors
que cometeu, Heio
Gueiros no mais, Revival
ao menos tempora-
riamente, a maior 0 ltimo boato po
ameaca A reeleigio. pra-a, soprado de l
Se o efeito emocio- numa possivel co
nal momentfneo PMDB-PFL, a chap
persistir, ele teri rirdria tera Jader B
perdido de vez a como candldato ao g
possibilidade de ser Vic Pies Franc con
o candidate anti-Al- Heto Gueiros como
mir cor maior po- to ao senado Mas
tencial de vit6ria. desincompatnbiiari
Mas persiste sendo 2000 para ser nov
um fiel da balanca. candidato dprefjitur
Em fungio des- Ktm. Seu suplente.
sa circunstancia, pelo PMDB. subiria
crescem os boatos Seria UMa esp cle
sobre uma alianga a pena ver de nova"
PMDB-PFL. As e plorado. Para ass,
pesquisas mostram novo skculo, ao tucu
que a perda de vo-
tos para H6lio e Jader em consequ8ncia
desse at6 hA pouco tempo impensa-
vel reatamento 6 marginal em Bel6m
e nao tao significativo como se pensava
no interior. E ai que ha maior reacao, mas
talvez possa ser reduzida por uma api-
mentada campanha eleitoral em que os
dois dirijam sua artilharia contra um novo
alvo comum, o governador e seu grande
parceiro, o grupo Liberal (que, alias,
quando assumiu abertamente uma can-
didatura, sempre perdeu).
A escolha pr6via do PPB de Jarbas
Passarinho serviu para Almir Gabriel
precipitar a definigao de H6lio Gueiros,
fazendo-o nao s6 assumir sua candida-
tura ao govemo (que vinha sendo mon-
tada sinuosamente), como expondo o fi-
lho a um desgaste irreversivel, mas acar-

lais que inspirara"


retou-lhe mais perdas do que ganhos elei-
torais. Os entrevistados tem manifesta-
do maior reagio A alianca Almir-Jarbas
(talvez porque mais recent tenha sido o
antagonismo entire os dois) do que a um
acordo Jader-H6lio.
Se a propaganda, o uso da maquina e
denuncias de corrup9io contra o adversa-
rio ndo surtirem o efeito desejado, Almir
ja sabe que chegara ao 20 turno atris de
Jader. Repetir o fen6meno de 1994, quan-
do ele reverteu uma zebra num passeio so-
bre Jarbas, sera muito mais dificil. Pelo
simple detalhe de que Jader-
I 98 no padecera dos males de
Jarbas-94.
liico na 0 que provocara a passa-
Brasiia: gem das aproximagces as ali-
ligafVo angas, definindo-se o quadro
Smajo- da dispute? Evidentemente,
arbalho os entendimentos paroquiais.
overno, Mas tambem os interesses
o vice e nacionais. Jader Barbalho ar-
andida- riscou-se a sair em favor do
Helio .e president da Repiblica num
anoano moment em que o PMDB
amente inclina-se para uma candida-
a de Be. tura pr6pria. Tera influido
ndlcado nessa iniciativa a deliberagao
do senador Antonio Carlos
de "vale Magalhles de enviar os pedi-
* r'elsto dos de licenga para o proces-
inalar o samento de parlamentares di-
Pt" retamente ao plenario, atrope-
lando as comiss6es, onde os
acertos sio mais favoraveis ao "espirito
de corpo"? Cada vez mais deslocado do
epicentro da political national, estaria o
senador paraense procurando proteger
seu flanco mais exposto para descer A
planicie para uma campanha eleitoral
desgastante?
Ele poderi antecipar-se aos titubeios do
grupo do governador e assumir sua can-
didatura, nesse caso aliando-se outra vez
ao seu ex-correligionario, se nenhuma
proposta fascinante surgir do lado dos tu-
canos tropicais. Aproveitaria para confir-
mar, mais uma vez, aquela maxima do
futebol, de que o ataque 6 a melhor defe-
sa. Definido o quadro dominant para a
dispute eleitoral, restaria verificar se ha
um "outro" na political paraense, capaz de
introduzir nela um gosto de novidade.@


Excelente a concepglo de
usar o transport fluvial em Be-
16m. A Ctbel estA pondo em prA-
tica uma das id6ias, num acervo
pr6digo em proper, anemico em
executar. Se essa boa inspiragAo
tivesse said mais cedo e mais
vezes do papel, certamente nAo
teriamos canais pavimentados,


que servem para drenar Aguas
pluviais e servidas, mas sao inmu-
teis como vias de transport. Ao
inv6s disso, Bel6m seria, como
foi idealizado desde o s6culo 18,
uma Veneza amaz8nica.
Mas o projeto de uma linha
entire o centro e o campus uni-
versitario dificilmente avangarA.


HA apenas duas viagens de ida-
e-volta nos dias de semana, ex-
cessivamente demoradas, e um
imico barco a cobrir o trajeto.
Como a rota nao 6 voltada pre-
ferencialmente para turismo, dei-
xa de ser competitive com o
transport conventional, por
8nibus, ainda mais porque nao hA


conexAo com outras linhas em
terra para trazer passageiros e
atral-los pela tarifa. Precisaria
haver mais barcos (do tipo ho-
vercraft), mais viagens e inter-
modalidade, sem o que a boa
intenglo da Ctbel nao se susten-
tarA, apenas enriquecendo a his-
t6ria dos projetos a arquivar.O


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JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE NOVEMBRO / 1997 .


Funtelpa: escandalo sufocado.


Esta em vigor a lei do silencio


Alm deste JornalPessoal, queja hatres
nimeros trata do assunto, apenas a revista
Istod da semana passada mencionou (mas em
nota convenientemente rapida e ambigua) o
escandaloso convenio da Funtelpa com a TV
Liberal, assinado em setembro (ver JP 173
e 174). Nada na grande imprensa local.
Poderia parecer reagao 6tica, de concor-
rentes que nAo querem usar o fato para retali-
ar o adversario. Mas nao 6. Trata-se mesmo
de acomodagao oportunista: os que ficaram
de fora podem estar A espera de compensa-
qCo, seja nAo a receberam. O Pard da d6cada
de 90 se distingue da Chicago da ddcada de
20 (remember Al Capone) pelo frio, aquiine-
xistente. Nos diversos escaninhos e camadas
do poder, quando nao ha uma panelinha ou
uma gangue em aqAo, 6 mafia pura.
Ao contrario, o sil8ncio acumpliciador 6
que se constitui fato inusitado: como o con-
venio 6 francamente lesivo ao interesse pu-
blico, a obrigaqco da imprensa seria denun-
cia-lo, ou ao menos noticia-lo para conheci-
mento de um pfiblico mais amplo do que o
do restrito circuit deste JP. Se a imprensa
nao o faz, as outras representaq6es da socie-
dade deveriam substitui-la nessa tarefa.
Mas nem politicos (nao 6 um bom tema
para CPI?), nem o Ministdrio Pfiblico (fiscal
da lei e autor da a9ao penal, com iniciativa
em aqao civil pfiblica), nem organizaqBes ci-
vis ou individuos (que poderiam patrocinar
agco popular) e, especificamente, o Tribunal
de Contas do Estado (que poderia realizar
inspecao extraordindria) tomam iniciativa
alguma.
E o comply do sil6ncio. Todos parecem
temer o rei da taba, que faz sua imagem ocu-
par, em c6res, pagina inteira do seu journal,


repetida por toda a semana. Haja narcisis-
mo. Mas se o Haiti 6 aqui, viva Baby Doc.
Essa conivEncia tacita acoberta um crime.
A televisao de cultural, uma opcao dos cida-
daos a TV commercial, foi ferida de morte no
Pard. Sua rede de retransmissao de imagens
vai servir de canal para uma programacao
massacrantemente commercial. Episodicamen-
te, a TV Liberal poderA abrir espago para
uma mensagem educativa e para o que res-
tar da programagao da TV Cultura. A maior
parte desse espago, entretanto, sera ocupa-
da por propaganda pessoal e eleitoral do
governador do Estado.
Na quinta-feira da semana passada, as
pessoas presents ao audit6rio do Centur,
sede da cultural official do Estado, artificial-
mente inflada, tiveram, sem haver essa in-
tencionalidade, uma avaliaqco da extensao
do dano praticado pelo governador Almir
Gabriel ao patrocinar o ato. Fazendo a apre-
sentagio de seu fultimo livro (O Poder, cad&
o poder?), Emir Sader disse que uma de suas
esperangas de democratizacao do poder 6 a
TV Cultura de Sao Paulo.
Mesmo corn seu orgamento estacionado,
ha dois anos, em 24 milh6es de reais (para
n6s, valor fantAstico), a TV Cultura paulista
mantdm um alto nivel de programaqao. En-
tre 18 e 20 horas s6 perde para a Globo, sem
precisar de apelaqao commercial. Mas em Sao
Paulo a TV Cultura 6 protegida por um con-
selho, relativamente infenso ao absolutismo
governmental. Esse conselho, se nao con-
segue melhorar o orgamento da televisao,
protege-o de cortes. Nao 6 s6 bens materials
que o Estado tern que devolver a sociedade,
agora mais do que nunca obrigado a essa
pluridimensao.


Mas aqui o governador 6 o virtual dono
da Funtelpa e um soba da televisao. A emis-
sora nao tem a menor resistencia A injuncio
political, nem conta com a mediaqao de um
conselho para garantir seu compromisso corn
a saAde mental do povo. Conforme seu teor
etilico, o entao governador Hdlio Gueiros
metia a mao na programaqco. Jader Barba-
Iho usou-a para o eficiente marketing do se-
gundo mandate, que imunizou o negativis-
mo da associacao do seu nome A dilapidacao
do erario, montando a imagem do adminis-
trador eficiente, que trabalha, a despeito de
tudo (e continue recebendo at6 hoje os divi-
dendos dessa iniciativa).
Mas nenhum deles chegou ao cimulo de
cinismo da administraCqo Almir Gabriel, que
estavirtualmente liquidando a TV Cultura, sem
choro nem vela, sequeruma noticia amarela na
imprensa. E precise que um professor venha
de SAo Paulo para registrar, por um paralelis-
mo desintencional, a gravidade da lesao come-
tida sob nosso congestionado nariz moral.
Alem disso, sem realizar licitagAo pfibli-
ca, o governor fechou um contrato publicitA-
rio no valor de 12 milh6es de reals com uma
inica empresa privada de comunicaqio, as-
segurando-lhe receita fixa mensal de R$ 200
mil ao long de cinco anos. E, provavelmen-
te, o maior contrato publicitArio ja firmado
por um governor em toda a hist6ria do Para.
Duvido que haja um contrato desse porte no
setor pfiblico no pais neste moment com um
mnico veiculo de comunicagao. O paraense
deixou de engolir mosca: esta engolindo ele-
fante voador (que nao 6 o ing6nuo Dumbo).
Quando tucano quer poder, paga qual-
quer preqo. Ate cor sacrificio da pr6pria
biografia. 0


Logo depois de ter dado uma
entrevista aos veiculos do grupo
Liberal em Brasilia, atacando
violentamente o deputado fede-
ral Vic Pires Franco, protegido
da casa, o ministry das Comuni-
ca96es, S6rgio Mota, telefonou
para Romulo Maiorana Jr., em
Beldm. A secretAria do principal
executive da empresa informou
que ele nao estava. O ministry
perguntou se havia uma secreta-
ria eletr6nicapara ele gravar uma
mensagem. E gravou-a: iria es-
perar a resposta que a empresa
daria a sua entrevista, se desse
uma resposta, para se manifes-
tar novamente.
Depois, talvez temendo que a
mensagem nao chegasse a tempo
ao destinatArio, o ministry fez


outra ligaqAo. Dessa vez, conver-
sou com uma das irmis de Romi-
nho, tambem diretora da empre-
sa. Repetiu o recado, corn nfa-
se: queria ver a entrevista no dia
seguinte e de que maneira a em-
presa se manifestaria a respeito.
A entrevista do truculento
Serjao foi reproduzida nojornal
e na televisAo. Sem comentAri-
os. Sob ajurisdicqo do ministry
estao a concessAo de canais as
emissoras de radio e televisao e
a privatizagao do sistema Tele-
bras (o grupo Liberal 6 candida-
tissimo a compra da Telepara).
Na entrevista, o ministry, amigo
e s6cio do president da Repfi-
blica disse que o deputado do
PFL paraense s6 o procurava
para tratar de assuntos particu-


lares e fazer lobby (especialmen-
te para os Maiorana), nunca pe-
los interesses do Estado. Mas
como era "intrigante", a porta do
gabinete do ministry das Comu-
nicaq6es passava a ficar fechada
para ele.
A quarta meia pagina publici-
taria de Vic Pires Franco (um
teleprompter impresso posto A
sua disposicgo) saiu no domin-
go seguinte. Desta vez, nao mais
em O Liberal, que abrigara as
tres inserq6es anteriores. Surpre-
endendo os desavisados leitores,
a pega publicitAria foi publicada
no Didrio do Pard. Vic saudava
Hdlio Gueiros Jr. pelos atos pra-
ticados como governador interi-
no, sobretudo o suposto ataque
a Companhia Vale do Rio Doce.


Esse teria sido apenas um ar-
ranjo de conveni8ncia? Talvez
nao. Os Maiorana foram infor-
mados que Vic teria contactado
as redaq6es brasilienses de Veja
e Isto6, oferecendo informag6es
sobre o escandaloso conv8nio
Funtelpa/TV Liberal (que, final,
saiu na segunda revista). A rea-
cqo no palAcio dos funds do
bosque foi furiosa, culminando
um desentendimento que ocor-
rera, jA antes, entire Ronaldo Mai-
orana e o deputado federal do
PFL. Ele estaria pulando de vez
a muralha?
Business as usual, diria um
americano sobre o epis6dio. Ou,
como prefereria o caboclo: embri-
ga de brancos, os brancos que se
entendam. Se ainda seentendem.


Prime^irH u







4 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE VOVEMBRO / 1997


Cobre:


agora, mais do que palavras?


Quando o govemador Almir Gabriel
esteve intemado no Instituto do Cora-
co, em Sao Paulo, no mrs passado, o
president do Conselho de Administra-
9co da Companhia Vale do Rio Doce,
Benjamin Steinbruch, apareceu por 1d
corn uma corbeille de flores na mio e
um anuncio radioso nos labios: o pro-
jeto de.cobre da Salobo Metais, que al-
guns ja avaliam em dois bilh6es de d6-
lares (comegou corn US$ 1,2 bilhdo),
ficaria mesmo em Marabi.
A revelagao seria um valiosissimo
present de convalescenga, se tivesse
sido para valer. Mas Steinbruch nio re-
tornou ao assunto na semana seguinte,
nem na posterior, e nem ate agora, ao
contririo do que havia prometido. E
tudo voltaria a ser nada mais do que um
castelo (rococ6, talvez) de palavras se a
populagco de Maraba nao tivesse blo-
queado a ferrovia de Carajis durante 48
horas, na semana passada, radicalizan-
do atos de protest contra a indefiniio
do empreendimento, que vinham sen-
do realizados inocentemente atW entao.


Embora a manifesta9go fosse anun-
ciada com antecedencia, a CVRD s6
tomou uma iniciativa na vespera, quan-
do tentou obter um interdito proibit6-
rio na justiga de Maraba. Talvez nao
acreditasse que o bloqueio da ferrovia
se consumasse. Rejeitada em duas in-
vestidas (s6 num terceiro moment a
juiza Maria Laudelina Oliveira autori-
zou o uso de forga policial para liberar
a ferrovia), a empresa teve que nego-
ciar cor os lideres do movimento.
Desta vez, enviou a area o pr6prio di-
retor do Sistema Norte (cargo recente-
mente criado e instalado em Sdo Luis,
no Maranhao), Juarez Saliba Avelar.
Dos entendimentos resultou uma
agenda de reunites, a serem realizadas
em intervalos de 45 dias, a primeira de-
las nesta quinta-feira. Os encontros se-
rio sempre em Maraba, tendo a comu-
nidade local como a principal interlo-
cutora. Foi um avango. Mas significa
tamb6m que as garantias dadas por
Steinbruch, alardeadas com estrondo
pelo grupo Liberal (hoje o principal


porta-voz do governador), nao passa-
ram de relagbes publicas.
Na melhor das hip6teses, segundo as
pr6prias fontes da Vale ouvidas na se-
mana passada durante a ocupagao da
ferrovia, uma definigao sobre a locali-
zagdo ainda levari mais um ano. Mas
essa questao depend de outras preli-
minares, como a nova forma associa-
tiva e a pr6pria jazida a ser utilizada,
que pode deixar de ser a do Salobo e
passar a ser a do Igarap6 Bahia.
Se bem assessorados e competentes,
os negociadores locais da CVRD po-
derao, pela primeira vez, reunir infor-
maa9es suficientes para separar as di-
ficuldades reals, que impedem o anmn-
cio de uma decision final, do malaba-
rismo verbal apresentado diante de in-
terlocutores menos exigentes, que sem-
pre tomam uma promessa como mote
para propaganda, se ela Ihes convem.
Talvez a hist6ria do Salobo tenha en-
trado em uma nova etapa. Mas, como
sempre, e precise conferir antes de
acreditar. *


A profilaxia da informagao


Sei que o Tribunal de Comas pode
alegar que so age provocado. Mas
como o president, Nelson Chaves.
declara compromisso cor um novo
padroo de qualidade no 6rgAo, bem que
poderia designer uma equipe 4Ccnica
para vistonar a publicacfo de contra-
tos e convinios da administranFo esta-
dual. O minimo que se exige e que eles
sejam como se diz no patoa da moda
- transparentes. Ou seja. contenham
informacbes suficientes para o cidadio
saber do que tratam, fiscalizando a apli-
caco do seu dinheiro.
HA documents exemplares, que po-
deriam servir de padrao, mas. infeliz-
mente, sho, cada vez mais, a exceio.
Nominam os participants, especificam
o objeto em causa, expressam os valo-
res envolvidos, indicam a rubrica or-
9amentiria e tipificam a operacqo. Mas
outros sonegam, por esquecimento ou
sagacidade, dados fundamentals, como
o valor do contrato ou convanio.
Alem do mais, cresce em abusivi-
dade a dispensa de licita~io. A lei nao
chega a ser exatamente contrariada (unm


advogado esta sempre a nmco para ran-
gencia-la). mas a enca e a moral estIo
sendo dcixadas de lado. O Itmile para a
licitaco public e respeitado. No entan-
to, o bonm senso e a decencia recomen-
dariam a realizaco do procedimento li-
citat6rio. Como o go\erno dJee. alem
de ser legal. ter legtmnudade. con\inha
ser chaniado a ordem quanto a mconm e-
niencia de fazer contrataqo direta. Mes-
mo onde nao haja degalidade ou ma-fe,
e precise que os extratos dos atos ofici-
als tragam justificaqdo fundamentada
para a dispensa de licitaqAo, ao mnv6s de
simplesmente enuncia-la.
Um exemplo ilustrativo. O Diario
Official da semana passada publicou
dois contratos da Secretara de Educa-
qio, ambos com dispense de hicita~io,
um no valor de R$ 303 mil e outro de
R$ 323 mil, para o fornecimento de
passagens areas. Segundo uma fonte
do setor, esse for uni arranjo, que a lei
admite, para concluir um contato ainda
em andamento, que foi suspense por-
que a Seduc nao estax a efetuando os
pagamentos devidos Teria havido car-


ta-convite, mas apenas as duas empre-
sas habilitadas ter-se-iamapresentado,
naturalmente por aceitarem o atraso no
pagamento. Mas no extrato do contra-
to esti assinalado apenas a dispensa
de licitaqao, o que pode levar os lei-
tores do D. 0 a tomar gato por lebre
Final. o neg6cio de agencias de via-
gens e concoridissimo.
Fiel a sua missao, o TCE poderia
baixar regulamento, mstruqio norma-
tiva. ou seja la qual for o document
competence, impondo um padrAo obn-
gatorio. Assim, permitirA que o mortal
cidadio possa, pela leitura do Diirio
Official. ser tambem um fiscal dos atos
da admimstraqio pilblica, como quer
a Constituigao em vigor. Para o bem
de todos e felicidade geral da naaio,
excetuados os que fazem da sonega-
cio de informacqes urn minstrumento a
serviqo da dilapidaiAo do tesouro. Da-
se tambem mais um pass na salutar
direqio de separar o joio do trigo no
desigual plantio do servigo ptiblico,
distinguindo quem age corretamente e
punindo os maus servidores do povo.







JOURNAL PESSOAL 2* QUINZENA DE NOVEMBRO / 1997 5


Ao custo de um bilhao de d6lares, a
hidrel6trica de Balbina entrou em funci-
onamento no meio da d6cada de 80 como
a solug9o para a crise no abastecimento
de energia de Manaus, a segunda maior
cidade da Amaz6nia. Mas agora em no-
vembro a capital amazonense completou
o 110 m8s sem energia para tender a
mais de um tergo do seu consume.
Com produgao em crescente declinio
por causa dos problems ambientais que
provocou na bacia do rio Uatumi, Bal-
bina mal vinha conseguindo tender me-
tade da demand da Zona Franca. Obri-
gou o governor a ampliar o parque t6rmi-
co (que ela deveria ter aposentado) e a
construir uma linha de transmissao para
trazer energia da Venezuela. A forte es-
tiagem causada pelo El Niiio fez o pro-
blema se agravar ainda mais. A justiga
foi acionada para forgar a Eletronorte a
pagar uma multa pelo racionamento im-
posto pesadamente a cidade.
Por envolver diretamente mais de 1,2
milhao de pessoas e prejudicar o maior
parque industrial da regiao, o problema
em Manaus ter mais impact. Esta no
Para, entretanto, o paradoxo maior da
atual crise amaz6nica de energia. A con-
di9go do Estado, de terceiro maior ex-
portador de energia do pais, nao evita o
constrangimento de vArias sedes muni-
cipais estarem sofrendo rigorosos racio-
namentos ou totalmente as escuras, in-
clusive Santar6m, a segunda maior cida-
de.
A situacgo de Santar6m 6 exemplar
dos absurdos e irracionalidades da poli-
tica energ6tica tragada para a Amaz6nia
a partir do regime military. A cidade abri-
ga uma hidrel6trica, a de Curua-Una,
construida cor tecnologia de ponta, so-
bre areia. Das quatro maquinas, apenas
tris foram instaladas. A que falta adici-
onaria 10 megawatts ao sistema (con 30
MW nominais instalados) e, em condi-
96es ideas, poderia eliminar o deficit
existente, de 8 MW.
Se aritmeticamente a questdo estaria
resolvida com a instalagao da quarta tur-
bina na casa de maquinas, na pratica Cu-
rud-Una se defasou. O desmatamento nas
margens do reservat6rio e ao long do
rio tem provocado assoreamento, redu-
zindo progressivamente a disponibilida-
de de Agua. Logo a tomada de agua esta-
rd afetada. Assim, talvez j nem compen-
se instalar a quarta miquina. Mas nao 6
s6 isso: a hidrel6trica, com geragao li-
mitada, ha alguns anos vem funcionan-
do como inibidora do consume, A ma-


neira de outra usina, a Coaracy Nunes
(ou "Paredao"), no AmapA, principal-
mente da demand industrial.
Esses problems sao muito bem conhe-
cidos no setor, mas as saidas foram deixa-
das de lado, a espera da anunciada privati-
zagio. O "empurrar-com-a-barriga", que
constitui uma das especialidades da tec-
noburocracia official, por6m, nao conciliou
seu timing cor o efeito retardado da bom-
ba, cujo mecanismo continuous em a9go.
A explosao esta ocorrendo antes do tem-
po desejavel pelos arquitetos da privatiza-
95o.
O fim dos racionamentos e blecautes na
regiao Oeste do Estado s6 pode ser pensa-
do para o final do segundo semestre do
pr6ximo ano, numa hipotese exagerada-
mente otimista, cor a nova linha de trans-
missao de Tucurui. A obra, anunciada corn
custo de 280 milhhes de reais, certamente
custard mais e podera empacar nas pr6pri-
as armadilhas da privatizagao.
E que a Eletronorte-Transmissao (a sur-
gir emjaneiro, desmembrada da Eletronor-
te-Geragao/Distribuigao e excluida da pri-
vatizacao, por alegada "razao de Estado",
cor a finalidade de transformar-se em ins-
trumento de regulagao official do merca-
do) s6 garantirA uma parte do percurso, de
Tucurui a Altamira. O restante 6 tarefa da
Celpa.
Mas qual Celpa? Com quais recursos?
As empresas sucessoras na privatizagao
serao compostas na moldura estadual de
que maneira? Essa 6 a privatizagao menos
sentida e at6 mais desejada pelo cida-
dao paraense. A Celpa tem sido um dos
exemplos mais definitivos do carter pre-
dat6rio das elites locais, daquelas com
acesso ao poder politico. Como 6 que uma
empresa que recebe seu produto do fome-
cedor a R$ 27,23 o MW/h e o repassa ao
consumidor a R$ 97,83 esse mesmo MW/
h consegue ter prejuizo, acumulando a for-
midAvel divida que ostenta em seu passi-
vo? Esse inaceitavel d6bito 6 a consequ-
6ncia de sucessivos governor daninhos,
que se expandiram diante de uma opiniao
piublica fragil e manipulando um corpora-
tivismo irreal.
A Celpa, por isso, podera ser privatiza-
da a prego de banana e o future do consu-
midor nao privilegiado no dia seguinte vai
ser incerto e nao sabido. Teve-se uma
avant-premiere em setembro, quando a
CDI (Companhia de Distritos Industriais)
vendeu suas aq6es da Celpa e s6 atraiu um
comprador, que pagou R$ 3,10 por lote de
mil ac6es. No mesmo dia o lance vence-
dor no leilgo da Coelce (Companhia Ener-


A energia e nossa,



o consume e deles


g6tica do Ceari) foi de R$ 5,20 pelo lote
de mil a9oes.
A diferenga 6 que a Celpa perde 29,7%
de energia entire o recebimento do gera-
dor e o consumidor, o maior indice nacio-
nal. A perda da paulista CPFL, a iltima
energ6tica a ser privatizada (e a que ter o
melhor indice), 6 de 5,8%.. A da Coelce 6
de menos da metade do da Celpa, ou
13,3%.
A pr6xima estatal que vai a leilao, no
dia 3, 6 a Energipe. Ela 6 responsavel por
80% da energia consumida em Sergipe,
seu valor 6 de quase R$ 300 milh6es e o
agio s6 nao atingira um indice compativel
corn o interesse que esta provocando
(CVRD, Coelba e grupo Vicunha estao na
dispute), porque sua perda de energia 6
considerada alta. De quanto 6 essa perda?
De 15,5%, quase metade do que perde a
Celpa. A Energipe compra o MW/h a R$
32 e o vende a R$ 87 (uma relagao R$ 15
menor por MW/h do que a da Celpa).
Isto quer dizer que a Celpa sera vendi-
da barato e quem compra-la, libertado das
amarracoes espilrias impostas a empresa,
terA um potential de lucro fantAstico. Se
nao for obrigado a um reinvestimento em
sistemas isolados, evidentemente que fi-
cara no sistema integrado, como ja esta
definido no modelo de privatizag5o. Ou
seja: exceto pelos casos especificamente
atraentes, o interior continuara dependen-
do do governor para nao acordar e dormir
as escuras.
E o que pensa disso o governor? O fede-
ral ja tem a sua estrat6gia montada. Na
pr6xima d6cada a Amaz6nia devera pas-
sar A frente do Parana e Minas Gerais, tor-
nando-se o principal Estado exportador de
energia do Brasil. Para isso, Tucurui, de-
vidamente privatizada, sera duplicada.
Mesmo antes do inicio dessas obras de
elevagao da capacidade de geraq5o da usi-
na, duas novas linhas de transmissao na
diregao sudeste e nordeste ja estao em an-
damento. Uma, de US$ 600 milh6es, trans-
ferira 600 MW para a regiao Sudeste.
Outra, de US$ 450 milh6es, desviara mais
1.000 MW para o Ceara, elevando para
2.100 MW o total de energia de Tucurui
utilizada pelo Nordeste.
Diante desses valores, o que represen-
tam os 38 MW de Santar6m, ou os 15 MW
de Itaituba? "Detalhes", 6 claro. O que o
Pard conseguir de sua pr6pria energia sera
como sobra, ou por efeito gravitational. A
energia de Tucurui podera ir a Santar6m e
Itaituba, mas o governor federal s6 se res-
ponsabiliza por ela at6 Altamira, onde pre-
tende retomar o projeto das grandes hidre-
16tricas no Xingu, com as quais, por exten-
sas linhas de transmissao, pretend gerar
energia para o centro consumidor priorita-
rio, o Sudeste (e mesmo o Nordeste) mais
desenvolvido, quando o Tocantins estiver
exaurido. Amaz6nia, no entendimento de
Brasilia, rima ainda que pobremente cor
provincia, sobretudo energetica. 0







6 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE VOVEMBRO / 1997




Nao existe paraiso



debaixo do Equador


Este e um texto escrito "no calor da hora "para suprir minha ausencia

num encontro da Unicef realizado na semanapassada em Salvador, na

Bahia. Comopode interessar a ptblico mais amplo, public aqui.


O Para 6 o segundo Estado
mais extenso do Brasil e
o 9 em populacgo. E o
quinto maior produtor de
energia do pais e o tercei-
ro que mais export ener-
gia para fora dos seus limits, abaixo
apenas do Parana e Minas Gerais. E o
sexto Estado exportador da Federaqao e
o segundo em producgo mineral. Fica em
11 lugar por arrecadacao de ICMS, mas
cai para 170 lugar em desenvolvimento
human.
Segundo o levantamento realizado pela
ONU em 1991, quando pela primeira vez
foi aplicado o IDH (Indice de Desenvol-
vimento Humano), o Para faz parte do
"terceiro Brasil", o mais pobre de todos.
Ele e formado pelos Estados nordestinos
mais pobres acrescidos de apenas dois Es-
tados da Amaz6nia, o Para e o Acre. As
demais unidades federativas amazonicas
fazem parte do Brasil intermedidrio.
O que acontece com o Para? Seis em-
preendimentos produtivos e de infraes-
trutura de grande porte (a extraqao mi-
neral em Carajis, o p6lo de alumina e
aluminio de Barcarena, a mineragao de
bauxita no Trombetas, o complex in-
dustrial do Jari e a hidrel6trica de Tucu-
rui) representam um investimento reali-
zado de quase 15 bilh6es de d6lares.
Todos estao em plena operaaio. A hi-
dreletrica de Tucurui 6 a maior inteira-
mente national. Carajas 6 a maior mina
de exportadao de ferro do planet, assim
como a de bauxita do Trombetas. As fa-
bricas de alumina e aluminio sao as mai-
ores do continent.
Gragas a todos esses investimentos, a
Companhia Vale do Rio Doce, sozinha
e atrav6s das empresas associadas, fatu-
rou no Estado mais de 1,5 bilhao de d6-
lares no ano passado, bem acima da pr6-
pria arrecadacao tributaria do Para. O
Estado assegurou 15% de todo o consu-
mo de aluminio e min6rio de ferro do
Japao, o principal pais do com6rcio ex-
terior paraense, mesmo situado a 20 mil
quil6metros de distincia.


O Pard 6 o terceiro maior produtor de
bauxita do mundo, o maior exportador
de min6rio de ferro que se conhece (no
ano passado enviou 54 milh6es de tone-
ladas, superando Minas Gerais pela pri-
meira vez), tambem o terceiro maior pro-
dutor de caulim (uma argila usada para
o revestimento de pap6is especiais), o
sexto maior produtor de ouro e, se rece-
ber um investimento de US$ 1,7 bilhao
que vem sendo anunciado pela Salobo
Metais, em cinco anos garantira o supri-
mento de toda a necessidade national de
cobre, podendo at6 passar a figurar en-
tre os maiores do mundo nesse setor.
Mas por que, a despeito de todo esse
elenco de grandiosidade, a realidade do
Para 6 tao paradoxalmente pobre? Prin-
cipalmente por dois motives. Em primei-
ro lugar, porque a riqueza que esta sen-
do mais intensamente explorada fica no
subsolo. Sao os minerios, dos quais o
Estado e de uma riqueza tao excepcio-
nal que s6 pode ser comparado a paises
tradicionalmente mineradores, como a
Africa do Sul e a Australia no mundo
tropical, nao por coincidencia cor es-
truturas geol6gicas semelhantes.
Minerio nao enriquece nin iuem, prin-
cipalmente no nosso mundo atual, im-
pulsionado pela "quarta onda" de mate-
riais. E precise agregar valor a essa ati-
vidade meramente extrativa. O Para, en-
tretanto, nao passa de produtor de bens
primarios, de baixo ou nenhum valor
agregado. Ha 18 anos, s6 num desses
polos definidos durante os governor mi-
litares para promover a acelerada ocu-
pagao da fronteira amaz6nica, o Para
vem produzindo, em fabricas que se dis-
tanciam entire si 200 metros, no Jari, ce-
lulose e caulim.
Celulose mais caulim result em pa-
pel, que represent valor agregado bem
maior do que as receitas de caulim e ce-
lulose superopostas. Mas garante-se que
produzir papel 6 inviavel em um Esta-
do tao distanciado dos principals cen-
tros consumidores. Por isso, a CPRM
esti licitando a maior jazida de caulim


e ningu6m se incomoda com a perpetu-
agco do contrast. Quando o papel, nin-
gfiem sabe.
O Para export quase integralmente
lingotes de aluminio. Desde 1973 foram
sendo fechadas as metalirgicas no mun-
do desenvolvido, que nao conseguiriam
sobreviver com os novos custos de ener-
gia. O primeiro mundo transferiu para o
terceiro a responsabilidade (e o custo, tra-
tando-se do produto mais eletrointensi-
vo que existe) de gerar o metal prima-
rio. Ha 12 anos o p6lo de aluminio de
Barcarena limita-se a embalar energia
com minerio e enviar o produto para o
Japao, onde ele 6 desdobrado em artefa-
tos industrials e ganha valor.
O mesmo acontece cor o minerio de
ferro, que s6 vira ago nas usinas do com-
prador, situadas muito long das costas
paraenses. Um produto intermediario_:'
gusa, tem ainda o inconvenient de
corporar humus retirado da delgada
mada de fertilidade natural do solo.,
z6nico e contribuir para a expansact
desmatamento, mantendo-se nas relaciY.
de troca por nao incorporar aos sevt,.
culos o valor desse prejuizo (6 pt
que, hoje, s6 o Brasil produz gus
de carvao vegetal). b
E o que dizer do quartz, apenas ...
do para virar silicio metalico e ser6,i4,
do pela indilstria eletroeletr6nica, ;: A
formando-se entio em rel6gio e chipjak
computador? Neste caso, a Amaz6" .
encontra-se, literalmente, na idade dL
pedra lascada.
Assim, o grande valor economic.
sera incorporado ao produto quas
natural, exceto pela adigao de entL
el6trica (desafortunadamente, sem.4.
ceber o valor real de custo), no territ6-
rio do comprador. A inexistencia do
beneficiamento in situ tem seus danq-
sos efeitos agravados pela "especial-
zagao" imposta ao Para via "mode
lo de desenvolvimento econ6mico de-
sequilibrado corrigido", definido no II
PDA (Plano de Desenvolvimento da
Amaz6nia), 1975/79, apesar de tudo







JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE NOVEMBRO / 1997 7


em vigor ate hoje de ser um centro
produtor de exportag~o.
Gerando US$ 2,2 bilh6es de receita
cambial no ano passado, o Para contabi-
lizou "superavit" de US$ 1,8 bilhdo. Mas
nesse mesmo ano a Zona Franca de Ma-
naus fez importaq5es no valor de US$
3,1 bilh6es, que contribuiram para o seu
faturamento, de US$ 14 bilh5es. No en-
tanto, essa zona franca somente expor-
tou US$ 200 milh6es, menos de 2% da
sua receita.
Ou seja, enquanto o Para 6 a mina de
mat6rias primas e insumos basicos para
a indistria transformadora interacional,
a Zona Franca de Manaus e o biombo
usado para penetrar no mercado nacio-
nal com produtos beneficiados, num es-
quema perverse de comprometimento do
present e do future da regiao.
0 present sacrificado pela dilapida-
9do dos bens da natureza ja definidos
como econ6micos. O future comprome-
tido nesse meio-tempo pelo descaso em
relacao aos recursos seguintes, origina-
rios da biodiversidade tropical, tesouro
sobre o qual v8m se langando os pesqui-
sadores, nem sempre academicos, e j as
empresas (como os asiaticos sobre a
madeira).
O descaso que leva a sub-utilizadao
dos recursos naturals e criminoso. Du-
rante 10 anos o Para foi o terceiro maior
produtor mundial de bauxita e o maior
produtor continental de aluminio, mas
nao produzia o bem intermediirio, a alu-
'mina. Tinha que importar alumina para
.istecer a Albras porque o projeto-g8-
.., da Alunorte, em fungao de um
'ping da Alcoa, ficou parade. A con-
iaencia 6 que desperdigou-se 2 bilhoes
16lares nesse period importando alu-
Dinheiro que foi realizar seu efei-
tiplicador al6m das fronteiras na-

lumping foi praticado apesar de,
-le moment, ser estatal a CVRD.
e acontecera a partir de agora, corn
.s estrat6gica das empresas da Ama-
nia integrando um cartel privado? Isto
-Atamente quando a empresa esta em


vias de confirmar o dominio sobre jazi-
das insuspeitadamente grandes de cobre
e de ouro em Carajas.
A Amaz6nia 6 uma fronteira aberta A
pirataria. Mas 6 um equivoco deduzir
dessa fragilidade, por uma visao canhes-
tramente geopolitica, que a solugao esta
em iniciativas como o Sivam (Sistema
de Vigilincia da Amaz6nia). Um resu-
mo da hist6ria de mais esse mega-proje-
to, filho novo de uma mesma safra, 6 o
suficiente para revelar as distor96es das
political piblicas na regiao.
O Sivam foi motivado por manobras
conjuntas militares lideradas pelos Esta-
dos Unidos. Essas operaqces foram rea-
lizadas no territ6rio da Repfblica Coo-
perativista da Guiana. No regime mili-
tar, a Guiana era vista como cabera-de-
ponte de Cuba para penetrar na Amaz6-
na. Poucos anos depois virava fantoche
dos EUA. O Brasil, convidado, nao com-
pareceu. O governor Collor apresentou,
entao, para a sociedade, o Sivam, criatu-
ra criada nos laborat6rios da geopolitica
ao long de cinco anos.
Sua inspiraao mais retomota era o
Projeto Calha Norte. O primeiro presi-
dente civil p6s-64, Jose Sarney, editou-
o cor base na doutrina de seguranca
national, que, na Amaz6nia, sobrevivia
assim a passage do regime military para
a Nova Repiblica. Itamar Franco, suces-
sor de Collor, convocou o Conselho de
Defesa Nacional substituteo do extinto
Conselho de Seguranca Nacional, de tris-
te mem6ria, reunido apenas duas vezes
ate agora, em todas elas para tratar de
Amaz6nia), e, cor esse referendo, dis-
pensou a concorrencia pfiblica previa
para a execugio do Sivam. Alegava-se,
ainda que difusamente, que as tropas ja
deviam estar atravessando a fronteira.
O Sivam, que inicialmente custaria
US$ 500 milh6es, teve seu contrato assi-
nado por US$ 1,4 bilh~o. Como se sabe,
o president dos Estados Unidos foi o
primeiro a ser oficialmente notificado do
resultado da carta-convite, que selecionou
a norte-americana Raytheon. Se o orCa-
mento nao for estourado, em cinco anos


serao gastos recursos que correspondem
a 20 anos de verba de ci8ncia e tecnolo-
gia na Amaz6nia. O Sivam, um projeto a
margem da comunidade cientifica, tendo
sido criatura da doutrina de seguranga
national, permanece cor essa roupagem
te6rica ate hoje. Seu gerenciamento 6 fei-
to por 6gaos militares. A "constituigio-
cidad" de 1998, ao que parece, ainda no
chegou a Amaz6nia.
Nao surpreende, assim, a convivencia
promiscua de tantos contrastes nesse su-
posto Eden, que deveria ser o paraiso
fundiario, tendo se transformado, entre-
tanto, no locus contumaz do conflito de
terra, em geral sangrento. Esa vastissi-
ma fronteira, na qual o colono nao passa
de posseiro, atravessada por gigantecas
torres de alta tensao levando energia para
trampolins de lancamento de riquezas
energizadas para o exterior, e pela qual
trafegam velozes trens de minerios cor-
tando a paisagem ocupada por primiti-
vos garimpeiros, indios, madeireiros, um
mundo social parade no tempo, exclui-
do dos prospects de sonho que, nem
sempre, sao mais do que fantasia publi-
citaria.
Dai invas6es urbanas records, como
a do Paar, em Belem, elevadissimo indi-
ce de prostiuicgo infantil, criangas fora
da escola, doengas medievais, baixa ex-
pectativa de vida, criminalidade em ex-
pansao (inclusive o narcotrafico), enfim,
o IDH de ultimo mundo no Brasil.
Nessa "fltima pagina do Genesis",
como a viu Euclides da Cunha quando
o s6culo comegava, a desorganizaqCo e
o caos, o garrancho da criagao que fi-
cou delegada por Deus aos homes, 6 o
trago maior quando o s6culo chega ao
fim e um novo esta prestes a se iniciar.
Novo mesmo? E para quem? E a per-
gunta que a Amazonia se faz, tensa e
ansiosa, na esperanga de conseguir a
solidariedade de todos para encontrar a
verdadeira resposta e um novo caminho.
Um caminho que a reconcilie com sua
hist6ria, a seu serving. colocando-a a
altura da honra de encerrar a cria9go
neste planet azulado. 0


"- kpesar da propaganda em
.ntrario e das notas planta-
das na imprensa, a I Feira
Pan-Amaz6nica do Livro foi
--m fracasso. Nao por falta
de bons stands e de investi-
'mento pelos expositores. A
campanha publicitaria pr6-
via concentrou-se no event
paralelo, o I F6rum Pan-
Amaz8nico, a "menina dos


olhos" do principal promo-
tor, o secretario de Cultura,
Paulo Chaves Fernandes.
Quando, por pressao dos li-
vreiros, as veiculac6es na
televisao passaram a se re-
ferir claramente A feira de
livros, varios dias ja haviam
sido desperdiCados. A divul-
gacao, al6m disso, colidiu
com o pacote de medidas


restritivas ao consume do
governor federal. E nao foi
acompanhada por mobiliza-
c0o nas escolas, ao menos
para criar uma rota migrat6-
ria para o event.
Foi a sopa no mel para
vendas fraquissimas e dias de
mostra de livros sem puibli-
co atW mesmo para ver o ma-
terial exposto. Livreiros de


fora prometem nunca mais
vir a Bel6m. E se a feira era
um pass para a implantagao
de um Merconorte cultural,
na fantasiosa ret6rica do seu
inspirador, esse caminho foi
demarcado como se fosse de
Joao e Maria: com migalhas
de pao, que o passarinho (no
caso, um gaviao de vaidade)
come. 0









Santa Engracia
Este ponto ja esra fora de diNida: se Almir Gabriel
nao for reeleito, a conclusio da macrodrenagem das
baixadas de Belem. o maior invesumento na capital
paraense em nuitos anos, ficara para a nova
admniustra.ao. a quarta a se suceder em oito anos,
desde que o empreendimento for iniciado
Apesar de todos os esforqos nesse sentido, o que o
fez reMindicar para si o titulo de o verdadeiro pal da
macrodrenagemn, o arual govemo perdeu a perspectiva
de. incremnentando as aplicacqes da comrapartida
national. poder inaugurar a grande obra. de 225
milh6es de dolares. O derradetro castigo para Almir
Gabriel sera se Jader Barbalho for o eleito em 1998 e o
home que descerrara a fita em 1999


Desequilibrio
A prefeitura de Belem pa-
gou mais uma parcela, a ter-
ceira, da divida corn o grupo
Liberal. Foram mais 150 mil
reais, totalizando R$ 550 mil.
Em tres meses, metade do
debito que Helio Gueiros for-
mou em nove meses foi qui-
tado por Edmilson Rodrigues.
A metade restante devera ser
amortizada nos tris meses se-
guintes.
Ronaldo Maiorana ainda
nio pagou os R$ 150 mil de
ISS do Para Folia, arbitrado
pela PMB corn base em esti-
mativa de faturamento do car-
naval fora de epoca. Ronaldo
impugnou o valor cobrado. A
prefeitura nao aceitou a impug-
nagCo. O novo prazo para pa-
gamento vai ate o final do mes.
Assim, ao toma a1 dos Mai-
orana nao ter correspondido
o da ca do errio.


Vai?
A Secretaria de Agricultu-
ra do Estado publicou, no
Diario Oficial do dia 13, a
retifica~io de uma errata. Vai
para o Guiness ou nao vai?


Clientelismo
Em plena ofensiva para
contengao de gastos e manu-
tengao da estabilidade mone-
taria, o govemo Almir Gabri-
el concede 50% de reajuste
no limited do valor de emenda
de cada parlamentar no orga-
mento do pr6ximo ano. An-
tes, a cota era de 200 mil re-
ais. Em ano eleitoral, subiu
para R$ 300 mil. Em conjun-


to, a Assembl6ia Legislativa
vai poder aditar R$ 12 mi-
lhbes ao orgamento que o exe-
cutivo Ihe mandou.
O correto nao seria os t6c-
nicos do governor reunirem
previamente cor os politicos
e outras representa9oes da so-
ciedade antes de fechar o or-
9amento, eliminando essa
pratica flagrantemente clien-
telista de emendar depois,
atrav6s de acertos que sempre
envolvem concessao e com-
pensacao? Mesmo sem che-
gar ao assembleismo do PT,
que em materia de orCamen-
to esta bem na frente, seria


uma evolucgo. No rumo da
decencia e da seriedade.


N6s e eles
O Maranhio ja contribuiu
com 200 mil reais para o pro-
grama luso-brasileiro de micro-
filmagem dos documents
existentes no Arquivo Ultrama-
rino, em Lisboa, sobre a hist6-
ria colonial brasileira. O Para
entraria com R$ 20 mil para
obter apreciosa documentag~o.
Metade da cota foi paga. A
outra metade esta atrasada 10
meses. Apesar de a hist6ria do
Gr~o-Para e Rio Negro ser tao
rica quanto a do vizinho Mara-
nhao, senio mais.
Questao de lucidez, discer-
nimento, equilibrio e espirito
verdadeiramente puiblico em
mat6ria de political cultural.
Ego de elefante nao impede
nosso deslocamento do cir-
cuito para valer da cultural
national.


Livro
No inicio de dezembro es-
pero lancar meu mais novo
livro, Amaz6nia, ofuturo per-
dido (A hist6ria do aluminio
e outras derrotas da globali-
zagao), que comegard a ser


Nova Amaz6nia
Ningu6m registrou a mais nova faganha do governor
Fernando Henrique Cardoso: conseguiu redesenhar a
Amaz8nia. A fragmentagdo do sistema Telebr.s para a
privatizagdo provocara uma nova divisao regional. A
future Tele Norte-Nordeste-Leste (ou o nome que
ven1ai a ganhar) tern jurisdigdo sobre Park, AmapA,
Amazonas e Roraima (abrangendo anda o Nordeste e o
Leste). Ja Rond6nia, Acre e Mato Grosso serao
atendidos pela projetada Tele Centro-Sul (que se
estendera ainda pelo Centro-Oeste e o Sul do pais).
O que deduzir dessa nova geografia? Que os Estados
amaz6nicos serao os primos pobres dessas duas
empresas telefinicas nacionais privatizadas.
Principalmente os da Tele-Norte-Nordeste-Leste, a
maior de todas, atendendo 39% do PIB brasileiro.




Journal Pessoal
Editor: LOcio Flivio Pinto
Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 053-020
Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Trv. Benjamin
Constant 845/203 /66 063-020 Fone: 223-7890
e.mail: lucio@expert.com.br
Editoraqgo de arte: Luizpe i 241-1859


impresso nesta semana.
Como Roberto Carlos desis-
tiu do seu traditional disco de
final de ano, pode ser que te-
nha sobrado piiblico com ou-
tras disposi oes.


Baiands
Como Arthur Xexeo, ainda
estou remando pelas paginas
do livro de Caetano Veloso,
Verdade Tropical (titulo pou-
co inspirado). Nao propria-
mente por falta de atrativo a
leitura, mas tamb6m de tem-
po. Uma conclusio pode dis-
pensar o que falta para chegar
ao fim: a leitura de Jung nio
fez bem aos baianos (fez bem,
final, a quem?). Quando fala
o outro lado da persona assu-
mida por Caetano (mais ainda
por Gilberto Gil, por incrivel
que pudesse parecer), o nivel
cai, ainda e sobretudo -
que suba o inconsciente.
Mas vamos em frente.


Na moda
Os convites das galerias de
arte Bolonha Um e Elf sio,
cada vez mais, uma especie de
journal pessoal do marchand
Gileno Miiller Chaves, em
edi9ao compact, mas reple-
to de humor e picardia. A pre-
texto de convocar a clientele,
Gileno faz uma cr6nica do
que vai pela taba, combinan-
do ironia cor perspicacia.
No convite para a mostra
coletiva de esculturas que
abre no dia 21 no Bolonha
Um, Gileno convida todos "&
familiar & aderentes, bem
como o Jornalista Edwaldo
Martins, o Sociblogo Lficio
Flavio, o Professor Augusto
Rodrigues, o Arquiteto Paulo
Cal, os vinte mais recentes
emergentes (contando cor o
Dr. Euclides Bandeira)".
Faltou apenas o Professor
(Professor mesmo, como diz
o H1lio Fernandes) Edmilson
Brito Rodrigues.





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