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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00065

Full Text












PO LITI CA




A proxima guerra

O PMDB nho deverb ter candidate pr6prio na maior

das disputes municipais de 1993.

Mas o governador Jader Barbalho prepare um nome

para apoiar: o de Ronaldo Passarinho.


Cr$ 500,00


Ano V


atb venc8-la, o desgaste sera profundo. PoderB res-
tar-lhe uma vitdria de Pirro, daquelas que se. ganha
mas nfio se leva. Por isso Jader vai procurer uma
candidatura para apoiar fora do PMDB.
O nome ainda nio foi definido, mas a principal
alternative que esta sendo trabalhada d a do deputa-
do Ronaldo Passarinho. O ministry da Justiga apro-
vou-a e se compr~ometeu a passer mars tempo em
Bel~m para ajudar o sobrinho. Mais do que a parti-
cipagilo pessoal na divulgagio do candidate, Jarbas
Passarinho espera transferir recursos federais para o
governor estadual, dando-lhe melhores condigdes de
investimento. A primeira demonstraqio dessa parce-
ria deu-se no dia 29: atraves da Caixa Econ~mica
Federal, Passatinho conseguiu mais de 45 bilhdes
de cruzeiros, metade dos quais correspondentesl &
renegociagio da dfyida estadual e a outra metade a
set aplicada atrav6s de projetos destinados a 20
municfpios. Embora apenas uma parcela desse total
tenha sido liberada em dinheiro vivo, a renegocia-
glo habilitou a Cohab (Companhia Habitacional do
Pard) a voltar a operar.
A Cohab est8 comandando a maior frente de
obras na periferia de Baelm, atingindo de imediato
um universe de 40 mil famflias dlretamente e uma
clientele bem maior atrav~s de efeitos indiretos.
Depois de hibernar durante os quatro anos de Hdlio

NOvo prego
Nio resistando a polftica do governor Collor,
este journal vb-se obrigado a* fazer um novo reajuste
do prego da capa, o diltimo do ano, ainda assim bem
abaixo do indice de infla~go no perfodo. Tendo co-
megado a 300 cruzeiros, sete meses atras, o JOR-
NAL PESSOAL terminal 1991 a 500 cruzeiros, um
indicador das dificuldades que todos enfrentamos
para continuar a fazer on a ler jornais neste pafs.


ra de Bel~m, a mais important das que se-
r~o disputadas na eleigio do prdximo ano.
OTamb~m nio fard coligagio com qualquer
outro partido. Mas a mdquina estadual sera mobili-
zada para trabalhar em favor de uma candidature.
Provavelmente ela sera a do deputado Ronaldo Pas-
sarinho, do PDS, president da Assembl~ia Legis-
lativa do Estado.
Essa estratdgia comegou a ser montada na lon-
ga reuniio entire o governador Jader Barbalho e o
ministry Jarbas Passarinho, ha duas semanas, na re-
sidbncia official. Ela durou quase duas horas e teve
uma d'nica testemunha: o prdprio Ronaldo. Ao final,
nio houve nenhum andncio de candidatura e B pro-
vavel que a iniciativa nio ocorra at6 janeiro, mesmo
porque o acordo, inteiramente esbogado, nio che-
gou ainda a ser fechado. Houve algo que se poderia
definir como um protocolo de intengdes,
Jader estd convencido de que o langamento de
uma candidatura peemedebista na capital colocard
seu nome no centro da campanha eleitoral, um des-
gaste a que ele pretend se poupar. Ser o tema de
apaixonados ataques e candentes defesas compro-
metera o esforgo que o governador vem fazendo pa-
ra dissociar seu nome de dendncias, suspeigdes on
refer~ncias a corrupCpo, o leitmotivv" de seus ad-
verstrios e inimigos. Jader quer chegar a 1994 com
um nome limpo (ou o mais limpo possfvel) para
conco~rere ao Senado sem precisar enfrentar uma
campanha como a do ano passado. Sd o tempo hre
poder8 dar esse capital.
A perspective do ingresso do ex-governador
Hdlio Gueiros como candidate a PMB anula a es-
tzat6gia que Jader jB definiu para chegar at6 1994.
Um candidate peemedebista na dispute com Gueiros
tarb com que Jader se torne o alvo concentrado dos
ataques oposicionistas. Mesmo que o governador
tenha maita munigio para enfrentar essa gueria e


or nal e ssoal
Lucio Flavio Pinto


2a quinzena de dezernbro de 1991


Nr! 80






Gueiros, a Cohab esta permitindo no governor esta-
dual recuperar nos subdrbios as perdas que continue
a sofrer no center da cidade, nlo sd com o desgaste
histdrico do nome de Jader, como pela ofensiva de
asfaltamento de wuas do prefeito Augusto Rezende.
A ag~o de Rezende parece ter maior efeito porque a
classes media a faz repercutil mais intensamente. O
subdrbio s6 costuma dar a resposta no dia da vota-

Jader tamb~m continue a perder a batalha da
opiniao pd~blica e esse 6 um component decisive
de sua estrat6gia. Ele nlo subird em nenhum palan-
que para indicar o nome de Ronaldo Passarinho, se
ele for o escolhido. Essa tarefa dever8 ser desem-
penhada pelo ministrou a Justiga, com maior densi-
dade no centro da capital paraense. A cota do go-
vernador sera nos bairros perifericos e nas dreas de
invasio. Nestas, sua hegemonia 6 quase absolute.
Gragas a prerrogativa de poder continuar na presi-
dencia do Legislativo, Ronaldo poderi participar
das inauguragbes e datas festival ao lado do gover-
nador e colher os dividends das obras realizadas,
sem se expor aos desdobramentos negatives de uma
coligag8o.
Os pianos dos Passarinhos incluem coligagbes.
Antes de formaliza-las, entretanto, tio, sobrinho e
associados ter~io que veneer algumas resistencias
dentro de seu prdprio partido. A mais pdblica delas
6 a do vereador Eloy Santos, que se declara rambem
candidate. Mas alguns jarbistas garantem que o ra-
dialista nio resistird a uma conversa com o ministry
da Justiga, como de outras vezes. Outro que nlo
aceita um acordo com Jader d o deputado federal
Osvaldo Melo, mas ele nlo teria muita influ~ncia no
partido, cujo diretdrio municipal 6 controlado pelos
correligionarios de Passarinho. O deputado federal
Gerson Peres teria aderido a candidatura de Ronal-
do no dltimo domingo, durante visit a Passarinho,
esp Brasilia. Outro federal, Jos6 Diogo, tamb~m nio
faria muita resistbncia. A adesio do senador Oziel
Carneiro 6 considerada certa no reduto jarbista.
O primeiro alvo para um acordo 6 o PTB do
prefeito Augusto Rezende. Ronaldo conversou du-
rante uma hora com o deputado Zenaldo Coutinho,
alguns dias atris. Tem mantido contatos telef6nicos
com o prefeito, mas ainda nao trataram- concreta-
mente das possibilidades de uma alianga. O maior
trunfo de Ronaldo para esse entendimento 6 a oferta
de garantia de apolo para Rezende consumal seu
projeto politico: eleger-se deputado federal em
1994. Para alguns interlocutores, Rezende confes-
son que nio0 confia no ex-governador H61io Gueiros
como suporte para os dois anos de vacuo que terd
depois de deixar a prefeitura, no infcio de 1993. O
esquema de sustenta~go para esse perfodo tem que
ser seguro e eficiente. Ajax d'Oliveira deu-se maito
mal porque seu esquema era falho: seis meses de-
pois de larger a PMB nio conseguin nada al6m de
uma quinta suplgncia de deputado federal. Desilu-
dido, abandonou a polftica, levando consigo uma
carga de migoa da qual nunca conseguiu se desfa-
zer.

O ministry e o deputado estio convencidos de
que Rezende sd tera a ganhar optando por uma
'alianga com o PDS. A indicaglo do vice nessa am-
pla e tortuosa alianga teria uma vantagem suple-


mentar: conseguindo consolidate~ sonl .candidatura
(que 6 o primeiro desafio, nio desprezlvel para
quem teve magras votagdes nas duas diltimas elei-
g~es) e vencendo a eleigio, Ronaldo podedl fazer
de um bom comego de administrator na prefeitura
de Bel~m um trampolim para habilitar-so n~o pass
seguinte, o governor do Estado. Nesse caso, o vice
subiria e estaria no cargo na elei~i~o de 1994, no
memento certo para ajudar a candidatura de Rezen-
de & Clmara Federal,
Por causa da exequibilidade desse esquema, o
ex-governador H61io Gueiros esta preferindo um
novo partido ao invbs de seguir o rumo do PTB. A
slgla do partido the foi oferecida logo depois que
ele deixou o governor e parecia que o acerto era
apenas uma questio de tempo. A princfpio, a maior
resistancia era a do deputado Nelson Chaves, tam-
bbm candidate a candidate a PMB. Depois, com
cuidado, o prefeito den demonstrates de que nio
via com simpatia o ingresso de Gueiros no PTB e
sua eventual candidatura. Sd esta situagio B capaz
de explicar o desvio de rota para o PST, que impli-
ca na transferencia de deputados e num arranjo so-
bre cujo desfecho ainda nio B possivel fazer previ-
sao.
Em Brasilia, Gueiros prometeu ao ex-governa-
dor do Parand, Alvaro Dias, chegar no PST levando
quatro deputados federals e quatro estaduais. No
primeiro grupo estariam Hildrio Coimbra, Carlos
Kayath, Mar-io Chermont e Jos6 Diogo. No segundo,
Wandenkolk Gongalves, Jos6 Francisco, tenaldo
Coutinho e Ntison Chaves. A inclusiio de Nelson
na list faz os jarbistas deduzirem que Gueiros estg
blefando. Mesmo que nio consiga todas essas ade-
sbes, o ex-governador teri nas ml0s uma bancada
expressive, o que falta ao PST, mas a estrutura e a
organizgg~io do partido slio controladas pelo vice-
governador Carlos Santos. Ele disse que nio vai
desistir dela, nem aderic a Gueiros. Os dois terio
entito que disputar o domfnio at6 a convenglo que
decldird sobre a posigio do partido na eleigio de
1992.
H61io ainda nio conseguiu forgar uma defini-
glo do grupo Liberal, divide entire a necessidade de
reagir a Jader Barbalho e a conveniencia de encon-
trar um candidate para apoiar mais confi~vel do que
o ex-governador, famoso por mudar de convicqbes
conforme suas prdprias conveni~ncias, que nem
sempre slio as dos seus aliados. Como em muitas
guerras, o estigio atual da dispute municipal 6 o da
reuni~o de forgas. Um inimigo procura mostrar ao
outro que B mais forte antes do memento em que,
mais do que proclamar, serd precise provar essa
forga.

C8USa verdadeira
Uma fonte do setor eldtrico confirmou que o
acidente na linha de transmissio da hidrelbtrica de
Tucuruf a Vila do Conde foi causado mesmo por
uma pega defeituosa instalada em uma das torres,
que estava fora das especificag8es t6cnicas, fato di-
vulgado exclusiv~amente por este journal. Mas garan-
tiu que essa foi a Unica pega encontrada em toda a
extensio da linha pelos t6cnicos que fizeram uma
rigorosa inspegio depois do "blecaute" de margo.
As demais atendiam as exig~ncias dos terms de re-
cebimento e tem perfeitas condiqbes de uso.










Logo depois de assumir pela primeira vez o
governor do Estado, em 1983, Jader Barbalho deu
uma ordem B diretoria da Celpa (Centrais Eldtricas
do Par&): queria que at6 outubro de 1986 a empresa
construfsse a sua maior linha de transmissio de
energia, nas regimes nordeste e sudeste do Estado,
com 700 quil6metros de extensho, aidm de subesta-
g6es e algumas redes urbanas de distribuigio. Do
langamento do edital at6 a conclusio das obras se
passaramn apenas 24 meses, mas a construgio em si
n~io durou mais do que 16 meses quase uma faga-
nha de engenharia.
As empreiteiras conclufram a sua parte, entre-
gando as linhas dentro do prazo exigido pelo go-
vernador. Inaugural-las rendeu bastante votos para
os candidates do PMDB nas eleigdes de 1986, in-
clusive H61io Gueiros, que conseguiu attancar a
autorizagio federal para os empr~stimos necess~rios
aos projetos obstruindo a pauta do Senado. Mas o
governor ndo concluiu o pagamento dos servings
executados. Essa dfvida, segundo relatdrio elabora-
do em 1987 pelo ent~io director financeiro da Celpa,
Arlindo Ferreira dos Santos, seria o equivalent a
US$ 16 milhdes (em torno de 15 bilh~es de cruzei-
ros, ao cgmbio do dia).
A Sade entrou na Justiga para cobrar seus cr6-
ditos, conseguindo sentenga favorlvel em primeira
instincia. Mas nio a executou porque, al6m de ain-
da caber recurs B Celpia (embora apenas quanto ao
valor da dfyida), a empresa assinou um termo de
confissio comprometendo-se a pagar tudo o que de-
via. O pagamento ainda nio foi efetuado. Em duas
reportagens seguidas, o JORNAL PESSOAL con-
teston a composigio e o valor final apurado desse
ddbito (ver os ndmeros 78 e 79). O deputado Zenal-
do Coutinho, do PTB, com base nas mat6rias, pediu
a instalagIio de uma CPI na Assembl~ia Legislativa
para apurar a transagio.
O governador Jader Barbalho se antecipou &
eventual aprovagio do requerimento. Mandou seu
chefe do gabinete civil, Manoel Ribeiro, comunicar
a mesa da AL que os principals personagens envol-
vidos com a questio (o secretirio da Fazenda, Ro-
berto Ferreira, e o president da Celpa, Maurfeio
Vasconcelos) receberam orientagio sua para compa-
recer ao plendrio e prestar os esclarecimentos jul-
gados necess~rios pelos parlamentares, com on sem
CPI. Uma f~onte official acrescentou que o governa-
dor interpelaria judicialmente este journal para co-
brar informagbes, hipdtese que nio se concretizou
at6 o fechamento desta edig8o. Convencido de que
nio hB irregularidades on aproveitamentos espd~rios
nas obras, on ao menos nenhuma participagfio sua
desse tipo, o governador estaria disposto a sacrifi-
car qualquer um de seus auxiliares com comprovada
manipulag~io dos recursos pdblicos. "O Jader nio
vai segurar nitigu6m que errar. Quem sair da linha
responder~d por seus atos. Verificada alguma ilicitu-
de, haver8 demissio sum~ria", diz a fonte.
Uma CPI competent, s6ria e honest poders
ajudar a desvendar as ddvidas que existem por tris
de uma das maiores obras jB executadas pela princi-
pal das empresas estaduais do Pard. Essas ddividas


sio, em boa parte, resultantes da prdpria determina-
cgo governmental de estabelecer uma data limited
para a conclusio dos servigos, sintomaticamente um
m~s antes da eleigiBo de 1986, na qual Hdlio Guei-
ros se tornou o successor de Jader Barbalho. Esse
fator 6 apontado, no relatdio de avalia~go elabora-
do em margo de 1987 pela Themag (encarregada,
sem concorr~ncia, de preparar o projeto preliminary,
simplesmente porque mantinha contrato ccm a Cel-
pa desde 1981), como determinante no crescimento
do custo final.
Embora devendo o equivalent a US$ 16 mi-
th~es, o governor estadual jB pagou aos consdrcios
particulares US$ 45 milhbes. O acr6scimo de quase
um tergo no valor do servigo realizado 6 atribufdo g
inexist~ncia de um projeto bbsico para dar respaldo
ao orgamento das empresas. No entanto, mesmo sem
estudos detalhados de campo, os t6cnicos que pro-
jetaram o valor das obras quase nio erraram numa
parte essencial: o projeto preliminary previa a apli-
cagZo de 15,9 milhbes de ddlares em material e o
realizado foram 16.7 milhbes. A margem de erro foi
grande na montagem, cuJa previsIo, de US$ 6,4
milhbes, foi superada em dobro, com custo final de
13,5 milhbes. Os dados levantados no relatdrio da
Themag indicam que os selvigos comprov~veis (co-
mo subestag~es, torres e linhas) couberam no que
estava previsto. Apenas servigos diffeeis de mensu-
rar (terraplenagem e m~io-de-obra, por exemplo)
extrapolaram, o que sugere, ao menos como hipdte-
se, o supertaturamento pelas empreiteiras.
Talvez por causa de seu empenho em construir
as linhas no exfguo prazo de tempo de que dispu-
nha, a diretoria da Celpa atropelou certas cautelas e
interstfcios regulamentares. Os contratos com as
empreiteiras foram assinados de um a dois dias an1-
tes de serem homologados pelo conselho de admi-
nistragio. No dia em que o Senado aprovou o aviso
de prioridade do empr~stimo externo, a Celpa obte-
ve US$ 11,4 mithdes e houve a aprovag~io e a auto-
rizagio dai diretoria e do conselho de administraglo.
A rapidez deve ser louvada quando se trata da bu-
rocracia official, mas deve ser investigada quando
suscita ddvidas. A CPI pode cumprir essa sandivel
f'ungho profil~tica, caso haja o que expurgar, tanto
em relagio ao passado, jB realizado, quanto emn re-
lagio ao pagamento da dfyida consolidada, o que
cabe ao atual governor fazer de uma forma limpa e
favoravel ao Estado, espera-se; espontaneamente, se
possfvel, compelido a isso, nio havendo outro jeito.

Vermelho outra vez
Em seu mais recent panegfrico, a revista Veja
anuncion que, finalmente, a Jari apresentaria lucro
em seu balango, de 5 milh~es de ddlares. Esqueceu
de esclaxecer que se trata apenas de lucro operacio-
nal. Oneradas pelo pesado custo financeilo, as
contas da Jari apresentario novamente prejufzo,
pelo 120 ano consecutive. O "vermelho" dever8 ser
expressive por causa do empr6stimo externo feito
pela empresa para cobiri os efeitos do grave aci-
dente de 1988.


A grande obra veloz









leiro de Alumfnio, do grupo Ermfrio de Moraes)
acumularia mais 5 on 1Cj%, aidm do que jai 1he esta-
tia garantido atrav6s da MRN. Uma "trading com-
pany" alemi tamb~m poderia entrar. Assegurados
as saques de toda a produg~io de alumina, outra
question 6 a do capital. Dos US$ 850 milh6es de
custo total do empreendimento, a CVRD jB aplicou
aproximadamente US$ 300 milh~es, send US$ 140
milhbes do BNDES (que garantiu outros US$ 90
milhbes) e US$ 75 milh~es dos japoneses (US$ 35
miihbes na forma de empr6stimo e US$ 40 milhbes
por enquanto atd5 nova deinigio do capital con-
vertidos em agdes preferenciais, sem direito a vo-
to). A Alunorte ainda nio inicion a amortizagio dos
financiamentos jB contraldots, limitando-se a pagar
os juros vencidos durante a construgio.
Dos US$ 560 milhbes que faltam, US$ 150
milh~es ser~io arrecadados na drea da Sudam. Com
cuidado para nsio criar maior expectativa em relagio
ao seu pedido, a CVRD submeteu o projeto-da Alu-
norte ao Conselho Deliberativo da Sudam, que o
colocou em pauta para a reuni~io do dia 13, em Be-
16m. Vinte anos antes a Alcan havia encaminhado
no Condel o projeto de bauxita da Mineragio Rio
do Norte, depois nacionalizado pela CVRD, o maior
atd entio examinado pelo colegiado. O impact da
Alunorte serd ainda maior e poderia provocar rea-
g~o dos demais empresarios se a Vale niio fizesse
um trabalho de bastidores para demonstrar que nlo
ird retirar recursos da an~mica cesta dos incentives
fiscais .
A empresa garante que sua cota de colaboraCio
financeira nrio ird prejudicar os demais clients do
Finam. Em primeiro lugar, assegura que no perfodo
o orgamento do fundo sera o equivalent a US$ 400
milh~es e sua participagfio nio ird al~m de uns 12%
(ainda assim expressive para um fundo com mais de
mil clients potenciais). A maior garantia, entre-
tanto, seria outra: a Vale esta procurando convencer
seus agents financeiros e fornecedores a optar pelo
Finam, investindo nesse fundo suas dedug6es do
imposto de renda o que significaria injetar recur-
sos novos, ao inv6s de recorrer nos ja disponfveis.
Esse trabalho de convencimento parece ter sido
eficiente porque a maior preocupagio dos emprest-
rios que visitaram o distrito industrial de Barcarena
na semana passada foi com sua participagio nas en-
comendas que a Alunorte voltard a fazer. Intervindo
numa discussion que poderia acabar descambando
para agressdes entire clients, o president da Fede-
ragio das Inddstrias do Pard, Fernando Flexa Ribei-
ro, tentou levantar o nfvel do debate com questbes
de maior importincia social e econdmica do que as
relagbes entire contratante e contratado. Mas o sig-
nlficado maior da Alunorte passou ao largo das
preocupagdes manifestadas durante a rdapida visit
da comitiva da Fiepa.
Mauricio Schettino, superintendent da Albris,
procurou destacar os efeitos duradouros do empre-
endimento, lembrando que cinco inddstrias metaldr-
gicas jB se implantaram no distrito industrial de
Barcarena gragas ao aparecimento da Albras. To-
das, por6m, de pequeno porte, resultam de efeito


Em margo do prdximo ano a Alunorte deverd
entrar ,em ritmro de plena implantagiio para comegar
a funcionar comercialmente no final de 1994, mais
de 15 anos apds o langamento de suas obras. Nesses
tr~s anos, a Companhia Vale do Rio Doce, Unica
proprietiria da Alunorte, que dever8 se tornar na
maior f~brica de alumina do pafs, instalada em Bar-
carena, a 50 quilbmetros de Bel~m, precisard en-
contrar novos sdcios para dividir com eles os 560
milhbes de ddlares de investimento previsto.
A tarefa nio 4 f~cil. "Quem tem 500 milhdes
de ddlares nas m~ios nio deveria aplicar esse di-
nheiro numa f~ibrica de alumina", aditiu o presi-
dente da Alunorte, Ulisses Freitas, em palestra feita
para emprestrios, no final da semana passada. A
alumina, um pd branco obtido atrav6s da lavagem
qufmica da baux:ita, praticamente nio dB lucto. Ex-
ceto por uma utilizagIo marginal na inddstria cerl-
mica, sd os produtores de alumfnio a compram. As
transagdes slio feitas diretamente, com uma pequena
margem de livre comercializagio no mercado "s-
pot".
A CVRD teria maito melhor rentabilidade se
aplicasse o meio bilhio de ddlares em pap6is, mas
continuaria expondo a fibrica de alumfnio da Al-
brds, cujo domfnio divide com o consdrcio japonbs
NAAC, a manipulagio dos seus fornecedores de
alumina. A alumina que a Albrils usa na produgio
de metal prov~m de sete fontes diferentes. Com a
Alunorte, ter8 uma f~ibrica quase cativa bem ao la-
do. Da produghio de 1,1 milhio de toneladas anuais,
670 mil toneladas iIdo para a Albrds.
Pelo projeto original, definido por brasileiros e
japoneses, a Alunorte deveria ter safdo alguns me-
ses na frente da Albrds, exatamente para permitir a
formagho de um certo estoque de alumina. Mas a
Albris iniciou sua operag~o em 1984, jB com atra-
so, e a Alunorte empacou, principalmente porque os
japoneses se desintelessaram pelo projeto. Para os
sdeios nipbnicos, o que conta 6 o lingote. Eles nio
querem saber como se da. o suprimento dos insumos
e mathrias primes, desde que eles nfio onerem o
custo final,
Originalmente, a fibrica de alumfnio da Albris
deveria ser a maior do mundo na 6poca, com 640
mil toneladas de metal. Esse tamanho viabilizava
automaticamente a Alunorte. Com a redugho B me-
tade da capacidade da Albrds, a Alunorte ficou num
dilema: nio poderta funcionar como unidade cativa
de suprimento e o excedente de alumina era peque-
no demais para permitir-lhe conquistar mercado. A
dnica safda seria expandir sua prdpria capacidade
de produgho (o que f~oi feito: de 800 mil para 1,1
milhio de toneladas). Mas essa opg8o exigia dispor
de novos sbcios para que eles se responsabilizassem
pelo saque de volumes adicionais do produto.
A CVRD espera definir, at6 o final do ano, es-
se novo esquema societgrio. A Albrds se tornaria
cotista maijorit~ria, com 61% do capital da Alunor-
te. Os japoneses, albm de terem 49% dos 61% subs-
critos pela Albrds, ficariam com uma participa~o
adicional de 10 ou 15%. A Mineraqilo Rio do Norte
absorveria 20 ou 25%. A CBA (Companhla Brasi-


A volta da Alunorte






para trgs da fabrica. Funcionam fornecendo bens
para a empresa ou atendendo suas necessidades
operacionais. Nenhuma utiliza o metal como mattria
prima ou insumo para beneficiamento, o tal "efeito
para a frente" de: que tratam os economists. O
Brasil, pafs rico em energia hidrelbtrica e bauxita,
Investiu pesadamente (peso agravado por um alto
grau de endividamento e em moeda externa) na
mineragio e na metalurgia, mas nio chegou a in-
ddstria de transformagio. Os japoneses, exemplo
melhor na economic mundial, agiram exatamente ao
contrario.

De 1973, data do primeiro cheque do petrdleo,
at6 agora os japoneses deixaram de produzir~em seu
territdrio 1,2 milhio de toneladas de metal, transfe-
rindo essa produgio para outros locals, satelitiza-
dos, mesmo quando a mais de 20 mil quil~metros de
distincia, como Barcarena. O que eles tiram da Al-
bras equivale ao que restou de produgho internal em
solo japon~s. Ha. poucos casos de transferencia de
um process produtivo tao bem sucedida como esse,
gragas A generosidade e, naturalmente, inedria _
de passes como o Brasil.

Na semana passada, o prego do alumfnio che-
gou ao seu nfvel mais baixo em anos recentes, de


US$ 1.106 por tonelada (contra atd US$ 2.100 no
ano passado), puxando para baixo os pregos da
bauxita, da alumina e da energia elitrica e gra-
vando justamente as mercadorias (duas das quais
nem "commodities" sho) nas quais o Brasil se es-
pecializou. Mas os pregos das manufaturas conti-
nuaram em cima. Uma simples extrusio dB ao seu
realizador ganho de 100% sobre seus custos indus-
tr~iais em relagio ao produtor de lingote.
A implantagho da Alunorte 6 quase uma ques-
tio de honra para todos, mas 6 tamb6m um ponto
estrat~gico do complex industrial de Barcarena. A
Albrds mant~m-se ali como uma mesa com duas
pernas. Mas se a Alunorte complete o perfil para
trds do pdio metaidrgico de alumfnio, a caminhada
para a fiente t ainda mais important e tamb~m
diffcil. RealizB-la exige a secuperagio e correqio de
uma das mais desastradas decis6es industrials que o
Brasil jB adotou. Alguns especialistas consideram o
erro irremedi~vel e apontam uma sdrie de explica-
96es tecnicas, inclusive as de frete. Mas os ganhos
que o pafs poderia ter (de imediato, com fatura-
mento adicional de mais de 600 milhbes de ddlares,
quase o investimento da Alunorte) sHo o maior es-
tfmulo para tirar essa pedia do caminho e colocg-lo
numa nova tralha.


Albrbs perde US$ 120 milh~ies


A Albrds, a maior empresa industrial da Ama-
zdnia, deveri fechar o seu balango deste ano com
um prejufzo entire 100 e 120 milhbes de ddlares, di-
nheiro que seria suficiente para financial mais de
dois tergos do program de macrodrenagem das bai-
xadas de Beldm, o mais important de toda a histd-
ria da capital paraense. O resultado negative em
grande parte se deve ao "blecaute" de margo deste
ano, que deixou a Albrd~s sem energia durante 12
horas. Sd no inkcio deste m~s a empresa se livrou
de todas as sequelas provocadas durante oito meses
por esse acidente, o mais grave: da histdria da in-
ddstria de alumfnio no mundo causado pela falta de
energia ei6trica. O "blecaute" ocorreu um m~s de-
pois que a Albrds havia alcangado a plenitude de
sua produgho, passando de 160 mil para 320 mil to-
neladas anuais de metal.
A produgho deste ano sedi de 290 mil tonela-
das, mas 43 mil delas' com teor de pureza abaixo
dos padres de qualidade da fabrica, o que significa
uma perda de 120 a 170 ddlares por tonelada. O
faturamento n6o deverd ir al6m de 410 milhdes de
ddlares, insuficiente para cobrir os custos totals da
empresa. Ela sofreu o agravante de 30 milh~es de
ddlares agregados B dfyida junto aos financiadores
japoneses por conta da valorizagio do yen em rela-
950o ao dd~lar, um ftem do contrato que se tem mos-
trado desastroso' para o tomador do dinheiro. A si-
tuagio se tornard ainda mais delicada no prdximo
ano, quando comegario a veneer as parcelas do em-
pr6stimo, que representou 70% dos US$ 700 mi-
lhbes investidos pela Albras na primeira etapa do
seu projeto. Se os pregos permanecerem baixos,


como durante o exerdlcio de 1991, o prejufzo deve-
ri crescer ainda mais.
A Albris diz ter perdido US$ 60 milh6es com
a suspension do fornecimento de energia da hidreld-
trica de Tucuruf, em margo, por causa de um aci-
dente na linha de transmissio. S6 recebeu do segu-
ro, atE agora, US$ 10,5 milhges. Os seguradores
estariam dispostos a chegar at6 US$ 60 milh~es na
cobertura dos prejufzos, deixando US$ 20 milhbes
sem reposigrio. Uma fonte extra-oficial apresenta
um ndimeio diferente: diz que o valor a descoberto
chegard a US$ 40 milh6es e que o total do prejufzo
seda de US$ 80 milhdes.
Este C tamb~m o valor do investimento para
duplicar a linha Tucuruf-Vila do Conde, comn 300
quildmetros de extensio. Uma agbncia governa-
mental japonesa estaria disposta a financial a obra,
em condiS6es favor~veis (de juros, car~ncia e prazo
de amortizagio), fornecendo US$ 64 milhbes (80%
do total) & Eletronorte, com o aval da Eletrobr~s.
Mas o setor el~trico nio quer assumir o encargo,
preferindo que a prdprla Albris faga o emprdstimo e
recupere o dinheiro atrav6s de um acerto sobre tari-
fa, g semelhanga do acordo feito pela Eletronorte
com o consbrcio Alcoa-Shell, dond de uma fa~brica
de alumfnio semelhante g da Albrds, em S~io Luis.
A diregio da Albris admite que a nova linha B vital
para dar seguranga a sua operag~io industrial, mas
alega tambbm que o crescimento do consume de
BelBm tornarg a duplicagBo necessbria. Os danos
causados pelo "blecaute" foram maiores porque a
energia de Tucurui segue at6 Vila do Conde atrav6s
de uma linha singular.










Nada deveria ser mais democr~tico numa so-
ciedade pluralist do que a p~igina de um journal.
Nada 6 mais elevado numa comunidade humana do
que a civilidade de seus integrantes. Quando demo-
cracia e civilidade se unem, o projeto politico vale
a pena e a political passa a ser o instrument de
vanguard na condugio dos destines de um povo ou
de -uma nagio. As id6ias entram em cheque e atra-
ves dessa frieg2io, suficientemente ele~vada para ab-
sorver os antagonismos pessoais, todos avangamos.
N~o 6 isso, pox6m, o que se pode observer
neste pals. Muito mais distantes desse ideal estamos
-nds da periferia provinciana. As pdginas da impren-
sa vio se transformando numa extension de palan-
ques ou do balc~io de negdcios. As vezes at6 cresce
certo tipo de agressividade, mas encurta o conted-
do, a informagio 6 dissipada pelas conveni~ncias do
memento .
Liberdade de imprensa consisted em publicar
tudo o que de relevant os jornalistas conseguem
apurar. A principal funglo da imprensa 4 a de au-
ditar o poder, fiscalizar os governantes em nome
dos governados. A este trabalho elementary deu-se o
nome de jornalismo investigative a meu ver quase
uma redund~ncia (o jornalismo que apenas transfer
o que recebe, sem checagem, 6 perfumaria). Sabe-se
maito em redaC6es de jornais, mas o que filtra para
suas plginas e apenas uma amostra do conheci-
mento dos profissionais de informag;io e nem
sempre o que de mais revelante eles sabem-
Hg uma constant intimidag~o soble os que
ainda conseguem se dedicar a esse trabalho de liga-
glo entire os que det6m o poder e os que apenas so-
frem suas consequ~ncias. Para divulgar uma question
mais escabrosa ou um tema de maior periculosidade,
um jornalista precisa dispor neste pafs de docu-
mentos, das provas que precisard apresentar na Jus-
tiga se e quando for interpelado, sempre preocupado
com o rigor jurfdico na caracterizac;io desse mate-
rial. No Brasil, Bob Woodward e Carl Bernstein
jamais teriam levado o president da Repdblica a
renunexar, como fizeram nos Estados Unidos com
Richard Nixon.
Na semana passada, comentando a verso ci-
nematogrifica de "Todos os Homens do Presiden-
te", o primeiro Ilvro da dupla sobre o "esclndalo
Watergate", podia-se chegar is 18grimas pensando
em como os dois atd entio obscures repdrteres
construftam a s~rie de matdrias para o "Washington
Post" comn base em depoimentos verbais, em dedu-
g6es Idgicas e em pistas meramente indicatives. Os
documents, que resultaram em quase quatro mil
piginas de dendncias contra Nixon, foram reunidos
na Justiga, brago auxiliar da impiensa americana, ao
invbs de seu algoz, como no Brasil. Num certo mo-
mento, "Deep Throat", a preciosa fonte sigilosa de
Woodward, diz que os dois estio correndo risco de
vida. Os repdxte~res e seus editors se assustaram,
mas todos continuam sanddveis at6 hoje Tudo ndo
passou de conjecture. Na nossa Amazbnia essa es-
peculagio costuma set feita pds-morte.
Os jornais nio se aviltam pelo que ousam, mas
pelo que deixam de publicar. Se cometem erros, de-


vem abrir suas paginas para a corre~go, um gran-
dioso ato de pedagogia, o dntco capaz de instruir o
leitor e fazC-lo consolidar a deocracia que os eter-
nos pais da p~tria vivem querendo defender, quase
sempre sufocando-a. No Pard, a controydxsia sumiu
das pgginas dos jornais, exceto por trivialidades. O
lespeito ao leitor ofendido, injuriado ou caluniado
desapareceu, em boa parte pela interpretagio obtusa
que magistrados fazem da odiosa lei de imprensa,
feita pars cercedi-la e nio para oxigend-la, como nos
Estados UI idos.
E em boa hora que jornalistas se mobilizam na
tentative de impedir que a nova lei. em tramitag5io
no Congress, seja apenas uma caiaCio apressada
da anterior. Queremos que as piginas dos jornais,
com maito mais propriedade do que as telas das te-
levisbes e as ressonincias das radios, sejam uma
expresso viva da sociedade, pela qual exercenmos
nosso dificil offcio, ao invds de se tornarem numa
gazua nas mios de personagens nem sempre habili-
tados para entender o que fazem e exercer o poder
que tem, as vezes por n~io mais do que mero acaso.

Versao arquivada
O coronel Newton Barreira, que foi vice-go-
vernador do Estado na administraCio Fernando
Guilhon (1971-75), chegou a escrever uma cart a
propdsito da resenha que fiz do primeiro volume
das memdrias do ministry Jarbas Passarinho, "Na
Planfcie". Mas decidiu nio remet8-la. Seu objetivo
era retificar um ponto do meu artigo: Barreira diz
que nio era mais funciontrio no escritdrio de enge-
nharia de Ocyr Proenga, quando o acompanhou para
Lestemunhat a entrega de dois cheques ao entio pre-
feito de Bel6m (e candidate ao governor) Alacid
Nunes.
Os cheques, de bancos diferentes, eram de
Gilberto Mestrinho, que havia sido cassado um
pouco antes pelo movimento military de 1964, quan-
do era governador do Amazonas pela primeira vez
(voltou duas outras vezes ao cargo, no qual perma-
nece no memento). Ocyr queria uma testemunha e
recorreu a Barreira, de quem era "muito amigo".
Os dois haviam trabalhado juntos, mas naquela bpo-
ca o ex-oficial da ativa da Aerondutica jB era presi-
dente da Forga e Luz do Pard, empresa aritecessora
da Celpa.
Numa conversa durante a visit as instalag~ies
da Aiunorte, da qual 4 director administrative, por
indica~go do ministry Jarbas Passarinho, Barreira
admitiu que se estivesse no lugar de Alacid niio
aceitaria o dinheiro, dado para "ajudar na campa-
nha eleitoral" "para comprar os bois", como em
segulda o major Alacid diria ao tenente-coronel
Passarinho, governador do Estado. Mas Barreira
nio viu nada de errado em acompanhar Ocyr Proen-
ga na entrega dos cheques, dados como gesto de
gratidio de Mestrinho pela ajuda de Passarinho na
venda da fabrica de cimento de Capanema. Barreira
era um dos destacados integrantes locals do movi-
mento military que dep~s o president Jolo Goulart,
do mesmo partido de Mestrinho, o PTB, mas de me-
nos sorte do que seu correligiond~rio.


A verdadeira imprensa






prdprio journal de Jader. JA o grupo Liberal usa e
abusa de seu monopdlio, cuja solidez 6 ameagada
menos pelos concorientes internos do que pelas
perspectives de acirramento das dissengdes inter-
nas.
O journal se permit o luxo de nio seguir qual-
quer tipo de regra, da 6tica B moral, e conceder-se
todas as contradigdes. Nio publicou minha cart em
resposta ao vereador Raul Meireles, do PT, como
tamb6m desconheceu a resposta da deputada federal
(PC do B) Socorro Gomes a um artigo do advogado
Silvio Meira. Mas os arguments que serviram para
bloquear o exerefcio do mais elementary direito que
hB na relagio entire a imprensa e o leitor nio existi-
ram quando o journal decidiu publicar a resposta de
Afonso Vfter Cardoso a Sdnia Gluck Paul, chefa da
Defensoria Pdblica.
Luis XVI e Maria Antonieta julgavam divines
as origens de seus privil~gios. A revoluglo francesa
34 ocorreu ha. muito tempo para que esses auto-pre-
sumidos filhos do sol possam reivindicar os mesmos
privil~gios particulares diante da abstingncia da
esmagadora maioria, como se vivessem em bolhas
pairando muito acimal de suas obrigagdes. A primei-
ra de um digio de imprensa 6 com a realidade dos
fats e as necessidades de seus leitores. Quem nio
as atende nlo sobrevive muito tempo e esta tem
sido uma regra sem excegio.

L..WFO RlSterioso
O secretlrio da Fazenda, Roberto Ferreira, niio
compareceu a 61tima reunilio do conselho de admi-
nistragio da Ceipa, do qual 4 membro. Alegou ter
sido chamado B dltima hora a Brasilia pelo gover-
nador Jader Barbalho. Sua substitute, Raquelita
Athias, tambt~m n17o foi. Mas o secretirio garantin
que estard present g prdxima reuniio, marcada pa-
ra o dia 19. Dir& entio que nio reteve um livro de
atas da Celpa, confirmando apenas ter-se recusado a
assinar o texto que the foi enviado porque ele nio
correspondia ao que foi decidido na reunilo de ju-
nho de 1989.
Conforme o JORNAL PESSOAL jB divulgou, o
texto da ata realmente modificou a decisio dos con-
selheiros, mas Roberto Ferreira de uma maneira
incompreensivel recebeu o livro, ja: assinado por
seis dos oito conselheiros, e n~io mais o devolveu,
como poderd ser verificado por edital de extravio
de document divulgado na Cpoca pela Celpa e pe-
los registros na Junta Comercial, a parte qualquer
outro registro que tenha ficado do episddio na prd-
pria empresa.
Se o conselho tender os pedidos do represen-
tante dos empregados, Sinval Amorim de Menezes,
essa estranha histdria poder8 comegar a ser esclare-
cida.
NOva fabrica
O grupo Caemi, de Augusto Antunes, espera
colocar em operagio, at6 o final do prdximo ano,
uma fibrica de cavacos (os "chips") de madeira,
com capacid'ade para 600 mil toneladas anuais, des-
tinadas preferencialmente ao mercado japon~s. A
Amcel, responsivel pelo empreendimento, tem qua-
se 90 mil hectares de "pinus" plantados no cerrado
do AmapB.


Xerfan ressurge
Pela primeira vez desde seu rompimento com
Jader Barbalho, o ex-prefeito Sahid Xerfan voltou a
anunciar no "Didrio do Pard", o journal do governa-
dor. O andncio, de pdgina dupla, saiu na edigio do
dltimo domingo do journal, o mesmo que havia sido
veiculado em cores em "O Liberal" da semana
anterior. Aldm desse fato bastante significativo, a
campanha promocional marcou a volta do grupo
Xerfan aos investimentos na "mfdia .
Desde a derrota na eleigio para o governor do
Estado, no ano passado, o ex-prefeito de Belim ha-
via se retraido e dedicou inteiramente os meses se-
guintes no trabalho dentro da empresa, que estava
em situaCio diffcil. Os amigos calculam que Xerfan
aplicou o equivalent a dois milhdes de ddlares, de
sen prdprio bolso, na campanha eleitoral. Essa per-
da foi acumulada com ma gestio dos negdcios du-
rante o tempo em que esteve envolvido com a polf-
tica. Uma recuperaq~io teria que envolver a boa
vontade do governor.
Embora Jader e Xerfan nio tenham conversado
,pessoalmente, terceiros promoveram uma reaproxi-
mag~io entire os dois. O rescaldo da campanha foi
tratado. Xerfan nio apoiara Hblio Gueiros, se ele
for candidate a prefeitura. PoderB vir a apoiar Ro-
naldo Passarinho. A legislagio o Impede de ser
candidate na prdx~ima eleigio na capital, mas seu
nome ainda se traduz por maitos votos. Xerfan niio
passarg no largo da dispute.

Sob os palanques
Quem leu apenas as edigdes de terga-feira da
semana passada de "A Provfncia do Pard" e do
"DiBrio do Pard" ficou sem saber que o deputado
Zenaldo Coutinho, do PTB, pedia a instalagio de
uma CPI para apurar os contratos da Celpa com
dois consdrcios de empreiteiras, que resultaram nu-
ma dfyida 30% maior do que o capital da empresa.
Presume-se que os dois jornais deixaram de incluir
esse~assunto porque ele desfavorece o governador
Jader Barbalho.
Ja os leitores de "O Liberal" facaram sem sa-
ber que o deputado petebista fez o pronunciamento
baseado no JORNAL PESSOAL. Todas as refer~n-
cias a este jornall, inclufdas no original da reporta-
gem, foram cortadas na edigio do material. Expur-
gadas siio tamb6m todas as fotos do governador,
mesmo quando compbem um dado important do
notictario, e. as refer~ncias que possam ser capitali-
zadas por Jader. "O Liberal" publicou declaragbes
do ministry Jarbas Passarinho sobre temas nacio-
nais, mas omitiu os atos que ele patrocinou e para
os quais serving de testemonha em Beltm, porque
neles o personagem principal era o governador.
Sem uma mudanga draistica da situagio atual, a
imprensa caminhard para uma partidarizagio ainda
mais radical, na eleigio do prdximo ano, do que na
de 1990. Para sobreviver aos rigores que se abate-
ram sobre o mercado, agravados por sua condigio
de isolamento desde a perda das emissolas de radio
e television, "A Provfncia" alinhou-se com o gover-
nador, dando-lhe as vezes mais destaque e quase
sempre uma cobertura mais eficiente do _que o










o em~opeu comegou a conquistar no s6culo 17 foi
desviados abruptamente da trilha fluvial para as ro-
dovias distantes, na terra firme, onde foram finca-
das bases de langamento de riquezas naturals resis-
tentes ao mundo no redor, de que slo exemplos
maiores a mina de Carajas e a hidrel6trica de Tucu-
ruf, ambas no ParB. Nlo 6 a Agua do Amazonas em
si, pura como 'se fosse destilada, a portadora do
agent maligno capaz de desencadear uma epidemia
que recobrird a Amaz~nia e o Brasil com uma ima-
gem que o Primeiro Mundo sd conhece pelos regis-
tros dos arquivos e que, vista na realidade con-
tempor~nea, causard horror maior do que o autori-
zado pela prdpria realidade.
A patologia 6 criada pelo home, que conta-
minou a paisagem natural e crion os hospedeiros
multiplicadores das doengas. A Agua servida & po-
pulagio de Bel~m, maior cidade da Amaz~nia, comn
1,5 milhio de habitantes, provavelmente esta con-
taminada pelo lixo depositado num buraco escavado
a algumas dezenas de metros dos mananciais. O re-
servatdrio est8 cercado por habitagbes sem instala-
F6es sanitarias, cujos moradores langam indiscrimi-
nadamente rejeitos, dejetos de lixo. Os habitantes
de uma cidade como Oriximind, vizinha da maior
usina de bauxita do mundo, bebem Aigua com um in-
dice de coliformes fecais 50 vezes acima do toler8-
vel.
Num quadro assim, a sclera assusta, mas deci-
didamente veio para ficar. Por quanto tempo nin-
gu6m sabe.

Atras do future
O mindrio de: mangan~s de bom teor do Amapt
estard esgotado, no mdiximo, at6 1993, depois de 35
anos de exploraCio pelo grupo Antunes e a Bethle-
hem Steel. A partir daf a Icomi, produto dessa as-
socingio, tedg mais quatro anos de protomindrio e
carbonatito, mindrio de baixo teor, que exige agre-
gagio e sinicerizagio para ser comercializado. Ces-
sado de vez o aproveitamento dos r~ejeitos, comega-
rd um novo desafio: o que fazer da estrutura, que
inclui uma cidade em Serra do Navio e uma ferrovia
de 140 quil6metros de extensio. Por enquanto, as
atividades desenvolvidas pelas empresas do grupo -
que v~io do dend8 ao reflorestamento e d ferro-liga
- conseguem absorver todos os empregados, 1.500.
O AmapB, entretanto, cresceu muito mais e sua
m~io-de-obra nio encontra aproveitamento. Preocu-
pada com o future, a Icomi esta reativando o Irda,
um institute criado em 1965 para fomentar o desen-
volvimento local, mas que feneceu nessa busca.



JOITTRI PeSSOal
Editor responsivel: Llicio Flivio Pinto
Ilustra~go: Luiz Pinto
Rua Campos Sales, 268/803 66.020
Fone: 223-1929
Opgho Editoral


De toda a Agua do planet que chega aos ocea-
nos, 20% se original na bacia amaz6nica. A Agua 4 o
caminho da vida na regilo, com os 3,;5 milhbes de
quildmetros quadrados (da Amaz6nia C14ssica, a
verdadeira bacia amazdnica) que lhe drio a dimen-
slo de um paf~s dentro do pafs. Mas B peas Aguas
amaz6nicas que est8 se espathando o vibrilo da
c61era, a maior ameaga & sadde pdblica no Brasil
nos diltimos tempos.
Segundo as previsbes provavelmente otimis-
tas da Organizag~io Mundial de Sadde. mais de 40
mil pesssoas deverio contrair a doenga nos prdxi-
mos meses apenas nos Estados do ParB e Amazonas.
Como quase todas as estatf~sticas socials de um pafs
que nem o dinheiro consegue contar direito, essa
pode ser tamb6m aleatdria. Com os meios atual-
mente disponfveis, 6 quase impossfvel evitar a pro-
paga~go do vibri~io. Por enquanto, os casos com-
provados nlo v~io muito al6m de 500 e as mortes
representam em torno de 1% dos registros. Mas a
velocidade das ocorr~ncias deixou de seguir a ten-
dgncia aritm6tica. Agora progride geometricamente.
Sgo Paulo, o Estado mais rico da federaqio sd
tem condigBes de tender duas mil pessoas simulta-
neamente. Nas capitals amazbnicas, tal c~apacidade
4, na melhor das hipbteses, 10 vezes menor. A si-
tuagio jB 6! preocupante. Sd n~io chega a alarmar
porque a opinilo pdblica, como em quase tudo, est
desinformada e porque os primeiros casos (por mo-
tivos que ningu~m ainda estd em condicgdes de
identificar) foram brands. Mas a perspective 6 de o
vibrio se fortalecer e se tornar mais agressivo,
principalmente quando atingir as localidades dota-
das de menos recursos on inteiramente destitufdas
deles.
O durfssimo efeito positive de surtos epid~mi-
cos com o da cdlera 6 o desnudar a melanedlica si-
tuagio em que vive a maioria dos brasileiros. Nio
precisa que estejam distantes dos principals pdlos
de riqueza e poder, embora esta caracterfstica ocor-
ra. Quildmetros parecem representar uma distincia
de s6culos na perspective do tempo. Os eventuais
pdlos de dinamismo econdmico geram eteitos multi-
plicadores a milhares de quildmetros de ditincia,
nos pontos de desembarque dos produtos gerados
(quase sempre no fluxo da ex~portagilo), mas sio in-
capazes de methor as condigdes de vida de comuni-
dades vizinhas.
O surto de meningite eclodido em 1973 revelou
a fragilidade de Sho Paulo, expondo os dilacerantes
contrastes ente uma riqueza novaiorquina usufrufda
por poucos e uma pobreza biafrense partilhada pela
maioria. Mas nio se deu muita importbncia aso ponto
de partida da doenga: ela comeg~ou num promiscuo
acampamento de pebes maranhense que trabalhavam
para o pr-ojeto do miliondrio americano Daniel
Ludwig, no Jari. A edlera, nascia no Peru, se irra-
dia para o pafs atrav~s da Amazdnia, descendo pe-
las Aguas do Solimbes, vefculo at6 ent~io de trans-
porte dos ricos sedimentos arrancados dos Andes e
Qepositados nas v~zeas para fertilizer gratuitamente
a terra, deixada de lads pelos homens.
O eixo do process histdrico na Amaz6nia que


O caminho do c61era