Jornal pessoal

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Material Information

Title:
Jornal pessoal
Physical Description:
v. : ill. ; 31 cm.
Language:
Portuguese
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n.
Place of Publication:
Belém, Pará
Publication Date:
Frequency:
semimonthly
regular

Subjects

Subjects / Keywords:
Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre:
periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil

Notes

Dates or Sequential Designation:
No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note:
Title from caption.
General Note:
Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note:
Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier:
oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification:
lcc - F2538.3 .J677
System ID:
AA00005008:00060

Full Text












PO.LITICA



Mudangas dos ventos


__


De Washington pode ter vindo um dos maiores
impulses transformadores da political paraen-
se nas diltimas semanas. Porque o Banco In-
Dteramericano de Desenvolvimento n~io aceita
dar apoio ao maior program de investimento em
Beltm, no valor de 210 milhdes de ddlares (mais de
100 brilhiies de cruzeios) sem que dele participem
os governor estadual e municipal, o governador Ja-
der Barbalho e o prefeito Augusto Rezende inimi-
gos nas dltimas eleig~es tiveram que participar do
primeiro encontro conjunto de trabalho. A reuni~io,
compulsbria na sua origem, acabou sendo o pretexto
le~gitimado para uma aproximagio que extravasou as
intenS6es burocrdticas do BID. Governador e pre-
feito ngo apenas trataram do projeto de macrodre-
nagem da capital paraense; tamb~m trocaram ama-
bilidades e sinalizaram gestos que foram al~m do


protocolo. Jader foi att a porta do Palaicio Lauro
Sodrd deixar Rezende. Diz o protocolo que quem
fecha a porta quer que o convidado volte.
Embora o encontro da semana passada tenha
sido o primeiro com agenda bilateral entire os dois
politicos, ele foi precedido por cuidadosas aproxi-
mag8es. Antes de 'ader e Rezende conviverem no
palanque official para o desfile dos estudantes no
"Dia da raga", contatos atravis de terceiros foram
mantidos. Pelo menos quatro fontes de ambos os la-
dos confirmaram que o prefeito rompeu o esquema
montado com seus aliados, retornando a Beldm (ao
inv6s de permanecer em Brasilia, como estava
acertado), mas nlo indo ao plendrio da C~mara Mu-
nicipal participar da sessio dedicada ao ex-gover-
nador Hdlio Gueiros, depois de responder a uma
proposta transmitida por Jader, que the pediu um


Jor nal Pessoal
Liicio Flsivio Pinto


No 75


la Quinzena de outubro de 1991


Cr$ 300,00


Ano V






gesto de boa vontade como senha para um entendi-
mento.
Contribuindo para manter os dois politicos
distantes hP as feridas nio cicatrizadas da campa-
nha eleitoral, que a esposa do governador faz
questio de nio esquecer. Mas a negociagio se
equilibra em um ponto em comum: ainda que por
motives diferentes, Jader e Rezende nio querem ver
o ex-governador H61io Gueiros como candidate I
prefeitura de Bel~m no prdximo ano. A ascens~io &
PMB do principal de seus inimigos seria extrema-
mente desgastante para Jader, desequilibrando a
correlagio de forgas que ele espera ver estabelecida
na eleigio de 1994. Rezende nlo acredita que Guei-
ros, com sua "entourage" prdpria e seu centralismo
personalizado, vd dar-lhe o apoio de que necessita
para tenter eleger-se deputado federal dois anos de-
pois de ter deixado sua dnica fonte de poder.
Sintomaticamente, os discursos mais calorosos
que saudaram o reencontro Jader-Rezende foram
feitos por parlamentares interessados em um quadro
menos radicalizado como pano de fundo para as
eleigbes municipals do prdximo ano. Um novo con-
fronto Jader-Gueiros vai tornar suaves as violentas
trocas de acusagbes e ofensas da campanha do ano
passado e transformar em coisa absolutamente se-
cundbria a discussio de propostas, programs e tu-
do o mais que nio disser respeito diretamente As
idiossincrasias entire os dois polfticos. Um tal clima
de passionalidade, antagonizando um candidate
contra um nio candidate, afastard da dispute todos
os que, propondo-se a uma discussio de conteddo,
tentarem impedir mais esse retrocesso politico no
Estado.
Com o clima de tensio que caracterizou a elei-
glo de 1990, foi uma felicidade nio ter havido
morte. Mas se a moral, a 6tica e a privacidade fo-
ram entio destrogadas, quem podera proteger-se da
lama e de outros materials mais fMtidos ainda -
que serio despejados em profusio com a radicaliza-
glo que se agravard at6 o prdximo ano? Esta per-
gunta 6 pertinente para os dois principals antago-
nistas de hoje, o prdprio Jader e o grupo Liberal. O
governador esti preocupado, na sua segunda passa-
gem pelo governor do Estado, em desfazer a imagem
negative que associa seu nome a negbcios pd~blicos
tortuosos e obscures, o que exige efetiva aglo con-
trdria, mas tambbm umas boas pitadas de marketing.
JA a famflia Maiorana gostaria de resguardar a vid-
va de Romul~o Maiorana, Dea, muito maltratada nes-
ses duelos. Nem ela e nem os filhos ficario preser-
vados se Gueiros for o candidate B PMB porque o
estilo do ex-governador comp~e muito bem com
injdria, caldnia e diTamaSio, sem discernir aliados e
prinefpios 6ticos on morals. Mas quase tio impor-
tante quanto escapar do desgaste da dltima campa-
nha 6, para o grupo Liberal, derrotar o governador
Jader Barbalho.
Na cabega dos Maiorana, como de boa parte
dos que fazem parte do esquema politico satelitiza-
do em torno do grupo Liberal, s6 hB uma pessoa ca-
paz de derrotar o grupo explfcito on camuflado -
de Jader: 6 Hdlio Gueiros. Viabilizar sua candidatu-
rd tem sido o empenho dos dirigentes locals do PTB
e de polfticos como Willy Trindade, que jl oferece-
ram a sigla ao ex-governador. Mas dentro da coli-
gagio que apoion a candidatura de Sabid Xerfan


(incluindo o ex-prefeito), hg os que recusam-se a
aceitar o nome de Gueiros. Augusto Rezende parece
caminhar cada vez mais nessa diregio, embora sem
assumir tal tendencia por causa de sua ligagio com
o grupo Liberal, no memento a sua. fonte de sus-
tentagio vital.
A manutenglo dessa alianga 6 um dos compli-
cadores ainda nio resolvidos da equagio polftica
atual e, talvez, am de seus v6rtices principais. O
grapo Liberal teria todos os motives para brecar um
entendimento entire o prefeito e o governador, me-
nos um: a candidature Gueiros s6 nio seria pior pa-
ra os Maiorana do que a vitdria de um teleguiado de
Jader. Mas o surgimento de um nome razoavelmente
independent, neutro ou equidistante poderia ser o
mal menor, um prefeito com canal aberto com o go-
vernador e incapaz de hostilizar o grupo Liberal,
talvez at6 num arbitramento negociado manter
com os Maiorana uma relagio aproximada da que
Augusto Rezende cultiva. A dificuldade para chegar
a essa composigio estimula o grupo Liberal e seus
aliados a pensar numa alternative mais dr~stica e
arriscada, que 6 a candidatura Gueiros. Se ela sair,
1992 serad o capftulo dois de 190, com os agrava-
mentos de percurso.
Hg muita gente apostando no confront e que-
rendo uma revanche, principalmente os auxiliares e
aliados mais prdximos do ex-governador, como o
ex-superintendente da Sudam, Henry Kayath, e os
filhos de Gueiros. Mas tamb~m engrossam as filei-
ras dos que querem a modificaCgo do quadro polfti-
co. Entre eles, um dos mais destacados 6 o deputa-
do Nelson Chaves. Ele tem admitido, em converses
reservadas, que abandonard o PTB se H61io Gueiros
ingressar no partido. E foi um dos que louvou a
reaproximagio Jader-Rezende, destacando as vanta-
gens do entendimento em favor do Municfpio e do
Estado, acima das diverg~ncias polfticas. Falava
praticamente como -se tragasse sua linha de conduta
se sair candidate a PMB e for eleito.
Como polftica 6 jogo de xadrez, qualquer jo-
gador nio movimenta sua pedra sem antes pensar no
movimento possfvel do adverslrio. Por isso o jogo 6
lento e aparentemente mondtono. Mas certamente a
campanha municipal de 1992 jAi comegou.




A radicalizagaoo


Esta edigio do journal ja estava fechada quando
"O Liberal" anuncion, com chamada de primeira
pigina, que o ex-governador H61io Gueiros trocard
o PMDB pelo PTR, levando consigo quatro deputa-
dop federals que estavam abrigados na legend do
PTB. A informa~go reforga a andlise do artigo de
abertura do JP: as forgas que se coligaram na elei-
glo do ano passado estar~io desfeitas na dispute de
1992, reembaralhadas on em campos antagbnicos.
Gueiros nlo indo para o PTB, o principal partido da
alianga situacionista em 1990, crescer8 o espago pa-
ra uma aproximaqio maior entire o prefeito Augusto
Rezende e o governador Jader Barbalho, estimulan-
do a escolha de am nome com trlnsito entire os dois
grapos, algu6m que nio radicalizari as posig6es.










O projeto de saneamento da principal baixada
de Beltm, destinado a beneficiary mais de um tergo
da populagio da cidade e quase 15% dos habitantes
do Pard, vai absorver um sexto de todos os recursos
previstos pelo Estado para o orgamento do prdximo
ano. Liberados ao long dos prdximos quatro anos,
comegando num ano eleitorall os recursos slo sufi-
cientemente volumosos para justificar uma pergun-
ta: o governor nio utilizard parte desse dinheiro para
fazer polftica e favorecer empreiteiros amigos?
No mesmo,momento em que o governor paraen-
se ultima o contrato de emprdstimo comn o Banco
Interamericano de Desenvolvimento, responsivel
por 145 milhbes dos 210 milhbes de dl~lares que se-
rio usados no projeto, o jornalista Gilberto Di-
menstein denunciava, na "Folha de S. Paulo", a
manipulagio de um projeto de saneamento de US$
100 milhbes para o Acre. A Construtora Norberto
Odebrecht teria sido favorecida na licitagio das
obras, information que o governador acreano con-
traditou, atribuindo-a a seus adverstrios politicos,
creditados como a fonte do jornalista.
Desvio de verbal pdblica sempre foi um ftem
inseparivel das obras realizadas pelos governor,


mas o contrato de emprdstimo entire o BID c o Esta-
do tem cldusulas suficientes para prevenir irregula-
ridades, se o que foi posto no papel chegar a priti-
ca. Haverd dupla auditagem do projeto: a official,
conduzida pelo Ministerio da Economia, e a parti-
cular, a cargo de uma firma independent de conta-
dores pdiblicos aceitivel para o BID. O prdprio
banco fara inspegbes periddicas e um comit& asses-
sor, do qual participario representantes da socieda-
de,.acompanhard os servigos. Mas s6 havera mesmo
garantia de lisura se a opiniiio pdblica, consciente
da importincia desse projeto, fiscalizd-lo adequa-
damente.
Um dos pontos cruciais do empreendimento 6
que o BID exige dos drgios pdblicos capacidade fi-
nanceira para responder pelo empr~stimo e pela
qualidade dos servigos a serem prestados a popula-
glio. Pensa em causes nobres, como as condigdes de
vida dos moradores das baixadas, mas tamb~m no
retorno do dinheiro que the sera tomado. Se o fluxo
de volta for ameagado, as administragbes estadual e
municipal se comprometem a capitalizar-se atravts
das tarifas pdblicas, como o fornecimento de Agua.
O que significa o final contumaz dessas histdrias
nada edificantes: o consumidor acaba pagando todo.


No dia 19 de junho do ano passado, Jos6 Car-
los Lima da Costa, entio vice-1fder do PT na C~ima-
ra Municipal de Bel6m (hoje deputado estadual pelo
mesmo partido). apresenton requerimento, "em re-
gime de urg~ncia e prioridade", para que a Casa
manifestasse "o seu mais pungente pesar pela safda
de circulag;io do dnico jornal alternative realmente
independent de que se tem notfcia, o 'Jornal Pes-
soal', editado solitaria e exemplarmente por Ldcio
FlBvio Pinto".
No mesmo requerimento, Jos6 Carlos pedia
votos de congratulagbes pelo Banco de Dados que
en entio estava organizando na Funtelpa (Fundagio
de Telecomunicag~es do Pard;), no qual "serio co-
locadas a disposigio da comunidade informag6es
importantfssimas sobre a regidio". O vereador escla-
recia que essa tarefa seria minimizada "se a grande
imprensa tivesse informado de forma isenta g po-
pulagio o que ocorreu na instalagio dos grandes
projetos, por exemplo". Jos6 Carlos denunciava a
"concorrbncia desleal" que havia aniquilado o men
journal, fechando means espagos na imprensa e obri-
gando-me a "fazer 'bicos' para sobreviver".
Lembrar esse documents tornou-se maito im-
portante para contrasta-lo com iniciativa que, 18
meses depois, um outro vereador petista agora
Raul Meireles teria. O contrast esta nio em que
Jos6 Carlos me elogiou e Raul Meireles me criticou,
mas na seriedade do primeiro e na irresponsabilida-
de do segundo, ambos do mesmo partido, que cos-
tuma dar muito mais atenglo a coer~ncia do que os
demais.
Jos6 Carlos soube distinguir o projeto do ban-
co de dados do Jornal Pessoal. N~o seria necessa~rio


fazer grande esforgo mental para estabelecer a dife-
renciacgio: o contrato para a montagem do banco de
dados foi assinado em plena administration Gueiros
(setembro de 1989), quando o JP jB vinha fazendo
crfticas ao governor, e niio sd a ele, como reconhe-
cia o prdprio vereador do Partido dos Trabalhado-
res, ao classificar o journal de o dnico realmente in-
dependente. "Lamentivel 6 ter que constatar que
um jornalista da compet~ncia de Ldcio FlBvio Pinto
nrio possa exercer, com dignidade, sea profissio
justamente por exerc8-la com altivez", acrescentou
Jos6 Carlos. Levado a exaust~io, o journal paron, mas
o banco de dados ainda prosseguin por mais alguns
meses, at6 que eu, deliberadamente, suspend sua
continuidade justamente para preservar o projeto
de eventuais interfer~ncias polfticas.
Com a primeira informa~go que recebeu sobre
o banco de dados, o vereador Raul Meireles ime-
diatamente usou-a para uma acusagio que nio re-
siste B menor das andilises. Tio primiria que sd po-
deria servir a quem estivesse interessado em preju-
dicar a minha imagem e por extensio, a deste jor-
nal independentemente do conteddo da acusagio.
Uma mentira, repetida mil vezes, pode se transfor-
mar em verdade na mente dos que recebem a men-
sagem, ja; ensinava o ministry nazista da propagan-
da, Joseph Goebbels. O dnico journal que publicou
as mentiras de Meireles foi "O Liberal". N~o me
dando o direito de contestd-las, o journal deixou cla-
ra sua intencg~o. Nio eston dizendo que o journal e o
vereador fizeram um pacto (porque nio tenho pro-
vas a esse respeito), mas inegavelmente a iniciativa
do vereador supriu o desejo do journal, que assim me
atacaria sem se expor, fiel ao estilo do responsgvel


O uso do dinheiro


Os inc6modos da vida






de fato pela linha editorial de "O Liberal", Claudio
Augusto de SA Leal.
A ma f6 de Meireles 4 fAcil de provar. Com ba-
se exclusivamente num extrato do contrato entire a
Funtelpa e eu, prosseguimento do anterior, vencido
em agosto, ele disse em seu pronunciamento que eu
havia me atado, atravts dessa relagio, I adiminis-
tra~go Jader Barbalho. N~o suscitou nenhum ques-
tionamento legal sobre o contrato em si, apenas
apontando-o como a "prova" de que eu "me vende-
ra" a Jader. Tr~s dias depois, jd ent~io provocado
pela "Folha do Norte", a metaffsica publicag~o do
grupo Liberal, que 1he deu amp.!o espago para uma
entrevista, Meireles, generic e ambiguamente, diz
"acreditar na exist~ncia de irregularidades", sobre
as quais nada mais pbde aduzir porque sua dnica
fonte de informagBes continuava a ser nada mais do
que o extrato do contrato.
Mentia o vereador ao informar que "um grupo
de juristas ligados ao PT" estaria "estudando os
terms do contrato" com a intenglo de comprovar
on nio as irregularidades denunciadas. A verdade:
os "juristas" slo apenas advogados, alguns ini-
ciantes; dois deles se recusaram a proper qualquer
agio contra mim; eles nio estavam estudando con-
trato algum, simplesmente por nio possuirem uma
edpia dele; o que iria houve foi a proposta de um
exame ainda nIo (e nio sucedido) iniciado. On seja:
o PT estava se propondo a iniciar um trabalho que
deveria ter precedido qualquer manifestagio do ve-
reador, fosse ele s6rio, bem intencionado, honest e
responsavel. Simplesmente Meireles denunciara "ir-
regularidades" movido por suposig~ies e intuig8es
vagas, todas infundadas.
A mais objetiva delas era o valor do contrato,
que seria um simples termo aditivo, sem a necessi-
dade de publicagio, se eu n~io tivesse exigido da
Funtelpa o estabelecimento, dentro de todas as
normas legals, de uma nova rela~go contratual. O
contrato preve o pagamento de 840 mil cruzeiros
mensais brutes (os descontos automaticos extirpam
33% do total). No extrato aparece o valor do con-
trato: Cr$ 3,36 mithbes. O journal registrou apenas
esse valor, tentando induzir o leitor a pensar que se
trataria de pagamento mensal. O vereador acrediton
ter localizado o "dedo do gigante". Menos mau in-
tencionado e mais inteligente, teria percebido tra-
tar-se de pagamento referente aos meses de setem-
bro a dezembro, jd que a Funtelpa nio poderia fazer
empenho de verbas al~m do orgamento vigente, co-
mo exigem as normas de contabilidade pdblica. Se
ela fizesse dotagio para 1992, antes da aprovagio
da lei orgamentairia para o exerefcio seguinte, af,
sim, estaria praticando uma irregularidade. Na sea
ma f6, que nlo esconde, entretanto, sua inseguran-
ga, o vereador se aventura pela especula~go em tor-
no do valor verdadeiro, dizendo que o contrato de-
veria ir "a mais de Cr$ 9 mithbes, 'quase 10 mi-
lhbes"'.
Essas elucubrag8es quantitativas, sepultadas
sobre contabilidade defeituosa e artimitica frfvola,
slio a tentative de dar alguma substlncia ao argu-
mento inaugural apresentado pelo vereador na en-
trevista: espantosamente, Meireles consider irre-
gularidade que uma pesson possa realizar sozinha
determinado trabatho intellectual: "Formar e manter
um banco de dados sobre a Amaz6nia nio 6 tarefa


para um home sd", afirma, embora, mais adiante,
reconhega que eu tenho "compet~ncia para a reali-
zagio do trabalho contratado".
Se nio quisesse apenas servir de instrument
para meus adverstIrios (mal) ocultos, que sd em
fungiio disso the deram maior destaque, Meireles te-
ria tomado diversos cuidados antes de tentar jogar
lama sobre a honra alheia. Ele poderia ter ido ver o
banco de dados, cujo acesso the seria franqueado,
para verificar a natureza do trabalho e a especifici-
dade de que ele se reveste. Nio se trata de um ban-
co de dados qualquer, mas de uma base de refer~n-
cia constitufda pelo men arquivo, sobre cujo valor o
vereador pode se informar em qualguer dos autores
amazbnicos reconhecidos como autorizados a falar
sobre as questbes da regilo. O vereador tambdm
n~io haver8 de pensar que por 500 mil cruzeiros If-
quidos en me venderia (ou Meireles acha que esse
valor garante a sobrevivencia de uma famflia de
classes m~dia neste pafs?).
Raul Meireles jai me deu trabalho suficiente e
roubou espago mais do que exagerado do meu jor-
nal. Para evitar essa dupla perda para mim e para
means leitores, na quinta-feira da semana passada
entreguei uma carta B diregio estadual do PT pro-
pondo-lhe a instalagio de uma comissio para apurar
o que disse o vereador. O PT podera. indicar quan-
tas pessoas quiser e escolher quem escolher que
quiser, exceto o prdprio Meireles, para mim liti-
gante de ma f6. Ao mesmo tempo pedi ao president
da Funteloa, Mauro Bonna, para abrir os registros
que ali existem a men respeito, dar acesso ao banco
de dados que estamos formando e fornecer toda e
qualquer informagio julgada necess~ria pelo PT pa-
ra former seu jufzo a respeito da questio. Coloquei-
me B disposigIo da comissio para prestar-lhe escla-
recimentos e, se for o caso, sofrer acareadlo com o
vereador.
Com a proposta, fiz duas solicitaqbes: que o
resultado da apuraio seia tornado adblico; e. se fi-
car comprovada a improced~ncia da dendncia, o ve-
reador seja punido com a pena adequada ao seu ato
(no meu entendimento pessoal, de quem dal enorme
valor a princfpios 6ticos, a expulsio). Se o PT pro-
var que minha atividade na Funtelpa 6 irregular e
nio result em beneffcio para o povo paraense,
comprometo-me a cancelar men contrato e fazer
uma retificag8o pdblica.
Ao mesmo tempo, fiz uma interpelaCIo de "O
Liberal" atrav6s da Justiga. A a~go foi distribufda
para o iniz Paulo Frota, da 5" Vara Cflvel, que auto-
rizou a citag;io do respons~vel pela empresa. Quero
que o journal cumpra sua obriga~go legal e 6tica de
reconhecer o meu direito de defesa, independente-
mente da reparac;io dos danos causados B minha
imagem. Tamb~m estou acionando means advogados
para cobrar a responsabilidade criminal do verea-
dor. Certamente algu~m notary que os tr~s Carlos
Lamariio Correa, Constantino Brahuna e Armando
Rodrigues pertencenram a administration Hdlio
Gueiros. ES capaz de mentalidades como a de Mei-
reles deduzirem desse acaso a "prova" de que me
"vendi" ao ex-governador. Mas as pessoas sensatas
n~io precisariio dessa tortixosidade para ver a relagIo
de amizade que fez os trgs advogados insistirem em
participar conjuntamente da diffcil empreitada que
os espera, independentemente da maledic~ncia






alheia, seja ela prbxima ou longfnqua.
Tomadas as provid~ncias cabfveis para escla-
recer a opini~o pdiblica, espero que qualquer pessoa
possa escapar dos inc~modos que hB duas semanas
se abateram sobre minha diffcil vida de jornalista
de combat simplesmente analisando os ndmeros do
Jornal Pessoal. Desde a carta aberta que dirigi ao
governador Jader Barbalho, em janeiro, at6 o ndme-
ro anterior, O 74, hai material bastante para qualauer
um former seu jufzo. Um aliado diria ao governa-
dor, numa carta, que o Pard "reduziu-se B pessoa de
Jader Fontenelle Barbalho e suas extens6es familia-
res ou clientelistas", a "terra do negbcio"? Ou que
o nome do governador "deixou de ser associado a
qualquer coisa que pudesse parecer-se a projeto
politico; sempre tem aparecido como sinbnimo de
situaqio confusa, mais ligada g moral pdblica do
que propriamente B polftica"?
Basta comparar o que tem safdo neste journal ao
rol de acusaq6es apresentadas pelo PT para verifi-


car quem tem acompanhado melhor a atual adminis-
trag8o. A prdpria relagio de irregularidades detec-
tadas pelo PT, v~rias delas comn imprecisdes e equf-
vocos, pode levar a conclusio de que a segunda
passage de Jader pelo governor estadual nio esta
sendo rigorosamente igual g anterior, talvez por
causa da maior preocupagio com uma nova imagem
e a notdria car~ncia de verbas. De qualquer manei-
ra, 6 oreciso nio revetir os estribilhos do passado e
ver, com os olhos, o que estA & vista, cuidando de
ver tudo muito bem, mas nio se deixando levar por
preconceitos (etimologicamente, nog6es prd-conce-
bidas). Foi com este espfrito que escrevi a carta
aberta a Jader Barbalho e venho acompanhando sua
administraCIo. Meu jornalismo 6 a coisa mais valio-
sa que posso dar B sociedade e nlo 6 algo de on-
tem, como o vereador Raul Meireles, personagem
do passado que ao pd do passado retornard quando,
depois de cumprir sua triste fungio, receber o que
the B de direito: o desprezo.


Gente como o secretairio de assuntos estratdgi-
cos (a SAE, que substituiu o SNI), Pedro Paulo
Leoni Ramos, e o empresilrio Mgrcio Fortes, ex-
presidente do BNDES (Banco Nacional do Desen-
volvimento Ecoildmico e Social), n~io acreditam na
ameaga de internacionaliza~go da Amaz~nia. Leoni
diz ter consci~ncia de que ha "efetivo interesse in.
ternacional sobre a Amazbnia", mas nio 1he parece
possfvel diagnosticar "que se trata de um esforgo
articulado para subtrair do Brasil a soberania sobre
essa riqufssima e desafiante regilo". Palavra de
quem comanda a "comunidade de informag8es".
Mgrcio Fortes, que represent no Brasil o Con-
selho Empresarial para Desenvolvimento Sustentd-
vel (formado por 40 dentre as maiores empresas do
mundo), vai mais diretamente no alvo: "O que ha 6
dispute pelos recursos do orgamento do tesouro no
ano que vem", disse B "Folha de S. Paulo". Ao
menos de imediato, esse parece ser um diagndstico
correto: a iminente internacionalizagIo da AmazB-
nia serve de instrument para arrancar dinheiro e
realizar determinados propdsitos nem sempre ex-
plicitados com franqueza,
O do ministry do Ex~rcito, Carlos Tinoco, 6 o
de estender o Projeto Calha Norte, criado em 1985
para atuar apenas na faixa de fronteiras na margem
norte do rio Amazonas, a toda a Amazbnia Legal, o
que significa aumentar sua grea de jurisdigio em
quase 10 vezes. Em terms estritamente militares, o
pol~mico Calha Norte, idealizado pelo Conselho de
Seguranga Nacional, ji extinto, objetiva a amplia-
glo de tropas e de suas instalag~es ffsicas. Esses
objetivos cabem apenas na faixa jB em si exagera-
damente extensa comn 150 quil6metros de profun-
didade a partir das linhas fronteitigas do pafs. Tec-
nicamnente, nio ha! como sustent8-los em todos os 5
milh~es de quil6metros quadrados da Amaz~nia Le-
gal. Do contrdrio seria militarizar a regilo, dan-
do-1he o perigoso "status" de adrea de ocupagio, ao
velho estilo colonial, ou como se estivesse sob uma
tensio military semelhante, por exemplo, A do Golfo
P~rsico, o que B um despropdsito.


A questio 6 que os militares nio v~em sua
missio pelo estrito &ngulo de sua compet~ncia pro-
fissional especffica: no depoimento It CPI do Con-
gresso sobre a internacionalizag~io da Amaz~nia, o
ministry do Ex~rcito interpreton as bases militares
como nd~cleos de irradiagio do process econdmico
e de desenvolvimento. Isto de fato ocorreu no pe-
rfodo colonial da histdria amazbnica, mas naquele
memento havia realmente uma dispute military pela
regilo, embora de dimensio exacerbada pelos histo-
riadores tradicionais. Mas agora a Amazbnia B in-
contest~vel territdrio brasileiro (exceto por reduzi-
dfssimas fragdes de terras em pontos de fronteiras
localizados, com litigio pacificamente arbitrado). A
nagio brasileira nele exerce plenamente sua sobera-
nia.

O sensacionalismo que vem marcando o trata-
mento dado ao tema de uma possfvel ameaga inter-
nacional organizada serviria para criar o pano de
fundo, ainda que artificial, capaz de sustentar a tese
do general Tinoco, desviando-a do que ela repre-
senta: a predominlncia do aparato military sobre a
administration pdblica civil numa regiio de frontei-
ra. Mas se os efeitos da ocupag~io predatdria da ca-
lha sul do rio Amazonas ja slo suficientemente re-
conhecidos e temidos, o que se esperar de um in-
cremento ainda maior do ritmo dessa destruigio por
conta de uma estrategia geopolftica categdrica com
a "griffe" military?

No seu depoimenlto a CPI do Congresso, o ge-
neral Tinoco classific~ou de "muito lento" ate agora
o avango das frentes de penetragio na Amaz~nia,
que nos d~ltimos 15 anos aumenton 14 yezes a Brea
desmatada na regilio, quase dobrando-a a cada ano,
"faganha" sem paralelo na histdria da abertura de
qualquer outra fronteira pelo home no dilapidado
planet Terra. "Estamos passando a brea amaz6nica
para a primeira prioridade em nossos planejamen-
tos", anuncion o ministry do Ex~rcito. Nio ha mo-
tivos para saudar essa decislo, muito pelo contrg-
rio.


A dupla ameaga






Os militares, como vgrios outros grupos, tgm
sido incapazes de compreender a caracterizagio es-
pedifica do espago amazbnico. Infelizmente, os
prdprios gedgrafos, teoricamente os mais qualifica-
dos para realizar a tarefa, t~m passado ao largo do
tema ou lhe dado um tratamento apressado, superfi-
cial. Os promotores da ocupa~go da regi~io enten-
dem o espago da natureza como espago ocioso, an-
tes mesmo de qualquer esforgo para compreendC-lo.
Querem traduzi-lo pelo d~nico espago que aceitam: o
espago do trabalho, que altera a natureza. Nio 6
uma noglio de todo inexata, mas o trabalho no qual
pensam 6 a a~go transformadora traditional, que
nio consegue apreender a complexidade dos com-
ponentes da natureza na Amaz~nia. Daf o terrivel
erro que levou' ao inevitaivel fracasso da plantagio
de arroz de Daniel Ludwig no Jari. Apesar do re-
sultado desastroso dessa e de outras experiancias
semelhantes, B este tipo de espago que os "pais" da
Amaz~nia querem recriar sempre.
Poucos deles estio dispostos a enxergar uma
alternative a essa visio categdrica. Com a lingua-
gem peculiar dos "bandeirantes" paulistas, o em-
presbrio Fernando Penteado Cardo-so, president da
Manah (uma das maiores inddstrias de ferilizantes
do pafs), expressou bem essa postura ao declarar A
"Folha de S. Paulo": "Quando leio sobre fontes de
calor na Amaz~nia detectadas por sat61ite, penso
que naquele ponto hsi um brasileiro querendo pro-
duzir alimentos para os vagabundos que estio nas
grandes cidades". Uma mentalidade desse nfvel
ainda permanece aqu6m da revolugio industrial,
vendo nas cidades a fonte da corrupgio e do mal,
coisa satinica. Por isso, Penteado vai claramente ao
que the interessa: "Nds vamos derrubar a mata,
mesmo", at6 porque a preservagio "tem sido dis.
cutida em funglo dos interesses dos indios e dos bi-
chos".

A crftica sarc~stica de Penteado sd tem alguma
procedbncia porque muitos grupos de militincia
ecoldgica padecem de uma cegueira semelhante,
embora com outro enfoque. Se os "desenvolvimen-
tistas a qualquer prego" nio v~em o valor da natu-
reza, os ambientalistas radicais nIo percebem a di-
menslo humana irrecusivel, ainda quando lamenta-
vel, nessa paisagem que perdeu a sua pureza origi-
nal. Julgam que por defenderem a natureza estio ao
lado da verdade e no sentido do future, como pen-
savam os marxistas militants at6 que a histdria lhes
revelou a vitalidade do mercado, imaginado em ex-
tinglo por um determinismo historicista on histori-
cida, o que da no mesmo.
Esse tipo de radicalismo ing&nuo que se culti-
va muito nas grandes metrdpoles mundiais, sufi-
cientemente distantes e protegidas da anarquia e do
caos social da "jungle", acaba prodozindo resulta-
dos inverses nos pretendidos. Ecologistas desse pa-
drio, como o secretirio do meio ambiente, Jos6
Lutzenberger, podem acabar consagrando persona-
lidades negatives como o governador do Amazonas,
Gilberto Mestrinho, errados no confront da histd-
ria, mas eficientes no didlogo com o pdblico. A re-
tdrica de Mestrinho 6 pobre, mas a pobreza tamb6m
marca a capacidade de recepglo de sua mensagem.
Assim, ela se torna eficiente, mesmo em sua aluci-
nada demagogia. A Idgica, o bom sensor e a hones-


tidade geralmente slio deixadas de lado quando, pa-
ra quem control os meios de divulgagio, trata-se
de difundir o que thes interessa.
Jacards sempre atacaram moradores do interior,
mas essas pequenas trag6dias nunca motivaram mais
do que vinganga localizada. Transformar esses inci-
dentes em motivagio para a abertura da caga profis-
sional 6 ma f6, mas os que s~io capazes de flagrar o
governador amazonense nessa contradigio nio t~m
a mesma compet~ncia para travar com ele a batalha
de opiniho pdblica e vencC-lo porque estio distan-
tes do espectador humane dessas contends. V~em
gente como Mestrinho de uma altura, que conside-
ram proporcionada pela superioridade moral e inte-
lectual, tamb6m muito acima do destinatario da con-
frontagio.
A imprensa, que deveria intermediar com isen-
glio e efici~ncia esse embate, o condiciona por seus
prdprios interesses e atropela os fats antes de ti-
rar-lhes a conclusio. Em seu principal editorial de
7 de setembro, o journal "O Estado de S. Paulo"
manifesta seu escbndalo porque um documents do
governor ("A~go Governamental na Amazbnia -
Subsfdios ao Zoneamento Ecoldgico-Econdmico"')
prev4 a aplicagio de 120 bilhdes de d61ares, ate o
final da d~cada, em "protegio ambiental". "Uma
outra dfyida externa?", assusta-se o traditional jor-
nal paulista. Ngo: os US$ 120 bilh~es referem-se ao
conjunto dos investimentos, pdiblicos e privados, em
todos os stores, dos produtivos aos infra-estrutu-
rais. Isto esta claro no texto. Como pode levar a
leitura tlo diferente?
A verdade sb sera reposta, delimitando o de-
bate, se as pessoas estiverem dispostas a ver com
honestidade os fats e dispuserem de capacidade de
identificai-los, distinguindo-os de verses, fantas-
mas e fantasias. M~rcio Fortes criticou o "naciona-
lismo arcaico", aparentado da mentalidade do "dei-
xe-me predar" que explica o "6 sd meu e sd eu tas-
co", que, embora odi~vel, vai conquistando cada
vez mais adesdes. Se os estrangeiros estio de olho
na Amaz~nia e querem toma-la de nds, antes de
aceitarmos essa visio simpaitica 6 precise chect-la
muito bem para n~io transformar uma causa nobre
em instrument de interesses negatives. Uma imi-
nente ameaga sobre a Amazbnia vinda de fora ainda
est8 por ser provada. Uma assustadora ameaga in-
terna, que internacionalizou a Amaz~nia sem preci-
sar de tropas estrangeiras por~m, j d suficiente-
mente forte para levar os amazbnidas a considerar
que sua eliminaq~io 6 o primeiro e indispensgvel
pass para impedir a segunda.


Silenclo forgado

O ministro da Justiga, Jarbas Passarinho, avi-
sa, de Brasilia, que nio consider encerrada a po-
18mica em torno do primeiro volume de suas memd-
rias, "Na Planfcie". Passarinho n~io aceita as crfti-
cas e interpretag6es feitas neste journal ao seu livro,
mas ainda niio encontrou tempo para colocar no pa-
pel as objegbes que faz. Assim que isso for possf-
vel, Passarinhho mandard uma cart ao Jornal Pes-
soal. O ministry preocupa-se em que nio dedozam
de sen forgado silbncio aceitag~io de andlises do li-
vro que consider incorretas.






uma evidencia de que o semi-analfabetismo no Brasil e mals grave do que
po ---o -mgnr
Por outro lado, 4 sempre dificil tentar esconder o sol com peneirs. O
PT do Pard, com o s demais partidos, d~o 6 o campelo na defesa do ina-
liendvel direito de defesa. Nemt mesmo internamente: alguns padlamentares
deste partido slo capazes de leviandades imperdobveis contra os prbprios
companheiros. Para esses interessam ce dividends eleitorais, uma pmova de
que o "stanlinismo petista" denunciado pelo deputado Jolo Batista Aradjo
Babd continue sendo desvio de carter mesmo.
O redador anOnimo tamb~m se engana quando imagine que son can-
didato a fiador em assuntos de 6tica. Seria mesmo necessdrio ingenuidade
ou maf~ eesses sentiments nsome mobilizam.
Ele s6 nso teria desperdigado tempo se informasse, por exemplo, em
que forum est~o arquivadas as dendncias formalizadas pelo PT nos attimos
oito anos.
O equivoco da dire~go regional deste partido e de seus palamentares
estli na falta de compostura que transform rapidamente o PT em simulacro
para interesses escusos. Mas a solidariedade dos profissionais da Funtelpa e
a nota official do Sindicato dos Jornalistas, em protest A injustiga cometida
contra ti por um vereador deste partido, me deiam At vontade para deixar es-
te assunto de lado.
Quanto aos ladr6es com ou sem competencia, admito que talvez en
tenha exagerado o tamanho da minha indignaglo. S6 acho que os aivos mais
expostos slio mais fsceis de acertar. N~o acredito, contudo, que os eleitores
de Jader estivessem iludidos com relaglo A biografia do home que esco-
theram para governador. No memento, eston empenhado para que a popu-
laglio deste Estado passa arrancar o mdximo dele. O resto 6 perfumaria ba-
rata.
Quanto As repostars de men interlocutor andnimo, seguem algnmas
conclusbes inevitdvels.
1. Que o PT transformou-se em partido de gabinete niio 6 segredo
para scus antigos simpatizantes;
2. de fato, em alguns aspects, a ex-assessora de imprensa do PT pa-
rece estar a anos-luz da tacanha diregio regional; o que explica, talvez, a in-
compatibilidade de hordrio;
3. o "6rglio de imprensa local" seria obrigado a abrir espafos nobres
ao PT mesmo que scus parlamentares exercessem os mandates com um mf-
nimo de inteligencia e dignidade;
4. as dendncias de fraudes em congresses da CUT estlo nas pdginas
de jornais e revistas de todo o pals. As acusag~es slio dirigidas contra o
mesmo grupo que control o PT no Pard".


Sinal de fumaga
Um indfcio de que a Sudam (Superintend~ncia
do Desenvolvimento da Amaz~nia) poderd voltar
a liberar recursos para projetos privados que rece-
bem colaboragio financeira do governor: o secretd-
rio do desenvolvimento regional, Egberto Batista,
indicou uma pessoa de sua confianga para a supe-
rintend~ncia adjunta da Sudam que cuida do setor.

Para enfrentar inimigos ferozes B precise dis-
por de grandes amigos. A vida pdblica torna quase
inevitdveis os advers~rios. Sd os medfocres agra-
dam a todos. Hd mementos em que a falta de escrd-
pulos dos que nos combatem abala a disposi~go de
enfrentar o campo de batalha. Mas a presenga de
amigos preciosos ao nosso lado recompde as forgas.
Se ao long da minha carreira professional fai colo-
cado diante de numerosas e dificeis adversidades,
nunca tive motivor: para reclamar dos means leitores
e dos amigos. A alegria, intima mas profunda, que
eles me t~m propJrcionado, 6 muito maior do que as
tristezas e desill isdes que o exerefcio de uma prro-
fis sio tio des gastante como a de me imp~s. Pude
confirmar essa convicqgo outra vez na semana pas-
sada, a propbsito de meu aniversbrio. Abro um es-
pago subjetivo neste journal sizudo para agradecer,
do fundo da alma, a companhia de tanta gente boa.
Mego a altura dos que se opbem a mim pela dimen-
s~Lo dos que me apoiam. B o que me dad a certeza de
estar travando o bom combat ontem, hoje e, se
possfvel, amanhl.


Caminho defical

O caminho de acesso -do juiz Werther Benedito
Coelho ao Tribunal de Justiga do Estado B mais di-
ffcil do que parece. A prdxima vaga, que serb
aberta pela aposentadoria do desembargador Aurd-
lio do Carmo, cabera & Ordem dos Advogados pre-
encher. A vaga seguinte sera ocupada pelo crit6rii
do merecimento, que nio se aplica ao juiz. O pro-
jeto para a criag~o de mais 'quatro vagas no Pleno,
em tramitagio na Assembldia Legislativa, 6 incons-
titucional porque nlo parting do Judicidrio, o dnico
que pode prop6-lo. E o Tribunal consider que 21
desembargados~es 6 ndmero satisfatdrio. Mesmo
quando se aplicar o critdrio de antiguidade, que be-
neficiaria Werther Coelho, o Tribunal poder8 prete_
ri-lo, como ja fez no passado (sempre em sessio se-
creta).
Quanto a prdxima promogio no TJE, seu rito
prev8 a apresentag~io, pela OAB, de lista sgxtupla,
que o Tribunal transformar8 em triplica e remeterd
para o governador, a quem cabera a escolha do no-
me do ungido-


C dre 4 ad

Se a demoli~go de pr6dios tombados fosse
questio da esfera da justiga estadual, como se posi-
cionaria um promoter pdblico quando tivesse que se
manifestar sobre um delito atribufdo ao drgio en-
carregado de fiscalizar a aplicag~o da lei, o Minis-
tdrio Pd~blico, ao qual pertence? Desta incbmoda
situagio foram poupados os membros da Procurado-
ria Geral de Justiga apenas porque os crimes contra
o patrimbnio histdrico e artfstico national estlo sob
a tutela federal. Mas quando a procuradora-chefe
Martlia Crespo resolve fazer a demoligio de prd-
dios antigos, tombados pelo antigo SPHAN, exp6s
o Ministerio Pdblico ao constrangimento de ser
apontado como transgressor das leis, ao inv6s de
cumprir sua miss~io de fiscal das leis. A Procurado-
ria Geral de Justiga (em dois trechos da reportagem
do nO 74 do Jornal Pessoal referida por um laps
como Procuradoria Geral do Estado, que 6 o drgio
respon'sdvel pela advocacia do Estado) precisa ur-
gentemente report a confiabilidade de sua imagem -
on ir al6m da simples imagem.


Carta do leitor
OlecitorEdir Gaya enviou a seguinte coarao lonal Pessoal:

"Lg .
Em respeito g inteligencia dos teus leitores en estava inclinado a dei-
xcar de lado este "papo furado" em torno de 6tica com "e" mindsculo mes-
mo, para mostrar o men desprezo por essa ciencia imprecisa e confusa como
a cart que me foi enderegada pela Executiva do PT. Retomo o assunto so-
mente para deixar explicita esta opiniso e encerrdg-lo de vez
Em memento algum estranhei a reapio de meu interlocutor andnimo
so contetido da certa que te envici: a indigencia cultural que o caracterize
estd flagrante nos erros de concordsncia e nos tmopegos de regencia em que
ele ampara a sue frdgil argumenta~go. Isso sem falar no fato de que ele pa-
rece ter compreendido pouco do que es8crevi. Para essa gente, a critica trdi-
gida em Portugues inteligivel s6 pode parecer estranha mesmo.
Ele se engana quando pensa que uma polemica "foi estabelecida en-
tre o Editor deste Jornal e a Executiva do PT". Ao que sei, sequer te deste
ao trabalho de responder a laudat6ria cart anterior. Ngo havia polemica. E
nem hd. O redator equivocou-se porque dso conseguin entender o que leu,







d~ncia da imprensa. Mas jamais tocou no assunto
enquanto o beneficiado era ele prdprio. O que dB
autoridade moral 6 a biografia e nio peas publici-
t~rias. Por ter uma biografia, logo que recebi a
queixa verbal, nio formalizada por carta on atrav6s
de qualquer registro impresso, fui checar a informa-
~go da fonte, que me havia garantido a apresentagio
da documentagio comprovadora, quando necess~Irio
- o que nio fez. NIo precise que o grupo Liberal
me escreva para fazer a corregio: 6 por impulse
natural que busco o rumo correto. JA a empresa,
mesmo provocada por uma carta, escrita com todo o
cuidado de nio ferir suscetibilidades, para assim
poder ser publicada, recusou-se a cumprir seu de-
ver, nem tanto em relagio a mim, mas ao leitor -
que diz ser o objetivo de seu trabalho, quando nlo
passa de instrument de sua manipulagio.


Mesquinharia
Na quinta-feira da semana passada interpelei
judicialmente "O Liberal" para publicar minha
carta em resposta nos ataques do vereador Raul
Meireles. Na sexta-feira o entregador informon que
minha assinatura do journal havia sido cancelada.
Durante 12 anos Romulo Maiorana, por iniciativa
prdpria, fez chegar as minhas mios de dois a tr~s
exemplares do journal no qual eu escrevi artigos, re-
portagens e notas para a coluna "Repdrter 70 da
qual fui responsivel durante bastante tempo. Redu-
zindo a metade os exemplares, os herdeiros de Ro-
mulo garantiram essa cortesia atC a semana passada,
quando, em repres~lia, a suprimiram. A minha cor-
tesia, que faz chegar 12 exemplares do Jornal Pes-
soal a funciona~rios da empresa, permanecert, inde-
pendentemente do Inimo dos Maiorana. Mesmo por-
que ainda nio perdi de todo a esperanga de que um
dia Rominho Maiorana aprenda a distinguir um bal-
clo de negdcios de um journal, mesmo que este nlo
seja o seu.


GUSto do dinheiro

O contrato de empr6stimo entire o BID c o Es-
tado devera ser assinado a 6 de novembro, se antes
a Unilo garantir seu aval & opera~go, a ser subme-
tida ao Senado para aprovagio. Atd 18, o governor
poder8 gastar o equivalent a 1,5 milhio de ddlares.
Os juros do empr~stimo comegario a ser pagos, se-
mestralmente, a partir de 24 de maio do prdximo
ano. A amortizagio das parcelas serd iniciada seis
meses apds o dltimo desembolso d'e dinheiro, esten-
dendo-se at6 novembro do ano 2016. Durante esse
perfodo o BID sera um autantico fiscal das admi-
nistragdes estadual e municipal em Bel~m.



~JOITTR YOSSOal
Editor responsivel: Liicio Flivio Pinto
IlustragBo: Luiz Pinto
Rua Campos Sales, 268/803 66.020
Fone: 223-1929
Opgho Editoral


O que se diz,

o que se faz
Que empresa jornalfstica conseguiria receber
200 milh~es de cruzeiros de publicidade de um go-
verno estadual em apenas duas semanas? O Grupo
Liberal realizou essa faganha entire 13 e 27 de se-
tembro do ano passado, no auge da campanha elei-
toral: absorvendo 55% da verba de propaganda do
governor H61io Gueiros para esse perfodo, o grupo
faturou o equivalent a 372 mil ddlares (quase 200
milhdes de cruzeiros).
Os recursos para o financiamento dessa cam-
panha publicitbria maciga, que custom aos cofres
pdblicos, nos 14 dias levantados, mais de 670 mi-
lh6es de cruzeiros (quase 4% de toda a folha de pa-
gamento dos 100 mil funciondrios pdblicos esta-
duais prevista para este m~s, o que daria para pagar
quase quatro mil funciondrios), foram retirados do
Fundepard, um fundo originalmente previsto para
financial o desenvolvimento do Pard, mas que se
transformou em gazua para dar acesso a qualquer
tipo de objetivo. O grupo Liberal faturon atrav~s de
suas emissoras de rddio e televisio, que, mesmo
privilegiadas, tiveram que dividir a verba com ou-
tras emissoras, mas sobretudo atravis do journal, que
abocanhou fatia proporcionalmente maior porque a
Folha do Norte, apesar de sua fraca presenga no
mercado, foi generosamente programada.
Uma consult ao vasto acervo de documents
da propaganda official durante a administragIo Hdlio
Gueiros atesta o grau de promiscuidade que caracte-
rizou as relagbes entire o governor e a imprensa nes-
se perfodo. Nessas duas semanas, o pagamento das
faturas foi feito sem a apresentagIo de um atestado
dos servigos prestados, capaz de comprovar que
eles realmente foram efetuados e em que nfvel de
qualidade, como se o important fosse nlo tanto o
conteddo da mensagem, mas sua veiculagiio.
Um levantamento complete e detalhado ainda
exigirdi pesquisa mais extensa, iniciada porque al-
guns porta-vozes do grapo Liberal finalmente se
queixaram da incorre~go de uma informa~go publi-
cada no no 71 (1" quinzena de agosto) do Jornal
Pessoal. Uma fonte palaciana disse que no governor
H61io Gueiros haviam sido feitas 4.500 assinaturas
de "O Liberal". Na verdade, o governor ora atra-
v6s do Gabinete Civil, ora por meio do Gabinete
Military chegou at6 a comprar mais do que essa
quantidade de jornais, mas nio atrav6s de assinatu-
ra regular, como fez o governor Jader Barbalho, que
adquire 2.500 exemplares de "A Provfncia do Pa-
rd" e do "Didrio do Pard", distribuindo-os gratui-
tamente. O governor Hdlio Gueiros, neste aspect,
foi muito mais cuidadoso: as assinaturas representa-
ram aproximadamente 10% da quantidade equivoca-
damente citada neste journal, mas chegou a comprar
muito mais exemplares avulsos, inclusive da "Folha
do Norte no perfodo mais intense da campanha
para a elei~go do ano passado.
Quando chegaram ao conhecimento pdblico as
faturas das assinaturas de "A Provfncia" e do
"Dibrio", "O Liberal" com todos os motives -
denuncion a transagio, que compromete a indepen-