|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Journal Pessoal L U C I 0 F L A V I P I H T O ,I N 0 XN15: ,s 1 "9- LallAlA 9 DE 199 R$. 2,0 -[I 1 POLITICAL Os donos do poder 0 vice-governador H6lio Gueiros Jr. escreve um livro mostrando os bastidores e as entranhas do poder, que, no Pard, e dominadopor umas poucasfamilias, servindo a seus interesses. 0 retrato tragado e tdofiel quanto melanc6lico. O vice-governador do Para, Helio Gueiros Jr., 36 anos, 6 um fronteiriqo. Fica na li- nha divisoria, demarcada por uma faca s6 lImina, en- tre o humor e a galhofa, a sensibilidade e a ingenuidade, a ironia e a grosseria, o conhecimento e a intui- 9do, a memorial e o oportunismo, a sin- ceridade e a asticia. Tudo isso e mui- to mais esta exposto em seu primeiro cometimento digamos assim litera- rio, DiArio do Abandono Campanha , .^ de 1994 (edigao do autor, 119 paginas, 1997, 10 reais). O livro chegou as principals livrarias de Belem no ultimo sabado, em lotes de 10 exemplares entregues por um ofi- cial da Policia Militar, ajudante de or- dens da vice-governadoria. Quatro dias antes, o mesmo intermediario havia fei- to o contato inicial com os livreiros anunciando, em tom sigiloso, que apa- receria depois para deixar em consig- nagdo o livro de um politico que pro- metia provocar repercussao. O lanCa- mento official, sem dia de aut6grafo, acabou sendo feito em duas paginas de entrevista na ediqao dominical de O Li- beral. A estrat6gia de comercializacio do li- vro, combinada cor a entrevista exclu- siva dada ao jomal, sugere que se trata de uma iniciativa pessoal do vice-governa- dor. Seu pai, o ex-prefeito Helio Gueiros, nada teria a ver com o epis6dio, uma ou- tra investida na tentative de garantir a ima- gem de autonomia de sua cria. Ha moti- vos para crer nessa sugestao. 1S 0 LI RALA ATACA DBAR-AD 3- SS - v * I I y 2 JOURNAL PESSOAL -1- QUINZENA DE MARCO / 1997 Depois de romper corn seu partido, o PFL, no qual o pai permaneceu filiado, Helinhoestariamandando um recado: quer continuar a carreira po- litica. Como isso vai ocorrer, ainda e uma inc6gnita, mas, em qualquer circunstancia, tera que afastar-se do car- go que ocupa e para o qual vem montando a maior das estruturas com que um vice , ja contou. 0 pretext para o livro e o relato da campanha eleitoral de 199 Mas, dois anos e meio depois, provavelmente sem contar com anotacoes e documents que garantiriam valor hist6rico ao testemu- nho, o vice esta mais interessado em al- vejar seu companheiro de chapa, o go- vernador Almir Gabriel, com o qual esta abertamente rompido ha mais de um ano. E um livro, portanto, utilitario, uma arma de combat. Numa terra na qual os politicos nao costumam ler para dar maior consisten- cia aos seus atos e nao escrevem para documentary o que fazem, o livro de He- lio Gueiros Jr. nao e de todo destituido de valor. Mostra um bad-boy, que tive- ra suas relacqes de trabalho confinadas a um cart6rio que a familiar ganhou no foro de Belem, subitamente despejado na atividade political e ja no post de vice-governador por um arranjo engen- drado exclusivamente pelo pai. Helinho diz que so soube desse arran- jo no dia em que a chapa, encabegada por Almir Gabriel, foi homologada em Belem. Sua reconstituigao desse dia d um primor de testemunho sobre os m6todos das oligarquias familiares paraenses e o universe de seu compromisso. Instantes antes de se tornar o candida- to a vice-govemadoria, o Junior havia rejeitado categoricamente a sugestao de "tr8s lorpas" com as quais conversava "no trio do F6rum", para entrar na po- litica porque "o nosso grupo precisa de ti". Nao aceitaria ser companheiro de Almir Gabriel porque ele era "frouxo, despreparado". A16m do mais, Helinho julgava ter "uma posicgo ideol6gica de- lirantemente (sic) oposta a que ele [Al- mir] prega". A recusa seria sua posicao final, "a menos que meu pai madee. Pois o pai mandou. Foi uma ordem telefonica, dada duas horas antes de co- megar a convenqao da coligaqio Unidos pelo Para, em Bel6m. Helinho calou e aceitou, mas diz que foi um impact tao grande que, ao desligar o telefone, "pa- recia muito branco, apesar de carregar varios mulatinhos no sangue", conform sua forma bem original de fazer humor. A esposa, que estava ao lado, tambem ficou estatelada com o anincio: "Os la- bios tremiam como se quisessem falar sem qualquer comando do cerebro", diz o marido, relatando com propriedade a reagao de sua mulher. A sua maneira, o future ungido prometeu: "Jamais me cur- Svarei ao gosto ou a imposicgo de quem Squer que seja. Mas... por via das duvi- Sdas, trata logo de preparar teu vestido para a convengco, ate porque a gen- te nao faz na vida s6 o que quer. E a Simagem de uma familiar bonita, ale- gre e harmoniosa e muito important nessas horas". A relacgo do primogenito dos Mora- es Gueiros cor o pai avassalador e a mae esmagadora e um dos principals eixos do livro e um dos tracos definidores, se nao exatamente da personalidade (como pensa o autor), da psicologia (como pre- fere o povo) do nosso vice. Ele poderia ser muito melhor do que e, desenvolven- do em plenitude seus dotes naturals, sem limitaqbes e represses, nao fora alguns 6ditos de criaqdo. A mae, a professor, fil6sofa e multi- secretaria Therezinha Gueiros, por exemplo, batizou o pimeiro filho, ainda infantil, de "espirito de porco". O eti- quetado reage: quanto a espirito, tudo bem; ele nao da mesmo importancia as questoes materials. Mas dai a ser espiri- to "de porco", animal imundo "que se deleita ao se (sic) chafurdar na lama", seria uma distancia inaceitavel. O simbolismo da "baixeza e vilania dos homess, associado ao animal, "nao poderia jamais estar ligado a (sic) mi- nha image, a (sic) minha pessoa, a (sic) minha personalidade. E o pior e a com- paraCio vir da boca da pr6pria mae. Pura humilhagao. Nunca soube o que fizera para receber tal epiteto", reclama edipi- anamente o vice. Helinho se viu obrigado a assumir desde cedo camisas-de-forga (em senti- do figurado, claro), como a de ter que preferir o azul: "Desde crianga a minha mae- me fez acreditar que a minha cor preferida era o azul. Em ferias no Rio de Janeiro, eu e meu irmnAo Paulo ganha- mos dois carrinhos rigorosamente iguais. Um vermelho, outro azul. Queriamos, como toda crianga, o mesmo carro, por um motive ou por outro, o de cor ver- melha. Era choro para tudo que e lado. At6 que a sabia mae me convenceu, sei la com que arguments, que a minha cor preferida era o azul". Os traumas originals emerge nova- mente quando a mae, querendo prote- ger o filho durante um v6o de teco-teco de Belem para Altamira, ja durante a campanha electoral, ante a iminencia de um acidente no ar, pediu para o filho tro- car de lugar, ficando com o dela: "Aqui tu talvez ainda tenhas uma chance de es- capar corn vida. Ja vivi mais do que tu...". Segue-se a reconstituigao de Helinho: "Nao deu para responder nada. Meu pai adiantou-se e apressou-se a tomar conta da situagao, com a voz um pouco elevada (para se fazer melhor ouvir) e aguda (caracteristica por mim, infeliz- mente, herdada), pronunciou as calmas e delicadas palavras: Cala a boca Therezinha... Tentei ajudar a minha mae: NAo se preocupe nao, mae. Se acon- tecer alguma coisa, vai todo mundo jun- to. Fico por aqui mesmo onde estou... Hoje, pensando serenamente, acho que nao agradei aos presentss. A image da familiar "alegre, bonita e harmoniosa" estaria garantida pela dis- posi~ao de Helinho de se submeter do- cilmente ao sacrificio imposto pelo pai duas horas antes. Nao importa que, ate entao, ele jamais houvesse segurado um microfone, nem que receasse usar nele sua voz "esganigada e horrivel". Muito menos que jamais houvesse trocado "dois dedos de prosa com o Almir Ga- briel antes de subir ao palanque naquela convenqgo", mesmo que depois nao ti- vesse mudado muita coisa, porque Al- mir "sempre tentasse passar uma image de intimidade em relacgo a mim" para Gueiros pai e Therezinha mae. Ao subir pela primeira vez ao palan- que para discursar como candidate da coligagdo oposicionista, Helinho perce- beu, "pela primeira vez, que nao tinha a minima ideia do que ia dizer aquela mul- tidao. Nada preparado. Nada pensado". O future vice nao conseguia "desenvol- ver nada com sentido ou que se aprovei- tasse. Nao formulava, mentalmente, duas frases inteligiveis". Mas isso nao interessava: o que impor- tava era o apoio do pai a candidatura do govemador. O filho seria apenas um ins- trumento, de preferencia oculto. Gabriel "quer o apoio, mas nao quer aparecer ao lado. Depois e mais facil esquecer". Foi o que Helinho logo percebeu. Para ele estavam sempre reservadas as sobras da logistica de campanha: os teco-tecos ruins, os roteiros sacrificantes, a figura- 9go. Ele nao falou uma vez sequer no horario eleitoral gratuito. O que the ca- bia era falar, "ao vivo", em comicios sem pilblico e sem suporte. Em Garrafao do Norte, por exemplo, havia "cerca de dez ouvintes, e o doutor Almir sozinho ninguem mais quis usar a palavra falou por mais de tres horas. As pessoas queriam ir embora e ele nao deixava. Se eu estivesse falando, as dei- xaria sair. Ninguem notaria, havia mais pessoas na comitiva do que na plateia". JOURNAL PESSOAL -1- QUINZENA DE MARCO / 1997 3 Admite Helinho que, na ras de um Estado duas vezes maior do hora, nao sabia classificar que a Franga: "um home de poucas palavras, um tanto quanto taciturno. Nao a cena de comovedora U ousaria aqui utilizar a palavra soturno - constrangedora. "Hoje digo, para mim, confesso, expressaria melhor cor isengao e tranqiiilidade, foi a situa- sua personalidade -, pois poderia pare- cio mais patetica presenciada por cer insultuosa e long de mim querer mim na vida. E foi premedita- / ofender alguem. O ar sombrio e pe- da. Aprendi, mais tarde, que ao saroso, a falta de humor, o governa- PSDB podia falar durante ho- / I dor traz sempre consigo". ras com dez gatos pingados, Levado a observer melhor o parceiro mas tinha medo de se expor ap6s meses de convivencia, Helinho ob- realmente ao povo" srva: "Se a gente reparar bem, quando A caravana Gabriel-Gueiros nao sabe o que responder, o Almir Ga- era um autintico exercito Brancaleone, briel fala sobre outra coisa qualquer. chegando a pontos do interior do Esta- Geralmente sem nexo. Desisti de tentar do, nunca dantes percorridos, sem ser co- conversar qualquer assunto com o sena- nhecida pelos moradores ("ninguem sa- dor. Nao adiantava, ele nao escutava. bia quem era Almir Gabriel e, evidente- Pior, era despreparado". mente, qualquer outro membro"), falan- O que Helinho quer dizer, cor o ines- do as vezes para "uma multidao de 50 perado e involuntario auxilio do fil6- pessoas", ou para "o nada, ou melhor, sofo alemao, e que Almir Gabriel nun- para uma mangueira, dois acaizeiros e ca representou nada de novo na political um cachorro abanando o rabo", como em paraense (seu passado e o de um 'buro- Portel. crata e servil ao regime de 64"). O atual No entanto, depois de ser derrotada vice ate arrisca dizer que seu parceiro por estreita margem no 10 turn, a chapa de governor renunciou a candidatura a oposicionista venceu a situacionista pela prefeito de Belem, em 1992, para nao maior margem de votos registrada em ser derrotado por H1lio Gueiros pai: "re- eleig5es no Para nos iltimos anos. Foi nunciar a candidatura s6 porque perce- uma inversao que surpreendeu ate o pre- beu que seria fragorosamente derrota- sidente Fernando Henrique Cardoso: do, demonstra a falta de coragem para uma assessora dele "chegou a declarar, enfrentar eventuais desafios. Pode ser na minha presenga, nao por descortesia ruim perder, muito mais feio, porem, e - pois nao sabia que eu era candidate a fugir". vice na chapa de Almir Gabriel -, que O que o depoimento do vice-gover- aqui ia ser um passeio do senador Passa- nador atesta e que o Para parece conde- rinho. Era irreversivel, as pesquisas ga- nado a nao ter ,sa novidade em mat6ria rantiam. Para desconforto e tristeza das de politicos ou de elite, de uma manei- pesquisas, dos jornalistas e dos politicos ra mais ampla. O testemunho do filho de uma maneira geral, o coronel Passa- sobre o pai s6 ter valor psicanalitico: o rinho perdeu. E perdeu muito feio, como ex-prefeito e o estadista querido pelo jamais aconteceu na hist6ria do Para". povo; se a vontade popular nao afina corn Como isso aconteceu? "Para falar a a expectativa do grao-vizir, encontra-se verdade nao acredito que tenhamos ven- uma nova explicacgo, em desacordo com cido nada. O grupo do ex-governador a verdade anterior. Jader Barbalho e do coronel Passarinho Assim, se H6lio Gueiros transforma- foi que perdeu fragorosamente", confes- ra a ultima eleigo municipal em um ple- sa Helinho. "0 eleitor, agora, era a viti- biscito em torno de sua administracao, ma, digo, quem devia ser persuadido a julgando que ela o autorizava a sagrar votar no melhor. Na minha opiniao, no quem quisesse, e foi derrotado, o resul- menos pior". Helinho, evidentemente, tado passa a expressar uma avaliaago inclui-se nesse "menos pior". exclusive dos candidates feita pelos elei- A falta de op9ao era o resultado desse tores e nao mais do alcaide, que apoiou eterno retorno nietzscheano da political um deles, o vencido, arrastando-o atras paraense, eruditamente definido por He- de seu nome. linho (al6m de Nietzsche, outro fil6sofo Helinho e exemplo do tipo padrao de lembrado, em terras mocorongas, 6 Pla- paraense urbanizado litoraneamente que tao). Almir Gabriel era um personagem descobre uma dimensao insuspeitada de diferente, mas o enredo da hist6ria seria sua terra, a do interior, o hinterland cada o mesmo: um lider personalista, autori- vez mais sertanejo, em certa altura da trioi, disposto a todos os acertos para vida, choca-se com a descoberta, tenta chegar ao poder e nele manter-se. transforma-la em instrument de a9go, Helinho tenta traqar o perfil do seu mas acaba sufocado por estruturas mais companheiro de adangas eleitorais pelos amplas no caso, a familiar, que pree- distantes currais espalhados pelas lonju- xistia ao personagem, definindo (e de- formando) sua personalidade. Nao se pode deixar de sensibilizar-se e ate solidarizar-se com a busca pat6tica de identidade e unidade do autor, mes- mo quando fica visivel sua dificuldade para entender o enredo que lhe foi im- posto. Al6m das constantes colisres cor as complicagces da lingua (especialmen- te quanto a crase e concordincia), o vice padece de sua condi9ao de ne6fito em political e em Para. A baia do Guajara, por exemplo, vira rio e passa a separar Belem da ilha do Maraj6. Maraba 6 banhada "pelo rio Ara- guaia-Tocantins" (o Itacaiunas foi cassa- do da geografia). A cidade "ao lado" de Monte Dourado deixa de ser Laranjal do Jari (antigo Beiradao) e passa a ser Al- meirim. A fabrica de celulose deixada por Daniel Ludwig talvez seja a maior do Brasil, embora tres vezes menor do que a da Aracruz, no Espirito Santo. Mineraqio Rio do Norte, para o vice, continue a poluir o lago Batata (o que deixou de fazer desde o final da decada de 80) e Wirland Freire ainda e o prefei- to de Itaituba (onde, "de uma maneira geral, nao ha mocinhos", s6 bandidos, como o entao prefeito-bandoleiro, mas brindou o pai "com uma surpreendente e bonita vit6ria"). A BR-222 ter 80 e nao 200 quil6metros de extensao e liga Maraba a Vila Rondon (na verdade, pros- segue mais algumas dezenas de quil6me- tros ate a Belem-Brasilia). Nao importa: sao "detalhes" que nao alteram a constatagao do iniciante poli- tico sobre o abandon de sua terra e o seu crescente empobrecimento. Helinho quer ser um personagem nessa hist6ria e talvez valesse a pena prestar atencao nele. Carla Camuratti, por exemplo, nao pre- cisaria ir buscar incorreta inspirago em D. Joao VI para deixar em seu filme a image do herdeiro compuls6rio de um poder oligarquico familiar que se suce- de, sem qualquer renovago, indiferente aos desejos e direitos de uma sociedade chamada a decidir apenas para sacramen- tar os arranjos, muitos deles decididos as vesperas da montagem da cena para consume externo, e sem as advertencias da gen6tica. Com seu livro, Helinho deixa bem cla- ro que e personagem melhor, ou mais ade- quado e o Para o scenario ideal para com- provar esse etemo retorno as caverna, seja da hist6ria como das families, por um Estado que sonha barrocamente com seus designios de grandeza, nao sendo os so- nhos utopia, mas delirio produzido por um sezao infiltrado na memoria pela pr6- pria desmem6ria do tempo. A biblia des- se paradoxo ji foi escrita. Este m6rito o vice de Almir Gabriel pode reivindicar para si. E legitimamente dele. * 4 JOURNAL PESSOAL -1- QUINZENA DE MARCO / 1997 Desem bargador ganha peita a corregdo do desembargador e de sua esposa, diz que elas nao fo- 1 round contra 0 Liberal ram escritas por Luiz Paulo, mas "plantadas" a revelia dele por al- uase um ano depois que a co- cor o desembargador. O intermedia- guem cor frequencia assidua nos luna Paulo Zing publicou qua- rio sugeriu que as desavengas poderi- ultimos anos no forum, pessoa que tro notas curtas mas contun- am ser eliminadas se o magistrado acei- foi contrariada por um parecer que dentes sobre a vida professional e tasse conversar corn o principal execu- Alvarenga deu quando ainda atuava pessoal do desembargador Benedito tivo do SRM, Romulo Maiorana Jr., que como procurador de justiga (sua in- Alvarenga e de sua esposa, Elizabe- estaria disposto a receb8-lo em seu ga- dicagao para o Tribunal foi do Mi- th, O Liberal atraves da coluna so- binete, na sede do journal. Alvarenga nisterio Publico). cial de Isaac Soares elogiou, no mrs teria reagido cor sugestao inversa: se Fen6meno semelhante ocorreu passado, a aplicagdo e a produtivida- Rominho estava interessado em um cor a desembargadora Maria de Na- de do mesmo magistrado, como se acordo, que o procurasse em seu pr6- zare Brabo de Souza: bastou ela dar anteriormente nao tivesse sido afir- prio gabinete, no tribunal, um unico despacho contrario as pre- mado exatamente o contrario. Talvez O encontro no ocorreu. Mas se a tenses de Rosangela Maiorana Kzan nao por mera coincid6ncia, um pou- nota na coluna de Isaac Soares nao para ataques contra a magistrada co- co antes o jornalista Luiz Paulo Frei- foi uma desavisada e desastrada ini- megarem a aparecer no Rep6rter 70. tas, autor da coluna Paulo Zing, ha- ciativa, que deu espaco a uma perso- O pretexto foi de que a indicaqgo dela via sido condenado na 16" vara penal na non grata a casa, sua publicacgo havia sido political e que atuava mal de Belem a pagar nove salaries mini- indica que alguem da cupula do SRM como president do Tribunal Regio- mos de multa por ofender o desem- estava interessado em transmitir um nal Eleitoral. Ou seja: as notas pro- bargador. sinal de paz e de boa vontade para o curavam um argument de natureza 0 surpreendente elogio na coluna desembargador, desfazendo o inci- pfiblica para ocultar sua motivacgo de Isaac Soares provocou reaches na dente criado no ano passado. personalissima. cupula do Sistema Romulo Maiorana i que a sentenga condenat6ria de Luiz Paulo nega essa versao. Ele de Comunicagio. A diretora adminis- 1 grau contra Luiz Paulo Freitas pode sustenta ter sido quem redigiu as no- trativa da empresa, Rosangela Maio- se transformar em poderoso argumen- tas, o que afirmou em juizo, e, como rana Kzan, quis saber quem fora o res- to em outra agco, esta civel, que o de- tambem fez no process, garante nao ponsavel pela publicacio da nota. sembargador Benedito Alvarenga ter pretendido atingir o desembarga- Carmem Souza, secretaria de Isaac, impetrou contra a responsavel legal dor e sua esposa, "tanto que nao ha explicou que a informacdo havia sido pelo grupo Liberal, Lucidea Maiora- refernncia a nomes na noticia". Mas transmitida por telefone por um amigo na, cobrando indenizacgo de 100 mil o casal sentiu-se tdo identificado pe- do colunista, ja cor o format de noti- reais em fungf o dos danos que con- los dados apresentados que Alvaren- cia. Ao telefonar, a fonte dissera que o sidera ter sofrido cor a publicacao ga decidiu imediatamente processar pr6prio Isaac lhe pedira para mandar das notas da coluna Paulo Zing. E criminalmente o responsavel pela notas para a coluna e que estava cum- praticamente certo que o magistrado coluna e civilmente a resposavel pela prindo o acordo. Carmem nao se lem- tambem ganhara esta agoo. empresa. Corn isso, fez o ceu maio- brava do nome desse informant. Um forte boato que circula desde randmico. * A historia nao parece muito convin- que comegaram surgir as sucessivas center. A referencia elogiosa apareceu notas na coluna, colocando em sus- no jomal ao mesmo tempo em que no f6rum surgia uma hist6ria sobre o con- tato de um advogado do grupo Liberal universidade, a de Bolonha. Sob md sociologia, os intelectuais italianos jogararn diante da imagem purpura sul do Pard) e da violagdo da de nosso maquiavilico (no bom ordem juridica (ao exigir a sentido, e claro) principle a inacdo designacdo de juiz e promoter do governor diante dos pobres e Voz do al mr especiais para a apuraqao do marginalizados (descamisados, massacre de Eldorado de Carajas). como diria a jafora de moda E ssefilme, a vinda do mocinho E media de meia-sola inspirada linguagem collorida), contrastante a terra do bandido, n6sjd por iniciativa de meia-agua. Tudo cor sias celeres providjncias em vimos vdrias vezes, porque sua excelOncia o president favor dos ricos e cheirosos invariavelmente interpretado pelo Fernando Henrique Cardoso foi empresdrios. ministry dajustiga de plantao no cobrado, em Roma, por sua De volta ao trono, o monarca planalto. Como seus antecessores emindncia o apa Jodo Paulo II, republican mandou o emissario ao no papel, o ministry Nelson Jobim vendo-se, depois, sob a hinterland levando bugigangas abusou da demagogia (ao anunciar constrangedora circunstdncia de para encantar os bugres e corn a mais uma in6cua "operaqdo ser criticadopor irmdos ordem de trazer noticias a corte desarmamento para o conflagrado acadOmicos de uma milenar para repassar ao ultra-mar, JOURNAL PESSOAL -P QUINZENA DE MARCO / 1997 5 A lei da tesoura, 30 anos depois Alei 5.250, a famigerada "lei de imprensa", completou no m6s passado 30 anos de vida. E de se lamentar que permanega viva. So- brevive ha nove anos a atual consti- tuicgo federal, que deveria t6-la tor- nado letra morta. A incompatibilida- de entire ambas 6 gritante. Como a constitui(go e a lei maior, a outra de- veria ter se transformado em letra morta. Isso nao aconteceu. Nenhuma declaracGo de inconstitucionalidade foi suscitada, ou, se o foi, nao alcan- cou desfecho judicial. O monstrengo continue em vigor. Desde 1991 os parlamentares v6m prometendo que esse absurdo vai aca- bar. Ha em tramitag9o no Congresso um projeto para revogar a 5.250, con- cebida pelos militares para comegar a arrolhar para valer a imprensa critical e independent surgida no espago que os constituintes de 1946 abriram, ao long do mais extenso e prolific pe- riodo de vida democratic do Brasil republican. A emenda 6 pior do que o soneto. As boas intengces que abengoaram alguns artigos da lei em discussed fo- ram afogadas por dispositivos que, minimizando o poder censorial do Estado, engendram em contrapar- assossegando os espiritos e resguardando o velho continent dafina ironia do soci6logo-presidente (que ameagara tratar do galopante desemprego dos europeus). Ora, o status legal, seja do Brasil como da Europa, ndo permit a formagdo de umajustiga especial. A que o doutor Jobim sugeriu teria bons motives para nascer, mas, cor outra inspiraq~o, os integralistas ndo assumidos do Estado Novo, os nazistas de herr Hitler e os comunistas de papa Stalin tambem organizaram tribunals especiais para dar cor legal a um negro exterminio de adversarios, reais ou imaginados. tida a auto-censura a partir da ameaga de avangar nos cofres das empresas, cobrando multas ruinosas. A pena de prisdo por crime de opinido permane- ce. A inspiraqgo 6 desastrosa. Nenhum jornalista a serio ha de es- perar regulamentago just e honest para a atividade da imprensa oriunda do Executive ou do Legislativo. A nos- sa tradicgo institutional e de reprimir a imprensa, nao de resguardar sua in- depend6ncia e liberdade. Antes de sur- gir o primeiro jomal no Brasil, corn um seculo de atraso no tardio conti- nente latino-americano (o Correio Braziliense, que Hyp6lito Jose da Cos- ta teve que editar em Londres), ja o poder estabelecera uma junta de cen- sura. De la para ca mudou a forma e a ret6rica nessa relagao, mas a ess6ncia 6 a mesma. A nacgo nao precisa de uma lei pe- nal especifica para os crimes de im- prensa. Os delitos possiveis ja estdo capitulados no C6digo Penal. Nao ha por que agrava-los. A unica regula- mentagio especial a fazer e quanto ao direito de resposta. Ai, sim, cabe ao poder public obrigar as empresasjor- nalisticas a acatar, respeitar e dar pri- oridade ao exercicio da resposta dos que houver atingido ou citado, sob as mais several sanc6es legais quando a norma de prote9 o for contrariada. O exercicio desse direito tira o poder de imp6rio da imprensa e a obriga a ex- por seus arguments, estabelecendo uma controversial que favorece a to- dos, inclusive a educagdo do cidaddo. Um outro ponto fundamental 6 o da relagco da empresa jornalistica cor o puiblico. As sociedades an6nimas da comunicagao teriam que ser obrigadas a abrir seu capital, oferecendo ages a subscrigdo de qualquer um, desde que prevenida a formacgo de carteis e a usurpagao do control acionario. Quanto ao mais, sempre que se ape- lar para os poderes constituidos em busca de regras para o exercicio da li- berdade de imprensa, o que se estara fazendo e jogar o macaco na loja de loucas. 0 resultado 6 previsivel.0 .4/ 0 que tem quefazer ospoderes voz e muito sangue, sangue demais, constitidos e criar condigCes para desnecessdrio e, infelizmente, ate a instauraQdo das varas agrdrias, aqui, initil. Tdo inftil quanto os ndo para executor normas representantes dos natives, inspiradas pelo civilismo do obsequiosos ao receber a caravana passado, ainda crente na origem real e tdo mudos e estdticos ao divina da propriedade, mas pelo ouvi-la desfiar seu discurso postigo. direito que se inspirou nas novas Terra infeliz, esta, pela qual tantos relacges sociais. Isto e o que a morrem e que s6 unspoucos usam - nadao vem pedindo h4 tempos, cor e mal. r2 (( ~ i, %-~ 6 JOURNAL PESSOAL -I1 QUINZENA DE MARCO / 1997 Fazendo sua redacao sobre o tema do vestibular deste ano da Uni- versidade Federal do Pard, um candidate observou, judiciosamente, que assim como ha os maltrapilhos, tambem ha de haver os bem-trapilhos. Cor a intencionalidade que faltou ao neologista accidental, Lewis Carrol (o autor de Alice no pais das maravi- Ihas) assinaria cor deleite embaixo da criaqao. Afinal, se ha aniversario, tambem existe desaniversdrio. A hist6ria 6 c6mica, cor ou sem elaboraqao artistic. Mas talvez dei- xe revelar algumas das raizes mais profundas de um furacao que arrasou milhares de lares beleneses no m6s passado: apenas 58% das quatro mil vagas oferecidas pela UFPa foram preenchidas.' Nada menos do que 1.600 lugares disponiveis ficaram de fora porque os candidates nao alcangaram o rendi- mento minimo. Se anos atras o dra- ma do acesso ao sonhado (e idealiza- do) terceiro grau era o candidate ex- cedente, agora e a vaga excedente, um libelo acusat6rio que e acionado como uma metralhadora giratoria. Os atingidos logo se manifestaram, apresentandos explicaq6es e alibis. Visando alvos mais proximos e, por isso, mais faceis de atingir pode-se transferir a culpa para o pessimo en- sino anterior, tanto de 1 quanto de 2 graus; para a montagem dos esque- mas de prepare de atletas-candidatos nos cursinhos (numa competicgo alu- cinante que, tendo gerado mafias, esta pondo-as em guerra literalmente san- grenta); para a diferenga de renda que torna uns "mais iguais" do que ou- tros, a maioria; para o malabarismo da preparagao dos desafios colocados antes do fatidico quadradinho que espera o "xis" salvador; ou para as inovag6es pedag6gicas, algumas ri- gorosamente novas, outras nada mais do que o retorno de antiguidades fa- tidicamente suprimidas (como a de- vastadora redacgo). Alvejando de maior distdncia e com acuidade, pode-se, examinando a ma- nifestaggo mais livre e exemplar dos candidates, quando postos diante do texto em branco do papel para o de- senvolvimento da redagco, ver os da- nos cometidos contra o patrim6nio mental de gerac6es de brasileiros que ja vieram ou ainda virao por um siste- ma de ensino que pune o espirito criti- co e inventive, mas denso e aplicado. Um sistema que expurgou o ensino de filosofia, considerado superfluo, e "desensinou" (como diria Carrol) a pensar, distanciando o aluno da apre- ensao simb6lica, do raciocinio em abs- trato, do puro e complex prazer de pensar, de toda e qualquer metafisica que nao seja a forjada no mercado (ge- 0 fracasso do vestibular e a regressao intellectual 0 negocio do livro. So neg6cio O mercado do livro dida- tico no Brasil e um dos maiores do mundo, mo- vimentando bilh6es de reais e alguns milhoes de volumes. Cresceu tanto e tdo selvage- mente que ja nao consegue fazer lembrar sobre sua moti- vag9o e destinaggo cultural. Vai sendo marcado cada vez mais pela busca obsessive do lucro. Enquanto 6 tempo, as au- toridades deveriam iniciar uma ofensiva para expurgar o virus do comercialismo a qualquer custo que vem cor- rompendo as relag6es em tor- no do livro didatico. Hoje, em escala crescente, as indicaqies feitas aos alunos obdecem mais aos interesses pessoais do que a criterios pedag6gi- cos. E uma onda que vem de cima, desde os 6rgaos ofici- ais e as editors, espraiando- se por todos os niveis. Mesmo em Belem, pode- se constatar a promiscuidade entire vendedores de livros, dirigentes de colegios e pro- fessores. Algumas situa96es evoluiram (ou seria mais ade- quado dizer involuiram) da sedudo sutil para a compra aberta. Al6m dos descontos para os que compram, gran- des vantagens sao oferecidas aos que indicam a compra ou a direcionam institucional- mente, como ja vem fazendo algumas escolas, que chega- ram at6 mesmo a montar bal- c6es de venda internal, com- puls6ria. As que entram na jogada podem receber apoio para as promo oes e events da esco- la, fornecimento da relagio de livros, devidamente impressa, fornecimento de material es- portivo e presents individu- alizados. Fala-se insistente- mente no pagamento de co- missao para os professors. A distribuiCao de livros nas escolas p6blicas e a exigen- cia da leitura extra-classe tam- bem se transformaram numa mercadoria cor peso de ouro, com valor estabelecido ape- nas pelos cifrbes e quase ne- nhuma preocupaqco cor o valor didatico, literario ou ci- entifico das obras recomenda- das. A escola esta se tornan- do uma extensao do balcao da quitanda. 0 ralmente em video-clips) para glamou- rizar o consume de tudo, menos da identidade que result de um constan- te, sistematico e aprofundado pensar sobre o "em si" e o estar no mundo", cor o metodo que nos deixaram os que pensaram antes ou resistem pen- sando ainda hoje. Nesse infimamente desmoralizan- te indice de aprovacao no vestibular da UFPa a sociedade ter a advert6n- cia para encarar cor seriedade, hu- mildade e compet6ncia, certa de que resultados para valer s6 virao depois de muitos anos, o desafio que a for- manao de sua juventude Ihe impoe. Comegamos a pagar e pagaremos ain- da muito mais alto pela insensatez de desprezar a cultural preservada em li- vros como fonte de conhecimento, meio de prazer e instrument de adgo no mundo, na va ilusao de que basta acionar comandos digitais e contem- plar maravilhosas respostas da tecno- logia para ter o dominio de tudo. Quando isto ocorrer, o home sera dispensado de ser human, misterio- so e imprevisivel numa escala que nem mesmo o mais engenhoso pro- grama de computador abarcara e pro- vera porque a chave do segredo ter um unico local de abrigo e ocultagdo: a mente humana. Se ela deixar de ser estimulada pelos desafios da inteli- g6ncia, encurtara tanto que passara a tomar em seu sentido literal a lingua- gem abstrata, nao-figurativa. Ai, en- tao, voltaremos as cavernas. Digita- lizadas, 6 claro, mas cavernas. Cor maltrapilhos e bem-trapilhos. * I JOURNAL PESSOAL QUINZENA DE MARCO / 1997 7 Esta aberta a temporada electoral: tern dissimularao no ar senador Ademir Andrade final- mente p6s fim a interminavel novel e rompeu formalmente cor o governador Almir Gabriel. O desfecho era mais do que previsivel: tornou-se inevitavel a partir do mo- mento em que foi viabilizada a ree- leia.o dos atuais ocupantes de cargos do executive. Almir e Ademir sao candidates ao mesmo cargo. Por uma lei da fisica, um deles teria que so- brar. 0 principal lider do PSDB no Para elevou o tom das critics ao gover- nador a partir do episodio de Eldora- do de Carajas. No plenario do sena- do, em Brasilia, fez um discurso ex- tremamente contundente contra Al- mir, que ficou irritado e determinou que, ao inves da fritura, Ademir fos- se colocado na geladeira. O senador nao conseguia mais ser recebido por seu aliado. Mas manteve uma conciliacgo es- quizofrenica: em Brasilia era o opo- sicionista, mas seu brago direito, Antonio Carlos Fonteles, continuava presidindo o Ipasep e colocando a disposigao do senador a estrutura ad- ministrativa do 6rgao, grandemente ampliada no interior para funcionar como diretorio informal do PSB. Para Ademir, era uma important base de apoio. Para Fonteles, passou a ser in- dispensavel para realizar seus proje- tos politicos. Enquanto Ademir p6de conciliar a ret6rica agressiva em Brasilia e a pra- tica clientelista no Para, a composi- 9go triangular de interesses (governa- dor-Ipasep-PSB) foi mantida. Mas, a partir da aprovagco da emenda da reeleigdo, tornando Almir forte can- didato a mais um mandate, comegou a contagem regressiva para Ademir: quanto mais ele retardasse uma defi- niCgo clara, mais comprometeria sua image de oposicionista, de "sena- dor-coragem". Nao podendo mais contar com a maquina, decidiu sal- var o carisma. E um patrim6nio, mas nao e muito para quem, para realizar seus sonhos maiores, vai ter que enfrentar a ma- quina comandada pessoalmente pelo governador no pleno exercicio do cargo. Por isso, alguns observadores apostam que o rompimento de Ade- mir com Almir nao alcangara Fonte- les no Ipasep e que o rompimento entire os correligionarios, se vier a ocorrer, sera apenas para consume ex- terno. Segundo essa hip6tese, Fonte- les continuaria a frente do ins- tituto e Ademir contaria cor seu apoio nAo-declara- do e a vista grossa do go- vernador. A hip6tesee ' imaginosa, mas falta-lhe subs- tancia. Tanto Ademir quanto - Almir sabem que seus cami- nhos vao se cruzar e, nesse caso, o con- fronto se torna- ra inevitavel. . Confirmada a reeleigao no se- nado, o gover- . nador vai inten- ,. s sificar a articu- laqgo para vencer em 1998 contando cor a maior estrutura political a ser- vigo de um candidate em muitas de- cadas. O senador do PSB 6 uma das poucas alternatives fora desse esque- ma, ainda que dependent de ligagces como a que foi montada no Ipasep. A outra 6 do PT. Mas por enquanto ela e uma incognita. Acreditam os pe- tistas que apenas cor a prefeitura de Belem poderao sustentar uma cam- panha para valer para o governor do Estado? Sem uma avaliagao realista da vit6ria de Edmilson Rodrigues, podem alimentar essa presungco e ate, por milagre (como o que Helio Gueiros Jr. diz que ocorreu, possibi- litando sua ascensao ao governor re- petir a dose. Mas pode cair entrar no efeito reverse e cair num fracasso to- tal. Assim, a outra hip6tese e de que o PT entire para a dispute aliado a um grande grupo politico. As especula- 95es sao feitas na direcgo do PMDB de Jader Barbalho. Tudo porque os veiculos de comunicagdo do senador t6m sido os privilegiados pela midia da prefeitura de Belem, retribuindo com um tratamento privilegiado as atividades de Edmilson Rodrigues. O que poderia ser apenas relag~o co- mercial passou a ser visto como o inicio de uma alianga political. Isso e fantasia? Provavelmente a eleigdo de 98 vai estar cheia de fan- tasias e surpresas, tal a rearrumagdo dos grupos politicos no tabuleiro do poder. A vig6ncia, pela primeira vez Sna hist6ria republican brasilei- ra, do principio da reeleicao para o sempre poderoso chefe do exe- S cutivo, vai desencadear efei- A f tos em cadeia no ter- : 17 reno oposicio- nista. Alguns, como o movi- mento do sena- dor Ademir An- drade, ja pre- nunciam a tem- porada que se aproxima. Ou- tros ainda estdo se produzindo nos bastidores e nas entranhas das articulagbes silenciosas, como se fossem bombas at6mi- cas estouradas subterraneamente. Lateralmente a esse enredo, uma pergunta intriga: por que o governa- dor Almir Gabriel prestigia tanto a conturbada presid6ncia de Antonio Fonteles no Ipasep. Alguns apostam, ao procurar a explica9ao, num lance de xadrezista maquiav6lico: seria para diminuir ao minimo o tamanho do Ipasep, tirando-o de vez da assis- tencia m6dica e devolvendo-o exclu- sivamente as suas origens previden- ciarias. Em political, nem sempre o que se diz ou se manda escrever e no que se pensa. Especialmente agora, quando os contendores apresentam suas ar- mas para entrar na liga, o jogo do despistamento 6 essencial. Infeliz- mente, e nesses moments que se re- velam as grandes virtudes dos politi- cos brasileiros, os mestres do eng6- do com as cada vez mais magras excebses de praxe. * Telhado de vidro A frota do Ministerio Pu- blico e composta por nada menos do que 44 veiculos, dos quais 12 sao autom6- veis de luxo (como Monza e Santana) e cinco sao ca- mionetes, havendo ainda um micro6nibus Besta, im- portado. Precisa mesmo de tudo isso e cor essas espe- cifica~6es, ou o MP esta deixando de ver em sua propria estrutura os males da mordomia que combat quando situada fora de seus (cada vez mais extensos) muros? Posiqgo tucana 0 Liberal da mais um golpe no cravo do governa- dor Almir Gabriel e outro na ferradura do deputado federal Vic Pires Franco. O Reporter 70 do ultimo dia de fevereiro lascou: "Con- vidado por Kandir [minis- tro do Planejamento] e pelo govemador para a assinatu- ra do convenio [da macro- drenagem, em Brasilia], o deputado Vic Pires Franco trocou a solenidade pela simplicidade das baixadas de Belem, onde entregou mais um 6nibus para aten- dimento odontologico da populagao". Ate quando o governa- dor se mantera nessa posi- 9do de curvatura, que ser- ve de escada a alpinistas? Marca administrative Na pagina tres do Didrio Official de 27 de fevereiro foi publicado decreto data- do de dois dias antes, do go- vernador Almir Gabriel, exonerando Rute Vieira de Miranda do cargo em co- missao de diretora do De- partamento de Assistdncia Integrada da Superintenden- cia do Sistema Penal, a con- -r--------- ---------- -. I I Ameaga "liberal" I Desde a semana I passada, 0 Liberal I adotou uma nova I tatica de combat I ao prefeito de Be- I 16m, Edmilson Ro- I drigues. Ao inv6s I de simplesmente I I boicota-lo, vetado I o aparecimento de Sseu nome e igno- rando sua administrago, como vinha fazendo ate I entio, a direngo do journal decidiu partir para a ofen- siva. Sempre usando apenas a coluna Rep6rter 70, o Sjornal comeou a fazer refer6ncias indiretas a Ed- Smilson e, no dia 4, a ataca-lo pessoalmente. Como Sno se trata de reportagens, a apurado de dados, que seria louvavel num acompanhamento critic, e deixada de lado e o journal faz apenas insinuates e instila veneno no que diz. S A ttica serve de aviso: se a prefeitura ceder a co- branga da divida de 1,2 milhao de reais deixada por H6lio Gueiros, o journal ainda n.o empenhado como um todo na oposig~o volta atras e esquece as alfi- netadas. Caso contrario, a escalada cresce e o pre- feito experimentara a forga do monop6lio do qual o grupo Liberal desfruta. Critica seria e competent a administraqgo pfiblica constitui o melhor do jornalismo. Mas o que 0 Libe- ral esta fazendo tem um nome feio: 6 chantagem. ------ - - -------- tar de 23 dejulho de 1996. Na pagina quatro da mesma edicgo do DO saiu outro decreto do governa- dor, tambem do dia 25 de fevereiro, tornando sem efeito um decreto de 22 de julho de 1996, que exone- rara, "a pedido", a mesma Rute Miranda do mesmo cargo. Aparentemente, a admi- nistragao estadual estava corrigindo um prosaico ato de exonera9go, embora corn quase um ano de atra- so, tudo em um mesmo dia e em uma mesma edigao do 6rgdo official, sob motiva- gdo divers. Mas o que impression sdo as nogces de tempo e de espago da administragdo Almir Gabriel. 0 tempo e lentissimo, quase parando; e, na geometria gabrielina, a reta nao e a menor distan- cia entire dois pontos, como se seu parametro fosse a curva do bico de um tuca- no ou seria de um papa- gaio? De qualquer maneira, na divida, ISO 50.000 nela. O de sempre E verdade: o vice-gover- nador Helio Gueiros Jr. aproveitou a ausencia do governador Almir Gabriel para, no exercicio do car- .go do titular, conceder-se suplementagao de verba no valor de 196 mil reais, re- manejar outros R$ 79 mil ja alocados, regulamentar a contratacgo de servidores temporarios para a vice-go- vernadoria e requisitar para o gabinete outros funciona- rios estaduais. Deslealdade? Moral- mente, sim. Legalmente, nao. Afinal, a lei 5.986, que possibilitou todos esses atos do Junior, foi aprova- da pela Assembleia Legis- lativa no ano passado e nao vetada pelo governador. Seria possivel dizer: quem criou Mateus que o embale. O problema e que Mateus acaba passando a conta do embalo para a vi- ulva, que cobre os gastos e paga o pato. Irresponsabi- lidade com o dinheiro alheio, ainda que creditado ao anonimo pfublico, ter nome, tdo certo quanto as incertas do vice-versa. Caminho das pedras 0 data-room montado pelo BNDES na sua sede, no Rio de Janeiro, com todos os segredos da Companhia Vale do Rio Doce, ja foi visitado por 11 pretendentes a compra do control da empresa estatal: quatro empresas nacionais, quatro japonesas, duas australianas e uma sul- africana, a que esta pintando como a favorite a arrematar a CVRD. Esse tal de data-room poderia tender, em linguagem de brasileiro, por casa da sogra. Journal Pessoal Editor Licio FlIvio Pinto Ilustrafves e eonaorawdo grafica Luizpe Reaarao Passagem Bo nha. 60-8 66 053020 Fone: 223-1929 / 21-1626 Contato Tv Benjamin Constant 845i203 66 053-020 Fone 223-7690 e mail lucio@experl.corn.br |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 158 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |