Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00117

Full Text





Jornal Pessoal
L U C I 0 F L A V I P I N TO
i NOX- 9 6 II QUNEA D AG T DE 197-R$20


Ferronorte: a
obra de FHC
(pag. 5)


POLITICAL


0 jogo embaralhou

Tudo estd mudando, mas nada muda na political paraense. Os aliados de ontem
viram inimigos. Os inimigos se reaproximam. Uns querem se manter no poder.
Outros querem desalojd-los para ndo ter concorrencia. E a guerra psicol6gica,
que surge as vesperas de um confronto para valer Jader Barbalho e Hilio Gueiros
vdo estar juntoss?) contra Almir Gabriel e Jarbas Passarinho em 1998?


IM


uem tivesse deixado o
Para em novembro de
1994, logo depois do 2
turno da eleicao, e s6 re-
tornado na semana pas-
sada, para assistir a pos-
se do ex-deputado Ronal-
do Passarinho como conselheiro do Tri-
bunal de Contas dos Municipios, ficaria
completamente desnorteado. Afora ter
sido o mais concorrido ato official dos iil-
timos tempos, a solenidade atestava uma
mudanqa radical na political paraense as
vesperas da corrida para outra elei9ao ge-
ral no pr6ximo ano.
O maior ausente era o senador Jader


Barbalho, ainda o dono do PMDB do Para
e de uns 20/25% dos votos que sao depo-
sitados nas urnas do Estado em disputes
majoritarias, apesar da perda de poder
relative. Jader nao foi, nao desculpou-se,
nem mandou telegrama, ao contrario da
ex-mulher, a deputada federal Elcione
Barbalho (que tamb6m nao compareceu,
mas remeteu uma afetuosa mensagem
para Ronaldo).
Menos de tres anos antes, Jader nao
apenas fora o principal cabo eleitoral
de Jarbas, como o personagem funda-
mental para que o entao senador aca-
basse decidindo concorrer ao governor
do Estado, objetivo que nao fazia par-


te de seus pianos originals.
Se o aliado ausentou-se, o terrivel ad-
versario que derrotou Passarinho estava
present. Mais do que testemunha da pos-
se do sobrinho do antagonista que tanto
atacou na campanha eleitoral, o governa-
dor Almir Gabriel foi uma especie de ava-
lista da indicaggo do mais novo conse-
Iheiro do TCM. Almir resistiu, inclusive,
a varias investidas de Jader, que queria
ter o direito de ser consultado para vetar a
indicagdo, mas nao conseguiu essa prer-
rogativa.
Convidado, Helio Gueiros tambem
foi, embora seja um inimigo hist6rico de
Jarbas Passarinho e um dos respon- -


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! I


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"1 I^SSS







2 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE AGOSTO / 1997


- ponsAveis por sua derrota para Al-
mir Gabriel em 1994. O ex-governa-
dor e ex-prefeito poderia pretextar sua
presence com a relacgo pessoal que
sempre manteve com o sobrinho, ape-
sar das violentas escaramugas entire os
dois grupos, mas fez questao de cum-
primentar o ex-senador quando o viu,
saudando-o com amistosidade. Se di-
visou seu aliado de tr8s anos antes, en-
tretanto, preferiu ignori-lo: o ex e o
atual goverador nem se aproximaram.
Esses movimentos c8nicos pareciam
confirmar um boato que vem circulan-
do com intensidade crescente na cida-
de: de que os antigos correligionirios
e amigos Jader Barbalho e H6lio Guei-
ros, hoje inimigos radicals, poderiam
voltar a coligar-se para enfrentar o ini-
migo comum de hoje, o governador
Almir Gabriel e seu projeto de reelei-
cgo.
Dois passes nessa diregao ja foram
dados. De seu lado, Helio articulou a
dissociaago de seu partido, o PFL, do
esquema de sustentagao do governor,
sem chegar a um rompimento aberto,
mas ocupando uma nova posigao para
restabelecer o acerto original em no-
vas bases (nao as do governador, evi-
dentemente, o que significa colocar em
questao a reeleigao de Almir), ou para
o confront.
Da mesma maneira, Jader Barbalho
foi-se distanciando do PPB do ex-se-
nador Jarbas Passarinho a media que
ele foi se aproximando do governador
Almir Gabriel. Os sinais de alerta fo-
ram sendo dados atraves de notas ma-
liciosas ou ostensivamente de ataque a
Passarinho no Didrio do Pard, o jor-
nal de Jader.
Cor o aprofundamento das relagaes
entire os jarbistas e o governor, resul-
tando na ida de Ronaldo para o TCM,
Jader passou a agir mais agressivamen-
te nos bastidores contra os interesses
de seu ainda (ao menos formalmente)
aliado, mas tomando o cuidado de nao
se expor muito porque a passage de
Ronaldo da Assembleia Legislativa
(ap6s sucessivos mandatog por quase
20 anos) para o TCM foi triunfal, com
o apoio dos 40 deputados estaduais,
inclusive do PT (que acabaram Ihe pro-
porcionando uma inedita homenagem:
tres sessdes de despedida).
Isto significa que o grupo de Passari-
nho, apesar de o lider ter ficado sem
mandate, ainda ter peso important na
political do Para. Em primeiro lugar, pelo
precioso tempo de que dispbe o PPB, o
quarto na propaganda eleitoral gratuita.
Em segundo lugar, porque Passarinho
nao esta eliminado da political national,
ao contrario do que pode parecer.


Se decidir lancar-se
candidate a deputado
federal, ele tem elei-
c~o praticamente ga-
rantida. Uma votagao
maciga, almr de dar
forga A bancada fede-
ral do partido no Es-
tado (embora afetando
pelo menos um dos
deputados integrantes,
o deputado Gerson
Peres), poderia cre-
dencia-lo a tentar plei-
tear a presidencia na
pr6xima legislature),
lancando mao do in-
questionavel prestigio
que tem em Brasilia
(em fungio de nao dis-
putar votos na capital
federal).
President da Ca-
mara, Passarinho entra
na linha sucess6ria do
president da Repuibli-
ca, cargo que certa-


Um dos fatos mais dcsta-
cados na temporada de
prestigio do grupo Passa-
rinho, nasemana passada,
foi a presenga da presiden-
te do Sistema Romulo
Maiorana de Comunica-
,;o. Dea Maiorana nao
apenas foi a posse de Ro-
naldo Passarmho no Tri-
bunal de Contas dos Mu-
nicipios. como prestigious
a homenagem que a As-
semblia Legislativa pres-
tou ao ex-senador Jarbas
Passarinho A \itiva de
Romulo Maiorana ali ndo
compareceu nem mesmo
para receber homenagens
feitas a ela e a sua empre-
sa. sempre mandando re-
presentantes. Raramcnte


mente ocuparia circunstancialmente
(tanto pela ligacao com o vice-presi-
dente Marco Maciel, que Ihe abriria a
oportunidade, como pela simpatia do
pr6prio Fernando Henrique Cardoso).
Por essa via, Jarbas estaria de volta a
linha de frente do poder national.
Talvez tenha sido esse um dos alvos
que Jader Barbalho mirou em 1994,
quando estimulou a volta de Passari-
nho a dispute provincial, criando uma
dobradinha que o projetou. Agora, com
a possibilidade de renascimento do se-
nador derrotado e a provavel alianga
PPB-PSDB em 1998, Jader pode en-
contrar do outro lado do front seu anti-
go aliado. Por isso, teve terreno f6rtil
para prosperar a informagao de que ele
teria induzido o deputado Nivaldo Pe-
reira a apresentar-se como candidate a
lideranga do PPB, rachando o partido
ao meio ao disputar com Cipriano Sa-
bino, o candidate da continuidade po-
litica com a ausencia de Ronaldo (e ser
vencido por ele, finall.
E nesse mesmo solo adubado que
vem sendo plantadas as informacges
sobre a reaproximag~o Jader-Hl6io.
Tr8s peemedebistas, consultados, di-
zem que perguntaram a respeito ao se-
nador e ele, enigmatico, como de cos-
tume, responded que nada tinha a opor,
sem confirmar nada. O convite ao vice-
governador Hl6io Gueiros Jr. para ser
entrevistado no program Argumento,
da TV RBA (ao vivo, como exigiu, ten-
do direito ainda a anincio de destaque
no Didrio do Pard), estaria encaixado
na 16gica dessa estratdgia, sujeitando-


ela vai a solerudades.
O lance final foi o convite
feito para Passarinho visi-
tar a luxuosa sede do jor-
nal, onde o ex-senador ain-
da nao ha ia ido. Para re-
cebd-lo. Dea adiou uma vi-
agern que faria ao Rio de
Janeiro para o dia seguin-
tc TrWs de seus filbos esti-
veram presents A visit,
nias nao Romulo Maiora-
na Jr.. o principal executi-
\o da empresa. que vein
sendo sondado para ser
candidate em 1998 (fala-
sc no governor do Estado e
no senado) pelo PFL Ro-
nunho. que ja foi fdiado ao
PMDB. hoje esta no PL do
seu amigo, o vereador
Genrvsio Norgado


se aos seus riscos (Helinho, como a
familiar, resisted a uma aproxima~ao com
os Barbalho).
Um ponto comum aproxima Helio
de Jader: eles nao aceitam a reeleiggo
de Almir Gabriel, qualquer que seja a
circunstancia. Com dois mandates, o
governador poderia ate realizar a faca-
nha, inimaginavel no horizonte de um
dnico mandate, de criar seu grupo de
poder no Estado.
O que afasta Helio de Jader sao jus-
tamente seus pr6prios grupos, grandes
e vorazes o bastante para dificultar (ou
mesmo impossibilitar) a conciliago de
interesses. Foi por causa de seus apeti-
tes que os dois lideres seguiram cami-
nhos distintos e antag6nicos, depois de
uma longa conviv8ncia. Mas como nao
sao principios politicos ou ideol6gicos
o que os mantem separados, a reconci-
liagio e uma questao de calculo, cAl-
culo que 6 feito numa unica dire9ao: a
maior proximidade do poder, sem o
qual dificilmente um grupo politico se
estabelece num Estado pobre e com-
plexo como o Para.
Por enquanto, entretanto, todos ain-
da se comportam como os lutadores
antes de comegar a luta, na guerra psi-
col6gica que envolve ameagas e sedu-
95es. Depois, sera mesmo para valer,
com as mesmas regras, os mesmos pro-
cedimentos, as mesmas pessoas, ainda
que em posic6es invertidas. O que
muda no Para 6 apenas quem esta usan-
do o poder pfiblico. E isto ter muda-
do pouco ou quase nada ha
tempos .


Destaque







JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE AGOSTO / 1997 3


Matematica

frivola
O procurador-geral do
Estado, Joao de Miranda
Ledo Filho, deu primoro-
sas declaraces a Libe-
ral no dia 1. Inconfor-
mado corn a revelagio de
que a maior m6dia salari-
al da administration estadual
encontra-se na Procuradoria, al-
cangando 2.500 reais "per capital" ao
mes, procurou o jomal para mostrar que
nio 6 bem assim.
Esta seria a media apenas entire os 26
procuradores. Aplicado o calculo aos 46
funcionarios administrativos, a m6dia
cairia muito porque 90% deles estariam
ganhando um salario minimo. O rep6r-
ter deixou de perguntar qual a media dos
10% (ou cinco funcionarios) que nio
estao enquadrados nessa faixa de mise-
ria e por que a media estratificada do
procurador nio bate com a m6dia geral
a qual 6 inevitavel chegar a partir de ele-
mentar calculo aritmetico entire o total do
quadro de pessoal da Procuradoria e
quanto ela custa ao Estado, conforme a
tabela publicada no Diario Oficial (e usa-
da como fonte no noticinrio de vespera
do journal .
Abstraindo-se a matematica frivla do
procurador, necessario e a-sina.,r que
ele, incomodado pela rcnda 'per c.apita"
do 6rgao que dirige, neni. ima .engio
deu ao fosso abissal que separa .,menor
do maior salario, ou,
conforme sua matemati-
ca, a menor m6dia (R$
120) da maior (R$
2.500). Ou seja, 20 ve- O control
zes. -aegypt, que
O desinteresse talvez feito de 15
result do referencial pessoal e rec
de valores do procura- tecer de mes
dor. Ele acha que seus nitArio cheg;
25 colegas estao ga- tabelecido, s
nhando mais porqu, itutdo nor
todos "sao concursados religioso loc
e recebem o que mere- dade foram
cem". Baixados esse aieles com v
crit6rios para serem r Mlhares
aplicados no nivel dos gue comum
auxiliares dessa elite, se vier a her
ou eles nao sao concui e o risco de
sados, ou nao tenm me- araci tbram
ritos para ganhiar mais amarela, fel
(ou as duas coisas ao chada a cad(
mesmo tempo, agra festacao per
vando a situago). Nes- navios. Os I
se caso, devem ser de- tizar o imf
mitidos jA (se entraram sgo fu rados
pela janela no serviqo


pdibli-
S co, con-
trariando a
norma legal),
ou daqui a pou-
co, quando o principe-presidente pu-
der colocar em vigor o criterio de ex-
clusao de funcionario public por des-
preparo para a fungno.
Como ha quase dois funcionarios ad-
ministrativos para cada procurador, ou
estes nio sabem cobrar servigo dos au-
xiliares ou aqueles realmente nao podem
contribuir para reduzir os encargos que
pesam sobre os superiores ombros des-
ses proficientes bamab6s (que nao ddo
dedicagao exclusive, ao contrario dos
membros do Ministerio Puiblico, atuan-
do em scus escritorios de advocacia),
como sugere ser o caso o nobre procura-
dor geral.
Configura-se, entoo, uma situadio ti-
pica a exigir intervenqco externa na Pro-
curadoria Geral do Estado para corrigir
esta situagao fatica que a matematica
mostra-se incapaz de traduzir. Ou con-
sagre-se a sutil matematica do procura-


dor, ou mude-se a procuradoria.
possivel, as duas coisas.


Ou, se
*


e dos focos do mosquito acdes
transmite a dengue. deveria ser
em 15 dias. Como ha falta de
ursos, as visits s6 podem acon-
em mis. Quando o guard sa-
a, o foco costuma ja ter-se res-
e o veneno aplicado n~o e subs-
oleo queimado. Em um colegio
alizado Lm bairro centi al da ci-
identificados 46 focos, cada um
arios grupamentos de larvas.
de pessoas j contrairam a den-
em Beltm. Estarao suscetiveis
norragica sofrerdo niuwto mais
more estara present. Em Ieo-
encontrados 15 focos de febre
izmente eliminados antes de fe-
;ia. Mas a possibilidade de rein-
siste, principalmente atraves de
)neus que eles usam para amor-
acto da atiacaqao nem sempre
. como recomenaam as autori-


Padrao
0 Liberal ter um program que
leva o journal para a leitura de
estudantes de l" e 2 graus da rede
pztblica de ensino. Cor isso, ojornal
tornou-se um dos instruments para
a formacao da juventude paraense.
Essa grave responsabilidade,
entretanto, parece ndo pesar sobre
as consciencias dos dirigentes da
empresa como sobre eles exerce
fascinio o aspect commercial de suas
declaradas iniciativas comunittirias.
Na edigdo do dia 2, sob o titulo
principal ("Descoberta de ouro no
Jari") da pdgina 7 do caderno
Painel, um "olho" proclamava:
"Prefeitura de Almeirim anuncia a
existencia de novas jazidas com
reserves em 500 milhoes de
toneladas ".
A quantidade de ouro considerada
existent no subsolo de todo o
planet pelo conhecimento geol6gico
atualmente disponivel poderia
chegar no maximo a 50 mil
toneladas, ou 0, 01% do que 0
Liberal trombeteou, inclusive aos
incautos estudantes.
E apenas um entire muitos
exemplos dicrios de desinJbrmacao,
deformaado e desprezo pelo leitor,
sobretudo o que estd em formagdo
nas escolas.
Ainda bem que 0 Liberal nao e
lido em Nova York: com essa noticia,
iria pro\ocar o caos na maior bolsa
de valores do mundo. 0


dades sanitarias A agua. retda. transfor-
ma-os em criatrio de mosquitos do mun-
do inteiro, principalmente da Africa.
Quem est6 bmr informado alarma-se
cor a fragilidade de Belem. um retrato
atenuado da gravidade da situaiao no in-
terior do Estado e no hintrerlarn ainazoni-
co Ao extinguir a Sucam. um dos poucos
ser iqos pLiblicos que funcionava e conta-
va corn o respeito do povo. Fernando Co-
llor de Mello cometeu em silnncio um cri-
me de lesa-regiio. Nao houve reaqao mi-
nimamente comparavel a lesividade do ato.
que devolveu a Anaz6nia a mna era pre-
Oswaldo Cr'tz.
Comr ura Fundaqdo Nacional de Saude
desamparada e um governor que s6 da prio-
ridade A salide na propaganda ou nietendo
a mio no bolso do contribuinte para com-
pensar sua omissao, o que se pode esperar
da municipalizaqco. ja em curso, nesta
Amaz6nia africanizada"


Outra Africa







4 JOURNAL PESSOAL 1I QUINZENA DE AGOSTO / 1997


Corporativismo

O governador Almir Gabriel tentou
fazer seu amigo e correligiondrio Fer-
nando Flexa Ribeiro superintendent
da Sudam. Flexa chegou a dar entre-
vista como future ocupante do cargo,
mas acabou preterido. O escolhido,
Frederico Andrade, v6rias vezes con-
vidou o govemador para as reunites do
Conselho Deliberativo da Sudam. Ou-
viu promessas, mas deixou o cargo sem
ter o prazer de ver o governador no
Condel, ao menos por civilidade ou
cortesia.
A attitude se repete cor o successor
de Fredrico, Arthur Tourinho. O gover-
nador prefer continuar a ignorar a Su-
dam, mesmo na semana passada, quan-
do o senador Jos6 Sarey esteve por la
cor prefeitos amapaenses atris de di-.
nheiro que renda voto.
I provavel que a motivagdo do go-
vernador seja a seguinte: nio compa-
recendo, esvazia a Sudam. Assim, pelo
m6todo peripat6tico, imagine fazer
Brasilia perceber seu desagrado. At6
que, por alguma via tortuosa, consiga
o acatamento g sua vontade. Quando -
e se isso acontecer, talvez o governa-
dor conclua que a Sudam e uma ins-
tincia important na Amaz6nia, inclu-
sive por seus erros e vicios, citre os
quais a manipulag~o political, que con-
vinha ao governador denunciar como
autoridade maxima do Pard, defenden-
do o Estado que represent mais do que
o grupo politico-empresarial ao qual se
associou.
Olimpico, Almir Gabriel mostra que
nao 6. Agora, que confunde o pessoal
com o pitblico, o particular com o co-
letivo, isso confunde. Como os outros
antes dele. 0

Nivelando por baixo
Deve ter alguma coisa a ver cor: a pre-
dominancia da televisao e do computa-
dor na formaaio das mentalidades me-
dias o abuso cada vez maior sobre a in-
telig8ncia das pessoas. Diz-se disparates,
que agridem o raciocinio 16gicotmas os
atentados sdo aceitos sem obje9go.
Um exemplo. Ant6nio Olinto avaliou-
se como o successor ideal de Ant6nio
Callado na Academia Brasileira de Le-
tras, fazendo tres aproxima6es entire a
sua pr6pria trajet6ria e a do recem-fale-
cido autor de Quarup: "Fomos roman-
cistas, jornalistas, moramos em Londres,
e comegamos a escrever na d6cada de
50", observou o novo "imortal".
Da vontade de reagir cor aquele po-
pular paralelo: sim, Olinto, mas o que o
(*) tem a ver corn a calga? O digamos


Ha alguns governor os secretarios de
cultural do Estado tnm sido intelectu-
ais. Bom para a cultural? Teoricamen-
te, sim: quem, melhor do que um ine-
telectual, para tratar da questao? Mas
nem sempre o que parece 16gico se con-
firma na pratica.
Esse paradoxo nao 6 um privil6gio
paraense. Basta pensar no desempenho
sofrivel de Celso Furtado no Ministe-
rio da Cultura. O economist pernam-
bucano 6 um dos maiores intelectuais
brasileiros vivos (embora tenha acei-
tado entrar na Academia Brasileira de
Letras) e, provavelmente, o mais im-
portante dos nossos economists. Tam-
bem 6 um home cosmopolita, refina-
do. Mas houve moment, no governor
Sarney, em que nao se conseguia lem-
brar quenm e que estava ocupando o
MinC.
Recorde-se ainda a reaqco de Ferrei-
ra Gullar ao scr substituido na presi-
dencia da Funarte, pelo amazonense
Marcio Souza. Gullar perdeu o aplomb
de uma tal maneira que ficou dificil
acreditar que estivesse defendendo um
program de agao para o 6rgdo e nao a
manutengao do cargo. E o poeta mara-
nhense e dono de uma obra respeita-
vel, na qual se inclui um dos mais ele-
vados moments po6ticos recentes, o
Poema Sujo, que deu a S5o Luis um
canto de amor a que nenhuma outra
cidade brasileira teve direito.
Alguem mais perspicaz ja alertou
que entregar a cultural a um inetelectu-
al e o mesmo que dar fogo para uma
crianca brincar. Alguem sempre vai sair
queimado e, no' balango final, inevita-
velmente a pr6pria cultural. Quando ela
vira instrument de poder, como o que


assim raciocinio se parece aos comen-
tarios que os entrevistados do caderno
Id6ias, do Jornal do Brasil, costumam
fazer sobre os livros que dizem estar
lendo, uma pretensdo a criatividade em
poucas linhas que result apenas em pre-
tensiosismo. Aspira-se a falsa non-cha-
lance das legibes que colocam a aba do
bone para tras. A massificacgo engen-
dra manadas irconscientes da padroni-
zacgo. E a era do imico em s6rie.


uma secretaria proporciona, o que era
a competencia natural do intellectual
pode desviar-se para areas bem menos
afeitas a 16gica e a racionalidade. En-
tra em acgo o caleidosc6pio de vaida-
de, perfidia e espirito grupal. Mesmo
que o intellectual conseguisse escapar
a essas armadilhas, ainda haveria o
microcosmo explosive do mundo da
cultural, onde o minimo vira o maxi-
mo.
Por isso, nem sempre o saldo da atu-
agao de verdadeiros intelectuais aos
quais foi confiada a condugio da cul-
tura como assunto de Estado e positi-
vo. Penso nisso ao ver anunciada rea-
lizagdo de uma exposigCo sobre o tri-
centenario do padre Ant6nio Vieira. E
uma iniciativa de alto valor: poucos
personagens na hist6ria luso-brasileira
tiveram a dimensao de Vieira. S6 os ob-
tusos negam sua grandeza. Tudo bem.
Mas por que o Para ficou de fora da
mostra da cole9do de Alexandre Rodri-
gues Ferreira, a mais preciosa de quan-
tas foram formadas na Amaz6nia no
period colonial?
A cole9ao demorou 200 anos para
sair de Portugal. Permaneceu dois me-
ses em Manaus, onde foi visitada, at6
o mrs passado, por 50 mil pessoas e
provocou catarses emocionantes, se-
gundo testemunho de quem a viu. Mas
Belem ficou de fora. E nao foi por fal-
ta de interesse dos organizadores. Uma
perda lamentavel, que s6 quem pode
ter acesso a colegao em Portugal con-
seguira remediar. Fizemos o que era
possivel para traz8-la a Belem? Por
enquanto, fica a pergunta no ar para
quem interessar possa.


Quanto a Ant6nio Olinto, cabe lem-
brar o comentirio que sobre a coluna
de livros por ele escrita em O Globo
fazia o saudoso S6rgio Porto (ou Sta-
nislaw Ponto Preta). A coluna se cha-
mava "Porta de Livraria". Lalau pro-
vocava: por que Olinto nao entra de
uma vez e 18 um livro? A observagao
se aplica a muito acad6mico e "imor-
tal", que, cor o livro, tem contato ape-
nas "de orelha".


Cultura e competencia

dos intelectuais?







JOURNAL PESSOAL 1A QUINZENA DE AGOSTO / 1997 5


Questio

Para que

serve o

TCM?

0 leitor Rodolfo Lisboa Cerveira,
em carta a este journal, suscita uma ques-
tao que deve ser enfrentada de frente,
com coragem, acuidade e urg6ncia:
deve continuar a existir o Tribunal de
Contas dos Municipios? Se a resposta
for positive, o que fazer para eliminar
seus males de origem e consolida-lo?
Se negative, o que impede que se d&
consequ8ncias a essa conclusao? O de-
bate esta aberto.

A carta de Rodolfo Cerveira:
"Como de costume li o ultimo ndi-
mero (167) do Jornal Pessoal. As
mat6rias como sempre estao cor ex-
celentes niveis intellectual e jornalisti-
co, mas o 'epitafio' ao IRA, no meu
entendimento, foi muito lisonjeiro. Um
cidadao que num discurso de formatu-
ra desanca as 'elites' e depois passa a
conviver com elas, que Ihe bancaram
as suas mordomias ate o fim da vida,
nao merecia tamanha magnanimidade
de sua parte. Mais um agravante: criou
(com o Alacid) uma escrescencia de-
nominada TCM, antes CCM cabide
de empregos, nepotismo e ganhos ines-
crupulosos. Como ele n~o escondia sua
afeigao pelas coisas indecorosas, po-
demos desculpi-lo? Em assim sendo,
vamos 'canonizar' o Gueiros, o Jader,
o Qu6rcia e o pr6prio Ademar de Bar-
ros de triste mem6ria, cujo lema vocE
bem conhece.
No numero 166 falou-se que Eucli-
des da Cunha teria dito que Deus dele-
gou ao home a feitura da ultima pa-
gina do Genesis. Parece-me eu ele ape-
nas caracterizou a Amaz6nia como sen-
do a derradeira pagina do G8nesis ja-
mais escrita ou por escrever. Correto.
Um abrago cordial, continue sem
leitor incondicional".

Minha resposta:
Durante certo tempo Irawaldyr Ro-
cha e eu mantivemos uma relag9o dis-
tante e fria exatamente pelas critics
que fiz, da poca pelas pdginas de 0
Liberal, ao projeto do entao Conselho
de Contas dos Municipios (depois, Tri-
bunal de Contas dos Municipios) e d
forma de sua constituigdo, marcada
pelo clientelismo politico, o compadrio
e o nepotismo, na transiado de Alacid
Nunes para Jader Barbalho. Essa n6-


doa original sustenta o virus que con-
tinua a impedir que o TCM tenha um
organismo sadio e passe a contar corn
a adesdo e a simpatia da opiniao pu-
blica. Nesse aspect, o leitor tem toda
a razao.
Hd uma questao de essencia e ou-
tra de circunstdncia no TCM e no seu
irmao mais velho, o TCE: de que ser-
ve gastar com eles milhoes de reais se
seus pareceres tenm fungdo apenas in-
formativa para os atos do legislative
quanto d cztpula da administragdo
publica e as quest6es de maior apelo
politico, e se a penalizagdo das deci-
soes precisa deslocar-se para outra
instdncia?
Veja-se o que a Assembldia Legisla-
tiva do Estado fez com o parecer prd-
vio do TCE sobre as contas de 1990
do entdo governador Helio Gueiros
(ndo por coincidencia, um ano eleito-
ral, quando vale tudo para eleger o
candidate official Ou o que a Cdma-
ra Municipal de Santardm fez cor pa-
recer do TCM Ou esses tribunais tor-
nam-se instdncia judicial, esgotando
a apreciagdo das questoes sobre as
quais sdo competentes, ou reduzem-se
a um unico ente administrative do exe-
cutivo estadual (secretaria de contro-
le de contas, externas por exemplo),
eliminando-se as gorduras e ecresc&n-
cias. Sem autonomia, o melhor do es-
forgo dos tribunals se perde.
Ha tambr m uma questdo de circuns-
tdncia, que tem provocado a multipli-
cagdo do corpo desses tribunals numa
proporgdo sem paralelo com a evolu-
cdo da receita estadual, da adminis-
tragdo pdblica, da populagdo e da pr6-
pria economic paraenses. E a trans-
formaago do TCM e do TCE em ins-
trumentos de uso e acomodagdo dos
interesses das elites political do Esta-
do.
Condicionada por esses compromis-
sos, a superestrutura dos dois tribu-
nais e um estorvo para seu pleno fun-
cionamento t6cnico. Hd pessoas de
bom nivel e com as melhores das in-
tengoes nas camadas intermedidrias,
mas o produto de seu trabalho esbar-
ra nas conveniencias dos dirigentes e
suas extensoes nepotistas ou political.
Quando, final, esse produto chega ao
legislative, seu ponto final impropria-
mente administrative, o desempenho
dos parlamentares consegue ser, em
geral, ainda pior
Esse ciclo vicioso, reforgado pelos
esquemas de indicagao e nomeagdo,
poderia ser rompido com a profissio-
nalizagdo do Ministerio Piblico junto
aos dois tribunais e da procuradoria
juridica do legislative. Mas isso ain-


da e uma utopia (ou uma ilusao?).
Irawaldyr Rocha esteve associado a
esse vicio original de constituigdo do
TCM por ato de imp/rio do governa-
dor Alacid Nunes, que nomeou os con-
selheiros de sua escolha pessoal e ar-
bitrdria. Mas empenhou-se para pur-
gar esse pecado abrindo todos os do-
cumentos do tribunal d opinido publi-
ca e apoiando a profissionalizacgo dos
quadros ticnicos, tentando dar ao 6r-
gao uma respeitabilidade que ndo ti-
nha e 6 provavel que continue ndo ten-
do. Sua manutenGao e uma questao de
alto interesse pTblico, que a socieda-
de deve discutir, mesmo porque vai
continuar pagando uma conta cada
vez mais pesada industriosamente
onerada, alids. Por isso, a carta de
Cerveira e bem vinda. Como outras
manifestagoes que por acaso suscitar
Quanto a Euclides da Cunha: da
existencia da pdgina em branco do
G&nesis decorre a circunstancia de que
ela ficou para o home escrev&-la. E
uma bela image e uma eficiente me-
tdfora, que devemos continuar a usar
para advertir a nds mesmos e aos ou-
tros sobre a grandiosidade do desafio
amazonico. 0



0 Norte deles
Apurada a conta de chegada, o prin-
cipal projeto amaz6nico do program
Brasil em Ago, com o qual o presi-
dente Fernando Henrique Cardoso pre-
tende ser o JK deste fim de mil8nio (ou
ao menos ter consagraao popular pre-
eleitoral), 6 a Ferronorte, uma estrada
de ferro idealizada pelo ex-rei da soja
(e da noite), Olacyr de Moraes.
Ao menos na sua primeira etapa, que
abocanharA 1,3 bilhao de reals at6 o
final do pr6ximo ano (dois orgamen-
tos do Finam, o fundo de incentives
fiscais da Sudam), a Ferronorte nada
tem de nortista. Muito pelo contririo,
ela desviara o fluxo de carga, princi-
palmente soja, do Centro-Oeste para o
Sudeste, competindo com as hidrovias
que comegam (ou comegariam) a sur-
gir como opgao amaz6nica de escoa-
mento. Al6m de contribuir para tentar
salvar o impetuoso Olacyr da bancar-
rota, poupando-o dos investimentos
que ele ja nao pode fazer, mas manten-
do ao alcance de seu caixa o faturamen-
to do transport.
Nao 6 por acaso que, dissipada a re-
t6rica, 6 o projeto preferencial na Ama-
z6nia do program de 42 itens ideali-
zado pelo governor Fernando Henrique.
O que ele diz nao mais se escreve: se
confere. 0







6 JOURNAL PESSOAL 1A QUINZENA DE AGOSTO / 1997


POLEMICA


E positive o

balango

da pecuaria no

Para?

GastAo Carvalho Filho, president do
Sindicato Paraense da PecuAria do
Corte, nao concorda com minha opiniao
sobre a pecuaria (por ele estendida a
todo o Para, quando o foco do artigo
que comenta, publicado na edicao n 166
deste journal, era o sul do Estado). Na
carta enviada ao JP, Gastao apresenta
niumeros que, segundo ele, atestam o
bom desempenho da criagao de gado no
Estado, detentor do s6timo maior plantel
national. Minha resposta contest essa
visAo, gerando um debate sobre um dos
temas mais importantes da economic
estadual, carente de anAlise
independent.

A carta de Gastao Carvalho
Filho, na integra:

"Em primeiro lugar
cumprimentos pelo
'T' 'Colombe d6ro per
I la Pace', como bra-
sileiros e paraenses
sentimo-nos honra-
dos por teres recebido este merecido pre-
mio jornalistico, merecido pela sua com-
petencia e especialmente pela sua extrema
dedicagAo pela AmazBnia.
Lendo o Jornal Pessoal no seu artigo
'De volta ao lar, ao agridoce lar', deparei
cor sua critical sobre a funimo da terra
desmatada, onde voce fala sobre capim,
diminutos rebanhos bovinos, o pouco va-
lor devido a qualidade e a citaqao que a
maioria do gado segue para as charquea-
das do Nordeste.
E claro que o conteudo do artigo 6
muito mais amplo, e tenha certeza em
muito. concordo com suas opini6es, prin-
cipalmente sobre a intelig6ncia e a quali-
dade do que poderiamos chamar de Elite,
especialmente a do poder puiblico. Mas
pretend aqui apenas contestA-lo no item
relative A PecuAria. Em algumas ocasi6es
que nos encontramos, voce disse-me da
sua ansia de provocar o debate e a pole-
mica do que escreve, portanto permita-me
satisfazer sua vontade e contestA-lo no que
penso diferente de voce.
Em primeiro lhgar, permita-me plagid-
lo no termo dinossauro que faz parte da
mesma pagina de seu artigo, e dizer que
sua visao da agropecuaria 6 dinossaurica,
e vindo de sua pessoa 6 inaceitavel, pois
sua inteligencia 6 muito grande para que
se perca neste setor.
Caso queira saber o que significa a Pe-
cuAria no Brasil posso informar que os
maiores rebanhos do Brasil estao: em Mato
Grosso do Sul (1), Minas Gerais (2),
GoiAs (30), Sao Paulo (40), Mato Grosso
(5), Rio Grande do Sul (6), ParA (7) e


Parana (8); o que significa que os Esta-
dos mais desenvolvidos do Brasil tem Pe-
cuAria extremamente desenvolvidas, des-
te rol apenas nao participam Rio de Janei-
ro e Santa Catarina, por6m ressalvando
que o Rio de Janeiro 6 o 3 Grande pro-
dutor de leite e que Santa Catarina 6 o
maior produtor de Avicultura e Suinocul-
tura no Brasil.
Pecuaria, caro amigo Lficio, sempre foi
fator de desenvolvimento e nunca de atra-
so e nestes ambientes mais desenvolvidos,
o fazendeiro sempre teve respeito pelo que
faz.
A Pecuaria Nacional gera dentro das
fazendas 7.800.000 empregos diretos
(Fonte I.B.G.E. e FUNDEPEC), sendo a
atividade que mais gera empregos no pais,
e quando passamos para a cadeia de ne-
g6cios a ela ligada, ultrapassa junto os
outros 2 stores empregadores do pais
(automobilistica e metalfrgica).
O que o amigo cita como diminutos
rebanhos, significam no Estado do Para
8.800.000 cabegas de gado (fonte FNP)
ou 12.000.000 de cabecas de gado (fonte
FUNDEPEC), mas vamos nos ater As
8.800.000 cabegas. Destas estima-se que
2.000.000 estao na regiao que voc8 cita
como diminutos rebanhos ou seja o sul
do ParA, e para melhor informa-lo o sul
do Pard ter o maior rebanho do Estado.
Quando voce fala de 'Algo de pouco
valor se encarado pelo prisma da qualida-
de', sinceramente causa-me espanto sua
desinformag~o. O ParA (principalmente na
RegiAo Sul), tem um dos melhores reba-
nhos do pais, o Frigorifico de Redenqgo
abate 144.000 cabecas/ano, sendo que
90% deste abate produz carcagas de 240
Kgs, 10% acima da m6dia national.
Gostaria de aumentar-lhe o leque de
informacqes sobre nossa atividade para
expor-lhe o que significa a PecuAria no
Estado.
0 I.B.G.E., calcula que temos 240.000
propriedades no Estado, sendo 50% liga-
das A Pecuaria, deste nimero vamos nos
ater a apenas 60.000 fazendas, nas quais
trabalham 20.000 vaqueiros, 240.000 tra-
balhadores rurais, temos mais de 80.000
residencias dentro destas propriedades. Da
frota de 4.000 tratores de pneus do Esta-
do, 2.000 estao nas fazendas e 6 claro corn
seus 2.000 tratoristas. A frota de cami-
nh6es que transport estes bovinos entiree
propriedades ou para o abate) 6 de 2.500
unidades, 6 claro cor seus 2.500 moto-
ristas.
A indfistria Frigorifica no Estado gera
4.000 empregos diretos. Significamos 60%
das vendas de utilitarios (Camionetes e
caminh6es pequenos) na atividade pecud-
ria.
No lado commercial temos toda a cadeia
de lojas de produtos veterinarios e de in-
sumos (semen, sementes, arame, selas,
etc.).
S6 em Beldm temos mais de 1.000
agougues, e faga um raciocinio de quan-
tos existem em todas as cidades do Para,
aldm das churrascarias, voce podera cons-
tatar que neste Estado, nao existe cadeia
maior geradora de empregos que a Pecu-
Aria.
Quando voce cita sempre com desd6m
o desmatamento para capim, esquece-se
que deste capim produz-se 200.000.000


de Kgs de care, que 6 o alimento de mai-
or valor protdico de consume popular.
Prezado Lficio, long de mim achar que
PecuAria 6 atividade ecol6gica, pelo con-
trArio, ela faz a troca da cobertura vegetal
at6, de maneira bruta pois faz-se corn quei-
madas, mas lembro-lhe que o auge deste
desmatamento ocorreu na d6cada de 70,
onde nao havia pressao ecol6gica, e havia
muito mais uma mentalidade de ocupaao
do que de preservagio. O jeito de corri-
girmos esse dano 6 procurar restringir ao
mAximo o desmatamento, e tamb6m pro-
curarmos maior produtividade por hecta-
re ja aberto, e nisto muito se trabalha, haja
visto o incremento da adubagqo nas fazen-
das, al6m das t6cnicas de pastoreio inten-
sivo ja desenvolvidas pela EMBRAPA,
implantadas em vArios pontos do Estado.
Para melhor subsidia-lo a Area que voce
sobrevoou 6 a da regiao do rio Araguaia,
onde existem cerca de 1.000.000 de hecta-
res de cerrado, que vai de Santa Maria de
Barreiras a Xinguara, portanto onde nunca
existiu cobertura de floresta tropical.
Nao pense tambdm que 6 uma ativida-
de sem problems, temos problems de
inadimplencia bancAria, problems cor as
invas6es, etc., e sempre precisamos de re-
novacdo tecnol6gica, principalmente de-
vida A globalizacgo da economic, pois essa
nos traz como concorrentes nossos par-
ceiros do MEROSUL, grandes produto-
res de came.
O que posso afirmar-lhe 6 que o balan-
qo da pecuAria no lado social e econ6mico
6 bendfico, portanto permita-me discordar
de seu ponto de vista".

Minha resposta:

Em setembro de
1989 cruzei os Esta-
S dos Unidos de Nova
J York a Portland
Spara encontrar-me
cor um lider ecol6-
gico do Oregon, no extreme noroeste do
pais. Decolamos da pista de pouso da fa-
zenda em um teco-teco do pr6prio ecolo-
gista e comegamos a sobrevoar as dreas
de terreno acidentado, mas, apesar disso,
submetidas a intense desmatamento
(grande parte da madeira, inclusive em
toras, vai parar no Japdo). 0 mau tempo
nos fez pousar emergencialmente na pis-
ta de uma madeireira. Fomos levadospara
o escrit6rio da empresa e 16 se defronta-
ram os dois inimigos: o ambientalista e o
madeireiro. Como continuasse a cover,
fomos para a casa do anfitrido compul-
sorio.
Quando entrava, observe numa peque-
na estate na sala livros de Saint-Exup6-
ry. Disse ao madeireiro que aquele era
um dos autores que mais me influenciara
na adolescencia, ndo pelo "Pequeno Prin-
cipe (nunca fui miss, claro), mas por
"Cidadela", "Vdo Noturno", "Cartas 6
mde ", etc. Ele tambem adorava o piloto-
escritor francis. O papo engatou a partir
dai. Ao voltar a Portland, no fim da tar-
de, j6 de carro, tinhamos cantado todos
Juntos, comido sushis e outras iguarias
japonesas, trocado impresses sobre livros
e musicos, e os dois rivals descobriram
intmeros amigos comuns na infdncia, ate
mesmo um parentesco forgado.








JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE AGOSTO / 1997 7


Conto a hist6ria para mostrar que,
mesmo num terreno literalmente explosi-
vo como o da agropecudria, pode-se di-
vergir e confrontar-se sem precisar recor-
rer a um 38 ou outros artefatos da violOn-
cia, que tem sido um dos tragos mais mar-
cantes da relagdo corn a terra desde a
mais primitive colonizagdo europdia no
Brasil e ainda persist na expansao da
fronteira amaz6nica.
Felizmente, Gastdo Carvalho Filho
pertence a uma
nova geragdo defa-
zendeiros que se ex- "
pande na regido.
Eles acreditam que
a sustentaqdo de
sua atividade pro-
fissional depend de inteligincia, a mes-
ma que deve marcar o debate, sem o qual
corre-se o risco de desbancar para o sec-
tarismo e, por meio dele, estagnar, o que
6 ruim para todos, principalmente para o
pais.
Os arguments que Gastdo exp5e na
carta, entretanto, ndo diminuiram a sen-
sagdo de desalento que tomou conta de
mim no ultimo v6o de retorno da Europa.
Narrei o episddio ndo porque esta seja a
minha forma de abordar a realidade, a
partir de um jato. Quis aproveitar o cho-
que da passage, em poucas horas, de um
padrdo de civiliza9do para outro, regis-
trando-o para o leitor Mas se Gastdo tern
sua hist6ria como fazendeiro, tambem te-
nho a minha (desconfio que mais antiga
do que a dele) como critic do que acon-
tece na Amazdnia.
Conheci a regido na qual Gastdo im-
plantou sua fazenda em 1960, quando ti-
nha 11 anos e meu pai, membro da comis-
sdo de planejamento da SPVEA, anteces-
sora da Sudan, me levou para percorrer
o trecho jd aberto da Belkm-Brasilia em
territ6rio paraense. Naquela 6poca a rica
floresta estava pouco tocada. Nas inume-
ras viagens que fiz depois dessa data pela
B-B (para distinguir sua reta das muito
populares na mesa 6poca curvas da
francesa BB), a floresta foi sumindo, pri-
meiro para receber o colonido, desastro-
so capim que facilitava a erosdo (a agua
corria entire as touceiras), depois para
acarretar a compactaado do solo e a in-
vasdo da juquira, e, mais recentemente,
para ser recuperada por uma nova leva
de fazendeiros que traziam melhor tecno-
logiapara a area, modernizando-a (e nela
que Gastdo pensa quando fala do sul do
Estado).
Mas quanto custou essa recuperacdo de
areas degradadas? No cdlculo, deve-se
incluir o dinheiro vivo (do credito banc6-
rio e dos subsidies) e a dizimacdo do res-
tante da floresta original, que suplemen-
tou o jd entdo escasso capital na fase da
recuperagdo, element que ajuda a expli-
car a maior concentragdo de madeireiras
em um municipio no pais (no continent
e, quicd, no mundo, como diria aquele
ufanista locutor pernambucano), sem a
mais infima reposigdo durante tanto tem-
po, puro e selvagem corte raso de madei-
ra.
No sul do Pard estive pela primeira vez
em 1968. Oito anos depois, em agosto de
1976, fui uma das testemunhas do primei-
ro ato official em Xinguara, presidido pelo


entao governador Aloysio Chaves, naque- ONU. Ou seja: os relatives sucessos quan-
la que era conhecida como a terra do titativos ndo tem traduqdo qualitativa.
mogno e que hoje ndo tem mais mogno Parafraseando o general Medici, em um
algum. Se formos fazer outro cdlculo in- de seus (raros) moments de lucidez, a
teligente, serd que valeu a pena a permu- economic do Para pode ir bem, mas seu
ta da floresta por capim, com todo o seu povo vai muito mal.
valor agregado que Gastdo arrola? 0 que significa ter 8,8 milhoes de ca-
Claro que hd as areas de cerrado (cer- begas de gado se grande parte dos pastos
raddo e mata fina, como dizia o refrao da foi formada com a destruigdo da floresta
Sudam originalmente pecuarista) compa- e se 5 milhoes de hectares estdo perdidos?
tiveis corn a pecu6ria (que, ao contrdrio Nem vamos entrar na contribuigdo da
de Gastdo, escrevo secularmente com mi- pecudria para o fechamento da fronteira
niscula), mas, ao divisar da altura do jato amaz6nica, que engendrou a tensdo e os
o horizonte mais amplo, eu separava conflitos permanentes, dando-nos, ama-
aquela mata rala ou secunddria da maci- zonicamente, a maior concentragdo fun-
qa floresta batizada por Humboldt, que didria do pais.
conheci de chdo, trilhando por ela. E V1i em Sao Felix do Xingu os sete mil
grande floresta amaz6nica, a razdo do hectares de past que o entdo homem
nosso ethos, que eu me referia. Nao con- mais rico do Pard" havia formado. Ne-
seguimos impedir que 400 mil quilome- nhum animal pastava naquele mar de ca-
tros quadrados de cobertura vegetal pri- pim. Era "benfeitoria" para o Incra ca-
mdria, de hileia, fossem desmatados. 0 dastrar e a Sudam ver (neste aspect, ndo
ganho obtido corn essa insensatez ainda havia instituiago de visdo mais inglesa,
e desproporcionalmente pequeno. para usar a sabedoria popular).
Pode-se ato atenuar um pouco (mas ndo A pecudria gera riquezas e empregos,
tanto quanto Gastdo) os erros da decada mas ndo na proporgdo do custo de sua
de 70, da "filosofia da pata do boi" (tal- implantagdo numa drea incentivada como
vez criada pelo prdprio), mas o record a nossa. Aceitando-se os dados de Gas-
de desmatamento aconteceu na decada tdo, sdo pouco mais de quatro emprega-
seguinte, a de 80, quando a mddia (nos dos por fazenda, um para cada 40/50 ani-
calculos oficiais) foi de 20 mil quildme- mais (que seria a mddia por fazenda, se a
tros quadrados por ano (o dobro simples divisdo aritmitica pu-
da area do cerrado que vai de desse ser o melhor instrumen-
Santa Maria das Barreiras aXin- ,. to de reform agrdria no pa-
guara, citada por Gastdo). Em pel de cilculo, claro). Obvia-
1987 batemos o record mundial mente, ndo e um modelo de
em todos os tempos de destrui- .* ', trabalho intensive, nem said
qdo de floresta: 80 mil quildme- para a crise de desemprego
tros quadrados de hileia (mais 120 mil km2 estrutural que temos por aqui. Em mato-
de cobertura vegetal secundcria) desaba- ria de tecnologia, hd um trator para cada
ram, quase sempre sob a a9do do fogo. 120 fazendas. Cada fazenda produziria
Foi o maior de todos os crimes contra flo- 1,6 tonelada de came por ano. E satisfa-
restas que o ser human jd praticou em trio? Em Paragominas avangou-se mui-
sua existincia to, mas a maioria da came que sai do sul
Obviamente, a pecudria paraense ndo do Pard vai mesmo para charqueada por
ter s6 aspects negatives. Hd vdrios po- falta de qualidade.
sitivos, que t&m crescido em anos recen- Se ver essa realidade e coisa de dinos-
tes. Mas ainda estd long do padrao de sauro, entdo sou assumidamente um, con-
qualidade dos grandes centros de criagdo, vindo lembrar que esses monstros pr6-his-
que tOm transferido as atividades menos t6ricos, em sua maioria, acabaram se tor-
qualificadas para a periferia. Se o Pard nando vegetarianos. Este "detalhe ", mais
tem o sOtimo rebanho bovino national, e do que a 16gica e a inteligOncia, deve ter
tambOm o sOtimo maior exportador do pais inspirado, ainda que inconscientemente,
e o segundo minerador, mas est6 em 170 o tom e os arguments da carta do caro
lugar em desenvolvimento, segundo a amigo Gastdo Filho .0


Cartas

Caro Lucio iou talvez Jornalita Lucio Flavio Pimo).
..siante qe sou de seu Jornal Pessoal c comprador do mesmo desde o prirel-
TO nimnero. somente agora apesar de nio ter me fallado vontade em outras ocast-
6es nmanifesto-me sobre algo pubhcado no nosso JP, que. alias, e urn oisis no
rueio de urn deseno de desinforrma;ao e de falta de etca e cornpostura que aaambar-
cam a imprensa desta nossa terrinha.
Mas a motuio de4sa. alim de agradecer-the pelo brilhante informativo' que nos e
ofertado visa parabeizar-lhe pela soberba c aftiva resposta a arrogfncia da sra..
ops Dra. Gisela Pires do Rio. Esta no exato tom e na media adequada. semnjamais
baixar o nivel. ti petulincia da referida doutora.
Luiz Nero OAB/PA n" 3943
PS. Parabdos pelo prnmio recebido.

N. da R. Agradeco as nmk.sagens de congratulaCoes que cihearam por carta, tele-
eramt on t'e-ima. ent' ladns por- Jooo de Barros, Arthur Guedes Touriho, lanoel
Alar't Pompeu Braga Orly' Bezcrra, Mafrco Simtdes, Rosa Carmuna Couto. ClTe,,don
Gondim. Bira Barbosa. Aida Crisnta. Patldo AMendes Barroso Rebello. Clara Pan-
dol/b. .Atonio Farras Coelho. I'drios outrn's amigos tambim tele.onaram.








Prova dos nove
Finalmente a Receita Federal vai checar se as Organiza-
c~es Amon de Mello (urn grupo de comunicaq6es de Ala-
goas, Estado em regime de insolv8ncia cor usineiros mili-
onarios) tem condi96es de permitir ao ex-presidente Fer-
nando Collor de Mello retirar de seu caixa 100 mil reais por
mEs, ser perturbar a partilha dos outros irmios, tambem
com direitos sobre a heranga. Como se trata de questao de
interesse piblico, que pode caracterizar enriquecimento ili-
cito, espera-se que haja resultados e que a apuraygo seja
comunicada ao distinto piblico.
Seguindo o exemplo, nossa Receita bem poderia fazer
uma excursao a Salinas para checar tambem a procedencia
do dinheiro aplicado nas mansoes que ornam aquele balne-
ario. O custo estimado de varias delas nao se encaixa no
tamanho da biografia de seus proprietarios. E precise des-
cobrir a magica da acomodacgo.

Propriedade
Toda obra piblica vira political. Por isso, o governor do
Estado e a prefeitura de Belem estao numa queda-de-brago
pela macrodrenagem das baixadas, a obra de maior reper-
cussao em andamento na capital.
Enquanto o govemo excluiu a prefeitura da visit do pre-
sidente do BNDES, responsavel pela parcela maior da con-
trapartida national, o PT reagiu fazendo logo em seguida uma
visit tecnica as obras. como se as estivesse comandando.
Imediatamente os tucanos arregimentaram vereadores para
uma excursao pela trilha invadida pelos petistas, como os
passaros daquela lenda de Joao e Maria, que comeram as
migalhas do pao usadas emergencialmente pelos innaos no
lugar das pedras para demarcar o caminho na floresta.
Como o Banco Interamericano de Desenvolvimento nao
abre mao da presenga da prefeitura no projeto e o PT nao
quer ficar fazendo apenas figuracao, a maneira da admi-
nistragao anterior fizera, o plblico agradeceria se os mo-
tivos politicos fossem momentaneamente colocados de
lado e as duas parties se sentassem a mesa para estabele-
cer a agao comum necessaria para que a retomada das
obras nao sofra outra paralisagao. Grandeza, ao menos
de vez em quando, faz bem.


Indicative
O economist amazonense
Raimar da Silva Aguiar publi-
cou um artigo em A Provin-
cia do Parc ("Malasianos:
perigo ou oportunidade?") de-
fendendo a presenga desses
novos investidores no setor
florestal amaz6nico. Quem
nasce na Malasia 6 malaio. A
partir dai pode-se estabelecer
o grau de confiabilidade do
que diz o author.


Apoio
Alguns leitores tem feito
contato oferecendo apoio a
este journal. O mais desejado
deles 6 que facam assinatu-
ra em favor de amigo ou pa-
rente que more fora de Be-
lem. Assim poderemos am-
pliar a circulagao do JP, fa-
zendo-o chegar a locais a
ele, no moment, inacessi-
veis, dadas suas limitac6es
"empresariais".


Journal Pessoal
Editor: Lucio Flwvio Pinto
Sede: Rua Aristides Lobo. 871 i CEP: 66 053-020
Fone: 223-1929 e 241-7626
Contato: Try. Benjamin Constant, 8456203 I 66 053-020 Fone: 223-7690
e mail: lucio@expert.com.br
Editorac;o de arte: Luizpe / 241-18591222-6238


Aniversirio
Se tudo correr bem, o Jor-
nal Pessoal completara 10
anos de vida na 1" quinzena
de setembro. Gostaria de pu-
blicar uma edicao cor a de-
cidida contribuicgo dos leito-
res, se eles se dispuserem a
escrever uma avaliagao des-
sa existincia e apresentar su-
gest6es para o future. Todas
as manifestag6es serao bem
recebidas.

Detalhe
O custo do projeto de ma-
crodrenagem das baixadas de
Belem subiu, no uiltimo orca-
mento apresentado, dos 225
milh6es de d6lares originals
para US$ 236 milh6es. Qual
a razao desses US$ 11 mi-
lh6es adicionais? A grande
imprensa, que nao percebeu
o reajuste de 5%, por isso
mesmo deixou de questioner
os responsaveis pela obra a
respeito. Ou nao faz mesmo
qualquer importancia.
Cometimento
A Provincia do Parc co-
meteu a seguinte legend
para a foto de um jato que
ilustrava materia sobre a
queda do Boeing da Varig
pilotado pelo comandante
Cesar Garcez, em 1989: "O
aviao acidentado, embora
fosse um 737, parecia mui-
to com este da foto. um
727". Entao ta.
Ausencia
Foi precise haver a explo-
sao da usina de energia, que
provocou a paralisagao da
fabrica e a ida a area do pre-
sidente do BNDES, Luiz
Carlos Mendonga de Barros,
para os desavindos irmaos
Guilherme e Mario Frering
visitarem pela primeira vez
o complex do Jari, do qual
se trornaram donos na con-
diaio de herdeiros do av6,
Augusto Trajano Antunes. O
grupo Caemi, criado por
Antunes, assumiu o contro-
le do Jari em 1982.
Alias, os Ford, que tinham
domicilio nos Estados Uni-
dos, jamais foram aos vastos
dominios que possuiram no
Tapaj6s entire 1927 e 1945.
O empreendimento nao deu
certo. NIo exatamente por
isso, mas tambem por isso.