Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00094

Full Text






Journal Pessoal

E D I TOR R E S PO NSAVE L: L U C I F LAVIO PI NTO
ANO IX Na 137 1 G QUINZENA DE ABRIL DE 1996 R$ 2,00

COBRE


Quase o Para perde

A Anglo American, uma das donas da Salobro Metais, tentou
ate o final do mes passado mudar a metalurgia
para Sdo Luis. A CVRD ndo deixou.
Estaro assegurado para o Paro seu maior projeto?


Para esteve bem pr6ximo de
perder o maior dos seus inves-
timentos, a metalurgica de
cobre da Salobo Metais no va-
lor de 1,5 bilhio de d6lares.
Ate o final do mis passado a Anglo Ame-
rican, socia da Companhia Vale do Rio
Doce no empreendimento, tentou trans-
ferir a usina para Sao Luis, deixando no
Para apenas a concentracAo do min-rio, a
parte menor do investimento. Al6m dis-
so, a transferencia da plant industrial pri-
varia o Para da produgco de ouro e prata,
so recuperaveis na metalurgia.
O director de desenvolvimento da
CVRD, Ulysses de Freitas, disse ao go-
verador Almir Gabriel, com quem con-
versou reservadamente no final do m6s,
que a Vale considerou clausula inegoci-
avel de sua associacao cor o grupo sul-
africano, o maior produtor de ouro do
mundo, que a metalurgia fosse realizada
no Pard mesmo, em Parauapebas ou em
Maraba (o ponto que ainda vai ser acer-
tado). Ap6s alguma resistencia, a Anglo
American concordou com a posico da
Vale.
O assunto ainda vem sendo mantido
sob reserve. Parece ser intengco da Sa-
lobo Metals nao fazer qualquer anuncio
ate a definitive constituigao da socieda-
de, que, alCm da CVRD e da Anglo, vai
envolver em parte igual, de 33% o
BNDES, que financiou a fase de pesqui-
sa do cobre. S6 depois de resolvida a
questAo da composigio societaria e que
sera tratada a localizagio da fabrica, dis-
putada pelos dois municipios.
No entanto, a sorte do projeto Salobo
vem sendo discutida desde o surgimen-
to da Companhia Brasileira de Metais
NAo-Ferrosos, uma super-empresa a se-
gunda maior companhia de mineragAo e
metalurgia do Brasil que surgiu da aqui-
sicio da Caraib:, Metais, Paranapanema,


Paraibuna Metais e Eluma por um "pool"
de funds de pensdo liderado pelo Pre-
vi. Ao cons6rcio estao se juntando a
CVRD e a Anglo American.
Com essa mega-fusao, o setor de co-
bre passou a ser de um unico dono, a
CMBNF, conforme a desajeitada sigla da
nova empresa. A Vale, entrando na cor-
poraqCo atravCs da coinpra de 10% das
ag6es da Paranapanem possibility a cri-
agao da "holding" Pa anapanema-CB-
MNF, que passa a conirolar 40 empre-
sas, corn
seis mil
emprega-
dos e fatu-
ramento
annual de
1,1 bilhl o
de d6lares. O
principal item do
neg6cio 6 o da Ca-
raiba Metais, a
unica metalur-
gia de cobre
em atividade
no pais, que
produz 170
mil toneladas
de metal, pre-
vendo a expan-
sao para 200 mil
toneladas.
Esse e justamente o tamanho da fd-
brica que a Salobo Metais vai construir,
aproveitando a jazida de 1,4 bilhao de
toneladas de cobre de Carajas. Por ser
tambem esse o tamanho do mercado na-
cional de cobre, significa que o caminho
reservado a Salobo seria o de disputar o
mercado extemo ou servir de ponte para
a expansao da Caraiba, localizada na
Bahia.
Alias, quando o BNDES entrou no
projeto do cobre do Salobo, em 1985,


ficando cor um tergo dos direitos mi-
neririos, sua intengio era a de suprir a
Caraiba, que importa concentrado do
Chile e da Bolivia, com o minerio de Ca-
rajas.
A question 6 que o tratamento meta-
lirgico desse minCrio 6 extremamente di-
ficil e complex. O teor de fluor no con-
centrado produzido a partir do minerio
de Carajas 6 muito elevado, causando
problems principalmente na limpeza
dos gases na metalurgia. Na obtenqgo do
metal seria necessario usar mais energia
e consumer uma quantidade de reagen-
tes acima da mCdia. Por isso, uma meta-
lirgica que fosse usar o concentrado de
C araj As
precisaria
dispor de
uma torre
de limpe-
za, que
: .:-.. .' :. nio consta
do lay-out da
t.. Caraiba, mas
esti prevista para
afi bricadaSalobo.
Por causa dessas
caracteristicas fisicas
do min6rio, a Vale e a
Anglo American haviam
acertado a verticalizagco
das operaqces da Salobo no
Para, mas a nova formulagAo de interes-
ses fez a multinational sul-africana inte-
ressar-se por transferir a metalurgia para
Sio Luis. O representante da CVRD as-
segurou que esse risco foi afastado e que
todas as atividades serao desenvolvidas
no Park, mas seria sensato que a opiniao
public paraense se interessasse por es-
clarecer definitivamente como ficario os
pianos para o mercado de cobre depois
da mega-fusio que reforqou a posigio
da Caraiba Metais. 0






2 JORNAI. PESSOAL -.1' QUINZENA/ABRIL/1996


Para conhecer o escritor maior


Na semana passada a Universidade
Federal do Para anunciou as leitu-
ras obrigat6rias para seu pr6ximo con-
curso vestibular. Entre elas estd o conto
"Miguel, Miguel", de Haroldo Mara-
nhao. E bom saber que centenas ou mi-
ihares dejovens vaio 16-lo. E uma peque-
na amostra da obra de Haroldo: um tex-
to curtissimo (e que, portanto, nao as-
sustard marinheiros de primeira viagem),
mas tAo denso quanto surpreendente. DA
para l1-lo como se fosse um game inteli-
gente, um exercicio de sabedoria e ima-
ginaq~o o produto de uma mente alta-
mente criativa. Acho que a esmagadora
maioria dos vestibulandos gostara.
Foi uma inspiraqAo feliz da Co-
missio Permanente do Concurso
Vestibular, ainda mais porque Ha-
roldo tem ao lado um companhei-
ro de viagem, Max Martins, dono
dos versos mais epidermica- .
mente er6ticos que as letras pa-
raenses ji criaram, um verso
que e amaz6nico por condiCdo
organica e nao porque junta pa-
lavras de conotacio regional.
Muita gente reconhece em, d
Haroldo MaranhAo o maior es-
critor vivo da Amaz6nia e um escritor
de duas vidas entrelagadas. Na primeira
etapa, fez parte da familiar Maranhao, a
que mais influiu no Estado em grande par-
te da Republica. Nas cartas que escreveu
para o irmao unico, Ivan, durante os dias
em que ele sofreu ate agonizar e morrer,


Haroldo lembra com acuidade e temura
o que foi crescer dentro de umjornal, uma
situagio que atW agora escapou a inventi-
vidade dos ficcionistas. Espero que as car-
tas venham a ser publicadas para que os
paraenses tenham o mais intimo e como-
vente retrato de uma 6poca, entire o final
da ddcada de 20 e os anos 60. Ela 6 vista
de uma perspective inteiramente nova, por
uma crianga que morou corn a familiar por
13 anos nos altos da "Folha do Norte",
onde o patriarca se auto-exilou para esca-
par ao seu tenaz.perseguidor, o general-
interventor-goverador-caudilho Maga-
lhaes Barata.
A outra parte da vida Harol-
do viveu fora de Bel6m, por
longos anos no Rio de Ja-
neiro e agora, num terceiro
:, exilio, em Juiz de Fora. De-
Spois das quatro d6cadas
como oherdeiro natural A su-
cessao de Paulo Maranhao
S no comando do journal
S mais poderoso em tres
\ fases da Republica,
STI...121 _--


*


Haroldo, constatan-
do que esse desig-
nio nao se realiza-
ria, foi refletir A distfncia sobre essa fase
crucial da sua vida.
Comecou a publicar livos so depois
dos 40 anos, mas, a principio, parecia dis-
posto a romper cor o passado. Seu pri-
meiro livro, A Estranha Chicara, de
1968, reuniao de contos e hist6rias cur-


tas, 6 uma obra de vanguard, mas nao 6
circunstancial. A intimidade de Haroldo
com a lingua 6 antiga e remonta As prefe-
r8ncias do av6 por classicos portugueses.
Em cr6nicas que publicava na "Folha" em
tomo de 1969 eleja demonstrava um agu-
qado apuro formal e uma profunda capa-
cidade de inovacgo, qualidade de que dera
mostras quando editou o famoso suple-
mento literario do jomal, entire o final dos
anos 40 e o inicio da ddcada de 50, equi-
parado aos melhores da imprensa brasi-
leira.
Atestada sua qualidade como autor de
ficqao, Haroldo direcionou sua criativi-
dade para o seu proprio passado. O que
Dalcidio Jurandir fez com um trecho ru-
ral da Amaz6nia, no Maraj6, Haroldo re-
alizou com uma paisagem urbana em "Os
An6es" e "Rio de Raivas", trazendo Be-
lem para a melhor literature, numa rela-
c9o de amor e rancor que guard alguma
semelhanga entire Dublin e James Joyce.
Certamente seria uma realizacao datada e
circunscrita, condenada a envelhecer ra-
pidamente, nAo fora a qualidade do texto
de Haroldo e sua capacidade de dar vida
As recordac6es, um "conteur" somado a
um homo faber literario.
Por isso, a decisao da comissao do ves-
tibular de incluir Haroldo Maranhao no
proximo concurso permitira aosjovens pa-
raenses tomar conhecimento ainda em vida
- e em vida muitissimo ativa do maior
escritor da terra e um dos que melhor do-
minou sua arte no Brasil dos nossos dias. *


Quem governa e quem manda


Em setembro do ano passado, ao vol
tar da Malasia, o governador Almir
Gabriel anulou todos os atos (de contes-
taiao) de seu vice, Helio Gueiros Jr. Em
margo deste ano, ao regressar de Brasi-
lia, o govemador nao revogou os mes-
mos atos que o Junior voltou a cometer.
O vice manteve sua intransigencia. O go-
vemador e que mudou. Na mudanga,
entire uma data e a outra, pesou o encon-
tro de tres horas que Almir Gabriel teve
com o pai do Jinior, o prefeito de Be-
lem, Helio Gueiros.
A audiencia entire os dois foi solicita-
da pelo prefeito e realizada no assim cha-
mado palacio de despachos do Governo
do Estado, na antiga e desalojada sede
da Emater, obra do antecessor, Jader
Barbalho. A said, o inico que falou foi
o alcaide da capital. Tudo o que se sabe
sobre o que conversaram saiu da boca


do prefeito, que, embora nos redutos do
outro, assumiu a condigio de anfitriao e
mandatario. Desde esse dia, em terms
definitivos, o alter-ego do atual govemo
passou a se chamar HWlio Mota Gueiros.
Entre os dois deve ter ficado acertada
uma said ja sugerida seis meses antes
pelo pr6prio Gueiros: de que os atos do
filho fossem respeitados. Seria uma ma-
neira de se restabelecer uma relaqAo de
minimo respeito entire o titular e o reser-
va do maior cargo pfiblico no Estado.
Confirmados os atos que praticou em se-
tembro, o vice nio repetiria suas malcri-
aqces e o govemador poderia viajar, tran-
qiiilo, sem precisar ameaar a coligacio
partidaria que o elegeu com um projeto
que vetaria a sucessao nos casos de au-
s6ncia do titular. Mas para ter um padrio
elementarmente decent cor seu suces-
sor, a partir dos desentendimentos eclo-


didos com menos de nove meses da as-
sungao ao cargo, o governador abriu mao
da sua autoridade. Afinal, qual a razdo
aceitAvel para nao repetir no mrs passa-
do os atos de seis meses antes, senao os
da acomodagao de interesses politicos e
pessoais? *


Economia

O deputado Jos6 Neto props, na
semana passada, que a Assembleia
Legislative do Estado nao funcione
sexta-feira a tarde, como media
de economic. Nesse caso, talvez
possa proper a suspensao do
expediente na sexta-feira de
manhA, na quinta-feira a tarde, na
quinta-feira de manha ...


i







JOURNAL PESSOAL P QUINZENA/ABRII/1996 3


A desmemoria utilitaria


Nunca ouvi ningu6m testemunhar
haver visto o prefeito H6lio Guei
ros com um livro. Jornalista atu-
ante durante decadas, pessoalmente ele
jamais se referiu a uma leitura que ti-
vesse feito. Leu muito jornais, mas nio
formou arquivo. Sua mente atilada e seu
raciocinio rapido, que o tornam um bom
papo, nao foram preparados para me-
morizar. Diz o que Ihe vem A cabega e
do passado tem registros superficiais e
imprecisos. Mas a desmem6ria do povo
ter sido um dos principals instrumen-
tos de sua carreira political. O que po-
deria ser uma falha, se a nossa socieda-
de tivesse mais rigor e cuidado na apu-
raaio dos fatos, acaba passando desa-
percebida. E ele vai vitoriosamente em
frente, deixando atras um rastro de im-
propriedades e absurdos.
Graqas a essa desmem6ria coletiva,
o alcaide de Belem usou seu program
didrio de radio (pago pelos cofres pu-
blicos) para assumir uma postura supe-
rior de aconselhamento ao governador
Almir Gabriel. Alertou-o para o perigo
de ser enganado pelo governor federal
na anunciada devolucao das terras de-
volutas que passaram para o dominion
da Uniao a partir de 1971 (ver matiria
sobre a questio no JORNAL PESSO-
AL n" 136). Como se fosse capaz de
lembrar exatamente do passado, Guei-
ros declarou ter sido vitima de um en-
godo praticado em 1987 pelo entio pre-
sidente Jos6 Sarney, que veio a Bel6m
fazer o mesmo que agora se repete na
administradao Fernando Henrique Car-
doso: "Foi so embromaaio, tapeacio,
para enganar a populagAo da Amaz6-
nia".
"Isso foi em 87, 88", tentou recor-
dar-se o alcaide. Foi em outubro de
1987. Gueiros, governador, preparou
uma festa no Centur para que nela Sar-
ney assinasse um novo decreto, revo-
gando o anterior, o famoso 1.1 64, de
1971, que dera a Uniao o control de
100 quil6metros de cada lado das es-
tradas construidas, em construgAo ou
simplesmente projetadas pela adminis-
tragdo federal na Amaz6nia Legal.
Gueiros, recorrendo a sua usual tec-
nica de manipulai;ao, aparenta ser mag-
ninimo: "Quero fazer justica ao Jader
Barbalho. Na hora em que o Sarney che-
gou aqui, ele me chamou e disse: 'Olhe,
governador, nao esta sendo feito nada
do que n6s estamos pensando que iam
fazer. Na realidade, eles nAo estao de-


volvendo nada. Eu jA me zanguei, mas
eu tambnm nao quero estragar toda essa
solenidade. O meu desejo 6 ir embora e
nao participar dela"'.
O prefeito fez somente agora essa re-
velagio. At6 entao, a opiniao public
desconhecia a conversa entire ele e Ja-
der. Mas dois dias antes da solenidade,
marcada festivamente para o Centur, fui
chamado ao palacio Lauro Sodre e, a
pedido do governador, fiz-lhe um rela-
to sobre o novo decreto que Sarney as-
sinaria. Fiz-lhe ver que era uma matrei-
rice do entao ministry da Reforma Agrd-
ria e do president da Republica. Pri-
meiro porque se antecipava a uma pos-
sivel e perfeitamente previsivel ar-
giiigao de inconstitucionalidade que o
Estado poderia fazer do decreto-lei
1.164, uma excresc6ncia juridica mes-
mo na Federagio unitAria dos militares.
O reconhecimento da inconstituciona-
lidade pelo Supremo Tribunal Federal
faria o Para se tomar credor da Uniao,
com direito A indenizacio. Jader e Sar-
ney queriam economizar essa perda.
Em segundo lugar, a devolugco iria
exigir muito do Estado, nao s6 para
deslindar as situag6es criadas no Am-
bito da federagilo, como para dar or-
dem ao patrim6nio que Ihe era devol-
vido na condigio de um caos fundid-
rio. O governador, que ouviu atenta-
mente uma exposicao razoavelmente
longa e detalhada, concordou. Deu
aquele risinho caracteristico e obser-
vou: "Como esse Jader 6 esperto". Mas
dois dias depois ignorou o que conver-
saramos em "off" e fez um discurso
vibrant para atestar o valor hist6rico
do ato de que participou, uma orques-
tragio popular manchada pelos protes-
tos do PT, reprimidos cor violdncia
tanto pela policia do president, quan-
to do governador. Afora esse inciden-
te, foi uma cerim6nia em absolute unis-
sono, nivelados Sarney, Jader e Guei-
ros. Durante os tres anos e meio se-
guintes Helio Gueiros nada fez para
desfazer a suposta fraude e assumir as
terras paraenses.
Nao foi a primeira demonstragao de
dupla personaliade do hoje prefeito da
capital. Tres meses depois de assumir
o governor, em maio de 1987, ele me
chamou e me mostrou um telex em que
o Banco do Brasil comunicava a reten-
9co da parte do ICMS do Estado por
conta da amortizacio de um empr6sti-
mo que Jader contraira tres dias antes


de passar o governor ao seu successor,
sem avisA-lo, porem, do aut&ntico "pa-
pagaio" (sem prazo de car6ncia e com
vencimento em dois anos, em parcelas
trimestrais). "V6 o que o teu amigo
fez", dizia H61io, enquanto atirava na
minha direcao c6pia do telex.
Publiquei a informaaio, que era gra-
ve, e continue a fazer os meus juizos
critics sobre a gestao de Jader, mas
Helio ignorava o linguajar das conver-
sas informais que tinhamos em pala-
cio e, de public, continuou a fazer os
maiores elogios a Jader, ao menos en-
quanto ele continuou sendo ministry
(da Reforma AgrAria e da Previdencia)
e foi possivel compor os interesses dos
dois grupos (o rompimento definitive,
extrapolando as picuinhas de bastido-
res, veio com a demissao de Henry
Kayath da Sudam).
Portanto, a ligio que o prefeito de
Bel6m quer dar ao governador do Es-
tado nAo vale porque a hist6ria foi adul-
terada. H61io Gueiros embaralha os fa-
tos e cria as verses conforme o seu
interesse de ocasido. E uma fonte de
referencia sobre a hist6ria inconfiAvel,
at6 quando trata de detalhes jA sob o
dominion piblico. No seu program de
radio ele disse que o governor federal
"fez a Bel6m-Brasilia e pegou 100 qui-
1lmetros daqui e dali".
NAo 6 verdade: no caso da Bel]m-
Brasilia, a federalizagio foi de 10 qui-
l6metros de cada lado da rodovia. A
ampliacgio para 100 quil6metros foi
obra dos militares, em 1971. Segundo
a lenda, a multiplicagao por 10 teria
sido -um erro da datil6grafa do decre-
to, uma usurpagao tAo audaciosa quan-
to espantosa foi a aceitag o dos gover-
nos estaduais prejudicados, que, como
diria o alcaide, nao mugiram e nem
tugiram ao saque contra seu patrim6-
nio. Um assessor do entAo president
do Incra, Jos6 de Moura Cavalcanti (ja
falecido), que se embebedava no co-
quetel realizado no Hotel GrAo-Para,
logo depois do anincio do ato, fez co-
mentarios desairosos sobre a honra
amaz6nica e o discernimento da sua
elite. "Eles nao sabem nem o que es-
tAo assinando", comentava o assessor,
umjornalista que depois se tornaria es-
critor.
A inconsciencia daqueles dias per-
manece praticamente intocada. E favo-
rece a carreira de gente como H61io
Mota Gueiros. 0







4 JOURNAL PESSOAL 1 QUINZENA/ABRIL/1996


A palavra do chefe


4f0 Liberal" 6 o oitavo journal em
L tiragem do Brasil. Domina o
mercado de impresses em Bel6m como
nenhuma outra publicaqao em qualquer
das demais capitals do Brasil, onde a
concorrencia 6 mais visivel. Tem par-
ceria tom a maior rede de comunicaaio
do pais, a Globo, mantendo com folga
a lideranga nos demais segments do se-
tor. Nao surpreende, assim, que o prin-
cipal executive do grupo Liberal, Ro-
mulo Maiorana Junior, esteja entire as
personalidades mais influentes do Es-
tado.
O poder de Rominbo 6 mais desta-
cado ainda porque nao tern escora ins-
titucional, nAo dependendo de uma elei-
SAo e nio tendo mandate fixo. Se sua
empresa continuar s6lida, ele continua-
ra a arrastar c6rtes em sua passage e a
influir sobre a sociedade, mesmo que
nao faca muita coisa parajustificar esse
poder de influencia, que Ihe foi trans-
mitido por heranga.
Uma media do poder de Rominho
foi dada por dois editorials que assinou
em "O Liberal", no mes passado, o pri-
meiro combatendo o rasteiro alcance
dos politicos locals e o segundo pregan-
do a uniao de todos em beneficio do
ParA.


As pessoas razoavelmente informa-
das sabem que os Maiorana, apesar de
possuirem um imperio jornalistico, nao
t6m muita intimidade corn a arte (ou o
oficio) de redigir. No caso de Romulo
Jr., nem 6 precise porque sua funqcio nao
6 essa. Mas, sern abandonar sua ativi-
dade de ganhar dinheiro, o executive do
Sistema Romulo Maiorana de Comuni-
caiao decidiu influir sobre a opiniao piu-
blica.
Para muitos dos que trataram de diri-
gir suas mensagens de felicitacao para o
autor dos dois editorials, importa menos
o conteudo das peas do que agradar o
personagem e fazer-se notado por ele -
e a partir dele. Assim, foi ignorado o fato
singelo de que a critical aos politicos que
fazem de seu oficio um exercicio de pi-
cuinhas nao sensibilizou nem mesmo um
dos comensais de Rominho, o deputa-
do Vic Pires Franco. Na mesma semana
em que o amigo pregava a elevag~ o de
prop6sitos, Vic retirava o apoio ao su-
perintendente do INSS, Isaac Ramiro
Bentes, por interesses politicos pessoais,
nada da causa pfiblica em questAo.
Como os que se apresentam como in-
t6rpretes do regionalismo, Romulo Jr.
quer que todos se unam abstratamente
em favor do ParA, mas sem discernir a


r- --------------------------------------
SI
IC r t a im6veis e averbado ao lado da transcriIao
SLopo de Castro Jdnior, director do dominion (art. 13 do DI. 25/3 7) fato que
superintendent da Radio Guajari, nao ocorreu. Portanto, o dito "tombamen-
maperintendoene d e a o Guataria to" 6 nulo de pleno direito.
mafesando-se sore a matia 3 Assim sendo a attitude tomada violou os
S"Urma moral bem triste", publicada no principios da ampla defesa (previsto no art.
I n 136 do Jornal Pessoal, solicitou a 50 L.V. da CF 188), transgrediu o principio
Spublicagdo da seguinte nota: do process legal, infringiu o Cap. do art.
59 da CF 188 que garante a inviolabilidade
Tendo em vista o recent episodio envol- a propriedade privada, violou frontalmen-
Ivendo o antigo Shopping Nazare, o Dr. te o art. 13 do DL-25/37, alem de ter sido
Lopo de Castro Jr e a Policia Federal, es- constituida de abuso de autoridade desne-
clarecemos: cessaria.
1 Nunca existiu ma-f de nossa part. Ma- Por todo o exposto esta movida compe-
Sf esta o Sr. Promotor Jose Augusto Tor- tente agAo de ressarcimento por abalo de
res Potiguar, tomando uma attitude arbitra- credit e danos morais
ria, pois inexiste tombamento e portanto Quando um pais tenta punir, equivocada-
I inexiste o fato gerador, assim a obra reali- mente, homes de bem, trabalhadores e
I zada na av. Nazare, 489, nio contrariou empresarios ficando omisso perante bandi-
Snenhum preceito legal, tampouco desobe- dos e corruptos, fartamente denunciados
Ideceu ordem federal. pela imprensa, nAo pode ser considerado
S2 O im6vel supra citado nunca foi tom- um pais s6rio, e pior, esta dando um "Tris-
bado pelo Patrim6nio Publico, antigo te Exemplo" para futuras geraq~es, que
SPHAN, pois o registro public e que ca- acharao mais c6modo corromper do que
racteriza o process de tombamento, as- produzir
sim, para que seja efetivado, deveria haver "Cada um deseja ter a verdade do seu lado,
a transcri2;Ao para os devidos efeitos em mas poucos desejam estar do lado da ver-
liNr,- P ';o dos oficiais do registro de dade".
Richard Whateley


pauta dessa mobiliza~go. E positive que
ele de vez em quando procure uma par-
ticipacqo direta em seu journal, empres-
tando seu nome a defesa de uma posicao
editorial que, em outras circunstincias,
nao teria a mesma repercussdo. Mas 6 a
pr6pria atuaq~io dos veiculos de comu-
nicaqao de seu grupo que deveria fome-
cer a sociedade os elements de analise
para a aqCo.
Nesse aspect, o papel do grupo Libe-
ral 6 sofrivel. Ojoral nao esta qualifica-
do para fazer um acompanhamento aten-
to e analitico do que acontece no Para,
traduzindo-o para o public. Industrial-
mente, a empresa avancou em terms tec-
nologicos anos-luz A frente dos concor-
rentes, mas o investimento em recursos
humans estA pr6ximo do zero. Sem ques-
tionar os salaries, que ajudam a nivelar
por baixo, faltam estimulos e motivaq6es
para a redac~o, que foi informatizada mas
nao tern banco de dados, cor rep6rteres
ha muito sem estagios ou treinamentos.
Espasmodicamente o jomal tenta sair da
sua letargia, mas depois que cessar a onda
de repercuss6es pela palavra do chefe tudo
voltarA A rotineira cobertura do cotidia-
no. "O Liberal" pode imensamente mais
e o ParA precisa ter com o que responder
a vagas palavras de ordem. *


Salvar a memorial
Dou uma pausa nesta edicgo na sdrie
de testemunhos, que voltara no pr6xi-
mo JP. VArias pessoas se manifestaram
a respeito do testemunho sobre o pro-
fessor Francisco Paulo do Nascimento
Mendes, o mestre de virias geraq6es.
Mas nao apareceram os que deveriam
purgar o pecado de varias geragoes,
agradecidas aos ensinamentos de Chico
Mendes, mas sem dar-lhe o devido re-
conhecimento. A personalidade
introvertida e o jeito de ser do profes-
sor podem ter mantido os interessados
A distancia, mas 6 um dever dos
paraenses prestar as homenagens mere-
cidas. Talvez o pr6prio Mendes nao as
queira, mas nesse caso independera da
vontade dele. Um parlamentar mais
imaginoso poderia prop6r-lhe o titulo
de honra ao merito e a Universidade
conceder-lhe o titulo de doutor honorss
causa". No "Paes de Carvalho" ele po-
deria tornar-se professor em6rito, como
simbolo da dedicacao ao magist6rio.
Tudo, menos essa omissao gl6ida dos
acomodados. 0







JORNAL P'ESSOAL P QUINZENA/ABRII,/1996 5


Mais alumina, menos bauxita


N este ano, pela primeira vez, a Mi
neraqdo Rio do Norte a terceira
maior produtora de bauxita do mundo
- destinara mais mindrio para o mer-
cado interno brasileiro do que para o
exterior. Dos 9,6 milh6es de toneladas
previstas, record de producqo na his-
t6ria da empresa, iniciada em 1979, 5,5
milh6es de toneladas (ou 57%) irdo
para a Alumar, em Sao Luis, e para a
Alunorte, em Barcarena. Os outros 4,1
milhoes de toneladas se destinarao aos
tradicionais clients estrangeiros.
Exportar menos bauxita significa
mandar para fora menos materia-pri-
ma e transformA-la mais dentro do pais,
agregando valor. A tonelada media de
bauxita vendida pela MRN no ano pas-
sado valeu 20,3 d6lares. A alumina
consegue prego cinco vezes superior.
Logo, a destinaqio de parcela maior de
bauxita para beneficiamento interno
significa uma evolucao, mesmo que
sujeita a chuvas e trovoadas.
Quando comeqou a operar em sua
mina do Trombetas, 17 anos atras, a


Rio do Norte era uma empresa exem-
plarmente colonial. A Companhia Vale
do Rio Doce tinha a maioria das ag6es,
40%, mas nao o control efetivo da
comercializagio. Quem mandava eram
os s6cios privados e estrangeiros reu-
nidos, todos produtores de aluminio,
mais interessados em conseguir bauxita
boa e barata do que defender o prego
do produto. Era como se raposas esti-
vessem cuidando do galinheiro.
O preco da bauxita ainda nao
corresponde inteiramente a sua quali-
dade. O minerio 6 submetido a seca-
gem para agradar os compradores es-
trangeiros, sobretudo a canadense
Alcan, e esse beneficiamento nao e
convenientemente remunerado. Mas
nao e um prego vil. A MRN 6 o finico
dos grandes projetos que se mant6m lu-
crativo ha varios anos, tendo zerado seu
endividamento. As contas de 1995,
divulgadas na semana passada, mos-
tram que o balango de pagamentos da
empresa foi superavitario em US$ 118
milh6es, sinal nada desprezivel de vi-


talidade. Para uma receita bruta de 170
milhoes de reals, o lucro liquid foi de
quase R$ 10 milh6es.
Gragas a verticalizagdo das
fundidoras de aluminio ou das empre-
sas a elas associadas, a Rio do Norte
vai entrando no ciclo do metal ao in-
ves de ser uma mera exportadora de
materia-prima. Serdo 3 milhoes de to-
neladas para a Alumar (Alcoa mais
Shell) e 2,5 milhoes de toneladas a
partir deste ano para a Alunorte. Para
manter a retirada dos s6cios estrangei-
ros, a MRN vai bater o record neste
ano, produzindo 9,6 milhoes de tone-
ladas, e superar 13 milhoes de tonela-
das dentro de dois anos, gracas a um
investimento de US$ 75 milh6es feito
para abrir uma nova mina e transferir
o britador do plat6 do Saracd. Garanti-
ra sua privilegiada posigCo no merca-
do international e a qualidade do seu
produto em mat6ria de alumina
aproveitAvel e silica reativa, mas nem
tanto quanto a pregos, que experimen-
taram uma queda relative no period.


0 desafio do Basa


Ha 40 anos um valorizado terreno
de 400 ou 500 metros quadrados,
na esquina da avenida Presidente
Vargas corn a Aristides Lobo, perma-
nece murado e sem uso. Irrita os vizi-
nhos e espanta o mercado imobiliario
porque vira abrigo de desocupados e
favorece ladroes, e porque poderia
servir a construcdo de um edificio. O
dono da drea 6 simplesmente o Banco
da Amaz6nia, que planejava usa-la
para sua sede. O predio da sede, um
dos maiores de Bel6m, acabou surgin-
do mais adiante, na pr6pria Presiden-
te Vargas. O primeiro terreno foi dei-
xado de lado.
A hist6ria desse im6vel ilustra bem
o que tem sido o Banco da Amaz6-
nia: um personagem titubeantemente
a procura de autor, ou de um enredo
convincente. Um proprietario que fica
quatro d6cadas sem dar um destiny a
um simples bem patrimonial parece
impossibilitado de definir a si pr6prio.
A Amaz6nia tem mudado rapida-
mente. Em cada uma das etapas de
transformac~o o Basa desempenhou
uma fungao. Na origem, foi o
financiador da reativacao dos serin-


gais natives para o esforco de guerra.
Quando as potencias ocidentais vol-
taram as suas tradicionais fontes de
suprimento de borracha, o banco ten-
tou prolongar a sobrevida dos serin-
gais sustentando o preqo minimo do
produto. Fracassou, claro. Mas foi
usado em seguida por Brasilia para
apoiar a expanslo da pecudria de cor-
te na fronteira amaz6nica e para a tro-
ca do control de algumas das princi-
pais empresas regionais, al6m de ser-
vir de biombo para a transfer6ncia de
recursos financeiros do tesouro ou do
exterior para os grandes projetos.
O poder central ji nao tem mais
uma necessidade vital ou estrat6gica
do Basa. Extingui-lo ou reformula-lo
parece defender da correlaqgo de for-
gas atuantes. O problema e que o ban-
co nao serd mais assistido por Brasilia.
Tern que encontrar seu pr6prio cami-
nho, desfazendo-se da roupagem do
passado. Alguns acham que o melhor
seria fundi-lo ao Banco do Brasil. Nao
Sa melhor soluq~o para a Amaz6nia.
O proprio banco parece querer man-
ter seu estatuto autarquico. Assim,
alem de cobrar taxas elevadas para ad-


ministrar o Finam (Fundo de Investi-
mentos da Amaz6nia), quer agora se
apossar de 10% do FNO, o fundo
constitutional para a Regiao Norte
(0,6% da receita tributaria da Unido).
Assim, o Basa, teria recursos de Ion-
go prazo de custo barato ou custo
zero.
O perfil desses recursos, porem, coli-
de corn a condi9do de banco misto do
Basa e ai esti a principal incoer6ncia.
Para viver de taxas de funds o Basa nao
precisa ter a estrutura que ter, nem con-
correr no mercado, do qual faz parte ape-
nas nominalmente (quenm, alem de funci-
onarios e beneficiarios de financiamen-
tos, tem conta corrente no banco?). A sa-
ida, portanto, esti em cortar na came e
tornar-se um aut8ntico banco de desen-
volvimento, cumprindo um papel que esta
a descoberto na regiio. Teria que ser um
banco sem gorduras, em alguns pontos se-
melhante ao BNDES, operando com ou-
tras redes bancarias capilares, uma insti-
tuic~o voltada para o fomento atrav6s do
cr6dito.
Mas uma instituig~o que nao dd des-
tino a um terreno pode responder a esse
desafio? *







6 JORNAL PESSOAL 1' QUINZENA/ABRIL/1996


Liberdade

tutelada
Thomas Jefferson 6 considerado, corn
toda a razlo, um dos fundadores dos Esta-
dos Unidos da Am6rica. De sua privilegi-
ada cabega saiu o fundamental da consti-
tuiq o norte-americana, a 6nica em vigor
em mais de 200 anos, cor duas dezenas
de emendas. A primeira foi quase imedia-
ta, do proprio Jefferson. Lembrou-se que a
carta magna de seu pais nbo fora suficien-
temente enfitica na defesa da liberdade de
imprensa e tratou de sublinhar essa neces-
sidade na primeira emenda, ainda hoje a
base juridica sobre a qual repousa a ener-
gia da imprensa dos EUA. Foi fundamen-
tal para que o mais influence journal do pais,
o "New York Times", continuasse publi-
cando segredos do Pentagono num momen-
to em que o governor americano ampliava
seu envolvimento na guerra do sudeste asi-
atico.
"Se me coubesse decidir se deveriamos
ter um governor sem jornas, ou jorais sem
um governor, nao hesitaria um moment em
preferir a uiltima soluco", escreveu Jeffer-
son. Comprovando corn sua vida o que pen-
sava, sempre acreditou que o mais eficien-
te caminho para os homes serem gover-
nados "pela razio e pela verdade" era o da
liberdade de imprensa. "Por isso, 6 o pri-
meiro a ser fechado por aqueles que recei-
am a investigation de suas acess.
Se ha mais de 200 anos Jefferson ja dava
essas liqces aos seus compatriotas, n6s, bra-
sileiros, continuamos teimando em nlo
aprende-las. Sob o fluxo e o refluxo do
oportunismo e das oportunidades, a Cimara
Federal esta cor a responsabilidade de exa-
minar e aprovar uma nova lei de imprensa.
A em vigor, baixada pelos militares em
1967, tornou-se inconstitucional desde
1988, mas permanece em uso gracas a ina-
91o dos que nio se cansam de condenar
esse "entulho autoritario" sem dar-se ao tra-
balho pratico de acabar cor ele. Mas a
solug o pode ser pior do que o soneto.
Em 6poca de fechamento politico, os mi-
litares foram claros no que pretendiam corn
a lei de 1967. Agora que vivemo nessa fur-
ta-cor democratic, o objetivo 6 visado corn
insinuacao e malicia. Mas 6 o mesmo. Os
deputados, just ou injustamente magoa-
dos corn o tratamento da imprensa, tenta-
ram dar o troco, passando a dar urgencia
na tramitaiio do projeto de lei, que peram-
bula pelas duas casas ha cinco anos. A pri-
s&o para os crimes contra a honra seria
mantida (injuria, calunia e difamaao), ao
inves de se adotar a inovadora prestacao
de services comunitarios. Para compensar,
as empresas seriam solidarias nos crimes
praticados pelos jornalistas. Mas a solida-
riedade poderia custar ate 10% do fatura-
mento bruto da empresa em cada acio im-
petrada na justica, sem limita~go de acqes
mdenizat6rias, o que poderia resultar em


inviabilizaqco da empresa ou sua intima-
9lo previa, por via, cor o enrijecimento
dos mecanismos de auto-controle, tAo ou
mais danosos do que a censura external.
Em materia de liberdade -de imprensa
continuamos a ser macacos em loja de lou-
ca. O fundamental na relagIo da imprensa
corn o public, constituindo sua caracte-
ristica especifica, 6 o exercicio do direito
de resposta. A maioria das empresas jor-
nalisticas o ignora ou destrata. Nio publi-
ca a resposta, ou a public mal. Para esse
caso deveria haver regulamentaglo em lei:
prazo exiguissimo para a resposta, trami-
taglo preferential dos pedidos de retifica-
gio judicial, multa pesada para o desres-
peito a esse direito, obrigagio de publicar
nas mesmas condic6es (de espaco e desta-
que) da materia original. Quanto ao mais,
6 assunto para o c6digo penal (no caso dos
crimes contra a honra) ou civil (quando se
tratar de indenizaglo). Todas as vezes as
nossas autoridades ou instituic6es tentam tu-
telar a liberdade de imprensa, tao valoriza-
da por Jefferson, acabam destruindo essa
vital component plantinha da democracia,
como a ela se referia Otavio Mangabeira. A
plant more e nos ficamos sem jardim. *

0 ouro em nova fase
Em 1980, quando estourou a corrida ao
ouro no garimpo de Serra Pelada, a Compa-
nhia Vale do Rio Doce nio produzia uma
grama do metal no Para. Hoje a CVRD ja
esti produzindo 10 toneladas de ouro, ape-
nas menos do que as 13 toneladas alcancadas
por Serra Pelada em 1983, o ano record da
garimpagem. No ano 2000 a empresa pode-
ra chegar a 35 toneladas, mais do que a atual
produ~io national, em tres minas do igarape
Bahia, do Salobo e de Serra Leste. No ano
passado, pela primeira vez as empresas pro-
duziram tanto ouro quanto os garimpeiros,
10 toneladas cada grupo. A partir de agora a
relacio sera cada vez mais favoravel as em-
presas.
A historia do ouro experiment uma mu-
danca atualmente no Para, transformaTiio que
devera ocorrer tambem em outros Estados
da Amaz6nia o deslocamento da producao
dos garimpos para as empresas. Nos princi-
pais redutos de produ~io aurifera os veios
superficiais estlo se esgotando e o mineio
se aprofunda. Para recupera-lo e necessario
fazer investimentos mais pesados e dispor
de tecnologia que nio esti acessivel aos ga-
rimpeiros.
Essa tend6ncia nio anula a possibilidade
de que novos aluvi6es sejam descobertos
pela faiscagem dos garimpeiros, que conti-
nuam circulando pela regiio e tendo acesso
a areas novas. Mas significa que nas zonas
ja produtoras a atividade garimpeira acabou
e que a nova etapa deve ser urgentemente
acompanhada e regulamentada.
A area mais amplamente disponivel 6 a
do Tapajos, produA,.r de ouro ha quase 40


anos. Para IA se deslocaram seis
multinacionais, que estAo comprando direi-
tos de garimpeiros e comegando a estudar a
possibilidade de instalar plants industrials.
Mas a question mais imediata a a area que
tanto pode ser tratada como Serra Leste ou
Serra Pelada (ver JORNAL PESSOAL n
135).
No frustrante encontro na Assembleia
Legislative do Estado, no final do mes pas-
sado, o superintendent de Coordenailo Em-
presarial da Companhia Vale do Rio Doce,
Joio de Lima Teixeira Filho, anunciou que a
empresa quer iniciar as primeiras obras de
terraplenagem e de infra-estrutura dentro de
tr6s meses para poder produzir ouro em Ser-
ra Leste a partir de julho de 1996.
Nesse period, a CVRD pretend inves-
tir 250 milhaes de d6lares nessa primeira
mina subterrinea da Amaz6nia, que alcan-
cara profundidades alem de 400 metros. Fez
quest de ressaltar tratar-se de um investi-
mento de grandeza equivalent ao que a
Volkswagen esta fazendo no municipio de
Resende, no Rio de Janeiro, depois de uma
briga intense entire Rio e Sio Paulo por essa
fabrica.
Em Serra Leste se produzira cinco tone-
ladas a mais do que no igarape Bahia e no
Salobo, mas nesta ultima unidade ha a van-
tagem de o ouro ser obtido como subproduto
da metalurgia do cobre, corn investimentos
muito menores. E corn outra vantagem: en-
quanto em Serra Leste a jazida ji cubada 6
de 150 toneladas (o que daria 10 anos de vida
util a mina), no Salobo tern 530 toneladas.
Esses nuimeros, inimaginaveis algum tem-
po atras, devem conscientizar a opinifo pu-
blica sobre essa nova fase do ouro. Em ter-
mos tecnol6gicos a vantage da atividade
empresarial sobre a garimpagem 6 enorme,
o que lhe da tambem melhores condices de
manejo em rela~io ao meio ambiente. Cor
projetos adequadamente concebidos e fisca-
liza~io eficiente, nio se tera mais a agresslo
praticada pelo garimpo e as perdas, se hou-
ver, serio minimas, apesar do risco maior da
cianetacio sobre o mercurio.
O problema e social. Para um investimento
de US$ 250 milhoes, a CVRD diz que vai
criar tres mil empregos diretos e indiretos -
em Serra Leste durante a opera&io da jazi-
da E um numero superestimado, mas ainda
assim, socialmente insuficiente para tender
a demand da pr6pria area. precise que o
govemo crie condicoes para que ao menos
uma parte do ouro produzido sirva a um mai-
or beneficiamento local e que haja uma taxa
de reinvestimento em diversificaalo de ati-
vidades, sem o que a caracteristica de enclave
desses empreendimentos estara ainda mais
reforcada.
O ouro, portanto, 6 o mesmo. A realidade
6 que vai mudando radicalmente. E precise
tambem mudar as condutas para enfrenta-la
nessa nova situaqAo. *







IORNAL 'ESSOAL 1 QUINZENA/ABRIL/1996 7
&


Uma nova categoria social de des
possuido surgiu, no sul do Para:
o sem-terra-produtiva. Ele nao quer
apenas uma terra para se instalar: exi-
ge que a area disponha de infra-estru-
tura basica para poder alcancar o mer-
cado. Como ha muito tempo o progra-
ma de reform agraria do governor se
limita ao assentamento de agricultores
que se instalaram em terras alheias, este
novo tipo de sem terra escolhe fazen-
das em plena producio para se estabe-
lecer.
Esse novo grau de exigencia 6, tan-
to o fruto da experidncia acumulada
por posseiros, como de uma nova va-
riedade professional, do estimulador de
invasoes que age por motives ideol6-
gicos ou com objetivos comerciais. Al-
guns lideres de sem-terra estariam co-
brando uma taxa (de at6 20%) para
quando, assentado, o lavrador receber
dinheiro do Procera ou do FNO, os
dois funds ao alcance dos pequenos
proprietarios. Outros estimuladores de
invas6es querem vender implementos
agricolas e outros implementos nAo tio
agricolas assim (rev6lveres ou muni-
qio, por exemplo). E ha os que que-
rem ter acesso A madeira pagando o
minimo possivel por ela.
Qualquer que seja a causa (ou as cau-
sas) dessa nova situadao, ela exige re-
flexao corajosa. E ever do governor
garantir o acesso A propriedade da ter-
ra aos que a ela se habilitam. E uma
determinaqCo constitutional. O gover-
no tem que assegurar tambem a hipo-
teca social que onera a propriedade
privada. Ou seja: combater a formaaio
de latiffindios (e de miniffindios tam-
bem), os primeiros a serem desapro-
priados, os segundos a serem submeti-
dos a um estimulo para se expandirem.
O governor precisa combater o uso es-
peculativo da terra como reserve de va-
lor e apoia-lo como fator de produgio.
Cumprindo todas essas obrigac6es,
o governor estarA fazendo reform agrA-
ria para valer. O problema 6 que a re-
forma agraria deixou de ser para valer
ha bastante tempo. Simplesmente por-
que nao ha vontade political para reali-
za-la.e, nao havendo vontade, faltam
por conseqti6ncia os recursos para co-
loca-la em acgo. O governor, que nao


exerce mais comando algum, esta dei-
xando ate de ser intermediario.
Pouco tempo atras o entao presiden-
te do Incra, Jose Graziano, foi obriga-
do a comprar uma fazenda produtiva,
a Rio Branco,.para assentar sem-terra
de Parauapebas. Por causa da urgencia
da questao, foi dispensada a licitagao
piblica, que sempre deve preceder as
compras e vendas do governor. Foi um
precedent perigoso. Perigoso tamb6m
foi deixar de lado a tutela A proprieda-
de produtiva. Por isso Graziano disse
que aquela seria a iltima transagco de
compra e venda que governor faria para
tender os sem-terra.
A conseqiiencia previsivel dessa de-
cislo seria um program decent de as-
sentamento. O governor cadastraria com
rigor os que querem ocupar terra e ne-
las se tornar proprietarios, seleciona-
ria boas areas disponiveis e nela insta-
laria a infra-estrutura bAsica sem a qual
os colonos ficarao isolados e conde-
nados a mingua. Uma outra alternative
seria a desapropriacqo de latiffindios
improdutivos em areas melhor situa-
das. Ou, de forma inovadora, um en-
tendimento com os proprietarios de
grande areas para um program con-
junto de melhoria do local e assenta-
mento de lavradores.
Nada disso 6 feito. Nao se menos-
preza o desafio que 6 intervir na estru-
tura agraria de um pais como o Brasil.
Mas dificuldades, por maiores que se-
jam, nao sao sin6nimo de impossibili-
dade. Se reform agraria fosse mais do
que esquadrinhar lotes e lA despejar
pessoas, a situacqo nio estaria tao dra-
matica, pelas causes em si dos proble-
mas e por sua evidence manipulagao
pelos atores no cenario.
Entregues a pr6pria sorte, os lavrado-
res efetivamente necessitados de um pe-
daco de terra estao dispostos a seguir o
que aparece, oferecendo-lhes sua lideran-
ga. Na escalada de aaes, o avango se
tornou incontrolavel. Lavradores foram
assentados em pastos formados na fazen-
da Rio Branco. Outros ficarao nas mes-
mas condig6es se alguma das fazendas
do complex Macaxeira for comprada
pelo governor, caso a regra ditada por
Graziano vier abaixo outra vez, dando
continuidade aos pdssimos antecedentes


As regras para


o jogo da terra


r-------------i

Os caminhos

da autonomia
Na mesma semana em que a As-
sembl6ia Legislativa, por 18 votos a
11, decidiu recusar endosso as pro-
postas de desmembramento do Para
para a criagco de dois novos Esta-
dos, de Carajas e Tapaj6s, a Amat -
a associagAo que reine os 32 muni-
cipios do Araguaia-Tocantins assi-
nou um convnio corn a Seicom para
criar uma agencia de desenvolvimen-
to para a regiAo.
A coincid&ncia sugere uma refle-
xio. Politicamente, nao hA clima fa-
voravel ao separatismo, tanto a ni-
vel estadual quanto federal. No con-
junto dolegislativo estadual, 29 que-
rem manter o Para como estA e s6
12 defendem aredivisAo. Na Cuna-
ra Federal a relacio 6 dessa ordem
degrandeza, tanto que sequer foi vo-
tada, atW agora, a convoca~Ao do ple-
biscito para a emancipagco, primei-
ro pass de um long process de
future incerto e nio sabido. Mas a
Amat deu um pass concrete, naio
diretamente para a criaco do Esta-
do de Carajas, mas para criar uma
op9ao de fato nesse sentido. A prin-
cipal mission da agencia sera a de aju-
dara materializar a hidrovia do Ara-
Sguaia-Tocantins, em torno do qual
Spodera surgir um p61o irradiador de
Satividades capaz de amadurecer con-
Icretamente as iddias separatists, tao
Smaduras que serA impossivel igno-
Ir-las. Nesse caminho sera precise
levar mais tempo, mas os resultados
serao melhores.
L ------ ---------- J
do passado. Assim vird abaixo tamb6m
a ultima area de castanhais natives que
ja foi o Poligono dos Castanhais de Ma-
raba.
Assim, os parAmetros do jogo de po-
der no meio rural desaparecerAo. A pro-
priedade produtiva tern a mesma tutela
constitutional da posse. Logo, precisa ser
respeitada. t atraves dela que se pode
tentar modernizar as relagqes de produ-
c9o no campo. Do outro lado do pendu-
lo esta a pequena propriedade familiar,
que democratiza o control da terra e cos-
tuma dar-lhe melhor uso. No meio h& la-
tifindios improdutivos, especuladores,
aproveitadores e um governor que conti-
nua achando melhor deixar como esta
para ver como 6 que fica. Invariavelmen-
te ter ficado cada vez pior. 0












Q uando se pegunta por quem entende
de cerimonial no Para, a resposta 6 uma
s6: Cleodon Gondim. Ele, corn alguma
interrupcio sazonal, foi titular do
cerimonial do Estado durante quatro
administraq es. Mudava o artist, mas
Cleodon permanecia firme nos bastidores.
Sobreviveu ate a um desentendimento
corn Heio Gueiros, quando o atual


O peso da Albras
Em pouco mais de 10 anos de opera~io, a
Albris a maior ind6stria do Para acumulou
quase 700 milh6es de reais de prejuizo por con-
ta dos baixos precos do aluminio praticados
no mercado international desde que foi inau-
gurada em 1985, e pelo elevado custo finan-
ceiro de seu investimento. Mas a situacIo era
bem mais grave no inicio de 1994, quando os
prejuizos ultrapassaram um bilhao de reais.
Nesse ano a empresa conseguiu encerrar suas
atividades com seu primeiro lucro, de R$ 91
milhoes. No ano passado, conforme o relato-
rio agora divulgado, o lucro liquid baixou para
menos de R$ 8 milh6es.
O preco m6dio do aluminio de 1.805 d61a-
res foi compensador, mas os resultados apon-
tados no balance annual da Albris foram menos
expressivos, segundo explicago da empresa,
por causa da valorizacao do real em relacao ao
d6lar americano (que passou a ser a moeda dos
empr6stimos concedidos pelosjaponeses), pe-
los aumentos das matdrias-primas, mno-de-obra
e servings. As perdas foram neutralizadas pe-
los efeitos inflacionarios liquidos de balango e
por ganho de produtividade.
Gracas a esses ganhos, a producto da Al-
bras foi 21 mil toneladas alem da capacidade
nominal instalada da fibrica, de 320 mil tone-
ladas. A empresa esta tao confiante no seu pro-
grama de modemizaglo que espera se situar,
nos pr6ximos cinco anos, entire as cinco me-
Ihores do setor de aluminio. Mas os problems
para a Albras, fiuto da associaco da Compa-
nhia Vale do Rio Doce com um cons6rcio ja-
ponds, ainda sio grandes.
O enorme endividamento externo esta, em
sua maior parte, protegido, mas esse 6 um cus-
to provavelmente alto que n&o foi possivel de-
finir pela leitura do balanco. O comportamen-
to dos precos do aluminio tambem preocupa.
Em 1995 o preco maior foi emjaneiro e o me-
norjustamente em dezembro, caindo, nesse pe-
riodo, mais de 300 d6lares por tonelada. A
Albras, por isso, teve que iniciar operaq6es de
"hedge" para proteger-se contra uma previsi-
vel queda de preco, onerando evidentemente
seus encargos.

Tamanho
O deputado estadual Zeno Veloso
ameacou puxar a orelha
do president Fernando Jornal
Henrique Cardoso. Se -Redagdo
for apenas simbolica- I
mente, tudo berm.


prefeito mandava nolpalacio Lauro Sodre.
Em setembro do 4no passado Cleodon
foi exonerado, de birra, pelo vice-
goverador Helio Gueiros Jr. Almir
Gabriel recolocou o chefe de seu
cerimonial no lugar. Nao havia motivo
para demiti-lo. Mas agora Cleodon nio
voltou i posipio, apos nova e
impertinente exoneraiAo praticada pelo


Na janela
A decision sobre o lugar onde sera instalada
a nova refinaria do Norte e Nordeste do Brasil
vai ficar nas maos dosjaponeses. Seis das mai-
ores empresas do Japao Mitsui, Mitsubishi,
Marubeni, Sumitomo, Itochu e Tomen for-
maram um consorcio atraves do qual preten-
dem investor 520 milh6es de d6lares na nova
refinaria, aproveitando a flexibilizaAo (pala-
vrinha ordiniria) do monopolio do petr6leo.
Espera-se que os paraenses nao permanecam
estaticos na janela vendo a banda passar.

Imprensa
No m&s passado "O Liberal" publicou que o
senador Sebastiao Rocha, eleito pelo PDT do
Amapa, havia comprado a mansao do ex-pre-
feito de Maraba, Hamilton Bezerra, em Salinas,
por 350 mil reals, pagos a vista. A noticia tinha
multiplas implicaq6es. Mostrava que Hamilton
possuia um belissimo investimento litorineo,
cor uma das mais belas casas de Salinas. Reve-
lava o poder de compra do senador amapaense,
que estaria transacionando com alguem que vem
respondendo a process por envolvimento comr
o narcotrifico international. O senador enviou
uma carta ao journal, onde dizia que "nio conhe-
co, nunca vi e nunca estabeleci qualquer transa-
9go cor o senador Amilton (na verdade, Hamil-
ton) Bezerra, tampouco adquiri qualquer im6vel
em Salin6polis-PA". O jomal nio publicou a car-
ta e nSo voltou mais ao assunto.

Conta mineral
O valor da exportagio dos bens minerals ou
de origem mineral pulou de 1,5 bilhao de d6la-
res em 1994 para 1,9 bilhao no ano passado, um
ganho de US$ 400 milhoes propiciado por me-
lhores precos m&dios ao long de 1995. O do
minerio de ferro, principal item do com6rcio
exterior paraense, passou de US$ 14,49 para
US$ 17,11, fazendo as vendas subirem de US$
574 milh6es para US$ 770 milh6es entire 94 e
95. Menores foram os ganhos corn a bauxita
(23,94 para 24,23) e o manganes, este experi-
mentando ligeira queda (de 52,85 em 94 para
52,5 em 95). Precos melhores, mas muito abai-
xo do que seria de esperar. No caso do ferro,
por exemplo, o Banco Mundial recomendava
um prero em torno de US$ 35 a tonelada, nivel
que parece definitivamente descartado.


atazanador vice. I que a cabeca de
Cleodon ji havia adquirido o format da
de Slo Joio Batista e foi oferecida na
bandeja para o algoz.
Daqui desta modest folha, Cleodon,
minha solidariedade ao professional
competent e ao amigo de todas as horas.
Voce nro passari e eles nem slo
passarinho.


Sem urgencia
No mes passado foi o radialista Carlos
Castro: ele se queixou de pbblico da lenti-
dio no atendimento do Servico 192 Urgente
da prefeitura de Belem. Os profissionais que
atenderam a mle de Castro explicaram a de-
mora: havia poucos veiculos disponiveis.
Nessa Cpoca, 12 ambulincias do 192, uma
das mais imaginosas criag6es da administra-
io Helio Gueiros, estavam imobilizadas num
galplo na travessa Frederico Schneiptt, en-
tre a Rodovia Snapp e a travessa Magno de
Araujo. Os veiculos nao estavam em uso por
falta de peas de reposiao. Uma part da
frota, contratada pela prefeitura por aluguel
a uma empresa privada, ji teria percorrido o
dobro dos 60 mil quil6metros de vida 6til de
suas peas.
Como as ambulancias sao de fabricagao
norte-americana, as peas precisam ser im-
portadas. E como a prefeitura ngo estaria
pagando em dia, a empresa nao esta fazendo
a reposicio. A frota, portanto, encolheu: para
tender os pedidos de socorro o pessoal tic-
nico ter que redobrar o trabalho e a demora
na prestagCo do servico cresce. Queixas
como a de Carlos Castro tendem a se multi-
plicar. Antes que o problema se agrave, bem
que a Cmnara Municipal poderia fazer uma
boa apuraiao em torno do 192.

Marca oculta
0 fato de Almir Gabriel ter trazido para o
seu govemo a assessora de imprensa da pri-
meira dama da capital e o chefe do ceremonial
da prefeitura de Belem nao significa que o pre-
feito Hdio Gueiros tenha orquestrado a troca
de nomes na midi-reforma do secretariado do
Estado. O principal criterio para a troca de
nomes foi a insatisfacio pessoal do govera-
dor corn o desempenho de alguns de seus au-
xiliares, que nao estavam dando resultados
politicos.
Ter razAo, assim, o govemador ao declarar
que houve motivacio politico-administrativa
nas mudancas e nao acomodagio politico-par-
tidaria. Almir esta a procura de uma marca, ca-
paz de dar-lhe vida pr6pria. Tenta escapar a cons-
trangedora situaqAo de, ao projetar-se diante da
opiniao public, exibir cada vez mais semelhan-
ca e subordinaio a figure de Heio Gueiros. A
mudanca do secretariado


Pessoal Editor Responsdvel: Licio FlIvio Pinto
: Pass. Bolonha, 60-B *Fones: 223-7690 e 223-1929
lustracao e editoracAo eletrbnica: Luiz Pinto


tem a marca de Almir. O
problema 6 que a marca
de Almir parece, cada vez
mais, a de Helio.