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ELEIQ7O A estagaio Pard Nn 65 Quando faltam id~ias, sobram agressoes pes- soais. Por isso, o tom dominant na atual campanha eleitoral B monocdrdio: os principals contendores se acusam mutuamente, e s6 t~m razio quando se acu- sam. Nio 6 um fendmeno in6dito na histdria political do Pard. Ao contrdrio, 6 sua caracteristica maior. As disputes s6o decididas depois de algum sangue e muita roupa suja lavada diante do at6nito e is vezes empolgado eleitor. Ele pode atC ser instruido sobre os personagens. Mas o Estado nio avanga. Daf o crescente distanciamento do Pard enquanto vontade em relagio ao seu prdprio produto enquanto histd- ria. E o descompasso entire sua anacr6nica estrutura political e o cadtico complex econdmico-social. O ex-governador Jader Barbalho, cujo curi- culo politico sd tem paralelo entire os contempo- rineos com o do senador Jarbas Passarinho (antes inimigos figadais, hoje amigos fidalgais, como costumam ser as inversbes de pap~is num enredo sem forga dramitica), despreocupou-se inteiramente de defender-se das acusag~es de enriquecimento ili- cito, o mote preferido de seus adversirios. Se o leio do imposto de renda, sanguindri'o diante do contribuinte m~dio, nio glosou at6 hoje suas decla- rag6es anuais de variagio patrimonial, Jader pode se valer da maxima latina de uso corrente entire seus colegas de profissio, advogados ou politicos: in dubio, pro reu. Menos pomposamente, ele poderia recorrer a uma frase que Stanislaw Ponte Preta co- locou na s~bia boca da Tia Zulmira: ou restaure-se a moral, ou todos nos locupletemos. Nlo hB pers- pectiva de restauragio (ou invengio, que seria mais o caso) da moral pdiblica paraense. Os americanos, pragmiticos, sugerem, pela vox populi: se o estupro 6 inevitivel, relaxe e aproveite. Hg um inc6modo relaxamento geral no Estado. Nio se defendendo, o ex-ministro imprimiu seu jargio de campanha: Jader Trabalho. Os inimigos e os mais cbticos deduziram a sibilina moral da histd- ria, uma revisic, modernizada pelo canibalesco marketing politico, do rouba mas faz, lema legendi- rio do paulista Adhemar de Barros. Foi a f~cula fertilizadora do PSP no passado. Semeada nova- mente agora, cai em terreno f~rtil. Ngo 6 sem causa o sucesso da preguiga, animal que aparece na TV junto com a logomarca do ex-ministro. A insinuagio ao governador H61io Gueiros 6 mais do que evidence. Ao inv~s de esclarecer o eleitor e contribuinte sobre as acusag;~es de ter usa- do os cargos ptiblicos como rampa de acesso a uma das maiores fortunes do Estado, Jader recorre ii imagem chg fala de Gueiros para mostrar que ao menos o saldo de seu balango 6 mais favorivel. Talvez qualquer dos dois superivits nio seja mais do que aquela conta de chegar em barracio de se- ringal que fez Euclides da Cunha perceber a eterna escravizagio do seringueiro ao prdprio trabalho. Mas o marketing publicitdrio nio permit que o te- lespectador penetre nessas sutilezas eletr6nicas (e tem sucesso se a impre~nsa nio cumpre seu papel, de separar o meio da mensagem). Cronista politico por imposigio compulsdria na 6poca da censura political (substituida e suplanta- da pela censura econbmica, permitindo aos filis- teus de sempre recorrer a bordoes como "eu era fe- liz e nio sabia"), o governador H61io Gueiros acre- dita que a melhor defesa 6 o ataque. A titica sem- pre funcionou no Santos Futebol Clube: Coutinho e Peld mais do que compensavam os furos dos zaguei- ros. Mas nossas duplas no tapetio politico nIo per- mitem a mais pilida comparagao com os g~nios do gramado. Deveriam dispor de defesas sdlidas para sustentar ataques nem sempre coerentes ou conse- qiientes. O governador tamb~m nao procurou defesa sustentivel para as acusag~es de que seu governor seria uma reedigio da sempre lembrada e pouco estudada administraCio do condestivel Magalhies Barata. O caudilho passou ii histdria (nesta nossa histdria composta de estdrias aned6ticas) como um home de retidlo moral, limpo e pessoalmente ho- nesto. Mas as ilhas do arquipdlago pessedista nho resistem a uma andlise mais acurada, tanto pelo An- gulo da gestio do dinheiro pdiblico quanto da moral political. Tudo fizeram os pessedistas, ou pensamos terem eles esgotado o arsenal de recursos baixos att que surgisse a nova gera~go de politicos e tecnobu- rocratas, protegidos pelo severe manto dos milita- res, a partir de abril de 1964, e at6 hoje resguarda- dos pelo virus de repressio ao saber, tio profundo que continue em atividade no cursor de gerag6es, mesmo apds as transigBes political (no Brasil, nun- ca seguidas pela consolida~go democritica, ao con- trdrio de Espanha e, no que parece, Chile). Formado no venture fecundo do baratismo, ten- do sobrevivido ao ifder e ao seu partido, o PSD, o governador Htlio Gueiros n~io pode ser tomado por ingenuo, inocente ou inexperiente. No pronuncia- Jarnal Pessoal Liicio Flavio Pinto ESPECIAL 2a Quinzena de Setembro de 1990 mento pela televisao, feito na quinta-feira, o gover- riador anunciou em frase bonapartista que o PMDB (na verdade, MDB) "foi fundado pelo H61io Gueiros" e que H61io Gueiros 6 "anterior a qual- quer outro politico do PMDB". O governador se consider n6o apenas o politico primal e fundador linico do partido de oposigao (consentida) ao go- verno military, o que nunca foi, mas uma esp~cie de Deus, que "inventou o Diabo"', no caso, Jader Bar- balho, embora nesta tarefa coadjuvado pelo ex-vice- governador (de Aurilio do Carmo) Newton Miranda e pelo empres~rio e jornalista Romulo Maiorana. Esse acendrado individualism poe em ddvida outra afirmativa do governador: "eu tenho partido, eu nao fico em cima do muro", disse. Mas ele imi- tou Pilatos na campanha presidential do deputado Ulysses Guimaries e nao procurou alternatives - que poderiam ser desenvolvidas dentro de seu prdprio partido, transferindo-se logo para uma coli- gagao que exclufa o PMDB. V~rias vezes o gover- nador me disse que a intengao de Jader Barbalho nao era a de disputar o Governo e sim o Senado. Minhas contra-argumentagoies a esse raciocinio fo- ram em viio. Mas se Jader queria o Senado e Guei- ros pretendia completar seu mandate, por que o g-o- vernador nao montou um esquema em seu partido, recorrendo a liderangas que, em tal situagao, nao seriam apenas derivatives da ditadura exercida por Jader no PMDB?. Na verdade, o governador tentou impor uma candidatura que jg havia deixado de ser- vir de ponte entire ele e Jader, a do ex-superinten- dente da Sudam, Henry Kayath. A ligaglio nao ruiu por motivagao political, diga-se logo. Calejado por anos de political e jornalismo ba- ratistas, a, governador nao pode, agora, dizer-se en- ganado em relagao a Jader Barbalho quando o substituiu na conduglio do Estado. O prdprio Guei- ros relatou de pdblico, o rompimento entire os dois jB definitive, a conversa mnantida comn o entao go- vernador (sendo Gueiros senador da Repdiblica) so- bre malversagao de recursos pdblicos. Ouvia e si- lenciou. Quem cala consent, diz a sabedoria po- pular. Gueiros poderia argumentar que Jader era a ~inica opgao que se tinha para tentar acabar com a political da unanimidade que voltou ao Pard (trazida do antagonismo entire lemistas e lauristas do inicio do s~culo) com o jarbismo e o alacidismo, vestes vocabulares para cobrir santos invisiveis. Era essa a imagem que Jader Barbalho levou consigo ao pali- cio do governor, em margo de 1983, depois de uma brilhante carreira political, de vereador a deputado federal, com votag~es de lfder. No Brasil, infeliz- mente, carreira political costuma ter sindnimo de carreirismo, por causa do poder absolute colocado nas mfios do chefe do poder Executivo gragas a esse presidencialismo hipertrofiado a que estamos sub- metidos. Podia-se dizer do Jader empossado governador que havia conciliado ao long da carreira, mas nio negociado o essential (conciliagio difere muito de negociagio, como ensinou Jos6 Hondrio Rodrigues, se p6r em pritica a prdpria ligio). Era essa, pelo menos, a mensagem repetida em centenas de notas publicadas na coluna Repcirter 70, de O L~iberal, por Newton, H61io e Romulo, onde o joyem parlamentar conseguia escapar do sil~ncio geral dado A oposi- gio. Se algudm sabia, jB naquela altura, que o santo era de pau 6co e que o ser angelical tinha dentro de si as sementes de satands, o atual governador estava entire esses privilegiados. Os qlue elegeram Jader esperavam que ele ao menos restaurasse a plurali- dade political no ParB, pondo fim a interditos proi- bit6rios como o que atingiu o jornalista e politico Hdlio Gueiros. A histdria mostrou que a esmagado- ra maioria das cassaS~es feitas pelos militares nao apenas foram montadas sobre falsas premissas, co- mo nao tinham o sentido que o regime pretendia al- cangalr como program. Mas serviram para incensar falsos deuses. Seria muito bom para o future da Na- gao que os militares aprendessem, final, essa ligiCo. Pouco mais de um ano depois que Jader tor- nou-se governador, jB era possivel ver a realidade por tris da ficgao. Para mim, o caso Aura foi o Ru- biclio. O entao governador perdeu a grande oportu- nidade de rever um erro, consertar a tempo um ato ilicito e recompor-se com o verdadeiro servigo pdi- blico. Mesmo alertado, manteve-se ao lado da tran- sagao escusa que se montava em torno de uma boa oportunidade de servir 21 popula~gio de Beldm. Atra- vessei o Rubicato. Qualquer pessoa de boa f6 imita- ria a iniciativa. H61io Gueiros permaneceu ao lado de Jader, defendendo-o e exaltando-o, at6 a undC- cima hora, quando sua vontade imperial ficou sem viabilidade. Por esperar atC esse memento, seus ataques ao ex-correligion~rio perderam a legitimi- dade (a mesma que esta faltando a Almir Gabriel, infelizmente). Se atacar Jader passou a ser o sol ca- paz de iluminar as trevas da coligagio situacionista, mostrar as incoer~ncias de Gueiros tornou-se o ha- beas corpus de Jader. Hilio G;ueiros saudou Jader Barbalho, em mar- go de 1987, como estadista. Um jornalista nho apensa esse qualificative a uma pessoa sem muita verificagao, sem checagem criteriosa. Um governa- dor, muito menos, ainda mais quando a mesma pes- soa encarna as duas qualificag~es. No segundo mi- mero do Jornal Pessoal, da segunda quinzena de setembro de 1987, disse, em matdria de capa, que o governador Hblio Gueiros ja havia percebido "que precisaria passar a limpo a heranga de seu anteces- sor e correligiondrio", registrando o caos qlue ele herdara. No quarto ndimero, da segunda quinzena de outubro do mesmo ano, anotei que cresciam "os pontos de atrito e as fontes de irritagio" entire os dois ifderes. E assim o journal foi revelando a nudez do rei e a farsa da corte, sem uma palavra official do governador a respeito. Ele s6 falava em off H61io Gueiros 6 um excelente papo, uma pessoa afivel ao convivio, algu~m capaz de ouvir critics e nio mandar prender o autor. Sou-lhe grato (no sentido da gratidlo que temos que dar a um direito inerente a regimes democriticos, que raramente temos o pra- zer de usufruir por aqui) pela toler~ncia as minhas critics, que a ele eu fazia, mas tambtm as ~inicas que entio se fazia ao poderoso Jader Barbalho. Mas H61io Gueiros administrator pdiblico 6 outra coisa. Ele se orgulha de sua credibilidade, de fazer "uma administration austera, sdria, zelosa". Mas foi um governor de contador, no velhissimo esquema da ve- rificaglio didria de caixa sobre deve e haver. O go- vernador niio teve condigdes de levantar os olhos para o horizonte e ver a solidio com que exerceu uma tarefa destinada a ser coletiva, vazia como a sede do governor, abandonada em troca do que deve- ria ser a "resid~ncia de verito" A radicalidade verbal nito est8 permitindo ao paraense ver o rumo da sua histdria e encontrar, nas alternatives oferecidas pela c~dula eleitoral, um if- der capaz de exercer a pedagogia da descoberta de seu destiny, o lugar onde tem que estar a sua von- tade. O que hi s~lo fantasmas de um passado inse- pulto ou nomes potencialmente capazes, mas que tamb~m niio foram capazes de ver a hora e estar presents no exato memento de passar o trem da hist6ria. O ParB vive a farsa e a comidia. Hg de pa- gar carol por isso. O trem esta passando, vazio. O Jornal Pessoal volta a circular, agora em edigao especial. Foi a Unica maneira que encontrei para fazer chegar ao pdblico algumas observagC~es sobre a campanha eleitoral no ParB. Infelizluente, nio hsi outra alternative. Exatamente tr~s anos atris, tive que fundar o JP para divulgar o resultado da investigation de trbs meses que empreendi sobre o assassinate do ex-deputado Paulo Fonteles. O mi'ximo do que se conseguiu apurar sobre executo- res, intermediirios e mandantes do crime saiu nas piginas deste journal. Naio 6 uma faganha de que me orgulhe: o JP 6 (ou era) suficientemente pequeno para a gigantesca tarefa de fazer as engenagens ofi- ciais se mexerem na busca da verdade, ainda que ela fosse inc6moda aos poderosos. No Brasil, essa tarefa deve ser desempenhada pela grande imprensa. No ParB, a imprensa se encolheu ou se acumpliciou mais do que serfamos capazes de imaginar, nos mo- mentos de maior pessimismo. Como cidadlio e como jornalista, niio poderia aceitar passivamente o desfile de inverdades e ma- nipulag~es. Volto a este jornalzinho nao por causa de interesses contrariados ou para ferir eventuais inimigos, mas para tentar ajudar cidadaos com me- nos aceso is informagdes a former seu jufzo com base em fats, ou ao menos numa interpreta~gio dos fats sem vicios de origem. E um desafio, para a geragilo que chegou g idade da razao combatendo a censura political e um regime autorit~rio, ver fluf- rem mais de tr~s anos sem o esclarecimento de cri mes, como o assassinate de Fonteles embora viva- mos sob o estatuto formal de uma democracia. Mais do que um desafio, 6 o atestado da omissio, da co- niv~ncia ou da impot~ncia de toda uma sociedade, incapaz de desvendar e punir atos de violdncia tlo ba'rbara como o assasinio de um cidadlio executado sem a menor possibilidade de reagilo. O trinsito sem julgado desses crimes estimula os prdximos, desencadeando efeitos em cadeia que resultam no quadro ca6tico que nos ameag~a. Jornalista testado por 25 anos de exercicio professional, sei quando 6 precise travar pelo bom sensor o tom de indignsgio que nos leva a escrever, se queremos que c escrite chegue a Ipdblico maior atrav~s de grande imprensa. O artigo de capa desta ediglio foi escrito sob essa premissa, mas ainda as- sim vejo-me obrigado a superar dificuldades pes- soais e objetivas se quiser que o que escrevi vi al~m dos meus limits dom~sticos. Nao e' uma situa- g~o confortadora para um jornalista; tamb~m nao o 6 para a imprensa enquanto instituigilo com suas rafzes fincadas na opinitio pdblica. HE de haver um espago entire os interesses politicos e as convenian- cias comerciais para o exerefcio da pluralidade, se queremos ver a tenra plantinha da democracia ger- minar e florescer, ao inv~s de sempre fenecer no abafa dos poderosos de plantao, como lamentava Octivio Mangabeira. Esta 6 uma condigaio qlue deve ser respeitada tanto pela imprensa como pela socie- dade em geral e os politicos em particular. Uma vez inventado o veneno, 6 impossivel evitar que ele seja usado contra o inventor. Na political brasileira ab- solutista, a criatura invariamente se volta contra o criador quando chega ao comando dos mecanismos do poder. Os velhos udenitas, eternas carpideiras de quartel at6 1964, deram (como Adaucto L~cio Car- doso, Mem de SE ou Carlos Lacerda) ou podem ain- da dar testemunho a respeito. Hg tambem exemplos domisticos nas linhagens de Jarbas Passarinho - Alacid Nunes Jader Barbalho Hdlio Gueiros: por ocasiao do invento, reclamaram a paternidade da obra; quando renegades, a repudiaram como coi- sa satilnica. HE um fio da meada nesse novelo poli- mdrfico e furta-cor: na hora da decision. o interesse pessoal prevaleceu sobre o interesse pdblico. As entranhas, portanto, sito as mesmas. Niio 6 g toa que os "circulos bem informados" desfiam histdrias de corrupqilo, nepotismo, trifico de influ~ncia e fraudes que abalariam os alicerces do Estado ou da Repdblica se esses "causos" pu- dessem tornar-se de dominio pdiblico. Nesse privi- legiado circuit das pessoas que estlio "por den- tro", entretanto, niio ha o empenho de documentary as histdrias ou, tendo-as sob provas, permitir que elas sejam apresentadas ao distinto pdblico. Infor- ma~gio tornou-se instrument de poder. Quem sabe, quer saber apenas para poder mais do que o compe- tidor, usando a informagiio como arma numa guerra muito particular. Daf porque um novo governador acusa o antecessor de ladrilo, mas niio se preocupa em provar o roubo e muito menos em puni-lo. O cruzado de plantlio C aquele que ainda niio ocupou o Ao mnenos umna hist6ria trono, umn element de sedugIo que sd deixard de destrogar carreiras no dia em que a fiscalizagIo do Executive pela sociedade for mais do que imagem de retdrica em palanque. Para que chegue esse dia, a impre~nsa precisa ser mais do que um negdcio, que qualquer soba de ocasiio possa corromper, intimidar on tomar como edmnplice. ]Essa tarefa cumpre, em primeiro lugar, A prdpria imprensa desempenhar. A frase herdica de qu~ie opinaiao nao se vende nem sempre se sustenta fora da cercadura de um am~incio publicitbrio. Mas a culp~a nIo 6 sdj de uma imprensa que d~o consegue preservar~ ksua minima identidade com os fats. E responasabilidade tamb6m de uma sociedade que lava as mios e a~ceita, como definitivas, limitag~es mu- tiveis, embora custosas, sofridas. Este ndmrero do Jornal Pessoal result, mais uma vez, de umn esforgo para impedir que as estdrias caricatas montadas pelos inquilinos do poder pas- sem por histbrias reais g Histdria que hB de vir, ou que nao vird, se continuarmos achando que ela seri escritai sem a nossa participagio, num falso c~u que os incr us se incumbem de criar. A democracia sem liberdade Demo~cracia & ligio de liberdade. Sem liberda- de, a demnocracia torna-se apenas um jogo formal- menate aberto, mas na pritica viciado, de cartas marcadas. A democracia custom muito sangue aos ingleses, mas quando a estabeleceram foi de vez, para nuanca mrais ser revogada. Os colombianos es- tio pagando sangrentamente pela falsa democracia que imaginavam praticar, bitolados ao sobe-e-desce de liberals e conservadores. O Brasil pode, mais umroa vez, estalr apcompanhando a regra enervante das democracias a titulo precsirio deste lado de cB do hemisf~rio . O ParB, hparticularmente, parece padecer de al- guma maldigio especial. Tradicionalmente, 6 o 6l- timo Estado a concluir a apuragio de votos, uma lentiddo quae nao pode ser explicada apenas pela ar- caica estruturra eleitoral montada no interior. Ela existe, mas as causes do atraso, estabelecidas sob uma vast base territorial, tamb6m podem ser bus- cadas no fisiologismo da pritica political. Estreitada a margem de liberdade, o cidadao torna-se vi~tima dos que podem mandar. O ritmo e a amplitude das campanhas political dependem mais das fluatuag6es de humor, sempre subjetivas, do que das normas definidas categoricamente nos cddigos. A interpr~etagio 6 forgada para tender as conve- nitncias do memento. A$ liberdade de imprensa, por exemplo, costu- ma ficar em suspense pelos que comprometem seu jornalislmo com uma das facqbes. Atacado nas pigi- nas de O Liberal pelo filho do governador, nio consegui publicar minha resposta no prdprio journal. Depois de 418 horas, nio consegui sequer que a di- regio do journal assumisse uma posigio mais clara. Seus representantes davam justificativas, lateral- ;/ jafgq gy~ forma de cansar o postulante do direito. Ricrsarg. 7recurso g Justiga, demorado, sujeito a -chuvas at voadas (a Justiga costuma ter uma sen- ~lid~es paro tempo mais afinada do que a Mete- f ~~giane, ~inda por cima, obrigando um jornalista instrument que tem proporcionado a Aoinv6s de alimentar a liberdade da im- p se esta nio se dd ao respeito, o que se \ osopo para mim restou o console de dar a sp ao sr. H61io Gueiros Jr. atravis de A v ia arai. Mas quantos nio slo atirados B ura? Quando a Justiga nio 6 capaz de re Fe~s~ ireitos reconhecidos nas leis, a situaSio favorece os despotismos, as "solug~des" mann mili- tari, a lei do mais forte. E dessa maneira os inimos ficam cada vez mais exaltados, sem que disso re- sulte qualquer avango social ou politico. E um aftido retrocesso a censura aos progra- mas da propaganda eleitoral gratuita no rlidio e na televisio. O program 6 do TRE. O program 6 da sociedade. O TRE 6 intermedidrio e o coordenador. Nlo pode, entretanto, agir de modo prdprio. Como todos os advogados estio cansados de saber, quan- do o saber nio contradiz seus interesses, a Justiga s6 age quando provocada. um principio universal e remonta is origens do Direito. Como, entio, pode o TRE censurar o que dizem os candidates, baseado nos crit~rios subjetivos do juiz de plantio? Sd os candidates e o eleitor podem arbitrar o que deve ser cortado. Os candidates, 6 claro, recorrendo ao Tri- bunal e nio este exercendo um poder de iniciativa que nho 1he cabe. Assim como est8 sempre atrasado na apurag5io dos votos, o Tribunal interv~m sd depois de os contendores se acusarem mutuamente, sem que ge- ralmente qualquer deles tenha se utilizado do ins- trumento legal, o recurs. Age, assim, ex-oficio. E age mal. O resultado 6 a redughio do espago para discussio de id~ias sob o pretexto de nio se permi- tir as agressdes pessoais. Estas sempre prevalecem. As id6ias, eva~poram-se. Sho preferiveis os excesses de oratdria g timi- dez compulsdria. Basta que as responsabilidades possam ser cobradas no foro adequado, o judicial, com as penalizag6es correspondents, ao Invis de se estabelecer uma doutrina pela margindlia do Di- reito. E assim que se pratica e se aprende a demo- cracia. Quando poderemos aprender essa li~go? Ao leitor Este exemplar do Jornal Pessoal est8 sendo distribufdo gratuitamente aos antigos assinantes. Ningu~m 6 obrigado a pagar pelo journal. Mas doa- C6es (de qualquer valor) ser~io bem recebidas, se re- sultarem de iniciativas espont~neas dos que quise- rem dividir os encargos da edigio, para mim com- pulsdria. As eventuais doag6es podem ser encami- nhadas para o mesmo enderego (rua Aristides Lobo, 871, Bel~m, Pardi, 66.020). L~cio FIdvio de Faria Pinto. |
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