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Journal Pessoal L C IO F L A V P IN TO Particip do leito (P IMPRENSA 0 balango de 10 anos O ornal Pessoal atinge uma idade rara na imprensa alternative: complete 10 anos de vida. Sua trajetoria mostra que, numa 6poca de plena liberdade political, a imprensa silencia muito e omitefatos essenciais a agenda dos cidaddos. E a auto-censura, um mal que s6 Jornal Pessoal comeqou na P1 quinzena de setembro de 1987, quando havia plena li berdade de imprensa, uma situaqgo historic nao muito comum no Brasil. O que an tes s6 a imprensa alternative noticiava, teoricamente ficou ao alcance da grande corporagAo de noticias. Desde entAo, as publicacqes chamadas de nanica foram de- saparecendo. Essa seria a tendencia natural de uma nova era, de pleno acesso A informa- io. Mas sera isto verdade? A hist6ria do JP parece indicar que nao. Este journal s6 se tornou necessario porque ~3"e 0 Liberal, onde eu entao trabalhava, se re- cusou a publicar as informac6es reunidas em tres meses de investigagao sobre o assassi- nato do ex-deputado estadual Paulo Fonte- les de Lima. Todos haviam dado prioridade a elucidacgo do crime, inclusive o entao go- vernador Hdlio Gueiros. Mas percebi que tanto o trabalho da policia quanto o acom- panhamento da imprensa ja estavam omitin- do informar6es vitais para revelar toda a ca- deia envolvida na morte de encomenda de Fonteles. 0 "caso" comecava a ter o perfil dos crimes insolAveis. Era precise mobilizar de novo a opiniao pfblica para que, em res- posta A pressao social, a engrenagem official -E ..- 4 nao se limitasse a apresentatd t fal- so ou a encontrar um bode expiat6rio. Um desfecho como esse seria desastroso. O assassinate de Fonteles marcava a escala- da dos grupos de exterminio. Depois de te- rem eliminado Paulo, eles se langariam so- bre Joio Batista, um ano e meio depois, e deixariam de se intimidar cor a aCao polici- al, desencadeando a selvageria que se seguiu. Uma acao eficiente teria funcao exemplar, talvez fizesse refluir o avango da criminali- dade, inclusive de inspiraqao political. No entanto, a matdria que eu apresentara A direc~o de O Liberal, ja entao dirigido pe- los herdeiros de Romulo Maiorana, nao - 3=--i 2 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 foi aprovada. Nao pela qualidade do O exto, mas pelas repercus- s6es antevistas pelos donos dojornal. Eu citava os dois ho- mens considerados na 6poca os mais ricos do Para. Am- bos haviam mentido em seus testemunhos, como eu provava. Nao que tivessem partici- pado do crime, o que nao fizeram (ao contrA- rio do que ter declarado a familiar de Paulo), mas porque se negaram a fornecer informa- cies relevantes para a identificacao dos cri- minosos-- e que conheciam. Mas a reportagem era tao densa (foi sele- cionada por Igor Fuser para uma antologia sobre grandes reportagens publicadas em to- dos os tempos no mundo, livro langado neste ano pela editor Scritta, de Sao Paulo) que a direCao de 0 Liberal aceitou imprimir de graqa ojornal que eu decidira criar para veicular a mat6ria. Cor uma condico: de nao citar o nome da grifica (uma ironia: seis anos depois os donos de O Liberal iriam exigir a identifi- caqao deuma das graficas onde estejornal foi impresso para assimpressiond-la, intimiId-la e obriga-la a deixar de rodar o JP). O Jornal Pessoal circulou pela primeira vez, 10 anos atris, com uma reportagem complete sobre a morte de Paulo Fonteles, divulgando tudo o que havia obtido sobre o crime, incluindo os dados sobre Joaquim Fonseca e Jair Bernardino de Souza. Foi um impact, mas ningurm me desmentiu. nem processor. 0 texto foi lido e relido cor aten- 9co por algumas pessoas que pensavam em me acionar, mas elas acabaram desistindo. Tudo o que publiquei era pura verdade. Nesta d6cada dificil e desgastante, na qual o Jornal Pessoal foi a imica fonte de infor- maqao sobre determinados acontecimentos que a grande imprensa evitou tratar, apenas uma pessoa me processou: foi a diretora das Organizages Romulo Maiorana, Rosangela Maiorana Kzan. E me processor porque eu nao me submeti a proposta de entendimento pr6vio feita pelo esposo (e advogado) dela, Calilo Kzan Neto. Nao me submeti porque, mais uma vez, o que eu divulgara era tao somente a verdade. Ha cinco anos sofro as danosas consequencias da ousadia de ter contrariado uma Maiorana, atravds de cinco processes que usaram e continuam a usar - o despreparo de alguns magistrados para o massacre de um inocente. Por que me outorgo o direito de julgar a mim mesmo inocente? Porque fui impedido de demonstrar a verdade. No primeiro dos processes instaurados, exatamente em setem- bro de 1992 (como que para comemorar os cinco anos do JP), apresentei apenas uma testemunha de defesa. Se quisesse protelar a instrugao do process para alcanqar a pres- crigio da aao (recurso demasiadamente usa- do nas varas penais), poderia ter indicado cinco testemunhas e procurado algumas no exterior, onde hA profissionais de respeito dispostos a testemunhar a meu favor. Mas indiquei um s6 nome, o de um subordinado direto da minha algoz, seu gerente de circu- lacdo, cor o qual eu nio tinha qualquer tipo de contato havia anos. Apresentei-o apenas porque ele era um dos dois personagens di- retos da hist6ria. O outro era o irmao da minha persegui- dora, Romulo Maiorana Jinior, o principal executive da empresa (hierarquicamente su- perior a ela). Mas Rosangela, surpreenden- temente, dispensou o testemunho de Romi- nho quando a instrucao ja estava em anda- mento. Eu tentei transformA-lo em minha testemunha, mas o juiz do process, ainda mais inusitadamente, nao deixou. Na dpoca, Rominho estava disposto a dizer a verdade. Por isso trataram de exclui-lo do process. E claro: a dissengmo internal do grupo Li- beral, que eu revelara, era verdadeira. Somente quando, em funado do process, as arestas entire os dois foram ligeira e temporariamente aparadas 6 que ela voltou a citar o irmio, mas a esta altura Rominho (que. a principio, dis- seram ter sido a fonte das informag6es que eu divulgara, o que nao 6 verdade) se submetera aojogo de cena que montaram para esconder um fato de interesse piblico (porque explica tantos ziguezagues editorials da empresa for- madora e deformadora da opiniao pii- blica paraense). Obviamente, estejornal cometeu erros ao long desta d6cada de existincia. Nenhum deles foi essencial ou afetou seu compromis- so de buscar a verdade por todos os meios possiveis. O risco de sair na frente 6 justa- mente esse: abordando quest6es ainda incon- solidadas ou de acesso apenas a especialistas ou a personagens privilegiadamente situados, o jornalismo pode errar. Mas pode errar no varejo e nao no atacado. E a condicao para bem desempenhar sua funcao social e susten- tar sua credibilidade. Quem consultar a cole- cao do Jornal Pessoal tera, ao alcance de seu discernimento, a prova dos nove melhor do que qualquer induiao de terceiros. O trago bAsico desse period 1987/97 sen- do a crescente margem de liberdade que tern tido a imprensa para abordar todos os as- suntos, impression a auto-limitacAo a que se impos a maioria dos veiculos de comuni- cacao, tanto maior quanto mais estreita 6 a sua dependdncia e proximidade das ins- tAncias do poder. Eu perdi o acesso mes- mo se pago A grAfica de 0 Liberal quan- do, no segundo nimero do JP, denunciei o rombo de 30 milh6es de d6lares no Banco da AmazBnia (desfalque s6 completamente superado nove anos depois, com os ultimos provisionamentos feitos no ano passado). Isso porque o responsivel por aquelas rui- nosas operaq6es de cr6dito, comandadas pelo seu filho, era ningu6m menos do que o pre- sidente incrino do banco, Augusto Barreira Pareira. Ele tamb6m era o procuradorjuridi- co do grupo Liberal e amigo da casa. Fui pulando de grifica em grafica A me- dida que tocava em assunto delicado ou pe- rigoso. Contabilizei nove graficas no curri- culo. Quando abordei a penetrauAo do nar- cotrifico no Para, tendo como epicentro o assassinate de Bruno Meira Matos, vi-me numa situaqao absolutamente surrealist: a imprensa se recusava a saber dos fatos para nao ter que enfrentar uma eventual crise de conscidncia, ainda que rudimentar. Lembro-me de um epis6dio ocorrido tr8s anos depois da cobertura solitAria do "caso" Meira Matos. O delegado Jos6 Sales, da Po- licia Federal, deu entrevista coletiva sobre a apreensao record de uma tonelada de coca- ina entire o Pard e o Amazonas, escancarando de vez o problema da passage de droga pela Amaz6nia (e sua aplicaCgo em neg6cios lo- cais de fachada ou em cobertura official . Os rep6rteres presents fizeram pergun- tas a Sales. Fiquei calado. Quando a entre- vista terminou, permaneci sentado. Os cole- gas quiseram saber o que eu ia fazer. Res- pondi que iria trocar informac6es em "off' cor o delegado, checando o que eu sabia corn o que ele podia revelar em confianga. Os que se haviam levantado sentaram-se de novo. "Agora 6 que vai ficar interessante", comentou um deles. Sdrio, adverti: "Pode ficar quem se comprometer a divulgar o que vai ser dito aqui. Quem nao puder cumprir esse compromisso, nao pode ficar". Todos foram embora. Nao houve uma excegao. Havia determinaaio superior para nio di- vulgar essas informag6es digamos assim - mais explosives? Talvez houvesse. Mas nao se sabia em qual extensao. Um prece- dente era intimidador: no mAximo da inves- tida que fiz para forgar o aprofundamento das investigag~es sobre o assassinate de Bru- no Meira Mattos, osjornais interromperam seujejum absolute sobre o assunto para pu- blicar uma mesma matdria, que lhes fora le- vada pela familiar da viuva, sob a intermedi- acao de um consagrado jurista penal (quem sabe, a peso de ouro). A partir de umbilhete manuscrito deixado por Bruno antes do assassinate, todos osjor- nais diaiios abriram manchete para proclamar que ele se suicidara, retorando logo em se- guida ao sil8ncio total. Nem se importaram com as circunstancias de um suicidio imico na hist6ria da humanidade. A ser verdade a dedugio do bilhete, Bruno se matara enquanto estava dirigindo seu carro a 90 quil6metros por hora, na movimentada estrada de acesso a Bel6m (em torno das 18 horas), com um finico tiro, disparado de uma distancia mini- ma de tr6s metros, de cima para baixo, a par- tir da esquerda (embora fosse destroy . Quando abri os jornais e deparei cor aquela ma:6ria, contrastantemente destaca- da em relaqao A deliberada omissao mantida ate entao (preocupado em nao ser alvo fini- co, socializava inutilmente com colegas al- gumas informaq6es bombAsticas que nunca JOURNAL PESSOAL 1P QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 3 apareciam publicadas fora do JP), ve uma sensaqao de de- salento tao grande quanto, depois, ao ver outros colegas deixarem a sala onde o de- Slegado Sales e eu iriamos tentar juntar as peas que conheciamos do quebra-cabega do narcotrAfico. Serd que ne- nhum deles poderia ter-se dado o trabalho de escrever a mat6ria, ainda que depois o editor a censurasse ou o dono a vetasse? Somos auditors publicos informais da so- ciedade. E em nome dela que as portas se abrem para n6s (ou se fecham, nao h muita diferenca entire os dois movimentos). Logo, se fazemos viagens interessantes, se conver- samos corn gente important, se desfrutamos de experiencias fascinantes, isso tudo 6 por- que a sociedade nos delegou poder, o unico poder democrdtico e definitive (enquanto nossas faculdades estiverem funcionando), o da inteligencia. E nosso dever retribuir devol- vendo as informacqes recebidas ao circuit social, enriquecendo a agenda dos cidadlos cor o que realmente dela deve fazer part. Se algudmvai vetar, se algudmvai ser contra- riado, se o grupo A ou B sera beneficiado, nao interessa, desde que a informagio seja exa- ta ou o mais exata que a nossa capacidade de apurago e transmissao o permitir. O grande e preocupante trago caracteristi- co desta decada de Jornal Pessoal 6 a auto- censura. Ou porque os donos das publicaq6es a impuseram, ou porque os jornalistas, por pressao de terceiros ou interesse pr6prio, omitiram deliberadamente informa6es. Mes- mo quando a diretriz editorial da empresa 6 uma barreira a divulgaqao do material obtido, o dever do reporter 6 escrever sua materia na redag~o. Se a auto-censura 6 inevitavel, que a faga um preposto do dono, que det6m cargo de confianga (ganhando mais por isso e ar- cando corn os danos a conscidncia). Nestes 10 anos os grandesjornalistas (ou pelo menos os mais famosos) subiram muito de posigao. Um jornalista 6 vice-presidente de uma grande multinational de autom6veis, como a Autolatina. Outro 6 director da Fiat. JA ha nas redaq6es gabinetes cor boys e se- cretarias abrigando e servindojornalistas, fe- lizmente galgados tamb6m a postos adminis- trativos. Profissionais com acesso aos veiculos mais poderosos criaram empresas de marketing, assessoria e lobby, aproveitando as tenues faixas demarcat6rias entire o que 6 plausivel e o que seria condenavel. Nao sou contra esse alargamento de mercado e essa melho- ria professional no setor traditional. Mas me preocupo se nao hi uma relaqCo entire essas novas fung6es e a coincid6ncia de que a im- prensa nao antecipou a divulgagdo de alguns dos fatos mais relevantes que ocorreram no pais nesse period, principalmente no mun- do dos neg6cios e da economic. Ningudm antecipou o terrivel Piano Co- llor, a mais indiscriminada agressao a pou- pancas particulares ja praticada na hist6ria do capitalism. Ningu6m desfez (sequer percebeu) a maquilagem de 12 anos segui- dos nas contas do Banco Nacional, abrindo um rombo de nove bilh6es de d6lares. Es- ses casos seriam fatalidade mesmo, impos- siveis de prever, ou as novas atividades (e ganhos) estao tirando osjornalistas das prin- cipais trincheiras e fazendo-os transferir para o circuit informal dos bem-informa- dos (que pagam bern para continuarem nessa condigdo) a municao que deveria circular entire o grande pfiblico? Tern sido fAcil e freqiiente tirotear politi- cos, mas nem tanto os bosses. Costuma-se reduzir abadalada investiga5o jornalistica A transcrigqo de fitas que chegam A redacAo por vias obliquas (charmosamente rebatizadas corn nomes pomposos, como Mister X) ou a copidescagem de documents de terceiros, de boa ou m-fe. Muitos jornalistas sairam das ruas, indo captar suas informaqBes em vicia- dos bastidores. Quantidade cada dia maior das necessarias analises provem de laborat6rios bi6nicos, de quem foi buscar no papel uma dimensao propriamentejomalistica que deve- ria estar na realidade, em care e osso e nao sob traduqco lingiuistica. Pratica-se por isso, como regra, um jor- nalismo de corte. O que explica um home inteligente como nosso president da Repfi- blica fazer escrnio cor dentaduras, como se estivesse praticando uma boutade intelec- tual, sem que um s6 dos rep6rteres convivas da entrevista tenha se atrevido a perguntar: sim, president, mas qual 6 a fonte da infor- maiao? Dai o rei estar cada vez mais desnudo e cada vez mais adornado por vestes ilus6rias, aquelas que satisfazem os que raciocinam pela cabeca alheia ou que desistiram de raciocinar, incorporando as suas mentes opi- nides refratarias aos fatos. Uma vez perguntaram a Millor Fernandes se era dificil ser honest. Responded que nao. Nao ha concorrencia, completou. Foi assim que me senti em varios moments da hist6ria deste journal, enquanto publicacAo. Ja nem podia atestar se meujornalismo era bom ou ruim, satisfat6rio ou incomplete. Simplesmen- te estava s6, semparametros. Se quisesse me livrar dos tormentos de manter o que criei, bastaria seguir o molde, deixar a marginalida- de, me juntar ao procedimento sancionado. Ou, entao, reconhecer que o jornalismo para valer, capaz de enfrentar todas as suas conse- qiiencias, chegou mesmo ao fim e pular o balcao de rua para um gabinete refrigerado. Muitos amigos tnm me estimulado a tro- car ojornalismo por algo alem politicala e car- reira academica estao entire as opgces), desde os mais pr6ximos, como Haroldo Maranhao (que o fez de pfiblico, nas paginas de A Pro- vincia do Pard), at6 os mais longinquos, como Sandra Sandrelli, na ItAlia. O Jornal Pessoal sempre viveu na corda bamba. Nao aceita pu- blicidade, nao aceita virar empresa convenci- onal, nao aceita submeter a noticia a uma and- lise tatica (ou tacita). Nos iltimos tempos tem sido mais precario do que nunca, dando ao seu fiel leitor menos do que ele merece. Minhas parcas reserves acabaram, meu rendimento foi parar no nivel mais baixo, a infraestrutura (para deslocamentos e acessos) desapareceu e jA no posso comparecer a al- guns fronts da noticia. Assim, o carter pro- priamente noticioso do journal foi prejudica- do. NAo tenho mais tido tempo para cultivar fontes ou checar determinadas informaq6es, obrigando-me a tirar da pauta assuntos que deveriam ter integrado a ediqao do journal. Ainda nao desisti de vez porque, ao ler a grande imprensa, costume observer a ausen- cia desses assuntos. Mesmo quando minha material esta aqu6m da minha pr6pria expec- tativa e do merecimento do leitor, constato que ela costuma trazer uma abordagem sin- gular ou enriquecedora, que vale a pena fa- zer circular entire o pfiblico (talvez porque ainda haja uma reserve de realidade no que escrevo suficiente para embasar os textos). A cada nimero que fecho, contabilizo tudo o que nao consegui fazer, as promessas que nao se realizaram por falta das minimas condiq6es de trabalho, falhas impossiveis de corrigir no exiguo tempo que sobra para ten- tar assegurar a sobrevivencia minha e dos meus dependents. i provavel que ainda me anime (e tamb6m me desalente, nessa des- gastante dial6tica interior) verificar que o co- nhecimento da opiniao pAblica sofreria algum grau de lesao sem estejornal, que sua mani- pulacao seria mais fAcil se quinzenalmente eu nao pudesse colocar no mercado este pre- cArio JP. Mas nCo ignore que, algum dia, isto jA nao sera mais possivel. Leis objetivas, como a da vitalidade fisica e da sanidade financeira, acabarao se fazen- do impor. Eliminarao este journal se, antes, ele nio reconhecer sua pr6pria inviabilida- de, antecipando-se A fatalidade que suprimiu a imprensa alternative, conforme mostrou Bernardo Kucinsky em seu Jornalistas eRe- voluciondrios. Mas ate que isto ocorra, cada nimero sera a renovaqao de umjornalismo que pode ter passado de moda, pode ter sido superado, mas e o finico que sei fazer. Para mim, que nao sei viver sem esse tipo dejornalismo, nao hA mesmo outra alterna- tiva. Ou faz8-lo dessa maneira, ou inventar uma outra margem. Mas enquanto estejor- nal puder circular, viveremos o compromis- so da verdade, sem pedir passage. sem pretender reconhecimento. Inevitavel e pro- saicamente, mas tao vital como um dia de- pois do outro. Afinal, 3.600 dias se passa- ram e os assassinatos de Paulo Fonteles, Joao Batista e Bruno Meira Matos conti- nuam sem elucidacAo. E a prova da nossa fragilidade. E tamb6m o clamor pela nossa participacao. 0 4 JOURNAL PESSOAL I1 QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 A prop6sito da carta de Antonio Soares, aquipublicada na edidao anterior, o secretdrio de cultural do Estado, Paulo Chaves Fernandes, enviou a seguinte correspondencia, reproduzida na integra, corn minha resposta a seguir: "Na fltima ediqao do seu jor- nal 2a quinzena de agosto - fui alvo de uma caluniosa carta que o senhor se permitiu publicar sem, ao me- nos, verificar a credibilidade da fonte e a ve- racidade do que me foi imputado. Contraditoriamente, na sequ8ncia da mes- ma, e em resposta ao trecho em que o alca- giuete declara 'a magoa por nao ter mereci- do uma unica linha tua, naquilo que pensei pudesse enriquecer o nosso Jornal Pessoal (denincias comprovadas)', o senhor diz es- perar que o nosso 'Ant6nio nao continue a s. considerar magoado por eu nao ter podi- au aproveitar suas contribuic6es, a mais re- cente delas por absolute falta de tempo para checagemprofissional que sempre se impoe'. Como no meu caso nao foi esse o criterio adotado, sinto-me no direito de repudiar o malabarismo da sua etica ao "dar passage ao pr6prio Ant6nio, que aborda nesta carta questies relevantes' (sic) 'a serem retoma- das e esclarecidas'. Acrescente-se, ainda, ser dispensivel uma inteligEncia acima da m6dia ou um excepci- onal faro jornalistico para se perceber que o signatario da agressao nfo destilou a sua pegonha em nome da moral e dos bons cos- tumes, mas movido pelo 6dio pessoal que confunde o interesse pfiblico cor o rancor privado. De fato, o fin6rio negociador de produtos hospitalares, cor o qual tive a in- felicidade de conviver durante um certo pe- rodo, hA tempos fez por merecer o meu de- finitivo desprezo. Averiguar quem ele 6 nao careceria de exaustivas pesquisas e sindican- cias. Certamente o senhor dira, lavando as suas maos, que a carta estA assinada, que quem a subscreve ter nome e endreqo comprova- dos e que a liberdade de imprensa, a legisla- qAo vigente, o meu direito de resposta, a de- mocracia, etc, etc, etc, Ihe facultaram a de- cisao que tomou em acolh6-la, tornando-a piiblica. Simples, muito simples e 'ingenua- mente correta' a sua attitude em oferecer a minha honra, durante uma quinzena nas ban- cas, ao escnmio dos que, eventualmente, nao me conhecem ou fingem nao conhecer. A ir- responsabilidade do seu gesto sobretudo partindo de quem procura se legitimar como paladino dajustiqa, o fiel depositario de to- das as virtudes, aquele que se atribui o direi- to divino dejulgar, c, ,ticar e condenar tudo e todos o tornarm para dizer o minimo, c6m- plice da mais solerte injuria. Vale lembrar o imbroglio do PalAcio Lauro Sodr6, quando estava Coordenando a 2a Regi- onal do Instituto do Patrim6- nio Hist6rico e Artistico Naci- onal (IPHAN) e tive oportuni- dade de Ihe narrar pormenores do epis6dio, assim como Ihe en- tregar uma nota official que a imprensa se negou a publicar, mesmo como matdria paga em que repudiava a 'restauracgo' e a articulagdo entire o Gover- -no do Estado e o Planalto vi- sando suspender o embargo ju- dicial que havia solicitado. Es- sas informagies, divulgadas posteriormente no Jornal Pessoal, foram submetidas A 'che- cagem professional que sempre se imp6e'. 0 senhor nio apenas deixou de transcrever a nota integralmente, como acrescentou co- mentarios nem sempre coincidentes com o meu ponto de vista avaliag6es critics e ate mssmo outras informacoes coletadas na sua pesquisa. Naquela oportunidade -jus- tiga se faga estava sendo praticado ojor- nalismo investigative, problematizador e at6 mesmo opinativo, mas 6tico, que, desta fei- ta, inexistiu. Se, por outro lado, a partir de tantas pro- vocaq6es que hA muito me faz as quais, diga-se de passage, sempre fiz questgo de ignorar o seu objetivo tamb6m 6 o de po- lemizar comigo, enganou-se, esta e aprimeira e iltima manifestagco que Ihe dirijo. Relutei muito em prestar as informag~es que seguem, at6 mesmo porque nao me sin- to r6u, nem sou sujeito de qualquer ilicito penal. Aceitar ojogo da 'denfncia' assumi- da pelo seu journal 6 o mesmo que reconhe- cd-la e validar a falta de escripulos com que foi publicada e que, nesse caso, igualam o Jornal Pessoal a toda a imprensa marrom, que tanto o senhor quanto eu ambos pro- fessores do mesmo curso de Comunicagao Social da UFPa sempre condenamos. No entanto, enquanto servidor pfiblico em cargo de confianga e ordenador de despesa, considerando a credibilidade que o seujor- nal ainda mantdm em alguns segments, sin- to-me na obrigagco de refutar as acusac6es que procuram atingir nao apenas a minha pessoa, mas, por extensao, a seriedade de um Governo ao qual, cor muito orgulho, estou vinculado. Assim sendo, muito a contragosto, e tdo somente por estar Secretario de Estado, va- mos A verdade dos fatos: 1. A minha relacqo com o pr6dio anexo do INSS foi apenas a de autor do projeto, atrav6s de carta-convite realizada em 1990. Nunca fui funcionArio do 6rgAo, nem pro- prietArio do im6vel que foi demolido, muito menos da empresa que o fez ou da que cons- truiu a nova edificacdo. Nem vendi, para ne- nhum alemAio, painel de qualquer esp6cie. 2. 0 Feliz Lusitdnia e um projeto de mi- nha autoria, sem custos para os cofres do Estado e desenvolvido pela equipe que co- ordeno. Os recursos conseguidos para sua realizagao sao o somat6rio da parceria entire a Companhia Vale do Rio Doce, com R$ 2.000.000,00 (dois milh6es de reais), da TELEBRA, cor R$ 678.998,60 (seiscentos e setenta e oito mil, novecentos e noventa e oito reais e sessenta centavos), do Ministe- rio da Cultura, cor R$ 490.343,00 (qua- trocentos e noventa mil e trezentos e qua- renta e tres reais) e do Governo do Estado, com R$ 98.000,00 (noventa e oito mil re- ais).. 61,21% deste total, que correspondem A participacao da CVRD, sAo administrados diretamente pela sua Fundagdo, cabendo-lhe as licitaqces, mediaqbes, fiscalizaqgo e pa- gamentos. A Secretaria de Cultura ficou res- ponsavel pelo restante das verbas, ainda em process de aplicagao, de acordo cor os pro- cedimentos legais em casos dessa natureza, prestando conta a dois Tribunals de Contas, o da Uniao e o do Estado do Para. 3. 0 Parque da Residencia tamb6m tem a mesma autoria de projeto do anterior e nas mesmas condi96es. O valor da licitacgo fi- cou em R$ 1.967.109,20 (hum milhao, no- vecentos e sessenta e sete mil, cento e nove reais e vinte centavos), e a responsabilidade do procedimento licitat6rio, medig6es, fis- calizag5o e pagamentos estao a cargo da Se- cretaria de Obras. Quanto ao ColkgioAbraao Levy, n5o con- sigo sequer imaginar a mais prosaica razao pela qual foi citado. Nao tenho, e nem a Se- cretaria que ora dirijo, qualquer envolvimen- to ou culpa pelos destrogos em que foi transformado em outra administragao esta- dual, nao sou o autor do projeto nem fui consultado e, na verdade, sequer conheco o trago que o adaptou para servir de sede A Procuradoria Geral do Estado. Tanto estas informac6es, quanto qualquer outra que diga respeito aos programs, pro- jetos e gerenciamento dos recursos destina- dos a executA-los, estavam e estao, como 6 de nosso dever, disponiveis a quem quer que seja. Inclusive ao senhor, caso tivesse pro- curado esta Secretaria. De resto, testemunham a meu favor a mi- nha passage pelos diversos 6rgfos pfibli- cos a que servi e sirvo, o acompanhamento e aprovacgo de todas as contas pelos Tribu- nais e, a quem interessar possa, a declaragco dos meus bens e da minha familiar ao Impos- to de Renda. Quanto ao seu assiduo colaborador em 'denincias comprovadas', as ages jA em curso na Justiga, dele se encarregardo cor tudo aquilo a que tem direito talentso' des- se quilate. Da minha parte, senhor jornalista e a quem deixo entregue As reflexes da sua pr6- pria consciencia quanto ao tratamento com o qual fui contemplado a resposta mais concrete vird atrav6s das realiza6oes da Se- cretaria de Cultura, apesar de todas as difi- culdades e a despeito da torcida contraria dos derrotistas e invejosos. P.S. Se este texto tiver o direito, dentro de sua dticajornalistica, de ser publicado no JOURNAL PESSOAL 1A QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 5 pr6ximo nimuero do Jornal Pessoal, por gentileza, faga-o por inteiro. Caso contra- rio, esqueqa-o". Minha resposta A vida me ensinou que a melhor maneira de testar uma pessoa e contrariando-a. Quando isso ocorre, muito verniz de civili- dade, de inteligencia e de afabilidade desa- parece. Quem s6 quer aplausos e elogios, reage com sua vaidade. Quem s6 quer ade- sao e conivencia, exibe suafturia, deixando a razdo de lado. E o caso de Paulo Chaves Fernandes. 0 intellectual e o servidor publi- co foram atropelados pelo ego imenso do missivista, que reagiu com o furor (neste caso ndo-uterino, e claro) de uma prima- dona. Em primeiro lugar ele ndo e a pessoa mais autorizada a dar ligoes de 9ticam (ali- as, h6 muito tempo ndo dd ligoes que verda- deiramente Ihe compete no curso de Co- municagao Social). Mas vamos ignorar sua biografia, ao menos por enquanto, e dar atengdo aos seus arguments, naquilo que me dizem respeito Qualquerjornal serio, em qualquer lu- gar civilizado doplaneta, ao receber a car- ta de um leitor verifica a sua identidade, o seu enderego e, em certos casos, a sua sani- dade mental. Alguns s6 publicam a carta se o assunto por ela abordado foi divulgado nas p6ginas do destinatdrio. Apenas a ver- dadeira imprensa marrom, mesmo aquela cor cabegalho em azul e o dominio do mer- cado, veta apublicagdo de cartas, suprime alguns de seus trechos ou inventa cartas na redagao. Neste journal nao se public cartas ape- nas se elaspenetram na vidaprivada de ter- ceiros, cujo direito a intimidade respeitamos e defendemos. A carta deAnt6nio Soares se referia exclusivamente a atuagdo ptblica de Paulo Chaves, de interesse para o leitor. 0 secretirio-arquiteto pode se considerar in- juriado e, por isso replicar com indgnaago,. Esse e um legitimo direito dele. Mas nao pode reescrever a hist6ria, deturpando e ma- nipulando sofismaticamente fatos, talvez com a assessoria de terceiros especializa- dos, para atribuir a estejornal um procedi- mento incompativel com a hist6ria de 10 anos- e com uma carreira professional de 36 anos. Aqui, sempre, todos tiveram reconhecido seu direito de resposta. Estejornal e um dos poucos no pais que reproduz integralmente as cartas que Ihe sdo enviadas, mesmo se desatinadas ou prolixas Esse principio foi mantido quando Oliveira Bastos me man- dou duas enormes diatribes, apresentando- as com um post-scriptum semelhante ao ma- liciosamente aduzido por Paulo Chaves: que, se a carta nao saisse por inteiro, eu poderia ignord-la. Fazem isso como recur- so demag6gico, sabendo perfeitamente que nao e essa a minha maneira de agir Eupoderia ate ter eliminado o italico com que o secretario me brinda quando se refere a estejornal, pretendendo insinuar que ele ndo e verdadeiramente um journal (talvez um pasquim?). Mas respeitei integralmente a grafia da palavra. Estou acostumado ts mo- lecagens in6cua, ainda quando pretensa- mente cerebrinas.Nao me atingem. Nao tenho por que checar o que dizem os missivistas, desde que eles respeitem as re- gras Nticas aqui citadas. 0 que tenho que checar sdo as informaF6es e documents que me repassam para serem usadas em matiri- as da minha responsabilidade. Isto eu fiz sempre e continuarei afaz0-lo atW ofim da vida. Assimprocedi ao tratar do conflito entire Paulo Chaves, como coordenador do Iphan, e a administragao Jader Barbalho em torno da restaurafdo do Paldcio Lauro Sodr&, sete anos atrds. A nota official a que Paulo se referee nao era para mim, que ndo public aqui nada pago. Se ele quisesse ver impressas todas as suas informagaes e pontos de vista, basta- ria escrever-me uma carta, o que ndo fez (teria que atacar 0 Liberal, que se recusa- ra ate a aceitar a nota paga?). Sua nota, seus documents e seu depoimento serviram de elements de informacgo para o texto que redigi, incorporando, inclusive, dados que ele repassou em confianga, mas que ndo podia assumir Isto ejornalismo. Tambem jornalismo servir de respira- douro ao putblico. Quando Ant6nio Soares me mandou um dossiO (e ndo uma carta), sobre uma questdo que nada tem a ver com a drea de atuacdo da secretaria de Cultura, nao repassei os dadospara a opinido ptbli- ca porque precisava checd-los, o que ainda ndo conseguifazer. Mas nao era uma carta: tratava-se de documents, um official, outro ndo. Por issojustifiquei a Ant6nio Soares a ndo publicagdo, atW agora, do assunto ao qual ele se reportou. S6 public aquilo so- bre o qual tenho convencimento. Epor esse motive que, na mesma edicdo da carta sobre a atuagdo de Paulo Chaves, escrevi, em texto da minha responsabilida- de: "Oprojeto da Feliz Lusitdnia d o inico saldo positive, antecipadamente alcangado pela destruiido do mais antigo hospital e a continue descaracterizagdo do Forte do Cas- telo, um crime que a populagdo assisted im- passivel". Para mim, ate entdo, o projeto de Paulo Chaves (como outros que ele fez) era bom e sauddvel. Fui tdo surpreendido quanto ele pelas suspeitas langadaspor So- ares, que eu desconhecia e sobre as quais nao tenho qualquer comprovagao. Mas ndo podia impedir a publicagdo da carta sem me enquadrar como censor cimplice ou co- nivente cor opersonagem, alem de maujor- nalista. 0 secretdrio exime-se de qualquer ilicito a respeito. Registro aqui suapalavra. Agora, vou me interessarpor checd-la.. Jornalismo e oposiqao; o resto e arma- zem de secos e molhados, jd disse Mill6r Fernandes. Nossa mais nobre missdo e in- vestigar opoder como um todo e seu princi- pal mecanismo, a administragao pfiblica. Somos os auditors informais da sociedade, em nome da qual agimos. Mas este journal ndo partilha o denuncismo doidivanas pra- ticado por muitosprofissionais. Tenho o sen- so da responsabilidade do oficio que exer- co, por isso ndofujo as cobrangas e aos de- safios. Nunca lavei as maos dessa responsabili- dade. J fui caluniado, injuriado e difama- do, mas a unica coisa que pedi aos meus algozesfoi o direito de resposta, que o prin- cipal deles, 0 Liberal, nunca respeitou. Quando denuncio, critic ou relato, tomo essas atitudespensadamente, aplicando na apuragdo o que aprendi em tantos anos de profissdo. Mas todos aqueles que ndo con- cordaram comigo tiveram aqui assegurado o espago parase manifestar mesmo me agre- dindo torpemente. Nunca pretend desfrutar de um direito divino de critical, julgamento e condenacdo. Saio d chuva disposto a me molhar Como proteao, uso apenas os fatos, que nunca reneguei (a razao de raras vezes ter sido re- tificado depois de tanto tempo na linha de frente da informagdo) Quem tiver mais in- teligencia, mais arguments e mais compe- tencia expositiva me vencerd. Mas quem quiser embromar sofismar ou tentar impor- se pelaforga vai me encontrar decidido do outro lado, como sempre aconteceu e, espero, continuard a acontecer atW ofim dos meus dias. Nao tenho medo de esbirros ou de amea- Cas. Tamb6m ndo ataco apenas osporta-vo- zes: vou direto ao dono da voz, talvez por ter retido na mem6ria aquela imagem do ca- chorrinho ao gramofone da RCA Victor. Para que chutar cachorro, se a voz vem mesmo e do gramofone? Talvezpor isso seja improcedente a queixa de Paulo Chaves de que "hd muito venho provocando-o para um debate, quem sabe pretendendo usd-lo como escada para projetar meu an6nimo nome sobre sua majestdtica e consagrada figure. Revi muitos exemplares destejornal e ndo encontrei uma s6 citagdo do nome dele, nem mesmo "indiretas" (eu que, como Batista Campos, de circunl6quios nada sei, prefe- rindo dizer logo que o boi e boi e o ladrdo e ladrdo). A explica8do pode estar em que, independentemente dos derrotistas e inve- josos que acordam e dormem pensando em Paulo Chaves Fernandes, ele pouco reali- zou. Nao exatamente por incompetencia, mas ate mesmo porque seu amigo governa- dor ndo ter dado atengdo e prioridade a cultural, essa entidade maltratada que tdo poucos votos rende (mas, quando abando- nada por muito tempo, acaba gerando um projeto bonito e custoso, muito mais onero- so do que uma acdo iniciada a tempo, como ird acontecer cor a recuperagdo do pala- cete residential do governador nofuturo a adequada sede da secretaria de Paulo Cha- ves). A unica referOncia quefiz sobre o secre- tirio, recentissima, foi sobre a lamentdvel perda que sofremos da vinda da exposicdo 6 JOURNAL PESSOAL 1' QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 sobre a Viagem Filos6fica de Alexandre Rodrigues Ferreira, apresentada apenas em Ma- naus. Nosso secretario de cul- tura nao poderia ter sido omis- so nasgestoespara que Belkm 1a fosse brindada com esse mo- mento excepcional, ainda que o event ndo tivesse said de suaprivilegi- ada cabega, nem elepudesse receber os lou- ros da coroagdo, dos quais (louros e coroa) tantoparece carente. Espero que Paulo ndo se magoe e que este entrevero ndo ponhafim t possibilida- de de, se eventualmente nos encontrarmos, podermos esclarecer as pendOncias, ao in- vis de nos comportarmos como duaspesso- as de "mal-a-morte ". Quando precisar de informagaes dele, eu irei procurd-lo. Sefor noticia, escreverei sobre ele. Essa e uma obrigaqdo para jornalistas: colocar osfa- tos acima das diferengaspessoais, desde que estas se mantenham num nivel de respeito e dignidade. Mas se a situagdo engrossar pelo menos me ter restado o console de nunca terfugido do como dizem os militares - teatro de operagoes". Homens pdblicos tem que se acostumar a prestar contas, ainda que em circunstdn- cias ndo muito agraddveis. E a contraparti- da aopoder e as mordomias a que se acham cor direito (alguns verdadeiramente con- vencidos da origem divina). Epor isso que o espago continuard aberto, tanto para ele quanto para Ant6nio Soares, enquanto eu procurarei encontrar tempo para apurar o quejd disseram de relevant para a opinido pdblica. Agora, se Paulo preferir encerrar o epis6dio, fechando-se em copas,ou bai- xar um edito me declarando persona non grata, e direito seu, embora ele talvez de- vesse ser mais explicit, como servidor pd- blico, quando diz que Soares e "fin6rio ne- gociador de produtos hospitalares" (se sabe de alguma lesdo ao negdcio pdblico, ndo seria melhor denuncid-la?). Mas se, como ameagou, Paulo der por encerrada a polOmica que ele diz eu tanto venho buscando para valorizar este pobre JP, devo dizer-lhe que sua ausOncia conti- nuard preenchendo uma vasta lacuna neste fornal. Do president da Associaaio Comercial do Para, Jose De Luca Filho: "Com especial satisfa5io comunico-lhe que o Conselho Diretor da Associaqao Co- mercial do Para, que tenho a honra de presi- dir, deliberou, em sua ultima reuniao ordina- ria, enviar o present oficio a Vossa Senho- ria para cumprimenta-lo pelas oportunas de- claraq6es feitas ao ser entrevistado pelo jor- nal local 'Diirio do Para' (ediqdo comemo- rativa de 24 do mis a- agosto iltimo), enfo- cando temas de grande relevancia para a eco- nomia da Amazonia e, em especial, da para- ense, com pertinentes coloca6es que exter- nam a densidade de conhecimentos detidos pelo ilustrejornalista, e sua elogiavel apreci- a9go critical quanto aos mesmos". be Sergio Valinoto: "Na ediqoo passada do teu Jornal Pesso- al, um vicio meu quinzenal, pedes que teus leitores fagam uma avaliagao dos 10 anos do JP. Avaliar o que? Sugerir o que? Resta a este teu velho amigo que o corre-corre da vida se incumbe teimosamente em nos en- contrar so de quando em vez, aplaudir o teu trabalho hercileo, honest, buscando sem- pre a verdade. Um abrago anexado ao afeto e A amiza- de, que essa eu cultivo com maos dejardi- neiro". ie Mauro 0 de Almeida: "(...) Mas voce deve estar se perguntando por- que eu estou falando de tudo isso. E que de 1A (d6cadas de 70/80) para ca o jornalismo paraense cresceu em nlmero de profissio- nais, mas perdeu em qualidade. Vejo agora poucos nomes, por que nao dizer poquissi- mos nomes, com capacidade e altivez para fazer umjornalismo isento e cor a profun- didade que a populagCo mereceria. Pode-se dizer que se sabe mais das noticias em Be- 16m pelas fofocas do que pelos jornais. Os espacos foram tomados por reportagens que nao podem ser comprometedoras cor nada que realmente esteja errado ou com reporta- gens vingativas e tendenciosas. Ha tamb6m os erros de gramAtica, a falta de checagem da veracidade da informag~o, a falta de re- gistro de erro, a falta do direito de resposta, etc. Tudo isto implica em informaCio distor- cida ou em desinformag5o que vai causar um esclarecimento fraco, que por sua vez aca- bara por influenciar nas escolhas political da populagao. O que me parece mais preocupante nisso tudo 6 que eu nio vejo perspective de von- tade por parte da classejornalistica para en- frentar uma mudanqa. Aqueles que eram os jovens de potential daquele tempo a que me referi 1l em cima, que faziam parte da velha guard A qual meu pai pertencia, ou foram tragados pela necessidade de se sustentarem, visto que envelheceram e constituiram fami- lia, abragando o emprego que lhe oferecem osjornais ou simplesmente se filiaram as cor- rentes de poder, esquecendo a militancia de alguns esquerdistas, fazendo tudo aquilo que condenavam. Visto deste prisma, o seujornal 6, hoje, a famosa 'valvula de escape' para quem quer se informar de uma maneira mais conscien- te. Por outro lado, conversando corn um co- nhecido de outro Estado que estA em Bel6m hA pouco mais de seis meses e que j teve a oportunidade de ler o Pessoal, ele me dizia que voc6 deve ser considerado uma ovelha negra na sua profissao. Este fato me chamou a ateng5o para uma coisa: como voce conse- gue conviver com seus amigosjomalistas que estao na ci~pula do poder, da midia e dos governor, e como e o tratamento deles para com voc&, sendo eles patrocinadores tam- bem para esse process de embrutecimento da populacao paraense e mais especificamen- te da belemense, e voce combaitndo os seus patr6es pelas suas pAginas? Separar nesse moment a amizade da combatividade deve ser um exercicio muito dificil. Fico preocu- pado de voc6 ser uma pessoa condenada a soliddo e seus familiares condenados ao pre- conceito dos poderosos. Analisando desta forma fico ate a me perguntar se tudo isso que voce faz vale a pena. Do ponto de vista mercadol6gico temo que seujornalja tenha alcangado o maximo que poderia alcanCar em tiragem e divulga- Gqo. Por isso, acho que voc8 deveria aceitar esse apoio que alguns leitores te oferecem em forma de divulgacdo (por que nao?) de produtos. Se realmente for uma contribui- cao despretensiosa, positive e, sobretudo, co- rajosapara o engrandecimento da causa, vejo com validade. Por outro lado, se eles forem daqueles que querem Ihe ajudar mas n~o querem aparecer, a coisa vai se tornar um pouco mais complicada, mas nao excluo de todo a possibilidade de voce aceitar assim mesmo, ainda que encontrando meios dejus- tificar aos seus leitores-colaboradores de que todo apoio esta sendo empregado na boa causajornalistica. Uma coisa acho que deve ser feita: o journal deve continuar sendo pes- soal, pois foi de sua motivaqAo e da sua ca- pacidade de trabalho que ele conseguiu se projetar e se agora muitos querem Ihe apoi- ar, que seja apoiando a mesma formula. Que esses 'apoios' seja usado na melhoria da qua- lidade da editoracao e na maior divulgaqao do quinzendrio, quem sabe at6 transforman- do-o em hebdomaddrio, como gosta de cha- mar o Carlos Heitor Cony. Esse e-mail nao foi concebido para ser publicado, at6 mesmo porque ele 6 muito grande para o format do seujornal (mesmo assim, faqa dele o que quiser), e sim para ser uma forma de somar a tantas outras mani- festag es que voc6 tem recebido. Como voc6 falou, no numero 168, que seus leitores po- deriam contribuir para avaliar e sugerir pelo journal, assim estou fazendo. Acho at6 que tudo que falei aqui voceja sabe hA muito tem- po. O fato 6 que ainda ha muito a ser discu- tido do nosso cotidiano e do nosso future e para que isto seja bem discutido 6 necessA- rio que voce sobreviva editorialmente. De minha parte espere a fidelidade do leitor (leio- o desde o primeiro nimero) e a amizade, ain- da que plat6nia, isenta e critical. P. S. No nimero 168 voce chamou a Procuradoria do Estado de Minist6rio Pt- blico. Na realidade a Procuradoria esta para o Estado assim como a Advocacia Geral da UniAo esta para a Unimo. Seus membros sio advogados dos interesses do Estado enquan- tro governor. P. S. 2 Sem querer fazer apologia davin- ganca, mas humildemente acho que a anilise critical quando 6 mais t6cnica deve ser, em alguns casos, como aquela, servida fria". N. da R. Mauro (filho do saudosofot6- grafo e vereador Emanoel 0 de Almeida): usando sua delegaago de poder suprimi de sua longa carta (para garantir-lhe o espa- go merecido nesta edigdo de muitas cartas) apenas os dois primeiros par6grafos, que eram pessoais. Agradeco pela avalia9ao. A v6rias de suas observagdes responderei em outra ocasido, masjd as considered. Quan- do a corregao do P S., pego-lhe para reler a mat6ria. i'No fiz a confusdo: defend que, como os membros do Ministerio Ptblico (promotores e procuradores), osprocurado- res do Estado tivessem que dar dedica9po exclusive a Procuradoria parapoder servi- la na intensidade que ela requer JOURNAL PESSOAL 1- QUINZENA DE SETEMBRO / 1997 7 DEBATE Basa: onde esta a said? O comparecimento, ap6s duas sucessivas ausancias, da president do Banco da Ama- z6nia, Flora Valadares, A Assembldia Legis- lativa, na semana passada, recolocou o Basa no centro das aten6es. Sempre atravessan- do crises em sua hist6ria de meio s6culo, o banco esta corn sua existencia novamente ameaqada. Sua condenagao 6 inevitAvel ou ele ainda ter uma missao important a de- sempenhar na Amaz6nia? Se continue corn espago especifico assegurado, que nenhuma outra instituigao de credito ocupa, pode con- tinuar cor sua estrutura atual ou precisa mo- dificar-se radicalmente? Numa entrevista que dei ao Diario do Pard, antes do conturbado depoimento de Flora Valadares, procurei provocar essas quest6es. Sem sensibilizar a opiniao pfiblica regional para seus problems, dificilmente o Basa escapard A sentenga de morte. Mas, hoje, sua existencia nao 6 percebida, nem sua importancia reconhecida. Por isso, um de- bate corajoso e sdrio precisa ser provocado. Como o que se abre neste journal cor a pu- blicaggo de uma carta dirigida ao JP pelo president da Associaaio dos Empregados do Banco da AmazBnia (Aeba), JosC Sales, seguida da minha resposta. A integra da carta de Sales: "Lemos sua entrevista, publicada no cader- no especial do Diario do Para, cor a costu- meira ateng5o que merecem seus artigos, es- pecialmente quando tratam da Amazonia. A titulo de colaboraygo e em nome de um grupo de associados que tem estudado e deba- tido o papel do Basa na regiao, gostariamos de tecer algumas considerag9es sobre a existen- cia da carteira commercial, que poderao auxiliar na analise dessa questAo, abordada em sua en- trevista. Inicialmente cabe lembrar que a reforma bancAria' de 1964 baseou-se no model de ins- titui96es financeiras especializadas, que aten- deriam segments especificos de mercado, a partir de instruments diferenciados de capta- cao e aplicaqgo de recursos, sistema adotado na 6poca pelos EEUU, o grande paradigma dos formuladores da reformma. Esse modelo mostrou-se inadequado em ra- zao das restri96es que ofereceria ao uso efici- ente dos recurso: d,, movimento financeiro e das opera96es bancarias dos clients. Buscando eliminar essas restri96es, as pr6- prias institui96es financeiras passaram a cons- tituir conglomerados fmanceiros, o que, na pra- tica, representava a superagdo do modelo ado- tado pela reformma. Aquelas que nao adota- ram essa estratdgia perderam competitividade. Nesse context, inmuneros bancos de desenvol- vimento estaduais deixaram de existir na dd- cada de 80 em razao da cruise, pois nao pude- ram buscar no mercado fontes complementa- res para compensar a drastica redugao dos re- cursos mstitucionais. Essa transformagao no modelo de institui- 96es bancarias especializadas aconteceu, tam- b6m, em outros paises. Reconhecendo essa ten- dcncia natural do sistema financeiro, o Banco Central permitiu a formagao de bancos mflti- plos a partir de 1988, institucionalizando o que na pratica ja estava consolidado. SerA rational o Basa trilhar agora o cami- nho inverso? Por outro lado, a exig6ncia de mao-de-obra qualificada, estudos e orientag9o t6cnica, one- ra a a9ao crediticia de fomento, que apresenta, tambCm, maiores riscos que as opera96es co- merciais de curto prazo. No entanto, as taxas que remuneram as opera9Fes de fomento sao bem menores que as praticadas no credito co- mercial. Assim, temos maiores custos e riscos e me- nores spreads no credit de fomento e meno- res custos e riscos e maior credibilidade nas opera96es financeiras comerciais. Isso toma possivel a um banco misto com- pensar parte dos custos de fomento pela maior rentabilidade da Area commercial e, assim, man- ter os encargos financeiros dos emprCstimos de long prazo em niveis compativeis cor o rendimento das atividades produtivas financi- adas. Um banco de desenvolvimento puro, por ou- tro lado, necessita de um agent fmanceiro para repassar seus financiamentos, mediante o pa- gamento de taxa remunerativa pela operacio- nalizag9o do credit e assungao do risco. A experiencia corn esse tipo de intermedia- 9ao ter sido problematica na Amaz8nia. Basta lembrar os resultados irris6rios da parceria do Basa com Bancos Estaduais, para alocag9o dos financiamentos do FNO. Apenas 2% das opera96es contratadas foram objeto de repasse por esses agents financeiros. O mesmo ter acontecido com o BNDES, no repasse dos recursos do Programa Amaz6- nia Integrada. Ap6s 29 meses, tinha aplicado apenas 23% dos recursos previstos para 36 meses, sendo que somente 11% atrav6s de re- passe, apesar da tentative de utilizar toda rede bancAria official e privada para essa intermedi- ag9o. E vlido concluir, portanto, que grande par- te dos recursos do FNO nao teriam sido apli- cados, se o Basa dependesse apenas de outros agents financeiros para o repasse do cr6dito, principalmente considerando a exigencia legal de tratamento preferential as pequenas unida- des produtivas para a aplicagao dos Fundos Constitucionais, o que implica em maiores cus- tos operacionais e menor atraqgo a rede banca- ria privada. Nada menos que 96% de todas as opera- 96es de crCdito, cor recursos do FNO, foram contratadas cor mini e pequenos produtores rurais e micro e pequenas empresas industri- ais Que banco privado se interessaria por uma carteira de credit cor esse perfil? Outra questao important a se considerar re- fere-se a transfer8ncia da parca poupanga re- gional para outras regi6es. Como sabemos, es- pecialmente os bancos privados, no afa de al- cangarem maiores lucros, tendem a aplicar os recursos preferencialmente nas Areas de eco- nomia mais dinamica, onde obtem maiores spreads sob menores riscos. Apenas uma ins- tituig9o comprometida corn os interesses da re- giao pode reter aqui os recursos que capta no mercado, mesmo que isso implique em menor lucratividade. Assim, a carteira commercial do BASA, mes- mo sem ser tao eficiente, tern desempenhado important papel por compensar parte dos cus- tos da ag9o de fomento, por contribuir para o alcance de resultados mais favorAveis para o Banco e reter aqui pelo menos uma part da poupanga regional. Sem a mesma, o mercado financeiro da Amazonia ficaria todo para os bancos alheios aos interesses regionais, ver- dadeiras bombas de suc9o de nossos recur- sos. Por fin, cabe lembrar que os bancos corn sede na regiao central, mesmo oficiais, tSe des- tinado A regiao Norte uma parcel insignifi- cante de suas aplica96es. O BNDES, confor- me o IPEA, no period de 90 a 94, destinou A regiao apenas 4,6% de suas aplica96es. O Ban- co do Brasil, conforme a Comissao de Desi- gualdades Regionais do Congresso Nacional, alocou aqui, no period de 88 a 92, apenas 1,35% de suas aplica96es. Isso pode indicar que se outro banco, sem compromisso corn a regiao, for encarregado de repassar os recur- sos destinados a Amaz6nia, possivelmente rAo o fara corn todo empenho que a regiao mere- ce. Esperamos com essas considera96es con- tribuir para o debate em tomo do papel das institui96es regionais, que urge ser travada por toda sociedade amaz6nica, corn vistas a tor- nA-las mais eficientes na ag9o em prol do de- senvolvimento da Amaz8nia". Minha resposta Os incidents que ocorreram durante o de- poimento de Flora Valadares em sessdo es- pecial da Assemblia Legislativa do Estado mostraram que nao serd fcil corrigir o rumo que o Basa tomou para a inviabilizacdo. Os politicos ainda querem manter uma institui- cao do passado, que podia praticar uma po- litica clientelista lateralmente ao interesse estratdgico da administragdo central, de dar apoiofinanceiro aos seus aliados preferenci- ais do modelo de integragdo da Amazonia c economic national (e as migalhas aos nati- vos). Essa situaFco desapareceu. Brasilia ndo tem mais interesse por esse modelo, que se exauriu. Os projetos pecudrios se implanta- ram (deixando pendente na carteira de crddi- to rural um patrim6nio imobilidrio por conta de irregularidades na concessdo de empres- timos), as mineradorasjd deram suapartida, a infraestrutura diretamente vinculada aos enclaves estd montada e as teias de relacSes foram estabelecidas. 0 Estado deixou a linha defrente, onde atuou como capitdo-do-mato e suplementadorde poupanas privadas. Ago- ra o abre-alas o pr6prio capital, jd em con- digoes de remunerar melhor suas aplica6es. Mudar d indispensavel e inevitdvelpara o Basa. Se ele permanecer como querem os po- liticos, terd uma sobrevida curta. Mas - - serd que o model de sobrevivOncia dos tecnocratas que o administram traduz corre- tamente os interesses daAmaz6nia? Serd que, na busca do ajuste salvador, eles ndo estardo oferecendo a instituigdo napira do sacrificio, sem um Jeovdpara intervir 6a iltima hora? Certamente hd tecnocrata competent e de boa-ft envolvido na empreitada, mas a acei- tatdo de sua proposta ndo serd obtida atra- v&s de uma mera campanha de marketing,, como a que o Basa desencadeou na midia. E necessdrio obter a aprovagao da opinido pti- blica. Ofechamento das agencies deficitdrias do banco e uma media de elementary tdcnica administrative. Mas por que mantim-se defi- citdri a aagncia quefunciona hd 40 anos em Oriximind, tendo sob suajurisdigao uma das maiores mineradoras de bauxita do mundo? Eporque grande projeto ndo ter mesmo efei- to germinativo local ou porque, a despeito dessapreliminar, o banco tambdm ndo traba- lha corretamente o mercado? Ou as duas coi- sas combinadas? Sem agencias o Basa ndo pode ser banco commercial. Com agnncias concentradas ape- nas nos segments rentdveis,jd intensamente disputados pelas instituiq6es privadas, perde sua condicao especial. Sem agnncias pionei- ras, capazes de traduzir operacionalemente diretr:zes reformistas como a do FNO (de poio a mini e pequenos produtores), levan- do-as ao interior da Amazonia, como meca- nismos defomento, terd que defender de in- termedidrios, onerosos e nem sempre interes- sados em procedimentos estrategicos. Conciliar fiunm es e custos de um banco misto e extremamente dificil. Atd que me de- monstrem o contrdrio, jd ndo acredito, inver- samente ao que um dia acreditei, na possibi- lidade desas conciliagao dentro do Banco da Amaz6nia. A meu ver, enfrentando os riscos de estar entregando a cabega na salva de prata a uma Salome planaltina mal-disfargada, ele deve se ajustarpara ser um banco de desen- volvimento. Ndo direi banco de desenvolvi- mento puro porque ele nao sobreviverd sem uma rede capilar de agencies, de tal maneira que elas possam permitir um acesso ao crddi- to menos onerosamente do que agora. 0 Basa precisa criar uma nova rede financeira na Amazdnia, associando-se (mas sem fundir-se, parapermitir a corredao dos vicios encrava- dos localmente) aos bancos estaduais e utili- zando formas alternatives e ndo-convencio- nais, como os correios, as prefeituras, os 6r- gdos tMcnicos ndo-financeiros. Nesse esquema, o Basa terd que ser leve, sem adiposidades (funcionais e normativas), com uma boa cabega, flexivel, capaz de sair do gabinete para o campo sem renunciar a eficiOncia e d seriedade, mas, sobretudo, com raizesfortemente vinculadas a terra que cons- titui suajurisdido. Nao mais atravis de rela- Vbes clientelistas, por.m: precise acabar com o tOnue biombo que teoricamente o sepa- rava dos clients especiais, razao de umapro- miscuidade que lhe custou caro no passado - e continuard a ser lesiva no curto future que ainda terd diante de si se ndo se reciclar ur- gente e profundamente. Pode ser que, nesta criseprt-ag6nica, o Basa, final, consiga ser o que sdfoifugidiamente: um banco verda- deiramente da Amazdnia e nao apenas na Amazdnia. 0 Subliminar A iddia central da atual campanha que vem literal- mente enchendo a televisao brasileira de Paulo Maluf 6 a adaptagAo revista, atuali- zada e adaptada do mote "rouba, mas faz" consagra- do por outro paulista, o le- gendirio Adhemar de Barros (quando ele andou por aqui, descuidadamente levou con- sigo uma urna marajoara). Com o "t6 Maluf', a equi- pe de Duda Mendonqa estA apostando no "falem mal, mas falem de mim". Ou, tal- vez, reaplicando a diretriz da propaganda nazista de que uma mentira, inoculada su- tilmente, mas a exaustao, na mente do destinatario, aca- ba sendo incorporada por ele como coisa natural, o refle- xo condicionado demonstra- do por Pavlov. De tanto ou- vir a palavra Maluf (ecoada subconscientemente como o popular maluco revaloriza- do), o telespectador acabard convencido de que o estupro 6 inevitivel. E entao, relaxa- do, estara pronto para apro- veitar. Apesar de toda essa sofis- ticagio publicitaria (cara, na- turalmente), quando o teles- pectador ouvir "eu t6 Ma- luf', espera-se que entenda sempre cartesianamente "eu t6 maluco". A nac~o, penho- rada, agradecera. Em memdria Vaquele final dos anos 50 e prinmera metade dos 60 a f la Leticta era o epicentro do Reduto. un bairrm unico na cidade, meno operarto, meio classes media meio popular, indo das industries que anda sohreviviam a inlegraado nacronal ate os recantos itimnmistas. Hw'ia apenas quatro casas na vila, guarnecida pelo bangal6 do Ronald Pastor Mas o que imperava all era a atividade esportra digamnos assim -- alternative. A coqueluche (expressio de Epocal era o gol-a-gol de cabeta. Sabre o chili de cmenio grosso e monvtmentandr,-se entire laterals estrelia.>. doti antagonstasa cabeceavat cram o maxima de forga que podimn nima bola de rneta, arrenessaindo-a contra o "arco adversdriho Inha genre de todos os arredores Fui camped na modahldade. Cabega grande erm mniltiplas utilidades, como lliteralmrenlte;) ate:ara o Eucdedes Bandeira. Tambim nos defrontadamos no jogo de boldo, a chamado celotex, com tampas de vidros e frascos subsnniindo ,s botfes prtissionais de madcira trabalhada. E ii.puirvanmos c mtiilo tic pe-de-\ alsa nas miuniia e maravmlhosas festa das quais a cidade era pri;diga N'woso redulo era a ca.i de Plmntrio e Naart' I 'tsconcelos. ihgagdo santarena anterior reiomada em Belem Palmnrio era o toniroante goleiro do Pamssandu na lendrria goleada de 7 a 0 sabre o Remo, o time pelo qual eu torcia. sofrendo sempre corn os goals em cma da hora do Carlos A Iberto, o Ulrubu. Aazare era a pequena e devotada mne de Tildemar, Pabnerno e Betnna, chamada parn anli dos nossos olhos e da nossa conrnrincia na semnana passada. unta, Jdos dots era come se Brutus e O/n'ia (em versdo adocicada e em lamlanho amontra gratis se iit'ssemil conciliado. Lornumd, dispensdvel umn Popeye privado do espinafre E cow carinhi que lembro acqi dte Maria de .Vazard Dorea de I'asconcelos como a madrnha Jdejses anos de esporle, mu sica e saroir-jfire. um tempo que se foi um pouco corn ela para nnca mats 'oltar, exceto no nossa eternamente grata mem6ria. Acerto de contas A prefeitura de Beldm pa- gou, no dia 21 de agosto, 250 mil reais ao grupo Libe- ral. Segundo a informaqio official, o pagamento integra o esquema de quitagao de ddbitos criado pela PMB pe- tista para resolver as pend8n- cias com credores deixadas pela administraqAo anterior de Hdlio Gueiros. Nio have- ria nenhum favorecimento. Os 250 mil representam aproximadamente 20% dos crdditos a que o grupo Libe- ral diz ter direito. Segundo informag6es ex- tra-oficiais, essa primeira par- cela nAo sera um pagamento isolado. Outras quatro parce- las se seguirao, tres de R$ 250 mil e uma de R$ 200 mil, numa sucessAo ja definida. Com isso, os veiculos das Or- ganizag6es Romulo Maiora- namudaram drasticamente de orientagCo: depois de terem passado do boicote para a co- bertura discreta, agora come- caram a elogiar a administra- cio Edmilson Rodrigues, in- cluindo o prefeito at6 mesmo no espaco nobre da casa, o Reporter 70. A boa vontade do gru- po cresceu com a aprova- cqo dada pela prefeitura A realizagao do carnaval fora de epoca de Ronaldo Mai- orana, o Pard Folia. Por- ta-voz municipal diz que a aprovacgo foi um ato me- ramente tdcnico, ja que to- das as exigdncias foram atendidas pelos promoto- res do event. Mas a paz com a mais poderosa cor- poragao de informag6es do Estado vem em boa epoca, As v6speras dos arranjos politicos que vao definir a dispute eleitoral do pr6xi- mo ano. Agora nao hA ne- nhum impediment A divul- gagao da campanha de Ademir Andrade, que de- vera ser o cabeca-de-chapa da coligagao da qual o PT podera participar. O acerto da diferenga com a PMB s6 nao foi mais comemorado em 0 Liberal porque a empresa teve que reparar problems financei- ros internos detectados em julho, quando praticamente todos os Maiorana estavam de ferias. Um desacerto de contas obrigou ate a empre- sa a pedir c6pias das fatu- ras em poder da administra- qao municipal para confron- ta-las com seus documents porque uns nao batiam com os outros. Ao mesmo tem- po, foram suspensos todos os contratos de permuta com anunciantes. Jornal Pessoal Editor LOcio Flavio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 66 063-020 Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Try. Benjamin Constant, 845/203 / 66 063-020 Fone: 223-7680 e.mail: lucio@expert.com.br Editoraiao de arte: Luizpe / 241-1859/222-5238 |
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