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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00103

Full Text





ornal Pessoal
ITOR RESPONSAVEL: LUCIO FLAVIO PINTO
0 X- N, i&lgiN A 7 J t". 199P7 R-$ L&

POLITICAL


Agora, e pra valer

0 governador Almir Gabriel mostrou que tem vontadepolitica:
venceu o primeiro round da nova dispute com o PT A partir de
agora, todos os movimentos serdo importantes para definir
como sera a batalha maior, em 1998.


o interferir diretamente na
elei~io da mesa da Canara
Municipal de Bel6m, como
nenhum outro governador
havia feito em anos recentes,
Gabriel deixou bem claro que, se
diq6es assirn o permitirem, ele seri
ato a reelei~io em 1998. Contribu-
ara a vit6ria de seu correligionario
Lraujo, mesmo tendo o PSDB ape-


nas uma bancada media de dois verea-
dores no legislative da capital, Almir tam-
b6m deu a primeira demonstracio efetiva
de appetite politico. Pela primeira vez, pa-
receu disposto a constituir em torno de si
um p61o de gravitacio political.
Saber se esse polo e dotado de autono-
mia, contudo, ainda constitui a duvida que
subsiste i vit6ria do governador na pri-
meira meditio de forgas cor seu mais


pr6ximo adversario politico, o prefeito
Edmilson Rodrigues, do PT. Na cabega
da mesa da Cimara ficou o vereador de
um partido que, na melhor das hip6teses,
ter a quinta bancada da casa. Mas o ex-
prefeito Hl6io Gueiros deixou ali planta-
dos elements de sua confianga mesmo
que, em se tratando de politicos desse tipo,
de confianca relative.
Almir Gabriel partiu para o con- St


722222


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011eiros ffelo
4%,715eiro
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2 2- QUINZENA DE DEZEMBRO/1996 JOURNAL PESSOAL


ftonto direto corn Edmilson renovando
sua alianca corn Gueiros, uma opeio titi-
ca de combat a ser mantida ou revista no
future, conforme a evoluio da correla-
aio de forcas e das regras da dispute elei-
total. Garantida a hip6tese de reeleigio
para todos os niveis do executive, a alian-
a de 1994 s6 se manteri se Helio Guei-
ros excluir de seus pianos voltar ao go-
verno do Estado. A dobradinha poderia
ser Almir para a reeleig o (ate mesmo corn
a instivel companhia do Junior) e Guei-
ros-pai para o Senado.
0 complicador 6 a hip6tese ji consi-
derada mais plausivel em Brasilia de que
a reelei~io beneficie apenas ao president
da Repuiblica. Nesse caso, que nome po-
deria unit novamente Almir e H61io no
governor e qual seria a composigio con-
sensual da chapa majoritiria? Na duvida,
o governador tratou de agradar o ex-pre-
feito e at6 compareceu ao ultimo ato da
gestio dele, a reinauguraclo do desfigu-
rado Largo do Carmo. 0 program incluiu
palavras de carinho e agradecimento emo-
tivo.
Tudo bern na alianga? De pfiblico, sim.
Nos bastidores, nem tanto. H1lio Guei-
ros nio economizou reclamacges de ga-
binete a falta de ajuda fmanceira do Esta-
do para aliviar seus iltimos dias de difi-
culdades. 0 entio secretirio de Financas,
Sibato Rossetti, esperou sentado, natu-
ralmente o repasse de 7 milh6es de re-
ais, 4 milh6es dos quais serial para a fo-
lha de pessoal, que nio veio.
A falta de sinais de volta por parte do
Estado foi o troco pela conduta de Guei-
tos na campanha. Ele orientou os marke-
teiros a evitarem contatos entire o candi-
dato official e o governador para que nio
houvesse perda de votos, o que conside-
rava inevitivel devido i impopularidade
de Almir Gabriel, agravada pelo epis6dio
sangrento de Eldorado de Carajis. 0 go-
vernador calou-se a respeito, mas asses-
sores bem pr6ximos garantem que ele fi-
cou magoado.
Entre os dois parece estar em curso um
process semelhante ao que levou ao en-
venenamento das relag6es anteriores en-
tre Helio Gueiros e Jader Barbalho. O pri-
meiro, entio governador, tratou o segun-
do com(a maior deferencia enquanto Ja-
der teve asguma base de apoio federal, mas
desde o inicio de sua gestio nio poupava,
intramuros, comentirios ferinos ao ante-
cessor. Quando a demissio de Henry
Kayath da Sudam desencadeou o rompi-
mento aberto, o terreno ji estava comple-
tamente minado para as explosoes que se
seguiriam. A situaio ainda nio 6 a mes-
ma entire Almir e Hlio, mas um process
equivalent ji comegou.
Talvez por isso o governador esteja agin-
do como se enfientasse uma prova de re-
vezamento. Nio deixa o bastio da alianca
que possibilitou sua eleicfo em 1994, mas


cultiva um outro bastio, o do PPB, para
eventualidades. 0 PPB, alias, foi vital para
viabilizar a vit6ria sobre o PT na Cimara
Municipal de Belmn e 6 um das bases de
apoio da gangorra que definiri o jogo, pen-
dendo ora para um lado, ora para outto o
do senadorJader Barbalho, que, aparente-
mente a distincia, vai mexendo corn cau-
tela as suas peas, tendo movido estrategi-
camente uma delas na direqio do PT.


0 jogo vai ser pesa-

do e dificil, deve final-

mente ter percebido

o PT com a primeira

derrota. Evidente-

mente, ela nao e tao

simples quanto o

novo prefeito procu-

rou demonstrar. Porque
nao 6 essa escoriagio generalizada, Edmil-
son Rodrigues vai ter que definir uma es-
trat6gia mais eficaz de telagio corn a Ci-
mara e se assessorar de pessoas compe-
tentes, corn uma competincia capaz de
baixar do nivel ret6rico para a pritica.
Isto significa deixar de lado as ideias e
agir no mercado conforme as relag6es de
troca, que o governador segundo a acu-
saslo petista teria utilizado? As tenta-
9oes nesse rumo sao muitas. A primeira
esti nas pr6prias dificuldades que a nova
direfio da Cimara enfrentari. Embora
sendo uma continuagio do esquema poli-
tico ali estabelecido, ela herdou urn passi-
vo de 1,8 milhio de reais, incluindo a par-
te nio paga da folha de pessoal e os dibi-
tos correntes.
Nio seri nem preciso ao prefeito dei-
xar de cumprir seus compromissos cons-
titucionais para corn o chamado legislati-
vo mirim: bastari imitar o comportamen-
to recent de seu antecessor, que atrasava
os repasses dos duodecimos, criando di-
ficuldades e desgastes para a administra-
9o da Cimara, mesmo estando ela co-
mandada pot um parceiro..
E clato que esses sio instruments de
aio political, mas o PT pretend contri-
buir para a melhoria dos procedimentos.
Isto significa que nem deve se rebaixar ao
nivel de um fisiologismo clientelistacini-
co, nem subir is alturas de um purismo
irrealista, no qual o partido costuma cair
pot seu isolamento ou pelas veleidades de
um sebastianismo salvacionista, adaptado
da mistica religiosa do povo eleito que esti
fincada nas suas taizes e recriada por seu
desdobramento ideol6gico. E preciso ser,
ao mesmo tempo, reformista e eficiente,
combinacgo que ainda esti distant da


potencialidade de seus quadros, mas ao
alcance de uma gestio criativa e compe-
tente. 0 PT conseguiri realizi-la em Be-
16m?
Uma resposta positive e o que esperam
os eleitores de Edmilson Rodrigues. Como
todo politico que pula da oposicio para o
poder, ele e seus auxiliares se assustaram
corn o tamanho dos estragos feitos por
H1lio Gueiros. As complicac6es costu-
marm ser maiores do que as imaginadas
por gestores que assume de ch6fre a
miquina public, sern urn period de apro-
ximaio, de tomada de contato real, a
"transicgo" ironizada por Gueiros.
0 novo prefeito nio teri recursos sufi-
cientes para agit satisfatoriamente no pe-
riodo inicial de sua gestio e, tudo indica,
vai enfrentar umrn "invemo" rigoroso. Tam-
bem nio contari corn a boa vontade do
governador, cuja personalidade e tempe-
ramento incorporou, multiplicando-as, as
desavengas de campanha. Talvez Almir
Gabriel componha melhor corn o PT, mas
quando os petistas estiverem mais verga-
dos, se isso ocorrer. Para o gosto do go-
vernador, Edmilson tern um componen-
te que poderia ser definido como arrogan-
cia. 0 autoritarismo do governador nio
combine corn esse element, nem seus
plans politicos para o futuro cruzam-se
corn os do PT.
Para manter-se no foco dos refletores,
o prefeito esti indo para as ruas, criando
fatos i maneira de Sahid Xerfan. Claro:
este 6 um instrument de marketing ne-
cessario para um gestor na situa~io em
que se encontra o de Belem, mas s6 ren-
de por quatro ou cinco meses. Depois vem
o vicuo desgastante, do qual Xerfan foi
salvo pela demissio e conseguiu salvar
como carisma por ter-se tornado uma per-
manente promessa irrealizada. Depois,
portanto, e precise ter essencia, conteii-
do. Qual o do PT?
A estrutura oferecida pelo partido na
sua primeira semana no poder municipal
surpreende pela singeleza e superficiali-
dade. Fica mais uma vez evidence que o
program de govemo apresentado por
Edmilson Rodrigues na campanha eleito-
ral foi uma improvisagio de tiltima hora,
induzida pelo inesperado crescimento de
seu nome. A nova administration vai ter
que ser constituida e submetida is revi-
s6es necessriias no curso do trabalho, dan-
do razio ao lema que Gueiros criou ape-
nas para consume externo: 6 caminhando
que se encontra o caminho.
Mas nio haveri muito tempo para en-
contrar o caminho e modular a caminha-
da. Logo o PT bateri na porta do cida-
dio-consumidor-eleitor em funcio da dis-
puta geral de 1998. Retardamentos e in-
sucessos do partido em Belem serio fa-
tais para as perspectives que a vit6ria na
capital abriu em relaqio a correlag'ao de
forgas political em todo o Estado. BW






JOURNAL PESSOAL QUINZENA DEJANEIRO / 1997


Nada de novo


N o iltimo dia util do ano
passado o governador
Almir Gabriel autorizou
a dispensa de li itagio public
para a Secretaria de Transportes
contratar a Engeplan para a exe-
cuqio de uma obra no valor de
4,4 milh6es de rekis (recuperaio
de 120 quil6metros de uma es-
trada federal entire Slo Geraldo
do Araguaia e a Transamaz6nica).
Para justificar a dispensa da lici-
taio, o seretirio de Transportes,
Amaro Klautau, alegou a situa-
qio de emergencia naquela irea
e o fato de que a empresa, "capacitada para
execuio das obras e servings em referen-
cia", encontrava-se "mobilizada as proxi-
midades da mencionada rodovia".
Trata-se de um dos casos mais delica-
dos de dispensa de licitago na adminis-
tracio estadual nos iltimos tempos. Um
dos proprietirios da empresa favorecida
6 o engenheiro Fernando Flexa Ribeiro,
president regional do partido do gover-
nador, o PSDB, pelo qual saiu candidate
a senador em 1994. Amaro Klautau foi
funcionirio da empresa antes de assumir
a secretaria. Nada de illegal nessas cir-


cunstincias. Quanto ao aspect moral,
nem tanto.
O estado de emerg&ncia foi decretado,
bem antes, menos em funio das condi-
96es reals da irea e mais como um artifi-
cio para os municipios da region recebe-
rem recursos financeiros. O acerto 6 co-
nhecido de todos. Um artificio, portanto,
foi usado para dispensar a licitagqo. A si-
tuaio da BR-153 nio 6 melhor nem pior
do que a de muitas outras de revestimen-
to primirio ou mesmo precariamente as-
faltadas, mas iniciar a recuperalo em ple-
no inicio do period de chuvas nio pare-


ce attitude das mais sensatas.
Muito menos sensato ainda 6
o governor tomar uma decision
dessas, por mais que ela fosse
procedente, em tal context. Fica
parecendo que pesou nela menos
a alegada e certamente feliz cir-
cunstincia de a empresa star
mobilizada is proximidades de
um trecho de estrada suposta-
Smente carente de a~io emergen-
Scial e mais o final do exercicio
financeiro, havendo por aplicar 4
milh6es de reais destinados pelo
DNER i BR (para uma contra-
partida de cabalisticos R$ 444.444,40 do
Estado). Ao dispensar a licita9io e assu-
mir a responsabilidade de execuio do
conv&nio, constituido ern 90% por dinhei-
to do governor federal, a Setran deu bar-
retada corn chap6u alheio.
O pr6ximo capitulo dessa hist6ria seri
escrito no Tribunal de Contas da Uniio,
mas a administraio Almir Gabriel, inde-
pendentemente da aprecianio legal desse
ato, ji perdeu dividends morals. E mais
um element que se desagrega do que cons-
tituia sua pretensro a originalidade, cor a
qualprometia inaugural um Par novo. S


IJ' Hi secretaries demais no organo-
grama que o prefeito vai submeter a Ci-
mara como parte do bolo de projetos que
a ela serio encaminhados, criando o se-
gundo round da medigio de forcas. Se o
nuimero de caciques foi reforcado, o de
indios ji esti sofrendo reducio e poderi
nio contar com as devidas compensa-
o6es, afetando a assessoria ticnica, vital
sobretudo para alguns chefes ne6fitos em
materia de administraiio public, ou ao
menos em materia que esteja al6m dos
manuais.
Como o PT deve estar cansado de sa-
ber, o problema estrutural mais grave de
Belim 6 a perda de fungio econ6mica
no Estado e na regiio, sobretudo corn
os deslocamentos de influencia e as mu-
danCas nas principals matrizes produti-
vas. Este esvaziamento esti traduzido no
novo percetual, rebaixado, de participa-
go da capital na arrecadagio de ICMS,
de 39 para 33%.
Na veidade, deveria tet ter sido menor,
como os 27% sugeridos pelo pt6prio PT
quando Hdlio Gueiros era prefeito e uma
vit6ria na iltima eleigio nio passava de de-
lirio na cabega mais otimista. Parceito, Al-
mit Gabriel evitou, at6 o fin da administra-
cgo anterior, que H6lio Gueiros perdesse
esses recursos, a seem redistribuidos pelos
municipios interioranos que aumentaram sua
participaio na riqueza estadual.


Com a derrota de

Gueiros, o governa-

dor liberou as com-

portas da represa

que havia montado

na Secretaria da Fa-

zenda para manter

indices defasados,

mas favoraveis a Be-

lem, postura tio intransigente que
levou os prefeitos a recorrer i justiga.
O PT teve, entio, que esquecer a plata-
forma anterior e lutar pela redugio da
perda, conseguindo elevar o percentual
de Belem, dos 31% que a Assembleia
Legislative examinava, para os 33% afi-
nal aceitos atraves de composigao. A
perda seri, a partir deste ano, de um mi-
lhio de reais por mes, ou 7% do que
chegava aos cofres municipals no ano
passado.
O maior desafio para a nova admi-
nistragio seri criar atividades para ab-
sorver o maior mercado informal de tra-
balho relative que hi entire as capitals
do pais, envolvendo o impressionante


contingent de 200 mil pessoas. Sem
esses novos centros gravitacionais, evi-
tar a complete desfiguraaio da cidade e
seu empobrecimento galopante seri
quimera.
Criar empresas municipals de habita-
gio e de turismo e a melhor maneira de
atacar esses problems? Aparentemente,
nio. Ao inv6s de tornar mais pesado o
custo administrative dessas iniciativas, o
poder public ter que se transformar em
instincia de fiscalizagio e normatizagio,
usando seus recursos para dar apoio ao
investidor privado e, obviamente, ao
tipo de investidor, o pequeno e o midio,
que gera maior quantidade de pontos de
trabalho e maior circulagio de renda.
Fundos sio mais eficientes nesse senti-
do do que empresas publicas e isso nio
6 o jargio neoliberal que diz, mas as evi-
d6ncias mais recentes da evolugio da
sociedade humana.
Acabou a fase da fe, sem a qual o
PT nao teria vencido, mas que nio e
suficiente para faz--lo governor. Ago-
ra o prefeito tem que descer de vez do
palanque e nio gastar tanto tempo e
energia no front. E a hora de, como co-
mandante, distribuir id6ias e ordens
para serem executadas. E quando o ci-
dadio vai verificar em quem votou. E
quando o Pard saberi se houve mudan-
ga para valer. *






S2' QL INZENA DE DEZEMBRO/1996 JOURNAL PESSOAL


Wilson de Jesus Marques da Silva
chegou ao Tribunal de Justiga
do Estado como um dos mais
brilhantes juizes de sua geraq~o. No 6r-
gao especial marcou posiqio como um dos
desembargadores mais afirmativos, que
nio recorre a artificios para deixar de jul-
gar processes de conteuido explosive,
como o de alegar imotivadamente raz6es
de foro intimo. Mas, pela segunda vez, ele
perdeu a dispute pela presidencia do TJE.
Na vez anterior, o vencedor foi o desem-
bargador Christo Alves, que esti encer-
rando o seu mandate. Agora, para surpre-
sa de muitos observadores, a derrota foi
para o desembargador Romio Amoedo
Neto, que ocupava a vice-presidencia.
Considerado favorite ate alguns dias
antes da eleicio, no uiltimo dia 18, Wilson
perdeu preciosos votos corn a reper-
cussio em Belem da decision, tomada
em Marabi, pelo juiz Francisco Cha-
gas, que impediu a diplomaqao do
prefeito eleito do municipio, Geral-
do Veloso. A sentenga do juiz foi
sumariamente revogada pelo
Tribunal Regional Eleitoral,
mas ecoaram no f6rum da ca-
pital acusag6es feitas contra a
vida privada do magistrado, que
teriam influido sobre sua po-
lEmica decisao, seguida
do seu afastamento da iEs _-- .


Pela terceira vez o desembargador Ca-
listrato Alves de Matos tentou, sem su-
cesso, aproveitar-se de sua condigio de o
mais antigo desembargador que ainda nio
ocupou a presidencia do Tribunal de Jus-
tiga do Estado para apresentar-se como
candidate ao cargo. Pela terceira vez con-
secutiva foi rejeitado: na eleigco realizada
no dia 18 do mes passado, novamente con-
tou apenas cor o pr6prio voto.
Para nao filgir a regra, recorreu pedin-
do a anulaio da eleiio. Deveri perder
outra vez. Talvez ainda tente pela derra-
deira vez dentro de dois anos, mas seu
destino ji esti previamente tragado: ira ate
a expuls6ria, quando chegar aos 70 anos,
na passage do seculo, sem conseguir
presidir o TJE e sem obter nada mais,
nas disputes para as quais se apresentar,
do que um voto solitirio.
O mesmo tribunal que renovou a rejei-
cio a Calistrato decidiu, porem, eleger o
desembargador Humberto de Castro cor-
regedor geral de justiga, usando pesos e
medidas distintos para avaliar personali-
dades equivalentes. Onde a coerencia?
Quando os critics apontam sua turbu-


comarca, justificado, e claro, mas inc6mo-
do e inconvenient.
Esses ecos acabaram desfavorecendo o
desembargador Wilson na v6spera de uma
dispute que parecia destinada a ser a con-
firmagio de sua produtiva carreira de
magistrado. Alguns dos privilegiados elei-
tores deixaram de apoiar o nome do de-
sembargador por receio de paralelismos,
no future, semelhantes aos de Marabi,
corn a interferencia da vida privada sobre
decis6es judiciais.
Abatido, Wilson Marques recebeu soli-
dariedades, principalmente de juizes da ins-
tincia inferior. Uma carta da juiza Marta
Ines Jordio circulou intensamente nos cor-
redores do f6rum. Na carta, a juiza diz que
o resultado da eleiio significou a peria
"de minha crenga de que se pode, queren-
do, ordenar o caos, como vinham fazen-
do os Presidentes que sucederam a Ossi-
am Brito de Almeida, restaurando a cre-
dibilidade e imprimindo nova image
a tio sacrificada justica comum desta
terra".
Agora, o desembargador ainda te-
ria mais uma possibilidade de dis-
putar a presidencia antes de ser al-
cansado pela expuls6ria (a reform
obrigat6ria aos 70 anos), mas parece
dificil que ele se exponha i even-
tualidade de uma ter-
ceira derrota.0


lenta carreira no judiciirio como o motive
para o bloqueio de sua carreira at6 a presi-
d&ncia do TJE, o desembargador Calistra-
to Matos costuma argumentar que sua fi-
cha e inacreditavelmente limpa. Toda a
celeuma provocada por virias de s- .Ls de-
cisoes controvertidas nio se trans' -u para
os apontamentos administrativos do judi-
ciario. E por isso que, para todos os efeitos
formais, o polmico magistrado se consi-
dera autorizado a pleitear o cargo que seus
pares se recusam a lhe conferir.
Ji o desembargador Humberto de Cas-
tro (citado no n 5 deste journal, de no-
vembro de 1987, por haver substituido,
nos autos de uma aaio entire o Banco do
Estado do Pari e a Xylo, o despacho ori-
ginal que ji havia dado por um novo, in-
troduzido no process cor data atrasa-
da, e ainda permitido que a pr6pria em-
presa trocasse a peti~lo original), chegou
ao tribunal contra os votos de cinco de-
sembargadores e alcangou o 6rg~o corre-
cional cor a aprovagio de 11 dos 26 de-
sembargadores que votaram nc dia 18.
Assim o TJE vai construindo sua his-
t6ria ou sua anti-hist6ria recent. 0


Oportunidade perdida


N ufragos

ao mar
A surpresa foi geral quando o'
Joral Nacional, o mais influence
program da television brasileira,
divulgou, no final do ano passado,
uma long reportagem produzida
em Belem pela TV Liberal
mostrando o caos no Pronto
Socorro Municipal. A surpresa
continuou corn novas e agessivas
mat6rias na television e no journal 0
Liberal sobre o literal fim da
administration Hilio Gueiros,
centradas no PSM e no lixo
acumulado pela cidade.
Com o o grupo Liberal nio
costuma fazer campanhas
propriamente desinteressadas e ate
entio tinha sido um bem-
comportado anotador dos alos do
gdio-mestre do burgo, o que a
opinion piiblica passou a perguntar
foi sobre a razio da sfibita mudana
de posiio editorial da mais poderosa
corporaao de comunicaio do
Estado. Teria o Sistema Romulo
Maiorana de Comunicacao se
convencido, ainda que i und&cima
hora, de que a gestio Gueiros era
mesmo desastrosa?
Nio exatamente. E que o grupo e
dono de mais da metade da divide de
2 milh6es de reais junto aos veculos
de comunicago da capital transferida
por Gueiros ao seu successor. Desde o
primeiro trimestre do ano o ex-
alcaide vinha deixando
progressivamente de honmar
compmomissos da sua ampla e cam
programaio publicitulia, que tinha
como carro-chefe as inser~des em
espacos nobles da television e uma
alocuo radiof6nica diaria. A midia
incluiu os veiculos de comunicaC o
do inimigo n 1 de Gueimos, o
senadorJader Barbalho (corn a
intenio, talvez, de compar-lhes o
silncio), ate meados da campanha
eleitoral, quando eles foram cortada.
Cor a acumulacio de dividas, que
nio s6 nio eram pagas, como sobre
as quais o entio prefeito se recusava
a tratar, Romulo Maiorana Jr. decidiu
suspender o program de Gueinas,
que retrucou mandando dizer que nitl
quitaria o dibito. Velo entio a oldem
para abrir fogo contra a administailo
municipal, tioteio ji um tanto fora de
hora e sem obedecer i melhor mimr
moral. Nada a surpmeender, enttetanto
ji que a nau afundava -e, nesses
casos, sabe-se muito bem quem pula
prime o omar


Pesos e medidas







JOURNAL PESSOAL- 1' QUINZENA DEJANEIRO / 1997 5


ntre 1975e 1990 a
regiio Norte foi a
que mais cresceu
no pais: passou de 2,2%
para 5% do Produto In-
terno Bruto no period,
segundo o levantamento
realizado por Cliudio
Consider, o director do
Ipea (Instituto de Pesqui- ..
sa Econ6mica Aplicada),
do governor federal. O desempenho mais
pr6ximo foi o do Centro-Oeste, que evo-
luiu de 4% para 6,6% do PIB. Embora
menos, o Nordeste tambem cresceu, de
11,3% para 14%. O Sudeste teve sua par-
ticipagio percentual reduzida de 64,4%
para 58,4% e o Sul, de 18,1% para 16%.
Assim, a parte considerada pobre do
pais cresceu de 17,5% do PIB em 1975
para 25,6% em 1990, enquanto as regi6es
mais ricas diminuiram de 82,5% para
74.9% da riqueza national. Em um quar-
to de s&culo, portanto, reduziu-se o bru-
tal desequilibrio interregional no Brasil.
Mas, ao contritio do tom de euforia dado
pela imprensa national ao serem revela-
dos alguns dos resultados da pesquisa de
Consider, no mes passado, ainda 6 cedo
para saudar a desconcentragio econ6mi-
ca do pais.
Entre 1990 e 1995 essa tendencia dei-
xou de agir. As posic6es permaneceram
praticamente inalteradas, a parte mais po-
bre cor 25,5% do PIB e a mais rica corn
75,5%. O Norte e o Nordeste experimen-
taram ligeiras quedas no period, o Norte
baixando de 5% para 4,9% e o Nordeste
involuindo de 14% para 13,7%. Apenas a
ascensio do Centro-Oeste nio foi iner-
rompida: subiu de 6,6% para 6,9%. Do
outro lado, persistiu a perda relative de


O s funcionirios piblicos municipals
e Belem deixaram de receber os
seus salafios porque, i ultima hora,
o prefeito Helio Gueiros precisou utilizar
o dinheiro disponivel em caixa para cobrir
os rombos que havia em suas contas. Re-
cursos de aplicagio vinculada haviam sido
desviados para financial obras e servigos
de interesse eleitoral destinados a favore-
cer a candidatura official na dispute pela
PMB. Segundo fontes oficiosas, o desvio
alcancou cerca de cinco milh6es de reais.
Caso Ramiro Bentes fosse eleito, Helio
Gueiros pensava em recorrer a financia-
mentos para cobrit os buracos e ao mes-
mo tempo tender os compromissos da
prefeitura. Mas a derrota foi um complica-


S peso do Sudeste (de
S 58,4% para 57,2% do
PIB), mas o Sul recuperou
S a posicgo alcangada na
decada de 80, passando de
16% para 17,4%.
Estes dados mostram a
expans~o da fronteira eco-
n6mica no Brasil a partir
- do centro dinamico mon-
tado na regiio Sudeste.
Esse nucleo se expand para fronteiras
clissicas, como a Amaz6nica, mas tambem
para ireas satelitizadas, como o Sul, e de
expanslo continue, como o Centro-Oes-
te e o Nordeste.
O fato de a Amaz6nia ter evoluido pro-
porcionalmente mais do que as demais re-
gi6es na participaio no PIB, mas nao ter
alcancado resultados equivalentes na dis-
tribuigio da renda (que represent apenas
um pouco mais da metade da renda "per
capital" national), evidencia a desigualda-
de nas relaq6es de troca da regiio. Espe-
cializada compulsoriamente em exporta-
1o, a Amaz6nia sofre a sangria provoca-
da pela desvalorizago dos preco relati-
vos dos seus produtos e pela inexistencia
de cadeias produtivas completes, capazes
de reter em seu territ6rio a renda transfe-
rida para mercados externos em funflo
de terms de troca desfavoriveis.
A regiao esti condenada a repetir a tra-
gedia vivida por um de seus mais emble-
miticos personagens, o seringueiro: como
observou Euclides da Cunha, pela vincu-
laao ao barracio do seringalista, o serin-
gueiro estava condenado a se escravizar
mais i media em que trabalhava mais,
cor isso aumentando sua divida com o
patrio e fornecedor. O barracio da Ama-
z6nia dos nossos dias 6 o mundo. *


dor indesejivel: ao contfirio dos tris anos
anteriores, o sistema financeiro se fechou
para a PMB, receoso de assumir encargos
que nao viessem a ser honrados, corn a
descontinuidade political.
Ameacado de encerrar seu mandate dei-
xando contas irregulares, que complicari-
am seu processamento posterior no Tribu-
nal de Contas dos Municipios, Gueiros lan-
9ou mio do que havia disponivel, inclusive
dinheiro que seria usado para tender a fo-
lha de pagamento do pessoal. Os funcioni-
rios passaram a mingua de um ano ao outro,
mas o alcaide resolve as dificuldades de-
correntes do envolvimento da miquina ofi-
cial na ultima eleicio. O resto da hist6tia e
converse gueirista, engolida pela imprensa.0


Mercado international:

o barracao amazonico


Pela rama
Obrigado a fazer critics de afoga-
dilho, ja que ate entao o que fizera fora
a corte ao prefeito, o grupo Liberal nao
conseguiu ir al6m de narrativas impres-
sionistas nas materias sobre as condi-
5ges de atendimento no Pronto Socor-
ro Municipal, atacando as consequen-
cias e nao as causes do problema. Corn
o funcionamento do servigo 192, a pre-
feitura gastou, em media, entire 2,2 e
2,5 milhoes de reais ao ano. INo perfo-
do da gestao H6lio Gueiros, portanto,
foram de 9 a 10 milh6es de reais.
Mesmo corn os orgamentos regular-
mente superfaturados das obras do ex-
prefeito, dava para construir um novo
PSM e melhorar o atendimento hos-
pitalar no municipio. Ou, em qualquer
outra alternative, colocar em execugAo
um program que nao acabasse se tor-
nando um passeio de ambulincia corn
pacientes que nao conseguem ter o
destino competent, o do hospital.
Gastou-se fortune corn atividade-meio
e foi-se mesquinho com a atividade-
fim.
Como quase todas as iniciativas do
expirado governor municipal que nos
assolou, obra (cara) de fachada para be-
neficio maior do prestador de servico
& associados ou pendurados.


Nome para 98
Qualquer que venha a ser o desempe-
nho de Valdir Ganzer na Secretaria de
Economia de Bel6m, sua cotagio como
candidate a candidate a governador pelo
PT vai entrar em queda. Ele desgastari
nos pr6ximos meses seu principal capital,
que 6 a ligacao cor o interior. Teri que
ficar preso na capital e envolver-se inte-
gralmente nas tarefas da administrag~o.
Comenta-se, em consequencia, que a
opo passari a ser a vice-prefeita Ana
Julia Carepa, que tambem estarai frente
de uma secretaria, a de Urbanismo, mas
teri mais condigoes de agir politicamen-
te.
Mas na verdade o PT ainda nio tern
um nome de amplitude estadual para lan-
gar em 1998. As outras possibilidades slo
os deputados Ze Carlos e Luiz Aratijo e o
federal Paulo Rocha, ji que Geraldo Pas-
tana, que subiu no lugar de Ana Julia, 6
muito retraido. Mas o PT nao disp6e de
uma uinica prefeitura interiorana. Sobre-
carregar Belem de fung6es political seria
o mesmo que cobrir um santo descobrin-
do o outro: esse excess de demand da
capital poderia comprometer as ji proble-
miticas possibilidades de sucesso admi-
nistrativo de Edmilson Rodrigues.
As melhores perspectives para o PT
dificilmente estario em 1998. As raposas
political apostam nisso.


As contas furadas






(5 2'QUINZENADE DEZEMBRO/1996 JOURNAL PESSOAL


Um exemplo para o future


iguei a televisio quando ji estava
passando um documentirio do
discovery Channel sobre a virzea
do Solimdes, em Tefe, no Estado do Ama-
zonas. Um belissimo documentirio, des-
ses que s6 os estrangeiros conseguem re-
alizar porque tem o dinheiro necessirio
para cobrir as despesas e dispor de todo o
tempo que um trabalho bem feito requer.
Mas a estrela do documentirio, alum da
natureza, era o cientistaJose Mircio Ayres,
paraense como n6s.
Josi Mircio revelou para a ciencia o
Uacari Branco, macaco unico rosto ver-
melho, cabeca careca e pelos brancos no
resto do corpo na faixa tropical do pla-
neta. Por sua aparencia, sugerindo a figu-
ra do ingles tipico, inchado e rosado pelas
industrials doses de gim que toma, estava
sendo chamado de macaco ingles ate que
Mircio o descrevesse cientificamente e o
rebatizasse, tomando como inspiracqo
Paulo Vanzolini, um dos mais importan-
tes pesquisadores da Amaz6nia (e aben-
goado pela natureza, que Ihe deu belas fi-
lhas, entire virias outras virtudes cobiga-
das ou invejadas).
Conheci Mircio quando ainda &ramos
todos adolescents, uns mais adiantados
do que outros. Ele ji era um cientista em
formacqo quando eu aparecia na casa dos
pais dele, Manoel e Isa Ayres, no Largo
da Trindade, para estudar corn a Ana Rita,
a prima que veio de Santar6m, origem
comum minha e dela. Mas nio se tornou
o cientista obtuso e auto-suficiente da es-
tampa, daqueles tipos capazes de chegar a


minudencias extravagantes na descoberta
de seus objetos de estudo, mas indiferen-
tes ao mundo ao redor.
Mircio, ao contrrio (provavelmente
seguindo o exemplo do pai, que a admi-
nistraqio puiblica desviou da trilha da ci-
encia), al6m da dedicaqio franciscana aos
primatas, colocou seu engenho e arte a
servigo de um projeto maior e de um de-
safio dificil de vencer: combinar a presen-
9a do home corn as exigencias da natu-
reza, naquilo que genericamente e nem
sempre corn propriedade se passou a
chamar de desenvolvimento sustentado.
Mircio chegou i compreenslo plena do
mutualismo que result das virzeas e que
Ihe 6 a condilo essencial de sobreviven-
cia. E isso o Projeto Mamiraui, que os
estrangeiros conhecem melhor do que n6s
- e aprenderam a respeitar e admirar.
E uma utopia? Talvez, mas no sentido
mais nobre, do objetivo que o home
coloca diante de si, tio distant do alcan-
ce normal dos seus passes que parece im-
possivel, mas cuja viabilidade comega a
se tornar real quando se agiganta a cami-
nhada do home. Hi anos enfumado na
mata, Mircio vem desenvolvendo corn
paciencia e perseveranca o seu projeto. O
belo documentirio produzido para o Dis-
covery Channel faz justiga a esse traba-
Iho. Os governor da Amaz6nia deveriam
obter c6pia do video e exibi-lo em toda a
regiio. Ajudaria a fortalecer a f6 e dissipar
o ceticismo quanto ao future desta vasta
region que gente como Jos6 Mircio Ayres
consegue tornar melhor. 0


Pari dificilmente seri benefica
do, diretamente ou a curto e
mldio prazos, pela ampliaqio
dos incentives fiscais para as regi6es
Norte e Nordeste, estabelecida pelo pre-
sidente Fernando Henrique Cardoso atra-
v6s de Medida
Provis6ria baixada
no mes passado.
De imediato, a MP
- definmdo novas
iseng~es de impos-
tos para importa-
cio e reduzindo a
carga tributiria in-
terna foi um pre-
sente para a Bahia, que~assim p6de con-
solidar a instalaio em seu territ6rio da
primeira indfistria automobilistica desti-
nada ao Nordeste, a coreana Asia Mo-
tors. Em troca, naturalmente, reforCou-
se a adesio do grupo politico do sena-
dor Antonio Carlos Magalhies i reelei-
aio de Fernando Henrique.
Mas como a MP teri efeitos que irio


al6m desse clientelismo, o Maranhio e
nio o Par 6 que vai usar os incentives
para multiplicar sua base industrial. O
Estado vizinho esti muito a frente do Pari
na atraqio de investimentos produtivos, po-
dendo capitalizar boa parcela dos 6 bilh6es
de reais que caberio
ao Norte e Nordes-
te, neste ano, no
bolo de R$ 15 bi-
lh6es de renincia
fiscal federal em
1997 para induzir
novos projetos eco-
n6micos privados.
E bom lembrar
que o Maranhio s6 decidiu criar sua agen-
cia de fomento ao constatar que o Par e
a Companhia Vale do Rio Doce tinham
um program de cooperao com esse ob-
jetivo. Mas enquanto os paraenses rteinem,
os maranhenses agem. A agencia mara-
nhense entrou em operaqio. A paraense
continue em cogitagio, ainda sem uma de-
finicio institutional. 0


Cad6ncia

paraense
No ano 2000 deveri entrar em opera-
c0o o maior porto da America Latina. Vai
comeaar a ser construido neste ano em
Mejillones, no norte do Chile, ao custo
de 300 milh6es de d6lares, que seri ban-
cado por empresas japonesas, coreanas,
francesas, holandesas e australianas. O
principal objetivo 6 o de embarcar qua-
tro milh6es de toneladas de cobre, 6 mais
important produto chileno, para o su-
deste asiitico. Mas tamb6m ir escoar
cerca de 30 milh6es de toneladas de ou-
tros produtos, entire os quais soja bolivi-
ana, argentina e brasileira.
Esse 6 mais um item de mudanca na
matriz de transport do continent, no
eixo que estabeleceri a ligaio entire a
America Latina e o mercado emergente
de maior dinamismo, na Asia, pelo lado
do Pacifico. Pelo do Atlintico, terminals
poderosos ji estabelecidos slo os de Tu-
bario, no Espirito Santo, e Ponta da Ma-
deira, no Maranhio. O mais novo, em
constituiqio, 6 o de Pecem, no Ceari,
cor especializaqio siderdrgica.
Nesse cenirio em mutaqlo, onde
fica o Pari e particularmente Belim?
Aquela outrora gostosa misica tradi-
cional agora soa ameacadora: chegou
ao Para, parou. 0



ASSINATURAS

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interessadopode
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de Faria Pinto para o
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QuestAo de ritmo







JOURNAL PESSOAL QUINZENA DEJANEIRO / 1997



Uma ameaga para a hidrovia


H idrovia no e a mesma coi-
sa que rio. Esta poderia ser
uma constatacao acaciana,
mas s6 agora esti sendo levada is
devidas consequencias no Brasil.
Um rio navegavel e um element da
natureza. Mas um rio nlo-navegi-
vel, para se transformar em hidro-
via, necessita de virias obras, da si-
naliza~io i derrocagem (remoio de
pedras do seu leito), e ate mesmo
eclusagem ou barramento. Estas
obras podem causar interferencia
nas condiqes ambientais.
Na hidrovia do Araguaia-Tocantins, urn
dos 42 projetos considerados estrategicos
pela administrator Fernando Henrique
Cardoso, ao custo de 158 milh6es de reals,
devidamente alocados (sendo R$ 109 mi-
lhoes do Orramento Geral da Uniio), ji
foram aplicados R$12 milhoes. Sob certas
condi6es, ate ji possivel transportar car-
ga entire Aruani, em Goi4s, e Xambioi, no
Tocantins. Mas s6 quando as obras ji esta-
vam em andamento 6 que foi lembrada a
necessidade de estudar o impact ambien-
tal da hidrovia.
As pressas a Fadesp, a fundacio de pes-
quisa da Universidade Federal do Pari,
atraves de convenio corn a Ahitar (Admi-
nistraaio da Hidrovia Araguaia-Tocan-
tins), encomendou e
aprontou um EIA-RIMA
(Estudo de Impacto Am-
biental-Relat6rio de Im-
pacto Ambiental). O docu- O grup
mento esti sendo rejeita- rece estar
do pelas instincias encar- dimento.
regadas de licenciar a obra, os erros d
que afeta tres Estados ternacion;
(Goiis, Tocantins e Pari). forma de
Muitas insuficiincias e in- para o imn
defini6es foram aponta- fiadora d(
das. Teri que ser refeito importar
para tender a todas as exi- celulose e
gincias dos analistas. irea indus
Isso e bom, significa um A said
avango. Os EIA-RIMA por Delfir
no podem ser produzidos za~go i b
apenas para inglIs ver, Azevedo
como uma prestaio de industrial,
contas meramente formal. to o BND
Se dinamitac6es de pedras ra, que fa
existentes no curso do rio Agora,
vio alterar seu fluxo natu- recent fa
ral, afetar a fauna aquitica segundo r
ou desequilibrar a vida hi- cordata br
drica, 6 precise ter uma curto praz
previsio dessas conseqii- quais junt(
6ncias. Mas as exigencias ria do BB
nio podem se tomar des- da de Ion
cabidas. Talvez um perfec- financeira
cionismo extremado ou Qual se
um padrio de rigor de pri-


meiro mundo sirvam de biombo para cau-
sas que nada tnm a ver cor o que esti
apresentado nos discursos ambientalistas.
Evidentemente, e fundamental levar em
consideragio a natureza se a constituicio
da hidrovia vai afetar significativamente a
vida natural do rio, considerando-se nio
apenas o curso d'igua em si, mas o ecos-
sistema como um todo. A era da enge-
nharia obtusa chegou ao fim. Comecar a
executar o projeto da hidrovia sem o es-
tudo ambiental previo foi um erro, pro-
duto de mentalidades desatualizadas.
Deve-se corrigir esse erro. Mas tamb6m 6
precise ficar alerta para que, a pretexto de
seguir normas ecol6gicas rigorosas, nio
se estar permitindo manobras escusas.



Rides again
o Antunes, que liderou a compra do Jari em
repetindo o gesto do antigo proprietirio do
O milionirio Daniel Keith Ludwig, encalac
to projeto, decidiu nao pagar mais os empret
ais, que ele espontaneamente havia feito, c
pressionar o govemo federal a encontrar um
Impasse. E teria que encontrar mesmo: a Ur
e emprstimos que a Jari fizera, principal
- sem a anilise da similaridade national a 1
a usina de energia construidas no Japao e insi
trial.
para o impasse veio, em 1982, criada a qua
n Neto e Bulh6es Pedreira, atraves de uma
rasileira. O grupo liderado por Augusto T
Antunes assumiu a parte operacional do comp]
que estava em condig6es de funcionamento
ES e o Banco do Brasil ficaram com a part
zia agua torrencialmente.
envolvido em suas pr6prias dificuldades, agrav
lecimento de Augusto Antunes, o grupo C
naior minerador do pais decidiu decretar u
ranca" no Jari, deixando de honrar dividas d
:o no valor de 300 milh6es de d6lares, 70 mi
o ao elasticissimo BNDES, que ji jogou cor
- outras tantas centenas de milh6es de d6lare
go prazo da empresa, dinheiro torrado na

ra, agora, a solugo brasileirissimamente cria


Alguns estranham que a nova
maneira de encarar a hidrovia Ara-
guaia-Tocantins em particular s6
tenha surgido depois que todo o
sub-trecho Aruani-Xambioi foi si-
.nalizado e construido o porto de
Xambioi. Nem mesmo o mais ex-
tremado ambientalista poderi impe-
E dir que esse trecho continue a set
utilizado, como ji esti ocorrendo.
As alterac6es efetuadas foram pou-
cas e nao devem ter causado ne-
nhum dano i natureza.
S As maiores obras estio reserva-
das para o curso inferior do rio, em terri-
t6rio paraense e exatamente as obras que
caracterizacio o Araguaia-Tocantins como
uma hidrovia complete, corn dois mil qui-
16metros de extensio, da nascent a foz,
permitindo um transport em modal uni-
co ate o ponto de embarque para o exteri-
or. Corn esse perfil, a hidrovia seria imba-
tivel em comparaio cor as vias de esco-
amento competidoras.
Como esti, a hidrovia se integra ao
projeto intermodal que se desvia para
leste e, usando uma perna rodoviiria en-
tre Xambioi e Imperatriz, chega pelas
ferrovias Norte-Sul e Carajs ao porto da
Ponta da Madeira, no Maranhio. Algu-
mas fontes apostam que os recentes ques-
tionamentos sobre a hi-
drovia Araguaia-Tocan-
tins podem ter a inspira-
gqo dos que defendem
1982, pa- esse projeto e pretendem
empreen- criar condic6es para que
rado corn as obras da pol8mica Nor-
stimos in- te-Sul prossigam.
omo uma Pode ser mera coinci-
la solu~io dencia, mas suposic6es s6
liao era a sedesfazem com uma dis-
ente para cusso atenta e aprofunda-
ffbrica de da. Os paraenses nio po-
taladas na dem deixar essa polemica
sair pelo ralo: tem que co-
itro maos loci-la em sua agenda pre-
nacionali- ferencial. Embora o presi-
rajano de dente Fernando Henrique
lexo agro- Cardoso tenha incluido a
,enquan- hidrovia entire os 42 pro-
financei- jetos prioritirios, o gover-
no do Estado nio parece
radas pelo ainda operacionalmente
aemi o consciente de que esse 6
ma "con- um dos components vi-
e medio e tais de um projeto de fu-
lh6es dos turo do Par. Continua-
n a parce- mos a reboque, mesmo de
:s na divi- quest6es vitais como essa.
voragem Corremos o risco de, mais
uma vez, acabarmos atro-
tiva? pelados pelos aconteci-
mentos. 0









Incorreqio na informagio prestada pelo
DCE i assessoria de imprensa da Universida-
de Federal do Pari, e nio auto-censura, foi a
causa da exclusio do meu nome da agenda da
UFPa, publicada aos domingos na grande im-
prensa. E o que informa Walter Pinto, em co-
municagio enviada a este joral a prop6sito
de nota publicada na edigio anterior.
Os organizadores do 1 Seminirio sobre
Political Cultural no Movimento Estudantil
modificaram a programaqio do event, mas
nio incluiram essa mudanca na nota enviada
i assessoria de imprensa para divulgaqio, em-
bora tenham me dito que a programacio ha-
via sido devidamente corrigida. Minha parti-
cipaio deixou de ser dada numa oficina so-
bre imprensa alternative para se tomar a pa-
lestra de abertura do seminirio, mas meu
nome deixou de constar do informed enviado
pelo DCE i assessoria de imprensa da UFPa
- e, por isso, ficou de fora da agenda.
Minha atenqio a epis6dios semelhantes se


Vidraga e

baladeira
A decision do prefeito
Edimilson Rodrigues de
fazer o seu primeiro
program de ridio ji no
dia 3 significa esquecer as
critics do passado e
incorporar, como correta,
a onerosa programagio
de midia do seu
antecessor. Se 6 mesmo
indispensivel prestar
contas ao cidadio sobre
os atos da administration
paiblica atravis dos meios
de comunicacio (e isso 6
indispensivel mesmo),
dar continuidade ao que
vinha sendo feito sem
submeter essa
p.ogramacio a uma
revision rigorosa e
adequidaa is
conveniincias do serving
public (e, sobretudo, is
limita;6es do eririo), 6
desautorizar tudo o que
vinha sendo dito a
espeito pelo PT e dar.
razio i descrenca no que
result da transigio dos
grupos politicos da
oposic o ao exercicio do
powder.
Manter coerencia e
mesmo impossivel?


reform em precedentes. Em tres ocasi6es re-
centes a Reitotia da UFPa foi incomodada
em funcio da perseguicio movida contra
mim pela ditetora administrative do Sistema
Romulo Maiorana de Comunica;io: quando
o tema foi provocado no Conselho Univer-
sitirio, quando o Departamento de Letras se
solidarizou cotnigo e quando um boletim in-
terno do Departamento de Pessoal (sugesti-
vamente chamado Jormaldo Pesswa, cor tipo-
logia semelhante i deste JP) foi confundido
corn o pr6prioonal Pessoal, que estaria sen-
do rodado na Imptensa Universitaria. Tudo
confuslo derivada de uma obsessive caCa a
um suposto bruxo.
A nota de Walter Pinto, al6m de esclarece-
dora, e reconfortadora. Renovo nela minha
confiana de que haverA resistincia i perpe-
tratio de alguma indignidade, se ela voltar a
ser tentada nos limited do a'pus universiti-
rio, criado para ser o reduto do saber e nio do
obscurantism,


Pasquim 6 a vitima


Em dezembro de 1989, de-
pois de circular durante pou-
co mais de 20 anos, o Pasquim,
o maior sucesso da imprensa
altemativa brasileira em todos
os tempos, acabou. Morto in-
telectualmente ele ji estava
havia algum tempo: sobrevivia
como um moribundo que, a
cada edicAo, dilapidava o que
restava do seu capital financei-
ro e editorial, mutilando a pr6-
pria biografia. Mas o "livro"
escrito por Norma Pereira
Rego (Pasquim, Relume Duma-
ri/RioArte, 127 piginas, 12
reais), nio apenas nio serve
para registrar a data, como 6
uma fraude. Foi escrito com
displicencia e desonestidade. E
uma 'leitura" (colagem seria a
expression mais correta) desin-
teressada e desinteligente do
melhor livro em uma biblio-
grafia infelizmente pobre ji
escrito sobre o Pasquiw, deJosi
Luiz Braga (0 Pasquim e os anos
70, Editora Universidade de
Brasilia, 1990), complementa-
da cor entrevistas mediocres,


menos para ajudar a interpre-
taro fen6meno cultural desen-
cadeado pelo auto-declarado
hebdomadirio (na veidade, um
semanitio) e mais para tender
os interesses da autora.
Parece desses livros escritos
a toque de caixa no menor es-
paco de tempo possivel para
tender a encomenda de quem
nio ter qualquer rigor sobre o
produto solicitado. E tio rela-
xado que, num trecho, aparen-
temente sem perceber o que
esti escrevendo, Norma diz,
referindo-se ao ano de 1975:
"Foi quando o jornalista Vladi-
mir Herzog suicidou-se na pri-
sio". Nio dara para ela acres-
centar a informaaio de que a
version official nio foi aceita, por
motivos mais do que flagran-
tes, e que a justica acabou res-
ponsabilizando a Uniio pela
morte do jomalista?
Enfim, o melhor 6 usar os
12 reais em algo que valha a
pena. O livro de Norma Perei-
ra Rego i papel que merece um
s6 destiny: a cesta do lixo.


Campo preservado


Mutran:

sobrevida
Quem apostou no fim da di-
nastia Mutran na political de Ma-
rabi com a derrota do ano passa-
do apostou errado. A familia ain-
da mantim dois lugares na Cmna-
ra Municipal e pode terestado por
tris da original decision judicial
que sobrestou, durante alguns
dias, a posse do midico Geraldo
Veloso na prefeitura, at6 a TRE
restabelecer a normalidade legal
quebrada por decision de 1 gtau.
Os Mutran ji demonstraram
um f6lego excepcional ao long
da hist6ria marabaense. Pior para
Marabi.


Titulo

national
A C. R. Almeida, que quer se
apropriar de terras p6blicas para
former o que seria a maior pro-
priedade particular do Estado, 6
a 16' maior devedora da previ-
d&ncia social em todo o pals. O
dibito da firm de Cecflio Rego
de Almeida e de 49,2 milhaes de
reals, segundo a relaqio divulga-
da no final do mes passado pelo
Institute Nacional de Seguridade
Social (INSS).
Se o Incra cumprir seu dever,
a C. R. Almeida poderi ocupar
um outro lugar de destaque equi-
valente: de uma das maiores de-
vedoras de ITR (Imposto Terri-
torial Rural) do Brasil. Basta ta-
xar a irea que a empresa insisted
em declarar como sua.

Politicos

concessionadios
Corn tris emissoras de tele-
visio e seis de ridio, o senador
Jader Barbalho 6 um dos maio-
res concessionanos, entire os
politicos, de emissoras de co-
municago do pais e o maior da
Amaz6nia, segundo a extensa
listagem divulgada pelo Minis-
tirio das Comunicac6es. No
Par, os outros politicos sio
Gerson Peres, com duas ridios
em Camert, e o falecido depu-
tado Ubaldo Cortea (uma emis-
sora de TV e uma de ridio em
Santar6m). Ji no Maranhio,
juntamente cor o filho, o se-
nador Jos6 Sarney ter duas
ras eyio e cinco
enquanto o senador
SLobio actiubla uma
,/3A<-nlos.