Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00118

Full Text






Journal Pessoal
L 0 C I O F L A V I O P I N TO
AN *.XgN9169 Q EA DE AGOT DE 1997-R$2,00


POLITICAL


Traigao no ar (de novo)

Ainda ndo estdo definidos os grupos que vdo disputar o governor do

Estado em 1998. Mas agorafaltapouco. Hd cinco candidates, tres deles

ji assumidos. A composipdo de interesses vai estabelecersuasposiGoes.
Os maiores caciques s6poderiam entender-se se o governador desistisse
de reeleger-se. Mas Almir Gabriel descartou essa hip6tese. Para a
oposidao, a zinica esperanga e a divisdo dos chejfes.


"C


Scinco politicos corn as
candidaturas ao gover-
no do Para langadas.
Tr8s deles ja as assumi-
ram: Almir Gabriel, do
PSDB, beneficiado pela
possibilidade de reelei-
9o, adotada pela primeira vez na hist6-
ria republican brasileira, o senador Ade-
mir Andrade, do PSB, e a vice-prefeita
de Belem, Ana Julia Carepa, pelo PT.
Dois candidates potenciais ainda nio as-
sumiram uma decisao: o senador Jader
Barbalho, do PMDB, e o ex-governador
H1lio Gueiros, do PFL.
.~ .
'30


Esses cinco nomes podem convergir
para tr8s posic6es, se a tendencia para
aliangas prevalecer como o melhor ca-
minho para a conquista do poder, ainda
que enfraquecendo a posigao individual
de cada um dos grupos dentro da coliga-
qdo: o governador sozinho, mas cor o
maior poder de aglutinacio de parceiros
(o mais correto seria dizer aderentes); o
PT acoplado ao PSB para a format o da
dobradinha de maior apelo eleitoral
(Ademir na cabega e Ana Julia como
vice, outra vez), e a dobradinha Jader/
H61io.
Se essa tend8ncia se confirmar, esta


garantida a vitoria PMDB-PFL? A de-
putada federal Elcione Barbalho apres-
sou-se a antecipar que sim. A previsio
result de mero calculo artim6tico. Con-
forme v8m mostrando as ultimas pesqui-
sas realizadas, Jader reconquistou o pri-
meiro lugar na prefer8ncia do eleitora-
do, seguido de perto por Gueiros. Jun-
tos, os dois somam entire 40 e 45% dos
votos potenciais. O mais important 6
que Jader Barbalho disp6e de um nucleo
constant de votos entiree 10 e 15%), que
independem de campanha eleitoral. E o
mais lembrado espontaneamente pelas
pessoas pesquisadas.


AM MI 61MAILL"1w, AL1 SAWAM l 4.414!01


~j~%~I~L~B~~







2 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE AGOSTO / 1997


- Mas dai a deduzir automaticamen-
te que, corn a eliminacao das arestas (ou
sua atenuagao), eles tem aberto diante de
si o caminho da vitoria na dispute majori-
tdria vai uma distincia consideravel, a ser
percorrida corn a ameaga de chuvas e tro-
voadas.
Como em mais uma demonstracao de
que a maquina official ainda 6 o maior cabo-
eleitoral, a comemoracao do 650 aniversa-
rio do governador Almir Gabriel foi urma
oportunidade para mandar uma adverten-
cia aos adversarios. Corn a adesao de qua-
se 800 pessoas, cada uma das quais pagou
25 reais para estar present a recepiao, foi
a mais concorrida das festividades do ge-
nero oferecidas a um governador nos filti-
mos tempos. Isso exatamente quando as
pesquisas colocam Almir num distant 50
lugar entire as opqbes do eleitor.
Tao ou mais forte do que esse
indicador de moment pa-
Srece ter sido o anuncio do
~ govemador de que tern 400
milhles de reais para gastar
nos tres semestres finals
de sua administragao.
Gente que estava indecisa
tratou de atrelar-se ao trem
pagador, entidade fantas-
mag6rica num Estado
onde o dinheiro ter circulado em doses
homeopaticas, quando nao d pura mira-
gem (ou propaganda enganosa).
A maquina public 6 fundamental, tan-
to pelo que faz como pelo que deixa de
fazer, beneficiando uns e punindo outros.
Mas nao 6 tudo. Se consolidarem a caute-
losa reaproximaCqo a que deram partida,
Jader e Helio ja anunciaram o mote da
campanha contra o govemador: ele 6 inep-
to (logo, mesmo quem eventualmente rou-
ba, mas faz, 6 melhor). Antes que o pai
venteriloquo confirmasse a autoria da fra-
se, saindo da penumbra e assumindo a
paternidade plena, o vice-governador
H6lio Gueiros Jr. (agora um boneco em
falsete) ja havia dado a estocada, na ina-
creditavel entrevista dada a Mauro Bona
na television de Jader Barbalho: Almir le-
you tres anos para realizar sua grande
obra, 30 quil6metros de asfalto na estra-
da Belem-Mosqueiro.
A afirmativa nao 6 verdadeira. As ro-
dovias tem sido uma das poucas realiza-
96es concretas visiveis do governor, nao
por acaso na secretaria comandada por
Amaro Klautau, oriundo de empreiteira
(no caso, a Engeplan do quase-senador
Flexa Ribeiro, o embaixador de neg6cios
de Almir Gabriel). Mas Helio Gueiros
nunca se preocupou em conferir se o que
diz 6 verdadeiro ou nao. O que Ihe im-
porta 6 a repercuss jo popular das suas fra-
ses bombasticas. Prcfere orientar-se pelo
conhecimento instintivo (ou empirico) que


tem do assim chamado inconsciente co-
letivo paraense do que pela razAo ou pela
etica. Para ele, o locus ideal do eleitor 6 a
geral de campo de futebol e nao uma sala
de aula.
Os 30 quil6metros em tr8s anos passa-
ram a ser repetidos como uma frase feita,
que, independentemente de nio ser ver-
dadeira, funcionou como uma chave para
definir a administraqao estadual tucana.
O senador Jader Barbalho vai atris, corn
mais ironia, quando diz que o debate so-
bre a sucessao estadual foi antecipado, ja
que o govemador ainda nem teve tempo
para apresentar suas obras. Observaqio
caustica diante de um candidate que, na
ultima campanha, prometeu que recebe-
ria dois bilh5es de reais de seu correligio-
nario, o president Fernando Henrique
Cardoso, para aplicar em obras no Para.
O president, entretanto, ter sido mais
pr6digo em ateng9o e favors ao seu ad-
versario Jader Barbalho, que consegue
preencher os cargos federal de seu inte-
resse, enquanto o govemador tern sido
obrigado a engolir seguidas recusas. FHC,
nao 6 ocioso constatar, nao veio mais ao
Estado, passando duas vezes diretamente
para Manaus ou ficando no Nordeste. Por
esse motivo, tern sido intense a especula-
cao em tomo da composigo de uma cha-
pa Almir-Jader-Helio a partir de Brasilia.
Mas isso 6 sonho de verio pr6prio do
planalto. Nao tern feitura pratica na pla-
nicie. O PMDB e o PFL, parceiros su-
postamente ideas na trilha da vit6ria, fo-
ram preteridos pelo goverador, que op-
tou pelo PPB, hoje a quinta forca parla-
mentar, apesar de ter sidojustamente con-
tra esse PPB jarbista que langou seus tor-
pedos em 1994 para se eleger. E provivel
que Almir Gabriel tenha preferido assim
para se desvencilhar de aliados como
Helio e Jader.
Os dois logo perceberam a
ameaga e trataram de con-
centrar sua artilharia na dire-
cao dos antigos parceiros. Sa-
bem que um segundo
ir mandate seguido de
Almir, mesmo sem
afetar suas liderangas indi-
viduais, abalara os esquemas
de poder que montaram. Ten-
do a mesma origem, podem
sair em busca do tempo perdido, um
proustianismo avant la lettre.
A linguagem do governador e do sena-
dor Passarinho estgo se afinando num mes-
mo tom, o da probidade. Ao visitar a Vi-
gia, Almir Gabriel conclamou a unilo das
"pessoas honestas' em torno dos interes-
ses do Para. Como Jader e Hlio estia se
desgarrando, a conclusion, ao menos suben-
tendida, e de que nao podem ser incluidos
nessa legiao. Este tamb6rm p Je ser o mote


de campanha dos tucanos, mas a opiniao
piblica precisari esquecer que, tr8s anos
atras, o candidate Almir Gabriel associou
seu adversirio, Jarbas Passarinho, ao es-
cindalo em torno do mais caro muro de
penitenci'ria at6 hoje construido em todo
o mundo (uma ofensa ainda maior, para
Passarinho, do que as diatribes ideol6gi-
cas dos panfletos produzidos pela Ordem
da Baladeira contra o coronel Xex6u, cha-
ga que parece ter cicatrizado corn rapidez
impressionante).
O governador se peniten-
ciara pela impropriedade de
1994 ou atirou A agua que F
nio passava duas ve- !
zes pelo mesmo mo-
inho a conviccao que
tinha? HWlio Gueiros ja se
antecipou, lanqando as de-
nincias de corrupio feitas
contra Jader na vala comum da hist6ria.
Para dar grandiosidade a uma ret6rica de
baixo nivel, comparou sua quase-futura
reconciliagCo com o inimigo de ontem ao
esquecimento geral e irrestrito que trans-
formou a Alemanha at6 entAo nazista na
maior aliada dos Estados Unidos na Eu-
ropa scomo se Jader e H61io tivessem
algum dia apresentado algum program
para o Estado do Para, como tinham (bom
ou mau, nao vem ao caso agora) Hitler e
Roosevelt/Truman.
Todos sao alunos unidimensionais do
maquiavelismo de orelha de livro: a li-
xeira os escrdpulos dos meios; tudo para
chegar (manter-se ou voltar) ao fim em si
mesmo, o poder (que, conquistado, serve
de gazua). O povo, desmemoriado, tudo
perdoa. Pode-se mudar impunemente a
casaca, trocar os pap6is, transformar em
letra morta as palavras acesas do passa-
do: o carisma dos lideres ou as moedas
do tesouro sempre compensa.
Pode ser. Mas o PT estA na prefeitura
de Bel6m porque os oligarcas exageraram
na manipulag~o dessa tolerincia. Depen-
dendo da evoluc~o do quadro politico,
podem repetir esse erro no pr6ximo ano.
Naturalmente, politicos sagazes que sio,
Jader Barbalho e HWlio Gueiros nio ig-
noram o risco. E o que ainda os impede
de assumir uma alianga que caminha ce-
leremente para a materializagCo. Mas po-
dem n5o ter outra alternative, se o gover-
nador prosseguir a marcha-batida da ree-
leigao, ignorando os apelos, seduces e
ameacas para tirar o projeto continuista
de sua cabeGa.
Nesse caso, a linguagem dos conten-
dores batera forte na preguiga atribuida
a um e na desonestidade de outro, sem
que essas pechas possam, agora, ser iso-
ladas. Desta vez, ha a probabilidade de
que ambos sejam enquadraveis em to-
dos os pontos do discurso sobre o qual







JOURNAL PESSOAL 21 QUINZENA DE AGOSTO / 1997 3


cada um se consider detentor exclusive.
Em escala ampliada, pode vir a ser a
repetigio da lavagem de roupa suja da
campanha do ano passado em Belem.
Para se beneficiary dessa cisio deteriora-
dora, o senador Ademir Andrade tenta,
de todas as maneiras, conquistar a adesio
do PT a uma frente de esquerda em tomo
de seu nome. E a maneira de consolidar
uma imagem unica para si e montar uma
estrutura de campanha. Sem as maquinas
de votos (a official corn o governador e as
altemativas com Jader e H1lio), Ademir
teria pelo menos a eficiente militancia do
PT para alcangar todo o Estado.
Mas diante de seus pianos ih duas bar-
reiras. Uma 6 a candidatura de Ana Jllia
Carepa. Ela ainda aparece como a preferi-
da em Bel6m. De sua perspective, a con-
solidag~ o da parceria cor Valdir Ganzer
seria o suficiente para plantar seu nome no
interior, sem precisar rebaixar-se a condi-
cAo de vice de Ademir. E a crenga na pos-
sibilidade eleitoral de uma chapa do PT.
Mesmo que Ademir consiga superar
esse entrave na cupula do PT, no que vem
trabalhando decisivamente (at6ja conver-
sou longamente cor o prefeito Edmilson
Rodrigues, conseguindo sua simpatia),
ainda tem a resistencia da base do parti-
do. Por atuar na mesma faixa dos petis-
tas, sem poder apresentar-lhes uma inte-
gridade ideol6gica, Ademir tern sido o
politico mais apupado pela militincia.
Como ela reagira se o senador do PSB
for reconhecido pela lideranca do partido
como o cabeca de chapa para 1998?
Por complicadores como esse
e que o quadro ainda nao est,
completamente defmido. As
alianas em perspective nao sao
um resultado natural da cons-
tatagdo de identidades
entire as parties, mas um
produto compuls6rio de
circunstincias cambiantes
que escaparam ao control
dos contendores. Nessas situates, 6 mais
facil combater os inimigos, perfeitamente
caracterizados e posiconados, do que con-
viver com amigos de ocasiao, inconfiaveis.
E isso que ainda nio permitiu um encon-
tro entire Jader Barbalho e Helio Gueiros,
apesar de todos os sinais positives que v8m
emitindo nesse sentido. Cada um dos gru-
pos consider o seu lider o melhor candida-
to, mas eles s6 comporio seus interesses,
que continuam a ser conflitantes em tudo o
que nio seja impedir a reeleigCo de Almir
Gabriel, quando produzirem um antidote a
traigio. O produto nao 6 impossivel numa
composicio grupal, mas, infelizmente, nio
esta ao alcance da sociedade. No Para, atrai-
aio 6 o que mais o eleitor tem sofrido ha
muito tempo. At6 quando continuara a sua
acio nociva, quase letal? *


A irregularida-
de no fornecimen-
to de leite em p6 e
6leo de soja a pre-
feitura de Belm,
se houver, pode
estar na redugao
da quantidade en-
tregue e nao exa-
tamente no prego. Essa possibilidade tor-
nou-se puiblica quando o vereador Ger-
vasio Morgado (do PL) denunciou que a
empresa fomecedora estava superfatu-
rando o contrato, provocando cor essa
revelagdo a instalago de uma Comissio
Parlamentar de Inqu6rito na Cimara Mu-
nicipal.
A questao existe, mas ao aborda-la o
vereador pode nao t--la apreciado com
a atengdo necessaria. Seus calculos so-
bre o alcance da perda para a adminis-
tracgo municipal com o superfaturamen-
to de prego perderam forga quando o
secretario municipal de Saide, Edmun-
do Gallo, mostrou que a compra mensal
e de 30 e nao de 300 toneladas mensais
de leite em p6, como dissera o vereador.
Ou quando os donos da Ampla Comer-
cial Importagdo e Exportagao vieram de
Brasilia trazendo precos referenciais di-
ferentes dos que Gervasio usara.
No entanto, o pr6prio PT recebeu, em
fevereiro, deniTcia de irregularidade no
contrato quando ele foi aditado pela pri-
meira vez pela atual administragao mu-
nicipal. Uma vwrificagdo apenas super-
ficial foi feita, mas o contrato nao che-
gou a ser revisto pela comissao que ana-
lisa todos os contratos herdados da ad-
ministragao anterior. O do leite, assina-
do em outubro de 1995, e um dos mais
importantes. Hlio Gueiros pagou quase
10 milhbes de reals ao fomecedor atd o
fim do seu mandate, em dezembro do
ano passado, no espago de 14 meses. O
PT repassou a Ampla um milhao de re-
ais em cinco meses.
Como o program do leite e federal,
fazendo parte de um esquema national,
e o contrato foi aprovado pelo Tribunal
de Contas dos Municipios, e provavel
que a comissao, nao tao diligente quan-
to sua motivagao exigiria, tenha achado
melhor deixar esse assunto para depois.
Parece ter preferido atacar os contratos
do lixo e do atendimento de urgencia e
emergencia do 192, onde os pregos fo-
ram rebaixados, enquanto tentava che-
gar a uma situagao de equilibrio no for-
necimento de oxig6nio, em relagao ao


qual o cartel teria
imposto pregos
quase triplicados.
O desafio para
os atuais gestures e
realmente grande.
Hrlio Gueiros dei-
xou aos sucessores
uma divida de cur-
to prazo de 50 milhies de reais, pend8n-
cias de long prazo de R$ 130 milh6es e
bombs de efeito retardado devastador
como o litigio com o grupo Liberal, que
se transformou no maior dano a imagem
do governor do PT na capital, onde ainda
esta o seu maior reduto eleitoral. O con-
gelamento da denincia sobre o leite, en-
tretanto, esta causando outro grande pre-
juizo para a prefeitura, que s6 tomou a
iniciativa, e assim mesmo sujeita a ficar
na defensive, depois da deniTncia de Ger-
vdsio Morgado. Coincidentemente, ele e
filiado ao mesmo partido de Romulo
Maiorana Jr., o principal executive do
grupo Liberal.
Diante do volume do contrato, a pre-
feitura poderia ter dado ao leite a mes-
ma prioridade que o recolhimento do lixo
recebeu. Sem encontrar irregularidades
visiveis no prego, a administrago mu-
nicipal passou a controlar a tonelagem
da entrega, onde pensa ter fechado o ca-
nal de vazamento de dinheiro. A partir
dessa media, a qualidade do servigo,
exercido em Bel6m na condigio de mo-
nop6lio, caiu sensivelmente. A situagdo
e tio critical, indicando um boicote, que
a prefeitura ja decidiu abrir concorran-
cia public intemacional at6 o final do
ano para substituir a Terraplena, a em-
presa que opera corn contrato assinado
no governor passado.
Baseada nessa experi8ncia, a prefei-
tura poderia ter aprimorado os controls
sobre a entrega do leite, o que nio fez.
Agora esta pagando e ainda vai pagar por
essa falta de iniciativa at6 que o trabalho
da CPI e a pr6pria apurag~o internal no
municipio esclaregam a denincia de
Morgado. Ela vai continuar acarretando
desgastes ao PT, principalmente em fun-
cio da cobertura jornalistica dirigida do
grupo Liberal, que usa esse meio para
tentar obrigar a prefeitura a quitar sua
divida para com a empresa. Mas um alvo
mais longinquo ndo serA o pr6prio H61io
Gueiros, caso a apuracgo acabe funcio-
nando como um bumerangue? A esta
pergunta, o tempo responderd, se os in-
vestigadores ajudarem. S


0 leite de Belem virou

coalhada







4 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE AGOSTO / 1997


Belem: triste

realidade
Bel6m ficou sem acesso aos 200 mi-
lh6es de d6lares que o Minist6rio da
Cultura e o Banco Interamericano de
Desenvolvimento aplicarao na revitali-
zagio de sete sitios urbanos de valor his-
t6rico no Brasil. Sao Paulo, Rio de Ja-
neiro, Ouro Preto, Salvador, Recife,
Olinda e Sao Luis, reconhecidas pela
Unesco como patrim6nios da humani-
dade, foram incluidas no program. Mas
Bel6m, que poderia assegurar a partici-
pag~o da Amaz6nia, como a mais im-
portante cidade barroca portuguesa nos
tr6picos, ficou de fora por nao preen-
cher os dois requisitos t6cnicos estabe-
lecidos.
Seus monumentos hist6ricos precisa-
riam estar integrados ao context urba-
no e a execug9o do program requer par-
ceria harmonica entire Estado e munici-
pio, cada um dos quais teria que demons-
trar capacidade gerencial. Nenhuma das
duas condi95es existe em Belem. O que


sobrevive de seu patrim6nio hist6rico-
cultural esta cada vez mais isolado num
ambiente de crescente descaracterizagao.
Essa violentagao arquitet6nica foi obser-
vada de imediato por uma pesquisadora
japonesa que esteve por aqui numa visi-
ta de reconhecimento para um trabalho
future. E a competiago entire as adminis-
trag6es pfiblicas estadual e municipal se
agua corn a aproximagao da dispute
eleitoral. 0 espirito de beligerancia nao
se atenua nem mesmo na area cultural,
muito pelo contrario.
O govemo federal so reconhece qua-
tro conjuntos arquitet6nicos e paisagis-
ticos em Bel6m (havia uma lacuna gri-
tante, a da vila Pombo, na Campos Sa-
les, que um com6rcio barbaro se encar-
regou de resolver). Mesmo eles, ja tom-
bados, vao sendo rapidamente atingidos
pelo virus da isensatez urbana que mar-
ca (e infelicita) a cidade dos nossos dias.
E o caso do perimetro da Governador
Jose Malcher, entire a Doutor Moraes e a
Generalissimo Deodoro, e o da Nazare,
entire Quintino Bocaiuiva e Assis de Vas-
concelos.
O projeto da Feliz Lusitania e o inico


saldo positive, antecipadamente alcan-
9ado pela destruiiao do mais antigo hos-
pital e a continue descaracterizagao do
Forte do Castelo, um crime que a popu-
lag~o assisted impassively. A demora em
agir sobre o conjunto do Ver-o-Peso vai
comprometendo algumas de suas parties
importantes. Durante uma 6poca os be-
lemenses tiveram a ilusao de que a ori-
ginalidade daquela doca garantiria o eter-
no fascinio dos visitantes, mas a sujeira
e o caos tiraram do traditional cartio
postal de Bel6m o seu trunfo. Ouvi na
Europa de frequentadores ocasionais da
capital paraense observaq6es quase hor-
rorizadas do que viram ali. Nao preten-
diam mais voltar. Uns ficariam em Sao
Luis, ponto final do roteiro arquitet6ni-
co e hist6rico. Outros passariam direto
para Manaus, ja o centro cultural do
Norte.
Bel6m perdeu a auto-critica e esta per-
dendo a auto-estima. Por isso, talvez, nin-
guem deu a atengdo devida a exclusao
do program BID-MinC daquela que, no
inicio do s6culo, era uma das melhores
cidades do pais e, hoje, 6 a mais sofrida
das capitals brasileiras. 0


Maturidade jomalistica


0 Diario do Pard chegou aos
15 anos, no dia 22, cor quase
cinco mil ediqSes langadas ao
mercado nesse period. E uma
faganha para um jomal de par-
tido, que, ao long de sua hist6-
ria, tem tido na superagao des-
sa origem o seu maior desafio.
Nunca o esforgo de profissiona-
lizario foi maior do que agora,
quando s6 um membro da fami-
lia Barbalho, o patriarca, Laer-
cio, aparece no expediente.
Mas se nao ha outra alterati-
va de sobrevivencia senao essa
(a inica tamb6m que favorece a
opinigo piTblica), o jonal vai set
novamente post em questao
con a aproximaqio de mais uma
eleiggo, quando os interesses do
senador Jader Barbalho podem
colocar-se acima dos parafmetros
de uma empresa de comunica-
9ao. Ao discursar na comemo-
ragao da data feita na redaco do
journal, Jader fez questao de de-
clarar que a consolidagAo da
empresa se tornou independen-
te de seus projetos politicos.
O journal langou uma edilao
comemorativa pobre de aninci-
os (espalhados ao long dos
dias), mas com uma nova rou-
pagem grafica. Em tese, portan-
to, praticou-se uma novidade: o


leitor foi mais presenteado do
que o journal (embora, particu-
larmente, nao me tenha agrada-
do o projeto, apesar da grande
competencia do seu autor).
Ediq5es de aniversario tmrn
sido, por aqui, um pretexto para
atacar o anunciante sem uma
contrapartida a altura: o conteii-
do 6 pouco mais do que enchi-
mento de pagina; o que interes-
sa mesmo 6 a publicidade. A
maioria dos leitores apenas re-
passa aquelamassa de papel an6-


dino ao seu destiny just: o lixo.
Se a roupagem grafica mu-
dou, o contefido do Didrio per-
maneceu inalterado. O m6rito
ainda 6 pequeno, inferior ao que
o mercado exige para assegurar
a permanencia do journal. Se,
ainda apenas semi-profissiona-
lizado, o Didrio ja tern aprecii-
vel tempo de vida, seus propri-
etarios nao devem esquecer que
0 Liberal, enquanto 6rgao par-
tidario, conseguiu sobreviver
por mais de 20 anos. Isso por-
que Magalhles Barata deteve,
como nenhum outro politico,


A hist6ria deles


S Ja esta na bora de ever essa tradwio de come-
morar a 15 de agosto a adesao do Para A indepen-
dencia (acrescentar o brasilera e necessario para
destacar que quase fauaaos part de um outro
pais). 0 que houve naquele dia de 1823, quase
um ano depois do "'gSo do Ipiranga", I(i uma
inuobbra dos piX-ugueses para fmgir tna incor-
. prao'q a no-a naqWo aui6nonma que nao hou -
- e so viria a acomnecer de verdade, d formna
sangrenta. 12 anos depos, corn a Cabanagem.
Se precisamos de uma data para justifi-
car esse fertado exclusi\ista. eolio e melhor
antecipA-lo para 28 de maio. Foi quando os
patriots, os autenticos brasileiros. que so-
breviv~ram as represses do poder portu-
gues desde 1821. fieram a proclamacao da
independencia eni MNiana, no Marai6. a pri-


antes ou depois dele na Repii-
blica, o poder politico, exercen-
do-o num intimidade promiscua
com a do joral.
Mas quando Romulo Maio-
rana o adquiriu, O Liberal es-
tava apenas aguardando o toque
de fnados. Nao parece haver
excecao duradoura a regra de
que jomal com bitola estreita
nao dura muito tempo: como os
trens que querem exceder seus
trilhos, acaba descarrilando,
mesmo quando da a impressao
de que segue a pleno vapor e
com todo o equilibrio. *


meira vila paraense a tomar essa iniciativa.
Enquanto na capital, a 15 do agosto. houve
festa e patavrrio em palicio, mas tudo conci-
nuou como danres a partir de ultramar. em Mu-
an a a ousadia foi reprimida manm mnihari. Era
tanta a arrogAncia dos dominadores que os tlde-
res do movimento. antes de serem deportados
para as masmorras de Lisboa. foram espanca-
dos e humilhados nas nias de Belem
Serd qua, aa mis de recuperar a mam6ria
dos que hnrraram a nossa hist6ria. reescreven-
do-a conformo sua perspecti a, %amos contmu-
ar a fazer o jogo dos que a esmagaram e desvir-
tuaram? A incapacidade de conciliar o present
com o passado 6 uma caracteristica dos povos
colonizados e ura s6ria anmeaa A possibih-
dade de ces criarem um future para si


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JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE AGOSTO / 1997 5


Padrao Yamada: e isso


o que
A Y. Yamada 6 a sexta empresa do
Para e a primeira do com6rcio. Seu fa-
turamento operacional liquid foi de
158 milh6es de reais no ano passado.
Seu crescimento, em meio s6culo de
existencia, atesta o valor da familiar de
imigrantes japoneses, que, com seu tra-
balho, assumindo por todo o cli, cons-
truiu um imp6rio para os padres da
economic dom6stica. Mas ao mesmo
tempo que imp6e respeito essa eficiEn-
cia dos Yamada, espanta a baixa taxa
de retorno que eles proporcionam a so-
ciedade que os acolheu e se fez terreno
f6rtil para seus neg6cios.
Enquanto a revista Balango Pard, da
GazetaMercantil, circulava cor os bri-
lhantes nimeros do desempenho do gru-
po Yamada, o president do Instituto do
Patrim8nio Hist6rico e Artistico Naci-
onal, Glauco Campello, declarava que
o Palacete Pinho "6 o bem tombado em
pior estado geral em Bel6m".
Durante algum tempo a belissima
construgao, uma j6ia arruinada na mal-
tratada Cidade Velha, foi patrim6nio dos
Yamada. Eles a adquiriram para trans-
forma-la em um deposito. Nada fizeram
para conservar o pr6dio, que, num pro-
cesso atribulado, acabou sendo absorvi-
do pela administracao municipal. Os
Yamada pretendiam fazer com o solar
hist6rico algo parecido com o que cria-
ram em frente: um monstrengo.


o paraense
Poderiam ter aplicado ali uma fraigo
minima de seu lucro, reconstituindo na-
quele local um cenario do period aureo
da borracha, corn visdo aberta para a baia,
e instalando no palacete um museu do
Japao na Amaz6nia (bem ao lado, corn
pouco dinheiro e muita sensibilidade, a
pintora Dina Oliveira deu-lhes um exem-
plo e uma li~io). Afinal, o Japao ter aqui
uma de suas mais importantes col6nias
em territ6rio brasileiro e obtem no Para
alguns dos insumos basicos fundamen-
tais para sua industria (impondo-nos re-
lacges de troca desiguais). Sera que o
caminho 6 s6 do leva e nada traz?
Como destacou na 6poca da celeuma
em torno da antiga resid8ncia da fami-
lia Pombo o procurador da Repuiblica,
Augusto Potiguar, o poderoso grupo
Yamada pouca ou nenhuma contribui-
cgo social e cultural deu na sua rela-
9ao cor a terra de adocgo, da qual ex-
trai seus lucros. Mesmo comercialmen-
te, a taxa de retorno 6 baixa. Observe-
se corn olhar arguto a principal loja do
grupo, no centro commercial: talvez seja
a mais feia das grandes lojas que ha no
Brasil. O quarteirao foi montado aos
poucos, a base da improvisagao. Sim-
bolo dessa precariedade 6 a extremi-
dade da marquise, no encontro da Cam-
pos Sales corn a Manoel Barata, que
contornou o poste (publico, obviamen-
te) ali instalado, como se, ao sufoca-lo,


quer?
estivesse sufocando a pr6pria cidade.
Dizem alguns, em favor dos Yama-
da, que eles apenas se submeteram ao
padrdo de expectativa do paraense me-
dio. Se a loja fosse melhorada, as ven-
das estariam ameacadas de cair, como
ocorreu nas modernizadas instalad6es
do grupo Visao, mais adiante. O para-
ense gosta de bagunca, de sujeira, de
improvisagao 6 o que alegam.
Ainda que isso fosse verdade (o que,
sem qualquer demagogia, nao 6, tanto
que os Yamada finalmente estao abrin-
do uma boa loja no t6rreo do edificio
Manuel Pinto da Silva), uma empresa
(como o governor e qualquer outra ins-
titui9o) tem tambem funtio pedag6-
gica e uma extensao social. Nao pode-
ria aceitar uma situacao de fato, se ela
represent um atraso. Teria que modifi-
ca-la, melhorando-a Sem o que, vamos
acabar concluindo que 6 melhor voltar
Scaverna, ou que cada um tire s6 a sua
vantage na selva que resultara desse
darwinismo a maneira do grupo Yama-
da, aplicando-se ao caso, com a adap-
tago devida, a resposta dada por Eins-
tein quando algu6m Ihe perguntou quais
seriam as armas da terceira guerra mun-
dial. A terceira, observou o g6nio ale-
mao, nao sei. Mas a quarta sera cor
arco e flecha.
Na Bel6m que dizem justificar o pa-
drao Yamada, a ser travada no charco.*


Haroldo: do alto dos setenta anos


Haroldo Maranhio, o maior
escritor paraense vivo, chegou
aos 70 anos no dia sete. Nlo
houve a festa merecida, nem
mesmo a lembranga piblica da
sua terra, que ele recolcou no
melhor nivel literario depois de
anos de maus-tratos. Ha muito
tempo Haroldo vive em exilio
branco (mas nada brando) no
Rio de Janeiro. A distancia,
apesar de tudo, foi ben6fica
para ajuda-lo a digerir a rica
experi8ncia que teve na provin-
cia entire os anos 40 e 60. Foi a
partir dai, ja quarentao, que
comegou a produzir a mais
densa obra literaria entire n6s
desde Dalcidio Jurandir, supe-
rando-o. Ocupou um lugar imi-
co na fic9ao paraense, conse-
guindo romper a barreira loca-
lista para situar-se entire os mai-


ores nomes da literature brasi-
leira dos nossos dias.
Em poucos espagos aparece-
ra esse reconhecimento e por
isso ele pode parecer patriota-
da. Mas o erro de avalia~ao
(alias, mais omissao do que
erro) sobre a obra de Haroldo
e apenas o atestado da falancia
da critical literaria praticada nos
meios de comunica~lo de mas-
sa e nas confrarias academicas.
O que impression na obra do
iiltimo dos Maranhao 6 o do-
minio absolute da lingua, ela
como um instrument vivo de
expressao, mas tambem coino
hist6ria, uma estrutura que evo-
luiu ao long do tempo e s6 6
explicavel plenamente pelo
acompanhamento desse cami-
nhar, que a ligeireza (e a lezei-
ra) dos nossos dias aboliu.


O convivio criativo cor os
dicionarios deu a Haroldo
essa intimidade cor seu ins-
trumento de trabalho,como
com a bola ter intimidade um
Pele. Mas ele seria apenas um
artesao da palavra se nao ti-
vesse tido uma vida intense e
original, que Ihe abriu uma
perspective inica. Todo esse
acervo fluiu para uma das
obras-primas da literature
brasileira de todos os tempos,
Cabelos no Coragdo, ao mes-
mo tempo romance do meio e
da mensagem, da lingua e da
hist6ria.
Do alto dos 70 anos, Harol-
do Maranhao pode descortinar
o rico patrim6nio que cons-
truiu corn sua inteligencia pri-
vilegiada, mas felizmente ain-
da dispoe de energia e talent


suficientes para prosseguir
uma obra sem paralelo entire
n6s. Seu dep6sito de criagao
ja guard um dicionario de fu-
tebol, um romance em primei-
ra versao e um conjunto de
cartas, dirigidas do Rio de Ja-
neiro ao unico irmlo, que ago-
nizava em Belem. Essas car-
tas sao um precioso retrato de
6poca e um comovente extra-
vasamento de sentiments.
Quando publicadas, haverao
de produzir impact ainda
maior do que o do Rio de Rai-
vas, seu romance a cl6f, uma
esp6cie de Dublinenses a ma-
neira dos acaraenses.
Felicidades e longa vida
para o Altimo dos grandes
Maranhao do Grao Para, ulti-
mamente tao destituido (e ca-
rente) de grandeza. *







6 JOURNAL PESSOAL 2A QUINZENA DE AGOSTO / 1997


Em outro

nivel?
As "pertinencias locais" ndofazem
parte das preocupaqoes atuais do
senador Jader Barbalho, totalmente
ocupado com suasfungdes de
representante do Pard no congress
national e lider do PMDB na casa. E
o que ele assegura em carta enviada
a este journal, na qual "permite-se"
desmentir algumas das "tantas
especulagoes" que diz terem sido
feitas no nimero anterior do Jornal
Pessoal (ndo desmentindo, porem,
outras). Ele nega que tenha tido
qualquer participaado nos epis6dios
em torno da nomeagao e posse do ex-
deputado Ronaldo Passarinho no
Tribunal de Contas dos Municipios,
que diz nao terem merecido sua
"atenado, orientagdo ou


consideraFdo ". A "pertinencia" do
senador e agora inteiramente federal,
ao menos segundo suas palavras, a
conferir nofuturo, quando as tais
especulafoes forem desfeitas ou se
confirmarem.
A integra da carta do senador Jader
Barbalho, enviada no dia 15:

"Prezado Lucio
Permito-me, dentre tantas especula-
coes feitas sobre o passado, o present
e o future da political do Pari e do Bra-
sil, publicadas na filtima edicao do Jor-
nal Pessoal 1' quinzena de agosto
- repelir a falsa informacao de que
'Com o aprofundamento das relac9es
entire os jarbistas e o govemo, resultan-
do na ida de Ronaldo para o TCM, Ja-
der passou a agir mais agressivamente
nos bastidores contra os interesses de
seu ainda (ao menos formalmente) ali-
ado, mas tomando o cuidado de nao se
expor muito porque a passage de Ro-


naldo da Assembl6ia Legislativa (ap6s
sucessivos mandates por quase 20 anos)
para o TCM foi triunfal, cor o apoio
dos 40 deputados estaduais, inclusive
do PT (que acabaram Ihe proporcionan-
do uma in6dita homenagem: trEs sess6es
de despedida)'.
Em outro trecho, Lucio, teus infor-
mantes tamb6m falsearam que 'Almir
resistiu, inclusive, a varias investidas de
Jader, que queria ter o direito de ser con-
sultado para vetar a indicaao, mas nao
conseguiu essa prerrogativa'.
Nao tive e nem tenho qualquer envol-
vimento corn o epis6dio que, alias, de
minha parte nao recebeu qualquer aten-
c9o, orientacio ou consideragao. Trata-
se, na verdade, de pertin&ncia local, muito
distant de minhas preocupaobes como
representante do povo do Para no Con-
gresso Nacional, de minhas atividades
como Senador da Rep-iblica e de minhas
atribui6oes como Lider do PMDB no
Senado Federal". 0


C omo teu leitor as
siduo e admira-
dor, atendo o ape-
lo feito no no 168
do Jornal Pessoal, no mere-
cido festejo dos 10 anos de
proficua existencia. Antes,
por6m, demonstro minha ma-
goa por nao ter merecido uma
unica linha tua, naquilo que
pensei pudesse enriquecer o
nosso Jornal Pessoal (De-
mincias Comprovadas).
Pego o teu gancho do t6pi-
co: "Cultura 6 Competencia
dos Intelectuais", para discor-
dar do primeiro paragrafo:
"Ha alguns govemos os secre-
tarios de cultural do Estado
tem sido intelectuais". Tua
formacao investigative mos-
trou-se, momentaneamente,
equivocada. 0 atual Secreti-
rio de Cultura 6 um engodo,
corn uma cultural bastante li-
mitada. Usa alguma inteligen-
cia que Deus lhe deu, para
encher os bolsos, para 'se dar
bem', nao sei se tu sabes?
O arquiteto que chegou ao
poder, como arduo defensor
do Patrim6nio Hist6rico, e
um pindego. De dedo em ris-
te, apontado para o nariz do
at6nito Padre Ramos, quando
o vitral da Basilica de Nazar6
quebrou, auto afirmou-se


como D. Quixote da Mem6-
ria Hist6rica do Estado. Em
compensagio, ganhou alguns
milhares de d6lares ao nego-
ciar corn um alemao os pai-
n6is que ornamentavam o pr6-
dio onde hoje esti o espigao
do INSS (Trav. Dr. Moraes
com Av. Nazar6). Esta se dan-
do muito bem, obrigado!
Cor a Feliz Lusitinia (Igreja
de Santo Alexandre, Arcebis-
pado, etc.). E muito melhor na
segunda reform do Palacete
Governamental, quase R$
2.000.000,00 (dois milh6es
de reals). Na primeira, a mes-
ma empreiteira, s6 produziu
saques as peas valiosas que
ornamentavam o Palacete.
Cito, por fltimo, o Col6gio
Abraao Levi, que virou des-
trogos e estA dando uma nova
arquitetura a Praga Batista
Campos (um novo espigao).
Oportunamente, revelo mi-
nha admiragio por teu esfor-
go, tua coragem, garra e de-
terminago, que, aliados a tua
singular intelig6ncia, fazem
de ti o maior jomalista das
regi6es Norte e Nordeste.
Apresento, humildemente,
a sugestao de contribui6oes
voluntarias, como artigos, ou
mesmo parceria de anincios
desinteressados, passarem a


ser aceitos por esse Jomal,
lembrando que a Imprensa
Altemativa 6 a mais valiosa
arma do cidadao. E publica-
56es como "Caros Amigos" e
"Brasil Mais" sao provas con-
tundentes dessa afirmaqao.
Um afetuoso abrago,
Ant6nio Vieira
Soares Neto

CRM-947
Espero que o Antonio ndo
continue a se considerar
magoado por eu nao ter ain-
da podido aproveitar suas
contribuiVoes, a mais recen-
te delaspor absolutafalta de
tempo para a checagem pro-
fissional, que sempre se im-
poe. Viagens, doengas e en-
cargos acumulados tem dei-
xado pouco tempo para a
apuragao nos iltimos meses.
Mas, enquanto
ndo trago
para o jor-
nal as in-
forma-
cVes, dou
passage
ao prdprio An-
t6nio, que aborda
nesta carta questSes
revelantes, a serem
retomadas e es-
clarecidas.


Cartas de leitores serdo
sempre bem-vindas, qualquer
que seja o seu conteido, pre-
enchidas as exigencias 6ticas
e as normas ticnicas aplicd-
veis. Quanto a inserado de
anfncios comerciais: conti-
nuo a sustentar a posigdo
editorial de nao aceitd-los.
Este e um journal que depen-
de exclusivamente do seu lei-
tor para valer mesmo e
ndo como recurso de marke-
ting. Continuard assim, en-
quanto os leitores quiserem e
eu sobreviver


sinceros votos de
congratulag6es
pelo justissimo
Pr8mio Colombe d'Oro per la
Pace a voc8 conferido, como
reconhecimento international
de seu papel como jor-
nalista em defe-
sa da li-
berdade e
da justiga
na Ama-
z6nia.
Um abrago
amigo,
Antonio
Carlos
e Sonia
Magalhies


(-4r a "







JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE AGOSTO / 1997 7


da
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ca
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ga
ral
me
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Privatizagao: golpe certeiro no cerebro

A contabilidade que apura os efeitos sia, praticada por quem precisa de vo- trapeso aos interesses clientelistas, ain
globalizagao, particularmente sobre tos, e por isso recorre a demagogia. existentes, mas em redugco. Esta cultu
de seus icones mais destacados, as Os executives da nova CSN, a alavan- criada com enormes sacrificios ao Ion
vatiza69es, merece f0? Ningu6m che- ca da industria de base montada por Ge- de d6cadas, esta sendo desbaratada I
a a formular a pergunta, mas ela per- tdlio Vargas em Volta Redonda, nao es- esse agodado e desequilibrado program
neceu de pe ao final do debate-relim- tao nem ai para os efeitos multiplicado- de privatizag6es.
go travado no Bom Dia, Brasil, da TV res da empresa fora de sues limits mi- Foram reflexes como essas que
obo, na tiltima sexta-feira, entire Ben- cro-econ6micos finala, o espaco fisico vieram quando soube da demissao
nin Steinbruch, president do conse- foi substituido pelo espaco econ6mico), duas das melhores cabecas do gru
de administracao da Companhia Si- e para seus compromissos comunitarios CVRD: o director de desenvolvimen
rnrgica Nacional (e tamb6m da Light (um erro que custa caro a empresa e a Ulysses de Freitas, e o president
la Companhia Vale do Rio Doce, tris nacao quando, na ressaca, explode os Docegeo, Breno Augusto dos Sant(
rolas do colar da desestatizacgo brasi- conflitos sociais, chegando at6 a selva- Ambos foram constrangidos a deixaJ
ra desgarradas para fortalecer os no- geria e o irracionalismo, corn o risco de empresa, o ultimo depois de quase
s carteis), e o deputado Procopio Lima terrivel custo politico). anos de decisive atuacao no Sistel
to, o primeiro president da CSN pri- Reagem corn arrogincia em momen- Norte. Sairam provavelmente amargu
tizada. tos como quando o deputado mostrou que dos e desiludidos, embora nao tenh;
Falar em debate na lider em audiancia os cortes de pessoal resultariam numa feito declaracges a respeito (nem a i
televisao e forga de expressao. Toda economic de apenas 4% sobre os custos prensa, cor seus espagos loteados,
arenga nao durou quatro minutes. totals. "E uma estatistica mentirosa do lembrou de ouvi-los).
inbruch, mais agressivo, ficou cor a Sindicato dos Engenheiros", sentenciou Os dois sao profissionais compete
lhor fatia. Mas nao com o argument Steinbruch. Um pouco antes ele havia tes e de prestigio na CVRD. Suas idac
is convincente. Sua l6gica so ter for- puxado do bolso do palet6 (a cartola de ou seus tempos de servigo, que num c
se for aceita como pressuposto. Quan- madgico dos executives) um papel corn a trio burro poderiam ser considered
questionada desde a origem, se estio- relag~ o das contribuic6es sociais da CSN, problems, constituem justamente o
O tempo da televisao, entretanto, se todas elas deduc9es compuls6rias e nao verso: sao seus maiores patrim6nios. E
gota exatamente no moment em que atos de vontade da empresa. Em boa hora, adquiriram um conhecimento e uma
;ontroversia comeca a penetrar a ca- ojomalista Chico Pinheiro tratou de lem- periEncia raras, meios a serem usad
ida sobrenadante de superficialidade, brar para o "detalhe". como fonte de consult e referencia pa
e constitui sua essencia e a razao O descompasso result de que a con- a tomada de decisbes. Sobretudo porqi
sua existencia. tabilidade da empresa globalizada, prin- independentemente de seus comprom
Um pouco de compromisso com o cipalmente quando de origem estatal sos cor o contratente, sao pessoas do
eresse piiblico teria feito a diregao da (uma condi9ao a ser exorcizada), 6 vici- das de autonomia de pensamento e
lissora agenda um segundo round ada intrinsecamente. Ela nio consegue dependEncia de attitudes.
tre os dois contendores. Quando nada, processar os elements sociais da ativi- Essas virtudes estao abolidas das
la circunstfncia especial de permitir dade econ6mica e tem uma aversio con- estatais, hoje elements de uma estru
nfrontar dois lideres da privatizag~o, g8nita ao human, Incorpora organica- ra produtiva que se carteliza, dando a
is com posicges divergentes. Steinbru- mente, em seu lugar, o sucedineo ideal, detentores de capital o poder de mu
e um liberal ortodoxo, um devote do a maquina. plicar ainda mais seus ganhos. Aja ab
tecismo da globalizag~o. Para gente Nio que a empresa estatal anterior sal concentracgo da renda no Brasil
mo ele, o equilibrio entire a redugio fosse modelo de alguma coisa. Nio era. se aprofundar ainda mais. Ao nosso pr
custos e o nivel de qualidade do pro- Mas estava evoluindo, deixando de ser a cipe sera atribuido esse cr6dito: o de
sso ate a obtengco do produto result empresa do govemo para se aproximar recriado uma corte para valer.
relagao direta entire competidores que cada vez mais da condigio de verdadei- Breno e Ulysses vio engrossar o
encontram num mercado livre de fron- ra empresa puiblica. Livrava-se de pen- dos ex-funcionarios de alto nivel da V
ras e que expurgou o conceito de na- duricalhos e dependencias fisiol6gicas que os novos controladores estio desc.
o. Essa e a bitola, que da as empresas para ocupar uma funCgo positive no mer- tando, atingindo o nicleo de excel8n
1 poder assustador. Fora desse parn- cado, diminuindo sua selvageria e pon- e de inteligncia da empresa, que os h
otro, tudo parece her&tico ou suspeito. derando a integraio international pelos trumentos obtusos da contabilidade g
A preocupacio de Lima Neto cor a objetivos nacionais. balizada sao inapazes de medir, mesl
percussao sobre o social dessa "reen- Essa evolugio tinha components ex- porque nio conseguem nem detect
nharia" foi interpretada como politi- ternos e intemos. Os extemos estio vin- Breno Augusto dos Santos, particul
gem por Steinbruch para o telespecta- do atraves da melhona do Brasil. Apesar mente, e um pesonagem da hist6ria
r (poupado, se cair no sofisma, do des- de tudo, o pais de hoje, beneficiado pela Amaz6nia. Ao long dequatro d6cad
tante trabalho de pensar cor a pr6pria oxigenacio democratic, e melhor do que participou da criagdo de conhecimei
be9a) O ate entao empresario modelar o da 6poca do "milagre econ6mico", que sobre a geologia regional, primeiro
novo tempo decidiu ser parlamentar, vivia uma fantasia onerosa. O Brasil atu- Icomi, no Amapa, e, em seguida, m
nhando uma cadeira na bancada fede- al ter maior poder de discernimento, o extensamente, na CVRD, em Carajas
Sdo Rio de Janeiro. A partir desse mo- que favorece o control social das empre- Esse golpe, se atinge as entranhas
ento, suas critics aos seus ex-compa- sas pfiblicas. O fator interno decorre da Amaz6nia, vai fundo no cerebro do pa
eiros de viagem e sucessores, que carreira criada dentro das estatais, que uma maneira, assim, de tornar men
auto-situam na vanguard do proces- permitiu a formacio de uma camada tec- dolorido (e perceptivel) o crime que
- passaram a ser vistas como here- nica realmente profissionalizada, o con- vem praticando contra o Brasil.


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Padrio tucano
Depois de um autentico cha
de cadeira de quase um mts
e meio, o Banco Central
respondedu ao governador
Almir Gabriel. Comunicou-
Ihe que nio poderia ceder
seu funcionrio em Belnm,
Carlos Watrin, para presidir
o Banco do Estado do Para,
como fora solicitado.
Motivo legal para essa
decisao havia: uma Medida
Provis6ria vetando esse tipo
de cessao. Mas se houvesse
boa vontade em Brasilia, o
problema poderia ser
contomado na transiGio do
fim da vigencia da MP para
sua reedio, exatamente
quando o oficio do
governador se encontrava no
BC.
Mas nao ha essa boa
vontade no Planalto. La,
ainda hiberna o piano de
saneamento que o govemo
do Estado props para o
Banpara. Para nao dizer n~o,
o tucanato tem preferido
nada dizer por enquanto,
conforme estilo prrprio, ate
poder ou querer decidir. E a
decision devera ser contra o
piano, se ate la nenhuma
modificaco houver. A
principal seria mudar o
status do govemo Almir
Gabriel, que e muito baixo
em Brasilia. A iniciativa de
requisitar Watrin quando
estava pendente a MP nao
melhorou um milimetro esse
conceito, muito pelo
contrArio.
Quando raciocina, o
governor raciocina mal e
executa pior ainda.


Modelo depravado
O Para pulou do s6timo para o sexto lugar entire os maiores
exportadores brasileiros no ano passado. Superou o Espirito
Santo e estA atris apenas de Sao Paulo, Minas Gerais, Parani,
Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, pela ordem. Logo na
passage deste s6culo para o proximo, devera ultrapassar o
Rio de Janeiro. Mas ha motives para comemorar?
Nao. Cada vez mais o modelo exportador-primirio
concentra e transfer a renda que gera. Essa lesio so pode
ser evitada atraves da vertilicalizacgo industrial (ou p6s-
industrial, conforme o caso). Mas o Para 6 um venedor de
matdrias primas e insumos bAsicos, vivendo defasado em
relaao ao seu tempo.
Por isso, o govemo, que e a principal fonte de repartigao da
renda, transferindo-a para os impostos e, atrav6s deles, para
a comunidade (no roteiro te6rico, sujeito a desvios mil no
Para), sera cada vez mais pensalizado. Sexto em exporta~io,
o Para e o 170 em desenvolvimento human e o 130 em
arredaao de impostos. O Amazonas, 170 em exportagao, e o
100 em tributes. Enquanto as exportagoes paraenses
renderam US$ 2,2 bilh6es, a Zona Franca de Manaus
faturou R$ 13,2 bilhSes, tendo importado US$ 3,1 bilh6es
(cor o que consumiu a receita cambial da Amazonia e ainda
deixou-lhe um deficit).
Se permanecer assim, vamos continuar crescendo
como rabo de cavalo: para baixo.


0 de sempre
Qual o critdrio que leva o
secretario de Agricultura,
Hildegardo Nunes, a ceder
um t6cnico e uma servidora
da Sagri para a prefeitura de
Sao Jodo da Ponta, com onus
para o 6rgio de origem, e
nio assumir onus sobre uma
servidora cedida para a
Vigia? As tr8s portarias (mais
uma, cedendo, corn nus, um
t6cnico para a Escola
Agrot6cnica de Castanhal)
foram publicadas em uma
mesma edig~o do Diario
Official, no dia 14.
Alias, verifica-se o
crescimento das cessoes comr
6nus de funcionrios
estaduais, uma prAtica nio
recomendada pelo control
de qualidade, pela situagio
financeira do erArio, pela
6tica e pelo program de
renovacao que deu a vit6ria
ao governador Almir
Gabriel, transformando-o em
esperanga de novas praticas
political no Estado.


Moralidade
Paulo Ramalho, president
da Fundag~o dos Terminais
Rodoviarios do Estado do
Para, publicou um destacado
anincio em A Provincia do
Pard dando parabens ao
governador Almir Gabriel,
que no dia 18 fez
anivershrio. Se nao pagou o
anuincio do seu pr6prio
bolso, Ramalho bem que
merecia ser conduzido ao
holocaust dos prometidos
novos tempos de moralidade
pitblica. Se pagou a pega,
"menos pior", mas leva o
titulo de arrivista do dia (ou
do ano?). Em qualquer
situacgo, corn sua surpresa
deve ter conseguido efeito
contrdrio ao pretendido
junto ao homenageado, se o
m6dico Almir Gabriel ainda
nWo se deixou envolver de
vez pelos aulicos palacianos.
Ao menos uma canetada
justiceira para o resto de
esperanca nao acabar de vez,
governador.


Journal Pessoal
Editor: Ltcio Flbvio Pinto
Sede: Rua Aristides Lobo, 871 / CEP: 60 03-020
Foan: 223-1929 e 241-7626
Contato: Try. Benjamin Constant, 846/203 6$ Q3-020 Fone: 223-7690
e.mail: lucio@expert.com.br
Editorag o de arte: Luizpi 1 2. :-18601222.238


Escrit6rio
recordista
Oescrit6no Silveir.
Athias, Soriano de Mello
Guimardes & Pinheiro S/C
Advogados Associados ja
pode se inscrever no
Gulness, o tivro dos
records. Praneiro. pelo
name, luspanicamente
extemso. Segundo. pela
quantidade de advogados
associados que aparece TI
an6ncio dejomal: 19.
Terciro, pea legiio de
estagiArios: 20. Quarto, por
abrigar o maior conjunto
de chefes da procuradoria
do Estado. trSs, j~ reunido
nur s6 escritorio.
Por tudo isso, e pela
competicia impicita
nessas proporoes, nerece
ti registro.


Pesos e
medidas
Sera que o Ministerio
Publico ou o Procon nao se
animam a impedir que a
grande imprensa continue a
fraudar o consumidor de
jornais com a edigio
dominical? No inicio da
noite de sabado o journal de
domingo ja esta nas ruas,
embora o cabegalho diga
que a edi9~o e do dia
seguinte. Teriam que, pelo
menos, aguardar a meia-
noite para tender a
formalidade legal, sem a
qual uns tornam-se mais
iguais do que os outros.
Esse delito nao esta
capitulado no c6digo do
consumidor? Ou s6 vale
para o z6 da quitanda?
Cada vez mais frias e
apressadas, as edig6es
dominicais, quando nao
mobilizam equipes especiais
durante a semana, tomam-se
um embuste. Enquanto os
jomais do dia 10 circulavam
dizendo que se agravara o
estado de Betinho, os
plantoes jomalisticos
emissoras de televised do
dia 9 (a v6spera, portanto)
anunciavam que ele havia
morrido.
Os fiscais da lei, onde eles
estavam na segunda-feira?