|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
D urante cinco dias, no final de maio, quatro mdvel Gol com placa de Caxias, no Mara- nhio, por um dos maiores conjuntos residenciais da periferia de Teresina, capital do Piaul. Jorge Fer- nandes Sobrinho, delegado de Castanhal, Manoel Pedro de Lima, delegado de Primavera, e os soldl- dos da PM Rubens e Filho procuravam o pistoleiro Pbticles Ribeiro Moreira. Mas nio estavam em mis- s~o oficial: seus superiores na Secretaria de Segu- ranga Pdblica desconheciam que os quatro se ha- viam ausentado do Estado, nio thes haviam incum- bido da tareta e na~o estavam pagando suas despe- sas. A chapa do carro, trocada em Caxias, prova- velmente era fria. Os custos estavam sendo cobertos por um particular. quase: certo que os policiais nio foram a Teresina buscar o famoso pistoleiro PB- rides, acusado de ter assassinado o deputado esta- dual (PSB) Jodo Carlos Batista e tido como execu- tante de 70 crimes de morte. Na verdade, os quatro teriam ido matar Ptricles e, assim, queimar esse pe- rigoso arquivo. Pbricles foi avisado por amigos dentro da polf- cia piauiense ou por alguma das v~idas conexdes que mant6m em posigdes estrat~gicas na administra- gio pdblica malanhense Os policiais paraenses sa- biam que o pistoleiro moiava no conjunto residen- cial, mas ignoravam a casa Acabaram tendo que , voltar sem poder apresentar ao patrocinador da via- gem um indicador da morte de Pbricles sua ore- tha, por exemplo Tr6s semanas depois, o delegado da Polinter do Pard, Otacilio Mota, voltou a Teresi- na, toi auxiliado por outros policiais piauienses e chegou B casa de P~ticles. Preso. a grande preocu- Jor nal Pessoal Liicio F1lvio Pinto No 69 la Quinzena de Julho de 1991 Ano IV Cr$ 300,00 CRIME O maior pistoleiro pa~go do pistoleiio era saber se seria executado, se o delegado fazia parte do grupo anterior. JB Otaci- ilo teve que agir ripldo e improvisar para conseguit trazer P~ticles para Belim. O piano original era p~egar um v8o, no mesmo dla da pris~io, que fazia escala em Sio Luis. Mas Otadlio foi informado que na capital maranhense ji havia um esquema montado para retirar o pistoleiro do aviao, sob a alegagio de que ele responded a dois processes por homicidio em Pinheiros, no interior do Estado. O prdprio P~ricles assume os crimes, embora ressalvando que apenas se defended de agressbes sofridas (e negando que uma das vftimas seja um juiz de Direito e a outra, um patralheiro rodovibrio). Mas nas duas vezes em que foi preso, acabou softo on tugiu. A uiltima delas, da Peniten- clinra de Pedreirinhas, gragas a uma licenga espe- clai concedida, apesar da natureza dos delitos que praticou. Na primeira, pot ordem do prdprio juiz. O delegado da Polinter acreditou na possibili- dade porque, enquanto esteve em Teresina, nio pa- raram os telefonemas de polfticos (pelo menos tr~s deputados estaduais) e pessoas influentes no Mara- nhio, que tentavam libertar Pdricles. Apesar de seus antecedentes, o pistolelro tinha porte de ar-ma concedido pela policia do Piaul e ienovado alguns meses antes de sua prlsio Frequentemente ia a de- legacias conversai com policiais. Otacflio achou entlo mars prudent seguir para Fortaleza, de: onde pegou um v6o direto para Beldm, .evitando Sho Luis. V~rtice do crime Ptricles esth agora no piesfdio de Sio Jos6, num dos bairros centrals de Belim, mas os policiais que acompanham sua trajetdria comegam a descon- hiat que nio fa'cardi ali por multo tempo. O irmio, um advogado com trinsito pelo mundo do crime, est8 tentando transfexx-lo para o Maranhao sob o argument de que os crimes naquela jurisdigio tem precedgncia o que os policiais consideram meio camlnito pala uma nova fuga. Mesmo que ela nio ocorra, entretanto, Pdricle~s esta muito long de ter Iendido a polkcia tudo o que pode, ou ter um trata- mento a attura de sua imports~ncia. Seguramente ele d o mator dos pistoleixos que ja chegou as cadeias de Beldm Pdricles, que sd reconhece dois dos 70 crimes que sio attrados sobre seus costados (e mesmo as- sim garantindo que foram mortes Incidentais e nio de encomenda), nega ter participado do esquema que iesultou no assassinate de Batista, na noite de 6 de dezembro de 1988 Todas as evid~nexas dispo- niveis indicamI- que, nesse ponto, ele est8 mentindo. Mas nfio parece desviado da verdade ou n~o tanto - quando aponta os executores e mandantes do cri- me: Nio d apenas soble a execugi~o do deputado do PSB que. o pistoleiro mostra-se tio bem informado que 6 dlfical acreditar que seja apenas um especta- dor: por ele passam- quase todos os caminhos que levaram a outras mortes, invariavelmente nio eluci- dadas, algumas mais lemotas, como a do plefeito de hituia, outras mais recentes, como a do ex-deputa- dr- comunista Paulo Fontelles, que completou quatro aneaosno mes passado. Pdricles Ribeiro Moreira foi seguranga no ga- rlmpo de ouro da Mineiagio Giupid. na divisa do Pard com o MaranhiTo, lirea de grande tens~io social por causa dos conflitos entree: posseiros e proprieti- iios reais ou supostas da drea. O chefe da segu- rang~a de todas as empresas instaladas na Gleba Ci- dapar era o advogado (mas que preferia ser chama- do de capitio) James Vita Lopes, acusado de ser o organizador do assassinate de Fontelles. Pericles diz que: tr-abathou na Mineragio durante seis meses, entre 1981 e 1983, mas nega ter conhecido Vita Lopes, algo muito mais do que: improvivel. Mas admire conhecer Joaquim Fonseca, Josiel Martins, JeovB Campos, Oscar Ferreira e Camilo Uliana, personagens citados nas histdrias sobre es- tas on outras mortes de encomenda. N~io sendo pro- priamente da rela~go de amizades dessas pessoas' nem tendo com elas negdcios convencionais, P6ri- cles pode ter entrado em suas trajetdrias da mesma maneira como apareceu no assassinate de Joio Ba- tista: por sua profiss~io de matador que ele insisted em negar, naturalmente. Mas 6 absolutamente inve- rossfmel sua version de que que o motorists Antonio Pedro foi &1 sua casa, em Paragominas, buscrl-lo pa- ra conversar com David Soares Rezende sobre o acerto para matar Batista apenas porque os dois ti- nham vagas notfcias sobre os dois homicfdios ante- riores de Pdricles, que garante nfio ter comentado o assunto comn ningudm desde sua chegada em Para- gominas, em 1986. P~ricles recusou o "servigo", mas ainda assim os executores do crime (o motorist Antonio Pedro e o hipot6tico pistoleiro "Mag~io" ou "Brinquedo") n~io deixaram de passar na casa dele, na Colbnia Military, para dar-1he mais informagdes preciosas sobre o que haviam feito, procedimento totalmente discrepante da prdtica dos pistoleiros e de seus es- quemas de sustentag~io. Ei que P~ricles, tdo bem in- formado sobre delitos de outros, continuava vivo - e vivendo com total desembarago. PiStola de aluguel Ao contrdrio do que tem dito em seus depoi- mentos, 6 provivel que ele tenha realizado outros "servigos" depois da morte de Batista. Um deles pode ter sido o assassinate de JeovB Campos, um tfpico "acerto de contas" do submundo do crime. Pdricles seria o home que chegou a fazenda de JeovB, em Capanema, falou com o fazendeiro, foi & geladeira, bebeu uma Coca-Cola e matou o home que the havia dado um cheque sem funds (ou de valor baixo, conforme as duas hipdteses suscita- das). Ele poder ser tamb6m o home que andava procurando Camilo Uliana, propriet~rio de um posto de gasoline de beira de estrada e de uma das famf- lias pioneiras de Pagominas, ligada a madeireiras, fazendas e violbncias. Da mesma maneira que todas as pessoas bem informadas da regilo, Uliana associou crime de en- comenda a P~ricles e conseguiu localizd-lo em Te- resina, atravis de contato com o irm~io dele, empre- gado em uma outra serraria. Pbricles negou que es- tivesse procurando matar Uliana, mas ainda assim foi mimoseado com outra~preciosidade: o madeireiro confessou-lhe ter participado da "vaquinha" para bar um ndicleo de mata enquanto incendiava suas bordas. Mas essa selvageria era monopdlio de uns pou- cos "Lcabras machos", o que garantiu a fama quase solitlria de Z~zinho da Codespar. Aos poucos, po- rbm, as tarefas delegadas a pistoleiros foram se di- versificando. H3oje, eles s6o chamados para liquidar trabalhador insatisfeito, expulsar posseiro inc6modo ou eliminar politico advers~rio. Das centenas em atividade nos Estados amazbnicos, poucos conse- guem destacar-se em um anonimato bastante conve- niente. Se o caso Chico Mendes foi a rara exce~go em que um mandante de assassinate foi julgado e puni- do, pistoleiro tambtm nio costuma sentar no banco de: r6u. Hg toda uma engrenagem para acobert8-lo apd5s a execugio do "servigo", ou, nio conseguindo mantb-lo impune, dar-lhe sumigo, queimando arqui- vo. O crime organizado sd5 B bem sucedido quando conta com o sigilo, a regra de ouro do sil~ncio que esta na origem das mdfias. A polfcia, teoricamente colocada em campo oposto, deveria empenhar-se todas as vezes em que algum pastoleiro de maior calibre cai-lhe is m50s. O foragido especial HE quase quatro anos estai sem cumprimento um mandado de prisio da Justiga paraense contra tr~s homes acusados de envolvimentor no assassi- nato do ex-deputado Paulo Cezar Fontelles de Li- ma. O principal foragido 6 o advogado paulista Ja- mes Sylvio de Vita Lopes, 44 anos, considerado o organizador do atentado, que durante sete anos atuou como seguranga de empresas turais. O "ca- pitio" James, como se tornou famoso, chegou a mandar uma carta de Sgo Paulo. dois meses depois do crime, para um amigo de Belbm, para se defen- der, mas jainais se apresentou. Fontes policiais ga- rantem que ele transit livremente por Sio Paulo. Sua famflia 6 de Braganga Paulista. Oito dias antes de Fontelles ser morto com tr~s tiros, dentro do carro, estacionado em um posto de gsaolina na said de Belim, James foi & 2" Segio do Exdrcito (o serving secret) comunicar o desapa- lecimento de vdrias armas e equipamentos, entire os quais um fuzil e granadas de efeito moral, privati- vos das Forgas Armadas. O) military que tomou o de- poimento nlio se preocupon com esse detalhe e ain- da registrou, sem cuiiosidade, que Vita Lopes cos- tumava ser tratado como capitio, sem o ser. O ad- vogado entou como saiu, sem ser importunado. Es- tava acostumado a isso: era informant dos drgios de seguranga e tinha uma relagio especial com o jA extinto SNI (Servigo Nacional de Informagdes). Apesar do invejdvel curriculo de Vita Lopes, que inclufa passagens pelo Pal~cio dos Bandeiran- tes, em Sio Paulo, quando- seu inquilino era o go- vernador Paulo Maluf, nem que fosse para assinalar os quatro anos da morte de Fontelles, a policia po- deria ver se dava para cumprir os mandados de pri- slio. Trazer Vita Lopes preso para Beldm significa- ria escrever uma nova histdria sobre os crimes de encomenda no Pard. Por isso mesmo, slo t~io poucos os que acreditam nessa remota possibilidade. financial a morte de Batista com 10 milhbes de cru- zados novos (valor da 6poca), metade do que o pistoleiro receberia para fazer o "servigo". A ida de Uliana a Terezina abriu caminho para outros in- cursionadores, como os quatro policiais paraenses, B que Pbricles, tendo se tornado inc~modo, j6 pre- ceisava ser eliminado. Por quem? A resposta pode esta comn os policiais. Com suas citagdes de Deus, seus chores en- saiados e seus ailibis, infiltrados de contradig~es, Pgricles tem procurado fazer crer que foi um obser- vador inocente ao long de todas essas histdrias de sangue e viol~ncia. Na verdade, 6 um de seus v6rti- ces, o Linico que a polkcia pode usar para tentar evitar que os processes montados para apurar as ocorr~ncias e punir seus responsiiveis acabem nos arquivos mortos, como as vftimas. Se os depoimen- tos jB prestados pelo pistoleiro nio s~o o bastante para afast8-lo dos crimes, enquanto acusagio sio uma pega de alto poder explosive. Mesmo assim, P6ricles continue a ser juntamente comn Roberto Cirino, outro provaivel pistoleiro o dinico a perma- necer atrds das grades. Os outros ou foram soltos pela Justiga ou sequer foram press, resguardados preventivamente por iniciativas de seus advogados, apressadamente convalidadas pelos que, em relagio a personagens secunddrios, se mostram mais dis- postos a punir. A polfeia tem em suas mios a mais preciosa fonte de informagdes sobre a sucessio de crimes que transformou o Pard~ no campedo national da viol~ncia, mas esse patrim~nio pode desaparecer tio facilmente quanto a areia da praia vaza pelos dedos e, no caso de P~ricles, sem explicaqio ca- paz de convencer sobre essa omissio. "Front" do saque Nenhuma regilo brasileira tem tantos pistolei- ros professionals quanto a Amazdnia. O ndmero certo do total ningu6m sabe, mas eles podem ser contados por virias centenas. No eixo principal, entire o oeste do Maranh~io e o sudeste do Pard, ha- verla, no minimo, 500 pistoleiros, muitos deles "sindicalizados", isto 6, participando de uma orga. nizagio do crime. A maior delas tem sua base em Imperatriz, no Maranh~io, contando atC mesmo com a cobertura de politicos. Um conhecido deputado estadual maranhense tem suas origens na "pistola- gem" de Imperatriz. A quantidade de pistoleiros de aluguel cresceu porque tamb6m a demand aumentou e se diversifi- cou. No infcio da d6cada de 60, quando os pistolei- ros comegaram a aparecer, acompanhando a abertu- ra das estradas de penetraSio, sua principal mission era "amansar" ou dar sumigo em pebes recrutados para 'a derrubada da mata e a formagio dos pastes para o gado Ficou c61ebre, nessa 6poca, Z~zinho da Codespar, este o nome da fazenda para a qual prestava seus eficientes servings. Zdzinho matou maito peio a tiro, amrrando a vitima a drvore que serta queimada, mandando serrar corpos e "plan- tando-os", para adubar a terra. Um de seus diverti- mentos era colocar o alvo na margem do rio Ara- guaia, atirar nele: e acompanhar o corpo cair na Agua e ser levado pela correnteza. Teria tamb6m provocado a morte de 60 pedes, que mandou derru- Sprimeiro criminoso de "colarinho branco" apenas sete horas atrds das grades. O ex- secret~rio de Transportes do Estado, Luiz Otivio Oliveira Campos, tamb6m director executive das em- presas Rodomar e Alfredo Rodrigues Cabral Co- m~rcio e Navegagio, foi preso As oito horas da noite do dia 28 de junho e solto As tr~s da madru- gada. Ele foi preso por sete agents da DOPS, co- mandados pelo delegado Paulo Tamer, quando che- gava ao prddio onde mora, no bairro do Jurunas, sob a acusagIo de peculate (desvio de dinhheiro pdblico). E foi solto gragas a um alvard despachado pelo desembargador Humberto Castro. O pedido de prisio de Campos, conhecido en- tre amigos pelo apelido de Pepeca, foi solicitado pelo delegado Tamer ao director da Repartigio Cri- minal do F6rum de Bel~m, Jaime Rocha, As 18 ho- ras do dia 28. O pedido se baseava em 231 folhas do inqudrito policial instaurado na DOPS e num circunstanciado relatdrio de 20 pdginas do delega- do. Os documents apontavam o ex-secretirio, ge- renciador da maior verba utilizada na administraCio passada, como o cabega de uma autbntica quadrilha que desviara dinheiro da Secretaria de Transportes para uma conta da Rodomar no Banco Rural, Havia virios esquemas para esse desvio. O mais grosseiro deles acabou levando a polfcia a desvendar operagBes mais sofisticadas. Empreiteiros que prestavam servings & Setran eram obrigados a pagar comissbes "por fora", abrindo mio de parte dos citditos a que tinham direito. Vgrios concorda- ram com essa extorsio, que sd a partir desta semana a DOPS vai comegar a levantar. Mas outros reagi- ram, recusando-se a aceitar dividir o dinheiro que iriam receber. Mesmo assim. nos dltimos dias do governor Gueiros, os integrantes do grupo retiraram parte dos recursos que deveriam ser pagos aos em- preiteiros, apesar de saberem que eles n~io aceita- vam o pagamento do "extra", que jai entio repre- sentava metade do total. Para isso, falsificaram as assinaturas dos res- ponsaiveis por essas empresas e forjaram endossos em cheques administrativos que foram parar na conta da Rodomar, dirigida por Luiz Otivio Cam- pos (o donor 6 o sogro dele, Alfredo Cabral, que - como ressalvou em seu depoimento transferiu o control dos negdcios para o genro por estar doen- te). A operaSio era simples, A Secretaria de Trans- portes mandava uma nota financeira para o Banco do Estado do Parai, autorizando o saque da quantia da conta linica do governor. Ao mesmo tempo, soli- citava ao gerente a emissi~o de um cheque adminis- trativo em favor da empresa, no valor autorizado. O cheque era assinado, conforme a perfeia policial, provavelmente pelo director financeiro da Rodomar, JosB Alfredo Her~dia, que falsificava as rubricas. E era depositado na conta mimero 06. 182-8 da Rodo- mar no Banco Rural. CORRUPCAO PflS80 vapt-vupt Dinheiro some O primeiro a perceber o golpe foi o donor da Construtora P~rola, Yoakim Petrola de Melo Jorge. Normalmente ele controlava os pagamentos feitos pela Secretaria de Transportes em favor de sua fir- ma atrav~s dos langamentos em conta corrente, m6- todo geralmente adotado para tender as convenibn- cias dos empreiteiros particulares. Mas o dltimo pa- gamento da Setran, de quase 36 milhbes de cruzei- ros, nio seguin essa retina. O dinheiro niio apare- ceu na conta corrente da Conspel no Banpard Yoa- kim cobrou informagBes do gerente do banco, que, "apds evasivas explicagdes", disse ter emitido um cheque administrative em favor da empresa e enca- minhado o document g Setran. A diregio financei- ra da Secretaria negou saber do cheque, argumen- tando que os pagamentos continuavam a ser feitos atrav6s de creditos em conta corrente. Acionado na Justiga pela Conspel sobre o des- tino dado aos 36 mithbes de cruzeiros, o Banpard mostrou que o cheque administrative fora deposita- do na conta da Rodomar no Banco Rural, o mesmo destiny dado a outros Cr$ 15 milh~es que deveriam ser creditados para a Betubel (Betumes de Bel6m Limitada) e tomaram tamb6m outro tumo gragas & falsificagio do cheque administrative. A polfeia conseguin reconsituir todos os pas- sos do descaminho. No dia 15 de margo, enquanto Jader Bar~balho tomava posse no governor do Estado, Neily Nauad Thlim, funciondria da Setran hi nove anos e, hi seis, secretiria da Diretoria Financeira, foi & ag&ncia do Banpard buscar os documents da Setran, como fazia regularmente. Entre os pap~is, os cheques administrativos um de Cr$ 15 mithdes para a Betubel e outro, de Cr$ 35,9 milh6es, para a Conspel. Ao inv~s de levar os documents para a Secretaria, Nelly for para a resid~ncia da diretora financeira da Setran (tambdm no cargo hi seis anos). Maria Helena Moscoso da Silva envelopou os cheques e mandou Neilly entreg8-los na casa de Joiio Ruy Castello Branco de Castro, director do De- partamento de Transporte Terrestre da Setran e substitute do secretirio quando ele estd ausente, al~m de respons~vel juntamente com a diretora fi- nanceira pela emissio das notas financeiras que autorizavam os pagamentos. Das mios de Ruy os cheques provavelmente foram parar com Her~dia, autor das falsificagbes de assinacturas dos cheques e seus endossos, e a pessoa que fez os depdsitos para Rodomar. Laudo pericial do inscituto de Criminalfstica da Coordenadoria de Polfeia Cientifica concluiu "pela probabilidade on filiagio grkfica de punho de Jos6 Alfredo Her~dia com os endossos constantes nos verses dos che- ques" da Conspel e da Betubel. Herddia apresentcu uma explicagPo engenhosa para o aparecimento dos cheques administrativos na conta da Rodomar. Ao depor na DOPS, disse que no dia 15 de margo os dons da Betubel e da Cons- pel lhe telefonaram para pedir que trocasse em di- nheiro os valores dos dois cheques. Era uma sexta- feira de meio de mas, mas ainda assim, colhido pela estranha coincid~ncia, Herddia conseguiu arranjar os 50 milhbes de cruzeiros, que entregou nio a Paulo Guilherme Cavalleilse dec Macedo e Yoakim, mas a simples portadores que the teriam sido envia- dos. Sd que na acareaq~io entire os tr~s, feita na DOPS, Herddia n~io apenas nIo conseguiu identifi- car os dois emrpres~rios, chamados de surpresa B sala do delegado Tamer, como ad'mitiu, no final, que nio os conhecia. JB Macedo e Yoakim afirma- ram nunca ter tido contato com Herddia, nem reali- zado qualquer transa~go com a Rodomar ou a Al- fredo Cabral. A raipida prisfi0 Com dezenas de provas do peculate cometido, desde os originals dos cheques at6 as perfeias, o delegado Paulo Tamer obteve o malndado de pris~io junto ao juiz Jaime Rocha is 18.30, apenas meio hora depois de ter apresentado sua representagio, e cercou, com sete policiai o prddio onde mora o ex-secretirio. Luiz Otivio chegava alegre para uma festa que se realizava em seu apartamento Trazia no carro uma nora do ex-governador Hdlio Gueiros (casada com H61io Gueiros Jr.), a quem entregou cdpia do mandado de prisio que lhe foi apresentado antes de pedir-1he que subisse e avisasse a famflia. Quando safam do pr~dio, levando o es-secret8- rio, os policiais encontraram Ruy Castro, que che- gava para a testa com uma garrafa de uisque debai- xo do brago. Recentemente enfartado e submetido a uma angioplastia, Ruy, ao perceber que seria preso, pediu para nio haver viol~ncia. Foi seutorizado a guardar a garra'a de bebida dentro do carro e acompanhou o grupo at6 a delegacia, onde foram identificados e encaminhados para o quartel da Po- Hecia Milital, bem prdximo. Luiz Otivio teve uma crise nervosa e Ruy, sentindo-se mal, precison ser medicado. T~o logo a noticia das prisbes se espalhou, o advogado Jos6 Acreano Brasil acionou o tamb6m advogado Paulo Gueiros, que conversou por telefo- ne com o pai, naquele memento no Rio de Janeiro. O ex-governador- H61io Gueiros telefonou para o desembargador Humbertc Castro, que foi incluido na Comissio de F~rias do Tribunal de Justiga por- que o titular, Wilson Marques da Silva, est8 de li- cenga. A mator preocupa~go era com o sentido po. Iftico da prisiol do ex-secretbrio, feita numa sexta- feira para se estender por todo o final de semana. Junto com: Acreano, advogado da Rodomar, e Paulo Gueiros, o desembargador Humberto Castro foi ao Fdrum e preparou, com o escrivio, o alvard de soltura, emitido quando jB eram mais de duas ho- ras da madrugada. O desembargador atendeu o pe- dido assinado por Gueiros (mas escrito por Acrea- no) sem ver o process, que estava trancado na sala da RepartigIio Criminal. Com o mandado em mios, Acreano retirou Luiz Ot~vio e Ruy da cela especial no batalhio da PM. No dia lo, o mesmo desembar- gador concederia salvo-conduto para Maria Helena e Her~dia, que tambdm ja estavam com as pris6es preventivas decretadas. Todos eles viajaram ime- diatamente para fora de Beldm "A partir de agora nio you mais pedir a prison preventive de pd-rapado. Se tubadio nio pode ser preso, pobre tamb~m nio vai ', desabafava o dele- gado Paulo Tamer no dia seguite, depois de gastar 15 horas preparando o relatdrio que resultou na pri- sho dos dois ditigentes da Setran. Trimrer fez ques- t~o de desabafar diante do secret~rio de Seguranga Pdblica, Alcides Alcintara, e do chefe de Policia, Rafael Bezerra. O delegado achava que o desembargador n~io poderia relaxar as prisdes sem ver o teor da acusa- NHo. "Ele nio sabia nem de que cor era a capa do process. Deveria ter pedido informagdes antes de decidir reclamava o titular da DOPS. 'A minha parte esta. encerrada e acho que a fiz bem. Agora a questio C com a Justiga". Apesar de indignado com o comportamento do desembargador ("esse foi o primeiro alvard. de sol- tura expedido em plena madrugada de que eu tive conhecimento"), Tamer acha que o crime de pecu- lato est8 "exaustivamente demonstrado" e seus au- tores "terio que ser punidos Mas a partir de ago- ra ele tem outra missio: investigar o desvio de di- nheiro do governor atrav6s das empreiteiras que, ao contrdrio da Conspel e da Betubel, concordaram em transferir pate do dinheiro que deveriam receber para a Rodomar, ndo sd no Banco Rural, como tam- bdm no Banco Bandeirantes. Dinheiro "por fora" Esse d o caso de Eccir Empresa de Constru- 96es Civis e Rodovibrias. A Eccir, cujo control aciondrio o empresbrio Jos6 Maria Mendonga (um dos principals financiadores da campanha eleitoral de Jader Barbalho em 1982 e um dos personagens do "escindalo do Aurd") transferiu algum tempo atrds, foi privilegiada nos dois meses e meio finals da gest~io de Luiz Otivio na Setran. Entre o inicio de Janeiro e 14 de margo, a Eccir recebeu 17 paga- mentos da Secretaria, num total de 781 milh~es de cruzeiros, praticamente zerando sua d^vida. A investigagio da DOPS constatou que a Eccir depositoiu no Banco Bandeirantes, na conta da Ro- domar, tr~s cheques administrativos emitidos pelo Banpard, no valor de 137 milhdes de cruzeiros, mais um cheque de 50 milhdes na ji famosa conta da Rodomar no Banco Rural, totalizando 187 mi- th~es de cruzeiros. Esse valor, que certamente nio 6 o total porque a apura~go apenas comegou. seria a comissio paga ao ex-secretirio. Com os 50 milhbes da Conspel e da Betubel, sd de cheques jB identifi- cados a empresa de Luiz Otivio 'ficou com 237 mi- th6es de cruzeiros desviados da Setran. A Dolfcia est8 agindo com rapidez para tentar evitar o que supoe que outra empreiteira, a Cons- trutora Esplanada, fez. Essa empresa tamb6m depo- sitou um chequle administrative do BanparB, de Cr$ 48 milhdes, na conta da Rodomar, mas seu proprie- Lario, Antonio Profeti, devois de pedir cinco dias de prazo para explicar ao delegado Paulo Tamer a ra- zio desse pagamento, mandou seu advogado por coincid~ncia. Jos6 Acreano Brasil, personagem ex- plicita on implicitamente ligado a maioria dos per- sonagens do "imbroglio" apresentar virias faturas VII Implantou-se, mesmo com multos problems, um projeto de' aliment opn egiu- aps do inmros obtstculos, manter opro- jeto de educagdo para os filhos dos servidores; IX Deu-se uma maior assist~ncia ao Projeto das Miss6es do Alto Rio Negro. NO SETOR ADMINISTRATIVE I Implantou-se o sistema de computa~go em diversos stores; II Ainda que precariamente, abriram-se escrit6rlos da SUDAM no Estado de Goids e no Territbrio Federal de Roraima; III Implantou-se o setor de microfilmagem e os documents que deveriam ser preservados passaram a ser microfilmados desde a extinta SPEVEA; IV Corrigiram-se algumas distorg~es na estrutura da SUDAM em relaglioSUDENE; V Modernizou-se o Centro Teenol6gico Madeireiro (em San- tar~m); VI -Praticamente construiu-se um novo almoxarifado; Vll O Projeto Rondom passou a funcionar na base ffsica da SU- DA;VIII Emancipou-se o Projeto de Hidrologia, assimilando em con- seq04bncia a tecnologia estrangeira; IX Estimulou-se agressivamente a potltica municipalista ajudando em obras de infra-estrutura um maior ndmero de municipios de todas as Unidades; X Legalizaram-se mais de 4.000 (quatro mil) lores na "Nova Ma- rabd", o que tornou possivel entregd-la g administragio do Municipio de Marabd; XI Crion-se mais um program especial para o Estado do Amazo- nas (PRODAM); XII Iniciaram-se estudos para a elaboralglo do Projeto do Vale do Rio Madeira. NO SETOR DE INCENTIVES I Democratizou-se em grande parte a political de incentives, apro- vando-se mais projetos para as Unidades pouco contempladas; II Trabathou-se muito para que no minimo houvesse uma equipa- racgo entire os artigos 17 e 18 do Decreto-Lei NO 1376/14; III Aprovaram-se indmeros projetos de empresdrios locals (peque- nos e m~dios)* IV Investiu-se muito em fiscaliza~go; V Cancelaram-se cerca de 70 (setenta) projetos e eliminou-se o res- sarcimento a custo irreal; VI Liberou-se o mdximo possivel para oa projetos dos empreadrios da region; VII Centenas de isenS6es de Imposto de Renda foram concedidas As empresas instaladas na region; VIII Todas as operag~es financeiras passaram a ser realizadas com agencias do BASA localizadas na Amaz~nia Legal; IX Determinou-se que em todo project agropecuddio fossem reser- vadas dreas para cultures de subsistencia ou permanent e, As vezes, para ambas* 'X Estimulou-se a expansso de canals de television no Estado do Amazonas, objetivando o atendimento da comunidade interiorana; XI Estimularam-se a bubalinocultura e as cultures de dend4 e cas- tanha do Pard. V Meu carol jornalista, quem exerceu todos estes cargos pdblicos e da maneira com o a ez, durante cerca de 30 anos, nlo pode ser um engana- dor e multo menos um bajulador. Sobretudo como educadores que fomos e de olhar de frente nossa familia, nossos amigos, conhecidos, ex-alunos e en- fim a sociedade. VI Permita-nos dar uma sugestlo a V. Sa.: faga uma pesquisa junto a SUDAM sobre a nossa administraglo e com certeza V. Sa. obterd a res- posta de que o Ministro Passarinho indicou para o 6~rgiio umn home digno, honrado e competent e nio um bajulador e enganador. Que se faga a mes- ma pesquisa junto ao INCRA, A FCAP e aos meus superiores hierdrquicos durante a nossa long vida pdblica. VII Sabemos que contrariamos interesses de pessoas que As vezes, fazendo-se de vItimes, nos calunism, stitudes pr6prias dos que dfo possuem dignidade e carter. Mas V. Sa. sabe muitd bem que os cles ladram e a car- ruagem pass. Estamos a disposigio de V. Sa. para quaisquer outros esclarecimen- tos. Atenciosamente, ELIAS SEFER A iexecutiva regional do PT envion uma cart a este journal a propdsito de comentlrio feito na edigio 68 sobre a posi~go 6tica do partido. A cart sera. publicada no prdximo ndmero. Embora seja, como o pr6prio nome diz, um journal pessoal, o JP espera a participagio de seus leitores atra- v6s de carts, sugest6es e critics. de servings que a Alfredo Rocfrigues Cabral Com~r- cio e NavegaCio (e nio a Rodomar, beneficibria do cheque) lIhe teria prestado, no valor de Cr$ 51,2 milh~es. Profeti, assim, teria quitado a diyida com o cheque de Cr$ 48 milhbes. A policia agora esta. arcurando se as notas sio "quentes" ou "frias mas para prevenir a aCio de contadores efi'cientes, capazes de tapar os maiores combos e fazer maquilagem nas contas, recorrer8 a peritos auditors para um trabalho que mal est8 co- megando. A Setran, final, delxou dfyida de 104 bilhbes de cruzeiros, dinheiro que o primeiro inqu6- rito mostrou ter seguido caminhos tortuosissimos para cheaar a destines espdrios. Carta do leitor O professor Elias Sefer envion a seguinte certa a este journal: Tendo em vista as referencias feitas por V. Sa. a nossa admimistraao frente a SUDAM no "Jornal Pessoal" no 67, a bem da verdade e da justiga enviamas-lhe east cart com alguns elements pertinentes a referida admi- nistra~go e que pedimos a gentileza de publicar no mesmo journal, partindo da premissa de que V. Sa. os ignore. I Durante cerca de quase 30 anos exercemos ininterruptamente e sempre nomeados pelo Sr. President da Repdblica os seguintes cargos pi- blicos, em comissso: a) t6cnico do Instituto Agronbmico do Norte, hoje EMBRRAPA, on- de fomos durante alguns anos scu director substitute e onde alids residimos durante 20 anos; b) como professor titular da Escola de Agronomia da Amaz~nia, ho- je FCAP, fomos nomeados seu director por quatro periodos seguidos, de quatro anos cada; c) integrante da Comissso Administrativa do Estabelecimento Rural do Tapajds; d) coordenador do INCRA para o Estado do Pard e Territ6rio Fede- ral do Amapd; e) e por fim Superintendente da SUDAM. II Altm dos cargos referidos, recebemos convites para ocupar ou- tros, entire os quals permitimo-nos citar apenas os formulados pelo entlo Reltor Aloylsio da Costa Chaves para chefiar o Centro de Pesquisas Agro- pecudrias da Universidade Federal do Pard. Ainda do Dr. Aloysio, jd como Governador, para ser o Secretdrio de Agricultura do Estado do Pard, Tatabm recebemos convite para secretarlar o "Programa Grande Carajds' e recentemente fomos honrados com dois convites para ocupar comissiona- dos em Brastlia. III O nosso antecessor na SUDAM, acreditamos permaneceu no cargo pouco menos de 5 anos e o successor pouco mais de 3 anos e n6s per- manecemos durante todo o Governo Figueiredo (6 anos) e tendo como su- perior imediato esse extraordindrio e dindmico home pdblico que foi o Ministro Mdrio Andreazza. Nessa 6~poca, durante seis anos nunca deixamos de realizer mensal- mente a reunlsio do CONDEL. Enfrentamos na 6poca desagraddveis pro- blemas politicos no Estado do Pard e a partir de 1982 passaram a integrar o Co E, sl E outs wo Governa ores N OR JCNILOR do Aca , e fRIS REZENDE de Goids, que ndo obstante pertencerem a partidos polf- ticos de oposi~go, passaram a dar suas valiosas contribuiF6es para que con- tinudssremos a nos conduzir com entusiasmo e espirito pdbhico e realizer uma administra~go totalmente transparent, com explana96es mensais de todas as stividades do 6rglo. IV Esclarecemos-Ihes por oportuno que dgo nos arrependemos de nada do que fizemos na SUDAM, entristece-nos sim o que nito pudemos fa- zer. Com apoio de muitos e comn a devida humildade crists, nos orgulha- mos da administragio que naquele 6rgso realizamots, apesar dos erros sem intenglo que provavelmente devemols ter cometido. Em slntese, eis algumas realizag~es de nossa administrag8o g frente da SUDAM: NO SETOR SOCIAL I Planejou-se e executou-se totalmente o maior projeto habitacional do Brasil para funciondrios pdblicos comn 1171 casas, em que servidores, in- clusive os de mais baixa renda, puderam adquiri-las,,ao qual autoridades acharam por bem dar o nome de minha falecida m~e JULIA SEFER; II Como a SUDENE, a SUDAM tamb~m concede dois aumentos de vencimentos (exrtras) atodos os seus servidores; III Criou-se a tabela emergencial; IV Diversas entidades filantr6picas foram assistidas financeiramen- V -Modernizou-se oServigo Midico; VI Operacionalizou-se a Comisslio Interministerial da Amazonia Legal; "Justiga 6 para pobre, preto e prostitute", di- zia, coln seu at debochadamente filosbfico, um de- sembargador do Tribunal de Justiga do Estado com conhecimento de causa suficiente para fazer o co- ment~rio efnico. Ele dava um ar de indignagio h frase, ao mesmo tempo preconceituosa e verdadeira, no sal~o de sessdes do Tribunal do J61i, logo de- pois do julgamento do advogado Tadeu Salles, que matou a tiros a esposa indefesa, passou oito anos fugindo da Justiga, foi julgado, posto em regime aberto e, de rdu, assumiu a condigio de julgador dos outros como conselheiro substitute do Tribunal de Contas do Estado. Carreira capaz de arquivar qualquer aspiragio 21 virtude. O desembargador, algumas vezes flagrado sol- tando preso em porta de cadeia, poderia citar um ditado menos Aspero, mas tio certeiro: "Quem tem jufzo nio vai a Juizo". A Justiga, quando nio fun- ciona, nio g apenas a fonte da desesperanga: torna- se -tamb6m a rafz da iniquidade, a conta de fechar de uma sociedade atirada ao dltimo efrculo do in- ferno dantesco. Que essa situa~go estg prdxima da materializagIo podem demonstrar fats extraldos da crbnica didria de um fdrum como o de Beldm, por cujos corredores transitam parents de magistrados aboletados nos cargos mais bem remullnerados e nas sinecuras mais invejadas, sem os correspondents servings e os necessiirios merecimentos. Pode-se alimentar o ceticismo comn a falta de respostas a perguntas elementares. Como, por exemplo: por que a distribuigio dos processes atra- v~s de computador nio sobe um andar do Palicio da Justiga, indo das varas efveis e criminals e dos jut- zos singulares para o nfvel dos desembargadores em suas cgmaras e do tribunal pleno, quando reunidos? E por que essa fantdstica tecnologia a serving da li- sur~a judicial entra em pane quando engole certas questdes pol~micas on explosives? Suspeita-se que, naquele recinto, a miquina nio seja tio burra quanto a descrevem seus inventories e fabricantes. A descrenga pode aumentar ainda mais quando, ao lado desses males crbnicos, inevitiveis em qual- quer conversa de beira de janela on no cruzamento de corredores (tio inevitiveis quanto incorrigidos), novas histdrias sujas parecem se reproduzir com o perverse prop6sito de inibir a esperanga de dias melhores. O comportamento do desembargador Humberto Castro no "caso Rodomar" 6 uma dessas novas-velhas histdrias. Os dois dirigentes da Secretaria de Transportes provavelmente seriam softos antes que o sbbado acabasse. Eram e sio r~us primbrios. E~ possivel que a t~pida pris~io, ainda que solidamente susten- tada no inqubtito policial, tenha tido objetivos po- ifticos, como, para alcangar outros objetivos, o di- retor da Repartigio Criminal tenha autorizado a pri- sio meia hora depois de receber a representagio policial. Mas o desembargador, que jB havia sorra- teiramente substiturdo um despacho seu no caso Xylo versus Banpara, violando os autos do process (que um dos principios bbsicos do Direito proclama como sagrados), e dera despacho com data atrasada para evitar a prisio de dinlgentes da Tecnel, foi, em plena madrugada, decidir no Fdrum sobre algo que desconhecia inteiramente, num horbrio que fica melhor pala outro tipo de personagem e n~io para aquele que enverga, em nome de todos, o sfmbolo daquilo que parece cada vez mais distant dos so- nhos e cada vez mais prdximo do pesadelo: a Justi- ga. Quando ela 6 cega por conveni~ncia, est8 se condenando g desmoralizagio. Infelizmente, leva consigo a sociedade nessa derrocada. O pre-diluvio Os dltimos dias do governor Gueiros foram algo mais do que o caos. Todos os que lidavam com di- nheiro trabalhavam dobrado, varando madrugada. Os caixas da conta dnica do governor, na ag~ncia do BanparB da Senador Lemos, sorriam quando efetua- vam oaeamento Dara reoresentantes das emo~resas mais beneficiadas. Sd eles entregaram auase 500 milh~es de cruzeiros no dia 14 de marco. Muita gente ficou sem dormir na passagem para o dia 15, acertando as dltimas contas. Maria Helena Moscoso, diretora financeira da Setran, admitiu. no seu de- poimento g policia. Que dezenas de cheques admi- nistrativos eram entregues aos empreiteiros sem protocolo. "em razio do grande volume de serving ocorrido nos Liltimos dias da gestio anterior daquela Secretaria". Assim, dos 35 pagamentos efetuados em favor da Rodomar (no valor de 52 milh~es de cruzeiros) entire janeiro e margo, 12 foram feitos entire os dias 14 e 15. Dos 21 pagamentos que a Ebal (Estaleiros da Bacia Amaz~nica, que tem como um dos direto- res e sdcio por contrato "de gaveta" Andrd Gueiros, filho do ex-governador) recebeu nesse pe- ifodo, 14 ocorreram no dia 13. A empresa recebeu um total de 467 mithaes de cruzeiros, superada apenas pela Eccir, com 781 milh~es, e acima da Copem, tamb~m relacionada 21 familia Gueiros, que ganhou 421 milhdes. JA a Rodomar, pela via direta (exclutdo, por- tanto, o tortuoso caminho atravts de outras em- preiteiras) recebeu 170 milhbes de cruzeiros por meio desse jeitinho bem brasileiro em que algu~m, com o tftulo de funciondrio pdiblico, paga a si mes- mo, jB na condlgio de empresdrio. maneira neo- franciscana iA Roberto Cardoso Alves de cum- prir o preceito biblico (usual na administration HC- lio Gueiros) de nio deixar a mio direita saber o que faz a esquerda. Divida do dia O Banco do Estado do Pard pagou, no mes passado, a primeira parcela de 50 milhbes de cruzeiros da dfyida jun- to no Banco Central. A partir de agora os pagamentos ser~io mensais, durante um period de 15 anos, conforme o acordo de confissio de dfyida strav~s do qual o Estado assumiu a responsabilidade pelo debito de seu banco. Esse endivida- mento, que levou A intervengio federal no Banpard, resulton de saques a descoberto efetuados na reserve banedria para tender clientss especiais" do banco, especialmente na primeira administragio do goverhador Jader Barbalho. A cegueira judicial esquipes, inclusive pela inexistencia de recursos fi- nanceiros. Mesmo se: tiver acesso ao dinheiro n6o entregue ao seu antecessor, o novo president, Sid- ney Possuello (o primeiro sertanista a ocupar umn cargo sempre partilhado por militares e burocratas) dificilmente cumprird as metas estabelecidas pelo governor e prometidas aos crfticos americanos. T~o sup~rflua, neste aspect, quanto a demis- s~io do president da Funai foi a suspensio dos in- centivos fiscais para as fazendas que derrubam mata para former past. A exig~ncia jB consta da resolu- Cgo 2525, da Sudam, de 1976. e aplicada desde ent~io, mas sempre ha um jeitinho amigo que permi- tia contornd-la, como em 1982, quando o Departa- mento de Recursos Naturais deixou de ser consulta- do pela Superintendbncia para que pudessem ser aprovados os tr~s primeiros projetos agropecu~rios para o Acre, que 6 uma floresta sd. O Departamento era contra. O ndmero de fazendas aprovadas pela Sudam jB 6 tao grande que os tbcnicos da Embrapa acham que com apenas 25% de seus pastes elas poderiam produzir a mesma quantidade de gado que criariam na grea toda. Bastaria racionalizar a criagio. E pro- duzir coisa que, em projeto Sudam, quase 6 here- sia. Nio 6 necessbrio incentivar novas fazendas a por abaixo a floresta. O mercado satu~raria e o prego desabaria se as 500 fazendas em implantag~io pro- duzissem para valex. Como 6 do estilo do atual governor, suas ini- ciativas n~io produzir~io efeito prdtico de maior ex- pressio e a retdrica, como um bumerangue langado por algu~m ntro muito adestrado em seus mistdrios, acabard voltando-se contra o langador. A grande aus~ncia A sensatez acabou prevalecendo e a Aerondu- tica decidiu revogar a venda de sua area, de pouco mais de oito hectares, situada as proximidades do Aero Clube de Beldm. Em nota official discreta- mente publicada no domingo passado (e nlo perce- bida pelo prdprio journal que a publicou), o 1" Co- mando A~reo Regional anunciou a revogagio da li- citag~io, "por se haver tornado inconvenient ao interesse pdiblico" A licitagio exigia que o com- prador da drea a utilizasse para a construgIio de um "shopping center", o que provocou diversos tipos de reagbes contrgrias, n~io sd pela destinagio com- pulsdria dada ao terreno, como pelo seu baixo va- lor, unindo dos defensores da cidade at6 os grupos que estio construindo tr~s shoppingns centers" (VER JOURNAL PESSOAL NO 68). Editor responsivel: Liicio Flivio Pinto IlustraCgo: Luiz Pinto Rua Campos Sales, 268/803 66.020 Fone: 223-1929 Opgho Editoral O representante do Ministdrio dos Transportes, o coronel do Exdrcito Darino Castro Rebelo, sur- preendeu os conselheiros da Sudam (Superintend~n- cia do Desenvolvimento da Amaz~nia), que se reu- niam numa sessio do Conselho Deliberativo na se- gunda metade da ddcada de 70, pedindo a retirada de pauta do projeto agropecudlrio da Volkswagen, uma fazenda com quase 140 mil hectares de grea. O coronel, apontando para uma folha do parecer que exibia aos companheiros de mesa, dizia que era im- possfvel aprovar o projeto porque ele pertencia a uma empresa alemi. Provavelmente por um laps, o datildgrafo do parecer da Sudam batera Volkswagen AG, ao inv~s de Volkswagen SIA. Mas na reuniiio seguinte o projeto voltou g pauta, devidamente corrigida a ra- zio social da montadora alemH de vefculos, e a fa- zenda Vale do Rio Cristalino foi devidamente apro- vada, sem mais objeg8es. As vezes um detalhe pode ser o que se costuma chamar de o dedo do gigante on a ponta do iceberg, mas frequentemente nio passa mesmo de detalhe. Os militares, ainda a categotia profissonal da admi- nistraqio pdblica que mais sistematicamente pensa (e decide) sobre a Amazinia, costumam valorizar os detalhes- Nas duas Liltimas semanas o president Fernan- do Collor de Mello municion esses grupos naciona- listas com dois detalhes que provocario reag~es, ainda que, por enquanto, intramuros. De volta dos Estados Unidos, Collor demitiu o president da Fu- nai, Cantfdio Guerreiro Guimaries, e proibiu a co- laboraCgio financeira da Sudam para projetos agro- pecu~rios que provoquem a derrubada da floresta. As duas providencias resultaram de press6es de or- gani'zagbes nio governamentais e de parlamentares americanos. O president da Funai caiu por conta do cons- trangimento em que Collor se viu por questioner in- formac;8es de critics da sua polftica indigenista e verificar, final, que o errado era ele e nilo seus Interlocutores. A discussio foi travada, em Washin- gton, a propdsito do reinicio das invasdes na Brea dos indios Yanomami, em Roraima, e das doengas a eles causadas pelos garimpeiros. Collor imaginou que o problema estivesse superado. N~o estava. Mas o pretexto official para a queda de Guerreiro foi a n~io demarcaSgo das dreas indfgenas. No dossi8 que distribuin a alguns jornalistas, Cantidio deixou claro que o pretexto era falso. A histdria comegou no dia 22 de abril, quando o Did- rio Oficial publicou decreto de Collor tornando in- subststente a demarcac;io administrative da ilrea Yanomami feita anteriormente, revogando a autori- zagio para a atividade garimpeira dentro da reserve e dando 180 dias para a conclusion da nova demar- cagHo. O prazo terminaria a 21 de outubro, mas Cantfdio esperava encerrar o trabalho antes, a qua- tro de setembro. Para os padres da administration pdblica brasileira, o~ cronograma estava fluindo normalmente desde a constituigio do grupo t~cnico, a 5 de junho. O maior problema eram as dificulda- des para conseguir dois helic6pteros de apoio gs Erro "made in USA" |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 46 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |