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ornal Pessoal EDITOR RESPONSAVEL: LOCIO FLAVIO PINTO 7,a g Tem bp no ar Ferrenhos inimigos na arena da dltima campanha, Almir Gabriel e Jader Barbalho voltam afalar a mesma lingua, mostrando que em political as conveniencias sufocam os principios. Em fevereiro o deputado Luiz Otivio Campos (PFL), secretArio dos Trans- portes no governor H61io Gueiros (1987/ 91), fez o mais violent ataque pessoal jal sofrido pelo senador Jader Barbalho. Dis- cutindo (e quase chegando A chamada "vias de fato") cor o tamb6m deputado Mario Couto, do PMDB, Campos disse que o ex-governador era incestuoso e ha- via estuprado a sobrinha. Numa restia de conscincia, ao termi- nar de escandalizar o plenArio da Assem- bl6ia Legislativa com esses improp6rios, ditos da tribune, o parlamentar dirigiu-se a deputada Isane Zaluth Monteiro, tia de MArcia, com quem Jader passou a viver ha dois anos, tentando melhorar sua situ- acio: "A senhora sabe que 6 verdade". Nao, nAo 6 verdade. A relago de um tio com a sobrinha pode at6 sofrer repa- ros morais, mas nao 6 incestuosa. Jader nao precisou recorrer a nenhuma viol6n- cia para conquistar Marcia Centeno: os dois decidiram viverjuntos depois de uma longa fase de aproximarao. E essa hist6- ria n~o ter nada a ver cor a atividade dos deputados, que deveriam dedicar seu tempo a questoes de sua competancia. A raivosa reaq~o de Luiz Otavio, tam- b6m conhecido como "Pepeca", era ex- plicavel. Depois de deixar a Secretaria de Transportes do Estado, foi preso e humi- lhado pela policia de Jader, passando a responder a process por ir- regularidades constatadas durante sua gestdo na Se- tran (sendo, por6m, absol- vido pelo Tribunal de Jus- tiga do Estado, numa pol6- tambem tinha diata: a critical sarial comanda do, a Rodomar milhoes de rea Rodomar j pe de Belem para caminha para sas dificuldadi vadas durante der de acord mica sessao plenAria). O selvagem ataque a sa tres meses depois. O mes- h vida de Jader Barbalho r- mo Luiz Otavio Campos iria uma motivai o mais ime- comandar uma mobilizarco situaio do grupo empre- para garantir a aprovagAo das contas do Ldo pelo sogro do deputa- senador do PMDB relatives ao ultimo ano a frente. Executada em 32 de seu governor, aprovaAio ameacada por is pelo Banco do Brasil, a deputados do PPR, do PFL, do PSDB e rdeu as balsas da travessia do PT, que quase derrubavam o parecer Arapari, em Barcarena, e favorivel da comissio de finangas. Em- uma insolvncia geral. Es- bora a lideranga do PMDB tivesse agido es foram criadas ou agra- para evitar a derrota na segunda votacio o segundo governor de Ja- (conseguida por dois votos de diferenca), o com "Pepeca", por mera a participagio de Luiz Otavio foi decisi- retaliacqo political. Por terem ferido a 6tica e o decoro par- lamentares durante a discussion que tra- varam, os dois deputados foram punidos pela mesa da Assembl6ia Legislativa comr a pena de censura. Seus pronunciamen- tos foram excluidos das notas taquigrifi- cas. Mas quem deduzisse, a partir dessa guerra verbal deflagrada logo na abertura do period legislative, o desencadeamen- to de batalhas ainda mais sangrentas en- tre os representantes de Jader Barbalho e Helio Gueiros teria uma grande surpre- E DA CERO 0 OLUI ~RI A n rC J Gueiristas e Jaderistas se uniram no- vamente para impedir que a ComissAo Parlamentar de Inqu6rito, proposta pelo deputado Jos6 Carlos Lima (PT). apuras- se a promiscua relaio da Secretaria de Transportes das duas administrag6es (en- tre 1983 e 1991) com as empreiteiras. O pr6prio Luiz Otivio fez parte da CPI, atu- ando ao mesmo tempo como investigator e investigado. A situaos s6 nAo foi mais inc6moda porque simplesmente niao hou- ve investigagAo e a CPI chegou ao fim sem ter comecado, resultando no que pa- rece ser o objetivo comum aos dois grupos: colocar uma pedra tumular sobre o conturbado passado que dei- xaram atris de si. ,A *),110 perplexidade diante de tamanha transformacqo em tao pouco tempo s6 nao tomou conta dos que vinham acompanhando atentamente os bastidores do poder local. Certamente do primeiro para A vy o segundo semtestre, com a ascensio de Jader a lideran- por I ca do PMDB no Senado e a conquista da presidencia da Camara Alta por seu grande aliado Jose Sarney, a correlacio de forgas mudou no Para. Jader conseguiu bloquear a indicacgo de Fernando Flexa Ribeiro para a Su- dam. Tambem imp6s a mediago de sua vontade no preenchimento dos cargos da administration federal no Pari. Prin- cipalmente depois da amarga derrota ate o caminho A presid8ncia national do PMDB (onde pretendia ser um Ulysses GuimarAes mais duro), quando reagiu virando a mesa e colocando o Palacio do Planalto diante de uma opiio pior (o deputado Paes de Andrade), Jader passou a ser obsequiado com constan- tes telefonemas do president Fernan- do Henrique Cardoso, al6m de encon- tros pessoais. A salvaio da Rodomar, ou uma sai- da menos traumatica para a empresa, talvez tenha passado a defender mais de Jader do que de Almir Gabriel. Esta teria sido a causa da mudanga de atitu- de por parte de Luiz Otavio. Ma, nesse I caso, a nova forma de relacionamento se restringiria a um interesse particular do deputado do PFL? SOR E pouco provivel. "Pepeca" Snao faz nada em political sem Ila I antes consultar o prefeito de .a Beldm. Hdlio Gueiros acompa- ,ila nhou e aprovou cada movi- ._ mento do deputado, que Ihe deve integralmente o mandate ganho na ultima eleiago. Alem disso, nio foi s6 "Pepeca" quem mudou a postura diante de Jader. Andrd Dias, outro dos gueiristas, numa reuniao de fim de noi- te na Granja do Icui, que sobreviveu ao jantar corn a bancada de apoio ao gover- no, preferiu aliar-se ao PMDB, deixan- do o PPR de lado, contra a posigao de Zenaldo Coutinho e a neutralidade do de- putado Martinho Carmona e de Fernan- do Cavalcante, president regional do PSDB. Andre Dias, irmao do genro de Helio Gueiros, Daniel (casado com ClAudia Gueiros), foi tambdm o acompanhante de Bira Barbosa, lider do PMDB na Assem- bl6ia Legislativa, levando-o ao encontro com o governador Almir Gabriel, que abriu a porta para o acordo, firmado dias depois. Os inimigos inconciliAveis da dispute eleitoral do ano passado, assim, estao no mesmo barco. Talvez preocupado com o estupor que essa nova situagao criou, cri- aria ou ainda criart, Almir Gabriel diz que ela serve a pacificaqao do Estado (paz, com etimologia e semintica pr6- prias da linguagem tucana, parece ser o slogan de uma administration ainda sem marca). Aos interlocutores, o governador diz que seu objetivo 6 apenas o de former uma base de apoio no legislative, sem a qual nio podera governor (seu PSDB ter apenas trds dos 41 deputados estaduais). Garante que o acordo nao implicou em leilIo de cargos: gente do PMDB conti- nuaria ocupando posio5es na maquina social, desde que fosse competent e ho- nesta. Os que simplesmente fazem poli- tica seriam afastados. Este tosco raciocinio omite o que ago- ra talvez nao passe mais de detalhe irre- levante: o m6dico Almir Gabriel foi elei- to para realizar um program de gover- no, supostamente distinto e atd antag5- nico ao de seus adversarios. Se eles ade- rem ao candidate hoje eleito, ou o go- vernador no cargo mudou suas id6ias, ou deixou-as nos palanques. Ou, talvez, te- nha constatado de que o exercicio do po- der imp6e uma drastica lipoaspiragio te- matica, reduzindo o governor a fazer ali- angas. i dificil aceitar as exigencias da "pa- cificacgo" (que pressup5e uma guerra, inindentificAvel aos sensors triviais, co- locados al6m-muros do Palacio de Des- pachos da Augusto Montenegro, uma das muitas inveng5es de Jader Barbalho que Papel: reporter Muitos jomalistas conseguem ser tao mecnicos na produgo diiria de informac6es quanto indiferentes a avaliagio da pe- renidade de seu trabalho. 0 jor- nalismo pode e em algumas situaCqes tem que ser a hist6- ria do cotidiano. Sistematizada e checada mais adiante, vira hist6ria, pura e (nio tio) sim- plesmente. Por causa dessa dupla defi- ci8ncia, 6 pequena a produaio jornalistica em livro. E, do que 6 publicado, apenas uma par- cela minima justifica sua pas- sagem do papel-jornal para o papel-livro. Coisa transit6ria, efemera e sem qualidade assu- me a forma organizada de livro por mero capricho do autor. Ainda assim, todos ganhari- O Journal Pessoal retoma carreira. Mais uma vez porque informag6es relevantes em am se os jornalistas fossem mais audaciosos. Nlo para pu- blicar tudo o que escrevem para a imprensa peri6dica. Mas para avaliar com senso critic se o que escrevem d capaz de resis- tir ao tempo e i checagem de leitores mais exigentes e espe- cializados, presumidamente os que compram livros. Essa digressio 6 para saudar o langamento do livro de Rai- mundo Jos6 Pinto, "Rep6rter" (84 piginas, edigao do autor), langado na semana passada em Belem. Raimundo Jos6, desor- ganizado como a esmagadora maioria de n6s, nao fez a me- Ihor seleg o do que produziu em 24 anos de profissao. Mas o que reuniu nesse seu primei- ro livro traz aquilo que consti- tui a melhor contribuig~o do jornalista: a informagao em sua acidentada a quantidade de circulagio na sociedade supera de muito aquela veiculada pela grande imprensa. Por enquanto o esquema de distribuigic do journal 6 precarissimo. Se ele 2 cima da hora, a voz das ruas, o saber da sociedade. Todo reporter 6 jornalista. Mas nem todo jornalista 6 rep6r- ter. A imprensa vive dos dois, mas seu coraglo d alimentado pelos rep6rteres, donos de uma especialidade inica entire todas as demais formas de conheci- mento, porque esti nas ruas, convivendo com todos, vendo sem distingio tudo. O livro de Raimundo Josde sem divida, o livro de um reporter. 1 subsistir, podera vir a ser remetido para assinantes. Dos leitores, espero que fagam o journal circular o mais intensamente que Ihes for possivel. De especial significado sera o envio para leitores de outros Estados e mesmo para fora do pais, ajudando na ressonincia desta voz. No alvo Enquanto os deputados do PMDB faziam seu acordo ori- ginal corn o governador Almir Gabriel, o deputado Zeno Ve- loso, do PPR, que ficou fora do entendimento, era o inico con- vidado para a excursion do che- fe do Estado paraense a Mala- sia. Anos atras Zeno fez uma vi- agem semelhante, mais ampla, pelo sudeste asiAtico e a China. Mais do que esse handicap, entretanto, pesou na escolha de seu nome o patrocinio de Fer- nando Flexa Ribeiro, candida- to (derrotado) do PSDB ao Se- nado nas iltimas eleicges e pre- sidente da Federagao das Ind6s- trias do Para, aldm de superin- tendente quase-nomeado da Su- dam. Por Flexa, Zeno seria o pre- sidente da Assembleia Legisla- tiva. Mas se dependesse de ou- tras eminincias pardas, ele iria para o PSDB mesmo. Talvez a viagem permit ao parlamentar escolher sua pr6pria opqao. O .*****.....*****.....***** .....* .* * a a 0* a 00 0* a * ** ficou), quando o governor critical os ma- les que Ihe foram transmitidos por seus antecessores e senta cor eles, sepa- rahdo a criatura do criador. Em psiquia- tria da-se a isso o nome de esquizofre- nia. Em political, trata-se de realismo, pragmatismo ou jar- jl l gao que se equivalha. A e a pacificagAo significa S manter o status quo da il- tima eleigao, 6 de elementary bom .enso perguntar-se: e como se dari a proxima dispute? A pa- cificaFaio significa que os comandantes das naus beligerantes de ontem estario embarcados em uma unica caravela? Sim, porque se a pacificacao nao 6 ape- nas remissiva, seu valor e quase nenhum se ela foi criada para durar um Atimo de tempo. Ou ela e total e ira desnaturar a proxima eleigio, ou 6 um faz-de-conta que nio faz justice a esperteza dos que se abrigaram sob sua bandeira branca. Muita gente, de um lado e de outro do famoso muro tucano, deve estar desnor- teada por esse rearranjo das mesmas car- tas do carcomido baralho da political pa- raense. Os referenciais se perderam, os marcos foram arrancados. Almir Gabri- el, que fez uma inesperada alianga elei- toral cor Hilio Gueiros para ganhar a eleigao de 1994 (depois de ter sido uma esperanga contra a ascensao do mesmo Gueiros dois anos antes, fugindo a un- I -E decima hora do confront pela Prefeitu- ra de Belem) agora se torna aliado dos que acusara no palanque de terem devas- tado o Estado. JA o senador Jader Barbalho, chefe dessa horda, reaproxima-se m dos que derrotaram seu es- quema de poder (sem derro- ciX ta-lo pessoalmente, entretan- to), mas nao se deu ao traba- na I ho de comunicar o fato ao N-Wlgj seu parceiro maior na eleigao do ano passado, o ex-senador Jarbas Passarinho. Sera que o tom mar- cadamente ideol6gico que, como onda retr6, marcou a ultima batalha electoral, nao passou de convenient glace, artifi- cialmente posto sobre um bolo que ago- ra revela sua verdadeira composi~io? Os politicos, abertamente assumidos ou camuflados por lantejoulas verbals, sao experts nessa arte ou ciencia cha- mada political. Mas as vezes essa com- petencia se afunda no paroxismo do jogo, quando o distinto puiblico 6 ignorado. Es- pectadores atentos podem ser ludibria- dos pela magia. A palavra-chave do que esti aconte- cendo 6 a tal da pacificagCo, que corn tanta freq0incia aparece na boca do go- vernador Almir Gabriel. Quem conhece um pouco mais extensivamente a politi- ca paraense garante que a minguada ban- cada governista no legislative estadual nio e motivo bastante para o governa- dor se sentir em posiqao vulnerivel, mes- mo porque o desempenho parlamentar na atual legislature nada promete de excep- cional. Ademais, minorias s6 sao proble- mas series para goverantes que desco- nhecem como 6 praticada a political no Estado. O governador poderia recorrer a mei- os suasorios para aprovar materials de seu interesse se tivesse, efetivamente, um program capaz de se impor por si mes- mo e se atuasse no corpo-a-corpo legis- lativo, cedendo as vezes coisas mesqui- nhas, mas isoladas, sem deixar que elas se transformassem num acordo mais ge- ral, onde um dos itens prioritarios, di- gam o que quiserem seus subscritores, 6 o fisiologismo e o clientelismo. Sabendo como poucos andar por es- ses desvios, o prefeito H6lio Gueiros esti tratando de orientar outro de seus talentosos filhos, o vice-governador H6- lio Gueiros J6nior, a estar ao alcance dos politicos do interior cor mais faci- lidade que o governador. E ele pr6prio, H61io Gueiros, comega a receber os in- satisfeitos, inatendidos e espertos. Sabe que precisa eleger o successor, garantir sua vaga para o Senado e abrir o alCa- pao para o filho alcancar o topo dentro de tres anos, cor a ajuda do aliado de ontem ou a do aliado de amanha. E as- sim que caminha (caminha?) a political no Pari: entire infidelidades e camufla- gens. A face oculta Embora a coluna nio sais se assinada, as pessoas melhor informadas sabiam quem era o redator de "Em cima do fato", publicada du- rante various meses do period eleitoral de 1992 no "Jornal Popular". Era Helio Gueiros. Se o estilo logo revelava o au- tor, havia curiosidade sobre a op9do pelo anonimato inefi- caz. Na verdade, em grande par- te de sua atividade jornalistica, Helio Gueiros foi um an6nimo. Alcancou o maximo de influ- encia como um dos redatores ("cardeais", como preferiam ser chamados) do "Reporter 70", a principal coluna de "O Libe- ral", nio assinada. Raramente tendo sido reporter, Helio se re- lacionava cor as informag6es atrav6s de fontes tambem an6- nimas, "a roda", as "fontes bem informadas", "pessoas reunidas ontem" e outros arranjos que travestiam sua pr6pria opiniaio, primeira e ultima raiz de suas observa56es. A publicacao do "Em cima do fato", que o "Jomal Popu- lar" vem fazendo, ja agora nio mais como aliado e sim como feroz inimigo do prefeito da capital, mudanca drastica corn motivacao bem sonante, tem pelo menos uma fung9o peda- g6gica: realga ainda mais as an- tipatias do temporario alcaide dos belenenses, identificando o autor da coluna. Os ataques mais raivosos di- rigem-se contra o tambem ex- prefeito Sahid Xerfan (um dos possiveis novos candidates a PMB). Tanto 6dio, que levou Gueiros a inventor cartas cari- catas, atribuindo-as ao desafe- to, tern uma explicaio, entire varias possiveis. No final da de- sastrosa campanha para elei~io de Xerfan como successor de Gueiros no governor do Estado, Sangria desatada Uma graduaa fonte da receita estadual em Santarwm assegura que 600 quilos de ouro saem, em midra, todos os meses pela divisa do Pard com o Mato Grosso semr declaram~ o e. evidentemente, sem pagar Imposto. urn negocio de sete milh6es de rears por ms que se esvai. Mas nao d o sinco. A mesma fone ndo sabe dizer qual a sangna de madeira clandestine causada ao Estado, mas uwa autondade estadual que esteve recentemente na regiao calcula que vinte camnmhes saem drariamenle cor mogno para o Mato Grosso. A madeira e extraida no inmerfli6o Inrri-Xingw Tapaj6s, hoje a major fonle para os extratores, que contmram avmanando na dire~ o Oeste. em 1990, foi precise acertar as contas das despesas. Provoca- do, o entao governador man- dou dizer a Xerfan que conta de campanha nao se paga, uma das leis do anti-legal adagiario baratista. Xerfan pagou sozinho o sal- do devedor de 3,5 milh6es de d6lares, queimando nesse acer- to uma parte consideravel do seu patrim6nio, para desespe- ro da familiar. Mesmo assim o alcaide de plantao, ofendido, naio perdoou o tapa com luva de pelica que, nesse caso, Xer- fan Ihe deu. Fiel a sua persona- lidade, sempre que pode, des- de entao, invested raivosamen- te contra o seu ex-aliado, por escrito e como prefer ver- balmente. F 0 grande alvo Ogovernador Almir Gabriel e o president da Companhia Vale do Rio Doce, Francisco Jose Schettino, fo- ram a Curion6polis, no mes passado, para valorizar ainda mais o ato de aber- tura da nova mina de Carajas. A nova frente sera desenvolvida em Curion6- polis, enquanto a mina atual fica em Ma- raba. A diversificagio nio atendeu ape- nas a raz6es de natureza estritamente t6cnica. Nem mesmo seria necessario no moment uma segunda mina. Na ver- dade, a CVRD, decidindo extrair de Cu- rion6polis 10% de sua produpio de mi- ndrio de ferro, esti vendo mais long: quer obter o apoio municipal para a re- abertura da extrario de ouro em Serra Pelada. Todos sabem que a fase de garimpa- gem manual acabou. O fundo da cava chegou a 80 metros, muito ouro ficou pulverizado na superficie, especialmen- te nas montoeiras de rejeitos, e o metal ainda nao alcangado esti em maior pro- fundidade e cor menores teores. E a situapao tipica para uma lavra mecani- zada. Mas sua execucio vem esbarran- do na desconfianca geral em rela9io As intengces da CVRD e uma s6rie de pre- conceitos espalhados e enraizados na re- gilo, sobretudo pelo ex-deputado e co- ronel Sebastilo Rodrigues de Moura, o Curi6. Passando a gerar / \ receita no munici- ( poi, que vive uma fase critical corn a quase desa- tivagio do garimpo, a Vale conquista simpatia para comegar de fato a fase executive do projeto de mecanizacao em Serra Pelada, talvez em associa~io com a Mitsubishi. E a retomada, com 30 anos de atra- so, da hist6ria geol6gica do local. Con- ta a lenda, nio de todo imaginfria, que ge6logos da Codim cruzaram por so- bre Serra Pelada (na 6poca conhecida como Serra Leste). Mas nio se interes- saram muito por aquele sitio porque ur dos ge6logos mostrou para os colegas a pedra que havia encontrado. Ela era dourada e o que a multinational busca- va era pedra preta, a cor do manganes, o alvo obssessivamente direcionado depois que a Bethlehem Steel sentou- se sobre a mina de Serra do Navio, do outro lado do rio Amazonas, no Ama- pi. "Joga isso fora", teria dito o chefe dos ge6logos, para delicia dos que con- tam a hist6ria i beira de um acampa- mento, no meio da mata, onde tudo vira piada para atenuar os rigores do traba- SO O ** Ni meros atrasadosOOOOOO* I Numeros atrasados SBanco da Amaz6nia vai atrasar novamente a publicaogo de seu balango semestral. O banco comeeou a sujeitar-se ao pagamento de multano dia 25 do mes passado, quando terminou o prazo dado pelo Banco Central para a divulgagao de suas contas. At6 entAo, o Altimo balancete publicado era o de maio. De mes a mes, a partir de janeiro, os niuneros registraram queda na lucra- tividade do Basa, que fechou 1994 corn Right man... omulo Maiorana Junior foi com o de- utado federal Vic Pires Franco ao gabinete do senador Jader Barbalho, em Brasilia. As diferengas de ontem foram esquecidas em beneficio da indicaclo para a direc&o do INSS de Isaac Ramiro Bentes, filho do secrethrio de Financas do prefeito H61io Gueiros. Al6m do apoio de Jader, Bentes ganhou a assinatura da de- putada Elcione Barbalho em favor da no- meagio, a primeira para un cargo federal obtida por paraenses na administration Fernando Henrique Cardoso. O INSS justifica tanto empenho. Ao menos para quem deve i Previdencia e nio pretend pagar. 0 superivit de 52 milh6es de reais e a sex- ta maior rentabilidade da rede bancria. Recentemente, o Basa chegou a atra- sar de dois anos a publicago de seu ba- lango annual, na expectativa de um voto do Conselho Monetario Nacional que melhoraria seu perfil financeiro. Mas agora nao contari mais com essa provi- dencial ajuda. A perspective de fechar outra vez o exercicio com prejuizo volta a se torar ameagadora. Nova forma N a primeira reuniio com os over nadores da Amaz6nia, em Mato Grosso, o president Fernando Henrique Cardoso autorizou o govemador Almir Ga- briel a anunciar a escolha do engenheiro Fernando Flexa Ribeiro para a Superinten- dancia da Sudam. Flexa chegou a dar en- trevista a impensa sobre sua future mission. Dois dias depois da autorizaglo, o senador Jader Barbalho votou a favor dos juros tabelados de 12% ao ano a serem adotados pelos bancos, uma pedra no sapato do governor. At6 hoje Flexa n&o foi nomeado, oito meses depois que Almir assumiu o governor. D A Diretoria da Festa de Nazar6 precisa cuidar melhor da image da santa. A padroeira dos paraenses empresta sua image para aumentar a credibilidade e o apelo commercial do Telefestival Cirio de Nazar6, um caca-niqueis que ji se tomou contumaz em Bel6m. Os compradores das cartelas concorrem, como nos bingos que se espraiam pela cidade, a various premios, desde que paguem os 5 reals de cada cartela. 0 pagamento e feito nos bancos, casas lotericas, ag6ncias dos correios, postos autorizados, supermercados e nas tio discutidas farmicias da rede Big Ben (equivocadamente citada no impresso como Big Ban, o que nio deixa de ter seu sentido de ironia involuntaria). As cartelas remetem os interessados em esclarecimentos para o telefone 241-3723, mas nio indicam o nome da firma responsivel, nem citam a autorizagio da Receita Federal, indispensivel parn esse tipo de empreendimento. Esses "detalhes" levaram o delegado Cl6vis Martins, da Divisio de Investigac5es e Operates Especiais da Secretaria de Seguranca Publica, a pedir esclarecimentos aos supostos responsiveis pela promogio. Mas sabe-se que hi gente mais poderosa por tris dos nomes associados publicamente ao Telefestival. A Diretoria da Festa, alias, como a Federagao Paraense de V8lei, coadjuvante necessaria para o bingo poder funcionar, tem direito a 5% da receita. Sera que isso 6 mais do que as famosas 30 moedas? 5 0 valor da imagem Ilmd l prcio doa m l n l&zmmm He kico ofll c:llo 1 N1 jilm s t I EII ] oI-L'do d [ itmm lilootlN [11m dllv- B^! (t IMae ^ amlaa(le Il I-o etjJIL,'k ^lMjo JCn\Id^jo(IC 'l^j (e ^j" l'& . 0 golpe dos 15 milhoes pode dar certo Em novembro do ano passado o pro- motor ptblico Nelson Medrado de- nunciou a justiga 11 comerciantes de Bel6m pelo crime de sonegag~o fiscal. Cinco dos denunciados sao proprietiai- os das Lojas Visio, um dos maiores gru- pos do com6rcio paraense. Eles teriam sonegado o equivalent a 15 milh6es de d6lares de ICMS, usando o ardil das "no- tas paralelas". A manobra 6 simples. Uma nota fis- cal 6 emitida e entregue ao client con- tendo sua compra, com o valor correto. Outra notacom a mesma numera~io, e enviada para a contabilidade da empre- sa, onde sera consultada pelos fiscais tri- butarios. Nesta segunda nota os valores sao alterados para menos. E possivel, assim, que a compra de um aparelho de ar condicionado apareca como a aquisi- 9go de uma meia, ou uma nota de venda de varios itens se reduza a um ou dois. Gracas a manobra, parte do imposto pago na fonte pelo consumidor 6 apropriada pelo vendedor, que repassa apenas uma fracgo do que recolheu. Mas para que a fraude seja cometida 6 necessAria a parceria do responsivel pela impression das notas fiscais. Na de- nincia, o promoter publico pediu o in- diciamento dos donos das graficas Gra- fisa e RPM. A primeira imprimiu 10 mil talonarios de notas fiscais falsas, comr a mesma numeracio das notas autenticas, e a segunda, 9 mil talonarios. Prisio pre- ventiva foi requerida para os cinco dire- tores do Grupo Visio, a comegar por seu principal executive, Francisco Pio. Dez dias depois do ajuizamento da de- nincia, a juiza da 16a Vara Criminal, Ruth do Couto Gurjao, acolheu o pedi- do, sem, no entanto, deferir a prisao dos cinco acusados. Alegou que s6 aprecia- ria essa solicitagao ap6s o inter- rogat6rio, marcado em seguida para trds me- ses depois. No dia 28 de dezembro o advo- gado da Vis~o, Jorge Borba, requereu juiza que reconsiderasse os seus despachos e rejeitasse integralmente a de- nincia. Argumentou que os documents juntados pelo representante do Minist- rio Puiblico eram insuficientes para sus- tentar a prova da materialidade de crime contra a ordem tributaria. Imediatamente a juiza endossou o re- querimento em umna sentenga manuscri- ta de 10 laudas, determinando o arqui- vamento do process sem sequer come- car a instrui-lo, uma decisao considera- da absurda, agodada e inusitada pelo pro- motor Nelson Medrado. Ele recorreu em sentido estrito para o Tribunal de Justiga do Estado da "nulidade radical", mas s6 p6de faze-lo dois meses depois. E que a juiza, ap6s sentenciar o pro- cesso, determinou ao cart6rio da 16 Vara para entrega-lo no advogado dos acusa- dos, com o detalhe de que no dia imedi- ato comegavam as fdrias forenses. So- mente ao fim do recesso, em fevereiro, o representante do Ministerio Pfblico teve acesso aos autos. Por isso, Medra- I e L1 do apresentou reclamaqAo contra ajuiza a Corregedoria Geral de Justiga, acusan- do-a de ter provocado tumulto proces- sual. Mas o promoter tambem acha que a juiza Ruth do Couto Gurjao, pelo endos- so total dado As teses do advogado dos acusados, fazendo afirmativas que con- siderou insubsistentes, demonstrou "sua inaptidao para processar e julgar estes feitos". Pediu entao a remessa do pro- cesso para outra Vara. E provAvel que o representante do MP vi ter que esperar ainda muito tempo por uma decisao. Ele pr6- prio ressaltou, na den6ncia, ter aguardado mais de urn ano para receber a documentacio de fraude, que estava em poder da fiscalizagio da Secretaria da Fazenda, "mesmo com a re- messa de vArios oficios requisitando os documentss. Na 6poca, Medrado suspeitava que os donos da Visao estivessem "influindo para a obstaculizaqo da atuacao do Mi- nistdrio Piblico e a ocultagio das pro- vas, mesmo que, o simples fato dresses denunciados terem sido flagrados na pri- tica da ago delituosa de tal porte, ja de- terminava as suas pris6es em flagrante, o que, inexplicavelmente, nao ocorreu". Na promotoria circula a hist6ria de que para a mudanqa de posiqAo dajuiza, que voltou atras na decisao initial, arquivan- do o process ao inves de instrui-lo, como seria 16gico e legal, teria contribu- ido a enfhtica participacio de um desem- bargador. A versAo se tornou tio forte que o pr6prio advogado dos denuncia- dos procurou o promoter para near que tivesse havido interferencia ilicita. Te- ria havido apenas "troca de opiniAo". O Experiencia fatal Scrise do Econdmico pode ter sido rovidencial para o Banco da Ama- z6nia. Francisco Salles Barbosa, coloca- do na diretoria financeira do Basa pelo Banco Central, do qual 6 funcionArio aposentado, tem uma especialidade: li- quidar bancos. Agiu com competencia nos casos do Auxiliar e do Comind o curto, grosso e rApido. Mal se acomodava nas novas funcoes no Basa quando foi chamado para o in- cendio do Banco Econ6mico, onde gri- tou corn voz grossa contra o acerto inici- al entire FHC e ACM, ajudando a rever- ter a ignominia, ou a adid-la. O Talento finito? No inicio do mis passado o Banco do Brasil ajuizou, na Vara Civel Distrital de Icoaraci, uma execugio contra a Ebal (Estaleiros da Bacia Amaz6nica), no valor de 3,2 milhOes de reais. Os avalistas s~o Paulo larico e Andre Moraes Gueiros, filhos do prefeito Hdlio Gueiros. Quando Andr6, engenheiro naval rec6m-formado, ingressou na Ebal, em 1987, o pai rec6m-eleito govemador, a empresa passou a receber rios de dinheiro dos incentives fiscals, liberados pelo entAo superintendent da Sudam, Henry Kayath. Oficialmente, porem, Andre era apenas director t6cnico da Ebal. Seu irmAo, o ad- vogado Paulo trico, entrou na empresa bem depois, como fez em virios outros neg6cios, usando como catapulta o poder do pai. Subiram tanto os dois que agora responded pelos 3,2 miilh6es de reais empres- tados, ndo pagos e cobrados pelo Banco do Brasil. Sera que os generosos contra- tos obtidos pelos talents dos filhos do ex-govemador, s6 revelados quando a familiar chegou ao poder, nio garantem a saide financeira do proficuo estaleiro? O Ministdrio Publico nAo precise ser provocado para agir (ao contrrio do judici- ario, ao qual esti acoplado), nAo depend de ningudm, foi o mais favorecido pela Constituicgo de 1988 e, no Para, fica cor 3,5% da receita de impostos do Esta- do, dinheiro que Ihe permit manter uma apreciivel estrutura de pessoal e ampliar sua base fisica. Esse 6 o pano de fundo que aju- da a entender a acirrada dispute pela chefia do MP, que culminou em cenas que ficari- am melhor nas gerais de campo de futebol. A violent campanha eleitoral serviu, ao menos, para mostrar A opiniao piblica que o Ministerio Piblico 6 a quarta maior fonte de poder, talvez at6 mais densa porque sem control institutional e favorecida pela de- satengio da sociedade. O resultado da elei- cgo pode ter significado tamb6m, no caso paraense, o fim de uma long era de domi- nio da procuradora Edith Marilia Maia Cres- po. Seus adversirios, antes ocultos, mas que se revelaram na campanha eleitoral do mrs passado, lembram sempre que ela caiu de pkra-quedas no MP, favorecida por um de- creto casuistico do primeiro governor de Ala- cid Nunes, que a fez pular de um cargo ad- ministrativo para a carreira de procurado- ra, sem prestar concurso. Na secretaria, Marilia foi acumulando poderes at6 conquis- tar a Procuradoria Geral, exercida com mlo pesada e voz autoritAria. Marcou sua passage pelo cargo corn grandes obras, transferindo o MP de um conjunto de salas no altimo andar do prd- dio do f6rum de Belem para uma sede pr6- pria, cujo luxo e funcionalidade surpreen- dem e is vezes chocam os visitantes. Quase estabeleceu um padrio-Marilia de promoter pdblico: gente bem vestida e cum- pridora de ordens, dadas em profuslo pela chefa, que comandava a instituig9o como 'se fosse uma extenslo de sua casa. Um MP formalmente exemplar, embora encastelado, A distincia dos enormes poderes que a Cons- tituigio Ihe conferiu, de pouco conteddo. Marilia Crespo deu uma ligio de apego ao poder quando, impedida de reeleger-se depois de cumprir o primeiro mandate como procuradora-gera.l, indicou para suced-la um procurador is v6speras de completar 70 anos de idade e, pelo crit6rio da expuls6ria, ser aposentado. Cumprido o interesticio de alguns meses, lA estava ela de volta ao que- rido cargo, que mioldou a pr6pria imagem e semelhanga. S Talvez a toda poderosa procu- radora tenha cometido o erro de superestimar-se e de subestimar suas criaturas. Acabou sendo fla- gorosamente derrotada na eleiglo do dia 1, colocando apenas um procurador do seu grupo na list triplice e como o menos vo- tado dentre eles. Quando as urnas fizeram de Manoel Santino o cabeca da lista, cor 130 votes, ja se sabia quem o governador Almir Gabriel escolheria. Aos mais pr6xi- mos, o governador nAo escondia seu desejo de deslocar o poder no Minist6rio P~blico das proximidades de Marilia Crespo. A derrota tera colocado fim a uma era no MP? Certamente o antagonismo entire os dois grupos, acirrado na dispute, 6 um com- ponente forte, ainda que um dos trunfos da ala derrotada tenha sido o de publicar uma elogiosa manifestagio feita em passado re- cente pelo novo procurador-geral A sua en- tao chefa. Santino, logo depois de referen- dado, fez questio de promover mudanga de estilo e de conte6do no MP, anunciando um alentado program de trabalho. Mas como a campanha transcorreu no melhor estilo das eleig6es municipals, cor ameaVa de sopa- pos e baixo nivel verbal, a promessa ter que ser recebida nessa moldura, corn o to- que rococ6 dado ao MP por sua mais carac- teristica chefia. O Muy amigo Nointimo, o governador Almir Gabriel deve andar se perguntan- do se o president Fernando Henrique Cardoso estA mesmo Ihe dando o tratamento de cor- religionArio. Enquanto o gover- nador paraense fecha acordo corn o PMDB do senador Jader Barbalho, o president da Rep6- blica recebe no PalAcio do Pla- nalto, para converse de quase uma hora de duragio, o ex-se- nador Jarbas Passarinho, o poli- tico que Almir derrotou na elei- 91o do ano passado. FHC dei- xou no ar a perspective de vir a utilizar Passarinho na circunstAn- cia de um rearranjo ministerial em perspective, o que valeria por uma autentica ressuscitagio do politico paraense, que muita gen- te pensou haver liquidado. O president tambem deu tra- tamento diferenciado a Jader Barbalho na questao da privati- za~go da Companhia Vale do Rio Doce. Nio emitiu nenhum indi- cador de sensibilizagco As segui- das manifestages do governa- dor do Pari contra a transferen- cia do control da CVRD A ini- ciativa privada. Mas bastou o li- der do PMDB no Senado man- dar-lhe uma carta para encami- nhi-ta ao Minist6rio da Fazenda -para exame, sugerindo que po- deria suspender o process de 6 privatizario da Vale (o que, cem seguida, tratou de mandar des- mentir pelo porta-voz). Estas situaces parecem dar razao aos que diziam que Almir, sendo do grupo de Mrio Covas, nao e propriamente entrosado cor FHC. O A informaaio sumiu Osecretirio de Planejamento do Estado, Simlo Jatene, fez uma grave denincia durante sua exposigio no seminario sobre a redivisbo do Para, realizado no mes passado no plenario da As- sembl6ia Legislativa presentss pouquissimos deputados, como sempre). Jatene, que ocupou o lugar no primeiro governor de Jader Bar- balho, disse ter se espantado ao retornar A Seplan e encontrar destruido o sistema de informa- 69es doEstado. Admitiu que ain- da esti trabalhando sem uma base de informa96es minimas e que os poucos dados sistemiti- cos disponiveis slo inconfiAveis. Os parlamentares presents ouviram essa declaraqao sem demonstrar o espanto que ela deveria provocar em pessoas res- ponsaveis pela conduqio do Es- tado. Uma investigacgo deveria ter sido imediatamente requeri- da para verificar se realmente havia informa96es antes, quem 6 responsavel por elas terem desa- parecido e quais as conseqiin- cias concretas da ausencia dessa base, sem a qual nenhum gover- no no mundo modern pode tra- balhar. Ber que valeria uma CPI so- bre o sistema de planejamento, quando nada para comemorar os 20 anos de sua existAncia em bases modernas. Esse sistema foi criado na administra9go Aloysio Chaves pelo (ento) jovem secre- tario de Planejamento, o hoje se- nador Fernando Coutinho Jorge. Que, a bem da verdade estava melhor na Seplan do que no Se- nado. O S6 toma la As cartelas do Telefestival do Cirio trazem agora impresso o logotipo da TV Liberal, acresci- do da observaqgo "filiada Glo- bo". Trata-se de inovagao em relagAo As cartelas anteriores. A TV Liberal, agora como antes, transmite os sorteios nos inter- valos do "Fantistico". Mas a in- dicaglo express de sua condi- 9lo de integrante da Rede Glo- bo, antes omitida, siginificaria o endosso official da direglo supe- rior da corpora1go do sr. Rober- to Marinho? A questro tern sua relevincia. Ngo muito tempo atras Dea Mai- orana, cap (cap woman, seria possivel dizer?) do sistema de comunicaiAo que leva o nome de seu marido, o falecido empresa- rio Romulo Maiorana, reuniu os filhos para fazer um protest. Nio aceitava mais que alguns deles faturassem em suas promo- goes particulares, sobretudo es- peticulos noturnos, atraves de veiculac5es gratuitas no jomal, na televisAo e nas radios do gru- po. Publicidade maciga das pro- moroes dava a esses irmaos 30% do faturamento da bilheteria, mas nada ia bater nos cofres da em- presa da familiar. A gratuidade nio afeta ape- nas o SRM. A Globo ter direito a metade do faturamento de suas afiliadas. Sendo as veiculag9es gratuitas, evidentemente, o dou- tor Marinho tamb6m fica no pre- juizo e perder dinheiro nio 6 propriamente o seu hobby. Depois da bronca de D6a Maiorana, a enxurrada de pro- paganda nio paga dos filhos di- mihuiu, mas nos l6timos tempos voltou a crescer. No caso do Te- lefestival Cirio de Nazare, po- r6m, ao menos no impresso, pa- rece certinha. [ a lara continuara o mesmo ate o fi- nal deste s6culo. Seu atual tamanho persistira por muitos anos ainda se os de- fensores do desmembramento territorial nao conseguirem convencer os habitantes do Estado original de que nao serAo preju- dicados pelas duas emancipag6es propos- tas, a dos Estados de Carajas e Tapaj6s. Esta e uma das poucas convicqes soli- das que se pode ter do movimento separa- tista ap6s um fluxo de vitalidade registra- do nos ultimos dois meses. Nio hi, no moment, clima para o surgimento de uma ou mais novas unidades federativas no Bra- sil. Particularmente no caso do Para, os defensores da integridade do Estado rejei- tam seu fracionamento, convencidos de que sofrergo prejuizo irreparivel. Ha um ambiente national desfavorivel, a comecar pelas disposiq6es da Constitui- 9co de 1988. Um novo Estado s6 pode sur- gir atraves de lei complementary, que exige maioria absolute (metade mais um dos par- lamentares) nas votag6es na C&mara Fede- ral e no Senado. A representalo paulista, que ocupa um quarto da representacgo da CAmara dos Deputados, nao permitiri a criagio de um novo Estado enquanto nio for revisto o crit6rio de representacao poli- tica, que permit ao voto de um acreano valer pelo voto de mais de 30 paulistas. Alem desse argument, hi ainda questaes locais, como a reagio dos mineiros i for- magao do Estado do Triangulo. As dificuldades sao tantas que por duas vezes o deputado federal Giovanni Quei- roz, um dos principals emancipacionistas, retirou da pauta de votagao do plenario o projeto de convocaqAo de plebiscite sobre o Estado de Carajis, que se arrasta hi tr&s anos pela Camara. O deputado do PDT sa- bia que, na votaqao, iria perder. E, assim, nem mesmo a consult i populaglo direta- mente interessada foi autorizada, embora seja um direito liquid e certo dos que que- rem a autonomia. Mas ainda que eles conseguissem a au- torizagio, o que continue long de ser uma possibilidade real, e o plebiscite mesmo que fosse favorivel, o pass seguinte no process de emancipagio 6 a votac~o no plenario da Assembl6ia Legislativa, onde apenas 12 dos 41 deputados aceitam a re- divislo do Estado. Mesmo que eles venham a ser convencidos do contririo (certamen- te nao na atual legislature), o caminho de CarajAs e Tapaj6s ainda vai percorrer nova etapa na Cimara e no Senado antes da lei de criaglo. Antes que esse roteiro por enquanto uma autentica "via crucis" se complete, hi a perspective de uma mudanqa, que pode ocorrer nos pr6ximos meses, para desesti- mular redivis6es territoriais oportunistas: o governor federal quer fazer uma alteragao legal para que as cotas de participaclo nos A remota redivisao omulo Maiorana Junior avia andado na semana anterior em Brasilia atras do ministry das Comunica9ces, Sergio Mota, para tratar de in- teresses de seu grupo. Voltou a Bel6m sem ter conseguido a audincia. Mas se acompa- nhasse as atividades de sua empresa mais de perto, nem precisaria gastar seu tempo na capital federal. Na semana seguinte o famo- so "Serjao" veio a Belem e foi a TV Liberal dar entrevista no program Bom Dia, Para. Co- merou a ficar furioso porque nao havia ninguem da direaio da empresa esperando-o. Mais irritado ficou ainda ao ser dei- xado esperando numa sala sem qualquer relaiao cor a digni- dade do seu cargo. Seu estado de espirito piorou com a de- mora em ir ao ar, enquanto as- sistia entrevistado de menos envergadura (em todos os sen- tidos) abocanhar minutes que Ihe caberiam, quando nada porque 6 o reizinho da area. O ministry bronqueou e foi abreviada sua aparigao no vi- deo. Mas as complicacoes ain- da nAo estavam superadas de todo. Uma cadeira nio resis- tiu ao peso ministerial e outra malmente acomodou a pessoa do amigo do president, que falou contrariado aos telespec- tadores da Liberal. Vencida essa etapa, o minis- tro decidiu ir ao banheiro. LA nao havia papel. Nem sabone- te. Muito menos Agua. Sem essa infra-estrutura minima, mesmo assim o ministry nio p6de segurar suas necessida- des. Ao sair do dantesco ba- nheiro, deixou la as cuecas, li- teralmente, e foi para o hotel com as fugas em brasas. Feliz- mente nessa etapa ja nenhum dirigente do grupo apareceu na sua furibunda diregao. Como conseqiiun- cia dessa sucessio de desastres, os dirigentes de jomalismo da tele- visao foram punidos. Nio puderam, por isso, S nem comemorar a atengo que vinham cobrando desde muitas semanas antes e, final- mente, tiveram mas desta forma, nio dese- jada, evidentemente. Muitos memorandos e comunicag5es alerta- vam para o precirio funcionamento da li- der de audi6ncia da televisao paraense, em condigces criti- cas que vio dos equipamentos sucateados a banheiros sem condic6es de uso. Cabecas foram cortadas quando, na verdade, a falta de cabega 6 a responsivel pela patetica experi6ncia vivida pelo ministry S6rgio Mota. Ele tern todos os motives para dar uma definirao a sua passage pelo reino da TV Liberal: es- catol6gica. O funds tributArios permanegam as mesmas, cabendo a municipios ou Estados dividir a mesma fatia. No moment, o desmembra- mento acarreta um novo cAlculo da parce- la de imposto, aumentando a cota do Esta- do ou do municipio redivididos. Este simples enunciado de problems, sem esgotar a pauta das dificuldades, de- monstra que aos emancipacionistas, en- quanto esse quadro nao se alterar profun- damente, nao rest outra alternative se- nio a da redivisao consensual. Precisa- rio convencer os habitantes do territbrio remanescente de que a divislo seri boa para todos ou nio serA ruim para os que irlo perder parte de seus Estados origi- nais. A opgao pelo confront pode pare- cer gloriosa e sustentar liderangas, mas nao levara a resultados concretos satis- fatorios. Ao inv6s de tal constataclo levar os defensores da integridade territorial do Para a voltar a ignorar o tema, como tem feito, deveria servir-lhes de alerta. Todos os cidadlos conscientes e de boa vonta- de, que aplicam suas vontades em bene- ficio do Para e da Amaz6nia, estao obri- gados a refletir e aprofundar os estudos sobre a question territorial amaz6nica. Ela ter sido aprisionada por desenhos e per- fis irracionais, o que significa que proje- tos de soluclo tanto no sentido da mu- danga como no de manuten~lo do status quo podem padecer do mesmo mal: o irracionalismo. Uma marca, aliAs, impos- ta A Amaz6nia dos nossos dias. O Duas ou tres vezes por dia o motorist Joao Carlos Cunha Braga saia do pi- tio de carregamento da Cerpasa, na rodo- via Arthur Bernardes, corn 500 grades de cerveja. O destiny da carga, conforme a nota fiscal que a acompanhava, era Porto Velho, capital de Rond6nia. Mas, ao inves de percorrer mais de tres mil quil6metros de estrada, Joao Carlos parava poucos qui- 16metros adiante. As cervejas ficavam mes- mo 6 no deposito da Distribuidora Brasi- leira de Bebidas, em Castanhal. Na fabrica ningu6m parecia estranhar que um mesmo caminhao fizesse duas ou tres viagens diarias para Porto Velho, tare- fa quase impossivel mesmo se o meio de transport fosse um aviio a jato. As notas fiscais, evidentemente incorretas, jamais foram questionadas pela fiscalizacio tribu- thria, ate que a policia, o Ministerio Pibli- co e a pr6pria Sefa desencadearam, no ini- cio do ano, uma operaglo que flagrou a atuaqo de uma autentica quadrilha da cer- veja. O produto mandado para outros Estados recolhe 12% de ICMS. O produto comer- cializado internamente no Pari paga 25% de imposto. Pelo menos tres distribuidores exclusivos da cerveja Cerpa vinham prati- cando esse golpe contra os cofres piblicos, declarando a remessa para outros Estados de cerveja que vendiam aqui mesmo. Cada um dos tres distribuidores tinha sua pr6pria area de atuag~o, sugerindo a existEncia de um esquema geral por tras deles: a Distribuidora de Bebidas Natari- bu, com sede em Ananindeua, "mandava" cerveja para Tocantin6polis, no Tocantins; o mercado da Distribuidora Brasileira de Bebidas, estabelecida em Castanhal, era Porto Velho; ja a Distribuidora Lima, de Santa Izabel, dizia operar em Agai- landia, no Mara- nhao. As tres distri- buidoras movi- rnentavam diaria- mente 4.500 gra- des de cerveja entire os tres municipios, um volume muito acima do que parece sugerir a capacidade economico-financeira de seus supostos donos. Mas se a hist6ria do neg6- cio 6 nebulosa, o registry das fraudes foi muito bem documentado no inquerito con- duzido na Divisio de Investiga6bes e Ope- rag6es Especiais da Secretaria de Seguran- ca Publica pelo delegado Clovis Martins. Atrav6s das manobras, os distribuidores de cerveja cometeram os crimes de simu- lag o de operaq6es interestaduais com fir- mas inexistentes de outros Estados, ji pa- ralisadas ou fantasmas. O motorist Jo o Carlos Braga disse que todos os fiscais da Secretaria da Fazenda de plantio no post de Marituba cobravam 50 reais de cada caminhao que deixavam passar irregular- mente. Para evitar o "pedAgio", os moto- A quadrilha da cerveja Retrato em 3 x 4 Barcarena, 230 municipio paraense em populagio, tern a quarta maior arrecada- gdo tributaria do Estado, gra- gas a existencia, em seu terri- tbrio, da fabrica de aluminio da Aibras, a maior do conti- nente, responsavel pelo mais expressive faturamento indi- vidual entire as empresas do Para. t possivel que ate o fi- nal da d6cada Barcarena pule para a terceira posiao, ou ate a segunda, com o funciona- mento da fabrica de aluminio da Alunorte e das duas fabri- cas de caulim em implanta- gdo. Sera, nesse caso, o mu- nicipio mais marcadamente industrial do Estado. Em tal context, a mudan- ga da sede municipal, decidi- da no mes passado, e mais do que um assunto paroquial. Numa manobra political para manter a unidade do munici- pio, a Prefeitura e a Cmnara de Vereadores transferiram a sede de Barcarena para a Vila dos Cabanos, o nfcleo urba- no da fabrica de aluminio. Foi a segunda iniciativa nesse sentido tomada desde a im- plantag6o da Albris, sempre pelo mesmo motive: anular o surto separatist do "outro lado" do rio ]arcarena. A aspiraglo 6 forte. Mais de 90% da receita municipal (calculada oficialmente em 1 milhbo de reais por mrs, mas que pode alcangar o dobro) vem do distrito de Murucupi, que ter apenas um quarto da populagqo. Mas o retalhamen- to de Barcarena seria fatal para o municipio remanescen- te, praticamente inviabilizan- do-o. Essa situagao poderia ser usada por seus habitantes para arguir a inconstituciona- lidade da nova unidade muni- cipal, que nao pode se cons- tituir a custa da insolvencia daquela da qual surgird. Mas esse argument, estranha- mente, tem sido esquecido. Os dirigentes publicos pre- ferem a solugAo mais c6mo- da: transferir, de direito (mas nem sempre de fato, como ja ocorreu), a sede municipal. Julgam poder calar a queixa dos moradores de Vila dos Cabanos contra o abandon a que sAo relegados pela admi- nistragLo central. Mas se os moradores que gravitam em torno da Albras tem fundadas razoes para critical essa ges- tao a distincia, os habitantes da antiga sede nao tem o que comemorar da vizinhanga com a Prefeitura e a Camara. Proporcionalmente, o ren- dimento tributario "per capi- ta" em Barcarena 6 superior ao de Belem, mas os dirigen- tes municipals desperdicam - quando nao dilapidam essa arrecadagao. Acham que as- faltar ruas, fazer pragas e construir escolas 6 o que lhes cabe. Os servings urbanos em Barcarena, de fato, sao com- parativamente razoaveis, mas o municipio nio conse- guiu (e, na verdade, nem ten- tou) criar uma alternative econ6mica ao polo de alumi- na/aluminio, nem criar fontes produtivas de absorg~o e ma- nutengao da populagao rural. A renda dos impostos ja tern expressao, mas a mentalida- de dos que os aplicam perma- neceu numa era atrasada, de- sencontro que explica o per- fil acanhado do quarto muni- cipio mais arrecadador do Para. O ristas resolveram trafegar por dentro de Ma- rituba, contornando o post da Sefa, mas os fiscais descobriram e comeqaram a ir ao escrit6rio da firma de Jose Expedito de C 5- valho em Castanhal, a Distribuidora Brasi- leira de Bebidas, cobrar sua "parte". Contou Jolo Carlos que, em outubro do ano passado, dirigia pela rodovia Augusto Montenegro quando foi abordado por trs fiscais da Sefa, que estavam num carro ofi- cial. Ao percebe- rem que se tratava do "esquema da cerveja de Casta- nhal", levaram o caminhao para a delegacia fazen- daria da Tavares Bastos. Por telefone, exigiram de Jos6 Ex- pedito o pagamento de mil reais para libe- rar o caminhio. Nesses terms, nao houve acordo. Decidiram aceitar esse valor na forma de 57 grades de cerveja. Nova nega- tiva do dono. Afinal, o acordo foi estabele- cido em 15 grades de cerveja. Apesar de todas as provas existentes nos autos, a juiza Maria Tereza Sereni Murrie- ta concede habeas corpus aos denuncia- dos e mandou trancar os inqueritos polici- ais na DIOE. Sua ordem s6 nao foi cum- prida porque os inqueritos ja haviam sido remetidos para Ananindeua, Santa Izabel e Castanhal, comarcas que estio fora da sua jurisdiCqo. Mesmo assim, o promoter Nel- son Medrado contestou a media para que prossigam as investigag6es sobre essa au- tentica quadrilha da cerveja. O Jornal Pessoal Editor responsavel: Lucio FlAvio Pinto Redagao: Pastagem Bolonha, 64-B Telefones: 223-7690 e 223-1929 Ilustradao e arte grafica: Luiz Pinto * |
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