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Journal Pessoal n b|Ira A (09. 4) L C F LA V P I N TOs donos da SCopinio Purblica PLTCA (Pog.6) POLITICAL .. Almir parte para o ataque 0 governadorAlmir Gabrielpraticamente deu infcio a sua campanha pela reeleigdo: mudou nomes no secretariado e definiu uma estratigia de confront para reduzir os possfveis adversdrios que encontrard no seu caminho. Jd sabe que terd doispelafrente: o PTe AdemirAndrade. Jose Augusto Pontes de Moraes s6 soube que se- ria demitido da direqao da Ag-o Social Integra- da do Palacio do Go- verno na v6spera da posse do novo titular, Emanoel Gonqalves Matos, no dia 3, quando houve o primeiro gran- de remanejamento na linha de frente da atual administraqao esta- dual para adequd-la A eleiygo do pr6- ximo ano. "Juba" foi coloca- do no cargo por in- dicacao do suposta- mente prestigiado senador Fernando Coutinho Jorge, o " uinico representan- te do PSBD do Para na Camara Alta. Para saber que seu mais / leal correligionario deixaria de integrar a administragco do cor- r religionario, Almir Ga- briel, Coutinho preci- sou receber em Brasilia um telefonema dado de Belem pelo espantado "Juba". Ningu6m do go- verno Ihe antecipara a providencia. Quando protestou, ao seu estilo, Coutinho foi in- formado pelo gover- nador que o remane- jamento de "Juba" obedecera a uma inspiradao estrat6gica. Almir disse que vai precisar na Asipag de algudm mais dinamico e agressivo, capaz de dar respostas as necessida- des do governor em epoca elei- toral, como a que se aproxi- ma. Uma fonte ligada ao senador, por6m, garante que a gota final' para a defenestragao de "Juba" viera de sua recusa em participar do es- quema palaciano monta- S do para conseguir a aprovagdo, a qual- S quer custo, na As- sembl6ia Legisla- tiva, da lei sobre o ensino fundamen- tal (ver matiria a respeito). 0 es- quema incluia o recrutamento de pessoas para ocu- Spar as galerias e disposigao para en- frentar os manifes- --/ tantes do PT, criando um incident que vem send usado para desgas- tar o Partido dos Trabalhadores. "Juba" ganhou uma assessoria es- pecial (assim como o ex-delegado ge- S ral, Brivaldo Soares, segundo a pratica compensat6ria tt^ que se mant6m ha quatro administrag6es esta- - I 2 JOURNAL PESSOAL 2" QUINZENA DE ABRIL / 1997 -N o duais, en- gordando uma decorative e onerosa asses- '- !'i soria palaciana) S e Coutinho a ga- ,r rantia de que sera o candida- to do PSDB ao senado. Isso nao quer dizer, entretanto, que, mesmo sendo o candidate do partido do go- vernador, venha a ser o seu preferi- do, o mais bem aquecido pelo calor da disputada maquina official, que tem sua principal arma conectada ao erario public. O credulo senador, no final do mandate de oito anos, que precisara ser renovado em 1998, acredita mes- mo que continuara a ser o ungido se o ex-governador Helio Gueiros deci- dir participar da dispute pela unica vaga senatorial a ser oferecida no pro- ximo ano? Gueiros, como de praxe, emite todos os tipos de ondas para as antenas political, mas a que chega cor o tom de music aos ouvidos governamentais e a que se dirige para Brasilia. Optando pelo senado, contraria- mente ao que pretend sua talentosa (e tambem gulosa) legido de depen- dentes, Gueiros abre as portas para a manutencao da coligagdo eleitoral de 1994. Para forga-la, o governador abriu espago na sua equipe, absorven- do varios membros do esquema de poder do ex-alcaide, um movimento que pode ser pendular, em sentido contrario, se nao for correspondido. Mas 6 claro que o prego dessa so- lugco e a incorporacgo da maquina public a candidatura senatorial de Helio Gueiros, o que significaria um golpe mortal se nao do ponto de vis- ta formal, na pratica na candidatura Coutinho Jorge. O realismo o obri- garia a aceitar engolir mais esse sapo, na enfileirada de batraquios que orna a sua carreira political, e devolver suas pretens6es para o ambito da Camara Federal. O governador Almir Gabriel mon- tou uma estrat6gia visando o maxi- mo de aliangas e composic6es para atacar o mais cedo possivel seus con- correntes potenciais, aqueles com os quais sabe que nao podera se enten- der. Eles, ate agora, sdo apenas dois: o senador Ademir Andrade, do PSB, e o PT, que ainda nao definiu um nome para concorrer ao governor do Estado. 0 epis6dio que resultou na substituicao de "Juba" da a media de como sera o combat ate o con- fronto eleitoral de 1998. O confront, alias, embora de for- ma nao declarada, ja comecou. To- das as baterias do governor foram di- recionadas contra a fragil muralha do PT na prefeitura de Bel6m e a rota estrutura do senador Ademir Andra- de no sul e extreme oeste do Para. A ordem e nao dar-lhes tregua. Nem mesmo a participacgo de pre- feitos do interior num encontro para discutir em Belem, por convocacao da prefeitura, - as consequencias da priva- : tizagco da Companhia Vale -' do Rio Doce, foi autoriza- ' da. O col6quio acabou se esvaziando. Os dois ou tr6s prefeitos que apareceram de manhd sumiram a tarde. Restou, solitario, o de Sdo Luis, Jackson Lago, do PDT. A capital e a unica vitrine com a qual contam os petistas no Estado e at6 o moment eles nao conseguiram montar um manequim para exibir. Os primeiros sinais de debilidade, na administraqCo e nas finan9as, come- gam a aparecer. Um mau resultado em Belem podera comprometer o capital que o partido acumulou na elei9ao do ano passado. Uma ma ex- peri6ncia de governor na sala de visi- tas do Para significaria uma n6doa irremovivel no glamour da ret6rica oposicionista. Se o quadro da competicgo evoluir dessa maneira, Almir Gabriel refor- cara a condiglo de favorite, que a inedita possibilidade de reeleicgo sem desincompatibilizaqgo lhe confere. Nessa hip6tese, ele teria contra si dois candidates dividindo votos em uma mesma faixa a minoritaria do elei- torado, com poucas possibilidades de avangar com 6xito sobre as camadas majoritarias. Isto, se o senador Jader Barbalho se mantiver fora da dispute estadual do pr6ximo ano. A definiico do lider do PMDB no senado 6, nessa equacgo, uma inc6g- nita do tamanho da do seu maior ini- migo, Helio Gueiros. Para interlocu- tores, correligionarios e amigos, Ja- der tem dito que tanto pode vir a ser candidate novamente (pela terceira vez) ao governor, quanto ficar a dis- tancia (porque ainda tem quatro anos de mandate), como ate mesmo dis- putar de novo o senado (deixando o pai, Laercio Barbalho, na sua vaga durante o restante do mandate o que seria inedita demonstracgo de favor filial, que nem mesmo Antonio Car- los Magalhaes chegou a arquitetar com seu Luis Eduardo). A pega que falta para compor o quadro de decisdo e a incorporagao de Jader ao governor Fernando Henri- que Cardoso. Seu nome teria peso para o ministerio dos Transportes, mas o senador preferiria o Desenvol- vimento Regional, se a se- cretaria fosse elevada a '- condicao de 6rgao ministe- rial. SY Feito ministry de FHC, Jader teria pela frente uma -, perspective de dois ou ate Sseis anos a sombra do Pla- nalto. Cor boas chances de S acompanhar o president na reeleicgo federal, Jader nao des- ceria a desgastante dispute paroquial paraense em 1998, apenas tratando de ajudar a eleger seus correligionarios, mantendo os lagos do compadrio para o reatamento quatro anos depois, se necessario. Essa hipotese sugere um tipo de desdobramento que surpreenderia ate mesmo os observadores de v6os bo- vinos na political paraense, acomo- dando simultaneamente os interesses de Almir, Helio e Jader e transfe- rindo uma medigyo de forgas entire os principals caciques para 2002, quan- do os antagonismos entire eles podem ja nao ser tdo radicals quanto hoje (apenas Jader nao sera sexagenario). Para os tres, esta seria a alternati- va mais atraente. Resta saber se e uma hip6tese factivel e, ganhando-lhes a adeso, pode vir a ser aceita pelos tr6s grupos de poder (e diversos bandos satelitizados) que eles lideram. Exa- tamente porque o butim nao pode ser partilhado a tr6s. E muita cobica para pouco ouro. Essa composigao de interesses, contudo, envolve alguns componen- tes complicadores. Jader tem consci- &ncia de que sua horta eleitoral esta sendo dilapidada pelo governador e que mais quatro anos de Almir po- dem comprometer sua posigao de li- deranca. Nao s6 pelo fisiologismo JOURNAL PESSOAL -2- QUINZENA DE ABRIL / 1997 3 que o governador tem praticado, com a mesma efici6ncia dos antecessores at6 entEo mais experiences, como pe- las prolongadas ausencias e o aparen- te desinteresse do senador, absorvi- do por sua nova familiar. Mas a ocu- pagao de um ministerio poderia dar- lhe acesso a um instrument de po- der compensat6rio, ao menos enquan- to Fernando Henrique mantiver sua atual popularidade. Mesmo no Para, o president tern mais apoio da populacao do que o governador. Enquanto apenas 32% da populacgo ouvida pelo Ibope, sob encomenda das Organizaq6es Romu- lo Maiorana, consider o governor de Almir bom ou 6timo, em relaqgo a FHC esse indice 6 de 52%. Da mes- ma maneira, a aprovaygo a forma de administrar do president e de 74%, enquanto em relacgo ao governador e de 58%. Mais sugestivo ainda: enquanto 7% dos entrevistados ndo souberam de- finir a administraqgo estadual, quan- to a administracao federal o indice foi de 2%. Isto e: o povo do Para acom- panha mais o president do que o governador, mesmo sendo ambos o que pro- ' vavelmente nem todos con- seguem lembrar do mes- mo partido (o que tamb6m -- explica a preocupaqgo do -,i- governador com a comuni- cacao social, agora corn pri- oridade, tanto que Afonso *-" Klautau foi substituido por Francis- co C6zar). Muitos devem ter observado, na semana passada, o president visitar os Estados da Amaz6nia Ocidental sem pisar no Para. Pela terceira vez seguida Fernando Henrique esteve em Manaus sem passar por Belem. E pro- vavelmente continuara a evitar a companhia de seu correligionario, ao menos enquanto estiver aquecida a lembranca sobre o massacre de El- dorado de CarajAs. Tanto quanto os problems inter- nos que precisa enfrentar por conta da acgo desastrosa do governador, o president ter dores de cabega com o mundo externo. Quem conhece um pouco mais intimamente a persona- lidade de Fernando Henrique Cardo- so sabe o quanto lhe custou enfrentar a resistencia do corpo academico da milenar Universidade de Bolonha, na Italia, onde o cenario para o recebi- mento de mais uma distingao, na sua mais recent incursdo europ6ia, de- veria ter sido apolog6tico e nao de critical, como acabou sendo, e o pito public do papa Jodo Paulo II, no Vaticano, tudo por conta da a9go da Policia Militar do Para, sob as ordens diretas do governador. Para mais de um interlocutor, o president ja se referiu a Almir Gabriel com palavras duras. Decididamente, ele nao faz parte da c6rte. Talvez seja demasiado imaginar que, por forga desses desencontros, Fernando Henrique resolvesse confe- rir mais poderes ao principal antago- nista de Almir Gabriel na political paraense. O Para conta como residue da political national, mas, quando as duas esferas se entrelagam, o paro- quial pode emergir. Essa conjungyo de astros politicos pode estar ocor- rendo agora. i em fungdo de uma tal correlagao de niveis que Jader Barbalho se tor- nou custodiador dos cargos federais, em relacgo aos quais o governador vem sendo mantido em ob- sequiosa abstin.ncia. E pe- las mesmas circunstancias 1 -. pode se tornar ministry, S u--. uma hip6tese que, se nao Schega a ser propriamente o Nirvana para Almir, pode favorecer o seu obsessive projeto imediato: permane- cer no governor. Uma boa ajuda foi dada no ultimo domingo por O Liberal. 0 journal abriu corn chave de ouro (ou seria mais correto, nesse caso, falar de ga- zua?) uma semana traumatica para o governador e o president, quando o massacre de Eldorado complete um ano, sem ninguem na cadeia ou pelo menos cor imputagdo penal, anun- ciando que 76% da populagco do Para aprova o governor. Nao 6 exatamente isso o que reve- la a pesquisa do Ibope contratada pe- los Maiorana. Apenas 32% dos en- trevistados consideraram 6tima (7%) ou boa (25%) a administracgo Almir Gabriel, contra 18% que a classifica- ram de ruim (6%) ou p6ssima (12%). A maioria (44%) disse que ela 6 re- gular. A classificagdo de regular tanto pode indicar aprovagco quanto repro- vagdo, dependendo da tend6ncia ma- nifestada pelos entrevistados. Na fai- xa de nitida aprovagco, ha uma que- da da 6tima, o extreme superior (que e de 7%), para a boa (de 25%). Ja na faixa de desaprovagco, a tendencia e inversa: menos gente (6%) acha ape- nas ruim a administragao Almir, en- quanto o dobro (12%) a consider pessima. Logo, metodologicamente, a mas- sa dos que optaram pelo regular esta mais pr6xima da desaprovacgo do que da aprovagco do governador. t bem provavel que, se frequentasse a escola e nao o governor, Almir Gabri- el tivesse que repetir o ano (o que s6 nao ocorreria se recebesse uma cola como a do journal muy amigo). 0 Liberal, que, mais uma vez, di- vulga tendenciosamente uma pesqui- sa, parece estar apostando suas pre- ciosas fichas na reeleigco de Almir, antecipando-se a outras definig6es para demarcar um campo favoravel aos interesses da empresa. Sao am- plos interesses, que vdo do faturamen- to commercial (favorecido pelo gover- nador desde os primeiros dias, quan- do comecou liberando 300 mil reais de publicidade) a uma possivel can- didatura de Romulo Maiorana Jr. ao senado, provavelmente pelo PL (que, se confirmada, poderia trombar corn os plans de Helio Gueiros, contan- do, porem, com as simpatias nao s6 por isso de Almir e Jader). Mas a renuncia do capo junior do grupo Li- beral a tao sonhados projetos politi- cos poderia recompensar a empresa corn faturamento junto ao maior nu- mero de grupos politicos e de poder, caso o confront principal ocorra ape- nas entire Almir, o PT e Ademir. Tantas alternatives mostram que o caminho para a renovagco do po- der em 1998 esta apenas sendo de- marcado. Mentem, entretanto, aque- les que dizem que 6 muito cedo para pensar em eleigao. Esses, as raposas de sempre, por nao deixarem nunca de pensar no poder, ja andam pelo caminho. 0 4 JOURNAL PESSOAL 2s QUINZENA DE ABRIL / 1997 Empresarios assume lideranga pelas eclusas s empresarios do Para nao vao mais esperar pelo governor do Estado: at6 o final do mes de- verao ajuizar uma ag-o para obrigar a Eletronorte a concluir a construdio das eclusas de Tucurui, cumprindo um compromisso que assumiu ha nove anos. Em maio de 1988, o entao go- vemador Helio Gueiros assinou uma petigdo conjunta cor a Eletronorte, desistindo de prosseguir numa acgo iniciada quatro anos antes, na adminis- tragco Jader Barbalho. Argumentavam, o govemo e a empresa, que a agao se havia tornado ociosa porque a Eletro- norte ji estava executando a obra. Era verdade, mas media verdade (que costuma ser tao ou mais danosa do que uma mentira por inteiro). A Eletronor- te construiu o encabegamento de mon- tante do sistema de transposicao, uma pequena parcela do total, que incluiria ainda todo o canal concretado (corn sete quil6metros de extensao), a cabe- 9a de jusante e os compoenentes hi- draulicos (uma esp6cie de elevador para embarcac6es). Mas s6 dispor des- sa porta incrustada na estrutura da bar- ragem nada assegura ao prosseguimen- to da obra, que permanece paralisada at6 hoje. Cor a desist6ncia manifestada pe- las parties, a acao foi declarada extinta e arquivada. Mas os empresarios que- rem aproveitar a declaragao feita em juizo pela direiao da Eletronorte como prova de embasamento para uma acao ordinaria de preceito comunitario, atra- v6s da qual esperam obrigar a estatal a prosseguir a construgio ou, ao menos, sentar a mesa de negociagao para defi- nir a viabilizagco da transposilao da enorme barragem. Os empresarios esperaram a incor- poracgo da administragco estadual a essa iniciativa, mas perceberam que o govemador Almir Gabriel se satisfez com a promessa da Eletronorte de que as eclusas serao retomadas quando e de que forma, nao se sabe. O govemo se comprometeu a participar, com 40 mil reais, para a realizacao de estudos que fundamentariam essa agao, mas nem isso fez. Duas semanas atras, algumas das principals liderancas empresariais lo- cais, reunidas na sede da Federacio das Industrias, decidiram autorizar o advo- gado Camilo Montenegro Duarte a prosseguir na elaboragio da acio, dis- postas a recorrer a via judicial. A perspective official para as eclu- sas 6 o GEN (Grupo Executivo do Norte), uma associadao de empresas com elevado consume de energia na regiao que poderia substituir a Eletro- norte na execugio da segunda etapa de Tucurui, para duplicar sua capacidade de geragao de energia. O GEN, cons- truindo nova casa de maquinas na bar- ragem, acoplaria a ela o sistema de transposigao. Mas os empresarios paraenses estio conscientes do risco de essa garantia jamais se efetivar. Para o governor, como para os grandes empresarios na- cionais, as eclusas de Tucurui que, se construidas conforme o projeto origi- nal, elaborado pela Camargo Correa, seriam as maiores do mundo sao uma utopia delirante. Dizem que jamais ha- vera volume de carga parajustificar um investimento que poderia chegar a 400 milh6es de d6lares. Prefeririam uma outra altemativa de transposicao, atra- v6s de transbordo de carga ou de cor- reias transportadoras ligando montan- te ajusante da barrage. As liderangas locals sabem que um sistema precario como esse liquidaria de vez as pretens6es de montar uma solugio definitive, tirando a competi- tividade da hidrovia Araguaia-Tocan- tins (ao menos em sua versao integral). A decisao de questionarjudicialmen- te a Eletronorte tem, logo de imediato, o m6rito de aquecer a questao exata- mente as v6speras da inclusao da esta- tal no program national de privatiza- g~o, que pode selar de vez os sonhos de nao permitir que o vasto rio Tocan- tins continue aprisionado pela enorme barrage de Tucurui, desviando para outras vias o fluxo de carga e de de- senvolvimento. ------------IIII ---IIIIIIII --- ------------ 0 bom da cheia Insensiveis a cultural local, os goveros militares tenta- ram sem sucesso rema- nejar na marra as populag6es das cidades amaz6nicas afe- tadas pelas cheias dos rios. O raciocinio era aparente- mente cartesiano: se esses nicleos humans estio constantemente sujeitos a inundag6es, o l6gico 6 trans- feri-los para sitios localiza- dos fora do alcance das aguas. O rio, para esses es- trategistas, nao passava de detalhe como, de resto, a pr6pria Amazonia. Para os moradores de suas margens, por6m, o rio 6 um dos principals elements da vida, se no o principal. Causa trans- tomos durante dois ou no ma- ximo tr6s meses do ano. Na maior parte do tempo 6 um auxiliar vital, fomecendo ali- mentagCo, matando a sede, servindo de meio de transpor- te, acolhendo o lixo, permitin- do o lazer Por que sair do lado dele? Para quem vive ali mes- mo, nio ha terms de escolha. Por isso, Em Maraba, Came- ta, Sio Domingos do Capim ou Boca do Acre, os nicleos originals resisted. Evidentemente, seria mui- to bom contar com um efici- ente sistema de prevengio e control de cheias para se antecipar as aguas, quando elas sobem furiosamente, como aconteceu neste ano no Tocantins. A Eletronorte tem condic6es de monitorar todos os 850 mil quil6metros quadrados da bacia. Disp6e de uma rede integrada por satelites em pontos-chave de contribuigao de aguas. Cor essas informac6es, acessiveis em tempo real, pode controlar a quantidade de agua no reservat6rio da hidrel6trica de Tucurui, com area de 2.430 quil6metros quadrados, para manter uma geragio firme de energia (o que exige descarga constan- te de seis mil metros cibi- cos por segundo). Mas sera que esta tendo a mesma pre- ocupacio cor a regulariza- 9go do rio? A cheia deste ano, que, em mais de 60 anos de con- trole sistemitico, s6 foi in- ferior as de 1980 e 1990, poderia servir de motivador para realizar-se um semina- rio sobre o desempenho da Eletronorte no monitora- mento da bacia do Tocan- tins/Araguaia (o iltimo cres- ceu mais neste ano do que seu parceiro fluvial) e utili- zar plenamente o sistema de coleta de informag6es para a regularizagao da bacia, se sua utilizadgo estiver mais dirigida (ou s6 dingida) para fins de geragao hidrel6trica. S6 assim seria possivel dar bom uso ao velho ditado segundo o qual os males sempre trazem alguma coi- sa de bom. JOURNAL PESSOAL -2Y QUINZENA DE ABRIL / 1997 5 Hidreletrica do Xingu: projeto voltara em 99? V Pesos e medidas O s deputado Luis Seffer quer uma CPI para apurar os tristes acon- tecimentos registrados na As- sembleia Legislativa durante a votaCio do fundo educational do ensino basico. A providancia, como mostrou o mestre Egydio Salles, reduz a comissao parlamen- tar ao nivel de delegacia de policia. O ins- trumento competent e o inquerito polici- al, nlo por ser qualitativamente infenor, mas por ser o meio legalmente cabivel. Adequado para a apuraio da AL 6 o rombo causado ao Ipalep, o institute de previdencia da casa. Segundo o novo president, Aloisio Chaves, o alcance e de 323 mil reais (mais de 30% dos ati- vos do fundo), oriundo de operac6es irregulares. Para former um fundo de campanha electoral, o president ante- rior, Gervasio Bandeira (hoje prefeito de Breves), ultrapassou o limited pesso- al de empr6stimo a seu favor e ainda usou a autorizaio de outros 22 depu- tados (de um total de 41) para comple- tar os saques que fez. Denunciado da tribune, julgou penitenciar-se mandan- do de Breves 50 mil reais, em dinheiro vivo, colocado numa prosaica caixa de sapato. S6 ai 6 salario de cinco meses. O esquema, audacioso e primario ao mesmo tempo, requenta as denuncias de que ha parlamentares usando assesso- res para former outros tipos de funds, dos quais se apropriam, atraves da re- tengco de parte (talvez a maior parte) dos vencimentos nominalmente pagos a esses auxiliares. Eles seriam contra- tados ja sob o compromisso de aceitar o confisco informal. A audacia do fraudador 6 fungco da omissao de quem deveria impor a apli- cagao da norma. Na Assembl6ia, esse limited superior de auto-desmoralizaggo esta pr6ximo de ser alcangado, se 6 que ja nao o foi. orn discrigco, a VBC Energia, uma empresa holding forma da no ano passado pelos gru- pos Votorantim, Bradesco e Camar- go Corr6a, ja vem estudando a possi- bilidade de assumir a hidreletrica de Belo Monte (ex-Carara6), no Xingu, projetada para ser a segunda maior do pais, corn 11 milh6es de kw (abai- xo apenas de Itaipu, no rio Parana, e acima de Tucurui, no Tocantins). A usina provocou intense pol6mi- ca ao ser anunciada, na decada de 80, e teve o seu projeto praticamente ar- quivado depois do encontro dos po- vos indigenas, em Altamira. O Ban- co Mundial fixou a diretriz de nao mais financial grandes hidreletricas na Amaz6nia, em virtude de seus efei- tos danosos sobre o meio ambiente e as populagaes indigenas. Mas a Eletronorte nunca desistiu dos pianos iniciais. Eles incluiam dois represamentos no baixo curso do rio Xingu, os de Carara6 (rebati- zado para Belo Monte ap6s os pro- testos dos indios) e Babaquara. O iltimo e que provocaria um enorme alagamento de terras e florestas, for- mando urn lago ainda maior do que o de Tucurui, assustando cor essa perspective os agents financiadores potenciais. Depois, a Eletronorte manifestou a possibilidade de s6 re- alizar Belo Monte, para vencer a re- Na semana passada urn post flutuante de combustivel instalado as pro\imidades do Ver-o-Peso de- satracou e colidiu corn o terminal pesqueiro municipal, uma ociosi- dade em ferro by Gueiros mantida lnutilmente ao custo de 2 niil re- ais por nms Nao ha perze no ter- niinal porque os motors de ret'r- geraCao nio tem a potencia do ca- lor ambience para manner o pesca- do na temperature exigida A ener- gia venm de fora, por um cabo de alta tensAo que poderia ter-se par- tide quando umia das bases de apoio foi atingida Em contato corn a Agua. o cabo poderia ter eletro- cutado quem estivesse all sistencia dos aliados da ecologia e dos indios. Finalmente, calou-se completamente a respeito dos pro- jetos. Mas sua disposiyao de so financi- ar o Tramoeste (linha de transmission de energia a partir de Tucurui, corn pontos finals em Itaituba e Santarem) ate Altamira indicava uma intencgo mal oculta de manter o mega-projeto do Xingu, que exigiria investimento superior a 10 bilh6es de dolares. A inten~go da empresa e criar a possi- bilidade de energizayco do future canteiro de obras. Segundo as informac6es filtradas de Brasilia, a privatizagdo da Eletro- norte, a ser consumada no pr6ximo ano, permitiria ao governor langar o edital da construcgo da usina de Belo Monte em 1999, prevendo a geraqco dos 11 milh6es de kw originals. So com um dos barramentos, o de Belo Monte, a capacidade cai para menos da metade, deixando de apresentar atratividade para grupos empresari- ais como a VBC, interessados em le- var a energia em grande bloco para o Sul do pais, por uma linha de trans- missao de dois mil quil8metros de extensao. Pelo jeito, a VBC saiu na frente, antes mesmo de ser dado o tiro de largada. Capacidade de antecipac.o fantastica. Tudo isso fica no terreno das hi- p6oeses. mas nele a unica m\ iabi- lidade e de clue aquela estrutura metalica fincione como terminal pesqueiro Seu custo chegou a ser citado como send de sete milh6es de reals mas acabou declarado ofi- cialnimente como R$ 1.7 tilhao De qualquer maneira e dinheiro de- mais para o presence de grego em que ela se transtormou para a pre- feitura pos-Gueiros (ou seja o di- lu 0io1 0 responsavtl legal pela enge- nhoca uerada nos estaleiros da Ebal acaba de ser nomeado pelo goler- nador Almir Gabriel para presidir a Ceasa. onde hh muito mais pepi- nos e abacaxis do que peixes. Ha- \era outras inenqces? 6 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE ABRIL / 1997 A o inves de tentar convencer com arguments e sobrepor a pedagogia a politicagem, o govemo Almir Gabriel preferiu usar o rolo compressor que montou na Assembleia Legislativa e o poder de coagio que possui para dar ao Para o privil6gio de ser o primeiro Esta- do brasileiro a aprovar a lei estadu- al do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorizaggo do Magist6rio. A batalha final da guerra ocorreu, sugestivamente, a 10 de abril. Impedidos de ter acesso as ga- lerias do plenario, ocupadas por estudantes e policiais mobilizados pelo governor, opositores do fun- do arregimentados pelo PT, o uni- co partido contrario, arremataram a sucessao de irracionalidades ati- rando pedras contra as vidragas do pr6dio do legislative. A viol6ncia institucionalmente mal disfargada do governor resultara em viol6ncia aberta dos opositores acuados. Aparentemente, o fundo, uma cri- agao do ministry Paulo Renato Sou- za, deveria ser recebido com festas. Ele obriga todos os municipios bra- sileiros a gastar 300 reals por alu- no/ano do ensino fundamental. O problema 6 que o orgamento fura- do da maioria sera alimentado pelo corte nos investimentos dos muni- cipios que estao acima desse piso. Belem, por exemplo, que invested pouco mais do dobro do exigido, perderia de R$ 9 milh6es (segundo nota official do prefeito Edmilson Rodrigues) a R$ 12 milh6es, de acordo com calculo do secretario municipal de educagao, Luis Araiu- jo, tamb6m do PT. Assim, haveria um nivelamento por baixo, punin- do os que ja aplicam mais em edu- cacdo (ainda que, no geral, berm abaixo do requerido para dar ao Brasil um padrao de pais desenvol- vido). A selvageria toma o lugar da educaGao Espelho dos donos, um retrato da terra Os herdeiros de Romulo Maiorana tem motives de sobra para comemorar a faganha de dobrar a circulagao do jomal em 12 anos, desde a morte do criador do mais poderoso imperio de comunica96es do Norte do pais. No domingo passado, O Liberal certamente deve ter provocado impact e calafrios ao divulgar que 99% dos leitores de jomais (1% a mais do que a pesquisa anterior) o l1em. E um dominio de mercado sem igual entire todas as capitals brasileiras, embora em declinio em relacgo ao padrao national (ver Jornal Pessoal 159 e 160). Infelizmente, como sempre, apenas os resultados de interesse da empresa foram divulgados. A pesquisa complete 6 mantida mais uma vez a sete chaves. Mas um outro numero deve assustar os que sabem muito bem dos efeitos dos monop6lios, ainda que virtuais: apenas 5% dos leitores de jomais do Para (ou seria s6 de Belem? A pesquisa nao esclarece) 16 mais de um joral, sendo que 1% desses 5% (ou 20%) acumula O Liberal corn outro jomal. Somente 4% dos paraenses nio l6em "o maior jomal da Amaz6nia". Se os herdeiros das Organiza69es Romulo Maiorana podem festejar a posigco unica, os proprietarios dos dois jornais diarios concorrentes deveriam pensar melhor sobre o que e como tnm feito. Ambos sao tragos: 3% e 2% de leitura. Os indices dos palidos concorrentes, nao identificados no noticiario (mas sao, em sequencia, os do Didrio do Pard e A Provincia do Pard) resultam de uma political editorial subordinada a projetos politicos, no caso do primeiro (que nio consegue se profissionalizar), e da falta de discernimento empresarial, no caso do segundo, que ja comega atado a compromissos passadistas. De qualquer maneira, nenhum dos dois grupos tem se aplicado em seu negocio, para quebrar o monopolio de facto, quanto os donos da opiniao public tem feito para mant--lo. Pior para o Para: informado corn quase exclusividade pelo grupo Liberal, assim se explica o estado de desinformacao dos paraenses, incapazes, ate, de saber onde estao - e, muito menos, de saber o que fazer corn o que t6m, se 6 que conseguem saber o que tnm. S6 entra na agenda dos paraenses o que 6 colocado nas paginas, nas imagens e nos sons desse imperio - e o que nele se insere, na maioria das vezes, nao 6 o essencial, o que conta, mas o superfluo. Justa image dos que o mant6m. Mas tambem dos paraenses? A press do Para foi recompen- sada: o Estado recebera, em junho, R$ 50 milhhes de antecipacgo de um fundo que alcancara R$ 293 mi- lh6es anuais no Estado. Mas um assunto que afeta 1,3 milhio de alu- nos, espalhados por 3.186 escolas, em um territorio tao extenso, nao pode ser decidido como se fosse uma partida de futebol ou apenas porque antecipa preciosos recursos em 6poca electoral e fere os interes- ses do adversario. O nivel de selva- geria a que chegou a dispute em torno do fundo 6 um atestado de que a simples equalizacgo de recursos financeiros 6 media distant do necessario para valorizar o ensino fundamental e sua ancora, o profes- sor public. No meio dessa barbarie, a voz de um velho mestre, o professor Mei- revaldo Paiva, deu um toque de luz e lucidez as trevas. Finalizando um artigo mal destacado em O Liberal, Meirevaldo observou que a sessao tumultuada na AL "s6 vem compro- var a decad6ncia do debate e o fim da arte de governor". JOURNAL PESSOAL -2- QUINZENA DE ABRIL / 1997 7 Cobre de Carajas: refaz-se a decisao? president Fernando Henrique Cardoso comunicou ao gover- nador Almir Gabriel que a decisao sobre a implantaydo da fabri- ca de cobre da Salobo Metais, o mai- or investimento privado ao long de seu mandate, no valor de 1,5 bilhdo de d6lares, ja esta tomada: a meta- lurgica ficara mesmo em Maraba. O governador planejou fazer o anuncio antes do dia 17 para minimizar ou mesmo anular os efeitos, no sul do Para, do primeiro ano do massacre de Eldorado de Carajas. Mais forte do que a comunicacgo presidential e os desejos governamentais, entretanto, falou a voz empresarial. Oficiosamente assegura-se, dentro do governor e da Companhia Vale do Rio Doce, que a decisao e essa mes- ma e esta consumada. Mas a privati- zagyo da CVRD, marcada para o dia 29, pode nao apenas ter adiado a data mais convenient para o anincio ofi- cial da decisao, como reabrir o trato da pr6pria decisao, contra todas as garantias oficiais e oficiosas. Se se confirmar a participacao da Anglo American no consorcio ven- cedor do leilao, com participagao majoritaria na holding da empresa privatizada, a Valecom, o equilibrio societario na Salobo Metais tera sido rompido. Ate agora, CVRD, BNDES e Anglo sdo s6cios na empresa em parties iguais. Assumindo o control da Valecom e, em seguida, diretamen- te da pr6pria Vale, a Anglo Ameri- can passaria a ser a acionista majori- taria na Salobo, sacramentando for- malmente uma ascendencia que se pode observer ja agora. Em pouco tempo a sede da maior produtora mundial de ouro e diamante podera transferir-se da conturbada Africa do Sul para o pacifico Brasil. Nas raras vezes em que se mani- festou, ainda assim informalmente, a Anglo deixou claro que se pudesse decidir sozinha escolheria Rosario, no Maranhdo, para sediar a metalur- gia. A opcgo seguinte seria a de Pa- rauapebas. So em ultimo caso opta- ria por Maraba. Para induzir esta uil- tima escolha, o governor do Estado, secundado pela prefeitura de Mara- ba, aceitou oferecer compensac6es no valor de 87 milh6es de d6lares para que Rosario fosse deixada de lado. A minute de um protocolo dando vantagens fiscais, tributarias e de in- fraestrutura (principalmente quanto a energia) a Salobo Metais para ficar em Maraba ja esta pronta, mas a pri- r r r j d e p f a f d C f u 12 e s d p d n p r 1: r a --------------------- -------I De novo E na saude que esta vazio. Os doentes se A um dos piores "deficits" multiplicam por do governor Fernando milhares e o risco de Henrique Cardoso. Ndo morte vem a caminho e necessdrio nem ir as pelo Nordeste, alim de estatisticas para ir se alastrando pelo confirmar N6s, do Pard, interior do Estado. cor a contribuig~o da Outra comprovaqdo e administra.do tucana de dada pela subida do rio Almir Gabriel, estamos Tocantins. A estrutura vendo duas de apoio aos comprovacqes. desalojados pela Uma, em Belkm, cor enchente 0 amadora, a epidemia de dengue. ridiculamente Com Ela era tdo previsivel desproporcional substitui quanto prevenivel: o em relaado ao da Sucam pe "Evandro Chagas" deu problema. Menos FNS, dilapidou-s os alertas, criou a danosa, entretanto, do mais serio program consciencia previa, mas que a ameaca que atendimento d said inexiste a retaguarda comeca a se definir com (seria mais correto para corresponder a a vazante: decadas de dizer: d doenca) na essa conclamacdo. As montagem de uma Mtica rural e a muralha a palavras ecoam no do atendimento ruiu. anteparo as endemi 'atizacgo da CVRD no dia 29 pode- a alterar tudo, minimizando a dife- enca em dinheiro entire a mais dese- ada das alternatives empresariais, a lo Maranhdo, e a vontade political, nais facil de ser atendida por uma :statal do que por uma corporagao rivada cor control international de ato, como ocorrera cor a CVRD se Smultinacional sul-africana ficar a rente na privacao. Uma situagdo analoga marcou a lefinicao do escoamento da produ- :go de min6rio de ferro de Carajas. . alternative hidroviaria (ou hidro- iario-ferroviaria) pelo litoral do Para bi preterida pela said ferroviaria ate im porto em aguas profundas no vlaranhdo tanto por raz6es tecnicas econ6micas estrito senso, como e obretudo pela estrategia de merca- lo da alianga estabelecida entire a TVRD (leia-se, como dizem os colu- istas sociais, Eliezer Baptista) e os aponeses. E o que pode estar se re- etindo cor o cobre do Salobo, sen- lo Maraba, Parapebas e Rosario ape- las o "detalhe" a arrematar. Para entender a logica do enredo e reciso ver bem alem de umbigos nunicipais e nao estar limitado por ntolhos. foi desmontada. Ndco e a primeira vez que essa !a qdo 'la >e o a de zona ae as destruicdo ocorre. Em epoca mais recent, produziu-se algo semelhante ao que ocorre hoje no inicio da decada de 70, quando foi precise gastar muito dinheiro para recompor a teia de protetdo epidemiologica. Mas e espantoso constatar que a lesdo a saide do brasileiro e do paraense seja praticada nas gest5es de um intellectual e de um medico. Delenda Brasil. Com a sua turma No dia 7, o governador Almir Gabriel e o presiden- te da Telepara, Ambire Gluck Paul, participaram da cerimonia de ampliadao do sistema telef6nico de Santa Barbara, a meio ca- minho entire Belem e Mos- queiro. Estiveramjuntos no interior da estagao telefo- nica, mas quando o gover- nador se dirigiu cor a sua comitiva para o palanque, onde seria realizada a par- te politico-eleitoral da pro- gramagao, Ambire marcou pass, ficou no meio do povo e, quando um asses- sor Ihe devolveu o cellular, tratou de ir embora. Embo- ra o governador seja a mai- or autoridade public no Estado, a "tchurma" de Ambire nao estava ali e ele precisava demonstrar- Ihe fidelidade nestes tem- pos ainda bicudos. Modus in rebus O vice-governador Helio Gueiros Jr. nao se cansa, e muito menos se vexa, de inovar em sua sucessdo de desafios ao governador-desafeto. Em portaria do dia 4, publicada cinco dias depois no Diario Oficial, mandou pagar tr8s diarias a Lourdes Pimentel, uma "colaboradora eventual", nova forma de relagio trabalhista que introduziu, por forga desse contrabando gaiato, no regime juridico do Estado. Outras seis diarias foram pagas a dois servidores regulars da vice-governadoria que acompanharam a "colaboradora eventual" na incursdo a Santar6m e Monte Alegre, por ordem do vice Jinior, sabe-se la para que. Tudo porque o titular titubeia. Projeto padrao Sudam? Em sua ultima reuniao, o Conselho Deliberativo da Sudam aprovou juntar 9,2 milhoes de reais de incen- tivos fiscais a outros R$ 9,2 milh6es dos empresarios Romulo Maiorana Junior e Geraldo Penteado para a construmdo de um hotel tu- ristico-ecol6gico em Novo Airao, a 65 quil6metros de Manaus, no Amazonas. O hotel da Parque Rio Negro International Amazonas Turismo recebeu priorida- .de maxima: 50% de incen- tivos para 50% de capital pr6prio. Com 100 apartamentos, o complex hoteleiro pro- mete 6tima rentabilidade: lucro de R$ 1,8 milhao por ano para faturamento bru- to de R$ 6 milhoes (redito de 30%, portanto). De um custo total de R$ 4,1 mi- lhoes, apenas R$ 513 mil por ano (abaixo de 8%) sera com pessoal e encar- gos sociais, menos do que as despesas com impostos e contribuiobes sociais (R$ 548 mil). O hotel de selva de R$ 18 milh6es criara 25 em- pregos permanentes (o Journal Pessoal Editor: Lucio Flavio Pinto Redagao: Passagem Bolonha, 60-B / 68 053-020 Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Try. Benjamin Constant, 845/203 / 66 053-020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert.com.br Editoragao de arte: Luidzpe 1 241-1859 Ah, a lanterna de Diogenes! Algum tempo atrds o secretario do Planejamento, Simdo Jatene, atacou o corporativismo da mediocridade que imperaria na Celpa, apontado como uma das, causes do seu aniquilamento. A .carapuga poderia pousar como luva em varias cabegas coroadas da empresa (nas de plebeus, nem tanto), mas nio na de Cesar Bentes. O director financeiro, um home acostumado a trabalhar corn aplicacao, honestidade e competencia, aproveitou a primeira cerim6nia piublica para dar o troco, indignado. Seu gesto s6 nao evoluiu porque o governador saiu em socorro do seu mais festejado secretario, encerrando o debate a sua majestosa maneira. As mesmas cautelas anti-categ6ricas foram, mais recentemente, desprezadas pelo secretario Jos6 Augusto Affonso, um dos poucos amigos do peito de Almir no governor. Ao ser empossado na Secretaria Especial de Desenvolvimento Estrategico, depois de ter chefiado a Secretaria de Obras, Jos6 Augusto tonitroou: "no Parh s6 existe um home pilblico digno de confianga, chamado Almir Gabriel". Ou o secretario a segunda potencia tem razdo (ainda que em hora nao recomendada pelo pudor), ou o que resta de dignidade na administraqao public paraense perdeu a voz e, por extensao, a coragem. De qualquer maneira, cabe a interjeigao: 6 tempos, 6 mores. mais bem remunerado sera o de gerente, que recebera R$ 1.100,00 por m6s), corn rendimento medio de R$ 400,00, e outros 87 empre- gos flutuantes. O salario m6dio em todos os 112 pontos de trabalho sera equivalent a dois salaries minimos e meio. Formando maioria Nao 6 illegal, mas sera 6tico ou moral o procurador-geral de justiga Manoel Santino Nascimento Junior e sua esposa, Luzia Nadja Guimaraes Nascimento, ocuparem dois dos sete lugares do Conselho Superior do Ministerio Pitblico do Estado do Para? Corn apenas mais dois votos o procurador tera sempre maioria num colegiado que deveria ser mais pluralista. Nao daria bom exemplo renunciando aos beneficios dessa coincidEncia? Ou sera que, nesse caso, a pluralidade comega ja no piano domestico? A mesma pergunta cabe fazer em relagao ao Col6gio dos Procuradores: pelo menos metade dos seus 31 integrantes presta assessoria ao procurador- geral. Sera necessario tantos assessores assim, beneficiados cor adicionais sobre os rendimentos? As perguntas aos que tem competencia para respond-las. |
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