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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00121

Full Text






Journal Pessoal
L U C I 0 F L A v P I I N TO
AN -N 172 .5 I LQIZENA DE OUU DI97-$20


Os boatos da
,comprada Istoe
(pWg. 3)


POLITICAL


A lambada maluca

0 fultimo lance no xadrezpolfticopre-eleitoral e de endoidar: o

governadorAlmir Gabriel chama o senadorJader Barbalho para uma

conversa. Dizem que e sobre os interesses do Estado. Na verdade, e uma

mexida quepode mudar o quadro de uma maneira tdo drdstica quanto

o acerto de contas entire o governador e o grupo Liberal. A hora e do

vale-tudo. Advinhe quem vaipagar a conta.


perplexidade e a confu-
; I.' so baixaram definitiva-
"ii mente sobre o Para par-
Stir de segunda-feira da
i .. semana passada. Nesse
S dia comegou a tomar-se
piublica a informagao
sobre o encontro, na vespera, do go-
vernador Almir Gabriel corn o senador
Jader Barbalho na Granja do Icui. Du-
rante os quatro dias seguintes, ate a
noticia aparecer na primeira pigina de
0 Liberal, as pessoas mais bem infor-
madas sairam ansiosas atris de confir-
maqao ou de verses mais detalhadas

40" M.", M, Mm, ;AgEa"!^


sobre o fato em si e o seu significado.
Era uma recomendavel media de
bor senso. Apesar dos reiterados boa-
tos sobre o empenho do Palacio do Pla-
nalto em promover um acordo mais am-
plo no Para, atendendo os compromis-
sos partidarios na verdade, um tanto
forgados do president Fernando Hen-
rique Cardoso cor seu correligionario
tucano e seu interesse no poder congres-
sual de manobra do senador do PMDB,
nada vinha indicando uma disposidao das
parties em enraizar essa tendencia em ter-
rit6rio paraense.
Ao contrario, sobravam farpas entire


os dois lados. Isso ate Jader reverter a
tend8ncia de aproveitar a insatisfacao
pilblica da deputada Izane Zaluth corn o
goverador para um rompimento aberto
e Almir desestimular estocadas contra o
senador a partir de denincias contra ele
publicadas na revista Istoe, ja ensaiadas.
A possibilidade do encontro amadurecia
e foi precipitada cor a aproximarao do
final do prazo para as filiag6es partida-
rias e as trocas de partidos.
Mas, ao contrario do que O Liberal
antecipou, ainda nao hW um acordo fir-
mado. Tratando-se de uma guerra bran-
ca, tecnicamente o que houve foi um -


.
II -*
"T-~
t... r







2 JOURNAL PESSOAL 1- QUINZENA DE OUTUBRO / 1997


N armisticio. As duas parties colocaram
sobre a mesa suas propostas e agora vio
trabalhar para viabilizA-las, mas condi-
cionadas a determinados aspects da
evoluqao da conjuntura political que es-
capam inteiramente ao seu control.
Ao se manifestar sobre os fatos de-
pois de deixar seu jomal ser furado pelo
concorrente (na problematica profissio-
nalizaCo do Didrio do Pard), Jader -
usando como biombo uma "pessoa bem
informada sobre a political do Para" -
publicou em seu journal que o convite para
o encontro viera atraves do secretario de
Planejamento, Simro Jatene. "Alem de
conversarem sobre temas administrativos
de interesse do Para, Almir manifestou
a Jader a vontade de iniciar e promover
um projeto de reuniao das diversas lide-
rangas political do Estado, com vistas a
uma uniao visando as eleigbes do pr6xi-
mo ano", registrou a coluna Rep6rter
Didrio, complementando: "Al6m da tese
de uniao das diversas forcas political,
nada mais foi tratado ou alentado, parti-
cularmente cor relagao a candidaturas
ou distribuigao de cargos nos governor
estadual e federal".
0 acordo, evidentemente, pressupde
o acatamento a candidatura de Almir a
reelei~io, cabendo a Jader indicar o vice
e aprovar o nome do senador, que seria
o de Jarbas Passarinho, fechando a coa-
lizao PSDB-PMDB-PPB e derivados. A
inclusao de Passarinho seria decorrente
de um resultado da pesquisa do Ibope
que o Didrio divulgou, tratando de omi-
tir, porem, esse dado especifico: Passa-
rinho teve 39% das preferencias do elei-
torado, contra 23% de Almir Gabriel,
19% de Fernando Coutinho Jorge, 8%
de Valdir Ganzer e 2% de Fernando Fle-
xa Ribeiro.
Esse resultado, combinado cor a lide-
ranga de Jader na dispute para o govemo
(42%, contra 19% de H6lio Gueiros e
16% de Almir Gabriel), precipitou o que,
bem tucanamente, o Palacio do Planalto
vinha estimulando. Atraindo Jader Bar-
balho, Almir reforga poderosamente a sua
candidatura, isolando H6lio Gueiros, corn
quem um acordo ja s6 nao 6 considerado
totalmente impossivel porque de impos-
sibilidades a political paraense esta cheia
(e o povo, saturado).
O prego de Jader seria o minist6rio dos
transportes. Nenhum problema haveria
nessa pretensao, mesmo porque o sena-
dor paraense ja colocou na boca do co-
fre desse minist6rio um home de sua
confianca, o engenheiro Livio Assis, e o
cargo pertence ao PMDB. O complica-
dor 6 que os deputados federais peeme-
debistas nao querem mais um senador
ocupando sua cota. Iris Resende ja estA
na pasta da justica. Poderia ced8-la para


Jader, mas ele 6 que nao a quer. Esse 6
um ministdrio de muitos problems, pou-
co poder e escassos recursos. Nao pre-
enche os requisitos de Jader para cargo
public.
O ministerio funcionaria como uma
nau para a travessia do grupo politico do
senador pelos percalgos eleitorais e ro-
cha para abriga-lo ao long do novo qua-
trienio de Almir Gabriel. A luz e as ver-
bas federais permitiriam ao senador, jun-
tamente cor o vice-govemador (o mais
traumatico dos cargos eleitorais da Re-
ptiblica), acautelar-se contra o risco de
devastagao pelo aliado, que costuma ser
mais perigoso do que o inimigo.
Jader estaria disposto a aguardar as
provid6ncias tucanas para prov6-lo de
ministdrio forte. Essa seria a maneira de
manter sua estrutura de poder no Para
sem forga-lo a expor-se a uma desgas-
tante dispute governmental no pr6ximo
ano, que ele preferiria transferir para
2002, se sua ascendente carreira federal
nao o levar a posi6oes ainda mais altas
do que a que ocupa atualmente.
Sem esse cargo forte, porem, Jader te-
ria que desfazer sua melhor estrat6gia e
voltar a tratar da horta paroquial, como
foi obrigado a fazer em 1990. Nesse caso,
deixaria o barco do governador e atraca-
ria de novo no de H6lio Gueiros, mesmo
porque a fase aguda que precedeu o 3 de
outubro voltara a amainar at6 o desenca-
deamento da dispute para valer.
Fraco de realizacdes e sofrivel de ima-
gem, o goverador Almir Gabriel deixou
os escrnpulos de lado e agora invested
numa propaganda personalizada sem pa-
ralelo na hist6ria recent do Estado. Em-
bora seus indices tenham melhorado na
lttima pesquisa do Ibope e o povo ainda
mantenha esperancas na sua administra-
Gio, um goverador sem carisma e sem
profundas raizes political no interior s6
tem possibilidades reais de vit6ria se seu
marketing for agressivo e eficiente.
Para chegar a esses resultados, o mais
poderoso instrument 6 o conv6nio que
o govemo assinou cor o grupo Liberal.
Gragas a esse acordo, fechado na sema-
na retrasada, depois de tr6s meses de
negociacqo de bastidores, em 120 dias
Almir Gabriel fara seu program de pro-
paganda (ja abertamente eleitoral) che-
gar a metade dos municipios do Para,
podendo, at6 a elciCao, expandir esse
inedito raio de alcance (e estrategico na
segunda mais extensa unidade federati-
va brasileira, cor quase 80% de sua po-
pulacao espraiada pelo interior).
Para o padrio brasileiro (e especifi-
camente paraense) das rela9ses entire o
poder politico e o poder econ6mico, o
acordo foi a sopa no mel. O grupo Libe-
ral alugou um transponder no sat6lite


Brasilsat, mas s6 dispunha de estrutura
em terra para alcancar menos de 20% dos
municipios paraenses (nove anos antes,
Jair Bernardino dos Santos montara pro-
jeto para o dobro das estaqces terrestres
com sua RBA, hoje de Jader, mas a morte
subita interrompeu seus pianos).
A Funtelpa oferecera suporte para a
captagao e recepcao da imagem de sate-
lite em 73 municipios. Em troca, a TV
Liberal pagara, ao long de cinco anos,
600 mil reais (a mais do que m6dica
quantia de 10 mil reais por mes, sem pre-
visao de reajuste). Fontes da emissora
garantem que a empresa entrara com
parte consideravel dos investimentos
para concluir essa estrutura e mant6-la
em funcionamento, mas suas condiq6es
sao tao leoninas para os Maiorana que,
ao inves do contrato, adotado at6 entao,
a Funtelpa usou um conv8nio para abri-
gar as novas relaQ6es entire as parties.
Mais uma vez, o tempo de duraqo ex-
cede o que resta de mandate ao gover-
nador, estendendo-se pelo period se-
guinte (talvez porque, no intimo, Almir
Gabriel ja se consider reeleito?).
Alem das excepcionais vantagens para
usar o sistema de captaqco e retransmis-
sao em terra da Funtelpa, a TV Liberal
ainda ira faturar 200 mil reais por mes
pelo program do govemador e recebe-
ra os beneficios de uma propaganda em
expansao, capaz de fazer os indices de
Almir crescerem exponencialmente,
avangando sobre as fatias de seus com-
petidores potenciais.
Essa guerra por indices ameaa sobre-
tudo o ex-governador Hdlio Gueiros.
Sem veiculos de comunicacao, chegan-
do aos 70 anos, sem a maquina official e
inapetente para correrias pelo interior,
Gueiros 6 o grande prejudicado pelas
mais recentes manobras nesse xadrez de
bastidores que antecede a campanha elei-
toral aberta (se 6 que ela j nao esta defi-
nitivamente instalada no mercado). Em
qualquer circunstancia, restaria ao ex-
prefeito o console de ser imbativel para
o senado sem precisar de coalizdes ou
maiores esforcos, mas a lideranca apon-
tada na pesquisa do Ibope do ex-sena-
dor Passarinho 6 uma advertancia. Tal-
vez tenha reforcado a tolerincia de He-
lio para faz8-lo esperar pelos resultados
das tratativas entire Almir e Jader, confi-
ando de que, no final, o casamento seja
desfeito e um dos noivos venha procu-
ra-lo. prosseguindo o namoro para se
usar uma das mais caras imagens da in-
telig6ncia de Gueiros.
No moment em que o Papa Joao Pau-
lo II passa pelo Rio de Janeiro com sua
moral conservadora, 6 infidelidade de-
mais o que a political paraense exibe, sem
a menor desfagatez. *







JOURNAL PESSOAL P1 QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 3


Boataria solta
Diz a boataria de um lado da political pa-
raense que o senador Jader Barbalho man-
dou comprar todos os exemplares da revis-
ta Istod que vieramr para Belem ha duas se-
manas, trazendo umareportagem muito des-
favoravel ao lider do PMDB no senado
(mais uma denincia criminal sobre enrique-
cimento ilicito). Diz aboataria de outro lado
do espectro politico que o govemo do Esta-
do, por vias e travessas, teria pago 250 mil
reais pam a publicacao da materia, cor do-
cumentos que fomeceu.
Ambas as boatarias sao improcedentes, ao
menos enparte. Os assinantes da revista re-
ceberam (alguns com oinevitavelatraso) seus
exemplares devidos. Apenas as bancas tive-
ram reduzidas suas cotas (em ate 80%) por-
que efetivamente algudm, que pode ter sido
ou ino enviado pelo senador, fez a aquisicao
diretamente junto ao distribuidor.
Quanto a pagamento, o que houve foi o
oferecimento, pela revista, da pesquisa da
Brasmarket sobre os favorites pam a elei-
cio, pela m6dica quantia de 150 mil reais.
Uma fonte ligada ao govemador diz que,
em absolute, a matria nao teve origem na
Secretaria de Planejamento do ex-secreta-
rio de Jader, Simio Jatene (ao contrario, par-
tidario de uma ampla composiq~o, incluin-
do o senador). Seria geraqio propria da su-
cursal de Istod em Brasilia. A fonte da in-
formaao, Jader ja sabe, esta plantada na
sede da Policia Federal em Brasilia.
A prop6sito: mais dois processes trami-
tam na justica federal contra Jader Barba-
lho. Um referente a Emater e outro a com-
pra dos castanhais de Maraba. Dizem os que
conhecem os assuntos que um bom advo-
gado conseguira demonstrar que as irregu-
laridades nao alcangam o ministry de entao,
da mesma maneira como nao chegam ao
govemador Almir Gabriel, pela falta de elo
na cadeia de comando, as arbitrariedades
praticadas em Eldorado de Carajas.


O mano de Bel6m mandou para o mano
de Cameta a partida de azulejos encomen-
dada. Recebida a carga, o mano cametaen-
se reclamou por telegrama: "Mano, o
azulejo chegou. Falta agora o verdelejo".
Gileno Miller Chaves se inspirou nesse
gostoso causo, cuja veracidade alguns ates-
tam de pes juntos, para montar uma expo-
sigco aberta ao pfiblico no dia 26, na Elf
Galeria, a "Azulejos, verdelejos e adjacEn-
cias". Para dar suporte a mostra, Gileno
andou atras de bibliografia, inclusive no
Museu do Azulejo, em Sao Luis. Nada en-
controu. E uma constatac~o espantosa.
Os portugueses deixaram aqui, por se-
culos, uma entranhada disposic~o de afi-
xar azulejos nas paredes intemas e exter-
nas das casas. E uma das mais antigas e
persistentes cultures adaptadas aos tr6pi-
cos. Criou um acervo de hist6rias e folclo-
res notAvel. Alem do chiste cametaense, diz
um amigo arquiteto (cujo nome n~o vou
citar, senao o CREA pega, mata e come)
que a moda de decorar a fachada das casas
corn cacos de azulejo foi pura macaquea-
co. Algu6m recebeu uma partida de azu-
lejos quebrados. Para nao ter prejuizo, es-
palhou nas colunas que era o ddrnier-cri.
Logo apareceriam casas com o tabuleiro
de azulejos na fachada.
Esta 6 a parcela risonha e franca da his-
toria. A exposigao inteligentemente orga-
nizada por Gileno combina dosagens r6-
seas e negras de humor para nos encantar e
assustar, talvez a maneira mais adequada
para tirar a gente paraoara de sua leseira
militant. A insensibilidade contribuiu para
o saque perpetrado contra os azulejos (e
tambrm os verdelejos) de Santa Maria de
Belem do Grao Para, e alhures.
Amigos que se refinem para uma con-
versa emtomo de uma garrafa arrolam, sem
esforco, dezenas de casos de pirataria con-


tra a integridade do patrimnio arquitet6-
nico da cidade. No s6 de pirataria, alias.
Pirataria, de qualquer maneira, 6 uma for-
ma ativa de participag~o (que tanto poder
e riqueza proporcionou ao imperio brita-
nico). Tambrm de omissao e descaso cri-
minosos, de burrice cavalar.
Tudo bem: mas o que se faz para p6r
fim a essa tertuilia predat6ria? S6 humor
nao basta, como lembra Gileno: 6 neces-
sario fustigar os atos de lesividade. Do con-
trario, vamos continuar chorando sobre o
leite derrmado de uma in8s mortissima.
No convite preparado para a exposig~o,
Gileno fez questao de destacar que os pe-
dagos de azulejo chegaram as suas maos
naturalmente, at6 mesmo por gravidade (ou
magnetismo). Nao precisou comprar, nem
acampar ao lado de demolicbes. Que es-
ses pedacos de cerfmicatrabalhadatenham
said de preciosidades como o Palacete
Bolonha, o Palacete Pinho e o Teatro Wal-
demar Henrique (ao lixo lateral ao pr6dio,
especifique-se) 6 de arrepiar. Mas de que
vale levantar o dedo em riste para acusar
se da acusacio nada resultar?
Belem perdeu o amor pr6prio, a identi-
dade cor sua hist6ria, a perspective do seu
destiny. Virou letargica, praticante do
amem-sim-senhor, daquela unanimidade
complacente tao criticada por Mario de
Andrade na Paulic6ia Desvairada. Enqua-
drou-se na camisa-de-forga dos 98,7%, um
indice estatistico coerente corn esse medi-
ocre estado de espirito.
Ainda bem que contamos corn a verve
de gente como o Gileno para chacoalhar
esse torpor. Se o distinto piblico quer per-
manecer nessa pasmaceira, pelo menos que
d& uma olhada na mostra. O choro ganha-
ra em motivagiio e, quem sabe, nao surja
umn novo fado tropical para acalentar nos-
sa InWs azulverdelejante. *


Lidio de political


A Pmvincia do Pard prestou
um servigo de utilidade pliblica
na edigao do Altimo domingo.
Em duas pAginas seguidas, Ala-
cid Nunes e H6lio Gueiros Jr.
mostraram como e 6 praticada a
political no Pari. Ela transcorre
numa quadratura tao viciada que
seus praticantes sequer dao-se
conta do que dizem.
Provocado pela reporter Ana
Celia Pinheiro a explicar o moti-
vo do seu rompimento aberto corn
Jarbas Passarinho na eleigao de
1982, o ex-governador Alacid
Nunes deu uma resposta antol6-
gica. "Nao posso te dizer, porque
ja faz tanto tempo que nem lem-


bro", delarou o mudo mais pode-
roso da political paraense.
Alacid no titubeia (seriamais
adequado dizer, nao bobeia?): foi
ele quem elegeu Jader Barbalho
govemador contra o candidate
do regime military que o entroni-
zou na political (sempre disputou
cargos a pedido do general na
presidencia da Repiblica, diz).
Como conseguiu a faeanha? Em
primeiro lugar, por ter usado a
maquina official: "Eu estava corn
a maquina na mao, era o gover-
nador", admit. "Na verdade, o
fiel da balanga era o Govemo do
Estado". Mas por que Jader es-
pecificamente? "Porque achava


que, sendo ele o candidate, po-
deriamos ganhar a elei9ao", con-
tradiz-se Alacid.
Finalmente ele proclama que
seu entao aliado Hl6io Gueiros
estava por tr6s da tramapara des-
peja-lo do PFL. A acusagio per-
de legitimidade: o moment cer-
to para falar passou, partidaria-
mente falando. E s6 Alacid,
como a Carolina de Chico Buar-
que de Hollanda, nao viu. Ou fin-
giu que nao viu, como sempre.
Ja o vice-governador Helio
Gueiros Jr. vem com um aut6n-
tico bumerangue.. Diz que o se-
nador Jader Barbalho, "politica-
mente falando, tern mais honra


do que o Almir Gabriel". Isso
porque, "se ele acertou uma ali-
anqa corn voc6, cumpre".
Muito bem: se Jader acertou
corn Helio Gueiros para ele ser
seu successor no govemo do Es-
tado, quem 6 mesmo que nio
agiu com honra nesse acerto?
Ganhara um manual de ciencia
political quem marcar o nome do
pai do Jmnior como a resposta
certa. Quem induz o resultado
nao 6 outro senao o clone. Nada
a surpreender: Gueiros Jr. pro-
clama na entrevista: "Nao sei o
que estou pensando quanto ao
meu future". Da para algu6m ser-
vir de guia do rapaz? 0


A ceramica da saudade







4 JOURNAL PESSOAL 1a QUINZENA DE OUTUBRO / 1997


Li a correspondencia da Associa-
9go dos Empregados do BASA e sua res-
posta. Ficou claro que nem a AEBA tinha
condi95es de levantar a problematica do
BASA, tampouco o jornalista conseguiu ex-
primir seus arguments no espago apertado
do Jornal Pessoal. Tambdm eu, al6m de li-
mitado, ndo pretend discuti-la nesta opor-
tunidade, por6m como julgo conhecer a atu-
al posi9Ao de Licio FlAvio sobre o desem-
penho do Banco, posso arriscar a fazer al-
gumas alus6es acerca deste important fato.
Em primeiro lugar, o Cr6dito Especializa-
do, nome t6cnico que se dA A aloca9go de
recursos no setor produtivo da economic, e
que 6 fung9o dos Bancos de Desenvolvi-
mento, requer dois fatores bAsicos para fun-
cionar a content: fonte de recursos estAveis
e pessoal treinado para execuplo dos traba-
Ihos. A primeira condi9Ao, teoricamente, o
BASA preencheu a contar de 1988; a segun-
da, veio mantendo-se at6 1980, quando ad-
ministra96es adredes comegaram o desman-
che da area (pessoal t6cnico do Cr6dito Es-
pecializado) e hoje encontra-se em estado
agonizante, por6m com amplas possibilida-
des de recupera9ao, 6 bom que se diga. Fe-
char agEncias deficitArias nio me parece a
forma mais inteligente de administrar um
Banco. HA outras opq9es para conciliar cus-
to/receita; uma political de desenvolvimen-
to, por exemplo, justificaria plenamente a
existincia de situagBes aparentemente an-
tagonicas.
A Amaz8nia vem sendo sacrificada se-
guidamente e por isso devemos cobrar do
Governo a nossa cota de compensagao. As
ag8ncias superavitArias estrategicamente lo-
calizadas vqo manter aquelas deficitArias, o
important 6 assegurar o pioneirismo e corn
isso atingir os segments populacionais ca-
rentes. Basta colocar A frente do BASA pro-
fissionais competentes e equilibrados, des-
pidos do compadrismo politiqueiro, e que
nao sejam identificados pela massa putre-
facta dos politicos desta terra.
De outro modo, venho notando a sua qui-
zila quando se trata do BASA, final de con-
tas todas as atribula96es por que passou fo-
ram perpetradas pela "elite" que voc8 bern
conhece; a instituigao em si nada ter a ver
com essas trapalhadas. O iltimo pr6digo que
ali aportou foi o Sr. Anivaldo Vale, eleito
Deputado Federal cor os votos dos finan-
ciamentos que estao e vAo engrossar a ru-
brica de "CL" credito em liquidawio). Por
falar em BB, voce sabe quanto importou o
seu prejuizo nos anos 1995/96? E o "rom-
bo" do Bamerindus, do Econ6mico, do Na-
cional? E a negociata do BANESPA, ainda


nao concluida? Todos estes estragos finan-
ceiros irdo ser quitados pelo bolso do cida-
dSo brasileiro (uns a custo zero, no caso do
BB; e outros a 6% a. a., cor recursos oriun-
dos dos Dep6sitos Compuls6rios). O Ban-
co Baring foi implodido por uma picareta-
gem de irris6rio 1 bilhfo de d61ares. Nao
desejo complacencia para o BASA, tamb6m
nso me sinto encorajado a aplaudir o seu
Acido discurso. Antes, entendo que devemos
ponderar as razaes de seu funcionamento
pela via t6cnica e political
(como Cincia). Nao obstan-
te os aspects abordados,
long de mim sugerir seguir-
mos a mAxima do saudoso
escritor Sergio Porto "ou to-
dos nos locupletemos ou res-
taure-se a moralidade".
Tenha-me como um aliado.
Rodolfo Lisboa Cerveira

Minha resposta: Nao
tenho quizilia ou quizila
contra o Basa. Ao contrdrio, |
estou entire os que julgam
necessdria a instituiqdo e w _
t&m se empenhado pela sua manutenaio.
Mas ndo e qualquer banco que defend.
Critiquei muito o Basa que promoveu a des-
capitalizaqdo da regido, que desorganizou
suas atividades produtivas, que funcionou
como biombo para a simples escritura9do
conatdbil de recursos (a custo zero, ressal-
te-se) que voltaram aos pontos de origem
da captagdo (ou da rentncia tributdria),
contribuindo para aprofundar ao invis
de atenuar ou eliminar as desigualda-
des regionais. Tambem invest contra o ban-
co clientelista, instrument de acordos
politicos,e de compadrio. Alertei para a es-
trutura cheia de buracos e canais de vaza-
mento, que possibilitou a inacreditdvel pi-
rataria dos Barreira Pereira & aderentes
(mas ndo s6 deles, ali.s: h6 uma sucessdo
de saques a partir de Lamartine Nogueira,
que deixou os credits insolventes supera-
rem duas vezes e meia o capital do banco).
0 Basa do passado ndo sobreviverd por-
que esse esquema deixou de interessar ao
governor federal (que, por isso, ndo encon-
trard um paliativo para o Banco da Ama-
zdnia). 0 Basa do future e uma incognita.
Para esclarecer suas perspectives e preci-
so aprofundar a andlise e o debate em tor-
no do banco. 0 plenrio do parlamento
ndo e o sitio indicado, tantos sdo os inte-
resses corporativos envolvidos e a passio-
nalidade intencional, como ficou demons-
trado na sessdo de um m&s atrds. Este e


um desafio da inteliggncia. Atd que o tema
seja colocado diante da sociedade como
um item fundamental da sua agenda, e pre-
ciso consolidar um tratamento tecnico aos
problems e impasses que tem dado a cri-
se do Basa uma modulagdo negative. 0
locus adequado seria a universidade ou
qualquer outra instdncia academico-pro-
fissional, antes de ser tribunas ou palan-
ques. Mas hd um div6rcio fatal entire essas
instdncias e a vida social. Superd-la a a
grande tarefa das elites es-
clarecidas, esclarecidas so-
.. bretudo por saberem que,
desta vez, sem uma mobili-
S I zaqao de publico tudo aca-
Sbard em vel6rio, ainda que
papa-fina.




i~ P enitenciando-me pela
Sdemora, envio meus mais
1 efusivos cumprimentos pela
1e d6cada do JP.
S Deus permit que as leiss
Ssx s K objetivas", aludidas na penul-
tima edig9o, sigam o caminho de tantas ou-
tras leis no Pais; teremos assim a garantia
de que prosseguirA em seu trajeto intimora-
to e singular, que muito tem contribuido para
a busca da verdade, merc8 de informar e dis-
cutir a isen9ao, seriedade e competencia.
Sua continuidade permitir-nos-A sonhar
a dias de melhores costumes socials e poli-
ticos, assim nos tirando do desalento coti-
dianamento vivenciado frente a triste reali-
dade de hoje, particularmente entire n6s.
SPaulo Barroso Rebello




Q uem nasceu dguia, sempre
sera dguia
Lendo o pensamento acima, reportamo-
nos A trajet6ria das publica96es feitas du-
rante dez anos do Jornal Pessoal. Aprecia-
mos seus escritos, que em meio ao cosmo
ordem das coisas parece ser a desordem
o caos. Entretanto, 6 esse jeito que faz o
JP e seu editor serem diferentes da mesmi-
ce jornalistica.
A Caritas Brasileira Regional Norte II pa-
rabeniza voce pelos anos de coragem, ho-
nestidade e probidade cor que exp6e e pu-
blica suas id6ias.
Receba nosso incentive constant atra-
v6s de calorosos abragos, desejando que ja-
mais voce perca sua coragem de publicar.
Equipe de Caritas B. Reg. Norte II


#a







I



I


I

O
IDa~







JOURNAL PESSOAL 1I QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 5


Sem humor


N o 6 incomum que
uma boa idea em
abstrato result
numa execuqgo
desastrosa. Esse 6 o caso
do Memorial Magalhles
Barata. 0 chap6u duro,
imitado dos ingleses co-
loniais, serve para carac-
terizar o Barata revoluci-
onario do tenentismo.
Foi uma boa inspiragao.
Mas a obra fisica que to-
mou essa forma 6 um
equivoco. Ao inves de
pensar no caudilho que prometia re-
volucionar o Para e acabou retardan-
do a hist6ria, o transeunte associa logo
a edificaao a nave da Xuxa (associa-
0ao que, em estagio primitive, levou
a TV Globo no ultimo domingo a
Curuga, em reportagem digna do
Ripley 's).
Mas ndo 6 so um mau efeito exter-
no. Por dentro, o pr6dio nao serve ade-
quadamente aos seus prop6sitos. Fal-
ta-lhe paredes para exposigio. Os com-
partimentos internos, condicionados
pela busca de efeitos visuais externos.
sdo acanhados demais. Nao ha um es-
pago panorimico, um angulo mais fa-
voravel. Paradoxalmente, entretanto,
essa mediocridade acabou se ajustan-
do como luva ao conteudo da mostra
permanent. Ela inclui (ou incluia, at6
a ultima vez em que la estive) uma es-
cova de dentes usada por Magalhles
Barata. Tern o pijama dele, que, ao
contririo do de Getulio Vargas (talvez
a inspiragdo tomada ao Museu do Ca-
tete), noo tern o chamuscamento de tiro
de bala no peito que justificou sua ex-
posicao no Rio de Janeiro.


Nao 6 que faltem motives para ho-
menagear Barata. Ele foi o mais in-
fluente politico da Repiblica para-
ense. Mas o memorial, apesar dos
esforgos dos que o dirigem, tem sido
praticamente inutil na tarefa de tra-
tar a mem6ria do personagem, que 6
o que interessa hoje, quando esta
ag6nico o fanatismo 6co dos que
tentam prolongar o "baratismo". O
projeto foi concebido na administra-
cdo de um "baratista" de ultima ge-
ragco, o entdo governador H6lio
Gueiros, para ser um totem, uma
tumba mais solene, um museu pobre,
nao para motivar o repensar sobre
Barata (ao contrario, a bibliografia
a respeito 6 anEmica). A media que
o tempo passa o Barata vivo, da pri-
meira fase, 6 soterrado pelo caudi-
lho da segunda fase, o tenentismo re-
volucionario substituido pelo "bara-
tismo" oligarca.
Essas reflexes sdo motivadas pela
encrenca que o Crea (Conselho Re-
gional de Engenharia e Arquitetura)
armou em cima do arquiteto Paulo
Cal. Paulo deu sua opinido sobre o


memorial. Fez uma avaliadao
tecnica, semelhante a esta que
aqui expresso. A Constitui-
io, felizmente, Ihe garan-
te a liberdade de pensa-
mento e critical. Ele nao
disse que o criador da
obra nao presta, 6 um in-
competente, mas que a
obra dele 6 feia. Nao 6
questao corporativa, um
crime professional. E o
elementary e saudavel
direito de critical.
Nesta infeliz terra
critical esta virando delito. As pes-
soas se sentem particularmente ofen-
didas, querem levar o caso para o pe-
rigoso as vezes galhofeiro ter-
reno da honra pessoal. O argument
do critic 6 deixado de lado. O que
se quer saber 6: o que ele ter contra
mim? 0 que fiz contra ele? Ele nao
e mais meu amigo? E o virus dos
98,7% em aCo, a sindrome do Li-
beral.
O critic e o animador da socieda-
de. Mesmo que ele esteja errado ou
ate seja leviano, ter a fungdo de azei-
tar as engenagens do sistema politi-
co, evitando que ele se enrijeca, que
passe a sofrer aquele tipo de corro-
sao que conduz ao colapso das dita-
duras. Debate so faz mal a pessoas
destituidas de senso de humor. O ho-
mem sem humor nao ter qualidades,
6 um perigo, mesmo quando, even-
tualmente, tenha razao.
Como recomendaria George Orwe-
11, um entendido em tiranias: um pou-
co de ar, Santa Maria de Belem do
Grao Para. Chega de Torquemadas e
inquisi9oes. *


O senador Fernando Cou-
tinho Jorge ja advertiu, com
todas as letras, que nao abre
mio de sua condirdo de can-
didato nato a dispute pela re-
eleicao de senador no pr6xi-
mo ano pelo PSDB. Se se
mantiver nessa posigdo, tera
que ser reconhecido pelo par-
tido, mesmo que o acordo te-
cido pelo governador Almir
Gabriel leva-lo a apoiar o ex-
senador Jarbas Passarinho.
Nesse caso, Coutinho ira in-
corporar mais uma frustracgo


ao seu curriculo: foi o pri-
meiro politico federal a pas-
sar para o lado dos tucanos,
deixando o PMDB, que ha-
via preterido seu grande so-
nho de ser candidate a gover-
nador, mas tera como recom-
pensa mais uma marginaliza-
90o. A de ser o candidate ofi-
cial do partido do governa-
dor, sem receber o apoio de
Almir.
E a ponta de dois dile-
mas, como diz um jornalis-
ta da terra. *


Demorou mais tempo do
que devia, mas finalmente as
associa96es dos donos dos
veiculos de comunicaggo se
manifestaram sobre o perigo
da nova lei de imprensa em
tramitagco no congress.
Uma nota official foi publica-
da na imprensa no ultimo do-
mingo (s6 o Didrio do Pard
nio deu na primeira pagina).
Nao se trata de uma inicia-
tiva corporativa, como muitas
vezes acontece quando essas
entidades se mexem. A lei e


mesmo uma ameaga a liber-
dade de imprensa, induzindo
a auto-censura, que ja gran-
de e se tornara a regra em re-
laggo a quest6es mais polemi-
cas se o projeto for aprovado
pelos parlamentares. E espan-
toso que uma proposta mais
atrasada do que a atual lei
5.250, arrancada pelos mili-
tares em 1967, surja em ple-
na epoca de garantias consti-
tucionais a liberdade.
Pais esquizofrenico,
este Brasil. 0


... ... .. . .. ..........
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..... . ...... .... .
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M .... .. ...... .....
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6 JOURNAL PESSOAL 1" QUINZENA DE OUTUBRO / 1997


Crescendo como
rabo de cavalo
O Para tern o 11 Produto Intemo Bruto
do pais, 6 o sexto Estado em exportaqco, o
quinto em gerago de energia (o 3 em ex-
portagco de energia), o 152 em arrecadagdo
de ICMS e o 172 em desenvolvimento hu-
mano. Esses niuneros contrastantes indicam
que o Estado rno esta conseguindo tirar o
melhor proveito possivel de seus recursos
naturais, de seu potential de riqueza. Falta-
Ihe capacidade para organizer a atividade
produtiva e para faz6-la drenar recursos que
agreguem valor ao Estado. Ainda mais por-
que foi "vocacionado" para exportar mate-
rias-primas, insumos basicos e produtos
semi-elaborados.
O normal, nessa situaqho, seria que o
govemo estadual se acautelasse contra ini-
ciativas onerosas nesse sentido. A tal lei
Kandir, inspirada pelo atual ministry do Pla-
nejamento (na epoca atuando como depu-
tado federal por Sio Paulo), atende as difi-
culdades mais graves enfrentadas pelo Pla-
no Real. As exportaces nio crescem e as
importacbes evoluem ou se mantnm. Para
tapar o buraco aberto pelo deficit da balan-
ca commercial, o govemo tem que sacar mo-
eda forte nas reserves cambiais, ja em peri-
goso esvaziamento. Mas para evitar uma
fuga de capitals, precisa manter os altos ju-
ros e toda a political cambial. Mais um pou-
co nessa situaqio e o efeito asiatico estara
aqui.
Corn a lei Kandir, boa parte da conta foi
repassada aos Estados (e, pelo efeito domi-
n6, que ilusoriamente a constituig9o de 1988
haviaprometido acabar, aos municipios). As
exportacfes e as importases de maquinas
e equipamentos nao s6 foram isentadas de
ICMS, como os que as promovem se credi-
tam pelo que nio pagam, reedigio do que
Delfim, Gouveas et caterva haviam feito
no regime military.
O govemo federal prometeu compensar
o rombo nas contas piblicas estaduais, mas,
malandramente, montou uma base de cal-
culo que nao incorpora os aumentos nas re-
ceitas obtidos pelas administra9ces que ve-
daram canais devazamentotributario e apri-
moraram a maquina arrecadadora. Assim,
quem conseguiu ganho real nos recursos
pr6prios, tera menor ou nenhuma compen-
saCio. E transfer8ncia de perdas mesmo.
Depois de ter feito a bancada parla-
mentar que Ihe da apoio em Brasilia vo-
tar mansamente a lei Kandir, o governor
estadual percebeu o "mico". O Para per-
deu 14% de sua arrecadagao e s6 vai ter
de volta R$ 159 milh6es, em 12 parce-
las anuais. Um prego mais a pagar para
o Estado tomar consciEncia de que, se
nao mudar o modelo que o agrilhoa, os
indicadores desconfortaveis do amaneira
do rabo de cavalo irao se consolidar.


O mais culto dos bra
sileiros nao e bra
sileiro: 6 o austria
co Otto Maria Car-
peaux, que morreu quase 20
anos atras, no Rio de Janei-
ro. Faz esse mesmo tempo
que nenhum dos muitos livros
dele 6 relangado, sinal de que
a sedugao a incultura desfru-
tou de terreno mais f6rtil no
Brasil. Durante a Bienal do Livro, em
agosto, no Rio, duas editors promete-
ram uma nova edigao da monumental
Hist6ria da Literatura Ocidental, um
feito sem paralelo na hist6ria literaria
mundial. A promessa aguarda cumpri-
mento. Deveriam era contratar gente para
pesquisar os arquivos dos jornais e lan-
Var a obra complete de Carpeaux, incor-
porando os livros dispersos e os artigos
in6ditos, e nao apenas a hist6ria da lite-
ratura.
Ha duas edigoes dessa obra prima. A
primeira, da editor 0 Cruzeiro, em seis
grossos volumes (por causa do papel).
A outra, da Alhambra, tambem em seis
volumes, mas comedidos (prefiro a pri-
meira, registro exemplar de um momen-
to editorial).
Nenhum outro intellectual executou
algo semelhante ao que fez Otto Maria
Carpeaux. Se nao leu todos os livros dos
autores que cita, leu a grande maioria.
Leu e deu a leitura um entendimento pes-
soal, sem perder o context de cada 6po-
ca. Nao 6 algo como Henry Thomas ou
Will Durant realizaram, coisa enciclope-
dica, de orelha de livro. E De Sactis pro-
jetado da literature italiana as letras de
todo o mundo.
O mais fascinante para mim, entretan-
to, sao os artigos de journal de Carpeaux.
Como 6 que um austriaco, obrigado pelo
avango nazista a deixar a Europa no fi-
nal da d6cada de 30, alguns meses de-
pois ja falava a esquisita lingua portu-
guesa? Mais do que isso: escrevia e,
em pouco tempo, escrevia como estilis-
ta. Cheguei a ver de perto o mestre Car-
peaux (Karpfen de batismo, antes do
afrancesamento para agradar os brasilei-
ros) na redagao do Correio da Manhd.
Era feio como um duende, mas cativan-
te, inteligente e fluente como poucos.
Magnetizava ao simples contato, embo-
ra nao fosse acessivel facilmente.
Um artigo de Carpeaux valia por li-
vros de outros intelectuais, mesmo po-
derosos intelectuais. Tinha aquela rara
ironia superior que os resenhistas de oca-


1<


A falta que nos faz

Otto Maria Carpeaux


"sio insisted em ser fina, sem
que eles pr6prios estejam em
condi95es de fazer a classifi-
cacgo. Num artigo de 5/6 lau-
das, seu habitual, Carpeaux
atravessava da literature para
a musica e as artes plasticas,
alem da political e a econo-
mia, fazendo todas as ilag5es
e conexoes possiveis, sint6ti-
co e profundo. Conhecia a
obra inteira dos grandes autores, nao ape-
nas um ou outro livro. Mas nao era o
exegeta obtuso, que se perde na minu-
dncia. Era o verdadeiro erudito, aquele
que conseguiu abarcar com sua insacia-
vel curiosidade tudo o que 6 human, o
demasiadamente human de Nietzsche,
iluminando cada ponto que toca e enca-
deando os pontos pelo sentido 16gico e
por seu valor heuristico.
As vezes escrevia sem livros de refe-
rencia ao alcance. Sua mem6ria era unica.
Nao a mem6ria dos atletas da informaqo,
mas dos que tudo investigaram e para tudo
encontraram, quando nao uma resposta,
uma nova pergunta, sem a qual o conheci-
mento human nao avanga. Nenhuma in-
telig8ncia maior andou pelas reda95es bra-
sileiras, onde um austriaco estava sempre
disponivel a qualquer national que preci-
sasse de uma solugio para o texto empa-
cado. As aberturas dos artigos de Carpeaux
sao uma liiAo de lide parajomalistas, sem
qualquer artificialismo, sem concess6es ao
maneirismo facil. Sempre estou voltando
a esses textos e alguns deles, como sobre
os artists que tiveram a premonimao de
suas mortes precoces, tmrn o poder de sem-
pre me comover.
E lamentavel que ha tanto tempo o
privil6gio e o prazer de ler Otto Maria
Carpeaux estejam confinados aos qut
compraram a tempo seus livros ou con-
seguem encontra-los nos sebos e antiqu-
arios. Este e um elitismo absenteista que
s6 mal faz a intelig8ncia brasileira. Seu
ant6nimo, mais cultivado nos filtimos
tempos, teria um antidote eficaz se as
instituigoes nacionais fizessem por me-
recer a sorte de terms tido, como resul-
tado da selvageria nazista, a adogao de
Otto Maria Carpeaux. E ele que engran-
dece o Brasil e nao o contrario. Esque- 4
c6-lo 6 um pecado que amesquinha mais
um pouco a venturosa circunstincia de
aqui ele ter aportado na fuga dos bandos i
de Adolf Hitler, ele, Paulo Ronai e ou-
tras ienteligencias privilegiadas que tei-
mamos em nao aproveitar na media
exata de sua grandeza. 0


m







JOURNAL PESSOAL* IA QUINZENA DE OUTUBRO / 1997 7


Experidncia acaba
0 Liberal p6s fim a uma e.pen-
6ncia pioneira nojornal: demitiu Ana
Dinuz, que vinha fazendo uma avalia-
gco internal da pubhcaq.o e se prepa-
rava para dar inicio a um centro de do-
cumentaqao. Ana tinha retomado a 0
Liberal. onde chegou a ser redatora-
chefe depois de longos e prolificos
anos na ediaio do jomal. a convite de
Ronaldo Maiorana, director corporati-
vo da empresa. No mis passado foi
comunicada sobre sua denissao pelo
departamento de recursos bumanos,
sem qualquer contato nem prevto.
nem posterior dos Maiorana corn
ela para tratar do assuno. Necessida-
de de reduqao de despesas foi a ale-
gaqdo apresentada.
No seu trabatho, Ana vinha apon-
rando os erros mais primarios come-
tidos diariamenre pelo journal. princi-
palmerae gramaticais. e fallas de edi-
q o, tentando corrigi-las Tambem
apresentara o projeto de um centro de
documentaqao a sen'r-o da redaqiio,
que evitana as repetiq6es de assuntos
e as infonnaroes erradas, tao comuns
no jomal. que sub-uulza wu sistema
de intfrnitica (os termnials de com-
putadores ado passan de maquwnas de
escrever sofisticadas).
Fontes d d entro da empresa dizem
que a razao official apresntada para o
afastamento de Ana Diniz nao 6 ver-
dadeira e que a descortesia dos donos
da empresa para corn ea nio fbo cir-
cunstancial Mas a onda de boatos que
o fato suscitou na redaco nto con-
duz a uma razao solid para o ato
Mesmo porque e mais recomendavel
procura-la em uma metempsicose que
aniquila a intelig6ncia em uma empre-
sa que, por natureza, deveria rt-la
como o combustivel do seu funciona-
mento. Na cathedral de negocios dos
iundos do bosque. a ordem 6 praticar
jornalismo por indrcia. Ou nas sobras
de espago do mercantilismo.


A instalacgo da recem-criada Direto-
ria Norte em Sio Luis e nio em Belem e
uma media coerente cor a privatiza-
q~o da Companhia Vale do Rio Doce.
Muitos dos que estao protestando contra
essa iniciativa, entire eles o govemador
Almir Gabriel, reagem a uma consequ-
ncia de suas posiq9es anteriores, de ade-
sao a venda da estatal. O azar dos feiti-
ceiros 6 de acabarem provando do pr6-
prio feitiqo.
Os novos donos da CVRD ja estabe-
leceram sua mais audaciosa meta: lucrar
1,2 bilhdo de reals no pr6ximo ano. A
urgent necessidade dessa geraq o recor-
de de caixa tern sua explica9ao: o grupo
controlador precisa pagar os empresti-
mos feitos para a aquisicao da Vale. Mais
at6 do que isso: no comando da empresa
houve o deslocamento de capitalistas
produtivos para capitalistas financistas.
A Vale, de empresa estrategica, esta se
tomando uma paper company, que atre-
la o seu sistema de produgao a comerci-
alizagao de seus pap6is.
A centralizaqao administrative em Sao
Luis indica que os projetos de long pra-
zo e menor rentabilidade, depois de re-
vistos, serao redimensionados. Nao e
apenas um reajuste interno: a empresa
busca tamb6m sua adequaqao a nova re-
alidade criada no setor minero-metalir-
gico pelo program de desestatizaqco. A
ordem, agora, 6 submeter os empreendi-
mentos a um torniquete, eliminando to-
dos os gastos possiveis e imaginaveis, os
investimentos menos atrativos aos ope-
radores de papel e as atividades-meio
(como a pesquisa geol6gica).
Essa estrategia consolida a fungco
colonial do Para, fornecedor de mi-
nerio. Se a nova Vale ja det6m as mi-
nas, por que haveria de instalar em
Beltm sua diretoria Norte? Para ad-
ministrar quest6es cativas? Claro que a
16gica aponta para Sgo Luis, ponto no-


dal da ferrovia. sitio do porto ocednico.
Mas e uma l6gica perverse. Qualquer
pessoa medianatamente dotada de infor-
marao, bom senso e boa fe anteviria es-
ses desdobramentos no moment do
aniuncio da privatizaqco da CVRD (sem
falar no carter lesivo do tipo de transa-
gao commercial que o governor patroci-
nou). Quem apoiou ou aceitou, por con-
viccqo ou oportunismo, essa iniciativa
nao tern moral para combate-la agora. Se
nio foi ingenuo incompetent no primei-
ro moment, foi desonesto.
A reducao da representagao da CVRD
na capital paraense a uma sala de 10 me-
tros quadrados enquistada no escritorio
da Albras/Alunorte 6 tio coerente cor a
nova situaaio quanto o predio que a
empresa ocupava quando era estatal.
Antes ela agia como agencia de desen-
volvimento, cheia de deficiencias, e cer-
to, mas suscetivel a apelos e presses
coerentes corn a sua natureza. Agora nio
tem raciocinio macroecon6mico. Se fin-
cou sua base administrative em Sio Luis
e porque all esta o nexo de liga io entire
as riquezas extraidas do hinterland e os
mercados compradores, no exterior. A
cadeia produtiva que o governador Al-
mir Gabriel diz buscar dentro do territo-
rio paraense esta entire Carajas e Toquio,
por exemplo. Escalas intennediarias pas-
sam a ser consequencia ou detalhe. O
governor que queria virar a Vale de cabe-
9a para baixo foi por ela colocado de
ponta-cabeoa, como dizem os sulistas.
N so se sugere acomodacio, nem que
a guerra esta perdida. Mas nao adiantara
muito gritos patrioticos ou amearas vis.
Falar grosso, a esta altura, nio impressi-
ona se antes o interlocutor abusava do
falsete. Agora d precise intelig6ncia,
competencia. vontade e autoridade. qua-
lidades tao necessarias ao Para dos nos-
sos dias e das quais tao impiedosa-
mente ele tern sido privado. 0


0 valor da desmem6ria


Quem, ate alguns dias
atris, imaginaria o ex-senador
Jarbas Passarinho descend
de suas tamancas brasilienses
nara assinar a ficha de filia-
g io de Luiz Otavio Campos
ao seu partido? Quem se atre-
/eria tamb6m a prever que,
tr8s anos depois de term tro-
cado pesadas acusaq6es entire
si, Jarbas Passarinho e Almir
Gabriel estariam juntos na


sede do PPB como aliados
politicos? Quem menos ain-
da deliraria corn a possibili-
dade de Almir, Jarbas e Ala-
cid Nunes integrarem a mes-
ma coligacao electoral, que
suscita a hipotese do reencon-
tro dos dois maiores lideres
politicos p6s-64, catapultados
do quartel para a sede do go-
verno estadual e transforma-
dos depois em inimigos figa-


dais? Quern se atreveria a so-
nhar cor a reconciliagao ta-
cita de Jader Barbalho e He-
lio Gueiros? E quem seria ca-
paz de profetizar que o gover-
nador Almir Gabriel acabaria
convidando Jader para uma
"conversa de alto nivel" pela
uniao em favor do Para?
Essas invers6es pessoais so
nio espantam porque a poli-
tica paraense no costuma ser


feita con id6ias e teses. Sen-
do helioc6ntrica, como diz
Passarinho, a political deste
Estado s6 sobrevive ao alcan-
ce da luz do poder. Por isso,
vale tudo para chegar a ele,
mesmo que seguidamente ati-
rando a vala comum da des-
memoria as palavras. os ges-
tos e os atos da vespera.
No Para, tudo muda para
tudo continuar igual. 0


Vale: o dia depois

da privatizagao








Palavra de

arquiteto
O pagamento da segunda par-
cela da divida deixada por
H61io Gueiros, de 250 mil re-
ais, selou o acordo da prefei-
tura de Bel6m com o grupo
Liberal, consolidado com os
movimentos seguintes. A
vice-prefeita Ana Julia Care-
pa foi ao gabinete de Ronal-
do Maiorana, o promoter do
Para Folia, levar o apoio da
PMB (tendo, depois, desfila-
do festivamente na micareta).
Alem de contar corn a segu-
ranca, Ronaldo economizou
70 mil reals s6 cor a isengao
do ISS, o imposto sobre ser-
vigos que deveria ser cobra-
do sobre os ingressos. Para
culminar, a prefeitura esta car-
regando na publicidade veicu-
lada em O Liberal.
Como foi aconselhado a fa-
zer em relagio ao sociologo-
presidente, o distinto piublico
deve esquecer as palavras do
arquiteto-prefeito Edmilson
Rodrigues no comicio de sete
meses atras realizado em fren-
te a sede do journal, quando o
alcaide do PT ameaou fazer
o povo invadir o palAcio dos
Maiorana.


Na hora
A nova administrarao da Uni-
versidade Federal do Para ja
quitou metade da divida, de
250 mil reais, deixada pela
anterior, junto ao grupo Libe-
ral. O d6bito se refere A colu-
na semanal da UFPA publica-
da na imprensa, sendo o mai-
or com a empresa da familiar
Maiorana.
A ameaga de veto e de cam-
panha foi suspense.


Origens
Esta na Divina Comedia, de
Dante Alighieri, o maior po-


Briga de
Ao saber que Edmilson Rodrigues estava vei-
culando um andncio nos jomais do dia 28, pro-
clamando uma indevida autoria do projeto de
macrodrenagem das baixadas de Bel6m, a equi-
pe do govemador Almir Gabriel tratou de pro-
videnciar uma pega em cores ainda maior. Se o
prefeito considerava-se corn direito a transferir
para seu cr6dito o projeto apenas porque ele se
localiza em Belem, o govemador retrucou: Be-
lem acontece porque o govemo faz.
A iniciativa da PMB 6 uma "forgagdo de bar-
ra", como se costume dizer nos neol6gicos ar-
raiais petistas. A prefeitura naojoga um tostio
na macrodrenagem. Sua participacao no rema-
nejamento dos atingidos implica em gastos,
evidentemente, mas eles nao foram apropria-
dos no orcamento. E como se tivessem que
ser gratuitos, ainda que pesando sobre os co-
fres municipals. Mas sem a prefeitura nao ha-
veria macrodrenagem, por exigencia do Ban-
co Interamericano de Desenvolvimento, o prin-
cipal agent financeiro do projeto (e, por in-


ema ja escrito por um ser hu-
mano, mas a refer6ncia nem
precisaria ser tao nobre: o lim-
bo, nao sendo a premiacao
celestial nem o castigo infer-
nal, e o lugar certo para abri-
gar os que se omitiram. Nao
erraram nem acertaram. Por-
que nao tentaram, nao se ar-
riscaram. Esse 6 o pior gene-
ro human, fustigado pela Bi-
blia. Como as arvores que nio
ddo frutos, os impassiveis da
vida deveriam ser cortados e
atirados ao fogo. Dante foi
mais sofisticado: deixou-os
no gelido limbo, o reino da
burocracia, da repeticao e da
rotina eternas.
Ainda nao havia sido funda-
do o PSDB na ocasiao.

Indo fundo
O govemador Almir Gabriel
esta fazendo o que nem Jader
Barbalho nem Hl6io Gueiros
se atreveram a fazer: persona-
lizou a propaganda official.
Tanto no program da televi-
sao quanto nos out-doors, o


Journal Pessoal
Editor: Lucio Flavio Pinto
Seole: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 053-020
Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Try. Benjamin
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Edttora;&o de arte: Lulzpe 1 241-18591222-5238


comadres
crivel que possa parecer, o mais avancado dos
protagonistas).
Quando estava tudo em casa (Coutinho e Jader
ou Gueiros e Almir), nao havia problema na exe-
cucao dessa ins6lita equagio. Mas agora ela per-
mite essas manobras de Joao-sem-brago da pre-
feitura. Ela repete o procedimento astuto do poli-
tico oposicionista do interior que sai na frente na
sua excursao eleitoral pelos currais de votos anun-
ciando que seu opositor official, atras no percur-
so, esta trazendo o dinheiro que ele, candidate
sem maquina, possibilitou.
"Recebam o dinheiro, mas votem em mim", e
sua recomendagao, que a PMB esta seguindo neste
joguinho de gato-e-rato que vem travando com o
govemo pelo faturamento da repercussio da ma-
crodrenagem (muito natural: em nenhum lugar
se v6 o governor tao ostensivamente em obrr
como na bacia do Una).
Coisinha provinciana, bem ao nivel da infeli-
Belem de agora. Do Para, por falar nisso -
fazer justica tanto a Edmilson quanto a Almir.


slogan unidos pelo Pard ce-
deu para o nome do governa-
dor, tratado messianicamente
como Gabriel. E assim que
aparece ao long da avenida
Julio Cesar, de acesso ao ae-
roporto. Diz a propaganda
que Sao Joaquim (o nome do
canal da macrodrenagem) pe-
diu e Gabriel atendeu, mote
evidentemente inspirado no
rito junino.
Um detalhe, sobre o qual o go-
vernador talvez consiga se in-
formar com o seu ex-parceiro
H6lio Gueiros, mais afeito ao
tema: Gabriel era o anjo ex-
terminador. No caso, extermi-
nou com o resto de veleidades
e escrupulos que haviam feito
Gueiros trombetear o cami-
nhando com o povo e Jader o
governor do trabalho (cor o
subtitulo adhemarista, do rou-
ha masfaz, implicito).
Almir, que declarou ter vindo
para renovar o Para, esta ra-
dicalizando os anacronismos.


Consumado est
Foi emocionante ouvir Cleo
Resque de Oliveira, gradua-
do tdcnico da Secretaria da
Fazenda, dizer, no debate de
encerramento da VIII Sema-
na do Economista, no campus
da Universidade Federal do
Para, dia 3: "o modelo de en-
clave que voc6s anteciparam
teoricamente ja se confirmou


integralmente na pratica".
E o tipo de elogio que machu-
ca: os que advertiam para esse
risco, no fundo, nao queriam
que ele se realizasse; por isso
faziam as critics. Afmal, o
laborat6rio dessa reedicao,
atualizada e ampliada, do fe
n6meno colonial, 6 a nossa ter-
ra. Mas fica o registro de urr
moment, cada vez mais raro,
de honestidade intellectual.


Antes e agora
Numa s6 edicao do Diario C
cial, do dia 2, o secretario est
dual de saude, Vitor Manu
Mateus, cedeu dois de seus fur
cionarios para as prefeituras C
Portel e Bujaru, com 6nus p
a Sespa. Antes da corrida
toral desenfreada a ordem
goverador era para proibi
cessaes onerosas de servidc
estaduais. Agora, e a reg;
quando convem.
Ah, sim: as verbas do FDE, o
fundo que deveria fomentar o
desenvolvimento do Estado,
continuam sendo pulveriza-
das nos convenios eleitorais
cor as prefeituras. Obras de
meia-sola para propiciar pu-
blicidade-e-meia em favor do
chefe. Uma especie de culto
a personalidade staliniano
fora de epoca (mas o Para
todo nao esta fora de 6poca?),
que, quem sabe, acabara cri-
ando personalidade.


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