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Journal Pessoal LU C 1 F LAV IO P I NTO ANO X- N9 71 -2I EA DE DE 997 R 2,00 I, fSove^Sn, PM~jf(0ffl3) COBRE 0 metal vai para a Bahia Enquanto o governadorAlmir Gabriel diz que o anuincio doprojeto complete de cobre no Pard 6 apenas questdo de tempo, os donos do minerio mudam seus plans. Eles querem apenas extrair o minrio. A industrializacdo vai ser feita na Bahia. Piorpara o Pard. Piorpara o Brasil. e defender apenas da Salol Metais, a instalagio de ur nova metalurgica de cobre, Para ou no Maranhao, sera ca celada. Ao inves de investor equivalent a 1,5 bilhao de d lares para produzir 250 mil toneladas cobre cat6dico em Marabd ou Parauap bas, no Pari, ou em Rosario, no Mar nhao, as inicas hip6teses de localizag at6 entao admitidas, a empresa aplicar no maximo, US$ 400 milhbes para co centrar o minerio em Carajas e export lo para a Bahia, onde ele sera benefici do. S6 na Bahia, nesse caso, havera a r - - a----- ~ CI --=' -l bo na no In- o o6- de ae- a- ao -a, n- a- la- -e- cuperacao do ouro, da prata e do molib- denio associados ao cobre. O goverador Almir Gabriel tem de- clarado que o investimento complete da Salobo em Maraba esta assegurado e que o anincio do projeto 6 apenas questao de tempo. Mas os novos donos da Com- panhia Vale do Rio Doce, a frente o em- presario Benjamin Steinbruch, que assu- miram o control da empresa cor o lei- lao de privatizagao realizado pelo BN- DES, tem outros pianos. Associada aos principals funds de pensao e a outros parceiros, a CVRD 6 uma das proprietarias da unica produtora de cobre primario do Brasil, a Caraiba Metais, estabelecida na Bahia. Atraves da holding que monopoliza todo o setor de nio-ferrosos, a Paranapanema, a Vale con- trola tambem a maior beneficiadora de cobre, a Eluma, no Rio Grande do Sul. E cada vez mais forte a informacgo de que a Caraiba sera desmembrada da Parana- panema, atualmente em dificil situaqdo financeira, para ser fundida a Salobo Metais, formada, em parties iguais, pela CVRD, a sul-africana Anglo American (maior produtora mundial de ouro) e o BNDES (Banco Nacional do Desenvol- vimento Econ6mico Social). 2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 Consolidada essa mudanga societA- ria, pode deixar de interessar A Caraiba fazer uma grande imobilizagao financei- ra para instalar uma nova metalurgia no Pari ou no Maranhao. Recentemente a empresa precisou gastar apenas 20 mi- lh6es de d6lares para aumentar em mais de 10% sua capacidade produtiva, que chegou a 200 mil toneladas de catodo. A empresa podera nem ampliar nova- mente sua produgo, ao menos de ime- diato, mas simplesmente deixar de im- portar concentrado para tender suas ne- cessidades industrials. Atualmente a Caraiba vai buscar no exterior, principalmente no Chile (tam- bem o seu maior concorrente), quase to- das as 600 mil toneladas de concentra- do que utiliza, gastando divisas e ao mesmo tempo expondo-se a uma inc6- moda dependencia. 0 abastecimento podera ser feito em Carajas. O projeto da Salobo prev8 justamente a mesma produgdo de concentrado de cobre ne- cessario as necessidades da Caraiba. Se nao quiser expandir de imediato a pro- duco, tratando apenas de mudar a fon- te de suprimento, a Caraiba teri sim- plesmente que adaptar sua usina baiana para receber o min6rio concentrado no Para. Mas nesse caso o Estado sofrerA uma forte redugao nas suas expectativas de investimento. Optando por apenas au- mentar o grau de concentragco do mi- n6rio (de 1%, em media, para mais de 30% de cobre contido), a Salobo Me- tais ou a Caraiba diretamente in- vestirio abaixo de US$ 400 milh6es (ao inv6s dos US$ 1,5 bilhao inicialmente previstos), ou bem menos, de acordo com a revised do orcamento, que esta em curso. Para o Para, vender concentrado e nio catodo significari diminuicao em mais de dois tergos da receita possivel, que ficaria em US$ 500/600 milh6es e, nes- sa escala, se igualaria ao min6rio de fer- ro, lider de exportacgo. Sem a metalir- gica, o Estado remetera para a Bahia o ouro (no minimo, 8 toneladas anuais), a prata e o molibdenio, que s6 sio re- cuperados na industrializacgo. E todo o efeito multiplicador do investimento, re- forcando sua posiqao colonial. O Para estara frustrando mais um ciclo de in- dustrializacgo. Essa nova configuraqio 6 o produto direto da privatizagao da Vale do Rio Doce. Controlando os seis dep6sitos de cobre de Carajas, a CVRD assegurava para o govero o dominio sobre uma regiao em condi65es de assumir o se- gundo lugar na produrao mundial de cobre, abaixo apenas do Chile, no es- pago de 20 anos. E uma transformagio radical, de repercussio international, justamente quando esti sendo revelado o vasto conjunto de jazimentos mine- rais, muito al6m da situaiao que preva- leceu quando foi definido o Projeto Sa- lobo. Hoje sabe-se que a concentrag9o mais rica e volumosa 6 a do igarap6 Bahia, de onde se desprendeu o badalado Cor- po Alemao. Essas jazidas, com a priva- tizaqao, ficaram nas mios do aut8ntico cartel de nao-ferrosos instalado no pais justamente por essa political de transfe- rencia irrefletida de empresas estatais. Apenas duas jazidas potenciais, as de Sossego e Liberdade, estdo protegidas pelo dispositivo que garante metade dos direitos de explora9qo ao BNDES (mas quem garante poder decis6rio ao ban- co?). Virias empresas intemacionais do setor, atraidas pelo impact das novas descobertas em Carajis, esperam entrar na area atrav6s desse caminho. t o ini- co aberto, embora lateral. Para o Para, particularmente, e para o Brasil, como um todo, trata-se de um moment no cobre semelhante ao que se viveu no final da d6cada de 70 com a alumina. Na 6poca a americana Alcoa, a gigante do cartel de aluminio, prati- cou um dumping e ofereceu a Albras alumina mais barato do que a Alunorte, ainda em inicio de implantacgo, pode- ria produzir. Em momentinea dificul- dade de caixa, condicionada ao seu uni- verso econ6mico, a CVRD aceitou a proposta, imediatamente endossada pe- los japoneses, interessados apenas no produto final, o lingote de aluminio ao menor prego possivel, e nio no insumo industrial, a alumina. O resultado 6 que, durante 10 anos, o Brasil importou alumina para a Albras, a maior fibrica de aluminio do continen- te, enquanto a Alcoa se integrava e co- mandava a carteliza9io do setor no Bra- sil. O erro custou US$ 2 bilh6es em di- visas e um atraso que feriu de morte a verticalizago da indistria national. O Brasil, que poderia surgir como lider do mercado aproveitando-se da crise mun- dial da energia, esta satelitizado. O epis6dio, ji em curso tamb6m em relacio ao caulim, pode se repetir no caso do cobre. O Para, que amargara sua maior derrota, persistiri vitima do ex- trativismo mineral. O Brasil emergira como o segundo produtor de cobre ten- do sua economic no setor controlada por multinacionais. Tudo isso porque o Es- tado renunciou ao poder de agir como representante da sociedade. 0 Memoria geologica do Para ameagada A maior documentagao ja reunida sobre uma provincia mineral esta ame- agada cor a desestruturagdo da Do- cegeo, a principal empresa de pesqui- sa geol6gica do pais. Desde a privati- zagdo da Companhia Vale do Rio Doce crescem os rumors sobre uma investida que vai liquidar o precioso patrim6nio daDocegeo, subsidiaria da ex-estatal. As melhores cabegas da empresa estao sendo cortadas, a co- megar pelo seu president, Breno Au- gusto dos Santos, o ge6logo responsa- vel pela revelagao da provincia mine- ral de Carajas. O escrit6rio deBelem esta sendo fe- chado, os funcionarios transferidos ou sendo induzidos a demitir-se. A incer- teza paira sobre a documentaco ar- quivada em Bel6m, que inclui, al6m do material conventional de bibliote- cas, amostras, relat6rios e negatives de filmes que registram a hist6ria da des- coberta da principal provincia mine- ral do planet. O minimo que pode acontecer a esse acervo 6 sua transferencia para a fini- ca instalagao fora das bases operacio- nais da Docegeo que devera ser man- tida, em Minas Gerais. Mesmo que nesse deslocamento nao ocorram as perdas que sempre hi nessas ocasioes, o ato sera um duro golpe para a me- m6ria do Parh e uma violentagao a sua mais explicit vocaao natural (e mais ilus6ria fonte de atividade produtiva), a mineragao. O letkrgico governor estadual bem que poderia se antecipar para evitar essa perda. Pode oferecer-se para bem abri- gar o acervo e imediatamente colocar em prAtica o sempre adiado mas cada vez mais urgente projeto da Escola de Minas. O acervo da Doce- geo seria o melhor ponto de partida. Talvez, conseguindo-se um milagre pela bem aplicada vontade humana, seja possivel fazer o fenix da pesquisa geol6gica renascer no exato moment em que a privatizacao o golpeia vio- lentamente e a queda de nivel do nu- cleo de geologia e geoci8ncias da UFPA arremata essa decad6ncia gravosa. * JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 3 Ex-porta-voz eleitoral diz: ha corrupgao no governor O deputado Vic Pires Franco, que apa- receu no program eleitoral na televisao como o principal porta-voz da coligagao que elegeu Almir Gabriel em 1994, fez uma grave deniuncia na entrevista con- cedida a A Provincia do Pard. "Ha pes- soas ligadissimas ao governador, fazen- do corretagem de obra para empresa de fora", disse o parlamentar, complemen- tando hiperbolicamente: "existem focos, muito, muito, muito, muito perto do go- verador que fazem esse tipo de banda- Iheira". Alegando nao ser irresponsavel, mes- mo depois de ter levantado a grave sus- peita sem especificar o tipo de correta- gem realizada ou nominar seu responsa- vel (mas garantindo que a corretagem de obras de fato existe e e "uma bandalhei- ra"), Vic diz que nao vai ficar "levantan- do isso ou aquilo". Para ele, "esse tipo de coisa vai aparecer", mas "no momen- to certo". Pode-se entender que, para politico, momento certo" e a campanha eleito- ral, quando vale tudo, mas raramente a etica. Para a imprensa seria, no entanto, o moment certo 6 o dia imediato ao da divulgagCo da suspeita ou seja, ja. A Provincia ja esta incorrendo em atraso. Independentemente da iniciativa do govemador, que deveria interessar-se por essa acusagao, ao inv6s de simplesmen- te credita-la as mesquinharias da politi- ca, a imprensa deve esclarecer para a opiniao puiblica qual o conteudo de ver- dade do que disse o deputado do PFL, indo al6m de onde ele parou, por insufi- ci6ncia de informac6es ou conveniencia. O que num politico pode parecer saga- cidade e maquiavelismo, na imprensa e traiqco ao pfiblico. E claro que os jornalistas nao podem, a maneira de alguns politicos e de certa imprensa, colocar em letra de forma ape- nas boatos ou dados incompletos, mes- mo que haja intensificago de zumbidos a respeito. E precise checar adequada- mente as informarces, mesmo porque o alvo 6 a maior autoridade plblica do Es- tado. Mas o pr6prio governador Almir Gabriel esta expondo alguns flancos a um tipo de denilncia em relacgo a qual ja esteve resguardado. O governador, por exemplo, nomeou uma filha para cargo de confianqa no Estado. Este 6 um ato sobre o qual todo home pilblico deveria refletir profun- damente antes de consuma-lo. Se um parent de uma autoridade j integrava a administracao public, nada impede que prossiga a carreira e seja promovido. Se e incorporado ao governor, deve ocupar funcgo tdcnica para a qual tem atributos inquestionaveis, ou se 6 convocado para cargo de estrita confianga pessoal. Nessas hip6teses nao se enquadra Haifa Gabriel. Ela chega ao govemo do pai como assessora especial e recebe como primeira tarefa fazer o circuit percorrido pelo govemador em evidence atuacao politico-eleitoral, nada relacio- nado a sua competencia de soci6loga nedfita em administraqao public. Agin- do como agiu, Almir Gabriel nao contri- bui para a vida professional da filha e se aproxima cada vez mais do politico-pa- drao em relagao ao qual se apresentara perante a sociedade como altemativa e esta se tomando apenas sucedaneo. Mesmo porque a assessoria do gabi- nete do goverador continue a ser a ba- cia das almas para a acomodaio de um vasto espectro de interesses, incluidos os fisiol6gicos. Estes contaminam a neces- sidade real que tem o goverador de en- Na entrevista concedida a RBA, o ex-prefeito Helio Gueiros fez uma revelagao para a hist6ria. Disse ter sido o responsavel pela indicaqgo, ao entdo governador Jader Barbalho, do nome de Almir Gabriel para a prefeitura de Belem, cargo que era de nomeagao exclusive do governa- dor. Na epoca eram minimas as re- lacbes entire Gueiros e Almir, que servira na segunda administracgo Alacid Nunes como secretario de Safde, permanecendo ali mais al- guns meses, ate ser nomeado pre- feito da capital. H6lio, como sempre, nao contou a hist6ria por inteiro: Alacid, quan- do governador e o principal cabo electoral em 1982 da vit6ria de Ja- der como seu successor (alianga que resultou do rompimento com Jarbas Passarinho), fora o principal anima- dor da entrega da candidatura de se- nador a Gueiros, que retornava A po- litica depois do period de cassagdo contrary caminhos alternatives a obtusa burocracia official para aproveitar talen- tos entiree os quais pode estar o de sua filha) e os bons profissionais, tudo nive- lado por baixo (como era quando Almir era apenas critic e continue a ser com Almir govemador). Segundo os iltimos dados oficiais, ha 350 pessoas lotadas no gabinete do go- vernador, sendo 284 assessores, dos quais 217 sdo assessores especiais. Para os padres da economic local, trata-se de uma m6dia empresa. Em qualquer economic, uma poderosa firma de con- sultoria. Mas o resultado de toda essa estrutura, que custa 750 mil reais por mes aos cofres puiblicos, 6 pifio. Certamente nao e pior do que o obtido em passado recent, mas esta abaixo da menor das expectativas que Almir Gabriel criou ao se eleger goverador do Para. NAo espanta, assim, que comecem a surgir denmncias de nepotism, trafico de influ8ncia e corrupqio na corte pa- raense, mesmo que elas aparegam em bocas nao-autorizadas a acusar nessas materias. pelos militares. Jader s6 venceu Ozi- el Carneiro, candidate da maquina federal, porque juntou ao seu caris- ma a forga da maquina estadual co- mandada por Alacid. E Helio s6 se tornou senador porque Jader e Ala- cid literalmente o empurraram (es- capou de uma das excurs6es de campanha a Zona Bragantina indo assistir a uma sessdo de cinema). Na entrevista a televisao, Gueiros ironizou o fato de Almir ter servido a um governor military. Nao ironizou o apoio que recebeu em 1982 de um dos principals lideres do movimen- to military no ParA. Os politicos acham que a hist6ria, como a agua dos moinhos, s6 passa uma vez pela mem6ria coletiva e depois vai em- bora para nunca mais voltar. No caso paraense, a agua do poder circula em circuit fechado e, por isso, vi- ciado: sao sempre os mesmos, com novas hist6rias, mas com o mesmo roteiro. Roteiro furado 4 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 Cartas Caro Lucio Flavio, nos congratulamos corn o teu pr6mio "Colombe d'Oro per la Pace". Ha muito que reclamavamos o reconhe- cimento do teu talent, f6 e tantos outros atributos que possuis. E como se esse . pr6mio fosse nosso, de tao assiduos da tua palavra s vezes excessive, as vezes des- gostosa, as vezes alegre no JP. Pode- se ver que nao estamos sozinhos no mundo. Nossas ideias e aspira9oes encontram ecos que se materializam no porta-voz competent e reconhe- cido internacionalmente do norte do Brasil. O desejo de persist6ncia lon- geva que tens, nao do autu, ... ..., mas sim da critical construtiva nos 'ns- pira numa mutagao em que a cnatura se espelha no exemplo criador. Teu exemplo solene e indelevel nos influencia a pensarmos e agirmos num objetivo maior que e a nossa ter- ra Para de um Brasil imenso e de um mundo grandemente abrangente. Marco Antonio Baeta de Moura/ Norma Miranda Barbosa Na edigao n 170 do .Jornal Pes- soal, ja nas bancas de re : i. .,.u al Secretario de Cultura do Estado do Para, Paulo Chaves Fernandes, jul- gando-se o todo-poderoso e demons- trando complete desequilibrio emo- cional, evidenciou total despreparo para exercer fungdo public tao rele- vante, ao reagir de forma agressiva, chegando ao extreme de atacar osten- sivamente o teu trabalho, na tentati- va de diminuir a importancia do jor- nal, que ao publicar minha carta, ape- nas serviu de meio para tornar publi- cos fatos que interessam a socieda- de, por serem referentes a dilapida- 9ao do Patrim6nio Publico, tendo cumprido assim, a funcao a que se prop6e: a de informar, cor imparci- alidade, fatos de interesse public, representando assim, um jornalismo serio, investigative e comprometido apenas com o bem-estar social. A verdade 6 que o arquiteto sem- pre foi dubio em suas attitudes, tendo chegado ao poder trabalhando sem- r pre nos bastidores, atin- gindo at6 a honra de um Senador da Rep6blica de conduta ilibada e dignida- de inconteste que o fize- ram ser respeitado em todo o pais. Sob as luzes dos refletores no "Bom Dia, Para", jogou lama em seu antecessor no cargo que ocupa, o falecido e intelectualmente, mundi- almente reconhecido, Guilherme de La Penha. Utilizou seu direito de resposta re- ferindo-se a minha pessoa como: "fi- n6rio negociador de produtos hospi- talares, cor o qual tive a infelicida- de de conviver durante certo tempo". Disse mais ainda: "Averiguar quem ele 6, nao careceria de exaustivas pes- ,iisas e sindicancia" (palavras tex- tilais). Existe um ditado muito certo que diz que "quem tem telhado de vidro nao atira pedras" e eu, certamente, te- nho a minha consciencia limpa, ten- do sempre, na condigao de medico, procurado ajudar os mais necessita- dos, nao cobrando consultas e at6 pagando medicamentos e exames complementares do meu pr6prio bol- so, e como empresario, sempre man- tive uma postura s6ria, que at6 me custou longos anos de perseguigao. Posso provar os fatos que revelei, pis, certamente, se ndo tivesse os incios de prova-los, nao os teria dito. Para o infortunio dele, acabei per- cebendo, durante o certo period em que ele disse ter tido a infelicidade de conviver comigo, seu carter du- vidoso. Por meu interm6dio, conhe- ceu o alemro, para o qual negociaria mais tarde os pain6is de azulejos, as- sinados pelo artist francs Arnoux Boulanger (testemunhas, enderego complete na Alemanha, fotos dos pain6is e outros meios comprobat6- rios do alegado, reservo-me o direito de apresentar, oportunamente, nas aqbes ja em curso na Justiga que o ofendido diz ter movido contra mim). Ainda naquela 6poca de "convi- vio", o referido arquiteto, entao prestador de servings a Engeplan, em um belo dia chegou cor um caminhao da empresa em meu es- crit6rio, sito a Rua Conselheiro Fur- tado n 412, e, sorrateiramente, abu- sando da confianga que Ihe deposi- tara, subtraiu uma antiga mobilia de alto valor, que se encontrava em consignagao, pertencente a um cli- ente, no Depto. de Antiguidades da empresa. Acabei tendo que reem- bolsar o client e, orientado por advogado da minha confianga, nao registrei o ocorrido na Policia, exa- tamente para nao chegar a nivel tao baixo (tamb6m serao apresentadas as testemunhas e a documentagao pertinentes ao fato, no moment certo). Quanto ao Col6gio Abraao Levy, o arquiteto, se nao teve participagdo di- reta, foi, no minimo, omisso e coni- vente. Por ultimo, em relagao ao Palace- te Governamental, que ele denomina de "O Parque da Residencia", por "coincidencia", a empreiteira das duas reforms foi a mesma do espi- gao do INSS. Na expectativa da publicagao des- ta, estarei aguardando as provas e os arguments do arquiteto, pela esti- pida declaragao: "Averiguar quem ele e, nao careceria de exaustivas pesqui- sas e sindicancia", que atinge minha honra e dignidade, valores que sem- pre prezei e deixarei de heranga as minhas filhas, pelo qua, ele tambem respondera em juizo. Se fui movido pelo 6dio pessoal ou pelo direito, enquanto cidadao, de denunciar atos contrarios ao in- teresse pfblico, nao importa. O mais important mesmo sera o fim que se tera atingido: informar a so- ciedade (maior interessada) as ati- tudes inescrupulosas de um home que ocupa um cargo public e que se diz defensor do interesse cole- tivo. De ti, Lfcio Flivio, jornalista se- rio de competencia incontestavel, despego-me pedindo-te desculpas pela baixaria promovida pelo arqui- teto, contra tua premiada vida profis- sional. Antonio Vieira Soares Neto N. da R Junto corn a carta, Soa- res enviou alguns documents. Entre eles oficios de janeiro de 1995 que encaminhou ao secretdrio de Cultu- ra, Paulo Chaves Fernandes, denun- ciando os atentados ao patrim6nio arquitet6nico da cidade que relata em sua correspondencia. JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 5 Serao benfeitores os Yamada? O vice-presidente commercial da Y. Yamada Comercio e Industria, Hiroshi Yamada, escreveu uma carta para este journal em resposta ao artigo publicado na edigio n 169. Defende a empresa da critical de dar pouca ou nenhuma contri- buigao a sociedade na qual se instalou, pensando apenas no seu neg6cio. A integra da carta de Hiroshi: "A edigao correspondent a segunda quinzena de agosto passado, desse jor- nal, trouxe, a pagina 5, sob o titulo 'Pa- drao Yamada: 6 isso o que o povo para- ense quer?', materia somente agora de nosso conhecimento, na qual sao tecidas critics a esta empresa, que vao desde o estado de conservag~o do Palacete Pinho, na Cidade Velha, ate o aspect arquite- t6nico de nossa sede, a Rua Manoel Ba- rata, n 400, esquina da Travessa Cam- pos Sales, passando ainda, pela "pouca ou nenhuma contribuiao social ou cul- tural", de parte do grupo Y. Yamada, "cor a terra de adoQgo". Sempre entendemos valida toda e qualquer manifestagdo, desde, por6m, que respaldada em dados condizentes cor a verdade, a fim de que, absorvida, possa redundar em aperfeicoamento. Enfatiza a materia, dentre outras coi- sas, que, "ao mesmo tempo que imp5e respeito essa efici8ncia dos Yamada, es- panta a baixa taxa de retoro que eles proporcionam a sociedade que os aco- lheu e se fez terreno fertil para seus ne- g6cios". Em exatos quarenta e sete (47) anos de atividades no comercio do Para, te- mos oferecido relevant contribuicao a comunidade, seja pela oportunidade de empregos diretos atualmente regis- trando a consideravel marca de 2.730 co- laboradores em nossas empresas - como pelos impostos recolhidos aos co- fres piblicos em todos os niveis, tornan- do-nos um dos maiores contribuintes nesse aspect. Acreditamos que o desconhecimento desses dados, tenha levado esse journal a tao injusta conclusao, que destoa da rea- lidade, a menos que tais elements nao exergam qualquer papel na avaliacio pro- cedida, o que seria de lamentar. Por oportuno, manifestamos nossa discordancia e repidio mesmo - aqueles que, segundo a materia veicula- da, entendem que "O paraense gosta de bagunca, de sujeira, de improvisacao", dai porque nos teriamos submetido "ao padrao de expectativa do paraense m6- dio", para justificar o criticado aspect da loja matriz como um todo, rotulada de "a mais feia das grandes lojas que ha no Brasil". Respeitadas as suas preferencias arqui- tet6nicas, delas divergimos, entretanto, haja vista que, precisamente pelo aprego demonstrado para cor os clients de to- das as camadas sociais baixa, m6dia e alta temos buscado proporcionar- lhes, em pr6dio modemo e de constru- qao recent, que substituiu um antigo sobrado, o conforto de refrigeragao cen- tral, escadas rolantes, informatiza9go dos diversos stores, iluminagao privilegia- da, limpeza, alem de outros tantos itens a coroar o bom atendimento as cerca de 400.000 (quatrocentas mil) pessoas que nos visitam em media a cada m8s ca- pazes de superar qualquer possivel mau gosto em terms de est6tica, se existen- te. Comungassemos daquela infeliz opi- niao ja repudiada, por externar pro- funda discriminacao ao povo paraense - nao teriamos oferecido a Bel6m, o pr6dio recem-inaugurado da Tagide Ve- iculos S. A., a Tray. D. Pedro I, esquina da Av. Pedro Alvares Cabral, considera- do um dos mais modernos, afora a loja que mantemos no Shopping Center Cas- tanheira desde sua inauguragao, para nos limitarmos a esses dois exemplos o que comprova o absolute respeito devo- tado a comunidade. Acusa-nos tamb6m esse journal, de ha- vermos adquirido o Palacete Pinho, na Cidade Velha, para transforma-lo em um dep6sito, sugerindo que devessemos ter aplicado uma fragao minima do lucro auferido nos neg6cios, reconstituindo naquele local um cenario do period au- reo da borracha, com visao aberta para a baia "e instalando no palacete um mu- seu do Japao na Amaz6nia", ao argumen- to de que "o Japao ter aqui uma de suas mais importantes col6nias em territbrio brasileiro e obtem no Para alguns dos insumos basicos fundamentals para sua industria (impondo-nos relagbes de tro- ca desiguais)", finalizando cor a inda- gagdo: "Sera que o caminho 6 s6 do leva e nada traz?" Gostariamos, inicialmente, de escla- recer, que o referido im6vel, desde 10.12.92, cor a lavratura da competen- te escritura pfiblica no Cart6rio Diniz, posteriormente levada ao Registro de Im6veis do 1 Oficio da capital, passou ao patrim6nio do Municipio de Belem, em virtude de desapropriaqao consubs- tanciada no Decreto 24.653/92-PMB, de 27.08.92 (DOM de 02.10.92), e nele a Prefeitura pretendia instalar a sede da FundagAo Cultural de Belem (FUM- BEL), destinacao essa alterada em favor do Institute de Previdencia do Munici- pio de Belem (IPMB). Por outro lado, desde que o adquiri- mos por compra, o pr6dio ja se achava bastante deteriorado consoante podem atestar os que o conhecem daquela 6po- ca o que implicou na necessidade de proceder a servigos de emerg6ncia, para, mais tarde, como realmente ocorreu, nele efetuarmos obras mais profundas, no re- forgo da estrutura, ferro, telhado, esqua- drias, etc. Quanto a destinacio apontada por esse journal e a n6s atribuida transforma- 9ao em dep6sito mostra-se inteira- mente descabida, porquanto, alem de ja- mais isso nos ter ocorrido, tecnicamen- te, sua adaptagao como tal, tornar-se-ia anti-econ6mica, sendo preferivel a cons- trugio ou aquisigao de predio com ca- racteristicas adequadas, o que ficaria bem mais barato. No que tange a sugestao de nele insta- lar um "museu do Japao na Amaz6nia", ainda que permanecesse em nosso po- der, convenhamos que essa tarefa melhor se adequaria a algum 6rgao official, ain- da que em parceria corn entidades locals e daquele pais. Pelo exposto, e em nome, nao s6 do direito de resposta, mastamb6m da 6ti- ca jornalistica, esperamos ofereca esse jomal a necessaria acolhida a esta mani- festagdo, a fim de que os seus leitores tenham a oportunidade de melhor avali- ar o papel desempenhado por Y. Yama- da no context de nossa comunidade". Minha resposta Hiroshi Yamada, que semprefoi par- ticularmente atencioso comigo, da mes- ma maneira que seu irmdo, Fernando, deve ter d1 seus motives parafazer toda essa peroracdo final sobre o direito de resposta, que um 6rgdo poderoso, como O Liberal, simplesmente ignora, mas que aqui e sagradamente respeitado. Portan- to, a advertOncia, alem de ociosa, e ini- til. Devia serfeita 16 para o veiculo dos funds do Bosque. Suas explicagoes ndo mudam um milimetro do quepenso e escrevi a res- peito da contribuido social e cultu- ral do grupo Y Yamada ao Pard. To- dos os investimentos por ele arrolados tiveram objetivo commercial, do retor- no rdpido, do lucro, o que e direito 6 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 legitimo de umafamilia operosa como a dos Yamada, mas ndo e a razdo ini- ca da empresa enquanto instituizdo social, principalmente daquela que tem o porte da Y Yamada. A bela loja da Tigide na D. Pedro, dirigindo-se a compradores de carro (dasfaixas A e B de renda), contrast cor as improvisagoes e adaptaodes da sede, onde as camadas C, D e E sdo mais numerosas. Por qualquer crit&- rio, dificilmente agradar6 o rzistico caixote de concrete que foi incorpo- rando anarquicamente as construgoes daquela quadra. Mesmo as melhorias introduzidas, como o ar condicionado central e a escada rolante (com origi- nal acesso a partir do piso, criado pelo desnivel entire estruturas desiguais), sao impostas pela frequencia (de 15 mil pessoas por dia) e ndo por uma iniciativa benem6rita ou de alcance social de Y Yamada. Todas as suas contribuigoes (como os empregos e os impostos) sao com- puls6rias e ndo voluntdrias. Visam o beneficio corporativo (legitimo e lou- vdvel, mas especifico) e nao o bem social, mesmo que o alcangando late- ralmente (e residualmente, se compa- rado aos rendimentos das empresas do grupo). Para a Yamada, um "antigo sobra- do ", como o da Manoel Barata (e, por extensdo, o da Cidade Velha) nao pas- sa de detalhe externo, que deve ser sa- crificado pela modernizagao (moder- nosa, no caso). 0 que interessa d o que estd dentro, a relagdo entire consumi- dores e mercadorias que dd frutos no caixa (informatizado pioneiramente, e just destacar). Por isso, se os Yama- da chegaram a pensar em dar um fim mais nobre ao Palacete Pinho, napri- tica o usaram como dep6sito mesmo durante todo o tempo em que delefo- ram proprietdrios, ate que uma inici- ativa do procurador regional da Re- ptiblica, Jose Augusto Torres Potiguar, os obrigou a mudar de iddia. Apaixonado pela maravilhosa man- sao da familiar Pombo, sempre a inclui numa ronda peri6dica que fago pela Cidade Velha. Durante anos de aban- dono, o que restava da integridade es- trutural do predio em crescente ruina era protegida por um vigia que se mantinha oculto do outro lado da rua, num terreno entao baldio. Em algumas das minhas paradas ele aparecia no casardo corn um revolver. Com as ex- plica9oes dadas e os retornos, acabou se tornando menos agressivo. Numa das vezes em que por la passed jd ndo havia mais o velho vigia. A Y Yamada era a nova dona. A empresa nao exe- cutou qualquer obra no palacete en- quanto guardava em seu interior col- choes, m6veis e outros objetos Que ou- tro nome dar-se a essa serventia do que a de dep6sito, talvez esperando pelo moment aprazado para dar vez a um "predio modern e de constru- Vao recent "? Foi entdo que Potiguar movimentou a justiga federal e conseguiu impor ura media drdstica e inica na his- t6ria da proteVao aos bens pzblicos tombados por seu valor arquitet6nico e hist6rico (e dilapidados pela conjun- Vao da esperteza de alguns a omissao da maioria): 5% dofaturamento bru- to do grupo seriam depositados em juizo para assegurar a restauragdo do predio, obrigagco atk entao descura- da pelos proprietdrios do im6vel. Na- turalmente, um fiscal teria acesso ias contas da Y Yamada para deduzir o percentual estabelecido em juizo. Rapidamente a empresa providen- ciou um projeto de recuperaVio e aprovou-o no Iphan, o Instituto do Pa- trim6nio Hist6rico e Artistico Nacio- nal. Mais providencialmente ainda surgiu, ao final da administraado Au- gusto Rezende, a desapropriagdo do im6vel, desobrigando a empresa de executor o projeto e poupando-a do pesado desconto (e do olho inc6modo do fiscal). Restou a briga pelo dinhei- ro que ficou depositado entire a sen- tenga do juizfederal e a desapropria- Vao municipal. A prefeitura dizendo que os recursos deveriam ser-lhe en- tregues para consumer o que a Y Ya- mada nao fizera, enquanto a empresa querendo de volta o que diz ser legiti- mamente seu. A hist6ria, portanto, ter uma mo- ral inteiramente oposta a que artifici- almente Hiroshi Ihe quer dar Ao in- vis de desfazer, reitera o que foi pu- blicado nestejornal. Mesmo que diga o contrdrio, a Y Yamada partilha a injusta opinido dos que julgam prima- rio o nivel de exig&ncia de uma part da sociedade paraense. E por isso que foi improvisando na sua sede ate che- gar a essa grande efeia loja, orgulho de venda, atestado da obtusidade so- cial de uma empresa, obrigando seus clients a aceitar esse padrdo como se fosse um nivel de excelOncia. Os Yamada, como deixa claro Hiroshi, so tem compromisso com seu negocio. Podem fazer uma boa loja se isso for necessario para vender (como e o caso da Tdgide) e se estiverem num shopping, que e uma estrutura pronta a receber os ocupantes comerciais. Mas quando lhes cobram um padrao igual para tender consumidores acostumados (e obrigados a acostumar-se) a menos exig&ncias ou que invistam pelo bem coletivo, retru- cam que isso e indevido ou constitui ta- refa do governor (do pais que adotaram ou do pais que deixaram). Qualquer ou- tra linguagem que ndo a dos cifroes e, para a empresa, javanes. 0 Vox populi Alguns leitores reclamaram do espa;o ocupado pelas cartas na ediqdo anterior deste journal Defendem uma restriIgo a manifestaqdo de tercet- ros. De fato. este e um jorial estrntamnnte pessoal. Mlas nao concordo corn a mutilaqo da iniciati.a dos leitores Em primeiro lugar. porque e um retorno necessario e deselja el do que escreco. E. depois. porquc esta- belece controversial enriquecedoras. um pouco de %ento na calmana da imprensa local. Ao contrario, desejo quce im numero crescent de leitores saia da nercia letargica desra terra E claro que as pessoas compram (ou duixani de comprar) o JP porque sou seu redator inico. Por isso. pego aos leitores que sejam o nais objetivo que for possivel. sem prejuizo de suas explicaobes, argumentaq6es e ufifr- ma;oes. Para nao expropriar tanto espaoo. as cartas sdo publicadas cm cor- po um pouco inenor do que o normal. assun como as minhas resposias Qualquer que seja o balanceamcnto entire o espaco das cartas e o das minhas materials. ao leitor que nao escrerte rest o beneficio de uunca perder cspaqo para publicidade Tudo aqui ejornalismo e s6jornalismo. JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 7 Caso Eldorado: inocencia tera um prego muito alto O juiz Otavio Marcelino Maciel devera excluir o governador Almir Gabriel da denun- cia que fari, em novembro, dos responsaveis pelo massacre de Eldorado dos Carajds, ocor- rido em abril do ano passado. Os testemunhos colhidos pelo juiz nao estabeleceram um elo de ligaqAo entire o governador, que tamb6m 6 o comandante-em-chefe da Policia Militar, e o coronel Mario Pantoja, o responsivel dire- to e imediato pela operacio da PM, que re- sultou na morte de 19 integrantes do Movi- mento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, o MST. coronel devera ser denunciado, mas o governador serA absolvido pela sentenqa de primeiro grau. Antes, por6m, que o juiz delibere sobre a acgo, a defesa dos militares tentara anular o process a partir do moment em que Maci- el, lotado na vara especializada de entorpe- centes da capital, foi deslocado de Belm para Curion6polis, assumindo o caso no lugar do ate entao titular, que foi deslocado para Bre- ves, sem substitui-lo legalmente. Segundo os advogados, por nfo ser o juiz jurisdicionado ao distrito da culpa, ele nao atende A exig6n- cia constitutional sobre o "juiz natural". Logo, teria dado causa a uma nulidade absolute do process desde que passou a presidir o feito. Se o incident prosperar, a instrugdo tera que ser reiniciada. Mas essa hip6tese 6 consi- derada menos plausivel que a rejeiCio da pre- liminar. Uma sentenga rApida no juizo singu- lar, mesmo sem p6r fim ao process (ja que ele ainda admite recursos para instAncias su- periores), tera duplo efeito: tanto respondera as cobrangas da sociedade civil, inclusive no exterior, que tem criticado a morosidade do andamento judicial como causa potential da impunidade dos responsAveis pelo incident sangrento, como deslocara o tema da agenda dapr6xima campanha eleitoral. Isso nao quer dizer que haja uma delibera- da intengqo debeneficiar o governador Almir Gabriel, o mais prejudicado dos personagens envolvidos caso o process chegasse A fase da dispute eleitoral sem qualquer decisao, deixando-o no limbo dos agents sujeitos A denincia. Tecnicamente, diante das provas reunidas nos autos, o governador nao pode ser responsabilizado pelos atos de violencia da PM porque nao ficou estabelecida um li- gacao, a tal "cadeia de comando", entire ele o comandante geral da tropa, o coronel Panto- ja. Objetivamente, 6 possivel que essa relagdo nao tenha mesmo havido. Ningu6m, em sa consciencia, imaginary que uma pessoa corn abiografia de Almir Gabriel daria ordempara matar ou agredir terceiros. No seu depoimen- to, pordm, o governador deixou bem eviden- ciado o dedo de sua assessoria juridica na montagem do testemunho. Ele nao conseguiu lembrar se recebeu o oficio encaminhado pelo executor do Incra em Maraba, Jos6 Libio de Matos, dois dias antes do choque, alertando para o clima de tensao e o risco decorrente de uma acao contra os manifestantes que ocuparam o leito da PA- 275. Um portador do document foi o coro- nel Ruffeil, o principal assessor de informa- 46es do gabinete do governador, embora Al- mir nAo soubesse informar ao juiz se "esteve infiltrado entire os sem-terra algum official des- tes que prestam informes ao governor Ga- rantiu que na v6spera e no dia do incident "nao deu nenhuma determinaao ao coman- dante da PM ou ao comandante do batalhio da PM em MarabA". O governador conseguiu recordar-se de "ter recomendado ao dr. Sette Camara (se- cretario de Seguranqa Ptblica) que nos pro- cedimentos estivessempresentes Igreja e Mi- nistdrio Pflblico" (a imprensa, citada no noti- cidrio que, ap6s os fatos, reproduziu as ori- entag6es do governador, nao foi lembrada). Apesar da repercussao mundial do conflito, o governador "nAo procurou saber quem deu a ordem para que os fatos acontecessem diver- samente de sua autorizaio para que fosse feita a operaqio respeitando a lei". Almir Gabriel se manteve e, pelo jeito, ainda se mant6m tao desinformado que s6 soube da interpretagAo dada A sua ordem de prisao do coronel Pantoja (por proposta do comandante da PM, "com anuencia do secre- tirio de SegurangaPuiblica") no moment de ser interrogado pelo juiz OtAvio Maciel. Ou, como registrou a escriva: "Que a prisAo do cel. Pantoja nAo ocorreu em razao de ter dito que quando chegasse em Belem iria abrir a boca, pois a testemunha nem sabia disso, estd tomando conhecimento disso agora". Em tal context, ja nao surpreende que ele nao viesse a se interessar por saber "quem havia autorizado o tiroteio, apenas foi infor- mado de que os procedimentos nao teriam sido corretos". Ou que "viu a fita do conflito e nio viu a entrevista do secretArio de Segu- ranca", quando Sette Camara disse que a or- dem era para desobstruir a estrada "de qual- quer maneira". Nem mesmo soube dizer "se quando deu entrevista condenando a attitude do cel. Pantoja foi antes ou depois de ter vis- to a fita do conflito exibido na TV". A deduzir-se das declaraq6es que prestou, o governador nao se interessa pelo acompa- nhamento da PM. Tanto desconhecia os cons- tantes deslocamentos de tropa para as Areas de conflito e tensao social no interior do Es- tado, registradas no Didrio Oficial, como ig- norava "que a Policia Militar de Maraba e Pa- rauapebas era carente de armamentos para operagqes da natureza que o caso exigia por- que isso 6 atribuiaio de cada chefe, de cada comandante". Por tudo isso, nada mais just do que se reconhega a inimputabilidade do governador Almir Gabriel. Injusto 6 deduzir desse Alibi que ele renunciou a exercer o cargo para o qual foi eleito, de governador do Para. Se sabe muito pouco sobre o grave setor de se- guranca pfiblica, ao menos resta o. console de imaginar que Almir Gabriel certamente nao se esqueceu de que ainda 6 o governa- dor do Estado. g Fim de carreira O mais melanc6lico neste crepfisculo de carreira do coronel Alacid Nunes nem 6 propriamente que tenha como algoz Vic Pires Franco (um "sinal dos tempos", como costumam dizer os te6logos), mas que, no confront de arguments, Vic tenha mais razao. Alacid quis transformar o PFL numa extensao da monocratica Associagao dos Municipios, uma base de operaq6es consolidada com dinheiro pilblico para usufruto exclusive do ex-governador. Eficiente executor de ordens superiores, funqAo frequentemente confundida cor a de feitor, Alacid beneficiou-se da luz de terceiros, como do padrinho Cordeiro de Farias, o mais politico dos generals do Exdrcito a partir da Terceira Repfiblica. Alqa- do A condiqgo de estrela sob o impulse dos mdritos pr6prios acumulados na prefeitura de Beldm e do trabalho de Jarbas Passarinho no primeiro governor p6s-64, Alacid cultivou duas virtudes: a fidelidade de caserna ao grupo e a assessoria de gente como Osvaldo Melo, Aldo Almeida, Irawaldyr Rocha e o general Rubens Vaz. A partir do moment em que essa base erodiu e sejulgou estrela de primeira gran- deza, Alacid Nunes s6 acumulou erros e derrotas. O que deveria encontrar nas ruas e nas urnas, o m6todo preferencial dos politicos profissionais (sem qualquer entonacao pejorativa), foi buscar nos bastidores, o popular "tapetao". Usando as informag6es acumuladas e a penetraqao que os nove anos como governador lhe proporcionaram, foi o "abre-alas" no interior do Estado para ne6fitos de salto alto, como Almir Gabri- el. Mas o aprendiz superou o feiticeiro, esperto nas aulas quando com uma cola acessivel. A funqgo de lobista parece t6-lo agradado e ele achou ser o suficiente para o 8xito future. Continuou a gritar suas ordens, mas deixou de olhar ao redor e abaixo, subes- timando a capacidade alheia, insensivel ao avanqo da hist6ria e as novidades do tem- po. Sofreu dupla rasteira de um principiante como Vic, sem que uma oculta atris dos panos raposa velha, como Hdlio Gueiros, tenha precisado mostrar as armas antes de poder usa-las abertamente. Tantas bordoadas depois, Alacid nio se vexa em prosseguir na sua atuacqo de cavalo de Tr6ia intra-muros pefelistas, enquanto busca desculpas esfarrapadas para adiar o que todos sabem que ocorrera: sua mudanga de partido que, se nao vier no tempo oportuno, terA que ser provocada a pontap6. Sem timing, como dizem os atletas do dia, Alacid Nunes tenta garantir seu future ja nao mais como estrela. Virou sat6lite de filtima grandeza, que pode at6 voltar a brilhar em 1998, mas como reflexo da luz alheia aquela que emerge da mAquina official. 8 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 Delenda Faustino E um privildgio para o Para que MArio Faustino sempre te- nha destacado a importancia do Estado adotivo na sua forma- 9ao intellectual, minimizando o papel de sua terra natal, o Piaui. Faustino foi um dos melhores c6rebrosja surgidos neste pais, infelizmente desaparecido tao cedo, aos 32 anos, num aciden- te de avido que ele pr6prio an- teviu. Um pool de instituiq6es, li- deradas pela Universidade de Campinas, esta produzindo o que devera ser um dos maiores feitos editorials deste s6culo no Brasil: as obras completes de MArio Faustino, em sete ou oito volumes, acondicionados em uma caixa, com um primoroso trabalho grafico e iconogrAfico. O Para, terra do afeto e do re- conhecimento do poeta-ensais- ta-jornalista, seria incorporado A empreitada com uma partici- pagao de 30 mil reais no orCa- mento. Mas o Piaui 6 quem vai entrar na co-edigao. Parece que a cota paraense foi considera- da alta. MArio Faustino deve ter re- virado no tinmulo. E n6s, em nossa indignagao. Quem paga? 0 ex-governador Alacid Nu- nes nao tem motive para se queixar de seu correligionArio Vic Pires Franco, embora ele tenha ocupado seu lugar na CA- mara Federal e tenha sido um dos responsaveis por sua des- tituigao da presidencia do PFL do ParA. Quem garante 6 o pr6- prio Vic, em entrevista dada no fltimo domingo ao journal A Provincia do Para. "Mantive no meu gabinete todas as pessoas que ele (Ala- cid) pediu que continuassem, uns tres ou quatro assessores, que estao 1I (no gabinete par- lamentar) at6 hoje", diz Vic, que acrescenta: "Ele me pediu para contratar a nora dele, o que fiz". E pergunta: "qual foi o meu pecado, nesse relaciona- mento com o coronel Alacid?". Para concluir: "Nenhum". Exceto o de usar recursos do erario para cumprir compro- misso politico, indicando para cargo de assessoria tdcnica al- gu6m que 6 apenas retribuigAo de clientelismo. Mas essa prA- tica esta tao difusa e consoli- dada que os politicos nao se apercebem do delito confesso. Talvez porque a imprensa nao se encarregue de alertar seus eleitores para o fato. E assim caminha-se para a complacdn- cia tipica da geldia geral brasi- leira. A velha hist6ria 0 Banco do Estado do Ama- pd comegou a funcionar em se- tembro de 1992. Comemorou cinco anos de vida com um es- cAndalo que deveri transforma- lo no que ele e congeneres deve- riam ser desde a origem: ag-nci- as de fomento. Padeceu do mes- mo mal que assolou durante anos seu primo paraense: muito di- nheiro concedido irregularmen- te a clientss especiais". Mais uma Na d6cada de 70 a Universi- dade Federal do Pari patrocinou a edicao de A Invengdo daAma- z6nia, livro de Armando Mendes que demarcou um terreno f6rtil e original de reflexao sobre a Amaz8nia dos nossos dias e do future. A segunda edicgo revis- ta, acrescida de um Brevissimo ensaio sobre UMA LONGA PREGAQAO, esta saindo pela Editora da Universidade do Amazonas. Perdemos mais essa? Burocracia poliglota O "senhor Monsieur Minet", como diz o edital, foi convoca- do pelo Tribunal de Contas dos Municipios a prestar contas de dois convenios assinados no ano passado entire a Associagao de Cultura Franco Brasileira, da qual 6 director, e a Fundagao Cul- tural do Municipio de Belem, a Fumbel da era Gueiros. Quando for ao TCM, o sr. Minet deve aproveitar para traduzir o titulo do tratamento do edital, evitan- do a superposigAo de linguas. Moliere e Machado de Assis, pe- nhorados, agradecerao. Padrao Liberal No dia 23 completou um mes que a coluna Rep6rter 70, de O Liberal, publicou no alto da prestigiosa terceira pagina do journal a seguinte nota: "0 ex-prefeito e agora president regional do PFL, aderiu, sem comparecer, por6m, ao jantar do aniversArio do governador Almir Gabriel, mas ja conver- sou cor o senador JAder Bar- balho. Deve ter sido no domin- go e na casa de Hl1io. Nao hou- ve testemunhas. Inclusive, J6- der foi sozinho e guiando ele mesmo o seu carro". Jader (seu nome se escreve sem acento, como foi registra- do em cart6rio) e Helio ainda nao se encontraram. 0 Liberal ficou sabendo disso depois da nota, mas recusou-se a retifi- car na coluna a falsa informa- qao, que provocou uma boata- ria sem fim (e sem fundamen- to) no Estado. O journal, fonte de consult para 98,7% dos lei- tores de journal, se consider infalivel. Por isso nao se corri- ge, mesmo quando se trata de detalhe secundario de um fato maior verdadeiro (por exem- plo: a ausdncia de Ronaldo Pas- sarinho no encontro, que hou- ve mesmo, de Almir Gabriel com Jarbas Passarinho). E o distinto pfiblico? Ele que exploda, como dizia aquele po- litico cinico que Chico Anisio interpretava em seu program de humor, retransmitido pela TV Liberal. Os Maiorana nun- ca o viram? Miudos O vice-governador Hdlio Gueiros Jr. ficou de 11 ao dia 14 em SantarTm. Levou consi- go quatro funcionArios de seu gabinete, inclusive a mulher, M6nica, todos recebendo did- rias. Reservou quatro mil reais da verba do gabinete "para tender despesas mifidas de pronto pagamento". Nao 6 excess de coisa miui- da? Escatologia na Provincia A Provincia do Pard ocupou cinco das seis colunas da filti- ma pagina do caderno de espor- te e policia com a foto de um beb8 trucidado pela mae a gol- pes de pernamanca. "A menina teve cabeca, braCos e pernas quebrados, ficando irreconhe- civel", descreve a matdria. O cadAver desfigurado da crian- Ca foi transformado em "pre- sunto" e publicado, em cores, pelo journal. Nao hA mais ningudm com bom senso e consciencia 6tica no antigo journal da familiar pa- raense capaz de impedir o co- metimento de uma vilania des- sas? Aconselho a qualquer ci- daddo de carter que precisar vomitar guardar esse exemplar do dia 16 de A Provincia. Fun- ciona mais rapida e eficiente- mente do que colocar o dedo na garganta. Quanto ao resul- tado, 6 s6 enviar com os cum- primentos A diregao do journal. Desinformado Os assessores do governador Almir Gabriel precisam, urgen- temente, forga-lo a ler journal. Todas as vezes que algum rep6r- ter pede a opiniAo do governa- dor sobre fato ja publicado pela imprensa, Almir responded que ainda nao leu a noticia. Isso mesmo quando o assunto e tema national, como ocorreu na se- mana passada cor a anunciada desistencia de MArio Covas de concorrer a reeleiqao ao gover- no de Sao Paulo. "Ainda nao li nada, embora tenha ouvido fa- lar", despistou o governador pa- raense. E possivel ter ele "ouvido fa- lar" que o prejuizo causado pela outrora conhecida "lei Kandir" (corn a repercussao negative, tu- canamente rebatizada como "lei do ICMS") 6 proporcionalmen- te maior no Pard do que em Saio Paulo. La, a redugio do impos- to por conta da desoneragao das exportagoes e da aquisigio de mAquinas 6 entire oito e nove ve- zes maior, em valores absolutos, do que a sangria causada ao Pari. Mas a economic do nosso Estado 6 20 vezes inferior A de Sao Paulo. Logo, o dano relati- vo por aqui 6 mais profundo. Obviamente, nao foi s6 por causa da barretada que o gover- no federal deu corn o chapeu alheio, mutilando a principal fon- te de receita dos Estados, que Mario Covas botou a boca no mundo. OutrasvariAveis entraram emjogo, o que nao garante 0 Jornal Pessoal Editor: LOcio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 053-020 Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Try. Benjamin Constant, 845/203 166 063-020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert com.br Editora;io de arte: Luizpe I 241-1859/222-5238 |
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