|
![]() |
|
| UFDC Home |
myUFDC Home | Help | RSS
|
|
ALL VOLUMES
CITATION
THUMBNAILS
PAGE IMAGE
ZOOMABLE
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Citation | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
STANDARD VIEW
MARC VIEW
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Full Text | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
POLITICAL Comego de fogo do cargo no governor do Estado, o director de Nodia 14 de margo, vespera da transmission Ltda), Paulo Guilherme Cavalleiro de Mace- do, foi informado pela Secretaria de Transportes que pouco mais de 30 milhbes de cruzeiros, refe- rentes a tr~s contratos de prestagio de servigos, ha- viam sido depositados na conta da empresa. No dia 15, Cavalleiro de Macedo verificou que na conta da Betubel no Banpard haviam sido creditados apenas 15 milhiies de cruzeiros. O gerente do banco disse que a diregio da Secretaria havia solicitado o en- dosso da Betubel para um cheque administrative de 15 milhbes, mas o director se recusou a tender o pedido. Depois, no ter acesso g cbpia do cheque que o gerente lhe havia apresentado, verificou que o endosso obtido era fraudulent e as assinaturas nio conferiam comn os originals dos diretores. No dia 10 de abril, Cavalleiro de Macedo de- nunciou o fato g Consultoria Geral do Estado, pe- dindo "o reparo do ato de violencia que nos foi im- posto". Encarregado pela Consultoria do inqudrito policial logo instaurado, o delegado Paulo Tamer, da DOPS, descobriu que o cheque de 15 milhbes, emitido para ser depositado na conta da Betubel, foray na verdade langado na conta 06.182.8, da ag~ncia do Banco Rural. A conta 6 de outran empre- sa, a Rodomar. Um de seus propriet~rios o entio secret~rio de Transportes, Luis Otdvio Campos. Pelo menos mais quatro cheques ji rastreados pela DOPS seguiram o mesmo caminhon Um deles, de 35,9 milhdes de cruzeiros, deveria ter sido pago & Conspel (Construtora Pdrola Ltda), outra emprei- teira da Setran, que no dia 3 de margo ajuizou uma ag~o no Fbrum de Belim para tenter descobrir quem resgatou o dinheiro de sua conta no Banpear. Jor nal Pessoal Liicio Flsivio Pinto 2a Quinzena de Junho de 1991 Cr$ 300,00 Ano IV No 68 Documentos como esses comegaram a inundar a mesa do governador Jader Barbalho e das equipes que estio trabalhando na revisio dos atos da admi- nistragio anterior. Jg 6 material suficiente para re- verter inteiramente a imagem de probidade que o governador H61io Gueiros conseguiu fixar junto & opini~io pdblica, gragas a constantes campanhas de propaganda, centradas nos vefculos do grupo Libe- ral. Para os integrantes da comissio de auditagem, assessorada pela empresa Trevisan, de Sio Paulo, da Consultoria Geral do Estado e de v~rios stores que estio lidando com esses pap6is, o governor ante- rior foi um dos mais corruptos da histdria recent do Pard. Mas essa convicgio ntIo poderia ser repas- sada ao pdblico sem as provas documentais capazes de demonstr8-la. As evid~ncias se multiplicavam, mas as provas apareciam apenas lentamente Jg nesta semana 6 provivel que a DOPS re- queira a primeira prisio preventive, justamente a do ex-secret~rio de Transportes, Luis Otivio Campos, por improbidade administrative. Mas o governador Jader Barbalho tem dito a interlocutores mais fnti- mos que espera dar o mesmo destiny no ex-gover- nador Hblio Gueiros. A papelada reunida com pro- vas sobre a loucura dos meses finals de Gueiros, entretanto, contrast com a imagemn que o ex-gover- nador ainda consegue sustentar. Isto se deve so- bretudo g incapacidade do governor atual de difundir as informagbes que ja reuniu, ou, eventualmente quando consegue divulg8-las, dar-1hes credibilida- de. Os meios de comunicaglo a disposig~io de Jader Barbalho nio tgm a mais pdlida capacidade se com- parados as do grupo Liberal, inteiramente fechado no atual do governador. Um certo desespero por ver o tempo passer sem conseguir dar sentido pr~tico As apurag8es ain- da em cursor provavelmente foi o principal motiva- dor para a decisio de Jader Barbalho de pedir a convocag~o de uma sessio solene extraordin~ria da Assemblbia Legislativa, na semana passada. At6 al- guns dias antes o governador,, apesar de todos os fatores, parecia disposto a esperar pela conclusio das auditagens e pelas providbncias que comegava a solicitar ao poder judicidrio. "Nio quero transfor- mar a minha administragio numa delegacia encarre- gada de investigar a administration passada, olhando sempre para trds", dizia Jader. Mas os rombos nos cofres pdblicos nlo parecem alimentar perspectives de future mais sdlidas e ele decidiu iniciar uma in- vestida mars ampla contra o antecessor, de certa formal colocando nas wuas um clima de campanha eleitoral pr6via para as eleigdes municipals do prd- ximo ano. Os resultados da sessio na Assembl~ia podem ter sido menos auspiciosos do que esperava o go- vernador. A TV c o journal "O Liberal" deixaram de lado os ndmeros sobre a ca6tica heranga de Guei- ros, preferindo destacar a reaq~io da oposigio, espe- cialmente um certo tumulto provocado pelo PT. Em compensagio, a partir daf comegou uma campanha para transformar- H61io Gueiros em vftima, g qual nio se concede o sagrado direito de resposta. O ex- governador reivindicava o que nao 1he 6 de direito agora, direito a que teria acesso quando ocupava a chefia do Executivo, mas que nunca exerceu. Se quisesse, poderia ter convocado uma session ex- traordinairia para relatar a situagio que encontrara ao assumir o governor. Tamb~m poderia ter ido B AL para prestar contas de sua gestio, antes que o ex- aliado, transformado em inimigo mortal, assumisse o comando. Mas Gueiros optou por uma condugio solitabria, quebrada apenas para incorporar um redu- zidfssimo grupo de colaboradores de seu governor, invariavelmente ligados aos mecanismos de control do tesouro e de liberagiao de verbas. Mas no precipitar acusagdes antes de poder sustentar cada uma delas com proves, o governador Jader Barbalho den arguments para seus advers8- rios interpretarem sua iniciativa como mera retalia- glio polftica. Mesmo documents como os que a DOPS est8 reunindo nio bastam para colocar H61io Gueiros na cadeia: para n~io parecer vinganga, uma eventual punigio (de resto tio rara que poucos acreditam nela) teria que esgotar todos os procedi- mentos administrativos e judiciais ate o trlnsito em julgado da acusagio, numa demand de tempo que nio pode ser encurtada sem dar a idbia de persegui- glo. E mesmo que Jader esteja bem armado para en- frentar seu advers~rio, Gueiros ainda esta em me- lhores condigdes na batalha de opini~io pdblica. O ndcleo central da exposigio de mais de qua- tro horas do governador na Assembl~ia Legislativa for de que Gueiros empenhou-se na primeira metade de seu governor em contrair despesas e expandir re- ceitas, gerando um excedente de dinheiro que seria aplicado na dltima metade, nio apenas para realizer obras, mas, especialmente, para fazer political e ga- nhar a eleigio. A folha de pessoal nlo consuming, entire 1987 e 1991, mais do que 40% da renda esta- dual e o servigo da dfyida ficou so redor de 2%. Praticamente sem realizar qualquer obra de grande porte, o governor H61io Gueiros elevou a dfyida ex- terna e deixou uma vasta conta a pagar ao successor, de 186 bilhdes de cruzeiros, dos quais 109 bilhbes a empreiteiros (104 bilhbes a servigo da Secretaria de Transportes). De 102 milhbes de ddlares que re- cebeu para tres obras de pavimentagio de estradas, das quais sd teria realizado uma, a administration anterior deu sumigo em US$ 31 milhbes, que a equipe de Jader nio conseguin localizar na Secreta- ria da Fazenda. A partir de 1990, todo o governor Gueiros foi mobilizado para veneer a elei~go, de qualquer ma- neira. Um de seus principals instruments foi a Agio Social Integrada do Palacio do Governo, que dispas de 831 milhdes de cruzeiros para fazer as- sistencialismo eleitoreiro (comprando, entire muitos itens, 1.700 cadeiras de roda, 39 mil metros de te- cidos para fraldas, 12 mil metros de outros tecidos, sete mil lengdis, material de construg8o, dculos, eletrodom6sticos, mdveis, etc.), distribufdos com maior i'ntensidade na operagio "Caminhando com o Povo", paralelamente ao perfodo eleitoral. A Asipag foi dispensada de fazer licita~go "para aquisigIio de material para pronta assist&ncia Ats pessoas carentes como 6culos, cadeiras de roda! material de construgio, aparelhos ortop6dicos, ali- menta~go, material escolar, enxoval de beb4, ortese, prdtese, passagens e outros" por um decreto de Goeiros, datado de 20 do janeiro, mas publicado no Ditrio Oficial do Estado somente em 13 de dezem- bro, quando entio devueria entrar em vigor. Uma destacada fonte palaciana confessou, na semana passada, que o despacho, manuscrito no prdprio oficio da, coordenadora executive da Asipag solici- tando a dispensa de licitagio, s6j foi dado mesmo em dezembro, comn data atrasada. A information ex- plicaria a defasagem de quase 11 meses entire a su- posta data do despactio e sua divulgagio no DO. E que Gueiros fizera tudo sem dispor sequer de um papel para se justificar, por mais espdrio que fosse esse papel. No relatdrio sobre as irregularidades apuradas na Asipag, o president da comissio de auditors, Carlos Sampaio, diz que o governador H61io Guei- ros fez a dispensa de licitagio "antecipadamente, genericamente e sem real motive que justifique a emergbncia e a urgencia alegadas". Apontou a completea ausencia de qualquer crit~rio para a es- colha de fornecedores", a nio realizagio de ne- nhuma cotagi8o de pregos, com aquisig~des feitas sem pr6vio empenho das despesas e sem documentagi-o que comprove o recebimento das mercadorias adqui- ridas, entire outros pontos. Se a Asipag foi a linha de frente de atuagio di- reta entire os eleitores e os cabos eleitorais, algumas secretaries e empresas pdiblicas se transformaram em biombos para tender os interesses dos financia- dores da campanha e dos grupos econdmicos liga- dos ao governador e seus filhos. O esquema dos cheques administrativos, que retirava parte dos crd- ditos dos empreiteiros (comissio que chegou a 50% nos dltimos dias do governor Gueiros), foi apenas o mais rdistico dentre os artificios empregados para transferir dinheiro pdiblico para contas particulares. Um grupo especial montado pela Celpa para apurar irregularidades na obra de iluminagio da BR-316, rodovia de acesso a Bel~m, mostrou como os con- tratos de prestagIo de servigos, gs vezes obedecen- do ordens expresses do governador, davam margem a ganhos excessivos de empreiteiros (no caso, a Tecnel, ligada por "contrato de gaveta" a um dos filhos de Gueiros, agora declarada inidbnea). Para realizar o servigo, o ent~io president da Cel_ pa, Fernando Pinho, solicitou dispensa de licitagi~o a Gueiros, que, "abusiva e ilegalmente, autorizou". A irregularidade esta em que, embora o governor do Estado seja acionista majoritbrio, o governador nio participa da administration da Celpa, que 6 empresa pdiblica de direito privado. Identica foi a situagI~o do Banco do Estado do Pard e semelhante o erro cometido pelo seu presi- dente, que pediu e obteve do governador dispensa de licitagi~o para entregar & Endeco Engenharia a construglo de uma caixa forte e da central de tesou- raria da sua agbncia na avenida Senador Lemos. O contract original recebeu oito reajustes e tr~s atua- lizag6es, passando de 11 milhdes para 183 milhbes de cruzeiros no espago de oito meses. A principal das varias irregularidades levantadas pela comissio de auditors 6 que Gueiros nio podia, "mesmo na qualidade de Governador do Estado, deliberar sobre qualquer assunto de interesse do BanparB, pois fal- tava-1he compet~ncia para tal, jB que nio exercia cargo algum na Administraglio do Banco, nem ao president do Banco Ubirajara Ferreira e Silva - cabia determinar sobre o assunto em question (cons- trugio), sem o atendimento das prescrigoes legals e estatutbrias" Os documents jB coletados mostram que H61io Gueiros terminou seu governor como um rei (e dis- pota), por cujas mios deveriam passar todas as de- cisbes do Estado, fossem ou nio de sua atribuig~io legal, detalhe que a ele passou a parecer irrelevant a partir do memento em que encarnou o princfpio do seu inspirador, o caudilho Magalhies Barata, de que lei 6 potoca. Com o dominio de todos os ins- trumentos do poder, Gueiros estava definitivamente convencido de que venceria a eleigi~o e, assim, teria tempo para ajustar suas contas on encontrar, no su- cessor amigo, compreensio para os "deslizes" Surpreendido pela derrota, parece ter apostado na political de terra arrasada, confiando em que os problems e as bombas de efeito retardado que dei- xaria no caminho do successor (como as que tamb6m recebeu) o impediriam de fazer o que Jader Barba- lho, ainda sem sucesso, esta tentando: desmontar um falso monument de seu pedestal fraudulent. Etica zero Depois de manifestar seu repidio A carta que o ex-go- vernador H61io Gueiros me envion (publicada no journal Bandeira 3), o PT props a ida de Gueiros ao plendrio da Assembleia Legislativa para responder As critics que the fez - sem nunca citar seu nome o governador Jader Barbalho. A esquerda nunca foi muito boa em conjugar 6tica com polf- tica, mais atenta ao jesuitismo revolucionario de L~inin do qlue A consci~ncia humanistica de Gramsci. Mesmo que por motives politicos menos nobres do que o PT, mas coerentes eticamente estiveram os vereadores Emanoel 6 de Almeida, do PMDB, e Roberto Dias, do PL. Talvez por isso a conquis- to do poder politico pela esquerda ocorra sem afastar os ris- cos da tirania, quase sempre materializados. O governador Jader Barbalho deve adotar algumas cautelas se pretend dar aos didllogos Que vem promovendo um significado mais elevado do que meros atos de relac~es pbblicas. A sess~o com os trabalhadores rurais, por exemplo, renderia frutos muito mais concretes se os auxiliares do go- verno remetessem previamente seus relat6rios aos interes- sados e reservassem o encontro para discusses em cima de documents jA conhecidos. A longa sess~o, de quase cinco horas, foi um mondlogo de pouco efeito pratico e de rendi- mentos politicos duvidosos, mesmo que a iniciativa seja louv~vel enquanto tese, mal aplicada, ali~s. Ganho eterno H61io Gueiros se habilitou, no dia 31 de maio, para ser o primeiro ex-governador do Pard~ a receber a pensso vitali- cia estabelecida pela Constituigso-estadual de 1989, equiva- lente A remunerago de um desembargador (atualmente, mais de dois milhbes de cruzeiros mensais). Mas ao inves de protocolar regularmente seu requerim~ento na Secretaria de Adlministragio, como seria de praxe, Gueiros pediu ao Pro- curador Fiscal, Pedro Moura Patha, para ajud8-lo "no enca- minhamento do expediente", atrav~s de um bilhete com dois crassos erros de portugues. A pega foi recebida e mandada ao protocolo para ser atendida. Agora, Gueiros vai receber sua pensilo vitalicia. enorme, que, aparentemente, s6 na Amaz~nia um policial se consider autorizado a percorrer. Nem surpreende: o estatu- to da cidadania ainda nlo chegou aos confins do sertio amaz8nico. Depois de invadida ou ocupada a fazenda, a .ANCA pretendia trazer 100 posseiros a Bel~m para instala-los em um "acampamento" em frente ao palilcio do governor esta- dual. Seria a maneira de pressionar a administragio pilblica a efetivar a desapropriago da fazenda, de origem t~io confu- sa quanto acidentada tem sido sua tramitagno pelos escani- nhos oficiais. Quem n~o concorda com esse tipo de proce- dimento deve ter muitos motives para nio quere-lo materia- lizado, mas o embate correto numa sociedade democr~tica deveria ser travado no Ambito politico e nao na esfera poli- cial, ao menos enquanto um delito penal nio se mate~rializar, conforme recomenda a diretriz constitutional. Mal o delegado fez sua acusago em MarabB, em Belem o deputado estadual Osvaldo Mutran (propriet~rio de terras e um dos lideres politicos da regiio)e eojornalista Joio Malato tratavam de deixar bem claro que as palavras do policial calam em terreno mais do que f~rtil para desen- volv4-las e nlio exatamente por acaso. Mutran nem prestou atengso as informagbes da PF: disse que os "guerrilheiros" (de uma guerrilha inedita: que nao prega a luta armada) es- tariam "utilizando armamento pesado, inclusive metralha- doras", um segredo exclusive dele. JB Malato classificou os press de "magote de desordeiros profissionais", membros de "uma organizago de carter anarquista e destruidora", que estaria por trds "dessa gentalha" que horroriza o articu- lista de "O Liberal": os posseiros. Para Malato, o maior m6- rito da ago policial seria "esclarecer as propositadas menti- ras que procuravam atribuir aos fazendeiros e aos legitimos proprietarios das terras saqueadas a total responsabilidade pelos crimes e matangas que 14 se v~m perpetrando". Ao fazer sua "mise-en-sc~ne" em Maraba, o delegado pode ter pretendido apenas fazer cara feia para espantar clientele inc~moda, sem ligacpo explicita com fazendeiros e aliados. Mas esse tipo de cara feia sempre fez muito mal ao pals. As bancas Para que o JORNAL PESSOAL possa aspirar a sobreviver, seus leitores devem se empenhar em al- gumas tarefas: 1 Procurar o journal nas bancas. Mas n~io se contentar em it a uma dnica banca. E precise per- correr algumas, ja que nem todas exibem o journal. 2 Atentar para a periodicidade quinzenal do JP. O esquema de divulgagio do journal 6 prec~rio e nio pode incluir o donor do mercado jornalfstico, o grupo Liberal. 3 Divulgar ao mdximo o journal, comprando exemplares para amigos e parents, sobretudo para os que estio fora de B-eltm. 4 N~o fazer essa divulgagio atrav~s de ed- pias xerox. O Prof. Elias Sefer envion carta a este journal, a prop6- sito de minha resposta ao ministry Jarbas Passarinho. Por motives tdcnicos, a carta serd publicada na pr6xima edigao. O crime politico, que a liberal Constituigio de 1988 procurou descaracterizar, continue a merecer especial atengao da engrenagem policial do governor. Durante tres meses a Policia Federal, em conjunto com a Policia Militar do Pars, seguiu sete pessoas, at6 "grampeou" telefones, ras- treou suas contas bancdrias e, por fim, invadiu a casa na qual se reuniam, em MarabB, e prendeu-as. Um dia depois de te- rem sido levados para o quartel da PM, os sete press foram apresentados A imprensa, na terga-feira da semana passada, como sendo guerrilheiros. O tiltimo movimento guerrilheiro na Amaz~nia foi eliminado pelos militares hB quase 20 anos, mas deixou insepulta uma reminisc~ncia traumdtica. O "m6vel" do crime encontrado pela policia na casa onde se reuniam, As tres horas da tarde de uma segunda-fei- ra, a alguns metros do pr~dio da pr6pria delegacia da PF, foi um "farto material de propaganda ideoldgica, folhetos de instrugoes para invas~o de terra, relatbrios e panfletos". Ne- nhum dos sete press estava armado, nenhum reagiu g or- dem de prisio. Nada havia na casa al~m de pap~is. A entida- de a que pertencem, a AssociBigo Nacional de Cooperaio Agricola (ANCA), ests legalmente constitulda e funciona ha 10 anos, editando um journal, o "Sem Terra". O objetivo 6 apoiar os lavradores que nlo possuem um lote seu para cul- tivar. O delegado da Policia Federal que anuncion as prisses disse que os sete membros da ANCA em MarabB "fazem parte de uma grande conspirafao interessada em desestabili- zar o governor, criando situagbes embaragosas". Admitiu que o grupo ndo prega a luta armada, mas advertiu que seus in- tegrantes "estio muito bem preparados intelectualmente pa- ra cumprir suas tarefas". A principal seria desencadear in- vasbes de propriedades rurais em sdrie. Atos semelhantes jg teriamn sido praticados no Mara- nh~o e sul do Pard mesmo, no ano passado. O primeiro de Marabs ocorreria no domingo da semana passada, mas foi abortado porque as duas policies cercaram o local do encon- tro das families de posseiros e obrigaram-nas a se dispersar. Apesar da agito ostensiva das policias, os organizadores do movimento voltaram a se reunir um dia depois, sem sigilo, quando foram press. Para poder prender os quatro membros da ANCA, o delegado acusou-os de estarem formando um bando e acu- mularem material de propaganda political e documents so- bre a situagao s6cio-econdmica da regilo. A libertagio dos press passaria a ser apenas uma questio de tempo para qualquer advogado diante de tais "provas". O problema mais grave, no entanto, js nao 6 a prisio arbitrdria de pessoas acusadas de praticar delitos com caracterizapo mais do que forgada: a iniciativa policial revela o acirramento do clima de permanent tensrio no meio rural da Amazinia. B verdade que os sete filiados da ANCA preparavam a invas~o da fazenda Ponta de Pedras. A policia nao vacila em usar a expressso invasso, fazendo coro com os fazendeiros. Ja. os lavradores e seus aliados falam tranqiiilamente em ocupapio. Realizaram dezenas delas e, desde o acampamen- to montado por agricultores gatichos na Encruzilhada Nata- lino, os acampamentos se transformaram em um de seus principals instruments de luta. Tal instrument pode ser caracterizdvel como illegal e at6 ser prevenido por media policial repressive. Mas dal que um delegado se sinta em condiq~es de anunciar o ressurgimento da guerrilha e a exist~ncia de conspirag-o de dimensito national vai distgncia A cara feia de volta A Companhia Vale do Rio Doce, que acumula varies titulos de grandeza (uma das principals empresas brasileiras, lider na mineragao e maior vendedora individual de minerio de ferro do mundo, entire outros), comegou em Minas Ge- rais, se expandia para o Espirito Santo e montou sua base administrative no Rio de Janeiro. Os tres pblos constituem o Sistema Sul da empresa, em torno do qual gravita seu poder. Mas ao long' da decada de 90 esse eixo ira se deslocando pa- ra a Amazinia Oriental, ficando na verdade concentrado no Estado do ParB, individualmente a area de atuagio mais ex- pressiva da CVRD. Neste ano a Vale estara produzindo no Pard minerio de ferro, mamganbs, bauxita, ouro e aluminio atraves de cin- co grandes empreendimentos, que absorveram quase seis bi- lhges de d61ares de investimento, representando um volume de mais de 40 milhbes de toneladas de min~rios e derivados, e permitirgo o apreciavel faturamento de 1,5 bilhio de d6la- res em produtos destinados quase integralmente a expor- tag~o. Esses nbmeros d~o a Vale um outro titulo: 6 a maior empresa paraense, faturando mais do que o prdprio governor do Estado consegue arrecadar em impostos. Ja 6 muito, mas ainda n~o 6 tudo. Quando esta d~cada terminar, a CVRD tera investido outros 1,6 bilhio de ddla- res para implaptar quatro novos projetos minerals no Pard (alumina, cobre, niquel e caulim), que ja. estio com sua en- genharia definida. Eles incoporporario ao mercado mais 2,2 milhbes de toneladas de produtos de origem mineral e uma receita superior a US$ 500 milhbes. S6 com eles, a Vale fe- chard seu balango de 1999, no limiar do novo sdculo, fatu- rando al6m de dois bilhoes de d61ares apenas no ParB. Sera, entio, maior do que o Estado. Essa 6 uma projego conservadora. A Vale detem uma estrategica jazida de fosfato, cujo desenvolvimento ainda n~o foi definido. Certamente localizard no Pard ao menos um dos p6los florestais previstos par a a rea da ferrovia de Caraj~s. Nessa provincia mineral, o conhecimento, ainda a nlvel bbsico, continuard. se ampliando e, com ele, as pro- babilidades de novos negbcios. O horizonte para a empresa esta em aberto no Estado que fechard a d~cada, sob o impul- so da gigantesca estatal, como o maior p61o de minerafio do pais. Apesar de toda essa grandeza, a cultural da Companhia Vale do Rio Doce em territ6rio paraense 6 minima. A em- presa forma seus quadros, planeja suas atividades e raciocna como se s6 tivesse uma perna, assentada no Sistema Sul, de horizonte ngo tao amplo e onde algumas de suas atividades deverio entrar em process de esgotamento. Passaram-se quase 25 anos, desde que a CVRD pos seus pQs no Pard, at6 que se realizasse uma primeira reuniao expressive da direto- ria da empresa comn representantes do governor e dos em- presarios locals. O encontro foi em Belem, no filtimo dia 13, mas so inegavel significado histdrico de que se revestiu nio corres- ponderam resultados concretes de expresso, exceto por um conv~nio vago e sem a previsio de recursos financeiros pa- ra sustent8-lo assinado com o governor, que preve a reali- zagio de uma serie de estudos para projetos desdobrados dos empreendimentos bbsicos da CVRD. O planejamento da Vale transcende a capacidade de acompanhamento da eli- te local, que recorreu aos mesmos temas do passado sem conseguir traduzi-los em efetivos instruments de presslo e parceria, quando for o caso. Foi como se um Fusca disputas- se corrida com uma Mac Laren de Ayrton Senna. Se a Vale ainda nlo desenvolveu uma cultural paraense, como fez em Minas Gerais (ponto de origem da maioria de seus quadros executives), os paraenses n~o conseguem descobrir um ca- minho de acesso, por menor que seja, aos escaninhos decis6)- rios da empresa. Um ou outro membro da elite local conseguiu chegar a postos de comando, mas a ascensio, quase sempre, den-se por critbrios politicos do velho clientelismo e nso por quali- ficagio tecnica. Falta, ali~s, o saber especifico sobre as ativi- dades a que a estatal se dedica e ela nlo se preocupa em preencher a lacuna. Seu mais recent empreendimento, a produg~o industrial de ouro em Carajas (para 4,8 toneladas de metal por ano) prev6 o recrutamento de todos os t~cnicos de nivel superior fora da regilo, que, como sempre, apenas fornecer8 a mio-de-obra nlo qualificada. A Vale dd. dinheiro para promogo5es culturais e socials, mas mantem-se alheia A reivindicago de uma Escola de Mi- nas, por exemplo. Atende pedidos de compras de empresa- rios locals, que pensam nas causes de olho no prdprio bolso. Mas nso cede parceria de poder. T4-lo sob pleno dominio fard- comn que atravesse os anos tirando riquezas do Sistema Norte sem refazer a relagio de desequillbrio com o Sistema Sul, que continuara. comandando e usufruindo dessa relagao - amplamente desfavoravel A Amaz~nia. NOVO 1890 A Construtora Camargo Correa inicion um "lobby" para garantir-lhe provavelmente o melhor contrato de obra pliblica desta d~cada na Amazinia: a construg~o da segunda etapa da hidreletrica de Tucurui, no Pard, com orfamento de 2,5 bilh6es de d61ares. A Camargo foi a empreiteira princi- pal da primeira etapa, jB em fase final com a instalagio da 12a mdquina. A obra foi iniciada em 1975, quando seu custo previsto era de US$ 2,5 bilhdes. Ao ser inaugurada, no final de 1984, jd havia custado US$ 5,4 bilhbes, nlo incluidos os pesados emprestimos contraldos pelo governor brasileiro. Es- tima-se que o lucro liquid da Camargo Cotrea tenha sido de aproximadamente US$ 500 milhges, o que permitiu a seu donor, Sebastilo Camargo, entrar na lista dos milionbrios com patrimonio acima de um bilh~o de d61ares das revistas "Fortune" e "Forbes". A grande questlo a decidir na pr6xima etapa 6 se a continuidade das obras de Tucurui, a segunda maior usina national, pode ser feita apenas atrav~s de um termo aditivo ao primeiro contrato ou se exige um novo contrato. A pri- meira hip6tese, evidentemente, 6 a mais simp~tica A Camar- go Correa. Mas a outra alternative poderia ser mais interes- sante & Eletronorte, se a estatal conseguir resistir so jogo de presses dos bastidores. Na sua estada em Belem, alguns dias atrds, o president da Eletronorte, Afonso Simas, disse que o atual contrato inclui a segunda etapa, mas admitiu que est8 fazendo uma revislo para tentar reduzir os custos unitb- rios nele previstos. N~o disse, mas deixou implicita a de- dufgio de que os terms do contrato poderiam ser muito mais favor~veis ao empreiteiro do que A empresa contratan- te. Se quiser continuar em Tucuruf, a Camargo Correa teria que aceitar um reexame. Ha pelo menos seis anos uma questio semelhante en- volveu a continuagio das obras das eclusas de Tucurui, no valor de mais de US$ 200 milhoes. A Camargo Correa saint ganhando, como tem ocorrido desde 1975. CVRD: sigla ex6tica Olhando para a larga tradi o clkssica, a poeta inglQs T. S. Elliot escreveu que abril 6 o pior dos meses. t o tempo propicio para as trag~dias, como as que gregos antigos, mes- tres insuperaveis, cantaram. Na Amaz~nia, o mes fatidico 6 junho. Marca a transig~o da estagno impropriamente conhe- cida como inverno para o duro verlo. O que as diferencia de fato slo as chuvas. At6 maio chove muito. A partir de junho comega a estiagem, que assume seu rigor mdximo entire se- tembro e outubro. Mas nso se trata apenas de um ciclo climdtico e hi- droljgico. A quantidade de Agua tem a ver com a principal atividade do home nos sertdes amazinicos. Quando chove muito, o home se limita a andar pelas veredas da floresta atrds de frutos, sementes, 61eos tudo aquilo que a natureza fornece, sem ser muito pertubada para gerar essa troca. Quando a precipitago de Aguas suspended, o home queima a mata, plant e forma os cultivos agricolas, agride a nature- za e entire em cheque com outros homes. B a safra da violencia, cada ver mais cheia de frutos. O governor julga-se preparado para evitar que o saido da guerra ecol6gica apresente os negros resultados de 1987. Desde 1988 tem sido decrescentes os indices de queimadas. No ano passado, a area destruida foi de 13 mil quilometros quadrados, contra 80 nul de 1987. A expectativa 6 de que em 1991 a queda que se mantenha. Afinal, em 1992 o mando in- teiro estardl no Rio de Janeiro disposto a colocar o Brasil no banco dos rdus como o pafs que mais destr~i florestas em todo o planet. O governor Collor parece ter tornado quest~io de honra afastar indicadores tilo desastrosos como os registrados na d~cada de 80, que se mantiveram em uma m~dia de 30 mil quilometros quadrados de floresta queima. dos a cada ano. Aldm de sat61ites, avises, helic6pteros, fiscais e multas, a prdpria recessio econdmica esta ajudando o governor nesse ofensiva pr6-ecologia. Mas se os participants da Eco-92! n~o olharem o problema amaz~nico pela bitola de um estreito ecologismo, havergo de se perguntar se a proteg~o A nature- za nao estara engendrando um custo social extremamente al- to. A viol~ncia nos sert~es amazonicos atingin tal paroxismo que a pr6prio governor, em boa parte o responsavel pela si- tuagno, precison agir, quando nada para produzir algum efei- to demonstrative. Os eteitos, entretanto, n~o foram os espe- rados. A policia conseguiu prender os supostos executantes e mandantes do assassinate do president do sindicato dos trabalhadores rurais de Rio Maria, Expedito Ribeiro de Souza, mas a imprensa nio repercutin o fato como em re- laglo.A morte do seringalista Chico Mendes, no Act~e. O fa- zendeiro Jerdnimo Alves de Amorim, mantido numa peni- tencidria as proxidl~idaqes de Bel~m, n~o consegue nem inte- ressar jornalistas para entrevistas. Os fazendeiros de Rio Maria acham qlue Jer~nimo ar- quitetou desastradamente o assassinate, movido por desejo de vinganga estritamente pessoal. O climulo da imprud~ncia foi contratar pistoleiro da pr6pria cidade, algo impens~vel para os qlue recorrem ao crime de aluguel. A rdpida eluci- dagio do atentado e a pris~o de todos os envolvidos n~io se- ria, assim, nenhuma garantia de qlue o circuit da violgncia tenha sido inibido. O caso de Rio Maria seria mais uma ex- cegio do qlue a regra a seguida nesta safra de verlo. Ainda qlue a Justiga se disponha a sair de sua letargia para instalar varas agrdrias nas remotas comarcas do sertao e o Executive aumente a eficiencia de sua desacreditada poll- cia, as causes dia violencia devertro estar mais ativas nesta temporada. A perspective deve ter forgado o president Fer- nando Collor a anunciar, no final do mes passado, qlue sen governor ird desapropriar seis mith~es de hectares terra at6! o final do ano, em 17 Estados, para assentar nessa area 100 mil familiess. B meta para impressionar em qualquer parte do mun- do. Em seus 14 meses de vida, adminiistrago Collor 86 havia conseguido desapropriar 100 mil hectares, um contrast de- sanimador diante de sua disposigo de desapropriar seis mi- th6es em apenas sete meses. Ainda qlue consiga essa notdvel inversso, se dar terras resolvesse a tenslo rural o president Joso Figueiredo, recordista na prova, estaria para sempre com seu lugar garantido na histdria. O titulo de terra pode ser, so contrario, um passaporte para a expulsso da terra se o agricultor enfrenta, a partir dal, situagao desfavoravel, a comegar pelo tamanho do lote, que vem encurtando (agora ter8, no maximo 40 hectares, area na Amazdnia insuficiente para a sobreviv~ncia de uma familiar por mais de tres on qua- tro safras). Um poeta qlue medisse agora o clima parafrasearia El- liot A maneira amaz~nica: junho 6 o pior dos meses. O governor brasileiro espera se apresentar Ai confert~n- cia mundial sobre ecologia e desenvolvimento, no pr~ximo ano, com tres trunfos capazes de apagar sua ma imagem de patrocinador da destruiSlo do meio ambiente. Uma delas 6 a reduglo do indice de queimadas na Amazonia, que chegou em 1987 ao record mundial absolute. O outro 6 um docu- mento (ja reduzido de originals 2.500 piginas para atuais 500, mas ainda A espera de novo enxugamento), que revela- ria a exist~ncia de uma s61ida e coerente political ambienta- lista official. O terceiro produto seria ainda de maior impac- to, pelo seu ineditismo: o piano de zoneamento ecol6gico e econdmico da Amaz~nia. Todos sabem que boa parte dos problems da region resultam de sua ocupagao desordenada, ca6tica, irracional. Na famosa colonizyaglo da Transamazinica, lavradores rece- beram lotes com solos ruins e desprovidos de Agua, vizinhos de terras bem 4otadas. Alguns s6 encontraram pedra nos 100 hectares que thes foram reservados. Fazendeiros transforma- ram em past areas com terra roxa estruturada, indicadas para cultivos de ciclo curto, sobretudo os alimentares. Arvo- res nobres foram postas abaixo e queimadas para em seu lu- gar surgirem rogas de rendimento decrescente on capim de valor incomparavelmente inferior. Se jd houvesse um zoneamento tecnico da Amazdnia, o governor poderia utilizar alguns instruments, o mais eficien- to dos quais parece ser, o credito rural, para estimular ativi- dades economicas compativeis com as potencialidades natu- rais de cada drea on microrregilo. Tambgm teria r~gua e compasso para vetar ou inibir usos incongrueiites. Eviden- temente que sd o zoneamento, por melhor qlue seja sua ela- O fogo do verho Reprise sem gosto nada alimentam o ceticismo em face dos 12 meses que ainda restam para a instalagio da ECO-92. Mas nso 6 s6 a suspeita de um trabalho superficial e incomplete que inquieta. O zoneamento, como invariavel- mente ocorria nos governor militares, transformou-se em ta'- refa delegada a um conselho de sabbios, que, a portas fecha- das, decide tudo sem consultar al6m da bitola que lhe foi imposta. E essa bitola 6 a mesma que demarcava a doutrina de seguranga national, a verdadeira "filosofia" por trds e por sobre o process de ocupagno recent da Amaz~nia. O zoneamento virou questso estrat~gica, sigilosa, quando deveria ser o produto da decantaglo do conhecimen- to, que s6 se efetiva produtivamente quando gerada na con- troversia, na ampla e produtiva discusslo entire os que co- nhecem. Apesar da desmilitarizag~o da SAE, o zoneamento foi militarizado, A maneira Collor, yuppizada, mas para va- ler. Tanto que a SAE proibiu a Sudam, o drg~o de coorde- nagao do governor federal na Amaz~nia, de divulgar quatro mapas temiticos ja produzidos, para n~o criar "paralelis- mo", como se a verdade resultasse de um process linear. A Sudam gastou meses de trabalho em conjunto comn a Fun- dagao IBGE e 23 milhbes de cruzeiros na elaborago dos mapas e at6 anuncion sua entrega official, cancelada A 61tima hora e suspense "sine die" por determinaCgo de Brasilia. Esse filme n6s jB conhecemos. O final 6 previsivel - e n~o 6 de boa qualidade. bora~go e mais bem preparado que esteja o governor para exrecutdl-lo, n8o 6 suficiente para afastar de vez o quadro de devasta~go amaz6nica, mas reduziria significativamente sua escala, so menos se houvesse vontade de execut8-lo. Desde 1979 o governor fala em zoneamento. Ao final daquele ano o entao ministry do Interior, Mgrio Andreazza, se dispunha a concluir o trabalho em cinco anos. Passaram- se 12 e nada ha de concrete. No inicio do mes a adminis- trag8o Collor de Mello prometeu que em junho de 1992 os participants da ECO-92 poderio receber o mapa de uma Amaz~nia plenamente zoneada. Mas nao s6 esses visitantes poderLo co~nsiderar-se surpresos com o present. Mesmo - on sobretudo o brasileiro bem informado dlo deixard~ de se surpreender se algum produto final digno do nome estiver em condiqbes de ser entregue ao pdblico dentro de um ano. Em setembro do ano passado a Secretaria de Assuntos Estrat~gicos, que substitain o SNI, o Conselho de Seguranga Nacional e todos os saus aphelics, passados e pretdritos, fez a primeira reuni~odio grrpo de consultores envolvidos no projeto do zoneamento. Consumido o tempo de um par- to humane, o 6nico resultado concrete slo as atas das reu- nioes, nas quais brota o compromisso de estabelecer uma "~filosofia de trabalho" e muito pouco alem. O brago da SAE que deveria tratar do assunto ainda n~o foi implantado. O coordenador informal do zoneamento demitiu-se. Seu subs- tituto 6 um ex-superintendente da Sudam, Hugo de Almei- da, d~o aceito pelo meio cientifico. Os nove meses de quase Mais de cinco mil garimpeiros brasileiros tem penetra- do no territ6rio da Venezuela, nos 61timos dois anos, a par- tir do Estado de Roraima, divisor entire os dois paises. O ex~rcito venezuelano jB prendeu, nesse period, mais de mil garimpeiros. Agora, hB 15 deles atras das grades em Puerto Ayacucho, A espera de julgamento. Fizeram greve de fome durante uma semana e dois deles tentaram se suicidar, em desespero por se julgarem abandonados pelo governor de seu pafs. Querem que ele interfira para poderem voltar o mais rdpido possivel para junto de suas families. Um retorno assim tio pacifico serb dificil. Ainda que a Venezuela n~o queira criar complicaqbes diplomaticas com o Brasil, seria um precedent perigoso. Todos os garimpei- ros press anteriormente foram levados para fora do territd- rio venezuelano e soltos. Mas a Venezuela teve que organi- zar verdadeiras expedig~es militares a partir do memento em que constatou a grave ameaga de destruigo do Orenoco, nao s6 o principal rio como tambem uma esp~cie de simbolo national. Os garimpeiros buscavam ouro justamente nas nascentes do Orenoco, atacadas por bombas a jato e mered- rio. Al~m de contaminar as Aguas, estavam assoreando as margens e sedimentando o fundo do rio. Representantes dos garimpeiros buscam outra~ expli- cayao para a tolergncia de certas autoridades venezuelanas: embora expulsando os invasores, retinham o ouro apreendi- do e dele nso prestavam mais conta. Na acusagno est8 implf- cita a suspeita de corruppao, mas nio hB qualquer prova concrete para sustent8-la, so menos at6 agora. Ainda que tenha havido desvios pelo caminho entire a ordem dada em Caracas e seu cumprimento na zona fronteiriga, parece claro que o governor venezuelano n~o ird: mais tolerar novas in- vasbes. De qualquer maneira, ainda que uma ou outra situano possam parecer obscuras, o governor da Venezuela instaurou process regular contra os garimpeiros brasileiros, com base em motivag~es bastante claras e pertinentes: invasio de ter- ritbrio e garimpo illegal. O advogado dos garimpeiros tenta caracteriza-las como vagas, argumentando que seus clients "nso sto militares on guerrilheiros interessados em ferir a soberania da patria". Ao advogado dos garimpeiros resta o console de poder atuar em um process regular perante a Justiga. O mesmo direito n;io esteve ao alcance de sete garimpeiros colombia- nos mortos pelo Ex~rcito brasileiro, acusados de partici- paqao num estranho ataque contra base' military national, no Estado do Amazonas. O governo tenton sustentar que as vi- timas eram guerrilheiros, verslo apresentada inicialmente pelos militares locals e que previniria possiveis problems diplomaticos, mas essa tese foi totalmente contrariada pelas informaCC~es apuradas atrav~s da imprensa. Toda a sucessso de equivocos comegou quando uma ordem superior (de origem remota, como sempre ocorre em tais casos) permitin que o ouro apreendido pelos soldados brasileiros, ao inves de ser registrado e enviado aos canals competentes (em tais situagdes, a Policia Federal e d~o o Exercito), pudesse ser atirado so rio. O efeito de tal orien- tagpo em uma regiao isolada, distant de qualquer centro possivel de control, deve ter sido devastador, gerando pro- miscuidade entire militares e garimpeiros. Comn toda a sua cadeia de mal-entendidos, o incident na fronteira brasileiro-colombiana terminou em mortes, mas n~o em process judicial regular, como do lado venezuelano. Pouco depois do cheque, todos als grupos guerrilheiros co- lombianos iniciaram a negociagio final do armisticio com o governor de seu pals, acrescentando mais um dado de incon- sist~ncia a verso dada pelo governor brasileiro ao episddio. Mas nem isso serviu de estimulo para uma apurafgno mais s6- ria do que aconteceu na area do rio Traira. Se esse desencontro pode servir de referencial, os 15 garimpeiros press em Puerto Ayacucho tem seus motives para recear pela solidariedade do governor brasileiro. A se- riedade nlo parece mais freqtientar o lado de ca da fronteira. O Iado da seriedade O quarto perSOnag em Belem, at6 agora a bnica das areas metropolitanas bra- sileiras sem shoppings centers", vai assistir a partir de agora a uma guerra entire tres grupos que jB langaram seus projetos e um quarto que ainda nio apresenton suas cartas e por isso corre "por fora" e, aparentemente, com mais vantagens do que seus concorrentes explicitos. O grupo Lider saiu na fren- te: seu "shopping" jB esta em construgao, no local mais afas- tado do centro da cidade. Em drea mais nobre (e tambbm mais critical a OAS empresa do sogro do governador da Bahia, Antonio Carlos Magalhles ja langou sen conjunto de lojas, prevendo conclul-lo at6 1993. O Grupo Cata espera comegar neste ano ol seu projeto, localizado as margens do rio Guamb. Um novo competitor, entretanto, podera surgir a par- tir da licitagno que a Aerondutica langou em seu privilegiado terreno, ao lado do Aero Clube. A primeira concorrencia foi apresentada em abril de 1989: todos os grupos que preten- diam implantar shoppingg" se apresentaram, mas n~o hou- ve vencedor. Dois anos depois, o 10 Comando Adreo resol- ven langar um novo edital, quando os concorrentes originals ao "shopping" ja definiram seus empreendimentos e, por- tanto, estAo de fora da competigno pelo terreno da Aerongu- tica, que exige do vencedor destinar a area a um "shopping". Todos provavelmente gostariam de participar dessa dispute porque suas condig~es s~o atraentes e at6 mais van- tajosas do que em relagno as areas que ja possuem. No pri- meiro edital, a Aerondutica avation os 86 mil metros qua- drados da area em 4,1 milh~es de dblares (ou 5,3 milhbes de cruzados novos da 6poca). No segundo, o prego baixou para US$ 1,8 milhgo (ou 578 milhbes de cruzeiros). Os seis mil metros quadrados do "buraco da Palmeira", no centro da ci- dade, estso avaliados em US$ 3 milhoes. No mes passado a Assembl~ia Paraense pagou. 50 milhbes de cruzeiros por uma area de dois mil metros quadrados nos funds do clube, em local n~o tao privilegiado quanto o da Aerondutica, que tem duas frentes para pistas asfaltadas. Com tal prego, qual- quer empresa poderia construir tres mil apartamentos em pr~dios de quatro andares (o gabarito da area por causa da pista de aterrissagem de avi~es) e os avos do terreno d~o chegariam a 200 mil cruzeiros por unidade. Afinal, daria apenas Cr$ 7.171,00 por metro quadrado. Quando o resultado da concorrencia for anunciado, a 8 de julho, o acirrado quadro de dispute entire os shoppings centers" poderb sofrer uma grande modificago com a reve- la~go do quarto personagem, ainda oculto, capaz de pagar 10% do valor minimo (ou 1~80 mil d61ares) como caug~o e deixar esse dinheiro sem qualquer rendimento at6 a decisao da concorrencia. Editor respons~vel: Lticio Fliivio Pinto Ilustra~go: Luiz Pinto Rua Campos Sales, 268/803 66.220 Fone: 223-1929 Opp~o Editoral Uma empresa instalada na Zona Franca de Manaus paga apenas 13% dos impostos que pesam sobre qualquer indirstria funcionando fora dessa drea incentivada e ainda pode importar, sem pagar direitos (exceto, naturalmente, ro- yalties e patentes), bens e equipamentos que o mercado na- cional poderia suprir. Gragas a esses favorecimentos, ao lon- go de 24 anos, 850 ind~lstrias penetraram 1.600 quilbmetros no sertso amazOnico, a partir do literal, para se estabelecer na capital amazonense. At6 entio, Manaus sobrevivia letar- gicamente saudosa dos gureos tempos do monop61io da bor- racha, violentamente encerrados nos primeiros anos deste s~culo. A Zona Franca de Manaus tinha prazo certo de existgncia, mas a ConstituigSo de 1988, em um de seus dis- positivos mais casulsticos, deu-lhe outros 25 anos. A defi- nigso sobre a verdadeira sabde da ZF, no entanto, esta sen- do dada no memento, entire doses de clientelismo e promes- sas de tratamento mais duradouro. A primeira tend~ncia, aparentemente, saint vitoriosa na verdadeira guerra que vem sendo travada nos 61timos meses e que atingin seu memento mais dramatico com a queda da ministry Z61lia Cardoso de Mello, teoricamente alinhada com a segunda tendencia. Gragas a vitbria do secretdrio do Desenvolvimento Regional, Egberto Batista, as inddstrias da Zona Franca vio poder importar at6 1,2 bilhlo de ddlares nos prdximos qua- tro meses, com a possibilidade ainda n~o assegurada, mas vislumbrada de ter direito a mais US$ 500 milhbes at6 o fi- nal do ano. S6 a primeira cota absorvera todo o saldo de di- visas gerada pela Amaz~nia, a regilo brasileira que apresen- tou a maior taxa de incremento (em terms relatives) de com~rcio exterior nos b1timos anos, com as vendas de min6- rios e seus derivados. Ultrapassando um quarto de s~culo, apesar de alguns ndmeros que o governor costuma apresentar para defend4-law a Zona Franca de Manaus continue quase t~o artificial e prectria quando em seu inicio. Seu maior trunfo continue sendo a liberago de importagoes que, em outra circunstln- cia, o pals nao poderia autorizar. Teoricamente, cada empresa poderia importar este ano algo em. torno de dois milhbes de d61ares, mas a distri- buigio das cotas n~io result de um relagio aritm~tica. Ela varia de acordo c-om o valor do empreendimento e seu vo- lume de vendas, mas tambem 6 afetada por outros criterios - informais, subjetivos, politicos ou que outra expresso se quiser empregar para classificar um amplo espectro de inter- ferencia que fez se multiplicarem os "lobbies". Uma das em- presas do irmlo do secrethrio do Desenvolvimento Regio- nal, por exemplo, importard US$ 60 milhbes. Al entram os interesses pessoais e de grupo, que sem- pre levam o governor a adotar medidas de curto prazo em re- lag~o Ai Zona Franca, ao inv~s de trata-la com mais larga perspective e menor oportunismo. Como as diversas formas de subsidio estatal proporcionam um rapido retorno do ca- pitakaplicado, grande parte dos empresarios da Z-F nio terd i~lifuito problema para desfazer suas linhas de montagem e ir embora atras de outra freguesia, se o artificialismo, renova- do, desmoronar. O risco dos amazonenses 6 se contentar com as lante- joulas e esquecer de cobrar produto mais essencial, deixan- do-se seduzir pela mesma t~cnica que encanta os indios no primeiro contato com os brancos e depois os lanfa no abismo. O falso brilho |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| MILLISECOND | CLASS.METHOD | MESSAGE |
|---|---|---|
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Application State validated or built |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor | Navigation Object created from URI query string |
| 0 | sobekcm_database.verify_item_lookup_object | |
| 0 | sobekcm_page_globals.display_item | Retrieving item or group information |
| 0 | sobekcm_page_globals.get_entire_collection_hierarchy | Retrieving hierarchy information |
| 0 | sobekcm_assistant.get_entire_collection_hierarchy | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | |
| 0 | cached_data_manager.retrieve_item_aggregation | Found item aggregation on local cache |
| 0 | item_aggregation_builder.get_item_aggregation | Found 'all' item aggregation in cache |
| 0 | system.web.ui.page.page_load (ufdc.page_load) | |
| 0 | sobekcm_page_globals.constructor.on_page_load | |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_style_references | Adding style references to HTML |
| 0 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Reading the text from the file and echoing back to the output stream |
| 24 | html_echo_mainwriter.add_text_to_page | Finished reading and writing the file |