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PO LITI CA A proxima guerra O PMDB nho deverb ter candidate pr6prio na maior das disputes municipais de 1993. Mas o governador Jader Barbalho prepare um nome para apoiar: o de Ronaldo Passarinho. Cr$ 500,00 Ano V atb venc8-la, o desgaste sera profundo. PoderB res- tar-lhe uma vitdria de Pirro, daquelas que se. ganha mas nfio se leva. Por isso Jader vai procurer uma candidatura para apoiar fora do PMDB. O nome ainda nio foi definido, mas a principal alternative que esta sendo trabalhada d a do deputa- do Ronaldo Passarinho. O ministry da Justiga apro- vou-a e se compr~ometeu a passer mars tempo em Bel~m para ajudar o sobrinho. Mais do que a parti- cipagilo pessoal na divulgagio do candidate, Jarbas Passarinho espera transferir recursos federais para o governor estadual, dando-lhe melhores condigdes de investimento. A primeira demonstraqio dessa parce- ria deu-se no dia 29: atraves da Caixa Econ~mica Federal, Passatinho conseguiu mais de 45 bilhdes de cruzeiros, metade dos quais correspondentesl & renegociagio da dfyida estadual e a outra metade a set aplicada atrav6s de projetos destinados a 20 municfpios. Embora apenas uma parcela desse total tenha sido liberada em dinheiro vivo, a renegocia- glo habilitou a Cohab (Companhia Habitacional do Pard) a voltar a operar. A Cohab est8 comandando a maior frente de obras na periferia de Baelm, atingindo de imediato um universe de 40 mil famflias dlretamente e uma clientele bem maior atrav~s de efeitos indiretos. Depois de hibernar durante os quatro anos de Hdlio NOvo prego Nio resistando a polftica do governor Collor, este journal vb-se obrigado a* fazer um novo reajuste do prego da capa, o diltimo do ano, ainda assim bem abaixo do indice de infla~go no perfodo. Tendo co- megado a 300 cruzeiros, sete meses atras, o JOR- NAL PESSOAL terminal 1991 a 500 cruzeiros, um indicador das dificuldades que todos enfrentamos para continuar a fazer on a ler jornais neste pafs. ra de Bel~m, a mais important das que se- r~o disputadas na eleigio do prdximo ano. OTamb~m nio fard coligagio com qualquer outro partido. Mas a mdquina estadual sera mobili- zada para trabalhar em favor de uma candidature. Provavelmente ela sera a do deputado Ronaldo Pas- sarinho, do PDS, president da Assembl~ia Legis- lativa do Estado. Essa estratdgia comegou a ser montada na lon- ga reuniio entire o governador Jader Barbalho e o ministry Jarbas Passarinho, ha duas semanas, na re- sidbncia official. Ela durou quase duas horas e teve uma d'nica testemunha: o prdprio Ronaldo. Ao final, nio houve nenhum andncio de candidatura e B pro- vavel que a iniciativa nio ocorra at6 janeiro, mesmo porque o acordo, inteiramente esbogado, nio che- gou ainda a ser fechado. Houve algo que se poderia definir como um protocolo de intengdes, Jader estd convencido de que o langamento de uma candidatura peemedebista na capital colocard seu nome no centro da campanha eleitoral, um des- gaste a que ele pretend se poupar. Ser o tema de apaixonados ataques e candentes defesas compro- metera o esforgo que o governador vem fazendo pa- ra dissociar seu nome de dendncias, suspeigdes on refer~ncias a corrupCpo, o leitmotivv" de seus ad- verstrios e inimigos. Jader quer chegar a 1994 com um nome limpo (ou o mais limpo possfvel) para conco~rere ao Senado sem precisar enfrentar uma campanha como a do ano passado. Sd o tempo hre poder8 dar esse capital. A perspective do ingresso do ex-governador Hdlio Gueiros como candidate a PMB anula a es- tzat6gia que Jader jB definiu para chegar at6 1994. Um candidate peemedebista na dispute com Gueiros tarb com que Jader se torne o alvo concentrado dos ataques oposicionistas. Mesmo que o governador tenha maita munigio para enfrentar essa gueria e or nal e ssoal Lucio Flavio Pinto 2a quinzena de dezernbro de 1991 Nr! 80 Gueiros, a Cohab esta permitindo no governor esta- dual recuperar nos subdrbios as perdas que continue a sofrer no center da cidade, nlo sd com o desgaste histdrico do nome de Jader, como pela ofensiva de asfaltamento de wuas do prefeito Augusto Rezende. A ag~o de Rezende parece ter maior efeito porque a classes media a faz repercutil mais intensamente. O subdrbio s6 costuma dar a resposta no dia da vota- Jader tamb~m continue a perder a batalha da opiniao pd~blica e esse 6 um component decisive de sua estrat6gia. Ele nlo subird em nenhum palan- que para indicar o nome de Ronaldo Passarinho, se ele for o escolhido. Essa tarefa dever8 ser desem- penhada pelo ministrou a Justiga, com maior densi- dade no centro da capital paraense. A cota do go- vernador sera nos bairros perifericos e nas dreas de invasio. Nestas, sua hegemonia 6 quase absolute. Gragas a prerrogativa de poder continuar na presi- dencia do Legislativo, Ronaldo poderi participar das inauguragbes e datas festival ao lado do gover- nador e colher os dividends das obras realizadas, sem se expor aos desdobramentos negatives de uma coligag8o. Os pianos dos Passarinhos incluem coligagbes. Antes de formaliza-las, entretanto, tio, sobrinho e associados ter~io que veneer algumas resistencias dentro de seu prdprio partido. A mais pdblica delas 6 a do vereador Eloy Santos, que se declara rambem candidate. Mas alguns jarbistas garantem que o ra- dialista nio resistird a uma conversa com o ministry da Justiga, como de outras vezes. Outro que nlo aceita um acordo com Jader d o deputado federal Osvaldo Melo, mas ele nlo teria muita influ~ncia no partido, cujo diretdrio municipal 6 controlado pelos correligionarios de Passarinho. O deputado federal Gerson Peres teria aderido a candidatura de Ronal- do no dltimo domingo, durante visit a Passarinho, esp Brasilia. Outro federal, Jos6 Diogo, tamb~m nio faria muita resistbncia. A adesio do senador Oziel Carneiro 6 considerada certa no reduto jarbista. O primeiro alvo para um acordo 6 o PTB do prefeito Augusto Rezende. Ronaldo conversou du- rante uma hora com o deputado Zenaldo Coutinho, alguns dias atris. Tem mantido contatos telef6nicos com o prefeito, mas ainda nao trataram- concreta- mente das possibilidades de uma alianga. O maior trunfo de Ronaldo para esse entendimento 6 a oferta de garantia de apolo para Rezende consumal seu projeto politico: eleger-se deputado federal em 1994. Para alguns interlocutores, Rezende confes- son que nio0 confia no ex-governador H61io Gueiros como suporte para os dois anos de vacuo que terd depois de deixar a prefeitura, no infcio de 1993. O esquema de sustenta~go para esse perfodo tem que ser seguro e eficiente. Ajax d'Oliveira deu-se maito mal porque seu esquema era falho: seis meses de- pois de larger a PMB nio conseguin nada al6m de uma quinta suplgncia de deputado federal. Desilu- dido, abandonou a polftica, levando consigo uma carga de migoa da qual nunca conseguiu se desfa- zer. O ministry e o deputado estio convencidos de que Rezende sd tera a ganhar optando por uma 'alianga com o PDS. A indicaglo do vice nessa am- pla e tortuosa alianga teria uma vantagem suple- mentar: conseguindo consolidate~ sonl .candidatura (que 6 o primeiro desafio, nio desprezlvel para quem teve magras votagdes nas duas diltimas elei- g~es) e vencendo a eleigio, Ronaldo podedl fazer de um bom comego de administrator na prefeitura de Bel~m um trampolim para habilitar-so n~o pass seguinte, o governor do Estado. Nesse caso, o vice subiria e estaria no cargo na elei~i~o de 1994, no memento certo para ajudar a candidatura de Rezen- de & Clmara Federal, Por causa da exequibilidade desse esquema, o ex-governador H61io Gueiros esta preferindo um novo partido ao invbs de seguir o rumo do PTB. A slgla do partido the foi oferecida logo depois que ele deixou o governor e parecia que o acerto era apenas uma questio de tempo. A princfpio, a maior resistancia era a do deputado Nelson Chaves, tam- bbm candidate a candidate a PMB. Depois, com cuidado, o prefeito den demonstrates de que nio via com simpatia o ingresso de Gueiros no PTB e sua eventual candidatura. Sd esta situagio B capaz de explicar o desvio de rota para o PST, que impli- ca na transferencia de deputados e num arranjo so- bre cujo desfecho ainda nio B possivel fazer previ- sao. Em Brasilia, Gueiros prometeu ao ex-governa- dor do Parand, Alvaro Dias, chegar no PST levando quatro deputados federals e quatro estaduais. No primeiro grupo estariam Hildrio Coimbra, Carlos Kayath, Mar-io Chermont e Jos6 Diogo. No segundo, Wandenkolk Gongalves, Jos6 Francisco, tenaldo Coutinho e Ntison Chaves. A inclusiio de Nelson na list faz os jarbistas deduzirem que Gueiros estg blefando. Mesmo que nio consiga todas essas ade- sbes, o ex-governador teri nas ml0s uma bancada expressive, o que falta ao PST, mas a estrutura e a organizgg~io do partido slio controladas pelo vice- governador Carlos Santos. Ele disse que nio vai desistir dela, nem aderic a Gueiros. Os dois terio entito que disputar o domfnio at6 a convenglo que decldird sobre a posigio do partido na eleigio de 1992. H61io ainda nio conseguiu forgar uma defini- glo do grupo Liberal, divide entire a necessidade de reagir a Jader Barbalho e a conveniencia de encon- trar um candidate para apoiar mais confi~vel do que o ex-governador, famoso por mudar de convicqbes conforme suas prdprias conveni~ncias, que nem sempre slio as dos seus aliados. Como em muitas guerras, o estigio atual da dispute municipal 6 o da reuni~o de forgas. Um inimigo procura mostrar ao outro que B mais forte antes do memento em que, mais do que proclamar, serd precise provar essa forga. C8USa verdadeira Uma fonte do setor eldtrico confirmou que o acidente na linha de transmissio da hidrelbtrica de Tucuruf a Vila do Conde foi causado mesmo por uma pega defeituosa instalada em uma das torres, que estava fora das especificag8es t6cnicas, fato di- vulgado exclusiv~amente por este journal. Mas garan- tiu que essa foi a Unica pega encontrada em toda a extensio da linha pelos t6cnicos que fizeram uma rigorosa inspegio depois do "blecaute" de margo. As demais atendiam as exig~ncias dos terms de re- cebimento e tem perfeitas condiqbes de uso. Logo depois de assumir pela primeira vez o governor do Estado, em 1983, Jader Barbalho deu uma ordem B diretoria da Celpa (Centrais Eldtricas do Par&): queria que at6 outubro de 1986 a empresa construfsse a sua maior linha de transmissio de energia, nas regimes nordeste e sudeste do Estado, com 700 quil6metros de extensho, aidm de subesta- g6es e algumas redes urbanas de distribuigio. Do langamento do edital at6 a conclusio das obras se passaramn apenas 24 meses, mas a construgio em si n~io durou mais do que 16 meses quase uma faga- nha de engenharia. As empreiteiras conclufram a sua parte, entre- gando as linhas dentro do prazo exigido pelo go- vernador. Inaugural-las rendeu bastante votos para os candidates do PMDB nas eleigdes de 1986, in- clusive H61io Gueiros, que conseguiu attancar a autorizagio federal para os empr~stimos necess~rios aos projetos obstruindo a pauta do Senado. Mas o governor ndo concluiu o pagamento dos servings executados. Essa dfvida, segundo relatdrio elabora- do em 1987 pelo ent~io director financeiro da Celpa, Arlindo Ferreira dos Santos, seria o equivalent a US$ 16 milhdes (em torno de 15 bilh~es de cruzei- ros, ao cgmbio do dia). A Sade entrou na Justiga para cobrar seus cr6- ditos, conseguindo sentenga favorlvel em primeira instincia. Mas nio a executou porque, al6m de ain- da caber recurs B Celpia (embora apenas quanto ao valor da dfyida), a empresa assinou um termo de confissio comprometendo-se a pagar tudo o que de- via. O pagamento ainda nio foi efetuado. Em duas reportagens seguidas, o JORNAL PESSOAL con- teston a composigio e o valor final apurado desse ddbito (ver os ndmeros 78 e 79). O deputado Zenal- do Coutinho, do PTB, com base nas mat6rias, pediu a instalagIio de uma CPI na Assembl~ia Legislativa para apurar a transagio. O governador Jader Barbalho se antecipou & eventual aprovagio do requerimento. Mandou seu chefe do gabinete civil, Manoel Ribeiro, comunicar a mesa da AL que os principals personagens envol- vidos com a questio (o secretirio da Fazenda, Ro- berto Ferreira, e o president da Celpa, Maurfeio Vasconcelos) receberam orientagio sua para compa- recer ao plendrio e prestar os esclarecimentos jul- gados necess~rios pelos parlamentares, com on sem CPI. Uma f~onte official acrescentou que o governa- dor interpelaria judicialmente este journal para co- brar informagbes, hipdtese que nio se concretizou at6 o fechamento desta edig8o. Convencido de que nio hB irregularidades on aproveitamentos espd~rios nas obras, on ao menos nenhuma participagfio sua desse tipo, o governador estaria disposto a sacrifi- car qualquer um de seus auxiliares com comprovada manipulag~io dos recursos pdblicos. "O Jader nio vai segurar nitigu6m que errar. Quem sair da linha responder~d por seus atos. Verificada alguma ilicitu- de, haver8 demissio sum~ria", diz a fonte. Uma CPI competent, s6ria e honest poders ajudar a desvendar as ddvidas que existem por tris de uma das maiores obras jB executadas pela princi- pal das empresas estaduais do Pard. Essas ddividas sio, em boa parte, resultantes da prdpria determina- cgo governmental de estabelecer uma data limited para a conclusio dos servigos, sintomaticamente um m~s antes da eleigiBo de 1986, na qual Hdlio Guei- ros se tornou o successor de Jader Barbalho. Esse fator 6 apontado, no relatdio de avalia~go elabora- do em margo de 1987 pela Themag (encarregada, sem concorr~ncia, de preparar o projeto preliminary, simplesmente porque mantinha contrato ccm a Cel- pa desde 1981), como determinante no crescimento do custo final. Embora devendo o equivalent a US$ 16 mi- th~es, o governor estadual jB pagou aos consdrcios particulares US$ 45 milhbes. O acr6scimo de quase um tergo no valor do servigo realizado 6 atribufdo g inexist~ncia de um projeto bbsico para dar respaldo ao orgamento das empresas. No entanto, mesmo sem estudos detalhados de campo, os t6cnicos que pro- jetaram o valor das obras quase nio erraram numa parte essencial: o projeto preliminary previa a apli- cagZo de 15,9 milhbes de ddlares em material e o realizado foram 16.7 milhbes. A margem de erro foi grande na montagem, cuJa previsIo, de US$ 6,4 milhbes, foi superada em dobro, com custo final de 13,5 milhbes. Os dados levantados no relatdrio da Themag indicam que os selvigos comprov~veis (co- mo subestag~es, torres e linhas) couberam no que estava previsto. Apenas servigos diffeeis de mensu- rar (terraplenagem e m~io-de-obra, por exemplo) extrapolaram, o que sugere, ao menos como hipdte- se, o supertaturamento pelas empreiteiras. Talvez por causa de seu empenho em construir as linhas no exfguo prazo de tempo de que dispu- nha, a diretoria da Celpa atropelou certas cautelas e interstfcios regulamentares. Os contratos com as empreiteiras foram assinados de um a dois dias an1- tes de serem homologados pelo conselho de admi- nistragio. No dia em que o Senado aprovou o aviso de prioridade do empr~stimo externo, a Celpa obte- ve US$ 11,4 mithdes e houve a aprovag~io e a auto- rizagio dai diretoria e do conselho de administraglo. A rapidez deve ser louvada quando se trata da bu- rocracia official, mas deve ser investigada quando suscita ddvidas. A CPI pode cumprir essa sandivel f'ungho profil~tica, caso haja o que expurgar, tanto em relagio ao passado, jB realizado, quanto emn re- lagio ao pagamento da dfyida consolidada, o que cabe ao atual governor fazer de uma forma limpa e favoravel ao Estado, espera-se; espontaneamente, se possfvel, compelido a isso, nio havendo outro jeito. Vermelho outra vez Em seu mais recent panegfrico, a revista Veja anuncion que, finalmente, a Jari apresentaria lucro em seu balango, de 5 milh~es de ddlares. Esqueceu de esclaxecer que se trata apenas de lucro operacio- nal. Oneradas pelo pesado custo financeilo, as contas da Jari apresentario novamente prejufzo, pelo 120 ano consecutive. O "vermelho" dever8 ser expressive por causa do empr6stimo externo feito pela empresa para cobiri os efeitos do grave aci- dente de 1988. A grande obra veloz leiro de Alumfnio, do grupo Ermfrio de Moraes) acumularia mais 5 on 1Cj%, aidm do que jai 1he esta- tia garantido atrav6s da MRN. Uma "trading com- pany" alemi tamb~m poderia entrar. Assegurados as saques de toda a produg~io de alumina, outra question 6 a do capital. Dos US$ 850 milh6es de custo total do empreendimento, a CVRD jB aplicou aproximadamente US$ 300 milh~es, send US$ 140 milhbes do BNDES (que garantiu outros US$ 90 milhbes) e US$ 75 milh~es dos japoneses (US$ 35 miihbes na forma de empr6stimo e US$ 40 milhbes por enquanto atd5 nova deinigio do capital con- vertidos em agdes preferenciais, sem direito a vo- to). A Alunorte ainda nio inicion a amortizagio dos financiamentos jB contraldots, limitando-se a pagar os juros vencidos durante a construgio. Dos US$ 560 milhbes que faltam, US$ 150 milh~es ser~io arrecadados na drea da Sudam. Com cuidado para nsio criar maior expectativa em relagio ao seu pedido, a CVRD submeteu o projeto-da Alu- norte ao Conselho Deliberativo da Sudam, que o colocou em pauta para a reuni~io do dia 13, em Be- 16m. Vinte anos antes a Alcan havia encaminhado no Condel o projeto de bauxita da Mineragio Rio do Norte, depois nacionalizado pela CVRD, o maior atd entio examinado pelo colegiado. O impact da Alunorte serd ainda maior e poderia provocar rea- g~o dos demais empresarios se a Vale niio fizesse um trabalho de bastidores para demonstrar que nlo ird retirar recursos da an~mica cesta dos incentives fiscais . A empresa garante que sua cota de colaboraCio financeira nrio ird prejudicar os demais clients do Finam. Em primeiro lugar, assegura que no perfodo o orgamento do fundo sera o equivalent a US$ 400 milh~es e sua participagfio nio ird al~m de uns 12% (ainda assim expressive para um fundo com mais de mil clients potenciais). A maior garantia, entre- tanto, seria outra: a Vale esta procurando convencer seus agents financeiros e fornecedores a optar pelo Finam, investindo nesse fundo suas dedug6es do imposto de renda o que significaria injetar recur- sos novos, ao inv6s de recorrer nos ja disponfveis. Esse trabalho de convencimento parece ter sido eficiente porque a maior preocupagio dos emprest- rios que visitaram o distrito industrial de Barcarena na semana passada foi com sua participagio nas en- comendas que a Alunorte voltard a fazer. Intervindo numa discussion que poderia acabar descambando para agressdes entire clients, o president da Fede- ragio das Inddstrias do Pard, Fernando Flexa Ribei- ro, tentou levantar o nfvel do debate com questbes de maior importincia social e econdmica do que as relagbes entire contratante e contratado. Mas o sig- nlficado maior da Alunorte passou ao largo das preocupagdes manifestadas durante a rdapida visit da comitiva da Fiepa. Mauricio Schettino, superintendent da Albris, procurou destacar os efeitos duradouros do empre- endimento, lembrando que cinco inddstrias metaldr- gicas jB se implantaram no distrito industrial de Barcarena gragas ao aparecimento da Albras. To- das, por6m, de pequeno porte, resultam de efeito Em margo do prdximo ano a Alunorte deverd entrar ,em ritmro de plena implantagiio para comegar a funcionar comercialmente no final de 1994, mais de 15 anos apds o langamento de suas obras. Nesses tr~s anos, a Companhia Vale do Rio Doce, Unica proprietiria da Alunorte, que dever8 se tornar na maior f~brica de alumina do pafs, instalada em Bar- carena, a 50 quilbmetros de Bel~m, precisard en- contrar novos sdcios para dividir com eles os 560 milhbes de ddlares de investimento previsto. A tarefa nio 4 f~cil. "Quem tem 500 milhdes de ddlares nas m~ios nio deveria aplicar esse di- nheiro numa f~ibrica de alumina", aditiu o presi- dente da Alunorte, Ulisses Freitas, em palestra feita para emprestrios, no final da semana passada. A alumina, um pd branco obtido atrav6s da lavagem qufmica da baux:ita, praticamente nio dB lucto. Ex- ceto por uma utilizagIo marginal na inddstria cerl- mica, sd os produtores de alumfnio a compram. As transagdes slio feitas diretamente, com uma pequena margem de livre comercializagio no mercado "s- pot". A CVRD teria maito melhor rentabilidade se aplicasse o meio bilhio de ddlares em pap6is, mas continuaria expondo a fibrica de alumfnio da Al- brds, cujo domfnio divide com o consdrcio japonbs NAAC, a manipulagio dos seus fornecedores de alumina. A alumina que a Albrils usa na produgio de metal prov~m de sete fontes diferentes. Com a Alunorte, ter8 uma f~ibrica quase cativa bem ao la- do. Da produghio de 1,1 milhio de toneladas anuais, 670 mil toneladas iIdo para a Albrds. Pelo projeto original, definido por brasileiros e japoneses, a Alunorte deveria ter safdo alguns me- ses na frente da Albrds, exatamente para permitir a formagho de um certo estoque de alumina. Mas a Albris iniciou sua operag~o em 1984, jB com atra- so, e a Alunorte empacou, principalmente porque os japoneses se desintelessaram pelo projeto. Para os sdeios nipbnicos, o que conta 6 o lingote. Eles nio querem saber como se da. o suprimento dos insumos e mathrias primes, desde que eles nfio onerem o custo final, Originalmente, a fibrica de alumfnio da Albris deveria ser a maior do mundo na 6poca, com 640 mil toneladas de metal. Esse tamanho viabilizava automaticamente a Alunorte. Com a redugho B me- tade da capacidade da Albrds, a Alunorte ficou num dilema: nio poderta funcionar como unidade cativa de suprimento e o excedente de alumina era peque- no demais para permitir-lhe conquistar mercado. A dnica safda seria expandir sua prdpria capacidade de produgho (o que f~oi feito: de 800 mil para 1,1 milhio de toneladas). Mas essa opg8o exigia dispor de novos sbcios para que eles se responsabilizassem pelo saque de volumes adicionais do produto. A CVRD espera definir, at6 o final do ano, es- se novo esquema societgrio. A Albrds se tornaria cotista maijorit~ria, com 61% do capital da Alunor- te. Os japoneses, albm de terem 49% dos 61% subs- critos pela Albrds, ficariam com uma participa~o adicional de 10 ou 15%. A Mineraqilo Rio do Norte absorveria 20 ou 25%. A CBA (Companhla Brasi- A volta da Alunorte para trgs da fabrica. Funcionam fornecendo bens para a empresa ou atendendo suas necessidades operacionais. Nenhuma utiliza o metal como mattria prima ou insumo para beneficiamento, o tal "efeito para a frente" de: que tratam os economists. O Brasil, pafs rico em energia hidrelbtrica e bauxita, Investiu pesadamente (peso agravado por um alto grau de endividamento e em moeda externa) na mineragio e na metalurgia, mas nio chegou a in- ddstria de transformagio. Os japoneses, exemplo melhor na economic mundial, agiram exatamente ao contrario. De 1973, data do primeiro cheque do petrdleo, at6 agora os japoneses deixaram de produzir~em seu territdrio 1,2 milhio de toneladas de metal, transfe- rindo essa produgio para outros locals, satelitiza- dos, mesmo quando a mais de 20 mil quil~metros de distincia, como Barcarena. O que eles tiram da Al- bras equivale ao que restou de produgho internal em solo japon~s. Ha. poucos casos de transferencia de um process produtivo tao bem sucedida como esse, gragas A generosidade e, naturalmente, inedria _ de passes como o Brasil. Na semana passada, o prego do alumfnio che- gou ao seu nfvel mais baixo em anos recentes, de US$ 1.106 por tonelada (contra atd US$ 2.100 no ano passado), puxando para baixo os pregos da bauxita, da alumina e da energia elitrica e gra- vando justamente as mercadorias (duas das quais nem "commodities" sho) nas quais o Brasil se es- pecializou. Mas os pregos das manufaturas conti- nuaram em cima. Uma simples extrusio dB ao seu realizador ganho de 100% sobre seus custos indus- tr~iais em relagio ao produtor de lingote. A implantagho da Alunorte 6 quase uma ques- tio de honra para todos, mas 6 tamb6m um ponto estrat~gico do complex industrial de Barcarena. A Albrds mant~m-se ali como uma mesa com duas pernas. Mas se a Alunorte complete o perfil para trds do pdio metaidrgico de alumfnio, a caminhada para a fiente t ainda mais important e tamb~m diffcil. RealizB-la exige a secuperagio e correqio de uma das mais desastradas decis6es industrials que o Brasil jB adotou. Alguns especialistas consideram o erro irremedi~vel e apontam uma sdrie de explica- 96es tecnicas, inclusive as de frete. Mas os ganhos que o pafs poderia ter (de imediato, com fatura- mento adicional de mais de 600 milhbes de ddlares, quase o investimento da Alunorte) sHo o maior es- tfmulo para tirar essa pedia do caminho e colocg-lo numa nova tralha. Albrbs perde US$ 120 milh~ies A Albrds, a maior empresa industrial da Ama- zdnia, deveri fechar o seu balango deste ano com um prejufzo entire 100 e 120 milhbes de ddlares, di- nheiro que seria suficiente para financial mais de dois tergos do program de macrodrenagem das bai- xadas de Beldm, o mais important de toda a histd- ria da capital paraense. O resultado negative em grande parte se deve ao "blecaute" de margo deste ano, que deixou a Albrd~s sem energia durante 12 horas. Sd no inkcio deste m~s a empresa se livrou de todas as sequelas provocadas durante oito meses por esse acidente, o mais grave: da histdria da in- ddstria de alumfnio no mundo causado pela falta de energia ei6trica. O "blecaute" ocorreu um m~s de- pois que a Albrds havia alcangado a plenitude de sua produgho, passando de 160 mil para 320 mil to- neladas anuais de metal. A produgho deste ano sedi de 290 mil tonela- das, mas 43 mil delas' com teor de pureza abaixo dos padres de qualidade da fabrica, o que significa uma perda de 120 a 170 ddlares por tonelada. O faturamento n6o deverd ir al6m de 410 milhdes de ddlares, insuficiente para cobrir os custos totals da empresa. Ela sofreu o agravante de 30 milh~es de ddlares agregados B dfyida junto aos financiadores japoneses por conta da valorizagio do yen em rela- 950o ao dd~lar, um ftem do contrato que se tem mos- trado desastroso' para o tomador do dinheiro. A si- tuagio se tornard ainda mais delicada no prdximo ano, quando comegario a veneer as parcelas do em- pr6stimo, que representou 70% dos US$ 700 mi- lhbes investidos pela Albras na primeira etapa do seu projeto. Se os pregos permanecerem baixos, como durante o exerdlcio de 1991, o prejufzo deve- ri crescer ainda mais. A Albris diz ter perdido US$ 60 milh6es com a suspension do fornecimento de energia da hidreld- trica de Tucuruf, em margo, por causa de um aci- dente na linha de transmissio. S6 recebeu do segu- ro, atE agora, US$ 10,5 milhges. Os seguradores estariam dispostos a chegar at6 US$ 60 milh~es na cobertura dos prejufzos, deixando US$ 20 milhbes sem reposigrio. Uma fonte extra-oficial apresenta um ndimeio diferente: diz que o valor a descoberto chegard a US$ 40 milh6es e que o total do prejufzo seda de US$ 80 milhdes. Este C tamb~m o valor do investimento para duplicar a linha Tucuruf-Vila do Conde, comn 300 quildmetros de extensio. Uma agbncia governa- mental japonesa estaria disposta a financial a obra, em condiS6es favor~veis (de juros, car~ncia e prazo de amortizagio), fornecendo US$ 64 milhbes (80% do total) & Eletronorte, com o aval da Eletrobr~s. Mas o setor el~trico nio quer assumir o encargo, preferindo que a prdprla Albris faga o emprdstimo e recupere o dinheiro atrav6s de um acerto sobre tari- fa, g semelhanga do acordo feito pela Eletronorte com o consbrcio Alcoa-Shell, dond de uma fa~brica de alumfnio semelhante g da Albrds, em S~io Luis. A diregio da Albris admite que a nova linha B vital para dar seguranga a sua operag~io industrial, mas alega tambbm que o crescimento do consume de BelBm tornarg a duplicagBo necessbria. Os danos causados pelo "blecaute" foram maiores porque a energia de Tucurui segue at6 Vila do Conde atrav6s de uma linha singular. Nada deveria ser mais democr~tico numa so- ciedade pluralist do que a p~igina de um journal. Nada 6 mais elevado numa comunidade humana do que a civilidade de seus integrantes. Quando demo- cracia e civilidade se unem, o projeto politico vale a pena e a political passa a ser o instrument de vanguard na condugio dos destines de um povo ou de -uma nagio. As id6ias entram em cheque e atra- ves dessa frieg2io, suficientemente ele~vada para ab- sorver os antagonismos pessoais, todos avangamos. N~o 6 isso, pox6m, o que se pode observer neste pals. Muito mais distantes desse ideal estamos -nds da periferia provinciana. As pdginas da impren- sa vio se transformando numa extension de palan- ques ou do balc~io de negdcios. As vezes at6 cresce certo tipo de agressividade, mas encurta o conted- do, a informagio 6 dissipada pelas conveni~ncias do memento . Liberdade de imprensa consisted em publicar tudo o que de relevant os jornalistas conseguem apurar. A principal funglo da imprensa 4 a de au- ditar o poder, fiscalizar os governantes em nome dos governados. A este trabalho elementary deu-se o nome de jornalismo investigative a meu ver quase uma redund~ncia (o jornalismo que apenas transfer o que recebe, sem checagem, 6 perfumaria). Sabe-se maito em redaC6es de jornais, mas o que filtra para suas plginas e apenas uma amostra do conheci- mento dos profissionais de informag;io e nem sempre o que de mais revelante eles sabem- Hg uma constant intimidag~o soble os que ainda conseguem se dedicar a esse trabalho de liga- glo entire os que det6m o poder e os que apenas so- frem suas consequ~ncias. Para divulgar uma question mais escabrosa ou um tema de maior periculosidade, um jornalista precisa dispor neste pafs de docu- mentos, das provas que precisard apresentar na Jus- tiga se e quando for interpelado, sempre preocupado com o rigor jurfdico na caracterizac;io desse mate- rial. No Brasil, Bob Woodward e Carl Bernstein jamais teriam levado o president da Repdblica a renunexar, como fizeram nos Estados Unidos com Richard Nixon. Na semana passada, comentando a verso ci- nematogrifica de "Todos os Homens do Presiden- te", o primeiro Ilvro da dupla sobre o "esclndalo Watergate", podia-se chegar is 18grimas pensando em como os dois atd entio obscures repdrteres construftam a s~rie de matdrias para o "Washington Post" comn base em depoimentos verbais, em dedu- g6es Idgicas e em pistas meramente indicatives. Os documents, que resultaram em quase quatro mil piginas de dendncias contra Nixon, foram reunidos na Justiga, brago auxiliar da impiensa americana, ao invbs de seu algoz, como no Brasil. Num certo mo- mento, "Deep Throat", a preciosa fonte sigilosa de Woodward, diz que os dois estio correndo risco de vida. Os repdxte~res e seus editors se assustaram, mas todos continuam sanddveis at6 hoje Tudo ndo passou de conjecture. Na nossa Amazbnia essa es- peculagio costuma set feita pds-morte. Os jornais nio se aviltam pelo que ousam, mas pelo que deixam de publicar. Se cometem erros, de- vem abrir suas paginas para a corre~go, um gran- dioso ato de pedagogia, o dntco capaz de instruir o leitor e fazC-lo consolidar a deocracia que os eter- nos pais da p~tria vivem querendo defender, quase sempre sufocando-a. No Pard, a controydxsia sumiu das pgginas dos jornais, exceto por trivialidades. O lespeito ao leitor ofendido, injuriado ou caluniado desapareceu, em boa parte pela interpretagio obtusa que magistrados fazem da odiosa lei de imprensa, feita pars cercedi-la e nio para oxigend-la, como nos Estados UI idos. E em boa hora que jornalistas se mobilizam na tentative de impedir que a nova lei. em tramitag5io no Congress, seja apenas uma caiaCio apressada da anterior. Queremos que as piginas dos jornais, com maito mais propriedade do que as telas das te- levisbes e as ressonincias das radios, sejam uma expresso viva da sociedade, pela qual exercenmos nosso dificil offcio, ao invds de se tornarem numa gazua nas mios de personagens nem sempre habili- tados para entender o que fazem e exercer o poder que tem, as vezes por n~io mais do que mero acaso. Versao arquivada O coronel Newton Barreira, que foi vice-go- vernador do Estado na administraCio Fernando Guilhon (1971-75), chegou a escrever uma cart a propdsito da resenha que fiz do primeiro volume das memdrias do ministry Jarbas Passarinho, "Na Planfcie". Mas decidiu nio remet8-la. Seu objetivo era retificar um ponto do meu artigo: Barreira diz que nio era mais funciontrio no escritdrio de enge- nharia de Ocyr Proenga, quando o acompanhou para Lestemunhat a entrega de dois cheques ao entio pre- feito de Bel6m (e candidate ao governor) Alacid Nunes. Os cheques, de bancos diferentes, eram de Gilberto Mestrinho, que havia sido cassado um pouco antes pelo movimento military de 1964, quan- do era governador do Amazonas pela primeira vez (voltou duas outras vezes ao cargo, no qual perma- nece no memento). Ocyr queria uma testemunha e recorreu a Barreira, de quem era "muito amigo". Os dois haviam trabalhado juntos, mas naquela bpo- ca o ex-oficial da ativa da Aerondutica jB era presi- dente da Forga e Luz do Pard, empresa aritecessora da Celpa. Numa conversa durante a visit as instalag~ies da Aiunorte, da qual 4 director administrative, por indica~go do ministry Jarbas Passarinho, Barreira admitiu que se estivesse no lugar de Alacid niio aceitaria o dinheiro, dado para "ajudar na campa- nha eleitoral" "para comprar os bois", como em segulda o major Alacid diria ao tenente-coronel Passarinho, governador do Estado. Mas Barreira nio viu nada de errado em acompanhar Ocyr Proen- ga na entrega dos cheques, dados como gesto de gratidio de Mestrinho pela ajuda de Passarinho na venda da fabrica de cimento de Capanema. Barreira era um dos destacados integrantes locals do movi- mento military que dep~s o president Jolo Goulart, do mesmo partido de Mestrinho, o PTB, mas de me- nos sorte do que seu correligiond~rio. A verdadeira imprensa prdprio journal de Jader. JA o grupo Liberal usa e abusa de seu monopdlio, cuja solidez 6 ameagada menos pelos concorientes internos do que pelas perspectives de acirramento das dissengdes inter- nas. O journal se permit o luxo de nio seguir qual- quer tipo de regra, da 6tica B moral, e conceder-se todas as contradigdes. Nio publicou minha cart em resposta ao vereador Raul Meireles, do PT, como tamb6m desconheceu a resposta da deputada federal (PC do B) Socorro Gomes a um artigo do advogado Silvio Meira. Mas os arguments que serviram para bloquear o exerefcio do mais elementary direito que hB na relagio entire a imprensa e o leitor nio existi- ram quando o journal decidiu publicar a resposta de Afonso Vfter Cardoso a Sdnia Gluck Paul, chefa da Defensoria Pdblica. Luis XVI e Maria Antonieta julgavam divines as origens de seus privil~gios. A revoluglo francesa 34 ocorreu ha. muito tempo para que esses auto-pre- sumidos filhos do sol possam reivindicar os mesmos privil~gios particulares diante da abstingncia da esmagadora maioria, como se vivessem em bolhas pairando muito acimal de suas obrigagdes. A primei- ra de um digio de imprensa 6 com a realidade dos fats e as necessidades de seus leitores. Quem nio as atende nlo sobrevive muito tempo e esta tem sido uma regra sem excegio. L..WFO RlSterioso O secretlrio da Fazenda, Roberto Ferreira, niio compareceu a 61tima reunilio do conselho de admi- nistragio da Ceipa, do qual 4 membro. Alegou ter sido chamado B dltima hora a Brasilia pelo gover- nador Jader Barbalho. Sua substitute, Raquelita Athias, tambt~m n17o foi. Mas o secretirio garantin que estard present g prdxima reuniio, marcada pa- ra o dia 19. Dir& entio que nio reteve um livro de atas da Celpa, confirmando apenas ter-se recusado a assinar o texto que the foi enviado porque ele nio correspondia ao que foi decidido na reunilo de ju- nho de 1989. Conforme o JORNAL PESSOAL jB divulgou, o texto da ata realmente modificou a decisio dos con- selheiros, mas Roberto Ferreira de uma maneira incompreensivel recebeu o livro, ja: assinado por seis dos oito conselheiros, e n~io mais o devolveu, como poderd ser verificado por edital de extravio de document divulgado na Cpoca pela Celpa e pe- los registros na Junta Comercial, a parte qualquer outro registro que tenha ficado do episddio na prd- pria empresa. Se o conselho tender os pedidos do represen- tante dos empregados, Sinval Amorim de Menezes, essa estranha histdria poder8 comegar a ser esclare- cida. NOva fabrica O grupo Caemi, de Augusto Antunes, espera colocar em operagio, at6 o final do prdximo ano, uma fibrica de cavacos (os "chips") de madeira, com capacid'ade para 600 mil toneladas anuais, des- tinadas preferencialmente ao mercado japon~s. A Amcel, responsivel pelo empreendimento, tem qua- se 90 mil hectares de "pinus" plantados no cerrado do AmapB. Xerfan ressurge Pela primeira vez desde seu rompimento com Jader Barbalho, o ex-prefeito Sahid Xerfan voltou a anunciar no "Didrio do Pard", o journal do governa- dor. O andncio, de pdgina dupla, saiu na edigio do dltimo domingo do journal, o mesmo que havia sido veiculado em cores em "O Liberal" da semana anterior. Aldm desse fato bastante significativo, a campanha promocional marcou a volta do grupo Xerfan aos investimentos na "mfdia . Desde a derrota na eleigio para o governor do Estado, no ano passado, o ex-prefeito de Belim ha- via se retraido e dedicou inteiramente os meses se- guintes no trabalho dentro da empresa, que estava em situaCio diffcil. Os amigos calculam que Xerfan aplicou o equivalent a dois milhdes de ddlares, de sen prdprio bolso, na campanha eleitoral. Essa per- da foi acumulada com ma gestio dos negdcios du- rante o tempo em que esteve envolvido com a polf- tica. Uma recuperaq~io teria que envolver a boa vontade do governor. Embora Jader e Xerfan nio tenham conversado ,pessoalmente, terceiros promoveram uma reaproxi- mag~io entire os dois. O rescaldo da campanha foi tratado. Xerfan nio apoiara Hblio Gueiros, se ele for candidate a prefeitura. PoderB vir a apoiar Ro- naldo Passarinho. A legislagio o Impede de ser candidate na prdx~ima eleigio na capital, mas seu nome ainda se traduz por maitos votos. Xerfan niio passarg no largo da dispute. Sob os palanques Quem leu apenas as edigdes de terga-feira da semana passada de "A Provfncia do Pard" e do "DiBrio do Pard" ficou sem saber que o deputado Zenaldo Coutinho, do PTB, pedia a instalagio de uma CPI para apurar os contratos da Celpa com dois consdrcios de empreiteiras, que resultaram nu- ma dfyida 30% maior do que o capital da empresa. Presume-se que os dois jornais deixaram de incluir esse~assunto porque ele desfavorece o governador Jader Barbalho. Ja os leitores de "O Liberal" facaram sem sa- ber que o deputado petebista fez o pronunciamento baseado no JORNAL PESSOAL. Todas as refer~n- cias a este jornall, inclufdas no original da reporta- gem, foram cortadas na edigio do material. Expur- gadas siio tamb6m todas as fotos do governador, mesmo quando compbem um dado important do notictario, e. as refer~ncias que possam ser capitali- zadas por Jader. "O Liberal" publicou declaragbes do ministry Jarbas Passarinho sobre temas nacio- nais, mas omitiu os atos que ele patrocinou e para os quais serving de testemonha em Beltm, porque neles o personagem principal era o governador. Sem uma mudanga draistica da situagio atual, a imprensa caminhard para uma partidarizagio ainda mais radical, na eleigio do prdximo ano, do que na de 1990. Para sobreviver aos rigores que se abate- ram sobre o mercado, agravados por sua condigio de isolamento desde a perda das emissolas de radio e television, "A Provfncia" alinhou-se com o gover- nador, dando-lhe as vezes mais destaque e quase sempre uma cobertura mais eficiente do _que o o em~opeu comegou a conquistar no s6culo 17 foi desviados abruptamente da trilha fluvial para as ro- dovias distantes, na terra firme, onde foram finca- das bases de langamento de riquezas naturals resis- tentes ao mundo no redor, de que slo exemplos maiores a mina de Carajas e a hidrel6trica de Tucu- ruf, ambas no ParB. Nlo 6 a Agua do Amazonas em si, pura como 'se fosse destilada, a portadora do agent maligno capaz de desencadear uma epidemia que recobrird a Amaz~nia e o Brasil com uma ima- gem que o Primeiro Mundo sd conhece pelos regis- tros dos arquivos e que, vista na realidade con- tempor~nea, causard horror maior do que o autori- zado pela prdpria realidade. A patologia 6 criada pelo home, que conta- minou a paisagem natural e crion os hospedeiros multiplicadores das doengas. A Agua servida & po- pulagio de Bel~m, maior cidade da Amaz~nia, comn 1,5 milhio de habitantes, provavelmente esta con- taminada pelo lixo depositado num buraco escavado a algumas dezenas de metros dos mananciais. O re- servatdrio est8 cercado por habitagbes sem instala- F6es sanitarias, cujos moradores langam indiscrimi- nadamente rejeitos, dejetos de lixo. Os habitantes de uma cidade como Oriximind, vizinha da maior usina de bauxita do mundo, bebem Aigua com um in- dice de coliformes fecais 50 vezes acima do toler8- vel. Num quadro assim, a sclera assusta, mas deci- didamente veio para ficar. Por quanto tempo nin- gu6m sabe. Atras do future O mindrio de: mangan~s de bom teor do Amapt estard esgotado, no mdiximo, at6 1993, depois de 35 anos de exploraCio pelo grupo Antunes e a Bethle- hem Steel. A partir daf a Icomi, produto dessa as- socingio, tedg mais quatro anos de protomindrio e carbonatito, mindrio de baixo teor, que exige agre- gagio e sinicerizagio para ser comercializado. Ces- sado de vez o aproveitamento dos r~ejeitos, comega- rd um novo desafio: o que fazer da estrutura, que inclui uma cidade em Serra do Navio e uma ferrovia de 140 quil6metros de extensio. Por enquanto, as atividades desenvolvidas pelas empresas do grupo - que v~io do dend8 ao reflorestamento e d ferro-liga - conseguem absorver todos os empregados, 1.500. O AmapB, entretanto, cresceu muito mais e sua m~io-de-obra nio encontra aproveitamento. Preocu- pada com o future, a Icomi esta reativando o Irda, um institute criado em 1965 para fomentar o desen- volvimento local, mas que feneceu nessa busca. JOITTRI PeSSOal Editor responsivel: Llicio Flivio Pinto Ilustra~go: Luiz Pinto Rua Campos Sales, 268/803 66.020 Fone: 223-1929 Opgho Editoral De toda a Agua do planet que chega aos ocea- nos, 20% se original na bacia amaz6nica. A Agua 4 o caminho da vida na regilo, com os 3,;5 milhbes de quildmetros quadrados (da Amaz6nia C14ssica, a verdadeira bacia amazdnica) que lhe drio a dimen- slo de um paf~s dentro do pafs. Mas B peas Aguas amaz6nicas que est8 se espathando o vibrilo da c61era, a maior ameaga & sadde pdblica no Brasil nos diltimos tempos. Segundo as previsbes provavelmente otimis- tas da Organizag~io Mundial de Sadde. mais de 40 mil pesssoas deverio contrair a doenga nos prdxi- mos meses apenas nos Estados do ParB e Amazonas. Como quase todas as estatf~sticas socials de um pafs que nem o dinheiro consegue contar direito, essa pode ser tamb6m aleatdria. Com os meios atual- mente disponfveis, 6 quase impossfvel evitar a pro- paga~go do vibri~io. Por enquanto, os casos com- provados nlo v~io muito al6m de 500 e as mortes representam em torno de 1% dos registros. Mas a velocidade das ocorr~ncias deixou de seguir a ten- dgncia aritm6tica. Agora progride geometricamente. Sgo Paulo, o Estado mais rico da federaqio sd tem condigBes de tender duas mil pessoas simulta- neamente. Nas capitals amazbnicas, tal c~apacidade 4, na melhor das hipbteses, 10 vezes menor. A si- tuagio jB 6! preocupante. Sd n~io chega a alarmar porque a opinilo pdblica, como em quase tudo, est desinformada e porque os primeiros casos (por mo- tivos que ningu~m ainda estd em condicgdes de identificar) foram brands. Mas a perspective 6 de o vibrio se fortalecer e se tornar mais agressivo, principalmente quando atingir as localidades dota- das de menos recursos on inteiramente destitufdas deles. O durfssimo efeito positive de surtos epid~mi- cos com o da cdlera 6 o desnudar a melanedlica si- tuagio em que vive a maioria dos brasileiros. Nio precisa que estejam distantes dos principals pdlos de riqueza e poder, embora esta caracterfstica ocor- ra. Quildmetros parecem representar uma distincia de s6culos na perspective do tempo. Os eventuais pdlos de dinamismo econdmico geram eteitos multi- plicadores a milhares de quildmetros de ditincia, nos pontos de desembarque dos produtos gerados (quase sempre no fluxo da ex~portagilo), mas sio in- capazes de methor as condigdes de vida de comuni- dades vizinhas. O surto de meningite eclodido em 1973 revelou a fragilidade de Sho Paulo, expondo os dilacerantes contrastes ente uma riqueza novaiorquina usufrufda por poucos e uma pobreza biafrense partilhada pela maioria. Mas nio se deu muita importbncia aso ponto de partida da doenga: ela comeg~ou num promiscuo acampamento de pebes maranhense que trabalhavam para o pr-ojeto do miliondrio americano Daniel Ludwig, no Jari. A edlera, nascia no Peru, se irra- dia para o pafs atrav~s da Amazdnia, descendo pe- las Aguas do Solimbes, vefculo at6 ent~io de trans- porte dos ricos sedimentos arrancados dos Andes e Qepositados nas v~zeas para fertilizer gratuitamente a terra, deixada de lads pelos homens. O eixo do process histdrico na Amaz6nia que O caminho do c61era |
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