|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Jornal Pessoal L U C I 0 F L A V I P I N TO i NOX- 9 6 II QUNEA D AG T DE 197-R$20 Ferronorte: a obra de FHC (pag. 5) POLITICAL 0 jogo embaralhou Tudo estd mudando, mas nada muda na political paraense. Os aliados de ontem viram inimigos. Os inimigos se reaproximam. Uns querem se manter no poder. Outros querem desalojd-los para ndo ter concorrencia. E a guerra psicol6gica, que surge as vesperas de um confronto para valer Jader Barbalho e Hilio Gueiros vdo estar juntoss?) contra Almir Gabriel e Jarbas Passarinho em 1998? IM uem tivesse deixado o Para em novembro de 1994, logo depois do 2 turno da eleicao, e s6 re- tornado na semana pas- sada, para assistir a pos- se do ex-deputado Ronal- do Passarinho como conselheiro do Tri- bunal de Contas dos Municipios, ficaria completamente desnorteado. Afora ter sido o mais concorrido ato official dos iil- timos tempos, a solenidade atestava uma mudanqa radical na political paraense as vesperas da corrida para outra elei9ao ge- ral no pr6ximo ano. O maior ausente era o senador Jader Barbalho, ainda o dono do PMDB do Para e de uns 20/25% dos votos que sao depo- sitados nas urnas do Estado em disputes majoritarias, apesar da perda de poder relative. Jader nao foi, nao desculpou-se, nem mandou telegrama, ao contrario da ex-mulher, a deputada federal Elcione Barbalho (que tamb6m nao compareceu, mas remeteu uma afetuosa mensagem para Ronaldo). Menos de tres anos antes, Jader nao apenas fora o principal cabo eleitoral de Jarbas, como o personagem funda- mental para que o entao senador aca- basse decidindo concorrer ao governor do Estado, objetivo que nao fazia par- te de seus pianos originals. Se o aliado ausentou-se, o terrivel ad- versario que derrotou Passarinho estava present. Mais do que testemunha da pos- se do sobrinho do antagonista que tanto atacou na campanha eleitoral, o governa- dor Almir Gabriel foi uma especie de ava- lista da indicaggo do mais novo conse- Iheiro do TCM. Almir resistiu, inclusive, a varias investidas de Jader, que queria ter o direito de ser consultado para vetar a indicagdo, mas nao conseguiu essa prer- rogativa. Convidado, Helio Gueiros tambem foi, embora seja um inimigo hist6rico de Jarbas Passarinho e um dos respon- - .;LW ! I - "s "1 I^SSS 2 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE AGOSTO / 1997 - ponsAveis por sua derrota para Al- mir Gabriel em 1994. O ex-governa- dor e ex-prefeito poderia pretextar sua presence com a relacgo pessoal que sempre manteve com o sobrinho, ape- sar das violentas escaramugas entire os dois grupos, mas fez questao de cum- primentar o ex-senador quando o viu, saudando-o com amistosidade. Se di- visou seu aliado de tr8s anos antes, en- tretanto, preferiu ignori-lo: o ex e o atual goverador nem se aproximaram. Esses movimentos c8nicos pareciam confirmar um boato que vem circulan- do com intensidade crescente na cida- de: de que os antigos correligionirios e amigos Jader Barbalho e H6lio Guei- ros, hoje inimigos radicals, poderiam voltar a coligar-se para enfrentar o ini- migo comum de hoje, o governador Almir Gabriel e seu projeto de reelei- cgo. Dois passes nessa diregao ja foram dados. De seu lado, Helio articulou a dissociaago de seu partido, o PFL, do esquema de sustentagao do governor, sem chegar a um rompimento aberto, mas ocupando uma nova posigao para restabelecer o acerto original em no- vas bases (nao as do governador, evi- dentemente, o que significa colocar em questao a reeleigao de Almir), ou para o confront. Da mesma maneira, Jader Barbalho foi-se distanciando do PPB do ex-se- nador Jarbas Passarinho a media que ele foi se aproximando do governador Almir Gabriel. Os sinais de alerta fo- ram sendo dados atraves de notas ma- liciosas ou ostensivamente de ataque a Passarinho no Didrio do Pard, o jor- nal de Jader. Cor o aprofundamento das relagaes entire os jarbistas e o governor, resul- tando na ida de Ronaldo para o TCM, Jader passou a agir mais agressivamen- te nos bastidores contra os interesses de seu ainda (ao menos formalmente) aliado, mas tomando o cuidado de nao se expor muito porque a passage de Ronaldo da Assembleia Legislativa (ap6s sucessivos mandatog por quase 20 anos) para o TCM foi triunfal, com o apoio dos 40 deputados estaduais, inclusive do PT (que acabaram Ihe pro- porcionando uma inedita homenagem: tres sessdes de despedida). Isto significa que o grupo de Passari- nho, apesar de o lider ter ficado sem mandate, ainda ter peso important na political do Para. Em primeiro lugar, pelo precioso tempo de que dispbe o PPB, o quarto na propaganda eleitoral gratuita. Em segundo lugar, porque Passarinho nao esta eliminado da political national, ao contrario do que pode parecer. Se decidir lancar-se candidate a deputado federal, ele tem elei- c~o praticamente ga- rantida. Uma votagao maciga, almr de dar forga A bancada fede- ral do partido no Es- tado (embora afetando pelo menos um dos deputados integrantes, o deputado Gerson Peres), poderia cre- dencia-lo a tentar plei- tear a presidencia na pr6xima legislature), lancando mao do in- questionavel prestigio que tem em Brasilia (em fungio de nao dis- putar votos na capital federal). President da Ca- mara, Passarinho entra na linha sucess6ria do president da Repuibli- ca, cargo que certa- Um dos fatos mais dcsta- cados na temporada de prestigio do grupo Passa- rinho, nasemana passada, foi a presenga da presiden- te do Sistema Romulo Maiorana de Comunica- ,;o. Dea Maiorana nao apenas foi a posse de Ro- naldo Passarmho no Tri- bunal de Contas dos Mu- nicipios. como prestigious a homenagem que a As- semblia Legislativa pres- tou ao ex-senador Jarbas Passarinho A \itiva de Romulo Maiorana ali ndo compareceu nem mesmo para receber homenagens feitas a ela e a sua empre- sa. sempre mandando re- presentantes. Raramcnte mente ocuparia circunstancialmente (tanto pela ligacao com o vice-presi- dente Marco Maciel, que Ihe abriria a oportunidade, como pela simpatia do pr6prio Fernando Henrique Cardoso). Por essa via, Jarbas estaria de volta a linha de frente do poder national. Talvez tenha sido esse um dos alvos que Jader Barbalho mirou em 1994, quando estimulou a volta de Passari- nho a dispute provincial, criando uma dobradinha que o projetou. Agora, com a possibilidade de renascimento do se- nador derrotado e a provavel alianga PPB-PSDB em 1998, Jader pode en- contrar do outro lado do front seu anti- go aliado. Por isso, teve terreno f6rtil para prosperar a informagao de que ele teria induzido o deputado Nivaldo Pe- reira a apresentar-se como candidate a lideranga do PPB, rachando o partido ao meio ao disputar com Cipriano Sa- bino, o candidate da continuidade po- litica com a ausencia de Ronaldo (e ser vencido por ele, finall. E nesse mesmo solo adubado que vem sendo plantadas as informacges sobre a reaproximag~o Jader-Hl6io. Tr8s peemedebistas, consultados, di- zem que perguntaram a respeito ao se- nador e ele, enigmatico, como de cos- tume, responded que nada tinha a opor, sem confirmar nada. O convite ao vice- governador Hl6io Gueiros Jr. para ser entrevistado no program Argumento, da TV RBA (ao vivo, como exigiu, ten- do direito ainda a anincio de destaque no Didrio do Pard), estaria encaixado na 16gica dessa estratdgia, sujeitando- ela vai a solerudades. O lance final foi o convite feito para Passarinho visi- tar a luxuosa sede do jor- nal, onde o ex-senador ain- da nao ha ia ido. Para re- cebd-lo. Dea adiou uma vi- agern que faria ao Rio de Janeiro para o dia seguin- tc TrWs de seus filbos esti- veram presents A visit, nias nao Romulo Maiora- na Jr.. o principal executi- \o da empresa. que vein sendo sondado para ser candidate em 1998 (fala- sc no governor do Estado e no senado) pelo PFL Ro- nunho. que ja foi fdiado ao PMDB. hoje esta no PL do seu amigo, o vereador Genrvsio Norgado se aos seus riscos (Helinho, como a familiar, resisted a uma aproxima~ao com os Barbalho). Um ponto comum aproxima Helio de Jader: eles nao aceitam a reeleiggo de Almir Gabriel, qualquer que seja a circunstancia. Com dois mandates, o governador poderia ate realizar a faca- nha, inimaginavel no horizonte de um dnico mandate, de criar seu grupo de poder no Estado. O que afasta Helio de Jader sao jus- tamente seus pr6prios grupos, grandes e vorazes o bastante para dificultar (ou mesmo impossibilitar) a conciliago de interesses. Foi por causa de seus apeti- tes que os dois lideres seguiram cami- nhos distintos e antag6nicos, depois de uma longa conviv8ncia. Mas como nao sao principios politicos ou ideol6gicos o que os mantem separados, a reconci- liagio e uma questao de calculo, cAl- culo que 6 feito numa unica dire9ao: a maior proximidade do poder, sem o qual dificilmente um grupo politico se estabelece num Estado pobre e com- plexo como o Para. Por enquanto, entretanto, todos ain- da se comportam como os lutadores antes de comegar a luta, na guerra psi- col6gica que envolve ameagas e sedu- 95es. Depois, sera mesmo para valer, com as mesmas regras, os mesmos pro- cedimentos, as mesmas pessoas, ainda que em posic6es invertidas. O que muda no Para 6 apenas quem esta usan- do o poder pfiblico. E isto ter muda- do pouco ou quase nada ha tempos . Destaque JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE AGOSTO / 1997 3 Matematica frivola O procurador-geral do Estado, Joao de Miranda Ledo Filho, deu primoro- sas declaraces a Libe- ral no dia 1. Inconfor- mado corn a revelagio de que a maior m6dia salari- al da administration estadual encontra-se na Procuradoria, al- cangando 2.500 reais "per capital" ao mes, procurou o jomal para mostrar que nio 6 bem assim. Esta seria a media apenas entire os 26 procuradores. Aplicado o calculo aos 46 funcionarios administrativos, a m6dia cairia muito porque 90% deles estariam ganhando um salario minimo. O rep6r- ter deixou de perguntar qual a media dos 10% (ou cinco funcionarios) que nio estao enquadrados nessa faixa de mise- ria e por que a media estratificada do procurador nio bate com a m6dia geral a qual 6 inevitavel chegar a partir de ele- mentar calculo aritmetico entire o total do quadro de pessoal da Procuradoria e quanto ela custa ao Estado, conforme a tabela publicada no Diario Oficial (e usa- da como fonte no noticinrio de vespera do journal . Abstraindo-se a matematica frivla do procurador, necessario e a-sina.,r que ele, incomodado pela rcnda 'per c.apita" do 6rgao que dirige, neni. ima .engio deu ao fosso abissal que separa .,menor do maior salario, ou, conforme sua matemati- ca, a menor m6dia (R$ 120) da maior (R$ 2.500). Ou seja, 20 ve- O control zes. -aegypt, que O desinteresse talvez feito de 15 result do referencial pessoal e rec de valores do procura- tecer de mes dor. Ele acha que seus nitArio cheg; 25 colegas estao ga- tabelecido, s nhando mais porqu, itutdo nor todos "sao concursados religioso loc e recebem o que mere- dade foram cem". Baixados esse aieles com v crit6rios para serem r Mlhares aplicados no nivel dos gue comum auxiliares dessa elite, se vier a her ou eles nao sao concui e o risco de sados, ou nao tenm me- araci tbram ritos para ganhiar mais amarela, fel (ou as duas coisas ao chada a cad( mesmo tempo, agra festacao per vando a situago). Nes- navios. Os I se caso, devem ser de- tizar o imf mitidos jA (se entraram sgo fu rados pela janela no serviqo pdibli- S co, con- trariando a norma legal), ou daqui a pou- co, quando o principe-presidente pu- der colocar em vigor o criterio de ex- clusao de funcionario public por des- preparo para a fungno. Como ha quase dois funcionarios ad- ministrativos para cada procurador, ou estes nio sabem cobrar servigo dos au- xiliares ou aqueles realmente nao podem contribuir para reduzir os encargos que pesam sobre os superiores ombros des- ses proficientes bamab6s (que nao ddo dedicagao exclusive, ao contrario dos membros do Ministerio Puiblico, atuan- do em scus escritorios de advocacia), como sugere ser o caso o nobre procura- dor geral. Configura-se, entoo, uma situadio ti- pica a exigir intervenqco externa na Pro- curadoria Geral do Estado para corrigir esta situagao fatica que a matematica mostra-se incapaz de traduzir. Ou con- sagre-se a sutil matematica do procura- dor, ou mude-se a procuradoria. possivel, as duas coisas. Ou, se * e dos focos do mosquito acdes transmite a dengue. deveria ser em 15 dias. Como ha falta de ursos, as visits s6 podem acon- em mis. Quando o guard sa- a, o foco costuma ja ter-se res- e o veneno aplicado n~o e subs- oleo queimado. Em um colegio alizado Lm bairro centi al da ci- identificados 46 focos, cada um arios grupamentos de larvas. de pessoas j contrairam a den- em Beltm. Estarao suscetiveis norragica sofrerdo niuwto mais more estara present. Em Ieo- encontrados 15 focos de febre izmente eliminados antes de fe- ;ia. Mas a possibilidade de rein- siste, principalmente atraves de )neus que eles usam para amor- acto da atiacaqao nem sempre . como recomenaam as autori- Padrao 0 Liberal ter um program que leva o journal para a leitura de estudantes de l" e 2 graus da rede pztblica de ensino. Cor isso, ojornal tornou-se um dos instruments para a formacao da juventude paraense. Essa grave responsabilidade, entretanto, parece ndo pesar sobre as consciencias dos dirigentes da empresa como sobre eles exerce fascinio o aspect commercial de suas declaradas iniciativas comunittirias. Na edigdo do dia 2, sob o titulo principal ("Descoberta de ouro no Jari") da pdgina 7 do caderno Painel, um "olho" proclamava: "Prefeitura de Almeirim anuncia a existencia de novas jazidas com reserves em 500 milhoes de toneladas ". A quantidade de ouro considerada existent no subsolo de todo o planet pelo conhecimento geol6gico atualmente disponivel poderia chegar no maximo a 50 mil toneladas, ou 0, 01% do que 0 Liberal trombeteou, inclusive aos incautos estudantes. E apenas um entire muitos exemplos dicrios de desinJbrmacao, deformaado e desprezo pelo leitor, sobretudo o que estd em formagdo nas escolas. Ainda bem que 0 Liberal nao e lido em Nova York: com essa noticia, iria pro\ocar o caos na maior bolsa de valores do mundo. 0 dades sanitarias A agua. retda. transfor- ma-os em criatrio de mosquitos do mun- do inteiro, principalmente da Africa. Quem est6 bmr informado alarma-se cor a fragilidade de Belem. um retrato atenuado da gravidade da situaiao no in- terior do Estado e no hintrerlarn ainazoni- co Ao extinguir a Sucam. um dos poucos ser iqos pLiblicos que funcionava e conta- va corn o respeito do povo. Fernando Co- llor de Mello cometeu em silnncio um cri- me de lesa-regiio. Nao houve reaqao mi- nimamente comparavel a lesividade do ato. que devolveu a Anaz6nia a mna era pre- Oswaldo Cr'tz. Comr ura Fundaqdo Nacional de Saude desamparada e um governor que s6 da prio- ridade A salide na propaganda ou nietendo a mio no bolso do contribuinte para com- pensar sua omissao, o que se pode esperar da municipalizaqco. ja em curso, nesta Amaz6nia africanizada" Outra Africa 4 JOURNAL PESSOAL 1I QUINZENA DE AGOSTO / 1997 Corporativismo O governador Almir Gabriel tentou fazer seu amigo e correligiondrio Fer- nando Flexa Ribeiro superintendent da Sudam. Flexa chegou a dar entre- vista como future ocupante do cargo, mas acabou preterido. O escolhido, Frederico Andrade, v6rias vezes con- vidou o govemador para as reunites do Conselho Deliberativo da Sudam. Ou- viu promessas, mas deixou o cargo sem ter o prazer de ver o governador no Condel, ao menos por civilidade ou cortesia. A attitude se repete cor o successor de Fredrico, Arthur Tourinho. O gover- nador prefer continuar a ignorar a Su- dam, mesmo na semana passada, quan- do o senador Jos6 Sarey esteve por la cor prefeitos amapaenses atris de di-. nheiro que renda voto. I provavel que a motivagdo do go- vernador seja a seguinte: nio compa- recendo, esvazia a Sudam. Assim, pelo m6todo peripat6tico, imagine fazer Brasilia perceber seu desagrado. At6 que, por alguma via tortuosa, consiga o acatamento g sua vontade. Quando - e se isso acontecer, talvez o governa- dor conclua que a Sudam e uma ins- tincia important na Amaz6nia, inclu- sive por seus erros e vicios, citre os quais a manipulag~o political, que con- vinha ao governador denunciar como autoridade maxima do Pard, defenden- do o Estado que represent mais do que o grupo politico-empresarial ao qual se associou. Olimpico, Almir Gabriel mostra que nao 6. Agora, que confunde o pessoal com o pitblico, o particular com o co- letivo, isso confunde. Como os outros antes dele. 0 Nivelando por baixo Deve ter alguma coisa a ver cor: a pre- dominancia da televisao e do computa- dor na formaaio das mentalidades me- dias o abuso cada vez maior sobre a in- telig8ncia das pessoas. Diz-se disparates, que agridem o raciocinio 16gicotmas os atentados sdo aceitos sem obje9go. Um exemplo. Ant6nio Olinto avaliou- se como o successor ideal de Ant6nio Callado na Academia Brasileira de Le- tras, fazendo tres aproxima6es entire a sua pr6pria trajet6ria e a do recem-fale- cido autor de Quarup: "Fomos roman- cistas, jornalistas, moramos em Londres, e comegamos a escrever na d6cada de 50", observou o novo "imortal". Da vontade de reagir cor aquele po- pular paralelo: sim, Olinto, mas o que o (*) tem a ver corn a calga? O digamos Ha alguns governor os secretarios de cultural do Estado tnm sido intelectu- ais. Bom para a cultural? Teoricamen- te, sim: quem, melhor do que um ine- telectual, para tratar da questao? Mas nem sempre o que parece 16gico se con- firma na pratica. Esse paradoxo nao 6 um privil6gio paraense. Basta pensar no desempenho sofrivel de Celso Furtado no Ministe- rio da Cultura. O economist pernam- bucano 6 um dos maiores intelectuais brasileiros vivos (embora tenha acei- tado entrar na Academia Brasileira de Letras) e, provavelmente, o mais im- portante dos nossos economists. Tam- bem 6 um home cosmopolita, refina- do. Mas houve moment, no governor Sarney, em que nao se conseguia lem- brar quenm e que estava ocupando o MinC. Recorde-se ainda a reaqco de Ferrei- ra Gullar ao scr substituido na presi- dencia da Funarte, pelo amazonense Marcio Souza. Gullar perdeu o aplomb de uma tal maneira que ficou dificil acreditar que estivesse defendendo um program de agao para o 6rgdo e nao a manutengao do cargo. E o poeta mara- nhense e dono de uma obra respeita- vel, na qual se inclui um dos mais ele- vados moments po6ticos recentes, o Poema Sujo, que deu a S5o Luis um canto de amor a que nenhuma outra cidade brasileira teve direito. Alguem mais perspicaz ja alertou que entregar a cultural a um inetelectu- al e o mesmo que dar fogo para uma crianca brincar. Alguem sempre vai sair queimado e, no' balango final, inevita- velmente a pr6pria cultural. Quando ela vira instrument de poder, como o que assim raciocinio se parece aos comen- tarios que os entrevistados do caderno Id6ias, do Jornal do Brasil, costumam fazer sobre os livros que dizem estar lendo, uma pretensdo a criatividade em poucas linhas que result apenas em pre- tensiosismo. Aspira-se a falsa non-cha- lance das legibes que colocam a aba do bone para tras. A massificacgo engen- dra manadas irconscientes da padroni- zacgo. E a era do imico em s6rie. uma secretaria proporciona, o que era a competencia natural do intellectual pode desviar-se para areas bem menos afeitas a 16gica e a racionalidade. En- tra em acgo o caleidosc6pio de vaida- de, perfidia e espirito grupal. Mesmo que o intellectual conseguisse escapar a essas armadilhas, ainda haveria o microcosmo explosive do mundo da cultural, onde o minimo vira o maxi- mo. Por isso, nem sempre o saldo da atu- agao de verdadeiros intelectuais aos quais foi confiada a condugio da cul- tura como assunto de Estado e positi- vo. Penso nisso ao ver anunciada rea- lizagdo de uma exposigCo sobre o tri- centenario do padre Ant6nio Vieira. E uma iniciativa de alto valor: poucos personagens na hist6ria luso-brasileira tiveram a dimensao de Vieira. S6 os ob- tusos negam sua grandeza. Tudo bem. Mas por que o Para ficou de fora da mostra da cole9do de Alexandre Rodri- gues Ferreira, a mais preciosa de quan- tas foram formadas na Amaz6nia no period colonial? A cole9ao demorou 200 anos para sair de Portugal. Permaneceu dois me- ses em Manaus, onde foi visitada, at6 o mrs passado, por 50 mil pessoas e provocou catarses emocionantes, se- gundo testemunho de quem a viu. Mas Belem ficou de fora. E nao foi por fal- ta de interesse dos organizadores. Uma perda lamentavel, que s6 quem pode ter acesso a colegao em Portugal con- seguira remediar. Fizemos o que era possivel para traz8-la a Belem? Por enquanto, fica a pergunta no ar para quem interessar possa. Quanto a Ant6nio Olinto, cabe lem- brar o comentirio que sobre a coluna de livros por ele escrita em O Globo fazia o saudoso S6rgio Porto (ou Sta- nislaw Ponto Preta). A coluna se cha- mava "Porta de Livraria". Lalau pro- vocava: por que Olinto nao entra de uma vez e 18 um livro? A observagao se aplica a muito acad6mico e "imor- tal", que, cor o livro, tem contato ape- nas "de orelha". Cultura e competencia dos intelectuais? JOURNAL PESSOAL 1A QUINZENA DE AGOSTO / 1997 5 Questio Para que serve o TCM? 0 leitor Rodolfo Lisboa Cerveira, em carta a este journal, suscita uma ques- tao que deve ser enfrentada de frente, com coragem, acuidade e urg6ncia: deve continuar a existir o Tribunal de Contas dos Municipios? Se a resposta for positive, o que fazer para eliminar seus males de origem e consolida-lo? Se negative, o que impede que se d& consequ8ncias a essa conclusao? O de- bate esta aberto. A carta de Rodolfo Cerveira: "Como de costume li o ultimo ndi- mero (167) do Jornal Pessoal. As mat6rias como sempre estao cor ex- celentes niveis intellectual e jornalisti- co, mas o 'epitafio' ao IRA, no meu entendimento, foi muito lisonjeiro. Um cidadao que num discurso de formatu- ra desanca as 'elites' e depois passa a conviver com elas, que Ihe bancaram as suas mordomias ate o fim da vida, nao merecia tamanha magnanimidade de sua parte. Mais um agravante: criou (com o Alacid) uma escrescencia de- nominada TCM, antes CCM cabide de empregos, nepotismo e ganhos ines- crupulosos. Como ele n~o escondia sua afeigao pelas coisas indecorosas, po- demos desculpi-lo? Em assim sendo, vamos 'canonizar' o Gueiros, o Jader, o Qu6rcia e o pr6prio Ademar de Bar- ros de triste mem6ria, cujo lema vocE bem conhece. No numero 166 falou-se que Eucli- des da Cunha teria dito que Deus dele- gou ao home a feitura da ultima pa- gina do Genesis. Parece-me eu ele ape- nas caracterizou a Amaz6nia como sen- do a derradeira pagina do G8nesis ja- mais escrita ou por escrever. Correto. Um abrago cordial, continue sem leitor incondicional". Minha resposta: Durante certo tempo Irawaldyr Ro- cha e eu mantivemos uma relag9o dis- tante e fria exatamente pelas critics que fiz, da poca pelas pdginas de 0 Liberal, ao projeto do entao Conselho de Contas dos Municipios (depois, Tri- bunal de Contas dos Municipios) e d forma de sua constituigdo, marcada pelo clientelismo politico, o compadrio e o nepotismo, na transiado de Alacid Nunes para Jader Barbalho. Essa n6- doa original sustenta o virus que con- tinua a impedir que o TCM tenha um organismo sadio e passe a contar corn a adesdo e a simpatia da opiniao pu- blica. Nesse aspect, o leitor tem toda a razao. Hd uma questao de essencia e ou- tra de circunstdncia no TCM e no seu irmao mais velho, o TCE: de que ser- ve gastar com eles milhoes de reais se seus pareceres tenm fungdo apenas in- formativa para os atos do legislative quanto d cztpula da administragdo publica e as quest6es de maior apelo politico, e se a penalizagdo das deci- soes precisa deslocar-se para outra instdncia? Veja-se o que a Assembldia Legisla- tiva do Estado fez com o parecer prd- vio do TCE sobre as contas de 1990 do entdo governador Helio Gueiros (ndo por coincidencia, um ano eleito- ral, quando vale tudo para eleger o candidate official Ou o que a Cdma- ra Municipal de Santardm fez cor pa- recer do TCM Ou esses tribunais tor- nam-se instdncia judicial, esgotando a apreciagdo das questoes sobre as quais sdo competentes, ou reduzem-se a um unico ente administrative do exe- cutivo estadual (secretaria de contro- le de contas, externas por exemplo), eliminando-se as gorduras e ecresc&n- cias. Sem autonomia, o melhor do es- forgo dos tribunals se perde. Ha tambr m uma questdo de circuns- tdncia, que tem provocado a multipli- cagdo do corpo desses tribunals numa proporgdo sem paralelo com a evolu- cdo da receita estadual, da adminis- tragdo pdblica, da populagdo e da pr6- pria economic paraenses. E a trans- formaago do TCM e do TCE em ins- trumentos de uso e acomodagdo dos interesses das elites political do Esta- do. Condicionada por esses compromis- sos, a superestrutura dos dois tribu- nais e um estorvo para seu pleno fun- cionamento t6cnico. Hd pessoas de bom nivel e com as melhores das in- tengoes nas camadas intermedidrias, mas o produto de seu trabalho esbar- ra nas conveniencias dos dirigentes e suas extensoes nepotistas ou political. Quando, final, esse produto chega ao legislative, seu ponto final impropria- mente administrative, o desempenho dos parlamentares consegue ser, em geral, ainda pior Esse ciclo vicioso, reforgado pelos esquemas de indicagao e nomeagdo, poderia ser rompido com a profissio- nalizagdo do Ministerio Piblico junto aos dois tribunais e da procuradoria juridica do legislative. Mas isso ain- da e uma utopia (ou uma ilusao?). Irawaldyr Rocha esteve associado a esse vicio original de constituigdo do TCM por ato de imp/rio do governa- dor Alacid Nunes, que nomeou os con- selheiros de sua escolha pessoal e ar- bitrdria. Mas empenhou-se para pur- gar esse pecado abrindo todos os do- cumentos do tribunal d opinido publi- ca e apoiando a profissionalizacgo dos quadros ticnicos, tentando dar ao 6r- gao uma respeitabilidade que ndo ti- nha e 6 provavel que continue ndo ten- do. Sua manutenGao e uma questao de alto interesse pTblico, que a socieda- de deve discutir, mesmo porque vai continuar pagando uma conta cada vez mais pesada industriosamente onerada, alids. Por isso, a carta de Cerveira e bem vinda. Como outras manifestagoes que por acaso suscitar Quanto a Euclides da Cunha: da existencia da pdgina em branco do G&nesis decorre a circunstancia de que ela ficou para o home escrev&-la. E uma bela image e uma eficiente me- tdfora, que devemos continuar a usar para advertir a nds mesmos e aos ou- tros sobre a grandiosidade do desafio amazonico. 0 0 Norte deles Apurada a conta de chegada, o prin- cipal projeto amaz6nico do program Brasil em Ago, com o qual o presi- dente Fernando Henrique Cardoso pre- tende ser o JK deste fim de mil8nio (ou ao menos ter consagraao popular pre- eleitoral), 6 a Ferronorte, uma estrada de ferro idealizada pelo ex-rei da soja (e da noite), Olacyr de Moraes. Ao menos na sua primeira etapa, que abocanharA 1,3 bilhao de reals at6 o final do pr6ximo ano (dois orgamen- tos do Finam, o fundo de incentives fiscais da Sudam), a Ferronorte nada tem de nortista. Muito pelo contririo, ela desviara o fluxo de carga, princi- palmente soja, do Centro-Oeste para o Sudeste, competindo com as hidrovias que comegam (ou comegariam) a sur- gir como opgao amaz6nica de escoa- mento. Al6m de contribuir para tentar salvar o impetuoso Olacyr da bancar- rota, poupando-o dos investimentos que ele ja nao pode fazer, mas manten- do ao alcance de seu caixa o faturamen- to do transport. Nao 6 por acaso que, dissipada a re- t6rica, 6 o projeto preferencial na Ama- z6nia do program de 42 itens ideali- zado pelo governor Fernando Henrique. O que ele diz nao mais se escreve: se confere. 0 6 JOURNAL PESSOAL 1A QUINZENA DE AGOSTO / 1997 POLEMICA E positive o balango da pecuaria no Para? GastAo Carvalho Filho, president do Sindicato Paraense da PecuAria do Corte, nao concorda com minha opiniao sobre a pecuaria (por ele estendida a todo o Para, quando o foco do artigo que comenta, publicado na edicao n 166 deste journal, era o sul do Estado). Na carta enviada ao JP, Gastao apresenta niumeros que, segundo ele, atestam o bom desempenho da criagao de gado no Estado, detentor do s6timo maior plantel national. Minha resposta contest essa visAo, gerando um debate sobre um dos temas mais importantes da economic estadual, carente de anAlise independent. A carta de Gastao Carvalho Filho, na integra: "Em primeiro lugar cumprimentos pelo 'T' 'Colombe d6ro per I la Pace', como bra- sileiros e paraenses sentimo-nos honra- dos por teres recebido este merecido pre- mio jornalistico, merecido pela sua com- petencia e especialmente pela sua extrema dedicagAo pela AmazBnia. Lendo o Jornal Pessoal no seu artigo 'De volta ao lar, ao agridoce lar', deparei cor sua critical sobre a funimo da terra desmatada, onde voce fala sobre capim, diminutos rebanhos bovinos, o pouco va- lor devido a qualidade e a citaqao que a maioria do gado segue para as charquea- das do Nordeste. E claro que o conteudo do artigo 6 muito mais amplo, e tenha certeza em muito. concordo com suas opini6es, prin- cipalmente sobre a intelig6ncia e a quali- dade do que poderiamos chamar de Elite, especialmente a do poder puiblico. Mas pretend aqui apenas contestA-lo no item relative A PecuAria. Em algumas ocasi6es que nos encontramos, voce disse-me da sua ansia de provocar o debate e a pole- mica do que escreve, portanto permita-me satisfazer sua vontade e contestA-lo no que penso diferente de voce. Em primeiro lhgar, permita-me plagid- lo no termo dinossauro que faz parte da mesma pagina de seu artigo, e dizer que sua visao da agropecuaria 6 dinossaurica, e vindo de sua pessoa 6 inaceitavel, pois sua inteligencia 6 muito grande para que se perca neste setor. Caso queira saber o que significa a Pe- cuAria no Brasil posso informar que os maiores rebanhos do Brasil estao: em Mato Grosso do Sul (1), Minas Gerais (2), GoiAs (30), Sao Paulo (40), Mato Grosso (5), Rio Grande do Sul (6), ParA (7) e Parana (8); o que significa que os Esta- dos mais desenvolvidos do Brasil tem Pe- cuAria extremamente desenvolvidas, des- te rol apenas nao participam Rio de Janei- ro e Santa Catarina, por6m ressalvando que o Rio de Janeiro 6 o 3 Grande pro- dutor de leite e que Santa Catarina 6 o maior produtor de Avicultura e Suinocul- tura no Brasil. Pecuaria, caro amigo Lficio, sempre foi fator de desenvolvimento e nunca de atra- so e nestes ambientes mais desenvolvidos, o fazendeiro sempre teve respeito pelo que faz. A Pecuaria Nacional gera dentro das fazendas 7.800.000 empregos diretos (Fonte I.B.G.E. e FUNDEPEC), sendo a atividade que mais gera empregos no pais, e quando passamos para a cadeia de ne- g6cios a ela ligada, ultrapassa junto os outros 2 stores empregadores do pais (automobilistica e metalfrgica). O que o amigo cita como diminutos rebanhos, significam no Estado do Para 8.800.000 cabegas de gado (fonte FNP) ou 12.000.000 de cabecas de gado (fonte FUNDEPEC), mas vamos nos ater As 8.800.000 cabegas. Destas estima-se que 2.000.000 estao na regiao que voc8 cita como diminutos rebanhos ou seja o sul do ParA, e para melhor informa-lo o sul do Pard ter o maior rebanho do Estado. Quando voce fala de 'Algo de pouco valor se encarado pelo prisma da qualida- de', sinceramente causa-me espanto sua desinformag~o. O ParA (principalmente na RegiAo Sul), tem um dos melhores reba- nhos do pais, o Frigorifico de Redenqgo abate 144.000 cabecas/ano, sendo que 90% deste abate produz carcagas de 240 Kgs, 10% acima da m6dia national. Gostaria de aumentar-lhe o leque de informacqes sobre nossa atividade para expor-lhe o que significa a PecuAria no Estado. 0 I.B.G.E., calcula que temos 240.000 propriedades no Estado, sendo 50% liga- das A Pecuaria, deste nimero vamos nos ater a apenas 60.000 fazendas, nas quais trabalham 20.000 vaqueiros, 240.000 tra- balhadores rurais, temos mais de 80.000 residencias dentro destas propriedades. Da frota de 4.000 tratores de pneus do Esta- do, 2.000 estao nas fazendas e 6 claro corn seus 2.000 tratoristas. A frota de cami- nh6es que transport estes bovinos entiree propriedades ou para o abate) 6 de 2.500 unidades, 6 claro cor seus 2.500 moto- ristas. A indfistria Frigorifica no Estado gera 4.000 empregos diretos. Significamos 60% das vendas de utilitarios (Camionetes e caminh6es pequenos) na atividade pecud- ria. No lado commercial temos toda a cadeia de lojas de produtos veterinarios e de in- sumos (semen, sementes, arame, selas, etc.). S6 em Beldm temos mais de 1.000 agougues, e faga um raciocinio de quan- tos existem em todas as cidades do Para, aldm das churrascarias, voce podera cons- tatar que neste Estado, nao existe cadeia maior geradora de empregos que a Pecu- Aria. Quando voce cita sempre com desd6m o desmatamento para capim, esquece-se que deste capim produz-se 200.000.000 de Kgs de care, que 6 o alimento de mai- or valor protdico de consume popular. Prezado Lficio, long de mim achar que PecuAria 6 atividade ecol6gica, pelo con- trArio, ela faz a troca da cobertura vegetal at6, de maneira bruta pois faz-se corn quei- madas, mas lembro-lhe que o auge deste desmatamento ocorreu na d6cada de 70, onde nao havia pressao ecol6gica, e havia muito mais uma mentalidade de ocupaao do que de preservagio. O jeito de corri- girmos esse dano 6 procurar restringir ao mAximo o desmatamento, e tamb6m pro- curarmos maior produtividade por hecta- re ja aberto, e nisto muito se trabalha, haja visto o incremento da adubagqo nas fazen- das, al6m das t6cnicas de pastoreio inten- sivo ja desenvolvidas pela EMBRAPA, implantadas em vArios pontos do Estado. Para melhor subsidia-lo a Area que voce sobrevoou 6 a da regiao do rio Araguaia, onde existem cerca de 1.000.000 de hecta- res de cerrado, que vai de Santa Maria de Barreiras a Xinguara, portanto onde nunca existiu cobertura de floresta tropical. Nao pense tambdm que 6 uma ativida- de sem problems, temos problems de inadimplencia bancAria, problems cor as invas6es, etc., e sempre precisamos de re- novacdo tecnol6gica, principalmente de- vida A globalizacgo da economic, pois essa nos traz como concorrentes nossos par- ceiros do MEROSUL, grandes produto- res de came. O que posso afirmar-lhe 6 que o balan- qo da pecuAria no lado social e econ6mico 6 bendfico, portanto permita-me discordar de seu ponto de vista". Minha resposta: Em setembro de 1989 cruzei os Esta- S dos Unidos de Nova J York a Portland Spara encontrar-me cor um lider ecol6- gico do Oregon, no extreme noroeste do pais. Decolamos da pista de pouso da fa- zenda em um teco-teco do pr6prio ecolo- gista e comegamos a sobrevoar as dreas de terreno acidentado, mas, apesar disso, submetidas a intense desmatamento (grande parte da madeira, inclusive em toras, vai parar no Japdo). 0 mau tempo nos fez pousar emergencialmente na pis- ta de uma madeireira. Fomos levadospara o escrit6rio da empresa e 16 se defronta- ram os dois inimigos: o ambientalista e o madeireiro. Como continuasse a cover, fomos para a casa do anfitrido compul- sorio. Quando entrava, observe numa peque- na estate na sala livros de Saint-Exup6- ry. Disse ao madeireiro que aquele era um dos autores que mais me influenciara na adolescencia, ndo pelo "Pequeno Prin- cipe (nunca fui miss, claro), mas por "Cidadela", "Vdo Noturno", "Cartas 6 mde ", etc. Ele tambem adorava o piloto- escritor francis. O papo engatou a partir dai. Ao voltar a Portland, no fim da tar- de, j6 de carro, tinhamos cantado todos Juntos, comido sushis e outras iguarias japonesas, trocado impresses sobre livros e musicos, e os dois rivals descobriram intmeros amigos comuns na infdncia, ate mesmo um parentesco forgado. JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE AGOSTO / 1997 7 Conto a hist6ria para mostrar que, mesmo num terreno literalmente explosi- vo como o da agropecudria, pode-se di- vergir e confrontar-se sem precisar recor- rer a um 38 ou outros artefatos da violOn- cia, que tem sido um dos tragos mais mar- cantes da relagdo corn a terra desde a mais primitive colonizagdo europdia no Brasil e ainda persist na expansao da fronteira amaz6nica. Felizmente, Gastdo Carvalho Filho pertence a uma nova geragdo defa- zendeiros que se ex- " pande na regido. Eles acreditam que a sustentaqdo de sua atividade pro- fissional depend de inteligincia, a mes- ma que deve marcar o debate, sem o qual corre-se o risco de desbancar para o sec- tarismo e, por meio dele, estagnar, o que 6 ruim para todos, principalmente para o pais. Os arguments que Gastdo exp5e na carta, entretanto, ndo diminuiram a sen- sagdo de desalento que tomou conta de mim no ultimo v6o de retorno da Europa. Narrei o episddio ndo porque esta seja a minha forma de abordar a realidade, a partir de um jato. Quis aproveitar o cho- que da passage, em poucas horas, de um padrdo de civiliza9do para outro, regis- trando-o para o leitor Mas se Gastdo tern sua hist6ria como fazendeiro, tambem te- nho a minha (desconfio que mais antiga do que a dele) como critic do que acon- tece na Amazdnia. Conheci a regido na qual Gastdo im- plantou sua fazenda em 1960, quando ti- nha 11 anos e meu pai, membro da comis- sdo de planejamento da SPVEA, anteces- sora da Sudan, me levou para percorrer o trecho jd aberto da Belkm-Brasilia em territ6rio paraense. Naquela 6poca a rica floresta estava pouco tocada. Nas inume- ras viagens que fiz depois dessa data pela B-B (para distinguir sua reta das muito populares na mesa 6poca curvas da francesa BB), a floresta foi sumindo, pri- meiro para receber o colonido, desastro- so capim que facilitava a erosdo (a agua corria entire as touceiras), depois para acarretar a compactaado do solo e a in- vasdo da juquira, e, mais recentemente, para ser recuperada por uma nova leva de fazendeiros que traziam melhor tecno- logiapara a area, modernizando-a (e nela que Gastdo pensa quando fala do sul do Estado). Mas quanto custou essa recuperacdo de areas degradadas? No cdlculo, deve-se incluir o dinheiro vivo (do credito banc6- rio e dos subsidies) e a dizimacdo do res- tante da floresta original, que suplemen- tou o jd entdo escasso capital na fase da recuperagdo, element que ajuda a expli- car a maior concentragdo de madeireiras em um municipio no pais (no continent e, quicd, no mundo, como diria aquele ufanista locutor pernambucano), sem a mais infima reposigdo durante tanto tem- po, puro e selvagem corte raso de madei- ra. No sul do Pard estive pela primeira vez em 1968. Oito anos depois, em agosto de 1976, fui uma das testemunhas do primei- ro ato official em Xinguara, presidido pelo entao governador Aloysio Chaves, naque- ONU. Ou seja: os relatives sucessos quan- la que era conhecida como a terra do titativos ndo tem traduqdo qualitativa. mogno e que hoje ndo tem mais mogno Parafraseando o general Medici, em um algum. Se formos fazer outro cdlculo in- de seus (raros) moments de lucidez, a teligente, serd que valeu a pena a permu- economic do Para pode ir bem, mas seu ta da floresta por capim, com todo o seu povo vai muito mal. valor agregado que Gastdo arrola? 0 que significa ter 8,8 milhoes de ca- Claro que hd as areas de cerrado (cer- begas de gado se grande parte dos pastos raddo e mata fina, como dizia o refrao da foi formada com a destruigdo da floresta Sudam originalmente pecuarista) compa- e se 5 milhoes de hectares estdo perdidos? tiveis corn a pecu6ria (que, ao contrdrio Nem vamos entrar na contribuigdo da de Gastdo, escrevo secularmente com mi- pecudria para o fechamento da fronteira niscula), mas, ao divisar da altura do jato amaz6nica, que engendrou a tensdo e os o horizonte mais amplo, eu separava conflitos permanentes, dando-nos, ama- aquela mata rala ou secunddria da maci- zonicamente, a maior concentragdo fun- qa floresta batizada por Humboldt, que didria do pais. conheci de chdo, trilhando por ela. E V1i em Sao Felix do Xingu os sete mil grande floresta amaz6nica, a razdo do hectares de past que o entdo homem nosso ethos, que eu me referia. Nao con- mais rico do Pard" havia formado. Ne- seguimos impedir que 400 mil quilome- nhum animal pastava naquele mar de ca- tros quadrados de cobertura vegetal pri- pim. Era "benfeitoria" para o Incra ca- mdria, de hileia, fossem desmatados. 0 dastrar e a Sudam ver (neste aspect, ndo ganho obtido corn essa insensatez ainda havia instituiago de visdo mais inglesa, e desproporcionalmente pequeno. para usar a sabedoria popular). Pode-se ato atenuar um pouco (mas ndo A pecudria gera riquezas e empregos, tanto quanto Gastdo) os erros da decada mas ndo na proporgdo do custo de sua de 70, da "filosofia da pata do boi" (tal- implantagdo numa drea incentivada como vez criada pelo prdprio), mas o record a nossa. Aceitando-se os dados de Gas- de desmatamento aconteceu na decada tdo, sdo pouco mais de quatro emprega- seguinte, a de 80, quando a mddia (nos dos por fazenda, um para cada 40/50 ani- calculos oficiais) foi de 20 mil quildme- mais (que seria a mddia por fazenda, se a tros quadrados por ano (o dobro simples divisdo aritmitica pu- da area do cerrado que vai de desse ser o melhor instrumen- Santa Maria das Barreiras aXin- ,. to de reform agrdria no pa- guara, citada por Gastdo). Em pel de cilculo, claro). Obvia- 1987 batemos o record mundial mente, ndo e um modelo de em todos os tempos de destrui- .* ', trabalho intensive, nem said qdo de floresta: 80 mil quildme- para a crise de desemprego tros quadrados de hileia (mais 120 mil km2 estrutural que temos por aqui. Em mato- de cobertura vegetal secundcria) desaba- ria de tecnologia, hd um trator para cada ram, quase sempre sob a a9do do fogo. 120 fazendas. Cada fazenda produziria Foi o maior de todos os crimes contra flo- 1,6 tonelada de came por ano. E satisfa- restas que o ser human jd praticou em trio? Em Paragominas avangou-se mui- sua existincia to, mas a maioria da came que sai do sul Obviamente, a pecudria paraense ndo do Pard vai mesmo para charqueada por ter s6 aspects negatives. Hd vdrios po- falta de qualidade. sitivos, que t&m crescido em anos recen- Se ver essa realidade e coisa de dinos- tes. Mas ainda estd long do padrao de sauro, entdo sou assumidamente um, con- qualidade dos grandes centros de criagdo, vindo lembrar que esses monstros pr6-his- que tOm transferido as atividades menos t6ricos, em sua maioria, acabaram se tor- qualificadas para a periferia. Se o Pard nando vegetarianos. Este "detalhe ", mais tem o sOtimo rebanho bovino national, e do que a 16gica e a inteligOncia, deve ter tambOm o sOtimo maior exportador do pais inspirado, ainda que inconscientemente, e o segundo minerador, mas est6 em 170 o tom e os arguments da carta do caro lugar em desenvolvimento, segundo a amigo Gastdo Filho .0 Cartas Caro Lucio iou talvez Jornalita Lucio Flavio Pimo). ..siante qe sou de seu Jornal Pessoal c comprador do mesmo desde o prirel- TO nimnero. somente agora apesar de nio ter me fallado vontade em outras ocast- 6es nmanifesto-me sobre algo pubhcado no nosso JP, que. alias, e urn oisis no rueio de urn deseno de desinforrma;ao e de falta de etca e cornpostura que aaambar- cam a imprensa desta nossa terrinha. Mas a motuio de4sa. alim de agradecer-the pelo brilhante informativo' que nos e ofertado visa parabeizar-lhe pela soberba c aftiva resposta a arrogfncia da sra.. ops Dra. Gisela Pires do Rio. Esta no exato tom e na media adequada. semnjamais baixar o nivel. ti petulincia da referida doutora. Luiz Nero OAB/PA n" 3943 PS. Parabdos pelo prnmio recebido. N. da R. Agradeco as nmk.sagens de congratulaCoes que cihearam por carta, tele- eramt on t'e-ima. ent' ladns por- Jooo de Barros, Arthur Guedes Touriho, lanoel Alar't Pompeu Braga Orly' Bezcrra, Mafrco Simtdes, Rosa Carmuna Couto. ClTe,,don Gondim. Bira Barbosa. Aida Crisnta. Patldo AMendes Barroso Rebello. Clara Pan- dol/b. .Atonio Farras Coelho. I'drios outrn's amigos tambim tele.onaram. Prova dos nove Finalmente a Receita Federal vai checar se as Organiza- c~es Amon de Mello (urn grupo de comunicaq6es de Ala- goas, Estado em regime de insolv8ncia cor usineiros mili- onarios) tem condi96es de permitir ao ex-presidente Fer- nando Collor de Mello retirar de seu caixa 100 mil reais por mEs, ser perturbar a partilha dos outros irmios, tambem com direitos sobre a heranga. Como se trata de questao de interesse piblico, que pode caracterizar enriquecimento ili- cito, espera-se que haja resultados e que a apuraygo seja comunicada ao distinto piblico. Seguindo o exemplo, nossa Receita bem poderia fazer uma excursao a Salinas para checar tambem a procedencia do dinheiro aplicado nas mansoes que ornam aquele balne- ario. O custo estimado de varias delas nao se encaixa no tamanho da biografia de seus proprietarios. E precise des- cobrir a magica da acomodacgo. Propriedade Toda obra piblica vira political. Por isso, o governor do Estado e a prefeitura de Belem estao numa queda-de-brago pela macrodrenagem das baixadas, a obra de maior reper- cussao em andamento na capital. Enquanto o govemo excluiu a prefeitura da visit do pre- sidente do BNDES, responsavel pela parcela maior da con- trapartida national, o PT reagiu fazendo logo em seguida uma visit tecnica as obras. como se as estivesse comandando. Imediatamente os tucanos arregimentaram vereadores para uma excursao pela trilha invadida pelos petistas, como os passaros daquela lenda de Joao e Maria, que comeram as migalhas do pao usadas emergencialmente pelos innaos no lugar das pedras para demarcar o caminho na floresta. Como o Banco Interamericano de Desenvolvimento nao abre mao da presenga da prefeitura no projeto e o PT nao quer ficar fazendo apenas figuracao, a maneira da admi- nistragao anterior fizera, o plblico agradeceria se os mo- tivos politicos fossem momentaneamente colocados de lado e as duas parties se sentassem a mesa para estabele- cer a agao comum necessaria para que a retomada das obras nao sofra outra paralisagao. Grandeza, ao menos de vez em quando, faz bem. Indicative O economist amazonense Raimar da Silva Aguiar publi- cou um artigo em A Provin- cia do Parc ("Malasianos: perigo ou oportunidade?") de- fendendo a presenga desses novos investidores no setor florestal amaz6nico. Quem nasce na Malasia 6 malaio. A partir dai pode-se estabelecer o grau de confiabilidade do que diz o author. Apoio Alguns leitores tem feito contato oferecendo apoio a este journal. O mais desejado deles 6 que facam assinatu- ra em favor de amigo ou pa- rente que more fora de Be- lem. Assim poderemos am- pliar a circulagao do JP, fa- zendo-o chegar a locais a ele, no moment, inacessi- veis, dadas suas limitac6es "empresariais". Journal Pessoal Editor: Lucio Flwvio Pinto Sede: Rua Aristides Lobo. 871 i CEP: 66 053-020 Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Try. Benjamin Constant, 8456203 I 66 053-020 Fone: 223-7690 e mail: lucio@expert.com.br Editorac;o de arte: Luizpe / 241-18591222-6238 Aniversirio Se tudo correr bem, o Jor- nal Pessoal completara 10 anos de vida na 1" quinzena de setembro. Gostaria de pu- blicar uma edicao cor a de- cidida contribuicgo dos leito- res, se eles se dispuserem a escrever uma avaliagao des- sa existincia e apresentar su- gest6es para o future. Todas as manifestag6es serao bem recebidas. Detalhe O custo do projeto de ma- crodrenagem das baixadas de Belem subiu, no uiltimo orca- mento apresentado, dos 225 milh6es de d6lares originals para US$ 236 milh6es. Qual a razao desses US$ 11 mi- lh6es adicionais? A grande imprensa, que nao percebeu o reajuste de 5%, por isso mesmo deixou de questioner os responsaveis pela obra a respeito. Ou nao faz mesmo qualquer importancia. Cometimento A Provincia do Parc co- meteu a seguinte legend para a foto de um jato que ilustrava materia sobre a queda do Boeing da Varig pilotado pelo comandante Cesar Garcez, em 1989: "O aviao acidentado, embora fosse um 737, parecia mui- to com este da foto. um 727". Entao ta. Ausencia Foi precise haver a explo- sao da usina de energia, que provocou a paralisagao da fabrica e a ida a area do pre- sidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonga de Barros, para os desavindos irmaos Guilherme e Mario Frering visitarem pela primeira vez o complex do Jari, do qual se trornaram donos na con- diaio de herdeiros do av6, Augusto Trajano Antunes. O grupo Caemi, criado por Antunes, assumiu o contro- le do Jari em 1982. Alias, os Ford, que tinham domicilio nos Estados Uni- dos, jamais foram aos vastos dominios que possuiram no Tapaj6s entire 1927 e 1945. O empreendimento nao deu certo. NIo exatamente por isso, mas tambem por isso. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 127 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |