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Jornal Pessoal s U CI F L A V I P I N T 0 pSivam D. na Surdina POLITICAL A guerra dos brancos Contrariado por ndo receber a divida de 1,2 milhado de reais deixada por Hilio Gueiros, o grupo Liberal declara guerra aberta a administragdo de Edmilson Rodrigues em Belim. Mas pela primeira vez No final da semana pas- sada comegou em Be- 16m um movimento com ares de novidade: pequenos grupos passa- ram a se reunir para ava- liar o confront entire o grupo Liberal e a prefeitura de Bel6m. A partir do exame que se prop6em a fazer, podem tomar uma posi9go em relagao a essa guerra, ja abertamente declarada. Ao long da se- mana, as reunites informais iriam de- sembocar em pelo menos dois encontros mais articulados, na quinta e na sexta- feira, um deles promovido por stores da igreja e outro por pesquisadores de institui6es cientificas. Conforme o re- sultado das discusses, os envolvidos Z podem tomar decis6es, como deixar de comprar o journal, para marcar sua posi- 9o0. A preocupagao com a questao e a dis- posigdo que segments importantes da sociedade estao manifestando evidenci- am que o litigio entire o maior grupo de comunicaqoes do Estado (e do Norte do pais) e a prefeitura da maior cidade da regido podem, finalmente, deixar de ser uma questao privada para assumir sua condig9o public. De um lado porque, mal conduzida, a querela pode compro- meter a gestao dos assuntos municipais. De outro lado, porque desinformara o cidadao, sujeitando-o a manipula96es. Nao esta em causa a liberdade de im- prensa: os various grupos que espontane- amente se articularam na cidade nao questionam o direito de critical, que re- conhecem e defendem. Mas estAo cada vez mais convencidos de que nao 6 legi- tima a origem da campanha que o grupo Liberal desencadeou contra a prefeitura do PT, nem ela visa o bem pfiblico. Ao contrario, 6 conduzida para tender os interesses da corporagao e forcar o pre- feito a sujeitar-se a eles. A cobertura dos veiculos do grupo Liberal as atividades da administraego municipal petista era normal (mediocre- mente normal, conforme o padrao da casa) ate que surgiu o impasse em torno do d6bito de 1,2 milhao de reais deixa- do por H61io Gueiros. A negociaao che- gou a ser iniciada, mas se tornou w- 1 ~ 0- VAO A -m S: 30 DIHERO (p-. 2 JOURNAL PESSOAL -2' QUINZENA DE MARCO / 1997 - dificil quando os representantes da empresa estabeleceram algumas condi- 90es: 1 O valor estabelecido nao poderia ser alterado. 2 A quitacgo teria que ser feita no mais curto espago de tempo possivel (ini- cialmente, em intervalos de 10 dias, de- pois prolongados para um mes, em tr8s parcelas). 3 As novas veiculaq6es publicitarias teriam que ser pagas a vista, em dinhei- ro vivo, ate a complete quitaggo da divi- da. Havia arrogincia e intransig8ncia nes- sas exig8ncias. A nova administragao estava apenas iniciando e se via diante de graves problems de gestio. A admi- nistrac~o Gueiros, mesmo tendo pago R$ 192 milh6es a empreiteiros e fomecedo- res ao long de 1996, deixara para os sucessores "restos a pagar" no valor de R$ 43 milh6es nesse item, al6m dos sa- larios atrasados dos servidores munici- pais. O desencaixe de curto prazo exigi- do pelo grupo Liberal nao seria aceito por qualquer administrator, fosse ele do PT ou do PFL, que estivesse pensando no equilibrio das contas publicas. O tom draconiano imposto a negocia- cao cor a prefeitura do PT contrastou com a extrema tolerincia dispensada a Helio Gueiros, s6 rompida na ultima quinzena do mandate do entao burgo- mestre. Com todas as faturas em atraso, o grupo Liberal ainda teve que amargar com a anulagao de 45 empenhos, todos de Delta Publicidade, no valor de R$ 167 mil, determinado pessoalmente por He- lio Gueiros, de caso pensado, um pouco antes de passar o cargo. A attitude do entao alcaide seria inin- teligivel, diante do apoio macigo que o grupo Liberal lhe deu durante quase todo o seu quatri8nio, nao houvesse nela uma motivagao hist6rica insufocavel pelas gentilezas de ocasiao que as duas parties se dedicavam no fundo, a contragosto. Depois de ter sido, durante muitos anos, um dos principals redatores da co- luna Rep6rter 70, de O Liberal, Helio Gueiros rompeu com Romulo Maiora- na, seu amigo de longa data, por nio haver recebido dele todo o apoio que exigiu na eleiiao de 1982. Como era de seu estilo, Romulo pre- tendia colocar o grupo Liberal a serving das candidaturas de Jarbas Passarinho e Oziel Carneiro ao senado e ao govermo do Estado, mas nao fecharia as portas a oposigao oriunda do velho PSD de Ma- galhies Barata (onde tinha algumas de suas raizes, inclusive porter casado corn uma sobrinha de Barata, Lucidea Maio- rana). Institucionalmente, Romulo estaria do lado que sempre o apoiara, desde que adquirira o jomal, 30 anos atras (o aval para a compra das maquinas fora dado por Armando Carneiro, irmao de Ozi- el), .substituindo a inc6moda Folha do Norte na lideranga do mercado. Lateral- mente, por6m, abriria espaqo para o gru- po de Jader Barbalho. Sempre fizera assim, mesmo quando tinha os militares no seu calo, dispostos a usar as marcas de um passado contur- bado como entrave para a expansao de seus neg6cios. Ainda que sob cautelas, Romulo manteve ao seu redor cassados e oposicionistas, como Helio Gueiros, assumindo os riscos. Mas quando rompeu com o ex-alia- do, o future senador ignorou esse passa- do. Obcecado pelo desejo de vingar-se de Jarbas Passarinho, a quem atribuia a responsabilidade por sua cassacao pelo regime military e a quem pretendia ven- cer na dispute pela unica vaga disponi- vel em 1982 para o senado, nao perdoou a conciliagdo do at6 entao amigo: atra- v6s das paginas do Didrio do Pard, cria- do por Jader Barbalho para a campanha eleitoral, escreveu hist6rias de alcova, revelou segredos e disse horrores sobre os Maiorana. Passada a eleigao e consumada a re- vanche, houve a reaproximaago e Romu- lo voltou a abrigar H6lio Gueiros. Ja goverador, ele parece ter estabelecido que a maneira de fazer os herdeiros do Sistema Romulo Maiorana de Comuni- cacao (agora Organizag6es Romulo Mai- orana) esquecerem o passado seria atra- v6s de macica programagao publicitaria nas empresas da corporacgo, muito sen- sivel A ressonancia do assim chamado vil metal. Mas os ex-litigantes sabiam que se tratava de uma tr6gua onerosa (para os cofres piblicos, naturalmente), con- denada a algum dia voltar a ser rompi- da. A alianca era simplesmente tacita, de conveniencia. De memoria mais viva, Gueiros deci- diu quebrar o armisticio quando ja nao tinha nada a perder, em fim de mandate. Al6m de nao pagar faturas que vinham se acumulando desde abril, determinou a anulagao de empenhos que ja haviam sido encaminhados A empresa. Pelo mes- mo caminho que percorrera na reaproxi- manao, afastou-se dos aliados. S6 entao, descobrindo finalmente o golpe, em armaao desde meses antes, os Maiorana decidiram encomendar apressadas matdrias de critical em seus veiculos, contribuindo para destacar o clima de Baile da Ilha Fiscal (que mar- cou o crepisculo do imp6rio brasileiro) do final da administracao Gueiros. Esses antecedentes recomendavam cautela, discenimento e bom senso no trato da divida com os novos dirigentes municipals. Ao inv6s disso, os porta-vo- zes do grupo Liberal decidiram usar seu inegavel poder para impor condicSes leo- ninas, acostumados que ficaram a dar ordens aos que julgam indispensavel con- tar com seus veiculos para lidar corn a opiniao piublica, ou temem ingressar no index da empresa. Essa attitude estimulou os grupos que, dentro do PT e da prefeitura, ha algum tempo queram acertar contas muito mais amplas e profundas com os donos da comunicaago no Para. O pr6prio Edmil- son Rodrigues prometera esse ajuste em alguns de seus comicios, irritado com o tratamento diferenciado que recebia em relagao ao concorrente Ramiro Bentes, sempre favorecido pela empresa. Quando a ultima tentative de reuniao entire as parties frustrou-se porque no dia em que deveria ocorrer, na ultima sexta- feira de fevereiro, O Liberal publicou uma nota que desagradou os petistas, Edmilson decidiu trocar a posigao de defesa pela de ataque. Contra a opiniao dos moderados, mas contando cor o apoio dos correligionarios mais inflama- dos, al6m de estar emocionalmente afe- tado por problema de saude na familiar, foi a Praca da Repuiblica num domingo de manha falar mal da empresa e da fa- milia que a control. Depois, a pretexto de fazer um balango de 73 dias de go- verno, convocou um comicio para em frente a sede do journal (local disfargado no convite como sendo os funds do Bosque Rodrigues Alves), e voltou a ata- car os Maiorana. 0 Liberal reagiu com um editorial de primeira pagina e um artigo do "diretor- editor-corporativo", o primeiro assinado por Ronaldo Maiorana, o cagula dos ir- maos. O mal-escrito editorial cometeu dois erros de informaio. Disse que Ed- milson Rodrigues d um criador de casos, "vivendo a morder o dedo dos outros", quando s6 se dispoe de um unico regis- tro sobre a ins6lita forma de ataque de Edmilson ao dedo do entao major Arru- da, ja falecido (por outro motive, escla- rega-se). Informagdo falsa mais grave foi a de que o journal "sempre fez e fara" criti- cas a administracao do PT. Nao 6 verda- de: elas s6 comecaram quando a ques- tao da divida nao foi resolvida nos ter- mos estabelecidos pela empresa.As cri- ticas tamb6m costumam desaparecer quando o dinheiro pousa nos cofres da firma. Mesmo que a motivagao da campa- nha anti-prefeitura nao fosse espuria, a diretriz das critics 6 ilegitima. Uma empresa jornalistica pode fazer campa- nhas, mas elas precisam de legitimida- JOURNAL PESSOAL -2- QUINZENA DE MARCO / 1997 3 de. No inicio do seculo o Wall Street Journal, o maior journal dos Estados Unidos, desencadeou uma campanha contra a maior empresa do planet, a General Motors. A GM reagira a critics do WSJ simplesmente excluindo o jor- nal da midia. Em represalia, o jomal des- locou dois rep6rteres para a cobertura diaria das atividades da empresa. Acon- tecia de a diretoria da GM so ficar sa- bendo de fatos ocorridos dentro da em- presa ou a ela relacionados atraves do jomal. Acabou tendo que voltar a incluir o jomal na sua programacao publicita- ria. Mas os rep6rteres do Wall Street Jour- nal nao mentiam, nao inventavam mate- rias, nem se metiam na vida privada dos diretores da GM. 0 journal restringia sua campanha a reportagens de acompanha- mento e denfincia sobre o funcionamen- to da grande indfistria automobilistica. Quando a GM suspended o boicote, o WSJ voltou a cobertura normal, com no- ticias, elogios e critics. 0 Liberal, para defender seus interes- ses, mente e manipula. Nenhum de seus rep6rteres acompanhava o prefeito Ed- milson Rodrigues quando, na manha do dia 7, ele foi visitar o conjunto Raimun- do Jinkings, uma das invasoes na perife- ria da cidade, e discutiu com o auto-inti- tulado lider comunitario Leandro Bor- ges (que, segundo a prefeitura, manipu- la a invasao com intenc6es espfirias). Horas depois do epis6dio 6 que um reporter foi mandado ao local. A recons- tituicio de uma suposta agressao que o prefeito teria praticado contra o lider comunitario se baseou exclusivamente na versao de Borges. O outro lado nao foi ouvido e nenhum document apresenta- do. Apesar de se dizer agredido, Borges nao registrou queixa na policia. A pre- feitura, ao contrario, e que o acionou. Destacada na primeira pagina e publi- cada com estardalhago no journal, a noti- cia sumiu a partir dai. Borges voltou a ser entrevistado, mas nenhuma referen- cia foi feita ao fato grave, que chegou a desencadear uma longa discussao na Assembleia Legislativa e na Camara Municipal em torno de um voto de re- pfidio ao prefeito. Tumulto e discussao haviam aconte- cido, mas a agressao, nao. O Liberal, que conscientemente embarcara na canoa furada, nao se dignou a retificar o erro. Porque nao quer. Da mesma maneira, nao acolheu o exercicio do direito de resposta requeri- do pelo prefeito, sua irma, Edilene Ro- drigues, o secretario de educacgo, Luiz Araiijo, e a president da Fundagao da Merenda Escolar, Ana Conceicao Olivei- ra. Todos eles se sentiram prejudicados por erros contidos em reportagens do jomal. Na sua carta, o prefeito desmentia a agressao e negava estar praticando ne- potismo (sua esposa, um irmao e uma irmi sao funcionirios municipals concur- sados ha varios anos). Edilene negava a existencia de fraudes na licitacao para o desfile deste ano de blocos e escolas de samba. O secretario Luiz Arauido retifi- cava noticia sobre criancas fora das sa- las de aula com o descredenciamento de escolas comunitarias. Ja Ana Oliveira reagia a distorcqes na divulgaqao de uma pesquisa sobre a merenda escolar. Como o jomal se recusou a admitir voluntariamente o direito de resposta, mesmo verificando os erros do que pu- blicara, os prejudicados foram obrigados a recorrer a via judicial para que seus es- clarecimentos e retificacbes venham a ser publicados, se sair decisao e ela for fa- voravel ao requerente. Nao 6, seguramen- te, uma contribuicdo a liberdade de im- prensa, que O Liberal consider amea- cada pela manifestagCo organizada por Edmilson Rodrigues em frente a sede do journal. A escalada das escaramugas certamen- te prejudicara a sociedade. Sem os vei- culos de comunicacgo que lideram o mercado, o prefeito teve que recorrer aos outros jornais e emissoras de radio e te- levisao. A empresa mais receptive tem sido a do senador Jader Barbalho: alem de se beneficiary comercialmente da programa- cao publicitaria, ele mant6m um canal aberto, que pode evoluir para um acerto politico nas disputes eleitorais do pr6xi- mo ano. Por isso, enquanto O Liberal priva a opiniao piblica de um acompa- nhamento decent sobre a administraqao da capital, os veiculos de comunicacao do senador do PMDB praticamente se tomaram 6rgaos oficiosos do PT, fazen- do mais propaganda do que jornalismo. A Provincia do Para poderia desem- penhar uma fungao arbitral, mantendo cobertura isenta e competent do que faz o PT, mas nao parece acreditar que esse trabalho professional seja compativel cor a obtencdo de verbas publicitarias. Tende para acompanhar o Diario. Em qualquer situagao, quem sai pre- judicado 6 o cidadao, desprovido de acessos confiaveis a informaCao. Emba- lado pela tendenciosidade de O Liberal, o leitor Ant6nio Pimentel escreveu uma carta ao jomal criticando o prefeito por se comportar "como um energiumeno", que agride cidadaos "em attitude de fla- grante desrespeito". Convinha a Edmilson Rodrigues inti- mar o journal a apresentar a carta em jui- zo. Nao 6 incomum supostas cartas de leitores serem redigidas por funcionari- os da empresa na pr6pria redagao do jor- nal. Essa nao seria a primeira, mas po- deria permitir ao prefeito testar a vera- cidade do document. Mais do que en- trar numa dispute sem regras estabeleci- das, porem, conviria a algu6m com a res- ponsabilidade do prefeito de Belem fa- zer certas adaptag6es em sua personali- dade para ajusta-la as atribuig6es e re- quisitos do cargo que ocupa. O comicio em frente a suntuosa sede de O Liberal, por exemplo, foi um ex- cesso inaceitavel. O habito de Edmilson de verificar pessoalmente tudo o que acontece no imbito de sua administra- cao nao apenas 6, frequentemente, uma fonte desnecessaria de exposig~o, como um mau principio professional, que agra- va a tend8ncia natural (no Brasil) de con- centragao de poderes nas maos do chefe do executive. O prefeito precisa se conscientizar de vez de que nao 6 mais apenas nem prin- cipalmente o militant do passado, e que a fase do comicio acabou. Corre o risco de, subestimando o poder do gru- po Liberal, prejudicar a si e A comuni- dade que Ihe transferiu o privilegio de comandar a maior cidade da Amaz6nia. Mas parece disposto a defender sua po- si9ao at6 as ultimas consequ8ncias, tan- to que teria escrito uma carta a Roberto Marinho, o dono da Rede Globo, denun- ciando as attitudes anti-profissionais e anti-6ticas dos dirigentes da emissora afiliada do Para, recusando-se a veicu- lar as mensagens da prefeitura, mesmo pagas. Nao ha nada demais que a pendencia sobre o debito de 1996 seja decidida ju- dicialmente. O grupo Liberal contratou um servigo de auditagem e vai usa-lo para cobrar o que julga ser seu na justi- ca. Uma sentence de execuaoo pode per- mitir ao prefeito sacar o dinheiro do combalido erArio sem o risco de sujei- tar-se a suspei9oes e critics. O absurdo e que esse incident commercial tenha in- terferido tanto sobre a formacgo da opi- niao puiblica. Quanto ao comum dos cidadaos, ele nao parece mais tao acomodado ao pa- pel que lhe delegam, de mero especta- dor dojogo dos caciques. Epossivel que, despertando para seus direitos e encon- trando as formas adequadas de mobili- zagao para exerc8-los, impeca que este- jamos assistindo a mais uma escaramu- Ca entire personagens que consideram o poder de que desfrutam um direito he- reditario ou de grupo. Belem ja e muito grande e complex para servir de arena para as arengas desses ocasionais e fre- quentemente acidentais poderosos de provincia. 0 JOURNAL PESSOAL -2' QUINZENA DE MARCO / 1997 Sivam: muito dinheiro e tecnologia. Para qua? urante os pr6ximos cinco anos press e in os montadores do Sivam (Sis- que o custc tema de Vigilancia da Ama- desde a al inia), a frente a multinational ame- maio do an ;ana Raytheon, ganharao 1,4 bilhao sicgo. E qu Sdolares. Ao long dos pr6ximos lam apenas Sanos os agents financeiros, o prin- tada, corn pal deles sendo o Eximbank dos re (equipar ;tados Unidos, irao faturar outros formitica), S$ 1,4 bilhao de juros pelo dinhei- 6es. Jamai concedido para viabilizar, com nanceiro, q >upanga e tecnologia estrangeiras, ta annual de n projeto contratado sem licitacAo 18 anos, af iblica, sob a justificativa de servir A omissao Sreforgo da seguranca national. fusao. Todos os contratos foram finaliza- Isto sign ss a toque de caixa, na semana pas- efetivameni da, para que os pontos obscuros e 40 anos de hist6rias inconclusas do Sivam, tecnologia incebido ha cinco anos e processa- de amortiz Sno subsolo da administragco fe- area estrate :ral, se tornassem fatos consuma- sos duplica )s, dispensando-o de nova reapre- important, ntagco ao congress para dirimir as e projetos ividas pendentes. Legalmente, o Si- munidade m entrara em vigor no pr6ximo dia gdo de seg I e em 2002 tera sido plenamente SAE (Secri iplantado. gicos), durE As vezes essas duvidas resultam de como ocon Palavras, palavras A julgar pelo superfaturamento que tena sido praticado no iucio das obras. o uo\erno federal gastaria 2 I milbhes de reais a mats na penitenciaria de Santa Izabel, que poderia sair por R$ 7 milhoies, mas tfo orgada em R$ 28 nilh6es durante a admninistracio Collor. So no ij famoso muro e na terraplenagemn do terreno foram engolidos R$ 4 nilh6es da epoca atualizados. cheuam a RS 5.8 nilh6es). quando precos reais e'igiriam apenas um quar- to desse valor Ao inspecionar a "obra" na senana passa- da. o president do Conselho Nacional de Po- licat Criminal e Penitenciaria, Paulo Tonet Camargo. classiticou-a de "uni escandalo", ja que ndo pode nem ser continuada A historia do Brasil ensina que indigna;ao tambem ser\e para pouca coisa quando fica restrita a palaxras ou como nos acostuma- mos a dizer. a retonca Dela, a administracao public brasileira continue inflacionada ;ompreensdo. Nao 6 certo do projeto tenha dobrado provacgo legislative, em o passado, como diz a opo- e os prospects oficiais fa- no custo direto da emprei- )s tais hardware e softwa- nentos e programs de in- alem das obras civis e avi- s se referiram ao custo fi- ue dara aos bancos recei- US$ 78 milhoes durante bra o retorno do principal. dessa parte gerou a con- ifica que o que se gastara te no Sivam corresponde a verba regular de ci8ncia e na Amaz6nia. No espago a9ao do empr6stimo, essa gica poderiater seus recur- dos e, o que 6 too ou mais Sdirigidos para programs definidos pela pr6pria co- ;ientifica, ndo por um 6r- :uranga national, como a etaria de Assuntos Estrate- nte a administrag.o Collor, reu cor o Sivam. Mas o enorme cus- to de US$ 2,8 bilh6es 6 o prego final a ser pago pela concepcao megalomaniaca e distorcida do Sivam? Provavelmente nao. Os gestores do proje- to ja substituiram os oito avi6es Brasilia, a helice, que fariam a vigilancia, por oito jatos. Alem da evi- dente alteragco de preco, esta embutida uma concepp9o de Amaz6nia subordi- nada a doutrina de se- guranga national, que ve a regiao pelo prisma military, ao in- ves de dar maior re- levancia ao aspect cientifico que um sis- tema de radares e S processamento de dados deveria ter. Mesmo porque o que mais ameaca a Amazonia, num horizonte visivel, e sua defasagem co- mercial, econ6mica e de conhecimen- tos do que uma eventual incursdo mi- litar de resto, para os efeitos da ex- ploracgo da regido, ociosa, desneces- saria. Cor toda a parafernalia financia- da pelo Eximbank e transferida pela Raytheon, mais o que ainda podera surgir desta caixa preta (como acon- teceu cor o program nuclear que o general Geisel assinou com a Alema- nha), nossos militares podem ficar up-to-date para localizar narcotrafi- cantes, contrabandistas e agressores externos hipoteticos (ou simulados em exercicios de estado-maior). O que, entretanto, poderdo fazer contra a transfer6ncia de riquezas naturais processada formalmente dentro da lei, mas a revelia do que, mais do que a seguranqa national, atenta contra algo ainda maior e englobante, a so- berania national? As armas que o Sivam podera con- ceder serdo pouco 6teis diante das in- formag6es que um program verda- deiramente cientifico poderia gerar, proporcional ao volume de recursos utilizados, se a origem da concepcao tivesse sido outra, o desenvolvimen- to fosse diferente e os propositos, di- ferentes. Quem conseguir ver, vera. I JOURNAL PESSOAL -2" QUINZENA DE MARCO / 1997 5 Louco quem, cara-palida? govemador Almir Gabriel jul- ga-se um democrat, mas foi buscar inspiragdo do outro lado do balcdo para reagir, sem na ver- dade reagir, como de seu feitio em tais circunstincias, as critics que recebeu de seu vice, Hlio Gueiros Jr. "Nada a declarar", declarou o govemador ao re- p6rter que o provocava sobre o livro e a entrevista do Junior (ver Jornal Pes- soal o 158). O branco verbal virou marca regis- trada na boca (na cabega tambem?) de Armando Falcao. Ele se notabilizou como ministry da Justica do general Er- nesto Geisel pelo patrocinio, exatamen- te 20 anos atras, do lugubre "pacote de abril", um conjunto de medidas de ex- cegao que instituiu o senador bi6nico (um Incitatus nao equestre) e a propa- ganda eleitoral gratuita restrita a curri- culo e retrato 3 x 4. Se o govemador preferiu o subterffi- gio para nio reagir aos ataques de He- lio Jr., o president da Assembleia Le- gislativa, Luiz Otavio Campos, levou a reacgo para o terreno pessoal. Lembrou que o Junior havia engravidado sua baba, "ainda na adolesc6ncia", e nao assumiu a pateridade, incident que seria revelador de seu carter. Um ami- go explicou que Pepeca baixara o ni- vel do confront porque fora alvejado com uma "indireta" muito pessoal, so decifravel pelos iniciados na sua bio- grafia, ainda assim bastante ofensiva. Quest6es da vida privada dizem res- peito aos dois homes publicos, que po- deriam continuar ou nao a lavagem de roupa suja. Felizmente suspenderam as retaliah6es, mas dai as declaragoes e es- crivinhag6es do vice-govemador repre- sentarem a quebra do decoro public, submetendo-o a ameaca de cassag o do mandate, vai uma dist^ncia enorme - que, em geral, s6 os aulicos se dispoem a percorrer sem o menor pudor. Exceto pelos excesses nas referen- cias pessoais, as critics que o vice fez ao governador Almir Gabriel e ao de- putado Luiz Otavio foram de natureza political. No caberia o voto de repudio ao critic, nem o desagravo aos criti- cados, se estes, especialmente o gover- nador, nao se defended das restri96es de conteudo feitas por Helinho. Ele fez varias e nem todas destituidas de pro- ced6ncia, muito pelo contrario. Controversias sempre fazem muito bem a democracia. Silencios sepulcrais, como os de Armando Falcao, ou con- venientes, como o do governador Al- mir Gabriel, e que sao um estorvo, prin- cipalmente porque sao seguidos de agqes nos bastidores. O distinto publi- co, mantido a distdncia, e quem sobra. Acaba sendo surpreendido ao descobrir fatos ja consumados, cujo prepare os autores dos atos mant6m em sigilo, com a obsequiosa omissao quando nao co- niv6ncia da imprensa. Depois, os deputados, acometidos pelo feroz virus da subserviencia, numa epidemia sem paralelo na hist6ria re- cente do legislative paraense, equali- zaram situag9es distintas. Juntaram no mesmo saco o goverador e o deputa- do, irmanando-os em uma "dignidade de dois politicos de reputaggo ilibada, reconhecidamente dotados de espirito public exemplar, cor larga folha de servigos prestados ao Para", conform declarou na tribune o deputado Ade- nauer G6es, do PSDB. o que se saiba, o govemador ja- mais se viu envolvido em situa- Aao como a que marcou o hoje deputado Luiz Otavio, a 6poca secreta- rio de Transportes do goverador He- lio Gueiros, sete anos atras. O parla- mentar pode argumentar, com razao, que legalmente sua situaydo e limpa, mas nem sempre a falta de decisdo do judiciario, claudicante quando decidir envolve risco, serve de certidao nega- tiva. Nao examinado o merito da acao, decidida por preliminary, ficou o enre- do da hist6ria a manchar a biografia do ex-secretario cor uma n6doa comple- tamente diferente da que pode existir na hist6ria de vida do medico Almir Gabriel. De qualquer maneira, no entanto, e com tais companhias que agora o go- vemador anda e, sendo assim, sobre ele paira a sabedoria de um velhissimo ditado popular, que recomenda prestar ateng o nas companhias para se saber quem 6 o caminhante. Com ironia, o president da AL res- ponsabilizou o govemador pelos con- tratempos que seu vice Ihe causa: "par- te da culpa e de Almir, que, quando foi secretaiio (de Saude), fechou o Hospi- tal Juliano Moreira, porque se ainda existisse esse hospicio, podia-se colo- car la o vice-govemador e nao tinha problema". parte a concept9o ultrapassa- da sobre tratamento psiquiatri- co para doentes mentais, que confina em depositos inumanos gente indesejavel at6 para os familiares, a de- claraq o do deputado deixa duplamente em ma situacao o governador. Como secretario de Saude de Ala- cid Nunes, Almir Gabriel agiu certo quando desativou o "Juliano Moreira", um aut6ntico museu dos horrores da mente. S6 errou porque fez abrupta- mente a mudan9a, sem dispor de uma estruturaja existente para atendimento ambulatorial e assist6ncia aos doentes mentais e suas families. A falta da de- vida transigco, formou-se um vacuo, que gerou historias dramaticas. Elas vdo acompanha-lo para sempre, cor a mesma marcagao cerrada que atormen- ta o ex-senador Jarbas Passarinho em tomo da hist6ria do trabalhador de sa- lario minimo, capaz de poupar e tomar cerveja. Virou folclore. Acredita o povo que onde ha fumaga ha fogo. Por isso, nao esquece. Mas se o "Juliano Moreira" nao ti- vesse sido fechado, nem evoluido a psi- quiatria, por que o entdo governador eleito Almir Gabriel escolheu Helio Gueiros Jr. para ser seu vice, ao inves de remet6-lo para o hospicio, se tinha a oppco do pr6prio Pepeca, que ungiu seu lider e president do legislative? Talvez porque nem tenha examina- do a encomenda. O que o interessava era saber quem era o remetente, con- vindo agrada-lo. Neste caso, o castigo e merecido e nem precisou vir a ca- valo. Os deputados que deixem os bran- cos se entenderem. 0 6 JOURNAL PESSOAL -2' QUINZENA DE MARCO / 1997 0 estupro no subsolo ara adquirir o control aciona- rio da Companhia Vale do Rio Doce, que 6, ao mesmo tem- po, a maior mineradora de ferro do mundo, a maior transportadora inte- roceanica de min6rio, a terceira mai- or mineradora do planet e a deten- tora das mais novas jazidas de porte mundial que se conhece, a japonesa Nissho Iwai vai precisar reunir, no maximo, nao mais do que 1,5% dos 89 bilh6es de d6lares que faturou no ano passado. Com esse dinheiro, a multinacio- nal nip6nica (como outro qualquer arrematante) podera se tornar acio- nista majoritaria, bem long dos 50% mais um do passado. Trata-se de uma engenhosa invencao, apresentada como ferramenta de difusao de parti- cipagio societaria, mas que confere os mesmos poderes anteriores, sem o inconvenient de um desembolso de capital correspondent. Coisa de gen- te muito inteligente, mas indigente de sentiment national. Esse parametro da uma ideia do que a privatizagao da CVRD, marca- da para 29 de abril, represent para o grande capital international, que no Japao, na Africa do Sul, na Austra- lia, na Inglaterra e em algumas ou- tras pragas privilegiadas, esta interes- sado em arrematar a estatal brasilei- ra. Tudo o que o governor ainda pro- mete que nao ocorrera se materiali- zara, se nao agora, a partir dos pr6xi- mos cinco anos, quando deixarem de ter vigencia as salvaguardas estabe- lecidas pela golden share, a acao es- pecial que ficara em poder do gover- no brasileiro ap6s a venda. O leilao, preparado pelo BNDES para daqui a um m6s, 6 um dos atos mais lesivos contra o patrim6nio na- cional que a minha geraqgo ja teste- munhou. Testemunhar 6 a palavra certa: sabemos que uma estupidez (ou seria mais real, ainda que mais gros- seiro, falar em estupro?) sera perpe- trada, mas nada podemos fazer para evita-la. As elites contrArias ao ato da ad- ministragao de Fernando Henrique Cardoso reagiram letargicamente de- mais. Nem conseguiram mobilizar a sociedade na media certa, perden- do a batalha political, nem venceram o confront de arguments com a tec- noburocracia federal, sucumbindo a batalha t6cnica. S6 ideologia nada resolve nos tempos atuais. Nesta epoca de glamour globalizan- te (antidoto vernacular ao velho e des- gastado jargao do imperialismo), nao basta acusar os globalizadores de gente de ma-f6. E precise devolver contra eles os numerous e os raciocinios dos quais se apossaram para dourar a pi- lula da integraqao a economic inter- nacional. Ela 6 vendida como a pana- ceia que nos livra dos inc6modos (ver- dadeiramente reais) do isolacionismo intramuros, do qual nao temos moti- vo algum para boas lembranqas. Nenhum pais serio aliena uma fon- te de acqo estrategica e uma detento- ra de patrim6nio de recursos naturais como estamos fazendo com a Vale - com aqodamento, corn imprecisao, cor lacunas que ddo guarida tanto a tosca e vaga ret6rica oposicionista, quanto a sagacidade de pirates p6s- modernos, como esses dos precatori- os e demais pap6is da selva inexpug- navel que surgiu como praga daninha no mercado financeiro. Nossa geraCqo revelou-se menos efi- ciente do que nossos antepassados do "petr6leo 6 nosso", talvez porque ago- ra realmente tenhamos no trono do Pa- lacio do Planalto um personagem fe- nomenal, mais eficiente do que aquele cavalo de Tr6ia que Homero imortali- zou. Ele combine a tematica da Iliada corn a da Odiss6ia, fundindo os leito- res especializados de uma e de outra epop6ia, o masculine e o feminine, com a sagacidade dos gregos e o melifluo encantamento das sereias sereia soci- ologica a nossa, que canta em multi- linguas. A CVRD, que ja 6 eficiente, se tor- nara mais eficiente com a privatizagao, como promete a propaganda official na televisao? "Menas" verdade, como di- ria Lula, nos bons tempos em que an- dava pari-passu cor Fernando Henri- que no ABC paulista, ainda poupado dos Medeiros & Vicentinhos. A pode- rosissima Nippon Steel faturou no ano passado 10 vezes mais do que a Vale, mas lucrou 15% menos. A edulcorada Anglo American teve receita quase cin- co vezes superior a da Vale e seu lucro s6 foi tr6s vezes maior. As duas multinacionais sao empre- sas que nao sofreram as restriq6es de natureza political, administrative e burocratica de uma estatal brasileira, nem foram sensiveis a pressao poli- tica para relativizar seu lucro com gastos sociais e uma alta taxa de rein- vestimento, al6m das contingencias de assumir a condigdo de agnncia de desenvolvimento com papel pionei- ro na abertura de frentes econ6micas. Mas ainda assim o confront 6 favo- ravel a CVRD. Visto apenas pela 6tica commercial, o leilo, tal como foi modelado por consultoria liderada por firma estran- geira, 6 um lance de tolo. A insuspei- ta revista Euromoney mostrou que o future detentor do control acionario se ressarcira do que investiu com a receita de 30 anos de exploragao de min6rio de ferro (que pode dar safra continue por 400 anos). O "resto", que engloba min6rios mais "moder- nos" e rentaveis, sera lucro liquid. Mas o dano maior pode ser visto por prismas mais amplos, quando os circuitos internacionais de comerci- alizacao e os dutos de fluxo de inves- timento forem redesenhados a partir da exclusao da estatal brasileira. A Anglo American levou 20 anos mi- nerando na maior jazida de ouro do pais, em Minas Gerais, para assumir o control da Mineraggo Morro Ve- Iho, livrando-se sob pecunia, e cla- ro do Bozano, Simonsen. Nem por isso deixou de mandar no period em que era acionista minoritario. As garantias da golden share do go- verno sao balela e, ainda que funcio- nem, nao durarao mais do que cinco anos, prazo de car6ncia para que os novos acionistas majoritarios (ou o novo acionista controlador, para ser mais realista) definam as regras. Quan- to ao arranjo de ultima hora, feito para minimizar a violencia contra o domi- nio dos jazimentos minerals ainda por descobrir (ou sacramentar), 6 provi- d6ncia de know-how ingl6s para bra- sileiro ver. O que nao deixamos fazer com um fnico produto do subsolo na d6cada de 50, vamos consentir que se faga cor o ilimitado cardapio do fun- do da terra nos ainda coloridos anos 90 do nosso principle republican. Quando nos perguntarem como o touro passou, nao saberemos respon- der. Sera nosso irresgatavel penhor com o future. * JOURNAL PESSOAL -2' QUINZENA DE MARCO / 1997 7 A voz do dono s deputados da atual legisla- tura estao se empenhando ao maximo para desmoralizar o que resta da imagem do poder ao qual pertencem e que raros conseguem honrar. Agora 6 o epis6dio da presta- g9o de contas do Tribunal de Contas do Estado. Em dezembro do ano passado, por 14 votos contra 12, o plenario rejei- tou as contas do TCE relatives ao exercicio de 1995 (ver Jornal Pes- soal n 153). Uma in6dita inspegio extraordinaria que a AL mandou fa- zer no TCE (6rgao auxiliar do legis- lativo, mas dotado de autonomia) constatara vArias irregularidades, como o pagamento de gratificag6es e vantagens indevidas, horas extras al6m do permitido, reajuste salarial lesivo, cessbes irregulares de funcio- nirios e o comprometimento de 90% da receita do 6rgao com a folha de pessoal, estourando o limited de 65%. S6 depois da votagao em plenario 6 que o deputado Haroldo Tavares, do PPB, suscitou uma questao de or- dem: o process nao havia sido sub- metido A Comissao de Finangas da Assembl6ia Legislativa. O desvio re- almente ocorrera e o entao presiden- te da casa, Zenaldo Coutinho, do PSDB, sabia disso quando submeteu a mat6ria a votagao. O problema 6 que o plenario 6 o 6rgao miximo do legislative, abso- luto em sua autonomia. Os motives pessoais que levaram Zenaldo a atro- pelar a ordem regimental e arriscar a votagao (talvez convencido da vit6- ria) podem ser cobrados, ate civil- mente, mas o ato estava consumado. Corresponde, na linguagem dos tri- bunais, a decisao transitada em jul- gado, que extingue a a9ao. Na prttica, o que os deputados fi- zeram foi "desvotar" a prestagao de contas do TCE, restabelecendo ain- da que irracionalmente a tramita- 9ao. A mat6ria voltou a comissao, nela foi aprovada e, reapresentada ao plenario, para alivio quase geral, so- bretudo do governor, recebeu 26 vo- tos favoraveis, tres contrarios e um em branco. Ora, como o qu6rum entire as duas votaqoes (de dezembro e de margo) re- cebeu o acr6scimo da presenga de ape- nas mais tr6s deputados, isto signifi- ca, na melhor das hipoteses (ou seria na pior?), que oito parlamentares vo- taram "nao" na primeira vez e "sim" na segunda. Nao tendo havido nenhu- ma alteracao no conteudo da inspe- 9go que os t6cnicos da AL realizaram nas contas do TCE, por determina- 9ao superior, nem inovag6es introdu- zidas na comissao, a mudanga de opi- niao foi um tipico produto da ordem unida, dada por quem pode dar e obedecida por quem s6 sabe obede- cer, mas nao fazer-se respeitar. * Nosso correio Se as reclamaqaes dos assinantes contra a demora ou mesmo o extravio de seus exemplares do journal continuarem, terei que cancelar o sistema de assinatura, voltar exclusivamente as bancas e transferir a culpa para a Empresa Brasileira de Correios e Tel6grafos. Infelizmente, s6 posso entregar em maos os exemplares dos assinantes que residem no perimetro central da cidade. Para os demais, a remessa 6 feita atraves dos Correios. O grau de inefici&ncia da empresa estatal, monopolista de segments do mercado postal, parece estar em crescimento exponencial, ameagando destruir a credibilidade conquistada e recoloca-la na ma posigao anterior. Independentemente de apuragdo das causes dessa decad6ncia, cabe lamentar a regressao constatada. Logo que cheguei para um period de resid6ncia nos Estados Unidos, recebi pelo correio convite para um jantar. Acabei nao indo. Ao se encontrar comigo, o anfitriao cobrou minha aus6ncia. Sem jeito, recorri a uma desculpa bem brasileira na 6poca: n~o recebera a correspond6ncia. Incontineti, o amigo americano me pegou pelo brago e ja me levava para a ag6ncia postal, onde certamente faria um carnaval protestante (nos dois sentidos), quando cai na real e achei melhor explicar a desculpa. Com ela, minha image ficou r6s-o-chao, mas as gl6rias - merecidas do correio americano permaneceram altaneiras. Lembro um exemplo ainda mais edificante. Em 1952, I. F. Stone, o maior jornalista de todos os tempos, decidiu editar o seu I. F Stone's Weekly. Tinha pouco dinheiro. Requereu ao correio a tarifa postal privilegiada dos impresses peri6dicos. Vivia-se o apogeu do maccarthismo, com a perseguigio a tudo e todos que se parecessem a comunismo. Stone era um jornalista independent e critic e seu semanario seria uma fonte de dor-de- cabega para os poderosos. Mas o Weekly recebeu a tarifa especial e os exemplares sempre chegaram direitinho aos assinantes. Observaria Stone que a diferenca de valor entire a tarifa de impresso e a seguinte correspondia ao seu pr6prio salario no jornalzinho pequeno no tamanho, enorme na qualidade. Vamos continuar a lembrar com melancolia e inveja esses exemplos, 6 correio brasileiro? Padrao Liberal A noticia de O Liberal sobre a suposta agressdo de Edmilson Rodrigues ao lider comunitario do conjunto Raimundo Jinkings terminava com um primor de desinformadgo: "O prefeito Edmilson Rodrigues conseguiu corn o representante do proprietario do terreno a suspensao da retirada dos invasores at6 segunda- feira". Da terga-feira em diante nenhuma refernncia mais ao dono do terreno e A anunciada reunido. A Area pertence a propria prefeitura. Vox populi "O Liberal" era, dois anos atras, o oitavo journal em circulagao no pais. Perdia apenas para os tradicionais jornaloes do centro-sul e "A Tarde", da Bahia. Entusiasmados com essa realmente honrosa posicao, seus donos se associaram ao IVC, a institui9cao de maior credibilidade na verifica@go da circulagao da midia impressa. Hoje, "O Liberal"caiu para a 13" posigio e perdeu nada menos do que um quarto dos exemplares que ostentava quando o IVC comegou a auditar sua circulagao. Foram entire 20 e 25 mil compradores a menos do jomal. Nesse period, 6 verdade, a maioria dos jornais brasileiros sofreu encolhimento de tiragem, mas a queda de "O Liberal"foi muito grande. Passaram a frente dele "A Gazeta do Povo", de Curitiba, o "Jornal do Commercio", de Recife, o "Correio Braziliense", de Brasilia, e "A Gazeta", de Vit6ria. Nem tudo, portanto, e lantejoula. O turismo official O Para, como a Amaz6nia, esta cada vez mais integra- do ao mundo. Natural que os administradores publicos estendam suas viagens alem-fronteiras, deixando de li- mitar suas incurs6es sistematicas a Brasilia e arredores. Nada de espantoso que, numa unica quinzena, quatro se- cretArios, mais um assessor especial, estivessem percor- rendo os Estados Unidos, o M6xico e a Franga, consu- mindo 15 mil d6lares s6 de diarias, sob a alegagao de realizarem atos proveitosos para a gestao p6blica. Mas 6 realmente proveitoso mandar o secretario de Obras P6blicas e o de Comdrcio, Indfstria e Minera9ao, que tecnicamente nao sao afeitos a essa atividade especi- fica, ver o parque temitico de Cancfun, se este ter por base as aguas transparentes do oceano, inencontraveis nas cercanias de Bel6m, que 6 onde se espera que um destes parques venha a se localizar? Parque temAtico, 6 verdade, passou a ser a obsessao mais recent do telepatico turismo papachib6. Seria 6ti- mo, se a obsessao nao tivesse feito nossos emissarios sa- irem numa improvisada excursao a Santa Catarina, ba- tendo cor a porta de Beto Carrero na cara. Claro, 6 pre- ciso recuperar o tempo perdido, mas sem perder a inteli- g6ncia, o discernimento e a compostura. Quais ensinamentos o secretario da Fazenda e um as- sessor especial do governador foram buscar em Chicago (ou em Washington?), nos Estados Unidos? JA o secretArio de Educagao foi autorizado a passar nove dias entire duas cidades francesas, onde participaria do "60' aniversario das.Casas Familiares Rurais". O que isto significa e qual a utilidade para a educago public no Estado? Sao perguntas que caberia fazer e se o legislative nao pode faz6-las previamente, por ser a autorizacgo das viagens prerrogativa do chefe do poder executive, convi- nha formula-las ap6s o regresso dos viajantes, convocan- do os servidores para depor na comissao afeita ao tema que trataram na excursao. Serviria tanto a eles, isentando-os da nem sempre pro- cedente suspeita de estarem a fazer turismo cor o di- nheiro da viuva, quanto ao public, socializando os co- nhecimentos que certamente devem trazer de suas ex- curs6es ao al6m-mar. A pratica pode comegar imediata- mente, cor o aplauso do distinto mas geralmente es- quecido contribuinte. Afinal, 6 ele quem paga todas as contas, tanto as bem gastas quanto as desperdigadas. Jomal Pessoal Editor: LOcio Flavio Pinto Redagho: Passagem Botonha. 60-B 1 66 053-020 Fone: 223-1929 e 241-7626 Contato: Try. Benjarmn Constant, 845/203 1 66 053-020 Fone: 223-7690 e.mail: lucio@expert.com.br Editora ao de arte: Lulzpe 1 241-1859 Escolas de votos Aos poucos as chamadas escolas comunitarias passaram a ter cada vez menos de escolas e de comunitarias. Muitas delas se transformaram em comitis eleitorais informais e seus "animadores" em nada mais do que cabos eleitorais. Nao surpreende, assim, que os vereadores de Bel6m tenham reagido com pouca racionalidade e muito emocionalismo A investida da prefeitura contra essas escolas. Nao e ensino, mas votos o que estao defendendo. Esse interesse compromete a essencia da discussao que comegou a ser travada a respeito, mas nao a anula de todo. Agiu certo a Secretaria Municipal de Educagao e Cultura ao se proper a extinguir as escolas comunitarias, mas errou porque ainda nao tem condig6es de substitui-las integralmente pela escola piblica regular. A Semec sustenta que as 16 escolas comunitarias remanescentes da antiga rede, formada por 53 unidades, sao as unicas com condikoes pedag6gicas de continuar funcionando. Deve-se verificar se essa afirmativa e verdadeira e se o crescimento da oferta, de quase 30%, com a abertura de 1.300 vagas na rede municipal, atende a demand que ficou desassistida. InaceitAvel e simplesmente querer que uma solugao de emergencia e precaria, como a das escolas comunitarias, se mantenha indefinidamente, apenas por render votos. |
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