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Journal Pessoal EDITOR RESPONSAVEL: LOCIO FLAVIO PINTO ANO X N2 151* 2a QUINZENA DE NOVEMBRO DE 1996* R$ 2,00 0 ataque da C.R. Emprsiro um u set (p .7) W -iff 0. s0 j J S S~yT'T m ELEICAO 0 que vir merece fe? Neste dia 15 o eleitor de BelMm vai apostar seu voto na mudanqa. 0 PT credenciou-se no 1 turno como a concretizagao desse desejo. Uma vit6ria que poderia ser esmagora ejd estaria certa quase foi comprometida. Mas Edmilson ainda e o grandefavorito. uando a campanha electoral comegou, havia dois donos de votos em Belem: o prefeito Helio Gueiros e a deputada fe- deral Eldone Barbalho. Ago- ra que a campanha chega ao fim, a conclusion mais cristali- na e a de que o eleitor da capital quer mudar sua relagio cor seus representantes politicos. Elcione Barbalho apostou alto e perdeu o grande trunfo que possuia: a de ser a deputa- da federal mais votada da hist6ria do Pari, cor record de votos em Belem. -Hlio Guei- ros desprezou as principals liderancas da co- liga;io political a que pertence e indicou para seu successor um ne6fito na materia. Estava convencido de que, em Belem, elegia ate um poste e escolheu um. O povo retirou-lhe essa confianca. No moment em que escrevo esta matria (segunda-feira de manhi, dia 11), eu como qualquer outra pessoa ji poderia antecipar uma vit6ria esmagadora do candidate da Frente Popular, Edmilson Rodtigues, sobre o da coli- gagio situacionista, Ramiro Bentes. Mas, neste moment, hi uma tendencia declinante do nome de Edmilson e uma ligeira ascensio do ex-secretario de Financas do municipio. As duas curvas se aproximatio atr o dia 15? Correligionirios de Ramiro apostam que sim. Uma projeqio simplesmente aritmerica da iltima pesquisa do Ibope, que registrou a situaqio ate o dia 4, nio autoriza essa pre- sungio. A diferenqa entire Edmilson e Rami- ro poderia ate diminuir, mas persistiria no dia da votacio do 20 turno. O unico fato novo capaz de afetar essa tend&ncia de vit6ria do candidate do PT sio os dois debates na tele- visio. Mas a participation de Edmilson teria que ser desastrosa para minar o superivit de votos de que ainda disp6e. Sem divida, a Frente Popular poderia nio estar passando por essa tensio de final de cor- rida se nio tivesse cometido tantos erros na campanha do 2* turno. Quando a pri- ow' I COM-4. 0 PR JT DI S 1, 0I~ (.7 2 JORNAL PESSOAL 2 QUINZENA DE NOVEMBRO/1996 Ii' meira pesquisa do Ibope p6s-20 turn deu 64%o da preferencia popular para Edmil- son, a coordenafio da candidatura parece ter concluido que a vontade do eleitorado ji esta- va cristalizada e que o melhor, a partir dai, se- na proteger o candidate pot tris de uma corti- na de macantes video-clips e da palavra-de-or- dem, "fe no que viri", que, de frase de feliz inspirapio, se tornou um slogan vazio de sig- nificado, tal a repetiao. A proteco, ate certa media, era natural e necessiria. Mas ela foi muito long, transfor- mando-se quase numa fuga. Rapidamente o prefeito iHlio Gueiros, que fugiu dos debates quando concorreu em 1992 ao cargo que atu- almente ocupa, aplicou a pecha de fujio em Edmilson. Enquanto o program da Frente Popular era um ass6ptico desenrolar de filme- tes e de aparigoes teatrais de Edmilson, a coli- ga ~o Melhor para Belem dava um tom agres- sivamente politico ao seu program, fazendo uma discussio de conteudo que fora justamen- te a caracteristica do PT no 1 turno. O parti- do permitiu que IH6ho Gueiros assumisse o comando da dispute e Ihe desse o tom domni- nante. A isso se somou urn gasto de propa- ganda mats ostensivo da coligacio situacionis- ta favorecida, obviamente, pelo uso da mi- quina official. O resultado foi a perda de oito pontos per- centuais entire as duas pesquisas (ou 13% dos votos de que Edmilson dispunha). Mas so metade desses votos migraram de Edmilson para Ramiro. A outra metade dos eleitores pre- feriu aguardar os acontecimentos, reassumin- do a indecisio ou decidindo votar nulo ou bran- co (o que significa rejeitar a pronta aceitaaio de Ramiro como alternative). Isto significa que se Edmilson nio cometer mais erros e sanar as deficiencias exploradas por seu adversino, seri mesmo o novo prefeito de Belem, inde- pendentemente do que fizer a equipe de Ra- miro. Os erros nio resultam apenas da anomala prevalencia da vontade dos marqueteiros (eta palavra chinfrim) sobre os candidates, que che- gou is raias da submissio destes, destituidos de derisidade political e carisma. No caso do PT, denvou tambem da falsa conclusion de que o partido, cor seu program e por efeito da aaio de sua militincia, conquistou a maioria ou a quase totalidade dos votos dados ao seu candidate. Os te6ticos do rl' criaram a concepaio de que a votacio de Edmilson e uma sequencia 16gica do desempenho anterior do partido. O eleitor tena votado em Edmilson porque ele e um candidate forte, preparado, e por ter en- contrado na pritica do PT a resposta para seus anseios de melhoria. Talvez pensem, sem o saber, que Edmilson conquistou a hegemonia gramsciana, quando a teoria que mais se apro- xima da explicac o do fen6meno, infelizmen- te, e a leninista. Para o bem de todos, espero que, no exercicio do poder, usem Gramsci como referencial e nio Lnin, um fantastico tomador de poder, um pessimo administrator. I De m [ Ttm evol i.,., i m Ie ,ouc Se Helio Gueiros tivesse optado por Fernando Coutinho Jorge, a atual definiio provavelmen- te seria outra (mas o alcaide p6s, acima de tudo, os interesses da Gueiros S/A). Se Jader Barbalho nao tivesse decidido gol- pear a image de Ramiro (o que fez corn mais eficiencia do que todos os candidates oposici- onistas a prefeitura), mesmo que sacrificando de vez a image de sua ex-mulher, o andamen- to da campanha tambem tena sido outro. O objetivo principal do senador era minar a for- ca de Gueiros, de olho em 1998. Se Elcione fosse ou nao vitoriosa agora, era secundirio. A situa~io tinha analogia corn a de 1994, quan- do a prioridade era a eleicao do ex-governador para o Senado; a eleicao de Jarbas Passarinho para o governor vma depois, se viesse. Nao perceceber esses fatos esta tendo umr custo que o IPI evitana combatendo a tenden- cia, mais acentuada na seeio paraense do par- tido, de agir dogmaticamente. O resultado se- ria mais eficaz se, ao inves de criar uma ima- gem angelical de Edmilson Rodrigues corn recursos de producao, houvesse captado corn fidelidade a voz das urnas e a seguisse na cam- panha do 2 turn. Os marqueteiros de Ramiro tentaram retor- nar a hist6ria ao period anterior i campanha do t1 turn, batendo fire nos esteretipos, preconceitos e (tambem) verdades entranha- das na consciencia e no inconsciente dos elei- tores sobre o Rl' raivinha, iita, radical, bader- neiro, anarquista, comunista. No 1 turno, o RI' percebeu que essas ima- gens ficaram em segundo piano porque o elei- tor, cansado da dupla Barbalho-Gueiros, que- ria colocar na prefeitura um administrator honest, serio, trabalhador e, se possivel, com- petente. Jader Barbalho mostrou, corn a cola- bora5io do pr6ptio candidate, que Ramiro nio era esse candidate. Como sabia que o eleitor quer que alguem continue o trabalho de Helio Gueiros, sem o contrapeso da predadora fa- milia dele (sagazmente, imitando Magalhies Barata, Gueiros fica i distincia dos neg6cios, identificados apenas corn os filhos), ou de uma marionefe, Elcione tentou set a sucessora, mas esse papel nio se ajustava a ela. Ji Cipriano Sabino era apenas uma fachada: repetiu os vo- tos que sempre teve, sem conquistar nada de novo. A macaqueacio do Projeto Cingapura, de Maluf mostrou que ele era, no maximo, um exotismo. 0 PT apresentou-se como a opcio melhor, nio s6 pot causa da efetiva particpaFio de sua militincia (a maior, de long, dentre todos os partidos), mas porque tanto a turma dos Guei- ros quanto as dos Barbalho, convencidas de que o PT faria apenas uma nova figuracio, dei- xaram Edmilson de lado e partiram para vio- lentas escaramucas mituas. Indicaram ao elei- tor em quem nio votar. Quase que induziram o eleitor a votar no PT. Burrice? Nio: 6 a cegueira que o poder cau- sa quando seu exercicio passa a ser encarado como uma acio entire familiares e amigos. Nio foi por acaso que, um dia antes da Revoluqio Francesa, que, literalmente, cortaria sua cabe- ca, Maria Antonieta escreveu cor enfado em seu diirio: nada de novo. Talvez a professor Terezinha Gueiros tenba escrito a mesma coi- sa quando Ramiro foi indicado, se 6 que ter um diirio. A maior novidade da eleicio deste ano em Belem e o povo, resistindo i campanha mina- dora da coligacio situacionista, que interrom- peu o crescimento de Edmilson at6 o patamar de votos alcancado antes por Sahid Xerfan, de- legar confianqa ao F' para o partido fazer mais, melhor e sem as suspeitas de ilicitude do que fez Helio Gueiros. Nio e um cheque em branco, entretanto, como pensam alguns dirigentes pe- tistas, nem esti nominal ao portador. Mas 6 a oportunidade de, corrigindo o passado, permi- tir que se consolide a tendencia observivel ge- nericamente nas eleio6es municipals de 1996: refazer a representagio political, tentando apro- ximi-la da realidade econ6mica e social de um Estado rico, mas sem lideranqas capazes de dar- Ihe o rendimento adequado dessa riqueza. Se nio, depois de uma ripida bonanza (ou um so- nho em noite de verio), pode voltar de novo a tempestade, como foi em 1950, fazendo de Be- lem a cidade her6ica que ficou no passado. 0 2' QINZENA DE NOVEMBRO/1996 -JORML PES~SAL 0 que estA por tras da "grilagem" de terras A tempera de um joralista e apurada na polemica. Mas alguns contendores nio se apresentam ao combat par testar forgas, buscando o esclarecimento da opiniao piu- blica. Seu objetivo e o de intimidar, ou destruit E a maneira de impedir que do confront dos anta- gonistas result a verdade e ela passe a ser um patrim6nio de todos e nio um instrument a servico dos interesses dos mais poderosos, ou das acomodaq6es rentaveis. A carta enviada por Oliveira Bastos, "coorde- nador de projetos especiais" da Construtora C. R. Almeida, publicada nesta edicio, se integra a tradi*io do agredir para eliminar na origem de- bates incomodos. Ao recebe-la, duas semanas atis, me lembrei de um texto de Nelson Traqui- na, um important teorico da comunicacio na Europa, que serviu para reforcar convicc6es de hi muito incorporadas i minha consciencia. Observa Traquina: "Alvo da acio estrategica de mtltiplos agents sociais, os jornalistas e as empresas jornalisticas sio tambem, muitas vezes, os alvos preferidos da crtiica quando as mis noti- cias ou a nio existincia frustram os outros agen- tes socais. Seguindo a 16gica da epoca grega, quan- do, perante uma mi noticia, a soluqio era a de matar o mensageiro, hoje a estrategia principal consiste em por em causa a seriedade e o profis- sionalismo dos jornalistas; alguns agents sociais, mesmo ocupando posigoes de responsabilidade, ainda recorrem i ameaqa fisica, i acio legal ou i pura calunia". Pessoas que me tinham em boa conta muda- ram de opiniio a meu respeito exatamente quan- do atingi seus interesses, contrariando-os. Ai, de sibito, virei vilio. Ji me acostumei a isso. Nio me causa nenhum dano perder amizades ou rom- per reho6es agradiveis se o preto de preservi- las e omitir a lesio que estejam causando ao inte- resse piblico. Tambem nio afeta o meu relacio- namento pessoal a divergncia de ideias, mesmo que exercida corn paixio e radicalismo, se o opo- sitor sabe distinguir os dois niveis. A agressio ardilosamente perpetrada contra mim por Oliveira Bastos nio e um bom combat. Como.o leitor poderi verificar na resposta que dou nesta edi~io i carta, seu objetivo e me afas- tar do caminho da C. R. Almeida e nio dialogar sobre o projeto da empresa para uma irea de quase cmco milhoes de hectares no vale do Xingu, que scria um dirnier-ci em desenvolvimento auto- sustentivel. Na verdade, e apenas um pretexto de fachada. Nio hi franqueza nem lealdade na inici- ativa de Bastos. A malicia comeca no envio da corresponden- cia. Ela me chegou no dia 30 de outubro, corn um bilhete de encaminhamento do advogado Avertano Rocha. Avertano diz que a carta estava em suas mios "hi algum tempo", mas quc nio repassou-a ao destinatiio "em razio do pr6prio autor da epistola (...) ter-me dito, por via tclefoni- ca, encontrar-se diante de um apelo do teu irmao, o jornalista Raimundo Pinto, que pediu-lhc en- tendimento entire voces dois, entendimento esse que nunca chegou a acontecer, pois unilateral, de vez que o teu jomal voltou a atacar, pessoalmen- te, o meu velho amigo de geraqio intellectual . Acrescenta Avertano que Bastos voltara a en- viar-lhe por fax a tal carta, "que e datada de 14 de setembro e que retorna aos meus arquivos mais de um mes depois de sa elaboraAo (grifo meu). A remessa de uma segunda c6pia ter um claro objetivo: a de que a carta chegue, fialmente, ao seu destinatArio". Cumprindo a vontade de seu "velho amigo", Avertano decidiu me enviar a nova c6pia da car- ta, arrematando com uma advertincia "Creio que saberis fazer bom uso delay e isso significa, evi- dentemente, dar-lhe publicidade no teu pr6prio journal, cor espaco, diagramaio e destaque que destes anteriormente aos ataques feitos ao Oli- veira Bastos". "Menas" verdade, dr. Avertano. A carta de Oliveira Bastos esti falsamente datada do dia 14 de S setembro. Como demonstro em minha resposta, a seguir, ele ja- mais poderia ter escrito o tal papel no dia 14, um dia antes do fato gerador da present pol&mica e cinco antes do meu artigo, ao qual ele retrucou epistolarmente. A carta corn data atrasada e um engodo. Algo parecido ao que fez Hiok Gueiros em 1991, me mandando uma cata pomogifica para me intimidar, sem que ela precisasse neces- sariamente se tomar public. Outra inverdade e o tal pedido de entendi- mento do meu irmio par o Oliveira Bastos. Ra- imundo me disse que, na conversa telef6nica, Bastos apenas mandou um recado: nio queria brigar comigo, mas o faria se eu continuasse a ataci-lo. Nunca props o tal entendimento, mes- mo porque nio tinha qualquer tipo de delegacio para esse fim. Tambem nio e verdade ser o desejo pessoal de Oliveira Bastos que eu publicasse sua carta, nem este objetivo esti clao no texto. O que esti claro exatamente o inverso: "Nio reclamo, corn esta carta, nenhum direito de resposta", escreveu Oliveira Bastos. Depois, ele me ligou de Brasilia pan reafirmar que meu entendimento e que era o certo, nio o de seu "velho amigo" (putativo?): eu s6 publicaria a carta se quisesse; ela era para meu conhecimento pessoal. Depois de refletir, achei que devia publicar a carta, na integra, cor todas as agressoes que me faz, usando como arma a mentia. Se Oliveira Bas- tos escrevcu tudo aquilo, e porque ji andou di- zendo isso por ai aos mats chegados. O que esti nas ruas tern que vir para a Iuprensa, socalizan- do um conhecimento que costuma se circunscre- ver a confranas favorccidas. Mas nio se trata ape- nas de um duelo pessoal. Quanto a mim, espero que Oliveira Bastos cumpra todas as suas pro- messas e ameacas, inclusive a de ajuizar uma a;io para me fazer devolver o que o Iterpa me pagou por assessoria que dei ao institute. Quanto ao que e do interesse pdblico, materi- alizado em milhoes de hectares, que valem mi- lh6es de reais, espero que as instincias formal- mente competentes cumpram cada uma a sua parte neste enredo para que as palavras nio fi- quem jogadas ao vento. Estou disposto a sustentar, seja ai com quem for, o que aqui publiquei: a apropria io de teras feita pela C. R. Almeida e uma grosseira "grila- gem". Nio hi, no cart6rio imobiliario de Altami- ra, nenhum document legal atestando a transfe- rencia das terras do patrimonio piblico para o dominio particular Hi, isto sim, referencia a "ti- tulos hibeis", que ninguem sabe o que sejam, nem viu (e que, cor tal denomina ~o, jamais deveri- am ter sido aceitos par registro pela titular do cart6rio, seja la quem for o requerente, C. R. Al- meida ou Kramm). Agora, os advogados da empresa vio tentar provar que a origem remonta a titulos de sesma- ria. Mas isso e promessa, que, a meu ver, nio cum- pirito. Quanto i prescricio do titulo, ele pode ser quarentenaiio, cinquentenitio ou o que li seja. Esta exigencia de posse fitica como pr-requisi- to aplica-se mesmo i legitimacio das sesmarias nio confirmadas, caso existam (no que nio acre- dito, naquela itea do Xingu). Ocupacio fisica da irea a C. R. Almeida nio ter e a dos antecesso- res, os seringalistas, se legitimava em aforamen- tos ji caducos. Portanto, a terra e public. O projeto ambientalista da C. R. Almeida pode ate ser maravilho- so, como assegura o "coordena- Jor". Mas nio hi terra para nela as- senti-lo. O process de encaminhamento ter que ser inverso: s6 depois da demonstracio do dominio privado e que se poderia examiner o projeto, que, aliis, tambem continue no piano metafisico e ret6rico. Nio e porque a empresa diz que tem o deslumbrante projeto que o go- verno deva se considerar obrigado a oferecer- Ihe as teras. Nesse caso, o simples anincio do projeto funcionaria como uma gazua fundirtia. O govero deve attair empresirios (no que ter sido ineficiente), mas hi empresirios e empre- sirios. Cor seu projeto do Xingu, C. R. p 4 ORNAL PESSOAL 2 QIINZENA DE NOVEMBRO/1996 CI Almeida esti no segundo enquadramento. Por enquanto, o govemo assisted a esse litigio como se se tratasse, realmente, de uma queda-de- braao privativa entire a dupla Lamatio & Pinto e Almeida & Bastos. Ora, o que esti em question e uma irea que o poder public pode utilizar em beneficio da coletividade ou que uma empresa pode transformar em lucro indevido. Lucro e bem comum podem se combinar, mas de uma forma licita. O Iterpa diz que essa via legal ndo existe. A prova dos nove do litigio cabe i justia, onde o process ji esti em andamento. Se a empresa quer comegar a dialogar cor honestidade e para valet a nivel administrative, pot que nio renuncia pre- vimente ao registry fraudulent e passa a nego- cda tecnicamente em cima do tal projeto? SE verdade que uma ou outra parcel do 6trgo nio pen- sa assim e, ao que parece, tomou iniciativas desastro- sas na aproximaaio cor a C. R. Almeida, o que se iri apu- tar e revelar. Mas a posicio official do institute, o representante do Estado para quest6es fundiari- as, ji foi firmada em juizo. E precise fortalec&-la. O governador, que tem program diirio nos veiculos de comunicagio, deixa passar semanas e meses sem dizer uma unica palavra a respeito, ape- sat de o problema da terra set o mais grave do Estado (ou seri justamente pot isso?). Nio s6 si- lencia oportunisticamente, como nio consegue transformer em pritica sua ret6rica em favor do campo, mais um item no curriculo de um gover- no vocabulary. O Iterpa e, realmente, um 6tgio desaparelha- do, que, cor sua fachada, consegue fazer alguma colsa, mas esti oco por dentro, como um ceninio de Hollywood. Mesmo os funcionarios da linha de frente ganham miseravelmente male estru- tura de apoio e de uma pobreza incompativel corn a gravidade das func6es que deveria desempenhar. Desde Eldorado de Carajs, o govemador Almir Gabriel se tomou refem da inircia. Talvez por isso Oliveira Bastos esgrime como ameaca uma evolufio conflituosa na irea que a C. R. Almeida tenta "grilar". Diz que ela podenia acabar como reedi*io de Eldorado, tentando re- avivar traumas catitticos no governador. A em- presa busca cooptar os moradores locals corn as- sistencialismo e apresentando-se como parceira dos natives contra garimpeiros invasores, inves- tindo em relac6es publicas e na manipula~o dos atores no cenano. Mas todas as instituioes pre- sentes no Xingu assinaram um manifesto apoian- do a posic~o do Iterpa contra a C. R. Almeida. No document, encaminhado ao govemador a 6 de setembro, as 17 entidades que o subscreve- ram dizem que o municipio "vive sobressaltado pelo anincio de mega-projetos que acabam en- tregando a paraculares centenas de milhares e ate de milh6es de hectares de seu solo". Elogiam a aFio de cancelamento dos registros da C. R Al- meida proposta pelo Iterpa e dizem que o corn- bate i "grilagem", corn o retorno das tetras ao control do Estado, "alem de permitir o reco- nhecimento dos direitos dos atuais moradores e das populag6es indigenas da regiio, oferece ao Govemo espagos enormes para Projetos de m- teresse social a serem definidos em dialogo corn a Comunidade local". .Ainda assim, de fat o govetno precisa ter mai- or presence na area e presenca qualitativa para prevenir o jogo que a C. R. Almeida comecou a praticar ali, nio para preparar saudavalmente as bases de um empreendimento serio, mas para criar massa de manobra e bucha de canhio. Uma outra dimensio a ser considerada e a da ameaga de extorsio que estatia pairando so- bre a empresa. Estranhamente, Oliveira Bastos nio consider set uma obrigaio da vitima da chantagem denuncia-la, apontando os nomes a serem submetidos a apuraqio e, se for o caso, puniio. Carlos Lamario, director do departa- mento juridico do Iterpa, agiu corretamente ao comunicar i policia a information que Oliveira Bastos Ihe passara. Bastos diz que um director do Iterpa e um advogado, nominados na conversa, inclusive pot Lamario, seriam participes desse assedio. Pot que nio fez a denuncia por escrito? Ou quer apenas valet-se dos efeitos da insinuaFio? A des- peito dessa mi-fe, acho que o Iterpa deveria logo instaurar sindicincia para apurar essa "alavan- che de gente safada, entire os quais alguns se di- zendo amigos de diretores do Iterpa e queren- do vender facilidades para n6s", como diz Oli- veira Bastos. Ele tambem ataca o juiz que, interinamente, na comar- ca de Altamira, proibiu novas averba56es i mar- gem do registry imobilii- tio em nome do grupo C. R. Almeida, congelando negociaqos futuras ate o julgamento da lide. Bastos diz que o juiz Tor- quato Alencar favoreceu o Iterpa porque o ins- tituto ajudou a pagar o frete de um aviao que conduziu o juiz a comarca durante a iltima elei- coo. O president do Iterpa, Ronaldo Barata, re- truca que esse tipo de ajuda e comum em perio- do eleitoral, em virtue da carencia de meios pr6prios da justica, e que nunca visou influir sobre a decision do julgador. Mas realmente e um mau hibito, de moral reprovivel, e, no caso especifico, inconvenient. O Iterpa, no minimo, foi desastrado, ignorando a associaaio que po- deria ser feita entire uma e outra situaio. Criou uma fonte de constrangimento para o juiz e de suspei~ao para si mesmo. A convergencia da acio administrative do Iterpa cor os projetos politicos de seu presi- dente tern sido um dos pontos mais vulneriveis da administrac o Ronaldo Barata. E legitima a pretensio de Barta de conquistar um mandate eletivo. Nio e correto, porem, confundir sua a5io administrative corn sua militincia political, o que ele ter feito. Essa falta de distin*io leva- o a cometer erros e pode custar-lhe muito caro no future. Nio tenho duvida que o Iter- pa melhorou sob a atual gestio, mas tambem nio ignore que esta muito distant nio s6 do deseji- vel, mas ate mesmo do pos- sivel. Na conversa pot telefone, Oliveira Bas- tos se referiu i perda de prazo em uma aoio na qual o Iterpa se tornou revel. Insinuou que essa perda de prazo foi intencional, favorecen- do um alto funcionirio do Iterpa que teria sido patrono do interessado em uma outra question, no Maraj6. A negligencia nesse epis6dio seria um contrast corn a vigilincia do institute so- bre a C. R. Almeida. De fato, o incident ocorreu e hi indicios de que houve culpa ou dolo na falha. O epis6- dio precisa ser imediatamente apurado pelo Iterpa, atraves de inquerito, se possivel cor o acompanhamento do Ministerio Piblico. Mas o objeto da acio na qual o Iterpa se omitiu e uma pequena area no Mosqueiro, liliputeana em comparaqio cor o mastodonte fundiitio do Xingu que a C. R. Almeida quer colocar em seu redil. Se nio existe o meio-honesto, sendo a honestidade uma condicio absolute, hi o pe- queno e o grande roubo. Ambos tem que set prevenidos ou combatidos, mas nio se deve perder a dimensio especifica de cada um de- les. Oliveira Bastos joga um boi na polimica para que a manada cobiqada passe inc6lume, i distincia da opiniio public. Eu teria preferido poupar-me de mais uma luta na qual a lama e usada como arma. Bastos ate ofeteceu essa possibilidade no telefonema que me deu: ele viti a Belim e poderiamos con- versar. Mas prefiro que, se isso ocorrer, as car- tas ji estejam sendo colocadas a mesa, ao in- ves de ficarem escondidas na manga de crupi- is ou virarem figurinhas para trocar em en- contro reservado. O irbitro desse litigio nio deve set a conveniencia dos contendores, mas o distinto piblico. Na esperanqa de servi-lo, espero que ele nio apenas continue a acompa- nhar os capitulos desta novel, como se mani- feste a tespeito. S6 assim teri valido a pen& aceitar esta polemica, tio sordidamente mon- tada pelo outro lado, quando o destino just da carta de Oliveira Bastos e do pr6prio te- metente seria a lata do lixo. 0 2' XINZEA DE NOVEMBRO/1996 JORML PESSQ 5 0 ataque do porta-voz da C. R. Almeida Esta e, na integra, exatamente comofoi escrita, a carta que o jornalista Oliveira Bastos, "coordenador de projetos especiais da Construtora C. R. Almeida, me enviou: 'Lucio: Por essa, sinceramente, eu nao espe- vrav: voce, cheio de dio inexplica- vel. tentando desqualificar a minha in- tervencio na dispute (que deveria ser juridica) entire o Iterpa e a C. R. Almeida. com arguments que nio honram a sua inteligencia e mui- to menos o seu (tantas vezes testado) jomalismo de inves- tigaio. Vamos dividir e caracteriza o seu discurso contra mim e contra a C. R. Almeida: 1) refer&ncias pessoais de- sabonadoras (?); 2) nova teoria conspiraiva espoliativa; 3) a investigaio do ivesigador. Referenacis pessoais Na segunda e ultima vez que estive corn o Dr. Lama- rio reportei-lhe as dificuldades que estivamos enfrentan- do cm Altamira e em Belem por causa de sua mania de promoio pcssoal O Dr. Lamario usava as colunas soci- ais para colocar-se como personagem de um novo comba- te entire o caboclo Mitavai e o monstro Macobeba. Ao anun- car que esfolaria C. R. Almeida vivo, que o despearia das terrs 'griladas' em Altamia o Dr. Lamario pintava-se (hoje basta dizer: pinitaa) corno o iltimo c impoluto defensor do patrimr nio public e o grupo C. R Alrmeida, como um bando de assaltantes noturnos. Ora, essa version de um gru- po rico e bandido interessava ao Lamaio para suprir as deficiencies de dados tecnicos e de argumentagio juridica para cassar os titulos de propriedide das terras compradas pot C. R Almeida. Ele quera liquidar o assunto na instin- cia joalistica. Eu disse ao Dr. Lamarto (par espanto seu) que ele estava adiando contra n6s dois tipos de Einias: em prmeiro lugar, conflitos na ireada fazenda Curui, anun- ciada por Lanario como terra de ninguem (ou do Estado) e uma avalanche de gente safada, entire os quais alguns se dizendo amigos de diretores do Iterpa e querendo vender facilidades para nos. Ao falar das ednias ive que fazer uma ripida dissertcaio sobre o significado das mesmas, eis que o Dr. Lanaio e home de poucas letras (contenta-se corn as juridicas) embora de muita pose. As erinias eram furias ou demonios enfurecidos que assinlam, na sociedade pri- mitiva grega, o nascimento do conceito de consciincia e do sennmento de culpa. As erinias tinham, no inicio, fun- coes de preservagio familiar e investiam, sobretudo, con- tra os assassins de parents. Orestes, que matou a propia mae corn o voto de Minerva da irmi, e banido da p6lis e perseguido pelas erinias. Ele foi absolvido da pga depois de punficado por Apolo, mas nunca da ulp Para os gre- gos as ennias, que se apresentavam sob a form de cies ou de serpentes, eram guardies da lei da natureza e da ordemn (fisica e moral) das coisas. Sartre linha de Freud) quis mostrar que conscinca ndo tnha nada a ver corn consd- incia de cula e transformou as friias gregas em moscas (Las Mouches). Ji o Lamario disse-lhe cu estava trans- formando as erinias em corruptos e em provocadores. O rest da conversa todo mundo ji sabe. Quando procurei o Lamario para pedir-lhe que ingressasse logo na justia, contra n6s, os corruptos me preocupavam menos que o conflito que se abritia na irea da C. R. Almeida, entire ga- nmpeiros e Chipavas. O pessoal de campo do Cimi (o Tar- cisio a frente) sabe do que falo. Dei bastanme enfase a esse tpo de conflito ao Lamario mas ele, na ocasiio, s6 estava interessado em mostrar que era diferente dos outros dire- tores do Iterpa. Ate hoje o Iterpa nio pediu ajuda de nin- guem do governor e muito menos da Policia par investigar e prevenir a possibilidade de conflito entire indios (doces, pacficos) e gaimpeiros naquela regibo. Conflito que pode evoluir para coisa musto mass seria do que a de Eldorado de Carajis. Em vez disso o Lamario pediu ajuda a Policia para mvesogar quem sao os corruptos referidos por mimn na conversa corn ele converse esta aludida na entrevista ao 'Liberal". Em outras palavras: o Lamaro quer que a policia descubra quem sio os corruptos de quem n6s dois (eu e le) falamos na long conversa na sede do Iterpa. Eu posso?l!! Foi por esse motivo que eu desafiei o Lamario para um debate p6blico sobre comportamento eico no Iterpa e na C. R. Almeida. Seria a grande oportunidade para o Dr. Lamario mostrar quc pertence a um orgio cula diretoria e un model de virtues morais e administran- vas. Quem sabe vock poderi convence-lo a aceitar essa aca- reaiao ins6lita reconheco mas suficiente para mostrar quem esti agindo de boa fe e quem esti agindo de ma fe. Ao lado de acusaoes do tipo (1) "C. R. Almeida nas- ceu em Obidos mas fez tumultuada fortune no Parani", em que plant um tipo indefinivel de duvida, voce faz qua- lifica oes inesperadas do upo (2) "C. R. Almeida, o novo patrio de Oliveira Bastos". Ora Lucio, vamos deixar de macaquices ret6ncas. Estranho seria dizer de alguem (1) "que nasceu em Santarem e desenvolveu tumultuada vida sexual em Peixe-Boi". Quanto ao fato (2) de um novo em- prego, saiba que sempre rive patr6es. O que eu acho estra- nho e alguem, como voce, se fazer de independent e ficar solicitando a compaixio da sociedade como se esta deves- se remunerar, de alguma forma, o seu 'sacrificio' volunti- rio. Lucio, no di par ser mirtir e barnabe ao mesmo tem- po. Pira corn essa pantomima, pelo menos diante de mim. Em outra parte, voce apanha uma frase hiperbl6ica e faz piada querendo mostrar que eu nao conhego as dimensoes do meu Estado. Logo adiante voce afirma que a C. R. Al- meida 'grilou'l0% (dez pot cento) do territorio do Pari. Este e um retr2to de corpo mteiro de sua personalidade. Considerando que C. R. Almeida comprou apenas 4,7 ra- Ih6es de hectares, voc se revela um imbecil em aritnetica pretendendo dar aulas de topografia. Conspiracio da burrice A parte mais seria dos textos que voce produziu sobre o projeto da C. R. Almeida e, tambem, a mais triste porque exibe a decad&ncia de um professional que ji foi respeita- do. A C. R. Almeida estaria agindo on como 'griliro' e ora como multinaconal que deseja saquear o territ6rio e as riquezas naturals do Pari. E forar exageradamente o sentido das palavras, heim, Licio? Que grileiro e saquea- dor e esse que compra una irea, protege os que nela se encontram e anunca sua intencao de aliimplantar urn pro- jto de preservagio ambiental? A palavra 'grileiro' s6 entra no teu texto como encomenda do Lamario para desquali- ficar, perante a opiniio prblica, o projeto de C. R. Alnei- da. E a form de pagar as propinas corn que o Iterpa da administration Lamario te beneficiou? Essa versio do Li- cio Flivio Pinto, sinceramente, eu nunca pensei encontrar. Mas ela existed e mostra urn professional em plena decom- posi renda. Voce, finalmente, aborda a questio da Kramm e la- menta que o Ibama Ihe tenha cassado o titulo (provis6rio) de RPPN, pot exibi medidas (acho que ji vi essa image em outros lugares) em relahio i Kramm e a C. R Almeida. Como voce se estendeu pot piginas e piginas na defesa dessa empresa, c just imaginary que o seu igo lismo investigation tenha ido fundo na question e que 'voce tenha indo algum proveito' da matria. Final trata-se de um grupo inid6neo e ur de seus diretores-(propietirio da Urubu Agropecuiria) esta cumprindo pena na penitenciria da Papuda. E ficil con- cluir que certo tipo de'jonalismo investigative', o teu pelo menos, precise ser bem investigado Investiador vstig.ado Nio reclamo, com esta carta, nenhum dueito de res- posta. Voce poderia alega, inclusive, que nio deu divulga- qio a nenhum texto contra mi ou contra a C. R. Ameida, ji que o journall pessoal' e uma ac0o entire (poucos) amigos. Eu pensei, sinceamente, em entrar corn uma agio public na Justiga para obrigar voce a devolved ao Iterpa o dinhci- ro do contribuinte corn que o Lamario te pagou favors textuais e pessoais a ele prestados. Ainda estou pensando no assunto. Acho que s6 a falta de um minimo de policia- mento intellectual no Para permite que pessoas como voce e o Lamario pousem de arbitros da moraldade public. O que voces slo, na verdade, e uma dupla de safados, muito espertos, que se associaram para ranger, pelo medo, alguns otiios que se iludem corn a falsa seriedade atrota- da por voces. Voce, ambicionando o martirio bem remu- nerado (pelo dinheiro do contribuinte) e o Lamario a glo- ria de defender o patrimonio do Estado no enorme lati- findio das colunas socials. Pindegos, eu estou a vossa dis- posicio. Um ate breve do 0. Bastos P.S. L6cio, eu nao tenho rabo. E se tivesse eu nio dava. Minha resposta )epois de ler essa sujeira, que Impro- priamente o autor apchdou de carta, tive a sensagio de como seria para um boxeador jovem enfrentar umn ex- campeio sexagellaio, que perdeu to- das as noo6es vitais de um lutador. O Oli- veia Bastos que se apresenta pan a polemica e um deca- dente, nio de hoje, alias. Um contender que mente, que manipula e distorce, que apela para o golpe sujo, que igno- ra qualquer das regras definidoras de um bom combat. Nio me far entrar na quadratura de seu circulo concan- tnco de velhacarias. Onde antes havia um cidadio culto, dono de um texto excelente, raciocinio ripido e afiado, mas sempre desinteressado dos mais elementares principios eucos, rest, agora, nio mais do que uma pena de aluguel a servio de interesses escusos. Um tigre de papel, desden- tado e pulguento. Como levar a serio um contendor que troca tudo, in- venta e reinvent conform sua vontade, arbitriia e de- mente? Eu teria preferido jogar fora a imundicie, sem des- perdiqar espaqo precioso deste journal, mas o eschrecimen- to do leitor exige que reproduza e respond aos ataques caluniosos. Comecemos peas deslavadas mentiras. A pnmeira delas esti, escandalosamente, no cabecalho da digamos assim carta. Ela foi datada de Brasilia, em 14 setembro. Na insia de me atingi, mas ji sem a efici&n- cia de tempos atris na fabricacio desse tspo de arimanha, Oliveira Bastos simplesmente esqueceu que sua prpria entrevista s6 foi publicada em O Liberal no dia 15 & se- tembro, ou seja, um dia depois de ele responded a algo que, para efeitos publicos, nio existia. O Journal Pessoal corn as minhas criticas a entrevista s6 foi para as bancas no dia 19 de setembro, cinco dias depois do que ele j teria retrucado. Nem se alegue:que foi erro de digitaqio: no encaninhamento da correspondin- cia, o parceiro Avertano Rocha repete que a carta e datada de 14 de setembro. Seiio fosse mau carter, Bastos pode- tia passer pot paranormal ddo apremongio. Pelo menos pode ofiecer seus prstimos pan quemresiver pre- s 6 JOURNAL PESSMAL 2' QUINZENA DE NOVEMBRO/1996 I cisando de um Plano Cohen, embora nio possa garantir a qualidade da falsificaqio. Ate nisso e incapaz. Ele me classifica de "imbecil em aritmetica pretenden- do dar aulas de topografia" (pretendeu dizer, na verdade, geografia), por supostamente haver eu calculado em 10%/a da extension do Pari (com 120 milh6es de hectares) a irea "gilada" pela C. R Almeida (4,7 milhoes de hecta- res). O que escrevi, entretanto, foi completamente diferen- te. Eis o texto (ornal Pessoal n 147, 2 quinzena de setembro): "Agressivo no ataque, mas ainda manten- do anonimato, Oliveira Bastos disse S ao reporter de O Liberal que a C. R. Almeida comprou a irea da Fazenda Curui com 'umn casal que negociava teras na regiio e consultou o 6rgio es- tadual sobre glebas i venda que somavam mais de 12 mi- Ies de hectares'. E mais nio disse sobre um casal que estaria vendendo nada menos do que 10% da irea do se- gundo maior Estado da Federaio". A referincia era ao casual que estaria vendendo 10% do Pari (12 milh6es de hectares) e nio i "grilagem" da C. R. Almeida. Muito diferente, portanto, do que Oliveira Bas- tos diz que eu disse para assim, montando a frase, me atri- buir unm ignorincia que e so dele, pessoal e intransferivel. O assessor da C. R. Almeida insnua, ao seu estilo, que eu posso ter-me vendido i Kramm, a outra empresa que esti "grilando" terras publicas no Xingu, defendendo a primeirs enquanto ataco a segunda, ambas pirates fundia- nos. Pura mennra. No Jornal Pessoal n 139, da 1' quin- zena de maso, sob o esclarecedor titulo de "Especulaqio fundiiria fantasiada de ecologia", denunciei a manobra da Kramm. Naquela epoca, estava em pleno vigor um decre- to, assinado pelo entio president do Ibama, Raul Jung- mann (hoje, ministro da Reforma Agriria), reconhecendo a Reserva Particular de Patrimonio Piblico (RPPN) da Kranm, de 500 mil hectares. Este journal foi o primerro, nacionalmente, a denunciar a situagio irregular da reserve, concedida pelo Ibama sem que fosse feita "qualquer investigation sobre a consistencia desse registro e sem sequer consultar os orgios fundirios corn junsdiio sobre a irea, o Incra e o Iterpa", como esta dito no texto. Nele, ji enfaizava: "Como em todas as de- mais 'grilagens' feitas em Altamira, nio ha no cart6rio ne- nhum document atestando o desmembramento dessas terras do patrimonio public, atraves do titulo original ex- pedido pelo Estado". Depois de reconstituir como foi feit a grilagem da Kramm, desvendando a farsa que deu origem a RPPN, essa material de maio terminal assinm "Ji o govemo do Estado nao pode continuar a manter a fraca estrutura do Iterpa para fazer frente a essa investida de especuladores sobre terras paraenses, agora usando o biombo da ecologia. Mas nio s6 e precise dotar o Iterpa de meios adequados: uma iniciativa mais dristica precise ser adotada pelo judicirio em relaio a cartorios de regis- tro de im6veis no interior, usados como catapultas para o langamento de documentagio imprestivel sobre terrenos devolutos on unprecisamente titulados. A falta de rigor dos ttulares desses cartonos, por desconhecunento das normas ou mi-fe mesmo, e o principal estimulo para a acio dos grileiros, alguns grosseiros, outros bem sofisticados, mas todos pirateando i vontade as terras estaduais, enquan- to falta onde assentar os que querem trabalhar no campo". Tenho meus motnvos para acreditar que essa denincia, feita com exclusividade pelo JP, tenha de alguma maneira contibuido para a decision, tomada tires meses depois pelo Ibama, de cancelar o registro da RPPN. O que estranhei, na mateia de setembro, foi que a es- crivi de Altamira houvesse cancelado corretamente o re- gistro da Kramm, mas esquecesse a identica situa ~o do registro da C. R. Almeida. Em nenhum trecho do artgo fiz referncia i imagem dos dois pesos e duas medidas, que Oliveira Bastos tenta ironizar, colocando na minha boca o que se pass em sua cabega ji desmiolada. Quem quiser a prova dos nove que lei o texto por inteiro. Agora, os aspects pessoais. De fato, prestei consultoria ao Iterpa, como saiu publi- cado no Diario Oficial e em A Provincia do Pari. O con- trato comecou a vigorar em 1' de abril, corn duranio de tres meses. Eu ganhana R$ 2.470,00 brutos, que, com os descontos, ficaria em R$ 2 mil liquidos por mis. A pedi- do do Iterpa, o contrato foi renovado para um period seguinte de tres meses, pelo mesmo valor. Um teceiro con- trato seria assinado em seguida se eu no tivesse desisrido de continuar a assessoria. Quando concordei em dar consultoria ao Iterpa eu nio estava editando o Jornal Pessoal. Nio dar consultoria a 6rgio ptublico simultaneamente ao exercicio da critical jor- nalistica ter sido uma norma que me impus. Eu pr6prio acho que e um excess de escnipulo, que me tolhe muito, mas e um preventive contra gente como Oliveira Bastos. Nio ter nenhuma relaio cor o governor era uma re- gra para mim ate que Francisco Cezar Nunes da Silva me convenceu a montar meu banco de dados sobre a Amaz6- nia na Funtelpa, projeto que vein prosseguindo acidenta- damente desde entio. Ainda na administration Helio Guei- ros, Violeta Loureiro, director do Idesp, me contratou para dar consultoria a dois trabalhos: os cenirios s6cio-econo- micos e o zoneamento do Pari. No govemo curto e gros- so de Carlos Santos, Wilton Brito me colocou ao lado dos trnicos da Seplan para produzirmos um piano de de- senvolvimento do setor produtivo. Quem quiser investigar minha relaio sempre de con- sultoria, relago eventual e precaiia com o servico publi- co, tern ai o roteiro. De todos os contratos resultaram pro- dutos concretes, que estio disponiveis para quem quiser avaliar. Tenho uma vocaiao para o service piblico que nio desagua na political porque esbarra num senso de pudor muito pessoal. Mas tenho procurado dar uma contribuiio a minha terra atraves da administration ptblica. A consul- toria ter sido uma ianeira de servir ao Estado sem ter compromisso com ninguem. So uma parcels menor dessa contribuiio tem sido remunerada e.isso por causa dos meus principios eticos, que tanto prejuizo material tim causado a mim e i minha familiar. Centenas de vezes ajudei instindas diversas da sociedade gratuitamente. No caso do Iterpa, decide dar a consul- tomn, a pedido do Carlos Lamaio, porque este jomal estava fora de cir- culacio. 0 JP voltou i adva no final de agosto. O ultimo pagarento que recebi do Iterpa foi em setembro, quando chegaria ao fim o contrato assinado em junho. No dia 13 de setembro (folha 75 do process que esti arquivado no institute), o director administrative do Iterpa, Antonio M a- ria Pereira, encaminhou ao president o seguinte comuni- cado: "Como e de seu conhecmuento, o Sr. Licio Flivio Pin- to manifestou verbalmente sua inteniao de nio mais pros- seguir no Contrato de Prestagio de Servicos, em funqio de suas atividades particulares". No final de dezembro, Carlos Lamario insistiu para que eu aceitasse mais um period de consultoria, exata- mente por causa do crescimento das "grilagens" (a primei- ra das quais, do "fantasma" Carlos Medeiros, aiudara a combater). Cheguci a admitir a recontratacio. mas quando vi que os problems fundiinos exiginam a munha particl- paqio como jornalista. comunmquei a presidencia do I erpa que estava impossibtlitado de retomar o service. Sena de- sonesto escrever sobre uma question envolvendo um 6rgio ao qual eu tena algum tipo de vincula io. Dois mil rears liquidos mensais por consultoria especi- alizada por prazo curto e, indcpndentementc da qualida- de do servico, um valor muito baixo para o que produzi no Iterpa. Mas en un pagamento que me constrangia diante dos baixissimos saliaios dos servidores regulars do insti- tuto, uma induoo i incria, i incompetncia e i corrup- cio contra a qual muita gente boa ali dentro, felizmente, continue a recusar. Se Oliveira Bastos quer um testemu- nho independent, ouSa o atual secretirio-adjunto de Ad- ministraio do Estado, Antonio Mara Pereira, que acom- panhou de perto meus seis meses como consultor do Iter- pa. Mas se preferir ver os documents que registram mi- nha atua~o, autorizo publicamente o Iterpa a fornecer-lhe todos os assentamentos a meu respeito arquivados no ins- tituto alias, registrados pelo Tribunal de Contas do Esta- do, que os aprovou. Quando escrevi o primeiro artigo sobre as "grilagens" no Xingu, em marno deste ano, ji estava afastado do Iterpa fazia seis meses. Era tempo mais do que suficiente pan assegurar minha "desincompatibilizagio" e me autorizar a tratar do assunto sem qualquer impediment ou embara- go, exceto os criados pela mi-fe de gente como Oliveira Bastos. Minha competncia para prestar assesso- ria pode ser confeida. Anos atris, Avertano Rocha e Clovis Ferro Cos- ta, advogados de uma empresa que, i semelhanga da C. R. Almeida,. ten- tava se apropriar de terras publicas (es- tas, em Vizeu, na famosa Gleba Cidapar), puderam testar meu conhecimento sobre assuntos fundiarios. Se Oliveia Bastos quer um debate pliblico, estou i disposig~o. E re- confortador, para mim, ter estado sempre do lado do inte- resse piblico e, passadas as epidemias de calinias e difa- mag6es, acabar ao lado da verdade. Onde esteve Oliveira Bastos nesse period? onde acabou? Hi quase um quarto de seculo o advogado Carlos La- marao, urn dos mats competentes professionals na irea do direito agrario no Pari, tern sido um leal companheiro de bons combates. Cada um em seu sector especifico de com- petencia, demos nossa contribuigio par que espertinhos & vivaldinos nio passassem para seus bolsos o que e patri- m6nio do povo. Vamos continuar assim. Como continuari igual gene como Oliveira Bastos. Carlos esta pagando por ser honest e correto servidor prblico. E tambem por ter tido a coragem de ser meu defensor no litigio judicial con- tra uma das herdeiras do Sistema Romulo Maiorana de Cormuncaco. "Por comcidncia", as acusa6oes que Oliveira Bastos faz contra Carlos Lamario apareceram numa das "peas" apresentadas na justica por Calilo Kzan, o marido de Ro- singela Maiorana. Era s6 para tumultuar. Mas pedi i 2' pretora criminal, Incia Frias, que encaminhasse o assunto ao Ministerio Piblico Federal, onde espero que o fiscalda lei chame todos os personagens para depoimento e di a question o devido encaminhamento legal. S6 assim declara- 6oes graciosas chegario is ultimas consequencias. Depois de haver dito que meu jomalismo de nvestiga- cio sobreviveu a tantos testes, Oliveira Bastos me faz ata- ques tio duros quanto inocuos (nio se pode garantir que sejam gratuitous porque sem base factual E apenas deses- pero de quem esperava ganhar o seu mais facilmente. In- comodar essa gene me di dor de cabega, mas robustece a convicqio de estar cumprindo meu dever de oficio. Aliis, se Bastos voltar a escrever, peco-lhe que nio abuse do espaqo, prejudicando o conteiedo do journal, com initeis demonstrates de conhecimento mitologico, nio esqueca as virgulas e seja mais parcimonioso nos perio- dos. Final, nem i Jarbas Passarinho, nem James Joyce. Quanto ao PS, devo dizer-lhe, para seu desapontamen- to, que nio tenho o menor interesse pelo que esti ofere- cendo. Alias, Dr. Freud, quem foi que falou em rabo? Eta obsessao reveladora. 0 2i QLINZENADE NOVEMBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 7 0 principle, cade ele? ari, Ant6nio Cliudio Ferreira Lima, falava para uma entusiasmada plateia no restaurant do Hilton Belem, na quarta-feira da semana passada, sobre os 10 anos de sucessivos governor tucanos que mudaram a fisionomia daquele Esta- do. O projeto comecou cor uma reuniio de empresirios, que definiriam uma plata- forma comum e foram executi-la na poli- tica e no governor. Estava relatando o avan- qo da experiencia quando parou a exposi- qio, como se buscasse uma solidariedade local, e, dirigindo-se para o seleto audit6- rio, perguntou quantos empresirios inte- gravam o governor Almir Gabriel. Fez-se um silcncio constrangedor. Nio hi empresirios no governor paraense. Mas hi virios empresirios por tris do gover- no, agora e como sempre, invariavelmente defendendo interesses pessoais ou, quan- do muito, corporativos. Hi eminencias mais ou menos pardas, mais ou menos os- tensivas, mas ou menos ocultas. Ao inves de chegar ao governor cor um program definido em funqio de melhorar o Estado, visando o bem comum e nio o ganho in- dividual ou corporativo, querem ter os c6- digos de acesso is decis6es para benefici- ar suas empresas. Alguns deles constitui- ram um aparato ao mesmo tempo corpo- rativo e familiar, como ocorreu na admi- mstracio municipal cor a familiar Gueiros & associados, a que mais conseguiu exclu- sividade nos ultimos anos. O empresirio pode ser um home pu- blico vanguardista quando associa seus gan- hos aos da sociedade, colocando seu co- nhecimento, experiencia e capacidade de iniciativa a serviqo de um projeto de avan- qo e melhoria da coletividade, cor o qual todos ganhem. Em Minas Gerais e no Ce- ari eles conseguiram desempenhar esse papel, funcionando como a entidade nu- cleadora, arregimentadora e impulsionado- ra que Antonio Gramsci identificou, na Itilia, a partir de Maquiavel, como o prin- cipe modero. Mas para que isso ocorra, o empresan- ado tem que buscar a hegemonia political em sua concepcio gramsciana, ao inves de simplesmente assaltar o poder. Essa nova etapa requer a participago da soci- edade, que deve ser conquistada atraves do dilogo e do convencimento, nio da burla e da manipulacio marqueteira. Mas os empresirios paraenses nio tem qual- quer projeto de mudanca para valer no Pari. Tim apenas ret6rica. A rigor, nem o governor o possui. Dai se explica o in- sucesso de todas as campanhas de mobi- liza io (como a de fazer a estrela brilhar ou o Estado disparar) e o vexaminoso si- lincio que se estabeleeu quando o secre- tirio cearense perguntou pelos despotas esclarecidos deste Estado. Por aqui, infe- lizmente, o que temos e simplesmente despotas, ainda cor a cabeqa presa a um passado antediluviano. * Foi dada a largada para o ciclo do cobre Vinte anos depois de ter efetuado a pri- meira avaliacao da jazida de cobre do Salobo, em Carajas, a Companhia Vale do Rio Doce finalmente vai dar par- tida ao aproveitamento econ6mico da mina. Ao long desse period, muitas mutac6es ocorreram no perfil do empreendimento, ele- vando o valor do investimento, aumentando a receita e fazendo avanqar o process de be- neficiamento. Nenhuma dessas mudanqas, entretanto, resultou diretamente da pressio da sociedade e do governor paraense. Embora o goverador Almir Gabriel te- nha destacado essa participagio, que modes- tamente inclui a sua pr6pria, ao comemorar a defini ~o aconaria da empresa que vai explo- rar a jazida, as cartas decisivas sempre foram jogadas a distancia do territ6rio paraense, o repositorio das riquezas, mas nio o controla- dor das decis6es. Corn razio, o governador queixou-se do pouco destaque dado pela imprensa ao assun- to e da falta de repercussio social do event. Lembrou que Mai uma corrigir nos$ cariocas e paulistas travaram p d ( passada (c uma guerra aberta para sediar anterior (a a fibrica de caminh6es da Vo- leitor. Qua Ikswagen, um investimento aSquiva seis vezes inferior ao da Salo- bo Metals. Os paraenses parecem indiferen- tes a um neg6cio no valor de 1,5 bilhio de d6lares, o maior em curso no pais. Os paraenses nunca souberam e continu- am a ignorar o que seja o capitulo do cobre no Pari. E uma hist6ria que ainda nio adqui- riu expressio social. Continue a set travada nos bastidores. Comeqou-empolgante, com uma avaliafio imprecisa do potential da jazi- da; sofreu um arrefecimento, cor uma revi- sio da cubagem que parecia indicar a repeti- Fio da frustraqio havida na Bahia, e retomou impulso, cor um novo dimensionamento do dep6sito e a revitalizacio do mercado inter- nacional, abalado corn o ingresso das fibras 6ticas, aposentando um dos usos do metal. A definiqio original do empreendimen- to, restringindo-o i producio de concentra- do, reduziria em um terco o investimento ne- cessirio e o faturamento possivel, alem de Perdao, leitores vez o diacho do computador tumultua a edi*io. Ao sa desatengio, coonestou-a, deixando que o cabeFalhl iue deveria ser a 150, da I quinzena de novembro) r 149, da 2' quinzena de outubro). Pedimos novas des nto a demoniaca maquina, foi adequadamente punida r todos os volumes da monumental Introduio i Lite nos fazer perder os valiosos subprodutos, o ouro, a prata e o molibdenio. Ganhamos, afmal, a metalurgia, mas novamente nao foi por causa da pequena, setorial e enviesada mobilizaio, que teve seu apice na dispute paroquial entire Parauapebas e Marabi pela localizaqio da fibrica. A conquista deveu- se i revelacio da qualidade do minerio, is novas caracteristicas do mercado e ao ingres- so da multinational sul-africana Anglo Ame- rican, o segundo minerador mundial, hoje parceira da CVRD, amanhi, quem sabe, sua controladora. O projeto de cobre de Carajis 6 muito grande e tern multiplos significados, uma amplitude que apenas toca no territ6rio paraense. Nosso acompanhamento da evolugo desses grandes empreendimen- tos continue retardado e nossa tentative de participacio 6 sofrivel. Se essas condi- g6es nio melhorarem ur- gentemente, o Salobo im- ins de pressionari, hoje, pelo vo- Siv ei. lume de dinheiro e tecnolo- o da edigio petisse a gia que envolve e, amanhi, culpas ao pelo vicuo que cria corn seu : teve que funcionamento. Um artefa- eratura to extraterreste pousado em terras paraenses. 0 ,' n V raiu u U A dos recursos absorvidos pelos poderes exe- e legislative, mais o Ministerio Pfiblico, e 20% & a 'doque a parcel do oramento estadualdividida S todosos msunicpiosparenses.O executvo, omaior eres, so pode contar, para administrar o Estado t 5 teer seus 110 mil funcionios, com dois ter5os do recada. A miquina dos outos dois poderes, que ---j0o possui mais do que 5% do pessoal do govero e ; 0\sob sua responsabilidade tarefas bem mais limita- 5 d d4 bocanha um quarto de tudo o que entra pan o ei'. Nio e uma relacio just. or causa dessa distorcio, foi recebida com simpatia "-l--inmiiaBtva do govemador Almir Gabriel, na semana pas- sada,de iduir a AssembleiaLegislativa retiarde pauta um projeto que ciava mais 60 vagas de juizes e 600 car- gos administativos no judiciirio. O projeto, que trami- tou velozmente graas ao lobby da magistatura, seria aprovado se o govemador nao tivesse interferido pesso- almente pam susti-lo. le ainda pode vir a ser aprovado, mas, antes, ter que set discutido. O judiciirio, o Ministtio P sblico e os tribunais de contas foram os que menos se ajustaram as politics de conten*io de gastos adoadas pelo govern Alguns da- dos sobre os gastos desses poderes sio assustadores, mas e ati dificil saber o que se passa entire eles porque seus dados sio sonegados do conhecimento piblico. Quem ligar, hoje, para a Secretaria de Administra- o, sabera que hi 98 mil funcioniios aivos no Estado Candidate da noite Os frequentadores da noite tem sido privilegiado audit6rio para o lanaamento da candidatu- ra do empresirio Romulo Maio- rana Junior ao governor do Esta- do. Ele ji repetiu o anincio para virios interlocutores, embora em um cenario que nem sempre fa- vorece esse tipo de comunicag o. Mas e nesse circuit notivago que parece estar se revelando uma vocaqio political e comega a cam- panha Rominho-98. Um padrao No final de semanafoi realiado o oitav leiio da faZendq Cedro, em Castanhal. Ndo sou farendeiro, nem tenho dinheiro on interessepara comprar gado, como os 49 animals seleionados que fram oferecidos no lilimo leilio. Mas sempre o Beni Mu/ran manda um atencioso conmite e me estimula a acreditar ne/e como uma das ex'cef'es empresarias no Pard. Oriundo do extrativismo da uuI@ jhFV'IW e 12 milnativos. Nemessainfomagio o executive que So 6nico poder necadado, consegue saber A foiha dos outros poderes umn caia preta. A Sead apenas recebe o montnte do valor a set transfetido e tem que pagar, ji que cada um dos poderes tem seu percentual estabelecido sobre o oaramento. Os esfonros paa ajus- tar as despesas do aparelho de justia i realidade das finanas p6blicas ao tim sido bem sucedidos. Indiferentes a essa situacio, os poderes onerosos agravam o seu peso, como e o caso do ministerio pi- blico junto aos tribunais de contas, um rngio an6dino. Os procuradotes sao independents em relagio aos conselheiros dos TCs, mas nio fazem parte do MP. Sua forga e apenas orgamentitia e sua serventia, duvi- dosa. t claro que o judiciirio e o MP precisam de apoio para cumprir suas importantes tatefas, mas a posigio auto-suficiente que adotam e a indiferenca cor que tem encarado urm conjuntura tributiria desfavorivel precise mudar. Os parlamentares, eles pr6prios neces- sitando arrumar a pr6pria casa, deveriam condicionar a aprovaago de qualquer media favotivel aos demais poderes i discussion sobre sua situagio real. Isso re- quer abrir os dados e travar um diilogo srio e hones- to. S6 assim a sociedade ficari convencida de que as distorc6es e os privilegios de que alguns stores des- frutam serio eliminados, benefciando a instituicio e nio alguns de seus parasites. castanha, de nula contribuifdo social para o Tocantins, a regido de onde extraiu e trans/in sua renda (em geralpara especulafdo financeira e imobilidria em Belim e alim-mar), Benifet uma coisaproveitosa e exceptional nafamilia: reinvestiu em atividade produtiva part substantial do que ganhou, moderni.ando-se e profissionalitando-se. Os folders que mandajunto cor os convites dd-nos a ilusdo de primeiro mundo nos negdcios. Alim disso, depois de ter sido um bon-vivant alienado (como se dihia entio), passou a cultivar uma vida pessoal discreta e cosmopolitan, sem ostentacies provincianas, o que significa, para mim, bom torm. De veZ em quando ftJ bem perceber que, mesmo se ndo temos posires convergentes, aquela pessoa que acompanhamos do outro lado i, como se diZ hqoe, "de nive/.' Antes que alguim pense que este oral endoidou, advirto: estas palavras ndo sdo um e/ogio. Quando mnito, um estimulo. Liberal, ma non troppo Infelizmente, ganhei maus um round na pol6mica que travo cor o ex-senadorJarbas Passarinho. Na mi- nha ultima intervene, desafiei-o a experimental referir-se ao meu nome em um de seus artigos para 0 Libe- ral. Previ que sena "censura certa, cor toda a deferencia que os Maio- rana dizem que Ihe prestam, ao me- nos pela frente". Nio deu outra. Em seu artigo em O Liberal do dia 3, Passarinho refe- re-se a mim como "um jornalista", apelidando-me de "o senior da ver- dade e da integridade jornalistica. Nao me chamou pelo meu nome, conmo seria correto. Foi auto-censura ou os Maiorana desfiguraram o texto? O espaso esti aberto neste demo- critico jomal, o unico liberal de ver- dade, para os esclarecimentos do bra- vo coronel Passarinho. f .1I .l* ,fli AAft jLA 0 0 (anti)jornalismo atual e burocritico -No mesmo dia em que patrocinou uma palestra do comunic6logo Mu- nir Sodre sobre itica jornalistica, o jomal O Liberal mostrou que o pa- lestrante tinha razio: a etica anda dis- tante das redac6es jomalisticas. Duas rep6rteres do journal precisaram com- prar restos de cadiveres para provar que pelo menos um coveiro do cemi- terio de Santa Izabel viola os tumulos para comercializar ossos junto a estu- dantes. Ou seja: para denunciar um crime, os rep6rteres tiveram que co- mete-lo. Ainda que o ato tivesse apenas efeito demonstrative, uma prova se- ria obtida corn tica e profissionalis- mo atraves de gravanio ou de teste- munhos. Pouparia os jornalistas do risco de se verem processados por pessoas inescrupulosas, dispostas a armar o golpe para escapar das res- ponsabiliza6ces a que estio sujeitas por seus delitos. E estabeleceria limi- tes mais claros sobre o "jomalismo- verdade", que a televisio transformou numa febre e, como todas as febres, gerando distorc6es. O reporter s6 e personagem quando a conjuntura o coloca nessa condiFlo, nio por inici- ativa pr6pria. Seu papel e o de obser- vador ou testemunha. Uma outra question que precise ser esclarecida e a do "estagirio". Antes do monop61io dos cursos de comuni- cac6es, reporter iniciatite era "foca". Deveria trabalhar cor acompanha- mento e supervisor. Mas, se provasse competencia, poderia ser tratado como um reporter qualquer. Essa era a maneira de estimular e incorporar vocag6es, sem submeth-las ao buro- cratismo (anti)jomalistico, agravado pelo mundo acadmrico. E clissica a situaio vivida pot Mirio Faustino, que se apresentou no gabinete de Nascimento Brito querendo ser edi- torialista e saiu dali, depois do primei- ro texto, sagrado editorialista do Jor- nal do Brasil. Mas, agora, estagirio parece ser sub-cidadio para efeito de jomalismo. Nio e uma boa norma, exceto para os que adoraun burocra- cia e detestam jomalismo. Jomal Pessoal Editor responsavel: LOcio Flvio Pinto Ilustrag6es e editoraao grifica: Luizde Faria Pinto Redaio: Passagem Bolonha, 608- 66.053420 Fone: 223-1929/2243728 Contato: Tv. Benjamin Constant 845/203 66.053-020 Fone: 223-7690 |
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