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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00093

Full Text






Joral Pessoal
EDITOR R E S P O N SAV E L: L U C I O F LAV I O P I N TO


TERRAS



De volta ao come o

A UnIdo comegou a devolver ao Estado do Parb as terras que foram
federalizadas em 1971. 0 fim desse process ainda est6 distant, mas o
que mudar6 con a nova situa o?


A maioria das pessoas presents
ao primeiro dia de reuniao do
segundo encontro do grupo de
trabalho encarrega-
do de estudar as Areas fede-
rais no Par, realizada na se-
mana passada, em Bel6m, se
surpreenderam quando o su-
perintendente estadual do In-
cra (Instituto Nacional de
Colonizagao e Reforma
Agriria), Walter Cardoso, apre-
sentou um mapa das terras que con-
tinuavam sob o dominio da Uniao em
territ6rio estadual. O mapa nlo era novo:
podia ser visto na sede do Incra desde
1987. Mas, ao que parece, de la nio sa-
ira desde entdo, mesmo quando houve
solicitaiao do Iterpa, o equivalent do
Incra na administration estadual.
Segundo o mapa, desde 1987 o
Estado do Pari ji poderia ter as-
sumido o control de 34 milh6es
de hectares de terras situadas is
margens de rodovias federal,
passadas ao control da Unilo a
partir de 1971, atrav6s de simples
decreto-lei, o 1.164 (e o seu prolon-
gador, 1.473, de 1976). O ato solene
de revogario desses decretos federali-
zadores foi em Bel6m, quase 10 anos
atrAs, mas desde entao sua efetivagao
vem sendo adiada ou protelada.
Cor o mapa, o superintendent do
Incra sugeriu que a federalizago perma-
neceu quase intacta porque faltou inici-
ativa ao govero do Estado para reassu-
mir o control de parte de seu patrim6-
nio fimdiario devolvido. 0 Incra s6 man-
teria sob suajurisdi9ao as Breas em que
efetivamente teria trabalhado, ap6s dis-


AREA OCUPADA PELA UNLAO
A PARTIR DE 1971


crimini-las e matriculi-las, o correspon-
dente a algo como 30 milh6es de hecta-
res. Assim, boa parte das tarefas delega-
das ao grupo de trabalho, integrado por
sub-grupos paritArios dos governor fe-
deral e estadual, ja estaria cumprida, fa-
cilitando o servi.o.
Os dois governor empenharam-se em
dar importancia aos trabalhos das comis-


.. r ses. De Bra-
_ ) ,I silia (onde foi a
'1 primeira reuniao)
S vieram 27 t6cnicos
das oito instincias
, :/'" envolvidas coma ques-
% tAo. 0 ministry Ronaldo
Sardenberg, secretArio de
Planejamento Estrat6gico da
Presidencia da Repuiblica, fez
presenga no segundo dia dos trabalhos,
ao lado do governador Almir Gabriel,
no audit6rio do paldcio de despachos do
governor, na rodovia Augusto Montene-
gro. Os responsiveis garantem que, desta
vez, serio resolvidas as pendencias e
definidas de vez as jurisdig6es das duas
instancias de governor sobre o patrim6-
nio fundiirio paraense. ci






2 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA/MAR(O/1996


O percurso para chegar a esse final
feliz, entretanto, ainda 6 long e aciden-
tado. O ja famoso mapa do Incra sobre
as Areas liberadas foi apresentado pela
primeira vez fora dos limits do institu-
to e de uma forma meio irOnica, como
uma resposta- guardada por nove anos
- as queixas constantes da administra-
qo estadual de que a UniAo havia revo-
gado a federalizagio de terras apenas no
papel, mantendo-a na pratica.
Como o Iterpa nAo tomou conta dos
34 milh6es de hectares liberados, foi de
fato o que aconteceu, criando-se um vi-
cuo jurisdicional sobre esse quase um
terco do territ6rio estadual. Dispor des-
sas terras poderia ter sido important
para o Estado, que, por conta das ex-
tirpaq9es promovidas pelos militares
a partir de 1971, nAo chegava a do-
minar 30% do patrim6nio que Ihe
pertencera ate entao.
0 grande golpe da federalizacio
veio simultaneamente a construgco da
Transamaz6nica e de um conjunto de es-
tradas de penetracio ao interior da Ama-
z6nia. Alegando raz6es de seguranca
national, o governor M6dici estabele-
ceu o dominio da Uniao sobre 100
quil6metros de cada lado das estradas
federal construidas, em construgao ou
que simplesmente fossem projetadas na
Amaz6nia.
No Para, essa extirpagao alcangou 77
milh6es de hectares (segundo o Iterpa)
ou 64 milh6es (de acordo cor o Incra),
dois tercos do Estado, principalmente no
eixo da Transamaz6nica e da Santar6m-
Cuiaba. Mas em 1976 uma estrada que
s6 existia no mapa, a BR-158, prolon-
gada cartograficamente de Sao F61ix do
Araguaia, em Mato Grosso, at6 Altami-
ra, federalizou uma faixa de 200 quil6-
metros de largura por 1.800 quil8metros
de extensdo apenas para que a provincia
mineral de Carajis, na 6poca em fase de
comercializaco entire a Companhia Vale
do Rio Doce e o Iterpa, ficasse najuris-
diqao da Uniao (que cedeu em comoda-
to 411 mil hectares a CVRD, gragas a
ato do Senado, em 1986).
O Incra s6 tomou conta de metade da
area colocada sob a sua responsabilida-
de, usando-a para projetos de coloniza-
qio, licitaq~o e regularizaco fundiAria.
Cor a revogaao do decreto-lei 1.164,
em 1987, poderia ter devolvido o restan-
te, mas se 6 verdade que o Estado nao se
empenhou o suficiente para efetivar a res-
tituiio, o Incra no foi nada diligente para
que a devolucgo deixasse de ser nada mais
do que um novo desenho no papel.


A dispute entire os dois institutes foi,
em grande media, meramente patrimo-
nialista, tendo pouco a ver cor a quali-
dade de uso desse patrim6nio. Quando
a UniAo abocanhou a maior parte das
terras devolutas da Amaz6nia, ajustifi-
cativa apresentada para esse ato foi de
que os Estados da regiao seriam incapa-
zes de promover sua acelerada ocupa-
95o, a fim de eliminar seus inc6modos
vazios demogrificos e transformar em
produto efetivo seus numerosos recur-
sos naturals.
Passadas duas dicadas e meia dessa
colonizaglo federal, os resultados sao
extremamente modestos, quando nio ne-
gativos. A UniAo vendeu muito mais ra-
pidamente do que
podia contro-



Como incorporar
mais de 34 milhde
de hectares, corn
essa parca
e desqualificada
estrutura
lar -
e a
conse-
qiUncia
da alienacio de milhOes de hectares a
particulares foi um uso irracional das ap-
tid6es naturais, frequentemente sequer
identificadas. Se at6 entio os Estados
amaz6nicos haviam sido mercadores
imobiliArios desinteressados quanto a
destinagao da terra, a federalizaqao es-
teve muito long de significar um salto
qualitative.
Por inapetencia ou em.virtude das di-
ficuldades existentes numa Area de fron-
teira como a Amaz6nia, o Incra nem
mesmo conseguiu concluir regularmen-
te as ac6es discriminat6rias das Areas que
passaram ao seu control, deixando de
fechar poligonais ou de concluir a iden-
tificagdo dos ocupantes antes de fazer a
matricula das terras em cart6rio. Esta
falha pode dar margem a questionamen-
tos judiciais, nio s6 da parte do Estado,
como de particulares prejudicados, ou
inescrupulosos.
A devoluglo das Areas nao incluidas
pelo cancelamento do 1.164 entire as hi-
p6teses de manutengao dajurisdigao fe-
deral (que persiste na faixa de fronteira,
nos terrenos de marinha, nas unidades
de conservagAo da natureza, nas reser-
vas indigenas e nos reservat6rios de hi-


drel6tricas) ocorre antes que o Incra pos-
sa apresentar um inventArio complete e
seguro do que fez nos 25 anos em que
foi o grande gestor fundiario na Amaz6-
nia. 0 acervo das pendencias a acertar 6
bem maior e mais complex do que po-
diam sugerir as declara96es dos respon-
saveis pela comisslo interministerial.
Mesmo quando todas as Areas tiverem
sido acertadas, por6m, ainda restarA uma
pendencia basica: como harmonizar as
aq8es do Incra e do Iterpa? A maior con-
tribuicao da comissio, se alcangada, sera
a de restabelecer o principio federativo
no setor fundiario. As a95es executives
teriam que ser conduzidas exclusivamen-
te pelo governor do Estado, exceto nos
casos de sobrevivencia dejurisdigao fe-
deral (mas nesses casos, cada instituiqAo
ficaria responsavel por Areas especifi-
cas, como o Ibama nas reserves eco-
16gicas e a Funai nas Areas indigenas).
O Incra poderia ser um 6rgao auxiliar
do Estado, de supervisAo e para coad-
juvar o Iterpa, estabelecendo-se um en-
tendimento operacional entire eles, que
atualmente inexiste porque agem em su-
perposigio.
Resta saber o que pode e o que deve
fazer o Estado com o restabelecimento
de sua gestgo sobre as terras devolutas. O
desafio 6 enorme e, no quadro atual, 6
pouco provavel que seja vencido. O Iter-
pa foi incumbido de efetivar a declara-
cgo de caducidade de 50 mil titulos anti-
gos de posse, que podem alcangar um
universe de 50 milh6es de hectares, em
si tarefa bem acima das condigces mate-
riais e humans de que o 6rgao disp6e.
Como incorporar mais de 34 milh6es de
hectares, cor essa parca e desqualifica-
da estrutura? Note-se que os recursos do
Iterpa sAo infinitamente inferiores aos do
Incra, nada notAvel em toda a sua exis-
tencia problematica.
Mas ainda hi um outro complicador: a
visao de que o espaco amaz6nico 6 um
,espaco ocioso se composto apenas pelos
elements da natureza ou por uma ocu-
pagqo seletiva e selecionada. O Incra tei-
mou em ser um capitio do mato para ocu-
par cada escaninho da Amaz6nia, colo-
cando abaixo a floresta e promovendo sua
substituiqao por pastos ou cultivos agri-
colas. As realizaqces do 6rgio sempre
foram medidas por indices quantitativos,
como a obsessao pelo milhao de titulos
de terra do governor Figueiredo. A quali-
dade era deixada para depois e o "de-
pois" nunca veio, nem provavelmente
virA. 0 Iterpa, na sucessio da Unifo pelo
Estado, tera condicgo de ser diferente?*






JOURNAL PESSOAL 2 QUINZENA/MARCQ/1996 3


Um imperio em ruina


Quando morreu, em agosto de
1989, num acidente de aviao,
Jair Bernardino de Souza era
considerado o home mais rico do
Pari e seu patrim6nio, no valor de 100
milhOes de d6lares, estava em cresci-
mento. Cinco meses depois o imp6rio
Belauto, que ia da revenda de carros a
im6veis rurais, comegou a desmoronar,
exatamente quando a familiar ao in-
v6s de manter a profissionalizacQo da
empresa comeeou a tomar conta dela.
Hoje os restos do imp6rio estAo sendo
disputados na justiCa entire adquiren-
tes de parties do patrim6nio e ex-fun-
cionfrios em busca de seus direitos.
A filtima movimentaglo nessa dis-
puta ocorreu no m6s passado, quando
a juiza da 6a. vara civel da capital,
Marneide Merabet, determinou que a
N.V.P. Veiculos e Pegas fosse despe-
jada do pr6dio onde funcionou a Be-
lauto, em Sao Braz. A empresa, apa-
rentemente do grupo Nossaterra, que
sucedeu a Belauto na representaglo
local da Volkswagen, deixou de pagar
os alugu6is dos meses do margo de
1994 a janeiro de 1995, no valor de
73 mil reais.
O problema 6 que esse im6vel, parte
de um conjunto que se estende por tres
ruas (Governador Jos6 Malcher, Jos6


Bonificio e Jutai), esti envolvido numa
reclamagao trabalhista de ex-funciona-
rios da Belauto no valor de 1,2 milhAo
de reais. Feita a execu~8o da sentenga,
o im6vel foi levado a praga na 2a. junta
trabalhista e arrematado
pela Nossaterra por 10%
do valor em que ji havia
sido avaliado em outra
junta, onde tamb6m
fora oferecido em
penhora, "em pro-
cedimento que so
afigura fraudulen-
to", como observou
a entao juiza corre-
gedora do Tribunal,
Marilda Wanderley Co-
elho, hoje na presidencia
do TRT. A fraude resul-
taria da circunstAncia de
ja haver avaliagAo pr6-
via com valor 10 vezes
maior, caracterizando a
venda do bem por pre-
go vil. "Se o prego 6 ir-
ris6rio, como no caso, e
se 6 necessario resguar-
dar o interesse das par-
tes e a dignidade da
Justica, deve ser anu-
ladaa arrematacao",


recomendou a corregedora, em feverei-
ro de 1994, observando que bastaria
simpless despacho do juiz anulando a
praca e os atos posteriores, reavaliando
o bem e comunicando essa decisao ao
juizo execut6rio" da outra
junta.
A arremataco, por6m,
foi confirmada e o Tribu-
A nal deixoude examiner o
recurso dos prejudicados
porque uma das parties era
ilegitima e a Belauto come-
tera o erro singelo de nio fa-
Szero devido prepare do recur-
so, atrav6s do dep6sito recur-
sal. No ms passado a pr6pria
Belauto recorreu a presiden-
te do TRT pedindo a anula-
qSo do ato de arremataW*o,
usando como argument o
despacho da entao corre-
gedora.
Assim, tao controver-
so quanto o desmorona-
mento do imp6rio cons-
truido por Jair Bernardi-
no de Souza esta sendo
a diluigio de cada item
desse patrim6nio, seis
anos depois do come-
go do fim. *


Presenga military crescera na AM


O governor federal pretend investor
10,6 bilh6es de reais at6 1999 na
modemiza.ao da defesa do Brasil. O pro-
grama ter sete itens e um deles 6 o refor-
go da presenga military na Amaz6nia,
como integrante da postura estrat6gica
brasileira de exercer a defesa no interior
do territ6rio national. Na essancia, essa
political "tem se fundamentado na neces-
sidade de resguardar o territ6rio do Pais
e garpntir a inviolabilidade das frontei-
ras, em tempos de paz ou de conflito",
como diz o embaixador Ronaldo Mota
Sardenberg, secretArio de Assuntos Estra-
t6gicos da Presidencia da Repfiblica.
O capitulo amaz6nico dessa estrat6gia
prev6 a "urgente revitalizaco" da faixa
de fronteiras. 0 piano, que a SAE estf
concluindo, seri apresentado brevemen-
te ao president Fernando Henrique Car-
doso, conform Sardenberg informou em
Belem, evitando detalhar a proposta. Em


sua ess6ncia, ila consistira em agregar o
esforco civil ao empreendimento especi-
ficamente military, do qual sera nucleo ou
animador. Embora haja um orgamento
para esse program, grande part dos re-
cursos sera proveniente do esforgo de
coordenar a96es que foram incluidas iso-
ladamente na esfera dos minist6rios.
A combina9ao de a96es civis e milita-
res nessa revitalizacao das fronteiras pora
fim ao Projeto Calha Norte, que 6 urma
agao setorizada, mas se ampliara ainda
mais, incorporando inclusive o Sivam
(que nio consta do Piano Plurianual por-
que pretend ser implantado cor finan-
ciamento norte-americano) e dando ini-
cio ao Sipam, o Sistema de ProterAo da
Amaz6nia.
Uma das sub-regi6es prioritirias 6 o
norte do rio Amazonas, "tendo em vista
os vazios demograficos, os interesses em
presenga e o crescimento dos delitos


transfronteirios, os problems de afirma-
9ao pr6tica da jurisdic~o national", que,
segundo o ministry Sardenberg, "sao es-
pecialmente agudos".
Em artigo publicado em "O Estado de
S. Paulo", na mesma edigo em que o
journal comentou em editorial a disposicao
do president da Republica de usar as
Forcas Armadas contra o narcotrafico e
o contrabando, o chefe da SAE apontou
ainda areass mais ao sul, como as dos Rios
Javari e Guapor6", entire as que "desper-
tam preocupacio". Para ele, a reflexao
sobre a defesa national considerari, cada
vez mais, "nao apenas a sua totalidade
geografica, mas preocupagses especificas
as nossas grandes regi6es". Para esse pla-
nejamento em torno do reforgo da pre-
senCa military na Amaz6nia, a aprova-
cAo do Sivam pelo Senado 6 apenas
um pass. Vfrios outros serao dados
ainda neste ano. 0


L





4 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA/MARCO/1996


A Para Pigmentos, que sera a maior
produtora de caulim do pais quan-
do seu projeto estiver totalmente implan-
tado, vai realizar o primeiro embarque
commercial do produto emjulho. A mina
de Capim I, em Ipixuna, entrara em fase
pr6-operacional ji no pr6ximo m6s, co-
megando a haver bombeamento pelo
mineroduto, de 180 quil6metros de ex-
tensio, em maio. A argila sera transpor-
tada ate o porto de Ponta da Montanha,
em Barcarena, construido pela empresa,
de onde sera embarcada preferencial-
mente para o exterior.
Ate 31 de dezembro do ano passado
a Para Pigmentos formou um ativo de
quase 155 milh6es de reais, que Ihe per-
mitiu tornar realidade o projeto iniciad'o
em 1992, com a formaqio da sociedade
entire o grupo Caemi (hoje dos herdeiros
de Augusto Antunes) e a Companhia
Vale do Rio Doce. No ano passado cada


uem cria um per
sonagem pode
acabar se torando es-
cravo da criatura. Nio
surpreende, por isso,
que certos criadores
decidam matar perso-
nagens de sucesso sur-
gidos de sua imagina-
qo. Um tempo atrfs o
argentino Quino tirou
de circulacao a sua in-
quieta Mafalda, a mais
politizada das tiras
que ja surgiu. Passados os anos, por6m,
Mafalda retorou a prancheta de Quino,
ao menos para matar a saudade dos fas.
O americano Bill Watterson fez o
mesmo, neste m6s, com o diab6lico
Calvin e seu tigre de estimacao, o
Haroldo. Desde o primeiro moment,
quase 10 anos atras, ler as hist6rias ima-
ginadas por Watterson sempre foi um
prazer superior para mim. Calvin e
Haroldo equivalem a todo o conheci-
mento gerado pela psicologia infantil,
em todo e qualquer manual, e pela psi-
cologia em geral. A literature 6 um es-
pelho mais adequado a alma humana,
ca6tica e inesgotivel, do que a soma dos


um dos parceiros reduziu sua participa-
q9o de 50% para 36% das aces, entran-
do na sociedade a japonesa Mitsubish
(18%) e a agencia fmanceira do Banco
Mundial, a IFC (International Finance
Corporation), com 10%.
O balango do ano passado mostra que
a Para Pigmentos tomou empr6stimos de
long prazo da IFC e da Mitsubish no
valor de 61 milhoes de d6lares, que co-
megam a veneer no proximo ano, com
as parcelas de maior peso entire os anos
2000 e 2002. O caulim, de boa qualida-
de, 6 usado principalmente para o reves-
timento de pap6is especiais.
Dentro do program de minimiza9go
de danos ambientais, a empresa adqui-
riu uma area de 2.400 hectares para a
criago de uma estacdo ecol6gica, con-
tigua a area da mina, de acordo com a
Secretaria de Cincia, Tecnologia e Meio
Ambiente do Estado. 0


conhecimentos ditos
cientificos. Os artists
sao os que mais apro-
SI a ximam desse inconsci-
ente abissal. Merecem
que suas loucuras se-
jam perdoadas. As ve-
zes, uma simples refe-
rncia nos atinge mais
fulminantemente do
que milhares de pagi-
nas de comppndios.
Estou entire milhares
ou milhoes de leitores
devotos das tiras de Watterson que, mes-
mo entendendo as raz6es da decisao, se
torardo 6rflos dela. Continue fiel ao Ze
do Bon6, ao Recruta Zero, a turma do
Charlie Brown, mas a posigio de Calvin
& Haroldo era unica, de icones. Tenho
uma admiraqio sideral por artists
como Schulz e Smythe, produtivos e
prolificos em d6cadas de quadrinhos
publicados diariamente, rarissimamente
baixando o nivel. Mas, em todas as
releituras que fizer de Calvin &
Haroldo, you torcer para que Bill
Watterson volte atras e nos devolva o
prazer de degustar o formidavel univer-
so que sua imaginaago crio *


0 caulim do Capim


comeca em julho


Uma moral

bem triste
0 conjunto arquitet6nico da avenida
Nazare, no trecho entire a Rui Barbosa e
a Benjamin Constant, sofreu um golpe
mortal: urn dos casares, deniunero 489,
que atestam a hist6ria da cidade a partir
do inicio do s6culo foi inteiramente co-
locado abaixo para"limpar" a entradade
um pequeno shopping-center ali
construido.
O autor da demolico 6 o empresario
Lopo de Castro Junior, tamb6 proprie-
tirio do estabelecimento commercial. Ele
conseguiu fazer a destruigio a despeito
da interferncia do Sphan (Instituto do
Patrim6nio Artistico, Hist6rico e Cultu-
ral) e da Procuradoria da Repfiblica no
Park Lopinho, membro de umadas mais
tradicionais families daterra, iniciouade-
moligco alegando desonhecer que o pr6-
dio possuia tombamento federal, embo-
ra dois outros bens de propriedade de sua
familiar, situadosnamesmaavenida(o pa-
lacete que abriga uma agencia do Banco
Econ6mico e um casarao geminado ao
que derrubou) tamb6m tenham sido tom-
bados.
O empresrio ignorou liminar once
dida pelajustiga federal para sustar a de-
moliq o e porisso chegou a serpreso pela
Policia Federal, no ano passado. Depois
de prestar declarages foi liberado, cor
o pagamento de fianga. Mas a fachada
do casarao acabou ruindo por inteiro, se-
gundo Lopinho por ter perdido as late-
rais e os fundos que o sustentavam.
Jose Augusto Torres Potiguar, procu-
rador regional da Republica, afirma que
o empresario ten agido de ma-f6, des-
respeitando o embargo administraivo do
Sphan e a ordem judicial para chegar ao
seu prop6sito: remover a antiga constru-
91o da frente do shopping, aproveitando
uma autorizago anterior que obtivera
para abrir uma entrada lateral de acesso
as lojas, mas que preservava o casarAo.
Como a limpeza foi complete, a a9o
civil pfblica apresentada pelo Minist6-
rio Publico federal para conservar e res-
taurar construgao, de evidence valor
arquitet6nico e hist6rico, tornou-se in6-
cua e deveri ser convertida em perdas e
danos, para rolar pelajustiga at uma de-
fini9io final. E apesar do indiciamento
do autor do delito, a moral dessa hist6-
ria nAo 6 nada edificante. Mostra, mais
uma vez, o desamor e a insensibilidade
das elites locals para corn a mem6ria de
sua terra. 0


A morte de Calvin





JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA/MARCO/1996 5


TESTEMUNHO



0 grande mestre


Os professors sempre
foram mal pagos no
Brasil. Mas Francisco
Paulo Mendes
represent uma 6poca
em que havia mestres
nas escolas.
Uma epoca perdida?


A o inv6s de ir de Miami para Gai-
nesville, uma das nossas malas foi
parar nas Bahamas. De volta aos
Estados Unidos, precisaria ser novamen-
te vistoriada em Atlanta. A espera pelo
FBI e pelo minist6rio da Agricultura, in-
trigado com as coisas ex6ticas reveladas
dentro da mala pelo raio-x, teria sido
maior se eu alertado por um amigo -
nio tivesse invocado a condigao de pro-
fessor visitante na universidade local.
Professor pode nao ser a mais bem
remunerada das func6es t6cnicas nos
Estados Unidos, mas 6 respeitada, temr
credibilidade, ocupa um lugar especial
no conjunto das profiss6es. 0 professor
6 o principal agent formador das gera-
c es, um component da estrutura soci-
al de peso equivalent ao da pr6pria fa-
milia. Sua palavra merece f6 quando
garante que dentro da mala nAo ha nada
ilicito. A mala foi liberada.
I profundamente lamentivel que, no
Brasil, o professor ganhe tAo pouco. Mas
6 quase tAo lamentAvel que professors
mal pagos nao se apercebam de sua po-
siqAo especifica na vida social. Eviden-
temente, para boa parte dos professors,
obrigados a dar atenqlo tanto a sua ati-
vidade professional especifica quanto (ou
mais) A atividade paralela que cobre o
enorme vAcuo das suas necessidades de
sobrevivencia, essa questAo moral ou
6tica simplesmente deixou de existir. A
"questAo do magist6rio" foi se reduzin-
do a um embate por remuneraco, por
condic9es materials de trabalho. A pe-
dagogia 6 uma lembranca occasional.
O ensino jA foi considerado um sacer-
d6cio, uma missao. Os atuais professo-
res, mais do que escaldados pela misti-


ca, costumam retrucar corn amargura que
ela foi o biombo para sua exploracio
enquanto mio-de-obra. I verdade. Mas
essa verdade nao 6 capaz de anular a pre-
missa universal sobre a missAo de ensi-
nar: foi, 6 e sera sempre um sacerd6cio,
uma devocao.
Poucas pessoas representam tao aca-
badamente essa figure do etemo mestre
quanto o paraense Francisco Paulo do
Nascimento Mendes. Durante meio s&-
culo Chico Mendes como os amigos
mais intimos o tratam foi o formador
de produtores e consumidores de cultu-
ra em Bel6m, religiosamente present as
aulas, pontual e precise no cumprimen-
to de suas tarefas. Jocosamente, lembra
o caso de um aluno que foi reclamar ao
director contra essa estranha mania de
sempre querer dar aulas nos horirios a
elas reservados.
Como S6crates, mestre dos mestres
pela boca de PlatAo, Francisco Mendes
deixou poucos registros escritos. Sua
famosa dissertacao sobre o romantismo
6 perseguida com avidez e lida com de-
vocao pelos poucos que souberam dela
e a ela conseguiram acesso. Textos seus
apareceram diminutanente em paginas de
jornais ou em catilogos de exposicges e
apresentag6es de livros. Mendes foi e
continue a ser o mestre da oracio, di-
fundindo vastissimos conhecimentos,
constantemente renovados, pela fala, e
no lugar que considerou o locus adequa-
do: a sala de aula.
Max Martins, o maior dos poetas pa-
raenses em atividade, entrou para a mi-
tologia de Francisco Mendes numa vez
em que saiu da sua escola para, como
ouvinte, assistir as aulas do mestre. Pou-
cos colegiais tiveram consciencia desse
privil6gio, privil6gio em Belam ou em
qualquer outra cidade do mundo: de ter
como instructor e guia algu6m cuja sen-
sibilidade estava em sintonia corn a li-
nha de frente do pensamento est6tico e
literArio do mundo.
Em uma fase extensa de sua carreira
no magist6rio, Francisco Mendes chegou
a dar 10 horas diirias de aula em cinco
diferentes col6gios, a maioria deles da
rede piblica de ensino. Isto significa que
alunos do que hoje se chama de lo. e
2o. graus tinham a possibilidade de re-


ceber aulas com uma qualidade s6 en-
contrivel em universidades e, no Bra-
sil, em poucas delas.
Era uma epoca em que professors da
rede piblica de ensino apresentavam
suas teses para disputar livre docencia
ou obter citedra, send as sess6es no
entio Ginisio Paes de Carvalho concor-
ridas. Se de 1i para ci houve uma mu-
danca qualitativa de profundidade abis-
sal no sentido da deterioracio (nAo s6
dos valores, mas tamb6m dos pr6prios
parimetros de avaliagAo), na questio da
remuneraAlo as diferengas nao sAo tAo
significativas. Professor sempre ganhou
mal e Francisco Mendes, que nesse as-
pecto nao foi excelao, dava tantas aulas
nAo s6 porque gostava; era tambem por-
que precisava para compor o orcamen-
to.
O padrAo de sua vida pode ser consi-
derado espartano, mas a preciosidade de
sua biblioteca da uma id6ia do quanto
investiu para se qualificar e, o que 6 mais
important do que a preocupaago estri-
tamente professional, para saciar sua
imensa sede de saber, sua curiosidade por
todos os temas humans. Professores
desse tipo tornam-se realmente agents
culturais, garantindo sua perenidade atra-
v6s dos discipulos, a expressao atomi-
zada e difusa do verdadeiro mestre. Nes-
se period, Francisco Mendes foi excep-
cional, mas nao foi o inico. A freqii8n-
cia desse tipo de mestre garantia ao me-
nos um termo de referencia para identi-
ficar os maus professors, que havia e
sempre haveri, como em qualquer pro-
fissao. O problematorna-se grave quan-
do o nivelamento 6 feito por baixo, como
atualmente.
A existencia de um professor como
Francisco Paulo Mendes tornou-se um
enigma e at6 mesmo um corpo estranho
nas condig6es do ensino atual, especial-
mente do ensino pr6-universitario. Os
professors, alguns tendo que vender
picol6e porta dos col6gios onde ensi-
nam, nAo t8m dinheiro para comprar li-
vros e nem tempo para se preocupar corn
a cultural ou com o que n&o seja a f6r-
mula pronta do ensino do dia. Como,
entio, gente como Chico Mendes sur-
giu? E como, se mantendo, cresceu sem-
pre?






6 JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA/MARC)/1996


A hist6ria do jaborandi


A Sandoz e a Ciba-Geigy, duas gi-
gantes suiqas, sozinhas jA estavam no
ranking das maiores induistrias farma-
ceuticas do mundo. Neste m6s, quan-
do anunciaram a fusso de suas ages,
avaliadas em 36,3 milhoes de d6lares,
ultrapassaram a alema Merck e ficaram
atras apenas da britanica Glaxo Well-
come, esta jA um produto de fusao
ocorrida no ano passado. Enquanto a
Glaxo Wellcome passou a abocanhar
4,7% do mercado mundial de remCdi-
os, a fatia da Novartis (a nova razao
social da Sandoz e Ciba-Geigy, unifi-
cadas) ficou em 4,4% (o que corres-
ponde a faturamento pr6ximo de 12
bilhaes de d6lares).
A queda nos preros dos rem6dios,
segundo os especialistas, entire outros
fatores, esta fazendo esses enormes la-
borat6rios quimicos juntarem suas for-
gas. A competigao esta se tornando
cada vez mais acirrada num setor que
estava acostumado a praticar uma con-
correncia quase administrada. Quando
duas poderosas corpora96es econ8mi-
cas se fundem, as condig9es costumam
se tornar mais desfavoriveis para os
compradores.
No caso que nos interessa, ruim tam-
bem para os fornecedores de mat6rias


primas, insumos bAsicos e conheci-
mentos nao patenteados. E ai que a ob-
servagio desse fen6meno de contra-
9ao causa preocupago. A AmazOnia
estaria vocacionada a ter urn impor-
tante papel na area dos firmacos, tal a
riqueza de seu banco gen6tico ou,
como diz o jarg&o, de sua biodiversi-
dade. Mas somos pigmeus atarantados
polawiovimentnao dos gigantes, sem
knI -how at6 para manejar uma fun-
da milagrosa.
Nessa conjuntura de agigantamento
dos laborat6rios, uma historinha no
moment apenas curiosa; no future
provavelmente tragica mereceria a
atengdo dos que se deitaram no bergo
espl6ndido do destiny manifesto da
Amaz6nia. Desde a d6cada de 50 a
Merck extrai pilocarpina do jaboran-
di. t o 6nico alcal6ide de aplicagao
terapeutica (usado contra o glaucoma)
que se fabric no Brasil, sendo expor-
tado para a Alemanha e a Inglaterra.
Uma das duas esp6cies conhecidas
dejaborandi ja foi extinta. A outra es-
p6cie esti desaparecendo porque a ex-
traqto n&o 6 racional e nAo ha replan-
tio. Sabe-se de um plantio experimen-
tal no Piaui, desenvolvido por uma
empresanacional (Laborat6rio de Pro-


dutos Vegetais do Piaui), que concorre
cor a Merck. Mas essa esp6cie que con-
t6m mais pilocarpinaji acabou no Ma-
ranhao e esta comecando a escassear no
Park, onde os m6todos de coleta conti-
nuam inacreditavelmente rudimentares.
Apesar de sua notavel importincia, a
pilocarpina ainda n8o 6 muito conheci-
da. Sabe-se pouco sobre seu desenvol-
vimento vegetal e a forma de plantA-la.
Mas toneladas de material botlnico slo
remetidas periodicamente para a Alema-
nha, onde 6 de se presumir que a Merck
esteja realizando a sua sintetizacGo.
Embora eu seja um leigo na mat6ria,
as informacges que obtive at6 agora de-
monstram que a descoberta do princi-
pio ativo de uma plant como o jabo-
randi nao 6 tarefa tao simples como
pode parecer. Mas, A custa de dinheiro,
tempo e material botinico, a Merck deve
estar pr6xima de um resultado positi-
vo. Quando isso ocorrer, tera um segre-
do valioso em suas maos (o remedio
contra o glaucoma renderia de 400 a 600
milh6es de d6lares por ano) e n6s po-
deremos ficar com ojaborandi para ou-
tros fins e para decoraco, mas nao para
o seu uso mais nobre.
Deve haver uma licio important a
tirar dessa historinha. 0


HA um component na cruise do ensi-
no brasileiro que nao pode ser reduzido
As estatisticas nem As plataformas dos
movimentos militants. E a mesma per-
da de substincia que fulmina de morte
o projeto de fazer do Brasil uma poten-
cia econ6mica sem que se pense no que
hA de civilizat6rio nessa empreitada. O
pais que enriquece materialmente (ou
cuja riqueza material se concentra de
forma espantosa, inacreditavel) se em-
pobrece por dentro. Falta, nesse ago que
cresce no ranking das potencias econ6-
micas, uma liga para assegurar o amil-
gama, que una, garantindo a perenidade
do projeto, a consistencia da limina. Os
milagres, por isso, tornam-se pantomi-
mas, durando pouco.
Francisco Mendes 6 um testemunho
desse element material que responded


pela solidez da biografia individual e
pelo seu significado na hist6ria coletiva
(ou, quando inexistente, por sua falta de
significado). Aos 85 anos de idade, mar-
cado por sucessivas perdas, o mestre
Francisco Paulo do Nascimento Mendes
mant6m o olhar arguto, ajovialidade dos
impulses, os gestos nervosos de quem
continue querendo mais, tens pela bus-
ca, Agil a despeito do tempo. Numa con-
versa de tempos atrAs, observe sobre sua
mesa de trabalho um livro recent sobre
arte, sobre o abstracionismo, indicando
que o seu leitor ainda era uma pessoa
que se perguntava e perguntar 6 a ra-
zAo maior da vida, at6 seu fun, quando
comega a maior de todas as perguntas (a
unica questio filos6fica para valer, se-
gundo Albert Camus), sem resposta.
No m8s passado, so visitar a exposi-
9ao de Cezzane na Tate Gallery, em
Londres, meu primeiro pensamento foi
para Chico Mendes. Eu estava diante


da ultima grande concentragio das te-
las do pintor que fundou a autonomia
da pintura enquanto forma e linguagem.
Jamais havera uma exposiggo igual
aquela que terminal seu percurso em
Londres, dados os custos do transport
e do seguro necessarios para reunir bens
patrimoniais de museus de virios luga-
yes do mundo. Franscisco Paulo Men-
des nio poderia ver com seus olhos
aquela maravilha, mas eu sabia que nin-
guem entendeu e sentiu melhor Cezzan-
ne em Bel6m do que ele. E foi como se
eu, discipulo dele sem ter sido seu alu-
no em salas de aula, estivesse vendo
aquilo por ele. Afinal, eu s6 estava ca-
pacitado a ver a revolug~o perpetrada
pelo pacato pintor frances porque fora
um dos centenas de privilegiados pela
oportunidade de ouvir o maior dos mes-
tres de escola que os paraenses ja tive-
ram. E aqui agradego de public por
esse privil6gio. 0






JOURNAL PESSOAL 2' QUINZENA/MARCO/1996 7


Dos desiguais aos mais iguais


C ada deputado federal eleito por Sao
Paulo represent 466 mil paulistas.
Cada deputado federal por Roraima re-
presenta 33 mil roraimenses. Por forga
do fato de que, na Cfmara Federal, a
bancada minima 6 de oito deputados, 11
Estados brasileiros da Amaz6nia, do
Nordeste e do Centro-Oeste t6m mais
parlamentares na sua representagzo do
que seria possivel numa relagao aritm6-
tica exata entire a populag~o e o numero
de lugares na bancada federal. A conse-
qiincia 6 que os Estados mais populo-
sos nAo tnm uma representagio political
proporcional ao seu peso demogrifico.
Ha muito tempo Sao Paulo vem lide-
rando o movimento para estabelecer, na
cmnara baixa, a tradugio
political linear da aritme-
tica demogrAfica. Corn
isso, sua bancada iriabem r
acima de seus atuais 70 o ano p
deputados e os 11 Estados ro Bentesfo
menos populosos cairiam ser design
abaixo do minimo com- um cargo
puls6rio de oito deputa- Pard. Opat
dos. Roraima talvez ficas- que consegt
se cor apenas um. E ji mover muck
nao seria mais possivel a mmistragdo
situagio atual, na qual as agora pouc
tres regi6es mais pobres e putadofede
menos populosas (Norte, do PFL.
Nordeste e Centro-Oeste) Na quin:
possuem 257 das 513 ca- Anijarassu
deiras da Cimara dos De- cia estadua
putados. Nacional dc
Assim, unidos, os Es- eBentes nen
tados subdesenvolvidos go, que jd l
ficaram um voto al&m da silia mesmo
maioria absolute na CA- Deriodo nad


mara, podendo estabele-
cer sua vontade. E, para
os Estados mais ricos e
populosos, a vontade dos
demais 6 uma vontade
atrasada, anacr6nica, re-
fratAria ao progress, con-
vergindo sempre para as
ideias conservadoras. O
Brasil estaria marcando
pass por causa dessa de-
sigual distribuiqao de re-
presentacgo parlamentar.
Mas se de fato a ima-
gem do "politico nortis-
ta", como sao generica-
mente tratados (co.m in-
correta nogAo geografica)
todos os representantes de


a gestdo do
do entdo sul
ro Bentes, se
da prefeitur
se como ca,
a sucessdo
Vic Pires F
Isaac, quer
0 episdd
vez, os crit
preenchimei
cos. Se Isaa
nomeado en
petencia esi
ver ofato d
dato a canc
outro lado,
co, incapaz


fora do eixo hegem6nico do pais, costu-
ma casar-se com maior fisiologismo e
tradicionalismo, nem hi, por um lado, a
uniao tao temida, nem ejusta a visio que
da pr6pria regiAo se faz atrav6s de seus
politicos. Prevalece um arraigado pre-
conceito, que compromete a relarAo en-
tre o Norte e o Sul do pais, se o dividir-
mos a um meio arbitririo.
Esse preconceito emergiu sem meias
medidas durante os debates sobre a cri-
aaio de uma Comissio Parlamentar de
Inquerito sobre o sistema financeiro. A
"bancada da selva amaz6nica, identifi-
cada pelo "Jornal do Brasil" em um vio-
lento editorial, foi acusada de estar por
tras das 27 assinaturas que aprovaram a


gdo e o pag, 0h


uassado, Isaac Rami-
*i aprimeira pessoa a
'da para a chefia de
ptblico federal no
drinho da nomeado,
iira afacanha depro-
m~a na cupula da ad-
federal regional (ate
o tocada), era o de-
ral Vic Pires Franco,

zena passada, Isan
miu a superintenden-
l do INSS (Instituto
e Seguridade Social)
nfoi Ihepassaro car-
via entregue em Bra-
. 0 que mudou nesse
ter nada a ver corn
institute: e que opai
perintendente, Rami-
icretdrio de Finangas
a de Belim, langou-
ndidato a candidate
de Helio Gueiros. E
'ranco, padrinho de
o mesmo lugar
io revela, mais uma
drios usados para o
nto de cargos publi-
rc Ramiro Bentes foi
nfundco de sua com-
,ecifica, o que tem a
e serfilho do candi-
lidato a PMB? Por
se ele e umfisiol6gi-
de separar o exerci-


criago da CPI. De fato, nAo se pode
negar que os senadores Jose Sarney, do
Amapa, Jader Barbalho, do Para, e Gil-
berto Miranda, do Amazonas, mexeram
os cord6is para conseguir as 27 assina-
turas que viabilizaram a CPI.
Os tr6s podem ter empenhado nessa
aQao os interesses pessoais e eleitoreiros
imediatos, e, desta forma (como n&o
constitui novidade), viciando na origem
os objetivos da CPI. Mas isto nao signi-
fica que os ausentes a convocacAo da CPI
tenham agido em defesa dos interesses
superiores do pais ou da "modernida-
de". Se a proposiq&o de investigar os
bancos serve de instrument para nego-
ciag6es eleitoreiras e political, nao se


pode esquecer que a base
"modernizadora" do apa-
relho de Estado foi quem
cedeu bilh6es de reais
(talvez 14, talvez 16 bi-
lh6es) para os supostos
representantes do merca-
do. Ou pensar que com
o seu editorial bombbsti-
co, preconceituosamente
intitulado "farsa amaz6-
nica", o "Jornal do Bra-
sil" tenha defendido o
avango do Brasil e nao os
banqueiros aos quais
deve e n&o paga hi bas-
tante tempo.
t claro que um voto
posto i venda a baixo pre-
go por eleitores que ten
nele seu finico bem de
transa io deserve A evo-
lu o political do pais. Mas
essa fonte de desequilibrio
s6 sera superada se uma
media localizada, a da
eliminaco das desigual-
dades interregionais, for
adotada (para que os cida-
daos nao precise vender
seus votos) em combina-
aio com uma providencia
de efeito geral, a aboliclo
do voto obrigat6rio (para
torni-lo consciente), em
uma federagAo onde desi-
guais tenham tratamento
diferente para que alguns
iguais nao sejam mais
iguais do que outros,
como ainda 6 no Brasil
dos nossos dias. *


cio de seu cargo de proselitismo
efavores para o pai, por quefoi
indicadopara o INSS?
Sua brusca destituigdo teria
que ser explicada. Seu cargo nao
d o mero resultado defidelidade
a um determinado esquema po-
litico. Se ndo houve motives es-
cusos na sua ascensdo ao INSS,
teria que haver razoes relevan-
tes de ordem administrativapara
afastd-lo do cargo. Nenhuma de-
ferdncia ao distinto piblico foi
dada, como se nomear ou desti-
tuir constituisse direito natural
absolutista dos caciques politi-
cos, "coisa de branco ", como se
dizia na linguagem das senzalas.
Isan Anijar jovem empresdrio
do setor de material de constru-
0do, jd assumiu o cargo sofrendo
o desgaste dessa forma de com-
poraadministraaoopiblica. Dela
fica a licdo de que o interesse da
populaado nada conta na hora do
escolha do nome, o que e uma ge-
neralidade no Brasil, mas nesse
caso especifico ter ainda um
component agravador: tanto a
pretensdo de Ramiro quanto a de
Vic & sucessdo de Gueiros ainda
estd na drea das cogitacoes por-
que seus indices naspesquisas de
opinido continuam muito baixos.
Ou serd que sua inica esperan-
Ca de ascensao estd no uso da
mdquina ptblica? 9


L ----------------------- J










0 Conselhd d
apresentou duas propostas' paia"meho-
rar o Fundo Constitucional de Financia-
mento do Norte (FNO). Uma de nature-
za administrative, para uma gestao par-
tilhada do fundo. Outra, political: para
que o extrativismo passe a receber re-
cursos do fundo. Mas o balango do pri-
meiro semestre do ano passado da ges-
tAo do FNO mostra que ele continue no
mesmo caminho dos antecessores: ap6ia
mais intensivamente a pecuaria de cor-
te.
Segundo os dados entregues ao Con-
del, o Programa de Apoio ao Desenvol-
vimento da Pecuaria (Prodepec), embo-
ra tendo representado apenas 11% do
niumero de operac6es realizadas de ja-
neiro a junho de 1995, absorveu quase
47% dos recursos, um contrast com o
Prorural, voltado para a produgio rural
familiar, que, tendo representado 80%
da quantidade de opera~6es, ficou corn
41% dos recursos.
Por mais que a base produtiva dessa
pecuaria nao seja a mesma dos latiffin-
dios extensivos do passado, significa a
manutengio do esquema que prevalecia
no Proterra e nas linhas de credit ofici-
al, em descompasso corn as melhores
aptid6es naturals da amaz6nia como e
o objetivo da criagdo do FNO.
Em seis anos de existencia, o fundo
aplicou 879 milh6es de reais (pratica-
mente o equivalent ao orgamento de
outro fundo, o Finam, administrado pela
Sudam e ao qual os pequenos e medios
empresirios dificilmente tem acesso),
mas ja comprometera, no final do pri-
meiro semestre do ano passado, 8% a
mais do que tinha em caixa.
As mudancas feitas na semana passa-
da certamente melhoram o Fundo, mas
nao o suficiente.

A razao da falta

Uma das perguntas que circulavam
pel6s bastidores da ultima reunido do
Conselho Deliberativo da Sudam, reali-
zada na semana passada em Beldm, re-
lacionava-se a ausencia do governador
Almir Gabriel. Desta vez ele nao apenas
nio compareceu, como nem designou
seu traditional representante, o secreti-


-&tP nlanejamento, S
mo /Jatene.
,8 fPa gtodas as reuni6
do C~odel o governado


;i- r-- - -

IS No ano p
r I
or ^ p


--


e convidado pessoalmen- Io"U R
te pelo superintendent Isomou R A
da Sudam, Frederico /ie uRS 432
Andrade, e promote ir. e R$ 138 m
Mas nao vai. Isto apesar Esses ndl
de defender id6ias pare- I defnitiva do
cidas corn as de Frede- a Embratel,
rico para mudar e me- quinzenapas
Ihorar a Sudam. Acima . udq a
das ideias, por6m, pa- ica
rece prevalecer uma ie riao"
dife-rengapessoal:Al- .'.- Ma
mir fez tudo para colo- 4 *"a .
car na Sudam o empre-. iqupardeis,
sario Fernando Flexa vista quegenm
Ribeiro, president re- tacando apen
gional do PSDB e pre- realmente exis
sidente da Federaao do a contribui
das Indfistrias. I os dados defai
Flexa chegou a dar impostos para
entrevista coletiva paraaeconom
e para a economy
anunciando-se como I vos, P clar).
superintendent e an- L_ _
tecipando seus pianos,
mas o senador Jader Barbalho agiu rapido
para cortar as curtas asas tucanas de seu
ex-concorrente. Como tamb6m nao tinha
candidate de cacife para apresentar (o ex-
deputado federal Manuel Ribeiro fora ve-
tado), preferiu que Frederico Andrade con-
tinuasse onde estava.
Almir, ao queparece, nio perdoaat6 hoje.

A campanha antecipada

A campanha dos candidates a candida-
tos A prefeitura de Belnmji esti nas ruas,
a de alguns, como o secretario munici-
pal de Finanqas, Ramiro Bentes, de for-
ma acintosa. Essa antecipag~o suscita a
seguinte questao: nio importa que as
campanhas eleitorais s6 possam ser rea-
lizadas legalmente ap6s as convenq6es
partidarias, previstas parajulho, se o pre-
feito H61io Gueiros, teoricamente o mai-
or eleitor de outubro na capital, vai fa-
zer em abril uma pesquisa de opiniao,
da qual selecionara o candidate que vai
apoiar.
Os candidates que nio sao populares
o suficiente para confiarem em seus re-
sultados v6em-se diante da necessidade
de colocar seus nomes nas ruas, gastan-


[ Jornal Pessoal Editor Respons6vel. LWcio.Flvio Pinto
S Redagao Pass Bolonha, 60-B -Fones. 223-7690 e!223-1929
Ilustraqao e editoragao eletronica Luiz Pinjp


-- - - -- ~ - ----
A outra faceta 1
ssado a Embratel obteve urn faturamento
iuase 1,5 bilhao de areas. Seu investimento
50 rnilhoes, 86% dele oriundo de rwcuwoa
empresa estatal de telecomunwcaVo s w ..
milhJes em impostos. Seu lucro Iat 4f_. i
riles, mesade do valor do no another
ws sao registrar a wspers da .qebr
monopdlio das telecom nicasaes Mas dbq
no relatdrio da sua diretoria, divu adIb
sada, que "o ambience de com petidva,
Instiftucionais intrduemu omped wo
s, un novo mibn

ique seja meanmo, MO P .4;
rontaddgi com os de, "pwa
servem de contraponto ao
Scom Paulo Francis costuma joaa des-
s os aspects negatives das estatais (que
tem e nero todos sdo veniais) e esquecen-
Cdo que do aaopais. Basta sair catando
turamento, lucro lquido, reinvestimento e
ver quem positive e quern negative
ia national (semfalarnos dados qualita7

- - -- - ---
do mais e preci-
pitando a eclosio das campanhas. Quem
esta em cargo piblico, do qual s6 preci-
sara desincompatibilizar-se a 2 dejunho,
usa a mAquina official e o dinheiro do
contribuinte, numa concorrencia, alum
de illegal, desleal para com os demais
competidores, viciando a dispute politi-
ca antes mesmo que ela tenha podido
comegar regularmente.
NAo importa que o advogado Arnal-
do Saldanha Pires tenha impugnado a
candidatura de Ramiro Bentes para be-
neficiar o concorrente dele do PMN,
Benedicto Monteiro, como acusam al-
guns politicos (sem provar, entretanto).
O que importa 6 que apresentou essa
anomalia, suscitou a discussAo piblica
a respeito dela e o pronunciamento do
Ministerio Piblico.
Resta saber se a provocagio terA con-
seqiiencias.

Em tempo

O efeito Hilinho, uma sindrome de
irracionalidade que dd no vicuo da titu-
lariedade, voltou a ser sentida na sexta-
feira. Pensando melhor, o goverador
Almir Gabriel preferiu cancelar a viagem
que faria a Sao Paulo para um encontro
cor seu colega paulista Mario Covas.
O tucano chefe do Estado permanecera
de asas recolhidas.