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Cr$ 400 00 Ano V la Quinzena de Dezembro de 1991 Orepresentante dos empregados no conselho de ad- pediu que na reuniio marcada para o dia 28 fosse Oincluida na pauta a dfyida da Centrais Eldtricas do Parii com dois cons6rcios de empreiteiros no valor (apura- do em jutho) de 5,3 bilh~es de cruzeiros. A reunion, a se realizar quando desta edigio ji estard fechada, s6 trataria da questio se Sinval a provocasse na bltima parte, refe- rente a assuntos gerais. O tema nio foi incluido na pauta, nem a diretoria da Celpa se manifestou a respeito. A iniciativa de Sinval de Menezes foi a 6nica reagio & dendncia apresentada no ndimero anterior do Jcanal Pes- soaL No parlamento, nem mesmo o Partido dos Trabalha- dores, que vem fazendo oposigio sistemitica g atual admi- nistragio estadual, interessou-se pela questito. O journal "O Liberal" tamb~m passou ao largo. Apesar de todo esse inexplicivel sil~ncio, o pagamento da dfyida da Celpa 6 o assunto mais explosive dos quase nove meses do governor Jader Barbalho. Tal como foi assumida, a divida ultrapassa a 30% do capital da Celpa, a maior empresa pdiblica estadual. Apesar de faturar o equivalent a 10 miulhes de d61ares por mes, a Celpa nio temi condig~es de pagar o d~bito com os dois poderosos consdteios. O dinheiro terd que sair diretamente dos cofres do Estado. Mas a origem e a composic;io da fa- tura sho pontos ainda muito obscures para que simples- mente o governor cumpra o Termo de Confissio de Divida assinado olimpicamente pelo entio president da empresa, Roberto Ferreira, hoje secretbrio da Fazenda (o drgio que passard diretamente a efetuar os pagamentos) e membro do pr6prio conselho de administration da Celpa. PRESS: POR QUE? HA uma evidence press em retomar a execugho desse Termo de Confissio de Dfyida, suspense a partir de junho de 1989, durante o governor H61io Gueiros. Havia entio a suspeita de que a dfyida havia sido superdimensionada pa- ra permitir cobrar custos adicionais na realizagio do servi- go, a construgho de uma linha de transmissio de energia na regiio sul do Estado. E dificil apurar rigorosamente o que ocorreu e discriminar os itens da composigiio de custos porque a histdria em si 6 mesmo bastante confusa. Originalmente, o objetivo do projeto era a construgho de usinas t~ricas no interior, tema do aviso de prioridade que permitiu ao governor estadual contrair empr~stimo in- ternacional. S6 que a negociagio desse financiamento, co- mo era comum nesse period de 1984, foi conduzida nilo por representantes oficiais, mas pelo "lobbista" Nelson Tanuri (depois, amigo da ex-ministra Z61ia Cardoso de Mello). No escrit6rio de Tanuri, no Rio de Janeiro, foram realizadas vzirias reunites para a negociagio do empr~sti- mo, em algumas das quais tiveram assento o governador Jader Barbalho e o president da Celpa na 6poca, Ambire Gluck-Paul (tamb~m membro do atual conselho de admi- aistragio da empresa). CAMVINHO 00 DINHEIRO O valor do financiamento foi inicialmente estimado em US$ 53,5 milh~es. HE informa~gs de que todo esse dinhei- ro entrou no pafs e, depois de permanecer em "hiberna- glo" (retengio compulsdria) no Banco Central por seis meses, foi liberado. Cerca de US$ 40 milh~es foram apli- cados nas lishas de transmission (que substitufram as usinas como objeto do contrato) e o restante utilizado na'amorti- zagio de dfyidas do setor el~trico. O dinheiro pago aos cons6rcios liderados pela SBE e pela Sade teriam sido suficientes para eles realizarem todo o servigo projetado entire 1984 e 1986. Mas certos custos adicionais, decorrentes principalmente da aceleragio na execugho das obras para que elas fossem inauguradas no period eleitoral de 1986, teriam provocado quase uma duplicagio no valor final. O enxerto efetuado no Termo de Confissio de Dfyida seria para cobrir esses acr~scimos. O governador H61io Gueiros estava por dentro dessa hist6ria paralela. Como senador, fora pega fundamental pa- ra que o primeiro governor Jader Barbalho conseguisse a aprovagio senatorial para o emr~stimo. Enquanto Nelson Tanuri agia nos bastidores oficiais, o senador Gueiros fa- zia obstrugho em plendrio para forgar a autorizagio. Por algum motive, ao assumir o governor Gueiros do concor- dou mais com o esquema. Serviu de pretexto, e dos bons, a decision unilateral do ent~io president da Celpa de reco- or al Pessoal Liicio Flsivio Pinto No 79 ESCAN DALO Silenclo acusador Quase todos se calaram sobre a mais pol~mica questgo surgida at6 agora na administraq6o estadual. Mesmo assim, o pagamento de uma divida da Celpa de mais de Cr$ 5 bilhdes precisa ser esolarecido. nhecer, como liquid e certa, uma dfyida at6 entilo iliquida porque pendente de decisio judicial, na 6poca incerta. Ro- berto Ferreira nio penas assinou o Termo de Confissio de Dfyida & margem dos autos, como transformou o que os consdrcios reivindicavam em notas promissdrias, expondo o Estado ao 6nus de sofrer uma mera aCgo executive de cobranga (em fase de decisio no Tribunal de Justiga). A discussion de m~rito foi atropelada. Restaria apenas definir o valor. NOS BASTIDORES Ao inv~s de revelar publicamente a verdadeira hist~ria, o governador H61io Gueiros pref-eriu manobrar nos basti- dores. Resolveu desfazer a decisio que Roberto havia con-. seguido arrancar'do conselho de administragio da Celpa em junho de 1989. O conselho aprovou o TCD que Ferrei- ra assinara dias antes, "ad referendum", uma antecipagio contriria aos regulamentos porque o valor da dfyida era maior do que o capital social da empresa (e nesse caso a aprovagio tinha necessariamente que ser pr~via). A ata da reuniko, tal como foi conduzida por Roberto Ferreira, chegou a ser minutada e transcrita no livro pr6- prio. Seis dos oito conselheiros a assinaram, mas quando ela foi enviada para Ferreira fazer o mesmo, ele jg havia sido atastado da diregio da Celpa. Roberto recusou-se a assinar e froi al~m: reteve o livro, que nunca mais devol- veu, obrigando a Celpa a dar baixa do livro (depois de editar o edital de.extravio, sem citar o motive real do "de- saparecimento"), abrindo um novo na Junta Comercial e retazendo as anotaC~es. Roberto Ferreira nao quis assinar a ata porque o texto era completamente contririo ao que realmente havia sido decidido. H61io Gueiros simplesmente mandou mudar tudo: ao inv~s de constar a aprovagio ao TCD, o texto dizia que o conselho havia resolvido adiar o exame e a deliberagio, alegando que a questio era muito complex. A partir daf a posigio official foi se revertendo, at6 que em novembro o conselho, jB entiio sob o control absolute de Gueiros, de- cidiu desautorizar o fechamento do acordo, obrigando a Celpa a retomar a dispute judicial com a Sade. OMISSAO DELIBERADA Em junho deste ano, o novo conselho de administration retomou a questio, mas como se ela tivesse sido interrom- pida com a reuniio comandada por Roberto Ferreira. Em- bora oficialmente a tiltima deliberagio seja pela desautori- zagio do acordo administrative, a ata da reuniko de junho deste ano se consider uma continuagio da composigao feita por Roberto Ferreira, limitando-se a discordar da po- sigio da Sade sobre a atualizagao da dfyida a partir da ex- tingd-o do BTN (B~nus do Tesouro Nacional)- Do conselho que decidiu, em novembro de 1989, nio ltaer o acordo, restou apenas um membro, D~rio Gomes. Al~m dele, apenas Roberto Ferreira e Ambire Gluck-Paul sabiam o que realmente tinha acontecido. Mas agiram co- mo se o TCD tivesse sido referendado pelo conselho. Em carta enviada a este journal, Sinval Menezes diz ter decidi- do "baseado nas informag6es disponiveis e corroboradas por Conselheiros que comp6em o Colegiado desde 1989". Integrante do Colegiado apenas a partir de abril, Sinval desconhecia as informag~es divulgadas pelo Jornal Pes soal. Ao inv~s da press adotada no conselho, o governor, se nio quiser envolver-se num negbcio duvidoso, terb que apreciar com rigor se 6 melhor tazer o acordo administrati- vo ou participar da demand judicial. Em qualquer das si- tuag6es, um esclarecimento satisfatdrio sd poderi ser obti- do com pericia ou auditagem externa da composigio da df- vida. Sem isso, apesar do sil~ucio geral, o interesse ptibli- co poder8 estar sendo prejudicado. O nho-candidato O ex-governador Hdlio Gueiros declarou para Romulo Maiorana Jr., vice-presidente do Sistema Romulo Maiorana de Comunicagdes, que nio sera carididato a prefeito de Belbm no prdximo ano. A c~onversa entire os dois foi na segunda-feira da se- mana passada. Nio se sabe se Rominho levou a sC- nio a declaraqio. Volta por cama A Grifto nio foi classificada entree as ag~ncias prC-qualificadas para tender a conta publicit~ria do governor do Estado, mas passou na selegio national feita pelo governor federal. Ou seja: deu a volta por cima da notdria discriminagio polftica que softeu de Bulicos palacianos, mais barbalhistas do que o prdprio governador. Estigmatizada como a agancia do governador Hdlio Gueiros, pox ter comandado a campanha publicitgria desencadeada nos 'dltimos meses da desastrosa administration, com evidentes propdsitos eleitorais, a Griff~o aceitou o golpe gros- seiro sem protestar, como deveria. O ato foi primbrio porque o governor poderia selecionar a Griffo sem repassar-1he qualquer servi- go0, hipdtese admissivel nessa estranha forma de pr6-quaificaCgo. Mas ao assumir a exclusio de uma ag~nexa de publicidade que inegavelmente estg en- tre as quatro methores da praga, o governor senten- clou que a empresa deixou de lado sua lungiHo pro- fissional para agir politicamente ao lado do ex-go- vernador. Tiata-se de uma hipdtese. Os dirigentes do setor deveriam ter exigido do governor que a de- monstrasse, ao menos para preservar o nfvel profis- sional que jB cabe em campanhas eleitorais, com to- do um "marketing" estabelecido, e separar de vez a administration da conta publicithria official de suas manipulagdes politicas e interesses clientelistas. G;anhariam todos se essas conex~es espdrias fossem eliminadas. Para prevenir futuras interpretaq6es oblfquas, devo dizer que: r "conta" do Jornal Pessoal C aten- dida pela Griffo, gratuitamente, mas com uma efi- ciencia que coloca seus servigos muito acima da ca- pacidade de pagamento de um empreendimento co- mo este. Ao escrever esta nota, nio estou preten- dendo fazer agio entire amigos, retribuir gentileza ou aJudar colegas jornalistas, que admire pela capa- cidade que tiveram de montar um negdcio compe- tente (capacidade que obviamente me falta) Poucos jornalistas conseguem isso, mantendo a dignidade professional E por isso que julguei dtil repassar as observagdbes aos leitores deste journal. Nenhum outro as fars Mas o assunto teria que ser registrado. Mortes, viol~ncia, envolvimento de politicos, serving pdiblico executado g margem das normas legals, litigio de domfnio, uso e especulagio da terra e abuso do poder eco- namico slo components do conflito que eclodiu na fazen- da Santa Rita, em Slo Domingos do Capim, no mbs passa- do, e que o tornam exemplar desse tipo de ocor~ncia na Amaz~nia. O ponto culminante foi no dia 5 de outubro, quando foram mortos Mauro Carneiro dos Santos, suplente de vereador em Paragominas, president do diretdrio mu- nicipal do PSB (Partido Socialista Brasileiro) e delegado do sindicato dos trabalhadores rurais, e Francisco Nunes de Souza, o "Chico Bochudo", lIder comanitbrio. Os doss teriam sido mortos pelo fazendeiro baiano Der- val LeHo, segundo as vers6es apresentadas pelas dinicas testemunhas do episddio. Leho, conhecido na regiio pelos m~todos truculentos que costuma utilizar na defesa de sua propriedade, garante com o respaldo de dois filhos, de um madeireiro e de um tratorista que matou os dois em legftima defesa. Era um saibado quando ele soube que Chico e Mauro ,stavam abrindo uma estrada dentro de suas terras para permitir o acesso de uma coldnia agrfcola e um povoado, at6 entio apenas com ligagilo fluvial. Ledo convocou os filhos, apanhou um revdiver 38 e embarcou numa camio- nete com carroceria de madeira para tomar satisfagbes. Mas ao descer do vefculo e perguntar quem era o respon- shvel pelo servigo, teve como resposta um disparo da car- tucheira de Chico, que atitou e se jogou para tris de um tronco de drvore. De 18, continuou a fazer disparos. Ferido de raspio na testa, o fazendeiro percebeu quando Mauro, tendo se livrado de sua cartucheira, que havia fa- thado, saltou contra Derval, tentando atingf-lo com a arma. Com surpreendente vitalidade para seus 64 anos, o fazen- deiro imobilizou o agressor e utilizou seu corpo como es- cudo para chegar at6 Chico. No caminho, Mauro recebeu os tiros do revdiver de Chico e morreu, mas serviu para cQue Derval liquidasse Chico, num desempenho digno dos melhores filmes de aventuras. Os depoirrentos dos que estavam no local confirmam essa reconstituigilo, mas ela estd bem lo~nge de poder ser considerada aceitivel. Informagbes levantadas na apuragio feita pelo delegado Eider Mauro Barra, da DOPS, mostram que o fazendeiro nio agiu por um impulse de memento: ele deve ter tido n~io menos do que dois dias para planejar a investida contra a frente de obras liderada por Chico. Na v~spera do cheque um filho (provavelmente adotivo) do fazendeiro foi & casa de Francisco tratar do problemna da estrada e fazer propostas de acordo, nio aceitas. Nesse mesmo dia dois homes foram h frente de servigo pedir sua paralisagiio, "pois estavam em terras particulares", segun- do o depoimento do tratorista Jolo Batista Pereira Franco. Como os dois contatos nio deram os resultados espera- dos, Derval Lehio estava ciente de que: enfrentaria resistan- cia. B pouco prov~vel que uma pessoa com a experigncia dele partisse para o local levando apenas os dois filhos e armado com um sd rev61ver. Raimundo Costa Rodrigues, que trabalhava na estrada com um irmio, viu quando o fa- zendeiro se aproximou com 12 homes, entire os quais Zd Cigano, conhecido conrio pistoleiro (cuja participagao foi negada por todos os demais). Sob mira de- armas, Raimundo teve de entregar sua es- pingarda e recebeu ordemn para ir embora (estava a certa dist~incia do local onde se daria o conflito) Diz ter ouvido seis tiros, quantidade insuficiente para o tiroteio que Der- val Leho declara ter havido. E mais coerente com simples execuglio dos dois. Essa hipdtese 6 reforgada pela consta- tagio, no exame dos caddveres, de que Chico sofreu lesbes na cabtega. Ou seja: foi agredido antes de receber o tiro de miseriedrdia. Outro ponto falho r.cos depcinlrrec~ e ( sble o ferimento do fazendeiro: ele rece' eu ult disparo de cartucheira, mas ficco com um ligeiro raspio na test, tiio suave que o bal- seiro do rio, ao atravessd-lo, pensou que se tratasse de um arranhi~o em galho de dirvore. As cartucheiras dos lavrado- res disparam muitas bolas de chumbo. E improv~ivel que apenas uma tenha atingido de raspio o fazendeiro. Para quem est&i acostumado a essas ocorr~ncias, parece mais f6- cil acreditar que tenha havido uma execugho ao invds de um tiroteio. Mas se o fazendeiro procurou resolver o problema g sua maneira, Chico e Mauro criaram conscientemente o con- 11ito. Eles decidiram dar cobertura a construg8o da estrada apenas com base em um requerimento do vereador Antonio Aradijo de Lima, do PSB de Sho Domingos do Capim, que pediu a obra para que "dezenas de familias" estabelcidas na coldnia agrfcola pudessem escoar sua produgio, sujeita As dificuldades e Onus do transport fluvial (um paradoxo que sd so explica na Amaz~nia pela voracidade des que exploram a nave gagio interior). Para entrar na propriededee particular teriam que disp~r de uma ordem judicial, que tamb~m nio possufam. JAi o prefeito Margal de Jesus Soares Palheta atendeu o pedido do vereador assinando imediatamente, sem licitagio pdblica, o contrato para a construghio da estrada, no valor de 1,5 milhio de cruzeiros. Estranhamente, o servigo foi entregue a uma firma madeireira e carvoeira, que expu- nha a empreitada B acusagio de servir de cobertura & ex- tragio de madeira, arma que os fazendeiros costumam es- grimir para imputar aos posseiros prop6sitos menos nobres nas ocupag~es de terras. Com esse enredo sumariamente exposto, o caso do con- flito na fazenda Santa Rita tem todos os ingredients para, ao chegar B Justiga, ter o destiny de quase todos os demais: o arquivo morto. Jafi COlOrido A revista "Veja" gastou duas piginas de uma de suas illtimas edig~es para nova reportagem sobre o projeto Jari que at6 dispensaria seu enviado especial de ir g direa. De Sho Paulo ele poderia produzir o mesmo texto, adreo, su- perficial, deslumbrado. Rigorosamente, a iinica information da reportagem 6 antecipar que o Jari, enfim, pela primeira vez depois de 13 anos de operaCgio commercial, terb lucro. Segundo a revista, de cinco milh~es de ddlares. O lucro real (atC agora o iinico que apareceu foi o ope- racionai) pode ser viabilizado pelo fim do pagamento do principal empr~stimo da empresa, de 200 milh~es de d61a- res, totalmente quitado pelo BNDES e o Banco do Brasil (o valor final deve ter chegado aos US$ 500 milh~es). Mas como a reportagem nio tem maior rigor, 6 precise aguardar pelo balango para conferir. A Jari ainda estd g espera de uma avaliagio melhor, is v~speras de completar 10 anos de nacionalizada. O enredo dos conflitos A pollOca 6 como um jogo de quebra-cabega, que prect- sa Ir sendo montado aos poucos. Mas nem sempre a pega que parece ser a certa se encaixa no espago. Para nlo que- brar a cabega com a montagem, 6 precise ter paci$,ncia pa- la esperar e competbncia para juntar as peas aparente- mente desconexas. Na semana passada, duas pegas do quebra-cabega da sucess~io municipal foram attradas. Em "O Liberal", o pre- eleto Augusto Rezende anunciava que seu candidate saird do partido a que pertence:, o PTB. ou dos partidos que dio sustentagio politica g administragio municipal. "Nunca do PMDB ou dos partidos alinhados com o atual governa- dor", disse Rezende ao journal dos Mariorana. Na mesma ediglio domnmcal, o deputado estadual Nel- son Chaves, do mesmo partido do prefeito, declarava g "A Provinexa do Pard" que o radicalismo niio faz patte de sue prinlca political e elogiava o "'grande esforgo" do governa- dor Jader Barbalho "para administrar o Estado do Pard". Nelson considerava ainda "um fato positive" a possibili- dade de escolha de um candidate de consenso entre as for- cgas polfttcas atualmente antag~nicas. Paradoxo ou conflito de poslCdes entire as dois politicos do mesmo paltido? Aparentemente, sim. A manchete de "O Liberal" para a entevista do prefeito dizia tudo sobre a avalagio do journal: "PTB~ descarta alianga com o gover- nador" Mas ela d bem maxs categdrica do que as prd~ptias declarag~es de Augusto Rezende. A parte polftica da en- trevista 6 a menor de toda a entrevista, que nilo foi gravada e nem editada na forma de pergunta e resposta, como a de Nelson Chaves em "A Provincia do ParB" A realidade 6 mais sutil ou complex e menos definitive do que "O Liberal" a anuncia O prefelto deixou bem cla- to que nio apoiard candidates do PMDB ou dos partidos "aimhados com o atual governador" No mesmo dia das entrevistas, a coluna de Edwaldo Martins em "A Provincia do Pard" voltava a um tema que jB circulou em vsirios mo- mentos pelos bastidores poli'ticos, at6 com sinere oficioso: Jader Barbattro nito apresentack um candidate g prefeitura de Beldm. Pretendentes nd no PMDB, mas algu~m se dis- pord a aventura sem o endosso do governador ou contra- xIando sua dircuriz?! Logo, 6 pouco prov~vel que o PMDB tenlha candidate prdprio O objeulvo prioritinro de: Jader Barbalho 6 nio delxar Hdlio Giueiros se candidatar ou, se sair canldidato, niio veneer a dispute na capital paraense. Se pietende ter seu candidate a prefeito, o PTB conta atualmente com tr~s alternativas: o vereador Willy Trinda- de e os deputados Zenaldo Coutinho e Ndlson Chaves. O Limeco com quem Augusto Rezende jB conve~rson para tratair do tema tor Nelson Chaves. O ex-presidente da CA- mara Municipal de Belim 6 o dinico do PTB a ter seu nome cucado nas pesquisas de opimio nas listas espontineas ou provocadas. 1 um dos mars potencials candidatess de con- senso") cuJO perfil ele: mesmo traga. Nelson Chaves pretende pe~rmanecer no PTB. a nio ser que: nele mngresse o ex-govelnadox H~iio Giueiros. Isso a deputado, disse paPra muitos iriterlocutorees Nao 6 o uinico a ler expressado essa poslgao O prdipio Rezende, com maito tato pala llito crrar rrnimago antes do tempo. tem dei- -xado a mesm~a smpressilo no eir~culo mais intimo. Talver seja esse a mnaror motive para m~io rcr qualquel simpatia pelo nome: de Willy Ta~nldadc. rltile Identificado com Guenos e: aidm disso desgasladlo po"ia dspu"a mantida to peldlda) com o deputado le~deral Gdilson ~eres Apesar dos namoros petebistas, o caminho mais prov4- vel e o jli anunciado por "O Liberal" do ex-governador H61io Gueiros 6 o PST. O principal obst~iculo nessa traje- tdrla 6 o vice-governador Carlos Santos. Mas embora ele control os diletdrios do partido, a diregio national do PST resistird~ g tentagio de ganhar, de uma sd vez, tr~s de- putados federals (Hildirio Coimbra, Carlos Kayath e M~Lrio Chermont) integrantes do esquema Gueiros? Se nio resis- tir, Carlos Santos facard sem a sua atual sigia, uma conse- quancia lateral que n~io desagradard de todo o governador Jader Barbalho. O PST 4 e continuard a ser at6 que nele o ex-governa- dor H61io Gueiros consiga introduzir seu cavalo de Trdia - dos "alinhados com o governador" Se se mantiver fiel ao que disse, Rezende o apoiaria, deixando de lado o PT~B? E entur. Guenros no PST e Nelson Chaves no PTB, com quem f'icanla? Jader Barbalho consideraria o candidate petebista Nelson Chaves, um adversdrio que se recusa, agora, a fa- zer oposagilo radical, um inimigo tuturo? Ou ni~o estaria at o candidate de consenso para imobilizar de vez a candi- datula Gueiros, deixando "O Liberal" em situagio bas- tante inc6moda e delicada? Evidentemente, o quebra-cabega nio estA fechado e faltam amnda muitas peas para definir o jogo (do qual par- ticipa ativamente o deputado Ronaldo Passarinho). O que o prefeito Augusto Rezende fez foi antecipar um movi- mento que normalmente ele sd fariat no inicio do prdximo ano, quando como jSI disse e repetiu estardi efetivamente aberta a temporada de caga As prefeituras. A leag~io de "O Liberal" e outros aliados g entrevista anterior, na qual o prefeito declarava-se g "A Provfncia do ParB" receptive ao ente~ndimento, provavelmente for a causa dessa antecipa- Quem vai decidlr na hora certa por enquanto pode estar blefando, on colocando panos quentes. Enquanto~dava a entrevista na redagio de "O Liberal", o prefeito autorizava o pagamento de: pelo menos metade da dfyida que atd al- guns dias atedis tinha com os vefculos do Sistema Romulo Mariorana de Comunicag~o. Para bom entendedor, taivez baste. O Seg redo da verba Tanto quanto as obras que estd realizando, o prefeito Augusto Rezende 6 tema da curiosidade geral da cidade sobre os recursos que consegue mobilizar para manter a frente de servigos e a folha de pagamento de pessoal em dia. A maioria da prefeituras do pafs caiu na inadimpl~n- cia. Muitas sequer conseguir~io pagar o 130 sal~rio de seus servidores, um abre-te-slsamo de fim de ano. Sem receber verbas federals, a preteitura de Bel~m est~i no quadro mi- noritbrio das exceg~es. O Estado at6 consegue uma posigfi melhor, embora te- nha reduzido drasticamente as despesas de custeio do lilti- mo trimestre. O que n~io se sabe, num caso e noutro, 6 se falta mesmo dinheiro ou ele existe, mesmo que em volume modesto, e est& sendo transferido para as frentes de obras, sem as quais nio hft votos. Quebra-cabega municipal Nenhum dispositivo legal impede que as forgas armadas, querendo, instalem pelotdes dentro da re- serva dos indios Yanomami, que se prolonga por uma extensa linha de fronteiras entire o Brasil e a Venezuela. Sem qualquer problema, a Aerondutica monton ha muitos anos e mantdm um nucleo na re- serva dos Tyrids, que fica na divisa do Pard com o Suriname- Surpreende, assim, que o pol~mico general Antenor de Santa Cruz Abreu, Bs v~speras de deixar o Comando Militar da Amaz~nia e passar para a re- serva, suscite um conflito imagindrio entire a demar- cag~o da drea Yanomami e a missio professional do Ex~rcito de patrulhar a fronteira. Qualquer que seja o seu tamanho, a reserve indfgena em nada afeta a missio military. E apenas pretexto para os que esio em busca de motives para impedir que a demarca- gLo, finalmente determinada pelo president da Re- pdblica, abranja os 9,4 milhbes de hectares indica- dos pela Funai (Fundagio Nacional do Indio)- O pretexto 4 falso porque nio hai vedagio & instalagio de uma unidade military na res~erva. Natu- ralmente, por6m, ela teria que ser definida em fun- glo de dois critdrios. Um deles se refere As caracte- rfsticas ffsicas e' humans da fronteira amazbnica, extensas, dominadas pela floresta, isoladas, sem ameaga factivel de agressio externa e ainda marca- das pela presenga de populaqdes indflgenas. O ou- tro, decorrente desses pressupostos, relaciona-se ao desempenho da tarefa military nas longfnquas fron- teiras que a acomodagio diplom~tica plasmou. O maior receio dos militares, o estabeleci- mento de um territdrio indfgena supranacional, pas- sando por cima das linhas divisdrias de dois pauses, 6 irreal. Os Yanomami precedem com sua existencia a definigIo arbitrdria e formal das divisas, para eles algo incompreensfvel. Indios da Venezuela e do Brasil poderio transitair livremente como sempre fizeram, independentemente das tenses diplomliti- cas que esse seu movimento gerava pelos 17 mi- lhbes de hectares de um lado e do outro de seu ter- ritdrio. Mas ningudm mais ter8 esse direito e fis- calizai-lo, para faz6-lo cumprir, nlo 6 tarefa excep- cional para a retina do patrulhamento military. Ao apresentar suas objeqdes g reserve Yano~ mami, o general Santa Cruz nio esti pensando num pelotio instalado em modestas embora dignas - acomodagbes, com acesso atrav6s de uma simples pista de pouso, a distincia recomend~vel de qual- quer aldeamento indfgena, e com o que 6 essencial par-a uma operaqio produtiva nessas d~reas: instru- mentos de comunicag~o potentes e Ageis, de emis- slo e de resposta imediatas. O general Santa Cruz, como v~rios outros mi- litares que v~m tratando a questio apenas atrav6s da repetigio de raciocfnios esquematicos, repassa- dos de geragio a geragIo como catecismo formulado no tom categdrica. dos ensinamentos castrenses, acha que a unidade de fronteira deve ser o centro de irradia~go da ocupa~go humana, capaz de dar vi- da ao que insisted em chamar de "frontelras mor- tas" (simplesmente por nio saberem identificar e classificar a vida que hB nelas) Ele deve visualizer o quarrel no centro de estradas, fazendas, outros empreeadimentos econdmicos, cidades. Esse tipo de ocupa~go, da qual o assentamento military 6 tio somente o embrilo, de fato 6 incompa- tfvel com a reserve indfgena. Mas tambm C incom- patfvel com o grau de conhecimento sobre a manei- ra de bem ocupar e melhor explorer essas distantes regi6es. O general iria repetir, na calha norte do rio Amazonas, o caos que se propaga na calha sul, irra- cionalidade cujas dimensdes ultrapassam tudo o que ja se fez antes na ocupaglio de novas fronteiras no planet. Esta necessidade de transformar a vanguard military no capitiio-do-mato para a ag8o de velhas e condenadas frentes econdmicas 6 estdgio que os militares precisam urgentemente superar. Nas con- digbes atuais da maior parte das fronteiras amazbni- cas, o important 6 transformar as unidades avanga- das em fontes de referencia e de apoio. Elas nlo precisam de uma estrutura pesada, conectada a elos da organizagio civil, mas de um conduto de acesso instantsineo a um satilite especifico. Os grandes inimigos da integridade do patri- m6nio existente nas Sireas fronteirigas da Amazania nlo estio do outro lado da linha divisdria. A Vene- zuela, com sua reserve Yanomami quase do tamanho da do Brasil, mas sendo um pafs muito menor do que o nosso, apoion entusiasmada a iniciativa do president Collor porque ela vai ajudar a preservar essa regilo estrat~gica da predagio dos garimpei- ros. A pior ameaga esta do lado de dentro do pafs, alimentada pelas complexes englenagens de interes- ses e negdcios, suficientemente fortes para mani- pular a opiniio pdblica. Ao defender menos terra para os Yanomami, o general Santa Cruz disse que o problema dos indios nio 6 terra, mas alimento. Para poder se alimentar, nos limits de sua cultural, os Yanomami precisam migrar continuamente pelas terras indspitas que ha- bitam. Esta 6 a raz~io de sua necessidade de espago. O general argumentardl que ela desaparecerd se dermos comida pronta para os fndios. e verdade, mas dar-lhes desta maneira, fazendo-os percorrer s6culos em question de meses (o que significa landg- los no v~cuo da histdria e condend-los & insolven- cia) t o mesmo que destruf-los enquanto etnia, so- lugio que muitos sujeitos ocultos querem impor, sem se disporem a assumi-la de pdblico. No fundo, sabem que praticam uma ignominia. Na hOra certa Se for realmente sulspensa a construgio da hidrel~trica de Cachoeira Portetra, no rio Trombetas, municipio de Oriximind, na qual a Eletronorte iria investor 1,1 bilhio de d61ares, os empreiteiros vio se langar sobre o projeto da pequena usina que a Celpa pretend implantar no rio Mai- curu para tender os consumidores da margem esquerda do rio Amazonas. Vale pouco mais de 10% da obra federal, mas vird em boa hora na estagio de vacas magras. Uma empresa do sul do pafs estA saindo na frente da corrida. Um falso pretext Estado para aprovar a licenga de instalagio da Alcoa na re- gilo com um projeto de 200 mith~es de d61ares para a pro- dugho de 2,5 milh~es de toneladas anuais de bauxita. O assessor especial do governador, Cl6vis Ferro Costa, que foi consultor geral da Repdblica no final da adminis- tragi-o Sarney (substituindo o paulista Saulo Gomes), suge- riu em um long parecer que o governo enviasse g As- sembl~ia Legislativa um projeto de lei complementary, que tratou de minutar. O illtimo artigo dessa minute de ante-projeto de lei esta- belecia que a titulagio das terras aos descendentes dos es- cravos africanos seria comunitbria (e nio individual), a ser feita "sob a condigio de que os cargos de representing, que os participants das comunidades criarem e proverem, decorrerio de escotha direta, secret e universal, serio gratuitos e com mandate pelo prazo m~ximo de 2 anos, nio renovivel no per6do imediato, sendo proibida a reeleigio simultinea de parents ou afins at6 o terceiro grau"'. Apesar de elogiar "o bem cuidado~ teor da mensagem", o consultor Luiz Roberto Meira julgou desnecessdrias to- das as trequentemente intrincadas consideraC~es de Fer- ro Costa. Entendeu sumariamente que o artigo 322 da Costituigio estadual, que reconheceu os direitos dos rema- nescentes dos quilombos e receber titulos definitivos sobre as terras por eles ocupadas no prazo mixrimo de um ano (at6 outubro de 1990, portanto), 6 auto-aplic~ivel. "Con- cretizi-lo depend, tio somente, de normas de procedi- mento, encarregando 6rgio tacnico no sentido de emitir os documents de propriedade, o que pode ser feito por meio de Decreto, observados os limits, estreitos por sinal, da disposigio constitutional" fulminou. Meira, que teve seu parecer aprovado pelo consultor ge- ral, Joho Roberto Cavalleiro de Macedo, nao disse, mas o eleito das recomendag6es de Ferro Costa, se aceitas, se- riam os de protelar a demrarcago das terras dos negros do Tromtetas, impedindo-as de se efetivarenr simultanea- mente g instalagio do consdrcio Aicoa/Shell na Area, como loi exigido no protocolo que lhe permitiu a aprovagio do Relat6rio de Impacto Ambiental do projeto de mineragio. Na audiencia priblica para examiner o Rima, em O3rixi- min8, Ferro Costa atuou como advogado do cons6rcio multinacional. R io abandonado O journal "O Globo do Rio de Janeiro, publicou dimi- nuto despacho de uma agencia de noticias international, nio identificada, segundo a qual a vazio do rio Amazonas tenia sido reduzida em 25% entiree o verio e o inverno deste ano". O tendmeno teria sido causado pelos desma- tamentos na cabeceira do Amazonas, na Col~mbia, e na parte baixal, no Brasil. A persistincia da derrubada da fl> resta pode~ria agravar ainda mais a situaqio. Por causa de- la, o Amazonas estaria perdendo "a auto-sufici~ncia de alimentos", o que talvez signifique que esteja perdendo nutrients. Infelizmente a noticia n~io aponta as fontes da observa- (Ao e dos c~lculos, que nio foram brasileiras. Todos os t~cnicos e pesquisadores consultados nlo apenas desco- nhecem que esteja ocorrendo uma perda de vazio no Ama- zonas, como nio acteditam que possa estar havendo des- matamento mais acentuado na parte brasileira do rio. a ponto de provocar uma diminui~go no volume de Agua. Mas se a origem da noticia 6 incerta e niio sabida. a possi- bilidade de desmenti-la nio 6 menos problemitica: a estu- do da bacia do Amazonas foi praticamente abandonada pela prioridade dada is rodovias da terra-finne. A danga dos "lobbies" Mesmo que o "lobby" da indtistria automobilistica possa ter sido o autor da faganha, a eliminag~io do regune de tramitagio urgente-urgentissima para o projeto de lei do Executive que amplia as vantagens da Zona Franca de Manaus pode ter sido a melhor solugho para um impasse que jd durava um m~s. Com o andamento normal do pro- jeto no Senado, ap6s sua aprovagio a jato na Cimara Fe- deral, a proposta poder6 ser analisada com mais aten~go e os pontos obscures, sobretudo na margindlia do projeto, esclarecidos. Niio hi dilvida de que a indbstria estrangeira estabe- lecida em Slo Paulo reagiu B iniciativa para defender seus privil~gios e a estrutura cartelizada do setor automobilisti- co. Quaisquer que fossem os instruments utilizados pela Zona Franca de Manaus, a plutocracia paulista nio aceita- ria o surgimento de um novo polo industrial, ainda mais dotado de maior poder de competition. No entanto, muita sujeira foi colocada diante do ventilador e muita acusagio trangou diante da opinion pxiblica sem que os bois fossem nommnados e os crimes imputados. Infelizmente, em geral o debate que comega em torno desses impasses desaparece quando hB um acerto entire os principals protagonistas, destiny que pode voltar a se repetir em relagfio B Zona Franca, merecedora de uma definigio mais profunda do que a que costuma balizar os entendimentos entire grupos- SAmazonenses e paulistas podem se considerar satis- ieitos com o acordo em torno do projeto, mas g nagilo fo- ram sonegadas informag~es fundamentals sobre o cartel automobilistico de Sio Paulo e a maquilagem industrial da Zona Franca. En seu livro, pela pena de Fernando Sabino, a ex-ministra Z61ia Cardoso de Mello opinou que a Zona Franca "nio deveria existir", mas, jd que existia, "deveria se adequar B nova political industrial" porque essa "nio era a maneira de incentivar uma region a desenvolver a indtis- Lria de um pafs", limitando-se a fabricar "meras capas ou inv61ucros de peas de fabricago americana ou japonesa". Z61ia diz que pretendia acabar com as "verdadeiras falcatruas" existente na ZF, fazendo uma revisao de cada projeto antes de aprovar as cotas de importagio por eles requeridas, mas o secretirio do Desenvolvimento Regio- nal, Egberto Baptista, hoje o padrinho da Zona Franca, "estabeleceu vdirias cotas por conta pr6pria, atrav~s de simples portaria". As do irmio, Gilberto Miranda, donor de empresas em Manaus, estavam nesse "pacote". Egberto Batista reagiu, atrav~s de uma inusitada- mente simpitica mat~ria em "Isto6", com um petardo de veneno: "Enquanto o indicado de Bernardo Cabral (o se- nador Leopoldo Peres) continuou como superintendent, nio houve problema para Dona Z61ia". Todos podem estar certos quanto a essas manipulag~es de bastidores, aos quais t~m acesso e conhecem intimamente. Mas todos po- dem estar errados no uso de teses aparentemente elevadas, que servem, entretanto, ao atendimento de interesses s6 mantidos g margem do conhecimento piiblico porque a in- vestigag5io da unprensa nem sempre val al~m do abre-alas "lobbista": Um parecer Oilmpico Se defender de Consultoria Geral do Estado, o governor poderi iniciar imediatamente a demarcaCio das terras ocu- padas por remanescentes dos quitombos do Trombetas, concedendo-lhes os titulos de dominio atrav~s de simples decreto. Esse foi um dos compromissos assumidos pelo pr-ios indios, que assinaram contratos desastrosos (ainda que aparentemente rentiveis) para a extragio de ouro ou madeira no interior de sua reserve. Se dados coletados pe- los recenseadores podem at servir a especuladores, tam- b~m poderio revelar os erros praticados por algumas lide- mangas indigenas, raramente dispostas a permitir ou mesmo aceitar uma discussion a respeito. Nio sendo por uma boa causa, a attitude de recusa ao acesso dos recenseadores po- de levar g suspeita de ter uma motivagio menor e nada no- bre, coisa tfpica de branco. A muniq~o honest Durante sua breve perman~ncia em Bel~m para presidir a reuniko do Conselho Deliberativo da Sudam (Superin- tend~ncia do Desenvolvimento da Amaz~nia), no dia 26, o Secret~rio do Desenvolvimento Regional, Egberto Batista, exp6s um raciocinio tortuoso sobre o papel da imprensa. Disse estranhar que a Editora Abril, ao mesmo tempo em que critical o novo projeto do governor para a Zona Franca de Manaus, implante um empreendimento na mesma Zona Franca (que foi apresentado ao Condel para receber isen- gli do imposto de renda). Para tentar demonstrar a isengi-o e superioridade do go- verno federal, Batista destacou que permitiu livre delibera- gio dos conselheiros sobre o projeto, quando poderia con- duzi-la para evitar sua aprovagio. O secretirio confunde as coisas, como costumam fazer os inquilinos do poder em Brasilia. Se o projeto econdmico da Editora Abril 6 falho, n~io deveria ser aprovado. Mas a definigio sobre ele nada tem a ver com o que public a revista Veja. O secretirio deveria ser rigoroso no exame do empreendimento e no mesmo tempo responder is colocag~es da revista. A nio ser que pudesse provar que uma iniciativa esti condicionada pela outma e que a editor usa informag~es de interesse do p6- blico para seus neg6cios particulares. Nesse tipo de pol~mica, todos ganhariam se a munigio de um funcionbrio do governor fosse informago e nio ve- neno. Uma obra na mira A comissio t~cnica do Banco Interamericano de Desen- volvimento (BID) aprovou o empristimo de 145 milh~es de d61ares para a execugio do maior program urban de Bel~m, a recuperaCio de grande parte das iureas alagiveis da cidade. Mas at6 que o dinheiro comece a chegar serzl precise que a preteitura e o governor do Estado assinem um conv~nio para agirem em comum, que o Estado enquadre o problema da dfyida externa da Companhia de Saneamento, a Cosanpa, e o Senado approve a transagli. A execugho do program niio se dard antes de margo. Comegard em pleno period eleitor~al. O ponto de apoio Uma leitora sugeriu que o Jarnal Pessoal recorra a pu- blicidade para tentar valorizar-se economicamente. Esse ti- po de receita, entretanto, d~o se enquadra g linha da publi- cago. Slio vasos comunicantes, mesmo quando se procura evitar a interfer~ncia de um setor sobre o outro. Prefiro continuar tentando sensibilizar o leitor, nio s6 para que ele respond is necessidades de auto-sustentagilo econdimica do journal, como tamb~m para que se transform numa fonte de information e de avaliagio. Quando um empreendimento como este nio di certo, ao. inv~s de langar a culpa soble terceiros, 6 melhor reconhecer que ele 6 simplesmente im- possivel. O vice vm 89IV Carlos Santos vai langar sua candidatura ao governor do Estado em 1994, mas est8 tentando viabilizi-la desde ago- ra. G o que deixa bem claro na longa entrevista que conce- deu a Manoel Bulcio, publicada em "A Provincia do Pa- rii" do dia 17. Como se consider "um home de sucesso, um vencedor, empreendedor e fundamentalmente de vit6- ria o vice-governador acha possivel "que venha disputar cargos eletivos mais altos". Deputado federal e senador nho sho, para quem esta no executive, cargos eletivos "mais altos". A meta 6 mesmo o governor. Carlos Santos est8 animado, para dizer o minimo. Com- parando-se a seu alter-ego, o apresentador S'ivio Santos, donor do SBT e derivados, observa: "Ele nio conseguiu veneer. O Silvio passou pelo mesmo epis~dio que eu, mas eu venci. Na vida pdiblica, tive melhor sorte que ele". Nbo apenas sorte. Carlos Santos jB queria ser candidate a go- vernador na eleigio de 1990, mas percebeu "que ainda n-o era o memento mais adequado para disputar o governor . No entanto, "nio tenho divida de ter contribuido signifi- cativamente para nossa vit6ria" (isto 6, dele e de Jader Barbalho). Tamb~m n~io tem ddvida de que o governador sabe disso "e aqueles que conhecem bem o Carlos Santos tamb~m" (na entrevista, fala de si mesmo na terceira pes- son, o que deve ter algum significado). Carlos Santos relata experi~ncias amargas e mal escon- de resentimentos por ter said da R~dio Liberal, onde co- megou seu program popular, e ter perdido um canal de television. Mais visivel 6 o seu appetite: "frizei desde o ini- cio que nio gostaria de ser um vice contemplative". O que Carios Santos admite contemplar, agora, 6 sua candidatura g sucessio de Jader em 1994. Se conseguir sustenti-la, contra todas as previs~es em contr~rio, af sim nbi olhard mais debaixo para Silvio Santos (ali~s, nome do filho, que tentarid ser vereador no pr~ximo ano, suprindo a falha do irmlio, que nio conseguiu ser deputado estadual em 1990). Uma certa, outr aerr ad a Erra o cacique Paulinho Payakan ao impedir o in- gresso dos recenseadores do IBGE na reserve Kayap6, no sul do Parki. Alega que todas as informag~es coletadas na drea acabam sendo usadas pelos bra~ncos contra os pr~prios indios. E provivel que assim tenha sido, mas os indios po- dem exercer algum tipo de vigilincia e fazer exigencias que salvaguardem a tribo de manipulag~es tuturas. Sun- plesmente bloquear o trabalho do Censo, ji um ano atrasa- do, nio tem justificativa. Se cada pessoa fosse reagir da mesma maneira, a nagio perderia um mnstrumento de tra- balho e de auto-conhecimento indispensivel. De fato, hd sempre pessoas ou organizag~es se apro- veitando de alguma pesquisa para alcangar objetivos parti- culares ou pessoais. Payakan assegura que os Kayap6 ji tiveram expene~ncias desagradivers nesse sentido. Os mn- dios agem bem ao estabelecerem certas exig~ncias antes de autorizar o ingresso de estranhos na reserve. Mas se com- portam erradamente quando se colocam contra um serving como o Censo. Alem disso, se certas usurpag~es contra os Kayap6 toram praticadas gragas ao acesso de estranhos a informa- g~es privilegiadas, jB ni~o sho poucos os casos em que es- ses resultados foram consequ~ncia da iniciativa dos pr6- Na Amaz~nia est& metade do potential de energia hi- drel~trica do Brasil, estimado em 250 milhSes de kw. Mas 70% da energia que se pode extrair dos rios da regihio se localiza no Estado do Pari, hoje e ainda mais no futriro - a principal provincia energ~tica do pais. Estii em operagio no territ~rio paraense a segunda maior usina hidrel~trica national, a de Tucuruf, que transfer para fora do Estado pelo menos metade de sua produgio. Tucuru jB tem 3,3 mith~es de kw instalados, mas ainda faltam duas turbines para completer sua primeira etapa. Com um bom program de uso, pode suportar o consume de sua Area de influencia pelos pr6ximos anos, ao menos se o comportamento da economic for o mesmo dos Altimos tempos, de crescimento discrete ou negative. Com nio mais do que 4% de seu imenso potential de geragio de energia em uso, a Amazcinia 6 uma reserve es- trat~gica para o future e uma fonte cada vez mais repre- sentatiev~a de utilizagio imediata. No entanto, pela varieda- de das fontes disponiveis e pelas caracteristicas geogrifi- cas da distribuigio dos pontos hfdricos utiliz~veis, seria um erro montar a matrix energ~tica amaz~nica exclusiva- mente na hidreletricidade, repetindo uma depend~ncia gra- ve do pr6prio Brasil, que retira de hidrel~tricas mais de 90% da sua energia. Os critics do modelo energgtico que vem sendo aplicado desde o inicio da d~cada de 70 pediam pesquisas, experiments e aplicag~es priticas da energia alternative, nio apenas quanto is fontes, mas tamb~m em relagi i b formas. O governor montou um vasto program de obras baseado apenas na extraqio de energla dos rios e em usi- nas de grande porte, para a transfer~ncia de enormes vo- lumes de energia por longas distincias para consumidores privilegiados, todos comprometidos com a exportaio. Deste esquema resultou um elevado grau de endividamento do setor el~trico, que as empresas pdblicas nio mais con- seguem suportar (e os consumidores nio sho capazes de assumir), e uma estrutura de produgho que transfere as ri- quezas brasileiras para fora do pafs, gerando relag~es de troca desiguais no comI~rcio international, sem falar no li- xo ecolbgico e nas sequelas sociais, que constituem o sub- produto interno desses "grandes projetos". A crise, que fez o setor el~trico circular na quadratu- ra moldada pelos empreiteiros particulares, final os gran- des beneficidrios do "modelo", pode estar levando o go- verno a modificar ao menos a curto prazo sua estrat6- gia. A Secretaria Nacional de Energia ficou de decidir, na semana passada, o inicio de um program de investimento que vai consumer 2,7 bilh~es de ddlares at6 o ano 2005 pa- ra a utilizagio, pela primeira vez em maior escala, do gLs natural como fonte energ~tica na Amaz6nia. O program compreende a utilizagio das reserves de gbs da bacia do Urucu-Jurd~, atualmente sub-exploradas, dois gasodutos (ou outro meio de transport, ainda a defi- nir) de dimens~es semelhantes em direq~es opostas: um no rumo de Manaus e outro para Porto Velho, do qual deriva- ria para chegar at6 Rio Branco, no Acre. E termel~tricas nas tras capitals, com um volume de produgho de 2,3 milh~es de kw capaz de suprir as necessidades por um long period. Esse program, ainda nito divulgado oficialmente e ignorado pela opinion pdiblica regional, significa o reco- nhecimento de que, na Amaz6nia Ocidental, a energia de tonte hidrica nio 6 priorit~ria. A opglio pelo g~s natural congela ou arquiva dois projetos que os "barrageiros" gostariam de ji estar "tocando": as usinas de Cachoeira Porteira, no Pari, de Gy-Parand, em Rond~nia, duas obras que muitos encaravam comn reserves ou angistia por suas implicag~es ecoldgicas. Nelas, se iria investor mais de US$ 1,3 bilhi-o, metade do que o governor projeta para todo o sistema de geragio, transmissio e produgho de energia a ghs. A outra metade 6 o que foi gasto na usina de Balbina, a mais desastrosas de todas as construidas na Amaz6nia, inclusive pelo Angulo estritamente econdmico: em 1996 a termeidtrica a g~is de Manaus comegard a produzir porque a triste barragem levantada no rio Uatumi j6 nio poderb mais assegurar nem metade do consume da capital amnaze nense. S6 o confront desses ntimeros jB 6 o suticiente para se receber em boa conta a opCio pelo ghs na Amaz~nia Ocidental. Estranhamente, por~m, o governor decide tomar uma decisio aparentemente acertada quase em sigilo, sem consultar os interessados ou submeter sua decisbi a uma discussio posterior. Talvez ele queira adoti-la apenas para cobrir o v~cuo que se abriu no setor el~trico com sua crise financeira e econdmica, retornando ao "modelo" anterior em seguida. Mas os que querem uma politica mais saudA- vel e duradoura para a Amaz~nia devem aproveitar a nova situagio para consolidi-la. Uma solugho acanhada e de curto prazo limitar6 o potential que poderia ser aberto pelo uso do g~s natural. As reserves hoje medidas na bacia do rio Urucu s6 dio pa- ra 11 anos de geragio t~rica. Com a agregagio das reser- vas estimadas, pode-se estender esse tempo por mais 17 anos, aproximadamente. Antes de comegar inn program de amplitude seria necessbrio ter uma avaliagio mais gene- rosa das reserves para que, paralelamente is t~rmicas, Ma- naus possa receber um pdlo petroqufmico, sem o que have- rii uma sub-utilizagio dos recursos naturals (mais petr61eo e condensado) da primeira bacia produtora de hidrocarb~o- netos da Amaz~nia. Uma rede de gasodutos, ademais, teria que atingir uma dimensio superior g dom~stica, abrnhdo a possibilidade de absori~o da produgho boliviana ou perun- na. Assim, se abriria um novo horizonte, bem maior do que o tragado no que at6 aqui se conhece dos pianos go- vernamentais. O "erra mos" "O Liberal" deu um "furo" ao revelar, com exclusividade, o primeiro caso de edlera embora nao autdetone em Beldm. Mas a reportagem em nenhum memento deu o nome do doente, citado no dia seguinte no despacho dos correspondents dos jornais do sul do pafs, que fizeram a elementary per- gunta ao tripulante do barco que transporton o doente e receberam a fundamental information Dois dias depois o journal tratou como Rosa a autora do Album sobre o excelente Ruy Meira, na verdade Ro- sana Bittar. Ainda bem que "O Liberal" ainda nio copiou a coluna "erramos" da "Folha de S. Paulo". In fi- car sem espago. JI Pe TB Editor responstivel: Llicio Flivio Pinto Ilustragilo: Luiz Pinto Rua Campos Sales, 268/803 66.020 Fone: 223-1929 Opglio Editoral Comega uma era do g~s? |
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