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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00100

Full Text




Journal Pessoal

EDITOR RESPONSAVEL: LOCIO FLAVIO PINTO
ANO X N2 151* 2a QUINZENA DE NOVEMBRO DE 1996* R$ 2,00


0 ataque da C.R.

Emprsiro um
u set (p .7)
W -iff 0. s0 j J
S S~yT'T m


ELEICAO


0 que vir merece fe?

Neste dia 15 o eleitor de BelMm vai apostar seu voto na mudanqa.
0 PT credenciou-se no 1 turno como a concretizagao desse desejo.
Uma vit6ria que poderia ser esmagora ejd estaria certa quase
foi comprometida. Mas Edmilson ainda e o grandefavorito.


uando a campanha electoral
comegou, havia dois donos de
votos em Belem: o prefeito
Helio Gueiros e a deputada fe-
deral Eldone Barbalho. Ago-
ra que a campanha chega ao
fim, a conclusion mais cristali-
na e a de que o eleitor da capital quer mudar
sua relagio cor seus representantes politicos.
Elcione Barbalho apostou alto e perdeu o
grande trunfo que possuia: a de ser a deputa-
da federal mais votada da hist6ria do Pari,
cor record de votos em Belem. -Hlio Guei-
ros desprezou as principals liderancas da co-
liga;io political a que pertence e indicou para


seu successor um ne6fito na materia. Estava
convencido de que, em Belem, elegia ate um
poste e escolheu um. O povo retirou-lhe essa
confianca.
No moment em que escrevo esta matria
(segunda-feira de manhi, dia 11), eu como
qualquer outra pessoa ji poderia antecipar
uma vit6ria esmagadora do candidate da Frente
Popular, Edmilson Rodtigues, sobre o da coli-
gagio situacionista, Ramiro Bentes. Mas, neste
moment, hi uma tendencia declinante do
nome de Edmilson e uma ligeira ascensio do
ex-secretario de Financas do municipio. As
duas curvas se aproximatio atr o dia 15?
Correligionirios de Ramiro apostam que


sim. Uma projeqio simplesmente aritmerica
da iltima pesquisa do Ibope, que registrou a
situaqio ate o dia 4, nio autoriza essa pre-
sungio. A diferenqa entire Edmilson e Rami-
ro poderia ate diminuir, mas persistiria no dia
da votacio do 20 turno. O unico fato novo
capaz de afetar essa tend&ncia de vit6ria do
candidate do PT sio os dois debates na tele-
visio. Mas a participation de Edmilson teria
que ser desastrosa para minar o superivit de
votos de que ainda disp6e.
Sem divida, a Frente Popular poderia nio
estar passando por essa tensio de final de cor-
rida se nio tivesse cometido tantos erros na
campanha do 2* turno. Quando a pri- ow'


I COM-4. 0 PR JT DI S 1, 0I~ (.7





2 JORNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE NOVEMBRO/1996


Ii' meira pesquisa do Ibope p6s-20 turn
deu 64%o da preferencia popular para Edmil-
son, a coordenafio da candidatura parece ter
concluido que a vontade do eleitorado ji esta-
va cristalizada e que o melhor, a partir dai, se-
na proteger o candidate pot tris de uma corti-
na de macantes video-clips e da palavra-de-or-
dem, "fe no que viri", que, de frase de feliz
inspirapio, se tornou um slogan vazio de sig-
nificado, tal a repetiao.
A proteco, ate certa media, era natural e
necessiria. Mas ela foi muito long, transfor-
mando-se quase numa fuga. Rapidamente o
prefeito iHlio Gueiros, que fugiu dos debates
quando concorreu em 1992 ao cargo que atu-
almente ocupa, aplicou a pecha de fujio em
Edmilson. Enquanto o program da Frente
Popular era um ass6ptico desenrolar de filme-
tes e de aparigoes teatrais de Edmilson, a coli-
ga ~o Melhor para Belem dava um tom agres-
sivamente politico ao seu program, fazendo
uma discussio de conteudo que fora justamen-
te a caracteristica do PT no 1 turno. O parti-
do permitiu que IH6ho Gueiros assumisse o
comando da dispute e Ihe desse o tom domni-
nante. A isso se somou urn gasto de propa-
ganda mats ostensivo da coligacio situacionis-
ta favorecida, obviamente, pelo uso da mi-
quina official.
O resultado foi a perda de oito pontos per-
centuais entire as duas pesquisas (ou 13% dos
votos de que Edmilson dispunha). Mas so
metade desses votos migraram de Edmilson
para Ramiro. A outra metade dos eleitores pre-
feriu aguardar os acontecimentos, reassumin-
do a indecisio ou decidindo votar nulo ou bran-
co (o que significa rejeitar a pronta aceitaaio
de Ramiro como alternative). Isto significa que
se Edmilson nio cometer mais erros e sanar
as deficiencias exploradas por seu adversino,
seri mesmo o novo prefeito de Belem, inde-
pendentemente do que fizer a equipe de Ra-
miro.
Os erros nio resultam apenas da anomala
prevalencia da vontade dos marqueteiros (eta
palavra chinfrim) sobre os candidates, que che-
gou is raias da submissio destes, destituidos
de derisidade political e carisma. No caso do
PT, denvou tambem da falsa conclusion de que
o partido, cor seu program e por efeito da
aaio de sua militincia, conquistou a maioria
ou a quase totalidade dos votos dados ao seu
candidate.
Os te6ticos do rl' criaram a concepaio de
que a votacio de Edmilson e uma sequencia
16gica do desempenho anterior do partido. O
eleitor tena votado em Edmilson porque ele e
um candidate forte, preparado, e por ter en-


contrado na pritica do PT a resposta para seus
anseios de melhoria. Talvez pensem, sem o
saber, que Edmilson conquistou a hegemonia
gramsciana, quando a teoria que mais se apro-
xima da explicac o do fen6meno, infelizmen-
te, e a leninista. Para o bem de todos, espero
que, no exercicio do poder, usem Gramsci
como referencial e nio Lnin, um fantastico
tomador de poder, um pessimo administrator.
I De m [ Ttm evol



i.,., i m Ie ,ouc










Se Helio Gueiros tivesse optado por Fernando
Coutinho Jorge, a atual definiio provavelmen-
te seria outra (mas o alcaide p6s, acima de tudo,
os interesses da Gueiros S/A).
Se Jader Barbalho nao tivesse decidido gol-
pear a image de Ramiro (o que fez corn mais
eficiencia do que todos os candidates oposici-
onistas a prefeitura), mesmo que sacrificando
de vez a image de sua ex-mulher, o andamen-
to da campanha tambem tena sido outro. O
objetivo principal do senador era minar a for-
ca de Gueiros, de olho em 1998. Se Elcione
fosse ou nao vitoriosa agora, era secundirio.
A situa~io tinha analogia corn a de 1994, quan-
do a prioridade era a eleicao do ex-governador
para o Senado; a eleicao de Jarbas Passarinho
para o governor vma depois, se viesse.
Nao perceceber esses fatos esta tendo umr
custo que o IPI evitana combatendo a tenden-
cia, mais acentuada na seeio paraense do par-
tido, de agir dogmaticamente. O resultado se-
ria mais eficaz se, ao inves de criar uma ima-
gem angelical de Edmilson Rodrigues corn
recursos de producao, houvesse captado corn
fidelidade a voz das urnas e a seguisse na cam-
panha do 2 turn.
Os marqueteiros de Ramiro tentaram retor-
nar a hist6ria ao period anterior i campanha
do t1 turn, batendo fire nos esteretipos,
preconceitos e (tambem) verdades entranha-
das na consciencia e no inconsciente dos elei-
tores sobre o Rl' raivinha, iita, radical, bader-
neiro, anarquista, comunista.
No 1 turno, o RI' percebeu que essas ima-
gens ficaram em segundo piano porque o elei-
tor, cansado da dupla Barbalho-Gueiros, que-


ria colocar na prefeitura um administrator
honest, serio, trabalhador e, se possivel, com-
petente. Jader Barbalho mostrou, corn a cola-
bora5io do pr6ptio candidate, que Ramiro nio
era esse candidate. Como sabia que o eleitor
quer que alguem continue o trabalho de Helio
Gueiros, sem o contrapeso da predadora fa-
milia dele (sagazmente, imitando Magalhies
Barata, Gueiros fica i distincia dos neg6cios,
identificados apenas corn os filhos), ou de uma
marionefe, Elcione tentou set a sucessora, mas
esse papel nio se ajustava a ela. Ji Cipriano
Sabino era apenas uma fachada: repetiu os vo-
tos que sempre teve, sem conquistar nada de
novo. A macaqueacio do Projeto Cingapura,
de Maluf mostrou que ele era, no maximo, um
exotismo.
0 PT apresentou-se como a opcio melhor,
nio s6 pot causa da efetiva particpaFio de sua
militincia (a maior, de long, dentre todos os
partidos), mas porque tanto a turma dos Guei-
ros quanto as dos Barbalho, convencidas de
que o PT faria apenas uma nova figuracio, dei-
xaram Edmilson de lado e partiram para vio-
lentas escaramucas mituas. Indicaram ao elei-
tor em quem nio votar. Quase que induziram
o eleitor a votar no PT.
Burrice? Nio: 6 a cegueira que o poder cau-
sa quando seu exercicio passa a ser encarado
como uma acio entire familiares e amigos. Nio
foi por acaso que, um dia antes da Revoluqio
Francesa, que, literalmente, cortaria sua cabe-
ca, Maria Antonieta escreveu cor enfado em
seu diirio: nada de novo. Talvez a professor
Terezinha Gueiros tenba escrito a mesma coi-
sa quando Ramiro foi indicado, se 6 que ter
um diirio.
A maior novidade da eleicio deste ano em
Belem e o povo, resistindo i campanha mina-
dora da coligacio situacionista, que interrom-
peu o crescimento de Edmilson at6 o patamar
de votos alcancado antes por Sahid Xerfan, de-
legar confianqa ao F' para o partido fazer mais,
melhor e sem as suspeitas de ilicitude do que fez
Helio Gueiros. Nio e um cheque em branco,
entretanto, como pensam alguns dirigentes pe-
tistas, nem esti nominal ao portador. Mas 6 a
oportunidade de, corrigindo o passado, permi-
tir que se consolide a tendencia observivel ge-
nericamente nas eleio6es municipals de 1996:
refazer a representagio political, tentando apro-
ximi-la da realidade econ6mica e social de um
Estado rico, mas sem lideranqas capazes de dar-
Ihe o rendimento adequado dessa riqueza. Se
nio, depois de uma ripida bonanza (ou um so-
nho em noite de verio), pode voltar de novo a
tempestade, como foi em 1950, fazendo de Be-
lem a cidade her6ica que ficou no passado. 0






2' QINZENA DE NOVEMBRO/1996 -JORML PES~SAL


0 que estA por tras da "grilagem" de terras


A tempera de um joralista e
apurada na polemica. Mas
alguns contendores nio se
apresentam ao combat
par testar forgas, buscando
o esclarecimento da opiniao piu-
blica. Seu objetivo e o de intimidar, ou destruit E
a maneira de impedir que do confront dos anta-
gonistas result a verdade e ela passe a ser um
patrim6nio de todos e nio um instrument a
servico dos interesses dos mais poderosos, ou das
acomodaq6es rentaveis.
A carta enviada por Oliveira Bastos, "coorde-
nador de projetos especiais" da Construtora C.
R. Almeida, publicada nesta edicio, se integra a
tradi*io do agredir para eliminar na origem de-
bates incomodos. Ao recebe-la, duas semanas
atis, me lembrei de um texto de Nelson Traqui-
na, um important teorico da comunicacio na
Europa, que serviu para reforcar convicc6es de
hi muito incorporadas i minha consciencia.
Observa Traquina: "Alvo da acio estrategica
de mtltiplos agents sociais, os jornalistas e as
empresas jornalisticas sio tambem, muitas vezes,
os alvos preferidos da crtiica quando as mis noti-
cias ou a nio existincia frustram os outros agen-
tes socais. Seguindo a 16gica da epoca grega, quan-
do, perante uma mi noticia, a soluqio era a de
matar o mensageiro, hoje a estrategia principal
consiste em por em causa a seriedade e o profis-
sionalismo dos jornalistas; alguns agents sociais,
mesmo ocupando posigoes de responsabilidade,
ainda recorrem i ameaqa fisica, i acio legal ou i
pura calunia".
Pessoas que me tinham em boa conta muda-
ram de opiniio a meu respeito exatamente quan-
do atingi seus interesses, contrariando-os. Ai, de
sibito, virei vilio. Ji me acostumei a isso. Nio
me causa nenhum dano perder amizades ou rom-
per reho6es agradiveis se o preto de preservi-
las e omitir a lesio que estejam causando ao inte-
resse piblico. Tambem nio afeta o meu relacio-
namento pessoal a divergncia de ideias, mesmo
que exercida corn paixio e radicalismo, se o opo-
sitor sabe distinguir os dois niveis.
A agressio ardilosamente perpetrada contra
mim por Oliveira Bastos nio e um bom combat.
Como.o leitor poderi verificar na resposta que
dou nesta edi~io i carta, seu objetivo e me afas-
tar do caminho da C. R. Almeida e nio dialogar
sobre o projeto da empresa para uma irea de quase
cmco milhoes de hectares no vale do Xingu, que
scria um dirnier-ci em desenvolvimento auto-
sustentivel. Na verdade, e apenas um pretexto de
fachada. Nio hi franqueza nem lealdade na inici-
ativa de Bastos.
A malicia comeca no envio da corresponden-
cia. Ela me chegou no dia 30 de outubro, corn


um bilhete de encaminhamento do advogado
Avertano Rocha. Avertano diz que a carta estava
em suas mios "hi algum tempo", mas quc nio
repassou-a ao destinatiio "em razio do pr6prio
autor da epistola (...) ter-me dito, por via tclefoni-
ca, encontrar-se diante de um apelo do teu irmao,
o jornalista Raimundo Pinto, que pediu-lhc en-
tendimento entire voces dois, entendimento esse
que nunca chegou a acontecer, pois unilateral, de
vez que o teu jomal voltou a atacar, pessoalmen-
te, o meu velho amigo de geraqio intellectual .
Acrescenta Avertano que Bastos voltara a en-
viar-lhe por fax a tal carta, "que e datada de 14 de
setembro e que retorna aos meus arquivos mais
de um mes depois de sa elaboraAo (grifo meu).
A remessa de uma segunda c6pia ter um claro
objetivo: a de que a carta chegue, fialmente,
ao seu destinatArio".
Cumprindo a vontade de seu "velho amigo",
Avertano decidiu me enviar a nova c6pia da car-
ta, arrematando com uma advertincia "Creio que
saberis fazer bom uso delay e isso significa, evi-
dentemente, dar-lhe publicidade no teu pr6prio
journal, cor espaco, diagramaio e destaque que
destes anteriormente aos ataques feitos ao Oli-
veira Bastos".
"Menas" verdade, dr. Avertano.
A carta de Oliveira Bastos esti
falsamente datada do dia 14 de
S setembro. Como demonstro em
minha resposta, a seguir, ele ja-
mais poderia ter escrito o tal papel no dia 14, um
dia antes do fato gerador da present pol&mica e
cinco antes do meu artigo, ao qual ele retrucou
epistolarmente. A carta corn data atrasada e um
engodo. Algo parecido ao que fez Hiok Gueiros
em 1991, me mandando uma cata pomogifica
para me intimidar, sem que ela precisasse neces-
sariamente se tomar public.
Outra inverdade e o tal pedido de entendi-
mento do meu irmio par o Oliveira Bastos. Ra-
imundo me disse que, na conversa telef6nica,
Bastos apenas mandou um recado: nio queria
brigar comigo, mas o faria se eu continuasse a
ataci-lo. Nunca props o tal entendimento, mes-
mo porque nio tinha qualquer tipo de delegacio
para esse fim.
Tambem nio e verdade ser o desejo pessoal
de Oliveira Bastos que eu publicasse sua carta,
nem este objetivo esti clao no texto. O que esti
claro exatamente o inverso: "Nio reclamo, corn
esta carta, nenhum direito de resposta", escreveu
Oliveira Bastos. Depois, ele me ligou de Brasilia
pan reafirmar que meu entendimento e que era
o certo, nio o de seu "velho amigo" (putativo?):
eu s6 publicaria a carta se quisesse; ela era para
meu conhecimento pessoal.
Depois de refletir, achei que devia publicar a


carta, na integra, cor todas as agressoes que me
faz, usando como arma a mentia. Se Oliveira Bas-
tos escrevcu tudo aquilo, e porque ji andou di-
zendo isso por ai aos mats chegados. O que esti
nas ruas tern que vir para a Iuprensa, socalizan-
do um conhecimento que costuma se circunscre-
ver a confranas favorccidas. Mas nio se trata ape-
nas de um duelo pessoal. Quanto a mim, espero
que Oliveira Bastos cumpra todas as suas pro-
messas e ameacas, inclusive a de ajuizar uma a;io
para me fazer devolver o que o Iterpa me pagou
por assessoria que dei ao institute.
Quanto ao que e do interesse pdblico, materi-
alizado em milhoes de hectares, que valem mi-
lh6es de reais, espero que as instincias formal-
mente competentes cumpram cada uma a sua
parte neste enredo para que as palavras nio fi-
quem jogadas ao vento.
Estou disposto a sustentar, seja ai com quem
for, o que aqui publiquei: a apropria io de teras
feita pela C. R. Almeida e uma grosseira "grila-
gem". Nio hi, no cart6rio imobiliario de Altami-
ra, nenhum document legal atestando a transfe-
rencia das terras do patrimonio piblico para o
dominio particular Hi, isto sim, referencia a "ti-
tulos hibeis", que ninguem sabe o que sejam, nem
viu (e que, cor tal denomina ~o, jamais deveri-
am ter sido aceitos par registro pela titular do
cart6rio, seja la quem for o requerente, C. R. Al-
meida ou Kramm).
Agora, os advogados da empresa vio tentar
provar que a origem remonta a titulos de sesma-
ria. Mas isso e promessa, que, a meu ver, nio cum-
pirito. Quanto i prescricio do titulo, ele pode
ser quarentenaiio, cinquentenitio ou o que li seja.
Esta exigencia de posse fitica como pr-requisi-
to aplica-se mesmo i legitimacio das sesmarias
nio confirmadas, caso existam (no que nio acre-
dito, naquela itea do Xingu). Ocupacio fisica da
irea a C. R. Almeida nio ter e a dos antecesso-
res, os seringalistas, se legitimava em aforamen-
tos ji caducos. Portanto, a terra e public.
O projeto ambientalista da C. R.
Almeida pode ate ser maravilho-
so, como assegura o "coordena-
Jor". Mas nio hi terra para nela as-
senti-lo. O process de encaminhamento ter
que ser inverso: s6 depois da demonstracio do
dominio privado e que se poderia examiner o
projeto, que, aliis, tambem continue no piano
metafisico e ret6rico. Nio e porque a empresa
diz que tem o deslumbrante projeto que o go-
verno deva se considerar obrigado a oferecer-
Ihe as teras. Nesse caso, o simples anincio do
projeto funcionaria como uma gazua fundirtia.
O govero deve attair empresirios (no que ter
sido ineficiente), mas hi empresirios e empre-
sirios. Cor seu projeto do Xingu, C. R. p






4 ORNAL PESSOAL 2 QIINZENA DE NOVEMBRO/1996


CI Almeida esti no segundo enquadramento.
Por enquanto, o govemo assisted a esse litigio
como se se tratasse, realmente, de uma queda-de-
braao privativa entire a dupla Lamatio & Pinto e
Almeida & Bastos. Ora, o que esti em question e
uma irea que o poder public pode utilizar em
beneficio da coletividade ou que uma empresa
pode transformar em lucro indevido. Lucro e bem
comum podem se combinar, mas de uma forma
licita. O Iterpa diz que essa via legal ndo existe. A
prova dos nove do litigio cabe i justia, onde o
process ji esti em andamento. Se a empresa quer
comegar a dialogar cor honestidade e para valet
a nivel administrative, pot que nio renuncia pre-
vimente ao registry fraudulent e passa a nego-
cda tecnicamente em cima do tal projeto?
SE verdade que uma ou outra
parcel do 6trgo nio pen-
sa assim e, ao que parece,
tomou iniciativas desastro-
sas na aproximaaio cor a
C. R. Almeida, o que se iri apu-
tar e revelar. Mas a posicio official do institute, o
representante do Estado para quest6es fundiari-
as, ji foi firmada em juizo. E precise fortalec&-la.
O governador, que tem program diirio nos
veiculos de comunicagio, deixa passar semanas e
meses sem dizer uma unica palavra a respeito, ape-
sat de o problema da terra set o mais grave do
Estado (ou seri justamente pot isso?). Nio s6 si-
lencia oportunisticamente, como nio consegue
transformer em pritica sua ret6rica em favor do
campo, mais um item no curriculo de um gover-
no vocabulary.
O Iterpa e, realmente, um 6tgio desaparelha-
do, que, cor sua fachada, consegue fazer alguma
colsa, mas esti oco por dentro, como um ceninio
de Hollywood. Mesmo os funcionarios da linha
de frente ganham miseravelmente male estru-
tura de apoio e de uma pobreza incompativel corn
a gravidade das func6es que deveria desempenhar.
Desde Eldorado de Carajs, o govemador Almir
Gabriel se tomou refem da inircia.
Talvez por isso Oliveira Bastos esgrime como
ameaca uma evolufio conflituosa na irea que a
C. R. Almeida tenta "grilar". Diz que ela podenia
acabar como reedi*io de Eldorado, tentando re-
avivar traumas catitticos no governador. A em-
presa busca cooptar os moradores locals corn as-
sistencialismo e apresentando-se como parceira
dos natives contra garimpeiros invasores, inves-
tindo em relac6es publicas e na manipula~o dos
atores no cenano. Mas todas as instituioes pre-
sentes no Xingu assinaram um manifesto apoian-
do a posic~o do Iterpa contra a C. R. Almeida.
No document, encaminhado ao govemador
a 6 de setembro, as 17 entidades que o subscreve-
ram dizem que o municipio "vive sobressaltado
pelo anincio de mega-projetos que acabam en-
tregando a paraculares centenas de milhares e ate


de milh6es de hectares de seu solo". Elogiam a
aFio de cancelamento dos registros da C. R Al-
meida proposta pelo Iterpa e dizem que o corn-
bate i "grilagem", corn o retorno das tetras ao
control do Estado, "alem de permitir o reco-
nhecimento dos direitos dos atuais moradores e
das populag6es indigenas da regiio, oferece ao
Govemo espagos enormes para Projetos de m-
teresse social a serem definidos em dialogo corn
a Comunidade local".
.Ainda assim, de fat o govetno precisa ter mai-
or presence na area e presenca qualitativa para
prevenir o jogo que a C. R. Almeida comecou a
praticar ali, nio para preparar saudavalmente as
bases de um empreendimento serio, mas para criar
massa de manobra e bucha de canhio.
Uma outra dimensio a ser considerada e a
da ameaga de extorsio que estatia pairando so-
bre a empresa. Estranhamente, Oliveira Bastos
nio consider set uma obrigaio da vitima da
chantagem denuncia-la, apontando os nomes a
serem submetidos a apuraqio e, se for o caso,
puniio. Carlos Lamario, director do departa-
mento juridico do Iterpa, agiu corretamente ao
comunicar i policia a information que Oliveira
Bastos Ihe passara.
Bastos diz que um director do Iterpa e um
advogado, nominados na conversa, inclusive pot
Lamario, seriam participes desse assedio. Pot
que nio fez a denuncia por escrito? Ou quer
apenas valet-se dos efeitos da insinuaFio? A des-
peito dessa mi-fe, acho que o Iterpa deveria logo
instaurar sindicincia para apurar essa "alavan-
che de gente safada, entire os quais alguns se di-
zendo amigos de diretores do Iterpa e queren-
do vender facilidades para n6s", como diz Oli-
veira Bastos.
Ele tambem ataca o juiz que,
interinamente, na comar-
ca de Altamira, proibiu
novas averba56es i mar-
gem do registry imobilii-
tio em nome do grupo C. R.
Almeida, congelando negociaqos futuras ate o
julgamento da lide. Bastos diz que o juiz Tor-
quato Alencar favoreceu o Iterpa porque o ins-
tituto ajudou a pagar o frete de um aviao que
conduziu o juiz a comarca durante a iltima elei-
coo.
O president do Iterpa, Ronaldo Barata, re-
truca que esse tipo de ajuda e comum em perio-
do eleitoral, em virtue da carencia de meios
pr6prios da justica, e que nunca visou influir
sobre a decision do julgador. Mas realmente e
um mau hibito, de moral reprovivel, e, no caso
especifico, inconvenient. O Iterpa, no minimo,
foi desastrado, ignorando a associaaio que po-
deria ser feita entire uma e outra situaio. Criou
uma fonte de constrangimento para o juiz e de
suspei~ao para si mesmo.


A convergencia da acio administrative do
Iterpa cor os projetos politicos de seu presi-
dente tern sido um dos pontos mais vulneriveis
da administrac o Ronaldo Barata. E legitima a
pretensio de Barta de conquistar um mandate
eletivo. Nio e correto, porem, confundir sua
a5io administrative corn sua militincia political,
o que ele ter feito. Essa falta de distin*io leva-
o a cometer erros e pode custar-lhe muito caro
no future.
Nio tenho duvida que o Iter-
pa melhorou sob a atual
gestio, mas tambem nio
ignore que esta muito
distant nio s6 do deseji-
vel, mas ate mesmo do pos-
sivel. Na conversa pot telefone, Oliveira Bas-
tos se referiu i perda de prazo em uma aoio
na qual o Iterpa se tornou revel. Insinuou que
essa perda de prazo foi intencional, favorecen-
do um alto funcionirio do Iterpa que teria sido
patrono do interessado em uma outra question,
no Maraj6. A negligencia nesse epis6dio seria
um contrast corn a vigilincia do institute so-
bre a C. R. Almeida.
De fato, o incident ocorreu e hi indicios
de que houve culpa ou dolo na falha. O epis6-
dio precisa ser imediatamente apurado pelo
Iterpa, atraves de inquerito, se possivel cor o
acompanhamento do Ministerio Piblico. Mas
o objeto da acio na qual o Iterpa se omitiu e
uma pequena area no Mosqueiro, liliputeana
em comparaqio cor o mastodonte fundiitio
do Xingu que a C. R. Almeida quer colocar em
seu redil. Se nio existe o meio-honesto, sendo
a honestidade uma condicio absolute, hi o pe-
queno e o grande roubo. Ambos tem que set
prevenidos ou combatidos, mas nio se deve
perder a dimensio especifica de cada um de-
les. Oliveira Bastos joga um boi na polimica
para que a manada cobiqada passe inc6lume, i
distincia da opiniio public.
Eu teria preferido poupar-me de mais uma
luta na qual a lama e usada como arma. Bastos
ate ofeteceu essa possibilidade no telefonema
que me deu: ele viti a Belim e poderiamos con-
versar. Mas prefiro que, se isso ocorrer, as car-
tas ji estejam sendo colocadas a mesa, ao in-
ves de ficarem escondidas na manga de crupi-
is ou virarem figurinhas para trocar em en-
contro reservado. O irbitro desse litigio nio
deve set a conveniencia dos contendores, mas
o distinto piblico. Na esperanqa de servi-lo,
espero que ele nio apenas continue a acompa-
nhar os capitulos desta novel, como se mani-
feste a tespeito. S6 assim teri valido a pen&
aceitar esta polemica, tio sordidamente mon-
tada pelo outro lado, quando o destino just
da carta de Oliveira Bastos e do pr6prio te-
metente seria a lata do lixo. 0






2' XINZEA DE NOVEMBRO/1996 JORML PESSQ 5


0 ataque do porta-voz

da C. R. Almeida

Esta e, na integra, exatamente
comofoi escrita, a carta que o
jornalista Oliveira Bastos,
"coordenador de projetos
especiais da Construtora C. R.
Almeida, me enviou:

'Lucio:
Por essa, sinceramente, eu nao espe-
vrav: voce, cheio de dio inexplica-
vel. tentando desqualificar a minha in-
tervencio na dispute (que deveria ser
juridica) entire o Iterpa e a C. R. Almeida.
com arguments que nio honram a sua inteligencia e mui-
to menos o seu (tantas vezes testado) jomalismo de inves-
tigaio. Vamos dividir e caracteriza o seu discurso contra
mim e contra a C. R. Almeida: 1) refer&ncias pessoais de-
sabonadoras (?); 2) nova teoria conspiraiva espoliativa; 3)
a investigaio do ivesigador.
Referenacis pessoais
Na segunda e ultima vez que estive corn o Dr. Lama-
rio reportei-lhe as dificuldades que estivamos enfrentan-
do cm Altamira e em Belem por causa de sua mania de
promoio pcssoal O Dr. Lamario usava as colunas soci-
ais para colocar-se como personagem de um novo comba-
te entire o caboclo Mitavai e o monstro Macobeba. Ao anun-
car que esfolaria C. R. Almeida vivo, que o despearia das
terrs 'griladas' em Altamia o Dr. Lamario pintava-se (hoje
basta dizer: pinitaa) corno o iltimo c impoluto defensor
do patrimr nio public e o grupo C. R Alrmeida, como um
bando de assaltantes noturnos. Ora, essa version de um gru-
po rico e bandido interessava ao Lamaio para suprir as
deficiencies de dados tecnicos e de argumentagio juridica
para cassar os titulos de propriedide das terras compradas
pot C. R Almeida. Ele quera liquidar o assunto na instin-
cia joalistica. Eu disse ao Dr. Lamarto (par espanto seu)
que ele estava adiando contra n6s dois tipos de Einias:
em prmeiro lugar, conflitos na ireada fazenda Curui, anun-
ciada por Lanario como terra de ninguem (ou do Estado)
e uma avalanche de gente safada, entire os quais alguns se
dizendo amigos de diretores do Iterpa e querendo vender
facilidades para nos. Ao falar das ednias ive que fazer uma
ripida dissertcaio sobre o significado das mesmas, eis que
o Dr. Lanaio e home de poucas letras (contenta-se corn
as juridicas) embora de muita pose. As erinias eram furias
ou demonios enfurecidos que assinlam, na sociedade pri-
mitiva grega, o nascimento do conceito de consciincia e
do sennmento de culpa. As erinias tinham, no inicio, fun-
coes de preservagio familiar e investiam, sobretudo, con-
tra os assassins de parents. Orestes, que matou a propia
mae corn o voto de Minerva da irmi, e banido da p6lis e
perseguido pelas erinias. Ele foi absolvido da pga depois
de punficado por Apolo, mas nunca da ulp Para os gre-
gos as ennias, que se apresentavam sob a form de cies ou
de serpentes, eram guardies da lei da natureza e da ordemn
(fisica e moral) das coisas. Sartre linha de Freud) quis
mostrar que conscinca ndo tnha nada a ver corn consd-
incia de cula e transformou as friias gregas em moscas
(Las Mouches). Ji o Lamario disse-lhe cu estava trans-
formando as erinias em corruptos e em provocadores. O
rest da conversa todo mundo ji sabe. Quando procurei o
Lamario para pedir-lhe que ingressasse logo na justia,
contra n6s, os corruptos me preocupavam menos que o
conflito que se abritia na irea da C. R. Almeida, entire ga-
nmpeiros e Chipavas. O pessoal de campo do Cimi (o Tar-


cisio a frente) sabe do que falo. Dei bastanme enfase a esse
tpo de conflito ao Lamario mas ele, na ocasiio, s6 estava
interessado em mostrar que era diferente dos outros dire-
tores do Iterpa. Ate hoje o Iterpa nio pediu ajuda de nin-
guem do governor e muito menos da Policia par investigar
e prevenir a possibilidade de conflito entire indios (doces,
pacficos) e gaimpeiros naquela regibo. Conflito que pode
evoluir para coisa musto mass seria do que a de Eldorado
de Carajis. Em vez disso o Lamario pediu ajuda a Policia
para mvesogar quem sao os corruptos referidos por mimn
na conversa corn ele converse esta aludida na entrevista
ao 'Liberal". Em outras palavras: o Lamaro quer que a
policia descubra quem sio os corruptos de quem n6s dois
(eu e le) falamos na long conversa na sede do Iterpa. Eu
posso?l!! Foi por esse motivo que eu desafiei o Lamario
para um debate p6blico sobre comportamento eico no
Iterpa e na C. R. Almeida. Seria a grande oportunidade
para o Dr. Lamario mostrar quc pertence a um orgio cula
diretoria e un model de virtues morais e administran-
vas. Quem sabe vock poderi convence-lo a aceitar essa aca-
reaiao ins6lita reconheco mas suficiente para mostrar
quem esti agindo de boa fe e quem esti agindo de ma fe.
Ao lado de acusaoes do tipo (1) "C. R. Almeida nas-
ceu em Obidos mas fez tumultuada fortune no Parani",
em que plant um tipo indefinivel de duvida, voce faz qua-
lifica oes inesperadas do upo (2) "C. R. Almeida, o novo
patrio de Oliveira Bastos". Ora Lucio, vamos deixar de
macaquices ret6ncas. Estranho seria dizer de alguem (1)
"que nasceu em Santarem e desenvolveu tumultuada vida
sexual em Peixe-Boi". Quanto ao fato (2) de um novo em-
prego, saiba que sempre rive patr6es. O que eu acho estra-
nho e alguem, como voce, se fazer de independent e ficar
solicitando a compaixio da sociedade como se esta deves-
se remunerar, de alguma forma, o seu 'sacrificio' volunti-
rio. Lucio, no di par ser mirtir e barnabe ao mesmo tem-
po. Pira corn essa pantomima, pelo menos diante de mim.
Em outra parte, voce apanha uma frase hiperbl6ica e faz
piada querendo mostrar que eu nao conhego as dimensoes
do meu Estado. Logo adiante voce afirma que a C. R. Al-
meida 'grilou'l0% (dez pot cento) do territorio do Pari.
Este e um retr2to de corpo mteiro de sua personalidade.
Considerando que C. R. Almeida comprou apenas 4,7 ra-
Ih6es de hectares, voc se revela um imbecil em aritnetica
pretendendo dar aulas de topografia.
Conspiracio da burrice
A parte mais seria dos textos que voce produziu sobre
o projeto da C. R. Almeida e, tambem, a mais triste porque
exibe a decad&ncia de um professional que ji foi respeita-
do. A C. R. Almeida estaria agindo on como 'griliro' e
ora como multinaconal que deseja saquear o territ6rio e
as riquezas naturals do Pari. E forar exageradamente o
sentido das palavras, heim, Licio? Que grileiro e saquea-
dor e esse que compra una irea, protege os que nela se
encontram e anunca sua intencao de aliimplantar urn pro-
jto de preservagio ambiental? A palavra 'grileiro' s6 entra
no teu texto como encomenda do Lamario para desquali-
ficar, perante a opiniio prblica, o projeto de C. R. Alnei-
da. E a form de pagar as propinas corn que o Iterpa da
administration Lamario te beneficiou? Essa versio do Li-
cio Flivio Pinto, sinceramente, eu nunca pensei encontrar.
Mas ela existed e mostra urn professional em plena decom-
posi cumplicidade fnanceia corn sua fonte de noticias e de
renda.
Voce, finalmente, aborda a questio da Kramm e la-
menta que o Ibama Ihe tenha cassado o titulo (provis6rio)
de RPPN, pot exibi defendendo Kramm,que foran usados dois pesos e duas
medidas (acho que ji vi essa image em outros lugares)
em relahio i Kramm e a C. R Almeida. Como voce se
estendeu pot piginas e piginas na defesa dessa empresa, c
just imaginary que o seu igo lismo investigation tenha ido


fundo na question e que 'voce tenha indo algum proveito'
da matria. Final trata-se de um grupo inid6neo e ur de
seus diretores-(propietirio da Urubu Agropecuiria) esta
cumprindo pena na penitenciria da Papuda. E ficil con-
cluir que certo tipo de'jonalismo investigative', o teu pelo
menos, precise ser bem investigado
Investiador vstig.ado
Nio reclamo, com esta carta, nenhum dueito de res-
posta. Voce poderia alega, inclusive, que nio deu divulga-
qio a nenhum texto contra mi ou contra a C. R. Ameida,
ji que o journall pessoal' e uma ac0o entire (poucos) amigos.
Eu pensei, sinceamente, em entrar corn uma agio public
na Justiga para obrigar voce a devolved ao Iterpa o dinhci-
ro do contribuinte corn que o Lamario te pagou favors
textuais e pessoais a ele prestados. Ainda estou pensando
no assunto. Acho que s6 a falta de um minimo de policia-
mento intellectual no Para permite que pessoas como voce
e o Lamario pousem de arbitros da moraldade public.
O que voces slo, na verdade, e uma dupla de safados,
muito espertos, que se associaram para ranger, pelo medo,
alguns otiios que se iludem corn a falsa seriedade atrota-
da por voces. Voce, ambicionando o martirio bem remu-
nerado (pelo dinheiro do contribuinte) e o Lamario a glo-
ria de defender o patrimonio do Estado no enorme lati-
findio das colunas socials. Pindegos, eu estou a vossa dis-
posicio.
Um ate breve do
0. Bastos
P.S. L6cio, eu nao tenho rabo. E se tivesse eu nio
dava.

Minha resposta
)epois de ler essa sujeira, que Impro-
priamente o autor apchdou de carta,
tive a sensagio de como seria para
um boxeador jovem enfrentar umn ex-
campeio sexagellaio, que perdeu to-
das as noo6es vitais de um lutador. O Oli-
veia Bastos que se apresenta pan a polemica e um deca-
dente, nio de hoje, alias. Um contender que mente, que
manipula e distorce, que apela para o golpe sujo, que igno-
ra qualquer das regras definidoras de um bom combat.
Nio me far entrar na quadratura de seu circulo concan-
tnco de velhacarias. Onde antes havia um cidadio culto,
dono de um texto excelente, raciocinio ripido e afiado, mas
sempre desinteressado dos mais elementares principios
eucos, rest, agora, nio mais do que uma pena de aluguel a
servio de interesses escusos. Um tigre de papel, desden-
tado e pulguento.
Como levar a serio um contendor que troca tudo, in-
venta e reinvent conform sua vontade, arbitriia e de-
mente? Eu teria preferido jogar fora a imundicie, sem des-
perdiqar espaqo precioso deste journal, mas o eschrecimen-
to do leitor exige que reproduza e respond aos ataques
caluniosos.
Comecemos peas deslavadas mentiras.
A pnmeira delas esti, escandalosamente, no cabecalho
da digamos assim carta. Ela foi datada de Brasilia, em
14 setembro. Na insia de me atingi, mas ji sem a efici&n-
cia de tempos atris na fabricacio desse tspo de arimanha,
Oliveira Bastos simplesmente esqueceu que sua prpria
entrevista s6 foi publicada em O Liberal no dia 15 & se-
tembro, ou seja, um dia depois de ele responded a algo
que, para efeitos publicos, nio existia.
O Journal Pessoal corn as minhas criticas a entrevista
s6 foi para as bancas no dia 19 de setembro, cinco dias
depois do que ele j teria retrucado. Nem se alegue:que foi
erro de digitaqio: no encaninhamento da correspondin-
cia, o parceiro Avertano Rocha repete que a carta e datada
de 14 de setembro. Seiio fosse mau carter, Bastos pode-
tia passer pot paranormal ddo apremongio. Pelo menos
pode ofiecer seus prstimos pan quemresiver pre- s






6 JOURNAL PESSMAL 2' QUINZENA DE NOVEMBRO/1996


I cisando de um Plano Cohen, embora nio possa
garantir a qualidade da falsificaqio. Ate nisso e incapaz.
Ele me classifica de "imbecil em aritmetica pretenden-
do dar aulas de topografia" (pretendeu dizer, na verdade,
geografia), por supostamente haver eu calculado em
10%/a da extension do Pari (com 120 milh6es de hectares) a
irea "gilada" pela C. R Almeida (4,7 milhoes de hecta-
res).
O que escrevi, entretanto, foi completamente diferen-
te. Eis o texto (ornal Pessoal n 147, 2 quinzena de
setembro):
"Agressivo no ataque, mas ainda manten-
do anonimato, Oliveira Bastos disse
S ao reporter de O Liberal que a C. R.
Almeida comprou a irea da Fazenda
Curui com 'umn casal que negociava
teras na regiio e consultou o 6rgio es-
tadual sobre glebas i venda que somavam mais de 12 mi-
Ies de hectares'. E mais nio disse sobre um casal que
estaria vendendo nada menos do que 10% da irea do se-
gundo maior Estado da Federaio".
A referincia era ao casual que estaria vendendo 10% do
Pari (12 milh6es de hectares) e nio i "grilagem" da C. R.
Almeida. Muito diferente, portanto, do que Oliveira Bas-
tos diz que eu disse para assim, montando a frase, me atri-
buir unm ignorincia que e so dele, pessoal e intransferivel.
O assessor da C. R. Almeida insnua, ao seu estilo, que
eu posso ter-me vendido i Kramm, a outra empresa que
esti "grilando" terras publicas no Xingu, defendendo a
primeirs enquanto ataco a segunda, ambas pirates fundia-
nos. Pura mennra. No Jornal Pessoal n 139, da 1' quin-
zena de maso, sob o esclarecedor titulo de "Especulaqio
fundiiria fantasiada de ecologia", denunciei a manobra da
Kramm. Naquela epoca, estava em pleno vigor um decre-
to, assinado pelo entio president do Ibama, Raul Jung-
mann (hoje, ministro da Reforma Agriria), reconhecendo
a Reserva Particular de Patrimonio Piblico (RPPN) da
Kranm, de 500 mil hectares.
Este journal foi o primerro, nacionalmente, a denunciar
a situagio irregular da reserve, concedida pelo Ibama sem
que fosse feita "qualquer investigation sobre a consistencia
desse registro e sem sequer consultar os orgios fundirios
corn junsdiio sobre a irea, o Incra e o Iterpa", como esta
dito no texto. Nele, ji enfaizava: "Como em todas as de-
mais 'grilagens' feitas em Altamira, nio ha no cart6rio ne-
nhum document atestando o desmembramento dessas
terras do patrimonio public, atraves do titulo original ex-
pedido pelo Estado".
Depois de reconstituir como foi feit a grilagem da
Kramm, desvendando a farsa que deu origem a RPPN, essa
material de maio terminal assinm
"Ji o govemo do Estado nao pode continuar a manter
a fraca estrutura do Iterpa para fazer frente a essa investida
de especuladores sobre terras paraenses, agora usando o
biombo da ecologia. Mas nio s6 e precise dotar o Iterpa
de meios adequados: uma iniciativa mais dristica precise
ser adotada pelo judicirio em relaio a cartorios de regis-
tro de im6veis no interior, usados como catapultas para o
langamento de documentagio imprestivel sobre terrenos
devolutos on unprecisamente titulados. A falta de rigor
dos ttulares desses cartonos, por desconhecunento das
normas ou mi-fe mesmo, e o principal estimulo para a acio
dos grileiros, alguns grosseiros, outros bem sofisticados,
mas todos pirateando i vontade as terras estaduais, enquan-
to falta onde assentar os que querem trabalhar no campo".
Tenho meus motnvos para acreditar que essa denincia,
feita com exclusividade pelo JP, tenha de alguma maneira
contibuido para a decision, tomada tires meses depois pelo
Ibama, de cancelar o registro da RPPN.
O que estranhei, na mateia de setembro, foi que a es-
crivi de Altamira houvesse cancelado corretamente o re-
gistro da Kramm, mas esquecesse a identica situa ~o do


registro da C. R. Almeida. Em nenhum trecho do artgo
fiz referncia i imagem dos dois pesos e duas medidas,
que Oliveira Bastos tenta ironizar, colocando na minha boca
o que se pass em sua cabega ji desmiolada. Quem quiser
a prova dos nove que lei o texto por inteiro.
Agora, os aspects pessoais.
De fato, prestei consultoria ao Iterpa, como saiu publi-
cado no Diario Oficial e em A Provincia do Pari. O con-
trato comecou a vigorar em 1' de abril, corn duranio de
tres meses. Eu ganhana R$ 2.470,00 brutos, que, com os
descontos, ficaria em R$ 2 mil liquidos por mis. A pedi-
do do Iterpa, o contrato foi renovado para um period
seguinte de tres meses, pelo mesmo valor. Um teceiro con-
trato seria assinado em seguida se eu no tivesse desisrido
de continuar a assessoria.
Quando concordei em dar consultoria ao Iterpa eu nio
estava editando o Jornal Pessoal. Nio dar consultoria a
6rgio ptublico simultaneamente ao exercicio da critical jor-
nalistica ter sido uma norma que me impus. Eu pr6prio
acho que e um excess de escnipulo, que me tolhe muito,
mas e um preventive contra gente como Oliveira Bastos.
Nio ter nenhuma relaio cor o governor era uma re-
gra para mim ate que Francisco Cezar Nunes da Silva me
convenceu a montar meu banco de dados sobre a Amaz6-
nia na Funtelpa, projeto que vein prosseguindo acidenta-
damente desde entio. Ainda na administration Helio Guei-
ros, Violeta Loureiro, director do Idesp, me contratou para
dar consultoria a dois trabalhos: os cenirios s6cio-econo-
micos e o zoneamento do Pari. No govemo curto e gros-
so de Carlos Santos, Wilton Brito me colocou ao lado
dos trnicos da Seplan para produzirmos um piano de de-
senvolvimento do setor produtivo.
Quem quiser investigar minha relaio sempre de con-
sultoria, relago eventual e precaiia com o servico publi-
co, tern ai o roteiro. De todos os contratos resultaram pro-
dutos concretes, que estio disponiveis para quem quiser
avaliar. Tenho uma vocaiao para o service piblico que nio
desagua na political porque esbarra num senso de pudor
muito pessoal. Mas tenho procurado dar uma contribuiio
a minha terra atraves da administration ptblica. A consul-
toria ter sido uma ianeira de servir ao Estado sem ter
compromisso com ninguem. So uma parcels menor dessa
contribuiio tem sido remunerada e.isso por causa dos
meus principios eticos, que tanto prejuizo material tim
causado a mim e i minha familiar. Centenas de vezes ajudei
instindas diversas da sociedade gratuitamente.
No caso do Iterpa, decide dar a consul-
tomn, a pedido do Carlos Lamaio,
porque este jomal estava fora de cir-
culacio. 0 JP voltou i adva no final
de agosto. O ultimo pagarento que
recebi do Iterpa foi em setembro, quando
chegaria ao fim o contrato assinado em junho. No dia 13
de setembro (folha 75 do process que esti arquivado no
institute), o director administrative do Iterpa, Antonio M a-
ria Pereira, encaminhou ao president o seguinte comuni-
cado:
"Como e de seu conhecmuento, o Sr. Licio Flivio Pin-
to manifestou verbalmente sua inteniao de nio mais pros-
seguir no Contrato de Prestagio de Servicos, em funqio
de suas atividades particulares".
No final de dezembro, Carlos Lamario insistiu para
que eu aceitasse mais um period de consultoria, exata-
mente por causa do crescimento das "grilagens" (a primei-
ra das quais, do "fantasma" Carlos Medeiros, aiudara a
combater). Cheguci a admitir a recontratacio. mas quando
vi que os problems fundiinos exiginam a munha particl-
paqio como jornalista. comunmquei a presidencia do I erpa
que estava impossibtlitado de retomar o service. Sena de-
sonesto escrever sobre uma question envolvendo um 6rgio
ao qual eu tena algum tipo de vincula io.
Dois mil rears liquidos mensais por consultoria especi-


alizada por prazo curto e, indcpndentementc da qualida-
de do servico, um valor muito baixo para o que produzi no
Iterpa. Mas en un pagamento que me constrangia diante
dos baixissimos saliaios dos servidores regulars do insti-
tuto, uma induoo i incria, i incompetncia e i corrup-
cio contra a qual muita gente boa ali dentro, felizmente,
continue a recusar. Se Oliveira Bastos quer um testemu-
nho independent, ouSa o atual secretirio-adjunto de Ad-
ministraio do Estado, Antonio Mara Pereira, que acom-
panhou de perto meus seis meses como consultor do Iter-
pa. Mas se preferir ver os documents que registram mi-
nha atua~o, autorizo publicamente o Iterpa a fornecer-lhe
todos os assentamentos a meu respeito arquivados no ins-
tituto alias, registrados pelo Tribunal de Contas do Esta-
do, que os aprovou.
Quando escrevi o primeiro artigo sobre as "grilagens"
no Xingu, em marno deste ano, ji estava afastado do Iterpa
fazia seis meses. Era tempo mais do que suficiente pan
assegurar minha "desincompatibilizagio" e me autorizar a
tratar do assunto sem qualquer impediment ou embara-
go, exceto os criados pela mi-fe de gente como Oliveira
Bastos.
Minha competncia para prestar assesso-
ria pode ser confeida. Anos atris,
Avertano Rocha e Clovis Ferro Cos-
ta, advogados de uma empresa que,
i semelhanga da C. R. Almeida,. ten-
tava se apropriar de terras publicas (es-
tas, em Vizeu, na famosa Gleba Cidapar), puderam testar
meu conhecimento sobre assuntos fundiarios. Se Oliveia
Bastos quer um debate pliblico, estou i disposig~o. E re-
confortador, para mim, ter estado sempre do lado do inte-
resse piblico e, passadas as epidemias de calinias e difa-
mag6es, acabar ao lado da verdade. Onde esteve Oliveira
Bastos nesse period? onde acabou?
Hi quase um quarto de seculo o advogado Carlos La-
marao, urn dos mats competentes professionals na irea do
direito agrario no Pari, tern sido um leal companheiro de
bons combates. Cada um em seu sector especifico de com-
petencia, demos nossa contribuigio par que espertinhos
& vivaldinos nio passassem para seus bolsos o que e patri-
m6nio do povo. Vamos continuar assim. Como continuari
igual gene como Oliveira Bastos. Carlos esta pagando por
ser honest e correto servidor prblico. E tambem por ter
tido a coragem de ser meu defensor no litigio judicial con-
tra uma das herdeiras do Sistema Romulo Maiorana de
Cormuncaco.
"Por comcidncia", as acusa6oes que Oliveira Bastos
faz contra Carlos Lamario apareceram numa das "peas"
apresentadas na justica por Calilo Kzan, o marido de Ro-
singela Maiorana. Era s6 para tumultuar. Mas pedi i 2'
pretora criminal, Incia Frias, que encaminhasse o assunto
ao Ministerio Piblico Federal, onde espero que o fiscalda
lei chame todos os personagens para depoimento e di a
question o devido encaminhamento legal. S6 assim declara-
6oes graciosas chegario is ultimas consequencias.
Depois de haver dito que meu jomalismo de nvestiga-
cio sobreviveu a tantos testes, Oliveira Bastos me faz ata-
ques tio duros quanto inocuos (nio se pode garantir que
sejam gratuitous porque sem base factual E apenas deses-
pero de quem esperava ganhar o seu mais facilmente. In-
comodar essa gene me di dor de cabega, mas robustece a
convicqio de estar cumprindo meu dever de oficio.
Aliis, se Bastos voltar a escrever, peco-lhe que nio
abuse do espaqo, prejudicando o conteiedo do journal, com
initeis demonstrates de conhecimento mitologico, nio
esqueca as virgulas e seja mais parcimonioso nos perio-
dos. Final, nem i Jarbas Passarinho, nem James Joyce.
Quanto ao PS, devo dizer-lhe, para seu desapontamen-
to, que nio tenho o menor interesse pelo que esti ofere-
cendo. Alias, Dr. Freud, quem foi que falou em rabo? Eta
obsessao reveladora. 0






2i QLINZENADE NOVEMBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 7


0 principle, cade ele?


ari, Ant6nio Cliudio Ferreira Lima,
falava para uma entusiasmada plateia
no restaurant do Hilton Belem, na
quarta-feira da semana passada, sobre os
10 anos de sucessivos governor tucanos
que mudaram a fisionomia daquele Esta-
do. O projeto comecou cor uma reuniio
de empresirios, que definiriam uma plata-
forma comum e foram executi-la na poli-
tica e no governor. Estava relatando o avan-
qo da experiencia quando parou a exposi-
qio, como se buscasse uma solidariedade
local, e, dirigindo-se para o seleto audit6-
rio, perguntou quantos empresirios inte-
gravam o governor Almir Gabriel.
Fez-se um silcncio constrangedor. Nio
hi empresirios no governor paraense. Mas
hi virios empresirios por tris do gover-
no, agora e como sempre, invariavelmente
defendendo interesses pessoais ou, quan-
do muito, corporativos. Hi eminencias
mais ou menos pardas, mais ou menos os-


tensivas, mas ou menos ocultas. Ao inves
de chegar ao governor cor um program
definido em funqio de melhorar o Estado,
visando o bem comum e nio o ganho in-
dividual ou corporativo, querem ter os c6-
digos de acesso is decis6es para benefici-
ar suas empresas. Alguns deles constitui-
ram um aparato ao mesmo tempo corpo-
rativo e familiar, como ocorreu na admi-
mstracio municipal cor a familiar Gueiros
& associados, a que mais conseguiu exclu-
sividade nos ultimos anos.
O empresirio pode ser um home pu-
blico vanguardista quando associa seus gan-
hos aos da sociedade, colocando seu co-
nhecimento, experiencia e capacidade de
iniciativa a serviqo de um projeto de avan-
qo e melhoria da coletividade, cor o qual
todos ganhem. Em Minas Gerais e no Ce-
ari eles conseguiram desempenhar esse
papel, funcionando como a entidade nu-
cleadora, arregimentadora e impulsionado-
ra que Antonio Gramsci identificou, na


Itilia, a partir de Maquiavel, como o prin-
cipe modero.
Mas para que isso ocorra, o empresan-
ado tem que buscar a hegemonia political
em sua concepcio gramsciana, ao inves
de simplesmente assaltar o poder. Essa
nova etapa requer a participago da soci-
edade, que deve ser conquistada atraves
do dilogo e do convencimento, nio da
burla e da manipulacio marqueteira. Mas
os empresirios paraenses nio tem qual-
quer projeto de mudanca para valer no
Pari. Tim apenas ret6rica. A rigor, nem
o governor o possui. Dai se explica o in-
sucesso de todas as campanhas de mobi-
liza io (como a de fazer a estrela brilhar
ou o Estado disparar) e o vexaminoso si-
lincio que se estabeleeu quando o secre-
tirio cearense perguntou pelos despotas
esclarecidos deste Estado. Por aqui, infe-
lizmente, o que temos e simplesmente
despotas, ainda cor a cabeqa presa a um
passado antediluviano. *


Foi dada a largada para o ciclo do cobre


Vinte anos depois de ter efetuado a pri-
meira avaliacao da jazida de cobre do
Salobo, em Carajas, a Companhia Vale
do Rio Doce finalmente vai dar par-
tida ao aproveitamento econ6mico da mina.
Ao long desse period, muitas mutac6es
ocorreram no perfil do empreendimento, ele-
vando o valor do investimento, aumentando
a receita e fazendo avanqar o process de be-
neficiamento. Nenhuma dessas mudanqas,
entretanto, resultou diretamente da pressio
da sociedade e do governor paraense.
Embora o goverador Almir Gabriel te-
nha destacado essa participagio, que modes-
tamente inclui a sua pr6pria, ao comemorar a
defini ~o aconaria da empresa que vai explo-
rar a jazida, as cartas decisivas sempre foram
jogadas a distancia do territ6rio paraense, o
repositorio das riquezas, mas nio o controla-
dor das decis6es. Corn razio, o governador
queixou-se do pouco destaque
dado pela imprensa ao assun-
to e da falta de repercussio
social do event. Lembrou que Mai uma
corrigir nos$
cariocas e paulistas travaram p d (
passada (c
uma guerra aberta para sediar anterior (a
a fibrica de caminh6es da Vo- leitor. Qua
Ikswagen, um investimento aSquiva
seis vezes inferior ao da Salo-


bo Metals. Os paraenses parecem indiferen-
tes a um neg6cio no valor de 1,5 bilhio de
d6lares, o maior em curso no pais.
Os paraenses nunca souberam e continu-
am a ignorar o que seja o capitulo do cobre
no Pari. E uma hist6ria que ainda nio adqui-
riu expressio social. Continue a set travada
nos bastidores. Comeqou-empolgante, com
uma avaliafio imprecisa do potential da jazi-
da; sofreu um arrefecimento, cor uma revi-
sio da cubagem que parecia indicar a repeti-
Fio da frustraqio havida na Bahia, e retomou
impulso, cor um novo dimensionamento do
dep6sito e a revitalizacio do mercado inter-
nacional, abalado corn o ingresso das fibras
6ticas, aposentando um dos usos do metal.
A definiqio original do empreendimen-
to, restringindo-o i producio de concentra-
do, reduziria em um terco o investimento ne-
cessirio e o faturamento possivel, alem de


Perdao, leitores
vez o diacho do computador tumultua a edi*io. Ao
sa desatengio, coonestou-a, deixando que o cabeFalhl
iue deveria ser a 150, da I quinzena de novembro) r
149, da 2' quinzena de outubro). Pedimos novas des
nto a demoniaca maquina, foi adequadamente punida
r todos os volumes da monumental Introduio i Lite


nos fazer perder os valiosos subprodutos, o
ouro, a prata e o molibdenio. Ganhamos,
afmal, a metalurgia, mas novamente nao foi
por causa da pequena, setorial e enviesada
mobilizaio, que teve seu apice na dispute
paroquial entire Parauapebas e Marabi pela
localizaqio da fibrica. A conquista deveu-
se i revelacio da qualidade do minerio, is
novas caracteristicas do mercado e ao ingres-
so da multinational sul-africana Anglo Ame-
rican, o segundo minerador mundial, hoje
parceira da CVRD, amanhi, quem sabe, sua
controladora.
O projeto de cobre de Carajis 6 muito
grande e tern multiplos significados, uma
amplitude que apenas toca no territ6rio
paraense. Nosso acompanhamento da
evolugo desses grandes empreendimen-
tos continue retardado e nossa tentative
de participacio 6 sofrivel. Se essas condi-
g6es nio melhorarem ur-
gentemente, o Salobo im-
ins de pressionari, hoje, pelo vo-
Siv ei. lume de dinheiro e tecnolo-
o da edigio
petisse a gia que envolve e, amanhi,
culpas ao pelo vicuo que cria corn seu
: teve que funcionamento. Um artefa-
eratura to extraterreste pousado em
terras paraenses. 0







,' n V raiu u U
A dos recursos absorvidos pelos poderes exe-
e legislative, mais o Ministerio Pfiblico, e 20%
& a 'doque a parcel do oramento estadualdividida
S todosos msunicpiosparenses.O executvo, omaior
eres, so pode contar, para administrar o Estado
t 5 teer seus 110 mil funcionios, com dois ter5os do
recada. A miquina dos outos dois poderes, que
---j0o possui mais do que 5% do pessoal do govero e
; 0\sob sua responsabilidade tarefas bem mais limita-
5 d d4 bocanha um quarto de tudo o que entra pan o
ei'. Nio e uma relacio just.
or causa dessa distorcio, foi recebida com simpatia
"-l--inmiiaBtva do govemador Almir Gabriel, na semana pas-
sada,de iduir a AssembleiaLegislativa retiarde pauta
um projeto que ciava mais 60 vagas de juizes e 600 car-
gos administativos no judiciirio. O projeto, que trami-
tou velozmente graas ao lobby da magistatura, seria
aprovado se o govemador nao tivesse interferido pesso-
almente pam susti-lo. le ainda pode vir a ser aprovado,
mas, antes, ter que set discutido.
O judiciirio, o Ministtio P sblico e os tribunais de
contas foram os que menos se ajustaram as politics de
conten*io de gastos adoadas pelo govern Alguns da-
dos sobre os gastos desses poderes sio assustadores, mas
e ati dificil saber o que se passa entire eles porque seus
dados sio sonegados do conhecimento piblico.
Quem ligar, hoje, para a Secretaria de Administra-
o, sabera que hi 98 mil funcioniios aivos no Estado


Candidate

da noite
Os frequentadores da noite
tem sido privilegiado audit6rio
para o lanaamento da candidatu-
ra do empresirio Romulo Maio-
rana Junior ao governor do Esta-
do. Ele ji repetiu o anincio para
virios interlocutores, embora em
um cenario que nem sempre fa-
vorece esse tipo de comunicag o.
Mas e nesse circuit notivago que
parece estar se revelando uma
vocaqio political e comega a cam-
panha Rominho-98.


Um padrao
No final de semanafoi
realiado o oitav leiio da
faZendq Cedro, em Castanhal.
Ndo sou farendeiro, nem tenho
dinheiro on interessepara comprar
gado, como os 49 animals
seleionados que fram oferecidos
no lilimo leilio. Mas sempre o
Beni Mu/ran manda um atencioso
conmite e me estimula a acreditar
ne/e como uma das ex'cef'es
empresarias no Pard.
Oriundo do extrativismo da


uuI@ jhFV'IW
e 12 milnativos. Nemessainfomagio o executive que
So 6nico poder necadado, consegue saber A foiha
dos outros poderes umn caia preta. A Sead apenas
recebe o montnte do valor a set transfetido e tem que
pagar, ji que cada um dos poderes tem seu percentual
estabelecido sobre o oaramento. Os esfonros paa ajus-
tar as despesas do aparelho de justia i realidade das
finanas p6blicas ao tim sido bem sucedidos.
Indiferentes a essa situacio, os poderes onerosos
agravam o seu peso, como e o caso do ministerio pi-
blico junto aos tribunais de contas, um rngio an6dino.
Os procuradotes sao independents em relagio aos
conselheiros dos TCs, mas nio fazem parte do MP.
Sua forga e apenas orgamentitia e sua serventia, duvi-
dosa.
t claro que o judiciirio e o MP precisam de apoio
para cumprir suas importantes tatefas, mas a posigio
auto-suficiente que adotam e a indiferenca cor que
tem encarado urm conjuntura tributiria desfavorivel
precise mudar. Os parlamentares, eles pr6prios neces-
sitando arrumar a pr6pria casa, deveriam condicionar
a aprovaago de qualquer media favotivel aos demais
poderes i discussion sobre sua situagio real. Isso re-
quer abrir os dados e travar um diilogo srio e hones-
to. S6 assim a sociedade ficari convencida de que as
distorc6es e os privilegios de que alguns stores des-
frutam serio eliminados, benefciando a instituicio e
nio alguns de seus parasites.


castanha, de nula contribuifdo
social para o Tocantins, a regido
de onde extraiu e trans/in sua
renda (em geralpara especulafdo
financeira e imobilidria em
Belim e alim-mar), Benifet
uma coisaproveitosa e
exceptional nafamilia:
reinvestiu em atividade
produtiva part substantial do
que ganhou, moderni.ando-se e
profissionalitando-se. Os folders
que mandajunto cor os convites
dd-nos a ilusdo de primeiro
mundo nos negdcios.
Alim disso, depois de ter sido
um bon-vivant alienado (como se
dihia entio), passou a cultivar
uma vida pessoal discreta e
cosmopolitan, sem ostentacies
provincianas, o que significa,
para mim, bom torm.
De veZ em quando ftJ bem
perceber que, mesmo se ndo temos
posires convergentes, aquela
pessoa que acompanhamos do
outro lado i, como se diZ hqoe,
"de nive/.'
Antes que alguim pense que
este oral endoidou, advirto:
estas palavras ndo sdo um e/ogio.
Quando mnito, um estimulo.


Liberal, ma

non troppo
Infelizmente, ganhei maus um
round na pol6mica que travo cor o
ex-senadorJarbas Passarinho. Na mi-
nha ultima intervene, desafiei-o a
experimental referir-se ao meu nome
em um de seus artigos para 0 Libe-
ral. Previ que sena "censura certa,
cor toda a deferencia que os Maio-
rana dizem que Ihe prestam, ao me-
nos pela frente".
Nio deu outra. Em seu artigo em
O Liberal do dia 3, Passarinho refe-
re-se a mim como "um jornalista",
apelidando-me de "o senior da ver-
dade e da integridade jornalistica. Nao
me chamou pelo meu nome, conmo
seria correto. Foi auto-censura ou os
Maiorana desfiguraram o texto?
O espaso esti aberto neste demo-
critico jomal, o unico liberal de ver-
dade, para os esclarecimentos do bra-
vo coronel Passarinho.


f .1I .l* ,fli AAft jLA 0


0 (anti)jornalismo

atual e burocritico
-No mesmo dia em que patrocinou
uma palestra do comunic6logo Mu-
nir Sodre sobre itica jornalistica, o
jomal O Liberal mostrou que o pa-
lestrante tinha razio: a etica anda dis-
tante das redac6es jomalisticas. Duas
rep6rteres do journal precisaram com-
prar restos de cadiveres para provar
que pelo menos um coveiro do cemi-
terio de Santa Izabel viola os tumulos
para comercializar ossos junto a estu-
dantes. Ou seja: para denunciar um
crime, os rep6rteres tiveram que co-
mete-lo.
Ainda que o ato tivesse apenas
efeito demonstrative, uma prova se-
ria obtida corn tica e profissionalis-
mo atraves de gravanio ou de teste-
munhos. Pouparia os jornalistas do
risco de se verem processados por
pessoas inescrupulosas, dispostas a
armar o golpe para escapar das res-
ponsabiliza6ces a que estio sujeitas
por seus delitos. E estabeleceria limi-
tes mais claros sobre o "jomalismo-
verdade", que a televisio transformou
numa febre e, como todas as febres,
gerando distorc6es. O reporter s6 e
personagem quando a conjuntura o
coloca nessa condiFlo, nio por inici-
ativa pr6pria. Seu papel e o de obser-
vador ou testemunha.
Uma outra question que precise ser
esclarecida e a do "estagirio". Antes
do monop61io dos cursos de comuni-
cac6es, reporter iniciatite era "foca".
Deveria trabalhar cor acompanha-
mento e supervisor. Mas, se provasse
competencia, poderia ser tratado
como um reporter qualquer. Essa era
a maneira de estimular e incorporar
vocag6es, sem submeth-las ao buro-
cratismo (anti)jomalistico, agravado
pelo mundo acadmrico. E clissica a
situaio vivida pot Mirio Faustino,
que se apresentou no gabinete de
Nascimento Brito querendo ser edi-
torialista e saiu dali, depois do primei-
ro texto, sagrado editorialista do Jor-
nal do Brasil. Mas, agora, estagirio
parece ser sub-cidadio para efeito de
jomalismo. Nio e uma boa norma,
exceto para os que adoraun burocra-
cia e detestam jomalismo.


Jomal Pessoal
Editor responsavel: LOcio Flvio Pinto
Ilustrag6es e editoraao grifica: Luizde Faria Pinto
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