Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00087

Full Text








ornal Pessoal
EDITOR RESPONSAVEL: LOCIO FLAVIO PINTO
7,a g


Tem bp


no ar

Ferrenhos inimigos na
arena da dltima campanha,
Almir Gabriel e Jader
Barbalho voltam afalar a
mesma lingua, mostrando que
em political as conveniencias
sufocam os principios.

Em fevereiro o deputado Luiz Otivio
Campos (PFL), secretArio dos Trans-
portes no governor H61io Gueiros (1987/
91), fez o mais violent ataque pessoal jal
sofrido pelo senador Jader Barbalho. Dis-
cutindo (e quase chegando A chamada
"vias de fato") cor o tamb6m deputado
Mario Couto, do PMDB, Campos disse
que o ex-governador era incestuoso e ha-
via estuprado a sobrinha.
Numa restia de conscincia, ao termi-
nar de escandalizar o plenArio da Assem-
bl6ia Legislativa com esses improp6rios,
ditos da tribune, o parlamentar dirigiu-se
a deputada Isane Zaluth Monteiro, tia de
MArcia, com quem Jader passou a viver
ha dois anos, tentando melhorar sua situ-
acio: "A senhora sabe que 6 verdade".
Nao, nAo 6 verdade. A relago de um
tio com a sobrinha pode at6 sofrer repa-
ros morais, mas nao 6 incestuosa. Jader
nao precisou recorrer a nenhuma viol6n-
cia para conquistar Marcia Centeno: os
dois decidiram viverjuntos depois de uma
longa fase de aproximarao. E essa hist6-
ria n~o ter nada a ver cor a atividade
dos deputados, que deveriam dedicar seu
tempo a questoes de sua competancia.
A raivosa reaq~o de Luiz Otavio, tam-
b6m conhecido como "Pepeca", era ex-
plicavel. Depois de deixar a Secretaria de
Transportes do Estado, foi preso e humi-
lhado pela policia de Jader, passando a
responder a process por ir-
regularidades constatadas
durante sua gestdo na Se-
tran (sendo, por6m, absol-
vido pelo Tribunal de Jus-
tiga do Estado, numa pol6-


tambem tinha
diata: a critical
sarial comanda
do, a Rodomar
milhoes de rea
Rodomar j pe
de Belem para
caminha para
sas dificuldadi
vadas durante
der de acord


mica sessao plenAria).
O selvagem ataque a sa tres meses depois. O mes-
h vida de Jader Barbalho r- mo Luiz Otavio Campos iria
uma motivai o mais ime- comandar uma mobilizarco
situaio do grupo empre- para garantir a aprovagAo das contas do
Ldo pelo sogro do deputa- senador do PMDB relatives ao ultimo ano
a frente. Executada em 32 de seu governor, aprovaAio ameacada por
is pelo Banco do Brasil, a deputados do PPR, do PFL, do PSDB e
rdeu as balsas da travessia do PT, que quase derrubavam o parecer
Arapari, em Barcarena, e favorivel da comissio de finangas. Em-
uma insolvncia geral. Es- bora a lideranga do PMDB tivesse agido
es foram criadas ou agra- para evitar a derrota na segunda votacio
o segundo governor de Ja- (conseguida por dois votos de diferenca),
o com "Pepeca", por mera a participagio de Luiz Otavio foi decisi-


retaliacqo political.
Por terem ferido a 6tica e o decoro par-
lamentares durante a discussion que tra-
varam, os dois deputados foram punidos
pela mesa da Assembl6ia Legislativa comr
a pena de censura. Seus pronunciamen-
tos foram excluidos das notas taquigrifi-
cas.
Mas quem deduzisse, a partir dessa
guerra verbal deflagrada logo na abertura
do period legislative, o desencadeamen-
to de batalhas ainda mais sangrentas en-
tre os representantes de Jader Barbalho
e Helio Gueiros teria uma grande surpre-



E DA CERO 0 OLUI
~RI A n rC J


Gueiristas e Jaderistas se uniram no-
vamente para impedir que a ComissAo
Parlamentar de Inqu6rito, proposta pelo
deputado Jos6 Carlos Lima (PT). apuras-
se a promiscua relaio da Secretaria de
Transportes das duas administrag6es (en-
tre 1983 e 1991) com as empreiteiras. O
pr6prio Luiz Otivio fez parte da CPI, atu-
ando ao mesmo tempo como investigator
e investigado. A situaos s6 nAo foi mais
inc6moda porque simplesmente niao hou-
ve investigagAo e a CPI chegou ao fim
sem ter comecado, resultando no que pa-
rece ser o objetivo comum
aos dois grupos: colocar
uma pedra tumular sobre o
conturbado passado que dei-
xaram atris de si.
,A *),110







perplexidade diante de tamanha
transformacqo em tao pouco tempo
s6 nao tomou conta dos que vinham
acompanhando atentamente
os bastidores do poder local.
Certamente do primeiro para A vy
o segundo semtestre, com a
ascensio de Jader a lideran- por I
ca do PMDB no Senado e a
conquista da presidencia da
Camara Alta por seu grande aliado Jose
Sarney, a correlacio de forgas mudou no
Para.
Jader conseguiu bloquear a indicacgo
de Fernando Flexa Ribeiro para a Su-
dam. Tambem imp6s a mediago de sua
vontade no preenchimento dos cargos
da administration federal no Pari. Prin-
cipalmente depois da amarga derrota ate
o caminho A presid8ncia national do
PMDB (onde pretendia ser um Ulysses
GuimarAes mais duro), quando reagiu
virando a mesa e colocando o Palacio
do Planalto diante de uma opiio pior
(o deputado Paes de Andrade), Jader
passou a ser obsequiado com constan-
tes telefonemas do president Fernan-
do Henrique Cardoso, al6m de encon-
tros pessoais.
A salvaio da Rodomar, ou uma sai-
da menos traumatica para a empresa,
talvez tenha passado a defender mais
de Jader do que de Almir Gabriel. Esta
teria sido a causa da mudanga de atitu-
de por parte de Luiz Otavio. Ma, nesse


I


caso, a nova forma de relacionamento se
restringiria a um interesse particular do
deputado do PFL?
SOR E pouco provivel. "Pepeca"
Snao faz nada em political sem
Ila I antes consultar o prefeito de
.a Beldm. Hdlio Gueiros acompa-
,ila nhou e aprovou cada movi-
._ mento do deputado, que Ihe
deve integralmente o mandate
ganho na ultima eleiago. Alem disso, nio
foi s6 "Pepeca" quem mudou a postura
diante de Jader. Andrd Dias, outro dos
gueiristas, numa reuniao de fim de noi-
te na Granja do Icui, que sobreviveu ao
jantar corn a bancada de apoio ao gover-
no, preferiu aliar-se ao PMDB, deixan-
do o PPR de lado, contra a posigao de
Zenaldo Coutinho e a neutralidade do de-
putado Martinho Carmona e de Fernan-
do Cavalcante, president regional do
PSDB.
Andre Dias, irmao do genro de Helio
Gueiros, Daniel (casado com ClAudia
Gueiros), foi tambdm o acompanhante de
Bira Barbosa, lider do PMDB na Assem-
bl6ia Legislativa, levando-o ao encontro
com o governador Almir Gabriel, que
abriu a porta para o acordo, firmado dias
depois.
Os inimigos inconciliAveis da dispute
eleitoral do ano passado, assim, estao no
mesmo barco. Talvez preocupado com o
estupor que essa nova situagao criou, cri-
aria ou ainda criart, Almir Gabriel diz


que ela serve a pacificaqao do Estado
(paz, com etimologia e semintica pr6-
prias da linguagem tucana, parece ser o
slogan de uma administration ainda sem
marca).
Aos interlocutores, o governador diz
que seu objetivo 6 apenas o de former
uma base de apoio no legislative, sem a
qual nio podera governor (seu PSDB ter
apenas trds dos 41 deputados estaduais).
Garante que o acordo nao implicou em
leilIo de cargos: gente do PMDB conti-
nuaria ocupando posio5es na maquina
social, desde que fosse competent e ho-
nesta. Os que simplesmente fazem poli-
tica seriam afastados.
Este tosco raciocinio omite o que ago-
ra talvez nao passe mais de detalhe irre-
levante: o m6dico Almir Gabriel foi elei-
to para realizar um program de gover-
no, supostamente distinto e atd antag5-
nico ao de seus adversarios. Se eles ade-
rem ao candidate hoje eleito, ou o go-
vernador no cargo mudou suas id6ias, ou
deixou-as nos palanques. Ou, talvez, te-
nha constatado de que o exercicio do po-
der imp6e uma drastica lipoaspiragio te-
matica, reduzindo o governor a fazer ali-
angas.
i dificil aceitar as exigencias da "pa-
cificacgo" (que pressup5e uma guerra,
inindentificAvel aos sensors triviais, co-
locados al6m-muros do Palacio de Des-
pachos da Augusto Montenegro, uma das
muitas inveng5es de Jader Barbalho que


Papel: reporter
Muitos jomalistas conseguem
ser tao mecnicos na produgo
diiria de informac6es quanto
indiferentes a avaliagio da pe-
renidade de seu trabalho. 0 jor-
nalismo pode e em algumas
situaCqes tem que ser a hist6-
ria do cotidiano. Sistematizada
e checada mais adiante, vira
hist6ria, pura e (nio tio) sim-
plesmente.
Por causa dessa dupla defi-
ci8ncia, 6 pequena a produaio
jornalistica em livro. E, do que
6 publicado, apenas uma par-
cela minima justifica sua pas-
sagem do papel-jornal para o
papel-livro. Coisa transit6ria,
efemera e sem qualidade assu-
me a forma organizada de livro
por mero capricho do autor.
Ainda assim, todos ganhari-


O Journal Pessoal retoma
carreira. Mais uma vez porque
informag6es relevantes em


am se os jornalistas fossem
mais audaciosos. Nlo para pu-
blicar tudo o que escrevem para
a imprensa peri6dica. Mas para
avaliar com senso critic se o
que escrevem d capaz de resis-
tir ao tempo e i checagem de
leitores mais exigentes e espe-
cializados, presumidamente os
que compram livros.
Essa digressio 6 para saudar
o langamento do livro de Rai-
mundo Jos6 Pinto, "Rep6rter"
(84 piginas, edigao do autor),
langado na semana passada em
Belem. Raimundo Jos6, desor-
ganizado como a esmagadora
maioria de n6s, nao fez a me-
Ihor seleg o do que produziu
em 24 anos de profissao. Mas
o que reuniu nesse seu primei-
ro livro traz aquilo que consti-
tui a melhor contribuig~o do
jornalista: a informagao em


sua acidentada
a quantidade de
circulagio na


sociedade supera de muito aquela veiculada pela
grande imprensa. Por enquanto o esquema de
distribuigic do journal 6 precarissimo. Se ele
2


cima da hora, a voz das ruas, o
saber da sociedade.
Todo reporter 6 jornalista.
Mas nem todo jornalista 6 rep6r-
ter. A imprensa vive dos dois,
mas seu coraglo d alimentado
pelos rep6rteres, donos de uma
especialidade inica entire todas
as demais formas de conheci-
mento, porque esti nas ruas,
convivendo com todos, vendo
sem distingio tudo. O livro de
Raimundo Josde sem divida,
o livro de um reporter. 1


subsistir, podera vir a ser remetido para
assinantes. Dos leitores, espero que fagam o
journal circular o mais intensamente que Ihes for
possivel. De especial significado sera o envio
para leitores de outros Estados e mesmo para
fora do pais, ajudando na ressonincia desta voz.


No alvo

Enquanto os deputados do
PMDB faziam seu acordo ori-
ginal corn o governador Almir
Gabriel, o deputado Zeno Ve-
loso, do PPR, que ficou fora do
entendimento, era o inico con-
vidado para a excursion do che-
fe do Estado paraense a Mala-
sia. Anos atras Zeno fez uma vi-
agem semelhante, mais ampla,
pelo sudeste asiAtico e a China.
Mais do que esse handicap,
entretanto, pesou na escolha de
seu nome o patrocinio de Fer-
nando Flexa Ribeiro, candida-
to (derrotado) do PSDB ao Se-
nado nas iltimas eleicges e pre-
sidente da Federagao das Ind6s-
trias do Para, aldm de superin-
tendente quase-nomeado da Su-
dam.
Por Flexa, Zeno seria o pre-
sidente da Assembleia Legisla-
tiva. Mas se dependesse de ou-
tras eminincias pardas, ele iria
para o PSDB mesmo. Talvez a
viagem permit ao parlamentar
escolher sua pr6pria opqao. O


.*****.....*****.....***** .....* .* a a 0* a 00 0* a **






ficou), quando o governor critical os ma-
les que Ihe foram transmitidos por seus
antecessores e senta cor eles, sepa-
rahdo a criatura do criador. Em psiquia-
tria da-se a isso o nome de esquizofre-
nia. Em political, trata-se de
realismo, pragmatismo ou jar- jl l
gao que se equivalha.
A
e a pacificagAo significa
S manter o status quo da il-
tima eleigao, 6 de elementary
bom .enso perguntar-se: e
como se dari a proxima dispute? A pa-
cificaFaio significa que os comandantes
das naus beligerantes de ontem estario
embarcados em uma unica caravela?
Sim, porque se a pacificacao nao 6 ape-
nas remissiva, seu valor e quase nenhum
se ela foi criada para durar um Atimo de
tempo. Ou ela e total e ira desnaturar a
proxima eleigio, ou 6 um faz-de-conta
que nio faz justice a esperteza dos que
se abrigaram sob sua bandeira branca.
Muita gente, de um lado e de outro do
famoso muro tucano, deve estar desnor-
teada por esse rearranjo das mesmas car-
tas do carcomido baralho da political pa-
raense. Os referenciais se perderam, os
marcos foram arrancados. Almir Gabri-
el, que fez uma inesperada alianga elei-
toral cor Hilio Gueiros para ganhar a
eleigao de 1994 (depois de ter sido uma
esperanga contra a ascensao do mesmo
Gueiros dois anos antes, fugindo a un-


I

-E


decima hora do confront pela Prefeitu-
ra de Belem) agora se torna aliado dos
que acusara no palanque de terem devas-
tado o Estado.
JA o senador Jader Barbalho, chefe
dessa horda, reaproxima-se
m dos que derrotaram seu es-
quema de poder (sem derro-
ciX ta-lo pessoalmente, entretan-
to), mas nao se deu ao traba-
na I ho de comunicar o fato ao
N-Wlgj seu parceiro maior na eleigao
do ano passado, o ex-senador
Jarbas Passarinho. Sera que o tom mar-
cadamente ideol6gico que, como onda
retr6, marcou a ultima batalha electoral,
nao passou de convenient glace, artifi-
cialmente posto sobre um bolo que ago-
ra revela sua verdadeira composi~io?
Os politicos, abertamente assumidos
ou camuflados por lantejoulas verbals,
sao experts nessa arte ou ciencia cha-
mada political. Mas as vezes essa com-
petencia se afunda no paroxismo do jogo,
quando o distinto puiblico 6 ignorado. Es-
pectadores atentos podem ser ludibria-
dos pela magia.
A palavra-chave do que esti aconte-
cendo 6 a tal da pacificagCo, que corn
tanta freq0incia aparece na boca do go-
vernador Almir Gabriel. Quem conhece
um pouco mais extensivamente a politi-
ca paraense garante que a minguada ban-
cada governista no legislative estadual
nio e motivo bastante para o governa-


dor se sentir em posiqao vulnerivel, mes-
mo porque o desempenho parlamentar na
atual legislature nada promete de excep-
cional. Ademais, minorias s6 sao proble-
mas series para goverantes que desco-
nhecem como 6 praticada a political no
Estado.
O governador poderia recorrer a mei-
os suasorios para aprovar materials de seu
interesse se tivesse, efetivamente, um
program capaz de se impor por si mes-
mo e se atuasse no corpo-a-corpo legis-
lativo, cedendo as vezes coisas mesqui-
nhas, mas isoladas, sem deixar que elas
se transformassem num acordo mais ge-
ral, onde um dos itens prioritarios, di-
gam o que quiserem seus subscritores, 6
o fisiologismo e o clientelismo.
Sabendo como poucos andar por es-
ses desvios, o prefeito H6lio Gueiros
esti tratando de orientar outro de seus
talentosos filhos, o vice-governador H6-
lio Gueiros J6nior, a estar ao alcance
dos politicos do interior cor mais faci-
lidade que o governador. E ele pr6prio,
H61io Gueiros, comega a receber os in-
satisfeitos, inatendidos e espertos. Sabe
que precisa eleger o successor, garantir
sua vaga para o Senado e abrir o alCa-
pao para o filho alcancar o topo dentro
de tres anos, cor a ajuda do aliado de
ontem ou a do aliado de amanha. E as-
sim que caminha (caminha?) a political
no Pari: entire infidelidades e camufla-
gens.


A face oculta


Embora a coluna nio sais
se assinada, as pessoas
melhor informadas sabiam
quem era o redator de "Em
cima do fato", publicada du-
rante various meses do period
eleitoral de 1992 no "Jornal
Popular". Era Helio Gueiros.
Se o estilo logo revelava o au-
tor, havia curiosidade sobre a
op9do pelo anonimato inefi-
caz.
Na verdade, em grande par-
te de sua atividade jornalistica,
Helio Gueiros foi um an6nimo.
Alcancou o maximo de influ-
encia como um dos redatores
("cardeais", como preferiam ser
chamados) do "Reporter 70", a
principal coluna de "O Libe-
ral", nio assinada. Raramente
tendo sido reporter, Helio se re-
lacionava cor as informag6es
atrav6s de fontes tambem an6-
nimas, "a roda", as "fontes bem
informadas", "pessoas reunidas
ontem" e outros arranjos que


travestiam sua pr6pria opiniaio,
primeira e ultima raiz de suas
observa56es.
A publicacao do "Em cima
do fato", que o "Jomal Popu-
lar" vem fazendo, ja agora nio
mais como aliado e sim como
feroz inimigo do prefeito da
capital, mudanca drastica corn
motivacao bem sonante, tem
pelo menos uma fung9o peda-
g6gica: realga ainda mais as an-
tipatias do temporario alcaide
dos belenenses, identificando o
autor da coluna.
Os ataques mais raivosos di-
rigem-se contra o tambem ex-
prefeito Sahid Xerfan (um dos
possiveis novos candidates a
PMB). Tanto 6dio, que levou
Gueiros a inventor cartas cari-
catas, atribuindo-as ao desafe-
to, tern uma explicaio, entire
varias possiveis. No final da de-
sastrosa campanha para elei~io
de Xerfan como successor de
Gueiros no governor do Estado,


Sangria desatada

Uma graduaa fonte da receita estadual em Santarwm
assegura que 600 quilos de ouro saem, em midra, todos
os meses pela divisa do Pard com o Mato Grosso semr
declaram~ o e. evidentemente, sem pagar Imposto. urn
negocio de sete milh6es de rears por ms que se esvai.
Mas nao d o sinco. A mesma fone ndo sabe dizer qual a
sangna de madeira clandestine causada ao Estado, mas
uwa autondade estadual que esteve recentemente na
regiao calcula que vinte camnmhes saem drariamenle
cor mogno para o Mato Grosso. A madeira e extraida
no inmerfli6o Inrri-Xingw Tapaj6s, hoje a major fonle
para os extratores, que contmram avmanando na
dire~ o Oeste.


em 1990, foi precise acertar as
contas das despesas. Provoca-
do, o entao governador man-
dou dizer a Xerfan que conta
de campanha nao se paga, uma
das leis do anti-legal adagiario
baratista.
Xerfan pagou sozinho o sal-
do devedor de 3,5 milh6es de
d6lares, queimando nesse acer-
to uma parte consideravel do


seu patrim6nio, para desespe-
ro da familiar. Mesmo assim o
alcaide de plantao, ofendido,
naio perdoou o tapa com luva
de pelica que, nesse caso, Xer-
fan Ihe deu. Fiel a sua persona-
lidade, sempre que pode, des-
de entao, invested raivosamen-
te contra o seu ex-aliado, por
escrito e como prefer ver-
balmente. F






0 grande alvo

Ogovernador Almir Gabriel e o
president da Companhia Vale do
Rio Doce, Francisco Jose Schettino, fo-
ram a Curion6polis, no mes passado,
para valorizar ainda mais o ato de aber-
tura da nova mina de Carajas. A nova
frente sera desenvolvida em Curion6-
polis, enquanto a mina atual fica em Ma-
raba. A diversificagio nio atendeu ape-
nas a raz6es de natureza estritamente
t6cnica. Nem mesmo seria necessario no
moment uma segunda mina. Na ver-
dade, a CVRD, decidindo extrair de Cu-
rion6polis 10% de sua produpio de mi-
ndrio de ferro, esti vendo mais long:
quer obter o apoio municipal para a re-
abertura da extrario de ouro em Serra
Pelada.
Todos sabem que a fase de garimpa-
gem manual acabou. O fundo da cava
chegou a 80 metros, muito ouro ficou
pulverizado na superficie, especialmen-
te nas montoeiras de rejeitos, e o metal
ainda nao alcangado esti em maior pro-
fundidade e cor menores teores. E a
situapao tipica para uma lavra mecani-
zada. Mas sua execucio vem esbarran-
do na desconfianca geral em rela9io As
intengces da CVRD e uma s6rie de pre-
conceitos espalhados e enraizados na re-
gilo, sobretudo pelo ex-deputado e co-
ronel Sebastilo Rodrigues de Moura,
o Curi6.
Passando a gerar
/ \ receita no munici-
( poi, que vive uma
fase critical corn
a quase desa-
tivagio do
garimpo, a
Vale conquista simpatia para comegar
de fato a fase executive do projeto de
mecanizacao em Serra Pelada, talvez
em associa~io com a Mitsubishi.
E a retomada, com 30 anos de atra-
so, da hist6ria geol6gica do local. Con-
ta a lenda, nio de todo imaginfria, que
ge6logos da Codim cruzaram por so-
bre Serra Pelada (na 6poca conhecida
como Serra Leste). Mas nio se interes-
saram muito por aquele sitio porque ur
dos ge6logos mostrou para os colegas
a pedra que havia encontrado. Ela era
dourada e o que a multinational busca-
va era pedra preta, a cor do manganes,
o alvo obssessivamente direcionado
depois que a Bethlehem Steel sentou-
se sobre a mina de Serra do Navio, do
outro lado do rio Amazonas, no Ama-
pi. "Joga isso fora", teria dito o chefe
dos ge6logos, para delicia dos que con-
tam a hist6ria i beira de um acampa-
mento, no meio da mata, onde tudo vira
piada para atenuar os rigores do traba-


SO O ** Ni meros atrasadosOOOOOO*
I Numeros atrasados


SBanco da Amaz6nia vai atrasar
novamente a publicaogo de seu
balango semestral. O banco comeeou a
sujeitar-se ao pagamento de multano dia
25 do mes passado, quando terminou o
prazo dado pelo Banco Central para a
divulgagao de suas contas. At6 entAo, o
Altimo balancete publicado era o de
maio. De mes a mes, a partir de janeiro,
os niuneros registraram queda na lucra-
tividade do Basa, que fechou 1994 corn


Right man...

omulo Maiorana Junior foi com o de-
utado federal Vic Pires Franco ao
gabinete do senador Jader Barbalho, em
Brasilia. As diferengas de ontem foram
esquecidas em beneficio da indicaclo
para a direc&o do INSS de Isaac Ramiro
Bentes, filho do secrethrio de Financas do
prefeito H61io Gueiros. Al6m do apoio de
Jader, Bentes ganhou a assinatura da de-
putada Elcione Barbalho em favor da no-
meagio, a primeira para un cargo federal
obtida por paraenses na administration
Fernando Henrique Cardoso.
O INSS justifica tanto empenho. Ao
menos para quem deve i Previdencia e
nio pretend pagar. 0


superivit de 52 milh6es de reais e a sex-
ta maior rentabilidade da rede bancria.
Recentemente, o Basa chegou a atra-
sar de dois anos a publicago de seu ba-
lango annual, na expectativa de um voto
do Conselho Monetario Nacional que
melhoraria seu perfil financeiro. Mas
agora nao contari mais com essa provi-
dencial ajuda. A perspective de fechar
outra vez o exercicio com prejuizo volta
a se torar ameagadora.


Nova forma


N a primeira reuniio com os over
nadores da Amaz6nia, em Mato
Grosso, o president Fernando Henrique
Cardoso autorizou o govemador Almir Ga-
briel a anunciar a escolha do engenheiro
Fernando Flexa Ribeiro para a Superinten-
dancia da Sudam. Flexa chegou a dar en-
trevista a impensa sobre sua future mission.
Dois dias depois da autorizaglo, o
senador Jader Barbalho votou a favor
dos juros tabelados de 12% ao ano a
serem adotados pelos bancos, uma
pedra no sapato do governor.
At6 hoje Flexa n&o foi nomeado,
oito meses depois que Almir assumiu
o governor. D


A Diretoria da Festa
de Nazar6 precisa
cuidar melhor da image
da santa. A padroeira dos
paraenses empresta sua
image para aumentar a
credibilidade e o apelo
commercial do Telefestival
Cirio de Nazar6, um
caca-niqueis que ji se
tomou contumaz em
Bel6m.
Os compradores das
cartelas concorrem, como
nos bingos que se
espraiam pela cidade, a
various premios, desde
que paguem os 5 reals de


cada cartela. 0
pagamento e feito nos
bancos, casas lotericas,
ag6ncias dos correios,
postos autorizados,
supermercados e nas tio
discutidas farmicias da
rede Big Ben
(equivocadamente citada
no impresso como Big
Ban, o que nio deixa de
ter seu sentido de ironia
involuntaria).
As cartelas remetem
os interessados em
esclarecimentos para o
telefone 241-3723, mas
nio indicam o nome da


firma responsivel, nem
citam a autorizagio da
Receita Federal,
indispensivel parn esse
tipo de empreendimento.
Esses "detalhes" levaram
o delegado Cl6vis
Martins, da Divisio de
Investigac5es e
Operates Especiais da
Secretaria de Seguranca
Publica, a pedir
esclarecimentos aos
supostos responsiveis
pela promogio. Mas
sabe-se que hi gente
mais poderosa por tris
dos nomes associados
publicamente ao
Telefestival.
A Diretoria da Festa,
alias, como a Federagao
Paraense de V8lei,
coadjuvante necessaria
para o bingo poder
funcionar, tem direito a
5% da receita. Sera que
isso 6 mais do que as
famosas 30 moedas? 5


0 valor da imagem


Ilmd l prcio doa m l n l&zmmm He

kico ofll c:llo 1 N1 jilm s
t I EII ] oI-L'do d [ itmm lilootlN [11m dllv-
B^! (t IMae ^ amlaa(le Il
I-o etjJIL,'k ^lMjo JCn\Id^jo(IC 'l^j (e ^j" l'& .







0 golpe dos 15 milhoes


pode dar certo


Em novembro do ano passado o pro-
motor ptblico Nelson Medrado de-
nunciou a justiga 11 comerciantes de
Bel6m pelo crime de sonegag~o fiscal.
Cinco dos denunciados sao proprietiai-
os das Lojas Visio, um dos maiores gru-
pos do com6rcio paraense. Eles teriam
sonegado o equivalent a 15 milh6es de
d6lares de ICMS, usando o ardil das "no-
tas paralelas".
A manobra 6 simples. Uma nota fis-
cal 6 emitida e entregue ao client con-
tendo sua compra, com o valor correto.
Outra notacom a mesma numera~io, e
enviada para a contabilidade da empre-
sa, onde sera consultada pelos fiscais tri-
butarios. Nesta segunda nota os valores
sao alterados para menos. E possivel,
assim, que a compra de um aparelho de
ar condicionado apareca como a aquisi-
9go de uma meia, ou uma nota de venda
de varios itens se reduza a um ou dois.
Gracas a manobra, parte do imposto pago
na fonte pelo consumidor 6 apropriada
pelo vendedor, que repassa apenas uma
fracgo do que recolheu.
Mas para que a fraude seja cometida
6 necessAria a parceria do responsivel
pela impression das notas fiscais. Na de-
nincia, o promoter publico pediu o in-
diciamento dos donos das graficas Gra-
fisa e RPM. A primeira imprimiu 10 mil
talonarios de notas fiscais falsas, comr a
mesma numeracio das notas autenticas,
e a segunda, 9 mil talonarios. Prisio pre-
ventiva foi requerida para os cinco dire-
tores do Grupo Visio, a comegar por seu
principal executive, Francisco Pio.


Dez dias depois do ajuizamento da de-
nincia, a juiza da 16a Vara Criminal,
Ruth do Couto Gurjao, acolheu o pedi-
do, sem, no entanto, deferir a prisao dos
cinco acusados. Alegou que s6 aprecia-
ria essa solicitagao ap6s o inter-
rogat6rio, marcado em
seguida para trds me-
ses depois.
No dia 28 de
dezembro o advo-
gado da Vis~o, Jorge
Borba, requereu juiza
que reconsiderasse os seus
despachos e rejeitasse integralmente a de-
nincia. Argumentou que os documents
juntados pelo representante do Minist-
rio Puiblico eram insuficientes para sus-
tentar a prova da materialidade de crime
contra a ordem tributaria.
Imediatamente a juiza endossou o re-
querimento em umna sentenga manuscri-
ta de 10 laudas, determinando o arqui-
vamento do process sem sequer come-
car a instrui-lo, uma decisao considera-
da absurda, agodada e inusitada pelo pro-
motor Nelson Medrado. Ele recorreu em
sentido estrito para o Tribunal de Justiga
do Estado da "nulidade radical", mas s6
p6de faze-lo dois meses depois.
E que a juiza, ap6s sentenciar o pro-
cesso, determinou ao cart6rio da 16 Vara
para entrega-lo no advogado dos acusa-
dos, com o detalhe de que no dia imedi-
ato comegavam as fdrias forenses. So-
mente ao fim do recesso, em fevereiro,
o representante do Ministerio Pfblico
teve acesso aos autos. Por isso, Medra-


I
e
L1


do apresentou reclamaqAo contra ajuiza
a Corregedoria Geral de Justiga, acusan-
do-a de ter provocado tumulto proces-
sual.
Mas o promoter tambem acha que a
juiza Ruth do Couto Gurjao, pelo endos-
so total dado As teses do advogado dos
acusados, fazendo afirmativas que con-
siderou insubsistentes, demonstrou "sua
inaptidao para processar e julgar estes
feitos". Pediu entao a remessa do pro-
cesso para outra Vara.
E provAvel que o representante do MP
vi ter que esperar ainda
muito tempo por uma
decisao. Ele pr6-
prio ressaltou, na
den6ncia, ter
aguardado mais de
urn ano para receber a
documentacio de fraude,
que estava em poder da fiscalizagio da
Secretaria da Fazenda, "mesmo com a re-
messa de vArios oficios requisitando os
documentss.
Na 6poca, Medrado suspeitava que os
donos da Visao estivessem "influindo
para a obstaculizaqo da atuacao do Mi-
nistdrio Piblico e a ocultagio das pro-
vas, mesmo que, o simples fato dresses
denunciados terem sido flagrados na pri-
tica da ago delituosa de tal porte, ja de-
terminava as suas pris6es em flagrante,
o que, inexplicavelmente, nao ocorreu".
Na promotoria circula a hist6ria de que
para a mudanqa de posiqAo dajuiza, que
voltou atras na decisao initial, arquivan-
do o process ao inves de instrui-lo,
como seria 16gico e legal, teria contribu-
ido a enfhtica participacio de um desem-
bargador. A versAo se tornou tio forte
que o pr6prio advogado dos denuncia-
dos procurou o promoter para near que
tivesse havido interferencia ilicita. Te-
ria havido apenas "troca de opiniAo". O


Experiencia fatal

Scrise do Econdmico pode ter sido
rovidencial para o Banco da Ama-
z6nia. Francisco Salles Barbosa, coloca-
do na diretoria financeira do Basa pelo
Banco Central, do qual 6 funcionArio
aposentado, tem uma especialidade: li-
quidar bancos. Agiu com competencia
nos casos do Auxiliar e do Comind o
curto, grosso e rApido.
Mal se acomodava nas novas funcoes
no Basa quando foi chamado para o in-
cendio do Banco Econ6mico, onde gri-
tou corn voz grossa contra o acerto inici-
al entire FHC e ACM, ajudando a rever-
ter a ignominia, ou a adid-la. O


Talento finito?

No inicio do mis passado o Banco do Brasil ajuizou, na Vara Civel Distrital
de Icoaraci, uma execugio contra a Ebal (Estaleiros da Bacia Amaz6nica),
no valor de 3,2 milhOes de reais. Os avalistas s~o Paulo larico e Andre Moraes
Gueiros, filhos do prefeito Hdlio Gueiros.
Quando Andr6, engenheiro naval rec6m-formado, ingressou na Ebal, em 1987,
o pai rec6m-eleito govemador, a empresa passou a receber rios de dinheiro dos
incentives fiscals, liberados pelo entAo superintendent da Sudam, Henry Kayath.
Oficialmente, porem, Andre era apenas director t6cnico da Ebal. Seu irmAo, o ad-
vogado Paulo trico, entrou na empresa bem depois, como fez em virios outros
neg6cios, usando como catapulta o poder do pai.
Subiram tanto os dois que agora responded pelos 3,2 miilh6es de reais empres-
tados, ndo pagos e cobrados pelo Banco do Brasil. Sera que os generosos contra-
tos obtidos pelos talents dos filhos do ex-govemador, s6 revelados quando a
familiar chegou ao poder, nio garantem a saide financeira do proficuo estaleiro?






O Ministdrio Publico nAo
precise ser provocado
para agir (ao contrrio do judici-
ario, ao qual esti acoplado), nAo
depend de ningudm, foi o mais favorecido
pela Constituicgo de 1988 e, no Para, fica
cor 3,5% da receita de impostos do Esta-
do, dinheiro que Ihe permit manter uma
apreciivel estrutura de pessoal e ampliar sua
base fisica. Esse 6 o pano de fundo que aju-
da a entender a acirrada dispute pela chefia
do MP, que culminou em cenas que ficari-
am melhor nas gerais de campo de futebol.
A violent campanha eleitoral serviu, ao
menos, para mostrar A opiniao piblica que
o Ministerio Piblico 6 a quarta maior fonte
de poder, talvez at6 mais densa porque sem
control institutional e favorecida pela de-
satengio da sociedade. O resultado da elei-
cgo pode ter significado tamb6m, no caso
paraense, o fim de uma long era de domi-
nio da procuradora Edith Marilia Maia Cres-
po.
Seus adversirios, antes ocultos, mas que
se revelaram na campanha eleitoral do mrs
passado, lembram sempre que ela caiu de
pkra-quedas no MP, favorecida por um de-
creto casuistico do primeiro governor de Ala-
cid Nunes, que a fez pular de um cargo ad-
ministrativo para a carreira de procurado-
ra, sem prestar concurso. Na secretaria,


Marilia foi acumulando poderes at6 conquis-
tar a Procuradoria Geral, exercida com mlo
pesada e voz autoritAria.
Marcou sua passage pelo cargo corn
grandes obras, transferindo o MP de um
conjunto de salas no altimo andar do prd-
dio do f6rum de Belem para uma sede pr6-
pria, cujo luxo e funcionalidade surpreen-
dem e is vezes chocam os visitantes.
Quase estabeleceu um padrio-Marilia de
promoter pdblico: gente bem vestida e cum-
pridora de ordens, dadas em profuslo pela
chefa, que comandava a instituig9o como
'se fosse uma extenslo de sua casa. Um MP
formalmente exemplar, embora encastelado,
A distincia dos enormes poderes que a Cons-
tituigio Ihe conferiu, de pouco conteddo.
Marilia Crespo deu uma ligio de apego
ao poder quando, impedida de reeleger-se
depois de cumprir o primeiro mandate como
procuradora-gera.l, indicou para suced-la
um procurador is v6speras de completar 70
anos de idade e, pelo crit6rio da expuls6ria,
ser aposentado. Cumprido o interesticio de
alguns meses, lA estava ela de volta ao que-
rido cargo, que mioldou a pr6pria imagem e
semelhanga.


S Talvez a toda poderosa procu-
radora tenha cometido o erro de
superestimar-se e de subestimar
suas criaturas. Acabou sendo fla-
gorosamente derrotada na eleiglo do dia 1,
colocando apenas um procurador do seu
grupo na list triplice e como o menos vo-
tado dentre eles. Quando as urnas fizeram
de Manoel Santino o cabeca da lista, cor
130 votes, ja se sabia quem o governador
Almir Gabriel escolheria. Aos mais pr6xi-
mos, o governador nAo escondia seu desejo
de deslocar o poder no Minist6rio P~blico
das proximidades de Marilia Crespo.
A derrota tera colocado fim a uma era no
MP? Certamente o antagonismo entire os
dois grupos, acirrado na dispute, 6 um com-
ponente forte, ainda que um dos trunfos da
ala derrotada tenha sido o de publicar uma
elogiosa manifestagio feita em passado re-
cente pelo novo procurador-geral A sua en-
tao chefa. Santino, logo depois de referen-
dado, fez questio de promover mudanga de
estilo e de conte6do no MP, anunciando um
alentado program de trabalho. Mas como
a campanha transcorreu no melhor estilo das
eleig6es municipals, cor ameaVa de sopa-
pos e baixo nivel verbal, a promessa ter
que ser recebida nessa moldura, corn o to-
que rococ6 dado ao MP por sua mais carac-
teristica chefia. O


Muy amigo

Nointimo, o governador Almir
Gabriel deve andar se perguntan-
do se o president Fernando
Henrique Cardoso estA mesmo
Ihe dando o tratamento de cor-
religionArio. Enquanto o gover-
nador paraense fecha acordo
corn o PMDB do senador Jader
Barbalho, o president da Rep6-
blica recebe no PalAcio do Pla-
nalto, para converse de quase
uma hora de duragio, o ex-se-
nador Jarbas Passarinho, o poli-
tico que Almir derrotou na elei-
91o do ano passado. FHC dei-
xou no ar a perspective de vir a
utilizar Passarinho na circunstAn-
cia de um rearranjo ministerial
em perspective, o que valeria por
uma autentica ressuscitagio do
politico paraense, que muita gen-
te pensou haver liquidado.
O president tambem deu tra-
tamento diferenciado a Jader
Barbalho na questao da privati-
za~go da Companhia Vale do Rio
Doce. Nio emitiu nenhum indi-
cador de sensibilizagco As segui-
das manifestages do governa-
dor do Pari contra a transferen-
cia do control da CVRD A ini-
ciativa privada. Mas bastou o li-
der do PMDB no Senado man-
dar-lhe uma carta para encami-
nhi-ta ao Minist6rio da Fazenda
-para exame, sugerindo que po-
deria suspender o process de
6


privatizario da Vale (o que, cem
seguida, tratou de mandar des-
mentir pelo porta-voz).
Estas situaces parecem dar
razao aos que diziam que Almir,
sendo do grupo de Mrio Covas,
nao e propriamente entrosado
cor FHC. O

A informaaio

sumiu

Osecretirio de Planejamento
do Estado, Simlo Jatene, fez
uma grave denincia durante sua
exposigio no seminario sobre a
redivisbo do Para, realizado no
mes passado no plenario da As-
sembl6ia Legislativa presentss
pouquissimos deputados, como
sempre).
Jatene, que ocupou o lugar no
primeiro governor de Jader Bar-
balho, disse ter se espantado ao
retornar A Seplan e encontrar
destruido o sistema de informa-
69es doEstado. Admitiu que ain-
da esti trabalhando sem uma
base de informa96es minimas e
que os poucos dados sistemiti-
cos disponiveis slo inconfiAveis.
Os parlamentares presents
ouviram essa declaraqao sem
demonstrar o espanto que ela
deveria provocar em pessoas res-
ponsaveis pela conduqio do Es-
tado. Uma investigacgo deveria
ter sido imediatamente requeri-


da para verificar se realmente
havia informa96es antes, quem 6
responsavel por elas terem desa-
parecido e quais as conseqiin-
cias concretas da ausencia dessa
base, sem a qual nenhum gover-
no no mundo modern pode tra-
balhar.
Ber que valeria uma CPI so-
bre o sistema de planejamento,
quando nada para comemorar os
20 anos de sua existAncia em
bases modernas. Esse sistema foi
criado na administra9go Aloysio
Chaves pelo (ento) jovem secre-
tario de Planejamento, o hoje se-
nador Fernando Coutinho Jorge.
Que, a bem da verdade estava
melhor na Seplan do que no Se-
nado. O









S6 toma la

As cartelas do Telefestival do
Cirio trazem agora impresso o
logotipo da TV Liberal, acresci-
do da observaqgo "filiada Glo-
bo". Trata-se de inovagao em
relagAo As cartelas anteriores. A
TV Liberal, agora como antes,
transmite os sorteios nos inter-
valos do "Fantistico". Mas a in-


dicaglo express de sua condi-
9lo de integrante da Rede Glo-
bo, antes omitida, siginificaria o
endosso official da direglo supe-
rior da corpora1go do sr. Rober-
to Marinho?
A questro tern sua relevincia.
Ngo muito tempo atras Dea Mai-
orana, cap (cap woman, seria
possivel dizer?) do sistema de
comunicaiAo que leva o nome de
seu marido, o falecido empresa-
rio Romulo Maiorana, reuniu os
filhos para fazer um protest.
Nio aceitava mais que alguns
deles faturassem em suas promo-
goes particulares, sobretudo es-
peticulos noturnos, atraves de
veiculac5es gratuitas no jomal,
na televisAo e nas radios do gru-
po. Publicidade maciga das pro-
moroes dava a esses irmaos 30%
do faturamento da bilheteria, mas
nada ia bater nos cofres da em-
presa da familiar.
A gratuidade nio afeta ape-
nas o SRM. A Globo ter direito
a metade do faturamento de suas
afiliadas. Sendo as veiculag9es
gratuitas, evidentemente, o dou-
tor Marinho tamb6m fica no pre-
juizo e perder dinheiro nio 6
propriamente o seu hobby.
Depois da bronca de D6a
Maiorana, a enxurrada de pro-
paganda nio paga dos filhos di-
mihuiu, mas nos l6timos tempos
voltou a crescer. No caso do Te-
lefestival Cirio de Nazare, po-
r6m, ao menos no impresso, pa-
rece certinha. [









a lara continuara o mesmo ate o fi-
nal deste s6culo. Seu atual tamanho
persistira por muitos anos ainda se os de-
fensores do desmembramento territorial
nao conseguirem convencer os habitantes
do Estado original de que nao serAo preju-
dicados pelas duas emancipag6es propos-
tas, a dos Estados de Carajas e Tapaj6s.
Esta e uma das poucas convicqes soli-
das que se pode ter do movimento separa-
tista ap6s um fluxo de vitalidade registra-
do nos ultimos dois meses. Nio hi, no
moment, clima para o surgimento de uma
ou mais novas unidades federativas no Bra-
sil. Particularmente no caso do Para, os
defensores da integridade do Estado rejei-
tam seu fracionamento, convencidos de que
sofrergo prejuizo irreparivel.
Ha um ambiente national desfavorivel,
a comecar pelas disposiq6es da Constitui-
9co de 1988. Um novo Estado s6 pode sur-
gir atraves de lei complementary, que exige
maioria absolute (metade mais um dos par-
lamentares) nas votag6es na C&mara Fede-
ral e no Senado. A representalo paulista,
que ocupa um quarto da representacgo da
CAmara dos Deputados, nao permitiri a
criagio de um novo Estado enquanto nio
for revisto o crit6rio de representacao poli-
tica, que permit ao voto de um acreano
valer pelo voto de mais de 30 paulistas.
Alem desse argument, hi ainda questaes
locais, como a reagio dos mineiros i for-


magao do Estado do Triangulo.
As dificuldades sao tantas que por duas
vezes o deputado federal Giovanni Quei-
roz, um dos principals emancipacionistas,
retirou da pauta de votagao do plenario o
projeto de convocaqAo de plebiscite sobre
o Estado de Carajis, que se arrasta hi tr&s
anos pela Camara. O deputado do PDT sa-
bia que, na votaqao, iria perder. E, assim,
nem mesmo a consult i populaglo direta-
mente interessada foi autorizada, embora
seja um direito liquid e certo dos que que-
rem a autonomia.
Mas ainda que eles conseguissem a au-
torizagio, o que continue long de ser uma
possibilidade real, e o plebiscite mesmo
que fosse favorivel, o pass seguinte no
process de emancipagio 6 a votac~o no
plenario da Assembl6ia Legislativa, onde
apenas 12 dos 41 deputados aceitam a re-
divislo do Estado. Mesmo que eles venham
a ser convencidos do contririo (certamen-
te nao na atual legislature), o caminho de
CarajAs e Tapaj6s ainda vai percorrer nova
etapa na Cimara e no Senado antes da lei
de criaglo.
Antes que esse roteiro por enquanto
uma autentica "via crucis" se complete,
hi a perspective de uma mudanqa, que pode
ocorrer nos pr6ximos meses, para desesti-
mular redivis6es territoriais oportunistas:
o governor federal quer fazer uma alteragao
legal para que as cotas de participaclo nos


A remota redivisao


omulo Maiorana Junior
avia andado na semana
anterior em Brasilia atras do
ministry das Comunica9ces,
Sergio Mota, para tratar de in-
teresses de seu grupo. Voltou
a Bel6m sem ter conseguido a
audincia. Mas se acompa-
nhasse as atividades de sua
empresa mais de perto, nem
precisaria gastar seu tempo na
capital federal.
Na semana seguinte o famo-
so "Serjao" veio a Belem e foi
a TV Liberal dar entrevista no
program Bom Dia, Para. Co-
merou a ficar furioso porque
nao havia ninguem da direaio
da empresa esperando-o. Mais
irritado ficou ainda ao ser dei-
xado esperando numa sala sem
qualquer relaiao cor a digni-
dade do seu cargo. Seu estado
de espirito piorou com a de-


mora em ir ao ar, enquanto as-
sistia entrevistado de menos
envergadura (em todos os sen-
tidos) abocanhar minutes que
Ihe caberiam, quando nada
porque 6 o reizinho da area.
O ministry bronqueou e foi
abreviada sua aparigao no vi-
deo. Mas as complicacoes ain-
da nAo estavam superadas de
todo. Uma cadeira nio resis-
tiu ao peso ministerial e outra
malmente acomodou a pessoa
do amigo do president, que
falou contrariado aos telespec-


tadores da Liberal.
Vencida essa etapa, o minis-
tro decidiu ir ao banheiro. LA
nao havia papel. Nem sabone-
te. Muito menos Agua. Sem
essa infra-estrutura minima,
mesmo assim o ministry nio
p6de segurar suas necessida-
des. Ao sair do dantesco ba-
nheiro, deixou la as cuecas, li-
teralmente, e foi para o hotel
com as fugas em brasas. Feliz-
mente nessa etapa ja nenhum
dirigente do grupo apareceu
na sua furibunda diregao.


Como conseqiiun-
cia dessa sucessio de
desastres, os dirigentes
de jomalismo da tele-
visao foram punidos.
Nio puderam, por isso,
S nem comemorar a
atengo que vinham
cobrando desde muitas
semanas antes e, final-
mente, tiveram mas
desta forma, nio dese-
jada, evidentemente.
Muitos memorandos e
comunicag5es alerta-
vam para o precirio
funcionamento da li-
der de audi6ncia da televisao
paraense, em condigces criti-
cas que vio dos equipamentos
sucateados a banheiros sem
condic6es de uso.
Cabecas foram cortadas
quando, na verdade, a falta de
cabega 6 a responsivel pela
patetica experi6ncia vivida
pelo ministry S6rgio Mota. Ele
tern todos os motives para dar
uma definirao a sua passage
pelo reino da TV Liberal: es-
catol6gica. O


funds tributArios permanegam as mesmas,
cabendo a municipios ou Estados dividir a
mesma fatia. No moment, o desmembra-
mento acarreta um novo cAlculo da parce-
la de imposto, aumentando a cota do Esta-
do ou do municipio redivididos.
Este simples enunciado de problems,
sem esgotar a pauta das dificuldades, de-
monstra que aos emancipacionistas, en-
quanto esse quadro nao se alterar profun-
damente, nao rest outra alternative se-
nio a da redivisao consensual. Precisa-
rio convencer os habitantes do territbrio
remanescente de que a divislo seri boa
para todos ou nio serA ruim para os que
irlo perder parte de seus Estados origi-
nais. A opgao pelo confront pode pare-
cer gloriosa e sustentar liderangas, mas
nao levara a resultados concretos satis-
fatorios.
Ao inv6s de tal constataclo levar os
defensores da integridade territorial do
Para a voltar a ignorar o tema, como tem
feito, deveria servir-lhes de alerta. Todos
os cidadlos conscientes e de boa vonta-
de, que aplicam suas vontades em bene-
ficio do Para e da Amaz6nia, estao obri-
gados a refletir e aprofundar os estudos
sobre a question territorial amaz6nica. Ela
ter sido aprisionada por desenhos e per-
fis irracionais, o que significa que proje-
tos de soluclo tanto no sentido da mu-
danga como no de manuten~lo do status
quo podem padecer do mesmo mal: o
irracionalismo. Uma marca, aliAs, impos-
ta A Amaz6nia dos nossos dias. O









Duas ou tres vezes por dia o motorist
Joao Carlos Cunha Braga saia do pi-
tio de carregamento da Cerpasa, na rodo-
via Arthur Bernardes, corn 500 grades de
cerveja. O destiny da carga, conforme a
nota fiscal que a acompanhava, era Porto
Velho, capital de Rond6nia. Mas, ao inves
de percorrer mais de tres mil quil6metros
de estrada, Joao Carlos parava poucos qui-
16metros adiante. As cervejas ficavam mes-
mo 6 no deposito da Distribuidora Brasi-
leira de Bebidas, em Castanhal.
Na fabrica ningu6m parecia estranhar
que um mesmo caminhao fizesse duas ou
tres viagens diarias para Porto Velho, tare-
fa quase impossivel mesmo se o meio de
transport fosse um aviio a jato. As notas
fiscais, evidentemente incorretas, jamais
foram questionadas pela fiscalizacio tribu-
thria, ate que a policia, o Ministerio Pibli-
co e a pr6pria Sefa desencadearam, no ini-
cio do ano, uma operaglo que flagrou a
atuaqo de uma autentica quadrilha da cer-
veja.
O produto mandado para outros Estados
recolhe 12% de ICMS. O produto comer-
cializado internamente no Pari paga 25%
de imposto. Pelo menos tres distribuidores
exclusivos da cerveja Cerpa vinham prati-
cando esse golpe contra os cofres piblicos,
declarando a remessa para outros Estados
de cerveja que vendiam aqui mesmo.
Cada um dos tres distribuidores tinha
sua pr6pria area de atuag~o, sugerindo a


existEncia de um esquema geral por tras
deles: a Distribuidora de Bebidas Natari-
bu, com sede em Ananindeua, "mandava"
cerveja para Tocantin6polis, no Tocantins;
o mercado da Distribuidora Brasileira de
Bebidas, estabelecida em Castanhal, era
Porto Velho; ja a Distribuidora Lima, de
Santa Izabel, dizia
operar em Agai-
landia, no Mara-
nhao.
As tres distri-
buidoras movi-
rnentavam diaria-
mente 4.500 gra-
des de cerveja entire os tres municipios, um
volume muito acima do que parece sugerir
a capacidade economico-financeira de seus
supostos donos. Mas se a hist6ria do neg6-
cio 6 nebulosa, o registry das fraudes foi
muito bem documentado no inquerito con-
duzido na Divisio de Investiga6bes e Ope-
rag6es Especiais da Secretaria de Seguran-
ca Publica pelo delegado Clovis Martins.
Atrav6s das manobras, os distribuidores
de cerveja cometeram os crimes de simu-
lag o de operaq6es interestaduais com fir-
mas inexistentes de outros Estados, ji pa-
ralisadas ou fantasmas. O motorist Jo o
Carlos Braga disse que todos os fiscais da
Secretaria da Fazenda de plantio no post
de Marituba cobravam 50 reais de cada
caminhao que deixavam passar irregular-
mente. Para evitar o "pedAgio", os moto-


A quadrilha da cerveja


Retrato em 3 x 4

Barcarena, 230 municipio
paraense em populagio,
tern a quarta maior arrecada-
gdo tributaria do Estado, gra-
gas a existencia, em seu terri-
tbrio, da fabrica de aluminio
da Aibras, a maior do conti-
nente, responsavel pelo mais
expressive faturamento indi-
vidual entire as empresas do
Para. t possivel que ate o fi-
nal da d6cada Barcarena pule
para a terceira posiao, ou ate
a segunda, com o funciona-
mento da fabrica de aluminio
da Alunorte e das duas fabri-
cas de caulim em implanta-
gdo. Sera, nesse caso, o mu-
nicipio mais marcadamente
industrial do Estado.
Em tal context, a mudan-
ga da sede municipal, decidi-
da no mes passado, e mais do


que um assunto paroquial.
Numa manobra political para
manter a unidade do munici-
pio, a Prefeitura e a Cmnara
de Vereadores transferiram a
sede de Barcarena para a Vila
dos Cabanos, o nfcleo urba-
no da fabrica de aluminio. Foi
a segunda iniciativa nesse
sentido tomada desde a im-
plantag6o da Albris, sempre
pelo mesmo motive: anular o
surto separatist do "outro
lado" do rio ]arcarena.
A aspiraglo 6 forte. Mais
de 90% da receita municipal
(calculada oficialmente em 1
milhbo de reais por mrs, mas
que pode alcangar o dobro)
vem do distrito de Murucupi,
que ter apenas um quarto da
populagqo. Mas o retalhamen-
to de Barcarena seria fatal
para o municipio remanescen-
te, praticamente inviabilizan-
do-o. Essa situagao poderia


ser usada por seus habitantes
para arguir a inconstituciona-
lidade da nova unidade muni-
cipal, que nao pode se cons-
tituir a custa da insolvencia
daquela da qual surgird. Mas
esse argument, estranha-
mente, tem sido esquecido.
Os dirigentes publicos pre-
ferem a solugAo mais c6mo-
da: transferir, de direito (mas
nem sempre de fato, como ja
ocorreu), a sede municipal.
Julgam poder calar a queixa
dos moradores de Vila dos
Cabanos contra o abandon a
que sAo relegados pela admi-
nistragLo central. Mas se os
moradores que gravitam em
torno da Albras tem fundadas
razoes para critical essa ges-
tao a distincia, os habitantes
da antiga sede nao tem o que
comemorar da vizinhanga
com a Prefeitura e a Camara.
Proporcionalmente, o ren-


dimento tributario "per capi-
ta" em Barcarena 6 superior
ao de Belem, mas os dirigen-
tes municipals desperdicam -
quando nao dilapidam essa
arrecadagao. Acham que as-
faltar ruas, fazer pragas e
construir escolas 6 o que lhes
cabe. Os servings urbanos em
Barcarena, de fato, sao com-
parativamente razoaveis,
mas o municipio nio conse-
guiu (e, na verdade, nem ten-
tou) criar uma alternative
econ6mica ao polo de alumi-
na/aluminio, nem criar fontes
produtivas de absorg~o e ma-
nutengao da populagao rural.
A renda dos impostos ja tern
expressao, mas a mentalida-
de dos que os aplicam perma-
neceu numa era atrasada, de-
sencontro que explica o per-
fil acanhado do quarto muni-
cipio mais arrecadador do
Para. O


ristas resolveram trafegar por dentro de Ma-
rituba, contornando o post da Sefa, mas
os fiscais descobriram e comeqaram a ir ao
escrit6rio da firma de Jose Expedito de C 5-
valho em Castanhal, a Distribuidora Brasi-
leira de Bebidas, cobrar sua "parte".
Contou Jolo Carlos que, em outubro do
ano passado, dirigia pela rodovia Augusto
Montenegro quando foi abordado por trs
fiscais da Sefa, que estavam num carro ofi-
cial. Ao percebe-
rem que se tratava
do "esquema da
cerveja de Casta-
nhal", levaram o
caminhao para a
delegacia fazen-
daria da Tavares
Bastos. Por telefone, exigiram de Jos6 Ex-
pedito o pagamento de mil reais para libe-
rar o caminhio. Nesses terms, nao houve
acordo. Decidiram aceitar esse valor na
forma de 57 grades de cerveja. Nova nega-
tiva do dono. Afinal, o acordo foi estabele-
cido em 15 grades de cerveja.
Apesar de todas as provas existentes nos
autos, a juiza Maria Tereza Sereni Murrie-
ta concede habeas corpus aos denuncia-
dos e mandou trancar os inqueritos polici-
ais na DIOE. Sua ordem s6 nao foi cum-
prida porque os inqueritos ja haviam sido
remetidos para Ananindeua, Santa Izabel
e Castanhal, comarcas que estio fora da sua
jurisdiCqo. Mesmo assim, o promoter Nel-
son Medrado contestou a media para que
prossigam as investigag6es sobre essa au-
tentica quadrilha da cerveja. O


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