Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00099

Full Text




Journal Pessoal
E D I TOR RESPONSAV E L : L C IO FLAVIO PINTO
ANO X Ns 149 2' QUINZENA DE OUTUBRO DE 1996 R$ 2,00
IMPRENSA


Um novo poder em A Provincia

Gengis Freire, dono da Cejup e secret6rio do Tribunal de Justi;a,
e novo propriet6rio de A Provincia do Par6, o mais antigo
journal do Estado. O Liberal reage com f ria a concorrencia.
E uma nova fonte de poder que est6 se estabelecendo na praca.


uem leu o Rep6rter 70, de OLi-
beral, do dia 1, deve ter toma-
do um susto. A linom-"z:., de
uma das notas era tAo virulent
que mais parecia de imprensa
marrom e sensacionalista do que da mais in-
fluente coluna dojomalismo paraense.
A nota de abertura da seqAo Em Poucas
Linhas garantia estar sendo consumada uma
"operaclo milagrosa", na qual um "editor
carregado de dividas", que tambem 6 "o se-
cretario licenciado do Tribunal de Justiga do
Estado", pretendia adquirirojomal A Pro-
vincia do Pard, o mais antigo da terra, com
o auxilio de politicos.
0 Reporter 70 dizia que o pretendente,
embora tivesse "coluna cativa" nos editais
dos cart6rios de protest, publicados pelo
Monitor Mercantil. estaria disposto a pagar


sete milhoes de reais pelojomal, o filtimo
veiculo de comunicagio do outrora podero-
so Diirios e Emissoras Associados.
Ao contrArio do que manda a boa tdcnica
jornalistica, O Liberal nAo deu o nome do
personagem, mas trata-se de Gengis Freire,
dono da Editora Cejup, a principal do mer-
cado grafico e editorial do Estado.
No dia seguinte a publicaao danota agres-
siva, a venda de A Provincia foi fechada em
Brasilia por Gengis cor o dirigente do con-
dominio "associado", Paulo Cabral, o fnico
que tinha procura lo para tratar do assunto.
Na segunda-feira da semana passada, Cabral
e outros dois dirigentes da corporal~ o vie-
ram a Bel6m anunciar a transferencia dojor-
nal e da ridio Provincia FM, cor todo o seu
patrim6nio, para o novo proprieturio, que as-
sumiu de fato no dia imediato.


Almm de assumir todas as dividas, exce-
to o pagamento dos quatro diretores afas-
tados (Arthemio GuimarAes e seu filho,
Ronaldo, Rubens Onetti e Terezinha Si-
queira), efetuado pelos "associados", Gen-
gis ficou com a sede dojornal, os aparta-
mentos no pr6dio ao lado e toda as miqui-
nas e equipamentos. A inica pendencia era
com um dos cotistas da Provincia FM, Jo-
nes Lara Tavares.
Desde entAo s~o intensas as especula-
q6es em Bel6m sobre o novo grupo empre-
sarial. Ha anos fala-se na venda de A Pro-
vincia; na verdade, desde o inicio da d6ca-
da de 80, quando os Associados de Assis
Chateaubriand perderam a TV Marajoara,
carro-chefe do faturamento, e nunca con-
seguiram mais se torar auto-suficientes.
Quando vivo, Roberto Jares Martins, BRF


I PASSARI* A 0RN AO ATAU NA P.0 C (AGS 4/6





2 JOURNAL PESSOAL 2- QUINZENA DE OUTUBRO/1996


BEw membro do condominio, nem admi-
tia falar do assunto.
Propostas de compra, entretanto, foram
apresentadas algumas vezes por politicos
e emprestrios, atraidos pelo secular titulo
dojornal e pela evidence incapacidade da
empresa de sair, por seus pr6prios meios,
das crises ciclicas que fizeram-na perder
posiiio no mercado, ate A Provincia se
tomar o terceiro journal em faturamento e
circulag o (que chegou a cair a menos de
dois mil exemplares diArios e hoje estaria
por volta do dobro, 12 vezes menos do que
a circula9ao de O Liberal nos dias de se-
mana).
A iltima diretoria dos Associados no
joral, encabegada por Arth6mio Guima-
rAes, assegura que os numeros apontavam
com nitidez para uma recuperagqo, mas os
cond6minos parecem ter perdido as espe-
ranqas de reverter a situalo de sangria.
Muito dinheiro j fora repassado de Brasi-
lia e Belo Horizonte, as duas pragas mais
rentiveis para o antigo imp6rio de Chateau-
briand.
Nos l6timos meses ojomal OEstado de
Minas vinha sendo obrigado a completar a
folha de pagamento do pessoal de A Pro-
vincia, entire 100 mil e 150 mil reais por
mis. A decisAo de vender o que restava dos
Associados no Pari, depois de 49 anos de
presenqa no Estado, foi tomada.
Desde abril Gengis Freire vinha nego-
ciando em Brasilia. Os entendimentos che-
garam a um tal grau de aprofundamento que
ele foi autorizado a examiner as contas de
A Provincia, encontrando uma divida de R$
4.5 milhdes a R$ 5 milhoes de FGTS, pre-
videncia social e receita federal. Mesmo
sem ter esgotado a apuralAo, parecia, a
principio, desestimulado. Iria optar mesmo
por langar seu pr6priojomal, o Para Hoje,
no qualja pensava quando comprou uma
impressora rotativa Solna, alguns anos
atrAs. O projeto, corn aparte industrial qua-
se pronta. estava sendo conduzido por Ri-
bamar Fonseca, que se demitiu da direqAo
de redagqo de A Provincia depois de um
forte atrito cor o director commercial, Ru-
bens Onetti.
Mas Gengis retomou o interesse e aca-
bou fechando o negocio, por um valor pr6-
ximo dos R$ 7 milhoes anunciados por O
Liberal, dos quais apenas R$ 1 milhao te-
riam sido em dinheiro vivo. Foi um desfe-
cho mais rapido do que os pr6prios direto-
res de A Provincia pareciam supor. Romu-
lo Maiorana Jr. foi avisado por um desses
diretores quando Gengisji estava em Bra-
silia para testemunhar Paulo Cabral "bater
o martelo". O principal executive do gru-
po Liberal, que teria feito uma proposta de
compra em valor igual ao do novo concor-


rente, ainda teria tentado evitar a conclu-
sio da operagAo, sem sucesso. Temia-se que
ele quisesse comprar A Provincia apenas
para fechar ojomal.

primeira duivida em tomo da ope-
raqao relaciona-se ao pr6prio com
prador. De fato, como disse a nota
do Reporter 70, Gengis Freire tern
aparecido com titulos protestados.
Mas esse fato pode levar a conclusoes dis-
torcidas. O grupo Liberal tambem frequent
essa mesma coluna. Nem todas as empre-
sas protestadas estAo falidas ou sem liqui-
dez. Podem, simplesmente, ser maus pa-
gadores, ou passar por dificuldade momen-
tinea.
Ha os que duvidam da condigio econd-
mico-financeira atual de Gengis Freire para
assumir compromisso do porte de A Pro-
vincia, avaliando seu rendimento patrimo-
nial visivel. Outros, porem, acreditam que,
mesmo sem recursos disponiveis imedia-
tamente, Gengis tem condi96es de criar
caixa para essa nova operagio, principal-
mente porque apenas uma fraglo menor do
valor de venda foi cash. Uma parte da di-
vida corn o govemo, inclusive, jA estava re-
negociada, para pagamento em 36 meses.
No entanto, se nao ha desembolso vul-
toso de imediato, o funcionamento de um
journal diario exige apreciavel fluxo de cai-
xa. S6 a folha de pessoal do jomal fica em
torno de R$ 300 mil por mes e deveri ex-
pandir-se na base, cor a contratagao de
mais gente para a redaqAo (que ter sete
rep6rteres, enquanto ha 10 motoristss.
Talvez por causa dessa exigencia opera-
cional, circularam boatos de que quatro
empresas do setor de navegagao, lideradas
por Luis Rabelo e Joaquim Fonseca, teri-
am se associado a Gengis Freire na emprei-
tada. Nio foi possivel confirmar a infor-
macio, mas ela se choca com uma eviden-
cia: o que impediria as quatro empresas de
assumir publicamente o neg6cio, se dele
fizessem parte? E por que manter um tes-
ta-de-ferro com 6bvios pianos de poder, que
no future poderiam se chocar cor as in-
teng9es dos donos camuflados?
A nota do Repdrter 70 garante que ha
politicos por trAs do dono do grupo Cejup.
O primeiro nome apontado foi o do prefei-
to Helio Gueiros, que nio conta corn o Di-
drio do Parc e nao confia em O Liberal.
No passado, agindo em nome de Gueiros,
o m6dico Henry Kayath, ex-superintente da
Sudam, hoje assessor especial da prefeitu-
ra, foi um dos que sondou Paulo Cabral.
Por dois intermediirios, Gueiros man-
dou dizer a Romulo Jr. que nada tern a ver
com o neg6cio. Mas nAo estancou a boata-
ria, que dava como certo que em fevereiro


do pr6ximo ano oji entao ex-prefeito pas-
saria a assinar uma coluna no jomal (em-
bora de sua direglo de redaglo tenha said
ojomalista Carlos Rocque, assessor espe-
cial de Gueiros, com o retomo de Ribamar
Fonseca).
Falou-se tamb6m no filho do prefeito,
Paulo Gueiros. Em passado recent houve
alguma relaglo de neg6cios entire o bem-
sucedido advogado e o editor, mas essa re-
lagio parece ter-se encerrado. Uma fonte
diz que Gengis devia 50 mil d6lares a Pau-
lo e a divida foi abatida em impresses.
O ex-senador Jarbas Passarinho, mem-
bro do conselho consultivo da FundagAo
Assis Chateaubriand, foi consultado por
Paulo Cabral para saber se tinha alguma
coisa a opor a Gengis Freire. Disse que nio
tinha. A consult teria sido mera cortesia
porque o neg6cioja estava fechado. Seria
a inica participaglo de Passarinho (cujo
livro de mem6rias, Um Hibrido Firtil, teve
suas novas edigces langadas pela Cejup) no
epis6dio.
Nao hA a menor 16gica na presenqa do
senador Jader Barbalho, que tem seu pr6-
prio journal, o Didrio do Pard, um 6rglo
politico que ainda nao conseguiu profis-
sionalizar-se por inteiro e vive em dificul-
dades. A mesma ilogicidade se aplica ao
senador Jos6 Sarney, outro nome especu-
lado, que nao se estabeleceria em Belem
para ser concorrente de seu amigo e alia-
do Jader Barbalho (os dois estariam se as-
sociando para comprar a fibrica de cimen-
to do grupo Joio Santos em Itaituba, se-
gundo a mais recent boataria).
At6 prova em contrArio, ainda nao en-
contrada, Gengis Freire 6 o inico dono de
A Provincia, juntamente com a esposa,
Ana Rosa Cal Freire. Gengis volta ao jor-
nal, onde comeeou a trabalhar como revi-
sor e manteve uma coluna cultural, na
6poca em que tinha veleidades de poeta,
disposto a expandir seu pr6prio poder.
Esse poder comeea na Cejup, que criou
como appndice dojudiciArio, dando-lhe
autonomia privada gragas a contratos leo-
ninos para a impressAo do DiArio da Jus-
tiga e fomecimento de impresses, mas tem
seu principal eixo na secretaria-geral do
Tribunal de Justica do Estado, que ocupa
hi virios anos. A Provincia complete esse
trip, que passa a fazer de Gengis Freire
uma refer&ncia nojogo de influencias na
cidade. Dai a nota agressiva de O Libe-
ral, poderoso dono do mercado, mas corn
dificuldades de caixa e uma divida que
chegaria a R$ 4 milhdes. Volta a haver
concorrente no mercado e do mesmo
naipe.
Belem nao esta mesmo parecendo, cada
vez mais, corn a Chicago dos anos 20/30?@







2' QUINZENA DE OUTUBRO/1996 JOURNAL PESSOAL3


Caciques perdem, ganha o Para


Sominalmente, o PSDB do gover-
nador Almir Gabriel foi o maior
vencedor das elei9ces municipals
no Para, crescendo 10 vezes no interior
do Estado. Na pritica, por6m, o princi-
pal resultado dessas disputes foi a frag-
mentagao do poder politico no Estado.
t possivel que at6 1998, quando ocorre-
rAo as eleio9es gerais (para president da
Repiblica, governadores dos Estados,
um tergo do Senado, toda a Ctmara Fe-
deral e as Assembleias Legislativas), jA
nao haja uma forca hegemonica no Pari.
Nesse caso, o revezamento entire os
dois principals grupos, liderados pelo
senador Jader Barbalho e o prefeito H6-
lio Gueiros, que sucedeu a linha-
gem dos governadores in-
diretos designados por
Brasilia, estara interrompi- '
do. Se isso ocorrer, seri o
sepultamento das iltimas
ondas de influencia real do ba-
ratismo no epicentro politico pa-
raense. Uma nova era ou simples-
mente a substituigio de nomes
na mon6tona gangorra do po-
der, responsavel pelo cres- '
center distanciamento que hA
entire a estatica representagio political es-
tadual e a dinimica social?
Um goverador fazer seu partido dis-
parar. usando para isso a forga da mA-
quina puiblica, nao 6 propriamente um
feito. Almir Gabriel pode te-lo pratica-
do sem que disso result a consolidaggo
de sua lideranca pessoal e da presenga
do PSDB. De quatro prefeituras em
1992, o partido pulou para 41. Os mais
entusiasmados tucanos lembram ainda
que o partido venceu, atrav6s de coliga-
96es com outros partidos, inclusive o
PMDB de Jader, em mais 69 municipi-
os, elegendo 250 vereadores em todo o
Estado.
Mas tem sido invariavelmente assim.
A Arena dos militares chegou a ser sau-
dada por um de seus presidents, Fran-
celino Pereira, como o maior partido do
Ocidente. Ate as eleiqges deste ano, o
PMDB a substituia no control desse ti-
tulo vAcuo. Agora e a vez do PSDB, se-
guindo na cola do president Fernando
Henrique Cardoso e da possibilidade de
sua reeleigao.
A hip6tese da reeleigio contamina to-
das as analises de future. Se passar, sem
que os candidates a reeleigio tenham que
se afastar de seus cargos para concorrer
outra vez, o governador Almir Gabriel


poderA dar contefido bem real & vit6ria
aparente que seus correligionIrios come-
moram. Qualquer outra eventualidade
alterari esse panorama. Isso porque to-
dos tem a lamentar um pouco de perdas
nesta eleiglo, inclusive o PT, em terms
reals, a maior novidade da dispute em
fungao da perspective de vit6ria na capi-
tal.
Os maiores derrotados foram o sena-
dor Jader Barbalho e o prefeito H6io
Gueiros, desde 1983 os principals eixos
das vias que conduzem ao poder. Jader
federalizou-se (e, em terms de vida pri-
vada, "fortalezizou-se", se o mais cons-


tante domicilio do ex-governador na ca-
pital cearense autoriza o neologismo de
p6 quebrado). Envolveu-se nas tramas
brasilienses em torno da presiddncia do
Senado e sua extensao, a reelei9ao de
FHC. Deve achar que os estragos causa-
dos em sua horta paroquial sao reversi-
veis. Pode ser um erro de calculo seme-
lhante ao que destronou Jarbas Passari-
nho, embora conte a favor de Jader ser
muito mais novo do que o ex-ministro.
Mas se a apurago dos votos de outu-
bro revelou que Jader Barbalho ja nao 6
mais o dono de currais eleitorais espa-
lhados pelo interior do Estado, o resul-
tado em Bel6m destronou HClio Guei-
ros. Sozinho, 6 pouco provavel que ele
ainda consiga fazer prevalecer a sua von-
tade. independentemente de aliancas. A
confirma9 o da derrota de seu candida-
to de colete, Ramiro Bentes, com a vit6-
ria de Edmilson Rodrigues, se ocorrer, o
colocara num nivel ao qual poderao as-
cender outros candidates potenciais,
como o senador Ademir Andrade, do
PSB, colocado entire os vencedores da
dispute, um candidate do PSDB que o
governador Almir Gabriel quiser susten-
tar (para isso se desfazendo da amarra-
9ao a Gueiros) e o pr6prio PT, pela pri-
meira vez em condiqOes de trabalhar um


nome com possibilidade real de vit6ria.
A pulverizaqAo do poder 6 resultado
direto das incriveis aliangas que foram
feitas em alguns dos principals munici-
pios paraenses. Em Santardm, por exem-
plo, o candidate de Almir, o deputado
federal HilArio Coimbra, foi o ultimo
colocado, num desempenho desastroso.
O vencedor, o deputado estadual Joa-
quim Lira Mala, recebeu o apoio do pre-
feito Ruy Correa (que elegeu-se em ali-
anga com o PT, passou para o PMDB e
ficou do lado do candidate do PFL) e do
prefeito Hl1io Gueiros.
No emblemAtico Eldorado de CarajAs,
quem venceu o PT foi o candidate do
PMDB, Jair da Campo, mas suas primei-
ras declarag6es foram de agradecimento
9 ao apoio do governador. Em
.p Itaituba, o candidate do
PSDB, que derrubou o do-
minio peemedebista, teve a
ScoadjuvAncia do senador
-, Ademir Andrade. Em Tucu-
rui, o ex-jaderista ClAudio Fur-
man voltou A prefeitura pela si-
Sgla do PSDB, com a colabora-
go 9 do mesmo Ademir, derro-
tando o candidate do prefeito Par-
sifal Pontes, tamb6m fragorosamente
batido em Marabd, onde o reinado dos
Mutran pode ter, finalmente, chegado ao
fim (e, por ironia, justamente quando dis-
punha do melhor nome ja apresentado
pela oligarquia). Em Castanhal, sua ter-
ra natal, Almir foi humilhado: seu can-
didato teve menos de um tergo dos vo-
tos dados a Paulo Titan. Perdeu "de ca-
pote" em MAe do Rio, onde esteve tres
vezes para ajudar o candidate da depu-
tada Lourdes Lima.
Assim, os nomes ji especulados para
o govero fora da dupla Jader-Hl6io sa-
iram fortalecidos. A reafirmag~o da vi-
t6ria em Bel6m tamb6m vai apontar a
melhor opiao do PT. Com a ida da de-
putada federal Ana Julia Carepa para a
vice-prefeitura, subira seu suplente. Ge-
raldo Pastana, do mesmo grupo do ex-
deputado Valdir Ganzer, o que mais tra-
balhou e se expandiu no interior, crian-
do as condi9ges para se impor A corrente
oposta que control o comando estadual
do partido.
0 fenix renascerA das cinzas ou serA a
serpente botando seu ovo? 0 future res-
pondera. Mas pelo menos agora hA uma
perspective de quebrar os enrijecidos e
envelhecidos dominios politicos impos-
tos ao ParA nos 61timos anos. *






4 ORNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE OUTUBRO/1996


POLEMICA


Paai rinhn rtoma attarando covardes


0 ex-senador Jarbas Passarinho
retorna a nossa polemica, que co-
megou mais de 20 anos atrds e teve
seu tltimo embate apartir do n 146
destejornal. Sua carta, na integra:

"Caro L6cio Flivio.
Tu sabes e salientas isso frequentemente -
que sou admirador de Raymond Aron, e que pre-
feriria ter feito um livro de mem6rias como "Le
Spectateur Engage". resultado de entrevista con-
cedida a urn casal dejornalistas. Pouco depois,
contudo. ele publicou suas mem6rias, corn qua-
se 800 piginas. No preficio de seu "Polmi-
ques" l1-se: "A verdadeira funglo da polemica
nio e de converter, mas de ajudar cada um a
compreender o outro". Volto, cor esse espirito,
a pedir-te espaqo em teu journal, o JP, que tern,
por zombaria das coincidincias nio desejadas,
as minhas iniciais...
Concordo em que o autoritarismo 6 incom-
pativel cor a liberdade de imprensa, mas 6 tam-
bem uma verdade que, em tempo de guerra, a
censura impede que o inimigo saiba o que se
passa do lado oposto. Em 1968, como descrevo
em meu livro, travavamos uma guerra civil nao-
declarada. As informaqces que seriam liteis aos
guerrilheiros e terrorists deviam ser-lhes sub-
traidas ao conhecimento. Quanto ao meu proce-
dimento pessoal, deves ter sabido que, gover-
nador imposto pela contra-Revoluiio, enfren-
tei a mais baixa campanha dirigida pela Folha
do Norte, cor inteira liberdade. Nunca oji ido-
so Paulo Maranhio sofreu o menor constrangi-
mento na suja e iniqua forma de combater-me,
em linguagem labrega e chula, talvez sem o co-
nhecimento total do velho e combative jomalis-
ta, j6 muito alquebrado e quase cego. Tudo o
que fiz ap6s a vit6ria do meu candidate, foi es-
crever-lhe uma carta aberta, publicada na Pro-
vincia do Para, emitindo duros conceitos a res-
peito do desservigo prestado pela imprensa
quando instrument de veiculaq o da mentira e
da calhnia, ou se alugada para produzir a de-
sinformaq o que desorienta o povo. Este e o meu
pensamento sobre a imprensa: quero-a livre, mas
usando a liberdade cor a contrapartida da res-
ponsabilidade. Embora fazendo profissao de fe
contra o autoritarismo. fizeste uma concesslo
ao general De Gaulle. No entanto, a Constitui-
qio francesa de 1958, de sua inspiraclo, ter no
seu artigo 16 norma tao draconiana que Oswal-
do Trigueiro, o grande Ministro do Supremo,
afirma em seu livro "Problemas do Govemo De-
mocratico" que ela tomava o president da Fran-
qa um ditador, na media em que the dava a prer-
rogativa de usar poderes excepcionais. "Esse
preceito configura a associaqCo do governor de-
mocritico a um traco de ditadura romana. no


sentido de autocracia excepcional e temporAria",
escreveu mestre Trigueiro. Aplicando-a, criou
(como Gettlio, em 35) um Tribunal de excegio,
que condenou i morte, pena posteriormente co-
mutada, generals her6is da 2' Guerra Mundial.
O fato de ter submetido a Constituiqao a refe-
rendo (e nio plebiscito, como citas) nio o dis-
tingue, nesse caso, do general Pinochet, que ain-
da hoje comanda o Ex6rcito chileno baseado
tamb6m na Constituigio aprovada pelo povo. Os
nossos generals, da ditadura a que te referes,
obedeceram is decisoes do Superior Tribunal
Military, cuja conduta foi elogiada pelos mais
combativos advogados de press por motivagao
political. Colocas com simplismo o problema,
quando dis a id6ia de que n6s "agredimos um
dos direitos mais sagrados da civilizaqio", o da
liberdade de imprensa, como se isso fosse um
objetivo primirio e sidico dos governantes ge-
nerais. Tanto nio o foi que, vencida a guerrilla
por M6dici, torou-se desnecessiria a censura.
O terreno estava livre. Nio havia mais necessi-
dade de censurar informaq6es 6teis ao inimigo.
Citas Jefferson, cometendo erro. Ao contri-
rio do que afirmas, Jefferson nio elaborara (a
Constituig9o) com seus colegas federalistas,
para proteger a imprensa de governor autoriti-
rios". Ele estava na Franca, como embaixador,
negociando tratados corn as potincias europ6i-
as, quando a Constituig~o foi elaborada, e nio
apenas pelos federalistas, em 1787, e s6 retor-
nou A America ao fim do ano de 1789. Deve-se-
the, isso sim, a bela redaiio da Declaragio da
Independencia. E bom rever os cadernos de aula
do secundirio, do mesmo modo que conv6m per-
guntar a um professor de Direito constitutional
o que distingue do referendo do plebiscito.
Nio conduzirA a algo proveitoso,
em nossa pol8mica, voltar a discutir o
AI-5. Se inevitivel, como sustento,
para impedir a instauraglo de um re-
gime comunista chefiado por Marighe-
lla, ou se, como minimizas o perigo,
um excess dos militares. Se todo um
capitulo do meu livro, no qual trato das
causes remotas, recentes e do detonador do AI-
5 nao te convenceram da minha tese, muito me-
nos me convince a superficialidade do teujul-
gamento de ter sido o Ato o excesso de um
governor autoritario". Tamb6m 6 inuitil voltar-
mos aojulgamento literirio do "Terra Enchar-
cada". Foi obra de um estreante, escrita nos trin-
ta dias de f6rias de um tenente que teve a tola
pretensAo de imitar a tecnica de Huxley. no
"Contraponto" -ji de si muito dificil conju-
gando-a cor o contrast entire a seca nordesti-
na, corn seus dramaticos efeitos sociais, e a ex-
ploracio do romance a clefque escrevi is pres-
sas. E ai te dou razdo. Tenho escrito sem deixar


amadurecer o texto. Lembro-me de um conto de
Huxley (Cynthia) em que o personagem pergun-
tado pelos netos porque estava escrevendo suas
mem6rias, responded que o fazia "para nao dei-
xar que o tempo se encarregasse de apagar suas
lembrancas". O meu livro de membrias teve,
igualmente, essa motivagio. O passado, fican-
do muito remote, roubar-me-ia recordaq6es pre-
cisas e, o que 6 mais important, testemunhos
de sobreviventes, estes ji entrados em anos,
como eu mesmo. Nisso te dou razio, repito, mas
nao quis correr o risco.
Tu me dizes vitima da "sindrome
de perseguiqio" e de ter a inteligen-
cia obnubilada pela vaidade. Quan-
to a esta,ji diz o velho brocado que
"o bomjulgadorjulga os outros por
si"... Vaidosissimo, estavas te olhan-
do no espelho quando escreveste so-
bre a vaidade... Relativamente a sen-
tir-me perseguido, hi a esclarecer que sou mui-
to bem tratado em todo o Brasil, por adversari-
os at6 radicals, e respeitado pelo que chamo de
matrizes ideol6gicas, que me dio provas reite-
radas de apreco, enquanto sou vitima das filiais
paraenses. Nio deve ter-te passado despercebi-
do que na iltima campanha eleitoral, em 94, as
calinias que me dirigiram, partindo de quem ja-
mais supus capaz de faz6-lo, chegaram ao cu-
mulo de tentar envolver-me com corrup9io, o
que nunca me foi atribuido pelo mais radical
dos meus adversaries. Refiro-me ao epis6dio da
penitenciiria de seguranqa mixima, que pelo
primarismo de alguns e a covardia de outros foi
inviabilizada. Onde esti a prova de minha res-
ponsabilidade na suposta malversacio do dinhei-
ro ptiblico? Foi na gestio dos ministros Cdlio
Borja e Mauricio Corria que 90 por cento das
liberaF6es dos recursos se deu. Por que o go-
vemante atual, que se permitiu essa baixeza, nio
juntou a prova da acusag o torpe que foi feita
no program de televislo da campanha eleito-
ral, toda ela tecida de miseriveis mentiras? JS
se passaram dois anos, tempo mais que sufici-
ente para que ele passasse da acusagio calunio-
sa para a apresentagCo das provas. Entremen-
tes, o Pari ficou sem uma penitenciaria de se-
guranga mixima, que estados como o Rio de
Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul
e Distjto Federal pleitearam junto a mim e a
obtiveram, para manter em recluslo os seus cri-
minosos mais perigosos. Eu, entretanto, quando
os marqueteiros da minha campanha publicaram
que o meu opositor se corrompera cor auxilio
em dinheiro realmente recebido por ele, em 92,
da Odebrecht, protested energicamente e proibi
repetiiao. Pergunta ao PedroGalvio qual foi a
minha realao. E tu ainda me dizes paran6ico,
corn mania de perseguic;o! De fato. o Brasil me


~ r VVVI rr~r ~r~~~u~rrv rrv






2' QUINZENA DE OUTUBRO/1996 -JORNAL PESSOAL 5


acostumou mal. Trata-me com respeito e afeto
demonstrado. quer por meus pares no Congres-
so, quando com eles convivi, quer pelo povo.
So no Para 6 que divide. Tenho amigos leais e
nio sAo poucos, mas tenho os que foram puni-
dos por se terem corrompido, o que ficou pro-
vado quando investigados em 64, todos corn di-
reito de defesa. Seus descendentes me olham
com 6dio, quando deveriam ter vergonha do pro-
cedimento delinqiiente de seus pais. Fui acusa-
do de tudo o que nao fui: inimigo do trabalha-
dor, opressor de estudante, de nada ter feito pelo
Para e de ser o que sou honrosamente, isto 6,
coronel do Exercito, j reformado. Hi, ainda,
quem, confessando-se marxista-leninista em de-
poimento, a despeito de nada saber de Marx e
absolutamente nada de Lenin, foi tratado (como
de resto a todos que ouvi) com dignidade, e ate
protegi conseguindo emprego, posteriormente ao
inico IPM de que fui encarregado, e que agora
me calunia e quer passar porter sido persegui-
do. Insisto: minhas mios estio livres do sangue
dos que prometiam passear minha cabeca pelas
ruas de Belem, se comunistas vitoriosos, como
est~o limpas do dinheiro mal havido. Nio atin-
gi a dignidade alheia, nao torture, nAo me omi-
ti quando tomei conhecimento de tortura (ainda
que para receber a ingratidio transformada em
6dio do beneficiado por minha agio) ejamais
surrupiei como dizia o padre Vieira o dinhei-
ro do povo.
Ja vai longa esta carta. Receio abusar do teu
espaqo, que em condutajomalistica louvivel me
concedes. Reafirmo as diverg6ncias contigo, do
mesmo modo que renovo o aprego ao talentoso
jornalista que, como Carlos Lacerda, sentiu a
necessidade de ter um jomal pr6prio, certamen-
te porque a sua personalidade assim o exige, mas
e a mim que chamas de vaidoso e de teimoso...".

Minha resposta

Comeco pelo fim, para facilitar a
concatenaqio do leitor, tentando al-
canqar a objetividade para servir a
esse mesmo leitor.
Infeliz a observaqio final do co-
ronel (com muita honra) Passarinho.
Nio fiz este Jornal Pessoal para que
meu nome ficasse no alto da primeira
pigina, ou para que fosse um espelho verbal para
auto-contemplaFao. Ojoral surgiu para publi-
car o que nenhum 6rgio da grande imprensa quis
divulgar sobre o assassinate do ex-deputado
Paulo Fonteles. O segundo n6mero estampou o
"rombo" de 30 milh6es de d6lares dado no Basa
por coluniveis, que tamb6m nenhum journal ou-
sava publicar. E assim ter sido a trajet6ria deste
jomal. Passarinho s6 sabe da penetraqlo do nar-
cotrifico em Bel6m e na Amaz6nia por estejor-
nal.
Se eu dispusesse de algum,jA organizado, nio
me submeteria a tantos sacrificios para manter


este. Tornei-me um outsider porter assumido,
ate as iltimas consequincias, os compromissos
que dignificam a minha profissio. Quanto mais
aprendi e apliquei o que aprendi, mais as portas
foram se fechando para mim. Parece ate um pr&-
mio as avessas, como se vivemos um enredo de
Lewis Carroll, redivivo em Santa Maria do Grlo
Parn..
Experimente o ex-ministro refe-
rir-se ao meu nome em um de seus
artigos para 0 Liberal. E censura
certa, cor toda a deferencia que os
Maiorana dizem que Ihe prestam, ao
menos pela frente. O que me restou:
criar o JP, desistir de continuar a ser
jornalista ou ir embora de Belem.
Por enquanto resisto, aqui, a despeito de injus-
tigas feloniess, ele diria) do coronel Passarinho.
Ele comparar a guerra do general Medici a
guerra do general De Gaulle e um despaut6rio
(outra homenagem ao seu estilo). A guerra na
Argilia foi uma das iltimas coloniais e san-
grenta, uma nagio combatendo a outra, dispute
territorial pelo meio. O que Passarinho chama
de guerra civil no Brasil foi uma fracassada ten-
tativa de insurreig o, extremada em casos iso-
lados, mas que nunca ameagou para valer o po-
der de Estado (nenhuma area sequer, rural ou
urbana, foi "liberada"). 0 desinteresse ou a in-
timidag~o da populagio superaram a ret6rica dos
opositores.
A famosa guerrilha do Araguaia tinha 70
combatentes. Sobreviveu por despreparo e mio-
pia do Exdrcito (que, se tivesse que defender
uma Malvinas, poderia fazer mais feio do que
os argentinos diante dos ingleses). Quando o
combat foi ajustado ao objetivo, os guerrilhei-
ros do PC do B, isolados, cegos por uma con-
cepqAo political ex6tica, foram massacrados ra-
pidamente. Poderiam ate ser press, todos. Mas
a ordem era nao deixar arquivos vivos.
Caiu muito o senso de honra na Rep6blica,
de Canudos ao Araguaia. Neste, Euclides da
Cunhajamais seria possivel. Moreira Lima fez
um relato da guerra contra os liderados de An-
tonio Conselheiro que 6 hist6ria maiuscula. O
ex-ministro diz que a censura era necessiria,
para nao dar informa6Oes ao inimigo. Confunde
censura a despachos do campo de batalha, onde
nossos militares raramente foram, felizmente,
cor censura a atos politico-administrativos do
Estado, aos quais os cidadAos devem ter acesso
- ou, entio, nio havera nunca res public nes-
ta terra.
Que guerra 6 essa que leva o governor a cen-
surar noticias sobre a maior epidemia urbana
de meningite no mundo, que eclodiu em Sao
Paulo, em 1973? O regime, do qual Passarinho
fazia parte, impediu O Estado de S. Paulo de
publicar estatistica sobre numero de casos e
mortes ocorridas. Proibiu de mostrar que a mi-
seria de Sio Paulo era uma ameaqa mais grave
6 vida da populaqgo do que o frio, que estaria


multiplicando na versa6 official os casos da
doenca, possibilitando a sobrevida da bacteria.
E o Estadio nao era nenhum joral sensacio-
nalista.
Qual a razio de Estado, tamb6m, que vetava
noticiar o uso especulativo de informacqes pri-
vilegiadas por membros do governor para ganhar
monties de dinheiro na Bolsa de Valores? A cen-
sura dos militares serviu menos A luta anti-guer-
rilha do que ao aperfeigoamento e ampliaqao da
pritica da corrupq o, que se tomou urn virus le-
tal.neste pais. A p6s-graduaqao nos anos de
chumbo nos fez doutores mundiais na matdria.
O governor do general De Gaulle foi um re-
gime forte, aprovado pelo povo, comandado por
um estadista de fato, qualquer que seja nossa
avaliaigo a respeito de seus m6todos. Quando
falei no uso do plebiscite, estava me referindo
claramente a forma de governor do her6ico ge-
neral (un dos raros lideres franceses que nio
se arreganhou aos nazistas), que recorria a con-
sulta popular para se manter no poder (e, afi-
nal, quando entrou em descompasso com otem-
po, foi plebiscitariamente mandado para casa,
em Colombey-les-deux-Eglises, onde morreu,
digno, sem estar aboletado em nenhuma estatal
ou em presid&ncia de empresa privada benefici-
ada por ato seu).
S Nio fiz a mais distant referen-
cia a plebiscite sobre constituig~o,
absurdo que Passarinho, parecendo
ji mal adestrado em debates, tenta
introduzir clandestinamente na mi-
nha resposta. Nao sou especialista
em direito constitutional, mas sei
muito bem distinguir plebiscite de
referendo, como sei distinguir constituiqio de-
cente daquela vergonheira que o govero mili-
tar de 1969, do qual Passarinho era ministry,
nos imp6s cor aquele indecoroso "emendao",
que mais parecia lista telefonica.
Sou testemunha ocular dos 61timos dias de
Salvador Allende no Chile. Chorei cor a morte
do president, um home digno, honest, um po-
litico em plenitude, mesmo quando equivocado
(a comparacio cor Joao Goulart, que muitos
fazem, e indevida). Nao tenho a menor simpa-
tia pelo general Pinochet. Ele comandou um
morticinio. Matou muito mais do que, analisan-
do-se pela "etica" de uma guerra, seria possi-
veljustificar para assegurar a implantacgo do
novo governor. Nossos militares, formados a
francesa, enquanto os chilenos derivam do mo-
delo prussiano (ate no pass de ganso, no capa-
cete e no uniform pesado),jamais chegariam a
tanto. Mas tambem porque seus opositores e
inimigos eram muito menos numerosos e pode-
rosos, incomparavelmente menos do que diz Pas-
sarinho.
Pinochet, infelizmente, permanece como um
demiurgo pairando sobre a democracia chilena,
mas ele passou aos civis um sistema ainda em
ascensao, com resultados expressivos. E






6 ORNAL PESSOAL 2' QUINZENA DE OUTUBRO/1996


C Nio foi uma operaaio de salvados do in-
cindio, como aqui. E uma diferen9a bisica, que di
uma dimensio do golpismo bacharelesco que Car-
los Lacerda inoculou nos militares,junto corn toda
a banda de mfsica da UDN, de dobrado desafina-
do, para depois sofrer os efeitos do feitigo que in-
ventara.
De fato, Jefferson tinha sido mandado para Pa-
ris, onde negociaria a divida da nova nagio cor a
velha Europa, quando a constituigio americana foi
elaborada. Mas essa noqao de hist6ria que o ex-
govenador manifest 6 secundarista, de manual.
Circunstancialmente Jefferson estava fora dos Es-
tados Unidos. Mas ele participara, nas piginas de
"The Federalist", do debate politico, ideol6gico,
filos6fico e pragmitico do qual resultou a consti-
tuiqio de 1776 e a consolida~io posterior, que tern
uma nitida marca jeffersoniana, tanto na "Bill of
Rights", como no curso dos dois mandates que cum-
priu na Casa Branca.
Ora, coronel, sejamos menos mesquinhos no
nosso debate. Ao fazer referencia a Jefferson, eu
estava menos interessado numa obtusa dissertagao
ginasiana sobre fatos do que relacionar a liberda-
de de imprensa a um dos tragos bAsicos de defini-
cOo de civilizagio que tanto prezamos. Ai entram
Jefferson e os federalistas, nos debates de um pe-
riodo onde estio plantadas as raizes da defesa do
direito A informaio, acima das conveniencias oca-
sionais dos governor. Foi por nao ver axiomatica-
mente definida essa precedencia no texto constitu-
cional que Jefferson redigiu a famosa Primeira
Emenda, ate hoje o contencioso nas litigincias do
poder politico corn a imprensa nos EUA e motivo
de nossa inveja por aqui.
Deslizes e escorreg6es que Passa-
rinho compete podem ter sua explica-
gio em uma afirmativa sua exemplar:
"Tenho escrito sem deixar amadure-
cer o texto". O agodamento se expli-
caria pelo desejo de aproveitar o fres-
cor da mem6ria antes que as lembran-
gas nela se apaguem. Mas pode-se es-
crever textos amadurecidos tanto aos 20 quanto aos
70 anos. Rimbaud revolucionou a poesia francesa
dos 16 aos 19 anos. Depois foi ser mercador e tra-
ficante de armas na Abissinia. Uma das melhores
mem6rias que j lii at6 hoje, as de Bertrand Rus-
sel, foram escritas por ele no ocaso da vida, vindo
a transport os 90 anos.
Apesar da preocupa~lo com a fugacidade da
mem6ria, Passarinho demorou demais a escrever
a sua: a mem6ria, um de seus grandes trunfos, pa-
rece haver enfraquecido; muitos de seus contem-
poraneos, que poderiam polemizar com ele,ji mor-
reram. TerB ele desejado o solil6quio?
Mesmo assim, o memorialista tropega em reti-
cincias, dobra em esquinas mal iluminadas e nao
nominaliza referencias indispensiveis para dar o
carter de testemunho ao que escreve. Assim 6 em
sua replica. Por que nao diz quemn o falso mar-
xista-leninista, a quem protegeu e do qual agora 6
vit;iT de calinias? Seria salutar: muita gente ga-


nhou atestado de "progressista" As custas dos lar-
gos costados do coronel.
Tamb6m ele nao diz quais foram os
primarios e os covardes no epis6dio da
penitenciaria de Santa Izabel, uma his-
t6ria que esti em condi6es de restabe-
lecer, mesmo que 90% dos recursos do
governor federal tenham sido liberados
nas gest6es de dois de seus antecesso-
res colloridos. Mas se realmente o di-
nheiro foi mal aplicado na muralha cabulosa, nio
seria possivel uma apuracAo regressiva? Ou o fato
consumadoja 6 habeas corpus preventive da preva-
rica io?
Dizer que o ex-ministro enriqueceu a custa do
patrim6nio piblico 6 um desprop6sito. A honesti-
dade de Passarinho no trato corn oerario 6 pblica e
not6ria e arra entire n6s. Mesmo assim, ao contri-
rio do que afirma, ela foi questionada antes do epi-
s6dio da penitenciaria. O pessoal do MR-8 tentou
associa-lo a irregularidades na campanha de 1982,
mas era uma hist6ria tao absurd que logo se des-
moralizou, o que nio impediu o entio govemador
Alacid Nunes de distribuir centenas de exemplares
do jomal do MR-8, Hora do Povo, em Beldm, ten-
tando ajudar a campanha de Jader Barbalho, na po-
ca inimigo, depois companheiro de viagem do ex-
senador (que nio costuma ser rigoroso em suas com-
panhias). t apenas registry hist6rico.
Registro mnem6nico tambem merece a refern-
cia de Passarinho a um Brasil que lhe fazjustifa e a
um Para que o maltrata. O Para nAo 6 Brasil? Fre-
quentemente nio parece mesmo que seja. Brasilia
tem demonstrado uma incapacidade estrutural de
compreendereste lado do pais, que to tardiamente
e artificialmente se integrou a nacionalidade.
Pode-se dizer, cor amarga ironia, que o Brasil 6 o
pais mais pr6ximo da Amaz6nia, pondo em aiao a
conceituacio elucidativa de Bordieu sobre o simbo-
lismo do regionalismo.
Mas Passarinho sempre se manteve mais pr6xi-
mo do Brasil do que Par. Funcionou mais como urn
c6nsul (no sentido da antiga Roma) do planalto do
que um representante da planicie. Trazia ordens; uma
vez ou outra levava as reivindicaq6es. Fez nome
como um privilegiado tribune na corte, adulado, ba-
julado e invejado por suas qualidades inquestioni-
veis. Mas pouco fez para que o hinterland nao se
cristalizasse como col6nia.
Muita injustiga, de fato, foi cometida contra ele.
Mas castigo imerecido costume purgar pecados raise
pela linha torta da penitencia. Enquanto Passarinho
brilhava na corte, a fronteira era tomada pela bar-
birie e a selvageria. Depois, quando tentou voltar,
manifesto horror pelo que viu e sofreu, nao exata-
mente produto de sua agao, mas resultado par o
qual sua omissio consagrada contribuiu. No infer-
no de Dante os omissos sao os mais penalizados.
Em Shakespeare, tambem. A voz do artist 6 a voz
de Deus.
A hist6ria continue a cobrar melhor testemunho
do ex-ministro. Nesta sua carta, ele trata de urn epi-
s6dio da campanha de 1994 ainda obscure. E sobre


a divulgag o de recibo de contribuiV6es em dinhei-
ro da Construtora Odebrecht para o entio senador
Almir Gabriel. Passarinho diz que isso foi obra de
seus marqueteiros. Deveria dizer quem foi o autor
da pega. Mas joga gasoline no fogo quando ressal-
va: "Eu, entretanto, quando os marqueteiros da mi-
nha campanha publicaram que o meu opositor se cor-
rompera corn auxilio em dinheiro recebido por ele,
em 92, da Odebrecht, protestei energicamente e proi-
bi repeti io".
Proibiu porque era mentira ou porque nio era
convenient a divulgacio? Se era mentira que o se-
nador Gabriel se corrompera, por que nio veio a
piblico desmentiro que seu program de propaganda
eleitoral divulgara? Se era verdade, por que proi-
biu?
Passarinho, entretanto, tem sua razio quando
cobra do atual goverador que apresente provas do
envolvimento do entio ministry da Justiga com irre-
gularidades nas obras da penitencifria, que endos-
sou e nio mandou tirar do ar. Almir foi o primeiro
govemador, a partir de 1983, que ascendeu ao cargo
sem a pecha de enriquecer corn fundos pdblicos.
Jader Barbalho, que retomou o poder em 1991, pro-
meteu devassar a administraco de Hdio Gueiros.
De fato, comegou abrindo concorrencia piblica para
auditar as contas estaduais. Mas lances rocambo-
lescos, em seguida, acabaram com a hist6ria e tudo
continuou como antes.
Almir Gabriel nem esse ensaio (ou
pantomima) fez. Continuou a corri-
da, impivido, com o bastAo recebido
de Carlos Santos. Sequer limpou as
mios. Estaria mais preocupado em
descortinar o future? Nosso govema-
dor mais parece um poeta de p6 que-
brado, a ouvir estrelas ao meio-dia
(nem chegam a ser a da tarde, importalizadas por
Manuel Bandeira).
E por essas e outras que a companhia de en-
trevistadores seria de grande valia para Passari-
nho narrar suas mem6rias. Como ele prefer de
outra maneira, dou minha espontinea e modest
contribuig o para que seu livro tenha eco e, pela
polemica, ajude a opiniAo p6blica a compreen-
di-lo melhor. Lamento estar isolado nesse esfor-
Co, j que ojomal para o qual Passarinho contri-
bui cor artigos (alias, cada vez menos frequen-
tes: seria cansago ou pudor?) limita-se a um an6-
dino registro, como de praxe.
Por fim, senador (cargo que se toma imortal
por sua pr6pria vitaliciedade simbolica), para-
bWns pelos avangos formais desta sua filtima car-
ta. Mesmo assim, deve-me melhorias que nela in-
troduzi cor a redigitagio de tudo. Um dia have-
remos de acertar melhor nossas contas pendente;
se possivel, sempre de piblico e com esse nivel
de civilidade que tanto me faz bem, e, espero,
tamb6m ao distinto piblico, nesta terra de rastei-
ras & gueiradas. *
PS Da pf6xima vez, use mais pontos par6grafos e
perlodos mais curtos. Nem todos tm os pulm6es
de um Maiak6vski para powder apreciar adequada-
mente seu estilo. Penhorado, agradeo.





2 QUINZENA DE OUTUBRO/1996 JOURNAL PESSOAL 7


Mudando a conversa
O partido que melhor se saiu na elei*io para
a Cmara Municipal de Belmn foi o PPS
(ex-PCB). Tinha apenas dois candidates e ele-
geu ambos: o j vereador Araldo Jordy e o m6-
dico Valdir Cardoso dobrando, portanto, a ban-
cada Conseguiu isso ao se aproveitar dos votos
carregados na legend do PT, que se difundiram
pelos partidos abrigados na coligaao. Por ter
mantido a alianca tanto na dispute majoritfria
quanto na proporcionaL o PT mesmo acabou s6
elegendo quatro (dois a mais do que na atual
legislature) dos sete vereadores da oligaoio (um
terceiro de fora foi Sandra Batista, do PCdoB).
E pode ate perder mais um lugar se Cacilda Pin-
to conseguir reverter para o seu nome os votos
computados na legend do PSTU.
Se eleger-se, Edmilson Rodrigues tera uma
Caimara muito menos favorivel do que aque-
la cor que ainda conta o prefeito Hdlio Guei-
ros. Teoricamente, a base de apoio de um pre-
feito do PT seriam nove vereadores (mais os
dois do PSB). A de H6lio contabiliza 23 no-
mes. No entanto, o legislative municipal esta-
rd, a partir do pr6ximo ano, mais pulverizado
do que antes. Abaixo da coligacio liderada
pelo PT estdo, na mesma posicio, cor qua-
tro vereadores, o PMDB, o PSDB e o PDT.
Logo ap6s, cor bancada de tres vereadiores,
o PFL e o PL. O PSB, o PTB e o PPB con-
tam cor dois vereadores cada.
Assim, cada partido perdeu peso especi-
fico. Para um governor fisiologista, facilitaria
as negociac6es, embora tendo que ceder fra-
q6es a cada um interlocutor. Mas para o PT,
que quer estabelecer um novo padrao de
gestio, pode ficar complicado. NAo impos-
sivel de resolver, entretanto, principalmente
se o partido levar al6m da letra do discurso a
proposta de planejamento participation e ad-
ministragao democritica, alimentando o ci-
dadAo eleitor de informaces e estimulando-
o a cobrar de seus representantes vantagens
que nao sejam as do politico apenas. Nesse
caso, Bel6m 6 quem vai ganhar. 0



Balan a viciada
Ordem dos Advogados do Brasil 6 a
mais poderosa corporagao do pais,
que em alguns moments defended a
sociedade e, em outros, seus associados,
ou ambos. Em Bel6m, a OAB-Pari deixou
voluntariamente de exercer esse poder no
caso do advogado Carlos Alberto Lama-
rio Correa, director do departamento juri-
dico do Iterpa. 0 advogado, que tamb6m 6
procurador estadual, foi atacado pelo jor-
nalista Oliveira Bastos, em entrevistas e


S6 no dia 29 a propaganda eleitoral voltari
Lao ridio e a televised, para durar duas se-
manas. E pouco tempo de uso da principal
midia de divulgacio dos dois candidates que
vAo disputar a prefeitura de Bel6m no segun-
do turno da eleiio. NAo ha nenhum tema
explosive que o candidate official, Ramiro
Bentes, possa usar para reverter a tend&ncia
amplamente favoravel a Edmilson Rodrigues,
da coligacio liderada pelo PT, que terminou
o 10 tumno cor mais do que o dobro de votos
do seu concorrente. Se essa condicio inveji-
vel foi mais consequencia dos desastrosos er-
ros cometidos pelos candidates que eram
apontados como favorites, no inicio a depu-
tada federal Elcione Barbalho, do PMDB, e,
em seguida, o pr6prio Ramiro, a confirmnalo
da vit6ria vai ter uma dependencia maior dos
acertos de campanha do PT.
Atd a retomada da propaganda por radio e
TV, o partido vai ter que fugir de armadilhas e


Suando a opiniao public deixa, penas
de alugu6is acabam se tomando letais, co-
mercializando opiniao e causando danos is viti-
mas de seus neg6cios. t assim que prolifera a
imprensa marrom, da qual Bel6m ji pode exibir
alguns exemplos. E precise nio condescender
com esses abutres, mas tamb6m 6 indispensivel
assegurar a ordem legal.
Ojomal"ChamadaGeral"fazparte desse sub-
jomalismo, que se aproveita de mecenas ines-
crupulosos e da condescendncia da sociedade.
0 iltimo nimero foi apreendido pelaPolicia Fe-
deral, que atendeu determinaao do juiz eleito-
ral, Ronaldo Vale, com base, por sua vez, em
pedido do PT. Ojomal traria na primeira pagina
uma noticia falsa, de que Edmilson Rodrigues
reajustaria em 300% os vencimentos dos funci-
onirios piblicos municipals, com o evidence pro-
p6sito de criar problems para o candidate da
oposiao e beneficiary o candidate official.



artigos publicados no jomal O Liberal, sem
poder defender-se (ver Jornal Pessoal 147
e 148). Pediu o apoio da seccional, que apro-
you uma moc9o ptblica de solidariedade.
Mas o president da OAB, Sergio Fra-
zio do Couto, informou em oficio a Lama-
rio ter decidido nao enviar a nota de desa-
gravo ao journal, "face a alegada existancia
de incompatibilidades pessoais de V. Exa.
com os dirigentes do mencionado journal, o
que poderia causar constrangimentos".
A decisao, pessoal, foi tomada depois que
S6rgio Couto conversou, por telefone, com


estar atento aos movimentos do principal cabo-
eleitoral do candidate da coligacgo Melhor para
Bel6m, o prefeito H6lio Gueiros. As primeiras
iniciativas do PT foram eficientes: atravessou a
procissto do Cirio sem incidents e impediu
que propaganda enganosa fosse divulgada con-
tra Edmilson.
A partir dos programs atraves dos meios de
comunica*io de massa, o candidate petista ter
que star preparado para enfentar o debate com
Ramiro Bentes, que vai procurar se caracterizar
como uma opio t6cnica e administrative, ten-
tando realWar o passado turbulento do PT e des-
tacando a participao de Gueiros. Para garantir
a vit6ria no 2 tumo, mais do que acertar, o PT
nao pode erar. S6 um erro grave e estrondoso
estancaria o fmenmeno que ocorreu a partir das
duas iltimas semanas da campanha do 1 tumo
e fluiu para o partido. Tudo indica que, mais do
que vencer, o maior desafio que se imp6e para o
PT agora ser govemar Beldm. 0


A aaio foi absolutamente legal, embora pra-
ticada com abuso de autoridade, segundo o
protest de A Provincia do Pard, em cujas
oficinas o jomal estava sendo impress. A lei
eleitoral faculta a a~o preventive, na eventu-
alidade de se configurar o crime que o jomal
praticaria. No entanto, nio ter amparo a ini-
ciativa do PT de simplesmente obter dajusti-
a a suspension da circulaio do jomal at6 o
dia da eleiqgo. Como, seem fotolitos ou qual-
quer outra formalizac&o de uma future edigio
existe? Ai ji se configuraria uma violncia.
A lei nio pode ser violada, sob a alega-
91o de que um canalha ou delinquent dela
se beneficia. Quando essa excegio 6 invoca-
da, fica muito ficil inventor pretextos para ir
sempre alnm. Inventado o monstro, como
domn-lo? I um velho dilema, que, ji a seu
tempo, Voltaire resolve, defendendo os di-
reitos dos inimigos. 0



a diretora administrative do Sistema Ro-
mulo Maiorana de ComunicaFlo, Rosan-
gela Maiorana Kzan. Ela alegou ter tido
um incident com Lamarao durante uma
audi6ncia no f6rum de Belem, em proces-
so no qual o advogado atuava como meu
defensor em aso iniciada pela diretora do
SRM. Lamarlo negou a existencia do epi-
s6dio.
Na semana seguinte a essa deciso, a
OAB divulgou nota d apoio a outros de
seus associados, sem procurar apurar
constrangimentos pr6vios.


0 novo desafio


Questdo de principio







0 tove"AwillW lui

que nao ie a i
Salio Arte Para, promovido pela Fun-
dacio Romulo Maiorana, com o apoio
do pr6prio governor do Estado. Seria
sua resposta ao langamento da candi-
datura political do principal executive
do grupo Liberal, o vice-presidente
Romulo Maiorana Jr.
Numa entrevista publicada cor des-
taque no journal O Liberal, o deputado
federal Vic Pires Franco lancou a do-
bradinha H61io Gueiros-Rominho. Se
o prefeito fosse candidate ao governor
do Estado em 1998, o empresdrio se-
ria o senador da chapa. E vice-versa:
se Gueiros quisesse ser senador, Ro-
mulo Jr. seria o governador. Isto tudo
como se o governador nto existisse,
nem tivesse o direito de pleitear candi-
daturas majoritirias na coligagao situ-
acionista.
Em entrevista dada logo depois, Ro-
minho confirmaria suas pretensOes,
que existein desde quase 15 anos atrs,
quando se filiou -juntamente com Vic


Mais grana
O gabinete do vice-governador do
Estado, H61io Gueiros Jr., recebeu mais
de dois milh6es de reais de verba suple-
mentar no m6s passado, um pouco mais
do que foi destinado As Fundagio Tan-
credo Neves e A Defensoria P6blica, para
dar s6 dois exemplos.
O acordo do medo continue em vigor.


Por linhas tortas
O comum 6 uma autoridade public, ao
sair de um encontro reservado com outra au-
toridade pdblica, anunciar o tema das con-
versas mantidas. O general Dl6io de Assis
Monteiro, chefe do Estado-Maior do Ex6r-
cito, inovou ao falar A imprensa depois de
reunir corn o goveador Almir Gabriel, em
Bel6m. na semana passada. Disse que temas
pol6micos, como o massacre dos sem-terra
em Eldorado de Carajds e a viol6ncia rural
no Estado, nio foram tratados.
Seri uma nova t6cnica de comunicagAo?






S(.... e ......c...l.9 o,* o iS,9 ssa
dS 555' .nia chqu er norn deL
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q ao~MDB do entAo governador Jader
Bezri.alho. Os caminhos se tornaram pa-
ralelos, Romulo Jr. deixou o partido,
mas continuou A espera de uma opor-
tunidade. Vic deu-lhe um novo mote.
Talvez informada da possivel desfei-
ta, que seria mais perceptivel ainda di-
ante da transfergncia do salao da gale-
ria de arte da empresa para o rec6m-
reformado e adaptado Museu do Esta-
do, a dirigente da Fundaqio Romulo
Maiorana, Roberta Maiorana, foi pes-
soalmente convidar o governador no
palicio dos despachos.
Em retribuico, Almir Gabriel que,
final, mudou de ideia destacou a pre-
senqa de Roberta, chamando-a para o
seu lado no vernissage. Mas teve o cui-
dado de nAo se referir a Vic, que estava
as proximidades, procurando fazer-se
notar, quando nominou as autoridades
presents. Aguas ainda vao rolar nessa
cachoeira de vontades ou seria me-
Ihor falar em fogueira de vaidades?
Aguarda-se, para breve, um novo ca-
pitulo, se o governador ainda tiver dis-
posigco para escrev6-lo.


Abulia?
O fato que mais desgastou e talvez irre-
medievalmente a imagem do govemador
Almir Gabriel em todo o pals e atd intemaci-
onalmente foi o massacre de Eldorado dos
Carajas, ocorrido em abril. Era o desfecho
dramitico e sangrento de um conflito de ter-
ra. HA outros litigios semelhantes em anda-
mento, con outros resultados potencialmente
iguais ao de Eldorado. QuestAo de terra 6,
portanto, um barril de p6lvora no Pard
Pois bem. Para a direlo do principal 6r-
glo da administrago piblica voltado para
o setor, foi deslocado um t6cnico do Incra
do Maranhio, que agora acumula as duas
superintendncias, com um p6 mais 16 do
que cA. Outro maranhense foi para a supe-
rintendencia do institute em Maraba, que,
a partir do segundo semestre deste mes, sera
a segunda superintend6ncia do Incra num
mesmo Estado, o que di uma media da
sua importincia.
O goverador Almir Gabriel nio tem no-
mes para indicar, nao tem vontade de indi-
car, ou o qua? A opqAo certa parece ser mais
a do "o que".


Contra a pirataria
O juiz da 1a vara da comarca de Ma-
rabi, Jos6 Torquato de Alencar, que res-
ponde pela 28 vara de Altamira, negou o
mandado de seguranga requerido pela
Kramm Assessoria e Engenharia. A em-
presa que queria restabelecer o registro
imobilidrio de dominio sobre uma area
cor 1,3 milhao de hectares em Altami-
ra. Depois de haver efetuado o registro,
a official do cart6rio, Eug6ncia de Frei-
tas, cancelou-o, alegando que as terras
rconstituiam simples posse e nao propri-
edade.
A Kramm havia conseguido o reco-
nhecimento do Ibama (Instituto Brasilei-
ro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturals RenovAveis) para uma RPPN
(Reserva Particular do Patrim6nio Na-
tural) sobre 500 mil dos 1,3 milhio de
hectares que teria o seringal Yucatan I.
Mas, cinco meses depois, o Ibama tam-
bem anulou o decreto da RPPN, ao veri-
ficar que nio estava caracterizado o do-
minio privado sobre a area (ver Jornal
Pessoal n0 148).
Embora o juiz nAo tenha examinado
o m6rito da questAo, negando o manda-
do de seguranga, em preliminary, por per-
da do objeto da a9ao (ja que a portaria
da RPPN havia sido revogada, nAo po-
dendo mais, por isso, voltar a ser aver-
bada no registro de im6veis), sua deci-
sAo abre uma nova perspective para o
combat das grilagens de terras por via
judicial. E um bom sinal indicative de
novos tempos, exatamente quando aven-
tureiros se langam sobre o patrim6nio
fundiario estadual.


Titulo e nosso
Este titulo, ao que parece, ninguim
tasca: o TRE do ParA continue a ser o
mais ineficiente de todo o pais. Como
de praxe hA vArios anos, foi o filtimo a
concluir a apuragio de votos entire as
capitals do pais. Apesar da votaago ele-
tr6nica, os belenenses s6 ficaram saben-
do do resultado final quatro dias depois
de terem votado. Muitos dos recursos
pendentes no turn acabaram nao sen-
do julgados.
Errata
Por um lapso, a edigAo anterior repe-
tiu o nO da edi9io 147. Deveria ser 148.
A numeracAojA estA corrigida.


Journal Pessoal
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