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Jornal pessoal
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 Material Information
Title: Jornal pessoal
Physical Description: v. : ill. ; 31 cm.
Language: Portuguese
Creator: Pinto, Lúcio Flávio
Publisher: s.n.
Place of Publication: Belém, Pará
Publication Date: 1987-
Frequency: semimonthly
regular
 Subjects
Subjects / Keywords: Politics and government -- Periodicals -- Brazil -- 1985-2002   ( lcsh )
Genre: periodical   ( marcgt )
serial   ( sobekcm )
Spatial Coverage: Brazil
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (1a quinzena de set./87)-
General Note: Title from caption.
General Note: Editor: Lúcio Flávio Pinto.
General Note: Latest issue consulted: Ano 11, no 188 (1a quinzena de junho de 1998).
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 23824980
lccn - sn 91030131
ocm23824980
Classification: lcc - F2538.3 .J677
System ID: AA00005008:00058

Full Text











IMPRENSA



A guerra de cifr6es


rais do ano passado nao foram desmancha-
dos no Pard. Eles est~io sendo preparados
para as eleigbes municipals do prdximo ano e os
principals, atd que seja instalado o period official
de campanha, slo os jornais~ A imprensa paraense
est8 se partidarizando por inteiro, incluido o journal
"A Provincia do ParB", que tentou sem consegui-
lo plenamente escaper ao radical antagonismo de
1990, que promete ser ainda mais agressivo em
1992.
Se essa ameaga de dispute comega a aquecer as
p~ginas ate entio g61idas dos jornais, pode substi-
tuir nelas a informagio pela opinilo e dirigir o no-
ticidrio conf-orme os interesses em jogo. Nos pontos
extremes, em que estio o Sistema Romulo Maiorana
de Comunicag~o e o grupo do governador Jader
Barbalho, trata-se de uma luta de vida e morte. Ca-


da um dos antagonistas sd admite sobreviver se for
A custa do aniquilamento do outro. Como em situa-
g8es semelhantes nos filmes de faroeste americano,
o espago 6 pequeno demais para os dois e, por
extension, mais escasso ainda para o journal dos "As-
sociados", que tem atrds de si apenas uma pequena
emissora de radio FM, recentemente inaugurada,
enquanto os demais dispbem de cadeias de estagdes
e publicagbes.
O grupo Liberal apostou todas as suas fichas
na vitdria do candidate do ent~io governador H61io
Gueiros, o ex-prefeito Sahid Xerfan. Para transfor-
mar-se no principal instrument de divulgag~io da
chapa official, foi presenteado com a mais pesada
campanha publicitaria que uma empresa jornalfstica
recebeu de um governor do Estado nos d~ltimos anos.
"O Liberal" deixou de lado o jornalismo para se
tornar um drgio de partido, t~o envolvido que de-


Journal Pessoal
Liicio F1Lvio Pinto


Ano IV


No 70


2a Quinzena de Julho de 1991


Cr$ 300,00






morou att admitir que Jader Barbalho era o gover-
nador eleito e citi-lo nominalmente no noticidrio,
do qual foi expurgado exceto quando era alvo de
crfticas nas duas passagens pelo minist~rio Sar-
ney.
Boa parte do sucesso inicial de Jader na carrei-
ra political pode set atribut'da aos generosos regis-
tros de sua atividade na coluna "RepdIter 70", de
autoria de Newton Miranda (ex-vice-governador do
Estado) e H61io Gueiros. Mas "O Liberal" apoiava
Oziel Carneiro e Jarbas Passarinho quando Jader
decidia disputar o governor, em 1982. O journal, co-
mandado na 6pock pelo prdprio Romulo Maiorana
(falecido em 1986), nio hostilizou Jader, ao contrB-
rio do que faria seu filho, oito anos depois, deixan-
do sempre uma abertura para o trbnsito do nome do
candidate, mas o entilo deputado federal percebeu
que ficaria sempre dependendo do grapo de comu-
nicagilo mais poderoso do Pard e, de certa manei-
ra, em posigio secundiria (o que explicava o beija-
mios de poderosos, mas nio tanto, no gabinete de
Romulo).
Com o apoio de Orestes Qudrcia (que the ar-
ranjou a Editora Bauid, ainda hoje a razrio social da
firma), Jader criou o prec~rio "Didrio do Pard" e
melhorou-o gragas is extens6es do poder que exer-
ceu. O grupo Liberal e ele foram, durante seu pri-
meiro governor, inimigos cordials on amigos descon-
fiados, conforme as variacgdes da conjuntura. Antes
da violent campanha eleitoral do ano passado que-
brar todas as apar~ncias de cordialidade, a dispute
commercial entire os dois grupos empresariais de co-
municaqio, que sd podem se expandir colidindo,
jogou-os na guerra aberta. Political e negdcios pas-
saram a se confundir num nd cego quase impossfvel
de desfazer.
Crescendo g sombra da mdquina official, os
vefculos de comunicaCgo de Jader sempre se res-
sentiram desse vfrus, resistente g profissionaliza-
gio: puderam sobreviver e expandir-se, mas n~io
conquistaram nada aidm de uma pequena fatia do
mercado, sem ganhar a credibilidade da opiniio p'-
blica. O journal investiu na compra de algumas das
melhores colunas da imprensa national, mas o in-
vestimento na cobertura dos fats locals foi mini-
mo. Na hora de apurar denducias e esclarecer histd-
iias, inclusive e sobretudo as que envolvem
seus inimigos, o "Didirio do Pal " tem preferido
caluniar ou fazer molecagem, achando que rende
mais dividends politicos, embora seja nulo na ob-
tenglo da confianga do leitor. Parece niio acreditar
na velha e nunca desautorizada maxima segundo a
qual nenhum journal oficioso consegue ser melhor do
que a imprensa official.
A falta de concorr~ncia para valer, o grupo Li-
beral adicionou pesados investimentos em moderni-
zagio e melhoria administrative para colocar-se bem
acima dos demais e estabelecer um monopdlio que
sd nio impression mai's porque os sucessores de
Romulo Maiorana teimam em exarceb8-lo atravds de
pesquisas sem o menor conceito, como as da Con-
trobel, embora institutes como o lbope assegurem
que hd realmente o dominio total sobre o mercado
de jornais, fazendo de "O Liberal" (nio lido ape-
nas por 2% das pessoas que com'pram jornais) pega
chave na relagIlo com o pdblico.


Aos domingos a tiragem de "O Liberal" atin-
giria fantristicos 108 mil exemplares, alcangando um
pdiblico de mais de 500 mil leitores, baixando nos
dias de semana para uma faixa entire 56 e 58 mil
exemplares. Enquanto "O Liberal" consome 550
toneladas de papel, 'O Didrio" e "A Provfncia"
nio iriam aidm de 30 toneladas, dando-lhes uma ti-
ragem que, de acordo com a dltima pesquisa do
lbope encomendada pelo Sistema Romulo Maiorana
de Comunicag~o, ficaria entire 4 e 5 mil exemplares.
S6 assim esses dois jornais conseguiriam ser colo-
cados abaixo da vaporosa "Folha do Norte", a se-
gunda mais lida nas pesquisas da Controbel, que
estaria tirando entire 8 e 9 mil exemplares.
Os ndmeros declarados por "O Liberal" sgo
impressionantes. O poderoso "Estado de Minas",
que circula numa capital com quase tr~s vezes mais
habitantes do que Belim e muito maior poder aqui-
sitivo, tira 176 mil exemplares aos domingos e 77
mil nos dias de semana. O "Correio Braziliense",
lider em faturamento da cadeia Associada, p6e nas
ruas de Brasilia cidade maior e mais rica do que
Bel~m apenas 75 mil exemplares aos domingos. O
"Dihrio de Pernambuco" nio vai altm de 92 mil
exemplares e o "Dibrio do Nordeste", de Fortaleza,
com populagilo 40% maior do que a de Beldm, fica
em 42 mil exemplares dominicais. Todos estes jor-
nais slio auditados pelo IVC, a mais precisa fonte
de consult sobre tiragens da imprensa brasileira.
"O Liberal" nito se submete ao IVC.
Titagem de journal n6o auditada 6 tiio diffcil de
saber quanto idade de mulher vaidosa, com uma di-
ferenga: 6 sempre apresentada com aumento e nio
com redugHo. "O Liberal" nito precisaria recorrer a
fontes suspeitas para ter o recon~hecimento de sua
forga. A demonstraqio estii nos esforgos que Jader
Barbalho vem fazendo desde que assumiu o governor
para minar as bases dos Maioranas. Essa tarefa 6
ainda mais dificultada pelo volume de dinheiro que
o grupo recebeu na gestito Hdlio Gueiros e pelo
apoio que 1he vem dando o prefeito de Beltm, Au-
gusto Rezende. A PMB patrocina a maioriai dos
events do Liberal, mant~m uma cara programagio
televisiva aos sdbados e domingos e est8 sempre an-
siosa para ceder matdrias publicitgrias ao grupo,
uma contrapartida ao boicote determinado pelo go-
vernador, incluindo a supressio do pequeno e ba-
rato anducio das sess~es do cinema Li'bero Luxardo,
da Fundagio Cultural Tancredo Neves.
Fontes do grupo Liberal asseguram que a verba
do governor nito vai al6m de 10% da receita total da
empresa, que, por esse motive, tem condiqdes de
iesistir a abstin~ncia da conta estadual. E possfvel,
mas num memento em que o grupo invested entire 8 e
10 milh~es de ddlares no novo parque grifico, a ser
remanejado da antiga sede do journal atC novembro
deste ano, o corte da torneira do Estado e as pres-
s6es sobre anunciantes, v~rios dos quais trocaram
sua mfdia para os vefculos do governador, forgaram
o Liberal a voltar a dar desconto de 35% aos cor-
ietores de imdveis e o director executive, Romulo
Maiolana Jdnior, a reabrit sua porta para relag8es
pdblicas e "lobby" politico.
Fiel ao princfpio de niio escolher meios quando
se trata de guerrear, Jader Barbalho atou mais um
nd ao cerco contra o grupo Liberal em junho. Deci-






diu fazer 2.500 assinaturas de "A Provfncia do Pa-
rd" e outras 2.500 do seu "Didrio do Pard", distri-
buindo de graga os cinco mil jornais todos os dias.
Cada empresa recebeu pouco mais de 10 milhbes de
cruzeiros por uma compra que, a dar-se cr~dito &
pesquisa do Ibope, teria absorvido metade da tira-
gem dos dois jornais. Na v~i ilusio de contornar
suscetibilidades morals, cada secretaria ficou encar-
regada de se revezar no pagamento das assinaturas.
No primeiro m~s a tarefa ficou comn a Secretaria de
Sadde.
Cdpias das faturas foram enviadas a diversas
pessoas, entire as quais, no Rio de Janeiro, o jorna-
lista Ancelmo Gdis, responsivel pela coluna "Ra-
dar" da revista Veja. Desinformado sobre as coisas
do ParB, Ancelmo achou que tanto o "Didirio" como
"A Provfncia" eram "duas combalidas publica-
96es" do impbrio jornalfstico de Jader Barbalho,
apimentando ainda mais a ironia do texto. A trans-
cri~go da nota, com destaque, em "O Liberal", foi
o bastante para espalhar por Bel~m o boato de que
o governador tinha comprado on ao menos arrenda-
do o journal dos Dibrios Associados. "O Liberal,,
tratou de reforgar essa impression com uma longa e
editorializada reportagem na sua volumosa edigio
dominical, reforgada com um andncio de quase pd-
gina inteira sobre a artificialidade de seus concor-
rentes, esquecendo as numerosas assinaturas feitas
na administragio Gueiros e logo canceladas quando
Jader assumiu o governor.

"A Provincia" reagiu dois dias depois com um
editorial de primeira pigina, no qual apontava a
"rotineira arrogincia dos atuais donatirios daquele
journal ("O Liberal"), assumidos grileiros da opi-
niiio pdblica que pretendem determinar os destines
do povo do Pard", atribuindo o ataque ao "natural
desespero de quem jB comegou a dolorosa descida
de ladeira". "A Provincia" procura justificar a
aquisigEio das assinaturas como um negdcio normal,
mas adverte que "nio vende opiniio on arrenda in-
dependbncia".


A declarag~io C bonita, mas n6o 6 nova e nem
sempre serve para aplicar g realidade das relaqbes
entire a imprensa e o poder, principalmente quando
dois tergos do faturamento -publicitabrio v6m atravis
de canals oficiais. Com as suas distorqdes, a pega
publicitliria de "O Liberal" fazia uma pergunta
pertlnente: pode-se continuar acreditando num jor-
nal que pass a ser dado de graga em qualquer es-
quina? "A Provincia" pode ter feito, como fez, uma
transagio absolutamente limpa ao aceitar que a Se-
cretaria de Sadide adquirisse as 2.500 assinaturas,
mas tanto o governor agiu desastradamente, como
o journal expds-se aos ataques de seu adverstrio,
permitindo-lhe assumir um at de independgncia,
certamente postigo, mas ao qual o leitor estard mais
receptive apds a revelagio do relacionamento.
Quanto g "Provwncia", o ganho em faturamento po-
de nio compensar a perda em cr6dito popular,
A distribuigIo gratuita dos jornais B ajuda de
pouca expresso porque a rentabilidade da venda
avulsa 6 baixa e ainda tem o inconvenient de des-
gastar o drgio que se pretend apoiar. Aldm disso,
6 suspeito instrument para reduzir a tiragem do
concorrente, jB que alguns gazeteiros ofereciam "A
Provfncia" c o "Dibrio" de graga para quem com-
prasse "O Liberal". Os distribuidores tamb6m n~io
dedicavam maior empenho a tarefa por receberem
pagamentos fixos e nio proporcionaiis ao volume da
entrega.
Como a maior-ia das peas publicitbrias, a do
Liberal nio foi produzida para esclarecer e sim para
servir de vefculo aos interesses da empresa. Se An-
celmo Gdis entendeu que "Didrio" e "Provincia"
pertencem a Jader, "O Liberal" nio teria motive
algum para acreditar nessa informagio. N~o preci-
saria, na reportagem, repetir a expression do redator
da revista, se seu objetivo n~io fosse fazer passer
gator por lebre. Como os jornais estio em guerra e
se transformam cada vez mais no palanque das dis-
putas polfticas, 6 esse produto adulterado que o
leitor est8 recebendo para consumer. Pior para to-
dos.


O reporter que atendeu o telefonema na reda-
~go nio acreditava. Do outro lado da linha um ho-
mem dizia ser o fazendeiro Jerbnimo Alves de Amo-
rim, preso sob a acusa~go de ter mandado matar o
president do Sindicato dos Trabalhadores Rurais
de Rio Maria, Expedito Ribeiro de Souza. Jer~nimo
estava convocando o journal para uma entrevista co-
letiva que daria no dia seguinte. Ao chegar preso i
Penitencidria Fernando Guilhon, em Bel~m, no mes
passado, o pecuarlsta goiano tinha assinado um do-
cumento declarando que nio tinha qualquer interes-
se em falar com a imprensa. Mas agora queria falar.
Os jornalistas que atenderam a convocagio en-
contraram Jerdnimo num apartamento do hotel de
trinsito da Policia Militar, no quartel do 20 bata-
lhio, com at condicionado, televisio, cama com
colchio de mola, revistas, jornais e um telefone,
atravbs do qual ele arranjou plateia para ataques a
Igreja no sul do Pard. Dois dias antes a fazenda de
Jer~nimo, de 10 mil hectares, tinha sido invadida.


Cinco de seus empregados foram mortos e sete fica-
ram feridos. O fazendeiro, bem disposto, disse que
os padres estavam incitando a invasio para prejudi-
c8-lo.
De tlo confort'avel alojamento, essa foi a men-
sagem official do fazendeiro. Mas atrav6s de mensa-
geiros menos expostos, ele mandon dizer que, mes-
mo em condigdes t~io favordveis a um preso, ele
query sair o mais rapidamente possfvel de onde estg.
Os destinatirios das queixas slio outros fazendeiros
instalados as margens da PA-150, de Xinguara para
o sul do Estado. Eles formam uma organizag~io in-
formal que existe pelo menos desde 1988 e que se
especializou em resolver, pela via direta, problems
como as invasdes de terras e a eliminag~o de lifderes
rurais.
Policiais que investigam os crimes de enco-
menda na regilo nio t~m mais ddvida de que Jerd-
nimo pds 30 mil cruzeiros nas mios do rdstico pis-
toleiro Jos6 Serafim Sales, 26 anos, o "Barreirito",


Um preso muito especial






e lhe prometeu mais Cr$ 170 mil quando matasse
Expedite. As oito horas da noite do dia 2 de feve-
reiro, numa das ruas centrals de Rio Maria, "Bar-
reirito" deu seis tiros no Ifder sindical. Errou trgs,
mas a primeira bala disprada foi o bastante para
matar o lIder sindical. Outras duas serviram apenas
para conferir o servinggo"'. "'Barreirito"' saiu com a
arma na mio, andou alguns metros, trocou de roupa
num clube de rodeio instalado ali perto, comentou o
que fizera com pebes e foi para a casa da m~e dor-
mir, junto com, um amigo. Tanto descaso pelas pis-
tas deixadas foi atribuido pelos policiais ao prima-
rismo do pistoleiro e ao sensor de impunidade do
mandante do crime.
Pelo menos sete fazendeiros se reuniram a Je-
rgnimo Alves do Amorim para acertar o atentado. O
donor da fazenda Nazard foi escolhido porque mora
em outro municfpio, Parauapebas, e n;7o tinha pro-
blemas com o sindicato de Rio Maria, acusado de
organizer as invas6es de propriedades particulares.
Essas reunites se tornaram periddicas e a organiza-
95o acabou surgindo porque desde 1988 o governa-
dor do Estado, na 6poca H61io Gueiros, se recusava
a ceder forga policial para o cumprimento de man-
dados de reintegragio, manutenglo de posse e des-
pejo.
O governador argumentava que nessas ag8es a
polfcia sempre se excedia, a servigo dos propriet8-
rios, que contratavam o transport, forneciam a ali-
mentagio e ainda pagavam gratificag6es aos poli-
ciais. Mas a partir de um diagndstico correto, o go-
vernador chegou a uma sologio surpreendente: sim-
plesmente deixou de cumprir a lei, desrespeitando
sentengas judiciais, ao inv~s de corrigir o padrio de
atuaCio da PM e da polfcia civil, frequentemente
tambbm produto da neglig~ncia da administration
estadual anterior em relagio ao problema policial
(os saidrios, achatados violentamente, eram o im-
pulso inicial g corrup~go)-
A media em que se avolumavam na Casa Civil
do governor as requisig6es de forga policial, os fa-
zendeiros foram se convencendo de que tinham que
resolver seus problems pela velha lei de Taliio,
sempre favordvel ao mais forte. Em v~rias regimes
eles comegaram a Se agrupar para fazer o que o
Executive e o Judicidrio nio estavam mais fazendo.
Em Paragominas, no eixo Capanema-Capit~io Pogo-
Our~m e, sobretudo, entire Xinguara e Redengio, os
fazendeiros foram se agrupando em organizagoes


informais que contratavam pistoleiros isolados ou
recrutavam verdadeiras milfcias para expulsar pos-
seiros, prevenir ocupagdes e matar lideres incbmo-
dos. A policia est8 certa de que Jer6nimo integra o
"sindicato" do sul do ParB e tem muita forga.
Essa forga prov6m nio apenas de sua riqueza,
que 6 razobvel: slo tr~s fazendas em Goidis e uma
no Pard, v~rios imdveis e outros investimentos. O
fazendeiro possui tamb6m boas ligagdes polfticas. O
governador de Goids, Iris Resende, do PMDB, C um
de seus grandes amigos. Pode ter influfdo na trans-
ferbncia do fazendeiro da penitencidria estadual pa-
ra o hotel de trinsito da PM, situagio contrastante
com a do pistoleiro, mantido em cela de maxima se-
guranga, sem direito a banho de sol, e a do comer-
ciante Paulo Cbsar Pereira da Silva, O "Pauldo",
preso na delegacia de Rio Maria (ele deu um tiro na
perna de Carlos Cabral Pereira, successor de Expe-
dito no sindicato, mas diz que foi rixa e nlo atenta-
do politico).
Uma fonte policial diz que recentemente Jerb-
nimo mandou uma mensagem aos outros integrantes
do grupo, exigindo sua libertagio. Se isso nio ocor-
resse, comegaria a mostrar que nio agiu sozinho e
daria os nomes de outros envolvidos no atentado,
entire os quais figuraria uma grande empresa de ori-
gem estrangeira. Um advogado foi mandado para
Belbm e fez base no ZHilton Hotel com verba (fala-
se de 30 milhdes de cruzeiros) suficiente para aten-
der o pedido. Mas o esquema tragado para a soltura
de Jerdnimo teria fracassado porque o seu pedido
de "habeas corpus", acertado para chegar As m~ios
de determinado desembargador, foi avocado por
outro, com maior poder, informado por algudm do
governor sobre a manobra.
Se a primeira tentative concrete para tirar o fa-
zendeiro das grades fracassou, isto n~io significa
que Jerbnimo permanecerg preso por muito tempo
mais. Se o clima de complete impunidade levou-o a
cometer o erro de contratar um pistoleiro primbrio,
sem avaliar as consequ~ncias do assassinate, como
sugerem os autos do process sobre a morte de Ex-
pedito, a relative impunidade que ainda prevalece
no Pard, mantida por uma sdrie de fatores com suas
ortgens tincadas nos pores do Executivo, do Judi-
ciirio e do Legislativo, 6 a garantia de que dificil-
mente haver8 personagens importantes no julga-
mento desse crime pelo jdri, se tribunal do jdri vier
a haver.


O Banco do Estado do Pard fechou o ano de
1990 apresentando lucro de 976 milhdes de cruzei-
ros em seu balango. Em janeiro, o lucro apontado
foi de 500 milhbes, reduzido no m~s seguinte para
Cr$ 100 mithbes. A partir de margo o banco come-
gou a operar no vermelho. Em maio chegoua Cr$
1,3 bilh~io. DeverB fechar o primeiro semestre com
prejufzo de um bilhio de cruzeiros (759 milhbes ji
apurados, mais a correg~io monetiria). Em terms
cont~beis, uma queda vertiginosa. Em terms reais,
uma melhoria acentuada, O paradoxo tem uma ex-
plicagio: at6 o final da administra~go anterior, as
contas do Banpard estavam maquiladas, parecendo


maito mais saudlveis do que eram na verdade.
A aparente sadde financeira do banco comegou
a se deteriorar quando a nova diretoria, empossada
em albril, viu-se obrigada a langar na conta de cr6-
ditos em liquidagbo (e, portanto, prejufzo) opera-
g8es jB vencidas, n6o pagas e de diffcil recupera-
g5o. Elas somavam Cr$ 1,5 bilhrio. Justamente por-
que estavam na rubrica inadequada, permitiram ao
Banpari apresentar ao pdblico um lucro fictfcio,
faturando prestfgio indevido. O valor dizia respeito
a transag6es realmente mal feitas e que dificilmente
dario retorno ao banco. Outras operagbes, embora
irregulares, foram recuperadas atrav~s de composi-


Maquilagem nas contas






glio com os clients inadimplentes. A maior delas
era da Reicon, empresa de navegagio de Luis Re-
belo, candidate a vice-governador na chapa de Sa-
hid Xerfan, apoiada pelo entio governador H61io
Gueiros. A Reicon devia 800 milh6es de cruzeiros e
pagou 20% para ter direito a novos prazos. Outra
empresa inadimplente era a Phillilandia, do prefeito
de Bel~m, Augusto Rezende. Parte do dinheiro des-
sas operagdes provavelmente foi usada na campanha
eleitoral.

A irregularidade nas contas do Banpart fox
constatada pelos t~cnicos do Banco Central que au-
ditaram o balango do ano passado e entregaram o
relatdrio conclusive no infcio deste m~s. Se a dire-
toria do banco estadual seguisse rigorosamente as
normas contibeis, ao inv~s do lucro de Cr$ 976
milhdes o balango deveria ter registrado prejufzo de
quase Cr$ 300 milhbes. Foi a primeira grande irre-
gularidade verificada pelo Bacen desde que o Ban-
pard foi submetido a interven~go federal, em 1987,
e depois passou pelo regime de administration com-
partilhada. Mas em 1985 pritica semelhante n~io
apenas transmuton prejufzo em lucro como deu ao
Banpard o tftulo de banco official de maior rentabi-
lidade em todo o pafs.

At6 a semana passada o Banco Central ainda
nio havia feito qualquer comunicaglo official sobre
a irregularidade, nem as provid6ncias que iria ado-
tar. Extra-oficialmente sabe-se que o Banpard nio
seria obrigado a republican o balango, devidamente
corrigido, providgncia de pouco efeito pr~tico no


memento em que o balango do primeiro semestre de
1991 jB est8 concluido. O Bacen se limitaria a fazer
uma advert~ncia por escrito, alertando que a reinci-
d~ncia no erro poderia acarretar punig~io mais pesa-
da, como o enquadramento dos diretores em crime
de "colarinho branco" MaS a nova diretoria asse-
gura que o risco nio existe porque estd empenhada
justamente em fazer o complete saneamento das
contas herdadas e recuperar a combalida imagem do
banco junto ao pdblico atrav6s de iniciativas que
nlo impliquem manipulagdes como a realizada ante-
ri orme nte'
A tarefa nio B fa~cil e jB foi anunciada em ou-
tras ocasides, sem levar a resultados positives.
Apesar de algum esforgo realizado em perfodos
descontfnuos, o Banpard nio conseguiu se libertar
de seu atrelamento a esquemas politicos e a proce-
dimentos pouco compatfveis com as normas bancd-
rias, transformando-se em instrument a servigo dos
interesses dos eventuais governadores e biombo pa-
ra negdcios especiais com grupos favorecidos. A
Cosanpa, a companhia de Agua e saneamento do
Estado, deve ao banco 62 bilhbes de cruzeiros, que
equivalem a dois tergos de todas as aplicagbes do
Banpard. O tergo restante est8 dividido entire quase
40 mil clients particulares, o maior dos quais -
pelo volume de seu ddbito 6 a Reicon. Mas depois
de uma histdria sempre tio atribuladzs, a atual dire-
toria parece consciente de que o banco jB nlo tem
mais margem de manobra capaz de protege-lo, num
prdximo esclndalo, do destiny que jB rondon suas
portas: a morte.


Um ano atrdis, na reuniio de Houston, nos Es-
tados Unidos, os sete pauses mais ricos decidiram
patrocinar um program de proteg~io das florestas
tropicais do Brasil, as mais extensas do planet. O
prdprio governor brasileiro, o Banco Mundial e a
Comunidade Econ~mica Europdia foram encarrega-
dos de preparar um program com esse objetivo. O
document ficou pronto algumas semanas antes do
diltimo encontro do Grupo dos Sete, realizado na
semana passada, em Londres. Uma edpia foi dada
em primeira mio aos integrantes da comitiva do
president Charles, que visitou o Brasil em maio,
chegando at6 Bel~m.
O Program Piloto para a Proteg~io das Flores-
tas Tropicais do Brasil 4 quase uma consolidagio de
tudo o que foi executado, iniciado, planejado ou
apenas idealizado no governor e seus satellites comn o
vago e frequentemente remote objetivo de garantir a
exploraqio auto-sustentada do maior conjunto de
vida vegetal ainda disponfvel pelo homrem. Sua
maior inovagdio (mas na verdade com antecedentes
no passado) 6 a de proper uma comissio t6cnica pa-
ra coordenar o vasto elenco de propostas que incor-
pora, uma esp~cie de conselho de administrator da
Amazcinia (para n~io falar mais cruamente em inter-
nacionalizagio formal) integrado, paritariamente,
por representantes do governor brasileiro, do Bird e
da CEE.
Para realizar tudo o que prevQ, o Programa


Piloto requer a aplica~go de 1,5 bilhio de ddlares
ao long desta dtcada. Considerando os investi-
mentos globais na regiio, nio 6 muito B at6 pou-
co O plano quinquenal do governor Collor
(1991/95) prev4 a media annual de 9 bilhbes de ddla-
res de aplicag6es pdblicas e privadas, US$ 45 bi-
thdes no perfodo. Mas a esmagadora maioria desse
capital sera vertido em atividades diretamente pro-
dutivas, que, a par das mercadorias geradas, resul-
tam sempre em mais destruig~io.
A abertura de estradas, a montagem de in-
fraestrutura e o assentamento de colons na Ama-
z~nia na ddcada de 70 representaram investimento
de US$ 7,5 bilhbes, segundo conta apurada pela
pesquisadora Ana Luiza Osdrio de Almeida e apre-
sentada na dltima reunirio annual da SBPC. Em 1975,
quando a hidrelbtrica de Tucuruf (a maior inteira-
mente national) comegou a ser construfda, o home
havia alterado, com sua agPo, apenas 0,8% da co-
bertura vegetal original da regiio. No ano passado
o levantamento por satdlite jB estava atingindto
14% Em 18 anos o home destruin 17 vezes mais
do que em ttIs s~culos e meio anteriores. A usina
de Tucuruf, sozinha, jB custou US$ 5,4 bilhbes.
Saird por US$ 8 on 9 bilhbes at6 a quitagio com-
pleta de sua dfyida, em future remote. N~o seria
exagero calcular que desde a abertura da Bel~m-
Brasilia ate a entrada em opera~go da fibrica de
aluminio da Albras, hoje a maior unidade de produ-


Milagre sem santo






glo individual da Amaz~pia (faturamento de quase
US$ 600 milhdes), a expransio da frente produtiva
na Amaz~nia absorveu mais de US$ 20 bilhbes em
trbs dbcadas.
Diante desses ndmeros, o que significa US$
1,5 bilh~io para tentar entender, ordenar e controlar
o caos que essa corrida As riquezas amazbnicas de-
sencadeou? Ainda que o program tivesse consis-
tgncia e fosse o melhor que o cbreblo humane pu-
desse produzir neste memento em favor das flores-
tas tropicais brasileiras, dificilmente cohnseguiria
colocar a ci~ncia em p6 de igualdade com o desbra-
vador. A cibncia, na Amazbnia, tem servido mais
para constatar os erros e engrossar o choro do que
para orientar o colonizador, o verdadeiro a gente das
transformagbes, que jd chega a regido com a cabega
feita, ainda que deformadamente feita.
O descompasso entire fazer e saber persistird na
Infeliz fronteira amaz~nica, a despeito das inten-
gBes ocultas por trds da retbrica ecoldgica do pro-
grama. Mais desgragado, entretanto, serd constatar
que sem a participation de outros pauses a distbncia
entire essas duas competbncias se tornarai ainda
maior. A verbal para ci~ncia na Amaz~nia represent
5% do PIB cientffico national. A mais famosa ins-
tituig5io de pesquisa da regiio, o Museu Paraense
Emilio Goeldi, sd continue a fazer pesquisa porque
recebe dinheixo de fora. Os recursos internos sio
sufacientes apenas para pagar os magros salirios de
seu pessoal.
Nacionalistas e ecologistas consideram um in-
sulto que de US$ 1,5 bilhio solicitados venham
apenas US$ 50 milhdes. I~uma esmola, mas ultra-
passa a soma de dinheiro disponfvel em qualquer
centro de pesquisa local. Trata-se de adiantamento
por conta do esforgo de ingleses e alemIes para do-
brar a resistancia de americanos e japoneses, mais
interessados em impor acertos sobre a dfyida exter-
na brasileira do que no destiny das florestas tropi-
cais, que, 18 como cii, saqueiam como podem, en .
quanto podem.


Cat do la 0 8 g

Transrcrvo carta enviada por Jodio Batista da Silvq da Fcrecutiva do
PT, a propdsito da nota do Jornal PessoaL A responsabitjidadeeI pel~o ter de
scu autor. Detw para ourra oportunidade uma resposta mas lamento infonarr
no dirigente do PT que esse jornal ndio tem condigdes de patrocinar o debate
por ele sugerido, mas as iddias, tanto quanto a prdtica, de Marilena Charuljd
sdio e~rostivamente conhecidas.

Em reaag a noa"8tica zero", publicada na edig~o nO 68 do Jornal
Pessoal, a Comisaso Executiva Regionial do Partido dos Trabalhadores tem
os seguintes esclarecimentos a fazer*
1 Ouando a Bancada do nosso Partido na Assembl41a Legislativa
props a convocaglo do ex-governador H611o Guelros para esclarecer as
dentincias de comrrpg~o e operaF~es fraudulentas feitas pelo atual governa-
dor Jgder Barbalho, o nosso objetivo foi o de permitir it sociedede paraens
que tamb~m tomasse conhecimento das irregularidades administrativo-fi-
nanceiras do periodo 83/87 (quando Jdder Barbalho governor o Estado pela
primeira vez)e que certamente Hdlio Gueiros faria.
2 Niio temos qualquer interesse em defender o Sr. Htdlio Gueiros.
Muito pelo contrdrio. Fizemos oposi~go a cle durante os quatro anos de seu
governor e muito antes de Jdder Barbalho apresentar on dadoe que spresen-
tou, jd o considerdvamos umn dos mais corruptoe governantes deste Estado.
A dispensa de licitagio para compras de bens e contratagHo de servigos foi
uma marca permanent do governor H61io Gueiros, a que sempre combate-
mos, enquanto Jdder Barbalho e scus seguidores silenciavam comodamente.
O festival de aliciamento politico promovido durante a campanha cleitoral
de 90, atravis do program "Caminhando com o Povo" foi amplamente de-
nunciado por todos os candidates do Partidos dos Trabalhadores, no hord-
rio gratuito de Rddio e Televislio. Infelizmente nossas denducias d~o encon-
traram eco na chamada grande imprense de Beltm, por motives 6bvios.


3 Para nds 6 ofensivo estabelecer comparagbes de posture chtre as
nossos parlamentares e os "coerentes" vereadores Emonael d de Almeida e
Roberto Dias, que representam ns0 a proposta de um partido e sim interes-
ses pessoals.
O PT tem uma avalla~go clara de que significa o governor Jdder Bar-
balho e quais interesses ele represent. Ngo temos qualquer Hlusso de~que o
governador Jdder Barbalho vb se rcdimir de scu passado e fazer um governo
voltado para as interesses populares. Daf que Jdder Jd comegou o scu atual
governor desrespeitando a Constitui~go Estadual so nomear pessoas para
cargos que sao privativoas de determinadas especialidades. Mais grave que is-
so 6 que, o atual governador (cumpre sua obriga~go) denuncia as falcatruas
praticadas por ex-auxiliares de Hdlio Gueiros, como 4 o caso do Sr. Luiz
Otdvio Campos, mas silencia estranhamente sobre as irregularidades prati-
cadas por titulares de outras repartigbes, no governo passado, e que slo hoje
aliados politicos de Jdder Barbatho. Estamos tentando Juntar proves para
mostrar, por exemplo, o que ocorreu no Banpard no govemno do Sr. H6110
Gueimos. Mas o governador Jbddr Barbalho, que deve estar de posac de to-
dos os documents, estranhamente silencia.
4 Queremos deixar clamo que tanto 3dder Barbalho quanto Hdlo
Gueiros "sdo farinha do mesmo saco". E a trajetbria do PT 4 um exemplo de
coerencia no combat a atuag~o political desses dois cidad50s. Nenhum jor-
nalista poderd nos acuser de ter dado trigua de 100 dias para qualquer um
deles. O projeto politico que eles defendem e representam 6 diametralmente
oposto so do PT. E a prdtica de conduzir os neg6clos do Estado C a melhor
prova de qule nao temos porque ter qualquer Hlusso soble o future de Jdder
e Gueiros como governantes.
5 Em relaglo so conceito de 6tica manifestado pelo editor do Jor-
nal Pessoal, gostarfamos de lembrar a frase de um jornalista polemico mas
multo respeitado neste Pais. Para Cldudio Abramo a 6tica do Jornalista 6 a
mesma do cidadito. B por isso que estranhamos que o cidadlo e Jorealisrta
Ldcio Fldvio Pinto n~o tenha procurado qualquer um dos lategrantes da
Bancada do PT na Assembl61a Legislativa ou algudm da DireqFgo do Partido
para esclarecer porque estsvamos propondo a convocaggo de Hdlio Guci-
mos. Mas spressadamente emlitu conceitoo soble a nossa Btica e Coertnaci
Political. Estabeleceu grosseiramente uma relag8o 6tica entire on integrantes
da Bancada do PTeafislol6gicos vereadoses alinhadosao Sr. Jdder Barbalho.
6 Sabemos que o jornalista Lddio Fidvio Pinto faz questgo de alar-
dear que nunca se filiard a um partido politico para poder continuar como
observador atento sem nenhumn vids partid~drlo Respeltamos cosa poolglo.
Mas n~o concordamos com a viol~o preconceituosa de vincular a caquerd a
tirania. O PT, desde a sua fundag~o (documentoo hist6ricos como maanifesto
e o primeiro discurso de Lula demonstram isso) defende a pluralidade par-
tiddria, liberdade e autonomia sindical, a mais livr manifestagio do peasa-
mento, entim, uma seric de bandeiras que slo inereates ao socialismo que
na nossa visllo slo sindnimos de liberdade e n~o de tirania. Liberdade, por
exemplo do cidadlo opter em nMo se filiar em nonhum partido politico. B a
prbpria composi~go do PT 6 um exemplo vivo de convivencia pluralista de
visbes diferencladas do pr6prio caminho para o socialismo. Nunca fomas
allados a um dnico te6rico do socialismo asalm como nenhuma das chama-
das internacionais socialists. Mas tambtm alo temos o preconceito do jo-
gar no hxoe da histbria a contribulg~o que vdrlos te6ricoe tem ofereddo para
o debate. Mas uma vez gostarfamos de citar o polemico Jornalista Cldudio
Abramo no depoimento que foi transformado no livro "A9 Regra do Jogo"
sobre o papel do jornalista:
"O papel do jornalista 6 o de qualquer cidadlo patriola, isto 6, de-
fender o seu povo, defender certas poolgc~bs, contar as colsas como class
ocorrem com o minimo de preconceito pessoal ou ideol6gico, sem ter o pre-
conceito de nso ter preconceitos".
7 Finalmente gostadamos de sugedir que o Jornal Peasoal promo-
vesse um debate sobre Btica. E desde jd ousad~amos sugerir que a filckofa
Marilena Chaul fosse uma das convidadas".





Um estaleir o




A Ebal (Estaleiros da Bacia Amaz~nica) estd
invest indo neste ano dois milhdes de ddlares na es-
cuderia em que atua o piloto de Fdrmula 3 Marcos
Gueiros, f'ilho do ex-governador Hdlio Gueiros e
irm~io de Andr6, um dos diretores da empresa. Mar-
cos j9 comega a ter resultados positives de sua
atuagio: estCI em terceiro lugar na competi~go. Mas
slio discutfveis os dividends que pode alcangar um
estaleiro ao promover um corredor automobilfstico
- ou slo discutiveis a partir do memento em que ele
nio pode maiS dar rendimentos laterals, como vinha
dando.






Justiga ja na madrugada do dia 29, um sibado, o
oticio nio foi distribuido: recebeu-o diretamente o
desembargador Humberto Castro, na condigio de
memblo da C~mala de F~rias do TJE. A C~mara,
entretanto, passaria a existir legalmente apenas a
partir do dia 2 de agosto, quando foi instalada.
Castro, portanto, nio estava habilitado para dar o
despacho que deu. iibertando os dois auxiliares de
H61io Gueiros, pai de Paulo, da prisio a que foram
submetidos pela DOPS sete horas antes.
Esse foi apenas um entire muitos detalhes de
ilegalidade, arbftrio ou violbncia que envolveram as
duas parties naquele final de semana em que. pela
piimeira vez em muitos anos, um autor de crime de
"colarinho branco" foi para trds das grades. O in-
qudrito foi conclufdo na policia na sexta-feira e
imediatamente encaminhado ao juiz Jaime Rocha, a
princfpio disposto a sd decidir na segunda-feira,
mas submetido ao argument de que o crime estava
suficientemente demonstrado para respaldar um
despacho imediato. Efetuada Bs oito da noite de
uma sexta-feira, a prisio develia demorar pelo me-
nos pelo s~ibado e o domingo, expondo o ex-secre-
t~rio ao constrangimento de ficar atrds das grades
durante esses dois dias e, talvez, forgando-o a dizer
quem, aidm dele e de sua empresa, recebeu dinheiro
desviado dos empreiteiros da Secretaria dos Trans-
portes. Mas o grupo do ex-governador agiu t6o on
trais rapidamente e livrou Campos da situagio diff-
cil, ainda que paira isso atropelando cautelas ele-
mentares que se o Tribunal de Justiga quiser, depois
do recesso, esclarecer poderd gerar um novo caso -
hipdtese, evidentemente, mais do que remota.





ja apura
A Secretaria de Seguranga Publica instalou
sindiclncia para apurar denducia feita pelo "Jornal
Pessoal" (nO 69) de que um delegado e tr~s milita-
res da PM foram a Teresina, no Piauf, assassinar o
pistoleiro Pdricles Ribeiro Moreira, acusado de
matar o deputado estadual Jolio Carlos Batista. O
delegado Manoel Pedro de Lima, que estava em Ca-
panema e recentemente foi transferido para Sgo Mi-
guel do GuamB, jB prestou depoimento na sindicbn-
cia, instalada por determinaCio do secret~rio, Alci-
des Alcintara. Ele confirmou que realmente esteve
no Piaul e no Maranhlio, alegando cumprir quatro
mandados de prisio expedidos pela comarca de Ca-
panema, um dos quais contra Pdricles. Mas tambdm
confirmou n~io ter feito qualquer comunicagio a
seus superiores sobre a missia, n~io ter recebido
ajuda de custo da Secretaria, nem ter utilizado via-
tura official ou oficiosa. Ngo trouxe consigo nenhum
dos criminosos indicados nos mandados judiciais, o
mais remote dos quais datado de janeiro de 1989.
Manoel Pedro era o respons~vel pelo inqudrito que
apura o assassinate do comerciante e fazendeiro
JeovB de Souza Campos. Pdricles 6 o suspeito de ter
praticado o cr ime.
Se os fats denunciados com exclusividade por
este journal forem comprovados, os policiais poderio
ser punidos at6 com o afastamento da carreira.


Gueiros pode

ir a process
O ex-governador H61io Gueiros poder8 ser
processado por cometer crime de falsidade ideold-
gica. Gueiros assinou um despacho. datado de 20 de
janeiro do ano passado, autorizando "dispensa de
licitagio para aquisigio de material para pronta as-
sist~ncia is pessoas carentes como dculos, cadeira
de roda, material de construgio, aparelhos ortop6-
dicos, alimentagio, material escolar, enxoval de be-
bC, ortese, prdtese, passagens e outros que srio ne-
cesshrios ao Plantio Social da ASIPAG". O despa-
cho sd foi publicado na edigio do DiBrio Oficial do
Estado de 13 de dezembro de 1990, quase 11 meses
apds o dia em que teoricamente foi prodyzido-
A imprensa Oficial sd recebeu o despacho de
Gueiros, escrito sobre um offcio encaminhado pela
Coordenadora Executiva, em exercfcio, da Ag~io
Social Integrada do Palicio do Governo, Malia
Helena da Rocha Soriano, na vispera da publica-
950, dia 12 de dezembio. Ao encaminhar os docu-
mentos e relatdrio da auditagem na Asipag, a Con-
sulroria Geral do Estado pediu B DOPS para inves-
tigar se o governador assinou com data atrasada o
despacho. Neste caso, que as primeiras apuraq8es
estio indicando como provrivel, Gueiros cometeu
crime de falsidade ideoldgica. Mesmo na outra hi-
pdtese. ele 6 capitulivel nas penas da responsabili-
dade civil: final, sua dispensa de licitagio sd po-
deria gerar efeitos a partir da data da publicagio no
DO e nio antes, como acabou ocorrendo.
Com base nesse despacho gendrico e abran-
gente, cuJa legalidade a Consultoria jB questionou,
a Asipag fez aquisiC~es diretas no valor de 831
milhbes de cruzeiros para promover a campanha
"caminhando com o povo", o principal instrument
utilizado pela administration pdblica anterior para
conquistar eieitores para o seu candidate ao gover-
no. Fontes ligadas is investigates estio convenci-
das de que a dispensa de licitagio sd foi produzida
a 12 de dezembro, como desesperada tentative de
suprir o inacreditdvel: a Asipag fazendo volumosas
compras sem qualquer respaldo. Sd que a emenda
foi tio desastrosa quanto o soneto. expondo o ex-
governador ao enquadramento em outro crime, o de
falsificar documentos. Gueiros jB foi acusado pela
Consuitoria de cometer crime de responsabilidade
civil ao dispensar duas entidades pdblicas de direito
piivado, o Banco do Estado do Pard e a Celpa, da
obrigaglio de realizar licitagilo para suas compras,
sem ter esse poder.


A sentenga

era illegal
Com data atiasada de 28 de junho, o advo-
gado Paulo Alico Moraes Gueiros assinou um pedi-
do de habeas corpus (na verdade preparado pelo
advogado JosC Acrano Brasil) em favor do ex-se-
cretdrio de Transportes, Luiz Otivio Campos, e do
diretor da Setran, Joiio Ruy Castelo Branco de
Castio. Como sd chegou ao pr~dio do Tribunal de











tido figurado e literal). Por isso, ningudm ha de ter
a pretens~io de definir o drama amazdnico sem levar
em considerag8o as conex~es a que a Amaz~nia foi
atada em v~rios pontos do planet. Mas 6 um erro
buscar a legitimidade e a credibilidade fora do pafs
- e esta tem sido a opp~o tanto de Lutzenberger
quanto de Collor. Eles fornecem munigio para os
xenofobistas, cujos discursos costumam ecoar fora e
dentro dos quart6is, mesmo quando falsos on dema-
gdgicos. Mas tamb~m n~io agradam os que agem por
raciocfnios menos "softs" e ainda assim nio que-
rem ver as decides tomadas obliquamente,
Quando a president da Repdblica demite o
president da Funai e manda evacuar garimpeiros da
mator reserve indigena do pafs, sua attitude pode
render dividends em Washington, que a motivou, e
pode estar correta, mesmo que seus meios sejam
inadequados, mas tamb~m vai jogar mais combustf-
vel no fogar~u que lavra "in situ". No cendrio lo-
cal, os personagens sho incomparavelmente mais
"brabos". Seriam contemporineos se se estivesse
escrevendo a histdria dos Estados Unidos da Am6-
inca de 150 anos atrds e nio a crdnica sagrenta
dos nossos dias. Anacr~nica, 6 certo, mas a que so-
brou para a Amaz~nia no roteiro tragado nas capi-
tais civilizadas do mundo, nas quais Lutzenberger 6
fdolo e pode se exibir sem o constrangimento de pa-
recer nio mais do que um estandarte sem valor pri-
tico.


Rapidez federal
Os repdrteres Abnor Gondlm e Paulo Jares, da
revista Veja, viveram uma situa~go inusitada du-
rante reportagem que faziam sobre trabalho escravo
no Pard: o hotel onde estavam hospedados, em Pa-
ragominas, foi invadido por seis agents da Polfcia
Federal, enviados celeremente pelo superintendent
adjunto, por sua vez acionado pelo fazendeiro Gil-
berto Andrade, que os jornalistas estavam tentando
entrevistar por ser a pessoa que mais recruta pedes
em toda a regiio. Andrade, um capixaba de 50
anos, tem fazenda vizinha a do sogro do superin-
tendente adjunto da PF, F~bio Caetano. Por isso,
conseguiu um atendimento rdpido e eficiente que
raramente 6 dispensado a denuncias sobre explora-
g~o da m~io-de-obra, como as que os repdrteres le-
vantavam. Eles s6 conseguiram se livrar dos revdl-
veres embalados dos agents federals, que os toma-
vam como pistoleiros, baseados nas informagBes do
fazendeiro, depois do susto e da apresentag~io das
de fentifi acages .


JOrnal Pessoal
Editor responsivel: Ldcio Fl~vio Pinto
Ilustra ho: Luiz Pinto
Rua Campos Sales, 268/803 66.020
Fone: 223-1929
Opgho Editoral


O secretgrio national do meio ambiente, Jos6
Lutzenberger, conseguiu parar no pafs, no m~s pas-
sado, o tempo suficiente para dar a primeira entre-
vista exclusive a um jornalista brasileiro neste ano-
A dificuldade nio se deve apenas ao temperament
do ecologista gadcho, mas ao seu constant viajar
pelo mundo. Cuida maito menos da political. am-
bientalista internal do que das rela~ges pdblicas in-
ternacionais. B chamado, nos corredores oficiais de
Brasilia, pelo sugestivo tftulo de "embaixador ver-
de" antes poderia ser de raiva contra o governor,
hoje 6S de esperang~a no president Collor, fiador de
sua permanbncia no governor e fonte de sua confian-
ga no future: "Enquanto o president Collor me -der
forgas, como estai me dando e eu tenho f6 no
Collor eu ficarei", declarou Lutzenberger na en-
trevista a Ronaldo Brasiliense, do "Jornal do Bra-
sil".
A rigor, Lutzenberger tem sido, nestes 16 me-
ses de Collor de Mello, um estandarte exposto aos
generosos ventos internacionais. Alguns acham que
basta o estandarte e o prdprio president deve de-
fender esse ponto de vista. Outros tentam encontrar
algo mais sdlido por trds do emblema e certa-
mente nio o encontradlo com facilidade. O drglio
executive formal do meio ambiente 6 o Ibama, co-
mandado pela economist T~nia Munhoz. O conten-
cioso informal, entretanto, est8 nas mios do secre-
tgrio de Asssuntos Estrat~gicos, Pedro Paulo Leoni
Ramos. A Lutzenberger caberia dar as diretrizes
mais amplas e gerais, mas sua miss~io diplom~tica
nos quatro cantos do planet nio 1he parece permi-
tir tempo e espago para desincumbir-se da tarefa.
"Posso dizer, com toda 6nfase, que, em todos
os contatos internacionais feitos nestes diltimos 15
meses, nenhuma dinica vez ouvi uma recriminaqio
contra nds", dep6s o secretlrio na entrevista, ga-
rantindo que a credibilidade agora desfrutada faz
dos brasileiros "lIderes nessa discussio" ecoldgica
em todo o mundo. A espantosa mudanga foi conse-
guida gragas & redug~io do indice de queimadas na
Amaz~nia, que em 1987 consuming 80 mil quildme-
tros quadrados de florestas virgens (e nio 90 mil,
como cita o secretirio) e, no ano passado, nio teria
chegado a 14 mil quilbmetros quadrados.
Modestamente, Lutzenberger nio afirma que a
conquista da confianga international foi um produto
de sua atuagi~o g frente da Seman, mas ao datar a
transformag~io ("nestes diltimos 15 meses") esta
dando uma dica mais do que dbvia. Essa forte su-
gestio nio pode ser acatada tlo pacificamente como
gostaria Lutzenber er se o destinat~rio do recado
for analisar apenas o que de fato a Seman e suas
extensbes produziram dentro do pafs. Nem este,
entretanto, 6 o caminho que Lutzenberger gostaria
que seus availadores percorressem. Preferiria va-los
trilhar as largas avenidas de instituigbes internacio-
nais, junto As quais tem buscado os avais e as fon-
tes da legitimidade e da consagragio.
Alguns dos centros de vanguard do c~onheci.
mento sobre a Amazdnia estio plantados nas princi-
pais pragas mundiais, que tamb~m sediam as corpo-
ragdes com mator poder de fogo na regiho (em sen-


Um simbolo furado