|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Journal Pessoal E EDITOR RESPONSAVEL: LOCIO FLAVIO PINTO Ano VI NO 103 1a Quinzena de Dezembro de 1992 * Cr$ 5.000,00 RECEITA Entre o gato e o rato O governor diz que ha falhas mas nao um "rombo" no tesouro do Estado. A oposihAo quer checar a afirmativa. Por tras, quest6es complexes que talvez nao sejam respondidas. T ndos os meses o Estado do ParA s6 recolhe metade do que poderia arrecadar se nio houvesse fraude e sonegadio fiscal. Os tdcnicos.da area fazen- daria sabem disso, mas dizem que se trata de um fen6meno nacio- nal, cada vez mais acentuado com o agravamento da crise econ6mi- ca. "Ate mesmo os impostos fe- derais nao estAo mais sendo pa- gos. E os estaduais impressionam menos", ressalva um desses tdc- nicos. Bilh6es de cruzeiros s8o des- viados dos cofres pdblicos todos os meses. Uma parte permanece em poder dos contribuintes omis- sos. Outra parcel 6 apropriada pelos que facilitam ou possibili- tam essa irregularidade. Correm de boca em boca hist6rias legen- darias sobre fiscais de tributes que vivem como marajas, apesar de prosaicos salaries que rece- bem. Tambdm nao sao menos nu- merosos os rumors sobre desvio de dinheiro que deveria ir para o governor e acabaria em contas ca- mufladas de autoridades. Industriais e comerciantes, sob garantia de sigilo, admitem o pagamento de propinas e a pratica da sonegagAo, mas foi precise explodir escAndalo Collor/PC Fa- rias para alguns dos mais famosos se disporem a admitir de pdblico a promfscua relacio que mantem com escal6es graduados do poder. Essa onda de compulsdria since- ridade, lamentavelmente, ainda nio quebrou no litoral do Para. 2 Jornal Pessoal Desde setembro vinha se for- mando em alguns horizontes pri- vativos um panorama de tempes- tade. Primeiro foram murmdrios. Depois conversas abertas. Final- mente, c6pias de documents ofi- ciais circularam tAo intensamente que a associacao e o sindicato dos servidores do fisco acabaram levando a questao, na forma de dendncia, ao governador Jader Barbalho. Outra vertente desem- bocou na Assembldia Legislativa e municiou o lfder do PT, depu- tado Josd Carlos Lima, que con- seguiu aprovar uma CPI para apu- rar a existencia de irregularidades na area da Fazenda estadual. O governador afastou dos I seus cargos toda a cdpula fazen- daria, poupando apenas o prdprio secretirio, Roberto Ferreira, en- quanto ativava a comissao de au- ditagem do Estado e um grupo de servidores para realizar um in- qudrito na Sefa. A Comissio Parlamentar de Inqudrito da As- sembl6ia Legislativa ouviu os primeiros depoimentos e teve que aplacar, ao menos por enquanto, a expectativa de flagrar, desde logo, um monumental escandalo na administragao estadual. Os primeiros depoimentos foram tao categdricos quanto a manifesta- cgo do governador. Antes de terem sido concluf- das as apurag6es das duas comis- s6es, Jader Barbalho divulgou nota official e complementou-a cor declarag6es pdblicas de que nao houve "rombo" nos cofres pdblicos. Reconheceu apenas fa- lhas no sistema de computagao dos dados da arrecadagao esta- dual, moroso ou ineficiente em alguns casos. Mas assegurou que todo o dinheiro recolhido pelos contribuintes foi escrupulosa- mente depositado na conta dnica que o Estado mant6m no Banpard. De 14, nenhum centavo saiu inde- vidamente como para aplicacao financeira paralela, tendo seus rendimentos apartados para uma conta particular, por exemplo, ou dormir em um caixa dois monu- mental, como se especulou. Boa novidade? Desde novembro do ano pas- sado um novo sistema implantado por uma equipe chefiada pelo di- retor geral de administration tri- butAria, o polemico economist Armando Nod Moura (originArio da Secretaria de Planejamento), privou a Secretaria da Fazenda de tocar no dinheiro dos tributes. Ele 4 recolhido diretamente em ag8ncias credenciadas, que o re- passam semanalmente ao Banco do Estado do Para, onde trabalha uma equipe da Sefa nas totaliza- g6es e balancetes. O dinheiro dos contribuintes fica indisponfvel a partir do moment em que o caixa do banco recedor registra o re- colhimento. A partir daf, s6 ha movimentagio pela autoridade responsavel, que segue a bfblia orgamentiria. Fraudes podem ocorrer, mas antes do recolhi- mento (no caso, sonegagao) ou depois que a Sefa transfer as verbas para o agent aplicador (af seria o "rombo"). A desconfianga sobre o des- vio comerou a se solidificar quando apareceram discrepancias entire o control dos delegados (e fiscais) e os mapas produzidos atravds de computador. Um caso escandaloso parecia se desenhar firmemente quando se verificou que durante muito tempo 4,2 bi- lh6es de cruzeiros recolhidos a 8 de maio pela AlbrAs, a maior contribuinte individual do Esta- do, nao apareciam nos registros do computador. Se verdadeiro, seria um golpe muito grosseiro porque a Albras, como os 150 maiores contribuin- tes estaduais, foi autorizada por portaria do secretario Roberto Ferreira a pagar seu imposto di- retamente na agencia especializa- da do Banpard, na avenida Sena- dor Lemos. O dinheiro realmente foi depositado, engordando a conta dnica, um avango na gestio dos recursos pdblicos introduzido pelo governor do Parand e copiado no Para (sem a incorporagao, en- tretanto, da outra face da media, o cheque-saldrio). Mas o program preparado pelo Prodepa, por media de se- guranga, rejeitou a inclusao da guia de recoihimento da AlbrAs porque antes havia chegado, corn a mesma numeraago, o pagamento de contribuintes nao especiais de Barcarena. Por que o document demorou tanto tempo para voltar ao sistema, ja saneado, 6 a ddvida ainda nao esclarecida. Provavelmente muitas ficarao irrespondidas. Ao depor na CPI, o consultor-geral do Estado, Ro berto Cavalleiro de Macedo, se recusou a responder a algumas perguntas do deputado Jose Car- los porque elas fugiam ao tema da comissao. O consultor estava formalmente certo: a CPI foi con- vocada apenas para investigar tres situag6es, a do recolhimento da Albras, a incoincidencia de recursos da 2V Regiao Fiscal e o recolhimento de IPVA da 16- Re- giao Fiscal. O consultor e o di- retor afastado da administragao fazenddria da Sefa explicaram convincentemente os tries casos, cujas incongruencias devem-se a caracterfsticas do sistema de in- formatica e nao a desvio de re- cursos. Mas essas falhas revelam que o mais important investimento do atual governor no setor tributa- rio nao esta proporcionando os resultados que dele poderiam re- sultar. A informatica nio esta fornecendo ainda a administragao estadual as armas de que ela po- deria dispor para combater a eva- sao e a sonegaafo e assim aca- bar corn as lendas sobre o fatura- mento paralelo de fiscais e auto- ridades, tao persistentes que essa 6 uma das profiss6es mais dispu- tadas (nio s6 no Estado, mas em todo o pa(s). Resposta lenta Essa pequena capacidade de antecipagao deixou o governor surpreso e indefeso diante de um fato concrete: a arrecadagao esta- dual caiu tanto, em termos reais, que o governador precisou lancar mao de uma drastica media de emergencia, o corte, em 60%, nas despesas de custeio do final do exercfcio. Segundo alguns tdcni- cos, a queda se explica tanto pela recessao econ6mica do pafs quanto pela maturacao do efeito multiplicador do ICMS. A admi- nistracao anterior foi melhor fa- vorecida pelo fato de que a im- plantag~o do sistema tributbrio criado pela Constituigio de 1988 provocou um salto na receita dos Estados, antes maltratados na distribuigao dos impostos que a Uniao concentrava. Mas outros t6cnicos acham que ao menos em parte esse de- crescimo se explica pela desaten- gao e ineficacia no acompanha- mento do desempenho da mdquina pdblica, a comegar pelo pr6prio governador. Por estilo pessoal, calcado na improvisaago e n gestao do caos, e pelo surgimento de problems pessoais, o gover- nador 6 considerado um tanto alheado de stores estrategicos da ) lornal Pessoal 3 administragao estadual. Segundo uma fonte credenciada, os primei-; ros sinats de alerta foram emiti- dos em maio, mas apenas em se- tembro o governador parece ter finalmente se convencido do que estava demonstrado: a receita es- tava crescendo que nem rabo de cavalo; para baixo. Na esteira de uma acirrada dispute internal pelo poder, que coloca de um lado fiscais e dele- gados e, de outro, t6cnicos de outras areas que ocuparam fun- g6es vitais na Sefa, e tamb6m dos problems de entendimento e ab- sorgdo do novo sistema de reco- lhimento e control de tributes, alguns polfticos se convenceram de ter encontrado o calcanhar de aquiles do atual governor. Mas ou nao conseguiram ver o alvo certo ou atiraram sem boa pontaria. Depois de acuado, o governor re- tomou a dianteira. Mas ningudm ainda venceu, nem a verdade foi claramente colocada diante do pdblico. As perguntas certas ape- nas comegaram a ser ensaiadas e responde-las sera daqueles bem vindos atos que fazem o bem de todos e a felicidade geral da na- qao. IMPRENSA Impertinencia autoritaria R osAngela Maiorana Kzan 6 jornalista, formada pelo curso de Comunicaqao So- cial da Universidade Federal do Para. Tentou exercer a profissao, mas nio deve ter-se dado bem. Acabou ocupando a diretoria ad- ministrativa do Sistema Romulo Maiorana de Comunicago. Nio se conhece um texto dela publi- cado no pr6prio journal da famflia, O Liberal. Nem quando morreu o pai, Romulo Maiorana, Ros&ngela tentou registrar seus sentiments, mesmo que fosse em um artigo simples. O principal. publicado no jor- nal no dia do enterro de Romulo, fui eu que escievi. Ocupou a 6l- tima pagina, nao assinado. O que assinei saiu ao lado do Rep6rter 70, na pagina nobre. E nio era um panegfrico: ao contrario, assi- nalava divergencias cor o dono da empresa, louvando-lhe, no entanto, a sensibilidade para a pratica, mesmo quando bissexta, do bom jornalismo. Dois dos sete filhos de Ro- mulo obtiveram diplomas de jor- nalistas. Quando muito, esses di- plomas sio peas decorativas. Na pratica, a redacgo constitui um terreno interdito a segunda gera- gAo Maiorana. Talvez por isso, Rosfngela Maiorana Kzan nio sentiu qualquer constrangimento em recorrer duas vezes a Lei de Imprensa para tentar atingir um confrade, a forma de tratamento que usavam os jornalistas mais antigos quando se referiam a co- legas (e alguns ainda usam). Seu irmlo, Romulo Maiorana Jr., fez o terceiro uso da Lei 5.250, de uma forma in6dita, mas ao menos ele nem tftulo de jornalista pos- sui. Com essas tres investidas os ,Maiorana queriam: 1 Obrigar-me a revelar a grAfica que imprimia este Jornal Pessoal. 2 Condenar-me a prisAo e multa pecuniaria por ter calu- niado, injuriado e difamado Ro- sangela. 3 Proibir-me de voltar a ci- tar o nome dela ou tratar de as- suntos que lhe dizem respeito neste journal, ameagando ainda cobrar-me indenizaqgo por perdas e danos supostamente sofridos. Sem bom senso Na malfadada Lei de Impren- sa, forjada pelos militares em 1967 para destruir a melhor im- prensa sugida no Brasil a partir da democratic Constituigao de 1946, hA dispositivos capazes de sustentar ag6es como as intenta- das por Rosangela Maiorana Kzan. Sua condigao de jornalista, pordm, deveria constrang8-la um pouco de recorrer a uma lei de tao ma origem e conteddo, que o Congress, ja cor atraso, cuida de p6r abaixo. Uma lei que jor- nais e jornalistas repudiam. Mas se faltasse tal pudor a Ros&ngela, deveria haver nela um pouco mais de bom senso antes de tomar uma iniciativa que, pretextando uma questao domrs- tica, acaba representando o mais grave atentado praticado nos dl- timos anos no Para a liberdade de imprensa por cruel ironia, pro- movido por uma das dirigentes do maior grupo de comunica&go de massa do Estado. Se Sflvio Santos imitasse Loloca, O Liberal perderia um assunto que noticiou cor chama- da de primeira pagina exatamente no moment em que sua diretora tentava, pela Justiga, proibir-me de falar nela. O conflito conjugal do empresario e apresentador de televisao tambem 6 questao fnti- ma, mas nem ele e nem a impren- sa suscitaram uma proibiSao ao noticiario. O ex-governador de Sao Paulo, Orestes Quercia, reagiu a uma mat6ria de capa da revista Veja, acusando-o de enriqueci- mento ilfcito, cor uma nota paga na qual exp6s sua defesa. Sequer passou pela cabega do president afastado Fernando Collor de Mello recorrer a Justiga para proibir a imprensa de relatar seus desacertos cor a primeira dama (tambem afastada) Rosane. Eventualmente a liberdade - constitucionalmente assegurada - que ter a imprensa de tudo tratar as vezes leva a abuses, mas eles podem e devem ser cobrados quando se materializarem, nao por interditos previamente asse- gurados. Alem de censurar, tal media significaria intimidar e constranger a imprensa. Rarfssi- mos personagens neste pafs estao dispostos a faze-lo involuir a uma tal situagao como a que levou ao surgimento da Lei de Imprensa, em 1967, uma preparaqAo juridi- camente depravada do que viria em dezembro de 1968, cor o AI- 5, o canto de cisne da liberdade de pensamento e de expressAo desde o renascimento da demo- cracia, em 1946. Em Belem acantona-se um desses persona- gens obscurantistas: 6 exatamente Rosangela Maiorana Kzan. Lin.iagem autoritria Ela, embora dirigente de uma empresa jornalfstica, acha que reivindicar a liberdade de im- prensa pela qual vem lutando os jornalistas "para expressao de qualquer iddia seria estimular as > -- 4 Jornal Pessoal narrag6es escandalosas para satis- fagio de uma curiosidade malsa". Numa postura tutelar tfpica do Grande Irmao orwelliano (ou do Grande Inquisidor dostoiewskia- no), Loloca sentencia, atrav6s de seus advogados na agao cautelar: "as informag6es que se destinam, exclusivamente, & satisfag&o de uma curiosidade qualquer, estario exclufdas da liberdade que se confere a imprensa para manifes- taaio de id6ias". Lembrando que a Constituicao confere direitos, mas ressalva abusos, Rosangela dix: "A divul- gag o de notfcias desprovidas de relevancia social, portanto, cons- titui um abuso da liberdade de manifestagco do pensamento e, como tal, vetada pelo direito". E complement logo, irritada: "Nio se venha alegar que, cor isto, as pilastras da democracia estarao ameagadas. Constitui lugar co- mum a enunciario de que uma coletividade estd ameagada quan- do se viola a liberdade de im- prensa. Mas o exercfcio abusive desta liberdade produz conse- quencias nio menos chocantes que aquela violagio". Sem citar a origem da citagio, Rosangela arremata corn esta pre- ciosidade do pensamento autorita- rio: "A liberdade de informer nao vem assegurada para que cada um saiba tudo dos demais, mas para que cada um saiba dos demais o necessario que o possibility opi- nar acerca de assuntos que o afetem como cidadao, como mem- bro de uma coletividade". Para tentar pintar cor um verniz de dignidade sua encardida petigio, RosAngela recorre a pactos, tratados e conveng6es, ar- rolados insensatamente. Seu do- micflio nunca foi invadido, sua correspondencia nio foi violada, ningu6m de sua famflia foi im- portunado, nao houve escuta clandestine de suas conversas e nenhum detalhe de sua vida pri- vada foi tocado na reportagem que pretextou seu recurso a justi- ga. Este reporter apenas coletou informag6es sobre uma ameaca de implosio do Grupo Liberal, que 6 um dos eixos de poder no Para - e por isso interessa a opiniao pd- blica. Ponto nevrhlgico Quando, logo ap6s circular o n 98 do Jornal Pessoal, na 2L quinzena de setembro, o marido de RosAngela, o advogado Calilo Kzan, telefonou para protester contra parte do que fora noticia- do, espontaneamente fui ao es- crit6rio dele e conversamos a respeito. Esta simples iniciativa jA seria suficiente para demons- trar a inexistencia do Animo de injuriar, difamar ou caluniar. Na converse, Calilo admitiu que eu havia tocado no problema mais grave enfrentado pelo Grupo Liberal: a dissengao entire os ir- maos. Concordou que a falta de profissionalizaqAo poderia agra- var as dificuldades da empresa, ressentida da pratica dos Maiora- na de criar empresas-filhotes da principal e usa-las para fatura- mentos paralelos, onerando o jor- nal, a televisfo e a radio cor pu- blicidade gratuita de permuta. Calilo sustentou que eu fora injusto cor Loloca e "fizera o jogo" de Rominho. Loloca acha- va que meu texto havia insinuado que ela poderia ter participado do suposto "rombo" na empresa e de fazer concorrencia desleal ao SRM. A tentative de ligar a re- portagem a Rominho, como se ela o favorecesse, revelava a profun- didade da dissenglo entire os ir- mios, que nio parou de se apro- fundar, a ponto de at6 impedir- lhes o prosaico dialogo. O principal da reportagem foi confirmado pela conversa com Calilo. O que faltava era enfati- zar que Rosangela nio era s6cia de Ariovaldo Antunes, desconhe- cia a existencia de qualquer "rombo" em sua empresa e muito menos supunha o envolvimento de Ariovaldo em qualquer irre- gularidade, o que fiz no n 99 do journal. Quanto a Loloca e o irmao estarem organizando empresas particulares em Macapa, que atuariam em areas nas quais o Sistema Romulo Maiorana pode- na concorrer, nao era uma acusa- gAo, mas a deduqio l6gica e natu- ral dos fatos, havendo ou nao in- tengio dolosa nas ages. O que foi escrito no n2 99 era suficiente para incorporar as re- clamag6es de Rosangela, mas ela ainda poderia escrever uma carta de esclarecimento ao Jornal Pes- soal ou retifica-lo pelas paginas de O Liberal (se nio se permitis- se o mau habito de censurar no- mes inconvenientes ou indeseja- veis, dando-lhes morte em vida). Ao inv6s disso, apresentou a queixa-crime e ajuizou a acio cautelar para proibir-me de in- cluf-la como tema deste journal. Na contestaqio dessa caute- lar, argument que a idoneidade ou nAo da notfcia por mim divul- gada "6 mat6ria cuja averiguagio necessariamente envereda pelo chamado contraditdrio proces- sual, onde as provas 6 que dirio se houve ou nio abuso no exercf- cio dessa liberdade constitucio- nalmente assegurada. Se se trata de mat6ria, como demonstrado, dirimfvel apenas em vias ordina- rias, impertinente 6 cogitar de prote~io de natureza acautelat6- ria porque nao se acautela o que ainda nfo se ter por largamento demonstrado e provado". As ag6es cautelares, como o mandado de seguranga, "se desti- nam a prover garantia do direito insuscetfvel de qualquer contro- vdrsia, isto 6, o direito lfquido e certo", o que significa dizer que "s6 5 legftima a pretensfo de es- cudar-se em acfo cautelar para protegio inicial e imediata do di- reito que se encontra na iminen- cia de ser violado, se esse mesmo direito, de forma transparent, A absolutamente incontestavel". No entanto, a legitimidade e juridicidade do interesse que RosAngela Maiorana Kzan quis acautelar ainda estio por serem demonstradas e provadas. Mas o que ainda piora sua situagio: a aglo principal que pretend ajui- zar s6 caberia, obrigando-me a nio fazer (isto 6, a nfo citar o nome dela e seus interesses), se decorresse de um contrato, ja que 6 uma agao fundada no princfpio da legalidade. Atentado A liberdade Na contestagio, argument que "como nem mesmo da lei se logra inferior obrigagio de nao publicar matdria ofensiva a al- guam, pois a liberdade de im- prensa 6 amplamente assegurada, de modo a s6 encontrar fronteiras no abuso, atd que se prove este, prevalece em sua plenitude aquele. Limitar ou restringir, ou mesmo condicionar, o exercfcio do direito de imprensa, 6 violar nfo apenas um direito individual, mas inalienavel direito da socie- dade de ser informada acerca do quanto vem ocorrendo em ambito social". O pedido de Rosingela, as- sim, teria que ser considerado "juridicamente impossfvel, ja ornal Pessoal que, em nenhuma hip6tese, se pode deixar de noticiar fato a respeito de algu6m, tendo isto como preceito, que 6 sempre ge- n6rico e definitive, quando aqui, ali ou acold esse algu6m pode dar ensejo, por aago ou omissao, ao surgimento de um fato social re- levante, suscetfvel de mobilizar o interesse social". Se aceita, a iniciativa de Ro- sangela Maiorana Kzan criaria um perigosfssimo precedent para a estabilidade democrAtica do pafs, lembro na minha contesta(ao: se outras pessoas igualmente pode- rosas, irresponsaveis e capricho- sas seguissem seu exemplo, a imprensa perderia boa parte das notfcias que diariamente veicula, inclusive os 6rg&os que perten- cem A famflia dela. Um cidadio que cometesse um crime nio po- ideria ter seu ato revelado, obten- do um absurdo "habeas corpus" contra tudo e todos, de vigencia perp6tua. A Justiga, querendo, podera fazer a diretora do Grupo Liberal perceber que a dpoca do obscu- rantismo e da intolerincia ja pas- sou ou, ao menos, nao esta em vigor nas regi6es melhor ilumina- das deste pafs. Por esta luz que tarda, na conivencia e omissao de todos, esperamos. A cronologia da guerra No lJia 8 de outubro Romulo Maiorana Jr., em nome da Delta Publicidade, oficiou a chefa do Ministdrio Pdblico, Marflia Crespo, atrav6s do advo- gado Jorge Borba. O objetivo de- clarado do requerimento: que eu fosse notificado a apresentar e fazer publicar onde estava sendo impresso meu Jornal Pessoal, "citando o nome da empresa e seu respective proprietArio". Segundo a desajeitada peti- qao, atravds do meu journal eu es- taria me portando "inadequada- mente", narrando "fatos inverf- dicos, ferindo a honra de tercei- ros sem quaisquer escrdpulo (erro de concordincia conform o ori- ginal), em total desrespeito a Lei (erro de acentuag~o no original) que estd subordinado (supressio da preposigio), cor isso, sujeita- se as penas que a mesma imp6e" (erros de pontuagio e acentuagio do autor). Acionado pelo promoter ClAudio Mello, para quem a questao foi transferida, publiquei o nome da editor no expediente do ndmero 102 do Jornal Pessoal e fiz o devido registro no cartdrio Valle Chermont, tornando-me um dos poucos jornais de Beldm in- teiramente legalizado. Mas jA ha- via perdido a grafica na qual o Journal Pessoal foi impresso du- rante quase cinco anos, cor pre- jufzos consideraveis para mim. Esse era o verdadeiro objetivo da interpelagao de Rominho ao Ministdrio Pdblico: dificultar, se- nao inviabilizar, a continuidade do journal que mais incomoda o Grupo Liberal. O resto era mero pretexto, inclusive a defesa da honra alheia, que os Maiorana jamais haviam demonstrado ser mat6ria de seu interesse. Embora Rominho tivesse assi- nado a petigao, dizendo que eu narro "fatos inverfdicos, ferindo a honra de terceiros sem quais- quer escrdpulo", atd os Maiorana irem A Justica eu continuava in- victo nesse tipo de situarao: em 27 anos de carreira professional de jornalista ningudm me inter- pelou a prop6sito da honra ferida ou alegando "fatos inverfdicos" (no tortuoso raciocfnio de Romi- nho e seu advogado, que acredi- tam haver fatos inverfdicos). Nesse perfodo, nao faltaram polemicas, assuntos explosives e dendncias graves no meu currf- culo. Faltava apenas personagens com a insensatez dos Maiorana. Agora minha biografia esti com- pleta, embora nela os Maiorana entrem sem permission e sem me- recimento. Queixa-crime Duas semanas depois do compa- recimento de Rominho Maiorana no Minist6rio Pdblico cor sua rocambolesca petifao, a primeira que uma empresa jornalfstica apresentou na hist6ria da impren- sa brasileira, litigando contra outra empresa jornalfstica corn base num dos mais odientos dis- positivos da ditatorial Lei de Im- prensa, imposta pelos militares em 1967, foi a vez de sua irma, Rosfngela Maiorana Kzan, dire- tora administrative do Sistema Romulo Maiorana de Comunica- qao, valer-se da mesma Lei de Imprensa. Atravds do marido, Calilo Kzan Neto, e do s6cio dele, Pojucan Tavares Jr., Rosingela ofereceu uma queixa-crime contra mim por causa da reportagem que escrevi no Journal Pessoal n 98, relatan- do as cis6es internal no Grupo Liberal. A queixa foi distribufda para a 142 Vara Criminal do F6- rum de Beldm, ocupada interina- mente pelo juiz Raimundo Holan- da Reis, que substitufa o titular, Otavio Marcelino Maciel. Ouvida pelo juiz, a representante do Mi- nisterio Pdblico nao aceitou o enquadramento em crime de cald- nia, mas opinou para que o pro- cesso fosse instrufdo como injdria e Jifamagao. Nao esperei ser citado pelo ofi- cial de justiga. Compareci ao cart6rio e assinei a intimaago. No prazo legal, atravds do advogado Carlos Alberto Lamarao Correa, apresentei minha defesa prdvia. O juiz nao aceitou as minhas ra- z6es, recebeu a queixa-crime e me enquadrou em caldnia, injdria e difamaqao, mas nio marcou a data de audi8ncia, como manda a Lei de Imprensa. Alegou falta de data na sua agenda. A tarefa fica- ria para o titular da Vara, quando ele voltasse do recesso, em feve- reiro de 1993. Imediatamente represented contra o despacho ao corregedor geral de Justiga, Wilson de Jesus Mar- ques da Silva, enquanto prepara- va o recurso em sentido estrito e um mandado de seguranga para dar efeito suspensivo a esse re- curso, a ser apreciado pelo Tri- bunal de Justiga. Acio cautelar No dia 12 de novembro Rosin- gela Maiorana Kzan voltou ao ataque. Os advogados que assina- ram sua medievalesca agio de perdas e danos cumulada com agio de obrigaoao de nao fazer, e preceito cominatdrio eram os Tesmos, o marido e o s6cio dele. Is era outra a mdquina na qual foi tilografada a petiaio, a es- t6tica do trabalho mudara e, so- bretudo, a inspiraqao do raciocf- nio e da argumentaqao pareciam de outra origem, talvez buscada 6 Jornal Pessoal em local distinto do escrit6rio de Kzan & Pojucan. Nessa nova investida, em plena dpoca de democratizagio e de fortalecimento da liberdade de in- formar, Loloca (como tambdm Rosangela 6 conhecida) queria simplesmente que a jufza da 8 Vara Cfvel, para a qual o proces- so foi distribufdo, me proibisse de "divulgar novas ou repetidas mat6rias" sobre os "bens e di- reitos" da diretora administrative do SRM. Nao satisfeita corn essa censura, pr6via e perp6tua, a respeito de seu nome e patrim6nio, algo ab- solutamente inddito na histdria judicial brasileira, Rosangela pe- diu que a jufza Marneide Merabet concedesse liminarmente a medi- da cautelar, "sem audiencia da parte contrAria" (ou seja, sem me ouvir). Se esse pedido fosse atendido e eu nao o cumprisse, estaria sujeito A apreensdo de meu journal e a uma multa de 500 salaries minimos (hoje, mais de 250 milh6es de cruzeiros). Liminar recusada A jufza substitute da 8V Vara foi A mesma Lei de Imprensa lembrai e grifar que "6 livre a manifesta- g[o do pensamento e a procura, o recebimento e a difusio de infor- maq6es ou iddias, por qualquer meio, e sem dependencia de cen- sura, respondendo cada um, nos terms da Lei, pelos abusos que cometer". Preliminarmente, a jufza disse nao entender "a exist6ncia dos requisitos bMsicos para a conces- sao 'initio litis' da media, pois nao se verifica de imediato, 'in casu', o fundado receio de ocor- rencia de lesdo grave e diffcil re- paragqo ao direito da requerente, bem como inexiste justificado re- ceio de ineficdcia do provimento final". Assim, rejeitou a liminar pedida e mandou o feito prosse- guir. Novamente sem esperar a citaqio regular pelo official de justiqa, apresentei minha contestag o. Na cautelar, os advogados de Ro- sangela jd anunciaram que a agio principal cobrard indenizacgo por perdas e danos de que se julga merecedora por ter sua honra pes- soal e sua privacidade alcangadas pela reportagem do n2 98 do Jor- nal Pessoal. A uma defesa pr6via de 14 pAgi- nas, impressa por computador, o juiz substitute da 140 Vara Criminal, Raimundo Holanda Reis, responded com um despa- cho de 14 linhas manuscritas, aceitando a queixa-crime de Ro- sangela Maiorana Kzan. A fntegra de seu despacho, dado no dia 3, conforme foi escrito: "As alegac6es deduzidas em de- fesa previa nao levam a nosso ver, A rejeigao da queixa-crime. Cor efeito, embora nao se possa aprofundar a andlise de todas as quest6es, a esta altura, assinale- se que, o querelado protestou pela comprovagao de todos os fatos constantes da reportagem em questoo. E necessario, portanto, o segui- mento do caso, at6 julgamento de todas as quest6es, a esta altura, incabfvel e somente sendo possf- vel, por setenga final. Recebo a queixa aditada pelo M. P. oferecida contra Lucio Flavio Pinto, dando-o como incurso nos arts. 20, 21 e 22 da Lei de Im- prensa. Aguarde-se o retorno do Juiz ti- tular p/ designer audi6ncia de instrugao e julgamento, jd que nao contamos cor vaga p/ este ano". No dia 9 protocolei na Correge- doria Geral de Justiga a seguinte representacio contra o juiz Rai- mundo Holanda Reis: "1. RosAngela Maiorana Kzan ofereceu queixa-crime contra o impetrante, alegando ter sido caluniada, ofendida e difamada por reportagem publicada na edi- gao n 98 do JORNAL PES- SOAL, de responsabilidade do requerente. O pedido foi distri- bufdo para a 14a Vara Criminal do Fdrum de Belm. O requerente apresentou-se voluntariamente em cart6rio para ser notificado e, dentro do prazo legal, ofereceu sua defesa pr6via, expondo pre- liminares pelo nio recebimento da aq~o e, no mdrito, pela impro- cedencia da media criminal in- tentada. Ouvido, o representante do Ministdrio Pdblico recusou o cometimento de crime de caldnia, opinando pelo prosseguimento do feito. 2. Apesar de todas as s6lidas raz6es apresentadas pelo reque- rente, o sr. Juiz em exercfcio da 140 Vara Criminal decidiu rece- ber a queixa-crime, fazendo-o, contudo, sem a designaqao, no pr6prio despacho, da data para audiencia de instruqao e julga- mento destinada A oitiva das tes- temunhas arroladas naquela quei- xa-crime, conforme preceito con- tido no art. 45 da Lei 5.250/67 (Lei de Imprensa). 3. Essa omissio do Sr. Juiz, sem ddvida, manifesta e injustifi- cada negative de vigencia ao alu- dido dispositivo de lei, senao ate, o que mais propriamente parece, grosseiro erro de offcio, por fazer prolongar, de maneira indevida, a oportunidade de o r6u, ora reque- rente, demonstrar, pelo contradi- t6rio, a improced&ncia da media intentada. Embora seja, em tese, recorrf- vel a decision, mediante a interpo- siqao de recurso em sentido es- trito, conforme norma consubs- tanciada no art. 581 do C6digo de Process Penal, combinado cor o art. 44, in fine, da Lei 5.250/67, isso, em hip6tese alguma, esvazia a fundamentacao legal da pre- sente media correctional, pois re- formAvel seria a decisao por via de recurso se ela estivesse for- malmente perfeita, mas substan- cialmente em desacordo cor as provas dos autos. Isso, todavia, nao aconteceu. Nem mesmo por via de recurso em sentido estrito seria de reparar o imperdodvel equfvoco cometido pelo eminente Magistrado, cujo ato se pretend ver corrigido. Afinal de contas, nao se proverd ou improverd re- curso para manter decisao imper- feita ou reformd-la por imperfei- gao de forma. 4. Deve, assim, ser julgada procedente a media correctional aqui pretendida". A Lei de Imprensa determine ao juiz que receber queixa-crime para, desde logo, marcar o dia e a hora da audi8ncia de instrucao e julgamento. 0 despacho do juiz Journal Pessoal 7 Carta do leitor No n9 101 do Jornal Pessoal escrevi um artigo para registrar a importfncia do resultado da eleicio em Maraba. Poderfa- mos star testemunhando o final da mais violent oligarquia existente no interior do Parr, a dos Mutran. Neste journal e em ou- tras publicag~es eu me empenhara em de- nunciar a aqgo nefasta dessa famflia sobre os destinos de um dos mais sofridos muni- cfpios paraenses, embora ele pudesse ter uma perspective brilhante. Na carta que escreveu em resposta ao artigo, o prefeito eleito de Maraba, Haroldo Bezerra, parece ter lido em entrelinhas que nao escrevi. Em nenhum moment sequer pensei que a vit6ria de seu adversario, Plfnio Pinheiro, fosse melhor para MarabA. Plfnio seria a continuidade do esquema Mutran, ainda que com variantes. Haroldo era a promessa de mudanqa, mas turvada por alguns as- pectos, entire os quais o seu prdprio passa- do, em certo moment ligado ao nio me- nos nocivo major Curid (um produto do SNI), e o aparecimento dos Morbach, cuja histdria comegou a mudar cor o papel agora desempenhado por Augusto Neto. A carta de Haroldo 6 um compromisso formal cor o amadurecimento que ele diz ter experimentado ao long do tempo e cor um destiny melhor para Marabi. Ob- ter esse compromisso era um dos objetivos maiores do artigo. Infelizmente sou obri- gado a publicar a carta do prefeito num corpo pequeno. Foi a dnica maneira de abrigar o texto por inteiro sem me privar do precioso espaqo que criei para mim mesmo neste journal. Mas tive que sacrifi- car minha resposta para nio prejudicar ainda mais a carta de Haroldo, nem muti- li-la. Dei prioridade ao prefeito sobre sua vice, Adelina Braglia, que escreveu carta ainda maior para protestar contra o meu artigo (que, no confront, virou minifdn- dio diante do vasto latifdndio epistolar de Adelina). Mesmo sem pretender agradar aos gregos, espero nio ter levado os troia- nos ao furor. "Leitor assfduo do seu Jornal Pessoal, fiquei desagradavelmente surpreso e mes- mo chocado cor o teor da andlise sobre a sucessio em Maraba, publicada no nd- mero 101, sob o tftulo 'O fim dos Mu- tran?', que, acredito, tenha sido baseado em informa6ges incorretas. Por isso, gos- taria de esclarecer alguns pontos nela abordados. 01. Qualquer ligaqio do Sr. Augusto Morbach Neto cor minha campanha a prefeitura de Manarba 6 fruto meramente da fantasia de seu informant. O sr. Au- gusto Morbach nao financiou a campanha e nem dela participou, em moment algum. Seu irmfo Wilson, meu cunhado, casado cor minha irml Concita ha mais de 8 anos, trabalhou sim em minha campanha, como jd fizera em vezes anteriores, na qualidade de voluntirio. Quanto ao sr. Atila Morbach, tamb6m citado em sua analise, de fato participou da campanha de Maraba mas apoiando seu irmlo, Luis Morbach, candidate a vereador pela alian- ca que apoiou a candidatura do sr. Plfnio Pinheiro. 02. Ao contrario do que da a entender sua anflise, o 'volume de dinheiro coloca- do a disposiqAo do candidate' (eu, no caso) nao foi tao grande e nio chegou na reali- dade, a trezentos milh6es de cruzeiros, di- nheiro arrecado junto a varios simpati- zantes, de acordo cor o permitido pela Legislagio Eleitoral. Fizemos uma campa- nha modest, o que pode ser exemplifica- do: a) Enquanto nosso adversirio Plfnio Pinheiro utilizou 22 carros-som em toda a campanha, percorrendo as ruas de Maraba, nds usamos apenas dois; nao havia recursos para mais do que isto. b) Nossos comfcios eram animados por um cantor, um instrumentista e pelo grupo Banda do Divino, todos de Maraba. JA os do nosso principal adversirio, pela Banda Click, de Sio Paulo, que custou mais de trezentos milh6es de cruzeiros nos dois meses que passou em Marabd. De nossa parte, apenas os tres dltimos comf- cios contaram cor a participagio de um grupo de fora, a banda 'Fruta Quente', de Belem, que alids foi transportada para Marabd de 6nibus. b) Fui eu, juntamente cor os candi- dates da 'Frente pela Vida' e do PDT, que propus o acordo suspendendo o program eleitoral na televislo, mesmo consciente que seria o maior prejudicado. Motivo da proposta: absolute falta de recursos finan- ceiros para garantir sua realizalao, algo que nio se coaduna cor uma campanha que dispunha de um grande volume de di- nheiro. 03. A participaqio da vidva do fiscal assassinado em Maraba na minha campanha foi uma participagio voluntaria e, acima de tudo, digna. Nio houve, como deixa implfcito a analise, uma utilizagio indevi- da e sensacionalista dos sentiments de uma mulher que reagiu cor coragem ae brutal assassinate de seu marido. Apareci- da Mourlo nio me acompanhava em cada pass e dos trinta e oito comfcios que rea- lizamos falou apenas em quatro deles, na- turalmente cor emoqio e revolt. Fiquei sim orgulhoso de te-la a meu lado pois hi decadas venho continuamente denunciando os crimes e arbitrariedades dos Mutran e seus comparsas em Maraba e poucas vezes consegui, tal o horror infun- dido pela famflia, o apoio dos parents das vftimas de seus crimes. 04. Nio consegui entender por que a presenqa do empresario Reinaldo Zucatelli na chapa, como meu vice, 'langa ddvida sobre o future de Marabd'. Membro de um partido que, ao lado de outros quatro, in- tegrou a 'Frente pela Libertafio de Mara- ba', da qual fui candidate, Zucatelli que na eleigio de 1988 apoiou Nagib Mutran- reavaliou sua posicio, como aliis aconte- ceu cor indmeras outras personalidades do municfpio, e aceitou, mais do que a candi- datura a vice, o program basico que des- taca o 'exercfcio da cidadania' como prio- ridade, atraves da criagio e instalagio de conselhos populares, justamente cor ob- jetivo de evitar o ressurgimento de velhas ou aparecimento de novas oligarquias no municfpio. 05. Sua analise fala de dendncias de fraudes e corrupgdo contra os integrantes de minha campanha. Estranho. Como ji disse, fizemos uma campanha modest, e nio distribufmos alimentos, consultas, 6culos e outras coisas assim. Nio fomos n6s que transformamos a sede da Agio So- cial de Marabd em ponto de distribuigio de alimentos para eleitores, o que foi presen- ciado pelo deputado Wandenkolk Gongal- ves. Corrupcqo sim, parece-me, 6 o fato do governor do Estado transferir recursos para a Prefeitura de Marabi para que fossem entregues ao candidate do PMDB, o que voce cita na analise sem comentar que esta 6 uma pritica viciada e illegal que favorece cor um enorme volume de recursos os candidates do partido da autoridade maior do Estado. Em relag fo as fraudes e, principal- mente, ao 'mapismo' citado em sua analise gostaria de ressaltar alguns fatos. a) Quando me elegi deputado, em 1982, meu diploma nio computou os votos de nenhuma das secg6es de Serra pelada, o principal reduto do 'major Curi6'. b) Em 1986 fui reeleito e, ao contrl- rio do que diz a andlise, cor quase o dobro dos votos conseguidos em 82. Neste mes- mo ano, ressalto, Nagib Mutran foi tam- bdm candidate a deputado e nao conseguiu eleger-se. Esta eleigio foi presidida pelo juiz Enivaldo Gama. c) Em 1988, talvez voc6 nao lembre, as eleig6es em Marabd ji eram presididas pela jufza Ezilda Pastana, casada cor um dos filhos de Vavd e irmao de Nagib Mu- tran, entao candidate a prefeito. Perdi a eleigio para Nagib cor uma diferenqa in- ferior a 4.000 votos e o process foi carre- gado de dendncias de pessoas que dispu- nham de mais de um tftulo e votavam va- rias vezes. d) Em 1990, ano em que perdi a elei- iao para deputado e na qual Vava Mutran elegeu-se folgadamente, continuavam as dendncias de tftulos falsos e estava ainda na presid&ncia do process a jufza Ezilda Pastana. e) Em fungao de indmeras dendncias de irregularidades o TRE afastou a jufza Ezilda Pastana, nomeou o juiz Ronaldo Vale para presidir o process eleitoral em Marabd e determinou a realizagio de uma correigio eleitoral no municfpio, depois da qual o pr6prio TRE, constatando o desa- parecimento inexplicavel de 4.000 tftulos do f6rum de Maraba, baixou determinaglo segundo a qual as pessoas que tivessem tf- tulo expedido entire 1987 e 1990 s6 vota- riam cor a apresentaqio da carteira de identidade. Ao que se sabe, apenas um candidate protestou contra a media sa- neadora do TRE: o sr. Plfnio Pinheiro. 06. Minha vitdria nio foi surpreen- dente (a nio ser, talvez, para meu adver- sdrio e seus correligionarios, que aposta- vam mais uma vez no poder de intimidacgo dos Mutran). Durante a campanha foram realizadas pesquisas de opiniao que apon- tavam minha vitdria. A dltima inclusive dava para mim 48% das inteng6es de voto contra 23% para Plfnio Pinheiro. O resul- tado foi coerente. Tive 52% dos votos e Plfnio 25%. Festejamos a vitdria sim, ao contririo do que diz a mat6ria 'Jogo sujo', que segue sua analise. Mas festejamos de acordo cor os recursos de que dispdnha- mos, cor uma passeata e carreata em Ma- rabd e alguns foguetes. Nio havia dinheiro para mais do que isto. 07. Sobre meu perfil e minha trajetd- ria, gostaria de enfatizar que entire minha nomeagio para a prefeitura de Marabi, em 1975, e a eleigio para prefeito se passaram quase 20 anos. Neste tempo aprendi, ama- dureci. E me orgulho disso. Minha vision do mundo, da vida, 6 hoje mais acurada. Estranho seria o contrario. Apesar disso, algumas coisas nio mudaram, como o combat a oligarquia dos Mutran, denun- ciando seus desmandos contra today a po- pulacao de Maraba, luta que mantive on- tem e mantenho hoje. 08. Em relagio ao future de Maraba, nio posso, obviamente, visualizd-lo. Nem afirmar cor garantia se a oligarquia Mu- tran retornard ou nao. NAo sio os Mutran que me preocupam. O que quero, Telo que trabalharei cor afinco nestes quatro anos, 6 construir uma base para o desenvolvi- mento de Maraba. Mas o desenvolvimento integral, que se assenta na conscientizaaio da sociedade de seus direitos, de suas ne- cessidades e de sua forqa para pressionar e conseguf-los. Se alcangarmos esta meta nao havera, de agora em diante Mutran ou qualquer outra oligarquia capaz de intimi- dar e dobrar Maraba. Existem pianos e programs setoriais, 6 claro, mas slo as- sunto para outra oportunidade. Agora, espero muito, cor todas as minhas forgas, que daqui a quatro anos vo- ce possa escrever um artigo intitulado 'Maraba traca e segue seu prdprio rumo'". N o perfodo de um ano, entire novembro de 1991 e outubro de 1992, o Grupo Liberal faturou quase 23 milh6es de ddlares e te- ve um lucro Ifquido de pouco mais de US$ 2 milh6es, segundo um levantamento ao qual o Jornal Pessoal teve acesso. O grupo fe- chou suas contas no vermelho em apenas quatro desses 12 meses. As maiores dificuldades foram enfrentadas em novembro, quando a empresa precisou amortizar uma parcela de US$ 510 mil do finan- ciamento para a compra de seu novo parque grifico. Para inves- timentos na complementagao da rotativa e em computagao grifica, o grupo precisou emprestar mais US$ 600 mil ao Eximbank. Obte- ve ainda uma carta de crddito no valor de um milhao de d6lares pa- ra a importagao de duas mil to- neladas de papel e US$ 500 mil para capital de giro. Apesar de suas crescentes despesas, o grupo estaria em boa situagao econ6mico-financeira se nlo tivesse realizado o pesado investimento na nova sede e nas novas mAquinas de impressao. O apreciavel saldo de caixa (de quase 25 bilh6es de cruzeiros em um ano) naturalmente suscita a questao: qual o destiny desse lu- cro, se ele realmente 6 apontado no balance contAbil da empresa? Seria um fundo de reserve, apli- cado financeiramente, para pre- venir as amortizag6es do finan- ciamento de US$ 4,4 milh6es, contrafdo para a compra da mo- derna impressora e seus acessd- rios? Os ndmeros da movimentagao do grupo contrastam cor as cada vez mais visfveis dificuldades apresentadas pela empresa para saldar seus compromissos com fornecedores e credores, ou para manter uma razoAvel polftica de pessoal. O Liberal, que ji foi o carro-chefe na imprensa local, hoje 6 o que pior paga seus jor- nalistas entire os tres didrios. Nao se disp6s sequer a fechar um acordo salarial cor o sindicato da categoria. Os gastos com mao- de-obra absorvem, em m6dia, um quarto do faturamento da empre- sa, estabilizando-se em US$ 440 mil por mes. Constituem o princi- pal ftem das despesas, mas em al- guns meses sao superados pelos gastos cor fornecedores. O balango desse ano mostra que a televisao ja superou o jor- nal em faturamento, invertendo uma relacao que se mantivera du- rante muitos anos (agravando a situagao do journal, que tern renta- bilidade bem menor do que a da televisao e deve estar operando no vermelho). Tambhm um dado interessante: a venda avulsa do journal equivale a quase dois ter- gos do faturamento publicitArio e 6 o suficiente para cobrir as des- pesas corn papel, situacao que desfaz o mito sobre a desimpor- tancia do leitor. Aviso aos navegantes Estou tirando este ndmero do Journal Pessoal na maior precarie- dade. Desde outubro minha vida ter sido andar pelo F6rum, ler tratados jurfdicos e participar da elaboracgo de minhas interven- 6oes em tris demands dos Maio- rana na Justiga e no Ministdrio Pdblico. Aldm do prejufzo mate- rial que me causaram pela perda da grafica traditional que usava, tornaram simplesmente impossfvel o exercfcio de minha profissao. Falta-me tempo para acompa- nhar adequadamente tantos temas que entraram na minha agenda para este ndmero e dela safram no moment de editar este ndmero. Naturalmente, a maior parte do espago 6 ocupada pelos Maiorana e suas querelas. Nio por rixa, mas porque, irresponsavelmente, eles criaram um caso grave de atentado A liberdade de imprensa. Parte vital do espago tive que ce- der ao prefeito eleito de Maraba, Haroldo Bezerra, para manter meu compromisso de reproduzir integralmente as cartas que me enviam, ao contrdrio do procedi- mento da maioria da imprensa. Haroldo, pordm, exagerou: escre- veu duas vezes mais do que eu, que nao sou famoso por ser con- ciso. O preco de capa deste journal aumentou para Cr$ 5.000,00. E uma tentative de mante-lo vivo. Ao mesmo tempo, abri a conta n2. 0 faturamento do grupo 012054 ha agencia 127 do banco Nacional, da rua 15 de Novem- bro, para os que quiserem fazer dep6sitos voluntarios e modes- tos em favor do Jornal Pessoal. Espero que, livrando-me dos ca- prichos intolerantes dos Maiora- na, possa voltar a me dedicar ao JP e ainda tirar um ndmero antes que o ano se acabe. Apesar de tudo, a periodicidade deste journal foi mantida. Liberdade que d6i Acondir-o de rdu d6i. Mesmo quando somos vftimas de uma injustica e de um ato irresponsd- vel, nao 6 confortavel ser acusa- do, principalmente se o mote da acao agride tamb6m todo um pas- sado. Ainda assim, o espago dado nesta ediago ao litfgio judicial provocado por Rosangela Maio- rana nao 6 um acerto de contas. I por ser mesmo um fato grave, in- felizmente ignorado pela grande imprensa, cuja lacuna este Jornal Pessoal tenta suprir, O capricho de uma das pro- prietarias do mais poderoso grupo de comunicaAio do norte do pafs pode resultar num cerceamento A liberdade de imprensa. Para ela pode ser apenas o atendimento de sua vontade pessoal. Para o jor- nalismo, por6m, 6 uma ofensa. Thomas Jefferson, autor da primeira emenda A Constituigio americana, aditada justamente pa- ra colocar a imprensa acima do governor (um avanqo de dois sd- culos atrds em relagioa nossa atual mas felizmente moribunda - Lei de Imprensa), observou corn sabedoria: "O caminho mais eficiente atd hoje encontrado (para fazer os homes "ser governados pela ra- zio e pela verdade") 6 a liberda- de de imprensa. Por isso, 6 o primeiro a ser fechado por aque- les que receiam a investigation de suas ag6es". Espero nao poder voltar a este tema senao para noticiar que as palavras do pai da democracia americana sensibilizaram aqueles que, nio querendo ajudar a im- prensa a revelar a verdade, ao menos nao atrapalham os que fa- zem jornalismo para valer Journal Pessoal Editor rcspon.svel: Ldcio Flivio Pinto Iluslraqao: Luiz Pinto Rua Campos Sales, 268/803 66.020 Fone: 223-1929 Opglfo Editorial Impresso nas oficinas de Agranell Editora, travessa Alferes Costa, 1690. Belem. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 280 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |