Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00102

Full Text








Journal Pessoal

EDITOR RESPONSAVEL: LOCIO FLAVIO PINTO
SX *eI. .3tC 2' QUINZENA DE DEZEMBRO DE 1996. R$ 2,00

POLITICAL


*ir *4* 1d ed
S e 1 (,

0 S fit
MV
C.1 f 4 .


A eleigao chega mais cedo


No pr6ximo nms praticamente comegam, para valer,

as articulag6es political visando a eleigdo geral de 1998.

Quem dd o pontape inicial 6 o governador Almir

Gabriel, mudando algumas peas

,A RS de sua equipe. E depois?


Janeiro vai trazer os primeiros movi
mentos concretos dos gru-pos poll
ticospreparando a dis-puta que irio
travar, un ano e meio depois, pelo
control politico do Parn. Tudo in-
dica que seri a eleiio mais disputada das i6ti-
mas dcadas, mesmo que ainda no seja possi
vel tragar cor seguranqa o cenrtio mais pro-
vivel do segundo semestre de 1998. Tudo de-
pende da mais important variivel em curso: a
possibilidade de se reelegerem, talvez perma-
necendo no cargo durante a campanha eleito-
ral, os atuais detentores dos principals cargos
da administraaqo p6blica que estario em jogo,
a presidncia da Rep6blica e os govemos dos
Estados. Uma novidade introduzida na Repu-
blica, no final do sculo, pelo mais imperial dos
republicans, o principe-presidente Femando
Henrique Cardoso.
A temporada antecipada de caca ao po-
der vai ser deflagrada pelo governador
Almir Gabriel. Ele nio vai fazer propria-
mente uma reform de secretariado, mas
mudar alguns dos membros do primeiro
escalio. A maioria dos secretifios 6 "ime-
xivel", para usar uma das p&rolas da ne-
fanda corrente de neologismos que vem
corroendo a lingua portuguesa.


0 desempenho do secretirio de Sa6de,
por exemplo, 6 considerado internamente so-
frivel, mas Vitor Manuel 6 home de confi-
anqa de Socorro Gabriel, a primeira-dama,
que atua na Secretaria do Trabalho e Pro-
mocio Social, mas influi poderosamente na
Sespa. Simio Jatene, do Planejamento, 6 a
cara e o cerebro do governor, impondo-lhe o
ritmo e a feiio, que alguns critics conside-
ram excedente em process (e ret6rica) e es-
cassa em produto (e agio). Jorge Alex Athi-
as s6 sai da Secretaria da Fazenda se quiser,
o mesmo acontecendo cor Jose Augusto
Affonso em Obras.
Pelo critnio da exclusio, sobram poucos
secretirios para mudar. Entre eles, estao os
titulares da Seguranqa P6blica, Paulo Sette
Camara, e da Ind6stria, Comercio e Minera-
Io, Carlos Kayath. Mas a mudanga de mai-
or significado para a corrida a eleicIo em 98
pode estar na educacio. Normalmente, Joao
de Jesus Paes Loureiro estaria entire os auxi-
liares in pectoris do governador. Mas paira
sobre a Seduc um component ao mesmo
tempo complicador e cor potential de si-
nalizador de tendencias.
Recentemente, a professor Terezinha
Gueiros reuniu suas mais pr6ximas "com-


panheiras de trabalho" na Secretaria Muni-
cipal de Educaqo para fazer-lhes uma reve-
lagao. Reivindicara ao marido, o prefeito
Helio Gueiros, ser indicada por ele ao go-
vernador Almir Gabriel para reassumir a Se-
duc assim que voltar das ferias na Europa,
no pr6ximo mes, descansando das fatigan-
tes labutas na Semec.
Pelo menos duas fontes ligadas aos Guei-
ros negaram a existencia desse fato, mas ou-
tras fontes bem postadas o confirmaram,
mesmo uma delas admitindo que a iniciativa
da multi-super-secretiria nio seja das mais
felizes: "Todas as vezes em que ela foi se-
cretiria, o marido era o chefe do poder. Esta
seria a primeira experiencia em que ela, teo-
ricamente, seria uma secretiria igual aos de-
mais".
Mas se essa previsao se concretizar, como
Almir Gabriel reagiri ao pedido de Hlio
Gueiros? O govemador estari colocando a
professor Terezinha na mais estrategica das
secretaries estaduais, que mobilize mais da
metade do efetivo administrative. Ela estard
ao lado do filho, o vice-governador Hlio
GueirosJr., dispondo de tempo e condig6es
para fortalecer uma parte da miquina a ser-
vico do projeto gueirista para 1998.







2 JORNALIPESSOAL 2' QUINZENA DE DEZEMBRO/1996


Almir Gabriel ji disse, para um nimero
restrito de confidentes, que seri candidate
aogoverno, se a emenda da reeleigio passar.
E o oposto do que prometeu ao assumir o
cargo, mas 6 essa a "dinimica da political"
que constitui o habeas.corpus prevetivo em
favor dos que querem fazer carreira: no po-
der, invariavelmente chegam i concluslo de
que o tempo de mandate 6 curto para a rea-
lizagio de todos os seus projetos.
Mas como ter um esquema pr6prio i som-
bra dos Gueiros? Mesmo quando ainda es-
tava no exercicio da primeira metade do seu
mandate, Almir Gabriel ji foi apenas coad-
juvante e, no caso, invisivel na eleicio para
a prefeitura de Bel6m, neste ano. Teve que
engolir um nome que nio era do seu grupo
e aceitar em sil6ncio as humilhaq es impos-
tas pelo prefeito para preservar a alitana que
garantiu-lhe a eleicio em 1994.
Os Gueiros irio retribuir a gentileza na
grande dispute de 98? Eles parecem mais
propensos a dar ao governador o trof6u de
maior engolidor de sapos da political para-
ense, atleta que engole batriquios sem tugir
nem mugir, para usar a fraseologia da guei-
rolindia. Se o atual burgo-mestre da capital
for candidate ao senado e nio ao governor,
isso at6 seria pogsivel em tomo de um ter-
ceiro nome de coalizho um tertius i ma-
neira de um Ramiro Bentes, naturalmente.
Mas a miquina dos Gueiros sobreviveri
a mais quatro anos sem a prefeitura de Be-
16m e o governor do Estado, caso a aprova-
qio da emenda constitutional em tramitagio
no Congress tome possivel a reeleigao e
Almir saia candidate? E quem os Gueiros
poderiam indicar, capaz de assegurar os im-
teresses da S/A que constituiram em torno
da familiar (ou seria mais correto dizerfami-
glia?).
O trauma de 96, cor Ramiro Bentes,
mostrou que o capo Hlio, poderoso quan-
do 6 o candidate, nio consegue transferir
seus votos corn a facilidade na qual ele pr6-
prio acreditava. E possivel que volte a dis-
putar o governor para preservar esses inte-
resses. O senado poderia ficar para a apo-
sentadoria definitive.
Essas ziguezagueantes perspectives deve-
riam pelo menos acautelar o governador, ca-
pacitando-o a adensar cada vez mais sua pr6-
pria estrutura political, dando-lhe autonomia,
e procurar uma identidade. Nio t6-la, por6m,
parece ser a maior carencia de Almir Gabri-
el, at6 aqui incapaz de liderar uma tropa de
combat direto is velhas liderangas political
do Estado, em relag.o is quais sua mais ge-
nerosa promessa era a de ser uma alternati-
va de mudanca. O governador se adestra nas
preliminares, mas recua nos confrontos prin-
cipais. Continue a ser um coadjuvante, poli-
ticamente satilite do brilho alheio.
Nio 6e que procura demonstrar sua as-
sessoria, batendo na tecla de supostas 41 pre-
feituras conquistadas na iltima eleico nos
142 municipios do Estado. Mas o PSDB nao


e ainda um partido no Pari e algumas das
vit6rias se tornario mirificas dentro de al-
gum tempo, se nio forem consolidadas.
Nunca 6 demais lembrar que Francelino Pe-
reira proclamou a Arena como o maior par-
tido do Ocidente algum tempo antes da agre-
miaco reduzir-se a escombros, sobre os
quais o PDS renascente nunca foi propria-
mente um fenix, nem sequer um Lizaro.
No cargo e se, a partir de agora, de-
monstrar a foria que ainda nio revelou, o
governador como quase todo governa-
dor neste pais de executive hipertrofiado
6 candidate de peso. Os pesos politicos,
contudo, foram relativizados na dispute
municipalista deste ano. Ningu6m 6 mais
o cacique da political, como o foram, no
passado, Lauro Sodr6, Antonio Lemos,
Magalhies Barata eJarbas Passarinho. Mas
as raposas continuam em campo. A novi-
dade, restabelecida pela apuragio dos vo-
tos de 96, 6 que essa sagacidade vai ser
quase tio important quanto o poder ins-
titucionalizado, o que diminui a vantage
do governador, mesmo na promissora
conjuntura da reeleicao. Ele pode set o
pole-position, mas a corrida esti aberta
a surpresas e imprevistos. Ao inv6s de ser
aconfirmao, ele pode se tornar a exce-
0Io i regra, segundo a qual quem ter as
chaves do eririo nio perde eleicio.
O senador Jader Barbalho, por exemplo,
que por algumas 6ticas 6 visto como o mai-
or derrotado nas mais recentes eleiC6es, de-
monstra um folego de gato. E verdade que
ele ji perdeu algumas vidas, mas nio pare-
ce have esgotado sua reserve. Negociou
cor habilidade em Brasilia a reocupagio de
cargos-chave da administraq o federal,
como a Sudam e a Telepari, passando por
cima do tucano local. Vai ter onde abrigar
as liderangas political do interior que for-
marem sob seu comando, montando uma
estrutura paralela a do governor estadual. E,
mais uma vez, 6 dono absolute do PMDB
paraense, colhendo os frutos do ofusca-
mento de sua ex-mulher, o grande sucesso
electoral de 1994 e o grande fracasso neste
ano (como, alias, o pr6prio Jader previu,
numa longa conversa sem offs no restau-
rante O Outro, um ano antes da debacle).
Mas, como seu ex-amigo Helio, quem Ja-
der poderi indicar para disputar o governor
em 1998 se nio tern sido bem-sucedido na
transferencia de votos e se recusa a cultivar
sombras?
Seri que veremos, entio, o combat di-
reto entire as duas iltimas especimes do ba-
ratismo, o Jurissico-Gueiros contra o Pre-
Cambriano-Barbalho? Seri que, no con-
fronto direto, eles nio acabam repetindo o
que ocorreu neste ano: destroem um ao
outro, abrindo caminho para o novo?
Pode-se, por6m, ter espeianga quanto a
novidades consistentes no Parn? O pr6prio
Jader, 15 anos atris, personificava essa pro-
messa. Filho temporio do caudilhismo pes-


sedista, ele parecia vocacionado para sepul-
tar um estilo politico do qual o pai consti-
tuia geracio remanescente. A promessa nio
se sustentou mais do que meses. Logo ele
passaria a se enquadrar no molde do ad-
versirio que antes combatera.
O senador Almir Gabriel se tornaria a
promessa seguinte diante de um eleitorado
que, perdendo os terms de refertncia para
maiores exigencias, se predispunha a apoi-
ar quem nio precisasse apontar obras para
esconder seus custos. O discurso de Almir
era compact, coerente, sedutor. Dois anos
depois o discurso continue satisfat6rio, mas
nio 6 muito mais do que isso. Discurso
born, Jader sempre teve e, quanto a apeti-
te, ter incomparivel vantagem sobre Al-
mir.
O governor do Estado exige um coman-
dante decidido e Almir parece continuar a
ser um secretirio-executivo (ou seria mais
apropriado falar de secretirio-geral?), que
nio se coloca i frente de seu exircito, nem
Ihe indica o rumo. Pode se tornar uma ree-
digio, revista e modificada para tempos de-
mocriticos, do que foi Fernando Guilhon.
E capaz ati de dar nome a uma penitencii-
ria, castigo a que todos os governantes de
bons prop6sitos e desajuste em relaaio aos
tempos vividos estio sujeitos.
A mais recent promessa de mudanaa 6
a vit6ria do PT em Bel6m. S6 os integran-
tes dos esquemas politicos dominantes es-
tdo apostando no fracasso da administra-
gio Edmilson Rodrigues. Mesmo os que
nio colocam suas fichas na pessoa do pre-
feito eleito, esperam que ele, entendendo a
natureza de sua vit6ria, cumpra o papel que
Ihe cabe: abrir uma nova porta na political
paraense, pela qual liderangas mais identi-
ficadas corn o potential do Estado (e me-
nos esmagadas pot sua realidade imediata)
possam despontar e trabalhar pela aproxi-
maio entire a representatividade political e
a dinimica social, sem a qual nosso desti-
no ji esti tragado (e nio 6 na rota das es-
trelas).
Conseguiri o PT de Edmilson desempe-
nhar esse papel? Por enquanto, 6 divida.
Pela primeira vez um dos eixos da miquina
political passari pelo monobloco petista.
Essa estrutura mostrari se ter condiq6es
de responder ao desafio, suportando a pres-
sio dos atritos ou desfazendo-se neles para
se tornar um acidehte de percurso. Nesse
caso, sobrarao dividends para o senador
Ademir Andrade apresentar-se como alter-
nativa saudivel (porque ainda apenas ima-
ginaria, com o foram Jader e Almir) do
lado esquerdo do poder, indicagio topogri-
fica t6nue, mas operacionalizivel.
De qualquer maneira, hi ventos onde, at6
hi pouco, dominava a calmaria. Velas vio
ser hasteadas para aproveitar o tempo fa-
vorivel. A campanha eleitoral, por isso, vai
comeaar mais cedo do que nunca. Quem
sobreviver, navegari. 0








JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA DB DEZEMBRO/1996 3


Chega ao fim
omo aconteceu antes, no go-
verno do Estado, chega ao fimn,
melancolicamente, a adminis-
tragio de HWlio Gueiros na prefeitura
de Bel6m. Derrotado, o alcaide se iso-
lou em seu palicio de inferno, como
um czar-avestruz, que enfia a cara no
buraco (ou, em adapta4go atualizada,
na garrafa) para nio ver mais um mun-
do que nao se curvou aos seus desig-
nios e caprichos, desfazendo as proje-
q6es de um sonho de onipotencia que
mais se pareciam a um delirio (trmens?).
NIo querendo sumir para a Europa,
como a familiar, o burgo-mestre se
manda para o Rio de Janeiro, de onde
promete renovar a ameaga de voltar nas
asas de um queremismo que o mau de-
sempenho do PT poderi alimentar.
O poder public municipal evapo-
rou-se junto com o contrariado alcai-
de. Nio hi nas ruas as tradicionais lu-
zes natalinas que decoraram, nos anos
anteriores, os muito uteis postes de
ferro, comme-il-faut. Os camels toma-
ram de vez as ruas do centro da cidade
e de onde mais Ihes pareceu interes-
sante, sem qualquer mediago fiscali-
zadora. Poderio at6, nos estertores do
alcaide-ferrifero, reocupar a Avenida
Portugal, um dos brincos cor que os
Gueiros se permitiram decorar a cida-
de. E cavalo de Tr6ia deixado aos su-
cessores para a volta da grande familiar
ao cativante poder.
Nenhuma o enlacou tanto quanto os
Gueiros a partir de 1987. Eles devem
achar que esse decenato de exercicio
das redeas do Estado e da capital dei-
xou inscrita a marca de um despotis-
mo esclarecido. Como os Barbalho,
mas corn pitada maior de esclarecimen-
to no caldo de despotismo, os Guei-
ros deixam seus totens os deles, ob-
viamente, em ferro fundido, forjado,
trabalhado e no que mais a tecnologia
permitir a inventive da corporagio na
presungio de se elevarem da efemera
conjuntura a estrutura s6lida da hist6-
ria.
A professor Terezinha 6 o icone
desse mostruirio. Ela deixa, por exem-
plo, a escola-bosque do Outeiro como
marco de uma nova era educational,
que agrega e concilia o ensino aca-
d&mico a habilitagio ecol6gica. Nio
importa que o projeto, tendo comega-
do cor orgamento de 1,2 milhNo de
reals, tenha sido finalizado cor a im-


a idade do ferr


pres-
sionante soma de
R$ 6,8 milh6es. Quantas escolas do
tipo, mais bem ajustadas, o outeirense
emerito Mariano Klautau n~o construi-
ria cor esse dinheiro? Ou melhor: ele
utilizaria todo esse dinheiro em escola
especial quando a basica more de ina-
niqgo?
Mas o guru da professor Terezinha,
o soci6logo Pedro Demo, esta ai a mAo
para recomendar essas levitag6es edu-
cacionais de primeiro mundo. Aos que
combatem esse elitismo com a peda-
gogia do oprimido, a professor have-
ra de responder que Demo nada custa
a Semec, o que 6 verdade, onerando,
isto sim, a Codem e a Cinbesa, graqas
ao contorcionismo do qual os Guei-
ros slo pr6digos quando querem via-
bilizar seus empreendimentos.
A vontade da primeira-dama 6 im-
perial. Por isso, ela ignorou a sistema-
tica rejeiqio de suas contas no TCM e
continuou a aditar contratos caducos,
indiferente a lei, que, como nio se can-
sa de repetir o c6njuge, no Pari 6 po-
toca. O Para todo virou potoca para
quem, do mundo, tern a vislo limitada
ao pr6prio umbigo. A administration
HWlio Gueiros gastou milh6es de reais
em obras como o terminal pesqueiro
do Ver-o-Peso, o embonecamento su-
perfluo da Doca (matriz de uma tara
auto-declarada, que, como toda tara, 6
cega ao discernimento), o igualmente
sup6rfluo gradeamento do Bosque ou
a multiplicago de penduricalhos urba-
nos (todos laborados em ferro, 6 cla-
ro), sem a correspondent melhoria da
consciencia sobre seu uso, mas a capi-
tal paraense nio avanqou um milime-
tro na redugio do fosso que a separa
de todas as demais ireas metropolita-


o em Belem?
nas do Brasil. Bel6m
continue no distant
rabo dessa fila. A dis-
tincia, ao contri~io, s6
fez aumentar.
At6 os maiores cri-
ticos, no entanto, reco-
nhecerio que, compa-
rativamente aos ante-
cessores, o atual pre-
feito deixou mais
obras visiveis. Mas sio
obras fisicas sem coe-
Srencia cor a estrutura
Sprodutiva da cidade,
como se os Gueiros -
por todos os motives, os de inspi-
raao superior ou nio fizessem obras
para si apenas. E uma visio tio elitist
quanto, por incrivel que parega (em-
bora sem o mesmo 6nus), a do prefei-
to Almir Gabriel, que recriou um Ver-
o-Peso a sua image e, agora, 6 obri-
gado a colaborar para salvar dos des-
trogos que soqobraram da sua cria~io.
Cor mais ou menos obras, maior
ou menor aplicalo dos recursos pu-
blicos arrecadados, maior ou menor
exaqo, todas as gest6es municipals t6m
agido a partir de um quadro de refe-
rancia determinado. Nio tocam, por
isso, na essencia da questio, a unica
capaz de mudar para valer a triste situ-
agio da capital dos paraenses, mas que
nio gera tantos dividends paralelos
quanto sucessivas obras fisicas: a fun-
qao econ6mica de Bel6m num Estado
que se interiorizou e numa regiao que
mudou de matriz e vetores, deixando a
cidade isolada em seu estuirio.
Por isso, o maior problema de Be-
16m 6 o desemprego, sua incapacidade
estrutural de absorver os contingentes
crescentes de migrants que atrai, ge-
rando esse pandem6nio corrosive do
qual os ambulantes sio a manifestagco
visivel mais profunda (a da criminali-
dade 6 partilhada cor outras capitals)
- e nao por acaso, a que menos aten-
qio suscita na administration. O came-
16 nao 6 o cancer que ataca a cidade,
mas a manifestaco externa da doenga
que mina seu organismo. A maquiagem
feita pelos Gueiros no iltimo quatri6-
nio apenas disfargou, at6 o dia em que
o chefe foi contrariado, esse quadro pa-
tol6gico. Agora, 6 enfrentar a realida-
de sem a cortina de ferro dos que, afi-
nal, se vio e, talvez, ainda voltem. @







4 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE DEZEMBRO/1996


Foi-se outro grande Joao do
N um ensaio antol6gico para o sivel de um politico de direita. Num
numero 2 da revista Aparte, do ensaio escrito originalmente para Fatos
Teatro dos Universitirios de & Fotos na metade da d6cada de 60,
Slo Paulo, de maio-junho de 1968, Wal- Lacerda entio purificado pelo exilio
nice Nogueira Galvio desvendou "o dia percebeu a forga do lirismo de Joio
que viri", a principal mitologia escapis- do Vale, o poeta que via a sua fungio
ta nas letras de mfisica da MMPB (a si- como a de uma floor:
gla entio em uso para a Modema Miisi- "A minha floor
ca Popular Brasileira). Os composito- o vento pode levar,
res prometiam a libertaqo num oniri- mas o meu perfume
co dia que viral, poupando-se dos riscos fica morando no ar".
de conclamar i a;io: "nio hi na can- Nio 6 essa a mais intima aspiraqio
9qo popular brasileira sinais de uma dos criadores diante das opressoes e
consciencia avancada nem proposta represses, que inevitavelmente se aba-
para qualquer ac5o que naio seja cantar", ter sobre os que contestam a ordem
constatava Walnice, corn certo sectaris- vigente e sufocam a liberdade da cria-
mo e muita melancolia, num ano que (so, e diante do tempo, que arrasta
comegou projetando a revoluqio e ter- como poeira para atirar no infinito fa-
minou afogado nas trevas. mas fugazes (mas trabalhadas em ouro
Havia riscos, admitia Walnice, na por uma imprensa do efemero, que di
6poca conhecida apenas por um cir- cadernos a um Renato Russo e desde-
culo de colegas universitaiios. Mas, em nha umJooo por ser "do mato" ou nio
circunstincias muito mais dificeis do passar de primitivismo rural pre-capi-
que aquela nas quais jovens artists ur- talista)?
banos ou urbanizados (como Vandr6, Toda a percep;io em Joio do Vale
Chico Buarque, Gil, Caetano e Edu era instintiva, quase natural. Nessas
Lobo) estavam criando, "foi langado o funds raizes estava a origem da sua
Carca, que esti ai, solitirio, para por forga. Ele era um element s6lido da
em cheque a afirmacio de que nao hi natureza. Qualquer um dos privilegia-
nenhuma canqio brasileira que propo- dos espectadores do show Opinio, 30
nha a agso. N~o hi nenhuma, de fato. anos atris, no Rio de Janeiro, podia
Exceto Carcard'. sentir as emanac6es dessa forga boa
O autor de Carcard, uma autnntica quando Maria Bethania, usando o tra-
Marselhesa do sertao brasileiro, morreu je tipico daprotest song da 6poca (cami-
neste m6s, aos 63 anos, e foi enterrado sa de malha de manga comprida ver-
em sua pobre terra natal, Pedreiras, no melha, cala jeans clara, sapato mocas-
interior do Maranhio. Como de espe- sin sem media, os cabelos press em
rar, o senador Jos6 Sarney fez o elogio coque na nuca) comecou a descrever o
finebre do morto e a imprensa reser- carcara corn sua voz ispera de serta-
vou-lhe burocriticos registros. Nada a neja. No meio da misica, lidos em off,
altura do que fezJoao do Vale em meia dados estatisticos sobre a mis6ria nor-
duizia de muisicas que estio no nirvana destina aumentavam a combustio at6
da criagio musical do povo, daquelas o epilogo famoso, mastoso:
perolas que, quando caem no pintano, "Carcar,
slo privil6gio de descobertas ao acaso pega, mata e come".
ou terminam condenadas ao refocilar A explosio de palmas traduzia o de-
dos porcos. Joio foi, para o sertIo, o lirio da plat6ia, desejosa de reagir aque-
que Cartola ou Nelson Cavaquinho re- les tempos ruins que mal comegavam,
presentaram para a favela, irmanados nem que fosse apenas numa letra de
na marginalizagio social brasileira. misica, mesmo que nio houvesse nela
As p6rolas do maranhense Joao do nenhuma proposta para o future, s6 o
Vale sobreviverio, mesmo que seu va- instintinto de sobrevivencia, que, no
lor s6 venha a ser plenamente reconhe- sertio, 6 a primeira natureza. Era a des-
cido na releitura, pela sensibilidade do cric;o de um mundo pungente, mas es-
olhar voltado ao passado cor a pers- tranho ao habitante litorineo, um mun-
pectiva do future. Se mereceu ser ele- do indispensivel em qualquer projeto
vado i condi~io de exceq~o solitimia para o pais. Numa forma mais destitu-
na musica de protest por uma inte- ida de adjetivac6es e juizos de valor do
lectual de esquerda como Walnice,Joio que Os Serties, de Euclides da Cunha,
da Vale tamb6m teve a indicago sen- meio s6culo depois dele, Joio do Vale


nosso sertao
apresentava para o sul-maravila o so-
brevivente do sertio, o Carcard, que
mata e come o que rest de vivente na
terra submetida a inclemencia do sol
para poder estar a postos quando um
minimo de salubridade se restabelecer,
o personagem que Gliuber Rocha ale-
goricamente queria em acio no sertio,
sem as intermediates diversionistas de
deus e do diabo ("a terra 6 do homem/
nio 6 de deus nem do diabo", cantava
a m6sica de S6rgio Ricardo).
Tudo o que Joio do Vale tinha para
dizer estava ali nas suas toadas, bai6es,
emboladas e maxixes, cor os quais de-
vassava tudo o que via, por onde via:
"Eu vi a lavadeira
pedindo c6u
e o lavrador pra cover.
Os dois cor a mesma razio,
todos precisam viver".
Sua conversa era animada, viva, in-
teligente e insinuante, falar de sertane-
jo (ainda que do Meio-Norte, numa
terra de emigracio compuls6ria, como
foi o Ceari), cheio de malicia na lin-
gua, mas de alma transparent. Ter cri-
ado Cacar, se o pais entendesse seus
nais, teria sid o bastante para garan-
tir-lhe a gl6ria e uma vida decent para
sempre. Mas a vida pessoal sempre foi
uma insuperivel sucessio de compli-
cao6es para Jolo do Vale. Ele acabou
esperando a morte ap6s anos de sofri-
mento fisico, pobre e amargurado.
Temn sido invariavelmente assim para
grandes criadores do povo como ele,
mas o pais faria bem se se perguntasse
se tem mesmo que ser assim, a miseria
final do grande Joao do Vale contras-
tando com a opulencia dos xitiozinhos
& xoror6s da vida, mediocridades que
se multiplicam em par como virus p6s-
modemo.
Se vai continuar assim, de minha
parte tomo a liberdade de usar este pe-
daqo do Jornal Pessoal para, no fun-
do da alma, agradecer a Joao do Vale
por tantos moments de alegria, de re-
juvenescimento e de crenqa no ser hu-
mano que ele me permitiu cor sua
m6sica. Como observou Walnice 30
anos atris, essa m6sica 6 iinica, urbi et
orbi, hic et nunc, como entio podiamos
dizer, literalmente gastando o latim que
nos fizeram aprender a recitar. A cam
redonda e bonachona de Joio e agora
lua preta no firmamento dos maiores
criadores da musica brasileira. Vai es-
tar em casa, li em cima. 0







JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE DEZEMBRO/I996 5


Renasce uma estrela no Tribunal de Contas


AConstituigio federal estabeleceu
ue as demonstrates financeiras
o Tribunal de Contas da Uniio
t&n que ser submetidas pelo president
da instituiio ao colegiado, que as anali-
sari e julgari como todas as demais con-
tas da administrago pfiblica. Os tribunais
de contas estaduais t6m que seguir o mes-
mo modelo. Mas neste m6s houve urma
inovagio no Par: a Assembl6ia Legislati-
va mandou auditar as contas do TCE e,
corn base no relat6rio de seus pr6prios
inspetores, rejeitou-as. Corn isso, criou
uma situaqio embaraqosa, capaz de ser re-
solvida judicialmente, tio flagrante 6 seu
descabimento, mas que funciona como re-
presilia.
A id6ia da AL de, pela primeira vez, sub-
meter seu 6rgio auxiliar mas aut6nomo
- de auditagem a uma inspecao internal
parece ter surgido a partir do moment
em que alguns deputados tiveram acesso
ao relat6rio do TCE sobre as contas do
legislative estadual. Esses parlamentares
se sentiram ofendidos corn refer6ncias do
relat6rio ao uso indevido do dinheiro pi-
blico. A original inspe~io que inspiraram
entdo teria o sentido de retaliaio. Talvez
tudo ficasse numa exibilio de forca, que
serviria para inibir a furia do adversirio,
se a mi condugio do relat6rio para a apre-
ciaq~o no plenino nio acabasse levando
a maioria preciria (14 a 12) a aprovar a
rejei ~o das contas do TCE.
O inimo dos deputados se acirrou prin-


cipalmente quando Zeno Veloso, secreti-
ro da mesa, responsive pela leitura do
relat6rio, observou corn sua irionia to-
nitruante que um assistente de informa-
tica estava ganhando no TCE 7.800 reais
por m6s. "Imaginem quanto nio ganha o
titular", observou Zeno, cujo salirio 6 bern
menor e a funimo, de maior responsabili-
dade.
Na verdade, na gestio da conselheira
Eva Andersen Pinheiro os salirios no
TCE foram reduzidos a um nivel abaixo
do ponto de escindalo que poderiam cau-
sar quando comparados ao padrio dos
demais niveis da administrago piblica.
Os mais altos salirios (de conselheiros e
procuradores, enriquecidos por efeitos-
cascata) aida constituem informaqio si-
gilosa, i qual nem mesmo os auditoses do
legislative conseguiram ter acesso. Mas a
evoluio exponencial dos anos anteriores,
que projetou alguns salirios do TCE is
alturas e consolidou ilhas de nepotismo
na instituigio, foi contida, um m6rito da
gestio de Eva Andersen que o incident
de fim-de-ano ofuscou.
Mas uma media estrat6gica ji foi to-
mada corn a ascensio, aceleradissima, do
ex-deputado Nelson Chaves i presiden-
cia da corte, deixando para tris preten-
dentes corn maior antiguidade. Embora
Nelson nio tenha passado t hist6ria como
um parlamentar particularmente fecundo
em projetos-de-lei e outras iniciativas ca-
racterizadoras do parlamento (seu iinico


projeto sempre lembrado 6 a institugio
de escov6dromos), sua disposicio de re-
petir no TCE as provid&ncias cosm6ticas
de saneamento adotadas quando assumiu
a presidencia da Cimara Municipal de Be-
16m (vindo em seguida ao desastroso
Aquilon Bezerra, qualquer acerto se des-
tacaria) teri bom efeito.
Ainda rhais porque nenhum lobby em
Belim se equipara ao do future presiden-
te do TCE, que tern trs jornalistas na sua
assessoria pessoal de conselheiro. Essa
preocupagio cor a image Ihe rendeu
um record: sua escolha para a presid6n-
cia foi noticia, durante cinco dias, no co-
bigado espago da segio Em Poucas Uinhar,
da coluna Repdrter 70, de 0 Liberal Escri-
ta, alis, por um desses assessores.
Nelson, que trocou as incertezas da dis-
puta por qualquer novo cargo politico pela
vitaliciedade de um lugar no Tribunal de
Contas, frustrando os que apostavam em
seu nome em 1992 e 1994, poderi, apo-
sentando-se ao final da presid6ncia, em
dois anos, garantir um padrio conforti-
vel at6 o final da vida e voltar a carreira
political, talvez retomando o grande sonho
que deixou de lado em 1990: disputar a
eleiio do ano 200 para ser o primeiro
prefeito de Bel6m no novo s6culo. A pos-
sibilidade de Exito pode set considerada
tio certa quanto prever um farto e favo-
rivel noticiirio na midia sobre essa deci-
sio dentro de quatro anos, se Nelson nem
a imprensa mudarem at li.


rNovela reprsada

::; Logo depois que voltar das f6- (se 6 que nao foi sempre assi
iwe no Rio deJaneiro, HlioGuei- desde os longinquos temposg
ai0 poderia montar trincheira de 0 Liberalsob o control do ,
b ia coluna em A Provina do PSD baratista, e, em seguida
fi6wasegundo as especulagaes cor- corn a atenuagao imposta pot
i~attes na praa. Esta seria a con- Romulo Maiorana e pelo
r finai o de que ele 6 um dos no- ligament forgado de H6liod-'
ayos donos do journal, segundo os political pelos militares). Da
ais afoitos, capazes de jurar que uma coluna para o 4tual alcai-
i alcaide 6 personagem invisivel de da capital significa embar
w Va transaao que transferiu o co- car em sua nau, sem o quyp oe
dda empresa, do condomi- mesmo que comprar contrari-.
w dos Diirios e Emissoras As- edades, como o pr6prio Guei -
s para Gengis Freire. ros deixou claro ao ro
-lNio necessariamente. Mas cor Romulo quando ele niao
proprietirios formats de A lhe deu apoio incondicional na;s
aa sabem que o jornalis- dispute para o senado contra..,
se tornou apenas instru- Jarbas Passarinho.
to a servigo de projetos Naquela 6poca a chantagem .
Siticos para Hdlio Gueiros deu certo. E agora? -4


Um comego
0 problema mais imediato que a administra-
qio Edmilson Rodrigues vai enfrentar 6 o dos
camels. Amultiplicaao anquica,estimulada em
fim de safra por H6lio Gueiros, toma impossivel
a manutenqio das legi6es de ambulantes que to-
maram conta do central Sua presenga 6 um ates-
tado de falncia da gestao public municipal Mas,
evidentemente, uma mera soluio de fotra 6 ur
desprop6sita O que fazer, entio?
A resposta satisfat6ia s6 poderi ser dada a m6-
dio ou long prazo A long prazo, como lembra-
va Lord Keynes corn humor sard6nico, todos es-
taremos mortos. E precise fazer alguma coisa ji.
0 que se pode imaginary um cadastramento cor
finalidade especifica. Atrav6s do levantamento, a
prefeitura verificaria quem nio quer continuar
como camel. Para muitos, a sobrevivencia na
condiaio de ambulantes se inviabilizou. Apresen-
tando-se espontaneamente, poderiam ser rema-
nejados, desde que a prefeitura encontrasse uma
opgio de emprego para eles. Seria apenas um co-
mego, mas 6 precise comegar







6 JOURNAL PESSOAL 2 QNZNA DE DZEMBRO/1996


Ainda somos col6nia (seremos sempre?)


O PParn tern a melhor jazida de
Sr inrio de ferro do pais (e do
planeta, mas as duas primei-
ras grandes siderdrgicas do Norte e
Nordeste vio ficar no Ceari e no Ma-
ranhio, ambas alimentadas cor mine-
rio extraido do subsolo paraense. A
usina do Ceari, corn investimento de
800 milh6es de reals, vai produzir um
milhio de toneladas de aqo nao piano.
A do Maranhio, aplicando R$ 250 mi-
lh6es, produziri um milhio de tonela-
das de places de aco. Dos dois proje-
tos participa a Companhia Vale do Rio
Doce, responsivel pela minera4io de
ferro no Par.
Nenhum dos dois projetos poderia
ser instaladas no Parn, verticalizando a
mineracio e mudando o perfil da base
produtiva, o leitmotiv (por enquanto
apenas ret6rico) da administration Al-
mir Gabriel? Os cearenses, cor inteli-
gncia (ver Jornal Pessoal n 146),
ofereceram condiq6es excepcionais
para abrigar a aciaria atrav6s de inova-
gio tecnol6gica, mesmo nao dispon-
do de fontes naturais de min6rio e de
energia (tinham a seu favor apenas o
porto). Ficamos para tris.
A instalagio da segunda siderurgia
em Sio Luis, anunciada na semana pas-
sada, tern um nitido objetivo compen-
sat6rio. E para aplacar a frustracio dos
maranhenses cor o anuncio da usina
no Ceara. A anilise das vantagens com-
parativas oucompetitivas do Maranhio
sobre o Pari pode nio ter sido consi-
derada na decision, mas tamb6m os pa-
raenses nio fizeram nenhum questio-
namento que obrigasse os parceiros do
empreendimento a trazer a siderurgia
para pr6ximo da mina. O Park, ao que
parece, foi excluido do espectro naci-
onal. Deixa de ser lembrado at6 como
adversario na decisao das decis6es mai-
ores.
O Maranhio pode ganhar outra
compensacio, caso a metalurgia do
cobre seja implantada no Par, junta-
mente cor a mineragio e a concen-
traqio do min6rio, se 6 que ao con-
tritio do discurso official a implanta-
iao da usina da Salobo Metais nao per-
manega como uma questio em aberto
diante das tr6s hip6teses de localiza-
9ao.
Algumas fontes oficiais ou oficiosas
reclamam do tratamento na visao
delas injusto que os critics estariam
dando ao governor Almir Gabriel nes-


se aspect, de uma aparente incapaci-
dade para atrair investimentos produ-
tivos em relagio a competidores ime-
diatos, como Maranhao, Ceari, Ama-
pi ou Amazonas. Dizem que se o go-
verno oferece vantagens aos investido-
res 6 acusado de abrir mio de recursos
publicos valiosos e escassos. E, se se
retrai, 6 atacado como abilico e displi-
cente. A said, onde estaria a said?
Certamente, em claras e operaciona-
liziveis defini6es de political public.
O governor precisa saber o que quer e
os meios a usar para atingir esses fins.
Se existentes, devem ser acionados. Se
inexistentes, criados. Inclusive a massa
critical, um brain trust em condi96es
de interlocuqAo no mesmo nivel corn
os investidores potenciais.
O Pari vai fechar a d6cada como o
principal Estado minerador do BrasiL
O que existe de mineraqio no organo-
grama do governor reduz-se meia d6i-
zia de t6cnicos agregados no departa-
mento de uma secretaria n~o-setoriza-
da, que trata tanto de comercio quanto
turismo e mineraqio, cor raquitica
estrutura de apoio. E condi~io condi-
zente cor a mais do que evidence, ain-
da que problemitica, vocago mineral
do Estado? Obviamente que nZo. A
partir dessa obviedade, at6 mesmo um
tucano poderia agir para mudar a situ-
agio. Mas continue a letargia.

Uma fonte argument que a re-
nincia fiscal e outras vantagens
que o govemo pretend con-
ceder a Salobo Metals 6 insignificant
diante do que o governor mineiro ji
garantiu a Mercedes Benz para a insta-
la~io de uma fibrica de autom6veis da
empresa emJuiz de Fora, incluindo at6
o desvio de um rio. Este poderia ser
classificado como um caso melanc6li-
co de estimulo ao canibalismo de re-
cursos publicos, ji que a soma das van-
tagens asseguradas pelo governor de
Minas quase equivale a do investimen-
to da empresa, de R$ 820 milh6es. Mas
os casos paraense e mineiro nao se
equivalem.
O investimento da Salobo e quase o
dobro do da Mercedes, mas a empresa
de cobre, fruto da preocupante associ-
agio da CVRD cor a multinational
sul-africana Anglo American, nio tern
as miltiplas alternatives locacionais a
disposiqio do grupo alemio. A meta-
lirgica da Salobo s6 pode ficar no


Maranhio ou no Pari, o que reduz sua
margem de barganha. Como a Merce-
des tern mais possibilidades, o leilio
dos Estados endoidece.
Al6m disso, as conex6es (que os eco-
nomistas chamam de linkages) para
frente e para trfs sao reduzidos, no caso
da Salobo, em comparaaio corn o da
Mercedes. Boa parte do que o gover-
no mineiro vai abrir mio se transfor-
mari em investimento para circulaaio
internal no Estado, enquanto na Salo-
bo 6 dinheiro que vai ser transferido
para fora, onde se fari sentir o efeito
multiplicador do investimento. O que
em Minas 6 retrioalimentacio de recur-
sos, aqui 6 transferencia onerosa atra-
v6s de relag6es de troca desfavoriveis.
A definiio de uma vantajosa poll-
tica piblica para o setor produtivo em
uma regiio perif6rica, subdesenvolvi-
da ou a designacao que se lhe quiser
dar, 6 um desafio enorme, que s6 pode
ser respondido cor muita inteligencia
aplicada, mas inteligncia de ponta,
adestrada no embate intellectual mun-
dial, atualizada no tempo.
Algu6m haveri dizer e demonstrar
- que o Para s6 pode produzir caulim e
n~o celulose ou papel, que deve ficar
na mineraio do ferro sem ir i aciaria,
que o miximo de pretens~ o ao seu al-
cance em cobre 6 a metalurgia, mas ain-
da assim poderemos estar comendo
gato no lugar de lebre por falta de ele-
mentos de argumentagio. Chega, po-
r6m, de conhecimento por ensaio e
erro, de mera intuicio e empirismo de
orelha, por mais impressionante que
seja a ret6rica dos nossos dirigentes.
Se continuar assim, mesmo que evolu-
amos, seri uma evolu~io aritm6tica di-
ante do avanco geomntrico dos que se
interessam por nossos recursos. A as-
sociaqo, nessas circunstncias, deixa
de ser parceria (esta expresso viciada)
para se transformer em manipulagio.
O Pari, infelizmente, nio consegue
ser contemporineo de si mesmo. Esti
pagando caro por isso e vai continu-
ar comprometendo seu future na qui-
tag~o desse compromisso. Somos sa-
trapias nas quais o sitrapa enviado, es-
colhido ou eleito se caracteriza, sobre-
tudo, pelo muito de despotismo que
usa e o pouco de esclarecimento que
tem. Foi assim em muitas col6nias se-
melhantes i nossa, espalhadas no tem-
po e no espaco. E tamb6m a nossa
condenacgio? 0







JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE DEZEMBRO/1996 7


0 municipio estA falido. Quem e mesmo culpado?
C omo entender que as prefeitu- As irregularidades tnm aumentado feito para os prefeitos recem-eleitos, o
ras do Para estejam falidas, se tamb6m em funido da melhor fiscali- governador Almir Gabriel declarou
a Constituigio de 1988 privi- zaqio. Apesar de sua origem viciada, o que esse fator nio pesa na situacqo das
legiou os municipios na redistribuiqio Tribunal de Contas dos Municipios prefeituras. Minas Gerais, sempre to-
tributiria national, transferindo-lhes ter sanado essa chaga cor a crescen- mada como referencia, tern quase cin-
fatias de receita que at6 ento cabiam I te profissionalizagio dos seus quadros. co vezes mais municipios do que o
Uniio e aos Estados? E visivel que audit cor mais compe- Pari, cujo territ6rio super de muito o
A resposta mais ficil esti na ponta tencia as contas municipals do que o de Minas.
da lingua: os prefeitos slo ladr6es, TCE a agio estadual. Os vicios da ges- Esse paralelo desatento tern autori-
como todos os politicos. O diagn6sti- t6o municipalista apareceram cor mais zado a ffiria redivisionista de pessoas
co ji pode ser aplicado a virios deles, clareza, o que nao significa, necessari- como o deputado Nicias Ribeiro. Mas,
mas nio tern validade como generali- amente, que eles se tenham multiplica- embora em tese o territ6rio paraense
zaqio. Se valesse, o pais ji teria sido do. E que antes eram manipulados e seja capaz de absorver muito mais do
inviabilizado, embora, de fato, o alto escondidos cor mais facilidade do que que seus atuais 142 municipos, os cri-
indice de apropriaco indebita de re- agora. trios de criaqgo de municipio conti-
cursos publicos no Brasil, comparati- Se o TCM melhorou, o mesmo n~o nuam atendendo mais a clientelismos
vamente a outros paises e a media aconteceu cor as administraq6es mu- do que a uma inspiraqco racional.
mundial, deva causar preocupagAo aos nicipais. A consequ&ncia 16gica dessa Marabi exemplifica essa tendencia
brasileiros. relaqco 6 a multiplicacio da rejeiqio de irracionalizante. Os limits dos qua-
A lisura no uso do erfrio n3o e ape- contas de prefeitos. Pela primeira vez, tro municipios que passaram a ocu-
nas um tema de moralidade p6blica. E neste ano, um prefeito municipal foi par o esparo onde, antes, havia ape-
tamb6m uma questIo econ6mica: corn condenado pela justiqa por irregulari- nas um, nio seguiram nenhuma dire-
tantas fontes de sangria (que dio aos dades nas suas contas. Corn um Minis- triz territorial discernivel, nem procu-
brasileiros o dominio sobre a terceira trio Piblico mais ativo (e a definigio raram absorver e acomodar os pro-
maior somas nas contas numeradas na dessa excrescencia que 6 a representa- cessos hist6ricos de tal maneira a as-
Suiqa, que costumam abrigar dinheiro qio do Minist6rio P6blico junto aos segurar a harmonia e a complemen-
de origem ilicita, cor oito bilh6es de tribunals de contas) e um judiciirio taridade entire as parties. Engendraram
d61ares depositados em favor de qua- cumprindo minimamente seus prazos um impasse territorial que subsiste at6
tro mil milionirios secrets, segundo processuais, esse caso inico haveri de hoje.
o journal Finanial Times de cinco anos multiplicar-se no future. Nesse caso hi, pelo menos, ativida-
atris), o pais jamais teri poupanca in- Cor isso, a estrutura sonolenta que des econ6micas capazes de sustentar a
terna suficiente para assegurar um cres- havia at6 recent (e ainda predomina) existencia das quatro unidades. Mas, em
cimento economic sustentivel e, por desapareceri: mesmo para roubar, o boa parte dos casos dos mais recentes
isso, saudivel. Mesmo que a economic prefeito teri que se modernizar. Espe- municipios emancipados, nem isso hi.
vi bem, o povo iri mal. ra-se, 6 claro, que as estruturas inibi- As novas unidades territories ji nas-
A qualidade do politico conta, evi- doras do roubo, ou punidoras de seu cemninviabilizadas, com perspectives de
dentemente. Mas talvez a geraq~ o ante- cometimento, melhorem numa escala autonomia precirias ou sofrendo uma
rior a que assume no dia 1l seja melhor. mais avanqada do que a dos ladroes, tend6ncia a inanigio. Inanic~o da qual
Alguns' dos novos prefeitos nio sio favorecendo, pelo efeito demonstrati- o desvio do dinheiro piblico 6 apenas
nada novos, nem de qualidade superi- vo, a lisura na conducIo dos neg6cios um dos sintomas, ainda que o de efei-
or. Imaginava-se que as irregularidades publicos, que todos pretendemos ver to mais imediato e perturbador. Se as
praticadas por eles os tivessem expur- instaurada no pais. causes nio forem atacadas, os efeitos
gado de vez da vida piblica, mas estio Mas hi ainda um outro element que perdurarAo, a despeito dos discursos e
de volta, pessoalmente ou atrav6s de influi sobre a peniria municipal. Sio dos falsos diagn6sticos, nem sempre
prepostos. Por esse prisma, portanto, as os criterios da redivisio territorial in- apresentados cor o prop6sito de re-
perspectivas nio sio favoriveis. terna do Para. Num pronunciamento solver o problema. 0


E parceria mesmo?


Os m6dicos cooperados da Uni-
med receberam um comunicado
anunciando que a Big Ben, a mai-
or rede de farmicias de Belem,
daria descontos de at6 30% aos
usuirios da cooperative. Aparen-
temente, uma grande noticia. Mas
que a parceria possa dar certo, 6 ne-
cessirio que o medico "esteja ple-


namente engajado e atento para recei-
tar os medicamentos que constam na
list do convenio, sempre que possi-
vel e necessirio ao usuirio, pois as-
sim estaremos conseguindo melhores
descontos dos laborat6rios fornece-
dores dos medicamentos, tornando a
campanha viivel num maior period
de tempo".


A list ter 700 medicamentos,
mas cabe perguntar: quem a defi-
niu? Que consultas foram feitas para
a elaboraqio da list? A Unimed,
que pediu por circular a adesio dos
conveniados, ouviu-os antes? A par-
ceria 6 mesmo paritiria ou favorece
mais os laborat6rios? Antes de acei-
tar, e precise perguntar.







Ainda no palanque


e o fato tivesse ocorri-
S do em um pais civiliza-
do, o prefeito eleito te-
lefonaria para a juiza respon-
sivel pela ordem judicial de
despejo e diria:
Doutora, estou lhe telefo-
nando para Ihe dizer que, na
condicgo d.e prefeito eleito,
embarguei a ordem de despe-
jo e mandei a familiar reocupar
o im6vel sob litigio.
A juiza, tolerante, pergunta-
ria:
Doutor, o senhor consta-
tou alguma irregularidade no
cumprimento da minha sen-
tenca?
O prefeito eleito, sensivel ao
drama human, responderia de
pronto:
Constantei, doutora. O
official de justiqa exorbitou na
execugio do mandado e alguns
procedimentos formais nio
foram cumpridos.
A juiza, civilizadamente, ar-
remataria:
Entio, doutor, arranje um
advogado para contestar a exe-
cuqio da sentenqa e recorrer


do m6rito. Mas se o senhoi
continuar impedindo o official
de justica de cumprir o que lhe
determine, infelizmente terei
que expedir um mandado de
prisio contra o senhor. O mi-
ximo que lhe cabe, como a
qualquer cidadao, 6 tentar re-
vogar minha decision. Ordem
da justiga se cumpre. Ou en-
tio vira anarquia.
Mas essa situacqo simulada
nio aconteceu na semana pas-
sada, quando o prefeito elei-
to, Edmilson Rodrigues, im-
pediu o cumprimento de uma
ordem de despejo contra uma
familiar que ocupava im6vel
alheio na rua dos Munduru-
cus. Depois de mandar arre-
bentar um cadeado colocado
no portao pelo official de jus-
tica e reinstalar a familiar no
casarao, Edmilson telefonou
para a juiza Isabel Benone,
relatando-lhe as irregularida-
des que verificou na execugao
da sentenca. A juiza, entio, re-
abriu em 24 horas o prazo
para a said da familiar.
E louvavel a preocupagao


de Edmilson Rodrigues corn a
questio social. Sua intervencIo
pode ter favorecido uma defi-
nicao mais just do impasse
que existe hi anos entire o pro-
prietirio e os ocupantes do
im6vel. Mesmo corn o novo
potential de bom resultado
que abriu, no entanto, sua par-
ticipag~o no epis6dio e preo-
cupante. Apresentar-se como
prefeito eleito, titulo sem qual-
quer base legal, pode sugerir
sua disposiio de recorrer ao
triste "sabe cor quem esti fa-
lando", p6rola do autoritaris-
mo brasileiro, ou abusar da au-
toridade da qual seri revesti-
do no dia 1.
Quando a aplicaqio da lei
for incorreta, o desejivel 6 que
se recorra dela e nio negue-se
sua validade. Isto vale mais
para os dirigentes do que para
o comum dos cidadios. Colo-
car-se acima e al6m da. lei 6 dar
o primeiro pass para o auto-
ritarismo e, na progressio qua-
se sempre inevitivel, a tirania.
0 exemplo de Edmilson nes-
se caso nio foi edificante.


Nem exemplar foi sua par-
ticipa~io no encontro dos pre-
feitos da area metropolitan
com o governador Almir Ga-
briel. Edmilson furou a ordem
natural de participago, por se-
quencia alfabitica, falou duran-
te muito mais tempo do que o
acertado, suscitou quest6es que
nio caberiam na agenda do
encontro e tentou interromper
o governador quando Almir
Gabriel falava no fecho da reu-
niio, depois de ouvir impassi-
vel a nove discursos. "Nio o
interrompi, nem Ihe dei a pala-
vra", retrucou o governador a
inconveniencia.
Restou a Edmilson um em-
barago de lider estudantil ou de
politico que ainda nio desceu
do palanque ou cuja empol-
gaio cor a vit6ria ultrapassa
o admissivel em tempo e inten-
sidade. Espera-se que, a 10 de
janeiro, ji esteja em condic6es
de assumir a prefeitura de Be-
1&m tilo formal quanto psico-
logica e espiritualmente. Seri
melhor para todos que assim
venha a ser.


Belem do passado


A prefeitura de Bel6m certa-
mente ji gastou mais de 100 mil
reais patrocinando a publicaco
nos jornais de retratos de uni-
versitirios que estio se forman-
do neste ano nas universidades
paraenses. Essa 6 apenas uma
das despesas que o prefeito H6-
lio Gueiros assume corn os for-
mandos, desde que eles se dis-
ponham a "elegf-lo" e/ou a es-
posa, Terezinha, como patrons
ou homenageados da turma. 0
patrociniopode incluir tambmn
a recepcio de formatura.
A presenca do casal nos ine-
fiveis anndcios de colandos su-
gere, ao desavisado, uma popu-
laridade incomparivel do alcai-
de junto aos universitirios. Mas
sea attitude deixa sempre um re-
siduo de gratidio, nio passa de
uma relagio commercial. Os uni-
versiitios abrem mao da prer-
rogativa de homenagear pesso-
as cor as quais efetivamente
t&m ligago ou representativida-
de em sua carreira academica,
marcando corn sinceridade uma
fase inica de suas vidas, para ter
a possibilidade de colocar seus


retratos nos jornais e fazer uma
festa, transferindo a conta para
ummecenas an6nimo: o contri-
buinte.
Ou seja; abrem mio de umn
principio antes mesmo de con-
fronti-lo corn a realidade da ati-
vidade professional, renuncian-
do a um ideal corn o qual, pro-
vavelmente, jamais se reconcili-
ario depois. E o prefeito faz po-
litica pessoal com o dinheiro do
eriio, como se a administragao
piblica fosse a casa da mie Joa-
na e a lei, potoca. Tudo isso para
manter uma tradiaio de provin-
ciana presungao, ji eliminada de
quase todas as capitals do pais.
Antigamente, pelo menos,
havia o politizado trote dos ca-
louros, animando a cidade corn
sua irrever&ncia, criatividade e
rebeldia, tragos caracteristicos
do estudante que desaparece-
ram nesse arranjo de troca de
formatura dos nossos dias. O
prefeito H6lio Gueiros conse-
guiu o que pretendia: transfor-
mar os colandos, i sua unagem
e semelhanga, em negociantes
de convicg~o.


Autonomla pra qu6?

Algum tempo atris a co- politics cultural. L eswu.i
hlna mantida pela Universi- os nomes de todos os pals-
dade Federal do Painos jor- trantes, exceto o meu.
nais de domingo, ao noticiar Os responsiveis pea pro,
urn dos events acadlmicos, mocio gaantem que relaci-
fez referencia ao men nome onatam meu nome na nota
como palestrante. A coluna encaminhada i assessor ide
saiu em O Liberal tal como imprensa. Se houve census,
foi produzidapela assessoia nio foi em 0 Liberal, ji que
de imprensa daUFPa. Gerou a coluna sai igul em A Pro-
umacrise intern: meu nome vincia do Pare no Dirio do
faz part de um index de ve- Pari
tados. Para o journal, sou um Quem for capaz de expli-
morto emvida. Hi ordem de car o incident, que se spre-
elmunar qualquer referncia senate. Afinal, a coluna paga
ao meu nome, seja li onde e a Universidade considers
for. uma de suas grades platan-
No ultimo domingo, a co- forms defender su autono-
luna da Universidade noti- mia.
ciou um cido de palestras Seri que essa autonomam.
promovido pelo DCE sobre nio se aplica a 0 Liberal?




Jornal Pessoal
Editor responsivel: Lcio FlAvio Pinto
IIlustres e edtorago grifica: Lui de Faria Pinto
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