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POLITICAL Circo ou paio Cr$ 300,00 1. Quinzena de Junho de 1991 Ano IV Dentro de 60 dias o governador Jader Barbalho poder8 fazer as primeiras mo- dificagdes na sua equipe, talvez comn al- guma mudang~a no secretariado, mas visando prin- cipalmente o segundo escalso. Este pode ser con- siderado o principal resultado pritico da avaliagio internal dos primeiros dois meses de governor, rea- lizada no final do m~s passado. Ficou visivelmente demonstrada a desigualdade da equipe e a incapa- cidade de alguns gestores para apresentar um pla- no de trabalho digno do nome. Certos cargos foram preenchidos segundo crit~rios politicos, sem a exigencia de qualifica~go tdcnica. Raros dos que ascenderam g primeira li- nha da administragiko p~blica estadual dessa ma- neira mostraram condigbes de se manter em seus cargos. Mas a capacidade tdcnica podera niio ser o Gnico crit~rio para a mudanga: o governador de- ver8 aproveitar para reformular certos compro- missos eleitorais do passado emn fungho da estrat6- gia eleitoral de future, que desembocar8 nas eleig6es municipals do pr6ximo ano. A principal batalha, evidentemente, sera tra- vada em Bel~m. O terreno na capital para Jader Barbalho 6 minado, mas ele conseguiu segundo a pesquisa da Data Folha do final de abril melho- rar sua situagio pessoal. E pouco provivel, entre- tanto, que transfira essa conquista para o seu par- tido, que nho disp~e de nomes para disputar em igualdade de condig6es com os possiveis candida- tos oposicionistas. Fontes muito pr6ximas ao go- vernador examinam a conveni~ncia de atrair can- or nal Pessoal Licio Flivio Pirito No 67 didatos de outros partidos para coligagbes explici- tas ou apoios negociados nos bastidores, mesmo n51o descartando certas hip6teses peemedebistas consideradas remotas (uma delas, sempre na algi- beira, o senador Coutinho Jorge, que se, aceitar eventual sondagem, estar8 descartando a almejada viagem at6 o governor . Apesar da import~lncia political e eleitoral de Bel~m, Jader Barbalho dificilmente se export a um envolvimento direto ou amplo na eleigio de 1992 na capital, optando por uma participagio maior no interior.'Mas hri uma possibilidade de ele influir indiretamente na decision da dispute a ser travada no principal col~gio eleitoral do Estado: apagando a imagem do passado, associada a enri- quecimento ilicito e dilapidagio do patrim~nio p~blico. EvitarB, assim, que mais uma vez o palan- qlue seja um local para lavar roupa suja, estando ela suja de fato ou enodoada pelos inimigos. O go- vernador e sua familia querem se poupar de mais uma gincana de agress~es pessoais- Para atingir esse objetivo, a equipe de Jader Barbalho tem que trabalhar bem. Trabalhar bem, em tal context, significa agir com lisura e eficien- cia. Bons resultados dependerilo decisivamente da qualidade da equipe; na m~dia, ela 6 regular on sofrivel. Ainda nhio hA um plano de governor aca- bado, mas se ele jB existisse virios stores nio conseguiriam cumpri-lo por absolute incompetan- cia. Esta 6 uma questio. Mas hB outra. Verifica-se agora, com mais nitidez, a extensio dos compro- missos que Jader Barbalho precisou assumir para veneer uma eleig~io amplamente desfavor~vel. A d~vida esta em saber se o pagamento desse d6- bito politico e econbmico nio o impedir8 de fazer um grande governor, o Anico mata-borr~io capaz de apagar as manchas do passado. O governador tem procurado demonstrar aos interlocutores que esse comprometimento de campanha 6 restrito. Em parte pode ser saldado com obras de efetivo interesse p~blico, sem os apensos qlue esticam valores e os fazem volatizar- se em contabilidades paralelas, que s6 por aciden- te chegam ao conhecimento p~blico. Em parte tais compromissos sho atendidos sem macular o que 6 essencial na ag~o do governor. Dai o inchamento da assessoria especial palaciana, na qual jA se penduram 59 pessoas, poucas das quais prestando servigos ao Estado ou fazendo jus ao sal~rio de 580 mil cruzeiros mensais. Mesmo expondo-se is critics dos que nho admitem quitagi~o de divida pessoal ou political com dinheiro p~blico, o governador tem argumen- tado que ao menos confina o raio de agSo dos be- neficibrios dessa hipoteca ao circulo mais pr6ximo, ao alcance de sua supervisio e, eventualmente, in- terven~go, livrando as secretaries desses quistos. Ngo 6 um raciocinio puro, nem pode ser aprendi- do em manuals de gestho p~blica, mas teria sua proced~ncia no par~metro da realidade paraense. No entanto, esse tipo de argumentag~o indica que, mais uma vez, Jader Barbalho poder8 repetir um erro de sua primeira gest~io: acreditar que 6 capaz de controlar uma equipe tio vasta e desi- gual recorrendo B sua inquestionivel mas limita- da habilidade political. Um jornalista que fizer a mais simples investigation sobre nepotismo, irregu- laridades funcionais, desvios administrativos e ne- gociaC6es em gestagio ficar8 preocupado com o sucesso de um governor que precisa ser cristalina- mente distinto de seu primeiro capitulo para ido ser aquela enfadonha e degenerescente repetigilo hist6rica denunciada por Hegel. Ou o governador desconhece esses aspects discrepantes da imagem que est8 se preocupando em projetar da sua equipe (o que deve lev8-lo a estimular a imprensa critical ou mant~m a mesma tolergncia de sua primeira passage pelo Pal~cio Lauro Sodr6. Vendo-se o drama do Angulo do go- vernador, nio se pode minimizar o desafio que ele precisar8 enfrentar: ao mesmo tempo conquistar espago politico, a fim de evitar o sufocamento pe- rigoso em que se viu at6 a eleigio do ano passado, e ganhar a batalha da opinihio pdblica por meios legitimos, sem ter que repetir a iniqua e onerosa manipulagio feita pelo seu antecessor. Jader pre- cisa ser bom politico (nho nos terms acadbmicos, mas considerando a miser~vel realidade estadual) e bom administrator, combina~go inusual na provincia. Ele pode simplesmente ser seduzido a acredi- tar que o sucesso vird se repetir o que jB sabe fa- zer. N~io lhe faltam certas virtudes, capazes de im- pressionar pessoas e fazer correligion~rios. Mas a situagio jB nho 6 exatamente a mesma de quatro anos atr~s e a ret6rica jaderista produz menos re- sultados do que antes. A reuniho do final de maio na Sudam deixou claro que o governador do ParB ainda 6 o Ifder regional, tanto pela grandeza in- trinseca do Estado no conjunto amazbnico, quanto pelas qualidades pessoais especificas de quem exerce a chefia do governor. Apesar de evidence distorgio no noticidrio da reunihio no mais influen- te journal local, que suprimiu Jader atC do registro fotogrifico, o governador venceu essa primeira ba- talha de opiniko peblica. No entanto, convenceu menos e estar8 em condigiies ainda menos favor~veis na segunda ba- talha, que vir8. Por algum motive, Jader mostrou desinforma~go e desatualizagio sobre os temas que tratou com a efici~ncia ret6rica. de sempre. Alvejou o passado, provavelmente tentando acer- tar o desafeto Henry Kayath, que colocara na Su- dam (sem ter feito, at6 agora, o mea culpa peni- POLEMICA mrremonra tente requerido pela gravidade do mal praticado). Mas nho tem um pensamento sobre a nova reali- dade da political de incentives fiscais do governor federal, nem sobre a conjuntura das relac;~es entire os dois governor. Se o que o governador est8 pretendendo 6 apenas colocar um nome de sua confianga na Su- dam (mesmo que venha a ter outra desagradivel surpresa, como em relaghio a Kayath), sua incon- sist~ncia em matdria de incentives fiscais se expli- ca. Mas se agora quer executar um plano mais ambicioso e positive para s regiko, necessita ur- gentemente se reciclar ou entho nho ir8, nova- mente, al~m da retbrica. A lideranga que inega- velmente possui, por ser o governador do ParB e por ser Jader Barbalho, comegard a se desgastar, como em desagregagio entrar8 o apoio ou o cr6di- to de confianga de que ainda dispge. Jader poder8 escolher se quer bisar a primeira trajet6tia, encer- rada comn a transmissio do cargo a um successor que se voltou contra ele e que, por sua vez, repe- tindo o modelo, acabou fragorosamente derrota- do, ou se, desta vez, oferece horizontes novos, com algo mais do que circo para uma plat~ia Avida de pho. A O ministry Jarbas Passarinho reagiu a uma resenha que fiz do seu livro de membrias, "Na Planicie", com uma carta furiosa, em fevereiro. Embora argumentando que sua resposta visava o esclarecimento p-dblico, o ministry da Justiga pe- diu que a carta nhio fosse publicada, o que lamen- tei na pronta resposta que lhe enviei, exatamente no dia em que. a carta me chegou, atrav~s do depu- tado Ronaldo Passarinho. Agora public a corres- pond~ncia, autorizado pelo ministry, com ligeiro reparo feito por ele, certo de que poder8 contri- buir para esclarecer a opiniho p~blica sobre epis6dios recentes da vida political do Estado e ainda mais convencido da justeza do que escrevi. Desde minha andlise, a primeira sobre o inaugural volume de mem6rias do senador, resenhas publi- cadas na imprensa national reafirmaram v~rios dos pontos destacados no meu artigo, insistindo nas mesmas critics b~sicas que fiz bastaa ver os artigos que sairam em "Veja" e "Isto 6')'. Espero que a divulga~go da correspondencia realize o que tem faltado no ParB: a polemica a servigo da sociedade e com respeito m~tuo. Brasilia, 18 de fevereiro de 1991. Carol Ldcio Fla~vio Esta 6 uma carta pessoal. Ngo visa a ser publicada em seu journal, de modo algum. Trata-se, apenas, de comentbrios de quem, comb eu, pensava ter em voc6 um critico aceita- velmente isento. Digo aceitavelmente porque 6 evidence a discordAncia de nossas crengas ideolbgicas, ou mesmo ape- nas doutrindrias e political. E o que leio, de sua lavra, a res- peito de meu livro de membrias political revela-me um L6- cio Flaivio que eu n~o imaginava, publicando falsidades que voce preferiu admitir como verdade, porque lhe vieram de pessoas a quem voc4 consider honestas e eu tenho carradas de razbes para nso crer nessa honestidade. Basta ver que voce, nos tempos relatados no livro, devia ser uma crianga. Logo, para fazer imprudentemente afirmativas que me atin- gem, s6 pode hav4-las ouvido de outrem. O seu julgamento, contido em conceito, esse, sim, the pertence, e nada me cabe comentar a respeito: se sou vaido- so, se sou incoerente ideologicamente, se sou melodram~ti- co, se sou insincere, tudo isso 6 juizo de valor, e the 6 direito t8-lo. O que nao 6 seu direito 6 abrigar falsidade e per em d~vida o que afirmei baseado em documentaglo por mim ci- tada responsavelmente. Comecemos pela sua tentative de invalidar referencia documental, a que se refere g carta do Coronel Severiano da Fonseca Hermes. Voc6 pae-na em di~vida, porque nio a transcrevi na integra. Ora, exatamente o meu propc~sito foi de fugir do que aconteceu com o livro do general Portella que, tso pejado ficou de transcrigies; que se tornou pesado e magante. Para pessoas como voce, que me acreditam capaz de manipular documents, resta-me ter em meu arquivo to- dos os documents citados. Eles ficam A sua disposigio, em- bora ja eu esteja certo de que dlo the inspira a busca da ver- dade hist6rica. Lastimo. Quanto no invulgar prestigio que granjeei na Petro- bras, procure o testemunho dos coevos e dso dos p6steros encharcados das sete ligdes babsicas do P.C., de capacitagno political. Negar que foi corajoso o prefa~cio que fiz para a en- ciclop~dia do Pe. A~vita pf is nao ha necessidade de testemu- de Passarinho A carta de Passarinho nhos do memento, dado que vocal os viveu, ja como joyem jornalista. Ou deixard de ser coragem editar o livro que fora colocado no Index e, al~m disso, prefacid-lo? Desconhecer isso, deixar de ver isso, 6 sintoma de catarata de convenien- cla. A troca de insultos com o Moraes Rego foi publicada na Integra, por minha iniciativa, na Provincia do Pard. Voc6 que 6 jornalista detentor de Premio Esso, a encontrard at6 porque a pista esta. no livro. Ocorre que ele era influence se- cretirio-assistente do Presidente da Repdblica, e eu um simples tenente-coronel em licenga. Fiz questao de publicar, nso apenas os telegramas, mas as cartas que escrevi para o President e para o Gen. Costa e Silva, justamente para desmoralizar a matedicencia que tentaram espalhar, como sendo cartas contraditc~tias, que me desmoralizariam. Pelo visto, voc6 est8 imbuldo dessa versAo canalha. O pior, por~m, 6 quando voc4 se permit respaldar a mentira 'a respeito da escolha do Irawaldir para vice-prefei- to, imputando-me, a mim, a indicagao dele. A servigo de Alacid voc4, pretendendo ser historiador indesmentivel, afirma com a maior sem-ceriminia que "at6 receber o nome escrito em um pedago de papel, Alacid ignorava seu vice". Lcio Flavio, at6 onde voc4 se permitin ser porta-voz de cl- nicos mentirosos! A escolha de Irawaldir me surpreendeu totalmente, como relate no livro. NAo son mentirosol E voce se permit divulgar como verdade o que mentirosos the dizem. Igualmente voc4! divulga inverdade, quanto A candida- tura do Alacid, atribuindo-me, com extrema leviandade que por "via obliqua" eu tivesse feito chegar ao Presidente Cas- telo o receio de derrota. Eis a primeira falsidade. Transcrevi no livro, o radiograma do Presidente para mim, rubricado pelo General Geisel, no qual ele se diz. informado desse re- ceio. Coincidentemente, o Presidente me envion esse radio- grama, por interm~dio do General Mamede, ent~o Coman- dante do CMA, depois que o Moraes Rego estivera de pas- sagem por Bel~m. Como relate no livro, fui incontinente ao President, desfiz a dbvida e telegrafei para o Alacid pela Western, estando comigo a cbpia desse telegrama, mandan- do que ele se desincompatibilizasse. A segunda falsidade esta em ter eu sugerido o nome de Otavio Mendonga em substituiglo ao do Alacid. Inteiramente falsa a afirmatival JA o nome do Senador Cattete, foi um dos quatro que sugeri, para decisAo do Presidente. Somente um reles mentiroso es- creveria o que escrevi, a respeito de minlias audi~ncias com o President Castelo, e esse sbrdido mentiroso n~o son eu, mas o que faz voce aceitar a versao dele. Ou delesl Vejo, agora, como foi sabio de minha pate publicar essas memdrias political. Pessoas como voce, que dispdem de credibilidade, estivesse eu morto, fariam valer as menti- ras, as falsidades e os julgamentos derivados dos recalques, dos despeitos e da inveja. Lastimo profundamente ter lido o que li, no seu jotrial e de sua lavra. Pensei que voc4 jamais se permitiria, por fas on por nefas, ser usado por individuos recalcados on por aquele de quem um Presidente da Rep6blica disse publica- mente, n~o ter honrado a farda que vesting. recentes estavam suaves e amigas como nunca. B um prazer conversar com o sr., apesar de todas as nossas diferengas. Ngo pense que participei desses encontros com espirito ar- mado ou falso sorriso. Justamente por suas qualidades, gosto de enfrent8-lo na dial~tica da converse, principalmente quando ela nAo corre o risco de resvalar para Indexes on ser enquadrdvel em capitulagloes penais. Permita-me a ousadia de dar a esses nossos encontros a classifiica~go de converses entire intelectuais. Se o sr. n~o fosse um intellectual e dos organicos, para usar uma expresso gramsciana jB n~o herd- tica nestes nossos dias eu n~o estaria disposto a ir a esses encontros e a enfrentar sua brilhante ret6rica. Nos dois livros citados, e especificamente "Na Plani- cie", por~m, some o intellectual e vem para a ribalta o politi- co. Releve novamente minha petul~ncia, mas o primeiro vo- lume de suas mem6rias 6 produto mediocre diante do que autorizaria sua biografi~a e de seas pr6prias faculdades inte- lectuals. A cart que o sr. escreveu 4 o bastante para mostrar que o sr. passou a vbo de pdasaaro (sem associagbes ornitold- gicas) sobre questbes que exigiriam maior atengeo, exata- mente porque se trata de um livro utilitarista e alo a pres- tag~o de contas de am militar, intellectual, politico e exiecuti- vo do setor p6blico. Num pequeno artigo, que ngo saint no journal por falta de espago, lhe recomendava que seguisse o exemplo do nosso tao admirado Raymond Aron: o tijolago com as memdrias 6 indigesto, mas a entrevista com jornalis- tas do "Espectador Engajado" 6 um encanto e de manaor utilidade pbblica, porque uma confisslo maito mais verds- deira e pertinente. Digamos que tudo at4 agora 6 juizo de valor. Mars sempre os fats estarlo impregnados de subjetivi~dad, est- gindo ponderafaO e discernimento em son trato. CoImo es tamos escrevendo um para o outro, podemos de~izar de lad o receitu~rio de cerimonial e os salamaleques do estilo a ir- Carol Senador Passarinho, 20.2.91 Permita-lhe deixar de lado o titulo de ministry e trat8- lo com aquele que o povo lhe conferia, pela mais democriti- ca e insubstituivel das delegaFoes que 6 o voto. Recebi hoje sua carta das mAos do Ronaldo, a li aten- tamente e estou respondendo-a sem qualquer animosidade. Um quarto de s~culo de jornalismo me deram, acho, to- lerAncia e um pouco de capacidade para separar o joio do trigo. Por isso, procure aproveitar as contribuigoes even- tualmente positivas da sua carta. Lamento logo, entretanto, que o sr. tenha preferido mant&-lo como assunto confiden- cial, com o que nAo concordo, mas, por motives 6ticos e pelo aprego que, de qualquer modo, lhe dedico, vejo-me obrigado a aceitar e respeitar. A opiniso pbblica ganharia e muito - se nossa polemica fosse alem dessa troca de correspondencia intraumuros. Conclul a leitura de "Na Planicie" com a mesma sen- sa~go de insatisfa~go e desencanto que o "Pard" me deu. Fi- quel com a fortissima impress~o de que o st. escreven mais esse livro As pressas, desatento, dando-lhe o molde do ins- trumento politico. Admire sua inteligencia, reconhego suas virtudes, mas impressiona-me tamb~m sua vaidade gigantes- ca, tao grande que As vezes apequena todas as indmeras vir- tudes que o sr. tem e o fazem cometer erros, inclusive e sobretudo na escolha de pessoas, na ma selegao de nomes e na incapacidade de distinguir os bons amigos, os competen- tes auxiliares, dos mais primbrios bajuladores e das mais des- lavadas vocagoes para o desastre, como permita-me dois exemplos apeqas, entire muitos possiveis Lamartine No- gueira no Basa e Elias Sefer na Sudam. Ao terminar de ler o primeiro volume das suas mem6- rias, hesitel se deveria escrever o artigo que saiu no Jornal Pesrsoal. Depois de tantas escaramugas, nossas relagaes mais Minha resposta mos a fundo e diretamente, sem suscetibilidade ou preocu- pagoes com melindres, preocupados unicamente com a ver- dade ou sua aproximacgao mais correta. O rango que impregna o seu livro (e tamb~m a sua car- ta) 6 essa mania de perseguigio, desenvolvida com hipertro- fia simultaneamente a essa auto-estima exacerbada que faz de Jarbas Passarinho o herdi imaculado de Jarbas Passari- nho. Volto A mesma tecla de nossos confrontos anteriores: nio busco destruf-lo, nunca procurei esse objetivo. O sr. continue saud~vel (com o que me alegro) e forte (o que nem sempre acho positive, pensando em como o intellectual ga- nha quando o politico fica A dist~ncia do poder) e en perma- nego onde sempre estive: exercendo o jornalismo com a fi- ria de um servidor pbblico, de um auditor com delegapao - informal, mas supinamente legitima da opiniso pilblica pa- ra dissecar o poder e os poderosos. Men prop6sito nio o de servir a seus inimigos, mas ao leitor do que escrevo. Ven- do maquinagbes e conspiragoes por tris de cada iniciativa que nso 6 do seu agrado, o sr. continuard, inventando fan- tasmas sob sol a pinon. Talvez seja inidtil, mas insist em ga- rantir-lhe que nlo agi como moleque de recados do Alacid Nunes e de quem mais o sr. imagine que esteja por tras da minha mdquina de escrever (sobre cujo vicio de perfurar a letra "o" pego sua paciencia). Antes de escrever, ouvi alguns dos personagens que o sr. cita no livro. Entre eles, nAo estava o seu ex-amigo Ala- cid. Ngo 6 por nada: 6 que ele nio fala, nio sei se por ini- bigio ou atavismo (ou porque ainda n~o est8 na escala devi- da de evolu~go, sei Id). O Alacid conseguiu vender como se fosse a virtude da coragem o que nso passa de convenient covardia e vai ficar assim, provavelmente, at6 o silencio eterno e intranferivel. Eu teria todos os motives, se n~o fos- se o que sou, para um acerto de contas com o Alacid em funglo do episc~dio de Santar~m. Em seu entendimento (sic), ele ainda est8 convencido de que os dias passarlio, mas eu encontrarei minha vinganga. Por isso, me encara com nervosa desconfianga e escapa Al minha aproximagso. Mas se ngo entrei nessa histbria no memento certo, quando era se- cretbrio de "A Provincia do Pardl" exatamente por ocasino do tiroteio, agora 6 que vejo os fats da perspective da hist6- ria. N~o tendo acesso a esse promontbrio, o Alacid vai sem- pre guardar distllncia e manter cautela a men respeito. De qualquer modo, nso pretend fantasiar o ex-gover- nador de mocinho e o sr. de bandido no meu artigo. Mas o desatio a apresentar outras provas documentais on evid~n- cias 16gicas que confirmed suas afirmativas, negando as mni- nhas, a respeito das candidaturas de Irawaldyr Rocha e Ala- cid Nunes. O prdprio Irawaldyr diz que desconhecia Alacid naquela 6poca e que o nome dele Irawaldyr fora indicado pe- lo sr. Ha melhor fonte para o episbdio, excluido o sr. (nso por nso aceit8-lo, mas porque precise de outra fonte para checagem, procedimento mais do que trivial em jornalismo, histdria, etc)?. Ha, ent~io, um conflito: o sr. diz que n~io indi- cou o Irawaldyr, enquanto pr6prio diz que foi indicado pelo sr. Espero que tergam armas intelectuais, 6 claro para po- dermos continuar a narra~go dos fats histbricos. Quanto A candidatura Alacid, o episbdio 6, no minimo, controversy, com verses demais, para podermos aceitar que seu depoimento esgota a verdade. A polemica entire o sr. e o coronel Moraes Rego permanece irresolvida e tambem gos- taria, neste caso, que ambos se submetessem a uma aca- reagpo (jornalistica e nao policial) para que as verses se en- riquecessem, auxiliando o restabelecimento da verdade (ou o estabelecimento, para usar a expresso correta). Na sofreguidao de me desautorizar, reduzindo-me a in- termedibrio de caluniosos ocultos, o sr. diz que eu disse que o sr. apontou o nome de Otdvio Mendonga. Permita-me ci- tar o trecho do artigo: "S6 quando Castelo, inspirado por Moraes Rego, sugeriu a alternative dos nomes do advogado Ot~vio Mendonga e do senhor Catete Pinheiro..." (grifo agora). O coronel Moraes Rego acusou-o de ubiqilidade ao mandar uma carta ao marechal Castelo e outra ao marechal Costa e Silva, que estavam em campos opostos, do que de- correu toda urpa complex interpretagio sobre o memento de escrever uma e outra carta e sobre as tentativas posterio- res de apagar o fogo que lavrava em um e outro campo. Tambem sobre a sua audiencia com o entso president ha o seu depoimento, que levo em consideragIo, e o do coronel Moraes Rego, que evidentemente falou por Castelo Bran- co. Ha muito tempo venho pesquisando esse periodo, so- bre o qual foram produzidos depoimentos e interpretage~es incompletos, incorretos, equivocados on totalmente falsos. A evidence que ougo depoimentos orais, mas o forte da do- cumentago 6 material escrito. Eu n~o vivi esse period; era crianga, como o sr. lembra na sua carta, tentando ser sard8- nico. Mas nem meu bisav8 era nascido quando estourou a Cabanagem e tamb~m pesquiso e escrevo sobre esse tema, sem poder contar com testemunhos orais, naturalmente. Lo- go, n~o afirme que en s6 poderia conhecer o que houve circa 1964 ouvindo depoimentos "de outrem". Ougo, 6 claro, mas relativizo o que ougo pelo que posso documentary. Desde ja, alids, agradego toda a documentagno que o sr. quiser me enviar, inclusive a integra da correspond~ncia com o coronel Moraes Rego, que imaginava publicada ape- nas parcialmente. O general Portela produziu um calhamago a Aron, sem a atenuagao estilistica do frances, por ter publi- cado absolutamente tudo, sem criterio. Mesmo assim, aos que sobreviverem ao cometimento do extinto general, res- tar8 munigno suficiente para instaurar uma guerra intelec- tual, volto a lembrar mais produtiva. Assim, reafirmo que lamento nao ter o sr. publicado ao menos a integra dos do- cumentos a que se referiu. Garanto que o seu livro nao vira- ria calhamago.Ao contrario: deixaria de se parecer Aqueles pastt~is que se vendia na porta do Col~gio do Carmo, de cas- ca grossa, algum picadinho dentro e muito ar. Fragmenta- vam-se ao serem mastigados e nao davam maior prazer gus- tativo. Senador: sou um voraz leitor de mem6rias. Tenho de- zenas delas e, desde jB, o desatio a um duelo para ver quem tem mais desses livros. Duas das melhores slo as de Casano- va e Bertrand Russell, ambas escritas na velhice (lonjeva no caso do inglQs), depois de uma vida intensissima. Nao apenas acho que suas membtias foram divulgadas antes do tempo, como produzidas sem a atenglo devida. Sua pr6pria carta mostra que o sr., numa segunda edigAo, teria que reescrev4- las, at6 mesmo para desenvolver alguns pontos que apare- cem telegraficamente na carta mas estAo omitidos no liwro. Mesmo com as: ressalvas, entretanto, acho que seu livro pode ser positive on poderia, se no Parad ele nao fosse recebido entire o elogio falso e o silencio conivente, ou merecesse apenas outros vdos de phssaros no planalto national, como o do Castelinho. A maior vantagem de ter publicado agora o seu livro 6 que eu pude resenh8-lo comn o autor em vida. O sr. deveria estar consciente de que eu n~o deixaria de anali- sar o livro. E en sabia que o sr. reagiria. Minha surpresarfoi a de ter imposto a classificago de confidencia a sua cart. Se nossa polemica fosse pbblica, poderfamosl desfazer "as men- tiras, as falsidades e os julgamentos derivados dos recalques, dos despeitos e da inveja" que o sr. imagine destilados no meu artigo. Estou disposto a enfrentg-lo em qualquer lugar para sustentar que o que o sr. diz nio 6 correto e responder integralmente pelo que escrevi, como sempre fiz antes e co- mo espero fazer at6 o fim de minha vida. O patriminio mais valioso que tenho 6 meu conceito, mas ele s6 6 valioso mes- mo porque vem sendo continuamente testado ao long do tempo. Se o sr. quiser test4-lo mais uma vez, estou inteira- mente a disposigno. Espanta-me que o sr., conhecendo-me como me co- nhece, me atribua tanto primarismo, leviandade e irrespon- sabilidade. Estou encaminhando-lhe c6pias do artigo que es- crevi em "O Liberal" enl agosto de 1981, com algumas das ideias que aparecem na resenha de seu livro, quase 10 anos depois. Uma das principals 6 de que personagens como o sr. tem uma grande responsabilidade na instabilidade political, institutional e military que consumiu a democracia de 1946 e nos jogou no regime de 1964. Mego essa responsabilidade nso por nlimeros da economic, mas pela mentalidade auto- ritbria, pela falta de zelo pela vida democratica, pelo ma- quiavelismo dos fins a qualquer prego, pela tensao da busca pelo pioder que minaram as bases de um projeto duradouro e conseqiien~temente para o Brasil. O sr. fala mal do moralis- mo pequeno burgues esquecendo que foi o combustivel de uma tatica politica que, mesmo adotada por pessoas brilhan- tes, fez um mal at6 hoje irrepar~vel a este pafs. Desde entio d~o deixamos de cagar bruxas miticas e cliltivar monstros reais. A responsabilidade de jogar os militares na voragem politica, esta a minha geragao cobra da sua e 6 sobre esse tema que o sr. deve responder de olhos voltados para a histbria, no mais franco dos memorialismos que for possivel praticar, se isso 6 factivel. Mas o sr. passou tao afoitamente por esse periodo, atropelando periodizagdes, confundido etapas, compactando extensees, que me julguei no dever e no direito de deixar amizade de lado e nao pensar em cordia- lidade ao escrever a resenha. Posso ter cometido erros, mas o sr. precisa aponti-los com mais objetividade e consistencia do que recorrendo a andtemas e acusagdes reducionistas, como na sua carta. Vamos iluminar a arena na qual travare- mos a boa guerra ao inv~s de cultivar sombras e silencios, senador, se pensamos mesmo em servir ao nosso povo ed nossa hist6ria. Se pelo menos hB entire n6s esse ponto comum, talvez possamos novamente sentar diante de uma mesa e conver- sar, on at6 mesmo deblaterar (para usar expresso ao seu agrado), sem precisarmos chamar o bispo ou o Tuma. Atenciosamente, mas tambem civilizadamente, deixo- the. PS respostas a questbes mellores que o sr. suscitou na sua carta poderio ser dadas no prbximo encontro ou round. Parcenia dif ical "O Liberal" deu na primeira pigina a apro- ximagio entire o PTB c o ex-governador H~ho Gueiros, com direito a fotografia, mas as relagbes entire o journal e o seu ex-articulista passam pelo memento mais dificil nos illtimos anos. Os pro- blemas comegaram quando Gueiros, uma semana depois de deixar o governor, mandou um long ar- tigo (provavelmente tentando ressuscitar sua co- luna de pigina inteira, suspense quando brigou com Romulo Maiorana), no qual se defendia ? atacava o successor. O artigo, cheio de erros, for transformado em entrevista por decisio da re- dagio, sem consult ao autor. Era um sinal de que a pigina nao voltaria. Mas ainda assim Gueiros sustentou um fogo cru- zado de notas sempre ao seu estilo: baseadas em fontes aninimas na coluna "Repbrter 70" duran- te alguns dias, at6 atacar o ministry Jarbas Passa- rinho. A nota nho foi publicada e o ex-governador suspended sua colaborag~o. Ao mesmo tempo, comegaram a circular informagies sobre sua in- tengd~o de montar um journal prbprio. O ex-superin- tendente da Sudam, Henry Kayath, teria sido in- cumbido de comprar miquinas, miss~io que o teria levado a Rond~nia. A carta que o ex-governador me~ escreveu fez a familiar Maiorana concluir que Gueiros esteve por trris dos ataques que sofreu do journal "DiBrio do ParB", transformados em campanha a partir do rompimento do entiio candidate a senador com Romulo Maiorana. Essa associa~go realimentou as suspeigbes mlituas, que sempre deram carter de precaridade ao acordo entire os dois, uma das principals bases de sustentagio de Gueiros no go- verno e fonte: de apreci~vel faturamento por parte da empresa junto a administrator estadual. Apesar daa perspective de uma nova alianga entire ambos dentro do PTB, hB um dado a ser considerado no future dessa rela~go: o ex-gover- nador nho confla nos Maiorana, e estes ndo tim qualquer motive para confiar em H61io Gueiros. Por isso, andam sobre ovos para evitar o rompi- mento definitive. Pflm91fa 8Vitoria Ao senador Fernando Coutinho Jorge coube relatar o processode renovag~io da R~dio Rau- land, de Castanhal, pertencente ao Sistema Ro- mulo Maiorana de Comunica~go, que expirou depois de 10 anos de vig~ncia. A assessoria do senador do PMDB fez um rigoroso rastreamento atris de possiveis irregularidades na emissora, mas, nada tendo encontrado, acabou dando pa- recer favorivel g renova~go attitudee sistem~tica no Senado, ali~s). Para sorte dos dirigentes do SRM, que man- tiveram um graduado funcion~rio acompanhando a tramitagio do process, a renovagio foi apro- vada antes que o senador Mansueto Lavor pedis- se verificag~o de quorum, suspendendo a sessio e 39 processes semelhantes que estavam na pau- ta. Outras concessbes do grupo Liberal s6 v~io expirar em datas mais longinquas, como a da.TV Liberal, em 1996, quando Jader Barbalho ndo es- tar8 mais no governor do Park. Coutinho ter8 que esperar nova oportunida- de para um acerto de contas. Desde quando foi prefeito de Bel~m, ele tornou-se pessoa nada grata ao grupo Liberal. VIOLENCIA A Amaz~nia, que s6 consegue participar resi- dualmente nas contas brasileiras, alcanga seu maior percentual de representatividade no parla- mento: mais de 15% dos congressistas sho da re- gikio, que contribui com 7% das exportagbes na- cionais e 5% do PIB (Produto Interno Bruto). Ca- da voto de um acreano vale mais de 20 de Sho Paulo, segundo o crit~rio de proporcionalidade adotado na C~mara Federal (nho extensive ao Se- nado). Logo, a forga political amaz8nica, ao menos em tradugho parlamentar, ultrapassa sua densida- de demogrif~ica, social e econdmica. Fazem os amazbnidas, entretanto, um uso tho dispersive e antropof~gio dessa forga que ela 6 mais nominal do que real, nem chegando mesmo a ser re't6rica por falta de algo como um discurso comum nas diversas bancadas. Elas jamais conse- guem se articular para agir como frente comum, A semelhanga do que constantemente estio fazendo os nordestinos, experts em corporativismo e lobby. Politico amazbnico que vai g sede do poder 6, in- variavelmente, flagrado com rol de nomes e bilhe- tes a passar sub-repticiamente ao president ou seu assessor mais pr6xrimo. No papel, o testemu- nho de um fisiologismo que se compaz em nomear parents, compadres e afilhados para lugaros que podem render votos e cifrbes ao padrinho. Sendo um trago da political national, o clien- telismo mesmo que exagerado nho chega a des- tacar a Amazania das demais regi~es. Um outro trago jB parece definir-se para dar-lhe essa feigio pr6pria: o da violencia, combinada com a asso- ciaqio dos politicos ao mais rasteiro submundo. O soco que o deputado Nobel Moura deu, na sema- na retrasada, na conterrgnea Raquel Cgndido, se ressuscitou fundados temores quanto a imagem de degradagio do parlamento, projetada sobre a opi- niho p~blica em mementos que antecedem derro- cadas political, tamb~m difundiu nacionalmente o baixo nfvel da political praticada na Amaz~nia, tal- vez sem paralelo em outra parte do pais. Nobre ouvia o discurso de Raquel a nho mais de dois metros de distgncia. Parecia imperturb~vel mesmo ao ser acusado como traficante de drogas (juntamente com outros dois deputados rondo- nienses, s6 um dos quais defendeu-se). Reagiu quando Raquel chamou-o de explorador do le- nocinio. Propriet~rio de motel em Porto Velho, .para todos os efeitos legals o deputado de Rond8- nia pratica o lenocinio. Neste caso, a acusagio dis- pensa prova porque a ligagio do parlamentar ao motel 6 p~ilblica, notdria e plenamente assumida por ele. Quanto ao narcotr~fico, Nobre nio reco- nhece a conexho e Raquel nho a provou, mas o acusado ficou impassivel ao ouvir a inflamada acu- sa~go da inimiga (correligionbria, no entanto, de coligagio eleitoral). Se o inqu~rito instaurado na CS~mara Federal para esclarecer o triste incident e punir res- ponsiveis for atris de provas sobre a participagio do deputado no combrcio de drogas, Nobre po- der8 ficar na estranha e c8moda situagio de ter agredido a colega e permanecer inimputsivel. Ra- quel, altm do hematoma e do susto que ganhou, poder8 perder a mandate se nho apresentar pro- vas contra Nobre, caso todos resvalem por sobre a caracterizagio do lenocinio. Mesmo que a letra da lei se escancare sobre a mente dos deputados, ca- ber8 a Nobre o recurs que garante a impunidade no Brasil: por que s6 ele a ser punido se hB tantos dons de mot~is e, portanto, negociares do corpo andando soltos ou empoleirados no top da socie- dade e em algumas c~pulas oficiais? Provas relacionando o deputado ao tr~fico de drogas inexistem no memento, mas evidtncias in- sofism~veis da ligagio do political ao narcotrsfico hB em abundgncia em Rond~nia. O candidate que seria eleito governador do Estado, no ano passa- do, foi morto provavelmente nio por motives po~lf- ticos, como alguns int~rpretes apressados divulga- ram, mas porque nho houve acerto de contas nosr bastidores, que costumam fornecer o dinheiro da campanha, dinheiro que niio aparece na contabili- dade, mas tem uma marca indel~vel: o sangue - cobrado, ali~s, sempre com mais sangue. As inves tigagoes, como costuma acontecer quando o alvo 6 o poderoso com6rcio de drogas, ficaram inconculu sas. Nio responderam as d~vidas, mas,- juntame~nte porque hB uma aceitaG~o t~cita das limitag~es B investiga~go ("todos querem sobreviver", 6 a justi ficativa mais comum), n~o eliminaram as sus peigbes, que vgo do submundo do crime so mais elevado nivel do poder, com ramificag~es tortuo- sas, mas nitidas. A violtncia, qune d6 B Amaz~nia seu maior in dice percentual (dois tergos das mortes encomen- dadas rio meio rural brasileiro ocorrem na regilo), infiltra-se pelo parlamento, talvez um dos i61timos redutos de resisttncia antes de ela se tornar t~io generalizada que, como em certos males, quando~ irrompem epid~micos, jA n~o se sabe como come- gou, qual o seu tamanho e se tem fim. O rabo da serpente segunda alternative, que, a esta altura da vida e da carretra, seria a mais facil. Mas seria tamb~m a de agrado dos que gostariam de se livrar do jornalimo incbmodo que pratico, cuja relev~ncia pode ser media pelo apoio de leitores aninimos e a reagio irada dos poderosos. Fjazer jornalismo na Bel~m do ParB dos nossos dias 6 uma grave aventura, mas sem aventura nho ha jornalismo que valha a pena. No n~mero zero e Gnico do "Bandeira 3" prometi encerrar meus experiments em imprensa alternative, mas verifico, outra vez, que para pro- fissionais (e cidadios) como eu, nho existe alterna- tiva. N~io sabemos ser jornalistas de outra maneira senho publicando o que apuramos, escrevendo exatamente o que pensamos e empenhados em fazer chegar 9& opiniko p~blica o produto da nossa investigation. Com a volta do Jornal Pessoal tento nho sair da linha de frente, nem me permit baixar as armas. Recusando-me a aceitar o fim do compromis- so entire a imprensa e o leitor, sem intermediaries e matizagijes, entretanto, de aprender as sofridas ligiies do passado. Este niunero do Jornal Pessoal, e os que eventualmente o seguirem, at6 que uma nova ligio ilumine outros caminhos, irio para as bancas, expostos a todos os riscos. Nio haverA as- sinaturas para Bel~m. Assim, nenhum leitor terA prejuizos se mais esta experiencia nio prosperar. Apenas leitores de outras cidades que, esponta- neamente, pedirem a remessa do journal, plena- mente conscientes do carter de aventura deste empreendimento, terho assinaturas. Seria bom pa- ra o journal que seus leitores da cidade remetessem para parents, amigos e conhecidos exemplares do JP, se solicitados. Mais uma vez, a continuidade da publicag~o depended8 tanto de seu redator solithrio quanto dos leitores e, desta vez, com peso ainda maior deles. N~o basta procurar quinzenalmente e com- prar o exemplar na banca: 6 precise difundi-lo, di- vulg8-lo, faz6-lo circular, presente8-lo (se for o ca- so), e nio esquecer que este journal s6 sobreviver8 se o apoio dos leitores for conseqiiente (nada de xerocopia-lo, por exemplo). Estamos novamente no mesmo barco, vendo a borrasca quebrar e sa- bendo que ha muito tubar~io~na Agua. Se 6 precise navegar, que naveguemos. Viver sera o resultado. JOlmal PessoRI Editor responsAvel: L~cio Flavio Pinto Ilustra~go: Luiz Pinto Rua Campos Sales, 268/803 66.220 Fone: 223-1929 Opc;o Editoral Discreta abertura Com o Plano de Dinamiza~go da Regiio Geo-Econbmica da Hidrel~trica de Tucurui, ainda em elaboraSio, a Eletronorte espera iniciar "um novo ciclo de interagiio, ndo s6 desta empresa, mas de todo o setor pbblico, com as sociedades afetadas pela instalagho de empreendimentos". O Plano, segundo an~ncio feito na semaria passado pelo novo president da Eletronorte, Af~onso Tia- go Simas, ird responder "aos questionamentos de stores da sociedade civil: national e international e mesmo de agencias financiadoras internacionais aos impacts s6cio-ambientais desencadeados com a constru~go da UHE Tucuruf". Quase sete anos depois de iniciar a opera~go da maior usina inteiramente national, que sera a quarta do mundo quando concluida, a Eletronorte estA se propondo a promover o uso m61tiplo do enorme lago que formou comn o represamento do rio Tocantins (at6 agora servindo basicamente apenas para a geragEo de energia) e dar maior atengho as populaS6es atingidas, al~m de reforgar a preocupa~go com a ecologia. Seria, finalmente, a materializagio de sua estrategia de "insergio re- gional", uma ret6rica iniciada ha poucos anos co- mo resposta a caracterizag~io de sua obra como um "enclave" (que nho dissemina seus efeitos), feita pelos critics da empresa. Simas, a primeiro paraense na presid~ncia em quase 18 anos de existbncia da Eletronorte, nho foi muito rico em detalhes sobre essa iniciativa, nem afastou a velha imagem de experiencias anteriores que resultaram em documents forjados em gabi- netes, mas prometeu que o plano sera discutido com a sociedade local e que o "modelo institucio- nal" prevC a associag~io da empresa com 6rghos executives e de planejamento regionals e munici- pais, e com representag8es das comunidades en- volvidas. N~o especificou ainda a origem dos re- cursos para financial a aplicag~o do plano, mas deixou a entender que eles virbio dos "royalties" a serem pagos' ao Estado e aos municipios atingidos pela barragem. Ngo havendo considerAvel suple- mentaygio de outras fontes, o volume de dinheiro sera reduzido. Se os "royalties" forem os Gnicos recursos, isto significard a interfer~ncia da Eletro- norte sobre as jurisdig6es estadual e municipals. A Gnica maneira de prevenir tais distorS6es 6 abrindo, desde jB, o trabalho. Por enquanto, a Ele- tronorte vem fazendo intramuros. No mar alto O- Gnico espago que me resta para fazer jor- nalismo independent 6 este minif~ndio. Ou o rei- vento, ou desisto de ser jornalista. Tenho evitado a |
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