Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00101

Full Text







Journal Pessoal

EDITOR RESPONSAVEL: L CIO FLAVI O PINTO
ANO X Ng 152a 1! QUINZENA DE DEZEMBRO DE 1996* R$ 2,00

COBRE


Metalurgica custara caro

Para que a industrializaqdo do cobre a ser extraido de Carajds sejafeita no Pard, em

Parauapebas ou Maraba, o governor do Estado terd que dar vantagens equivalentes a


mais de um mes de pagamento dofuncionalismo pfiblico.


e o governor do Para qui-
ser que a metalurgia do
cobre de Carajis seja rea-
lizada em Marabi vai ter
que dar vantagens i Salo-
bo Metais, empresa res-
ponsivel pelo empreendimento, no valor
de 71 milh6es de d6lares, o que equivale a
renunciar a quatro anos de receita de im-
posto sobre a atividade da fAbrica. E tam-
bem valor que corresponde a 5% de todo
o investimento do projeto, previsto para
absorver US$ 1,5 bilhio. Se a opqio for
por Parauapebas, a ou'tra alternative de lo-
calizagio da fibrica em territ6rio paraen-
se, o custo para o governor seri de US$ 61
milh6es.
Rosirio, no Maranhio, 6 a melhor das
tres op~ies previstas, segundo os estudos
da Salobo, apresentados no m6s passado
ao governador Almir Gabriel, em reunion


reservada. A Salobo, formada em parties
iguais pela Companhia Vale do Rio Doce,
o BNDES e a multinational sul-africana
Anglo American, considerou, na avaliacio
da localizaqio da fibrica, os custos de in-
vestimento e operacional, as opc6es de
planejamento fiscal e o fluxo de caixa.
Por esses criterios, a usina de concen-
traq~o, qualquer que seja a decision quanto
a metalirgica, ficari ao lado da mina, em
Marabi. Um mineroduto levaria o concen-
trado da usina at6 Parauapebas, onde have-
ria o embarque do produto na ferrovia de
Carajis para ser transportado at6 a meta-
lurgia, em Rosirio. De Rosirio, o metal se-
ria escoado pelo porto da Ponta da Madei-
ra, em Slo Luis. A Salobo economizaria
US$ 87 milh6es com essa opq~o.
A outra alternative, a de Parauapebas,
permitiria um ganho de apenas US$ 16
milhbes. Para equipari-la a Rosario, o go-


verno do Para teria que oferecer benefici-
os i Salobo no valor de US$ 71 milh6es.
A unica altera~io de lay-out em relaqIo i
hip6tese Rosirio e que de Parauapebas ji
sairia o metal e nio apenas o concentrado
de cobre, que 6 um produto intermedii-
rio entire o minerio bruto e o cobre ele-
trolitico.
A alternative Marabi nio oferece i Sa-
lobo nenhum ganho. Por isso, o governor
paraense teria que oferecer compensa6es
no valor de US$ 87 milh6es para que a
empresa se decidisse por essa hip6tese, a
menos atraente das tres, de acordo corn
sua avaliagio. Para atrai-la, o governor te-
ria que doar-lhe terreno para a instalagio
da fibrica, de moradias e de escola, e, na
fase de implantaio, para o canteiro de
obras e os alojamentos provis6rios.
Tamb6m teria que garantir o suprinen-
to de energia para a implantacio e o


Alian4p de 94
Morre em 98
9.
Gueirosmelza
terra arragaya
PT colne,;.
errando(,,,,.3)








2 JOURNAL PSSOAL 1' QUINZENA DE DEZEMBRO/1996


funcionamento da metalhrgica e da usina
de concentra io, o suprimento de agua c a
coleta de esgotos, os services de comuni-
cacqo, a via de acesso a fiibica e suas de-
pendencias, o asfaltamento da estrada Ma-
rabi-Parauapebas e todos os equipamen-
tos urbanos da vila residential (incluindo a
seguranga pdblica), al6m de aprontar um
pacote cor 11 diferentes tipos de benefi-
cios crediticios e fiscais, incluindo difern-
mento de ICMS e isencio de impostor.
A viabilizacao da metalurgica no Pard
envolve ainda apoio politico-institucional
para que a empresa obtenha outras vanta-
gens a nivel federal, como isengo de im-
posto de renda, colaboraqio financeira da
Sudam, tarifa subsidiada de energia e li-
cenca ambiental. Somente as vantagens em
imbito estritamente estadual contabiliza-
das pela Salobo representam um m6s e
meio de pagamento dos 110 funcionarios
publicos do Pari.
Apesar de, pela primeira vez, a diregio
da empresa ter apresentado niumeros con-
cretos das hip6teses de localizaq~o da usi-
na metalirgica, na sessio reservada reali-
zada no palicio dos despachos, em Be-
16m, para o governador e um grupo res-
trito de auxiliares, a Salobo nio revelou a
base de cilculos que resultou na quantifi-
caIo das tr&s alternatives. Nem enviou,
at6 agora, as mem6rias, como prometeu.
E uma provid6ncia elementary para checar
os nimeros divulgados, sem o que ape-
nas a empresa teri o dominio operacional
da question.
Mas a exposigo foi o bastante para que
o governor tivesse uma dimensio mais re-
alista do que represent objetivamente ten-
tar assegurar a instalacao no Pari do pro-
jeto integrado de cobre. Urgentemente, o
governor precisa reunir uma equipe t6cni-
ca de alto nivel para fazer sua pr6pria ava-
lia~io do que represent quantitativamente
cada um dos itens dessa vasta pauta de
exigoncias feitas pela dire~go da Salobo.
Ainda que apenas em exame superficial,
um observador pode ter a impressio (mes-
mo que ilus6ria, admite-se) de que a quan-
tificao da empresa foi subestimada. Ou
seja, de que os beneficios que ela teri va-
lem muito mais do que o declarado.
Quanto, por exemplo, ela pretend rei-
vindicar de colaborao financeira do Fi-
nam (Fundo de Investimentos da Ama-
z6nia), administrado pela Sudam, para
completar o quadro de fontes de seu pro-
jeto, que 6 o maior em andamento em todo
o pais, com orgamento de US$ 1,5 bilhio?
Que sejam 30%, ji ai esse apoio somaria
US$ 450 milh6es, engolindo a maior par-
te do orcamento do Finam e comprome-
tendo o acesso a ele de outros interessa-
dos.
E a licenca ambiental, a ser concedida
pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Reno-
viveis) e pela Sectam (Secretaria de Cien-
cia, Tecnologia e Meio Ambiente do Es-
tado), como traduzi-la em um numero? O
projeto do cobre deveri ser o ecologica-
mente mais complex e potencialmente


mais perigoso de todos os que foram apre-
sentados at6 agora na Amaz6nia.
Para produzir 550 mil toneladas de con-
centrado de cobre (das quais resultario
200 mil toneladas de metal), seri precise
descartar 14,5 milh6es de toneladas de
rejeitos quimicamente contaminados. Para
se ter uma iddia de grandeza, a produgio
de 43 milh6es de toneladas de minrio de
ferro, que 6 a que esti sendo obtida em
Carajis, gera 23 milhoes de toneladas de
rejeito. Com a diferenga de que, neste caso,
o rejeito 6 rocha pura, nao apresentando
contaminaqao por produtos quimicos,
como os usados para concentrar o teor
de cobre para beneficiamento.
Esse 6 o grande problema ecol6gico na
concentraioo. Hi outro, do mesmo nivel,
na metalurgia, corn o risco de poluig~o do
ar por eventual emissao de fluor, um com-
ponente especifico da Salobo no conjun-
to dos projetos do setor de cobre em todo
o mundo. Por "apoio politico-institucio-
nal", a empresa esti interpretando menor
rigor na anilise do relat6rio de impact
ambiental que submeter ao governor? Evi-
dentemente, para prevenir responsabilida-
des e tratar cor seriedade do interesse
public, a question teri que ser apreciada
corn toda o rigor que ela intrinsecamente
requer.
O desafio esti justamente ai: tern o Pari
condig6es de fazer uma avaliaqao adequa-
da de um empreendimento que 6 o maior
em curso em todo o mundo no setor mi-
neral, igualando-se ao que a mesma An-
glo American, em associagio cor a Fal-
conbridge, executa em Collahuasi, no
Chile, tamb6m para produzir cobre (igual-
mente com US$ 1,5 bilhio)?
A publicidade que o governor fez quan-
do, no mes passado, foi formalizada a
composigao acioniria da Salobo Metais,
no Rio de Janeiro, cria a falsa impressio
de que o Estado acompanha de fato a
implantagao do empreendimento e de
que 6 vit6ria sua a instalacgo do projeto
em territ6rio paraense. Como ji se mos-
trou aqui (ver Jornal Pessoal n0 167), o
Projeto Salobo s6 se tornou integrado (da
mina i metalurgia) porque as caracteris-
ticas fisicas do cobre de Carajis, cor o
teor muito elevado de fluor, obrigam a
Salobo a oferecer metal e nio concen-
trado aos compradores. A industrializa-
gqo do concentrado apresentaria dificul-
dade e complexidade onerosas para as
metalurgias que fossem compri-lo, levan-
do-as provavelmente a se desinteressarem
pelo produto (ou obrigando-as a redese-
nhar suas instala96es industrials se qui-
sessem utilizi-lo).
Assim como aconteceu na definiqio
do escoamento do min6rio de ferro de
Carajis por uma ferrovia at6 o litoral do
Maranhio, atendendo os interesses dos
compradores japoneses, e nao ao medir
de forgas entire Jarbas Passarinho e Jos6
Sarney, os caciques politicos da 6poca, a
integragao mina-metalurgia do cobre de
Carajis foi um produto da especificida-
de do minerio e nio da pressao do go-


vernador Almir Gabriel, ao contririo do
que procura dar a entender a propagan-
da official.
0 governador, 6 claro, tem procurado
fazer a sua parte para que todo o projeto,
cor seu oraamento de US$ 1,5 bilhio,
venha para o Pard (e nao apenas os US$
700 milh6es a serem gastos na mineragio
e na concentracao). Mesmo nesse aspec-
to lateral e secundirio da hist6ria, entre-
tanto, a presenqa do governor paraense nio
6 tio intense quanto a do vizinho e rival
Maranhao. Se apenas de vez em quando a
Vale e a Salobo sio lembradas por repre-
sentantes da administration do Pari, sema-
nalmente a governadora Roseana Sarney,
ou seu pai, o president do Senado, ligam
para diretores das duas empresas, pressi-
onando e oferecendo vantagens.
E precise nio esquecer a dimensio re-
gional e paroquial dessa questio, mesmo
sem chegar a dar-lhe primazia indevida.
Al6m de sua agIo political, is vezes delet6-
ria, mas sempre necessiria, o Para tem que
dispor de capacidade tecnica para dialogar
no mesmo nivel dos protagonistas, ao in-
v6s de se tornar caudatirio ou instrumen-
to de'manobra dos iinteresses deles.
O projeto Salobo vai permitir, nos seus
30 anos de vida util, faturamento global
de US$ 18 bilhoes. Metade desse total seri
receita em moeda estrangeira, em d6lar,
sendo US$ 3,6 bilh6es cor a estrat6gica
substituicio das importag6es de cobre que
o Brasil faz do Chile e da Bolivia, e US$ 6
bilh6es cor exportac6es. E uma contri-
buig~o apreciivel para a combalida balan-
ga commercial do pais e para seu balango
de pagamentos que sangra. O governor
federal tem que reconhecer essa contri-
bui~io dada pelo Para i economic nacio-
nal..Se dependesse s6 do nosso Estado,
as relaq6es de troca brasileiras seriam am-
plamente superavitirias.
Durante esse period de 30 anos de
producio da Salobo, a empresa pagari (ou
pagaria, dependendo das concess6es que
o governor ainda fari) US$ 1,9 bilhio de
impostos (pouco mais de 10% de seu fa-
turamento). Seus gastos cor insumos e
mat6rias primas seri de US$ 4,2 bilh6es.
Os salirios dispendidos somario US$ 900
milh6es, ou 5% do faturamento.
Esse quadro de usos, independente-
mente de uma anilise mais profunda, re-
vela que esse mega-projeto, como todos
os anteriores, nio teri a virtude de dar
contribuitio expressive para o desenvol-
vimento do Estado, principalmente para
o seu mais grave problema, o do desem-
prego. Pode induzir atividades que tenham
essa propriedade, se de sua estrutura e de
seus produtos resultarem outras ativida-
des (os tais efeitos para frente e para tris
de que falam os economistss.
A pergunta que cabe fazer, entio, e se
o governor esti em condiq6es de transfor-
mar essa ilha de investimento num arqui-
pelago de projetos multiplicadores dos
beneficios, ao inves de ir fundo apenas nos
custos. Eis o grande desafio, a ser respon-
dido ji, o tempo que lhe rest. 0







11 QUINZENA DE DEZEMBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 3


Carajas: grandeza em ouro ignorada

de Carajis, no Pari, poderio che- te seis meses por causa do movimento de pro-
gar ou at6 mesmo superar mil to- testo em Serra Pelada, poderi chegar ao do-
neladas, colocando o Brasil como bro, ou mais. Mesmo corn 150 toneladas de
detentor da quarta maior jazida mundial do reserve, a mina se tornari a maior do pais
min6rio. As descobertas vem sendo feitas em quando entrar em operacqo, dentro de dois
dimenslo e rapidez que nao param de impres- anos, produzindo 15 toneladas.
sionar os tecnicos envolvidos nas pesquisas. A mais nova jazida, uma extensio do cor-
No inicio da d6cada de 80, Carajis nem era po mineral do igarap6 Bahia, poderi ter entire
refernncia em mat6ria de ouro. Agora, numa 300 e 500 toneladas. Como a pesquisa esti
area em torno de um milhio de hectares, as apenas iniciando e o teor de ouro 6 alto, algu-
ocorrnncias de ouro cubadas, medidas ou mas fontes apostam que a cubagem final iri
inferidas ji ultrapassam 600 toneladas, na alem de 500 toneladas, revelando-se a maior
hip6tese mais conservadora. descoberta de ouro num s6 corpo de toda a
Os t6cnicos da Docegeo, a subsidiAria da hist6ria do Brasil e de significado mundial.
Companhia Vale do Rio Doce responsivel Existem ainda as 200 toneladas de ouro que
pelos trabalhos em Carajis, se surpreendem estdo associadas ao cobre do Salobo. O mi-
corn o tamanho de cada jazimento identifica- n&rio sera recuperado na metalurgia, deven-
do e cor a rapidez que um novo dep6sito do resultar numa produc.o de oito toneladas
descoberto supera o anterior. O primeiro foi anuais.
o do igarap6 Bahia, onde foram cubadas 100 No primeiro ano do novo seculo, portan-
toneladas. Essa mina ji 6 a maior em produ- to, em tres minas Bahia, Serra Leste e Salo-
qio no pals, tendo desbancado Morro Velho, bo Carajis estari produzindo 33 toneladas
em Minas Gerais, de sua traditional lideran- de ouro, quase tr&s vezes mais do que o re-
qa. 0 faturamento annual do igarap6 Bahia equi- corde de producio de Serra Pelada, alcanga-
vale a todo o investimento realizado pela do em 1983, cor 13 toneladas. Tudo o que
CVRD para instalar a mina, o que di uma id6ia oficialmente Serra Pelada produziu, 50 tone-
da sua rentabilidade. ladas, Carajis s6 precisari de um ano e meio
O segundo jazimento foi o de Serra Leste, para igualar. Nessa 6poca, dispori de uma re-
avaliado apenas parcialmente. Corn seguran- serva minima de 750 toneladas ou maxima
a, os t6cnicos dizem que o dep6sito 6 de 150 de mil toneladas. Isso sem contar a possibi-
toneladas, 50% a mais do que o Bahia. Mas o lidade de novas descobertas at6 l1, hip6tese


0 primeiro pass do PT
P rimeiro a fidelidade political e ideo- nao rouba e fica quite
l6gica, depois a competencia e a ho- tanto, significa tamb(
nestidade. Esses crit6rios deram uni- tegrantes do primeiro
dade e harmonia ao secretariado batismo de fogo. P
municipal montado pelo prefeito eleito de transformar seu teot
Bel6m, Edmilson Rodrigues. Por isso, a b6m a hip6tese de, n
equipe se parece tanto cor o PT e quase bem pior, infelizmen
nada cor a Frente Bel6m Popular, que ven- A coesAo da equip.
ceu a ultima eleicio na capital paraense. pode nio ser um eler
Menos ainda se parece corn a manifesta- te positive. Para ter
gao do eleitorado, que deu a vit6ria ao pro- anga nos postos-chav
fessor Edmilson nio exatamente por seus crificou profissionais
meritos pessoais; ou do seu partido, mas provisag6es desconci
por repulsa ao que a maioria dos habitan- ficar, por exemplo, c
tes de Bel6m nio queria ver prosseguir. o pr6prio Edmilson
A composicio do secretariado 6 a pri- Ganzer numa secret
meira demonstraqio de miopia do PT ain- bana? Nio hi o risco
da nos umbrais do poder municipal, que didato em potential c
assumiri a 1 de janeiro. Parece confirmar governor do Estado er
a antiga suspeita de que certas alas do par- culado ou 6 desejado
tido sio pr6digas em ouvir, mas escassas Por que tirar o dep
em levar em consideragQo o que ouviram Assembl6ia Legislativ;
na hora de agir. Esse sectarismo faz das lamentar atuante e p
coaliz6es muleta da qual essas alas se des- lo em uma secretaria,
fazem quando chegam ao objetivo visado. 6, sobretudo, militant
Condena esses stores do PT a um isola- to para agir?
mento salvifico, que s6 di certo quando ga- O prefeito eleito p
nham, mas que p6e em risco a continuida- do melhor o segundo
de da vit6ria, ameagando-a de se tornar um ministrag6es, fonte p
epis6dio e nao um marco hist6rico. tise informal do par
Nenhum dos nomes escolhidos para o os partidos em relaq~
secretariado municipal tem atris de si uma uma alternative mell
hist6ria de abuso do dinheiro p6blico, ao avaliaqio dos curricu
menos que seja not6ria. A virtude, em re- tidiria. Corn isso re
lacao 1 maioria, nem chega a ser m6rito: 6 empobreceu a expert
que muitos sempre ficaram i distincia das ji na sua origem.
decisaes que contam para valer na admi- E claro que todas
nistragao. Mas 6 um trago de distinqio em dem vir a ser desfeita
relaio a gest6es imediatamente anterio- primeiro escalao cor
res, divididas entire o "faz mas rouba" ce- liar. Mas parece que,
lebrizado por Adhemar de Barros, ou o trar-se na gestdo mur


pela privatizagao
que os tecnicos consideram bem plausivel.
O que eles nio entendem e cada vez
menos aceitam 6 que o process de priva-
tizac~o da CVRD minimize ou mesmo ig-
nore as vastas perspectives que Carajis esti
abrindo para a empresa no mercado de ouro.
Em pouco tempo, corn produ~io de 33 to-
neladas, a Vale estari no topo das produto-
ras mundiais de ouro, nivelando-se i pr6pria
Anglo American, que se apresenta como uma
das mais fortes pretendentes no leilIo de pri-
vatizacgo. Mas ji entio a CVRD, por sua di-
versificaiao, seri uma empresa de muito mai-
or potential do que a Anglo. Havert o risco,
nesse caso, de uma empresa menor absor-
ver uma maior, por um prego que nao in-
corpora as profundas e ripidas mudangas que
estio ocorrendo em Carajis.
Tio grave 6 que o BNDES, embora anun-
cie que medidas serio adotadas atrav6s das
ages especiais Golden Share, que o gover-
no deter para impedir que os grandes con-
correntes ou clients da CVRD, na Australia,
no Canadi e no Japio, se apoderem da esta-
tal, a Anglo American e admita sem qualquer
questionamento, talvez pelo fato de ter-se as-
sociado i Vale na Salobo Metals, a empresa
que vai explorer o cobre. No entanto, cor o
delineamento que hoje se faz do future na
Vale no mercado do ouro, a Anglo American
pass a ser uma concorrente direta. Mas isso,
ao que parece, ningu6m quer ver. 0


na prefeitura: em falso?


to de outros. No en-
m que alguns dos in-
Sescalio sofrerio seu
oderno sair ilesos e
icismo, mas hi tam-
a pritica, a teoria ser
te.
e 6 evidence, mas este
nento necessariamen-
pessoas de sua confi-
e, o novo prefeito sa-
habilitados e fez im-
ertantes. Como justi-
"camponEs" (como
o apresentou) Valdir
ria de economic ur-
de desgastar um can-
ie outra ala do PT ao
n 1998? O risco 6 cal-
?
,utado Luis Ara6jo da
a, onde ter sido par-
roficuo, para coloci-
a de educacio, onde
e? TerA distanciamen-

oderia ter incorpora-
escallo de outras ad-
ermanente de exper-
tido, mas imitando
o aos quais deveria ser
hor condicionou a
los 1 vinculaalo par-
stringiu as opc6es e
iencia que vai iniciar

essas restricges po-
is na aglo, nao s6 do
o do segment auxi-
ao inv6s de concen-
licipal, Edmilson Ro-


drigues selecionou nomes de olho na elei-
0lo geral de 1998. De pronto descartou a
possibilidade de uma coligaqlo corn o PSB
do senador Ademir Andrade, candidatis-
simo a governador.
O mote foi a presenga do PSB no gover-
no Almir Gabriel, um component de con-
tradicgo em harmonia cor o principio do
senador de adotar o revezamento (ou a am-
biguidade) como a melhor maneira de se-
guir em frente. Mas, ao ouvir retoricamente
os aliados da esquerda e ignori-los na agio,
o PT tambem se apresenta como monopo-
lista da oposicgo, reservando as gales aos
companheiros compuls6rios da nau. Alguns
chamariam de maquiavelismo ao que os pe-
tistas haverio de denominar realismo, ji sem
a agregacgo do socialismo de outras 6pocas
catequ6ticas hoje apenas caqueticas.
O secretariado 6 a cara do prefeito elei-
to? Descontando-se algumas decis6es que
decorrem de acertos internos, provavel-
mente 6. Mas a image que ficou de Ed-
milson ao final da campanha do segundo
turno nio foi a de um politico preparado
para enfrentar o contradit6rio e alcancar o
convencimento. Mais alguns dias de cam-
panha, com novos debates, e ele talvez com-
prometesse o capital subscrito em nome
dele pelo public. Publico que, neste pri-
meiro ensaio de gestio, ele ji parece ouvir
pouco e divisar sem clareza, preso aos seus
limits e as suas limitaq6es.
As vezes, a grandeza hist6rica de deter-
minados moments recria seus persona-
gens, engrandecendo-os tamb6m para co-
loci-los a altura da ocasilo. Resta esperar
para verificar se Edmilson Rodrigues seri
mesmo essa criatura. No primeiro movi-
mento da hist6ria que comegou a escrever,
seu maior efeito foi lancar a d6vida. *









4 JOURNAL PESSOAL 1' QUINZENA DE DEZEMBRO/1996


0 novo ataque da

C. R. Almeida
Public, abaixo, a integra de uma nova carta
escrita por Oliveira Bastos, "coordenador de
projetos especiais da C. R Almeida", corn minha
resposta a seguir. Espero que, a part .e agora,
estejornal, havendo curnprido sua
obrigaao, tenha o prayer de se
ver privado da continuafVo
da correspondencia

Hit6ric O empresirio Cedlio
do Rego Almeida levou dois anos e
meio estudando a possibilidade (e a con-
veni6ncia) de compra uma irea de 4,7 milh6es de hectares,
no Municipio de Altamira terras integrantes do patrim6nio
da empress "Indstia, Comercio, Navegaio e Exportacio
Xingu Ltda". Essa ares fora objeto de inventiio e formal de
partilha em 1923, estando, portanto, abrigada sob o espirito
e a Ictra do Art 44 das "Disposiq6es Transit6rias" da Cons-
tituciao paraense. Nio eram terms desconhecidas das autori-
dades estaduais, eis que bem mais recentemente foram pos-
tas i venda em hasts p6blica, arrematadts peo Banco do
Estado do Pari ou seja, pelo pr6prio governor do Estado
do Pari, de quem o Banco 6 agent financeiro, e depois ne-
gociadas, stravs de acordo judicial homologado por senten-
sa daJuiza da Vara dos Feitos da Fazenda estadual, cor o sr.
Umbelino Oliveira. Havia sinda (al6m de outros documen-
tos que os advogados de C.R Almeida apresentario Justi-
sa) uma forte recomendavio de ordem political e sentimen-
tal. O advogado que preparara today a documentagio refe-
rente a essa irea fora o dr Newton B. Miranda que ostenta-
va, al6m do verdadeiramente not6rio saber juridico, triplice
credencial: era um home inteligentissimo, era um home
serio e era native de Altamira, descendente direto de Sena-
dorJose Porfirio, que desbravara e desenvolvera a regiio an-
tes da presenga ou da omissio institucionalizada do Estado.
A ire era e e, portanto, particular. Mesmo assim, segundo
voz corrente na C. R. Almeida, o empresrio solicitor atra-
vis de seu irmio Henrique Almeida os bons oficios do en-
tio senator Almir Gabriel para que este obtivesse do Iterpa
um perfil da situaio juridica da Area. Meses depois, o sena-
dor ji is voltas cor sua candidatura so governor do estado
pedira desculpas por nio powder cumprir a mission, eis que,
segundo de, o Iterpa nio estava aparelhado para dar uma
resposta condusiva imediata e de, pessoalmente, nao tinha
tempo para aprofundar o estudo da question. Meses depois,
as terras foram compradas.
Guerra impessa -Ji corn Almir Gabriel no governor (nun-
ca, nem durante a campanha eleitoral, Almir procurou Ceci-
lio para pedir-lhe o que quer que fosse e nunca o empresirio,
mesmo durante a campanha, procurou Almir para oferecer-
Ihe o que quer que fosse), o director juridico do Iterpa, Cados
Lamario, manisfestou sua opiniio de que as terras compra-
das peo empresirio pertenciam ao Estado e que ele entraria
na Justika para reave-las. A opiniao era errada, mas a attitude
dele correta e coerente. JA outros diretores do Iterpa acha-
ram possivl chegar-se a um acordo mediante arrendamento
simbolico das terras ao empresirio mas assumiam attitude
ambigua que is da quase balula;io ao enderetamento de car-
tas ameacadoras e grosseiras. Seguro do embasamento juri-
dico de sua posi~o, C.R. Almeida nunca aceitou as "negoci-
ag6es" propostas pelos diretores do Iterpa att porque, se as
terras pertencem so Estado, o que nio ocorre nio pode-
riam scr objeto de um contrato de comodato sem aprovagio
do Senado e a abertura de concorrnncia p6blica, o que de-
mandaria tempo supenor nio apenas ao mandate da atual
diretoria do Iterpa, mas tambem do pr6prio governador. A
attitude 6bvia era, portanto, esperar que Larmaro entrasse na
Justica solicitando o cancelamento dos titulos de proprieda-
de dessa Are. Acontece que os meses se passavam e o Lama-
rio, em lugar de imciar a aio judicial, apenas desenvolvia
mtempestiva agio jornalistica com o objetivo de qualificar
como de "mi f6" o comportamento de Cecilio, e a compra
das terras como uma "monstruosa grilagem". Foi neste pon-
to que entree em cena (jornalistica) para defender Cecilio e o
seu projeto, e que LAcio Flivio Pinto atirou-se na arena para
defender Lamario e o Iterpa. A troca de ofensas pessoais -
inciada pot LAcio Flivio nio agregari nenhum valor de
argument i gesticulanio dos dois lados, mas serviri, quan-
do menos, pars dar calor a um debate numa terra em que
poucos tem a coragem e ate a oportunidade de se export, pre-
ferindo a maiona ascavilosas manobras de bastidores.
0 homer O Icio Flivio que saltou das piginas gene-


rosamente concedidas por ele a si pr6prio, e uma miserivel
par6dia do corajoso e lucido reporter, que de nio quer mais
set, dos anos 70 e 80. Transformou-se num moralist de mora-
lidade duvidosa, ji que suga, confessadamente, verbas publicas
providenciadas pot amigos comovidos com sua total incapaci-
dade para enfrentar o mercado de trabalho. Ldcio Flivio faz
dessa irregularidade um motive de orgulho e prodama-se pre-
parado, alias preparadissimo, para servir a sociedade paraense,
seja na Univetsidade (onde nlo deve ter entrado por concur-
so), seja trarves dos diferentes e sucessivos governor estaduais,
de Aloysio Chave a Almir Gabriel, passando porJirder Barbs-
Iho e ate pelo Cados Santos. Iucio construiu um ilibi imoral
para submeter-se aos ass6dios dos amigos que o tentam corn
dinheiro do contribuinte. Ele alega que nunca edita o "Jornal
Pessoal" quando esti dando assessoria ao governor, e vice-ver-
sa. Pode set Mas par uma pessoa inteligente, como ele se jul-
ga finala, nio estamos falando do Lamaiao), ILcio revels um
estmaho embotamento do senso critic o julgarcomo e quan-
do e moral ou legal a apropriaso de recursos publicos para
aplacar ocasionsis e, no caso dde, endimicas, crises de peniria
explicit. Diz de que nio edita o joral quando presta assesso-
ria ao governor par nlo macular sua independncia. Nio 6
assim. Meses atrs eu me comovi, quase chore, corn um long
texto em que LAcio narrou o drama pessoal de Cados Santos
(doente, traido, deixado pela esposa e perseguido pelos oficiais
de justika). O que na ocasiio me pareceu um gesto de grande-
za humana, hoje perde todo sentido cor a neveleio de que
LAcio tambem "mamou" verbas do governor eu disse gover-
no? Cados Santos. Agora 6 muito pior. Diz ele: "De fato,
prestei consultoria so Iterpa.." e: "eu ganharia (ganhou)
2.470,00 brutos, que, cor os descontos, ficaram em R$ 2.000
liquidos ... "Ou: "A pedido do Iterpa, o contrato fbi renovado
pasa um period seguinte de tris meses, pelo mesmo valor..",
ou entio: "No caso do Iterpa, decide dar consultoria, a pedido
do Lamarao...", e mais: "No final de dezembro, Cados Lama-
rio insistiu para que eu aceitasse mais um period de consulto-
ria...". Nesse ponto, LAcio Flavio ii transformado em cama-
leio da perplexidade orcamentiria do Pari resolve reagir.
Era hora de virar jornalista, diante do agravamento da question
fundiia e o saque is terras do Estado. "Seria desonesto escre-
ver sobre uma question envolvendo um 6rgio so qual eu teria
algum tipo de vinculaco". Mesmo assim, tem sido desonesto.
De fato, ele nunca teve vinculagio corn o Interpa, embora re-
cebesse dinheiro do Interpa. Sua vinculagio (e sua divida) e
cor o Lamario, a prop6sito de quem ele escreve: "Hi quase
um quarto de seculo o advogado Cados Lamario, um dos mais
competentes profissionais na aiea do direito agriio no Para,
ter sido um leal companheiro de bons combates Cada um
em seu setorespecifico de competincia (sic), demos nossa con-
tribuigqo para que espertinhos e vivaldinos nio passassem para
seus bolsos o que 6 patrim6nio do povo". Mens verdade, L-
cio. O que ati agora esti provado, inclusive por sua confissio,
6 que em matdria de privatizacio de verbas do Iterpa patri-
m6nio do povo voc e o Lamatio formam um dupla compe-
tente, mas extremamente cinica Curioso 6 que LAcio se mos-
tre relativamente ingrato cor os outros diretores do Iterpa que,
final, assinaram seus cheques Assim, mais que um porta-voz
do Iterpa, LAcio Flivio prefer apresentar-se como um ports-
verba do Lamario. Para efeitos externos, ou para camuflar a
imoralidade da relaio pecaminosa com o erario public, LA-
cio Flivio pinta-se como um ap6stolo da Verdade submetido
aos sacrificios de sua mission" Vejam esta peqa preciosa em
que o excesso de megalomania e servido pela absolute falta de
escrupulos: "No dar consultoria a 6tgio public simultanea-
mente ao exercicio da critical jornalistica ter sido uma norma
que me impus. Eu pr6prio acho um excess de escnrpulo, que
me tolhe muto (sic), mas 6 um preventive contra gente como
Oliveira Bastos". Deixa de bobagem, LIcio. Nio existed pre-
ventivo contra esse tipo de cupidez que se fantasia de capitula-
qio diante da insistencia dos amigos (sempre os amigos) em
associar a fame i vontade de comer Nada, neo ningu6m, con-
seguira inpedir a ovulaqio de tantos contratos privlegiados.
0 estio Para mostrar que vale o quanto pede, como
qualquer pistoleiro de aluguel, Lcio Flivio precisa de cadi-
veres e, sobretudo, de "inimigos" que s6 ele possa "derro-
tar", livrando a sociedade (no caso, dos amigos do Iterpa) de
ameagas tio perniciosas. Eis como ele me descreve para va-
lorizar o desafio que infrentarki "O Oliveira Bastos que se
apresenta para a polemica e um decadence e nio de hoje,
allis. Um contender que mente, que manmpula e distorce, que
apela para o golpe sujo, que ignora qualquer das regras defi-
nidoras de um bom combate".... "Ele me classifica de "im-
becil em aritm6tica pretendendo dar aulas de topogrifia" (pre-
tendeu dizer, na verdade, geografia) por supostamente -
haver eu calculado em 10% da extension do Pari (com 120
milhdes de hectares) a area "grilada"pela C.R Almeida (4,7
milhBes de hectares). O que escrevi, entretanto, foi comple-


tamente diferente. Eis o texto (Jornal Pessoal n." 147, 2..
quinzena de setembro): "Agressivo no ataque, mas ainda
mantendo anonimato, Oliveira Bastos disse so reporter de O
Liberal que a C.R. Almeida comprou a irea da fazenda Cu-
rui de um cassa que negociava terras na regiio e consultou o
6rgio estadual sobre glebas A venda que somavam mais de
12 milh6es de hectares. E mais nio disse sobre um casal que
estaria vendendo nada menos do que 10% da Area do segun-
do maior Estado da Federaio". A referncia era ao casual
que estaria vendendo 10% do Pari e nao i "grilagem"da C.R
Almeida. Multo diferente, portanto, do que Oliveira Bastos
diz que eu disse para assim, montando a frase, me atribuir
uma ignorincia que 6 s6 dele, pessoal e intransferivel".
O trecho e long perdoem-me mas serve para mos-
trar o estilo de polemica em que LActo Flivio finge estar
empenhado par dizimar o inimigo, no caso eu. Se tudo ti-
vesse ocorrido como de descreve, eu seria, no minimo, um
trapaceiro intellectual. Acontece que o trapaceiro 6 somente
ele, que trocou o texto a que me refen pot outro, tomando,
assim, fici a sua defesa e firtil, a sua adjetivago a meu res-
peito: mentiroso, aplicador de golpes baixos, ignorante, pul-
guento, etc. Ocorre que o trecho citado pot Lucio Flivio nao
e o mesmo referido por mim e esti, de fato, no n 147 do
Journal Pessoal, sob o titulo "0 Saque is terras do Pari". E
dificil, inclusive, saber a quem pertence esse texto, se a LAcio
Flivio ou se a Cados Lamario, ji que hi perfeita e total iden-
tidade de formulaglo (errada e capciosa) da intriga e coinci-
d&ncia de pilavras corn o do oficio dirigido plo director do
Departamento Juridico da Iterpa so Secretirio de Seguranga
Piblica do Estado, mandando instaurar inqu6rito policial
contra mim.
Nio, LAcio Flivio, o texto glosado por mim esti em outra
material da mesma ediiio, sob o titulo "Monopolio fatal", em
que vocal mente e distorce os fatos para fazer crer que "O Li-
beral" abriaespacos generosos para mim enquanto se negava a
publicar a version de Cados Lamario. A verdade outra. No
mesmo dia em que deu entrada, no F6rum de Altamira, i aio
de anulacio do registro de terras de C.R Almeida, todos os
jornais de Belem, inclusive o Liberal, receberam enorme mate-
rial do Lamaro descrevendo o empresirio como home de
mi f e grileiro. O Liberal foi o unico journal que, uma semana
depois, procurou ouvir a version de CR. Almeida. Como Ceci-
lio estivesse viajando e os seus advogados nio pudessem se
manifestar sobre material ainda nio recebida pedoJuiz de Alta-
mira, falei eu. E continue falando, porque mesmo na obscuri-
dade e no anonimato do Jornal Pessoal vale a pena desmistifi-
car o engodo de quem pretend ser martir corn verbas publi-
cas e defender a Verdade com a trapaga e a mentira. Diz ele
que o journal dos Maiorana (que eu deixei de lado paa vir bri-
gar aqui dentro do JP) usou minha agressividade para se vin-
gar de Lamario advogado de LAcio nos inuimeros processes
movidos contra ele por Calilo Kzan (que nio conheqo) e sua
esposa, Rosingea Maiorana, por caltinia, infamia, difamacio.
Nio sou eu, portanto, mas aJustica do Pam, quem esti crian-
do jurisprudncia sobre o carAter do Lucio Flivio.
Mas voltemos so texto que ele trocou para "provar" que
eu mentia, distorcia e caluniava. Diz o IAcio: "Uma question
pessoal (dele e do Lamario com os Maiorana) afeta um caso
do maior interesse public, a tentative de apropriagio de 10%
por cento do territ6dio paraense, i base de fraude. S6 as ter-
ras que a C. R. Almeida reivindica valenam R$ 160 milh6es,
na avaliagio do Iterpa. Mas ni' 6 s6 nesse caso que o journal
coloca seus interesses acima da obrigagio de bem informar a
opiniio p6blica".
Di para perceber, portanto, quem manipula textos, quem
mente, quem trapaceia, quem ignora qualquer das regras defi-
nidoras de um bor combat. Aliis, mesmo nio precisando de
O Liberal e, neste moment, dependendo do Jornal Pessoal
para rebate o que aqui e vomitado contra mim e contra a C. R
Almeida, devo dizer que o journal dos Maiorana pode e tem
dado lies de etica professional ao LAcio Flivio Pinto. Mas o
LAcio prefer delirar ia bra de sua decomposigio mental. Por
exemplo: de desanca o Liberal por ter publicado, no mesmo
dia, a entrevista do Barata e a minha resposta. Nesse dia, o
journal concede metade da pigina ao president do Iterpa e
apenas 15 linhas (no miximo) is minhas decaraq es. E o que
aconteceu aqui no Jornal Pessoal? LAcio confessa que s6 publi-
cou a carta (ele tinha o direito de decidir se publicaria ou nio)
ao saber que a mesma estava circulando por Belem (nio por
iniciativa minha). Mas na mesma edig1o concedeu-me apenas
duas colunas e meia, enquanto se concedia 4 piginas inteiras
para me responder do modo que acabei de mostrar. Prefiro,
portanto, a etica ea amizade dos Maiorana.
A questo Num espaco minimo roubado a distor;io
dos fatos e i megalomaniac descriqio de suas virtudes civi
cas e pessoais, Lucio Flivio Pinto finalmente coloca a ques-
tio que deveria star preocupando o governor e a opiniio









P QUINZENAbE DEZEMBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 5


p6blica. Di,-entio: "Por enquanto, o governor assisted a esse
litigio como se se tratasse, realmente, de uma queda-de-bra-
go privative entire a dupla Lamarto & Pinto e Almeida &
Bastos Ora, o que esti em questao 6 uma irea que o powder
piblico pode utilizar em beneficio da coetividade ou que uma
empress pode transformar em lucro indevido. Lucro e bem
comum podem se combinar, mas de uma forma licita. O Iter-
pa diz que essa via legal nio existed A prova dos nove do
litigio cabe i jiistiqa, onde o process ji esti em andamento.
Se a empress quer comeqar a dialogar com honestidade e
parn valer a nivel administrative, porque nio renuncia previ-
amente ao registry fraudulent e passa a negociar tecnica-
mente em cima do tal projeto?"
Esse texto abre, de fato, a pol6mica que nteressa, pelo
menos a n6s e i opinilo paiblica. A posi ao do govemo, inde-
finidamente definida pelo Iterpa e transmitida por Lamarao &
Pinto leva i suposiqio de que existe a possibilidade de ser aquela
irea "utilizada" pelo poder piblico em beneficio dacoletivida-
de. Essa possibilidade, sabemos todos, nio existe Hoje, como
no tempo da expedkio. das sesmarias, o powder piblico est
quebradg. O Rei de Portugal tinha a coragem e o bom-senso
de reconhecer e prodamar essa realidade Os tempos slo ou-
tros, mas a rcaidade da ocupagio e desenvolvimento de um
tetrtonro vigem (ou quase) e a mesms. Portugal teve sucesso
porque chamou a iniciativa privada (os potentados de entio)
para suprir a falta de recursos do Estado. A Franca fracassou
no Maranhio (que era virgem, ao contri io do Pernambuco
enfrentado pelos holandeses) porque resolve financial a em-
preitada cor recursos da Coroa, que eram poucos e logo tran-
cados por Richilieu. Pouca gene sabe, mas uma das piginas
mais comoventes e mais bonitas da Hist6ria brasileira foi vivi-
da na tentative de levantar dinheiro, junto i alta sociedade fran-
cesa da epoca, para financiamento dos navios e das tropas que,
se tivessem vindo, teriam feito do Maranhia (e tambem do
Pari e do Amazonas) um outro pals. Foi com esse objetivo
que os franceses de La Ravardiere levaram os indios pars a
Corte, cor o apoio e o entusiasmo do poets Malherbe que
patrocinou, inclusive, uma quermesse (sim, aquda pracinha
cheia de barraquinhas) para clue os nobres matassem o tidio e
salvassem o Mundo Novo. O Maranhio (e n6s do Pari e do
Amazonas) fomos, portanto, a primeira vitima no Brasil de
urn core oramentirio.
Essa opcio estatal em que apostam Lamario & Pinto
nio existed: primeiro porque as terras nio pertencem so Esta-
do, como seri provado naJustica, e depois porque o Estado
nio tern recursos nem projetos para esse tipo de ocupagio e
desenvolvimento. Respondendo i reportagem de O Liberal,
na iA citada entrevista de 14 de setembro filtimo, ("Caso o
Iterpa ganhe a aio e essas terrs voltem ao patrim6nio do
Estado, que destinaio seri dada a elas?") o president do
Iterpa, Ronaldo Barata, dedarou: "Essas terms, hi muitos
anos, sempre foram utilizadas como irea de extrativismo. E
evidence que cabe ao Estado, que cabe a Iterpa 6tgio de
gerenciamento das terras publicas do Estado elaborar pro-
jetos part uma exploragio racional dessa irea". Tudo con-
versa fida. Tudo jogo de cena. Iterpa nio tern projeto
par area nenhuma das terms que pertencem ao Estado. Ali-
is, nio sabe onde estio localizadas essas terms, nem de que
tamanho elas sio. Em document official da atual adminis-
traio, o Iterpa avalia que o tamanho das terras do Estado
poderp ser de 5 milh5es ou de 50 milh6es de hectares O
Iterpa e portanto, uma enorme perplexidade cercada de ban-
didagem por todos os lados. Ou, nas palavras do pr6prio
Lucio Flivio Pinto: "0 Iterpa 6, realmente, um 6tgio desa-
parelhado, que corn sua fachada, consegue fazer alguma coi-
sa, mas esti oco por dentro, como um cenirio de Hollywood".
Eu prefiro dizer que o Iterpa esti oco como um cenirio da
Atlintida, propicio a todos os tipos de chanchadas O Iterpa
nio consegue sequer cumprir o ritual de acompanhamento
de processes em que le pr6prio intervem, atraves de seu mais
ativo departamento, oJuridico, entregue ao dondocio (o Isaac
diris so tigre) que 6 o Carlos Lamario.
Pois e a este Iterpa, completamente baratinado, que o
Lucio Flivio quer que a C R. Almeida se dirija "para come-
qar a dialogar cor honestidade". E claro que nio da Se, como
diz Lucio Flivio, e como acreditamos n6s, "a prova dos nove
do litigio cabe i justtia, onde o process ji esti em anda-
mento" n6s e o Iterpa devemos suspender nossos julga-
mentos e ate nossas hostilidades particulars e esperar a ma-
nifesta ~o de quem tern o ever e o poder de vulgar. Mas o
mundo nio pira por causa disso. De nossa part, tocaremos
o nosso projeto e o Iterpa, se alguma vez o Ronaldo Barata
falou a verdade, deve implantar os projetos elaborados pela
atual diretoria part as ireas indiscutivelmente do Estado Ali-
is, tanto o Iterpa quanto o aicio Flivio precisam se definir a
respeito da demora de nosso projeto: ora, eles reclamam a
sua imediata apresentacio, como se fosse possivel comprar


proletos na padaria da esquina e logo em seguida nos conde-
nam porque o seu anincio "funciona como uma gazua fun-
diiria". Um pouco de metodo, mesmo na loucura, nio faz
mal a ningu6m.
Ate agora falei da question principal como concebida por
lamarro & Pinto. Nio esse, contudo, o nosso entendimento.
Salvo no que diz respeito i aqio que corre na justice, nada
nos op6e so Estado ou so Governo do Pari. O nosso proje-
to nio se recomenda apenas por ser da iniciativa privada, mas
principalmente por set um salto sobre as etapas do capitalis-
mo selvagem e da selvageria pre-capitalista que ainda predo-
minam no interior do Estado. Queremos ganhar dinheiro corn
a floresta em pe, preservada e integralmente oferecida aos
povos que nela habitam e/ou venham a habitar, nos assenta-
mentos que realiaremos por nossa conta e risco. Nio quere-
mos, nem precisamos de nenhum tipo de financiamento ou
de recursos do Estado. Na verdade, trata-se de inaugural, no
coraqio da Amaz6nia, as tecnologias limpas da promocio
do turismo ecol6gico e da produqio de fito-firmacos Tec-
nologias limpas nio apenas de produtos que poluem o meio
ambiente, mas limpas, sobretudo, do sangue e das afligBes de
nossos irmios indios ou caboclos.
P. S. Para nio entediar o leitor you parar, hoje, por aqui.
Mas nao cheguei nem i metade dos assuntos provocados ou
deformados plsa iltima investida de Lucio Flivio Pinto. Afi-
nal, nem toquei, aqui, no caso dos chantagistas (que emoci-
onante), nio aprofundei a anilise do comportamento de al-
guns diretores do Iterpa, nio respond i provocagio do Liu-
cio sobre onde estava eu nos vinte e tantos anos em que ele e
Lamarao aprontavam pelos jornais, nao descrevi a perfor-
mance do jovem Torquato Alencar (posto em situalo cons-
trangedora por Barata & Lamario) e outros, muitos outros
temas, inclusive ura notices dos estudos sobre a regiio de
Altamira, encomendados pela C R. Almeida (dima, solos,
vegetagio, fauna, atividades econ6micas, restauracio flores-
tal etc.) que ia estio prontos, e em meu poder que coorde-
narei a redaqio final do projeto. A revelia do Luicio Flivio -
um dia, espero, com sua total adesio (nio 6 possivel que le
continue patrocinando o Iterpa e a sua atual diregio) este
lomal Pessol se transformari no mais rico reposit6rio de
infornuq6es sobre o projeto que (proviso riamente) eu cha-
mo de "Alta mir da Amaz6nia". No pr6ximo nimero, que-
rendo Lucio, haveri mais, muito mais.


Minha resposta
Numa ligaS;o telef6nica que me fez de Brasi-
lia, na semana passada, anunciando a remnessa da
carta aqui publicada, Oliveira Bastos disse que la-
mentava estarmos em campos opostos. Informou
que ate pensara em me indicar a Cecilio Rego de
Almeida, seu patrio, como um professional capaz
de trabalhar no projeto que agora coordena. Como
critique o tal empreendimento, virei professional
decadente e de moral duvidosa. Este iltimo juizo,
vindo de Oliveira Bastos, nio me preocupa. Sua
indicaqio para eu ser seu colaborador 6 que me
deixaria mal. Estarmos em campos opostos signi-
fica, para mim, a certeza de estar do lado certo.
A segunda carta dele e varnago sobre os mes-
mos pontos, acrescida de novas mentiras e tentati-
vas de seducio, cor o mesmo objetivo mtimida-
t6rio ou de cooptaaio, conforme minha escolha.
Tentando conquistar telefonicamente minha adesio
ou procurando me assustar por escrito, o que Oli-
veira Bastos quer 6 me calar. Algu6m que continue
mostrando a farsa da qual ele participa, por menor
que seja a expressio desse denunciante, seri um es-
torvo ao plano da empresa de se apoderar indevida-
mente de uma vasta area do territ6rio paraense.
A titica, velha conhecida, 6 a mesma que gente
como Helio Gueiros adota. Bastos diz que eu ini-
ciei a "troca de ofensas pessoais". Ao leitor, para
tirar a prova dos nove, bastari ler os artigos que
escrevi antecedendo a primeira carta dele e com-
provar quem desceu o nivel. O que 6 explicivel:
Bastos defended uma causa natimorta, que s6 pros-
perari pelo prevalecimento da ilicitude, ou se o
governor se mantiver em sua tibieza tucana (o ani-
mal, belissimo, exige uma campanha de reabilita-
;ao de imagem.
Antes de chegarmos ao que interessa ao pibli-
co, uma ripida parada nos aspects pessoais que
ele utiliza. Minha capacidade professional se refle-
te no meu curriculo, mas pode ser testada a qual-
quer moment, por Oliveira Bastos ou quem quer
que sela. As consultorias que dei, todas a convite,


nunca por oferecimento, tamb6m: seus resultados,
formalizados em documents, estio disponiveis
aos interessados. E s6 ler e avaliar a que serve.
As consultorias nao comecaram no governor
Aloysio Chaves, ao contririo do que diz o porta-
estandarte da C. R. Almeida, farto de fitulas, ane-
mico de verdades: foi, por incrivel que possa pare-
cer, na administraclo Helio Gueiros, em 1989, sem
ter qualquer relagio com o atual burgo-mestre da
capital (10 anos depois de Aloysio ter deixado o
governor e 23 anos ap6s o inicio da minha carreira
professional como jornalista, ji entio consolidada).
Mas quem me contratou nio foi o governador.
Para a montagem de um banco de dados sobre a
Amaz6nia na Funtelpa (que esti la para consulta,
o contrato foi assinado cor Francisco Cezar Nu-
nes da Silva. Para a elaboracgo de dois estudos (os
cenrios e o zoneamento do Pari), a contratante
foi Violeta Loureiro, do Idesp.
Na administraqio Carlos Santos, o contato foi
diretamente cor Wilton Brito, o secretirio de Pla-
nejamento. Ele e eu temos inumeras divergencias
e ji as manifestamos de piblico. Mas eu respeito
Wilton, um professional que ter sido meu interlo-
cutor hi tr6s decadas e com quem sempre apren-
di. Por isso, aceitei seu convite para trabalhar com
uma equipe da Seplan, chefiada por Paulo Elcidio
Nogueira.
Quem quiser avaliar o que fiz 6 s6 it no rastro,
lendo os documents que ajudei a produzir e ou-
vindo as pessoas com as quais trabalhei, todas elas
t6cnicos cor suas especialidades. Em nenhuma vez
fui contratado por amizade, em nenhuma ganhei
o que os pr6prios contratantes achavam que eu
merecia ganhar e em nenhuma recebi sem traba-
lhar. E mais nio digo porque os contratantes 6 que
slo competentes para avaliar os services pelos quais
me pagaram (sempre, insist, em contratos por
serving certo, de curta durag o, sem vinculo em-
pregaticio).
Oliveira Bastos esti mesmo gagi. Nem ler di-
reito ele consegue. Diz ter ficado comovido (a
emocio ficil e um dos sintomas da doenca da qual
parece star acometido) com uma mat6ria que es-
crevi sobre Carlos Santos, sugerindo que criei ima-
gem favorivel do ex-governador para compensar
o que ele me pagou (outra vez: nada teve a ver com
o governador). A materia esti na capa do n" 143
do Journal Pessoal para o leitor checar. Verificari
que sequer publiquei que Carlos Santos foi traido
ou estava doente. Quanto a juizo de valor sobre a
administraago Carlos Santos, eu ji a havia mani-
festado bem antes e nao foi nadapositiva, muitis-
simo pelo contritio.
Sem ter fatos A sua disposi io, Oliveira Bastos
abusa da mentira e da insinua~go ambigua. E as-
sim que deixa no ar o que pode ter havido na rela-
aio entire C. R. Almeida e o entio senator Almir
Gabriel, que teria recebido a mission de ser qua-
se um lobbista da empresa. Da mesma maneira,
usa em vio o nome do ex-vice-governador Newton
Miranda para tentar conquistar ades6es.
Manipula sem escr6pulo ou pudor, como quan-
do, flagrado em primarismo aritm6tico, tenta cor-
rigir a tolice buscando outro trecho do JP n 147
para me transferir seu pr6prio erro. "Esquece" que
a materia que cita, "Monop6lio fatal", 6 uma con-
tinuacao, na pigina 3, da reportagem de capa, "0
saque is terras do Pari", onde aparece, pela pri-
meira vez e mais detalhadamente, a referencia aos
10%, nio como a Area "grilada" pela C. R. Almei-
da, mas o total da area que o casal contratado pela
empresa estaria oferecendo para venda, incluindo
os 4,7 milh6es de hectares visados pelo patrio de
Oliveira Bastos.
Vale a pena prosseguir num debate desse gene-
ro? Meus leitores advertem que nio. 0 cinismo
leva Oliveira Bastos a encontrar licqes de etica em
0 Liberal, que jamais abrigaria em suas piginas
carta contra os Maiorana como a que aqui dou gua-
rida, sem mudar uma virgula ou ser edita-lacomo
poderia fazer. 0 Liberal nem mesmo carta de reti-
ficaio admite.
0 journal, aliis, se recusou terminantemente a pu-
blicar uma nota paga da OAB (que acabou se cur-
vando i vontade imperial do journal atrav6s da qual
o advogado Carlos Lamario se oferecia para pole-









6JORNAL PESSOAL 1 QUINZENA DE DEZEMBRO/1996


mizar cor seu aggressor, aceitando o desafio que ele
Ihe havia feito. S6 que O Liberal nio di espago a
Lamarao, punindo-o pelo crime de ser meu advo-
gado nos litigios judiciais conmRosingela Maiorana
e seu marido (como pune desafetos cor a morte
em vida, riscando-os de seu noticiirio). E, agora,
nem mais espaco cede a Bastos, que tenta recuperar
o latiffindio que Ihe foi conferido no journal creden-
ciando-se por meio dos ataques que me faz.
Mas chega de quest6es pessoais, que meu calu-
niador remexe para desviar do que interessa. E o
que interessa e a ameaqa de apropriacio ind6bita
de milh6es de hectares de terras publicas pela C.
R. Almeida e outros pirates que se langam sobre o
tesouro fundiirio do Pari, certos de contar cor a
falta de vigilincia e de compet6ncia do governor.
Todos os 10 im6veis registrados no cart6ro de
Altamira a parttr de 1923, abrangendo supostamen-
te quatro milh6es de hectares (em seguida, 4,7 mi-
lh6es), remontam a um "titulo hibil" que teria sido
expedido pela Diretoria de Obras, Terras e Viacio
do Estado. Esses titulos nunca apareceram, nunca
foram identificados e nem se faz refernncia ao ano
em que ternam sido expedidos. Tudo sugere que
s1o ficticios.
Advogados lgados i C. R. Almeida vinham pro-
curando "descobrir" os titulos nos talonirios depo-
sitados nos arquivos do Iterpa, valendo-se da coni-
vencia irregular de funcionarios do institute, con-
forme den6ncia transformada em sindicinciainter-
na ji em curso no 6rgio. Outra frente de "esquen-
tamento" da titulagao esta na tentative de amarrar
os im6veis a cartas de data de sesmaria, plantando
em lugar certo quatro delas que referem-se ao Xm-
gu. Mas tudo 6 malabarismo e fraude.
A ocupasio das areas existe, de fato. Mas confe-
re direttos apenas aos ocupantes e sobre a area efe-
tivamente ocupada, que e pouca, nIo sobre os mun-
dos que descrevem em seus registros de pe quebra-
do. Nem mesmo a arrematacao de im6veis em has-
ta public por um banco official ter o poder de legi-
timar dominion, ja que uma coisa nada ter a ver corn
a outra se a dominialidade foi estabelecida sobre unma
nulidade absolute, por isso, insanivel.
E poresse motive mesmo que os im6veis nunca
foram cadastrados no Incra. Cor as recentes nor-
mas sobre o ITR, s6 o pagamento do imposto atra-
sado iria superar de muito o valor das terras "grila-
das", calculado pelo Iterpa em 160 milh6es de reais.
Os compradores sabem desse "detalhe". Como sa-
biam desde cedo, inclusive quando contactaram o
entio senador Almir Gabriel, tentando maquiaveli-
camente envolv&-lo, que qualquer uso legal da irea
requeria a regulanza~io junto ao Iterpa.
E o que consta explicitamente em um "contra-
to particular de compromisso de comprae venda"
(popularmente conhecido como "contrato de ga-
veta") assinado cor os antigos detentores da irea,
em maio do ano passado. Depois de pagar como
entrada urma prestacio de 100 mil reais, de um to-
tal de R$ 6 milh6es pela transag~o, a C. R. Almeida
(atraves da Rondon Agropecuiria) s6 quitaria a par-
cela seguinte, de R$ 125 mil, "contra a regulariza-
gio da gleba de terras ora compromissada A venda
junto ao ITERPA".
Mesmo que essa etapa tivesse sido cumprida
pelos vendedores, os restantes R$ 5,4 milh6es, re-
presentados pela cessio de cr6ditos da empresa em
ao6es judiciais transitadas em julgado, e nIo por
dinheiro vivo, s6 seriam transferidos "contra a re-
gularizago da gleba de terras compromissadas jun-
to ao ITERPA", conforme consta da cliusula sex-
ta do contrato.
Se os vendedores nio efetuassem a "regulari-
zacqo perfeita e acabada do im6vel (...) junto as
repartiqes publicas federal, estaduais e munici-
pals, especalmente o Instituto de Terras do Pard', tudo o
que a C. R. Almeida tivesse adiantado teria que ser
restituido, cor os acrescimos legais, "sob pena
deste valer como titulo hibil para execugHo forga-
da contra o im6vel dado em garantia". A empresa
ainda ficana desobrigada dos demais pagamentos.
A aKio do Iterpa de cancelamento dos registros,
se de um lado question a legitimidade como e de
seu dever do dominio pnvado sobre a area, por
outro lado ter o efeito de liberar i C. R. Almeida
dos compromissos corn o vendedor e habiliti-la a


incorporar os direitos que, mesmo ilegitimos, ele trial
sobre a area, por ter descumprido a cliusula leonina
da regularizagio (uma, dentre outras, incluindo a
elei4io de Curitiba, sede da C. R. Almeida e distant
do domicilio do vendedor, como foro para dirimir
as pendencias do contrato). Talvez por isso Oliveira
Bastos insistisse tanto para o Iterpa ajuizar logo a
agso, esperando que a lentidio da justiga seja um
aliado para uma ocupacio de fato da irea durante o
tempo em que a questIo permanecer sub-judice,
alem de se livrar do vendedor, sucedendo-o no "gri-
lo" a prego de quase nada.
Esse contrato de gaveta comprova que os com-
pradores estavam cientes da inexistencia de domi-
nio particular sobre a irea (dai a dependEncia do
Iterpa). Mas 6 tambem prova de sonegaiio fiscal,
ji que no contrato official, registrado na junta Co-
mercial em Bel6m, o valor da transasgo e de R$
500 mil, ou R$ 5,5 milhe6s a menos do que foi
acordado entire as parties.


Cor pedido de publicacAo, o juiz Jos6 Torqua-
to Ara6jo de Alencar, da 1' vara da comarca de
Marabi, enviou c6pia do oficio que dirigiu ao pre-
sidente do Tribunal de Justica do Estado, no qual
relata epis6dio que o envolveu quando respondia
pela 2 vara da comarca de Altamira, noticiado na
edicio n" 151 deste journal.
0 Journal Pessoal publicou os ataques feitos
so juiz pelo jornalista Oliveira Bastos, "coordena-
dor de projetos especisis da C. R Almeida". Bastos
acusou Torquato de ter sido beneficiado pelo Iter-
pa corn o pagamento do frete de um aviao que o
teria transportado durante a iltima eleig~o. No seu
oficio, o juiz inform que, antes de ter ajuizado
uma aio de cancelamento dos registros imobilii-
rios feitos em nome de uma subsididria da C. R_
Almeida no cart6rio de Altamira, o Iterpa "patro-
cinou a viagem de um aviio entire a sede do muni-
cipio e o distrito de Castelo de Sonhos, para aJUS-
TICA ELEITORAL 18' ZONA Altamira, da
qual a 6poca eu era o Juiz Eleitoral".
Esclarece o juiz em seu oficio so president do
TJE: "O distrito de Castelo de Sonhos fica locali-
zado ao sul do municipio de Altamira, ji na divisa
corn o Estado de Mato Grosso, somente alcaniavel
por via area, distando mais de duas horas de v6o
da sede do municipio. No local hi seis sego6es elei-


Estes sio apenas alguns dos elements bisi-
cos da tram6ia, ainda sem esgoti-la, inclusive por
causa da limitagso de espago que me imponho
nesta resposta. Mas ji 6 o suficiente para explicar
os ataques de Oliveira Bastos. Como Helio Guei-
ros cinco anos atris, ele nio quer explicar: o quer
mesmo 6 agredir. Suas cartas slo um insulto ao
leitor deste journal e representam uma sabotage
ao seu conteddo.
Continuar abrigando essa mesmicie de baixo ni-
vel significaria comprometer a qualidade do JP. Nem
mesmo a preocupagio em resguardar o direito de
resposta justifica esse martiriol6gico. Prossegui-lo
seria sado-masoquismo. Tendo sacrificado o espa-
co do journal cor as duas cartas de Oliveira Bastos e
minhas respostas, considero-me descompromissa-
do de continuar a abrigar sua correspondencia de
aluguel. S6 fatos novos reabririo o JP ao assunto.
Oliveira que tente reconquistar os Maiorana, se e
que eles ainda aceitam a companhia. 0


torais cor um total de 1978 eleitores. Ao aproxi-
mar-se a ipoca de elei96es, hi necessidade da veri-
ficagio dos locals de votacio, convocacio de mesi-
rios, entrega dos titulos... Para efetuar essas tarefas,
em data de 27/08/96, o ITERPA ofereceu i Justi-
ca Eleitoral um aviio para o transport do pessoal
do cart6rio, consoante document em anexo, trans-
mitido via FAX i Zona. A viagem foi efetuada, in-
clusive sem a minha presenga, tendo ido ao local o
chefe do cart6rio, um official de justiqa e mais tr&s
funcionirios do cart6rio eleitoral. As tarefas foram
cumpridas, tendo havido a verificacio do local das
se95es, a convocago de mesirios e a entrega de
titulos eleitorais".
Escarece assim o juiz que "jamais fui conduzi-
do em qualquer viagem area patrocinada pelo
ITERPA, sendo que o custeio da viagem foi de um
ORGAO PUBLIC DO ESTADO i JUSTICE
ELEITORAL, inclusive, repito, sem a minha pre-
senga". Ressalta que o president do TJE, "um ma-
gistrado experience e que ji foiJuiz Eleitoral, sabe
das dificuldades que aJustiga Eleitoral tern em cum-
prir as suas misses, sendo imprescindivel o apoio
dos 6rgios federais, estaduais e municipals. Tal apoio
i fato co-riqueiro e que nto pode ser interpretado
da maneira maldosa com que foi colocado" neste
jornl pelo porta-voz da C. R. Almeida.


r---- ---- -------------
I I

I CUPOM DE ASSINATURA


Para receber o Jomal Pessoal em casa ou para di-lo de present a algum
amigo, de preferencia fora de Bel6m ou fora do Par, preencha os dados e
envie um cheque de 15 reals em nome de LiUcio Flavio Pinto por uma
Sassinatura trimestral, enviando-o pelo correio ou entregando diretamente I
rua Aristides Lobo, 871. Contatos pelos telefones 224-3728 e 223-1929.



I N om e:..................................................................................... ...............


E ndere o:.................................................................................................


SCidade: ............................. U F: ..................... CEP: ...........................


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Juiz esclarece







- QUINZENA DE )EZEMBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 7


Mais briga no picadeiro


A coligacao que vencoqi a eleicao
de 1994 nlo devert existir na de
1998. A cisio das forcas que se
uniram na vit6ria de Alnir Ga-
bril 6 cada vez mais visivel. A unidade ji
nio foi mais possivel de fato, embora so-
brevivesse de direito, na dispute munici-
pal deste ano. O prefeito Hl6io Gueiros,
certo de que elegeria sozinho seu suces-
sor, manteve o governador i distincia da
campanha de Ramiro Bentes. Achava que
Almir Gabriel tiraria votos em fungao de
seu continue desgaste. O epis6dio deixou
sequelas.
Outro ji marcou fundo a antiga uniao.
Vem dos ataques constantes do deputado
federal Vic Pires Franco, ampliados em
duas piginas que a edicio dominical de O
Liberal de 24 de novembro Ihes dedicou.
Colocado no centro da midia por "uma
grande coinidencia do destino" (como ad-
mitiu), que o tornou relator da emenda da
reeleiio na Cimara Federal, Vic fez as mais
duras critics que o governador ji recebeu
- e de um suposto aliado.
Disse que, mesmo corn a itrodugio
da reelei~go, duvida que Almir possa ven-
cer em 98, ainda que permanecendo no
cargo de governador. Arrola as provas da
fraqueza do governador, entire as quais no-
meagoes para cargos federais no Estado
sem a consult dele ou de nomes de ou-


tros esquemas politicos. Chega a declarar
que, "pela primeira vez na hist6ria politi-
ca do Pari, o governor do Estado nio fez
a superintendEncia da Sudam", uma evi-
dente inverdade.
Incorreg6es ou distorc6es nas declara-
c6es de Vic Pires Franco n~o anulam a
procedencia de virias das critics que ele
fez ao governor Almir Gabriel, ainda sus-
cetivel em qualquer avaliacao rigorosa, mas
nem revelam todo o jogo praticado pelo
deputado, nem autorizam sua legitimida-
de. Talvez por isso o lider do governor na
Assembl6ia Legislativa, Luiz Otivio Cam-
pos, tenha reagido cor uma ffria espan-
tosa, transferindo o epicentro das diver-
gOncias para o terreno privado e o subso-
lo conceptual. Para alguns interpretes, o
tom acalorado da pol&mca entire os dois
ex-amigos, ex-correligionirios e membros
do mesmo partido, o PFL, explica-se
numa dimensio pessoal. Mas 6 uma inter-
pretag~o incomplete.
Vic, agora candidate no ano 2000 i re-
cem-disputada prefeitura de Bel6m (ji o
foi a governador ou senador em edig6es
passadas do journal integra um esquerma
de tomada do poder, que tem como v6r-
tice Romulo MaioranaJr., lanado pr6-can-
didato ao governor e fascinado pela hip6-
tese. O ideal para esse esquema 6 que o
governador Almir Gabriel, sitiado por ata-


ques constantes de aliados, acabe desis-
tindo de concorrer i reeleigio, mesmo
quando essa alternative for legalizada, per-
manega no cargo c apoie urn candidate
de outro partido da alianga que nio o
PSDB candidate tirado do colete pelo
prefeito H6lio Gueiros, naturalmente, ji
que ele seria mais forte, mais esperto e
mais "marqueteiro" do que o governador,
ao menos na opinion de sua troupe circen-
se e do pr6prio chefe.
A interpretagio cosmetica tamb6m as-
segura que o deputado Luiz Otivio atira
sanguinariamente no ex-amigo intimo
apenas visando a presidencia da Assem-
bl6ia Legislativa, cargo que aumenta de
importincia em todo period electoral.
Seria bala de festim. Ledo engano: Luiz
Otivio, se nro ter a inspiracao do go-
vernador, conta cor sua conivencia pre-
via. Almir, ao seu estilo, nao quer decla-
rar guerra e talvez nem esteja em con-
digoes de assumi-la. Mas, se a lei deixar,
quer concorrer 1 reeleigo, convencido -
como o maioral Fernando Henrique Car-
doso de que s6 no segundo mandate,
depois de ter arrumado a casa, poderi
realizar as obras que eliminario sua atual
mi image e o credenciardo ao registro
hist6rico.
Meteorologistas politicos, portanto,
atengio: vem chumbo grosso por ai. 9


Cascas de banana by Gueiros


E m 1991, Helio Gueiros se recu-
sou a entregar o cargo de gover-
nador ao seu successor, que nio
conseguiu eleger. Mas no mes-
mo moment em que o adversirio Jader
Barbalho, de quem recebera o cargo qua-
tro antes, tomava posse no Palicio Lauro
Sodr6 pela segunda vez, o caixa de uma
agencia do Banco do Estado do ParD con-
tinuava a funcionar a todo vapor para fa-
zer os ultimos pagamentos a clients de
interesse da administration que chegava ao
fim. Foi uma orgia financeira em hora re-
tardada, mas providencial para os emprei-
teiros que pagaram as devidas comissoes.
A cena poderi se repetir na transmis-
sio da prefeitura de Bel6m. Novamente
Hilio Gueiros foi incapaz de assegurar a
eleigio de seu candidate. E mais uma vez
ameaqa bagungar as regras do jogo, deso-
brigando-se de entregar o cargo que re-
gularmente Ihe foi passado quando o as-
sumiu, em 1993. O alcaide 6 tio mau per-
dedor quanto vencedor.
Por isso, ji prepare cascas de banana para
deixar espalhadas pelo caminho do novo
prefeito. Algumas chegam atrav6s de ame-
agas, como a de transferir ao Estado toda a
responsabilidade pela duplicago da aveni-
da Jilio Cesar, de acesso ao aeroporto.
Aparentemente, seria at6 bom para a
administragao do PT, desobrigada de as-
sumir o encargo. Mas o objetivo sibilino 6
o de langar uma pi de descrenca no PT


entire a populag~o. O que o burgo-mestre
quer dar a entender 6 que os petistas slo
tio irresponsaveis que manter sua respon-
sabilidade sobre 40% do custo da obra
significaria inviabilizi-la. Resta saber como
se comportari o governador Almir Ga-
briel diante dessa manobra.
Ji em fin de gestio, Gueiros nio se
vexou em abrir concurso para
contratar nada
menos
do que
321


novos funcionarios para a Ctbel, a Com-
panhia deTransporte do Municipio de Be-
16m. Deixa a suspeita de que decidiu ado-
tar uma political de terra arrasada para o
successor indesejado.
Ji na campanha electoral, Edmilson
Rodrigues denunciou sem muita base
factual a sistemntica abertura de cr6di-
tos suplementares sem a devida previsao
orgamentiria. Os indicios sio de que as
contas municipals fechardo o ano em "d-
ficit", o que significa, para o PT, recorrer
a operag6es de cr6dito, comprometendo
a receita future.


E nesse ponto que residem as esperan-
gas de Helio Gueiros: de que o PT nio
consiga dar conta das dificuldades que
encontrari na PMB, multiplicadas pelas
manobras adotadas desde a definimio da
eleigio no 2 turno. H6lio Gueiros esti
apostando que a nova administration do
PT se assemelhari 1 do Ceari. Os insu-
cessos ali foram tdo grandes que o PT
nunca mais voltou i prefeitura da capital
cearense.
Os petistas explicam que a desastrada
experi&ncia do Ceari nio se repetiri. Ma-
ria Luiza Fontelle era corpo estranho ao
partido, que ainda nao tinha quadros, nem
experi&ncia na administraSio priblica. A
situaio sena, hoje, diferente. Mas, em cir-
cunstincias distintas, o PT parece expos-
to aos mesmos riscos ao assumir pela pri-
meira vez a capital paraense. Preferiu fa-
zer uma composigio fechada, isolando-se
politicamente. Tem ainda o inconvenien-
te de entregar direg6es viciadas por anos
de priticas incompativeis corn a filosofia
do partido a pessoas at6 entio restritas a
gabinetes. Elas podem precisar de muito.
tempo para controlar os stores de sua
competencia. O "muito tempo" pode se
prolongar at6 a pr6xima campanha elei-
toral, que vai renovar os executives e le-
gislativos federals e estaduais.
0 PT pode estar subestimando o peri-
go das cascas de banana e superestiman-
do sua capacidade de equilibrio. 0









Ate quando?
A Amri6nia continue a ser um
referencial distant e ex6tico para
a maioria da imprensa national.
Outro dia o colunista Ricardo Bo-
echat fez uma confusIo danada
ao juntar na mesma noticia, dada
no program Bom Dia, Brasil, da
TV Globo, o conflito de Corum-
biara, em Rond6nia, ao de Eldo-
rado de Carajis, no Pari.
Intervalo temporal de um ano
e meio entire os dois epis6dios,
distincia geogrifica de varias cen-
tenas de quil6metros, numero de
vitimas diferente, alim de cober-
turas exaustivas no dia-a-dia do
acompanhamento jornalistico
nao foram o suficiente para Boe-
chat, um colunista t~o bem hu-
morado quanto bem informado,
distinguir entire os dois aconteci-
mentos. Comegou com Eldora-
do, passou a Corumbiara, voltou
a Eldorado e arrematou corn o
conflito de Rond6nia, sem mu-
dar o tom, nem perder o f61ego.
Quosque Tandem, Dr.
Marinho?



Meia-verdade
Quem diria: surgiu um
novo tipo de lobby no Brasil.
E parcialmente contra urma
hidrovia. Ela e important e
interessa ati certo trecho.
Torna-se irrelevant e
desinteressante de um certo
trecho em diante.
E assim que alguns
manipuladores da opinido
piblica comeeam a se referir
d hidrovia Araguaia-
Tocantins. Ela deve ser
apoiada desde a nascente do
Araguaia ati Xambiod, na
metade do seu curso. Dai
para frente deve-se
abandond-la por dois novos
modais o rodovidrio e o
ferrovidrio ate alcanfar o
ponto final que, no caso, 6 o
porto da Ponta da Madeira,
em Sao Luis. Com isso, seria
poupado todo o investimento
nas eclusas de transposifdo
do Tocantins, na hidrelitrica
de Tucurui.
Estd na hora de os
paraenses meterem sua colher
de pau nesse mingau antes
que ele engrosse de vez.


O Liberal: 50 anos

e ainda comegando
No mesmo mes em que completou invejivel cinquentenirio, O
Liberal cometeu uma das maiores "barrigas" (noticia falsa) dos ulti-
mos tempos. Enquanto, em suas edig6es dominicais de 24 de no-
vembro, o Diirio do Pari falava em quatro mortos e A Provincia do
Para em cinco (o numero correto), O Liberal abria a manchete de
primeira pigina anuncando que 22 pessoas tinham morrido no nau-
frigio do barco "Sio Jos6 do Acari", que levava romeiros para o
Cirio em Acar_. Sensaconalismo macabro?
Para um jomal que atingiu 50 anos de vida (30 sob o comando da
familiar Maiorana), um erro desse porte revela uma combinaaio de
situaq6es incompativeis com a coi digo alcangada pelo journal, o nono
em tiragem do pais. As 18 horas lo saibad:, 23, circulou pelas reda-
cqes a informacao de que 22 corps haviam sido resgatados. Um
pouco antes de 22 horas a Capitania dos Portos, ainda sem poder
dizer qual o n6mero total de vitimas, garantia que, ate ali, apenas
quatro corpos tinham sido resgatados.
Mas quando a pimeira informal o official se torou disponivel, a
ediio dominical de O Liberal ji crculava pelas ruas de Belem. Entre
ter dados mais seguros para informal seus leitores sobre um fato
grave e sair mais cedo, o jomal fez a segunda op0Io, deixando de
lado a mission mais nobre da imprensa, que e ter f6 p6blica. A f6 no
que vira, em O Liberal, e no faturamento.
A edico dominical, apesar de sua policromia e dos penduricalhos
que acolhe, 6 uma fraude ao leitor. Ela circula no pr6prio sibado,
desmentindo a informaqio do cabegalho, em horirio cada vez mais
antecipado, sacrificando o conteido propriamente noticioso do jor-
nal. E uma mi tendencia universal, que se agrava na provincia. Por
aqui nio existem os problems de impressio e distribuiao que tem,
nas megalopolis, os diirios de amplitude national. Mas 6 como se
existissem, uma macaqueaqco que perpetual o desrespeito pelo leitor,
que, insensibilizado, nio reage e a maioria dos que se manifesta se
satisfaz com o elogio fcil ou a bajulaqio descarada.
Os visitantes que chegam hoje a 0 Liberal se impressionam com
suas superfluamente suntuosas instalacOes fisicas e sua tecnologia de
ponta (embora nem sempre haja sincronia entire suas parties, o que se
constata na irea industrial), mas a empresa que invested fundo em bens
materials 6 a mesma que ignora sua qualificaio humana e professional.
Dai os constantes e constrangedores erros que compete, pr6prios nio
de uma corporaqo cinquentenaria, mas de um princpante.



Reals inteng6es Colonialismo


Os malaios que estiveram em Be-
lem, retribumdo a viagem do gover-
nador Almir Gabnel ao seu pais, dei-
xaram bem demonstrado que preci-
sam de novas ireas tropicais para am-
pliar o cultivo e aprodugao de dende,
que lideram no mercado mundial.
Mas nio demonstratam que, inde-
pendentemente desse neg6cio, provei-
toso para as duas parties, deixario de
utilizar os metodos predat6rios que os
fizeram arrasar as florestas dos luga-
res onde passaram, com multa ret6ri-
ca sobre ecologia e multa pritica de
corte raso de madeira. O dende, se no
for um neg6cio park valer, seri um
bom biombo para continuar extram-
do madeira a margem de todo o cui-
dado que o mundo adquiriu sobre os
danos desse extrativismo.


O principal projeto do program
de realizac6es da Eletronorte para os
pr6ximos anos e a constru5io de uma
lihha de transmissao de energia da hi-
dreltrica de Tucurui ate a usina de
Serra da Mesa, em Gois, com mil qm-
16metros de extensao e 566 milh6es
de reals de custo. Significa que, em ma-
teria de energia, a principal funlo re-
servada a Amaz6nia e especifica-
mente ao Pars, o Estado que realmen-
te conta na matena e ser provincial.
Vamos continuar exportando para
o exterior energia na forma de pro-
dutos mal-acabados, como lingote de
aluminiio, lasca de silicio e catodo de
cobre. E, para mais perto, dentro do
pais, remeteremos energia em forma
bruta mesmo.
E isso o que o Para quer?


Auto-critica
Finalmente uma mat6ria bem-
humorada, ainda que ncm sem-
pre bem escrita, como a que o Di-
ario do Pard publicou para sau-
dar ironicamente a passagem de
dona Carmem Mayrink Veiga por
Belem, na capa do sempre bem
editado caderno D do journal.
A materia permit dois tipos
de perguntas. A primeira: quem C
o "A. Pinto" que esconde a auto-
ria com o pseud6nimo?
A segunta pergunta: em quem
cabe como luva este trecho da
materia, reproduzido literalmen-
te, inclusive com seus erros: "Aos
velhos rapos6es politicos corrup-
tos e maquiavelicos, Dona Car-
mem diri as virtudes das tram-
polinhagens com verbas p6blicas
recomendando, porem, cautela na
aquisigao de bens e exposigAo
exacerbada das recem-nascidas
fortunes".
O que nao vai faltar e carapu-
ga circulando pela cidade. Mas
desde ji pode-se saudar uma vir-
tude nos veiculos de comunica-
c1o do senador Jader Barbalho:
sao as unicos auto-criticos em
Belem. Quem dera, por esse ca-
minho, um dia cheguem a neces-
saria profissionalizaaio enquan-
to e tempo.


Capitulo 2
Como fez seu successor, Artur
Tourinho, novo superintendent
da Sudam, foi ao gabinete do go-
vernador Almir Gabriel convidA-
lo para a pr6xima reuni.o do
Conselho Deliberativo da Supe-
rintendencia do Desenvolvimen-
to da Amaz6nia.
Como fez em relacgo aos ou-
tros convites, Almir prometeu ir.
N.o foi a nenhuma das sess6es
presidididas por Frederico Andra-
de, certamente por represilia ao
insucesso no patrocinio da can-
didatura de Fernando Flexa Ribei-
ro a Sudam, preterido pelo go-
verno federal em favor de Frede-
rico. Agora, com Tourinho, Al-
mir se tornari olimpico? E um
bor mote para o pr6ximo capi-
tulo da novela.Se nao prova que
ter forga em Brasilia, pelo me-
nos afasta de si a image avina-
grada de mau perdedor.


imprensa noticiava que os camels haviam reocupado a rua
Jolo Alfredo depois da vit6ria do PT (verslo assaz interest
sante para o burgo-mestre Helio Gueiros), o advogado, que
tern escrit6rio exatamente nessa rua, lembrou num "minifato"de sua
coluna, em O Liberal: "Na vespera da eleiCio para o 20 turno, os camels
voltaram corn tod a a fora is ruas Joo Alfredo e Santo Antonio".
A imprensa nao sobrevive atropelando fatos.


Journal Pessoal
Editor responsivel: Lucio FIhvio Pinto
Ilustrag6es e editoraiio grfica: Luiz de Faria Pinto
Reda~io: Passagem Bolonha, 60-B 66.053-020 Fone: 223-1929224-3728
Contato: Ty. Benjamin Constant 845/203 66.053-020 Fone: 223-7690