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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00089

Full Text






Joral Pessoal
EDITOR RESPONSAVEL: LOCIO FLAVIO PINTO
ANO IX No 128 la QUINZENA DE OUTUBRO DE 1995 R$ 2,00


A aranha do p6

O narcotraifico international ja conseguiu
se estabelecer no Para, montando
neg6cios de fachada e lavanderias
para legalizar o dinheiro ilicito


Haverkate, da Corte de
Haia, na Holanda, enviou
uma carta rogat6ria ao pre-
sidente do Supremo Tribunal Federal,
em Brasilia. Pedia autorizagio judicial
para busca e apreensao de certos do-
cumentos, interrogat6rio de emprega-
dos e a quebra do sigilo bancirio da
Casa Piano, na 6poca a terceira maior
casa de cambio do Rio de Janeiro. A
justiga holandesa tinha fundados moti-
vos para acreditar que a Piano estava
envolvida num amplo esquema de la-
vagem de dinheiro do narcotrafico
international.
A principal prova em poder da jus-
tiga holandesa era um lote de cheques
emitidos em nome de Nasseif Cury
Azouge, um traficante boliviano que
operava com os "doleiros" Moeniper-
sad Baidjnah Misier e Richard Ronald
Lowes, os agents locais que lidavam
cor o dinheiro sujo e faziam a cocaine
chegar aos consumidores holandeses.
A quadrilha foi desbaratada, mas as
autoridades holandesas tentavam ar-
rancar suas raizes mais profundas,
situadas fora do pais.
As mais distantes estavam planta-
das em Guayara-Mirim, na Bolivia.
Mas seus elos intermediarios passavam
- e ainda passam pela outrora pacata
Bel6m do Para, a maior cidade da
Amaz6nia.
Tres cheques do lote enviado ao
Brasil pela justiga holandesa para obter
a6 colaboragao da justiga brasileira
estavam endossados por outro bolivia-
no, Adrian Ribera e por um certo
Bruno, que os holandeses pensavam
tratar-se de algum funcionArio da Casa
Piano.


O lavador Na verdade, o nome
complete do endossante 6 Bruno Mari-
nho Meira Mattos, assassinado dois
anos e meio antes do pedido holandes
ao STF. Bruno, morto em dezembro de
1991, quando tinha 32 anos, fazia parte
de uma das mais tradicionais families
da sociedade paraense. Tinha lugar
garantido nas colunas sociais atW apa-
recer, muito meteoricamente, nas pagi-
nas policiais da imprensa. Seu neg6cio
de fachada era uma empresa de cambio
e turismo, a Carajds, instalada no cen-
tro de Bel6m.
Em cinco anos de funcionamento, a
pequena empresa teve sucesso inco-
mum, permitindo ao seu dono instalar-
se numa mansdo, comprar carros, via-
jar constantemente para o exterior e ter
um padrio de vida ostentat6rio.
Parte desse sucesso podia ser atri-
buido As virtudes de "doleiro"de Bru-
no, mas depois de sua morte, ate hoje
nao esclarecida, o Jornal Pessoal
mostrou que ele se tornara o maior
lavador de dinheiro do narcotrafico no
ParA. Pelo registro de seu computador
passaram, ao long de 1991, 100 mi-
Ihoes de d6lares, permitindo-lhe cobrar
de 2 a 3% desse valor a titulo de co-
missao.
Um dos principals clients de Bru-
no era justamente Adrian Ribera Per-
rogon, dono de uma cadeia de lojas e
um hotel do outro lado da fronteira do
Brasil com a Bolivia, e assiduo fre-
quentador de Guajard-Mirim, onde
tinha a conta corrente 2597-32, na
agencia local do Bamerindus.
Perrogon, cor Nasseif (ou Nassif),
Ayub e Escalante, outros bolivianos
que negociavam com Bruno em uma
rede que incluia ainda quatro brasilei-


ros em Abaetetuba, os dois holandeses
press, um agent da Policia Federal
(que funcionava como informante, um
ex-agente da PF (que se transformou
em seguranga particular de Bruno),
comerciantes e delinquentes menores,
dois dos quais press e condenados
posteriormente por trafico, em Minas
Gerais e no Pari.
Nossa Medellin O esquema de
funcionamento da rede era simples.
"Mulas" (mensageiros) traziam a coca-
ina da Bolivia para Belem ou um ponto
pr6ximo em territ6rio paraense, de
onde era recambiada, principalmente
de barco, para Paramaribo, no Surina-
me (hoje o principal entreposto inter-
nacional de cocaine), seguindo dai para
os Estados Unidos e a Europa, tendo
Amsterdam como porta de entrada.
Pequenos comerciantes, que ha muitos
anos se aproveitam da complexidade
geografica da Amaz6nia para fazer
contrabando pela costa norte, a partir
de pontos situados no baixo Tocantins
paraense, precisam apenas reciclar seus
produtos, ou "enriquec6-los": ao inv6s
de (apenas) pimenta-do-reino, caf6 ou
cacau na viagem de ida, passaram a
levar cocaine, 'trazendo uisque e per-
fume.
A receita dessa nova atividade pas-
sou a ser tao grande que um desses
comerciantes, Jos6 Afonso Sarges da
Rocha, simplesmente construiu, sozi-
nho, o estidio de futebol de Abaetetu-
ba, usando como neg6cio de fachada
um supermercado. E deu o estadio de
present a municipalidade. Tornou-se
tao popular quanto Manoel Ferreira
Soares, majs conhecido como Juvico,
outro dos comerciantes do p6 numa
cidade que os policiais da repressao a o






2 Jornal Pessoal


entorpecentes ji chamam de Meddlin
do Pari.
Confirmada a entrega da droga no
ponto de destiny, 6 feito o cr6dito do
pagamento em contas bancirias abertas
numa sucessdo de cadeias para tentar
apagar sua origem ilicita. Para isso
Bruno Meira Mattos mantinha contas
especiais, algumas numeradas, em
Paramaribo, Martinica, Miami, Nova
York, Amsterdam, Roma e Genebra.
Em Nova York, por exemplo, ele usava
a conta da Casa Piano no City Bank
nimero 369776/49 e a conta ABA 021
0000 89.
Para acompanhar as entregas e pa-
gamentos, Bruno requisitava passagens
em agnncias de turismo de Bel6m para
"mulas" e traficantes em permanent
trinsito para Guajara-Mirim, Tabatinga
(na divisa do Amazonas com a Co-
16mbia), Paramaribo e mesmo para a
Europa.
Joao Lobato, por exemplo, fez uma
viagem Belm-Rio-Amsterdam-Rio-
Bel6m, em outubro de 1991, dois me-
ses antes da morte de Bruno, demoran-
do-se poucos dias na capital holandesa,
sem se intimidar com o detalhe de que
a 6nica lingua com a qual possui algum
tipo de intimidade 6 o portugu6s.
Suspeita A desenvoltra suspeita
de Bruno Meira Mattos atraiu a aten-
9ao do DEA, a agencia de repressao a
droga dos Estados Unidos, que come-
gou a rastrear os fluxos de dinheiro.
Talvez tenha sido uma dessas pistas
que levou a justica americana, em fe-
vereiro de 1992, a bloquear 30 milh6es
de d6lares depositados numa conta da
Piano International em NovaYork (e,
mais de tres meses depois, a interditar
a empresa). Um dia antes de ser assas-
sinado, Bruno contabilizara d6bito A
Piano de 500 mil francos franceses e
1.249 d6lares americanos, uma infima
parcela do que movimentava perma-
nentemente com a corretora de cAmbio.
Da mesma maneira como a dupla
Misier/Lowes mantinha seis contas no
banco ABN/AMRO em nome de
"laranjas", com dep6sitos diArios de
mais de 100 mil d6lares entiree novem-
brb de 1989 e outubro de 1992 a soma
alcangou US$ 44 milhoes), Bruno tinha
contas milionarias em agencies de Be-
16m dos bancos Safra, Bamerindus e
Econ6mico, todas igualmente de
"laranjas".
Dois deles, Grimoaldo Rodrigues
Pamplona e Pedro do RosArio Maia,
trabalharam para ele como pedreiros,


cedendo os documents de identifica-
9do para a abertura das contas, movi-
mentadas por Bruno com assinaturas
falsas. Numa cidade onde a economic
informal se expand celeremente e as
rotas marginais sAo tAo ou mais fre-
quentadas do que as legais, nao s6 por
narcotraficantes, mas tambem por po-
liticos e dirigentes piblicos corruptos,
al6m de detentores de numerosos cai-
xas 2, a facilidade para o narcotrifico
plantar suas bases de apoio e interme-
dia9go foi grande.
Os gerentes de bancos nem presta-
ram aten9io ao "detalhe"de que Bruno
arranjara como "laranjas" trabalhado-
res humildes, semi-analfabetos, que
mal ganhavam o salArio minimo. t a
mesma naturalidade que afasta a curi-
osidade piblica de neg6cios estranhos
existentes na cidade, sem explicagao
16gica para sua manutengAo ou amplia-
9Ao desenfreada.
Ningudm quer se incomodar per-
guntando pela origem desse dinheiro
milagroso, que se multiplica como por
toque divino. Por isso, nos computado-
res de Bruno conviviam dep6sitos lici-
tos em moeda estrtangeira com dinhei-
ro que seus donos nAo poderiam expli-
car de onde vieram, sem que a policia
tivesse tido contig9es de fazer a neces-
saria e profilitica separaq~o do joio e
do trigo. Nessa promiscua seara con-
viviam aplicai6es de um empresArio da
irea grifica, comerciante de lojas de
tecidos, fiscal da receita estadual com
conta international e padrao de vida
anos-luz A frente de seu salArio official,
e uma legiAo de nomes que rotineira-
mente apenas as colunas sociais cos-
tumam agrupar e nio, como nos
computadores de Bruno, com os nomes
codificados indicando o desejo ao
anonimato e nao A badalaiio caracte-
ristica dos "coluniveis".
O risco Como pioneiro nos ne-
g6cios de lavagem dos narcod6lares,
Bruno parece ter relaxado o control de
suas transages. Nos iltimos meses de
1991 suas contas comegaram a averme-
lhar e os neg6cios se tornaram perigo-
sos.
No dia 10 de dezembro daquele
ano, quando deveria chegar uma re-
messa de cocaine a Bel6m, ele saiu
sozinho da cidade no inicio da manha
para um encontro sigiloso. JA estava
voltando, pouco depois das 18 horas,
quando um carro emparelhou cor o
dele, na BR-316, e de IA partiu um
inico e certeiro disparo arrebentando-


Ihe a cabega e matando-o instaneamen-
te. Desde entao, as ji desfalecidas in-
vestigag6es policiais, esbarrando numa
parede de dificuldades e mi vontade
precariamente disfa9adas, nao foram
capazes sequer de identificar a marca
do carro usados pelos assassinos
(certamente dois: o que atirou e o mo-
torista).
Apesar do impact causado pelo
assassinate em tais circunstancias de
um nome do grand-monde paraense,
corn a revela9go de sua face delinquen-
te, o narcotrifico continuous a expandir-
se, deixando A mostra os elos de liga-
9ao entire elements aparentemente
isolados e as peas de um quebra-
cabecas que comega a mostrar-se as-
sustador.
Em 1989 a Policia Federal fizera a
sua primeira grande apreensao de coca-
ina no Para: 417 quilos. A apreensao
foi casual: o aviio que transportava a
droga caiu no municipio de Porto de
Moz, na embocadura do rio Amazonas,
por causa de uma pane seca. Os orga-
nizadores da empreitada foram incapa-
zes de prever a quantidade certa de
gasoline para o v6o. O responsavel
pelo carregamento, Francisco Gui-
Iherme Souza Pereira, conseguiu sal-
var-se, mas foi preso e cumpre pena na
penitenciAria de Americano.
O irmao de Guilherme, Renato
Souza Pereia, o Renatinho, no ano
seguinte venderia a Bruno Meira
Mattos, com quem tinha liga9ges, uma
fazenda de 871 hectares, na ilha de
Maraj6, que iria servir de base para o
recebimento de cocaine boliviana e
colombiana, dai sendo reembarcada
para o Suriname.
Em abril de 1993, quando a fazen-
da ji havia voltado para Renatinho,
com a anulagao de uma atrapalhada
operagao de compra e venda, ali pou-
sou um monomotor Cessna Azteca,
procedente de Alta Floresta, em Mato
Grosso. Agentes da Policia Federal ji
esperavam, ocultos, a chegada dos 631
quilos de cocaine que vinham no apare-
lho. Simultaneamente haviam apreen-
dido outros 420 quilos no Amazonas,
da mesma quadrilha, no que foi o mais
duro golpe at6 entio aplicado aos trafi-
cantes no Brasil: 1.051 quilos de droga
perdidos de uma s6 vez, mat6ria prima
que Ihes teria permitido faturar 34 mi-
lh6es de d6lares.
A mesma quadrilha tivera perda
ainda maior um pouco antes, mas fora
do territ6rio brasileiro: em novembro >






Jornal Pessoal 3


de 1991 um Leart-Jet da Transamdrica
TAxi Adreo caiu no M6xico com 1.180
quilos de cocaine embarcada na
Amaz6nia. A desconcertante causa da
queda: falta de combustivel.
Figura controversy Depois que a
droga fosse deixada num ponto do
desert mexicano, o aviao deveria
continuar viagem at6 Madrid, onde
embarcaria o autodenominado empre-
sArio paraense Augusto Morbach, de
32 anos, que havia comprado o jatinho,
mas nAo chegaria a concluir o paga-
mento A Transam6rica.
Poucos dias depois desse acidente,
Morbach seria preso em Slo Paulo por
agents da Policia Federal ao chegar da
capital espanhola. Os policiais ja o
consideravam envolvido em contra-
bando, trafico de drogas e ingresso
ilicito de divisas. Ele admitiu apenas o
iltimo dos crimes, atrav6s do qual
entrou para o Guiness brasileiro: a PF
apreendeu corn ele US$ 3,95 milh6es,
em notas de 10 e 20 d6lares. Infor-
malmente, Morbach chegou a admitir
que seriam, na verdade, US$ 6 mi-
lh6es, mas que US$ 2 milh6es haviam
sido "confiscados"pelos policiais.
Ele negou que o dinheiro tivesse
origem no com6rcio de t6xicos. Alegou
que o conseguira numa venda de pe-
dras preciosas no Oriente, por onde ji
havia andado como uma esp6cie de
pracista aut6nomo da Engesa, passando
em frente armamentos brasileiros para
os arabes.
Nem a versio sobre misseis e equi-
valentes, nem a hist6ria sobre t6xicos
foi comprovada, mas Morbach cumpre
pena ja em regime aberto por crime
de "colarinho branco", como sonega-
dor de imposto, capitulagCo, alias, fre-
quente nesse tipo de personagem.
Mas se Morbach livrou-se do en-
quadramento em crime hediondo por
traficar droga, seu irmao, Atila, foi
apanhado pela Policia Federal, junta-
mente com outros integrantes brasilei-
ros de uma ramificacao do cartel de
Calli. A engrenagem ligava um ex-
prefeito de Maraba, Hamilton Bezerra,
s6cio de Augusto Morbach em uma
empresa de mineragao que, a partir de
1981, dera partida ao seu rapido enri-
quecimento, o comerciante Carlos Sa-
Iheb, de uma familiar local proprietAria
do Caculio, rede de lojas de material
de construgdo, e Paulo T6rres, outro
paraense intitulado empresArio.
Hamilton Bezerra e Carlos Salheb,
gragas a habeas corpus deferidos pela


justiga, conseguiram sair da penitenci-
Aria de Manaus, onde permaneceram os
outros integrantes da quadrilha, sujei-
tos a penas pesadas, semelhantes As
que foram aplicadas a Izid6rio Costa
de Oliveira Filho e Celso Gomes, sus-
peitos de terem participado do assassi-
nato de Bruno Meira Mattos (o primei-
ro preso em penitenciaria de Juiz de
Fora e o segundo, em Bel6m, ambos
por trifico de drogas).
Future? Embora Augusto Mor-
bach esteja em situagao melhor, po-
dendo dormir em sua pr6pria casa, sem
provas materials de ligago com outros
traficantes, um seu ex-s6cio, Joaquim
de Jesus Bittencourt, diz que ele, na
verdade, esta muito mal.
Feola, como 6 mais conhecido, ga-
rante que Morbach deve US$ 9,2 mi-
lhWes ao cartel de Calli. Iria quitar a
divida com a entrega de uma fazenda
de 70 mil hectares que Feola lhe passa-
ra em confianga (e ele teria se
"esquecido" de devolver). A operagAo
nSo deu certo porque o banco de Mi-
ami que Ihe emprestaria US$ 15 mi-
lhWes tendo as terras como garantia
achou a documentag o de dominio
imobiliArio inconfiAvel.
Nem poderia chegar a outra con-
clusAo. A documentacgo foi aprontada
por Jacyntho Castro Filho, outro
"colunivel"de Bel6m. Jacyntho 6 o
substitute do pai no cart6rio Diniz, que
se transformou numa esp6cie de QG
informal para suas opera96es paralelas.
De lA a policia ja registrou numerosos
telefonemas para Calli. Jacyntho che-
gou a ser preso como envolvido com a
quadrilha dos 1.051 quilos de cocaine,
juntamente com um tenente-coronel
reformado da AeronAutica, Nelson
Leite da Silva. Mas acabou solto, ale-
gadamente por falta de provas.
Mesmo sob discreta vigilAncia po-
licial, Jacyntho "preparou"a documen-
tagIo das terras e a transagio de venda
de Morbach para os colombianos Ro-
drigo Ivam Caceres Duque e Rodrigo
Velez Suarez, todos os pap6is devida-
mente carimbados, como se fossem
legais, mas jamais levados ao registro
nos livros de assentamento do cart6rio
Diniz. Para os neg6cios obscuros, Ja-
cyntho parece ter criado um cart6rio
pessoal.
No entanto, os elos paraenses da
rede colombiana nao parecem adotar os
models de Calli e Medellin. Em todos
os casos em que foi bem sucedida ate
agora, a policia contou com a desunido


e a falta do minimo de organizagio dos
parceiros paraenses desse crescente
com6rcio, que fez do Pari o ponto ni-
mero um de passage de cocaine pelo
Brasil, transformado nm component
relevant do com6rcio interacional.
Mas os policiais sabem que o
muito que conseguiram 6 apenas um
pouco do que estA sendo relizado nos
subterraneos. Uma id6ia dessa ampli-
tude 6 vislumbrivel quando as pontas
da rede (ou "aranha", como diz o jar-
gAo especializado) aparecem a partir de
fora, como ocorreu agora, com a solici-
tagao da justiga holandesa. AliAs, at6
agora nao atendida.


Helio e Almir:

o rompimento
O distanciamento entire o governa-
dor Almir Gabriel e o prefeito
H6lio Gueiros 6 um caminho sem volta
no rumo do rompimento politico. O
prefeito tomou a iniciativa de demarcar
as novas posigoes ao recusar, no final
do mes passado, participar de um en-
contro na Granja do Icui. Ainda procu-
rou manter alguma aparencia enviando
a chefa de seu gabinete, Maria de Na-
zar6 Marques, corn a tosca explica9go
de que estava adoentado. Mas o recado
foi mais do que claro: Nazard chegou
exatamente na hora prevista para o
encontro comegar e nao ficou na
Granja nem cinco minutes, deixando o
governador, que havia proposto a
Gueiros a reuniao para que pudessem
ter uma conversa franca, sem reagao.
Se quiser embarcar na canoa furada
do restabelecimento das antigas rela-
96es de parceria, o governador tera que
se humilhar, refazendo o convite, com
o risco de receber uma outra desfeita.
Ao que parece, H61io Gueiros esta
disposto a apostar no confront ou na
rendicio incondicional, o que, para
Almir Gabriel, significaria renfncia
branca ao cargo que ocupa.
Para valer Talvez apostando
em que tem mais lideranga no Estado
do que o seu aliado da eleigio do ano
passado, o prefeito da capital desistiu
do papel de dissimulador que parecia
inclinado a exercer a partir do regresso
de Almir Gabriel da MalAsia. Passou a
assumir posigio ao lado do filho, en-
dossando os atos praticados durante a
internidade no governor, e mandando
sinais de revanche.
Gueiros faltou seguidamente a so-






4 Jornal Pessoal


lenidades nas quais sua presenga fora
anunciada e era esperada, como a posse
do novo desembargador Benedito Al-
varenga, do procurador geral de Justi-
ca, Manoel Santino, a reinauguragdo da
sede da OAB/PA e a assinatura do
contrato para a construgao do novo
aeroporto de Beldm. Na solenidade no
Tribunal de Justiga do Estado, a manu-
teng9o de uma cadeira vazia entire o
governador e o secretario municipal de
Justiga, Frederico Coelho de Souza,
chegou a ser constrangedora para Al-
mir.
Nao content, o prefeito cedeu es-
pago no seu program de televisao
(propaganda political pessoal com di-
nheiro do contribuinte) para o deputado
federal Vic Pires Franco atacar o acor-
do do governador com o PMDB e iro-
nizar as preocupac6es de Almir com a
pacificag9o political do Estado. O vice,
H6lio Gueiros Jr., tamb6m apareceu no
program do pai, como se ele fosse um
reduto da oposigao e nao do aliado
eleitoral de poucos meses atris.
Agora, o governador vai precisar
demonstrar se tem realmente condig9es
de criar uma densidade pr6pria de po-
der, estabelecendo um novo p6lo poli-
tico no Estado. Do contrario, ou virard
marionete de Hl6io Gueiros ou acabari
caindo no control de Jader Barbalho.
E a hora de o governador sentir na
pr6pria pele como 6 verdadeiro aquele
ditado popular: dize-me com quem
andas e te direi quem 6s.

Em janeiro

Helio escolhe

Em janeiro o prefeito H6lio Guei-
ros encomendara, provavelmente ao
Ibope, uma pesquisa de opiniAo sobre
os candidates A prefeitura de Bel6m.
Quem, dentre os politicos de seu gru-
po, estiver com o maior indice de po-
pularidade deverA ser o escolhido para
suced6-lo. Se for convenient, o se-
gundo melhor posicionado, desde que
no esteja distanciado do primeiro,
servird de alternative.
Esta, segundo fontes da PMB, 6 a
estrat6gia jA montada por Gueiros. Pela
preferencia pessoal, o deputado federal
Vic Pires Franco 6 a bola da vez,
substituindo o deputado estadual Luiz
Otavio Campos.
Pepeca foi punido com a perda da
primazia em fungio da reconstituigio
que fez de toda a hist6ria da aproxima-


9do e do acordo feito pelo governador
Almir Gabriel com o PMDB, reconsti-
tuicao que deixou o prefeito em posi-
9do inc6moda. Agora, Luiz Otavio nao
6 mais visto nos encontros de fim de
tarde na Granja Modelo, quando um
papo molhadissimo reine os membros
da c6rte gueirista.

Falcko criado Vic esti em plena
articulagao para consolidar seu papel
de favorite. Foi o 6nico dos 20 inte-
grantes da bancada federal paraense a
nao subscrever as emendas ao Piano
Plurianual do govemo federal acerta-
das pelo governador em um encontro
geral realizado em B rasilia.
A ausencia indica claramente que a
bandeira de campanha de Vic, se ele
for candidate, A semelhanca do que fez
para eleger-se deputado (em relago a
Jarbas Passarinho), sera a do opositor
solitirio A reaproximagco com Jader
Barbalho, fazendo desse ponto mono-
c6rdio o seu cavalo de batalha.

Al6m da indicagio de H6lio Guei-
ros, Vic espera contar com o patrocinio
do Grupo Liberal, afastando-o de qual-
quer possibilidade de comprometimen-
to corn o ex-prefeito Sahid Xerfan. Um
filho de Sahid 6 marido de Roberta
Maiorana, diretora da Fundag9o Romu-
lo Maiorana. Essa relagio familiar
reforgou os elos de ligag~o estabeleci-
dos no passado, mas que podem nao
ser decisivos para a mobilizagio da
corporagao de comunicag9o se o pr6-
prio Sahid mantiver seu nome afastado
dos movimentos pr6-eleitorais.

Reasfaltando as mesmas ruas de
sempre, preparando na Doca de Souza
Franco um cartio postal para repercutir
junto A opiniao pfiblica, apoiando-se
em outras obras de impact semelhan-
te, como a recuperagio da Avenida
Portugal, e inaugurando o pol8mico
terminal pesqueiro ao lado do Ver-o-
Peso, al6m de pavimentar com o caixa
paralelo a via eleitoral montada com
empreiteiros, aderentes & agregados,
H6lio Gueiros pretend ser o grande
eleitor do pr6ximo ano. Dai a impor-
tfncia do nome que vai escolher para
tentar colocar em seu lugar no PalAcio
Antonio Lemos (e na Granja Modelo,
seu mais frequent paradeiro), dispon-
do, assim, da estrutura para usar na
dispute maior de 1998.

Political de enervante e velho mo-
vimento pendular, essa dos paraenses.


O tamanho

do buraco

6 1 gua!", exclamou o deputado
.E Ronaldo Passarinho, fazendo o
governador Almir Gabriel interromper
por segundos os comentArios que vinha
fazendo A margem da mensagem A
Assembl6ia Legislativa que lia da tri-
buna da casa. 0 governador, naquele ji
distant 15 de fevereiro, dizia que a
divida do Estado poderia variar entire
200 milhoes e 2,4 bilh6es de reais, um
grau de variagao tao descomunal que
fez sair da boca do entao lider do PPR
(hoje PPB), sem censura regimental, a
expressao de espanto tipicamente para-
ense.
Imediatamente Ronaldo formulou
um pedido de informag6es para dirimir
as muitas dfividas que tinha sobre o
endividamento estadual. Passados oito
meses, a resposta finalmente chegou ao
legislative. Ela 6 bem mais precisa do
que a informagao initial dada pelo
governador, mas ainda nao 6 suficiente
para colocar o preto sobre o branco nas
maltratadas contas paraenses.
Surpreende logo a extensao de
tempo necessaria para tender o pedido
do deputado. E mais ainda porque as
estatisticas enviadas pela Secretaria da
Fazenda no dia 9 estavam prontas des-
de 17 de agosto. Produzir informag es
ainda 6 um parto nos escaninhos do
governor. E s6 uma cesariana ou um
parto com ferros extrai esse filho dos
interiores da maquina official para o
conhecimento da sociedade.
Desalento A divida do Estado
apontada pela Sefa 6 de 3,1 bilhBes de
reais. Para pagi-la, o governor precisa-
ria de quase dois anos e meio de arre-
cadagdo liquid, sem pagar ninguem
senao seus credores. Visto por essa
6tica, o quadro 6 de desalento, de fa-
lencia. Mas a mAquina pfiblica ainda
nao pode responder integralmente nem
pelos nfmeros que apresenta, como se
fossem aquele tipo de estatistica capaz
de encantar americano.
Sobre os R$ 2,2 bilh6es de despe-
sas acumuladas em exercicios anterio-
res, por exemplo, pesam indiscrimina-
damente R$ 776 milhoes de d6bitos
por desapropriag6es e cobrangas judi-
ciais. Mas sem que o governor explique
o que 6 divida ja em cobranga, o que 6
ato exprorpriat6rio finalizado, quais
sao os direitos regressivos criados e
outros detalhes necessAros para distin- -






Journal Pessoal 5


guir o que 6 divida realizada do que 6
ato anulavel sem maiores 6nus, 6 im-
possivel incluir esse valor na somat6-
ria, sob pena de inflaciona-la e artifi-
cializA-la.
Nessa mesma rubrica, quase R$
170 milh6es sumiram, entire margo e
junho, sob a justificativa de "ajustes
apresentados pelos 6rgdos", sem que a
Sefa tenha explicado o tipo de ajustes
feitos./ Ainda mais porque as grandes
diferengas foram sentidas entire emprei-
teiros e fornecedores (quase R$ 140
milh6es em "ajustes").
Da mesma forma, 6 um tanto for-
gada a inclusao por inteiro do empr6s-
timo de 145 milh6es de d6lares do
Banco 18nteramericano de Desenvol-
vimento para as baixadas de Bel6m.
Apenas uma pequena parcela dessa
soma foi efetivamente desembolsada.
O restante pode ser cancelado se nao
houver contrapartida estadual, gerando
efeitos apenas sobre a parcela ja usada
pelo governor.
Duvidas Essas ressalvas servem
ao menos para mostrar que uma inter-
pretagao segura das estatisticas divul-
gadas pela Sefa requer um trabalho
qualitative de enriquecimento que a
pr6pria secretaria nao forneceu. As
contas estaduais continuam A espera de
um arbitrariamento ao mesmo tempo
rigoroso e criativo, capaz de responder
a perguntas que, ano ap6s ano, perma-
necem no ar. A d6vida tem sido meio
de conivencia corn o enriquecimento
ilicito e, tamb6m, embora por exce9ao,
de condenagao leviana de administra-
dores piblicos.
De fato, o governador Almir Ga-
briel iniciou sua gestio com mais difi-
culdades do que seus antecessores.
Precisou pagar, de imediato, quase R$
90 milhoes de despesas passadas, sen-
do obrigado a comprometer nessas
operagoes bancirias de curto prazo (os
"papagaios") quase o dobro das anteci-
pa96es orgamentirias realizadas em
1994.
O atual governor tamb6m ja come-
9ou a amortizar parcelas mais expres-
sivas das dividas em moeda estrangei-
ra, o que significou um grau de com-
prometimento maior no orgamento.
Mas, por dificuldade intransponivel ou
por falta de competencia especifica, o
governor nAo tem conseguido criar um
eficiente fluxo de caixa (o tal do cash
flow dos economistss. Dinheiro toma-
do a juro extorsivo tem dormido nos
cofres p6blicos para ficar como saldo


para as despesas mais prementes no
inicio do m8s seguinte, por entraves no
cronograma da arrecadagao ou por falta
de uma melhor abordagem operative
dessa questao.
Um exame da algaravia estatistica
disponivel tambdm di a impressAo de
que o governor, por ainda nao ter um
dominio real dos nfimeros, escolheu
previamente um pilatos para o credo: o
funcionalismo piblico. E a reserve
tdcnica, por assim dizer, para o mo-
mento em que se tirar a prova dos nove
sobre a capacidade de investimento e
de custeio do Estado. Espera-se que
esse moment nao demore a chegar
tanto como nas administra9oes anterio-
res, que fechavam as contas na fase
pr6-eleitoral, sempre pouco propicia A
retiddo de a96es.


Parque do Goeldi:

vitima do tempo

SMuseu Paraense Emilio Goeldi
esti festejando seus 129 anos de
existencia. Nao 6 uma data redonda. A
data redonda sao os 100 anos do par-
que zoobotinico, criado em 1895. Mas
esta data especifica nIo esta sendo
comemorada. A razao do esquecimen-
to deve estar no acidente ocorrido a 13
de julho, do qual resultou a morte de
aproximadamente 120 tartarugas.
A hist6ria desse epis6dio aparen-
temente foi encerrada a 1 de setembro,
qando o procurador regional da Re-
piblica, Jos6 Augusto Torres Potiguar,
pediu o arquivamento do process
instaurado em BelBm para apurar os
fatos. O procurador concluiu inexistir
resoponsabilidade civil a apurar pela
morte dos animals, tanto da parte dos
tecnicos envolvidos, como da institui-
9do.
O caso, entretanto, ainda nao mere-
ceu todas as reflexes necessarias para
que dele a sociedade paraense pudesse
extrair as lic6es adequadas. Ao que
parece, nem o Museu, o mais direta-
mente envolvido, parece disposto a
fazer essa avaliagIo, talvez porque ela
o leve a sangrar a pr6pria came.
LicGes A primeira li9go diz res-
peito ao Ministdrio P6blico estadual.
Como a mais dinamica, em tese, das
instituig6es da estrutura judicidria do
pais, o MP foi a primeira instancia a
ser procurada pelos que procuraram
uma resposta para o acidente fora dos
muros do museu, as vezes exagerada-


mente altos e grossos.
Depois de sustentarem durante se-
manas uma polemica atravds da im-
prensa, e tambdm com ela, sendo o
foco dos refletores e cameras de teleyi-
sao,. os promotores de justiga conclui-
ram pela incompetencia da justiCa es-
tadual, remetendo os autos para o Mi-
nist6rio P6blico federal.
A constatagao de competencia fe-
deral poderia ter sido feita desde que
os documents chegaram ao MP esta-
dual. Afinal, o Museu Emilio Goeldi,
mesmo de origem estadual, esta vincu-
lado, por forga de um conv6nio, ao
Ministerio da Ciencia e da Tecnologia,
sendo subsidiado financeiramente cor
verbas do CNPq (Conselho Nacional
de Desenvolvimento Cientifico e Tec-
nol6gico). Mais ainda: o crime que
ento se procurava deslindar, o ecol6-
gico, relative A fauna, 6 federal.
O MP estadual s6 se apercebeu dis-
so quando ji estava afogado pelos da-
dos polemicos da question, sem conse-
guir apresentar um parecer consistent
a respeito, engendrando uma contro-
v6rsia da qual estava ameacado de nio
sair sendo corn escoriag6es generaliza-
das.
Os integrantes do Ministerio Pfibli-
co ganhariam e a instituigao, mais
que todos se fizessem uma reflexlo
critical sobre como se tem posicionado
diante de quest6es mais exigentes do
que a manuten9ao da integridade de
um mural dentro de uma agencia ban-
ciria.
O Museum Mas quem precisa re-
ver urgentemente o significado do epi-
s6dio e o pr6prio Museu. Claro que
ningubm foi responsabilizado criminal
e civilmente por inexistir responsabili-
dade penal no caso, pela absolutea falta
de tipicidade" a que se referiu o procu-
rador federal e pela "ausancia de agAo
dolosa" por ele constatada. A evidence
negligencia, pouco apuro t6cnico e
irresponsabilidade dos agents s6 seri-
am alcangaveis a nivel administrative,
onde as puni9oes ocorreram por indrcia
(um deles nao teve renovada a bolsa) e
acomodagao (o outro perdeu a chefia).
Mais do que a indivylualizagao dos
atos, e necessario considerar a signifi-
cacgo institutional do acidente. A pri-
meira reagao de algumas pessoas a
divulgagdo do fato foi a absqouta incre-
dulidade. Todos, na remota infincia,
aprenderam nos bancos escolares que o
sal se troca por Agua. As seis toneladas
de sal despejadas no tanque das tarta-






r Jorr


IA


lal Pessoal


rugas tera que acabar com as reserves
de agua no organismo dos animals e
causar-lhes violent crise renal, matan-
do-os. Tal quantidade de sal daria para
mineralizar um rebanho de mil cabegas
de gado durante todo um ano, o que di
uma id6ia mais nitida do volume da
agressAo.
Nao interessa tanto saber quem deu
a ordem para ser despejado o sal, se a
exeugao foi realizada sem o acompa-
nhamento t6cnico necessArio, se houve
um desencontro de turnos dos t6cnicos
e pesquisadores, se havia uma dispute
de poder por tris do epis6dio ou qual-
quer outra circunstincia que se puder
apurar (ou que a comissao designada
pela dire9ao do "Goeldi" apurou). O
que impression 6 a inexistencia de um
dispositivo de alarme capaz de ser
acionado a tempo, seja la por quem, e
impedir a consumagao do lamentivel
acidente.
Algu6m, em alguma instancia,
nem que fosse por reminisc6ncia das
li9~es de quimica e biologia do primi-
rio (hoje aprisionado pela designagao
le 10 grau), deveria ter-se alarmado
zom a quantidade fisica de sal e susta-
do, mesmo que por ind6bita intromis-
sao, o cometimento da sandice. Perde-
ria a hierarquia e a boa ordem funcio-
nal burocratica. Ganharia, por6m, a
ciencia. Infelizmente, em epis6dios
anAlogos, a burocracia costuma falar
mais alto e forte do que a ciencia nas
institui9ges declaradas cientificas.
Nao houve essa instincia salvadora
no "Goeldi". A fatura passou por es-
caninhos administrativos sem a menor
demonstragao de espanto. Os seis mil
quilos foram colocados ao lado do
tanque sem um sinal de escandalo. E
assim consumou-se um ato de barba-
ismo inadmissivel em um museu de
:i6ncias naturais como o "Goeldi".
Mais ainda inaceitavel para um parque
:oobotanico.
Chega-se, entio, ao cerne da ques-
io: o parque 6 o primo pobre do
Goeldi", ou o filho enjeitado, ou o
leijao que se carrega com constrangi-
lento. Desde quando, na d6cada de 50,
.ecebeu o "Goeldi"do governor paraen-
e, o CNPq olha com desinteresse atra-
6s do parque para mirar com firmeza
s colecges que recebeu (hoje ja nem
anto) e o nome que passaria a esgrimir
como canto de sereia da sedug~o das
verbas nacionais e internacionais. O
parque seria sempre a contrapartida de
dor de cabega a enfrentar para assegu-


rar o comodato do que era realmente de
valor para a administragao federal.
Essa vesguice, ou esse vies cienti-
ficista dos homes de Brasilia e seus
teleguiados satelitizados, nunca lhes
permitiu encarar a s6rio a legend de
um parque anualmente visitado por 500
mil pessoas. Mais do que legend, esse
feito, valorizAvel em qualquer lugar do
mundo, era uma lenda, um mito, a ser
colocado com enfado nos relat6rios
anuais da diregao do museu.
Muitos dos pesquisadores e diri-
gentes da instituigao consideram o
parque, al6m de dor de cabega, um
estorvo A pesquisa, um deleterio desvio
de suas finalidades superiores. E assim
a sociedade paraense tem sido punida.
E assim tem sido obrigada a contentar-
se com as migalhas que lhe do, em
troca do uso de um cartao postal cieni-
fico de altissima rentabilidade, raras
vezes contabilizada integralmente ih-
tra-muros da instituicao.
Ano ap6s ano os visitantes tem que
agradecer por mediocres melhorias
feitas no parque, sem tocar-lhe a es-
sencia, sem atualizi-lo As possibilida-
des de um mundo inteligente que usa
parques nao como dep6sito de plants
e animals, mas como reprodug6es vi-
vas e integras da natureza, contribuin-
do para restabelecer a ponte na relagao
do home com ela, da urbes com a
mata.
O parque 6 mais para esconder do
que para mostrar. Por tudo isso, as
comemoragoes foram transferidas (a
expressao pode ser usada ate no seu
significado psicanilito, de transferen-
cia) para uma data de p6 quebrado e
esqueceu-se de um centenario porten-
toso, que aqui, mais do que em outras
cidades, se deveria comemorar. Quan-
do nada, para lembrar, nem que a lem-
branga seja mais fonte de amarguras do
que de alegrias.

A batalha

na Celpa

Ogoverno esta travando na Celpa
uma de suas principals batalhas
pela eficikncia e o reconhecimento
piblico. Ningu6m consegue entender
(ou no quer procurar entender para
valer) como pode ser problemitica
uma empresa que compra sua mat6ria
prima por um tergo do valor cor que a
vende no caso, a energia el6trica.
Qualquer empresa, puiblica ou privada,


medianamente equilibrada, tem que dar
certo com essa equacao bAsica.
Mas a Celpa, de modelar no siste-
ma eletrico ate o inicio da d6cada de
80, esta tecnicamente falida hoje. To-
dos reconhecem que a ma gestao 6 a
causadora dessa situa9io. Se o passado
pudesse ser apagado e a Celpa recome-
gasse do zero, pagando o que paga a
Eletronorte, fornecedora da energia, e
impondo aos seus clients a terceira
maior tarifa national, poderia voltar ao
conceito de um passado mais remote.
Mas isso nao 6 mais possivel. A
Celpa, para se salvar, precisa cortar a
pr6pria came. Seus 2.973 funcionirios
na ativa tem salArio m6dio de 2.180
reais, que, no caso dos 14 advogados
do quadro, chega a R$ 4.421. A folha
mensal somou, em agosto, R$ 6,2 mi-
lhoes. O custo administrative se tornou
insuportAvel, tanto pelo clientelismo
das contratag6es exageradas, como
pelo corporativismo na negocia lo dos
acordos salariais, com a incorporagao
de vantagens no asseguradas em fon-
tes identificadas e, o que 6 pior: pela
criag~o de uma mentalidade perdulAria
que hoje 6 dificil eliminar.
Mas esses vicios administrativos s6
se tornaram de corregao problemitica
por causa da political de custeio e in-
vestimento ruinosa em algumas admi-
nistraq.es, pr6digas na remuneragao de
empreiteiros e fornecedores, tanto
quanto em aplica96es delet6rias (como
os R$ 8 milh6es na sede).
Um capitulo especial desse conjun-
to de batalhas que vem sendo travados
em torno da recupera~ao ou liquidagao
da Celpa esta sendo vivido pelos apo-
sentados. VArios deles procuraram este
journal relatando situag6es dramiticas
que passaram a viver a partir de feve-
reiro deste ano, quando seus rendimen-
tos foram corroidos pela redug~o e
posterior eliminag~o da supleementa-
9ao que a Celpa vinha pagando.
A questao 6 complex e as parties,
que ja transferiram suas divergencias
para o litigio judicial, tnm fortes razoes
a apresentar. A Celpa questionando a
legalidade de suplementar aposentado-
rias que ja sao complementadas pelo
fundo de pensao, decisao adotada sem
base legal, segundo a atual diretoria -
pelos diretores de 1989. Os aposenta-
dos argumentando que esse e um direi-
to adquirido que incorporaram a suas
vidas quando aceitaram a indugao da
empresa para se aposentarem, sendo
um reconhecimento pela adesio volun- o






Jornal Pessoal 7


taria ao program instituido pela Celpa.
Com apenas uma excegco, a Celpa
esti perdendo as demands na justiga
trabalhista. A luta 6 tao desfavorAvel
que a empresa contratou o advogado
Roberto Santos, ex-juiz e ex-presidente
do TRT, provocando os mais variados
tipos de comentArios entire os funcio-
ndrios, espantados com os valores do
contrato e com o fato de disporem de
um setor juridico cor 14 advogados
(mas que nao costumam ser eficientes
na defesa da empresa, segundo asses-
sores do governor, irritados com esse
tipo de comportamento de servidores
bem pagos no quadro de um Estado
como o Pard).
Uma pessoa da estatura de Roberto
Santos acaba sofrendo desgastes por
entrar nesse torvelinho de interesses e
paix6es. Mas o governor, que fixou uma
estrat6gia de endurecimento nas rela-
o9es com os seus servidores, indepen-
dentemente do dign6stico que tenha
sobre as gest6es anteriores, nao deveria
ignorar a impessoalidade da adminis-
tragco p6blica e respeitar o direito ad-
quirido, principalmente quando ele se
estabeleceu a partir de um acordo de
cavalheiros. Afinal, o que ainda nos
livra da barbArie nesse mundo em que
as palavras costumam ser olimpica-
mente ignoradas, 6 crer que algum
cavalheiro havera de se salvar para
manter o compromisso firmado ao
acariciar de seu bigode, mesmo que ele
seja uma fic9~o sobre os labios.

Mao de ferro

Ochefe da Casa Civil do governor
do Estado, Paulo Elcidio Noguei-
ra, enviou no dia 24 de agosto, a todos
os stores da administragIo p6blica
estadual indireta, um oficio-circular
com uns 30 anos de atraso, pelo me-
nos.
Os militares que assumiram em
escala crescente o poder a partir de
1964 bem que gostariam de ter usufru-
ido dessa contribuigdo t6cnica. Certa-
mente com base nas instruc6es dadas
aos dirigentes das empresas piblicas,
autarquias e funda96es paraenses os
governor militares poderiam adotar
uma political durissima em relacio aos
servidores pfiblicos, sem descambar
para a violEncia aberta e a ilegalidade
formal.
Atrav6s do document o governor
Almir Gabriel manda dizer aos nave-
gantes que o timio sera conduzido com


mao fire e pesada. Nada de recupera-
9 o das perdas apuradas antes de 10 de
janeiro deste ano. Quem estiver ga-
nhando acima das faixas equivalentes
na administragio direta terA reajuste
zero. Nenhum acr6scimo de custeio
deve existir. Os temporArios contrata-
dos depois da Constitui9go de 1988
serao mandados embora, sem qualquer
indenizagao,.
A inica coisa a proper na negocia-
9,o coletiva 6 a "clausula de paz", pela
qual os servidores aceitam abrir mao
do direito de greve, constitucionalmen-
te assegurado, em troca da melhoria da
qualidade e da produtividade da em-
presa, "com a redug~o de seus custos,
cor o combat ao desperdicio e com o
respeito aos seus clients e a socieda-
de", conforme a carta.
Evidentemente, a sociedade civil,
que sobrevive enfrentando as duras
condi9ges de mercado, aplaudira as
iniciativas da administragdo para en-
frentar e acabar com as mazelas parasi-
tirias do servigo p6blico, muitas e pro-
fundas. Mas como controlar a sangria
cortando com tanta forga a pr6pria
came? E como reconstituir o governor
depois de hav6-lo destruido?
O governor quer introduzir a quali-
dade total em seus servigos, mas tiran-
do dos que os realizam os poucos esti-
mulos que ainda tnm e suspendendo,
at6 segunda ordem, que ningu6m pode
dizer quando vira, a vigencia de alguns
direitos do trabalho. Um modelo desse
ou nao dara certo, ou, se der, acabarA
em tirania de bop mot.

A salvagao

de um banco
uem participou da procissao do
Cirio de Nazar6, no segundo
domngo do m6s, teve a oportunidade
de afastar o calor abanando-se corn
ventarolas patrocinadas por entidades
patronais, como a Federa9go da Agri-
cultura e a Associag9o Comercial, e
associag9es de trabalhadores, como a
CUT e o Sindicato dos BancArios.
O autentico milagre da consubs-
tanciagdo, capaz de unir organiza95es
que costumam tratar-se como adversa-
rios ou mesmo inimigos, foi consegui-
do nao pela padroeira dos paraenses,
mas pelo Banco da Amaz6nia. Para
defend&-lo da ameaga pressentida de
exting9o, foi constituido o Comit8 pelo
Desenvolvimento da Amaz6nia e For-
talecimento do Basa. As ventarolas


foram um dos recursos usados para
divulgar a campanha.
O que uniu entidades tao dispares
foi o FNO, o fundo constitutional para
a regi.o Norte, administrado pelo Basa,
que movimenta, em m6dia, o equiva-
lente a 150 milhoes de d6lares por ano.
Ele se constitui na melhor fonte de
credito A atividade produtiva, pratica-
mente a 6nica acessivel a pequenos e
m6dios produtores, sobretudo rurais,
mas tamb6m a produtores urbanos
inclinados A diversifica9go.
O FNO conseguiu romper a letar-
gia da sociedade local diante de um
tema que, at6 ento, parecia nao sen-
sibiliza-la. O interessante dessa cam-
panha 6 que ela trata o Basa como uma
ag6ncia de desenvolvimento e nao
como um banco commercial, como uma
instituig~o important apenas para o
segment da populag9o que trata cor
ela, dando assim uma resposta A velha
irrespondida indagag9o sobre a espe-
cializag9o do banco.
Parece muito claro que o Basa nao
voltara a ter a expressao ou a amplitu-
de que ainda agora possui, tentando
conciliar sua face de banco commercial
com a de banco de desenvolvimento, ja
sem os funds compativeis cor esse
papel (que, necessariamente, precisam
ter custo zero). Hoje, basta perquirir
sobre quem possui ura conta ou mo-
vimenta cheques no Basa para chegar a
constatagao de que a via commercial
parece definitivamente bloqueada a
instituig9o, que pode sobreviver, mas
tera que mudar.

Lingua complicada

s mis linguas atribuiam a demora
do ex-presidente Itamar Franco
em assumir a embaixada do Brasil em
Lisboa a necessidade que ele teria sen-
tido de fazer um curso para dominar a
lingua do pais estrangeiro no qual iria
servir. S6 quando alertado pelos fi6is
amigos de Juiz de Fora de que em
Portugal se fala o portugu6s 6 que o
monoglota Itamar decidiu-se pela via-
gem, levando (a contragosto, segundo
as mesmas mas linguas) a imperturbi-
vel June Drummond a tiracolo.
Agora que o ex-presidente anuncia
a disposigao de abandonar a terra lusi-
tana, mal nela se acha acomodado, 6 o
caso de perguntar-se se o curso nao Ihe
fez falta.
A ida de Itamar, alias, 6, para o
Brasil, o classico caso em que a au-
sencia preenchera uma lacuna.







Um testemunho

Era uma quarta-feira, dia 4, inicio
da tarde. Circunstancialmente, eu
estava no gabinete do delegado Gil-
vandro Furtado, na Divisio de Investi-
gag6es e Opera9qes Especiais da Secre-
taria de Seguranga Plblica. Um telefo-
nema interrompe nossa conversa. E a
juiza Maria de Nazar6 Saavedra Gui-
maraes do outro lado da linha.
A juiza esta furiosa. Reclama que o
delegado nio cumpriu sua ordem, dada
na tarde da v6spera. E para ele entregar
os documents que foram apreendidos
junto corn Marinho Gomes de Figuei-
redo, um r6stico especulador de terras,
eixo de uma quadrilha que grilou 8%
das terras do Estado do Para.
O delegado, que apreendeu os do-
cumentos quando, cor ordem judicial,
foi prender Marinho no Novotel, tenta
argumentar que os pap6is estdo guar-
dados no cofre do director da DIOE,
Cl6vis Martins. O problema 6 que,
desde a v6spera, Cl6vis nao foi locali-
zado por seus pr6prios subordinados
para abrir o cofre, que fica em seu ga-
binete, e cumprir a decisao judicial..
Gilvandro explica que esti fazendo
cudo para contactar seu superior, mas
at6 mesmo o advogado de Marinho,
aguardando no primeiro andar do pr6-
dio, verificou que as buscas ao director
da DIOE foram infrutiferas. E precise
aguardar por ele.
De onde estou posso ouvir a voz da
juiza ao telefone. Ela esta furiosa.
Acha que sua autoridade esta send
questionada. Em tal situacgo sempre
vem a lembranca do brocado: decisao
de juiz nao se discute, cumpre-se. A
juiza quer que o delegado arrombe o
cofre. Gilvandro retruca que nao pode
e ainda defended a legalidade do ato de
apreensao, ja que os documents se
referem A grilagem de terras.
A juiza insisted em que o cofre seja
arrombado. O delegado resisted; diz que
cumprirA a ordem se ela vier por escri-
to. A juiza bate o telefone. A ordem
nao vem.
Testemunha involuntario do epi-
s6dio, despego-me do delegado e vou
embora, convencido de haver presenci-
ado uma cena do interesse p6blico. Por
isso, deixo de tender o pedido do de-
legado, para nada escrever sobre o que,
por acaso, vi.

a fi
N a epo- Vi9)6 -8 i'emn- que foi
reitorda niverii sidade deBrasilia,


o capitao da Mrinha Jos6 Carlos Aze-
vedo era acusado de ter um passado de
truculencia, que levou para o exercicio
do cargo. Nunca consegui me conven-
cer da ligagao do capitao Azevedo com
a repressdo. Mesmo nesse period, ele
era o meu direitista de estimacio.
Acompanhava o reitor (que sobre-
viveu A passage do governor Geisel
para com perdao da palavra o go-
verno Figueiredo) tanto atrav6s de sua
agao administrative, como, meio sim-
bolicamente, pelo que publicava a
Editora da UnB.
A linha editorial conservadora era
evidence, mas tdo evidence era tambem
a sua qualidade editorial.Perdi poucos
dos livros editados na administragdo
Azevedo, ajudado a recuperar as per-
das por outro amigo A direita, o coronel
Jose Lopes de Oliveira.
Conservadorismo nao e, necessari-
amente, nome de mae. Minha (em boa
hora?) abandonada dissertago de
mestrado na Universidade de Sdo
Paulo (orientada por Oliveiros S. Fer-
reira, ontro conservador inovador,
admirador de Trotsky e Rosa Luxem-
burgo) seria sobre os intelectuais assim
chamados de direita (pelos que os ve-
em da outra margem do rio, 6 claro)
que, militando na d6cada de 30, ajuda-
ram a ventilar intelectualmente o Bra-
sil, olhando-o sob prismas enriquece-
dores.
Esses intelectuais deram a compre-
ensao do pais contribuigao igual ou
maior do que a dos intelectuais de es-
querda. Falo de gente como Oliveira
Viana, Azevedo Amaral, OctAvio de
Faria (autor de estudo antol6gico sobre
Maquiavel, escrito quando ainda nao
tinha 25 anos), Lourival Fontes e por ai
afora, nio esquecendo, naturalmente, o
fantistico Gilberto Freyre.
Minha admiragCo pelo ex-reitor
Azevedo renovou-se ao ler o artigo
com o qual, pela "Folha de S. Paulo",
retrucou a outro reitor da UnB (e seu
criador), o sempre vivaz, alegre, pers-
picaz e desigual (ou irregular) Darcy
Ribeiro.
Aos 61 anos, Azevedo continue
manejando uma ironia superior, fato
tanto mais surpreendente para um mili-
tar, aferrado a c6digos raramente carac-
terizaveis por racionalismo e bom sen-
so. Se no confront de id6ias e infor-
ma96es Azevedo saiu-se melhor, no
langamento de veneno nao ficou em
desvantagem diante de um intellectual
mordaz como Darcy, cuja rapidez de
raciocinio e brilho ret6rico nao 6
acompanhada pela mesma profundida-


de na analise.
Se me perguntassem quem ganhou
no confront, responderia que foi
mesmo Azevedo. De vez em quando o
brilho superficial tem que esbarrar na
consistencia de id6ias para testar-se.
Com isso ficamos em condi96es de
distinguir os que fazem cultural dos que
simplesmente a desnatam.

Atraso econ6mico

A inauguraao da Alunorte no dia 20
represent a retomada de um em-
preendimento econ6mico atrasado de 11
anos. A fibrica de alumina deveria ter en-
trado em operagAo pelo menos um ano
antes de sua irmn-gemea, a Albras, se o
cronograma tivesse mantido seu sentido
l6gico. E que a Albras s6 poderia fun-
cionar cor um estoque de alumina, a
matdria prima para a transformagao em
metal. Mas em 1985 a Albris deu a par-
tida sem ter a Alunorte na retaguarda. E
durante todo esse long period obteve a
mat6ria-prima atravds de importagao -
pagando em d6lar, naturalmente. Para os
paraenses, havia o desolador espeticulo
de exportar bauxita do Trombetas e im-
portar a alumina do exterior, cor a perda
de valor multiplicada cinco ou seis vezes.
Quando finalmente temos os efeitos
economicos para tras, corn a integracgo a
partir do aluminio, A custa de investi-
mento de 870 milh6es de d6lares, a con-
quista perde importancia. E que de ha
muito deveriamos ter conseguido os efei-
tos para a frente, com o uso do lingote na
transformag~o de produtos de maior valor
economic agregado, como laminados,
perfilados e bens finals panelsa, papel
aluminizado, etc.).O incrivel 6 que a Al-
bras ja alcangou metade da sua vida itil
de projeto, engolindo quase um bilhio de
d6lares de subsidio energ6tico, e ela
ainda represent uma plataforma de lang-
amento de riquezas de baixo valor agre-
gado num mercado international violen-
tamente competitive, que pune os paises
incapazes de estabelecer relagbes de troca
vantajosas.
O setor de aluminio ja represent in-
vestimento acumulado de US$ 3 bilhoes.
Com tudo isso, por6m, ndo conseguimos
nos transformar em opqio contra os
cart6is. A hist6ria mal comecou e
parece ja estar definitivamente escrita.



Editor: L6cio Flivio Pinto
Redag o: Av. Governador Jos6
Malcher, Passagem Bolonha, 64/B,
66.053-040
Fones: 2231929-2237690-2243728
Belim Pari