Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00110

Full Text







Journal Pessoal n b|Ira
A (09. 4)
L C F LA V P I N TOs donos da
SCopinio Purblica
PLTCA (Pog.6)
POLITICAL ..


Almir parte para o ataque

0 governadorAlmir Gabrielpraticamente deu infcio a sua campanha
pela reeleigdo: mudou nomes no secretariado e definiu uma estratigia
de confront para reduzir os possfveis adversdrios que encontrard no seu
caminho. Jd sabe que terd doispelafrente: o PTe AdemirAndrade.


Jose Augusto Pontes de
Moraes s6 soube que se-
ria demitido da direqao
da Ag-o Social Integra-
da do Palacio do Go-
verno na v6spera da
posse do novo titular, Emanoel
Gonqalves Matos, no dia 3,
quando houve o primeiro gran-
de remanejamento na linha de
frente da atual administraqao esta-
dual para adequd-la A eleiygo do pr6-
ximo ano.
"Juba" foi coloca-
do no cargo por in-
dicacao do suposta-
mente prestigiado
senador Fernando
Coutinho Jorge, o "
uinico representan-
te do PSBD do
Para na Camara
Alta. Para saber
que seu mais /
leal correligionario
deixaria de integrar a
administragco do cor- r
religionario, Almir Ga-
briel, Coutinho preci-
sou receber em Brasilia
um telefonema dado de Belem pelo
espantado "Juba". Ningu6m do go-
verno Ihe antecipara a providencia.
Quando protestou, ao seu
estilo, Coutinho foi in-
formado pelo gover-
nador que o remane-


jamento de "Juba" obedecera a uma
inspiradao estrat6gica. Almir disse
que vai precisar na Asipag de algudm
mais dinamico e agressivo, capaz
de dar respostas as necessida-
des do governor em epoca elei-
toral, como a que se aproxi-
ma.
Uma fonte ligada ao senador,
por6m, garante que a gota final'
para a defenestragao de "Juba" viera
de sua recusa em participar do es-
quema palaciano monta-
S do para conseguir a
aprovagdo, a qual-
S quer custo, na As-
sembl6ia Legisla-
tiva, da lei sobre o
ensino fundamen-
tal (ver matiria a
respeito). 0 es-
quema incluia o
recrutamento de
pessoas para ocu-
Spar as galerias e
disposigao para en-
frentar os manifes-
--/ tantes do PT, criando
um incident que vem
send usado para desgas-
tar o Partido dos Trabalhadores.
"Juba" ganhou uma assessoria es-
pecial (assim como o ex-delegado ge-
S ral, Brivaldo Soares, segundo
a pratica compensat6ria
tt^ que se mant6m ha quatro
administrag6es esta- -


I







2 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE ABRIL / 1997


-N o duais, en-
gordando uma
decorative e
onerosa asses-
'- !'i soria palaciana)
S e Coutinho a ga-
,r rantia de que
sera o candida-
to do PSDB ao
senado. Isso nao
quer dizer, entretanto, que, mesmo
sendo o candidate do partido do go-
vernador, venha a ser o seu preferi-
do, o mais bem aquecido pelo calor
da disputada maquina official, que
tem sua principal arma conectada ao
erario public.
O credulo senador, no final do
mandate de oito anos, que precisara
ser renovado em 1998, acredita mes-
mo que continuara a ser o ungido se
o ex-governador Helio Gueiros deci-
dir participar da dispute pela unica
vaga senatorial a ser oferecida no pro-
ximo ano? Gueiros, como de praxe,
emite todos os tipos de ondas para as
antenas political, mas a que chega
cor o tom de music aos ouvidos
governamentais e a que se dirige para
Brasilia.
Optando pelo senado, contraria-
mente ao que pretend sua talentosa
(e tambem gulosa) legido de depen-
dentes, Gueiros abre as portas para a
manutencao da coligagdo eleitoral de
1994. Para forga-la, o governador
abriu espago na sua equipe, absorven-
do varios membros do esquema de
poder do ex-alcaide, um movimento
que pode ser pendular, em sentido
contrario, se nao for correspondido.
Mas 6 claro que o prego dessa so-
lugco e a incorporacgo da maquina
public a candidatura senatorial de
Helio Gueiros, o que significaria um
golpe mortal se nao do ponto de vis-
ta formal, na pratica na candidatura
Coutinho Jorge. O realismo o obri-
garia a aceitar engolir mais esse sapo,
na enfileirada de batraquios que orna
a sua carreira political, e devolver suas
pretens6es para o ambito da Camara
Federal.
O governador Almir Gabriel mon-
tou uma estrat6gia visando o maxi-
mo de aliangas e composic6es para
atacar o mais cedo possivel seus con-
correntes potenciais, aqueles com os
quais sabe que nao podera se enten-
der. Eles, ate agora, sdo apenas dois:
o senador Ademir Andrade, do PSB,


e o PT, que ainda nao definiu um
nome para concorrer ao governor do
Estado. 0 epis6dio que resultou na
substituicao de "Juba" da a media
de como sera o combat ate o con-
fronto eleitoral de 1998.
O confront, alias, embora de for-
ma nao declarada, ja comecou. To-
das as baterias do governor foram di-
recionadas contra a fragil muralha do
PT na prefeitura de Bel6m e a rota
estrutura do senador Ademir Andra-
de no sul e extreme oeste do Para. A
ordem e nao dar-lhes tregua.
Nem mesmo a participacgo de pre-
feitos do interior num encontro para
discutir em Belem, por
convocacao da prefeitura, -
as consequencias da priva- :
tizagco da Companhia Vale -'
do Rio Doce, foi autoriza- '
da. O col6quio acabou se
esvaziando. Os dois ou tr6s
prefeitos que apareceram
de manhd sumiram a tarde.
Restou, solitario, o de Sdo
Luis, Jackson Lago, do PDT.
A capital e a unica vitrine com a
qual contam os petistas no Estado e
at6 o moment eles nao conseguiram
montar um manequim para exibir. Os
primeiros sinais de debilidade, na
administraqCo e nas finan9as, come-
gam a aparecer. Um mau resultado
em Belem podera comprometer o
capital que o partido acumulou na
elei9ao do ano passado. Uma ma ex-
peri6ncia de governor na sala de visi-
tas do Para significaria uma n6doa
irremovivel no glamour da ret6rica
oposicionista.
Se o quadro da competicgo evoluir
dessa maneira, Almir Gabriel refor-
cara a condiglo de favorite, que a
inedita possibilidade de reeleicgo sem
desincompatibilizaqgo lhe confere.
Nessa hip6tese, ele teria contra si dois
candidates dividindo votos em uma
mesma faixa a minoritaria do elei-
torado, com poucas possibilidades de
avangar com 6xito sobre as camadas
majoritarias. Isto, se o senador Jader
Barbalho se mantiver fora da dispute
estadual do pr6ximo ano.
A definiico do lider do PMDB no
senado 6, nessa equacgo, uma inc6g-
nita do tamanho da do seu maior ini-
migo, Helio Gueiros. Para interlocu-
tores, correligionarios e amigos, Ja-
der tem dito que tanto pode vir a ser
candidate novamente (pela terceira


vez) ao governor, quanto ficar a dis-
tancia (porque ainda tem quatro anos
de mandate), como ate mesmo dis-
putar de novo o senado (deixando o
pai, Laercio Barbalho, na sua vaga
durante o restante do mandate o que
seria inedita demonstracgo de favor
filial, que nem mesmo Antonio Car-
los Magalhaes chegou a arquitetar
com seu Luis Eduardo).
A pega que falta para compor o
quadro de decisdo e a incorporagao
de Jader ao governor Fernando Henri-
que Cardoso. Seu nome teria peso
para o ministerio dos Transportes,
mas o senador preferiria o Desenvol-
vimento Regional, se a se-
cretaria fosse elevada a
'- condicao de 6rgao ministe-
rial.
SY Feito ministry de FHC,
Jader teria pela frente uma
-, perspective de dois ou ate
Sseis anos a sombra do Pla-
nalto. Cor boas chances de
S acompanhar o president
na reeleicgo federal, Jader nao des-
ceria a desgastante dispute paroquial
paraense em 1998, apenas tratando de
ajudar a eleger seus correligionarios,
mantendo os lagos do compadrio para
o reatamento quatro anos depois, se
necessario.
Essa hipotese sugere um tipo de
desdobramento que surpreenderia ate
mesmo os observadores de v6os bo-
vinos na political paraense, acomo-
dando simultaneamente os interesses
de Almir, Helio e Jader e transfe-
rindo uma medigyo de forgas entire os
principals caciques para 2002, quan-
do os antagonismos entire eles podem
ja nao ser tdo radicals quanto hoje
(apenas Jader nao sera sexagenario).
Para os tres, esta seria a alternati-
va mais atraente. Resta saber se e uma
hip6tese factivel e, ganhando-lhes a
adeso, pode vir a ser aceita pelos tr6s
grupos de poder (e diversos bandos
satelitizados) que eles lideram. Exa-
tamente porque o butim nao pode ser
partilhado a tr6s. E muita cobica para
pouco ouro.
Essa composigao de interesses,
contudo, envolve alguns componen-
tes complicadores. Jader tem consci-
&ncia de que sua horta eleitoral esta
sendo dilapidada pelo governador e
que mais quatro anos de Almir po-
dem comprometer sua posigao de li-
deranca. Nao s6 pelo fisiologismo






JOURNAL PESSOAL -2- QUINZENA DE ABRIL / 1997 3


que o governador tem praticado, com
a mesma efici6ncia dos antecessores
at6 entEo mais experiences, como pe-
las prolongadas ausencias e o aparen-
te desinteresse do senador, absorvi-
do por sua nova familiar. Mas a ocu-
pagao de um ministerio poderia dar-
lhe acesso a um instrument de po-
der compensat6rio, ao menos enquan-
to Fernando Henrique mantiver sua
atual popularidade.
Mesmo no Para, o president tern
mais apoio da populacao do que o
governador. Enquanto apenas 32% da
populacgo ouvida pelo Ibope, sob
encomenda das Organizaq6es Romu-
lo Maiorana, consider o governor de
Almir bom ou 6timo, em relaqgo a
FHC esse indice 6 de 52%. Da mes-
ma maneira, a aprovaygo a forma de
administrar do president e de 74%,
enquanto em relacgo ao governador
e de 58%.
Mais sugestivo ainda: enquanto 7%
dos entrevistados ndo souberam de-
finir a administraqgo estadual, quan-
to a administracao federal o indice foi
de 2%. Isto e: o povo do Para acom-
panha mais o president do
que o governador, mesmo
sendo ambos o que pro- '
vavelmente nem todos con-
seguem lembrar do mes-
mo partido (o que tamb6m --
explica a preocupaqgo do -,i-
governador com a comuni-
cacao social, agora corn pri-
oridade, tanto que Afonso *-"
Klautau foi substituido por Francis-
co C6zar).
Muitos devem ter observado, na
semana passada, o president visitar
os Estados da Amaz6nia Ocidental
sem pisar no Para. Pela terceira vez
seguida Fernando Henrique esteve em
Manaus sem passar por Belem. E pro-
vavelmente continuara a evitar a
companhia de seu correligionario, ao
menos enquanto estiver aquecida a
lembranca sobre o massacre de El-
dorado de CarajAs.
Tanto quanto os problems inter-
nos que precisa enfrentar por conta
da acgo desastrosa do governador, o
president ter dores de cabega com
o mundo externo. Quem conhece um
pouco mais intimamente a persona-
lidade de Fernando Henrique Cardo-
so sabe o quanto lhe custou enfrentar
a resistencia do corpo academico da
milenar Universidade de Bolonha, na


Italia, onde o cenario para o recebi-
mento de mais uma distingao, na sua
mais recent incursdo europ6ia, de-
veria ter sido apolog6tico e nao de
critical, como acabou sendo, e o pito
public do papa Jodo Paulo II, no
Vaticano, tudo por conta da a9go da
Policia Militar do Para, sob as ordens
diretas do governador. Para mais de
um interlocutor, o president ja se
referiu a Almir Gabriel com palavras
duras. Decididamente, ele nao faz
parte da c6rte.
Talvez seja demasiado imaginar
que, por forga desses desencontros,
Fernando Henrique resolvesse confe-
rir mais poderes ao principal antago-
nista de Almir Gabriel na political
paraense. O Para conta como residue
da political national, mas, quando as
duas esferas se entrelagam, o paro-
quial pode emergir. Essa conjungyo
de astros politicos pode estar ocor-
rendo agora.
i em fungdo de uma tal correlagao
de niveis que Jader Barbalho se tor-
nou custodiador dos cargos federais,
em relacgo aos quais o governador
vem sendo mantido em ob-
sequiosa abstin.ncia. E pe-
las mesmas circunstancias
1 -. pode se tornar ministry,
S u--. uma hip6tese que, se nao
Schega a ser propriamente o
Nirvana para Almir, pode
favorecer o seu obsessive
projeto imediato: permane-
cer no governor.
Uma boa ajuda foi dada no ultimo
domingo por O Liberal. 0 journal
abriu corn chave de ouro (ou seria
mais correto, nesse caso, falar de ga-
zua?) uma semana traumatica para o
governador e o president, quando o
massacre de Eldorado complete um
ano, sem ninguem na cadeia ou pelo
menos cor imputagdo penal, anun-
ciando que 76% da populagco do Para
aprova o governor.
Nao 6 exatamente isso o que reve-
la a pesquisa do Ibope contratada pe-
los Maiorana. Apenas 32% dos en-
trevistados consideraram 6tima (7%)
ou boa (25%) a administracgo Almir
Gabriel, contra 18% que a classifica-
ram de ruim (6%) ou p6ssima (12%).
A maioria (44%) disse que ela 6 re-
gular.
A classificagdo de regular tanto
pode indicar aprovagco quanto repro-
vagdo, dependendo da tend6ncia ma-


nifestada pelos entrevistados. Na fai-
xa de nitida aprovagco, ha uma que-
da da 6tima, o extreme superior (que
e de 7%), para a boa (de 25%). Ja na
faixa de desaprovagco, a tendencia e
inversa: menos gente (6%) acha ape-
nas ruim a administragao Almir, en-
quanto o dobro (12%) a consider
pessima.
Logo, metodologicamente, a mas-
sa dos que optaram pelo regular esta
mais pr6xima da desaprovacgo do
que da aprovagco do governador. t
bem provavel que, se frequentasse a
escola e nao o governor, Almir Gabri-
el tivesse que repetir o ano (o que s6
nao ocorreria se recebesse uma cola
como a do journal muy amigo).
0 Liberal, que, mais uma vez, di-
vulga tendenciosamente uma pesqui-
sa, parece estar apostando suas pre-
ciosas fichas na reeleigco de Almir,
antecipando-se a outras definig6es
para demarcar um campo favoravel
aos interesses da empresa. Sao am-
plos interesses, que vdo do faturamen-
to commercial (favorecido pelo gover-
nador desde os primeiros dias, quan-
do comecou liberando 300 mil reais
de publicidade) a uma possivel can-
didatura de Romulo Maiorana Jr. ao
senado, provavelmente pelo PL (que,
se confirmada, poderia trombar corn
os plans de Helio Gueiros, contan-
do, porem, com as simpatias nao s6
por isso de Almir e Jader). Mas a
renuncia do capo junior do grupo Li-
beral a tao sonhados projetos politi-
cos poderia recompensar a empresa
corn faturamento junto ao maior nu-
mero de grupos politicos e de poder,
caso o confront principal ocorra ape-
nas entire Almir, o PT e Ademir.
Tantas alternatives mostram que
o caminho para a renovagco do po-
der em 1998 esta apenas sendo de-
marcado. Mentem, entretanto, aque-
les que dizem que 6 muito cedo para
pensar em eleigao. Esses, as raposas
de sempre, por nao deixarem nunca
de pensar no poder, ja andam pelo
caminho. 0







4 JOURNAL PESSOAL 2s QUINZENA DE ABRIL / 1997



Empresarios assume lideranga pelas eclusas


s empresarios do Para nao vao
mais esperar pelo governor do
Estado: at6 o final do mes de-
verao ajuizar uma ag-o para obrigar a
Eletronorte a concluir a construdio das
eclusas de Tucurui, cumprindo um
compromisso que assumiu ha nove
anos. Em maio de 1988, o entao go-
vemador Helio Gueiros assinou uma
petigdo conjunta cor a Eletronorte,
desistindo de prosseguir numa acgo
iniciada quatro anos antes, na adminis-
tragco Jader Barbalho. Argumentavam,
o govemo e a empresa, que a agao se
havia tornado ociosa porque a Eletro-
norte ji estava executando a obra.
Era verdade, mas media verdade (que
costuma ser tao ou mais danosa do que
uma mentira por inteiro). A Eletronor-
te construiu o encabegamento de mon-
tante do sistema de transposicao, uma
pequena parcela do total, que incluiria
ainda todo o canal concretado (corn
sete quil6metros de extensao), a cabe-
9a de jusante e os compoenentes hi-
draulicos (uma esp6cie de elevador
para embarcac6es). Mas s6 dispor des-
sa porta incrustada na estrutura da bar-
ragem nada assegura ao prosseguimen-
to da obra, que permanece paralisada
at6 hoje.
Cor a desist6ncia manifestada pe-
las parties, a acao foi declarada extinta
e arquivada. Mas os empresarios que-
rem aproveitar a declaragao feita em


juizo pela direiao da Eletronorte como
prova de embasamento para uma acao
ordinaria de preceito comunitario, atra-
v6s da qual esperam obrigar a estatal a
prosseguir a construgio ou, ao menos,
sentar a mesa de negociagao para defi-
nir a viabilizagco da transposilao da
enorme barragem.
Os empresarios esperaram a incor-
poracgo da administragco estadual a
essa iniciativa, mas perceberam que o
govemador Almir Gabriel se satisfez
com a promessa da Eletronorte de que
as eclusas serao retomadas quando e
de que forma, nao se sabe. O govemo
se comprometeu a participar, com 40
mil reais, para a realizacao de estudos
que fundamentariam essa agao, mas
nem isso fez.
Duas semanas atras, algumas das
principals liderancas empresariais lo-
cais, reunidas na sede da Federacio das
Industrias, decidiram autorizar o advo-
gado Camilo Montenegro Duarte a
prosseguir na elaboragio da acio, dis-
postas a recorrer a via judicial.
A perspective official para as eclu-
sas 6 o GEN (Grupo Executivo do
Norte), uma associadao de empresas
com elevado consume de energia na
regiao que poderia substituir a Eletro-
norte na execugio da segunda etapa de
Tucurui, para duplicar sua capacidade
de geragao de energia. O GEN, cons-
truindo nova casa de maquinas na bar-


ragem, acoplaria a ela o sistema de
transposigao.
Mas os empresarios paraenses estio
conscientes do risco de essa garantia
jamais se efetivar. Para o governor,
como para os grandes empresarios na-
cionais, as eclusas de Tucurui que, se
construidas conforme o projeto origi-
nal, elaborado pela Camargo Correa,
seriam as maiores do mundo sao uma
utopia delirante. Dizem que jamais ha-
vera volume de carga parajustificar um
investimento que poderia chegar a 400
milh6es de d6lares. Prefeririam uma
outra altemativa de transposicao, atra-
v6s de transbordo de carga ou de cor-
reias transportadoras ligando montan-
te ajusante da barrage.
As liderangas locals sabem que um
sistema precario como esse liquidaria
de vez as pretens6es de montar uma
solugio definitive, tirando a competi-
tividade da hidrovia Araguaia-Tocan-
tins (ao menos em sua versao integral).
A decisao de questionarjudicialmen-
te a Eletronorte tem, logo de imediato,
o m6rito de aquecer a questao exata-
mente as v6speras da inclusao da esta-
tal no program national de privatiza-
g~o, que pode selar de vez os sonhos
de nao permitir que o vasto rio Tocan-
tins continue aprisionado pela enorme
barrage de Tucurui, desviando para
outras vias o fluxo de carga e de de-
senvolvimento.


------------IIII ---IIIIIIII --- ------------


0 bom da cheia
Insensiveis a cultural local,
os goveros militares tenta-
ram sem sucesso rema-
nejar na marra as populag6es
das cidades amaz6nicas afe-
tadas pelas cheias dos rios.
O raciocinio era aparente-
mente cartesiano: se esses
nicleos humans estio
constantemente sujeitos a
inundag6es, o l6gico 6 trans-
feri-los para sitios localiza-
dos fora do alcance das
aguas. O rio, para esses es-
trategistas, nao passava de
detalhe como, de resto, a
pr6pria Amazonia.
Para os moradores de suas
margens, por6m, o rio 6 um dos
principals elements da vida,


se no o principal. Causa trans-
tomos durante dois ou no ma-
ximo tr6s meses do ano. Na
maior parte do tempo 6 um
auxiliar vital, fomecendo ali-
mentagCo, matando a sede,
servindo de meio de transpor-
te, acolhendo o lixo, permitin-
do o lazer Por que sair do lado
dele? Para quem vive ali mes-
mo, nio ha terms de escolha.
Por isso, Em Maraba, Came-
ta, Sio Domingos do Capim
ou Boca do Acre, os nicleos
originals resisted.
Evidentemente, seria mui-
to bom contar com um efici-
ente sistema de prevengio e
control de cheias para se
antecipar as aguas, quando
elas sobem furiosamente,
como aconteceu neste ano


no Tocantins. A Eletronorte
tem condic6es de monitorar
todos os 850 mil quil6metros
quadrados da bacia. Disp6e
de uma rede integrada por
satelites em pontos-chave de
contribuigao de aguas.
Cor essas informac6es,
acessiveis em tempo real,
pode controlar a quantidade
de agua no reservat6rio da
hidrel6trica de Tucurui, com
area de 2.430 quil6metros
quadrados, para manter uma
geragio firme de energia (o
que exige descarga constan-
te de seis mil metros cibi-
cos por segundo). Mas sera
que esta tendo a mesma pre-
ocupacio cor a regulariza-
9go do rio?
A cheia deste ano, que,


em mais de 60 anos de con-
trole sistemitico, s6 foi in-
ferior as de 1980 e 1990,
poderia servir de motivador
para realizar-se um semina-
rio sobre o desempenho da
Eletronorte no monitora-
mento da bacia do Tocan-
tins/Araguaia (o iltimo cres-
ceu mais neste ano do que
seu parceiro fluvial) e utili-
zar plenamente o sistema de
coleta de informag6es para
a regularizagao da bacia, se
sua utilizadgo estiver mais
dirigida (ou s6 dingida) para
fins de geragao hidrel6trica.
S6 assim seria possivel dar
bom uso ao velho ditado
segundo o qual os males
sempre trazem alguma coi-
sa de bom.







JOURNAL PESSOAL -2Y QUINZENA DE ABRIL / 1997 5


Hidreletrica do Xingu: projeto

voltara em 99?


V Pesos e


medidas
O s deputado Luis Seffer quer uma
CPI para apurar os tristes acon-
tecimentos registrados na As-
sembleia Legislativa durante a votaCio do
fundo educational do ensino basico. A
providancia, como mostrou o mestre
Egydio Salles, reduz a comissao parlamen-
tar ao nivel de delegacia de policia. O ins-
trumento competent e o inquerito polici-
al, nlo por ser qualitativamente infenor,
mas por ser o meio legalmente cabivel.
Adequado para a apuraio da AL 6
o rombo causado ao Ipalep, o institute
de previdencia da casa. Segundo o novo
president, Aloisio Chaves, o alcance e
de 323 mil reais (mais de 30% dos ati-
vos do fundo), oriundo de operac6es
irregulares. Para former um fundo de
campanha electoral, o president ante-
rior, Gervasio Bandeira (hoje prefeito
de Breves), ultrapassou o limited pesso-
al de empr6stimo a seu favor e ainda
usou a autorizaio de outros 22 depu-
tados (de um total de 41) para comple-
tar os saques que fez. Denunciado da
tribune, julgou penitenciar-se mandan-
do de Breves 50 mil reais, em dinheiro
vivo, colocado numa prosaica caixa de
sapato. S6 ai 6 salario de cinco meses.
O esquema, audacioso e primario ao
mesmo tempo, requenta as denuncias de
que ha parlamentares usando assesso-
res para former outros tipos de funds,
dos quais se apropriam, atraves da re-
tengco de parte (talvez a maior parte)
dos vencimentos nominalmente pagos
a esses auxiliares. Eles seriam contra-
tados ja sob o compromisso de aceitar
o confisco informal.
A audacia do fraudador 6 fungco da
omissao de quem deveria impor a apli-
cagao da norma. Na Assembl6ia, esse
limited superior de auto-desmoralizaggo
esta pr6ximo de ser alcangado, se 6 que
ja nao o foi.


orn discrigco, a VBC Energia,
uma empresa holding forma
da no ano passado pelos gru-
pos Votorantim, Bradesco e Camar-
go Corr6a, ja vem estudando a possi-
bilidade de assumir a hidreletrica de
Belo Monte (ex-Carara6), no Xingu,
projetada para ser a segunda maior
do pais, corn 11 milh6es de kw (abai-
xo apenas de Itaipu, no rio Parana, e
acima de Tucurui, no Tocantins).
A usina provocou intense pol6mi-
ca ao ser anunciada, na decada de 80,
e teve o seu projeto praticamente ar-
quivado depois do encontro dos po-
vos indigenas, em Altamira. O Ban-
co Mundial fixou a diretriz de nao
mais financial grandes hidreletricas
na Amaz6nia, em virtude de seus efei-
tos danosos sobre o meio ambiente e
as populagaes indigenas.
Mas a Eletronorte nunca desistiu
dos pianos iniciais. Eles incluiam
dois represamentos no baixo curso
do rio Xingu, os de Carara6 (rebati-
zado para Belo Monte ap6s os pro-
testos dos indios) e Babaquara. O
iltimo e que provocaria um enorme
alagamento de terras e florestas, for-
mando urn lago ainda maior do que
o de Tucurui, assustando cor essa
perspective os agents financiadores
potenciais. Depois, a Eletronorte
manifestou a possibilidade de s6 re-
alizar Belo Monte, para vencer a re-




Na semana passada urn post
flutuante de combustivel instalado
as pro\imidades do Ver-o-Peso de-
satracou e colidiu corn o terminal
pesqueiro municipal, uma ociosi-
dade em ferro by Gueiros mantida
lnutilmente ao custo de 2 niil re-
ais por nms Nao ha perze no ter-
niinal porque os motors de ret'r-
geraCao nio tem a potencia do ca-
lor ambience para manner o pesca-
do na temperature exigida A ener-
gia venm de fora, por um cabo de
alta tensAo que poderia ter-se par-
tide quando umia das bases de
apoio foi atingida Em contato corn
a Agua. o cabo poderia ter eletro-
cutado quem estivesse all


sistencia dos aliados da ecologia e
dos indios. Finalmente, calou-se
completamente a respeito dos pro-
jetos.
Mas sua disposiyao de so financi-
ar o Tramoeste (linha de transmission
de energia a partir de Tucurui, corn
pontos finals em Itaituba e Santarem)
ate Altamira indicava uma intencgo
mal oculta de manter o mega-projeto
do Xingu, que exigiria investimento
superior a 10 bilh6es de dolares. A
inten~go da empresa e criar a possi-
bilidade de energizayco do future
canteiro de obras.
Segundo as informac6es filtradas
de Brasilia, a privatizagdo da Eletro-
norte, a ser consumada no pr6ximo
ano, permitiria ao governor langar o
edital da construcgo da usina de Belo
Monte em 1999, prevendo a geraqco
dos 11 milh6es de kw originals. So
com um dos barramentos, o de Belo
Monte, a capacidade cai para menos
da metade, deixando de apresentar
atratividade para grupos empresari-
ais como a VBC, interessados em le-
var a energia em grande bloco para o
Sul do pais, por uma linha de trans-
missao de dois mil quil8metros de
extensao.
Pelo jeito, a VBC saiu na frente,
antes mesmo de ser dado o tiro de
largada. Capacidade de antecipac.o
fantastica.

Tudo isso fica no terreno das hi-
p6oeses. mas nele a unica m\ iabi-
lidade e de clue aquela estrutura
metalica fincione como terminal
pesqueiro Seu custo chegou a ser
citado como send de sete milh6es
de reals mas acabou declarado ofi-
cialnimente como R$ 1.7 tilhao De
qualquer maneira e dinheiro de-
mais para o presence de grego em
que ela se transtormou para a pre-
feitura pos-Gueiros (ou seja o di-
lu 0io1
0 responsavtl legal pela enge-
nhoca uerada nos estaleiros da Ebal
acaba de ser nomeado pelo goler-
nador Almir Gabriel para presidir
a Ceasa. onde hh muito mais pepi-
nos e abacaxis do que peixes. Ha-
\era outras inenqces?






6 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE ABRIL / 1997


A o inves de tentar convencer
com arguments e sobrepor
a pedagogia a politicagem, o
govemo Almir Gabriel preferiu usar
o rolo compressor que montou na
Assembleia Legislativa e o poder de
coagio que possui para dar ao Para
o privil6gio de ser o primeiro Esta-
do brasileiro a aprovar a lei estadu-
al do Fundo de Desenvolvimento do
Ensino Fundamental e Valorizaggo
do Magist6rio.
A batalha final da guerra ocorreu,
sugestivamente, a 10 de abril.
Impedidos de ter acesso as ga-
lerias do plenario, ocupadas por
estudantes e policiais mobilizados
pelo governor, opositores do fun-
do arregimentados pelo PT, o uni-
co partido contrario, arremataram
a sucessao de irracionalidades ati-
rando pedras contra as vidragas do
pr6dio do legislative. A viol6ncia
institucionalmente mal disfargada
do governor resultara em viol6ncia


aberta dos opositores acuados.
Aparentemente, o fundo, uma cri-
agao do ministry Paulo Renato Sou-
za, deveria ser recebido com festas.
Ele obriga todos os municipios bra-
sileiros a gastar 300 reals por alu-
no/ano do ensino fundamental. O
problema 6 que o orgamento fura-
do da maioria sera alimentado pelo
corte nos investimentos dos muni-
cipios que estao acima desse piso.
Belem, por exemplo, que invested
pouco mais do dobro do exigido,
perderia de R$ 9 milh6es (segundo
nota official do prefeito Edmilson
Rodrigues) a R$ 12 milh6es, de
acordo com calculo do secretario
municipal de educagao, Luis Araiu-
jo, tamb6m do PT. Assim, haveria
um nivelamento por baixo, punin-
do os que ja aplicam mais em edu-
cacdo (ainda que, no geral, berm
abaixo do requerido para dar ao
Brasil um padrao de pais desenvol-
vido).


A selvageria toma

o lugar da educaGao


Espelho dos donos, um retrato da terra


Os herdeiros de
Romulo Maiorana tem
motives de sobra para
comemorar a faganha de
dobrar a circulagao do
jomal em 12 anos, desde
a morte do criador do
mais poderoso imperio
de comunica96es do
Norte do pais. No
domingo passado, O
Liberal certamente deve
ter provocado impact e
calafrios ao divulgar que
99% dos leitores de
jomais (1% a mais do
que a pesquisa anterior) o
l1em. E um dominio de
mercado sem igual entire
todas as capitals
brasileiras, embora em
declinio em relacgo ao
padrao national (ver
Jornal Pessoal 159 e
160).
Infelizmente, como
sempre, apenas os


resultados de interesse da
empresa foram
divulgados. A pesquisa
complete 6 mantida mais
uma vez a sete chaves.
Mas um outro numero
deve assustar os que
sabem muito bem dos
efeitos dos monop6lios,
ainda que virtuais: apenas
5% dos leitores de jomais
do Para (ou seria s6 de
Belem? A pesquisa nao
esclarece) 16 mais de um
joral, sendo que 1%
desses 5% (ou 20%)
acumula O Liberal corn
outro jomal. Somente 4%
dos paraenses nio l6em
"o maior jomal da
Amaz6nia".
Se os herdeiros das
Organiza69es Romulo
Maiorana podem festejar
a posigco unica, os
proprietarios dos dois
jornais diarios


concorrentes deveriam
pensar melhor sobre o
que e como tnm feito.
Ambos sao tragos: 3% e
2% de leitura.
Os indices dos palidos
concorrentes, nao
identificados no
noticiario (mas sao, em
sequencia, os do Didrio
do Pard e A Provincia do
Pard) resultam de uma
political editorial
subordinada a projetos
politicos, no caso do
primeiro (que nio
consegue se
profissionalizar), e da
falta de discernimento
empresarial, no caso do
segundo, que ja comega
atado a compromissos
passadistas. De qualquer
maneira, nenhum dos
dois grupos tem se
aplicado em seu negocio,
para quebrar o


monopolio de facto,
quanto os donos da
opiniao public tem feito
para mant--lo.
Pior para o Para:
informado corn quase
exclusividade pelo grupo
Liberal, assim se explica
o estado de
desinformacao dos
paraenses, incapazes,
ate, de saber onde estao -
e, muito menos, de saber
o que fazer corn o que
t6m, se 6 que conseguem
saber o que tnm. S6 entra
na agenda dos paraenses
o que 6 colocado nas
paginas, nas imagens e
nos sons desse imperio -
e o que nele se insere, na
maioria das vezes, nao 6
o essencial, o que conta,
mas o superfluo. Justa
image dos que o
mant6m. Mas tambem
dos paraenses?


A press do Para foi recompen-
sada: o Estado recebera, em junho,
R$ 50 milhhes de antecipacgo de
um fundo que alcancara R$ 293 mi-
lh6es anuais no Estado. Mas um
assunto que afeta 1,3 milhio de alu-
nos, espalhados por 3.186 escolas,
em um territorio tao extenso, nao
pode ser decidido como se fosse
uma partida de futebol ou apenas
porque antecipa preciosos recursos
em 6poca electoral e fere os interes-
ses do adversario. O nivel de selva-
geria a que chegou a dispute em
torno do fundo 6 um atestado de que
a simples equalizacgo de recursos
financeiros 6 media distant do
necessario para valorizar o ensino
fundamental e sua ancora, o profes-
sor public.
No meio dessa barbarie, a voz de
um velho mestre, o professor Mei-
revaldo Paiva, deu um toque de luz
e lucidez as trevas. Finalizando um
artigo mal destacado em O Liberal,
Meirevaldo observou que a sessao
tumultuada na AL "s6 vem compro-
var a decad6ncia do debate e o fim
da arte de governor".






JOURNAL PESSOAL -2- QUINZENA DE ABRIL / 1997 7



Cobre de Carajas: refaz-se a decisao?


president Fernando Henrique
Cardoso comunicou ao gover-
nador Almir Gabriel que a
decisao sobre a implantaydo da fabri-
ca de cobre da Salobo Metais, o mai-
or investimento privado ao long de
seu mandate, no valor de 1,5 bilhdo
de d6lares, ja esta tomada: a meta-
lurgica ficara mesmo em Maraba. O
governador planejou fazer o anuncio
antes do dia 17 para minimizar ou
mesmo anular os efeitos, no sul do
Para, do primeiro ano do massacre de
Eldorado de Carajas. Mais forte do
que a comunicacgo presidential e os
desejos governamentais, entretanto,
falou a voz empresarial.
Oficiosamente assegura-se, dentro
do governor e da Companhia Vale do
Rio Doce, que a decisao e essa mes-
ma e esta consumada. Mas a privati-
zagyo da CVRD, marcada para o dia
29, pode nao apenas ter adiado a data
mais convenient para o anincio ofi-
cial da decisao, como reabrir o trato
da pr6pria decisao, contra todas as
garantias oficiais e oficiosas.
Se se confirmar a participacao da
Anglo American no consorcio ven-
cedor do leilao, com participagao
majoritaria na holding da empresa
privatizada, a Valecom, o equilibrio


societario na Salobo Metais tera sido
rompido. Ate agora, CVRD, BNDES
e Anglo sdo s6cios na empresa em
parties iguais. Assumindo o control
da Valecom e, em seguida, diretamen-
te da pr6pria Vale, a Anglo Ameri-
can passaria a ser a acionista majori-
taria na Salobo, sacramentando for-
malmente uma ascendencia que se
pode observer ja agora. Em pouco
tempo a sede da maior produtora
mundial de ouro e diamante podera
transferir-se da conturbada Africa do
Sul para o pacifico Brasil.
Nas raras vezes em que se mani-
festou, ainda assim informalmente, a
Anglo deixou claro que se pudesse
decidir sozinha escolheria Rosario,
no Maranhdo, para sediar a metalur-
gia. A opcgo seguinte seria a de Pa-
rauapebas. So em ultimo caso opta-
ria por Maraba. Para induzir esta uil-
tima escolha, o governor do Estado,
secundado pela prefeitura de Mara-
ba, aceitou oferecer compensac6es no
valor de 87 milh6es de d6lares para
que Rosario fosse deixada de lado.
A minute de um protocolo dando
vantagens fiscais, tributarias e de in-
fraestrutura (principalmente quanto a
energia) a Salobo Metais para ficar
em Maraba ja esta pronta, mas a pri-


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--------------------- -------I

De novo
E na saude que esta vazio. Os doentes se A
um dos piores "deficits" multiplicam por
do governor Fernando milhares e o risco de
Henrique Cardoso. Ndo morte vem a caminho
e necessdrio nem ir as pelo Nordeste, alim de
estatisticas para ir se alastrando pelo
confirmar N6s, do Pard, interior do Estado.
cor a contribuig~o da Outra comprovaqdo e
administra.do tucana de dada pela subida do rio
Almir Gabriel, estamos Tocantins. A estrutura
vendo duas de apoio aos
comprovacqes. desalojados pela
Uma, em Belkm, cor enchente 0 amadora,
a epidemia de dengue. ridiculamente Com
Ela era tdo previsivel desproporcional substitui
quanto prevenivel: o em relaado ao da Sucam pe
"Evandro Chagas" deu problema. Menos FNS, dilapidou-s
os alertas, criou a danosa, entretanto, do mais serio program
consciencia previa, mas que a ameaca que atendimento d said
inexiste a retaguarda comeca a se definir com (seria mais correto
para corresponder a a vazante: decadas de dizer: d doenca) na
essa conclamacdo. As montagem de uma Mtica rural e a muralha a
palavras ecoam no do atendimento ruiu. anteparo as endemi


'atizacgo da CVRD no dia 29 pode-
a alterar tudo, minimizando a dife-
enca em dinheiro entire a mais dese-
ada das alternatives empresariais, a
lo Maranhdo, e a vontade political,
nais facil de ser atendida por uma
:statal do que por uma corporagao
rivada cor control international de
ato, como ocorrera cor a CVRD se
Smultinacional sul-africana ficar a
rente na privacao.
Uma situagdo analoga marcou a
lefinicao do escoamento da produ-
:go de min6rio de ferro de Carajas.
. alternative hidroviaria (ou hidro-
iario-ferroviaria) pelo litoral do Para
bi preterida pela said ferroviaria ate
im porto em aguas profundas no
vlaranhdo tanto por raz6es tecnicas
econ6micas estrito senso, como e
obretudo pela estrategia de merca-
lo da alianga estabelecida entire a
TVRD (leia-se, como dizem os colu-
istas sociais, Eliezer Baptista) e os
aponeses. E o que pode estar se re-
etindo cor o cobre do Salobo, sen-
lo Maraba, Parapebas e Rosario ape-
las o "detalhe" a arrematar.
Para entender a logica do enredo e
reciso ver bem alem de umbigos
nunicipais e nao estar limitado por
ntolhos.




foi
desmontada.
Ndco e a
primeira vez
que essa


!a
qdo
'la
>e o
a de


zona
ae
as


destruicdo ocorre.
Em epoca mais
recent, produziu-se
algo semelhante ao que
ocorre hoje no inicio da
decada de 70, quando
foi precise gastar muito
dinheiro para recompor
a teia de protetdo
epidemiologica. Mas e
espantoso constatar que
a lesdo a saide do
brasileiro e do paraense
seja praticada nas
gest5es de um
intellectual e de um
medico.
Delenda Brasil.








Com a sua
turma
No dia 7, o governador
Almir Gabriel e o presiden-
te da Telepara, Ambire
Gluck Paul, participaram
da cerimonia de ampliadao
do sistema telef6nico de
Santa Barbara, a meio ca-
minho entire Belem e Mos-
queiro. Estiveramjuntos no
interior da estagao telefo-
nica, mas quando o gover-
nador se dirigiu cor a sua
comitiva para o palanque,
onde seria realizada a par-
te politico-eleitoral da pro-
gramagao, Ambire marcou
pass, ficou no meio do
povo e, quando um asses-
sor Ihe devolveu o cellular,
tratou de ir embora. Embo-
ra o governador seja a mai-
or autoridade public no
Estado, a "tchurma" de
Ambire nao estava ali e
ele precisava demonstrar-
Ihe fidelidade nestes tem-
pos ainda bicudos.

Modus in
rebus
O vice-governador
Helio Gueiros Jr. nao se
cansa, e muito menos se
vexa, de inovar em sua
sucessdo de desafios ao
governador-desafeto. Em
portaria do dia 4,
publicada cinco dias
depois no Diario Oficial,
mandou pagar tr8s diarias
a Lourdes Pimentel, uma
"colaboradora eventual",
nova forma de relagio
trabalhista que introduziu,
por forga desse
contrabando gaiato, no
regime juridico do
Estado.


Outras seis diarias
foram pagas a dois
servidores regulars da
vice-governadoria que
acompanharam a
"colaboradora eventual"
na incursdo a Santar6m e
Monte Alegre, por ordem
do vice Jinior, sabe-se la
para que.
Tudo porque o titular
titubeia.

Projeto padrao
Sudam?
Em sua ultima reuniao,
o Conselho Deliberativo da
Sudam aprovou juntar 9,2
milhoes de reais de incen-
tivos fiscais a outros R$ 9,2
milh6es dos empresarios
Romulo Maiorana Junior e
Geraldo Penteado para a
construmdo de um hotel tu-
ristico-ecol6gico em Novo
Airao, a 65 quil6metros de
Manaus, no Amazonas. O
hotel da Parque Rio Negro
International Amazonas
Turismo recebeu priorida-
.de maxima: 50% de incen-
tivos para 50% de capital
pr6prio.
Com 100 apartamentos,
o complex hoteleiro pro-
mete 6tima rentabilidade:
lucro de R$ 1,8 milhao por
ano para faturamento bru-
to de R$ 6 milhoes (redito
de 30%, portanto). De um
custo total de R$ 4,1 mi-
lhoes, apenas R$ 513 mil
por ano (abaixo de 8%)
sera com pessoal e encar-
gos sociais, menos do que
as despesas com impostos
e contribuiobes sociais (R$
548 mil).
O hotel de selva de R$
18 milh6es criara 25 em-
pregos permanentes (o


Journal Pessoal
Editor: Lucio Flavio Pinto
Redagao: Passagem Bolonha, 60-B / 68 053-020
Fone: 223-1929 e 241-7626
Contato: Try. Benjamin Constant, 845/203 / 66 053-020 Fone: 223-7690
e.mail: lucio@expert.com.br
Editoragao de arte: Luidzpe 1 241-1859


Ah, a lanterna

de Diogenes!
Algum tempo atrds o secretario
do Planejamento, Simdo Jatene,
atacou o corporativismo da
mediocridade que imperaria na
Celpa, apontado como uma das,
causes do seu aniquilamento. A
.carapuga poderia pousar como luva em varias cabegas
coroadas da empresa (nas de plebeus, nem tanto), mas
nio na de Cesar Bentes. O director financeiro, um
home acostumado a trabalhar corn aplicacao,
honestidade e competencia, aproveitou a primeira
cerim6nia piublica para dar o troco, indignado. Seu
gesto s6 nao evoluiu porque o governador saiu em
socorro do seu mais festejado secretario, encerrando o
debate a sua majestosa maneira.
As mesmas cautelas anti-categ6ricas foram, mais
recentemente, desprezadas pelo secretario Jos6
Augusto Affonso, um dos poucos amigos do peito de
Almir no governor. Ao ser empossado na Secretaria
Especial de Desenvolvimento Estrategico, depois de
ter chefiado a Secretaria de Obras, Jos6 Augusto
tonitroou: "no Parh s6 existe um home pilblico
digno de confianga, chamado Almir Gabriel".
Ou o secretario a segunda potencia tem razdo
(ainda que em hora nao recomendada pelo pudor),
ou o que resta de dignidade na administraqao
public paraense perdeu a voz e, por extensao, a
coragem. De qualquer maneira, cabe a interjeigao: 6
tempos, 6 mores.


mais bem remunerado sera
o de gerente, que recebera
R$ 1.100,00 por m6s), corn
rendimento medio de R$
400,00, e outros 87 empre-
gos flutuantes. O salario
m6dio em todos os 112
pontos de trabalho sera
equivalent a dois salaries
minimos e meio.


Formando
maioria
Nao 6 illegal, mas sera
6tico ou moral o
procurador-geral de
justiga Manoel Santino
Nascimento Junior e sua
esposa, Luzia Nadja
Guimaraes Nascimento,
ocuparem dois dos sete
lugares do Conselho
Superior do Ministerio
Pitblico do Estado do


Para? Corn apenas mais
dois votos o procurador
tera sempre maioria num
colegiado que deveria ser
mais pluralista. Nao daria
bom exemplo
renunciando aos
beneficios dessa
coincidEncia? Ou sera
que, nesse caso, a
pluralidade comega ja no
piano domestico?
A mesma pergunta cabe
fazer em relagao ao
Col6gio dos Procuradores:
pelo menos metade dos
seus 31 integrantes presta
assessoria ao procurador-
geral. Sera necessario
tantos assessores assim,
beneficiados cor
adicionais sobre os
rendimentos?
As perguntas aos que
tem competencia para
respond-las.