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IMPRENSA A guerra de cifr6es rais do ano passado nao foram desmancha- dos no Pard. Eles est~io sendo preparados para as eleigbes municipals do prdximo ano e os principals, atd que seja instalado o period official de campanha, slo os jornais~ A imprensa paraense est8 se partidarizando por inteiro, incluido o journal "A Provincia do ParB", que tentou sem consegui- lo plenamente escaper ao radical antagonismo de 1990, que promete ser ainda mais agressivo em 1992. Se essa ameaga de dispute comega a aquecer as p~ginas ate entio g61idas dos jornais, pode substi- tuir nelas a informagio pela opinilo e dirigir o no- ticidrio conf-orme os interesses em jogo. Nos pontos extremes, em que estio o Sistema Romulo Maiorana de Comunicag~o e o grupo do governador Jader Barbalho, trata-se de uma luta de vida e morte. Ca- da um dos antagonistas sd admite sobreviver se for A custa do aniquilamento do outro. Como em situa- g8es semelhantes nos filmes de faroeste americano, o espago 6 pequeno demais para os dois e, por extension, mais escasso ainda para o journal dos "As- sociados", que tem atrds de si apenas uma pequena emissora de radio FM, recentemente inaugurada, enquanto os demais dispbem de cadeias de estagdes e publicagbes. O grupo Liberal apostou todas as suas fichas na vitdria do candidate do ent~io governador H61io Gueiros, o ex-prefeito Sahid Xerfan. Para transfor- mar-se no principal instrument de divulgag~io da chapa official, foi presenteado com a mais pesada campanha publicitaria que uma empresa jornalfstica recebeu de um governor do Estado nos d~ltimos anos. "O Liberal" deixou de lado o jornalismo para se tornar um drgio de partido, t~o envolvido que de- Journal Pessoal Liicio F1Lvio Pinto Ano IV No 70 2a Quinzena de Julho de 1991 Cr$ 300,00 morou att admitir que Jader Barbalho era o gover- nador eleito e citi-lo nominalmente no noticidrio, do qual foi expurgado exceto quando era alvo de crfticas nas duas passagens pelo minist~rio Sar- ney. Boa parte do sucesso inicial de Jader na carrei- ra political pode set atribut'da aos generosos regis- tros de sua atividade na coluna "RepdIter 70", de autoria de Newton Miranda (ex-vice-governador do Estado) e H61io Gueiros. Mas "O Liberal" apoiava Oziel Carneiro e Jarbas Passarinho quando Jader decidia disputar o governor, em 1982. O journal, co- mandado na 6pock pelo prdprio Romulo Maiorana (falecido em 1986), nio hostilizou Jader, ao contrB- rio do que faria seu filho, oito anos depois, deixan- do sempre uma abertura para o trbnsito do nome do candidate, mas o entilo deputado federal percebeu que ficaria sempre dependendo do grapo de comu- nicagilo mais poderoso do Pard e, de certa manei- ra, em posigio secundiria (o que explicava o beija- mios de poderosos, mas nio tanto, no gabinete de Romulo). Com o apoio de Orestes Qudrcia (que the ar- ranjou a Editora Bauid, ainda hoje a razrio social da firma), Jader criou o prec~rio "Didrio do Pard" e melhorou-o gragas is extens6es do poder que exer- ceu. O grupo Liberal e ele foram, durante seu pri- meiro governor, inimigos cordials on amigos descon- fiados, conforme as variacgdes da conjuntura. Antes da violent campanha eleitoral do ano passado que- brar todas as apar~ncias de cordialidade, a dispute commercial entire os dois grupos empresariais de co- municaqio, que sd podem se expandir colidindo, jogou-os na guerra aberta. Political e negdcios pas- saram a se confundir num nd cego quase impossfvel de desfazer. Crescendo g sombra da mdquina official, os vefculos de comunicaCgo de Jader sempre se res- sentiram desse vfrus, resistente g profissionaliza- gio: puderam sobreviver e expandir-se, mas n~io conquistaram nada aidm de uma pequena fatia do mercado, sem ganhar a credibilidade da opiniio p'- blica. O journal investiu na compra de algumas das melhores colunas da imprensa national, mas o in- vestimento na cobertura dos fats locals foi mini- mo. Na hora de apurar denducias e esclarecer histd- iias, inclusive e sobretudo as que envolvem seus inimigos, o "Didirio do Pal " tem preferido caluniar ou fazer molecagem, achando que rende mais dividends politicos, embora seja nulo na ob- tenglo da confianga do leitor. Parece niio acreditar na velha e nunca desautorizada maxima segundo a qual nenhum journal oficioso consegue ser melhor do que a imprensa official. A falta de concorr~ncia para valer, o grupo Li- beral adicionou pesados investimentos em moderni- zagio e melhoria administrative para colocar-se bem acima dos demais e estabelecer um monopdlio que sd nio impression mai's porque os sucessores de Romulo Maiorana teimam em exarceb8-lo atravds de pesquisas sem o menor conceito, como as da Con- trobel, embora institutes como o lbope assegurem que hd realmente o dominio total sobre o mercado de jornais, fazendo de "O Liberal" (nio lido ape- nas por 2% das pessoas que com'pram jornais) pega chave na relagIlo com o pdblico. Aos domingos a tiragem de "O Liberal" atin- giria fantristicos 108 mil exemplares, alcangando um pdiblico de mais de 500 mil leitores, baixando nos dias de semana para uma faixa entire 56 e 58 mil exemplares. Enquanto "O Liberal" consome 550 toneladas de papel, 'O Didrio" e "A Provfncia" nio iriam aidm de 30 toneladas, dando-lhes uma ti- ragem que, de acordo com a dltima pesquisa do lbope encomendada pelo Sistema Romulo Maiorana de Comunicag~o, ficaria entire 4 e 5 mil exemplares. S6 assim esses dois jornais conseguiriam ser colo- cados abaixo da vaporosa "Folha do Norte", a se- gunda mais lida nas pesquisas da Controbel, que estaria tirando entire 8 e 9 mil exemplares. Os ndmeros declarados por "O Liberal" sgo impressionantes. O poderoso "Estado de Minas", que circula numa capital com quase tr~s vezes mais habitantes do que Belim e muito maior poder aqui- sitivo, tira 176 mil exemplares aos domingos e 77 mil nos dias de semana. O "Correio Braziliense", lider em faturamento da cadeia Associada, p6e nas ruas de Brasilia cidade maior e mais rica do que Bel~m apenas 75 mil exemplares aos domingos. O "Dihrio de Pernambuco" nio vai altm de 92 mil exemplares e o "Dibrio do Nordeste", de Fortaleza, com populagilo 40% maior do que a de Beldm, fica em 42 mil exemplares dominicais. Todos estes jor- nais slio auditados pelo IVC, a mais precisa fonte de consult sobre tiragens da imprensa brasileira. "O Liberal" nito se submete ao IVC. Titagem de journal n6o auditada 6 tiio diffcil de saber quanto idade de mulher vaidosa, com uma di- ferenga: 6 sempre apresentada com aumento e nio com redugHo. "O Liberal" nito precisaria recorrer a fontes suspeitas para ter o recon~hecimento de sua forga. A demonstraqio estii nos esforgos que Jader Barbalho vem fazendo desde que assumiu o governor para minar as bases dos Maioranas. Essa tarefa 6 ainda mais dificultada pelo volume de dinheiro que o grupo recebeu na gestito Hdlio Gueiros e pelo apoio que 1he vem dando o prefeito de Beltm, Au- gusto Rezende. A PMB patrocina a maioriai dos events do Liberal, mant~m uma cara programagio televisiva aos sdbados e domingos e est8 sempre an- siosa para ceder matdrias publicitgrias ao grupo, uma contrapartida ao boicote determinado pelo go- vernador, incluindo a supressio do pequeno e ba- rato anducio das sess~es do cinema Li'bero Luxardo, da Fundagio Cultural Tancredo Neves. Fontes do grupo Liberal asseguram que a verba do governor nito vai al6m de 10% da receita total da empresa, que, por esse motive, tem condiqdes de iesistir a abstin~ncia da conta estadual. E possfvel, mas num memento em que o grupo invested entire 8 e 10 milh~es de ddlares no novo parque grifico, a ser remanejado da antiga sede do journal atC novembro deste ano, o corte da torneira do Estado e as pres- s6es sobre anunciantes, v~rios dos quais trocaram sua mfdia para os vefculos do governador, forgaram o Liberal a voltar a dar desconto de 35% aos cor- ietores de imdveis e o director executive, Romulo Maiolana Jdnior, a reabrit sua porta para relag8es pdblicas e "lobby" politico. Fiel ao princfpio de niio escolher meios quando se trata de guerrear, Jader Barbalho atou mais um nd ao cerco contra o grupo Liberal em junho. Deci- diu fazer 2.500 assinaturas de "A Provfncia do Pa- rd" e outras 2.500 do seu "Didrio do Pard", distri- buindo de graga os cinco mil jornais todos os dias. Cada empresa recebeu pouco mais de 10 milhbes de cruzeiros por uma compra que, a dar-se cr~dito & pesquisa do Ibope, teria absorvido metade da tira- gem dos dois jornais. Na v~i ilusio de contornar suscetibilidades morals, cada secretaria ficou encar- regada de se revezar no pagamento das assinaturas. No primeiro m~s a tarefa ficou comn a Secretaria de Sadde. Cdpias das faturas foram enviadas a diversas pessoas, entire as quais, no Rio de Janeiro, o jorna- lista Ancelmo Gdis, responsivel pela coluna "Ra- dar" da revista Veja. Desinformado sobre as coisas do ParB, Ancelmo achou que tanto o "Didirio" como "A Provfncia" eram "duas combalidas publica- 96es" do impbrio jornalfstico de Jader Barbalho, apimentando ainda mais a ironia do texto. A trans- cri~go da nota, com destaque, em "O Liberal", foi o bastante para espalhar por Bel~m o boato de que o governador tinha comprado on ao menos arrenda- do o journal dos Dibrios Associados. "O Liberal,, tratou de reforgar essa impression com uma longa e editorializada reportagem na sua volumosa edigio dominical, reforgada com um andncio de quase pd- gina inteira sobre a artificialidade de seus concor- rentes, esquecendo as numerosas assinaturas feitas na administragio Gueiros e logo canceladas quando Jader assumiu o governor. "A Provincia" reagiu dois dias depois com um editorial de primeira pigina, no qual apontava a "rotineira arrogincia dos atuais donatirios daquele journal ("O Liberal"), assumidos grileiros da opi- niiio pdblica que pretendem determinar os destines do povo do Pard", atribuindo o ataque ao "natural desespero de quem jB comegou a dolorosa descida de ladeira". "A Provincia" procura justificar a aquisigEio das assinaturas como um negdcio normal, mas adverte que "nio vende opiniio on arrenda in- dependbncia". A declarag~io C bonita, mas n6o 6 nova e nem sempre serve para aplicar g realidade das relaqbes entire a imprensa e o poder, principalmente quando dois tergos do faturamento -publicitabrio v6m atravis de canals oficiais. Com as suas distorqdes, a pega publicitliria de "O Liberal" fazia uma pergunta pertlnente: pode-se continuar acreditando num jor- nal que pass a ser dado de graga em qualquer es- quina? "A Provincia" pode ter feito, como fez, uma transagio absolutamente limpa ao aceitar que a Se- cretaria de Sadide adquirisse as 2.500 assinaturas, mas tanto o governor agiu desastradamente, como o journal expds-se aos ataques de seu adverstrio, permitindo-lhe assumir um at de independgncia, certamente postigo, mas ao qual o leitor estard mais receptive apds a revelagio do relacionamento. Quanto g "Provwncia", o ganho em faturamento po- de nio compensar a perda em cr6dito popular, A distribuigIo gratuita dos jornais B ajuda de pouca expresso porque a rentabilidade da venda avulsa 6 baixa e ainda tem o inconvenient de des- gastar o drgio que se pretend apoiar. Aldm disso, 6 suspeito instrument para reduzir a tiragem do concorrente, jB que alguns gazeteiros ofereciam "A Provfncia" c o "Dibrio" de graga para quem com- prasse "O Liberal". Os distribuidores tamb6m n~io dedicavam maior empenho a tarefa por receberem pagamentos fixos e nio proporcionaiis ao volume da entrega. Como a maior-ia das peas publicitbrias, a do Liberal nio foi produzida para esclarecer e sim para servir de vefculo aos interesses da empresa. Se An- celmo Gdis entendeu que "Didrio" e "Provincia" pertencem a Jader, "O Liberal" nio teria motive algum para acreditar nessa informagio. N~o preci- saria, na reportagem, repetir a expression do redator da revista, se seu objetivo n~io fosse fazer passer gator por lebre. Como os jornais estio em guerra e se transformam cada vez mais no palanque das dis- putas polfticas, 6 esse produto adulterado que o leitor est8 recebendo para consumer. Pior para to- dos. O reporter que atendeu o telefonema na reda- ~go nio acreditava. Do outro lado da linha um ho- mem dizia ser o fazendeiro Jerbnimo Alves de Amo- rim, preso sob a acusa~go de ter mandado matar o president do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, Expedito Ribeiro de Souza. Jer~nimo estava convocando o journal para uma entrevista co- letiva que daria no dia seguinte. Ao chegar preso i Penitencidria Fernando Guilhon, em Bel~m, no mes passado, o pecuarlsta goiano tinha assinado um do- cumento declarando que nio tinha qualquer interes- se em falar com a imprensa. Mas agora queria falar. Os jornalistas que atenderam a convocagio en- contraram Jerdnimo num apartamento do hotel de trinsito da Policia Militar, no quartel do 20 bata- lhio, com at condicionado, televisio, cama com colchio de mola, revistas, jornais e um telefone, atravbs do qual ele arranjou plateia para ataques a Igreja no sul do Pard. Dois dias antes a fazenda de Jer~nimo, de 10 mil hectares, tinha sido invadida. Cinco de seus empregados foram mortos e sete fica- ram feridos. O fazendeiro, bem disposto, disse que os padres estavam incitando a invasio para prejudi- c8-lo. De tlo confort'avel alojamento, essa foi a men- sagem official do fazendeiro. Mas atrav6s de mensa- geiros menos expostos, ele mandon dizer que, mes- mo em condigdes t~io favordveis a um preso, ele query sair o mais rapidamente possfvel de onde estg. Os destinatirios das queixas slio outros fazendeiros instalados as margens da PA-150, de Xinguara para o sul do Estado. Eles formam uma organizag~io in- formal que existe pelo menos desde 1988 e que se especializou em resolver, pela via direta, problems como as invasdes de terras e a eliminag~o de lifderes rurais. Policiais que investigam os crimes de enco- menda na regilo nio t~m mais ddvida de que Jerd- nimo pds 30 mil cruzeiros nas mios do rdstico pis- toleiro Jos6 Serafim Sales, 26 anos, o "Barreirito", Um preso muito especial e lhe prometeu mais Cr$ 170 mil quando matasse Expedite. As oito horas da noite do dia 2 de feve- reiro, numa das ruas centrals de Rio Maria, "Bar- reirito" deu seis tiros no Ifder sindical. Errou trgs, mas a primeira bala disprada foi o bastante para matar o lIder sindical. Outras duas serviram apenas para conferir o servinggo"'. "'Barreirito"' saiu com a arma na mio, andou alguns metros, trocou de roupa num clube de rodeio instalado ali perto, comentou o que fizera com pebes e foi para a casa da m~e dor- mir, junto com, um amigo. Tanto descaso pelas pis- tas deixadas foi atribuido pelos policiais ao prima- rismo do pistoleiro e ao sensor de impunidade do mandante do crime. Pelo menos sete fazendeiros se reuniram a Je- rgnimo Alves do Amorim para acertar o atentado. O donor da fazenda Nazard foi escolhido porque mora em outro municfpio, Parauapebas, e n;7o tinha pro- blemas com o sindicato de Rio Maria, acusado de organizer as invas6es de propriedades particulares. Essas reunites se tornaram periddicas e a organiza- 95o acabou surgindo porque desde 1988 o governa- dor do Estado, na 6poca H61io Gueiros, se recusava a ceder forga policial para o cumprimento de man- dados de reintegragio, manutenglo de posse e des- pejo. O governador argumentava que nessas ag8es a polfcia sempre se excedia, a servigo dos propriet8- rios, que contratavam o transport, forneciam a ali- mentagio e ainda pagavam gratificag6es aos poli- ciais. Mas a partir de um diagndstico correto, o go- vernador chegou a uma sologio surpreendente: sim- plesmente deixou de cumprir a lei, desrespeitando sentengas judiciais, ao inv~s de corrigir o padrio de atuaCio da PM e da polfcia civil, frequentemente tambbm produto da neglig~ncia da administration estadual anterior em relagio ao problema policial (os saidrios, achatados violentamente, eram o im- pulso inicial g corrup~go)- A media em que se avolumavam na Casa Civil do governor as requisig6es de forga policial, os fa- zendeiros foram se convencendo de que tinham que resolver seus problems pela velha lei de Taliio, sempre favordvel ao mais forte. Em v~rias regimes eles comegaram a Se agrupar para fazer o que o Executive e o Judicidrio nio estavam mais fazendo. Em Paragominas, no eixo Capanema-Capit~io Pogo- Our~m e, sobretudo, entire Xinguara e Redengio, os fazendeiros foram se agrupando em organizagoes informais que contratavam pistoleiros isolados ou recrutavam verdadeiras milfcias para expulsar pos- seiros, prevenir ocupagdes e matar lideres incbmo- dos. A policia est8 certa de que Jer6nimo integra o "sindicato" do sul do ParB e tem muita forga. Essa forga prov6m nio apenas de sua riqueza, que 6 razobvel: slo tr~s fazendas em Goidis e uma no Pard, v~rios imdveis e outros investimentos. O fazendeiro possui tamb6m boas ligagdes polfticas. O governador de Goids, Iris Resende, do PMDB, C um de seus grandes amigos. Pode ter influfdo na trans- ferbncia do fazendeiro da penitencidria estadual pa- ra o hotel de trinsito da PM, situagio contrastante com a do pistoleiro, mantido em cela de maxima se- guranga, sem direito a banho de sol, e a do comer- ciante Paulo Cbsar Pereira da Silva, O "Pauldo", preso na delegacia de Rio Maria (ele deu um tiro na perna de Carlos Cabral Pereira, successor de Expe- dito no sindicato, mas diz que foi rixa e nlo atenta- do politico). Uma fonte policial diz que recentemente Jerb- nimo mandou uma mensagem aos outros integrantes do grupo, exigindo sua libertagio. Se isso nio ocor- resse, comegaria a mostrar que nio agiu sozinho e daria os nomes de outros envolvidos no atentado, entire os quais figuraria uma grande empresa de ori- gem estrangeira. Um advogado foi mandado para Belbm e fez base no ZHilton Hotel com verba (fala- se de 30 milhdes de cruzeiros) suficiente para aten- der o pedido. Mas o esquema tragado para a soltura de Jerdnimo teria fracassado porque o seu pedido de "habeas corpus", acertado para chegar As m~ios de determinado desembargador, foi avocado por outro, com maior poder, informado por algudm do governor sobre a manobra. Se a primeira tentative concrete para tirar o fa- zendeiro das grades fracassou, isto n~io significa que Jerbnimo permanecerg preso por muito tempo mais. Se o clima de complete impunidade levou-o a cometer o erro de contratar um pistoleiro primbrio, sem avaliar as consequ~ncias do assassinate, como sugerem os autos do process sobre a morte de Ex- pedito, a relative impunidade que ainda prevalece no Pard, mantida por uma sdrie de fatores com suas ortgens tincadas nos pores do Executivo, do Judi- ciirio e do Legislativo, 6 a garantia de que dificil- mente haver8 personagens importantes no julga- mento desse crime pelo jdri, se tribunal do jdri vier a haver. O Banco do Estado do Pard fechou o ano de 1990 apresentando lucro de 976 milhdes de cruzei- ros em seu balango. Em janeiro, o lucro apontado foi de 500 milhbes, reduzido no m~s seguinte para Cr$ 100 mithbes. A partir de margo o banco come- gou a operar no vermelho. Em maio chegoua Cr$ 1,3 bilh~io. DeverB fechar o primeiro semestre com prejufzo de um bilhio de cruzeiros (759 milhbes ji apurados, mais a correg~io monetiria). Em terms cont~beis, uma queda vertiginosa. Em terms reais, uma melhoria acentuada, O paradoxo tem uma ex- plicagio: at6 o final da administra~go anterior, as contas do Banpard estavam maquiladas, parecendo maito mais saudlveis do que eram na verdade. A aparente sadde financeira do banco comegou a se deteriorar quando a nova diretoria, empossada em albril, viu-se obrigada a langar na conta de cr6- ditos em liquidagbo (e, portanto, prejufzo) opera- g8es jB vencidas, n6o pagas e de diffcil recupera- g5o. Elas somavam Cr$ 1,5 bilhrio. Justamente por- que estavam na rubrica inadequada, permitiram ao Banpari apresentar ao pdblico um lucro fictfcio, faturando prestfgio indevido. O valor dizia respeito a transag6es realmente mal feitas e que dificilmente dario retorno ao banco. Outras operagbes, embora irregulares, foram recuperadas atrav~s de composi- Maquilagem nas contas glio com os clients inadimplentes. A maior delas era da Reicon, empresa de navegagio de Luis Re- belo, candidate a vice-governador na chapa de Sa- hid Xerfan, apoiada pelo entio governador H61io Gueiros. A Reicon devia 800 milh6es de cruzeiros e pagou 20% para ter direito a novos prazos. Outra empresa inadimplente era a Phillilandia, do prefeito de Bel~m, Augusto Rezende. Parte do dinheiro des- sas operagdes provavelmente foi usada na campanha eleitoral. A irregularidade nas contas do Banpart fox constatada pelos t~cnicos do Banco Central que au- ditaram o balango do ano passado e entregaram o relatdrio conclusive no infcio deste m~s. Se a dire- toria do banco estadual seguisse rigorosamente as normas contibeis, ao inv~s do lucro de Cr$ 976 milhdes o balango deveria ter registrado prejufzo de quase Cr$ 300 milhbes. Foi a primeira grande irre- gularidade verificada pelo Bacen desde que o Ban- pard foi submetido a interven~go federal, em 1987, e depois passou pelo regime de administration com- partilhada. Mas em 1985 pritica semelhante n~io apenas transmuton prejufzo em lucro como deu ao Banpard o tftulo de banco official de maior rentabi- lidade em todo o pafs. At6 a semana passada o Banco Central ainda nio havia feito qualquer comunicaglo official sobre a irregularidade, nem as provid6ncias que iria ado- tar. Extra-oficialmente sabe-se que o Banpard nio seria obrigado a republican o balango, devidamente corrigido, providgncia de pouco efeito pr~tico no memento em que o balango do primeiro semestre de 1991 jB est8 concluido. O Bacen se limitaria a fazer uma advert~ncia por escrito, alertando que a reinci- d~ncia no erro poderia acarretar punig~io mais pesa- da, como o enquadramento dos diretores em crime de "colarinho branco" MaS a nova diretoria asse- gura que o risco nio existe porque estd empenhada justamente em fazer o complete saneamento das contas herdadas e recuperar a combalida imagem do banco junto ao pdblico atrav6s de iniciativas que nlo impliquem manipulagdes como a realizada ante- ri orme nte' A tarefa nio B fa~cil e jB foi anunciada em ou- tras ocasides, sem levar a resultados positives. Apesar de algum esforgo realizado em perfodos descontfnuos, o Banpard nio conseguiu se libertar de seu atrelamento a esquemas politicos e a proce- dimentos pouco compatfveis com as normas bancd- rias, transformando-se em instrument a servigo dos interesses dos eventuais governadores e biombo pa- ra negdcios especiais com grupos favorecidos. A Cosanpa, a companhia de Agua e saneamento do Estado, deve ao banco 62 bilhbes de cruzeiros, que equivalem a dois tergos de todas as aplicagbes do Banpard. O tergo restante est8 dividido entire quase 40 mil clients particulares, o maior dos quais - pelo volume de seu ddbito 6 a Reicon. Mas depois de uma histdria sempre tio atribuladzs, a atual dire- toria parece consciente de que o banco jB nlo tem mais margem de manobra capaz de protege-lo, num prdximo esclndalo, do destiny que jB rondon suas portas: a morte. Um ano atrdis, na reuniio de Houston, nos Es- tados Unidos, os sete pauses mais ricos decidiram patrocinar um program de proteg~io das florestas tropicais do Brasil, as mais extensas do planet. O prdprio governor brasileiro, o Banco Mundial e a Comunidade Econ~mica Europdia foram encarrega- dos de preparar um program com esse objetivo. O document ficou pronto algumas semanas antes do diltimo encontro do Grupo dos Sete, realizado na semana passada, em Londres. Uma edpia foi dada em primeira mio aos integrantes da comitiva do president Charles, que visitou o Brasil em maio, chegando at6 Bel~m. O Program Piloto para a Proteg~io das Flores- tas Tropicais do Brasil 4 quase uma consolidagio de tudo o que foi executado, iniciado, planejado ou apenas idealizado no governor e seus satellites comn o vago e frequentemente remote objetivo de garantir a exploraqio auto-sustentada do maior conjunto de vida vegetal ainda disponfvel pelo homrem. Sua maior inovagdio (mas na verdade com antecedentes no passado) 6 a de proper uma comissio t6cnica pa- ra coordenar o vasto elenco de propostas que incor- pora, uma esp~cie de conselho de administrator da Amazcinia (para n~io falar mais cruamente em inter- nacionalizagio formal) integrado, paritariamente, por representantes do governor brasileiro, do Bird e da CEE. Para realizar tudo o que prevQ, o Programa Piloto requer a aplica~go de 1,5 bilhio de ddlares ao long desta dtcada. Considerando os investi- mentos globais na regiio, nio 6 muito B at6 pou- co O plano quinquenal do governor Collor (1991/95) prev4 a media annual de 9 bilhbes de ddla- res de aplicag6es pdblicas e privadas, US$ 45 bi- thdes no perfodo. Mas a esmagadora maioria desse capital sera vertido em atividades diretamente pro- dutivas, que, a par das mercadorias geradas, resul- tam sempre em mais destruig~io. A abertura de estradas, a montagem de in- fraestrutura e o assentamento de colons na Ama- z~nia na ddcada de 70 representaram investimento de US$ 7,5 bilhbes, segundo conta apurada pela pesquisadora Ana Luiza Osdrio de Almeida e apre- sentada na dltima reunirio annual da SBPC. Em 1975, quando a hidrelbtrica de Tucuruf (a maior inteira- mente national) comegou a ser construfda, o home havia alterado, com sua agPo, apenas 0,8% da co- bertura vegetal original da regiio. No ano passado o levantamento por satdlite jB estava atingindto 14% Em 18 anos o home destruin 17 vezes mais do que em ttIs s~culos e meio anteriores. A usina de Tucuruf, sozinha, jB custou US$ 5,4 bilhbes. Saird por US$ 8 on 9 bilhbes at6 a quitagio com- pleta de sua dfyida, em future remote. N~o seria exagero calcular que desde a abertura da Bel~m- Brasilia ate a entrada em opera~go da fibrica de aluminio da Albras, hoje a maior unidade de produ- Milagre sem santo glo individual da Amaz~pia (faturamento de quase US$ 600 milhdes), a expransio da frente produtiva na Amaz~nia absorveu mais de US$ 20 bilhbes em trbs dbcadas. Diante desses ndmeros, o que significa US$ 1,5 bilh~io para tentar entender, ordenar e controlar o caos que essa corrida As riquezas amazbnicas de- sencadeou? Ainda que o program tivesse consis- tgncia e fosse o melhor que o cbreblo humane pu- desse produzir neste memento em favor das flores- tas tropicais brasileiras, dificilmente cohnseguiria colocar a ci~ncia em p6 de igualdade com o desbra- vador. A cibncia, na Amazbnia, tem servido mais para constatar os erros e engrossar o choro do que para orientar o colonizador, o verdadeiro a gente das transformagbes, que jd chega a regido com a cabega feita, ainda que deformadamente feita. O descompasso entire fazer e saber persistird na Infeliz fronteira amaz~nica, a despeito das inten- gBes ocultas por trds da retbrica ecoldgica do pro- grama. Mais desgragado, entretanto, serd constatar que sem a participation de outros pauses a distbncia entire essas duas competbncias se tornarai ainda maior. A verbal para ci~ncia na Amaz~nia represent 5% do PIB cientffico national. A mais famosa ins- tituig5io de pesquisa da regiio, o Museu Paraense Emilio Goeldi, sd continue a fazer pesquisa porque recebe dinheixo de fora. Os recursos internos sio sufacientes apenas para pagar os magros salirios de seu pessoal. Nacionalistas e ecologistas consideram um in- sulto que de US$ 1,5 bilhio solicitados venham apenas US$ 50 milhdes. I~uma esmola, mas ultra- passa a soma de dinheiro disponfvel em qualquer centro de pesquisa local. Trata-se de adiantamento por conta do esforgo de ingleses e alemIes para do- brar a resistancia de americanos e japoneses, mais interessados em impor acertos sobre a dfyida exter- na brasileira do que no destiny das florestas tropi- cais, que, 18 como cii, saqueiam como podem, en . quanto podem. Cat do la 0 8 g Transrcrvo carta enviada por Jodio Batista da Silvq da Fcrecutiva do PT, a propdsito da nota do Jornal PessoaL A responsabitjidadeeI pel~o ter de scu autor. Detw para ourra oportunidade uma resposta mas lamento infonarr no dirigente do PT que esse jornal ndio tem condigdes de patrocinar o debate por ele sugerido, mas as iddias, tanto quanto a prdtica, de Marilena Charuljd sdio e~rostivamente conhecidas. Em reaag a noa"8tica zero", publicada na edig~o nO 68 do Jornal Pessoal, a Comisaso Executiva Regionial do Partido dos Trabalhadores tem os seguintes esclarecimentos a fazer* 1 Ouando a Bancada do nosso Partido na Assembl41a Legislativa props a convocaglo do ex-governador H611o Guelros para esclarecer as dentincias de comrrpg~o e operaF~es fraudulentas feitas pelo atual governa- dor Jgder Barbalho, o nosso objetivo foi o de permitir it sociedede paraens que tamb~m tomasse conhecimento das irregularidades administrativo-fi- nanceiras do periodo 83/87 (quando Jdder Barbalho governor o Estado pela primeira vez)e que certamente Hdlio Gueiros faria. 2 Niio temos qualquer interesse em defender o Sr. Htdlio Gueiros. Muito pelo contrdrio. Fizemos oposi~go a cle durante os quatro anos de seu governor e muito antes de Jdder Barbalho apresentar on dadoe que spresen- tou, jd o considerdvamos umn dos mais corruptoe governantes deste Estado. A dispensa de licitagio para compras de bens e contratagHo de servigos foi uma marca permanent do governor H61io Gueiros, a que sempre combate- mos, enquanto Jdder Barbalho e scus seguidores silenciavam comodamente. O festival de aliciamento politico promovido durante a campanha cleitoral de 90, atravis do program "Caminhando com o Povo" foi amplamente de- nunciado por todos os candidates do Partidos dos Trabalhadores, no hord- rio gratuito de Rddio e Televislio. Infelizmente nossas denducias d~o encon- traram eco na chamada grande imprense de Beltm, por motives 6bvios. 3 Para nds 6 ofensivo estabelecer comparagbes de posture chtre as nossos parlamentares e os "coerentes" vereadores Emonael d de Almeida e Roberto Dias, que representam ns0 a proposta de um partido e sim interes- ses pessoals. O PT tem uma avalla~go clara de que significa o governor Jdder Bar- balho e quais interesses ele represent. Ngo temos qualquer Hlusso de~que o governador Jdder Barbalho vb se rcdimir de scu passado e fazer um governo voltado para as interesses populares. Daf que Jdder Jd comegou o scu atual governor desrespeitando a Constitui~go Estadual so nomear pessoas para cargos que sao privativoas de determinadas especialidades. Mais grave que is- so 6 que, o atual governador (cumpre sua obriga~go) denuncia as falcatruas praticadas por ex-auxiliares de Hdlio Gueiros, como 4 o caso do Sr. Luiz Otdvio Campos, mas silencia estranhamente sobre as irregularidades prati- cadas por titulares de outras repartigbes, no governo passado, e que slo hoje aliados politicos de Jdder Barbatho. Estamos tentando Juntar proves para mostrar, por exemplo, o que ocorreu no Banpard no govemno do Sr. H6110 Gueimos. Mas o governador Jbddr Barbalho, que deve estar de posac de to- dos os documents, estranhamente silencia. 4 Queremos deixar clamo que tanto 3dder Barbalho quanto Hdlo Gueiros "sdo farinha do mesmo saco". E a trajetbria do PT 4 um exemplo de coerencia no combat a atuag~o political desses dois cidad50s. Nenhum jor- nalista poderd nos acuser de ter dado trigua de 100 dias para qualquer um deles. O projeto politico que eles defendem e representam 6 diametralmente oposto so do PT. E a prdtica de conduzir os neg6clos do Estado C a melhor prova de qule nao temos porque ter qualquer Hlusso soble o future de Jdder e Gueiros como governantes. 5 Em relaglo so conceito de 6tica manifestado pelo editor do Jor- nal Pessoal, gostarfamos de lembrar a frase de um jornalista polemico mas multo respeitado neste Pais. Para Cldudio Abramo a 6tica do Jornalista 6 a mesma do cidadito. B por isso que estranhamos que o cidadlo e Jorealisrta Ldcio Fldvio Pinto n~o tenha procurado qualquer um dos lategrantes da Bancada do PT na Assembl61a Legislativa ou algudm da DireqFgo do Partido para esclarecer porque estsvamos propondo a convocaggo de Hdlio Guci- mos. Mas spressadamente emlitu conceitoo soble a nossa Btica e Coertnaci Political. Estabeleceu grosseiramente uma relag8o 6tica entire on integrantes da Bancada do PTeafislol6gicos vereadoses alinhadosao Sr. Jdder Barbalho. 6 Sabemos que o jornalista Lddio Fidvio Pinto faz questgo de alar- dear que nunca se filiard a um partido politico para poder continuar como observador atento sem nenhumn vids partid~drlo Respeltamos cosa poolglo. Mas n~o concordamos com a viol~o preconceituosa de vincular a caquerd a tirania. O PT, desde a sua fundag~o (documentoo hist6ricos como maanifesto e o primeiro discurso de Lula demonstram isso) defende a pluralidade par- tiddria, liberdade e autonomia sindical, a mais livr manifestagio do peasa- mento, entim, uma seric de bandeiras que slo inereates ao socialismo que na nossa visllo slo sindnimos de liberdade e n~o de tirania. Liberdade, por exemplo do cidadlo opter em nMo se filiar em nonhum partido politico. B a prbpria composi~go do PT 6 um exemplo vivo de convivencia pluralista de visbes diferencladas do pr6prio caminho para o socialismo. Nunca fomas allados a um dnico te6rico do socialismo asalm como nenhuma das chama- das internacionais socialists. Mas tambtm alo temos o preconceito do jo- gar no hxoe da histbria a contribulg~o que vdrlos te6ricoe tem ofereddo para o debate. Mas uma vez gostarfamos de citar o polemico Jornalista Cldudio Abramo no depoimento que foi transformado no livro "A9 Regra do Jogo" sobre o papel do jornalista: "O papel do jornalista 6 o de qualquer cidadlo patriola, isto 6, de- fender o seu povo, defender certas poolgc~bs, contar as colsas como class ocorrem com o minimo de preconceito pessoal ou ideol6gico, sem ter o pre- conceito de nso ter preconceitos". 7 Finalmente gostadamos de sugedir que o Jornal Peasoal promo- vesse um debate sobre Btica. E desde jd ousad~amos sugerir que a filckofa Marilena Chaul fosse uma das convidadas". Um estaleir o A Ebal (Estaleiros da Bacia Amaz~nica) estd invest indo neste ano dois milhdes de ddlares na es- cuderia em que atua o piloto de Fdrmula 3 Marcos Gueiros, f'ilho do ex-governador Hdlio Gueiros e irm~io de Andr6, um dos diretores da empresa. Mar- cos j9 comega a ter resultados positives de sua atuagio: estCI em terceiro lugar na competi~go. Mas slio discutfveis os dividends que pode alcangar um estaleiro ao promover um corredor automobilfstico - ou slo discutiveis a partir do memento em que ele nio pode maiS dar rendimentos laterals, como vinha dando. Justiga ja na madrugada do dia 29, um sibado, o oticio nio foi distribuido: recebeu-o diretamente o desembargador Humberto Castro, na condigio de memblo da C~mala de F~rias do TJE. A C~mara, entretanto, passaria a existir legalmente apenas a partir do dia 2 de agosto, quando foi instalada. Castro, portanto, nio estava habilitado para dar o despacho que deu. iibertando os dois auxiliares de H61io Gueiros, pai de Paulo, da prisio a que foram submetidos pela DOPS sete horas antes. Esse foi apenas um entire muitos detalhes de ilegalidade, arbftrio ou violbncia que envolveram as duas parties naquele final de semana em que. pela piimeira vez em muitos anos, um autor de crime de "colarinho branco" foi para trds das grades. O in- qudrito foi conclufdo na policia na sexta-feira e imediatamente encaminhado ao juiz Jaime Rocha, a princfpio disposto a sd decidir na segunda-feira, mas submetido ao argument de que o crime estava suficientemente demonstrado para respaldar um despacho imediato. Efetuada Bs oito da noite de uma sexta-feira, a prisio develia demorar pelo me- nos pelo s~ibado e o domingo, expondo o ex-secre- t~rio ao constrangimento de ficar atrds das grades durante esses dois dias e, talvez, forgando-o a dizer quem, aidm dele e de sua empresa, recebeu dinheiro desviado dos empreiteiros da Secretaria dos Trans- portes. Mas o grupo do ex-governador agiu t6o on trais rapidamente e livrou Campos da situagio diff- cil, ainda que paira isso atropelando cautelas ele- mentares que se o Tribunal de Justiga quiser, depois do recesso, esclarecer poderd gerar um novo caso - hipdtese, evidentemente, mais do que remota. ja apura A Secretaria de Seguranga Publica instalou sindiclncia para apurar denducia feita pelo "Jornal Pessoal" (nO 69) de que um delegado e tr~s milita- res da PM foram a Teresina, no Piauf, assassinar o pistoleiro Pdricles Ribeiro Moreira, acusado de matar o deputado estadual Jolio Carlos Batista. O delegado Manoel Pedro de Lima, que estava em Ca- panema e recentemente foi transferido para Sgo Mi- guel do GuamB, jB prestou depoimento na sindicbn- cia, instalada por determinaCio do secret~rio, Alci- des Alcintara. Ele confirmou que realmente esteve no Piaul e no Maranhlio, alegando cumprir quatro mandados de prisio expedidos pela comarca de Ca- panema, um dos quais contra Pdricles. Mas tambdm confirmou n~io ter feito qualquer comunicagio a seus superiores sobre a missia, n~io ter recebido ajuda de custo da Secretaria, nem ter utilizado via- tura official ou oficiosa. Ngo trouxe consigo nenhum dos criminosos indicados nos mandados judiciais, o mais remote dos quais datado de janeiro de 1989. Manoel Pedro era o respons~vel pelo inqudrito que apura o assassinate do comerciante e fazendeiro JeovB de Souza Campos. Pdricles 6 o suspeito de ter praticado o cr ime. Se os fats denunciados com exclusividade por este journal forem comprovados, os policiais poderio ser punidos at6 com o afastamento da carreira. Gueiros pode ir a process O ex-governador H61io Gueiros poder8 ser processado por cometer crime de falsidade ideold- gica. Gueiros assinou um despacho. datado de 20 de janeiro do ano passado, autorizando "dispensa de licitagio para aquisigio de material para pronta as- sist~ncia is pessoas carentes como dculos, cadeira de roda, material de construgio, aparelhos ortop6- dicos, alimentagio, material escolar, enxoval de be- bC, ortese, prdtese, passagens e outros que srio ne- cesshrios ao Plantio Social da ASIPAG". O despa- cho sd foi publicado na edigio do DiBrio Oficial do Estado de 13 de dezembro de 1990, quase 11 meses apds o dia em que teoricamente foi prodyzido- A imprensa Oficial sd recebeu o despacho de Gueiros, escrito sobre um offcio encaminhado pela Coordenadora Executiva, em exercfcio, da Ag~io Social Integrada do Palicio do Governo, Malia Helena da Rocha Soriano, na vispera da publica- 950, dia 12 de dezembio. Ao encaminhar os docu- mentos e relatdrio da auditagem na Asipag, a Con- sulroria Geral do Estado pediu B DOPS para inves- tigar se o governador assinou com data atrasada o despacho. Neste caso, que as primeiras apuraq8es estio indicando como provrivel, Gueiros cometeu crime de falsidade ideoldgica. Mesmo na outra hi- pdtese. ele 6 capitulivel nas penas da responsabili- dade civil: final, sua dispensa de licitagio sd po- deria gerar efeitos a partir da data da publicagio no DO e nio antes, como acabou ocorrendo. Com base nesse despacho gendrico e abran- gente, cuJa legalidade a Consultoria jB questionou, a Asipag fez aquisiC~es diretas no valor de 831 milhbes de cruzeiros para promover a campanha "caminhando com o povo", o principal instrument utilizado pela administration pdblica anterior para conquistar eieitores para o seu candidate ao gover- no. Fontes ligadas is investigates estio convenci- das de que a dispensa de licitagio sd foi produzida a 12 de dezembro, como desesperada tentative de suprir o inacreditdvel: a Asipag fazendo volumosas compras sem qualquer respaldo. Sd que a emenda foi tio desastrosa quanto o soneto. expondo o ex- governador ao enquadramento em outro crime, o de falsificar documentos. Gueiros jB foi acusado pela Consuitoria de cometer crime de responsabilidade civil ao dispensar duas entidades pdblicas de direito piivado, o Banco do Estado do Pard e a Celpa, da obrigaglio de realizar licitagilo para suas compras, sem ter esse poder. A sentenga era illegal Com data atiasada de 28 de junho, o advo- gado Paulo Alico Moraes Gueiros assinou um pedi- do de habeas corpus (na verdade preparado pelo advogado JosC Acrano Brasil) em favor do ex-se- cretdrio de Transportes, Luiz Otivio Campos, e do diretor da Setran, Joiio Ruy Castelo Branco de Castio. Como sd chegou ao pr~dio do Tribunal de tido figurado e literal). Por isso, ningudm ha de ter a pretens~io de definir o drama amazdnico sem levar em considerag8o as conex~es a que a Amaz~nia foi atada em v~rios pontos do planet. Mas 6 um erro buscar a legitimidade e a credibilidade fora do pafs - e esta tem sido a opp~o tanto de Lutzenberger quanto de Collor. Eles fornecem munigio para os xenofobistas, cujos discursos costumam ecoar fora e dentro dos quart6is, mesmo quando falsos on dema- gdgicos. Mas tamb~m n~io agradam os que agem por raciocfnios menos "softs" e ainda assim nio que- rem ver as decides tomadas obliquamente, Quando a president da Repdblica demite o president da Funai e manda evacuar garimpeiros da mator reserve indigena do pafs, sua attitude pode render dividends em Washington, que a motivou, e pode estar correta, mesmo que seus meios sejam inadequados, mas tamb~m vai jogar mais combustf- vel no fogar~u que lavra "in situ". No cendrio lo- cal, os personagens sho incomparavelmente mais "brabos". Seriam contemporineos se se estivesse escrevendo a histdria dos Estados Unidos da Am6- inca de 150 anos atrds e nio a crdnica sagrenta dos nossos dias. Anacr~nica, 6 certo, mas a que so- brou para a Amaz~nia no roteiro tragado nas capi- tais civilizadas do mundo, nas quais Lutzenberger 6 fdolo e pode se exibir sem o constrangimento de pa- recer nio mais do que um estandarte sem valor pri- tico. Rapidez federal Os repdrteres Abnor Gondlm e Paulo Jares, da revista Veja, viveram uma situa~go inusitada du- rante reportagem que faziam sobre trabalho escravo no Pard: o hotel onde estavam hospedados, em Pa- ragominas, foi invadido por seis agents da Polfcia Federal, enviados celeremente pelo superintendent adjunto, por sua vez acionado pelo fazendeiro Gil- berto Andrade, que os jornalistas estavam tentando entrevistar por ser a pessoa que mais recruta pedes em toda a regiio. Andrade, um capixaba de 50 anos, tem fazenda vizinha a do sogro do superin- tendente adjunto da PF, F~bio Caetano. Por isso, conseguiu um atendimento rdpido e eficiente que raramente 6 dispensado a denuncias sobre explora- g~o da m~io-de-obra, como as que os repdrteres le- vantavam. Eles s6 conseguiram se livrar dos revdl- veres embalados dos agents federals, que os toma- vam como pistoleiros, baseados nas informagBes do fazendeiro, depois do susto e da apresentag~io das de fentifi acages . JOrnal Pessoal Editor responsivel: Ldcio Fl~vio Pinto Ilustra ho: Luiz Pinto Rua Campos Sales, 268/803 66.020 Fone: 223-1929 Opgho Editoral O secretgrio national do meio ambiente, Jos6 Lutzenberger, conseguiu parar no pafs, no m~s pas- sado, o tempo suficiente para dar a primeira entre- vista exclusive a um jornalista brasileiro neste ano- A dificuldade nio se deve apenas ao temperament do ecologista gadcho, mas ao seu constant viajar pelo mundo. Cuida maito menos da political. am- bientalista internal do que das rela~ges pdblicas in- ternacionais. B chamado, nos corredores oficiais de Brasilia, pelo sugestivo tftulo de "embaixador ver- de" antes poderia ser de raiva contra o governor, hoje 6S de esperang~a no president Collor, fiador de sua permanbncia no governor e fonte de sua confian- ga no future: "Enquanto o president Collor me -der forgas, como estai me dando e eu tenho f6 no Collor eu ficarei", declarou Lutzenberger na en- trevista a Ronaldo Brasiliense, do "Jornal do Bra- sil". A rigor, Lutzenberger tem sido, nestes 16 me- ses de Collor de Mello, um estandarte exposto aos generosos ventos internacionais. Alguns acham que basta o estandarte e o prdprio president deve de- fender esse ponto de vista. Outros tentam encontrar algo mais sdlido por trds do emblema e certa- mente nio o encontradlo com facilidade. O drglio executive formal do meio ambiente 6 o Ibama, co- mandado pela economist T~nia Munhoz. O conten- cioso informal, entretanto, est8 nas mios do secre- tgrio de Asssuntos Estrat~gicos, Pedro Paulo Leoni Ramos. A Lutzenberger caberia dar as diretrizes mais amplas e gerais, mas sua miss~io diplom~tica nos quatro cantos do planet nio 1he parece permi- tir tempo e espago para desincumbir-se da tarefa. "Posso dizer, com toda 6nfase, que, em todos os contatos internacionais feitos nestes diltimos 15 meses, nenhuma dinica vez ouvi uma recriminaqio contra nds", dep6s o secretlrio na entrevista, ga- rantindo que a credibilidade agora desfrutada faz dos brasileiros "lIderes nessa discussio" ecoldgica em todo o mundo. A espantosa mudanga foi conse- guida gragas & redug~io do indice de queimadas na Amaz~nia, que em 1987 consuming 80 mil quildme- tros quadrados de florestas virgens (e nio 90 mil, como cita o secretirio) e, no ano passado, nio teria chegado a 14 mil quilbmetros quadrados. Modestamente, Lutzenberger nio afirma que a conquista da confianga international foi um produto de sua atuagi~o g frente da Seman, mas ao datar a transformag~io ("nestes diltimos 15 meses") esta dando uma dica mais do que dbvia. Essa forte su- gestio nio pode ser acatada tlo pacificamente como gostaria Lutzenber er se o destinat~rio do recado for analisar apenas o que de fato a Seman e suas extensbes produziram dentro do pafs. Nem este, entretanto, 6 o caminho que Lutzenberger gostaria que seus availadores percorressem. Preferiria va-los trilhar as largas avenidas de instituigbes internacio- nais, junto As quais tem buscado os avais e as fon- tes da legitimidade e da consagragio. Alguns dos centros de vanguard do c~onheci. mento sobre a Amazdnia estio plantados nas princi- pais pragas mundiais, que tamb~m sediam as corpo- ragdes com mator poder de fogo na regiho (em sen- Um simbolo furado |
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