Jornal pessoal

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00122

Full Text






Journal Pessoal (
L CIO .F: :A VI O PI N T O arab
A X 3 IE D U D19 $,radicaliza
S3 S(PAg. 3)
,i ;r [ .7 ^-OLITIGCA



Helinho agora ataca fundo

Expondo-se d impopularidadepor contrariar um governador
convalescent que quase morreu, H6lio GueirosJr. assume para preparar
um esquema depoder em favor dopai. H6lio Gueiros e, definitivamente,
candidate ao governor do Estado. Almir Gabriel que se adapted a isso
quando voltar, se ainda quiser ou puder ser o forte candidate de hoje.


io Gueiros Jr. teve 72
horas para avaliar o que
faria no primeiro dia efe
tivo como govemador do
Pari: se cedia ao clima
emotional favoravel ao
seu desafeto, que a opi-
niao public estaria colocando na posi-
9ao de vitima, ou se tratava de preparar
as condic6es nao s6 para sair na pratica
da intemidade para a efetividade do car-
go, mas tamb6m preparando uma estru-
tura de poder para o moment seguinte,
da campanha eleitoral.
Um entendimento de Almir Gabriel


com H6lio Gueiros, que, segundo os
politicos mais pr6ximos ao govemador,
estava para ser agendado antes que ele
adoecesse, agora caiu para o terreno das
improbabilidades. 0 ex-prefeito, infor-
mado previamente de todos os atos do
filho, que aprovou (se nao inspirou ou
determinou), nio deixa mais duivida: e
candidate a voltar ao govemo.
Se Almir tamb6m 6, entao nao ha for-
ma de comporem-se politicamente. Vao
partir mesmo 6 para o confront. A nio
ser que o pr6prio Almir desista da ree-
leig~o ou consiga, em mais um milagre,
transformar sua ret6rica utilitaria da


"uniio de todos pelo Para" em crenga
generalizada.
Para Jader Barbalho e H61io Gueiros,
essa cantilena nao ter o menor sentido.
Ambos nao levam fe na proposta por-
que ha nela um pressuposto: a recondu-
iSo de Almir ao govemo. E justamente
o que os dois politicos nao querem. Ja-
der e Helio conviveram corn o govema-
dor at6 ficar claro que ele estava prepa-
rando sua reeleigAo.
A partir desse moment, Almir, sem
carisma suficiente para estabelecer um
novo p61o de poder no Estado no curso
de um inico mandate, passava a ser -


S
r 1 ~s~ ~sg a % ,~ I I :g$r ~'Pi~ I ~~ ~~ 1 I







2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE OUTUBRO / 1997


D perigoso. Seria o primeiro governa-
dor a dispor da maquina official para usa-
la em proveito pr6prio. Poderia nao s6
realizar obras e comprar ades6es, mas
tambnm desencadear propaganda maciga,
como os tucanos comegaram a fazer nas
iltimas semanas.
O problema de sauide do govemador
era o imprevisto que faltava para a estra-
tegia de Helio Gueiros. Embora o filho
declare que s6 definira sua interinidade a
partir do estabelecimento do period de
aus6ncia do titular, por tras da intengdo
explicit de s6 mexer nos cargos do pri-
meiro escalao estritamente necessarios
para sua agio administrative, seu objeti-
vo 6 armar-se para o period seguinte,
quando voltara a ser o vice ignorado e
desprezado pelos tucanos.
Nao foi por acaso que o setor da admi-
nistraao estadual mais afetado pelos atos
de segunda-feira de Helio Jr. foi o Prode-
pa. A diretoria inteira da Empresa de Pro-
cessamento de Dados do Estado foi colo-
cada na rua. Na administragao do pai,
Helinho comandou o Prodepa e isso ele
sabe muito bem: 6 um 6rgao-chave para
o control (e ocultamento) de informa96es
estrat6gicas.
Helio pai articulava o Prodepa is se-
cretarias da fazenda e de administration
(ambas mudadas) para ter sob r6deas cur-
tas a movimentaGio de poder e o recolhi-
mento de dinheiro aos cofres p6blicos. Se
nao puder montar uma estrutura propria
nesses stores, Helinho (e por extensao
direta, o pai) ao menos ficara perfeitamen-
te ciente da estrat6gia do desafeto. E par-
tilhara alguns segredos da miquina pii-


blica, entire os quais a quantidade e a qua-
lidade dos cargos de confianga, que algu-
mas pequenas manobras administrativas
tmr ocultado.
Desta vez, os atos do interino nao fo-
ram apenas de retaliag~o, fazendo baixar
o cutelo sobre secretarios e auxiliares que
o desagradam pessoalmente, ou criando
embarago para o titular quando ele retor-
nar ao cargo Agora ha uma estrat6gia po-
litico-eleitoral adotada para aumentar a
viabilidade da candidatura de Helio Guei-
ros ao governor, ou o que ele quiser con-
trapor a proposta de negociagao que Al-
mir Gabriel ainda estiver disposto a fazer
quando voltar.
Quanto tempo ainda sera precise para
que isso aconteca? Os tucanos, evidente-
mente, procuram criar um clima de tran-
qiilidade e confianca em torno do gover-
nador convalescent, mas as perspectives
nao sao as mesmas que havia anteriormen-
te a doenga. Almir reassumira o cargo
antes mesmo de poder exerc8-lo de fato,
apenas para afastar o Jinior do comando
da maquina. Devera reforgar a pratica ja
corrente, que faz de Simfo Jatene, afasta-
do da Secretaria do Planejamento, e do
nucleo em torno dele, uma esp6cie de
gabinete parlamentar. Mas Almir conse-
guira colocar-se de novo a frente da cam-
panha eleitoral, mantendo o ritmo que ela
vinha tendo?
Dependendo do tempo em que ficara
imobilizado ou tendo que se resguardar,
podera haver a quebra da continuidade do
seu govemo e da imagem de dinamismo
que constitui seu grande trunfo para a
campanha eleitoral. A recomposiiao do


status quo ante pode defender apenas
de refazer os atos, mas nem sempre o que
se reata na formalidade administrative se
restabelece na pratica ou ao menos nio
integralmente.
E o caso da posic~o do Estado no con-
tencioso cor a Companhia Vale do Rio
Doce. Se simplesmente restabelecer os
privil6gios da empresa, cancelados por
Helinho, Almir pode ser alcancado pela
antipatia estadual em relaao a empresa.
Se mantiver os atos, tera dado um pass
precipitado, retaliando antes de haver es-
gotado os terms da negociagco e dan-
do motives para CVRD apresentar, dian-
te do pfiblico, justificando o que ja esti-
ver decidido por outras raz6es.
Ao optar por investor contra o reduto
de seu companheiro compuls6rio de man-
dato, H6lio Gueiros Jr. decidiu arriscar-
se aos desgastes emocionais de sua atitu-
de junto a uma opiniao pdblica condoida
corn a sorte do governador paraaprovei-
tar um moment politico talvez inico.
Mas quem escolheu arriscar-se a essas
adversidades foi o pr6prio Almir Gabriel.
Ele tinha restri96es ao nome de Helinho
quando ele lhe foi submetido, juntamente
corn outros dois (o do president da As-
semblia Legislativa, Luiz Otavio Campos,
era um deles), para ser o companheiro de
chapa, em 1994. Mas Almir achou melhor
ficar com Helinho porque faturaria o pres-
tigio do nome do pai. Esta pagando por
esse oportunismo, corn juros e correAio
monetaria extorsivos, certamente, mas
que talvez s6 nao sejam mesmo mereci-
dos porque o Para paga a conta junto com
ele. E como ela d6i. (Ver pig. 8) S


Salobo: protest vai radicalizar em Maraba


No dia 6, os organizadores
do movimento pela instalagdo
do Projeto Salobo em Mara-
ba esperam concentrar cente-
nas de pessoas no quil6metro
seis da Estrada de Ferro de
Carajas, ocupando o ptio fer-
roviario. Podera ser o mais
forte ato de protest realiza-
do ate agora contra a suspen-
sao do compromisso anterior-
mente estabelecido pela Com-
panhia Vale do Rio Doce, an-
tes de sua recent privatiza-
rao, para realizar em territo-
rio paraense a mineragao e o
beneficiamento do cobre de
Carajas, num investimento de
1,7 bilhao de reals.
O protocolo de intencbes
assinado seis meses atras pe-
los dirigentes de entao da
CVRD virou letra morta. Nao


so pela mudanga estrutural na
empresa, como porque os no-
vos donos realizaram um re-
estudo do projeto, concluido
hA duas semanas, que pode
mudar inteiramente a concep-
9ao do Salobo. Nesse novo
quadro, o Para seria a menos
provavel das hip6teses de lo-
calizag~o da metalurgia, per-
dendo em importancia para o
Maranhao e a Bahia.
O texto do novo estudo de
viabilidade 6 mantido em si-
gilo. Apenas o jomal Gazeta
Mercantil, de Sao Paulo, fil-
trou informa96es de uma fon-
te nao identificada junto a
empresa. Segundo essa ver-
sao, a CVRD e seu principal
s6cio no Salobo, a sul-africa-
na Anglo American (que era
a maior produtora mundial de


ouro at6 a semana passada),
estao enm posic6es divergen-
tes. A Vale de Benjamin
Steinbruch (ao contrArio do
que ele diz de public) gosta-
ria de utilizar a metalfirgica da
Bahia para a fundigao do me-
tal, ao inv6s de implantar uma
nova fabrica (que seria em
Maraba, mas parece ir-se des-
locando para Rosario, no Ma-
ranhao), fazendo apenas a
concentra~ao na regiao.
A Anglo ate poderia acei-
tar um esquema desses, des-
de que nao precisasse dividir
poder corn a Paranapanema,
da qual "quer distincia", diz
o jomal, sem muita precisao.
Os sul-africanos defended a
implantagao do projeto por
inteiro. da concentragao do
mineiio at6 a metalurgia, o


que 6 compreensivel: o con-
centrado de Carajas apresen-
ta um elevado e incomum teor
de fluor, que dificultara sua
aceitagao por outras metalur-
gicas.
Uma coisa 6 adaptar a fa-
brica da Caraiba Metais, a
unica metalurgia em operaCao
no Brasil, e outra 6 fazer essa
adaptag~o (que custaria entire
70 e 100 milh6es de d6lares)
em outras unidades espalha-
das pelo mundo que poderi-
am receber o min6rio de Ca-
rajas. Mas sem isso, a usina
de concentraago de Carajas
acabaria dependendo total-
mente da Caraiba, o que seria
indesejavel para a Anglo e
para qualquer outra empresa
que nio fizesse parte do con-
glomerado da CVRD.







JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 3


0 grande
Como O Liberal ja havia feito antes,
o embaixador dos Estados Unidos no
Brasil durante o period de deposiq~o de
Joao Goulart, Lincoln Gordon, tamb6m
andou trocando as bolas. Ele confundiu
manchete corn editorial e 0 Globo corn
o Correio da Manha. Mesmo ao corri-
gir o erro que cometera na entrevista dada
a Veja, nao fez a remissio correta. Pro-
vavelmente poucos perceberio que a er-
rata persistiu. No pais da mem6ria curta,
o Correio da Manha ja deve ter tido sua
hist6ria remetida para o arquivo morto.
E uma pena. Foi o mais liberal dos
jornais brasileiros em todos os tempos.
Comegou corn o s6culo e sofreu morte
antecipada, em 1974. Durante a maior
parte dessa trajet6ria teve um comporta-
mento decent, coerente. Ainda 6 o jor-
nal que maior influncia exerceu duran-
te a Republica brasileira. Cometia erros,
mas tinha principios, que nunca nego-
cion. Podia-se discordar de suas posi-
96es, sem a suspeita, por6m, de que ti-
vessem sido estabelecidas a base de ne-
gociago commercial.
Por isso, os dois editorials e nro um,
como pensa ainda Lincoln Gordon de
31 de margo e 1" de abril de 1964 tive-
ram o poder de arregimentar a classes
media para o golpe military, consolidan-
do-o.O jomal, como a parcela prepon-
derante da opiniio public (cujos movi-
mentos acompanhava ou dirigia), apoia-
va as reforms de base de Jango. Mas
nao as desejava atrav6s de um regime
plenipotenciario, como parecia iminen-
te, corn a concentragio de poderes nas
maos de um president pessoalmente fra-
co e institucionalmente forte.
Quando esse preqo tomou-se eviden-
te demais, o Correio saiu corn o editori-
al Basta, arrematado a 1 de abril, quan-
do as tropas rebeldes j estavam em mar-
cha avangada e Jango se deslocava para
a fronteira sul, corn o Fora. A classes
media, corn essa senha, foi para as ruas
saudar os novos donos do poder (e, res-


journal more outra vez


salte-se, a par da selvageria political, con-
tra a qual o journal logo se posicionou, o
regime comeqou realmente reformista,
exaurindo o molho ideol6gico e execu-
tando as mudangas, como na reform
agraria do Estatuto da Terra). A ultima
grande proeza do Correio havia sido aju-
dar a derrubar o Estado Novo, publican-
do entrevista do seu reporter, Carlos La-
cerda, corn Jos6 Am6rico de Almeida,
ex-ministro de Getilio Vargas. Tinha
cacife, portanto.
Na imprensa dos nossos dias, 6 dificil
avaliar corn exatidao o que foi o Cor-
reio da Manhd. Sua versao atual mais
pr6xima (anos-luz de distancia) 6 a Fo-
lha de S. Paulo, mas uma verso inculta
e profissionalmente muito mais d6bil. A
redago do Correio era terreno de con-
vivEncia de gente como Otto Maria Car-
peaux, Antonio Callado, Osvaldo Peral-
va, Graciliano Ramos, Alvaro Lins, Car-
los Heitor Cony, Hermano Alves, Mar-
cio Moreira Alves, Salvyano Cavalcanti
de Paiva, Moniz Viana, Paulo Francis e
um conjunto de jornalistas e escritores
de primeiro time, nem sempre de esquer-
da, reunidos dos anos 50 aos 60 pelo cri-
t6rio de qualidade. Foi um period de
ouro da imprensa brasileira, nunca mais
atingido.
Jefferson Ribeiro claudicou exagerada-
mente na tentative de reconstitui-la no fra-
co Um Jornal Assassinado. Pior ainda 6
o livro mais recent sobre o tema, de Pery
Cotta, Calandra 0 sufoco da imprensa
nos anos de chumbo (Bertrand do Brasil,
238 paginas, R$ 22). Corn o livro, Pery
quer sanear seu passado e atribuir-se um
lugar de destaque nessa fase dificil da
imprensa e da hist6ria brasileira, que ob-
jetivamente ele nunca teve. Sua maior
contribuigio foi assumir a primeira de-
nuncia contra o esquema terrorist mon-
tado em 1968 junto ao Para-Sar (a tropa
de elite da Aeronautica) para eliminar os
personagens considerados indesejaveis
pela ala mais radical do sistema military.


A reportagem foi apenas assinada por
Cotta, que a recebeu, pronta, de um co-
lega de umjornal concorrente (cujo nome
ele nao aponta, mas as pessoas mais bem
informadas nos jornais na 6poca sabem
quenm ). E ai terminou o curto lampejo
de gl6ria de Cotta, que agora ressurge
para leitores desinformados ou desaten-
tos como her6i de 6poca,
Como todos os outros que procuraram
as raz6es do desaparecimento precipita-
do do journal, ele as atribui ao "ardiloso
process de asfixia economic e finan-
ceira" montado pelo governor military. Re-
almente, mais do que a censura, foi esse
boicote que minou as forgas do Correio.
A publicidade official foi cortada e os
anunciantes particulares tambem "con-
vencidos" a desviar sua programado.
Mas a empresa teria subsistido (ou ao
menos sobrevivido mais tempo) se tives-
se um comando a altura dos seus proble-
mas. Tanto para redimensiona-la, como
fazer um diagn6stico mais correto da
conjuntura e dos anos seguintes (a pre-
suncao era de que, mais uma vez, os mi-
litares ficariam pouco tempo no poder,
devolvendo-o aos civis).
O livro de Cotta teria sentido se ele o
tivesse reduzido a um tergo do seu ta-
manho, limitando-se a testemunhar so-
bre o ocaso do grande journal (a unica
contribuigdo inegavelmente valida 6 so-
bre a queda de Peralva, o redator-chefe
por ocasiao do AI-5). Ocupando dois
tergos das paginas cor informacQes en-
ciclop6dicas e lembrancas de uma me-
moria enfraquecida e totalmente lateral
aos fatos relevantes (fala de tr8s edito-
riais do CM, enxertando um inexisten-
te), deixou de cumprir seu pr6prio com-
promisso: "deixar de tanta filosofia su-
perficial e analise sociol6gica pereta.
E, principalmente, nada de nariz-de-
cera". 0 livro 6 feito quase s6 de cera,
muito pouca, 6 certo, para as ex6quias
do defunto glorioso, mas excessive para
o autor-carpideira. 0


-------------. -----.- .


- Al6m disso, as oito tone-
ladas de ouro e 20 toneladas
de prata que podem ser pro-
duzidas anualmente iriam
para o comprador.A said se-
ria refazer as composites so-
cietirias do setor, juntando a
Salobo A Caraiba, on entio
implantar o Salobo indepen-
dentemente da Caraiba, como
preferiria a Anglo e nio esta-
ria querendo a Vale.
Essa definiqAo vai depen-
der do desfecho das negocia-


c9es que v6m sendo mantidas
pela CVRD cor a Anglo, a
Gencor (que se tornou a n 1
do ouro depois de sua fusao
cor outra sul-africana, a
Gold Fields) e o grupo Voto-
rantim, havendo ainda muita
especulagio paralela sobre
outros interesses, como os da
inglesa RTZ, a maior minera-
dora do mundo. O grave, para
o Para, 6 estar inteiramente
marginalizado desses entendi-
mentos empresariais, que se


at8m a interesses micro-eco-
n6micos (e, cada vez mais, na
Vale, a lucros imediatos).
Mais uma vez, se o Para
conseguir ganhar alguma coi-
sa, nao tera sido por seus mi-
ritos ou pela forca de sua in-
tervengao na questao, mas
pelo acaso, pela sorte (que as
vezes ter a aparencia de azar,
como o teor de fluor no co-
bre de Carajas) ou pelo apa-
drinhamento de sua padroei-
ra, a Virgem de Nazar6. Mas


sempre convem, nestes pro-
saicos casos temporais, rezar
menos e agir mais e melhor,
se possivel.
Os marabaenses, mesmo
sem melhores informaa6es,
decidiram ir al6m nos seus
protests, talvez porque as eli-
tes s6 decidam prestar aten-
9ao a sociedade quando um
grave problema social (geral-
mente confundido cor caso
de policia nesta imutavel Re-
puiblica) 6 criado. 0







4 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE OUTUBRO / 1997


Convenio

tucano-liberal

para televisao

e illegal
Ha 20 anos o governor do Estado vi-
nha renovando um contrato atrav6s do
qual o grupo Liberal utiliza as estac6es
da Funtelpa para retransmitir a progra-
maqgo da TV Globo para o interior do
Estado. Origialmente, essas instalacbes
foram montadas para servir a TV Cultu-
ra. Interesses politicos e administrativos,
mais a pressdo dos telespectadores inte-
rioranos, fizeram cor que todo o hora-
rio disponivel fosse progressivamente
ocupado pela TV Liberal. Como com-
pensacgo por esse evidence deslocamen-
to de finalidade, o govemador do Esta-
do passou a ter direito a tres minutes se-
manais de insergso da publicidade ofici-
al (na verdade, propaganda pessoal e elei-
toreira) na programagco da TV Liberal.
Por que o contrato, sempre assinado
para periods de vigencia de cinco anos,
simplesmente nao foi renovado neste
ano, como nas vezes anteriores? Por que
o governor Almir Gabriel decidiu substi-
tuir o traditional contrato por convenio?
Tecnicamente, a necessidade de novas
bases operacionais ter sua motivagao. O
grupo Liberal alugou um transponder no
Brasilsat e agora vai poder transmitir ima-
gens via sat6lite 24 horas por dia. Diver-
sas emissoras de televisio do interior que
captam as imagens da TV Globo vao, a
partir de agora, poder conectar-se a TV
Liberal. Mas para que haja um grande al-
cance no Estado, as sucateadas estac6es
da Funtelpa terao que receber investimen-
tos e a rede sera ampliada.
Se a necessidade de mudanga se impu-
sesse por raz6es de moralidade ou para
incorporar a boa norma da administragco
piiblica, o normal seria a revogagdo des-
se tipo de relacao, que nenhuma vanta-
gem vinha dando a Funtelpa, nem servia
aos prop6sitos da televised educativa.
Mas se o governor decidisse subordi-
nar essas diretrizes (que sao a razao da
existencia da Funtelpa) a interesses co-
merciais, estabelecendo valores compen-
sat6rios em favor da forma9go de capi-
tal da sempre combalida fundag~o, por
que adotar a forma do convenio? E como
justificar essa modificacao se os valores,
por qualquer criterio de mensuracao que
se deseje adotar, sao baixos?
Mist6rios do modo tucano de gerir a
coisa piblica. Mistdrios que s6 se man-
tem porque os outros 6rgaos da impren-
sa, mesmo diante da gravidade do tema,


optaram por um complete e convenient
silncio a respeito do assunto. Informal-
mente, sao intensos os comentArios so-
bre o convenio, que comecou a vigorar
no dia 3. Mas, oficialmente, ninguem
quer tratar do tema-tabu. Tudo porque o
poderoso grupo Liberal e o beneficiado
(ver Jornal Pessoal 172).
Os t6cnicos consultados nao tem dui-
vida de que o arranjo juridico da transa-
cgo incorreto. O convenio assinado pela
Funtelpa ter um valor, de 600 mil reais.
E quanto a Funtelpa recebera em cinco
anos (R$ 10 mil por mes) para ceder es-
tacSes retransmissoras em 77 municipi-
os. Logo, ha uma relagio commercial, em
que uma das parties paga e a outra recebe
pela contraprestagao de servigos que re-
aliza. A finalidade do conv8nio 6 "recep-
coo pela Funtelpa da programaqao local/
national da TV Liberal/Globo via UP
Link para todo o interior".
Em parecer apresentado recentemente,
a professor Maria Cristina Cascaes Dou-
rado, assessora do Tribunal de Contas do
Estado, observa que, segundo o paragra-
fo 5 do artigo 116 da Lei Geral das Lici-
tag6es e Contratos Administrativos, nos
conv6nios "encontramos participes que
pelo fato de possuirem objetivos e inte-
resses comuns, estabelecem um regime de
cooperagao entire si, visando a consecu-
9co de resultados, tambem, comuns".
Ja nos contratos administrativos, "as
parties contratantes, atraves de uma rela-
c9o de colaboragao, fixam prestagao e
contra-prestagqo reciproca, onde uma
que entrega o objeto do contrato a outra,
que a remunera. Ha, portanto, interesses
opostos conjugados".
0 jurista Hely Lopes Meirelles, fonte
classic do direito administrative, tam-
bem citado por Maria Cristina, 6 categ6-
rico: "Convenio e acordo, mas nao e con-
trato. No contrato, as parties tom interes-
ses diversos e opostos; no cunvenio, os
participes tem interesses comuns e coin-
cidentes. Por outras palavras: no contra-
to ha sempre duas parties (podendo ter
mais de dois signatarios); uma, que pre-
tende o objeto do ajuste (a obra, o servi-
go, etc.); outra que pretend a contrapres-
tagao correspondent (o prego, ou qual-
quer outra vantagem), diversamente do
que ocorre no convenio em que nao ha
parties, mas unicamente participes com
as mesmas pretens6es. Por essa razao, a
posiGao juridica dos signatarios 6 uma
s6 e id8ntica para todos, podendo haver,
apenas, diversificagdo na cooperacgo de
cada um, segundo as possibilidades para
a consecugao do objetivo comum, dese-
jado por todos".
Na relagao Funtelpa/Grupo Liberal, a
primeira parte entra corn as instalag6es
fisicas e a segunda cor as imagens suas


e da TV Globo. Nao interessa que para
que as estac6es em terra estejam em con-
dig6es de receber as imagens de sat61ite,
o Estado tenha que fazer investimentos:
eles nao foram apropriados pelo "con-
venio". A unica parte que entra corn di-
nheiro e a TV Liberal: ela paga pelo uso
das estates. A declaraqdo de que o ob-
jetivo comum e a integraqao do territo-
rio paraense nao passa de ret6rica. Le-
galmente, o enquadramento da relaggo
s6 e possivel atraves de contrato.
Mas se o valor do aluguel e baixo e se
as condicqes leoninas para uma das parties
persiste, por que recorrer ao conv8nio? A
resposta pode ter sido dada, sem essa in-
tengio, pela professor Maria Cristina em
seu parecer, escrito bem antes do acordo
Funtelpa/TV Liberal: "Observa-se, ainda,
por imposiCSo constitutional e legal, a obri-
gatoriedade de licitagio como anteceden-
te necessario dos contratos firmados pela
Administragao Publica, excetuando-se, tio
somente, as hip6teses legais. Relativamente
aos convenios, a pr6via licitag~o nao se
aplica, visto situar-se no campo dos inte-
resses convergentes, o que afasta a possi-
bilidade de competigco".
Mas se esse foi o objetivo dos estrate-
gistas tucano-liberais, de contomar a exi-
g8ncia de concorrencia pfiblica, o trecho
seguinte do parecer da assessora do TCE,
publicado no boletim interno do tribu-
nal, pode ser uma ducha fria: "Inobstan-
te a inaplicabilidade do institute da lici-
tagao aos convenios administrativos, e
inquestionavel a vinculacao dos mesmos
aos principios fundamentals da Adminis-
tra~,o Plblica, o que result, entire ou-
tras coisas, na obrigagao do Poder Pu-
blico de utilizar mecanismos nao discri-
minat6rios na escolha, por exemplo, de
algumas instituig6es particulares com os
quais firmara conv8nio".
Maria Cristina ressalta no final do seu
parecer: "ainda que encontre-se o acor-
do rotulado de convenio mas, se apre-
sentar em suas clausulas certas estipula-
96es inerentes aos de contratos adminis-
trativos, nos quais a Administraiao atua
'como clientt) dos empresarios pri-
vados, isto 6, em um terreno de sim-
ples colaboracio ou intercimbio pa-
trimonial, por dinheiro, ou transfer
possibilidades de atuagio, frente ao
public, a ela reservadas em troca de
coisas ou de serviCos que busca e rece-
be' (...), imp6e-se reconhecer nesse ins-
trumento as conseqii8ncias tipicas dos
contratos, destacando-se, dentre outras,
a obrigatoriedade de licitacao, somente
dispensada ou inexigivel nos terms con-
signados em lei".
Cabe agora ao Tribunal de Contas do
Estado, por ter aprovado o parecer, cor-
rigir a ilegalidade. *







JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE OUTUBRO / 1997



Enfim, uma boa noticia para todos


Ufa! A Academia Brasileira de Letras
finalmente rendeu-se a Jos6 Jacinto Vei-
ga, o Jos6 J. Veiga que Jodo Guimaraes
Rosa poeticamente rebatizou e introdu-
ziu na literature brasileira 40 anos atras.
O grande pr8mio da ABL de 1997, o
Machado de Assis, foi dado a Veiga de-
pois de ele haver escrito 14 livros, corn
a inacreditavel tiragem geral de 500 mil
exemplares. Nem tudo 6 desdnimo neste
pais.
Os Cavalinhos de Platipanto, o pri-
meiro livro, escrito em 1958, quando
Jose J. Veigaja estava cor 43 anos (hoje
sustenta olimpicamente 82), foi publica-
do no ano seguinte, por indicagdo de
Guimaraes Rosa. Mas essa data nao con-
ta: a editor, a Nitida, era desconhecida;
o livro, que chega agora a sua 20" edi-
9co, com 100 mil exemplares acumula-
dos, quase nao vendeu. A estr6ia para
valer s6 viria sete anos depois, corn o
formidavel A Hora dos Ruminantes,
lancada pela Editora Civiliza9ao Brasi-
leira, de Enio Silveira, corn uma bela
capa de Marius Lauritzen Bern e a ore-
lha escrita por Edison Carneiro, um dos
sabios nordestinos.
Carneiro se perguntava se aquilo era
um ap6logo ou um romance. A rigor, era
uma novela. Na substincia, uma alego-
ria sobre o poder e o autoritarismo, so-
bre a opressao mais generalizadamente.
O sucesso do livro decorreu da associa-
cqo da hist6ria ao golpe que os militares
haviam desfechado dois anos antes, der-
rubando o president Joao Goulart. Em
recent entrevista a 0 Estado de S. Pau-
lo, Veiga inform que o livro estava pron-
to antes de 1964.


No mesmo moment em que ajus-
ti a retolna o process sobre o assas-
sinato do sindicalista Joo Canuto,
ocorrido 12 anos arras. em Rio Ma-
ria, seu filho, Orlando Canuto. assu-
me a presidencia do sindicaro quc Lain-
bem foi presidido pelo pai A coinci-
dEncia pode ser oportuna para que Or-
lando. sobreT\iente de umra embosca-
da que amnbenm Itquidou seu irmno.
possa desempenhar a funqao sem os
atropelos que marcaram tao tragica-
menie a sua fanilia.
So agora toram expedidas as ordens
de pnsio contra tres dos cinco reus in-
diciados no process, mas o proprno
Orlando diz que dois deles. os fazein-
deiros Ovidio Gomes de Oliveira e
Evantuir Gonqalves de Paula. estan-


Mas sem a situaqao criada pelo re-
gime de exce9ao dos militares, sua se-
mente literaria nao teria grelado em
solo tao f6rtil. A esmagadora maioria
dos leitores que se langaram com so-
freguidao sobre A Hora dos Rumi-
nantes entendeu o livro como uma
parabola de vinganga contra os auto-
res das viol8ncias que entao se prati-
cava. Uma parabola de eficacia exem-
plar.
A linguagem do livro, entretanto, nio
permitia reduzi-lo a um panfleto, datan-
do-o. Ao contrario, a combinagao de sin-
geleza e apuro, de clareza e profundida-
de, e o tom poetico perpassando por so-
bre todo o enredo surrealista da hist6ria,
fez muita gente pensar imediatamente em
Franz Kafka.
Foi Kafka quem impulsionou J. Vei-
ga para a literature, como ele mesmo
admite a Jose Castello, na entrevista ao
Estadao. Mas, ao menos n'A Hora dos
Ruminantes, seu maior parentesco e
cor o George Orwell de A Revolu~go
dos Bichos (Animal Farm, traduzido
por Chico Buarque de Holanda, sem de-
signagao da inspiragao, para Fazenda
Modelo). Notavel transposig9o, para os
limits indemarcaveis da literature sem
fronteira e sem porteira, de Corumba de
Goias, a terra natal de Veiga, a matriz
concrete e palpavel de Manarairema, a
cidade ficcional que entrou para a anto-
logia dos grandes moments das letras
brasileiras em todos os tempos cor este
trecho:
"Manarairema ao cair da noite -
antincios, prenuncios, bulicios. Trazi-
dos pelo vento que bate pique nas es-


am circulando em Rio Maria O cx-
prefeito Adilson Laran.eiras tamben
esta foragIdo O process fol reaber-
to. mas ainda nao tern um desfechci
defintdo Por isso. ndo ha culpados
condenados press E um dos imais
demorados processor em andamento
na jusuca paraense, o suficiente para
amda manner o clima de impunidade
quc favorece a \lolcncia em Rio Ma-
ria e ourros luLares do interior do Para.
A .isluca que for expedida no case
de Eldorado de Carajas. prevendo-se
a absol\ ixio do gol ernador Alnur Ga-
briel no pro\ito mnis nao pode per-
mitir que persistan contrasies conlll
esse Atinal cla dete ser igual para
todos c n5o de\e tardar tanto que cne
a descrensa em seu poder arbitral


quinas, aqueles infaliveis latidos, cho-
ros de crianga cor dor de ouvido, cor
medo de escuro. Palpites de sapos em
conferencia, grilos afiando ferros, mor-
cegos costurando a esmo, estendendo
panos pretos, enfeitando o largo para
alguma festa soturna. Manairarema vai
sofrer a noite".
Eu era colegial de 17 anos quando li
A Hora dos Ruminantes, uns poucos
meses depois do langamento do livro.
Havia chegado ao Rio de Janeiro corn
recomendagao para o Col6gio Pedro II,
que n6s, interioranos, supuinhamos o
creme de la creme do ensino. O pai do
Marcio Moreira Alves, que tinha o mes-
mo nome, secretario de educacao cari-
oca, acho, me desencorajou de seguir o
rumo indicado na carta de apresentagao
que lhe entreguei. "Esta ultrapassado",
foi o que ponderou. E escreveu outra
recomendagao, dirigida a professor
Henriette Amado.
Assim fui parar no Andre Maurois, a
escola experimental do Estado, no Le-
blon. Era o ensino de vanguard, que
comegava em plena 6poca de obscuran-
tismo, sob as asas de uma mulher excep-
cional (muito depois, tive um choque ao
tomar conhecimento de uma pol8mica
montada em torno dela por causa de cor-
rupCpo). Na aula de portugu8s, o calmo
e atraente professor Ivo Barbieri deu logo
dois trabalhos para fazer em casa e dis-
cutir na classes. Um, sobre a enciclica
Populorum Progressio (0 Progresso dos
Povos),do Papa Paulo VI, que acabava
de ser langada. E outro sobre A Hora
dos Ruminantes, de Jose J. Veiga, que
poucos ainda conheciam e eram capazes
de admirar.
A liberdade foi curta para o profes-
sor, seus alunos e o Andr6 Maurois. Bar-
bieri foi preso como terrorist e tortura-
do. Sobreviveria para assumir, muito
depois, a reitoria da Universidade Fede-
ral do Rio de Janeiro. Um home de
grande inteligencia e carisma, que nos fez
ler um livro que muito nos ajudaria a
entender o drama do pais e do pr6prio
professor. Ainda maior esse Jose J. Vei-
ga, que agora a academia dos literatos
brasileiros premia, depois de tantos anos
em que, por esse milagre que ainda nos
faz crer na hist6ria, milhares de pessoas,
sobretudo jovens, leram seus 13 maravi-
lhosos livros (o 14 em lancamento), sim-
ples e profundo como a grande ficcao
sempre e.
Encantador mist6rio esse, em que o
bom 6 tamb6m popular e a maioria acer-
ta. Uma moral para afastar o banzo da
temporada. *


Em tempo








6 JOURNAL PESSOAL 2a QUINZENA DE OUTUBRO / 1997
r


Avice-prefeita de Bel6m,
Ana Julia Carepa, me en-
viou a seguinte carta:
"Fiquei surpresa com afirma-
96es, absolutamente inveridicas fei-
tas por voce no seu ultimo Jornal
Pessoal, na nota intitulada 'Palavra
de Arquiteto', pelo que solicito as
seguintes retifica9qes:
a) Nunca fui ao gabinete do sr.
Ronaldo Maiorana levar apoio da
PMB ao event do ParA Folia. Pelo
contrario, foi o empresArio, que di-
rigiu-se A PMB, para tratar da regu-
larizagpo da promogAo festival da
qual era titular, e eu o recebi, como
receberia e recebo, qualquer cidadio
que interessado em realizar ativida-
de em espago pOblico, necessite de
autorizagAo da PMB para tal;
b) Ao contrario do que voce no-
ticiou nao foi concedida isengao fis-
cal ao ParA Folia, ficando inclusive
expresso no term de autorizagao do
event, em seu item 12.2 que "O
valor do imposto incident sobre o
event (ISS) serA fixado pela PMB-
SEFIN, atrav6s de estimativa", sen-
do que a Secretaria de Finangas do
Municipio jA procedeu a notificaglo
para o pagamento do imposto devi-
do. Aproveito para observer que esta
6 a primeira vez que 6 elaborado um
document disciplinando as rela9qes
entire o poder piblico e os promoto-
res do event, estabelecendo obriga-
oes ficais e extra-fiscais para os se-
gundos, fato que serA repetido em
qualquer outra promog9o do gene-
ro. A PMB evitou assim que tomas-
se a ocorrer, o acontecido em gover-
nos passados, onde era, ai sim co-
mum as isen9ges e ausencias de
obriga98es dos particulares em re-
lagio ao poder piblico, fato que sin-
ceramente nao record de ter sido
objeto de critical em seu journal;
Por fim caro LUcio, lamento ter
sido alvo de critical tao Acida e infun-
dada, sem nem ao menos ter sido ou-
vida antes da conclusao desta repor-
tagem, apesar de nunca ter me nega-
do a receber nenhum jomalista".

Minha resposta: O Jornal
Pessoal errou. A Secretaria Muni-


cipal de Financas cobrou deISS do
Para Folia aproximadamente 165
mil UFIRs (Unidade Fiscal de Re-
fernncia), o equivalent a 150 mil
reais. Esse valor foi estabelecido
por estimativa, devido a "impossi-
bilidade de se aferir o valor real
do movimento econ6mico do even-
to", conform a portaria 297 da
Sefin, cor base em informao6es
fornecidas pelos pr6prios promc -
tores. 0 c6lculo abrangeu "os in-
gressos de arquibancadas e cama-
rotes, cor seus respectivos valores
e n~meros de blocos cor seus brin-
cantes". 0 Para Folia, que movi-
mentou milhares depessoas duran-
te quatro dias, no final do ms pas-
sado, teria alcancado receita bru-
ta de tris milhaes de reais.
Apesar de ter obtido a informa-
qdo de umafonte segura, durante a
negociafdo dos organizadores do
Para Folia cor o governor do Esta-
do, para a redudo da taxa da Se-
cretaria de SeguranFa PNblica, a
vice-prefeita ter razdo: deveria ter
sido ouvida. Mesmo que a nota do
JP ndo seja uma reportagem, mas
um tdpico de opinido, a informacdo
realmente era errada. Mas a base
do argument permanece de pe.
Enquanto cobrava RS 150 mil de
ISS, por estimativa, a prefeitura de
Belm pagava R$ 158 mil d TVLibe-
ral por uma das cotas da transmis-
sdo do Cirio de Nazard. Apenas mais
uma (cor asLojasArapud), das cin-
co cotas originalmente previstas, foi
comercializada, talvez por causa do
preFo: enquanto a Liberal queria R$
158 mil, sua concorrente, a TVRBA,
que liderou o outro "pool" cor o
SBT cobrou R$ 35 mil.
Assim, se Ronaldo Maiorana
terd prazo ate este dia 23 para re-
colher os R$ 150 mil de ISS devido
pelo Pard Folia, a empresa de sua
familiar recebe R$ 158 mil pela
transmissao do Cirio. No encontro
de contas, saldo de R$ 8 mil, pago
pelo contribuinte, o mesmo qui
arca corn a atualfolia publicitaria
official, movimentada a todo vapor,
pari-passu, pelos governistas esta-
duais tucanos e os municipals pe-
tistas. 0 faturamento e aprecidvel
corn a propaganda cada vez mais
maciga da PMB nos veiculos do
grupo Liberal, a margem da quita-
ado de duas parcelas (RS 500 mil
em dois meses) da divida deixada
por Hdlio Gueiros. Dessa maneira,
reabriu-se o espaFo para os petis-
tas de Belim, inclusive no Rep6r-
ter 70, a coluna nobre mas sem-
pre atenta especialmente aos ci-
fr6es de 0 Liberal.
De fato, como este journal noti-
ciou, a actual administracdo munici-
pal conseguiu enquadrar o Pard Fo-
lia numpardmetrode legalidade, im-
pondo-lhe algumas regras. Antes, o
carnavalfora de gpoca era feito i
revelia e por omissdo da prefeitura.
Nessa epoca o JP era o zunico lugar
no qual essa relaado promiscua en-
re a administracdo piblica e o gru-
po Liberal sofia critical, como per-


siste sendo o rnico espaFo da im-
prensa local a manter esse tipo de
critical, seja li a quem for o inimigo
de sempre ou o amigo de ontem. Um
espaco que continue invendivel e,
como diria o Magri (parodiado pelo
Gileno nos verdelejos e azulejos),
imprestAvel, inclusive aos argumen-
tos da seducdo menos sonante.

e Rodolfo Lisboa
Cerveira:
"N5o pretend polemizar o assun-
to e transformer seu excelente journal
em um reposit6rio de cartas, ainda que
elas possam exprimir os nossos lidi-
mos interesses. Por6m, permita-me
discordar de sua assertive sobre a des-
capitalizagao e a desorganizagio da
atividade produtiva na Amaz6nia:
al6m, 6 claro, do esbulho contibil que
permit o retomo do recurso a custo
zero e sua origem (aos capitalistas do
Sul e a r6cua de apaniguados natives).
A responsavel pela elaboraglo e exe-
cugAo dos Pianos Regionais 6 a SU-
DAM (antes, SPVEA). 0 BASA atua
tgo-somente como Agente Financeiro
(com recursos a fundo perdido). Nes-
ta hip6tese, nao Ihe caberia a invecti-
va de desestabilizador da economic re-
gional; ate porque nos projetos em que
participa com recursos a juros favo-
recidos, ha projeg9es de receitas, cus-
tos, produgao, mercado e outras vari-
Aveis que o rigor t6cnico exige. Para
finalizar, sugiro-lhe reler o seu texto
'O Estado Nacional, padrasto da
Amazonia', publicado na revista do
IDESP 'Para Desenvolvimento', n
20/21 (1986/87), ali nao consta o
BASA como algoz da Amazbnia,
muito pelo contrArio...
Obs. Aqui para n6s, a 'primeira
experiencia desse porte de planeja-
mento regional do Brasil', foi a SU-
DENE do Celso Furtado ou a
SPVEA do Waldir Bouhid?"

Minha resposta: A culpa, pelo
menos no dmbito do territ6rio bra-
sileiro, 4, como mostrei no artigo
citadopelo Cerveira, do Estado na-
cional, author e, quando ndo, pro-
pagandista do model de integra-
fdo da Amaz6nia as economies ex-
ternas (com regras por estas esta-
belecidas).
A Sudam, evidentemente, e
personagem mais important do
que o Basa epor isso ela ter mais
destaque no texto. Mas na nossa
polimica estamos tratando do Ban-
co da Amaz6nia. Como agent fi-
nanceiro do Finam, o Basa d mero
repassador de recursos carimba-
dos. Mas tambdmfoi agent do Pro-
terra e, nessa condicao, limitou-se
a cumprir ordens, mesmo que con-
trhrias aos interesses e aspirafbes
da Amaz6nia. As principals ordens
foram dadas por Delfim Neto. Os
principals executoresforam Jorge
Babot de Miranda e Francisco de
Jesus Penha. Apesar de todas as
normas bancdrias, muitas opera-
f5es de crddito rural ficaram no
"ora, veja ". Nem a documentacdo
das terras costumava ser regular.


Nao interessava: o objetivo era dar
dinheiro para a pecudria de corte.
Mesmo destacando a Sudam
(que, final, d a coordenadora de
toda a acdo federal na Amazdnia,
hierarquicamente estabelecida em
patamar superior ao do Basa), nao
deixei de me referir ao banco, como
neste trecho: "Refletindo esta nova
conjuntura, em 1946 o BCB [Ban-
co de Cr6dito da Borracha/ come-
fou a diversificarsua afro, deixan-
do de ser um banco exclusivamen-
te dedicado a borracha e abrindo
uma carteira agropecudria. Aos
poucos o fomento a borracha iria
perdendo gnfase, matando no nas-
cedouro o process de beneficia-
mento na propria regido ".
Desde entdo, o Basa s6 preci-
sou sufocar a consciincia critical,
que sobreviveu ati a dicada de 70
em seu sector tecnico, para desem-
penhar o seu papel de fiel cumpri-
dor das determinaqoes da political
federal. Foi algoz, ainda que como
codjuvante. 0 que ndo quer dizer
que, por isso, deva ser execrado e
condenado. Mas precise mudar.
Nao hd duvida alguma que a
Amaz6niafoi pioneira no planeja-
mento regional. A Constituifao de
1946 reservou-lhe 3% da receita
tributdria federal. A aplicaago des-
sa verba estava vinculada ao Pla-
no de Valorizaqgo Econ6mica da
Amaz6nia, exigdncia constitucio-
nal, mas o 6rgdo que o executaria
sdfoi criado sete anos depois, em
1953, a SPVEA. Ainda assim, an-
tecedeu de seis anos a Sudene de
Celso Furtado, criada em 1959, no
governor desenvolvimentista de Jus-
celino Kubitscheck. Quanto a Wal-
dir Bouhid: ele assumiu a superin-
tendincia jd no ocaso da SPVEA.
Et pour cause, como costumam di-
zer os colunistas sociais.

e Antonio Luiz Passos da
Silva administratorr):
"Voc6 sempre escreve em seu
Journal Pessoal a expressao 'coisas
provincianas' quando se dirige a
acontecimentos relacionados com
nosso Estado, no entanto somos sa-
bedores que muitos dos fatos ocorri-
dos, os quais merecem seu destaque
como 'provincianos', nio sio nosso
exclusive privil6gio e sim de quase
todos os.estados brasileiros, com ra-
ras exce96es, se 6 que estas existem".

Minha resposta: E verdade.
Mas minha seara sdo os provinci-
anismos paraenses, dos quais nao
sou e nem pretend ser um especi-
alista. Ndo afirmo que tudo o que
ocorre aqui e provinciano. Acon-
tecimentos cosmopolitas se suce-
dem no Pard, quase sempre a nos-
sa revelia e sob nosso complete
alheamento. Este e o pior tipo de
provincianismo: a inacapacidade
de fazer a prdpria hist6ria.

e Maria do Rosario San-
tos da Silva, acad6mica
de Cidncias Sociais:








JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 7





Terra: governor v problema, sem agir

Ha um "crescente estehonato fundi- estrutura do Iterpa, para ela promoter., "o 1977 para disciplinar os carrbnos.
Ario" no Para. reconhece o Conselho Es- mais rapid possivel, as aqoes judiciais vi- As resolu es. dtscuttdas e aprova-
tadual de Politica Agrina e Fundiaria sando desconsutuir centenas de registros das ha alguns meses, s6na semana pas-
do Estado. Atraves de duas resoluqbes. irregulares"e'xiasentesnoscartorios de Bre- sada foram publicadas no Diario Ofi-
as primeiras estabelecidas neste ano. o ves e Portel Nesses dots munictpios ten- cal do Estado. Mas como ainda ndo
Conselho, que e presciddo pelo secreta- am que ser realizadas discriminatorias ju- tmm o referendo do governador. per-
rio de agriculture. Hildegardo Nnmes. diciais eouras medidas compativeis "com manecem na condiao de meras pro-
quer combater as irregulandades ja a gravidade e extensAo dos probtemas fun- posiqes, recomendaybes e sugesrocs.
constatadas O pnncipal alvo das duas drinos" daquelas kocahdades sem carter executlvo. Como, de res-
unciarivas sAo os cartnnos de registro 0 Conselho recomenda tambem ins- to. tern sido a marca da administraiao
de imoveis de sets municipios do inte- peq6es ou correeites judicias nos car- Almir Gabriel no sector fundiarto: mwu-
nor. "onde se multiplicam, de forma tornos de Alramira. Sio Felix do Xmgu. to boa intenqio declarada para pouca
corriqueira. as manobras e 'grilagens' Acara. Moju. Sao Miguel do Guama e agAo concrete. e resultados praticos
de terras publicas. gerando, em conse- Breves, "onde se concentram os maio- menos significativos amda. Depois
quncia. enormes prejuizos aos mesti- res indices de irregularidades documen- desse diagn6stico sobre a gravidade da
memos produtivos e ao desenvolvimen- tais envolvendo umensas areas de terras "grilagem" de terras, s6 faha as duas
to socio-economnco da regido". do patrunmruo tundario paraense' Essa resoluqces jamais serem referendadas
O Conselho quer fortalecer a Procu- inmcativa seria refortada pela reedigao pelo goemnador para que o problema
radona Fundiuria do Estado. que substi- da instruQgo numero dois da Correge- se tome mais seno ainda. No papel.
tuiuoanngodepartamentoencravadona doria Geral de Justiga, baixada em porem, ele estarA resolvido.


"Gosto muito de ler seu Jornal
Pessoal, por6m existem opinibes ou
critics suas que discordo democra-
ticamente, e uma das quais cito como
sendo a mat6ria sobre a Macrodre-
nagem, onde o senhor escreve que o
prefeito Edmilson esti 'pegando ca-
rona' do Estado. O senhor hA de con-
vir que se a Prefeitura pode fazer
isso, tern garantias, por que nio fa-
zer? Pergunto mais, se fosse o se-
nhor o que faria se estivesse sentin-
do-se vivendo em uma jaula cheia
de leoes selvagens corn uma roupa
nao muito forte para seus ataques?
Pois 6 assim que vejo o atual prefei-
to na nossa cidade belemense, e sin-
ceramente o acho uma criatura mui-
to corajosa, pois Ihe garanto corn
autoridade que se fosse outro jA te-
ria desistido, visto a grande press&o
que recebe de todo o lado da socie-
dade, e o senhor como jornalista e
soci6logo, tenho certeza que pode
avaliar o que digo, nao com olhos
de opositor, mas com olhos de criti-
co. E aproveito para Ihe perguntar
como o senhor agiria neste caso? O
senhor por acaso tern uma formula
milagrosa contra a corrupqao dos
lebes do nosso Estado? Se tem, seja
bondoso e partilhe conosco, pois te-
nho muita vontade de ajudar o pre-
feito, pois alIm de corajoso ele 6
honest e lutador assim como eu, e
nao merece ser comido por estes le-
oes malditos".

Minha resposta: Ndo hd f6r-
mula para ser honest, muito me-
nos dificuldade. Sempre lembro da
resposta de Millor Fernandes
quando Ihe perguntaram se era di-
ficil ser honest. "Ndo", retrucou
o sdbio doMeier completando, rd-
pido: "nao hd concorrencia ". Por-
tanto, e sd ndo se deixar tentar, ser
honest por principio. Principio d
pressuposto, cldusula petrea da


personalidade (principalmente do
carter, para usar expressed jd
meiofora de moda).
Ndo h6 nenhum merito em ser
honest. Todospoderiamos ser an-
tes que devissemos se-lo, diria o al-
quimista da anti-corrupfdo, Jdnio
Quadros (o unico cor sua conta
numerada na Suiga revelada e
pela prdpria filha, a instdvel Tutu).
Logo, nao hd formula mdgica em
terms individuals. Cartesiana-
mente, se todos fossemos pessoal-
mente honestos, a sociedade que
formamos tambem o seria. Mas o
enunciado costuma se transformer
em silogismo e ai comegam as com-
plicapOes, que tornam a corrupqao
tema tio explosive. Puxamos de
nossa indignaqfo quando vemos o
diagndstico em ingles. Seja hi em
qual lingua elafor registrada, e um
dos maiores desafios que temos a
responder enquantohd tempo. Mas
nao se hd de dar tregua aos cor-
ruptos. Pelo menos aqui neste jor-
nal e uma diretriz editorial.
Divulgar a verdade e a norma
da propaganda sadia. Criar o que
interessa e coisa de propaganda
manipuladora. A prefeitura de Be-
lem, pelas razees apresentadas na
edigqo anterior ndo participou ati-
vamente da macrodrenagem. A pro-
paganda feita e sagaz e oportunis-
ta, mas d um falseamento da reali-
dade. Ao inves de se apropriar do
que ndo lhe pertence, deveria mos-
trar a origem do program e a ne-
cessidade, a partir de agora, da
participapFo do municipio, que
saiu de sua passividade abulica em
relafgo ao maior investimento pdi-
blico feito em Belem. Ao final da
leitura da pega publicitiria divul-
gada, qualquer leitor atento ird se
sentir ludibriado. Nao e just.
Nao tenho motivo algum. ate
aqui, para duvidar da honestidade


e da coragem de Edmilson Rodri-
gues. Quanto a competencia dele,
d outra questio. Coragem e hones-
tidade sdo requisitos indispensd-
veis para enfrentar os graves pro-
blemas de Belim, mas nao sdo su-
ficientes. E precise de competincia,
talvez condigao ainda mais rele-
vante. E o detalhe: tudo isso em
equipe e nao sd individualmente.
Infeliz do pais que precisa de he-
rois, jf disse Galileu, pela pena de
Bertolt Brecht. Amem.
Quanto ao restante de seus
questionamentos, espero respond&-
los em outra ediqdo.

e Jorge Moreira Juliio,
president da Federagdo
das Associagdes de Aposen-
tados e Pensionistas do Esta-
do do Park:
"Escreveste certa vez: 'jomalis-
ta que nao incomoda, 6 rela65es pi-
blicas'.
MEMORIAL GEOLOGIC DO
PARA AMEA(ADA 6 um dos titu-
los inseridos no JP n" 171, infor-
mando aos leitores fatos omitidos
por outros 6rgbos de imprensa, os
quais, digo eu: por negligencia,
omissao ou interesses pr6prios; di-
ficil de saber,
Todo o conteido do citado texto
6 important e 6 mais do que uma
denuncia. Por6m, no 61timo parAgra-
fo, quando fizeste referencia ao 'le-
tArgico governor estadual', 'acervo
da Docegeo', 'queda de nivel do
nucleo de geologia e geocibncias da
UFPA' (...), tomando o seu vocAbu-
lo, 'arremata' a denOncia.
Sao fatos rotineiros no Para, caro
jornalista. Veja bem: quando eu re-
digi PRIVATIZAC)ES E A AMA-
ZONIA e enviei c6pias aos jornais
grandes de Bel6m, ao de Ananindeua
e ao JP, nenhum deu publicidade a
uma virgula sequer, do meu protes-


to. De duas, uma: ou porque 6 um
texto in6pio, ou?... Nao me cons-
trange nem me agasta o descaso,
porque, em verdade, sou peixe de
outra lagoa. Por6m, preocupo-me
corn os problems da AmazBnia,
mais do que corn os do meu Estado
natal. E talvez, mais do que muitos
amazbnidas.
E insist em afirmar que, no Para,
governantes, politicos, POVO e a
imprensa, cor honrosas exceqoes,
slo os maiores culpados pela alie-
nagao das riquezas do Estado e o seu
conseqiiente descalabro econ8mico/
social.
Temos que reagir, denunciar e lu-
tar, enquanto nio p8em algemas e
mordagas na IMPRENSA; elas v6m
ai, 6 questio de tempo, pois, no Con-
gresso Nacional, cor honrosas ex-
ce95es de alguns de seus membros,
estAo postos para cassar as conquis-
tas do POVO e transformar a nagIo
em propriedade privada de uma mi-
noria astuta, em detrimento de uma
maioria desinformada e sem poder
de rea9Ao".

Minha resposta: Pordefinigdo
editorial, este e um journal estrita-
mente pessoal. Nao aceita artigos
de terceiros. Maspublica cartas de
seus leitores. Esta, do bravo Julido,
nao i a primeira que sai no JP.
Felizmente para mim, infelizmente
para alguns leitores, que reclamam
dessa tendencia, cresce a quanti-
dade de cartas. Ndo que eu queira
livrar-me da dificil tarefa de man-
ler este como um journal pessoal
(para equilibrar reduzo os tipos
nos quais as cartas sdo compos-
tas), mas porque dar voz a af6nica
sociedade paraense e uma das ta-
refas mais nobres da imprensa lo-
cal. Sobre aprivatizagao da CVRD,
este JP jd se manifesto vdrias ve-
zes; desde o inicio, contra. 0










Para o goverador Almir Gabrie
os estragos feitos desde oinicio da se
seu successor no cargo, Hdlio Gueir
chegam a ser uma trag6dia: para
pouco nao perdeu a vida, tudo o ma
ser lucro, mesmo as ameagas ao si
nhado piano de reeleigao.
A morte esteve muito mais pr6xu
vemador do que mostrou a impren
quando sentiu fortes does, na terg
semana passada, durante uma pales
cada vez mais impropriamente cha
Palacio dos Despachos, o que ele e
frendo era um aneurisma na aorta a
- e nao calculo renal, como foi diag
inicialmente.
Desse dia atW a operagao, realized
ministry Adib Jatene em Sao Paulo
de sexta-feira, a morte rondou o go
A aorta, o grande canal que faz a circ
sangue desde o coragao atW os p6s, c
se esgargar na regiao abdominal, pr
as does. Fortemente medicado, o g
sentiu-se aliviado e endossou o dia
sobre o cAlculo renal. Ele mesmo for
do Hospital da Aeronautica, avalizad
exames, nenhum dos quais poderia
tado o aneurisma.
Mas quando dois outros m6dicos f
vocados para tender Almir no fina
de quinta-feira, quando ele ja estava
Granja do Icui, ficou constatado que i
tava de cruise renal. Uma tomografia
dorizada e uma ressonancia magnet
zadas ainda de madrugada, confirm
prognosticos dos dois m6dicos que n
existEncia do cAlculo: a aorta do g
ameagava romper-se, provocando u
hemorragia, que o mataria rapidame
Para sorte do governador, o sangu
capava da veia apenas gotejava. Log
um coAgulo, que, podendo subir pai
9ao ou a cabega, ao inv6s disso, em
acimulo de gordura no sangue, pela
A agregagao plaquetAria de Almir, n


Milagre salv govemador
1, mesmo mente se alojou sobre o esgargamento, tampo- Considerai
nana pelo nando-o. Os mais bern humorados observaram, aneurisma,
os Jr., nao depois, que o cigarro contra o qual o governa- aumentava
quem por dor terA que lutar a partir de agora, se quiser Outro di
is passa a prolongar sua vida, contribuiu para salvA-lo. ele foi trar
eu tio so- "Talvez se o sangue fosse mais fino, ele tives- Na v6spera
se morrido logo", comentou um dos amigos. chegara a c
na do go- Por pouco o govemador nao foi vitima de cular, mas
sa. Desde um incident semelhante ao que vitimou Tan- da. Insistia
a-feira da credo Neves. A reconstituigao dos fatos a par- problema c
;tra no tir do dia 14 revela a fragilidade do esquema ajando nun
imado de apoio a principal autoridade do Estado, fra- (nAo era a I
estava so- gilidade para a qual o pr6prio Almir deu sua contrArio d
bdominal decisive contribui9ao. Medico ele pr6prio, ha gem durou
nosticado anos nao se submetia a exames, apesar de seu embarcar n
padrao de vida sedentArio e estressante, agra- assim esfoi
a pelo ex- vado pelo consume de tres a quatro magos de A decisi
, na noite cigarro por dia. pital da Ae
vernador. O exame de sangue feito durante o primei- mo que in
ulag9o de ro atendimento de emerg8ncia revelou que Al- politicos d(
omegou a mir Gabriel 6 diab6tico, o que ele ignorava at6 de da situa
ovocando entao. Al6m da glicose alta, os outros indica- mente A ma
ovemador dores estavam alterados, principalmente trigli- ronAutica e
agn6stico cerideos e o cholesterol (o dobro do mAximo). (o Hospital
gou a alta Apesar disso, o m6dico Adib Jatene atestaria, metros de
la por tres depois, que as coronArias estao surpreenden- lamento do
ter detec- temente limpas, requisite fundamentAvel para litar.
o sucesso da cirurgia, atrav6s da qual o trecho Assim,
oram con- comprometido da aorta foi substituido por uma nao estaria
1 da noite pr6tese. Um entupimento nesse moment em personalid
de volta a art6rias secundArias teria sido fatal, se as suas
iAo se tra- Mas quando deitou-se no chao do audit6- ao m6dico,
computa- rio, onde falava para um grupo de oficiais da desenlaces,
ica, reali- Escola Superior de Guerra, o goverador deve Mas o Hos
naram os ter dado razao A idiossincrasia do seu desafe- pamentos c
Legaram a to, Hl6io Jr., pelo PalAcio dos Despachos: a ressonanci
ovemador precAria caixa de primeiros socorros do lugar para os exi
ima forte ("no meio do mato, .6 serve para se esconder", res corn 48
nte. costuma dizer o vice) nao tinha Buscopan, que ria e precip:
ue que es- Almir pedira para aliviar as dores. Teve que mes que a
;o formou tomar Dipirona. Por tudc
ra o cora- Tambdm foi obrigado a seguir de carro co- ditava em I
fungao do mum porque a ambulancia do 192 nio chegou agora um b
tendencia a tempo e na pr6pria sede administrative do O fato de ti
lilagrosa- govemo nao ha um plantao de emergencia. crucis s6 ti


ido-se que Almir ja estava com o
o desconforto do autom6vel comum
sua exposi9go ao risco.
esajuste se repetiu tamb6m quando
isferido de Bel6m para Sao Paulo.
i, o deputado Luiz Otavio Campos
ontactar com uma UTI area parti-
o pr6prio Almir descartara essa aju-
em ficar em Belem, dizendo que o
le sadde fora superado. Acabou vi-
ijatinho daFAB adaptado para UTI
JTI do president da RepAblica, ao
o que a imprensa noticiou). A via-
Suma hora a mais e ele nao p8de
em desembarcar de maca, fazendo
rgo arriscado.
io de internal o governador no Hos-
ronautica pode ter obedecido (mes-
conscientemente) mais a criterios
o que de saude. Apesar da gravida-
9ao, a escolha nao deveu-se exata-
ior proximidade do Hospital da Ae-
m relaago ao PalAcio dos Despachos
Bel6m, melhor equipado, fica a 200
listancia), mas para permitir o iso-
govemador em uma instalagao mi-

se o fato fosse realmente grave, ele
exposto a curiosidade piblica (a
ide public do paciente sobrep6e-
prerrogativas de pessoa, o politico
distorg9o que acaba resultando em
, como no caso Tancredo Neves).
pital da Aeronautica nao tem equi-
le tomografia computadorizada ou
a magn6tica, que seriam utilizados
ames definitivamente esclarecedo-
horas de atraso. A alta fora temera-
itada sem o reforgo de todos os exa-
situaqAo requeria.
isso, se por acaso antes nao acre-
Deus, o cidadao Almir Gabriel tem
*om motivo para mudar de opiniao.
er sobrevivido a essa autentica via
em uma explicag9o: foi milagre. *


~q~2~ b P )))(E~; A(~C:~V~'~'):' '~4


Haiti 6 aqui
A Amaz6nia 6 novamente a pre-
miada pela Anti-Slavery Internati-
onal, a entidade sediada em Lon-
dres que combat a escravidao em
todo o mundo. A maranhense Pu-
reza Lopes Loiola recebeu, na se-
mana passada, na capital inglesa, o
pr8mio de 1997 por sua luta para
descobrir o filho. Ele deixou Agai-
landia atrAs de emprego e s6 foi re-
encontrado pela mae anos depois.
Durante esse tempo, trabalhou for-
9ado como peao numa fazenda de
Santana do Araguaia, no sul do
Para, de onde escapou por fuga.
A manuten9ao do trabalho es-
cravo 6 estimulada pela legisla-
c9o brasileira, que e falha na de-
tecgqo e repressao desse terrivel
anacronismo. O governor diz que
tenta, mas nao consegue impor o
confisco das propriedades nas
quais 6 identificado o trabalho es-
cravo. Por isso, o Brasil estA con-
denado a continuar recebendo o
pr8mio da Anti-Slavery, que re-
sulta da mais vil condigao de tra-
balho human, enfrentada por
pessoas de coragem como Pure-
za Loiola.


Finura
Fui convidado para ser um dos
expositores do I Forum de Cul-
tura, Educagao e Meio Ambien-
te, na mesa-redonda "O context
da cultural na Amaz6nia: preser-
vaago, integragao, desenvolvi-
mento ou crise", um dos events
do I F6rum Pan-Amazonico de
Cultura, EducagAo e Meio Am-
bienbte, que a Secretaria de Cui-
tura do Estado promove em Be-
16m, de 7 a 16 do pr6ximo mes,
ao custo declarado de um milhAo
de reais. Da mesma maneira in-
formal corn que fui convidado, fui
"desconvidado". Meu nome foi
expurgado de tao magna promo-
9A0 por ordem do secretario, Pau-


lo Chaves Fernandes, que assim
julga me punir por haver cometi-
do a heresia de desagradA-lo.
Nao sei o que mais me honra:
se o convite ou o "desconvite".

Enpenhosidade
Mais uma inovagao digamos
assim tecnol6gica do jomal 0
Liberal: criou, nas edi96es dos
dias 7 e 11, o teleprompter impres-
so para o deputado federal Vic Pi-
res Franco assinar contundentes
mensagens contra a Companhia
Vale do Rio Doce. Como todos ja
sabem, o teleprompter eletr8nico
6 aquele aparelho colocado diante
da camera de televisao que permi-
te ao apresentador dos telejomais,


SJornal Pessoal
Editor: LOcio Flavio Pinto
Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 053-020
Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Trv. Benjamin
Constant, 845/203 / 66 053-020 Fone: 223-7690
e.mail: lucio@expert.com.br
Edltora;do de arte: Lulzp6 1 241-18591222-5238


principalmente, ler o texto escrito
sem desviar o olhar da dire9go do
telespectador, como se a leitura
resultasse de sua criagao. Gragas
a esse engenho, o locutor Cid
Moreira chegou a ser considerado
o melhorjornalista do pais.
Os dois anincios de meia pa-
gina, com a foto do deputado e
uma boa produgao, renderam elo-
gios e dividends eleitorais a Vic
Pires Franco. Nada como publici-
dade subliminar.


Contemporizag o
Nem ojudiciArio, nem a Asso-
ciagao dos Magistrados aceitaram
tomar qualquer provid8ncia con-
tra o president da OAB do Para,
S6rgio Couto. O advogado Moi-
sss Martins Porto requereu do TJE
que acionasse Couto por causa de
uma pesquisa que a OAB-PA di-
vulgou atrav6s da imprensa. Se-
gundo essa sondagem, 13,8% dos
advogados estao desestimulados
profissionalmente porque a justi-
9a "6 corrupta. Os acionados pre-
ferem esperar pela mudanga na
diregao da OAB, que sera feita no
pr6ximo mes.