Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00120

Full Text






Journal Pessoal
LU C 1 F LAV IO P I NTO
ANO X- N9 71 -2I EA DE DE 997 R 2,00


I,
fSove^Sn,
PM~jf(0ffl3)


COBRE


0 metal vai para a Bahia

Enquanto o governadorAlmir Gabriel diz que o anuincio doprojeto complete

de cobre no Pard 6 apenas questdo de tempo, os donos do minerio mudam

seus plans. Eles querem apenas extrair o minrio. A industrializacdo vai ser

feita na Bahia. Piorpara o Pard. Piorpara o Brasil.


e defender apenas da Salol
Metais, a instalagio de ur
nova metalurgica de cobre,
Para ou no Maranhao, sera ca
celada. Ao inves de investor
equivalent a 1,5 bilhao de d
lares para produzir 250 mil toneladas
cobre cat6dico em Marabd ou Parauap
bas, no Pari, ou em Rosario, no Mar
nhao, as inicas hip6teses de localizag
at6 entao admitidas, a empresa aplicar
no maximo, US$ 400 milhbes para co
centrar o minerio em Carajas e export
lo para a Bahia, onde ele sera benefici
do. S6 na Bahia, nesse caso, havera a r


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cuperacao do ouro, da prata e do molib-
denio associados ao cobre.
O goverador Almir Gabriel tem de-
clarado que o investimento complete da
Salobo em Maraba esta assegurado e que
o anincio do projeto 6 apenas questao
de tempo. Mas os novos donos da Com-
panhia Vale do Rio Doce, a frente o em-
presario Benjamin Steinbruch, que assu-
miram o control da empresa cor o lei-
lao de privatizagao realizado pelo BN-
DES, tem outros pianos.
Associada aos principals funds de
pensao e a outros parceiros, a CVRD 6
uma das proprietarias da unica produtora


de cobre primario do Brasil, a Caraiba
Metais, estabelecida na Bahia. Atraves da
holding que monopoliza todo o setor de
nio-ferrosos, a Paranapanema, a Vale con-
trola tambem a maior beneficiadora de
cobre, a Eluma, no Rio Grande do Sul. E
cada vez mais forte a informacgo de que
a Caraiba sera desmembrada da Parana-
panema, atualmente em dificil situaqdo
financeira, para ser fundida a Salobo
Metais, formada, em parties iguais, pela
CVRD, a sul-africana Anglo American
(maior produtora mundial de ouro) e o
BNDES (Banco Nacional do Desenvol-
vimento Econ6mico Social).







2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1997


Consolidada essa mudanga societA-
ria, pode deixar de interessar A Caraiba
fazer uma grande imobilizagao financei-
ra para instalar uma nova metalurgia no
Pari ou no Maranhao. Recentemente a
empresa precisou gastar apenas 20 mi-
lh6es de d6lares para aumentar em mais
de 10% sua capacidade produtiva, que
chegou a 200 mil toneladas de catodo.
A empresa podera nem ampliar nova-
mente sua produgo, ao menos de ime-
diato, mas simplesmente deixar de im-
portar concentrado para tender suas ne-
cessidades industrials.
Atualmente a Caraiba vai buscar no
exterior, principalmente no Chile (tam-
bem o seu maior concorrente), quase to-
das as 600 mil toneladas de concentra-
do que utiliza, gastando divisas e ao
mesmo tempo expondo-se a uma inc6-
moda dependencia. 0 abastecimento
podera ser feito em Carajas. O projeto
da Salobo prev8 justamente a mesma
produgdo de concentrado de cobre ne-
cessario as necessidades da Caraiba. Se
nao quiser expandir de imediato a pro-
duco, tratando apenas de mudar a fon-
te de suprimento, a Caraiba teri sim-
plesmente que adaptar sua usina baiana
para receber o min6rio concentrado no
Para.
Mas nesse caso o Estado sofrerA uma
forte redugao nas suas expectativas de
investimento. Optando por apenas au-
mentar o grau de concentragco do mi-
n6rio (de 1%, em media, para mais de
30% de cobre contido), a Salobo Me-
tais ou a Caraiba diretamente in-
vestirio abaixo de US$ 400 milh6es (ao
inv6s dos US$ 1,5 bilhao inicialmente
previstos), ou bem menos, de acordo
com a revised do orcamento, que esta
em curso.
Para o Para, vender concentrado e nio
catodo significari diminuicao em mais
de dois tergos da receita possivel, que
ficaria em US$ 500/600 milh6es e, nes-
sa escala, se igualaria ao min6rio de fer-
ro, lider de exportacgo. Sem a metalir-
gica, o Estado remetera para a Bahia o
ouro (no minimo, 8 toneladas anuais),
a prata e o molibdenio, que s6 sio re-
cuperados na industrializacgo. E todo o
efeito multiplicador do investimento, re-
forcando sua posiqao colonial. O Para
estara frustrando mais um ciclo de in-
dustrializacgo.
Essa nova configuraqio 6 o produto
direto da privatizagao da Vale do Rio
Doce. Controlando os seis dep6sitos de
cobre de Carajas, a CVRD assegurava
para o govero o dominio sobre uma
regiao em condi65es de assumir o se-
gundo lugar na produrao mundial de


cobre, abaixo apenas do Chile, no es-
pago de 20 anos. E uma transformagio
radical, de repercussio international,
justamente quando esti sendo revelado
o vasto conjunto de jazimentos mine-
rais, muito al6m da situaiao que preva-
leceu quando foi definido o Projeto Sa-
lobo.
Hoje sabe-se que a concentrag9o mais
rica e volumosa 6 a do igarap6 Bahia,
de onde se desprendeu o badalado Cor-
po Alemao. Essas jazidas, com a priva-
tizaqao, ficaram nas mios do aut8ntico
cartel de nao-ferrosos instalado no pais
justamente por essa political de transfe-
rencia irrefletida de empresas estatais.
Apenas duas jazidas potenciais, as de
Sossego e Liberdade, estdo protegidas
pelo dispositivo que garante metade dos
direitos de explora9qo ao BNDES (mas
quem garante poder decis6rio ao ban-
co?). Virias empresas intemacionais do
setor, atraidas pelo impact das novas
descobertas em Carajis, esperam entrar
na area atrav6s desse caminho. t o ini-
co aberto, embora lateral.
Para o Para, particularmente, e para
o Brasil, como um todo, trata-se de um
moment no cobre semelhante ao que
se viveu no final da d6cada de 70 com a
alumina. Na 6poca a americana Alcoa,
a gigante do cartel de aluminio, prati-
cou um dumping e ofereceu a Albras
alumina mais barato do que a Alunorte,
ainda em inicio de implantacgo, pode-
ria produzir. Em momentinea dificul-
dade de caixa, condicionada ao seu uni-
verso econ6mico, a CVRD aceitou a
proposta, imediatamente endossada pe-
los japoneses, interessados apenas no
produto final, o lingote de aluminio ao
menor prego possivel, e nio no insumo
industrial, a alumina.
O resultado 6 que, durante 10 anos, o
Brasil importou alumina para a Albras,
a maior fibrica de aluminio do continen-
te, enquanto a Alcoa se integrava e co-
mandava a carteliza9io do setor no Bra-
sil. O erro custou US$ 2 bilh6es em di-
visas e um atraso que feriu de morte a
verticalizago da indistria national. O
Brasil, que poderia surgir como lider do
mercado aproveitando-se da crise mun-
dial da energia, esta satelitizado.
O epis6dio, ji em curso tamb6m em
relacio ao caulim, pode se repetir no
caso do cobre. O Para, que amargara sua
maior derrota, persistiri vitima do ex-
trativismo mineral. O Brasil emergira
como o segundo produtor de cobre ten-
do sua economic no setor controlada por
multinacionais. Tudo isso porque o Es-
tado renunciou ao poder de agir como
representante da sociedade. 0


Memoria

geologica

do Para

ameagada
A maior documentagao ja reunida
sobre uma provincia mineral esta ame-
agada cor a desestruturagdo da Do-
cegeo, a principal empresa de pesqui-
sa geol6gica do pais. Desde a privati-
zagdo da Companhia Vale do Rio
Doce crescem os rumors sobre uma
investida que vai liquidar o precioso
patrim6nio daDocegeo, subsidiaria da
ex-estatal. As melhores cabegas da
empresa estao sendo cortadas, a co-
megar pelo seu president, Breno Au-
gusto dos Santos, o ge6logo responsa-
vel pela revelagao da provincia mine-
ral de Carajas.
O escrit6rio deBelem esta sendo fe-
chado, os funcionarios transferidos ou
sendo induzidos a demitir-se. A incer-
teza paira sobre a documentaco ar-
quivada em Bel6m, que inclui, al6m
do material conventional de bibliote-
cas, amostras, relat6rios e negatives de
filmes que registram a hist6ria da des-
coberta da principal provincia mine-
ral do planet.
O minimo que pode acontecer a esse
acervo 6 sua transferencia para a fini-
ca instalagao fora das bases operacio-
nais da Docegeo que devera ser man-
tida, em Minas Gerais. Mesmo que
nesse deslocamento nao ocorram as
perdas que sempre hi nessas ocasioes,
o ato sera um duro golpe para a me-
m6ria do Parh e uma violentagao a sua
mais explicit vocaao natural (e mais
ilus6ria fonte de atividade produtiva),
a mineragao.
O letkrgico governor estadual bem
que poderia se antecipar para evitar essa
perda. Pode oferecer-se para bem abri-
gar o acervo e imediatamente colocar
em prAtica o sempre adiado mas
cada vez mais urgente projeto da
Escola de Minas. O acervo da Doce-
geo seria o melhor ponto de partida.
Talvez, conseguindo-se um milagre
pela bem aplicada vontade humana,
seja possivel fazer o fenix da pesquisa
geol6gica renascer no exato moment
em que a privatizacao o golpeia vio-
lentamente e a queda de nivel do nu-
cleo de geologia e geoci8ncias da UFPA
arremata essa decad6ncia gravosa. *







JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 3


Ex-porta-voz eleitoral diz:



ha corrupgao no governor


O deputado Vic Pires Franco, que apa-
receu no program eleitoral na televisao
como o principal porta-voz da coligagao
que elegeu Almir Gabriel em 1994, fez
uma grave deniuncia na entrevista con-
cedida a A Provincia do Pard. "Ha pes-
soas ligadissimas ao governador, fazen-
do corretagem de obra para empresa de
fora", disse o parlamentar, complemen-
tando hiperbolicamente: "existem focos,
muito, muito, muito, muito perto do go-
verador que fazem esse tipo de banda-
Iheira".
Alegando nao ser irresponsavel, mes-
mo depois de ter levantado a grave sus-
peita sem especificar o tipo de correta-
gem realizada ou nominar seu responsa-
vel (mas garantindo que a corretagem de
obras de fato existe e e "uma bandalhei-
ra"), Vic diz que nao vai ficar "levantan-
do isso ou aquilo". Para ele, "esse tipo
de coisa vai aparecer", mas "no momen-
to certo".
Pode-se entender que, para politico,
momento certo" e a campanha eleito-
ral, quando vale tudo, mas raramente a
etica. Para a imprensa seria, no entanto,
o moment certo 6 o dia imediato ao da
divulgagCo da suspeita ou seja, ja. A
Provincia ja esta incorrendo em atraso.
Independentemente da iniciativa do
govemador, que deveria interessar-se por
essa acusagao, ao inv6s de simplesmen-
te credita-la as mesquinharias da politi-
ca, a imprensa deve esclarecer para a
opiniao puiblica qual o conteudo de ver-
dade do que disse o deputado do PFL,
indo al6m de onde ele parou, por insufi-
ci6ncia de informac6es ou conveniencia.
O que num politico pode parecer saga-
cidade e maquiavelismo, na imprensa e
traiqco ao pfiblico.
E claro que os jornalistas nao podem,
a maneira de alguns politicos e de certa
imprensa, colocar em letra de forma ape-
nas boatos ou dados incompletos, mes-
mo que haja intensificago de zumbidos
a respeito. E precise checar adequada-
mente as informarces, mesmo porque o
alvo 6 a maior autoridade plblica do Es-
tado. Mas o pr6prio governador Almir
Gabriel esta expondo alguns flancos a um
tipo de denilncia em relacgo a qual ja
esteve resguardado.
O governador, por exemplo, nomeou
uma filha para cargo de confianqa no
Estado. Este 6 um ato sobre o qual todo
home pilblico deveria refletir profun-
damente antes de consuma-lo. Se um


parent de uma autoridade j integrava a
administracao public, nada impede que
prossiga a carreira e seja promovido. Se
e incorporado ao governor, deve ocupar
funcgo tdcnica para a qual tem atributos
inquestionaveis, ou se 6 convocado para
cargo de estrita confianga pessoal.
Nessas hip6teses nao se enquadra
Haifa Gabriel. Ela chega ao govemo do
pai como assessora especial e recebe
como primeira tarefa fazer o circuit
percorrido pelo govemador em evidence
atuacao politico-eleitoral, nada relacio-
nado a sua competencia de soci6loga
nedfita em administraqao public. Agin-
do como agiu, Almir Gabriel nao contri-
bui para a vida professional da filha e se
aproxima cada vez mais do politico-pa-
drao em relagao ao qual se apresentara
perante a sociedade como altemativa e
esta se tomando apenas sucedaneo.
Mesmo porque a assessoria do gabi-
nete do goverador continue a ser a ba-
cia das almas para a acomodaio de um
vasto espectro de interesses, incluidos os
fisiol6gicos. Estes contaminam a neces-
sidade real que tem o goverador de en-


Na entrevista concedida a RBA,
o ex-prefeito Helio Gueiros fez uma
revelagao para a hist6ria. Disse ter
sido o responsavel pela indicaqgo,
ao entdo governador Jader Barbalho,
do nome de Almir Gabriel para a
prefeitura de Belem, cargo que era
de nomeagao exclusive do governa-
dor. Na epoca eram minimas as re-
lacbes entire Gueiros e Almir, que
servira na segunda administracgo
Alacid Nunes como secretario de
Safde, permanecendo ali mais al-
guns meses, ate ser nomeado pre-
feito da capital.
H6lio, como sempre, nao contou
a hist6ria por inteiro: Alacid, quan-
do governador e o principal cabo
electoral em 1982 da vit6ria de Ja-
der como seu successor (alianga que
resultou do rompimento com Jarbas
Passarinho), fora o principal anima-
dor da entrega da candidatura de se-
nador a Gueiros, que retornava A po-
litica depois do period de cassagdo


contrary caminhos alternatives a obtusa
burocracia official para aproveitar talen-
tos entiree os quais pode estar o de sua
filha) e os bons profissionais, tudo nive-
lado por baixo (como era quando Almir
era apenas critic e continue a ser com
Almir govemador).
Segundo os iltimos dados oficiais, ha
350 pessoas lotadas no gabinete do go-
vernador, sendo 284 assessores, dos
quais 217 sdo assessores especiais. Para
os padres da economic local, trata-se
de uma m6dia empresa. Em qualquer
economic, uma poderosa firma de con-
sultoria. Mas o resultado de toda essa
estrutura, que custa 750 mil reais por mes
aos cofres puiblicos, 6 pifio. Certamente
nao e pior do que o obtido em passado
recent, mas esta abaixo da menor das
expectativas que Almir Gabriel criou ao
se eleger goverador do Para.
NAo espanta, assim, que comecem a
surgir denmncias de nepotism, trafico
de influ8ncia e corrupqio na corte pa-
raense, mesmo que elas aparegam em
bocas nao-autorizadas a acusar nessas
materias.


pelos militares. Jader s6 venceu Ozi-
el Carneiro, candidate da maquina
federal, porque juntou ao seu caris-
ma a forga da maquina estadual co-
mandada por Alacid. E Helio s6 se
tornou senador porque Jader e Ala-
cid literalmente o empurraram (es-
capou de uma das excurs6es de
campanha a Zona Bragantina indo
assistir a uma sessdo de cinema).
Na entrevista a televisao, Gueiros
ironizou o fato de Almir ter servido
a um governor military. Nao ironizou
o apoio que recebeu em 1982 de um
dos principals lideres do movimen-
to military no ParA. Os politicos
acham que a hist6ria, como a agua
dos moinhos, s6 passa uma vez pela
mem6ria coletiva e depois vai em-
bora para nunca mais voltar. No caso
paraense, a agua do poder circula
em circuit fechado e, por isso, vi-
ciado: sao sempre os mesmos, com
novas hist6rias, mas com o mesmo
roteiro.


Roteiro furado






4 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE SETEMBRO / 1997


Cartas

Caro Lucio Flavio, nos
congratulamos corn o teu
pr6mio "Colombe d'Oro
per la Pace". Ha muito que
reclamavamos o reconhe-
cimento do teu talent, f6
e tantos outros atributos
que possuis. E como se esse .
pr6mio fosse nosso, de tao
assiduos da tua palavra s
vezes excessive, as vezes des-
gostosa, as vezes alegre no JP. Pode-
se ver que nao estamos sozinhos no
mundo. Nossas ideias e aspira9oes
encontram ecos que se materializam
no porta-voz competent e reconhe-
cido internacionalmente do norte do
Brasil. O desejo de persist6ncia lon-
geva que tens, nao do autu, ... ...,
mas sim da critical construtiva nos 'ns-
pira numa mutagao em que a cnatura
se espelha no exemplo criador.
Teu exemplo solene e indelevel nos
influencia a pensarmos e agirmos
num objetivo maior que e a nossa ter-
ra Para de um Brasil imenso e de um
mundo grandemente abrangente.

Marco Antonio Baeta de Moura/
Norma Miranda Barbosa


Na edigao n 170 do .Jornal Pes-
soal, ja nas bancas de re : i. .,.u
al Secretario de Cultura do Estado do
Para, Paulo Chaves Fernandes, jul-
gando-se o todo-poderoso e demons-
trando complete desequilibrio emo-
cional, evidenciou total despreparo
para exercer fungdo public tao rele-
vante, ao reagir de forma agressiva,
chegando ao extreme de atacar osten-
sivamente o teu trabalho, na tentati-
va de diminuir a importancia do jor-
nal, que ao publicar minha carta, ape-
nas serviu de meio para tornar publi-
cos fatos que interessam a socieda-
de, por serem referentes a dilapida-
9ao do Patrim6nio Publico, tendo
cumprido assim, a funcao a que se
prop6e: a de informar, cor imparci-
alidade, fatos de interesse public,
representando assim, um jornalismo
serio, investigative e comprometido
apenas com o bem-estar social.
A verdade 6 que o arquiteto sem-
pre foi dubio em suas attitudes, tendo
chegado ao poder trabalhando sem-


r


pre nos bastidores, atin-
gindo at6 a honra de um
Senador da Rep6blica de
conduta ilibada e dignida-
de inconteste que o fize-
ram ser respeitado em
todo o pais. Sob as luzes
dos refletores no "Bom
Dia, Para", jogou lama em
seu antecessor no cargo
que ocupa, o falecido e
intelectualmente, mundi-
almente reconhecido,
Guilherme de La Penha.


Utilizou seu direito de resposta re-
ferindo-se a minha pessoa como: "fi-
n6rio negociador de produtos hospi-
talares, cor o qual tive a infelicida-
de de conviver durante certo tempo".
Disse mais ainda: "Averiguar quem
ele 6, nao careceria de exaustivas pes-
,iisas e sindicancia" (palavras tex-
tilais).
Existe um ditado muito certo que
diz que "quem tem telhado de vidro
nao atira pedras" e eu, certamente, te-
nho a minha consciencia limpa, ten-
do sempre, na condigao de medico,
procurado ajudar os mais necessita-
dos, nao cobrando consultas e at6
pagando medicamentos e exames
complementares do meu pr6prio bol-
so, e como empresario, sempre man-
tive uma postura s6ria, que at6 me
custou longos anos de perseguigao.
Posso provar os fatos que revelei,
pis, certamente, se ndo tivesse os
incios de prova-los, nao os teria dito.
Para o infortunio dele, acabei per-
cebendo, durante o certo period em
que ele disse ter tido a infelicidade
de conviver comigo, seu carter du-
vidoso. Por meu interm6dio, conhe-
ceu o alemro, para o qual negociaria
mais tarde os pain6is de azulejos, as-
sinados pelo artist francs Arnoux
Boulanger (testemunhas, enderego
complete na Alemanha, fotos dos
pain6is e outros meios comprobat6-
rios do alegado, reservo-me o direito
de apresentar, oportunamente, nas
aqbes ja em curso na Justiga que o
ofendido diz ter movido contra mim).
Ainda naquela 6poca de "convi-
vio", o referido arquiteto, entao
prestador de servings a Engeplan,
em um belo dia chegou cor um
caminhao da empresa em meu es-
crit6rio, sito a Rua Conselheiro Fur-
tado n 412, e, sorrateiramente, abu-
sando da confianga que Ihe deposi-


tara, subtraiu uma antiga mobilia de
alto valor, que se encontrava em
consignagao, pertencente a um cli-
ente, no Depto. de Antiguidades da
empresa. Acabei tendo que reem-
bolsar o client e, orientado por
advogado da minha confianga, nao
registrei o ocorrido na Policia, exa-
tamente para nao chegar a nivel tao
baixo (tamb6m serao apresentadas
as testemunhas e a documentagao
pertinentes ao fato, no moment
certo).
Quanto ao Col6gio Abraao Levy, o
arquiteto, se nao teve participagdo di-
reta, foi, no minimo, omisso e coni-
vente.
Por ultimo, em relagao ao Palace-
te Governamental, que ele denomina
de "O Parque da Residencia", por
"coincidencia", a empreiteira das
duas reforms foi a mesma do espi-
gao do INSS.
Na expectativa da publicagao des-
ta, estarei aguardando as provas e os
arguments do arquiteto, pela esti-
pida declaragao: "Averiguar quem ele
e, nao careceria de exaustivas pesqui-
sas e sindicancia", que atinge minha
honra e dignidade, valores que sem-
pre prezei e deixarei de heranga as
minhas filhas, pelo qua, ele tambem
respondera em juizo.
Se fui movido pelo 6dio pessoal
ou pelo direito, enquanto cidadao,
de denunciar atos contrarios ao in-
teresse pfblico, nao importa. O
mais important mesmo sera o fim
que se tera atingido: informar a so-
ciedade (maior interessada) as ati-
tudes inescrupulosas de um home
que ocupa um cargo public e que
se diz defensor do interesse cole-
tivo.
De ti, Lfcio Flivio, jornalista se-
rio de competencia incontestavel,
despego-me pedindo-te desculpas
pela baixaria promovida pelo arqui-
teto, contra tua premiada vida profis-
sional.

Antonio Vieira Soares Neto

N. da R Junto corn a carta, Soa-
res enviou alguns documents. Entre
eles oficios de janeiro de 1995 que
encaminhou ao secretdrio de Cultu-
ra, Paulo Chaves Fernandes, denun-
ciando os atentados ao patrim6nio
arquitet6nico da cidade que relata em
sua correspondencia.







JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 5


Serao benfeitores os Yamada?


O vice-presidente commercial da Y.
Yamada Comercio e Industria, Hiroshi
Yamada, escreveu uma carta para este
journal em resposta ao artigo publicado
na edigio n 169. Defende a empresa da
critical de dar pouca ou nenhuma contri-
buigao a sociedade na qual se instalou,
pensando apenas no seu neg6cio.


A integra da carta
de Hiroshi:
"A edigao correspondent a segunda
quinzena de agosto passado, desse jor-
nal, trouxe, a pagina 5, sob o titulo 'Pa-
drao Yamada: 6 isso o que o povo para-
ense quer?', materia somente agora de
nosso conhecimento, na qual sao tecidas
critics a esta empresa, que vao desde o
estado de conservag~o do Palacete Pinho,
na Cidade Velha, ate o aspect arquite-
t6nico de nossa sede, a Rua Manoel Ba-
rata, n 400, esquina da Travessa Cam-
pos Sales, passando ainda, pela "pouca
ou nenhuma contribuiao social ou cul-
tural", de parte do grupo Y. Yamada,
"cor a terra de adoQgo".
Sempre entendemos valida toda e
qualquer manifestagdo, desde, por6m,
que respaldada em dados condizentes
cor a verdade, a fim de que, absorvida,
possa redundar em aperfeicoamento.
Enfatiza a materia, dentre outras coi-
sas, que, "ao mesmo tempo que imp5e
respeito essa efici8ncia dos Yamada, es-
panta a baixa taxa de retoro que eles
proporcionam a sociedade que os aco-
lheu e se fez terreno fertil para seus ne-
g6cios".
Em exatos quarenta e sete (47) anos
de atividades no comercio do Para, te-
mos oferecido relevant contribuicao a
comunidade, seja pela oportunidade de
empregos diretos atualmente regis-
trando a consideravel marca de 2.730 co-
laboradores em nossas empresas -
como pelos impostos recolhidos aos co-
fres piblicos em todos os niveis, tornan-
do-nos um dos maiores contribuintes
nesse aspect.
Acreditamos que o desconhecimento
desses dados, tenha levado esse journal a
tao injusta conclusao, que destoa da rea-
lidade, a menos que tais elements nao
exergam qualquer papel na avaliacio pro-
cedida, o que seria de lamentar.
Por oportuno, manifestamos nossa
discordancia e repidio mesmo -
aqueles que, segundo a materia veicula-
da, entendem que "O paraense gosta de
bagunca, de sujeira, de improvisacao",
dai porque nos teriamos submetido "ao


padrao de expectativa do paraense m6-
dio", para justificar o criticado aspect
da loja matriz como um todo, rotulada
de "a mais feia das grandes lojas que ha
no Brasil".
Respeitadas as suas preferencias arqui-
tet6nicas, delas divergimos, entretanto,
haja vista que, precisamente pelo aprego
demonstrado para cor os clients de to-
das as camadas sociais baixa, m6dia
e alta temos buscado proporcionar-
lhes, em pr6dio modemo e de constru-
qao recent, que substituiu um antigo
sobrado, o conforto de refrigeragao cen-
tral, escadas rolantes, informatiza9go dos
diversos stores, iluminagao privilegia-
da, limpeza, alem de outros tantos itens
a coroar o bom atendimento as cerca de
400.000 (quatrocentas mil) pessoas que
nos visitam em media a cada m8s ca-
pazes de superar qualquer possivel mau
gosto em terms de est6tica, se existen-
te.
Comungassemos daquela infeliz opi-
niao ja repudiada, por externar pro-
funda discriminacao ao povo paraense
- nao teriamos oferecido a Bel6m, o
pr6dio recem-inaugurado da Tagide Ve-
iculos S. A., a Tray. D. Pedro I, esquina
da Av. Pedro Alvares Cabral, considera-
do um dos mais modernos, afora a loja
que mantemos no Shopping Center Cas-
tanheira desde sua inauguragao, para nos
limitarmos a esses dois exemplos o
que comprova o absolute respeito devo-
tado a comunidade.
Acusa-nos tamb6m esse journal, de ha-
vermos adquirido o Palacete Pinho, na
Cidade Velha, para transforma-lo em um
dep6sito, sugerindo que devessemos ter
aplicado uma fragao minima do lucro
auferido nos neg6cios, reconstituindo
naquele local um cenario do period au-
reo da borracha, com visao aberta para a
baia "e instalando no palacete um mu-
seu do Japao na Amaz6nia", ao argumen-
to de que "o Japao ter aqui uma de suas
mais importantes col6nias em territbrio
brasileiro e obtem no Para alguns dos
insumos basicos fundamentals para sua
industria (impondo-nos relagbes de tro-
ca desiguais)", finalizando cor a inda-
gagdo: "Sera que o caminho 6 s6 do leva
e nada traz?"
Gostariamos, inicialmente, de escla-
recer, que o referido im6vel, desde
10.12.92, cor a lavratura da competen-
te escritura pfiblica no Cart6rio Diniz,
posteriormente levada ao Registro de
Im6veis do 1 Oficio da capital, passou
ao patrim6nio do Municipio de Belem,
em virtude de desapropriaqao consubs-
tanciada no Decreto 24.653/92-PMB, de


27.08.92 (DOM de 02.10.92), e nele a
Prefeitura pretendia instalar a sede da
FundagAo Cultural de Belem (FUM-
BEL), destinacao essa alterada em favor
do Institute de Previdencia do Munici-
pio de Belem (IPMB).
Por outro lado, desde que o adquiri-
mos por compra, o pr6dio ja se achava
bastante deteriorado consoante podem
atestar os que o conhecem daquela 6po-
ca o que implicou na necessidade de
proceder a servigos de emerg6ncia, para,
mais tarde, como realmente ocorreu, nele
efetuarmos obras mais profundas, no re-
forgo da estrutura, ferro, telhado, esqua-
drias, etc.
Quanto a destinacio apontada por esse
journal e a n6s atribuida transforma-
9ao em dep6sito mostra-se inteira-
mente descabida, porquanto, alem de ja-
mais isso nos ter ocorrido, tecnicamen-
te, sua adaptagao como tal, tornar-se-ia
anti-econ6mica, sendo preferivel a cons-
trugio ou aquisigao de predio com ca-
racteristicas adequadas, o que ficaria bem
mais barato.
No que tange a sugestao de nele insta-
lar um "museu do Japao na Amaz6nia",
ainda que permanecesse em nosso po-
der, convenhamos que essa tarefa melhor
se adequaria a algum 6rgao official, ain-
da que em parceria corn entidades locals
e daquele pais.
Pelo exposto, e em nome, nao s6 do
direito de resposta, mastamb6m da 6ti-
ca jornalistica, esperamos ofereca esse
jomal a necessaria acolhida a esta mani-
festagdo, a fim de que os seus leitores
tenham a oportunidade de melhor avali-
ar o papel desempenhado por Y. Yama-
da no context de nossa comunidade".

Minha resposta
Hiroshi Yamada, que semprefoi par-
ticularmente atencioso comigo, da mes-
ma maneira que seu irmdo, Fernando,
deve ter d1 seus motives parafazer toda
essa peroracdo final sobre o direito de
resposta, que um 6rgdo poderoso, como
O Liberal, simplesmente ignora, mas que
aqui e sagradamente respeitado. Portan-
to, a advertOncia, alem de ociosa, e ini-
til. Devia serfeita 16 para o veiculo dos
funds do Bosque.
Suas explicagoes ndo mudam um
milimetro do quepenso e escrevi a res-
peito da contribuido social e cultu-
ral do grupo Y Yamada ao Pard. To-
dos os investimentos por ele arrolados
tiveram objetivo commercial, do retor-
no rdpido, do lucro, o que e direito







6 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE SETEMBRO / 1997


legitimo de umafamilia operosa como
a dos Yamada, mas ndo e a razdo ini-
ca da empresa enquanto instituizdo
social, principalmente daquela que
tem o porte da Y Yamada.
A bela loja da Tigide na D. Pedro,
dirigindo-se a compradores de carro
(dasfaixas A e B de renda), contrast
cor as improvisagoes e adaptaodes da
sede, onde as camadas C, D e E sdo
mais numerosas. Por qualquer crit&-
rio, dificilmente agradar6 o rzistico
caixote de concrete que foi incorpo-
rando anarquicamente as construgoes
daquela quadra. Mesmo as melhorias
introduzidas, como o ar condicionado
central e a escada rolante (com origi-
nal acesso a partir do piso, criado pelo
desnivel entire estruturas desiguais),
sao impostas pela frequencia (de 15
mil pessoas por dia) e ndo por uma
iniciativa benem6rita ou de alcance
social de Y Yamada.
Todas as suas contribuigoes (como
os empregos e os impostos) sao com-
puls6rias e ndo voluntdrias. Visam o
beneficio corporativo (legitimo e lou-
vdvel, mas especifico) e nao o bem
social, mesmo que o alcangando late-
ralmente (e residualmente, se compa-
rado aos rendimentos das empresas do
grupo).
Para a Yamada, um "antigo sobra-
do ", como o da Manoel Barata (e, por
extensdo, o da Cidade Velha) nao pas-
sa de detalhe externo, que deve ser sa-
crificado pela modernizagao (moder-
nosa, no caso). 0 que interessa d o que
estd dentro, a relagdo entire consumi-
dores e mercadorias que dd frutos no
caixa (informatizado pioneiramente, e
just destacar). Por isso, se os Yama-
da chegaram a pensar em dar um fim
mais nobre ao Palacete Pinho, napri-
tica o usaram como dep6sito mesmo
durante todo o tempo em que delefo-
ram proprietdrios, ate que uma inici-
ativa do procurador regional da Re-
ptiblica, Jose Augusto Torres Potiguar,
os obrigou a mudar de iddia.
Apaixonado pela maravilhosa man-
sao da familiar Pombo, sempre a inclui
numa ronda peri6dica que fago pela
Cidade Velha. Durante anos de aban-
dono, o que restava da integridade es-
trutural do predio em crescente ruina
era protegida por um vigia que se
mantinha oculto do outro lado da rua,
num terreno entao baldio. Em algumas


das minhas paradas ele aparecia no
casardo corn um revolver. Com as ex-
plica9oes dadas e os retornos, acabou
se tornando menos agressivo. Numa
das vezes em que por la passed jd ndo
havia mais o velho vigia. A Y Yamada
era a nova dona. A empresa nao exe-
cutou qualquer obra no palacete en-
quanto guardava em seu interior col-
choes, m6veis e outros objetos Que ou-
tro nome dar-se a essa serventia do
que a de dep6sito, talvez esperando
pelo moment aprazado para dar vez
a um "predio modern e de constru-
Vao recent "?
Foi entdo que Potiguar movimentou
a justiga federal e conseguiu impor
ura media drdstica e inica na his-
t6ria da proteVao aos bens pzblicos
tombados por seu valor arquitet6nico
e hist6rico (e dilapidados pela conjun-
Vao da esperteza de alguns a omissao
da maioria): 5% dofaturamento bru-
to do grupo seriam depositados em
juizo para assegurar a restauragdo do
predio, obrigagco atk entao descura-
da pelos proprietdrios do im6vel. Na-
turalmente, um fiscal teria acesso ias
contas da Y Yamada para deduzir o
percentual estabelecido em juizo.
Rapidamente a empresa providen-
ciou um projeto de recuperaVio e
aprovou-o no Iphan, o Instituto do Pa-
trim6nio Hist6rico e Artistico Nacio-
nal. Mais providencialmente ainda
surgiu, ao final da administraado Au-
gusto Rezende, a desapropriagdo do
im6vel, desobrigando a empresa de
executor o projeto e poupando-a do
pesado desconto (e do olho inc6modo


do fiscal). Restou a briga pelo dinhei-
ro que ficou depositado entire a sen-
tenga do juizfederal e a desapropria-
Vao municipal. A prefeitura dizendo
que os recursos deveriam ser-lhe en-
tregues para consumer o que a Y Ya-
mada nao fizera, enquanto a empresa
querendo de volta o que diz ser legiti-
mamente seu.
A hist6ria, portanto, ter uma mo-
ral inteiramente oposta a que artifici-
almente Hiroshi Ihe quer dar Ao in-
vis de desfazer, reitera o que foi pu-
blicado nestejornal. Mesmo que diga
o contrdrio, a Y Yamada partilha a
injusta opinido dos que julgam prima-
rio o nivel de exig&ncia de uma part
da sociedade paraense. E por isso que
foi improvisando na sua sede ate che-
gar a essa grande efeia loja, orgulho
de venda, atestado da obtusidade so-
cial de uma empresa, obrigando seus
clients a aceitar esse padrdo como se
fosse um nivel de excelOncia.
Os Yamada, como deixa claro Hiroshi,
so tem compromisso com seu negocio.
Podem fazer uma boa loja se isso for
necessario para vender (como e o caso
da Tdgide) e se estiverem num shopping,
que e uma estrutura pronta a receber os
ocupantes comerciais. Mas quando lhes
cobram um padrao igual para tender
consumidores acostumados (e obrigados
a acostumar-se) a menos exig&ncias ou
que invistam pelo bem coletivo, retru-
cam que isso e indevido ou constitui ta-
refa do governor (do pais que adotaram
ou do pais que deixaram). Qualquer ou-
tra linguagem que ndo a dos cifroes e,
para a empresa, javanes. 0


Vox populi
Alguns leitores reclamaram do espa;o ocupado pelas cartas na ediqdo
anterior deste journal Defendem uma restriIgo a manifestaqdo de tercet-
ros. De fato. este e um jorial estrntamnnte pessoal. Mlas nao concordo
corn a mutilaqo da iniciati.a dos leitores Em primeiro lugar. porque e
um retorno necessario e deselja el do que escreco. E. depois. porquc esta-
belece controversial enriquecedoras. um pouco de %ento na calmana da
imprensa local. Ao contrario, desejo quce im numero crescent de leitores
saia da nercia letargica desra terra
E claro que as pessoas compram (ou duixani de comprar) o JP porque
sou seu redator inico. Por isso. pego aos leitores que sejam o nais objetivo
que for possivel. sem prejuizo de suas explicaobes, argumentaq6es e ufifr-
ma;oes. Para nao expropriar tanto espaoo. as cartas sdo publicadas cm cor-
po um pouco inenor do que o normal. assun como as minhas resposias
Qualquer que seja o balanceamcnto entire o espaco das cartas e o das minhas
materials. ao leitor que nao escrerte rest o beneficio de uunca perder cspaqo
para publicidade Tudo aqui ejornalismo e s6jornalismo.







JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 7


Caso Eldorado: inocencia tera


um prego muito alto


O juiz Otavio Marcelino Maciel devera
excluir o governador Almir Gabriel da denun-
cia que fari, em novembro, dos responsaveis
pelo massacre de Eldorado dos Carajds, ocor-
rido em abril do ano passado. Os testemunhos
colhidos pelo juiz nao estabeleceram um elo
de ligaqAo entire o governador, que tamb6m 6
o comandante-em-chefe da Policia Militar, e
o coronel Mario Pantoja, o responsivel dire-
to e imediato pela operacio da PM, que re-
sultou na morte de 19 integrantes do Movi-
mento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra,
o MST. coronel devera ser denunciado, mas
o governador serA absolvido pela sentenqa de
primeiro grau.
Antes, por6m, que o juiz delibere sobre a
acgo, a defesa dos militares tentara anular o
process a partir do moment em que Maci-
el, lotado na vara especializada de entorpe-
centes da capital, foi deslocado de Belm para
Curion6polis, assumindo o caso no lugar do
ate entao titular, que foi deslocado para Bre-
ves, sem substitui-lo legalmente. Segundo os
advogados, por nfo ser o juiz jurisdicionado
ao distrito da culpa, ele nao atende A exig6n-
cia constitutional sobre o "juiz natural". Logo,
teria dado causa a uma nulidade absolute do
process desde que passou a presidir o feito.
Se o incident prosperar, a instrugdo tera
que ser reiniciada. Mas essa hip6tese 6 consi-
derada menos plausivel que a rejeiCio da pre-
liminar. Uma sentenga rApida no juizo singu-
lar, mesmo sem p6r fim ao process (ja que
ele ainda admite recursos para instAncias su-
periores), tera duplo efeito: tanto respondera
as cobrangas da sociedade civil, inclusive no
exterior, que tem criticado a morosidade do
andamento judicial como causa potential da
impunidade dos responsAveis pelo incident
sangrento, como deslocara o tema da agenda
dapr6xima campanha eleitoral.
Isso nao quer dizer que haja uma delibera-
da intengqo debeneficiar o governador Almir
Gabriel, o mais prejudicado dos personagens
envolvidos caso o process chegasse A fase
da dispute eleitoral sem qualquer decisao,
deixando-o no limbo dos agents sujeitos A
denincia. Tecnicamente, diante das provas
reunidas nos autos, o governador nao pode
ser responsabilizado pelos atos de violencia
da PM porque nao ficou estabelecida um li-
gacao, a tal "cadeia de comando", entire ele o
comandante geral da tropa, o coronel Panto-
ja.
Objetivamente, 6 possivel que essa relagdo
nao tenha mesmo havido. Ningu6m, em sa
consciencia, imaginary que uma pessoa corn
abiografia de Almir Gabriel daria ordempara
matar ou agredir terceiros. No seu depoimen-
to, pordm, o governador deixou bem eviden-
ciado o dedo de sua assessoria juridica na
montagem do testemunho.
Ele nao conseguiu lembrar se recebeu o
oficio encaminhado pelo executor do Incra em
Maraba, Jos6 Libio de Matos, dois dias antes
do choque, alertando para o clima de tensao
e o risco decorrente de uma acao contra os
manifestantes que ocuparam o leito da PA-
275. Um portador do document foi o coro-


nel Ruffeil, o principal assessor de informa-
46es do gabinete do governador, embora Al-
mir nAo soubesse informar ao juiz se "esteve
infiltrado entire os sem-terra algum official des-
tes que prestam informes ao governor Ga-
rantiu que na v6spera e no dia do incident
"nao deu nenhuma determinaao ao coman-
dante da PM ou ao comandante do batalhio
da PM em MarabA".
O governador conseguiu recordar-se de
"ter recomendado ao dr. Sette Camara (se-
cretario de Seguranqa Ptblica) que nos pro-
cedimentos estivessempresentes Igreja e Mi-
nistdrio Pflblico" (a imprensa, citada no noti-
cidrio que, ap6s os fatos, reproduziu as ori-
entag6es do governador, nao foi lembrada).
Apesar da repercussao mundial do conflito, o
governador "nAo procurou saber quem deu a
ordem para que os fatos acontecessem diver-
samente de sua autorizaio para que fosse
feita a operaqio respeitando a lei".
Almir Gabriel se manteve e, pelo jeito,
ainda se mant6m tao desinformado que s6
soube da interpretagAo dada A sua ordem de
prisao do coronel Pantoja (por proposta do
comandante da PM, "com anuencia do secre-
tirio de SegurangaPuiblica") no moment de
ser interrogado pelo juiz OtAvio Maciel. Ou,
como registrou a escriva: "Que a prisAo do
cel. Pantoja nAo ocorreu em razao de ter dito
que quando chegasse em Belem iria abrir a
boca, pois a testemunha nem sabia disso, estd
tomando conhecimento disso agora".


Em tal context, ja nao surpreende que ele
nao viesse a se interessar por saber "quem
havia autorizado o tiroteio, apenas foi infor-
mado de que os procedimentos nao teriam
sido corretos". Ou que "viu a fita do conflito
e nio viu a entrevista do secretArio de Segu-
ranca", quando Sette Camara disse que a or-
dem era para desobstruir a estrada "de qual-
quer maneira". Nem mesmo soube dizer "se
quando deu entrevista condenando a attitude
do cel. Pantoja foi antes ou depois de ter vis-
to a fita do conflito exibido na TV".
A deduzir-se das declaraq6es que prestou,
o governador nao se interessa pelo acompa-
nhamento da PM. Tanto desconhecia os cons-
tantes deslocamentos de tropa para as Areas
de conflito e tensao social no interior do Es-
tado, registradas no Didrio Oficial, como ig-
norava "que a Policia Militar de Maraba e Pa-
rauapebas era carente de armamentos para
operagqes da natureza que o caso exigia por-
que isso 6 atribuiaio de cada chefe, de cada
comandante".
Por tudo isso, nada mais just do que se
reconhega a inimputabilidade do governador
Almir Gabriel. Injusto 6 deduzir desse Alibi
que ele renunciou a exercer o cargo para o
qual foi eleito, de governador do Para. Se
sabe muito pouco sobre o grave setor de se-
guranca pfiblica, ao menos resta o. console
de imaginar que Almir Gabriel certamente
nao se esqueceu de que ainda 6 o governa-
dor do Estado. g


Fim de carreira
O mais melanc6lico neste crepfisculo de carreira do coronel Alacid Nunes nem 6
propriamente que tenha como algoz Vic Pires Franco (um "sinal dos tempos", como
costumam dizer os te6logos), mas que, no confront de arguments, Vic tenha mais
razao. Alacid quis transformar o PFL numa extensao da monocratica Associagao dos
Municipios, uma base de operaq6es consolidada com dinheiro pilblico para usufruto
exclusive do ex-governador.
Eficiente executor de ordens superiores, funqAo frequentemente confundida cor a
de feitor, Alacid beneficiou-se da luz de terceiros, como do padrinho Cordeiro de
Farias, o mais politico dos generals do Exdrcito a partir da Terceira Repfiblica. Alqa-
do A condiqgo de estrela sob o impulse dos mdritos pr6prios acumulados na prefeitura
de Beldm e do trabalho de Jarbas Passarinho no primeiro governor p6s-64, Alacid
cultivou duas virtudes: a fidelidade de caserna ao grupo e a assessoria de gente como
Osvaldo Melo, Aldo Almeida, Irawaldyr Rocha e o general Rubens Vaz.
A partir do moment em que essa base erodiu e sejulgou estrela de primeira gran-
deza, Alacid Nunes s6 acumulou erros e derrotas. O que deveria encontrar nas ruas e
nas urnas, o m6todo preferencial dos politicos profissionais (sem qualquer entonacao
pejorativa), foi buscar nos bastidores, o popular "tapetao". Usando as informag6es
acumuladas e a penetraqao que os nove anos como governador lhe proporcionaram,
foi o "abre-alas" no interior do Estado para ne6fitos de salto alto, como Almir Gabri-
el. Mas o aprendiz superou o feiticeiro, esperto nas aulas quando com uma cola
acessivel.
A funqgo de lobista parece t6-lo agradado e ele achou ser o suficiente para o 8xito
future. Continuou a gritar suas ordens, mas deixou de olhar ao redor e abaixo, subes-
timando a capacidade alheia, insensivel ao avanqo da hist6ria e as novidades do tem-
po. Sofreu dupla rasteira de um principiante como Vic, sem que uma oculta atris
dos panos raposa velha, como Hdlio Gueiros, tenha precisado mostrar as armas
antes de poder usa-las abertamente.
Tantas bordoadas depois, Alacid nio se vexa em prosseguir na sua atuacqo de
cavalo de Tr6ia intra-muros pefelistas, enquanto busca desculpas esfarrapadas para
adiar o que todos sabem que ocorrera: sua mudanga de partido que, se nao vier no
tempo oportuno, terA que ser provocada a pontap6. Sem timing, como dizem os
atletas do dia, Alacid Nunes tenta garantir seu future ja nao mais como estrela. Virou
sat6lite de filtima grandeza, que pode at6 voltar a brilhar em 1998, mas como reflexo
da luz alheia aquela que emerge da mAquina official.







8 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE SETEMBRO / 1997


Delenda

Faustino
E um privildgio para o Para
que MArio Faustino sempre te-
nha destacado a importancia do
Estado adotivo na sua forma-
9ao intellectual, minimizando o
papel de sua terra natal, o Piaui.
Faustino foi um dos melhores
c6rebrosja surgidos neste pais,
infelizmente desaparecido tao
cedo, aos 32 anos, num aciden-
te de avido que ele pr6prio an-
teviu.
Um pool de instituiq6es, li-
deradas pela Universidade de
Campinas, esta produzindo o
que devera ser um dos maiores
feitos editorials deste s6culo no
Brasil: as obras completes de
MArio Faustino, em sete ou oito
volumes, acondicionados em
uma caixa, com um primoroso
trabalho grafico e iconogrAfico.
O Para, terra do afeto e do re-
conhecimento do poeta-ensais-
ta-jornalista, seria incorporado
A empreitada com uma partici-
pagao de 30 mil reais no orCa-
mento. Mas o Piaui 6 quem vai
entrar na co-edigao. Parece que
a cota paraense foi considera-
da alta.
MArio Faustino deve ter re-
virado no tinmulo. E n6s, em
nossa indignagao.


Quem paga?
0 ex-governador Alacid Nu-
nes nao tem motive para se
queixar de seu correligionArio
Vic Pires Franco, embora ele
tenha ocupado seu lugar na CA-
mara Federal e tenha sido um
dos responsaveis por sua des-
tituigao da presidencia do PFL
do ParA. Quem garante 6 o pr6-
prio Vic, em entrevista dada no
fltimo domingo ao journal A
Provincia do Para.
"Mantive no meu gabinete
todas as pessoas que ele (Ala-
cid) pediu que continuassem,
uns tres ou quatro assessores,
que estao 1I (no gabinete par-
lamentar) at6 hoje", diz Vic,
que acrescenta: "Ele me pediu
para contratar a nora dele, o
que fiz". E pergunta: "qual foi
o meu pecado, nesse relaciona-
mento com o coronel Alacid?".
Para concluir: "Nenhum".
Exceto o de usar recursos do
erario para cumprir compro-
misso politico, indicando para
cargo de assessoria tdcnica al-
gu6m que 6 apenas retribuigAo
de clientelismo. Mas essa prA-
tica esta tao difusa e consoli-
dada que os politicos nao se
apercebem do delito confesso.


Talvez porque a imprensa nao
se encarregue de alertar seus
eleitores para o fato. E assim
caminha-se para a complacdn-
cia tipica da geldia geral brasi-
leira.

A velha

hist6ria
0 Banco do Estado do Ama-
pd comegou a funcionar em se-
tembro de 1992. Comemorou
cinco anos de vida com um es-
cAndalo que deveri transforma-
lo no que ele e congeneres deve-
riam ser desde a origem: ag-nci-
as de fomento. Padeceu do mes-
mo mal que assolou durante anos
seu primo paraense: muito di-
nheiro concedido irregularmen-
te a clientss especiais".

Mais uma
Na d6cada de 70 a Universi-
dade Federal do Pari patrocinou
a edicao de A Invengdo daAma-
z6nia, livro de Armando Mendes
que demarcou um terreno f6rtil
e original de reflexao sobre a
Amaz8nia dos nossos dias e do
future. A segunda edicgo revis-
ta, acrescida de um Brevissimo
ensaio sobre UMA LONGA
PREGAQAO, esta saindo pela
Editora da Universidade do
Amazonas.
Perdemos mais essa?

Burocracia

poliglota

O "senhor Monsieur Minet",
como diz o edital, foi convoca-
do pelo Tribunal de Contas dos
Municipios a prestar contas de
dois convenios assinados no ano
passado entire a Associagao de
Cultura Franco Brasileira, da
qual 6 director, e a Fundagao Cul-
tural do Municipio de Belem, a
Fumbel da era Gueiros. Quando
for ao TCM, o sr. Minet deve
aproveitar para traduzir o titulo
do tratamento do edital, evitan-
do a superposigAo de linguas.
Moliere e Machado de Assis, pe-
nhorados, agradecerao.

Padrao Liberal

No dia 23 completou um
mes que a coluna Rep6rter 70,
de O Liberal, publicou no alto
da prestigiosa terceira pagina
do journal a seguinte nota: "0
ex-prefeito e agora president
regional do PFL, aderiu, sem
comparecer, por6m, ao jantar
do aniversArio do governador
Almir Gabriel, mas ja conver-
sou cor o senador JAder Bar-
balho. Deve ter sido no domin-


go e na casa de Hl1io. Nao hou-
ve testemunhas. Inclusive, J6-
der foi sozinho e guiando ele
mesmo o seu carro".
Jader (seu nome se escreve
sem acento, como foi registra-
do em cart6rio) e Helio ainda
nao se encontraram. 0 Liberal
ficou sabendo disso depois da
nota, mas recusou-se a retifi-
car na coluna a falsa informa-
qao, que provocou uma boata-
ria sem fim (e sem fundamen-
to) no Estado. O journal, fonte
de consult para 98,7% dos lei-
tores de journal, se consider
infalivel. Por isso nao se corri-
ge, mesmo quando se trata de
detalhe secundario de um fato
maior verdadeiro (por exem-
plo: a ausdncia de Ronaldo Pas-
sarinho no encontro, que hou-
ve mesmo, de Almir Gabriel
com Jarbas Passarinho).
E o distinto pfiblico? Ele que
exploda, como dizia aquele po-
litico cinico que Chico Anisio
interpretava em seu program
de humor, retransmitido pela
TV Liberal. Os Maiorana nun-
ca o viram?

Miudos
O vice-governador Hdlio
Gueiros Jr. ficou de 11 ao dia
14 em SantarTm. Levou consi-
go quatro funcionArios de seu
gabinete, inclusive a mulher,
M6nica, todos recebendo did-
rias. Reservou quatro mil reais
da verba do gabinete "para
tender despesas mifidas de
pronto pagamento".
Nao 6 excess de coisa miui-
da?

Escatologia na

Provincia
A Provincia do Pard ocupou
cinco das seis colunas da filti-
ma pagina do caderno de espor-
te e policia com a foto de um
beb8 trucidado pela mae a gol-
pes de pernamanca. "A menina
teve cabeca, braCos e pernas
quebrados, ficando irreconhe-
civel", descreve a matdria. O
cadAver desfigurado da crian-
Ca foi transformado em "pre-


sunto" e publicado, em cores,
pelo journal.
Nao hA mais ningudm com
bom senso e consciencia 6tica
no antigo journal da familiar pa-
raense capaz de impedir o co-
metimento de uma vilania des-
sas? Aconselho a qualquer ci-
daddo de carter que precisar
vomitar guardar esse exemplar
do dia 16 de A Provincia. Fun-
ciona mais rapida e eficiente-
mente do que colocar o dedo
na garganta. Quanto ao resul-
tado, 6 s6 enviar com os cum-
primentos A diregao do journal.


Desinformado
Os assessores do governador
Almir Gabriel precisam, urgen-
temente, forga-lo a ler journal.
Todas as vezes que algum rep6r-
ter pede a opiniAo do governa-
dor sobre fato ja publicado pela
imprensa, Almir responded que
ainda nao leu a noticia. Isso
mesmo quando o assunto e tema
national, como ocorreu na se-
mana passada cor a anunciada
desistencia de MArio Covas de
concorrer a reeleiqao ao gover-
no de Sao Paulo. "Ainda nao li
nada, embora tenha ouvido fa-
lar", despistou o governador pa-
raense.
E possivel ter ele "ouvido fa-
lar" que o prejuizo causado pela
outrora conhecida "lei Kandir"
(corn a repercussao negative, tu-
canamente rebatizada como "lei
do ICMS") 6 proporcionalmen-
te maior no Pard do que em Saio
Paulo. La, a redugio do impos-
to por conta da desoneragao das
exportagoes e da aquisigio de
mAquinas 6 entire oito e nove ve-
zes maior, em valores absolutos,
do que a sangria causada ao
Pari. Mas a economic do nosso
Estado 6 20 vezes inferior A de
Sao Paulo. Logo, o dano relati-
vo por aqui 6 mais profundo.
Obviamente, nao foi s6 por
causa da barretada que o gover-
no federal deu corn o chapeu
alheio, mutilando a principal fon-
te de receita dos Estados, que
Mario Covas botou a boca no
mundo. OutrasvariAveis entraram
emjogo, o que nao garante 0


Jornal Pessoal
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