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Journal Pessoal EDITOR RESPONSAVEL: L CIO FLAVI O PINTO ANO X Ng 152a 1! QUINZENA DE DEZEMBRO DE 1996* R$ 2,00 COBRE Metalurgica custara caro Para que a industrializaqdo do cobre a ser extraido de Carajds sejafeita no Pard, em Parauapebas ou Maraba, o governor do Estado terd que dar vantagens equivalentes a mais de um mes de pagamento dofuncionalismo pfiblico. e o governor do Para qui- ser que a metalurgia do cobre de Carajis seja rea- lizada em Marabi vai ter que dar vantagens i Salo- bo Metais, empresa res- ponsivel pelo empreendimento, no valor de 71 milh6es de d6lares, o que equivale a renunciar a quatro anos de receita de im- posto sobre a atividade da fAbrica. E tam- bem valor que corresponde a 5% de todo o investimento do projeto, previsto para absorver US$ 1,5 bilhio. Se a opqio for por Parauapebas, a ou'tra alternative de lo- calizagio da fibrica em territ6rio paraen- se, o custo para o governor seri de US$ 61 milh6es. Rosirio, no Maranhio, 6 a melhor das tres op~ies previstas, segundo os estudos da Salobo, apresentados no m6s passado ao governador Almir Gabriel, em reunion reservada. A Salobo, formada em parties iguais pela Companhia Vale do Rio Doce, o BNDES e a multinational sul-africana Anglo American, considerou, na avaliacio da localizaqio da fibrica, os custos de in- vestimento e operacional, as opc6es de planejamento fiscal e o fluxo de caixa. Por esses criterios, a usina de concen- traq~o, qualquer que seja a decision quanto a metalirgica, ficari ao lado da mina, em Marabi. Um mineroduto levaria o concen- trado da usina at6 Parauapebas, onde have- ria o embarque do produto na ferrovia de Carajis para ser transportado at6 a meta- lurgia, em Rosirio. De Rosirio, o metal se- ria escoado pelo porto da Ponta da Madei- ra, em Slo Luis. A Salobo economizaria US$ 87 milh6es com essa opq~o. A outra alternative, a de Parauapebas, permitiria um ganho de apenas US$ 16 milhbes. Para equipari-la a Rosario, o go- verno do Para teria que oferecer benefici- os i Salobo no valor de US$ 71 milh6es. A unica altera~io de lay-out em relaqIo i hip6tese Rosirio e que de Parauapebas ji sairia o metal e nio apenas o concentrado de cobre, que 6 um produto intermedii- rio entire o minerio bruto e o cobre ele- trolitico. A alternative Marabi nio oferece i Sa- lobo nenhum ganho. Por isso, o governor paraense teria que oferecer compensa6es no valor de US$ 87 milh6es para que a empresa se decidisse por essa hip6tese, a menos atraente das tres, de acordo corn sua avaliagio. Para atrai-la, o governor te- ria que doar-lhe terreno para a instalagio da fibrica, de moradias e de escola, e, na fase de implantaio, para o canteiro de obras e os alojamentos provis6rios. Tamb6m teria que garantir o suprinen- to de energia para a implantacio e o Alian4p de 94 Morre em 98 9. Gueirosmelza terra arragaya PT colne,;. errando(,,,,.3) 2 JOURNAL PSSOAL 1' QUINZENA DE DEZEMBRO/1996 funcionamento da metalhrgica e da usina de concentra io, o suprimento de agua c a coleta de esgotos, os services de comuni- cacqo, a via de acesso a fiibica e suas de- pendencias, o asfaltamento da estrada Ma- rabi-Parauapebas e todos os equipamen- tos urbanos da vila residential (incluindo a seguranga pdblica), al6m de aprontar um pacote cor 11 diferentes tipos de benefi- cios crediticios e fiscais, incluindo difern- mento de ICMS e isencio de impostor. A viabilizacao da metalurgica no Pard envolve ainda apoio politico-institucional para que a empresa obtenha outras vanta- gens a nivel federal, como isengo de im- posto de renda, colaboraqio financeira da Sudam, tarifa subsidiada de energia e li- cenca ambiental. Somente as vantagens em imbito estritamente estadual contabiliza- das pela Salobo representam um m6s e meio de pagamento dos 110 funcionarios publicos do Pari. Apesar de, pela primeira vez, a diregio da empresa ter apresentado niumeros con- cretos das hip6teses de localizaq~o da usi- na metalirgica, na sessio reservada reali- zada no palicio dos despachos, em Be- 16m, para o governador e um grupo res- trito de auxiliares, a Salobo nio revelou a base de cilculos que resultou na quantifi- caIo das tr&s alternatives. Nem enviou, at6 agora, as mem6rias, como prometeu. E uma provid6ncia elementary para checar os nimeros divulgados, sem o que ape- nas a empresa teri o dominio operacional da question. Mas a exposigo foi o bastante para que o governor tivesse uma dimensio mais re- alista do que represent objetivamente ten- tar assegurar a instalacao no Pari do pro- jeto integrado de cobre. Urgentemente, o governor precisa reunir uma equipe t6cni- ca de alto nivel para fazer sua pr6pria ava- lia~io do que represent quantitativamente cada um dos itens dessa vasta pauta de exigoncias feitas pela dire~go da Salobo. Ainda que apenas em exame superficial, um observador pode ter a impressio (mes- mo que ilus6ria, admite-se) de que a quan- tificao da empresa foi subestimada. Ou seja, de que os beneficios que ela teri va- lem muito mais do que o declarado. Quanto, por exemplo, ela pretend rei- vindicar de colaborao financeira do Fi- nam (Fundo de Investimentos da Ama- z6nia), administrado pela Sudam, para completar o quadro de fontes de seu pro- jeto, que 6 o maior em andamento em todo o pais, com orgamento de US$ 1,5 bilhio? Que sejam 30%, ji ai esse apoio somaria US$ 450 milh6es, engolindo a maior par- te do orcamento do Finam e comprome- tendo o acesso a ele de outros interessa- dos. E a licenca ambiental, a ser concedida pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Reno- viveis) e pela Sectam (Secretaria de Cien- cia, Tecnologia e Meio Ambiente do Es- tado), como traduzi-la em um numero? O projeto do cobre deveri ser o ecologica- mente mais complex e potencialmente mais perigoso de todos os que foram apre- sentados at6 agora na Amaz6nia. Para produzir 550 mil toneladas de con- centrado de cobre (das quais resultario 200 mil toneladas de metal), seri precise descartar 14,5 milh6es de toneladas de rejeitos quimicamente contaminados. Para se ter uma iddia de grandeza, a produgio de 43 milh6es de toneladas de minrio de ferro, que 6 a que esti sendo obtida em Carajis, gera 23 milhoes de toneladas de rejeito. Com a diferenga de que, neste caso, o rejeito 6 rocha pura, nao apresentando contaminaqao por produtos quimicos, como os usados para concentrar o teor de cobre para beneficiamento. Esse 6 o grande problema ecol6gico na concentraioo. Hi outro, do mesmo nivel, na metalurgia, corn o risco de poluig~o do ar por eventual emissao de fluor, um com- ponente especifico da Salobo no conjun- to dos projetos do setor de cobre em todo o mundo. Por "apoio politico-institucio- nal", a empresa esti interpretando menor rigor na anilise do relat6rio de impact ambiental que submeter ao governor? Evi- dentemente, para prevenir responsabilida- des e tratar cor seriedade do interesse public, a question teri que ser apreciada corn toda o rigor que ela intrinsecamente requer. O desafio esti justamente ai: tern o Pari condig6es de fazer uma avaliaqao adequa- da de um empreendimento que 6 o maior em curso em todo o mundo no setor mi- neral, igualando-se ao que a mesma An- glo American, em associagio cor a Fal- conbridge, executa em Collahuasi, no Chile, tamb6m para produzir cobre (igual- mente com US$ 1,5 bilhio)? A publicidade que o governor fez quan- do, no mes passado, foi formalizada a composigao acioniria da Salobo Metais, no Rio de Janeiro, cria a falsa impressio de que o Estado acompanha de fato a implantagao do empreendimento e de que 6 vit6ria sua a instalacgo do projeto em territ6rio paraense. Como ji se mos- trou aqui (ver Jornal Pessoal n0 167), o Projeto Salobo s6 se tornou integrado (da mina i metalurgia) porque as caracteris- ticas fisicas do cobre de Carajis, cor o teor muito elevado de fluor, obrigam a Salobo a oferecer metal e nio concen- trado aos compradores. A industrializa- gqo do concentrado apresentaria dificul- dade e complexidade onerosas para as metalurgias que fossem compri-lo, levan- do-as provavelmente a se desinteressarem pelo produto (ou obrigando-as a redese- nhar suas instala96es industrials se qui- sessem utilizi-lo). Assim como aconteceu na definiqio do escoamento do min6rio de ferro de Carajis por uma ferrovia at6 o litoral do Maranhio, atendendo os interesses dos compradores japoneses, e nao ao medir de forgas entire Jarbas Passarinho e Jos6 Sarney, os caciques politicos da 6poca, a integragao mina-metalurgia do cobre de Carajis foi um produto da especificida- de do minerio e nio da pressao do go- vernador Almir Gabriel, ao contririo do que procura dar a entender a propagan- da official. 0 governador, 6 claro, tem procurado fazer a sua parte para que todo o projeto, cor seu oraamento de US$ 1,5 bilhio, venha para o Pard (e nao apenas os US$ 700 milh6es a serem gastos na mineragio e na concentracao). Mesmo nesse aspec- to lateral e secundirio da hist6ria, entre- tanto, a presenqa do governor paraense nio 6 tio intense quanto a do vizinho e rival Maranhao. Se apenas de vez em quando a Vale e a Salobo sio lembradas por repre- sentantes da administration do Pari, sema- nalmente a governadora Roseana Sarney, ou seu pai, o president do Senado, ligam para diretores das duas empresas, pressi- onando e oferecendo vantagens. E precise nio esquecer a dimensio re- gional e paroquial dessa questio, mesmo sem chegar a dar-lhe primazia indevida. Al6m de sua agIo political, is vezes delet6- ria, mas sempre necessiria, o Para tem que dispor de capacidade tecnica para dialogar no mesmo nivel dos protagonistas, ao in- v6s de se tornar caudatirio ou instrumen- to de'manobra dos iinteresses deles. O projeto Salobo vai permitir, nos seus 30 anos de vida util, faturamento global de US$ 18 bilhoes. Metade desse total seri receita em moeda estrangeira, em d6lar, sendo US$ 3,6 bilh6es cor a estrat6gica substituicio das importag6es de cobre que o Brasil faz do Chile e da Bolivia, e US$ 6 bilh6es cor exportac6es. E uma contri- buig~o apreciivel para a combalida balan- ga commercial do pais e para seu balango de pagamentos que sangra. O governor federal tem que reconhecer essa contri- bui~io dada pelo Para i economic nacio- nal..Se dependesse s6 do nosso Estado, as relaq6es de troca brasileiras seriam am- plamente superavitirias. Durante esse period de 30 anos de producio da Salobo, a empresa pagari (ou pagaria, dependendo das concess6es que o governor ainda fari) US$ 1,9 bilhio de impostos (pouco mais de 10% de seu fa- turamento). Seus gastos cor insumos e mat6rias primas seri de US$ 4,2 bilh6es. Os salirios dispendidos somario US$ 900 milh6es, ou 5% do faturamento. Esse quadro de usos, independente- mente de uma anilise mais profunda, re- vela que esse mega-projeto, como todos os anteriores, nio teri a virtude de dar contribuitio expressive para o desenvol- vimento do Estado, principalmente para o seu mais grave problema, o do desem- prego. Pode induzir atividades que tenham essa propriedade, se de sua estrutura e de seus produtos resultarem outras ativida- des (os tais efeitos para frente e para tris de que falam os economistss. A pergunta que cabe fazer, entio, e se o governor esti em condiq6es de transfor- mar essa ilha de investimento num arqui- pelago de projetos multiplicadores dos beneficios, ao inves de ir fundo apenas nos custos. Eis o grande desafio, a ser respon- dido ji, o tempo que lhe rest. 0 11 QUINZENA DE DEZEMBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 3 Carajas: grandeza em ouro ignorada de Carajis, no Pari, poderio che- te seis meses por causa do movimento de pro- gar ou at6 mesmo superar mil to- testo em Serra Pelada, poderi chegar ao do- neladas, colocando o Brasil como bro, ou mais. Mesmo corn 150 toneladas de detentor da quarta maior jazida mundial do reserve, a mina se tornari a maior do pais min6rio. As descobertas vem sendo feitas em quando entrar em operacqo, dentro de dois dimenslo e rapidez que nao param de impres- anos, produzindo 15 toneladas. sionar os tecnicos envolvidos nas pesquisas. A mais nova jazida, uma extensio do cor- No inicio da d6cada de 80, Carajis nem era po mineral do igarap6 Bahia, poderi ter entire refernncia em mat6ria de ouro. Agora, numa 300 e 500 toneladas. Como a pesquisa esti area em torno de um milhio de hectares, as apenas iniciando e o teor de ouro 6 alto, algu- ocorrnncias de ouro cubadas, medidas ou mas fontes apostam que a cubagem final iri inferidas ji ultrapassam 600 toneladas, na alem de 500 toneladas, revelando-se a maior hip6tese mais conservadora. descoberta de ouro num s6 corpo de toda a Os t6cnicos da Docegeo, a subsidiAria da hist6ria do Brasil e de significado mundial. Companhia Vale do Rio Doce responsivel Existem ainda as 200 toneladas de ouro que pelos trabalhos em Carajis, se surpreendem estdo associadas ao cobre do Salobo. O mi- corn o tamanho de cada jazimento identifica- n&rio sera recuperado na metalurgia, deven- do e cor a rapidez que um novo dep6sito do resultar numa produc.o de oito toneladas descoberto supera o anterior. O primeiro foi anuais. o do igarap6 Bahia, onde foram cubadas 100 No primeiro ano do novo seculo, portan- toneladas. Essa mina ji 6 a maior em produ- to, em tres minas Bahia, Serra Leste e Salo- qio no pals, tendo desbancado Morro Velho, bo Carajis estari produzindo 33 toneladas em Minas Gerais, de sua traditional lideran- de ouro, quase tr&s vezes mais do que o re- qa. 0 faturamento annual do igarap6 Bahia equi- corde de producio de Serra Pelada, alcanga- vale a todo o investimento realizado pela do em 1983, cor 13 toneladas. Tudo o que CVRD para instalar a mina, o que di uma id6ia oficialmente Serra Pelada produziu, 50 tone- da sua rentabilidade. ladas, Carajis s6 precisari de um ano e meio O segundo jazimento foi o de Serra Leste, para igualar. Nessa 6poca, dispori de uma re- avaliado apenas parcialmente. Corn seguran- serva minima de 750 toneladas ou maxima a, os t6cnicos dizem que o dep6sito 6 de 150 de mil toneladas. Isso sem contar a possibi- toneladas, 50% a mais do que o Bahia. Mas o lidade de novas descobertas at6 l1, hip6tese 0 primeiro pass do PT P rimeiro a fidelidade political e ideo- nao rouba e fica quite l6gica, depois a competencia e a ho- tanto, significa tamb( nestidade. Esses crit6rios deram uni- tegrantes do primeiro dade e harmonia ao secretariado batismo de fogo. P municipal montado pelo prefeito eleito de transformar seu teot Bel6m, Edmilson Rodrigues. Por isso, a b6m a hip6tese de, n equipe se parece tanto cor o PT e quase bem pior, infelizmen nada cor a Frente Bel6m Popular, que ven- A coesAo da equip. ceu a ultima eleicio na capital paraense. pode nio ser um eler Menos ainda se parece corn a manifesta- te positive. Para ter gao do eleitorado, que deu a vit6ria ao pro- anga nos postos-chav fessor Edmilson nio exatamente por seus crificou profissionais meritos pessoais; ou do seu partido, mas provisag6es desconci por repulsa ao que a maioria dos habitan- ficar, por exemplo, c tes de Bel6m nio queria ver prosseguir. o pr6prio Edmilson A composicio do secretariado 6 a pri- Ganzer numa secret meira demonstraqio de miopia do PT ain- bana? Nio hi o risco da nos umbrais do poder municipal, que didato em potential c assumiri a 1 de janeiro. Parece confirmar governor do Estado er a antiga suspeita de que certas alas do par- culado ou 6 desejado tido sio pr6digas em ouvir, mas escassas Por que tirar o dep em levar em consideragQo o que ouviram Assembl6ia Legislativ; na hora de agir. Esse sectarismo faz das lamentar atuante e p coaliz6es muleta da qual essas alas se des- lo em uma secretaria, fazem quando chegam ao objetivo visado. 6, sobretudo, militant Condena esses stores do PT a um isola- to para agir? mento salvifico, que s6 di certo quando ga- O prefeito eleito p nham, mas que p6e em risco a continuida- do melhor o segundo de da vit6ria, ameagando-a de se tornar um ministrag6es, fonte p epis6dio e nao um marco hist6rico. tise informal do par Nenhum dos nomes escolhidos para o os partidos em relaq~ secretariado municipal tem atris de si uma uma alternative mell hist6ria de abuso do dinheiro p6blico, ao avaliaqio dos curricu menos que seja not6ria. A virtude, em re- tidiria. Corn isso re lacao 1 maioria, nem chega a ser m6rito: 6 empobreceu a expert que muitos sempre ficaram i distincia das ji na sua origem. decisaes que contam para valer na admi- E claro que todas nistragao. Mas 6 um trago de distinqio em dem vir a ser desfeita relaio a gest6es imediatamente anterio- primeiro escalao cor res, divididas entire o "faz mas rouba" ce- liar. Mas parece que, lebrizado por Adhemar de Barros, ou o trar-se na gestdo mur pela privatizagao que os tecnicos consideram bem plausivel. O que eles nio entendem e cada vez menos aceitam 6 que o process de priva- tizac~o da CVRD minimize ou mesmo ig- nore as vastas perspectives que Carajis esti abrindo para a empresa no mercado de ouro. Em pouco tempo, corn produ~io de 33 to- neladas, a Vale estari no topo das produto- ras mundiais de ouro, nivelando-se i pr6pria Anglo American, que se apresenta como uma das mais fortes pretendentes no leilIo de pri- vatizacgo. Mas ji entio a CVRD, por sua di- versificaiao, seri uma empresa de muito mai- or potential do que a Anglo. Havert o risco, nesse caso, de uma empresa menor absor- ver uma maior, por um prego que nao in- corpora as profundas e ripidas mudangas que estio ocorrendo em Carajis. Tio grave 6 que o BNDES, embora anun- cie que medidas serio adotadas atrav6s das ages especiais Golden Share, que o gover- no deter para impedir que os grandes con- correntes ou clients da CVRD, na Australia, no Canadi e no Japio, se apoderem da esta- tal, a Anglo American e admita sem qualquer questionamento, talvez pelo fato de ter-se as- sociado i Vale na Salobo Metals, a empresa que vai explorer o cobre. No entanto, cor o delineamento que hoje se faz do future na Vale no mercado do ouro, a Anglo American pass a ser uma concorrente direta. Mas isso, ao que parece, ningu6m quer ver. 0 na prefeitura: em falso? to de outros. No en- m que alguns dos in- Sescalio sofrerio seu oderno sair ilesos e icismo, mas hi tam- a pritica, a teoria ser te. e 6 evidence, mas este nento necessariamen- pessoas de sua confi- e, o novo prefeito sa- habilitados e fez im- ertantes. Como justi- "camponEs" (como o apresentou) Valdir ria de economic ur- de desgastar um can- ie outra ala do PT ao n 1998? O risco 6 cal- ? ,utado Luis Ara6jo da a, onde ter sido par- roficuo, para coloci- a de educacio, onde e? TerA distanciamen- oderia ter incorpora- escallo de outras ad- ermanente de exper- tido, mas imitando o aos quais deveria ser hor condicionou a los 1 vinculaalo par- stringiu as opc6es e iencia que vai iniciar essas restricges po- is na aglo, nao s6 do o do segment auxi- ao inv6s de concen- licipal, Edmilson Ro- drigues selecionou nomes de olho na elei- 0lo geral de 1998. De pronto descartou a possibilidade de uma coligaqlo corn o PSB do senador Ademir Andrade, candidatis- simo a governador. O mote foi a presenga do PSB no gover- no Almir Gabriel, um component de con- tradicgo em harmonia cor o principio do senador de adotar o revezamento (ou a am- biguidade) como a melhor maneira de se- guir em frente. Mas, ao ouvir retoricamente os aliados da esquerda e ignori-los na agio, o PT tambem se apresenta como monopo- lista da oposicgo, reservando as gales aos companheiros compuls6rios da nau. Alguns chamariam de maquiavelismo ao que os pe- tistas haverio de denominar realismo, ji sem a agregacgo do socialismo de outras 6pocas catequ6ticas hoje apenas caqueticas. O secretariado 6 a cara do prefeito elei- to? Descontando-se algumas decis6es que decorrem de acertos internos, provavel- mente 6. Mas a image que ficou de Ed- milson ao final da campanha do segundo turno nio foi a de um politico preparado para enfrentar o contradit6rio e alcancar o convencimento. Mais alguns dias de cam- panha, com novos debates, e ele talvez com- prometesse o capital subscrito em nome dele pelo public. Publico que, neste pri- meiro ensaio de gestio, ele ji parece ouvir pouco e divisar sem clareza, preso aos seus limits e as suas limitaq6es. As vezes, a grandeza hist6rica de deter- minados moments recria seus persona- gens, engrandecendo-os tamb6m para co- loci-los a altura da ocasilo. Resta esperar para verificar se Edmilson Rodrigues seri mesmo essa criatura. No primeiro movi- mento da hist6ria que comegou a escrever, seu maior efeito foi lancar a d6vida. * 4 JOURNAL PESSOAL 1' QUINZENA DE DEZEMBRO/1996 0 novo ataque da C. R. Almeida Public, abaixo, a integra de uma nova carta escrita por Oliveira Bastos, "coordenador de projetos especiais da C. R Almeida", corn minha resposta a seguir. Espero que, a part .e agora, estejornal, havendo curnprido sua obrigaao, tenha o prayer de se ver privado da continuafVo da correspondencia Hit6ric O empresirio Cedlio do Rego Almeida levou dois anos e meio estudando a possibilidade (e a con- veni6ncia) de compra uma irea de 4,7 milh6es de hectares, no Municipio de Altamira terras integrantes do patrim6nio da empress "Indstia, Comercio, Navegaio e Exportacio Xingu Ltda". Essa ares fora objeto de inventiio e formal de partilha em 1923, estando, portanto, abrigada sob o espirito e a Ictra do Art 44 das "Disposiq6es Transit6rias" da Cons- tituciao paraense. Nio eram terms desconhecidas das autori- dades estaduais, eis que bem mais recentemente foram pos- tas i venda em hasts p6blica, arrematadts peo Banco do Estado do Pari ou seja, pelo pr6prio governor do Estado do Pari, de quem o Banco 6 agent financeiro, e depois ne- gociadas, stravs de acordo judicial homologado por senten- sa daJuiza da Vara dos Feitos da Fazenda estadual, cor o sr. Umbelino Oliveira. Havia sinda (al6m de outros documen- tos que os advogados de C.R Almeida apresentario Justi- sa) uma forte recomendavio de ordem political e sentimen- tal. O advogado que preparara today a documentagio refe- rente a essa irea fora o dr Newton B. Miranda que ostenta- va, al6m do verdadeiramente not6rio saber juridico, triplice credencial: era um home inteligentissimo, era um home serio e era native de Altamira, descendente direto de Sena- dorJose Porfirio, que desbravara e desenvolvera a regiio an- tes da presenga ou da omissio institucionalizada do Estado. A ire era e e, portanto, particular. Mesmo assim, segundo voz corrente na C. R. Almeida, o empresrio solicitor atra- vis de seu irmio Henrique Almeida os bons oficios do en- tio senator Almir Gabriel para que este obtivesse do Iterpa um perfil da situaio juridica da Area. Meses depois, o sena- dor ji is voltas cor sua candidatura so governor do estado pedira desculpas por nio powder cumprir a mission, eis que, segundo de, o Iterpa nio estava aparelhado para dar uma resposta condusiva imediata e de, pessoalmente, nao tinha tempo para aprofundar o estudo da question. Meses depois, as terras foram compradas. Guerra impessa -Ji corn Almir Gabriel no governor (nun- ca, nem durante a campanha eleitoral, Almir procurou Ceci- lio para pedir-lhe o que quer que fosse e nunca o empresirio, mesmo durante a campanha, procurou Almir para oferecer- Ihe o que quer que fosse), o director juridico do Iterpa, Cados Lamario, manisfestou sua opiniio de que as terras compra- das peo empresirio pertenciam ao Estado e que ele entraria na Justika para reave-las. A opiniao era errada, mas a attitude dele correta e coerente. JA outros diretores do Iterpa acha- ram possivl chegar-se a um acordo mediante arrendamento simbolico das terras ao empresirio mas assumiam attitude ambigua que is da quase balula;io ao enderetamento de car- tas ameacadoras e grosseiras. Seguro do embasamento juri- dico de sua posi~o, C.R. Almeida nunca aceitou as "negoci- ag6es" propostas pelos diretores do Iterpa att porque, se as terras pertencem so Estado, o que nio ocorre nio pode- riam scr objeto de um contrato de comodato sem aprovagio do Senado e a abertura de concorrnncia p6blica, o que de- mandaria tempo supenor nio apenas ao mandate da atual diretoria do Iterpa, mas tambem do pr6prio governador. A attitude 6bvia era, portanto, esperar que Larmaro entrasse na Justica solicitando o cancelamento dos titulos de proprieda- de dessa Are. Acontece que os meses se passavam e o Lama- rio, em lugar de imciar a aio judicial, apenas desenvolvia mtempestiva agio jornalistica com o objetivo de qualificar como de "mi f6" o comportamento de Cecilio, e a compra das terras como uma "monstruosa grilagem". Foi neste pon- to que entree em cena (jornalistica) para defender Cecilio e o seu projeto, e que LAcio Flivio Pinto atirou-se na arena para defender Lamario e o Iterpa. A troca de ofensas pessoais - inciada pot LAcio Flivio nio agregari nenhum valor de argument i gesticulanio dos dois lados, mas serviri, quan- do menos, pars dar calor a um debate numa terra em que poucos tem a coragem e ate a oportunidade de se export, pre- ferindo a maiona ascavilosas manobras de bastidores. 0 homer O Icio Flivio que saltou das piginas gene- rosamente concedidas por ele a si pr6prio, e uma miserivel par6dia do corajoso e lucido reporter, que de nio quer mais set, dos anos 70 e 80. Transformou-se num moralist de mora- lidade duvidosa, ji que suga, confessadamente, verbas publicas providenciadas pot amigos comovidos com sua total incapaci- dade para enfrentar o mercado de trabalho. Ldcio Flivio faz dessa irregularidade um motive de orgulho e prodama-se pre- parado, alias preparadissimo, para servir a sociedade paraense, seja na Univetsidade (onde nlo deve ter entrado por concur- so), seja trarves dos diferentes e sucessivos governor estaduais, de Aloysio Chave a Almir Gabriel, passando porJirder Barbs- Iho e ate pelo Cados Santos. Iucio construiu um ilibi imoral para submeter-se aos ass6dios dos amigos que o tentam corn dinheiro do contribuinte. Ele alega que nunca edita o "Jornal Pessoal" quando esti dando assessoria ao governor, e vice-ver- sa. Pode set Mas par uma pessoa inteligente, como ele se jul- ga finala, nio estamos falando do Lamaiao), ILcio revels um estmaho embotamento do senso critic o julgarcomo e quan- do e moral ou legal a apropriaso de recursos publicos para aplacar ocasionsis e, no caso dde, endimicas, crises de peniria explicit. Diz de que nio edita o joral quando presta assesso- ria ao governor par nlo macular sua independncia. Nio 6 assim. Meses atrs eu me comovi, quase chore, corn um long texto em que LAcio narrou o drama pessoal de Cados Santos (doente, traido, deixado pela esposa e perseguido pelos oficiais de justika). O que na ocasiio me pareceu um gesto de grande- za humana, hoje perde todo sentido cor a neveleio de que LAcio tambem "mamou" verbas do governor eu disse gover- no? Cados Santos. Agora 6 muito pior. Diz ele: "De fato, prestei consultoria so Iterpa.." e: "eu ganharia (ganhou) 2.470,00 brutos, que, cor os descontos, ficaram em R$ 2.000 liquidos ... "Ou: "A pedido do Iterpa, o contrato fbi renovado pasa um period seguinte de tris meses, pelo mesmo valor..", ou entio: "No caso do Iterpa, decide dar consultoria, a pedido do Lamarao...", e mais: "No final de dezembro, Cados Lama- rio insistiu para que eu aceitasse mais um period de consulto- ria...". Nesse ponto, LAcio Flavio ii transformado em cama- leio da perplexidade orcamentiria do Pari resolve reagir. Era hora de virar jornalista, diante do agravamento da question fundiia e o saque is terras do Estado. "Seria desonesto escre- ver sobre uma question envolvendo um 6rgio so qual eu teria algum tipo de vinculaco". Mesmo assim, tem sido desonesto. De fato, ele nunca teve vinculagio corn o Interpa, embora re- cebesse dinheiro do Interpa. Sua vinculagio (e sua divida) e cor o Lamario, a prop6sito de quem ele escreve: "Hi quase um quarto de seculo o advogado Cados Lamario, um dos mais competentes profissionais na aiea do direito agriio no Para, ter sido um leal companheiro de bons combates Cada um em seu setorespecifico de competincia (sic), demos nossa con- tribuigqo para que espertinhos e vivaldinos nio passassem para seus bolsos o que 6 patrim6nio do povo". Mens verdade, L- cio. O que ati agora esti provado, inclusive por sua confissio, 6 que em matdria de privatizacio de verbas do Iterpa patri- m6nio do povo voc e o Lamatio formam um dupla compe- tente, mas extremamente cinica Curioso 6 que LAcio se mos- tre relativamente ingrato cor os outros diretores do Iterpa que, final, assinaram seus cheques Assim, mais que um porta-voz do Iterpa, LAcio Flivio prefer apresentar-se como um ports- verba do Lamario. Para efeitos externos, ou para camuflar a imoralidade da relaio pecaminosa com o erario public, LA- cio Flivio pinta-se como um ap6stolo da Verdade submetido aos sacrificios de sua mission" Vejam esta peqa preciosa em que o excesso de megalomania e servido pela absolute falta de escrupulos: "No dar consultoria a 6tgio public simultanea- mente ao exercicio da critical jornalistica ter sido uma norma que me impus. Eu pr6prio acho um excess de escnrpulo, que me tolhe muto (sic), mas 6 um preventive contra gente como Oliveira Bastos". Deixa de bobagem, LIcio. Nio existed pre- ventivo contra esse tipo de cupidez que se fantasia de capitula- qio diante da insistencia dos amigos (sempre os amigos) em associar a fame i vontade de comer Nada, neo ningu6m, con- seguira inpedir a ovulaqio de tantos contratos privlegiados. 0 estio Para mostrar que vale o quanto pede, como qualquer pistoleiro de aluguel, Lcio Flivio precisa de cadi- veres e, sobretudo, de "inimigos" que s6 ele possa "derro- tar", livrando a sociedade (no caso, dos amigos do Iterpa) de ameagas tio perniciosas. Eis como ele me descreve para va- lorizar o desafio que infrentarki "O Oliveira Bastos que se apresenta para a polemica e um decadence e nio de hoje, allis. Um contender que mente, que manmpula e distorce, que apela para o golpe sujo, que ignora qualquer das regras defi- nidoras de um bom combate".... "Ele me classifica de "im- becil em aritm6tica pretendendo dar aulas de topogrifia" (pre- tendeu dizer, na verdade, geografia) por supostamente - haver eu calculado em 10% da extension do Pari (com 120 milhdes de hectares) a area "grilada"pela C.R Almeida (4,7 milhBes de hectares). O que escrevi, entretanto, foi comple- tamente diferente. Eis o texto (Jornal Pessoal n." 147, 2.. quinzena de setembro): "Agressivo no ataque, mas ainda mantendo anonimato, Oliveira Bastos disse so reporter de O Liberal que a C.R. Almeida comprou a irea da fazenda Cu- rui de um cassa que negociava terras na regiio e consultou o 6rgio estadual sobre glebas A venda que somavam mais de 12 milh6es de hectares. E mais nio disse sobre um casal que estaria vendendo nada menos do que 10% da Area do segun- do maior Estado da Federaio". A referncia era ao casual que estaria vendendo 10% do Pari e nao i "grilagem"da C.R Almeida. Multo diferente, portanto, do que Oliveira Bastos diz que eu disse para assim, montando a frase, me atribuir uma ignorincia que 6 s6 dele, pessoal e intransferivel". O trecho e long perdoem-me mas serve para mos- trar o estilo de polemica em que LActo Flivio finge estar empenhado par dizimar o inimigo, no caso eu. Se tudo ti- vesse ocorrido como de descreve, eu seria, no minimo, um trapaceiro intellectual. Acontece que o trapaceiro 6 somente ele, que trocou o texto a que me refen pot outro, tomando, assim, fici a sua defesa e firtil, a sua adjetivago a meu res- peito: mentiroso, aplicador de golpes baixos, ignorante, pul- guento, etc. Ocorre que o trecho citado pot Lucio Flivio nao e o mesmo referido por mim e esti, de fato, no n 147 do Journal Pessoal, sob o titulo "0 Saque is terras do Pari". E dificil, inclusive, saber a quem pertence esse texto, se a LAcio Flivio ou se a Cados Lamario, ji que hi perfeita e total iden- tidade de formulaglo (errada e capciosa) da intriga e coinci- d&ncia de pilavras corn o do oficio dirigido plo director do Departamento Juridico da Iterpa so Secretirio de Seguranga Piblica do Estado, mandando instaurar inqu6rito policial contra mim. Nio, LAcio Flivio, o texto glosado por mim esti em outra material da mesma ediiio, sob o titulo "Monopolio fatal", em que vocal mente e distorce os fatos para fazer crer que "O Li- beral" abriaespacos generosos para mim enquanto se negava a publicar a version de Cados Lamario. A verdade outra. No mesmo dia em que deu entrada, no F6rum de Altamira, i aio de anulacio do registro de terras de C.R Almeida, todos os jornais de Belem, inclusive o Liberal, receberam enorme mate- rial do Lamaro descrevendo o empresirio como home de mi f e grileiro. O Liberal foi o unico journal que, uma semana depois, procurou ouvir a version de CR. Almeida. Como Ceci- lio estivesse viajando e os seus advogados nio pudessem se manifestar sobre material ainda nio recebida pedoJuiz de Alta- mira, falei eu. E continue falando, porque mesmo na obscuri- dade e no anonimato do Jornal Pessoal vale a pena desmistifi- car o engodo de quem pretend ser martir corn verbas publi- cas e defender a Verdade com a trapaga e a mentira. Diz ele que o journal dos Maiorana (que eu deixei de lado paa vir bri- gar aqui dentro do JP) usou minha agressividade para se vin- gar de Lamario advogado de LAcio nos inuimeros processes movidos contra ele por Calilo Kzan (que nio conheqo) e sua esposa, Rosingea Maiorana, por caltinia, infamia, difamacio. Nio sou eu, portanto, mas aJustica do Pam, quem esti crian- do jurisprudncia sobre o carAter do Lucio Flivio. Mas voltemos so texto que ele trocou para "provar" que eu mentia, distorcia e caluniava. Diz o IAcio: "Uma question pessoal (dele e do Lamario com os Maiorana) afeta um caso do maior interesse public, a tentative de apropriagio de 10% por cento do territ6dio paraense, i base de fraude. S6 as ter- ras que a C. R. Almeida reivindica valenam R$ 160 milh6es, na avaliagio do Iterpa. Mas ni' 6 s6 nesse caso que o journal coloca seus interesses acima da obrigagio de bem informar a opiniio p6blica". Di para perceber, portanto, quem manipula textos, quem mente, quem trapaceia, quem ignora qualquer das regras defi- nidoras de um bor combat. Aliis, mesmo nio precisando de O Liberal e, neste moment, dependendo do Jornal Pessoal para rebate o que aqui e vomitado contra mim e contra a C. R Almeida, devo dizer que o journal dos Maiorana pode e tem dado lies de etica professional ao LAcio Flivio Pinto. Mas o LAcio prefer delirar ia bra de sua decomposigio mental. Por exemplo: de desanca o Liberal por ter publicado, no mesmo dia, a entrevista do Barata e a minha resposta. Nesse dia, o journal concede metade da pigina ao president do Iterpa e apenas 15 linhas (no miximo) is minhas decaraq es. E o que aconteceu aqui no Jornal Pessoal? LAcio confessa que s6 publi- cou a carta (ele tinha o direito de decidir se publicaria ou nio) ao saber que a mesma estava circulando por Belem (nio por iniciativa minha). Mas na mesma edig1o concedeu-me apenas duas colunas e meia, enquanto se concedia 4 piginas inteiras para me responder do modo que acabei de mostrar. Prefiro, portanto, a etica ea amizade dos Maiorana. A questo Num espaco minimo roubado a distor;io dos fatos e i megalomaniac descriqio de suas virtudes civi cas e pessoais, Lucio Flivio Pinto finalmente coloca a ques- tio que deveria star preocupando o governor e a opiniio P QUINZENAbE DEZEMBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 5 p6blica. Di,-entio: "Por enquanto, o governor assisted a esse litigio como se se tratasse, realmente, de uma queda-de-bra- go privative entire a dupla Lamarto & Pinto e Almeida & Bastos Ora, o que esti em questao 6 uma irea que o powder piblico pode utilizar em beneficio da coetividade ou que uma empress pode transformar em lucro indevido. Lucro e bem comum podem se combinar, mas de uma forma licita. O Iter- pa diz que essa via legal nio existed A prova dos nove do litigio cabe i jiistiqa, onde o process ji esti em andamento. Se a empress quer comeqar a dialogar com honestidade e parn valer a nivel administrative, porque nio renuncia previ- amente ao registry fraudulent e passa a negociar tecnica- mente em cima do tal projeto?" Esse texto abre, de fato, a pol6mica que nteressa, pelo menos a n6s e i opinilo paiblica. A posi ao do govemo, inde- finidamente definida pelo Iterpa e transmitida por Lamarao & Pinto leva i suposiqio de que existe a possibilidade de ser aquela irea "utilizada" pelo poder piblico em beneficio dacoletivida- de. Essa possibilidade, sabemos todos, nio existe Hoje, como no tempo da expedkio. das sesmarias, o powder piblico est quebradg. O Rei de Portugal tinha a coragem e o bom-senso de reconhecer e prodamar essa realidade Os tempos slo ou- tros, mas a rcaidade da ocupagio e desenvolvimento de um tetrtonro vigem (ou quase) e a mesms. Portugal teve sucesso porque chamou a iniciativa privada (os potentados de entio) para suprir a falta de recursos do Estado. A Franca fracassou no Maranhio (que era virgem, ao contri io do Pernambuco enfrentado pelos holandeses) porque resolve financial a em- preitada cor recursos da Coroa, que eram poucos e logo tran- cados por Richilieu. Pouca gene sabe, mas uma das piginas mais comoventes e mais bonitas da Hist6ria brasileira foi vivi- da na tentative de levantar dinheiro, junto i alta sociedade fran- cesa da epoca, para financiamento dos navios e das tropas que, se tivessem vindo, teriam feito do Maranhia (e tambem do Pari e do Amazonas) um outro pals. Foi com esse objetivo que os franceses de La Ravardiere levaram os indios pars a Corte, cor o apoio e o entusiasmo do poets Malherbe que patrocinou, inclusive, uma quermesse (sim, aquda pracinha cheia de barraquinhas) para clue os nobres matassem o tidio e salvassem o Mundo Novo. O Maranhio (e n6s do Pari e do Amazonas) fomos, portanto, a primeira vitima no Brasil de urn core oramentirio. Essa opcio estatal em que apostam Lamario & Pinto nio existed: primeiro porque as terras nio pertencem so Esta- do, como seri provado naJustica, e depois porque o Estado nio tern recursos nem projetos para esse tipo de ocupagio e desenvolvimento. Respondendo i reportagem de O Liberal, na iA citada entrevista de 14 de setembro filtimo, ("Caso o Iterpa ganhe a aio e essas terrs voltem ao patrim6nio do Estado, que destinaio seri dada a elas?") o president do Iterpa, Ronaldo Barata, dedarou: "Essas terms, hi muitos anos, sempre foram utilizadas como irea de extrativismo. E evidence que cabe ao Estado, que cabe a Iterpa 6tgio de gerenciamento das terras publicas do Estado elaborar pro- jetos part uma exploragio racional dessa irea". Tudo con- versa fida. Tudo jogo de cena. Iterpa nio tern projeto par area nenhuma das terms que pertencem ao Estado. Ali- is, nio sabe onde estio localizadas essas terms, nem de que tamanho elas sio. Em document official da atual adminis- traio, o Iterpa avalia que o tamanho das terras do Estado poderp ser de 5 milh5es ou de 50 milh6es de hectares O Iterpa e portanto, uma enorme perplexidade cercada de ban- didagem por todos os lados. Ou, nas palavras do pr6prio Lucio Flivio Pinto: "0 Iterpa 6, realmente, um 6tgio desa- parelhado, que corn sua fachada, consegue fazer alguma coi- sa, mas esti oco por dentro, como um cenirio de Hollywood". Eu prefiro dizer que o Iterpa esti oco como um cenirio da Atlintida, propicio a todos os tipos de chanchadas O Iterpa nio consegue sequer cumprir o ritual de acompanhamento de processes em que le pr6prio intervem, atraves de seu mais ativo departamento, oJuridico, entregue ao dondocio (o Isaac diris so tigre) que 6 o Carlos Lamario. Pois e a este Iterpa, completamente baratinado, que o Lucio Flivio quer que a C R. Almeida se dirija "para come- qar a dialogar cor honestidade". E claro que nio da Se, como diz Lucio Flivio, e como acreditamos n6s, "a prova dos nove do litigio cabe i justtia, onde o process ji esti em anda- mento" n6s e o Iterpa devemos suspender nossos julga- mentos e ate nossas hostilidades particulars e esperar a ma- nifesta ~o de quem tern o ever e o poder de vulgar. Mas o mundo nio pira por causa disso. De nossa part, tocaremos o nosso projeto e o Iterpa, se alguma vez o Ronaldo Barata falou a verdade, deve implantar os projetos elaborados pela atual diretoria part as ireas indiscutivelmente do Estado Ali- is, tanto o Iterpa quanto o aicio Flivio precisam se definir a respeito da demora de nosso projeto: ora, eles reclamam a sua imediata apresentacio, como se fosse possivel comprar proletos na padaria da esquina e logo em seguida nos conde- nam porque o seu anincio "funciona como uma gazua fun- diiria". Um pouco de metodo, mesmo na loucura, nio faz mal a ningu6m. Ate agora falei da question principal como concebida por lamarro & Pinto. Nio esse, contudo, o nosso entendimento. Salvo no que diz respeito i aqio que corre na justice, nada nos op6e so Estado ou so Governo do Pari. O nosso proje- to nio se recomenda apenas por ser da iniciativa privada, mas principalmente por set um salto sobre as etapas do capitalis- mo selvagem e da selvageria pre-capitalista que ainda predo- minam no interior do Estado. Queremos ganhar dinheiro corn a floresta em pe, preservada e integralmente oferecida aos povos que nela habitam e/ou venham a habitar, nos assenta- mentos que realiaremos por nossa conta e risco. Nio quere- mos, nem precisamos de nenhum tipo de financiamento ou de recursos do Estado. Na verdade, trata-se de inaugural, no coraqio da Amaz6nia, as tecnologias limpas da promocio do turismo ecol6gico e da produqio de fito-firmacos Tec- nologias limpas nio apenas de produtos que poluem o meio ambiente, mas limpas, sobretudo, do sangue e das afligBes de nossos irmios indios ou caboclos. P. S. Para nio entediar o leitor you parar, hoje, por aqui. Mas nao cheguei nem i metade dos assuntos provocados ou deformados plsa iltima investida de Lucio Flivio Pinto. Afi- nal, nem toquei, aqui, no caso dos chantagistas (que emoci- onante), nio aprofundei a anilise do comportamento de al- guns diretores do Iterpa, nio respond i provocagio do Liu- cio sobre onde estava eu nos vinte e tantos anos em que ele e Lamarao aprontavam pelos jornais, nao descrevi a perfor- mance do jovem Torquato Alencar (posto em situalo cons- trangedora por Barata & Lamario) e outros, muitos outros temas, inclusive ura notices dos estudos sobre a regiio de Altamira, encomendados pela C R. Almeida (dima, solos, vegetagio, fauna, atividades econ6micas, restauracio flores- tal etc.) que ia estio prontos, e em meu poder que coorde- narei a redaqio final do projeto. A revelia do Luicio Flivio - um dia, espero, com sua total adesio (nio 6 possivel que le continue patrocinando o Iterpa e a sua atual diregio) este lomal Pessol se transformari no mais rico reposit6rio de infornuq6es sobre o projeto que (proviso riamente) eu cha- mo de "Alta mir da Amaz6nia". No pr6ximo nimero, que- rendo Lucio, haveri mais, muito mais. Minha resposta Numa ligaS;o telef6nica que me fez de Brasi- lia, na semana passada, anunciando a remnessa da carta aqui publicada, Oliveira Bastos disse que la- mentava estarmos em campos opostos. Informou que ate pensara em me indicar a Cecilio Rego de Almeida, seu patrio, como um professional capaz de trabalhar no projeto que agora coordena. Como critique o tal empreendimento, virei professional decadente e de moral duvidosa. Este iltimo juizo, vindo de Oliveira Bastos, nio me preocupa. Sua indicaqio para eu ser seu colaborador 6 que me deixaria mal. Estarmos em campos opostos signi- fica, para mim, a certeza de estar do lado certo. A segunda carta dele e varnago sobre os mes- mos pontos, acrescida de novas mentiras e tentati- vas de seducio, cor o mesmo objetivo mtimida- t6rio ou de cooptaaio, conforme minha escolha. Tentando conquistar telefonicamente minha adesio ou procurando me assustar por escrito, o que Oli- veira Bastos quer 6 me calar. Algu6m que continue mostrando a farsa da qual ele participa, por menor que seja a expressio desse denunciante, seri um es- torvo ao plano da empresa de se apoderar indevida- mente de uma vasta area do territ6rio paraense. A titica, velha conhecida, 6 a mesma que gente como Helio Gueiros adota. Bastos diz que eu ini- ciei a "troca de ofensas pessoais". Ao leitor, para tirar a prova dos nove, bastari ler os artigos que escrevi antecedendo a primeira carta dele e com- provar quem desceu o nivel. O que 6 explicivel: Bastos defended uma causa natimorta, que s6 pros- perari pelo prevalecimento da ilicitude, ou se o governor se mantiver em sua tibieza tucana (o ani- mal, belissimo, exige uma campanha de reabilita- ;ao de imagem. Antes de chegarmos ao que interessa ao pibli- co, uma ripida parada nos aspects pessoais que ele utiliza. Minha capacidade professional se refle- te no meu curriculo, mas pode ser testada a qual- quer moment, por Oliveira Bastos ou quem quer que sela. As consultorias que dei, todas a convite, nunca por oferecimento, tamb6m: seus resultados, formalizados em documents, estio disponiveis aos interessados. E s6 ler e avaliar a que serve. As consultorias nao comecaram no governor Aloysio Chaves, ao contririo do que diz o porta- estandarte da C. R. Almeida, farto de fitulas, ane- mico de verdades: foi, por incrivel que possa pare- cer, na administraclo Helio Gueiros, em 1989, sem ter qualquer relagio com o atual burgo-mestre da capital (10 anos depois de Aloysio ter deixado o governor e 23 anos ap6s o inicio da minha carreira professional como jornalista, ji entio consolidada). Mas quem me contratou nio foi o governador. Para a montagem de um banco de dados sobre a Amaz6nia na Funtelpa (que esti la para consulta, o contrato foi assinado cor Francisco Cezar Nu- nes da Silva. Para a elaboracgo de dois estudos (os cenrios e o zoneamento do Pari), a contratante foi Violeta Loureiro, do Idesp. Na administraqio Carlos Santos, o contato foi diretamente cor Wilton Brito, o secretirio de Pla- nejamento. Ele e eu temos inumeras divergencias e ji as manifestamos de piblico. Mas eu respeito Wilton, um professional que ter sido meu interlo- cutor hi tr6s decadas e com quem sempre apren- di. Por isso, aceitei seu convite para trabalhar com uma equipe da Seplan, chefiada por Paulo Elcidio Nogueira. Quem quiser avaliar o que fiz 6 s6 it no rastro, lendo os documents que ajudei a produzir e ou- vindo as pessoas com as quais trabalhei, todas elas t6cnicos cor suas especialidades. Em nenhuma vez fui contratado por amizade, em nenhuma ganhei o que os pr6prios contratantes achavam que eu merecia ganhar e em nenhuma recebi sem traba- lhar. E mais nio digo porque os contratantes 6 que slo competentes para avaliar os services pelos quais me pagaram (sempre, insist, em contratos por serving certo, de curta durag o, sem vinculo em- pregaticio). Oliveira Bastos esti mesmo gagi. Nem ler di- reito ele consegue. Diz ter ficado comovido (a emocio ficil e um dos sintomas da doenca da qual parece star acometido) com uma mat6ria que es- crevi sobre Carlos Santos, sugerindo que criei ima- gem favorivel do ex-governador para compensar o que ele me pagou (outra vez: nada teve a ver com o governador). A materia esti na capa do n" 143 do Journal Pessoal para o leitor checar. Verificari que sequer publiquei que Carlos Santos foi traido ou estava doente. Quanto a juizo de valor sobre a administraago Carlos Santos, eu ji a havia mani- festado bem antes e nao foi nadapositiva, muitis- simo pelo contritio. Sem ter fatos A sua disposi io, Oliveira Bastos abusa da mentira e da insinua~go ambigua. E as- sim que deixa no ar o que pode ter havido na rela- aio entire C. R. Almeida e o entio senator Almir Gabriel, que teria recebido a mission de ser qua- se um lobbista da empresa. Da mesma maneira, usa em vio o nome do ex-vice-governador Newton Miranda para tentar conquistar ades6es. Manipula sem escr6pulo ou pudor, como quan- do, flagrado em primarismo aritm6tico, tenta cor- rigir a tolice buscando outro trecho do JP n 147 para me transferir seu pr6prio erro. "Esquece" que a materia que cita, "Monop6lio fatal", 6 uma con- tinuacao, na pigina 3, da reportagem de capa, "0 saque is terras do Pari", onde aparece, pela pri- meira vez e mais detalhadamente, a referencia aos 10%, nio como a Area "grilada" pela C. R. Almei- da, mas o total da area que o casal contratado pela empresa estaria oferecendo para venda, incluindo os 4,7 milh6es de hectares visados pelo patrio de Oliveira Bastos. Vale a pena prosseguir num debate desse gene- ro? Meus leitores advertem que nio. 0 cinismo leva Oliveira Bastos a encontrar licqes de etica em 0 Liberal, que jamais abrigaria em suas piginas carta contra os Maiorana como a que aqui dou gua- rida, sem mudar uma virgula ou ser edita-lacomo poderia fazer. 0 Liberal nem mesmo carta de reti- ficaio admite. 0 journal, aliis, se recusou terminantemente a pu- blicar uma nota paga da OAB (que acabou se cur- vando i vontade imperial do journal atrav6s da qual o advogado Carlos Lamario se oferecia para pole- 6JORNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE DEZEMBRO/1996 mizar cor seu aggressor, aceitando o desafio que ele Ihe havia feito. S6 que O Liberal nio di espago a Lamarao, punindo-o pelo crime de ser meu advo- gado nos litigios judiciais conmRosingela Maiorana e seu marido (como pune desafetos cor a morte em vida, riscando-os de seu noticiirio). E, agora, nem mais espaco cede a Bastos, que tenta recuperar o latiffindio que Ihe foi conferido no journal creden- ciando-se por meio dos ataques que me faz. Mas chega de quest6es pessoais, que meu calu- niador remexe para desviar do que interessa. E o que interessa e a ameaqa de apropriacio ind6bita de milh6es de hectares de terras publicas pela C. R. Almeida e outros pirates que se langam sobre o tesouro fundiirio do Pari, certos de contar cor a falta de vigilincia e de compet6ncia do governor. Todos os 10 im6veis registrados no cart6ro de Altamira a parttr de 1923, abrangendo supostamen- te quatro milh6es de hectares (em seguida, 4,7 mi- lh6es), remontam a um "titulo hibil" que teria sido expedido pela Diretoria de Obras, Terras e Viacio do Estado. Esses titulos nunca apareceram, nunca foram identificados e nem se faz refernncia ao ano em que ternam sido expedidos. Tudo sugere que s1o ficticios. Advogados lgados i C. R. Almeida vinham pro- curando "descobrir" os titulos nos talonirios depo- sitados nos arquivos do Iterpa, valendo-se da coni- vencia irregular de funcionarios do institute, con- forme den6ncia transformada em sindicinciainter- na ji em curso no 6rgio. Outra frente de "esquen- tamento" da titulagao esta na tentative de amarrar os im6veis a cartas de data de sesmaria, plantando em lugar certo quatro delas que referem-se ao Xm- gu. Mas tudo 6 malabarismo e fraude. A ocupasio das areas existe, de fato. Mas confe- re direttos apenas aos ocupantes e sobre a area efe- tivamente ocupada, que e pouca, nIo sobre os mun- dos que descrevem em seus registros de pe quebra- do. Nem mesmo a arrematacao de im6veis em has- ta public por um banco official ter o poder de legi- timar dominion, ja que uma coisa nada ter a ver corn a outra se a dominialidade foi estabelecida sobre unma nulidade absolute, por isso, insanivel. E poresse motive mesmo que os im6veis nunca foram cadastrados no Incra. Cor as recentes nor- mas sobre o ITR, s6 o pagamento do imposto atra- sado iria superar de muito o valor das terras "grila- das", calculado pelo Iterpa em 160 milh6es de reais. Os compradores sabem desse "detalhe". Como sa- biam desde cedo, inclusive quando contactaram o entio senador Almir Gabriel, tentando maquiaveli- camente envolv&-lo, que qualquer uso legal da irea requeria a regulanza~io junto ao Iterpa. E o que consta explicitamente em um "contra- to particular de compromisso de comprae venda" (popularmente conhecido como "contrato de ga- veta") assinado cor os antigos detentores da irea, em maio do ano passado. Depois de pagar como entrada urma prestacio de 100 mil reais, de um to- tal de R$ 6 milh6es pela transag~o, a C. R. Almeida (atraves da Rondon Agropecuiria) s6 quitaria a par- cela seguinte, de R$ 125 mil, "contra a regulariza- gio da gleba de terras ora compromissada A venda junto ao ITERPA". Mesmo que essa etapa tivesse sido cumprida pelos vendedores, os restantes R$ 5,4 milh6es, re- presentados pela cessio de cr6ditos da empresa em ao6es judiciais transitadas em julgado, e nIo por dinheiro vivo, s6 seriam transferidos "contra a re- gularizago da gleba de terras compromissadas jun- to ao ITERPA", conforme consta da cliusula sex- ta do contrato. Se os vendedores nio efetuassem a "regulari- zacqo perfeita e acabada do im6vel (...) junto as repartiqes publicas federal, estaduais e munici- pals, especalmente o Instituto de Terras do Pard', tudo o que a C. R. Almeida tivesse adiantado teria que ser restituido, cor os acrescimos legais, "sob pena deste valer como titulo hibil para execugHo forga- da contra o im6vel dado em garantia". A empresa ainda ficana desobrigada dos demais pagamentos. A aKio do Iterpa de cancelamento dos registros, se de um lado question a legitimidade como e de seu dever do dominio pnvado sobre a area, por outro lado ter o efeito de liberar i C. R. Almeida dos compromissos corn o vendedor e habiliti-la a incorporar os direitos que, mesmo ilegitimos, ele trial sobre a area, por ter descumprido a cliusula leonina da regularizagio (uma, dentre outras, incluindo a elei4io de Curitiba, sede da C. R. Almeida e distant do domicilio do vendedor, como foro para dirimir as pendencias do contrato). Talvez por isso Oliveira Bastos insistisse tanto para o Iterpa ajuizar logo a agso, esperando que a lentidio da justiga seja um aliado para uma ocupacio de fato da irea durante o tempo em que a questIo permanecer sub-judice, alem de se livrar do vendedor, sucedendo-o no "gri- lo" a prego de quase nada. Esse contrato de gaveta comprova que os com- pradores estavam cientes da inexistencia de domi- nio particular sobre a irea (dai a dependEncia do Iterpa). Mas 6 tambem prova de sonegaiio fiscal, ji que no contrato official, registrado na junta Co- mercial em Bel6m, o valor da transasgo e de R$ 500 mil, ou R$ 5,5 milhe6s a menos do que foi acordado entire as parties. Cor pedido de publicacAo, o juiz Jos6 Torqua- to Ara6jo de Alencar, da 1' vara da comarca de Marabi, enviou c6pia do oficio que dirigiu ao pre- sidente do Tribunal de Justica do Estado, no qual relata epis6dio que o envolveu quando respondia pela 2 vara da comarca de Altamira, noticiado na edicio n" 151 deste journal. 0 Journal Pessoal publicou os ataques feitos so juiz pelo jornalista Oliveira Bastos, "coordena- dor de projetos especisis da C. R Almeida". Bastos acusou Torquato de ter sido beneficiado pelo Iter- pa corn o pagamento do frete de um aviao que o teria transportado durante a iltima eleig~o. No seu oficio, o juiz inform que, antes de ter ajuizado uma aio de cancelamento dos registros imobilii- rios feitos em nome de uma subsididria da C. R_ Almeida no cart6rio de Altamira, o Iterpa "patro- cinou a viagem de um aviio entire a sede do muni- cipio e o distrito de Castelo de Sonhos, para aJUS- TICA ELEITORAL 18' ZONA Altamira, da qual a 6poca eu era o Juiz Eleitoral". Esclarece o juiz em seu oficio so president do TJE: "O distrito de Castelo de Sonhos fica locali- zado ao sul do municipio de Altamira, ji na divisa corn o Estado de Mato Grosso, somente alcaniavel por via area, distando mais de duas horas de v6o da sede do municipio. No local hi seis sego6es elei- Estes sio apenas alguns dos elements bisi- cos da tram6ia, ainda sem esgoti-la, inclusive por causa da limitagso de espago que me imponho nesta resposta. Mas ji 6 o suficiente para explicar os ataques de Oliveira Bastos. Como Helio Guei- ros cinco anos atris, ele nio quer explicar: o quer mesmo 6 agredir. Suas cartas slo um insulto ao leitor deste journal e representam uma sabotage ao seu conteddo. Continuar abrigando essa mesmicie de baixo ni- vel significaria comprometer a qualidade do JP. Nem mesmo a preocupagio em resguardar o direito de resposta justifica esse martiriol6gico. Prossegui-lo seria sado-masoquismo. Tendo sacrificado o espa- co do journal cor as duas cartas de Oliveira Bastos e minhas respostas, considero-me descompromissa- do de continuar a abrigar sua correspondencia de aluguel. S6 fatos novos reabririo o JP ao assunto. Oliveira que tente reconquistar os Maiorana, se e que eles ainda aceitam a companhia. 0 torais cor um total de 1978 eleitores. Ao aproxi- mar-se a ipoca de elei96es, hi necessidade da veri- ficagio dos locals de votacio, convocacio de mesi- rios, entrega dos titulos... Para efetuar essas tarefas, em data de 27/08/96, o ITERPA ofereceu i Justi- ca Eleitoral um aviio para o transport do pessoal do cart6rio, consoante document em anexo, trans- mitido via FAX i Zona. A viagem foi efetuada, in- clusive sem a minha presenga, tendo ido ao local o chefe do cart6rio, um official de justiqa e mais tr&s funcionirios do cart6rio eleitoral. As tarefas foram cumpridas, tendo havido a verificacio do local das se95es, a convocago de mesirios e a entrega de titulos eleitorais". Escarece assim o juiz que "jamais fui conduzi- do em qualquer viagem area patrocinada pelo ITERPA, sendo que o custeio da viagem foi de um ORGAO PUBLIC DO ESTADO i JUSTICE ELEITORAL, inclusive, repito, sem a minha pre- senga". Ressalta que o president do TJE, "um ma- gistrado experience e que ji foiJuiz Eleitoral, sabe das dificuldades que aJustiga Eleitoral tern em cum- prir as suas misses, sendo imprescindivel o apoio dos 6rgios federais, estaduais e municipals. Tal apoio i fato co-riqueiro e que nto pode ser interpretado da maneira maldosa com que foi colocado" neste jornl pelo porta-voz da C. R. Almeida. r---- - ---- ------------- I I I CUPOM DE ASSINATURA Para receber o Jomal Pessoal em casa ou para di-lo de present a algum amigo, de preferencia fora de Bel6m ou fora do Par, preencha os dados e envie um cheque de 15 reals em nome de LiUcio Flavio Pinto por uma Sassinatura trimestral, enviando-o pelo correio ou entregando diretamente I rua Aristides Lobo, 871. Contatos pelos telefones 224-3728 e 223-1929. I N om e:..................................................................................... . ............... E ndere o:................................................................................................. SCidade: ............................. U F: ..................... CEP: ........................... -----------------------.---- . Juiz esclarece - QUINZENA DE )EZEMBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 7 Mais briga no picadeiro A coligacao que vencoqi a eleicao de 1994 nlo devert existir na de 1998. A cisio das forcas que se uniram na vit6ria de Alnir Ga- bril 6 cada vez mais visivel. A unidade ji nio foi mais possivel de fato, embora so- brevivesse de direito, na dispute munici- pal deste ano. O prefeito Hl6io Gueiros, certo de que elegeria sozinho seu suces- sor, manteve o governador i distincia da campanha de Ramiro Bentes. Achava que Almir Gabriel tiraria votos em fungao de seu continue desgaste. O epis6dio deixou sequelas. Outro ji marcou fundo a antiga uniao. Vem dos ataques constantes do deputado federal Vic Pires Franco, ampliados em duas piginas que a edicio dominical de O Liberal de 24 de novembro Ihes dedicou. Colocado no centro da midia por "uma grande coinidencia do destino" (como ad- mitiu), que o tornou relator da emenda da reeleiio na Cimara Federal, Vic fez as mais duras critics que o governador ji recebeu - e de um suposto aliado. Disse que, mesmo corn a itrodugio da reelei~go, duvida que Almir possa ven- cer em 98, ainda que permanecendo no cargo de governador. Arrola as provas da fraqueza do governador, entire as quais no- meagoes para cargos federais no Estado sem a consult dele ou de nomes de ou- tros esquemas politicos. Chega a declarar que, "pela primeira vez na hist6ria politi- ca do Pari, o governor do Estado nio fez a superintendEncia da Sudam", uma evi- dente inverdade. Incorreg6es ou distorc6es nas declara- c6es de Vic Pires Franco n~o anulam a procedencia de virias das critics que ele fez ao governor Almir Gabriel, ainda sus- cetivel em qualquer avaliacao rigorosa, mas nem revelam todo o jogo praticado pelo deputado, nem autorizam sua legitimida- de. Talvez por isso o lider do governor na Assembl6ia Legislativa, Luiz Otivio Cam- pos, tenha reagido cor uma ffria espan- tosa, transferindo o epicentro das diver- gOncias para o terreno privado e o subso- lo conceptual. Para alguns interpretes, o tom acalorado da pol&mca entire os dois ex-amigos, ex-correligionirios e membros do mesmo partido, o PFL, explica-se numa dimensio pessoal. Mas 6 uma inter- pretag~o incomplete. Vic, agora candidate no ano 2000 i re- cem-disputada prefeitura de Bel6m (ji o foi a governador ou senador em edig6es passadas do journal integra um esquerma de tomada do poder, que tem como v6r- tice Romulo MaioranaJr., lanado pr6-can- didato ao governor e fascinado pela hip6- tese. O ideal para esse esquema 6 que o governador Almir Gabriel, sitiado por ata- ques constantes de aliados, acabe desis- tindo de concorrer i reeleigio, mesmo quando essa alternative for legalizada, per- manega no cargo c apoie urn candidate de outro partido da alianga que nio o PSDB candidate tirado do colete pelo prefeito H6lio Gueiros, naturalmente, ji que ele seria mais forte, mais esperto e mais "marqueteiro" do que o governador, ao menos na opinion de sua troupe circen- se e do pr6prio chefe. A interpretagio cosmetica tamb6m as- segura que o deputado Luiz Otivio atira sanguinariamente no ex-amigo intimo apenas visando a presidencia da Assem- bl6ia Legislativa, cargo que aumenta de importincia em todo period electoral. Seria bala de festim. Ledo engano: Luiz Otivio, se nro ter a inspiracao do go- vernador, conta cor sua conivencia pre- via. Almir, ao seu estilo, nao quer decla- rar guerra e talvez nem esteja em con- digoes de assumi-la. Mas, se a lei deixar, quer concorrer 1 reeleigo, convencido - como o maioral Fernando Henrique Car- doso de que s6 no segundo mandate, depois de ter arrumado a casa, poderi realizar as obras que eliminario sua atual mi image e o credenciardo ao registro hist6rico. Meteorologistas politicos, portanto, atengio: vem chumbo grosso por ai. 9 Cascas de banana by Gueiros E m 1991, Helio Gueiros se recu- sou a entregar o cargo de gover- nador ao seu successor, que nio conseguiu eleger. Mas no mes- mo moment em que o adversirio Jader Barbalho, de quem recebera o cargo qua- tro antes, tomava posse no Palicio Lauro Sodr6 pela segunda vez, o caixa de uma agencia do Banco do Estado do ParD con- tinuava a funcionar a todo vapor para fa- zer os ultimos pagamentos a clients de interesse da administration que chegava ao fim. Foi uma orgia financeira em hora re- tardada, mas providencial para os emprei- teiros que pagaram as devidas comissoes. A cena poderi se repetir na transmis- sio da prefeitura de Bel6m. Novamente Hilio Gueiros foi incapaz de assegurar a eleigio de seu candidate. E mais uma vez ameaqa bagungar as regras do jogo, deso- brigando-se de entregar o cargo que re- gularmente Ihe foi passado quando o as- sumiu, em 1993. O alcaide 6 tio mau per- dedor quanto vencedor. Por isso, ji prepare cascas de banana para deixar espalhadas pelo caminho do novo prefeito. Algumas chegam atrav6s de ame- agas, como a de transferir ao Estado toda a responsabilidade pela duplicago da aveni- da Jilio Cesar, de acesso ao aeroporto. Aparentemente, seria at6 bom para a administragao do PT, desobrigada de as- sumir o encargo. Mas o objetivo sibilino 6 o de langar uma pi de descrenca no PT entire a populag~o. O que o burgo-mestre quer dar a entender 6 que os petistas slo tio irresponsaveis que manter sua respon- sabilidade sobre 40% do custo da obra significaria inviabilizi-la. Resta saber como se comportari o governador Almir Ga- briel diante dessa manobra. Ji em fin de gestio, Gueiros nio se vexou em abrir concurso para contratar nada menos do que 321 novos funcionarios para a Ctbel, a Com- panhia deTransporte do Municipio de Be- 16m. Deixa a suspeita de que decidiu ado- tar uma political de terra arrasada para o successor indesejado. Ji na campanha electoral, Edmilson Rodrigues denunciou sem muita base factual a sistemntica abertura de cr6di- tos suplementares sem a devida previsao orgamentiria. Os indicios sio de que as contas municipals fechardo o ano em "d- ficit", o que significa, para o PT, recorrer a operag6es de cr6dito, comprometendo a receita future. E nesse ponto que residem as esperan- gas de Helio Gueiros: de que o PT nio consiga dar conta das dificuldades que encontrari na PMB, multiplicadas pelas manobras adotadas desde a definimio da eleigio no 2 turno. H6lio Gueiros esti apostando que a nova administration do PT se assemelhari 1 do Ceari. Os insu- cessos ali foram tdo grandes que o PT nunca mais voltou i prefeitura da capital cearense. Os petistas explicam que a desastrada experi&ncia do Ceari nio se repetiri. Ma- ria Luiza Fontelle era corpo estranho ao partido, que ainda nao tinha quadros, nem experi&ncia na administraSio priblica. A situaio sena, hoje, diferente. Mas, em cir- cunstincias distintas, o PT parece expos- to aos mesmos riscos ao assumir pela pri- meira vez a capital paraense. Preferiu fa- zer uma composigio fechada, isolando-se politicamente. Tem ainda o inconvenien- te de entregar direg6es viciadas por anos de priticas incompativeis corn a filosofia do partido a pessoas at6 entio restritas a gabinetes. Elas podem precisar de muito. tempo para controlar os stores de sua competencia. O "muito tempo" pode se prolongar at6 a pr6xima campanha elei- toral, que vai renovar os executives e le- gislativos federals e estaduais. 0 PT pode estar subestimando o peri- go das cascas de banana e superestiman- do sua capacidade de equilibrio. 0 Ate quando? A Amri6nia continue a ser um referencial distant e ex6tico para a maioria da imprensa national. Outro dia o colunista Ricardo Bo- echat fez uma confusIo danada ao juntar na mesma noticia, dada no program Bom Dia, Brasil, da TV Globo, o conflito de Corum- biara, em Rond6nia, ao de Eldo- rado de Carajis, no Pari. Intervalo temporal de um ano e meio entire os dois epis6dios, distincia geogrifica de varias cen- tenas de quil6metros, numero de vitimas diferente, alim de cober- turas exaustivas no dia-a-dia do acompanhamento jornalistico nao foram o suficiente para Boe- chat, um colunista t~o bem hu- morado quanto bem informado, distinguir entire os dois aconteci- mentos. Comegou com Eldora- do, passou a Corumbiara, voltou a Eldorado e arrematou corn o conflito de Rond6nia, sem mu- dar o tom, nem perder o f61ego. Quosque Tandem, Dr. Marinho? Meia-verdade Quem diria: surgiu um novo tipo de lobby no Brasil. E parcialmente contra urma hidrovia. Ela e important e interessa ati certo trecho. Torna-se irrelevant e desinteressante de um certo trecho em diante. E assim que alguns manipuladores da opinido piblica comeeam a se referir d hidrovia Araguaia- Tocantins. Ela deve ser apoiada desde a nascente do Araguaia ati Xambiod, na metade do seu curso. Dai para frente deve-se abandond-la por dois novos modais o rodovidrio e o ferrovidrio ate alcanfar o ponto final que, no caso, 6 o porto da Ponta da Madeira, em Sao Luis. Com isso, seria poupado todo o investimento nas eclusas de transposifdo do Tocantins, na hidrelitrica de Tucurui. Estd na hora de os paraenses meterem sua colher de pau nesse mingau antes que ele engrosse de vez. O Liberal: 50 anos e ainda comegando No mesmo mes em que completou invejivel cinquentenirio, O Liberal cometeu uma das maiores "barrigas" (noticia falsa) dos ulti- mos tempos. Enquanto, em suas edig6es dominicais de 24 de no- vembro, o Diirio do Pari falava em quatro mortos e A Provincia do Para em cinco (o numero correto), O Liberal abria a manchete de primeira pigina anuncando que 22 pessoas tinham morrido no nau- frigio do barco "Sio Jos6 do Acari", que levava romeiros para o Cirio em Acar_. Sensaconalismo macabro? Para um jomal que atingiu 50 anos de vida (30 sob o comando da familiar Maiorana), um erro desse porte revela uma combinaaio de situaq6es incompativeis com a coi digo alcangada pelo journal, o nono em tiragem do pais. As 18 horas lo saibad:, 23, circulou pelas reda- cqes a informacao de que 22 corps haviam sido resgatados. Um pouco antes de 22 horas a Capitania dos Portos, ainda sem poder dizer qual o n6mero total de vitimas, garantia que, ate ali, apenas quatro corpos tinham sido resgatados. Mas quando a pimeira informal o official se torou disponivel, a ediio dominical de O Liberal ji crculava pelas ruas de Belem. Entre ter dados mais seguros para informal seus leitores sobre um fato grave e sair mais cedo, o jomal fez a segunda op0Io, deixando de lado a mission mais nobre da imprensa, que e ter f6 p6blica. A f6 no que vira, em O Liberal, e no faturamento. A edico dominical, apesar de sua policromia e dos penduricalhos que acolhe, 6 uma fraude ao leitor. Ela circula no pr6prio sibado, desmentindo a informaqio do cabegalho, em horirio cada vez mais antecipado, sacrificando o conteido propriamente noticioso do jor- nal. E uma mi tendencia universal, que se agrava na provincia. Por aqui nio existem os problems de impressio e distribuiao que tem, nas megalopolis, os diirios de amplitude national. Mas 6 como se existissem, uma macaqueaqco que perpetual o desrespeito pelo leitor, que, insensibilizado, nio reage e a maioria dos que se manifesta se satisfaz com o elogio fcil ou a bajulaqio descarada. Os visitantes que chegam hoje a 0 Liberal se impressionam com suas superfluamente suntuosas instalacOes fisicas e sua tecnologia de ponta (embora nem sempre haja sincronia entire suas parties, o que se constata na irea industrial), mas a empresa que invested fundo em bens materials 6 a mesma que ignora sua qualificaio humana e professional. Dai os constantes e constrangedores erros que compete, pr6prios nio de uma corporaqo cinquentenaria, mas de um princpante. Reals inteng6es Colonialismo Os malaios que estiveram em Be- lem, retribumdo a viagem do gover- nador Almir Gabnel ao seu pais, dei- xaram bem demonstrado que preci- sam de novas ireas tropicais para am- pliar o cultivo e aprodugao de dende, que lideram no mercado mundial. Mas nio demonstratam que, inde- pendentemente desse neg6cio, provei- toso para as duas parties, deixario de utilizar os metodos predat6rios que os fizeram arrasar as florestas dos luga- res onde passaram, com multa ret6ri- ca sobre ecologia e multa pritica de corte raso de madeira. O dende, se no for um neg6cio park valer, seri um bom biombo para continuar extram- do madeira a margem de todo o cui- dado que o mundo adquiriu sobre os danos desse extrativismo. O principal projeto do program de realizac6es da Eletronorte para os pr6ximos anos e a constru5io de uma lihha de transmissao de energia da hi- dreltrica de Tucurui ate a usina de Serra da Mesa, em Gois, com mil qm- 16metros de extensao e 566 milh6es de reals de custo. Significa que, em ma- teria de energia, a principal funlo re- servada a Amaz6nia e especifica- mente ao Pars, o Estado que realmen- te conta na matena e ser provincial. Vamos continuar exportando para o exterior energia na forma de pro- dutos mal-acabados, como lingote de aluminiio, lasca de silicio e catodo de cobre. E, para mais perto, dentro do pais, remeteremos energia em forma bruta mesmo. E isso o que o Para quer? Auto-critica Finalmente uma mat6ria bem- humorada, ainda que ncm sem- pre bem escrita, como a que o Di- ario do Pard publicou para sau- dar ironicamente a passagem de dona Carmem Mayrink Veiga por Belem, na capa do sempre bem editado caderno D do journal. A materia permit dois tipos de perguntas. A primeira: quem C o "A. Pinto" que esconde a auto- ria com o pseud6nimo? A segunta pergunta: em quem cabe como luva este trecho da materia, reproduzido literalmen- te, inclusive com seus erros: "Aos velhos rapos6es politicos corrup- tos e maquiavelicos, Dona Car- mem diri as virtudes das tram- polinhagens com verbas p6blicas recomendando, porem, cautela na aquisigao de bens e exposigAo exacerbada das recem-nascidas fortunes". O que nao vai faltar e carapu- ga circulando pela cidade. Mas desde ji pode-se saudar uma vir- tude nos veiculos de comunica- c1o do senador Jader Barbalho: sao as unicos auto-criticos em Belem. Quem dera, por esse ca- minho, um dia cheguem a neces- saria profissionalizaaio enquan- to e tempo. Capitulo 2 Como fez seu successor, Artur Tourinho, novo superintendent da Sudam, foi ao gabinete do go- vernador Almir Gabriel convidA- lo para a pr6xima reuni.o do Conselho Deliberativo da Supe- rintendencia do Desenvolvimen- to da Amaz6nia. Como fez em relacgo aos ou- tros convites, Almir prometeu ir. N.o foi a nenhuma das sess6es presidididas por Frederico Andra- de, certamente por represilia ao insucesso no patrocinio da can- didatura de Fernando Flexa Ribei- ro a Sudam, preterido pelo go- verno federal em favor de Frede- rico. Agora, com Tourinho, Al- mir se tornari olimpico? E um bor mote para o pr6ximo capi- tulo da novela.Se nao prova que ter forga em Brasilia, pelo me- nos afasta de si a image avina- grada de mau perdedor. imprensa noticiava que os camels haviam reocupado a rua Jolo Alfredo depois da vit6ria do PT (verslo assaz interest sante para o burgo-mestre Helio Gueiros), o advogado, que tern escrit6rio exatamente nessa rua, lembrou num "minifato"de sua coluna, em O Liberal: "Na vespera da eleiCio para o 20 turno, os camels voltaram corn tod a a fora is ruas Joo Alfredo e Santo Antonio". A imprensa nao sobrevive atropelando fatos. Journal Pessoal Editor responsivel: Lucio FIhvio Pinto Ilustrag6es e editoraiio grfica: Luiz de Faria Pinto Reda~io: Passagem Bolonha, 60-B 66.053-020 Fone: 223-1929224-3728 Contato: Ty. Benjamin Constant 845/203 66.053-020 Fone: 223-7690 |
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