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Journal Pessoal Si I I n C 1 A \/ I n D i I r L U '. I LI I L r V I L/ I A X IN1 9-A15 2S [UNtll DE NlO E 197 R$ 0I0 A tiragem dos jornais I .... (pag. ) |) COBRE 0 castigo vem do ceu Governador do Estado brasileiro mais importantepara a CVRD, o governadorAlmir Gabriel se omitiu deliberadamente do debate sobre a privatizacdo da empresapara ganhar todo o Projeto Salobopara Marabd. Agora, ao invss doprdmio, recebe o castigo. Mas opior ainda estd por vir. governa- dor Al- mir Ga- briel nio e rnm 1ei tor con- tumaz da Biblia, ao contrario do seu peri- . clitante aliado politico, o ex-prefeito Hdlio Gueiros. Se se permitisse leituras bi blicas, poderia ter interpretado a graves inc6modos da semana passE da como castigo dos c6us ou d ainda desconhecido. Governador do Estado da FederE 9ao mais important para a Compa- nhia Vale do Rio Doce, Almir pro- curou o mais alto muro para acomo- dar sua omissao diante do aceso de- bate sobre a privatizaqao da empre- sa, interrompido antes do tempo pelo ato consumado da venda ago- dada. Todos os que o conhecein melhor e de mais tempo sabiam que o pensamento do governador era contrifio a privatizag~o, mas Almir silenciou oportunisticamente W t~B~k~-6M--s~"~'8~ r I Iv I v/ 2 JOURNAL PESSOAL21 QUINZENA DE JUNHO / 1997 N para nao complicar os prop6si- tos do tucano-maior, o president Fernando Henrique Cardosq. Em troca, ganharia a dispute para insta- lar a metalurgia do cobre do Salobo em Maraba. O pr6prio president da Re- piblica telefonara de Brasi- ( lia para o governador - anunciando-lhe, informal- 4. mente, que todo o investi- Q mento, de 1,5 bilhao de d6lares, ficaria no Para - e, particularmente, no muni- cipio de Maraba. Estranha- mente, entretanto, Fernando Henrique nao marcou data para o anuncio official da decisao, nem fez questdo de participar de uma solenidade que seria realizada no Para, ao contrario do que tem sido sua norma de conduta (em v6spe- ra de eleigdo, politico sujeita-se at6 a inaugurar pedra fundamen- tal de isqueiro). O ato foi agendado para o ultimo dia 14, depois de um primeiro adia- mento, gragas a uma iniciativa da antiga diretoria da CVRD (ainda no cargo, mas ja sem poder decis6rio), que aprovou a definigao do local da fabrica para antes da privatizagao da estatal. O ato se revelou precipitado, ou em descompasso com o process privatizat6rio, que a diregao da CVRD, a contragosto embora, aca- bou aceitando. No dia acertado para a celebracgo da festa, o presi- dente do Conselho de Administra- 9ao da nova Vale, Benjamin Stein- bruch, que acumula de fato a pr6- pria presid8ncia executive, apesar da presenga nominal de Francisco Schettino no cargo, veio a Belem com um tonel de agua gelada: a execugdo do Projeto Salobo esta suspense por 90 ou 180 dias, se- gundo os dois diferentes prazos que apresentou para reexame, sujeito a duas hip6teses: manuteng9o tal como esta ou cancelamento. Qualquer que venha a ser a hi- p6tese realizada (e na verdade hi mais alternatives do que admitiu o novo messias do empresariado na- cional), quem saiu definitivamen- te desgastado do epis6dio foi o go- vernador jklmir Gabriel. Ele nao conseguiu ifazer respeitar um pro- tocolo de inten9ces assinado um m6s antes e que ainda estava para ser encaminhado a Assembl6ia Le- gislativa para aprovagao. Mais uma vez teve que se submeter a uma decisao unilateral do parceiro, sem qualquer poder de antecipagao. E, ao inves de ser premido pelo si- 1 ncio confirmado, foi pu- -~' nido, naquela forma cate- g6rioca de castigo que a moral biblica costuma re- servar aos omissos (tam- bem condenados ao desprezo no inferno dantesco por se- rem mais nocivos do que os Specadores). Renunciando voluntariamente ao poder que a posigdo estrat6gica do Pard no conjunto dos interesses da CVRD Ihe conferia, o governador 6 o primeiro a sofrer as consequenci- as do novo modus operandi da anti- ga estatal (ainda remotamente sujei- ta a retornar a condigco anterior, de- pendendo dos litigios judiciais em torno do seu leilao). Steinbruch, at6 recente- mente um desconhecido play-boy, nao encarna a fi- gura traditional do controlador de uma empresa, que possui 51% do seu control acionario. A parte de Steinbruch na nova Vale nao chega a 2%, mas ele invadiu a sede da em- presa, no Rio de Janeiro, como um d6spota esclarecido, com o chicote dos niumeros na mao para contrapor aos antigos apparatchicks do Estado brasileiro (uma cate- goria t6cnica em mutagdo e, em algumas instincias, ex- tingao). - Entre as varias pergun- tas consideradas inconvenien- tes que fez aos antecesso- res, uma foi: o que o Mara- nhao ofereceu a Salobo Me- tais para a instalagao da metalur- gica de cobre em Rosario (a alter- nativa preferida da Anglo Ameri- can, contra Parauapebas e Mara- ba, da CVRD)? Dizem as fontes que fez-se silencio. Os tecnicos que estudaram as hipoteses avali- aram cada uma delas, mas negoci- agao para valer sobre vantagens e compensa9oes s6 houve cor o Para. Quando conseguiu beneficios no valor de US$ 75 milhoes, equalizan- do as tres hip6teses (e assim elimi- nando a possibilidade de perdas para a Salobo), a diretoria da Vale fechou o acordo com o governor do Para para que a metalurgia ficasse em Maraba. Foi uma decisao political, mas nHo colidiu com os criterios tec- nicos e econ6micos. Por isso a An- glo American cor certa relutan- cia aceitou, mantendo a associa- 9ao. Esse sempre foi o modus proce- dendi da estatal, que Ihe garantia a condi9ao de representante bra- sileira (do governor e, tambem sempre mais nos ultimos tempos, da nagao) mesmo quando envolvi- da em neg6cios cor multinacio- nais, sem perder o contato cor a eficiencia e a busca do lucro que caracterizam a empresa privada (a Vale, por isso, era inica, o que dei- xou de ser). Mas nao e esse o raciocinio de Steinbruch e do ainda obscure con- s6rcio por ele liderado. O novo con- dottiere da Vale ficou espantado ao ser informado que o governor do Ma- ranhao ndo havia sido contactado para apresentar sua proposta. Con- siderou essa etapa indispensavel no reexame do projeto que havia soli- citado, como em relagao a todos os que vinham sendo conduzidos. Quer reduzir ao maximo o investimento pr6prio no Salobo, avangando sobre o tesouro public, primeiro para abocanhar mais vantagens e isen- 96es tributarias e fiscais; em se- guida, para arrancar cola- -- boragao financeira (quando a Sudam sera chamada a Sdar sua colaboraaozinha, algo entire RS$ 300 milh6es e R$ 400 milh6es ao long de Stores ou quatro anos). Mas dizem algumas fontes que o interesse nao 6 apenas de poupar capital no projeto de co- bre: as sondagens dirigem-se tam- bem para a configuragco de um novo perfil do setor. Individual- mente, o maior acionista da Vale e o Previ, o mais rico dos funds das estatais. O Previ tamb6m e o prin- cipal controlador da Companhia Brasileira de Metais Nao-Ferrosos, uma super-empresa surgida no ini- cio do ano passado a partir da ab- sorgco da Caraiba Metais, Parana- JOURNAL PESSOAL -2- QUINZENA DE JUNHO / 1997 3 panema. Paraibuna Metais e Elu- ma. A CBMNF passou a ser a se- gunda maior empresa de minerado e metalurgia do pais, abaixo ape- nas da pr6pria Vale, agora, obliqua- mente, tambem sob seu control. A holding 6 dona da uinica me- talirgica de cobre do pais, a Caraiba Metais, instalada na Bahia. Segundo algumas fontes, o Previ teria solici- c tado a Steinbruch para ve- rificar se 6 possivel associ- ar o projeto Salobo a Caraiba, ampliando-a para receber o concentrado extraido de Ca- | rajas e consolidando-a como a monopolista do cobre metalico no Brasil, para desespero de 150 compradores nacionais sujeitos aos seus humores. Essa hip6tese ja foi estudada. Anglo American e CVRD s6 decidiram pela verticaliza- 9ao da produg~o na regiao da mina em fungdo de um detalhe tecnico: nenhuma outra metalurgia em operagao no mundo, inclusive a Caraiba, tem um design industrial apropriado para tratar o minerio de cobre de Carajas. O teor de fluor no concentrado e excepcionalmente alto, causando problems principalmente na lim- peza dos gases na metalurgia (ver Jornal Pessoal ns 137 e 152). Para enfrentar o problema, a fabrica da Salobo foi projetada corn uma tor- re de limpeza. Outras fabricas que viessem a usar o concentrado de Carajas teriam que consumer mais energia e reagentes quimicos para eliminar o fluor, onerando o custo de produgdo e prejudicando sua competitividade. Esse 6 um problema tecnol6gico que pode vir a ser resolvido, mas por causa dele os donos da Salobo deci- diram que a produgao seria vertica- lizada, englobando a mineragdo, a concentragao e a metalurgia. A de- cisdo, evidentemente, foi tecnica, deixando pendente apenas onde fi- caria a fabrica, ao long da ferrovia de Carajas. Final, o BNDES entrou no pro- jeto Salobo, em 1985, apenas por apostar que ali poderia obter para a Caraiba, onde tinha (e tem) mui- to dinheiro enterrado, o concentra- do de cobre que 6 trazido, com 6nus cambial, do Chile e da Boli- via (o auto-abastecimento de mi- nerio pela empresa ndo vai alem de 20% em sua pr6pria mina no sertdo baiano). Mas ha ainda outra questdo. Para produzir 200 mil toneladas ) de metal, a Salobo tera que gerar 500 mil tonela- das de concentrado, aci- ^ ma do que precisara a Ca- Sraiba se continuar utili- zando sua mina. O que se fara do excedente: expor- tar? Seria um neg6cio sem atrativo para a pr6pria Sa- lobo, exceto se ela for imediata- mente vendida a Caraiba, que po- deria ter prejuizo no process mi- neragdo-concentra~io, mas com- pensaria essa perda na metalurgia, alem de economizar grande parte dos US$ 700 milh6es reservados do investimento total para a fibrica, ja que precisaria apenas ampliar e modificar a plant que ja possui. Seria o primeiro retalhamento a que a CVRD seria submetida. Mas interessaria ao pais continu- ar dependendo de uma unica meta- lurgica de cobre, atada a esquemas logisticos complicados a partir do desmoronamento do artificial cal- culo de viabilidade da Caraiba fei- to pelo play-boy Baby Pignatary, de certa forma um antecessor de Steinbruch (ver Jornal Pessoal n 164), que o BNDES foi chamado a viabilizar, a custa de sangria desatada nos cofres publi- cos? (m i' E sempre bom lembrar que o projeto da Salobo esta sendo conduzido si- < multaneamente ao de Collahu- assi, no Chile, de tamanho igual (tamb6m US$ 1,5 bilhdo de investimento), onde a An- glo American se associou a Falcon- bridge. O mercado mundial sera afetado pela execucgo desses dois empreendimentos, o do Salobo ca- paz de inverter radicalmente a po- sigao do Brasil (de traditional im- portador, que tem no cobre a segun- da mais pesada conta de importa- gao no setor mineral, para exporta- dor, podendo pular para o quinto lugar entire os maiores produtores de cobre). Quaisquer que sejam as presses e orientagbes das quais Benjamin Steinbruch tornou-se o porta-voz, ele escondeu o jogo nos contatos que manteve em Belem e simplifi- cou a situagdo que envolve o pro- jeto Salobo. Mas o bom e desapai- xonado observador pode ter medi- do, pelos fatos da semana passada, a profundidade das transformagces que ja ocorreram e ainda irdo acon- tecer no vicuo da CVRD, exata- mente quando a empresa esta ini- ciando, 30 anos depois da desco- berta original, um novo ciclo, mui- to mais important do que o primei- ro (a lideranca do ferro substituida por cobre e ouro), de aproveitamen- to da provincia mineral de Carajis. A prego de banana e ainda sem con- seguir sequer identificar quem re- almente esta por tras dos interme- diarios que fizeram lances no lei- l1o, o Brasil por seu principle pre- suntivo renunciou ao seu princi- pal instrument de geracgo de ri- queza. e os grupos que deram a Steinbruch o poder que seu control acionario nao ava- liza estao interessados ape- nas no lucro das aplica96es, o que ird se seguir serk um jogo de bar- ganha avangando sobre os cofres publicos para reduzir ao maximo o tamanho do capital pr6prio envol- vido. Se a desenvoltura do execu- tivo ata-se a novelos ainda mais en- rolados, que estao caracteri- S zando um acelerado pro- t j cesso de olipoligagio e cartelizagio do setor mi- nero-metalurgico da eco- nomia brasileira, favoreci- do pela eliminagIo da ag6n- cia governmental que a Vale sempre foi, desde sua criagao, com a transfer6ncia do poder decisorio para al6m das fronteiras nacionais, entao pode-se temer pelo pior. Um pior tornado inevitavel pela aus6ncia de um eficaz mecanismo de contrapartida nas mdos do poder public, devolvendo o pais aos ris- cos de manipulagdo que estavam mi- nimizados antes da onda neolibera- lizante na qual o governor embarcou como surfista ne6fito. E o pior ape- nas comegou. 0 4 JOURNAL PESSOAL21 QUINZENA DE JUNHO / 1997 Nossa historia com um atraso instantaneo Os americanos inventaram o ins- tant book para registrar, cor umjor- nalismo mais exigente, fatos imedi- atos de maior importfncia, destina- dos, por isso, a serem hist6ricos. O Brasil esta agora inventando o ins- tant book retardado. 0 Sequestro (dia a dia), livro de Alberto Berqu6 (Editora Nova Fron- teira, 137 paginas, R$ 15), pertence a este ins6lito genero. Foi escrito como se tivesse sido produzido no calor da hora. Mas o fato a que se report, o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Char- les Burke Elbrick, por grupos poli- ticos de extrema esquerda (MR-8 e ALN), ocorreu ha 28 anos. O livro e bem escrito. Uma vez iniciada, a leitura vai de um folego s6 at6 o fim, alcancado no maximo duas horas depois. Mas tudo o que esta no livro de Berqu6 ja esteve, antes, nos jornais da 6poca, mesmo sob a censura, e em um ou outro de- poimento dado depois, igualmente registrado em letra de forma. Dizem que O Seqiiestro 6 uma fonte mais confiAvel sobre os acon- tecimentos da 6poca do que O que e isso, companheiro?, de Fernando Gabeira, um verdadeiro instant book tardio (saiu na frente dos livros de pesquisa e foi uma autentica reve- lagao, interditada pelos anos de re- gime military fechado). Uma tarja convenientemente co- locada pela editor sobre o livro as- segura: "A verdadeira hist6ria do seqiiestro mostrado no filme O que e isso, companheiro?'. Ou seja: foi o filme e nao o fato hist6rico - que deu ao livro a instantaneidade de leite em p6. Toda pessoa razoavelmente in- formada reconheceu desde o ini- cio que muito do que Gabeira es- creveu nao passava de ficcgo - mas de boa ficqco, ressalte-se. O problema de Berqu6 6 que, toman- do Gabeira como refer6ncia, con- trap6s-lhe apenas uma leitura dos jornais da 6poca e apanhados de- sinteressados em outras (poucas) fontes. Ficamos entire um depoi- mento de menor valor documen- tal, mas de aceitavel qualidade li- teraria, e um jornalismo correto, mas fora de 6poca. Ao inv6s do produto instantaneo, destinado a vender nas ondas do filme (tam- b6m de qualidade apenas artesa- nal), o que se deveria fazer era um levantamento mais rigoroso, pro- fundo e amplo sobre o period. Berqu6 registra que toda a con- versa do embaixador cor seus se- questradores foi gravada, mas nao reproduz nenhum trecho dos dialo- gos. Isso sera porque a fita se per- deu? E possivel, mas nenhum escla- recimento 6 dado ao distinto leitor. Uns poucos documents sao repro- duzidos sem qualquer comentArio critic ou explicativo. A primeira nota que os sequestra- dores fizeram o governor divulgar publicamente antecipava que ainda naquele ano de 1969 seria iniciada a guerrilha rural. Sil6ncio do autor a respeito e sobre os erros de portu- gu6s do redator da nota, que era Franklin Martins e nao Gabeira. O desleixo chega a tanto que Berqu6 diz haverem tres carros participa- do do seqiestro, quando o correto seria escrever que foram usados. Mas o que se pode esperar de um instant book velho de tr6s d6cadas? Ao fim da leitura veloz fica aquele gosto de rolha que os maus vinhos belamente engarrados deixam na boca do connaisseur. 0 Seqiiestro e rolha pura. 0 U m adolescent que v4, hoje, O que j isso, companheiro? acredi ta que aquilo foi mesmo verdade e ndo mera ficc9o, exagero ou distorg9o de um cineasta? Veio-me essa pergunta no escurinho da sala de cinema, como dizia uma m(tsica ingenua da 6poca. Nossa me- m6ria 6 fraca e nossos intetelectuais t6m nos ajudado muito pouco a afid- la para examiner os fatos imediatos. A tortura parece coisa de um passado remote e vencido. Mas, como no poema de Drummond, ainda d6i. Chega de choradeira Era desejavel para os belenen- ses que o Cinema Palhcio conti- nuasse como uma casa de espeta- culos" Era. como mostraram as inanifestantes unanimes das pes- soas ou\idas pela imprensa- Era viavel essa manutengio9 Tambem, mas para isso seria precise usar a inventive. Todos sabem que as salas coni- pactas sao hoje muito mais renta- veis que as grandes casas, como o Palacio e o Nazare. E que urma empresa particular corn prejuizo num negocio trata de se livrar dele A equaqao leva inevitavelomente a uma nova transacgo commercial se o poder public nao interview O Palacio (da mesa naneira que o Nazare) nao e um cinema comum. Tinha 40 anos como sala de espetaculo. e um testemunho arquitet6nico de epoca e continue plenamente utilizavel para os fins da sua destinaqAo original. Unma alternative para sustenta-lo seria o poder public reduzir a carga tri- butaria sobre o neg6cio at6 o ni- vel de ajusta-lo, ainda que nessa direcao se chegasse a total isen- qao desde, naturalmente, que comprovada a insustentabilidade da atividade. NAo sendo exequivel esse es- quema, a prefeitura poderia decla- rar a desapropriaqgo do imovel para fins de utilidade pfiblica e transforma-lo numa sala de espe- taculos municipal. A prefeitura nao ter nenhum teatro seu e o PalAcio poderia prestar-se a espe- ticulos de musica e a exibicao de files, alem de abrigar palestras e conferencias. Essas atividades poderiam at6 gerar renda para a amortizacao do custo da desapro- priacao (e, neste caso, a avaliaqao seria feita tendo por base o IPTU). Estas sao apenas algumas idei- as, cujo prop6sito principal 6 des- tacar que nio se pode sempre fi- car lamentando os fatos consuma- dos desfavorAveis. E precise an- tecipar-se a eles corn formulas re- alistas. Belem estA precisando ur- gentemente de um pensar ousado, mas de p6s no chio. JOURNAL PESSOAL -2A QUINZENA DE JUNHO / 1997 5 Italia setentrional, sempre monumental k globalizagao foi comandada exclusivamente pelo capital. Agora 6 a vez do trabalho. Se os trabalhadores nao ocuparem a posiCgo que Ihes cabe, os efeitos perversos da integradao econ6mica em escala planetaria irao se agravar, cor mais desemprego e mais crise social. O mundo pode explodir. E o que argumentava um dirigen- te da CISL, a central sindical italia- na, cor quem almocei na semana passada, em Bolonha. A central ap6ia dois programs no Para. Urm, de produgao agricola, em Irituia. Outro, de formagao de liderangas sindicais, em Belem. Apesar da discricao do interlocu- tor, a CISL parece nao estar muito satisfeita cor os resultados. Acha que eles poderiam ser melhores se houvesse mais empenho da outra parte. Do lado italiano, a maior es- peranga e de convencer os trabalha- dores das areas anteriormente cha- madas de Terceiro Mundo a aceita- rem um entendimento universal. As grandes empresas estao empe- nhadas em produzir cada vez mais barato. Querem pagar cada vez me- nos e respeitar direitos em numero sempre menor dos trabalhadores. E substituir mao-de-obra humana por miquinas quando as exig6ncias de mercado por qualidade tornarem necessaria a troca, o que inclui at6 mesmo a dispensa de menores de idade, hoje usados em intensidade crescente na produdao de bens nao- sofisticados. Os trabalhadores dos paises atra- sados poderiam decidir tirar parti- do dessa digamos assim vanta- gem comparative. A consequencia seria o aprofundamento dos indices de desemprego no Primeiro Mundo, que alcangam nivel alarmante na Alemanha. O dirigente da CISL, corroborado por seu companheiro, na casa de quem (na "campagna") havia dormido na vespera, garantiu que os trabalhadores europeus nao abdicarao de suas conquistas em tro- ca da garantia de trabalho: "Estamos dispostos a tudo para nao perdermos a : qualidade de vida que alcangamos", diz, com voz pausada, sem dramatizagao. Mas sabe o que diz: foi um dos organiza- dores das manifestagoes de protes- to quando Fernando Henrique Car- doso esteve em Bolonha, dona da primeira universidade da Europa. Ele acredita que o contrario e pos- sivel: as conquistas sociais dos tra- balhadores europeus serem tamb6m incorporadas pelos trabalhadores das areas pobres, para as quais tnm se deslocado as empresas globaliza- das (multinacionais, segundo o jar- gao ja em relative desuso). Nesse almogo tive a conversa mais seria da minha peregrinagao de duas semanas pelo norte da Italia, patrocinada pela Fundagao Macon- do, uma instituigao alimentada pela vitalidade de Giuseppe Stopillia, um padre de 60 anos que trocou uma bem-comportada par6quia interiora- na pela aventura da solidariedade cor o Terceiro Mundo. O tema do meu almoqo cor Enrico Giusti e Gianni Padrezelli e recorrente em boa parte das agendas europeias e comega a ser incluida nas preocu- paqbes de latino-americanos, africa- nos e asiaticos: o fim dos empregos na sociedade globalizada dos pr6xi- mos anos. Previsoes sobre a drdstica redu- 9ao dos atuais postos de trabalho criados pela economic capitalist ao long da busca pelo pleno emprego (a teoria que oxigenou o mundo no p6s-guerra de 1945) ha muitas. Na primeira decada do pr6ximo mile- nio a mao-de-obra na atividade pro- dutiva pode estar reduzida a 20% do que e atualmente. E um lance no es- curo, mas um giro mais atento pe- los paises europeus pode mostrar claramente os sinais marcantes des- se caminho rumo ao choque (ou sem volta, na visao mais fatalista). Circulei intensamente pelo norte da Italia, uma das areas mais ricas do mundo (supera a m6dia da Ale- manha). Pode-se constatar, sem maior indagagao, que o bom Spadrao de vida da atual C geraqco, muito su- Sperior a da ante- S rior, nao se es- .. tender aos fi- Ihos e netos se a situa9ao de hoje fluir sem mudangas. A classes media europeia e larguissi- ma, o que da uma sensacao de seguranga e conforto, principalmen- te no norte italiano, onde a popula- dao vem fugindo das maiores cida- des e se dispersando pelo que aqui chamariamos de "area rural" (e, por la, seria mais adequadamente enten- dido como extensao urbana interva- lar). A maioria contenta-se corn o que ter, num individualism exar- cebado que pode impedir a forma- dao de anti-corpos para combater a crise que realmente se aproxima. As liderangas mais esclarecidas, nos sindicatos e nas organizacoes de voluntariado, andam na contra-mao, trabalhando as consciencias e ten- tando criar uma via paralela, na pla- netarizaqao, a do grande capital. Foi uma experiencia enriquecedora ter participado de alguns moments desse esforgo em duas semanas de excursao por essa parte rica (em to- dos os sentidos) da Italia. Espero poder aplicar o que consegui apren- der por la no trabalho que aqui fago, do outro lado do Atlantico, que po- deria ser e nao e mas, quem sabe, sera, se nao ficarmos estendidos eternamente em bergo esplendido, nem iludidos pela nossa quim6rica auto-suficiencia. Italia, valeu. * 6 JOURNAL PESSOAL21 QUINZENA DE JUNHO / 1997 De volta a terrinha (eao dramalhao) Era pouco mais de cinco horas da manhd quando cheguei de Roma. Teria que ficar no Rio de Janeiro 12 horas ate pegar um outro aviao para Brasilia e, dai, a Belem. Decidi pegar o 6nibus do aeroporto e ir para o centro da cidade. No caminho, ainda escuro, passamos por pessoas indormidas esperando 6nibus nas paradas sujas. Emparelhamos corn um 6nibus suburban. No long banco traseiro, cinco pessoas, todas dormindo, todas negras, um Rio interditado aos cart6es postais. Desgo na avenida Rio Branco e vou no rumo da Cinelandia observer os primeiros movimentos do alvorecer. Passo em frente ao Hotel Itajuba, onde me hospedei cor meu pai na primeira viagem ao Rio, em 1961, aos 11 anos. Hoje o hotel tem apenas duas estrelas, mas ja foi correto e decent, corn uma portaria de primeira, segundo o parecer do meu pai: "E porque tem paraense la", acrescentava. Tomo o segundo caf6 da manha do dia (o primeiro, insalubre, no aviao da AlitAlia), num ex- restaurante, reduzido a um tergo do antigo espago, ocupado por uma lanchonete improvisada. Depois de fazer o pedido, leio na tabuleta que ali se oferece "torradas de Petr6polis", mas temo arriscar. Fico no trivial variado, comendo em p6, do lado de fora do balcao, na rua, por onde passa um grupo de adolescents amarfanhados, todos grogues, todos negros. O sol ja espicha seus primeiros raios de luz no c6u. Vou ao Largo da Carioca, onde os primeiros camels montam suas barracas, ja agora dividindo espago com pessoas que seguem apressadas para seus trabalhos matinais. A temperature 6 de 20 graus e o vento sopra um hdlito frio, pesado, de sarga e poluigao. A densa neblina vai lentamente se desfazendo pela luz e o calor que evoluem corn preguiga no horizonte. y Fago de umn I telefone pilblico na avenida Almirante Barroso escrit6rio improvisado para contactar amigos, marco almo9o cor um deles ali mesmo, no centro, e sigo para uma feira do livro que aos poucos vai-se abrindo no pr6prio Largo da Carioca. Depois, circulo pela rua da Carioca, um pedago relativamente intacto do Rio que se perdeu al6m-os-muros da Ipanema de Jobim, da qual os cariocas nao conseguem sobreviver. D escubro, maravilhado, que o Museu Nacional de Belas Artes exibe uma exposiygo de Luis Trimano. E argentino, mas, ji tanto tempo por aqui, merece o titulo de o maior ilustrador brasileiro. Conheci-o no Opinido, maior journal da imprensa alternative brasileira, onde ambos trabalhamos entire 1973/74. Exposigao de Trimano 6 coisa rara - e preciosa. N enhum artist (detesto o acr6scimo: plastico) usa melhor a colagem que ele, primoroso tamb6m no nanquim e nas criag6es com tinta de esfereografica. Paro dante do menino iraniano de olhos esbugalhados, que ele criou em 1982: que expressao! A bela composigao claro/escuro de indios enm nanquim. Ou as maravilhosas capas de disco, com Nelson Cavaquinho, Dorival Caymmi e Hermeto Paschoal. Alguns dos trabalhos expostos sdo reprodug6es. Os originals se perderam. Nem mesmo Trimano os possui. Ele 6 um artist pobre, verdadeiramente (e dolorosamente) underground. Ver sua exposigao no aconchegante Museu de Belas Artes me faz ter a sensag~o de estar prosseguindo os roteiros artisticos que fizera at6 a v6spera na Italia. A o sair, e ji encontrando um IRio agitado, percebo que estou de volta mesmo ao Brasil, das pessoas ansiosas, tensas, medrosas com as quais cruzei nas 12 horas em que o Rio funcionou como amaciador ou amortecedor - para o outro impact no Grao Pard, onde vim ao mundo e de onde jamais sairei, mesmo se quisesse e nao quero, ou nao posso. . ..W....... ^r,.fl> ^a Outro acidente atrai atengao para o Jari Em 1972 eu viaja- va de avido de Be- 1em para Manaus quando um medico, embarcado na escala de Santar6m, sentou ao meu lado. Conversavamos descontraidamente. Sem perceber a importancia do que estava dizendo, foi me passando dados sobre uma epidemia de meningite que come- tara a grassar no imperio de Mr. Daniel Ludwig. Voltei imediatamen- te de Manaus para Monte Dourado e dei o furo em O Estado de S. Pau- lo, em cuja sede paulista entdo tra- balhava. Ampliei a mat6ria em Opi- nido, o semanario da imprensa al- ternativa no qual colaborava. O Jari antecipou a grande epidemia de Sao Paulo. No uiltimo dia 29 seguia por aviao de Bel6m para o Rio de Janeiro, de onde prosseguiria para Roma, quan- do um cidaddo capixaba sentou ao meu lado. Estava voltando a Vit6ria para uma temporada cor a familiar. Tamb6m trabalhava no Jari. Com a mesma serenidade do interlocutor de 25 anos antes, foi me relatando o acidente com a central de energia de Munguba. Do aeroporto do Galedo mesmo, antes de embarcar de novo, passei a noticia para Belem. Era um outro furo accidental important na hist6ria desse complicado empreen- dimento. 0 Projeto Jari completou agora 30 anos. Tem duas etapas diametral- mente opostas. Nos primeiros 15 anos foi tema de interesse perma- nente da opinido public. Era quan- do aquela enorme possessao de ter- ras as proximidades do estrat6gico delta do rio Amazonas pertencia ao milionario norte-americano. Apa- rentemente, Ludwig estava enterran- do ali dinheiro do seu pr6prio bolso cor a intengao de saciar a fome mundial por arroz e fibra. Mas ini- ciando a empreitada aos 70 anos de idade e cercado por uma aura de mist6rio, ele provocaria nessa pri- meira fase debates acalorados sem fim. Na segunda etapa, com a nacio- nalizagao do projeto, transferido em 1982 para um cons6rcio de empresas nacionais, o interesse foi diminuindo at6 esmaecer com- pletamente. A grande imprensa national s6 raramente se interes- sa pelo que estava ocorrendo no Jari, uma attitude estranha, ji que ali, desde entao, gastava-se di- nheiro national nao tanto das empresas privadas, como se alar- deava, mas tamb6m do governor, atrav6s do Banco do Brasil e do BNDES. Nem mesmo para confe- rir o tamanho do rombo deixado por Ludwig e a extensao dos da- nos provocados por suas concep- 96es falsas sobre a regiao amaz6- nica a imprensa voltou ao Jari corn a periodicidade anterior. Resultado: todos mostram-se es- candalizados com a realidade des- tacada pelo incdndio na usina de energia, concebida por Ludwig para funcionar cor cacos de madeira que ele nao p6de colocar em disponibi- lidade. Apesar de terem migrado US$ 500 milh6es dos cofres pfibli- cos a partir do moment em que Ludwig deixou de pagar os empr6s- timos internacionais e o tesouro bra- sileiro, avalista das opera96es, pre- cisou honra-los, o empreendimento niel Keith Ludwig deveria compreender duas fabrics de celulose, outra de papel, umra hidrel6trica, um plantio de 100 mil hectares. una fabrica de caulim, umra usina de bauxita refrataria, urma fabric de compensado. serrarias. um arrozal de 14 mil hectares, um gran- de rebanho bubalino e atiidades de apoio. Apenas uma pane menor do proje- to concebido pelo milionario ameri- cano foi implantada. Ele delirava quando julgou possivel estabelec&-to na jungle? A resposta fAcil e, sim Seus sucessores no control do empreen- nao conseguiu chegar a uma equa- 9go viavel. O acidente atual, como o anteri- or, na pr6pria fabrica, exposta a um super-esforgo de produgao, fere gra- vemente o projeto, ameagando a sua continuidade. O Jari 6 s6 celulose e caulim (duas riquezas exploradas isoladamente, quando, combinadas, resultam em papel), nao tem fonte auto-sustentavel de energia e, con- tra uma conta de rendimento esqua- lida, enfrenta custos desproporcio- nais. A formula criada por Delfim Neto e Bulhdes Pedreira foi uma solucao de ocasido, para durar pou- co. Hoje, ha uma divida de R$ 300 milh6es e um horizonte de prejui- zos sem perspective de reversao e ali nao surgiu verdadeiramente um p6lo industrial, verticalizado. O Jari de hoje 6 o resultado de uma operacao que, de certa forma, anteci- pa o que se pode prever para Carajas no future. Pode ser que o acidente con- siga despertar de novo o interesse na- cional por uma hist6ria que diz muito sobre o Brasil dos iiltimos tempos. Se a histeria e a ma informagdo forem su- peradas, os brasileiros poderAo desfa- zer muitos mitos e comprovar, mais uma vez, que sempre vao pagar o pato se se deixarem embromar por conver- sa de fazer boi dormir. 0 dimento sempre sustentaram ser im- possivel criar um polo de papel a dis- tancia dos grandes centros consumi- dores. no sul do pais, ou exportar Continuamn at6 hoje embarcando, lado a laudo. caulim e celulose. dois insu- mos para a producao de papel. um produto de muito maior valor agre- gado. Assim tem sido no Para, Estado "vocacionado" para urna funFgo co- lonial, de produtor de naterias primas e produtos semi-elaborados Mas sera um destino manifesto, inevitavel e ir- recusAvel? Certamente nao Mas mu- dar a historic exige mais do que boa intencio. ~RRWWRRRRRR~~ A mania da predestinagao Quando o PT venceu a eleicgo para a prefeitura de Belem, qualquer pessoa bem infqrmada poderia escre- ver ja naquela epoca um artigo ante- cipando que a publicidade munici- pal seria entregue a mesma empresa responsavel pela campanha eleitoral do candidate Edmilson Rodrigues. Nao estaria havendo nenhuma novi- dade nesse anuncio, nem necessari- amente ilicitude na concessao da conta public a agencia que traba- lhara na campanha do candidate vi- torioso. E essa a regra geral no Para, no Brasil e, provavelmente, na mai- or parte do globo terrestre. A legislagdo, e claro, faz certas exig6ncias para conferir ao proces- so licitat6rio (realidade recent, ali- as, contrastando cor a pratica an- terior, de concessao da conta por um ato de imperio) um minimo de ri- gor formal e legalidade. Mas o que define se uma ag6ncia sera contra- tada e a "proposta de political de co- municacao", que desloca para o pia- no secundario os outros itens de avaliaggo objetivos, como preco, curriculo, etc. Ora, uma ag6ncia ja afinada corn a administracIo licitante tem mui- to mais condigSes de apresentar uma proposta aceitavel do que as demais. Mesmo estas, entretanto, nao terdo muitos motives para quei- xas porque nao ha um funico vence- dor, mas um detentor da melhor fatia do bolo e outros nao tdo bem obsequiados assim. A proposta tec- nica confere um contefdo de subje- tividade a avaliacgo que sempre per- mite ao governor no poder, sem ferir a lei, escolher a alternative que Ihe 6 a mais convenient. O debate surgido na secao de car- tas do Didrio do Para (infelizmente sem alcangar as paginas de reporta- gem, como seria dever de um jomal) em tomo da licitagco da conta de pu- blicidade da PMB seria totalmente desnecessario se o PT nao se outor- gasse a condigao de partido escolhi- do e exemplo imaculado de pureza. No fundamental, a licitagco foi correta e seguiu os parametros le- gais. Nao houve violagao de ne- nhum dispositivo da lei para que a prefeitura entregasse sua conta prin- cipal A Vanguarda Propaganda, que era o que queria desde muito antes de julgar as propostas apresentadas. O PT nao inovou, nem para o bem, nem para o mal, embora e ai estA o seu pecado se declare sempre arauto de uma nova era (que, at6 agora, 6 mais promessa do que rea- lidade em Belem). Ao proclamar uma inovagao que nao houve, o vencedor da licitagco exp6s-se a questionamentos dos ad- versarios at6 agora nao respondidos. Walter Junior, assessor de comuni- cacgo de Helio Gueiros, usando uma linguagem tortuosa para evitar afir- mativas, suscitou duas questoes. A primeira e de que a exig6ncia ante- rior, de dois anos de atividade para o concorrente, foi revogada porque a Vanguarda s6 foi organizada legal- mente em dezembro. A segunda: de que a ag&ncia ja autorizava veicula- cao publicitaria antes da licitagCo. Nada ha de illegal nas duas situag6es. Moralidade 6 outra coisa. Agora que o bate-boca tornou-se public, convinha passar a limpo a political de comunicacgo social da administragdo anterior, pr6diga na contratagao de pessoas sem a con- traprestacgo de services e na veicu- lagco desregrada de mat6ria promo- cional. O PT promete que esses er- ros nao serdo repetidos e que agora sua political para o setor sera volta- da para o interesse public. Muito bem. Mas se quiser estabelecer uma nova era na gestdo dos negocios pf- blicos em Belem, o partido tera que ser puro nao apenas na propaganda, mas na realidade, capaz de resistir cor mais consistencia aos debates do que ate agora. Os numeros, ah, os nlmeros! Pelos dados apresentados a revista Imprensa (edi9ao 116), a tiiagem dos tres jor- nais diarios de Belem soma, em media, 70 mil exempla- res. Seriam 50 mil de O Li- beral, 11 mil do Didrio do Pard e 9 mil de A Provin- cia do Pard. Como cada journal 6 lido por cinco pes- soas, a imprensa escrita atingiria 350 mil leitores. Pelo menos 80% dessa cir- culacdo fica na capital Logo, em uma populacao de 1,2 milhao, 280 mil leriam journal o que da um quarto do total. Mas desse 1,2 mi- lhao deve-se excluir as cri- angas, os analfabetos e os economicamente incapazes de adquirir journal. A proporcao seria de dar inveja a qualquer pais rico, nao fossem falsos os nfiue- ros apresentados pelos edi- tores. A tiragem media de O Liberal & essa mesmo, de 50 mil exemplares (ultrapas- sando 80 mil aos domingos e caindo para menos da me- tade nos dias da semana), porque o journal e auditado pelo IVC (Instituto Verifi- cador de Circulagao), uma das raras instituig9es serias do pais. Mas a dos outros jornais esta exageradamen- te inflacionada. O que o Didrio diz ser sua tiragem 6 mais do que a soma do que ele imprime e do que sai das oficinas de A Provincia. Convinha ser mais fiel a verdade. Quanto a 0 Liberal, um dado desafiador: apenas 10% da circulagdo do journal vai para assinantes. Nas grandes publicagoes, essa proporcao costuma ser de 80%. Esse nimero prova que a duvida cruel nao era escolher entire as revistas oferecidas como brinde aos Jomal Pessoal Editor: Lucio FIlvio Pinto Redagao: Passagem Bolonha. 60-B / 66 063-020 Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Try. Benjamin Conslant, 8451203 i 66 053-020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert.com.br Editorango de arte: Luizpe 1 241-1859 assinantes na campanha pro- mocional recentemente rea- lizada, mas assinar o pr6prio journal. Cor tanta forga nas mdos da empresa, deve fal- tar gente competent a esse setor. Cenas da cidade Tres fiscais homess do "rapa", como sdo mais co- nhezides) da Secon, a secre- taria de economic do muni- cipio, circulam ao meio-dia pela travessa Santo Antonio, o prolongamento da Joao Alfredo, sobre uma camio- nete Mazda silenciosa. Vejo, depois, na Doca Souza Franco passar um car- ro da Cosanpa Mazda, ou- tra vez. Ainda 6 a farra dos impor- tados? |
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