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Tor n Pessoal L U C I F L A V I P I N TO AN XIN A V ,, I NZ NA DE D I R$ 2,00 POLITICAL No tempo do nao Indignado com os atos do seu vice, Almir Gabriel antecipa sua volta a Belkm. Mas calcula bem os seus atospara ndoprejudicar a S -- campanha da reeleido. Sozinho, nenhumgrupo k 'politico pode vencer em 1988. Agora, quem vai se S-- unir a quem? Tudo \ \ continue possivel, mesmo o impossivel. Apesar das declaragdes em contrdrio. As S-- palavras ndo revelam, escondem dlio Gueiros Jr. nao deve- ra mais assumir o gover- no do Estado atW abril do pr6ximo ano, quando ter- mina o prazo para as de- sincompatibilizag6es dos candidates A eleiqdo de outubro de 1998. Se assumir a partir dai, 6 porque o pal, o ex-prefeito H6lio Gueiros, nao serA candidate a nada. Se continuar fora do governor, estarA confir- S mada a candidatura de H-Hlio pai e o filho voltarA A condiAo de acidente de per- curso na political paraense. A Assembldia Legislativa deu ao gover- nador umalei, francamente inconstitucional, poupando-o de transferir de novo o gover- no ao inc6modo vice se suas ausencias do Estado durarem menos de 15 dias. A mu- danga na regra atual, que imp6e a substitui- iao do titular pelo vice em qualquer ausen- cia do governador do territ6rio paraense, s6 poderia ser feita legalmente atrav6s de emen- da constitutional, como propunha desde s verdadeiras intenrdes 1993 um projeto-de-lei do entao deputado Ronaldo Passarinho (hoje conselheiro do Tri- bunal de Contas dos Municipios, nomeado por Almir). Mas a aprovagao de uma emenda consti- tucional exige o quorum qualificado de dois tergos dos 41 deputados estaduais, dificil de alcanqar na atual conjuntura, em que o PMDB se recolheu A espera do desfecho do conflito do governador cor os ex-aliados, valorizando o prego de sua adesAo A coliga- 9.o que se formard para viabilizar a reelei- 9Qo de Almir Gabriel. Os governistas prefe- riram, ent5o, deixar o rigor formal de lado e produzir um interdito ao retorno de Helinho ao governor. Os Gueiros, 6 claro, poderao recorrer A justiga. Como o objeto da impugnaygo 6 uma lei ordinaria, oprimeiro combat ser trava- do no Tribunal de Justiga do Estado. Em se- guida, haverA a instancia do Supremo Tribu- 'V B~1[& 1" '~5 4 i~~~1 ~~]~~~ ga~~a~%g~s~ ' 2 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE VOVEMBRO / 1997 )nal Federal, por se tratar de matdria consti- tucional. Mesmo que o governor perca, como 6 previsivel, terao decorridos preciosos me- ses atd a definiqao das candidaturas. Assim, a nao ser que o governador adoega seriamen- te de novo, antes de abril, H6lio Gueiros Jr. terA sido imobilizado. E a candidatura do pai sofrerA um s6rio abalo, exigindo um novo planejamento estratdgico. Os Gueiros provavelmente raciocinavam cor uma convalescenga mais demorada de Almir Gabriel, senao cor sua more. Por isso, perderam tempo precioso atd a defini- cAo da estrat6gia a seguir na interinidade do Jinior, reduzida ainda mais pela conjuncio de um fim-de-semana a um ponto facultati- vo (no serving piblico sempre interpretado como feriado) prolongado. Tiveram que ser agodados. Na busca de resultados imediatos, cometeram irregularidades e ilegalidades de efeitos desgastantes para a image da oli- gArquica familiar e que, se a CPI instalada no legislative for para valer, podera resultar em sancqes legais. Como de outras vezes, Hd6io Gueiros deve ter raciocinado corn o principio baratista de que lei 6 potoca. Uma vez consumado o ato, nAo serd o formalismo legal que ira reparar o resultado. Esse raciocinio foi eficaz, quase sempre. Mas o crescente federalismo centra- lizador, a integraao fisica do ParA ao resto do pais e o avanqo das telecomunicaq6es afe- taram esse localismo, que fazia do Para uma distant satrapia, sujeita a recaidas hist6ri- cas, como a do vice-reinado do Junior. "Se quiser, retire o dinheiro que quiser", imaginou Helinho, ao investor contra o Ban- co do Estado do Para atras de dinheiro para repassar a duas prefeituras comandadas por seu partido, o PFL. Cor essa convicqAo de autocrata provincial, ele se achou no direito de mandar o chefe de sua Casa Militar, co- ronel Heitor Watrin, despejar manu military o president do banco, Mario Ribeiro, pas- sando por cima dos formalismos legais. Tamb6m "nao deu pelota" (para usar ex- pressao cara ao pai, jogador de peladas em fins-de-semana, como o filho) A circunstan- cia de que aprimeirafuncionaria indicada nao aceitara a designaqio e a segunda, sem qua- lificaqC o tdcnica, nao preenchia o requisite normativo preliminary (ser membro do Con- 'selho de Administraqio da instituiago: "era pouco mais do que continue", fulminara Mario Ribeiro). Era muita violagao junta e desnecessi- ria, jA que bastava seguir o ordenamento es- tabelecido para conseguir o que, final, foi alcancado: a liberal~ o do dinheiro da conta inica do Estado. Esse ordenamento deixou de ser uma preciosidade initial de tempos passados: 6 vital para que se mantenha o pre- cArio equilibrio das contas pfiblicas e de todo o sistema financeiro, sem o qual a estabilida- de monetAria do Piano Real ruird (e, com ela, a possibilidade de reeleicio do president Fernando Henrique Cardoso). Por isso, houve reaqAo imediata do Ban- co Central e da Comissao de Valores Mobi- lidrios, com a ameaga implicita de interven- qao no BanparA, seguida de liquidagio da instituic o. Brasilia j teria imposto essa so- lucdo para o banco se as autoridades mone- tArias pudessem decidir sem interferencia political. Desde que a dificil negociaqlo co- megou, o Banco Central busca un pretexto sustentivel para incluir o BanparA no pro- grama de privatizacAo, hip6tese rejeitada pela administraao Almir Gabriel (ela trabalha com a alternative hibrida de reduzir o tama- nho do banco e mudar suanatureza, mas sem- pre tendo-o a mao como um instrument politico). Corn sua sucessAo de barbaridades, Helinho quase entregou essajustificativa, mas a rusticidade de seus atos facilitou a retomada da direcao do banco pelos almiristas. Restabelecendo a normalidade das atividades, eles optaram em seguida pela conciliacao, liberando os 2,1 mi- lhWes de reais transferidos para Santar6m (Inhangapi ficou com o troco). JA com Almir em Bel6m, o secretArio do planejamento, Si- mao Jatene (agora umprimeiro-ministro semi- oficial), partiu de novo para o ataque. Ele diz que vai exigir do Tribunal de Contas do Esta- do a devolucio do dinheiro, repassado sem o atendimento das normas legais. Seguindo as orientaq6es do pai, um espe- cialista no pathos paraense, Helinho inves- tiu (demagogicamente, na verdade) contra a inimiga nimero um do Estado, a privatizada Companhia Vale do Rio Doce. Foi seu ato de maior apelo popular. Mas provocou a mal- disfarcada ira da grande imprensa national. Dois anos antes a desastrosa interinidade havia merecido discretos registros na midia. Desta vez, o fronteiriqo Helinho foi objeto de massacre e escAmio. Num editorial, O Estado de S. Paulo re- ceitou-lhe camisa-de-forga. O vespertino da empresa, o Jornal da Tarde, dev a Helinho manchete de primeira pgina e eatorial cheio de adjetivos e carente de informacqes (o edi- torialista diz que Almir Gabriel, internado a apenas alguns quilbmetros da sede do jor- nal, havia sido operado do coraqo). A voz esganigada, em puro falsete, as frases bom- bAsticas e a apardncia fisica do vice foram um prato cheio para a imprensa mostrar a pantomima dos paraenses, por aqui tornada uma rotina, mas fora da provincia um verda- deiro espanto. Por que s6 agora, contudo, a revelaqao desse simbolo do atraso politico e mental da provincial? Entre a primeira interinidade burlesca e a atual aconteceu a privatizaao da CVRD, um fato jd em si important, mas dotado de va- lor simb6lico ainda maior. A privatizaqlo 6 o mais precioso brilhante da coroa do prin- cipe federal. Os que o sustentam conside- ram qualquer ato contrario a essa political, sobre a qual se firma a continuidade do atual projeto de poder, um verdadeiro lesa-majes- tade. Dai a letalidade dos atos demag6gicos de Helinho contra a CVRD. Paulo e MArio Ribeiro, os irmaos (aplica- dos filhos do ex-ministro Nelson Ribeiro) que dirigem a Secretaria da Fazenda e o Banco do Estado do ParA, sustentaram que os atos do interino sao in6cuos, a despeito da agres- sividade ret6rica. Apenas suspenderam favo- recimento de natureza administrative dado A Vale, de baixa expressao monetAria. Se isso 6 verdade, por que o governador fechou a primeira semana de retomada do poder sem revogar esse ato? Os Aulicos explicamlogo que hA compli- caqao juridica nessa operaqio. Mas o que parece haver mesmo 6 complica9ao political: Poucos parecem em condiqces de avaliar corretamente o saldo das retaliates de Hd- lio Jr. A CVRD. O editorialista de O Estado de S. Paulo, por exemplo, nao faz parte des- sa excecao. Seu entendimento dos fatos, que resultou em tanto furor mal direcionado, parece o mesmo do senso comum: "Enquan- to usou o Didrio Oficial para extravazar seus ressentimentos e nomear seus correligionA- rios, o governador interino limitou os estra- gos de sua atuaqao provis6ria ao Ambito da political local. Mas, ao revogar incentives dados a uma empresa do porte da Compa- nhia Vale do Rio Doce, ele demonstrou um potential de periculosidade que precisa ser levado a s6rio". Ou seja: enquanto faz mal apenas aos seus jurisdicionados, todos eles brasileiros, al6m de paraenses, o d6spota paroquial nao inte- ressa A grande imprensa national, mal-con- tida em seus preconceitos sobre os rtisticos amazbnicos (nem sempre amazbnidas, infe- lizmente). Mas quando se torna periculoso para uma parceira do sistema central de po- der, entao deve ser destrogado. O problema 6 que os porta-vozes desse poder atribuiram aos atos do vice uma efica- cia que, intrinsecamente, eles nao tnm. Se desmoralizaram o herdeiro politico, fazen- do-o motivo de chacota que atingiu todos os paraenses, tamb6m podem criar um efei- to oposto na taba. Vitima de uma clara in- compreensao, Helinho se achou no direito de considerar-se her6i. At6 pensa em pros- seguir numa carreira political accidental, ele- gendo a CVRD como.moinho, alvo de.seu: combat de cavaleiro medieval: Os favors e privil6gios tem sido dados A Vale com tanta displic6ncia que chega a ser procedente a cautela dos almiristas na ava- liaqco do status quo ante. Dai a relutAncia A simples revogaglo automAtica dos atos do vice contra a poderosa empresa. A CVRD adiantou 16 milhdes de reals a Jader Barba- lho, em 1993, e, mais generosamente ainda. R$ 21 milh6es a Almir Gabriel tres anos de- pois, moments antes de entrar em vigor a Lei Kandir, que tornaria inviAvel a compen- sagao desse dinheiro adiantado. E tema ain- da pendente, num moment em que a em- presa contabiliza outros R$ 30 milh6es de cr6ditos, acumulados desde o inicio da tal JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE NOVEMBRO / 1997 J lei de desoneracao das exportacqes, e um total de R$ 80 milhoes, incluindo os custos da estrada de acesso a Carajas, um arranjo leonino do governador Alacid Nunes, depois membro do Conselho de Administracgo da empresa como, alias, procedera anterior- mente em relaqao ao grupo Joao Santos. Os dois grandes erros de H6lio Gueiros Jr. em sua interinidade o do Banpara e o da Vale permitiram aos almiristas desencade- ar uma guerra de represalia, superdimensio- nando a lesividade do vice. A16m de algu- mas molecagens e fisiologismos, o objetivo dos Gueiros era reunir o maximo de infor- maq6es possivel no curto period que foi se materializando na media em que a rapida recuperagao do governador se confirmava. E evidence que o retorno de Almir Gabriel foi precipitado, em parte porque, psicologi- camente, ele ja estava em Beldm desde que tomou conhecimento das iniciativas do seu successor (em fungAo disso, a distancia esta- va Ihe fazendo mal maior do que o beneficio do internamento no Incor de Sao Paulo). Na ess6ncia, o vice agiu cor deslealda- de e falta de 6tica, mas o comportamento do titular nao ter sido um primor em relagao ao seu parceiro de mandate. Almir Gabriel, antes de viajar para a capital paulista, telefo- nou para os chefes dos outros dois poderes (o president do Tribunal de Justica, desem- bargador Romao Amo&do, e o president da Assembl6ia Legislativa, deputado Luiz OtA- vio Campos), mas para o vice mandou ape- nas o livro do term de posse. Para saber do que se passava cor o go- vernador, a Helinho restava a imprensa. Se- quer foi convidado, alguns dias antes, para o almoco do Cirio, que reuniu no museum al- guns dos principals esp6cimes do tucanato e do governor. Diante desse tipo de tratamen- to, sempre sutil e sinuoso, como do estilo pessedebista, nao surpreende o rancor do coadjuvante no exercicio da titularidade. Mas novamente se enganaram os que ima- ginavam que, ao reassumir o comando da administragao estadual, o governador resta- belecesse plenamente sua autoridade, repe- lindo integralmente a como dizem os poli- ticos felonia do suposto parceiro. A indig- naggo diante dos atos de H6lio Jr. fez Almir forcar a alta para continuar convalescendo em Bel6m. Tratou, por6m, de proclamar um neol6gico tempo do "nao 6dio" e de fazer a separagdo entire o PFL e os Gueiros, man- tendo aberta a porta para um entendimento, ou mesmo coligagao. O impulso moral, se houve, ficou intramuros: de pilblico, o go- vernador novamente engoliu em seco, mes- mo que seus auxiliares tenham a missao de arrasar corn as "cabegas-de-ponte" instala- das pelos Gueiros no governor. A incensaqao do chefe foi delegada aos Aulicos, que continuaram aproveitando-se do clima emotional da vitimologia para fazer a propaganda eleitoral. "O Governo Almir Ga- briel rompeu, em menos de tres anos, a teia da corrupao, do autoritarismo e do persona- lismo que condenavam o Para a um lugar de coadjuvante menor da construgao do seupr6- prio destiny", dizia uma nota, conveniente- mente an6nima, da "equipe Almir Gabriel", preparada no dia da chegada do chefe por meia duzia de seus mais pr6ximos auxiliares. Eles asseguram que o lema do governor ("Uniao pelo Pard") nao 6 figure de ret6rica (ou recurso eleitoreiro), "mas missao, com- promisso". O estilo sereno de governor de Almir Gabriel "nao pode ser confundido corn fragilidade. Expressa, antes de mais nada, a sua generosidade e a sua 6tica". Nao importa que, um pouco antes, numa cabalistica entrevista ao grapo Liberal (o governador fez a posio flor de l6tus do ioga para demonstrar satide, enquanto o reporter Emanoel Villaca permaneceu sob uma chu- varada, talvez para atestar o empenho do "furo"), Almir Gabriel tenha proclamado, cor a melhor dicgco tucana, o significado de sua volta ao governor: "Esta voltando o nao 6dio. Exatamente a possibilidade de a gente construir, pela nossa uniao, o desen- volvimento do Estado. Por acaso, Almir Gabriel tamb6m represent isso". Referir-se a si pr6prio na terceira pessoa cons- titui evoluio classica de um tipo de narci- sismo que, em political, se confunde cor au- toritarismo. O mundo passa a se circunscre- ver ao pr6prio umbigo. A linguagem de um grupo torna-se a linguagem de todos, como assinala, batendo na mesma nota, o super- secretario Simao Jatene. Para ele, "adversa- rios e falsos aliados sao aqueles que, utili- zando palavras para esconder e nao para re- velar suas intenq6es, dizendo-se defensores do Estado, agem no sentido de denegrir sua imagem, muitas vezes colocando suas ques- t6es pessoais acima dos interesses do Esta- do, e pouco contribuem para que o Para seja cada vez mais um Estado modero, o tenha como finico dono a sua populaqio". Sera que a carapuca, inteiramente valida para os governor de Jader Barbalho e H6io Gueiros (para s6 se referir aos mais pr6xi- mos), nao cabe como luva no atual gover- no? Se os dois relresentam essa era de cor- ruppo, autoritarismo e personalismo sepul- tada por que Almir, o Grande, os ressusci- tou? Nao foi ele quem tomou a iniciativa de retomar o contato cor Jader, j entao do lado contaminado do territ6rio politico? Nao foi ele quem inventou a dissociagao entire pai e filho Gueiros, enquanto Ihe foi convenient, perdoando as irresponsabilidades do Junior e inocentando o mestre? Nao foi ele quern se manteve por tantos anos calado diante da saraivada de denmncias contra as administra- cqes Barbalho e Gueiros? Nao 6 ele quem, constatando a impossi- bilidade de reeleger-se sozinho, apesar da mais intense campanha pr6-eleitoral de to- dos os tempos, sufoca sua indignaqAo para agir com cautela pensada a fim de ocupar um lugar melhor no tabuleiro politico? Nao 6 ele quem estA superando o nivel de pro- miscuidade governo-imprensa alcancado nos governor Barbalho e Gueiros? Nao ha dAvida de que o padrao Almir de administrageo estA pontos acima dos dois anteriores, mas a ret6rica political se diferen- cia apenas pelo maior grau de malabarismo da linguagem (o que poderia explicar a con- traditao entire indices mais elevados em fa- vor do administrator e muito mais baixos ao politico, nas pesquisas realizadas). Na convalescenqa, Almir inventou o ge- renciamento mental, ou, como disse na en- trevista coletiva em Sao Paulo no dia da vol- ta: "Tenho uma enorme capacidade de recu- peragdo e de gerenciamento da minha cabe- qa". Quem pensa mal, mal fala e escreve. Tamb6m quem esconde o que pensa. t o castigo da lingiiistica. Na verdade, tudo isso ocorre porque nao ha mais um p6lo hegeminico na political pa- raense. Sozinho, nenhum dos caciques con- segue vencer eleiqao. Inegavelmente, o blo- co dos Gueiros foi o mais prejudicado pelos filtimos acontecimentos. Mas o do governa- dor nao foi o mais beneficiado. O sujeito oculto na oragao insudordinadissima, o gru- po Barbalho, credenciou-se aos melhores dividends. O senator do PMDB aticou o quanto p6de a fogueira para provocar quei- maduras generalizadas nos contendores, sem, por6m, incompatibilizar-se corn nenhum de- les. Mais do que antes, Jader 6 o pendulo da balanca. Para os gueiristas pode nao ter res- tado outro caminho. Pela primeira vez o ex- governador perdeu abatalha da imprensa, da qual 6 expert. Foi massacrado pela grande imprensa national e nao dispbs da midia lo- cal para o seu espetAculo circense, sempre de grande efeito. Dai a investida furiosa de Helinho contra o grupo Liberal, que jogou pedras contra o espacoso telhado de vidro da familiar e escondeu a mao, protegendo-se atras de O Estado de S. Paulo e do Jornal da Tarde. Se nao conseguir atrair para o redil A Pro- vincia do Para, o que 6 muito improvavel, s6 Ihe restart a cidadela de Jader Barbalho. Mas o senador aguardarA uma nova proposta do governador, acrescida de juros e correcao monetaria, antes de decidir qual sera o seu pr6ximo pass. Uma pesquisa divulgada no filtimo domingo por A Provincia mostra que o prestigio do senador peemedebista atraves- sou inc6lume a tormentosa saison do Jinior. O journal esqueceu de destacar que os 18,5% surpreendentemente atribuidos a Jader, Almir e H1lio, num rarissimo empate, se restringe a Bel6m. Nao inclui quase 80% do eleitorado paraense, domiciliado no interior. Isto quer dizer que, feitas as contas do prejuizo e levantadas as baixas, quem inega- velmente perdeu, mais uma vez, foi o Para. Com os personagens de sempre e as ret6ri- cas de ocasiao. 0 4 JOURNAL PESSOAL 1- QUINZENA DE VOVEMBRO / 1997 Prefeito, desga de vez do palanque A edifdo anterior jd estava impressa quando chegou a estejornal uma carta doprefeito de Belem, Edmilson Brito Rodrigues. Embora ndo o declare explicitamente, a carta se refere a uma notapublicada na edicdo da I quinzena de outubro ("Palavra de arquiteto'), que tambem provocou uma carta da vice-prefeita AnaJzilia Carepa, jd publicada e respondida [ver no 173). Segue-se a integra da carta doprefeito, tal comofoi escrita, sem correado: "Soci6logo LOcio FlAvio Pinto, Mesmo tendo sido eu um dos poucos homes piblicos detentores de mandate parlamentar a ter assi- nado manifesto politico e subido em palanque em protest veemente con- tra a ag9o judicial impetrada por membros da familiar Maiorana con- tra tua pessoa, esclarego que nao te- nho qualquer motivo para sofrer por ti, permanentemente (etemamente?) os teus traumas e 6dios pessoais re- sultantes de tua contraditoria rela- 9Ao professional com os dirigentes da Organizaeao R6mulo Maiorana, que tem variado desde os mais im- pactantes elogios ao falecido joma- lista R6mulo Maiorana ate as criti- cas Acidas e emocionais dirigidas aos herdeiros desse poderoso grupo em- presarial. Quando eu dirigia os maiores movimentos sindicais do nosso Es- tado eras tu, LOcio, quem escrevia em 'O LIBERAL' e posteriormente em 'A PROViNCIA', invariavel- mente, construindo arguments que ressaltavam o 'radicalismo' e a 'falta de seriedade' dos lideres do movi- mento dos educadores e outras ca- tegorias de trabalhadores. Eu, invariavelmente, mantenho- me fora de quaisquer amarras. Con- tinuo a critical as political neolibe- rais do president Femando Henri- que Cardoso. As vezes chego na emoglo, a chami-lo de Femandinho. Final de contas nao sou.de ferro e nao aceito que os eleitos pelo povo traiam os programs corn os quais se comprometeram para com esse povo. Alias, esse fato te fez pensar que tens direito de desrespeitar, de forms amolecada, esse gestor muni- cipal. Tens teus motives, continue sendo um daqueles 'dinossauros' que nio abre mio do Sonho Socia- lista. Nio sei se as diferenas ideol6- gicas te impnem uma cegueira ana- litica. Fiquei assustado corn a ver- slo de que nosso Governo em nada mudou em relagio ao passado. Usas- te o resultado de uma licitaco ho- nesta, transparent, da Area de co- municago para tirar essa conclusao. Como bom soci6logo, deverias in- vestigar melhor para saber que hoje 08 (oito) empresas de publicidade prestam servigos so nosso Governo. Sou um critic e nao retire uma Onica palavra dita por mim sobre o conflito entire o nosso Govemo e o 'Grupo Liberal'. Entre outras coisas disse que nao seria refdm de qual- quer pessoa, fisica ou juridica, de pequena ou grande forga political e econrmica. O fato que, SEM CO- VARDIA, tomei piblico 6 o nao re- conhecimento por parte de nosso Governo da divida alegada pelo Grupo Liberal. Nunca, [sic] disse (desafio que prove o contrario) que nao reco- nhecia a existencia de uma enorme divida dessa municipalidade para cor in(umeras empress, inclusive com as Organizagao [sic] R6mulo Maiorana. Continue a afirmar: em nenhuma hip6tese, de modo consci- ente, o nosso Govemo pagarA A [sic] maior qualquer de suas dividas. Vale esclarecer que devemos ain- da, dos restos a pagar deixados pelo meu antecessor, cerca de R$ 16 mi- Wlhes. A prioridade n I (um) tern sido os servidores e a manutenglo dos servings pfblicos municipals. Pagamos praticamente todas as pe- quenas dividas pars evitar a falen- cia das empresas credoras de menor porte. Os credores que prestam ser- vigos na Area de limpeza urbana e fornecimento de merenda pars esco- las e cresches, bem como os que for- necem os equipamentos m6dico-ci- r6rgicos e medicamentos. Obviamente, nAo somos burros. Sabemos que o nosso program de Govemo, pars ser realizado, ter que ser assimilado pela populacio. Um dos mecanismos de construglo de Govemo Democratico e Popular slo os meios de comunicago de massa, que infelizmente slo dominados por oligarquias oligopolistas. Devemos sim. Pagamos, jA no inicio do Governo, parte de nossa divida cor os grupos de comunica- 90o, excegao feita ao Grupo Libe- ral, o que agora jA estamos a fazer. A primeira parcel foi de R$ 250.000,00. Mas a segunda, L6cio, foi de R$ 150.118.71 e nao de R$ 250.000,00, como afirmaste em teu respeitoso journal. Tenho ainda a informar-te que a vice-prefeita Ana Julia Carepa, Co- ordenadora do Comite de Revitali- zagao Urbanistica, Econ6mica e Cultural do nosso Governo, foi in- dicada por mim para coordenar as a9qes interestaduais do Governo ati- nentes a realizaglo do 'Parbfolia'. Desse modo, foi ela quem apresen- tou aos diretores dessa Micareta, a portaria da SEFIN que obriga a re- ferida empresa 'BIS PROMOCOES LTDA' a pagar R$ 164.690,38 UFIR'S [sic] referentes ao ISS. Logo, 6 pouco s6rio afirmar que o Sr. Ronaldo Maiorana teria econo- mizado 'R$ 70.000,00 cor isengIo de ISS'. Nao sou, L6cio, certamente, um intellectual tAo brilhante quanto tu. Mas, mesmo mudando de opinion sobre determinados aspects de nos- sa vida s6cio-econ8mica e cultural, nunca me envergonho e nunca me envergonharei de minha hist6ria e de meus despretenciosos [sic] escritos. Por isso, nao cabe a pouco s6ria comparagao entire a Palavra deste Arquiteto cor a palavra de qualquer soci6logo. Muito menos corn a do Excelentissimo Senhor Presidente da Reptiblica Federativa do Brasil, Doutor Femando Henrique Cardo- so. Agradego tua paciencia ao ler essas humildes linhas tragadas por um trabalhador socialist que nun- ca dependeu de coron6is, fardados ou nao, para viver, trabalhar e exer- cer o direito de critical, da cidadania. PS.: E, tamb6m, pouco s6rio di- zer que ameacei 'fazer o povo inva- dir o palAcio dos Maiorana'". Minha resposta: Nao odeio nenhum Maiorana, nem mesmo Ro- sangela Maiorana Kzan, a autora de cinco aq6es (quatro criminals e uma civel) contra mim, a unicapes- soa ati agora a me processor em 32 anos bem vividos de profissao. Nunca ataquei Rosdngela. A unica refer&nciafeita a ela ati entao, na edi9do 98 deste journal, foi em fun- Fao da dispute pelo poder no gru- po Liberal, assunto de alto interes- se public. Semjamais ter escrito para este iornal, Rosdngela props uma for- ma de entendimento, atraves do marido. Queria ler antes o que eu iria escrever sobre o assunto para verificar se eu escreveria o que ela mandara dizer que queria ver im- presso. Ndo aceitei. Jornalista que age de outra maneira ndo e digno desta maravilhosa (e atormentada) profissdo. Ao invis de retificar a noticia, Rosdngela resolve me processor. Nao era o procedimento corre- to, j4 que eu abrira espago nojor- nal para ela se manifestar a von- tade, mas era direito dela (ou sua tdtica frente a competifao com o irmao). Eu indiquei uma inica tes- temunha no process. Essa teste- munha ndo ia me defender Podia ati acontecer o contrdrio, jd que Ariovaldo Antunes, gerente de cir- culafao, era empregado dojornal O Liberal, subordinado de Rosdn- gela e eu nao tinha qualquer con- tato com ele. Mas, no contradit6- rio processual, iria ajudar a escla- recer osfatos. Agi assim pela con- vicqco de nao terfeito outra coisa sendo reproduzir o que realmente acontecera. Nao adotei nenhum procedi- mento capaz de protelar a instru- fao judicial. Tudo teria sido defi- nido com rapidez. Mas Rosdngela, surpreendentemente, dispensou o testemunho do irmio, RomuloMai- orana Junior, personagem-chave da hist6ria noticiada. Ai comeqa- ram as obstruVfes e manipulafaes nos processes, geradas por mano- bras de bastidores a base da inti- midagao. Hd mais de cinco anos sou viti- ma de um processopolitico, que al- gum dia reconstituirei documental- mente. Espero que venha a ser uma contribui9ao para que a opinido public reflita sobre a nossajusti- oa e as coaVoes a que se submete, apesar das prerrogativas que Ihe foram conferidas para dar-lhe in- dependOncia ndo s6 retoricamente e, assim, ser o ultimo baluarte do que ate hoje entendemos por demo- cracia (prerrogativas que, numa confused tipica da crise atual, pre- tende-se abolir). Em algumas edifOes do Jornal Pessoal denunciei esse process politico, comofaria se a vitimafos- se qualquer outrojornalista. Cum- prida essafunfdo, deixei de me re- ferir aqui a essa via crucis, apesar dos dissabores que continue so- JOURNAL PESSOAL 1i QUINZENA DE NOVEMBRO / 1997 5 frendo (por falta de informafao, muita gente acha ate que os pro- cessos se extinguiram). Em todo este ano, exceto quando provoca- do a me manifestar como agora, s6 escrevi uma matiria a respeito. Mas jamais penetrei na vida pessoal de qualquer dos Maiora- na, incluindo Rosdngela. Nada te- nho contra Rominho, o znico cita- do neste journal, apenas pelo fato de ser o cabega da empresa e por dirigi-la de um modo imperial, que no faz bem a ninguem, nem a ele. Essa e uma dasfontes do papel ne- gativo que o grupo de comunica- qao desempenha na sociedade pa- raense, que precise combater, ate o restabelecimento de uma plura- lidade informative (para a qual, alids, os supostos concorrentes pouco contribuem, criando a enga- nadora aparencia de oligopdlio). Edmilson pode convocar sua militdncia e dar-lhe como castigo ler toda a coleqdo do JP para en- contrar provas do meu 6dio a fa- milia. Conheci alguns dos herdei- ros criangas ou adolescents; ndo rompi pessoalmente com nenhum deles. Mas e claro que h6 um evi- dente constrangimento quando eventualmente nos cruzamos. Mi- nhas relacges cor algumas exten- s6es dafamilia permanecem ama- veis e civilizadas, como tem que ser, mesmo e sobretudo, como pedia Voltaire na divergencia. Quanto ao pai deles, pego ao prefeito um "elogio impactante" (isso e linguagem de arquiteto ou de engenheiro?) meu a Romulo Maiorana. Eu tinha um carinho enorme por ele, mas jamais o ca- nonizei, em vida ou morto. Romulo tinha as virtudes que eu mais pre- zo: lealdade e generosidade. Mas tinha seus defeitos, nem todos ve- niais. Eu ndo iria sacrificar nossa amizade pelos erros que cometia, mas naofechava os olhos na hora de escrever Nunca tive uma "contradit6ria relacao professional" com a em- presa. Sempre fiz ali jornalismo, nada mais do que isso, onde esti- vesse atuando (tambr m sugiro a Edmilson convocar sua equipe e vasculhar a colecao de 0 Liberal atrds de um texto do qual eu pos- sa me envergonhar). Sai duas ve- zes do grupo Liberal por divergir do dono. A iniciativa sempre foi minha. Nunca fui demitido. Nas duas vezes em que sai, Romulofoi me buscar. Na nossa ultima discorddncia, fui ao Rio de Janeiro, ele ji doen- te, para entregar-lhe minha colu- na, o Reporter 70 e minha partici- pagdo na TV Liberal. No auge de uma guerra com o governoJader Barbalho, quispou- par Romulo das presses que esta- va sofrendo dos amigos do velho PSD baratista (Jader, Helio Guei- ros e Henry Kayath, entao no mes- mo barco e no mesmo alvo de tiro meu). Almogamos sob os olhares da Dea, por quem continue a ter a mesmo afeigao. Mas Romulo se re- cusou a aceitar meu pedido de de- missao. Eu continuaria a fazer as mes- mas coisas e estava completamen- te desobrigado dos compromissos que ele jd havia assumido corn a candidatura de Hdlio Gueiros ao governor, contra os quais me opius (e sobre isso me manifestaria em longa carta pessoal a Gueiros, um mrs antes de ele assumir o gover- no). Romulo tinha confianca em mim e me respeitava. Infelizmente, a grave doenga o impediu de resis- tir ao assedioferoz dos amigos uti- litcrios. Quando morreu, estdva- mos mais uma vez rompidos. A di- ferenga i que, desta vez, ele naopo- deria tomar a iniciativa da recon- ciliagao, um trago de generosida- de na sua personalidade multifa- cetada. Jr ao vel6rio do Romulo (sem circunflexo, prefeito), em tais cir- cunstdncias, era um desafio. Mas quando cheguei a igreja do Rosdi- rio, Dea me abragou e, chorando, disse que o Romulo vivia falando que ia fazer as pazes comigo. Es- pontaneamente, escrevi a materia que saiu na iltima pdgina do jor- nal no dia do enterro. Espontane- amente, os Maiorana colocaram um artigo meu na pdgina nobre do ornal na edi4co da morte, ao lado do Reporter 70. Desafio o prefeito a pinqar um adjetivo "impactante " nesse artigo. Talvez ele chegue a conclusdo que ali estavam as uni- cas critics feitas a Romulo em toda a extensa ediado (depois, ape- dido de Rosdngela, eu escreveria toda a ediFdo do primeiro ano de morte; no process, ela negaria esse fato). Ao long da vida jd tive revol- ta, indignaqao e medo (odio e algo que o atavismo professional elimi- nou, se algum dia chegou a bro- tar dentro de mim). Felizmente, porim, tnm sido estados de espi- rito passageiros. Aplicam-se mais a situaqoes do que a pessoas. E por isso quejamais tive rancor, um veneno produzido pela permangn- cia desses sentiments. Estou su- jeito ao erro e ais interferencias subjetivas quando escrevo, mas procuro reduzir ao maximo o grau de alteragqo da minha andlise por essesfatores, de tal maneira que se acomodem numa margem acei- tdvel em series humans. Eu presumia que o cidaddo Ed- milson Rodrigues se tivesse solida- rizado a mim emfungdo da biogra- fia de um jornalista independent. Se ele sabia que meu litigio cor o grupo Liberal era produlo de "traumas e 6dios pessoais ", resul- tantes de uma "contradit6ria rela- qao professional", nao deveria ter assinado manifesto, nem subido em palanque (a sua inica competen- cia, ao que parece). Sd deveria ter tomado essas ati- tudes se estivesse convencido de tratar-se de um process politico. Ou Edmilson muda levianamente de opinido (o que difere de evoluir), ou estd negando utilitariamente o que fez apenasporque agora estou contrariando-o (minha especiali- dade incidental em relagdo aos que ocupam o poder) e ele estd pulan- do o muro. Suas investidas contra mim sdo ddbeis nao porque nao seja um in- telectual, mas porque nao ter ra- zao. Atrevo-me a sugerir ao prefei- to que, ao inves de se debrugar so- bre catecismos confessionais do. Socialismo (que ele escreve corn maicscula, fiel ao mandamento), aproveite uma de suas constantes viagenspara uma leitura maispro- veitosa, ainda que area. De Antonio Gramsci, por exem- plo. Ajudard a "construir" (como dizem os obreirospetistas) um con- ceito mais operative (menos aris- totelico, mas tambem ndo demag6- gico) de intellectual, aquele cida- dao que se distingue de outros por usar em sua atividade mais o cdre- bro do que os outros mrsculos. E que, acrescento, adaptando o con- ceito ao nosso Brasil, faz tris re- feicges por dia. Logo, Edmilson d um intelectu- al (quem sabe, orgdnico, e eu, tra- dicional, na visao gramsciniana). Mas um intellectual que se orienta por dogmas, e, porfaltar-lhe hu- mor e estilo, move-se lentamente, sem graca, como um dinossauro de verdade (e de museu, cor ou sem Sonho Socialista; neste caso, mu- mificado). Depois que passar di- aleticamente por Gramsci, o pre- feito ganharia percorrendo gran- des ficcionistas, ndo para inven- tar situacoes, d claro, mas para adquirir criatividade, imaginagao (a dimensao lidica do pensamen- to, que di colicas nos "pragmili- cos" e "revoluciondrios") e, mais uma vez, o bom humor, o verdadei- ro sal da alma. Da mesma manei- ra como abusa dos decibdis oral- mente, o prefeito exagera nas mai- 4sculas, escorrega na lingua e claudica na argumentaado quan- do por escrito (mesmo tendo esti- lo despretensioso). Ele acha que o desrespeitei, usando linguagem amolecada, pen- so eu que por ter, na nota, emprega- do o sin6nimo alcaide ao referir-me a ele. Queria que o tratasse de bur- go-mestre? Tambdm d um sin6nimo. Pode ser ironia, nao molecagem. Ironia sepaga cor ironia, ndo corn desaforo e uma das regras do esti- lo, no qual o grao-vizir petista pre- cisa ser introduzido. 0 mau humor tambdm o impe- diu de perceber que eu nao estava destratando os nobres arquitetos, mas associando-o ao ti-ti-ti que es- tava em causa naquele moment, motivado pelas heresias do arqui- teto Paulo Cal. Rir d a melhor te- rapia, prefeito. 0 problema d que e precise aprender para quem ndo tern o hdbito. Fafa um esforfo. To- dos vamos sairganhando. E melhor do que serferrabrds num momen- to e passar a um cdndido faz-de- conta em seguida. Eu nunca defend que o PT dei- xasse de pagar a divida cor o gru- po Liberal, criada sagazmente por H!lio Gueiros. 0 problema e que o entao secretdrio de financas, Ge- raldo Lima, desencadeou uma guerra santa contra a empresa dos Maiorana e o prefeito, se ndo ex- plicitamente, mas (nesse caso) por sildncio tdcito, deixou-o ir emfren- te nas retaliagces, que culminaram naquele comicio doidivanas. Por que em frente ao paldcio dos Mai- orana? Por que aquelas palavras agressivas contra a empresa? Eu, a quem o prefeito atribui 6dios e traumas, jamaisfiz isso.Quando nada, por pudor (pundonor como se dizia no tempo da civilidade) Ora, se a prefeitura chegou a esse ponto, o coerente seria espe- rar que o valor real (ndo o a mais de Edmilson, o que e menas mate- mdtica) fosse arbitrado judicial- mente. OsMaioranajd haviam con- tratado uma auditagem e a prefei- tura tinha as informaFges oficiais em mcos. 0 secretdrio de financas sustentava que a soma era de R$ 300 mile que os Maiorana poderi- am estar sonegando impostos. Que viesse o contencioso judicial. Mas o PT temeu as represclias do gru- po Liberal efez um acordo, esque- cendo o tratamento anterior da empresa. 0 prefeito nao se tornou refdm pelo simples detalhe de que capitulou. Sua mal-disfargada de- fesa do grupo Liberal ndo ter mo- tivacao filos6fica. Nao se pode simplesmente con- denar a administragao municipal: o poder do grupo Liberal e real- mente infernal, um dos espinhos a sangrar os destinos deste Estado (e por isso minhas critics tnm sido crescentes). Nao i a toa que so o JP resisted a uma guerra aber- ta cor os donos da opinido pzbli- ca paraense. Mas precisava ir alem da qui- tagco da divida? Edmilson diz que a segunda parcel foi de 150 mil reais e ndo de 250 mil reais. Estd aceita sua declarag~o. Ela ndo al- tera um dtimo do raciocinio apre- sentado. Quanto a prefeitura estdc gastando a margem dessa divida consolidada? Serd que para a po- pulafao "assimilar" o program petista de governor precisava haver essa massive propaganda? Era necessario pagar a salga- da cota da transmissdo do Cirio? Ndo seria mais recomendcivel, ao menos por enquanto, trabalhar mais e propagandear menos, ain- da que atravds deprocedimentos li- citat6rios, usando oito agnncias (mitodo tambem utilizadopor Hi- lio Gueiros)? Afinal, o PT estd co- 6 JOURNAL PESSOAL 1' QUINZENA DE VOVEMBRO / 1997 )meeando sua gestao e ndo tern mui- to o que mostrar (e como ndo tern, a propaganda invent, uma das agnncias mais igual do que as ou- tras nessa distribuiqao de tarefa). No Brasil e no Pard de hoje e impossivel nio ter emofao e indig- nagdo. Mas deve-se tI-las no mo- mentojusto, expressando-as ade- quadamente. Uma autoridade como o prefeito de Belim referir- se aopresidente da Reptblica como "Fernandinho" nao d emofao, e falta de educaqdo e de compostura mesmo.Nio precisa ter espirito de corpo para chegar i constataado. Edmilson jd nbo d mais um ci- daddo qualquer Ter delegagdo de competancia dos cidadaos de uma cidade com 1,2 milhdo de habitan- tes para representd-los. Precisa de equilibrio em todos os seus atos, ainda que sujeitos h emotividade. 0 prefeito e o lider de passeata re- presentam dois papeis distintos. Um ndo anula o outro, mas um nao So outro. Na ediado da 1"quinze- na de maio escrevi um long arti- go contra o principle dos soci6lo- gos brasileiros (sociologia e a mi- nha outra profissdo), francamente "anti-neo-liberal", sem precisar baixar o nivel. Edmilson deve fa- zer esforqo nesse sentido. Pode doer mas educa. Esse dominio do emotional o ajudard a nao cair nas armadilhas argumentativas. Ele e acometido da cegueira que me atribui quando diz que eu disse que no governor dele "nada mudou ". No artigo de capa da edigao da 2"quinzena de novem- bro do ano passado tentei dar uma contribuicdo positive (ainda que os petistas possam considerd-la irre- levante) d administraqao que ia co- megar Na edig&o seguinte fiz ob- servaqoes sobre a constituicao da equipe. No ultimo numero do ano pas- sado expressed minha esperanga de que chegara aofim a "idade dofer- ro" imposta a Belim pelos Guei- ros. Logo em seguida denunciei as manobras de Almir Gabriel contra o PT na constituiqao da mesa da Cdmara Municipal. Registrei na edigao posterior a mudanga na re- lagdo ate entdo promiscua da pre- feitura cor a imprensa. A tensao prefeitura-grupo Liberal estd na capa da edi9ao da 2 quinzena de marco. Interpretei a demissao de Geraldo Lima como o sauddvel ini- cio da desmontagem do monolitis- mo partiddrio na administracao municipal e ndo como concessdo privia aos Maiorana (os iltim6s acontecimentos sugerem que me equivoquei na minha boa fg). Enfim, para ndo enfadar o lei- tor, que poderd consultar a co- leF~o deste journal, houve artigo sobre a administraado de Edmil- son em quase todas as ediqoes do JP desde que o prefeito ocupou o Paldcio Antonio Lemos. Ne- nhuma retificaaio do outro lado. Quem cala, consent. Por que s6 agora esse despautirio de pi quebrado? As humildes linhas do trabalha- dor socialist terminal cor refe- rnncia a corondis. Tentei captar uma sutileza sibilina na sub-linha (literalmente), mas nada encontrei. Estaria o nosso alcaide insinuan- do que algum dia depend de coro- ndis, fardados ou nao? Bor, comecei a escrever como jornalista professional em 1966. De 16 para cd entestei corn muito coronel, fardado ou nao. Vtrios se tornaram meus inimigos, outros meus contendores, o mais provei- toso deles sendo o ex-senador Jar- bas Passarinho, que jd foi o mais poderoso dos corondis pds-64 (primeiro fardado, depois anfi- bio). Tambm fiz s6lida amizade corn alguns deles, entire os quais o co- ronel (de fato e de direito) Jose Lopes de Oliveira, o Peixe-Agulha. Acho que nossa amizade mantim- se hd 20 anosporque resisted a nos- sas muitas e as vezes acaloradas - divergEncias. Mas o coronel Oli- veira i um soldado, dos melhores que o Exdrcito mandou para cd. Nao concordo cor uns 80% do que elepensa oufez, mas o respeito que tenho por ele nao foi abalado por tantos maus corondis que tive pela frente. No balanco, sempre houve mais bons soldados, fardados ou nao, do que maus soldados, coro- neis ou ndo. Nunca trabalhei cor nenhum governor, nunca fiz assesssoria de imprensa ou relaFces ptblicas. Prestei assessoria c administracao public, em trabalhos ticnicos, atravis de contratos de curta du- raqao, para realizar obra certa (to- das i disposiqdo para consult no Idesp, na Seplan, no Poema). Quando houve choque entire as duasfun5oes, sacrifiquei as consul- torias (e o bolso), que eu poderia ter multiplicado (sempre a pedido, nunca por oferecimento), pelo jor- nalismo, que castiga meu patrim6- nio, mas sacia minha alma. Nunca subi aos palanques do poder mesmo quando convidado. Nenhum poder institutional eu te- nho. Minha inica arma, boa ou md, Sa minha inteligtncia. Gosto do bom combat. Mas naofujo ao mau combat; o dano que ele me ocasi- ona d transit6rio. Felizmente, tenho sobrevivido corn dignidade. Njo d muito. Mas d minha fd. E a f ndo costume falhar, diz Gilberto Gil. Canto embaixo. E por isso que tenho confianFa nofuturo. Num future em que, con- trariando minha crenca e os fatos que comegam a se avolumar Edmil- son Brito Rodrigues demonstre que, alem de ser um sujeito honest e bem intencionado, estd i altura dos poderes que a histdria, por uma cir- cunstdncia ou capricho, colocou em suas mios. Ainda torfo, no in- timo, para que ele d9 certo. Quando escrevo o o quepenso, e ndo o que espero, o que tenho a obri- gagao de colocar no papel. Infeliz- mente, ndo ter havido casamento entire o que gostaria que fosse e o que efetivamente d. Mas este e um daqueles moments em que, since- ramente, gostaria de estar errado. 0 Carta De Rodolfo Cerveira: 0 Journal Pessoal da P quin- zena de outubro, n 172, traz um merecido panegirico a Otto Ma- ria Carpeaux. Noo conheo corn profundidade a obra do erudito austriaco-brasileiro; al6m dos es- poradicos artigos (os jornais e o dinheiro eram dificeis a 6poca), s6 tive a oportunidade de ler o livro A Batalha da America La- tina, da Editora Civilizacqo Bra- sileira- 1965. Contudo, assegu- ro-lhe que presenciei e participei de variados events discutindo textos desse distinguido articu- lista (ou ensaista?). Por6m, o que importa abordar no moment 6 a comparagdo que voce fez dele com o escritor Will Durant. Na sua opiniao ele nao seria capaz de apresentar ao Carpeaux "as suas chinelas", como se costume dizernos floreios literarios. Tudo navida ter as suasjustificativas, assevera a filosofia popular. Eu tenho absolute certeza que, caso fosse argiido, voc8 teria um ar- gumento plausivel parajustificar esta predilegao. Isto 6 um fato. Agora, nomear de cultural de "orelha de livro" o conhecimen- to de um autor que consumiu longos 40 anos para erigir uma obra do porte da HISTORIA DA .CIVILIZACAO (10 volumes cor cerca de 5.000 paginas), seria, no minimo, uma ingrati- dAo; um anatema, talvez...". Minha resposta: Cdsare Cantu, antes de Will Durant, le- vou mais tempo e se espalhou por mais volumes para escrever a sua hist6ria universal. Hoje, tern tanta importAncia quanto o americano tera em mais alguns anos (Homero continue a encan- tar at6 hoje, cor outro m6todo). Mantenho minha opiniao. Mas respeito a do Cerveira. Ele, aliis, mandou duas cartas para esta edicio. Estou publicando a que chegou primeiro. E pedin- do-lhe que encerremos, ao me- nos por ora, o debate sobre o Banco da Amazonia. EsticA-lo continuara a consumer o precio- so espago destejornal sem acres- centar dados novos. Seri apenas ajustaposigao de opini6es. Em outra oportunidade e tal- vez em outro local poderemos retomar essa proveitosa discus- s~o. Dando tamb6m espago para outros se manifestarem. Sem o que a segao de csrtas acaba se transformando em coluna de opiniao. 0 Vai ficar? A inovaoo. determinada por Hello Guetros Jr. A sua secrenria da fazenda. teve um objeliho meramenle politico, mas. em these. 6 salular. Pela primeira ez. no dia 23, o governor publicou no DibrioOficial a posiqao do seu cai.a Na vespera, o cai-xa foi aberto corn saldo de RS 41.6 nulh0es e encerrado com R$ 34.8 milhoes Eis unai novidade que o go ernador Al mnu Gabriel deveria manter. Ajudariaa tornar a "transparencia" de sua administra~o algo mai.s do que figure de ret6rica. Pobre lingua Os assessores do governador de\ enam suprnmir uma incorreaoo formal incomoda. Todos os conlumazes veos opostos pelo governador a projetos de lei onundos do legislati\o sio aberos corn a frase "lenho a honra de conunicar" Ora, se o governador esi honrado em vetar. a Assembl6ia esta desonrada por ter mais um ato seu mvalidado Ganhariam todos se, a partir de agora, o governador se lhmitasse a mandar mensa- gens simplesmente comumi- cando sea veto. deixando a pomposa honra de lado. Inclusi% e porque esta. para efeitos outros que njo os meramente formais, estA em desuso ou "'no uso", para usar a linguagem frouxanen- te carolliana do tucanato murisia- Traste Se me perguntarem quais as cinco melhores criaqzes da misica popular brasdeira, na relaFto vou colocar "'Quando tu passes por mim", de Antonio Maria e Vinicius de Moraes. Por isso, meu mais veemente protest comra o arranjo que um certo ."maestro" Aecio Flavio fez para essa perola musical no iltimo disco de Marisa Gata Mansa (em Maysa Matarazzo. o titulo era um complement natural sem as inconvenientes e postias maidsculas). Foi ouvir e corner para o computador em busca de uma arena para o revide. NaQ e critical musical, nem nada e pura indignaq~o de ouvinte. A "nova" versao d um ultraje. Passem a distncia desse atentado. JOURNAL PESSOAL 1- QUINZENA DE NOVEMBRO / 1997 7 Alem de illegal, convenio FuntelpalLiberal e imoral Nos pr6ximos cinco anos, que comega- ram a contar em setembro, a Funtelpa (Fun- dagdo de Telecomunicaq6es do Para) paga- rA um total de 12 milhoes de reais (R$ 200 mil por mes) A TV Liberal para receber a pro- gramacao local e regional produzida pela emissora, afiliada A TV Globo, e transmiti-la para todo o Estado atraves de sua rede de estac6es em terra, que cobre 77 municipios paraense. E isso o que estabelece o conv6nio assi- nadopelas parties a 23 de setembro e somen- te publicado no DiArio Oficial um mes de- pois, a 27 de outubro. A publicagao foi de- terminada pelo vice-governador Hdlio Guei- ros Jr., durante o seu pol8mico period de interinidade. Corn a revelaqao do contedido do convenio, Helinho pretendeu criar cons- trangimento para o governador Almir Ga- briel. Quem ler o document percebera porque ele vinha sendo mantido sob total sigilo. At6 entao, a inica refernncia pfiblica era um ino- doro e incolor extrato, que apenas citava a natureza do conv6nio, seu valor (R$ 600 mil) e sua duracao (cinco anos). Deduziu-se des- sas informaq6es que a TV Liberal pagaria R$ 10 mil por mrs A Funtelpa para usar sua rede de estac6es repetidoras (ver Jornal Pessoal n 173). Nao se podia imaginar que a Funtelpa 6 quem paga e a TV Liberal quem recebe. Os R$ 600 mil referidos sao apenas as tr6s par- celas mensais de R$ 200 mil que foram in- cluidas no orcamento deste exercicio. A Fun- telpa, invariavelmente de caixa baixo e obri- gada a cortar na pr6pria pele, tera sobre si o peso de R$ 2,4 milh6es em cada orgamento annual, valor a ser atualizado pelo IGP (Indi- ce Geral de Preqos). Como os pagamentos serao feitos direta- mente a TV Liberal "ate o dia 15 dos meses subsequentes A prestacqo respective dos ser- vigos", na conta dos Maiorana ja entraram os primeiros R$ 200 mil da Funtelpa. Ou- tros R$ 200 mil serao recolhidos no final desta quinzena. Uma magica verbal bem caracteristica do tucanato tornou possivel a fraude: a Funtel- pa, a despeito de ceder suas estaq6es retrans- missoras de imagem, ainda vai ter que pagar A emissora que usarA essa estrutura, por ser ela a unica no Estado "com programagdo lo- cal inteiramente transportada via satdlite, corn subida 'up link' pr6pria" (o ardil para tentar contornar a exigencia de licitagdo pfiblica). De uma forma cinica, as parties proclamam que o comvenio vai permitir "a maior inte- grag~o da comunidade paraense quanto a seus problems e aspiracqes, inclusive corn o acompanhamento, via inserc6es propostas, de assuntos concernentes aos objetivos e ao desempenho da Administracao Estadual, de problems gerais do Pard e de suas solug6es possiveis, de reivindicag6es dos variados seg- mentos sociais e, finalmente, de numerosos temas de utilidade e conveni6ncia para esta Unidade Federativa e seus jurisdicionados". Toda a linguagem do convenio segue esse padrao para ocultar o que foi acertado: pra- ticamente o fim da TV Cultura, que vai ficar cor sua ago limitada a Beldm, passando a rede da Funtelpa a servir exclusivamente A TV Liberal (que pouquissimo espaco tern para ser efetivamente paraense, presa A dita- dura da Globo); e, ainda por cima, o paga- mento dos R$ 200 mil para que os Maiorana incluam na sua programagdo a campanha publicitaria do governador (jA abertamente eleitoral) e presumiveis veiculacqes de inte- resse do Estado. Pelo novo contrato (o nome verdadeiro do convenio), o governador tera direito a duas inserqGes didrias de 90 segundos da sua propaganda pessoal, mais trls chamadas para essas inserg6es; 15 minutes semanais "de temas que promovam a valorizacqo das ati- vidades econbmicas, artisticas, culturais e cientificas do Estado do Para, com objetivo de integra-lo, preservando e estimulando o desenvolvimento da economic e da cultural paraense"; mensalmente, outros 25 minutes de espaco publicitArio, mas que ficarao limi- tados pela duragao do intervalo commercial da programanao da TV Liberal, com inserq6es de mensagens institucionais do governor, su- jeitas, por6m, a prdvia consult e reserve de espago para sua veiculaqo; finalmente, seis mensagens institucionais anunciando as in- sercqes do convenio. Ou seja: a TV Liberal nada paga pela uti- lizagao das estaqoes da Funtelpa em terra para a retransmissao de sua programaqao e ainda assegura um faturamento publicitArio mensal de R$ 200 mil corn o governor at6 30 de setembro de 2002, podendo prorrogar a vigencia desse convenio atrav6s de simples termo aditivo. E um neg6cio da China para os Maiorana e um ato lesivo aos interesses do Estado. Com o sat6lite Brasilsat e a rede de re- transmissao da Funtelpa sob seu inteiro con- trole, a TV Liberal chegara a todo o Estado, inclusive corn suas mensagens comerciais, que nao estariam sendo recebidas por 22 dos 77 municipios teoricamente na faixa de co- bertura da Funtelpa (que acessam diretamen- te a TV Globo atrav6s de parab6lica). As- sim, a comercializaqao de seus hordrios ga- nha mais forca, o que significaum belo fatu- ramento em cima do governor do Estado. Quanto A contrapartida, ela interessa so- bretudo ao governador. JA em period pr6- eleitoral, ele podera fazer sua mensagem che- gar muito mais long, aproveitando as inser- c es na programagC o da TV Liberal. Mas isso ao custo de uma alentada verba publici- tAria (de valor constant ao long de cinco anos) e da renincia A concepcAo que estava por trAs do sistema educativo de televisao. O governor Almir Gabriel liquidou a TV Cultura, tornou a Funtelpa satdlite da TV Li- beral e sucumbiu aos Maiorana. Nao e por acaso que ganhou um caderno inteiro de 0 Liberal para filosofar emjavanes e foi quase santificado durante o reinado de Gueiros II. Almir Gabriel, que assina o conv6nio como testemunha, virou clone dos Maiorana. Para quem ainda promete um ParA novo, 6 um fim triste. * Retrato moral Nas paginms 4. 5 e 6 do Cadero 1 do Diarki Oficial de 27 de ouiubro estio osatos mans niportantes de Helio Gueros Jr. cono governador em exercicio. Nao por acaso. cle nada decidiu- bmnuou-sea publicardocu- memos sobre a condicao moral do ParAdos nossos dias. ULm e o convitmo Funtelpa'dV Liberal. Os outros documents slo dois contra- tos da Funtelpa corn a TV TapTjos, de San- tarem. O primeiro. assinadoem 1991. coro valdade de ires anos. cede seis estaqoes do Sistena Integrado Estadual de Reransmis- sAo dc Televisao no Baixo-Amazonas, con- tra o rrimsono paganmento ensade 100 mil cruzeiros I valor da epocal. Em compensa- qio. o governador podena dirpor de ur mi- nuto por dia. nt a bnlile de tries mmutos por semana. na programaiao da emissora Essecontrato fo reno\ado, em 1994, por nada menos do que mass oito anos Ivai atW 2002). A s etaoes retransnussoras odidas pela Funelpa aumentaram deseis para noe. O pagaenito passou a ser de 15 URVs (as Unidades Reais de \iilor que aniecederam o pmprio realj. algo como 20 reais de hoje 'a titulode conpensaiqofinancerna". Olem- po cedido o go\enmador Ibi reduzido de tres paradois mi Mnuos semanars. Se y. la ia pron ksuidade e tesidade ao mteresse piblhco. a "evo luqAo" tucana ape- nas piorou a relaqio entre o governor e a iunprensa Na fila Numna propaganda nmakmolente para a felevisao Tereza Collor constata- "impren- sae Iimitaao barala estlo doidinlas para pe- gara genre". Mod6stia de calculo, madame. Habito Dizem que, amnci recolhido A Granja do Icui, o govenmador Alnur Gabnel tern lido osjormais. O hibito da comvalescenca deve- ria ser eaendidoa nonrma dade Quase sem- pre quando d procurado para se manifewar sobre mn rema do moment. o go% emador costume dizer que ainda nio leu osjomais para se inlbrmar O pior e que. na maioria das veaes, no e ardil : inacreditavelmen- le. averdade nesmo Bern que a Conselho Regional de Medicina poderia abrir um inquento para apurar os proce- dimemtosrealizados em Almir Gabriel. Sem inte- resse policialesco, mas para tirar a opinion pdbti- cado estado de choque no qua] pode t[-la dei xa- do am debate inconduso pela i mprensa. S Na vers&o dos medicos que atenderam o go- Svernador, n o houve erro de diagn6stico. Todos os sintomas e os resultados dos exames feitos te- riam levaado os medicos a interprear a doeoqa come cAlculo renal. Poderiam ter diagnosticado diverticuliteou hemorrtagia digestiva, que tnm sin- tomas senmelhantes, sem incorrer em impericia- O problema 6 que o primeiro medico a aten- der o govemador na sua alegada segunda crise S(na verdade, um prolongamento da pnmeira). o Surologista Femando Jordao. constatoulogo que Sna havia cilculo renal ao simplesmente ver o rajo-K. A ultra-sonografia do abdomen fot realh- zada antes que a urografia excretora detectasse a Sinexislencia da pedra nos rins, levando os nifdi- cos a conclair, erroneamente. que o cAlculo ha- via sido expelido naturalmenie. Ou seja: o primeiro exane jA teria sido sufici- Depois S6 no dia seguinte ao da di- vulgagao da pesquisa eleitoral da Opqio, A Provincia do Para res- saltou, na Primeira Coluna, que os numerous se referiam exdusi- vamente a Bel6m. O problema 6 que o esclarecimento nao foi para a primeira pagina e a edi- cio de segunda 6 menos lida do que a de do- mingo. Caneta assassina HWlio Gueiros Jr. aproveitou a interinidade para nomear o ir- mao, Paulo Gueiros (que tam- b6m 6 Junior), sucessivamente, para responder pelo expediente da Secretaria da Adjunta da Sefa e para ser o director do Departa- mento de Material da Vice-Go- vernadoria. Deve ter usado a ca- neta da familiar. Equipe Pela quantidade de cargos que o Jimior concentrou em poucas pessoas, pode-se chegar A con- clusAo de que os quadros pr6- prios dos Gueiros foram sensi- velmente reduzidos. A culpa pode ser atribuida A aaco do de- tentor da chave do cofre. Ela costuma abalar as convicq6es menos firmes. Interdito E melhor o deputado federal Vic Pires Franco nAo aparecer mais no gabinete do ministro das ente para atestar que nao havia problema renal. Uma leitura comperente da chapa teria levado a esse resultado, garante Jordao, Uma outra questso refere-se a conveniencia da alta dada ao govemador menos de 48 horas depois da crises aguda (A o aneurisma da aorta abdominal). Ele retomou As suas atividades ro- tineiras antes de ser submetido aos exames re- comendados pela gravidade doseu problema. A tomogratia computadorizada e a ressonin- cia magnetica, que, final, levaram ao diagnos- tico certo, s6 foram realizadas quase 24 horas depois da atta, ja entfo por determioaqao de ura outra quitpe media, depois de muito bate- cabeCa. E a cinmrgia salvadora, que poderia ter sido faita eneos do 24 boras depois da mani- festaqao da crig aguda, so ocorreu 72 horas depois. Para que pacientes menos importantes do que a maior autoridade piblica do Estado se tranqilizaem, convinha o CRM fazer a devida apuraqlo do case, alimlnando d6vidas que fo- ram suscitadas, nao pela imprensa, mas pelos pr6prios midicos. . .* a *... &..... ... a.&. a *.. a 6. .a a a Profissionalismo Emjomal, jomalista tern que ter preferencia. Mesmo que seja para dar algum recado. Pode parecer tautologia, mas esse principio costume ser ignora- do pela grande imprensa. Por isso, cabe destacar o bom nivel infor- mative das notas que, em serie, ocuparam quase todo o Rep6rter Diario, a principal coluna do Diario do Para, no filtimo domingo. E claro que o predator da nota mandava um recado do donor do jomal, senador Jader Barbalho, a ex-parceiros que pularam o muro (ou subiram nele). Mas suas informag6es estavam rigorosamente certas. Se suas conclus6es sao falsas, 6 outra coisa. Mas o leitor ao menos tern muniSao para tirar suas pr6prias deduc6es. Mesmo a servigo do dono, isso Cjomalismo. Quando a coluna vai buscar adje- tivos cavilosos para mimosear os adversArios, isso C anti-jornalismo. E verdade que a muitos dos nomes ali arrolados cabe o qualifica- tivo de carreiristas, que se mantem no poder independentemente de quem esteja dando as ordens. Mas, felizmente, alguns sao t6cnicos que fazem carreira. Sobretudo nos escal6es intermediarios, a admi- nistragio piblica j estA se profissionalizando. E gente que faz o seu servigo, sem vender sua consci6ncia. Par; alegria das feministas, nesses escaninhos de competencia e seriedade a proporqao de mu- lheres 6 crescente, tanto que ate o carreirismo jA nao e monop6lio dos homes. Comunicaq6es, o tmculento Sdr- gio Motta, a quem airava para tratar de v4a jlf e-fts, Voz da verdade Apesar das insistencias da espo- sa, Motta manteve o interdito: ela saiu do Museu Goeldi cor varios presents, mas sem a co- bra. O s6cio do president se des- temperou ao saber que Vic con- seguiu mudar a posicgo do de- putado Inocncio Oliveira, o manda-chuva do PFL na Cama- ra. Depois de ter sugerido a H6- lio Gueiros Jr, nem pegar na ca- neta do govemador efetivo, Ino- cencio louvou o pal do vice, aprovando-lhe os arroubos. Tudo porque Vic seria "intriguei- ro", desancou Seijjao, disparan- do um interdito contra Vic: loh- hj,, nunca mais. Tatica Agora jA se pode chegar a uma explicago mais l6gica para a escolha de H61io Gueiros Jr. como vice-governador: 6 para todas as pessoas ainda dotadas de sensatez rezarem sempre pela sauide de Almir Gabriel. Por isso Deus fez o milagre de salva-lo das mios da c6rte e dos colegas esculapios. Espera-se que o dr Almir nao repita o estratagema para a reeleigao. 0 coracgo pa- raense nao suportara. Epoca xerox A criatividade e a originalida- de na imprensa brasileira estao em crise. Basta que algudm inove para que imediatamente se forme uma legiao de imitadores e copis- tas. Frases e interjeiqes nascidas numa determinada coluna se re- produzem como ameba nas de- mais. Todos finalizam suas obser- vag6es com um "ne nao?" ou coi- sa que o valha. At6 as imagens sao mim6ticas. A iltima onda 6 o tal do "feliz como umrpinto na lata de lixo", que se irradiou qual pra- ga pelo pais desde que mr. Clin- ton por aqui passou. Por osmose A Provincia do Pard, como qualquerjornal professional fa- ria, publicou editorials sobre a crise aberta pela interinidade abusiva de H6lio Gueiros Jr. 0 Didrio do Pard, fiel A orienta- q~o do dono, nao se manifesto. Ja a attitude do grupo Liberal foi inica: nenhum editorial pr6prio, mas portas abertas para as cati- linarias de O Estado de S. Pau- lo e Jornal da Tarde. A velha attitude daqueles aos quais falta coragem para assu- mir o que querem fazer, ou usam o instrument alheio para con- sumar seus atos o que, em lin- guagem popular, result em di- tado bastante conhecido. A osmose tucano-liberal ter efeito nos dois sentidos. Menos macaqueagao, ci- dadao. |
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