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ornal Pessoal ITOR RESPONSAVEL: LUCIO FLAVIO PINTO 0 X- N, i&lgiN A 7 J t". 199P7 R-$ L& POLITICAL Agora, e pra valer 0 governador Almir Gabriel mostrou que tem vontadepolitica: venceu o primeiro round da nova dispute com o PT A partir de agora, todos os movimentos serdo importantes para definir como sera a batalha maior, em 1998. o interferir diretamente na elei~io da mesa da Canara Municipal de Bel6m, como nenhum outro governador havia feito em anos recentes, Gabriel deixou bem claro que, se diq6es assirn o permitirem, ele seri ato a reelei~io em 1998. Contribu- ara a vit6ria de seu correligionario Lraujo, mesmo tendo o PSDB ape- nas uma bancada media de dois verea- dores no legislative da capital, Almir tam- b6m deu a primeira demonstracio efetiva de appetite politico. Pela primeira vez, pa- receu disposto a constituir em torno de si um p61o de gravitacio political. Saber se esse polo e dotado de autono- mia, contudo, ainda constitui a duvida que subsiste i vit6ria do governador na pri- meira meditio de forgas cor seu mais pr6ximo adversario politico, o prefeito Edmilson Rodrigues, do PT. Na cabega da mesa da Cimara ficou o vereador de um partido que, na melhor das hip6teses, ter a quinta bancada da casa. Mas o ex- prefeito Hl6io Gueiros deixou ali planta- dos elements de sua confianga mesmo que, em se tratando de politicos desse tipo, de confianca relative. Almir Gabriel partiu para o con- St 722222 AMiAZ NIA S E ICA AI PC 011eiros ffelo 4%,715eiro G^ ^ erno favfr L33sa ,3, 2 2- QUINZENA DE DEZEMBRO/1996 JOURNAL PESSOAL ftonto direto corn Edmilson renovando sua alianca corn Gueiros, uma opeio titi- ca de combat a ser mantida ou revista no future, conforme a evoluio da correla- aio de forcas e das regras da dispute elei- total. Garantida a hip6tese de reeleigio para todos os niveis do executive, a alian- a de 1994 s6 se manteri se Helio Guei- ros excluir de seus pianos voltar ao go- verno do Estado. A dobradinha poderia ser Almir para a reeleig o (ate mesmo corn a instivel companhia do Junior) e Guei- ros-pai para o Senado. 0 complicador 6 a hip6tese ji consi- derada mais plausivel em Brasilia de que a reelei~io beneficie apenas ao president da Repuiblica. Nesse caso, que nome po- deria unit novamente Almir e H61io no governor e qual seria a composigio con- sensual da chapa majoritiria? Na duvida, o governador tratou de agradar o ex-pre- feito e at6 compareceu ao ultimo ato da gestio dele, a reinauguraclo do desfigu- rado Largo do Carmo. 0 program incluiu palavras de carinho e agradecimento emo- tivo. Tudo bern na alianga? De pfiblico, sim. Nos bastidores, nem tanto. H1lio Guei- ros nio economizou reclamacges de ga- binete a falta de ajuda fmanceira do Esta- do para aliviar seus iltimos dias de difi- culdades. 0 entio secretirio de Financas, Sibato Rossetti, esperou sentado, natu- ralmente o repasse de 7 milh6es de re- ais, 4 milh6es dos quais serial para a fo- lha de pessoal, que nio veio. A falta de sinais de volta por parte do Estado foi o troco pela conduta de Guei- tos na campanha. Ele orientou os marke- teiros a evitarem contatos entire o candi- dato official e o governador para que nio houvesse perda de votos, o que conside- rava inevitivel devido i impopularidade de Almir Gabriel, agravada pelo epis6dio sangrento de Eldorado de Carajis. 0 go- vernador calou-se a respeito, mas asses- sores bem pr6ximos garantem que ele fi- cou magoado. Entre os dois parece estar em curso um process semelhante ao que levou ao en- venenamento das relag6es anteriores en- tre Helio Gueiros e Jader Barbalho. O pri- meiro, entio governador, tratou o segun- do com(a maior deferencia enquanto Ja- der teve asguma base de apoio federal, mas desde o inicio de sua gestio nio poupava, intramuros, comentirios ferinos ao ante- cessor. Quando a demissio de Henry Kayath da Sudam desencadeou o rompi- mento aberto, o terreno ji estava comple- tamente minado para as explosoes que se seguiriam. A situaio ainda nio 6 a mes- ma entire Almir e Hlio, mas um process equivalent ji comegou. Talvez por isso o governador esteja agin- do como se enfientasse uma prova de re- vezamento. Nio deixa o bastio da alianca que possibilitou sua eleicfo em 1994, mas cultiva um outro bastio, o do PPB, para eventualidades. 0 PPB, alias, foi vital para viabilizar a vit6ria sobre o PT na Cimara Municipal de Belmn e 6 um das bases de apoio da gangorra que definiri o jogo, pen- dendo ora para um lado, ora para outto o do senadorJader Barbalho, que, aparente- mente a distincia, vai mexendo corn cau- tela as suas peas, tendo movido estrategi- camente uma delas na direqio do PT. 0 jogo vai ser pesa- do e dificil, deve final- mente ter percebido o PT com a primeira derrota. Evidente- mente, ela nao e tao simples quanto o novo prefeito procu- rou demonstrar. Porque nao 6 essa escoriagio generalizada, Edmil- son Rodrigues vai ter que definir uma es- trat6gia mais eficaz de telagio corn a Ci- mara e se assessorar de pessoas compe- tentes, corn uma competincia capaz de baixar do nivel ret6rico para a pritica. Isto significa deixar de lado as ideias e agir no mercado conforme as relag6es de troca, que o governador segundo a acu- saslo petista teria utilizado? As tenta- 9oes nesse rumo sao muitas. A primeira esti nas pr6prias dificuldades que a nova direfio da Cimara enfrentari. Embora sendo uma continuagio do esquema poli- tico ali estabelecido, ela herdou urn passi- vo de 1,8 milhio de reais, incluindo a par- te nio paga da folha de pessoal e os dibi- tos correntes. Nio seri nem preciso ao prefeito dei- xar de cumprir seus compromissos cons- titucionais para corn o chamado legislati- vo mirim: bastari imitar o comportamen- to recent de seu antecessor, que atrasava os repasses dos duodecimos, criando di- ficuldades e desgastes para a administra- 9o da Cimara, mesmo estando ela co- mandada pot um parceiro.. E clato que esses sio instruments de aio political, mas o PT pretend contri- buir para a melhoria dos procedimentos. Isto significa que nem deve se rebaixar ao nivel de um fisiologismo clientelistacini- co, nem subir is alturas de um purismo irrealista, no qual o partido costuma cair pot seu isolamento ou pelas veleidades de um sebastianismo salvacionista, adaptado da mistica religiosa do povo eleito que esti fincada nas suas taizes e recriada por seu desdobramento ideol6gico. E preciso ser, ao mesmo tempo, reformista e eficiente, combinacgo que ainda esti distant da potencialidade de seus quadros, mas ao alcance de uma gestio criativa e compe- tente. 0 PT conseguiri realizi-la em Be- 16m? Uma resposta positive e o que esperam os eleitores de Edmilson Rodrigues. Como todo politico que pula da oposicio para o poder, ele e seus auxiliares se assustaram corn o tamanho dos estragos feitos por H1lio Gueiros. As complicac6es costu- marm ser maiores do que as imaginadas por gestores que assume de ch6fre a miquina public, sern urn period de apro- ximaio, de tomada de contato real, a "transicgo" ironizada por Gueiros. 0 novo prefeito nio teri recursos sufi- cientes para agit satisfatoriamente no pe- riodo inicial de sua gestio e, tudo indica, vai enfrentar umrn "invemo" rigoroso. Tam- bem nio contari corn a boa vontade do governador, cuja personalidade e tempe- ramento incorporou, multiplicando-as, as desavengas de campanha. Talvez Almir Gabriel componha melhor corn o PT, mas quando os petistas estiverem mais verga- dos, se isso ocorrer. Para o gosto do go- vernador, Edmilson tern um componen- te que poderia ser definido como arrogan- cia. 0 autoritarismo do governador nio combine corn esse element, nem seus plans politicos para o futuro cruzam-se corn os do PT. Para manter-se no foco dos refletores, o prefeito esti indo para as ruas, criando fatos i maneira de Sahid Xerfan. Claro: este 6 um instrument de marketing ne- cessario para um gestor na situa~io em que se encontra o de Belem, mas s6 ren- de por quatro ou cinco meses. Depois vem o vicuo desgastante, do qual Xerfan foi salvo pela demissio e conseguiu salvar como carisma por ter-se tornado uma per- manente promessa irrealizada. Depois, portanto, e precise ter essencia, conteii- do. Qual o do PT? A estrutura oferecida pelo partido na sua primeira semana no poder municipal surpreende pela singeleza e superficiali- dade. Fica mais uma vez evidence que o program de govemo apresentado por Edmilson Rodrigues na campanha eleito- ral foi uma improvisagio de tiltima hora, induzida pelo inesperado crescimento de seu nome. A nova administration vai ter que ser constituida e submetida is revi- s6es necessriias no curso do trabalho, dan- do razio ao lema que Gueiros criou ape- nas para consume externo: 6 caminhando que se encontra o caminho. Mas nio haveri muito tempo para en- contrar o caminho e modular a caminha- da. Logo o PT bateri na porta do cida- dio-consumidor-eleitor em funcio da dis- puta geral de 1998. Retardamentos e in- sucessos do partido em Belem serio fa- tais para as perspectives que a vit6ria na capital abriu em relaqio a correlag'ao de forgas political em todo o Estado. BW JOURNAL PESSOAL QUINZENA DEJANEIRO / 1997 Nada de novo N o iltimo dia util do ano passado o governador Almir Gabriel autorizou a dispensa de li itagio public para a Secretaria de Transportes contratar a Engeplan para a exe- cuqio de uma obra no valor de 4,4 milh6es de rekis (recuperaio de 120 quil6metros de uma es- trada federal entire Slo Geraldo do Araguaia e a Transamaz6nica). Para justificar a dispensa da lici- taio, o seretirio de Transportes, Amaro Klautau, alegou a situa- qio de emergencia naquela irea e o fato de que a empresa, "capacitada para execuio das obras e servings em referen- cia", encontrava-se "mobilizada as proxi- midades da mencionada rodovia". Trata-se de um dos casos mais delica- dos de dispensa de licitago na adminis- tracio estadual nos iltimos tempos. Um dos proprietirios da empresa favorecida 6 o engenheiro Fernando Flexa Ribeiro, president regional do partido do gover- nador, o PSDB, pelo qual saiu candidate a senador em 1994. Amaro Klautau foi funcionirio da empresa antes de assumir a secretaria. Nada de illegal nessas cir- cunstincias. Quanto ao aspect moral, nem tanto. O estado de emerg&ncia foi decretado, bem antes, menos em funio das condi- 96es reals da irea e mais como um artifi- cio para os municipios da region recebe- rem recursos financeiros. O acerto 6 co- nhecido de todos. Um artificio, portanto, foi usado para dispensar a licitagqo. A si- tuaio da BR-153 nio 6 melhor nem pior do que a de muitas outras de revestimen- to primirio ou mesmo precariamente as- faltadas, mas iniciar a recuperalo em ple- no inicio do period de chuvas nio pare- ce attitude das mais sensatas. Muito menos sensato ainda 6 o governor tomar uma decision dessas, por mais que ela fosse procedente, em tal context. Fica parecendo que pesou nela menos a alegada e certamente feliz cir- cunstincia de a empresa star mobilizada is proximidades de um trecho de estrada suposta- Smente carente de a~io emergen- Scial e mais o final do exercicio financeiro, havendo por aplicar 4 milh6es de reais destinados pelo DNER i BR (para uma contra- partida de cabalisticos R$ 444.444,40 do Estado). Ao dispensar a licita9io e assu- mir a responsabilidade de execuio do conv&nio, constituido ern 90% por dinhei- to do governor federal, a Setran deu bar- retada corn chap6u alheio. O pr6ximo capitulo dessa hist6ria seri escrito no Tribunal de Contas da Uniio, mas a administraio Almir Gabriel, inde- pendentemente da aprecianio legal desse ato, ji perdeu dividends morals. E mais um element que se desagrega do que cons- tituia sua pretensro a originalidade, cor a qualprometia inaugural um Par novo. S IJ' Hi secretaries demais no organo- grama que o prefeito vai submeter a Ci- mara como parte do bolo de projetos que a ela serio encaminhados, criando o se- gundo round da medigio de forcas. Se o nuimero de caciques foi reforcado, o de indios ji esti sofrendo reducio e poderi nio contar com as devidas compensa- o6es, afetando a assessoria ticnica, vital sobretudo para alguns chefes ne6fitos em materia de administraiio public, ou ao menos em materia que esteja al6m dos manuais. Como o PT deve estar cansado de sa- ber, o problema estrutural mais grave de Belim 6 a perda de fungio econ6mica no Estado e na regiio, sobretudo corn os deslocamentos de influencia e as mu- danCas nas principals matrizes produti- vas. Este esvaziamento esti traduzido no novo percetual, rebaixado, de participa- go da capital na arrecadagio de ICMS, de 39 para 33%. Na veidade, deveria tet ter sido menor, como os 27% sugeridos pelo pt6prio PT quando Hdlio Gueiros era prefeito e uma vit6ria na iltima eleigio nio passava de de- lirio na cabega mais otimista. Parceito, Al- mit Gabriel evitou, at6 o fin da administra- cgo anterior, que H6lio Gueiros perdesse esses recursos, a seem redistribuidos pelos municipios interioranos que aumentaram sua participaio na riqueza estadual. Com a derrota de Gueiros, o governa- dor liberou as com- portas da represa que havia montado na Secretaria da Fa- zenda para manter indices defasados, mas favoraveis a Be- lem, postura tio intransigente que levou os prefeitos a recorrer i justiga. O PT teve, entio, que esquecer a plata- forma anterior e lutar pela redugio da perda, conseguindo elevar o percentual de Belem, dos 31% que a Assembleia Legislative examinava, para os 33% afi- nal aceitos atraves de composigao. A perda seri, a partir deste ano, de um mi- lhio de reais por mes, ou 7% do que chegava aos cofres municipals no ano passado. O maior desafio para a nova admi- nistragio seri criar atividades para ab- sorver o maior mercado informal de tra- balho relative que hi entire as capitals do pais, envolvendo o impressionante contingent de 200 mil pessoas. Sem esses novos centros gravitacionais, evi- tar a complete desfiguraaio da cidade e seu empobrecimento galopante seri quimera. Criar empresas municipals de habita- gio e de turismo e a melhor maneira de atacar esses problems? Aparentemente, nio. Ao inv6s de tornar mais pesado o custo administrative dessas iniciativas, o poder public ter que se transformar em instincia de fiscalizagio e normatizagio, usando seus recursos para dar apoio ao investidor privado e, obviamente, ao tipo de investidor, o pequeno e o midio, que gera maior quantidade de pontos de trabalho e maior circulagio de renda. Fundos sio mais eficientes nesse senti- do do que empresas publicas e isso nio 6 o jargio neoliberal que diz, mas as evi- d6ncias mais recentes da evolugio da sociedade humana. Acabou a fase da fe, sem a qual o PT nao teria vencido, mas que nio e suficiente para faz--lo governor. Ago- ra o prefeito tem que descer de vez do palanque e nio gastar tanto tempo e energia no front. E a hora de, como co- mandante, distribuir id6ias e ordens para serem executadas. E quando o ci- dadio vai verificar em quem votou. E quando o Pard saberi se houve mudan- ga para valer. * S2' QL INZENA DE DEZEMBRO/1996 JOURNAL PESSOAL Wilson de Jesus Marques da Silva chegou ao Tribunal de Justiga do Estado como um dos mais brilhantes juizes de sua geraq~o. No 6r- gao especial marcou posiqio como um dos desembargadores mais afirmativos, que nio recorre a artificios para deixar de jul- gar processes de conteuido explosive, como o de alegar imotivadamente raz6es de foro intimo. Mas, pela segunda vez, ele perdeu a dispute pela presidencia do TJE. Na vez anterior, o vencedor foi o desem- bargador Christo Alves, que esti encer- rando o seu mandate. Agora, para surpre- sa de muitos observadores, a derrota foi para o desembargador Romio Amoedo Neto, que ocupava a vice-presidencia. Considerado favorite ate alguns dias antes da eleicio, no uiltimo dia 18, Wilson perdeu preciosos votos corn a reper- cussio em Belem da decision, tomada em Marabi, pelo juiz Francisco Cha- gas, que impediu a diplomaqao do prefeito eleito do municipio, Geral- do Veloso. A sentenga do juiz foi sumariamente revogada pelo Tribunal Regional Eleitoral, mas ecoaram no f6rum da ca- pital acusag6es feitas contra a vida privada do magistrado, que teriam influido sobre sua po- lEmica decisao, seguida do seu afastamento da iEs _-- . Pela terceira vez o desembargador Ca- listrato Alves de Matos tentou, sem su- cesso, aproveitar-se de sua condigio de o mais antigo desembargador que ainda nio ocupou a presidencia do Tribunal de Jus- tiga do Estado para apresentar-se como candidate ao cargo. Pela terceira vez con- secutiva foi rejeitado: na eleigco realizada no dia 18 do mes passado, novamente con- tou apenas cor o pr6prio voto. Para nao filgir a regra, recorreu pedin- do a anulaio da eleiio. Deveri perder outra vez. Talvez ainda tente pela derra- deira vez dentro de dois anos, mas seu destino ji esti previamente tragado: ira ate a expuls6ria, quando chegar aos 70 anos, na passage do seculo, sem conseguir presidir o TJE e sem obter nada mais, nas disputes para as quais se apresentar, do que um voto solitirio. O mesmo tribunal que renovou a rejei- cio a Calistrato decidiu, porem, eleger o desembargador Humberto de Castro cor- regedor geral de justiga, usando pesos e medidas distintos para avaliar personali- dades equivalentes. Onde a coerencia? Quando os critics apontam sua turbu- comarca, justificado, e claro, mas inc6mo- do e inconvenient. Esses ecos acabaram desfavorecendo o desembargador Wilson na v6spera de uma dispute que parecia destinada a ser a con- firmagio de sua produtiva carreira de magistrado. Alguns dos privilegiados elei- tores deixaram de apoiar o nome do de- sembargador por receio de paralelismos, no future, semelhantes aos de Marabi, corn a interferencia da vida privada sobre decis6es judiciais. Abatido, Wilson Marques recebeu soli- dariedades, principalmente de juizes da ins- tincia inferior. Uma carta da juiza Marta Ines Jordio circulou intensamente nos cor- redores do f6rum. Na carta, a juiza diz que o resultado da eleiio significou a peria "de minha crenga de que se pode, queren- do, ordenar o caos, como vinham fazen- do os Presidentes que sucederam a Ossi- am Brito de Almeida, restaurando a cre- dibilidade e imprimindo nova image a tio sacrificada justica comum desta terra". Agora, o desembargador ainda te- ria mais uma possibilidade de dis- putar a presidencia antes de ser al- cansado pela expuls6ria (a reform obrigat6ria aos 70 anos), mas parece dificil que ele se exponha i even- tualidade de uma ter- ceira derrota.0 lenta carreira no judiciirio como o motive para o bloqueio de sua carreira at6 a presi- d&ncia do TJE, o desembargador Calistra- to Matos costuma argumentar que sua fi- cha e inacreditavelmente limpa. Toda a celeuma provocada por virias de s- .Ls de- cisoes controvertidas nio se trans' -u para os apontamentos administrativos do judi- ciario. E por isso que, para todos os efeitos formais, o polmico magistrado se consi- dera autorizado a pleitear o cargo que seus pares se recusam a lhe conferir. Ji o desembargador Humberto de Cas- tro (citado no n 5 deste journal, de no- vembro de 1987, por haver substituido, nos autos de uma aaio entire o Banco do Estado do Pari e a Xylo, o despacho ori- ginal que ji havia dado por um novo, in- troduzido no process cor data atrasa- da, e ainda permitido que a pr6pria em- presa trocasse a peti~lo original), chegou ao tribunal contra os votos de cinco de- sembargadores e alcangou o 6rg~o corre- cional cor a aprovagio de 11 dos 26 de- sembargadores que votaram nc dia 18. Assim o TJE vai construindo sua his- t6ria ou sua anti-hist6ria recent. 0 Oportunidade perdida N ufragos ao mar A surpresa foi geral quando o' Joral Nacional, o mais influence program da television brasileira, divulgou, no final do ano passado, uma long reportagem produzida em Belem pela TV Liberal mostrando o caos no Pronto Socorro Municipal. A surpresa continuou corn novas e agessivas mat6rias na television e no journal 0 Liberal sobre o literal fim da administration Hilio Gueiros, centradas no PSM e no lixo acumulado pela cidade. Com o o grupo Liberal nio costuma fazer campanhas propriamente desinteressadas e ate entio tinha sido um bem- comportado anotador dos alos do gdio-mestre do burgo, o que a opinion piiblica passou a perguntar foi sobre a razio da sfibita mudana de posiio editorial da mais poderosa corporaao de comunicaio do Estado. Teria o Sistema Romulo Maiorana de Comunicacao se convencido, ainda que i und&cima hora, de que a gestio Gueiros era mesmo desastrosa? Nio exatamente. E que o grupo e dono de mais da metade da divide de 2 milh6es de reais junto aos veculos de comunicago da capital transferida por Gueiros ao seu successor. Desde o primeiro trimestre do ano o ex- alcaide vinha deixando progressivamente de honmar compmomissos da sua ampla e cam programaio publicitulia, que tinha como carro-chefe as inser~des em espacos nobles da television e uma alocuo radiof6nica diaria. A midia incluiu os veiculos de comunicaC o do inimigo n 1 de Gueimos, o senadorJader Barbalho (corn a intenio, talvez, de compar-lhes o silncio), ate meados da campanha eleitoral, quando eles foram cortada. Cor a acumulacio de dividas, que nio s6 nio eram pagas, como sobre as quais o entio prefeito se recusava a tratar, Romulo Maiorana Jr. decidiu suspender o program de Gueinas, que retrucou mandando dizer que nitl quitaria o dibito. Velo entio a oldem para abrir fogo contra a administailo municipal, tioteio ji um tanto fora de hora e sem obedecer i melhor mimr moral. Nada a surpmeender, enttetanto ji que a nau afundava -e, nesses casos, sabe-se muito bem quem pula prime o omar Pesos e medidas JOURNAL PESSOAL- 1' QUINZENA DEJANEIRO / 1997 5 ntre 1975e 1990 a regiio Norte foi a que mais cresceu no pais: passou de 2,2% para 5% do Produto In- terno Bruto no period, segundo o levantamento realizado por Cliudio Consider, o director do Ipea (Instituto de Pesqui- .. sa Econ6mica Aplicada), do governor federal. O desempenho mais pr6ximo foi o do Centro-Oeste, que evo- luiu de 4% para 6,6% do PIB. Embora menos, o Nordeste tambem cresceu, de 11,3% para 14%. O Sudeste teve sua par- ticipagio percentual reduzida de 64,4% para 58,4% e o Sul, de 18,1% para 16%. Assim, a parte considerada pobre do pais cresceu de 17,5% do PIB em 1975 para 25,6% em 1990, enquanto as regi6es mais ricas diminuiram de 82,5% para 74.9% da riqueza national. Em um quar- to de s&culo, portanto, reduziu-se o bru- tal desequilibrio interregional no Brasil. Mas, ao contritio do tom de euforia dado pela imprensa national ao serem revela- dos alguns dos resultados da pesquisa de Consider, no mes passado, ainda 6 cedo para saudar a desconcentragio econ6mi- ca do pais. Entre 1990 e 1995 essa tendencia dei- xou de agir. As posic6es permaneceram praticamente inalteradas, a parte mais po- bre cor 25,5% do PIB e a mais rica corn 75,5%. O Norte e o Nordeste experimen- taram ligeiras quedas no period, o Norte baixando de 5% para 4,9% e o Nordeste involuindo de 14% para 13,7%. Apenas a ascensio do Centro-Oeste nio foi iner- rompida: subiu de 6,6% para 6,9%. Do outro lado, persistiu a perda relative de O s funcionirios piblicos municipals e Belem deixaram de receber os seus salafios porque, i ultima hora, o prefeito Helio Gueiros precisou utilizar o dinheiro disponivel em caixa para cobrir os rombos que havia em suas contas. Re- cursos de aplicagio vinculada haviam sido desviados para financial obras e servigos de interesse eleitoral destinados a favore- cer a candidatura official na dispute pela PMB. Segundo fontes oficiosas, o desvio alcancou cerca de cinco milh6es de reais. Caso Ramiro Bentes fosse eleito, Helio Gueiros pensava em recorrer a financia- mentos para cobrit os buracos e ao mes- mo tempo tender os compromissos da prefeitura. Mas a derrota foi um complica- S peso do Sudeste (de S 58,4% para 57,2% do PIB), mas o Sul recuperou S a posicgo alcangada na decada de 80, passando de 16% para 17,4%. Estes dados mostram a expans~o da fronteira eco- n6mica no Brasil a partir - do centro dinamico mon- tado na regiio Sudeste. Esse nucleo se expand para fronteiras clissicas, como a Amaz6nica, mas tambem para ireas satelitizadas, como o Sul, e de expanslo continue, como o Centro-Oes- te e o Nordeste. O fato de a Amaz6nia ter evoluido pro- porcionalmente mais do que as demais re- gi6es na participaio no PIB, mas nao ter alcancado resultados equivalentes na dis- tribuigio da renda (que represent apenas um pouco mais da metade da renda "per capital" national), evidencia a desigualda- de nas relaq6es de troca da regiio. Espe- cializada compulsoriamente em exporta- 1o, a Amaz6nia sofre a sangria provoca- da pela desvalorizago dos preco relati- vos dos seus produtos e pela inexistencia de cadeias produtivas completes, capazes de reter em seu territ6rio a renda transfe- rida para mercados externos em funflo de terms de troca desfavoriveis. A regiao esti condenada a repetir a tra- gedia vivida por um de seus mais emble- miticos personagens, o seringueiro: como observou Euclides da Cunha, pela vincu- laao ao barracio do seringalista, o serin- gueiro estava condenado a se escravizar mais i media em que trabalhava mais, cor isso aumentando sua divida com o patrio e fornecedor. O barracio da Ama- z6nia dos nossos dias 6 o mundo. * dor indesejivel: ao contfirio dos tris anos anteriores, o sistema financeiro se fechou para a PMB, receoso de assumir encargos que nao viessem a ser honrados, corn a descontinuidade political. Ameacado de encerrar seu mandate dei- xando contas irregulares, que complicari- am seu processamento posterior no Tribu- nal de Contas dos Municipios, Gueiros lan- 9ou mio do que havia disponivel, inclusive dinheiro que seria usado para tender a fo- lha de pagamento do pessoal. Os funcioni- rios passaram a mingua de um ano ao outro, mas o alcaide resolve as dificuldades de- correntes do envolvimento da miquina ofi- cial na ultima eleicio. O resto da hist6tia e converse gueirista, engolida pela imprensa.0 Mercado international: o barracao amazonico Pela rama Obrigado a fazer critics de afoga- dilho, ja que ate entao o que fizera fora a corte ao prefeito, o grupo Liberal nao conseguiu ir al6m de narrativas impres- sionistas nas materias sobre as condi- 5ges de atendimento no Pronto Socor- ro Municipal, atacando as consequen- cias e nao as causes do problema. Corn o funcionamento do servigo 192, a pre- feitura gastou, em media, entire 2,2 e 2,5 milhoes de reais ao ano. INo perfo- do da gestao H6lio Gueiros, portanto, foram de 9 a 10 milh6es de reais. Mesmo corn os orgamentos regular- mente superfaturados das obras do ex- prefeito, dava para construir um novo PSM e melhorar o atendimento hos- pitalar no municipio. Ou, em qualquer outra alternative, colocar em execugAo um program que nao acabasse se tor- nando um passeio de ambulincia corn pacientes que nao conseguem ter o destino competent, o do hospital. Gastou-se fortune corn atividade-meio e foi-se mesquinho com a atividade- fim. Como quase todas as iniciativas do expirado governor municipal que nos assolou, obra (cara) de fachada para be- neficio maior do prestador de servico & associados ou pendurados. Nome para 98 Qualquer que venha a ser o desempe- nho de Valdir Ganzer na Secretaria de Economia de Bel6m, sua cotagio como candidate a candidate a governador pelo PT vai entrar em queda. Ele desgastari nos pr6ximos meses seu principal capital, que 6 a ligacao cor o interior. Teri que ficar preso na capital e envolver-se inte- gralmente nas tarefas da administrag~o. Comenta-se, em consequencia, que a opo passari a ser a vice-prefeita Ana Julia Carepa, que tambem estarai frente de uma secretaria, a de Urbanismo, mas teri mais condigoes de agir politicamen- te. Mas na verdade o PT ainda nio tern um nome de amplitude estadual para lan- gar em 1998. As outras possibilidades slo os deputados Ze Carlos e Luiz Aratijo e o federal Paulo Rocha, ji que Geraldo Pas- tana, que subiu no lugar de Ana Julia, 6 muito retraido. Mas o PT nao disp6e de uma uinica prefeitura interiorana. Sobre- carregar Belem de fung6es political seria o mesmo que cobrir um santo descobrin- do o outro: esse excess de demand da capital poderia comprometer as ji proble- miticas possibilidades de sucesso admi- nistrativo de Edmilson Rodrigues. As melhores perspectives para o PT dificilmente estario em 1998. As raposas political apostam nisso. As contas furadas (5 2'QUINZENADE DEZEMBRO/1996 JOURNAL PESSOAL Um exemplo para o future iguei a televisio quando ji estava passando um documentirio do discovery Channel sobre a virzea do Solimdes, em Tefe, no Estado do Ama- zonas. Um belissimo documentirio, des- ses que s6 os estrangeiros conseguem re- alizar porque tem o dinheiro necessirio para cobrir as despesas e dispor de todo o tempo que um trabalho bem feito requer. Mas a estrela do documentirio, alum da natureza, era o cientistaJose Mircio Ayres, paraense como n6s. Josi Mircio revelou para a ciencia o Uacari Branco, macaco unico rosto ver- melho, cabeca careca e pelos brancos no resto do corpo na faixa tropical do pla- neta. Por sua aparencia, sugerindo a figu- ra do ingles tipico, inchado e rosado pelas industrials doses de gim que toma, estava sendo chamado de macaco ingles ate que Mircio o descrevesse cientificamente e o rebatizasse, tomando como inspiracqo Paulo Vanzolini, um dos mais importan- tes pesquisadores da Amaz6nia (e aben- goado pela natureza, que Ihe deu belas fi- lhas, entire virias outras virtudes cobiga- das ou invejadas). Conheci Mircio quando ainda &ramos todos adolescents, uns mais adiantados do que outros. Ele ji era um cientista em formacqo quando eu aparecia na casa dos pais dele, Manoel e Isa Ayres, no Largo da Trindade, para estudar corn a Ana Rita, a prima que veio de Santar6m, origem comum minha e dela. Mas nio se tornou o cientista obtuso e auto-suficiente da es- tampa, daqueles tipos capazes de chegar a minudencias extravagantes na descoberta de seus objetos de estudo, mas indiferen- tes ao mundo ao redor. Mircio, ao contrrio (provavelmente seguindo o exemplo do pai, que a admi- nistraqio puiblica desviou da trilha da ci- encia), al6m da dedicaqio franciscana aos primatas, colocou seu engenho e arte a servigo de um projeto maior e de um de- safio dificil de vencer: combinar a presen- 9a do home corn as exigencias da natu- reza, naquilo que genericamente e nem sempre corn propriedade se passou a chamar de desenvolvimento sustentado. Mircio chegou i compreenslo plena do mutualismo que result das virzeas e que Ihe 6 a condilo essencial de sobreviven- cia. E isso o Projeto Mamiraui, que os estrangeiros conhecem melhor do que n6s - e aprenderam a respeitar e admirar. E uma utopia? Talvez, mas no sentido mais nobre, do objetivo que o home coloca diante de si, tio distant do alcan- ce normal dos seus passes que parece im- possivel, mas cuja viabilidade comega a se tornar real quando se agiganta a cami- nhada do home. Hi anos enfumado na mata, Mircio vem desenvolvendo corn paciencia e perseveranca o seu projeto. O belo documentirio produzido para o Dis- covery Channel faz justiga a esse traba- Iho. Os governor da Amaz6nia deveriam obter c6pia do video e exibi-lo em toda a regiio. Ajudaria a fortalecer a f6 e dissipar o ceticismo quanto ao future desta vasta region que gente como Jos6 Mircio Ayres consegue tornar melhor. 0 Pari dificilmente seri benefica do, diretamente ou a curto e mldio prazos, pela ampliaqio dos incentives fiscais para as regi6es Norte e Nordeste, estabelecida pelo pre- sidente Fernando Henrique Cardoso atra- v6s de Medida Provis6ria baixada no mes passado. De imediato, a MP - definmdo novas iseng~es de impos- tos para importa- cio e reduzindo a carga tributiria in- terna foi um pre- sente para a Bahia, que~assim p6de con- solidar a instalaio em seu territ6rio da primeira indfistria automobilistica desti- nada ao Nordeste, a coreana Asia Mo- tors. Em troca, naturalmente, reforCou- se a adesio do grupo politico do sena- dor Antonio Carlos Magalhies i reelei- aio de Fernando Henrique. Mas como a MP teri efeitos que irio al6m desse clientelismo, o Maranhio e nio o Par 6 que vai usar os incentives para multiplicar sua base industrial. O Estado vizinho esti muito a frente do Pari na atraqio de investimentos produtivos, po- dendo capitalizar boa parcela dos 6 bilh6es de reais que caberio ao Norte e Nordes- te, neste ano, no bolo de R$ 15 bi- lh6es de renincia fiscal federal em 1997 para induzir novos projetos eco- n6micos privados. E bom lembrar que o Maranhio s6 decidiu criar sua agen- cia de fomento ao constatar que o Par e a Companhia Vale do Rio Doce tinham um program de cooperao com esse ob- jetivo. Mas enquanto os paraenses rteinem, os maranhenses agem. A agencia mara- nhense entrou em operaqio. A paraense continue em cogitagio, ainda sem uma de- finicio institutional. 0 Cad6ncia paraense No ano 2000 deveri entrar em opera- c0o o maior porto da America Latina. Vai comeaar a ser construido neste ano em Mejillones, no norte do Chile, ao custo de 300 milh6es de d6lares, que seri ban- cado por empresas japonesas, coreanas, francesas, holandesas e australianas. O principal objetivo 6 o de embarcar qua- tro milh6es de toneladas de cobre, 6 mais important produto chileno, para o su- deste asiitico. Mas tamb6m ir escoar cerca de 30 milh6es de toneladas de ou- tros produtos, entire os quais soja bolivi- ana, argentina e brasileira. Esse 6 mais um item de mudanca na matriz de transport do continent, no eixo que estabeleceri a ligaio entire a America Latina e o mercado emergente de maior dinamismo, na Asia, pelo lado do Pacifico. Pelo do Atlintico, terminals poderosos ji estabelecidos slo os de Tu- bario, no Espirito Santo, e Ponta da Ma- deira, no Maranhio. O mais novo, em constituiqio, 6 o de Pecem, no Ceari, cor especializaqio siderdrgica. Nesse cenirio em mutaqlo, onde fica o Pari e particularmente Belim? Aquela outrora gostosa misica tradi- cional agora soa ameacadora: chegou ao Para, parou. 0 ASSINATURAS Ospedidos de assinatura doJORNAL PESSOAL (R$ 15,00 por trimestre) podem ser feitospelos telefones 224-3728 e 223-1929, ou diretamente a rua Aristides Lobo, 871, CEP 66.053-020. Junto 4com dadospessoais nomee e enderego complete), o interessadopode enviar cheque em ..nome de Lcio Fldvio de Faria Pinto para o enderego acima. QuestAo de ritmo JOURNAL PESSOAL QUINZENA DEJANEIRO / 1997 Uma ameaga para a hidrovia H idrovia no e a mesma coi- sa que rio. Esta poderia ser uma constatacao acaciana, mas s6 agora esti sendo levada is devidas consequencias no Brasil. Um rio navegavel e um element da natureza. Mas um rio nlo-navegi- vel, para se transformar em hidro- via, necessita de virias obras, da si- naliza~io i derrocagem (remoio de pedras do seu leito), e ate mesmo eclusagem ou barramento. Estas obras podem causar interferencia nas condiqes ambientais. Na hidrovia do Araguaia-Tocantins, urn dos 42 projetos considerados estrategicos pela administrator Fernando Henrique Cardoso, ao custo de 158 milh6es de reals, devidamente alocados (sendo R$ 109 mi- lhoes do Orramento Geral da Uniio), ji foram aplicados R$12 milhoes. Sob certas condi6es, ate ji possivel transportar car- ga entire Aruani, em Goi4s, e Xambioi, no Tocantins. Mas s6 quando as obras ji esta- vam em andamento 6 que foi lembrada a necessidade de estudar o impact ambien- tal da hidrovia. As pressas a Fadesp, a fundacio de pes- quisa da Universidade Federal do Pari, atraves de convenio corn a Ahitar (Admi- nistraaio da Hidrovia Araguaia-Tocan- tins), encomendou e aprontou um EIA-RIMA (Estudo de Impacto Am- biental-Relat6rio de Im- pacto Ambiental). O docu- O grup mento esti sendo rejeita- rece estar do pelas instincias encar- dimento. regadas de licenciar a obra, os erros d que afeta tres Estados ternacion; (Goiis, Tocantins e Pari). forma de Muitas insuficiincias e in- para o imn defini6es foram aponta- fiadora d( das. Teri que ser refeito importar para tender a todas as exi- celulose e gincias dos analistas. irea indus Isso e bom, significa um A said avango. Os EIA-RIMA por Delfir no podem ser produzidos za~go i b apenas para inglIs ver, Azevedo como uma prestaio de industrial, contas meramente formal. to o BND Se dinamitac6es de pedras ra, que fa existentes no curso do rio Agora, vio alterar seu fluxo natu- recent fa ral, afetar a fauna aquitica segundo r ou desequilibrar a vida hi- cordata br drica, 6 precise ter uma curto praz previsio dessas conseqii- quais junt( 6ncias. Mas as exigencias ria do BB nio podem se tomar des- da de Ion cabidas. Talvez um perfec- financeira cionismo extremado ou Qual se um padrio de rigor de pri- meiro mundo sirvam de biombo para cau- sas que nada tnm a ver cor o que esti apresentado nos discursos ambientalistas. Evidentemente, e fundamental levar em consideragio a natureza se a constituicio da hidrovia vai afetar significativamente a vida natural do rio, considerando-se nio apenas o curso d'igua em si, mas o ecos- sistema como um todo. A era da enge- nharia obtusa chegou ao fim. Comecar a executar o projeto da hidrovia sem o es- tudo ambiental previo foi um erro, pro- duto de mentalidades desatualizadas. Deve-se corrigir esse erro. Mas tamb6m 6 precise ficar alerta para que, a pretexto de seguir normas ecol6gicas rigorosas, nio se estar permitindo manobras escusas. Rides again o Antunes, que liderou a compra do Jari em repetindo o gesto do antigo proprietirio do O milionirio Daniel Keith Ludwig, encalac to projeto, decidiu nao pagar mais os empret ais, que ele espontaneamente havia feito, c pressionar o govemo federal a encontrar um Impasse. E teria que encontrar mesmo: a Ur e emprstimos que a Jari fizera, principal - sem a anilise da similaridade national a 1 a usina de energia construidas no Japao e insi trial. para o impasse veio, em 1982, criada a qua n Neto e Bulh6es Pedreira, atraves de uma rasileira. O grupo liderado por Augusto T Antunes assumiu a parte operacional do comp] que estava em condig6es de funcionamento ES e o Banco do Brasil ficaram com a part zia agua torrencialmente. envolvido em suas pr6prias dificuldades, agrav lecimento de Augusto Antunes, o grupo C naior minerador do pais decidiu decretar u ranca" no Jari, deixando de honrar dividas d :o no valor de 300 milh6es de d6lares, 70 mi o ao elasticissimo BNDES, que ji jogou cor - outras tantas centenas de milh6es de d6lare go prazo da empresa, dinheiro torrado na ra, agora, a solugo brasileirissimamente cria Alguns estranham que a nova maneira de encarar a hidrovia Ara- guaia-Tocantins em particular s6 tenha surgido depois que todo o sub-trecho Aruani-Xambioi foi si- .nalizado e construido o porto de Xambioi. Nem mesmo o mais ex- tremado ambientalista poderi impe- E dir que esse trecho continue a set utilizado, como ji esti ocorrendo. As alterac6es efetuadas foram pou- cas e nao devem ter causado ne- nhum dano i natureza. S As maiores obras estio reserva- das para o curso inferior do rio, em terri- t6rio paraense e exatamente as obras que caracterizacio o Araguaia-Tocantins como uma hidrovia complete, corn dois mil qui- 16metros de extensio, da nascent a foz, permitindo um transport em modal uni- co ate o ponto de embarque para o exteri- or. Corn esse perfil, a hidrovia seria imba- tivel em comparaio cor as vias de esco- amento competidoras. Como esti, a hidrovia se integra ao projeto intermodal que se desvia para leste e, usando uma perna rodoviiria en- tre Xambioi e Imperatriz, chega pelas ferrovias Norte-Sul e Carajs ao porto da Ponta da Madeira, no Maranhio. Algu- mas fontes apostam que os recentes ques- tionamentos sobre a hi- drovia Araguaia-Tocan- tins podem ter a inspira- gqo dos que defendem 1982, pa- esse projeto e pretendem empreen- criar condic6es para que rado corn as obras da pol8mica Nor- stimos in- te-Sul prossigam. omo uma Pode ser mera coinci- la solu~io dencia, mas suposic6es s6 liao era a sedesfazem com uma dis- ente para cusso atenta e aprofunda- ffbrica de da. Os paraenses nio po- taladas na dem deixar essa polemica sair pelo ralo: tem que co- itro maos loci-la em sua agenda pre- nacionali- ferencial. Embora o presi- rajano de dente Fernando Henrique lexo agro- Cardoso tenha incluido a ,enquan- hidrovia entire os 42 pro- financei- jetos prioritirios, o gover- no do Estado nio parece radas pelo ainda operacionalmente aemi o consciente de que esse 6 ma "con- um dos components vi- e medio e tais de um projeto de fu- lh6es dos turo do Par. Continua- n a parce- mos a reboque, mesmo de :s na divi- quest6es vitais como essa. voragem Corremos o risco de, mais uma vez, acabarmos atro- tiva? pelados pelos aconteci- mentos. 0 Incorreqio na informagio prestada pelo DCE i assessoria de imprensa da Universida- de Federal do Pari, e nio auto-censura, foi a causa da exclusio do meu nome da agenda da UFPa, publicada aos domingos na grande im- prensa. E o que informa Walter Pinto, em co- municagio enviada a este joral a prop6sito de nota publicada na edigio anterior. Os organizadores do 1 Seminirio sobre Political Cultural no Movimento Estudantil modificaram a programaqio do event, mas nio incluiram essa mudanca na nota enviada i assessoria de imprensa para divulgaqio, em- bora tenham me dito que a programacio ha- via sido devidamente corrigida. Minha parti- cipaio deixou de ser dada numa oficina so- bre imprensa alternative para se tomar a pa- lestra de abertura do seminirio, mas meu nome deixou de constar do informed enviado pelo DCE i assessoria de imprensa da UFPa - e, por isso, ficou de fora da agenda. Minha atenqio a epis6dios semelhantes se Vidraga e baladeira A decision do prefeito Edimilson Rodrigues de fazer o seu primeiro program de ridio ji no dia 3 significa esquecer as critics do passado e incorporar, como correta, a onerosa programagio de midia do seu antecessor. Se 6 mesmo indispensivel prestar contas ao cidadio sobre os atos da administration paiblica atravis dos meios de comunicacio (e isso 6 indispensivel mesmo), dar continuidade ao que vinha sendo feito sem submeter essa p.ogramacio a uma revision rigorosa e adequidaa is conveniincias do serving public (e, sobretudo, is limita;6es do eririo), 6 desautorizar tudo o que vinha sendo dito a espeito pelo PT e dar. razio i descrenca no que result da transigio dos grupos politicos da oposic o ao exercicio do powder. Manter coerencia e mesmo impossivel? reform em precedentes. Em tres ocasi6es re- centes a Reitotia da UFPa foi incomodada em funcio da perseguicio movida contra mim pela ditetora administrative do Sistema Romulo Maiorana de Comunica;io: quando o tema foi provocado no Conselho Univer- sitirio, quando o Departamento de Letras se solidarizou cotnigo e quando um boletim in- terno do Departamento de Pessoal (sugesti- vamente chamado Jormaldo Pesswa, cor tipo- logia semelhante i deste JP) foi confundido corn o pr6prioonal Pessoal, que estaria sen- do rodado na Imptensa Universitaria. Tudo confuslo derivada de uma obsessive caCa a um suposto bruxo. A nota de Walter Pinto, al6m de esclarece- dora, e reconfortadora. Renovo nela minha confiana de que haverA resistincia i perpe- tratio de alguma indignidade, se ela voltar a ser tentada nos limited do a'pus universiti- rio, criado para ser o reduto do saber e nio do obscurantism, Pasquim 6 a vitima Em dezembro de 1989, de- pois de circular durante pou- co mais de 20 anos, o Pasquim, o maior sucesso da imprensa altemativa brasileira em todos os tempos, acabou. Morto in- telectualmente ele ji estava havia algum tempo: sobrevivia como um moribundo que, a cada edicAo, dilapidava o que restava do seu capital financei- ro e editorial, mutilando a pr6- pria biografia. Mas o "livro" escrito por Norma Pereira Rego (Pasquim, Relume Duma- ri/RioArte, 127 piginas, 12 reais), nio apenas nio serve para registrar a data, como 6 uma fraude. Foi escrito com displicencia e desonestidade. E uma 'leitura" (colagem seria a expression mais correta) desin- teressada e desinteligente do melhor livro em uma biblio- grafia infelizmente pobre ji escrito sobre o Pasquiw, deJosi Luiz Braga (0 Pasquim e os anos 70, Editora Universidade de Brasilia, 1990), complementa- da cor entrevistas mediocres, menos para ajudar a interpre- taro fen6meno cultural desen- cadeado pelo auto-declarado hebdomadirio (na veidade, um semanitio) e mais para tender os interesses da autora. Parece desses livros escritos a toque de caixa no menor es- paco de tempo possivel para tender a encomenda de quem nio ter qualquer rigor sobre o produto solicitado. E tio rela- xado que, num trecho, aparen- temente sem perceber o que esti escrevendo, Norma diz, referindo-se ao ano de 1975: "Foi quando o jornalista Vladi- mir Herzog suicidou-se na pri- sio". Nio dara para ela acres- centar a informaaio de que a version official nio foi aceita, por motivos mais do que flagran- tes, e que a justica acabou res- ponsabilizando a Uniio pela morte do jomalista? Enfim, o melhor 6 usar os 12 reais em algo que valha a pena. O livro de Norma Perei- ra Rego i papel que merece um s6 destiny: a cesta do lixo. Campo preservado Mutran: sobrevida Quem apostou no fim da di- nastia Mutran na political de Ma- rabi com a derrota do ano passa- do apostou errado. A familia ain- da mantim dois lugares na Cmna- ra Municipal e pode terestado por tris da original decision judicial que sobrestou, durante alguns dias, a posse do midico Geraldo Veloso na prefeitura, at6 a TRE restabelecer a normalidade legal quebrada por decision de 1 gtau. Os Mutran ji demonstraram um f6lego excepcional ao long da hist6ria marabaense. Pior para Marabi. Titulo national A C. R. Almeida, que quer se apropriar de terras p6blicas para former o que seria a maior pro- priedade particular do Estado, 6 a 16' maior devedora da previ- d&ncia social em todo o pals. O dibito da firm de Cecflio Rego de Almeida e de 49,2 milhaes de reals, segundo a relaqio divulga- da no final do mes passado pelo Institute Nacional de Seguridade Social (INSS). Se o Incra cumprir seu dever, a C. R. Almeida poderi ocupar um outro lugar de destaque equi- valente: de uma das maiores de- vedoras de ITR (Imposto Terri- torial Rural) do Brasil. Basta ta- xar a irea que a empresa insisted em declarar como sua. Politicos concessionadios Corn tris emissoras de tele- visio e seis de ridio, o senador Jader Barbalho 6 um dos maio- res concessionanos, entire os politicos, de emissoras de co- municago do pais e o maior da Amaz6nia, segundo a extensa listagem divulgada pelo Minis- tirio das Comunicac6es. No Par, os outros politicos sio Gerson Peres, com duas ridios em Camert, e o falecido depu- tado Ubaldo Cortea (uma emis- sora de TV e uma de ridio em Santar6m). Ji no Maranhio, juntamente cor o filho, o se- nador Jos6 Sarney ter duas ras eyio e cinco enquanto o senador SLobio actiubla uma ,/3A<-nlos. |
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