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Journal Pessoal ( L CIO .F: :A VI O PI N T O arab A X 3 IE D U D19 $,radicaliza S3 S(PAg. 3) ,i ;r [ .7 ^-OLITIGCA Helinho agora ataca fundo Expondo-se d impopularidadepor contrariar um governador convalescent que quase morreu, H6lio GueirosJr. assume para preparar um esquema depoder em favor dopai. H6lio Gueiros e, definitivamente, candidate ao governor do Estado. Almir Gabriel que se adapted a isso quando voltar, se ainda quiser ou puder ser o forte candidate de hoje. io Gueiros Jr. teve 72 horas para avaliar o que faria no primeiro dia efe tivo como govemador do Pari: se cedia ao clima emotional favoravel ao seu desafeto, que a opi- niao public estaria colocando na posi- 9ao de vitima, ou se tratava de preparar as condic6es nao s6 para sair na pratica da intemidade para a efetividade do car- go, mas tamb6m preparando uma estru- tura de poder para o moment seguinte, da campanha eleitoral. Um entendimento de Almir Gabriel com H6lio Gueiros, que, segundo os politicos mais pr6ximos ao govemador, estava para ser agendado antes que ele adoecesse, agora caiu para o terreno das improbabilidades. 0 ex-prefeito, infor- mado previamente de todos os atos do filho, que aprovou (se nao inspirou ou determinou), nio deixa mais duivida: e candidate a voltar ao govemo. Se Almir tamb6m 6, entao nao ha for- ma de comporem-se politicamente. Vao partir mesmo 6 para o confront. A nio ser que o pr6prio Almir desista da ree- leig~o ou consiga, em mais um milagre, transformar sua ret6rica utilitaria da "uniio de todos pelo Para" em crenga generalizada. Para Jader Barbalho e H61io Gueiros, essa cantilena nao ter o menor sentido. Ambos nao levam fe na proposta por- que ha nela um pressuposto: a recondu- iSo de Almir ao govemo. E justamente o que os dois politicos nao querem. Ja- der e Helio conviveram corn o govema- dor at6 ficar claro que ele estava prepa- rando sua reeleigAo. A partir desse moment, Almir, sem carisma suficiente para estabelecer um novo p61o de poder no Estado no curso de um inico mandate, passava a ser - S r 1 ~s~ ~sg a % ,~ I I :g$r ~'Pi~ I ~~ ~~ 1 I 2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 D perigoso. Seria o primeiro governa- dor a dispor da maquina official para usa- la em proveito pr6prio. Poderia nao s6 realizar obras e comprar ades6es, mas tambnm desencadear propaganda maciga, como os tucanos comegaram a fazer nas iltimas semanas. O problema de sauide do govemador era o imprevisto que faltava para a estra- tegia de Helio Gueiros. Embora o filho declare que s6 definira sua interinidade a partir do estabelecimento do period de aus6ncia do titular, por tras da intengdo explicit de s6 mexer nos cargos do pri- meiro escalao estritamente necessarios para sua agio administrative, seu objeti- vo 6 armar-se para o period seguinte, quando voltara a ser o vice ignorado e desprezado pelos tucanos. Nao foi por acaso que o setor da admi- nistraao estadual mais afetado pelos atos de segunda-feira de Helio Jr. foi o Prode- pa. A diretoria inteira da Empresa de Pro- cessamento de Dados do Estado foi colo- cada na rua. Na administragao do pai, Helinho comandou o Prodepa e isso ele sabe muito bem: 6 um 6rgao-chave para o control (e ocultamento) de informa96es estrat6gicas. Helio pai articulava o Prodepa is se- cretarias da fazenda e de administration (ambas mudadas) para ter sob r6deas cur- tas a movimentaGio de poder e o recolhi- mento de dinheiro aos cofres p6blicos. Se nao puder montar uma estrutura propria nesses stores, Helinho (e por extensao direta, o pai) ao menos ficara perfeitamen- te ciente da estrat6gia do desafeto. E par- tilhara alguns segredos da miquina pii- blica, entire os quais a quantidade e a qua- lidade dos cargos de confianga, que algu- mas pequenas manobras administrativas tmr ocultado. Desta vez, os atos do interino nao fo- ram apenas de retaliag~o, fazendo baixar o cutelo sobre secretarios e auxiliares que o desagradam pessoalmente, ou criando embarago para o titular quando ele retor- nar ao cargo Agora ha uma estrat6gia po- litico-eleitoral adotada para aumentar a viabilidade da candidatura de Helio Guei- ros ao governor, ou o que ele quiser con- trapor a proposta de negociagao que Al- mir Gabriel ainda estiver disposto a fazer quando voltar. Quanto tempo ainda sera precise para que isso aconteca? Os tucanos, evidente- mente, procuram criar um clima de tran- qiilidade e confianca em torno do gover- nador convalescent, mas as perspectives nao sao as mesmas que havia anteriormen- te a doenga. Almir reassumira o cargo antes mesmo de poder exerc8-lo de fato, apenas para afastar o Jinior do comando da maquina. Devera reforgar a pratica ja corrente, que faz de Simfo Jatene, afasta- do da Secretaria do Planejamento, e do nucleo em torno dele, uma esp6cie de gabinete parlamentar. Mas Almir conse- guira colocar-se de novo a frente da cam- panha eleitoral, mantendo o ritmo que ela vinha tendo? Dependendo do tempo em que ficara imobilizado ou tendo que se resguardar, podera haver a quebra da continuidade do seu govemo e da imagem de dinamismo que constitui seu grande trunfo para a campanha eleitoral. A recomposiiao do status quo ante pode defender apenas de refazer os atos, mas nem sempre o que se reata na formalidade administrative se restabelece na pratica ou ao menos nio integralmente. E o caso da posic~o do Estado no con- tencioso cor a Companhia Vale do Rio Doce. Se simplesmente restabelecer os privil6gios da empresa, cancelados por Helinho, Almir pode ser alcancado pela antipatia estadual em relaao a empresa. Se mantiver os atos, tera dado um pass precipitado, retaliando antes de haver es- gotado os terms da negociagco e dan- do motives para CVRD apresentar, dian- te do pfiblico, justificando o que ja esti- ver decidido por outras raz6es. Ao optar por investor contra o reduto de seu companheiro compuls6rio de man- dato, H6lio Gueiros Jr. decidiu arriscar- se aos desgastes emocionais de sua atitu- de junto a uma opiniao pdblica condoida corn a sorte do governador paraaprovei- tar um moment politico talvez inico. Mas quem escolheu arriscar-se a essas adversidades foi o pr6prio Almir Gabriel. Ele tinha restri96es ao nome de Helinho quando ele lhe foi submetido, juntamente corn outros dois (o do president da As- semblia Legislativa, Luiz Otavio Campos, era um deles), para ser o companheiro de chapa, em 1994. Mas Almir achou melhor ficar com Helinho porque faturaria o pres- tigio do nome do pai. Esta pagando por esse oportunismo, corn juros e correAio monetaria extorsivos, certamente, mas que talvez s6 nao sejam mesmo mereci- dos porque o Para paga a conta junto com ele. E como ela d6i. (Ver pig. 8) S Salobo: protest vai radicalizar em Maraba No dia 6, os organizadores do movimento pela instalagdo do Projeto Salobo em Mara- ba esperam concentrar cente- nas de pessoas no quil6metro seis da Estrada de Ferro de Carajas, ocupando o ptio fer- roviario. Podera ser o mais forte ato de protest realiza- do ate agora contra a suspen- sao do compromisso anterior- mente estabelecido pela Com- panhia Vale do Rio Doce, an- tes de sua recent privatiza- rao, para realizar em territo- rio paraense a mineragao e o beneficiamento do cobre de Carajas, num investimento de 1,7 bilhao de reals. O protocolo de intencbes assinado seis meses atras pe- los dirigentes de entao da CVRD virou letra morta. Nao so pela mudanga estrutural na empresa, como porque os no- vos donos realizaram um re- estudo do projeto, concluido hA duas semanas, que pode mudar inteiramente a concep- 9ao do Salobo. Nesse novo quadro, o Para seria a menos provavel das hip6teses de lo- calizag~o da metalurgia, per- dendo em importancia para o Maranhao e a Bahia. O texto do novo estudo de viabilidade 6 mantido em si- gilo. Apenas o jomal Gazeta Mercantil, de Sao Paulo, fil- trou informa96es de uma fon- te nao identificada junto a empresa. Segundo essa ver- sao, a CVRD e seu principal s6cio no Salobo, a sul-africa- na Anglo American (que era a maior produtora mundial de ouro at6 a semana passada), estao enm posic6es divergen- tes. A Vale de Benjamin Steinbruch (ao contrArio do que ele diz de public) gosta- ria de utilizar a metalfirgica da Bahia para a fundigao do me- tal, ao inv6s de implantar uma nova fabrica (que seria em Maraba, mas parece ir-se des- locando para Rosario, no Ma- ranhao), fazendo apenas a concentra~ao na regiao. A Anglo ate poderia acei- tar um esquema desses, des- de que nao precisasse dividir poder corn a Paranapanema, da qual "quer distincia", diz o jomal, sem muita precisao. Os sul-africanos defended a implantagao do projeto por inteiro. da concentragao do mineiio at6 a metalurgia, o que 6 compreensivel: o con- centrado de Carajas apresen- ta um elevado e incomum teor de fluor, que dificultara sua aceitagao por outras metalur- gicas. Uma coisa 6 adaptar a fa- brica da Caraiba Metais, a unica metalurgia em operaCao no Brasil, e outra 6 fazer essa adaptag~o (que custaria entire 70 e 100 milh6es de d6lares) em outras unidades espalha- das pelo mundo que poderi- am receber o min6rio de Ca- rajas. Mas sem isso, a usina de concentraago de Carajas acabaria dependendo total- mente da Caraiba, o que seria indesejavel para a Anglo e para qualquer outra empresa que nio fizesse parte do con- glomerado da CVRD. JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 3 0 grande Como O Liberal ja havia feito antes, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil durante o period de deposiq~o de Joao Goulart, Lincoln Gordon, tamb6m andou trocando as bolas. Ele confundiu manchete corn editorial e 0 Globo corn o Correio da Manha. Mesmo ao corri- gir o erro que cometera na entrevista dada a Veja, nao fez a remissio correta. Pro- vavelmente poucos perceberio que a er- rata persistiu. No pais da mem6ria curta, o Correio da Manha ja deve ter tido sua hist6ria remetida para o arquivo morto. E uma pena. Foi o mais liberal dos jornais brasileiros em todos os tempos. Comegou corn o s6culo e sofreu morte antecipada, em 1974. Durante a maior parte dessa trajet6ria teve um comporta- mento decent, coerente. Ainda 6 o jor- nal que maior influncia exerceu duran- te a Republica brasileira. Cometia erros, mas tinha principios, que nunca nego- cion. Podia-se discordar de suas posi- 96es, sem a suspeita, por6m, de que ti- vessem sido estabelecidas a base de ne- gociago commercial. Por isso, os dois editorials e nro um, como pensa ainda Lincoln Gordon de 31 de margo e 1" de abril de 1964 tive- ram o poder de arregimentar a classes media para o golpe military, consolidan- do-o.O jomal, como a parcela prepon- derante da opiniio public (cujos movi- mentos acompanhava ou dirigia), apoia- va as reforms de base de Jango. Mas nao as desejava atrav6s de um regime plenipotenciario, como parecia iminen- te, corn a concentragio de poderes nas maos de um president pessoalmente fra- co e institucionalmente forte. Quando esse preqo tomou-se eviden- te demais, o Correio saiu corn o editori- al Basta, arrematado a 1 de abril, quan- do as tropas rebeldes j estavam em mar- cha avangada e Jango se deslocava para a fronteira sul, corn o Fora. A classes media, corn essa senha, foi para as ruas saudar os novos donos do poder (e, res- journal more outra vez salte-se, a par da selvageria political, con- tra a qual o journal logo se posicionou, o regime comeqou realmente reformista, exaurindo o molho ideol6gico e execu- tando as mudangas, como na reform agraria do Estatuto da Terra). A ultima grande proeza do Correio havia sido aju- dar a derrubar o Estado Novo, publican- do entrevista do seu reporter, Carlos La- cerda, corn Jos6 Am6rico de Almeida, ex-ministro de Getilio Vargas. Tinha cacife, portanto. Na imprensa dos nossos dias, 6 dificil avaliar corn exatidao o que foi o Cor- reio da Manhd. Sua versao atual mais pr6xima (anos-luz de distancia) 6 a Fo- lha de S. Paulo, mas uma verso inculta e profissionalmente muito mais d6bil. A redago do Correio era terreno de con- vivEncia de gente como Otto Maria Car- peaux, Antonio Callado, Osvaldo Peral- va, Graciliano Ramos, Alvaro Lins, Car- los Heitor Cony, Hermano Alves, Mar- cio Moreira Alves, Salvyano Cavalcanti de Paiva, Moniz Viana, Paulo Francis e um conjunto de jornalistas e escritores de primeiro time, nem sempre de esquer- da, reunidos dos anos 50 aos 60 pelo cri- t6rio de qualidade. Foi um period de ouro da imprensa brasileira, nunca mais atingido. Jefferson Ribeiro claudicou exagerada- mente na tentative de reconstitui-la no fra- co Um Jornal Assassinado. Pior ainda 6 o livro mais recent sobre o tema, de Pery Cotta, Calandra 0 sufoco da imprensa nos anos de chumbo (Bertrand do Brasil, 238 paginas, R$ 22). Corn o livro, Pery quer sanear seu passado e atribuir-se um lugar de destaque nessa fase dificil da imprensa e da hist6ria brasileira, que ob- jetivamente ele nunca teve. Sua maior contribuigio foi assumir a primeira de- nuncia contra o esquema terrorist mon- tado em 1968 junto ao Para-Sar (a tropa de elite da Aeronautica) para eliminar os personagens considerados indesejaveis pela ala mais radical do sistema military. A reportagem foi apenas assinada por Cotta, que a recebeu, pronta, de um co- lega de umjornal concorrente (cujo nome ele nao aponta, mas as pessoas mais bem informadas nos jornais na 6poca sabem quenm ). E ai terminou o curto lampejo de gl6ria de Cotta, que agora ressurge para leitores desinformados ou desaten- tos como her6i de 6poca, Como todos os outros que procuraram as raz6es do desaparecimento precipita- do do journal, ele as atribui ao "ardiloso process de asfixia economic e finan- ceira" montado pelo governor military. Re- almente, mais do que a censura, foi esse boicote que minou as forgas do Correio. A publicidade official foi cortada e os anunciantes particulares tambem "con- vencidos" a desviar sua programado. Mas a empresa teria subsistido (ou ao menos sobrevivido mais tempo) se tives- se um comando a altura dos seus proble- mas. Tanto para redimensiona-la, como fazer um diagn6stico mais correto da conjuntura e dos anos seguintes (a pre- suncao era de que, mais uma vez, os mi- litares ficariam pouco tempo no poder, devolvendo-o aos civis). O livro de Cotta teria sentido se ele o tivesse reduzido a um tergo do seu ta- manho, limitando-se a testemunhar so- bre o ocaso do grande journal (a unica contribuigdo inegavelmente valida 6 so- bre a queda de Peralva, o redator-chefe por ocasiao do AI-5). Ocupando dois tergos das paginas cor informacQes en- ciclop6dicas e lembrancas de uma me- moria enfraquecida e totalmente lateral aos fatos relevantes (fala de tr8s edito- riais do CM, enxertando um inexisten- te), deixou de cumprir seu pr6prio com- promisso: "deixar de tanta filosofia su- perficial e analise sociol6gica pereta. E, principalmente, nada de nariz-de- cera". 0 livro 6 feito quase s6 de cera, muito pouca, 6 certo, para as ex6quias do defunto glorioso, mas excessive para o autor-carpideira. 0 -------------. -----.- . - Al6m disso, as oito tone- ladas de ouro e 20 toneladas de prata que podem ser pro- duzidas anualmente iriam para o comprador.A said se- ria refazer as composites so- cietirias do setor, juntando a Salobo A Caraiba, on entio implantar o Salobo indepen- dentemente da Caraiba, como preferiria a Anglo e nio esta- ria querendo a Vale. Essa definiqAo vai depen- der do desfecho das negocia- c9es que v6m sendo mantidas pela CVRD cor a Anglo, a Gencor (que se tornou a n 1 do ouro depois de sua fusao cor outra sul-africana, a Gold Fields) e o grupo Voto- rantim, havendo ainda muita especulagio paralela sobre outros interesses, como os da inglesa RTZ, a maior minera- dora do mundo. O grave, para o Para, 6 estar inteiramente marginalizado desses entendi- mentos empresariais, que se at8m a interesses micro-eco- n6micos (e, cada vez mais, na Vale, a lucros imediatos). Mais uma vez, se o Para conseguir ganhar alguma coi- sa, nao tera sido por seus mi- ritos ou pela forca de sua in- tervengao na questao, mas pelo acaso, pela sorte (que as vezes ter a aparencia de azar, como o teor de fluor no co- bre de Carajas) ou pelo apa- drinhamento de sua padroei- ra, a Virgem de Nazar6. Mas sempre convem, nestes pro- saicos casos temporais, rezar menos e agir mais e melhor, se possivel. Os marabaenses, mesmo sem melhores informaa6es, decidiram ir al6m nos seus protests, talvez porque as eli- tes s6 decidam prestar aten- 9ao a sociedade quando um grave problema social (geral- mente confundido cor caso de policia nesta imutavel Re- puiblica) 6 criado. 0 4 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 Convenio tucano-liberal para televisao e illegal Ha 20 anos o governor do Estado vi- nha renovando um contrato atrav6s do qual o grupo Liberal utiliza as estac6es da Funtelpa para retransmitir a progra- maqgo da TV Globo para o interior do Estado. Origialmente, essas instalacbes foram montadas para servir a TV Cultu- ra. Interesses politicos e administrativos, mais a pressdo dos telespectadores inte- rioranos, fizeram cor que todo o hora- rio disponivel fosse progressivamente ocupado pela TV Liberal. Como com- pensacgo por esse evidence deslocamen- to de finalidade, o govemador do Esta- do passou a ter direito a tres minutes se- manais de insergso da publicidade ofici- al (na verdade, propaganda pessoal e elei- toreira) na programagco da TV Liberal. Por que o contrato, sempre assinado para periods de vigencia de cinco anos, simplesmente nao foi renovado neste ano, como nas vezes anteriores? Por que o governor Almir Gabriel decidiu substi- tuir o traditional contrato por convenio? Tecnicamente, a necessidade de novas bases operacionais ter sua motivagao. O grupo Liberal alugou um transponder no Brasilsat e agora vai poder transmitir ima- gens via sat6lite 24 horas por dia. Diver- sas emissoras de televisio do interior que captam as imagens da TV Globo vao, a partir de agora, poder conectar-se a TV Liberal. Mas para que haja um grande al- cance no Estado, as sucateadas estac6es da Funtelpa terao que receber investimen- tos e a rede sera ampliada. Se a necessidade de mudanga se impu- sesse por raz6es de moralidade ou para incorporar a boa norma da administragco piiblica, o normal seria a revogagdo des- se tipo de relacao, que nenhuma vanta- gem vinha dando a Funtelpa, nem servia aos prop6sitos da televised educativa. Mas se o governor decidisse subordi- nar essas diretrizes (que sao a razao da existencia da Funtelpa) a interesses co- merciais, estabelecendo valores compen- sat6rios em favor da forma9go de capi- tal da sempre combalida fundag~o, por que adotar a forma do convenio? E como justificar essa modificacao se os valores, por qualquer criterio de mensuracao que se deseje adotar, sao baixos? Mist6rios do modo tucano de gerir a coisa piblica. Mistdrios que s6 se man- tem porque os outros 6rgaos da impren- sa, mesmo diante da gravidade do tema, optaram por um complete e convenient silncio a respeito do assunto. Informal- mente, sao intensos os comentArios so- bre o convenio, que comecou a vigorar no dia 3. Mas, oficialmente, ninguem quer tratar do tema-tabu. Tudo porque o poderoso grupo Liberal e o beneficiado (ver Jornal Pessoal 172). Os t6cnicos consultados nao tem dui- vida de que o arranjo juridico da transa- cgo incorreto. O convenio assinado pela Funtelpa ter um valor, de 600 mil reais. E quanto a Funtelpa recebera em cinco anos (R$ 10 mil por mes) para ceder es- tacSes retransmissoras em 77 municipi- os. Logo, ha uma relagio commercial, em que uma das parties paga e a outra recebe pela contraprestagao de servigos que re- aliza. A finalidade do conv8nio 6 "recep- coo pela Funtelpa da programaqao local/ national da TV Liberal/Globo via UP Link para todo o interior". Em parecer apresentado recentemente, a professor Maria Cristina Cascaes Dou- rado, assessora do Tribunal de Contas do Estado, observa que, segundo o paragra- fo 5 do artigo 116 da Lei Geral das Lici- tag6es e Contratos Administrativos, nos conv6nios "encontramos participes que pelo fato de possuirem objetivos e inte- resses comuns, estabelecem um regime de cooperagao entire si, visando a consecu- 9co de resultados, tambem, comuns". Ja nos contratos administrativos, "as parties contratantes, atraves de uma rela- c9o de colaboragao, fixam prestagao e contra-prestagqo reciproca, onde uma que entrega o objeto do contrato a outra, que a remunera. Ha, portanto, interesses opostos conjugados". 0 jurista Hely Lopes Meirelles, fonte classic do direito administrative, tam- bem citado por Maria Cristina, 6 categ6- rico: "Convenio e acordo, mas nao e con- trato. No contrato, as parties tom interes- ses diversos e opostos; no cunvenio, os participes tem interesses comuns e coin- cidentes. Por outras palavras: no contra- to ha sempre duas parties (podendo ter mais de dois signatarios); uma, que pre- tende o objeto do ajuste (a obra, o servi- go, etc.); outra que pretend a contrapres- tagao correspondent (o prego, ou qual- quer outra vantagem), diversamente do que ocorre no convenio em que nao ha parties, mas unicamente participes com as mesmas pretens6es. Por essa razao, a posiGao juridica dos signatarios 6 uma s6 e id8ntica para todos, podendo haver, apenas, diversificagdo na cooperacgo de cada um, segundo as possibilidades para a consecugao do objetivo comum, dese- jado por todos". Na relagao Funtelpa/Grupo Liberal, a primeira parte entra corn as instalag6es fisicas e a segunda cor as imagens suas e da TV Globo. Nao interessa que para que as estac6es em terra estejam em con- dig6es de receber as imagens de sat61ite, o Estado tenha que fazer investimentos: eles nao foram apropriados pelo "con- venio". A unica parte que entra corn di- nheiro e a TV Liberal: ela paga pelo uso das estates. A declaraqdo de que o ob- jetivo comum e a integraqao do territo- rio paraense nao passa de ret6rica. Le- galmente, o enquadramento da relaggo s6 e possivel atraves de contrato. Mas se o valor do aluguel e baixo e se as condicqes leoninas para uma das parties persiste, por que recorrer ao conv8nio? A resposta pode ter sido dada, sem essa in- tengio, pela professor Maria Cristina em seu parecer, escrito bem antes do acordo Funtelpa/TV Liberal: "Observa-se, ainda, por imposiCSo constitutional e legal, a obri- gatoriedade de licitagio como anteceden- te necessario dos contratos firmados pela Administragao Publica, excetuando-se, tio somente, as hip6teses legais. Relativamente aos convenios, a pr6via licitag~o nao se aplica, visto situar-se no campo dos inte- resses convergentes, o que afasta a possi- bilidade de competigco". Mas se esse foi o objetivo dos estrate- gistas tucano-liberais, de contomar a exi- g8ncia de concorrencia pfiblica, o trecho seguinte do parecer da assessora do TCE, publicado no boletim interno do tribu- nal, pode ser uma ducha fria: "Inobstan- te a inaplicabilidade do institute da lici- tagao aos convenios administrativos, e inquestionavel a vinculacao dos mesmos aos principios fundamentals da Adminis- tra~,o Plblica, o que result, entire ou- tras coisas, na obrigagao do Poder Pu- blico de utilizar mecanismos nao discri- minat6rios na escolha, por exemplo, de algumas instituig6es particulares com os quais firmara conv8nio". Maria Cristina ressalta no final do seu parecer: "ainda que encontre-se o acor- do rotulado de convenio mas, se apre- sentar em suas clausulas certas estipula- 96es inerentes aos de contratos adminis- trativos, nos quais a Administraiao atua 'como clientt) dos empresarios pri- vados, isto 6, em um terreno de sim- ples colaboracio ou intercimbio pa- trimonial, por dinheiro, ou transfer possibilidades de atuagio, frente ao public, a ela reservadas em troca de coisas ou de serviCos que busca e rece- be' (...), imp6e-se reconhecer nesse ins- trumento as conseqii8ncias tipicas dos contratos, destacando-se, dentre outras, a obrigatoriedade de licitacao, somente dispensada ou inexigivel nos terms con- signados em lei". Cabe agora ao Tribunal de Contas do Estado, por ter aprovado o parecer, cor- rigir a ilegalidade. * JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 Enfim, uma boa noticia para todos Ufa! A Academia Brasileira de Letras finalmente rendeu-se a Jos6 Jacinto Vei- ga, o Jos6 J. Veiga que Jodo Guimaraes Rosa poeticamente rebatizou e introdu- ziu na literature brasileira 40 anos atras. O grande pr8mio da ABL de 1997, o Machado de Assis, foi dado a Veiga de- pois de ele haver escrito 14 livros, corn a inacreditavel tiragem geral de 500 mil exemplares. Nem tudo 6 desdnimo neste pais. Os Cavalinhos de Platipanto, o pri- meiro livro, escrito em 1958, quando Jose J. Veigaja estava cor 43 anos (hoje sustenta olimpicamente 82), foi publica- do no ano seguinte, por indicagdo de Guimaraes Rosa. Mas essa data nao con- ta: a editor, a Nitida, era desconhecida; o livro, que chega agora a sua 20" edi- 9co, com 100 mil exemplares acumula- dos, quase nao vendeu. A estr6ia para valer s6 viria sete anos depois, corn o formidavel A Hora dos Ruminantes, lancada pela Editora Civiliza9ao Brasi- leira, de Enio Silveira, corn uma bela capa de Marius Lauritzen Bern e a ore- lha escrita por Edison Carneiro, um dos sabios nordestinos. Carneiro se perguntava se aquilo era um ap6logo ou um romance. A rigor, era uma novela. Na substincia, uma alego- ria sobre o poder e o autoritarismo, so- bre a opressao mais generalizadamente. O sucesso do livro decorreu da associa- cqo da hist6ria ao golpe que os militares haviam desfechado dois anos antes, der- rubando o president Joao Goulart. Em recent entrevista a 0 Estado de S. Pau- lo, Veiga inform que o livro estava pron- to antes de 1964. No mesmo moment em que ajus- ti a retolna o process sobre o assas- sinato do sindicalista Joo Canuto, ocorrido 12 anos arras. em Rio Ma- ria, seu filho, Orlando Canuto. assu- me a presidencia do sindicaro quc Lain- bem foi presidido pelo pai A coinci- dEncia pode ser oportuna para que Or- lando. sobreT\iente de umra embosca- da que amnbenm Itquidou seu irmno. possa desempenhar a funqao sem os atropelos que marcaram tao tragica- menie a sua fanilia. So agora toram expedidas as ordens de pnsio contra tres dos cinco reus in- diciados no process, mas o proprno Orlando diz que dois deles. os fazein- deiros Ovidio Gomes de Oliveira e Evantuir Gonqalves de Paula. estan- Mas sem a situaqao criada pelo re- gime de exce9ao dos militares, sua se- mente literaria nao teria grelado em solo tao f6rtil. A esmagadora maioria dos leitores que se langaram com so- freguidao sobre A Hora dos Rumi- nantes entendeu o livro como uma parabola de vinganga contra os auto- res das viol8ncias que entao se prati- cava. Uma parabola de eficacia exem- plar. A linguagem do livro, entretanto, nio permitia reduzi-lo a um panfleto, datan- do-o. Ao contrario, a combinagao de sin- geleza e apuro, de clareza e profundida- de, e o tom poetico perpassando por so- bre todo o enredo surrealista da hist6ria, fez muita gente pensar imediatamente em Franz Kafka. Foi Kafka quem impulsionou J. Vei- ga para a literature, como ele mesmo admite a Jose Castello, na entrevista ao Estadao. Mas, ao menos n'A Hora dos Ruminantes, seu maior parentesco e cor o George Orwell de A Revolu~go dos Bichos (Animal Farm, traduzido por Chico Buarque de Holanda, sem de- signagao da inspiragao, para Fazenda Modelo). Notavel transposig9o, para os limits indemarcaveis da literature sem fronteira e sem porteira, de Corumba de Goias, a terra natal de Veiga, a matriz concrete e palpavel de Manarairema, a cidade ficcional que entrou para a anto- logia dos grandes moments das letras brasileiras em todos os tempos cor este trecho: "Manarairema ao cair da noite - antincios, prenuncios, bulicios. Trazi- dos pelo vento que bate pique nas es- am circulando em Rio Maria O cx- prefeito Adilson Laran.eiras tamben esta foragIdo O process fol reaber- to. mas ainda nao tern um desfechci defintdo Por isso. ndo ha culpados condenados press E um dos imais demorados processor em andamento na jusuca paraense, o suficiente para amda manner o clima de impunidade quc favorece a \lolcncia em Rio Ma- ria e ourros luLares do interior do Para. A .isluca que for expedida no case de Eldorado de Carajas. prevendo-se a absol\ ixio do gol ernador Alnur Ga- briel no pro\ito mnis nao pode per- mitir que persistan contrasies conlll esse Atinal cla dete ser igual para todos c n5o de\e tardar tanto que cne a descrensa em seu poder arbitral quinas, aqueles infaliveis latidos, cho- ros de crianga cor dor de ouvido, cor medo de escuro. Palpites de sapos em conferencia, grilos afiando ferros, mor- cegos costurando a esmo, estendendo panos pretos, enfeitando o largo para alguma festa soturna. Manairarema vai sofrer a noite". Eu era colegial de 17 anos quando li A Hora dos Ruminantes, uns poucos meses depois do langamento do livro. Havia chegado ao Rio de Janeiro corn recomendagao para o Col6gio Pedro II, que n6s, interioranos, supuinhamos o creme de la creme do ensino. O pai do Marcio Moreira Alves, que tinha o mes- mo nome, secretario de educacao cari- oca, acho, me desencorajou de seguir o rumo indicado na carta de apresentagao que lhe entreguei. "Esta ultrapassado", foi o que ponderou. E escreveu outra recomendagao, dirigida a professor Henriette Amado. Assim fui parar no Andre Maurois, a escola experimental do Estado, no Le- blon. Era o ensino de vanguard, que comegava em plena 6poca de obscuran- tismo, sob as asas de uma mulher excep- cional (muito depois, tive um choque ao tomar conhecimento de uma pol8mica montada em torno dela por causa de cor- rupCpo). Na aula de portugu8s, o calmo e atraente professor Ivo Barbieri deu logo dois trabalhos para fazer em casa e dis- cutir na classes. Um, sobre a enciclica Populorum Progressio (0 Progresso dos Povos),do Papa Paulo VI, que acabava de ser langada. E outro sobre A Hora dos Ruminantes, de Jose J. Veiga, que poucos ainda conheciam e eram capazes de admirar. A liberdade foi curta para o profes- sor, seus alunos e o Andr6 Maurois. Bar- bieri foi preso como terrorist e tortura- do. Sobreviveria para assumir, muito depois, a reitoria da Universidade Fede- ral do Rio de Janeiro. Um home de grande inteligencia e carisma, que nos fez ler um livro que muito nos ajudaria a entender o drama do pais e do pr6prio professor. Ainda maior esse Jose J. Vei- ga, que agora a academia dos literatos brasileiros premia, depois de tantos anos em que, por esse milagre que ainda nos faz crer na hist6ria, milhares de pessoas, sobretudo jovens, leram seus 13 maravi- lhosos livros (o 14 em lancamento), sim- ples e profundo como a grande ficcao sempre e. Encantador mist6rio esse, em que o bom 6 tamb6m popular e a maioria acer- ta. Uma moral para afastar o banzo da temporada. * Em tempo 6 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 r Avice-prefeita de Bel6m, Ana Julia Carepa, me en- viou a seguinte carta: "Fiquei surpresa com afirma- 96es, absolutamente inveridicas fei- tas por voce no seu ultimo Jornal Pessoal, na nota intitulada 'Palavra de Arquiteto', pelo que solicito as seguintes retifica9qes: a) Nunca fui ao gabinete do sr. Ronaldo Maiorana levar apoio da PMB ao event do ParA Folia. Pelo contrario, foi o empresArio, que di- rigiu-se A PMB, para tratar da regu- larizagpo da promogAo festival da qual era titular, e eu o recebi, como receberia e recebo, qualquer cidadio que interessado em realizar ativida- de em espago pOblico, necessite de autorizagAo da PMB para tal; b) Ao contrario do que voce no- ticiou nao foi concedida isengao fis- cal ao ParA Folia, ficando inclusive expresso no term de autorizagao do event, em seu item 12.2 que "O valor do imposto incident sobre o event (ISS) serA fixado pela PMB- SEFIN, atrav6s de estimativa", sen- do que a Secretaria de Finangas do Municipio jA procedeu a notificaglo para o pagamento do imposto devi- do. Aproveito para observer que esta 6 a primeira vez que 6 elaborado um document disciplinando as rela9qes entire o poder piblico e os promoto- res do event, estabelecendo obriga- oes ficais e extra-fiscais para os se- gundos, fato que serA repetido em qualquer outra promog9o do gene- ro. A PMB evitou assim que tomas- se a ocorrer, o acontecido em gover- nos passados, onde era, ai sim co- mum as isen9ges e ausencias de obriga98es dos particulares em re- lagio ao poder piblico, fato que sin- ceramente nao record de ter sido objeto de critical em seu journal; Por fim caro LUcio, lamento ter sido alvo de critical tao Acida e infun- dada, sem nem ao menos ter sido ou- vida antes da conclusao desta repor- tagem, apesar de nunca ter me nega- do a receber nenhum jomalista". Minha resposta: O Jornal Pessoal errou. A Secretaria Muni- cipal de Financas cobrou deISS do Para Folia aproximadamente 165 mil UFIRs (Unidade Fiscal de Re- fernncia), o equivalent a 150 mil reais. Esse valor foi estabelecido por estimativa, devido a "impossi- bilidade de se aferir o valor real do movimento econ6mico do even- to", conform a portaria 297 da Sefin, cor base em informao6es fornecidas pelos pr6prios promc - tores. 0 c6lculo abrangeu "os in- gressos de arquibancadas e cama- rotes, cor seus respectivos valores e n~meros de blocos cor seus brin- cantes". 0 Para Folia, que movi- mentou milhares depessoas duran- te quatro dias, no final do ms pas- sado, teria alcancado receita bru- ta de tris milhaes de reais. Apesar de ter obtido a informa- qdo de umafonte segura, durante a negociafdo dos organizadores do Para Folia cor o governor do Esta- do, para a redudo da taxa da Se- cretaria de SeguranFa PNblica, a vice-prefeita ter razdo: deveria ter sido ouvida. Mesmo que a nota do JP ndo seja uma reportagem, mas um tdpico de opinido, a informacdo realmente era errada. Mas a base do argument permanece de pe. Enquanto cobrava RS 150 mil de ISS, por estimativa, a prefeitura de Belm pagava R$ 158 mil d TVLibe- ral por uma das cotas da transmis- sdo do Cirio de Nazard. Apenas mais uma (cor asLojasArapud), das cin- co cotas originalmente previstas, foi comercializada, talvez por causa do preFo: enquanto a Liberal queria R$ 158 mil, sua concorrente, a TVRBA, que liderou o outro "pool" cor o SBT cobrou R$ 35 mil. Assim, se Ronaldo Maiorana terd prazo ate este dia 23 para re- colher os R$ 150 mil de ISS devido pelo Pard Folia, a empresa de sua familiar recebe R$ 158 mil pela transmissao do Cirio. No encontro de contas, saldo de R$ 8 mil, pago pelo contribuinte, o mesmo qui arca corn a atualfolia publicitaria official, movimentada a todo vapor, pari-passu, pelos governistas esta- duais tucanos e os municipals pe- tistas. 0 faturamento e aprecidvel corn a propaganda cada vez mais maciga da PMB nos veiculos do grupo Liberal, a margem da quita- ado de duas parcelas (RS 500 mil em dois meses) da divida deixada por Hdlio Gueiros. Dessa maneira, reabriu-se o espaFo para os petis- tas de Belim, inclusive no Rep6r- ter 70, a coluna nobre mas sem- pre atenta especialmente aos ci- fr6es de 0 Liberal. De fato, como este journal noti- ciou, a actual administracdo munici- pal conseguiu enquadrar o Pard Fo- lia numpardmetrode legalidade, im- pondo-lhe algumas regras. Antes, o carnavalfora de gpoca era feito i revelia e por omissdo da prefeitura. Nessa epoca o JP era o zunico lugar no qual essa relaado promiscua en- re a administracdo piblica e o gru- po Liberal sofia critical, como per- siste sendo o rnico espaFo da im- prensa local a manter esse tipo de critical, seja li a quem for o inimigo de sempre ou o amigo de ontem. Um espaco que continue invendivel e, como diria o Magri (parodiado pelo Gileno nos verdelejos e azulejos), imprestAvel, inclusive aos argumen- tos da seducdo menos sonante. e Rodolfo Lisboa Cerveira: "N5o pretend polemizar o assun- to e transformer seu excelente journal em um reposit6rio de cartas, ainda que elas possam exprimir os nossos lidi- mos interesses. Por6m, permita-me discordar de sua assertive sobre a des- capitalizagao e a desorganizagio da atividade produtiva na Amaz6nia: al6m, 6 claro, do esbulho contibil que permit o retomo do recurso a custo zero e sua origem (aos capitalistas do Sul e a r6cua de apaniguados natives). A responsavel pela elaboraglo e exe- cugAo dos Pianos Regionais 6 a SU- DAM (antes, SPVEA). 0 BASA atua tgo-somente como Agente Financeiro (com recursos a fundo perdido). Nes- ta hip6tese, nao Ihe caberia a invecti- va de desestabilizador da economic re- gional; ate porque nos projetos em que participa com recursos a juros favo- recidos, ha projeg9es de receitas, cus- tos, produgao, mercado e outras vari- Aveis que o rigor t6cnico exige. Para finalizar, sugiro-lhe reler o seu texto 'O Estado Nacional, padrasto da Amazonia', publicado na revista do IDESP 'Para Desenvolvimento', n 20/21 (1986/87), ali nao consta o BASA como algoz da Amazbnia, muito pelo contrArio... Obs. Aqui para n6s, a 'primeira experiencia desse porte de planeja- mento regional do Brasil', foi a SU- DENE do Celso Furtado ou a SPVEA do Waldir Bouhid?" Minha resposta: A culpa, pelo menos no dmbito do territ6rio bra- sileiro, 4, como mostrei no artigo citadopelo Cerveira, do Estado na- cional, author e, quando ndo, pro- pagandista do model de integra- fdo da Amaz6nia as economies ex- ternas (com regras por estas esta- belecidas). A Sudam, evidentemente, e personagem mais important do que o Basa epor isso ela ter mais destaque no texto. Mas na nossa polimica estamos tratando do Ban- co da Amaz6nia. Como agent fi- nanceiro do Finam, o Basa d mero repassador de recursos carimba- dos. Mas tambdmfoi agent do Pro- terra e, nessa condicao, limitou-se a cumprir ordens, mesmo que con- trhrias aos interesses e aspirafbes da Amaz6nia. As principals ordens foram dadas por Delfim Neto. Os principals executoresforam Jorge Babot de Miranda e Francisco de Jesus Penha. Apesar de todas as normas bancdrias, muitas opera- f5es de crddito rural ficaram no "ora, veja ". Nem a documentacdo das terras costumava ser regular. Nao interessava: o objetivo era dar dinheiro para a pecudria de corte. Mesmo destacando a Sudam (que, final, d a coordenadora de toda a acdo federal na Amazdnia, hierarquicamente estabelecida em patamar superior ao do Basa), nao deixei de me referir ao banco, como neste trecho: "Refletindo esta nova conjuntura, em 1946 o BCB [Ban- co de Cr6dito da Borracha/ come- fou a diversificarsua afro, deixan- do de ser um banco exclusivamen- te dedicado a borracha e abrindo uma carteira agropecudria. Aos poucos o fomento a borracha iria perdendo gnfase, matando no nas- cedouro o process de beneficia- mento na propria regido ". Desde entdo, o Basa s6 preci- sou sufocar a consciincia critical, que sobreviveu ati a dicada de 70 em seu sector tecnico, para desem- penhar o seu papel de fiel cumpri- dor das determinaqoes da political federal. Foi algoz, ainda que como codjuvante. 0 que ndo quer dizer que, por isso, deva ser execrado e condenado. Mas precise mudar. Nao hd duvida alguma que a Amaz6niafoi pioneira no planeja- mento regional. A Constituifao de 1946 reservou-lhe 3% da receita tributdria federal. A aplicaago des- sa verba estava vinculada ao Pla- no de Valorizaqgo Econ6mica da Amaz6nia, exigdncia constitucio- nal, mas o 6rgdo que o executaria sdfoi criado sete anos depois, em 1953, a SPVEA. Ainda assim, an- tecedeu de seis anos a Sudene de Celso Furtado, criada em 1959, no governor desenvolvimentista de Jus- celino Kubitscheck. Quanto a Wal- dir Bouhid: ele assumiu a superin- tendincia jd no ocaso da SPVEA. Et pour cause, como costumam di- zer os colunistas sociais. e Antonio Luiz Passos da Silva administratorr): "Voc6 sempre escreve em seu Journal Pessoal a expressao 'coisas provincianas' quando se dirige a acontecimentos relacionados com nosso Estado, no entanto somos sa- bedores que muitos dos fatos ocorri- dos, os quais merecem seu destaque como 'provincianos', nio sio nosso exclusive privil6gio e sim de quase todos os.estados brasileiros, com ra- ras exce96es, se 6 que estas existem". Minha resposta: E verdade. Mas minha seara sdo os provinci- anismos paraenses, dos quais nao sou e nem pretend ser um especi- alista. Ndo afirmo que tudo o que ocorre aqui e provinciano. Acon- tecimentos cosmopolitas se suce- dem no Pard, quase sempre a nos- sa revelia e sob nosso complete alheamento. Este e o pior tipo de provincianismo: a inacapacidade de fazer a prdpria hist6ria. e Maria do Rosario San- tos da Silva, acad6mica de Cidncias Sociais: JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 7 Terra: governor v problema, sem agir Ha um "crescente estehonato fundi- estrutura do Iterpa, para ela promoter., "o 1977 para disciplinar os carrbnos. Ario" no Para. reconhece o Conselho Es- mais rapid possivel, as aqoes judiciais vi- As resolu es. dtscuttdas e aprova- tadual de Politica Agrina e Fundiaria sando desconsutuir centenas de registros das ha alguns meses, s6na semana pas- do Estado. Atraves de duas resoluqbes. irregulares"e'xiasentesnoscartorios de Bre- sada foram publicadas no Diario Ofi- as primeiras estabelecidas neste ano. o ves e Portel Nesses dots munictpios ten- cal do Estado. Mas como ainda ndo Conselho, que e presciddo pelo secreta- am que ser realizadas discriminatorias ju- tmm o referendo do governador. per- rio de agriculture. Hildegardo Nnmes. diciais eouras medidas compativeis "com manecem na condiao de meras pro- quer combater as irregulandades ja a gravidade e extensAo dos probtemas fun- posiqes, recomendaybes e sugesrocs. constatadas O pnncipal alvo das duas drinos" daquelas kocahdades sem carter executlvo. Como, de res- unciarivas sAo os cartnnos de registro 0 Conselho recomenda tambem ins- to. tern sido a marca da administraiao de imoveis de sets municipios do inte- peq6es ou correeites judicias nos car- Almir Gabriel no sector fundiarto: mwu- nor. "onde se multiplicam, de forma tornos de Alramira. Sio Felix do Xmgu. to boa intenqio declarada para pouca corriqueira. as manobras e 'grilagens' Acara. Moju. Sao Miguel do Guama e agAo concrete. e resultados praticos de terras publicas. gerando, em conse- Breves, "onde se concentram os maio- menos significativos amda. Depois quncia. enormes prejuizos aos mesti- res indices de irregularidades documen- desse diagn6stico sobre a gravidade da memos produtivos e ao desenvolvimen- tais envolvendo umensas areas de terras "grilagem" de terras, s6 faha as duas to socio-economnco da regido". do patrunmruo tundario paraense' Essa resoluqces jamais serem referendadas O Conselho quer fortalecer a Procu- inmcativa seria refortada pela reedigao pelo goemnador para que o problema radona Fundiuria do Estado. que substi- da instruQgo numero dois da Correge- se tome mais seno ainda. No papel. tuiuoanngodepartamentoencravadona doria Geral de Justiga, baixada em porem, ele estarA resolvido. "Gosto muito de ler seu Jornal Pessoal, por6m existem opinibes ou critics suas que discordo democra- ticamente, e uma das quais cito como sendo a mat6ria sobre a Macrodre- nagem, onde o senhor escreve que o prefeito Edmilson esti 'pegando ca- rona' do Estado. O senhor hA de con- vir que se a Prefeitura pode fazer isso, tern garantias, por que nio fa- zer? Pergunto mais, se fosse o se- nhor o que faria se estivesse sentin- do-se vivendo em uma jaula cheia de leoes selvagens corn uma roupa nao muito forte para seus ataques? Pois 6 assim que vejo o atual prefei- to na nossa cidade belemense, e sin- ceramente o acho uma criatura mui- to corajosa, pois Ihe garanto corn autoridade que se fosse outro jA te- ria desistido, visto a grande press&o que recebe de todo o lado da socie- dade, e o senhor como jornalista e soci6logo, tenho certeza que pode avaliar o que digo, nao com olhos de opositor, mas com olhos de criti- co. E aproveito para Ihe perguntar como o senhor agiria neste caso? O senhor por acaso tern uma formula milagrosa contra a corrupqao dos lebes do nosso Estado? Se tem, seja bondoso e partilhe conosco, pois te- nho muita vontade de ajudar o pre- feito, pois alIm de corajoso ele 6 honest e lutador assim como eu, e nao merece ser comido por estes le- oes malditos". Minha resposta: Ndo hd f6r- mula para ser honest, muito me- nos dificuldade. Sempre lembro da resposta de Millor Fernandes quando Ihe perguntaram se era di- ficil ser honest. "Ndo", retrucou o sdbio doMeier completando, rd- pido: "nao hd concorrencia ". Por- tanto, e sd ndo se deixar tentar, ser honest por principio. Principio d pressuposto, cldusula petrea da personalidade (principalmente do carter, para usar expressed jd meiofora de moda). Ndo h6 nenhum merito em ser honest. Todospoderiamos ser an- tes que devissemos se-lo, diria o al- quimista da anti-corrupfdo, Jdnio Quadros (o unico cor sua conta numerada na Suiga revelada e pela prdpria filha, a instdvel Tutu). Logo, nao hd formula mdgica em terms individuals. Cartesiana- mente, se todos fossemos pessoal- mente honestos, a sociedade que formamos tambem o seria. Mas o enunciado costuma se transformer em silogismo e ai comegam as com- plicapOes, que tornam a corrupqao tema tio explosive. Puxamos de nossa indignaqfo quando vemos o diagndstico em ingles. Seja hi em qual lingua elafor registrada, e um dos maiores desafios que temos a responder enquantohd tempo. Mas nao se hd de dar tregua aos cor- ruptos. Pelo menos aqui neste jor- nal e uma diretriz editorial. Divulgar a verdade e a norma da propaganda sadia. Criar o que interessa e coisa de propaganda manipuladora. A prefeitura de Be- lem, pelas razees apresentadas na edigqo anterior ndo participou ati- vamente da macrodrenagem. A pro- paganda feita e sagaz e oportunis- ta, mas d um falseamento da reali- dade. Ao inves de se apropriar do que ndo lhe pertence, deveria mos- trar a origem do program e a ne- cessidade, a partir de agora, da participapFo do municipio, que saiu de sua passividade abulica em relafgo ao maior investimento pdi- blico feito em Belem. Ao final da leitura da pega publicitiria divul- gada, qualquer leitor atento ird se sentir ludibriado. Nao e just. Nao tenho motivo algum. ate aqui, para duvidar da honestidade e da coragem de Edmilson Rodri- gues. Quanto a competencia dele, d outra questio. Coragem e hones- tidade sdo requisitos indispensd- veis para enfrentar os graves pro- blemas de Belim, mas nao sdo su- ficientes. E precise de competincia, talvez condigao ainda mais rele- vante. E o detalhe: tudo isso em equipe e nao sd individualmente. Infeliz do pais que precisa de he- rois, jf disse Galileu, pela pena de Bertolt Brecht. Amem. Quanto ao restante de seus questionamentos, espero respond&- los em outra ediqdo. e Jorge Moreira Juliio, president da Federagdo das Associagdes de Aposen- tados e Pensionistas do Esta- do do Park: "Escreveste certa vez: 'jomalis- ta que nao incomoda, 6 rela65es pi- blicas'. MEMORIAL GEOLOGIC DO PARA AMEA(ADA 6 um dos titu- los inseridos no JP n" 171, infor- mando aos leitores fatos omitidos por outros 6rgbos de imprensa, os quais, digo eu: por negligencia, omissao ou interesses pr6prios; di- ficil de saber, Todo o conteido do citado texto 6 important e 6 mais do que uma denuncia. Por6m, no 61timo parAgra- fo, quando fizeste referencia ao 'le- tArgico governor estadual', 'acervo da Docegeo', 'queda de nivel do nucleo de geologia e geocibncias da UFPA' (...), tomando o seu vocAbu- lo, 'arremata' a denOncia. Sao fatos rotineiros no Para, caro jornalista. Veja bem: quando eu re- digi PRIVATIZAC)ES E A AMA- ZONIA e enviei c6pias aos jornais grandes de Bel6m, ao de Ananindeua e ao JP, nenhum deu publicidade a uma virgula sequer, do meu protes- to. De duas, uma: ou porque 6 um texto in6pio, ou?... Nao me cons- trange nem me agasta o descaso, porque, em verdade, sou peixe de outra lagoa. Por6m, preocupo-me corn os problems da AmazBnia, mais do que corn os do meu Estado natal. E talvez, mais do que muitos amazbnidas. E insist em afirmar que, no Para, governantes, politicos, POVO e a imprensa, cor honrosas exceqoes, slo os maiores culpados pela alie- nagao das riquezas do Estado e o seu conseqiiente descalabro econ8mico/ social. Temos que reagir, denunciar e lu- tar, enquanto nio p8em algemas e mordagas na IMPRENSA; elas v6m ai, 6 questio de tempo, pois, no Con- gresso Nacional, cor honrosas ex- ce95es de alguns de seus membros, estAo postos para cassar as conquis- tas do POVO e transformar a nagIo em propriedade privada de uma mi- noria astuta, em detrimento de uma maioria desinformada e sem poder de rea9Ao". Minha resposta: Pordefinigdo editorial, este e um journal estrita- mente pessoal. Nao aceita artigos de terceiros. Maspublica cartas de seus leitores. Esta, do bravo Julido, nao i a primeira que sai no JP. Felizmente para mim, infelizmente para alguns leitores, que reclamam dessa tendencia, cresce a quanti- dade de cartas. Ndo que eu queira livrar-me da dificil tarefa de man- ler este como um journal pessoal (para equilibrar reduzo os tipos nos quais as cartas sdo compos- tas), mas porque dar voz a af6nica sociedade paraense e uma das ta- refas mais nobres da imprensa lo- cal. Sobre aprivatizagao da CVRD, este JP jd se manifesto vdrias ve- zes; desde o inicio, contra. 0 Para o goverador Almir Gabrie os estragos feitos desde oinicio da se seu successor no cargo, Hdlio Gueir chegam a ser uma trag6dia: para pouco nao perdeu a vida, tudo o ma ser lucro, mesmo as ameagas ao si nhado piano de reeleigao. A morte esteve muito mais pr6xu vemador do que mostrou a impren quando sentiu fortes does, na terg semana passada, durante uma pales cada vez mais impropriamente cha Palacio dos Despachos, o que ele e frendo era um aneurisma na aorta a - e nao calculo renal, como foi diag inicialmente. Desse dia atW a operagao, realized ministry Adib Jatene em Sao Paulo de sexta-feira, a morte rondou o go A aorta, o grande canal que faz a circ sangue desde o coragao atW os p6s, c se esgargar na regiao abdominal, pr as does. Fortemente medicado, o g sentiu-se aliviado e endossou o dia sobre o cAlculo renal. Ele mesmo for do Hospital da Aeronautica, avalizad exames, nenhum dos quais poderia tado o aneurisma. Mas quando dois outros m6dicos f vocados para tender Almir no fina de quinta-feira, quando ele ja estava Granja do Icui, ficou constatado que i tava de cruise renal. Uma tomografia dorizada e uma ressonancia magnet zadas ainda de madrugada, confirm prognosticos dos dois m6dicos que n existEncia do cAlculo: a aorta do g ameagava romper-se, provocando u hemorragia, que o mataria rapidame Para sorte do governador, o sangu capava da veia apenas gotejava. Log um coAgulo, que, podendo subir pai 9ao ou a cabega, ao inv6s disso, em acimulo de gordura no sangue, pela A agregagao plaquetAria de Almir, n Milagre salv govemador 1, mesmo mente se alojou sobre o esgargamento, tampo- Considerai nana pelo nando-o. Os mais bern humorados observaram, aneurisma, os Jr., nao depois, que o cigarro contra o qual o governa- aumentava quem por dor terA que lutar a partir de agora, se quiser Outro di is passa a prolongar sua vida, contribuiu para salvA-lo. ele foi trar eu tio so- "Talvez se o sangue fosse mais fino, ele tives- Na v6spera se morrido logo", comentou um dos amigos. chegara a c na do go- Por pouco o govemador nao foi vitima de cular, mas sa. Desde um incident semelhante ao que vitimou Tan- da. Insistia a-feira da credo Neves. A reconstituigao dos fatos a par- problema c ;tra no tir do dia 14 revela a fragilidade do esquema ajando nun imado de apoio a principal autoridade do Estado, fra- (nAo era a I estava so- gilidade para a qual o pr6prio Almir deu sua contrArio d bdominal decisive contribui9ao. Medico ele pr6prio, ha gem durou nosticado anos nao se submetia a exames, apesar de seu embarcar n padrao de vida sedentArio e estressante, agra- assim esfoi a pelo ex- vado pelo consume de tres a quatro magos de A decisi , na noite cigarro por dia. pital da Ae vernador. O exame de sangue feito durante o primei- mo que in ulag9o de ro atendimento de emerg8ncia revelou que Al- politicos d( omegou a mir Gabriel 6 diab6tico, o que ele ignorava at6 de da situa ovocando entao. Al6m da glicose alta, os outros indica- mente A ma ovemador dores estavam alterados, principalmente trigli- ronAutica e agn6stico cerideos e o cholesterol (o dobro do mAximo). (o Hospital gou a alta Apesar disso, o m6dico Adib Jatene atestaria, metros de la por tres depois, que as coronArias estao surpreenden- lamento do ter detec- temente limpas, requisite fundamentAvel para litar. o sucesso da cirurgia, atrav6s da qual o trecho Assim, oram con- comprometido da aorta foi substituido por uma nao estaria 1 da noite pr6tese. Um entupimento nesse moment em personalid de volta a art6rias secundArias teria sido fatal, se as suas iAo se tra- Mas quando deitou-se no chao do audit6- ao m6dico, computa- rio, onde falava para um grupo de oficiais da desenlaces, ica, reali- Escola Superior de Guerra, o goverador deve Mas o Hos naram os ter dado razao A idiossincrasia do seu desafe- pamentos c Legaram a to, Hl6io Jr., pelo PalAcio dos Despachos: a ressonanci ovemador precAria caixa de primeiros socorros do lugar para os exi ima forte ("no meio do mato, .6 serve para se esconder", res corn 48 nte. costuma dizer o vice) nao tinha Buscopan, que ria e precip: ue que es- Almir pedira para aliviar as dores. Teve que mes que a ;o formou tomar Dipirona. Por tudc ra o cora- Tambdm foi obrigado a seguir de carro co- ditava em I fungao do mum porque a ambulancia do 192 nio chegou agora um b tendencia a tempo e na pr6pria sede administrative do O fato de ti lilagrosa- govemo nao ha um plantao de emergencia. crucis s6 ti ido-se que Almir ja estava com o o desconforto do autom6vel comum sua exposi9go ao risco. esajuste se repetiu tamb6m quando isferido de Bel6m para Sao Paulo. i, o deputado Luiz Otavio Campos ontactar com uma UTI area parti- o pr6prio Almir descartara essa aju- em ficar em Belem, dizendo que o le sadde fora superado. Acabou vi- ijatinho daFAB adaptado para UTI JTI do president da RepAblica, ao o que a imprensa noticiou). A via- Suma hora a mais e ele nao p8de em desembarcar de maca, fazendo rgo arriscado. io de internal o governador no Hos- ronautica pode ter obedecido (mes- conscientemente) mais a criterios o que de saude. Apesar da gravida- 9ao, a escolha nao deveu-se exata- ior proximidade do Hospital da Ae- m relaago ao PalAcio dos Despachos Bel6m, melhor equipado, fica a 200 listancia), mas para permitir o iso- govemador em uma instalagao mi- se o fato fosse realmente grave, ele exposto a curiosidade piblica (a ide public do paciente sobrep6e- prerrogativas de pessoa, o politico distorg9o que acaba resultando em , como no caso Tancredo Neves). pital da Aeronautica nao tem equi- le tomografia computadorizada ou a magn6tica, que seriam utilizados ames definitivamente esclarecedo- horas de atraso. A alta fora temera- itada sem o reforgo de todos os exa- situaqAo requeria. isso, se por acaso antes nao acre- Deus, o cidadao Almir Gabriel tem *om motivo para mudar de opiniao. er sobrevivido a essa autentica via em uma explicag9o: foi milagre. * ~q~2~ b P )))(E~; A(~C:~V~'~'):' '~4 Haiti 6 aqui A Amaz6nia 6 novamente a pre- miada pela Anti-Slavery Internati- onal, a entidade sediada em Lon- dres que combat a escravidao em todo o mundo. A maranhense Pu- reza Lopes Loiola recebeu, na se- mana passada, na capital inglesa, o pr8mio de 1997 por sua luta para descobrir o filho. Ele deixou Agai- landia atrAs de emprego e s6 foi re- encontrado pela mae anos depois. Durante esse tempo, trabalhou for- 9ado como peao numa fazenda de Santana do Araguaia, no sul do Para, de onde escapou por fuga. A manuten9ao do trabalho es- cravo 6 estimulada pela legisla- c9o brasileira, que e falha na de- tecgqo e repressao desse terrivel anacronismo. O governor diz que tenta, mas nao consegue impor o confisco das propriedades nas quais 6 identificado o trabalho es- cravo. Por isso, o Brasil estA con- denado a continuar recebendo o pr8mio da Anti-Slavery, que re- sulta da mais vil condigao de tra- balho human, enfrentada por pessoas de coragem como Pure- za Loiola. Finura Fui convidado para ser um dos expositores do I Forum de Cul- tura, Educagao e Meio Ambien- te, na mesa-redonda "O context da cultural na Amaz6nia: preser- vaago, integragao, desenvolvi- mento ou crise", um dos events do I F6rum Pan-Amazonico de Cultura, EducagAo e Meio Am- bienbte, que a Secretaria de Cui- tura do Estado promove em Be- 16m, de 7 a 16 do pr6ximo mes, ao custo declarado de um milhAo de reais. Da mesma maneira in- formal corn que fui convidado, fui "desconvidado". Meu nome foi expurgado de tao magna promo- 9A0 por ordem do secretario, Pau- lo Chaves Fernandes, que assim julga me punir por haver cometi- do a heresia de desagradA-lo. Nao sei o que mais me honra: se o convite ou o "desconvite". Enpenhosidade Mais uma inovagao digamos assim tecnol6gica do jomal 0 Liberal: criou, nas edi96es dos dias 7 e 11, o teleprompter impres- so para o deputado federal Vic Pi- res Franco assinar contundentes mensagens contra a Companhia Vale do Rio Doce. Como todos ja sabem, o teleprompter eletr8nico 6 aquele aparelho colocado diante da camera de televisao que permi- te ao apresentador dos telejomais, SJornal Pessoal Editor: LOcio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 053-020 Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Trv. Benjamin Constant, 845/203 / 66 053-020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert.com.br Edltora;do de arte: Lulzp6 1 241-18591222-5238 principalmente, ler o texto escrito sem desviar o olhar da dire9go do telespectador, como se a leitura resultasse de sua criagao. Gragas a esse engenho, o locutor Cid Moreira chegou a ser considerado o melhorjornalista do pais. Os dois anincios de meia pa- gina, com a foto do deputado e uma boa produgao, renderam elo- gios e dividends eleitorais a Vic Pires Franco. Nada como publici- dade subliminar. Contemporizag o Nem ojudiciArio, nem a Asso- ciagao dos Magistrados aceitaram tomar qualquer provid8ncia con- tra o president da OAB do Para, S6rgio Couto. O advogado Moi- sss Martins Porto requereu do TJE que acionasse Couto por causa de uma pesquisa que a OAB-PA di- vulgou atrav6s da imprensa. Se- gundo essa sondagem, 13,8% dos advogados estao desestimulados profissionalmente porque a justi- 9a "6 corrupta. Os acionados pre- ferem esperar pela mudanga na diregao da OAB, que sera feita no pr6ximo mes. |
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