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Journal Pessoal E D I TOR RESPONSAV E L : L C IO FLAVIO PINTO ANO X Ns 149 2' QUINZENA DE OUTUBRO DE 1996 R$ 2,00 IMPRENSA Um novo poder em A Provincia Gengis Freire, dono da Cejup e secret6rio do Tribunal de Justi;a, e novo propriet6rio de A Provincia do Par6, o mais antigo journal do Estado. O Liberal reage com f ria a concorrencia. E uma nova fonte de poder que est6 se estabelecendo na praca. uem leu o Rep6rter 70, de OLi- beral, do dia 1, deve ter toma- do um susto. A linom-"z:., de uma das notas era tAo virulent que mais parecia de imprensa marrom e sensacionalista do que da mais in- fluente coluna dojomalismo paraense. A nota de abertura da seqAo Em Poucas Linhas garantia estar sendo consumada uma "operaclo milagrosa", na qual um "editor carregado de dividas", que tambem 6 "o se- cretario licenciado do Tribunal de Justiga do Estado", pretendia adquirirojomal A Pro- vincia do Pard, o mais antigo da terra, com o auxilio de politicos. 0 Reporter 70 dizia que o pretendente, embora tivesse "coluna cativa" nos editais dos cart6rios de protest, publicados pelo Monitor Mercantil. estaria disposto a pagar sete milhoes de reais pelojomal, o filtimo veiculo de comunicagio do outrora podero- so Diirios e Emissoras Associados. Ao contrArio do que manda a boa tdcnica jornalistica, O Liberal nAo deu o nome do personagem, mas trata-se de Gengis Freire, dono da Editora Cejup, a principal do mer- cado grafico e editorial do Estado. No dia seguinte a publicaao danota agres- siva, a venda de A Provincia foi fechada em Brasilia por Gengis cor o dirigente do con- dominio "associado", Paulo Cabral, o fnico que tinha procura lo para tratar do assunto. Na segunda-feira da semana passada, Cabral e outros dois dirigentes da corporal~ o vie- ram a Bel6m anunciar a transferencia dojor- nal e da ridio Provincia FM, cor todo o seu patrim6nio, para o novo proprieturio, que as- sumiu de fato no dia imediato. Almm de assumir todas as dividas, exce- to o pagamento dos quatro diretores afas- tados (Arthemio GuimarAes e seu filho, Ronaldo, Rubens Onetti e Terezinha Si- queira), efetuado pelos "associados", Gen- gis ficou com a sede dojornal, os aparta- mentos no pr6dio ao lado e toda as miqui- nas e equipamentos. A inica pendencia era com um dos cotistas da Provincia FM, Jo- nes Lara Tavares. Desde entAo s~o intensas as especula- q6es em Bel6m sobre o novo grupo empre- sarial. Ha anos fala-se na venda de A Pro- vincia; na verdade, desde o inicio da d6ca- da de 80, quando os Associados de Assis Chateaubriand perderam a TV Marajoara, carro-chefe do faturamento, e nunca con- seguiram mais se torar auto-suficientes. Quando vivo, Roberto Jares Martins, BRF I PASSARI* A 0RN AO ATAU NA P.0 C (AGS 4/6 2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE OUTUBRO/1996 BEw membro do condominio, nem admi- tia falar do assunto. Propostas de compra, entretanto, foram apresentadas algumas vezes por politicos e emprestrios, atraidos pelo secular titulo dojornal e pela evidence incapacidade da empresa de sair, por seus pr6prios meios, das crises ciclicas que fizeram-na perder posiiio no mercado, ate A Provincia se tomar o terceiro journal em faturamento e circulag o (que chegou a cair a menos de dois mil exemplares diArios e hoje estaria por volta do dobro, 12 vezes menos do que a circula9ao de O Liberal nos dias de se- mana). A iltima diretoria dos Associados no joral, encabegada por Arth6mio Guima- rAes, assegura que os numeros apontavam com nitidez para uma recuperagqo, mas os cond6minos parecem ter perdido as espe- ranqas de reverter a situalo de sangria. Muito dinheiro j fora repassado de Brasi- lia e Belo Horizonte, as duas pragas mais rentiveis para o antigo imp6rio de Chateau- briand. Nos l6timos meses ojomal OEstado de Minas vinha sendo obrigado a completar a folha de pagamento do pessoal de A Pro- vincia, entire 100 mil e 150 mil reais por mis. A decisAo de vender o que restava dos Associados no Pari, depois de 49 anos de presenqa no Estado, foi tomada. Desde abril Gengis Freire vinha nego- ciando em Brasilia. Os entendimentos che- garam a um tal grau de aprofundamento que ele foi autorizado a examiner as contas de A Provincia, encontrando uma divida de R$ 4.5 milhdes a R$ 5 milhoes de FGTS, pre- videncia social e receita federal. Mesmo sem ter esgotado a apuralAo, parecia, a principio, desestimulado. Iria optar mesmo por langar seu pr6priojomal, o Para Hoje, no qualja pensava quando comprou uma impressora rotativa Solna, alguns anos atrAs. O projeto, corn aparte industrial qua- se pronta. estava sendo conduzido por Ri- bamar Fonseca, que se demitiu da direqAo de redagqo de A Provincia depois de um forte atrito cor o director commercial, Ru- bens Onetti. Mas Gengis retomou o interesse e aca- bou fechando o negocio, por um valor pr6- ximo dos R$ 7 milhoes anunciados por O Liberal, dos quais apenas R$ 1 milhao te- riam sido em dinheiro vivo. Foi um desfe- cho mais rapido do que os pr6prios direto- res de A Provincia pareciam supor. Romu- lo Maiorana Jr. foi avisado por um desses diretores quando Gengisji estava em Bra- silia para testemunhar Paulo Cabral "bater o martelo". O principal executive do gru- po Liberal, que teria feito uma proposta de compra em valor igual ao do novo concor- rente, ainda teria tentado evitar a conclu- sio da operagAo, sem sucesso. Temia-se que ele quisesse comprar A Provincia apenas para fechar ojomal. primeira duivida em tomo da ope- raqao relaciona-se ao pr6prio com prador. De fato, como disse a nota do Reporter 70, Gengis Freire tern aparecido com titulos protestados. Mas esse fato pode levar a conclusoes dis- torcidas. O grupo Liberal tambem frequent essa mesma coluna. Nem todas as empre- sas protestadas estAo falidas ou sem liqui- dez. Podem, simplesmente, ser maus pa- gadores, ou passar por dificuldade momen- tinea. Ha os que duvidam da condigio econd- mico-financeira atual de Gengis Freire para assumir compromisso do porte de A Pro- vincia, avaliando seu rendimento patrimo- nial visivel. Outros, porem, acreditam que, mesmo sem recursos disponiveis imedia- tamente, Gengis tem condi96es de criar caixa para essa nova operagio, principal- mente porque apenas uma fraglo menor do valor de venda foi cash. Uma parte da di- vida corn o govemo, inclusive, jA estava re- negociada, para pagamento em 36 meses. No entanto, se nao ha desembolso vul- toso de imediato, o funcionamento de um journal diario exige apreciavel fluxo de cai- xa. S6 a folha de pessoal do jomal fica em torno de R$ 300 mil por mes e deveri ex- pandir-se na base, cor a contratagao de mais gente para a redaqAo (que ter sete rep6rteres, enquanto ha 10 motoristss. Talvez por causa dessa exigencia opera- cional, circularam boatos de que quatro empresas do setor de navegagao, lideradas por Luis Rabelo e Joaquim Fonseca, teri- am se associado a Gengis Freire na emprei- tada. Nio foi possivel confirmar a infor- macio, mas ela se choca com uma eviden- cia: o que impediria as quatro empresas de assumir publicamente o neg6cio, se dele fizessem parte? E por que manter um tes- ta-de-ferro com 6bvios pianos de poder, que no future poderiam se chocar cor as in- teng9es dos donos camuflados? A nota do Repdrter 70 garante que ha politicos por trAs do dono do grupo Cejup. O primeiro nome apontado foi o do prefei- to Helio Gueiros, que nio conta corn o Di- drio do Parc e nao confia em O Liberal. No passado, agindo em nome de Gueiros, o m6dico Henry Kayath, ex-superintente da Sudam, hoje assessor especial da prefeitu- ra, foi um dos que sondou Paulo Cabral. Por dois intermediirios, Gueiros man- dou dizer a Romulo Jr. que nada tern a ver com o neg6cio. Mas nAo estancou a boata- ria, que dava como certo que em fevereiro do pr6ximo ano oji entao ex-prefeito pas- saria a assinar uma coluna no jomal (em- bora de sua direglo de redaglo tenha said ojomalista Carlos Rocque, assessor espe- cial de Gueiros, com o retomo de Ribamar Fonseca). Falou-se tamb6m no filho do prefeito, Paulo Gueiros. Em passado recent houve alguma relaglo de neg6cios entire o bem- sucedido advogado e o editor, mas essa re- lagio parece ter-se encerrado. Uma fonte diz que Gengis devia 50 mil d6lares a Pau- lo e a divida foi abatida em impresses. O ex-senador Jarbas Passarinho, mem- bro do conselho consultivo da FundagAo Assis Chateaubriand, foi consultado por Paulo Cabral para saber se tinha alguma coisa a opor a Gengis Freire. Disse que nio tinha. A consult teria sido mera cortesia porque o neg6cioja estava fechado. Seria a inica participaglo de Passarinho (cujo livro de mem6rias, Um Hibrido Firtil, teve suas novas edigces langadas pela Cejup) no epis6dio. Nao hA a menor 16gica na presenqa do senador Jader Barbalho, que tem seu pr6- prio journal, o Didrio do Pard, um 6rglo politico que ainda nao conseguiu profis- sionalizar-se por inteiro e vive em dificul- dades. A mesma ilogicidade se aplica ao senador Jos6 Sarney, outro nome especu- lado, que nao se estabeleceria em Belem para ser concorrente de seu amigo e alia- do Jader Barbalho (os dois estariam se as- sociando para comprar a fibrica de cimen- to do grupo Joio Santos em Itaituba, se- gundo a mais recent boataria). At6 prova em contrArio, ainda nao en- contrada, Gengis Freire 6 o inico dono de A Provincia, juntamente com a esposa, Ana Rosa Cal Freire. Gengis volta ao jor- nal, onde comeeou a trabalhar como revi- sor e manteve uma coluna cultural, na 6poca em que tinha veleidades de poeta, disposto a expandir seu pr6prio poder. Esse poder comeea na Cejup, que criou como appndice dojudiciArio, dando-lhe autonomia privada gragas a contratos leo- ninos para a impressAo do DiArio da Jus- tiga e fomecimento de impresses, mas tem seu principal eixo na secretaria-geral do Tribunal de Justica do Estado, que ocupa hi virios anos. A Provincia complete esse trip, que passa a fazer de Gengis Freire uma refer&ncia nojogo de influencias na cidade. Dai a nota agressiva de O Libe- ral, poderoso dono do mercado, mas corn dificuldades de caixa e uma divida que chegaria a R$ 4 milhdes. Volta a haver concorrente no mercado e do mesmo naipe. Belem nao esta mesmo parecendo, cada vez mais, corn a Chicago dos anos 20/30?@ 2' QUINZENA DE OUTUBRO/1996 JOURNAL PESSOAL3 Caciques perdem, ganha o Para Sominalmente, o PSDB do gover- nador Almir Gabriel foi o maior vencedor das elei9ces municipals no Para, crescendo 10 vezes no interior do Estado. Na pritica, por6m, o princi- pal resultado dessas disputes foi a frag- mentagao do poder politico no Estado. t possivel que at6 1998, quando ocorre- rAo as eleio9es gerais (para president da Repiblica, governadores dos Estados, um tergo do Senado, toda a Ctmara Fe- deral e as Assembleias Legislativas), jA nao haja uma forca hegemonica no Pari. Nesse caso, o revezamento entire os dois principals grupos, liderados pelo senador Jader Barbalho e o prefeito H6- lio Gueiros, que sucedeu a linha- gem dos governadores in- diretos designados por Brasilia, estara interrompi- ' do. Se isso ocorrer, seri o sepultamento das iltimas ondas de influencia real do ba- ratismo no epicentro politico pa- raense. Uma nova era ou simples- mente a substituigio de nomes na mon6tona gangorra do po- der, responsavel pelo cres- ' center distanciamento que hA entire a estatica representagio political es- tadual e a dinimica social? Um goverador fazer seu partido dis- parar. usando para isso a forga da mA- quina puiblica, nao 6 propriamente um feito. Almir Gabriel pode te-lo pratica- do sem que disso result a consolidaggo de sua lideranca pessoal e da presenga do PSDB. De quatro prefeituras em 1992, o partido pulou para 41. Os mais entusiasmados tucanos lembram ainda que o partido venceu, atrav6s de coliga- 96es com outros partidos, inclusive o PMDB de Jader, em mais 69 municipi- os, elegendo 250 vereadores em todo o Estado. Mas tem sido invariavelmente assim. A Arena dos militares chegou a ser sau- dada por um de seus presidents, Fran- celino Pereira, como o maior partido do Ocidente. Ate as eleiqges deste ano, o PMDB a substituia no control desse ti- tulo vAcuo. Agora e a vez do PSDB, se- guindo na cola do president Fernando Henrique Cardoso e da possibilidade de sua reeleigao. A hip6tese da reeleigio contamina to- das as analises de future. Se passar, sem que os candidates a reeleigio tenham que se afastar de seus cargos para concorrer outra vez, o governador Almir Gabriel poderA dar contefido bem real & vit6ria aparente que seus correligionIrios come- moram. Qualquer outra eventualidade alterari esse panorama. Isso porque to- dos tem a lamentar um pouco de perdas nesta eleiglo, inclusive o PT, em terms reals, a maior novidade da dispute em fungao da perspective de vit6ria na capi- tal. Os maiores derrotados foram o sena- dor Jader Barbalho e o prefeito H6io Gueiros, desde 1983 os principals eixos das vias que conduzem ao poder. Jader federalizou-se (e, em terms de vida pri- vada, "fortalezizou-se", se o mais cons- tante domicilio do ex-governador na ca- pital cearense autoriza o neologismo de p6 quebrado). Envolveu-se nas tramas brasilienses em torno da presiddncia do Senado e sua extensao, a reelei9ao de FHC. Deve achar que os estragos causa- dos em sua horta paroquial sao reversi- veis. Pode ser um erro de calculo seme- lhante ao que destronou Jarbas Passari- nho, embora conte a favor de Jader ser muito mais novo do que o ex-ministro. Mas se a apurago dos votos de outu- bro revelou que Jader Barbalho ja nao 6 mais o dono de currais eleitorais espa- lhados pelo interior do Estado, o resul- tado em Bel6m destronou HClio Guei- ros. Sozinho, 6 pouco provavel que ele ainda consiga fazer prevalecer a sua von- tade. independentemente de aliancas. A confirma9 o da derrota de seu candida- to de colete, Ramiro Bentes, com a vit6- ria de Edmilson Rodrigues, se ocorrer, o colocara num nivel ao qual poderao as- cender outros candidates potenciais, como o senador Ademir Andrade, do PSB, colocado entire os vencedores da dispute, um candidate do PSDB que o governador Almir Gabriel quiser susten- tar (para isso se desfazendo da amarra- 9ao a Gueiros) e o pr6prio PT, pela pri- meira vez em condiqOes de trabalhar um nome com possibilidade real de vit6ria. A pulverizaqAo do poder 6 resultado direto das incriveis aliangas que foram feitas em alguns dos principals munici- pios paraenses. Em Santardm, por exem- plo, o candidate de Almir, o deputado federal HilArio Coimbra, foi o ultimo colocado, num desempenho desastroso. O vencedor, o deputado estadual Joa- quim Lira Mala, recebeu o apoio do pre- feito Ruy Correa (que elegeu-se em ali- anga com o PT, passou para o PMDB e ficou do lado do candidate do PFL) e do prefeito Hl1io Gueiros. No emblemAtico Eldorado de CarajAs, quem venceu o PT foi o candidate do PMDB, Jair da Campo, mas suas primei- ras declarag6es foram de agradecimento 9 ao apoio do governador. Em .p Itaituba, o candidate do PSDB, que derrubou o do- minio peemedebista, teve a ScoadjuvAncia do senador -, Ademir Andrade. Em Tucu- rui, o ex-jaderista ClAudio Fur- man voltou A prefeitura pela si- Sgla do PSDB, com a colabora- go 9 do mesmo Ademir, derro- tando o candidate do prefeito Par- sifal Pontes, tamb6m fragorosamente batido em Marabd, onde o reinado dos Mutran pode ter, finalmente, chegado ao fim (e, por ironia, justamente quando dis- punha do melhor nome ja apresentado pela oligarquia). Em Castanhal, sua ter- ra natal, Almir foi humilhado: seu can- didato teve menos de um tergo dos vo- tos dados a Paulo Titan. Perdeu "de ca- pote" em MAe do Rio, onde esteve tres vezes para ajudar o candidate da depu- tada Lourdes Lima. Assim, os nomes ji especulados para o govero fora da dupla Jader-Hl6io sa- iram fortalecidos. A reafirmag~o da vi- t6ria em Bel6m tamb6m vai apontar a melhor opiao do PT. Com a ida da de- putada federal Ana Julia Carepa para a vice-prefeitura, subira seu suplente. Ge- raldo Pastana, do mesmo grupo do ex- deputado Valdir Ganzer, o que mais tra- balhou e se expandiu no interior, crian- do as condi9ges para se impor A corrente oposta que control o comando estadual do partido. 0 fenix renascerA das cinzas ou serA a serpente botando seu ovo? 0 future res- pondera. Mas pelo menos agora hA uma perspective de quebrar os enrijecidos e envelhecidos dominios politicos impos- tos ao ParA nos 61timos anos. * 4 ORNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE OUTUBRO/1996 POLEMICA Paai rinhn rtoma attarando covardes 0 ex-senador Jarbas Passarinho retorna a nossa polemica, que co- megou mais de 20 anos atrds e teve seu tltimo embate apartir do n 146 destejornal. Sua carta, na integra: "Caro L6cio Flivio. Tu sabes e salientas isso frequentemente - que sou admirador de Raymond Aron, e que pre- feriria ter feito um livro de mem6rias como "Le Spectateur Engage". resultado de entrevista con- cedida a urn casal dejornalistas. Pouco depois, contudo. ele publicou suas mem6rias, corn qua- se 800 piginas. No preficio de seu "Polmi- ques" l1-se: "A verdadeira funglo da polemica nio e de converter, mas de ajudar cada um a compreender o outro". Volto, cor esse espirito, a pedir-te espaqo em teu journal, o JP, que tern, por zombaria das coincidincias nio desejadas, as minhas iniciais... Concordo em que o autoritarismo 6 incom- pativel cor a liberdade de imprensa, mas 6 tam- bem uma verdade que, em tempo de guerra, a censura impede que o inimigo saiba o que se passa do lado oposto. Em 1968, como descrevo em meu livro, travavamos uma guerra civil nao- declarada. As informaqces que seriam liteis aos guerrilheiros e terrorists deviam ser-lhes sub- traidas ao conhecimento. Quanto ao meu proce- dimento pessoal, deves ter sabido que, gover- nador imposto pela contra-Revoluiio, enfren- tei a mais baixa campanha dirigida pela Folha do Norte, cor inteira liberdade. Nunca oji ido- so Paulo Maranhio sofreu o menor constrangi- mento na suja e iniqua forma de combater-me, em linguagem labrega e chula, talvez sem o co- nhecimento total do velho e combative jomalis- ta, j6 muito alquebrado e quase cego. Tudo o que fiz ap6s a vit6ria do meu candidate, foi es- crever-lhe uma carta aberta, publicada na Pro- vincia do Para, emitindo duros conceitos a res- peito do desservigo prestado pela imprensa quando instrument de veiculaq o da mentira e da calhnia, ou se alugada para produzir a de- sinformaq o que desorienta o povo. Este e o meu pensamento sobre a imprensa: quero-a livre, mas usando a liberdade cor a contrapartida da res- ponsabilidade. Embora fazendo profissao de fe contra o autoritarismo. fizeste uma concesslo ao general De Gaulle. No entanto, a Constitui- qio francesa de 1958, de sua inspiraclo, ter no seu artigo 16 norma tao draconiana que Oswal- do Trigueiro, o grande Ministro do Supremo, afirma em seu livro "Problemas do Govemo De- mocratico" que ela tomava o president da Fran- qa um ditador, na media em que the dava a prer- rogativa de usar poderes excepcionais. "Esse preceito configura a associaqCo do governor de- mocritico a um traco de ditadura romana. no sentido de autocracia excepcional e temporAria", escreveu mestre Trigueiro. Aplicando-a, criou (como Gettlio, em 35) um Tribunal de excegio, que condenou i morte, pena posteriormente co- mutada, generals her6is da 2' Guerra Mundial. O fato de ter submetido a Constituiqao a refe- rendo (e nio plebiscito, como citas) nio o dis- tingue, nesse caso, do general Pinochet, que ain- da hoje comanda o Ex6rcito chileno baseado tamb6m na Constituigio aprovada pelo povo. Os nossos generals, da ditadura a que te referes, obedeceram is decisoes do Superior Tribunal Military, cuja conduta foi elogiada pelos mais combativos advogados de press por motivagao political. Colocas com simplismo o problema, quando dis a id6ia de que n6s "agredimos um dos direitos mais sagrados da civilizaqio", o da liberdade de imprensa, como se isso fosse um objetivo primirio e sidico dos governantes ge- nerais. Tanto nio o foi que, vencida a guerrilla por M6dici, torou-se desnecessiria a censura. O terreno estava livre. Nio havia mais necessi- dade de censurar informaq6es 6teis ao inimigo. Citas Jefferson, cometendo erro. Ao contri- rio do que afirmas, Jefferson nio elaborara (a Constituig9o) com seus colegas federalistas, para proteger a imprensa de governor autoriti- rios". Ele estava na Franca, como embaixador, negociando tratados corn as potincias europ6i- as, quando a Constituig~o foi elaborada, e nio apenas pelos federalistas, em 1787, e s6 retor- nou A America ao fim do ano de 1789. Deve-se- the, isso sim, a bela redaiio da Declaragio da Independencia. E bom rever os cadernos de aula do secundirio, do mesmo modo que conv6m per- guntar a um professor de Direito constitutional o que distingue do referendo do plebiscito. Nio conduzirA a algo proveitoso, em nossa pol8mica, voltar a discutir o AI-5. Se inevitivel, como sustento, para impedir a instauraglo de um re- gime comunista chefiado por Marighe- lla, ou se, como minimizas o perigo, um excess dos militares. Se todo um capitulo do meu livro, no qual trato das causes remotas, recentes e do detonador do AI- 5 nao te convenceram da minha tese, muito me- nos me convince a superficialidade do teujul- gamento de ter sido o Ato o excesso de um governor autoritario". Tamb6m 6 inuitil voltar- mos aojulgamento literirio do "Terra Enchar- cada". Foi obra de um estreante, escrita nos trin- ta dias de f6rias de um tenente que teve a tola pretensAo de imitar a tecnica de Huxley. no "Contraponto" -ji de si muito dificil conju- gando-a cor o contrast entire a seca nordesti- na, corn seus dramaticos efeitos sociais, e a ex- ploracio do romance a clefque escrevi is pres- sas. E ai te dou razdo. Tenho escrito sem deixar amadurecer o texto. Lembro-me de um conto de Huxley (Cynthia) em que o personagem pergun- tado pelos netos porque estava escrevendo suas mem6rias, responded que o fazia "para nao dei- xar que o tempo se encarregasse de apagar suas lembrancas". O meu livro de membrias teve, igualmente, essa motivagio. O passado, fican- do muito remote, roubar-me-ia recordaq6es pre- cisas e, o que 6 mais important, testemunhos de sobreviventes, estes ji entrados em anos, como eu mesmo. Nisso te dou razio, repito, mas nao quis correr o risco. Tu me dizes vitima da "sindrome de perseguiqio" e de ter a inteligen- cia obnubilada pela vaidade. Quan- to a esta,ji diz o velho brocado que "o bomjulgadorjulga os outros por si"... Vaidosissimo, estavas te olhan- do no espelho quando escreveste so- bre a vaidade... Relativamente a sen- tir-me perseguido, hi a esclarecer que sou mui- to bem tratado em todo o Brasil, por adversari- os at6 radicals, e respeitado pelo que chamo de matrizes ideol6gicas, que me dio provas reite- radas de apreco, enquanto sou vitima das filiais paraenses. Nio deve ter-te passado despercebi- do que na iltima campanha eleitoral, em 94, as calinias que me dirigiram, partindo de quem ja- mais supus capaz de faz6-lo, chegaram ao cu- mulo de tentar envolver-me com corrup9io, o que nunca me foi atribuido pelo mais radical dos meus adversaries. Refiro-me ao epis6dio da penitenciiria de seguranqa mixima, que pelo primarismo de alguns e a covardia de outros foi inviabilizada. Onde esti a prova de minha res- ponsabilidade na suposta malversacio do dinhei- ro ptiblico? Foi na gestio dos ministros Cdlio Borja e Mauricio Corria que 90 por cento das liberaF6es dos recursos se deu. Por que o go- vemante atual, que se permitiu essa baixeza, nio juntou a prova da acusag o torpe que foi feita no program de televislo da campanha eleito- ral, toda ela tecida de miseriveis mentiras? JS se passaram dois anos, tempo mais que sufici- ente para que ele passasse da acusagio calunio- sa para a apresentagCo das provas. Entremen- tes, o Pari ficou sem uma penitenciaria de se- guranga mixima, que estados como o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Distjto Federal pleitearam junto a mim e a obtiveram, para manter em recluslo os seus cri- minosos mais perigosos. Eu, entretanto, quando os marqueteiros da minha campanha publicaram que o meu opositor se corrompera cor auxilio em dinheiro realmente recebido por ele, em 92, da Odebrecht, protested energicamente e proibi repetiiao. Pergunta ao PedroGalvio qual foi a minha realao. E tu ainda me dizes paran6ico, corn mania de perseguic;o! De fato. o Brasil me ~ r VVVI rr~r ~r~~~u~rrv rrv 2' QUINZENA DE OUTUBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 5 acostumou mal. Trata-me com respeito e afeto demonstrado. quer por meus pares no Congres- so, quando com eles convivi, quer pelo povo. So no Para 6 que divide. Tenho amigos leais e nio sAo poucos, mas tenho os que foram puni- dos por se terem corrompido, o que ficou pro- vado quando investigados em 64, todos corn di- reito de defesa. Seus descendentes me olham com 6dio, quando deveriam ter vergonha do pro- cedimento delinqiiente de seus pais. Fui acusa- do de tudo o que nao fui: inimigo do trabalha- dor, opressor de estudante, de nada ter feito pelo Para e de ser o que sou honrosamente, isto 6, coronel do Exercito, j reformado. Hi, ainda, quem, confessando-se marxista-leninista em de- poimento, a despeito de nada saber de Marx e absolutamente nada de Lenin, foi tratado (como de resto a todos que ouvi) com dignidade, e ate protegi conseguindo emprego, posteriormente ao inico IPM de que fui encarregado, e que agora me calunia e quer passar porter sido persegui- do. Insisto: minhas mios estio livres do sangue dos que prometiam passear minha cabeca pelas ruas de Belem, se comunistas vitoriosos, como est~o limpas do dinheiro mal havido. Nio atin- gi a dignidade alheia, nao torture, nAo me omi- ti quando tomei conhecimento de tortura (ainda que para receber a ingratidio transformada em 6dio do beneficiado por minha agio) ejamais surrupiei como dizia o padre Vieira o dinhei- ro do povo. Ja vai longa esta carta. Receio abusar do teu espaqo, que em condutajomalistica louvivel me concedes. Reafirmo as diverg6ncias contigo, do mesmo modo que renovo o aprego ao talentoso jornalista que, como Carlos Lacerda, sentiu a necessidade de ter um jomal pr6prio, certamen- te porque a sua personalidade assim o exige, mas e a mim que chamas de vaidoso e de teimoso...". Minha resposta Comeco pelo fim, para facilitar a concatenaqio do leitor, tentando al- canqar a objetividade para servir a esse mesmo leitor. Infeliz a observaqio final do co- ronel (com muita honra) Passarinho. Nio fiz este Jornal Pessoal para que meu nome ficasse no alto da primeira pigina, ou para que fosse um espelho verbal para auto-contemplaFao. Ojoral surgiu para publi- car o que nenhum 6rgio da grande imprensa quis divulgar sobre o assassinate do ex-deputado Paulo Fonteles. O segundo n6mero estampou o "rombo" de 30 milh6es de d6lares dado no Basa por coluniveis, que tamb6m nenhum journal ou- sava publicar. E assim ter sido a trajet6ria deste jomal. Passarinho s6 sabe da penetraqlo do nar- cotrifico em Bel6m e na Amaz6nia por estejor- nal. Se eu dispusesse de algum,jA organizado, nio me submeteria a tantos sacrificios para manter este. Tornei-me um outsider porter assumido, ate as iltimas consequincias, os compromissos que dignificam a minha profissio. Quanto mais aprendi e apliquei o que aprendi, mais as portas foram se fechando para mim. Parece ate um pr&- mio as avessas, como se vivemos um enredo de Lewis Carroll, redivivo em Santa Maria do Grlo Parn.. Experimente o ex-ministro refe- rir-se ao meu nome em um de seus artigos para 0 Liberal. E censura certa, cor toda a deferencia que os Maiorana dizem que Ihe prestam, ao menos pela frente. O que me restou: criar o JP, desistir de continuar a ser jornalista ou ir embora de Belem. Por enquanto resisto, aqui, a despeito de injus- tigas feloniess, ele diria) do coronel Passarinho. Ele comparar a guerra do general Medici a guerra do general De Gaulle e um despaut6rio (outra homenagem ao seu estilo). A guerra na Argilia foi uma das iltimas coloniais e san- grenta, uma nagio combatendo a outra, dispute territorial pelo meio. O que Passarinho chama de guerra civil no Brasil foi uma fracassada ten- tativa de insurreig o, extremada em casos iso- lados, mas que nunca ameagou para valer o po- der de Estado (nenhuma area sequer, rural ou urbana, foi "liberada"). 0 desinteresse ou a in- timidag~o da populagio superaram a ret6rica dos opositores. A famosa guerrilha do Araguaia tinha 70 combatentes. Sobreviveu por despreparo e mio- pia do Exdrcito (que, se tivesse que defender uma Malvinas, poderia fazer mais feio do que os argentinos diante dos ingleses). Quando o combat foi ajustado ao objetivo, os guerrilhei- ros do PC do B, isolados, cegos por uma con- cepqAo political ex6tica, foram massacrados ra- pidamente. Poderiam ate ser press, todos. Mas a ordem era nao deixar arquivos vivos. Caiu muito o senso de honra na Rep6blica, de Canudos ao Araguaia. Neste, Euclides da Cunhajamais seria possivel. Moreira Lima fez um relato da guerra contra os liderados de An- tonio Conselheiro que 6 hist6ria maiuscula. O ex-ministro diz que a censura era necessiria, para nao dar informa6Oes ao inimigo. Confunde censura a despachos do campo de batalha, onde nossos militares raramente foram, felizmente, cor censura a atos politico-administrativos do Estado, aos quais os cidadAos devem ter acesso - ou, entio, nio havera nunca res public nes- ta terra. Que guerra 6 essa que leva o governor a cen- surar noticias sobre a maior epidemia urbana de meningite no mundo, que eclodiu em Sao Paulo, em 1973? O regime, do qual Passarinho fazia parte, impediu O Estado de S. Paulo de publicar estatistica sobre numero de casos e mortes ocorridas. Proibiu de mostrar que a mi- seria de Sio Paulo era uma ameaqa mais grave 6 vida da populaqgo do que o frio, que estaria multiplicando na versa6 official os casos da doenca, possibilitando a sobrevida da bacteria. E o Estadio nao era nenhum joral sensacio- nalista. Qual a razio de Estado, tamb6m, que vetava noticiar o uso especulativo de informacqes pri- vilegiadas por membros do governor para ganhar monties de dinheiro na Bolsa de Valores? A cen- sura dos militares serviu menos A luta anti-guer- rilha do que ao aperfeigoamento e ampliaqao da pritica da corrupq o, que se tomou urn virus le- tal.neste pais. A p6s-graduaqao nos anos de chumbo nos fez doutores mundiais na matdria. O governor do general De Gaulle foi um re- gime forte, aprovado pelo povo, comandado por um estadista de fato, qualquer que seja nossa avaliaigo a respeito de seus m6todos. Quando falei no uso do plebiscite, estava me referindo claramente a forma de governor do her6ico ge- neral (un dos raros lideres franceses que nio se arreganhou aos nazistas), que recorria a con- sulta popular para se manter no poder (e, afi- nal, quando entrou em descompasso com otem- po, foi plebiscitariamente mandado para casa, em Colombey-les-deux-Eglises, onde morreu, digno, sem estar aboletado em nenhuma estatal ou em presid&ncia de empresa privada benefici- ada por ato seu). S Nio fiz a mais distant referen- cia a plebiscite sobre constituig~o, absurdo que Passarinho, parecendo ji mal adestrado em debates, tenta introduzir clandestinamente na mi- nha resposta. Nao sou especialista em direito constitutional, mas sei muito bem distinguir plebiscite de referendo, como sei distinguir constituiqio de- cente daquela vergonheira que o govero mili- tar de 1969, do qual Passarinho era ministry, nos imp6s cor aquele indecoroso "emendao", que mais parecia lista telefonica. Sou testemunha ocular dos 61timos dias de Salvador Allende no Chile. Chorei cor a morte do president, um home digno, honest, um po- litico em plenitude, mesmo quando equivocado (a comparacio cor Joao Goulart, que muitos fazem, e indevida). Nao tenho a menor simpa- tia pelo general Pinochet. Ele comandou um morticinio. Matou muito mais do que, analisan- do-se pela "etica" de uma guerra, seria possi- veljustificar para assegurar a implantacgo do novo governor. Nossos militares, formados a francesa, enquanto os chilenos derivam do mo- delo prussiano (ate no pass de ganso, no capa- cete e no uniform pesado),jamais chegariam a tanto. Mas tambem porque seus opositores e inimigos eram muito menos numerosos e pode- rosos, incomparavelmente menos do que diz Pas- sarinho. Pinochet, infelizmente, permanece como um demiurgo pairando sobre a democracia chilena, mas ele passou aos civis um sistema ainda em ascensao, com resultados expressivos. E 6 ORNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE OUTUBRO/1996 C Nio foi uma operaaio de salvados do in- cindio, como aqui. E uma diferen9a bisica, que di uma dimensio do golpismo bacharelesco que Car- los Lacerda inoculou nos militares,junto corn toda a banda de mfsica da UDN, de dobrado desafina- do, para depois sofrer os efeitos do feitigo que in- ventara. De fato, Jefferson tinha sido mandado para Pa- ris, onde negociaria a divida da nova nagio cor a velha Europa, quando a constituigio americana foi elaborada. Mas essa noqao de hist6ria que o ex- govenador manifest 6 secundarista, de manual. Circunstancialmente Jefferson estava fora dos Es- tados Unidos. Mas ele participara, nas piginas de "The Federalist", do debate politico, ideol6gico, filos6fico e pragmitico do qual resultou a consti- tuiqio de 1776 e a consolida~io posterior, que tern uma nitida marca jeffersoniana, tanto na "Bill of Rights", como no curso dos dois mandates que cum- priu na Casa Branca. Ora, coronel, sejamos menos mesquinhos no nosso debate. Ao fazer referencia a Jefferson, eu estava menos interessado numa obtusa dissertagao ginasiana sobre fatos do que relacionar a liberda- de de imprensa a um dos tragos bAsicos de defini- cOo de civilizagio que tanto prezamos. Ai entram Jefferson e os federalistas, nos debates de um pe- riodo onde estio plantadas as raizes da defesa do direito A informaio, acima das conveniencias oca- sionais dos governor. Foi por nao ver axiomatica- mente definida essa precedencia no texto constitu- cional que Jefferson redigiu a famosa Primeira Emenda, ate hoje o contencioso nas litigincias do poder politico corn a imprensa nos EUA e motivo de nossa inveja por aqui. Deslizes e escorreg6es que Passa- rinho compete podem ter sua explica- gio em uma afirmativa sua exemplar: "Tenho escrito sem deixar amadure- cer o texto". O agodamento se expli- caria pelo desejo de aproveitar o fres- cor da mem6ria antes que as lembran- gas nela se apaguem. Mas pode-se es- crever textos amadurecidos tanto aos 20 quanto aos 70 anos. Rimbaud revolucionou a poesia francesa dos 16 aos 19 anos. Depois foi ser mercador e tra- ficante de armas na Abissinia. Uma das melhores mem6rias que j lii at6 hoje, as de Bertrand Rus- sel, foram escritas por ele no ocaso da vida, vindo a transport os 90 anos. Apesar da preocupa~lo com a fugacidade da mem6ria, Passarinho demorou demais a escrever a sua: a mem6ria, um de seus grandes trunfos, pa- rece haver enfraquecido; muitos de seus contem- poraneos, que poderiam polemizar com ele,ji mor- reram. TerB ele desejado o solil6quio? Mesmo assim, o memorialista tropega em reti- cincias, dobra em esquinas mal iluminadas e nao nominaliza referencias indispensiveis para dar o carter de testemunho ao que escreve. Assim 6 em sua replica. Por que nao diz quemn o falso mar- xista-leninista, a quem protegeu e do qual agora 6 vit;iT de calinias? Seria salutar: muita gente ga- nhou atestado de "progressista" As custas dos lar- gos costados do coronel. Tamb6m ele nao diz quais foram os primarios e os covardes no epis6dio da penitenciaria de Santa Izabel, uma his- t6ria que esti em condi6es de restabe- lecer, mesmo que 90% dos recursos do governor federal tenham sido liberados nas gest6es de dois de seus antecesso- res colloridos. Mas se realmente o di- nheiro foi mal aplicado na muralha cabulosa, nio seria possivel uma apuracAo regressiva? Ou o fato consumadoja 6 habeas corpus preventive da preva- rica io? Dizer que o ex-ministro enriqueceu a custa do patrim6nio piblico 6 um desprop6sito. A honesti- dade de Passarinho no trato corn oerario 6 pblica e not6ria e arra entire n6s. Mesmo assim, ao contri- rio do que afirma, ela foi questionada antes do epi- s6dio da penitenciaria. O pessoal do MR-8 tentou associa-lo a irregularidades na campanha de 1982, mas era uma hist6ria tao absurd que logo se des- moralizou, o que nio impediu o entio govemador Alacid Nunes de distribuir centenas de exemplares do jomal do MR-8, Hora do Povo, em Beldm, ten- tando ajudar a campanha de Jader Barbalho, na po- ca inimigo, depois companheiro de viagem do ex- senador (que nio costuma ser rigoroso em suas com- panhias). t apenas registry hist6rico. Registro mnem6nico tambem merece a refern- cia de Passarinho a um Brasil que lhe fazjustifa e a um Para que o maltrata. O Para nAo 6 Brasil? Fre- quentemente nio parece mesmo que seja. Brasilia tem demonstrado uma incapacidade estrutural de compreendereste lado do pais, que to tardiamente e artificialmente se integrou a nacionalidade. Pode-se dizer, cor amarga ironia, que o Brasil 6 o pais mais pr6ximo da Amaz6nia, pondo em aiao a conceituacio elucidativa de Bordieu sobre o simbo- lismo do regionalismo. Mas Passarinho sempre se manteve mais pr6xi- mo do Brasil do que Par. Funcionou mais como urn c6nsul (no sentido da antiga Roma) do planalto do que um representante da planicie. Trazia ordens; uma vez ou outra levava as reivindicaq6es. Fez nome como um privilegiado tribune na corte, adulado, ba- julado e invejado por suas qualidades inquestioni- veis. Mas pouco fez para que o hinterland nao se cristalizasse como col6nia. Muita injustiga, de fato, foi cometida contra ele. Mas castigo imerecido costume purgar pecados raise pela linha torta da penitencia. Enquanto Passarinho brilhava na corte, a fronteira era tomada pela bar- birie e a selvageria. Depois, quando tentou voltar, manifesto horror pelo que viu e sofreu, nao exata- mente produto de sua agao, mas resultado par o qual sua omissio consagrada contribuiu. No infer- no de Dante os omissos sao os mais penalizados. Em Shakespeare, tambem. A voz do artist 6 a voz de Deus. A hist6ria continue a cobrar melhor testemunho do ex-ministro. Nesta sua carta, ele trata de urn epi- s6dio da campanha de 1994 ainda obscure. E sobre a divulgag o de recibo de contribuiV6es em dinhei- ro da Construtora Odebrecht para o entio senador Almir Gabriel. Passarinho diz que isso foi obra de seus marqueteiros. Deveria dizer quem foi o autor da pega. Mas joga gasoline no fogo quando ressal- va: "Eu, entretanto, quando os marqueteiros da mi- nha campanha publicaram que o meu opositor se cor- rompera corn auxilio em dinheiro recebido por ele, em 92, da Odebrecht, protestei energicamente e proi- bi repeti io". Proibiu porque era mentira ou porque nio era convenient a divulgacio? Se era mentira que o se- nador Gabriel se corrompera, por que nio veio a piblico desmentiro que seu program de propaganda eleitoral divulgara? Se era verdade, por que proi- biu? Passarinho, entretanto, tem sua razio quando cobra do atual goverador que apresente provas do envolvimento do entio ministry da Justiga com irre- gularidades nas obras da penitencifria, que endos- sou e nio mandou tirar do ar. Almir foi o primeiro govemador, a partir de 1983, que ascendeu ao cargo sem a pecha de enriquecer corn fundos pdblicos. Jader Barbalho, que retomou o poder em 1991, pro- meteu devassar a administraco de Hdio Gueiros. De fato, comegou abrindo concorrencia piblica para auditar as contas estaduais. Mas lances rocambo- lescos, em seguida, acabaram com a hist6ria e tudo continuou como antes. Almir Gabriel nem esse ensaio (ou pantomima) fez. Continuou a corri- da, impivido, com o bastAo recebido de Carlos Santos. Sequer limpou as mios. Estaria mais preocupado em descortinar o future? Nosso govema- dor mais parece um poeta de p6 que- brado, a ouvir estrelas ao meio-dia (nem chegam a ser a da tarde, importalizadas por Manuel Bandeira). E por essas e outras que a companhia de en- trevistadores seria de grande valia para Passari- nho narrar suas mem6rias. Como ele prefer de outra maneira, dou minha espontinea e modest contribuig o para que seu livro tenha eco e, pela polemica, ajude a opiniAo p6blica a compreen- di-lo melhor. Lamento estar isolado nesse esfor- Co, j que ojomal para o qual Passarinho contri- bui cor artigos (alias, cada vez menos frequen- tes: seria cansago ou pudor?) limita-se a um an6- dino registro, como de praxe. Por fim, senador (cargo que se toma imortal por sua pr6pria vitaliciedade simbolica), para- bWns pelos avangos formais desta sua filtima car- ta. Mesmo assim, deve-me melhorias que nela in- troduzi cor a redigitagio de tudo. Um dia have- remos de acertar melhor nossas contas pendente; se possivel, sempre de piblico e com esse nivel de civilidade que tanto me faz bem, e, espero, tamb6m ao distinto piblico, nesta terra de rastei- ras & gueiradas. * PS Da pf6xima vez, use mais pontos par6grafos e perlodos mais curtos. Nem todos tm os pulm6es de um Maiak6vski para powder apreciar adequada- mente seu estilo. Penhorado, agradeo. 2 QUINZENA DE OUTUBRO/1996 JOURNAL PESSOAL 7 Mudando a conversa O partido que melhor se saiu na elei*io para a Cmara Municipal de Belmn foi o PPS (ex-PCB). Tinha apenas dois candidates e ele- geu ambos: o j vereador Araldo Jordy e o m6- dico Valdir Cardoso dobrando, portanto, a ban- cada Conseguiu isso ao se aproveitar dos votos carregados na legend do PT, que se difundiram pelos partidos abrigados na coligaao. Por ter mantido a alianca tanto na dispute majoritfria quanto na proporcionaL o PT mesmo acabou s6 elegendo quatro (dois a mais do que na atual legislature) dos sete vereadores da oligaoio (um terceiro de fora foi Sandra Batista, do PCdoB). E pode ate perder mais um lugar se Cacilda Pin- to conseguir reverter para o seu nome os votos computados na legend do PSTU. Se eleger-se, Edmilson Rodrigues tera uma Caimara muito menos favorivel do que aque- la cor que ainda conta o prefeito Hdlio Guei- ros. Teoricamente, a base de apoio de um pre- feito do PT seriam nove vereadores (mais os dois do PSB). A de H6lio contabiliza 23 no- mes. No entanto, o legislative municipal esta- rd, a partir do pr6ximo ano, mais pulverizado do que antes. Abaixo da coligacio liderada pelo PT estdo, na mesma posicio, cor qua- tro vereadores, o PMDB, o PSDB e o PDT. Logo ap6s, cor bancada de tres vereadiores, o PFL e o PL. O PSB, o PTB e o PPB con- tam cor dois vereadores cada. Assim, cada partido perdeu peso especi- fico. Para um governor fisiologista, facilitaria as negociac6es, embora tendo que ceder fra- q6es a cada um interlocutor. Mas para o PT, que quer estabelecer um novo padrao de gestio, pode ficar complicado. NAo impos- sivel de resolver, entretanto, principalmente se o partido levar al6m da letra do discurso a proposta de planejamento participation e ad- ministragao democritica, alimentando o ci- dadAo eleitor de informaces e estimulando- o a cobrar de seus representantes vantagens que nao sejam as do politico apenas. Nesse caso, Bel6m 6 quem vai ganhar. 0 Balan a viciada Ordem dos Advogados do Brasil 6 a mais poderosa corporagao do pais, que em alguns moments defended a sociedade e, em outros, seus associados, ou ambos. Em Bel6m, a OAB-Pari deixou voluntariamente de exercer esse poder no caso do advogado Carlos Alberto Lama- rio Correa, director do departamento juri- dico do Iterpa. 0 advogado, que tamb6m 6 procurador estadual, foi atacado pelo jor- nalista Oliveira Bastos, em entrevistas e S6 no dia 29 a propaganda eleitoral voltari Lao ridio e a televised, para durar duas se- manas. E pouco tempo de uso da principal midia de divulgacio dos dois candidates que vAo disputar a prefeitura de Bel6m no segun- do turno da eleiio. NAo ha nenhum tema explosive que o candidate official, Ramiro Bentes, possa usar para reverter a tend&ncia amplamente favoravel a Edmilson Rodrigues, da coligacio liderada pelo PT, que terminou o 10 tumno cor mais do que o dobro de votos do seu concorrente. Se essa condicio inveji- vel foi mais consequencia dos desastrosos er- ros cometidos pelos candidates que eram apontados como favorites, no inicio a depu- tada federal Elcione Barbalho, do PMDB, e, em seguida, o pr6prio Ramiro, a confirmnalo da vit6ria vai ter uma dependencia maior dos acertos de campanha do PT. Atd a retomada da propaganda por radio e TV, o partido vai ter que fugir de armadilhas e Suando a opiniao public deixa, penas de alugu6is acabam se tomando letais, co- mercializando opiniao e causando danos is viti- mas de seus neg6cios. t assim que prolifera a imprensa marrom, da qual Bel6m ji pode exibir alguns exemplos. E precise nio condescender com esses abutres, mas tamb6m 6 indispensivel assegurar a ordem legal. Ojomal"ChamadaGeral"fazparte desse sub- jomalismo, que se aproveita de mecenas ines- crupulosos e da condescendncia da sociedade. 0 iltimo nimero foi apreendido pelaPolicia Fe- deral, que atendeu determinaao do juiz eleito- ral, Ronaldo Vale, com base, por sua vez, em pedido do PT. Ojomal traria na primeira pagina uma noticia falsa, de que Edmilson Rodrigues reajustaria em 300% os vencimentos dos funci- onirios piblicos municipals, com o evidence pro- p6sito de criar problems para o candidate da oposiao e beneficiary o candidate official. artigos publicados no jomal O Liberal, sem poder defender-se (ver Jornal Pessoal 147 e 148). Pediu o apoio da seccional, que apro- you uma moc9o ptblica de solidariedade. Mas o president da OAB, Sergio Fra- zio do Couto, informou em oficio a Lama- rio ter decidido nao enviar a nota de desa- gravo ao journal, "face a alegada existancia de incompatibilidades pessoais de V. Exa. com os dirigentes do mencionado journal, o que poderia causar constrangimentos". A decisao, pessoal, foi tomada depois que S6rgio Couto conversou, por telefone, com estar atento aos movimentos do principal cabo- eleitoral do candidate da coligacgo Melhor para Bel6m, o prefeito H6lio Gueiros. As primeiras iniciativas do PT foram eficientes: atravessou a procissto do Cirio sem incidents e impediu que propaganda enganosa fosse divulgada con- tra Edmilson. A partir dos programs atraves dos meios de comunica*io de massa, o candidate petista ter que star preparado para enfentar o debate com Ramiro Bentes, que vai procurar se caracterizar como uma opio t6cnica e administrative, ten- tando realWar o passado turbulento do PT e des- tacando a participao de Gueiros. Para garantir a vit6ria no 2 tumo, mais do que acertar, o PT nao pode erar. S6 um erro grave e estrondoso estancaria o fmenmeno que ocorreu a partir das duas iltimas semanas da campanha do 1 tumo e fluiu para o partido. Tudo indica que, mais do que vencer, o maior desafio que se imp6e para o PT agora ser govemar Beldm. 0 A aaio foi absolutamente legal, embora pra- ticada com abuso de autoridade, segundo o protest de A Provincia do Pard, em cujas oficinas o jomal estava sendo impress. A lei eleitoral faculta a a~o preventive, na eventu- alidade de se configurar o crime que o jomal praticaria. No entanto, nio ter amparo a ini- ciativa do PT de simplesmente obter dajusti- a a suspension da circulaio do jomal at6 o dia da eleiqgo. Como, seem fotolitos ou qual- quer outra formalizac&o de uma future edigio existe? Ai ji se configuraria uma violncia. A lei nio pode ser violada, sob a alega- 91o de que um canalha ou delinquent dela se beneficia. Quando essa excegio 6 invoca- da, fica muito ficil inventor pretextos para ir sempre alnm. Inventado o monstro, como domn-lo? I um velho dilema, que, ji a seu tempo, Voltaire resolve, defendendo os di- reitos dos inimigos. 0 a diretora administrative do Sistema Ro- mulo Maiorana de ComunicaFlo, Rosan- gela Maiorana Kzan. Ela alegou ter tido um incident com Lamarao durante uma audi6ncia no f6rum de Belem, em proces- so no qual o advogado atuava como meu defensor em aso iniciada pela diretora do SRM. Lamarlo negou a existencia do epi- s6dio. Na semana seguinte a essa deciso, a OAB divulgou nota d apoio a outros de seus associados, sem procurar apurar constrangimentos pr6vios. 0 novo desafio Questdo de principio 0 tove"AwillW lui que nao ie a i Salio Arte Para, promovido pela Fun- dacio Romulo Maiorana, com o apoio do pr6prio governor do Estado. Seria sua resposta ao langamento da candi- datura political do principal executive do grupo Liberal, o vice-presidente Romulo Maiorana Jr. Numa entrevista publicada cor des- taque no journal O Liberal, o deputado federal Vic Pires Franco lancou a do- bradinha H61io Gueiros-Rominho. Se o prefeito fosse candidate ao governor do Estado em 1998, o empresdrio se- ria o senador da chapa. E vice-versa: se Gueiros quisesse ser senador, Ro- mulo Jr. seria o governador. Isto tudo como se o governador nto existisse, nem tivesse o direito de pleitear candi- daturas majoritirias na coligagao situ- acionista. Em entrevista dada logo depois, Ro- minho confirmaria suas pretensOes, que existein desde quase 15 anos atrs, quando se filiou -juntamente com Vic Mais grana O gabinete do vice-governador do Estado, H61io Gueiros Jr., recebeu mais de dois milh6es de reais de verba suple- mentar no m6s passado, um pouco mais do que foi destinado As Fundagio Tan- credo Neves e A Defensoria P6blica, para dar s6 dois exemplos. O acordo do medo continue em vigor. Por linhas tortas O comum 6 uma autoridade public, ao sair de um encontro reservado com outra au- toridade pdblica, anunciar o tema das con- versas mantidas. O general Dl6io de Assis Monteiro, chefe do Estado-Maior do Ex6r- cito, inovou ao falar A imprensa depois de reunir corn o goveador Almir Gabriel, em Bel6m. na semana passada. Disse que temas pol6micos, como o massacre dos sem-terra em Eldorado de Carajds e a viol6ncia rural no Estado, nio foram tratados. Seri uma nova t6cnica de comunicagAo? S(.... e ......c...l.9 o,* o iS,9 ssa dS 555' .nia chqu er norn deL Hvi de. .ai .int 59..............9.r q ao~MDB do entAo governador Jader Bezri.alho. Os caminhos se tornaram pa- ralelos, Romulo Jr. deixou o partido, mas continuou A espera de uma opor- tunidade. Vic deu-lhe um novo mote. Talvez informada da possivel desfei- ta, que seria mais perceptivel ainda di- ante da transfergncia do salao da gale- ria de arte da empresa para o rec6m- reformado e adaptado Museu do Esta- do, a dirigente da Fundaqio Romulo Maiorana, Roberta Maiorana, foi pes- soalmente convidar o governador no palicio dos despachos. Em retribuico, Almir Gabriel que, final, mudou de ideia destacou a pre- senqa de Roberta, chamando-a para o seu lado no vernissage. Mas teve o cui- dado de nAo se referir a Vic, que estava as proximidades, procurando fazer-se notar, quando nominou as autoridades presents. Aguas ainda vao rolar nessa cachoeira de vontades ou seria me- Ihor falar em fogueira de vaidades? Aguarda-se, para breve, um novo ca- pitulo, se o governador ainda tiver dis- posigco para escrev6-lo. Abulia? O fato que mais desgastou e talvez irre- medievalmente a imagem do govemador Almir Gabriel em todo o pals e atd intemaci- onalmente foi o massacre de Eldorado dos Carajas, ocorrido em abril. Era o desfecho dramitico e sangrento de um conflito de ter- ra. HA outros litigios semelhantes em anda- mento, con outros resultados potencialmente iguais ao de Eldorado. QuestAo de terra 6, portanto, um barril de p6lvora no Pard Pois bem. Para a direlo do principal 6r- glo da administrago piblica voltado para o setor, foi deslocado um t6cnico do Incra do Maranhio, que agora acumula as duas superintendncias, com um p6 mais 16 do que cA. Outro maranhense foi para a supe- rintendencia do institute em Maraba, que, a partir do segundo semestre deste mes, sera a segunda superintend6ncia do Incra num mesmo Estado, o que di uma media da sua importincia. O goverador Almir Gabriel nio tem no- mes para indicar, nao tem vontade de indi- car, ou o qua? A opqAo certa parece ser mais a do "o que". Contra a pirataria O juiz da 1a vara da comarca de Ma- rabi, Jos6 Torquato de Alencar, que res- ponde pela 28 vara de Altamira, negou o mandado de seguranga requerido pela Kramm Assessoria e Engenharia. A em- presa que queria restabelecer o registro imobilidrio de dominio sobre uma area cor 1,3 milhao de hectares em Altami- ra. Depois de haver efetuado o registro, a official do cart6rio, Eug6ncia de Frei- tas, cancelou-o, alegando que as terras rconstituiam simples posse e nao propri- edade. A Kramm havia conseguido o reco- nhecimento do Ibama (Instituto Brasilei- ro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturals RenovAveis) para uma RPPN (Reserva Particular do Patrim6nio Na- tural) sobre 500 mil dos 1,3 milhio de hectares que teria o seringal Yucatan I. Mas, cinco meses depois, o Ibama tam- bem anulou o decreto da RPPN, ao veri- ficar que nio estava caracterizado o do- minio privado sobre a area (ver Jornal Pessoal n0 148). Embora o juiz nAo tenha examinado o m6rito da questAo, negando o manda- do de seguranga, em preliminary, por per- da do objeto da a9ao (ja que a portaria da RPPN havia sido revogada, nAo po- dendo mais, por isso, voltar a ser aver- bada no registro de im6veis), sua deci- sAo abre uma nova perspective para o combat das grilagens de terras por via judicial. E um bom sinal indicative de novos tempos, exatamente quando aven- tureiros se langam sobre o patrim6nio fundiario estadual. Titulo e nosso Este titulo, ao que parece, ninguim tasca: o TRE do ParA continue a ser o mais ineficiente de todo o pais. Como de praxe hA vArios anos, foi o filtimo a concluir a apuragio de votos entire as capitals do pais. Apesar da votaago ele- tr6nica, os belenenses s6 ficaram saben- do do resultado final quatro dias depois de terem votado. Muitos dos recursos pendentes no turn acabaram nao sen- do julgados. Errata Por um lapso, a edigAo anterior repe- tiu o nO da edi9io 147. Deveria ser 148. A numeracAojA estA corrigida. Journal Pessoal I Editor resp*is~ e: L6cio Fl6vio Pinto Iluro6 es e ditorao gr6ica: Luiz de Faria Pinto R Pdao: Pauofi Bolonha, 60- 66.053-020 Fone 223- 1929/22463728 Consolo: Tv. Bjamin ConsA.45/203 66.053:020 Fone: 223-7690 |
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