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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00085

Full Text








ornmal Pess o4
E DITOR RESPONSE VEL LOCIO F LA V 1 0 PI NTO

Ano VII n 118 1 quinze de fevereiro de 1994


Hist6ria de uma perseguigao

A diretora do grupo Liberal usa poder de pressao

para consumer caprichos por motivo fuitil,

punindo quem contrariou sua vontade.


No dia 7 de janeiro a jufza da
16a Vara Criminal do forum
de Beldm, Ruth do Couto
Gurjio, mandou sua filha entre-
gar ao cartdrio um document fa-
dado a se tornar pega rara na
histdria penal paraense. Eram 54
folhas de papel almago, escritas A
mao, nas quais a jufza sentenciou
sobre uma queixa-crime protoco-
lada em outubro de 1992 pela di-
retora administrative do grupo
Liberal, Rosfngela Maiorana
Kzan.
Rosangela pedia minha con-
denarAo por crimes de caldnia,
injdria e difamacAo, cor base na
lei de imprensa, imposta pelos
militares em de 1967 para res-
tringir a liberdade de informaAgo.
Alegava que eu a ofendera ao
relatar conflitos existentes entire
ela e o irmAo, Romulo Maiorana
Jdnior, principal executive da
empresa, na condug~o dos neg6-
cios deixados pelo pai, Romulo
Maiorana.
A sentenca da jufza Ruth
Gurjao podia ser considerada inu-
sitada a partir do tamanho, inco-
mum tanto na prAtica forense pe-
nal (na qual petic6es e sentengas
costumam ser curtas), como na
prdpria histdria da magistrada,
que nao pode reivindicar direito
de perman6ncia nos anais por seu
texto.
Varias mios Mas tamb6m
causava estranheza a apresenta-
qgo da sentenga. Ao inv6s de
mandd-la datilografar por sua as-
sessora, que 6 tamb6m sua filha,
a juiza decidiu manuscrever a
longa pega. JA seria uma decision
questionavel, quando nada porque
dificultaria a leitura do docu-
mento e sua pronta inteligibilida-
de, ainda mais porque todos os
indfcios mostravam que houvera


um borrAo sobre o qual o texto
definitive se moldou (por que,
entao, nAo datilografA-lo?)
O pior, pordm, 6 que na sim-
ples visualizagAo da sentenga o
leitor facilmente constataria que
nela havia mais de uma grafia
- talvez tres ou atd quatro. A le-
gislagio brasileira, com doutrina
e jurisprud6ncia uniforms a esse
respeito, 6 clara: uma sentenga
manuscrita s6 pode ter a grafia de
seu autor, o juiz. Se nao pode ou
nAo quer escrevd-la A mAo, como
jA deveria ser a regra nestes tem-
pos de computador e processador
de texto, entAo ele tem que rubri-
car e assinar as paginas datilogra-
fadas por terceiro. NAo hA exce-
gco admissfvel, seja pelo Cddigo
de Process Penal ou pelo Cddigo
de Process Civil.
No entanto, outras mAos co-
locaram suas letras na sentenga
assinada pela jufza evidente-
mente que cor a aprovagio dela.
Ao agir assim a ela induziu ao er-
ro e cometeu uma transgressio
legal, suscitada na apelagio apre-
sentada por meu advogado, Car-
los Alberto Lamario Correa,
contra a sentenga, pedindo sua
anulagco.
Havendo essa intromissio
inddbita, como poderia a jufza
garantir sua propriedade intelec-
tual sobre a pega, respondendo
integralmente por ela? No mfnimo
houve relaxamento da parte da
juiza, que permitiu o langamento
de todos os tipos de dividas so-
bre sua sentenga. As primeiras
sio sobre a origem do document.
Ele cont6m erros ortogrdficos
graves, como extenlio (ao inv6s
de extensio), falgamente (e nio
falsamente). espediente (quando o
correto seria expediente), indpsia
(in6pcia). a (quando a frase exi-


gia o verbo haver), al6m de in-
contaiveis erros de acentuagio e
pontuagfo, frases sem sentido 16-
gico, orag6es desconexas e mui-
tas barbaridades de linguagem
que violentam as exigencias de
clareza e corregio requeridas de
uma sentenga.
Data falsa Esse jA seria um
motivo bastante para a anulario
da sentenga. Mas ainda hA muitos
outros. A question da data, por
exemplo. A pega foi datada pela
jufza Ruth do Couto Gurjao de 30
de dezembro. Certamente nAo foi
exatamente nesse dia que ela
concluiu seu trabalho. Fosse as-
sim, o que a impediria de entre-
ga-lo imediatamente? Pelo contri-
rio, agindo dessa maneira estaria
cumprindo rigorosamente a lei.
E que a partir do dia 31 de
janeiro, decretado ponto faculta-
tivo forense, ela ficou impedida
de exercer a tutela jurisdicional
(como se diz no jargio) sobre a
162 Vara Criminal. Comegava
entao o perfodo de fdrias coleti-
vas dos jufzes de direito da co-
marca da capital, que atingia
Ruth Gurjio. Sua substitute para
o mes de janeiro, indicada pelo
Tribunal de Justiga, jA era a juiza
Helena Percila de Azevedo Dor-
nelles.
No entanto, apesar da clara
disposidio legal, a jufza Gurjio
mandou a filha levar sua senten-
ga, retroativamente datada, pe-
dindo para a cartoraria da 162
Vara registra-la cor data do dia
30 de dezembro, o que, para res-
guardo da seriedade dos proces-
sos judiciais. nio foi feito. Para
todos os efeitos da lei, a sentenga
sd comegou a existir oficialmente
no final da manhi de 7 de janei-
ro, uma providencial sexta-feira,
embora nessa data faltasse juris-






2 Jornal Pessoal


di~go ou competencia para a dra.
Ruth do Couto Gurjao responder
pela Vara.
Criou-se um evidence cons-
trangimento. A sentence existia,
embora nao pudesse ter nascido
naquele perfodo. N&o tendo en-
tregue sua decisao ao cartdrio ate
o dia 30 de dezembro, a jufza de-
veria ter devolvido os autos, que
Ihe estavam conclusos (conforme
outro jargAo), e pedir que Ihe
fossem retornados no dia 12 de
fevereiro, quando seria suspense
o recesso e ela retomaria a titula-
riedade da Vara, para entio sen-
tenciar de acordo com os requi-
sites legais.
A situacgo era tao nftida que
a jufza substitute, ao receber o
termo de apelagio apresentado
por meu advogado, simplesmente
mandou junta-lo aos autos, sem
proferir qualquer decision. "A-
guarde-se o retorno da titular",
escreveu. Ou seja, a sentenga es-
tava ilegalmente no cartdrio, mas
todos teriam que esperar para que
a autora do cometimento, retor-
nando, pudesse restabelecer o
fluxo do process (uma situagio
bizarre que exemplifica a neces-
sidade de um control externo do
JudiciArio, qualquer que seja a
sua natureza, diante desse buraco
negro no aparato existente).
O alcance Dizem os advo-
gados militants que sentengas ou
despachos retroativamente data-
dos nAo constituem novidade no
cotidiano do f6rum. Ainda que
contumazes, entretanto, nem por
isso deixam de ser uma afronta a
lei. A jufza Ruth do Couto Gur-
jio nAo precisaria expor-se tanto.
Ela s6 recebera os autos da
queixa-crime da diretora do grupo
Liberal em outubro de 1993, um
ano ap6s a propositura da agao.
Outros processes ja Ihe haviam
sido repassados quando assumiu a
16S Vara, recem-instalada para
cuidar privativamente dos crimes
contra a imprensa e a economic
popular. A jufza, que atuava em
Icoaraci, pediu para ficar cor es-
sa nova Vara. usando como ar-
gumento seu tempo de servigo.
Foi a dnica a requerer uma Vara
considerada espinhosa por outros
jufzes.
Mas a entrega da sentenga
no perfodo de ferias acabou tendo
um resultado pratico. 0 advogado
de RosAngela, Calilo Kzan Neto,
que 6 tambdm seu marido, tirou
uma cdpia da pega e mandou pu-
blicA-la, com chamada de pagina


inteira em contracapa da segAo de
polfcia, em "O Liberal" de 16 de
janeiro.
O journal, que ate entao igno-
rara a questAo (para nAo dar-lhe
destaque, conform a esquizofre-
nica orientagio editorial de um
vefculo de comunicagio que julga
interditar a exist8ncia dos fatos
quando nAo os noticia), rompeU o
boicote na edicgo dominical, que
circuJa com o dobro de exempla-
res da m6dia da tiragem nos dias
de semana. O prop6sito era o do
estardalhaco, coerente cor a
manchete ("Dono de journal con-
denado por difamalio").
Mas nem assim o journal con-
seguiu ser serio. A matdria diz
aos leitores que a sentenga estava
sendo transcrita "na Integra".
NAo era verdade: apenas as 12
paginas finals, contend a parte
de merito, foram publicadas. As
42 paginas manuscritas do relat6-
rio da jufza foram conveniente-
mente suprimidas e nio por
acaso: 6 que, cor todas as suas
falhas, essa parte da sentence re-
feria-se A minha defesa e aos
meus atos ao long do process.
Sequer nesse moment os donos
de "O Liberal" queriam reconhe-
cer meu elementary direito: o de
defesa.
Mas a sentenga tambem nio
apareceu em sua integridade nas
pdginas do journal porque foi de-
vidamente retocada. Pelo menos
os aberrantes erros ortograficos
foram eliminados para nio deixar
mal a auto-declarada autora da-
quela pega, uma maquilagem que
caracterizava outra invasio no
texto original. Tamb6m os leito-
res do maior journal do norte do
pafs foram impedidos de saber
que tres dias antes meu advogado
jd havia registrado no cartdrio da
16- Vara o termo de apelagco,
atraves do qual protestava contra
a decision da jufza e pedia a sus-
pensAo da sentenga, direito asse-
gurado em lei. Mas esses slo
"detalhes" que os feitores da
opiniAo pdblica paraense conside-
ram irrelaventes, como irrele-
vante, para eles, 6 reconhecer o
direito de resposta dos outros,
publicando a carta que Ihes man-
dei.
O alcance da sentenga dada
em perfodo de fdrias era esse:
permitir ao journal apresentar-me a
seus leitores como condenado por
crime de difamagio, como se a
sentenga tivesse transitado em
julgado (ja sem recurso, portanto)


e eu estivesse caminhando para a
cadeia por ofender a honra da to-
do-poderosa diretora do imp6rio
de comunicagAo. Muitos amigos e
leitores tiraram essas conclus6es
da leitura da notfcia, que intran-
quilizou minha familia.
Escrevo agora este encarte
para report a verdade dos fatos.
NAo vou transcrever aqui os ter-
mos da apelagAo que interpus pa-
ra as cAmaras criminals reunidas
do Tribunal de Justiga, onde meu
recurso contra a sentence da jufza
sera apreciado, nem o conteddo
do habeas corpus que tambdm re-
queri as mesmas cAmaras para
obter uma anulagio mais rapida
da esdrdxula decision. Ela contem
muitos fatores de nulidade, que
se estendem da sentenga em si ao
process como um todo.
Estou convencido de que um
exame tdcnico das mais de 400
paginas dos autos mostrara que
eles nao estavam maduros para
julgamento. 0 juiz que antecedeu
a titular da 16- Vara, Otavio
Marcelino Maciel, encerrou arti-
ficial e abruptamente a instrugao
processual, cerceando meu direito
de defesa e a prdpria produCAo de
provas.
Eu apresentei uma dnica
testemunha, quando poderia indi-
car seis se quisesse protelar a
instrugAo (se o process ultrapas-
sar dois anos sem decisao final, o
direito de acAo prescreve nos
crimes de imprensa). Era o ex-ge-
rente de circulagao do journal "O
Liberal", Ariovaldo Antunes,
com quem tive apenas encontros
ocasionais enquanto trabalhei na
empresa (ao long de 14 anos),
mas que ha muito tempo nAo via.
Estranhara muito, ao ler a
petiago inicial de Rosangela
Maiorana, nAo ter ela pedido o
testemunho de Ariovaldo, seu su-
bordinado na empresa. Afinal, o
centro da notfcia que eu publicara
na edigao 98 do Jornal Pessoal,
da primeira quinzena de setembro
de 1992, se baseava numa acalo-
rada discussao entire Ariovaldo e
Romulo Maiorana Jdnior.
O trecho da materia que
provocou a ira punitive da direto-
ra do imperio de comunicacao se
referia a fuga de Belem de seu
irmao, que decidira viajar "por
um motive explosive: Rominho
havia travado a mais violent de
todas as discusses ate entao
mantidas cor a irma, RosAngela
Maiorana Kzan, diretora admi-
nistrativa do grupo. Depois de







Journal Pessoal 3


apurar a existencia de um rombo
na empresa, na qual era apontado
como envolvido o gerente de cir-
culacao do journal, Romulo Jr.
descobrira que a irmA e Ariovaldo
Santos haviam formado uma em-
presa em Macapd, justamente no
moment em que O Liberal esta
instalando ali uma sucursal, pass
inicial para rodar um journal ama-
paense. A empresa de Rosangela
e Ariovaldo iria pleitear colabo-
racao financeira da Sudam e in-
centives da Zona Franca de Ma-
capa para uma grafica cor ponto
alto na impressao de formulArios
continues. O grupo Liberal ficava
de fora desse empreendimento".
O restante da matdria tratava
dos neg6cios paralelos que os ir-
maos criaram aproveitando-se da
empresa-mie, uma pratica que
Ihes ten dado lucro individual,
mas vem abalando a rentabilidade
do grupo Liberal e sujeitando-o
ainda mais as injung6es econ6mi-
cas e polfticas. RosAngela, en-
tretanto, nio se manifestou sobre
esses pontos. Atrav6s do marido,
a quem procurei no escritdrio
dele para ouvir as reclamag6es,
contestou ser sdcia de Ariovaldo
ou estar fazendo concorrencia
desleal A sua empresa.
Absorvidas as explicag6es,
dadas informalmente e porque as
procurei (Rosangela nunca tentou
exercer o direito de resposta),
voltei ao assunto na edicao se-
guinte do Jornal Pessoal e, entire
outras coisas, publiquei:
"A colisao mais s6ria entire
os dois principals executives do
grupo Liberal (Rosangela e Ro-
mulo Jr.), porem, ocorreria no
Amapi. Rosangela, associada a
Angela Maiorana Martins, que
atua na televisao, decidiram or-
ganizar duas empresas para atua-
rem no novo Estado na importa-
gao e exportagao e no setor grdfi-
co. Sem saber das iniciativas das
irmis, e tamb6m sem avisd-las de
sua pr6pria agao, Rominho mon-
tou empresas nesses stores e
uma terceira para produzir plisti-
cos. Em todas elas participa, corn
percentage simb6lica, o director
industrial do journal, Pojucam de
Moraes.
O responsivel pela organi-
zagio das cinco empresas era
Ariovaldo Santos, gerente de cir-
culagao de O Liberal. Ele mante-
ve segredo sobre sua dupla e pa-
ralela fungio ate Rominho desco-
brir que Ariovaldo esta-va servin-
do tanto a ele como As irmas. Sd


entao teria decidido investor con-
tra o assessor, usando-o por ta-
bela para atingir RosAngela e An-
gela, competidoras num setor no
qual o journal tambdm iria entrar.
As duas negam que o motive
da explosAo do irmao tenha sido
um rombo ocorrido na empresa,
no qual Rominho diz que Ario-
valdo estaria envolvido, acusagAo
que nao aceitam, que Rominho
nio teria comprovado e da qual
sd ficaram sabendo quando suas
empresas ja estavam montadas.
Depois do bate-boca pdblico com
Rominho, Ariovaldo entrou de fe-
rias".
O texto deixava definitiva-
mente claro que:
1 Rosangela nao 6 s6cia de
Ariovaldo.
2 Ariovaldo foi acusado
por Romulo Jr. de envolvimento
num rombo que, segundo Romi-
nho, teria ocorrido na empresa. O
pr6prio Rominho, entretanto, rtio
havia comprovado a existencia
desse rombo.
3 Tanto Rominho quanto
RosAngela se anteciparam a uma
eventual e future participagio do
grupo Liberal em Macapi organi-
zando suas prdprias empresas na-
quela praga.
4 Ariovaldo perdeu a con-
fianga dos dois irmAos por ter
cumprido ordens conflitantes de
ambos, que iriam disputar areas
de neg6cios similares, sem alerta-
los. Por isso teve que sair da em-
presa.
Sujeito ocolto Uma pessoa
de boa fe teria aceito os esclare-
cimentos e encerrado a question.
Rosangela, por6m, decidiu levar-
me A justiga. Indicou como teste-
munhas dois diretores de seu jor-
nal, Pojucam de Moraes e Edson
Salame (este, nio referido na
mat6ria), que ocupam cargos de
confianga, e o irmao. Mas deixou
de fora um dos dois personagens
indispensaveis.
Por isso apontei Ariovaldo -
e apenas ele. Mas Ariovaldo ja
tinha sido demitido e mudou-se
de Belem para Botucatu, em Sao
Paulo, tornando diffcil interro-
gA-lo. Enquanto se tentava ou-
vi-lo. Rosangela, surpreendente-
mente, dispensou o testemunho
do irmao. Como esclarecer os
fatos sem que eles depusessem?
Ariovaldo foi, finalmente.
encontrado, mas negou-se a de-
por, alegando que ajuizara uma
reclamagAo trabalhista contra
seus ex-patr6es e que tambdm se


sentia atingido por minha matd-
ria. Ele compareceu perante o
juiz Joao Francisco Gabriel para
pedir "exclmsa para nAo prestar
seu depoimento, alegando que se
v8 impedido de depor por exclusa
de consciencia".
Na assentada que preparou
para devolver a carta precatdria
enviada de Belem para Botucatu,
o juiz paulista informou ao juiz
paraense "que deixava de colher
o depoimento da testemunha
Ariovaldo Antunes em face das
alegag6es por ele declaradas em
seu depoimento". Caberia, tal-
vez, ao juiz paraense insistir para
seu colega de Botucatu forgar a
oitiva, como manda a lei, mas,
surpreendentemente, preferiu
considerar "cumprida a precatd-
ria".
Assim, por esses caminhos
tortuosos, Rominho e Ariovaldo
deixaram de depor, sendo eles os
dnidos que poderiam apresentar
prova testemunhal sobre os fatos
que os envolviam. Interesse da
autora da queixa de esclarecer a
verdade? Certamente nio. Inte-
resse em usar o poder de influen-
cia que seu grupo de comunica-
gio Ihe permit para transformer
a justiga num instrument de pu-
nig~o contra um jornalista serio.
Em nenhum moment invadi
a privacidade de Rosingela Maio-
rana, nem tentei atingir sua honra
pessoal, o que deixei mais do que
satisfatoriamente claro no n2 99
do Journal Pessoal. Sd nio a satis-
fiz porque ela, imaginando estar
o irmao por trAs da reportagem do
n 98 (no que, mais uma vez, er-
rou), queria devolver a agressao,
usando-me contra o irmao e, ob-
tendo uma matdria dirigida em
meu journal. mostra-la A mae, D6a
Maiorana, detentora do control
acionfrio da empresa e do poder
arbitral na dispute entire os filhos,
que nao consegue ser acomodada
nos limits de uma empresa fami-
liar refratiria a profissionaliza-
qao.
Por isso seu marido pediu
para ler o texto que eu iria escre-
ver antes que ele fosse publicado.
Evidentemente, recusei. Rosan-
gela e seu patrono estao tentando
fazer-me pagar caro por isso,
tentando abalar minha imagem,
fechar meu journal e colocar-me na
cadeia.
Tudo o que escrevi sobre o
grupo Liberal 6 verdadeiro Se
houvesse o nobre sentido do
acerto na empresa, Dda Maiorana







Jornal Pessoal


poderia ter aproveitado minhas
informas6es e interpretag6es para
corrigir os rumos de sua poderosa
corporaqio, evitando que ela se
reduza a um balcao de negdcios e
os filhos se retaliem, senao ago-
ra, certamente no future prdximo.
A empresa nAo pode conti-
nuar cedendo propaganda gratuita
para as empresas individuals dos
herdeiros, que levam o lucro e
nada deixam no grupo Liberal em
contrapartida aos servings que
dele utilizam. Tamb6m seus in-
vestimentos nao podem se tornar
gravosos por falta de conheci-
mento do neg6cio jornalfstico,
que 6 especffico e especial (e so-
bre o qual os irmAos t6m, quando
muito, apenas intuiago). E preci-
so que "O Liberal", dono de um
poder de influ6ncia sem paralelo
sobre a opiniao pdblica, nao seja
apenas um balcao de negdcios e
um instrumentto de oportunida-
des.

Raiz dos fatos Os desa-
certos entire os irmtos ter sido a
causa das infletidas editorials da
empresa. Na campanha eleitoral
de 1990 Jader Barbalho era o
sfmbolo do enriquecimento ilfcito
gragas A dilapidacao do patrim6-
nio pdblico. Agora 6 o gover-
nante irrepreensfvel, que conse-
guiu atestado de bons anteceden-
tes pagando (e pagando carfssi-
mo, por uma tabela mais gravosa
do que a dos jornais do sul) todas
as mat6rias de divulgaaio de seus
atos, inclusive as que slo de le-
gftimo interesse pdblico, o que
tanto lesiona o contribuinte (que
acaba pagando a fatura) quanto o
leitor (privado da avaliagio im-
parcial dos fatos).
JA Hdlio Gueiros, que foi o
exemplo de alvura administrative
na campanha de 90, desapareceu
do noticiario da empresa atd vol-
tar a incluir o grupo Liberal na
mfdia da prefeitura de Belem,
interrompendo uma dieta de verba
publicitaria que tivera apenas in-
teresse polftico.
Se "O Liberal" control,
como diz controlar, 98% do mer-
cado de jornais, o que sonega
deixa de compor o patrim6nio
pdblico de informag6es e passar a
ser arma de manipulagio por
parte daqueles que tem condig6es
de informar-se diretamente. As
crises internal fizeram crescer
desmesuradamente a list dos as-
suntos sobre os quais o journal


deixou de dar tratamento jorna-
lfstico.
Saber as raz6es desses vol-
teios de opiniao de um journal lido
por at6 500 mil leitores no Estado
ou de uma emissora de televisao
(que 6 concessao pdblica) abso-
lutamente monopolista no setor 6
direito inquestionavel do pdblico.
No Journal Pessoal tratei apenas
dos negdcios dos irmios, que in-
terferem sobre a capacidade de
informer de seus vefculos de co-
municagio. Nao abordei quest6es
privadas de nenhum deles, cujas
biografias sd me interessam na-
queles pontos que o acaso histd-
rico as fez tocar nos assuntos da
coletividade. A Rosfngela mAe,
professional, guia de famflia,
mulher e todas as demais dimen-
s6es de sua personalidade jamais
foi tratada no JP.
Futilidade provinciana -
Imagine-se a fdtil e caprichosa
queixa de Rosingela apresentada
em Sio Paulo, Rio de Janeiro ou
Brasflia, onde a imprensa acom-
panha cor atengio e bastante
voracidade, da qual o Jornal Pes-
soal nio participa, como qualquer
um podera verificar consultando
sua coleaio litfgios familiares
como os dos Diniz (do Pio de
Agucar), Matarazzo, Amador
Aguiar (Bradesco), Collor de
Mello, Bulh6es e muitos outros.
Nio se ter o registry de ne-
nhuma agio semelhante dos per-
sonagens contra os 6rgios da im-
prensa que relataram os bastido-
res de suas desavengas. Parte-se
do pressuposto de que esse d o
6nus a pagar pela dor e a delfcia
de serem pessoas pdblicas, o que,
evidentemente, nao exime a im-
prensa de responder por seus ex-
cessos (como o que o cantor Ro-
berto Carlos suscitou contra o
"Notfcias Populares" em fungdo
de seu defeito ffsico).
Nenliuma nobreza, pordm, ha
na raivosa investida da diretora
do grupo Liberal contra iim. Nao
tendo me prestado para seus pro-
p6sitos de atingir o irmao na dis-
puta internal pelo control do im-
pdrio deixado pelo pai, por en-
quanto controlada pela mae, estou
sendo punido com o torment de
cinco processes (quatro crimi-
nais, todos na Vara da dra. Ruth.
e um civel) ajuizados em menos
de um ano e meio, sem outro pro-
p6sito que nEo o de atormentar
minha vida, afastar-me do jorna-
lismo crftico e independent que


sempre exerci e procurar subme-
ter-me a constrangimentos, como
condenagio e ameaqa de prisio.
Defendo-me nfo s6 para pre-
servar meu direito pessoal, mas
por uma questao de princlpio.
Meu jornalismo professional tem
28 anos de existencia, resistindo
a muitos desafios e a circunstAn-
cias desfavoriveis. Nunca agi de
maneira a poder ser acusado de
difamador, injuriador e calunia-
dor porque sempre respeitei a
privacidade e os valores subjeti-
vos do ser human. Tive em maos
informag6es ou provas que arrui-
nariam determinadas personalida-
des pdblicas se eu enveredasse
por suas vidas privadas.
Desafio qualquer um a en-
contrar um sd artigo meu que
possa ser classificado de mexeri-
co, fofoca ou revele o intent de
destruir pessoas por tragos subje-
tivos de suas vidas. As biografias
aparecem no meu jornalismo co-
mo element esclarecedor de
hist6rias pdblicas, daquilo que
envolve a sociedade, como esbu-
Iho do patrimio pdblico, enrique-
cimento ilfcito, narcotrafico, ma-
nipulaAo da opiniao pdblica, etc.
No auge de polemicas muito
mais duras do que essa em que
Ros&ngela Maiorana me envolveu
(porque tinham conteddo), ne-
nhum de meus adversarios duvi-
dou da minha seriedade e dos
meus propdsitos. Quaisquer que
fossem as iddias em jogo, elas 6
que discutfamos.
Foi isso o que me permitiu
sobreviver a esses moments tao
tensos e tamb6m o que manteve
um jornalismo comprometido uni-
camente com a verdade dos fatos.
O affaire Rosangela 6 aconteci-
mento dnico e isolado ate agora.
Espero que ao elimind-lo de meu
currfculo, limpando-me dele como
uma pessoa fntegra se livra de
lama que Ihe jogam, mas que nio
cola porque nio encontra a ade-
r&ncia necessaria (nao 6 meu es-
tado natural estar na lama), possa
restabelecer o padrAo de respeito
sem o qual profissionais como eu
terio seus dias contados e, acre-
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