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CRIME A droga npa sociedfade O assassinate de Brunao Meira Matos, filho do secretbrio d1e Jusstiga do Estado, reveal a9te qule ponto o snarcotrbfico penetroue no mnuPndo dos neg6cios e n~a sociedad~e ]local. I Ano V Cr$ 500,00 runo Marinho de Meira Matos se equilibrava cm dois mundos Bdistintos, que s6 se tocavam cm tangentes invisiveis. Para o grande pt- blico, cra um legitimo figurante de co- lunas socials. Membro de uma das mais tradicionais familias do Pard (os Mci- ra), era bonito (moreno, 1,92 metro de altura, forte) e, aos 32 anos, estava cada vez mais rico. Mas poucas pessoas co- nheciam a origem da fortune de Bruno: provavelmente cra o mais importance "lavador" dos ddlares do narcolrfico em Belem. Scu escritdrio de c~mbio e turismo, a fachada legal de negc~cios es- cusos, movimentava alguns milhies de d61lares mensalmente. Pouco depois das 18 horas do dia 10 de dczembro do ano passado, a dificil equilibrio mantido por Bruno Meira Matos nos li1timos tris anos rompeu- se. Ele nom percebcu qjuando uma ca- mionete emparelhou com scu autom6- vel Gol, a 30 quildmetros de Becl~m, quando ele regressava de uma vingem at6 agora nito esclarecida. Um homem apontou uma pistola de grosso calibre, provavelmente uma Magnum, c fez um tinico disparo. A bala penetrou na tempora de Bruno, abriu um buraco de 2,5 centimetros, e saiu na altura do queixo, com um rombo de seis centime- tros. Massa encefdlica foi espalhadat polo assent e Bruno teve morte imediata, mas seu carro ainda percorreu 300 me- tros no acostamento da pista antes de se chocar, jd em baixa velocidade, com um harranco. Quando a primcira tes- temunha chcgou junto ao carro, nada mais havia a fazer: algu~m ainda levou o rev61ver 38, que estava visivel, mas nlio perecheu os 350 mil cruzeiros que Bruno levava consigo. Comeg~ava ali um dos mais dificcis casos de homicidio que a policia paracnse iria enfrentalr. A4 VILAGEM MISTEIRIOSA Nenhuma pessoa, nom mesmo o motorist de um velho caminhilo de carga diantc do qual cruzou o Gol des- governado, viu o carro que emparclhou comn a de Bruno ou os scus ocupantes, no minimo dois (0 motorista c o autor do tiro). Niio hB a mais remota des- crigilo a respcito, um resultado propor- dional d precisa execuc;io do atentado, "coisa de profissionais", segundo um dos policiais envolvidos na investi- gac;io. Quem atirou estava preocupado em -nio ser identificado, talvez por mo- rar em Bel~m mesmo, o que ressalta a~indla mais o risco a que sc expos, ma- tando Bruno na linica estrada de acesso Q cidade, em plena pista, com os dois carros em movimento. Se errasse, pro- vavelmente nito teria uma segunda oportunidade. B~runo foi apanhado de surpresa e este 6 um dos detalhes que complica o trabalho de decifracilo de sua morte. Vgrios dias antes dela ocorrer, Bruno havia comentado comn pelo menos duas pcssoas a esposa Milene e o emprega- do e amigo Jos6 Ricardo Montoiro - ameag~as de morte que estaria receben- do. Teria indicado os nomes de dois suspeitos, ainda nito identificados (ou porque as duas fontes sc recusam a adcmirir a fato, on porqlue a polIcia n5to quer reveld-lo). Depois de quase trds anos de conti- nuos; sinais de prosperidade, Bruno es- tava passando por uma ~Fase difIcil. Jg havia emprestado 70 milhoes de cruzci- ros do sogro, Michel Haber, done tambdm de uJma empresa de crmbio e turismo, atualmentc sob investigation policial por causa de possivel afinidade comn atividade paratela. Hg uma verstio de que recentemente uma grande quan- tidade de cocaina de um dos clients de Bruno havia sido apreendida pela Polf- cia Federal, desencadeando uma strie de chcitos negatives que cle nito teria conscguido center. Talvez tivesse lan- g~ado miio de dinheiro que nito pode report, ficando "a descoberto". Um dos dois escritbtios da Caraj~s C~mbio e Tulrismo Ltda., que servia de matrizr, na movimentada galeria da As- sembldia Paraense, no centro de Bel~m, havia se transformado num autin~tico "bunker". Bruno controlova o ingresso de pessoas atrav~s de circui- to interno de television, tinha me~canis- mos de bloqueio das entradas e, ao al- cance, armas como uma pistol 7.65 e duas espingardas de repetiglio, calibre 12. Dispunha de segurangas, mas niio levou ncnhum para a viagem do dia 10 de dezembro. Antes de sair de casa, Bruno disse ao motorist, Jonatas Portilho de Melo, que sairia no Gol e nito no Santana porque iria enfrentar uma estrada de terra. Deu tamb~m o telefonema roti- neiro a esposa, Milene Xerfan Haber de Meira Matos, sobrinha do ex-prefei- to de Belem e candidate ao governo do Estado no ano passado, Sahid Xerfan, que estava cm Silo Paulo desde o dia 4. De um telefone ptiblico, de algum lugar na estrada, Bruno ligou Ats 10 horas da manhli instruindo um funcionsrio do Liicio Flivio Pintoo No 81 la Quinzena de janeiro de '1992 agentes policiais que informalmente davam seguranga a "Nego Ramos", tra- ficante de cocaine assassinado hd mais de dois anos em meio a uma sdrie de execug6cs sumbrias c "arquivamentos" no mundo do crime. Descoberto com os demais, Mauricio foi expulso da PF. Vinha tentando assumir a seguranga de Bruno. AdultO neg6cio de SUCeSso g apenas fachada para o mundo do crime. Os clients cifrados de Bruno ti- nham a caracteristica de circular cons- tantemente e obter dinheiro ou perde-lo com extrema facilidade. Izi- dorio esteve cinco vezes em Leticia, o cntro da cocaina na fronteira do Brasil com a Coldmbia. Celso Gomes, auto- declarado comerciante de pedras pre- ciosas, foi preso comn grande quantida- de de moeda falsa, adquirida na Bolf- via, e pot trsfico de cocaina. Aparecia com crescente frequencia na sede da Carajds. Durantc todo o dia 10, Izido- rio andou atrds de Bruno e do dinhei- to dele, 100 mil ou 200 mil cruzeiros, para enfrontar algumas dificuldades imediatas, que facilmente poderia re- por. Apesar do morar no modesto con- junto da Cidade Nova, Izidorio com- prou, em meados do ano passado, uma fazenda de 300 hectares em Vizeu, na estrada do Japiim, condrio das andan- gas do p'istolciro Quintino Bira, c rota de ouro. Perto da fazenda hB um cam- po de pouso, construido pelo Exdrcito c abandonado. UMWA NOVA COLOMBIA? Niio havendo uma pista segura dos assassinos, hB uma profustio de linhas pontilhadas entire o mundo dos neg6- cios legals c o da criminalidade no Para, onde ouro, drogas e roubo de car- ros, alividades em conextio, estariam movimentando entire dois c tres bilhoes de d61ares anualmente, de quatro a cinco vezes mais do que o faturamento da maior empresa do Estado. Quanto a cocaina, o Pard parecce estar sendo des- tinado pelos cart~is organizados a sulbs- tituir Rondonia, posta sob inedmoda evidencia. Bruno Meira Matos seria o mais exemplar desse novo tipo de rela- clonamento, mas nao o umico. Haveria at6 nomes mais notbrios do que o dele, embora nilo tilo impetuosos. Em ape- nas tres anos de funcionamento de sua escritbrio a fazer contato com a agencia do banco Bamerindus, na qual tinha conta, para cobrir qualquer cheque que fosse apresentado, mesmo se estivesse no "vermelho", para evitar problems com credores. Ainda niio era uma hora da tarde quando Bruno fez uma nova e rapida ligagio, a cobrar, do telefone pbibico do posto de combustiveis Yamaga, em Santa Isabel do Pard. Disse para Jos6 Roberto que jQ estava de volta cem mais meia hora chegaria ao escritdrio. Ningutm sabe ou quem sabe prefer niio falar o que aconteceu nas cinco horas seguintes, at6 a morte de Bruno 1Meira Matos, bcm prdximo do local de onde cle fez a 61tima ligagrio. CRIME PERFEITO? A versito corrente, de que ele foi a Castanhal, teria uma explicagilo: ali mora um de seus clients, Fernando Takeshima, produtor e exportador de pimeta-do-reino. Regularmente o mo- torista de Bruno, Jonatas, ia a Casta- nhal buscar cheque-ddlar. Mas 6 possl- vel que as relafoes com Takeshima constituissem parte da face legal das atividades de Bruno, que operava com exportadores. . Se simplesmente tivesse ido conver- sar com Takeshima, Bruno usaria o au- tom~vel Santana. Recormcu ao Gol pa- ra entrentar uma estrada de terra, cir- cunst~ncia que fez a policia tentar identificar alguma fazcnda na grea que pudesse pertencer a algudm passivdl de suspeigio. Um dos nomes arrolados te- ria sido o de Domingos Rangel, minci- ro de enriquecimento trlo rrdpido quan- to o de Bruno, envolvido em negc~cios tumultuados c obscures, e donor de uma fazenda a pouco mais de 20 quil~metros de Castanhal, acessivel por estrada de revestimento primbrio. Mas contar Rangel haveria apenas eviden- cias 16gicas e nenhumat prova. Por enquanto, o crime 6 perfeito. Tanta investigation permitiu apenas desvendar o mundo oculto de Bruno Meira Matos. Elc tinha transagoecs com os prmesipais traficantes de cocalna co- nhecidos em Bel~m, entre os quals co- megavam a surgir colombianos c boli- vianos. Todos eles trabalham em uma rota que comega na ColOmbia c na Bolivia, passa por Manaus, faz escala em Belem (onde jB hB evidencias do Ouro, droga e carro roubado movimentam US$ 3 milhdes no Pard. surgimento dos primeiros laboratbrios de refine da droga, um dos quais foi "cstourado" pela policia algum tempo atrds), prossegue para o Suriname c toma dois rumos internacionais: um para os Estados Unidos e CanadB, ou- tro para a Europa. A conextio curop~ia movimenta a rota fazendo dep6sitos em d61ar e ou- tras moedas na conta de Bruno Meira Matos em Amsterdam, capital da Ho- landa. G o que os especialistas chamam de "d61ar-cabo", que sustenta as ope- raF~es legals, a fachada que "lava" 0 dinheiro ilicito. Ele niio vem para o Brasil: serve de lastro para os saques que o operator faz em suas transagaics regulares. f3 um tipo do atividade que parece em acclerado crescimento em Bel~m, onde neg6cios aparentemente limpos se tornam proficuos apesar do todas as evidencias contrdrias a esse re- sultado. B o que explica empresbrios ou comerciantes de sucesso com neg~- cios sem movimento na superficie visi- vel, mas enflados em tortuosas takzes de profundidade. O SUBMUNDO OCULTO Essa escabrosa associac;io estava re- gistrada emn um dos tres computadores que Bruno tinha em sua loja na galeria da Assembl~ia Paraense, ao qual s6 ele e Jos6 Ricardo tinham acesso. Os clien-, tes "limpos" cram registrados com scus nomes completes, ao lado das (geral- mente elevadas) quantias em ddlar nas contas de deve e haven. Mas os trafican- tes apareciam comn apelidos ou iniciais: o "CA", por exemplo, era Carlos Ro- herto Martins Alegria, prcso pela pojll- cia no ano passado c mantido na grea de seguranga maxima da Penitencidria Fernando Gitilhon, em Americano. Em seus registros, Bruno anotara que Alegria lhe devia pouco mais de 108 mil d61ares, mas o prbprio Alegria jB s6 admite US$ 80 mil porque cedeu ao seu credor um terreno na avenida Augusto Montenegro, onde pretendia - at6 sor preso por tr~fico de cocaina - instalar a boate Las Palmas. Cinco dias antes do assassinate, Alegria recebeu na penitencibria a visi- ta de Izidorio Costa Izidio de Oliveira Filho, outro integrante da lista de dtbi- tos junto a Bruno, com 77 mil d61arcs. O contato entire os dois traficantes foi cstabele~cido pelo pr6prio Bruno, a pe- dido de Alegria, que, mesmo por tr~s dlas grades, avisou o parceiro que, exa- tamente no dia 10, chegaria uma nova partida de cocaina. Testemunha da conversa foi o ex-agente da Policia Fe- deral Jos6 Mauricio Nery da Costa. Mauricio cra um dos "'sete samurais", empresa de cdmbio e turismo, comn de- rivagoes para um pequeno shopping c 'uma loja de modas, cle doixou aparecce- rem sinais de scu enriquecimento, co- mo uma bela mansio, um padrio de vi- da faustoso e constantes viagens ao ex- terior, sobretudo os Estados Unidos. Mas desvendar seu assassinate serd tarefa tio ingldria quanto medir a pro- fundidade da incontestivel penetragno do n~arcotrifico no mundo dos neg6cios e na assim declarada "melhor socieda- de" de Bel~m. Mesmo sem ser consu- midor de drogas, pelas quais tinha aversio, Bruno se envolveu com alguns dos mais perigosos personagens do mundo do crime, langando sobre sua familia, antes e apbs sua mortc, uma mancha de lama e, atC, de suspoigio. O pai, o secretsrio de Interior e Jus- tiga do Estado, Adherbal Meira Matos, fez questio, ainda durantc o veldrio, de exigir que a policia investigasse a fundo e revelasse tudo o que descobrisse. Na prdtica, por~m, a familia nao tem aju- dado a apuragio, uma attitude que ali- menta os mais diferentes boatos e de- dugoes de fats que podem ser vistos por v~rios Angulos. Como a visit do pr~iprio secrethrio A Penitencidria Fer- nando Guilhon, poucos mcses anies do crime, que acahou levando a um encon- tro de Adherbal com o traficante Ale- gria. O secretbrio foi exigindo a abertu- ra de todas as celas que la encontrando no percurso at6 que uma delas, a filti- ma, foi a de Alegria. Nada conversaram em particular, mas Alegria disse a al- guns interlocutores que ja. conhecia o, secret~rio. Izidorio garantiu ter levado um pacote de francs franceses que Bruno mandou para o pai, que estava no Rio de Janciro. Ha poucas dbvidas de que a familiar sabia das complicagbes de Bruno, cujo marco foi a organization de um assalto Ai casa do pr6prio tio, o procurador re- gional da Reptiblica, Paulo Meira, que resultou na capture de ouro, j6ias e d6- lar, recuperados posteriormente pela Policia Federal, acionada com o argu- mento de que entire os objetos rouba- dos estava um rev61ver do patrimonio da Procuradoria da Reptiblica. Bruno foi preso juntamente com o cunhado, Gustavo Haber, mas ambos acabaram soltos porque Sahid Xerfan assumiu a responsabilidade pela total indenizagio de Paulo Meira. A partir desse memento o ramo da familia de Adherbal se distancion dos outros Meira, mas tambem Bruno foi na dirego dos Haber e ficou quase sem contato com seus parents, recolocados em situacio extremamente dificil pelo impact traumitico do assassinate. P'e- la notoriedade dos personagens envol- vidos, a histdria apareceu momenta- neamente nas psginas de "A Provincia do Pard" e do "DiBrio do Pard", mas s6 mereceu um discretissimo registro em "O Liberal" tr~s dias depois do crime. Apesar disso, ela parece servir de ad- vertencia para uma comparaqio feita com constbncia cada vez maior por um pequeno punhado de gente que sabe das "coisas", mas as guar6da para si: o Prar esta se: transformando numa nova Colombia. O tamanho fisico dos dois 6 praticamente o mesmo. E as extens~es, sobretudo as que sio mantidas g distancia do conhecimnento ptiblico, estrio sendo conectadas. A homogenei- zagio, se nenhuma providefncia for ado- tada, sera apenas question de tempo. Quem conseguir viver, verd. der respeitar compromissos 6 algo incbmodo demais para que, vendo avolumarem-se os problemnas, eu decide poupar-me e aos mens leitores fieis da inadimpl~ncia' Espero que os' leitores, atraldos para a leitura deste journal pela comodidade da assinatura, nio decidam abandond-lo simples- mente por ele n~io chegar mais As suas miios, entregue a domicflio. Se seu leitor niio 6 capaz de ir h banca on divulgar a publicapio para ampliar seu universe de al- cance, entlio o projeto de um jor- nal como o JP niio val.e a pena. A f~cil colocar na propaganda que o journal tem o rabo preso com o leitor, sem que essa rela- Sdo constitua mais do que frase de efeito. Outra coisa 6 viver de fato tal situagio. ]De minha parte, acho ter al- caugado o limited das mlnhas pos- sibilidades de resistencia neste empreendimento. Ir albm, como vem alertando minha crescente- mente debilitada condigio ffsica, significa sacrificar uma vida em torno de um projeto vital, sim, mas que a realidade diz ser ontri- co. Sonhar 6 precise, mas nito se pode viver apenas de sonhos se hd um outro plano na vida e que 6 obrigaglio de todos os dias, prosaica retina da qual nio temos a direito (ou o privilegio) de fu- gir. Este journal seria absolutamente desnecess~rio, nem precisaria consumer minhas limitadas forgas, se a imprensa desempenhasse o elementary de sua funglio de in- formagio numa regilo na qual se desenrola uma histdria com a dramaticidade da aventura ama- z6nica. A omissrio da imprensa 4, aqui, crimninosa. Mas nio vamos ficar apenas no plano institucio- rial. O desinteresse da esmagado- ra maioria dos jornalistas por es- se enredo 6 inacreditgvel: eles t~nm ao alcance das mios o que de melhor thes pode oferecer a te- m~tica contemporfnnea e, ,no entanmto, a desprezam, alegando uma porglio de motives injustifi- c~veis. Quemn sabe o que ests acontecendo e tem conscibncia de seu carter na histdria niio conse- gue sair da linha de frente, do desgastante dia a dia que, para certo tipo de personagem, sacrifi- ca suas melhores possibilidaides pessonis. fE por isso que talvez esteja chegando o memento em que um projeto como este atinge seu ponto de tensilo miximno, para reviver ou morter. A resposta a este impasse deixa, entlio, de ser singular, como tem sido a vida deste JOaRNAlL PIESSOALE. P~aro moffer OU 0908scef Sestlio suspensas as assinaturased ia o ms p s a do JOURNAL IPESSOAL. Novas assinaturas ou a renovagio das ji existentes serio feitas apenas pa- ra fora do Pard,. O journal voltard inteiramente is bancas, como no reinfcio desta fase. A decisito, que contraria minhas intengijes originals, de buscar o miximo possfvel de assinaturas (na pri- meira fase o JP chegou a ter mais de 1.300 assinantes pagos), re- flete as dificuldades que sufocam uma publicaCgo independent co- mo esta. Espero que todos os compromissos assumidos com os atuais assinantes sejam cumpri- dos, com a remessa dos ndmeros do jornale a que tem direito, mas nito quero ir al6m do que ja: est& comprometido. No caso do "Bandeira 3", que fez uma campanha pr~via de assi- naturas mas ficon no ndmero ze- ro, devolvi os valores pagos - com uma confianga comovedora - por todos os assinantes, alguns dos quais nem comn isso se im- portaram. Acharam que o inves- timento, coletivizado por obra do acaso, foi bem feito. Mas nito po- EMWPRIESAS A~s casas da mn~e Joana As empresas pdblicas tem muito pouco a ver comn o pd- Ablico: na prbtica, elas se tor- naram um instrument manipula- Ido pelos chefes do poder executi- vo. As prerrogativas desse poder labsolutista estlio na origem dos diffceis problems enfrentados atualmente (e, no que parece, desde suas origens) pela Centrais ElBtricas do Pard e pelo Banco do Estado do ParB, duas das maiores empresas pdblicas paraenses. A Celpa comprometeu mais de 30% de sea capital com d6bitos junto a dois empreiteirose e en- contra-se em situagio desfavord- vel para resolver o problema por causal das interifer~ncias de dois governadores. A histdria comegou quando Jader Barbalho, na sua primeira gestlio, imp6s um prazo extremamente curto para que a empresa, em 18 meses, construis- se a maior linha de transmission de energia de toda a sua histdria, entire o sul e o sudeste do Estado. A linha deveria ser inaugurada a tempo de render votos para o candidate de Jader g sua suces- srio, Hdlio Gueiros. A obra at6 poderia ser conside- rada prioritbria, mas o prazo apertado facilitou a prdtica de certas irregularidades e deu aos empreiteiros pretextos para one- rar o custo final. Quando as difi- culdades da economic national bloquearam o esquema montado galra financial a obra (sempre atravts dos emprciteiros, que to- mavam os empr~stimos e os diri- giam para seus prdprios seI i- gos), a president da empresa, sem consulter formalmente o con- selho de administra~go antes de tomar a decislio, como seria sua obrigagio legal, reconheccu o valor da dfyida. N~o haveria maiores complica- g6es se o entendimento entire o governador que deixara o cargo e o que o assumira se tivesse man- tido. O president da Celpa no infcio do governor H61io Gueiros havia sido o secretsrio da Fazen- da no primeiro governo Jader Barbalho. Roberto Ferreira tinha todos os motives para achar que o conselho de adinistraglio ref'erbn- nunciar as fraudes anteriormente cometidas ou em sanar atos irre- gulares. Tudo seria ignorado em favor do objetivo maior: resolver o problema da dfyida dos em- preiteiros. Quando a denducia se tornou pdblica atrav6s do JORNAL .PESSOAL e repercutiu no legis- lativo, todos os detalhes legals e formats foram lembrados e a dis- cussilo esquentou. Na semnana passada, com base em parecer da Consultoria Geral do Estado, o governor decidiu restabelecer a negociagio com os empreiteiros, anunciando o saneamento do pro- cesso, para evitar uma execu~go judicial desastrosa contra a Cel- pa, que jB perdeu uma das duas ag~es apresentadas contra ela. Mas como a histllria permanence ainda obscura, inclusive quanto ao valor da dfyida, 6S de elementary cautela que o governor nio efetue qualquer pagamento sem um acompanhamnento e aprovagio - do legislative, que se propde a criar uma CPI para investigar a question, e, se possfvel, tamb~m do Minist~rio Pdblico. A inesma facilidade que tem o governador de passar por cima dos colegiados e atropelar as normas internal para fazer valer a sua vontade levou B crise o Ban- par8. Como fez em relagilo g Cel- pa chg Emater (a empresa estadual encarregada da assist~ncia tdeni- ca e da extensio rural), o gover- nador H61io Gueiros autorizou a diretoria do banco a fazer con- tratag8es sem a realizagio da ne- cess~ria licitagio pdblica, despa- chando pedidos do president como se fosse n6o sendo legal- mente a inst~ncia competent para a decisito. Essas situagdes estito sendo apuradas atrav~s de inqu~ritos, de condu~glo mais lenta do que o atual governor gostaria. Mas uma outra questlo foi sen- do protelada pela diretoria que assumiu juntamente comn a volta de Jader Barbalho no poder. O governador nunca escondeu sua insatisfaglio com o parecer do au- dilor independent das contas do BanparB, a Campligia, de Stio daria pacificamente o. termo de confiss~o de dfyida que assinara com os emprei'teiros. Mas a har- monia entire H61io e Jader se mantinha apenas na fachada, para consume externo. Roberto F~errei- ra foi demitido antes que a ata da reuniio na qual o conselho apro- you seu ato solitbrio fosse ofi- cializada. Havia a minute pronta, at6 com assinaturas de conselhei- ros na primeira pggina, mas ela foi totalmente modificada por exig~ncia do entio governador H61io Gueiros. Conselheiros que haviam aprovado o ato do presi- dente anterior, com a mudanga alteraram tambem seu voto. Roberto Ferreira, naturalmente, se recuson a assinar a "nova" ata, de conteddo fraudado. Mas, no inv~s de fazer um protest pd- blico on adotar procedimentos ju- diciais para resguardar sua posi- glSio, simplesmente preferiu sumir com o livro de atas. De sua parte, ao long de tras mess, a nova diretoria da Celpa, acatando inte- gralmente as ordens do governa- dor, foi modificando a posiglio do conselho atd faz8-lo rejeitar a de- cisio adotada anteriormente. Ne- nhuma dessas atas, entretanto, foi registrada na Junta Comercial ou publicada no Didrio Oficial, Equivocadamente, a diretoria da Celpa achou que as decis~es nto afetavam interesses de terceiros e, por isso, alio precisavam ser oficializadas, bastando que constassem do livro prdprio (este, devidamente registrado), Com a volta de Jader Barbalho ao governo, Roberto Ferreira reassumiu a secretaria da Fazen- da. Gragas a esse cargo, foi para o conselho de administra~gio da Celpa, onde pbde aprovar o reinf- cio dos entendimentos para que o governor do Estado assumisse em nome da empresa, completamente descapitalizada para desempenhar essa funglo, o pagamento dos empreiteiros conforme o termo de confissio de dfyida assinado pelo prdprio Ferreira. Atd o memento em que o assunto permaneceu & margem do conhecimento da opi- nitio pdblica, a nova diretoria da Celpa niio se interessou em de- Paulo. Jader dispunha de infor- mag6es sobre irregularidades nes- sas contas, a principal das quais foi a transformagio artificial de prejufzo real (de 300 milh6es de cruzeiros) em lucr fictfcio (de 900 milhdes). A nova equipe achava que a Campiglia havia si- do, no minimo, omissa ao dar sua aprovagi-o comn ressalvas a priti- cas que deveriam ser condenadas. Apesar de todas as pressbes feitas no sentido de uma revisio do balango e para providencias em rela~go a auditagem externa, a diretoria do Banpard nada fez. Sua inagIo tornou-se crftica quando a Campiglia venceu a concorr~ncia pdblica aberta pelo Estado para a auditagem de suas contas desde 1983 relatives ao endividamento externo e gs obras da rodovia PA-150. A temperatu- ra se elevou tanto que Albudio Melo Jdnior alegou motives de sadde para pedir demissio da pre- sidencia do banco e Luiz Watrin disse preferix voltar ao Banco Central e deixar a diretoria finan- ceira do Banpard. Os atos foram consumados na semana passada, mas desencadearam um clima de tensa expectativa no banco esta- dual por causa da indica~go dos sucessores. O deputado Aluisio Augusto Chaves, um dos presi- dentes na gestio H61io Gueiros, aderiu recentemente ao PMDB, deixando o PTB, que liderou a cohigagio prd-Xerfan, na dltima eleigio, c poderia ter influencia na volta de sua equipe aos cargos de diregio. Essa mondnotona e onerosa gangorra de interesses, que amea- ga a integridade ttcnica e a sadde linanceira das empresas pdblicas, sd do~ixar8 de ser desequilibrada, pendendo sempre para o lado da vontade do governador de plan- tiio, se tais empresas passarem a ser realmente pdblicas. Isto 6, a servigo do pdblico, prestando-1he contas e seguindo a orienta~go de seas legftimos representantes. Por enquanto, mais do que utopia, este ideal 6~ ilusio. CELPA P ra todos os interlocutores e para o pdblico, o ex e nova- mente atual secret~rio da Fazen- da, Roberto Ferreira, nega ter fi- cado com o Livro de atas da Cen- trais E16tricas do Pard, que presi- diu no infcio da administration H61io Gueiros. Mas em dezembro de 1989 o motorists do director de transmissilo foi ao prtdio onde Roberto moral e entregou-lhe dois livros. O menor era o livro de presenga, que ele devolveu, sem assinar. O outro, maior, era o de atas, que ele reteve. Roberto n~io devolveu o livro mesmo quando a nova diretoria da Celpa lhe en- viou duas carts com aviso de re- cepglio, assinadas pelo porteiro do pr6dio, que fica na mua Mlun- durucus. O livro continha atas de feve- reiro de 1987 a outubro de 1989. Roberto Ferreira foi demitido da presid~ncia da Celpa em agosto de 1989, mas sd tr~s mess de- pois foram inscritas no livro as atas de maio, junho e julho, que ele necessariamente teria que re- ferendar. Na de junho constava a aprovagio ao termno de confissso de dfyida com os empreiteirds pelo conselho do administration, que a governador H1lio Gueiros mandou mudar. Segundo um ad- vogado, Ferreira poderia, se qui- sesse, simplesmente escrever no livro de preferbncia com tinta vermelha, para dar maior desta- que que a ata expressava uma fraude. Ou ajuizar uma a~go con- tra aquela falsidade. Ou divulgar publicamento um protest. Nada disso ele fez. Sua attitude sd teria uma explicaglio: o que interessa- va, acima de tudo, era manter a confissio de dfyida tal como ele a assinara. Talvez para que, no fu- turo, ela fosse retomada integral- mente. Neste particular, a capaci- dade de antevisio do ex e outra vez secret~rio foi prof~tica. Sua estrat~gia acabou bem su- cedida porque seus sucessores tambem nlo estavam interessados em esclarecer a situag~io e resol- ve-la convenientemnente. A direto- ria da Celpa limitou-se a cobrar a devolugio do livro, achando que a alteragio no conteddo da ata de junho de 1989 dera seus frutos. Sd em mnargo de 1991, is v~spe- ras do fimn da administrag8o H61io Gueiros, funciondrios foramn cha- mados is pressas para escrever atas.atrasadas de dois anos e um edital publicado no Didrio Ofi- cial, registrando o extravio do li- vro, por cujo reaparecimento nin- gu~m mais tinha esperangas. E assim se desearolam histdrias que jamais serio convenientemente registradas. Mundial para a Natureza),nqat W Fno Euma das entidades ambienta- listas mais influentes do mundo, the concedia um premio por sua atuagio na defesa da Amaz~nia, Mary Alegretti recebia, em Be- 16m, no final do ano passado, um dos mais violentos ataques jB so- fridos atd agora por qualquer mi- litante ecoldglco. O duro 'mani- festo contra a mais fntima amiga do Ifder seringueiro Chico MWen- des foi subscrito por 17 organiza- gBes paraenses, apenas uma delas mnais conhecida, a Sopren, co- mandada pelo medico Camilo Vianna, vice-reitor da Universi- dade Federal doe Pard. O document dispara contra Alegretti uma acusagiio grave: "Essa modern pirata e saqueado- ra da Amazbnia, por sua insen- satez e auddcia, em pouco tempo jB contribuiu para intensificar a violtncia na Amaz~nia, sacrifi- cando Chico Mendes para mer- cantilizar em nome dessa vitima vantagens pessonis, prestfgio e justificar uma ideia perigosa de O r . masteno de um vro POL MICA .~ Ofisiiloog ismo ecolog ico reserves extrativistas". Racioclnios semelhantes cir- culam ha algum tempo pelo setor, mas nunca antes haviam sai'do dos bastidores. Principal base de Chi- co Mendes foray do Acre, Miary Alegrett~i apoiou o movimento dos seringueiros desde o infcio. Para sustentar o projeto das reserves extrativistas, criou o Instituto de Estudos Amaz~nicos (IEA), com sede em Curitiba, no Parand. A associnglio de seu nome ao de Chico Mendes abriu-lhe as portas de instituigbes em todo o mundo, deu-lhe prestfgio e a tornou pre- miada. Mas alguns militants $cham q~ue todos esses efeitos slo artificiais e sd foram produzi- dos pela morte do 1ider sernaguei- ro, mais important morto do que vivo* O manifesto contra Alegretti tem duas dimensbes. Revela o ambiente de competitividade e agressividade entre diversas ON- Os (Organizag6es Ngo-Governa- mentais), estado de espfrito que cada vez mais se acirra com a aproximagio da conferencia da ONU sobre desenvolvimento e meio ambiente, que se realizard em junho do prdximo ano, no Rio de Janeiro. A opiniio pdblica acha apenas que cada ONG esta atrds de destaque e aprovagio pa- ra seu trabalho, uma concorr~ncia de iddias. Mas o manifesto deixa bem claro que am dos alvos visa- dos d o dinheiro: espera-se que os c~us se abram e derramem um mango de "verdinhas" sobre a ari- dez financeira do Brasil, aduban- do bolsos necessitados - HA, como diz o documaento, uma "onda fisioldgica", quae sd serviria para beneficiary "um gru- po de aventureiros chamados ecologistas e burocratas, os no- vos pirates saqueadores da Ama- zbnia". Apesar dos pesados ad- jetivos que utilize, o manifesto n~io chega a exibir prova alguma contra a, "tentativa maquiav61ica e criminosa" de Alegretti. Sem it tio long, os subscritores do pa- pel poderiam enconatrar no Pard mesmo exemplos de picaretagem ecoldgica, praticada por Ifderes de entidades fantasmas que, res- paldados no m~gico nome da Amaz~nia, tim conseguido arran- car dinheiro de europeus para projetos mais do qlue suspeitos. Alegretti foi escolhida patra vt- tima, entire tantas possfveis, cul- padas de fato ou inocentes, por ser de fora da Amaz~nia. Foi o que pretendeu dizer o vice-presi- dente do IEA, Augusto C~sar Pa- yet, reagindo no "discurso xend- fobo -e separatists". No entanto, embora possa carregar esse duplo preconceito, algumas das ques- tdes suscitadas pelo document merecem esclarecimento, mesmo se mal postas num papel artifi- cialmente incendidrio. IE ineg~vel que o martf~rio de Chico Mendes superdimensionou a questio dos seringueiros. Mloti- vo de dois "best-seller-s" recen- tes, escritos por jornalistas ame- ricanos, ela passou a ser vista como pedra de toque do future, atravts de reservas que procura- iiam recriar as condig6es origi- nais da relagio entire o home a natureza. Isto sd 6 possfvel em autbnticos parafsos, pequenas e inexpressivas experiencias que vem sendo mantidas gragas a sub- sfdios internacionais, servindo, por sua vez, de fachada para "folders" coloridos de relagdes pdblicas dessas instituigBes. En- quanto isso, as frentes econdmi- cas avangam selvagemente sobre novas fropnteiras e sua principal vftima, os trabalhadores rurais, sio esquecidos sob o "glamour" atriburdo aos seringueiros, uma das menores minorias sociais da regiio, condenada g insolvencia se as fdrmulas salvacionistas criadas em ingles continuarem a ser vendidas como a thbua da sal. vagio. Deve ter algum significado que tais organizag~es hajam se mobi- lizado para dar importfincia inter- nacional ao assassinate de um If- der seringueiro, categoria que na mais exagerada das estimativas pode envolver 300 mil pessoas, enquanto passaram ao largo de crimes que atingiram outros Ifde- res do mundo rural. Isto pode at6 estar ligado a oportunismo, mras daf a acusar Alegretti de, comn seu movimento em torno de Chico Mendes, ter contribufdo para in- tensificar a violencia no interior da Amaz~nia, vai uma distlncia que despeja o objetivo para a vala comum do despropdsito on da mB inteng~io. A feroz famfia de imigrantes do Parand estabele- cida ema Xapuri mataria Chico LNMendes com on sem Alegretti. Alids, se Darly pudesse ver al~m de sua limitada perspective, muito dtil para r~us que nio fo- ram colocados no banco de jul- gamento (inclusive por limita~gio estritamente t6cnica), nio teria mandado o filho matar a serin- gueiro. Certamente nio estaria na cela de prisio, onde ainda se en- contra, mesmo com todos os pri- vildgios concedidos. Se falta razio 8 Sopren e asso- ciadas para a acusagilo, tamb~m s~io elas carentes de legitimidade no caso, no menos por nio o te- rem ttatado na extension e profun- didade que ele reqauer. At6 apare- cer ht frente do document, a en- tidade defendia o extrativismo e se omitia em relagio ao drama sobre o qual agora pede atengio. E contra a lei que impera na "selva selvaggia", a do 38, falar em idflios ecoldgicos nio 6 sd oportunismo: 6 crime tamb~m. A sucessho ogo depois da reinauguraqio do Memorial daCabanagem, no dia 22 f9sde dezemnbro, o governador Jader Barbalho convidou o prefeito Augusto Rezende para jantar na Granja do Icuf. Rezendq~que comparecera A solenidade, de responsabilidade do Estado, ediscur- sara elogiando a inmiciativa, foi. As teste- munhas resistem a revelar so a sucess~o na carpital paracnse f~oi o prato forte do carddpio. Preferem it direto B sobrcem- sa. Lopo de Castro Jr. nio 6 o cabega nas pesquisa de opinion qfue vem vendo fei- tas para avaliar a popularidade dos can- didatos B Prefeitura Municipal de Bel~m. Mas como temn ficado entire o segundo e o terceiro lugares, tornou-se o primeiro em volume de propaganda cleitoral. Manda canietas, bolas, cartei- ras de identificago, calend~rio e mate- rial de divulgapo para supostos eleitores. ]Pelo menos na fase de pr6- aquecimento, est8 na frente. A obsessio fbusca da originalidade (pela ~i8originalidade) tem sido obses- siva em Fernando Collor de Mel- lo. Os presidents anteriores a ele costumavam despachar seus off- cios comn um prosaico "aprovo". JA Collor se mnanifestou sobre a exposigio de motives relativa as diretrizes para a A~maz~nia, lide- rada pelo ministry Mardlio Mar- ques M\/oreira, escrevendo "Sim". Um estilo original e amnbfguo pa- rece ser a masrca do president das Alagoas. Ele diz que am grupo de tra- balho integrado por representan- tes da Eletrobrds, Petrobrds, ~le- tronorte e as concessiondrias es- taduais de energia no Amazonas, Acre e Ronddnia, onde poderio ser instaladas as usinas, ir8 ava- liar o uso integrado do gds com as hidrclbtricas da regitio: "em scu plancjamento de curto e md- dio prazos, a EletrobrBs e a E10- tronorte devertio considerar a im- plarnta~gio do projeto de geragilo t~rmica a gds associado a cons- truglio das hidrel~tricas de Portci. ra e Ji-Parand, sem prejufzo do prosseguimnento das providencias referentes & alternativa hidrelCtri- ca at6 a decision final", informa o telex de Armando Aradjo. A princfpio so imaginava que a simples admission da alternative do g as natural c xcluiria o project das duas hiidreldtricas, recebidas com reserves ou crfticas diretas por vdrios grupos de opiniiio. M~as niio apenas prosseguem as provid~ncias visando Cachoeira Porteira, no Trombetas, como Ji- Parand, em Rond6nia, at6 uma decision sobre o uso do gds, co- mo, se esta alternative for aceita, ela tera que ser associada as duas polemicas usinas. iMais ainda: so adotada a nova opglio, o gas serb liquefeito na origem e sd assim transportado, o que eliminaria a construgho de um gasodato e afetaria o plano de implantar um novo polo petroqufmico no Ama- zonas. Espera-se, diante destas infor- magdes, que a opinitio pdblica nito permita que a decislio seja exclusive competencia do um grupo t~cnico, como tem ocorrido quase semprc na Amaz~nia, com os resultados que se conhece e, frequenementoe, sc lamenta. Um~ falso d ilema a graga. Para muitas, a indc- pendencia foi conquista sangren- ta, alCm de oncrosa financeiramente. Os amazinidas allo devem ter d 6vida de que vivem numa regigo colonizada, em scu mais amplo sentido e mais Iprofunda conseqll6ncia.. HAB alguns sof~ismas a res- pcito. Brasfiiandiz qucos retornos tribu- thrios c de caipitali paran a regillo excedem as remessas que faz e as contribuigies qIue priest no pais. A verdade. Mlas o reinvestimecnto 16m destino certo: os grande projetos, que vem multiplicando at gergFio de mlooda forte na regillo. Nec- nhuma no pals registrou semelhantc au- mento de sues trocas comn o exterior. O reinvestimen~to nrio tem traduglio social: cle 6 monopolizado pelos grandes em- preendimentos, que vinculam a regitio a mercados externos, deixando-lhe um amp'lo deficit social. Todos os utimeros lidos com inteligencia mostramn esse quadro. Sc o Sul preconceituoso vorla a pro- por o desmembramento do Brasil, o Norte dcycria aproveitar para pensar melhor sobre a these, ao inv~s de rejcit8- la liminarmentc por vazios argumientos patri6ticos. Ao monos para efeito tdti- co, ou estrat~gico, conviria ipensar em como seria a Amaz~nia separada do Bra- sil, niio a Amaz~nia Legal, conceito que a regitio deve comegatr a repudiar de vez, mas o Norte cldssico, delimitado pela bacia do rio Amazonas c a H~il~ia. Os que defendem a manultenglo do "statusqyuo" federtivo apontamoea xem- plo da extinta Unitio Sovidtica como uam descstimulo ao separatism~o, mas a reali- dade 6 justamente o contrdrio: 0 Brasil alo patdece das caracteristicas explosivas do cumpulsivo unitarismo sovi~tico. Po- deria former uma nova organizagno po- Iltica sem chegar ao dilaceramento da confederaglio que substituiu a URSS, mas tamb~m semn permlncecr nesse fe- derativismo centralizado c sugador. Pensar niio d6i, nem faz: mal. O que a Amazonia tem a perder, jB perdeu. Pefegrin~a9RO viabilizarilo da candcidatura de ge H61io Guciros B prefcitura de Be- 6~~lm ser8 mais dificil at6 do que poderia imaginar o ex- governadopr. Em primeciro lugar, hd a amrcaga de cle se tornar inclegivcl, comn a rejoigio de sua prestacio de contas de 1989 e a possibi- lidade de se repetir a condenagio em relagIo as contas de 1990 c o trimestre qune 6 de sua responsabilidade emn 1991. O PTS3 do prefeito Augusto Rezende vai sutilmentc fechando a porta para o alia- do de 1990. O vice-governador Carlos Santos conseguiu fincar sua base no PST e dificilmente serd batido. O grupo Libe- ral parece cada vez menos disposto a uma a!!anga. O ex- governador vai preci- sar, assimr, percorror o caminho das pe- dras aanes de chegar a raia clitoral. Re~sposta Ofurioso ao scr informado, na so- mana passadla, sobrc as declara- FC~es do mecdnico C6;zar Luis Camargo, hojc a principal testemunha do inqudri- to que aputa o assassinate do senador Olavo Pires, morto no centro de Porto Velho durantc a campanha elcitoral de 1990. C~zar trabalhava nas cmpresas de mineracio da familia Rambclo e de scus s6cios no narcottifico, usadas para "la. var" o dinheiro do negc~cio Ilegal. O de- putado Jabcs Rabelo 6 apontado pelo mecdnico como um dos organizadores do atentado, executado por pistoleiros saidos do garimpo Castelo dos Santos, controlado no Pard por Mdrcio Martins da Costa, scu irmlio Miron e Migucl Vil- laverde. C~zar diz que o entito ministro da Previdencia Social esteve duas vezes na sede das cmpresas de mineraglio do gru- po, em Porto Velho. Eram tamb~m fre. quentadores o atual deputado estadual Vilmar Freire e seu pai, Wirland F~reire, o home mais poderoso do vale do Ta- paj~s, responsivel pelo suprimento de combustivel aos garimpos. Wirland foi tamb~m o principal financiador da cam- panha clitoral do PMDB na regido. O governador garantcqyue aversto de C~zar Camargo 6 absurda e delirante, negando qualquer tipo de envolvimento com os Rabelos e associado, on visit As empresas do grupo. Jader prolmete des- mentir comn fats o que considera uma caldinia. Seu objetivo parece ser o de investir contra a quadrilha de Mdrcio e Miron no Castelo dos Sonhos, hoje transformado numa zonaliivre de bandi. tagem na divisa do Pard comn Mato Gros- so. As opgao dlo g a~s Apossibilidade de o governor iniciar a implantagilo de um sistema de geragilo trmiica B base de ggs natural na Amaz~nia nito o impedird de prosseguir o progra- ma hidreldtrico, ao menos en- quanto nito tiver tornado uma de- cislio final sobre as duas alterna- tivas, O que deverd ocorrer at6 meados dleste ano. B o que in for- nm o secret~rio national de ener- gia, Armando Ribeiro de Aradjo, em telex enviado ao JORNAL PESSOAL no final do ano passa- do. sculs membros mais capazes mi- gram para fora da regilio? HA If- deres de grapos de pesquisa ameagados de ficar sem seus au- xiliares porque at6 bolsas deini- ciag~io cientifica para alunos tem sido suspensas. Todos se voltam para o exterior, na esperanga de que as luzes da Eco-92, por re- flexo, iluminemn o final do long e negro tdnel, mas at6 isso pode se revelar, na apuragilo de tanta propaganda, nada mais do que miragem. A pirimeira COmapos~ico governador Jader Barbalho e o grupo Liberal, inimigos figadais, acabaram compelidos a um pri- meiro acordo. Rominho Maiorana ar- mou um estratagema para colocar seu amigo C~ssio Alves Albulquerque, se- cretbrio do late Clube, na diregio local do Dentel, o departamento do Mlinist6- rio da Infra-Estrutra que controla as cmissoras de radio e televislo (logo, um setor estrat~gico para o Grupo Liberal). Rominho chamou umn grupo de parla- mentares federal c os estimulou a pro- curamcm o minister da Justiga, Jarbas Passarinrha, para pedir-lhe a indicagi~o de C~ssio para o Dentel, sem revelar a origem da inspiragio. Passarinho aprovou e a nomeagio saiu antes que o governador Jader Bar- balho, donor do segundo grupo de comu- nicafio do Estado, pudesse fazer qualquer coisa. Cientificado da mano- bra, Passarin.'!n io voltou atrds,msas fez sentir scu desagrado. Cgssio, ameag~ado de ficar no fogo cruzado, fez uma visit conciliadora ao governador, que teve uma compensa~gio: p~de indicar o dlire- tor administrative do Dentel, um rarissi- mo territdrio dopoder no qual convivem representanes de Jadercedos Maiorana. Ornaal P~essoal Editor responsilvel: Liicio Fl6vio Pinto flustragiko: Luiz Pinto Rua Campos Sales, 268/803 66.020 Fone: 223-1929 Opgao Editoral m seu quinquenio como pre- sidente da Repdblica, Fer- Enando Collor de Mello pro- mete comandar o process de transiglio da Amaz~nia para o "desenvolvimento sustentdvel", o "ddrnier-cri" em mat~ria do jar- glio no mercado das iddias. O compromisso estb assuamido, com todas as letras, nas "Diretrizes para uma polftica de desenvolvi- mento da Amaz~nia", um docu- mento singelo que o president oficializou no dia 15 de novem- bro do ano passado e que a opi- nito pdblica ignorou, apesar da ocorrencia em data festiva. A im- prensa nito foi aidm do registro apressado e 6 pouco provivel que o ndmero dos leitores do docu- mento tenha ido' altm de algumas dezenas. Haveria o que destacar c co- mentar nas diretrizes, produzidas por umn ministtdrio (o da Econo- mia) e tr~s secretaries presiden- ciais (de Assuntos Estrat~gicos, do Desenvolvimento Regional c do Moio Ambiente). Elas se recu- sam a endossar a transforma~gio da Amaz~nia em "santu~rio eco- Idgico", mas tamb~m negam que a regitio deva ser "um simples objeto de ocupaglio econ6mica acelerada e tecnologicamente inadequada". Para o governo Collor, alcan- gar o desenvolvimento sustenti- vel requer "ampliar o conceito de balango de custos e beneffcios, incluindo equidade social, maior efici~acia tecnoldgica dos pro- cessos produtivos e conservagio dos recursos naturals, respeitando os valores culturais das popula- g6es locals". Esse nirvana seria atingido atrav6s de quatro polfti- cas regionais, capazes de "per- meaer o conjunto das atividades 0 investimentos na Amazonia" a ambiental, a espacial, a sdcio- antropoldgica e a institutional. Muitos stores da sociedade que costumam jogar pedras no president poderiam juntar flores ao redor de suas diretrizes so elas conseguissem convence-los de que essas palavras agora s~io para valer. O problema 65 que raros homens pdblicos consceuiram caminhar por parakclas t~io dis- tantes enue a retdrica e a prgtica como Collor. Sua administration so aproxima do segundo anivers~rio sem uni- dade e sem integridade (esta ex- pressrio arrastando ~uma ampla di- versidade de significados). As di- retrizes, um documennto mera- mente indicative, finalmente saf- ram. Mas o Plano de Desenvolvi- mento da Amaz~nia, de carter normative, continue entalado nas engrenagens burocrdticas. De quinquenal, o plano ter8, no mB- ximo, validade trienal. A rele- vincia de sua aprova~gio seria meramente formal so, a falta dela, a agHo do governo na Amaz~nia nio fosse inversamente propor- cional ao que diz estar fazendo. Para que a expansito da ativi- dade econdmnica n~io continue a ser marcada pela crescente selva- geria que transformou a Amaz6- nia em motive das preocupaqdes mundiais, sinceras on niio, 6 pre- ciso que o governo intervenha. O darwinismo social vigento na re- giso 6 um produto dos subsfdios oficiais despejados no mercado. N17o poderia scr outro o resultado dessa combinaglio depravada da socializaEilo dos riscos com a privatizag~io dos beneficios, uma conta obtusa que o discurso das diretrizes se propde a rever, in- trodozindo os components so_ clais que desequilibram o balango dessa contabilidade torta. As exportagBes da Amaz~nia quintuplicaram em 10 anos, mas o retorno da riqueza gerada foi apenas residual. Como nesse pe- rfodo aumentou mais a clientele social dos frutos da atividade econ~mica, o descompasso se tornou explosive. A misbtia reas- sumiu o "status" colonial e sd niio impressiona mais porque na "Jungle" faltam os cronistas de que era prddigo o impbrio britB- nico nas seas extens~es ultrama- iinas. Como aprofundar o conheci- mento sobre a regilio e mudar as tecnologias de aproveitamento de scus recursos, atualmente preda- d~oras, so os centros de pesquisa estito entregues as moscas (em multiplicagilo gragas &) insalubri- dade dos centros urbanos) e os PsLANOS A pa avra do pres dente |
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